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1.

Os vencedores e a salvação  -Não serão apagados os nomes dos


 -As três partes do homem vencedores
 -As três etapas da salvação  -Seus nomes serão confessados
 -As três classes de homens diante do Pai
 -A primeira promessa 6. Os vencedores e a Igreja
 - vencedores ante o fracasso da
2. Os vencedores e a cruz Igreja
 -A carne e a cruz  -O vinho novo necessita de odres
 -Pedro e a Cruz novos
 -Um Jacó tratado por Deus  -A armadura de Deus: O cinto da
 -Para quê crucificar a carne? verdade - A couraça da justiça O
 Novidade de vida calçado do evangelho - O escudo
 As coroas dos vencedores da fé - O capacete da salvação - A
 A segunda promessa espada do Espírito - A oração - O
 O vencedor não sofrerá o dano da manto da humildade - O amor.
segunda morte  -Sexta promessa
 A salvação em Hebreus  -Colunas no templo
 A graça e o governo de Deus  -O nome de Deus
 A segunda morte  -O novo nome de Cristo

3. Os vencedores e o mundo 7. Os vencedores e o Tribunal de Cristo


 -As minorias de Deus  -O tribunal de Cristo: a) O tempo
 -O mundo se opõe ao Pai do juízo; b) O lugar do juízo; c)
 -O amor à alma Pessoas julgadas.
 -Terceira promessa  -Três parábolas de juízo: a) do
 -O maná escondido servo mal; b) das virgens; c) do
servo negligente.
4. Os vencedores e as obras  -As três etapas de nossa
 -Um evangelho de obras? ressurreição: Ressurreição do
 -A salvação e as boas obras espírito - Ressurreição da alma -
 -Castigo temporário dos crentes: Ressurreição do corpo.
Trevas exteriores - Açoites - A  -Os vencedores e o arrebatamento
Geena de fogo - Cárcere da Igreja:
 -As quatro etapas da obra de Cristo  -Quanto ao conhecimento do
 -O vencedor e as recompensas tempo do arrebatamento
 -Jesus cristo, O fundamento  -Quanto ao tempo do
 -Materiais da construção arrebatamento e a participação no
 -Quarta promessa mesmo: 1. Pós-tribulacionismo, 2.
 -A estrela da manhã Pré-tribulacionismo, 3. Os dois
arrebatamentos.
5. Os vencedores e a justiça  -Diferença entre a salvação e o
 -O pecado e os pecados reino
 -A justiça de Deus  -As bodas do Cordeiro
 -Nossa justiça objetiva  -Sétima promessa
 -Nossa justiça subjetiva
 -Quinta promessa 8. O reino messiânico na perspectiva
 -Vestiduras brancas profética
INTRODUÇÃO
De onde veio a idéia de escrever este livro? Desde o ano de 1993, o Senhor esteve me
inquietando de maneira insistente a fim de que escrevesse uma análise histórico-profética das
sete cartas do Apocalipse, assunto que o Senhor me permitiu realizar em meu livro "A Igreja de
Jesus Cristo, Uma Perspectiva Histórico Profética", terminado em 1998. No segundo capítulo
deste livro, ao fazer a análise da carta a Esmirna, e particularmente do versículo 11 de
Apocalipse 2, sobre o relacionado com a promessa do Senhor de que os vencedores não
sofrerão dano da segunda morte, por ser um tema pouco conhecido nos meios cristãos
convencionais, senti a necessidade de realizar um estudo mais profundo e explicativo do
assunto. E mais, alguns dos poucos pregadores que conhecem este tema, tendem a se
esquivar do assunto. Pensei ser possível que muitos leitores desejassem se aprofundar mais
sobre isso, a fim de percebê-lo melhor, e outros sensivelmente pela fome que desperta um
tema tão controvertido, mas tão importante e conveniente para nosso andar com o Senhor.Ao
ler as sete cartas dos capítulos 2 e 3 de Apocalipse, uma das mais profundas impressões que se
costuma ter é que os vencedores que ali menciona o Senhor pertencem a uma classe à parte e
exaltada de crentes, dotados de certos poderes extraordinários e dons que não tem os irmãos
comuns. Mas, queridos irmãos, o vencedor está longe de pertencer a uma elite especial de
crentes; ao contrário, é o cristão normal e bíblico; é o apartado do mundo para o serviço e
adoração ao Senhor. O que acontece é que nos tempos que vivemos, a Igreja tem se
“laodiceiado”, e se tem por normal os irmãos que se mantêm crianças na fé, imaturos e
carnais. Se com a ajuda e a luz do Espírito Santo analisarmos detidamente os textos bíblicos
veremos que o vencedor é o crente consciente de sua condição de soldado de Cristo. Romanos
8 nos fala dos cristãos normais, espirituais, os guiados pelo Espírito de Deus, predestinados
para ser feitos conforme a imagem de Cristo; de pronto diz no versículo 37: "Antes, em todas
estas coisas somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou".Em Efésios 6:10-18,
encontramos a armadura do vencedor, do soldado de Cristo; mas não é outra coisa senão a
armadura do crente normal. O Senhor não quer que sejamos outra coisa. Nossa luta é contra
poderosos principados das trevas, contra Satanás; e se não estamos vestidos com essa
armadura, nosso andar cristão é de derrota; e em derrota não podemos apagar os dardos de
fogo do maligno. O escudo da fé normal de um verdadeiro crente é a de um vencedor. É bom
que os demais santos orem por nós, e nós pelos demais santos; mas o escudo da fé de outro,
dificilmente poderá me servir. Se analisares toda essa armadura, verás que ninguém pode
vesti-la por ti.A Palavra de Deus diz que sem fé é impossível agradar a Deus; de maneira que o
que trabalha por fé, é um filho de Deus normal, não necessariamente um gigante. A lista que
aparece em Hebreus 11 é de pessoas normais iguais a nós, que sensivelmente creram em
Deus, e pela fé alcançaram bom testemunho. Vejo nas palavras do apóstolo Paulo, a
sinceridade e segurança de alguém que sabia perfeitamente quem era o Senhor em quem
havia crido; e com essa confiança diz: "Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o
tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a
fé" (2 Tm. 4:6-7).Não é nossa intenção esgotar o tema, e sim contribuir em algo que muitos de
nossos irmãos possam experimentar um despertar em muitas verdades bíblicas a respeito, e
introduzirem-se nas páginas das Escrituras, que lhes estarão guiando a uma vida mais íntima
com o Senhor. Aqui neste curto trabalho abundam as citações bíblicas, muitas vezes
transcritas quase sem comentário algum; porque mais que nossas palavras e comentários, é
nosso interesse que nos fixemos no que nos diz a Palavra de Deus, e lhe ponhamos toda a
atenção. A Bíblia contém algumas verdades importantes, fundamentais, e muito pouco
conhecidas, e uma delas é relacionada com o tribunal de Cristo para julgar as obras da Igreja.
Porque esta verdade não é conhecida? Porque os crentes fogem a tudo o que cheira juízo de
sua conduta; e em razão de ser esquivada, esta verdade tem sido esquecida nestes tempos, e
tem sido desconhecida e terrível. Mas é nosso dever restaurar os ensinamentos contidos neste
livro e abrir as portas destas verdades. Este é o caminho de um verdadeiro vencedor.Recorde-
se, além disso, que Deus tem falado por meio de Seu Filho, e tudo o que analisamos através
deste livro é do que tem falado o Senhor Jesus Cristo e pregaram os apóstolos, do que quis o
Espírito Santo que ficasse registrado no Novo Testamento acerca de temas tão fundamentais
como os vencedores, o tribunal de Cristo, o juízo das obras da Igreja, as recompensas e os
castigos; e o reino milenar, tudo no marco do que a Palavra de Deus chama a “doutrina dos
apóstolos”. Isto não é algo novo, pois é algo que está registrado na Bíblia desde os tempos
primitivos da Igreja

Cap 1-Os Vencedores e a Salvação (1ª Parte)


As Três Partes do Homem

Para compreender melhor o que significa ser um cristão vencedor, é necessário conhecer que
o homem está composto, não de duas, mas de três partes: espírito, alma e corpo.
Quando Deus fez o homem, varão e mulher, o fez pensando em Seu Filho, e pensando na
Igreja, porque não era bom que Seu Filho estivesse só, mas que tivesse uma esposa idônea;
Deus fez o homem para chegar a ter uma família, um lugar, e edificar uma casa para morar
eternamente; e Deus fez o homem com um propósito definido e dotado das partes
convenientes para que pudesse cumprir esse propósito. Deus queria que o homem fosse
semelhante a Cristo. Diz Gênesis 2:7:"Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra
e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente".Analisando
um pouco, vemos que do pó da terra formou o corpo do homem; em sua narina soprou fôlego
(hebraico neshamaj, vento, espírito) de vidas (no original está no plural, jayim), porque ao
soprar o espírito e reagir com o corpo, teve origem a alma, e o homem veio a ser então um ser
vivente (hebraico nephesh hayah, ser vivente ou alma vivente). Portanto, na regeneração o
homem veio a ter várias classes de vidas: vida biológica (no corpo), vida psíquica (na alma) e
vida zoé ou pneumática (no espírito), que é a vida divina, a vida não criada, a vida eterna que
nos deu Deus no dia de nossa regeneração, pois sem a vida do Senhor, o espírito humano
existe mas não tem vida divina. Lemos em 1 Tessalonicenses 5:23:"O mesmo Deus da paz vos
santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e
irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo"
"Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois
gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para
discernir os pensamentos e propósitos do coração" (Hb. 4:12).
Nestas citações e em outros lugares da Bíblia, vemos que Deus nos fez, seres humanos,
dotados de três partes ou princípios bem diferenciados, que são: espírito, alma e corpo; partes
com as quais estamos capacitados para ter relação com Deus e os seres espirituais, consciência
de nós mesmo e comunicação com o mundo que nos rodeia, respectivamente. Mediante os
sentidos do corpo biológico e suas operações vitais nos comunicamos com as coisas físicas;
mediante a alma temos consciência de nós mesmos, pois na alma estão assentadas o conjunto
de funções psíquicas próprias de nosso ego, e que determinam nossa personalidade, tais como
a mente que gera os pensamentos, a vontade para tomar as determinações, e as emoções,
que estão relacionadas com o amor, o ódio, a tristeza, a alegria, a amargura, o gozo, a
introspecção, etc...; ou seja, a mente determina o que penso, a emoção o que sinto e a
vontade o que quero. Mediante o espírito temos comunicação com Deus; quando somos
regenerados pelo Espírito de Deus com base no haver crido na obra redentora do Senhor Jesus
na cruz. Uma vez que temos crido, somos regenerados, nascidos de novo no Espírito, porque
Deus nos faz partícipes de Sua vida eterna, de Sua natureza divina (2 Pedro 1:4), e vem morar
em nosso espírito por Seu Espírito. Nosso espírito humano, para ter esta relação íntima com
Deus, está provido de certas faculdades tais como a intuição, a consciência e a comunhão.
O Espírito Santo mora no espírito do crente. O espírito humano foi projetado para que more
nele o Espírito de Deus. Diz em Romanos 8:9-10: "Vós, porém, não estais na carne, mas no
Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de
Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por
causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça". De conformidade com a Palavra
de Deus, temos sido feitos assim pelo Senhor, para que dentre todos os homens, os que crêem
no Senhor Jesus Cristo, os redimidos pela obra do Senhor Jesus na cruz, e ressurreição e
ascensão, e que compõem a Igreja, seja um templo santo de Deus; e o Senhor Jesus está
edificando esse tabernáculo entre nós os redimidos. "Não sabeis que sois templo de Deus, e
que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Co. 3:16). O Novo Testamento fala da construção do
tabernáculo verdadeiro. Por exemplo, Efésios 4:11-12 diz: "11 e Ele mesmo (Cristo) constituiu
a uns, apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas; a outros, pastores e mestres, a fim
de aperfeiçoar aos santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo". No
Antigo Testamento encontramos um tipo, ou uma maquete ou figura deste verdadeiro templo
do Senhor. Essa figura a encontramos no tabernáculo, ou templo portátil que Yahveh ordenou
Moisés que lhe fizessem no deserto; e mais tarde no templo que Salomão lhe construiu em
Jerusalém. No livro de Êxodo encontramos em detalhe a descrição do tabernáculo, o qual
constava de três partes principais: o átrio, o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo.
Nós, a Igreja, no Novo Testamento somos o verdadeiro tabernáculo que Deus está construindo
para Sua morada eterna. Somos o verdadeiro templo de Deus. Se compararmos as três partes
do homem com as três partes principais do tabernáculo, encontramos suas correspondentes
similaridades. Até o átrio tinham acesso todas as tribos dos israelitas e mesmo gentios
prosélitos; era a parte mais aberta do templo; corresponde a nosso corpo, que é a parte mais
externa de nosso ser, por meio do qual nos comunicamos com tudo o que nos rodeia por meio
dos sentidos.
No Lugar Santo do tabernáculo só podiam entrar os sacerdotes, e é comparado com nossa
alma, que é a parte que segue ao corpo, a qual já não pode ser penetrada por outros seres; a
alma tem sua intimidade, a intimidade de nossa própria personalidade. No Lugar Santo do
tabernáculo estava o candeeiro de ouro, a mesa e os pães da proposição e o altar de ouro de
incenso. Até ali podiam entrar os sacerdotes a ministrar ao Senhor, e oferecer-lhe azeite,
incenso e pão; mas não o resto dos israelitas. Em nossa alma residem, como temos dito, nossa
vontade humana, nossa mente e as emoções, que caracterizam nossa personalidade e
individualidade, e até onde, em condições normais, não tem acesso as demais pessoas, como
se podem fazer com nosso corpo por meio dos sentidos: visão, olfato, paladar, audição, tato.
Mas no tabernáculo havia uma terceira parte ainda mais íntima, o Lugar Santíssimo, onde
estava a arca do pacto de madeira de acácia, coberta de ouro por todas as partes, e dentro da
qual estava uma urna de ouro que continha um pouco de maná, a vara de Arão que havia
florescido; e as tabuas do pacto trazidas do Monte Sinai por Moisés. Em cima da arca estavam
dois querubins de glória, que cobriam com sua sombra o propiciatório; ou seja, a tampa da
arca, onde era oferecido o sangue dos sacrifícios. Estes querubins eram guardiões da glória e
da justiça de Deus, e velavam, simbolicamente, que o sumo sacerdote se aproximasse do
propiciatório não sem sangue. Mas analise o leitor as seguintes palavras de Hebreus 9:7-8:"7
mas, no segundo (aqui se refere ao Lugar Santíssimo do tabernáculo), o sumo sacerdote, ele
sozinho, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece por si e pelos pecados de ignorância
do povo,8 querendo com isto dar a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do Santo
Lugar não se manifestou, enquanto o primeiro tabernáculo continua erguido".No Lugar
Santíssimo não podia entrar ninguém; era o lugar central e mais íntimo do tabernáculo; ali só
podia entrar o sumo sacerdote uma vez ao ano, no Yon kippur, o dia da expiação, que era o dia
décimo do mês sétimo judeu. O Lugar Santíssimo estava separado do Lugar Santo por meio de
um véu, tipo do véu que separa aos homens de Deus, e enquanto não haja revelação ou se
rasgue o véu, o homem não tem capacidade para conhecer a Deus nem a Seu Cristo. No Lugar
Santíssimo se manifestava a glória de Deus, a Shekiná, a habitação ou presença de Deus. Nosso
espírito é o Lugar Santíssimo de nosso ser humano, feito por Deus para Sua habitação. Assim o
Senhor faz Sua habitação corporativa, Sua Igreja. Logo diz nos versículos 9 e 10:
"É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como
sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele
que presta culto,
10 os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e
diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma".
Diz aqui a Palavra de Deus que chegaria um tempo de reformar as coisas, e que o antigo
tabernáculo é apenas símbolo para o tempo presente. Símbolo de quê? Do verdadeiro templo
de Deus, Sua Igreja, a vida corporativa da Igreja. Para entender o delicado tema da doutrina
bíblica da salvação é necessário, pois, fazer uma clara diferença entre o corpo, a alma e o
espírito no homem. Se não se faz uma clara diferença sobre isto, a confusão é grande. Não
confundas a alma e o espírito. O homem é um ser tripartido. Qual é o objetivo de Deus ao
fazer o homem composto de três partes? A respeito, a Bíblia diz em Zacarias 12:1:

" Sentença pronunciada pelo SENHOR contra Israel. Fala o SENHOR, o que estendeu o céu,
fundou a terra e formou o espírito do homem dentro dele ".
Aparece o espírito do homem como se para Deus fosse o mais importante de toda sua criação.
Vai do maior ao menor: do céu e sua imensidão concentra sua atenção na pequenez da terra, e
logo no espírito do homem. O Senhor tem um especial interesse no espírito do homem.O
espírito é o lugar secreto do Senhor, onde a luz é Deus; ali o homem se une e se comunica com
Deus. As funções do espírito são: a consciência, ou seja, a luz e guia de Deus para discernir o
bom do mal, independentemente de todo conhecimento da mente e opiniões exteriores
(Romanos 8:16); a intuição, que se relaciona com a voz e o ensinamento de Deus no espírito
humano para perceber os movimentos do Espírito Santo e as revelações de Deus (Atos 18:25);
e a comunhão, por meio da qual adoramos e servimos a Deus no espírito e temos intimidade
com Ele (João 4:23; Romanos 1:9).A alma é o eu da pessoa, pois ali está a sede de sua
personalidade, dado que é o assento da mente (pensamentos), vontade (faculdade de decidir),
de onde emana sua responsabilidade e seu poder de decisão, e as emoções da alma, que são
seus afetos, seus sentimentos e suas paixões; ou seja, nossas simpatias e antipatias. Na alma
estão todas as faculdades que determinam nossa individualidade e nossa personalidade. A
alma, como sede da vontade e personalidade do homem, enlaça e fusiona o corpo com o
espírito, e por meio da alma o espírito pode submeter o corpo a sua obediência, a fim de
sublimá-lo. Mas pode suceder o contrário, por meio da alma o corpo pode atrair ao espírito
para que ame ao mundo e as coisas que estão no mundo. Mas o anterior depende da vontade
do homem, assentada na alma.
O cristão deve ter clareza, e saber diferenciar e separar as funções do espírito e as da alma;
não confundir, por exemplo, os meros pensamentos da alma com a intuição do espírito
(Hebreus 4:12). Antes da queda do homem, o poder da alma estava totalmente sob o domínio
do espírito. O espírito era o amo, a alma era apenas o administrador, e o corpo era o servo.
Isto temos que ter presente para compreender tudo o relacionado com nossa salvação, e a
vitória ou derrota no andar com o Senhor.

As três etapas da salvação

A Bíblia diz que o homem que Deus criou caiu em desobediência e veio a ser escravo do
pecado. A antiga serpente, o diabo, o tentou e ele pecou. Primeiro o diabo enganou a mulher,
e ela comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal; a estratégia era fazer-lhe crer que
seria como Deus, que seria independente de Deus; logo comeu o homem deliberadamente,
pelo afeto que tinha à sua mulher. Foi então quando o espírito do homem ficou sem vida.
Quando Satanás fez o homem cair, começou a trabalhar de fora para dentro; começou pela
carne, usou os sentidos do corpo, a emoção da alma, com o qual se apoderou da vontade;
inchou a alma e deu um golpe tão forte ao espírito, que o matou. Assim segue trabalhando o
diabo na humanidade. Em contrapartida o Senhor trabalha de dentro para fora. Seu labor
começa no espírito, e de acordo com o fortalecimento do homem interior, vai iluminando a
alma em sua mente, com influência estimulante em suas emoções, a fim de que a vontade do
homem exerça domínio sobre seu corpo, até lograr que o corpo obedeça ao espírito e se faça a
vontade de Deus, que já veio morar no espírito. O Senhor Jesus já fez a obra na cruz, mas
devemos ter em conta que a salvação completa, a que integra as três partes do homem,
consta de justificação, santificação e redenção, e que a justificação está relacionada com a
salvação do espírito, a santificação com a salvação da nossa alma humana, e a redenção com a
salvação de nosso corpo. Na medida em que a vida de Deus em Cristo se vai alargando e
fortalecendo em nós, se vai incrementando o raio de ação na salvação do homem. Depois da
queda, o homem foi evoluindo negativamente até converter-se totalmente em carne (Gênesis
6:3), e a carne não pode herdar o reino de Deus (1 Coríntios 15:50), nem pode salvar-se por si
mesma. Do anterior se deduz que a salvação completa é um processo que requer três etapas.

A salvação do espírito.

Assim como o homem tem três partes, cada uma dessas partes tem seu tempo de salvação. O
homem herda de Adão um espírito morto, um corpo que envelhece até a morte, e uma alma
inclinada à carne, saturada de maldade, depravada, incapaz de fazer o bem e obedecer à
vontade de Deus. Nossa salvação tem, pois, três etapas. O dia que cremos em Cristo como
nosso Salvador, é salvo o espírito, e o Espírito de Deus vem morar em nosso espírito
eternamente. "16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja
para sempre convosco,17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não
no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. " (João
14:16-17). A salvação do espírito está relacionada com a justificação e regeneração. Em
Romanos 8:10,16 lemos: "10 Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto
por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça.... 16 O próprio Espírito (o
Espírito Santo) testifica com o nosso espírito (o humano), que somos filhos de Deus."o Espírito
da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o
conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós." (João 14:17). Deus está construindo
Seu templo com o objetivo de habitar nele; mas para que o templo seja construído, o primeiro
que deve ser construído no tabernáculo é a arca no Lugar Santíssimo (Êxodo 25:10); ou seja, a
salvação de nosso espírito para que possa morar Cristo em nós. A arca do pacto que estava no
Lugar Santíssimo do tabernáculo era símbolo de Cristo, pois a arca do pacto no tabernáculo é
uma analogia de Cristo formado na Igreja, que é Seu templo.Lembremos sempre que quando
se fala da salvação do espírito, há dois elementos importantes a considerar: (1) a Palavra de
Deus sempre se refere a ela como um presente não merecido, e (2) sempre fala em tempo
passado. Medita nas seguintes citações bíblicas, ainda que há mais.
"3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte
de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo,4 assim como nos escolheu nele antes da
fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5 nos
predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito
de sua vontade" (Efésios 1:3-5).
"1 Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados... 4 Mas Deus, sendo rico
em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,5 e estando nós mortos em
nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos,
6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo
Jesus...
8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;9 não de
obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:1,4-6,8-9).
"11 E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho.12
Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida" (1
João 5:11-12).
"29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes
à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.30 E aos que
predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos
que justificou, a esses também glorificou.31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é
por nós, quem será contra nós?
32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura,
não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?33 Quem intentará acusação contra os
eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu
ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.35
Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome,
ou nudez, ou perigo, ou espada?36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à
morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.37 Em todas estas
coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.38 Porque eu
estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as
coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,39 nem a altura, nem a profundidade, nem
qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso
Senhor." (Romanos 8:29-39).
A Bíblia diz que a salvação é um presente de Deus, que ninguém tenha merecido nem pode
fazer algo para recebê-la; o recebe pela fé, e a própria fé quem nos dá é Deus. Se o homem
fora o autor e gerador da fé, teria algo de quê gloriar-se na relação com sua salvação. Não há
ninguém que faça o bem 1. O Pai é quem nos revela a Seu Filho Jesus Cristo, por Seu Espírito, o
qual é quem nos dá a convicção e a capacidade de arrepender-nos. O homem por si mesmo
não tem luz nem capacidade para escolher ao Senhor Jesus; ninguém o pode fazer. O homem
não pode dar do que não tem; ainda a iniciativa da salvação provém de Deus. Diz Mateus 7:18:
"Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons".
Ninguém por si só tem a capacidade para entender o que Deus diz. Em João 8:43, lemos: "Qual
a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a
minha palavra". Deus põe no homem a capacidade de crer em Jesus. Por favor, medite nos
seguintes versículos bíblicos:"porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o
realizar, segundo a sua boa vontade." (Fp. 2:13).
"E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também
aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida." (Atos 11:18).
"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no
último dia" (João. 6:44).
"15 Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?16 Respondendo Simão Pedro, disse: Tu
és o Cristo, o Filho do Deus vivo.17 Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão
Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus."
(Mateus 16:15-17).
Essa salvação, a eterna, a do espírito, não está condicionada a obra alguma de nossa parte,
nem boa nem má, e dela não nos separará nem o presente nem o porvir 2. Um morto não
pode ter vida por si mesmo; quem da vida é Deus, tanto a biológica, como a psíquica, e quanto
mais a eterna, a do Espírito (em grego, zoé). "E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas
transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele,
perdoando todos os nossos delitos" (Cl. 2:13). Esta salvação corresponde ao espírito; e dessa
salvação há de se ter absoluta segurança. Diz Romanos 8:1-2:

"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. 2 Porque a lei do
Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte".

Aqui a Palavra se refere a uma condenação subjetiva, pois se refere a uma derrota da lei do
pecado por parte do Espírito de vida que já mora no espírito da pessoa salva objetivamente
pela obra de Cristo na cruz.Diz Romanos 10:8-10:
"8 Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra
da fé que pregamos. 9 Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração,
creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.10 Porque com o coração se crê
para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação".
Cristo é a Palavra vivente e glorificada que vem morar em nosso coração quando pela fé o
recebemos, crendo em Sua vida de ressurreição. Quando cremos que Deus levantou dos
mortos a Jesus, implicitamente manifestamos que o Verbo de Deus se encarnou, viveu como
qualquer humano (exceto que não pecou), morreu por nós, e ressuscitou e foi glorificado; só
crendo que Ele foi glorificado, podemos confessar que Jesus Cristo é o Senhor. Ao crer somos
justificados diante de Deus, mas ao confessá-lo somos salvos diante dos homens; quando
invocamos e proclamamos o nome e o senhorio do Senhor Jesus, somos salvos mesmo de
prisões e problemas temporários.

A salvação da alma.

A alma também deve ser salva. A salvação da alma se relaciona com a santificação. Devemos
ocupar-nos da salvação de nossa alma, de nosso eu, com temor e tremor. "Assim, pois,
amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais
agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor" (Filipenses 2:12).
”como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" (Hb. 2:3a). A salvação
eterna, a do espírito, é um presente não merecido, por graça, aplicando uma fé que também
nos dá Deus, para o qual não é necessário que intervenha nossa conduta e nossas obras; mas a
salvação da alma tem a ver com obras; devemos ocupar-nos na salvação de nossa alma,
porque a alma é a que peca. "a alma que pecar, essa morrerá." (Ezequiel 18:4b).Quando fala
da salvação do espírito, a Palavra de Deus fala no passado; mas quando se trata da salvação da
alma, usa o verbo no tempo presente. "Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo
de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para
salvar a vossa alma." (Tiago 1:21). Se tivermos em conta que a salvação do espírito não é por
obras, note o que diz a seguinte citação relacionada com crentes: "19 Meus irmãos, se algum
entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter,20 sabei que aquele que converte o
pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados."
(Tiago 5:19-20). Aqui se trata de crentes extraviados, salvos no espírito, mas não na alma.Em 2
Coríntios 4:16, a Escritura diz que um crente consta de um homem exterior e um homem
interior. Podemos explicá-lo superficialmente assim: Assim como uma pessoa normal está
composta de um corpo, que é seu órgão, que é a parte física, e de uma alma, que é a parte
espiritual (como sua vida e pessoa), por explicá-lo assim, de maneira similar o homem exterior
do crente está composto de corpo como seu órgão físico e de alma como sua vida e pessoa; e
o homem interior está formado pelo espírito humano regenerado e habitado por Deus como
sua vida e pessoa, e de alma renovada como seu órgão. O apóstolo Paulo ora ao Pai a fim de
que esse homem interior dos efésios, onde já mora Deus por Seu Espírito, seja fortalecido com
poder "para que habite Cristo pela fé em vossos corações". Nisto vemos que primeiro
recebemos a salvação em nosso espírito, e que logo Deus começa a trabalhar conosco na
salvação da nossa alma, que se relaciona com nosso coração. A conotação bíblica de coração é
nossa alma humana mais a consciência de nosso espírito. Quando a salvação começa a fluir do
espírito à alma pela ação subjetiva do Espírito Santo em nós, começamos a experimentar um
processo de mudança, de carnais a espirituais, e o Senhor Jesus vem habitar em nossos
corações, a sentir-se realmente em sua casa; o Senhor se apossa de nosso ser com toda
confiança. A partir desse momento, e com todos os irmãos unidos corporativamente
começamos a compreender todas as dimensões do Senhor, a conhecer melhor ao Senhor, a
entender Qual é Seu propósito. Coisas que nossa carnalidade não nos permitia compreender.
Na medida em que o Senhor Jesus habite confiadamente em nosso coração, melhor
poderemos conhecer o coração Dele.Por tanto, é necessário que nosso homem interior, já
salvo, seja fortalecido com o poder do Espírito Santo, para que em conseqüência habite Cristo
pela fé em nossos corações, que é outra forma bíblica de chamar a alma junto com a
consciência (cfr. Efésios 3:16,17), e chegue a ser Ele vivendo em nós e não nós mesmos (cfr.
Gálatas 2:20). Quando isto ocorrer, temos sido aperfeiçoados pelo Senhor, temos salvado
nossa alma. O espiritual depende de Deus; o anímico é independentista, é do homem, e por
tanto deve ser trabalhado pelo Espírito Santo com a colaboração do homem, porque a queda é
fruto de uma rebelião em busca de independência.Para salvar o espírito só temos que crer, e
mesmo esta fé nos é dada por Deus; mas para salvar a alma há de se cumprir certos requisitos.
Quais? Por exemplo, negar-se a si mesmo, obedecer ao Pai, tomar a cruz a cada dia e seguir ao
Senhor Jesus. No capítulo 16 de Mateus vemos que o apóstolo Pedro já era salvo, já havia
recebido a revelação do Pai de que o Senhor Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivente, já era
uma pedra viva para a edificação da Igreja, e, entretanto tinha que trabalhar na salvação de
sua alma. Pedro tinha muito amor próprio, muita confiança em suas próprias forças e
capacidades, não estava disposto a passar por nenhum sofrimento; não podia compreender a
obra de Deus em Cristo. Para Pedro a obra da cruz era uma loucura, e até mesmo Satanás fala
por sua boca para dizer ao Senhor: "22 E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo,
dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.23 Mas Jesus,
voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não
cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se
alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.25 Porquanto,
quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.26
Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o
homem em troca da sua alma? (Mateus 16:22-26). A salvação eterna depende da vontade de
Deus, mas para seguir ao Senhor e andar com Ele, devemos preencher certos requisitos como
negar-nos a nós mesmos, não centrar-nos em nós mesmos nem em nossa própria forma de
pensar, senão buscando estar de acordo com a mentalidade de Deus. O que nós somos está
em nossa alma; de maneira que devemos ocupar-nos na salvação de nossa alma. Diz Lucas
21:19: "Com vossa paciência ganhareis vossas almas".Como veremos depois, a salvação do
espírito é eterna, tem a ver com o novo céu e a nova terra; mas a salvação da alma se
relaciona com nossa atual conduta, com nossas obras, e tem a ver com o reino dos céus no
milênio. Nossos atos hoje e nosso grau de sofrimento e adversidade, decidem nossa
participação no reino; e daí que, depois de falar do juízo da Igreja, Pedro diz: "18 E, se é com
dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador?19 Por isso,
também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador,
na prática do bem." (1 Pedro 4:18,19). Diz o irmão Watchman Nee:"A salvação do espírito é ter
vida eterna, enquanto que a salvação da alma é possuir o reino. “O espírito é salvo mediante o
Fato que Cristo levou a cruz por mim; a alma é salva pelo fato que eu leve a cruz”. “O espírito é
salvo pelo fato que Cristo dá sua vida por mim; a alma é salva, porque eu nego a mim mesmo e
sigo ao Senhor” (Watchman Nee. A Salvação da Alma. CLIE- 1990. pág. 16).

A salvação do corpo.

A salvação do corpo é no futuro, quando ocorrer a ressurreição da Igreja, e se relaciona com a


redenção. Para vê-la na Bíblia, nos basta uns poucos versículos. "20 Pois a nossa pátria está
nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,21 o qual
transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a
eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas." (Fp. 3:20-21). "11 Se
habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que
ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio
do seu Espírito, que em vós habita."

(Ro. 8:11). "23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito,
igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso
corpo." (Ro. 8:23).
Haverá um tempo no futuro em que gozaremos de uma completa salvação. Diz 1 Pedro 1:5: "5
que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-
se no último tempo.".

Também em Romanos 5:9 nos fala de uma justificação em tempo passado e de uma salvação
futura, quando diz: "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por
ele salvos da ira.". De acordo com isto, é fácil concluir que nossa salvação tem três tempos, a
saber: passado, presente e futuro. Como já temos visto, o crente em Cristo, no passado já tem
sido redimido da culpa e pena do pecado, mas no tempo presente está se livrando do poder do
pecado; e no futuro, quando se efetuar a ressurreição, será livrado de sua presença, e assim
será perfeitamente conformado à imagem do Filho de Deus, que é nosso Redentor.

Cap 1- Os Vencedores e a Salvação ( 2ª Parte )


As três classes de homens

Na Bíblia se diferenciam três classes de homens: os judeus, os gentios e a Igreja. Mas, além
disso, encontramos outras três classes, que em princípio são duas, os crentes e os incrédulos,
mas os crentes se dividem por sua vez em carnais e espirituais; de maneira que temos o
homem natural, o crente carnal e o crente espiritual.

O homem natural.

A Palavra de Deus chama ao incrédulo de homem natural, incapaz de perceber as coisas de


Deus. Diz 1 Coríntios 2:14:
" 14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e
não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. ".
Este homem natural é o homem psychikós, dominado por sua psiquê, ou alma natural que,
como temos dito, é o princípio vital ou de individualidade, assento de seu caráter. É o homem
caído, adâmico, nascido uma só vez, morto em delitos e pecados, ou que segue a corrente
deste mundo por caminhos de completa obscuridade, sem Deus e sem esperança. O príncipe
de este mundo tem cegado o homem natural, não regenerado; este tem a mente
entenebrecida. Na queda do homem, a alma deliberadamente se opôs à autoridade do
espírito, e o resultado é que não teve em realidade nenhuma independência, senão que
chegou a escravizar-se ao corpo com suas paixões e desejos. Meditemos nos seguintes
versículos:
" 3 Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está
encoberto,4 nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que
lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus " (2 Co.
4:3-4).
" para lhes (os gentios) abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade
de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que
são santificados pela fé em mim " (At. 26:18).
" obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que
vivem, pela dureza do seu coração" (Ef. 4:18).
Há um véu como obstáculo que impede que o homem entenda a Deus. O homem não
regenerado nem entende o bem nem o deseja. Mesmo os judeus, sendo eles o povo terreno
escolhido para manifestar Deus, o povo dos pactos, o povo por meio do qual o Senhor nos deu
as Escrituras, o povo por meio do qual nasceu nosso Salvador, ainda eles não podem ver por
esse véu. Lemos em 2 Coríntios 3:13-15:

" 13 E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não
atentassem na terminação do que se desvanecia.14 Mas os sentidos deles se embotaram. Pois
até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não
lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido.15 Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu
está posto sobre o coração deles. ".

Se o Senhor Jesus não tira esse véu, continuam na obscuridade, seja judeu ou gentio; vendo
não vêem, e ouvindo não ouvem, porque são coisas do espírito, que não se podem ver nem
ouvir com os sentidos naturais, nem entender com a mente natural da alma.os não
regenerados não podem agradar a Deus. Diz Romanos 8:7-8:

" 7 Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus,
nem mesmo pode estar.8 Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. ".

É necessário que Deus abra o coração do homem, a fim de que possa compreender a
mensagem do evangelho. O vemos na cidade de Filipos, com ocasião de um ensinamento que
compartilhava Paulo à margem de um rio.
" Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus,
nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. " (At. 16:14).
Quando o homem quer ser bom por si mesmo, não tem capacidade de ser. O homem trata de
ser bom, mas não pode; e em um esforço por parecer melhor diante da humanidade e de sua
própria consciência, o homem com freqüência não comete o pior, ou pode ser que em
ocasiões não chegue a ser todo o mal possível, mas isso se deve a que Deus, em Sua
misericórdia, tem provisto de um testemunho de Si mesmo. O homem leva o testemunho de
Deus em sua própria consciência; mas isso não significa que em ocasiões o homem é bom. Diz
a Escritura que "o que de Deus se conhece lhes é manifesto, pois Deus o manifestou" (Ro.
1:19; ver também Atos 14:17). Então, segundo isto, e de acordo com Romanos 2:14, o homem
por si mesmo faz um bem relativo.
O crente carnal

Diz em 1 Coríntios 1:18: "Porque a palavra da cruz é loucura aos que se perdem; mas aos que
se salvam, isto é, a nós, é poder de Deus". Este versículo se refere aos incrédulos, mas em algo
também se pode aplicar aos crentes carnais. A palavra da cruz (o evangelho) é uma loucura
para a humanidade não regenerada, devido a que sua mente está submergida nas trevas da
ignorância, a superstição e o engano. A sabedoria do mundo não pode nem sequer mais ou
menos vislumbrar a obra de Deus a favor dos homens. A palavra da cruz e a sabedoria de Deus
estão inteiramente relacionadas com Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ainda no cristão carnal, o
autêntico evangelho, o que enfatiza a cruz de Cristo, não é bem compreendido; porque há
duas maneiras de andar do povo cristão: uma é carnal e a outra é espiritual. Falemos agora do
cristão carnal. Por exemplo, em Romanos 8:4, a Escritura faz a diferença entre andar na carne
e andar no Espírito, quando diz: "Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não
andamos conforme a carne, senão conforme o Espírito". Logo os versículos seguintes
enfatizam essa diferença. Leiamos:
"5 Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam
para o Espírito, das coisas do Espírito.6 Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do
Espírito, para a vida e paz.7 Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está
sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.8 Portanto, os que estão na carne não podem
agradar a Deus." (vs.5-8).
A palavra "carne" no Antigo Testamento é “basar” em hebraico, e no Novo Testamento é
“sarx” em grego. O cristão carnal às vezes não se diferencia muito do homem natural
(psychikós) ou almático, pois o crente carnal (sarxkikós) não tem alcançado maturidade nem
submissão plena a Cristo; é com freqüência dominado ainda por sua natureza carnal, porque
participa do caráter da carne. Disse Paulo aos irmãos coríntios:
"1 Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a
crianças em Cristo.2 Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não
podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais.3 Porquanto, havendo
entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?4
Quando, pois, alguém diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é evidente que andais
segundo os homens? " (1 Co. 3:1-4).

Um crente carnal não tem a capacidade para desfrutar e experimentar plenamente a vida do
Senhor em nós. Hoje em dia muitos cristãos atribuem ao espírito o que na realidade é apenas
da alma; há muita confusão sobre isso. Uma coisa é receber os dons (1 Coríntios 12:4-11) do
Espírito sem que necessariamente haja crescimento espiritual, e outra é viver e expressar o
fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23), o que já supõe uma maturidade espiritual no crente. Os
coríntios, como bons gregos, se interessavam pela sabedoria humana, e não haviam passado a
desejar alimentarem-se da sabedoria de Deus. Os coríntios haviam sido ensinados, mas não
alimentados; pois o alimento se relaciona com a vida e o ensinamento com o mero
conhecimento.Às vezes costumamos pedi ao Senhor mais conhecimento das coisas e muita
sabedoria, e até chegamos a pedir que possamos ter a mente Dele; mas o que faríamos com
esse conhecimento se Ele não habita em Sua plenitude em nosso coração? Empregaríamos
esse conhecimento com nossas habilidades e mesquinhez naturais, sem que hajam passado
pelo processo da cruz? Empregaríamos esse conhecimento com nossos sentidos extraviados
pelas artimanhas do diabo? Diz Paulo:
" 2 Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar
como virgem pura a um só esposo, que é Cristo.3 Mas receio que, assim como a serpente
enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da
simplicidade e pureza devidas a Cristo. " (2 Co. 11:2-3).

O que é conhecer o Senhor? Conhecer ao Senhor é mais do conhecimento do que fez em Sua
encarnação, em Seu ministério terreno, em Sua cruz. Conhecer ao Senhor envolve conhecê-lo
intimamente; conhecer o que Ele pensa; conhecer Seu coração, conhecer Seus segredos, Suas
intimidades. Para que isso ocorra devemos atender a Seu chamado, andar com Ele, e ter
íntima comunhão com Ele, ser Seus amigos.

O crente espiritual

De acordo com a Palavra de Deus há crentes maduros, espirituais (pneumátikós) (Efésios 5:18),
cuja vida está rendida ao Senhor, na qual se reflete e expressa o fruto do Espírito.
" 22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade,
fidelidade,23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. " (Gl. 5:22.23).
A vontade do crente espiritual está sujeita à vontade de Deus, porque seu espírito está
intimamente unido ao Espírito de Deus. O cristão cujo homem interior tenha sido fortalecido e
está Cristo habitando pela fé em seu coração, sabe por experiência o que é ser cheio de toda a
plenitude de Deus; chega a se aprofundar até compreender que só na perfeita expressão da
unidade do Corpo de Cristo é que se pode entender como é grande o nosso Deus, Seus
propósitos, Seu amor e Sua misericórdia para conosco. Só o cristão espiritual chega a ser um
vencedor. Como determinar a maturidade espiritual de um crente? Para que haja
espiritualidade deve haver disposição no crente; a espiritualidade não se adquire por inércia. A
maturidade espiritual sempre se determina pela disposição de sacrificar nossos próprios
desejos, interesses e comodidades, em prol do reino dos céus e dos interesses do Senhor e dos
demais irmãos, e essa disposição de sacrifício se traduz em que se deve pagar um preço, como
as virgens prudentes. Toda vez que nossa prioridade for nós mesmos e nossos próprios
interesses, somos virgens insensatas e andamos caminhando em derrota.

A primeira promessa

Desde o primeiro século da Igreja, muitos irmãos abandonaram o primeiro amor (Apocalipse
2:4), e o melhor e primeiro amor é o Senhor em nós, não necessariamente é aquele amor que
sentimos pelo Senhor nos dias em que fomos salvos, nessa lua de mel. Quase sempre quando
se acaba a lua de mel e começam as provas, em muitos há uma queda espiritual de grande
envergadura. O Senhor nos manda que vençamos o abandono do primeiro amor. Em que
sentido haviam deixado o primeiro amor os irmãos do primeiro século? Por exemplo, muitos
se deixaram fascinar, não pelo Amado habitando em seus corações, senão pelas doutrinas dos
judaizantes (Gálatas 3:1; 5:7; Colossenses 2:16, 20-21), pela filosofia mística em sua relação
com o nascente gnosticismo e a adoração de anjos (cfr. Col. 2:8,18). Passados os séculos,
vemos muitos católicos com seu coração inclinado, não a Cristo e a Sua Palavra, senão ao papa
romano e ao que diz "a Igreja" (referindo-se à Igreja Católica). Um pode ter a Cristo só de
nome, mas sem ter amor nem afeto pessoal por Ele. Se Cristo é nosso primeiro amor, isso
significa que seguimos nos alimentando Dele como fruto da árvore da vida.O homem caiu por
haver crido em Satanás e haver participado de uma rebelião, por haver desobedecido e
comido da árvore do conhecimento do bem e do mal; mas o Senhor nos tem redimido e nos
chama a que sejamos vencedores. O homem comeu e desobedeceu, mas há uma recompensa
ao vencedor, e é:
"dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus. " (Ap. 2:7b).
A árvore da vida é Cristo, nosso verdadeiro alimento. A Nova Jerusalém vindoura será o
paraíso de Deus no milênio. A árvore da vida se apresenta como uma enredadeira que está a
um e outro lado do rio da água da vida no meio da praça da Nova Jerusalém, a cidade esposa
do Cordeiro de Deus.
" Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor " (Jo. 15:1).
O comer da árvore da vida era o propósito original de Deus, e agora o restaura com Sua
redenção. É um banquete oferecido pelo Senhor, porque o caminho à árvore da vida foi aberto
de novo, um caminho novo e vivo que nos abriu Cristo através do véu (Hebreus 10:19-20).A
história tem demonstrado que a Igreja tem falhado com o Senhor, e tem deixado de ser a
expressão de amor de Deus; é por isso que há promessas para o indivíduo vencedor. O homem
caiu porque participou na comida de algo que não tinham que comer, e que lhe trouxe a ruína.
Mas ao comer da árvore da vida, é restaurado a um lugar mais privilegiado do que perdeu
Adão. É necessário consolidarmos em nossa vocação, abandonar o legalismo e a aparência
externa e alimentar-nos de novo, de Cristo, desfrutar-lhe, voltando a Ele com o primeiro amor.
O Senhor é nosso pão da vida (João 6:35, 57). É bom o conhecimento, mas segundo Deus. Não
é o mesmo que alimentar-se só de ensinamentos doutrinais que de Cristo como nosso pão da
vida. Com esta promessa o Senhor incentiva e estimula aos crentes para que não deixem o
primeiro amor, lhe sirvam sempre no amor e desfrutem ao Senhor desde agora, e se fará
efetiva como galardão no reino milenar; mas todo vencedor pode começar a desfrutá-lo desde
agora, porque a vida da Igreja hoje é um gozo antecipado da Nova Jerusalém. O vencedor é o
cristão que se alimenta de Cristo hoje, e como conseqüência a promessa é que se alimentará
do Senhor como árvore da vida na Nova Jerusalém. Necessitamos vencer o abandono do
primeiro amor.A grande maioria dos irmãos não tem suficiente clareza sobre o reino vindouro
de Cristo, e à raiz desse desconhecimento ignoram as responsabilidades que se relacionam
com eles e costumam confundir o céu (vida eterna), com o reino. Desde agora, quero fazer
afirmar que os galardões são muitos diferentes da salvação. Os galardões, como seu nome o
indica, são prêmios para os que trabalham, para os que lutam, para os que obedecem, para os
que negam a si mesmos, para os que levam a cruz, para os que velam, para os vencedores,
para recebê-los no reino milenar; em troca a salvação é um presente de Deus para seus
escolhidos desde antes da fundação do mundo, e um presente nem se ganha, nem se merece,
nem se perde.

Cap 2- Os Vencedores e a Cruz ( 1ª Parte )


A carne e a cruz

Uma vez salvo, o cristão vencedor deve levar a cruz e negar-se a si mesmo. É um mandamento
do Senhor para os que voluntariamente o querem seguir. O ensino da cruz não é popular. O
crente carnal evita este ensino bíblico; entretanto, as Escrituras dizem que todos nós os que
temos crido já fomos crucificados com Cristo; mas nosso velho homem deve experimentar
essa crucificação na realidade prática, levar e encarar a cruz em nossa alma, ou seja, viver essa
experiência de morte e ressurreição enquanto estamos nesta terra; do contrário vivemos uma
vida vencida. Quando isto ocorre, com freqüência somos dominados pelo pecado e por nossa
própria vida natural, e como conseqüência não fazemos a vontade de Deus, e essa vida
derrotada nos enreda em pecados e em obras que voltarão a nós quando regressar o Senhor, e
teremos que dar conta dele. Se não aceitamos levar a cruz agora, é necessário que sejamos
tratados no futuro.Um derrotado é vencido pela carne, pelo mundo e por Satanás. Tomar a
cruz é obedecer a Deus e estar disposto a passar por todas as situações que Deus haja previsto
que passemos. No mundo, a alma tem seus deleites e seus próprios interesses, mas a cruz e o
negar a si mesmo rompe com esses vínculos, e a pessoa se submete à vontade de Deus. Só o
caminho da cruz nos leva a sermos verdadeiros vencedores; mas muito poucos se animam a
abrir a porta que conduz a esse caminho. A vitória de Cristo é nossa vitória, e devemos mantê-
la e proclamá-la. Não significa que devemos ser crucificados de novo, pois já fomos
crucificados com Cristo. O sangue do Senhor se derramou para expiar o que temos feito; para
nosso perdão pelos pecados cometidos e justificar-nos diante de Deus; mas não basta que
sejamos perdoados, pois há um problema em nós: herdamos de Adão dentro de nós uma força
que nos escraviza; a força do pecado; e por isso é que necessitamos da cruz, para tratar com o
que somos; então a cruz, aplicada pelo Espírito, nos libera do poder do pecado, para que não
tenhamos que ser julgados pelo que fazemos.O sangue de Cristo nos reconcilia com Deus, mas
segue dentro de nós um conflito do qual só nos pode livrar a cruz. A vitória do vencedor não é
uma mera transformação em sua carne, senão a vida ressuscitada de Cristo dentro dele.
Aceitar a cruz é uma vitória. Um vencedor é o crente que tem ido mais além de aceitar a cruz
só objetivamente; o verdadeiro vencedor é aquele que aceita a cruz subjetivamente; é aquele
cuja cruz tem matado seu egocentrismo, pois a tem aceitado subjetivamente; e é necessário
que a cruz seja aplicada à nossa carne pelo Espírito Santo.Diz o apóstolo Paulo em Gálatas 2:19
b-20:

" Estou crucificado com Cristo;20 logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e
esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si
mesmo se entregou por mim”

Este é um nível muito avançado e importante no desenvolver espiritual de um crente que tem
negado a si mesmo e leva sua cruz a cada dia. Devido a que na alma está a vontade do homem,
é a alma a que tem que decidir se obedece ao espírito, e desse modo lograr sua união com o
Senhor por Seu Espírito que mora no espírito do homem; em nosso homem interior.Lemos em
João 3:6:

"O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito".

Quando o homem é regenerado no momento de crer no Senhor Jesus, ele vem de ser
meramente carne, e já em sua qualidade de crente regenerado segue sendo carnal enquanto
não houver experimentado uma renovação em sua alma. Como se efetua essa renovação? A
renovação não consiste em modificar a carne. Há muitas instituições, métodos, recursos
humanos, terapias e filosofias terrenas que pretendem modificar o comportamento do
homem. Deus o que quer fazer de nós não é uma mera modificação de nosso comportamento,
senão uma nova criatura, uma criatura à imagem de Cristo; mas a nova criatura não se
consegue por modificação, pois a carne de um regenerado segue sendo a mesma corrupta que
antes. Na regeneração, Deus nos dá Sua vida não criada, eterna, em nosso espírito, mas nossa
carne segue igual. O eu do homem segue intacto. Mas a Bíblia nos diz uma grande verdade em
Romanos 6:6:
" sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado
seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos".Se apesar disso teu velho ego segue
igual, o Senhor nos exorta a que levemos a cruz e neguemos o ego. Diz Lucas 9:23:

" Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e
siga-me ".
O Que significa tomar a cruz? Diz Roland Q. Leavell: "Levar a cruz quer dizer mais que sobre
levar uma enfermidade com inteireza ou sofrer uma desgraça com fortaleza. Uma cruz é algo
que alguém pode evitar se assim o deseja, e é algo que alguém aceita voluntariamente por
causa de Jesus e a glória de Deus. Significa obediência a Cristo, mas inclui muito mais. Levar a
cruz não era um assunto superficial para os doze. Alguns deles chegaram a experimentar a
morte por meio da crucificação. Todos eles sofreram violência por serem cristãos, violência
que poderiam haver evitado se houvessem entrado em compromissos". (Roland Q. Leavell.
"Mateus: o Rei e o Reino". Casa Batista de Publicações. 1988. pág. 95).Indubitavelmente a
carne deve ser tratada pela cruz. A moda de hoje é o contrário; que o crente evite o
sofrimento e que se aprofunde nos prazeres de uma vida fácil e mundana. Negar a si mesmo é
renunciar às demandas, gozos e privilégios de nosso antigo ego e a nossa vida anímica; é
negar-se mesmo como princípio de vida natural; não é necessariamente negar coisas, ainda
que envolva negar aos prazeres mundanos. Gozar de muitas coisas é contrário à de levar a
cruz. Tenha-se em conta que os deleites terrenos acende a concupiscência de nossa carne. O
Senhor sabe bem que o que nos espera com Ele no reino é incomparável com tudo aquilo que
nos atrai nesta vida terrena. O Senhor Jesus, o Verbo de Deus, tinha tudo em Sua glória com o
Pai, e se despojou de tudo isso para poder abrir-nos o caminho para que nós também o
desfrutemos, desfrutemos o verdadeiro gozo eterno; o Senhor não se importou no ter aqui
nem uma pedra onde recostar Sua cabeça; nesse aspecto estava em pior condição que as aves
do céu e que as raposas do campo. Esta vida é tão curta como um suspiro, mas suas atrações
nos enervam de tal maneira que temos em pouco as promessas de um Deus verdadeiro e
confiável. Depois de fazer um relato da luta entre os desejos da carne e a vida no Espírito, diz
Gálatas 5:24:

"E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências".

A crucificação da carne se traduz no quebrantamento do homem exterior, da morte do grão de


trigo, e isso é necessário para a liberação e manifestação de nossa vida espiritual. A vida do
Espírito deve ser liberada. Diz João 12:24:
"Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só;
mas, se morrer, produz muito fruto".
Esse grão de trigo é o Senhor Jesus Cristo. Antes de sua morte tinha Sua vida prisioneira em
Seu corpo; não podia menos que estar em um só lugar de cada vez; mas com Sua morte e
ressurreição, a vida do Filho unigênito foi liberada e produziu muitos grãos à imagem do
primeiro, e veio a ser o primogênito entre muitos filhos de Deus. Assim como o grão de trigo,
para dar fruto, deve cair na terra e morrer, cada crente, para ser vencedor e produzir muito
fruto, deve morrer o seu “eu”; sua vida natural (a dura casca exterior) deve apodrecer e
desaparecer, a fim de que libere a vida do espírito e seja manifestado Cristo através dele.Cristo
na cruz tratou uma só vez com o pecado para que o pecado não reine mais em nós, mas o
Espírito Santo trata dia após dia com o eu por meio da cruz; entretanto, segue no crente uma
luta entre a carne e a vida espiritual. Os crentes que na prática não vivem para Deus senão
para si mesmos, são considerados cristãos anormais (1 Coríntios 3:1-3); em troca os cristãos
espirituais, simplesmente são cristãos normais; já tem experimentado uma renovação que vem
de dentro para fora. A renovação é experimentada na alma; é um processo mais ou menos
prolongado; depende da dureza da natureza da alma do crente. Há plantas que não crescem
devido a que lhes faz falta a luz solar, ou umidade, ou nutrientes, ou tem parasitas; ou não dão
muito fruto porque não as podam e limpam; isto contando com que hajam sido semeadas em
boa terra.A maturidade leva seu tempo. Por via de regra, um cristão recém nascido não pode
evitar ser carnal, como um bebê não pode evitar ser bebê, mas o pior é que a maioria dos
crentes permanecem carnais, imaturos, crianças por toda a vida; eles tem medo da cruz,
recusam negarem a si mesmos, não querem pagar o preço; carecem de uma disposição para o
sofrimento; muito pelo contrário, se encaminham pela amizade com o mundo. Assim como
uma pessoa natural tem dado o passo para que por meio da cruz de Cristo se tenha
regenerado e tenha sido crucificada a sua carne, assim mesmo deve dar o passo para que
mediante o Espírito Santo tome sua própria cruz, e passe de carnal a espiritual, de derrotado a
vencedor. Um crente carnal dificilmente pode guiar a outro a Cristo, ou fazer algo que
realmente agrade a Deus. O carnal pode estar trabalhando na igreja; mas esse trabalho pode
resultar sendo obras mortas. As obras mortas não tem nenhum mérito diante de Deus, por
muito boas que pareçam aos olhos dos homens. Indubitavelmente se queimarão quando o
Senhor vier, e o pior é que nos impedirão de entrar no reino se não nos arrependermos a
tempo.O cristão carnal pode assimilar os ensinamentos, mas na mente.

" Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam
para o Espírito, das coisas do Espírito.
6 Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz.7 Por isso, o
pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo
pode estar." (Ro.8:5-7).

Os cristãos de Corinto tinham muito conhecimento e sabedoria, mas na mente. A "insensatez


da cruz" é usada por Deus em troca da busca de conhecimento. A Deus não se pode conhecer
por abundância de conhecimento e sabedoria humana, senão por fé através da cruz. Os
conhecimentos sem a cruz só chegam à mente.

Pedro e a cruz

Consideremos o contexto de Mateus 16:13-28. Depois de haver perguntado sobre a opinião


dos homens acerca de Sua pessoa, o Senhor se interessou em conhecer o que pensavam seus
próprios discípulos acerca de quem era Ele. Diz nos versículos 16-18:
" Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.17 Então, Jesus lhe
afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to
revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre
esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela ".
Simão, que significa uma palha dócil ao vento, dominado por seu voluntarioso caráter, quando
veio ao Cristo, O Senhor trocou seu nome, porque começou a transformá-lo, e em vez de
Simão lhe chamou Pedro, uma pedra (Jo 1:42), neste caso uma pedra viva para a construção
da casa de Deus (1 Pedro 2:5). Se não somos transformados em pedras, não podemos ser
edificados apropriadamente, e não podemos ser edificados só nem em grupos independentes;
nossa edificação é na comunhão de todos os santos. A transformação tem suas etapas, e em
cada etapa encontramos lições para aprender.Aqui vemos também que sem a revelação divina
não se pode conhecer ao Senhor Jesus; e como só o Pai conhece o Filho, só se pode conhecer o
Filho pela revelação do Pai. A Pedro foi revelada, pelo Pai, a identidade do Filho; logo o Filho
revela a da Igreja, e lhe diz que a partir desse momento Pedro faz parte da Igreja, é uma pedra
viva para a edificação da casa de Deus, devido à confissão que havia feito a respeito do Filho.
De maneira que Pedro já era um crente e membro da Igreja, na economia de Deus. Apesar do
anterior, era Pedro já um crente maduro e vencedor? Vejamos.De acordo com o seguinte
contexto, Pedro estava longe de ser um cristão maduro, sem ter em conta que depois ofereceu
ao Senhor defendê-lo com sua espada, de não abandoná-lo, mas já vemos que o Evangelho
nos diz que o deixou só e o negou. Dizem os versos 21-23:
" 21 Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era
necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes
e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.22 E Pedro, chamando-o à parte,
começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te
acontecerá.23 Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra
de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens ".
Aqui vemos o crente Pedro sem entender para nada a cruz de Cristo e menos sua própria cruz.
A Igreja não pode ser edificada sem crucificação e ressurreição, e um crente carnal dificilmente
pode estar disposto a tomar a cruz. Tenhamos por claro que o homem natural e Satanás
caminham e cavalgam juntos, e que o crente vencido não se diferencia muito; e quando não
temos a mente de Cristo, não podemos cumprir o propósito de Deus, senão que somos pedra
de tropeço para o Senhor. A raiz destas considerações se pode entender as palavras do Senhor
nos versículos 24 e 25:
" 24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,
tome a sua cruz e siga-me.25 Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem
perder a vida por minha causa achá-la-á".Esse negar a si mesmo, é negar a velha natureza
herdada de Adão. De maneira, pois, que há duas classes de crentes: os que negam a si mesmos
e tomam sua cruz, e os que não o fazem. Pedro tinha que perder a vida de sua alma, e tomar a
cruz; Pedro estimava mais sua vida natural que os propósitos de Deus; Pedro não podia
entender, todavia o plano de Deus, e a mente de Deus; era necessário que Pedro negasse a si
mesmo e tomasse sua cruz. Só se submete a Cristo um crente vencedor.Se a Igreja não se
submete a Cristo, os demais seres não se submeterão, e só a cruz faz com que o nosso eu vá
minguando e Cristo vai crescendo em nós, no mais íntimo de nosso ser. Contemplamos a
mulher samaritana de João 4; ela cria em Deus, sabia da promessa de um Messias, e o
esperava, mas sua vida estava fundida em espessas trevas do pecado; buscava a solidão e a
obscuridade, e não se atrevia a deixar-se ver a cara, pois a luz a incomodava; sua consciência
não a deixava tranqüila; sua conduta a fazia caminhar por veredas torcidas; a carne a
escravizava. Mas um dia o Senhor foi a buscá-la, e a esperou que viesse buscar água no poço
de Jacó. Ao ter o encontro com Cristo, Ele lhe deu de beber da água viva; foi algo penetrante
que deu uma grande virada na vida desta mulher, e já não teve mais sede, e deixando o
cântaro, correu a dar testemunho. Também nós, quando chegarmos a ser vencedores, é
quando não nos importará mais o cântaro; o deixaremos de um lado do poço, e correremos a
proclamar que Jesus Cristo é o Senhor. Mas para isso é necessário que de nosso interior
corram rios de água viva. Temos dito que nós, os crentes, já fomos crucificados com o Senhor,
mas agora o Senhor nos diz que devemos levar a cruz. Se nosso velho homem já morreu na
cruz, agora devemos negá-lo. Para que fazer viver a um defunto que estorva a obra do Senhor?
Já o Senhor ressuscitado vive dentro de nós, e nós Nele.
De havermos negado a nós mesmos e de havermos levado a cruz ou não, depende nossa
situação quando o Senhor regressar e tivermos que comparecer ante Seu tribunal. Os
versículos 26-27 dizem:
" Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará
o homem em troca da sua alma?27 Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai,
com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras ".A vida da alma é a
vida natural, a vida do ego. A vida psíquica deve ser tratada pela cruz, do contrário seguiremos
como Pedro em sua situação de Mateus 16 e outros textos. Na hora mais amarga do Senhor,
Pedro e todos os amigos íntimos do Senhor o abandonaram; e não só eles; nós fazemos o
mesmo hoje em dia. Não queremos acompanhar o Senhor nesta hora crucial.

Um Jacó tratado por Deus

Em Jacó temos o exemplo de um crente astuto, não obstante haver sido escolhido para a
primogenitura desde antes de nascer; quando todavia não havia feito nem bem nem mal.
Especificamente e por vontade de Deus foi escolhido, apesar de que ia ser uma pessoa de
caráter forte, enganadora, calculista e egoísta. O Senhor não nos escolhe por sermos bons ou
maus, pois todos somos maus. O Senhor deu um destino prévio a Jacó, mas para que Jacó
pudesse chegar a ser um servo do Senhor, um homem útil nas mãos de Deus, um verdadeiro
vencedor, um homem obediente à vontade de Deus, esse “eu” perverso de Jacó devia morrer,
devia passar pela cruz, até que chegasse a negar-se a si mesmo. Diz Romanos 9:10-16:
" 10 E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai.11 E
ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o
propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que
chama),12 já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço.
13 Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.
14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!15 Pois ele diz a
Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de
quem me aprouver ter compaixão.16 Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem
corre, mas de usar Deus a sua misericórdia ".

A Escritura nos diz que antes que Jacó nascesse já havia sido eleito por Deus para, em Sua
misericórdia, dar-lhe a primogenitura. Jacó jamais recebeu isto porque merecia; ao contrário,
seu próprio nome Jacó, significa Deus proteja, mas também o suplantador, o que toma pelo
calcanhar, ou seja, o que trama uma armadilha. A vida de Jacó esteve saturada de engano e de
armadilhas; que muitas vezes vieram contra ele. Apesar de que Deus se revelava e o protegia,
Jacó era o tipo de crente voluntarioso e carnal, que devia ser tratado por Deus a fim de que
pudesse ser útil nas mãos do Senhor, para cumprir o propósito de Deus. Deus tem um
propósito eterno, e quer realizá-lo com a igreja, mas com os obedientes, com crentes
esforçados em quem possa confiar, que não amem a si mesmos, com lutadores, com
vencedores.Jacó quis tomar vantagem no plano de Deus, e depois de haver enganado a seu pai
e a seu irmão, se viu na necessidade de fugir. Em Betel Deus se revelou, em sua fuga; e
inclusive aí Jacó disse a Deus: Se me prosperares, te darei o dízimo de tudo. Isso encerra algo
de negócio. Quis ter vantagem sobre Labão, de quem também foi enganado desde o começo,
quando pediu a Raquel para casar-se. Mas tarde houve uma luta entre Jacó e Deus, mas Jacó
persistiu diante de Deus até conseguir que Deus o abençoasse, e saiu vencedor, pois a Palavra
diz no verso 28:
"Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e
com os homens e prevaleceste".

(Leia Gênesis 32:22-32). Em Peniel, Jacó viu o rosto de Deus e foi livrada sua alma. O andar de
Jacó mudou depois dessa experiência. De homem anímico passou a ser espiritual; foi
desgarrado o tendão da coxa, e ao ser desgarrado seu próprio andar, pode caminhar com
Deus, para cumprir propósitos eternos. Quando chegou a ser um vencedor, Deus lhe mudou o
nome. Já não se chamaria mais Jacó, o suplantador, senão Israel, o que luta com Deus.Morreu
sua amada Raquel; logo foi enganado por seus próprios filhos; desapareceu José, seu filho
favorito; logo também teve uma amarga experiência com Benjamim; tudo isso para quê? Era
necessário que o Jacó natural fosse tratado pelo Senhor; e esse trato do Senhor ia
transcorrendo em forma dolorosa. Uma coisa é confiar nas destrezas do Jacó carnal, e outra é
confiar exclusivamente no Senhor. Indiscutivelmente é necessário que sejamos iluminados,
que possamos ver o caminho pelo que caminhamos, e que estejamos confessando nossa
dependência do Senhor e de Seu Santo Espírito.

Para que crucificar a carne?

Muitos crentes são cheios do Espírito Santo quando crêem, e vão experimentando um
crescimento normal de sua vida espiritual; vão caminhando com Deus e preocupando-se pelas
coisas de Deus. Mas desafortunadamente a maioria dos cristãos não se ocupam muito do que
interessa ao Senhor, senão de seus próprios interesses egoístas e carnais (Gálatas 5:19); por
isso o Senhor quer que a carne seja crucificada subjetivamente. Na realidade histórica a carne
já foi crucificada no Gólgota; o velho homem tem passado por esse processo; de maneira que a
criança carnal em Cristo deve ser totalmente liberada desse domínio, para que cresça e possa
andar segundo o espírito. Há quem persista nas obras da carne (inimizade, divisões,
sectarismos, vícios, paixões e desejos), Deus diz que essa carne foi crucificada; mas há crentes
de almas cuja natureza é muito forte, e tem um caráter muito difícil, nos quais o processo é
lento e doloroso. A respeito diz o irmão Watchman Nee:" A obra da cruz consiste em suprimir
(anular); não nos traz coisas, mas as tira. Em nós há muitos resíduos; há muitas coisas que
não são de Deus e não lhe rendem nenhuma glória. Deus quer eliminar todas estas coisas
por meio da cruz para que assim cheguemos a ser ouro puro. Há coisas que não provém de
Deus; nos temos convertido em uma liga. Por isso Deus tem que utilizar tanto poder para
mostrar-nos estas coisas que há em nós que provem do ‘eu’, todas aquelas coisas que não
lhe proporcionam nenhuma glória. Cremos que se Deus nos fala, descobriremos que tem que
ser eliminadas muito mais coisas que as que nos tem de ser acrescentadas. Especialmente
aqueles cristãos cuja alma é de natureza forte, deveriam pensar nisto: que a obra de Deus
neles por meio do Espírito Santo, consiste em eliminar coisas deles para reduzi-los".
(Watchman Nee. "A Igreja Gloriosa". CLIE. 1987. pág. 163).A carne não pode dar fruto que
glorifique a Deus. O cristão deve limpar-se de seus pecados apropriadamente. Diz João
15:2:"Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa,
para que produza mais fruto ainda".Devemos ter clareza de que não se exige que
crucifiquemos de novo nossa carne, pois já foi crucificada na cruz de Cristo. A crucificação da
carne tem que ser experimentada, e que essa morte na cruz tenha seu efeito em nós. Essa
prática se dá em colaboração com o Espírito Santo. Diz a Palavra de Deus em Colossenses 3:5:
"Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo
maligno e a avareza, que é idolatria".
Esse, pois, enlaça o versículo com os anteriores, em que diz que já temos morrido e
ressuscitado com Cristo. São duas realidades que vão unidas: Já fomos crucificados com Cristo,
e Fazer morrer o terreno em nós. Se crermos que temos sido mortos em Cristo, podemos fazer
morrer o terreno em nós. Isto se logra porque o Espírito Santo aplica a morte da cruz a tudo o
que tem que morrer. Diz Romanos 8:13:
"Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito,
mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis".Entretanto, devemos estar sempre
vigilantes, pois a carne, não fica inutilizada pela crucificação conjunta em Cristo, ela contudo
não fica suprimida; ela segue existindo e, em quanto tiver oportunidade, se põe em ação.A
mensagem da cruz não está sendo pregada, pois, com contadas exceções, está se pregando
uma caricatura do evangelho. Nós dizemos ver, mas em nossas faculdades naturais não
podemos ver; pelo contrário, essas faculdades naturais nos impedem de ver a realidade. Se
Deus nos ilumina um pouco, então constatamos nossa cegueira. Afirmar que vemos, como no
caso da igreja do período de Laodicéia, é um orgulho farisaico. Quanto mais nos gloriamos e
envaidecemos dizendo que vemos, mais cegos somos; e quando já vemos manifestada em
verdade nossa cegueira, então é quando vamos começar a ver. Paulo só pode ver as coisas de
Deus quando ficou cego fisicamente. É necessário restaurar a mensagem da cruz, e vivê-la.
Quando não se vive a mensagem da cruz, vivemos para nós mesmos, não para o Senhor. A cruz
é para por nela todos os dias, o que somos e o que temos, o velho, o inútil.Dizem os
apologistas da prosperidade no cristão, que o Senhor quer ver-nos envoltos em uma vida
regalada e aprazível, sem problemas, sem fome, sem preocupações, sem perseguições, tudo
bem; mas Mateus 10:34-39 diz o contrário:" 34 Não penseis que vim trazer paz à terra; não
vim trazer paz, mas espada.35 Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e
sua mãe e entre a nora e sua sogra.36 Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria
casa.37 Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu
filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;38 e quem não toma a sua cruz e vem
após mim não é digno de mim.39 Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a
vida por minha causa achá-la-á".
O Senhor não traz paz a uma terra em que Satanás ainda é seu príncipe; por isso os vencedores
estão em guerra contra Satanás, e este os ataca usando inclusive aos mesmos familiares de sua
própria casa.O Senhor tem que ser amado acima de todas as coisas. Essa espada que se
menciona no versículo 34, é a vida cheia de tribulações e dores do sofrido e verdadeiro
vencedor, o que caminha todo ferido pelo caminho estreito traçado por Cristo. O versículo 35
explica o 34. De acordo ao verso 38, se trata de uma cruz; e tu estás em liberdade para levá-la
ou não. A cruz é opcional, mas absolutamente necessária para o que quer caminhar com
Cristo. O fato de seguir ao Senhor e obedecer-lhe te cria dificuldades, e tu podes
voluntariamente escolher sofrê-las ou não. Como a de Cristo, toda cruz dos filhos de Deus é
determinada e decidida pelo Pai, e nós escolhemos levá-la ou não. Disso depende nossa
participação no reino. Diz 1 Pedro 4:1,2:
"Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois
aquele que sofreu na carne deixou o pecado,2 para que, no tempo que vos resta na carne, já
não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus".
Não é que Deus quer que vivamos sofrendo, mas se devemos armar-nos com uma disposição
ao padecimento, devido a que estamos imersos em uma batalha espiritual que também tem
suas repercussões e manifestações em nossa vida natural. Crente que recusa o sofrimento,
não pode ser edificado. Deus pode salvar nossa mente, de tal maneira que haja em nós a
disposição a sofrer como também Cristo padeceu. É natural que nossa tendência seja a de fugir
de todo sofrimento e a toda hora pedir ao Senhor que, por favor, nos livre de todas as
dificuldades e amarguras, pois não suportamos as provas. Mas esta não foi a atitude do Senhor
em Getsêmani. Desde que nasceu, o Senhor Jesus teve a disposição para sofrer. Ele sabia que
havia nascido para isso enquanto permaneceria no corpo mortal. Por tanto, desde o dia em
que nascemos no Espírito, e somos filhos de Deus, deve ser nossa tarefa entregar-nos para o
sofrimento. Essa é a verdadeira posição de um vencedor. Se escapares como um covarde do
sofrimento, estás desarmado e te vem a derrota. Irmão, enfrenta o sofrimento. Quando a
Palavra de Deus nos diz que não sejamos carnais, luxuriosos, covardes, infiéis, ou o que seja
que dependa da nossa velha vida natural, é porque Ele nos pode salvar de qualquer dessas
demandas e pensamentos dos desejos carnais.A Palavra de Deus diz que são bem-aventurados
os que padecem perseguição por causa da justiça, os que estão dispostos a sofrer pela
verdade, pela justiça, pela causa do Senhor e de Seu evangelho da salvação; suas feridas e
cicatrizes são as chaves de entrada no reino dos céus. O sofrimento do crente é mais meritório
que o dos anjos quando eles participam em lutas contra o inimigo. Por que é mais meritório?
Porque os anjos conhecem a glória do Senhor e o que o céu representa; ao passo que o crente
é estorvado por sua própria carne, por Satanás e por um mundo atraente, e apenas vê as
coisas como por um espelho; apenas vislumbra algo do que lhe espera, movido pela fé e a
esperança, baseado nas promessas do Senhor, na revelação das Escrituras e no pouco
conhecimento que agora tem de Deus e das coisas que Ele nos tem preparado. Sofrer pelo
Senhor é uma honra que não é dado a todos os crentes.

Cap 2- Os Vencedores e a Cruz- 2ª (Parte)


Novidade de vida

Diz Romanos 6:4:


"Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi
ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de
vida".
O contexto do capítulo 6 de Romanos nos fala do batismo em sua dupla conotação de ser
introduzidos dentro do Corpo de Cristo pelo Espírito e o de ser identificados com Cristo
mediante o batismo nas águas. Em quê nos identificamos com Cristo? Somos submersos em
Cristo para que sejamos parte Dele, depois de haver sido tomados de nossa antiga posição no
mundo de pecado e de trevas; agora somos um com Ele em Sua morte e ressurreição. De
Adão, de onde havíamos nascido, somos trasladados pelo batismo a nossa nova posição em
Cristo; e ao ser batizados em Sua morte, essa morte nos separa do mundo, nos liberta de toda
a força de nossa velha natureza com sua vida natural implícita, de nosso ego, de nossa carne,
do poder satânico das trevas; ou seja, tem cortado esse cordão umbilical que nos unia a nossa
velha história e seus enredos, pois agora participamos com o Senhor de Sua ressurreição. É
nossa primeira ressurreição, a do espírito, que se traduz em novidade de vida.Os versículos 4 e
6 nos falam de que nosso velho homem foi crucificado com Cristo, de maneira que
participamos também de Sua sepultura pelo batismo, e logo experimentamos uma
ressurreição, que é uma novidade de vida; passamos a ser parte do novo homem, que é Cristo;
historicamente chegamos a ser novas pessoas, porque esta primeira ressurreição do crente
agora também é subjetiva, nosso espírito passou da morte à vida. Mas logo vem um processo
de ressurreição em nossa alma, em nossa vida atual; até alcançar viver uma vida de
ressurreição, uma morte do velho homem herdado de Adão, até que a sua vez nossa alma
passe da morte à vida. Nesse processo vamos experimentando como espécie de uma
transformação progressiva pelo Espírito, de tal maneira que cada dia nos vamos conformando
mais à imagem do Filho de Deus. É uma verdadeira metamorfose.Nossa primeira ressurreição
é um ato histórico, e nossa segunda ressurreição é um processo atual no qual não podemos
ficar estancados, pois se trata de desenvolver nossa novidade de vida; buscar que essa
novidade de vida reine em nós e se expresse. Não só no batismo nos identificamos com Cristo,
senão que o batismo é só o começo dessa identificação. À medida que crescemos em nosso
processo atual de novidade de vida, mais nos identificamos com o Senhor Jesus e nossa
ressurreição dará testemunho de quem somos, e o Senhor se expressará através de nós. Diz o
verso 5:

"Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos
também na semelhança da sua ressurreição".
O Senhor Jesus, como o grão de trigo, teve que morrer para poder dar fruto; e nós, como o
grão de trigo, estamos mortos com Ele, e como estamos unidos com Ele organicamente, se
produz um crescimento. Vemos na agricultura que o broto que foi enxertado em uma árvore,
participa da vida, da seiva e das características da árvore. Nós agora pelo batismo somos
plantados juntamente com o Senhor; somos enxertados Nele, de maneira que participamos de
tudo o que Ele tem experimentado: Sua morte, Sua sepultura, Sua ressurreição. Em Romanos
11:24 diz que fomos cortados da oliveira brava (Adão) e enxertados na boa oliveira, na oliveira
cultivada (Cristo).O batismo é uma semelhança na qual participamos de tudo o que Cristo é e
tem experimentado, mas tendo em conta que toda essa experiência é um processo atual.
Recorde-se que tudo o de Deus, incluída Sua salvação, Sua vida em nós, Suas promessas, tudo
se recebe pela fé, e se lhe da autonomia.Pois bem, na medida em que o Espírito Santo me
revela o valor que tem para Deus o sangue vertido por Cristo em meu benefício, Sua morte
substituta e Sua ressurreição, poderei eu ter consciência da importância de levar minha cruz e
viver a ressurreição em novidade de vida. Ao nascer de Adão, recebemos tudo o que é de
Adão; ao nascer em Cristo, recebemos e participamos de tudo o que é de Cristo; não obstante,
devemos ter em conta que em Adão nascemos sendo pecadores, o que se chama o "velho
homem", e que o sangue de Cristo me lava de todos os meus pecados, mas se faz necessária a
cruz para que esse velho homem seja crucificado.

As coroas dos vencedores

Apocalipse 2:10b diz:


"Sê fiel até a morte, e darte-ei a coroa da vida".
O Senhor diz ao vencedor: Sê fiel ainda que tenhas de morrer. Ser crente não é o mesmo que
ser fiel. Há crentes nos quais Deus pode confiar e outros em que não. A vontade de Deus é que
todo crente seja fiel; que Ele possa contar com todos nós.Note que aqui o Senhor não fala de
dar vida eterna, que é um presente, mas sim a coroa da vida, a qual se logra, não como um
presente recebido pela fé, e sim adquirida por nossa fidelidade. O Senhor havia dito aos
vencedores da igreja em Esmirna:"Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está
para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez
dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida".Tiago 1:12 também menciona a coroa da
vida para todos aqueles que suportam as provas por meio da vida divina.Não podemos
confundir a vida eterna com a coroa da vida. A vida eterna a recebemos de Deus de sua
vontade, sem que seja mediadora as obras de nossa parte, pois a vida de Deus em nosso
espírito a temos recebido por graça. Quem poderá comprar a vida de Deus? Ele corrige o que
houver de mal em seus filhos para purificar-nos, aperfeiçoar-nos e santificar-nos, mas não tira
o que tem dado.

"porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis."(Ro. 11:29).

Em troca, para receber a coroa da vida devemos ser fiéis até a morte; ou seja, em caso de
sofrer perseguições, estar dispostos a ser sacrificados por causa do Senhor, se for necessário.
Então a coroa denota um prêmio. É como uma ressurreição sobressalente. Note que em
Hebreus 11:35 fala de uma melhor ressurreição para os mártires:

"Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não
aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição".
Lemos 1 Coríntios 9:25-27:

"25 Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém,
a incorruptível.26 Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo
golpes no ar.27 Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a
outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado".

Note que ainda temos lutas com nós mesmos.Aqui fala de uma coroa incorruptível para
aqueles que obtém domínio sobre o velho homem e fazem morrer os hábitos do corpo; se
pode pregar as recompensas no reino, e alguém, ainda que seja salvo por graça mediante a fé
em Jesus Cristo, se não está em alerta, pode ter a possibilidade de ser desqualificado, de ser
indigno de receber o prêmio no reino. Esta coroa tem a conotação de que o vencedor é
honrado publicamente por um serviço distinguido.Em 1 Tessalonicenses 2:19 diz:
"Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso
Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós?"

Paulo aqui fala de coroa com a conotação de que é para os ganhadores de almas para o
Senhor.Diz 2 Timóteo 4:8:

"Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia;
e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda".

Aqui a Palavra de Deus fala de uma coroa de justiça; ou seja, que provém da justiça do Senhor,
mas através das obras do crente, a todos os que amam a vinda do Senhor; isto também à parte
de sua salvação.Também em 1 Pedro 5:4 a Palavra de Deus diz:
"Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória".
Deus promete uma coroa de glória para os anciãos (bispos) fiéis, os que tem boa disposição
para apascentar o rebanho de Deus.

Segunda promessa

O Espírito Santo quer que a Igreja não se esqueça que o Senhor Jesus foi crucificado por nós
uma só vez, mas que ressuscitou glorioso; que não tenhamos nenhum temor do que
eventualmente tenhamos que padecer por causa do Senhor e de Seu testemunho, pois Ele é o
poderoso Deus que tem o controle de tudo o que ocorre no universo. É necessário vencer a
perseguição."Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não
podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós" (Ro. 8:18).Nosso Deus santo e
poderoso quer que nossa fidelidade a Ele seja aperfeiçoada até a morte. O mais importante
para um filho de Deus deve ser a fidelidade ao Senhor em todas as circunstâncias; vencer
todas as dificuldades pelo poder de Seu Santo Espírito. Tudo o que nos acontece é para nosso
bem; Ele sabe tudo e ninguém pode arrebatar-nos de Suas mãos. Nós mesmos somos os que
nos afastamos Dele.Temos que ser vencedores sobre a perseguição (Apocalipse 2:9-10), e a
perseguição inclui o sofrimento, a tribulação, os cárceres, a pobreza, as provas e as calúnias
dos religiosos. Para ser vencedores tem que se amar ao Senhor e dar-lhe o primeiro lugar em
todas as coisas, inclusive pô-lo por cima de nossa comodidade, de nossos bens, de nossa fama,
de nossos amores, de nossa família, e até de nossa própria vida. Quando damos ao Senhor a
preeminência em tudo, freqüentemente isso nos acarreta problemas e fricções em nossos
próprios lugares. Sobrevêm perseguições por parte de nossos parentes e amigos, vêm calúnias
e dedos acusadores por parte das sinagogas de Satanás; às vezes o Senhor nos guia a que
devamos trabalhar e ter comunhão com irmãos muito dominantes e intolerantes. Tudo isso
nos vai aperfeiçoando e nos vai convertendo em vencedores. Alguns pensam que em nossa
igreja local tudo é manifestação de amor, compreensão e harmonia, mas na prática o Senhor
utiliza todas essas fricções e até enfrentamentos com os irmãos, para tratar conosco, para
descobrir nossos espíritos.
O vencedor não sofrerá dano da segunda morte

"Ao que vencer, não sofrerá o dano da segunda morte" (Ap. 2:11).O Senhor aqui fala a todos
os crentes, e particularmente aos de Esmirna. O que eles têm que vencer neste caso? Satanás,
o máximo que pode nos causar, se o Senhor permitir, é fazer uso da morte contra nós, e ele
pode usar os poderes do Estado e das instituições religiosas de toda índole, mesmo as
eclesiásticas de tipo cristão. Vemos em toda a história que há muitas instituições e
organizações que pretendem ter o hereditário direito de ser a legítima Igreja ou povo do
Senhor, e delas os vencedores recebem perseguição e tribulação, ou pelo menos o
menosprezo, difamação mediante libelos, programas de rádios e outros meios. Isso é a
realidade da história da Igreja em todos os tempos, mas o Senhor já havia advertido. A vitória
aqui se trata da fidelidade ao Senhor até a morte. Satanás sabe que está derrotado, e Jesus
Cristo já conquistou a vitória, o Filho de Deus, mediante o derramamento de seu precioso
sangue na cruz; vertido até a morte, mas com o resultado de uma poderosa ressurreição e
gloriosa ascensão ao Pai nos céus, enviando logo Seu Santo Espírito e dando vida à Igreja, que
é Seu Corpo, a qual faz efetiva a sentença contra Satanás agora, e em especial aos vencedores.
Irmão, se és infiel terminas em derrota. Se fugires do sofrimento, foges de todo compromisso
que, inclusive, te pode levar até o martírio, estás em derrota. Se amas mais a tua própria vida e
não estás disposto a oferecê-la pelo Senhor, sofrerás o dano da segunda morte. Mas Façamos
uma curta analise destes conceitos. Para entender isto é fundamental que saibamos que há
duas categorias de crentes, os vencedores e os derrotados. Quando a Escritura fala de
vencedores, é porque há cristãos derrotados. Os vencedores são os cristãos que, no marco da
Palavra de Deus, são crentes espirituais normais, e os derrotados são os crentes carnais. Um
cristão carnal é um crente anormal. Os crentes de ambas as categorias são salvos pela
eternidade, alguns serão salvos assim como pelo fogo, ou seja, sendo castigados. Assim como
não é o mesmo a vida eterna que a coroa da vida, tampouco se deve confundir a morte eterna
ou segunda morte, com o dano da segunda morte. Sofrer dano da segunda morte se relaciona
com o castigo temporário no reino milenar. Lemos em 1 Coríntios 3:15:" se a obra de alguém
se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do
fogo".Quando a Palavra de Deus diz que os vencedores não sofrerão dano da segunda morte,
significa que os derrotados sim a sofrerão. Sofrer um castigo temporal na Geena, ou algum
lugar parecido, é sofrer dano da segunda morte. Não sofrerão a segunda morte, mas se lhes
causará dano, dor. Que não sofrerá a segunda morte nos diz João 10:27-28, assim:"27 As
minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.28 Eu lhes dou a vida
eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.". "39 E a vontade de quem
me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o
ressuscitarei no último dia." (João. 6:39). "Dos que me deste não perdi nenhum" (João. 18:9b).
Note que diz que não perecerão jamais; não diz que o que se extraviar pelo pecado, se perde
eternamente. O crente que peca, será julgado por seu pecado e castigado, mas não perde sua
salvação. A salvação eterna não guarda nenhuma relação com nossas obras ou
comportamento (Efésios 2:8-9).Ressurreição significa passar da morte para a vida. Como
veremos no capítulo sete, o crente deve passar por um processo de ressurreição. O normal é
que todo crente experimente três ressurreições. Toda pessoa humana nasce morta em
pecado; quando crê, é regenerado, experimenta o novo nascimento. Isto é a primeira
ressurreição pessoal de que já falamos. O espírito passa da morte à vida quando cremos; mas
vem logo uma segunda ressurreição: a alma vai experimentando sua ressurreição na medida
em que nos ocupamos menos da carne e mais do espírito. Na prática esta é uma ressurreição
progressiva na vida do crente, na medida em que caminha com Cristo. A terceira é a
ressurreição gloriosa, à última trombeta, quando vier o Senhor, que é a primeira das duas
grandes ressurreições coletivas. É quando será ressuscitado o corpo. Também em Apocalipse
20:6 diz:"Bem aventurado e santo o que tem parte na primeira ressurreição; a segunda morte
não tem autoridade sobre eles, senão que serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão
com ele os mil anos".A diferença baseia-se em que a segunda morte é condenação eterna, e
sofrer dano da segunda morte, é só uma disciplina temporária, durante a dispensação do
milênio.Se alguém não é purificado em sua alma nesse tempo, o será na era vindoura, durante
o tempo do reino milenar, para que na eternidade possamos estar com o Senhor, e sermos
santos como Ele é Santo. Há coisas no crente carnal que estão de baixo da maldição em Adão,
que devem ser tiradas, agora ou quando o Senhor vier e julgar à Igreja.

Note que Paulo havia sido salvo eternamente quando ainda era um perseguidor da Igreja, após
a visão que teve de Jesus cristo; e ele sabia isso. Mas foi chamado a um trabalho, não para ser
salvo, senão para fazer a obra de Deus e poder entrar no reino. Ao analisar o capítulo 9 de 1
Coríntios, vemos que Paulo se refere a seu trabalho em relação com o reino, e no versículo 17
fala de que terá recompensa; no 18 fala de galardão; no 24 fala de prêmio; no 25 fala de
receber uma coroa incorruptível. A manifestação do reino dos céus será para os cristãos a
manifestação de uma recompensa. Não obstante, nos versículos 26 e 27 diz:"26 Assim corro
também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar.27 Mas esmurro o
meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a
ser desqualificado".Isto de ser eliminado ou reprovado, tem a conotação de ser desqualificado,
recusado ante o tribunal de Cristo, não digno de receber o prêmio, ainda que houvesse sido
salvo eternamente por graça mediante a fé em Cristo.Já temos dito que uma coisa é a vida
eterna e outra é a coroa da vida. A vida eterna se recebe como um presente de Deus e a coroa
da vida depende de nossas obras. A coroa da vida somente a recebe quem for fiel até a morte,
o vencedor. Assim também encontramos o oposto à vida eterna, ou seja, A morte eterna, a
segunda morte, o que a sua vez é diferente ao dano da segunda morte. Então, quando, em que
tempo, se recebe a coroa da vida? Quando o Senhor vier, quando nos reunirmos com Ele nas
nuvens e começar Seu tribunal para julgar à Igreja e se dê início à idade do reino dos céus, o
milênio, e isso se traduz em que o vencedor há de reinar com Cristo no reino de Deus.
Simultaneamente, o derrotado, o crente que não é fiel até a morte, ainda que não perca a sua
salvação, entretanto, não recebe a coroa da vida, senão que durante o milênio a tem perdida e
é submetido a sofrer o dano da segunda morte, que pode ser uma espécie de "corretivo" nas
trevas exteriores." 25 Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a
vida por minha causa achá-la-á. " (Mt. 16:25).O homem natural, morto espiritualmente, pela
graça de Deus, e mediante a fé no Senhor Jesus, recebe a vida eterna. Posteriormente, quando
voltar o Senhor, recebe a coroa da vida, sempre e quando for vitorioso, fiel até o ponto de
estar disposto a dar sua vida pelo Senhor.
Cap 2 - OS Vencedores e a Cruz- (3ª Parte)
A salvação em Hebreus

A carta aos Hebreus constitui uma das primeiras amostras de defesa (apologética) da fé cristã
e sua superioridade frente ao judaísmo; e é por isso que ao largo de seu contexto contrapõe a
aparência e a sombra do provisório e terreno da lei mosaica, frente à verdade celestial e
eterna de Cristo e a Igreja. Esta carta tem que ser analisada em seu verdadeiro contexto.
Leiamos Hebreus 5:11-14:
"11 A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes
tornado tardios em ouvir.12 Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao
tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais
são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados
de leite e não de alimento sólido.13 Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente
na palavra da justiça, porque é criança.14 Mas o alimento sólido é para os adultos, para
aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o
bem, mas também o mal".
Estes últimos quatro versículos do capítulo cinco de Hebreus falam de crentes imaturos,
crianças espirituais, aos quais não se pode alimentar senão com leite, com os rudimentos da
doutrina da salvação e não com alimento sólido, porque são crianças. Há crentes que passam
toda a vida, digamos, no primário, quando deveriam ser já mestres de outros, e não avançam,
não saem dessas primeiras etapas dos seis rudimentos da graça que estão enumerados nos
dois primeiros versículos do capítulo 6, que são o fundamento da vida cristã, a saber: (1) o
arrependimento de obras mortas, (2) a fé em Deus, (3) a doutrina de batismos (ablução,
lavagem), (4) a imposição de mãos, (5) a ressurreição, e (6) o juízo eterno. Não podemos ficar
nessa etapa da graça; devemos crescer na palavra de justiça, no conhecimento e a vida do
Senhor; devemos colaborar com o Senhor na edificação da casa de Deus; devemos trabalhar
com o Senhor na preparação do reino dos céus. O Senhor é o que trabalha em nós em nosso
crescimento espiritual, em nossa maturidade, mas não faz se nós não cooperamos com Ele.
Note que o capítulo 6 conecta com um "por isso". Leiamos o contexto de Hebreus 6:1-8:
" Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar
para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da
fé em Deus,
2 o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo
eterno.3 Isso faremos, se Deus permitir.
4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e
se tornaram participantes do Espírito Santo,5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes
do mundo vindouro,6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento,
visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à
ignomínia.7 Porque a terra que absorve a chuva que freqüentemente cai sobre ela e produz
erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus;8 mas, se
produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada ".
Aqui confirmamos que o autor fala a cristãos em processo de maturidade, que devem estar
deixando os rudimentos e que devem avançar e adentrar-se nas coisas profundas da vida no
Espírito; isto encerra o participar com o Senhor em suas realizações, e alimentar-nos Dele para
um normal crescimento. Vemos, pois, que aí o tema não é a salvação; do que trata aí é de
progredir na maturidade espiritual e não o retrocesso.Se alguém que uma vez tenha sido
iluminado e gozado do dom celestial (Cristo), participante do Espírito Santo e dos poderes do
mundo vindouro (poderes do reino milenar, que são os dons e poderes do Espírito Santo), se
recair e voltar atrás, não tem necessidade de voltar a por o fundamento, crendo outra vez no
Senhor Jesus, nem de arrepender-se de novo de obras mortas, pois não pode ser outra vez
renovado para arrependimento; já tudo isso se fez uma vez e para sempre.Quando cremos em
Cristo, Deus nos perdoou, nos justificou, nos deu vida eterna, nos deu sua paz, nos deu
segurança de nossa salvação. Então, o que acontece com essa pessoa? Pois sensivelmente que,
em vez de dar fruto ao ser alimentada e cultivada por Deus, deu espinhos e abrolhos; então
essa pessoa é reprovada, eliminada do reino, pois os espinhos e abrolhos que produziu devem
ser queimados. Essa pessoa não perece para sempre, mas sofrerá o dano da segunda morte.
Alguém pode alegar contradição usando o texto de Hebreus 10:26-29, que diz:" 26 Porque, se
vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da
verdade, já não resta sacrifício pelos pecados;27 pelo contrário, certa expectação horrível de
juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários.
28 Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver
rejeitado a lei de Moisés.29 De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno
aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi
santificado, e ultrajou o Espírito da graça? ".
Aqui mostra o caminho de um apóstata judeu. Levemos em conta todo o contexto da carta aos
Hebreus que, como seu nome indica, é dirigida aos cristãos que antigamente professavam a
religião judaica, com seus sacrifícios de animais, tudo isso figura e sombra da verdade em
Cristo; eles vinham assistindo a suas reuniões nas sinagogas. Onde se reuniam depois que se
convertiam? Nas reuniões da igreja, pelas casas com os irmãos. A carta aos Hebreus foi escrita
precisamente por causa dos judeus que haviam se convertido ao cristianismo, os quais muitas
vezes não tinham estabilidade; estavam cheios de temores pela continua intimidação,
ameaças e acusação a que eram submetidos pelos líderes das sinagogas, e inclusive pelos
parentes e achegados; de maneira que alguns temiam que os vissem nas reuniões da igreja, e
muitos estavam ao ponto de regressar ao judaísmo.
Ao analisar cuidadosamente toda a carta aos Hebreus, e em particular os capítulos 9 e 10,
vemos que o Senhor Jesus com Seu sacrifício na cruz aboliu os sacrifícios do antigo pacto, e nos
abriu um caminho novo e vivo para entrar no Lugar Santíssimo, que agora não se trata do
templo de Jerusalém, figura do verdadeiro, senão o Lugar Santíssimo dos céus, onde está o
Senhor sentado; porque Seu único sacrifício é válido para sempre, em contraste com os
sacerdotes, que estão de pé dia após dia, oferecendo sacrifícios continuamente, que nunca
podem tirar os pecados. Quando o versículo 25 diz que "não deixando de congregar-se, como
alguns tem por costume", significa que o irmão hebreu que chegasse a deixar de congregar-se
nas reuniões cristãs, equivalia voltar voluntariamente às reuniões do judaísmo, ao antigo
pacto, à sinagoga; e isso é o que significa "pecar voluntariamente" do versículo 26,
desprezando assim a verdade do novo pacto e voltando aos sacrifícios de touros e cordeiros
machos que, na economia de Deus, já não podem tirar os pecados.Vemos, pois, que o
contexto fala da verdade, que é todo o revelado na carta; fala do novo pacto, em comparação
com o antigo, que era a sombra; fala do sangue do Senhor, em comparação com o sangue dos
animais; de maneira que se um irmão hebreu voltasse ao judaísmo, já não restaria mais
sacrifício por seus pecados, pois os antigos sacrifícios já ficaram sem valor; guardar certos dias
e preceitos ficou sem valor; preferir certos alimentos ficou sem valor; reunir-se na sinagoga
ficou sem valor; preferir certos edifícios chamados templos e certos lugares específicos, ficou
sem valor. O válido está em Cristo, dentro da Igreja redimida, o Corpo de Cristo.Levemos em
conta que todos os sacrifícios do antigo pacto foram substituídos pelo único sacrifício de
Cristo; de modo que o sacrifício pelos pecados cessou para sempre; já não há mais sacrifício.
Alguém que voltasse ao judaísmo, já não teria mais sacrifício por seus pecados, e o que lhe
esperaria seria um terrível castigo dispensacional. No caso de que sua conversão tenha sido
autêntica, essa pessoa não perde a salvação, porquanto segue fazendo parte da Igreja,
conforme o versículo 30. O que um judeu, depois de haver crido em Jesus, voltasse ao
judaísmo e voltasse a confiar nos sacrifícios dos animais, significava pisotear ao Filho de Deus,
e haveria tido como comum o sangue de Cristo. Consideramos que se alguém, sendo crente, se
volte a sua antiga religião e a seus ídolos, terá algum forte castigo dispensacional.

A graça e o governo de Deus

Para compreender melhor todo o relacionado com a salvação e o reino, é necessário saber que
Deus tem estabelecido no universo dois sistemas que são, o sistema da graça e o sistema do
governo de Deus.Por exemplo, a criação do homem é um ato do governo de Deus, e a vida do
homem sobre esta terra, suas ações, suas responsabilidades, suas inter-relações, suas próprias
formas de governo e constituições, requerem que se submeta ao governo de Deus, que
obedeça esses princípios e dê conta ante Deus de seus atos, agora ou diante do trono judicial
divino.Satanás caiu porque se rebelou contra o governo de Deus; logo caiu o homem e pecou
deliberadamente, rebelando-se também contra o governo de Deus. Então, e por essa causa,
foi adicionado o sistema da graça, para redimir e restaurar aos homens insubordinados e
rebeldes, pois de outra maneira jamais poderiam submeter-se ao sistema de governo de Deus.
Ninguém que não tenha sido redimido o tem logrado por seus méritos. Onde se encontram os
redimidos e restaurados? Na Igreja, de maneira que o sistema da graça se relaciona com a
Igreja, com a salvação, onde se espera que os filhos de Deus em Cristo se submetam ao
governo de Deus.O governo de Deus atua desde a criação dos anjos; e quando Lúcifer se
rebelou contra esse governo, foi expulso do céu. O governo de Deus atuou no jardim do Éden
ao por o homem a cargo do mesmo, revestido de toda a autoridade para ele, mas expulsou
dali quando caiu; porém atuou Sua graça ao prometer-lhe um Salvador. O governo de Deus
atuou muitas vezes durante a peregrinação do povo hebreu pelo deserto; e muitos caíram
debaixo do justo juízo de Deus e pereceram no deserto, e não entraram na terra prometida. O
governo de Deus se pôs de manifesto quando Davi pecou e representou mal o governo de
Deus, fazendo blasfemar os inimigos de Deus. Por Sua graça, o Senhor perdoou a Davi de seu
pecado. Mas a disciplina lhe seguiu pelo resto de sua vida, primeiro com a morte do filho, fruto
de seu pecado com Bate-Seba, a mulher de Urias, e logo lhe sobreveio que a espada (arma
com a qual Davi havia feito o mal, a morte de Urias) jamais se apartou da casa de Davi (2
Samuel 12:7-14). A Bíblia está cheia de exemplos.Conforme o sistema da graça, o Senhor Jesus
esteve nesta terra para salvar aos homens, mas conforme a Palavra de Deus, Ele também
padeceu na cruz para estabelecer a autoridade de Deus e o reino dos céus sobre a terra. É essa
mesma autoridade que recebeu Adão, mas que ele a entregou ao maligno quando pecou. Essa
autoridade é restaurada ao homem em Cristo, o último Adão. "pregai que está próximo o reino
dos céus" (Mateus 10:7). Os homens no mundo não conhecem o governo de Deus; isso só se
conhece na Igreja, entre os vencedores. Há muitos irmãos que ignoram isto.O que acontece
quando um crente não se submete ao governo de Deus? Todo crente tem sido perdoado de
seus pecados passados pela graça. Mas a graça não tem posto de lado o governo, e os filhos
são os primeiros a dar o exemplo. Se tu, sendo crente, tu que representas ao Senhor, pecas ou
vives levianamente, não se submetendo ao governo de Deus, fazes que blasfemem os inimigos
de Deus, estás buscando que te aconteça como aconteceu a Davi. Se confessas teu pecado, Ele
é fiel e justo para perdoar-te, mas o perdão da graça que tens recebido de Deus, não muda Seu
perdão de governo, não o afeta, e de acordo com a gravidade de teu pecado, pode ser que
sejas tratado disciplinarmente. Moisés pecou, representou mal ao Senhor em Meribá, quando
golpeou a rocha; Deus o perdoou, ele é salvo; apareceu na transfiguração do Senhor, mas não
entrou na terra prometida, por causa do perdão do governo.Isto é sério, irmãos, de maneira
que se um filho de Deus não alcança o ser julgado e castigado pelo Senhor enquanto está aqui
na terra, seu pecado lhe alcançará diante do tribunal de Cristo em Sua vinda, na ressurreição
da Igreja, e ali terá a disciplina do caso. É necessário que nos examinemos a nós mesmos à luz
e convicção do Espírito."31 Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos
julgados.32 Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos
condenados com o mundo" (1 Co. 11:31-32).
Quanto mais se entender e se viver o sermão do monte, quanto mais humilde e pobre no
espírito for o crente, mais podemos compenetrar com o governo de Deus e mais nos
sujeitarmos a ele. O mundo não conhece isto, nem pode conhecê-lo; queira o Senhor que o
conheça e o viva a Igreja. Nossa salvação é pela graça de Deus em Cristo, mas nossa conduta
como crentes deve estar sujeita ao governo de Deus.

A Segunda Morte

Além da coroa da vida, aos vencedores se lhes promete não sofrer o dano da segunda morte.
Em Apocalipse 2:10b diz:
"Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida".
Note que aqui o Senhor não fala de dar vida, senão a coroa da vida, a qual se conquista, não
como um presente recebido pela fé, e sim adquirido por nossa fidelidade. Além da coroa da
vida, aos vencedores é prometido o não sofrer o dano da segunda morte. Todos os homens,
tanto crentes como ímpios, temos de experimentar a primeira morte, que é a morte física, a
separação da alma do corpo. Diz em Hebreus 9:27:" E, assim como aos homens está ordenado
morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo".Também Cristo sofreu a primeira morte,
para que todo o que Nele crer não sofra a segunda morte nem o juízo dos ímpios no grande
trono branco, depois de finalizado o reino milenar. Então, o que é a segunda morte? A
segunda morte é a separação da pessoa de todo contato com Deus e o resto da criação, e
lançado em um lago de fogo para perdição eterna. A Palavra de Deus diz em Apocalipse
20:14,15:" 14 Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a
segunda morte, o lago de fogo.15 E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse
foi lançado para dentro do lago de fogo".Quando ocorrerá isto? Depois do reino milenar,
quando os mortos ímpios forem ressuscitados, depois que forem julgados no juízo do grande
trono branco; uma vez terminada a sentença, serão laçados no lago de fogo, a Geena, e ali
sofrerão tormento eterno no corpo, alma e espírito. Essa é a segunda morte, para todos
aqueles cujos nomes não se acharem escritos no livro da vida do Cordeiro.A Palavra de Deus
nos diz que nenhum cristão sofrerá a segunda morte, ainda que, como temos dito; os cristãos
derrotados, os que se unem ao mundo e amam ao mundo e as coisas do mundo, entretanto,
podem eventualmente sofrer dano temporário da segunda morte durante o reino milenar,
nesse mesmo lugar onde estarão os incrédulos do mundo. Como temos anotado, tem muitas
partes na Bíblia que declaram que os crentes não sofrerão a segunda morte. Então estimamos
que houvesse uma marcada diferença entre o que é a segunda morte, que implica a
condenação eterna, e sofrer dano da segunda morte, que só é temporário. Por favor, leia o
contexto sobre o servo infiel em Lucas 12:41-48. Ali fala de açoites aos servos, e de castigo
temporário no mesmo lugar onde estarão os infiéis. O Senhor jamais tem por servos aos que
não lhe pertencem. No capítulo quatro estaremos dando detalhes das diferentes classes de
disciplinas durante a idade do reino.Não se trata de algum lugar chamado "purgatório", pois a
Bíblia não ensina essa doutrina nem esse lugar. Quando os religiosos inventaram a doutrina do
purgatório se referiam à salvação eterna e não ao reino. O castigo temporário a que se refere a
Escritura, se refere ao reino e não à vida eterna. Mas voltando ao tema, temos que também os
que não resolvem a tempo seus problemas com os demais irmãos da igreja, podem ter suas
dificuldades diante do tribunal de Cristo. Trata-se de problemas na Igreja, de problemas entre
os irmãos, sectarismos, dissensões, pleitos, ódios, zelos religiosos e demais obras da carne.
Com a atual situação da Igreja, é fácil arrumar esses problemas com o simples fato de se
mudar alguém da comunhão com os irmãos e ir reunir em outra congregação denominacional,
e fazer-se membro onde ainda não tenha tido esses problemas; mas, já estão resolvidas essas
coisas diante do Senhor? O Senhor diz aos crentes:" 21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não
matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.22 Eu, porém, vos digo que todo aquele
que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um
insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará
sujeito ao inferno de fogo.23 Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que
teu irmão tem alguma coisa contra ti,24 deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.25 Entra em acordo sem
demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não
te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.26 Em verdade te digo
que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo " (Mateus 5:21-26).No contexto
anterior, para o Senhor não há irmãos fora da Igreja. Qual é o lugar desse castigo temporário?
Ali diz que é o inferno de fogo, e logo o repete no verso 30. Onde diz que é temporário? No
contexto dos versículos 25 e 26.Somos salvos pela graça, não por cumprimento da velha
dispensação, mas para entrar no reino devemos cumprir a lei do reino, a que complementa a
antiga. A justiça dos legítimos cristãos deve ser superior à dos meros religiosos professos, que
são os modernos escribas e fariseus.Algumas pessoas estarão tentadas a tomar estes
ensinamentos confundindo-os como se tratasse da apologia da doutrina romana do
purgatório. Nós aqui não estamos ensinando nada que se relacione com um lugar chamado
purgatório, porque levamos em conta que o ensinamento sobre a existência do purgatório é
trazida pelo catolicismo romano das profundezas satânicas babilônicas, e não da Bíblia. O
catolicismo romano historicamente desvirtuou a salvação gratuita de Deus em Cristo e
difundiu a espécie de que as pessoas (inclusive os ímpios) deviam pagar (comprar indulgências,
missas, responsos e votos) para que pudessem sair do purgatório e ter salvação eterna. Por
esse enganoso meio, os hierarcas desse sistema religioso seguem obtendo abundantes
ganâncias. Isso todo mundo sabe. Mas as Escrituras falam de que todo crente em Cristo foi
predestinado desde antes da fundação do mundo para ser salvo pela graça, sem obras,
gratuitamente, somente pela fé na obra redentora de Cristo na Cruz. É um presente de Deus,
imerecido. Mas quando Cristo vier, depois da ressurreição, todo crente comparecerá ante o
tribunal de Cristo para que sejam julgadas suas obras, já em sua qualidade de crente e filho de
Deus, sejam boas ou sejam más.Todo pai de família faz que no lar se respeitem certas normas
de vida, moral e de disciplina; quanto mais o Senhor. E quanto essas normas são infringidas, o
pai de família toma medidas. Se os filhos fazem o bem, costuma haver presentes e motivações,
mas quando fazem o mal, costuma haver dolorosas disciplinas. Isso diz a Bíblia, por exemplo,
em Hebreus 12:3-11:
"3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores
contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.4 Ora, na vossa luta
contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue 5 e estais esquecidos da exortação
que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do
Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado;6 porque o Senhor corrige a quem ama e
açoita a todo filho a quem recebe.7 É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como
filhos); pois que filho há que o pai não corrige?8 Mas, se estais sem correção, de que todos se
têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos.9 Além disso, tínhamos os nossos
pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito
maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?10 Pois eles nos corrigiam por pouco
tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim
de sermos participantes da sua santidade.11 Toda disciplina, com efeito, no momento não
parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos
que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça ".

Cap 3- Os Vencedores e o Mundo-


As minorias de Deus

Há organizações religiosas que se ufanam do grande número de membros que enchem seus
templos e livros de registros, e neles às vezes baseiam o triunfo de determinada gestão
ministerial. Observamos na Palavra de Deus que o Senhor se deleita com poucas pessoas,
quando essas poucas pessoas lhe amam e lhe são fiéis e obedientes. O Senhor Jesus sempre
considerou seus seguidores como uma minoria; se as multidões se contaminam com o mundo,
então Ele quer uma minoria santa, seleta pelo Pai, leal, apartada de um mundo dominado pelo
pecado, a avareza, a cobiça, o engano e as aparências. A esse seu pequeno grupo de eleitos,
diz o Senhor em Lucas 12:30-32:
"30 Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que
necessitais delas.31 Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão
acrescentadas.32 Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos
o seu reino ".Nas Escrituras Santas com freqüência se registram ocasiões em que o Senhor se
decide pelas minorias. Por exemplo, antes do dilúvio havia muita gente. A cultura
antediluviana havia desenvolvido o suficiente como para que se fale de cidades habitadas por
milhares de pessoas; mas a maldade havia se multiplicado de tal maneira, que Deus decidiu
varrer de sobre a face da terra os homens que havia criado, porque a terra toda estava
corrompida. Dentre tanta gente só um homem, Noé, achou graça ante os olhos de Yahveh*(1),
e diz a Palavra de Deus em 1 Pedro 3:20: "... os quais, noutro tempo, foram desobedientes
quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca,
na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água ".Também vemos outro
caso no livro de Números, com ocasião do envio dos espias, durante a peregrinação do povo
hebreu pelo deserto. Havia necessidade, e por mandato de Yahveh, que se enviasse desde o
deserto a uns espias a que explorassem a terra de Canaã; e da grande multidão que
compunham os filhos de Israel depois que saíram do Egito e ia pelo deserto caminho à terra
prometida, Deus não permitiu que Moisés enviasse a muitos, senão a um grupinho de
selecionados por nomes.Diz em Números 13:2 que Deus disse a Moisés: " Envia homens que
espiem a terra de Canaã, que eu hei de dar aos filhos de Israel; de cada tribo de seus pais
enviareis um homem, sendo cada qual príncipe entre eles ".Outro exemplo clássico
encontramos no caso de Gideão. Nos tempos dos juízes; quando Deus entregou o povo de
Israel nas mãos dos medianitas, os israelitas clamaram a Deus, e o Senhor escolheu para que
os salvasse; um simples jovem da tribo de Manassés chamado Gideão, do qual sabemos como
pediu ao Senhor que lhe confirmasse seu chamado mediante um novelo de lã posto à
intempérie, a fim de que o Senhor fizesse chover sobre o mesmo ou não; embora que a seu
derredor ocorria o contrário. Foi tanta a confirmação e o respaldo que recebeu do Senhor, que
a seu chamado acudiram mais de trinta mil israelitas; Mas ao Senhor não interessa muito essas
grandes multidões, não seja que por serem muitos, por estarem bem armados, por terem uma
boa conta bancária e magníficas relações com o governo e com a sociedade, por ostentarem
graus universitários, se louvem a si mesmos e não dêem glória a Deus, pois Ele diz: " Não por
força nem por poder, mas pelo meu Espírito " (Zacarias 4:6); e então determina fazer uma
seleção de uns poucos, como podemos ler em Juízes 7:2-7:
" Disse o SENHOR a Gideão: É demais o povo que está contigo, para eu entregar os midianitas
nas suas mãos; Israel poderia se gloriar contra mim, dizendo: A minha própria mão me livrou.3
Apregoa, pois, aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for tímido e medroso, volte e retire-se da
região montanhosa de Gileade. Então, voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram.4
Disse mais o SENHOR a Gideão: Ainda há povo demais; faze-os descer às águas, e ali tos
provarei; aquele de quem eu te disser: este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de
quem eu te disser: este não irá contigo, esse não irá.
5 Fez Gideão descer os homens às águas. Então, o SENHOR lhe disse: Todo que lamber a água
com a língua, como faz o cão, esse porás à parte, como também a todo aquele que se abaixar
de joelhos a beber.
6 Foi o número dos que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; e todo o restante
do povo se abaixou de joelhos a beber a água.7 Então, disse o SENHOR a Gideão: Com estes
trezentos homens que lamberam a água eu vos livrarei, e entregarei os midianitas nas tuas
mãos; pelo que a outra gente toda que se retire, cada um para o seu lugar ".

Com os 300 homens que ficaram com Gideão bastava; a glória seria do Senhor. A Gideão e a
seus 300 o Senhor deu três coisas a cada uno: Um cântaro de barro, esse é nosso eu, somos
vasos de barro; mas dentro de esse cântaro de barro nos deu uma tocha acesa; esse é o fogo
do Espírito Santo dentro de nós; e uma trombeta para dar som de batalha, de juízo e de
vitória. Ao romper o cântaro, ao negar-nos a nós mesmos, o que se aproveita é a luz do
Senhor, de Seu Espírito, e ao som da trombeta, temos a vitória sobre os inimigos do Senhor, do
reino e de nossa salvação. Deus escolheu em Gideão a alguém que confessou ser o mais
insignificante da família mais humilde de toda a tribo. Era um vencedor de arrancada. A
Palavra do Senhor diz que o espírito é o que dá vida e que a carne para nada aproveita. Além
disso, diz que as palavras que nos fala o Senhor são espírito e vida. Em muitas ocasiões são
palavras que nos parecem muito fortes, e não queremos comprometer-nos. Como na ocasião
em que o Senhor declarava que Ele era o pão de vida, e que o que não comesse Sua carne e
bebesse Seu sangue, não poderia permanecer Nele; diz que muitos o abandonaram; não
entenderam. Logo diz em João 6:66-67: "À vista disso, muitos dos seus discípulos o
abandonaram e já não andavam com ele.67 Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura,
quereis também vós outros retirar-vos? "

O mundo se opõe ao Pai

Se a Igreja tem se comprometido com o mundo e tem falhado na história, Deus determina
fazer o trabalho com um grupo de valentes vencedores que lhes ama, lhe obedece, que negam
a si mesmos e levam sua cruz a cada dia. Em todos os tempos tem havido vencedores;
pouquinhos, mas tem havido. Diz 1 João 2:15-17:
" Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do
Pai não está nele;16 porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a
concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.17
Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de
Deus permanece eternamente ".
Aqui a palavra mundo denota o sistema, contrário e oposto aos princípios de Deus,
estabelecido por Satanás; e esse sistema tem envolvido aos homens em todos os aspectos da
vida humana como são a política, o poder, a economia, a religião, a cultura, a educação, o
entretenimento e suas relações sociais. Satanás tem valido para ele tanto da natureza caída do
homem como do poder latente de sua alma humana, criando um mundo supremamente
sedutor, atraente e falso, que enlaça por meio das concupiscências e vaidades enganosas.
Como o diabo é o criador, dono e manipulador desse sistema, tudo o que se enreda aí, está
abaixo do sistema do maligno.A Igreja também se tem visto enredada nesse emaranhado; mas
sempre tem havido vencedores que não amam o mundo e tem vencido o maligno. O vencedor
sabe perfeitamente que não é deste mundo. Diz em João 15:18-19: " Se o mundo vos odeia,
sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.19 Se vós fôsseis do mundo, o
mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos
escolhi, por isso, o mundo vos odeia ".
O que ama ao mundo, não ama ao Pai; mas o vencedor ama ao Pai e luta com Cristo contra
Satanás.
"Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo." (1 Jo. 3:8). Cristo
trabalha com os vencedores para desfazer as obras de Satanás.O mundo gira através de três
princípios que tem impulsionado a obra de Satanás: Os desejos da carne, que é o intenso
desejo do corpo, a concupiscência dos olhos, que tem a ver com os desejos da alma pelas
coisas que entram pelos olhos, e a soberba da vida, a qual se relaciona com a jactância e a
prepotência que envolve o amor às coisas materiais e as posições e a glória dos homens. Tudo
isso se desvanece; mas Satanás, todavia tem esse sistema mundial sob seu comando e o
manipula; e os homens que não tem a vida de Deus, que estão mortos em seus delitos e
pecados, seguem essa corrente satânica. Esses três princípios envolvem toda a atividade
humana deste século, chama-se economia, política, educação, o governo, a cultura, o
entretenimento em seus diferentes aspectos, a religião, em fim, tudo. Diz em 1 Juan 5:19:
"Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno ". E também em Efésios
2:1-3 diz:
"Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,2 nos quais andastes
outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que
agora atua nos filhos da desobediência;3 entre os quais também todos nós andamos outrora,
segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e
éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais ".A Igreja não está sob o maligno,
mas sim sob o governo e a vida de Deus; entretanto, a Igreja, ou melhor o cristianismo
professo, historicamente se uniu em matrimonio com o sistema mundial e tem sido infiel ao
Senhor. Por que tem sido infiel? Porque o Senhor é nosso esposo, e uma esposa é infiel
quando ama a alguém fora de seu legítimo esposo.Diz o Senhor em Tiago 4:4:
"Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que
quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus ". Qual é, então, a posição de
vencedor frente ao mundo? Já que a Igreja tem falhado, os vencedores tomam a posição de
toda a Igreja, e vencem ao mundo; o vencem com a fé no Filho de Deus. Diz em 1 João 5:4-5:
"porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a
nossa fé.5 Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?" Já
todo filho de Deus tem a vida divina em seu espírito; essa vida de Deus recebida na
regeneração, deve desenvolver-se em nós continuamente, o qual nos dá poder para vencer o
mundo manipulado pelo diabo.

O amor à alma

Depois de declarar que para dar fruto tem que morrer, como o grão de trigo, diz em João
12:25: "Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-
la-á para a vida eterna". Nós devemos perder a vida da alma, a casca que oprime o espírito, a
fim de andar em comunhão espiritual com o Senhor e dar fruto, e assim desfrutar, na
ressurreição, do reino com o Senhor.Mais de cem vezes encontramos no Novo Testamento,
afirmações no sentido de crer para ser salvo, para ser justificado, para ter vida eterna; tudo
isso se refere à salvação do espírito; entretanto, quando se refere à salvação da alma, a Bíblia
fala de sofrer com paciência, de trabalhar, de perder a alma para ganhá-la. Pode ser que tu
não estejas pecando no sentido de estar praticando atos implicitamente maus; mas deixas de
obedecer ao Senhor por estar envolvido em comprazer-te nos desejos e paixões de tua alma,
ou comprazer-te com as relações de tuas amizades e parentes; podes estar amando tudo isso
mais que ao Senhor. Tem que decidir entre obedecer a Deus ou obedecer e deleitar nossa
alma. Nós não queremos que nossa alma sofra, e às vezes isso nos interessa mais que
obedecer ao Senhor.Em que se deleita a alma? No que se deleita o mundo: Ter muitos amigos
e compartilhar com eles, ter dinheiro e amá-lo mais que a Deus, desfrutar de luxos, deleitar-se
com a boa comida, luzir os bons vestidos à moda, tudo o relacionado com os exageros na
beleza física, as recreações, as coisas supérfluas, os elogios dos homens, a fama, a glória
terrena, as vaidades. Tudo isso agrada a alma. O cristão deve escolher entre o mundo e o reino
milenar. O cristão já tem vida eterna; seu espírito já está salvo, e é certo que estará com o
Senhor na Nova Jerusalém; mas se não tem perdido sua alma nesta era, irá perder quando o
Senhor estabelecer Seu reino. Que lamentável seria que diante do Senhor tivéssemos que
reconhecer uma triste realidade e admitir: Se, conhecíamos ao Senhor, tínhamos consciência
que éramos do Senhor, mas não vivíamos para Ele senão para nós mesmos, e todo o tempo
que vivemos na terra o desperdiçamos, estávamos obscurecidos, com nossa visão posta em
um mundo atraente.O mundo se relaciona também com as riquezas, o amor que se tenha e o
lugar que ocupem em nosso coração. De acordo com a prioridade que ocupem as coisas em
tua vida, assim é teu andar com Deus, assim é o grau de comunhão que tenhas com o Senhor,
e assim é a motivação de tua oração. Diz a Palavra que da abundancia do coração fala a boca, e
isso mesmo pode se aplicar para nossa oração diária. Qual é tua motivação na oração?
Priorizas teus próprios interesses ou concedes ao Senhor o primeiro lugar? Qual é a ordem de
prioridades em Mateus 6:33? Um crente vencedor é um intercessor diante do Pai pelos
interesses do Senhor.Lemos em Hebreus 11:24-26: " Pela fé, Moisés, quando já homem feito,
recusou ser chamado filho da filha de Faraó,25 preferindo ser maltratado junto com o povo de
Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado;26 porquanto considerou o opróbrio de Cristo
por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão".
O crente vencedor também escolhe ser maltratado por causa do Senhor e sofrer o vitupério de
Cristo fora do acampamento. O que significa fora do acampamento? Lemos em Hebreus 13:12-
13: " Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu
fora da porta.13 Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério ".
De conformidade com o contexto, o Senhor Jesus foi sacrificado fora da porta, fora do
acampamento, e nos guiou ao caminho estreito da cruz e do sacrifício, e assim poder ter
comunhão com Ele mais além do véu, mais além da mera aparência religiosa, no Lugar
Santíssimo de nosso espírito, onde está Ele morando por Seu Espírito.Nos guia fora da cidade
terrena e a organização humana, em especial nos afasta dessa labiríntica organização religiosa;
envolvidos no sistema religioso dificilmente podemos levar a cruz; saímos do acampamento
para seguir a Jesus em Seus sofrimentos, em sincera humildade, levando o vitupério de Jesus;
é o caminho da cruz. Aí está o Gólgota. Fora do acampamento desfrutamos a presença do
Senhor e escutamos que nos fala e nos guia, nos fortalece. Saímos do desfrute dos gozos do
mundo e de nossa própria alma, a desfrutar a Ele em nosso Espírito.

Terceira promessa

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná
escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome
novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe." (Ap. 2:17).
Em Pérgamo a Igreja do Senhor se casa com o mundo, esse mundo que segue a Satanás, onde
ele mora e governa. Mas necessitamos vencer esse mundanismo. Os habitantes do mundo
seguem uma corrente contrária a Deus; é a corrente de Satanás, o príncipe deste mundo. O
Senhor nos tem chamado a sair dessa corrente e que nos apartemos do mundo de pecado.
Mas houve um momento da história em que a Igreja foi infiel ao Senhor unindo-se
profundamente com o mundo, em troca de aprovação oficial, de palácios e templos,
prebendas e jurisdições episcopais. Isso degenerou tanto que chegou o momento em que era
difícil diferenciar a igreja do Estado; a igreja havia afiançado sua morada na terra.A partir de
Constantino o Grande, a Igreja foi descendo dos lugares celestiais em Cristo, e foi se
acomodando em uma nova morada, na terra, um lugar estranho para ela, onde satanás tem
seu trono. Dali havia sido tirada pelo Senhor. A Igreja sofreu uma queda espiritual. Em meio
dessa situação, o Senhor opta por dirigir-se aos crentes vencedores. Em todas as épocas tem
havido vencedores na Igreja do Senhor. Chama-lhes a que se abstenham de comer as coisas
sacrificadas aos ídolos. Depois de tantos séculos, as massas continuam sendo enganadas pelos
que ainda seguem retendo a doutrina de Balaão. Balaão significa destruidor ou corruptor do
povo. A Palavra de Deus diz que retém essa doutrina de idolatria e fornicação como um tumor
maligno. E o pior é que não tratam de extraí-lo, nem há disciplina corretiva. Balaão é um
indutor ao mal por antonomásia.De que serve ter a verdade e não andar nela? Os cristãos
caíram na armadilha de tropeço. De pronto diriam: "Entremos no ambiente pagão para atrair
aos homens, a nossos amigos. Não vamos participar de sua idolatria. Conheçamos as doutrinas
e os métodos do inimigo para vencê-lo. Que triunfo que as altas esferas do governo e da
religião nos reconheçam e nos respeitem!". Mas a amizade com o mundo, como sempre, deu
maus resultados. El mundo não deixa que se fale do evangelho para ele, e em contrapartida foi
arrastando à Igreja às práticas mundanas. Temos que pregar o evangelho, mas não temos que
nos contaminar com o pecado. Há cristãos que se unem ao mundo, que amam o mundo e as
coisas do mundo, e tudo isso o convertem em sua modus vivendi.

O maná escondido

O vencedor não se interessa pelo mundo, somente pelo Senhor; ele se interessa em obedecer,
levar a cruz e negar a si mesmo. Isso traz sofrimento? "através de muitas tribulações, nos
importa entrar no reino de Deus." (At. 14:22b). O vencedor não é intimidado pela perseguição,
nem lhe atrai a adulação dos opulentos e poderosos deste mundo, nem se inclina e se deixa
seduzir ante o constante convite a participar dos deleites deste mundo.Ao vencedor, ao que
não se contamina com as doutrinas contemporizadoras de Balaão e com o sacrificado aos
ídolos, o Senhor lhe dará comer do maná escondido na arca do pacto; escondido em Cristo,
quem está no Lugar Santíssimo celestial. É um maná escondido do mundo e dos crentes
derrotados. Esse maná do céu é Cristo. Diz em João 6:49-51: " Vossos pais comeram o maná no
deserto e morreram.50 Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não
pereça.51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e
o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne".Há crentes derrotados que se
deleitam com as coisas do mundo, e lhes atrai de tal maneira que não podem viver sem elas.
Estando nessa condição, pensam que é a maneira normal da vida do crente. Em troca, no
vencedor há outro deleite; um deleite imperecível. Para eles as ofertas mundanas não os
convencem, porque há um motivo de gozo inefável, muito superior a todos os deleites
mundanos juntos. Os vencedores com freqüência buscam acercar-se confiadamente ao trono
da graça. Ali há íntima comunhão com o Pai, pelo Filho e mediante o Espírito Santo.O maná é
um alimento do céu, escondido do mundo; o mundo não pode conhecer esse alimento. Assim
mesmo os crentes derrotados o desconhecem. É um aspecto mais profundo de Cristo. Na
medida que o testemunho de Cristo progride em mim, conheço melhor ao Senhor a cada dia;
se me revela algo novo Dele. Cada dia tenho novas surpresas para minha vida com o Senhor.
No deserto, muitos israelitas queriam comer carne em vez de maná, e muitos sentiam
saudades do Egito. Mas devemos prosseguir a marcha em vitória, e se comemos do maná
escondido, somos transformados em pedras brancas (diamantes). É maravilhoso que sendo
feitos inicialmente de barro, ao conhecer ao Senhor Jesus pela revelação do Pai, e haver crido
em Seu nome, Deus nos converte em pedras vivas de Seu templo santo; mas quando somos
vencedores, essas mesmas pedras são convertidas em diamantes.
Cap 4- Os Vencedores e as Obras- (1ª Parte)
Um evangelho de obras?

No primeiro capítulo temos visto que a salvação não é pelas obras, e sim um presente eterno
de Deus para os que Ele antes conheceu. Diz em Romanos 8:29-30.
"Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos 30 E aos que
predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos
que justificou, a esses também glorificou ".
O verbo grego “preoegno”, conhecer de antemão, não é um simples conhecimento prévio dos
que seriam salvos, pois o Senhor enquanto Deus, conhece previamente todas as coisas, e
conhecia a todas as pessoas que nasceriam na humanidade em todos os tempos, salvos ou
perdidos. Temos que levar em conta que todos estes verbos, para nós os humanos, estão no
tempo passado; que se trata de algo que Deus já fez no passado, antes da fundação do mundo,
quando os humanos não haviam feito nem bem nem mal. Deus é o Deus da eternidade; Ele
vive em um eterno presente; o tempo existe para nós os humanos, não em Deus. Então este
conhecer previamente tem uma conotação mais profunda que o simples conhecimento das
coisas; é um conhecer intimamente com amor; é amar a seus prediletos, a seus
escolhidos.Note que na mesma forma encontramos o verbo conhecer em Gênesis 4:1, quando
diz:
" Coabitou( conheceu) o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim ". O
mesmo acontece em Mateus 1:24-25: "Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo
do Senhor e recebeu sua mulher.25 Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um
filho, a quem pôs o nome de Jesus. ".
Tanto no caso de Adão como no de José, fazia já algum tempo que eles conheciam as suas
respectivas esposas, mas ali não fala desse conhecimento e sim de uma relação de amor, de
uma intimidade mais além do simples conhecimento pessoal; se trata de um conhecimento
profundo e pessoal. Assim nos conheceu Deus desde antes da fundação do mundo.De maneira
que aos que antes conheceu dessa maneira predileta, os predestinou para chamá-los e
justificá-los. Esse chamamento de Deus encerra uma preparação de todos os chamados, para
que o Filho unigênito de Deus se converta em primogênito de muitos irmãos, que conformam
agora a família de Deus, porque agora têm a vida e a natureza de Deus, e formam agora o
Corpo de Cristo. O Senhor era o Filho unigênito, mas ao encarnar, morrer e ressuscitar, se
converteu também no primogênito, dando-nos a vida eterna.Sem que mencionemos o
catolicismo romano, que é a religião da salvação pelas obras por antonomásia; tem se
estendido no protestantismo uma espécie de evangelho de obras, consistente em ter que
fazer coisas para que se vá prorrogando em nós a salvação sem considerar que, pela excelente
obra de Seu Filho, Deus já nos tem dado. Temos sido salvos pela cruz de Cristo. Proliferam por
ai as organizações com listas de mandamentos e proibições, para que os irmãos as cumpram, e
com o qual, talvez sem que tenha sido proposto a eles, tem substituído a autêntica
transformação subjetiva e vida no Espírito. O que diz a Palavra de Deus?
"sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em
Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em
Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado." (Gl. 2:16).Há
outras citações bíblicas que falam por si só: " e, por meio dele, todo o que crê é justificado de
todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés. " (Atos 13:39).
"que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas
conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos
tempos eternos" (2 Timoteo 1:9).O cristão, que tem recebido sua salvação gratuita de Deus,
deve desenvolver sua vida espiritual; não ficar como uma criança; não deve inclinar-se sob o
guiar de sua natureza carnal, Mas crescer e chegar a ser um vencedor. A criança não se
preocupa pelas coisas profundas de Deus, nem tem capacidade para percebê-las, senão que se
baseia nos rudimentos. Lemos em Gálatas 4:3: "Assim, também nós, quando éramos menores,
estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo". De acordo com o contexto, uma
criança e um escravo em nada diferem; são escravos da lei, de obrigações, de estatutos, de
rudimentos. Logo diz no versículo 9: "mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo
conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos
quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos?" quais são esses rudimentos? Por exemplo, nos
versículos 10 e 11 diz: "Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.
11 Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco". Sutilmente se instituem
mandamentos e cargas para os irmãos; proibições rudimentares na carne; instituições forçosas
de certos dias, certas comidas e certas aparências externas. O Senhor já despojou ao inimigo,
aos carcereiros, de todos os decretos que nos condenavam, e triunfou sobre essas potestades
(cfr. Colossenses 2:13-15); agora nos tem feito servos Dele. Ainda que o crente deve vestir-se
decentemente, entretanto,as vestes de justiça do crente não tem relação com os trajes que
colocamos, e sim com a vida de Deus em nós e nossa obediência a Ele. Leiamos em
Colossenses 2:16-19:"16 Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de
festa, ou lua nova, ou sábados,17 porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de
vir; porém o corpo é de Cristo.18 Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando
humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua
mente carnal,19 e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por
suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus".Ninguém cresce
espiritualmente obedecendo leis e estatutos de outros, e menos dos que dizem ser muito
espirituais e não são. Estas pessoas dominam aos que seguem sendo crianças no espírito.
Quem se agarra não a pretendidas cabeças, senão à verdadeira Cabeça da Igreja, o Senhor
Jesus, experimentando a normal nutrição corporativa, seu desenvolver espiritual é verdadeiro,
não aparente; essa pessoa chega a ser um vencedor, e ninguém o pode privar de seu prêmio
como vencedor. A oração não deve ser uma carga, senão um deleite, uma constante
comunicação com o Ser que amamos, que palpita com amor dentro de nós; um Ser
maravilhoso que está se formando em nós. As vezes chega-se a crer que é pela quantidade,
que quanto mais oramos e lemos a Bíblia, somos mais vencedores. Logo segue dizendo nos
versos 20-23:" 20 Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se
vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças:21 não manuseies isto, não proves aquilo, não
toques aquiloutro,22 segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas
coisas, com o uso, se destroem.23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como
culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum
contra a sensualidade".Um crente pode perfeitamente praticar certo ascetismo em seus
costumes morais, religiosos e rituais, e continuar sendo um menino , carnal, submetido a
preceitos; mas pela Palavra e a experiência sabemos que o cumprimento de preceitos não livra
a sua alma dos apetites da carne. Que diremos, por exemplo, do jejum? O jejum se tem
convertido em um legalismo; há muita gente que não sabe por que esta jejuando; pelo simples
fato de que o jejum esteja instituído em sua congregação? É possível que se tenha chegado ao
farisaísmo a respeito; como aquele homem que se jactava de que jejuava duas vezes por
semana (Lucas 18:12), quando a lei só lhe mandava uma só vez ao ano, no dia da expiação
(Atos 27:9; Levítico 16:29).Lemos em 1 Timóteo 4:1-3: " Ora, o Espírito afirma expressamente
que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e
a ensinos de demônios,2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a
própria consciência,3 que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus
criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem
plenamente a verdade". O Espírito Santo mora em nosso espírito, onde nos fala e nos adverte
que nos guardemos desses espíritos enganadores e da doutrina dos demônios que trabalham
com os mentirosos, aos quais a hipocrisia lhes tem cauterizado a consciência. O Espírito nos
avisa desses ataques quando nosso espírito está exercitado para escutar a voz de Deus.O
celibato e o ascetismo são doutrinas de demônios, posto que atentam contra a continuidade e
multiplicação da humanidade; o mesmo que abster-se de certos alimentos necessários para
continuar vivendo. Ninguém é mais santo que outro pelo fato de ser celibatário ou porque se
abstenha de comer alguns alimentos. Pelo contrário, podem cair em armadilhas de severas
tentações. Há falsos ensinamentos religiosos que tem aparência de piedade, que
aparentemente te impulsionam à santidade por meio de tuas próprias obras mortas, mas que
no fundo são obstáculos para o verdadeiro fortalecimento espiritual.Levemos em conta que no
mercado religioso com freqüência se tem por fundamental o que apenas se trata de
rudimentos. Por exemplo, diz em Romanos 14:3,5,17: " quem come não despreze o que não
come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu... 5 Um faz diferença
entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua
própria mente.. 17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e
alegria no Espírito Santo ". Estas questões das comidas e dos dias de observância religiosa são
assuntos menores e secundários para o Senhor, que nem salvam nem impedem a salvação. Se
Deus tem recebido alguém mediante a obra de Seu Filho, nós também devemos receber.
Todos os que têm sido lavados pelo sangue do Senhor Jesus, são nossos irmãos. O reino de
Deus já se manifesta hoje na Igreja, que é a esfera onde o Senhor exerce Sua autoridade nesta
era; e o que eu comer e beber não vai a detrimento da justiça, a paz e o gozo que me
proporciona o Espírito Santo, e a relação que eu devo manter, viver e expressar aos demais.

A salvação e as boas obras

Por outro lado, levamos em conta que nossos pecados estão diante de Deus, e também se
fazem sentir em nossa consciência acusadora; e devido a isto, o homem tem inventado a
salvação das boas obras. Para quê? Para subornar a consciência, a qual constantemente lhe
acusa que está condenado. Alguns têm inventado a teoria da balança, que consiste na crença
de que Deus vai pesar em uma balança as obras de todos e cada um dos homens. Em um
pratinho vai por as obras boas e no outro as más. Se as boas pesam mais, vai para o céu, e se
pesam mais as más, ele vai para o inferno. Existem pessoas que enganam a si mesmas
pensando que suas obras tem algum mérito diante de Deus como para que Ele as contabilize
para salvar a pessoa.Estamos na era da graça. O que significa isso? O que é graça? A Bíblia
declara que Deus é amor (1 João 4:8): não meramente que ama, senão que sua natureza é
amor. Ele ama o homem, e o vendo necessitado e perdido, põe em ação Seu amor, e manifesta
Sua misericórdia; mas não fica na simples misericórdia, porque Ele sabe que só isso não
resolveria nossa miserável situação; de maneira que o amor de Deus tem uma expressão que
vai mais além da sua misericórdia, e é a graça de Deus para com o homem. A graça é a obra de
Deus em favor do homem necessitado, perdido, condenado. No Antigo Testamento se fala da
lei, que consiste nas demandas de Deus para com o homem, para que o homem faça obras
para Deus; mas a graça, manifestada no Novo Testamento, é o contrário, é a obra que Deus faz
em favor dos homens, e essa obra a faz em Seu Filho, Jesus Cristo. Ele é o Cordeiro de Deus
que foi imolado desde antes da fundação do mundo.É verdade que a partir do Concílio de
Trento, o catolicismo romano aprovou a aceitação da doutrina da graça e da fé, para a
salvação, mas na prática; o das obras havia se arraigado profundamente, tanto que ainda hoje
em dia se exalta a santidade de algumas pessoas, não necessariamente com base na graça e
obra de Deus a favor deles e neles, senão nas obras e méritos deles mesmos, como se
houvessem conquistado a salvação e a exaltação com a ajuda de seus méritos pessoais. Então
talvez me dirão, acaso não chegaram a ser autênticos vencedores? Isso só o Senhor sabe.
Apesar do anotado acima do Concílio de Trento, a teologia católica na prática segue
sustentando "que o sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo não foi suficiente e então, tem que
fazer o pagar missas, responsos, penitências, comprar indulgências, medalhas, etc., e tratar a
todo custo de agregar méritos para a redenção e a ganhar a Salvação por obras"*(2). Nós
simplesmente vemos as aparências; só Deus conhece a realidade das coisas, e não podemos
julgar antes de que chegue o dia do tribunal de Cristo, em Sua segunda vinda, onde e quando
nossas obras serão examinadas e julgadas. Deus não nos faz objetos de Sua graça com base em
nossos méritos pessoais; é o contrário, estes obstaculizam a manifestação da graça de Deus;
precisamente nossa vida de pecado e perdição, é que nos tem feito necessitados de que a
graça de Deus se manifeste. A graça de Deus tem seu fundamento no amor e a misericórdia de
Deus, manifestada pela obra de Cristo na cruz do Calvário.
*(2) Jaime Ortiz Silva. "Versões Alteradas da Palavra de Deus". Ransom Press International.
1999. Pág. 55.
Como no Tabernáculo de Moisés, um véu separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo (Êxodo
26:33), assim o pecado é um véu que nos separa de Deus; por isso quando Adão pecou se
escondeu de Deus. Foi quando Deus começou a buscar o homem, a chamá-lo, pois o homem
jamais tem tomado a iniciativa de buscar a Deus; e quando Deus o encontrou, o homem estava
tapando sua nudez com folhas, escondendo seu pecado com obras humanas de aparência
religiosa. E assim tem sido todo o tempo. Mesmo os crentes, incluídos muitos dos vencedores,
vivem escondidos, nos falta transparência diante dos irmãos e diante de Deus. Portanto, é
necessário que nos despojemos de toda falsa aparência de piedade, de todo véu; é necessário
que não escondamos nada a ninguém. Se aqui insistimos em esconder algo por vergonha, lá o
saberá todo o corpo dos crentes. O véu é uma artimanha da alma que não tem experimentado
a cruz, para esconder seu verdadeiro estado. Enquanto nosso véu não for de todo tirado, não
pode ser completada nossa restauração. Como podemos ser plenamente liberados de nós
mesmos? Se nós não nos julgamos agora, e levamos a cruz agora e nos negamos agora, o
Senhor nos julgará em Seu tribunal. Poucos crentes compreendem que nossa salvação ainda
não foi completada, e que ainda não andamos plenamente na luz. Ninguém pode andar na luz
se não anda em união com o Senhor; em pleno acordo com Ele.Muitos de nós vivemos muito
ocupados fazendo muitas coisas boas para o Senhor, mas muito poucos estão fazendo o que
na realidade Ele lhes tem chamado a fazer. Há um constante chamamento do Senhor a Seus
servos, a que se ponham de acordo com Ele. Levemos muito em conta que nenhum grupo
religioso tem a exclusividade do Senhor. Com freqüência costumamos moldurar muito mal ao
Senhor; desconhecendo Suas legítimas dimensões e Seu coração. Cada crente deve viver como
os trilhos da linha férrea; um trilho de nada serve se falta o outro, e no crente um trilho se
chama crer, e o outro, obedecer.

Castigo temporário dos crentes

Não somos salvos por obras, mas não podemos ter participação no reino vindouro senão pelas
obras. Todas as nossas obras de agora como filhos de Deus serão examinadas. Quando o
Senhor vier julgar nossas obras, sejam boas ou sejam más; e de acordo com as Escrituras, tem
várias categorias de crentes derrotados, logo também há variação em relação ao castigo
dispensacional milenar, a saber:
Trevas exteriores. Por exemplo, alguns não têm pecados não resolvidos, esse não é o
problema deles; mas ainda assim não trabalharam adequadamente, foram descuidados, ou
não obedeceram aos princípios para a edificação da casa do Senhor, e se fizeram algo, o
fizeram conforme a sua própria vontade humana; estes irão para as trevas exteriores; não
terão parte nas festas de bodas do Cordeiro, e estarão fora da resplandecente glória do reino,
cheios de remorso e sentimento de culpa. Consideremos alguns versículos. Diz Mateus 8:11-
12: "11 Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com
Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.12 Ao passo que os filhos do reino serão lançados para
fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes".Ainda que aqui se refere particularmente
aos judeus, entretanto, nos serve para sustentar que fora da resplandecente glória do reino
dos céus haverá trevas, onde muita gente salva será disciplinada, onde haverá remorso e
terrível dor por não haver feito as coisas bem, o qual é diferente do ser lançado no lago de
fogo. Ser lançado nas trevas exteriores não significa que a pessoa pereça eternamente, mas
que é castigada dispensacionalmente; o crente é desqualificado e por não haver vivido uma
vida vencedora por meio de Cristo, não pode desfrutar do reino durante o milênio. Diz em
Mateus 22:13: " Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para
fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes". Todo crente é chamado, mas poucos são
escolhidos para receber una recompensa; só o que vencer recebe recompensa. Também ao
final da parábola dos talentos, o servo inútil é lançado fora, nas trevas. "E o servo inútil, lançai-
o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes" (Mt. 25:30). Aqui se vê que não se
julga a salvação do crente, a qual não é por obras, mas que se trata do juízo da fidelidade do
servo frente à obra do Senhor. É um castigo temporário para um servo salvo do Senhor.
Açoites. Em Lucas 12:35-40 vinha a Palavra falando do servo vigilante; de pronto, nos
versículos 41-48, fala da outra cara da moeda, os servos negligentes, assim:" 41 Então, Pedro
perguntou: Senhor, proferes esta parábola para nós ou também para todos?42 Disse o Senhor:
Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para
dar-lhes o sustento a seu tempo?43 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando
vier, achar fazendo assim.44 Verdadeiramente, vos digo que lhe confiará todos os seus bens.
45 Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar
os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se,46 virá o senhor daquele servo, em
dia em que não o espera e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os
infiéis 47 Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem
fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites.48 Aquele, porém, que não soube a
vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a
quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe
pedirão".
Ali fala de açoites aos servos infiéis, aos descuidados; e fala de castigo a esses servos no
mesmo lugar onde estarão os infiéis e incrédulos do mundo. Diz Hebreus 12:6: " porque o
Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe". O Senhor jamais tem por
servos aos que não lhe pertencem. O Senhor mesmo se submeteu ao Pai em tudo e se fez
servo, e em qualidade de servo não se pôs a reclamar direitos e posições de privilégio. O
Senhor se submeteu a sofrer a cruz sem que primasse sua própria vontade e sim a do Pai. O
que corresponde a nós? Quais são os direitos que um crente deve reclamar? A respeito diz
John Nelson Darby: "Crer que podemos manter nossos direitos neste mundo é esquecer a cruz
de Cristo. Não podemos pensar em nossos direitos até que os Seus sejam reconhecidos, pois
não temos outros que os Dele". (J.N. Darby. Estudo sobre o Livro de Apocalipse. La Bonne
Semence, 1988, pág. 42.).
A Geena de fogo. Outros têm pecados não resolvidos; estes irão ao fogo temporariamente. O
que é ter pecados não resolvidos? O Senhor Jesus morreu na cruz e derramou Seu sangue para
perdoar todos nossos pecados passados, presentes e futuros, manifestos ou não; e o pecador
tem um Advogado diante do Pai, a Jesus Cristo o Justo, e vence a Satanás por meio do sangue
do Cordeiro. Estamos já justificados em Seu sangue (cfr. Romanos 5:9). Mas se podemos pecar
intencional e continuamente, sem arrepender-nos; sem que recusemos nossos pecados; sem
nem sequer tentar eliminá-los. O pecador deve reconhecer seu pecado e confessá-lo, apartar-
se e restituir. O sermão do monte ilustra a respeito." 21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não
matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.22 Eu, porém, vos digo que todo aquele
que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um
insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará
sujeito ao inferno de fogo.23 Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que
teu irmão tem alguma coisa contra ti,24 deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.25 Entra em acordo sem
demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não
te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.26 Em verdade te digo
que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo" (Mt. 5:21-26).No contexto vemos
três classes de juízos escalonados de acordo à gravidade do ato e mencionados conforme o
transfundo judeu dos irmãos que, nesse momento, escutavam ao Senhor. O primeiro juízo se
realiza na porta da cidade, onde se resolvem os assuntos menores (Ge. 19:1,9; Rt 4:1-6; 2 Sm.
15:1-6); o segundo juízo era no Sinédrio ou tribunal supremo dos judeus, e o terceiro é um
juízo supremo, o de Deus, uma de cujas penas pode ser na Geena de fogo. A Geena é o mesmo
lago de fogo. Se não te reconcilias com teu irmão agora, é possível que passes uma temporada
larga no lago de fogo, até que pagues o último quadrante, até que teu coração seja limpo de
todo ódio. Não vais sofrer a segunda morte, mas te tocará um tempo.Nós somos o povo do
reino e temos um Rei que há de vir, e compareceremos diante de Seu tribunal. Um filho de
Deus não necessariamente peca quando comete o ato, e sim quando em seu coração já tem a
intenção, o desejo, a atitude. Se não vivemos a qualidade de vida espiritual que exige nossa
condição de novas criaturas, já estamos em perda, estamos derrotados. O contexto nos diz
que se trata de irmãos da Igreja. Diz nos versículos 29-30: "29 Se o teu olho direito te faz
tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não
seja todo o teu corpo lançado no inferno.30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e
lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo
para o inferno". Se algo é muito atrativo para mim e me traz oportunidade de pecado, com ele
ofendo a Deus e a outras pessoas, devo cortar com isso. Recomendamos também ler Mateus
10:28; 18:9; 23:15,33; Marcos 9:43,45,47; Lucas 12:5.
Prisão. De acordo com a gravidade de nossa condição espiritual, assim seremos julgados
quando vier o Senhor. Outros irão para o cárcere. Lemos em Mateus 5:24b-26: " vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.25 Entra em acordo sem
demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não
te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.26 Em verdade te
digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo". Aqui o caminho representa
a era atual nesta terra, o juiz é Cristo e o oficial de justiça é o anjo, e é possível que a prisão ou
o cárcere seja o lago de fogo. Note que não se trata de condenação eterna; o servo vai sair do
cárcere quando houver cumprido seu castigo, de acordo com a magnitude da falta.Diz Mateus
24:48-51: " Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-
se,49 e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios,50 virá o senhor
daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe 51 e castigá-lo-
á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes ". Observamos
também que a Escritura nos revela aqui que o servo não é castigado eternamente, porém terá
sua parte no mesmo lugar onde irão os hipócritas; é “somente” um castigo dispensacional.
Observe que o servo é crente, é um santo, pois chama ao Senhor: "meu Senhor", mas se pôs a
tratar mal aos irmãos na fé e a juntar-se com gente mundana e a participar no que o mundo
participa.O cristão é julgado por sua obediência, por seu serviço, por sua fidelidade. O que
caracteriza a um vencedor hoje? O cristão vencedor, mais que trabalhar, serve, porque o
serviço genuíno envolve o amor, a disponibilidade, a compreensão, mas sobre tudo a
obediência. O que trabalha sem amor, se vangloria, se envaidece. Quando Cristo tem a
preeminência em tudo em nossa vida, lhe servimos com amor. Quando Cristo tem a
preeminência em todas as tuas coisas, tanto nas experiências doces como nas amargas, és
vencedor, porque Cristo é nossa vida. Um crente não chega a ser pobre no espírito, ou humilde
ou amável, porque meramente lhe são propostas estas coisas; sem Cristo não podemos fazer
nada bom. A carne não pode produzir algo meritório. Toda bondade carnal é hediondez para o
Senhor. Não se trata de que Ele nos complete no que nos faz falta; se trata de Sua vida em nós.
Por que és um vencedor? Porque tens te negado, já te consideras débil, tu já não vives; agora
tua vida é Cristo, tua fortaleza é Ele, e Cristo é o que vence em ti. No momento em que
começares a jactar-te (de poder espiritual, de tuas obras para o Senhor, por exemplo), e
confiar em ti mesmo, começastes a ser um derrotado. Se fores consciente de que és débil e
que não podes esperar de ti nada bom, te consagras ao Senhor de maneira absoluta, pondo
Nele toda a confiança e fé, e permitindo que seja o Senhor de toda tua vida e de teu andar. O
que é negar a si mesmo? Leiamos uma magnífica, simples e eloqüente definição que nos
proporciona o irmão Paul Cain:"Mas o que significa morrer a ti mesmo? Um bloqueio ou
interrupção do curso normal de tua vida pela intervenção de Deus, isso é morrer a ti mesmo.
Quando todos te esquecem ou te descuidam, ou a propósito te colocam de lado, e tu não
alimentas tua dor, nem permites ao insulto ou ao desprezo ferir teu interior, senão que pelo
contrário, consideras uma honra o poder sofrer por Cristo, isso é morrer a ti mesmo. Quando
ainda daquele que fazes bem é criticado, e teus desejos são contrariados, teu conselho
desprezado e tua opinião ridicularizada, e entretanto assim tu te recusas a deixar subir a ira
a teu coração e não tomas nenhuma iniciativa para defender-te, senão que aceitas tudo com
paciência e amor, isso é morrer a ti mesmo. Quando nunca fazes questão de ser citado ou
reconhecido por outros, ou de divulgar tuas boas obras, senão que verdadeiramente tens
prazer em ser desconhecido, isso é morrer a ti mesmo. Quando vês a teu irmão prosperar e
que suas necessidades sejam supridas, e tu podes honestamente regozijar-te com ele no
espírito, sem sentir inveja, nem questionar a Deus, apesar de ter tuas necessidades muito
maiores que as dele e estar em circunstâncias muito mais desesperantes, isso é morrer a ti
mesmo. Quando puderes receber correção e repreensão de pessoas que tem uma estatura e
maturidade menor que a tua, e puderes submeter-te humildemente por dentro e não tão
somente por fora, sem que surja ressentimento nem amargura em teu coração, isso é morrer
a ti mesmo". (Paul Cain. Alerta para la Iglesia. Mensaje en Kansas, USA, diciembre./98.).

Cap 4 Os Vencedores e as Obras- (2ª Parte)


As quatro etapas da obra de Cristo

O Senhor está edificando sua casa; esse é seu grande propósito. E para isso Deus tem se
revelado por etapas. Na Bíblia vemos um processo ascendente dessa revelação divina ao
homem. No começo, quando o homem pecou, Deus disse (à serpente): "Porei inimizade entre
ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe
ferirás o calcanhar." (Gn. 3:15). Aí aparece um começo de revelação de Deus para o curso da
história e da economia divina. Essa serpente antiga se tem feito sentir na história da
humanidade, e tem se desenvolvido tanto que chegou a ser um grande dragão com sete
cabeças e dez chifres. Mas Deus também vem desenrolando seus propósitos; e formou para si
a nação de Israel, por meio da qual manifesta-se ao mundo e dá testemunho de sua unidade,
de seu poder, de sua palavra, de seus propósitos eternos, e da encarnação de Seu Verbo.
Enquanto à manifestação do Filho de Deus, o Salvador, podemos ver quatro etapas definidas:
Primeira etapa. O Verbo divino estava com o Pai (Jo1:1,2); com Ele estava eternamente. "No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.2 Ele estava no princípio
com Deus ".
Segunda etapa. Historicamente encarna por obra do Espírito Santo em uma mulher hebréia de
uma família oriunda de Belém, descendentes do rei Davi. "14 E o Verbo se fez carne e habitou
entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai".
( Jo 1:14) " 20 Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do
Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela
foi gerado é do Espírito Santo.21 Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque
ele salvará o seu povo dos pecados deles " (Mt. 1: 20-21). Cresceu como homem, é batizado,
exerce seu ministério público.
Terceira etapa. Submete-se à morte na cruz, é sepultado e ressuscita ao terceiro dia; foi
ascendido e glorificado. " Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo
morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,4 e que foi sepultado e ressuscitou ao
terceiro dia, segundo as Escrituras. " (1 Co. 15:3-4). "Jesus, porém, tendo oferecido, para
sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus" (Hb. 10:12).
Quarta etapa. Seu Espírito desce a morar em nós os crentes. " 16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos
dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco,17 o Espírito da verdade,
que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque
ele habita convosco e estará em vós" (Jo. 14:16-17). " Todos ficaram cheios do Espírito Santo e
passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem" (At. 2:4).
"Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Co. 3:16).
Isto se reflete tanto no judaísmo como no cristianismo.

1. Para os judeus ainda não veio o Messias; se pode dizer que eles seguem na primeira etapa.
Os judeus crêem que virá um Messias, mas não Deus encarnado.

2. Com relação aos católicos romanos, eles não sentem que são moradas de Deus. É algo
completamente alheio a sua prática religiosa e ritual. Seus sacerdotes e teólogos vivem e
ensinam a segunda etapa.

3. As organizações cristãs denominacionais em geral vivem a terceira etapa. Com freqüência


pedem que desça o Espírito Santo sobre eles.

4. Mas há um grupo de irmãos que vivem na quarta etapa. Somos morada de Deus no Espírito.
Agora Cristo está se formando em nós; Ele é nosso Senhor e Salvador, logo a Ele pertencemos,
e tem vindo a morar dentro de nós, em nosso espírito. Isso significa que temos crido em Cristo
como o fundamento da edificação da casa de Deus; mas o que havia em nós antes de que isso
ocorresse? Se éramos religiosos, em que etapa estávamos? Para poder edificar sobre o único
fundamento, primeiro tem que se destruir o que antes havia, derrubar o velho, tanto a nível
pessoal como no institucional.Por exemplo em Marcos 13:1,2 diz: " 1 Ao sair Jesus do templo,
disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções!
2 Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não
seja derribada".
Talvez os discípulos esperassem que Jesus falasse algo elogioso do que Herodes havia
construído e embelezado; mas não; para poder edificar a igreja tem que se derrubar o
judaísmo; e não somente ao judaísmo, senão também a todos os sistemas que tem se
desviado do verdadeiro modelo da igreja bíblica. Esse antigo templo de Jerusalém já não podia
dar morada a Deus, pois já se tratava somente da sombra ou a maquete do que é o verdadeiro
edifício (Hb 8:5: 10:1)." Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de
Deus sois vós" (1 Co. 3:9).

Quando Paulo disse “nós” referia-se aos apóstolos, neste caso como os mestres de obra. "1 E
ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e
outros para pastores e mestres,12 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o
desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo" (Ef. 4:11,12). Nessa
edificação da casa de Deus, cada santo tem alguma responsabilidade. Por que somos
colaboradores de Deus? Porque fazemos parte da casa de Deus, somos moradas de Deus e
templo de Deus. "16 Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em
vós?17 Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus,
que sois vós, é sagrado " (1 Co. 3:16).
Destruir o templo de Deus é dividi-lo. Ao entender uma pessoa que somos o corpo de Cristo e
templo de Deus, pode ver a realidade dessa unidade, mas se busca a divisão, a está
destruindo. O Senhor está edificando sua Igreja, O fundamento já está posto, é Cristo; uma
pessoa já tem o fundamento quando tem recebido a Cristo pela fé. E estamos "edificados
sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular"
(Ef. 2:20). No Novo Testamento nós somos edificados tanto individual como corporativamente.
Somos um corpo e formamos o templo do Senhor.

O vencedor e as recompensas

Uma vez mais deixamos claro que não temos que confundir a vida eterna, ou salvação eterna,
com o reino dos céus. Não temos que confundir o dom com o galardão. A vida eterna se
recebe do Senhor pela fé, como um dom gratuito. Não temos que fazer nada para merecer a
salvação eterna. Em troca o reino dos céus é temporário, mil anos, e se ganha por obras. Há de
se trabalhar para merecer o reino dos céus. Diz 2 João 8: "Acautelai-vos, para não perderdes
aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão". Isto
significa que devemos estar vigilantes por nós mesmos, para que não se arruíne o fruto de
nosso trabalho. Também em Colossenses 3:24-25, nos diz a Escritura: " 24 cientes de que
recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo;25
pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de
pessoas".A Palavra do Senhor não registra nem uma única vez que o reino dos céus se recebe
por graça por meio da fé. Por exemplo, se leres as bem-aventuranças em Mateus 5,
encontrarás que para entrar no reino dos céus se necessita, entre outras coisas, ser pobres de
espírito, e sofrer perseguição por causa da justiça; em troca a vida eterna se recebe por fé,
imerecidamente, sem que alguém deva fazer nada para recebê-la, nem bom nem mal; pelo
contrário, diz que não é por obras para que ninguém se glorie.Não nos apelide de Néscios se
não deixamos de repetir que a salvação é um presente de Deus; mas que também devemos
trabalhar para participar no reino. Se trabalharmos conforme o plano de Deus, receberemos
recompensa; mas se não trabalhamos, ou se o fazemos na carne, receberemos castigo.

Jesus Cristo, o fundamento

Lemos em 1 Coríntios 3:8-10: "Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o
seu galardão, segundo o seu próprio trabalho.9 Porque de Deus somos cooperadores; lavoura
de Deus, edifício de Deus sois vós.10 Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o
fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como
edifica".Nestes versículos a Escritura fala que o que trabalha recebe sua recompensa, que é
como um incentivo para os servos do Senhor que trabalham em Sua obra. Deus está
trabalhando em Sua lavoura e nós somos Seus colaboradores, porque a Igreja é a terra
cultivada por Deus onde Cristo foi plantado; e essa terra tem de ser regada, adubada, limpa,
para que produza o fruto previsto na Palavra. Além de lavoura, a Igreja é o edifício de Deus, a
casa de Deus, a qual está se construindo; o Senhor está trabalhando nessa construção com a
nossa colaboração. Quem trabalha nessa edificação? Nós, uns mais que outros, ainda que
alguns não façam nada. Mas muitos trabalham usando métodos, planos e materiais que não
são de Deus. Paulo pôs o fundamento, a base do ensinamento; as cartas de Paulo são a
revelação da Igreja. Cada um deve saber como edifica sobre este único fundamento da Igreja.
Alguém pode estar ocupado edificando sobre o fundamento de Jesus Cristo, mas obedecendo,
não a Palavra, não ao evangelho, não às cartas de Paulo nem ao resto do Novo Testamento,
senão as outras diretrizes diferentes, outras correntes doutrinais, outras tradições, idéias,
estatutos, leis e normas de organizações e lideranças de fatura humana. A casa de Deus é
edificada pelo próprio Senhor; sem Ele toda edificação é inútil. Diz o Salmo 127:1: "Se o
SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a
cidade, em vão vigia a sentinela".

Materiais da construção

Seguimos lendo 1 Coríntios 3: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que
foi posto, o qual é Jesus Cristo" (vv.11,12).Na edificação da casa de Deus há um único
fundamento, que é Seu Filho Jesus Cristo, a pedra angular. Aqui figuram seis elementos com os
quais se está edificando. Os três primeiros, ouro, prata e pedras preciosas, simbolizam a
Trindade divina: Pai, Filho e Espírito Santo. Os três últimos, madeira, feno e palha, simbolizam
o humano nessa sobre edificação; o último grupo se contrapõe ao primeiro, pois os
pensamentos do homem não são os de Deus. Deus quer edificar sua casa com os três
primeiros elementos. O ouro se refere à natureza divina, à vontade de Deus, o eterno, o que
jamais se envelhece, o mais glorioso; ao passo que a madeira é a natureza humana, o que
perece. Por exemplo, no tabernáculo o principal é Cristo, a arca, a qual estava feita de madeira
de acácia (a humanidade de Cristo) recoberta de ouro (a divindade de Cristo). De maneira que
caso se edifique em ouro significa que se está obedecendo à vontade de Deus consignada no
Novo Testamento; mas se é em madeira, é porque se está obedecendo outras opiniões; é o
que tem feito o cristianismo a partir do século V desta era. Mas se seguimos ao Senhor Jesus,
devemos fazer sua vontade, e Ele veio fazer a vontade do Pai que o enviou. "Disse-lhes Jesus: A
minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra." (Jo.
4:34).
Antes que o Senhor nascesse em carne, o Pai já tinha preparado tudo, galáxias, sistemas
solares, mares, continentes, tudo o necessário para que homem pudesse viver na terra e se
pudesse encarnar seu Filho e salvar à Igreja. Deus não vai deixar o cumprimento de seus
propósitos ao critério dos homens. O primeiro Adão falhou, mas o segundo Adão veio para
vencer, a obedecer a Deus. A partir Dele, Cristo veio preparar para Deus uma nova raça
humana, o verdadeiro homem à imagem de Deus.O Pai disse ao Filho o que devia fazer. "Eu
nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque
não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou" ( Jo 5:30 ). Por que
insiste o Senhor Jesus nisto? Para nos dar exemplo de obediência. "Porque eu desci do céu,
não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.39 E a
vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo
contrário, eu o ressuscitarei no último dia " (Jo. 6:38-39).Voltemos a Efésios 2:19-22: "19
Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de
Deus,20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo
Jesus, a pedra angular;21 no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário
dedicado ao Senhor,22 no qual também vós juntamente estais sendo edificados para
habitação de Deus no Espírito ".
A que se refere aqui com o fundamento dos apóstolos? Refere-se ao Novo Testamento.
Estamos em plena edificação do templo, e o Senhor quer terminar esse edifício com pessoas
obedientes. Recorde-se que cada um de nós é uma pedra viva, com as quais o Senhor está
edificando sua casa. Ele não busca montões de pedras mortas, nem sequer que haja montões
de pedras por lá e outras por cá; Ele busca é que estejamos todos juntos para que possamos
ser edificados. Quando Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivente, o Senhor
lhe disse: "Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e
as portas do inferno não prevalecerão contra ela ". (Mt 16:18)
O que edifica a Igreja é Cristo, e nós somos colaboradores; Ele conosco e nós com Ele. Se não
edificamos com Ele, só estaríamos edificando com madeira. Já não seria Sua Igreja; de pronto
estaríamos edificando nossas pequenas igrejas.O que é a Igreja? A palavra igreja vem do grego
ekklesia (de ek, fora de, e klesis, chamamento). Usava-se entre os gregos esta palavra para se
referir a um corpo de cidadãos reunidos para considerar assuntos de estado (At. 19:39). A
igreja de Jesus Cristo (Mt. 16:18), a qual é seu corpo (Ef. 1:22; 5:22) é toda a companhia dos
redimidos através da era presente. A Igreja universal do Senhor é a mesma que nasceu no dia
de Pentecostes, dez dias depois de haver ascendido o Senhor à destra do Pai.Então vemos que
nessa construção da Igreja, nós somos Seus colaboradores, que estamos sobre edificando,
"edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a
pedra angular" (Ef 2:20). Essa sobre edificação, quando se faz sobre o fundamento dos
apóstolos e os profetas, ou seja, de acordo com o que eles pregaram e escreveram, deve ser
em ouro, prata e pedras preciosas, o qual é a obra de Deus. Ali o ouro, o metal precioso por
excelência, representa a natureza de Deus Pai, Sua vida, Sua glória, Sua justiça, Sua obra, Seus
propósitos com a criação; a prata se relaciona com a redenção, a obra do Filho, pelo preço
designado pelo Senhor (Zacarias 11:12; Mateus 16:15), e as pedras preciosas tem a ver com a
manifestação e obra do Espírito Santo na Igreja e na vida de cada um de nós em particular. As
pedras preciosas são carbonos purificados e trabalhados através do tempo com alta pressão e
temperaturas elevadas.Infortunadamente, sobre esse mesmo fundamento, Jesus Cristo,
Freqüentemente também costuma trabalhar por iniciativa própria, valendo-nos de nosso
próprio ponto de vista, excluindo a vontade do Senhor; se abandonam os princípios do
fundamento apostólico, do que eles deixaram registrado pela vontade de Deus, e é quando
aparecem outros três elementos que de alguma maneira se relacionam com os três primeiros:
madeira, feno e palha. Se alguém edifica em madeira, que representa a natureza do homem,
essa obra se destrói, se converte em lixo. Temos por exemplo, a arca do pacto. Foi feita de
madeira de acácia recoberta de ouro, pois era um tipo de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro
homem. Também disse João o Batista em Mateus 3:10: "Já está posto o machado à raiz das
árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo".

Se alguém edifica em feno, que é uma planta de utilização periódica, essa sobre edificação
também perece e não é eterna em comparação com a salvação eterna que nos assegurou o
Senhor Jesus na cruz.Por último, pode ser que se edifique em palha, que são folhas secas,
mortas, que caem das árvores quando seus tecidos se murcham e já não lhes chega seiva; isso
simboliza as coisas de vistosa aparência, mas de uma fragilidade impressionante, são as coisas
inúteis e de pouca sustância, ainda que a nós pareça que estamos fazendo muito bem,
especialmente nas palavras e promessas; ou essa demasiada e inútil frondosidade de algumas
árvores e plantas; todo o inútil com o qual cremos que estamos agradando ao Senhor,
desprezando o verdadeiro trabalho do Espírito Santo em nós, comparado com as pedras
preciosas. A maturidade de um crente se dá através de um processo e um árduo trabalho do
Espírito do Senhor em nós e conosco, levando a cruz, negando-nos a nós mesmos, passando
por provas.Deus nos deu sua vida na regeneração, o ouro; também nos tem redimido pela
obra de Seu Filho, a prata, e também forja dentro de nós as pedras preciosas, para que
sejamos a imagem de Seu Filho. Deus não troca as pedras preciosas por palha. A vida que Deus
nos tem dado não é afetada pelo fogo. Os três primeiros, o de Deus, são materiais duradouros,
e os três últimos são materiais combustíveis, perecíveis, por quanto simbolizam a obra do
homem. Continuando, podemos tentar fazer uma comparação um pouco mais detalhada entre
os três elementos de Deus e os três elementos do homem:
Ouro. O ouro é o primeiro elemento indicado para a sobre edificação da igreja. O ouro se
relaciona com a obediência à vontade do Pai. Já temos visto que o Senhor tem estabelecido e
ordena que a edificação de sua casa se efetue sobre o fundamento posto pelos apóstolos e
profetas. "A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes
dos doze apóstolos do Cordeiro" (Ap. 21:14). O testemunho dos doze apóstolos do Cordeiro é
fundamental, pois por meio deles o Senhor nos deixou no Novo Testamento os detalhes sobre
esta edificação do templo. O modelo, pois, da Igreja do Senhor está no Novo Testamento. A
edificação da igreja do Senhor deve ser sobre a base da unidade do Espírito, não da carne; a
unidade só se pode realizar no amor na igreja de uma localidade. Obedecer à vontade de Deus
para edificar a igreja, é sobre edificar em ouro. O ouro, portanto, se contrapõe à madeira. O
ouro e a madeira se juntam na construção da arca do tabernáculo, autêntico tipo de Cristo,
verdadeiro Deus e verdadeiro homem. "Também farão uma arca de madeira de acácia; de dois
côvados e meio será o seu comprimento, de um côvado e meio, a largura, e de um côvado e
meio, a altura.
11 De ouro puro a cobrirás; por dentro e por fora a cobrirás e farás sobre ela uma bordadura
de ouro ao redor " (Ex. 25:10-11).
Esses dois versículos nos falam do centro do tabernáculo. Agora nós somos o tabernáculo de
Deus, e a arca (Cristo) a levamos dentro de nós, em nosso lugar santíssimo (nosso espírito
regenerado).
Madeira. A madeira é o que se contrapõe ao ouro; a madeira é a natureza humana; o homem
mortal. Mas nessa madeira vem Cristo a morar e trazer o ouro da natureza divina. Cristo vai
desenvolvendo em nós. "Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que
não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo" (Mt. 3:10).

Não se refere às árvores do campo, senão aos homens que não dão fruto de arrependimento.
Mateus 7:19 repete nas palavras do Senhor Jesus. Ele quer que cada um de nós demos
abundante fruto; mas fora de sua vontade não podemos dar fruto. Deus quer que nos
capacitemos para um trabalho em sua obra. Nós em nossa vida natural podemos ir adquirindo
conhecimentos, escalando sucessos, inclusive posições de onde nos enaltecemos; mas à
medida que Cristo se forma em nós, o Espírito Santo vai nos mostrando que há dentro de nós,
e podemos ver os preceitos supersticiosos, os fundamentos filosóficos e religiosos. A religião
do mundo se fundiu com a cristandade; da Babilônia passou esse espírito a formar o papado
romano e do papado passou ao anglicanismo e dali aos batistas, aos presbiterianos, etc. A
igreja do Senhor ficou cativa em um emaranhado de sistemas construídos com madeira, e o
Senhor decidiu tirá-la dali, e continuar sua construção com ouro, prata e pedras preciosas.
Tudo o que não edifica a casa de Deus em unidade do corpo de Cristo, é construído com
madeira; e se queimará. Nós somos a assembléia dos santos; somos santos porque temos sido
apartados para Deus. Na cristandade infiel tem se metido muito fundamento filosófico, muito
judaísmo, muita construção de templos materiais, muitas leis e preceitos estatutários, muito
nicolaísmo, muita religião babilônica, muita magia, comercialização com a Palavra de Deus,
visualização, muito pense e faça-se rico. No começo se formaram as grandes denominações
em torno de doutrinas; hoje se organizam em torno de lideranças e "ministérios".
Prata. Relaciona-se com o Filho de Deus, com a redenção na cruz. Tipifica a vida do homem
redimido; na prata estamos envolvidos os redimidos; a sobre edificação com prata tem a ver
com nosso andar com Cristo. O Cordeiro de Deus está intimamente ligado com sua cruz.
Quando em Apocalipse João viu o trono de Deus, ali estava o Cordeiro imolado. Os Atos mais
relevantes da história da humanidade são: a encarnação do Verbo de Deus, sua crucificação e
ressurreição no corpo glorioso. Cristo ressuscitou para jamais voltar a experimentar a morte.
Durante seu ministério Ele ressuscitou a Lázaro e a outros, mas eles voltaram a morrer. Cristo
está edificando através da cruz; se nós não levamos nossa cruz e experimentamos a negação
de nosso eu, não podemos edificar com Cristo. Através desse processo há revelação em nossas
vidas, mas antes deve haver revelação do Pai acerca do Senhor Jesus como Salvador; se não há
revelação ninguém pode crer em Cristo. Quem é Cristo para ti? Ninguém busca ao Senhor; é o
Senhor o que nos busca. Ele sempre toma a iniciativa, nós jamais.Mateus 16:15: "Mas vós,
continuou ele, quem dizeis que eu sou?" Surge uma pergunta, qual é a rocha que menciona o
Senhor? "Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.17 Então, Jesus
lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to
revelaram, mas meu Pai, que está nos céus". Conhecer quem é Jesus é uma revelação do Pai.
Já que o Pai te revelou quem sou eu e tu o confessas, então "Também eu te digo que tu és
Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela". Agora deixas de ser Simão; agora és uma pedra viva para a construção de minha
casa. A construção não é material; é uma casa espiritual. Sobre esta rocha, sobre o que acaba
de confessar Pedro "edificarei minha igreja". Aí está o fundamento. A rocha é Cristo, e Pedro é
uma pedra vida. "também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual
para serdes sacerdócio santo" (1 Pe. 2:5). Cristo é a pedra viva, a pedra angular, e nós somos
pedras vivas em Cristo. Nós somos "edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas,
sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;21 no qual todo o edifício, bem ajustado,
cresce para santuário dedicado ao Senhor,22 no qual também vós juntamente estais sendo
edificados para habitação de Deus no Espírito" (Ef. 2:20-22). O fundamento dos apóstolos e
profetas é o Novo Testamento; eles foram testemunhas da encarnação do Verbo de Deus, de
sua vida como homem, de sua morte, de sua ressurreição, de sua ascensão aos céus. Uns anjos
de Deus se apresentaram e lhes disseram: " Varões galileus, por que estais olhando para as
alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir" (At
1:11). O apóstolo Paulo também o viu, e também foi levado ao terceiro céu, e ali recebeu toda
essa informação que nos transmite em suas cartas; e Paulo foi apóstolo, profeta, evangelista,
pastor e mestre.Então, quem sobre edifica? Os crentes em Cristo; mas essa sobre edificação
pode ser errada; alguns podem estar edificando com madeira, feno e palha. De modo, pois que
a sobre edificação com prata tem a ver com o Filho, com a redenção; a prata tipifica a vida do
homem redimido, o andar com Cristo. Com a prata se paga um preço. José, o filho de Jacó, é
um tipo de Cristo; ele foi vendido como escravo por seus próprios irmãos por vinte moedas de
prata (Gn 37:28). O Senhor foi vendido por trinta moedas de prata, como está profetizado em
Zacarias 11:12-13 e seu cumprimento em Mateus 26:14-15.A prata se relaciona com o fato de
que nossa vida está unida ao Senhor. Ele pagou o preço com seu precioso sangue. A prata tem
a ver com a vida de Cristo em nós. É necessário que Cristo se forme e cresça em nós (Gl. 2:20);
nós em Cristo já fomos à cruz, por isso agora é necessário que Ele viva sua vida em mim. Se
não for assim, não estou sobre edificando com prata. Se Cristo vive em mim, já eu não vivo; o
viver na carne (comer, dormir, trabalhar, falar), o vivo não em minhas próprias ilusões e
interesses. Quanto mais viver Cristo em mim, se vão de meus antigos costumes, porque Ele
traz outros costumes a nossas vidas. A edificação em prata, como em Cristo, pode incluir em
nós o sofrimento. "Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo
pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado,2 para que, no tempo que vos
resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de
Deus. " (1 Pe. 4:1-2).
Feno. Se não se edifica com prata, a contraparte negativa é o feno. O feno é uma gramínea
que simboliza o homem caído, o homem não redimido, o homem carnal, não regenerado.
Quando se trata de um crente, é um bebê espiritual e nunca deixa de ser (1 Co. 3:2,3), de
maneira que sua edificação o faz em seus egoísmos, mal caráter, ambições e avareza;
pretensões de que pode tudo. Quando a vida de alguém não tem passado do velho homem,
está na erva, no feno (1 Pe. 1:24); o homem velho atrai a glória dos homens. Muitas vezes o
homem gosta de receber a glória terrena, as palavras de aprovação, as felicitações. Mas o que
assim trabalha tudo está fazendo em feno; muitos vivem pendentes dos homens. A glória e o
viver humano se seca quando sai o sol (a vinda do Senhor), a flor cai (Tg. 1:9-11) e perece. O
verdadeiro tesouro deve ser o Senhor; os demais tesouros causam cegueira e apartam de
Deus. Há uma grande diferença entre o viver de Cristo e o viver carnal. Entre a prata e o feno
podemos ver a relação entre a erva e o viver de Cristo.
Pedras preciosas. Temos aqui a obra transformadora do Espírito Santo em nós. Os crentes têm
passado por um processo. O Pai nos fez do barro da terra para viver neste mundo físico (Gn.
2:7; Ro. 9:20,21); o Filho, ao crescer Nele, nos converteu em pedras vivas a fim de viver em Sua
casa e fazer parte dela (Jo. 1:42; Mt. 16:17,18; 1 Pe. 2:5), e o Espírito Santo veio a converter-
nos em pedras preciosas para entrar no reino e na Nova Jerusalém, a cidade celestial (Ap.
21:18-20; 2 Co. 3:18; Ro. 12:2). Como barro somos vasos; como pedras vivas construídas
somos casa, e como pedras preciosas faremos parte da cidade de Deus. Na natureza as pedras
preciosas se formam através de um prolongado processo de altas temperaturas e pressões;
algo parecido nos acontece. (Mt. 16:24) Ninguém quer submeter-se à cruz, e à negação de seu
ego. Mas só a ação da cruz aplicada pelo Espírito realiza essa transformação. Na Nova
Jerusalém não pode entrar nada que não seja precioso. Para ser precioso tem que se pagar o
preço.
Palha. É o oposto à pedra preciosa. Palha é o que não tem vida, está seca. A palha é o trabalho
e viver proveniente de uma fonte terrena. É o proceder de uma alma sem a devida
transformação e vida por parte do Espírito Santo. É quando em nosso ser natural não somos
pedras senão barro. Tudo o que se constrói com palha, quando não sai de uma vida
transformada pelo Espírito Santo, não está firme, se vai face a qualquer corrente (Salmo
83:13); tudo se queima fácil (Isaías 33:11)." Contudo, se o que alguém edifica sobre o
fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,13 manifesta se tornará a
obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja
a obra de cada um o próprio fogo o provará.14 Se permanecer a obra de alguém que sobre o
fundamento edificou, esse receberá galardão;15 se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele
dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo " (1 Co. 3:12-15).Mas
chega o dia do juízo da Igreja. O Senhor virá provar todas nossas obras; virá a ver como
utilizamos nossos talentos. O que sucede, pois, com os que sobre edificam em ouro, prata,
pedras preciosas, madeira, feno e palha? Que o fogo provará tudo. Esse fogo é o juízo. O fogo
do juízo do Senhor à Igreja em Sua vinda; entra a provar se o que temos sobre edificado tem
sido em ouro, prata e pedras preciosas. Se for assim, em tudo isso se sai vitorioso, e tem
recompensa; uns mais, outros menos, mas tem, e se entra a participar com o Senhor no reino.
Se for com ouro, prata e pedras preciosas; haverá recompensa, a qual é o reino milenar. Mas
ao chegar aos que tem edificado em madeira, feno e palha, tudo muda. Mas se queimar a
obra, sofrerá perda do reino, e entrará em uma disciplina. Haverá, pois, um período de pagar o
preço assim como por fogo (Mt. 5:21-26). Ninguém perde a salvação, mas tudo isso se queima,
pois nada disso foi conforme a Deus. Então o Senhor diz em sua Palavra:
"Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá
galardão;15 se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo,
todavia, como que através do fogo " (1 Co. 3:14-15).Mateus 5:27-30. Se algo é para mim de
muita atração e com ele peco, devo cortar com ele. Está falando à Igreja. Em Apocalipse 20:11-
14 fala da segunda morte, o Geena. O lago de fogo é o Geena. O juiz é o Senhor, os meirinhos
são os anjos. Se não te reconcilias com teu irmão agora, vais a passar uma temporada no lago
de fogo até que pagues o último centavo.Apocalipse 2:9-11. O que vencer não sofrerá dano da
segunda morte. A primeira morte é a morte física, a separação da alma do corpo. A segunda
morte é a separação da pessoa de todo contato com Deus e lançado no lago de fogo, a
perdição eterna. Deve-se buscar viver uma vida de obediência e submissão ao Senhor para ser
um vencedor e não sofrer dano da segunda morte.Com freqüência há diferença entre servir a
Deus e trabalhar para Deus. Diz o irmão Watchman Nee: "Muitos vão apressadamente de um
lugar a outro para conseguir fama por suas obras. Não cabe dúvida de que tem realizado essas
obras, mas em realidade não tem servido a Deus",*(1) pois efetivamente, não têm servido a
Deus, senão ao templo e a seus próprios interesses.
*(1) W. Nee. "O Plano de Deus e os Vencedores". Ed. Vida. 1977. pág. 56.

Quarta promessa

" Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as
nações,27 e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de
barro;28 assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã " (Ap.
2:26-27).Devemos vencer as três grandes religiões deturpadas que estão reveladas no livro de
Apocalipse: o judaísmo, o catolicismo e o protestantismo. Estas religiões têm feito dano à
Igreja. Por quê? Devido a que as religiões tem se contaminado com mistérios e princípios
satânicos disfarçados com a aparência de verdades bíblicas. As organizações religiosas de corte
institucional, ao não guardar as obras do Senhor, freqüentemente se pervertem e se revestem
de um domínio mundano e temporário, inclinadas a receber a glória dos homens, e fazer as
coisas abaixo outras diretrizes diferentes das do Senhor. Mas o Senhor mostra outra
alternativa ao crente: deixar esse caminho autoritário e dominante, deixar de morar na terra,
onde o diabo tem seu trono, e ocupar seu lugar nos lugares celestiais com Cristo.Por outro
lado, hoje em dia, para o cristão há um grande perigo na amizade e companheirismo com os
mundanos. Pode ser que a intenção seja às vezes atrair aos incrédulos. Isto, por inocente que
pareça, sempre dá péssimos resultados. Por que é tão trágico? Porque as pessoas do mundo,
em sua cegueira e obscuridade não permitem que se lhes fale do evangelho; não lhes
interessa, lhes estorva. Como conseqüência os resultados são inversos: o cristão é submerso
em uma luta frente a uma força que o trata de arrastar aos vícios e costumes próprios do
mundo e do pecado, de onde já o Senhor o tem tirado. Por isso o vencedor de Tiatira enfrenta
às tentações que a ímpia Jezabel lhes apresenta; é o que faz com perseverança as obras que
agradam ao Senhor.A carta apocalíptica a Tiatira é uma profecia que se cumpre com a
formação da Igreja Católica Romana. Diz o irmão Lee: "Em Mateus 13:33 o catolicismo é
tipificado por uma mulher que levedou ‘três medidas de farinha’, que representam todo o
ensinamento acerca do elemento de Cristo em Sua pessoa e obra. A Igreja Católica aceitou o
ensinamento neo-testamentário, mas a levedou. O pão sem levedura é difícil de comer"*(2). O
vencedor receberá autoridade sobre as nações, e as regerá com cetro de ferro e as fará como
cacos de barro, da mesma maneira que o Senhor Jesus tem recebido potestade do Pai celestial
no Salmo 2:8-9. Isto ocorrerá no reino messiânico milenar, em que o crente fiel participará
plenamente no governo das nações, tanto na parte régia como na judicial. É uma promessa de
caráter escatológico. Em Lucas 19:16-17 diz: "Compareceu o primeiro e disse: Senhor, a tua
mina rendeu dez.
17 Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás
autoridade sobre dez cidades.".
*(2) Witness Lee. "Os Vencedores". LSM. pág. 67.
Então, aos vencedores de Tiatira Deus lhes promete governar, reinar e reger as nações com
Cristo no Reino vindouro. De acordo com Mateus 3:2, há dois mil anos veio à Igreja o reino dos
céus, mas pela degradação da Igreja, o cristianismo convencional é a aparência do reino dos
céus descrita nas parábolas de Mateus 13. Os que vencem ao sistema religioso, também se
relacionam com o Filho varão “Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso
de oleiro” do Salmo 2:9. Quando estará os vencedores recebendo essa autoridade de
quebrantar as nações como vaso de barro? Durante o futuro reino do milênio. Por que
relaciona o Senhor as nações e o sistema religioso dominante com vasilhas de barro? Voltemos
ao livro de Gênese.Satanás e seus seguidores querem imitar a edificação de Deus, na
construção da cidade terrena, Babilônia, e seu sistema político religioso, não segundo Deus
senão segundo o homem, não com pedras, senão com tijolos (barro cozido modelado pelo
homem). "E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos
serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa.4 Disseram: Vinde, edifiquemos para nós
uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para
que não sejamos espalhados por toda a terra...." (Gn. 11:3-4). Os sistemas religiosos do
homem, tudo o que se encaminha face o ecumenismo, tudo o que se aparta de Deus, é
construído com tijolos (barro cozido), é destrutível. Fazem-se um nome, com o agravante de
que é um nome efêmero, como todo o que não sai das mãos de Deus. Deus está edificando
com os vencedores uma cidade celestial, a Nova Jerusalém, a casa de Deus que é a Igreja, com
pedras vivas e preciosas. O Senhor convida a vencer guardando as obras de Deus, segundo o
plano traçado por Deus, de acordo com a maquete de Deus. As obras dos homens às vezes são
muito chamativas, Mas enganosas; falta-lhes a autenticidade estampada na Palavra de Deus. O
vencedor é um crente espiritual, e sabe captar quando as coisas não são de Deus e as discerne
pelo Espírito, e não se aparta da vontade de Deus. Por isso receberá a mesma autoridade para
governar que recebeu o Senhor Jesus do Pai. As obras da igreja apóstata se realizam sob a
influência de Satanás.
A Estrela da manhã

"E lhe darei a estrela da manhã" (Apo. 2:28).Aos vencedores de Tiatira o Senhor promete dar-
lhes a estrela da manhã. Qual é essa estrela da manhã? É o Senhor Jesus mesmo. "Eu, Jesus,
enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a
brilhante Estrela da manhã" (Ap. 22:16).
Na astronomia, a estrela da manhã é Mercúrio, o astro que se vislumbra na hora mais obscura
da madrugada, próxima à saída do Sol; é como um anúncio de que vem a luz do dia; e por essa
razão o relacionam com o deus romano do mesmo nome, e com o deus grego Hermes, Arauto
de Zeus, o pai dos deuses do Olimpo. Essa estrela da manhã só pode ser vista pelas pessoas
que madrugam e estejam atentas a contemplá-la no firmamento. De maneira que podemos
entender que o Senhor Jesus Cristo, em sua segunda vinda e manifestação gloriosa, será a
estrela da manhã só para os irmãos vencedores, os que não andam adormecidos
espiritualmente, e sim velando e esperando a vinda do Senhor. Para o resto da Igreja, o Senhor
não será a estrela da manhã, mas quando despertarem de seu sono, Ele será como o sol
quando já saiu para todos. Só aos vencedores não os surpreenderá a vinda do Senhor como
ladrão na noite; ou seja, não os tomará por surpresa.

Cap 5- Os Vencedores e a Justiça


O pecado e os pecados

Para ter clareza sobre o real significado do que poderíamos chamar “nossa justiça própria
frente à verdadeira justiça de Deus”, é supremamente necessário poder distinguir entre o que
é o pecado e os pecados. O pecado é uma lei ou poder ou principio que está dentro de nós, em
nossa carne, que controla nossos membros e que nos impulsiona a cometer toda sorte de atos
pecaminosos (cfr. Romanos 7:23), ou seja, os pecados. O pecado se relaciona com nossa vida
natural herdada de Adão (cfr. Ro 5:19), tanto que os pecados estão relacionados com nossa
conduta, nossas obras, nossos atos. Os pecados são uma conseqüência do pecado que mora
em nós. O pecado gera os pecados. É verdade que a lei do Espírito de vida em Cristo nos livra
da escravidão dessa lei do pecado; não obstante, um crente pode seguir servindo a Deus em
sua mente, em seu desejo, mas com a carne seguir servindo à lei do pecado (cfr. Ro 7:25); de
maneira que um crente pode continuar com a tendência de continuar pecando, e de fato todo
crente peca.O que acontece com esses pecados dos crentes depois de serem salvos? Se o
crente os confessa e se aparta, lhe são perdoados por Deus pela justiça do Senhor Jesus (1 Jo
1:9); do contrário, esses pecados serão tratados por Deus nesta era da Igreja ou durante o
reino milenar, como estamos expondo no presente trabalho. Há de se ter presente que ainda
que sejamos santos em Cristo, e temos recebido uma salvação completa pela graça mediante a
fé no Senhor Jesus, entretanto, seguimos sendo pecadores. Deus é justo. Uma vez somos
salvos pela graça, entramos a ser Seus filhos e colaboradores, e todo o resultado de nosso
trabalho será recompensado, mas assim mesmo disciplinados se o resultado é negativo.Não só
basta tratar com os pecados em si, como a lascívia, auto-estima, desafeto, infidelidade e
muitos outros, tem que se tratar com o pecado maior, o verdadeiro produtor de pecados; de
faltas em nossa conduta diária, e que seu tratamento só pode levar a cabo com a cruz e uma
íntima comunhão com o Senhor Jesus, e relação de inteira confiança, até que sejamos
liberados do pecado, esse principio natural herdado que nos faze pecar.Entre os aspectos do
perdão, o primeiro é o perdão para salvação. Ao salvar-nos, Deus nos perdoa eternamente;
mas já como filhos de Deus, voltamos a pecar, e isso não significa que perdemos nossa
salvação, mas se perdemos nossa comunhão com Deus, de maneira que necessitamos um
novo perdão para restaurar a comunhão com Deus. Nossos pecados passados já têm sido
perdoados; nossos pecados presentes também podem ser perdoados se os confessarmos, se
nos arrependermos, apartando-nos da situação que nos tem envolvido no pecado, fazemos a
devida restauração, reparando o dano causado, em fim, arrumando devidamente nossos
assuntos, e assim restauramos nossa comunhão com Deus; mas tenhamos em conta que
somos filhos de Deus e que, como tais, temos nossas responsabilidades. De maneira que há
perdão para salvação e perdão para restaurar a comunhão.Quando os hebreus foram liberados
da escravidão do Egito pelo sangue do cordeiro pascal, essa liberação foi irreversível, jamais
voltaram à escravidão egípcia, mas depois, já como povo de Deus, deviam estar oferecendo
sacrifícios expiatórios por seus pecados. Não somos responsáveis pela salvação que já temos
recebido por graça, porque é um presente de Deus; nem tampouco Deus nos pede que
preservemos agora essa nossa salvação eterna com base em nossos próprios méritos e nossas
boas obras. A salvação é um presente, não um crédito que tenha que pagá-lo depois; a
salvação não é como um eletrodoméstico comprado a crédito, que se não pagas às parcelas,
eles podem tirá-la de ti. Tudo é gratuito. Em Apocalipse 22:17b, diz: " Aquele que tem sede
venha, e quem quiser receba de graça a água da vida". Nossas responsabilidades agora não se
referem a nossa salvação eterna, senão à salvação de nossa alma com relação ao reino
milenar, às coroas, aos prêmios e recompensas, ou a... A disciplina dispensacional.

A justiça de Deus

Levamos em conta que Deus não nos salva sem tratar com os pecados conforme a lei, já que
está por meio da Sua justiça; ou seja, Deus nos salva legalmente. Na cruz recaiu em Cristo todo
o peso da lei de Deus, e o Senhor Jesus veio ser nossa justiça. Se Deus passasse por alto a obra
de Cristo na cruz para salvar-nos, violaria sua Justiça. Deus quer que nossa salvação seja
totalmente ajustada à lei. Qualquer que creia em Seu Filho é justificado por Deus; uma
salvação sem sombra de dúvida, legal, aprovada, vicária. Muitos se esforçam por buscar uma
salvação errada, fraudulenta, comprada com dinheiro ou com obras de justiça própria. O faz
assim Deus? Não. Deus nos salvou "não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo
sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo "
(Tt. 3:5). Deus nos salva legalmente, mas nos salva também aparte da lei. A lei de Deus nos
condena, mas Deus nos salva por Sua graça em Sua Justiça. Desde antes da fundação do
mundo, Deus se comprometeu a nos salvar por meio de Seu próprio Filho. Diz Watchman Nee:

"O que é a justiça de Deus? A justiça de Deus é a maneira em que Ele faze as coisas. O amor é a
natureza de Deus, a santidade é a disposição de Deus e a glória é Deus mesmo. Entretanto, a
justiça é o procedimento de Deus, Sua maneira e Seu método. Posto que Deus é justo, Ele não
pode amar ao homem só com seu amor. Ele não pode conceder graça ao homem só porque
quer. Ele não pode salvar ao homem por que Seu coração lhe disse. É verdade que Deus salva
ao homem porque o ama. Mas Ele deve fazê-lo conforme a Sua justiça, Seu procedimento, Seu
nível moral, Sua maneira, Seu método, Sua dignidade e Sua majestade". (Watchman Nee. O
Evangelho de Deus. Tomo I. LSM. 1994. pág.90).Vemos, pois, que Deus, para nos salvar, pelo
fato de que nos ama, não toma uma atitude tolerante frente ao pecado. Para salvar-nos, o
amor de Deus não trabalha sem justiça. Os pecados dos homens devem ser julgados. Enviando
a Seu Filho, ao Senhor Jesus, a que encarnasse e morresse por nós na cruz e carregasse os
nossos pecados, Deus satisfaz Seu amor e Sua justiça. Para nos salvar, deve haver um equilíbrio
entre o amor e a justiça de Deus. De maneira que enquanto a nossa posição de salvos e filhos
de Deus, já nós fomos julgados na cruz com Cristo. Nós recebemos a salvação como um
presente, mas Deus pagou um altíssimo preço por esse presente.No Antigo Testamento, o
sumo sacerdote entrava uma vez ao ano no Lugar Santíssimo do tabernáculo; ali estava a arca
do pacto, em cuja coberta, o propiciatório, vertia o sangue dos animais sacrificados, para achar
graça de Deus por seus próprios pecados e os do povo. Agora Jesus se tem convertido em
propiciatório e Sumo Sacerdote à vez, oferecendo Seu próprio sangue para que nós venhamos
pela fé a Deus. Isto o fez Deus à parte da lei; porque se Deus manifesta Sua justiça com base na
lei, todos teriam que pagar com a morte eterna. Quão desgraçados seríamos! Não agradamos
a Deus mediante nossa própria justiça. O legalismo e o judaísmo levam às pessoas a
estabelecerem sua própria justiça, mas a Palavra de Deus não aprova este procedimento. Por
exemplo, lemos em Romanos 10:3-4: "3 Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e
procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.4 Porque o fim da
lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê". Há pessoas que se esforçam por praticar o
bem a fim de apresentarem-se justos diante de Deus; mas Deus tem estabelecido Sua própria
justiça na obra que Deus cumpriu em Seu próprio Filho, o Senhor Jesus, e a essa justiça
devemos nos sujeitar a fim de sermos salvos.Nossa própria justiça não é suficiente; pelo
contrário, nossa própria justiça nega a eficácia da obra do Senhor na cruz. Com base na obra
de Cristo na cruz, Deus nos dá total confiança e segurança de que somos salvos eternamente.
Na obra de Cristo na cruz se manifesta a justiça de Deus a favor de nós. Ele tem se
comprometido nele firmemente por meio de um pacto eterno. Deus jamais invalida Seus
pactos.

Nossa justiça objetiva

Nossa justiça objetiva é Cristo, e por Ele somos justificados diante de Deus quando cremos. Ele
morreu na cruz para que todo o que creia Nele seja salvo, e todas as transgressões cometidas
no passado são perdoadas, e renascemos em nosso espírito, recebendo a vida de Deus em nós.
Lemos em 1 Coríntios 1:30: " Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte
de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". Também em Romanos 3:26 diz a
Escritura:
" tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e
o justificador daquele que tem fé em Jesus". No Calvário o Senhor nos justificou; agora vivendo
em nós, Ele nos faz justos. Cristo é nossa justiça diante de Deus por meio da fé. Lemos em
Romanos 3:20-26: " 20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em
razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.21 Mas agora, sem lei, se
manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;22 justiça de Deus
mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há
distinção,23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,24 sendo justificados
gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,25 a quem Deus
propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter
Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;26 tendo em
vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o
justificador daquele que tem fé em Jesus".Alguns buscam ser justificados diante de Deus
observando a lei e cumprindo mandamentos, mas vemos no verso 20 que isto é impossível.
Então, como nos justificamos diante de Deus? Por meio da fé em Jesus Cristo, e o objetivo da
fé é o próprio Cristo. A fé é como uma semente semeada no homem, que o Espírito Santo faz
desenvolver para que o homem creia no Senhor Jesus, e seja justificado pela obra de Cristo na
cruz. Cristo é a justiça de Deus. Não há outra. Não crer em Cristo nos separa de Deus
eternamente. A justificação que temos em Cristo se baseia na graça de Deus, e não tem nada
que ver com nossas próprias obras. O sangue de Jesus Cristo nos tem justificado. Nunca temos
tido nada a oferecer a Deus que saia de nós, porque nada bom tem havido em nós diante de
Deus; de maneira que a Deus só podemos oferecer o sangue de Seu próprio Filho, a qual é o
único que nos pode justificar quando somos salvos. A base para lutar e ser vencedor, é o
sangue do Senhor Jesus, em seu justo valor, não nossa própria justiça nem méritos, nem
progressos espirituais. A justiça objetiva se relaciona com a salvação do crente, em tanto que a
justiça subjetiva se relaciona com a vida vitoriosa do crente. A primeira tem a ver com a obra
de Cristo na cruz, e a segunda com a vida de Cristo em nós. A primeira precede e determina a
segunda.

Nossa justiça subjetiva

Somos chamados a ser a imagem de Cristo. Como se consegue isso? Deus tem um nível de vida
que quer que nós vivamos, mas acontece que nós não podemos viver. Não temos essa
capacidade; não podemos viver o nível de vida exigido por Deus. Só Cristo pode viver. Cristo
vive esse nível de santidade, de obediência, de fidelidade, de sofrimento. Cristo é tido às vezes
como um modelo para nós, mas nós não temos capacidade para imitá-lo; ninguém pode imitar
a Cristo. Cristo é o nível de vida para o cristão normal, o vencedor. Então, quem pode
satisfazer esse nível de vida de Deus? O único que pode satisfazer essa demanda de Deus é
Cristo; de maneira que se não é Cristo vivendo Sua própria vida em ti, tu nunca o lograrás. Diz
Paulo em Gálatas 2:20: " logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver
que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se
entregou por mim ".Isso de que há crentes que não pecam, não tem respaldo bíblico nem se
cumpre na vida real. Todos somos pecadores, de modo que por nós mesmos não podemos
satisfazer a expectativa de Deus. O que fazer? Nosso eu deve morrer; é necessário que seja
Cristo vivendo em nós. Não se trata que eu viva como Cristo, que o imite, e sim que Cristo
esteja vivendo Sua vida em mim. "Porquanto, para mim, o viver é Cristo" (Fp.1:21), dizia Paulo;
não minha própria vontade, nem a lei, nem os ritos, nem as obrigações religiosas, nem meu
mérito depende de que seja membro de determinada religião; meu viver é Cristo, porque Ele e
eu somos uma só pessoa; "não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é
mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé" (Fp 3:9); ou seja, se
meu viver é Cristo, não agrado a Deus por guardar alguma lei, nem por meus esforços
pessoais, senão por uma união orgânica com Cristo por meio de nossa fé Nele.Em Apocalipse
19:8 fala dos atos de justiça dos santos. Ali diz: "pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo,
resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos ". Estes atos
de justiça dos santos vencedores são subjetivos; isto só se logra pela vida de Cristo no crente.
Diz em Mateus 6:33: "buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas
coisas vos serão acrescentadas". A vida eterna se recebe pela fé, pela graça de Deus em Cristo,
mas o reino se obtém cumprindo uns requisitos exigidos pela justiça do Pai. O reino de Deus
tem seus próprios princípios, muito mais estritos que os da antiga lei mosaica, a praticada
pelos escribas e fariseus. Diz em Mateus 5:20: "Porque vos digo que, se a vossa justiça não
exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus". Esta é nossa
justiça subjetiva, relacionada com nossa íntima comunhão com Cristo em nós. Quem quer
participar no reino dos céus, isso depende de sua própria vontade, que esteja disposto a
permitir ao Espírito Santo que trabalhe para que, uma vez perdida a nossa alma aqui,
possamos começar a viver a realidade do reino desde agora. Para participar no reino futuro, é
necessário estar participando desde agora em obedecer seus princípios.A vida religiosa dos
fariseus aparece nas Escrituras revestida de aparência de piedade. Trata-se de meras
vestiduras religiosas. A hipocrisia se costuma revestir de aparência de piedade. A Escritura fala
da manifestação nos últimos tempos de homens amadores de si mesmos; e por certo serão
religiosos, porque 2 Timoteo 3:5 diz que "tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o
poder. Foge também destes.". O que acontecerá com os crentes com aparência de piedade?
Isso o contesta Mateus 7:21-23: "21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino
dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.22 Muitos, naquele dia,
hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em
teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?23 Então,
lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a
iniqüidade".Note que para entrar no reino dos céus temos que fazer a vontade do Pai celestial;
não uma mera aparência. Se não obedecemos, ou simplesmente nos deleitamos em fazer
nossa própria vontade, não seremos aprovados no dia do Senhor. Há um afã desmedido por
crescer em muitas coisas, mas o verdadeiro crescimento espiritual experimentamos na medida
em que minguamos.Por que Deus nos tem escolhido? Diz a Escritura: "Entretanto, devemos
sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu
desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade" (2 Ts. 2:13).
"4 assim como nos escolheu nele (Cristo) antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis perante ele; e em amor5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por
meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade " (Ef 1:4-5). Deus Elege as pessoas
porque encontra nelas algo especial? Não; em nossa eleição o que entra em jogo é a vontade e
a graça soberanas de Deus. Deus é amor, e esse amor se põe em ação por sua misericórdia,
vendo o homem perdido, e manifesta sua graça em Cristo produzindo nossa salvação. Deus
tem misericórdia de quem quer ter misericórdia; Ele é soberano. Primeiro elege a Isaque ao
invés de Ismael; logo a Jacó ao invés de Esaú; e o Senhor escolhe a Jacó com conhecimento de
que ia ser uma pessoa supremamente egoísta; entretanto, lhe dá as promessas, o aperfeiçoa
(Fp 1:6) e faz dele um instrumento espiritual (Jo 6:39).A nós nos conheceu em forma especial
desde o princípio, e nos predestinou; chegado o momento nos chamou, nos justificou por Seu
Filho e por último nos glorificou. Agora vive em nós e quer engrandecer-se em cada um de nós.
Quando Cristo se engrandece em ti, é porque tua vida é iluminada por Deus, e começas a ver
as coisas como Deus as vê.

A quinta promessa

"O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu
nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos
seus anjos" (Ap. 3:5). O versículo anterior faz parte da carta à igreja local de Sardes. Como
profecia que é; Sardes representa o protestantismo, ou seja, um cristianismo de sistemas
mortos (Apocalipse 3:1b), onde tem que vencer uma morte que não conclui, onde abunda a
vida artificial, e isso é devido a que no protestantismo os membros do Corpo de Cristo têm
suas funções anuladas porque não há vida. Os membros que são olhos, não vêem; os que são
pés, não caminham, estão atrofiados. Tu podes observar uma congregação denominacional, e
por grande e numerosa que seja a membresia, a grande massa se contenta com assistir à
reunião dominical, como quem assiste a missa; só são ativos o pastor e uns poucos achegados.
Ao haver se oficializado o nicolaísmo em Tiatira, posteriormente Sardes herdou que só o
pastor e seus convidados especiais podem falar nas reuniões; os demais estão restringidos
porque são laicos; e todo membro do corpo que não se usa, se vai atrofiando e suas funções
vão se aniquilando, e se experimenta uma morte que jamais termina. É necessário vencer a
morte espiritual.Dentro dos sistemas religiosos do protestantismo prevalece um estado
latente de morte organizacional. As organizações são sectárias, pois rompem a expressão da
unidade do Corpo de Cristo, então, de fato nascem mortas, sem a vida de Deus, mas
individualmente os cristãos que agora fazem parte das mesmas, podem vencer essa situação e
andar de acordo com a vontade de Deus. Ao ser vencedor, ao ter a disposição permanente de
obedecer e ser fiel ao Senhor, o crente será objeto de um prêmio no reino vindouro. De
acordo com o andar nesta era da graça, com a obediência ao Pai, com o sofrimento por causa
de Cristo, com o renunciar o mundo e seus deleites, com a fidelidade ao nome do Senhor Jesus
Cristo e não a outro nome, assim será a retribuição na era do reino. Aqui aparecem três
recompensas para os vencedores de Sardes, os do período que representa o sistema
denominacional: (1) Vestiduras brancas, (2) não serão apagados seus nomes do livro da vida e
(3) serão confessados seus nomes diante do Pai celestial e Seus anjos.

Não serão apagados os nomes dos vencedores

Muitos mestres da Bíblia ensinam que ser apagado o nome de alguém do livro da vida significa
que essa pessoa era salva e perde a salvação. Já temos lido nas Escrituras que o que crer no
Senhor Jesus Cristo tem vida eterna, sem que tenha que fazer nada para ganhá-la ou perdê-la,
pois é um presente (Jo 3:16; Ro 6:23; Ef 2:8,9), e seu nome foi incluído no registro divino de
todos os predestinados para serem salvos desde antes da fundação do mundo (Ef 1:3,4). O
nome do vencedor não será apagado do livro da vida. E o dos demais salvos? Para entender
isto é necessário saber que existe um livro nos céus onde tem sido escritos os nomes de todos
os santos escolhidos por Deus e predestinados para participar das bênçãos que Deus tem
preparado para eles; as quais são dadas na era da Igreja, logo durante o milênio depois que o
Senhor regressar, e por último na eternidade, no novo céu e a nova terra. Então, o que
acontecerá?
Seus nomes serão confessados diante do Pai celestial e diante de Seus anjos. No
protestantismo há diversidade de nomes de organizações, missões, ministérios e doutrinas; e
muitos têm preferido rotular seu cristianismo com tais nomes, ainda por cima do nome do
Senhor. Muitos preferem chamar-se católicos, anglicanos, adventistas, batistas, presbiterianos,
metodistas, wesleyanos, pentecostais, carismáticos, quadrangulares. A esse respeito disse
Watchman Nee:

" No começo do reino, frente ao tribunal, os anjos de Deus levarão os cristãos diante de Deus.
O livro da vida estará ali. No livro da vida estão escritos todos os nomes dos cristãos. Haverá
muitos anjos e muitos cristãos. O Senhor Jesus também estará ali. Um ou mais anjos lerão os
nomes do livro da vida, e o Senhor Jesus confessará alguns dos nomes. Aqueles nomes que Ele
confessar, entrará no reino. Quando os nomes de outros forem lidos, o Senhor não dirá nada;
em outras palavras, Ele não confessará seus nomes. Então os anjos marcarão estes nomes;
portanto, os nomes dos vencedores estarão limpos no livro da vida. Um grupo não tem seus
nomes inscritos no livro; outro grupo tem seus nomes escritos, mas seus nomes estão
marcados; e o terceiro grupo, na era do reino, tem seus nomes preservados na mesma forma
em que foram escritos a primeira vez". (Watchman Nee. O Evangelho de Deus. LSM. 1994, pág.
476)."alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está
arrolado nos céus" (Lc. 10:20b). Não é necessário que nossos nomes estejam registrados nos
livros das organizações eclesiásticas. Devemos estar seguros de nossa salvação em Cristo Jesus.
Estás tu seguro de tua salvação? No caso de que não estejas seguro de tua salvação, a que se
deve isso? O Senhor nos dá a segurança de nossa salvação. " 27 As minhas ovelhas ouvem a
minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e
ninguém as arrebatará da minha mão " (Jo. 10:27,28). Se teu nome está escrito no livro da
vida, agora és objeto de muitas benção, tais como a redenção, o perdão dos pecados, a vida
eterna, a regeneração, a natureza de Deus, a santificação, a renovação, a justificação e outras.
Se durante o tempo da graça, enquanto vives nesta terra, tu cresces em tua vida espiritual,
amadureces, cada dia é fortalecido teu homem interior, e o Espírito te dá testemunho de que
és um vencedor, se teu andar é com Cristo e teu eu experimenta cada dia a ação da cruz, e vai
minguando, então o Senhor não apagará teu nome durante o juízo da Igreja, senão que como
prêmio o Senhor te permitirá participar com Ele no reino milenar, incluindo as bênçãos de Seu
gozo e repouso, e serás vestido de vestiduras brancas de acordo a como houveres andado
nesta era. "Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito
te colocarei; entra no gozo do teu senhor " (Mt. 25:21).O Senhor tem vindo a viver dentro de
nós, em nosso espírito, para Ele poder viver Sua vida e realizar Sua obra. Nós somos seus
colaboradores; mas nesta era da Igreja, em meio deste chamativo mundo, alguém, como
humano, necessita de certos incentivos para poder cooperar com a graça de Deus e fazer a
correta e verdadeira obra do Senhor na construção da Igreja; e o único que nos pode
incentivar é o Senhor. Por isso é necessário ver isto com toda a seriedade.Diz a Escritura:
"desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;13 porque Deus é quem efetua em vós
tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:12b-13). Se refere à salvação
diária, não à eterna; é Cristo vivendo em nós, operando em nós por Seu Espírito, e isto inclui
obediência; porque o Senhor põe dentro de ti o querer, e fora de ti o fazer; é algo de dentro
para fora; de teu espírito para a tua alma, onde está tua mente, tua vontade, tuas emoções, e
logo de tua alma a teu corpo, para que todo teu ser entre em ação; mas se tu não avanças com
Ele, se te contentas de pronto com ser um crente a mais na multidão, um menino na vida
espiritual; se não te interessa vencer sobre o que ocorre em teu entorno religioso, se negas o
nome do Senhor por exaltar o nome de alguma organização religiosa ou de algum
proeminente líder religioso, ou a ênfase de uma doutrina em especial tem te deixado sectário,
então teu nome é apagado do livro da vida durante a dispensação do reino e não terás
participação com o Senhor nele mesmo, nem receberás as bênçãos para esse tempo. Significa
isso que perdem a salvação? De maneira nenhuma; senão que durante esse tempo, os que não
houverem vencido, serão disciplinados como o servo mal que foi lançado às trevas exteriores,
e desse castigo não sairá até que tenha alcançado a maturidade necessária para participar das
bênção que Deus tem prometido para a eternidade na Nova Jerusalém, quando seus nomes
serão escritos novamente no livro da vida. Quais são essas bênçãos eternas? O reinado eterno
com Deus na Nova Jerusalém, o sacerdócio eterno, a árvore da vida, a água da vida." 3 Nunca
mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o
servirão,4 contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.5 Então, já não haverá
noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará
sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. 14 Bem-aventurados aqueles que lavam as
suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e
entrem na cidade pelas portas. 17 O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga:
Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Ap. 22:3-
5,14,17).Nem todos serão vencedores. Parece ser que os vencedores são uma minoria. Há
pessoas que dizem que andam na luz, mas a realidade demonstra que andam em trevas (1 Jo
2:8,9). Surpresas se darão! Os nomes dos vencedores também serão confessados pelo Senhor
diante do Pai e de Seus anjos na era do reino milenar na terra. A experiência nos diz que é
agradável para muitas pessoas que seus nomes sejam confessados diante de altas
personalidades e figuras de certo prestígio. Isso tem algo a ver com o estado em que se
encontra a cristandade? Desde suas raízes a história do protestantismo se tem visto
relacionada com a vinculação de altos personagens, imperadores, reis, príncipes, eleitores,
prelados, dignitários políticos e religiosos, que vão abrindo passo e escalando certas posições
as vezes por meios não bíblicos, como o da política e as contendas belicosas. Mas a casa
construída pelos homens, e usando métodos humanos, será deixada deserta (cfr. Mateus
23:38). A chave é Deus em nós em Cristo e por Seu Espírito. Um crente não tem nenhum
motivo para gloriar-se; não importa que seja muito sábio ou muito ignorante; não importa a
posição que ocupe no mundo religioso; se tudo tem feito o Senhor, se em algo devemos
gloriar-nos é no Senhor.

Cap 6- Os Vencedores e a Igreja- (1ª Parte)


Os vencedores ante o fracasso da Igreja

Solidarizo-me com os que afirmam que «a Igreja forma o centro do universo e a razão de ser
da criação».*(1) O que pensava Deus quando criou o universo? Diz Zacarias 12:1b: "o SENHOR,
o que estendeu o céu, fundou a terra e formou o espírito do homem dentro dele". Eis aí o
centro da atenção do Senhor, eis aí o mais importante para o Criador, o espírito do homem
regenerado, a Igreja, onde fará Sua morada eterna. Isso é mais importante para Deus que
todas as grandes galáxias juntas.
*(1) Daniel Ruíz Bueno. Pais Apostólicos. BAC. 1985. Pág. 929.
De acordo com Gênesis 1:26-27 e Romanos 5:14, Adão foi criado à imagem de Cristo; mas o
homem caiu e perdeu essa imagem. É agora na era da graça e pela redenção de Deus em
Cristo, que o homem redimido volta a ser a imagem de Cristo (Romanos 8:29); é a Igreja, o
conjunto de todos os predestinados por Deus para que participem desta salvação tão grande.
Ante a rebelião de Satanás primeiro e a queda do homem depois, o plano eterno de Deus de
reunir todas as coisas em Cristo, e que todas as coisas manifestassem a glória de Cristo, e que
o homem fosse semelhante a Cristo, esse plano sofre demora; e por ele é necessário que o
Filho de Deus se encarne na história, nasça e cresça como todos os homens e faça Sua obra na
cruz, morrendo por nós e ressuscitando gloriosamente, segundo o antecipado conselho de
Deus, e vença. O Senhor Jesus é o primeiro vencedor. Ao derramar sua vida na cruz, e por meio
de Sua poderosa ressurreição e gloriosa ascensão, o Senhor da vida à Igreja, a qual é chamada
a se manter na vitória de Cristo na cruz. Cristo, o Cabeça, no Calvário venceu e atou a Satanás;
e o Senhor quer que Seu Corpo, a Igreja, todo o tempo que permanecer na terra, mantenha e
demonstre a vitória da cruz, e para ele é necessário que a Igreja amarre a Satanás em todo
lugar. Satanás tem se interessado muito em que a Igreja, seus membros, ignore que Cristo já
venceu na cruz do Gólgota, e que essa vitória é nossa, onde nos devemos manter firmes. A
Igreja está chamada a proclamar e viver essa vitória do Senhor sobre as forças das trevas.
Sabemos que muitos irmãos vivem prostrados, crendo que suas próprias forças lhe darão a
vitória.Mas a Igreja historicamente tem fracassado; isto vem ocorrendo desde o período
primitivo. Desde os tempos apostólicos começaram as falhas; com a perda do primeiro amor
começou o declínio. A Igreja gradualmente foi experimentando suas falhas, primeiro
manifestadas em algumas pessoas, e depois caiu comprometida com o mundo em tempos de
Constantino o Grande, imperador romano; houve um matrimônio desigual que se consolidou
nos tempos do imperador Teodósio o Grande (379-395), veio das alturas com Cristo a morar
na terra, até que definitivamente foi infiel ao Senhor. A Igreja é o Corpo místico de Cristo; Ele
como Cabeça, sofre as feridas do Corpo e, como o corpo humano, através da história a Igreja
tem sido atacado por inumeráveis germes e pragas malignas com que Satanás tem desejado
acabar com a igreja. A Igreja tem sido atacada por legiões de demônios que a vão contaminado
com a falta de amor ao Senhor e aos irmãos, falta de fé e esperança nas promessas de Deus
conforme as Escrituras, com heresias, gnosticismo, ataques por parte do judaísmo e o
legalismo, com o desconhecimento dos princípios bíblicos, com incontáveis divisões, com
perseguições, união com o mundo, com cesaropapismo, com sincretismo, idolatria, por meio
da inquisição, o nicolaísmo, a mariolatria, o denominacionalismo e as doutrinas de demônios,
com as forças psíquicas latentes na alma e a teologia da prosperidade, com o evangelho das
ofertas, com o cepticismo e a incredulidade, com o farisaísmo e a aparência de piedade, com
sedução com princípios e práticas esotéricas, e por último com o ecumenismo e a globalização
da religião.Mas a Igreja, apesar de que tem chegado a estar gravemente enferma, tem saído
triunfante, porque as portas do Hades não prevalecerão contra ela, e depois do grande
cativeiro e de passar pelo vale da sombra da morte, chegou a hora de brotar loução como as
flores na primavera, mas desafortunadamente nem toda a Igreja tem estado comprometida, e
nem toda ela é a portadora dos anticorpos, senão que só os vencedores estarão preparados
para a grande batalha final. É como a vanguarda da Igreja. Desde o começo, e ante o fracasso
da Igreja, surge a necessidade de que a responsabilidade recaia sobre uns poucos, os
vencedores. Só com os vencedores, os que já tem recobrado a imagem de Seu Filho, Deus porá
Seus inimigos por estrado dos pés de Cristo (Mateus 22:44), quem tem a preeminência em
tudo. O resto, a grande massa da Igreja quer glorificar a si mesma e jactar-se de seu trabalho e
de suas conquistas. É mais saudável que trabalhes para o Senhor sem esperar nada para ti; si
estás esperando algo, não tens matado a ti mesmo. Se isso está te ocorrendo, conta-te entre
os eliminados do reino. É preciso que Deus nos vença por meio da cruz.O Antigo Testamento
está cheio de tipos e figuras de Cristo e a igreja. Por exemplo, a Escritura, falando da
construção do tabernáculo no deserto sob a liderança de Moisés, diz que a coberta exterior
desse templo portátil era confeccionada com peles de texugos (cfr. Êxodo 36:19). A esse
respeito citamos um comentário do irmão Witness Lee, tendo em conta que o tabernáculo era
só um tipo da legítima Igreja do Senhor."Depois da capa de peles de carneiro tingidas de
vermelho, está a quarta capa, a qual vem a ser a capa externa. Esta coberta está formada de
peles de texugo ou de marsopas, as quais são muito fortes; podem resistir a qualquer classe de
clima, qualquer classe de ataque. A coberta exterior não é muito atrativa em aparência e é
algo tosco. Hoje em dia, exteriormente Cristo não é tão agradável para as pessoas mundanas;
Ele simplesmente se assemelha à forte pele de texugo, que não tem atrativo em sua aparência
exterior. Mas ainda que Ele não seja muito atrativo por fora, por dentro Ele é formoso,
maravilhoso e celestial. Ele não é como o cristianismo de hoje, que tem edifícios imensos e
formosos; exteriormente são muito imponentes, mas interior e espiritualmente são
desagradáveis, vazios e algumas vezes corruptos. As organizações cristãs mundanas são
verdadeiramente feias. No interior da igreja apropriada, do edifício de Deus, há algo celestial e
belo, ainda que exteriormente seja humilde e tosco, sem atrativo nem beleza". (Witness Lee. A
Economia de Deus. LSM. 1990. pág. 204).O cristianismo perfila-se através de duas correntes.
Por um lado, há um cristianismo religioso, nominal, professo e até com aparência de piedade;
claro, com uma variante gama de autenticidade; que ao mesmo tempo em que podem estar
anelando estar bem com Deus, também podem estar se inclinando a olhar com simpatia o
mundo circundante e seus enganosos prazeres. São os que não costumam desejar
comprometer-se com Deus. Mas detrás desse cristianismo veleidoso, há outra realidade, a dos
lutadores, os que sabem que com Cristo são vitoriosos, os que esperam a vinda do Senhor e
Seu reino com Ele. São os que têm se comprometido com Cristo até a morte; são os que são
guiados pelo Espírito de Deus, porque conhecem e estão familiarizados com Sua voz e a
estimam. São os que já não vivem para si mesmos, senão para Aquele que dentro deles habita
e ordena, porque têm consciência que ofertou Seu próprio sangue pela vida da Igreja, e nos fez
livres do que escraviza aos homens e quer destruir o rebanho do Senhor. São os que tem
consciência que nossa verdadeira causa, vida e fortaleza é Cristo; são os que sabem que os
demais saem sobrando. São os que sabem que tudo o que está relacionado com este mundo
de pecado, com nossa própria carne e com Satanás, nos impede de um autêntico crescimento
espiritual. São os que estão conscientes de que chegou a hora em que tem que deixar de julgar
à Igreja. São os que não põem em primeiro lugar às “demais coisas” senão ao Senhor.
Freqüentemente essas duas correntes cristãs não se identificam uma com a outra, nem se
entendem, e até tem sido antagônicas na história. Dá-se o caso de que se um vencedor trata
de ajudar a um irmão caído, ou a um irmão cego à realidade do Senhor, ou a um irmão
egocêntrico, este o recusa e o apelida de fanático ou extraviado. E até o persegue.
A partir da regeneração dos membros do Corpo de Cristo; a Igreja já vive dentro da esfera do
reino de Deus, e como em todo reino, no reino de Deus há claras normas de governo e de
disciplina, e é necessário que todos os redimidos sejamos não só governados e disciplinados,
senão também treinados para governar com Cristo na eventual manifestação do reino dos
céus.Este é o tempo em que, de acordo com o sermão do monte de Mateus 5-7, a Igreja, como
a atual realidade do reino dos céus, deve ser treinada, disciplinada, provada, purificada, limpa,
experimentada em uma vida austera, em tribulações e restrições, corrigida em tudo. Nos
pequenos reinos e feudos que se tem formado no cristianismo, a Igreja está sendo guiada
pelos caminhos largos e amplas portas que facilitam a entrada à prosperidade econômica; os
irmãos são treinados para ganhar méritos próprios diante do Senhor para serem dignos de
ricas "bênçãos" terrenas, que satisfaçam seus deleites carnais aqui e agora. Estamos na era das
ovações e as distinções entre os homens. Para que esperar o futuro? Não há preparação para
merecer o reino, porque se desconhece tudo do reino. Para quê mais reino, se já a grande
massa está reinando. Se dizem: "Somos os filhos do Grande Rei; já estamos reinando". Muitos
querem reinar desde agora, mas recusam pagar o preço da coroa. É melhor reinar na
manifestação do reino futuro, e estar sobre todos os bens do Senhor (cfr. Mateus 24:47), que
reinar aqui. Ninguém, exceto os vencedores, querem ocupar-se na confecção e bordado, com
o Espírito Santo, do vestido de linho fino, limpo e resplandecente, sem mancha, para poder
participar nas bodas do Cordeiro; porque esse vestido é individual, pois é feito em nosso viver
diário com o Senhor, o que fazemos, a Palavra diz que são os atos de justiça de cada santo em
particular. As ações justas de outro santo não servem a ti para que possas participar nas bodas
do Cordeiro, enquanto tu não negares a ti mesmo, e teu andar não for no Espírito de Deus.Por
tudo isso, a Palavra de Deus fala de vencedores, porque só os vencedores podem chegar a ser
pobres no espírito, ter capacidade para suportar o sofrimento, ser mansos, ter fome e sede de
justiça, ser misericordiosos; só os vencedores podem ser limpos de coração, pacificadores; só
os vencedores tem capacidade de padecer perseguição por causa da justiça e ser vituperados
por causa do Senhor, e por cima de tudo isso, se regozijar e alegrar, sem devolver mal por mal,
sem queixar-se, e sim bendizendo a seus detratores; só os vencedores são capazes de voltar a
face esquerda ao que lhe fere ou golpeia a direita. Só um vencedor tem a capacidade de se
contentar com qualquer que seja a situação pela que tenha que passar, seja de necessidade ou
de abundância, e poder manifestar como Paulo: " tudo posso naquele que me fortalece " (Fp.
4:13). Os vencedores são a vanguarda; os vencedores são os verdadeiros guerreiros de Deus
na Igreja, os que estão vestidos com toda a armadura de Deus. Na Igreja há pessoas que só
vestem parte dessa armadura, e outros, embriagados por uma falsa teologia fácil, não vestem
nada. Andam nus, como os de Laodicéia. Só os vencedores expressam a realidade do reino que
deveria expressar toda a igreja redimida pelo Senhor; porque só na vida vitoriosa dos crentes
vencedores se satisfaz o requerimento de Deus de que nossa justiça deve ser maior que a dos
escribas e fariseus, ou seja, uma mais elevada e exigente moral comparada a que demanda a
lei veterotestamentária e os legalistas religiosos professos. Temos a realidade do reino, mas é
uma realidade escondida na Igreja, inclusive para a maioria dos crentes.Por exemplo, a lei
exige que se ame ao próximo e se aborreça aos inimigos, mas o Senhor nos diz que amemos a
nossos inimigos. Mas, quem que não seja vencedor pode conseguir isto? Com o estado atual
da igreja professa, com essa divisão crônica reinante, se vive um egoísmo sem precedentes;
não se ama nem sequer aos irmãos na fé; às vezes nos devoramos uns aos outros; muitas
vezes se prefere não empregar os serviços de nossos irmãos, porque há muita desconfiança,
irresponsabilidade, falta de honradez, fachada de religiosidade, mas nada de amor e respeito,
muito menos de piedade, porque o crente vive como o resto dos homens, como qualquer filho
de vizinho e não como filhos de nosso Pai que está nos céus. Existe uma grande diferença
entre ser filho de um pai meramente humano e ser filho do Pai celestial; porque a vida
humana não pode viver a realidade do reino dos céus, senão a vida divina que Deus vive
dentro de nós. A oração autoritativa, a obediência, a dedicação, o sofrimento, a cruz, o negar a
si mesmo, o trabalho e a vitória dos vencedores, repercute em toda a Igreja. Os vencedores
obtêm a vitória para a Igreja, porque os vencedores levam toda a carga que deveria levar a
Igreja inteira. Sobre os ombros dos vencedores recai a responsabilidade de carregar a arca
(símbolo de Cristo); elevá-la, e ao custo de sua própria vergonha, livrá-la do vitupério dos
homens. O vencedor não tem repouso; sua responsabilidade não lhe admite o descanso; o
vencedor sabe que tem que se manter em vigília até que o Senhor lhe alivie da carga. Então,
irmãos, é justo que o Senhor julgue em Seu tribunal o que a Igreja tem feito nesta era? Será
justo que todos os santos recebam um mesmo trato, sendo que uns tem caminhado pelo
caminho amargo e difícil, enquanto que outros o tem feito pelo amplo, prazeroso e fácil? É
curioso o que anota o irmão Sonmore: "O povo, que tem ouvidos sarnento, se congrega ante
os mestres de sua própria eleição para ouvir mensagens de prosperidade, de paz, de poder, de
auto-realização e de sanidade física para continuar em pecado". (Clayton E. Sonmore.
"Ninguém se atreve a chamá-lo engano". Tomo 3 da série "Mostre a Casa aos da Casa". M.S.M.
1995, p. 130).Há duas coisas que teve a igreja em seu período primitivo e que se perderam não
muito tempo depois, e que urge que sejam restauradas em nosso tempo, a saber, o ministério
e a mensagem. Esses dois aspectos já tem sido restaurados em certos lugares, mas a um alto
custo de perseguição e dificuldades. Por exemplo, o ministério que existe agora não é o
bíblico; e a mensagem em mãos de um ministério estranho também se aparta da verdade do
fundamento escriturário. Alguém tem dito que uma igreja com um ministério e uma
mensagem que não se podem reconhecer, é um fantasma da verdadeira Igreja do Novo
Testamento. Hoje ministério é uma fonte de ganância e de posição social; na Bíblia, exercer o
ministério é um grande sacrifício pois exige pagar um preço. Qual é a mensagem do verdadeiro
ministério e por que é recusado no cristianismo atual? Porque o verdadeira mensagem é a
cruz. Ninguém quer pregar a cruz, nem menos vivê-la. Se tu pregas a cruz, te correm de tua
denominação. Se a Igreja não vive a cruz, qual será a diferença com os pagãos?Os vencedores
são os únicos que levam a cruz e negam a si mesmos. A cruz é obediência e submissão ao
Senhor até a morte; a cruz é dor e sofrimento, a fim de que possa haver vida para outros. Sem
morte não pode haver vida. Mas a Igreja evita levar a cruz, e se refugiam na prosperidade
material, na vida fácil, como se o Rei nos houvesse redimido para que nos acomodemos neste
mundo. Diz W. Nee: "Cada um de nós deveria perguntar: O que faço o faço com o afã de
adquirir fama, ou prosperidade ou para ganhar a simpatia dos demais? O que busco é a vida na
igreja de Deus? Espero que todos possamos pronunciar a seguinte oração: Oh Senhor,
permita-me morrer para que outros possam viver". (W. Nee. O Plano de Deus e os
Vencedores. Ed. Vida, 1977, pág. 87.)
Satanás já foi julgado na cruz, de modo que a execução dessa sentença está a cargo da Igreja, e
em particular dos vencedores. Quando os vencedores forem ressuscitados e levados ao céu,
com eles o Senhor estabelece Seu reino e Sua autoridade sobre a terra e é consumada a
salvação. A grande maioria na Igreja não consegue cumprir o propósito de Deus simplesmente
porque o ignora; por isso é que o Senhor consegue Seu propósito com um grupo de
vencedores. No cristianismo não há consciência de Igreja como Corpo de Cristo. Só na
condição de Filadélfia se tem restaurado a vida corporativa da Igreja. No cristianismo tem se
exagerado a ênfase na salvação individual, e isso em detrimento da Igreja, o Corpo de Cristo;
porque o que tem que ver com um membro, tem sua repercussão em todo o organismo. Se
não somos agarrados e alicerçados em amor, todos unidos como os membros do corpo
humano, não podemos ser cheios de toda a plenitude de Deus. Deus não trabalha só, nem
quer que nós trabalhemos sós. A Palavra de Deus diz que só corporativamente se pode
conhecer a Cristo em suas reais dimensões (cfr. Efésios 3:17-19). Individualmente na Igreja há
covardes, outros são preguiçosos, outros descuidados, outros amadores das coisas do mundo;
daí que o Senhor dispensacionalmente sempre se tem valido de um pequeno remanescente,
tanto no povo de Israel como na Igreja.Ser vencedor não necessariamente se relaciona com
ser integrantes de um grupo de pessoas especialmente espirituais, com meta a receber coroas
e recompensas quando vier o Senhor. Pode haver algo disso, mas no fundo se trata da falha
que historicamente tem afetado à Igreja, e o Senhor quer cumprir Seus propósitos com uns
poucos que tem vencido as circunstancias que tem levado à derrota o resto da Igreja. O
vencedor faz o que realmente deveria fazer toda a Igreja. O vencedor proclama com
freqüência a vitória de Cristo; ou seja, dá testemunho que Cristo já venceu Satanás, e que já se
aproxima a manifestação do reino dos céus. É necessário que expressemos o testemunho
tanto aos homens como a Satanás. É necessário dar testemunho que Jesus é o Senhor. De
conformidade com a Palavra de Deus, vemos a diferença entre um crente vencedor e um
vencido. Ao menosprezar sua vida até a morte, o vencedor está disposto a ser sacrificado em
sua vida física e a negar-se até perder toda a força de sua alma. As capacidades naturais da
alma humana do crente, devem ser tratadas pela cruz. Quando chegamos a Cristo, trazemos
uma série de forças e capacidades, que o diabo e a carne nos induzem a por ao serviço do
Senhor sem que sejam tratadas pela cruz; e quando isto ocorre, o cristão tem falhado. As
capacidades naturais do homem estorvam a obra de Deus.Qualquer um pode se enganar e
enganar usando suas habilidades como se procedessem do Espírito Santo. Costuma-se usar
magníficas habilidades naturais pedagógicas, eloqüência, inteligência inata, privilegiada
memória; mas tudo isso pode estar se fazendo na carne: madeira, feno, palha. O que significa
isso? Que se está apresentando uma santidade e umas capacidades que não procedem de
Deus. A Deus não se pode servir com o que não procede Dele mesmo. Deus não recebe o que
não procede Dele. Qual é o caminho correto a seguir? O eu deve ser anulado por meio da cruz.
Se isso não ocorre, Cristo não pode manifestar Seu poder em nós. O orgulho que nos arrasta
com base em nossos próprios recursos naturais, e o poder de Cristo, não são compatíveis. Diz
em 1 Coríntios 15:50: "Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino
de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção". O corpo animal de que fala o versículo 44
não pode herdar o reino; ele deve passar primeiro pela ressurreição, e a alma haver
experimentado a cruz.

O vinho novo necessita de odres novos

O Senhor está edificando sua Igreja de acordo aos parâmetros bíblicos, e necessitamos ter
clareza de que o Senhor nos revela em sua Palavra e pelo Espírito que não temos para quê nos
esforçar tratando de reformar as velhas estruturas eclesiásticas reinantes; isso é uma tarefa
impossível. Todo intento de renovação não funciona simplesmente porque a edificação da
Igreja é viva; a Igreja é um organismo vivo. As organizações eclesiásticas, por muito
esplendorosas que se mostrem, não deixam de ser estruturas mortas que não podem conter
essa vida. São recipientes velhos e rotos aptos para a dispensação da lei; e o Senhor está
preparando odres novos para depositar o vinho novo (cfr. Mateus 9:14-17; Marcos 2:18-22;
Lucas 5:33-39.). As dispensações da lei e da graça são incompatíveis. O que procura
estabelecer sua própria justiça tratando de cumprir preceitos legais (Ro. 10:3), e não se sujeita
à justiça de Deus em Cristo (Ro. 3:22; 10:4), simplesmente cai da graça (Ga. 5:4). O cristianismo
voltou ao legalismo. Por exemplo, para os meros professantes da religião, o jejum já não é um
ato íntimo e secreto de adorar ao Senhor (cfr. Mateus 6:16-18), senão uma prática religiosa
externa e oficial, muitas vezes usado para ostentar e jactar-se não só diante dos homens senão
também ante Deus.
Isto tem cumprimento tanto a nível pessoal como organizacional. As caducas estruturas da
igreja tradicional em suas diferentes facções, com sua bagagem de legalismo e imposições,
constituem uma trincheira para a graça. A Igreja do Senhor está voltando a sua normalidade
bíblica, à verdadeira vida e unidade do corpo de Cristo, às práticas do primeiro século, quando
os santos "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas
orações" (At. 2:42). Mas a normalidade da Igreja não se conquista renovando as estruturas das
igrejas tradicionais. Não se podem reformar velhas estruturas eclesiásticas; isso é uma
verdadeira utopia. Desde o ano 1123 ao redor de 13 concílios "ecumênicos" não puderam
renovar o catolicismo romano, por exemplo. Diz o Senhor que isso seria como pretender que
um vestido velho fosse convertido em um novo simplesmente porque se enche de remendos,
pois remendar um pano velho com pedaços de um novo traz como resultado a ruptura do
pano velho. Por que se rompe? No original grego não diz necessariamente pano novo; mas fala
de pano tosco, sem cardar (agnafos), não curtido. Um pano não passado por curtimento, é que
não tenha sido golpeado, desengraxado e curtido; é um pano tosco, que ao ser molhado se
encolhe, de maneira que o remendo do dito pano o tira do velho e o desgarra; então a ruptura
se faz maior que antes. Assim é o evangelho do reino; é puro; é um evangelho sem tirar as
asperezas, a cruz, o negar a si mesmo; é o evangelho do caminho estreito; é um evangelho que
não pode servir para remendar o evangelho fácil que está se pregando. O evangelho do reino e
da justiça de Deus choca-se com o evangelho mundano da prosperidade e do enriquecimento
econômico; choca-se com o evangelho dos palácios e dos grandes empórios.
O mesmo acontece com os odres. Os odres são couros geralmente de cabra, que, cozidos e
costurados por todas as partes menos pelo correspondente ao pescoço do animal, serve para
conter líquidos, como vinho e azeite. Os couros dos odres, com o envelhecimento tendem a
endurecer, e, claro, vão perdendo flexibilidade, e podem romper facilmente. Esses couros
velhos não resistem à força da fermentação do vinho novo. A restauração da igreja bíblica está
fermentando agora em quase todos os países do mundo; e essa fermentação está produzindo
grandes rupturas nas diferentes estruturas da igreja tradicional. Há milhares de irmãos que
neste momento estão recebendo essa revelação do Senhor; e há deserções por em toda parte.
Há muitos irmãos vencedores que estão buscando a unidade do corpo de Cristo na comunhão
do Espírito de Cristo. O vencedor vê o que não vêem os demais. O vencedor faz um escrutínio
cuidadoso conforme a Palavra de Deus, porque a visão espiritual deve ser conforme a as
Escrituras. O vencedor examina e reflete. O vencedor não fica na superfície; em certo modo há
de se penetrar no mistério do corpo de Cristo; vê-lo, vivê-lo, discerni-lo. Nós cristãos não
devemos viver no temor que engendra o cumprimento de preceitos e cargas; ao crer em Jesus
Cristo, Dele não temos recebido o espírito de escravidão (cfr. Romanos 8:15.). Hoje somos
filhos de Deus, e devemos gozar do espírito de liberdade do Evangelho, e esse espírito de
liberdade (não de libertinagem) não cabe nos velhos odres ou antigos moldes nem do
judaísmo nem da igreja tradicional envelhecida com essa carga de institucionalismo, legalismo,
normas, divisões, nicolaísmo e caducas estruturas.
Insistimos, o Senhor está trabalhando na restauração de sua legítima Igreja; é uma porta
aberta que ninguém pode fechar. Há um avanço incontido. O Senhor está derramando seu
vinho novo. Mas para esse vinho novo, O Senhor necessita odres novos. Os odres velhos não
servem ao Senhor. Longe está o Senhor de que se reformem as velhas estruturas religiosas. Aí
está o exemplo de Jesus. Quando iniciou seu ministério não cuidou de ir ao Sinédrio revelar
sua filiação trinitária divina e messiânica a Anás e a Caifás e demais dirigentes religiosos de sua
nação; nem tampouco a avalizar as estruturas do judaísmo reinante; ao contrário, combateu
todo aquele comércio religioso. E em vez disso, foi às praias do Lago de Genesaré e chamou a
um grupo de odres novos para que neles fermentasse o vinho novo do Evangelho do Reino.
Jesus não veio a renovar as estruturas do judaísmo, como agora tampouco está interessado
em renovar as velhas estruturas da igreja tradicional. Jesus agora está edificando algo novo. O
que na história se envelheceu, morrerá em sua velhice. Quando Jesus inicia seu ministério,
nesse momento histórico, o judaísmo, com Anás e Caifás como cabeças e com suas alas de
fariseus e saduceus, representavam o odre velho com seu vinho velho da lei, as obras, os tipos,
as sombras, os sacrifícios e as promessas do Antigo Pacto; agora vem Cristo, marcando o fim
de tudo isso, trazendo o vinho novo à graça divina e a verdadeira realidade a depositá-la em
um odre novo, pois Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal, o bode expiatório verdadeiro, o
verdadeiro maná, o verdadeiro tabernáculo de Deus.
As organizações eclesiásticas tem já seu leque de programas, métodos e práticas; uns
tradicionais e outros recebidos de diferentes fontes; inclusive pode tratar-se de uma
congregação que se esteja inaugurando hoje; que esteja estreando pastor, membros, edifício,
púlpito, pessoas jurídicas, tudo; mas se começa tendo por base as estruturas tradicionais do
sistema, essa congregação nasce sendo velha e caduca, pois essas estruturas não resistem ao
autêntico vinho. Às vezes a igreja tradicional trata de remendar os furos de sua estrutura
caduca com remendo de pano novo. Dá-se o caso de que às vezes até usam certa literatura
dos apóstolos e mestres da restauração da igreja, mas ao usá-las mal, vêm as brechas, pois
para que sejam odres novos, as organizações deveriam desaparecer.
Há membros de antigas estruturas que, abandonando esse sistema corrompido, se abrem ao
vinho novo do Senhor, da unidade do corpo de Cristo, do evangelho do reino, do caminho da
cruz, da porta estreita, da restauração da verdadeira liderança (apóstolos, profetas,
evangelistas, pastores e mestres), da comunhão do Espírito, da centralidade de Cristo, etc.
Todo esse precioso vinho temos no Novo Testamento, de onde bebemos pelo Espírito Santo.
Cristo nos deixou com palavras claras, inequívocas. Não é o caso de tratar de unificar a igreja
com o método externo e superficial de unir as diferentes organizações. Isso se contempla
como a apostasia que envolve o ecumenismo. Pelo contrário, se trata de uma revelação do
Senhor a nosso espírito; é a luz de Deus que se deve manifestar no amor que dá seu fruto. O
ecumenismo acrescenta a obscuridade, as rivalidades, os enfrentamentos, o ódio, revive o zelo
religioso. O ecumenismo pode ser papacêntrico, mas não cristocêntrico.

Cap 6- Os Vencedores e a Igreja- (2ª Parte)


A armadura de Deus

A Bíblia registra uma luta da Igreja contra o inimigo de Deus, as forças malignas das trevas; e o
Senhor nos ordena vestir-nos com toda a armadura de Deus, para podermos sair vitoriosos
nesse inevitável enfrentamento; porque é necessário que lutemos no Senhor, em Seu poder, e
não no nosso. O vestir-nos com a armadura de Deus é uma ordem, um mandato de Deus, e
uma necessidade para nós, não é opcional; Mas o por a armadura é um ato voluntário nosso,
um exercício voluntário. Toda arma meramente humana não serve para esta luta, e sim de
estorvo." 10 Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.11 Revesti-
vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo;12
porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades,
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas
regiões celestes.13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia
mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis" (Ef. 6:10-13). Aqui a Igreja é
apresentada como um guerreiro, mas o lamentável é que nem todos estão vestidos com esta
armadura. Muito poucos, os vencedores, estão vestidos com toda a armadura de Deus; outros
só tem parte dessa armadura, e o resto, a maioria, não tem nada. Levemos em conta que nós
vemos as pessoas com nossos olhos físicos, mas detrás das pessoas (carne e sangue) estão os
ventríloquos, os verdadeiros inimigos de Deus, os anjos rebeldes que ostentam neste século os
poderes malignos de Satanás, o qual conta com uma organização sofisticada nos lugares
celestes, os ares, e exercem seu poder sobre as nações do mundo. Cada nação tem seu próprio
príncipe das trevas (Daniel 10:20) dentro dessa organização, a qual a sua vez maneja uma
verdadeira hierarquia de poderes e especialidades a seu cargo, para infringir dano à Igreja e às
nações, que estão regidas e escravizadas por essas trevas. Mas devemos estar firmes na vitória
de Cristo, que é nossa própria vitória, por quanto Satanás e suas hostes de maldade estão
destinadas a serem vencidas por nós; por isso devemos resistir, ou seja, estar firmes. Paulo
toma a armadura de Deus, em sua parte externa, de modelo do soldado romano de seu
tempo, o qual era muito famoso por sua disciplina e vigilância. A armadura consta das
seguintes partes:
O cinto da verdade. "Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade" (v. 14a). Cingir-se com
cinto tem a conotação de estar pronto para a ação, neste caso para a batalha espiritual; mas é
necessário que nos cinjamos com a verdade, a qual é Cristo, o qual verteu seu sangue por nós.
Como comeram o cordeiro os hebreus, no dia de sua liberação? "Desta maneira o comereis:
lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão" (Ex. 12:11a). Quanto mais conhecemos a
Deus e a Seu Cristo, mais temos consciência que Ele é nossa única verdade e realidade
cotidiana, em nosso andar como cristãos. "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a
verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6).
A couraça da justiça. A couraça era a parte da armadura que revestia e protegia o peito do
soldado romano, ou seja, nossa consciência. " e vestindo-vos da couraça da justiça " (v. 14b).
Cristo tem sido feito por Deus nossa justificação, e dessa justiça temos sido revestidos desde
que cremos, a qual tem se convertido em nossa couraça em nossa condição de soldados; a
obra de Cristo na cruz nos tem feito justos, mas em nossa luta contra Satanás, devemos ter
nossa consciência limpa e protegida com a justiça de um coração reto diante de Deus e dos
homens, o qual é a vida de Cristo em nós; porque Satanás constantemente está nos acusando,
e não devemos permitir que essas acusações definhem nossa fé e nossa confiança no Senhor.
Se nossa consciência não nos acusa, não devemos permitir que sejamos atemorizados e
envergonhados pelo inimigo.
O calçado do evangelho. "Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz" (v. 15). O
homem estava inimizado com Deus, mas o Senhor Jesus em Sua obra na cruz serviu de
mediador para estabelecer a paz, tanto com Deus como com os homens; essa é a disposição
fundamental do evangelho, com o qual devemos estar calçados e parados firmemente. Agora
estamos parados sobre a rocha firme, e nessa posição entramos com confiança a participar na
batalha espiritual. Devemos caminhar com o Senhor na paz que Ele nos tem conquistado; não
em nossa própria paz, nem na paz dos homens. Já não caminhamos sobre a terra, porque não
somos deste mundo. A salvação separa aos crentes da terra suja, e nos faz livres. Além disso,
nosso testemunho exige que estejamos em paz com Deus e com os homens.
O escudo da fé. "embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os
dardos inflamados do Maligno " (v.16). O escudo era uma arma defensiva para o soldado
romano, para se proteger tanto das flechas como dos ataques com espada, lança ou outras
armas da época. O escudo é fundamental para se proteger dos ataques do inimigo. O escudo
do soldado romano era de couro, ou de metal; mas o escudo do crente é a fé. Há crentes que
carecem de fé, logo não tem o escudo para apagar os dardos de fogo e ataques do maligno,
como as dúvidas, as tentações, os enredos mentirosos, as incitações e propostas ao pecado.
Outros crentes têm um escudo muito pequeno, com o qual só poderão apagar certos dardos,
mas não todos, pois sua fé não é o suficientemente grande; e outros, os menos, tem um
escudo grande; são os vencedores.
O capacete da salvação. "Tomai também o capacete da salvação" (v.17a). O capacete era a
parte da armadura antiga que resguardava a cabeça e o rosto, de modo que é fácil entender
que, na guerra espiritual, o capacete da salvação de Deus guarda a mente do crente, seu
intelecto, de ansiedades, preocupações, acusações, temores, vergonha, ameaças de Satanás,
que vão diretamente dirigidas a nossa mente, para nos debilitar, nos desorientar e nos
prostrar em uma situação de derrota e culpabilidade. Mas temos sido salvos por Deus em
Cristo; agora somos filhos de Deus, e é Cristo quem vive em nós permanentemente. Satanás
continuamente está lançando seus dardos em nossa mente. Satanás sabe que é na mente do
homem onde se maquinam e perfilam todas as coisas, e por isso é na mente dos crentes onde
se livram as grandes batalhas contra o inimigo, pois os argumentos e pensamentos pertencem
à mente.Lemos em 2 Coríntios 10:3-6: "3 Porque, embora andando na carne, não militamos
segundo a carne.4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus,
para destruir fortalezas, anulando nós sofismas5 e toda altivez que se levante contra o
conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,6 e estando
prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão". Para entrar a
participar na guerra espiritual é necessário andar conforme o espírito; daí que as armas devem
ser espirituais, poderosas em Deus, para poder derrubar fortalezas do inimigo. Todos os que
desobedecem a Deus são portadores das fortalezas de Satanás; por isso todo pensamento
deve ser levado cativo à obediência a Cristo.
A espada do Espírito. "e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus" (v.17b). A espada É a
única peça da armadura que é usada para atacar o inimigo. Cristo é o Verbo de Deus
encarnado, e a Bíblia é a Palavra de Deus (gr. logos) inspirada pelo Espírito Santo, ou soprada
pelo alento de Deus (gr. theopneustos), de maneira que quando é usada a palavra específica
(gr. rhema) para dar um golpe mortal e contundente ao inimigo, é o próprio Cristo falando por
Seu Espírito e pela Palavra. As Escrituras têm sido deturpadas e manipuladas abundantemente
através da história, em tal forma que essas deturpações têm facilitado o caminho para
introduzir heresias na Igreja do Senhor, contribuindo às múltiplas divisões sustentadas com
aparente respaldo bíblico. Eis ai o grande perigo, que apoiados com uma falsa base bíblica, se
protocolize a divisão do Corpo de Cristo. O zelo religioso não é de Deus, nem o orgulho
sectário, nem a vanglória do progresso humano. Tudo isso tem causado muito dano à unidade
da Igreja; tem se quebrantado a verdadeira expressão da unidade do Corpo do Senhor. Daí que
deve se usar a espada do Espírito no Espírito e pelo Espírito. É de suma importância saber qual
é a versão bíblica em nosso idioma que guarde mais fidelidade com os manuscritos originais.
A oração. "com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando
com toda perseverança e súplica por todos os santos" (v.18). A oração não está relacionada
dentro da armadura de Deus, mas é o elemento indispensável para receber a armadura e usá-
la convenientemente no momento apropriado.
O manto da humildade. Mesmo os vencedores vestidos com toda a armadura de Deus têm
seus perigos, e caso se descuidem, podem cair de qualquer altura de onde se encontrem; não
importa o grau de maturidade espiritual que se tenha. Diz 1 Co. 10:12: "Aquele, pois, que
pensa estar em pé veja que não caia". O brilho da armadura, pode deslumbrar ao vencedor
que se descuida, e em vez de fixar os olhos no Senhor, fixa em si mesmo; não tem consciência
de que sua armadura não tem proteção para suas costas, onde pode ser ferido pelos dardos do
inimigo, dardos chamados orgulho; e já ferido, vai se enchendo de certa auréola ao redor de si
mesmo, e, sem se dar conta, vai se debilitando espiritualmente de tal maneira que ao final não
tem forças suficientes para sustentar a espada e o escudo (a Palavra de Deus e a fé), e como
conseqüência vem o engano quanto à Palavra e quanto à fé, e começa a declarar que já não
necessita usar a espada e o escudo; e no final se despojará a si mesmo de toda a
armadura.Então, qual é o remédio preventivo? Os reis, os grandes deste mundo e os cristãos
orgulhosos, se cobrem com um manto de púrpura, mas o manto do cristão vencedor é a outra
cara da moeda; o manto que nos cobre as costas dos dardos da altivez é a humildade, a
pobreza no espírito. 1 Pedro 5:5b-6 diz: "sede submissos aos que são mais velhos; outrossim,
no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos
soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça.6 Humilhai-vos, portanto, sob a
poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte". O vestido de
humildade é a vestidura de um escravo em aptidão de serviço. O altivo faz alarde por cima dos
demais; é depreciativo. O orgulhoso se enche tanto de confiança em si mesmo, que chega o
momento em que crê que já não necessita usar a Palavra de Deus, a fé e a confiança no
Senhor, e a armadura em geral, e é enredado facilmente no engano de toda índole. Todo
guerreiro necessita de toda a armadura de Deus, mas vestido de humildade, " 4 Porque as
armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas,
anulando nós sofismas 5 e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e
levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (2 Co. 10:4-5).A guerra contra os
demônios não se faz com as habilidades da carne; nem com força carnal e física, nem com
eloqüência natural, nem com sabedoria humana, nem derrubando às pessoas ao chão nas
reuniões; não estamos lutando contra os homens. Por tanto, as armas devem ser espirituais,
poderosas em Deus. Os dardos do inimigo vão dirigidos a encher nossa mente de argumentos
e raciocínios que nos induzem à fofoca, à busca de faltas em nossos irmãos, à acusação, à falta
de perdão, ao egocentrismo, ao juízo injusto, aos zelos e contendas, ao repúdio, à amargura, à
luxúria; mas um dos mais fortes e devastadores ataques vem do orgulho. Em troca, a Palavra
de Deus nos insta a sermos "Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de
serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios
olhos" (Ro. 12:6). Devemos estar vigilantes, porque abundam as falsas roupas de
humildade.Diz Mateus 5:3: "3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o
reino dos céus". Com este versículo, o Senhor no sermão do monte começa a descrição da
verdadeira natureza dos que são aptos para participar no reino dos céus; e todas as
características descritas, são o pólo oposto do cristão orgulhoso. Diante de Deus, o humilde
tem a posição mais alta, porque reflete a plenitude de Deus e de Sua graça; porque Tiago 4:6
diz: "Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos
humildes". Então, amados irmãos, para que não nos deslumbre o brilho da armadura e nos
impeça ver a verdadeira natureza do inimigo, devemos tapá-la com o manto da humildade.
O amor. Por Seu Santo Espírito, o Senhor nos tem dado dons espirituais, como ferramentas
para nosso trabalho nesta era, e como antecipação dos poderes do mundo vindouro; mas o
mais excelente, importante e poderoso de todas as ferramentas recebidas da parte do Senhor
é o amor do Pai. Muitos, como os coríntios, buscam os dons exteriores, mas o amor é a
maneira excelente de exercê-los, e é a expressão de Deus dentro de nós como vida e alento.A
natureza de Deus é amor (1 Jo 4:16), e a expressão desse amor é o que nos leva a ser
espirituais. Podemos ter uma magnífica compreensão da Palavra de Deus, podemos ter todos
os dons espirituais, podemos compreender todos os princípios do reino, podemos possuir uma
fé gigantesca, mas se carecemos do amor do Pai, nada somos.Não temos conseguido
compreender, todavia, o suficiente e em sua justa medida o capítulo 13 da primeira epístola
aos Coríntios. Quanto mais nos alimentamos de Cristo, mais cheios somos de Seu amor,
porque Ele, que é amor, vai se apoderando de todo nosso ser; não só do espírito, mas também
da alma e todas suas faculdades, e até do corpo. O Senhor tem vindo a viver dentro de nós
para sempre; nunca se afastará de nós; esta é Sua casa; mas devemos buscar que Ele nos
encha de Seu Espírito e de Seu amor para que lhe sejamos fiéis; Seu amor nos livra do
egocentrismo, e nos faz ver mais além de nosso contorno físico. Saturados de Seu amor,
poderemos ter a visão do terceiro céu, e pregá-lo. Com o amor, podemos manejar a armadura
de Deus com eficácia.

A sexta promessa

A Igreja tem falhado, mas na história o Senhor começou a restaurar tudo o que havia se
perdido no cativeiro babilônico; portanto começou o período de Filadélfia, do amor fraternal,
os irmãos que, ainda que com pouca força, guardam a Palavra de Deus, retém firmemente o
que têm e não negam o nome de Jesus Cristo. É em Filadélfia onde melhor se expressa a
realidade atual do reino dos céus entre os crentes neotestamentários, e particularmente para
os vencedores de Filadélfia há formosas promessas. Diz Daniel 4:26: "26 Quanto ao que foi
dito, que se deixasse a cepa da árvore com as suas raízes, o teu reino tornará a ser teu, depois
que tiveres conhecido que o céu domina".Em Filadélfia começamos a experimentar que o céu
governa em nossas vidas.Na carta do Senhor a Filadélfia encontramos uma formosa promessa
para os vencedores, de serem guardados da hora da prova, ou seja, a grande tribulação que
tem de ser manifestada sobre toda a terra habitada (Mateus 24:21). Diz em Apocalipse 3:10:
"10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da
provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a
terra". Neste versículo e no contexto da carta vemos que os santos que guardam a palavra do
Senhor e não negam o nome do Senhor Jesus Cristo, ou seja, não o troquem por nomes
denominacionais ou de líderes religiosos, serão guardados por Deus da grande tribulação nos
tempos do governo do anticristo. Não significa isto que alguns santos serão transformados e
arrebatados ao céu antes da grande tribulação, posto isto seria crer em um arrebatamento da
igreja em duas etapas, pois a Igreja de Cristo estará na terra durante todo o governo do
anticristo.

Colunas no templo

"12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá" (Ap. 3:12a). Se
os vencedores de Filadélfia conseguem reter firmemente o que tem, o Senhor os fará colunas
no templo de Deus. Em Filadélfia vencer é reter. Todos os santos neotestamentários são
pedras do templo do Senhor, mas nem todos chegam a ser colunas do templo de Deus. Tem
que se diferenciar a condição de ser coluna do templo de Deus e o ser uma simples pedra do
edifício. O vencedor de Sardes será transformado em uma pedrinha para o edifício de Deus,
mas o de Filadélfia será uma coluna edificada no templo de Deus. A coluna é fundamental, não
pode ser tirada sem que ponha em risco a estrutura da edificação; ou seja, que o vencedor de
Filadélfia, que guarde a palavra do Senhor e não neguem Seu nome vá, a receber no reino
milenar o prêmio de ser um fundamento do templo de Deus, e nunca mais será tirado dali. O
vencedor sabe perfeitamente que não pertence a este mundo, que não habita aqui como se
pertencesse a esta esfera. Uma vez pertencíamos a este mundo, mas se somos vencedores,
agora não pertencemos a este mundo. Pelo contrário, esta era é tão malvada, que os
vencedores, já como um exército, virão com Cristo a por um fim nesse sistema mundano
(Apocalipse 17:14; 19:14, 19-21). Agora somos possessão de Deus, de Cristo e da Nova
Jerusalém. Fora de seu lugar celestial, a vida do vencedor é a cruz e o vitupério. Hoje tem
pouca força, e amanhã é una coluna no templo de Deus, pelo poder do Senhor.

O nome de Deus

"gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova
Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome" (Ap. 3:12b).
Ao vencedor de Pérgamo se promete dar-lhe no milênio uma pedra com um nome escrito, mas
ao vencedor de Filadélfia se fará dele uma coluna sobre a qual serão escritos três nomes: o de
Deus, o da Nova Jerusalém e o novo de Cristo, como sinal por pertencer a Deus, de herança
eterna e de testemunho de Cristo e de que se tenha feito um com Deus, com a Nova Jerusalém
e com o Senhor; todo o qual se cumprirá no reino milenar. Levar o nome de Deus significa que
Deus foi formado em ti; levar o nome da Nova Jerusalém significa que fazes parte da Cidade
Santa, porque tem sido também formada em ti, e levar o nome novo do Senhor significa que o
Senhor tem formado a Si mesmo em ti, em tua experiência, em teu andar. Em resumo,
Filadélfia é a única igreja que é completamente aprovada por Deus. Filadélfia não nega o nome
do Senhor; os irmãos de Filadélfia não se apelidam com outros nomes; em Filadélfia não há
batistas, nem presbiterianos, nem pentecostais, nem puritanos, nem quadrangulares;
simplesmente são de Cristo, são cristãos, e em conseqüência recebem uma preciosa promessa
de que será escrito sobre eles o nome de Deus, o nome da cidade de Deus e o novo nome de
Cristo.

O novo nome de Cristo

"e o meu novo nome" (Ap. 3:12b). O vencedor de Filadélfia receberá um prêmio especial, o
novo nome do Senhor Jesus Cristo. O nome do Senhor é o Senhor mesmo; o qual significa que
Cristo é pertence do crente vencedor. O nome do Senhor tem sido forjado no crente vencedor.
Qual é o nome novo de Cristo? Tu conheces o nome novo de Cristo quando experimentas de
uma maneira nova ao Senhor. Para muitos santos Cristo já ficou velho, já ficou algo assim
como uma vida religiosa rotineira; mas se tomas a decisão de vencer, Cristo chegará a ser novo
para ti; sempre será teu alimento fresco. O vencedor de Filadélfia retém o nome do Senhor e a
unidade do Corpo de Cristo. O vencedor de Filadélfia tem vencido a ruptura do Corpo de
Cristo. É um erro pensar que para que haja unidade na Igreja é necessário que se leve a cabo
sob a aparência do ecumenismo. Enquanto subsistirem as divisões denominacionais e sectárias
não pode haver unidade. É um erro pensar que para que haja unidade na Igreja
necessariamente deve haver uniformidade. Uma coisa é a uniformidade externa e outra a
verdadeira comunhão do Espírito.Há ênfase doutrinárias que não revestem caráter
fundamental, e que por fim não afetam a salvação nem rompem a unidade do Corpo; e há
denominações que tem se formado e tem se apartado do resto do Corpo devido a que dão
caráter fundamental a algo que a Escritura não tem como fundamental nem afeta a salvação.
A este respeito vale a pena trazer a colocação às palavras do irmão Martín Stendal, em relação
à Igreja: "Através da era da Igreja, tem havido muitos indivíduos e grupos envolvidos em
"guerras" e com "sangue" em suas mãos, que vão tentando edificar o Templo do Senhor à
maneira de determinada denominação, grupo ou movimento organizado. Estes intentos tem
terminado por edificar monumentos mortos, ao invés de unir pedras vivas que seriam uma
verdadeira luz para as nações. O homem mede o êxito pelo número de "fiéis", ou pelas
instalações, ou pelos êxitos terrenos quando Deus o mede pela justiça e a retidão no coração,
e por obediência a Seu ordenamento e a Sua Palavra".*(1) Também disse o irmão Grau: "Os
mesmos reformadores não tentaram fundar uma nova religião, nem sequer uma nova Igreja.
Tanto eles como nós temos um só Mestre. A mensagem da Reforma não nos diz que nos
façamos luteranos ou calvinistas, senão cristãos".*(2)
*(1) Martín Stendal. O Tabernáculo de Davi. Colômbia para Cristo. 1998.
*(2) José Grau. Catolicismo Romano - Origens e Desenvolvimento. E.E.E.. 1987, pág. 543
Além disso, como temos vindo estudando na Palavra de Deus, o grau de maturidade e
santidade dos irmãos biblicamente não é uniforme, nem tampouco se deve esperar
uniformidade no procedimento e a ordem. Nem ainda nos vencedores há uniformidade
espiritual. No reino, uns receberão melhores recompensas que outros. A posição no reino e
mesmo na eternidade, no novo céu e a nova terra depende e é produto de nossa vida terrena
depois de haver crido. Ser vencedor requer sacrifício, obediência e entrega, e quanto mais se
escale aqui, se traduz em que teremos um nível maior no reino e na eternidade. Cada vez
temos mais clareza de que nossa vida e andar com Cristo não se deve tomar
levianamente.Quando se fala de vencedores é porque há crentes derrotados. Os que vencem
são os cristãos espiritualmente normais; os demais irmãos continuam sendo nossos irmãos,
mas são espiritualmente anormais. "4 porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e
esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.5 Quem é o que vence o mundo, senão aquele
que crê ser Jesus o Filho de Deus?" (1 Juan 5:4,5).

Cap 7- Os Vencedores e o Tribunal de Cristo- (1ª Parte)


O tribunal de Cristo

De nenhuma maneira é nossa intenção alarmar aos irmãos que leiam este trabalho. Longe está
de nossa parte ser portadores de uma mensagem que vá causar tristeza e inquietação, ou que
vá escandalizar; aí estão as páginas das Escrituras, que são as que dão testemunho de toda
verdade exposta. Só queremos ser fiéis ao Senhor e a Sua Palavra, declarando o que nos
adverte a Palavra de Deus por Seu Santo Espírito; ou seja, dando o sonido do atalaia quando vê
que se aproxima o perigo. O Senhor já está às portas, e Seu povo deve conhecer tudo o
relacionado com essa preciosa vinda, e uma dessas coisas é que o Senhor estabelecerá seu
tribunal nos ares e julgará à Igreja. Disse o apóstolo Paulo pelo Espírito em 2 Coríntios 5:10:"
10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada
um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo".Esse é o primeiro de
todos os juízos, o da Igreja. Muitos rejeitam isto, mas é uma declaração bíblica. Irmãos, o juízo
da Igreja é necessário; recordemos que as caras se vêm pelos corações, não. Mas o Senhor sim
que vê tudo. Diz Tiago 5:8,9: "8 Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a
vinda do Senhor está próxima.
9 Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às
portas". Antes de que o Senhor venha como Noivo, virá como juiz; não esqueçamos disso
(Mateus 25:1-13). Tudo isso, tanto Sua vinda como o juízo da Igreja, deve encher-nos de
alegria. O Senhor, tudo o que faz, o faz para o bem e em justiça.Em sua qualidade de
administrador dos mistérios de Deus, cada obreiro deve ser achado fiel. Diz Paulo em 1
Coríntios 4:4-5: "4 Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por
justificado, pois quem me julga é o Senhor.5 Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que
venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas
também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da
parte de Deus". No tribunal de Cristo será manifesto publicamente nosso caráter e motivação
subjetiva e pessoal, pelo que seremos julgados um por um. O juízo começa pela casa de Deus.
Lemos em 1 Pedro 4:17: " 17 Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é
chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao
evangelho de Deus?"Disse o irmão Rick Joyner: "O Senhor começa o juízo por Sua própria casa,
porque não pode julgar ao mundo se seu povo vive nos mesmos caminhos dos maus. Quando
chegar o juízo, haverá uma distinção entre Seu povo e o mundo, mas será porque Seu povo é
diferente".*(1) A Igreja não será julgada ante o grande trono branco, senão mil anos antes
ante o tribunal de Cristo, quando vier o Senhor e iniciar o reino milenar, para castigo ou
recompensa, de acordo com a vida e obras dos crentes, os santos salvos, filhos de Deus. "10
Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos
compareceremos perante o tribunal de Deus.11 Como está escrito: Por minha vida, diz o
Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus.12 Assim,
pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus " (Romanos 14:10-12). Também Paulo
em 2 Coríntios 5:10 diz: "10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal
de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do
corpo". Este juízo não se relaciona com a salvação eterna, e sim com nossa conduta em nossa
condição de filhos de Deus.
*(1) Rick Joyner. Liberação da marca da besta. The Morning Star. 1995.
Diz Mateus 16:26-27: "26 Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a
sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?27 Porque o Filho do Homem há de vir
na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras".
Aqui fala de recompensas para os seguidores do Senhor em Sua vinda; mas essas recompensas
dependerão da perdição ou salvação de si mesmos, ou seja, de sua vida natural. Depois de
exortar a que levem em prática certas coisas, o apóstolo Pedro disse aos irmãos: " 11 Pois
desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe. 1:11). Quando o Senhor vier, muitos crentes reinarão com Ele e
outros não; de modo que a principal recompensa é participar com o Senhor em Seu reino; e de
acordo com o contexto, isto dependerá de que tenham perdido ou não sua alma. Neste juízo,
o Senhor determinará quem dentre os santos são dignos de galardões e recompensas, e quem
merece e necessita mais de disciplina. Todo vencedor tem prêmio no reino milenar, pois o
reino será uma recompensa para os crentes vencedores. Disse 2 Timóteo 2:12a " 12 se
perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará".Diz o
Salmo 66:18: " 18 Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido". No
coração é onde residem nossas emoções, motivações, inclinações, afetos, paixões, desejos,
ódio e amor. O coração deve ser renovado. Ali podemos guardar pecados não confessados e
dos quais não tenhamo-nos arrependido, não foram eliminados, nem resolvidos de uma vez
por todas sob o sangue do Senhor Jesus. Às vezes se costuma perdoar em aparência, e em
nosso coração não nos temos esquecido, segue ali latente; então esse problema com alguém,
em realidade não tem sido resolvido convenientemente, e seguimos guardando iniqüidade.
Todo pecado que não tenha sido apagado, voltará a nós no tribunal de Cristo. Uma coisa é que
nossos pecados sejam apagados, e outra diferente é que seja apagado em nós toda mancha de
pecado.No tribunal de Cristo não se estará julgando a salvação, senão que as obras do crente
são submetidas a juízo. Por exemplo, Romanos 8:1, diz: "Agora, pois, nenhuma condenação há
para os que estão em Cristo Jesus, os que não andam conforme à carne, senão conforme ao
Espírito" ( Versão Reina Valera). O andar do crente vencedor é conforme a vida do Espírito
dentro de seu espírito; mas o derrotado é carnal; não anda conforme o Espírito. No tribunal de
Cristo, o santo não vencedor não perde sua salvação; se anda conforme a carne; tem motivo
de juízo no tribunal de Cristo. Diz João 5:24: "24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve
a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas
passou da morte para a vida". Também 1 Jo 4:17 diz: "17 Nisto é em nós aperfeiçoado o amor,
para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos
neste mundo". Note que esta declaração é muito séria e encerra um grande compromisso. Se
somos imagem de Cristo, não temos motivos para sermos disciplinados.
O tempo do juízo. Quando terá lugar o tribunal de Cristo? Conforme a Lucas 14:14 o tempo
das recompensas está associado com a ressurreição. " 14 e serás bem-aventurado, pelo fato
de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na
ressurreição dos justos". O momento em que compareceremos ante o tribunal de Cristo é
quando ocorrer a ressurreição da Igreja, na última trombeta. Diz Apocalipse 11:15-18:" 15 O
sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se
tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.16 E os vinte e
quatro anciãos que se encontram sentados no seu trono, diante de Deus, prostraram-se sobre
o seu rosto e adoraram a Deus,17 dizendo: Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso,
que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar.18 Na verdade, as
nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados
os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o
teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a
terra".Como vemos, se trata da sétima trombeta, a última, como diz 1 Coríntios 15:52: " 52
num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará,
os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados ". Chega o tempo de
estabelecer o reino. Também confirma esse tempo o Apocalipse 22:12: " 12 E eis que venho
sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas
obras".O primeiro juízo será o da Igreja ao regresso do Senhor. Diz 1 Pedro 4:17a: " 17 Porque
a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus"; mas a Igreja não será mais julgada depois do
tribunal de Cristo. Depois do reino milenar terá lugar o juízo do grande trono branco, onde
serão julgados os ímpios, os que participam na segunda ressurreição, pois os capítulos 21 e 22
de Apocalipse descrevem a situação na eternidade, tanto para a Igreja como para os ímpios e
as nações.

Lugar do juízo. No ar. Lemos em 1 Tessalonicenses 4:16,17: " 16 Porquanto o Senhor mesmo,
dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá
dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;17 depois, nós, os vivos, os que
ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor
nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor". Pode ser que ao encontrar-nos com
o Senhor no ar, logo desçamos à terra com Ele, e logo o Senhor estabeleça seu tribunal em
algum lugar da terra.

Pessoas julgadas. Quem será convocado para o juízo da Igreja? Este juízo será só para os
crentes. De acordo com o contexto do capítulo 5 da segunda carta aos Coríntios, se trata da
Igreja, tanto vencedores como vencidos. Começa o capítulo falando do anelo da redenção do
corpo e de ser revestidos da habitação celestial, a fim de não ser achados nus. Agora vivemos
nesta terra como peregrinos, ausentes do Senhor; mas desde já devemos ser agradáveis; e
então é quando o versículo 10, com toda clareza nos diz que "Porque importa que todos nós
compareçamos perante o tribunal de Cristo". De conformidade com o contexto de 1 Coríntios
3:12-15, ali o juízo é para todos os crentes com relação à obra de cada um; de como houver
sobre-edificado sobre o único fundamento, Jesus Cristo. Construíram-se com materiais
diferentes dos de Deus, o resultado será um edifício estranho, que se queimará, e esses
construtores sofrerão perdas; serão castigados, ainda que não perderão sua salvação. Também
o confirma 1 Coríntios 9:24-27, como temos comentado.Pensemos, ainda que seja por um
momento, a vergonha que sentiríamos naquele dia, ao contemplar a visão do Senhor sobre
nós, sobre a indiferença e com o pouco caso que fizemos Dele, o que morreu por nós na cruz e
derramou Sua própria vida por uns seres tão ruins e ingratos. Também pensemos nos milhões
de testemunhas que nos rodearão, onde ninguém terá a oportunidade de ocultar nada.

Três parábolas de juízo

Todo crente mundano, negligente e carnal, deverá enfrentar a vergonhosa realidade que
aparece na Escritura. Analisemos um pouco três parábolas em Mateus, que se relacionam
intimamente com a vinda do Senhor e o tribunal de Cristo. A do servo mau (Mat.24:45-51), a
das virgens imprudentes (Mt. 25:1-13) e a do servo negligente (Mat. 25:14-30). Estas três
parábolas são dirigidas à Igreja; para que a Igreja se “belisque”, sobre tudo em um tempo de
tanta expectativa como o que vivemos. A igreja está atravessando por uma época de grandes e
transcendentais acontecimentos.
A parábola do servo mau. Esta parábola fala de servos fiéis e infiéis. Aqui os servos
representam os crentes no aspecto da fidelidade ao Senhor. A parábola fala de servos que
estão à frente da servidão, onde deve ser fiel e prudente. Note que o Senhor aqui não usa a
palavra filhos para chamar aos salvos, senão servos; pois como filhos já recebemos Sua vida;
em troca, como servos, seremos julgados para receber ou não as recompensas. No começo,
nos versos 45-47, a parábola fala de um servo vencedor, o qual receberá como recompensa ser
posto sobre todos os bens do Senhor no reino. Essa é a bem-aventurança. Ali diz: " 45 Quem é,
pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o
sustento a seu tempo?46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier,
achar fazendo assim.47 Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens ". Dar
alimento a tempo está relacionado com ministrar a Palavra de Deus aos crentes, e tudo o que
se refira a Cristo como vida da Igreja. O bom servo tem de dar alimento, não leis, a seus
conservos. As leis quem dá é o Senhor. O labor do servo bom é dar, não buscar o seu próprio.
O ser achado fiel, o bom servo será promovido a um cargo mais elevado no reino. "47 Em
verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens".Mas nos versos 48-51 fala do servo
mau, que, ainda que seja salvo, não é vencedor, trata mal aos demais crentes, se assenhoreia
deles como se Deus o houvesse posto na igreja como um príncipe (1 Pe. 5:3), tem amizade e
companheirismo com as pessoas mundana, não ama a vinda do Senhor nem lhe interessa o
reino. O servo mau é um escravo de suas paixões e apetites. Ali diz: "48 Mas, se aquele servo,
sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se,49 e passar a espancar os seus
companheiros e a comer e beber com ébrios,50 virá o senhor daquele servo em dia em que
não o espera e em hora que não sabe51 e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas;
ali haverá choro e ranger de dentes".O servo mau é levado por uma falsa doutrina. O servo
mau pensa que o Senhor tarda em vir ou que talvez nunca virá, e isso lhe dá a oportunidade de
viver uma vida descuidada para andar segundo suas próprias concupiscências (2 Pe. 3:3-4). O
servo mau quer impor sua autoridade tratando mal a seus conservos. É possível que lhe
joguem na cara sua conduta e isso o enfurece mais, ou busca duramente que os demais o
reverenciem e se inclinem ante ele. Para uma pessoa, a vinda do Senhor (ou a morte da
pessoa, é o mesmo, pois acarreta as mesmas conseqüências) é algo supremamente terrível. A
morte, pois, o separará de muitas coisas que hoje ama e lhe entretém, deste mundo que tanto
lhe atrai. O que espera a este servo mau quando se encontrar com o Senhor no juízo da igreja?
Espera-lhe um castigo temporário. Necessitamos ganhar esta carreira aqui, não só para não
sermos castigados temporariamente com os hipócritas, senão para receber o galardão, o
prêmio, dos vencedores, como diz Paulo (1 Co. 9:24-27).Note que este servo é salvo, é um filho
de Deus; fala de "meu Senhor"; nenhum ímpio chama "meu Senhor" ao Senhor Jesus; mas no
dia em que a Igreja comparecer ante o tribunal de Cristo, esse servo será separado do Senhor
e de Seu reino, e temporariamente posto no lugar onde irão os hipócritas. Não eternamente,
senão que ali porá só "sua parte", conforme a sua falta.
A parábola das dez virgens. Em Mateus 25:1-13, encontramos a parábola das dez virgens, a
qual está intimamente relacionada com o reino dos céus. Aqui as virgens representam aos
crentes no aspecto da vida com o Senhor. O andar do crente com Cristo em santidade e
obediência se relaciona intimamente com sua plenitude do Espírito Santo. Da constante
plenitude do Espírito Santo em um crente depende sua perfeição na comunhão com Deus e
com os demais irmãos, o conhecer o amor de Cristo e o de ser cheio de toda a plenitude de
Deus (Efésios 3:19).O número dez é o número das nações, e significa que a Igreja está
constituída por crentes de toda linhagem, de toda tribo, de todas as raças, línguas e nações do
globo.*(2) Claro que, além da última geração de crentes, inclusive aos irmãos que já estão
mortos na história ("cochilaram e dormiram", diz no verso 5)*(3). Algumas pessoas se
confundem pensando que todas as virgens "dormem" espiritualmente; mas isso seria uma
contradição. A metade das virgens são prudentes e a metade insensatas. Suas lâmpadas (o
espírito de cada crente) representam que a Igreja, nesta era de trevas, leva o testemunho do
Senhor, é morada do Espírito Santo de Deus; mas é necessário que cada lâmpada
continuamente esteja plena de azeite de Deus (Seu Espírito), para que possa irradiar essa luz
de Deus começando do interior; porque todo crente é responsável ante Deus de ser cheio do
Espírito Santo. "O espírito do homem é a lâmpada do SENHOR" (Pr. 20:27a). Lâmpada com
azeite insuficiente não pode alumiar senão com uma luz muito tênue. "15 Portanto, vede
prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios,16 remindo o tempo,
porque os dias são maus.17 Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai
compreender qual a vontade do Senhor " (Ef. 5:15-17). O néscio não aproveita bem o tempo, e
como vive para si mesmo, não se interessa de qual seja a vontade do Senhor em determinados
acontecimentos.
*(2) Cfr. Apocalipse 5:9. Não é uma casualidade que no capítulo 10 de Gênesis se descreve as
gerações dos filhos de Noé, e que diga no versículo 32: " São estas as famílias dos filhos de
Noé, segundo as suas gerações, nas suas nações; e destes foram disseminadas as nações na
terra, depois do dilúvio". Dos dez chifres (as nações globalizadas do último sistema mundial)
da quarta besta surge um chifre que os dominará a todos (Dn. 7:7-8; Ap. 13:1; 17:3). No
tabernáculo, as dez cortinas de Êxodo 26 representam à igreja. Relacione com a noiva de
Cantares (1:5).
*(3) Quando se refere aos crentes, o sonho representa a morte, como em 1 Tes. 4:13-16;
João 11:11-13; 1 Coríntios 11:30.
Todas as virgens saem do mundo ao encontro do Senhor, porque as virgens representam os
santos, aos apartados do mundo para Deus; mas " As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas,
não levaram azeite consigo;4 no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas
vasilhas ". A vasilha é a pessoa de cada um, é sua alma (vasos de honra para Deus e habitação
de Cristo). Todas as virgens tinham azeite em suas lâmpadas; todas eram salvas; todas tinham
o Espírito Santo; mas há uma distinção entre as virgens prudentes e as insensatas: as
insensatas não tinham reservas em suas vasilhas; de maneira que suas almas não conheciam a
vida do Espírito; eram almas sem renovação e santificação. Eram crentes que se conformavam
a este século, pois não haviam sido transformados por meio da renovação de seus
entendimentos, de maneira que nesse estado não tinham capacidade para comprovar qual era
a vontade de Deus em cada caso, em cada circunstancia (Romanos 12:2). Isto é sério, que Deus
nos fale em nosso espírito e nós não possamos entender o que nos diz. "E não vos embriagueis
com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Ef. 5:18). O enchimento do
Espírito no crente deve ser continua e constante. Alguns pensam que isso se refere a um ato,
mas se trata de um estado interior permanente para gozar da plenitude de Deus com os
demais irmãos, pois somos um corpo. Ou somos néscios e seguimos postergando conhecer
essa plenitude, ou somos sábios e buscamos essa provisão constante de azeite para nossas
lâmpadas e nossas vasilhas com mais diligencia que ao ouro e a prata.Mas a meia noite,
quando a humanidade estiver se debatendo na grande obscuridade da grande tribulação, se
escutará a voz do arcanjo e a trombeta de Deus; já vem o Senhor, e ocorre a ressurreição e o
arrebatamento da Igreja. O que sucederá então com os crentes que tendo o Espírito Santo não
estejam suficientemente saturados Dele? A parábola não responde a todas as nossas
interrogações, mas vemos tacitamente que os crentes néscios não pagaram um preço para
serem cheios do Espírito Santo. Qual é o preço? Tampouco o declara, mas em outras partes da
Escritura Sagrada o vemos. Por exemplo, renunciar ao mundo, carregar nossa própria cruz
cada dia em obediência ao Pai, negar o eu; em nossa escala de valores pôr a Cristo em
primeiro lugar, por cima de todas as coisas; estimar todas as coisas como perda por amor de
Cristo. Todo crente que não pagar o preço agora, nesta vida, para ser cheio do azeite do
Espírito, deverá pagar depois da ressurreição, pois todo crente deve ser aperfeiçoado, se não
agora, será depois nas trevas exteriores. O Senhor agora está nos dando a oportunidade de
que não desperdicemos os passos que Ele está tomando para levar a todos os Seus filhos à
maturidade. Mas, por que se chamará preço? Porque se trata de renunciar a toda essa herança
que recebemos e que vivemos em outro tempo em nosso velho homem. Isso é doloroso
quando nos aferramos a essas coisas, costumes, pertences, vícios, amores, valores ancestrais,
cujo centro não é Deus. Agora nosso tesouro é Cristo, e Deus nos tem escondidos nos lugares
celestiais em Seu Filho. O demais sobra.Note que as cinco virgens insensatas chegam a tocar a
porta depois que se fecha para iniciar as bodas com as prudentes, os crentes vencedores. Diz
nos versos 10-13: "10 E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam
apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta.11 Mais tarde, chegaram as
virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta!12 Mas ele respondeu: Em
verdade vos digo que não vos conheço ". Vemos, pois, que se relaciona com a vinda do Senhor
e Seu juízo das obras da Igreja quando Ele estabelecer Seu tribunal. As cinco virgens
insensatas, ainda que não perdem sua salvação, não são aprovadas para entrar nas bodas; não
têm o vestido apropriado; não tem se ocupado a seu devido tempo em ter suficiente azeite.
Quando no tribunal de Cristo, o Senhor dizer a alguém: Não os conheço; isso significa que essa
pessoa jamais se interessou por ter comunhão com o Senhor, não se interessou por conhecer
ao Senhor; e a salvação se relaciona com o conhecimento do Senhor (João 17:3). Enquanto
estamos nesta terra, o Senhor nos dá a oportunidade de conhecer-lhe e obedecer-lhe, mas
quando Ele vier e estabelecer Seu tribunal para julgar à Igreja, ali, nesse momento não é o
Salvador senão o Juiz (Mateus 5:25) que estará julgando nossa conduta como filhos de Deus.
Se as virgens insensatas não foram salvas, não poderiam estar aí tocando as portas do reino
dos céus. Irmãos, é um privilégio grande o poder servir ao Senhor agora. É verdade que
podemos estar muito ocupados em nossos próprios programas "espirituais", e não estar
fazendo a vontade de Deus, e naquele dia receber a reprovação do Senhor (Mateus 7:21-
23).Por outro lado, o estar cheio do Espírito Santo de outro irmão, não pode te servir. As
virgens insensatas eram salvas pela cruz do Senhor Jesus Cristo, e depois de haver conhecido a
grande salvação de Deus por Seu Filho unigênito, não viveram para Ele senão para elas
mesmas; todo o tempo de crentes nesta terra foi lastimosamente desperdiçado.Para desfrutar
do reino temos que entrar pela porta estreita. Mas nossa tendência natural é entrar pela porta
larga, a que nos dá acesso a múltiplos gozos e vantagens terrenas. Os gozos terrenos não
fazem muito atrativa a porta estreita. É como um paradoxo: a porta estreita nos leva a um
caminho estreito e difícil, mas o caminho que nos levará ao reino e ao gozo do Senhor. Em
Lucas 13:24-25 diz o Senhor: " 24 Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,
pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.25 Quando o dono da casa se
tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor,
abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois".
A parábola do servo negligente. Em Mateus 25:14-30 encontramos a mui conhecida parábola
dos talentos. Consideramos que não há necessidade de transcrevê-la toda. Também começa
falando do reino dos céus, porque tem a ver com o reino dos céus, e o que aqui aparece não se
relaciona com a salvação eterna. O homem que entrega seus bens a seus servos é Cristo, e o
ausentar-se do País é Sua ida aos céus depois de Sua gloriosa ressurreição. Os talentos são
repartidos de acordo com a capacidade natural de cada crente, e essa capacidade tem relação
com o que somos em nossa vida natural, nossa herança cultural e genética, nossos costumes,
nossa vida social e nossa aprendizagem. Da forma em que havemos sido criados por Deus,
uma vez temos crido, nessa mesma medida recebemos os dons do Espírito para pô-los a
serviço do Senhor.Deus conhece exatamente do que podemos ser capazes de responder, e
nessa mesma medida vai nos pedir contas. Aqui os vencedores, trabalham com os talentos
(dons espirituais) recebidos do Senhor e para a glória do Senhor, em Sua vinda lhe entregam
bons resultados. Estão, pois, representando aos crentes no aspecto do serviço. Estes servos, os
vencedores, são aprovados e recebem seus galardões e entram a desfrutar do Senhor no reino
milenar, mas sobre tudo o gozo é no aspecto interior. O Senhor não avalia nossa obra e a
premia fundamentando-se na quantidade e o bom que possa ser, senão por nossa fidelidade
no serviço. O Senhor quer que nos disponhamos a que o talento que temos recebido Dele seja
usado ao máximo, com uma entrega absoluta, e de acordo com Sua vontade perfeita.Mas a
parábola faz ênfase no servo que recebeu um só talento e o enterrou. O versículo 18 diz: "Mas
o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor". Com
Freqüência é ressaltado os servos que recebem muitos talentos e se lhes tem em muita estima
e até se lhes exalta; e os que recebem um, porque são menos dotados, eles mesmos se
descuidam, não o utilizam bem ou definitivamente não o tem em conta, e o enterram; ou seja,
que ao invés de trabalhar com seu talento, se envolvem com o mundo. Toda associação com o
mundo tem em si o perigo de enterrar o dom que temos recebido do Senhor. Note que
enquanto o Senhor não houver regressado, não tira de ninguém o dom (cfr. Ro. 11:29), senão
que nós mesmos nos encarregamos de enterrá-lo com nossa associação com o mundo, ou em
nosso próprio orgulho e ambições de tipo espiritual, ou ocupados em guardar nossa própria
reputação. Resulta fácil encontrar qualquer pretexto mundano ou pessoal para não usar o dom
que o Senhor tem depositado em nós, e desperdiçá-lo, escondendo-o. Às vezes queremos
viver aqui como reis, e quando isto ocorre, nós mesmos somos os responsáveis de não sermos
reis no reino com o Senhor.Diz o versículo 19: "Depois de muito tempo, voltou o senhor
daqueles servos e ajustou contas com eles". Logo o Senhor Jesus Cristo regressa e acerta
contas com seus servos no tribunal de Cristo, depois de transcorrida toda a idade da Igreja.
Milhões de irmãos não têm nem a menor idéia de que o Senhor virá e a primeira coisa que vai
fazer é instalar seu tribunal no ar para acertar as contas com seus servos que Ele comprou com
Seu próprio sangue*(4). Diz Apocalipse 22:12: "E eis que venho sem demora, e comigo está o
galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras".
*(4) 1 Coríntios 7:22,23; 2 Co.5:10; Ro. 14:10; 1 Co. 4:5
Dizem os versículos 24-28 da parábola: "24 Chegando, por fim, o que recebera um talento,
disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde
não espalhaste,25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.26
Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e
ajunto onde não espalhei?27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos
banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-
o ao que tem dez". O fato de que este servo compareça ante o tribunal de Cristo, demonstra
que foi ressuscitado ou transformado e trasladado com a Igreja, pois é salvo eternamente. Mas
este servo falha em sua vida interior, conduta e obras diante do Senhor; conhecia ao Senhor
mais objetiva que subjetivamente. Temos que trabalhar na obra do Senhor com o que
recebemos do Senhor, partindo do zero; de conformidade com os resultados, estaremos
participando do reino; e do servo negligente será tirado os dons espirituais e será
desqualificado e lançado nas trevas exteriores, disciplinado, o tempo que for necessário.
Cap 7- Os Vencedores e o Tribunal de Cristo- (2ª Parte)
As três etapas de nossa ressurreição

É importante ter sempre em conta que nós como seres humanos estamos conformados de três
partes: espírito, alma e corpo, e essas três partes que integram nosso ser são salvas em três
tempos diferentes, como ensinamos no primeiro capítulo. O espírito é salvo no ato da
regeneração, quando cremos em Cristo; a alma é salva no curso de nossa vida cristã, pois
temos que nos ocupar da salvação de nossa alma com temor e tremor, e isso devemos fazer
juntamente com a ação em nós do Espírito Santo; deve ser uma ação continua de renovação e
santificação da alma; e o corpo será salvo no futuro, quando ocorrer a ressurreição da Igreja.
Mas as três partes devem ser achadas irrepreensíveis (1 Tessalonicenses 5:23). E assim como
as três partes de nosso ser são salvas em três etapas diferentes, também nossa ressurreição
ocorre em três etapas.De conformidade com a Palavra de Deus, haverá no futuro duas grandes
ressurreições, e só duas: Uma, a primeira, a dos mortos em Cristo, quando o Senhor regressar,
no soar da última trombeta, antes do reino milenar (1 Tessalonicenses 4:16; 1 Coríntios 15:52;
Apocalipse 20:4-6); e a outra ressurreição terá ocasião depois de mil anos (Apocalipse 20:7, 11-
15). Mas dentro dos que participam da primeira ressurreição, haverá um remanescente de
vencedores que obterão uma melhor ressurreição, conforme lemos em Hebreus 11:35: "
Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não
aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição".A respeito, e para uma melhor
compreensão do que significa essa superior ressurreição, entremos a analisar um pouco em
Filipenses 3:10-11. No contexto, desde que se inicia o capítulo 3 de Filipenses, Paulo vem
falando de gozar-nos e gloriar-nos no Senhor, e não na nossa confiança, na força e recursos da
carne e seus interesses, tendo por esterco tudo aquilo que em nós chegou a ocupar um lugar
privilegiado, incluindo tudo o relacionado com nossa antiga religião, e considerar tudo isso
como perda; logo diz no versículo 9: " e ser achado nele( em Cristo ), não tendo justiça própria,
que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus,
baseada na fé".No curso de nossa vida cristã deve chegar o momento em que devemos ser
achados vivendo não em nossa própria justiça, essa que provem de nossos próprios esforços
por guardar a lei, e sim ser achados em Cristo. Ser achados por quem? Pelos homens, pelos
anjos e pelos demônios. Logo nos versículos 10 e 11, diz:" 10 para o conhecer, e o poder da sua
ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte;11
para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos".Nossa justiça deve ser a que
procede de Deus; a vida de Deus em nós, a fim de poder lhe conhecer. Conhecer ao Senhor é
experimentá-lo; não é meramente ler ou escutar sobre Ele. Conhecer ao Senhor é
experimentar o poder da ressurreição de Cristo. Note que para isto é necessário que
participemos dos sofrimentos de Cristo, configurando-nos a Sua morte. Isso enriquece nossa
vida de ressurreição. Essa experiência de viver uma vida crucificada vai nos aperfeiçoando ao
Seu conhecimento. A revelação é aperfeiçoada pela experiência até o conhecimento de Cristo;
e então podemos experimentar o poder da ressurreição de Cristo. A vivência dessa
ressurreição nos faz aptos para uma super-ressurreição, a qual não será alcançada por muitos.
Muitos não querem a cruz, mas preferem benção materiais e carnais.No original grego, a
palavra ressurreição que aparece no versículo 10, não é a mesma traduzida no versículo 11. No
versículo 10 a palavra traduzida ressurreição, no grego é anastaseos, mas no versículo 11
encontramos uma palavra um pouco diferente; ali diz exanastasin, a qual se poderia traduzir
como uma super-ressurreição ou uma ressurreição sobressalente, que será um prêmio para os
santos vencedores. Para chegar a esta ressurreição sobressalente, indica que todo nosso ser,
espírito, alma e corpo, já tenha passado por um processo de ressurreição desde o momento
em que conhecemos a Cristo. É um processo paulatino, progressivo, continuo, no qual
podemos explicar assim:

1. Ressurreição do espírito. A nossa condição antes de conhecer a Cristo era de morte. Isso
explica vivamente a Palavra em Efésios 2:1-4: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos
delitos e pecados,2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o
príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;3 entre os
quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a
vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os
demais.4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos
amou..."Antes de conhecer ao Senhor nosso espírito estava morto, mas o Senhor o ressuscita
para a vida eterna. Lemos em Efésios 2:5-6, onde os verbos estão no tempo passado:"5 e
estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois
salvos,6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em
Cristo Jesus".O espírito não volta a ressuscitar devido a que jamais volta a morrer. Na
ressurreição do corpo, o espírito só faz reunir-se com o corpo glorioso para reunir-se com
Jesus. De conformidade com Romanos 6:3-11, o batismo tem um aspecto ressuscitador; ou
seja, ao ser batizado no corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12), participamos de todos os aspectos
e experiências de Cristo, incluída a ressurreição, de maneira que fomos ressuscitados
juntamente com Cristo "e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus" (Col. 3:3).
Essa é uma constante em todo o Novo Testamento. Em nossa vida de ressurreição não
devemos praticar as coisas de nossa velha natureza, a terrena." tendo sido sepultados,
juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados (tempo passado)
mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos" (Col.2:12). "Portanto, se
fostes ressuscitados( tempo passado) juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde
Cristo vive, assentado à direita de Deus." (Col. 3:1).
2. Ressurreição da alma. Uma vez que temos experimentado a ressurreição do espírito, o
Senhor passa a trabalhar para ressuscitar nossa alma; mas a alma, para que possa ressuscitar,
deve morrer antes. Um crente novo ainda é carnal, sua alma não tem sido renovada, de
maneira que temos que passar por um processo de crescimento espiritual, provas e negação
do eu, até que nossa alma chegue a ser renovada, e tenhamos uma alma espiritual, com uma
mente renovada, que possamos pensar como Cristo; ao sermos conformados, não à nossa
maneira de pensar passada, mas sim à mente de Cristo. Uma alma totalmente renovada é uma
alma ressuscitada a uma nova vida.Diz Romanos 8:6: "Porque o pendor da carne dá para a
morte, mas o do Espírito, para a vida e paz". Nosso velho homem foi crucificado juntamente
com Cristo,*(1) mas devemos tomar nossa cruz a cada dia,*(2) a fim de que essa morte (da
alma carnal) seja uma realidade presente em cada um de nós. Enquanto nos ocupemos (nossa
alma) da carne, não há morte em nosso eu; mas ao participar na morte de Cristo, nossa alma
tem vida e verdadeiramente somos trasladados da velha criação, do velho homem, à nova
criatura, ao novo homem, que é Cristo em nós. O processo desta ressurreição é um assunto
presente. Essa ressurreição especial é a meta de nossa vida cristã.
*(1) Cfr. Romanos 6:6
*(2) Cfr. Lucas 9:23
3. Ressurreição do corpo. Nosso corpo será ressuscitado no futuro, ao som da última
trombeta; e nessa ressurreição se lhe unirão o espírito e a alma. Romanos 8:10,11 diz:"10 Se,
porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o
espírito é vida, por causa da justiça.11 Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a
Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará
também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita".Deus quer que
todo nosso ser (1 Tes. 5:23) seja achado irrepreensível quando vier o Senhor, e todo nosso ser
completamente ressuscitado, seja em forma integral liberado do velho homem que tinha
Satanás escravizado. Que trabalhe, pois, em nós o poder de ressurreição que operou em Cristo
Jesus. Disto tiramos a conclusão que haverá crentes não vencedores, que suas almas não
haverão experimentado a respectiva ressurreição, de maneira que não experimentarão essa
ressurreição especial no último dia. Note que Paulo adverte em Filipenses 3:11, quando diz: "
para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos". É bem claro que não está se
referindo à ressurreição geral da Igreja senão a essa ressurreição especial, pois Paulo estava
seguro que participaria da ressurreição geral.

Os vencedores e o arrebatamento da Igreja

As Escrituras dão fé de que a Igreja será levantada pelo Senhor em Sua vinda, evento no qual
ocorrerá a ressurreição dos justos e a transformação dos que permanecerem vivos até o
glorioso regresso de Cristo. Vejamos acerca desse fato em quanto ao conhecimento de tal
evento por parte dos crentes e em quanto à participação no mesmo.

Quanto ao conhecimento do tempo do arrebatamento.

De conformidade com Atos 1:9-11 e outros muitos textos bíblicos, o Senhor virá outra vez. "9
Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos
seus olhos.10 E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois
varões vestidos de branco se puseram ao lado deles11 e lhes disseram: Varões galileus, por
que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo
como o vistes subir". De acordo com certos sinais dados na Bíblia, sabemos que Sua vinda não
demora, porque ninguém sabe nem o dia nem a hora, Mas podemos saber o tempo em que
esse evento ha de ocorrer. Quem saberá o tempo em que o Senhor ha de regressar? Haverá
irmãos que, ou por não amar a vinda do Senhor ou por andar preocupados em seus desejos
carnais e vida do mundo, vivem despercebidos e esse fato os surpreenderá como ladrão na
noite, e a outros, que estarão velando, não.Por exemplo, aos irmãos de Sardes, os que estão
marcados dentro do protestantismo denominacional, os que tem nome de que vivem, e estão
mortos, o Senhor lhes diz (Ap. 3:3): "Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o
e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo
algum em que hora virei contra ti". O curioso é que isso mesmo diz o Senhor ao mundo com
respeito de Sua vinda. Registramos no texto de 1 Tessalonicenses: 5:2-3: "2 pois vós mesmos
(os santos) estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite.3
Quando andarem dizendo: (no mundo) Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá (os ímpios)
repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum
modo escaparão". Uma coisa é o mundo e o crente descuidado, e outra o que vela e ama a
vinda do Senhor. Transcrevemos na continuação os versículos seguintes (4-10): "4 Mas vós, (os
que velam) irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de
surpresa;5 porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem
das trevas.6 Assim, pois, não durmamos (não nos descuidemos no mundo) como os demais;
pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.7 Ora, os que dormem dormem de noite (nas trevas
do mundo), e os que se embriagam é de noite que se embriagam.8 Nós, porém, que somos do
dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a
esperança da salvação;9 porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a
salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo,10 que morreu por nós para que, quer vigiemos,
quer durmamos, vivamos em união com ele". Este texto fala por si só.
Quanto ao tempo do arrebatamento e à participação no mesmo.
A ortodoxia doutrinal bíblica ensina que haverá duas ressurreições: Uma, a primeira, a dos
santos na vinda do Senhor, depois da grande tribulação, e a segunda, a dos ímpios, ao finalizar
o milênio. Sobre este ponto crucial da Escatologia, através da história se foram desenvolvendo
os pontos de vista de várias escolas de interpretação, dos quais destacamos os seguintes.

1. Pós-tribulacionismo. A sã doutrina bíblica é que toda a Igreja do Senhor será arrebatada


pelo Senhor e trasladada aos ares, onde nos encontraremos com o Senhor. Quando ocorrerá
esse evento? Na última trombeta. "51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos,
mas transformados seremos todos,52 num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar
da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos
transformados." (1 Coríntios 15:51-52). "16 Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de
ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos
em Cristo ressuscitarão primeiro;17 depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos
arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim,
estaremos para sempre com o Senhor" (1 Tessalonicenses 4:16-17). Ao ser levantada a Igreja
ao toque da sétima trombeta, significa que a Igreja estará aqui na terra durante os sete anos
do governo do anticristo, porque ao toque da última trombeta é quando ocorrerá a gloriosa
vinda do Senhor e o começo de Seu reino milenar; e isso não ocorrerá senão ao finalizar os
sete anos do governo da besta. Vejamos o que diz Apocalipse sobre isso."15 O sétimo anjo
tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de
nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.16 E os vinte e quatro
anciãos que se encontram sentados no seu trono, diante de Deus, prostraram-se sobre o seu
rosto e adoraram a Deus,17 dizendo: Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e
que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar.18 Na verdade, as nações
se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os
mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu
nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra"
(Apocalipse 11:15,18). Este ponto de vista era o sustentado pela igreja primitiva, pois é o que
aparece nos documentos do primeiro século, como a Didaqué; logo foi o ponto de vista
interpretativo dos chamados pais da igreja, e dos escolásticos; também foi o ponto de vista
dos reformadores; por último foi sustentado por várias das grandes denominações da linha
reformada e outras; são pós-tribulacionistas inclusive algumas correntes presbiterianas e
batistas. Também foram pós-tribulacionistas os irmãos Benjamím Newton e George Mueller,
dentro da linha dos Irmãos ou Brethren, os quais se opuseram a Darby.Apocalipse fala dos
santos saídos da grande tribulação. "9 Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que
ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e
diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;10 e clamavam em
grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a
salvação.11 Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres
viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus,12 dizendo:
Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força
sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!13 Um dos anciãos tomou a palavra,
dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram?14 Respondi-
lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação,
lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro,15 razão por que se acham
diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se
assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.16 Jamais terão fome, nunca mais
terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum,17 pois o Cordeiro que se encontra no
meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará
dos olhos toda lágrima" (Apocalipse 7:9-17). O pós-tribulacionismo é o que se chama como a
teologia do pacto. Mas o que sucedeu?

2. Pré-tribulacionismo. Não obstante que a igreja primitiva e a patrística sustentavam a


interpretação do Novo Testamento no sentido de que a Igreja seria arrebatada depois da
grande tribulação, entretanto, no ano 374, Efraim o Sírio, sem demonstrar profundamente,
pela primeira vez na história lança a idéia de um arrebatamento antes da grande tribulação;
mas não fez muito eco, pois até 1754 é quando retoma este ponto de vista um pastor batista
chamado John Gill; posteriormente retomaram suas bandeiras os seguintes: em 1810 um
jesuíta chileno de apelido Lacunsa; em 1812, um irmão inglês chamado Edward Irving; também
ensinou o pré-tribulacionismo em 1816 uma mulher, ao parecer mística, chamada Margaret
McDonald. Mas o que deu o respaldo final foi o irmão John Nelson Darby em 1820, que havia
escutado de Eduard Irving. O irmão Darby foi da linha dos Brethren, também conhecidos na
história como Os irmãos de Plymouth, intimamente relacionados com a restauração da igreja
bíblica e a unidade do Corpo de Cristo. Darby havia sido um arcebispo anglicano, de onde saiu
para se unir aos Irmãos em Plymouth. Darby aprofundou e sistematizou o pré-tribulacionismo
e o dispensacionalismo. Mas quem deu ampla difusão ao pré-tribulacionismo e ao
dispensacionalismo foi o Dr. Scofield com suas famosas anotações da Bíblia, e por esse meio
essa corrente de ensinamento teve fácil entrada em muitas denominações. A morte de
Scofield, quem retomou as bandeiras do pré-tribulacionismo foi Lewis Sperry Shaffer, fundador
do Seminário Fundamentalista de Dallas, Texas, onde se tem formado muitos pastores
denominacionais, e autor de una famosa teologia sistemática; de maneira que tem sido meios
poderosos para que se difunda o pré-tribulacionismo. Outros influentes pré-tribulacionista
tem sido Charles Ryrie, John F. Walvoord, das Assembléias de Deus, e J. Dwight Pentecost,
autor da conhecida obra dispensacionalista "Eventos do Porvir", que tanta influencia tem
projetado no denominacionalismo.Os irmãos que tem ensinado e difundido o pré-
tibulacionalismo merecem todo o respeito, mas devo declarar o que diz a Bíblia, que se aos
crentes é ensinado que a Igreja do Senhor será trasladada antes da aparição do anticristo na
esfera política mundial, estão lhes enganando. "1 Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos, 2 a que não vos demovais
da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer
por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.3 Ninguém,
de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a
apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição,4 o qual se opõe e se
levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no
santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.5 Não vos recordais de que,
ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas? 6 E, agora, sabeis o que o detém, para
que ele seja revelado somente em ocasião própria.7 Com efeito, o mistério da iniqüidade já
opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém;8 então, será, de fato,
revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela
manifestação de sua vinda " (2 Tessalonicenses 2:1-8).Os pré-tribulacionista interpretam o
versículo 7 no sentido de que é o Espírito Santo quem impede a manifestação do anticristo, e
que o Espírito Santo será tirado da terra ao ser arrebatada a Igreja. Mas tenhamos em conta
que o Espírito Santo está em todas as partes, inclusive no Hades. "7 Para onde me ausentarei
do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?8 Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha
cama no mais profundo abismo, lá estás também " (Salmos 139:7-8). Isso significa que o
Espírito continuará na terra depois que a Igreja for arrebatada ao céu; inclusive estará nas duas
testemunhas de Deus cujo ministério se desenvolverá em Jerusalém durante a grande
tribulação.*(3) O Espírito não é quem tem detido a manifestação dos grandes impérios
mundiais. Deus tem traçado um plano na história dos homens. Medite bem o leitor na estátua
do sonho de Nabucodonosor de Daniel 2; aí aparece a sucessão dos impérios mundiais até a
vinda do Senhor. As pernas da estátua correspondem ao império romano; logo vem uma
explicação mais detalhada disto mesmo nas bestas de Daniel 7. Note que a estátua termina em
dez dedos, e a quarta besta (Roma) aparece com dez chifres, dos quais se levantará outro, a
besta, que se encarregará de quebrantar aos santos do Senhor (Daniel 7:14-25; Apocalipse
13:5,7; Apocalipse 17:12-13). A Escritura se interpreta por si própria; de maneira que o que
impede a manifestação do anticristo é o império romano; ao ser tirado o poder de Roma,
aparecerá o anticristo.
*(3) Apocalipse 11_1-12Vemos que para que na história se manifestasse o Império Romano foi
necessário que fosse tirado o império grego, e que para que antes houvesse manifestado a
Grécia, havia sido necessário que se tirasse a Medo-Pérsia, etc. Muitos ignoram que o Império
Romano continuou governando em forma latente. Os bárbaros podiam haver desferido um
golpe mortal à Roma imperial, mas esse mesmo espírito continua ao surgir a Roma papal, a
qual herdou os poderes imperiais sobre toda Europa e suas colônias, poder que se encarregou
de reviver o império romano com o Sacro Império Romano Germânico com Carlos magno e
seus sucessores na Europa. De maneira, pois, que estamos vendo um ressurgir do Império
Romano no antigo território europeu do império, suas antigas províncias, os países que hoje
formam a Comunidade Européia. Daí sairá o anticristo, mas será um império diferente, pois o
anticristo "o qual será diferente dos primeiros... e cuidará em mudar os tempos e a lei " (Dn.
7:24,25).

3. Os dois arrebatamentos. Ao analisar os dois anteriores pontos de vista, e talvez vendo em


ambos alguma razão, surgiu uma terceira escola de interpretação com os irmãos Robert
Govett, G. H. Pember, D. M. Panton, pioneiros da restauração da igreja bíblica, e ultimamente
com o irmão Lang, com a convicção de que o arrebatamento da Igreja tem duas etapas ou dois
arrebatamentos, um antes da tribulação para as primícias, os vencedores, e outro depois da
tribulação para a colheita, ou seja, o resto dos cristãos salvos. Para ele tomam textos bíblicos
tanto do Antigo como do Novo Testamento. Este foi o ponto de vista que seguiram e
ensinaram os irmãos Watchman Nee e Witness Lee, apóstolos da restauração na China. Mas
devemos ter em conta que só há duas ressurreições: Uma no começo do milênio para a igreja,
e outra no final do reino milenar, para os ímpios. Também a Escritura fala de primícias da
ressurreição, mas diz que as primícias é Cristo. "20 Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os
mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.21 Visto que a morte veio por um homem,
também por um homem veio a ressurreição dos mortos.22 Porque, assim como, em Adão,
todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.23 Cada um, porém, por sua
própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda" (1 Coríntios
15:20-23). De maneira que Cristo é as primícias da primeira ressurreição; a igreja é a colheita

Cap 7- Os Vencedores e o Tribunal de Cristo- (3ª Parte)


Diferença entre a salvação e o reino

Satanás quebrou a ordem divina instaurada no universo, envolvendo nele mais tarde o
homem. Mas o Filho de Deus encarnou para iniciar a restauração de tudo, conforme o
propósito inicial de Deus, incluindo a Igreja que Ele mesmo resgatou, até instaurar sobre a
terra o reino dos céus, até que sejam postos todos seus inimigos por estrado de Seus pés.O Pai
é quem nos revela a Seu Filho Jesus Cristo, por Seu Espírito, o qual é quem nos dá a convicção
e a capacidade de arrepender-nos, "8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não
vem de vós; é dom de Deus;9 não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef. 2:8,9). Essa
salvação não está condicionada a obra alguma de nossa parte, nem boa nem má, e dela não
nos separará nem o presente nem o porvir*(1). Esta salvação corresponde ao espírito. Mas a
alma também deve ser salva; e devemos nos ocupar da salvação de nossa alma, de nosso eu,
com temor e tremor*(2). Se não se faz uma clara diferença entre a salvação da alma e do
espírito, a confusão é grande. Não confundas a alma e o espírito. O homem é um ser
tripartido. A alma é o eu da pessoa, ali está a sede de sua personalidade, pois é o assento do
intelecto (pensamentos), vontade (faculdade de decidir) e emoções, e dali emana sua
responsabilidade e seu poder de decisão. Portanto, é necessário que nosso espírito (homem
interior, o chama Paulo), já salvo, seja fortalecido com o poder do Espírito Santo, para que em
conseqüência habite Cristo pela fé em nossos corações, que é outra forma bíblica de chamar a
alma mais a consciência do espírito*(3), e chegue a ser Ele vivendo em nós e não nós
mesmos*(4). Quando isto ocorrer, teremos sido aperfeiçoados pelo Senhor, teremos salvo
nossa alma e teremos chegado a ser verdadeiros vencedores.
*(1) Cfr. Romanos 8:38*(2) Filipenses 2:12*(3) Efésios 3:16,17*(4) Gálatas 2:20
A salvação do espírito se relaciona com a vida eterna, e a salvação da alma e as boas obras
estão intimamente relacionadas com a participação no reino, que são dois aspectos diferentes.
Uma coisa é a salvação eterna, que é um dom de Deus imerecido e que não se perde, e outra
coisa diferente é a recompensa de Deus ou o castigo temporário durante a era do reino. O
problema da eternidade já está resolvido desde antes da fundação do mundo e faz dois mil
anos que teve seu cumprimento na cruz do Calvário, mas o da posição no reino e sua
recompensa dependem de que nós nos mantenhamos firmes. Não se deve confundir o reino
com a salvação eterna. A salvação se recebe pela fé; é um presente, é a vida eterna; por outro
lado, no reino se entra por nossa fidelidade até a morte, se recebe por obras, por obedecer ao
Pai; no caso de Esmirna é a coroa da vida. Quando a palavra de Deus diz em Romanos 8 que
não nos separará do amor de Cristo nem o porvir, ali não está condicionando que classe de
porvir em nossas vidas. Aconteça o que acontecer no futuro, não perderemos nossa salvação
eterna. Romanos 8:35-39 declara que não há maneira de separar-nos de Cristo. Nossa salvação
eterna não se perde, pois não depende de nossas obras nem de nossas justiças próprias; se
assim fosse, aparte de que anularia a obra do Senhor, se acaso hoje fosse salvo e amanhã não;
talvez depois de amanhã sim; e depois? Nossa salvação nem sequer assim poderia sustentar-se
firme, pois nada do que façamos ou deixamos de fazer nos fará merecedores de podermos
chegar até Deus. A Bíblia não indica nenhum caminho nem esforço humano para chegar a
Deus. Pelo contrário, nos revela que a melhor de nossas justiças é como trapo de imundícia
frente à obra de Deus; mas, graças ao Senhor que nossa salvação não depende de nós, inúteis
humanos, depende da obra que Cristo levou a cabo por nós em Sua encarnação, em Sua morte
na cruz, em Sua ressurreição e em Sua glorificação. Tudo tem feito Cristo, "que nos salvou e
nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria
determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos" (2 Timóteo
1:9). "Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor
para com todos,5 não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia,
ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo " (Tito 3:4.5).A
Bíblia diz que a salvação é um presente de Deus que não se perde, pois fomos salvos uma só
vez e para sempre; diz que ninguém tem merecido a salvação, nem pode fazer algo de sua
própria natureza para recebê-la. É um presente que se recebe pela fé, e a própria fé nos é
dada por Deus. É Deus que tem eleito à quem vai salvar. Deus "4 assim como nos escolheu
nele ( Em Cristo) antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante
ele; e em amor " (Efésios 1:4). Diz em João 15:16: " Não fostes vós que me escolhestes a mim;
pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso
fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda".
Desde antes da fundação do mundo temos sido predestinados a uma salvação que não se
perde jamais. "Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e
creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" (At. 13:48). Levemos em
conta que o que Deus dá, não tira. "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e
pecados" (Ef. 2:1); aqui, como em outras partes, aparece no passado, se trata da salvação do
espírito; por outro lado quando se trata da salvação da alma, sempre aparece no presente ou
futuro. Por exemplo, diz 1 Timóteo 4:16: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua
nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes ".
Também Lucas 21:19 diz: "É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma".A maioria dos
teólogos, mestres e estudiosos da Bíblia, em sua concepção e exegese tradicional ignoram ou
seguem tendo dificuldade para interpretar e concordar corretamente o conteúdo das
passagens que se relacionam com o tribunal de Cristo e o juízo da Igreja. Ao ignorar a exegese
dos respectivos textos ou se confundirem, tem chegado à concepção da falsa doutrina de que
a salvação se perde, porque não fazem diferença entre a alma e o espírito e seus respectivos
tempos de salvação. Se tu és um legítimo cristão, não estás perdido eternamente, mas pode
ser que leves uma vida vencida e tenha motivos suficientes para merecer um tratamento
adicional do Senhor; esse tratamento disciplinar pode ser executado agora, nesta era da Igreja
ou quando vier o Senhor, o qual não significa que se vá perder tua salvação eterna. É muito
certo o que nos diz João 3:16, mas também é certo o que nos diz Apocalipse 2:11. Podemos
fazer, por exemplo, uma relação entre Mateus 5:13 com Lucas 14:34-35.Nos diz o Senhor em
Mateus 5:13: "Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o
sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens". Os cristãos
são o sal da terra. O que significa ser lançado fora? Significa ser excluídos do reino dos céus.
Diz em Lucas 14:34-35, onde o Senhor nos dá a chave: "34 O sal é certamente bom; caso,
porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor?35 Nem presta para a terra, nem mesmo
para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça ". O sabor e utilidade
desse sal dependem da conduta do crente nesta terra, de seu grau de renuncia ao mundo e
aos deleites terrenos. O que acontecerá com os que não renunciam a todas as coisas da vida
presente? Que não serão aptos para o reino dos céus (na terra), nem para a estrumeira, ou
inferno, porque são filhos de Deus, então serão lançados da glória do reino às trevas
exteriores. Se tu és um cristão derrotado, jamais deixas de ser um filho e servo de Deus, mas
há em tua vida a opção de ser jogado fora da terra, às trevas exteriores, longe da glória do
reino de Cristo, durante o Milênio. Como temos anotado no capítulo 4, em muitas partes da
Palavra de Deus vemos que haverá diferentes classes de castigos disciplinares para os crentes
derrotados.O sermão do monte foi dito pelo Senhor a Seus discípulos, e são princípios e
normas que se referem ao reino, para que a Igreja saiba o que lhe corresponde quanto ao
trato e inter-relações dos irmãos, seus compromissos e atividades na obra do Senhor, sua
atitude frente às coisas terrenas. No Antigo Testamento, temos o Salmo 89, um salmo
messiânico que se relaciona com o pacto de Deus com Davi, o qual tem seu pleno
cumprimento com o Senhor Jesus Cristo, de quem nos versos 27-29 diz:" 27 Fá-lo-ei, por isso,
meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra.28 Conservar-lhe-ei para sempre a
minha graça e, firme com ele, a minha aliança".Logo nos versos 30-37 nos diz: "30 Se os seus
filhos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus juízos,31 se violarem os meus
preceitos e não guardarem os meus mandamentos, 32 então, punirei com vara as suas
transgressões e com açoites, a sua iniqüidade.33 Mas jamais retirarei dele a minha bondade,
nem desmentirei a minha fidelidade.34 Não violarei a minha aliança, nem modificarei o que os
meus lábios proferiram.35 Uma vez jurei por minha santidade (e serei eu falso a Davi?):36 A
sua posteridade durará para sempre, e o seu trono, como o sol perante mim.37 Ele será
estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço".Vemos que o não
vitorioso terá seu castigo, ainda que não perderá sua salvação. Se sabe pela Palavra de Deus
que no cristianismo professo há discórdia e gente não regenerada dentro de suas fileiras, e já
sabemos o que sucederá com essas pessoas, mas também é um fato indiscutível que na Igreja,
entre os regenerados e lavados pelo sangue do Senhor há servos fiéis, menos fiéis e infiéis,
vencedores e derrotados, valentes e covardes, maduros e imaturos, espirituais e carnais,
diligentes e negligentes, crianças flutuantes e adultos na fé. Em Mateus 24:45-51,
encontramos o que acontecerá tanto com uma classe de servos como com a outra, na vinda do
Senhor e o estabelecimento de seu tribunal, quando diz:" 45 Quem é, pois, o servo fiel e
prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu
tempo?46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo
assim.47 Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens.48 Mas, se aquele servo,
sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se,49 e passar a espancar os seus
companheiros e a comer e beber com ébrios,50 virá o senhor daquele servo em dia em que
não o espera e em hora que não sabe 51 e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas;
ali haverá choro e ranger de dentes ".Onde estiverem os hipócritas sofrendo eternamente, ali
mesmo estarão sendo castigados por um tempo (diz, sua parte) os crentes descuidados,
desobedientes, glutões, bêbados, viciosos, preguiçosos, mundanos, amadores dos prazeres
mais que de Deus; os que buscam impor sua autoridade e suas leis na igreja. É importante ter
em conta que a Escritura diz com toda clareza que somos salvos pela graça de Deus mediante a
fé, como um presente de Deus em Cristo; entretanto, a continuação e as entrelinhas seguidas
afirmam no mesmo contexto que o Pai preparou um trabalho exclusivo para cada um de nós.
"10 Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de
antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef. 2:10).Isso significa, não obstante, que
como filhos de Deus, temos a responsabilidade diante Dele de fazer algo específico que Deus
preparou para que fizéssemos, dentro dos propósitos Dele na edificação de Sua casa, e do qual
devemos dar conta. Deus não tem deixado Sua criação nem muito menos a edificação de Sua
Igreja ao arbítrio dos homens. É necessário trabalhar de acordo a um plano minuciosamente
traçado pelo Senhor, de acordo com Sua vontade, e seguindo os fundamentos bíblicos. Não se
trata, pois, de fazer as coisas de acordo com nosso próprio plano e propósito, assim nos pareça
que o que fazemos é perfeito e aceito por Deus.É necessário, pois, e para benefício nosso, que
desviemos nossa atenção dos meros interesses terrenos, tanto de tipo pessoal como dos
relacionados com organizações religiosas não fundamentadas na Palavra de Deus, e não
descuidar a salvação de nossa alma. "...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor" (Fp.
2:12); e a razão disto encontramos também na bendita Palavra de Deus, quando diz " Pois que
aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem
em troca da sua alma?" (Mateus 16:26). De acordo com o contexto, isto não disse o Senhor às
multidões mundanas e sim a seus discípulos. Disse o irmão W. Nee:"Não podemos mesclar a
perdição eterna com a disciplina. Muitos versículos, que parecem dizer que os cristãos podem
se perder de novo, realmente falam da disciplina dos cristãos. Não só está o assunto da
disciplina e o assunto da falsidade, Mas também o assunto do reino e da recompensa. Estas
poucas coisas são fundamentalmente diferentes. Muitas vezes, aplicamos as palavras para o
reino à era eterna, e as palavras com respeito à recompensa ao tema da vida eterna.
Naturalmente, isto produzirá muitos problemas. Devemos dar-nos conta de que existe uma
diferença entre o reino e a salvação, e entre a vida eterna e a recompensa. A maneira em que
Deus tratará conosco no milênio é diferente da maneira em que Ele tratará conosco na
eternidade. Há uma diferença na maneira em que Deus trata com o homem no mundo
restaurado e no mundo novo. O milênio está relacionado com a justiça. Está relacionado com
nossas obras e com nosso andar depois de que temos chegado a ser cristãos. O reino milenar
tem como propósito julgar nosso andar; entretanto, na eternidade, nos novo céu e nova terra,
tudo é graça gratuita. E o que tem sede pode vir e beber gratuitamente (Apocalipse 22:17).
Esta palavra é falada depois de que os novos céus e a nova terra tenham vindo".*(5)
*(5) Watchman Nee. O Evangelho de Deus. L. S. M. Tomo II. Pág. 357.
As bodas do Cordeiro

Não tem havido muita clareza no relacionado com as bodas do Cordeiro e com a Igreja. Muitos
irmãos pensam que toda a Igreja, ou seja, cem porcento dos irmãos participarão como noiva
nas bodas. Mas a Escritura não diz isso. Na parábola da festa de bodas diz que "o reino dos
céus é semelhante a um rei que fez festa de bodas a seu filho" (Mt. 22:2). Pelo contexto vemos
que para participar nesta festa de bodas é necessário cumprir certos requisitos, como ser
dignos (v.8) e estar vestido de certo tipo de vestido de boda. Dizem os versos 11-13: "11
Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia
veste nupcial12 e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele
emudeceu.13 Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para
fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes". O que significa este vestido de boda? O
fato de que este homem entrou à festa de bodas é porque é salvo, mas não estava vestido
com as vestes dos vencedores, o da justiça subjetiva em seu andar com o Senhor.O
compreenderemos melhor com Apocalipse 19:7-9: " 7 Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a
glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou,8 pois
lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os
atos de justiça dos santos.9 Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são
chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de
Deus". Então vemos que as bodas do Senhor não se farão com toda a Igreja; nem todos são
chamados para participar ali, senão só com Seus vencedores, os quais vêm a ser a esposa. Por
um lado vemos que na parábola fala de alguém que, mesmo que seja salvo, é lançado fora por
não estar com o vestido adequado; e por outro vemos em Apocalipse 19:7-9 que fala do
vestido de linho fino, que são os atos de justiça dos santos, e esses atos justos só se vêem nos
vencedores.A noiva do Cordeiro deve estar preparada antes desse acontecimento. Como é
essa preparação? Deve levar o vestido adequado, que simboliza a vida do Senhor em nós,
nossa justiça, nossa conduta, nossas obras em Deus, e além disso, estar cheios de azeite do
Espírito Santo, como diz Eclesiastes 9:8: "Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais
falte o óleo sobre a tua cabeça". Temos o caso das cinco virgens insensatas. Lhes faltou pureza,
limpeza de toda mancha, lhes faltou azeite, não haviam pagado o preço, e sendo salvas, pois
foram até o tribunal de Cristo, não puderam participar nas bodas do Cordeiro. Não haviam se
preparado para as bodas. "E, saindo elas ( As insensatas) para comprar(pagar o preço), chegou
o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta.11
Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta!12 Mas
ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço" (Mateus 25:10-12). Sem fé não
podemos alcançar a salvação eterna; mas sem obras justas não poderemos desfrutar do reino
dos céus, incluindo as bodas de Cordeiro. Na Palavra de Deus se fala de una vestidura de
bodas, e explica em que consiste; ninguém pode confeccionar esse vestido a não ser com a
ajuda de Senhor. O Senhor faz em nós e nós fazemos Nele. Trabalhar sem Ele, é trabalhar em
madeira, feno e palha. A vestidura objetiva significa que somos revestidos de Cristo, digamos,
por fora, somos mudados de posição; e a vestidura subjetiva significa que somos habitados por
Cristo por dentro; que somos conformados a Sua imagem. Ele é forjado em nós, manifestando
seus atributos através das virtudes de nossa alma renovada. Irmão, medita na arca do pacto.
Foi feita de madeira de acácia (a humanidade), mas revestida de ouro (a divindade) por dentro
e por fora. Para que possamos participar nas bodas, é necessário que nosso eu seja aniquilado,
e Cristo forjado em nós antes; temos tido que sofrer dores de parto. Mas Cristo se forma em
nós com nosso consentimento, usando também de nossa vontade. Paulo disse aos santos,
salvos de Galácia: "meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo
formado em vós" (Gálatas 4:19).Quando se levarão a cabo as bodas? Imediatamente depois do
juízo da Igreja ante o tribunal de Cristo, seguidas pelas festas, naturalmente, as quais se
prolongarão por todo o milênio. "E o Espírito e a Noiva dizem: Vem". Só o Espírito Santo e a
Noiva estão preparados para o encontro com o Senhor. Antes vejamos que o Espírito falava às
igrejas; agora o Espírito de Deus e os vencedores se tem feito um, e expressam o desejo de
que venha prontamente o Senhor.

A sétima promessa

"Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me
sentei com meu Pai no seu trono" (Ap. 3:21).Este é o máximo galardão que o Senhor pode
outorgar ao um vencedor. O Senhor tem falado à Igreja; então o Senhor está à porta,
chamando a quem queira abrir. A grande multidão dos crentes são crianças carnais, entretidos
em seus próprios deleites e diversões, nas falsas doutrinas de prosperidade; têm se enchido de
riquezas materiais, e orgulho; se gabam dos muitos conhecimentos que vão adquirindo, de
suas posições ante o Estado e as esferas sociais; já não necessitam de Deus. Mas o Senhor
recorre aos vencedores, ao que lhe escute e lhe obedeça, ao que abre sua intimidades com
Ele; ao que esteja disposto a se por de acordo com Ele. O tempo já está pronto para se
cumprir; já vai terminar a era da graça, e vem a do reino milenar; se aproxima o juízo da Igreja
ante o tribunal de Cristo; então o Senhor, em troca dos "tronos" fabricados pelos homens,
oferece a máxima posição de glória, sentar-se com o Senhor em Seu trono. Por que
precisamente a esta igreja do morno período de Laodicéia?Ainda que a Igreja esteja ocupada
em seus próprios interesses e glórias terrenas, entre os vencedores já existe a expectativa da
vinda do Senhor. Eles sabem que esse glorioso dia está às portas; o esperam ansiosos e amam
o regresso do Senhor. Os vencedores que receberem este galardão de se sentarem com o
Senhor em Seu trono, hão de participar da autoridade do Senhor, em sua qualidade de reis,
governando com Ele sobre toda a terra durante o reino milenar de Cristo. Mas antes os
vencedores têm comprado de Deus ouro puro refinado pelo fogo.Aqui o que vence o faz sobre
a mornidão da igreja degradada, gerada pelo orgulho do conhecimento de muita doutrina,
mas sem o Senhor. Aqui o vencedor é o que paga o preço para comprar o ouro refinado nas
provas de fogo, as vestiduras brancas de seu andar em Cristo e o colírio da unção e a luz do
Espírito Santo. Ao vencedor compete vencer não só a hostilidade do mundo e de seu próprio
eu, senão também, e o que é pior, a infidelidade, cegueira, prepotência e desvio da Igreja. A
Igreja está cheia de outras glórias alheias à verdadeira glória do Senhor; a Igreja se embriaga
dos potentes imãs do progresso material, e tem se esquecido da verdadeira glória do reino, o
qual se ganha com a cruz, negando-se a si mesmo. Todo crente que se ocupe hoje em exaltar a
si mesmo e a seu ministério, atropelando às ovelhas do Senhor, chegará nesse dia em que
sofra a mais dolorosa humilhação. Na Igreja se tem generalizado o conceito de que o Senhor só
nos salvou do inferno; já não temos que ir ao inferno, pois não há idéia de qual seja o plano de
Deus para a Igreja; e, além disso, nos salvou para que vivamos nesta terra cheios de bens
materiais e felicidades temporárias. Mas vem o juízo de Deus, e o juízo começa por Sua própria
casa. Irmão, deixa que o Senhor julgue agora teu andar; permite que o Senhor julgue cada
pensamento; submete ao juízo do Senhor cada ato teu, cada passo que dê; acostuma-te a
viver abaixo do juízo da Palavra de Deus, do Espírito Santo por tua consciência, da voz do
Senhor dentro de ti. Julga-te a ti mesmo usando as ferramentas que o Senhor te ha dado. Se
isso chega a ser tua realidade cotidiana, o dia que o Senhor julgar a Seu povo, para ti será um
dia de glória.Todo vencedor estará reinando no milênio a um mesmo nível que os demais? De
acordo com a parábola das minas de Lucas 19:11-26, cada crente exercerá no reino um serviço
de acordo com o uso que tenhamos feito aqui dos dons que nos tem outorgado o Espírito
Santo, postos ao serviço de Deus. Nem todos teremos a mesma posição no reino dos céus,
nem os mesmos privilégios, nem desfrutar ao Senhor no mesmo grau de proximidade. O
Senhor é justo e trabalha com justiça. Na terra medimos as classes e as posições de maneira
diferente a como se medem no céu.

Cap 8- O Reino Messiânico na Perspectiva Profética- (1ª Parte)


O homem recebe o senhorio e o perde

Depois que o Senhor terminou toda a obra da criação, diz a Bíblia que Deus criou o homem.
Deus necessitava de alguém que representasse Sua autoridade na Sua criação. Depois que
Deus criou o homem à Sua imagem, varão e varoa, dotados com suficiente poder e autoridade,
lhes disse (Gn. 1:28): “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei
a terra e sujeitai-a(é a palavra chave); dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus
e sobre todo animal que rasteja pela terra". Essas eram as três áreas sobre as quais o homem
tinha domínio. Deus deu senhorio ao homem sobre os ares, nas águas e na terra. Deus queria
estabelecer seu reino no universo começando por esta terra, mas com a representação do
homem, uma criatura inteligente de sua inteira confiança.Mas o homem falha com Deus. Vem
o drama do homem e a antiga serpente, e o homem entrega este senhorio a Satanás, o mesmo
senhorio que havia recebido de Deus. Satanás incita ao homem a ser independente de Deus;
assegura-lhe que se comer do fruto proibido seriam abertos seus olhos e seria como Deus,
sabendo o bem e o mal. O homem cai voluntariamente na armadilha, e é despojado desse
senhorio. Queda, pois, sendo Satanás o príncipe deste mundo, como disse Paulo em Efésios 2 e
em 2 Coríntios 4:4, que diz que o diabo é o deus deste mundo, deste século. Por quê? Porque
recebe o senhorio de mãos de quem havia recebido o senhorio de parte de Deus, ou seja, do
homem. De maneira que o homem fica sendo escravo de Satanás. O apóstolo Paulo descreve
assim: "1 Ele (Cristo) vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, 2 nos
quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar,
do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;3 entre os quais também todos nós
andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais" (Ef. 2:1-3). De
maneira que o homem se converteu realmente em escravo do diabo.Mas quando o pecado de
Adão é descoberto, há um juízo da parte de Deus, e vem a maldição da serpente, a maldição
de Eva e a maldição de Adão e a expulsão do homem do Jardim até o dia que pudesse comer
da árvore da vida. Mas em meio de tudo isso se destaca a promessa de um poderoso Salvador
e a luta e rivalidade históricas entre as duas sementes até que o dragão fosse julgado e
vencido na cruz de Cristo. Deus disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a
tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar"
(Gn. 3:15). Satanás, pois, recebe um poder especial para governar este mundo, e ele conta
com uma sofisticada e poderosa organização hierarquizada que opera nas trevas, integrada
pelos anjos caídos que arrastou o querubim Lúcifer depois de sua rebelião. Satanás desenvolve
assim um reino chamado de "potestade das trevas".

Israel no Reino

Então esse propósito de Deus de estabelecer seu reino na criação, teve aqui na realidade um
obstáculo, mas com isto não se cancelou, pois o Senhor já tinha um plano, e começou a se
mover de tal maneira a restaurar as coisas para que seu reino se estabelecesse plenamente em
um homem em quem Ele pudesse confiar; não no homem caído. O homem caído ficou
desqualificado em sua escravidão. Primeiramente, quando as coisas se deram, houve uma
linha étnica, uma raça na história, que se lembrava de Deus, que temia a Deus, pela
descendência de Sete, pois a descendência de Caim se esqueceu de Deus; e nos tempos de
Noé a humanidade já havia se saturado de maldade, sobre tudo de ocultismo, um pecado que
aborrece a Deus sobremaneira, porque se lhe rejeita, e isso acarretou o juízo de Deus por meio
de um dilúvio. Mas o homem não quer fazer o bem e se esquece de Deus. A torre de Babel é
uma evidência de que o homem não aprendeu a lição do dilúvio, voltando à prática do
ocultismo, pois a torre de Babel, o primeiro zigurate da história para a adoração ocultista,
também é o primeiro monumento à auto-exaltação.Também da descendência de Noé, com o
tempo Deus escolheu a um varão chamado Abraão, filho de Tera da descendência de Sem,
para ir conformando as coisas, para ir estabelecendo os princípios a fim de dar começo e
desenvolvimento aos planos de Deus encaminhados a estabelecer seu reino sobre a terra; e a
partir do capítulo 12 de Gênesis, Ele o chama das terras caldéias para fazer uma nação de sua
semente, uma nação diferente por meio da qual revelar sua verdade e sua justiça; e Deus
estabelece a Abraão na terra escolhida por Deus, chamada nesse tempo Canaã, e lhe dá
descendência. Nasce Isaque, e Isaque gera a Jacó, quem mais tarde daria o nome à nação,
Israel, e quem por sua vez gera os doze pais das tribos de Israel, e sua descendência se
multiplica, e por circunstâncias que conhecemos se vão à terra do Egito e com o tempo
chegam a serem milhões os hebreus, mas escravizados; e depois de quatrocentos e trinta
anos, desse povo elege a um varão, a Moisés, para libertá-los, tirá-los e levá-los pelo deserto
para prepará-los e se revelar a eles a fim de lhes entregar uma terra onde Ele começaria a
estabelecer um modelo, um princípio, um avanço, um arquétipo realmente do reino de Deus
sobre a terra. No final o reino abraçará toda a terra, mas Deus começaria por Israel, além de
que dessa raça nasceria a semente da mulher, o Rei messiânico.E foi assim como depois de 40
anos de perambular pelo deserto, para suceder a Moisés, elege a um varão da tribo de Efraim
chamado Josué, e com ele na liderança do povo entrega-lhes a terra e estabelece uma
teocracia. O Senhor já os havia dito em Êxodo 19:6: "vós me sereis reino de sacerdotes e nação
santa". Deus queria que todo o povo fosse um povo sacerdotal, e um reino à vez; ou seja, Ele
queria fazer de Israel una teocracia, onde o verdadeiro Rei fosse o próprio Deus. Esta nação foi
criada por Deus para Si mesmo, de maneira que os israelitas, como nação, foram os primeiros
em serem livrados da potestade do reino das trevas, da jurisdição de Satanás, e ao invés de um
príncipe espiritual satânico, como as demais nações (cfr. Daniel 10:13,20), seu príncipe
espiritual que os guardava foi o arcanjo Miguel (cfr. Daniel 10:21; 12:1). Mas a eles queriam
pedir um rei humano, como as demais nações do mundo, ao invés de seguir sendo uma
teocracia pura. Então Deus os concedeu no que se chama a vontade permissiva de Deus. Esse
rei, Saul, da tribo de Benjamin, falhou, e então Deus escolheu a um rei conforme ao Seu
coração e estabeleceu, de certa maneira, a teocracia, pois mesmo que reinasse Davi, da tribo
de Judá, ele fazia a vontade de Deus, representava a autoridade de Deus, representava a
realeza do Senhor. De todas as maneiras reinaram Davi, seus filhos e netos, mas faziam a
vontade de Deus. Esse era o desejo de Deus para um reino diferente sobre a terra. Uma única
nação onde realmente ali reinasse Deus e não Satanás. Mas não foi assim sempre; e diz a
Palavra que ao fim eles falharam. E depois da morte de Salomão o reino se dividiu. Dez tribos
no norte tiveram seu próprio rei, a Jeroboão iniciando a lista; e as duas tribos restantes, as de
Judá e Benjamin continuaram com Roboão, filho de Salomão, o rei da linha de Davi.
Lastimosamente ambos os reinos falharam com Deus. Os reis do reino do norte todos falharam
e recusaram a Deus; se envolveram desde o princípio na idolatria para evitar que o povo fosse
adorar em Jerusalém e ficasse por lá; inclusive chegaram a trocar a Deus por Baal.E os reis de
Judá, a maioria se apartou dos princípios de Deus para governar sua nação. Jeroboão se
apartou do princípio do reino, para edificar um reino para si mesmo. Um princípio do reino é a
unidade, e outro é que tem que adorar onde Deus escolher que se lhe adore, e Jeroboão não
permitiu. Claro que Roboão também teve sua cota de culpabilidade na divisão do reino; não
representou bem o governo de Deus. Então o Senhor teve que tomar medidas corretivas e
permitiu que nações ímpias e poderosas os assediassem, os sitiassem e os levassem cativos às
terras estrangeiras. Como eles começaram a falhar com Deus, descuidando os princípios e leis
do reino, então tiveram que ser levados, cada reino por separado, cativos a outras nações
estrangeiras para que vivessem em sua própria carne a realidade da diferença que é o reino de
Deus e os reinos do mundo, governados por Satanás e suas hostes.

Os dois cativeiros

Se houve um tempo em que havia uma nação que representava o reino de Deus, e quando
essa nação falhou com Deus, já não se podia dizer que aí reinava Deus, pois mui poucos
obedeciam a Deus; só um pequeno remanescente se recordava de Deus. E ficaram sabendo
até no estrangeiro sobre esta triste realidade, ante a qual Deus determinou levantar outras
nações poderosas, cruéis e apressadas para castigar aos mal-feitores de Israel e de Judá. A
primeira grande falha foi dividir o reino e começar a ser regidos por egoístas princípios
humanos afastados da vontade de Deus. Claro, sobreveio a idolatria. A idolatria minava os
alicerces da teocracia, mesmo quando esta seja representativa; e muito mais em um reino
dividido.Em conseqüência houve dois cativeiros: Primeiro, o cativeiro de Israel (as dez tribos
do norte) pela Assíria em 722 a. C., a causa do castigo recebido por sua iniqüidade. Essas tribos
jamais regressaram; é provável que alguns indivíduos de Israel tenham regressado com o
remanescente de judeus (das tribos meridionais) depois do cativeiro babilônico. Em verdade,
descendentes das tribos nortenhas tem regressado à Palestina, mas no presente retorno dos
hebreus a sua antiga pátria a partir de finais do século XIX, e sobre tudo com os eventos do
Holocausto na Alemanha por parte dos nazistas na segunda guerra mundial, e a criação do
moderno Estado de Israel em 1948.O segundo cativeiro recaiu sobre o reino do sul, Judá, que
foi sitiado, derrotado e levado em cativeiro para a Babilônia em 605 a. C., a mando do rei
Nabucodonosor, durante setenta anos, conforme a profecia de Jeremias;*(1) foram sitiados,
vencidos e levados por causa de sua idolatria. Quando esse tempo se cumpriu, Deus preparou
um pequeno remanescente dos judeus para que regressassem, pois em sua própria terra
deviam conformar o verdadeiro povo por meio do qual viria o Salvador dos homens, e
verdadeiro rei que ao final dos tempos restabeleceria o trono de Davi, o reino de Deus sobre a
terra. O propósito de Deus com o retorno desse remanescente era que eles se pusessem nas
mãos de Deus e começassem um processo para o restabelecimento do reino; tratando Deus de
restabelecer Seu reino em Israel; mas agora seria completamente distinto. Seria um rei em
quem Deus poderia confiar plenamente, e para ele seria necessário que nascesse a semente da
mulher, o Filho de Deus encarnado, e morresse e ressuscitasse, e ascendesse à glória, e
enviasse a seu Espírito, e se formasse a Igreja, e passasse o tempo necessário para seu glorioso
retorno à terra a estabelecer seu reino. De modo, pois, que com o retorno de um
remanescente não ia restaurar o reino imediatamente; eles seguiriam sob o domínio dos
impérios mundiais que se sucederiam na história.
*(1) Cfr. Jeremias 27:19-20; 29:10

Grandes revelações no livro de Daniel

O caso, pois, é que a partir do cativeiro de Babilônia, Israel não voltou a ser livre até sua
destruição total pelos exércitos do Império Romano, no ano 70 do primeiro século.
Sucessivamente na história, Israel esteve sob o jugo das grandes potencias que tem dominado
o mundo. Deus se revelou com luxo de detalhes a um profeta exilado na Babilônia, um homem
temeroso de Deus que havia sido levado com os primeiros cativos. A revelação está contida
nos capítulos 2 e 7 do livro de Daniel. Mesmo quando eles regressassem à sua terra, não
seriam de todo livres, pois Deus não tinha a intenção de por no trono a homem comum algum,
senão a seu próprio Filho. Vejamos, pois, como Deus revela a este profeta o curso total da
história até estabelecer Deus plenamente Seu reino nesta terra, conforme Seu propósito
original antes da criação de Adão. Deus lhe deu toda a autoridade, autonomia e poder a Adão,
mas como Adão falhou, Ele se propôs estabelecer a alguém que não falhe jamais. O rei que
virá já tem toda a potestade da parte de Deus.*(2)
*(2) Cfr. Mateus 28:18

Nos capítulos 2 e 7 do livro de Daniel há uma revelação sob os enfoques. Um (capítulo 2) é


feito em parte a um rei pagão; digo em parte, porque Nabucodonosor não teve conhecimento
de fato até que o profeta de Deus o revelou. Tenhamos em conta que o rei havia esquecido o
sonho, e o profeta o desconhecia; só o soube depois que Deus o revelou. De maneira que a
verdadeira revelação daquele sonho, Deus fez ao profeta. E há uma segunda parte, um
segundo ponto de vista revelado diretamente ao profeta, que se encontra no capítulo 7. No
capítulo 2 a revelação começa de acordo com o ponto de vista do homem. O homem só vê a
majestade que em torno de si mesmo se cria, a glória que a si mesmo se dá ou lhe outorgam
os demais; glória efêmera envolta em vanglória. Mas Deus vê a realidade intrínseca das coisas;
Deus vê o bestial que é a glória e o governo do homem. No capítulo 2 vemos uma imagem
apoteótica; no capítulo 7 Deus revela esses mesmos impérios mundiais, mas representados em
uma sucessão de bestas, como o que realmente tem sido.
O rei Nabucodonosor recebe a revelação em um sonho, mas o sonho se esquece. Isso Deus
permite a fim de que nenhum mago especule e faça crer o rei em uma interpretação
mentirosa e acomodada. Este rei era um indivíduo mui centrado em si mesmo e em sua glória
terrena; ele pensava na grandeza da Babilônia, nesses palácios e jardins maravilhosos, em seu
poderoso exército, em suas futuras conquistas e domínios, etc. Ele estava preocupado pelo
que seria de tudo isso, quantos anos estaria governando, quem veria depois dele, e como
aconteceriam todas essas coisas. Ele ostentava a coroa de um império mui brilhante. Imagino
que vivia pensando naquilo dia e noite. É possível que o profeta Daniel também se inquietasse
com o futuro de seu povo. Então Deus deu um sonho ao rei revelando-lhe o futuro, mas
também ao profeta. Depois de haver sido chamados e consultados todos os caldeus,
astrólogos, magos e videntes que rodeiam um poderoso governante oriental, e ante a
impossibilidade destes de adivinhar e interpretar o sonho do rei; iam ser levados à morte.
Daniel solicitou que não matassem a estes senhores e que lhe dessem um tempo a ele para
mostrar a interpretação ao rei. Depois de haver orado e recebido a revelação da parte de
Deus, Daniel se apresentou diante do rei, glorificando a Deus. Diz a Palavra de Deus no livro do
profeta Daniel, capítulo 2:
" 27 Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exige, nem
encantadores, nem magos nem astrólogos o podem revelar ao rei;28 mas há um Deus no céu,
o qual revela os mistérios, pois fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser nos últimos
dias. O teu sonho e as visões da tua cabeça, quando estavas no teu leito, são estas:29 Estando
tu, ó rei, no teu leito, surgiram-te pensamentos a respeito do que há de ser depois disto.
Aquele, pois, que revela mistérios te revelou o que há de ser.30 E a mim me foi revelado este
mistério, não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes, mas para que
a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses as cogitações da tua mente".
Os reinos terrenos e o curso da história
A continuação o profeta Daniel continua com a interpretação do sonho de Nabucodonosor,
dizendo-lhe:
" 31 Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua (porque Nabucodonosor havia se
esquecido do sonho). esta, que era imensa e de extraordinário esplendor, estava em pé diante
de ti; e a sua aparência era terrível.32 A cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata,
o ventre e os quadris, de bronze;33 as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte,
de barro.34 Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a
estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou ".
Deus mostra a Nabucodonosor quatro grandes impérios que dominariam ao mundo civilizado
até o fim da história, e se estabeleceria definitivamente o reino de Deus sobre a terra, cujo
glorioso Rei está representando aqui por uma pedra que cairia do céu, a qual destruiria todo o
reinado de Satanás sobre a terra. A pedra foi cortada não com mão. As coisas de Deus não se
realizam por iniciativa humana, por projetos idealizados pelos homens, e menos o relacionado
com o estabelecimento de Seu Reino, por muito magníficos que nos pareçam. Deus tem um
plano eterno, incomovível e verdadeiro; plano que aparece na Palavra e que nos revela por
Seu Espírito. A Palavra de Deus não admite reformas humanas. Todo o escrito terá seu
cumprimento. Tudo está registrado no livro sagrado.
" 35 Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se
fizeram como a palha das eiras no estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios
(aqui vemos que Deus esmiúça toda a glória e os propósitos dos homens). Mas a pedra que
feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a terra ".
Essa é a pedra angular de que fala Pedro. Deus é quem põe os reis e os tira, e dá aos homens
autoridade para que reinem. O presidente Álvaro Uribe Vélez acaba de ganhar as eleições para
seu segundo período devido a que Deus lhe deu essa autoridade. É Deus quem lhe concede
prolongar seu mandato. Segue dizendo Daniel ao rei:
" 36 Este é o sonho; e também a sua interpretação diremos ao rei.37 Tu, ó rei, rei de reis, a
quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a força e a glória;38 a cujas mãos foram
entregues os filhos dos homens, onde quer que eles habitem, e os animais do campo e as aves
do céu, para que dominasses sobre todos eles, tu és a cabeça de ouro".
Babilônia. Israel se aparta de Deus em face à idolatria; Deus já não era levado em conta ali, e
Deus decide transferir o domínio da terra às mãos dos gentios, e por causa do cativeiro, essa
transferência recaiu na pessoa de Nabucodonosor. Babilônia então veio a ser essa cabeça de
ouro. A Palavra de Deus revela que Babilônia foi o império mais brilhante e glorioso que tenha
existido em toda a história da civilização. Não o mais poderoso, pois à medida que foram
sucedendo-se esses impérios mundiais, se iam degradando e perdendo seu brilho de glória,
mas paradoxicamente nessa mesma proporção iam ganhando em força e poder. Na grande
estátua do sonho, depois da cabeça de ouro (Babilônia) seguia o peito e os braços de prata,
logo seu ventre e suas coxas de bronze, suas pernas de ferro, e por último, seus pés de ferro e
de barro cozido. Os materiais dessa estátua iam se degradando à medida que descia à terra. É
algo que parece contraditório, mas é a realidade. Os homens, na medida em que adquirem
mais força e poder, mais se degradam moralmente, e seu coração se desliza mais em face à
corrupção e a crueldade.
" 39 Depois de ti, se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o
qual terá domínio sobre toda a terra ".

Media e Pérsia. Que poder mundial surgiu depois de Babilônia? Uma colisão dos medos e os
persas (os dois braços da estátua unidos pelo peito) tomaram o poder mundial e derrotaram a
Babilônia. Eram menos brilhantes, contudo mais poderosos em força. A prata tem menos valor
e preciosidade que o ouro, mas é mais forte.

Grécia. Depois se levantou um terceiro grande império, Grécia, em mãos de um jovem


macedônio chamado Alexandre, mais conhecido na história como Alexandre O Grande, filho
de Filipos, rei da Macedônia, quem no curto lapso de dez anos chegou a conquistar e dominar
o mundo; e depois de sua morte seu grande império foi dividido e prolongado por seus quatro
grandes generais do estado maior, estendendo e implantando pelo mundo a cultura
helenística, usada por Deus inclusive para a expansão do evangelho.

Império Romano
" 40 O quarto reino será forte como ferro; pois o ferro a tudo quebra e esmiúça; como o ferro
quebra todas as coisas, assim ele fará em pedaços e esmiuçará".
A Babilônia chegou ao fim; o mesmo sucedeu aos medo-pérsas; aos gregos também chegaram
ao fim de seu poderio por meio da incursão de um quarto reino muito poderoso, porém
extremadamente sanguinário, chamado Roma. Recordem irmãos, que o império romano está
representado pelas duas pernas de ferro da estatua. Roma foi um império com duas capitais:
Roma propriamente dita, na parte ocidental, e Constantinopla na parte oriental. E houve um
prolongado tempo em que foram suas capitais simultaneamente. Esta circunstancia serviu
para sua posterior degradação. Tem sido o império mais cruel e sanguinário da história.
" 41 Quanto ao que viste dos pés e dos artelhos, em parte, de barro de oleiro e, em parte, de
ferro, será esse um reino dividido; contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois
que viste o ferro misturado com barro de lodo.42 Como os artelhos dos pés eram, em parte,
de ferro e, em parte, de barro, assim, por uma parte, o reino será forte e, por outra, será
frágil.43 Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante
casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro".

Império Romano ressurgido

O quarto império, o romano, não existe já na história. Roma, sua capital ocidental, sucumbiu
no ano 476, em mãos de Odoacro, um chefe dos mercenários germânicos da Itália, que depôs
ao imperador Rômulo Augustus e enviou a Constantinopla as insígnias imperiais.
Constantinopla, sua capital da ala oriental, foi conquistada pelos turcos em 1453, instaurando
um regime islâmico. Entretanto o império romano tem continuado latente nestes séculos em
toda a civilização ocidental; mas ao final dos tempos ocorrerá um ressurgimento deste
império, não com o poder e a força antiga, senão que termina em dez dedos que não são
totalmente de ferro, e sim que têm parte de barro, para que se entenda melhor; e o ferro
jamais se mescla com o barro; jamais se compactam; isso ocorre só em aparência; no
momento em que recebam um golpe contundente, cai o ferro por um lado e os pedaços de
ladrilho pelo outro. De maneira que são uniões aparentes, muito débeis e frágeis.
São dez dedos. O número dez representa a totalidade das nações surgidas das antigas
províncias do Império Romano, incluindo as nações que foram colônias de ultramar dessas
metrópoles. São as nações que no final dos tempos darão o trono ao Anticristo, e que em
determinado momento estarão aparentemente unidas. Por exemplo, os países que
conformam a União Européia aparentemente estão unidos por múltiplas instituições políticas
e econômicas, seu parlamento, sua constituição, o euro, etc., mas seguem mantendo em si
mesmos suas barreiras, ali subjazem nacionalidades e interesses que defendem por cima dos
pactos multinacionais. Os ingleses, os franceses, os alemães, os espanhóis sempre defenderão
o que são, incluindo sua cultura ancestral, ainda que agora vivam uma união e aliança
continental.

A Pedra lançada por Deus

" 44 Mas, nos dias destes reis (quando estiverem governando o mundo estes reis; isto não
aconteceu ainda na história) o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído;
este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele
mesmo subsistirá para sempre,45 como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio
de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber
ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação".Eu creio que
os romanos jamais pensaram que o império romano chegaria a ser destruído, que sucumbiria;
isso jamais. Mas o Rei que porá Deus, nunca será destronado. Ele virá a dar fim na história dos
grandes poderes mundiais humanos. Jesus Cristo esmiuçará e consumará todos estes reinos e
todas as nações da terra terão que submeter-se a sua autoridade e a seu reino.Ao passarmos
para o capítulo 7 de Daniel, vemos o aspecto sob o qual este profeta viu o curso dos impérios
na história da humanidade. Já temos visto que os reinos do mundo são apoteóticos, tem uma
aparente e efêmera glória, e a humanidade sonha com viver essas grandezas. Mas a glória dos
grandes impérios e as realezas mundanas é sumamente aparente, passageira e frágil. Deus é
quem vê a realidade das coisas, e Ele é quem tem em suas mãos a continuação e o
desenvolvimento dos assuntos segundo como Ele o traçou, por mais que se creia ao contrário.
Todo o plano da economia de Deus ha de realizar-se fielmente. Nada tem sido deixado ao azar.
O governo do Anticristo que virá na terra poderá aparecer com muita glória e poder, mas será
de pouca duração. Diz em Apocalipse que as pessoas o adorarão, o admirarão e irá atrás dele,
e dirão: Quem é como a besta? Quem poderá lutar contra ela? Vejam que glória! Quando se
havia visto algo semelhante em toda a história?*(3) Segundo a visão do apóstolo João, se
maravilhará toda a terra seguindo a besta.
*(3) Cfr. Apocalipse 13:3-4.

Os impérios bestiais Por isso Deus tem revelado como vê Ele os reinos do mundo; ao profeta
Daniel e ao apóstolo João, em primeiro lugar. Daniel recebeu uma revelação desses quatro
impérios mundiais, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, nas figuras de quatro bestas, porque não
tem sido outra coisa. Cada besta revela exatamente as características e qualidades do
respectivo reino. A primeira besta, um leão com asas de águia, simbolizava a grandeza do
império babilônico; a segunda besta, um urso com um lado mais alto que o outro, e em sua
boca três costelas entre seus dentes, simbolizava a aliança devoradora e sangrenta dos medos
e os persas; a terceira besta, semelhante a um leopardo com quatro cabeças e quatro asas de
aves em suas costas, simbolizava o veloz domínio do mundo por parte dos gregos; e a quarta
besta, espantosa e terrível, que era como uma mescla das três anteriores juntas, mas com dez
chifres, simbolizava o terrível império romano. Todos esses governos têm sido bestiais e
satânicos, pois Satanás, o príncipe do mundo e da potestade do ar, é o supremo ventríloquo
que os manipula dos ares com sua poderosa organização espiritual das trevas.*(4) Mas há uma
explicação do sonho. Leiamos ao profeta Daniel no capítulo 7: "15 Quanto a mim, Daniel, o
meu espírito foi alarmado dentro de mim, e as visões da minha cabeça me perturbaram.16
Cheguei-me a um dos que estavam perto e lhe pedi a verdade acerca de tudo isto. Assim, ele
me disse e me fez saber a interpretação das coisas:17 Estes grandes animais, que são quatro,
são quatro reis que se levantarão da terra".
*(4) Cfr. Daniel 10:12-13.
Temos que analisar por que a Palavra de Deus focaliza nestes quatro grandes impérios. O
Senhor revela o que não é conhecido; por isso a revelação começa nos tempos do profeta que
a recebe. Antes da Babilônia havia dois grandes impérios que alguma relação tiveram com o
povo de Deus: Egito e Assíria. No Egito o povo havia se multiplicado, mas haviam estado
escravizados; Assíria havia invadido o reino do norte e os havia levado em cativeiro. Agora os
quatro grandes impérios a partir da Babilônia, todos submeteram à terra santa. Quando o
Senhor nasceu em Belém, a terra santa estava submetida pela quarta besta, por Roma; e foi
Roma quem ditou a sentença e o levou à cruz. Todos estes impérios têm sido bestiais e
satânicos; mas, qual será o fim deles quando Satanás for encerrado no abismo? Diz Apocalipse
20:1-3: "1 Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande
corrente.2 Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por
mil anos;3 lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as
nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco
tempo". Quando o Senhor regressar à terra e Satanás for lançado ao abismo, imediatamente
toda a estrutura de seu poder cairá ao chão, como viu Daniel que se desmoronou toda a
imagem vista por Nabucodonosor. Ainda que todos esses impérios mundiais tenham caído na
história, todavia persiste a estrutura de toda a imagem. O poder mundial que levará ao poder
ao anticristo aparecerá com algo do brilho do ouro babilônico, terá muito do poder destruidor
dos medos-persas, algo da habilidade, destreza e ligeireza dos gregos, e possuirá, sobre tudo, o
espírito sanguinário e frieza do império romano. Mas tudo isso será consumido com a chegada
gloriosa do Senhor Jesus Cristo."18 Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão
para todo o sempre, de eternidade em eternidade".Quem são os santos do Altíssimo? A Igreja;
sobre todo os vencedores. E o caso é que a Igreja está pondo pouca seriedade neste assunto
do reino. E segundo a Palavra de Deus, o reino é prioritário. "33 buscai, pois, em primeiro
lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt. 6:33). Nós
temos uma grande responsabilidade frente ao reino de Deus. É uma ordem do Senhor que nos
preocupemos pelo reino muito acima de todos os nossos interesses e necessidades
particulares.

Cap 8- O Reino Messiânico na Perspectiva Profética- (2ª Parte)


Um chifre enigmático

"19 Então, tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente
de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro, cujas unhas eram de bronze,
que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobejava;20 e também a respeito dos
dez chifres que tinha na cabeça e do outro que subiu, diante do qual caíram três, daquele
chifre que tinha olhos e uma boca que falava com insolência e parecia mais robusto do que os
seus companheiros".Aí é revelado a aparição do Anticristo, que surge destas últimas nações
que corresponde com os dez chifres da quarta besta e com os dez dedos da estatua do sonho
de Nabucodonosor."21 Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e
prevalecia contra eles,22 até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo; e
veio o tempo em que os santos possuíram o reino".Vemos na Palavra a revelação de que Deus
nos tem feito reis e sacerdotes; mas para reinar com Cristo temos que ser vencedor."23 Então,
ele disse: O quarto animal será um quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os
reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços.24 Os dez chifres
correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará
outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis.25 Proferirá palavras contra o
Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos
lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo".Isso
concorda com os três anos e meio revelados em Apocalipse (cfr. Apocalipse 13:5; 11:2).

Instauração do reino de Deus

"26 Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir
até ao fim.27 O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão
dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o
servirão e lhe obedecerão".
Se sabe que Cristo virá pronto, e vai estabelecer Seu reino, e os vencedores da Igreja reinarão
com Ele. Mas enquanto isso, todas as nações estão sofrendo a tirania de Satanás. Inclusive o
moderno Israel está sofrendo essa escravidão. Quando voltará Israel a estar sob o reino de
Deus como antigamente? Até que seja tirado todo poder dos gentios e até mesmo de Satanás
(cfr. Ro. 11:25). Diz a Palavra de Deus que a criação inteira está aguardando ardentemente,
gemendo com dores de parto, a manifestação dos filhos de Deus e que a criação mesma será
libertada da escravidão a que tem sujeitado Satanás e suas hostes malignas que a tem
dominado (cfr. Romanos 8:19-22). Há um mandato decisivo do Senhor de que nos
encarreguemos de difundir e pregar o evangelho do reino, mas devemos lutar fortemente
contra uma poderosa oposição comandada pelo diabo. As hostes do reino das trevas estão
organizadas hierarquicamente nos ares. Cada nação ou província da terra tem seu príncipe
satânico, ajudado por incontáveis potestades, dominadores, governadores das trevas e
exércitos de anjos caídos (cfr. Ef. 6:12). Eles são os verdadeiros inimigos, e a Igreja é a única
que não está sob o governo de Satanás e seu reino tenebroso. A Palavra diz que Deus "Ele nos
libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor " (Col.
1:13). Também diz a Palavra que o Senhor disse ao apóstolo Paulo que lhe enviava aos gentios
"para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás
para Deus" (Atos 26:18).
A Palavra de Deus revela que Cristo já está reinando agora; está sentado no trono do Pai; e nós
em cada localidade estamos representando o reino de Deus. Para que o reino de Deus seja
bem representado em cada localidade, se deve estar guardando a unidade do corpo de Cristo.
As divisões na igreja dão a imagem de um reino dividido. Quando Josué chega à terra
prometida, ele avança com o exército a seu comando, um só exército, para tomar para Deus a
terra prometida localidade por localidade. Mas que na verdade agia com eles, e lhes dava a
vitória, era Deus; e vejam como lhes entrega a primeira cidade, a Jericó. Recordam o quadro?
Somente tiveram que obedecer a ordem de Deus, como disse o chefe do estado maior do
exército. Daremos seis voltas na cidade em seis dias, e no sétimo dia proclamaremos a vitória
de Deus, dando nesse dia sete voltas. Disse Josué: Gritai, porque o Senhor vos tem dado a
cidade.*(1) e aquelas fortes muralhas caíram derribadas como se fosse de papelão. Era a
vitória de Jesus Cristo. Mas em Jericó não se detiveram; seguiram tomando as outras cidades,
e Deus pelejava por eles e com eles, e iam tomando localidade por localidade, para instaurar
um começo e modelo do reino de Deus sobre a terra. Nós temos essa missão: ir tomando
localidade por localidade, e ir estabelecendo o reino em cada uma delas.
*(1) Cfr. Josué 6:15-21
Quem deseja realmente que venha e se manifeste o reino de Deus? As pessoas recitam a
oração do Pai Nosso, e dizem: " 9 Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome;10 venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como
no céu" (Mt. 6:9-10). Mas se eu digo ao Senhor: "Venha teu reino"; necessariamente que deve
vir em primeiro lugar a mim. Que o Rei (Cristo) reine em mim. Tenha seu trono em meu
coração, ponto central de minha vida. E reinando em mim e reinando em ti, E reinando em
cada um dos irmãos, como conseqüência o Senhor reina na Igreja, e assim então se está
vivendo o reino. E o mundo poderá ver que Deus reina em nós; isso é inocultável. Unos mais,
outros menos, mas o que não se submete, pois então há disciplinas, há provas, se estabelecem
instancias, o Senhor trata conosco. Que diz a Palavra de Deus ao respeito? Quais são os
princípios do reino? Estuda-se com atenção, muitas vezes, o famoso sermão do monte. Aí
estão resumidos os princípios do reino, como devemos viver; como nos comportar como filhos
de Deus. Diz o Senhor ali que nossa vida deve ainda ser mais rígida que a dos próprios
religiosos. "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e
fariseus, jamais entrareis no reino dos céus" (Mt. 5:20). Isso declara enfaticamente o Senhor.
"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mt. 5:3).
Então, quando ainda estava em vigência o governo da quarta besta, já tem uma primeira
manifestação a pedra não cortada com mãos. Já se manifesta no cenário da terra santa. Em
Mateus 3 diz a Escritura por boca de João o Batista; ele estava pregando pelo deserto, mas
abre sua boca para declarar algo de suma importância: "Arrependei-vos, porque está próximo
o reino dos céus.3 Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama
no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas". Nesse momento
todavia não se manifesta; apenas se está aproximando; de maneira que já é tempo de que se
arrependam. Já está por perto o que o há de manifestar, o que o há de reger. Logo no seguinte
capítulo, no 4, diz o Senhor em pessoa: " Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer:
Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus". Todavia o reino nesse momento não
havia chegado; apenas estava próximo. Para sua manifestação tem o Senhor que permanecer
um tempo aqui desenvolvendo Seu ministério terreno, e logo ser levado à cruz, onde morre
por nossa salvação, e logo ser sepultado, e logo ressuscitar, e logo ascender aos céus e ser
glorificado, e logo enviar Seu Santo Espírito, a fim de que Seu Espírito nos traga a vida de Deus
e penetre e faça morada em nosso espírito e se faça um só com nosso espírito, e comecemos
realmente a fazer parte do novo homem, do verdadeiro homem que há de reinar nesta terra,
não para o reino das trevas senão para Deus, Jesus e Sua Igreja, trazendo com Ele o reino dos
céus, e a representar o reino de Deus nesta terra.

O Reino é a quinta-essência do evangelho

(Quinta Essência = O mais alto grau; o requinte, a plenitude, o auge:) dicionário Aurélio
Nós fazemos hoje parte desse Rei, pois Ele nos tem feito reis e sacerdotes; o Senhor nos tem
elevado a essa posição gloriosa; e a Palavra de Deus nos diz que devemos pregar o evangelho
do reino. Por exemplo, em Mateus 10 encontramos uma habilitação e comissão dos doze
discípulos mais íntimos do Senhor. Ali vemos que eles foram comissionados e enviados, não
sem antes serem dotados de autoridade sobre os espíritos, para que os expelissem, para sanar
toda enfermidade e toda doença, como selos divinos que garantiam a autenticidade da
mensagem. O reino dos céus é a quinta-essência do evangelho, mas eles não iam pregar,
dizendo: Já chegou o reino de Deus, pois Cristo não estava reinando todavia, mas o Senhor
decide enviá-los essa vez com essa bendita mensagem precursora, como os primeiros raios da
alva anunciando a aparição do sol. Bom, vós ireis sair agora "e indo, pregai, dizendo: O reino
dos céus está próximo". Segundo o contexto vemos que aqueles homens levavam a mensagem
de salvação e liberação, mas a presença do bendito Salvador e seu poder manifestado,
também assegurava a presença física do Rei, de maneira que era iminente a irrupção em meio
deles das graças espirituais próprias do reino dos céus.Nós temos construído pequenos reinos
em torno de nós. Há coisas que para nós revestem tanta importância, que chegam a
monopolizar toda a nossa atenção. Subjetivamente podem estar localizadas em qualquer
canto de nosso coração, pois objetivamente pode compreender algum aspecto de nosso
trabalho, de nossa ocupação cotidiana, de nossa economia, de nossos amores e sentimentos,
de maneira que se agiganta tanto que se converte em nosso pequeno reino; e chega o caso em
que não admitimos que nada nem ninguém nos confronte frente a aquilo. Não poucas vezes
estamos desejando que se realize o planejado por nós. Mais há algo que ocorre, e é que não
temos em conta que fazemos parte do corpo de Cristo, de Sua Igreja; que o Reino é de Cristo,
que devo me interessar por trabalhar pelo Reino; e o caso é que em tudo isto está em jogo
minha própria participação na manifestação futura do Reino. Para que, quando Cristo vier, eu
possa participar nas bodas do Cordeiro e na manifestação gloriosa do reino. É necessário que
estejamos participando agora na realidade desse reino na Igreja e trabalhando por ele,
obedecendo seus princípios e vivendo-o ativamente nestes dias. Lembramos da parábola das
dez virgens.Se não fazemos assim, que diferença poderia ter com os gentios? "32 Porque os
gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas
elas;33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas" (Mt. 6:32-33). Quais são as preocupações centrais dos gentios? Em o que
comer, o que beber, onde viver, o que manejar, como enriquecer-se, onde se alegrar; isso é o
que busca o mundo; e matam e roubam e enganam e se enchem de inimizades e fazem guerra
a fim de dar feliz cumprimento a todas essas coisas. O mundo é uma só rebatinha. A vaidade
satisfaz o coração das pessoas sem Deus; esse é seu interesse principal. Mas não façais vós
assim, pois vosso Pai celestial sabe que tens necessidade de comer, de beber e de vestir-vos.
Nós já estamos no reino; o reino de Deus tem vindo a nós. Nós não vivemos abaixo da
autoridade do príncipe deste mundo, para seguir essa corrente de trevas, senão que o nosso
Reino tem um Rei Santo, um Rei de amor, mas também de disciplina. Se nosso interesse
primordial é buscar o reino de Deus e sua justiça, então o Senhor cumprirá Sua palavra de
prover-nos o necessário, de abrir-nos portas de trabalho ou os meios adequados para que
tenhamos a tempo nossa comida, nossa bebida, nossos vestidos, nossa moradia, e às vezes até
para nosso recreio, porque disso também temos necessidade. Ele sabe que necessitamos de
algum descanso temporário, nossas pequenas férias; tudo isso sabe o Senhor. "E todas estas
coisas vos serão acrescentadas". Deus se compromete a isso em Sua Palavra. Se tu trabalhas
para o Senhor, Ele comprometidamente te suprirá para suas necessidades.

Sacerdócio Real

Nós estamos localizados na Palavra nesse contexto. Nós estamos sendo treinados para
governar como reis e ministrar como sacerdotes. Por exemplo, o apóstolo Pedro em sua
primeira carta nos declara: "4 Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos
homens, mas para com Deus eleita e preciosa,5 também vós mesmos, como pedras que vivem,
sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios
espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.6 Pois isso está na Escritura: Eis
que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo
algum, envergonhado.7 Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para
os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra,
angular8 e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo
desobedientes, para o que também foram postos.9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio
real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes
daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pe. 2:4-9). Ali eles, os
desobedientes; mas vós sois linhagem escolhida. Para Deus somos uma raça especial; já não
somos nem judeus nem gentios. Originalmente, Deus queria fazer de Israel uma nação
sacerdotal, mas eles caíram na idolatria e não se qualificaram. Nós agora somos reis e
sacerdotes, porque estamos em Cristo, que é Rei de reis e Sumo Sacerdote. Note que Pedro
não diz “sereis” e sim “sois”, no presente. Somos linhagem escolhida, real sacerdócio. Para que
temos sido chamados? Para anunciar as virtudes Daquele que nos chamou das trevas à Sua luz
admirável; para anunciar as virtudes do Rei. Para isso temos sido chamados por Deus, para
anunciar essas virtudes do Senhor e, claro, mostrá-las em nós mediante um testemunho
santo.Em Apocalipse também aparece esta declaração. "E nos fez reis e sacerdotes para Deus,
seu Pai; a ele seja a glória e império pelos séculos dos séculos. Amém" (Ap. 1:6). Nos fez. é um
fato. "9 e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos,
porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo,
língua, povo e nação10 e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão
sobre a terra" (Ap. 5:9-10). Fomos tirados de toda linhagem e língua e etnia; aí estão as dez
virgens. Isso somos, e o seremos para toda a eternidade com o Senhor. Em todo reino há um
rei, e há um território que compreende os limites do reino, e há súditos, mas também há leis,
há princípios morais e jurídicos, e há disciplinas. Os princípios do reino de Deus são totalmente
opostos e diferentes aos princípios dos reinos do mundo. Eu creio que as leis e constituições
dos reinos do mundo que mais podem se assemelhar aos princípios do reino de Deus são
aquelas que se baseiam em alguma medida na Palavra de Deus.

Restaurarás o Reino agora?

Então, irmãos, quem escreve isto que aparece em Apocalipse? João, um dos doze apóstolos do
Senhor Jesus Cristo. Quem escreveu o que temos lido anteriormente? Pedro, outro dos doze.
Mas o curioso é que eles mesmos, João, Pedro, Mateus, Felipe, André, Tiago e demais
discípulos, já chegada a hora da ascensão do Senhor, se aproximavam do Senhor para fazer
uma pergunta. O Senhor os havia convocado a que se reunissem no monte das Oliveiras, mas
eles, antes que o Senhor ascendesse ao céu, lhe fizeram uma pergunta. É possível que todos
esses dias houvessem estado à expectativa de cada palavra, de cada movimento do Senhor
depois de haver ressuscitado. Que glória, que dias aqueles! O que virá agora, João? O Que
poderá suceder nestes dias, Pedro? e perguntaram diretamente a Ele. Se não for agora,
poderemos ter outra oportunidade? "6 Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram:
Senhor, será este o tempo em que
restaures o reino a Israel?" (At. 1:6). Eles, seus íntimos amigos e discípulos, tinham essa
preocupação; eles sabiam acerca das promessas de Deus sobre o reino. E também criam que
Jesus era o verdadeiro Rei messiânico; logo foram testemunhas de como o Senhor se entregou
para que o matassem; que voluntariamente se entregou para que o julgassem e o levassem à
cruz, pois também, Ele poderia esquivar e fugir com seus discípulos; ir longe. Pedro mesmo
havia insinuado (cfr. Mateus 16:22). Tudo isso puderam estar eles pensando dias antes. Mas se
deixou matar. Bom, ressuscitou. Aleluia! Mas, o que segue agora? Agora vemos que ele vai.
Isto o que é? Há algumas coisas agora que não entendemos. Por isso perguntam ao Senhor
ressuscitado e nas portas da ascensão, se ele ia restaurar o reino a Israel nesse tempo.A
pergunta dos discípulos do Senhor Jesus, quanto à restauração do reino, é legítima e correta,
tendo em conta que eles conheciam muito bem as profecias do reino messiânico prometido a
Israel, reino para o qual seria restaurado o trono de Davi, e ocupado por um descendente
direto dessa linhagem real. Mas o que ignoravam os discípulos do Senhor era que o Senhor
Jesus haveria de chegar à glória do reino através da cruz e mediante a prévia edificação da
Igreja, pois, como era (e segue sendo) a pauta em geral dos judeus, eles não viam na profecia
bíblica senão uma só parousia do Messias. Os israelitas não tem vislumbrado ainda que na
primeira vinda o Messias teria que submeter-se ao sofrimento e à morte, logo de sua
ressurreição viria a glorificação, e mediante a vinda do Espírito Santo, conformar um corpo
elite que estaria reinando com Ele, e por fim regressar em glória e poder a estabelecer o reino,
conforme as Escrituras.Mas, irmãos, meditemos nisto. A eles, aos judeus, levaram cativos a
Babilônia, e mesmo que um remanescente regressou em tempos dos medos-persas, seguiram
sob o domínio estrangeiro; logo vem um terceiro império mundial governado pelos gregos, e
seguem sob o domínio estrangeiro. Inclusive o historiador Flavio Josefo narra em um de seus
livros, como receberam apoteoticamente a Alexandre O Grande em Jerusalém, mas ele não
disse aos judeus: Venho a dar-lhes a liberdade, não; vocês seguirão sob meu jugo.*(2) Então
nos tempos da Babilônia os judeus estavam abaixo do domínio estrangeiro; nos tempos dos
medos-persas, também; abaixo do governo grego, também; abaixo dos romanos, também, e
nada que Deus restaura o reino. Estava Deus fazendo algo para restaurar o reino? Claro que
sim, mas a seu devido tempo. Já havia se manifestado o Rei, mas faltava algo. Seus discípulos
não entendiam os movimentos de Deus, e por isso lhe perguntam: Senhor, restaurarás o reino
a Israel neste tempo? Como quem diz: Vimos-te ressuscitar, vimos teu poder, como
ressuscitastes, como transpassas as paredes, como te fazes invisível, como logo restauras tua
visibilidade, como comes a vontade, como caminhas ou voas se quiseres; logo tu tens poder
para restaurar o reino a Israel neste tempo. Cremos que tu és o Rei. O restaurarás? Já te vais.
O que é que está impedindo? Eles não entendiam nada, irmãos, devido a que eles viam tudo
isso através de uma lente muito humana, como pensando: Bom, o Senhor pode agora chamar
para acertar contas a todos aqueles que o crucificaram; pode chamá-los ao jugo e subjugar a
Pilatos e a todo o império romano, incluindo o césar romano. Aqui estamos nós para governar
contigo. O que impede agora?
*(2) Flavio Josefo. Antigüidades dos Judeus. Tomo II. Cap. VIII, 5, p. 256.
Mas eles não sabiam que o reino de Deus é diferente. Ao reino de Deus tem que se ver e
compreender profundamente; e a carne não pode ver nem muito menos entrar nesse reino. A
mente carnal não pode compreender o reino de Deus.*(3) Quando o espírito de Adão morreu
sem haver comido da árvore da vida, senão que em troca havia comido da árvore do
conhecimento do bem e do mal, o espírito se apagou e, em contrapartida, começou a erguer-
se e a crescer a alma; e quando a alma se engrandece, seu centro neurálgico é o ego, o eu.
Esse constitui o centro da alma. Tu que opinas? Eu não quero Isso; eu prefiro este outro. Eu
sou o que mando. Eu sou Hitler, e vou dominar o mundo. Essa é a alma humana. Por isso diz o
Senhor: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (Mt.
16:24). Decide-se não fazê-lo, não pode seguir a Cristo; não o entende. O eu e Cristo não
podem caminhar juntos a menos que haja uma renovação da alma. Diz Paulo que as coisas de
Deus a carne não pode entender; ou seja, o homem natural ou o crente carnal;*(4) e a alma é
a parte da carne quando não tem sido renovada. Falando do reino de Deus, disse o Senhor a
Nicodemos que ninguém pode ver o reino, nem muito menos entrar nele a menos que nasça
de novo para esse reino; deve experimentar um novo nascimento, de cima, para que possa a
vida de Deus entrar em seu espírito e dar a vida incriada; e assim poderá ver coisas que nunca
antes havia podido ver.*(5)
*(3) Cfr. 1 Coríntios 2:14
*(4) Cfr. 1 Coríntios 3:1-4
*(5) Cfr. João 3:1-7
Nós, pela misericórdia do Senhor, temos chegado a ter a vida de Deus, então podemos ver o
reino de Deus; devemos, pois, ver o momento crucial que estamos vivendo, e não seguir
navegando no barco de nossa alma. Embarquemo-nos com o Senhor; entremos no reino de
Deus. Eles quiseram ver estabelecido o reino de Deus nesse tempo. Mas nesse momento quem
poderia compreender? Quem conhecia a Cristo? Quem? Nem sequer eles mesmos o
conheciam bem. Para eles conhecer a Cristo tiveram que receber o Espírito Santo no dia de
Pentecostes; e quando eles receberam o Espírito no dia de Pentecostes, neles houve uma
verdadeira revolução, e se lhes tirou dos olhos um grosso véu, e puderam ver a realidade de
quem realmente eram eles, de quem era Deus e Seu Cristo, de quais são os propósitos de
Deus.As vezes nós nem sequer nos assomamos a meditar nessa realidade e pensar no poder
que temos. Diz Mateus 12:28: "Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus,
certamente é chegado o reino de Deus sobre vós". Isso só pode realizar uma pessoa que tenha
o Espírito de Deus, e esteja dentro dos parâmetros do reino de Deus. Porque o outro reino, o
das trevas, já está julgado e vencido; seus dias estão contados. O decreto já foi expedido
contra Satanás e as hostes espirituais de impiedade. "Chegou o momento de ser julgado este
mundo, e agora o seu príncipe será expulso" (Jo. 12:31). Diz o irmão Pember: "Esta sentença
ainda não tem sido aplicada; mas acontecerá, aparentemente, quando Satanás for amarrado e
lançado por mil anos ao abismo (aquela profundidade ardente no centro da terra), que,
segundo a Escritura, é o cárcere dos que morrem perdidos. Assim, ele sofre a primeira morte
durante o Milênio e, depois, a segunda, ao ser lançado no lago de fogo e enxofre (veja Is.
24:21,22; Ap. 20:1,2; 20:14)".6 Vemos que a sentença foi pronunciada, mas Satanás não tem
sido destituído de seu cargo governamental nem despojado de seu título de príncipe deste
mundo, até que seja acorrentado e lançado ao abismo; entretanto os vencedores na Igreja
estão no reino de Deus, e representam o poder e a autoridade de Deus, sobre todas as trevas.
*(6) George Hawkins Pember. "As eras mais primitivas da terra". Cap. 2, pág. 59
Voltamos a Atos 1:6. Aí há algo que o Senhor nos quer dizer. "Então, os que estavam reunidos
lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?" Ali não se
reuniram quaisquer pessoas; se reuniram o Senhor e Seus discípulos mais íntimos.
Perguntaram-lhe: "será este o tempo em que restaures o reino a Israel?" Como se dissessem,
seguiremos nós sob o jugo romano? Isso era o que eles pensavam. Não temos por que
especular, mas às vezes fico pensando coisas e me coloco na cena dos quadros bíblicos. Depois
de três anos e meio de estarem escutando do Senhor tantas parábolas onde lhes dizia que era
necessário que Ele se fosse e enviasse Seu Espírito e mais tarde voltasse para estabelecer Seu
Reino, etc., e agora saem com essa pergunta. Bom, mas o Senhor, com paciência e muito
amor, responde aparentemente com uma evasiva, dizendo: "Não vos compete conhecer
tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade". Não compete a vós saber
os cronos ou os kairós, os tempos ou as épocas que o Pai pôs em sua exclusiva autoridade. O
Pai tem tudo bem planejado; mas para que ocorra tudo o que vocês me estão perguntando,
para que se estabeleça o reino, é necessário que o dia que regresse Cristo, todos o vejam e
saibam todos quem é o que vem, e, por ele mesmo, muitos correrão a esconder-se debaixo
das pedras e nas covas dos montes. E saberão perfeitamente quem vem. Naquele dia da
pergunta, ninguém sabia quem era Jesus de Nazaré, só uns pouquinhos. Para isso era
necessário que primeiramente ocorresse a extensão desse conhecimento entre os homens, e
por isso lhes seguiu dizendo: " 8 mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e
sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos
confins da terra".A restauração do Reino e exaltação do Rei messiânico só tem
desenvolvimento e final cumprimento segundo o plano eterno e a sabedoria de Deus. Ali o
Senhor fala de tempos e épocas (cronos e kairós). Deus sabe exatamente quando deve ocorrer
tudo; Ele e só Ele sabe o tempo. Cada coisa deve estar pronta, disposta, tanto na história
secular como na Igreja, e ainda nos âmbitos espirituais da maldade. Deus vai se revelando e
dispensando-se ao homem no curso da história, a fim de que o homem objeto de sua
revelação e de sua luz, esteja atento às manifestações celestiais, e Deus tem um tempo
apropriado para o cumprimento de Seus propósitos. A colheita não se pode recolher senão até
que esteja madura, e Ele sabe quando estará madura. O reino não pode se manifestar antes
que os acontecimentos, a Igreja, a sociedade, o aspecto político e econômico do mundo, a
globalização, a apostasia, o estado moral humano estejam em seu ponto. Antes da segunda
vinda de Cristo, Ele tem que haver terminado de formar um povo que há de reinar. Para isso é
necessário que o Senhor qualificasse os Seus discípulos, começando pelos doze, com a vinda
do Espírito Santo, e lhes foram abertos seus olhos, e receberam poder para testificar, por
todas as nações e através do tempo, que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é o Senhor que
ressuscitou da tumba, e que há de vir a reinar. Quando eles formularam a pergunta sobre a
restauração do reino, nesse momento o Senhor quis dizer com sua resposta: Agora, todavia
não é o tempo; há tantas coisas que vocês devem saber; nada tem amadurecido, nem vocês
mesmos; vocês mesmos devem abrir seus olhos, pois devem seguir semeando, " 8 mas
recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em
Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra".A Bíblia diz que chegou
esse poder a eles com a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, e houve um tempo
quando Pedro ia caminhando, e traziam os enfermos, mas havia tanto o que fazer, e
seguramente não havia tempo para atender um por um, então somente com a sombra de
Pedro, os enfermos eram curados pelo poder de Deus (cfr. Atos 5:12-16). Quando veio o
Espírito Santo, Seus discípulos começaram a dar testemunho verdadeiro do que realmente é
Jesus Cristo. Enquanto regresso, vós dareis testemunho realmente do que é o reino; dareis
testemunho realmente de qual é o poder de Deus. Dareis testemunho primeiramente em
Jerusalém (a localidade onde estavam residindo), dareis testemunho na Judéia (a província
onde viviam), em Samaria (a província vizinha) e até os confins da terra, chegando a
mensagem a todos os continentes da terra, e chegou até a Colômbia, a Bogotá, e a Sogamoso,
a Cúcuta, a Santa Marta e a Barranquilla. Chegou a nós este testemunho do Senhor Jesus; e
agora o Senhor tem estabelecido em nós Seu reino. Agora em nós há uma realidade do reino;
logicamente que quando Ele vier vai haver uma manifestação, mas hoje nós já vivemos no
reino. Se nós queremos participar das bodas do Cordeiro e do reino milenar, devemos reinar
desde agora com Cristo; que Ele reine sobre nós, e assim nós estamos reinando, sendo
vencedores. E todos os entes das trevas tremam ante o nome glorioso do Senhor Jesus Cristo."
9 Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos
seus olhos.10 E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois
varões vestidos de branco se puseram ao lado deles11 e lhes disseram: Varões galileus, por
que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo
como o vistes subir ". Ao ser glorificado, o Senhor Jesus começou a reinar, sentado à destra de
Deus, até que todos seus inimigos sejam postos por estrado de Seus pés (cfr. Mt. 19:28; He.
1:3; 10:12; Ap. 3:21). A seu devido tempo regressará a esta terra cheio de glória, poder e
majestade. Que o Senhor Jesus abra nossos olhos para que possamos vê-lo e vivê-lo, e levá-lo
profundamente conosco a uma realidade.
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