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Fundamentos da Ciência Econômica

MÓDULO I - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ECONOMIA

Ao final do estudo deste módulo, esperamos que você


possa:

 Explicar o objeto de estudo da ciência econômica e seus conceitos


fundamentais.

Conteúdo programático da unidade:

 O que é economia?
 Premissas para o estudo da economia.
 Curva de possibilidade de produção e custo de oportunidade.

Resumo da unidade

Iremos aprender que os recursos são limitados e, portanto, devemos fazer


escolhas. A sociedade decide o quê, como e para quem produzir, conforme o
tipo de organização econômica vigente. A Economia pode ser extremamente
útil ao operador do Direito. São apresentadas as premissas da ciência
econômica. A curva de possibilidades de produção ilustra as decisões de
optarmos por um bem em detrimento de outro.

Introdução da unidade

Vamos iniciar o nosso estudo da Economia assistindo ao vídeo “Economia


Descomplicada” no link http://bit.ly/1CPSSNy.

O que é Economia?
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Mesmo sem saber, a conjuntura econômica da sociedade em que vivemos


afeta nossas vidas diariamente. O local em que moramos, as roupas que
vestimos, os alimentos que ingerimos, o salário que recebemos, tudo está
atrelado às condições econômicas atuais.

Frequentemente, somos bombardeados com notícias sobre inflação,


desemprego, crescimento econômico, pobreza, distribuição de renda.
Começamos a nos indagar se teremos recursos para gozar a vida, para
proporcionar um futuro melhor para nossas crianças, ficamos refletindo até
como estará o planeta amanhã.

Essas questões são discutidas todo dia, nas conversas com os amigos, no
trabalho, nas empresas, nas cúpulas governamentais. É neste ponto que
surge o interesse pela economia. Essa ciência nos dá ferramentas para
compreendermos melhor os problemas cotidianos. À medida que
avançarmos, você ficará surpreso de ver como a análise econômica pode
ajudar a entender a vida diária.

Uma ideia muito boa da utilidade do estudo da ciência econômica vem da sua
própria etimologia: a palavra economia vem do grego oikos (casa) e nomos
(norma, lei). Ou seja, trata da administração da casa, que pode ser estendida
para a administração das empresas, para a administração do país.

Conceitualmente, podemos dizer que o objeto de estudo da ciência econômica


é a questão da escassez.

A escassez surge em virtude das necessidades humanas ilimitadas e da


restrição de recursos disponíveis. Vejamos: quando conseguimos atender
nossas necessidades básicas (alimentação, vestuário, moradia), passamos a
desejar mais como uma casa maior, um carro mais potente, uma viagem
internacional, ou seja, na prática, nunca estamos satisfeitos.

Ocorre que os recursos são limitados, o que significa que nem todas as
necessidades podem ser simultaneamente atendidas. Dessa maneira, as
pessoas, os governos, a sociedade como um todo, qualquer que seja seu tipo
de organização econômica, ou regime político, é obrigada a fazer opções,
escolhas. Assim, também podemos definir a economia como o estudo pelo
qual a sociedade decide o quê (quais desejos serão satisfeitos e em que

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quantidade), como (qual técnica será utilizada para se conseguir o máximo


de produção com a menor quantidade de recursos) e para quem produzir
(quem será o beneficiário da produção, como o produto será distribuído).

Veja o resumo no diagrama a seguir:

Premissas para o estudo da Economia

Quando se estuda Economia, é necessária a absorção de alguns conceitos ou


hipóteses iniciais. Tais conceitos econômicos se configuram em premissas
para a Economia. Vejamos.

Racionalidade e estrutura de incentivos

Como dito anteriormente, o método econômico parte do princípio de que


existe escassez e, por conta disso, a sociedade deve fazer escolhas que, em
muitos casos, são excludentes. Como alternativas devem ser escolhidas, os
agentes devem ponderar custos e benefícios de cada alternativa e adotar a
que traz mais bem-estar a eles. Quando esse comportamento é adotado,
dizemos que os agentes estão sendo racionais. A racionalidade é uma das
hipóteses básicas da Economia.

Os indivíduos escolhem conforme a estrutura de incentivos vigente na


sociedade, sendo que alterações nessa estrutura podem modificar as escolhas
dos agentes. Em resumo, as pessoas respondem a incentivos.

Maximização racional

Outra premissa é a da maximização racional. Cooter e Ulen (2008) ensinam


que:

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Os economistas geralmente supõem que cada agente econômico maximize


algo: os consumidores maximizam a utilidade (isto é, felicidade ou
satisfação), as empresas maximizam os lucros, os políticos maximizam votos,
as burocracias maximizam as receitas, as organizações beneficentes
maximizam o bem-estar social, e assim por diante.

Isso significa dizer que os agentes econômicos apresentam racionalmente um


comportamento maximizador, no sentido de que, considerando as restrições
existentes, os agentes sabem escolher, entre as alternativas apresentadas, a
que é melhor para eles. No caso das empresas, a maximização dos lucros
será conseguida no ponto em que for maior a distância entre as receitas e os
custos.

Eficiência

Outro importante conceito em Economia é a questão da eficiência. Existem


maneiras diferentes para se abordar a eficiência econômica. O entendimento
mais conhecido é o que chamamos de eficiência de Pareto. Por esta definição,
o bem-estar máximo de uma sociedade é alcançado quando não existir outro
estado tal que seja possível aumentar o bem-estar de um indivíduo sem
diminuir o bem-estar de outro.

Esse conceito é amplo e pode ser transposto para outras áreas, como, por
exemplo, para o Direito. Se uma nova lei buscar eficiência de Pareto, será
exigida uma alocação para os recursos de tal forma que nenhuma
reordenação diferente possa melhorar a situação de alguém sem piorar a
situação de qualquer outra pessoa. Por esse critério, seria muito difícil haver
qualquer mudança aprovada, a menos que os ganhadores explicitamente
compensassem os perdedores. Se não houvesse essa compensação explícita,
os perdedores poderiam vetar a alteração.

Para solucionar essa dificuldade, quando se discute políticas públicas, adota-


se outro critério de eficiência, o conceito de Kaldor-Hicks. Por esse
entendimento, reconhece-se a existência de ganhadores e perdedores nas
modificações, sendo apenas exigido que o ganho total seja maior que a perda
total para que a alteração seja considerada eficiente. Em essência, essa é a
técnica da análise de custo-benefício, ou seja, vale empreender uma
mudança se os benefícios excederem os custos.

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Essas ideias ficam mais claras ao analisarmos a tabela I.1 a seguir. Nela estão
discriminados os benefícios e os custos dos indivíduos de uma sociedade em
decorrência da vigência de uma nova lei.

Tabela I.1

Note que a nova legislação é boa para os indivíduos A e B, mas não é


conveniente para as pessoas C, D e E. Do ponto de vista de Pareto, essa lei
não é eficiente. No entanto, considerando a eficiência de Kaldor-Hicks, a lei
é perfeita, pois os benefícios totais superam os custos totais ($2.400 >
$2.200). Em suma, uma lei é dita eficiente se os benefícios oriundos da norma
compensam os custos impostos por ela, além de serem os menores possíveis.

Curva de possibilidades de produção e custo de


oportunidade

Para ilustrar a questão da escassez de recursos, a Economia dispõe de um


gráfico chamado de curva de possibilidades de produção. Essa representação
mostra o máximo que uma sociedade pode produzir, dados os recursos
produtivos limitados.

Vamos supor que usamos todos os fatores de produção para produzir dois
tipos de bens: automóveis e alimentos. Primeiramente, vamos definir fatores
de produção: são todos os insumos utilizados para produzir bens e serviços.
Tradicionalmente, são considerados fatores de produção a terra (campos

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cultiváveis, minas, terrenos), o trabalho (recursos físicos e mentais do


homem) e o capital (máquinas, instalações, matérias-primas).

Voltando então ao nosso exemplo, as alternativas de produção de automóveis


e alimentos estão expressas na tabela I.2 e representadas no gráfico I.1:

Tabela I. 2

Gráfico I. 1

Dada a escassez de recursos, a sociedade deve decidir qual ponto da curva


de possibilidades de produção será escolhido. A tomada de decisões exige
escolher um objeto em detrimento do outro.

No ponto A do gráfico I.1, a sociedade escolheu canalizar todos os fatores,


todos os recursos, para produzir unicamente automóveis. No ponto F, a

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sociedade optou por produzir apenas alimentos. As outras alternativas são


situações intermediárias. Por exemplo, no ponto D, a economia produz 10 mil
automóveis e 8 mil toneladas de alimentos.

Note que temos um ponto G, que está além da curva (externo a ela). Esse
ponto retrata uma situação que não pode ser atingida com os recursos
disponíveis. Só conseguiríamos atingir o patamar G se houvesse recursos
extras (veremos nas unidades seguintes como fazer para aumentar os
recursos produtivos de uma sociedade).

Atente também para a existência de um ponto H (interno à curva). Nesse


caso, temos uma situação ineficiente, pois não se está utilizando todos os
recursos disponíveis. Há desemprego de fatores. E como resolver esse
problema do desemprego? Tenha calma, também estudaremos isso nas
próximas lições.

Em suma, a curva de possibilidades de produção nos mostra que, quando os


recursos são escassos, a sociedade só pode obter mais de algumas coisas se
receber menos de outras. Voltando ao nosso exemplo: se estivermos no
ponto B, estarão sendo produzidas 3 mil toneladas de alimentos e 14 mil
automóveis. Suponha que a sociedade decidiu que queria mais alimentos, o
equivalente a 6 mil toneladas. Nesse caso, para conseguir essa produção de
alimentos, a produção de veículos cairá para 12 mil unidades (ponto C).

Esse sacrifício de 2 mil carros (ao irmos do ponto B para o ponto C) é o que
denominamos de custo de oportunidade, ou seja, custo de oportunidade é o
quanto temos de abrir mão de algo para conseguir mais de outro item. Essa
situação remete à famosa frase do economista Milton Friedman (Prêmio Nobel
norte-americano): “não existe almoço grátis”, isto é, nada é de graça em
uma situação de pleno emprego dos fatores.

A todo o momento, estamos fazendo escolhas que implicam conseguir um


bem ou serviço, mas, em consequência, deixamos de ter outro. Por exemplo,
um casal recebe sua renda mensal e tem de decidir se gastará o dinheiro com
roupas, alimentos e lazer ou se aplicará sua renda em uma caderneta de
poupança ou um plano de previdência privada. Daí vem uma palavra muito
utilizada em teoria econômica: tradeoff. Esse termo define uma situação de

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escolha conflitante, quer dizer, ao optarmos por alguma coisa, deixamos de


ter outra.

Feita esta introdução aos conceitos econômicos, nas unidades seguintes,


vocês aprenderão a base da Ciência Econômica, de forma a estarem aptos a
aplicar esse conhecimento nas suas áreas de trabalho.

Sistemas econômicos

Vimos que os recursos disponíveis são limitados e, portanto, deve-se decidir


o quê, como e para quem produzir. No entanto, as respostas a essas questões
dependem da forma de organização econômica vigente.

Existem dois tipos básicos de organização econômica:

 Economia de mercado.
 Economia de planejamento central.

Em uma economia de mercado, o mecanismo de preços resolve os problemas


econômicos fundamentais e promove o equilíbrio. Se as empresas estiverem
ofertando muitos bens, o preço deles deve cair para que a produção seja
escoada. Por outro lado, se os consumidores estiverem dispostos a comprar
muito de algo, a tendência é o preço desse bem subir. É dessa forma que o
mercado usa os preços para conciliar decisões sobre consumo e produção.

Voltaremos mais detalhadamente a esse assunto no próximo módulo.

Na economia de planejamento central, os meios de produção são de


propriedade do Estado, isto é, terras, fábricas, máquinas, residências, tudo
pertence ao Poder Público. As questões o quê, como e para quem são
respondidas somente pelo Estado. Na atualidade, os países que mais se
aproximam desse sistema econômico são Cuba e Coreia do Norte.

Por fim, há uma solução intermediária entre os dois sistemas comentados: o


de economia mista, em que o governo e o setor privado interagem buscando
soluções para os problemas econômicos. Na realidade, esse é o sistema
adotado por todos os países, sendo que alguns tendem mais para a economia
de mercado e outros, para a de planejamento central.

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Exercícios de Fixação - Módulo I

Parabéns! Você chegou ao final do Módulo I do curso Fundamentos da Ciência


Econômica.

Como parte do processo de aprendizagem, sugerimos que você faça uma


releitura do conteúdo e resolva os Exercícios de Fixação. O resultado não
influenciará na sua nota final, porém, o acesso aos Módulos seguintes está
condicionado à resolução e envio das respostas.

Lembramos, ainda, que a plataforma de ensino faz a correção imediata das


respostas!

Para ter acesso aos Exercícios de Fixação, clique em exercício de fixação do


módulo I, localizado na página inicial do curso.

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MÓDULO II - FUNDAMENTOS DE MICROECONOMIA

Ao final do estudo deste módulo, esperamos que você


possa:

 Entender a dinâmica do mercado e como os preços têm o poder de


harmonizar oferta com a demanda, gerando um equilíbrio; e
 Conhecer as estruturas de mercado existentes, suas características e
o impacto de cada uma nos preços e no lucro dos produtores.

Conteúdo programático da unidade 1

 Introdução.
 Análise da demanda.
 Análise da oferta.
 O equilíbrio de mercado.

Resumo da unidade 1

A demanda é a quantidade de bens que os compradores desejam comprar


conforme o preço adotado. Considerando as outras variáveis constantes,
quanto maior o preço, menor será a quantidade demandada. A oferta é a
quantidade de bens que os vendedores ou produtores estão dispostos a
vender conforme o preço estipulado. Tendo os demais valores constantes,
quanto maior o preço, maior será a quantidade ofertada. O mercado está em
equilíbrio quando a quantidade ofertada é igual a quantidade demandada em
um determinado preço de equilíbrio. Isso acontece no cruzamento das curvas
de oferta e de demanda.

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Introdução da unidade 1

A Economia divide-se tradicionalmente em dois amplos ramos:


microeconomia e macroeconomia. Veremos a macroeconomia na unidade III.
A microeconomia, objeto desta unidade, é o estudo de como as famílias e
empresas tomam decisões e de como elas interagem em mercados
específicos.

Por exemplo, o microeconomista estuda as preferências dos indivíduos, se as


famílias preferem comprar laranjas a maçãs e quanto os produtores, nesse
caso, oferecem de cada uma das frutas. Estuda ainda os preços relativos e a
produção relativa desses dois bens (laranjas e maçãs).

Pense agora na seguinte situação: nos bares e restaurantes de uma cidade,


consomem-se X garrafas de cerveja e Y garrafas de vinho. Suponha também
que os consumidores tenham mudado sua preferência e passaram a beber
mais vinho e menos cerveja (talvez porque tenham divulgado que vinho faz
bem à saúde). Considerando que a renda dos consumidores não foi alterada
e que a produção de cerveja e vinho permaneceu a mesma em um primeiro
momento, o que vai acontecer com o preço dos produtos? Será que as
quantidades produzidas de cerveja e vinho serão alteradas num segundo
momento?

Vejamos outros casos: você já percebeu que o preço da água de coco sempre
aumenta no verão, que as roupas de frio ficam mais caras no inverno ou que
os artigos de papelaria custam mais no início do período escolar?

Pois é, essas questões são estudadas pela teoria da oferta e da demanda, a


serem introduzidas neste módulo. Analisa-se como compradores e
vendedores se comportam e como interagem uns com os outros. Mostra-se
como a oferta (comportamento dos vendedores) e a demanda
(comportamento dos compradores) determinam os preços em uma economia
de mercado e como os preços influenciam a alocação dos recursos escassos
da economia.

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Análise da Demanda

A demanda (ou procura) é a quantidade de determinada mercadoria (bem ou


serviço) que os compradores (consumidores) desejam adquirir de acordo com
cada preço dado. A quantidade demandada de um produto qualquer é a
quantidade desse bem que os compradores desejam e podem comprar.

Normalmente, temos uma relação inversa entre o preço do bem e a


quantidade demandada. Pensemos em uma mercadoria em particular:
chocolate.

Quando o preço do chocolate cai, você tem uma inclinação maior para
comprar mais barras e bombons; no entanto, se o chocolate ficar mais caro,
você provavelmente vai se conter e comprará menos.

Como a quantidade demandada diminui quando o preço aumenta e aumenta


quando o preço diminui, dizemos que a quantidade demandada é
negativamente relacionada com o preço (em um gráfico, isso se traduz por
uma curva decrescente).

Vamos supor a seguinte escala de demanda (tabela II-1.1), ou seja, quantas


barras de chocolate as pessoas estão dispostas a comprar conforme seja o
preço da mercadoria. Note que quanto mais alto o preço, menos chocolate as
pessoas comprarão. Se a barra custar R$2,00, apenas 10 barras de chocolate
serão adquiridas. Ao lado da tabela, temos a representação desses valores
em um gráfico. A junção dos pontos forma a curva da demanda (linha
inclinada para baixo).

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Acompanhe as setas no gráfico: quando os preços caem, a quantidade


demandada aumenta (também vale o contrário, se os preços subirem, a
quantidade demandada diminui). Essa relação entre quantidade demandada
e preço funciona para a maioria dos bens e serviços existentes. Na verdade,
é tão universal que é chamada de lei da demanda.

Lei da demanda: considerando todas as demais variáveis constantes, a


quantidade demandada de um bem diminui à medida que o preço dele
aumenta.

Imagine agora a seguinte situação: você vai a um restaurante e pede o


cardápio para escolher seu jantar. Para fazer sua escolha, você olha
primeiramente os preços. Vamos supor que sua opção seja por um filé de
carne vermelha. No entanto, o garçom lhe informa que existe um peixe em
promoção. O peixe, por ser um substituto da carne vermelha, pode alterar
sua escolha. Se os preços fossem parecidos, você levaria em conta apenas
seu gosto. Mas então você percebe que está com muita fome e poderia comer
os dois pratos, porém, a decisão de consumir mais ou menos irá depender da
sua renda disponível.

Vimos que a curva da demanda mostra a relação entre preço e quantidade


demandada, mantendo todos os outros fatores constantes. Ocorre que, como
a estória do restaurante retrata, existem outros fatores além do preço que
são relevantes para a demanda: o preço dos bens relacionados, a renda dos
consumidores e seus gostos ou preferências.

Relativamente ao preço dos bens relacionados, temos dois casos. O primeiro


deles trata dos bens substitutos. Isso acontece quando o consumo de um
bem substitui o consumo do outro. São exemplos de bens substitutos: coca
cola e guaraná, viagem de ônibus e de metrô, carne de vaca e de peixe,etc.

O outro caso de bens relacionados são os bens complementares. Nesse caso,


os bens são consumidos em conjunto, como pão e manteiga, carro e
combustível, computador e software, etc.

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Um aumento no preço de um bem impulsiona a demanda por seus


substitutos, mas reduz a demanda de seus complementares (e vice-versa).
Vejamos.

Uma vez que tanto a viagem de ônibus quanto a de metrô atendem a mesma
finalidade de transporte público, esses dois serviços são considerados
substitutos e, portanto, se a passagem de ônibus aumentar, aumentará a
quantidade demandada das viagens de metrô. Agora imagine que o preço dos
computadores caia; isto implica que a quantidade demandada de
computadores aumentará, mas também aumentará a demanda de programas
de computador (software), pois não faz sentido ter um computador sem
programas (caso dos bens complementares).

Outro fator que altera a demanda é a renda. Se ela aumenta, a demanda da


maioria dos bens aumenta, ou seja, os consumidores compram mais de todas
as coisas. Quando isso acontece, chamamos os bens de normais. No entanto,
há exceções, como os bens inferiores. Nesse caso, quando o indivíduo tem
um aumento na renda, ele passa a consumir menos dos bens inferiores
(normalmente, são bens de baixa qualidade e baratos). Um exemplo disso é
a carne de segunda, só compramos esse tipo de carne quando dispomos de
pouco dinheiro, se a nossa renda aumenta um pouco, passamos a comprar
carne de primeira.

Por fim, temos a questão do gosto. A demanda por bens pode ser alterada se
houver mudanças no gosto dos indivíduos. Isso pode acontecer por meio de
campanhas publicitárias, modismos, atitudes sociais, etc. Por exemplo, se as
protagonistas de novelas usam um determinado tipo de roupa, a demanda
por essa roupa crescerá.

E qual será o reflexo na curva da demanda decorrente de alterações na renda,


nos bens relacionados e no gosto? Já vimos que mudanças ao longo da curva
da demanda são causadas por mudanças nos preços (a quantidade
demandada varia conforme o preço), lembre-se do gráfico II-1.1. Mas e
alterações nos outros fatores?

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A curva da demanda se desloca toda para a direita ou para a esquerda em


resposta a mudanças nos preços dos bens substitutos e complementares, na
renda e nos gostos.

Retornemos ao nosso exemplo das barras de chocolate. Se acontecer um


aumento da renda, ou uma elevação do preço de algum bem substituto do
chocolate, ou uma diminuição do preço de algum bem complementar a ele,
ou, por fim, uma alteração no gosto de forma que os indivíduos queiram mais
chocolate, então a curva da demanda se desloca toda para a direita (de D vai
para D’). Veja o gráfico II-1.2.

Note que, para todos os preços, a demanda ficou maior, ou seja, as famílias
estão comendo mais chocolate independentemente do preço dele. O aumento
no consumo ocorreu devido a alterações nos fatores renda, bens relacionados
e gosto. Analogamente, temos a situação de diminuição do consumo
retratada por um deslocamento da curva da demanda para a esquerda.

Análise da Oferta

A oferta é a quantidade de determinada mercadoria (bem ou serviço) que os


vendedores querem oferecer de acordo com cada preço dado. A quantidade
ofertada de um produto qualquer é a quantidade desse bem que os
produtores (vendedores) estão dispostos e aptos a vender.

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Em geral, temos uma relação direta entre o preço do bem e a quantidade


ofertada. Continuemos com o nosso exemplo do chocolate. Quando o preço
do chocolate sobe, o produtor (vendedor) tem uma inclinação maior para
produzir (vender) mais barras e bombons; no entanto, se o chocolate ficar
mais barato, ele tem menos incentivos para fabricar e vender chocolates.

Como a quantidade ofertada aumenta quando o preço sobe e diminui quando


o preço cai, dizemos que a quantidade ofertada é positivamente relacionada
com o preço (em um gráfico, isso se traduz por uma curva crescente).

Vamos supor a seguinte escala de oferta (tabela II-1.2), ou seja, quantas


barras de chocolate os produtores estão dispostos a vender conforme seja o
preço da mercadoria. Note que quanto mais alto o preço, mais chocolate será
posto à venda. Se a barra custar R$2,00, então 50 barras de chocolate serão
fabricadas e oferecidas no mercado.

O conjunto desses dados, representados em um gráfico, forma a curva da


oferta S (linha inclinada para cima). Usualmente a curva da oferta é
representada pela letra S em referência à palavra inglesa supply (oferta).

Acompanhe as setas no gráfico II-1.3: quando os preços sobem, a quantidade


ofertada aumenta (também vale o contrário, se os preços caírem, a
quantidade ofertada cai). Esse movimento dá origem à chamada lei da oferta.

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Lei da oferta: considerando todas as demais variáveis constantes, a


quantidade ofertada de um bem aumenta à medida que o preço dele
aumenta.

Bom, então a curva da oferta mostra a relação entre preço e quantidade


ofertada, mantendo todos os outros fatores constantes. Ocorre que,
analogamente à demanda, existem outros fatores além do preço que são
relevantes para a oferta. Citamos dois dos principais: a tecnologia e o preço
dos insumos.

A tecnologia se destaca, pois ela tem o papel de reduzir os custos das


empresas e incrementar a produção. Por exemplo, quando o chocolate é
fabricado artesanalmente, a produção é muito menor do que quando se
utilizam máquinas que propiciam a fabricação do chocolate em escala
industrial. Uma tecnologia melhor desloca a curva da oferta para a direita,
pois os produtores ofertam mais que antes para cada um dos preços (veja o
gráfico II- 1.4).

Para produzir o chocolate, os produtores usam diversos insumos, como leite,


açúcar, cacau, máquinas para fabricação, trabalhadores, etc. Se algum
desses insumos fica mais caro, a produção do chocolate se torna menos
lucrativa, logo o produtor passa a oferecer menos do produto, o que desloca
a curva da oferta toda para a esquerda. Analogamente, preços menores dos
insumos (como salários mais baixos) induzem as empresas a produzirem

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mais a cada preço, deslocando a curva da oferta para a direita (um motivo
das elevadas taxas de crescimento econômico da China é a mão-de-obra
barata disponível por lá, mas voltaremos a discutir isso mais tarde).

O equilíbrio de mercado

O preço em uma economia de mercado é determinado tanto pela oferta


quanto pela demanda. Vamos colocar em um único gráfico as nossas curvas
de oferta e de demanda de chocolate.

Observe, no gráfico II-1.5, que há um único ponto de interseção das curvas


de oferta e de demanda: elas se cruzam no ponto E. Esse ponto é chamado
de equilíbrio de mercado. Nele temos o preço de equilíbrio que faz com que
a quantidade ofertada seja igual a quantidade demandada. Em relação ao
nosso exemplo, o preço de equilíbrio é R$1,20 que implica uma quantidade
ofertada e demandada de chocolate igual a 30 barras.

As ações de compradores e vendedores conduzem naturalmente o mercado


em direção ao equilíbrio entre demanda e oferta. Vejamos o que acontece se
o mercado estiver em desequilíbrio.

No nosso exemplo, ao preço de R$1,20, a quantidade que os compradores


desejam comprar e os vendedores desejam vender é 30 barras de chocolate.
Se o preço for cotado acima de R$1,20, os vendedores vão querer vender
mais de 30 barras, mas os compradores estarão dispostos a comprar menos

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que isso. Haverá um excesso de oferta de barras de chocolate. Em


consequência, os vendedores acumularão estoques não planejados e terão
de diminuir seus preços de forma que a produção seja escoada. No final do
processo, o preço volta ao equilíbrio.

Analogamente, se o preço for cotado abaixo de R$1,20, os vendedores vão


produzir menos de 30 barras, mas os compradores estarão dispostos a
comprar mais que isso. Haverá um excesso de demanda de barras de
chocolate e os consumidores estarão dispostos a pagar mais pelo chocolate
escasso. Novamente, o sistema voltará ao equilíbrio.

Exercício resolvido

As curvas de oferta e de demanda são representações gráficas de uma função


que relaciona a quantidade do bem com o preço. Vamos aproveitar este
exercício para ver algebricamente os mesmos conceitos.

Um empresário encomendou uma pesquisa para descobrir como se comporta


o mercado de chocolate. O economista contratado forneceu a ele as
expressões da curva de oferta e de demanda. Hipoteticamente, seja a
demanda dada pela função D=16-2p (D é a quantidade demandada de
chocolate e p é o preço) e a oferta, por S=4p+4 (S é a quantidade ofertada
de chocolate). Agora o empresário conta com sua ajuda para responder o
seguinte:

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 Qual o preço de equilíbrio e a respectiva quantidade;


 Se o preço for fixado em R$3,00, haverá excesso de oferta ou de
demanda? Quantifique.

Solução

No equilíbrio, a quantidade demandada deve igualar a quantidade ofertada,


portanto:

D=S

16 - 2p = 4p + 4 12 = 6p p = 2 , ou seja, o preço de equilíbrio é R$2,00.

Para acharmos a quantidade ofertada e demandada de equilíbrio, basta


substituirmos o preço de equilíbrio em qualquer uma das funções:

S = 4p + 4 S equilíbrio= 4.2 + 4 = 8 + 4 = 12

D = 16 - 2p D equilíbrio= 16 – 2.2 = 16 - 4 = 12

Assim, a quantidade transacionada no equilíbrio é de 12 unidades (ofertada


e demandada).

Se o preço fosse p=R$3,00, a quantidade demandada seria:

D = 16 - 2p D= 16 – 2.3 = 16 - 6 = 10

Em contrapartida, a quantidade ofertada seria:

S = 4p + 4 S= 4.3 + 4 = 12 + 4 = 16

Portanto, há um excesso de oferta de 16 – 10 = 6 unidades.

Conteúdo programático da unidade 2

 Introdução.
 Concorrência perfeita.
 Monopólio.
 Concorrência monopolística.
 Oligopólio.

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Resumo da unidade 2

Veremos quatro tipos de estrutura de mercado. A concorrência perfeita


pressupõe um mercado com muitos compradores e vendedores negociando
produtos idênticos, de modo que cada comprador e cada vendedor é um
tomador de preço. O monopólio consiste em uma empresa que é a única
vendedora de um produto que não tem substitutos semelhantes. A
concorrência monopolística é uma estrutura de mercado em que muitas
empresas vendem produtos que são similares, porém existe uma
diferenciação. Por fim, temos o oligopólio, em que há poucos vendedores
oferecendo produtos muito similares ou idênticos.

Introdução da unidade 2

Já presenciamos disputa entre os postos de gasolina para ver qual


estabelecimento oferecia o combustível a um preço menor, a competição
chegava a centavos. Nesse ambiente, vamos supor que o posto próximo a
sua casa venda o litro da gasolina a um preço 10% maior que a média dos
concorrentes.

O que acontecerá com esse posto? Os clientes, ao perceberem a diferença de


preço, certamente procurarão outro estabelecimento onde a gasolina esteja
mais barata e o posto careiro ficará vazio.

Vejamos agora outra situação: a companhia que oferece energia elétrica na


sua cidade, além de prestar um serviço ruim com falta de luz a todo
momento, ainda decidiu majorar a tarifa em 20%. O que você vai fazer?
Provavelmente vai tentar não deixar tanto as luzes da casa acesas, mas será
impossível deixar de usar a energia elétrica ou trocar de fornecedor.

Com esses exemplos, percebemos que existem mercados com estruturas


diferentes que geram formas distintas de se fixar o preço do bem (ou do
serviço).

Basicamente, no mercado de bens e serviços, existem quatro tipos de


estrutura que estudaremos neste módulo:

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 Concorrência perfeita.
 Monopólio.
 Concorrência monopolística.
 Oligopólio.

Concorrência Perfeita

O mercado em concorrência perfeita é um modelo hipotético que retrata uma


situação ideal. Sua importância reside no fato de servir de base para a
avaliação das outras estruturas de mercado.

Quais as características do mercado em concorrência perfeita? As seguintes


condições devem ser preenchidas para que o mercado seja considerado
perfeitamente competitivo (em concorrência perfeita):

 Há muitos compradores e vendedores no mercado.

Isso significa que cada agente é muito pequeno em relação ao mercado como
um todo sendo, em consequência, incapaz de influenciar os níveis de oferta
e de demanda e o preço de equilíbrio. Assim, cada comprador e vendedor é
um tomador de preços, ou seja, ele simplesmente aceita o preço dado pelo
mercado, não tem poder nenhum de modificá-lo.

 Os diversos vendedores oferecem bens homogêneos.

Ou seja, os produtos são parecidos de forma que não há margem para haver
diferenciação de preço por conta de características individuais dos produtos
de cada vendedor.

Infere-se das duas hipóteses acima que, num modelo de concorrência


perfeita, todas as firmas do mercado praticam o mesmo preço p0 e tudo o
que for ofertado por cada firma será vendido. Se alguma firma tentar praticar
um preço mais alto, perderá todos os clientes. Se quiser vender a um preço
mais baixo, não estará sendo racional, pois, se vende quanto quer no preço
p0, não há motivo para diminuir sua receita vendendo a um preço menor.

Mas então vem a dúvida: por que todos os vendedores desse mercado não
combinam uma medida para empurrar o preço para cima, obrigando os

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compradores a aceitarem esse preço mais alto (principalmente se for um bem


cujo consumo é necessário)? Para que isso não aconteça, há uma terceira
hipótese no modelo de concorrência perfeita:

 Há livre entrada de firmas e compradores no mercado.

Mesmo que os preços fossem elevados, o consequente aumento dos lucros


atrairia novas firmas para nesse mercado, aumentando a oferta total e
empurrando o preço para baixo.

Voltemos ao exemplo da gasolina. Em uma cidade grande, existem vários


postos oferecendo combustível e, é claro, vários motoristas para comprarem
a gasolina. O produto é o mesmo: em tese, não há diferença na gasolina
entre os estabelecimentos (a exceção se faz quando adulteram o combustível
misturando água). Assim, o mercado de gasolina se aproxima bastante do
mercado perfeitamente competitivo, mas ainda não é uma concorrência
perfeita. Por quê?

Bom, não é qualquer um que consegue montar um posto. Para tanto, é


necessário um capital alto e licenças de funcionamento especiais. Ou seja,
não há livre entrada de firmas. O não cumprimento dessa condição abre
espaço para a formação de cartéis, isto é, as empresas fornecedoras se unem
para manipular o preço.

As três hipóteses mencionadas são as mais citadas para se caracterizar uma


concorrência perfeita. No entanto, ainda podemos enumerar outras:

 Transparência de mercado: compradores e vendedores detêm


informação completa sobre preços, locais de vendas, qualidade dos
produtos, lucro dos concorrentes.
 Mobilidade dos bens: livre movimentação dos fatores de produção e
dos produtos. Não existem custos de transportes.

Cabe frisar novamente: a concorrência perfeita é um modelo hipotético. É


usado apenas por seu valor analítico, pois não existe na prática.

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Monopólio

Após termos discutido a concorrência perfeita, passamos agora ao caso


oposto: o monopólio. Uma firma é chamada monopolista se ela é a única
fornecedora de determinado produto. Mais ainda, uma empresa é um
monopólio se é a única vendedora de seu produto, se o produto não tem
substitutos próximos e se há barreiras à entrada de outras empresas.

A grande questão do monopólio é saber o motivo pelo qual outras empresas


não vendem o produto do monopolista. Isso acontece justamente pelas
barreiras existentes que impedem outras firmas de atuarem no mercado
monopolizado. Como podem ocorrer essas barreiras? Vejamos.

 Monopólio natural

Esse tipo de estrutura surge quando há economias de escala na produção.


Isto é, a empresa monopolista, já estabelecida, tem condições de operar com
baixos custos. Qualquer outra empresa que tente entrar no mercado terá que
fazer muitos investimentos e não conseguirá oferecer o produto a um preço
equivalente ao da firma monopolista.

Um exemplo de monopólio natural está na distribuição de energia elétrica.


Para levar energia a uma cidade, uma empresa precisa de equipamentos
caros e postes com fiação por todo o perímetro municipal. Outra empresa não
tem interesse em explorar esse ramo, porque o custo fixo de construção da
rede é muito alto e, com duas firmas competindo na prestação desse serviço,
as duas teriam desembolsado esse valor alto e o custo médio do serviço de
fornecimento de energia elétrica seria mais elevado, diminuindo os lucros.

 Controle exclusivo sobre as matérias-primas

Uma única empresa é detentora de um recurso-chave. Por exemplo, em uma


cidade isolada, existe apenas uma fonte de água de propriedade de uma firma
e não há outra maneira de se obter água. Essa modalidade de barreira à
entrada é rara, pois hoje as economias são grandes, inclusive mundiais, os
recursos estão distribuídos por vários proprietários e há fácil transporte deles
por entre áreas distantes.

 Monopólios criados pelo governo

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Em muitos casos, os monopólios surgem porque o governo concede a uma


só firma o direito exclusivo de vender algum bem ou serviço. A lei de patentes
é um exemplo de como o governo cria um monopólio para atender ao
interesse público. Com a autorização para produzir exclusivamente algum
bem, o preço deve ficar num patamar mais elevado do que ocorreria se
houvesse competição. Mas, concedendo a patente, o governo cria incentivos
maiores à atividade criativa e à pesquisa.

Podemos resumir até aqui os conceitos estudados. A principal diferença entre


uma empresa competitiva e uma monopolista é a capacidade que esta última
tem de influenciar o preço do seu produto. Uma empresa competitiva é
pequena em relação ao mercado em que opera e, portanto, toma o preço do
seu produto como dado pelas condições do mercado. Em contrapartida, uma
monopolista, como única produtora em seu mercado, pode alterar o preço de
seu bem, garantindo lucros acima do normal (chamamos de lucros
extraordinários).

Como lidar com o poder do monopólio? Do ponto de vista da política pública,


os monopólios produzem menos do que a quantidade socialmente eficiente e
cobram preços superiores ao que deveriam. Nesse caso, o governo pode
reagir com uma legislação antitruste para tentar tornar as firmas mais
competitivas. Pode, por exemplo, proibir fusões de grandes corporações
quando o resultado disso for um mercado monopolizado. No Brasil, um dos
órgãos responsáveis por esse controle é o Conselho Administrativo de Defesa
Econômica – CADE.

O governo pode também transformar o monopólio em estatal, de forma a


controlar o comportamento da firma em nome do interesse público (pela Lei
do Petróleo, a Petrobrás tem que ter 30% dos poços novos no regime de
partilha). Ou pode ainda regulamentar os preços cobrados pelos
monopolistas, como faz algumas agências reguladoras (exemplo: ANEEL –
Agência Nacional de Energia Elétrica).

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Concorrência monopolística

A concorrência monopolística abrange os mercados que possuem algumas


características do mercado competitivo e algumas características de
monopólio. Trata de um modelo muito mais próximo da realidade do que a
concorrência perfeita.

Vejamos um exemplo. Você decide almoçar num shopping e vai à praça de


alimentação. Lá você se depara com restaurantes de diversos tipos: comida
italiana, japonesa, natural, etc. Parece ser um mercado competitivo, todos os
restaurantes estão disputando seu apetite. No entanto, também parece um
monopólio, pois cada estabelecimento oferece exclusivamente um tipo de
comida, com seu tempero próprio.

Assim, a concorrência monopolística tem as seguintes características


principais:

 Muitas empresas produzindo um dado bem ou serviço.


 Os produtos são diferenciados, mas são substitutos próximos.
 Cada empresa tem certo poder sobre preços, dado que o produto é
diferenciado. O consumidor tem opção de escolha, de acordo com sua
preferência.

Como não existem barreiras para a entrada de firmas, a longo prazo há


tendência apenas para lucros normais, como em concorrência perfeita.

Oligopólio

É um tipo de estrutura de mercado que apresenta pequeno número de


empresas no setor. Um ótimo exemplo de oligopólio é a OPEP (Organização
dos Países Exportadores de Petróleo). Grande parte do petróleo do mundo é
produzida por um pequeno grupo de países, a maioria deles localizada no
Oriente Médio. Juntos eles tomam decisões sobre a quantidade extraída de
petróleo e influenciam o preço do barril em escala mundial.

Em oposição à concorrência monopolística e de forma semelhante ao


monopólio, as empresas pertencentes ao oligopólio garantirão lucros
extraordinários, pois sempre haverá barreiras à entrada de novos

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concorrentes, principalmente no oligopólio natural, como é o caso do


petróleo.

Finalizando a unidade II

Para finalizar a unidade II, assista ao vídeo http://bit.ly/1KkTUke.

Exercício de Fixação - Módulo II

Parabéns! Você chegou ao final do Módulo II do curso Fundamentos da


Ciência Econômica.

Como parte do processo de aprendizagem, sugerimos que você faça uma


releitura do conteúdo e resolva os Exercícios de Fixação. O resultado não
influenciará na sua nota final, porém, o acesso aos Módulos seguintes está
condicionado à resolução e envio das respostas.

Lembramos, ainda, que a plataforma de ensino faz a correção imediata das


respostas!

Para ter acesso aos Exercícios de Fixação, clique em exercício de fixação do


módulo II, localizado na página inicial do curso.

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MÓDULO III - FUNDAMENTOS DE MACROECONOMIA

Ao final do estudo deste módulo, esperamos que você


possa:

 Entender em que se baseia a política macroeconômica, suas metas e


os instrumentos disponíveis para atingi-las;
 Entender o objeto de estudo da macroeconomia;
 Compreender as principais identidades macroeconômicas e usá-las
para análise de economias reais;
 Entender como ocorrem as flutuações econômicas que influenciam o
produto, por meio do modelo de oferta e demanda agregada; e
 Compreender os efeitos das políticas fiscal e monetária nas flutuações
e como podem ser usadas para a consecução de determinados fins.

Conteúdo programático da unidade 1

 Introdução.
 Metas da Política Macroeconômica.
 Instrumentos da Política Macroeconômica.

Resumo da unidade 1

A macroeconomia se preocupa com os grandes agregados da economia. Suas


metas são obter níveis satisfatórios de emprego, ausência de inflação, uma
distribuição de renda mais equitativa e altas taxas de crescimento econômico.
Para tanto, pode utilizar-se das políticas fiscal, monetária, cambial e
comercial.

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Introdução da unidade 1

A macroeconomia tem como objeto de estudo as relações entre os grandes


agregados: a renda nacional, o nível de emprego e dos preços, o consumo, a
poupança e os investimentos totais.

A macroeconomia, ao tentar responder como o mercado de bens e serviços


se comporta, efetua uma agregação de todos os bens produzidos pela
economia durante certo período de tempo. Esse conjunto é chamado de
produto agregado, ou seja, o somatório de todos os bens produzidos pela
economia. O preço de produto agregado é uma média de todos os preços dos
bens produzidos. A isso, dá-se o nome de nível geral de preços.

Analogamente, a macroeconomia também vê o mercado de trabalho como


uma agregação de todos os tipos de trabalho existentes na economia. Como
resultado temos outras duas variáveis macroeconômicas: a taxa salarial e o
nível de emprego.

Para que as compras e vendas de mercadorias e serviços aconteçam, é


necessário um elemento comum de troca: o dinheiro. Para tanto, existe o
mercado monetário, em que são determinadas as taxas de juros e a
quantidade de moeda necessária para efetuar as transações econômicas. A
moeda tem importância na determinação dos preços e nas quantidades
produzidas.

A macroeconomia se incumbe ainda de estudar as relações do nosso país com


o resto do mundo. Analisa o mercado cambial, de forma a conhecer a taxa
de câmbio que permite calcular a relação de troca entre diferentes moedas.

Em síntese, a macroeconomia é o estudo de fenômenos que englobam toda


a economia. Um macroeconomista estuda assuntos como os efeitos de
empréstimos feitos pelo governo federal, as mudanças da taxa de
desemprego ao longo do tempo ou políticas alternativas para promover a
elevação do padrão de vida nacional.

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Metas da Política Macroeconômica

São metas da política macroeconômica: alto nível de emprego, estabilidade


de preços, distribuição de renda socialmente justa e crescimento econômico.

 Alto nível de emprego

As pessoas que gostariam de trabalhar, mas não conseguem encontrar um


emprego, não estão contribuindo para a produção de bens e serviços da
economia (além de terem sua autoestima completamente abalada). Embora
um certo grau de desemprego seja inevitável em uma economia complexa,
quando um país consegue manter a maior parte de seus trabalhadores
plenamente empregados, atinge um nível de PIB (Produto Interno Bruto)
maior do que se deixasse muitos deles ociosos.

 Estabilidade de preços

Define-se inflação como um aumento contínuo e generalizado no nível geral


de preços, o que provoca uma perda do poder aquisitivo da moeda. A inflação
é um problema porque gera distorções de toda ordem no sistema econômico,
como uma piora na distribuição de renda (os pobres têm mais dificuldade em
se defender da inflação) e incertezas sobre o futuro, o que desestimula os
investimentos produtivos. Daí a necessidade de políticas que preservem a
estabilidade dos preços.

 Distribuição de renda socialmente justa

A distribuição de renda resultante do sistema econômico pode não ser a


desejada pela sociedade. O governo pode intervir, por meio de impostos,
subsídios ou transferências, no sentido de fazer ajustes e tornar a distribuição
mais justa, mais equitativa. No caso do Brasil, isso é ainda mais urgente,
dadas as diferenças absurdas existentes na sociedade brasileira.

A distribuição de renda também tem sido assunto recorrente nos países


emergentes que conseguiram um crescimento econômico rápido, pois a
riqueza produzida demora a chegar às camadas mais pobres da população.

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Curiosidade:
Brasil tem segunda pior distribuição de renda em ranking da OCDE
“Mesmo com o forte investimento do governo em programas de redução
da pobreza nos últimos anos, o Brasil ainda é um dos países com maior
desigualdade social do mundo, segundo a Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Publicado nesta terça-feira, o
“Relatório Territorial Brasil 2013” analisa diversos aspectos do país e revela
que, apesar dos avanços significativos nos últimos 15 anos, a disparidade
entre as economias dos estados brasileiros continua alta, menor apenas
que a do México e duas vezes superior à média dos membros da OCDE.
De acordo com o estudo, o coeficiente Gini (que mede a desigualdade de
renda) entre os estados brasileiros era de 0,30 em 2010, enquanto o do
México, o mais desigual, era de 0,34. O coeficiente varia de 0 a 1. Quanto
mais próximo de 0, menor a desigualdade. O país com melhor distribuição
de renda é o Japão, com índice de 0,06”.
(Jornal O Globo, de19/03/2013)

 Crescimento econômico

Crescimento econômico é o aumento da capacidade produtiva da economia


e, portanto, da produção de bens e serviços de determinado país. O melhor
indicador para isso é aferir o aumento da renda nacional per capita, isto é, o
aumento da razão entre a quantidade produzida e a população. Para termos
incremento na renda nacional per capita, o aumento dos bens e serviços
produzidos deve superar o crescimento populacional.

Considerando que em 2012 o crescimento brasileiro foi de apenas 0,9% e


que as expectativas para 2013 não são boas, essa meta deve ser uma das
prioridades nacionais. Estudaremos na Módulo VI do nosso curso o que é
preciso para impulsionar o crescimento econômico.

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Instrumentos da política macroeconômica

O governo, para atingir as metas, deve atuar sobre a capacidade produtiva


(oferta agregada) e sobre a despesa planejada da sociedade (demanda
agregada). Basicamente, os instrumentos de política macroeconômica
utilizados para isso são:

 Política fiscal
 Política monetária
 Políticas cambial e comercial

A política fiscal diz respeito às decisões dos governos sobre gastos e tributos.
Seus efeitos podem ser sentidos diretamente na demanda agregada, por
meio da variação dos gastos públicos em consumo e investimento, ou
indiretamente, pela redução dos impostos, o que eleva a renda disponível no
setor privado. Estudaremos, ainda nesta unidade, como funcionam esses
mecanismos.

A política monetária refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de


moeda, de crédito e das taxas de juros. Na atualidade, o principal instrumento
da política monetária é a taxa de juros e seu objetivo primordial é a inflação
baixa.

As políticas monetária e fiscal representam diferentes alternativas para as


mesmas finalidades. A política macroeconômica deve utilizar uma
combinação das duas.

A política fiscal apresenta maior eficácia na distribuição de renda, utilizando


como instrumentos, por exemplo, a taxação de rendas mais altas ou
promovendo gastos públicos para os setores menos favorecidos.

A política monetária possui a vantagem de ser facilmente implementada, pois


só depende de decisões das autoridades monetárias (no caso brasileiro,
temos as famosas reuniões do COPOM – Comitê de Política Monetária do
Banco Central). A política fiscal depende, normalmente, de votação no
Congresso Nacional e, portanto, exige um período maior para sua
implementação.

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Fundamentos da Ciência Econômica

Por fim, a política cambial envolve as ações para afetar a taxa de câmbio e a
política comercial trata dos incentivos às exportações e dos desestímulos (ou
em alguns casos estímulos) às importações, que pode acontecer por meio de
alterações nas tarifas, no crédito ou via cotas.

Conteúdo programático da unidade 2

 Introdução.
 O fluxo circular da renda - famílias e firmas.
 Vazamentos e injeções.
 Estudo de caso.

Resumo da unidade 2

Serão estudadas várias expressões que nos permitem aferir e analisar


macroeconomicamente um país. A principal identidade é a do produto
agregado ou demanda agregada (podemos, simplificadamente, chamá-lo de
PIB - Produto Interno Bruto): Y = C + I + G + X – M. Essa medida é
importante por que permite quantificarmos tudo que está sendo produzido
no país em termos de bens e serviços. Permite também sabermos como está
o crescimento da economia, ou seja, como está a ampliação da produção da
economia.

Introdução da unidade 2

O principal objeto da macroeconomia é a formação e a distribuição do produto


e da renda gerados pela atividade econômica. Esses agregados representam
importantes medidas de desempenho econômico e bem-estar da sociedade.
Assim, para entendermos os modelos macroeconômicos, é essencial conhecer
esses conceitos, bem como seus sistemas de contabilização.

Consideraremos, num primeiro momento, que existem apenas dois agentes


na economia: as famílias e as firmas. Estudaremos como ocorrem as relações
entre esses dois agentes. A seguir, permitiremos que haja acumulação de

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capital no nosso sistema, adicionaremos o governo ao modelo e abriremos


nossa economia para o comércio internacional.

O Fluxo Circular da Renda - Famílias e Firmas

As famílias são compostas por todos os indivíduos da sociedade. Para que


essas famílias consigam suprir suas necessidades (alimentos, vestuário,
lazer, ou qualquer outro item de que precisem), alguém deve produzir. Assim,
os próprios indivíduos da sociedade formam as firmas, com o objetivo de
fabricar tudo que é demandado pelas pessoas. Ou seja, as firmas ou
empresas são os locais onde se organiza e ocorre a produção.

Para que todos os itens demandados sejam fabricados, as firmas precisam


de vários elementos, ou melhor, são necessários os fatores de produção,
definidos como todos os insumos utilizados para produzir bens e serviços.
Tradicionalmente, são considerados fatores de produção a terra (campos
cultiváveis, minas), o trabalho (recursos físicos e mentais do homem) e o
capital (máquinas, instalações, matérias-primas). E quem são os detentores
dos fatores de produção? São as próprias famílias.

Bem, então a atividade produtiva requer a utilização de fatores produtivos –


terra, trabalho, capital – que devem ser remunerados quando utilizados. Ou
seja, as famílias, quando fornecerem os fatores de produção às firmas, devem
receber uma contrapartida, uma remuneração por esses fatores que foram
entregues ao processo produtivo.

As remunerações dos fatores de produção são: salários (remuneração do


fator trabalho), juros (remuneração do capital monetário), lucros
(remuneração do risco incorrido pelo empresário) e aluguéis (remuneração
do capital físico). Essas remunerações constituem a renda das famílias.

As firmas produzem os bens e serviços e os oferecem às famílias que os


compram, utilizando a renda que tinham auferido. Dessas relações, saem
alguns importantes conceitos:

 Produto Agregado (Y): soma de todos os bens e serviços finais


produzidos na economia durante determinado período de tempo

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(expresso em unidades monetárias). Algebricamente, é o somatório da


quantidade (q) de cada bem i produzido, multiplicado pelo seu
respectivo preço (p):
Y = Produto = pi.qi
 Renda Agregada (Y): soma de todas as remunerações dos fatores de
produção (trabalho, capital, terra) pagas na economia:
Y = Renda Agregada = salários (w) 1+ juros(j) + aluguéis(a) + lucros(l)
 Consumo agregado (C): total da aquisição de bens de consumo pelas
famílias. Lembrando que bens de consumo são aqueles para satisfação
das necessidades pessoais, como alimentação, saúde, lazer, etc.
 Demanda Agregada (DA) (ou Despesa Agregada): despesa com o
produto ou a destinação do produto.

Considerando uma economia hipotética que seja fechada (isto é, sem


relações com o exterior), que não tenha governo e que produz apenas bens
de consumo, a despesa agregada é igual ao consumo agregado (C = DA).

Outra maneira de analisarmos essas relações é por meio de um diagrama


chamado de Fluxo Circular da Renda (figura a seguir), que descreve todas as
transações que envolvem as famílias e as empresas de uma economia
simples.

Fluxo Circular da Renda

1
[1] Representa-se salário pela letra w em virtude da palavra inglesa wage.

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Note que existem dois fluxos no diagrama: um, com linha tracejada, que
representa o lado real da economia, ou seja, insumos e produtos e outro,
com linha contínua, que é o fluxo de dinheiro. As famílias fornecem os fatores
de produção para as firmas e são remuneradas por isso (renda agregada). As
firmas utilizam os fatores produtivos e produzem bens e serviços (produto
agregado). A remuneração recebida pelas famílias é gasta com os bens e
serviços produzidos pelas firmas (demanda agregada). O dinheiro que as
firmas recebem pela venda dos bens e serviços serve para pagar os fatores
de produção oferecidos pelas famílias e aí voltamos ao ponto de partida.

Pelo Fluxo Circular da Renda, pode-se inferir a Identidade Macroeconômica


Básica:

Produto Agregado = Demanda Agregada = Renda


Agregada

Essa identidade mostra que o valor de todos os bens e serviços produzidos


em uma economia equivale ao gasto total da população com bens e serviços
que, por sua vez, é igual ao valor de todos os rendimentos recebidos pela
população, tudo considerado no mesmo período de tempo. Essa identidade
faz com que o fluxo circular da renda esteja sempre equilibrado.

Vazamentos e Injeções

Até então, estamos trabalhando com uma economia que só produz bens de
consumo. No entanto, as empresas também produzem e investem em bens
de capital. Além disso, as famílias podem não gastar toda sua renda, isto é,
podem poupar uma parte.

Antes de continuarmos a discussão, cabe apresentarmos algumas definições:

 Bens de capital: são bens destinados à produção de outros bens, como


máquinas e equipamentos. Os bens de capital não se destinam ao
consumo final dos indivíduos.

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 Investimento (I): são gastos que visam a aumentar a capacidade


produtiva da economia, como a aquisição de bens de capital, a
construção de hidrelétricas, a construção ou ampliação de fábricas.
Cuidado para não confundir investimento com aplicação financeira. Se
você colocou seu dinheiro na bolsa de valores, você fez uma aplicação
financeira e não um investimento.
 Poupança (S)2: é a parcela da renda que não foi gasta com consumo.

Bem, de posse desses conceitos, podemos estabelecer algumas relações


algébricas.

O produto agregado (Y), que é igual à demanda agregada (DA), é composto


não só de bens de consumo, mas também dos bens de capital e de toda a
produção destinada a produzir outros bens, ou seja, o produto agregado é
equivalente ao consumo agregado (C) mais o investimento agregado (I) da
economia:

Y = DA = C + I

Por outro lado, a renda agregada (Y), que antes era toda gasta com consumo,
pode agora ter uma parte poupada:

Y=C+S

Pela identidade básica, sabemos que a renda agregada é igual à demanda


agregada, de onde resulta que o valor da poupança equivale ao valor dos
investimentos:

C+S=C+IS=I

Perceba que a poupança é um vazamento do fluxo circular, pois é um dinheiro


das famílias que não retorna às firmas na forma de gasto com consumo. Em
contrapartida, temos os investimentos, que são considerados uma injeção. A
parte poupada pelas famílias se converte em investimentos para aumentar a
capacidade produtiva da economia. Assim, o dinheiro poupado retorna ao
fluxo que se equilibra novamente.

2
Poupança é representada pela letra S em virtude da palavra inglesa Savings

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Agora vejamos o que acontece quando colocamos o governo na nossa


economia. Cabe lembrar que o governo desempenha inúmeras atividades e,
para a consecução de suas atividades, promove gastos. Para fazer frente a
esses gastos, o governo arrecada tributos.

Dessa maneira, a renda das famílias terá mais um destino, pagamento de


tributos (T):

Y=C+S+T

Por outro lado, conforme dissemos, o governo também adquire bens e


serviços, logo a DA fica acrescida dos gastos públicos (G):

DA = C + I + G

No caso do governo, os gastos com bens de consumo são chamados de


despesas correntes, ou seja, são gastos destinados à manutenção da
máquina pública, como material de expediente ou pagamento dos
funcionários públicos.

Note que os tributos se configuram como um vazamento no fluxo circular da


renda enquanto os gastos do governo são uma injeção para o fluxo.

Novamente, utilizando a identidade básica da macroeconomia (Y = DA),


temos:

S+T=I+GS–I=G–T

Isso significa que, se houver déficit público, ou seja, se os gastos do governo


superarem sua arrecadação (G>T), deverá haver excesso de poupança do
setor privado para financiar o governo (S>I). Em outras palavras, recursos
que deveriam estar à disposição da iniciativa privada para financiar aumentos
da capacidade produtiva, estão sendo canalizados para financiar o governo
que gasta demais. Esse é exatamente o caso do Brasil.

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Curiosidade: O que entrava o crescimento econômico?


Segundo Dório Fernandes – Presidente do Banco Opportunity – o principal
entrave ao crescimento econômico são o “tamanho e a ineficiência do
Estado. Ao longo dos anos foi construído um Estado cada vez maior e que
para sobreviver precisa sugar cada vez mais recursos do setor privado.
Além disso, esses recursos são desperdiçados no financiamento de
despesas correntes e na manutenção de um aparato distante dos padrões
de eficiência necessários para viabilizar um maior dinamismo da iniciativa
privada”
(extraído da revista Conjuntura Econômica de fev/2006)

Por fim, vamos acrescentar ao nosso modelo o setor externo, isto é, vamos
permitir que aconteçam importações (denominada por M) e exportações
(denominada por X). Apesar de termos um novo vazamento, as importações
(recursos gastos com bens produzidos no exterior), temos também uma nova
injeção, as exportações (recursos externos comprando bens e serviços
produzidos no país).

Nesse contexto, temos a demanda agregada global que é a soma da demanda


agregada até então vista mais as exportações (X). Isso se deve ao fato de
que parte da produção está sendo consumida por agentes no exterior. Em
outras palavras, as exportações se caracterizam por ser um elemento de
demanda por produção interna.

Demanda Agregada Global = C + I + G + X

Por outro lado, além dos produtos produzidos no país, temos produtos
estrangeiros sendo ofertados internamente, são as importações (M). Então
podemos definir a oferta agregada global como a soma do produto agregado
interno (Y) mais as importações (M).

Oferta Agregada Global = Y + M

Igualando a demanda agregada global com a oferta agregada global, temos


o seguinte:

Y+M=C+I+G+X

40
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Assim, a demanda agregada interna ou produto agregado interno (Y) é dado


por:

Y=C+I+G+X–M

Essa, provavelmente, é a principal expressão existente na literatura


macroeconômica. A parte (X-M) é chamada de gastos líquidos do setor
externo e (C+I+G) é a absorção interna.

Lembre-se que a renda das famílias é gasta com consumo, poupança e


tributos (Y=C+S+T). Como, pela identidade básica, a renda agregada é igual
ao produto agregado que é igual à demanda agregada, temos que:

C+S+T=C+I+G+X–M

S+T+M=I+G+X

Essa última expressão mostra que os vazamentos se igualam às injeções no


fluxo circular da renda.

Pode-se ainda escrever a equação anterior como:

(X – M) = (T – G) + (S – I)

Isso é interpretado da seguinte maneira, se houver um superávit externo


(X>M, exportações maiores que as importações), deve ocorrer um superávit
ou no setor privado (S>I) ou no governo (T>G), ou em ambos.
Analogamente, se houver déficit externo, vai haver déficit interno no setor
privado ou déficit público. É sabido que o Brasil está com superávit no setor
externo (X>M). O que está acontecendo então com as outras variáveis?
Discutiremos isso em um estudo de caso mais adiante.

Outra maneira de escrever a equação anterior é:

I=S+(T–G)+(M–X)

Isto é, os investimentos de um país podem ser financiados ou pela poupança


privada, ou pela poupança pública, ou pela poupança externa. Note que a
poupança externa é dada por (M-X), isso acontece porque pensamos em
termos reais, ou seja, as importações representam recursos reais que entram
no país, como máquinas e equipamentos. Se as exportações superam as
importações, temos uma poupança externa negativa.

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Estudo de caso

Os dados abaixo foram retirados dos indicadores de contas nacionais


trimestrais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Eles
retratam a situação brasileira em 2004. Note que o valor do PIB (ou produto
agregado ou demanda agregada) foi aproximadamente um trilhão setecentos
e sessenta e seis bilhões de reais.

Para chegar a esse valor de PIB, somou-se o consumo das famílias, o


consumo do governo, os investimentos e os gastos líquidos do setor externo
(exportações – importações). Note que simplesmente foi aplicada a
identidade:

Y=C+I+G+X–M

Observe que o Brasil teve exportações superiores às importações (X>M).


Sabemos também que o setor público brasileiro gasta mais do arrecada
(G>T).

Sendo assim, para o sistema ficar em equilíbrio (vazamentos iguais às


injeções), obrigatoriamente, temos que ter (S>I), poupança maior que
investimento. Isso significa que o setor privado, em vez de utilizar toda a
poupança disponível para investir e aumentar a capacidade produtiva, está
tendo que poupar para financiar o governo.

Conteúdo programático da unidade 3

 Introdução.
 Demanda agregada.

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 Oferta agregada.
 Flutuações econômicas e o equilíbrio.
 A influência das políticas monetária e fiscal.

Resumo da unidade 3

As oscilações econômicas são causadas por alterações na oferta ou demanda


agregada. Essas alterações podem ser incentivadas pelos governos, usando
como instrumentos macroeconômicos a política fiscal e a política monetária.
Se a ação desejada é um aquecimento da economia, fortalecendo o
crescimento econômico no curto prazo, pode-se diminuir a taxa de juros,
aumentar os gastos públicos ou diminuir os tributos. No entanto, se a
intenção governamental é manter a estabilidade dos preços, pode-se contrair
a demanda agregada por meio de elevações da taxa de juros, diminuição dos
gastos públicos ou aumento dos tributos.

Introdução da unidade 3

As flutuações de curto prazo na economia são comuns, acontecem em todos


os países. Nos períodos de expansão econômica, em que temos um rápido
crescimento do PIB real, ou seja, um aumento da produção de bens e
serviços, a taxa de desemprego diminui, o lucro das firmas é crescente e a
tendência é se alcançar um melhor padrão de vida para toda a população.
Por outro lado, há períodos em que as empresas não conseguem vender tudo
o que produzem, reduzem a produção e demitem trabalhadores, a taxa de
desemprego aumenta, o PIB e a renda caem. Isso caracteriza uma situação
de recessão.

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Neste módulo, estudaremos como ocorrem as flutuações de curto prazo na


atividade econômica e o impacto das políticas fiscal e monetária sobre a
economia.

O modelo básico para tanto é o de demanda agregada e oferta agregada. Sua


ilustração consta do gráfico III-3.1. No eixo vertical está o nível geral de
preços da economia. No eixo horizontal está a quantidade geral de bens e
serviços. A curva de demanda agregada mostra a quantidade de bens e
serviços que as famílias, as empresas e o governo desejam comprar a cada
nível de preços. A curva de oferta agregada mostra a quantidade de bens e
serviços que as empresas produzem e vendem a cada nível de preços. A
produção e o nível de preços se ajustam até chegar ao ponto (Y0,P0) em que
as curvas de oferta agregada e de demanda agregada se cruzam.

Vamos detalhar essa teoria nas páginas seguintes.

Demanda Agregada

Como vimos, a curva de demanda agregada mostra a quantidade de bens e


serviços que as famílias, as empresas e o governo desejam comprar a cada
nível de preços. Note pelo gráfico III-3.2, que a curva da demanda agregada
é decrescente (negativamente inclinada).

Isso significa que quando o nível de preços diminui de P1 para P2, a


quantidade demandada de bens e serviços aumenta de Y1 para Y2.

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Mas qual o motivo da demanda agregada ser negativamente inclinada? Para


tanto, lembremos seus componentes: consumo (C), investimentos (I), gastos
do governo (G) e exportações líquidas (X – M). Se tiver dúvida, releia o
capítulo III-2.

Y=C+I+G+X–M

Vejamos a contribuição de cada um dos componentes para o comportamento


decrescente da demanda agregada, exceto pelos gastos públicos, cujo valor
é fixado por critérios políticos e não econômicos.

Primeiramente analisemos o consumo. Quando os preços das mercadorias


caem, nós, consumidores, conseguimos comprar mais itens com nosso
dinheiro.

Generalizando, quando o nível de preços de toda a economia diminui, o


dinheiro das pessoas passa a ser mais valioso, permitindo que os
consumidores adquiram mais bens e serviços e, por consequência, a
demanda agregada aumenta. Note a relação inversa que caracteriza a
inclinação negativa da demanda agregada: nível de preços cai e quantidade
demandada aumenta. Esse fato é conhecido na literatura econômica por
efeito riqueza.

Vejamos agora o caso dos investimentos. As firmas, objetivando aumentar


seus lucros, sempre querem expandir suas plantas industriais e seus

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equipamentos. Assim, as firmas têm projetos de investimentos para


aumentar sua capacidade produtiva, que, se implementados, geram uma
determinada taxa de retorno. No entanto, se a taxa de juros praticada pelo
mercado financeiro for alta, o retorno dos investimentos da firma talvez não
seja o suficiente. É melhor para o empresário fazer uma aplicação financeira
do que aumentar sua capacidade produtiva. Porém, se a taxa de juros cai,
será lucrativo empreender mais e mais projetos. Em suma, taxas de juros
altas reduzem a demanda de investimento. Mas onde está a relação disso
com o nível de preços?

Começamos a responder com um novo questionamento: quando o nível de


preços está baixo, você precisa de mais ou menos moeda (dinheiro) para
suas transações diárias? Ora, se tudo custa pouco, vou precisar de pouco
dinheiro para pagar minhas contas e comprar o que necessito. Bem, então
quando o nível de preços é baixo, a demanda por moeda para transações é
menor. Mas se a necessidade de reter moeda é pequena, as famílias
racionalmente depositam o excedente de seu dinheiro em uma poupança de
forma a receber juros. Os bancos, ao receberem esses depósitos, colocam o
dinheiro à disposição para empréstimos, afinal essa é uma das funções do
sistema bancário: servir de intermediador financeiro.

Quanto mais dinheiro estiver à disposição, é mais fácil consegui-lo (dinheiro


mais barato) e, por conseguinte, menores serão as taxas de juros. Já vimos
que, com taxas de juros baixas, os projetos de investimentos das firmas
ganham prioridade, além disso, é menos custoso financiar o investimento
(tomar empréstimos).

Resumindo, quando o nível de preços é baixo, a necessidade de moeda é


menor, o que acarreta taxas de juros menores, que incentiva o investimento,
que aumenta a demanda agregada.

Por fim, temos que as exportações líquidas também aumentam quando o


nível de preços está mais baixo. Isso ocorre por meio da taxa de câmbio.

Deixaremos para explicar melhor esse tema na unidade IV.

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Bem, vimos até agora que oscilações no nível de preços alteram a quantidade
demandada de bens e serviços e, assim, caminhamos sobre a curva da
demanda agregada.

Além desse caso, existem outros fatores que alteram a quantidade


demandada deslocando a curva da demanda agregada para outro patamar,
sem alterar o nível de preços. Tais flutuações podem ser causadas, por
exemplo, por um aumento generalizado de impostos que diminui a renda
disponível da população e sacrifica o consumo, deslocando a curva da
demanda agregada para a esquerda.

Esse mesmo movimento pode ser causado por quedas no investimento


decorrentes, por exemplo, do pessimismo dos empresários em relação a um
novo governo que propõe intervir demasiadamente na economia.

A demanda agregada pode ainda ser deslocada para a esquerda se o governo


opta por uma política de superávit (economizar recursos) tendo por base a
contenção das compras de bens e serviços pelo Estado. Ou, por fim, o
deslocamento para a esquerda pode acontecer se as exportações diminuem
porque um importante parceiro comercial do Brasil, como os Estados Unidos,
entra em recessão. Todos esses eventos podem ser ilustrados pelo gráfico
III-3.3.

Demos exemplos que deslocaram a curva da demanda agregada para a


esquerda, diminuindo o PIB, mas, é claro, podemos ter os mesmos exemplos
fazendo a demanda agregada ir para a direita, refletindo um aumento do PIB

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(diminuição dos impostos, otimismo com um próximo governo, gastos


públicos maiores e o exterior comprando mais do Brasil). Vejamos agora a
oferta agregada.

Oferta Agregada

Como dissemos, a curva de oferta agregada mostra a quantidade de bens e


serviços que as empresas produzem e vendem a cada nível de preços. Neste
ponto, temos de fazer a distinção entre a oferta agregada de longo prazo e a
de curto prazo.

No longo prazo, presume-se que a economia estará sempre no seu produto


potencial, isto é, estará produzindo o máximo que pode considerando os
fatores de produção disponíveis. Nesse caso, o produto de equilíbrio é
independente do nível de preços e, portanto, é representado por uma reta
vertical (gráfico III-3.4). A oferta agregada de longo prazo não é influenciada
pelos preços porque depende apenas da oferta de trabalho, capital, recursos
naturais e da tecnologia disponível.

Como se aumenta o produto potencial? Ou seja, como se desloca a curva da


oferta agregada para a direita? No longo prazo, isso se consegue por meio de

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aumento da força de trabalho (como pela promoção da entrada de


imigrantes), de aumento do estoque de capital o que eleva a produtividade,
a descoberta de novas fontes de recursos naturais e inovações tecnológicas.
Esses eventos permitem que mais bens e serviços sejam produzidos,
elevando o produto potencial.

No curto prazo, porém, a economia não tem tempo para fazer os ajustes
necessários quando há alterações nos preços, de modo que o produto pode
se desviar do nível potencial (em que há pleno emprego dos fatores de
produção). Nesse caso, a curva de oferta é representada por uma curva
crescente, em que uma queda do nível de preços produz uma queda na
quantidade de bens e serviços ofertados (gráfico III-3.5).

Os mesmos eventos que deslocam a curva de oferta agregada de longo prazo


podem deslocar a de curto prazo.

Flutuações Econômicas e o Equilíbrio

Vamos supor uma situação em que estejamos no nível do produto potencial


(gráfico III-3.6). A economia está equilibrada no ponto O (a oferta agregada
é igual à demanda agregada).

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No entanto, por alguma conjuntura pessimista (uma guerra, por exemplo),


as famílias diminuem seu consumo e as firmas param de investir. Isso causa
um deslocamento da demanda agregada para a esquerda (de DA0 para DA2).
No curto prazo, isso causa uma diminuição do PIB e uma queda dos preços
(ponto B).

Nessa nova realidade, depois de transcorrido mais tempo (longo prazo), os


custos das empresas também irão diminuir, elas passarão a pagar salários
menores. Com menor custo, a margem de lucro aumenta e as firmas têm
incentivos a ofertar mais bens e serviços, o que desloca a oferta agregada
para a direita (de OA0 para OA2) e o equilíbrio da economia fica no ponto C.
Ou seja, no longo prazo, a economia volta a se estabilizar no seu produto
potencial, mas com nível de preços bem abaixo do equilíbrio inicial. Veja a
ilustração no gráfico III-3.7.

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A Influência das Políticas Monetária e Fiscal

Estudamos na lição 1 desta unidade que a política monetária refere-se à


atuação do governo sobre a quantidade de moeda, crédito e das taxas de
juros, mas que, na atualidade, o principal instrumento da política monetária
é a taxa de juros.

O Banco Central, ao alterar a taxa de juros (taxa SELIC 3que é a taxa básica
de juros na economia brasileira), promove mudanças na demanda agregada.
Se a taxa de juros fica menor, reduz o custo dos empréstimos e o retorno da
poupança. Em consequência, as famílias compram mais e as firmas investem
em novas fábricas e equipamentos. Como resultado, a quantidade
demandada de bens e serviços a um dado nível de preços aumenta,
deslocando a curva da demanda agregada para a direita.

No Brasil, toda a sociedade fica atenta às reuniões do COPOM (Comitê de


Política Monetária do Banco Central), que tem por atribuição fixar a taxa
SELIC. O resultado dessas reuniões tem reflexos por todo o ambiente
econômico.

3
Taxa SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia – é a taxa que baliza
as operações financeiras realizadas pelos bancos na liquidação de títulos.

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Você percebeu que normalmente os noticiários divulgam a taxa SELIC e


informam logo em seguida o impacto na bolsa de valores? Isso acontece
porque o mercado de ações é muito sensível às mudanças na taxa básica de
juros, mas por quê? Um aumento na taxa de juros faz o índice da bolsa de
valores cair porque surgem aplicações financeiras mais atraentes que as
ações da bolsa, como os títulos públicos. Além disso, uma elevação das taxas
de juros impacta negativamente a economia, diminuindo os lucros das
empresas e diminuindo o valor de suas ações.

Vejamos agora os efeitos da política fiscal. O governo pode aumentar a


demanda agregada, comprando mais bens e serviços. Isso desloca a
demanda agregada para a direita e, no curto prazo, teremos um aumento do
PIB. O governo pode também atuar por meio da política tributária. Por
exemplo, se a alíquota do imposto de renda diminui, os cidadãos passam a
ter mais renda disponível. Parte dessa renda extra será gasta com consumo,
o que aquece a demanda agregada. Analogamente, se os impostos
aumentam, a demanda agregada se contrai.

Por fim, cabe enfatizar que tanto a política fiscal quanto a monetária podem
ser usadas para estabilizar a economia. Se estivermos em um período de
extremo otimismo e as pessoas estão consumindo muito além da capacidade
das firmas de ofertarem produtos, isso causaria elevação generalizada dos
preços, ou seja, inflação. O governo, desejando manter a estabilidade dos
preços, pode tomar medidas para contrair a demanda agregada, como
aumentar a taxa de juros ou cortar os gastos públicos. Por outro lado, se
passamos por um momento de recessão, o governo vai querer incentivar a
economia a crescer. Para tanto, pode baixar as taxas de juros, diminuir os
impostos ou aumentar os gastos públicos.

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Exercícios de Fixação - Módulo III

Parabéns! Você chegou ao final do Módulo III do curso Fundamentos da


Ciência Econômica.

Como parte do processo de aprendizagem, sugerimos que você faça uma


releitura do conteúdo e resolva os Exercícios de Fixação. O resultado não
influenciará na sua nota final, porém, o acesso aos Módulos seguintes está
condicionado à resolução e envio das respostas.

Lembramos, ainda, que a plataforma de ensino faz a correção imediata das


respostas!

Para ter acesso aos Exercícios de Fixação, clique em exercício de fixação do


módulo III, localizado na página inicial do curso.

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MÓDULO IV - SETOR EXTERNO

Ao final do estudo deste módulo, esperamos que você


possa:

 Entender como ocorrem as conversões entre moedas diferentes;


 Conhecer os tipos de regimes cambiais existentes;
 Ser capaz de analisar as consequências na macroeconomia decorrentes
de alterações na taxa de câmbio; e
 Entender o que é o balanço de pagamentos e saber interpretar seus
valores, com as respectivas consequências para o país.

Conteúdo programático da unidade 1

 Introdução.
 Mercado cambial.
 Regimes cambiais.
 Efeitos da variação da taxa de câmbio.

Resumo da unidade 1

A taxa de câmbio é o meio utilizado para os países, com moedas diferentes,


realizarem transações econômico-financeiras.

Quanto mais valorizada for a moeda local, menor será a taxa de câmbio e
maior poder de compra terá essa moeda. Uma taxa de câmbio desvalorizada
incentiva as exportações do país, uma vez que o bem produzido internamente
fica mais barato em relação aos concorrentes internacionais. O regime
cambial do Brasil é o flutuante, embora se aceite intervenções do Banco
Central para manter uma certa estabilidade da taxa de câmbio.

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Introdução da unidade 1

Atualmente, as economias de todos os países estão interligadas, havendo


uma integração cada vez maior dos mercados, dos meios de comunicação e
dos transportes. A esse processo de interligação das economias chamou-se
globalização. Com essa maior interação entre os países, as relações
econômicas internacionais ocupam, cada vez mais, papel fundamental para
as nações.

No entanto, cada país possui sua própria moeda. Para que as transações
econômicas aconteçam entre eles, é preciso que haja uma regra de conversão
que permita a comparação entre moedas diferentes. Essa regra é a taxa de
câmbio. Neste módulo, estudaremos como acontece a definição da taxa de
câmbio, os regimes cambiais existentes e o impacto, nas variáveis
macroeconômicas, decorrente de alterações no mercado cambial.

Mercado cambial

Você se lembra de quando estudamos as leis de mercado? Vimos que quando


havia um excesso de chocolate, a tendência era o preço cair e quando havia
falta, o preço das barras de chocolate aumentava. O mesmo acontece no
mercado cambial.

Basta imaginar a moeda estrangeira, ou divisa, como se fosse um bem e a


taxa de câmbio como se fosse seu preço. Assim, a taxa de câmbio é
determinada pela oferta de divisas (agentes que precisam trocar dólares por
reais, como os exportadores) e pela demanda de divisas (agentes que
precisam trocar reais por dólares, como os importadores). Por exemplo,
vamos supor que a taxa de câmbio esteja no seguinte patamar: 1 dólar =
2,01 reais (US$1,00 = R$2,01).

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Por simplificação, estaremos sempre comparando o real ao dólar; no entanto,


a taxa de câmbio existe entre todas as moedas, como libra, iene, euro, etc.

A taxa de câmbio é um reflexo de diversas variáveis como o resultado do


balanço de pagamentos (que será estudado na lição seguinte), especulações
financeiras e políticas governamentais. Assim, é comum a taxa de câmbio
não refletir a paridade do poder de compra entre as moedas. O que é isso?
Se a taxa de câmbio fosse equivalente ao poder de compra, bastaria fazermos
a conversão das moedas e conseguiríamos comprar os mesmos bens em
países diferentes. Por exemplo, considerando que um refrigerante aqui custa
R$2,00, nos Estados Unidos, esse mesmo refrigerante deve custar US$1,00
(uma vez que a taxa de câmbio é aproximadamente US$1,00=R$2,00). No
entanto, isso não acontece, pois um refrigerante custa em torno de dois
dólares nos EUA.

Em 1986, a revista inglesa The Economist criou o índice Big Mac, que é um
indicador do poder de compra das principais moedas mundiais, tendo como
referência o preço do sanduíche, que é produzido com as mesmas matérias-
primas e vendido em praticamente todo o mundo.

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Curiosidade “ÍNDICE BIG MAC”


Conforme o site http://www.economist.com/content/big-mac-index (em
03/05/2013), o Big Mac custa o seguinte em dólar:
 Venezuela – US$ 9,08
 Brasil – US$ 5,64
 Canadá – US$ 5,39
 Zona do Euro – US$ 4,88
 EUA – US$ 4,37
 Chile – US$ 4,35
 Argentina – US$ 3,82
 Japão – US$ 3,51
 China – US$ 2,57
 Índia – US$ 1,67
Por esses dados, o maior poder de compra do dólar americano é na Índia e
o menor poder de compra é na Venezuela.

Como todo equilíbrio, a taxa de câmbio oscila conforme as forças de mercado


(oferta e demanda). A seguir, apresentamos um gráfico que ilustra as
oscilações do real em relação ao dólar.

Note, pelo gráfico anterior, que temos o auge da taxa de câmbio em 2002.
Quando as eleições presidenciais foram concluídas, Lula foi o vencedor. Como
existiam incertezas sobre a condução da política econômica de um presidente
do Partido dos Trabalhadores, o dólar atingiu uma de suas cotações mais

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altas: valia R$3,63 em dezembro desse ano. Após a posse de Lula, em 2003,
percebeu-se que não haveria mudanças na economia, o que causou o declínio
do câmbio desde então.

Em 1995, um dólar valia R$ 0,97. Podemos dizer que o real estava valorizado,
mas como se define valorização cambial? Trata-se de um aumento do
poder de compra da moeda nacional (1 real compra mais dólares).
Corresponde a uma queda na taxa de câmbio.

Já no exercício de 2002, o real estava muito desvalorizado, ou seja, a


desvalorização cambial representa uma perda do poder de compra da
moeda nacional (1 real compra menos dólares). Corresponde a um
aumento da taxa de câmbio.

Regimes Cambiais

Um regime cambial descreve as regras estabelecidas pelo governo que


permitem a determinação da taxa de câmbio. Basicamente, existem dois
tipos de regimes cambiais:

 Regime de Câmbio Fixo: o Banco Central - BACEN fixa o valor da taxa


de câmbio. Nesse caso, o BACEN deve possuir moeda estrangeira
suficiente para atender uma situação de excesso de demanda por esta
moeda (a exemplo de uma situação de déficit no Balanço de
Pagamentos, que será detalhada na lição seguinte. Além disso, o
BACEN perde liberdade na condução da política monetária, tendo de
adquirir qualquer oferta de moeda estrangeira.
 Regime de Câmbio Flutuante: a taxa de câmbio deve ajustar-se de
modo a equilibrar o mercado de divisas. O excesso de demanda por
divisas elevará o preço da moeda estrangeira (a moeda nacional se
desvalorizará) e vice-versa.

Baseia-se num mercado de divisas do tipo concorrência perfeita. O problema


desse regime é que gera instabilidade em virtude da maior volatilidade da
taxa de câmbio. Isso pode desestabilizar os fluxos comerciais e reduzir os
investimentos. Existem outros regimes, baseados nos dois primeiros:

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 Flutuação Suja (dirty-floating): baseia-se no regime flutuante, mas


com intervenções do BACEN, limitando as instabilidades.
 Bandas Cambiais: estipula-se uma taxa de câmbio central e um
intervalo de variação para cima e para baixo. Enquanto a taxa de
câmbio estiver dentro do intervalo estipulado, segue-se o regime
flutuante; atingindo os limites de variação, o BACEN age como se fosse
regime de câmbio fixo.

No Brasil, hoje, o câmbio é dito pelas autoridades monetárias como flutuante,


mas sabe-se que o Banco Central atua para limitar as instabilidades.

Efeitos da variação da taxa de câmbio

Com desvalorização cambial, a taxa de câmbio sobe, um dólar passa a valer


mais reais, em consequência os produtos brasileiros ficam mais baratos e os
estrangeiros mais caros. Há um estímulo às exportações e desestímulo às
importações. Na valorização cambial, acontece o contrário.

Com relação aos aumentos generalizados de preços, o controle da inflação


por meio da valorização cambial chama-se âncora cambial. Com a
valorização, a moeda nacional tem maior poder de compra no exterior, as
importações aumentam, crescendo a concorrência com os produtos
nacionais, o que provoca pressão pela queda dos preços internos. Essa
política representa um custo para o setor exportador e para a indústria
nacional.

Hoje não se discute tanto a dívida externa quanto antigamente, pois ela
passou a não ser tão expressiva quanto à dívida interna. Mas, de qualquer
forma, no curto prazo, uma desvalorização cambial aumenta o estoque da
dívida externa em reais.

Num médio prazo, a desvalorização, ao estimular exportações e desestimular


importações, pode aumentar a oferta de dólares, com consequente queda da
moeda estrangeira. Isso levaria a uma queda da dívida externa.

Há ainda o efeito da taxa de juros sobre a taxa de câmbio. Com taxa de juros
interna alta, há uma tendência a um aumento do fluxo de capitais financeiros

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internacionais para o país. Isso aumenta a oferta de divisas, fazendo cair a


taxa de câmbio. No caso de queda da taxa de juros interna, o movimento se
dá ao contrário.

Conteúdo programático da unidade 2

 Introdução.
 Estrutura do Balanço de Pagamentos.
 Estudo de Caso.

Resumo da unidade 2

O Balanço de Pagamentos registra todas as transações econômico-financeiras


realizadas por residentes de um país com os residentes do restante do
mundo. Sua estrutura é formada por quatro grandes contas – Transações
Correntes, Conta Capital, Conta Financeira e Erros e Omissões – que,
somadas, formam o resultado do Balanço de Pagamentos. Se o resultado for
positivo, saldo superavitário, o destino dos recursos é normalmente o
incremento das reservas do país, úteis em momentos de turbulência cambial.
Se o resultado for negativo, saldo deficitário, deve-se corrigir o desequilíbrio
usando as reservas armazenadas anteriormente ou obtendo empréstimos. Se
isso não for possível, o país será obrigado a decretar moratória.

Introdução da unidade 2

Ao longo do tempo, o comércio internacional foi ganhando mais e mais


importância. Em face dessa atividade crescente, os países começaram a
sentir necessidade de medir o valor das transações efetuadas com o exterior,
principalmente devido às dificuldades advindas de problemas econômicos
como inflação, escassez de divisas, contingenciamento de importações, etc.

Como o assunto tornou-se de interesse geral por grande parte do mundo, o


Fundo Monetário Internacional (FMI) criou um modelo padronizado para fazer

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essa contabilização das transações internacionais. Tal modelo foi chamado de

Balanço de Pagamentos - BP.

Em suma, o Balanço de Pagamentos de um país representa o resumo contábil


das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo, durante
certo período de tempo. Possibilita avaliar a situação econômica internacional
do país.

Estrutura do Balanço de Pagamentos

No Brasil, o BP é elaborado pelo Banco Central. A contabilização é feita em


dólar e segue, desde 2001, a mais recente metodologia do Fundo Monetário
Internacional, divulgada na quinta edição do Manual de Balanço de
Pagamentos do FMI.

A atual estrutura do BP é a seguinte:


A. Transações Correntes
1. Balança Comercial (operações com mercadorias)
1.1. Exportações FOB
1.2. Importações FOB
2. Serviços (viagens, transportes, seguros, serviços governamentais, etc)
3. Rendas (salários, juros, lucros, dividendos)
4. Transferências Unilaterais (donativos)
B. Conta Capital (transferências de patrimônio)
C. Conta Financeira
1. Investimentos Diretos
2. Investimentos em Carteira
3. Derivativos
4. Outros Investimentos
D. Erros e Omissões
Resultado do Balanço (A+B+C+D)
E. Transações Compensatórias (Financiamento Oficial Compensatório)
1. Variações de Reservas (moeda estrangeira e ouro)
2. Operações de Regularização (acordo com bancos internacionais, FMI)
3. Atrasados Comerciais (não pagamento de um compromisso no prazo)

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A Balança Comercial registra as exportações e as importações pelo seu valor


FOB (free on board, significa que a mercadoria é contabilizada pelo seu valor
de embarque no país de origem, antes de acontecer o transporte). As
exportações são contabilizadas como receitas e as importações, como
despesas. No caso brasileiro, a Balança Comercial é a maior fonte de divisas.

A conta Serviços, como o próprio nome diz, registra todos os serviços pagos
ou recebidos pelo país, como viagens internacionais, fretes, manutenção de
embaixadas, etc. As entradas de divisas são contabilizadas com sinal positivo
e as saídas, com sinal negativo.

Em Rendas, constam as remunerações do fator trabalho (salários), bem com


as remunerações dos investimentos (juros, lucros e dividendos).

Transferências Unilaterais representam transações que não criam


contrapartidas. São exemplos os donativos, remessas de dinheiro de não-
residentes (como os brasileiros que migraram para o exterior e
constantemente enviam ajuda para suas famílias aqui no Brasil), auxílios a
instituições beneficentes ou religiosas, etc.

A conta Transações Correntes é a soma da Balança Comercial, de Serviços,


de Rendas e das Transferências Unilaterais.

O saldo em Transações Correntes é chamado de poupança externa. Se esse


saldo for negativo (déficit), temos poupança externa positiva - estamos
absorvendo recursos reais (não financeiros) do resto do mundo. Porém, se o
saldo em Transações Correntes for positivo (superávit), existe uma poupança
externa negativa - estamos transferindo bens e serviços para o resto do
mundo.

O fato de o país apresentar superávit em Transações Correntes é importante


porque inspira confiança no mercado internacional, facilitando a obtenção de
créditos. Por outro lado, se o saldo em Transações Correntes for negativo, o
país fica vulnerável a crises cambiais e suscetível a desvalorizações da moeda
nacional.

A Conta Capital envolve as transferências de patrimônio por migrantes,


incluídas aí as marcas e patentes.

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Fundamentos da Ciência Econômica

A Conta Financeira abrange os investimentos diretos (de estrangeiros no


Brasil ou de brasileiros no exterior), os investimentos em carteira
(negociações de títulos de crédito: aplicações brasileiras em títulos
estrangeiros e aplicações estrangeiras em títulos brasileiros), os derivativos
(que registram fluxos financeiros relativos à liquidação de alguns tipos de
haveres e obrigações) e outros investimentos (contabiliza transações como
empréstimos e financiamentos, movimentação de depósitos mantidos no
exterior e alguns outros fluxos).

Por fim, temos Erros e Omissões que se destinam a sanar falhas de


contabilização que podem acontecer devido ao fato de o Balanço de
Pagamentos ser consolidado a partir de informações de diversas fontes.

Somando A, B, C e D, conforme a estrutura do BP, temos o resultado do


Balanço. O saldo será superavitário quando o total de créditos das transações
(entradas de divisas) for superior ao total dos débitos (saída de divisas). O
saldo positivo serve principalmente para incrementar as reservas do país,
úteis em momentos de turbulência cambial. Na história recente do Brasil,
passamos por três graves momentos internacionais que causaram, em 1999,
a adoção do câmbio flutuante: Crise do México (1994), Crise Asiática (1997)
e Crise da Rússia (1998).

Em oposição, o resultado do Balanço pode ser negativo. Nesse caso, deve-se


tomar alguma medida para corrigir o desequilíbrio. O país pode usar as
reservas de ouro ou moeda acumuladas em períodos anteriores e pode pedir
empréstimos para cobrir o rombo (operações de regularização). Se não
conseguir as opções anteriores, deixará de pagar os compromissos externos,
declarando moratória. Os pagamentos não realizados passam a constituir
os atrasados comerciais.

Estudo de caso

Para termos uma ideia da situação externa brasileira, veja a tabela a seguir
que apresenta a consolidação dos valores do Balanço de Pagamentos de 2012
do Brasil.

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Fundamentos da Ciência Econômica

A balança de pagamentos foi superavitária em 2012 graças à conta


financeira, em especial aos investimentos estrangeiros diretos, que
compensaram o déficit da conta corrente. O resultado do BP, US$ 18,9
bilhões, foi bem abaixo do alcançado no ano anterior, quando a balança de
pagamentos fechou em US$ 58,6 bilhões. Note que o saldo em transações
correntes foi negativo, o que significa que o Brasil obteve uma poupança
externa positiva, ou seja, absorvemos recursos reais do resto do mundo.

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Fundamentos da Ciência Econômica

Exercícios de Fixação - Módulo IV

Parabéns! Você chegou ao final do Módulo IV do curso Fundamentos da


Ciência Econômica.

Como parte do processo de aprendizagem, sugerimos que você faça uma


releitura do conteúdo e resolva os Exercícios de Fixação. O resultado não
influenciará na sua nota final, porém, o acesso aos Módulos seguintes está
condicionado à resolução e envio das respostas.

Lembramos, ainda, que a plataforma de ensino faz a correção imediata das


respostas!

Para ter acesso aos Exercícios de Fixação, clique em exercício de fixação do


módulo IV, localizado na página inicial do curso.

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Fundamentos da Ciência Econômica

MÓDULO V - ECONOMIA DO SETOR PÚBLICO E FINANÇAS


PÚBLICAS

Ao final do estudo deste módulo, esperamos que você possa:

 Mostrar as razões para a existência do governo;


 Entender que existem alguns bens que devem ser providos pelo
Estado, bem como algumas atividades que só o governo pode
desempenhar; e
 Entender os conceitos de déficit público, desfazer mitos relativos às
finanças públicas e conhecer as formas de financiamento do governo.

Conteúdo programático da unidade 1

 Introdução.
 Bens Públicos.
 Monopólios Naturais.
 Externalidades.
 Desemprego e Inflação.

Resumo da unidade 1

O governo tem um papel fundamental nos mercados porque é o ente


autorizado a tentar solucionar as falhas existentes, como bens públicos,
monopólios naturais, externalidades, desemprego e inflação.

Introdução da unidade 1

Nossas vidas são constantemente influenciadas pelo governo. Seja pelo que
é oferecido a nós por meio dos serviços públicos (no caso do Brasil, muitas
vezes de baixa qualidade), seja pelo que é retirado de nós por meio da
tributação, que, para o Brasil, é extremamente elevada.

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Fundamentos da Ciência Econômica

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, a carga tributária


atingiu 36% do PIB em 2011.

Curiosidade

“Pela quarta vez consecutiva, o Brasil, que está entre as 30 nações com as
maiores cargas tributárias do mundo, se posiciona no último lugar como
provedor de serviços públicos de qualidade à população, como saúde,
educação, segurança, transporte e outros. Os dados são do Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, e estão contidos no “Estudo
sobre a Carga Tributária/PIB X IDH”, divulgado em 13 de abril de 2013”.

Por mais que nós nos irritemos com o governo (independentemente do


partido ao qual pertença), os governos são fatos: eles existem, quer
gostemos ou não. Mas por que existe a necessidade de um governo?

O mundo vem se tornando cada vez mais complexo, de forma que é


necessário um governo que faça a regulação da economia e promova a
estabilidade do nível de atividade, do emprego e dos preços.

A Teoria Econômica tradicional ensina que um ambiente de concorrência


perfeita pode levar a economia a uma situação eficiente (denominada na
literatura de ótimo de Pareto). Uma alocação é eficiente, conforme Pareto,
quando ninguém pode melhorar de situação sem que pelo menos uma outra
pessoa piore. Vamos ver um exemplo concreto.

Suponha que temos 10 maçãs para distribuir entre João e Maria. Se dermos
5 para João e 4 para Maria, temos uma situação ineficiente, pois não estamos
usando todos os bens disponíveis (no caso 10 maçãs). Em outras palavras, é
ineficiente porque Maria pode ter mais maçãs sem que João tenha que abrir
mão das que recebeu. Se Maria e João receberem 5 maçãs cada um, teremos
uma situação eficiente, pois, para que um deles aumente sua cota, o outro
terá de perder maçãs. Da mesma forma, se Maria receber 8 maçãs e João
receber 2 maçãs, caracteriza-se também uma situação eficiente, embora
menos justa que a repartição igualitária.

O fato de os mercados competitivos gerarem uma situação eficiente é uma


visão idealizada do sistema. Na realidade, existem algumas circunstâncias

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Fundamentos da Ciência Econômica

conhecidas como falhas de mercado, que impedem que ocorra uma situação
ótimo de Pareto. São as seguintes as principais falhas de mercado:

 Existência de bens públicos.


 Falha de competição que se reflete na ocorrência de monopólios
naturais.
 Externalidades.
 Ocorrência de desemprego e inflação.

Assim, a existência do governo se faz necessária para guiar, corrigir e


complementar o sistema de mercado. A seguir, discute-se cada uma dessas
falhas de mercado citadas.

Bens públicos

Os bens públicos são caracterizados por serem indivisíveis e por responderem


ao princípio da “não exclusão” no consumo desses bens. Indivisíveis porque
o consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o
consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade. São não
excludentes porque, em geral, é difícil ou mesmo impossível impedir que um
determinado indivíduo usufrua um determinado bem público. São exemplos
clássicos de bens públicos: iluminação pública, justiça, segurança pública e
defesa nacional.

A questão que se coloca é como ratear os custos de produção dos bens


públicos entre a população, uma vez que é impossível determinar o efetivo
benefício que cada indivíduo derivará do seu consumo. Se as pessoas fossem
informar quanto valeria aquele bem para elas, a tendência é que todos
subestimem a real utilidade para pagar menos. Além disso, como não há
como individualizar o consumo, é natural que apareçam caronas (free riding)
dizendo que não querem aquele bem e não pagarão por ele, ainda que
acabem usufruindo o benefício do bem público.

É justamente o princípio da “não exclusão” no consumo dos bens públicos


que torna a solução de mercado, em geral, ineficiente para garantir a
produção da quantidade adequada de bens públicos requerida pela sociedade.
O sistema de mercado só funciona adequadamente quando o princípio da

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Fundamentos da Ciência Econômica

“exclusão” no consumo pode ser aplicado. Por exemplo, se José comprou um


sapato é porque pagou o preço do sapato, enquanto João, que não pagou por
esse bem, é excluído desse consumo. É por esta razão que a responsabilidade
pela provisão de bens públicos recai sobre o governo, que financia a produção
desses bens por meio da cobrança compulsória de impostos.

Monopólios Naturais

Como vimos na Unidade II, os monopólios naturais são setores cujo processo
produtivo caracteriza-se pelos retornos crescentes de escala (quanto maior é
a produção, menor é o custo da unidade produzida). Sendo assim,
dependendo do tamanho do mercado consumidor dos bens desses setores,
pode ser mais vantajoso haver apenas uma única empresa produtora do bem
em questão. Por exemplo, pode ser mais eficiente a existência de apenas
uma empresa de distribuição de energia elétrica servindo um mercado
consumidor local, uma vez que os custos de distribuir energia são muito altos,
como postes e cabos por toda a cidade.

No caso da ocorrência do monopólio natural, a intervenção do governo pode


tomar duas formas possíveis. Ele pode exercer apenas a regulação dos
monopólios naturais, a fim de impedir que o forte poder de mercado detido
pelas empresas monopolistas reflita-se na cobrança de preços abusivos junto
aos consumidores, o que representaria uma perda de bem-estar para a
sociedade como um todo. Ou o governo pode responsabilizar-se diretamente
pela produção do bem ou serviço referente ao setor caracterizado pelo
monopólio natural.

Externalidades

Externalidade é um conceito utilizado na ciência econômica para referir-se


aos efeitos exercidos pela produção de uma empresa ou o consumo de um
indivíduo sobre terceiros de forma positiva ou negativa.

Por exemplo, uma fábrica de cimento exerce um impacto positivo numa


comunidade quando faz uma praça para a comunidade da região onde está

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Fundamentos da Ciência Econômica

instalada. De outro lado, uma externalidade negativa dessa atividade pode


ser dada pela fumaça lançada na atmosfera, trazendo prejuízos à saúde das
pessoas moradoras na região.

Outro exemplo é o investimento em setores de infraestrutura que, garantindo


um aumento da oferta de insumos importantes como a energia elétrica, traz
benefícios para todos os outros setores da economia.

Pode-se usar o conceito de externalidade até em situações do cotidiano: o


latido dos cachorros cria uma externalidade negativa porque os vizinhos são
perturbados pelo barulho. Os donos não arcam com o custo total do barulho
e, por isso, tendem a tomar poucas precauções para que seus cães não latam.

A existência de externalidades justifica a intervenção do Estado, que pode se


dar por meio de:

 produção direta ou concessão de subsídios, para gerar externalidades


positivas;
 multas ou impostos, para desestimular externalidades negativas;
 regulamentação.

Desemprego e Inflação

O livre funcionamento do sistema de mercado não soluciona problemas como


a existência de altos níveis de desemprego e inflação. Neste caso há espaço
para a ação do Estado no sentido de implementar políticas que visem à
manutenção do funcionamento do sistema econômico o mais próximo
possível do pleno emprego e da estabilidade de preços.

Estudo de caso

Por que a gasolina é tributada tão pesadamente?

(caso baseado em texto de N. Gregory Mankiw, Introdução à Economia)

Em muitos países, a gasolina está entre os bens mais pesadamente tributados


da economia: nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de metade do preço

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que os motoristas pagam pela gasolina se deve a impostos. Em muitos países


europeus, o imposto é ainda mais elevado e o preço da gasolina é três ou
quatro vezes maior do que nos Estados Unidos.

Por que esse imposto é tão comum? Uma resposta possível é que o imposto
sobre a gasolina tenha por objetivo corrigir externalidades negativas
associadas aos carros:

 Congestionamentos: quanto mais cara a gasolina, mais as pessoas são


incentivadas a usar transporte público, fazer rodízio de carros ou morar
mais próximo de suas atividades.
 Acidentes: pesquisas revelam que os carros grandes ou veículos
utilitários geram mais riscos para as pessoas de modo geral. O imposto
sobre a gasolina é uma forma indireta de fazer com que as pessoas
paguem pelo risco que seus carros grandes e de elevado consumo
impõem aos outros.
 Poluição: a queima de combustíveis fósseis como a gasolina é tida
como causa do aquecimento global. O imposto sobre a gasolina reduz
o problema na medida em que reduz o uso da gasolina.

Assim, o imposto sobre a gasolina faz com que a economia funcione melhor.
Ele representa menos congestionamentos, estradas mais seguras e um meio
ambiente mais limpo.

Conteúdo programático da unidade 2

 Introdução.
 Déficit ou poupança negativa?
 Conceitos de Déficit Público.

Resumo da unidade 2

O governo, ao gastar mais do que arrecada, tem de se financiar. Isso


acontece por emissão monetária ou emissão de títulos públicos. A segunda
opção é a que vem sendo usada, uma vez que não gera inflação. Apesar dos
esforços do Brasil em obter um superávit primário, quando se considera as

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despesas com pagamento de juros da dívida, temos um déficit nominal, o


que só faz aumentar o estoque de nossa dívida interna.

Introdução da unidade 2

Ocorre superávit das contas públicas quando a arrecadação dos tributos


supera os gastos do governo em um determinado período. Ao contrário,
quando os gastos públicos superam a arrecadação tributária, temos o déficit
público.

O déficit é o resultado negativo das contas públicas medido normalmente pelo


período de um ano (coincidente com o calendário). Para tapar o buraco, o
governo pode emitir moeda; no entanto, essa saída gera inflação, pois o
excesso de dinheiro em circulação faz os preços dos bens e serviços
aumentarem. A outra alternativa do governo é emitir títulos públicos, vendê-
los no mercado e, com o dinheiro arrecadado, fechar a diferença. Essa é a
saída utilizada por todos os países na atualidade, inclusive o Brasil.

O problema é que esses recursos obtidos por intermédio da venda de títulos


terão, em algum momento, de ser devolvidos, ou seja, quem comprou o título
vai entregá-lo ao governo e receberá seu dinheiro de volta acrescido de juros.
Funciona exatamente como um empréstimo normal. Enquanto essa
devolução do dinheiro não acontece, o valor da venda dos títulos se soma a
um imenso estoque chamado dívida interna.

Se, no momento do vencimento de parte dessa dívida e do pagamento dos


respectivos juros, o governo não arrecadar tributos o suficiente, terá que
apelar outra vez para a emissão de mais títulos, pois apresentará novamente
um déficit em suas contas.

Com certeza você ouviu dizer que o governo está fazendo um esforço enorme
para conseguir um superávit em suas contas. Mas está obtendo sucesso? Ou
será que existem várias metodologias diferentes que não nos deixam
entender direito o que está acontecendo? Vamos esclarecer essas e outras
questões neste módulo sobre finanças públicas.

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Fundamentos da Ciência Econômica

Déficit ou poupança negativa?

É comum ler em jornais opiniões dizendo que “o governo tem uma poupança
negativa, já que tem déficit” ou ainda tratando superávit como sinônimo de
poupança positiva. Apesar de haver vinculação entre os conceitos,
“poupança” e “déficit” não devem ser confundidos.

Deixando de lado, aqui, a distinção entre juros nominais e reais e supondo


inflação nula, podemos definir, genericamente, o déficit do governo, ou seja,
suas necessidades de financiamento, como:

NFG = CG + JG + IG – T

Na fórmula, expressa acima, as siglas:

 NFG é a necessidade de financiamento


 CG é o consumo do governo
 JG são os juros da dívida
 IG representa o investimento público
 T é a receita tributária líquida (deduzidos subsídios e transferências)

A poupança do governo é, por definição:

SG = T – (CG + JG)

Comparando as duas equações anteriores, temos:

T – (CG + JG) = IG – NFG

Assim,

SG = IG – NFG

NFG = IG – SG

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Note, portanto, que o fato de existir um déficit não significa que a poupança
seja negativa, mas pode estar indicando apenas que a poupança, embora
positiva, seja inferior ao valor do investimento do governo.

Conceitos de Déficit Público

Existem algumas formas diferentes de se aferir os déficits públicos,


principalmente devido à importância que se dá ao pagamento de juros. Os
principais conceitos de déficit público são os seguintes:

 Déficit Primário: diferença entre gastos públicos correntes e a receita


fiscal corrente, sem considerar o pagamento de juros.
 Déficit Operacional (ou nominal): é medido pelo déficit primário
acrescido dos juros reais da dívida contraída anteriormente.

Conforme divulgado pelo Banco Central, o setor público (União, Estados,


municípios e estatais não financeiras, exceto Petrobrás e Eletrobrás)
conseguiu economizar R$ 104,951 bilhões em receitas primárias em 2012,
para cobrir despesas com juros de dívida. Esse valor representou 2,38% do
Produto Interno Bruto (PIB). Em 2011, a relação ficou em 3,11% do PIB.

Em termos nominais, o setor público apresentou um déficit consolidado em


2012 de R$ 108,9 bilhões. Isso representou 2,47% do PIB.

Curiosidade “Déficit Nominal Zero”

Trechos retirados do texto “O rudimentar debate fiscal antigo – 2”, de autoria


de Mansueto Almeida, publicado em 12/03/2013, no endereço:
http://bit.ly/1CUjSLM

No dia 11 de agosto de 2005, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada


(Ipea) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)
haviam programado o debate “A Qualidade da Política Fiscal de Longo prazo”.

O convidado de honra era o deputado federal na época, o economista Delfim


Netto, que escreveu um pequeno texto para organizar o debate sobre a
estratégia fiscal de longo prazo.

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Fundamentos da Ciência Econômica

A tese principal defendida por Delfim na época era ter um horizonte para
zerar o déficit nominal por meio do congelamento real do custeio e pelo ganho
de produtividade da máquina pública que levariam a uma queda sustentável
da taxa de juros real para algo entre 3% e 4% ao ano.

No caso das despesas com saúde e educação, o ex-ministro reconhece a sua


importância mas alerta que:

“Com a vinculação (dos gastos com saúde e educação), a análise de


processos eficientes fica muito prejudicada: a tendência natural é a
acomodação a um padrão de esforço “confortável”. Isso significa que métodos
e processos tendem a perpetuar-se e a produzir a esclerose que é visível
(com raríssimas exceções) nos serviços públicos … Na forma atual, as
“vinculações” são a mãe do desperdício, da acomodação e perpetuação da
ineficiência”.

O ponto central do programa era, na verdade, aumentar o resultado primário


pelo corte das despesas e que a economia com juros da redução mais rápida
da dívida fosse revertida para o aumento do investimento. No final do seu
artigo o professor Delfim fala que:

“o que se poupará com os juros e parte do aumento de produtividade serão


destinados aos investimentos públicos, potencializando os efeitos dos
investimentos privados e acelerando o desenvolvimento, ao contrário do que
supõem alguns Keneysianos de última hora ….”.

Estudo de caso

Para ilustrar o assunto estudado nesta lição, apresenta-se a seguir a


consolidação do resultado do governo central de 2012 (União).

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Fundamentos da Ciência Econômica

Note que o resultado primário, isto é, quando não se considera o pagamento


de juros, apresentou superávit equivalente a 2% do PIB. No entanto,
contabilizando a despesa com juros, passamos a ter um déficit nominal da
ordem de 1,4% do PIB, equivalente a R$ 61 bilhões.

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Exercícios de Fixação - Módulo V

Parabéns! Você chegou ao final do Módulo V do curso Fundamentos da Ciência


Econômica. Como parte do processo de aprendizagem, sugerimos que você
faça uma releitura do conteúdo e resolva os Exercícios de Fixação. O resultado
não influenciará na sua nota final, porém, o acesso aos Módulos seguintes
está condicionado à resolução e envio das respostas.

Lembramos, ainda, que a plataforma de ensino faz a correção imediata das


respostas!

Para ter acesso aos Exercícios de Fixação, clique em exercício de fixação do


módulo V, localizado na página inicial do curso.

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Fundamentos da Ciência Econômica

MÓDULO VI - CRESCIMENTO ECONÔMICO

Ao final do estudo deste módulo, esperamos que você


possa:

 Entender como acontece o processo de crescimento econômico, seus


principais conceitos, além de analisar a situação brasileira, examinando
os entraves que dificultam o Brasil de crescer.

Conteúdo programático da unidade

 Introdução.
 Crescimento Econômico versus Desenvolvimento Econômico.
 O que favorece altas taxas de crescimento?
 Sugestões para o Brasil crescer.

Resumo da unidade

O crescimento econômico é caracterizado pela variação positiva do PIB. Pode


acontecer de um país crescer, mas não ter desenvolvimento econômico, ou
seja, o crescimento não se reflete em melhoria de qualidade de vida para
toda a população. Situações importantes que favorecem o processo de
crescimento econômico são: a acumulação de capital, a formação de capital
humano, a acumulação de conhecimento, a geração de novas tecnologias e
o incremento da produtividade. O Brasil precisa resolver alguns gargalos que
dificultam o crescimento econômico.

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Fundamentos da Ciência Econômica

Introdução da unidade

Existem modelos que buscam explicar a elevação da capacidade produtiva ao


longo do tempo. Tais modelos são tratados na literatura econômica como
modelos de crescimento de longo prazo.

Crescimento econômico é a expansão do produto real ao longo do tempo. Se,


no curto prazo, agregados como consumo ou gastos do governo são
importantes para a expansão do produto (considerando que o grau de
utilização da capacidade produtiva está abaixo de seu máximo), no longo
prazo, o crescimento depende de outras variáveis, como acumulação de
capital, inovações tecnológicas ou elevação da eficiência do trabalho.

O processo de crescimento econômico sofre influência tanto do


comportamento conjuntural dos cenários e das políticas macroeconômicas
como dos fatores estruturais e institucionais mais permanentes.

Nesta unidade, estudaremos quais medidas ajudam um país a crescer e quais


criam obstáculos ao crescimento, especialmente no caso do Brasil. Antes,
porém, cabe uma breve explicação sobre a diferença entre crescimento e
desenvolvimento econômico.

Crescimento Econômico versus Desenvolvimento


Econômico

O crescimento econômico diz respeito à elevação do produto agregado do


país e pode ser avaliado a partir das contas nacionais. Desenvolvimento
econômico é um conceito bem mais amplo, que leva em conta a elevação
da qualidade de vida da sociedade e a redução das diferenças econômicas e
sociais entre seus membros.

Nesse sentido, uma elevação do produto agregado do país pode não significar
elevação da qualidade de vida da população. Em outras palavras: ainda que
o crescimento econômico seja fundamental para o processo de
desenvolvimento, o último não se reduz ao primeiro.

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Fundamentos da Ciência Econômica

Para exemplificar, crescimento, por si só, não reduzirá de forma significativa


o contingente de indivíduos abaixo da linha de pobreza. Isso evidencia a
necessidade de políticas sociais complementares que possibilitem às camadas
mais pobres da população se integrarem ao processo de desenvolvimento.

Curiosidade

Crescimento da Ásia não acompanhou distribuição de renda, diz ONU


(notícia publicada em 18/04/2013, no Jornal Correio Braziliense)

Relatório econômico e social sobre os grandes países da Ásia e da região do


Oceano Pacífico divulgado nesta quinta-feira (18/4) em Brasília pela
Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que houve grande crescimento
econômico da maioria deles nas últimas décadas, mas os governos não
promoveram distribuição de renda e políticas sociais relevantes em favor de
suas populações condizentes com o crescimento. Entre os países, se
destacam a China, a Índia, a Indonésia, o Japão, a Malásia, Rússia, Turquia
e o Vietnã.

Para o coordenador residente do Programa das Nações Unidas para o


Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, Jorge Chediek, a experiência de países da
América Latina, em especial do Brasil, "não só pode servir de modelo quanto
já está sendo requisitada pelos países asiáticos e do Pacífico, na área do
desenvolvimento de políticas de proteção social". Chediek avalia que essas
nações vão ter retorno se fizerem esse tipo de investimento em favor de suas
populações. Ele diz que esses países mostraram essa disposição, pois
mandaram muitas missões ao Brasil para conhecer as políticas praticadas na
área da proteção social, "que aqui estão entre as melhores do mundo".

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ILB - Instituto Legislativo Brasileiro
Fundamentos da Ciência Econômica

O que favorece altas taxas de crescimento?

Para que o crescimento seja sustentado, ou seja, não apresente volatilidade


acentuada, é necessário que se atendam alguns requisitos. Duas condições
são necessárias. A primeira se refere à existência de estabilidade
macroeconômica. Isto quer dizer sustentabilidade das contas públicas no
longo prazo juntamente com a existência de um regime monetário que
garanta taxas de inflação baixas e estáveis. A segunda se refere à
estabilidade política e institucional, com prevalência dos direitos e garantias
fundamentais, frisando a estrita observância ao cumprimento dos contratos
e ao direito de propriedade.

Uma vez satisfeitas as duas condições acima, o processo de crescimento


sustentado requer também uma contínua evolução estrutural e institucional
da economia. Esta evolução tem como função principal a supressão das
distorções que influenciam negativamente o processo de crescimento
econômico.

No âmbito da literatura sobre o tema, podem-se ressaltar duas correntes e


suas implicações de políticas públicas.

A primeira corrente enfatiza que a acumulação de capital está no centro


do processo de crescimento econômico. Assim, para que um país consiga
elevar sua taxa de crescimento de equilíbrio seria preciso elevar a taxa de
poupança necessária para financiar novos investimentos e,
consequentemente, aumentar a formação de capital. Na segunda corrente,
apesar de considerar importante também a acumulação de capital, coloca sua
ênfase principalmente na formação de capital humano, na acumulação de
conhecimento e na geração de novas tecnologias. Neste caso, as
recomendações de política econômica passam pelos diversos mecanismos por
meio dos quais o conhecimento é produzido e acumulado. O candidato mais
imediato para a ação da política pública são os investimentos em educação e
pesquisa. Em ambos os casos, as mudanças nestas variáveis de política
requerem uma atuação permanente e por períodos longos. Além disso, os
frutos do crescimento não são colhidos num curto espaço de tempo.

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Fundamentos da Ciência Econômica

Investimentos em educação, além de ajudar o crescimento econômico,


também propiciam desenvolvimento econômico. Evidências empíricas têm
demonstrado que maior escolaridade está correlacionada com o aumento de
renda do indivíduo. Assim, incrementos na educação, principalmente na
primária, devem fazer parte de uma política de redução da pobreza e de
melhor distribuição de renda.

Por fim, evidências indicam que criar as condições para a acumulação


produtiva de capital é tão ou mais importante que a acumulação de capital.
Isto é, deve-se incentivar que os meios de produção consigam produzir mais
com menos insumos. Dessa maneira, os governantes devem focar mais nas
políticas que estimulem o crescimento da produtividade da economia como
um todo do que na acumulação de capital.

Sugestões para o Brasil crescer

São praticamente consensuais alguns gargalos existentes no Brasil que


atrapalham o crescimento econômico. Assim, as sugestões deixadas pelos
estudiosos que, se aplicadas, dinamizariam a economia e facilitariam o
crescimento, são as seguintes:

 Organizar a política tributária de forma a evitar constantes mudanças


no regime fiscal brasileiro, pois a instabilidade gera incertezas no
retorno do investimento, desestimulando o setor privado a fazê-lo.
Além disso, é necessária uma ampla reforma com o intuito de
simplificar o sistema tributário brasileiro e acabar com muitas
distorções geradas por ele, além de diminuir a elevada carga tributária.
 Atentar para o equilíbrio orçamentário, uma vez que déficits
orçamentários no setor público sugam recursos do setor privado. Além
disso, déficits orçamentários dificultam a diminuição das taxas de
juros, uma vez que o governo precisa permanentemente se financiar,
o que encarece o dinheiro.
 Investimentos em infraestrutura (energia, transportes e comunicação)
poderão elevar a taxa de crescimento econômico tanto pelos ganhos

82
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Fundamentos da Ciência Econômica

de produto associados ao investimento do governo, como pelo


aumento da produtividade dos investimentos privados.
 São necessárias reformas institucionais, especialmente as relacionadas
com o aparato legal e jurídico do país, como diminuir o excesso de
burocracia imposta aos empresários e reformar a legislação trabalhista
que hoje favorece a informalidade.

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