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Obstrução Arterial Aguda Otacílio Figueiredo

Oclusão Arterial Aguda

Otacílio Figueiredo da Silva Júnior


Guilherme Benjamin Brandão Pitta

DEFINIÇÃO
Define-se como oclusão arterial aguda, um primários: a) uma queda na produção
bloqueio a passagem do sangue por uma artéria energética por bloqueio da fosforilação
terminal, ocasionando uma insuficiência oxidativa. b) supressão da função de limpeza
sangüínea tissular, com perturbações do celular, causando um acúmulo de dejetos
metabolismo celular nos territórios supridos metabólicos e conseqüente acidificação dos
pela mesma. tecidos.
O quadro clínico isquêmico poderá ter maiores Ao nível celular observamos fuga do potássio,
ou menores conseqüências a depender da edema e aumento da concentração
artéria ocluída, da intensidade da isquemia, do intracitoplasmática de cálcio, em parte
tempo de evolução do quadro isquêmico, e da responsável pela ativação de enzimas
presença de circulação colateral de suplência. proteolíticas.
De acordo com o território comprometido com Os músculos esqueléticos resistem cerca de 6
o déficit circulatório, o risco de viabilidade do horas a isquemia. Esta tolerância do músculo
mesmo e até a vida do paciente poderão estar estriado se deve a pouca demanda energética
em jogo, razão pela qual a determinação e a ao repouso, e a suas importantes reservas
desobstrução da causa deverão ser feitas o metabólicas (ATP, glicogênio). Os nervos
mais precocemente possível, para que se periféricos, por sua vez perdem sua função
obtenha resultados favoráveis nestas precocemente, porém conseguem se manter
situações específicas. vivos por até cerca de 12 horas. Já a pele
resiste a uma isquemia severa durante cerca
de 48 horas. Após este período a conseqüência
FISIOPATOLOGIA.
natural será a morte celular.
A oclusão aguda do aporte sangüíneo a uma
Ao nível da parede do vaso o fenômeno mais
determinada região produz dois fenômenos
evidente durante a oclusão arterial se refere

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Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.
Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro
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ao espasmo arterial conseqüência da inervação a) embolia arterial. A embolia arterial


importante de muitas áreas, estimuladas representa a principal causa de isquemia
durante a oclusão. Tal espasmo se estende aguda dos membros, e a origem cardíaca
inclusive a colaterais periféricas que em dos êmbolos representam 80 a 90 % dos
conjunto com o bloqueio do vasa vasorum (que casos de embolia (60 a 70% secundária a
é responsável por distúrbios nutritivos arritmia cardíaca completa por fibrilação
importantes na parede do vaso, causando uma auricular de origem isquêmica, e 20%
arterite isquêmica), determinam agravamento relacionado a infarto do miocardio, o
da isquemia. restante se relaciona a outras causas
Nos caso das embolias, a retenção do menos freqüentes como: aneurisma
fragmento se apresenta quando da redução cardíaco, endocardite bacteriana, mixoma,
brusca do diâmetro, geralmente em uma cardioversão, miocardiopatia hipertensiva,
bifurcação, ou na saída de uma colateral de insuficiência cardíaca congestiva). As
alto débito. O destino dos êmbolos é aleatório, embolias de origem não cardíacas
porém observa-se que os êmbolos menores correspondem a cerca de 10% dos casos
(visto sua posição periférica ao fluxo (aneurismas, placas ulceradas, embolia
sangüíneo) tem predileção pelas artérias paradoxal - presença de CIA ou CIV -,
cerebrais e viscerais, em contraposição aos embolia apartir de uma prótese
êmbolos maiores, que se apresentam em trombosada, embolia séptica, pós
posição mais central ao fluxo com predileção cateterismo arterial, bolhas de ar,
pelas artérias dos membros. partículas de gordura, de líquido
aminiótico, projetil de arma de fogo, etc.).
Deve-se levar também em conta o grau de
De 5 a 10% dos casos as causas são
isquemia relacionado aos vasos de pacientes
desconhecidas. Os territórios mais
sem circulação colateral abundante em relação
acometidos são pela ordem : bifurcação
aos com circulação colateral arterial "rica"
femoral, artéria poplitea, território aorto -
(pacientes idosos), onde o queda do débito
ilíaco, e nos membros superiores a artéria
cardíaco regional não se manifesta de maneira
umeral é o local mais acometido.
tão agressiva, causando menor grau de
isquemia. b) tromboses. As oclusões de artérias
ateromatosa, ao nível dos segmentos mais
Convém também citar o problema da trombose
estenosados são os locais mais freqüentes
secundária, que se determina por conseqüência
das tromboses e são conseqüência de
da estase circulatória e da lesão do endotélio.
vários fatores, como: estado de choque,
Esta trombose se instala acima da zona de
desidratação, hemorragia intraplaca,
oclusão e é responsável muitas vezes pela
hipovolemia, poliglobulia, baixo débito
oclusão de colaterais e agravamento da
cardíaco. As tromboses de aneurismas
isquemia.
principalmente da artéria poplitea,
Finalmente não se deve negligenciar as lesões também se constituem causa comum e
arteriais provocadas pelo trombo e que após a
grave de isquemia aguda de membro.
remoção dos mesmos se mantém e são a causa
c) traumatismo vascular. A lesão vascular
de retrombose. Estas lesões se
traumática, pode ter ação sobre as três
caracterizãopela desendotelização com
camadas da parede arterial, ou , quando
exposição da camada sub-endotelial que é
contusa, com ruptura sub-adventicial da
muito trombogênica, e a inflamação da média e
média ou da íntima, seguido de oclusão a
da adventícia por congestão do vasa- vasorum.
passagem do fluxo sangüíneo.
d) dissecção. Apartir da ruptura (porta de
ETIOLOGIA
entrada) a dissecção se propaga proximal
Uma oclusão arterial aguda pode ser resultado e distalmente, com possibilidade de
de um dos seguintes processos patológicos: englobar no falso canal qualquer uma das

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artérias originadas da aorta ou ainda impotência funcional paralítica conseqüência do


oclusão por compressão extrínseca do comprometimento neural da isquemia.
falso canal, sobre a origem das mesmas, e A temperatura se preserva como um sinal de
conseqüente isquemia do território por extrema importância no diagnóstico clínico da
elas irrigada. isquemia aguda, visto que é pouco provável que
e) causas medicamentosas. Se referem encontremos um quadro de isquemia aguda em
basicamente ao uso dos derivados da extremidade com temperatura normal ou
ergotamina, do uso prolongado de próximo do normal. O gradiente térmico se
estroprogestativos, injeção intra-arterial relaciona ao local da oclusão, um pouco mais
de certos medicamentos (esclerosantes, abaixo.
penicilina, drogas vasoconstrictoras, Outros dados clínicos se somam ao já
barbitúricos). Não esquecer também da descritos para o diagnóstico clínico deste
possibilidade de isquemia aguda pós uso de quadro, como: ausência de pulsos abaixo da
heparina. área provavel da oclusão, ausência de pulso
f) compressão extrínseca. Podemos citar : contra-lateral (sugerindo embolia a cavaleiro),
cisto adventicial popliteos, desfiladeiro parestesias nas áreas isquêmicas (Figura 1),
cervical, aprisionamento da artéria diminuição da hidratação da pele, colabamento
poplitea, costela cervical, tumor peri - das veias superficiais, e enchimento capilar
bainha vascular. prolongado, rigidez muscular (que representa
g) espasmo. Secundário a processos mau prognóstico pela rabdomiolise, distúrbios
agressivos a artéria (traumas, processos distróficos da pele).
inflamatórios).
h) oclusão de próteses vasculares. Com
diagnóstico evidente pela história prévia
da aposição da prótese.
i) estados de hipercoagulabilidade sangüínea.
Síndromes mieloproliferativas, neoplasias,
lúpus eritematoso agudo disseminado,
déficit de fatores da hemostasia (proteína
C, proteína S, antitrombina III).
j) arteriopatia não-arterioscleróticas. Figura 1 - Embolia de artéria femoral com isquemia grave
Doença de Takayasu, periarterite nodosa, de pé.

tromboangeite obliterante, esclerodermia. Os sinais neurológicos, quando presentes


podem dar uma orientação da gravidade da
isquemia do membro. Os primeiros sinais são a
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
diminuição da sensibilidade ao toque fino,e a
Nos estágios iniciais da isquemia nos membros, sensibilidade propiosensitiva. A perda a
a pele aparece branca, pálida-cadavérica, e sensibilidade a dor só aparece nos casos de
com o evoluir da isquemia que cessa o efeito do isquemia mais evoluidos, e a paralisia com
espasmo arterial observamos o surgimento da ausência de reflexos se considera como um
cianose, que pode ser em placas ou sinal tardio.
generalizadas. A dor inicial que é aguda e
Deve-se lembrar para fins mnemônicos a
localizada no ponto de oclusão da artéria,
terminologia inglesa para definir esta síndrome
passa após algum tempo para uma dor mais
isquêmica que seria os 6 Ps, a saber: Pain-dor,
intensa e em queimação que é a dor clássica da
Pallor-palidez (Figura 02), Pulselesness -
isquemia. O paciente não consegue elevar a
ausência de pulsos, Paresthesia - parestesias,
extremidade inicialmente por atitude
Paralisys- Paralisia, Prostation - Prostração.
antálgica, porém depois evolui para uma

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O aparecimento de trombocitopenia demonstra


já uma provavel coagulação intravascular se
instalando.
A pesquisa de fontes emboligênicas cardíacas
(ecocardiograma transesofagico), serão
realizadas após o restabelecimento do fluxo.

DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR NÃO -


INVASIVO
O uso do laboratório vascular não Invasivo
(Doppler com ondas contínuas segmentar, e o
Figura 2 - Embolia de artéria axilar esquerda com palidez
de mão.
Ecodoppler bidirecional) permitem um auxilio
fundamental para o diagnóstico da severidade
O quadro clínico completo se finaliza com
da isquemia, a localização do local da oclusão, e
estado de choque, acidose, hiperpotassemia,
da presença de doença aterosclerótica no
mioglobinuria e mioglobinemia, síndrome de
mesmo lado e contralateral.
compartimento no membro acometido com
fasciotomia descompressiva (figura 3), oligúria O uso do Doppler contínuo contribui para a
e agitação, principalmente quando existe algum quantificação do grau de isquemia distal a
grau de comprometimento da consciência. oclusão, através das medidas das pressões,
bem como o registro do fluxo venoso, e da
presença de doença obstrutiva no outro
membro.
O exame DUPPLEX auxilia no diagnóstico
topográfico da oclusão, sua possível causa
(visualização do êmbolo, visualização da
estenose e da calcificação da parede), bem
como a qualidade da reentrada do fluxo. No
tocante ao diagnóstico etiológico, também
facilita na observação da presença de
aneurismas, cistos popliteos, compressão
Figura 3 - Embolia de artéria poplítea com síndrome do extrínseca, etc. O arquivamento de dados de
compartimento e fasciotomia aberta de perna direita . exames anteriores também ajudariam na
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL determinação de uma doença obstrutiva prévia.
Diante um paciente com diagnóstico clínico de
isquemia aguda, alguns exames laboratoriais se DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICO INVASIVO
impõe, para definição do estado clinico deste A arteriografia (Figura 4) oferece várias
paciente que provavelmente irá se submeter a informações de sumo interesse para as
um provavel tratamento para a síndrome síndromes isquêmica agudas, como: o aspecto
isquêmica. Após algumas horas de isquemia, da oclusão (Figura 5), visualiza o aspecto dos
podemos observar elevação da hemoglobina e vasos distais, o aspecto da circulação
do hematócrito, refletindo hipovolemia intra - colateral, define um prognóstico sobre a
vascular com seqüestro de líquido para o possibilidade de restauração arterial, além de
extra-vascular. A elevação da CPK eventualmente definir fontes emboligênicas
(creatinofosfokinase) e DHL (desidrogenase latentes.
láctica) pode ter relação com o aparecimento
de necrose extensa, e geralmente se
acompanha de elevação da serie branca
(leucócitos) e acidose sistêmica.

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DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICO SEMI-


INVASIVO (angioressonância magnética,
tomografia helicoidal.)
O uso destas modalidades de diagnóstico, não
fazem parte da rotina de estudo das
síndromes isquêmica agudas, porém a melhoria
das imagens com os novos equipamentos,
associada ao uso de contraste não iodado (caso
da ressonância) ou em menor quantidade que a
angiografia convencional (caso da tomo
helicoidal), além naturalmente do caráter não
invasivo dos exames, associada a qualidade das
imagens, acredita-se que farão no futuro parte
do arsenal de diagnóstico destas síndromes
isquêmicas.
Figura 4 - Embolia arterial aguda de poplítea (imagem de
taça invertida).
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
A dúvida diagnóstica pode ocorrer entre as
causas da síndrome isquêmica aguda (embolia X
trombose), ou entre a oclusão arterial aguda e
outras doenças.
A identificação da causa da isquemia é de
fundamental importância para o sucesso da
terapêutica e do prognóstico.
A embolia arterial apresenta inicio brusco, com
dor intensa, e fenômenos vaso-motores mais
marcantes que a trombose aguda. A embolia é
mais comum em jovens e com história de
patologia emboligênica. A trombose arterial
ocorre mais freqüentemente em pacientes
idosos portadores de doenças
arteriosclerótica, associada a situações como
desidratação, hipotensão, poliglobulia, etc.
A tromboangeite obliterante (TAO), por sua
Figura 5 - Embolia aguda de artéria femoral superficial. vez apresenta quadro clínico característico,
O estudo angiográfico não deve retardar a com comemorativos prévios de isquemia aguda
terapêutica a ser seguida, principalmente nos anterior, flebite segmentar migratória, além
quadros com deficit sensitivo-motores de das características clínicas clássicas como
possível isquemia irreversível. Nos membros, a sexo masculino, e tabagismo.
presença de pulsos axilar e femoral torna A oclusão arterial aguda pode ser confundida
improvável oclusão mais proximal, autorizando com a trombose venosa profunda aguda, nos
uma abordagem apartir desse nível. O estudo casos em que se acompanha de espasmo
angiográfico transoperatorio poderá ser - nos arterial, e a diferenciação clínica se dá pela
casos exeqüíveis - de grande valia, com a presença de turgor venoso, edema, e quadro
finalidade de definir os vasos a serem doloroso no repouso menos intenso que ocorre
abordados e os resultados pós-cirúrgicos. nas tromboses venosas. O uso de exames

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ultrasonográficos vasculares determinarão o


diagnóstico definitivo nos casos de dúvida.

TRATAMENTO
Como se trata de uma emergência cirúrgica,
alguns procedimentos pré-operatórios devem
ser efetuados para que se obtenha os
melhores resultados pós-cirúrgicos.
- Medidas gerais - a sedação e analgesia tem
um efeito importante para estabilização clinica
do paciente.
Outra ação importante é a proteção térmica Figura 6a - Cateter de Fogarty insuflado.

da região afetada (geralmente nos membros se


usa algodão ortopédico frouxo e faixas de
algodão), além do repouso da extremidade
acometida em superfície não traumática
(colchão d'água).
O calor a distância (uso de cobertores em todo
o corpo) teria o efeito benéfico de diminuir o
espasmo arterial.
Outras medidas como elevação da cabeceira e
manutenção dos membros na horizontal, além
de avaliação clínica minuciosa dos diversos
aparelhos, pré-operatória, também
Figura 6b - Cateter de Fogarty insuflado.
contribuiriam para resultados satisfatório das
propedêuticas a serem realizadas.
Quando existe suspeita do diagnóstico clínico
de isquemia aguda, a administração de
heparina em "bolus", na dose de 5000 u.i. a 10
000ui é preconizada, com o intuito de evitar a
trombose secundária, diminuindo
consequentemente a morbidade e a
mortalidade.
O tratamento cirúrgico propriamente dito
pode ser dividido em várias modalidades:
Figura 7 - Embolectomia de artéria axilar esquerda
a) Embolectomia - A embolectomia por cateter (embolo + trombose secundaria).
de Fogarty (1963) (figura 6a e 6 b), mudou o O diâmetro do cateter é adaptado ao calibre
prognóstico das embolias arteriais. Podendo do vaso e é introduzido pela arteriotomia, após
ser realizada sob anestesia local, esta técnica contrôle proximal e distal da artéria. Após
simples e rápida permite uma desobstrução atravessar o trombo, o balonete é inflado e
anterógrada e retrógradada artéria (figura 7). retirado lentamente carregando consigo o
A abordagem é ditada pela clínica. Nos trombo.
membros inferiores geralmente ao nível do
A aparição de sangue de refluxo se insinua
tripé femoral e nos membros superiores direto
como sinal de sucesso do procedimento. Muitas
na artéria umeral, ao nível da goteira bicipital
equipes procedem arteriografia de contrôle,
interna.
com o objetivo de confirmar a perviedade de
todo o leito vascular.

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As complicaçoes do procedimento, podem ser Quanto as pontes mais distais podemos usar
de origem técnica (estenoses das material exógeno (próteses de Dacron - nos
arteriotomias longitudinais, obrigando ao uso procedimentos aórticos - PTFE nos implantes
de remendos venosos, lesoes endoluminares extra-articulares), e o próprio material venoso
pelo Fogarty - dissecção, descolamento de autólogo, nos casos infra-articulares (veia
placas -, perfuração da artéria, etc), safena, ou veias de outros locais).
complicacoes locais (hematomas, necrose Outros procedimento cirúrgico pode ser
muscular com ou sem infecção, defcit necessário, a fasciotomia. O aumento da
neurológico completo) pressão das lojas musculo-aponeuróticas
- Tratamento fibrinolítico - descrito por pela causada pelo edema pós-revascularização,
primeira vez por Dotter (1974), abandonado impedindo o retorno venoso, e a perfeita
por via intravenosa, por via intra-arterial local circulação arterial na extremidade do membro
consiste na aposição de um cateter pela ameaçado, exige a fasciotomia abrindo as lojas
técnica de Seldinger, e a liberação de um osteo-fibrosas. Estas fasciotomias devem ser
produto fibrinolítico (uroquinase, feitas até as 6 horas de isquemia, a céu
streptoquinase, RTPA), em doses variáveis aberto, bastante largas e interessando as 4
segundo os vários protocolos existentes em lojas musculares (anterior, posterior, profunda
contato com o trombo. Esta técnica apresenta e superficial), realizando duas incisões, uma
contra-indicações (isquemia sensitivo-motora, antero-externa e outra postero-interna se
oclusões umero-axilares, e as contra - prolongando do joelho ao maléolo.
indicações próprias contra o uso de
fibrinolítico), e as principais indicações são:
COMPLICAÇÕES
oclusões arteriais agudas recentes (tempo
inferior a 15 dias) de pontes femoro-popliteas, As complicações gerais são de origem cardíaca
(infarto do miocardio e insuficiência cardíaca
pré-operatório de cirurgia de cura de
são responsáveis por 60% dos óbitos no pós
aneurisma de artéria poplitea trombosado,
oclusões femoro-popliteas longas em artérias operatório), embolia pulmonar (responsável por
20% dos óbitos no pós-operatório) decorrente
patológicas.
de migração de microembolus venosos
Podemos associar o uso de fibrinolítico com
periféricos e agravado pela circulação de
outras técnicas como tromboaspiração (trombo
produtos decorrentes da miólise), e a chamada
residual) e angioplastia, nas estenoses
Síndrome de reperfusão ou Mionefropática,
residuais.
que se caracteriza pela liberação na circulação
- Angioplastia endoluminal - dilatação com sistêmica após a reperfusão da massa
balão de estenoses arteriais. São indicadas muscular, de metabólicos ácidos (lactatos,
como complemento de uma trombo- piruvatos) e de produtos de destruição
embolectomia com observação da estenose muscular (potássio, mioglobina), causando uma
responsável, ou após uma trombólise. acidose metabólica profunda, associada a uma
- Cirurgia restauradora - as pontes vasculares hiperpotassemia, que poderão desencadear
de urgência, são indicadas em primeira uma parada cardíaca . Por outro lado, observa -
intenção, nos casos de trombose em artérias se também um aumento da permeabilidade
patológicas, e em segunda intenção após capilar, com conseqüente hipovolemia.
realização de técnicas endovasculares. O fator de gravidade mais importante se deve
As endarterectomias a céu aberto ou com o ao aparecimento de uma necrose tubular aguda
uso do anel de Volmar, estão cada vez mais decorrente da precipitação de mioglobina nos
sendo abandonadas. Elas podem ser túbulos renais em meio ácido. A prevenção
justificadas nas lesoes estenosantes limitadas desta síndrome inclui a administração de
ou ulceradas ao nível ílio-femoral. bicarbonato de sódio para combater a acidose
e induzir a alcalinização da urina, a correção da
hipovolemia. O uso de Manitol serve tanto
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como agente osmótico, induzindo a diurese, de salvamento de membros que varia de 91% a
como protetor da insuficiência renal, pela 100%
eliminação de radicais livres. Sem tratamento Nos casos de embolia arterial associado a
curativo, esta síndrome pode levar a um quadro trombose arterial (embolia em artéria doente)
de insuficiência renal aguda. a taxa de amputação da extremidade se
aproxima de 40% por razoes óbvias
RESULTADOS decorrentes da pobreza da circulação distal a
oclusão.
Após uma oclusão arterial aguda a
sobrevivência de uma extremidade depende da A anticoagulação pode melhorar os resultados
circulação colateral de suplência. em cerca de 10% no tocante da taxa de
salvamento de membro.
Os resultados decorrentes das isquemias
agudas por embolia arterial melhoraram de O índice de recorrência de uma isquemia aguda
maneira muito importante após o advento do no geral, varia de 6% a 45%, elevando nesses
cateter de FOGARTY, permitindo melhorar o casos a mortalidade e a taxa de amputação a
prognóstico funcional e de vida dos pacientes, níveis bem mais elevados.
porém a taxa de amputação e a taxa de
mortalidade continuam bastante elevadas. PROGNÓSTICO
De um modo geral, nos pacientes com isquemia Os fatores relacionados aos maus prognósticos
aguda de uma extremidade, a mortalidade das isquemias agudas de extremidades são:
varia de 5% a 32%, e a taxa de amputação
a) cardiopatia associada.
varia de 4 a 31% independente do tipo de
tratamento. b) existência de lesões ateromatosas difusas.
c) retardo no diagnóstico e na terapêutica.
Quando comparados os resultados no tocante a
taxa de amputação e a mortalidade entre os d) recidiva embólica.
casos de trombose aguda e embolia, e) embolias múltiplas.
observamos que as tromboses apresentam uma f) associação com embolias viscerais.
taxa de mortalidade menor quando comparada
Pacientes com fibrilação arterial de inicio
com os casos de embolia arterial, (8% versus
recente apresenta prognóstico melhor que as
20%), devido a menor probabilidade de infarto
de caráter crônico.
agudo do miocardio ou doença cardíaca severa,
e uma taxa de amputação maior decorrente Embolia secundária a patologia reumática
dos resultados piores das revascularizações também apresentam melhores prognósticos.
em relação as embolectomias. Embolias aórticas e/ou ilíacas tem prognóstico
bem piores quando comparadas as embolias
A mortalidade perioperatória nos casos de
periféricas.
embolia de extremidades inferiores varia de
17% a 41%, com média de 27%. Infarto agudo
do miocardio é o responsável por mais de 50% CONSIDERAÇÕES FINAIS
dos casos. A taxa de salvamento de membros Entendemos que o diagnóstico da obstrução
nos casos de embolia varia de 60 a 98%, com arterial aguda deve ser rápido para evitar a
média de 74% perda do membro. O tratamento clínico é
As principais causas de mortes nas tromboses semelhante nos casos de trombose ou embolia,
agudas são insuf. cardiopulmonar (60%). no entanto, o tratamento cirúrgico é
Nos membros superiores, onde os quadros de completamente diferente. Assim, o diagnóstico
isquemia aguda se devem invariavelmente as clínico é essencial para a condução dos casos
embolias arteriais (97%), a mortalidade e de obstrução arterial e para a determinação
menor quando comparada aos membros do tratamento final.
inferiores e varia de 7% a 25%, com uma taxa

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Versão prévia publicada:
Nenhuma
Conflito de interesse:
Nenhum declarado.
Fontes de fomento:
Nenhuma declarada.
Data da última modificação:
15 de junho de 2001.
Como citar este capítulo:
Silva Júnior OF, Pitta GBB. Obstrução arterial aguda. In: Pitta GBB,
Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular:
guia ilustrado. Maceió UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003.
Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro
Sobre o autor:

Otacílio Figueiredo da Silva Júnior


Doutor em Cirurgia Vascular pela Universidade Federal de São
Paulo/Escola Paulista de Medicina,Cirurgião Vascular,
João Pessoa, Brasil

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Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.
Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro
Obstrução Arterial Aguda Otacílio Figueiredo

Guilherme Benjamin Brandão Pitta


Professor Adjunto, Doutor, do Departamento de Cirurgia da
Fundação Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas,
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular
Maceió, Brasil

Endereço para correspondência:


Rua Zilda Pessoa Barreto 668
Areia Dourada
58310-000 Cabedelo, PB.
Fone/fax: +83 222 7283

16/05/2003 Página 10 de 10
Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.
Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro