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25ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DA COMARCA DA CAPITAL

RECOMENDAÇÃO N. 0011/2017/25PJ/CAP
PA - Procedimento Administrativo n. 09.2013.00000697-7

Ao Presidente e demais membros do Conselho Curador e da Diretoria Executiva da


Fundação Catarinense de Assistência Social (FUCAS)

Entregue em mãos na 6ª Reunião Extraordinária do Conselho Curador e Diretoria


Executiva
Instituição: Fundação Catarinense de Assistência Social (FUCAS)
Assunto: Recomendação Presidente e aos membros do Conselho Curador e da Diretoria
Executiva da FUCAS

I - RELATÓRIO
01. O Ministério Público de Santa Catarina, através da Curadoria das Fundações,
expediu no dia 27/09/2017, aos órgãos gestores da Fundação Catarinense de Assistência
Social da Recomendação n. 0008/2017/25/PJ (pp. 1630-1956), a qual foi entregue pelo
Promotor de Justiça signatário do presente despacho diretamente ao Conselho Curador,
Conselho Fiscal e Diretoria Executiva, na 5ª Reunião Geral Extraordinária do realizada
em 27 de setembro de 2017, indicando, como imprescindíveis, algumas medidas
voltadas à reestruturação organizacional da Fundação, a saber, in verbis:
a) ao Conselho Curador, que promova, com fundamento no art. 12,
III, do Estatuto, a imediata revogação do parágrafo único do art. 15
deste, determinando a extinção da função de Superintendente
Executivo, com a consequente adequação da redação do art. 17,
parágrafo único, in fine;
b) ao Conselho Curador e à Diretoria Executiva, em conjunto com o
Conselho Curador, nos termos do art. 15, inciso VI, letra "a", com a
participação do Conselho Fiscal, a elaboração de minuta de alteração
do art. 11, § 3º e do art. 18 "caput" do Estatuto, prevendo a exclusão e
substituição de entidades que não indicaram ou informaram o
desinteresse em indicar membros titulares e/ou suplentes para
composição do Conselho Curador da Fundação e/ou do Conselho
Fiscal, e contemplando a inclusão de dispositivo que estabeleça
critérios e possibilite a escolha de novos integrantes nos casos de não
indicação;
c) à Diretoria Executiva que, com fundamento no art. 15, incisos I, II
e V, que adote providências administrativas para:
c.1) elaboração de minuta de Regimento Interno para apreciação do
Conselho Curador (Estatuto, art. 15, I), após apreciação pela
Curadoria das Fundações da Capital;
c.2) apresentação de Plano de Reestruturação Inicial da FUCAS, no
prazo de 15 (quinze) dias, à 25ª Promotoria de Justiça da Capital,
prevendo a readequação administrativa e do quadro de pessoal à
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realidade financeira da entidade e outras providências para


regularização dos pagamentos a empregados, fornecedores de
produtos, prestadores serviços e recolhimentos de FGTS e verbas
devidas à Previdência Social; e
c.3) a apresentação, no prazo , no prazo de 30 (trinta) dias, à 25ª
Promotoria de Justiça da Capital, de Plano de Reestruturação
Administrativa da FUCAS, prevendo o desenvolvimento e aplicação
de novo modelo de gestão para a Fundação.
03. Os órgãos gestores da FUCAS acolheram a representação (cf. Ata de pp.
1.635-1638, termo de pp. 1.680-1681 e pp. 1.722), tendo encaminhado considerável
volume de informações e documentos, os quais foram anexados ao presente
procedimento desde a Recomendação (pp. 1.630 a 1956).
04. Posteriormente foi proferido despacho requisitando o envio, para juntada aos
autos, de a) planilha com informações detalhadas sobre as receitas (incluindo rendas de
aluguéis e rendimentos de investimentos) e sobre todas as despesas projetadas para
2018; b) relatório demonstrando a situação financeira atual da entidade, com previsão de
receitas e despesas até 31/12/2017; c) remessa de informações sobre eventuais propostas
de aquisição de bens imóveis da FUCAS que tenham sido apresentadas e formalizadas à
entidade, com detalhamento do nome completo, qualificação, CNPJ ou CPF do
proponente, valor proposto, condições de pagamento, pesquisa sobre idoneidade do
proponente e eventuais custos de corretagem; d) informações documentadas sobre
negociações atuais envolvendo os investimentos da FUCAS, com especificação da
proposta, identificação do proponente, sua qualificação, CNPJ ou CPF, bem como
pesquisa sobre sua idoneidade, condições da proposta e prazo para sua consecução; e e)
informação sobre as providências já adotadas para alugar a sala comercial situada na
Avenida Rio Branco (p. 1972). Em resposta foram apresentados os documentos de pp.
1976 a 2032 e 2039 a 2041.
05. Foi determinada a juntada do Laudo Técnico n. 31/2017/GAC/CAT,
versando sobre os investimentos realizados pela FUCAS (pp. 2043-2074).
06. Aportaram aos autos Editais de convocação de Reuniões Extraordinária e
Ordinária do Conselho Curador e Diretoria Executiva da FUCAS (p. 2078 e 2107).

II - ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO JUNTADA E FUNDAMENTAÇÃO DA


RECOMENDAÇÃO
07. Para verificação de efetivo cumprimento das providências recomendadas e
expedição de recomendações adicionais, a análise da documentação juntada e
fundamentação da Recomendação será dividida em cinco tópicos, a saber: 1)
Providências para extinção da função de Superintendente Executivo; 2) Providências
para alteração do art. 13, § 3º e do art. 18, "caput", do Estatuto; 3) Providências para
elaboração e aprovação do Regimento Interno da FUCAS; 4) Providências para
Elaboração de Plano de Reestruturação Inicial da FUCAS; 5) Providências para
Elaboração de Plano de Reestruturação Administrativa da FUCAS. É o que se fará a
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seguir.
1) Providências para extinção da função de Superintendente Executivo
08. O primeiro item da Recomendação refere-se à extinção da função de
Superintendente Executivo, pela imediata revogação do parágrafo único do art. 15 do
Estatuto e adequação da redação do art. 17.
09. Na 5ª Reunião Geral Extraordinária realizada em 27 de setembro de 2017
(Ata juntada às pp. 1.635-1.638) foi aprovada a extinção do cargo de Superintendente,
pela supressão do parágrafo único do artigo 15 e também da parte final do parágrafo
único do artigo 17. No entanto, ao ser submetida ao crivo da Curadoria das Fundações a
ata da referida Reunião, foi denegada a alteração estatutária, por faltar o quórum para a
sua deliberação previsto no artigo 67, I do Código Civil e 26, I do Estatuto da FUCAS
(despacho de pp. 1.666-1.668). Foi determinada, por isso, a expedição de ofício ao
Presidente do Conselho Curador para que fossem adotadas as providências para, em
reunião conjunta do Conselho Curador e da Diretoria Executiva, fosse pautada a
reforma, para atendimento da Recomendação n. 008/2017/25PJ/CAP (item e do
despacho mencionado). No entanto, verifica-se que não houve cumprimento da
determinação pela Secretaria da 25ª Promotoria de Justiça até a presente data.
10. Outrossim, em reunião realizada no dia 7/11/2017 o Diretor Presidente da
FUCAS relatou informalmente que ainda não foi ultimada a dispensa do
Superintendente Executivo (debatida em Reunião de Diretoria, cf. doc. de pp.
1.764-1.766), por falta de recursos financeiros, muito embora este não esteja
comparecendo ao trabalho para cumprir a jornada de oito horas contratada. Em reunião
realizada no dia 16/11/2017, no gabinete da Promotoria de Justiça, com a participação
do Presidente da FUCAS, Roberto Ulisses de Alencar, do Advogado da FUCAS,
Leonardo Costódio Neto e dos membros do Conselho Curador Walmor Gomes Soares
Filho (Presidente), Adilson Cordeiro e Geraldo Otto, foi reiterada essa informação, o
mesmo ocorrendo na reunião realizada no dia 27/11/2017 (cf. termo de pp. 2133-2134).
11. Urge, diante da situação relatada, que se verifique se foram adotadas as
providências administrativas para desconto dos dias não trabalhados pelo referido
empregado, bem como outras medidas previstas na legislação trabalhista, sob pena de
responsabilização da Diretoria Executiva e Conselho Curador pelos prejuízos causados à
Fundação.
2) Providências para alteração do art. 11, § 3º e do art. 18, "caput", do Estatuto
12. O Segundo item da Recomendação se refere à alteração da forma de escolha
dos membros do Conselho Curador e do Conselho Fiscal. A sistemática atual se
mostrou ineficiente, uma vez que algumas das entidades declinaram da faculdade de
indicar nomes para composição do Conselho Curador, o mesmo ocorrendo
relativamente ao Conselho Fiscal. No despacho de (pp. 1.666-1.668, letra f) foi
determinada a expedição de oficio ao Presidente do Conselho Curador encaminhando-
lhe cópias do Ofício CRM-SC n. 5197/2016/PRES, do Presidente do Conselho Regional
de Medicina do Estado de Santa Catarina (p. 1530) e do Ofício CRESS n. 0197/2017, da
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Conselheira Presidente do Conselho Regional do Serviço Social da 12ª Região,


declinando da faculdade de indicar membros titular e suplente para composição do
Conselho Curador da FUCAS, e recomendando a expedição de ofício ao Presidente da
Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de Santa Catarina, solicitando a indicação de
membros titular e suplente para que integrem o Conselho Curador da FUCAS, como
faculta o art. 11, § 3º, letra "b", do Estatuto fundacional, diante das renúncias dos
membros anteriormente indicados pela OAB-SC (pp. 1575). Esta determinação também
não foi cumprida pela Secretaria da 25ª Promotoria de Justiça.
13. É imprescindível que, no mínimo, haja por parte do Conselho Curador a
iniciativa para recomposição desse órgão e do Conselho Fiscal, instando as entidades
interessadas a se manifestarem, porquanto somente depois da negativa formal à
solicitação de indicação (também formalizada) é que se poderá legitimamente excluir a
entidade de sua participação na gestão da Fundação.
14. In casu, a Curadoria das Fundações buscou informações com as entidades
que deveriam indicar membros ao Conselho Curador e Conselho Fiscal. Já se
manifestaram declinando da faculdade de indicar novos membros o Conselho Regional
de Medicina do Estado de Santa Catarina (p. 1.465) e o Conselho Regional do
Serviço Social (p. 1.463). Por sua vez, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de
Santa Catarina, instado para que informasse sobre o interesse em indicar dois
representantes ao Conselho Curador da FUCAS (Ofício n. 0707/2017/25PJ/CAP, p.
1464), entregue mediante ordem de diligência, deixou transcorrer in albis o prazo
estipulado. Quanto à OAB/SC, houve expedição de ofício para que formulasse as suas
indicações (Ofício n. 10160/2017/25PJ/CAP, p. 2.030), que aguarda resposta daquela
instituição.
15. Por outro lado, urge que se promova modificação estatutária contemplando
dispositivo que estabeleça critério que possibilite a escolha de novos integrantes do
Conselho Curador e para o Conselho Fiscal para o restante do mandato. A forma de
escolha adotada no atual Estatuto, mostrou-se falha na prática, porquanto não há
previsão normativa da possibilidade escolha de novos membros quando não for
possível formar o Conselho Curador.
16. Em uma fundação privada, em regra os membros do Conselho Curador e
Fiscal devem ser investidos nos seus cargos mediante eleição própria realizada pelos
membros do Conselho Curador. A primeira composição dos órgãos diretivos, no
entanto, poderá ser definida pelo instituidor (Lei n. 6.015 – Lei dos Registros Públicos,
art. 120, inciso VII), visto que ainda não há Conselho Curador instituído. Depois disso,
a investidura nos cargos deverá ser realizada normalmente por escolha do próprio
Conselho Curador, que elegerá os novos membros e seus suplentes entre pessoas físicas
ou jurídicas, comprovadamente idôneas e capazes de dar continuidade às finalidades da
entidade.
17. Nada obsta porém que, segundo processo de escolha regulado no Estatuto ou
em Regimento Interno, sejam obtidas prévias indicações de segmentos representativos
da sociedade, público ou privados. Nesse passo, feitas as indicações na forma e nos
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prazos estatutários ou regimentais, o Conselho Curador poderá escolher os novos


integrantes dos dois conselhos (Curador e Fiscal).
18. Porém, para a adoção de um novo modelo de indicação e escolha, o
Conselho Curador deve estar devidamente recomposto. Para tanto, duas
providências se fazem necessárias: a) a Presidência do Conselho Curador deverá instar
as entidades referidas no atual estatuto para que indiquem nomes para os cargos em
vacância; e b) deverá ser promovida uma reforma estatutária para incluir dispositivo no
estatuto que permita ao Conselho Curador escolher os integrantes do Conselho Curador
e do Conselho Fiscal diretamente, independentemente de indicações da instituição à
qual estejam vinculadas as vagas, quando esta, embora instada, não o tenha feito ou
tenha expressamente abdicado dessa faculdade.
3) Providências para elaboração e aprovação do Regimento Interno da FUCAS
19. Quanto ao Regimento Interno ainda não aportou aos autos a minuta para
análise prévia do Ministério Público.
4) Providências para Elaboração de Plano de Reestruturação Administrativa
Inicial da FUCAS
20. Um esboço do Plano de Reestruturação Administrativa Emergencial (Inicial)
da FUCAS foi apresentado e juntado às pp. 1.646-1652. Em linhas gerais, o Plano
contempla redução do custo de pessoal em 50%, a venda de ativos (móveis e imóveis),
readequação operacional e renegociação com fornecedores.
21. Em reunião realizada no dia 02 de outubro de 2017 na 25ª Promotoria de
Justiça, com a presença do Presidente da Diretoria Executiva e o o Advogado da
FUCAS, os representantes da entidade prestaram esclarecimentos quanto aos
"contratados terceirizados", enfatizando que não haverá prejuízo ao atendimento feito
as crianças e aos adolescentes, pois serão realocados para programas remanescentes.
Diante disso, foi aberto prazo para que fossem apresentadas justificativas quanto a
urgência das rescisões contratuais, bem como o plano de atividades para atendimento
das crianças e adolescentes pelos programas da FUCAS, realizados pelos seus
colaboradores (pp. 1.680-1.681).
22. O Presidente da FUCAS esclareceu, através do Ofício n. 85/2017 (pp.
1724-1726) que, em decorrência da situação econômica-financeira que a FUCAS vem
atravessando, a entidade não encontra perspectivas de receitas a curto prazo,
necessitando adequar os custos da organização, razão por que foi elaborado um Plano de
Gestão Emergencial, expondo os motivos para adequação dos programas e oficinas na
entidade (pp. 1.724-1.734) e do quadro de terceirizados.
23. Posteriormente, para consecução do Plano Emergencial a Presidência da
FUCAS apresentou proposta de operação de crédito com o Banco Bradesco S/A, a qual
foi apreciada no despacho de pp. 1.682-1.684, que concluiu pela possibilidade da
operação, destacando-se que o Auxílio Técnico n. 28/2017/GAC/CAT (juntado nas pp.
1.689-1.693) indicou que a taxa de juros efetiva proposta para antecipação dos
recebíveis pelo Banco Bradesco à FUCAS era compatível com as taxas praticadas no
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mercado para a mesma modalidade na ocasião. No referido despacho assinalou-se que a


Fundação deveria trazer aos autos cópias dos documentos relativos ao negócio jurídico
entabulado, juntamente com Plano de Aplicação dos Recursos, no prazo de 5 dias.
24. Em resposta o Presidente da FUCAS, ao tempo em que apresentou o Plano
de Reestruturação Inicial (pp. 1770-1772) juntamente com documentos que o integram
(pp. 1773-1929), prevendo a readequação administrativa da fundação através redução
com os gastos com pessoal, venda de bens móveis e imóveis, readequação operacional
dos programas sociais desenvolvidos e renegociações dos valores devidos aos
fornecedores, pagamento de valores relativos a encargos sociais em atraso e
importâncias devidas em ações trabalhistas, requereu a juntada de relação com os
pagamentos efetuados com recursos da operação de Capital de Giro Bradesco ocorridos
no período de 05/10/17 a 17/10/17 (p. 1764).
25. Posteriormente foram requisitadas ao Presidente da FUCAS as seguintes
informações: a) planilha com informações detalhadas sobre as receitas (incluindo rendas
de aluguéis e rendimentos de investimentos) e sobre todas as despesas projetadas para
2018; b) relatório demonstrando a situação financeira atual da entidade, com previsão de
receitas e despesas até 31/12/2017; c) remessa de informações sobre eventuais propostas
de aquisição de bens imóveis da FUCAS que tenham sido apresentadas e formalizadas à
entidade, com detalhamento do nome completo, qualificação, CNPJ ou CPF do
proponente, valor proposto, condições de pagamento, pesquisa sobre idoneidade do
proponente e eventuais custos de corretagem; d) informações documentadas sobre
negociações atuais envolvendo os investimentos da FUCAS, com especificação da
proposta, identificação do proponente, sua qualificação, CNPJ ou CPF, bem como
pesquisa sobre sua a idoneidade, condições da proposta e prazo para sua consecução; e
e) informação sobre as providências já adotadas para alugar a sala comercial situada na
Avenida Rio Branco. Em resposta, foram apresentados os documentos de pp.
1976-2032, 2038, 2040-2041.
26. O Plano de Reestruturação Inicial apresentado, todavia, não contempla uma
solução adequada para recuperação da capacidade de operação da FUCAS. Pelo
contrário, pode-se de plano anotar as seguinte deficiências, diante dos problemas
constatados de fluxo de caixa: a) a proposta leva em consideração apenas um tímido
enxugamento da pesada máquina administrativa e dos programas da Fundação,
incompatível com a situação financeira atual da entidade; b) em nenhum momento se
trouxe indicativos de que a atual administração da FUCAS (Diretoria Executiva) e o seu
órgão supremo, o Conselho Curador, têm preocupações quanto à captação de recursos,
para tornar a FUCAS auto-sustentável economicamente (parcerias com a iniciativa
privada e com o Poder Público, por exemplo); pelo contrário, pela proposta a FUCAS
segue consumindo o seu patrimônio com as finalidades estatutárias em vez de trabalhar
economicamente para que seus rendimentos possam custear o exercício daqueles
objetivos; c) a proposta não considerou ações efetivas reais, judiciais ou extrajudiciais,
de recuperação de seus créditos, dos valores que foram investidos; d) a alienação de
bens aventada, considerada de forma desvinculada de uma reestruturação
administrativa, constituirá perda considerável e irreparável para o patrimônio
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fundacional, pois visa unicamente cobrir as perdas acarretadas por graves problemas de
gestão financeira apontados no Laudo Técnico n. 31/2017/GAC/CAT (juntado às pp.
2043-2074).
27. É consabido que as fundações constituem um patrimônio personificado, o
qual se destina à realização de funções sociais. Sendo um patrimônio, são os seus bens,
especialmente os bens imóveis, destinam-se precipuamente à consecução de suas
atividades. Conforme anotam Grazzioli e Rafel, "Como velador constitucional das
fundações, o Ministério Público tem o dever diuturno de garantir a proteção desses bens,
que são, em regra, inalienáveis".1 Nesse sentido aponta a doutrina civil.2
28. Esta condição decorre da interpretação jurisprudencial e doutrinária acerca da
vinculação do patrimônio fundacional às finalidades estabelecidas pelo instituidor.
"Segundo os tribunais, 'os bens das fundações são normalmente inalienáveis, porque
representam a concretização dos fins preestabelecidos pelos respectivos instituidores,
não tendo os seus administradores qualidade para alterar o imperativo da vontade
daqueles'(RT 252/661)".3
29. A noção de inalienabilidade dos bens fundacionais se desenvolveu a partir
das interpretações dadas ao art. 69 do Código Civil de 1916 que dizia: "Art. 69. São
coisas fora de comércio as insuscetíveis de apropriação, e as legalmente inalienáveis."
Este artigo tratava das situações de inalienabilidade decorrente de lei, isto é, retirava do
comércio as coisas que o direito subtrai à circulação.4
30. Apesar da inexistência de artigo correspondente ao acima mencionado no
Código Civil de 2002 versando sobre as "coisas fora do comércio"5, a doutrina civil
manteve a classificação destes bens em duas categorias: a) as coisas insusceptíveis de
apropriação por sua própria natureza; e b) as legalmente inalienáveis.6
31. Os bens insusceptíveis de apropriação podem ser classificados em bens que
não apresentam valor econômico ou as coisas da sociedade. Aqueles constituem os bens
personalíssimos que não podem ser medidos em pecúnia, como o direito à vida, à honra,
à liberdade que não podem ser objeto de negócio jurídico. Estes, são os bens de uso

1
Vide: GRAZZIOLI, Airton; RAFAEL, Edson José. Fundações Privadas. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2013.
p. 80.
2
Vide: DINIZ, Gustavo Saad. Direito das Fundações Privadas teoria geral e exercício de atividades
econômicas. São Paulo: Lemos e Cruz, 2006. p. 301.
3 FILHO, José Celso de Mello Filho. Notas sobre Fundações. Jul. 1980. p. 35; Apud, PAES, José

Eduardo Sabo Paes. Fundações, Associações e Entidades de Interesse Social: aspectos jurídicos,
administrativos, contábeis, trabalhistas e tributários. 8.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. p. 360.
4
Cf. PAES, José Eduardo Sabo Paes. Fundações, Associações e Entidades de Interesse Social:
aspectos jurídicos, administrativos, contábeis, trabalhistas e tributários. 8.ed. Rio de Janeiro: Forense,
2013. p. 363.
5
Silvio Rodrigues destaca que, como anotou Beliviáqua, "[...] a palavra comércio é empregada, neste
artigo, em sua acepção técnica de circulação econômica, ou possibilidade de comprar e vender"
(RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: parte geral volume 1. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 147).
6 Cf. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: parte geral volume 1, p. 148.
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comum do povo, destinados à satisfação coletiva.7


32. Os bens podem ser inalienáveis por determinação direta da lei ou pela
vontade do homem segundo a lei. No primeiro caso, a inalienabilidade decorre de uma
destinação imposta pelo legislador, no segundo da expressão da vontade particular
juridicamente válida, isto é, amparada na lei.8
33. No caso das fundações particulares, os bens que serviram de base para a
constituição de sua personalidade jurídica são inalienáveis em virtude da afetação
patrimonial consubstanciada na vontade válida do instituidor.
34. Sendo "[....] a fundação um complexo de bens livres (universitas bonorum),
colocado, por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas, sem intuito de lucro, a serviço
de um fim lícito e especial com alcance social, em atenção ao disposto em seu estatuto"9
é forçoso reconhecer que o acervo patrimonial sobre o qual recaiu a vontade particular
dos seus instituidores é inalienável.
35. O que determina a inalienabilidade dos bens fundacionais é a separação
determinada pelos encargos impostos originalmente pelos instituidores. A afetação,
aqui, implica em composição de um patrimônio criador de uma personalidade.10
36. Em resumo: "Os bens que constituem o patrimônio das fundações são
inalienáveis; e o são porque as pessoas que os administram não são os seus proprietários
e ainda porque a fundação é patrimônio personificado pela finalidade a que é
destinado".11
37. No entanto, é preciso compreender a extensão desta afetação sobre a
totalidade do acervo patrimonial das fundações particulares. Alguns bens fundacionais,
por sua natureza, não podem ou não devem ser alienados ou em qualquer hipótese
substituídos. Eles possuem caráter infungível, pois estão ligados individual e
materialmente aos fins da fundação. São estes, por exemplo, as obras de arte de artistas
renomados deixadas pelo instituidor para criação de fundação que administra um museu
e/ou o edifício de valor histórico e cultural destinado à instalação do museu. Outros, por
seu turno, que podem ser móveis ou imóveis, deixados pelo instituidor para assegurar
condições econômicas que tornem exequíveis as atividades da fundação, comportam
alienação. Estes bens, embora gravados com cláusula de inalienabilidade pelo
instituidor, comportam, excepcionalmente, a alienação mediante processo legal de sub-
rogação ou outra forma de garantia. Finalmente, há bens, tendo constituído o patrimônio
inicial da fundação (dotação em dinheiro, ações, equipamentos ou bens de troca e de

7 Cf. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: parte geral volume 1, p. 147.


8 Cf. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: parte geral volume 1, p. 151-152.
9
DINIZ, Maria Helena. Direito Fundacional. 2 ed. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2007. p. 14.
10
PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 270.
11
RT 116:615 apud DINIZ, Maria Helena. Direito Fundacional. 2 ed. São Paulo: Juarez de Oliveira,
2007. p. 17.
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consumo) que são suscetíveis de alienação irrestrita pela entidade.12


38. Sinteticamente, admite-se:
a) que os bens que pela afetação ao destino ou por sua natureza são
indissociáveis da própria fundação, não são passíveis de alienação nem substituição por
outros bens (sub-rogação);
b) que os bens gravados com cláusula de inalienabilidade pelo instituidor,
independentemente possam ser alienados desde que haja comprovada necessidade de
alienação e ocorre a substituição por outros bens de valor igual ou superior;
c) que os bens móveis ou imóveis sem vínculos individuais e materiais
indissociáveis com as finalidades da fundação (como apartamentos de aluguel, salas
comerciais, terrenos, por exemplo), possam ser alienados desde que estejam presentes
motivos justificadores, sejam cumpridos certos requisitos e procedimentos para
assegurar a juridicidade do negócio e haja substituição por outros bens que assegurem
garantia patrimonial mais vantajosa (sub-rogação); e
d) que os bens móveis que representam apenas meios para proporcionar a
realização das finalidades da instituição (bens fungíveis) não são inalienáveis, mas a
entidade deve respeitar os procedimentos internos para assegurar a legalidade e
transparência das alienações.
39. Os bens referidos na letra "a" não podem ser alienados nem mesmo com a
anuência do Ministério Público nem autorização judicial e será nulo o negócio jurídico
(Código Civil, art. 166, inciso II). Já, os da letra "c" podem ser alienados sob o
acompanhamento e fiscalização, em procedimento administrativo próprio, pela
Promotoria de Justiça das Fundações.
40. Por sua vez, os bens mencionados em "b" e 'c" podem ser alienados desde
que haja regular aprovação pelos órgãos diretivos, conforme estabelecido no estatuto
fundacional, de forma fundamentada, mediante procedimento próprio, observadas as
normas para a substituição do gravame em caso de sub-rogação13 ou apresentação
de determinadas garantias compatíveis com o negócio jurídico.
41. Os doutrinadores em geral sugerem que, após a aprovação pelos órgãos
gestores da entidade, seja ouvido o Ministério Público e, posteriormente, ajuizado
pedido judicial de autorização judicial para a alienação.14 Há autores, contudo, como
Airton Grazzioli e Edson José Rafael, que entendem que o Ministério Público, poderia,
pela via administrativa, sem a necessidade de ajuizamento de qualquer pedido judicial
para levantamento da inalienabilidade, autorizar a negociação de ativos das fundações
privadas tanto na hipótese "b" quanto "c", pois este poder estaria inserido nas
12
Vide: ALMEIDA PINTO, Geraldo de. Parecer. In: Revista Forense, v. 208, p. 49-55, apud AES, José
Eduardo Sabo Paes. Fundações, Associações e Entidades de Interesse Social: aspectos jurídicos,
administrativos, contábeis, trabalhistas e tributários. 8.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. p. 361.
13
DINIZ, Maria Helena. Direito Fundacional. 2 ed. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2007. p. 17-18.
14
Nesse sentido: DINIZ, Gustavo Saad. Direito das Fundações Privadas teoria geral e exercício de
atividades econômicas. São Paulo: Lemos e Cruz, 2006. p. 300-301; e RÁO, Vicente. O direito e a vida
dos direitos. 3. Ed. São Paulo: RT, 1991. p. 250.
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atribuições legais de velamento (Código Civil, art. 66).15


42. Para José Eduardo Sabo Paes o procedimento a ser adotado é o seguinte:
[...] cabe inicialmente comprovar-se a real necessidade da venda e
fundamentadamente assim decidir o órgão máximo da fundação, o
órgão deliberativo, normalmente denominado de Conselho Curador.
Após, essa deliberação será submetida ao Promotor de
Justiça/Curador de Fundações, que, como órgão ministerial com
obrigação de velar pela fundação, deverá assegurar-se de que a venda
do bem é indispensável para a existência e/ou continuidade das
atividades da fundação, exigindo até a sua sub-rogação ou
substituindo por outro(s) bem(s) destinados ao mesmo fim.
Havendo o Ministério Público opinado favoravelmente sobre a venda
do bem imóvel, esta deverá, sob pena de nulidade, ser judicial, por
meio de ajuizamento pela fundação de uma ação de autorização
judicial para venda, pedindo-se a expedição de alvará.16
43. O autor referido transcreve, para embasar o seu entendimento, julgado da 4ª
Turma do Superior Tribunal de Justiça em Recurso de Mandado de Segurança, n.
7.441/SP, publicada no DJ de 11.11.1996, assim ementado:

Fundação. Bens. Alienação. Administração dos recursos.


1 Os bens da fundação, que não sejam os destinados à venda, são
inalienáveis, somente admitida a alienação mediante autorização
judicial.
2 A administração dos recursos assim obtidos, e sua aplicação aos
fins propostos, é da competência dos órgãos diretivos da fundação,
sob a fiscalização do MP. A atividade judicial se esgota com a
autorização de venda, devendo receber, oportunamente, a prova da
correta aplicação dos recursos.
3 Cabe aos administradores da fundação a escolha da melhor
aplicação financeira a fazer com os recursos.
44. O entendimento que vem sendo esposado pelo signatário deste despacho, no
entanto, tem sido de que, a necessidade de autorização judicial se referem aos bens
referidos na letra "b". De fato, quanto a estes, é mesmo indispensável a autorização
judicial, uma vez que a inalienabilidade decorreu de ato de vontade do instituidor que,
por razões econômicas, deverá ser modificado por juiz em procedimento de jurisdição
voluntária. Ordinariamente, a autorização judicial não é necessária quando se cuidar de
algum bem que se enquadre na situação da letra "c". Nesse caso:

15 GRAZZIOLI, Airton. Fundações Privadas: das Relações de Poder à Responsabilidade dos Dirigentes.
Atlas, 2011. p. 56; GRAZZIOLI, Airton; RAFAEL, Edson José. Fundações Privadas: doutrina e prática.
2 ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 82.
16
PAES, José Eduardo Sabo Paes. Fundações, Associações e Entidades de Interesse Social: aspectos
jurídicos, administrativos, contábeis, trabalhistas e tributários. 8.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. p.
362.
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A fundação poderá [...] requerer diretamente ao Curador de


Fundações do Ministério Público a autorização para alienar
determinado bem, pela via administrativa, pois não se olvida que as
atribuições desse órgão abranjam desde a autorização para a
instituição da fundação, aprovação ou rejeição de contas, abertura e
fechamento de livro, até eventual extinção da fundação, além de
possuir outros poderes inerentes ao exercício do velamento das
fundações. O Ministério Público pode autorizar outros negócios, de
menor amplitude e abrangência, dentre eles a aquisição ou alienação
de bens, móveis ou imóveis.17
45. Entrementes, qualquer que seja a modalidade da autorização, é preciso ter em
mente que a alienação de bens fundacionais é medida excepcionalíssima e deverá levar
em conta fatores relevantes como o decurso do tempo e modificações da realidade fática
que efetivamente justifiquem o remanejamento de ativos para outros de maior
segurança ou valor, a fim de assegurar a consecução dos fins estatutários ou um
recurso extremo para obtenção de recursos financeiros imprescindíveis à mantença
da fundação, para evitar a sua extinção.
46. Observe-se, nesse passo, que não será possível a alienação quando a
obtenção do dinheiro com a venda objetivar unicamente o seu consumo com o
custeio das despesas operacionais e com pessoal regulares ou mesmo para
cobertura de défice no exercício decorrente de má gestão. Sob esse vértice, tem-se
que os bens imóveis de uma fundação podem, em tese, ser substituídos por outros ativos
mais seguros e mais vantajosos e podem ser vendidos quando a situação de
endividamento não tenha, direta ou indiretamente, decorrido de má-gestão, tendo por
escopo a obtenção de recursos financeiros para pagamento de credores
47. Em síntese, a alienação, especialmente de imóveis, não pode ser banalizada
pelos gestores da fundação. Toda alienação deve constituir efetivo ganho para o
patrimônio fundacional, um recurso último para evitar a extinção ou o meio de se obter
recursos para pagamento dos credores em procedimento de liquidação e extinção.
48. Por isso, quando recomendável e admissível (para preservação dos ativos),
inevitável (em caso de extinção) ou imprescindível à continuidade das atividades (para
evitar a insolvência), as alienações de bens imóveis devem autorizadas com certos
cuidados prévios, a saber:
A) individualização detalhada do bem acompanhada de documentação
atualizada pertinente ao seu registro;
B) justificativa da necessidade de sua alienação, com indicação da aplicação
prevista para os recursos auferidos, com explicitação detalhada da vantajosidade do
negócio jurídico, inclusive no tocante às garantias ou identificação do bem em
substituição (sub-rogação) ou a sua imprescindibilidade para a manutenção da
Fundação;
17
Vide: GRAZZIOLI, Airton; RAFAEL, Edson José. Fundações Privadas. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2013.
p. 82.
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C) realização de, no mínimo, três avaliações do bem a ser alienado, em laudos


subscritos por perito previamente selecionados entre os interessados do ramo pertinente
ao seu objeto, previamente cadastrados ou diretamente convidados, mediante
procedimento de cotação de preços, com a obtenção de, no mínimo, 3 propostas escritas,
às quais deverão ser submetidas à apreciação do Conselho Curador, que deverá
previamente estabelecer o objeto da contratação (a avaliação segundo os critérios da
Parte 1 e da Parte 2 do Grupo de Normas ABNT NBR 14653-2), o prazo e o local para
entrega de propostas;
D) sendo o caso de substituição do bem por outro, de três avaliações deste, nos
termos definidos no item C.
E) A proposta de compra de bem imóvel da fundação deverá ser formalizada
por escrito pelo próprio proponente ou por seu procurador, consoante as determinações
do Código Civil, acompanhada de minuta do respectivo contrato;
F) Deverão ser anexadas também informações sobre a idoneidade do
proponente, bem como parecer conclusivo com análise dos termos do negócio proposto
pela Assessoria Jurídica da Fundação e suas consequências para a entidade;
G) As informações e documentos referidos nos itens A a F deverão ser
previamente submetidas à apreciação do Conselho Fiscal (Estatuto da FUCAS, art. 19,
VI) colhida em reunião própria do Conselho, observadas as regras para convocação e
quorum para aprovação de sua manifestação (maioria simples);
H) Apreciada a proposta pelo Conselho Fiscal, com parecer contrário ou
favorável, devidamente fundamentado, a proposta deverá ser levada à apreciação do
Conselho Curador, juntamente com as informações e documentos que a instruem, para
deliberação em reunião especificamente convocada (Estatuto, art. 12, VII), observado-se
o quorum de 2/3 de seus membros para aprovação da alienação;
I) A seguir devem ser submetidas à apreciação da Curadoria das Fundações as
Atas das reuniões do Conselho Fiscal e do Conselho Curador, juntamente com os seus
atos convocatórios e listas de presença; e
J) aprovadas as Atas, poderá a Presidência da Fundação formalizar solicitação
de anuência à alienação do bem à Curadoria das Fundações, a qual deverá ser instruída
com as informações e documentos antes referidos.
49. A adoção do procedimento referido no parágrafo 48 não assegura, por óbvio,
que haverá anuência da Curadoria das Fundações, mas não somente que o pedido será
apreciado na esfera administrativa.
50. No caso da FUCAS, no entanto, não basta que formalmente seja seguido o
procedimento acima. Isso porque a situação deficitária da Fundação e os "problemas de
fluxo de caixa" são resultantes de ações administrativas que não levaram em conta o
risco das operações financeiras, como ressalta o Laudo Técnico n. 31/2017/GAC/CAT
(p. 2043-2074), in verbis:
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[...] realizados entre 2013 e 2017 afetaram diretamente a


capacidade de geração de receitas com liquidez da Fundação, fato
que implicou na atual situação de falta de recusos de caixa. Pois, a
Fundação possui receitas totais intimamente ligadas com os recursos
provenientes das receitas financeiras, as quais foram comprometidas
com as aplicações financeiras em empreendimentos imobiliários entre
2014 e 2015 com excesso de exposição ao risco e grande renúncia de
liquidez. Tal situação poderia ter sido prevista e evitada caso fossem
tomadas precauções com relação aos ativos escolhidos para
investimento em 2014 e 2015, sem grandes prejuízos à rentabilidade e
crescimento patrimonial observado no período; (p. 6037).
51. Destaque-se que, como as responsabilidades dos integrantes dos órgãos
gestores da FUCAS (Conselho Curador, Conselho Fiscal e Diretoria Executiva) está
sendo apurada no Inquérito Civil n. 06.2017.00004350-0, por prejuízos causados a esta,
bem como coletar elementos de prova para eventual Ação Civil Pública para preservar o
patrimônio social e assegurar a continuidade dos serviços sociais prestados pela referida
entidade, não seria razoável que se admitisse a decisão por parte dos próprios gestores
no sentido da alienação de bens fundacionais de grande valor, especialmente imóveis.
52. Além disso, está muito evidente a impropriedade da proposta de "Orçamento
de 2018" (planilha de p. 2038). Nela, constata-se que a totalidade dos recursos auferidos
com a venda de ativos permanentes (automóveis e imóvel de Jurerê, num total de R$
4.550.000,00), dos rendimentos de aluguéis (R$ 234.630,00), dos rendimentos de títulos
e aplicações no mercado financeiros (R$ 1.212.814,28), perfazendo R$ 6.417.444, 28,
se destinará ao pagamento de despesas com pessoal e administrativas rotineiras.
Observa-se, nesse passo, que as despesas operacionais da FUCAS estão muito acima do
que a sua disponibilidade financeira permite.
53. Essa situação, vista isoladamente, lança dúvida quanto à possibilidade de
manutenção da Fundação, que é uma das hipóteses de extinção previstas na legislação
(Código Civil/2015, art. 765, II).
54. Portanto, de pronto, nota-se que não se afiguram presentes os requisitos para
a venda de bens da FUCAS. A venda de bem imóvel, como foi dito alhures, somente
poderia ser determinada no bojo de um processo maior de reestruturação administrativa
e financeira da entidade, não conduzido pelos atuais dirigentes, traçado, ao menos, sob
quatro diretrizes: a) redução drástica das despesas com pessoal e gastos
operacionais; b) associação desta redução à recuperação de ativos, inclusive com
ajuizamento de ações judiciais cabíveis; c) adoção de medidas concretas voltadas à
captação de recursos públicos ou privados, para consecução de projetos de
interesse social; e d) realização de parcerias com outras instituições para execução de
projetos de assistência social.
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5) Providências para Elaboração de Plano de Reestruturação Administrativa da


FUCAS
55. No tocante ao Plano de Gestão Administrativa da Fundação, contemplando a
criação e execução de novo modelo de gestão para a Fundação, o prazo estabelecido no
item c.3 da Recomendação n. 008/2017/25/PJ escoou, sem que fosse efetivamente
apresentado.
III - RECOMENDAÇÃO

56. Diante do exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA


CATARINA, por seu Promotor de Justiça signatário, com fulcro no artigo 27, parágrafo
único, inciso IV, da Lei n. 8.625, de 12 de fevereiro de 1993 (Lei Orgânica Nacional do
Ministério Público – LONMP); artigo 3º da Resolução n. 164/2017 do Conselho
Nacional do Ministério Público (CNMP); e artigo 83, inciso XII da Lei Complementar
Estadual n. 197/2000 (Lei Orgânica do Ministério Público de Santa Catarina –
LOMPSC) e CONSIDERANDO, ainda, que foi designada Reunião Extraordinária do
Conselho Curador da FUCAS para o dia 28/11/2017, às 17h30, conforme consta do
Edital encaminhado à Curadoria das Fundações da Capital (p. 2078), para apreciar e
aprovar procedimentos internos para alienação de ativos, para apreciação e aprovação de
proposta de compra do imóvel de Jurerê e de veículos e análise de propostas de
alteração estatutária; bem como foi marcada, para o mesmo dia, às 18 horas, Reunião
Ordinária do Conselho Curador (Edital de p. 2107) para apreciar e aprovar o Plano de
Ação e Orçamento 2018, a reposição dos cargos de Diretor Técnico e Conselheiro Fiscal
Suplente e Assuntos Gerais, RESOLVE, com a finalidade de resguardar o patrimônio
social e preservar a continuidade dos serviços sociais prestados pela Fundação
Catarinense de Assistência Social (FUCAS), RECOMENDAR :
a) ao Conselho Curador e à Diretoria Executiva que promovam, na forma do art.
26 do Estatuto da FUCAS:
a.1) a efetiva extinção da função de Superintendente Executivo no referido
Estatuto, pela imediata revogação do art. 15 e adequação do art. 17 do atual
Estatuto, determinando todas as medidas administrativas imprescindíveis à
rescisão do contrato de trabalho do atual Superintendente e eventual desconto
dos dias não trabalhados e outras providências cabíveis consoante a legislação
trabalhista (vide parágrafo 11 supra); e
a.2) a alteração do Estatuto para incluir dispositivo no art. 11 e no art. 18 do
Estatuto prevendo a possibilidade de escolha pelo Conselho Curador de
membros deste e também do Conselho Fiscal caso não haja por parte de
instituição referida no art. 11, § 3º, indicação ou esta tenha expressamente
abdicado da faculdade de indicar nomes para composição dos dois conselhos da
FUCAS; e
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b) ao Conselho Curador da FUCAS que:


b.1) se abstenha de apreciar qualquer proposta de alienação de bens imóveis da
FUCAS;
b.2) determine à Diretoria Executiva que elabore protocole até o dia 31/01/2018
junto à 25ª Promotoria de Justiça da Capital, para apreciação desta, um Plano de
Reestruturação Administrativa da FUCAS detalhado e com prazo de execução
definido (mas no mínimo englobando o exercício de 2018), pautado pelas
seguintes diretrizes: 1ª) redução rigorosa e efetiva das despesas com pessoal e
com gastos operacionais, prevendo a manutenção somente de programas
economicamente sustentáveis; 2ª) associação dessa redução às providências
judiciais e extrajudiciais para recuperação dos valores investidos em fundos; 3ª)
a adoção de medidas concretas voltadas à captação de recursos públicos e/ou
privados para consecução de projetos de interesse social; e 4ª) a busca efetiva de
parcerias com outras instituições do terceiro setor para execução de projetos de
assistência social; e
b.3) determine à Diretoria Executiva que elabore e protocole até o dia
31/01/2018 e junto à 25ª Promotoria de Justiça da Capital, para apreciação desta,
a minuta de Regimento Interno da FUCAS.

Para que sejam apresentadas informações do acolhimento da presente


recomendação ou justificativas fundamentadas do seu não atendimento (cf. Resolução
do Conselho Nacional do Ministério Público n. 164, de 28 de março de 2017, art. 10,
caput), assinala-se, nos termos do art. 83, inciso IV, da Lei Complementar Estadual n.
197/2000, o prazo de 5 (cinco) dias, a contar do primeiro dia útil após o seu
recebimento.

Florianópolis, 28 de novembro de 2017

Davi do Espírito Santo


Promotor de Justiça
Assinado Digitalmente
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