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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA

CENTRO DE EXATAS E TECNOLÓGICAS – CCET


TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

RICARDO QUEIROZ LISBOA

ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE PRÉDIOS COM ESTRUTURA


CONVENCIONAL EM CONCRETO ARMADO E ALVENARIA
ESTRUTURAL.

Belém - Pa
2008
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CENTRO DE EXATAS E TECNOLÓGICAS – CCET
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

RICARDO QUEIROZ LISBOA

ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE PRÉDIOS COM ESTRUTURA


CONVENCIONAL EM CONCRETO ARMADO E ALVENARIA
ESTRUTURAL.

Trabalho de conclusão de curso apresentado com


exigência parcial para a obtenção do titulo de Engenharia
Civil, submetido à bancada examinadora da Universidade
da Amazônia, do centro de ciências exatas e tecnológicas
elaborado sobre a orientação do Prof. MSC. Antonio
Massoud Salame.

Belém – Pa
2008
RICARDO QUEIROZ LISBOA

ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE PRÉDIOS COM ESTRUTURA


CONVENCIONAL EM CONCRETO ARMADO E ALVENARIA
ESTRUTURAL.

Monografia apresentada para obtenção do grau de Engenharia Civil da Universidade da


Amazônia - UNAMA

Orientador: Prof. MSC. Antonio Massoud Salame.

BANCA EXAMINADORA

Antonio Massoud Salame

Evaristo Rezende Dos Santos Junior

Daniel Henrique Pamplona Furtado

Julgado em: ___/___/______

Conceito: _______________
AGRADECIMENTOS

Ao Professor Antonio Massoud Salame, pela orientação durante a realização desta


pesquisa e pelo incentivo, mesmo quando enfrentadas dificuldades e divergências.
DEDICATÓRIA

A DEUS, que me deu vida e inteligência, e que me dá força para continuar a


caminhada em busca dos meus objetivos.
Aos meus pais, Mario Lisboa da Silva e Tarcila Margarete Queiroz Lisboa que me
incentivaram nessa caminhada.
Ao meu querido irmão Rogério, pelos momentos felizes vividos juntos.
Ao Professor Antonio Massoud Salame pelo incentivo e sugestões dadas para a
realização da monografia.
Aos meus amigos que em momentos de dificuldades estiveram sempre a meu lado
apoiando na elaboração de meu trabalho.
E aos demais, que de alguma forma contribuíram na elaboração desta monografia.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AE – Alvenaria Estrutural
CA – Concreto Armado
ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
ABESC – A Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem
INMETRO – Instituto Brasileiro de Metrologia
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
CB - Classificação
EB - Especificação
MB - Método de Ensaio
NB - Procedimento
PB - Padronização
SB - Simbologia
TB - Terminologia
EPS - Poliestireno Expandido
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Edifício de três pavimentos executado em alvenaria estrutural 18


Figura 2 – Modelo de estrutura em alvenaria estrutural 19
Figura 3 – Família de blocos estruturais de comprimentos 15, 30 e 45cm,largura 20
15cm e altura 20cm.
Figura 4 – Família de blocos estruturais de comprimentos 20, 40 e 35cm,largura 20
15cm e altura 20cm
Figura 5 – Argamassa de assentamento em alvenaria não armada 21
Figura 6 – Argamassa de assentamento em alvenaria armada. 21
Figura7 – Armadura utilizada na alvenaria estrutural preenchida por graute 23
Figura 8 – Detalhe do lançamento do graute no bloco de concreto 24
Figura 9 – Formas e simetria 30
Figura 10 – Disposição quanto à simetria das plantas 30
Figura 11 – Disposição das instalações elétricas – eletrodutos que passam pela laje 32
de forro ou de piso
Figura 12 – Disposição das instalações elétricas – inaceitável, inutilização da parede. 32
Figura 13 – Disposição das instalações hidrosanitárias em shafts parede. 33
Figura 14 – Disposição das instalações hidrosanitárias 33
Figura 15 – Formas dos edifícios com relação à robustez 35
Figura 16 – Formas dos edifícios com relação à proporção 35
Figura 17– . Esquema de uma estrutura de concreto armado 40
Figura 18 – Lançamento do concreto através de bombas 43
Figura 19 - Adensamento do concreto com vibrador de imersão- tipo agulha 44
Figura 20 – Planta baixa e corte vertical 51
RESUMO

Com a necessidade de ofertar empreendimentos no mercado imobiliário com a certeza de


venda, se faz necessário levar em consideração vários parâmetros, dentre os quais, a melhor
técnica construtiva para o empreendimento é de suma importância. O presente trabalho teve
como objetivo comparar a estrutura de um prédio residencial de três pavimentos em alvenaria
estrutural e em estrutura em concreto armado convencional, visando obter o mais econômico
entre os sistemas construtivos. Estabelecendo assim de acordo com as teorias e práticas suas
vantagens e desvantagens. A pesquisa é composta de duas etapas, sendo a primeira teórica.
Nesta, há uma revisão bibliográfica para determinação dos conceitos, que busca a bibliografia
mais confiável em livros e produção científica como teses e dissertações. Nesta etapa, também
se faz uma pesquisa exploratória sobre os conceitos básicos do sistema construtivo de
concreto armado e alvenaria estrutural e um levantamento de casos que vão servir como
exemplo ou modelo para o desenvolvimento do trabalho. A segunda etapa é o trabalho
propriamente dito, ele apresenta um estudo de caso e reúnem os levantamentos orçamentários
dos dois modelos e as comparações necessárias para a elaboração das vantagens e
desvantagens de cada tecnologia utilizada. Ao termino da pesquisa pode-se concluir que
prédios habitacionais de até três pavimentos em alvenaria estrutural apresentam custo menor
quando comparado com estruturas em concreto armado e paredes em tijolo cerâmico.

Palavras-chaves: concreto, alvenaria, alvenaria estrutural, concreto armado


ABSTRACT

With the need to offer enterprises in the real estate office market with the sureness of sale,
whether it is necessary to take in consideration several parameters, among them, the best
constructive technique to the enterprise is the large importance. The present study aimed to
compare the structure of a residential building of three floors in structural masonry and in
conventional reinforced concrete structure, aiming to obtain the most economical between
constructive systems. Thereby establishing in accordance with the theories and practices their
advantages and disadvantages. The search is composed of two phases, being the first
theoretical. In this, there is a bibliographic review to determination of the concepts, that looks
for the most reliable literature in books and scientific production as theses and dissertations.
In this stage, is also a exploratory research about the basic concepts of reinforced concrete
constructive system and masonry structural and a survey of cases which will serve as an
example or model to the work’s development. The second stage is the work itself, it presents a
case study and meet the budget surveys of the two models and the necessary comparisons to
the preparation of the advantages and disadvantages of each used technology. It can be
concluded at the end of the study that residential buildings which has until three floors in
structural masonry present lower cost when compared with structures in reinforced concrete
and walls in ceramic block .
Key-words: concrete, masonry, structural masonry, reinforced concrete
SUMÁRIO

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO 11
1.1 OBJETIVO DO TRABALHO 13
1.1.1 Objetivo Geral 13
1.1.2 Objetivo Específico 13
1.2 HIPÓTESE ADOTADA 13
1.3 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO 14
1.4 METODOLOGIA DA PESQUISA 14
1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO 14
CAPÍTULO II – ALVENARIA ESTRUTURAL 16
2.1 CONCEITO ESTRUTURAL 16
2.1.1 Tipos de alvenaria 18
2.1.2 Tipos de Paredes em Alvenaria Estrutural 19
2.1.3 Elementos que compõe a alvenaria estrutural 19
2.1.3.1 Unidade 19
2.1.3.2 Argamassa 20
2.1.3.3 Armadura 22
2.1.3.4 Graute 23
2.2 LISTAGEM DE CONDICIONANTES PARA O SISTEMA ESTRUTURAL DE
ALVENARIA ESTRUTURAL 25
2.2.1 Projeto 25
2.2.1.1 Importância da compatibilização dos projetos 26
2.2.1.2 Condicionantes 27
2.2.1.2.1 Arquitetônicos 27
2.2.1.2.2 Estruturais 33
2.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS 36
2.3.1 – Vantagem 36
2.6.2 – Desvantagem 37
CAPÍTULO III – CONCRETO ARMADO 38
3.1 HISTÓRICO DA UTILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL 38
3.2 CRITÉRIOS NORMATIVOS NBR 39
3.3 PROCESSO EXECUTIVO E CONTROLE DE ESTRUTURAS EM CONCRETO
ARMADO 40
3.3.1 Principais constituintes do concreto 41
3.3.2 – Modo de Preparo, Lançamento, Adensamento e Cura do Concreto 42
3.3.7 – Cura 44
3.4 ARMADURA PARA CONCRETO 45
3.4.1 Categorias e Classes 45
3.5 PROPRIEDADE DOS CONCRETOS MAIS USADOS NA CONSTRUÇÃO
CIVIL 47
3.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS 48
3.6.1 – Vantagem 48
3.6.2 – Desvantagem 49
IV – ESTUDOS COMPARATIVOS DE CUSTO ENTRE OS DOIS SISTEMAS 50
ESTRUTURAIS – ESTUDO DE CASO
4.1 APRESENTAÇÃO DO CASO 50
4.2 LEVANTAMENTO DE CUSTO ENTRE OS DOIS SISTEMAS ESTRUTURAIS 51
4.3 PARA ALVENARIA ESTRUTURAL 52
4.4 PARA CONCRETO ARMADO CONVENCIONAL 53
4.5 ANÁLISE DOS RESULTADOS 54
CONCLUSÃO 58
REFERÊNCIAS 59
ANEXOS
11

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

Com a necessidade de ofertar empreendimentos no mercado imobiliário com a certeza


de venda, se faz necessário levar em consideração vários parâmetros, dentre os quais, a
melhor técnica construtiva para o empreendimento é de suma importância.
A economia do País tem-se mostrado estável ao longo dos últimos anos, entretanto o
déficit habitacional urbano passou de 3.743.594 unidades, em 1991, a 5.297.946, em 2000,
representando um acréscimo de 41,5% com taxa de 3,9% ao ano, segundo o Censo de 2000,
realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2001). Isso mostra que tal
déficit habitacional é um dos graves problemas nacionais que, nos dias hoje, atinge
principalmente as classes de baixa e média renda.
Em face disso, sente-se a necessidade, cada vez maior, de estudos que visem a
minimização e a otimização dos custos e busquem qualidade no processo de construção civil
brasileira, a fim de atenuar o problema da moradia e possibilitar o maior desenvolvimento da
economia do País.
De acordo com Franco (1993, p. 126), “a evolução tecnológica na Construção Civil,
como qualquer outro setor industrial, tem que ser baseada na pesquisa e no desenvolvimento
tecnológico”. Vale destacar que o processo de desenvolvimento tecnológico é de vital
importância para uma empresa, pois está fortemente associado a sobrevivência dela.
Por parte dos empreendedores, existe uma crescente preocupação, por causa das
transformações da economia e das alterações do perfil do mercado, com a necessidade de
reduzir custos e de obter preços compatíveis, uma vez que há baixa capacidade de demanda e
uma atual postura do consumidor que está cada vez mais consciente em relação tanto aos seus
direitos quanto à qualidade da obra.
Nesse contexto, as empresas devem conciliar a entrada de mudanças tecnológicas, no
processo construtivo tradicional, com a organização e a gestão do processo de produção
empregado pela empresa, a fim de facilitar o desenvolvimento das mudanças propostas. Ao
que tange à etapa dos procedimentos organizacionais, raramente ela é vista nas mudanças
(fruto de estratégias competitivas), pois implica em uma reestruturação radical dos
participantes dos setores produtivos.
Franco (1993) lembra que a etapa de concepção é de fundamental importância, visto
que não existem soluções construtivas que sejam padronizadas. As soluções devem estar
submetidas tanto às condições da cultura e da economia dos locais onde vão ser aplicadas,
12

quanto ao perfil e à estrutura da empresa que a aplicará. O autor também reforça que o
desrespeito a esses condicionantes levará a erros graves de concepção e ao inevitável
insucesso.
No mesmo sentido, Almeida (1990, p. 84) afirma que “está exaustivamente
comprovado que, em qualquer projeto, as etapas de concepção e planejamento, têm peso
decisivo no desenvolvimento de fases seqüentes e no resultado final”.
Já, no que diz respeito ao processo de evolução tecnológica, Agopyan (1998)
ressaltam que, na construção de edifícios, a evolução tecnológica passa pela criação e pelo
aperfeiçoamento não só de materiais e componentes, mas também de procedimentos
organizacionais (planejamento, administração e controle das operações construtivas).
Com o intuito de minimizar custos, prazos, otimizar e racionalizar o processo tem-se
explorado, atualmente, o sistema construtivo de alvenaria estrutural que é muito difundido,
principalmente pela existência de diversos recursos e programas habitacionais com
financiamentos. pois o sistema, quando concebido de forma adequada, reduz
significativamente os custos e o tempo de execução da obra.
O uso de paredes de alvenaria estrutural, na estrutura de suporte de edifícios, não se
constitui em uma inovação tecnológica recente, porque a alvenaria estrutural é um sistema
construtivo muito tradicional e tem sido utilizado desde o início das atividades humanas.
Franco (1993) salienta que, no processo construtivo, as paredes se constituem ao
mesmo tempo no sub-sistema estrutura e vedação. A simplicidade resultante dele traz
inúmeras vantagens do ponto de vista construtivo, pois possibilita a racionalização do
processo, com a conseqüente diminuição de custos e de prazos. Todavia as soluções para as
instalações hidráulicas e elétricas que incluam a execução de rasgos em paredes ou de
improvisos não são possíveis, pois comprometem a segurança da edificação. Outras soluções
devem ser pensadas, sendo necessárias consultas aos projetistas de instalações desde o início
do projeto.
Projetos de alvenaria estrutural têm, portanto, de ser racionalizados desde sua
concepção. Logo, torna-se necessária a busca de novas tecnologias no ramo construtivo, para
então poder lançar mão do empreendimento com o melhor custo benefício possível tanto para
a construtora quanto para os clientes que por ventura venham adquirir esses
empreendimentos.
Foi pensando nesses critérios de empreendimento com um melhor custo benefício que
se buscou pesquisar sobre o elemento estrutural de um edifício de três pavimentos (térreo e
dois tipos) comparando entre as estruturas qual se tornaria mais viável do ponto de vista
13

técnico construtivo e financeiro. Logo, é a partir do porte da estrutura, ou seja, quando se tem
em mãos os projetos estruturais que se pode determinar através de levantamentos de custo
qual é a estrutura mais viável, entre alvenaria estrutural com blocos de concreto vazados e
estrutura de concreto armado com vedação em alvenaria de tijolos cerâmicos.

1.1 OBJETIVO DO TRABALHO

1.1.1 Objetivo Geral

O presente trabalho tem como objetivo comparar a estrutura de um prédio residencial


de três pavimentos em alvenaria estrutural e em estrutura de concreto armado convencional,
visando obter o mais econômico entre os sistemas construtivos. Estabelecendo assim de
acordo com as teorias e práticas suas vantagens e desvantagens.

1.1.2 Objetivo Específico

• Levantar o índice de produtividade para estruturas em alvenaria estrutural;


• Levantar o índice de produtividade estruturas de concreto armado;
• Relacionar os custos de material para ambas às estruturas;
• Analisar comparativamente as duas técnicas construtivas

1.2 HIPÓTESE ADOTADA

Adota-se a hipótese de que prédios habitacionais de até três pavimentos em alvenaria


estrutural apresentam custo menor quando comparado com estruturas em concreto armado e
paredes em tijolo cerâmicos.
14

1.3 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO

Com a realização deste trabalho, procura-se contribuir para a tomada de decisão sobre
o melhor sistema construtivo a ser adotado, abordando diversos aspectos tais como:
qualificação do atendimento às necessidades do cliente, processo de projeto e execução,
custos, prazos, fornecimento de materiais e orientação quanto à legislação vigente.
A alvenaria estrutural será o foco de análise deste estudo. Mostra-se a aplicação do
procedimento sugerido; entretanto os resultados da pesquisa demonstram os critérios
percebidos em um dado espaço de tempo, que podem variar e modificarem-se ao longo do
tempo, pois não traduzem valores absolutos.
Almeja-se que este estudo venha a contribuir para uma tomada de decisão estratégica,
que seja executada com segurança e confiabilidade, em todos os setores da cadeia produtiva
da construção civil. Este estudo se volta, aos dirigentes das empresas que são os maiores
responsáveis pela escolha do sistema construtivo que será utilizado em suas obras.

1.4 METODOLOGIA DA PESQUISA

A pesquisa é composta de duas etapas, sendo a primeira teórica. Nesta, há uma revisão
bibliográfica para determinação dos conceitos, que busca a bibliografia mais confiável em
livros e produção científica como teses e dissertações. Nesta etapa, também se faz uma
pesquisa exploratória sobre os conceitos básicos do sistema construtivo de concreto armado e
alvenaria estrutural e um levantamento de casos que vão servir como exemplo ou modelo para
o desenvolvimento do trabalho.
A segunda etapa é o trabalho propriamente dito, ele apresenta um estudo de caso e
reúnem os levantamentos orçamentários dos dois modelos e as comparações necessárias para
a elaboração das vantagens e desvantagens de cada tecnologia utilizada.

1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO

Esta monografia está estruturada em cinco capítulos


15

No Capítulo I são feitas as considerações iniciais do capítulo introdutório que justifica


o tema escolhido e expõe o objetivo, a hipótese adotada, a justificativa e a estrutura do
trabalho.
O Capítulo II apresenta os principais conceitos relativos à Alvenaria Estrutural
analisando suas vantagens e desvantagens.
No Capítulo III, são apresentados os conceitos básicos relativos à Estrutura de
concreto armado convencional com fechamento em tijolo cerâmico analisando suas vantagens
e desvantagens.
O Capítulo IV apresenta um estudo de caso, com a análise comparativa de custo entre
as duas tecnologias construtivas. Logo, são feitos os levantamentos orçamentários de cada
uma técnica, ressaltando-se os custos da alvenaria estrutural e do concreto armado para as
mesmas proporções de área construída.
Finalizando, o Capítulo VI apresenta as conclusões e as sugestões para os futuros
trabalhos.
16

CAPÍTULO II – ALVENARIA ESTRUTURAL

2.1 CONCEITO ESTRUTURAL

O principal conceito estrutural ligado à pratica da utilização da alvenaria estrutural é


que ela se encarrega de transmitir as ações através de tensões de compressão. Sobretudo no
presente é certo que se pode admitir a existência de tensões de tração em determinadas peças.
No entanto, essas tensões devem preferencialmente se restringir a pontos específicos da
estrutura, além de não apresentarem valores muito elevados. Em caso contrário, se as trações
ocorrerem de forma generalizada ou seus valores forem muito elevados, a estrutura pode ser
até mesmo tecnicamente viável, mas dificilmente será economicamente
adequada.(RAMALHO & CORRÊA, 2003).
Conforme Ramalho e Corrêa (2003), o processo construtivo em alvenaria estrutural
avançou, primeiramente, pelo empilhamento de tijolos e paredes, de forma que fosse
desempenhada a aplicação de seus projetos. A maioria dos vãos possuía a característica de
seus tijolos, ou seja, eram relativamente pequenos e as edificações tinham uma durabilidade
muito curta. Com o desenvolvimento do sistema construtivo, agregou-se o arco na estrutura,
obtido por meio de arranjos das unidades, garantindo, assim, uma maior vida útil para as
construções, dessa forma, a utilização da alvenaria estrutural parte de uma concepção que é a
de transformar a alvenaria, originalmente com função exclusiva de vedação, na própria
estrutura, evitando a necessidade de pilares e vigas que dão suporte a uma estrutura
convencional.
Em termos gerais, as alvenarias, segundoThomaz e Helene (2000, p. 1), “apresentam
bom comportamento às solicitações de compressão, o mesmo não ocorrendo em relação às
solicitações de tração, flexão e cisalhamento”.
Na mesma direção, Roman, Mutti e Araújo (1999, p. 17) alertam:

aumentando a compressão do bloco, diminui-se a possibilidade de aparecimento de


esforços de tração na alvenaria. Deve-se, portanto, explorar a resistência à
compressão do bloco estrutural para compensar a fraca resistência à tração.

De acordo com Franco (1993), os esforços de compressão são causados pelo peso
próprio dos elementos (paredes) e das cargas suportadas pelas lajes. Outro esforço encontrado
– produzido pelas forças horizontais perpendiculares as paredes de vedação, causado pelo
17

vento nos painéis –, é o de flexão. Este é transmitido pela laje às paredes internas transversais,
através de esforços de cisalhamento que, por sua vez vão transmitir tais esforços,
sucessivamente, até as fundações do edifício.
Os fatores que influenciam a resistência à compressão da alvenaria são, segundo
Franco (1993, p. 4):
• resistência dos blocos;
• resistência da argamassa;
• espessura da junta de argamassa;
• absorção inicial de água;
• condições de cura;
• qualidade da mão-de-obra.
Na alvenaria estrutural, as paredes são os elementos estruturais, devendo assim resistir
às cargas como fariam os pilares e vigas utilizados em obras de concreto armado, aço ou
madeira. Dessa forma, o projeto ideal considera a distribuição das paredes de forma que cada
uma atue como elemento estabilizador da outra. (SABBATINI, 1997).
Para Sabbatini (1997), os principais parâmetros a serem observados na execução das
alvenarias são:
• exatidão na locação das paredes;
• precisão no alinhamento, nivelamento e prumo;
• regularidade no assentamento das unidades;
• preenchimento e regularidade das juntas de argamassa;
• coordenação na amarração dos blocos.
Acaba-se por concluir que a resistência à compressão aumenta modestamente com o
aumento da resistência da argamassa, mas cresce consideravelmente com a resistência dos
blocos. Já o aumento da espessura da argamassa de assentamento leva para resistências
decrescentes da alvenaria. Cabe dizer que, quanto maior a capacidade de o bloco retirar água
da argamassa, durante o assentamento, menor a resistência da alvenaria. (SABBATINI, 1997)
18

Figura 1 – Edifício de Três Pavimentos Executado em Alvenaria Estrutural

2.1.1 Tipos de alvenaria

• Alvenaria não-armada: Nesta, são utilizados blocos sílico-calcários,


cerâmicos ou de concreto, maciços ou perfurados. Os reforços de aço ocorrem apenas
por necessidades construtivas. Neste tipo de alvenaria, “as tensões de tração devem ser
minoradas, ou totalmente evitadas no projeto, através de procedimento adequado”
(OLIVEIRA, 1992).
• Alvenaria armada: Nesta são utilizados blocos vazados de concreto ou blocos
cerâmicos. É reforçada por exigências estruturais, quando são utilizadas armaduras
como fios, barras e telas de aço, entre outras.
• Alvenaria protendida: é reforçada por armadura pré-tensionada, que submete
a alvenaria a esforços de compressão.
• Alvenaria resistente: são alvenarias construídas para resistirem a cargas além
de seu peso.
• Alvenaria estrutural: conforme a definição de Roman, Mutti, e Araújo (1999,
p. 15), ela “diferencia-se da alvenaria resistente por ser dimensionada segundo
métodos de cálculos racionais e de confiabilidade determinável”.
19

2.1.2 Tipos de Paredes em Alvenaria Estrutural

De acordo com Roman, Mutti e Araújo (1999, p. 16), as paredes como elementos de
alvenaria podem ser subdivididas em:
• Paredes de vedação: são aquelas que resistem apenas ao peso próprio e têm
função de separação de ambientes internos e externos;
• Paredes estruturais: elas têm a função de resistir a todas as cargas verticais do
próprio peso, ou seja, as de ocupação e as acidentais aplicadas sobre elas;
• Paredes de contraventamento: são paredes estruturais projetadas para
suportarem também as cargas horizontais paralelas aos seus planos;
• Paredes enrijecedoras: têm a função de enrijecer as paredes estruturais contra
flambagem.
A seguir figura 02 exemplifica modelo de estrutura em alvenaria estrutural.

Figura 2 – modelo de estrutura em alvenaria estrutural


Fonte: o autor (2008)

2.1.3 Elementos que compõe a alvenaria estrutural

2.1.3.1 Unidade

As unidades são as principais responsáveis pela definição das características


20

resistentes da estrutura. Podem ser: unidades de concreto, unidades de cerâmica e unidades


sílico-calcáreas.
Quanto à forma, as unidades podem ser maciças (tijolos) ou vazadas (blocos). São
consideradas maciças quando o índice de vazios não exceder a 25%, quando ultrapassarem
este limite serão denominadas vazadas. ( RAMALHO E CORREA, 2003)
Segundo Ramalho e Corrêa (2003), quanto à aplicação, as unidades podem ser de
vedação, quando têm somente função de fechamento e estruturais, quando conferem
resistência e dão suporte à estrutura. A NBR 6136 – Blocos vazados de concreto simples para
alvenaria estrutural especifica que a resistência mínima do bloco, para compressão, deve
obedecer aos seguintes limites (Quadro 1):
Quadro 01 – Resistência à Compressão Característica dos Blocos (fbk)

Fonte: NBR 6136

Em face disso, a resistência mínima para o bloco deverá ser de 4,5MPa (Figuras 3 e 4).

Figura 3 – Família de blocos estruturais de comprimentos 15, 30 e


45cm,largura 15cm e altura 20cm
Fonte: Ramalho e Corrêa, 2003

Figura 4 – Família de blocos estruturais de comprimentos 20, 40 e


35cm,largura 15cm e altura 20cm
Fonte: Ramalho e Corrêa, 2003

2.1.3.2 Argamassa

A argamassa de assentamento conforme figura 05 possui as funções básicas de


21

solidarizar as unidades, transmitir e uniformizar as tensões entre as unidades de alvenaria,


absorver as pequenas deformações e prevenir a entrada de água e vento nas edificações
(RAMALHO E CORRÊA, 2003, p. 7).

Figura 5 – Argamassa de assentamento em alvenaria não armada


Fonte: o autor

Ainda, segundo Oliveira (1992), a argamassa possui as características de, havendo


armaduras nas juntas conforme figura 6, promover sua aderência; no caso dos blocos
aparentes, melhorar a estética e compensar as variações geométricas dos blocos, ajudando a
modular os vãos. Ela serve de elemento de ligação das unidades de alvenaria que a
transformam em uma estrutura única, normalmente constituída de cimento, areia e aditivos
plastificantes.

Figura 6 – Argamassa de assentamento em alvenaria armada


Fonte: o autor
22

As propriedades necessárias para a argamassa, em estado fresco, são:

• Trabalhabilidade: argamassa de boa trabalhabilidade deve se espalhar


facilmente sobre o bloco e aderir nas superfícies verticais dele. A consistência deve ser
de tal densidade que o bloco possa ser prontamente alinhado, mas o peso dele e o peso
das fiadas, subseqüentes, não devem provocar posterior escorrimento da argamassa. A
trabalhabilidade depende da combinação de vários fatores, entre os quais: a qualidade
do agregado, a quantidade de água usada, a consistência, a capacidade de retenção de
água da argamassa, o tempo decorrido da preparação, a adesão, a fluidez e a massa.
• Retentividade de água: a retentividade é a capacidade da argamassa de reter
água de assentamento. Entende Oliveira (1992, p. 29) que “a não retenção adequada
de água pela argamassa, prejudicará a durabilidade e estanqueidade da parede”;
• Tempo de endurecimento: o endurecimento é função da hidratação, ou seja, da
reação química entre o cimento e a água. Alertam Roman, Mutti e Araújo (1999, p.
26): “se o endurecimento for muito rápido, causará problemas no assentamento dos
blocos e no acabamento das juntas, se for muito lento, causará atraso na construção
pela espera que se fará necessária para a continuação do trabalho”.
Já as propriedades da argamassa, em estado endurecido, são:
• Aderência: de acordo com Sabbatini (apud OLIVEIRA, 1992, p. 29), “a
resistência de aderência é a capacidade que a interface bloco-argamassa possui de
absorver tensões tangenciais (cisalhamento) e normais (tração) a ela, sem romper-se”.
• Resistência à compressão: Roman, Mutti e Araújo (1999) entendem que a
argamassa deve ser resistente o suficiente para suportar os esforços a que a parede será
submetida. No entanto não deve exceder a resistência dos blocos da parede, de
maneira que as fissuras venham a ocorrer por expansões térmicas.

2.1.3.3 Armadura

As barras de aço utilizadas nos projetos de alvenaria, são as mesmas utilizadas nas
estruturas de concreto armado. Elas são envolvidas por graute e, segundo Manzione (2004, p.
21), “têm como função combater os esforços de tração e esta tensão provocada pelos esforços
de tração deve ser compatível com a alvenaria”. Ainda, nessa direção, Oliveira (1992) afirma
23

que a função da armadura é de travamento (mecanismo adicional de resistência), de combate à


retração, de ajuda à alvenaria na compressão e de resistência aos esforços de tração. Elas
também são usadas nas juntas das argamassas de assentamento e seu diâmetro mínimo deve
ser 3,8mm, não ultrapassando a metade da espessura da junta.Figura 7.

Figura7 – Armadura utilizada na alvenaria estrutural preenchida por graute


Fonte: o autor

2.1.3.4 Graute

O graute também denominado de micro concreto possui agregados de pequena


dimensão em sua composição e é relativamente fluido, sendo muito utilizado no
preenchimento dos vazios dos blocos conforme figura 8. O graute tem função de propiciar o
aumento da área da seção transversal das unidades ou estabelecer a solidarização dos blocos
com auxilio de poucas armaduras posicionadas nos seus vazios. Dessa forma pode-se
aumentar a capacidade portante da alvenaria à compressão ou permitir que as armaduras
colocadas combatam tensões de tração que a alvenaria por si só não teria condições de resistir.
Segundo a NBR 10837, o graute deve ter sua resistência característica maior ou igual a
duas vezes a resistência característica do bloco.
Segundo Coêlho (1998), o graute deve ser preparado em betoneira e jamais manual. E
após seu lançamento que pode ser feito através de bombas ou manual deve ser adensado com
auxílio de vibradores ou até mesmo por compactação manual, porém, os operadores de
24

vibrador já orientados pelos responsáveis técnicos de como devem vibrar o graute devem
tomar cuidados para não causar lesões à alvenaria, vibrando assim o graute por camadas e não
deixando a agulha do vibrador tocar nas ferragens.
Observam Roman et al. (1999, p. 30) que “o graute é usado para preencher os vazios
dos blocos quando se deseja aumentar a resistência à compressão da alvenaria sem aumentar a
resistência do bloco”. O graute é composto pelos seguintes componentes: cimento, cal
hidratada, agregado miúdo e graúdo e água. O preparo dele deve ser sempre em betoneira.
Nessa mesma direção, Coêlho (1998) afirma que os preenchimentos verticais dos
vazios dos blocos, com graute, são feitos nos espaços próprios dos blocos e podem ser
providos de ferros em seu interior. Já o preenchimento horizontal dos vazios das canaletas,
com graute, é muito utilizado em vãos de janelas e portas.
O graute possui as seguintes funções, segundo Roman et al (1999, p. 17), “permitir
que a armadura trabalhe conjuntamente com a alvenaria, quando solicitada; aumentar
localizadamente a resistência à compressão da parede e impedir a corrosão da armadura”.
O graute deve ter elevada trabalhabilidade, seu ensaio de slump precisa mostrar
abatimento de 20 a 28 cm e a relação água/cimento, entre 0,8 e 1,1 , dependendo do módulo
de finura da areia. A fixação do slump nesta faixa dependerá da taxa de absorção inicial das
unidades e da dimensão dos furos dos blocos.
Não se faz cura do graute, exceto no caso da fiada de respaldo, que serve de apoio para
as lajes.

Figura 8 – Detalhe do lançamento do graute no bloco de concreto


Fonte: o autor
25

Existem vantagens na utilização de grautes no preenchimento de vazios, em relação a


um concreto comum modificado com aditivo superplastificante.
Estas vantagens podem ser apresentadas da seguinte forma:
• Grande facilidade de preenchimento de vazios e cavidades com elevada
concentração de armaduras, evitando deixar bolsões de ar;
• Menor prazo de execução;
• Elevada proteção contra a corrosão, devido à sua baixa permeabilidade;
• Grandes resistências iniciais e finais;
• Ótima trabalhabilidade, devido ao seu estado fluido.
São materiais destinados ao preenchimento de vazios confinados ou semi-confinados
em locais de difícil acesso.
A fluidez do material permite que haja um preenchimento total da seção, sem que se
faça necessário o adensamento.
Os principais campos de utilização dos grautes são as obras novas e as de recuperação
estrutural.
A resistência à compressão do graute, combinada com as propriedades mecânicas dos
blocos e da argamassa definirão a resistência à compressão da alvenaria.

2.2 LISTAGEM DE CONDICIONANTES PARA O SISTEMA ESTRUTURAL DE


ALVENARIA ESTRUTURAL

2.2.1 Projeto

O desenvolvimento de projetos em alvenaria estrutural exige do projetista


procedimentos diferentes dos tomados quando se calcula outros tipos de estruturas. Por serem
sistemas diferentes, com filosofias distintas, o projetista e o construtor não devem conceber
soluções com base em conhecimentos e procedimentos aplicáveis a concreto armado, eles
devem pensar em alvenaria estrutural.
O projeto arquitetônico é limitado pelos condicionantes dos demais projetos. Porém
ele é o projeto que estabelece o partido geral do edifício e condiciona o desenvolvimento dos
26

demais. Por esse motivo, caso o partido arquitetônico não seja adequado, ou exista falha de
comunicação entre projetistas, os problemas acabarão por serem compensados nos projetos
complementares e na fase de execução, com resultados previsíveis e, exaustivamente,
demonstrados ao final da obra.
Declara Franco (1993) que o partido arquitetônico deve procurar um equilíbrio, na
distribuição das paredes resistentes, por toda a área da planta. Caso contrário, os
carregamentos podem concentrar-se em uma determinada região do edifício. As paredes dessa
região atingirão seu limite resistente bem antes do restante das paredes. Isso pode implicar na
necessidade de blocos de maior resistência, ou na utilização de outros recursos, como o
grauteamento das paredes moldadas com blocos vazados, que resulta em implicações
negativas no custo e na construtibilidade.
De acordo com Roman, Mutti e Araújo (1999), algumas restrições estruturais são
impostas ao projeto arquitetônico e devem ser levadas em conta na criação dele. Entre elas
destacam-se:
• o número de pavimentos possíveis em função dos materiais disponíveis no
mercado;
• o arranjo espacial das paredes e a necessidade de amarração entre os
elementos;
• as limitações quanto à existência de transição para estruturas em pilotis, no
térreo ou subsolo;
• a impossibilidade de remoção de paredes;
• a limitação no número e na dimensão das aberturas e das sacadas.

2.2.1.1 Importância da compatibilização dos projetos

Nos projetos de alvenaria estrutural, muito mais que nas obras convencionais, é
fundamental e definitivo que haja uma completa interação entre os envolvidos na concepção
do empreendimento, pois o resultado final é baseado na interdependência dos diversos
projetos e na harmonia do conjunto (ALMEIDA, 1990, p. 85)
Os principais objetivos da coordenação, para Roman, Mutti e Araújo (1999), são:
• promover a integração entre os participantes do projeto, garantindo, assim, a
27

comunicação e a troca de informações entre os integrantes e as diversas etapas do


empreendimento;
• controlar as etapas de desenvolvimento do projeto, de forma que ele seja
executado conforme as especificações e os requisitos previamente definidos (custos,
prazos, especificações técnicas);
• coordenar o processo, de forma a solucionar as interferências entre as partes do
projeto elaboradas pelos distintos projetistas;
• garantir a coerência entre o produto projetado e o modo de produção, com
especial atenção para a tecnologia do processo construtivo utilizado.
A implantação de um sistema de coordenação de projetos aumenta a confiabilidade do
processo e diminui as incertezas em todas as atividades, principalmente na execução.

2.2.1.2 Condicionantes

Os principais condicionantes do projeto para alvenaria estrutural são: arranjo


arquitetônico, coordenação dimensional, otimização do funcionamento estrutural da alvenaria,
racionalização do projeto e da produção.
Existem também algumas limitações quanto ao sistema estrutural, tais como o
problema da impossibilidade de remoção de paredes, que limita a flexibilidade funcional dos
ambientes, mas ele pode ser satisfatoriamente resolvido, se algumas poucas e determinadas
paredes forem previamente classificadas como possíveis de serem eliminadas, desse modo
tornando-as paredes de vedação sem função estrutural.

2.2.1.2.1 Arquitetônicos

Em primeiro lugar, deve-se observar todos os condicionantes relativos ao sistema


estrutural e suas implicações, em especial os relacionados aos projetos arquitetônicos e
complementares. A partir disso, precisa-se objetivar, no projeto arquitetônico a máxima
simetria e o elemento chave de todo o processo: a modulação. A compatibilização do projeto
arquitetônico com o estrutural e com os de instalações é fundamental para o sucesso do
28

emprego dessa tecnologia. Também é nessa fase que se prevê quais as paredes que
funcionarão como estruturais e quais as de vedação, de forma a utilizá-las como passagem de
dutos e tubulações.
Como em qualquer sistema construtivo, no projeto arquitetônico, apresenta-se o
detalhe construtivo de forma clara e objetiva, com diferentes escalas para as plantas e
detalhes.

Modulação

De acordo com Duarte (1999, p. 29), “os edifícios de alvenaria estrutural não possuem
a flexibilidade do concreto armado e a modulação, principalmente quando se emprega blocos
de concreto ou blocos cerâmicos, é uma prerrogativa do projeto”.
A coordenação modular é um sistema de referência baseado no componente bloco, que
compõe todas as paredes estruturais. A partir das dimensões modulares deste componente,
pode-se criar todo o sistema de coordenação dimensional do projeto arquitetônico
(MACHADO, 1999, p. 104).
Via esse critério, se estabelece o arranjo da planta baixa, a definição das dimensões
dos cômodos, portas e janelas, pé-direito e posicionamento das instalações, resultando na
parte mais importante de toda a concepção arquitetônica. Nesse sentido, Roman et al. (1999,
p. 43) afirmam que “o arquiteto, desde a elaboração dos primeiros traços, deverá trabalhar
sobre uma malha modular, cujas medidas são baseadas no tipo de componente utilizado na
alvenaria”.
Entendem Roman et al. (1999, p. 43) que “a coordenação modular pode representar
acréscimos de produtividade de cerca de 10%”. Eles ainda afirmam que isso é conseqüência
da eliminação de cortes e de outros trabalhos de ajuste no canteiro que representam perda de
tempo, material e mão-de-obra.
A coordenação modular torna possível um dos objetivos da alvenaria estrutural que é o
projeto simplificado porque permite utilizar o menor número de componentes possível;
utilizar materiais e componentes simples, fáceis de ser conectados, empregando o mínimo de
serviço especializado possível; concentrar atenção nas juntas entre os componentes e entre os
elementos construtivos; priorizar o prumo, nível e o esquadro; usar grandes componentes,
para que cubram grandes áreas, volumes, metragens lineares, não esquecendo, entretanto de
29

limitar seu tamanho para não dificultar o manuseio (ZECHMEISTER; DUARTE, 2004, p. 3).

Flexibilidade de múltiplos arranjos

A opção pela utilização de prédios em alvenaria portante ou estrutural implica em


certas restrições quanto a versatilidade dos ambientes. Aspectos como volumetria, simetria e
dimensão máxima dos vãos devem ser observados levando-se em conta o conhecimento das
características dos materiais disponíveis localmente para tornar o investimento viável
(DUARTE, 1999, p. 29).
Contrariamente a outros sistemas estruturais, na alvenaria estrutural, as paredes servem
de vedação e substituem os pilares e as vigas; constituindo assim a estrutura vertical do
edifício. Em face disso, a eliminação ou a modificação delas pode trazer sérios problemas de
estabilidade estrutural.

Simetria

O profissional deve procurar um equilíbrio, ou seja, o máximo de simetria possível, na


distribuição das paredes estruturais ao longo da área da planta de um edifício, e em ambas as
direções, para garantir a estabilidade da estrutura em relação às cargas horizontais; caso
contrário, os carregamentos podem se concentrar em uma determinada região do edifício, o
que leva à necessidade de utilização de materiais com resistências diferentes para as paredes
do mesmo pavimento, ou de grauteamento de determinadas paredes, o que não é
recomendável em relação ao custo e à construtibilidade (Figuras 9 e 10).
30

Figura 9 – Formas e simetria


Fonte: Vargas, 1987

Figura 10 – Disposição quanto à simetria das plantas


Fonte: Vargas, 1987

Paginação

Entende-se por paginação o detalhamento das paredes em planta e elevação, bloco a


bloco, uma a uma, na qual são representadas todas as aberturas (portas, janelas e vãos) e
instalações. Nas plantas baixas, devem ser detalhadas as plantas de primeira fiada e segunda
31

fiada dos blocos e das respectivas amarrações. Nas elevações, deverão ser definidas as
aberturas, vergas, contravergas, eletrodutos, caixas de passagem, interruptores, caixas de
distribuição e tubulações hidráulicas. Essas paginações devem ser lançadas pelo arquiteto para
a elaboração dos projetos hidráulico, elétrico e estrutural.

Simplificação do projeto

Afirmam Roman et al. (1999, p. 42) que “a simplificação do projeto é uma das
principais formas de melhorar a construtibilidade”.
Oliveira (1994) reforça essa afirmação, quando assegura que a simplificação do projeto
é atingida pela utilização de um número mínimo de componentes, elementos ou peças;
concentração do trabalho em um só tipo de material ou profissão; utilização de materiais
facilmente disponíveis no mercado, com tamanhos e especificações usuais; incorporação de
vários componentes ou funções em um só elemento construtivo; uso de componentes que
cubram grandes áreas, volumes e metragens lineares; respeito a prumo, nível e esquadro,
(evitar ângulos e superfícies curvas); uso de materiais fáceis de serem instalados, não-
dependentes de mão-de-obra especializada e com poucos cuidados em relação à armazenagem
e transporte; atenção e detalhamento de juntas e interfaces entre componentes.
A construtibilidade é a habilidade das condições de projeto para permitir a utilização
ótima dos recursos da construção. Ou seja, é a integração do conhecimento com a experiência
construtiva durante as fases de concepção, planejamento, projeto e execução da obra com o
objetivo de simplificar as operações construtivas (SANTOS; AMARAL, 2006, p. 12).

Passagem de dutos de inspeção

Na execução das instalações de um edifício, em alvenaria estrutural, evitam-se rasgos


nas paredes estruturais para o embutimento das instalações. Conforme afirmam Roman et al.
(1999, p. 47), “rasgos de paredes significam insegurança sob o ponto de vista estrutural pela
redução da secção resistente”.
32

É possível utilizar diversas alternativas para evitarem-se os rasgos na alvenaria, tais


como: uso de paredes não-estruturais para o embutimento das tubulações; aberturas tipo
"shafts" para a passagem vertical de várias tubulações; passagem por blocos especiais (blocos
hidráulicos, no sentido vertical estrutural), o emprego de tubulações aparentes; rebaixos na
laje (redução de espessura), ou emprego de rebaixo de forro, de rodapé e rodaforro (Figuras
11,12, 13 e 14).

Figura 11 – Disposição das instalações elétricas – eletrodutos que


passam pela laje de forro ou de piso
Fonte: Vargas, 1987

Figura 12 – Disposição das instalações elétricas – inaceitável,


inutilização da parede.
Fonte: Vargas, 1987
33

Figura 13 – Disposição das instalações hidrosanitárias em shafts


parede.
Fonte: Vargas, 1987

Figura 14 – Disposição das instalações hidrosanitárias


Fonte: Vargas, 1987

2.2.1.2.2 Estruturais

Distribuição dos elementos para estabilização da estrutura

A escolha do tipo de bloco depende de: altura da edificação, existência de


fornecedores locais, custo, tradição da construtora, entre outros.
As principais opções são:
• Bloco cerâmico: este tipo é de utilização limitada pela resistência da parede,
consegue-se, no máximo, a construção de dez pavimentos. Seu uso é mais comum em
edifícios de até cinco pavimentos. Há a vantagem de ser mais leve, o que diminui a
34

carga na fundação e aumenta a produtividade;


• Bloco de concreto: este é fornecido nas mais variadas resistências e possibilita
a construção de edifícios mais altos. Existem com bloco de concreto de até vinte e
quatro pavimentos no Brasil. Há a vantagem de ser possível a compra desses blocos
com certificação;
• Bloco sílico-calcário: a grande vantagem desse tipo é a uniformidade que
possibilita uma grande precisão dimensional das paredes. A desvantagem é haver
poucos fornecedores.

O sistema de alvenaria estrutural apresenta muitas limitações, entre elas, a construção


de sacadas e de marquises em balanço, fora da projeção do prédio, que devem ser eliminadas
ou limitadas. De acordo com Duarte (1999, p. 35), “estes elementos podem introduzir cargas
concentradas em áreas relativamente pequenas, elevando grandemente as tensões de
compressão e introduzindo a formação de fissuras”.

Relação forma x altura

Freqüentemente, a forma do edifício é determinada por sua função. A forma do prédio


pode determinar a quantidade e a distribuição de suas paredes, em especial as paredes
portantes. Observa Duarte (1999, p. 31) que “a distribuição destas e a quantidade de
pavimentos exercem influência direta na robustez do prédio, bem como na sua capacidade de
resistir a esforços horizontais”.
Assegura Vargas (1987) que a forma ideal para edifícios de alvenaria é a quadrada, por
sua completa simetria; continuidade de forma, para evitar trocas bruscas de direção, de
concentrações e de esforços; e robustez que guarda proporções de altura, largura e
comprimento; tanto em planta como em elevações (Figura 15 e 16 e Quadros 2 e 3).

Vãos x proporções

Um condicionante a ser observado é a definição das dimensões (largura × altura ×


35

peitoril) das aberturas, presentes na alvenaria estrutural, pois é necessário que os tipos e dimensões de
portas e janelas sejam definidos no início do projeto. Também se deve prever quaisquer outras
aberturas como, por exemplo: abertura para instalação do quadro de luz e força. Pode-se verificar a
possibilidade de utilização de elementos pré-moldados, para a modulação dos vãos de aberturas.

Quanto às proporções, altura total e comprimento, as paredes devem guardar relações


razoáveis, de acordo com a figura abaixo.

Figura 15 – Formas dos edifícios com relação à robustez


Fonte: Vargas, 1987

Ideal L =A Ideal H≤A


Aceitável L≤4A Aceitável H ≤ 3A
Inaceitável L > 4A Inaceitável H > 3A
Quadro 2 – Relação de largura (A) x Quadro 3 – Relação de altura (H) x
comprimento (L) comprimento (A)
Fonte: Vargas, 1987 Fonte: Vargas, 1987

Figura 16 – Formas dos edifícios com relação à proporção


Fonte: Vargas, 1987
36

2.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS

2.3.1 - Vantagem

Economia

• Paredes - melhoria acústica, alojamento de dutos elétricos e hidráulicos.


• Formas - as formas podem até deixar de existir, dispensando-se totalmente o uso
da madeira, a não ser quando a opção é pela a execução de lajes moldadas "in
loco". E mesmo neste caso há um ganho da redução do simbramento, pelo
aproveitamento das paredes como apoio parcial das formas.
• Armadura – menor consumo de armaduras, pois quando necessária são retas, sem
ganchos ou dobros, na sua grande maioria. Ao contrário do que ocorre com o CA
que tem enorme consumo do aço.
• Mão-de-Obra - Na AE este elenco é bem mais reduzido pela simultaneidade das
etapas de execução, a qual induz a polivalência do operário através de fácil
treinamento. Logo a presença de armadores ou carpinteiros é quase que extinta.
Assim, na medida em que o pedreiro executa a alvenaria, ele próprio, por
exemplo, pode colocar a ferragem e eletrodutos nos vazados dos blocos, podendo
deixar ainda instaladas peças pré-moldadas como vergas, peitoris, marcos, etc.
• Entulho - as paredes não admitirem intervenções posteriores como rasgos ou
aberturas para a colocação de instalações hidráulicas e elétricas, reduzindo assim
em 67% o material não aproveitável a ser retirado.

Tempo

• Etapas e Tempos - Na AE, pela simultaneidade das etapas, ocorre uma economia
de tempo que pode chegar a 50%, na execução, até as instalações básicas,
acelerando o cronograma da obra e diminuindo os encargos financeiros.
37

Acabamento

• Revestimentos - A elevada precisão dimensional das unidades de AE resultam em


economia de revestimento. Em alguns casos, chapisco em emboço podem ser
dispensados sem prejudicar a uniformidade de espessura do reboco, sem contar
que na AE as paredes são "lisas", sem sobressalência de pilares e vigas, evitando
assim cortes mais detalhados em revestimentos cerâmicos,
De modo geral, pode-se perceber que, em termos gerais, a principal vantagem da
utilização da alvenaria estrutural reside numa maior racionalidade do sistema executivo,
reduzindo-se o consumo de materiais e desperdícios que usualmente se verificam em obras de
concreto armado convencional.

2.3.2 - Desvantagem

Apesar de as vantagens apresentadas serem de grande relevância, não se pode


esquecer de algumas desvantagens da alvenaria estrutural.
• A grande dificuldade de se adaptar arquitetura para um novo uso - Faz com que as
paredes façam parte da estrutura, obviamente não existe a possibilidade de
adaptações significativas no arranjo arquitetônico. Inibindo assim a estrutura ao
longo do tempo de sofrer alterações. ( Ramalho & Corrêa, 2003)
• Necessidade de uma mão-de-obra bem qualificada - A alvenaria estrutural exige
uma mão-de-obra qualificada e apta a fazer uso de instrumentos adequados para
sua execução. Isso significa um treinamento prévio da equipe contratada para sua
execução. Caso contrário, os riscos de falhas que comprometam a segurança da
edificação crescem significamente. (Ramalho & Corrêa, 2003)
38

CAPÍTULO III – CONCRETO ARMADO

3.1 HISTÓRICO DA UTILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Com o aperfeiçoamento da tecnologia um grande avanço ocorreu com o


desenvolvimento dos chamados materiais “aglomerantes”, que endurecem em contato com a
água e tornaram possível a fabricação de uma “pedra artificial”, denominada “concreto” ou
“betão”, com a adição de materiais inertes, para aumentar o volume, dar estabilidade físico-
química e reduzir custos. Os romanos já utilizavam um tipo de concreto, usando como
aglomerantes a cal e a pozolana, de extração natural ou como subprodutos de outros
materiais.(CLÍMACO,2005)
O uso da dosagem de concreto teve sua propagação, a partir de um processo de
fabricação industrial do cimento Portland, por Joseph Apsdin, na Inglaterra, em 1824, que
passou a ser produzido então no mundo todo.
Contudo, o concreto por si só não estabelece resistência satisfatória a tração,
particularmente em peças submetidas a flexão. Daí nasceu o concreto armado onde quem
primeiro teve a idéia de usá-lo foi o jardineiro francês Joseph Monier, que fabricava vasos de
madeira e resolveu experimentar uma argamassa de cimento com armação de arame.
Satisfeito com o resultado, Monier patenteou o material e incrementou sua indústria de vasos.
Verificou, mais tarde, a possibilidade de usar o material para construir reservatórios e
encanamentos, ainda de modo rudimentar e sem controle de cálculos. Em 1867, levou seus
produtos a uma exposição internacional, onde despertaram interesse de engenheiros alemães,
que compraram as patentes.
Os estudos para utilização do concreto armado continuaram empiricamente até que as
firmas alemãs donas da patente montaram conjuntamente um laboratório para estudos e
experiências. Nasceram daí os princípios das modernas teorias e as primeiras conclusões
racionais do comportamento do material. Logo, o concreto armado surgiu da busca de um
material estrutural em que se associasse a essa pedra artificial, um material com resistência
satisfatória à tração, denominado armadura. Tendo como conceito o material estrutural
constituído pela associação de concreto simples com uma armadura passiva, ambos resistindo
solidariamente aos esforços a que a peça estiver submetida. (CLÍMACO,2005)
39

No Brasil, o concreto armado atingiu um grau de desenvolvimento excepcional, o que


se deve em grande parte ao engenheiro Emílio H. Baumgart, que fundou uma verdadeira
escola de difusão do concreto armado. Graças a ele, o Brasil pôde exibir, na primeira metade
do século XX, dois recordes mundiais: o edifício do jornal A Noite, no Rio de Janeiro, com
24 andares, então o mais alto do mundo em estrutura de concreto armado e no qual, pela
primeira vez no país, foi calculada a influência dos ventos; e uma ponte em quadro, sobre o
rio do Peixe, em Erval Santa Catarina, de 68m de extensão, batizada com o nome de
Baumgart, em que pela primeira vez no mundo uma ponte em concreto armado foi lançada
das duas margens, em balanço progressivo.

3.2 CRITÉRIOS NORMATIVOS NBR

Segundo Clímaco (2005) as normas tem como principal objetivo a uniformização, em


uma determinada região ou país, dos procedimentos para projeto, controle dos materiais e
execução, no sentido de estabelecer padrões aceitáveis de segurança, funcionalidade e
durabilidade para as edificações. Assim, as normas também buscam fornecer métodos de
cálculo que tornem mais simples o trabalho dos profissionais, definindo também os limites de
sua aplicação.
No Brasil existem dois órgãos responsáveis pela normalização, a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entidade privada que é o Fórum Nacional de
Normalização, e o Instituto Brasileiro de Metrologia ( Inmetro), entidade governamental.
As normas da ABNT são divididas nas seguintes categorias:
• Classificação (CB)
• Especificação (EB)
• Método de Ensaio ( MB)
• Procedimento (NB),
• Padronização (PB)
• Simbologia (SB)
• Terminologia (TB)
40

Sendo as siglas acompanhadas por números de ordem e pelo ano da edição em vigor.
Toda norma está sujeita a revisões periódicas regulares, em intervalos preestabelecidos. Após
cada revisão, mantém-se o número de ordem da norma, mudando-se na identificação o ano da
edição vigente.
A seguir um listagem relacionando diversas normas relativas a estrutura de concreto
no que diz respeito a projeto, execução, ensaios de materiais componentes e controle
tecnológico, com seus respectivos números de ordem, da ABNT e do Inmetro, e o ano da
edição em vigor.

3.3 PROCESSO EXECUTIVO E CONTROLE DE ESTRUTURAS EM CONCRETO


ARMADO

O concreto armado é constituído de concreto simples e barras de aço. Ocorrendo assim


quando empregados e submetidos a solicitações à atuação conjunta dos dois materiais para
resistir a essas solicitações.
Nas estruturas de concreto armado existem assim como na estrutura de alvenaria
estrutural os elementos que a compõe e seus modos de serem executados. Logo, fazem parte
da estrutura de concreto armado as vigas, pilares e lajes, formas e armaduras conforme figura
17.

Figura 17 – Esquema de uma estrutura de concreto armado


Fonte: http://www.edifique.arq.br/images/estconc.gif
41

3.3.1 Principais constituintes do concreto

Cimento

As matérias primas do cimento são calcário, argila, gesso e outros materiais


denominados adições. A sua fabricação exige grandes e complexas instalações industriais,
como um possante forno giratório que chega a atingir temperaturas próximas a 1500ºC.
No mercado existem diversos tipos de cimento. A diferença entre eles está na
composição, mas todos atendem às exigências das Normas Técnicas Brasileiras. Cada tipo
tem o nome e a sigla correspondente estampada na embalagem, para facilitar a identificação.
Os tipos de cimento adequados aos usos gerais e específicos são os seguintes:
Quadro 4 – Tipos de cimentos adequados aos usos gerais e específicos
NOME SIGLA RESISTÊNCIA IDADE
CIMENTO PORTLAND comum com CP I-S-32 32MPa 28 dias
adição
CIMENTO PORTLAND composto com CP II-E-32 32MPa 28 dias
escória
CIMENTO PORTLAND composto com CP II-Z-32 32MPa 28 dias
pozolana
CIMENTO PORTLAND composto com CP II-F-32 32MPa 28 dias
filer
CIMENTO PORTLAND de alto forno CP III-32 32MPa 28 dias

CIMENTO PORTLAND pozolânico CP IV-32 32MPa 28 dias

Fonte: ABCP, 2007


Existem ainda outros tipos de cimento para usos específicos. Em sua embalagem
original - sacos de 50 kg - o cimento pode ser armazenado por cerca de 3 meses, desde que o
local seja fechado coberto e seco. Além disso, o cimento deve ser estocado sobre estrados de
madeira, em pilhas de 10 sacos, no máximo.

Pedra ( Agregado Graúdo)

A pedra utilizada no concreto pode ser de dois tipos:


• seixo rolado de rios, cascalho ou pedregulho;
42

• pedra britada ou brita.


Os seixos rolados são encontrados na natureza. A pedra britada é obtida pela britagem
mecânica de determinadas rochas duras. Independentemente da origem, o tamanho das pedras
varia muito e tem influência na qualidade do concreto. Por isso, as pedras são classificadas
por tamanhos medidos em peneiras (pela abertura da malha).

Areia (Agregado Miúdo)

A areia utilizada no concreto é obtida em leitos e margens de rios, ou em portos e


bancos de areia. A areia deve ter grãos duros. E, assim como a pedra, ela também precisa estar
limpa e livre de torrões de barro, galhos, folhas e raízes antes de ser usada. As Normas
Técnicas Brasileiras classificam a areia, segundo o tamanho de seus grãos, em: muito fina,
fina, média, grossa.

Água

A água a ser utilizada no concreto deve ser limpa - sem barro, óleo, galhos, folhas ou
raízes. Em outras palavras, água boa para o concreto é água de beber. Nunca deve ser
utilizada água servida (de esgoto humano ou animal, de cozinha, de fábricas, etc.) no preparo
do concreto.

3.3.2 – Modo de Preparo, Lançamento, Adensamento e Cura do Concreto

O concreto usinado é obtido em centrais dosadoras, geralmente chamadas de


concreteiras. Suas instalações são preparadas para a produção em escala, constituídas de silos
armazenadores, balanças, correias transportadoras e equipamentos de controle. Quando o
concreto é dosado em central se tem maior controle tecnológico na dosagem, consistência e
sobretudo na resistência final.
43

O concreto misturado manualmente exige um grande esforço da mão-de-obra e é


indicado para pequenas obras e serviços. Deve-se estar ciente de que o concreto resultante é
de qualidade apenas razoável, sem garantia da resistência conseguida em concretos
preparados mecanicamente.
O trabalho com betoneira simplifica o processo de elaboração do concreto, obtendo-se
um material de melhor qualidade do que o obtido na mistura manual.

Lançamento

Nas obras de construção civil é comum encarar a concretagem como sendo a etapa
final de um ciclo constituído da execução das fôrmas, armaduras, lançamento, adensamento e
cura do concreto. Logo devem ser tomados os seguintes cuidados ante e durante a fase de
concretagem, sendo os cuidados sugeridos pela ABESC:
• verificação das formas, ferragens, eletrodutos e gabaritos;
• dimensionar a equipe envolvida nas operações de lançamento, adensamento e
cura do concreto;
• prever interrupções nos pontos de descontinuidade das fôrmas como: juntas de
concretagem previstas e encontros de pilares;
• especificar a forma de lançamento: convencional ou bombeado, com lança,
caçamba etc.;

Figura 18– Lançamento do concreto através de bombas.


Fonte: o Autor, 2008
44

Adensamento

O objetivo do adensamento do concreto lançado é torná-lo mais compacto, retirando o


ar do material, incorporado nas fases de mistura, transporte e lançamento. O processo mais
comum e simples é o adensamento manual, indicado para pequenos serviços e/ou obras de
pequeno porte. É necessário promover o adensamento por meio de equipamentos de vibração.
Em geral, são usados vibradores de imersão e de superfície para o acabamento (réguas
vibratórias). O concreto deve ser adensado imediatamente após seu lançamento nas fôrmas,
levando em conta que tanto a falta de vibração como o excesso pode causar sérios problemas
para o concreto.

Figura 19 – Adensamento do concreto com vibrador de imersão- tipo agulha


Fonte: o autor (2005)

3.3.7 – Cura

O concreto deve ser protegido durante o processo de endurecimento (ganho de


resistência) contra secagem rápida, mudanças bruscas de temperatura, excesso de água,
incidência de raios solares, agentes químicos, vibração e choques. Deve-se evitar bater
estacas, utilizar rompedores de concreto, furadeiras a ar comprimido próximo de estruturas
recém concretadas, assim como, evitar o contato com água em abundância e qualquer outro
material que possa prejudicar o processo de endurecimento e de aderência na armadura. Para
evitar uma secagem muito rápida do concreto e o conseqüente aparecimento de fissuras e
45

redução da resistência em superfícies muito grandes, tais como lajes, é necessário iniciar a
cura úmida do concreto tão logo a superfície esteja seca ao tato.

3.4 ARMADURA PARA CONCRETO

A armadura é composta de barras de aço, também chamadas de ferro de


construção ou vergalhões. Eles têm a propriedade de se integrar ao concreto e de apresentar
elevada resistência à tração. Por isso, são colocados nas partes da peça de concreto que vão
sofrer esse esforço. Por exemplo, numa viga apoiada nas extremidades, a parte de cima sofre
compressão e a de baixo, tração. Nesse caso, os vergalhões devem ficar na parte debaixo das
vigas.
Os vergalhões que compõem a armadura são amarrados uns aos outros com arame
recozido. Existem também armaduras pré-fabricadas, que já vêm com os vergalhões unidos
entre si: são as telas soldadas, que servem de armadura para lajes e pisos.
A maioria dos vergalhões tem saliências na superfície.
As Normas Técnicas Brasileiras classificam os vergalhões para concreto de
acordo com a sua resistência e padronizam as bitolas. Há 3 categorias no mercado: aço CA
25, aço CA 50, aço CA 60.
Os números 25, 50 e 60 referem-se á resistência do aço: quanto maior o número,
mais resistente será o vergalhão.
Os vergalhões são vendidos em barras retas ou dobrados, com 10m a 12m de
comprimento. Eles são cortados e dobrados no formato necessário, no próprio local da obra. O
uso de telas soldadas em lajes e pisos reduz a mão-de-obra e elimina as perdas do método de
montagem da armadura no local da obra (pontas cortadas que sobram).

3.4.1 Categorias e Classes

De acordo com o valor característico da resistência de escoamento, as barras e os fios


são classificados nas categorias CA-25, CA-50, CA-60. De acordo com o processo de
fabricação, classificam-se as barras e os fios em classes A (laminação a quente sem posterior
46

deformação a frio) que apresentam patamar de escoamento e B (com deformação a frio) que
não apresentam esse patamar.
Para projeto, devem ser usados os diâmetros e seções transversais nominais indicadas
na NBR 7480.
Tabela de armaduras para concreto armado com as respectivas áreas de aço e massa
linear
BARRAS F cm ÁREA cm2 MASSA LINEAR
kg/m
5.0 0.20 0.16
6.3 0.315 0.25
8.0 0.50 0.40
10 0.80 0.63
12.5 1.25 1.00
16 2.00 1.60
20 3.15 2.50
25 5.00 4.00
Fonte: NBR 7480

Massa Específica

Pode-se assumir para massa específica do aço de armadura passiva o valor de 7850
kg/m3.

Coeficiente de Dilatação Térmica

O valor de 10-5/°C pode ser considerado para coeficiente de dilatação térmica do aço,
para intervalos de temperatura entre -20 e 150°C.

Módulo de Elasticidade

Na falta de ensaios ou valores fornecidos pelo fabricante, o módulo de elasticidade do


aço pode ser admitido igual a 210 GPa.
47

3.5 PROPRIEDADE DOS CONCRETOS MAIS USADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL.

Os materiais constituintes do concreto, reunidos e bem misturados, constituem uma


massa plástica que endurece no final de algumas horas, transformando-se em uma verdadeira
“rocha” artificial com o decorrer do tempo. Desempenhando contudo propriedades as quais
atuam para o melhor desempenho da estrutura, onde segundo Moraes(1999) a razão
fundamental da utilização do concreto armado é a de obter um material que possa suportar
bastante esforços de compressão através do concreto e esforços de tração através do aço. São
as seguintes as propriedades dos materiais:

• Elevada resistência a compressão do concreto combinado com elevada resistência


a tração do aço: a resistência à compressão simples é a característica mecânica mais
importante de um concreto. Geralmente sua determinação se efetua mediante o ensaio de
corpos de prova, executado segundo procedimentos operatórios normalizados. A resistência
do concreto não é uma grandeza determinística, mas está sujeita a dispersão cujas causas
principais são variações aleatórias da composição, das condições de fabricação e da cura.
Além destes fatores aleatórios, existem também influências sistemáticas como: influência
atmosférica (verão/inverno), mudança da origem de fornecimento das matérias primas, turmas
de trabalho.
• Ótimas condições de aderência entre o concreto e o aço, assegurando um bom
trabalho do conjunto.
• Coeficientes de dilatação térmica sensivelmente iguais: supõe-se que as variações
de temperatura sejam uniformes na estrutura, salvo quando a desigualdade dessas variações,
entre partes diferentes da estrutura, seja muito acentuada. O coeficiente de dilatação térmica
do concreto armado é considerado aproximadamente o mesmo do aço.

Concreto α = (0,9 a 1,4) 10-5cm-1

Aço α = 1,2 x 10-5 cm-1

• Proteção do aço, através do concreto, contra a corrosão.


• Retração e expansão: a retração do concreto é uma deformação independente do
carregamento e devida à variação de umidade do concreto, na tendência a permanecerem em
equilíbrio a umidade do concreto e a umidade do meio exterior. No processo da retração, a
48

água é inicialmente expulsa das fibras externas o que gera deformações diferenciais entre a
periferia e o miolo, gerando tensões internas capazes de provocar fissuração do concreto.
• Fluência ou deformação lenta: a fluência é uma deformação que depende do
carregamento; é plástica, apenas uma pequena parcela é recuperada. Constata-se, na prática,
que a deformação de uma peça de concreto armado é maior em um tempo t que àquela
observada inicialmente, mantendo-se o mesmo carregamento, ou seja, devido à deformação
inicial, imediata, ocorre uma redução de volume da peça, provocando deslocamento de água
existente no concreto para regiões onde sua evaporação já tenha ocorrido. Isto desencadeia
um processo, ao longo do tempo, análogo ao da retração, verificando-se o crescimento da
deformação inicial até um valor máximo no tempo infinito.

3.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS

3.6.1 Vantagem

Entre outras vantagens e qualidades, o concreto armado proporciona:


• segurança contra o fogo;
• facilmente adaptável as formas, por ser lançado em estado semifluido, o que abre
enormes possibilidades para a concepção arquitetônica. Os aditivos plastificantes e
fluidificantes, usados para aumentar a trabalhabilidade e a fluidez do concreto, possibilitam o
uso do concreto bombeado, que permite lançar o concreto em mangueiras sob pressão, em
grandes alturas, com redução significativa dos custos e prazos das tarefas de transporte e
lançamento;
• facilidade e rapidez na construção com uso de peças pré-moldadas, estruturais ou não,
e de tecnologias avançadas para a execução de fôrmas e escoramentos;
• economia de conservação;
• durabilidade elevada. Os custos de manutenção das estruturas de concreto são baixos,
quando atendidos os requisitos das normas técnicas pertinentes, porém, deve-se ressaltar a
manutenção preventiva em edificações com exposição contínua a agentes agressivos
(ambiente marinho, poluição atmosférica, umidade excessiva, etc) ou com emprego do
concreto aparente (sem argamassa de revestimento);
49

• impermeabilidade;
• insensibilidade a choques, vibrações e altas temperaturas;
• resistência à compressão do concreto que aumenta com a idade;
• concreto de alta resistência ou alto desempenho.

3.6.2 Desvantagem

• peso próprio elevado, massa específica igual 2.500 kgf/m³. Podendo ser obtido
concreto leve com a substituição do agregado brita pela argila expandida com massa
específica na casa de 1.600 kgf/m³, sendo estruturalmente viável, porém
economicamente inviável;
• armadura é essencial as estruturas de concreto armado a existência de
armaduras trabalhadas e em grande quantidade;
• paredes, nos prédio de CA as paredes desenvolvem apenas a função de
vedação, carregando assim a estrutura reticulada com seu peso próprio;
• entulho, a madeira utilizada nas formas das estruturas convencionais de CA e
os tijolos ou blocos de dimensões pouco precisas e baixa resistência, empregados para
vedação de vãos estruturais coordenados modularmente, são itens de acentuado peso
na composição final do entulho deste tipo de obra.
• as estruturas de CA exigem mão-de-obra muito especializada sendo elas
pedreiro, carpinteiro, eletricista, encanador, armador, apontador, além de serventes e
ajudantes.
50

CAPÍTULO IV – ESTUDOS COMPARATIVOS DE CUSTO ENTRE OS DOIS


SISTEMAS ESTRUTURAIS – ESTUDO DE CASO

4.1 APRESENTAÇÃO DO CASO

O presente caso trata-se de um edifício de porte médio executado em alvenaria


estrutural o qual seus custos de material e mão-de-obra serão comparados a um prédio
equivalente, porém, executado em concreto armado com fechamento em alvenaria
convencional de blocos cerâmicos.
O empreendimento foi lançado em um lote de 600m² e possui 1836 m² de área
construída, tendo o edifício três pavimentos tipo, sendo o primeiro apoiado diretamente sobre
fundação de concreto ciclópico e os demais sobre lajes de concreto armado, que, por sua vez,
se apóiam sobre paredes de alvenaria estrutural de blocos de concreto. Conforme desenhos
dos anexos 1 a 5 o edifício possui ainda um pavimento de cobertura o qual foi reservado à
caixa d’água da edificação. Cada pavimento tipo é composto de três apartamentos, onde dois
dos apartamentos possuem 110m² e são compostos de dormitório, suíte, sala, cozinha, área de
serviço, banheiro e sacada e o terceiro apartamento de 120m² é composto de dormitório,
dormitório de serviço, suíte, sala, área de serviço, banheiro e sacada.
O esquema vertical do edifício é mostrado na figura 20 em conjunto com a planta
baixa do pavimento tipo. Observe-se que os pés-direitos nos pavimentos tipo são de 3,13 m de
altura de piso a piso. Admitindo-se lajes compreendidas por vigotas de concreto com blocos
de EPS e concreto tendo 13 cm de espessura, tem-se então paredes de 3 m de altura. O
edifício possui janelas e portas em esquadrias de alumínios com vidros temperados,
instalações hidráulicas de água fria e esgoto em PVC, revestimento de piso em cerâmica
comum e pastilhas em uma parede da fachada frontal, sendo assim as outras fachadas
revestidas com reboco e pintura em tinta acrílica.
51

B1

S. B.
+ 47
B1 B3 B1 J2
A = 3.30 m ²

P4 P4
S ACA DA S . B.
+ 47 + 47

A = 2 .89 m ²
A = 4 .28 m ² A. S ERVIÇO
+ 50
S . B.
+ 47
A = 4.07 m²
D O R M IT Ó R IO P11
+ 50 A = 3 .03 m²
P A TAMAR
S U Í TE SA CAD A
P9 A = 1 2.03 m² 5 + 50
+ 207 D O R M ITÓ R IO + 47
+ 50 A = 15 .38 m ²
P4 P6 A = 4.79 m ²
09 A = 16 .59 m²
P2
08
HALL
+ 50 07

A = 3 .82 m ² 06
SAC ADA P2 05
+ 47
C O Z INHA
A = 8 .4 4 m ² P10 + 47 04 P2 P2
03
E STAR / JANTAR A = 8.211 m²
+ 50 02 H A LL S . B.
P3 + 47
A = 25 .54 m ² P2 + 50
B1 SUÍTE 01
A = 4 .50 m²
+ 50 A = 2 .45 m ² B1
SOBE
S. B. A = 1 4.17 m ²
+ 47 P4
A = 3.38 m ²

P1

P1 P2
HALL
+ 50
C O Z INHA B2
A = 1 7.01 m ² + 47
A = 3.38 m ² P4 P1
S. B . A = 10.10 m ²
+ 47

B1 SUÍTE
+ 50

P10 A = 1 4.17 m ²

B2
P2
P2 A . SER V IÇ O
P5 + 47
SAC ADA HALL C O Z INH A
+ 50 A = 6.27 m ²
+ 47 E STAR / JANTAR + 47
A = 3 .82 m ² + 50 A = 7 .32 m ² B1 E STAR / JANTAR
A = 8 .4 4 m ² P2 + 50 P2
A = 25.54 m ²
A = 35.36 m²
P4 D O R M ITÓ R IO S . B.
SER V IÇ O + 47 B1
D O R M IT Ó R IO Á REA + 47 P4
+ 50 S. B. B1
+ 47 SE RVIÇO A = 6.44 m² A = 2.82 m ²
A = 1 2.03 m²
A = 3.03 m ²

P8 + 47

A = 3 .04 m ² S . B.
+ 47
P9 B1 S ACA DA P4 P7 J1
+ 47 G AR AG EM
G ARAG EM A = 4.85 m²
J1 G ARAG EM
SAC ADA S AC ADA
+ 47 + 47

A = 3.57 m² A = 4.58 m²

Figura 20 Planta baixa e corte vertical.


Fonte: o autor, 2008

4.2 LEVANTAMENTO DE CUSTO ENTRE OS DOIS SISTEMAS ESTRUTURAIS

Para levantamento dos custos da obra entre os dois sistemas estruturais, deixaram de
ser levados em consideração todos os itens que seriam comuns as duas estruturas onde fazem
parte: fundação, movimento de terras e baldrames, lajes, reboco, revestimentos de pisos,
paredes e forros, instalações elétricas, hidráulicas, esquadrias e coberturas pois foram tidas
como equivalentes para os dois sistemas estruturais, logo representariam mesmo custo e não
oscilariam no orçamento final.
Contudo, a superestrutura no que diz respeito a AE fazem parte para levantamento
dos custos da obra a: alvenaria com bloco de concreto sendo armada com ferragens
longitudinais nos locais de vergas, contra-vergas. Nos demais encontros de paredes ferragens
verticais fizeram as amarrações ao longo da estrutura. Constam também no orçamento os
grauteamentos utilizados na estrutura.
No sistema convencional de concreto armado com fechamento em alvenaria estrutural
foram levados em consideração os pilares, vigas e a alvenaria de blocos cerâmicos.
Dessa forma os itens 4.3 e 4.4 apresentam os quantitativos e seus respectivos custos
para a execução das estruturas em alvenaria estrutural e em concreto armado com fechamento
em alvenaria convencional.
52

4.3 PARA ALVENARIA ESTRUTURAL

Para concretização dos custos da superestrutura do edifício em AE foram calculados


os quantitativos com base nos projetos arquitetônicos, planta de cobertura, plantas de 1ª e 2ª
fiada, e as plantas de paredes dos pavimentos e vistas, conforme (Anexos 1, 2, 3, 4 e 5).
Assim foram obtidos 2.180 m² de paredes, onde se constitui de 24.474 blocos de concreto
vazados e mais 2.390 blocos canaletas (jota) para a execução de vergas e apoios de lajes,
tendo cada bloco vazado e as respectivas canaletas medida de 14x19x40 cm.
Quanto ao assentamento dos blocos foram necessários 26,19m³ de argamassa de
cimento e areia, e para os blocos que foram preenchidos com graute e ferragem foram
utilizados 71,72m³ de graute e 1.480kg de aço. Já, para a mão-de-obra foi estabelecido R$
10,00 reais por m² de alvenaria.
Os custos dos materiais foram obtidos com base na cidade de Paragominas-Pa através
de cotações, onde para os materiais básicos foram pesquisados em duas empresas de materiais
de construções e dos blocos foram obtidos da mesma forma em duas empresas fornecedoras
de blocos pré-moldados de concreto, sendo retiradas as médias entre os custos das empresas e
lançados seus valores em tabelas conforme tabela 1.

Tabela 1 – Média dos custos de materiais de construção na cidade de Paragominas-Pa


para a adoção na planilha orçamentária de AE, outubro/2008

Tabela de Preços Unitários Para Orçamento de Obra em Alvenaria Estrutural


Item Descrição Unid. Preço Unitário
1 Graute m³ R$ 275,00
2 Argamassa m³ R$ 285,00
3 Bloco Vazado de concreto 14x19x39 unid. R$ 2,20
4 Bloco Canaleta de Concreto 14x19x39 unid. R$ 2,20
5 Aço CA 50/60 (material e mão-de-bra) kg R$ 7,35
Fonte: o autor (2008)

Em seguida foram lançados os custos relacionados com os quantitativos e formaram a


tabela 2.
53

Tabela 2 – Custo da superestrutura para o sistema de AE, outubro/2008


CUSTO UNITÁRIO
ITEM DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS UNID. QUANT. TOTAL
Materiais Mão-de-Obra
1 Superestrutura
1.1 Alvenaria Portante (Pav Térreo, 1º, 2º e Cobertura) m² 2.180,00
Fornecimento de material e mão de obra p/ execução da
1.1.1 alvenaria portante c/ bloco de concreto 14x19x40 unid. 24.474,00 R$ 2,20 R$ 10,00/m² R$ 72.443,04
Fonecimento de material e mão-de-obra p/ execução de
1.1.2 alvenaria portante c/ bloco canaleta de concreto 14x19x41 unid. 2.390,00 R$ 2,20 R$ 10,00/m² R$ 7.074,40
1.1.3 Argamassa ( Térreo, 1º, 2º 2 cobertura) m³ 26,19 R$ 285,00 R$ 7.464,15
1.2.4 Graute ( Térreo, 1º, 2º 2 cobertura) m³ 71,72 R$ 275,00 R$ 19.723,00
1.2 Armadura
Armadura de aço para estruturas em geral, CA-50/60, corte e
1.2.1 dobra na obra ( Térreo, 1º, 2º e cobertura) kg 1.480,00 R$ 5,85 R$ 1,50/kg R$ 10.878,00
1.3 Lajes ( Pav. 1º, 2º escadas e cobertura)
Fornecimento de material e mão-de-obra para laje pré-
1.3.1 fabricada tipo volterrãna com cobertura e=06 m³ 49,27 R$ 908,00 R$ 222,00 /m² R$ 64.435,18

TOTAL R$ 182.017,77

Fonte: o autor (2008)

4.4 PARA CONCRETO ARMADO CONVENCIONAL

Para concretização dos custos da superestrutura da obra em concreto armado


convencional no que diz respeito a pilares,vigas e alvenaria de vedação foi elaborado projeto
de forma conforme (Anexo 6) a partir do projeto de planta de 1ª e 2ª fiadas, projeto
arquitetônico e da planta de corte do projeto adotado para a estrutura em AE. Logo, seus
quantitativos foram obtidos através de levantamento de dados no projeto de forma elaborado.
Ao projeto foram atribuídas vigas de 15x50 e pilares com seção retangular de 20x40.
O concreto utilizado para o cálculo foi o mesmo utilizado na laje do prédio executado em
alvenaria estrutural, onde foram necessários 93 m³ e 7.440 kg de aço, sendo uma media de aço
calculada em 80 kg/m³ de concreto. Quanto às formas, estas foram calculadas conforme
medida de projeto tanto para pilares quanto às vigas.
Assim foram obtidos 1.298 m² de paredes, onde se constitui de 21.335 tijolos de
cerâmica vazados com medidas 09x20x30. Para assentamento dos blocos foram necessários
13m³ de argamassa de cimento e areia. Para os pilares e vigas foram utilizados
aproximadamente 75m³ de concreto, sendo estimado aproximadamente de acordo com análise
do projeto e experiência na atividade estrutural do professor orientador, valores determinantes
para a conclusão das análises de custos, índices de consumo e mão-de-obra, onde para aço
ficou estimado 80kg por m³ de concreto onde necessitou-se de 6000 kg de aço. Da mesma
forma da estrutura em AE, os custos dos materiais para concreto armado foram obtidos com
base na cidade de Paragominas-Pa através de cotações, onde os custos dos materiais para a
54

execução da obra em CA foram pesquisados em duas empresas de materiais de construções,


sendo retiradas as médias entre os custos das empresas e lançados seus valores em tabelas
conforme tabela 3
Tabela 3 – Média dos custos de materiais de construção na cidade de Paragominas-Pa
para a adoção na planilha orçamentária de CA, outubro/2008
Tabela de Preços Unitários Para Orçamento de Obras em Concreto Armado
Item Descrição Unid. Preço Unitário
1 Concreto ( material e mão-de-obra) m³ R$ 370,00
2 Alvenaria c/ Tijolo Cerâmico 20x30 m² R$ 14,00
3 Madeira p/Forma (material e mão-de-obra) m² R$ 30,00
4 Aço CA 50/60 (material e mão-de-obra) Kg R$ 7,35

Fonte: o autor (2008)

Em seguida analisados os custos com os quantitativos e sendo assim demonstrados na


tabela 4.

Tabela 4 – Custo da superestrutura para o sistema de CA, outubro/2008.

Fonte: o autor (2008)

4.4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Tomando-se como base os custos de materiais referentes ao mês de outubro de 2008,


na cidade de Paragominas/Pa chegou-se ao valor global para AE de R$ R$ 955.900,18, como
pode ser visto na tabela 5.
55

Tabela 5 – Custo global da obra para o sistema de AE, outubro/2008


ITEM ESPECIFICAÇÃO UN QUANT. TOTAL (R$ %
SERVIÇOS PRELIMINARES E INSTALAÇÕES DO CANTEIRO DE vb 1,00
1.0 R$ 26.645,38 3%
OBRAS
2.0 INFRA-ESTRUTURA ( Movimento c/ Terra, Sapata Corrida e Baldrame) m³ 83,60 R$ 27.291,44 3%

3.0 SUPERESTRUTURA ( Paredes, Lajes e Escadas) m² 2.180,00 R$ 182.017,78 19%

4.0 COBERTURA m² 336,00 R$ 40.005,00 4%

5,0 ESQUADRIAS ( Madeira e Vidro) m² 460,74 R$ 124.688,24 13%

6,0 TRATAMENTOS E PROTEÇÕES m² 250,00 R$ 10.000,00 1%

7.0 SOLEIRAS, PEITORIS m² 97,92 R$ 32.246,88 3%

8.0 REVESTIMENTOS ( Interno e Externo) m² 4.680,75 R$ 78.544,36 8%

9.0 PAVIMENTAÇÃO ( Interna, Calçamento Externo e Gramas) m² 2.717,47 R$ 88.566,90 9%

10.0 FORROS DE GESSO m² 1.077,00 R$ 38.569,65 4%

11.0 PINTURA ( Forro, Externa e Interna) m² 3.525,87 R$ 55.044,26 6%

12.0 SISTEMAS HIDRÁULICOS, MECÂNICOS E CAIXA D'ÁGUA vb 1,00 R$ 88.116,37 9%


SISTEMAS ELETRICOS E INSTALAÇÕES PRIMARIAS DE TELEFONIA
13.0 vb 1,00 R$ 131.570,84 14%
e LÓGICA
14.0 SERVIÇOS COMPLEMENTARES vb 1,00 R$ 32.593,09 3%

CUSTO TOTAL R$ 955.900,18 100%

Fonte: o autor (2008)


Notou-se que a superestrutura é o item que têm a maior participação no orçamento
global, alcançando um percentual de 19% do valor, como pode ser visto no gráfico 1.

Gráfico 1 – Participação em percentual por insumo do orçamento global AE


Fonte: O autor, 2008
56

Diante dos dados obtidos na pesquisa percebe-se que o custo global da mesma obra em
CA é no valor estimado de R$ 1.004.093,60 , tendo à superestrutura a maior participação
sendo 23%, como pode ser visto na tabela 6.
Tabela 6 – Custo global da obra para o sistema de CA, outubro/2008
ITEM ESPECIFICAÇÃO UN QUANT. TOTAL (R$
%
1.0 SERVIÇOS PRELIMINARES E INSTALAÇÕES DO CANTEIRO DE OBRAS vb 1,00 R$ 26.645,38 3%

2.0 INFRA-ESTRUTURA ( Movimento c/ Terra, Sapata Corrida e Baldrame) m³ 83,60 R$ 27.291,44 3%

5.0 SUPERESTRUTURA ( Paredes, Lajes e Escadas) m² 2.180,00 R$ 230.211,19 23%

7.0 COBERTURA M² 336,00 R$ 40.005,00 4%

8.0 ESQUADRIAS ( Madeira e Vidro) M² 460,74 R$ 124.688,24 12%

9.0 TRATAMENTOS E PROTEÇÕES M² 250,00 R$ 10.000,00 1%

10.0 SOLEIRAS, PEITORIS M² 97,92 R$ 32.246,88 3%

11.0 REVESTIMENTOS ( Interno e Externo) M² 4.680,75 R$ 78.544,36 8%

12.0 PAVIMENTAÇÃO ( Interna, Calçamento Externo e Gramas) M² 2.717,47 R$ 88.566,90 9%

13.0 FORROS DE GESSO M² 1.077,00 R$ 38.569,65 4%

14.0 PINTURA ( Forro, Externa e Interna) M² 3.525,87 R$ 55.044,26 5%

15.0 SISTEMAS HIDRÁULICOS, MECÂNICOS E CAIXA D'ÁGUA vb 1,00 R$ 88.116,37 9%

16.0 SISTEMAS ELETRICOS E INSTALAÇÕES PRIMARIAS DE TELEFONIA e LÓGICA vb 1,00 R$ 131.570,84 13%

18.0 SERVIÇOS COMPLEMENTARES vb 1,00 R$ 32.593,09 3%

CUSTO TOTAL R$ 1.004..093,60 100%

Fonte: o autor (2008)


Este dado revela que a superestrutura é o item que têm a maior participação no
orçamento global do CA, alcançando um percentual de 23,4% do valor, como pode ser visto
no gráfico 2.

Gráfico 2 – Participação em percentual por insumo do orçamento global CA


57

Fonte: O autor, 2008


A variação encontrada entre o custo da superestrutura do CA e AE está na casa de
29% e no preço global da obra 5,3%. Alguns índices obtidos apresentam-se nos gráficos 3, 4
e 5 a seguir.

R$ 230.211,59

R$ 250.000,00
R$ 182.017,78

R$ 200.000,00

R$ 150.000,00

R$ 100.000,00

R$ 50.000,00

R$ 0,00

CUSTO DA SUPERESTRUTURA PARA ALVENARIA ESTRUTURAL


CUSTO DA SUPERESTRUTURA PARA CONCRETO ARMADO

Gráfico 3 – Custo da Superestrutura e Paredes em AE e CA. Base 10/08


Fonte: O autor, 2008

23%

25% 19%

20%

15%

10%

5%

0% ALVENARIA
1 ESTRUTURAL
CONCRETO ARMADO

Gráfico 4 – Porcentagem da superestrutura em relação ao custo da obra.


58

Fonte: O autor, 2008

R$ 580,00 R$ 550,00

R$ 560,00
R$ 520,00
R$ 540,00

R$ 520,00

R$ 500,00

R$ 480,00 ALVENARIA ESTRUTURAL


1

CONCRETO ARMADO

Gráfico 4 – Custo da obra por m² para os dois sistemas.


Fonte: O autor, 2008

Os resultados encontrados na pesquisa de campo se aproximam de Ramalho e Corrêa


(2003) que afirmam a utilização da alvenaria estrutural parte de uma concepção que é a de
transformar a alvenaria, originalmente com função exclusiva de vedação, na própria estrutura,
evitando a necessidade de pilares e vigas que dão suporte a uma estrutura convencional.
Portanto, nota-se que na visão dos autores em relação aos aspectos técnicos e
econômicos demonstram que a alvenaria estrutural demanda um maior controle na utilização
de materiais que são mais caros e requer uma execução mais cuidadosa, o que evidentemente
aumenta o seu custo de produção em relação a alvenaria de vedação de tijolos cerâmicos,
porém, quando comparados ao concreto armado com fechamento em alvenaria convencional
seus custos minoram pois trata-se de um sistema que não faz uso de pilares e vigas, insumos
os quais oneram bastante no orçamento final de uma obra seja ela qual for o porte.
Encontra-se também na literatura Franco (1993), que analisa os aspectos relacionados
ao sistema construtivo em alvenaria estrutural e destaca suas principais características, que
podem ser entendidos apresentando suas vantagens, onde faz parte de uma técnica executiva
simplificada, de menor diversidade de materiais e mão de obra, que transmite facilidade de
controle, de integração com outros subsistemas e grandes reduções de custos. Porém como
desvantagens apresentam o condicionamento da arquitetura, onde não admite improvisações e
restringe a possibilidade de mudanças caso a estrutura não tenha sido executada anteriormente
59

com esse intuito. Pois existem casos de prédios em alvenaria estrutural em que foram
planejados em que algumas paredes internas não têm função estrutural, logo, podendo ser
alterando. Vale salientar que não podem ser todas.
Portanto, pode-se dizer que a alvenaria estrutural para prédios de vários pavimentos
tomou-se uma opção de construção largamente empregada no mundo, devido as suas
vantagens. Além disso, a grande vantagem que a alvenaria estrutural apresenta é de
possibilitar a incorporação de conceitos como racionalização, produtividade e qualidade,
produzindo construções com bom desempenho tecnológico aliado a baixos custos, pois o
sistema, quando concebido de forma adequada, reduz significativamente os custos e o tempo
de execução da obra.
60

CONCLUSÃO

Ao termino da pesquisa pode-se concluir que prédios habitacionais de até três


pavimentos em alvenaria estrutural apresentam custo menor quando comparado com
estruturas em concreto armado e paredes em tijolo cerâmico.
O uso de sistema construtivo baseado em AE constitui-se de um eficiente meio de
otimização na construção de edifícios de múltiplos andares quando comparado ao Concreto
Armado. Isso influenciado pelas reduções nos custos na superestrutura entre os dois sistemas,
onde no orçamento elaborado para AE a superestrutura pode-se comprovar que foi possível
reduzir o custo da obra em 5,6% em relação ao custo do mesmo edifício orçado para CA com
fechamento em alvenaria de tijolos cerâmicos. Logo, constata-se que os consumos de aço,
fôrmas e concreto aumentam proporcionalmente os custos do edifício. Dessa forma o trabalho
propõe a construção de moradias de interesse social através de uso de AE.
Contudo, vale ressaltar que o sistema de construção com estruturas em AE não está
ligado a todos os casos como sendo a melhor solução construtiva, pois em situações como por
exemplo, onde exista a necessidade de pilotis para pavimentos garagens em edifícios já se
torna impossibilitado a execução como foi visto na pesquisa bibliográfica realizada, logo é
indicada para edifícios residenciais de padrão baixo ou médio com até 12 pavimentos. Dessa
forma, o sistema de CA, quando bem calculado passa por essas limitações impostas pelo
sistema de AE, onde prédios altos acima de 20 pavimentos são lançados no mercado
imobiliário sem quais quer limitações quando se refere a superestrutura do edifício.
Em vista do exposto, sugere-se que as construtoras, os meios governamentais,
empresas privadas e estatais, se conscientizem da necessidade do aperfeiçoamento da mão-de-
obra e promovam cursos e treinamentos, para que se melhore a qualidade da produção e da
utilização da alvenaria estrutural e do concreto armado, pois por si só essas estruturas não tem
condições de desempenhar suas funções para beneficiar aos consumidores que delas utilizam.
Logo, com uma mão-de-obra especializada, portanto mais cara, conseqüentemente
diminuiriam as patologias e os prejuízos financeiros caudados muitas vezes por descuido ou
até mesmo falta de experiência na execução dos serviços.
Portanto, espera-se que este estudo sirva de incentivo e referência aos profissionais e
estudantes ligados ao setor da construção civil e que novos estudos venham a complementar o
mesmo, onde se recomenda que os próximos já façam comparação de dois ou mais prédios ou
até mesmo com arquiteturas diferentes com intuito de suprir a necessidade de reduzir custos.
61

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http://www.ibracon.org.br/ibracon.html
http://www.engemix.com.br/index.html
http://www.concrelix.com.br
http://www.supermix.com.br/principal.htm
www.maresstechman.com.br)

.
64

ANEXOS
65

ANEXO 1 – Para Alvenaria Estrutural

1 – Projeto Arquitetônico

DORMITÓRIO
+ 50

A = 12.03 m²

SACADA
+ 47

A = 8.44 m²

HALL
+ 50

A = 14.17 m²

HALL
+ 50

2- Planta Cobertura

alinhamento
S -- 02 S -- 04
meio fio

29.90 .15
.10
.10

.30 .15

1.40 1.50 24.25


1.50 1.50
.30
2
1.85 .30
1.05
.15 .15

.15 .15
2 .15 2
.15 2.90

1 .10
.40
.40 .60 .60

.30 3
.30
.10 .10

4.25 .60 21.05 .60 1.35 1.40


.15 .10 .10 .15 .15 .10
7.64

3 1 3 4
4.17

5.77
4 LEGENDA:
5.33
1 COBERTURA TELHA DE FIBROCIMENTO 06mm.
2 RUFO DE CONCRETO IMPERMEABILIZADO.
.30
3 CALHA DE CONCRETO IMPERMEABILIZADO.
2 .15
4 LAJE DE CONCRETO IMPERMEABILIZADO.
2 2 1.19

.60 9.93 .30 1.84 1.84


2
.30 6.40 .60 2.90
5 RESERVATÓRIO ELEVADO.
.10 .15 .15 .10 .15 .10 .15 .10
5 .15 6 INSPEÇÃO - VÃO DE 60 x 60cm.
2.15
1.50 .30 2.30
1 1 2
.15
2 1
.15 11.54
7 5 .60 .30 7 VISITA - VÃO DE 60 x 60cm.
.10
7
.15 8 MURO LIMITE DE TERRENO.
2 .52 .60 .52 .52 .52
9 ESPAÇO P/ BARRILETE.
.30
.30 .15 .10 .10 1.19

2 3.82
.10 .10
10 FORRO.
.15
.15 .15
.15
.60
11 ESPAÇO P/ INSTALAÇÃO HIDROSANITÁRIA.
.15 .15 2
2 .37 .10 12 REVESTIMENTO CERÂMICO ATÉ O TETO.
5.77 4 5.90 13 GUARDA-CORPO DE ALUMÍNIO E VIDRO.
6 .60 3 1 2
14 GUARDA-CORPO DE ALUMÍNIO.
4 15 APARADOR, H = 0,90m.
2 S -- 03
5.33 .60 11.20
1 .30 .79 .81
1 6.70 .60 .80 .30
16 ESQUADRIA DE ALUMÍNIO C/ VENEZIANA FIXA P/
.15 .10 .15 .10 .10 .10 .15
.60
VENTILAÇÃO DO BARRILETE.
.15
3
17 COBERTURA EM CHAPA DE POLICARBONATO C/
ESTRUTURA METÁLICA DE APOIO EM METALON.
.10
.10
.10 18 TIRANTE EM AÇO P/ SUSTENTAÇÃO DA COBERTURA
.45 S -- 01 METÁLICA.
.34
.15
2
3
.15
3
3
1.35 .30
.15
1.05
4 17 .15
1.35
8.04

4 .15 4

.15

4.80

3.91

3.30 5.41

alinhamento

meio fio

COBERTURA
via pública ESC. 1 / 50
66

3 - Planta de 1ª e 2ª Fiada

4 – Paredes - Paginação
67

5 – Fachadas Lateral e Frontal

B C A C E D D E C C B A C A B

ELEVAÇÃO - 01
ESC. 1 / 50

C A C E A B D B C A

LEGENDA:
A PINGADEIRA.
B FILETES EM PEDRA MINEIRA C/ ASSENTAMENTO
D TIPO CANJIQUINHA.
C REBOCO - PINTURA PVA BRANCO GELO.
D ESQUADRIA DE ALUMÍNIO E VIDRO.
E GUARDA-CORPO EM ALUMÍNIO E VIDRO.

ELEVAÇÃO - 02
ESC. 1 / 50
68

Concreto Armado
6 – Planta de Forma de Vigas e Lajes e Marcações do Pilares

P35 - 20/40 P36 - 20/40


V29 - 15/50 V56 - 15/50
V55 - 15/50

P29 - 20/40 V25 - 15/50 P30 - 20/40 P31 - 20/40 V26 - 15/50 V27 - 15/50P33 - 20/40 V28 - 15/50P34 - 20/40
P32 - 20/40

V23 - 15/50
V24 - 15/50
V34 - 15/50V38 - 15/50 V54 - 15/50

V32 - 15/50 V50 - 15/50


V44 - 15/50
V40 - 15/50
V47 - 15/50
V22 - 15/50

P28 - 20/40
P27 - 20/40 V21 - 15/50
P25 - 20/84P26 - 20/40

V20 - 15/50 V18 - 15/50V48 - 15/50


P20 - 20/40
V15 - 15/50 V16 - 15/50 V17 - 15/50 V51 - 15/50 V53 - 15/50
P19 - 20/40 V36 - 15/50 V19 - 15/50
P21 - 20/40 P22 - 20/40 P23 - 20/50
V42 - 15/50
P24 - 20/40 P18 - 20/40
V31 - 15/50 V12 - 15/50
V11 - 15/50 P15 - 20/40 V13 - 15/50 P17 - 20/70 V14 - 15/50
P16 - 20/40
V35 - 15/50 V46 - 15/50
V41 - 15/50
V10 - 15/50
P11 - 20/40 P12 - 20/40
P13 - 20/40 P14 - 20/40 P9 - 20/84 P10 - 20/40
V9 - 15/50
V8 - 15/50 V49 - 15/50 V52 - 15/50

V6 - 15/50 P8 - 20/40
V7 - 15/50

V39 - 15/50 V43 - 15/50


V33 - 15/50V37 - 15/50
V30 - 15/50 V45 - 15/50

V4 - 15/50 V5 - 15/50 P7 - 20/40

P1 - 20/40 V1 - 15/50 P2 - 20/88 P3 - 20/88V2 - 15/50


P4 - 20/40 P5 - 20/40 V3 - 15/50 P6 - 20/88
69

7- CUSTOS PARA GRAUTE, ARGAMASSA E MÃO-DE-OBRA DO SISTEMA DE AE.

Argamassa de assentamento para bloco de concreto (m³)

Unidade Quantidade R$ Total


Servente h 10,00 2,05 20,50
Areia m³ 1,22 27,00 32,81
Cal (saco 5kg) un. 14,70 3,80 55,86
Cimento kg 293,06 0,60 175,84
285,00

Concreto estrutural para graut virado em obra (18MPa) (m³)

Unidade Quantidade R$ Total


Servente h 6,00 2,05 12,30
Areia m³ 0,60 28,00 16,69
Seixo m³ 0,83 58,00 48,37
Cimento kg 329,40 0,60 197,64
275,00

Mão de obra e assentamento para blocos de concreto (m²)

Unidade Quantidade R$ Total


Servente h 0,80 2,05 1,64
Pedreiro h 0,80 3,00 2,40
Argamassa m³ 0,02 285,00 5,99
10,00