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NILZETE DE OLIVEIRA

PROCESSO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL E O


ATENDIMENTO ÀS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA, IMPACTOS FÍSICOS E PSÍQUICOS:

mulheres que cuidam de mulheres

Cabo Frio
2016
NILZETE DE OLIVEIRA

PROCESSO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL E O ATENDIMENTO ÀS


MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, IMPACTOS FÍSICOS E
PSÍQUICOS
mulheres que cuidam de mulheres

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


por Nilzete de Oliveira à banca avaliadora do
Curso de Serviço Social da Universidade
Veiga de Almeida, como exigência parcial
para obtenção do titulo de Bacharel em
Serviço Social, sob orientação da Professora
Luiza Carla Cassemiro.

Cabo Frio
2016
NILZETE DE OLIVEIRA

PROCESSO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL E O ATENDIMENTO ÀS


MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: IMPACTOS FÍSICOS E
PSÍQUICOS
“mulheres que cuidam de mulheres”

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como


requisito para obtenção do título de Bacharel no
curso de Serviço Social da Universidade Veiga de
Almeida/Cabo Frio

Aprovada____ em _____ de _________________de_________

Componentes da banca examinadora:

____________________________________________
Professora Luiza Carla Cassemiro
Universidade Veiga de Almeida – Orientadora

____________________________________________
Professor Joílson Santana Marques
Universidade Veiga de Almeida – Membro da Banca

____________________________________________
Assistente Social Ludimila Pereira Roque
Mestre em Serviço Social – Membro da Banca

Cabo Frio
2016
Dedico esse trabalho ao meu filho Diego Córdoba de Oliveira e Silva que,
foi o meu grande incentivador,
compreendendo e compartilhando das minhas preocupações,
das angústias, da luta contra o tempo, dos empecilhos,
mas como filho que é soube me apoiar e incentivar.
Porém, o maravilhoso de tudo isso, é
que você participou desta minha conquista.
O sonho era meu, mas realizamos juntos!
AGRADECIMENTOS

Os meus agradecimentos primeiramente a Deus, que me propiciou atravessar este


caminho com perseverança, que me deu forças na hora do desespero e das angústias, foi Ele
que me segurou em suas mãos nas horas mais difíceis e pôs serenidade em meu coração, pois:
“Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses, 4:13).

Não tenho como não reconhecer que se cheguei até aqui devo a Deus que sempre
esteve ao meu lado, e tudo que hoje tenho e tudo o que eu hoje sou provém Dele, que me
inspirou a seguir em frente, mesmo em meios às lutas do dia a dia.

Carinho e gratidão são o que sinto por pessoas tão especiais, que não mediram
esforços em me ajudar durante a realização de minha formação como Bacharel em Serviço
Social. A estas pessoas esterno aqui meus sinceros agradecimentos:

Ao meu amigo Johnathan Oliveira Cruz, que pacientemente me transportava para a


faculdade, não vou esquecer de seu jeito engraçado, meigo e carinho para com todas as
pessoas, e quando eu estava triste ou chateada com alguma coisa, ele tinha sempre uma
palavra para me confortar, obrigada amigo por você fazer parte da minha vida.

Aos meus amigos e amigas como: Ellaine de Mattos Moura, professor Marcos Silva
de Souza, Volmer Buentes, Katia Marques e Ivan que me socorriam com minhas idas e vindas
da faculdade.

A Professora Luiza Carla Cassemiro, minha orientadora, por ter despertado em mim
o desejo de escrever com afinco e me dedicar a leituras que contribuíram com o meu trabalho.
Por suas orientações, pelo compartilhar de conhecimentos e pelas indicações de material
bibliográfico, pelo carinho e confiança em mim dispensados desde o início dessa parceria.
Obrigada por ter feito parte de minha trajetória acadêmica. É uma pessoa que aprendi a
admirar. Obrigada pelos incentivos e compreensão ao cumprimento dessa etapa! Você soube
utilizar suas sábias palavras nos momentos certos!
As professoras Mary Lane Cruz Madureira, Adriana Mesquita e Felipe Borges, pela
dedicação e ensinamentos compartilhados, em especial à Prof.ª Dra. Jociane Souza, pelos
esclarecimentos e sugestões na qualificação.

Aos amigos e amigas da faculdade o meu carinho pela troca de conhecimentos e


experiências e acolhimento que foi essencial para o meu amadurecimento pessoal e
profissional, não vou esquecer os momentos que juntos passamos, momentos de alegria, de
choro, de desespero, com tantos trabalhos para fazer ao mesmo tempo, mas todos superados
pela nossa força de vontade em continuar seguindo em frente.

Não posso esquecer-me de ter um agradecimento em especial a todas as pessoas a


minha volta, em todos os ciclos de amizade, que de alguma forma cooperaram para que eu
chegasse até aqui. Esses musica me faz lembrar o percurso da faculdade que engloba vocês:

A vida se repete na estação


Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais voltar
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai querer voltar
Tem gente que vai querer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida!
(Milton Nascimento).
Um agradecimento especial para Ivone Maria de Oliveira minha colega do estágio,
que virou uma grande amiga, te agradeço, pelos momentos dos desabafos, das angústias,
alegrias, descobertas e pelo companheirismo na busca pelo conhecimento.

Em especial à Mestre em Serviço Social, Assistente Social e Supervisora de campo


Ludimila Pereira Roque. Tenha certeza que muitas das reflexões apresentadas nesta
monografia têm a sua contribuição, e é parcela de nossas inquietações acerca do estágio
supervisionado em Serviço Social, tudo começou com você, lembra? Obrigada pelas
“figurinhas trocadas” e pelo incentivo nos caminhos da minha formação profissional.

A todas as profissionais do Serviço Social que participaram da pesquisa, sem a


contribuição de vocês o trabalho seria inviável:

No princípio era só um sonho,


Mas quando foi compartilhado
Com os demais, tornou-se realidade.
Nada se constrói sem o auxílio e a participação dos outros,
Nem nossas próprias vidas.
Educar para a vida não pode ser sonho,
Mas sim transformar a realidade existente,
Visando uma realização voltada não a si próprio, mas a tudo e a todos.
(Gelásio e Jorge Schneider)

Agradeço a todos que indiretamente colaboraram na construção desse trabalho!


"Tem gente que é só passar pela gente
que a gente fica contente…
Tem gente que sente o que a gente sente
e passa isto docemente…
Tem gente que vive como a gente vive.
Tem gente que fala e nos olha na face.
Tem gente que cala e nos faz olhar…
Toda essa gente que convive com a gente,
leva da gente o que a gente tem
e passa a ser gente dentro da gente.
Um pedaço da gente em outro alguém.”

Fernando Sabino
RESUMO

Esta monografia apresenta reflexões sobre as pressões do mundo do trabalho na atual fase do
capitalismo, trazendo analises teóricas do desenvolvimento de desgaste mental causador de stress,
impactos físicos e psíquicos, nas profissionais do Serviço social, a partir da análise de relatos, a
começar de pesquisa qualitativa realizada pela autora na instituição CEAM no Município de Cabo
Frio/RJ. Ficaram evidenciados sofrimentos e adoecimentos necessitando tornar público, para
contribuir com a classe de assistentes sociais que atuam diretamente com a violência doméstica, sendo
assim discute-se a importância deste profissional nos espaços sócio ocupacionais. Descreveremos a
necessidade de o Serviço Público Municipal acompanhar estas profissionais, caracterizando que a
prevenção, é a melhor opção e solução.

Palavras-chave: Impactos físicos e psíquicos, violência doméstica, processo de trabalho Serviço


Social, cotidiano profissional.

ABSTRACT

This paper presents reflections on the world of work pressures in the current phase of capitalism,
bringing theoretical analysis of the development of mental strain stressor, physical and psychological
impacts, the social service, from the analysis of reports, beginning with qualitative research held by
the author in the CEAM institution in the city of Cabo Frio / RJ. Were evidenced sufferings and
illnesses need to make public, to contribute to the class of social workers who work directly with
domestic violence, so we discuss the importance of this professional partner in occupational spaces.
We describe the need for the Municipal Public Service follow these professionals, featuring that
prevention is the best option and solution.

Keywords: physical and psychological impacts, domestic violence, work process Social Service, daily
work.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.......................................................................................................................09

1. GÊNERO, RELAÇÕES DE GÊNERO E O FENÔMENO DA VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA..........................................................................................................................13
1.1 Gênero, relações de gênero ...........................................................................................13
1.2 Históricos de lutas e conquistas.......................................................................................15
1.3 Fenômeno da violência de gênero/domestica..................................................................23
Tabela 1 Dados sobre a Violência contra a Mulher no Estado do Rio de Janeiro, segundo
Formas de Violência e Delitos Analisados – 2014.................................................................20
1.4 Relações de gênero e Serviço Social .......................................................................... ..23
2. O PROCESSO DE TRABALHO E OS IMPACTOS FISICOS E PSIQUICOS NO
SERVIÇO SOCIAL ...............................................................................................................29
2.1 Entendendo os objetivos do capitalismo no processo de trabalho das assistentes
sociais....................................................................................................................................30
2.2 O Serviço Social como profissão liberal e autonomia relativa.........................................32
2.3 Experiências da pesquisadora quando em estágio.........................................................33
2.4 Novas demandas, novas possibilidades de trabalho para as assistentes sociais ..........34
2.5 O trabalho da assistente social no universo da mercantilização ...................................35
3 PRESSÕES DO MUNDO DO TRABALHO CAUSADORAS DE ADOECIMENTO E
NAS ASSISTENTES SOCIAIS E O CUIDADO COM A SAÚDE...............................37
3.1 O serviço social e o processo de trabalho: Uma profissão considerada trabalho ..........38
3.2 O caminhar do serviço social e movimento feminista e a feminização do Serviço
Social ....................................................................................................................................40
Tabela - Reis temporalizando a trajetória formal da ação social do Estado no Brasil:.........42
Continuação da 3.2...............................................................................................................42
3.3 As relações de gênero e Serviço Social .........................................................................43
3.4- A atuação e as intervenções do assistente social na problemática da violência contra a
mulher no Brasil.....................................................................................................................45
3.4.1- A violência contra a mulher uma questão social e a intervenção das assistentes
sociais ................................................................................................................................45
3.4.2- O fazer profissional das assistentes sociais e a violência doméstica, busca por
atualização e capacitação.....................................................................................................46
3.4.3- O adoecimento das profissionais do serviço social: quem cuida destas
mulheres profissionais?.....................................................................................................48
3.4.3.1- O adoecimento das profissionais do Serviço Social.................................................50
3.4.3.2- Quem cuida destas mulheres assistentes sociais? .................................................53
CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................53
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................55
APÊNDICE A – Enquete as Assistentes Sociais no estágio – 2016.....................................61
APÊNDICE B – Carta apresentação da pesquisa.................................................................63
ABREVIATURAS...................................................................................................................64
INTRODUÇÃO

Este documento apresenta reflexões a partir de pesquisa qualitativa realizada pela au-
tora em estágio obrigatório, sobre o desgaste mental causador de stress, impactos físicos e
psíquicos de assistentes sociais relacionados ao trabalho, na instituição CEAM – Centro de
Especializado no Atendimento a Mulher que sofre violência doméstica da Secretaria
Municipal de Assistência Social, no Município de Cabo Frio na cidade do Rio de Janeiro. A
escolha do tema e da instituição se deu em razão da escassez de literatura sobre as
particularidades contidas no processamento do trabalho de assistentes sociais neste campo,
com o propósito de realizar uma aproximação às condições de trabalho germinadoras de
sofrimento e adoecimento.
Observamos que a crise capitalista eclodiu a partir dos anos 1970, estabelecendo a
atual fase do capitalismo monopolista e financeirizada, vemos que as transformações
substantivas atingem o mundo do trabalho, sendo possível reconhecer as más condições de
trabalho devido à criação de novas formas de exploração com a articulação das velhas, as
quais as profissionais do Serviço Social estão expostas.
Dada à inserção da flexibilização dos direitos no serviço público e privado, vimos
que não existe a politica de concursos públicos, devido à facilidade de contratações
temporárias de forma precária, atingindo o trabalho de assistentes sociais, como profissão
inserida na divisão social, técnica e sexual do trabalho e feminilização da profissão, sofrendo
transformações em seu processamento do trabalho, alterando significados e conteúdos, com
consequências prejudiciais a saúde das profissionais, em virtude das exigências colocadas no
cotidiano da profissão, causando adoecimento e sofrimento das profissionais do Serviço
Social, que lidam diretamente com as demandas provenientes da violência doméstica contra a
mulher.
Verificamos que as doenças ocupacionais anteriormente tratadas somente em
consultórios médicos, se transformaram em objetos de estudos, configurando como processos
sinalizadores de uma nova expressão das relações sociais vinculadas ao mundo do trabalho,
sendo então observado que os afastamentos das profissionais tem se intensificado nos últimos
tempos, devido às constantes exposições aos relatos das histórias vivenciadas pelas usuárias,
deflagradores de desgaste mental e adoecimento. Em se tratando de mulheres assistentes
sociais foi possível verificar, que as pressões do trabalho estão presentes em seu cotidiano, o
que tem ocasionado processos de adoecimento, cabendo verificar “quem cuida destas

9
mulheres profissionais do Serviço Social?”, que são constantemente atingidas por sofrimentos
causados pelo stress emocional, sendo aqui objeto de estudo, quando então foram
evidenciados os impactados na saúde física e psíquica.
Através deste trabalho foi possível constatar a realidade das profissionais do Serviço
Social inseridas no espaço laboral CEAM, favorecendo a categoria com a possibilidade de
criar alternativas de enfrentamento desta realidade, bem como o entendimento de que lugar é
este que a assistente social está inserida, trazendo elementos importantes, que irão favorecer e
chamar a atenção e um olhar diferenciado para os fatos, buscando influenciar e motivar a
preocupação pela saúde destas profissionais do Serviço Social, visando o interesse pela
temática, vindo a abrir discussões para debates e a elaboração de projetos voltados a assegurar
o bem estar destas profissionais.
Complementando a pesquisa adentramos pela questão de gênero é a relação com o
Serviço Social, onde se verifica uma relação de “mulheres que cuidam de mulheres”, no
tocante à organização, atendimento e ações no âmbito da profissão, sendo então constatado a
feminilização da categoria, sendo que a história da feminilização acompanha a profissão
desde a sua gênese, com todas as suas determinações e implicações à categoria profissional,
onde se entende que gênero compõe uma das dimensões fundamentais na profissão do Serviço
Social. Conformam-se aspectos que levem em consideração a categoria gênero como parte
constituinte e integrante das relações sociais, na tentativa de demonstrar que as análises dos
determinantes que cercam o contexto de precarização do trabalho das assistentes sociais, não
se apresentam de forma neutra e tampouco assexuada.
Seguindo os aspectos evidenciados será descrito o trabalho dos Assistentes Sociais
na sociedade contemporânea, inseridas no espaço do CEAM do Município de Cabo Frio/RJ,
tendo como objeto de estudo, considerar o desgaste emocional causador de adoecimentos
provenientes de o seu fazer profissional, bem como veremos as assistentes sociais enquanto
trabalhadoras assalariadas e sua fragilização no contexto laboral1, contextualizando a
fragilidade que o assistente social está submetido como qualquer outro trabalhador
assalariado, e por conta disto a possibilidade de estar sujeita ao desgaste mental, ocasionando
o stress e os impactos físicos e psíquicos no contexto do capitalismo contemporâneo, seguido
do estudo do perfil das assistentes sociais para compreender a questão de gênero e de que
forma está inserido no ambiente de trabalho, bem como explorar a demanda institucional

1™significado de Laboral. Referente ao trabalho, à labuta, ao labor: ambiente laboral.


Diz-se da atividade corporal que, desenvolvida em alguns locais de trabalho, incentiva o cuidado com
a saúde, tendo em conta um possível aparecimento de doenças causadas por esforços repetitivos e
ou praticas profissionais, etc.
10
“violência doméstica” e suas consequências e quais as decorrências destes e como vem a
afetar a saúde, vida profissional e pessoal das assistentes sociais. Desta forma tentaremos
responder a pergunta que orienta a pesquisa: Quem cuida das mulheres assistentes sociais?
Esta pesquisadora enquanto estagiaria do CEAM – Centro Especializado de
Atendimento a Mulher/Polo Regional, localizado a Rua Getúlio Vargas 176 – Parque Central-
Cabo Frio/RJ, definiu o recorte temporal que ficou compreendido entre 2015 e 2016,
cumprindo as determinações da disciplina Prática I, II e III do curso de Serviço Social da
Universidade Veiga de Almeida/Cabo Frio, vislumbrou o tema “Processo de trabalho do
serviço social e o atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica: impactos físicos e
psíquicos” “mulheres que cuidam de mulheres” devido à observação sobre o stress e os
impactos físicos e psíquicos que podem vir a surgir com o fazer profissional das assistentes
sociais no atendimento as mulheres que são vitimas de violência, sendo de uma significativa
importância já que afeta a saúde das trabalhadoras, e esta observação se deu desde o início da
entrevista seletiva quando alguns episódios vivenciados vieram à tona, o que intensificou à
vontade de conhecer mais a fundo o trabalho executado pelas Assistentes Sociais neste
espaço.
A pesquisa como fundamentação metodológica de caráter qualitativo foi efetuada no
primeiro semestre de 2016, na qual os fatos relatados foram observados, registrados, e
interpretados de forma harmônica através dos instrumentais de coleta de dados junto as
assistentes sociais que atuam ou já atuaram no CEAM, quando então foram efetuadas
entrevistas semiestruturadas acrescidas de questionário previamente elaborado composto por
dezenove perguntas para cada entrevistada, que serviram como base guiando a entrevista,
participaram da pesquisa 05 (cinco) assistentes sociais do CEAM do Município de Cabo
Frio/RJ, as quais foram enumeradas com o objetivo de preservar suas identidades, essas
entrevistas logo que transcritas, tiveram as gravações apagadas, ao definir a utilização das
entrevistas e sendo anotadas, como seguimento foi elaborado relatório de análise, tabelas e
termo de consentimento para que possa ser visibilizado todo conteúdo resguardando os nomes
das profissionais. Esboça também como embasamento um levantamento bibliográfico a
autores como, Yamamoto 1999, 2000, 2001, 2005,2011, Kergoat 2003, 2009, 2007, Karl
Marx 1999, José Paulo Netto1999 entre outros realizando levantamento nas literaturas
relatando os avanços e retrocessos que cercam os/as profissionais, sendo que buscamos
autores como Raicheles 2011 entre outros, que discutiram a temática sobre os desgastes
emocionais que geram o stress e ocasionam impactos físicos e psíquicos.

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Este trabalho está dividido em três capítulos, sendo o primeiro a abordagem sobre
gênero, relações de gênero e o fenômeno da violência doméstica, sendo explicitado sobre
gênero, e o porquê estar diretamente ligado a profissões tidas como femininas, discorrendo
sobre os impactos causados que as afetam, e refletindo a respeito das emoções e o acúmulo
das suas próprias experiências pessoais e profissionais, para tanto foi necessário caminhar
pela história adentrando o Movimento Feminista e suas conquistas e a relação com o Serviço
social.
No segundo capitulo o processo de trabalho e os impactos físicos e psíquicos no
serviço social, trazendo uma discussão acerca do processo de trabalho, o cenário atual do
mercado, o crescimento da globalização, bem como a qualidade de vida no trabalho das
profissionais do Serviço Social, discutindo as ações importantes, que envolvem dimensões
física, intelectual, emocional, profissional, espiritual e social, tendo como panorama os
profissionais, assistentes sociais inseridos nos espaços sócios ocupacionais, que atuam com
violência doméstica no Município de Cabo Frio/RJ.
O terceiro capítulo fala sobre as pressões do mundo do trabalho causadoras do
adoecimento nas assistentes sociais e o cuidado e prevenção com a saúde, constitui-se de
reflexões sobre as pressões do mundo do trabalho, trazendo analises teóricas sobre a
possibilidade de vir a acontecer o desenvolvimento de stress e os impactos físicos e psíquicos,
nas assistentes sociais atuantes no seguimento institucional CEAM no Município de Cabo
Frio/RJ.
Por último as considerações finais, trazendo uma análise e contextualização de todo o
trabalho desenvolvido, importância e ações a serem desenvolvidas em prol da categoria.

Novas pesquisas sobre adoecimento no trabalho e sobre a relação desta variável com
stress ocupacional são necessárias, para que haja elementos que possam fundamentar as
hipóteses apresentadas para os resultados encontrados no presente estudo. E considerando a
importância da temática sobre o adoecimento das profissionais e a falta de ações preventivas
há de se propor, publicizar à realidade das profissionais do Serviço Social inseridas no espaço
laboral CEAM, de forma a apresentar alternativas de enfrentamento desta realidade na
tentativa de favorecer a categoria, trazendo elementos importantes, que irão clarificar e
chamar a atenção para um olhar diferenciado aos desgastes emocionais causadores de
impactos físicos e psíquicos nas assistentes sociais, sobretudo para as profissionais
entenderem que como trabalhadoras, são exploradas quanto qualquer outro trabalhador, e
desta forma se torna significativa à transformação desta pesquisa em objeto de estudo por

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pesquisadores da comunidade científica das ciências humanas e sociais, devido à
vulnerabilidade das assistentes sociais ao desgaste emocional, que está diretamente ligada à
exposição diária das profissionais aos conflitos, dilemas e pedidos de ajuda, expressos pelas
usuárias que se encontram em situação de violência doméstica.

CAPITULO 1

GÊNERO, RELAÇÕES DE GÊNERO E O FENÔMENO DA VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA

1.1- Gênero, relações de gênero

Após pesquisa realizada com as profissionais do Serviço Social que atuam ou atuaram
junto a mulheres vitima de violência doméstica e pesquisas bibliográficas a autores que
contextualizam a temática, foi possível elucidar sobre gênero, que está diretamente ligado a
profissões tidas como femininas, e o objetivo deste trabalho é apresentar os impactos
causados que as afetam, e refletir a respeito dos impactos físicos e psíquicos, emoções e o
acúmulo das suas próprias experiências pessoais e profissionais, para tanto é preciso caminhar
pela história adentrando o Movimento Feminista e suas conquistas e a relação com o Serviço
social.
Enquanto acadêmica através das matérias curriculares foi possível compreender que a
história nos apresenta que o Serviço Social, enquanto profissão caminhou paralela às
conquistas do movimento feminista, que procurava a liberdade por assim dizer da mulher, e
apenas recentemente integrou a discussão relativa à problemática da violência contra a
mulher.
Essa falta de aproximação com a temática talvez tenha ocorrido devido o movimento
feminista estar lutando pelos direitos da mulher, colocando em evidência a questão da
violência contra ela própria, e neste mesmo interim o Serviço Social como profissão, tentava
avançar na superação do conservadorismo tão presente nas doutrinas da igreja católica no
surgimento do Serviço Social com as mulheres da sociedade que praticavam o
assistencialismo.
Estas raízes assistencialistas na época eram relacionadas como o trabalho social
praticado somente por mulheres, vê-se que a questão de gênero não é novidade, já que
atravessa os séculos incluindo as assistentes sociais nos dias de hoje, ou seja, a importância do

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rompimento com o conservadorismo se faz vital para todas as mulheres sendo ou não
profissionais do Serviço Social.
Na década de 80 aconteceram fatos de significativa importância e dentre eles, estudos
teóricos a cerca da categoria de gênero e paralelamente a conjuntura social brasileira que
serviu de palco para que um novo projeto ético-político do Serviço Social fosse elaborado,
rompendo com uma trajetória conservadora, vários fatos contribuíram para esse rompimento,
dentre eles o movimento de reconceituação, a crise da ditadura militar, a abertura democrática
e as mobilizações de diferentes categorias de trabalhadores.

Percebermos que neste contexto histórico vivido pela sociedade que levou a categoria
profissional a um redimensionamento político, na construção de uma sociedade mais justa,
levando as assistentes sociais a se moverem ativamente na contestação política para que
pudessem atuar a favor dos trabalhadores e assim romper com o conservadorismo atuante:
Netto afirma a vinculação da categoria profissional, “os segmentos mais ativos da categoria
profissional vincularam-se ao movimento social dos trabalhadores, rompendo com a
dominância do conservadorismo” (NETTO, 1999, p.100).

Com este rompimento citado por Netto vemos que o cotidiano das assistentes sociais
tem se confrontado com infinitas situações como a exclusão, discriminação, exploração,
opressão, controle, desigualdade social, relações de poder, de violência contra a mulher, entre
outras, levando algumas profissionais do Serviço Social a se aproximar e aprofundar nos
estudos acerca da questão de gênero e na importância da transversalidade de gênero. Stiegler
e Bandeira definem transversalidade de gênero: “O objetivo da transversalidade de gênero é
incorporar a perspectiva das relações existentes entre os sexos em todos os processos de
decisão e fazer que todos os processos de decisão sejam úteis à igualdade de oportunidades”
(STIEGLER, 2003 apud BANDEIRA, 2005).

Deve-se buscar melhorar a reorganização do desenvolvimento e avaliação de


decisões em áreas políticas e de trabalho, sendo estas questões trabalhadas com equidade 2, na
intervenção das demandas que aparecem no cotidiano do fazer profissional, como às
desigualdades nas relações de gênero, que ainda estão presentes na gestão das políticas
públicas. Necessita-se de ampliação de gestores que compreendam a transversalidade de
gênero, que adotem as teorias e metodologias com perspectiva de gênero nos programas,

2 Equidade definido como: “o acesso de todas as pessoas aos direitos universais deve ser garantido com ações de caráter
universal, mas também por ações específicas e afirmativas voltadas aos grupos historicamente discriminados. Tratar
desigualmente os desiguais, buscando-se a justiça social, requer pleno reconhecimento das necessidades próprias dos
diferentes grupos de mulheres”. (Princípio do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres – Brasília 2008).
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projetos e ações governamentais, só assim haverá a diminuição das desigualdades ora
existentes.

1.2 Históricos de lutas e conquistas

Através dos estudos acadêmicos e estágio supervisionado foi observado que a


violência contra a mulher ocorre mundialmente e já há muitos anos, em diversas culturas e
classes, e não pergunta nome, idade, etnia, religião, nível de educação, raça, classe social,
orientação sexual, apenas existe e com isto sendo possível identificar a existência da
discriminação, exploração, opressão e agressividade, tornando-se visíveis os diversos
comportamentos ruins e violentos que levam os homens a transformarem mulheres,
adolescentes e meninas em vitimas por simplesmente serem do gênero feminino, e que em
alguns casos são levadas a óbito, um quadro degradante da nossa sociedade. (estudo e
pesquisas em processos de atendimento a usuárias, realizadas no CEAM - 2015).
Para melhor compreensão e necessário entender como o fenômeno da violência à
mulher vem a ser definido pela Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a
Violência Contra a Mulher (1994) e, a Convenção de Belém do Pará II (1994): Como:
“qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico,
sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada” e incluindo
nestes, “a violência física, sexual, patrimonial, e psicológica”. Conforme esta definição todo
ato violento visível ou não está enquadrado no conteúdo da Convenção Interamericana para
prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, “convenção de Belém do Pará” 1994.
Podemos hoje ver que o Serviço Social é praticamente composto por assistentes
sociais do gênero feminino, o que vem a caracterizar como perfil da profissão e com esta
predominância diversos conflitos surgem pelo poder machista na sociedade, no decorrer do
estágio supervisionado pode ser identificado que no cotidiano do atendimento por parte das
profissionais, a grande maioria é do gênero feminino, sendo então necessário trazer à tona a
discussão sobre a questão de gênero entre os assistentes sociais e usuárias e suas
complexidades, para tal entendimento entraremos na história do movimento feminista

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caminhando até a questão de gênero conforme nos apresenta abaixo a Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres 3.
Em 1791, a revolucionária Olímpia de Gouges compôs uma célebre declaração,
proclamando que “a mulher possuía direitos naturais idênticos aos dos homens e que, por essa
razão, tinha o direito de participar, direta ou indiretamente, da formulação das leis e da
política em geral” (OLÍMPIA de Gouges 1971). Embora tenha sido rejeitada pela Convenção,
a declaração de Gouges é o símbolo mais representativo do feminismo racionalista e
democrático que reivindicava igualdade política entre os gêneros masculino e feminino.
O Movimento Feminista4 no Brasil cresceu entre o fim do século XVIII e início do
século XIX, as brasileiras iniciaram a sua busca por organização e conquista do espaço na
educação e trabalho e sendo iniciado por Nísia Floresta5 que criou a primeira escola para
mulheres, já Bertha Lutz6 e Jerônima Mesquita7, buscaram pelo voto feminino.
Em 1907, em São Paulo iniciou-se a greve das costureiras, buscavam em sua luta por
uma jornada de trabalho de oito horas por dia, estas mulheres e meninas após completarem
sua jornada, ao chegar a casa se entregavam aos afazes domésticos. A União das Costureiras,
chapeleiras e classes anexas se reuniram em manifesto e em uma só voz proclamaram: “Se
refletirdes um momento vereis quão dolorida é a situação da mulher nas fábricas, nas oficinas,
constantemente, amesquinhadas por seres repelentes” (PINTO, 2003, p. 35 aput - Céli R. J.
Pinto - 2010). Nesta citação vemos qual era o sentimento das mulheres nesta década, sentiam-
se totalmente subalternizadas, inferiorizadas.
Mas estas bravas mulheres não pararam e em 1917, conseguiram ingressar no serviço
público passando a fazer parte do quadro de funcionários, logo a seguir com apenas dois anos
a mais (1919), foi aprovada a resolução de igualdade salarial na Conferência do Conselho
Feminino da Organização Internacional do Trabalho e somente em 1932, nesta mesma década
conquistaram legalmente o direito ao voto, com o Código Eleitoral, e logo a seguir Carlota

3 (Todos os dados sobre o movimento feminino foram pesquisados no site da SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS
PARA AS MULHERES - 2006b.).
4 Teresa Kleba Lisboa (...) “o movimento feminista é um movimento sociocultural, que luta por justiça e equidade nas

relações entre homens e mulheres e, sobretudo, luta para garantir os direitos humanos, principalmente o das mulheres em
função do alto nível de violência e discriminação que padecem”. - Rev. Katál. Florianópolis jan./jun. 2010
5 Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, (Papari, atual Nísia Floresta, 12 de outubro de

1810 — Rouen, França, 24 de abril de 1885) foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira. É considerada uma pioneira do
feminismo no Brasil e foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços públicos e privados
publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava. Nísia também dirigiu um colégio para
moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos. .(Origem:
Wikipédia, a enciclopédia livre).
6 Bertha Lutz – Bióloga, principal articuladora do período em que as mulheres brasileiras conquistaram o direito a voto, em

1932. Filha de Adolfo Lutz, idealizadora do Partido Republicano Feminino – trabalhou para mudar a legislação feminista no
que dizia respeito ao trabalho feminino e infantil. .(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
7 Jerônima Mesquita (Leopoldina, 30 de abril de 1880 — 1972) foi uma enfermeira e líder feminista brasileira. Em sua

homenagem, 30 de abril é, no Brasil, o Dia Nacional da Mulher. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
16
Pereira Queiróz8 em 1934 se elegeu como a primeira deputada brasileira, porém o direito
pleno ao voto só foi concedido com a Constituição de 1946, mas as aguerridas mulheres não
se deram por satisfeitas e continuaram com as buscas por mais direitos e ideais, o que as levou
bem mais longe, iniciando a luta pela garantia da igualdade entre os sexos, o direito ao voto, a
regulamentação do trabalho feminino e a equiparação salarial entre os gêneros, mas neste
período o movimento perde força com a instauração da ditadura militar em 1937 e só volta a
ganhar vida quando a Federação das Mulheres do Brasil foi criada em 19499, acrescido da
presença feminina nos movimentos políticos. (Dados coletados em Cidadania e Justiça - 2012
p. 02 - Brasileiras Lutam pela Igualdade de Direitos) e (Grifos da pesquisadora).
Vale aqui lembrar que Simone de Beauvoir publicou em 1949 o livro intitulado “O
segundo sexo” onde estabelece uma das máximas do feminismo: “não se nasce mulher, se
torna mulher” (Simone de Beauvoir – 1949 aput Céli R. J. Pinto - 2010), vindo neste período
ter um significativo aumento dos contraceptivos, possibilitando o direito de ter filhos quando
quisessem ou a garantia de querer não ter filhos, porém em 1964 o movimento se reprime a
sua evolução devido a outro período ditatorial, e só retornam na década de 70 e neste mesmo
ano é aprovada a lei do divórcio, que era uma antiga reivindicação do movimento feminino.
Ainda neste ano aflora a luta de caráter sindical e um dos fatos mais emblemáticos daquela
década foi à criação, do Movimento Feminino pela Anistia em 1975. No mesmo ano a ONU,
com apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), realiza uma semana de debates sobre
a condição feminina. Safiotti nos alerta que:
Surgindo à luta pela liberação sexual que eclodiu no final da década de 1960 quando
veio a ser lembrado que,

Não podemos esquecer que foi por intermédio das lutas feministas que a violência
contra a mulher passou a ser reconhecida como inerente ao padrão das
organizações desiguais de gênero, que, por sua vez, são tão estruturais quanto à
divisão da sociedade em classes sociais, ou seja, o gênero, a classe e a raça/etnia
são, igualmente, estruturantes das relações sociais. (SAFIOTTI, 2004).

Na entrada dos anos 80, as brasileiras10 entram na luta contra a violência às mulheres e
pelo princípio de que os gêneros são diferentes, mas não desiguais. Em 1985 é criado o

8 As Eleições de 1933 ocorridas no dia 03 de maio se realizaram para a escolha da Assembleia Nacional Constituinte no
Brasil, com 214 deputados eleitos pelo voto direto, e mais 40, eleitos paritariamente por entidades classistas de trabalhadores
e entidades patronais. Foi realizada com as novas regras estabelecidas pelo Código Eleitoral editado no ano anterior, e que
permitia o alistamento e a participação das mulheres; aliás, foi eleita a primeira mulher constituinte nesse pleito, a médica
paulista Carlota Pereira de Queiroz. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
9 Federação de Mulheres do Brasil foi uma organização feminista que atuou no Brasil entre 1949 e 1957, sob forte influência

do Partido Comunista do Brasil.


10 BRASILEIRAS LUTAM PELA IGUALDADE DE DIREITOS - Movimento feminista, por Portal Brasil - Alexandre de

Melo Última modificação: 28/07/2014 Secretaria de Políticas para as Mulheres


17
Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), subordinada ao Ministério da Justiça,
com objetivo de eliminar a discriminação e aumentar a participação feminina nas atividades
políticas, econômicas e culturais.
O CNDM foi absorvido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher, criada em
2002 e ainda ligada à Pasta da Justiça. No ano seguinte, a secretaria passa a ser vinculada à
Presidência da República, com status ministerial, rebatizada de Secretaria de Políticas para as
Mulheres.
Netto contextualiza a trajetória do movimento feminista e suas conquistas dizendo
que:

O movimento feminista brasileiro conquistou, nas últimas décadas, a ampliação


dos direitos da mulher. As ações do movimento feminista foram decisivas para
articular o caminho da igualdade entre os gêneros, que, apesar de todos os avanços,
ainda não é plenamente garantida. Assim, ao entrar na segunda década do século
21, as feministas têm em sua pauta de reivindicações pontos como:

* Reconhecimento dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais das


mulheres;
* Necessidade do reconhecimento do direito universal à educação, saúde e
previdenciária;
* Defesa dos direitos sexuais e reprodutivos;
* Reconhecimento do direito das mulheres sobre a gestação, com acesso de
qualidade à concepção e/ou contracepção;
* Descriminalização do aborto como um direito de cidadania e questão de saúde
pública.

O movimento feminista brasileiro pode contar com os esforços da Secretaria de


Políticas das Mulheres, que atua não apenas pela redução da desigualdade dos
gêneros, mas também para ajudar na redução da miséria e de pobreza para, assim,
garantir a autonomia econômica das brasileiras. (NETTO, 1999, p.100).

A luta por direitos não terminou e está longe de terminar, as vitórias foram e
continuam sendo conquistadas ao longo das décadas. Vemos então que as conquistas são
extremamente novas, pois só em 1985, foi criada a primeira Delegacia de Atendimento a
Mulher – DEAM 11 e quase dez anos depois, a Lei Maria da Penha nº. 11.340, sancionada em
sete de agosto de 2006, que estabelece que a violência doméstica e intrafamiliar como crime,
devendo ser apurado e remetido ao Ministério Público e que vão ser julgados nos Juizados
Especializados de Violência Doméstica contra a mulher, que foi criado a partir dessa
legislação, ou quando não existe são julgados nas Varas Criminais.

Acervo – Revista do Arquivo Nacional -Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim) - Rio de Janeiro - Conselho
Nacional dos Direitos da Mulher – Legislação.
11 As DEAMs são unidades especializadas da Polícia Civil, que realizam ações de prevenção, proteção e investigação dos

crimes de violência doméstica e violência sexual contra as mulheres, entre outros.


18
Esta lei aumentou o rigor nas punições para violência doméstica ou familiar que
antes estavam condicionadas a trabalhos prestados em alguma instituição ou pagamento de
cestas básicas e a lei também tipifica as situações de violência doméstica, proíbe a aplicação
de penas pecuniárias aos agressores, amplia a pena de um para até três anos de prisão e
determina o encaminhamento das mulheres em situação de violência, assim como de seus
dependentes, a programas e serviços de proteção e de assistência social a Lei Maria da Penha
foi criada para, Prevenir, Punir, e Erradicar a Violência contra a Mulher (dados coletados na
LEI MARIA DA PENHA/2006, grifos meus), sendo de suma importância para a proteção da
mulher que sofre violência.
A busca por erradicação da violência doméstica levou a criação da Lei do
Feminicídio n° 13.104 de nove de Março de 201512, esta lei veio alterar o art. 121 do Código
penal em vigor (DL n. 2848/ sete de Dezembro de 1940), para prever o feminicídio como
circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1° da Lei n° 8.072, de julho de
1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos, que tipifica o crime de
homicídio como: “Feminicídio é o homicídio de mulher por motivo de gênero – por ser a
vítima do sexo feminino, envolvendo ódio ou menosprezo por sua condição. O crime é
inafiançável e não prescreve, ou seja, em qualquer tempo o autor do crime pode ser preso.
Esta Lei é considerada um avanço na luta pelos direitos das mulheres”. (CONGRESSO
NACIONAL – PL. 8305/2014).
Com a criação e implementação destas Leis a mulher tomou rumo diferente vindo a
ser dona de sua própria vida e dona de seu corpo, hoje ocupam vários tipos de empregos até
mesmo os que eram destinados somente a homens como as forças armadas, engenharia,
advocacia, medicina etc., conquistando espaços e o direito de não ter o filho de estrupo,
buscou e busca capacitação correlacionada ao seu campo de trabalho, o que as torna
profissionais com poder de especialização, exercendo as habilidades intelectuais com destreza
e competência em uma sociedade capitalista, machista e repressora, como ainda podemos ver
nos dias de atuais.
Assim para que o empoderamento aconteça se faz necessário entender que o
conjunto de desvantagens de gênero que atinge as mulheres como forma de igualar as
mulheres aos homens, através de políticas públicas de gênero, ou seja, a proposta da equidade
de gênero deve ser pensada, elaborada, criada, aprovada e transformada em políticas públicas.
Para Lagarde: “Equidade de gênero é o conjunto de processos de ajuste genérico composto

12LEI Nº 13.104, de nove de Março de 2015. Altera o art. 121 do Decreto-Lei no 2.848, de sete de Dezembro de 1940 -
Código Penal, para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1o da Lei no 8.072,
de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos.
19
pelas ações que reparam as lesões que a desigualdade produziu em relação às mulheres na
relação domínio-cativeiro. A mais sintetizadora destas lesões é não ser sujeito político”
(Marcela Lagarde, 1996, p.209).
Vemos então que na equidade de gênero são propostas ações diretamente voltadas a
dotar e capacitar às mulheres para que possam usar dos instrumentos, recursos e mecanismos
tal qual o gênero masculino, que as deixará preparadas para exercer cargos de excelência nas
esferas privadas e públicas incluindo cargos políticos independente de seu gênero, bem como
o direito de propor e participar de decisões que lhes conferem direitos e respeito, para que
possam através da capacitação, ter acesso a políticas públicas e as ações concretas vindas a
garantir a equidade de gênero, devendo ter o direito de utilizar medidas sociais, estatais,
públicas e privadas, gerais ou particulares, que porventura venham ao encontro de suas
necessidades básicas e de suas famílias bem como possibilitar o empoderamento das mesmas,
na possibilidade de reescrever sua história de vida e se reintegrar na sociedade.

1.3 – Fenômeno da violência de gênero/domestica

Os estudos sobre violência de gênero vêm se colocando visível através de noticiários


escrito, televisivos e globalizados através da internet, e assim esta demanda social está sendo
vista e observada pela sociedade em toda a face do planeta, bem como os órgãos públicos e
Estatais, por ser de conotação danosa com proporções alarmantes, que atinge historicamente
todas as classes sociais, culturais e sociedades democratas ou não, portanto um fenômeno
mundial que cresce assustadoramente a cada dia, hora, minutos e segundos.
Conceito de gênero pode ser definido como aquilo que identifica e diferencia os
homens e as mulheres, ou seja, o gênero masculino e o gênero feminino, sendo que em uma
posição hierárquica aponta para o homem como sendo o controlador e opressor, o que manda
na mulher, conforme transmitido de pai para filho em tempos remotos como era o
patriarcalismo que se fazia presente nas famílias. Ao lermos o conceito de gênero verificamos
que não explica a desigualdade que ocorre entre homens e mulheres, e que a submissão da
mulher pode ser conquistada a qualquer custo até mesmo com o uso da violência, porém
apesar de todas as leis, incluindo a Constituição Federal de 1988 que especificam que as
mulheres devem ser tratadas com respeito, ainda assim são dominadas e exploradas de forma
arcaica e patriarca pelo gênero masculino nos dias atuais. Saffioti define o patriarcado como:

20
“O regime da dominação-exploração das mulheres pelos homens” “seus principais
elementos são: o controle da fidelidade feminina; a conservação da ordem
hierárquica com a autoridade do masculino sobre o feminino, bem como dos mais
velhos sobre os mais novos; e a manutenção dos papéis sociais: ao homem fica
incumbida a responsabilidade da provisão material e a mulher pelos afetos e
cuidados no lar” (SAFFIOTI, 2004, p. 44; SCOTT, 1995; TERUYA, 2000).

Devido ao patriarcalismo levam a constantes agressões por parte dos maridos e


companheiros, irmãos, filhos, netos, e não acontece só hoje porque ao adentrarmos a história
de Roma encontramos o patriarca com plenos poderes de decidir se sua esposa e filhos iriam
permanecer vivos ou não, situação comum e tida como natural, porém esta prática dos
homens que matam suas esposas e ou companheiras perdurou por longo tempo devido ao fato
de executá-las para defesa de sua honra como o caso de Ângela Diniz 13, assassinada por seu
companheiro, caso este que acorreu na Região dos Lagos/Rio de Janeiro. Este fato continua
nos dias de hoje onde as mulheres estão sendo mortas por seus maridos e ou companheiros,
apenas pelo fato de serem do gênero feminino.
A Lei Maria da Penha no seu artigo 5º esclarece sobre violência doméstica e
violência familiar, e considera a violência no âmbito doméstico como aquela "compreendida
como espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as
esporadicamente agregadas", e no âmbito da família, como aquela "compreendida como a
comunidade formada por indivíduos que são, ou se consideram, aparentados, unidos por laços
naturais, por afinidade ou por vontade expressa" e também "em qualquer relação íntima de
afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independente de
coabitação" (Lei 11.340/2006).
Entretanto o que ainda está sendo observado que a questão de gênero não é bem
compreendida, pois a família moderna continua reproduzindo a desigualdade social existente
entre homens e mulheres, a elas e designando que sejam, sensíveis, passivas, que sejam
submissas e obedeçam aos seus maridos, que cuidem da casa dos filhos e do próprio marido,
vimos aqui que a violência relacionada à mulher consiste em todo ato de violência de gênero
que venha a resultar em qualquer agressão física, sexual, patrimonial e ou psicológica,
descrita como violência doméstica.

13Ângela Maria Fernandes Diniz (Belo Horizonte, 10 de novembro de 1944) – (Búzios, 30 de


dezembro de 1976) foi uma socialite brasileira assassinada em uma casa na Praia dos Ossos,
Armação dos Búzios/ Rio de Janeiro, pelo seu companheiro, Doca Street (Raul Fernandes do Amaral
Street). (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
21
Os homens na sociedade contemporânea são valorizados e vemos isto em todos os
aspectos culturais, o que leva a inferiorizarão da mulher, a dominação do homem que vem a
colocar a mulher como um ser que nada vale e tem por obrigação fazer as vontades do seu
agressor, ou seja, não tem autonomia, não pode decidir por coisa alguma, nem mesmo do que
vai vestir, não sendo dona de mesmo de seu próprio corpo, de suas vontades e nem de seus
direitos.
No século XXI a violência de gênero tem dados alarmantes vindos a apresentar um
desafio de grande importância conforme tabela abaixo e o grande desafio imposto sobre a
questão da violência contra a mulher, como nos fala Queiroz e Diniz:

Um dos grandes desafios no enfrentamento da violência contra a mulher é a


efetivação de uma rede de serviços que agregue os diferentes programas e projetos,
consolidando uma política social de atendimento, uma vez que os serviços
existentes ainda não conseguem atender as mulheres, de forma integral, nem
efetivar mudanças nos valores sexistas que permeiam as relações sociais.
(QUEIROZ E DINIZ-2004).

Para melhor compreensão de todo o contexto aqui exposto sobre violência de gênero,
foi coletado no Dossiê Mulher 201514, a tabela que comprova o grande desafio da efetivação
de uma rede de serviços, que deverá conter diferentes programas de políticas públicas e
projetos, que venham a integrar a política social de atendimento em cada município atrelados
ao Estado e União, desta forma haverá uma unidade nos atendimentos, realizando então o
atendimento ao gênero feminino que sofre violência doméstica.

Observando a tabela abaixo vemos que a violência de gênero está em um quantitativo bem
elevado em nosso país, e representa um grande retrocesso social, visto que, uma sociedade
marcada por altos índices destas modalidades de violência está longe da tão sonhada
erradicação da violência doméstica e de gênero. O que vemos na realidade e o contexto da
realidade arcaica e patriarcal com relação a pratica de violência por parte dos homens contra a
mulher, ou melhor, dizendo ao gênero feminino. Os homens entendem que por serem os
procriadores entendem que as diferenças estão totalmente restritas as características
biológicas e anatômicas, havendo assim submissão de gênero feminino ao gênero masculino
no entendimento radical de homem e mulher.

14Dossiê mulher 2015 / organização: Andréia Soares Pinto, Orlinda Cláudia R. de Moraes, Joana Monteiro. – Rio de Janeiro:
Instituto de Segurança Pública, 2015. A décima versão do Dossiê Mulher apresenta informações consolidadas sobre a
violência contra a mulher no estado do Rio de Janeiro, no ano de 2014, com base nas ocorrências registradas nas delegacias
policiais fluminenses.
22
Tabela 1 - Dados sobre a Violência contra a Mulher no Estado do Rio de Janeiro,
segundo Formas de Violência e Delitos Analisados – 2014.

Total de Vitimas % de
Formas de Violência Delitos vitimas mulheres vitimas
mulheres
Homicídio Doloso 4.942 420 8,5%
Violência Física Tentativa de homicídio 6.366 781 12,3%
Lesão Corporal Dolosa 87.561 56.031 64,0%

Estupro 5.676 4.725 83,2%


Violência Sexual Tentativa de Estupro 642 586 91,3%

Dano 7.235 3.607 49,9%


Violência Violação de Domicílio 4.571 3.051 66,7%
Patrimonial Supressão de documento 1.140 661 58,0%

Violência Moral Calúnia/ Difamação/ 56.410 41.509 73,6%


Injuria

Ameaça 87.399 57.258 65,5%


Violência Constrangimento Ilegal 1.354 799 59,0%
Psicológica

Fonte: DGTIT/PCERJ. Dados organizados pelo NUPESP/ISP.

1.4 - Relações de gênero e Serviço Social

A história nos apresenta que necessitamos compreender as relações de gênero devido


a ser de fundamental importância para o profissional do Serviço Social, seja pela histórica
marca de predominação feminina que acompanha a profissão, desde a seu inicio, seja pelo seu
caráter de trabalhar inserido nas relações sociais, em que as relações de gênero compõem uma
das dimensões fundamentais para o seu fazer profissional, que se apresenta na forma de
violência doméstica contra a mulher, ou seja, estas profissionais estrão inseridas nas relações
sociais da sociedade contemporânea que se apresenta como gênero feminino e uma grande
parte delas de mulheres que sofrem violência doméstica e violação de direitos, sendo então
necessário trabalhar a transversalidade desta questão, possibilitando uma intervenção que
questione os papéis conservadores de gênero. Neste entendimento vamos compreender que
gênero não é só o sexo da pessoa conforme nos fala Mirla Cisne:

23
O gênero não possui apenas sexo, mas possui classe, raça, etnia, orientação sexual,
geração, etc. Essas diferenças e especificidades devem ser percebidas. No entanto,
não podem ser vistas de forma isolada dos seus macros determinações, pois, dentro
desta sociedade, por mais que "o gênero una as mulheres", a homossexualidade una
gays e lésbicas, a geração una as (os) idosas (os) ou jovens, etc., a classe irá dividi-
las (os) dentro da ordem sócia metabólica do capital. (MIRLA CISNE: Marxismo e
feminismo na atualidade – 2011) 15.

Nesta compreensão percebemos que o cotidiano dos profissionais do Serviço Social


se depara com a exclusão, exploração, desigualdade social, discriminação, poder machista,
violência doméstica que é neste trabalho referenciado como o disparador dos impactos físico e
psíquico que afetam as assistentes sociais que lidam diretamente com esta demanda social,
entre outras. Estas valorosas profissionais buscam capacitação com relação a gênero,
procuram na teoria como lidar com as demandas que surgem no seu fazer profissional, já que
dentre elas o crescimento da violência contra a mulher está despontando de forma
assustadora, e tudo leva a crer que este aumento deve-se ao simples fato de ser mulher, ou
melhor, para a intensa compreensão a pessoa em questão ser do gênero feminino (não
podemos esquecer neste contexto das pessoas que nascem homens, mas se sentem e vivem
como mulheres, que de tal forma sofrem violência), Scott exemplifica que: (...) “o gênero é
um elemento constitutivo das relações sociais baseadas nas diferenças que distinguem os
sexos e o gênero é uma forma primária de relações de poder”. (SCOTT, 1995, p. 80). Esta fala
de Scott afirma e confirma o entendimento de todo o contexto já acima exposto em outros
parágrafos.
Na sociedade capitalista contemporânea formam-se conceitos de como devem agir os
homens e as mulheres, os tabus são criados de forma preconceituosa, mas como já visto
anteriormente esta forma patriarcal não nasceu agora, já vem desde a remota historia das
civilizações, a lógica do poder sempre esteve presente na vida de homens subordinando as
mulheres e isto pode ser entendido através de Bourdieu que explica este acontecimento: (...) é
uma logica de poder e de dominação; é a forma paradigmática de “violência simbólica”, ou
seja, aquela violência exercida sobre um agente social com sua cumplicidade e seu
consentimento (BOURDIEU, 1988 apud LAMAS, 2008, p. 345).
Contextualizando que a lógica de gênero está ligada ao sentimento de poder e de
dominação que atravessam anos, décadas e séculos, ou seja, desde o nascimento da
civilização, quando o homem através da violência queria vencer a natureza pela força, e o que
é constatado e que nada mudou com o passar dos anos, à imposição de poder e dominação

15Mirla Cisne: Marxismo e feminismo na atualidade - (*) Mirla Cisne é Assistente Social, mestre em Serviço Social pela
Universidade Federal de Pernambuco, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher da Universidade do Estado do Rio
Grande do Norte e professora do curso de Serviço Social desta instituição.
Leia mais: http://adrianonascimento.webnode.com.br/news/mirla-cisne-marxismo-e-feminismo-na-atualidade/
24
teimam em persistir na sociedade contemporânea, haja vista que o poderio masculino é
imposto à sociedade como um fato natural e corriqueiro que se apresenta de forma arcaica,
enraizado aos seus conceitos e ideais de subjugação já defasados, querendo pela fora e ou
violência dominar, dando continuidade a agressão contra a mulher, e tem nesta ação o próprio
conceito de ser certo e portanto algo a ser feito que eleve o seu ego, sendo assim o sentimento
de posse está enraizado em suas mentes, pela necessidade de se dizer como o macho alfa. Para
Bourdieu:

A ordem social masculina está tão profundamente arraigada que não requer
justificação: impõe a si mesma como auto evidente, e é tomada como “natural”,
graças ao acordo quase perfeito e imediato que obtém, por um lado, das estruturas
sociais e, por outro, das estruturas cognitivas inscritas nos corpos e nas mentes.
Bourdieu (1999).

Como acima mencionado entendemos a questão do poder que acontece na divisão


sexual do trabalho, na sociedade e na vida como um todo, melhor dizendo: é a forma de
divisão do trabalho social decorrente das relações sociais entre os sexos; sendo um fator
prioritário para a sobrevivência da relação social entre os sexos e é característica do homem,
achar que tem poder e ou controle sobre a mulher, e pensa desta forma devido à fecundação
acontecer por parte deles e a mulher cabe à reprodução, nesta conjuntura acontece à
apropriação pelos homens das funções com maior valor social adicionado como políticos,
religiosos, militares entre outros, ou seja, tem como pressuposto que existem trabalhos de
homens e trabalhos de mulheres e o princípio hierárquico onde entendem que o trabalho do
homem “vale” mais que um trabalho da mulher. Kergoat fala que:

A naturalização das diferenças sexuais oculta, o aspecto arbitrário dos princípios de


divisão do mundo social e de divisão social do trabalho, os quais são constitutivos
das relações de gênero ou relações sociais de sexo em determinado contexto. Estas,
por sua vez, são estruturantes e transversais ao conjunto do campo social
(KERGOAT, 2009).

Algumas autoras16, ao elucidar sobre o processo de feminização da profissão do


Serviço Social, afirmaram que:

Este se constituiu historicamente como uma profissão de mulheres e para mulheres,


cabe aqui ressaltarmos que essa realidade é composta e marcada por relações e
contradições de gênero, pois sabemos que homens e mulheres não ocupam

16 Cisne (2012), Cisne (2004), Hirata (1995): As autoras em questão, não reforçam os padrões conservadores de gênero que
norteiam a feminização de determinados papéis, pelo contrário, elas colocam a marca de gênero que permeia o âmbito
profissional como um fenômeno social, ou seja, determinado historicamente.
25
posições igualitárias na sociedade, tanto no campo do privado, quanto no público,
mesmo que estas mulheres venham a ter a mesma formação profissional e/ou
qualificação técnicas que os homens, as discriminações de gênero se apresentam de
forma concreta no cotidiano profissional. (CISNE (2012), CISNE (2004), HIRATA
(1995)).

Estas considerações nos colocam a necessidade de compreendermos e entendermos o


conceito de gênero e das relações de gênero17, e apreendermos como estas considerações se
expressa no cotidiano do fazer profissional da assistente social que atende a mulher que sofre
violência doméstica, onde devemos considerar e estudar os aspectos sociais que são baseados
no sexo e no gênero, e quando analisamos a história do Serviço Social, então conseguimos
visualizar como uma profissão eminentemente, predominantemente feminina (raros algumas
exceções), sendo uma categoria que define e redefine a construção da usuária atendida, pelo
condicionamento de papéis adequados ao masculino e ao feminino, e este último apresentando
desqualificação tanto na esfera pública, quanto na esfera privada, onde geralmente o
quantitativo de mulheres aparece de forma bem expressiva.
As observações acima se tornam importantes a fim de analisar o Serviço Social
inserido no desenvolvimento das relações sociais, das quais o gênero é parte integrante e
constituinte, e a questão de gênero se mostra como diversas formas com através do
desprestígio social, econômico e cultural, de profissões majoritariamente femininas, o que
repercute diretamente nas relações e condições de trabalho destas profissionais, como
exemplo o Serviço Social, onde estas profissionais não tem uma conformidade em questão
salarial.
Nesta perspectiva, cabe destacar a análise que Veloso com base em Kofes, na medida
em que o mesmo aponta que:

O gênero não se mostra como uma categoria de grande importância para se pensar
o Serviço Social apenas pelo fato de este ser uma profissão com maioria esmaga-
dora de mulheres. O fato de o Serviço Social ser uma profissão de maioria
feminina é considerado como expressão de um modelo de relações de gênero
específico, de uma lógica que rege a organização da sociedade, com a inserção
diferenciada de homens e mulheres em determinadas profissões. A chamada
“marca feminina” da profissão não é o problema em si, mas uma das determinações
mais visíveis do gênero. Poder-se-ia afirmar, inclusive, que tal “marca feminina”

17 Tratamos aqui de gênero e relações de gênero no sentido de que um compreende o outro, mas acreditamos que o uso do
termo relações de gênero compreende as relações sociais nas quais o gênero esta imerso, parte então da conceituação do que é
gênero e das contradições postas por uma dada sociabilidade e pelo movimento que o próprio termo expressa na realidade
concreta, coloca-se as relações de gênero como aquele que traduz melhor o “caráter histórico da construção de hierarquias
entre os sexos”.
26
constitui-se uma refração de gênero. A partir dela, pode-se constatar a questão, mas
ela não é em si mesma, a questão.
Pensar a profissão levando-se em conta a presença esmagadora das mulheres em
seu interior é de suma importância para o entendimento do serviço social. No
entanto, a questão não se esgota aí. É necessário ir além. É necessário perceber o
que está por trás da configuração deste quadro majoritariamente feminino. É
necessário perceber a lógica que rege tal configuração. É imprescindível atentar
para o fato de que o gênero estrutura este quadro. É necessário perceber o serviço
social não apenas a partir das mulheres, tomadas como categoria empírica, mas
também a partir das relações de gênero. (VELOSO 2001, p. 71 aput KOFES),

As autoras Hirata e Kergoat apresentam abaixo um determinado e interessante ponto


de vista sobre as relações de gênero definindo que:

Assim, ao tratar das questões que envolvem os estereótipos sexuados, constatou-se


que as identidades sexuais e suas respectivas representações sociais da
virilidade/feminilidade, por exemplo, são amplamente utilizados nas políticas de
gestão da mão-de-obra no meio industrial e que foi constatada a existência de certa
assimetria entre o emprego/desemprego e o trabalho masculino e feminino..
(HIRATA, KERGOAT, 2007).

Assim, as relações de gênero atravessou também o mundo do trabalho, percebemos


que ficou convencionado chamar de divisão sexual do trabalho e vamos verificar esta
realidade quando o trabalho e separado de acordo com os sexos, sendo que, o trabalho
produtivo e melhor remunerado, direcionado ao homem, e a mulher cabe o trabalho
doméstico, gratuito e sem prestígio, porém já podemos ver que o gênero feminino está
ganhando espaço em diversas funções como as autoras acima mencionaram a cerca da mulher
está inserida na construção civil devido às mesmas terem assimetria na obra que está sendo
construída.
O Serviço Social expressa bem esse papel, pois desenvolvem com presteza as suas
funções, e tem como possibilidade explorar um espaço de profissionalização dirigido
culturalmente para as mulheres, e no início da institucionalização da profissão, o trabalho das
assistentes sociais foi executado pelas burguesas, pelo fato destas serem consideradas mais
adequadas já que se tratava de formas educativas e as ações caridosas que eram direcionadas
aos trabalhadores, já que a profissão era para o controle social.
O crescimento das atividades assistenciais se dá pelo contato com as realidades das
classes na sociedade contemporânea, o que leva a impulsionar as mulheres como forças de
trabalho e vê então outros segmentos adentrarem a classe da profissional do Serviço Social o
que abriu espaço para a possibilidade de profissionalização das mulheres anteriormente

27
somente operárias, que em conformidade com as crises e necessidades do sistema capitalista
sempre alternavam entre sua jornada de trabalho e seus afazes domésticos com o retorno ao
seu lar, à necessidade de manter seus empregos as levavam a optar por outras funções e ou
profissões que lhes garantissem a permanência no trabalho assegurando o sustento da família,
sendo assim a profissão do Serviço Social se constitui como uma dessas escolhas e ou
alternativas e não por vontade própria, garantindo a feminização da profissão.

Iamamoto e Carvalho destacam o processo de feminização da profissão:

Aceitando a idealização de sua classe sobre a vocação natural da mulher para as


tarefas educativas e caridosas, essa intervenção assumia, aos olhos dessas ativistas,
a consciência do posto que caiba à mulher na preservação da ordem moral e social
e o dever de tornarem-se aptas para agir de acordo com suas convicções e suas
responsabilidades. Incapazes de romper com essas representações, apostolado
social permite àquelas mulheres, a partir da reificação daquelas qualidades, uma
participação ativa no empreendimento político e ideológico de sua classe, e da
defesa faculta um sentimento de superioridade e tutela em relação ao proletariado,
que legitima a intervenção. (IAMAMOTO e CARVALHO 2008, p. 171-172),

Vamos aqui compreender que o desafio do debate sobre gênero constitui-se na


garantia da orientação do projeto ético-político da profissão, o qual encontra no Código de
Ética a sua referência nos princípios fundamentais: CFESS, Código de Ética. In Bonetti
“Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem
societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero” (CFESS, Código de Ética. in
Bonetti ET al., 2001, p. 218).
Gênero é um tema atual, contemporâneo que atravessa a história e que está no
contexto da transversalidade18 e muito se fala deste tema na atualidade acredita-se que fazer
parte do conteúdo da grade curricular universitário, é de suma importância para a classe
profissional do Serviço Social, devido a lidar com todo tipo de violação de direitos e
violências, surgindo no contexto o gênero como demanda para as pesquisadoras e às
assistentes sociais, vindo a exigir estudos qualificados, pesquisas, cursos de capacitação na
área de gênero para que as respostas possam ser pontuais e precisas no momento de atuação
em seu campo de ação no seu fazer profissional.
Dessa forma, cabe destacar a presença quase que maciça do gênero feminino na pro-
fissão do Serviço Social, e que está ligada a características enraizadas culturalmente e vistas
com naturalidade, direcionando como a mulher deve ser uma simples dona de casa, mãe,

18A transversalidade diz respeito à possibilidade de se instituir, na prática educativa, uma analogia
entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as
questões da vida real (aprender na realidade e da realidade).
28
esposa, incumbindo-se de seus afazeres domésticos, entre outros, seguindo as análises dos
conservadores de gênero, e da divisão sexual do trabalho, vemos claramente a subalternidade
das mulheres nesta sociedade contemporânea.
Entende-se como necessário que as assistentes sociais como mulheres que são se
reconheçam como sujeitos históricos atravessadoras de décadas, com capacidade suficiente
para utilizar ferramentas que desconstruam a visão estabelecida na realidade social, de forma
a apagar o sujeitamento da profissão ao longo da história, percebemos que o Serviço Social no
Brasil tem passado por sucessivas crises, porém estas bravas mulheres continuam lutando na
guerra surda do preconceito ao gênero feminino.
O tamanho da carga de responsabilidade que é conferida as profissionais do Serviço
Social as obriga a buscar constantemente capacitação e estudos correlacionados a gênero,
violência de gênero, assim como os atendimentos no cotidiano a mulheres vitimas de
violência, e a constante exposição destas profissionais a estas demandas, levam ao acumulo de
visualizações e escutas a transformam-se em impactos físicos e psíquicos levando-as ao
adoecimento, porém por elas não observados o que as leva a não procurar políticas públicas
para que possam se tratar deste impacto, e por fim estes impactos acabam por influenciar não
só na saúde, mas também no seu convívio familiar.

CAPÍTULO 2

O PROCESSO DE TRABALHO E OS IMPACTOS FISICOS E PSIQUICOS NO


SERVIÇO SOCIAL

Esse capítulo trás uma discussão acerca do processo de trabalho, o cenário atual do
mercado, o crescimento da globalização, bem como a qualidade de vida no trabalho das
profissionais do Serviço Social, discutimos as ações importantes, que envolvem dimensões
física, intelectual, emocional, profissional, espiritual e social, tendo como panorama os
profissionais, assistentes sociais inseridos nos espaços sócios ocupacionais, que atuam com
violência doméstica no Município de Cabo Frio/RJ.
O autor Karl Marx vem a elucidar que o trabalho pertence ao mundo capitalista, pois
detém os meios de produção e compra a força de trabalho (valor de troca), equiparando seus
trabalhadores a seus produtos (valor de uso), para transformá-los em capital (mais-valia),
então verificamos que o assistente social está inserido neste contexto, pois tem uma

29
autonomia relativa em relação ao empregador, já que o capitalista realiza a compra da sua
força de trabalho especializada pelo seu valor de troca, o que lhe dá o direito de utilizar-se por
certo tempo, apropriando-se de todo o seu valor de uso.
As assistentes sociais em seus atendimentos prestam serviços sociais à classe
trabalhadora, porém essa prestação de serviço não às livra de viver os mesmos dilemas da
exploração capitalista e continua luta pelos seus direitos trabalhistas, Iamamoto esclarece que
estas profissionais perpassam igualmente pelos problemas da exploração e ainda: “respondem
tanto as demandas do capital como do trabalho e só pode fortalecer um ou outro pela
mediação do seu oposto”. (IAMAMOTO 2005, p. 75), e por ter que determinar a qual
fortalecer, implica sofrimento através do desgaste mental e terminam por causar o stress, pois
a todo instante de seu fazer profissional, surgem situações dúbias.
Sendo assim, entendemos que a Assistência Social é uma especialização do trabalho
coletivo, sendo primordial e essencial, para absorver as múltiplas expressões da questão social
e suas multiplicidades, devido a estar inserida na divisão social e técnica do trabalho, e como
tal as profissionais do Serviço Social participam diretamente do processo de produção e
reprodução do capital, como trabalhadoras qualificadas, e vendedoras de sua força de trabalho
especializada, cabendo a elas a tarefa da mediação em todas as circunstâncias que se
apresentam, porém com o entendimento que só pode a um só favorecer.

2.1 Entendendo os objetivos do capitalismo no processo de trabalho das assistentes


sociais

Na segunda metade do século XX, a partir da década de 1990 se fez presente a


modificação do exercício profissional do assistente social, ocasionando impactos que
provocaram alterações nas condições de intervenção que a assistente social utiliza para
realizar seu exercício profissional, recaindo sobre as demandas e consequentemente sobre as
respostas profissionais. Estes impactos persistem e continuam a incidir no fazer profissional
das assistentes sociais, trazendo novas configurações de intervenção ampliando o leque
profissional, nas instituições estatais e nas instituições privadas.
O trabalho tem fator principal e relevante na vida dos (as) trabalhadores (as), neste
país de sistema capitalista, que lhes impõe uma identidade e consequentemente um modo de
viver, que por diversos fatores fogem a forma ideal. Para Marx e Engels, “a importância do
trabalho na vida das pessoas é central, é a ação que transforma a realidade e propicia alteração
da visão que têm do mundo” Marx e Engels, veem então que não é possível viver sem

30
trabalho, pois dele necessitam para dar continuação a sua existência e convívio social, porém,
estes mesmos autores afirmam que o homem é subjugado pelo trabalho:

A divisão do trabalho nos oferece desde logo, o primeiro exemplo do seguinte


fato: desde que os homens se encontram numa sociedade natural e também desde
que há cisão entre o interesse particular e o interesse comum, desde que, por
conseguinte, a atividade está dividida não voluntariamente, mas de modo natural, a
própria ação do homem converte-se num poder estranho e a ele oposto, que o
subjuga ao invés de ser por ele dominado. Com efeito, desde o instante em que o
trabalho começa a ser distribuído, cada um dispõe de uma esfera da atividade
exclusiva e determinada, que lhe é imposta e da qual não pode sair... (MARX;
ENGELS, 1999, p. 37).

Mesmo sendo o trabalho subjugador do trabalhador e do qual não pode sair, as


assistentes sociais, precisam dar continuidade a sua vida profissional e social e para tanto
dependem do fator trabalho, para desta forma exercer os seus direitos de cidadania, cabe-lhes,
o desafio de buscar tempo em meio a tanta responsabilidade de se capacitar através de
atualizações, na tentativa de explicar a descentralização das políticas públicas, neste caso
entendido também como um grande desafio, fazendo-se necessário acompanhar toda a
trajetória da questão social diante das políticas públicas em nível, Municipal, Estadual e
Federal, para que desta forma possam utilizar estas ferramentas de trabalho renovadas a favor
das usuárias e de sua própria família.
Os trabalhadores sofrem a coerção devendo ser polivalente de forma a atender aos
objetivos capitalistas, mas para que tal aconteça sobrevém à exploração da força de trabalho,
ou seja, quando não há argumentos contrários ao que está sendo proposto criando consensos
de classes, a fim de cumprir com as exigências do mundo globalizado e as estratégias de
gestão e organização do trabalho, que se estendem aos serviços e às organizações do Estado,
repercutindo também no trabalho da assistente social. Estes consensos de classe são a base
para a sobrevivência e construção da hegemonia no contexto da vida social, Iamamoto diz que
“assistente social é um dos profissionais que está nesse mar de criação de consensos”.
(IAMAMOTO, 1999, p. 68), ao ler esta afirmação conclui-se que as assistentes sociais a cada
dia em sua vida profissional e social, vivem criando consensos para poderem atuar diante da
violência doméstica.
Assim, os desafios que abrangem o Serviço Social são diversos, uma vez que as
alterações das requisições profissionais ocorrem, paralelamente, ao sucateamento das políticas
públicas, afetando diretamente o exercício profissional do assistente social, o que leva o
profissional ao stress, frente à complexidade de questões apresentadas na violência doméstica,
causando impactos no físico e psíquico e desgaste.
31
2.2 O Serviço Social como profissão liberal e autonomia relativa

O profissional do Serviço Social possui uma autonomia relativa, porém sofrem certo
controle profissional por parte de seus empregadores, ocasionando a insegurança,
permanecendo na dependência das empresas, instituições, Estado e ONGs, e devido a esta
dependência são submetidas a diversas formas de contratação e cobrança na intensificação do
seu fazer profissional, sofrendo pressão em sua jornada de trabalho, quando então ocorre à
depreciação dos salários e ausência de concursos públicos o que vem a causar a instabilidade
profissional, o que ocasiona a falta de perspectivas de um possível progresso e ascensão na
carreira. Iamamoto no seu livro “O Serviço Social na Contemporaneidade” fala sobre essa
“relativa autonomia” como uma dependência do assistente social:

Ainda que dispondo de relativa autonomia na efetivação de seu trabalho, o


assistente social depende, na organização da atividade, do Estado, da empresa,
entidades não governamentais que viabilizam aos usuários o acesso a seus serviços,
forneçam meios e recursos para sua realização, estabelecem prioridades a serem
cumpridas, interferem na definição de papéis, e funções que compõem o cotidiano
do trabalho institucional. Ora, se assim é, a instituição não é um condicionante a
mais do trabalho do assistente social. Ela organiza o trabalho do qual ele participa.
(IAMAMOTO, 2005 p. 63).

As assistentes sociais são dependentes do fornecimento de meios e recursos, que são


proporcionados pelas instituições da Assistência Social (SUAS), ONGs e sistema jurídico,
que conforme nosso conhecimento são os maiores empregadores, pois são eles que viabilizam
o acesso aos serviços, meios e os recursos para a realização do atendimento as usuárias,
devido a esta dependência ocorre à precariedade de trabalho, o que desanima a profissional
ocasionando a falta de interesse, em aprimorar o atendimento tanto pelas profissionais como
pelos gestores dos equipamentos. Estas profissionais mesmo encontrando constantes
dificuldades para articular a rede de enfrentamento a temática da violência e os serviços
socioassistenciais, travam uma luta diária na tentativa de colocar em evidência a autonomia
profissional na condução de suas ações e efetivação de seu trabalho, buscando meios e
instrumentos necessários para sua atuação.
Neste contexto definem as prioridades e a melhor forma de conduzir e executar
coerentemente as ações no atendimento as mulheres vitimizadas pela violência doméstica,
vemos então que a flexibilização/precarização e a exploração do trabalho das assistentes
sociais, são as causadoras da exaustão e stress ocasionando os impactos físicos e psíquicos,
aqui bem elucidado por Boschetti demonstrando que: à super - exploração da força de
32
trabalho, à inserção dos profissionais em dois ou três campos de atuação com contratos
precários, temporários, é que tem causado adoecimento físico e mental. (BOSCHETTI, 2011,
p. 562), esta afirmação tem procedência devido a constatar em leituras a vários outros autores,
que o entendimento é o mesmo quanto ao adoecimento pela a exploração do trabalho.
As profissionais do Serviço Social estão como integrantes do processo capital x
trabalho e submetidas aos limites institucionais, às relações hierárquicas dentro do seu espaço
laboral e a ausência de espaço de discussão, bem como o diálogo entre as profissionais e os
dirigentes empregadores privados e ou públicos, e a problemática desta situação envolve
também a falta de cooperação e não menos importante o reconhecimento social das
profissionais como trabalhadoras, envoltas em diversas demandas através de seu fazer
profissional que são submetidas a atender a classe subalternizada, que a todo atendimento
reclamam das condições em que se encontram as suas necessidades, transformadas em
demandas, na vida destas assistentes sociais está evidente o limite institucional conforme
Guerra nos apresenta:

Pela estrutura da própria sociedade na qual o assistente social intervém, pela


dinâmica, pelos interesses, objetivos, metas, finalidades das instituições (sejam
públicas ou privadas), lócus do trabalho profissional, os limites institucionais ficam
evidentes (...), por outro lado, a profissão também recebe um mandato das classes
subalternizadas que reclamam o atendimento de suas necessidades, resultado do
seu nível de organização social, o que faz as instituições sociais (contratantes dos
Assistentes Sociais) incorporarem, em alguma medida, tais necessidades e
tomarem-nas como demandas institucionais a serem atendidas pelo Assistente
Social. (GUERRA, 2009, p. 81).

A assistente social tem sua profissão voltada para atender as demandas que provém
das relações, contradições e condições do sistema capitalista, e sua intervenção está baseada
nas necessidades provenientes das relações sociais, historicamente postas por interesses das
classes sociais (capital e trabalho), pelo contexto apresentado é nítida a dependência aos
empregadores seja ele público ou privado, vivem no limite institucional.

2.3 Experiências vividas no estágio

Toda dedicação por parte do universitário na formação acadêmica e prática adquirida


através do estágio, leva a aplicar o seu arcabouço acumulado como, instrumentos e ações no
seu cotidiano profissional pós termino acadêmico, defendendo sua profissão e se possível
cooperará para o enriquecimento da academia, isto porque a assistente social é proprietária de

33
sua força de trabalho especializada com relativa autonomia, devido a ser produto da formação
universitária e como tal realizará um trabalho necessário e complexo no atendimento as
usuárias que são colocadas sob seus cuidados nas instalações públicas ou privadas, Iamamoto
(2011) confirma que:

A assistente social defende sua profissão, através da sua qualificação acadêmico-


profissional especializada... Pensar o trabalho do assistente social em tempo de
capital e fetiche requer também tratar o processo de formação dessa força de
trabalho qualificada no âmbito do ensino universitário, sujeito às injunções
econômicas, políticas e ideológicas da prevalência do grande capital e de seus
centros estratégicos mundiais. (IAMAMOTO, 2011, p. 421 e p.432).

A afirmação de Iamamoto está enquadrada de forma bem realista, pois no estagio, foi
possível observar a realidade das assistentes sociais, no seu fazer profissional, devido ao
crescimento das velhas demandas e o aparecimento de novas demandas, são geradas através
do capitalismo e pelas crises do capitalismo financeiro, como manobras executadas pelos
gestores das políticas públicas, para enriquecimento de alguns e detrimento da classe
trabalhadora, causando o crescimento da desigualdade social e banalização da vida, as
assistentes sociais sofrem com o aumento da carga de trabalho, além disso, precisam adequar
o seu tempo para capacitação além-academia, de forma a acompanhar às injunções
econômicas, políticas e ideológicas do capital.

2.4 Novas demandas, novas possibilidades de trabalho para as assistentes sociais

As transformações acontecem na sociedade contemporânea e desencadeiam novas


requisições, demandas que estão presentes na vida diária das assistentes sociais, não é um fato
que ocorra somente entre a classe menos favorecida e sim em todas as classes ampliando o
quadro de possibilidades de ação das profissionais do Serviço Social, no âmbito das políticas
sociais.
Com a ampliação e desgastante a profissão do assistente social, Carrera diz que, “o
Serviço Social é uma profissão de desgaste pela exposição diária dos profissionais aos
conflitos, dilemas e pedidos de ajuda expressos por indivíduos que se encontram em situações
– problema”. (CARRERA aput Adams, Dominelli e Payne, 2011, p. 22), ao lidar diretamente
ou indiretamente com situações limites e podemos entender este fenômeno a partir da década
de 70, quando então foi instaurada a atual fase do capitalismo, que fez acontecer

34
transformações no mundo do trabalho causando as pressões do mundo trabalho causadoras do
aumento das demandas sociais.
O crescimento das demandas sociais se devem as transformações do mundo do
trabalho, e a cada dia surgem novas formas de exploração, trazendo a banalização da vida,
sendo assim os sofrimentos, adoecimento e o constrangimento ético político, recaem nas
assistentes sociais, em seu cotidiano está presente o aumento da precarização do trabalho, a
carga de trabalho também sofre alteração, nem sempre os locais onde efetuação a mediação
são favoráveis ao atendimento, contratos desfavorecendo a garantia de trabalho, sendo assim
verificamos que a pressão do trabalho é grande e desfavorável a uma classe que está presente
em todas as instanciais governamentais e empresas privadas.
Caracterizada como sendo profissão necessária à sociedade, e que está inserida na
divisão social e técnica do trabalho, pode ter por parte dos governos uma melhor atenção,
devido a trabalhar diretamente com toda forma de vulnerabilidade dentre elas a:
miserabilidade, moradores de rua, desvinculação familiar, situações de violência entre outros,
porque as exigências são muitas e constantes no seu meio laboral, e devido a toda alteração de
significados e conteúdos sofridos pelas transformações, acabam por afetar a saúde,
culminando com o aparecimento de stress, seguido de impactos físicos e psíquicos, as
autoridades governamentais das três esferas devem voltar o olhar para estas profissionais de
forma a valorizar a profissão.
As profissionais do Serviço Social vivem constantemente em situações limites, e as
consequências prejudiciais a sua vida e a sua saúde se fazem presentes, e ao sofrer as
transformações são acometidas de stress sendo que, mesmo com a saúde abalada continuam a
trabalhar dando seguimento a sua vida profissional. Além de toda a carga que lhe atribuída no
trabalho ainda enfrentam com destreza a sua dupla jornada de trabalho ao chegar à casa junto
a seus familiares, e tem certos momentos que precisam atuar como profissionais no seio de
sua família.

2.5 O trabalho da assistente social no universo da mercantilização

Vemos que o trabalho da assistente social é qualificado e mercantilizado e tem valor


de troca, deixando a qualidade do trabalho abstrato seja solapado pelos dilemas da alienação.
Um dos grandes desafios e o de romper com as unilateralidades presentes no trabalho da
assistente social que ora são fatalistas, pois “superestimam” a lógica do capital, ora são
messiânicas, pois “subestimam” a lógica do capital, outro não menos importante desafio é a

35
participação em debates sobre o cotidiano das assistentes sociais, que pode possibilitar trazer
a luz o processo de trabalho, na luta por direitos sociais públicos e pela democracia, Iamamoto
(2005) relata que: “esse processo de compra e venda da força de trabalho especializada em
troca de um salário faz com que o Serviço Social ingresse no universo da mercantilização, no
universo do valor” (IAMAMOTO, 2000, p. 24).

Sendo o Serviço Social inscrito no campo da defesa e ou realização de direitos


sociais de cidadania, vamos então compreender que não existe “um processo de trabalho”,
porque os trabalhos são efetuados com sujeitos com suas próprias particularidades, e sim
“processos de trabalho”, nos quais estão envolvidas as profissionais na condição de
trabalhadoras especializadas e qualificadas, para o exercício de sua profissão, entendemos que
o Serviço Social como profissão interventiva, está na divisão social e técnica do trabalho,
sendo parte da classe trabalhadora, e é uma profissão socialmente necessária devido a ser
interventiva que atende as necessidades sociais, mediatizar nas demandas sociais, para tanto
utiliza de ferramentas, bem como os meios disponíveis para a intervenção em seu objeto de
trabalho, Iamamoto esclarece sobre a necessidade social:

A profissão passa a constituir-se como parte do trabalho social produzido pelo


conjunto da sociedade, participando da criação e prestação de serviços que atendem
às necessidades sociais. Ora o Serviço Social reproduz-se como um trabalho
especializado na sociedade por ser socialmente necessário: produz serviços que
atendem às necessidades sociais, isto é, tem um valor de uso, uma utilidade social.
(IAMAMOTO, 2000, p. 24)

Esta profissão possui valor de uso, devido a prestar serviços que atendem
necessidades sociais, mediando à vida social e material das usuárias, e como mediadoras,
estabelecem constante contato com a rede de políticas públicas, para que possa ser
estabelecida a integração entre o profissional e as usuárias que buscam atendimento.
As assistentes sociais se deparam com todas as contradições do capital, lidam com as
demandas provocadas pela precarização do trabalho, lutam com os obstáculos a elas impostos
para que possam desenvolver o Projeto Ético Político social, estão em constante aproximação
e estreitamento com as usuárias, o que pode contribuir com os impactos físicos e psíquicos,
levando-as ao Stress e aos impactos físicos e psíquicos. Até que ponto estes profissionais vão
conseguir trabalhar em condições tão depauperadas causadoras de stress?

36
CAPÍTULO 3

AS PRESSÕES DO MUNDO DO TRABALHO CAUSADORAS DO ADOECIMENTO


NAS ASSISTENTES SOCIAIS E O CUIDADO E PREVENÇÃO COM A SAÚDE.

Este capítulo constitui-se de reflexões sobre as pressões do mundo do trabalho,


trazendo analises teóricas sobre a possibilidade de vir a acontecer o desenvolvimento de stress
e os impactos físicos e psíquicos, nas assistentes sociais atuantes no seguimento institucional
CEAM no Município de Cabo Frio/RJ.
A trajetória do processo de trabalho, o fazer profissional serão enfocados, numa
perspectiva crítica refletindo a respeito das práticas geralmente solitárias e o acúmulo de
experiências pessoais e profissionais em diferentes dimensões que podem ocasionar a
existência de stress no fazer profissional, através de uma perspectiva crítica.
No que tange à relação assistente social e adoecimento, discute-se a importância
deste profissional nos espaços sócio ocupacionais onde realizam os atendimentos, e o que as
leva a adoecerem afetando não só a própria saúde, como também o seu convívio social e
familiar.
Foi realizado um trabalho de pesquisa com acesso a diversos autores dentre eles
destacamos: Iamamoto (2011/2005/2002/1999), José P. Netto (1992/1999), Kergoat (2007),
entre outros, bem como foram entrevistadas 05 (cinco) profissionais do Serviço Social,
atuantes nas instituições CEAM (Centro Especializado de atendimento a mulher) que
especialmente trabalha com o contexto da violência doméstica contra a mulher no Município
de Cabo Frio-RJ.
Sendo evidenciado que as assistentes sociais trabalham de forma a dar respostas às
demandas sociais causadas pela violência doméstica conforme a Norma Técnica de
atendimento nos equipamentos do CRAM/2006.
Conforme o nosso entendimento na leitura de Carrera (2011) fica compreendido que:
“O Serviço Social é uma disciplina que está inserida no campo das ciências sociais e
humanas, que pretende a mudança social, a resolução de problemas (relacionais, económicos
e sociais), o empoderamento e a liberdade dos indivíduos, com vista a atingir o bem-estar”.
(CARRERA, 2011, p. 20), a satisfação das necessidades. Com base nos autores as reflexões
críticas se voltam para: “como a intervenção das assistentes sócias na demanda da violência

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doméstica podem arremeter ao aparecimento de stress e impactos físicos e psíquicos?”,
“Quem cuida destas mulheres”? “Como estas profissionais podem alcançar o bem estar”?

3.1- O serviço social e o processo de trabalho: Uma profissão considerada trabalho

O Serviço Social surgiu na consolidação do sistema capitalista no momento de sua


manifestação como monopólios, marcado pelo afloramento da questão social, éticos raciais e
gênero em todos os seguimentos da sociedade civil e do Poder Estatal, sendo então
considerada “trabalho” conforme, Iamamoto esclarece que: “A profissão foi considerada
“trabalho” como um ramo da divisão sócio técnica do trabalho, com vinculação no âmbito da
prestação de serviços sociais, o que exige do profissional maior capacidade teórica e técnica já
que este vende sua força de trabalho”. (IAMAMOTO 2005 E 2011).
Estas profissionais vendem sua fora de trabalho sendo absorvidas pelas empresas
públicas, em geral através de contratos precários, quando então tomam posse de sua força de
trabalho especializada e técnica, para a realização do atendimento a demanda da violência
doméstica contra a mulher, esta temática faz parte de uma gama de demandas sociais que são
vistas como “processos de trabalho” provenientes das expressões da questão social e suas
multiplicidades, geradas pelas desigualdades sociais, e o sentimento de poder pelo homem
agressor desenvolvido.
Sua função social se constrói a partir das políticas sociais e das formas de
organização da sociedade na luta por direitos, despontando o desafio de analisar e
contextualizar a fragilidade do assistente social como qualquer outro trabalhador assalariado,
e por conta disto os desafios e frustações são constantes, conforme a entrevistada (05)
descreve: “desafios, frustrações, quando nos vemos imobilizadas, demissões de colegas de
trabalho (rotatividade profissional), nem todos os profissionais da rede de apoio são sensíveis
à causa da mulher”. (Entrevistada 05).
Estas profissionais perpassam por fragilidades emocionais constantemente, devido à
exposição que sofrem com relação aos relatos de vida das mulheres por elas atendidas,
podemos observar que enfrentam em sua maioria o desgaste emocional, variando com a idade,
tempo de atuação, sensíveis ou não a causa, porém com toda fragilidade, saem em busca de
conhecimento no sentido de aprimoramento da prática, apresentando assim a potencialidade
que existe nestas profissionais que se dedicam a cuidar de mulheres vitimizadas pela violência
doméstica, bem exemplificada pelas entrevistas (03) e (01).
38
Entrevistada (03).

É sempre um aprendizado o atendimento com mulheres vítimas de violência


doméstica, e apesar de saber que os assuntos profissionais precisam ficar no âmbito
do trabalho, é impossível como mulher não se solidarizar e não se entristecer com
as histórias apresentadas. Mas aprendemos, principalmente com a prática a separar
algumas questões, e a sensação ao sair do trabalho depende de cada atendimento,
se foi pesado saímos mortas mental e fisicamente.

Entrevistada (01).

No período de trabalho, procurei sempre me isentar de valores pessoais e instituir


um olhar técnico sobre os fatos a fim de realizar mediações entre as situações de
vulnerabilidade social e a complexidade das expressões da questão social. Todavia,
ao sair do ambiente de trabalho, realizei o esforço de apreender mais sobre como se
dão as relações sociais atuais por meio de tal experiência profissional. Assim,
procurei acrescentar conhecimentos profissionais em minha perspectiva de vida
pessoal. Entretanto, este movimento de troca entre profissional e pessoal é
considerado moderado, tendo à vista a necessidade de diferenciação entre tais
âmbitos para evitar um possível desgaste emocional.

Ao dar seguimento a entrevista foi possível relacionar a rotatividade das


contratações, como um grande problema no meio profissional dificultando a ampliação do
conhecimento, a permanência por longos períodos em um só equipamento trás uma visão
aprimorada sobre a temática violência doméstica contra a mulher, inclusive esta troca de
profissionais vem a afetar a própria usuária, devido à falta da continuidade da mesma
profissional inicial, ao seu processo de atendimento.

A profissional entrevistada (01), diz que, a falta de segurança empregatícia, e em seu


entendimento e causada pela rotatividade profissional existente nos seguimentos públicos.

Entrevistada (01).

Acredito que o motivo desta alteração temporal significativa de procura do


serviço pelas usuárias deva ser ainda estudado e analisado melhor, e que a falta
de continuidade do trabalho por uma mesma profissional, tendo em vista a
constante rotatividade das contratações de trabalho, possa prejudicar uma visão
aprimorada desta temática.

A evolução da questão social provém da exploração da força de trabalho que foram


criadas através da incorporação de novas tecnologias, aceleração nos ritmos de trabalho e as
mudanças organizacionais, assim como a articulação de velhas formas exploratórias como:
contratos temporários, a necessidade de trabalhar em dois ou três lugares, de forma a cumprir
com seus compromissos pessoais e financeiros, carga horária estendida, rotatividade das

39
profissionais do Serviço Social inseridas no contexto público, levando a precarização do
trabalho, desemprego, terceirizações, contratos precários de trabalho, horas estendidas e com
isso a profissional do Serviço Social vem sendo submetida a sofrimentos, adoecimentos e
constrangimentos.
Para Raichellis:
A dinâmica do binômio flexibilização/precarização, modalidades antes destinadas à
classe de operários, atinge também o trabalho dos assistentes sociais nos diferentes
espaços institucionais. É possível considerar que situações como adoecimento,
insatisfação, baixos salários, contratos precários compõem o universo da vida
profissional. (RAICHELLIS, 2011, p. 420),

Pelo fato das assistentes sociais estarem classificadas como trabalhadoras que
vendem sua força de trabalho, os desafios e situações de adoecimento são constante no seu
cotidiano, conforme a fala da entrevistada (05): “desafios: frustrações quando nos vemos
imobilizadas, demissões de colegas de trabalho (rotatividade profissional), nem todos os
profissionais da rede de apoio são sensíveis à causa da mulher”. (Entrevistada 05):

Seguida da entrevistada (01):

Foi percebido que o fazer profissional do Serviço Social possui muitos desafios,
posto que depare continuamente com a questão constante de difícil articulação de
rede, e a falta de transparência na organização dos serviços socioassistenciais.
Além disto, notei que a ausência da realização de estudos de casos através de
reuniões esporádicas com os técnico/as institucionais, é tornada problemática.

Através da mediação estas profissionais conseguem orientar as usuárias, de forma a


se conscientizarem, travando uma luta continua em busca de reescrever uma nova história
para suas vidas, porém conforme as entrevistas, os desafios e barreiras são imensos devendo
ser vencidos diariamente.

3.2- O caminhar do serviço social, movimento feminista e a feminização do Serviço


Social

A história mostra que o Serviço Social, enquanto profissão caminhou de forma


paralela, às conquistas do movimento feminista e apenas recentemente integrou em sua
agenda a discussão relativa à problemática da violência contra a mulher. Essa falta de
aproximação com a temática talvez tenha ocorrido no momento que o movimento lutava pelos

40
direitos da mulher, publicizando e dando visibilidade para a questão da violência contra ela, e
o Serviço Social, como profissão, tentava avançar na superação de um patamar conservador,
conforme Netto explicita que: “Os segmentos mais ativos da categoria profissional
vincularam-se ao movimento social dos trabalhadores, rompendo com a dominância do
conservadorismo”. (NETTO, 1999, p.100). Por falar em conservadorismo percebemos que a
naturalização de papéis conservadores de gênero está presente no Serviço Social, através da
responsabilização direcionada as mulheres quanto à reprodução social, vemos então que a
marca da “feminização” na assistência social também acompanha esta política desde a sua
gênese. Historicamente vemos que a cultura de subordinação das mulheres, vem sendo
imposta com nítidos interesses de uma sociedade capitalista.

Faury, (1998, p. 156): apresenta-nos duas situações bem claras na composição da


realidade profissional do Serviço Social com relação à feminização da profissão:

a) O trabalho profissional em Serviço Social foi e é basicamente exercido no meio


de mulheres e por mulheres;
b) a grande maioria dos usuários atendidos foi e é constituída por pessoas do sexo
feminino.
Constatamos que esta realidade é presente no Serviço Social na atualidade marcada
por relações de gênero, a de se convir que sejam considerados normal ou natural homens e
mulheres não ocupar posições iguais na nossa sociedade, sendo que as mulheres passam por
duplas jornadas, que são as de dominação e exploração, no seu convívio familiar e no seu
fazer profissional.
As relações sociais são velozes em constituir uma nova realidade social, e o
empoderamento deve ser constante na pauta das mediações executadas pelas mulheres
assistentes sociais, com a visão de vir a acontecer mudanças na sociedade, semelhante ao
exposto por Faury (2000):

O trabalho social na sua ação cotidiana deve desenvolver determinados parâmetros


do empoderamento (empowennent), a saber: autoimagem, autoconfiança,
capacidade de pensar criticamente, força e coesão grupal, incentivo à decisão e
ação. Tais aspectos devem ser trabalhos visando obter mudanças não somente na
sociedade, mas também nas mulheres, em si mesmas. (FAURY, 2000, p. 156).

Uma luta constante é travada contra a desigualdade que permeia em nossa realidade
social, e tem origem no início do nosso processo histórico, desde sua gênese, conforme Reis
(1998) apresenta:

41
Temporalizando a trajetória formal da ação social do Estado no Brasil (Reis 1998, p. 27)
Primeiras
1 preocupações das instituições governamentais, expressas na Constituição
1824 de 1824, que "garantia os socorros públicos".

Na
1 Constituição de 1891 ficam estabelecidas as "ações do Estado na área social, que
1891 deveriam ser concretizadas pelos poderes locais",

"A
1 orientação de políticas sociais possa a ser prioridade do governo... quando do
1930 início da reversão do modelo de crescimento rural agrário exportador para urbano
industrial".
A
1 Constituição "consagra um conjunto de atribuições da União, Estados e
1934 Municípios, com repercussões nos campos social e econômico: no primeiro tem-se o
amparo aos desvalidos, à maternidade, à infância e às famílias de prole numerosa”...
Criação
1 da LBA - Legião Brasileira de Assistência, com estabelecimento, nos anos
1942 50, do programa de alimentação de gestantes. 1988 - Instituição do direito de
proteção da família, maternidade, infância, adolescência e velhice, na nova
Constituição. (1ª dama Darcy Vargas)
Tabela elaborada pela pesquisadora Nilzete de Oliveira

O que vemos neste quadro apresentado por Reis (1998), e que a ação social do
Estado, pelo menos até a Constituição de 1988, era considerada como função maternidade,
não existindo como categoria para as mulheres, e a feminização da profissão já fazia parte da
história.
No período da década de 30 até a década de 88, o estado de bem-estar social,
adquiriu uma crescente institucionalização de forma a responder ao aumento das
desigualdades sociais, sendo que as políticas públicas voltadas especificamente para mulheres
só começam a aparecer nos anos 80, graças à luta organizada do movimento de mulheres que
serviu de palco para que um novo Projeto Ético-Político do Serviço Social fosse compilado,
rompendo com a trajetória conservadora. Vários fatos contribuíram para esse rompimento,
dentre eles o movimento de reconceituação, a crise da ditadura militar, a abertura democrática
e as mobilizações de diferentes categorias de trabalhadores. Apesar de rompida a trajetória
conservadora, a consciência de gênero é indispensável para as profissionais do Serviço Social,
para a continuidade do processo de renovação, visto que a feminização é permeada de
implicações conforme Iamamoto (1999):

42
Se a imagem social predominante da profissão é indissociável de certos
estereótipos socialmente construídos sobre a imagem social da mulher na visão
tradicional e conservadora de sua inserção na sociedade, o processo de renovação
do Serviço Social é também tributário da luta pela emancipação das mulheres na
sociedade brasileira (Iamamoto1999, p. 105)

O Serviço Social atualmente tem um posicionamento ético-político muito bem


definido pela categoria, e conta com grande parte das profissionais adeptas, na luta pela
efetivação e defesa intransigente dos direitos sociais, construindo alternativas e estratégias
direcionadas ao enfrentamento da questão social e suas multiplicidades, conta com um grande
contingente de mulheres que se lançaram a conquista de carreira como assistentes sociais, o
que nos mostra que a feminização continua presente nos dias atuais.

3.3- As relações de gênero e Serviço Social

As relações de gênero se fazem de vital importância para o Serviço Social, e através


da história vemos que a marca de gênero acompanha a profissão desde a sua gênese, e com
todas as suas determinações e implicações à categoria profissional, pelo seu caráter de
trabalhar inserido nas relações sociais, em que gênero compõe uma das dimensões
fundamentais. Sendo necessário entendermos que a categoria gênero faz parte das relações
sociais, e que o contexto de precarização do trabalho das assistentes sociais não se apresenta
de forma neutra e tampouco assexuada.

Danièle Kergoat conceitua que a divisão sexual do trabalho como:

A forma de divisão do trabalho social decorrente das relações sociais de sexo; essa
forma é adaptada historicamente e a cada sociedade. Ela tem por características a
destinação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera
reprodutiva e, simultaneamente, a apreensão pelos homens das funções de forte
valor social agregado (políticas, religiosas, militares etc.). (KERGOAT, 2003,
p.55-56).

Vemos que o Serviço Social está inserido no desenvolvimento das relações sociais,
das quais o gênero é parte integrante e constituinte, e isto pode ser visto através do
desprestígio social, econômico e cultural, que atingem as profissões femininas, repercutindo

43
diretamente nas relações e condições de trabalho destas profissionais, como exemplo o
Serviço Social que é permeado por um grande contingente do gênero feminino como
assistente social, apresenta-se aqui a diferenciação quanto as profissões femininas e
masculinas sendo esta última detentoras dos melhores salários e posições sociais como:
engenheiros, advogados, políticos entre outras profissões. Nesta compreensão vemos que o
gênero não se apresenta como uma categoria de grande importância para se pensar o Serviço
Social apenas pelo fato de este ser uma profissão pontuada do gênero feminino, mas sim pela
questão de ser tratada desde sua gênese, como uma profissão maternal, e como tal aos homens
não compete. O fato é que o Serviço Social se expressa como modelo de relações de gênero
específico, imposta pela sociedade, sendo assim as profissões são diferenciadas entre homens
e mulheres, na sociedade capitalista.

O Serviço Social expressa bem esse papel, possibilitando um espaço de


profissionalização para as mulheres, já que a profissão se aproxima de funções mais bem
assimiladas culturalmente por elas, por estarem voltadas à reprodução da família e ao controle
social, representando bem a feminilização da profissão, este processo aponta a origem social
da mesma, porém a mulher ao longo das décadas vem buscando a consciência de que pode
agir conforme sua formação acadêmica especializada, tornando-se necessária nas mediações
nas demandas sociais bem como na história do Serviço Social, com participação ativa na
política, formando opiniões lutando pelos ideais com base em fortalecer a classe, bem como
estão sempre em busca da defesa da classe em reafirmara legitimação da intervenção junto a
população.

Desta forma, cabe destacar a predominância feminina na profissão do Serviço Social


desde as suas origens, profissão que está inserida na constituição das relações sociais e
identidade profissional, com características enraizadas culturalmente e legitimadas no âmbito
feminino, seguindo as análises de hierarquização dos papéis conservadores de gênero, e, por
conseguinte, da divisão sexual do trabalho, Veloso (2001) reafirma a presença máxima de
mulheres na profissão: “a profissão propriamente dita, é composta majoritariamente por
mulheres, salientando-se a forte presença do gênero na constituição da identidade
profissional” (Veloso, 2001, p. 71).

Neste contexto observamos que tanto a feminilização quanto a posição de


subalternidade que se encontra a profissão do Serviço Social, revela a realidade das mulheres
que estão inseridas em profissão com predominância feminina o que vem a caracterizar uma
identidade feminina, sendo assim as assistentes sociais travam luta constante para, superar
44
estas condições já que refletem, na baixa qualificação, ocasionando baixos salários e
consequentemente, precisam saber lidar com o stress e os impactos sofridos pelo desgaste
emocional.

3.4- A atuação e as intervenções do assistente social na problemática da violência contra


a mulher no Brasil

3.4.1- A violência contra a mulher uma questão social e a intervenção das assistentes
sociais

Na atual conjuntura, os enfrentamentos de interesses, grupos e projetos, estão sendo


vistos num processo complexo de relações de classe, gênero, raça, etnia, cultura, religiões,
parentescos, trazendo à discussão as mediações da subjetividade, que não se resumem na
noção de questão social, mas resumem-se em processos de trabalhos para as profissionais do
Serviço Social.
Dentre os processos de trabalho está inserida a demanda da violência doméstica, uma
tarefa difícil, devido a todo o contexto histórico de vida apresentado no momento do
acolhimento, neste ponto se a profissional não estiver focada, firme e objetiva na busca de
ações que venham a dar suporte à usuária atendida, pode ocorrer o stress, conforme a
elucidação da entrevistada (02). “trabalhar com qualquer forma de violência não é uma tarefa
fácil, e os depoimentos sobre a violência, não ficam somente restritos a mulher, mas também
aos filhos, muitas crianças, sofrem os abusos junto com a mãe”.

A assistente social tem acesso direto à documentação, elaboração de relatórios,


pareceres sociais sobre: o acolhimento, encaminhamento e acompanhamento efetuados.
Sabemos que os dados resultantes da escuta e do estudo minucioso (bem fundamentados), dos
relatos de vida, são essenciais, para posteriores direcionamentos de fundamental importância
para dar continuidade ao atendimento.
A profissional em seu âmbito laboral passa a conhecer toda a trama, da situação
vulnerável em que se encontra a mulher vitimizada pela violência, no momento da escuta,
outras demandas aparecem constituindo o que chamamos de múltiplas expressões da questão
social e das relações humanas e sociais que se encontra a usuária em questão. A assistente
social está exposta a todo este enredo, por participar diretamente do contar das histórias,
45
podendo vir a influenciar no seu próprio atendimento, e nas relações interpessoais desta
profissional, com a equipe de trabalho e nas relações familiares e sociais.

3.4.2- O fazer profissional das assistentes sociais e a violência doméstica, busca por
atualização e capacitação.

O papel das Assistentes Sociais com relação à violência doméstica e de mediadoras


junto às usuárias, famílias e comunidades, auxiliando na medida do possível na resolução das
demandas apresentadas, como agentes de mudança pretendem com seu trabalho, fazer com
que a usuária se conscientize de sua situação, passando a buscar melhor forma de viver,
saindo da situação vulnerável a qual se encontra.
As profissionais do Serviço Social perpassam pela constante fragilidade em seu
cotidiano, devido à exposição que sofrem com relação aos relatos de vida das mulheres por
elas atendidas, podemos observar que enfrentam em sua maioria o desgaste emocional,
variando com a idade, tempo de atuação, sensíveis ou não a causa, conforme a resposta da
profissional (03).

É sempre um aprendizado o atendimento com mulheres vítimas de violência


doméstica, e apesar de saber que os assuntos profissionais precisam ficar no âmbito
do trabalho, é impossível como mulher não se solidarizar e não se entristecer com
as histórias apresentadas. (Entrevistada 03).

Porém com toda fragilidade e apesar da tristeza, saem em busca de conhecimento no


sentido de aprimoramento da prática, apresentando assim a potencialidade que existe nestas
profissionais, sendo unanimes em afirmar a importância da constante da capacitação
profissional para desta forma possam acompanhar as reais mudanças sociais, sendo primordial
também participar de eventos, seminários, rodas de conversas, palestras entre outros que
venham a agregar novos conhecimentos a sua prática profissional, principalmente em se
tratando de atualizações relativas às políticas públicas, sobre a violência doméstica contra a
mulher, bem como usa-las como novas ferramentas para o atendimento as suas usuárias. É
necessário que haja o interesse das profissionais em se capacitar e atualizar principalmente
com relação as políticas públicas, como vemos nas respostas das pelas entrevistadas por conta
da pesquisa realizada.

46
Atualmente, não sei definir exatamente a frequência de participação em eventos de
capacitação da temática de gênero. Porém, posso esclarecer que sempre que tenho
disponibilidade financeira e de tempo, busco aprender mais sobre as Leis e
Políticas públicas sobre a violência contra as mulheres. Pois, compreendo que é
preciso estar em constante aprimoramento/ capacitação profissional, uma vez que a
realidade social esteja em constante movimento. (Entrevistada 01).

Conforme a entrevistada (03) nas políticas públicas tem sempre o que aprender e
atualizar para tanto é de interesse das profissionais estarem buscando estes cursos e ou
atualizações: “Sempre que possível, principalmente quando estes ocorrem na Região dos
Lagos. Sempre há muito a aprender, mas acumulei um conhecimento razoável nesse campo”.
(Entrevistada 03).

Proporcionalmente a entrevistada (02) diz que tem: “participação frequente em


discussões sobre o tema de violência contra mulheres e busco novas leituras para atualização
de leis e projetos”, (Entrevista 02), no momento da entrevista evidenciou que nos
equipamentos CEAM no município de Cabo Frio/RJ, a equipe é motivada a frequentar cursos
principalmente os voltados a atualização das políticas públicas com foto na temática da
violência doméstica contra a mulher, que venham a agregar conhecimento, aprimorando as
técnicas por elas empregadas em seus atendimentos as usuárias. Entrevistada (05). “Sempre
que posso pelo menos participo de dois ou três eventos desta temática por ano”. “Nossa! Eu
ainda estou aprendendo muito sobre esta temática”. Entrevistada (05).
A profissional entrevistada (04) mencionou que as capacitações e as atualizações são
fortes componentes que amparam as profissionais atuantes, no conhecimento as leis e
políticas públicas, a cerca da temática da violência contra a mulher, o que vem a afirmar que
necessitam estar sempre disponibilizando uma parte de seu tempo para realização e
participação de eventos condizentes com o trabalho por elas desenvolvidos.

A capacitação e necessário sempre, por trabalhar só às 20hs nem sempre posso está
fazendo curso, por eu está atuando em outra área de outro município. As leituras,
pesquisas, capacitações dentro e fora do equipamento e no trabalho que realizo
dentro do CEAM, são os componentes que me amparam no conhecimento sobre
leis e Políticas Públicas sobre violência contra mulheres. (Entrevistada 04).

47
As assistentes Sociais prestam à vítima, todos os apoios necessários através de
ações/mediações, analisando cada atendimento de forma a interpretar a realidade social que
ora se apresenta, com o intuito de adquirir suporte para a recuperação da autonomia das
mulheres, como mediadoras entre os problemas sociais e as usuárias, para tal, estas
profissionais devem estar permanentemente se atualizando através de capacitação profissional
e atualizações da legislação vigente, bem como amodernar politicas públicas e programas
através de Conferências, Congressos etc. Neste contexto a profissional em entrevista (01) diz
que: “durante o meu trabalho como Assistente Social na Secretaria Adjunta da Mulher de
Cabo Frio, e em decorrência da parceria da mesma com o SESC Santa Luzia – RJ foi
estimulado o processo de capacitação continuada dos profissionais”. (Entrevista 01),
confirmando assim a importância desta dedicação por parte das profissionais do Serviço
Social.

3.4.3- O adoecimento das profissionais do serviço social: quem cuida destas mulheres
profissionais?

3.4.3.1- O adoecimento das profissionais do Serviço Social

Na pesquisa realizada foi possível perceber que as assistentes sociais podem ser
acometidas de stress e consequentemente sofrerem impactos físicos, psíquicas e emocionais,
após realizar o atendimento as usuárias que são vitimas de violência doméstica, por longos
períodos as profissionais são expostas a vulnerabilidade em que se encontram as usuárias, o
que leva a afetar em algum momento e de diversas formas a saúde destas profissionais, como
vemos abaixo:

É inteligível que o trabalho com as mulheres em situação de direitos violados e


vulnerabilidade social traga consequências físicas, psíquicas e emocionais às
Assistentes Sociais da instituição, pois, antes de profissionais, são seres humanos
também. Neste sentido, considero contraditório não poder se sensibilizar demais
com as histórias das usuárias para não adoecer mentalmente, ao mesmo tempo em
que é preciso ter sensibilidade para tratar a questão apresentada pela mesma.
(Entrevistada 01):

Quando não se tem uma cabeça bem focada e objetiva para a busca da solução,
pode-se acabar ficando mais sensível ao que se escuta e ficar estressado, triste,
magoado. E também se a instituição não dá suporte para o profissional efetuar um

48
bom trabalho, pode sim causar irritabilidade que leva a problemas físicos e
emocionais, de sentimento de impotência. (Entrevistada 02):

Quando não existe o suporte institucional para as profissionais deixa de existir o


prazer em realizar o trabalho, ao contrário disto vem o sentimento de impotência, que pode
levar a problemas físicos e emocionais. Sendo assim torna-se imprescindível haver uma
integração entre os gestores e a equipe, ao planejar as estratégias de atuação e mediação, o
que levará ao desenvolvimento de ações na direção da garantia de direitos das usuárias e,
respeitando a autonomia relativa das profissionais.
Com relação a sair do trabalho com o sentimento de impotência a entrevistada (03)
acredita:

Que isso só ocorra quando o profissional não sabe separar o seu fazer profissional
de suas convicções pessoais (emocionais, religiosas, etc.). Não estamos dizendo
que não nos envolvemos nem sentimos a dor do outro, mas faz parte de nossa ética
profissional atender sem deixar que tais conceitos interfiram na nossa atuação. Mas
aprendemos, principalmente com a prática a separar algumas questões, e a
sensação ao sair do trabalho depende de cada atendimento, se foi pesado saímos
mortas mental e fisicamente. (Entrevistada 03).

Concordante que deve acontecer o aprofundamento em pesquisas com relação ao


adoecimento das profissionais e em consequência a elaboração de politicas públicas
municipais no Município de Cabo Frio, é um desafio a ser estudado, elaborado e
contextualizado em forma de propostas, culminado em políticas públicas municipais, a serem
devidamente implantadas na cidade, com relação à prevenção e cuidado com a saúde das
assistentes sociais, devido a exposição a escuta por elas executada junto às mulheres que
sofrem violência doméstica, o que vem a ser um dos potencializadores e gerador de
sofrimentos, adoecimentos, fadigas e cansaço mental, levando ao stress finalizando com
impactos físicos e psíquicos.

Os atendimentos exigem uma atenção totalmente voltada e concentrada na usuária, e


quando as dificuldades de atuação no campo profissional pela inoperância da rede de proteção
falha causa insatisfação nas profissionais como podemos ver nas respostas a entrevista feita as
assistentes sociais inseridas na instituição CEAM do município de Cabo Frio.

49
Tem atendimento que exige de mim uma atenção total, mas o que me abala e
quando a rede de proteção se torna inoperante não realizando suas atribuições com
competência. Nesse um ano de trabalho tive um cansaço mental com um caso que
praticamente passou pela equipe toda do CEAM, foi encaminhada para rede,
retornou em virtude da inoperância da rede. (Entrevistada 04).

Mas passei por situações em que realmente adoeci no trabalho: já fui acometida de
crises alérgicas, enxaquecas, alopecia nervosa e ulcera nervosa, também já tive
longos períodos de diarreia em decorrência de insatisfação e dificuldades de
atuação no campo profissional (em outros trabalhos que já exerci)”. ( Entrevistada
05).

3.4.3.2- Quem cuida destas mulheres assistentes sociais?

Mulheres que cuidam de mulheres uma realidade no mundo profissional das


assistentes sociais, a grande maioria dos profissionais do Serviço Social, são do gênero
feminino, devido à feminilização da profissão, assim como a grande maioria dos usuários
também são do gênero feminino, partindo deste princípio torna-se importante discutir sobre
“quem cuida destas mulheres?”, neste caso aponta-se como um grande desafio que é o
cuidado com a saúde destas mulheres assistentes sociais, sendo que poucos autores discutem
sobre esta temática, apesar do CEFESS dizer que: “as condições de trabalho do assistente
social nem sempre são favoráveis e normalmente possuem um orçamento reduzido” e as
“intervenções nas situações de violência sempre causam um grande desgaste físico e
psicológico nos profissionais”. (CEFESS n.º 290/94 e 293/94, p. 51). Se as condições de
trabalho causam estes impactos, surge então o desafio de passar a existir a preocupação com a
saúde, já que a profissão é considerada de desgaste, pela exposição diária dos profissionais
aos conflitos, dilemas e vulnerabilidade, apresentados pelas mulheres que sofrem violência
doméstica, situações estas que cooperam com o aparecimento do stress profissional.
Na pesquisa realizada as assistentes sociais entrevistadas sobre a questão de stress,
podem ser percebidas a presença de sintomas que confere com todo o texto acima:

É sempre um aprendizado o atendimento com mulheres vítimas de violência


doméstica, e apesar de saber que os assuntos profissionais. Precisam ficar no
âmbito do trabalho, é impossível como mulher não se solidarizar e não se
entristecer com as histórias apresentadas. Mas aprendemos, principalmente com a
prática a separar algumas questões, e sensação ao sair do trabalho depende de cada
atendimento, se foi pesado saímos mortas mental e fisicamente. (Entrevistada 01).
50
Passei por situações em que realmente adoeci no trabalho: já fui acometida de
crises alérgicas, enxaquecas, alopecia nervosa e ulcera nervosa, também já tive
longos períodos de diarreia em decorrência de insatisfação e dificuldades de
atuação no campo profissional (... em trabalhos que já exerci). (Entrevistada 02).

As dificuldades presentes no cotidiano das profissionais, em razão da complicada


articulação da rede de proteção para as mulheres atendidas, também cooperam com a
produção de impactos, sendo então de grande valor cuidar da saúde destas mulheres, que
estão inseridas no contexto de trabalhadoras, que vendem sua força de trabalho, e criar
possibilidades para que estas profissionais possam se estar psicologicamente amparadas para
que venham a desempenhar seu papel com presteza sem adoecer. Fazem-se necessárias
melhores condições de trabalho, acompanhamento de uma assessoria psicológica para dar
suporte aos profissionais que apresentem o stress.
A questão da violência é um processo bem difícil de ser tratado, o serviço público
precisa acompanhar estas profissionais, devem ter preocupação com o bem estar das
assistentes sociais, que precisam estar bem, para atender bem estas mulheres.
Dentre as possibilidades da existência de atividades para a conservação e melhora da
saúde, existe a possibilidade de uma atividade corporal ser desenvolvida nos locais de
trabalho, tendo em conta um possível aparecimento de doenças causadas por praticas
profissionais, inseridas neste contexto estão as assistentes sociais, porém esta não é uma
realidade no município de Cabo Frio conforme a assistente social nos responde no momento
da entrevista (01): “no campo do trabalho do Serviço Social, não tenho conhecimento de
nenhuma política pública que trate sobre a saúde mental dos/as profissionais, ou que forneça
qualquer tipo de assistência para os mesmos”. (Entrevistada 01).

Torna-se importante falar e tornar público à realidade das profissionais do Serviço


Social, que irá favorecer e chamar a atenção a quem de direito, buscando um olhar
diferenciado para os fatos e contradições, que permeiam o processo de trabalho executado no
seu âmbito laboral, bem como entender que o acúmulo das ações profissionais, pressões,
cobranças, falta de diálogo com a diretoria, experiências ao longo de carreira, as levam ao
stress. Conforme resposta da entrevistada (5): “há certos atendimentos que mexem e
mobilizam toda a equipe e que sentimos como se fosse conosco mesmo, às vezes nos
sentimos impotentes (este é o pior dos sentimentos) não poder fazer nada ou quase nada”!
(Entrevistada 05).

51
Com relação à saúde destas assistentes sociais é de suma importância, que as
políticas públicas municipais, se voltem para estas profissionais, proporcionando espaço
adequado para que possam ali relaxar e minimizar, as consequências advindas de stress
causador de impactos físicos e psíquicos.
No município de Cabo Frio, não se tem conhecimento da existência de políticas
públicas e ou locais que venham a possibilitar o cuidado com estas profissionais, nem mesmo
em seu local de trabalho a existência de uma determinada hora do dia seja separada para que
estas mulheres consigam se desligar e relaxar, concordante com a explanação da profissional
entrevistada (01) que diz: “considero que a criação de mecanismos para abordar a saúde do/a
trabalhador/a da área é relevante e tornada necessária, já que abordam situações de violações
de direitos e vulnerabilidade social” (entrevista 01).
Este trabalho voltado a atender as assistentes sociais existe na prefeitura do Rio de
Janeiro conforme relatado pela profissional entrevistada (5): “na prefeitura do Rio de Janeiro
existem locais de atendimento para os profissionais “desestressar”, com atendimentos
alternativos (massagens, auricoloterapia, podologia, reflexologia...)”.
Concordamos com Palma, (2008) quando fala que “a prestação de serviços sociais só
é eficiente quando o profissional se encontra bem fisicamente e psicologicamente” (PALMA,
2008, p.27), porque se forem verificadas situações de stress, seguidos de impactos físicos
psíquicos e Burnout, descontentamento com a instituição para qual trabalha, com a equipe
técnica ou mesmo com o próprio trabalho, levará a afetar a intervenção que vai ser realizada
junto à usuária.
Para que este tipo de situação não ocorra, e necessária e eficaz a preocupação por
parte dos poderes públicos na implantação de assessoria psicológica que venha a dar suporte
as profissionais que se encontram em vulnerabilidade através do stress. Desta forma segundo
Palma (20008), “cabe às instituições criar condições que permitam um desenvolvimento
harmonioso da atividade profissional do Assistente Social, para que não exista a prevaleça de
situações de Stress e Burnout”. (PALMA, 2008, p.29).
Sendo então necessária a implantação de políticas públicas já que a “questão da
saúde” destas profissionais não faz parte das elaborações de organogramas, nos seguimentos
que atuam, bem como não há ponderação sobre a necessidade de divulgar o trabalho realizado
pelas instituições, assim como o trabalho dos assistentes sociais, o que levaria a sociedade a
participar do processo de construção de estratégias de intervenção, junto às relações de gênero
e trabalhar em busca de possiblidade de reduzir a violência doméstica contra a mulher no
município de Cabo Frio.

52
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho significa mais que somente a sobrevivência humana, representa também a


particularização do sujeito social na sua relação com a vida em sociedade, sendo a própria
contradição do trabalho, que trás prazer em trabalhar, e o desprazer devido a tantas
contradições que se oriunda na execução de suas funções e no contexto da empresa
formalizando as demandas profissionais.
No entanto, o trabalho para as profissionais do Serviço Social, representa uma
conquista profissional de significativa importância, sendo que a existência e o ingresso num
concurso público permanecem como um grande desafio na vida profissional destas mulheres,
não muito distante está à luta contra o aparecimento de adoecimento no trabalho após o
atendimento as suas utentes.
Nesse sentido, o estudo do adoecimento psíquico entre as assistentes sociais é de
extrema relevância social, visto que poderá auxiliar a equipe multiprofissional da instituição a
elaborar ações de prevenção na saúde destas trabalhadoras, tornando-se importante pesquisar
a cerca da saúde, de modo a verificar como estas trabalhadoras estão enfrentado esta
problemática no seu fazer profissional diário, bem como averiguar o entendimento e visão das
próprias mulheres profissionais do Serviço Social a cerca do adoecimento causado pela
aproximação direta com a questão social e suas multiplicidades (violência contra a mulher), e
sua exposição às vulnerabilidades das usuárias por elas atendidas e as demandas profissionais
que surgem devido às contradições que se apresentam no local do desempenho de suas
funções.
A aproximação do Serviço Social com a questão social se faz necessária, uma vez
que a violência de gênero é um fenômeno social, que deve ser enfrentado através de um
conjunto de estratégias políticas e de intervenções e mediações sociais, para a superação das
desigualdades sociais e na construção de uma sociedade justa e igualitária.
Desta forma podemos entender que o Serviço Social é uma profissão cercada de
stress, pois são mediadoras com o proposito de dar respostas aos múltiplos problemas sociais,
proporcionando reconstrução de histórias, na medida em que estabelecem interação, entre as
usuárias e os programas de políticas sociais. Lazarus (1995) diz que: “o stress ocupacional
ocorre quando o indivíduo avalia as demandas do trabalho como excessivas, para os recursos
de enfrentamento que possui”. (LAZARUS, 1995, p. 3-14), realmente os recursos existem,

53
porém nem sempre são disponibilizados pelos equipamentos a qual pertencem, e a Rede de
Proteção que deve dar o suporte necessário, e que por vezes também não atende aos
encaminhamentos, trazendo a existência demandas excessivas do trabalha.
Mesmo enfrentando as demandas profissionais estas mulheres se dedicam a
profissão, e acabam esquecendo-se de sua própria condição de ser humano, pondo de lado o
seu próprio desgaste, em alguns casos não assimilam que são suscetíveis ao stress, resistindo
em procurar ajuda, porque entendem que elas próprias são formadas com intuito de ajudar os
outros.
O presente estudo não tem a intenção de esgotar o assunto, servirá como ponto de
partida para novas investigações, bem como realizar pesquisas, debates, relatórios, palestras,
fóruns, conferências, políticas públicas e possíveis projetos interventivos para a temática em
questão, devido à importância de se achar e dar respostas a questões que venham a elucidar o
stress e os impactos físicos, psíquicos sofridos pelos assistentes sociais, o que poderá abrir a
possibilidade de integrar as políticas públicas de Cabo Frio, programas voltados ao
atendimento das assistentes sociais que trabalham na instituição do CEAM, com a finalidade
de trazer relativo conforto psicológico, evitando assim o stress nestas profissionais, o qual o
tratamento e oneroso aos cofres públicos, a prevenção sempre teve e terá um custo inferior ao
tratamento necessário. Estas profissionais do Serviço Social necessitam estar bem, para
atender bem!

54
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Comunicação - 07/10/2008 - atualizado em 08/03/2016, é cientista social, mestre em sociologia
política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro Comissão Justiça e Paz de São Paulo:
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60
Apêndice A

Entrevista as Assistentes Sociais


Tema da pesquisa: roteiro de pesquisa a ser realizada junto a assistentes sociais que atuam ou já
atuou com a demanda “violência doméstica contra a mulher” em cabo frio.

Elaborado pela aluna Nilzete de Oliveira do curso de Serviço Social Veiga de Almeida estagiaria do
CEAM E CREAS nos períodos compreendidos entre 2015 e 2016.

1. Nome __________________________________________________________

Idade________________ Sexo_________________ Gênero_______________

Escolaridade ________________________Raça_________________________

Estado Civil________________________ Filhos _______________________

Religião ______________________________

2. Há quanto tempo está formada ano e local da graduação?

Cursos de pós-graduação (especializações, mestrado ou doutorado)?

3. Participa ou já participou de algum movimento social, se sim qual e o que te levou a participar?

4. Fale sobre a função e tempo de serviço na instituição, carga horária (em horas/semanal), área de
atuação e o que acha desse campo de atuação?

5. Porque escolheu o Serviço Social como profissão, como percebe o seu fazer profissional no seu
cotidiano e como se sente?

6. Com que frequência que participa de seminários, congressos, cursos de capacitação na área
violência contra mulheres?

E como você define o seu conhecimento sobre Leis e Políticas Públicas sobre violência contra
mulheres?

Tem incentivo da instituição a qual trabalha para buscar capacitação?

7. Há quanto tempo atua na questão da violência contra a mulher?

E como você vê questão da violência contra mulheres?

8. Como se sente ao fazer atendimento à mulher que sofre violência e em algum momento as
demandas do seu trabalho já influenciaram na sua vida pessoal ou socialização primária?

Com que frequência à relação do trabalho afeta a sua vida profissional

E qual a sensação que sente ao deixar o trabalho?

9. Você nos dias de seu trabalho consegue separar a mulher assentada como profissional da mulher
que tem emoções, fragilidade, inquietação, angustia, rotina caseira e muitas vezes precisa ser
profissional dentro de sua própria casa, ou seja, Consegue desvincular trabalho de sua vida particular?
61
10. Fale-me sobre os objetivos da instituição com relação à violência contra a mulher.

E quais são as articulações elaboradas no decorrer das discussões ou estudo de casos no âmbito do
serviço social sobre a violência contra mulheres?

11. Quantos profissionais do Serviço Social trabalham na instituição em que está inserida e qual o
nível de autonomia da Assistente Social nesta instituição?

12. Qual o grau de satisfação que sente quando uma usuária alcança o seu empoderamento?

13. Como entrou na área da violência contra mulheres e há quanto tempo?

Quais são os desafios de trabalhar com a questão da violência?

E como é para você trabalhar com esta demanda?

14. O que me diz sobre trabalho em equipe e sua relação com os outros profissionais com relação à
violência contra a mulher?

15. Fale um pouco sobre a rotina de funcionamento da instituição (número de usuários e profissionais
atividades)

E como classifica seu ambiente de trabalho?

16. Qual a sua visão sobre trabalhar com a violência contra a mulher na instituição e Como você se
sente ao atender uma usuária?

Você fica estressada?

Com que frequência?

Em algum momento sentiu que estava doente e levou tempo para perceber?

17. Você percebe que há consequências físicas, psíquicas e emocionais depois do atendimento?

Quais são as consequências e no seu entender podem levar o assistente social a adoecer?

18. Tem conhecimento de alguma política pública voltada a dar assistência as profissionais?

Acharia bom ter supervisão técnica no seu cotidiano?

19. Como você percebe uma década da Leia Maria da Penha?

Obrigada por sua disponibilidade em participar!


Nilzete de Oliveira
Contato: tianilzete@yahoo.com.br

62
Apêndice B

CARTA DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISA

Prezado(a): CEAM – CENTRO ESPECIALIZADO NO ATENDIMENTO A


MULHER DO MUNICIPIO DE CABO FRIO/RJ

Esta pesquisa, “Mulheres que cuidam de mulheres”, será desenvolvida por meio da
aplicação de QUESTIONÁRIOS as assistentes sociais que cuidam de mulheres vitimas de
violencia doméstica no CEAM Cabo Frio/RJ.
Estas informações estão sendo fornecidas para subsidiar sua participação voluntária
neste estudo que visa (levantar a questão sobre o adoecimento das assistentes sociais no seu fazer
profissional). Em qualquer etapa do estudo, você terá acesso a investigadora para
esclarecimento de eventuais dúvidas.
Contato: Nilzete de Oliveira, telefone: (21) 99551-1050
E-mail: tianilzete@yahoo.com.br
É garantida aos sujeitos de pesquisa a liberdade da retirada de consentimento e o
abandono do estudo a qualquer momento. As informações obtidas serão analisadas em
conjunto com outros sujeitos da pesquisa, não sendo divulgada a identificação de nenhum
participante. Fica assegurado, também, o direito de ser mantido atualizado sobre os
resultados parciais da pesquisa, assim que esses resultados chegarem ao conhecimento do
pesquisador.
Não há despesas pessoais para o participante em qualquer fase do estudo.
Também não há compensação financeira relacionada à sua participação. Se existir qualquer
despesa adicional, ela será absorvida pelo orçamento da pesquisa.
Comprometo-me, como pesquisador principal, a utilizar os dados e o material
coletados somente para esta pesquisa.

Atenciosamente,

Nilzete de Oliveira
Discente do Curso de Serviço Social
Universidade Veiga de Almeida
Campus Cabo Frio

Luiza Carla Cassemiro


Docente do Curso de Serviço Social
Orientadora de Trabalho de Conclusão de Curso
Universidade Veiga de Almeida
Campus Cabo Frio

63
ABREVIATURAS

ABI – Associação Brasileira De Imprensa

ABONG - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

CEAM - Centro Especializado no Atendimento a Mulher

CF/1988 - Constituição Federal de 1988

CFESS -

CNAS - Conferência Nacional de Assistência Social

CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

CNSS - Conselho Nacional de Serviço Social

CRESS - Conselho Regional de Serviço Social do Rio de Janeiro/

DEAM – Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher

FNAS - Fundo Nacional de Assistência Social

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social

MPAS - Ministério da Previdência e Assistência Social

NOB/ SUAS - Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social

ONG - Organização Não Governamental

ONU – Organização das Nações Unidas

PNAS - Política Nacional de Assistência Social

SUAS - Sistema Único de Assistência Social

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