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Índice

O que é a meditação 04
Metta e mindfulness 09
Prática de meditação 15
Meditação do amor-
amor-bondade 28
metta.pt 34

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Perguntaram ao Buda:
O que ganhaste com a meditação?
Ele respondeu: Nada.
Mas, deixa-me dizer o que perdi:
Ansiedade, raiva, depressão, insegurança,
medo da velhice e da morte.

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Capítulo 1

O que é a meditação?
Significado da palavra
“meditação”
meditação”

A palavra meditação pode assumir significados diferentes para pessoas diferentes.

Para algumas pessoas significa acalmar a mente, para outros significa um período
de tempo fora da realidade quotidiana, para outros significa entrar num estado
mental mágico, dando largas ao imaginário.

Para nós significa de tudo isso e um pouco mais:

Um estado de relaxamento profundo em que a mente se concentra e se foca com a


consciência plena de tudo o que passa na nossa mente e à nossa volta, aguçando a
percepção tornando a realidade transparente, possível de observar, tal como ela é.

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“Meditação”
Meditação” e “medicação
“medicação”
medicação”

Não se pode ignorar a semelhança entre as palavras “meditação” e “medicação”.

Podemos apontar a medicação como uma via de cura para os males do corpo e a
meditação para a cura dos males da mente.

A meditação não é apenas utilizada para criar um estado de paz, de prazer e de


felicidade temporária, mas para promover uma mudança efetiva na mente,
resgatando-a de um estado não natural, condicionado pelas preocupações, pelo
stress, pela ilusão, desilusão, culpas, medos, ansiedades e tantos outros processos
mentais que se acumulam, muitas vezes simultaneamente. Este tráfego mental
impede-nos de aceder a um estado natural de calma, de paz, de tranquilidade e de
felicidade, no qual a solução para os problemas e desafios do quotidiano surgem
naturalmente.

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Para quê meditar?
meditar?

A meditação é um estado de atenção. A prática formal da meditação é o treino da


mente para ficar atenta e desperta, livre de condicionamentos do pensamento
automático. Deste modo podemos ver a realidade tal como ela é. O processo e o
fruto da meditação pode ser designado por “estado de presença”, “atenção plena”,
“presença aberta” ou “mindfulness”. São muitas palavras para algo tão simples. Estar
presente é estar claramente consciente do que está a acontecer aqui e agora,
abertos a toda a experiência do momento.

Existem muitas ferramentas e técnicas que nos permitem aprofundar este estado
de presença, mas antes delas é preciso desenvolver uma certa atitude curiosa e
benevolente. Então, os primeiros passos para a meditação são cultivar a bondade no
nosso coração e permanecer alerta para todos os fenómenos do momento, muitas
vezes muito subtis. Fica estabelecida uma ponte para a imensa sabedoria natural
que nos conduz à consciência de que somos feitos de amor. Puro e genuíno. Somos
metta.

A nossa mente está permanentemente perdida em pensamentos automáticos, que


se atropelam entre si. Observando mais detalhadamente todos estes pensamentos,
facilmente compreendemos que eles dificilmente se centram no momento
presente. São como um pêndulo que oscila entre o passado e o futuro, trazendo
memórias e receios. Habitualmente desenterram as culpas e os ressentimentos do
passado e antecipam os medos do futuro.
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Ora, tanto as culpas do passado como os medos do futuro são inúteis a este
momento presente, em que a vida acontece de facto. Uma observação mais
profunda vai revelar que estes sentimentos não têm razão de existir; mas na
verdade existem e constituem, a par com a vergonha, as forças mais poderosas que
se podem exercer sobre a mente humana, normalmente fonte de grande
desconforto e de sofrimento.

Quando a nossa atenção se deposita no momento presente, tudo está bem, tudo é
positivo, vivo... maravilhoso. E quanto mais mergulhamos no presente, maior é a
nossa noção da generosidade da vida, da genialidade da natureza.

Mas a nossa capacidade de observação da realidade é muito limitada e


condicionada, por sentimentos, emoções e pensamentos, crenças e valores que nos
fazem perder a objetividade na análise de todas as situações, conduzindo-nos
quase sempre ao julgamento fácil e enganoso.

Por isso é preciso estar consciente do nosso mundo interior, porque ele condiciona
permanentemente a nossa percepção, transformando a nossa percepção da
realidade em algo diferente do que ela é efetivamente. E é preciso não esquecer
que é com base nesta percepção da realidade que tomamos as nossas decisões,
das quais sofreremos consequências.

Por isso a meditação transforma vidas. Literalmente. Actuando nestes dois eixos. Na
percepção da realidade tal como ela é; e sobre essa observação é possível um
modelo de decisão mais consciente e assertivo que conduz a melhores escolhas.
Melhores escolhas produzem melhores realidades.

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Capítulo 2

metta e mindfulness
metta e mindfulness

O termo metta tem origem na língua pali, a lingua mais próxima da falada por Buda
e significa amor-bondade ou amor compassivo.

Este termo é utilizado para descrever a primeira das quatro qualidades imensuráveis
propostas pelo budismo e constitui uma prática específica instituída desde os seus
primórdios, pelo discurso de Buda intitulado “Metta Bhavana Sutta” e que tem por
objetivo desenvolver nos praticantes sentimentos de amor, bondade e compaixão.
Apesar de nascida no budismo, a metta é hoje amplamente praticada em todo o
mundo por pessoas de todas as orientações religiosas, incluindo aqueles que não
estão vinculados a nenhuma fé.

Naturalmente que a palavra amor está um pouco diluída, podendo referir-se a


diversos tipos; mas em geral o amor é a vontade de que alguém esteja bem e que
seja feliz. Neste caso, o referencial fornecido pelo sutta é o amor que uma mãe tem
pelo seu único filho, que deseja cuidar e proteger, ou seja provavelmente o
sentimento mais forte, puro e genuíno que o ser humano pode conceber.

Num outro sentido, o termo amor pode ser também utilizado para definir a amizade
genuína ou simplesmente a amabilidade.

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A mente pensa e o coração sente

A prática de meditação metta é na realidade uma forma de treinar a mente a


desenvolver pensamentos gentis, amorosos e positivos, em relação a nós próprios e
em relação aos que nos rodeiam.
Importante referir que falamos de sentimento e não de pensamentos. Para alcançar
os sentimentos é necessário trazer a mente para próximo do coração mergulhando-
a em calma e quietude. A mente pensa e o coração sente; nem sempre mente e
coração estão ligados.

"Olá, como está?"

Esta é uma fórmula de cumprimentar, que muitas vezes utilizamos no nosso dia a
dia tentando ser agradáveis, mas na realidade ficaríamos provavelmente
incomodados se ouvíssemos uma resposta negativa. Não estávamos
verdadeiramente preocupados ou interessados em saber como o outro está, apenas
utilizamos um chavão de interação social.

Treinar a mente

O objetivo da metta é treinar a mente para gerar a sincera e genuína boa vontade
em relação aos outros, o desejo de que estejam bem e felizes.

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Porquê que isto é importante?

Todos os seres desejam estar bem, livres e ser felizes. Não há nenhum ser vivo que
não deseje a felicidade para si mesmo, mas muito poucos a desejam para os outros.

A experiência da vida demonstra que quando mais desejamos a felicidade apenas


para nós próprios, mais sofrimento temos. Paradoxalmente, quando maior é o
egoísmo, menor é a felicidade. Quanto mais desejarmos bem estar e felicidade para
os outros, mais comungaremos destes sentimentos.

Os benefícios

A prática metta é um antídoto para a impulsividade, para a ira, para a raiva, para a
cólera e para o egoísmo. Desenvolvendo desejos bondosos em relação a todas as
pessoas que encontramos no nosso dia a dia, podemos obter resultados positivos
em muitos aspectos, tais como a redução da ansiedade, a melhoria das relações, a
evolução da carreira profissional e vários problemas de saúde.

Estes benefícios explicam-se de forma fácil; os pensamentos e sentimentos


ocorridos na nossa mente e no nosso coração criam vibrações; vibrações positivas
atraem energias positivas potenciando bons comportamentos e gerando melhores
resultados.

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Os benefícios da metta explicados por Buda

Nas próprias palavras de Buda, ao praticar metta “você dorme bem, acorda feliz, não
tem pesadelos, aumentará a proximidade com outros seres humanos, ganhará a
associação com seres superiores e celestiais e a proteção das divindades, não ferirá
com fogo, poção ou armas, a sua mente concentrar-se-á rapidamente, as suas
feições faciais são calmas, e morrerá tranquilamente e em paz”.

Acedendo ao amor genuíno

O ódio não pode ser vencido pelo ódio; o ódio apenas e somente poderá ser
vencido pelo amor. Lamentavelmente, o homem moderno, ávido em buscar fontes
de energia, ignora e despreza a potência do amor, de que a humanidade tanto
precisa e que faria renascer a vontade de partilhar e o sentimento de compaixão,
que por sua vez nasce quando queremos que os outros seres estejam livres do
sofrimento. Assim, quando a metta estiver enraizada nos nossos corações,
estaremos mais disponíveis para ajudar os outros e encontraremos meios e
sabedoria para o fazer.

Em cada coração existe uma fonte inesgotável de amor verdadeiro. As mais


recentes investigações da psicologia e da programação neurolinguística
comprovam que existe bondade em todos nós e que a nossa intenção tem sempre
um instinto primariamente positivo.

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Porquê que isto é importante?

A razão pela qual não conseguimos muitas vezes aceder a essa fonte de amor é
que ele se encontra bloqueado por várias camadas de ressentimentos, feridas
passadas, vergonhas, culpas e medos. Por outro lado, tentamos muitas vezes
encontrar o amor fora de nós, o que é de todo impossível; o amor só pode ser
encontrado olhando primariamente para dentro.

A “cura” metta

A prática de metta, que implica uns 15 minutos diários, ajudará a desenvolver um


hábito de pensamentos positivos e camada a camada vão-se removendo os
bloqueios que nos impedem de aceder a esta fonte inesgotável de amor genuíno,
puro e incondicional. A repetição criará novos hábitos que anularão os processos
antigos. É preciso estar atento aos padrões da mente para os poder compreender e
então recriar e reinventar.

Aqui entra a prática de mindfulness, atenção e consciência plena dos processos


internos. Um desejo forte é normalmente uma causa de sofrimento; onde existe
desejo, existe apego que se transforma em ira, ódio e ressentimento. O apego, a
aversão e a ignorância são as verdadeiras e principais causas do sofrimento e ter
consciência destes processos, tantas vezes inconscientes é manter a porta aberta
para a felicidade, que implica liberdade; esta só acontece verdadeiramente quando
a mente se livra do desejo, da ilusão e do ódio.

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Capítulo 4

Prática de meditação
Estabelecendo uma prática
meditativa

Atitude é essencial. Existem muitas técnicas, estratégias e práticas meditativas, mas


o que faz realmente a diferença em termos de despertar espiritual é a seriedade e a
sinceridade. Mais do que acrescentar mais um item à lista de tarefas diárias, o
praticante deve escolher a prática meditativa a partir de um desejo de se ligar à sua
capacidade inata para o amor, para a clareza e para a paz interior.

Um dos aspectos práticos desta atitude, como já referimos, é a bondade que se


orienta inicialmente ao próprio praticante. Deste modo, o diálogo interior deve ser
auto-compassivo e auto-gentil. Esta postura interior constitui uma das bases do
processo e sobre ela vão ser construídos pilares importantes para a prática. O
meditador deve comprometer-se a ser gentil, compassivo e paciente consigo
próprio.

A partir desta postura de gentileza consigo próprio, deve incorporar a aceitação de


tudo o que observar, abstendo-se de fazer qualquer tipo de julgamento permitindo
que a experiência de cada momento se manifeste na plenitude, tal como é, tal
como está.

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Um dos erros mais comuns do meditador iniciante é ficar a
questionar-se se está a fazer bem ou se está a fazer mal.
Isso não existe. Bem e mal são apenas julgamentos, alheios
à experiência propriamente dita. Esta experiência é o que é.
É o que está. E é importante que seja aceite e acolhida para
que ela própria se sinta confortável para se manifestar.

Por isso é tão importante garantir a sinceridade e a


honestidade da intenção do praticante em estar desperto e
de coração aberto à experiência da meditação. Estes são Teorias são importantes. Técnicas
marcadores de um caminho que conduz à uma sensação
de "regresso a casa", de auto-reconciliação. são importantes. Mas é preciso
sentar-se e dedicar tempo à
A atitude de gentileza também pressupõe a disponibilidade
de prestar atenção ao que chega em cada momento; pode meditação para que ela produza os
ser uma sensação agradável ou desagradável, bem estar,
paz interior, medo ou confusão. Todas as sensações serão
seus efeitos.
acolhidas e a todas será prestada atenção, para que se
manifestem na totalidade até que se desvaneçam.

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Tempo

A primeira coisa importante é definir um momentos (ou vários) do seu dia a dia mais
propício à meditação, em que não seja interrompido. A maioria das pessoas escolhe
meditar de manhã, porque habitualmente é um período mais tranquilo. Outras
decidem meditar à noite, depois das famílias se deitarem.

O que é realmente importante é que seja estabelecida uma rotina realista e regular,
em que se possa comprometer a meditar sem ser interrompido, durante um
período de tempo variável em função da sua experiência. Produzem-se melhores
resultados com a regularidade do que com longos períodos.

Isto quer dizer que meditar 10 minutos todos os dias produzirá resultados mais
efectivos do que meditar 60 minutos uma vez semana. A regularidade é essencial.
Aconselhamos a que comece por meditar 5 ou 10 minutos e que vá aumentando
esse período gradualmente consoante a sua experiência.

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Espaço
Sempre que possível, dedique um espaço físico da sua casa à sua prática diária.
Escolha um local protegido, sossegado e confortável onde possa colocar a sua
almofada (ou cadeira) de modo a que esteja sempre no mesmo local quando
regressar.

Embora não seja essencial, pode criar um pequeno altar com uma vela, fotografias
inspiradoras, estátuas, flores, pedras ou qualquer coisa que desperte o sentido de
beleza e contemplação e estimule a regularidade da prática.

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Definir postura
Estar alerta e manter uma atitude aberta à experiência, são os dois condimentos
essenciais à prática da meditação.

Sentado no chão, numa almofada ou numa cadeira, é importante manter as costas


numa posição ereta para garantir que a coluna fique direita e que o corpo fica
equilibrado. Posição ereta mas não rígida. Como se uma força estivesse a puxar
levemente a cabeça em direção ao céu. Os músculos devem estar descontraídos e
relaxados, as mãos levemente pousadas sobre os joelhos ou depositadas no colo,
uma sobre a outra (tradicionalmente a direita sobre a esquerda com os polegares
encostados. Língua encostada ao palato, a boca fechada, sem tensão. Queixo
levantado. Ombros ligeiramente recuados. Olhos ligeiramente abertos com o olhar
levemente depositado num ponto fixo a cerca de metro e meio à nossa frente.

Não abdique nunca de se sentir confortável.

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Definir intenção
Há um provérbio zen que diz "a coisa mais importante é lembrar a coisa mais
importante". Pode ser útil, no início de cada sessão meditativa, ter em mente o
motivo pelo qual está a meditar. Vale a pena dedicar alguns instantes a ligar-se, de
forma sincera, com as aspirações do seu coração em relação aos frutos da
meditação.

Nas práticas milenares de meditação, utilizadas como oração, é comum o


meditador dedicar o momento ao bem estar de todos os seres.

Porém, a intenção não pode nem deve ser perseguida; antes abandonada logo após
os primeiros momentos da prática. Perseguir um objectivo ou propósito é uma
forma de condicionamento que perturbará o desenvolvimento da atenção ao
momento presente que se pretende com a prática meditativa. O objetivo maior da
meditação é a meditação em si mesma.

O relaxamento, a concentração, a consciência e a percepção são os estádios


pretendidos. Porém, nunca conseguiremos conduzir uma meditação; ela conduz-se
por si própria. E quando mais rapidamente desistimos de a tentar controlar, mais
rapidamente atingiremos os seus resultados. Os objetivos pretendidos serão
alcançados e os frutos brotarão.

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Voltar
A mente deve estar alerta, aberta e receptiva a todas as sensações do momento,
mas não se agarrando a nenhuma. A atenção depositada sobre a respiração ou
sobre algum dos seus detalhes. Pode tomar inspirações profundas e sentir o corpo
relaxar a cada expiração total. Conscientemente descontraia e deixe ir todas as
sensações, relaxando o rosto, os ombros, os braços, as mãos e o tronco.

Permita-se desfrutar deste momento de relaxamento e de bem estar. Esta


consciência vai ajudar a revelar o que chega durante a meditação. Pode aproveitar
para metodicamente ir relaxando cada parte do seu corpo. A qualquer distração
lembre-se de "voltar" a depositar a atenção na respiração. Será como uma âncora
fixando a mente à experiência do momento. Pode mesmo dizer mentalmente a
palavra e recentrar-se.

Este é talvez o comando mais importante de toda a prática, sobretudo durante a


iniciação.

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Etiquetas
O nosso “piloto automático” impede-nos muitas vezes de observar as sensações tal
como são, porque nos perdemos em pensamentos que elas nos despertam, isto é,
ficamos a observar, a comentar, a julgar as consequências e os sintomas e as causas
acabam por passar despercebidas.

Para ultrapassar este desafio que ocorre durante a prática meditativa, podemos
colocar uma espécie de etiqueta nas nossas observações, pensando numa palavra
que descreva sumariamente a experiência daquele momento e utilizá-la quase
como se fosse um mantra, até que surja uma nova sensação.

Por exemplo se está a sentir alguma dor física podemos dizer “dor, dor”. Se está a
chegar algum sentimento de raiva dizemos “raiva, raiva”. Fazemos assim para
projetos, medos, culpas, ressentimentos, saudade, alegria, paz ou qualquer
sentimento/emoção. Com isto focamos a atenção na sensação de cada momento,
sem nos apegarmos a ela, ficando sempre atentos à próxima sensação que surgir.

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Lidar com emoções
A prática meditativa não é como uma droga que nos conduz imediatamente a um
estado de bem estar. Por vezes, durante a prática, podemos não nos sentir
propriamente calmos e pacíficos e temos que lidar com estados dolorosos
profundos que surgem do nosso inconsciente e que nos demonstram sentimentos
de dor, desconforto, raiva, preocupações, desejos reprimidos, etc.. Isso é normal e
até podemos dizer que benéfico.

Durante o processo meditativo vamos acedendo a camadas submersas do nosso


inconsciente onde estes sentimentos estão guardados. Este acesso é benéfico
porque permite que estas emoções reprimidas se libertem e se manifestem,
oferecendo-nos a oportunidade para serem observadas, aceites e compreendidas.
Elas trazem informações sobre quem somos, sobre o que tememos, sobre o que
nos preocupa e sobre o que na realidade desejamos. Ao aceitar o que emerge, sem
julgamentos, sem rejeição e sem apego, criamos condições para observar
pacientemente e compreender estas manifestações e a sua razão de ser e de existir.

Este acolhimento amigável das sensações desagradáveis é a via para que elas se
libertem e desapareçam, para que finalmente deixem de nos condicionar e
incomodar. Além disso, este processo é uma enorme oportunidade de
aprendizagem sobre nós próprios, sobre a forma como funcionamos e sobre o que
condiciona os nossos pensamentos, ações e comportamentos.

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Presença
O estado de presença tem dois aspetos fundamentais e independentes que são o
reconhecimento do que está a acontecer e a abertura à experiência, sem
julgamento, sem resistência e sem se apegar a ela. O estado de presença é a ligação
à nossa natureza mais profunda e a essência da meditação é estar consciente desta
realidade.

A prática da meditação permite estar atento a todos os domínios da experiência de


forma consciente e aberta. Esses domínios incluem a respiração, sensações,
sentimentos (agradáveis, desagradáveis e neutros), percepções sensoriais,
pensamentos, emoções e a própria consciência.

Esta prática decorre sem a mínima interferência sobre o que está a acontecer,
simplesmente notando o que passa (pensamentos, sentimentos, sons, emoções,
sensações...), permitindo que se manifeste tal como é.

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Pouco a pouco, vamos reconhecendo os processos internos e mentais, permitindo
uma desidentificação com a mente; a partir do momento em que o praticante
começa a observar os seus pensamentos, conscientemente e sem interferências,
começa a perceber que não é a sua mente.

Assim sendo, da mesma maneira que o observador não interfere na atividade da


mente observada, esta mente não interfere no pensamento (e comportamento) do
observador.

Aqui começa um imenso espaço de liberdade, que permitirá ao praticante escolher


e decidir, em cada momento, em função da sua consciência e não seguindo a
impulsividade e reatividade do seu pensamento.

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Desenvolvendo métodos
Como a nossa mente é muito inquieta e reativa, pode ser útil encontrar algumas
técnicas de acalmar a mente de modo a que seja possível regressar ao estado de
presença. Pequenas habilidades ou suportes práticos podem ajudar a notar e a
relaxar pensamentos e tensões físicas.

Com o tempo e com experiência meditativa vão-se desenvolvendo truques


pessoais que facilitam a prática.

Se pretender aprofundar os seus conhecimentos e práticas meditativas, é altamente


aconselhável a orientação de alguém mais experiente. Considere a participação
num curso de meditação ou num retiro.

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Capítulo 5

Meditação do amor-bondade
metta
A palavra metta significa amor-bondade ou amor compassivo e refere-se ao desejo
de que todos os seres sejam felizes, um amor universal, ilimitado, que transcenda
todo o tipo de barreiras.

A prática regular da meditação metta ou amor-bondade é um instrumento de cura,


ajudando a reduzir a impulsividade, a raiva, o ódio e os rancores e promovendo
virtudes como a compaixão, alegria, altruísmo e equanimidade. Também ajuda a
promover paciência, tolerância, gratidão e acima de tudo o perdão. O perdão é um
factor de suma importância na libertação de bloqueios emocionais, tais como os
rancores e os remorsos. Dedique algum tempo a conhecer a meditação metta.

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metta, passo a passo

No início da prática meditativa de metta, devemos abrandar a mente de modo a


poder entrar num estado de paz, calma e bem estar, sincronizando deste modo os
pensamentos com os sentimentos.

Depois de interiorizado este sentimento de bem estar, desejamos que nós próprios
possamos ficar bem, ser felizes e permanecer livres de perigos e sofrimentos.

“Que eu possa estar bem, que eu possa ser feliz, que eu possa estar livre
de perigos e sofrimentos…”

Num segundo momento, trazemos ao nosso pensamento uma pessoa de quem


gostamos muito, a quem queremos naturalmente muito bem, mas com a qual não
temos um envolvimento emocional ou físico, caso contrário o envio de metta estará
comprometido pelo desejo ou pela paixão. Tentando sentir a presença desta pessoa
deseje-lhe sinceramente bem estar:´

“Que XXX possa estar bem, que possa ser feliz, que possa estar livre de
perigos e sofrimentos…”

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Sinta-se presente e feliz pelo bem estar da pessoa querida. Explore esses
sentimentos.

Depois disto, chame à sua presença imaginária uma pessoa que lhe seja indiferente
ou distante. Pode ser um vizinho que encontrou ao chegar a casa ou alguém com
que se cruzou no autocarro. Visualize essa pessoa, sinta-a presente junto de si e
envie-lhe metta.

“Que XXX possa estar bem, que possa ser feliz, que possa estar livre de
perigos e de sofrimentos…”

Depois, sinta-se presente e feliz pelo bem estar da pessoa. Permaneça alguns
momentos a desfrutar destes sentimentos.

Num quarto momento da meditação metta, traga à sua visualização alguém que
não seja tão amigável. Pode ser um inimigo ou simplesmente alguma pessoa com
quem tenha tido alguma discussão ou mal entendido e essa pessoa pode ser seu
familiar, seu amigo ou inimigo, colega de trabalho ou de escola.

Evite, nas primeiras práticas, pessoas que lhe tenham sido hostis ou que
representem uma ameaça para si.

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Trate a pessoa pelo nome, se isso for possível aproxime-se dela e peça-lhe perdão
por alguma falta que eventualmente lhe tenha cometido, ainda que considere que
não tem responsabilidade no mau relacionamento entre ambos. Peça desculpa por
alguma falta cometida, consciente ou inconscientemente. Pode sentir alguns
bloqueios emocionais, mas avance lentamente e deseje profundamente que esta
pessoa possa ser integralmente feliz.

“Que XXX possa estar bem, que possa ser feliz, que possa estar livre de
perigos e sofrimentos…”

Depois, sinta-se presente e feliz pelo bem estar desta pessoa. Explore esses
sentimentos buscando resistências na sua psique ou manifestações no seu corpo.
Explore essas sensações durante alguns segundos e se sentir dificuldade em
interiorizar um sentimento de bondade em relação a esta pessoa, repita a frase
“possa estar bem e feliz, possa estar livre da raiva e da inimizade” no máximo 3
vezes. Poderá sentir uma reminiscência de remorso, aversão ou de ressentimento,
mas avance. Voltará a esta pessoa quando sentir oportuno.

Num último momento comece por juntar-se imaginariamente com todas as


pessoas em que pensou durante a meditação e deseje-lhes a todos igual felicidade
e bem estar.

“Que possam estar bem, que possam ser felizes, que possam estar livres
de perigos e sofrimentos…”

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Depois, radie estes sentimentos a todos os seres que se encontram no seu edifício,
na sua rua, na sua cidade, no distrito, na sua província, no seu país e nos países
vizinhos.
Estenda esses sentimentos a todos os seres do planeta, conhecidos e
desconhecidos.

“Que todos os seres possam estar bem, que possam ser felizes, que
possam estar livres de perigos e sofrimentos…”

Repita este exercício todos os dias, durante 10 ou15 minutos por dia. Se for
efectuado com muita sinceridade deverá sentir efeitos no seu quotidiano logo ao
fim da primeira semana. Pode tardar um pouco mais se o seu coração estiver
demasiado magoado, ferido ou ressentido, mas os resultados positivos virão.

O amor-bondade começará pouco a pouco a fazer parte de si, até se tornar sempre
presente. Ao desejar bem estar e felicidade aos outros, a metta fluirá no seu
coração, purificando-o e esvaziando-o de sentimentos como a ganância, o ódio e a
ilusão. Isto conduzirá a um verdadeiro e profundo despertar.

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Capítulo 6

metta.pt
O projecto metta.pt

Metta é um termo pali que significa algo próximo de amor Nos dias de hoje somos confrontados com múltiplas
incondicional ou bondade universal e é um princípio propostas de desenvolvimento pessoal com as mais
utilizado na prática da meditação e desenvolvimento variadas origens e os mais variados fins. Todas parecem
mental do indivíduo que já existe há cerca de 2500 anos. prometer um caminho para a realização pessoal. A nossa
proposta é a de dar a conhecer estas diferentes
metodologias, discutindo a sua viabilidade na construção
No momento de criar e desenvolver um conceito de
de uma via de desenvolvimento pessoal efetiva que
desenvolvimento do potencial humano, achamos que
resulte na construção de comunidades mais conscientes,
este princípio de fraternidade faz todo o sentido, pelo que
mais tolerantes e mais eficientes na busca pelo bem estar.
resolvemos utilizar este termo como denominação; o
amor universal é entendido como um pilar fundamental.
Queremos ser o mais práticos possível e por isso
escolhemos à partida duas ferramentas de eficácia
Todos sabemos que o homem é um ser social e que a sua comprovada e que podem ser utilizadas desde já, que são
felicidade está intimamente ligada e condicionada pela a meditação e o coaching, conceitos que queremos
convivência com outros semelhantes. Se esta convivência relacionar e complementar com outras metodologias, das
for norteada por um sentimento de pura bondade quais destacamos a programação neurolinguística e a
universal e de amor incondicional, o espírito de partilha inteligência emocional.
emergirá como pilar da socialização com resultados
proveitosos para todos.

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Visão

Sabemos que é possível alcançar um estado de felicidade humana, individual e


coletiva, pela via do desenvolvimento pessoal.

Queremos contribuir para a construção de uma sociedade mais feliz e mais


realizada.

Pessoas conscientes, conhecedoras e esclarecidas em relação a si próprias e em


relação aos outros, que atinjam os seus objetivos individuais e que se sintam
integradas na comunidade, atingem patamares superiores de satisfação com a vida.

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Missão

Porque sabemos que a felicidade é possível e que resulta sobretudo de uma


conduta e de uma atitude individual, juntamos ensinamentos milenares com
inovações modernas e possibilitamos o acesso generalizado a estas metodologias.

Assim, promovemos (in)formação sobre ferramentas de desenvolvimento pessoal,


bem como asseguramos acompanhamento individual..

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Valores

Acreditamos na felicidade. Na bondade universal e no amor incondicional.

Acreditamos na vida, na força de acreditar, na amizade, na partilha, na generosidade,


na fraternidade, na tolerância, na esperança, na transparência e, acima de tudo, na
busca pelo melhor do ser humano.

Acreditamos que o desenvolvimento da personalidade de cada indivíduo é a via


para uma sensação alargada de bem estar e de felicidade e queremos proporcionar
uma generalização do acesso às novas ferramentas de desenvolvimento pessoal.

Adoptamos as bases ideológicas do positivismo, corrente filosófica que procura


explicar as leis do mundo social com critérios das ciências exatas e biológicas.

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Objetivos

Dinamizamos uma corrente informativa, promovendo no nosso portal o acesso ao


conhecimento sobre as ferramentas de desenvolvimento pessoal e social, utilizadas
desde a antiguidade, com particular ênfase na meditação bem como nas mais
recentes descobertas da psicologia, da neurolinguística, do coaching e da
inteligência emocional.

Promovemos formação especializada através da dinamização de eventos


presenciais e on-line, contando com a participação de especialistas certificados,
destinados à população em geral, mas também a empresas e instituições, no
âmbito da valorização dos seus recursos humanos.

Por outro lado, facultamos apoio individualizado, sobretudo com consultas de


coaching, ajudando as pessoas a encontrarem e desfrutarem do seu máximo
potencial.

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meditação do amor-bondade
manual

1ª ed. – julho´16
Emanuel Almeida
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