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De espaços outros.

Heterotopias – Michel Foucault (conferência)

Contexto biográfico e intelectual do texto: conferência proferida em 1967 e publicada apenas em


1984

 Produção intelectual até o fim da década de 1950: psicologia, medicina (1ª fase)
 Década de 1960 (até 1968): textos sobre história do ponto de vista da produção de
discursos e saberes (2ª fase – arqueologia do saber), linguagem e literatura
 A partir de 1968: inter-relações entre a produção de práticas discursivas e não-discursivas
(1968 até o fim da década de 1970  3ª fase – genealogia do poder); processos de
subjetivação, ética, biopoder (anos 80  4ª fase)

 Outros espaços é um texto que aponta em duas direções. Em termos estruturais, podemos
indicar uma preocupação mais arqueológica com critérios para periodização dos saberes
constituídos em torno do espaço (trecho inicial), ao mesmo tempo em que Foucault tenta
pensar práticas não-discursivas (experiências políticas) do espaço.

Direção arqueológica (saber)


1ª seção: identificação do nosso presente como marcado por uma relação singular com o tempo.
Remete à discussão empreendida n’A arqueologia do saber enquanto tentativa de pensar o
discurso como espaço produtor das relações de saber. Analogamente, em Outros espaços,
Foucault pensa o tempo como um espaço onde relações “geográficas” (proximidade, distância,
justaposição, dispersão – p. 411) substituem uma experiência anterior do tempo, notadamente a
do século XIX, cujas práticas historiadoras nos deram um tempo contínuo, teleológico (linear ou
cíclico), centrípeto.
2ª seção: além da experiência espacial do tempo, Foucault tenta pensar as linhas gerias de uma
história da experiência do espaço.

 Idade Média (espace de localisation): experiência locativa do espaço; séries opostas de


lugares: sagrados – profanos, protegidos – desprotegidos, rurais – urbanos, terrestres –
celestes – supra-celestes, estáveis – instáveis  definição de lugares, ou seja, espaços
circunscritos
 Galileu (espace étendue): experiência da infinitude e da abertura  experiência extensiva
do espaço
 Experiência da (nossa) Modernidade (emplacement): espaço enquanto posicionamento
 definição do espaço nos termos das relações (séries, árvores ou coordenadas) entre
seus elementos ou pontos; ao mesmo tempo, é a experiência que obriga a pensar nas
implicações políticas das relações com e no espaço.
 Impasse teórico: relacionamento do nosso pensamento com o espaço permanece
“sacralizado” (crítica de Nietzsche à filosofia enquanto pensamento antropológico; Heidegger
e a crítica ao humanismo/existencialismo; possível aproximação com o estruturalismo; de
qualquer forma, afastamento da fenomenologia e da filosofia da interioridade)

Direção “genealógica” (saber como dispositivo de poder)

 U-topia: espaço aperfeiçoado ou invertido, mas irreal; lugar sem localização


 Hetero-topia: espaço real que representa, contesta e inverte as relações que compõem
os demais espaços reais; contralugar
 Características dos heterotopoi: I) constante de todos os grupos humanos  heterotopias
de crise e de compensação; II) cada heterotopo pode assumir diferentes funções ao longo
da história, ou então, cada heterotopo possui uma função histórica bem precisa 
mudanças da localização dos cemitérios mostram as diferenças de compreensão sobre a
(i)mortalidade humana (cemitério pode ser lido como indício da compreensão da finitude
como categoria fundante da subjetividade) e de controle sanitário (daí seu deslocamento
para as margens da urbe); III) heterotopia é capaz de justapor diversos lugares, até
mesmo incompatíveis  cinema, teatro, jardim; IV) heterotopias implicam heterocronias
 museu, biblioteca, cemitério, arquivo (acumulação do tempo), festivais, feiras, festas,
cidades de férias (dispersão do tempo); V) não se pode penetrá-las à vontade (regramento
do acesso à heterotopia); VI) dupla função em relação aos demais espaços reais, a saber,
denunciar seu caráter ilusório ou aperfeiçoá-los tanto quanto possível  prostíbulo e
bordel

 Espelho: utopia/heterotopia
 Barco: espaço móvel que transita entre todos os espaços reais (ilusórios, comuns,
aperfeiçoados etc.); heterotopo que permite o sonho, o devaneio (diálogo com
Bachelard?)