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O instituto da transação penal e sua aplicação nos crimes de menor potencial ofensivo em prol da celeridade da prestação jurisdicional

prol da celeridade da prestação jurisdicional 4 COMENTAR Publicado por Hugo de Jesus Oliveira Magalhães ano

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Autores: Hugo de Jesus Oliveira Magalhães, Ismael Elionai das Dores e Sabrina Silveira

Barros[1]

Disponível

em:

https://hugogalo13.jusbrasil.com.br/artigos/388498556/o-instituto-da-

transacao-penal-e-sua-aplicacao-nos-crimes-de-menor-potencial-ofensivo-em-prol-da-

celeridade-da-prestacao-jurisdicional

RESUMO: A Lei n.º 9.099, de 26 de setembro de 1995 criou os Juizados Especiais Criminais e introduziu um novo conceito no direito penal e processual penal brasileiro, consagrando a justiça criminal consensual. A lei, instituída por força do artigo 98, inciso I, da Constituição Federal de 1988, determinou aos Juizados Especiais Criminais a competência para a conciliação, o julgamento e a execução de infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante procedimentos oral e sumaríssimo. Nesse conceito de justiça criminal consensual, a Lei disciplina em seu art. 76 a Transação Penal, que se aplica aos crimes de menor potencial ofensivo, regido pelo Juizado Especial Criminal. A Transação Penal, portanto, tem a finalidade de acelerar a prestação jurisdicional e a efetivação da Lei 9.099/95 aos casos práticos, tornando a justiça acessível e célere, taxando o instituto como um sistema jurídico moderno, preocupado com a ressocialização do infrator, devendo-se garantir, especialmente, os direitos do acusado e do ofendido para que não sejam cerceados.

Palavras-chave: Transação Penal; Crimes de Menor Potencial Ofensivo; Celeridade da Prestação Jurisdicional.

1 INTRODUÇÃO

A sociedade tem buscado diariamente uma justiça criminal mais célere e a Lei n. 9.099 de 1995 que disciplina, em parte, os Juizados Especiais Criminais propõe exatamente essa modernização da justiça, evitando a criação de inúmeros processos desnecessários que se estendem por anos perante o Poder Judiciário. Esse volume de processo e sua demora estabelecem o conceito de morosidade da justiça criminal e de ineficiência do Poder Público em se fazer justiça, acarretando danos irreversíveis à sociedade, como ocasionar a prescrição de um processo e consequentemente a impunidade ao autor do delito.

A Lei dos Juizados Especiais Civeis e Criminais, Lei n. 9.099/95, dentre outros assuntos,

é competente para analisar e julgar os crimes de menor potencial ofensivo, podendo, nos

termos da lei, valer-se do instituto da transação penal, também regulado por esse dispositivo. Esse instituto representará a negociação entre Ministério Público e acusado,

com posterior substituição de pena mais grave por uma pena mais branda, devendo ser sempre baseada no princípio da proporcionalidade para que não haja impunidade do autor perante o delito, tampouco reparação dos anos à vítima, objetivo primordial do instituto.

Tem-se, portanto, a ideia de que a aplicação da transação acelera a prestação jurisdicional, no entanto, a celeridade deve estar em consonância com as garantias processuais estabelecidas, como o resguardo da ampla defesa e do contraditório. Outrossim, os danos sofridos à vítima devem ter sido reparados, bem como os direitos do acusado e os deveres do próprio Estado não podem ser cerceados ou descumpridos. Observa-se, assim, se o instituto da transação penal propicia de fato não somente a celeridade da prestação jurisdicional, como também e, principalmente, os direitos constitucionais do indivíduo amparados pela Carta Maior.

2 DAS INFRAÇÕES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO

A infração de menor potencial ofensivo expõe pela própria expressão o significado de

crimes menos graves. Conforme já abordado, é competência do Juizado Especial à conciliação, julgamento e execução dessas infrações.

2.1 Conceito e Competência

O rol taxativo das infrações de menor potencial ofensivo está disposto no artigo 61 da Lei

9.099/95: Art. 61: “Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais[2] e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa”. (BRASIL, 1995).

BITENCOURT manifesta seu conceito sobre crime de menor potencial ofensivo,

explicando que "as contravenções penais que por vezes são chamados de crimes-anões, são condutas que apresentam menor gravidade em relação aos crimes, por isso sofrem sanções mais brandas". (BITENCOURT, 2006, p. 264). Assim, entende-se que, quando

o acusado não causar danos maiores à vítima com sua conduta, bem como, quando o ato

não provocar maiores consequências, fica caracterizado o menor potencial ofensivo.

Então, estão abarcadas no âmbito da competência dos Juizados Criminais, todas as contravenções penais, independentemente da pena máxima e do rito processual, bem como os crimes com pena não superior a um ano. Isso com referência aos crimes previstos no Código Penal e em leis extravagantes, levando-se em conta sua pena máxima.

O Juizado Especial Criminal aplica o procedimento sumaríssimo aos seus julgamentos,

propiciando assim uma solução mais célere e menos agressiva possíveis. O objetivo, portanto, é resguardar a liberdade do infrator, para que não haja a restrição do segundo maior bem jurídico do indivíduo, a liberdade. Entende-se assim, que a competência do Juizado Especial Criminal é processar e julgar infrações penais em que o bem jurídico tutelado tem menor relevância. Ada Pellegrini Grinover leciona:

Constitui resposta realista do legislador (e, em nosso sistema, do constituinte) à ideia de que o Estado moderno não pode nem deve perseguir penalmente toda e qualquer infração, sem admitir-se, em hipótese alguma, certa dose de discricionariedade na escolha das infrações penais realmente dignas de toda atenção. (GRINOVER, 2005, p. 105).

Destarte, afirma-se que a competência é julgar as infrações de menor complexidade, aquelas que alcancem unicamente o bem jurídico disponível. Uma vez que o prejuízo é somente ao bem jurídico disponível tutelado, o simples fato de seu ressarcimento já satisfaz resultado.

3 DA TRANSAÇÃO PENAL

Conceitua-se crime em seu aspecto material e formal. Edgar Magalhães Noronha materializa o crime como sendo: “a conduta humana que lesa ou expõe a perigo um bem jurídico protegido pela lei penal”. (NORONHA, 2004, p. 410). Para completar, Guilherme de Souza Nucci conceitua crime no seu aspecto formal como “a concepção do direito acerca do delito. É a conduta proibida por lei, sob ameaça de aplicação de pena, numa visão legislativa do fenômeno”. (NUCCI, 2013, p. 941). Crime, portanto, é a violação de um bem jurídico penalmente tutelado, exigindo do Estado a aplicação de sanção ao violador do direito garantido por lei.

Destarte, é a partir da existência de um crime que o instituto da transação penal se evidencia, visto que a prática criminosa pode se enquadrar como delito de menor potencial ofensivo. É neste cenário, que o Ministério Público pode deixar de oferecer denúncia, aplicando ao infrator, penas restritivas de direito ou multa, nos termos do artigo 76 da Lei nº. 9.099/95.

3.1 Conceito, Objetivos e Natureza Jurídica

A Transação Penal é conceituada como instituto do Direito Processual Penal, com previsão na Lei dos Juizados Especiais, bem como na Constituição Federal, artigo 98, inciso I. O instituto permite a aplicação de uma solução rápida, imediata e satisfatória do conflito, já que se trata de um acordo proposto pelo Ministério Público e aceito pelo acusado, nas Infrações de Menor Potencial Ofensivo. René Ariel Dotti leciona o significado de transação penal:

É medida alternativa que visa impedir a imposição de pena privativa de liberdade, mas

não deixa de constituir sanção penal. Como o próprio dispositivo estabelece, claramente,

a pena será aplicada de imediato, ou seja, antecipa-se a punição. E pena no sentido de

imposição estatal, consistente em perda ou restrição de bens jurídicos do autor do fato, em retribuição à sua conduta e para prevenir novos ilícitos (DOTTI, 2012, p. 433).

O objetivo, consequentemente, é possibilitar o acordo entre as partes, evitando um Processo e todas as consequências dele advinda, principalmente a condenação penal e seus efeitos. Lado outro, as vantagens da aplicação desse instituto se estende ao Estado, que se isenta dos custos e movimentações processuais. Assim, por ser o crime caracterizado como ínfimo, a realização de um acordo, que seja benéfico para ambas as partes, substituindo a pena privativa de liberdade por uma restritiva de direitos, acarreta

a prevenção[3] ou a extinção[4] da ação penal e acelera a prestação jurisdicional.

No que concerne a natureza jurídica da transação penal, embora não seja um assunto pacificado, entende-se que possui força de decisão meramente declaratória, em razão do artigo 76, §§ 4º e 6º da Lei dos Juizados Especais:

Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta.

§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz

aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.

§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de

antecedentes criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível. (BRASIL,

1995).

A citação acima demonstra que a transação penal impede que a infração de menor potencial ofensivo conste na certidão de antecedentes criminais, bem como importe em reincidência, salvo para fins de utilização do mesmo benefício. Ademais, o descumprimento do instituto por parte do infrator, exige que o Juiz prossiga com a ação, designando audiência para oferecimento da denúncia, nos termos do artigo 77 da Lei 9.099/95. A finalidade da transação é extinguir ou impedir a existência da ação penal, portanto, não justifica que sua decisão tenha caráter condenatório, mas sim, meramente declaratório.

3.2 Titularidade do Pedido

O artigo 76, caput da Lei 9.099/95 é bem claro ao dizer que o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, que evidencia a transação penal.

Sendo assim, o Ministério Público, na incidência de um crime de menor potencial ofensivo possui a faculdade de dispor da ação penal, respeitadas as condições previstas em lei, propondo ao infrator a aplicação de pena não privativa de liberdade, sem denúncia e sem instauração de processo.

Conquanto a lei garanta ao membro do Ministério Público essa prerrogativa, o artigo 79[5] da mesma lei dá margem à doutrina para diversas interpretações sobre quem pode propor a aplicação do instituto. Nesse paradigma, entende-se que a faculdade do Ministério Público se limita ao preenchimento de todos os requisitos por parte do infrator para fazer jus à aplicação do instituto, tendo o Parquet o dever da proposição do instituto. Fernando da Costa Tourinho Filho aborda:

Uma vez satisfeitas as condições objetivas e subjetivas para que se faça a transação, aquele poderá converter-se e deverá, surgindo para o autor do fato um direito a ser necessariamente satisfeito. O Promotor não tem a liberdade de optar entre ofertar a denúncia e propor simples multa ou pena restritiva de direitos. Não se trata de discricionariedade. Formular ou não a proposta não fica à sua discrição. Ele é obrigado a formulá-la. E esse deverá é da Instituição. Nem teria sentido que a proposta ficasse

subordinada ao bel-prazer, à vontade, às vezes caprichosa e frívola, do Ministério Público. (TOURINHO FILHO, 2011, p. 92).

Respaldado na abordagem de Tourinho Filho, verifica-se que parte da doutrina entende não ser o instituto da transação penal uma faculdade do Ministério Público e, sim um dever quando caracterizado os requisitos necessários à sua aplicação. Nesse viés, a ausência de proposição do Parquet, reflete no direito da proposição pelo infrator ou pelo magistrado.

O artigo 72 da Lei dos Juizados Especiais disciplina que na audiência preliminar, o Juiz esclarecerá sobre a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não privativa de liberdade. Se mesmo assim e, cumprido os requisitos para a transação Penal o Ministério Público não propô-la, o magistrado, se valendo do artigo 28[6] do Código de Processo Penal por analogia poderá remeter os autos ao Procurador-Geral, podendo este efetuar a proposta ou designar outro Membro

do Ministério Público para formulá-la, conforme Júlio Fabbrini Mirabete: “(

) na recusa

de proposta de transação pelo Ministério Público, pode o juiz remeter os autos ao Procurador-Geral de Justiça, por analogia com o art. 28 do Código de Processo Penal”.

(MIRABETE, 2013, p.127).

Outrossim, com base no princípio da isonomia[7], o Juizado Especial aceita a inversão da proposta e permite que o infrator requeira seu direito, cabendo ao Ministério Público agora a aceitação, podendo o infrator ainda se valer do Habeas Corpus em caso de negativa de aceitação.

3.3 Requisitos e Causas Impeditivas

Os requisitos para que o infrator tenha direito a transação penal, bem como as causas impeditivas de sua aplicação estão disciplinados na Lei dos Juizados Especiais. Primeiramente, o artigo da Lei 9.099/95 permite a aplicação da transação penal sempre que possível, corroborado com o artigo 60 parágrafo único, atribuindo a aplicação do instituto à execução das infrações penais de menor potencial ofensivo.

Dessa forma, o primeiro requisito para se garantir a possibilidade da transação é ter o acusado praticado uma contravenção penal ou um crime cuja pena não seja superior a dois anos, independente de multa cumulativa. Concomitantemente, precisa-se ser réu primário, possuir bons antecedentes, e não ter sentença condenatória definitiva transitada em julgado. Igualmente, não poderá o acusado estar fazendo jus ao benefício da transação, no momento da infração.

Lado outro, a versão contrária dos requisitos, caracteriza as causas impeditivas da aplicação da transação, conforme disciplinado pelo § 2º do artigo 76, in verbis:

Art. 76. (

)

§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:

I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença definitiva;

II

- ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de

pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo;

III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem

como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida. (BRASIL, 1995).

Dessa forma, se o acusado possuir uma sentença condenatória transitada em julgado pela prática de crime cuja pena seja privativa de liberdade, o instituto não será proposto pelo Parquet. Ressalta, todavia, que a sentença é de condenação à pena privativa de liberdade, excluindo assim, as sentenças homologadas por prática de uma contravenção penal, com condenação a pena restritiva de direitos ou multa, não impedindo neste caso, que a proposta seja formulada.

O inciso II supracitado é meramente objetivo. O agente já beneficiado fica impedido por

cinco anos, contados da aplicação do benefício, de transacionar novamente caso venha a praticar outro crime dentro desse prazo. Já o inciso III, resguarda o Ministério Público, possibilitando que o mesmo não proponha a transação, se verificado que a pena aplicada nesse caso restritiva de direito e/ou multa não será suficiente para sancionar o acusado, em razão de seus antecedentes, conduta social ou personalidade, que a tornariam sem efeito. Por fim, também é causa impeditiva da transação penal os crimes cujas penas sejam superiores a dois anos.

4 O INSTITUTO DA TRANSAÇÃO PENAL E SUA APLICAÇÃO NOS CRIMES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO EM PROL DA CELERIDADE DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL

A transação Penal tem a característica de atenuar a aplicação da pena sem deixar de criminalizar o acusado, sendo aplicada nos Juizados Especiais Criminais, por somente

fazerem jus àqueles crimes regidos pelo Juizado Especial. É classificada como instituto

de

direito material, uma vez que o Estado, através do poder judiciário, tem a prerrogativa

de

abrandar a punição. O Poder Público não abre mão da punição, porém, lança uma

proposta de pena que não interfere no direito à liberdade do infrator.

Maria Helena Almeida (2016) acredita que o legislador criou a transação penal, com base

no princípio da obrigatoriedade da ação penal, visando promover uma realização de

política criminal mais eficaz. Para a autora ainda, o objetivo maior da transação penal é a reparação à vítima dos danos por ela sofridos e a aplicação de pena não privativa de

liberdade.

A justificativa da aplicação do instituto da transação se embasa ainda no princípio da

proporcionalidade e da celeridade da prestação jurisdicional. Isso porque o Direito Penal e Processual Penal resguarda o direito ao acusado da aplicação de pena proporcional ao crime. Dessa forma, sendo baixo o grau de ofensa e potencialidade do crime é desproporcional a aplicação de pena privativa de liberdade. Destarte, a aplicação da pena atribui ao acusado o status de criminoso e condenado, gerando a instauração de um processo e todo o seu trâmite, que provoca a morosidade do resultado da ação.

Desta feita, a transação penal impede a instauração de um processo penal, aplicando ao acusado apenas medidas restritivas de direito. Por isso, SOBRANE (2001) define a

transação penal como ato jurídico, exercido entre Ministério Público e autor do fato, se somente se atendidos os requisitos legais, desde que sempre sejam realizados na presença do magistrado. Qualifica-se como ato jurídico que acorda concessões recíprocas para prevenir ou extinguir o conflito instaurado pela prática do fato típico, mediante o cumprimento de uma pena consensualmente ajustada.

A aplicação da pena restritiva também impede consequentemente que o acusado seja

julgado, propicia a reparação dos danos sofridos pela vítima de maneira muito mais eficaz e rápida, bem como diminui os custos do Estado, que gasta com a instauração de um processo.

Por estar o Código Penal de 1940 ultrapassado, o ordenamento jurídico brasileiro precisou

se utilizar de outros mecanismos mais adequados e menos burocráticos para a aplicação

da sanção penal, verificando neste ato a instituição do Juizado Especial e da transação penal, retirando os crimes de menor potencial ofensivo da aplicação de processos extremamente formais, que excedem as demandas judiciárias e provoca insatisfação perante a Justiça Penal. Os doutrinadores Fernando da Costa Tourinho Neto e Joel Dias Figueira Junior já diziam: “a preocupação pela simplicidade, informalidade e celeridade dos processos referentes aos crimes de menor potencial ofensivo não é de agora, é de antes da Constituição de 1988” (TOURINHO NETO; FIGUEIRA JUNIOR, 2007, p.

397).

A Lei dos Juizados Especiais Criminais criou a transação penal como mecanismo

despenalizador, capaz de adotar medidas com variados objetivos, evitando sobrecarregar desnecessariamente o Judiciário com processos de menor relevância, que atinge uma esfera proporcionalmente menor a dos demais crimes, portanto, um julgamento contencioso e moroso além de perder seu objetivo com o tempo de duração de um processo, podendo inclusive prescrever, não acarreta segurança à população, que não vê, tampouco percebe o resultado do julgamento.

Ao contrário do que a transação penal pode propiciar, seu objetivo é acelerar a decisão e efetuá-la de forma mais simples e eficaz possível. E o instituto realmente consegue atingir esse objetivo, já que visa especialmente a reparação do dano à vítima, levando em consideração, pois, que, esses crimes em sua maioria promovem danos materiais e tratam de direitos disponíveis dos cidadãos. Com isso, o judiciário, ganha mais tempo para analisar os casos considerados mais importantes, repercutindo também em sua atuação mais eficaz e menos morosa possível.

Não é somente a sociedade ou o acusado que se sente beneficiado com a transação penal. Na verdade, todo o arcabouço jurídico ganha com essa demanda. O acusado é julgado proporcionalmente, a vítima é reparada em seus danos, a sociedade se sente segura ao presenciar as decisoes e o Estado diminui não somente suas demandas e prisões desnecessárias, acelerando análises de julgamentos diversos, como também seus gastos com processo criminal. A aplicação do instituto exige aplicação imediata da pena, que se perfaz em medidas não privativas de liberdade e/ou multa, e é essa aplicação imediata que garante a sensação de punição.

Jorge Eduardo de Melo Sotero corrobora da linha de pensamento acima colocada manifestando que:

Além da previsão do procedimento sumaríssimo, a possibilidade de composição dos danos civis, pela qual se busca resolver ou ao menos reduzir o dano social resultante do fato delituoso, e a de transação penal, que, ressalte-se, estabelece hipótese impar de mitigação do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública, através da qual o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas. (SOTERO, 2002, p. 02).

BITENCOURT (2006) completa o raciocínio dizendo que a transação penal é considerada uma das formas mais importantes de despenalizar, sem descriminalizar, justificando como benefícios a reparação dos danos e prejuízos sofridos pela vítima, o fato de ser mais econômico, desafogar o Poder Judiciário e evitar os efeitos criminógenos da prisão.

Diante de todo o paradigma da transação penal afirma-se que sua aplicação acelera a prestação jurisdicional, visto que provoca a ausência de processo. A aplicação também impede que a infração conste na certidão de antecedentes criminais, bem como importe em reincidência, salvo para fins de utilização do mesmo benefício. O instituto beneficia ainda a vítima, que tem seu prejuízo reparado pelo acusado de forma efetiva. Lado outro, a celeridade deverá sempre estar em consonância com as garantias processuais da ampla defesa e do contraditório. Ademais, o Estado também se encontra resguardado, já que o descumprimento do infrator ao instituto aplicado exige que o Juiz prossiga com a ação, designando audiência para oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público.

Por fim, cabe citar que o artigo 76 da Lei n. 9.099/95 na sua integralidade disciplina a transação penal e sua aplicação. Logo, o instituto além de simples é claro, legal e ágil, motivo mais que suficiente para reconhecer que são capazes de desburocratizar a justiça penal, bem como acelerar a prestação jurisdicional.

5 CONCLUSÃO

A constituição Federal de 1988 e a Lei do Juizado Especial prevêem a Transação Penal nos termos dos artigos 98, inciso I; e 60 respectivamente. O instituto garante a solução rápida, imediata e satisfatória da prestação jurisdicional, por tratar-se de um acordo proposto pelo Ministério Público, aceito pelo acusado e homologado pelo magistrado nas Infrações de menor potencial ofensivo.

Trata-se a transação exatamente da substituição do emprego de uma pena privativa de liberdade pelo emprego de pena restritiva de direitos, oferecida pelo Ministério Público e aplicada por sentença homologatória, nos crimes de menor potencial ofensivo, como forma de evitar o processo e seus efeitos irreversíveis. O acordo entre as partes impede a condenação penal e seus efeitos, como também exime o Estado dos custos e movimentações processuais.

O instituto, quando cabível, será provocado, visto que desburocratiza a ação penal, que vem se mostrando ineficiente e morosa. A substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direito, provoca a prevenção ou extinção da ação, garantindo a reparação dos danos sofridos à vítima. Por fim, versa-se de um procedimento mais econômico, impeditivo perante os efeitos da prisão e principalmente célere por ter o encerramento da prestação jurisdicional de forma rápida, com todos os direitos resguardados às partes, principalmente ao acusado.

The Institute Of Criminal Transaction And Its Application In Crimes Of Lower Potential Offensive In Favour Of Agility To Court Decisions

ABSTRAT: Law No. 9,099, September 26, 1995 created the Special Criminal Courts and has introduced a new concept in criminal and Brazilian procedural law, establishing the consensual criminal justice. The law, established under Article 98, paragraph I, of the Federal Constitution in 1988 established to Special Courts the jurisdiction for conciliation, trial and execution of criminal offenses of lower offensive potential, by oral and summary proceedings. In this concept of consensual criminal justice, the law regulates in its art. 76, the Criminal Transaction, which applies to crimes of lower offensive potential governed by the Special Criminal Court. The Criminal Transaction, thus, aims to accelerate the adjudication and execution of Law 9,099 / 95 to practical cases, making the justice accessible and speedy, taxing the institute as a modern legal system, concerned with the rehabilitation of the offender and ensure, especially, the rights of the accused and the victim so that they are not constrained.

Keywords: Criminal Transaction; Minor Offensive Potential Crimes; Celerity of judicial process.

REFERÊNCIAS

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processo>. Acesso em 29 mar. 2016.

BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral. 10. Ed. São Paulo:

Saraiva, 2006.

BRASIL. Código Penal Brasileiro. Decreto-Lei nº. 2848, de 07 de dezembro de 1940. Diário Oficial da União, Brasília, Senado, 31 de dezembro de 1940. Disponível em:. Acesso em 29 fev. 2016.

BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-Lei nº. 3689, de 03 de outubro de 1941. Diário Oficial da União, Brasília, Senado, 13 de outubro de 1941. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm>. Acesso em 05 mar. 2016.

BRASIL. Constituição da Republica Federativa do Brasil (Constituição de 1988). Diário Oficial da União, Brasília, Senado, 05 de out. De 1988. Disponível em:. Acesso em 01 mar. 2016.

BRASIL. Decreto-Lei nº. 3.688, de 03 de outubro de 1941. Lei das Contravencoes Penais. Diário Oficial da União, Brasília, Senado, 03 de outubro de 1941. Disponível em:. Acesso em 15 mar. 2016.

BRASIL. Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, Senado, 27 de setembro de 1995. Disponível em:. Acesso em 29 fev. 2016.

DOTTI, René Ariel. Curso de Direito Penal Parte Geral. 4ª ed. São Paulo: editora Revista dos Tribunais, 2012.

GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Juizados Especiais Criminais: comentários à Lei 9.099, de 26.09.1995. 5 ed. Rev., atual. E ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005.

MIRABETE, Julio Fabbrini. Código penal interpretado. 8ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2013.

NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado, 13.ª edição, São Paulo: editora Revista dos Tribunais, 2013.

SOBRANE. Sérgio Turra. Transação Penal. São Paulo. Saraiva, 2001.

SOTERO, Jorge Eduardo de Melo. Efeitos e alcance da nova conceituação das infrações de menor potencial ofensivo. Teresina: 2002. Disponível em:

TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Comentários à lei dos Juizados Especiais Criminais. 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

TOURINHO NETO, Fernando da Costa; FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Juizados Especiais Cíveis e Criminais: Comentários à Lei n. 9.099/1995. 5. Ed. São Paulo:

Revista dos Tribunais, 2007.

[1] Graduandos em Direito, cursando o 10º período pela Faculdade Pitágoras de Betim (MG).

[2]As contravenções penais estão dispostas na Lei das Contravencoes Penais Decreto Lei Nº 3.688, de 03 de outubro de 1941.

[3]O artigo 72 da Lei 9.099/95 estabelece que a transação penal, quando cabível, pode ser proposta na audiência preliminar, impedindo a formação do processo e resultando na aplicação da pena restritiva de direito de imediato. Para ressaltar a audiência preliminar é o momento em que se oferece a denúncia, portanto, é aquela que dá inicio ao processo quando não há a possibilidade da composição dos danos civis.

[4]O artigo 79 da Lei 9.099/95 dá a possibilidade de aplicar o instituto da transação penal mesmo quando o processo já foi instaurado mediante oferecimento da denúncia na audiência preliminar. O artigo propõe que quando a transação não for proposta na audiência preliminar, a mesma pode ser oferecida na audiência de instrução e julgamento, que se aceita, acarretará na extinção da ação penal.

[5]O artigo 79 da Lei 9.099/95 disciplina que na audiência de instrução e julgamento, poderá haver tentativa de conciliação e de oferecimento de proposta pelo Ministério Público nos termos nos artigo 72, 73, 74 e 75, se na fase preliminar não tiver havido.

[6]O artigo 28 do CPP estabelece que se o órgão do Ministério Público, não apresentar a denúncia, requerendo o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de

informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, remeterá o inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, que oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual o juiz estará obrigado a atender.

[7]O princípio da isonomia é assegurado pela Constituição Federal e garante a igualdade entre indivíduos aos mesmos direitos estatuídos por lei, podendo requerê-los quando suprimidos esses direitos.