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Histórias de Sucesso
EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS
ORGANIZADO POR MARA REGINA VEIT

Histórias
de Sucesso
EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS

BELO HORIZONTE - 2003


Copyright © 2003, SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É permitida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por
qualquer meio, desde que divulgadas as fontes.

Este trabalho é resultado de uma parceria entre o SEBRAE/NA, SEBRAE/MG, SEBRAE/RJ, PUC-Rio, IBMEC-RJ

Coordenação Geral
Mara Regina Veit
Coordenação e Concepção do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso

Supervisão
Cezar Kirszenblatt
Daniela Almeida Teixeira
Renata Barbosa de Araújo

Apoio
Carlos Magno Almeida Santos
Dennis de Castro Barros
Izabela Andrade Lima
Ludmila Pereira de Araújo
Murilo de Aquino Terra
Rosana Carla de Figueiredo
Sandro Servino
Sílvia Penna Chaves Lobato
Túlio César Cruz Portugal

Produção Editorial do Livro


Núcleo de Comunicação do Sebrae/MG

Produção Gráfica do Livro


Perfil Publicidade

Desenvolvimento do Site
Daniela Almeida Teixeira
bhs.com.br

Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas


SEBRAE
Armando Monteiro Neto, Presidente do Conselho Deliberativo Nacional
Silvano Gianni, Diretor-Presidente
Paulo Tarciso Okamotto, Diretor Administrativo-Financeiro
Luiz Carlos Barboza, Diretor Técnico

SEBRAE-MG
Luiz Carlos Dias Oliveira, Presidente do Conselho Deliberativo
Stalin Amorim Duarte, Diretor Superintendente
Luiz Márcio Haddad Pereira Santos, Diretor de Desenvolvimento e Administração
Sebastião Costa da Silva, Diretor de Comercialização e Articulação Regional

SEBRAE-RJ
Paulo Alcântara Gomes, Presidente do Conselho Deliberativo
Paulo Maurício Castelo Branco, Diretor Superintendente
Evandro Peçanha Alves, Diretor Técnico
Celina Vargas do Amaral Peixoto, Diretora Técnica
O projeto
O Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso foi criado para que histórias emocionantes de
empreendedores, que fizeram a diferença em sua comunidade, em suas empresas, em suas
instituições, possam ser conhecidas, disseminadas e potencializadas na construção de novos
horizontes empresariais.

O método
O livro Histórias de Sucesso foi concebido com o intuito de utilizar o método de estudo de
caso para estruturar as experiências do Sebrae, e também contribuir para a gestão do
conhecimento nas organizações, estimulando a produtividade e capacidade de inovação, de
modo a gerar empresas mais inteligentes e competitivas.

A Internet
A concepção do Projeto Estudo de Casos para o Portal Sebrae www.sebrae.com.br pretende
divulgar e ampliar o conhecimento das ações do Sebrae e facilitar para as instituições e
profissionais que atuam na rede de ensino, bem como instrutores, consultores e instituições
parceiras que integram a Rede Sebrae, um conteúdo didaticamente estruturado sobre
pequenas empresas, para ser utilizado nos cursos de graduação, pós-graduação, programas de
treinamento e consultoria realizado com alunos, empreendedores e empresários em todo o
País.

O Site dos Casos de Sucesso do Sebrae, foi concebido tendo como referência os modelos
utilizados por Babson College e Harvard Business School , com o diferencial de apresentar
vídeos, fotografias, artigos de jornal e fórum de discussão aos clientes cadastrados no site,
complementando o conteúdo didático de cada estudo de caso. O site também contempla um
manual de orientação para professores e alunos que indica como utilizar e aplicar um estudo
de caso em sala de aula para fins didáticos, além de possuir o espaço favoritos pessoais onde
os clientes poderão salvar, dentro do site do Sebrae, os casos de sucesso de seu maior
interesse

A Gestão do Conhecimento
A partir das 80 experiências empreendedoras de todo o país, contempladas na primeira etapa
do projeto – 2002/2003, serão inseridos em 2004 outros casos de estudo, estruturados na
mesma metodologia, compondo um significativo banco de dados sobre pequenas empresas.

Esta obra tem sido construída com participação e dedicação de vários profissionais, técnicos
do Sebrae, consultores e professores da academia de diversas instituições, com o objetivo de
oportunizar aos leitores estudar histórias reais e transferir este conteúdo para a gestão do
conhecimento de seus atuais e futuros empreendimentos.

Mara Regina Veit


Gerente de Atendimento e Tecnologia do Sebrae/MG, Coordenadora do Sebrae da Prioridade
Potencializar e Difundir as Experiências de Sucesso 2002/2003, Concepção do Projeto Desenvolvendo
Estudo de Casos e Organizadora do Livro Histórias de Sucesso – Experiências Empreendedoras.
Pedagoga, Pós-graduada:Treinamento Empresarial/PUCRS, Administração/ UFRGS, MBA/ Marketing-
FGV/Ohio, Mestranda Administração/FUMEC-MG, autora do livro Consultoria Interna - Use a rede de
inteligência que existe em sua empresa. Ed. Casa Qualidade - 1998.
COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA
HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO
PERNAMBUCO

INTRODUÇÃO

A agricultura de subsistência era uma das características do


distrito de Sapucarana, município de Bezerros – PE, embora já
houvesse núcleos com produção sistemática, voltados a atender ao
mercado.
A falta de perspectiva para o desenvolvimento social e para a
melhoria das condições de vida da comunidade era preocupante:
campeava o desemprego rural, ao lado da pobreza; as crianças se
criavam com as dificuldades trazidas pela desnutrição e também sem
perspectivas futuras.
Modificar este quadro com poucos recursos financeiros,
produzindo resultados de profundidade, era o desafio a ser vencido.
Foi, nesse contexto, que surgiu a COERSA – Cooperativa Empresarial
Rural de Sapucarana.

Maria Marisete da Silva, funcionária do Sebrae Pernambuco, elaborou o estudo de caso sob a
orientação de César Simões Salim, baseado no curso Desenvolvendo Casos de Sucesso, realizado
pelo Sebrae, Ibmec-RJ e PUC-RJ.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


PLANTIO DE REPOLHO DO SR. JOSÉ RINALDO DA SILVA,
COM IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003

PLANTIO DE TOMATE ENVARADO LONGA VIDA


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 3

CONHECENDO A REGIÃO DA COERSA

A sede da COERSA está situada no distrito de Sapucarana,


município de Bezerros, distante 100 km do Recife, capital do Estado.
A cooperativa abrange mais de cinco municípios, todos interligados
geograficamente e situados no agreste central de Pernambuco. A
região traz, na sua aparência, vegetações típicas do semi-árido
nordestino, agreste, mata de microclimas de altitudes, com variações
que vão da palma forrageira e outros cactos até as espécies arbóreas
da mata atlântica.
A vegetação característica da região é a agreste, com relevo
acentuado, presença de encostas, morros e áreas planas. Quanto ao
solo, este é, em boa parte, franco argiloso.
O potencial hídrico de 128 reservatórios, açudes, em 2002, já
garantia um planejamento de produção da cooperativa, para três anos
sem chuva. Alguns dos açudes possuem fontes naturais de água.
A população de Sapucarana era de 5.600 habitantes, segundo
dados do IBGE – censo 2000, e, a sobrevivência local, era garantida
pela horticultura irrigada.

O CASAMENTO DA PRODUÇÃO HORTÍCOLA COM A REGIÃO

A exploração da horticultura e tomaticultura nessa região do


agreste central de Pernambuco vem de gerações passadas, sobretudo
no que se refere ao cultivo do tomate de mesa, costuma-se dizer que
é uma "atividade passada de pai para filhos".
No entanto, métodos ultrapassados e pouco produtivos do ponto
de vista tecnológico sempre marcaram essa experiência, caracterizando-a
como de natureza subsistente.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 4

CENÁRIO POLÍTICO – SOCIAL ANTERIOR

“S apucarana era um lugar esquecido."

Esta frase é do Sr. José Rinaldo da Silva, Diretor Presidente da COERSA,


referindo-se tanto à participação dos órgãos públicos e de fomento na
localidade, quanto pelas iniciativas de poder da própria comunidade,
em relação ao seu desenvolvimento e ao seu bem-estar social.
No lugar, não havia telefones, correios ou outro sistema de
comunicação que pudesse facilitar a promoção das iniciativas locais de
desenvolvimento.
As estradas de chão batido, ligando o distrito à BR-232 (estrada
que une Sapucarana ao Recife), aos plantios e aos municípios da
cooperativa, tinham manutenção inconstante, e isso dificultava os
acessos.
Não existiam redes de esgoto e o calçamento do distrito se limitava
a uma parte da rua principal.
A juventude local muito cedo abandonava o trabalho de campo,
pela falta de atrativos. Alguns migravam para grandes centros urbanos
do estado e do sudeste.
A baixa auto-estima da população, sobretudo dos jovens, podia
ser vista pela reduzida motivação na participação das atividades
coletivas ou associativas locais.
Reunir 25 produtores para iniciar a cooperativa foi um esforço que
durou de 1998 a 2000.

Coordenação Técnica do Projeto: Alexandre Alves e Maria Marisete da Silva.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 5

CENÁRIO POLÍTICO-ECONÔMICO ANTERIOR

A pesar da tradicional experiência da região no trabalho com a


produção hortícola e do tomate de mesa, a característica deste modelo
de produção era o da subsistência, fundamentado no padrão
tradicional da prática da agricultura nordestina, nas atividades rurais de
base familiar.
Uma investida empreendedora, com padrões de inovação, não
passava na cabeça dos produtores, que assistiam, de forma ansiosa, a
cada dia, à impraticabilidade da sua atividade tradicional e, por sua
vez, das possibilidades de sustento das suas famílias, com o trabalho
que sabiam fazer.
O modelo de atuação consistia em:
• Tanto a produção quanto a comercialização se dava de forma
individualizada e sem planejamento.
• A desinformação do mercado e a falta de tecnologia atingiam a
maioria do grupo de 25 produtores. Na época, apenas um
produtor dispunha de tecnologia por gotejamento.
• Antes da cooperativa, a área plantada era de apenas 270 ha.
• Não havia qualificação da mão-de-obra, em todos os níveis da
cadeia produtiva, nas áreas de plantio, tecnológica e gerencial.
• A falta de perspectivas e de investimentos no campo promovia
grande desinteresse nas populações locais, sobretudo na
juventude rural, que desempregada, cada vez mais engrossava
as fileiras dos retirantes nordestinos.
• A falta de acesso ao crédito formal, aliada aos altos custos da
produção e comercialização, e mais ainda a total dependência
de empréstimos pessoais, sempre com juros mais altos que os
do mercado, provocavam um elevado grau de inadimplência
dos produtores, gerando mais dificuldades de acesso ao crédito.
• O baixo rendimento mensal, a que estavam sendo submetidas
as famílias rurais de Sapucarana, média de R$ 250,00 por mês
(dados da Coersa), contribuía cada vez mais para os níveis de
empobrecimento da localidade.
• O mercado, além de reduzido, era totalmente desconhecido dos
produtores, que negociavam sua produção apenas com atravessadores.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 6

• A falta de terras e a natural dependência de arrendamento,


somadas ao alto custo da atividade e sua baixa competitividade
no mercado, não estimulavam o aumento da área plantada e
tampouco o surgimento de novos empreendedores.
• Não havia nenhum tipo de organização entre os produtores,
para discussão e implementação dos seus negócios rurais. Em
Pernambuco, a lei de tributação do ICMS favorecia a entrada de
produtos de outros estados em detrimento da comercialização
interna.
• Uma dificuldade adicional era a falta de infra-estrutura física
para incentivar a criação de processos de organização da
produção.

E ASSIM FOI O NOSSO COMEÇO...

E m 1998, por iniciativa do então PRODER – Programa de


Emprego e Renda, do Sebrae, a comunidade foi estimulada a participar
de um curso de Capacitação Rural, que culminou com a constituição
de uma cooperativa de produtores rurais, como forma de gestão do
seu agronegócio e de agregação de valores à cadeia produtiva, para
elevação da renda "da porteira para dentro".
"No princípio, as coisas foram bem mais difíceis", afirmou o Sr. José
Rinaldo, Diretor Presidente.
Para reunir 25 pessoas interessadas em formar a cooperativa, foi
uma atividade que exigiu muita persistência e o processo durou de
1998, a partir do curso de capacitação, até março de 2000, quando,
enfim, foi constituída a COERSA, no dia 14 do mês.
A falta de crença em novas condições e possibilidades para o
lugar, e em seu desenvolvimento é o que foi preciso vencer no início
de processo de construção.
Acreditar no seu potencial empreendedor foi o grande desafio dos
25 sócios fundadores, que atualmente exibem com muito orgulho a
iniciativa.
HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003
COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 7

ANTEVENDO UM MUNDO MELHOR 1

A cooperativa implementou suas estratégias visando modificar


seu nível de capacitação em termos de gestão, inovação, produção e
recursos humanos. Esses fatores determinaram o desempenho
competitivo da COERSA, que então procurou, com base nas vantagens
que reunia, diferenciar-se por meio de preço, habilidade de servir ao
m e rcado, esforço de venda, qualidade do produto, agilidade na
entrega, de acordo com o padrão de concorrência vigente no mercado.
As vantagens competitivas são sempre temporárias, porque os
concorrentes procuram sempre alcançá-las. São, portanto, vantagens
mutáveis no tempo e devem ajustar-se às transformações que ocorrem
nos campos tecnológicos, organizacional e no ambiente econômico de
forma geral.
Nas últimas décadas, testemunharam-se profundas mudanças no
processo de desenvolvimento mundial, a partir da emergência do novo
paradigma técnico-econômico, baseado na microeletrônica, tecnologia
de informação e comunicação e na produção flexível. Como
conseqüência, assistiu-se ao movimento de globalização de mercados,
em busca de atrair capitais.
Pode-se, então, dizer que o interesse pela competitividade para
estes produtores aumentou forçosa e rapidamente, em virtude do
crescimento agressivo de outras localidades, dentro e fora do Estado.
Para acompanhar esses efeitos as cooperativas perseguiram as
tendências globais: a formação de um bloco econômico, unido ao uso
de tecnologia de informação e redução nos custos de produção.
Nas últimas décadas, iniciativas do terceiro setor, como a COERSA,
contribuíram para a geração de renda e melhoria das condições de
vida das populações, além de aumentar a produção, trazendo uma
série de benefícios à qualidade de vida da sociedade.
O que se percebe é que o terceiro setor, em consonância com o
governo, tem enfrentado e respondido com sucesso aos problemas nas
áreas de educação, habitação, saúde e outros.
1
Dados em grande parte extraídos de documento da COERSA – "Um Modelo de Sucesso
Empresarial de Sapucarana" (setembro 2001).

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 8

As cooperativas bem estruturadas já se mostraram capazes de


driblar as crises e de enfrentar os efeitos da globalização.
Vários são os exemplos de cooperativas que deram certo, e a
Cooperativa de Sapucarana tem sido um desses exemplos.

NOSSAS CONQUISTAS ECONÔMICAS

“A gricultores criam cooperativa, vencem dificuldades e geram


empregos".

Esta é a frase de uma matéria da revista Direção Empresarial, do


Sebrae/PE, publicação bimestral – nº 03-2001, referindo-se à COERSA.
Já o Jornal do Commercio, de circulação estadual em Pernambuco,
em 20 de outubro de 2002, no Caderno B - Economia, se refere à
Cooperativa, como

"Os maiores produtores do estado, com 75% da produção de


tomate".

"Os tomates da COERSA abastecem não apenas as cidades de


Pernambuco mas também Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas,
Piauí, Paraíba, Maranhão, Pará e até Goiás, um dos grandes
produtores do país". Esses dados são da Revista Conexão Empresarial
– Sebrae, de novembro de 2001.

É com esta imagem positiva que a COERSA apresentou resultados


em áreas estratégicas, como:
• A comercialização, antes individualizada, passou a acontecer 100%
de forma coletiva.
• A irrigação por gotejamento evoluiu de 1 para 98 produtores (2002).
Esse fato garantiu uma economia d’água da ordem de 92%, segundo
os dados da COERSA.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 9

• A informação do mercado, que antes era um trunfo do


" a t r a v e s s a d o r ", passou a chegar diariamente à cooperativa, via
internet.
• A prática da capacitação de toda a cadeia produtiva passou a ser
uma necessidade e virou rotina na cooperativa, com uma média de
550 horas-aula, nos anos de 2001-2002, promovidas através das
parcerias Sebrae e OCEPE.
• A juventude local passou a ganhar interesse pelo trabalho no campo,
atraindo um percentual de 58% de pessoas jovens da faixa etária de
24 a 40 anos:

DISTRIBUIÇÃO ETÁRIA DOS SÓCIOS DA COERSA – 2002


Faixa etária Quantidade %

18 – 23 07 9,0
24 – 30 23 31,0
31 – 40 20 27,0
41 – 50 13 18,0
51 e mais 11 15,0
Fonte: Diagnóstico Organizacional da COERSA – Unicentro Newton Paiva/Centro de Estudos
Econômicos do Sebrae/MG (Curso Ópera)

• O fantasma da inadimplência, também por parte dos compradores,


ameaçava a vida dos produtores e da atividade. A prática da
cooperativa de passar a ser exigente com a escolha dos seus clientes
garantiu uma redução na inadimplência de 28% para 12%.
• O padrão de vida da população melhorou e isso é mostrado pelo
aumento de renda familiar de R$ 250,00 para R$ 450,00 (dados da
COERSA).
• A COERSA, através do seu Conselho de Comercialização (composto
por 17 produtores com conhecimento do mercado e domínio de
vendas), já abastece os mercados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe,
Piauí, Paraíba, Maranhão, Pará, Goiás, Minas Gerais e Bahia, com
registros de vendas também para o Rio de Janeiro e São Paulo. Para
estimular ainda mais as ações desse Conselho, existe uma remuneração
por parte dos compradores, repassada através de comissões,
calculadas por caixa de produtos.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 10

• A COERSA viabilizou, em 2002, na safra do mês de novembro, o


n ú m e ro de 3.200 ocupações rentáveis no campo, incluindo os
sócios, familiares, trabalhadores temporários e permanentes. Os
trabalhadores passaram a receber uma diária de R$ 10,00, o que lhes
garantiu um rendimento superior ao salário mínimo vigente.
• A falta da posse da terra que ainda atinge 98% (dados da COERSA)
dos pro d u t o res começou a sinalizar para melhores dias, pela
expectativa de liberação de um projeto enviado ao Governo do
Estado, por meio do FUNTEPE – Fundo de Terras do Estado de
Pernambuco, que prevê a compra de uma fazenda para a
cooperativa.
• A dificuldade de local de reunião e de criação dos processos de
organização da cooperativa foi superada com a compra do seu
prédio de funcionamento, mas foi a aquisição do galpão
denominado "Casarão de Sapucarana", com 312 m2, que resolveu as
necessidades de apoio para reuniões, assembléias, cursos e outras
atividades.
• A Lei nº 12.240, de 28 de junho de 2002, foi criada para atender a
uma reivindicação da COERSA: passou a garantir um tratamento
diferenciado para os produtores de tomate, o que reduziu custos e
aumentou lucros. Essa lei viabilizou a competitividade do
empreendimento cooperativo, com uma tributação agora de 5% nas
saídas internas e 12% nas saídas externas, o que antes era a pauta
de 17% para as saídas internas e externas (COERSA). A Cooperativa
já produzia com regularidade e maior intensidade, em 2002, as
seguintes variedades: tomate, pimentão, acelga, repolho, milho
verde, couve-flor, pepino, feijão, vagem, berinjela, chuchu, limão,
abobrinha, repolho roxo e maxixe. A partir de então passou a
abastecer o Estado em 75% do tomate, 62% do milho verde e 48%
do pimentão (CEAGEPE - Central de Abastecimento do Estado de
Pernambuco).
• A cooperativa também apresentou uma evolução de 270 hectares
plantados, no seu início, para 1.500 em 2002 e um aumento também
no número de cooperados de 25 para 100, tão logo os aspectos da
produção e comercialização passaram a ser profissionalizados.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 11

VIVER EM SAPUCARANA FICOU AINDA MELHOR

“E u nasci em Sapucaia (antigo nome de Sapucarana)


e vou morrer em Sapucaia".

Esta afirmação foi do Sr. Israel de Judite (2001), falando do amor


que sentia por sua terra, depois de ter precisado migrar para outros
lugares.
Foi nesta perspectiva que conseguimos visualizar de fato a grande
importância que a cooperativa teve na vida das pessoas e da
comunidade. A cada dia, o distrito e a região tornaram-se um lugar
melhor de viver, com melhores e mais dignas condições de
sobrevivência.
A condição de isolamento a que estava submetida a vila de
Sapucarana era coisa do passado. O lugar que não dispunha de
telefones ou correios passou a ter internet.
As estradas de acesso aos plantios ganharam da prefeitura local
um tratamento melhorado, com sistemática manutenção. Ampliaram
também o calçamento das ruas, e as redes de esgotos passaram a
existir em pequenas áreas (COERSA).
A participação da juventude aumentou a um só tempo na
cooperativa e no campo da produção e na vida da comunidade, o que
se refletiu na participação em reuniões, festas e outros movimentos
sociais.
No Projeto Criança Ativa, de combate à desnutrição infantil, em
parceria com a Pastoral da Criança e do Adolescente, a juventude local
por meio dos agentes de saúde, tem presença definida na articulação
e mobilização da comunidade.
Também passou a ser valorizada, com a implementação de
programas específicos, a promoção do jovem reconhecendo neste a
ponte para o futuro, com responsabilidade direta na difusão dos
valores e práticas locais. O estímulo foi dado não apenas por sua
atuação na COERSA, mas sobretudo, no desenvolvimento de massa
crítica para o exercício da cidadania e bem estar pessoal.
Com a criação da COERSA, Sapucarana deixou de ser "um lugar
esquecido". Agora, passou a ser rotina a chegada de visitantes na

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 12

localidade, para conhecerem a experiência de sucesso cooperativo


local.
Essas visitas são constantemente feitas por universidades,
empresas públicas e privadas e ONGs. Nos últimos meses caravanas de
estudantes da UFRPE têm visitado a iniciativa com o objetivo de trocar
conhecimentos. Alunos dos cursos de Especialização em Cooperativismo 2

escolheram esse modelo cooperativo como elemento de estudo nos


seus projetos de intervenção pedagógica.

CONCLUSÃO

A ntes da Cooperativa
Emprego não existia
Sem ter oportunidade
O povo não produzia
Quando a COERSA chegou
O povo se integrou
A situação mudou
E cresceu a economia
O que já foi conquistado
Precisa ter garantias
Aumentar o capital
Ampliar as parcerias
E transformar ainda mais
Os empréstimos pessoais
Em créditos oficiais
Pra termos mais melhorias
Com mais de três mil empregos
Que a COERSA tem gerado

2
Curso Opera – Unicentro Newton Paiva – Centro de Estudos Econômicos do Sebrae/MG
(2001) – XIV Curso de Gestão em Organizações Associativas e Cooperativas.
Universidade Federal Rural de Pernambuco – Departamento de Educação – Programa de
Associativismo para o Ensino, Pesquisa e Extensão – PAPE (2002).

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 13

Sapucarana tornou-se
Um distrito respeitado
O trabalhador rural
Agora está empregado
Sem sair dos seus redutos
Mostrando em todos produtos
Que a cooperação dá frutos
No Agreste do Estado.
Rogério Meneses Sobrinho – Poeta Repentista/PB.

Por tudo que foi feito até agora e com sucesso consagrado, o
modelo positivo de organização da COERSA foi reconhecido pela OCB
– Organização das Cooperativas do Brasil, em 2001. Destacou-se na
cooperativa a preocupação em atender aos aspectos econômicos
empresariais com os componentes sociais da comunidade.
A existência da cooperativa influiu tanto na melhoria do bolso dos
produtores, e trabalhadores do campo, quanto no prazer de produzir
e de viver de forma mais suave e alegre, no seu lugar de origem.
Apesar das dificuldades destes produtores, com grandes limitações,
começando pelo fato de não terem a posse da terra, o que se verificou
foi o exemplo de confiança no seu potencial e uma grande capacidade
de transformar dificuldades em facilidades, até a mudança de um
comportamento de espera dos poderes constituídos, para uma tomada
de posicionamento nas decisões dos seus processos de desenvolvimento
local pela sociedade.
A constituição de parcerias estratégicas garantiu o nascimento da
experiência e os resultados alcançados em 2002. Mas, sem dúvida, dela
dependerá também a sustentabilidade do modelo.
Os pro d u t o res entenderam a importância destas parcerias e, por isso,
não só conservam as existentes, mas têm a atitude de buscar
permanentemente a constituição de novas, envolvendo governos,
órgãos técnicos, empresas privadas, ONGs e outras.
O grande desafio da COERSA foi o de transformar ameaças em
oportunidades, o que lhes garantiu, em dois anos de funcionamento,
tantos resultados, com efeitos diretos nos campos econômico e social.
A partir de 2002, a sua maior luta passou a ser a garantia da
sustentabilidade do seu projeto.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 14

"Aprender a pescar" e perseguir sua própria luz foi a grande diretriz da


cooperativa que, desde seu início, trabalhou com esta consciência e
continuou perseverando com a elaboração de projetos prioritários e
imediatos.
Os sonhos começaram a tomar forma com a elaboração de projetos
de apoio à sustentabilidade. Foi encaminhado um projeto para
implementação de agroindústria do tomate e pimentão desidratados
para a IAF (Fundação Interamericana) de financiamento de projetos
sociais.
No campo de fortalecimento e valorização dos jovens, o Projeto
"Criança Ativa" continuou sendo uma prioridade.
Em paralelo, a aquisição de terras e a diversificação de atividades
que promovessem a integração regional sempre consistiu em uma das
preocupações com o futuro: para o ano de 2002 trabalhou-se a
implementação de um projeto de Turismo Rural e Domiciliar, em
parceria com a Prefeitura Municipal de Bezerros, Sebrae e COERSA,
para o aproveitamento tanto das riquezas naturais da região, quanto do
fluxo de pessoas que passaram a visitar a vila.
A organização social, que sempre foi o foco e consistiu no fator de
sucesso do empreendimento, continuou nas prioridades da COERSA
com a criação de um Sindicato dos Tomaticultores e Horticultores do
Estado de Pernambuco e abriu-se a possibilidade de criação de uma
Cooperativa de Crédito, viabilizando os recursos necessários para os
negócios rurais.
A COERSA valorizou a capacitação e a constituição de parcerias
como suas maiores prioridades.
O exemplo da COERSA transformou a região onde está inserida em
um modelo de organização capaz de auxiliar ou motivar outras
experiências ou grupos de produtores, que desejassem empreender,
mesmo dispondo de poucos recursos.

Contatos com a Coersa:


Rua São Sebastião, s/n.º - Centro - Sapucarana - Bezerros - PE. CEP 55.661.000
Tels.: (081) 3708-4060/3708-4058 e (fax) 3708-4018.
E-mail: coersa@uol.com.br.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003


COOPERAÇÃO DÁ FRUTOS NA HORTA DO AGRESTE PERNAMBUCANO - PE 15

PONTOS PARA DISCUSSÃO

• Como fazer para que os jovens, desde o ensino médio, aprendessem


na escola a montar negócios e a desenvolver o Associativismo
Empreendedor?

• Como fazer para aproximar, por meio de programas e ou projetos,


os conhecimentos científicos produzidos nas universidades e em
outros laboratórios das práticas cooperativas do campo, valorizando
a interiorização e contribuindo para o seu desenvolvimento?

• Como fomentar os modelos capazes de orientar o relacionamento


das pessoas em trabalhos em grupo, especialmente em cooperativas,
usando o conhecimento de profissionais desta área, para apoiar a
reprodução em outros locais de experiência de sucesso quanto à da
COERSA e de outras localidades?

Diretoria Executiva do Sebrae Pernambuco (2002): José Oswaldo de Barros Lima Ramos,
Matheus Guimarães Antunes e Renato Brito de Góes.

Agradecimentos:
Cooperados da COERSA; Parceiros do Projeto Sapucarana; Produtores Rurais de
Sapucarana; Rogério Meneses Sobrinho - Poeta repentista; Sebrae/PE.

HISTÓRIAS DE SUCESSO - EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2003