Sie sind auf Seite 1von 54

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

– NOVO CPC/2015 -
EXECUÇÃO
2
ATUALIZADO EM 15/05/2017

TEORIA GERAL DA EXECUÇÃOi

01.INTRODUÇÃO
A execução tem como objeto resolver uma das espécies de crise jurídica: a crise de
satisfação do direito. A tutela jurisdicional que resolve a crise de satisfação do direito é a tutela
executiva. Crise de satisfação do direito - tutela executiva. É um binômio inseparável.
Crise Jurídica de Satisfação do Direito: o sistema processual coloca à disposição uma
espécie de tutela jurisdicional – a tutela executiva.
- A tutela jurisdicional executiva é a tutela voltada à satisfação dessa crise jurídica. O que
significa que, em qualquer circunstancia, havendo essa crise, a tutela cabível é essa.
 Essa tutela executiva é a chamada de execução – são sinonimos. Mas há outras
expressões que se referem a esse tipo de tutela, e portanto, são sinônimos de execução. O
legislador pode variar os nomes, mas se a crise continua a mesma, a espécie de tutela
continua igual.
Ex.: art. 273, parágrafo 3o, CPC/73 – utiliza a expressão “efetivação” da tutela antecipada –
essa efetivação é a execução da tutela antecipada, por isso é errado dizer que não se executa
tutela antecipada.Isso não retira a natureza executória desta tutela, já que está resolvendo uma
crise de satisfação do direito. Tutela antecipada se executa!
- Art. 475, I, CPC/73 – “cumprimento de sentença” – cumprimento de sentença é a execução
do título judicial – o Novo CPC consagra bastante essa expressão.
Art. 273, § 3o A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber e conforme
sua natureza, as normas previstas nos arts. 588, 461, §§ 4 o e 5o, e 461-A.
Art. 475-I. O cumprimento da sentença far-se-á conforme os arts. 461 e 461-A desta Lei
ou, tratando-se de obrigação por quantia certa, por execução, nos termos dos demais
artigos deste Capítulo.
 O que se diferencia são as formas, as maneiras de se executar uma decisão, um título
executivo extrajudicial. O sistema apresenta diferentes formas, mas todas são formas de
execução – são formas executivas.

02. FORMAS EXECUTIVAS

2.1. PROCESSO AUTÔNOMO DE EXECUÇÃO E A FASE PROCEDIMENTAL EXECUTIVA


(CUMPRIMENTO DE SENTENÇA)

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


3
A) TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL

- Por ser formado fora do judiciário, o judiciário não tem gerencia na produção desse título. Ele
é criado pelas partes. E precisa de um Processo Autônomo de Execução – quando vai com
ele ao judiciário, está indo pela primeira vez ao judiciário – e provoca-se o judiciário pela
primeira vez pela ação, com o direito de ação, sendo, necessário, portanto, instaurar-se um
processo específico para a execução.

*O Termo de Acordo de Parcelamento que tenha sido subscrito pelo devedor e pela Fazenda
Pública deve ser considerado documento público para fins de caracterização de título executivo
extrajudicial, apto à promoção de ação executiva, na forma do art. 585, II, do CPC 1973 (art.
784, II, do CPC 2015). - Ex: João, servidor de um órgão público federal, causou prejuízos ao
erário. Foi aberto um processo administrativo para apurar o dano, que foi orçado em R$ 60 mil.
O servidor aceitou assinar um termo de acordo de parcelamento no qual confessava a dívida e
se comprometia a pagar o débito em 12 prestações. Esse termo de acordo de parcelamento é
considerado título executivo extrajudicial. STJ. 2ª Turma. REsp 1.521.531-SE, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 25/8/2015 (Info 568). - Art. 784. São títulos executivos
extrajudiciais: II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III - o
documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas. - No mesmo sentido,
o STJ já decidiu que documento público, para fins de execução, é aquele produzido por
autoridade, ou em sua presença, com a respectiva chancela, desde que tenha competência
para tanto (STJ. 1ª Turma. REsp 487.913⁄MG, Rel. Min. José Delgado, DJ 09/06/2003).

*Imagine que um contrato preveja uma confissão de dívida (líquida, certa e exigível). Neste
mesmo contrato, há uma cláusula compromissória dizendo que eventuais divergências sobre o
ajuste deverão ser dirimidas via arbitragem. Se a parte que se obrigou a pagar o valor
confessado mostrar-se inadimplente, a parte credora poderá executar o contrato na via judicial
ou terá que instaurar o procedimento arbitral? Poderá propor diretamente a execução na via
judicial. Ainda que possua cláusula compromissória, o contrato assinado pelo devedor e por
duas testemunhas pode ser levado a execução judicial relativamente à cláusula de confissão
de dívida líquida, certa e exigível. Isso porque o juízo arbitral não possui poderes coercitivos
(executivos). Ele não pode penhorar bens do executado, por exemplo, nem levá-los à hasta
pública. Em outras palavras, o árbitro até decide a causa, mas se a parte perdedora não
cumprir voluntariamente o que lhe foi imposto, a parte vencedora terá que executar esse título
no Poder Judiciário. Logo, não há sentido instaurar a arbitragem para exigir o valor que já está
líquido, certo e exigível por força uma confissão de dívida. Portanto, SENDO TÍTULO

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


4
EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL, DEVE-SE AJUIZAR DIRETAMENTE UMA EXECUÇÃO. JUÍZO
ARBITRAL NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA EXECUTAR. STJ. 3ª Turma. REsp 1.373.710-
MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 7/4/2015 (Info 560).

B) TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL


 Para a execução do título executivo judicial, há dois sistemas distintos – o sistema da
autonomia das açõese o sistema do sincretismo processual.
 Sistema da autonomia das ações: nesse sistema para cada tutela, há uma espécie de
processo autônomo – processo de conhecimento para tutela de conhecimento, processo
cautelar, para tutela cautelar e processo de execução para tutela de execução. Esse
sistema se justifica pela diferença de objetivos das tutelas, e pela distinção
procedimental – com a ideia de que cada uma dessas tutelas têm procedimentos
distintos.
 Sistema do sincretismo processual: imagina que todas essas tutelas possam, sem
maiores problemas, se desenvolverem no mesmo processo. O sincretismo é processual
– as tutelas e as crises continuam sendo diferentes, mas processualmente vem a ideia
de reuni-las todas no mesmo processo.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO SINCRETISMO


- Antes de 1990, a regra era o processo autônomo de execução, e a exceção era o
cumprimento de sentença – havia um processo sincrético, em que se cumpria direto a sentença
sem a necessidade de um processo autônomo (em casos excepcionais).
- O processo sincrético não é uma novidade, está desde antes do CPC/73 – Ex.: processo de
despejo – nunca o despejo gerou um processo autônomo de execução – com a sentença do
despejo, executa essa decisão por mero procedimento.
Ex.2: ações possessórias, são exemplos de ações que sempre foram sincréticas.
- A ideia do sincretismo processual não é uma inovação. Mas acontece que o nosso sistema
era o da autonomia das ações, e excepcionalmente permitia-se o processo sincrético.
- Em 1990, houve uma inovação, que foi o art. 84, CDC, que era tornar sincrético todo
processo que tivesse por objeto obrigação de fazer, não fazer e entregar coisa. Nesse caso,
sempre que houvesse uma relação de consumo nesses moldes, não precisaria de um processo
autônomo de execução – era executado por fase procedimental. Mas tinha uma limitação na
relação jurídica material (tinha que ser relação de consumo).
- Isso durou até 1994 – porque a partir daí o art. 461, CPC/73, passou a prever essa regra para
qualquer relação, ação, demanda, com obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa, não

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


5
precisava mais de processo de execução – já executaria por fase procedimental (o que hoje
chama-se de cumprimento de sentença).
- O art. 273, parágrafo 3o, CPC/73, trata da efetivação da tutela antecipada – e a ideia era
que ao chamar essa execução de efetivação, o legislador pretendeu afastar qualquer dúvida da
desnecessidade do processo de execução. Para retirar a ideia de que para executar uma tutela
antecipada precisaria de um processo de execução. Desde 1994 a tutela antecipada era
executada por fase procedimental, independentemente da espécie de obrigação (porque para
fazer, não fazer ou entregar podia aplicar a lei do Juizado Especial).
- Em 1995 veio a Lei 9.099/95 – Lei do Juizado Especial.
- Tanto na tutela antecipada como no juizado especial, qualquer espécie de obrigação vai gerar
cumprimento de sentença e não processo autônomo de execução,
- Em 2002, o art. 461-A, CPC/73 confirma a regra que a obrigação de entregar coisa passa a
ser cumprimento de sentença.
- Em 2005, teve a Lei 11.232, a chama Lei do Cumprimento de Sentença. Ela incluiu a
obrigação de pagar quantia dentro da ideia do processo sincrético (art. 475-J, L, M, R, CPC) –
passando a obrigação de pagar quantia certa a ser executada por cumprimento de sentença.
 Assim, ao fim, título executivo judicial passou a ser executado por meio de cumprimento de
sentença – com processo sincrético.
# RESUMO HISTÓRICO
 sempre foram sincréticas – possessórias, ação de despejo, por ex.
 CDC – fazer/não fazer 90
 CPC – fazer/não fazer 94
 tutela antecipada 94
 juizado – qualquer demanda 99
 entregar coisa 2002
 pagar quantia certa 2005
 Se for título executivo extrajudicial – processo autônomo de execução.
 Se for título judicial – fase procedimental executiva. Processo sincrético.
# OBS.: Hoje, deve-se ter cuidado com as chamadas execuções especiais. Excepcionalmente
o título judicial pode ser executado por processo autônomo de execução. Há no CPC/73 três
execuções especiais – que é uma execução com procedimento especial:

*O ato de composição entre denunciado e vítima visando à reparação civil do dano, embutido
na decisão concessiva de suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei nº 9.099/95), é
título judicial apto a lastrear eventual execução. Ex: João foi denunciado pelo crime do art. 129,

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


6
§ 1º, do CP por ter praticado lesão corporal contra Pedro. Na audiência, o Promotor ofereceu
ao réu proposta de suspensão condicional do processo, exigindo, no entanto, como uma das
condições, que ele pagasse, no prazo de um mês, R$ 20 mil a título de reparação pelos danos
sofridos pela vítima (art. 89, § 1º, I). O réu e seu advogado concordaram com a proposta. A
vítima e seu advogado, que também estavam presentes, igualmente aceitaram o acordo.
Diante disso, o juiz homologou a suspensão condicional do processo e esse acordo que
aconteceu no bojo da proposta. Esse acordo cível de reparação dos danos é título executivo
judicial e poderá ser executado caso o agente não cumpra o que foi combinado. STJ. 4ª Turma.
REsp 1.123.463-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 21/2/2017 (Info 599).

I) Execução contra devedor insolvente: é como se fosse a “falência da pessoa humana” – já


que falência é específico de pessoa empresaria, criou-se um procedimento similar para a
pessoa humana. É fundado em um processo judicial, mas é preciso um processo autônomo de
execução – não há que se falar em cumprimento de sentença, mesmo sendo um título
autônomo de execução. No Novo CPC, não há mais execução contra o devedor insolvente.

II) Execução contra a Fazenda Pública: se tiver um título executivo judicial, uma sentença,
condenando a Fazenda Pública, em uma obrigação de fazer, não fazer e entregar, essa
execução é uma execução comum porque vai seguir o procedimento comum. Ou seja,
executa-se a Fazenda Pública da mesma forma que é executado um devedor comum. Não é
especial a execução contra a Fazenda Pública nessas situações, e aqui vai ser cumprimento
de sentença (já é assim desde 1994). Mas se a obrigação é de pagar quantia, aqui o
procedimento é especial (porque a execução comum leva à penhora e à expropriação de
bem do devedor – e não se pode fazer isso com bem público, seria inviável). Assim, é feita a
execução pelo sistema de precatórios e o sistema de RPV – e essa exigência de
procedimento especial, no CPC atual leva ao processo autônomo de execução. Hoje, entra
com um processo de conhecimento contra a Fazenda Pública, condena a Fazenda Pública a
pagar, e deve entrar com um novo processo para fazer a execução. Isso vai mudar no Novo
CPC, porque no Novo CPC está expresso que essa execução pelo pagamento de quantia
se dará pelo cumprimento de sentença – Art. 534, 535, Novo CPC – vai passar a ser
cumprimento de sentença, mas vai manter o procedimento especial (há cumprimento de
sentença de procedimento comum, e o cumprimento de sentença por procedimento especial) –
o procedimento não muda quase nada, mas a natureza da execução é que vai mudar (hoje é
processo autônomo, e a partir de março de 2016 será cumprimento de sentença).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
7
*A EC 62/2009 alterou o art. 100 da CF/88 e o art. 97 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT) da CF/88 prevendo inúmeras mudanças no regime dos precatórios. Tais
alterações foram impugnadas por meio de ações diretas de inconstitucionalidade que foram
julgadas parcialmente procedentes. No entanto, o STF decidiu modular os efeitos da decisão,
ou seja, alguns dispositivos, apesar de terem sido declarados inconstitucionais, ainda irão
vigorar por mais algum tempo. Veja o resumo do que foi decidido quanto à modulação:
1. O § 15 do art. 100 da CF/88 e o art. 97 do ADCT (que tratam sobre o regime especial de
pagamento de precatórios) ainda irão valer (poderão ser aplicados) por mais cinco anos (cinco
exercícios financeiros) a contar de 01/01/2016. Em outras palavras, tais regras serão válidas
até 2020.
2. §§ 9º e 10 do art. 100 da CF/88 (previam a possibilidade de compensação obrigatória das
dívidas que a pessoa tinha com a Fazenda Pública com os créditos que tinha para receber com
precatório): o STF afirmou que são válidas as compensações obrigatórias que foram feitas até
25/03/2015 (dia em que ocorreu a modulação). A partir desta data, não será possível mais a
realização de compensações obrigatórias, mas é possível que sejam feitos acordos entre a
Fazenda e o credor do precatório e que também possua dívidas com o Poder Público para
compensações voluntárias.
3. Leilões para desconto de precatório: o regime especial instituído pela EC 62/2009 previa
uma série de vantagens aos Estados e Municípios, sendo permitido que tais entes realizassem
uma espécie de “leilão de precatórios” no qual os credores de precatórios competem entre si
oferecendo deságios (“descontos”) em relação aos valores que têm para receber. Aqueles que
oferecem maiores descontos irão receber antes do que os demais. Esse sistema de leilões foi
declarado inconstitucional, mas o STF afirmou que os leilões realizados até 25/03/2015 (dia em
que ocorreu a modulação) são válidos (não podem ser anulados mesmo sendo
inconstitucionais). A partir desta data, não será possível mais a realização de tais leilões.
4. Vinculação de percentuais mínimos da receita corrente líquida ao pagamento dos precatórios
e sanções para o caso de não liberação tempestiva dos recursos destinados ao pagamento de
precatórios: as regras que tratam sobre o tema, previstas nos §§ 2º e 10 do art. 97 do ADCT da
CF/88 continuam válidos e poderão ser utilizados pelos Estados e Municípios até 2020.
5. Expressão “índice oficial de remuneração básica da caderneta de poupança” prevista no §
12 do art. 100: 5.1 Para precatórios da administração ESTADUAL e MUNICIPAL: o STF disse
que a TR (índice da poupança) poderia ser aplicada até 25/03/2015. 5.2 Para os precatórios da
administração FEDERAL: o STF afirmou que se poderia aplicar a TR até 31/12/2013. Após
essas datas, qual índice será utilizado para substituir a TR (julgada inconstitucional)? •
Precatórios em geral: IPCA-E. • Precatórios tributários: SELIC.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


8
6. CNJ deverá apresentar proposta normativa que discipline (i) a utilização compulsória de 50%
dos recursos da conta de depósitos judiciais tributários para o pagamento de precatórios e (ii) a
possibilidade de compensação de precatórios vencidos, próprios ou de terceiros, com o
estoque de créditos inscritos em dívida ativa até 25.03.2015, por opção do credor do
precatório. CNJ deverá monitorar e supervisionar o pagamento dos precatórios pelos entes
públicos na forma da presente decisão. STF. Plenário. ADI 4357 QO/DF e ADI 4425 QO/DF,
Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 25/3/2015 (Info 779).

*Nas execuções contra a Fazenda Pública são devidos honorários advocatícios?


1) Sistemática dos PRECATÓRIOS:
• Se a Fazenda Pública apresentou embargos à execução: SIM. HOUVE RESISTÊNCIA,
PAGARÁ OS HONORÁRIOS!
• Se a Fazenda Pública não apresentou embargos à execução: NÃO. NÃO HÁ RESISTÊNCIA,
NÃO PAGARÁ OS HONORÁRIOS!
Aplica-se aqui a regra do art. 1º-D da Lei 9.494/97.

2) Sistemática da RPV:
• Regra: SIM. Em regra, é cabível a fixação de verba honorária nas execuções contra a
Fazenda Pública, ainda que não embargadas, cujo pagamento da obrigação é feito mediante
RPV. EXISTIA A POSSIBILIDADE DE CUMPRIR VOLUNTARIAMENTE E NÃO FEZ. LOGO,
CABEM HONORÁRIOS.
• Exceção: a Fazenda Pública não terá que pagar honorários advocatícios caso tenha sido
adotada a chamada “execução invertida”. NÃO PAGARÁ OS HONORÁRIOS, POIS SE
ENTENDE QUE HOUVE CUMPRIMENTO VOLUNTÁRIO EM FACE DE APRESENTAÇÃO DE
CÁLCULOS.
No caso de RVP, não se aplica o art. 1º-D da Lei 9.494/97.
A execução invertida consiste no seguinte: havendo uma decisão transitada em julgado
condenando a Fazenda Pública ao pagamento de uma quantia considerada como de “pequeno
valor”, o próprio Poder Público (devedor) prepara uma planilha de cálculos com o valor que é
devido e apresenta isso ao credor. Caso este concorde, haverá o pagamento voluntário da
obrigação. Desse modo, a Fazenda Pública, em vez de aguardar que o credor proponha a
execução, ela já se antecipa e apresenta os cálculos da quantia devida. O Poder Público, sem
necessidade de processo de execução, cumpre voluntariamente a condenação.
STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 630.235-RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 19/5/2015
(Info 563).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


9
*O § 2º do art. 100 prevê que os débitos de natureza alimentícia que tenham como
beneficiários pessoas com 60 anos de idade ou mais ou portadoras de doenças graves terão
uma preferência ainda maior. É como se fosse uma “fila com superpreferência”. A
superprioridade para créditos alimentares de idosos e portadores de doenças graves (§ 2º) só
vai até 3 vezes o valor da RPV (§ 4º do art. 100). Assim, se o valor a ser recebido pelo idoso ou
doente grave for superior a 3 vezes o que é considerado "pequeno valor" para fins de
precatório (§ 4º), parte dele será paga com superpreferência e o restante será quitado na
ordem cronológica de apresentação do precatório (fila normal). Imagine que um idoso possua
mais de um precatório para receber. Esse valor máximo para receber na fila superpreferencial
do § 2º é um valor para cada precatório ou para a totalidade deles? Ex: Pedro tem dois
precatórios para receber da União: um no valor de 120 salários-mínimos e outro no valor de
100 salários-mínimos. Em se tratando da União, o limite de que trata o § 2º é 180 salários-
mínimos (3x60). Pedro poderá receber os dois precatórios na fila especial do § 2º? SIM. A
limitação de valor para o direito de preferência previsto no art. 100, § 2º, da CF aplica-se para
cada precatório de natureza alimentar, e não para a totalidade dos precatórios alimentares de
titularidade de um mesmo credor preferencial, ainda que apresentados no mesmo exercício
financeiro e perante o mesmo devedor. A CF/88 não proibiu que a pessoa maior de 60 anos ou
doente grave participasse da listagem de credor superpreferencial do § 2º por mais de uma
vez. Ela só proibiu que o precatório recebido fosse maior do que 3x o valor da RPV. Logo, não
cabe ao intérprete criar novas restrições não previstas no texto constitucional. Assim, em nosso
exemplo, Pedro poderá receber os dois precatórios na fila do § 2º do art. 100. Isso porque, se
considerados individualmente, nenhum dos dois precatórios é superior a 180 salários-mínimos.
STJ. 1ª Turma. RMS 46.155-RO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 22/9/2015
(Info 570).

*O advogado deve receber os honorários contratuais calculados sobre o valor global do


precatório decorrente da condenação da União ao pagamento a Município da complementação
de repasses ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de
Valorização do Magistério (FUNDEF), e não sobre o montante que venha a sobrar após
eventual compensação de crédito de que seja titular o Fisco federal. STJ. 1ª Turma. REsp
1.516.636-PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 11/10/2016 (Info 597).

- Julgamento do STJ, 5a-T, AgRg no REsp 1.056.742/RS – Tinha dois capítulos na sentença:
um continha uma obrigação de fazer e outro continha uma obrigação da pagar. Cada parte da
sentença tinha que ser executado de uma forma diferente.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


10

*Súmula vinculante 47-STF: Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou


destacados do montante principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza
alimentar cuja satisfação ocorrerá com a expedição de precatório ou requisição de pequeno
valor, observada ordem especial restrita aos créditos dessa natureza. STF. Plenário. Aprovada
em 27/05/2015, DJe 01/06/2015

*A ampliação do prazo para a oposição de embargos do devedor pela Fazenda Pública para 30
dias, inserida no art. 1º-B da Lei nº 9.494/97, é constitucional e não viola os princípios da
isonomia e do devido processo legal. O estabelecimento de tratamento processual especial
para a Fazenda Pública, inclusive em relação a prazos diferenciados, quando razoáveis, não
constitui propriamente restrição a direito ou prerrogativa da parte adversa, mas busca atender
ao princípio da supremacia do interesse público. A fixação do prazo de 30 dias para a Fazenda
apresentar embargos à execução não pode ser considerado como irrazoável, afinal de contas
esse é o mesmo prazo que o particular goza para apresentar embargos em caso de execuções
fiscais contra ele movidas pela Fazenda Pública (art. 16 da Lei nº 6.830/80). STF. Plenário. ADI
2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824).
*É válida a penhora em bens de pessoa jurídica de direito privado, realizada anteriormente à
sucessão desta pela União, não devendo a execução prosseguir mediante precatório (art. 100,
caput e § 1º, da Constituição Federal). STF. Plenário. STF. Plenário. RE 693112-MG, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 09/02/2017 (repercussão geral) (Info 853).

III) Execução de Alimentos: hoje, há uma grande polêmica doutrinária com três correntes:
1a Corrente – Humberto Teodoro Jr., Nelson Nery: dizem que deve entrar com um
processo autônomo de execução porque a Lei de Cumprimento de Sentença só mudou o
procedimento comum de execução, e aqui é procedimento especial, assim, não pode aplicar ou
aceitar o cumprimento de sentença.
2a Corrente – Alexandre Freitas Câmara, Abelha Rodrigues: diz que é cumprimento de
sentença, porque o cumprimento de sentença é mais favorável ao credor, mais benéfico que o
processo de execução. E o credor de alimentos é aquele que mais precisa de proteção. E

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


11
como o sistema cria uma forma executiva mais favorável ao credor, o credor que mais merece
de proteção não pode ser deixado de fora.
3a Corrente – Maria Berenice Dias, Costa Machado: diz que depende – no CPC/73, no
art. 732 está prevista a execução comum. Pode executar a sentença de alimentos pela
execução comum (com penhora, avaliação do bem, expropriação); ou pode, pelo art. 733, a
execução especial (em que há a prisão civil). A aplicação no caso concreto do art. 732 ou do
art. 733 é do exequente – o credor de alimentos escolhe se quer fazer pela execução comum
ou a especial. A depender da opção do exequente, há uma execução comum (com
cumprimento de sentença), ou uma execução especial (com um processo autônomo de
execução).
o NOVO CPC: acaba com essa discussão, e diz que deve ser feita por meio de
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA – Art. 528 a 532 – consagra o cumprimento de
sentença, mas por PROCEDIMENTO ESPECIAL (da mesma forma que aplicou
para a Fazenda Pública). O procedimento especial é mantido, mas o legislador
expressamente afirma que deve ser feito pelo cumprimento de sentença.
 Por meio do Novo CPC, percebe-se que todo e qualquer título judicial deve ser
executado por CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.
- No CPC/73 ainda havia dúvidas e questões doutrinarias em que se permitia a execução
autônoma (na de devedor insolvente, contra a Fazenda Pública e na de Alimentos – a primeira
foi extinta, e as outras dúvidas, apesar do procedimento especial, estão expressamente
reguladas de que devem ser executadas por cumprimento de sentença).

# OBS.: Art. 475-N, parágrafo único, CPC/73 – há destacados nesse artigo títulos executivos
judiciais (sentença penal, arbitral, homologação de sentença estrangeira). Para a execução
desses títulos, esse artigo exige a citação do executado. Assim também será no Novo CPC. Se
a lei expressamente prevê a citação do executado, é porque há uma processo autônomo de
execução, porque a citação é o ato de integração ao processo. Se já tem um processo em
curso, em trâmite, não vai citar o executado, vai intimar o executado. Essa citação do
executado mostra que há um processo autônomo de execução nesse caso, havendo uma
petição inicial. Com relação à sentença penal e arbitral, vai levar ao judiciário – deve ser
começado um processo (a penal, apesar de ter sido produzida pelo judiciário, foi pelo juízo
penal, devendo ser começado um processo no juízo cível). A sentença de homologação do
estrangeiro foi uma opção do legislador – é feita no STJ, e é executada no juízo federal de 1 o
grau.
- Nesse tipo de título executivo extrajudicial há um processo autônomo de execução.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


12
- Há a petição inicial, a citação, mas a partir da citação, essa execução passa a ter o
procedimento de cumprimento de sentença.
- Estruturalmente, para esses títulos executivos, há um processo autônomo de execução.
Procedimentalmente, é híbrido – há um procedimento híbrido – porque ele começa por atos
procedimentais do processo autônomo de execução (a petição inicial e a citação, que são
próprios de um processo autônomo de execução – se fosse cumprimento de sentença desde o
início, haveria uma requerimento e uma intimação), e a partir dai, um procedimento de
cumprimento de sentença.
2.2. EXECEÇÃO POR SUB-ROGAÇÃO (DIRETA) E EXECEÇÃO INDIRETA
 Quando se tem a crise de satisfação, há um conflito de vontades: de um lado, tem a vontade
do direito (que a de que a obrigação seja satisfeita), e a vontade do devedor (de não cumprir a
sua obrigação). Há a necessidade de instrumentos que façam prevalecer a vontade do direito:
A) EXECUÇÃO POR SUB-ROGAÇÃO (DIRETA):

 Na execução por sub-rogação, trabalha-se com o tradicional caráter substitutivo da


jurisdição, ou seja, por meio da prática de atos materiais, de execução, o Estado juiz
substituirá a vontade do devedor pela vontade do direito.
- Ex.: a penhora e a expropriação do bem. A vontade do direito é que o credor receba – e
assim o juiz penhora o bem, aliena judicial o bem e entrega o dinheiro ao credor – substituída
está a vontade do devedor pela vontade do direito.
- Ex.2: Busca e apreensão – o judiciário apreende o bem e entrega ao credor.
 Na execução por sub-rogação não há a colaboração do devedor – porque a satisfação do
direito não depende dessa colaboração. O ato de execução por sub-rogação independe da
vontade do devedor.

*A cota de fundo de investimento não se subsume à ordem de preferência legal disposta no


inciso I do art. 835 do CPC/2015 (art. 655 do CPC/1973). Em outras palavras, as cotas de
fundo de investimento não podem ser consideradas como dinheiro aplicado em
instituição financeira. STJ. 2ª Seção. REsp 1.388.642-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 3/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 589).

*Em uma execução contra um banco, o magistrado determinou a penhora de dinheiro


constante de suas agências bancárias para pagamento do credor e negou a nomeação que
havia sido feita pelo banco para que a penhora recaísse sobre cotas de fundo de investimento.
O STJ decidiu que: A recusa da nomeação à penhora de cotas de fundo de investimento,
reputada legítima a partir das particularidades de cada caso concreto, não encerra, em
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
13
si, excessiva onerosidade ao devedor, violação do recolhimento dos depósitos
compulsórios e voluntários do Banco Central do Brasil ou afronta à impenhorabilidade
das reservas obrigatórias. STJ. 2ª Seção. REsp 1.388.642-SP, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 3/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 589).

B) EXECUÇÃO INDIRETA
 Na execução indireta, não haverá substituição de vontades. Há uma pressão psicológica
exercida sobre o devedor. A ideia é pressionar o executado, o devedor para que ele mude a
sua vontade, adequando-a à vontade do direito.
- Convence-o por essa pressão psicológica, a mudar de ideia – a adequar a vontade dele à
vontade do direito, à cumprir a obrigação.
 De forma que a execução indireta vai nos levar, sempre que funcionar, a um cumprimento
voluntário da obrigação.
- Não se deve confundir, portanto, voluntário com espontâneo. A pressão não tira a
voluntariedade, tira a espontaneidade.
 Existem duas formas de se pressionar o devedor – de exercer essa pressão psicológica
sobre o executado:
 A oferta de melhora na situação do devedor:É chamada por alguns de “sanção premial”
ou “sanção premiadora”. O termo premial é bacana. O problema está em “sanção”. Pressão
é o que vem antes e sanção o que vem depois. Temporalmente elas não podem conviver.
A sanção vem depois do descumprimento. Ex.: Processo autônomo de execução – o
executado é citado para pagar em três dias, se ele pagar, se ele cumprir essa obrigação,
tem um desconto de 50% no valor dos honorários advocatícios. Ex.2: art. 1.102 Ação
monitória – o réu é citado para pagar em 15 dias. Se pagar no prazo, ele estará isento de
custas e honorários.
§ 1o Cumprindo o réu o mandado, ficará isento de custas e honorários advocatícios.
 A ameaça de piora na situação do executado:se o devedor não cumprir, a situação que
já é ruim vai piorar. Há duas formas de fazer esse tipo de pressão:
o Prisão Civil
o Astreintes

I) Prisão Civil
É diferente da prisão penal que é sanção. Aqui a prisão civil é pressão psicológica.
 Hoje, ela é exclusiva da ação de alimentos, mas não é limitada à execução de alimentos
como um todo, porque nem toda execução de alimentos permite a prisão civil – só nos
chamados alimentos legítimos (genuínos ou autênticos) – decorrentes de casamento, união
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
14
estável e parentesco. O débitos trabalhistas, honorários advocatícios, alimentos por
responsabilidade civil (causa mortis do pai), possuem natureza alimentar, mas não cabem a
prisão civil.
 O STJ entende que a prisão civil será cabível independentemente da natureza do título
executivo, ou seja, caba a prisão civil na execução do título judicial e na execução de título
extrajudicial – que é o acordo, a transação extrajudicial de alimentos (Inf. 435, STJ – 3a
Turma, REsp 1.117.639/MG)
O STJ entende que essa prisão civil é cabível tanto na execução definitiva quanto em cede
de execução provisória. Ou seja, o título executivo judicial que fundamenta a prisão civil pode
ser um título executivo definitivo ou provisório – pode executar, por exemplo, uma liminar, uma
tutela antecipada, sentença recorrida, na execução de alimentos, mas é claro que a execução
será provisória. Só há execução definitiva em sentença transitada em julgado. E havendo título
executivo da obrigação alimentar (alimentos legítimos), há a execução por prisão civil – a
possibilidade de executar por meio dessa medida executiva.
- No Novo CPC, continua sendo cabível a execução definitiva e provisória. O que o novo CPC
traz de novo é mais uma questão cartorial que processual – art. 531, Novo CPC, parágrafo 1o
e 2o – trata da forma de autuação da execução, dependendo se ela é definitiva ou provisória.
Diz que se a execução em alimentos for definitiva, ela será feita nos próprios autos principais.
Se a execução, por sua vez, for provisória, ela vai ser feita em autos em apartado.
- Mas não precisa esperar o transito em julgado para a prisão civil – podendo ser execução
provisória ou definitiva.
Exceção: em razão dos poderes do juiz, em especial dos poderes executivos do juiz, as
medidas de execução são tomadas de ofício. Mas a prisão civil é um dos poucos meios
executivos que depende de pedido expresso do credor – STJ, 3a Turma, HC 128.229/SP.
Porque envolve a questão sentimental. O juiz não pode, de ofício, determinar a prisão civil
do devedor.
STF – 4a Turma, HC 87.134/SP: essa prisão civil vem sempre de uma decisão
interlocutória (pode ser uma decisão que concede tutela antecipada e já dá a prisão, pode ser
uma decisão interlocutória na execução, por exemplo, mas deve ter a decisão determinado a
prisão). Contra essa decisão cabe Agravo de Instrumento – mas aí algumas partes entram
com Habeas Corpus contra essa decisão. Mas o HC, a exemplo do MS, tem um procedimento
sumário documental, o que significa que no HC, há uma limitação da questão probatória,
porque só vai poder trabalhar documentalmente (não cabe rever a prova oral, por exemplo, em
HC). O HC é cabível, mas acaba sendo limitado a questões de fato provadas documentalmente
e a questões de direito.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


15
- Assim, em razão da amplitude probatória do recurso de Agravo de Instrumento, ele é o ideal
meio de impugnação a ser usado, apesar de ser admitido o HC.
STJ, 4a Turma, Recurso em HC 23.040/MG: qual o prazo máximo de prisão desse
devedor de alimentos? O art. 733, parágrafo 1o, CPC/73, prevê que essa prisão pode durar o
prazo máximo de 1 a 3 meses, mas o art. 19 da Lei de Alimentos prevê um prazo de 60
dias. Há duas normas legais versando sobe o tema. Doutrinadores como Marinoni, Barbosa
Moreira, defendem o prazo do CPC. E doutrinadores como Araquém de Assis, Alexandre
Freitas Câmara defendem o prazo de 60 dias. O STJ consolidou o entendimento do CPC de
1 a 3 meses.
- Com a superveniência do Novo CPC, a ideia é de que lei posterior revoga lei anterior –
sendo assim, prevalente a regra do CPC (apesar de o novo CPC não revogar expressamente o
art. 19 da Lei de Alimentos).
STJ, 3a Turma, HC 39.902/MG – há a possibilidade de prisões sucessivas, que decorrem
de inadimplementos sucessivos – havendo, assim, a possibilidade de que o devedor fique
mais tempo na prisão (se depois de solto ele contrair novas dívidas) – em razão de dívidas
sucessivas que legitimariam as prisões sucessivas.
- A obrigação de alimentos é uma obrigação de ato continuado – se a obrigação se renova
sempre, depois de ser preso, pode ter uma nova dívida. A obrigação é a mesma, mas para
cada crise de inadimplemento, há uma nova dívida – a ideia é que até a soltura, está liquidado
por meio de prisão (só podendo executar de forma comum), mas a partir da soltura, renova-se
a possibilidade de uma nova prisão, por um novo inadimplemento.
Súmula 309, STJ – Novo CPC, art. 528, parágrafo 7o: a regra é que o que justifica a prisão
são as três prestações anteriores à propositura da ação, mais as prestações vincendas
(aquelas que vão se vencendo durante a execução).
- Ex.: o devedor tem 7 meses de inadimplemento. Aí vem a ação de execução de alimentos.
Mas demora mais 5 meses até conseguir a prisão do devedor. Para ele ser solto, ou evitar a
prisão, ele deve pagar esses 5 meses que venceram durante a demanda, mais os 3 meses
anteriores (total de 8 meses) – mas ele deve 12 – 7 antes da ação e 5 que se venceram. Para
fins de prisão, só pode ser os 8, e os 4 meses restantes o credor deve entrar com execução
comum – não pode usar a execução por prisão civil para cobrar esses valores. Para ele
conseguir evitar a prisão, não precisa pagar 12, mas apenas os 8 – para viabilizar o
pagamento.
# OBS.: Não precisa esperar 3 meses para entrar com a ação de alimentos – essa regra
súmula e do Novo CPC é para não eternizar o inadimplemento.

II) Astreintes (Multa Cominatória)


CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
16
 São chamadas também de multa cominatória.
Art. 461, parágrafo 4o, CPC/73 – segundo esse dispositivo legal, as astreintes seriam uma
multa diária. Mas, na verdade, as astreintes podem ter qualquer periodicidade, não
precisam ser diárias.
- Ex.: ato ilícito que pode ser repetido várias vezes. Entra com uma execução, consegue uma
tutela para proibir que a propaganda seja veiculada. E impõe uma multa para pressionar a
empresa a não veicular a propaganda. A multa é por dia de descumprimento – a periodicidade
é pela prática de ato ilícito.
 E a astreinte não precisa ser periódica, pode ser fixa – a multa cominatória pode ter um
valor fixo – adequado para quando tem uma obrigação instantânea.
- Ex.: proibição de um sujeito em fazer um festival – se ele fizer o show, aplica-se uma multa
fixa para o ato se for praticado.
 No Novo CPC, nos artigos em que há a previsão dessa multa, ela é apenas qualificada
como multa.
Fixação da Multa: a multa pode ser fixada de ofício. Mas o juiz também pode, de ofício,
modificar o valor e a periodicidade. Há uma liberdade considerável do juiz.

VALOR: E o valor da multa?


- O valor não pode ser ínfimo, irrisório, insignificante – porque, nesse caso, a multa não
cumpriria a sua função de pressionar. Mas também não pode ser um valor exorbitante, porque
o valor exorbitante também cria um desestímulo ao cumprimento da obrigação. Porque pode
chegar a um valor de tamanha anomalia, que se torne inexecutável.
- Essa questão do valor não tem parâmetros legais – nem no CPC/73 nem no Novo CPC.
Não há parâmetros na lei – a lei não pode, abstratamente, determinar valores a serem usados
no caso concreto, mas poderia dar parâmetros. Entretanto, fica a cargo do juiz, dependendo do
caso concreto.
# OBS.1:NATUREZA JURÍDICA –STJ, 1a Turma, REsp 770.753/RS – entende o STJ que não
há vinculação com o valor da obrigação principal inadimplida. É por isso que pode ter uma
multa no valor da obrigação que não está sendo inadimplida.
- Essa multa, primeiro, não tem natureza reparatória (não se fala de reparação de dano), e,
inclusive, se houver dano, ele pode ser cobrado – não tem nada a ver com a multa – se o
inadimplemento da obrigação gerou dano, pode ser cobrada; e segundo, não tem natureza
sancionatória (que é em relação ao valor da obrigação) – é medida executiva.
- Se fosse reparação ou sanção, teria vinculação ao valor da obrigação principal. Mas como
não o é, não tem relação.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


17
# OBS.2: STJ, 2a Seção, Reclamação 7.861; Enunciado FONAJE 144 (que são “súmulas
persuasivas do Juizado Especial): é a ideia de que no juizado especial, com relação ao valor
da multa, não há limitação em 40 salários mínimos.
Valor consolidado: é o valor final da multa – o valor que vai calcular a partir do momento em
que a multa não é mais aplicada, em que a multa deixa de ser aplicada.
- Esse valor pode ser alterado?
 Esse valor não pode ser majorado.
 Entretanto, quanto à questão se pode ser diminuído, há um fundamento que diz que
não, pois é direito adquirido (já constituiu o direito do crédito); e outro que diz que sim,
para evitar o enriquecimento sem causa – entra o dever do devedor de mitigar as suas
perdas, de mitigar o seu prejuízo. Não pode incentivar a má-fé do credor com relação a
criar uma “poupança” em cima dessa multa – deve-se procurar outros meios, e não ficar
inerte.
- O Novo CPC, quando foi aprovado na Câmara, tinha uma expressa previsão da proibição da
diminuição. Na redação final, retiraram – não há uma resposta na lei.
- STJ, 3a Turma, REsp 1.019.455/MT – ainda que haja ministros contra, o STJ admite a
diminuição desse valor. Inclusive, esse julgado também diz que essa diminuição pode ocorrer
de ofício pelo juiz, por meio da defesa típica do executado (a impugnação ao cumprimento
de sentença), como também pode ocorrer por meio da exceção de pre-executividade.
Beneficiado pela multa: quem é o beneficiado pela multa? Porque se a multa gera um
devedor, por quem descumpre a obrigação, gera um credor – e o credor da multa é a parte
contrária. Não há uma previsão expressa nesse sentido – é o entendimento doutrinário e
jurisprudencial.
- O Novo CPC, consagrou expressamente no art. 537, parágrafo 2o, que o beneficiado não é o
Estado, mas sim a parte contrária.
Fazenda Pública: essa multa é aplicável à Fazenda Pública? SIM – é plenamente aplicável
à Fazenda Pública – STJ, 2a Turma, AgRg no AREsp 7.869/RS.
- E o descumprimento por agente público terceiro no processo? O terceiro não responde por
astreintes – quem responde é a Fazenda Pública.
- Mas para o Agente Público não ficar totalmente impune, há uma sanção contra ele – art. 14,
V, parágrafo único, CPC/73 e Art. 74, Novo CPC – é ato atentatório à dignidade da jurisdição,
mesmo ele sendo um terceiro (multa de até 20% o valor da causa).
Termo inicial para a aplicação da multa: tudo começa por uma decisão que impõe o
cumprimento da obrigação “sob pena de multa”. Dessa decisão, há a intimação do devedor.
Não pode aplicar a multa sem pelo menos intimar o devedor. Essa intimação do devedor, após
polêmica no STJ, foi fixada na Súmula 410, STJ, como sendo uma multa necessariamente
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
18
pessoal do devedor – precisando, portanto, de uma intimação pessoal do devedor (não pode
ser na pessoa do advogado – pode ser por via postal, por oficial de justiça, mas deve ser na
pessoa do devedor).
- Quando um juiz intima um devedor pessoalmente, não é para já dar início à aplicação da
multa, porque o juiz deve conceder ao devedor um prazo razoável para o cumprimento da
decisão.
- O termo inicial da multa é o vencimento do prazo para o cumprimento da obrigação.
- Da data da intimação, conta o prazo e, decorrido o prazo e não havido o adimplemento,
começa a correr a multa.
Executabilidade da decisão que fixa a multa: essa decisão que fixa a multa pode ser
provisória e só vai se tornar absolutamente definitiva com o trânsito em julgado.
- A multa em decisão que concede tutela antecipada, pode ser executada imediatamente? Há
divergência sobre isso:
 Dinamarco defende a Executabilidade imediata – porque está preocupado com a
força persuasiva da multa. Quanto mais próxima estiver a execução, maior a pressão
psicológica – entendimento MAJORITÁRIO – STJ, 3a Turma, REsp 1.098.028/SP. É
executável a partir do momento em que a decisão que concede a multa começa a
produzir efeitos – se essa decisão for reformada, anulada, há a repetição de indébito,
será corado de volta o valor pago. Mas é executado imediatamente.
 Marinoni defende que essa Executabilidade só pode ocorrer após o transito em julgado
– aqui está se buscando preservar a segurança jurídica. Se essa decisão é provisória,
ela pode ser revogada, anulada, modificada.

Novo CPC – Art. 537, parágrafo 3o conseguiu um ponto médio entre essas duas correntes
doutrinarias – NÃO é o que o STJ decide hoje:
 Executabilidade Imediata: mantém a Executabilidade imediata, mas
 Levantamento dos depósitos realizados nessa execução ocorre só depois do
transito em julgado: o dinheiro é mantido depositado, para preservar a segurança
jurídica. Se a decisão for confirmada, há o levantamento do dinheiro. Se houver
modificação, ou for anulada a decisão, devolve o dinheiro ao devedor.
# OBS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA:
- Redação Original:
Art. 537 – § 3o A decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório,
devendo ser depositada em juízo, permitido o levantamento do valor após o trânsito em
julgado da sentença favorável à parte.
- Redação da Lei 13.256/16:
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
19
Art. 537, § 3º A decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório, devendo
ser depositada em juízo, permitido o levantamento do valor após o trânsito em julgado
da sentença favorável à parte.
- Foi retirada a possibilidade de execução da multa em cumprimento provisório com pendência
de julgamento do agravo previsto no art. 1042.

INFORMATIVO 578 DO STJ


O particular que aceita exercer o múnus público de depositário judicial tem o direito de reter o
depósito até que sejam ressarcidas as despesas com armazenagem e conservação do bem
guardado e pagos os seus honorários. STJ. 3ª Turma. REsp 1.300.584-MT, Rel. Min. João
Otávio de Noronha, julgado em 3/3/2016 (Info 578).
- O depositário judicial pode se valer do direito de retenção previsto no art. 644 do Código Civil,
que assim dispõe: Art. 644. O depositário poderá reter o depósito até que se lhe pague a
retribuição devida, o líquido valor das despesas, ou dos prejuízos a que se refere o artigo
anterior, provando imediatamente esses prejuízos ou essas despesas.

I – PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO

01. NULLA EXECUTIO SINE TÍTULO


Significa que sem título executivo não há execução. Isso porque toda execução coloca o
executado em situação de desvantagem.
- Situação processual de desvantagem, porque o executado atua para evitar os abusos do
exequente, em tese não busca tutela jurisdicional.
- Também é colocado em desvantagem material, porque a execução impõe a constrição de
bens e a restrição de direitos.
Justificativa para imposição de tal situação de desvantagem: a grande probabilidade de
o direito existir, de o réu ser o devedor. Essa grande probabilidade está fundada no título
executivo. Por isso que não há execução sem título: porque o título é que traz a grande
probabilidade de o direito existir e justifica as desvantagens impostas ao executado.

# OBS.: Art. 78, Novo CPC


- Precisa de um título para ter a execução, mas se tiver um título executivo extrajudicial, quer
dizer que pode entrar com o processo de execução. Mas esse artigo do Novo CPC diz que
também pode entrar com processo de conhecimento. O credor pode optar pelo processo de
execução ou de conhecimento. Mesmo tendo o título executivo extrajudicial, se o credor quiser,

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


20
pode seguir com o processo de conhecimento (no lugar de entrar com uma ação de pagar, por
exemplo, pode entrar com uma ação de cobrança).
- Esse já era o entendimento do STJ, 3a Turma, AgRg no AREsp 197.026/DF.
- O Novo CPC consagrou esse entendimento jurisprudencial,

02. NULLA TITULUS SINE LEGE


 Só a lei pode criar espécie de título executivo.
- Se pensar na vontade das partes, do juiz, da doutrina, da jurisprudência, é irrelevante –
não podem criar espécie de título executivo.
- As partes, mesmo com acordo de vontades, não podem criar espécies de título executivo.
# OBS.: Art. 475-N, I, CPC/73: Há uma previsão de que é título executivo é uma sentença
proferida em sentença de processo civil – que reconheça a existência da obrigação.
- A doutrina (Assis, Zavascri) defende que aqui, a expressão sentença deva ser interpretada
como decisão. Ou seja, a lei usou a espécie, mas a doutrina manda interpretar como sendo o
gênero. É importante esse entendimento para incluir no rol dos títulos executivos tanto a
decisão interlocutória quanto o acórdão (não são sentenças, mas são decisões e são títulos
executivos) – ex.: decisão de tutela antecipada – precisa dar a qualidade de título executivo
para a decisão interlocutória. Ação de competência originária do TJ, também deve ser
executada.
- No Novo CPC haverá essa alteração – no lugar de falar sentença, ele fala decisão.

03. PRICÍPIO DA PATRIMONIALIDADE


 O que responde pela dívida é o patrimônio do devedor – sempre.
# OBS.: Prisão Civil: não é meio de satisfação da obrigação. O sujeito é preso, mas continua
obrigado a cumprir patrimonialmente com a obrigação. A prisão civil é forma de pressão
psicológica.

3.1.Princípio do Patrimônio Mínimo: deriva do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.


- Esse princípio garante um patrimônio suficiente para a sobrevivência digna do devedor –
sacrifica o direito do credor, para que se preserve o mínimo de patrimônio do devedor.
- Impenhorabilidade de bens – é retirar da resposta patrimonial determinados bens: responde
com o patrimônio do devedor, salvo os bens impenhoráveis.

Art. 649. São absolutamente impenhoráveis:


I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


21
II - os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do
executado, salvo os de elevado valor ou que ultrapassem as necessidades comuns
correspondentes a um médio padrão de vida; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de
2006).
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de
elevado valor; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).
IV - os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de
aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as quantias recebidas por liberalidade de
terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador
autônomo e os honorários de profissional liberal, observado o disposto no § 3 o deste
artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens
móveis necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão; (Redação dada pela Lei
nº 11.382, de 2006).
VI - o seguro de vida; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem
penhoradas; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória
em educação, saúde ou assistência social; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).
X - até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, a quantia depositada em caderneta de
poupança. (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos, nos termos da lei, por partido
político. (Incluído pela Lei nº 11.694, de 2008)
§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à cobrança do crédito concedido para a
aquisição do próprio bem. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006).
§ 2o O disposto no inciso IV do caput deste artigo não se aplica no caso de penhora
para pagamento de prestação alimentícia. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006).

*Os recursos do Fundo Partidário são absolutamente impenhoráveis, inclusive na hipótese em


que a origem do débito esteja relacionada às atividades previstas no art. 44 da Lei n.
9.096/95. Fundamento legal: art. 649, XI, do CPC 1973; art. 833, XI, do CPC 2015. Ex: a
empresa de publicidade “XXX” ajuizou ação de cobrança contra o Partido “ZZZ” em virtude do
não pagamento pela prestação de serviços de marketing eleitoral realizados na campanha. A
sentença foi julgada procedente, determinando o pagamento de R$ 100 mil reais. Como não
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
22
houve pagamento voluntário após a condenação, iniciou-se a fase de cumprimento de
sentença. O juiz determinou a penhora “on line” e a quantia devida foi penhorada em uma
conta bancária em nome do partido político. Após a penhora, o partido apresentou impugnação
alegando que a conta bancária onde os valores foram penhorados é utilizada exclusivamente
para o recebimento de repasse oriundo do Fundo Partidário e, portanto, trata-se de verba
impenhorável. A alegação do partido política está correta. O CPC estabelece um rol de bens
que não podem ser objeto de penhora. Dentre esses, encontram-se previstos os “recursos do
fundo partidário”. STJ. 3ª Turma. REsp 1.474.605-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 7/4/2015 (Info 562).

*É inválida a penhora da integralidade de imóvel submetido ao regime de multipropriedade


(time-sharing) em decorrência de dívida de condomínio de responsabilidade do organizador do
compartilhamento. A multipropriedade imobiliária, mesmo não efetivamente codificada, possui
natureza jurídica de direito real, harmonizando-se com os institutos constantes do rol previsto
no art. 1.225 do Código Civil. STJ. 3ª Turma. REsp 1.546.165-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 26/4/2016 (Info 589).

*O art. 5º, XXVI, da CF/88 e o art. 833, VIII, do CPC prevêem que é impenhorável a pequena
propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família. Assim, para que o
imóvel rural seja impenhorável, são necessários dois requisitos: 1) que seja enquadrado como
pequena propriedade rural, nos termos definidos pela lei; e 2) que seja trabalhado pela família.
Quem tem o encargo de provar esses requisitos?  Requisito 1 (pequena propriedade rural):
trata-se de ônus do executado (devedor).  Requisito 2 (propriedade trabalhada pela família):
não é necessário que o executado faça prova disso. Existe uma presunção juris tantum
(relativa) de que a pequena propriedade rural é trabalhada pela família. Tal presunção é
relativa e admite prova em sentido contrário. O ônus dessa prova, no entanto, é do exequente
(credor). Resumindo: no que concerne à proteção da pequena propriedade rural, incumbe ao
executado comprovar que a área é qualificada como pequena, nos termos legais; e ao
exequente demonstrar que não há exploração familiar da terra. STJ. 3ª Turma. REsp
1.408.152-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 1/12/2016 (Info 596)

Art. 649, CPC/73 –Inciso IV – Impenhorabilidade do Salário (latu sensu) e de outros


ganhos derivados do trabalho (honorários, remuneração, etc.)
- EXCEÇÕES:
 Art. 649, parágrafo 2o, CPC/73: Na execução de alimentos, qualquer que seja a origem
no débito alimentar, cabe a penhora do salário;
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
23
 Art. 14, parágrafo 3o, Lei de Ação Popular: se o condenado “perceber dos cofres
públicos”, pode ter penhora do salário para pagar a condenação (ou seja, se for agente
público). É possível, dentro da ideia de microssistema coletivo, aplicar essa matéria
para todas as ações coletivas – não limitando a aplicação para a ação popular.
 Novo CPC: Se o sujeito ganha um salário mensal superior a 50 salários mínimos, o
salario passa a ser penhorado.

3.2. Impenhorabilidade da Lei do Bem de Família – Lei 8.009/90


- Impenhorabilidade que recai sobre um único imóvel e seus pertences.
Súmula 364/STJ: se aplica à família, ao solteiro, ao separado e ao viúvo – o conceito
tradicional de família não é exigido para a proteção do bem de família. A ideia do bem de
família também se limita à proteção de uma pessoa isolada. A súmula reconhece a família de
uma pessoa só – e a tendência é que se reconheça todas as formas de famílias.
Súmula 449/STJ: se a vaga da garagem tiver uma matrícula individualizada, ela é
penhorável, mesmo que o imóvel seja bem de família. A vaga de garagem não tem essa
proteção legal.
Súmula 486/STJ:o devedor não reside no imóvel, ele alega que é um bem de família – se a
renda do imóvel reverter na subsistência do devedor, ele é impenhorável. Se a renda serve
para pagar a moradia do devedor, se os valores revertidos para a locação, servirem para
moradia e subsistência, será impenhorável.
# OBS.: Bem de família: essa proteção leal do bem de família não pode ser objeto de renúncia.
- Mas isso não significa que a impenhorabilidade seja absoluta.
- Excepcionalmente pode-se penhorar o bem de família – art. 3o, Lei 8.009/90.

04. PRINCÍPIO DO DESFECHO OU DO RESULTADO ÚNICO


 O processo de conhecimento tem um fim normal e um fim anômalo.
 O fim anômalo é a sentença terminativa – extinguir o processo sem resolução do mérito.
Decide o processo mas não resolve o conflito.
 O fim normal é a sentença de mérito. Essa sentença de mérito tanto pode acolher o
pedido do autor, quanto ela pode rejeitar o pedido do autor – ao julgar o mérito, já é um
resultado normal.
o Se, no caso concreto, tem o acolhimento do pedido, tem tutela jurisdicional a
favor do autor.
o Se tiver a rejeição, há tutela jurisdicional em favor do réu, porque a decisão de
mérito foi em favor do réu.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


24
 Na execução, costuma-se dizer que o fim normal da execução é a satisfação do direito, de
maneira que só teria tutela jurisdicional em favor do exequente. E o fim anômalo é sentença
terminativa.
- Se o executado quiser tutela jurisdicional, tem que entrar com uma nova ação, que são os
embargos à execução.
# OBS.: A partir do momento em que o sistema passa a admitir defesa de mérito incidental
na execução (tanto na impugnação ao cumprimento de sentença como na exceção de pré-
executividade) – se for acolhida, o executado terá recebido tutela jurisdicional na execução. E
essa solução vai gerar um fim normal à execução. Se o próprio sistema admite essa defesa de
mérito incidental, o acolhimento gera um fim normal, e não atípico.
 Esse princípio do resultado único vai ser excepcionado na hipótese de defesa de mérito
incidental – ou seja, também será fim normal tutelar o executado – dar ao executado tutela
jurisdicional.

05. PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE DA EXECUÇÃO


 O exequente pode desistir da execução a qualquer momento, independentemente da
anuência do executado. Pediu a desistência, o juiz homologa.
 E se estiver em trâmite a defesa do executado – se o executado já tiver a presentado sua
defesa? Se essa defesa for embargos à execução, usa-se o art. 569, parágrafo único,
CPC/73 – depende da matéria de defesa alegada nos embargos: se a matéria for processual,
há a extinção dos embargos, por carência superveniente, por perda de objeto. Os embargos
à execução vão ser extintos por estarem prejudicados, porque perderam o objeto. Se o
executado pode chegar no máximo a uma decisão terminativa, acabou para ele – porque o juiz
já homologou a desistência. Mas se ele alegar na defesa matéria de mérito, vai depender da
vontade do embargante – se ele quiser que seja extinto, assim será, e se quiser continuar,
também. Aqui, ele pode conseguir algo a mais – se quiser continuar com o processo continua,
se não quiser, extingue-se tudo de uma vez.
# OBS.: Essa solução do art. 569, parágrafo único do CPC, é possível porque tem duas ações
– a ação de embargos e ação de execução.

# OBS.: Defesa Incidental – Impugnação ao Cumprimento de Sentença e Execução de


Pré-executividade.
- Se a execução for extinta, a defesa também será. Porque aqui há uma ação só.
- Se a execução tiver matéria apenas processual, extingue tudo. Se tiver uma defesa incidental
com matéria de mérito, a desistência depende de anuência do executado.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


25
- Essa defesa incidental de mérito é uma exceção ao princípio da disponibilidade – não
pode mais o exequente dispor livremente da execução. O pedido de desistência não será
homologado.
- No art. 775, Novo CPC, essa realidade é reconhecida pelo menos na impugnação de
cumprimento de sentença.

06. MENOR ONEROSIDADE


 Esse princípio serve para evitar que a execução seja usada coo vingança privada pelo
exequente.
- Evitar que o exequente use a execução para se vingar do executado.
- A execução não é uma vingança privada, é uma forma de satisfação de um direito.
 A ideia base desse princípio é a de que todo sacrifício de um devedor deve ser imposto nos
estritos limites do necessário à satisfação do direito do exequente, do credor.
- A execução está voltada para a satisfação – nos limites do que precisa para satisfazer o
direito, pode sacrificar o executado, o devedor.
# OBS.: Não é admitida a prática de atos incapazes de gerar a satisfação do direito. Esse
tipo de prática de ato vai sacrificar o devedor, mas não dá a correspondência necessária à
satisfação.
- Não cabe as astreintes em uma obrigação materialmente de ser cumprido – ATJ, 4a Turma,
1.057.369/RS.
- Art. 659, parágrafo 2o, CPC/73 (mesma coisa no Novo CPC): não se realiza a penhora
quando o produto, o valor dos bens a serem penhorados representa apenas o pagamento das
custas da execução.
# OBS.2: Art. 620, CPC/73: quando a execução for possível por mais de um meio, opta-se pelo
meio menos oneroso.
- Mas a doutrina (Dinamarco, Leonardo Greco), diz que opta pelo meio menos oneroso, desde
que isso não sacrifique a efetividade da tutela executiva.
- Essa doutrina defende uma ponderação.
- Art. 805, Novo CPC – ônus do executado menos oneroso + a efetividade – consagrou uma
posição doutrinária – esse princípio jamais pode ser analisado isoladamente, deve ser
analisado na perspectiva da satisfação do direito. Um meio menos oneroso, mas que gera um
grande sacrifício da tutela, não pode – tem que ser ponderado.

07. PRINCÍPIO DA ATIPICIDADE DAS FORMAS EXECUTIVAS


 Há um rol legal das formas executivas:

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


26
 Previsão da penhora, do arresto, d busca e apreensão, multa, fechamento de
estabelecimento comercial, etc.
- A ideia desse princípio é mostrar que esse rol legal é meramente exemplificativo.
- É possível adotar uma forma executiva ainda que ela não esteja consagrada em lei, nesse rol
legal das formas executivas.
- Vem sendo usado hoje como justificativa legislativa desse princípio, o art. 461, caput, CPC –
ele prevê uma série de formas executivas, mas antes de começar a nominar essas formas
executivas, ele diz “tais como”, que deixa claro a natureza exemplificativa do rol. Por isso a
ideia da atipicidade das formas executivas.
- Esse princípio também está consagrado no Novo CPC, art. 139, VI – que diz que todas as
medidas executivas são admitidas para a satisfação de um direito para o cumprimento das
decisões judiciais.

II – SUJEITO PROCESSUAIS DA EXECUÇÃO

01. RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL


 Há uma tríplice relação: exequente (autor), executado (réu), juiz.
Relação mais complexa – Há a possibilidade de relação jurídica mais complexa na
execução, que pode ser feita:
 Pelo litisconsórcio – na execução, ele é como um litisconsórcio em qualquer outro
lugar;
 Pelar intervenções de terceiros
o Intervenções Típicas: assistência, oposição, nomeação à autoria, a denunciação
da lide, e o chamamento ao processo. No Novo CPC, a oposição e a nomeação
à autoria não existem no Novo CPC. Mas só cabe a ASSISTÊNCIA na execução.
Das intervenções de terceiros típicas, a única cabível na execução é a
assistência.
- O fiador ingressa para auxiliar o credor a dar andamento à execução –
assistência.

o Intervenções Atípicas:intervenção de outros credores que não seja o exequente.


Entram como terceiros intervenientes atípicos.
Concurso de credores: é um incidente processual, para estabelecer o direito de
preferência no recebimento do produto da alienação judicial do bem.
- O Direito Material que determina as preferências (débitos trabalhista, tributário,
fiscal, alimentar, com garantia real – possuem preferência).
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
27
- Se empatar no plano do direito material (não há uma preferência material entre
eles) – se não houver preferência no direito material, vai para uma segunda análise,
de direito processual, com a regra do prior tempore portior in iure – a regra de
primeira penhora.
# OBS.1: O STF diz que para fins de preferência, o registro da penhora é irrelevante
– STF, 4a Turma, REsp 1.209.807/MS.
# OBS.2: O STJ diz que concorre com a penhora o arresto, seja ele cautelar ou
executivo – STJ, 4a Turma, REsp 902.536/RS.
- No Novo CPC, também vai concorrer com a penhora a hipoteca judiciária.

02. LEGITIMIDADE ATIVA


# OBS.: Não mudou nada no Novo CPC.
Art. 566, 567, CPC/73
Art. 566. Podem promover a execução forçada:
I - o credor a quem a lei confere título executivo;
II - o Ministério Público, nos casos prescritos em lei.
2.1.INCISO I:
- É legitimado ativo o credor a quem a lei confere título executivo.
- A lei determina quem é o credor e o devedor da relação – se a obrigação estiver contida em
um título executivo, tem legitimidade para executar.
- Tem que ter dois requisitos: a lei dá a qualidade de credor, e a obrigação deve constar em um
título executivo.
- O sujeito pode constar ou não no título executivo – o que importa é a determinação por lei.
- Legitimidade Ordinária: não constava no título a legitimidade.
- Legitimidade Originária, Primária: desde a formação do título a legitimidade já existia.
2.2.INCISO II:
- A legitimidade executiva do MP.
Tutela Coletiva: O MP tem legitimidade para executar, ainda que sob certas condições, no
microssistema de ações coletivas:
- Princípio da Indisponibilidade da Execução. Na tutela executiva, o MP tem o dever
institucional de executar as sentenças coletivas.
- Se a ação coletiva tiver como objetivo direito coletivo ou difuso, se for uma Ação Popular, o
MP tem 60 dias da decisão de 2o grau (do julgamento da apelação) – art. 16, Lei AP; se for
uma ACP, o MP tem 60 dias contados do transito em julgado (art. 15, Lei ACP).
- Espera qualquer outro legitimado a executar – espera a execução. Se não acontecer, o MP é
obrigado a ingressar com a execução.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
28
- Se for direito individual homogêneo, o MP espera um ano do trânsito em julgado. No DIH
há uma soma de direitos individuais, na hora de executar, a ideia é que cada indivíduo execute
o seu direito.
- Depois de 1 ano, o MP faz a análise do número de habilitados (quantas pessoas a decisão
favoreceu, quantas delas estão executando a sentença), e ele faz uma análise tomando por
base a extensão do dano. O número de habilitados a luz da extensão do dano.
- Se o número de habilitados for incompatível com a execução do dano, o MP vai entrar com a
execução por fluidrecovery.
Art. 68, CPP:a legitimidade do MP executar uma sentença penal condenatória na esfera
cível, quando tiver a vítima do ato ilícito sendo uma pessoa pobre.
- STF, Turma do Pleno, RE 135.328/SP: decidiu pela inconstitucionalidade progressiva dessa
norma, de forma que a legitimação do MP só é possível para os casos em que não há a
atuação da Defensoria Pública – até que o MP não tenha mais legitimidade, quando houver
defensoria pública em todos os lugares que há MP.
 A legitimação do MP, em qualquer das hipóteses, é sempre extraordinária. O que significa
dizer que o MP sempre está, na execução, atuando em nome próprio, defendendo o
interesse de outrem.
- Não é o direito do MP que é objeto da execução.

2.3.Art. 567, CPC


Art. 567. Podem também promover a execução, ou nela prosseguir:
I - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste,
Ihes for transmitido o direito resultante do título executivo;
II - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo Ihe foi transferido por ato
entre vivos;
III - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional.
I – Espólio, Herdeiros, Sucessores
- Quando o sujeito morre durante o processo, é necessário uma sucessão processual – entra
no seu lugar o espólio, herdeiros ou sucessores.
- Essa sucessão se dá por uma ação de habilitação – art. 1.055 a 1.052, CPC – é uma ação
incidental de habilitação.
# OBS.: Essa legitimação ativa é uma legitimação provisória, porque dura até a partilha.
Porque a partir do momento que tem a partilha, a legitimação ativa passa a estar consagrada
nos quinhões sucessórios ou hereditários.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


29
- Há uma legitimação ordinária – porque estarão em nome próprio na defesa de interesse
próprio, e superveniente/secundária – uma legitimação criada após a formação do título
executivo.
II e III – CESSIONÁRIO E SUB-ROGADO
 O sub-rogado passou a ser legitimado por uma sub-rogação (legal – art. 346, CC; ou
convencional – art. 347, CC).
- É um ato inter vivos.

03. LEGITIMIDADE PASSIVA


Art. 568, CPC/73.
Art. 568. São sujeitos passivos na execução:(Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo; (Redação dada pela Lei nº 5.925,
de 1º.10.1973)
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor; (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
III - o novo devedor, que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação
resultante do título executivo; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
IV - o fiador judicial; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
V - o responsável tributário, assim definido na legislação própria. (Redação dada pela
Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
# OBS.: No Novo CPC passam a ter 6 incisos.
3.1. INCISO I – Legitimidade do Sujeito que figura no título executivo como devedor
- É a legitimação padrão.
- Legitimidade ordinária – está em nome próprio na defesa de interesse próprio.
- Legitimidade originária – existe desde a época em que o título foi criado.
3.2. INCISO II – Espólio, Herdeiros, Sucessores
- Têm tanto a legitimidade ativa como a passiva.
- Tudo o que se aplica ao polo ativo, se aplica ao passivo.
# OBS.: Benefício de Inventário – Art. 1792, CC
- O que responde pelas dívidas do de cujus é a herança, o patrimônio que ele deixou.
- Legitimidade ordinária superveniente – cria uma nova legitimidade.
3.3. INCISO III – Novo Devedor
- A legitimação passiva do novo devedor – a cessão de débito/assunção de dívida.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


30
-. Art. 299, CC – a sessão de débito ou assunção de dívida, depende de anuência do credor.
Na hora em que cede o débito, está mudando o patrimônio que responde pela dívida. Como
essa questão do patrimônio interessa ao credor, o credor deve anuir.
- Essa legitimidade passiva depende da anuência do credor, porque a consequência
processual da cessão de débito é ter um novo devedor – que precisa da anuência do credor.
- É uma legitimação ordinária superveniente.
3.4. INCISO IV – Fiador Judicial
- O fiador judicial é um terceiro que presta garantia em juízo em favor de uma das partes.
- Esse terceiro nunca vai constar do título executivo – porque o título executivo será a decisão
desse processo. E da decisão desse processo, só vai constar o autor e o réu. O fiador judicial
não consta.

Novo CPC: Fiador de obrigação constante de título extrajudicial – agora o Novo CPC
prevê esse fiador (o fiador convencional, que antes não tinha legitimidade passiva).
- Mas ao limitar a previsão ao título extrajudicial, o Novo CPC matou a figura do fiador judicial.
- O Novo CPC não dá mais legitimidade passiva ao fiador judicial.
- O Novo CPC poderia ter falado apenas em título executivo, que valeria tanto para o judicial
como o extrajudicial.
3.5. INCISO V – Responsável Tributário
- Art. 134 e 135, CTN.
- STJ, 2a Turma, REsp 958.428/RS: o STJ diz que esse responsável tributário não precisa
constar da CDA.
3.6. INCISO VI – NOVO CPC – Garantidor em garantia real
- Executa uma obrigação que tem garantia real, pode executar o garantidor.
- É uma regra que o define como legitimado passivo.
- Ele está no título não como legitimidade passivo, mas como garanti.

III – COMPETÊNCIA PARA A EXECUÇÃO

01. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL


 Competência para executar os títulos executivos judicias.
- Art. 475-P, CPC (Art. 516, Novo CPC).

1.1. INCISO I: COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


31
 O Tribunal tem a competência recursal e a originária. Para fins de competência executiva, só
interessa a competência originária do Tribunal. São as decisões proferidas nessas ações de
competência originária executáveis pelo Tribunal.
- Sempre que o Tribunal decide um recurso, a competência para executar não é dele, é sempre
do órgão anterior, de 1o grau.

# OBS.: Art. 102, I, m, CF. Apesar de ser uma regra prevista para o STF, ela é aplicável a
todos os tribunais. Ela permite uma delegação da função executiva para o primeiro grau.
- Os tribunais não têm estrutura funcional para os atos de execução. Por isso, os Tribunais
delegam para o 1o grau – a competência é do Tribunal mas eles delegam para o 1o grau.
- O Tribunal expede uma carta de ordem, por meio da qual determina que a execução aconteça
no 1o grau.
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da
Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a
delegação de atribuições para a prática de atos processuais;
# OBS.2: Exceção – A homologação da sentença estrangeira. É um título executivo de
competência do STJ – essa ação de homologação de sentença estrangeira, sé de competência
originária do STJ e, pela regra, quem a executaria seria o próprio STJ, mas não é. Quem
executa é a Justiça Federal de 1o Grau. É o art. 109, CF, que prevê essa exceção – inclui na
competência da justiça federal a execução de homologação de sentença estrangeira.

1.2. INCISO II – COMPETÊNCIA DO JUÍZO QUE PROCESSOU A CAUSA EM PRIMEIRO


GRAU
 O art. 516, II, Novo CPC, ao invés de prever juízo que processou a causa, prevê o juízo que
decidiu a causa.
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;
- Em regra, o mesmo juízo que processa a causa, é o juízo que decide. Essa regra decorre do
princípio da perpetuatio juridictionis – Art. 87, CPC.
Art. 87. Determina-se a competência no momento em que a ação é proposta. São
irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente,
salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da
matéria ou da hierarquia.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


32
- Assim, em regra, dar a competência para quem processa ou decide dá no mesmo, porque é o
mesmo juízo.
- Entretanto, há exceções a esse princípio, podendo haver, no caso concreto, juízos diferentes
(um que processa e um que decide).
- Para evitar essa confusão, o novo CPC prevê quem tem competência para julgar é o órgão
que decide – porque o que interessa é o juízo que formou o título – a competência é do juízo
que formou o título.
- Hoje, no CPC de 73, na prática, se aplica o juízo que decide, mas o art. 475-P, II, deixa
margem para ser o que processa ou o que decide.
Art. 475-P, parágrafo único: para essa hipótese, de título judicial formado em primeiro grau,
o legislador cria uma regra de foros concorrentes. A lei prevê mais de um foro competente à
escolha do autor. Ele pode escolher entre o juízo atual (inciso II), ou o juízo do executado, ou
o local dos bens.
- Em uma execução de pagar quantia, por exemplo, o que interessa é a expropriação, penhora
do bem – a execução gira em torno dos bens do devedor.
# OBS.: O Novo CPC, Art. 516, parágrafo único, indica um quarto foro: o local do
cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer.
Art. 516. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar
pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os
bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação
de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será
solicitada ao juízo de origem.

# OBS.2: STJ, 2a Seção, Conflito de Competência 101.138/DF–o STJ diz que essa escolha a
respeito do foro deve ser feita no momento do início do cumprimento de sentença. O início do
cumprimento de sentença se dá por requerimento do exequente – e é nesse momento que ele
faz a escolha.
#INFO #STJ
Arrematado bem imóvel, o Juízo da execução que conduziu a arrematação não pode
determinar o cancelamento automático de constrições determinadas por outros Juízos
de mesma hierarquia e registradas na matrícula do bem, mesmo que o edital de praça e o
auto de arrematação tenham sido silentes quanto à existência dos referidos gravames.
Além de o Juízo da execução não deter competência para o desfazimento ou
cancelamento de constrições e registros determinados por outros Juízos de mesma
hierarquia, os titulares dos direitos decorrentes das decisões judiciais proferidas em
outros processos ("credores"), as quais geraram as constrições e registros imobiliários
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
33
que o arrematante pretende cancelar, têm direito ao devido processo legal, com
contraditório e ampla defesa a fim de manterem o bem vinculado a seus interesses.
As possíveis falhas nos atos judiciais que antecederam a arrematação, porque não
mencionavam as outras constrições de outros Juízos sobre o imóvel a ser arrematado,
não possibilitam ao Juízo da arrematação determinar a baixa de outras constrições
levadas a efeito por outros juízos.
STJ. 4ª Turma. RMS 48.609-MT, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 19/5/2016 (Info 585).

1.3. INCISO III


A) SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO E A SENTENÇA
ARBITRAL
- São dois títulos que são tratados por esse dispositivo.
- Nesses dois títulos, deve ser feito um juízo de abstração. Sem esse título executivo, teria que
entrar com um processo de conhecimento para formar o título executivo e poder executar. E
qual seria a competência desse processo de conhecimento? É aí que encontra a competência
para a execução desses títulos.
- A execução para esses títulos é no mesmo foro competente para o processo de
conhecimento que seria necessário para criar esses títulos.
Sentença Penal Condenatória – Art. 100, parágrafo único, CPC: fala na competência na
ação de reparação de danos por ato ilícito penal (ele fala em delito). É a mesma regra de
competência: foros concorrentes – local do ato ilícito e domicílio do exequente, da vítima
do ato ilícito.

Sentença Arbitral: se na convenção de arbitragem houver cláusula de eleição de foro,


será essa a competência para a execução. Se não houver a cláusula de eleição de foro, vai
depender do caso concreto – analisando onde seria iniciado o processo de conhecimento, caso
não houvesse a arbitragem, pelas regras gerais de competência do CPC.

#INFO. 569 - STJ


No âmbito do cumprimento de sentença arbitral condenatória de prestação pecuniária, a multa
de 10% (dez por cento) do artigo 475-J do CPC 1973 (art. 523, § 1º do CPC 2015) deverá
incidir se o executado não proceder ao pagamento espontâneo no prazo de 15 (quinze) dias
contados da juntada do mandado de citação devidamente cumprido aos autos (em caso de
título executivo contendo quantia líquida) ou da intimação do devedor, na pessoa de seu
advogado, mediante publicação na imprensa oficial (em havendo prévia liquidação da
obrigação certificada pelo juízo arbitral). STJ. Corte Especial. REsp 1.102.460-RJ, Rel. Min.
Marco Buzzi, Corte Especial, julgado em 17/6/2015 (recurso repetitivo) (Info 569).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


34
B) HOMOLOGAÇÃO DA SENTENÇA ESTRANGEIRA
- Ela vai ser feita em primeiro grau na justiça federal – art. 109, CF.
-Para saber o foro, aplica-se o Art. 484, CPC – que manda aplicar a essa execução as regras
estabelecidas para a execução da sentença nacional de mesma natureza – pela regra do Art.
475-P, parágrafo único, mas elimina-se a primeira regra (porque o juízo atual, que decide a
causa, é o STJ, e a competência é do 1o grau da JF). E, com o Novo CPC, além do domicílio
do executado e do local dos bens, há o local do cumprimento da obrigação de fazer ou não
fazer.

02. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL


- No CPC/73, não há previsão para regulamentar esse tema. Criou-se a regra na doutrina e
jurisprudência:
 1o: Analisa se há uma cláusula de eleição de foro – se houve, essa será a competência;
 2o: Se não houve a cláusula de eleição de foro, vai para o foro do local do cumprimento
da obrigação;
 3o: Se não houver essa indicação no título, vai para o foro do local do domicílio do
executado;
 4o: Se não se souber o domicílio do executado, o foro será o do domicílio do exequente.
# OBS.: STJ, 3a Turma, REsp 782.384/SP – um protesto do título. O STJ decidiu no sentido de
que o protesto é irrelevante para a competência da execução.
# OBS.2: STJ, 4a Turma, AgRg no Ag 465.114/DF – o tema era competência da execução
hipotecária. Se entender que a execução hipotecaria tem natureza real, deve aplicar o art. 95,
CPC – competência absoluta do local do imóvel (ação real imobiliária); se entender que a
execução hipotecária é pessoal, aplicam-se essas regras tradicionais – tratando a execução
como outra qualquer, de título extrajudicial.
-O imóvel hipotecado não é o objeto da execução – o objeto é uma dívida de pagar quantia,
cujo inadimplemento tem uma garantia hipotecária, sobre o imóvel. O objeto da garantia é uma
coisa, o objeto da execução é outra coisa.
# OBS.3: O Novo CPC tem uma inovação – no Art. 781, Novo CPC, o tema da competência
da execução de título extrajudicial é tratado. Ele prevê cláusula de eleição de foro, domicílio
do executado, domicílio dos bens, e o local da prática do ato ou da ocorrência do fato
que deu origem ao título executivo.
- Essa cláusula de eleição do foro prevalece sobre as outras regras. Ela vincula as partes. E as
outras três regras são foros concorrentes.

IV – EXECUÇÃO PROVISÓRIA
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
35

01. CONCEITO
 Houve uma grande mudança em 2005 – mas a partir de 2005
Título Executivo Judicial: quando esse título é criado, quando é prolatada a sentença, há
três hipóteses:
 Inexistência de recurso – o título é formado, e contra ele não é interposto recurso algum.
Nessa hipótese, há o trânsito em julgado do título. E, assim, haverá uma execução
definitiva.
 Existência de recurso com efeito suspensivo – ele suspende a eficácia da decisão
impugnada e, nesse caso, não cabe nenhuma espécie de execução (nem a provisória e
nem a definitiva) – suspende a Executabilidade.
 Existência de recurso sem efeito suspensivo – é a hipótese de execução provisória.
Sem efeito suspensivo, há a Executabilidade – apesar de o título executivo ser objeto de
recurso, já pode ser executado imediatamente, mas a existência desse recurso pode
anular ou reformar o título executivo – por isso que a execução é provisória, porque o
título executivo é provisório. O título executivo gera efeitos, não há nada que impeça que
ele produza efeitos, mas ele é provisório.
Título Executivo Extrajudicial– Art. 587, CPC/73: toda execução de título executivo
extrajudicial, começa como uma execução definitiva. E aí essa execução pode virar uma
execução provisória. Para isso, é necessário:
 Primeiro, que o executado entre com Embargos de Declaração – se não o fizer, a
execução seguirá definitiva até o final.
 Segundo, o executado precisa conseguir o efeito suspensivo nos embargos, que
depende de certos requisitos.
 Deve haver uma sentença de improcedência nos embargos – o executado perde.
 O executado deve entrar com uma apelação contra essa sentença. A apelação, nesse
caso, não tem mais efeito suspensivo – a execução volta a tramitar, mas como uma
execução provisória, em razão do preenchimento dos requisitos do art. 587, CPC.
 O Novo CPC diz que só existe execução provisória no título executivo judicial. Toda a
execução de título judicial no Novo CPC é por cumprimento de sentença – e, por isso, usa a
terminologia cumprimento provisório de sentença.
- Assim, o Novo CPC revoga todo o trâmite para Título Executivo Extrajudicial existente no
CPC/73 – porque título executivo judicial vai precisar de processo de execução – não
havendo que se falar em cumprimento de sentença provisório
- No Novo CPC, execução de título extrajudicial começa e acaba sempre como execução
definitiva.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
36

02. FORMALIZAÇÃO DOS AUTOS DA EXECUÇÃO PROVISÓRIA


- Quando há uma execução provisória, há um recurso pendente de julgamento. E esse recurso
leva os autos principais para o Tribunal, mas a competência para executar não é do Tribunal.
Assim, deve-se criar novos autos para a execução provisória que normalmente ocorre no juízo
de primeiro grau.
- Esses novos autos chamam-se de Carta de Sentença.
- Essa carta de sentença, por muito tempo, foi formada pelo Cartório Judicial, e ficava preso à
demora do cartório.
- Depois, o responsável por elaborar a carta de sentença passou a ser o Exequente – que vai
fazer o requerimento inicial do cumprimento de sentença, e esse requerimento inicial vai ser
instruído com cópias de peças dos autos principais (art. 475-O, parágrafo 3o).
# OBS.: Essas cópias que instruirão a carta de sentença não precisam ser autenticadas, mas o
advogado deve declarar as cópias autênticas – a autenticidade das cópias.
# OBS.2: Novo CPC: nos processos que seguem pelo meio eletrônico, o Novo CPC dispensa
a instrução

03. CAUÇÃO
3.1. FUNÇÃO
 O Título Executivo foi ser reformado ou anulado pelo resultado do recurso. Se o recurso
reformar o título executivo, quer dizer que a execução provisória foi injusta. Se o Título
Executivo for anulado, a execução provisória foi ilegal.
- Essa execução injusta ou ilegal pode gerar um dano injusto, ou ilegal, ao executado, mas que
não tinha como se prever antes.
- Assim, é preciso criar uma garantia de ressarcimentopara esse eventual dano do
executado. E é aí que surge a cauçãona execução provisória.
- O exequente presta a caução para servir de garantia ao ressarcimento de um dano futuro e
eventual.
- A execução provisória é baseada no risco proveito. Para assumir esse risco concretamente,
é necessário a prestação da caução.
3.2. NATUREZA JURÍDICA
- Há uma discussão na doutrina no sentido de que essa caução é uma garantia legal, tem
natureza de garantia legal, ou tem natureza de cautelar?
- Ovídio Baptista defende a natureza de garantia legal; Zavascki defende a natureza de
cautelar.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


37
- Na garantia legal, a caução deve ser prestada no momento previsto em lei, sem nenhuma
outra consideração – deve exigir no caso concreto o fumus boni iuris e o periculum in mora.
- Na cautelar, haverá uma exigência dessa análise do fumus boni iuris e do periculum in mora.
- STJ, 3a Turma, AgRg na MC 13.765/SP – o posicionamento do STJ é pela natureza cautelar
dessa caução.

3.3. REQUISITOS
 São dois requisitos exigidos por lei para essa caução:
 Suficiência: a suficiência da caução tem a ver com o valor do dano. Mas trata-se de
um dano futuro e eventual, o que significa que será impossível saber que valor é esse.
Para isso, toma-se por base o valor da execução.
 Idoneidade: está ligada à confiabilidade – é uma caução confiável em termos formais
(sem vício formal) e materiais (considerando a efetiva capacidade da caução de
ressarcir o dano).
# OBS.: Como a lei não prevê, essa caução pode ser tanto real quanto fidejussória.
3.4. MOMENTO
 O momento de prestação da caução.
- Não é o momento da propositura. Dá início à execução provisório do mesmo jeito que dá
início à definitiva.
- O art. 475-O, III, CPC/73, prevê os três momentos em que se passa a exigir a caução:
 Para o levantamento do dinheiro – para levantar o dinheiro penhorado, precisa da
caução;
 Para a alienação de propriedade – para alienar precisa prestar a caução.
 Para a prática de ato capaz de gerar grave dano ao executado – execuções de fazer,
não fazer e entregar coisa.

# OBS.: As duas primeiras hipóteses estão associadas à execução de pagar. A terceira


hipótese é para as outras obrigações, que é mais subjetiva.
3.5. DISPENSA DA CAUÇÃO
Art. 475-D, parágrafo 2o, CPC – hipóteses de dispensa:
A) PRIMEIRA HIPÓTESE
 Dívida alimentar, independente da origem;
 O exequente deve provar a situação de necessidade: a imprescindibilidade de
recebimento imediato, sob pena de grave lesão, e a impossibilidade de prestar caução.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


38
 Limite de até 60 salários mínimos – mas o STJ, 3a Turma, REsp 1.066.431/SP – disse
que esse limite deve ser calculado por mês.
B) SEGUNDA HIPÓTESE
 Dívida de natureza de ato ilícito;
 Situação de necessidade;
 Limite de até 60 salários mínimos
B) TERCEIRA HIPÓTESE
 A pendência de julgamento do Agravo do art. 544, CPC – esse agravo é o contra a
decisão denegatória de seguimento de RE e REsp. O legislador levou em consideração
a pequena probabilidade de reversão da decisão.
- Mas, nesse caso, se o executado mostrar ao juiz que a dispensa lhe gera grave dano, o juiz
pode exigir a prestação da caução.

Novo CPC, art. 521: prevê as hipóteses de dispensa de caução, que agora são 4:
 Crédito alimentar de qualquer origem (que está assim de forma expressa);
 Situação de necessidade do exequente – independentemente da origem da dívida –
essa hipótese é possível para qualquer situação.
 O recurso pendente de julgamento de Agravo de RE ou REsp
 A decisão ter fundamento súmula do STJ ou do STF, ou está em conformidade com o
acórdão proferido no julgamento de causas repetitivas – o entendimento está confirmado
nos Tribunais Superiores.
# OBS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA – Lei 13.256/16: Art. 521, III – pender o agravo do art.
1.042. Foi incluído o inciso I do art. 1042 que trata do Agravo quando da negativa de
seguimento do Recurso Especial ou Extraordinário. O inciso I trata das hipóteses de exclusão
de sobrestamento e não admissão de Recurso Especial ou extraordinário intempestivo, por
requerimento do interessado. Com a alteração, a caução de cumprimento de sentença prevista
no art. 520, IV pode ser dispensada também nos casos de Agravo da decisão de exclusão de
sobrestamento e não admissão de Recurso Especial ou extraordinário intempestivo (art. 1.042,
I).

# OBS.: Não se exige mais, no Novo CPC, o limite de 60 salários mínimos.

04. RESPONSABILIDADE OBJETIVA


 Art. 475-O, I, CPC

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


39
- O CPC adota a Teoria do Risco-Proveito: o exequente assume todo o risco e todo o
proveito da execução provisória, tendo uma responsabilidade objetiva sobre eventual dano ao
executado – dispensa a culpa.
 Vai analisar: se o título executivo provisório foi anulado ou reformado; e se a execução
provisória, gerou danos ao executado.
- É o que basta para o exequente ter que responder pelos danos suportados pelo executado.
- Na prática, a decisão do recurso que estava pendente de julgado vai vir com a anulação ou
com a reforma do título provisório. Essa decisão será um título executivo judicial em favor do
executado provisório.
- O executado vai cobrar pela via executiva, da execução. Mas esse título executivo em favor
do executado provisório conterá uma obrigação ilíquida – o que significa que o executado vai
entrar com uma ação de liquidação de sentença, e depois de cumprimento de sentença.
- Pelo art. 475-O, II, CPC, essa liquidação deveria ser por arbitramento. Mas, na verdade, é
tranquilo o entendimento de que ela pode ser por arbitramento ou artigos, dependendo do caso
concreto.
- Nesse sentido, o Novo CPC deixa de prever a espécie de liquidação – se vai ser por uma
forma ou pela outra, vai depender do caso concreto.

V – TÍTULO EXECUTIVO

01. REQUISITOS DA OBRIGAÇÃO EXEQUENDA


 É a obrigação contida no título.
- Os títulos executivos são atos jurídicos solenes, o que significa dizer que há vários requisitos
formais que precisam ser preenchidos, e cada título executivo vai ter os seus requisitos
formais.
# OBS.: Quando o art. 586, CPC (art. 783, Novo CPC), diz que deve haver para a execução
liquidez, exigibilidade e certeza (certo, líquido e exigível), quer dizer que esses requisitos
formais não são do título executivo, mas sim da obrigação contida no título executivo,
chamada de obrigação exequendo.
- Pode ter, portanto, um título executivo formalmente perfeito, mas se a obrigação existente no
título não tiver esses requisitos, ele não será executável.
A) CERTEZA
- A obrigação certa é aquela obrigação que tem definição dos seus elementos objetos (a
obrigação tem que mostrar de que espécie ela é), e elementos subjetivos (os sujeitos da
obrigação).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


40
# OBS.: a certeza da obrigação não é a certeza da sua existência. Pode ter uma obrigação
certa mas inexistente.
B) LIQUIDEZ
- A obrigação deve ser líquida.
- Barbosa Moreira diz que a liquidez é a determinabilidade da fixação do quantum
debeatum. Se o quantum debeatum já tiver determinado no título, não há o que discutir – a
obrigação é líquida.
- Mas se não estiver determinado no título, e depende de meros cálculos aritméticos, nesse
caso, a obrigação já é líquida. Ter que fazer esses cálculos não retira a liquidez da obrigação.
- Porque a liquidez não é a determinação do valor, mas sim a sua determinabilidade.
C) EXIGIBILIDADE
- É a inexistência de impedimento à eficácia atual da obrigação – o que resulta, em regra, no
inadimplemento.
- Regra:basta o exequente mostrar o inadimplemento.
- Excepcionalmente é possível que tenha que se provar além do inadimplemento:
 Sempre que tiver uma obrigação a termo, deve-se provar, além do inadimplemento, o
advento do termo;
 Se tiver uma obrigação sob condição, deve-se provar o implemento dessa condição;
 Se tiver uma obrigação vinculada a uma contraprestação, deve-se provar o
cumprimento dessa contraprestação.
# OBS.: Essa prova deve ser documental, pré-constituída. Ou seja, não cabe a produção dessa
prova durante a execução – se não houver, deve-se entrar com um processo de conhecimento.

02. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL


Art. 475-N, CPC/73 (Art. 515, Novo CPC)
2.1. INCISO I – SENTENÇA CIVIL QUE RECONHEÇA A EXISTÊNCIA DE UMA
OBRIGAÇÃO
 No CPC/73, são as sentenças:
 Sentença condenatória;
 Sentença executiva latu sensu;
 Sentença meramente declaratória que tenha como objeto, como conteúdo, a declaração
da existência de uma dívida. Dessa sentença, você tem a certeza jurídica. Mas também
há a Executabilidade?
- Se tem um credor que pode pedir condenação, ele não se limita a pedir a mera
declaração.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


41
- Há uma exceção – na repetição de indébito tributário – porque se pede a
condenação da Fazenda Pública, vai para o regime dos precatórios. Se pede a mera
declaração do indébito, dá para fazer uma compensação administrativa.
- Súmula 641, STJ: se tiver essa sentença meramente declaratória de débito tributário,
ele pode ir para o precatório ou para a compensação administrativa (quando ela for
possível).
- Precatório, é execução, é a forma de executar a Fazenda Pública, e está indo para
essa execução com uma sentença meramente declaratória. Ou seja, apesar da polêmica
sobre esse tema na doutrina, em sede jurisprudencial, é possível se dizer que a
sentença meramente declaratória é título executivo.
- O STJ entende que a sentença meramente declaratória que tem como objeto uma
dívida, ela pode ser executada – e essa execução só pode acontecer porque a
sentença é um título executivo.
 Confirmando essa tendência, o Novo CPC substitui esse termo “sentença proferida no
processo civil que reconheça a existência do obrigação”, por “exigibilidade” – sentença civil
que reconheça a exigibilidade de uma obrigação. Exigibilidade para o cumprimento da
obrigação por meio da execução.
- Segue a tendência do STJ no sentido de que esse inciso I não só engloba a sentença
condenatória e executiva latu sensu, mas também a meramente obrigatória de dívida.
2.2. INCISO II – SENTENÇA PENAL TRANSITADA EM JULGADO
- Depende do transito em julgado para a sentença penal condenatória ser um título executivo.
- Para a sentença penal condenatória, só existe execução definitiva.
- A diferença no Penal e o Cível, é em razão do princípio da presunção de inocência –
presume-se inocente até o transito em julgado.
- Essa sentença penal condenatória tem essa eficácia civil – se torna um título executivo na
esfera cível – apenas com relação à pessoa do condenado, o que significa dizer que a vítima
do ato ilícito só vai poder executar na esfera cível o condenado, ainda que existam outros
corresponsáveis. Se quiser cobrar de um outro corresponsável, é necessário um processo de
conhecimento (porque o título executivo da sentença penal só vale para o condenado).
- Se houver uma revisão criminal na esfera penal, julgada procedente, a eficácia desse
julgamento, na esfera cível: se ainda não tiver havido execução, não haverá mais, pois não vai
mais haver o título executivo – a revisão criminal procedente desconstitui a sentença penal
condenatória; se a execução estiver em trâmite, há uma perda superveniente do título
executivo – o título executivo que fundava a execução não existe mais – há extinção da
execução pela perda superveniente do título; se a execução já estiver extinta, já acabou e
houve a satisfação do credor, caberia repetição de indébito? Ou seja, o executado pode cobrar
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
42
daquele exequente o que ele perdeu na execução? Depende do fundamento da revisão
criminal. Se esse fundamento da revisão criminal excluir a responsabilidade civil do
condenado, a resposta é sim, cabe repetição de indébito (ex.: se houver o reconhecimento
da não autoria). Mas se mantiver a responsabilidade civil do condenado, a resposta é não,
não cabe repetição de indébito (ex.: a prescrição penal – não exclui a responsabilidade civil).
Art. 63, parágrafo único, c/c 387, IC, CPP
- Na sentença condenatória penal pode ter um capítulo de natureza cível, que fixa o valor
mínimo do dano suportado pela vítima do ato ilícito. Esse capítulo, entretanto, não é
obrigatório, não é um dever do juiz penal.
- A ideia é que o juiz penal tem a capacidade de promover esse capítulo com base na cognição
penal que ele realiza no caso concreto. A cognição do juízo penal continua sendo a mesma
(autoria, culpa ou dolo, etc.), não vai fazer cognição a respeito do dano. Mas se nessa
cognição o juiz tiver elementos suficientes para indicar o valor mínimo, aí ele indica.
- Nesse caso, pode, concomitantemente, já entrar com o cumprimento de sentença para exigir
o valor mínimo, e entrar com uma liquidação de sentença para descobrir o valor real do dano –
tudo isso para ajudar a vítima do ato ilícito, para permitir a execução imediata, ainda que do
valor mínimo.
# OBS.: Se o valor real obtido na liquidação de sentença for inferior ao valor mínimo que está
na sentença penal, é o valor real da liquidação que vai prevalecer, em razão do grau de
cognição. Esse valor real é obtido mediante cognição exauriente. Construiu-se um juízo de
certeza para fixar o valor real. Enquanto que o valor mínimo é fixado mediante uma cognição
sumária (juízo de probabilidade – o juízo penal não vai atrás do valor do dano, ele se vale dos
valores penais para fixar o valor mínimo do dano).
2.3. INCISO III – SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA
 O dispositivo fala que é título executivo a sentença homologatória de TRANSAÇÃO e de
CONCILIAÇÃO.
- Mas, na verdade, é a sentença homologatória de AUTOCOMPOSIÇÃO:
 Transação,
 Reconhecimento jurídico do pedido e
 Renúncia
 Se a sentença for homologatória de transação, ela pode ser objetivamente mais ampla
que o processo. É isso que o dispositivo quis dizer ao dispor “matéria não posta em juízo”.
Pode resolver pela transação pedidos, conflitos que não estão no processo.
- Objetivamente, o acordo, a transação, pode ser mais amplo que o processo.
- No art. 515, parágrafo 2o, Novo CPC, além dessa permissão, o Novo CPC permite uma
ampliação objetiva. Ou seja, a transação a ser homologada pode envolver terceiros.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
43

2.4. INCISO IV – SENTENÇA ARBITRAL


 A sentença arbitral não depende de homologação judicial. Hoje, a sentença arbitral é título
executivo independentemente de homologação.
- É o único título executivo judicial formado fora do Poder Judiciário.
2.5. INCISO V – ACORDO EXTRAJUDICIAL HOMOLOGADO EM JUÍZO
 É o acordo extrajudicial homologado em juízo. O legislador criou uma situação em que não
há processo em trâmite, porque se tem um processo em tramite, incorre no inciso III.
- Faz um acordo extrajudicial e cria um processo de homologação – que é de jurisdição
voluntária, porque depende de um acordo entre as partes.
- Nesse processo de homologação, não pode existir conflito entre as partes – as duas querem
o mesmo bem, que é o título executivo judicial – é um acordo entre as partes.
# OBS.: Esse acordo extrajudicial já pode ser um título executivo extrajudicial, se estiver
assinado, por exemplo, por testemunhas.
- Se tiver esse título executivo extrajudicial, pode entrar ainda com o processo de homologação
para obter o título executivo judicial.
- Mesmo que esse acordo já seja um título extrajudicial, cabe o pedido de homologação do
acordo.
2.6. INCISO VI – HOMOLOGAÇÃO DA SENTENÇA ESTRANJEIRA
 Toda sentença estrangeira só gera efeitos no Brasil depois de homologada pelo STJ.
- Se esses efeitos não forem executivos, a homologação da sentença estrangeira não será um
título executivo.
- A homologação da sentença estrangeira só é título executivo judicial, se os efeitos que quer
gerar no Brasil forem efeitos executivos.
- Efeitos constitutivos e efeitos declaratórios só são gerados com a homologação, mas ai a
homologação não é título executivo – não tem execução.
# OBS.: O STJ, além de incluir nessa homologação a sentença estrangeira arbitral, inclui
atos administrativos estrangeiros que substituem a sentença.
Novo CPC, art. 515, IX – inclui nos títulos executivos a decisão interlocutória estrangeira
homologada pelo STJ – relacionadas às tutelas de urgência.

2.7. INCISO VII – FORMAL E CERTIDÃO DE PARTILHA


 O processo de arrolamento de inventário. O formal e a certidão de partilha é a distribuição
entre herdeiros e sucessores do direito patrimonial e obrigações do de cujus – o formal é onde
tem as cotas.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


44
- Esse formal e certidão de partilha vai poder conter obrigações de pagar e entregar (nunca de
fazer).
- E a eficácia executiva desse título está limitada ao inventariante, aos herdeiros e aos
sucessores.
- O formal e a certidão de partilha podem conter obrigação de envolva terceiro, e para esse
terceiro, o formal e a certidão de partilha não são título executivo – ainda que seja credor do de
cujus – o título executivo não o vincula.

03. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL


 Rol do art. 585, CPC/73 e o Art. 784, Novo CPC.
3.1. INCISO VIII – ROL EXEMPLIFICATIVO
 Esse rol do art. 585 é um rol exemplificativo – legislação extravagante tem várias definições
de título extrajudicial.
3.2. INCISO I – TÍTULOS DE CRÉDITO
 Cheque;
 Nota Promissória;
 Duplicata;
 Debênture;
 Letra de Crédito.
 Em razão do Princípio da Circulabilidade – que diz que é credor quem estiver em poder do
título, da cártula – cria um requisito formal nessa execução: que é que a petição inicial dessa
execução deve ser instruída com a cártula original do título de crédito. Exigir a juntada da
carta original é quebrar a circulabilidade, para evitar sucessivas execuções do mesmo título.
# OBS.: O STJ decidiu que se no caso concreto não houver risco de circulação da cártula, pode
juntar a cópia – pode instruir a petição inicial com cópia – STJ, 3a Turma, REsp 712.334/RJ.
 Esses títulos de crédito não dependem de protesto para serem executados.
- Eles são títulos executivos a partir do momento que são títulos de crédito.
3.3. INCISO II
A) 1a PARTE – ESCRITURA PÚBLICA OU OUTRO DOCUMENTO PÚBLICO ASSINADO
PELO DEVEDOR
 Escritura pública é o ato privativo do Tabelião de Notas. Essa escritura pública não vai ter a
assinatura do devedor, como a lei exige para os outros documentos – porque ela é assinada
pelo tabelião – o devedor assina o livro, e não a escritura.
- São instrumentos públicos de confissão de dívida, ou de transação. A ideia é que o devedor
compareça ao cartório e declare a dívida.
- A escritura pública é o único documento que não precisa de assinatura do devedor.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
45
 Esse outro documento público é o produzido por qualquer agente público no exercício das
suas funções, mas necessariamente assinada pelo devedor.
B) 2a PARTE – DOCUMENTO PARTICULAR
 Esse documento particular, para ser um título executivo, vai precisar da assinatura do
devedor e de duas testemunhas.
- Essas testemunhas não precisam estar presentes no momento da formação do título.
C) 3a PARTE – INSTRUMENTO DE TRANSAÇÃO REFERENDADO PELO MP,
DEFENSORIA PÚBLICA, ADVOGADOS DOS TRANSATORES
 O Novo CPC, no art. 784, IV, amplia esse rol: ADVOCACIA PÚBLICA, CONCILIADOR OU
MEDIADOR CREDENCIADO PELO TRIBUNAL
3.4. INCISO III
A) 1a PARTE – CONTRATOS GARANTIDOS POR HIPOTECA, PENHOR, ANTICRESE E
CAUÇÃO
- Essas garantias são concretizadas por um contrato de garantia.
- Mas o título executivo não é o contrato de garantia, mas sim o contrato garantido – é nele
que estará a obrigação principal, que será o objeto da execução.
- Não executa a garantia, a hipoteca – executa a obrigação garantida pela hipoteca, pela
fiança.
# OBS.: Apesar de a lei prevê advogados dos transatores, pode haver um advogado só.
B) 2a PARTE – SEGURO DE VIDA
 Havendo a morte do segurado, o seguro de vida é um título executivo extrajudicial.
3.5. INCISO IV – CRÉDITO DECORRENTE DE FORO E LAUDÊNEO
 São as rendas imobiliárias decorrentes da enfiteuse.

3.6. INCISO V – CRÉDITO DOCUMENTADO DE ALUGUEL DE IMÓVEL E ENCARGOS


ACESSÓRIOS
- Esse crédito documentado vem, em regra, do contrato escrito de locação. Esse contrato de
locação pode, entretanto, ser oral (e, nesse caso, qualquer outro documento que consiga
atestar o crédito já é título executivo).
- Pode ter o reconhecimento da dívida pelo locatário documentado (e já é título executivo).
- Não precisa ter a assinatura de duas testemunhas (essa exigência é apenas para o inciso II).
- O crédito documentado já é suficiente para a execução.
3.7. INCISO VI – DECISÃO JUDICIAL
 O título executivo extrajudicial é uma decisão judicial que tem por objeto custas,
emolumentos e honorários. E como credor desse crédito o perito, o intérprete, tradutor,
serventuário da justiça.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
46
- Em tese, não pode uma decisão judicial ser um título executivo extrajudicial.
 O Novo CPC, Art. 515, V, passa a prever essa decisão judicial no rol dos títulos
executivos judiciais.
3.8. INCISO VII – CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA
 Essa CDA tem uma singularidade – e o Novo CPC vai ampliar isso. Mas hoje, é o único
título executivo judicial formado unilateralmente pelo credor, e no caso, aqui, é a Fazenda
Pública.
- Essa singularidade sempre foi explicada no sentido de que a expedição da CDA é um ato
administrativo, e trabalha-se com a presunção de legalidade do ato administrativo. Uma
presunção relativa, mas que permite à Fazenda Pública criar títulos executivos unilateralmente
como credor.
Novo CPC: criou mais dois títulos extrajudiciais, em que já Título Executivo Extrajudicial
formado unilateralmente pelo credor. Essa exclusividade que a Fazenda tem hoje, vai deixar
de existir.
 Art. 784, X – crédito documentado que terá como objeto as contribuições ordinárias
ou extraordinárias de condomínio. Estando previstas na convenção ou aprovadas em
assembleia geral, o condomínio vai poder realizar a execução em razão de título
executivo extrajudicial.
 Art. 784, XI – certidão expedida pela serventia notarial ou de registro relativas a
valores ou relativos a atos expedidos por ela.

VI – RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL

01. INTRODUÇÃO
 É o Direito Material que regulamenta a obrigação. É o direito material que cria, que
regulamenta o inadimplemento da obrigação. E, a partir do momento que o direito material
regulamenta o inadimplemento da obrigação, ele define o devedor, uma vez que uma
obrigação inadimplida é uma dívida.
- Devedor é o sujeito que não cumpre a obrigação, é quem deu causa ao inadimplemento.
 O direito processual regulamenta a responsabilidade patrimonial. Ou seja, ele define quem é
o sujeito que responderá pela dívida em juízo com o seu patrimônio.
- Ou seja, o Processo Civil cria, define a figura do responsável patrimonial.
Regra – Responsabilidade Patrimonial Primária: Em regra, o devedor é o responsável
patrimonial.
- É uma regra que pode ser excepcionada de duas maneiras:
Exceções:
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
47
 Quando o devedor não é responsável patrimonial. Ex.: dívida de jogo – nela, o
devedor não responde com o seu patrimônio em juízo, porque a lei não permite a
cobrança de dívida de jogo. Ele não responde porque nem ele e nem ninguém responde
– não haverá execução.
 Hipótese de um sujeito não devedor ser responsável patrimonial. Apesar de o sujeito
não ter sido indicado pela Lei Material como devedor, vai responder com seu patrimônio
pela satisfação da dívida. É a Responsabilidade Patrimonial Secundária.
# OBS.1: O Direito Material, as vezes, cria a figura do coobrigado não devedor. Ou seja, o
sujeito é, no plano do direito material, coobrigado, mas ele não é o responsável pelo
inadimplemento – não foi ele que deu causa ao inadimplemento da obrigação. Ex.: Fiador.
- Nesse caso, como a responsabilidade vem do direito material, há uma responsabilidade
patrimonial primária subsidiária. Ou seja, esse coobrigado só responde na ausência de
patrimônio do devedor.
- Por isso que ele sempre tem o direito ao chamado benefício de ordem do Art. 595, CPC/73
– é uma ordem de preferencia: primeiro o patrimônio do devedor, se não houver ou for
insuficiente, aí sim recorre ao patrimônio do coobrigado.
- Em termos de responsabilidade é primária – é a mesma do devedor, porque decorre do direito
material. Mas a responsabilidade do fiador é subsidiária à do devedor.

02. RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL SECUNDÁRIA


Art. 592, CPC/73 e Art. 790, Novo CPC
2.1. RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL SECUNDÁRIA DO SÓCIO – INCISO II
 O direito material societário pode prever coobrigação do sócio perante dívidas da sociedade.
- Na Sociedade irregular, na Sociedade de Fato, têm sócios coobrigados, e em Espécies de
sociedades podem ser criadas com sócios coobrigados, como ocorre na sociedade me nome
coletivo. Mas, nesses casos, a responsabilidade é patrimonial primária subsidiária (já que o
sócio não é devedor).
- O sócio pode ter responsabilidade patrimonial primária subsidiária – pois o devedor é a
sociedade, e não o sócio, tendo o direito ao benefício de ordem.
 A ideia do sócio do art. 592, II é de um sócio não coobrigado, mas que mesmo assim
responde com seu patrimônio – responsabilidade patrimonial secundária.
- Isso acontece com a desconsideração da personalidade jurídica (disregarddoctrine).
- Art. 28, CDC, art. 50, CC.
- A desconsideração é dividido em duas teorias:
 Teoria Maior da Desconsideração:deve haver a insolvência da sociedade, e deve
demonstrar a prática de atos fraudulentos ou de abuso de gestão (desvio de
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
48
finalidade – atuação da sociedade fora dos limites do seu objeto social), ou a confusão
patrimonial (esvazia o patrimônio da sociedade transferindo os bens para o patrimônio
dos sócios).
 Teoria Menor da Desconsideração: basta a insolvência da sociedade para o credor
poder recorrer ao patrimônio dos sócios. Se a sociedade não tiver patrimônio para fazer
frente à dívida, invade o patrimônio dos sócios. É uma teoria excepcional. É,
atualmente aplicável apenas no Direito do Consumidor e no Direito Ambiental.
 Regra: Sociedade – Devedor / Sócio – Responsável Patrimonial Secundário
# OBS.: O STJ criou duas diferentes espécies de desconsideração da personalidade jurídica:
 Desconsideração Inversa: nesse caso, o sócio é o devedor e a sociedade será o
responsável patrimonial secundário – STJ, 3a Turma, REsp 498.117/MS.
 Desconsideração Econômica: tem a sociedade A como devedora, e a sociedade B
como responsável patrimonial secundário. Essa desconsideração é possível desde que
essas sociedades sejam do mesmo grupo econômico – STJ, 4a Turma, REsp
1071643/DF.
Termos Procedimentais da Desconsideração: não há nenhum procedimento hoje previsto
em lei.
 Há um pedido incidental na própria execução, ou na falência – a pedido da parte do ou
MP;
 Pedido de contraditório deferido – determinando a desconsideração e penhora dos bens
dos sócios;
 Com essa desconsideração, há uma formação de litisconsórcio passivo ulterior.
 E esse sócio que passa a estar no polo passivo da sociedade, pode entrar com um
Agravo de Instrumento dessa decisão; ou pode se defender em 1o grau, e essa defesa é
a defesa típica de executado. Aí cabe embargos à execução (em processo autônomo de
execução), ou impugnação (em cumprimento de sentença).
 O Novo CPC cria um incidente de desconsideração da Personalidade jurídica – Art. 133
a 137, Novo CPC.
- O que há de novo nesse incidente é a exigência do contraditório tradicional.
- O incidente criado pelo Novo CPC é contrário ao entendimento atual do STJ, e o
procedimento seria:
 Pedido, citação dos sócios, defesa, provas, e decisão interlocutória sobre o pedido.
- Em termos de exceção, vai poder se valer do contraditório diferido, se precisar de uma
tutela de urgência – mesmo no Novo CPC.
2.2. RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL DO CÔNJUGE / MEAÇÃO – INCISO IV

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


49
1a Situação: Pode haver uma situação em que os cônjuges são devedores – são
codevedores. Há responsabilidade patrimonial primária.
2a Situação: cônjuge devedor e um cônjuge coobrigado. Há responsabilidade patrimonial
primária. Nos termos dos arts. 1643 e 1644, CC, traz a dívida relacionada à economia
doméstica, que é aquela contraída para a manutenção do lar e, nesses casos, ainda que só um
dos cônjuges seja o devedor, o outro será coobrigado.
3a Situação: cônjuge não devedor e não coobrigado. Nesse caso, por exemplo, o credor vai
executar o cônjuge devedor e é realizada a penhora de imóvel nesse processo e, havendo a
penhora de imóvel, será obrigatória a intimação do cônjuge não devedor – art. 655,
parágrafo 2o, CPC.
- A partir desse momento, há a formação de litisconsórcio passivo ulterior entre os cônjuges. E
o cônjuge não devedor, já no polo passivo da execução, poderá ingressar com embargos à
execução (em que o cônjuge não devedor vai alegar matérias de defesa típicas de devedor,
mas com legitimação extraordinária – ele é o autor dos embargos em nome próprio, mas na
defesa de interesse alheio, do cônjuge devedor), e com embargos de terceiro, art. 1.046,
parágrafo 3o, CPC – há essa possibilidade em razão de previsão expressa no CPC (onde vai
ser feita a defesa da meação – sempre só haverá essa discussão).
- No caso de embargos de terceiro, para a defesa da meação, há a discussão se o destino da
dívida beneficiou o casal ou a família. Se não, há a procedência dos embargos, pois não há
responsabilidade patrimonial secundária nesse ponto – há a preservação da meação. Se sim,
se a dívida beneficiou o casal ou a dívida, há a improcedência dos embargos, porque
conclui-se que há responsabilidade patrimonial secundária do cônjuge não devedor. E a
consequência prática disso é que 100% do valor da alienação do bem, do imóvel, será
entregue ao credor.
# OBS.: Preservação da Meação: na verdade, o cônjuge, nesse caso, não vai ficar com 50%
do imóvel. Nesse caso, há a alienação do imóvel inteiro, e 50% do valor da alienação será do
credor, e 50% do cônjuge que ganhou os embargos.

Novo CPC. Art. 843. Amplia esse entendimento, que passa a valer para o:
 Cônjuge não devedor, não responsável patrimonial;
 Coproprietário (não precisando ser cônjuge)
- Nesse caso, vai alienar o bem, o imóvel (mesmo que tenha coproprietários não devedores), e
vai pegar o valor da avaliação do imóvel (e não da alienação), e vai entregar 50% desse valor
para o coproprietário ou cônjuge não devedor, e o resto para o credor. Ex.: O bem foi avaliado
em 500 mil, e alienado por 300 mil – retira 250 mil (50% de 500 mil), e entrega ao cônjuge ou
coproprietário não devedor, e apenas 50 mil ao credor.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
50
- Há uma proteção ao cônjuge e ao coproprietário, mas prejudica o credor, que pode até ficar
sem nada (se for alienado por 50% do valor da avaliação, o credor ficará sem receber nada).

03. FRAUDES DO DEVEDOR


3.1. FRAUDE CONTRA CREDORES
 É um instituto de direito material – é tratado nos arts. 158 a 165, CC.
- Há, entretanto, alguns aspectos processuais que devem ser analisados.
A) NATUREZA DO VÍCIO DO ATO PRATICADO CONTRA CREDORES
 No CC e no Novo CPC (art. 790, VI), tem a previsão de que este é um ato é anulável –
plano da validade. Posição defendida por Leonardo Greco, Nelson Nery, Marinoni.
 Mas há uma outra corrente doutrinaria para dizer que esse é um ato válido, mas
ineficazperante o credor. É o que entende Dinamarco, Humberto Teodoro Jr., Ministro
Zavascki do STF.
 Se considerar que é um ato anulável, como parece ser a vontade do legislador, há a
seguinte situação: o A executa B, e B, em fraude para credores, alienou o imóvel para C. Se o
ato é anulável, o bem retorna ao patrimônio do devedor. A partir do momento em que
retorna o patrimônio ao devedor, ele passa a responder por todas as dívidas desse devedor, o
que significa que o autor da ação pauliana pode não ser beneficiado com essa anulação,
bastando que apareça um credor privilegiado (que pode nem ter sido vítima de fraude – a
dívida dele pode ter sido constituída quando o credor já era insolvente, e mesmo assim ele vai
ter preferência).
- O STJ tem decisões que diz que é ineficaz e contraria o texto da lei, para evitar que isso
ocorra – STJ, 1a Turma, REsp 506.312/MS.
- Há decisões também do STJ que diz que é anulável, conforme diz a lei, mas essa anulação
só aproveita o autor da ação pauliana – STJ, 3a Turma, REsp 971884/PR.
- A alegação de fraude contra credores só pode haver através de Ação Pauliana/Revocatória
– STJ, 5195 – decisão de fraude contra credores é só por ação paulina, que é um processo de
conhecimento que segue pelo rito comum, ordinário, que há litisconsórcio passivo necessários
– que obrigatoriamente será formado entre o devedor e o 3 o adquirente.
3.2. FRAUDE À EXECUÇÃO
 Instituto de Direito Processual (art. 593, CPC, Art. 792, novo CPC)
- A fraude à execução é uma fraude mais séria do que a fraude contra credores. A fraude
contra credores tem como vítima o credor. Na fraude à execução há duas vítimas: o credor e o
Estado-Juiz – porque aqui o devedor vai gerar também a ineficácia do processo. Além de
fraudar o credor vai fraudar a eficácia da tutela jurisdicional, do processo.
Art. 593. Considera-se em fraude de execução a alienação ou oneração de bens:
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
51
I - quando sobre eles pender ação fundada em direito real;
II - quando, ao tempo da alienação ou oneração, corria contra o devedor demanda capaz
de reduzi-lo à insolvência;
III - nos demais casos expressos em lei.
Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:
I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão
reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo
registro público, se houver;
II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de
execução, na forma do art. 828;
III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de
constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude;
IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação
capaz de reduzi-lo à insolvência;
V - nos demais casos expressos em lei.
§ 1o A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente.
§ 2o No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente tem o
ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, mediante a
exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se
encontra o bem.
§ 3o Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução
verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar.
§ 4o Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente,
que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias.
 A primeira consequência é considerar a fraude à execução como um ato atentatório à
dignidade da justiça. Não está atentando, prejudicando apenas o credor, mas também o
trabalho jurisdicional.
- O legislador no art. 600, I, tipifica o ato de fraude à execução como um ato atentatório à
dignidade da justiça, e no art. 601, prevê a sanção, que é uma multa de até 20% do valor da
execução.
- Esse ato de fraude, justamente por envolver o estado-juiz, gera uma sanção processual, que
é a multa.
- E, como essa fraude faz mais mal ao sistema por envolver questão de Direito Público – afeta
um instituto de direito público, que é o processo, há uma facilitação para o reconhecimento da
fraude à execução:
 Facilita-se o reconhecimento da fraude à execução
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
52
 Por meios materiais: com a dispensa do consilium fraudis – STJ, 3a Turma, AgRg no Ag
1057724/SP: para fiz de fraude à execução basta o eventussdamni – a insolvência. Há
um acordo, a intenção do devedor e do terceiro em fraudar – há apenas um requisito
para reconhecer essa fraude no caso concreto (já a fraude contra credores há dois
requisitos).
 Por meios processuais: com a dispensa da ação autônoma (como a ação pauliana que
ocorre na fraude contra credores). O reconhecimento de fraude à execução é feito de
forma incidental na própria execução ou falência – uma mera petição. Hoje, esse
reconhecimento da fraude à execução se dá por meio do contraditório diferido – o juiz
reconhece a fraude e manda penhorar o bem do terceiro, e o terceiro vai reagir por
embargos de terceiro. O contraditório ocorre da seguinte forma:
Pedido incidental  decisão  penhora do bem do terceiro  embargos de terceiro.
Novo CPC, Art. 792, parágrafo 4o: exige o contraditório tradicional:
pedido incidental  intimação de terceiro  prazo de 15 dias para entrar com embargos de
3o(nesse caso os embargos de terceiro são preventivos  entra antes da penhora para evitar
que ela ocorra) penhora.
 O ato praticado em fraude à execução é parcialmente ineficaz. Ou seja, perante o
exequente, não gera efeitos. É um ato válido, e para os demais é eficaz.
 O momento típico de termo inicial da fraude à execução é a citação. A partir da citação, a
fraude deixa de ser contra credores e passa a ser à execução.
- Da dívida, até a citação, há fraude contra credores. Da citação em diante, há fraude à
execução.
- CITAÇÃO em qualquer processo que tenha como objeto direto ou indireto a dívida.
- A ideia básica da fraude à execução é a ciência do devedor da existência do processo. E o
processo que mostre apenas que o credor está tomando as providencias em juízo com relação
à dívida.
- É em razão disso, dessa compreensão, que é possível que haja fraude à execução antes da
citação. Porque o que importa, na verdade, é a prova de ciência do devedor – STJ, 4a
Turma, REsp 799.440/DF: diz que se houver prova da ciência da existência do processo antes
da citação, já há fraude à execução.
Súmula 375, STJ – A proteção do terceiro de boa-fé: se o terceiro estiver de boa-fé,
sacrifica-se o credor. Se estiver de má-fé, protege-se o credor.
- Essa súmula diz que se tiver uma penhora registrada, haverá uma presunção absoluta de
ciência erga omnes – presunção absoluta de má-fédo terceiro.
- Nos demais casos – antes da penhora, penhora não registrada (o credor podia registrar
mas não registrou), penhora que não pode ser registrada (não há registro do bem).
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
53
- Nesse caso, o credor tem o ônus da prova da má-fé do terceiro. Como não há mais
presunção, é necessário a prova pelo credor da má-fé do terceiro.
# OBS.: STJ, 1a Turma, AgRg no REsp 1.065.799/RS *art. 185, CTN): diz que nos débitos
fiscais essa presunção absoluta de ciência erga omnes vem desde a inscrição do débito na
dívida ativa.
Novo CPC – Art. 792, parágrafo 2o: para os casos de bem não sujeito a registro o terceiro
adquirente tem o ônus de provar sua boa-fé.
- Se entender bem não sujeito a registro de forma abstrata, há penhora que não pode ser
registrada. Se abstratamente não pode ser penhorado, concretamente também não.
- Se entender, entretanto, que é um bem concretamente não sujeito a registro – é um bem que
em razão do caso concreto não pode ter o registro, a fraude é antes da penhora (se a fraude é
antes da penhora, concretamente não tinha como fazer o registro) – no caso concreto o bem
não estava sujeito a registro (abstratamente sim, mas concretamente não).

INFORMATIVO 578 DO STJ


ATO ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA JUSTIÇA. Aplicação da multa do art. 774, IV, do CPC
2015 é restrita ao processo de execução. A multa por ato atentatório à dignidade da Justiça,
prevista no art. 774, IV, do CPC 2015, somente pode ser aplicada no processo de execução,
em caso de conduta de deslealdade processual praticada pelo executado. STJ. 4ª Turma.
REsp 1.231.981/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 15/12/2015 (Info 578).
- Desse modo, esta multa não tem aplicação no caso concreto apreciado pelo STJ, que cuidava
de pedido incidental de exibição de documentos em autos de ação de sobrepartilha - demanda
tratada como de procedimento especial de jurisdição contenciosa. O magistrado poderia: a)
determinar a busca e apreensão dos documentos requisitados; e b) aplicar a multa por ato
atentatório à dignidade da justiça (contempt of court) prevista no § 2º do art. 77 do CPC 2015:
Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores
e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo: (...) IV - cumprir com
exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua
efetivação; (...) § 1º Nas hipóteses dos incisos IV e VI, o juiz advertirá qualquer das pessoas
mencionadas no caput de que sua conduta poderá ser punida como ato atentatório à dignidade
da justiça. § 2º A violação ao disposto nos incisos IV e VI constitui ato atentatório à dignidade
da justiça, devendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis,
aplicar ao responsável multa de até vinte por cento do valor da causa, de acordo com a
gravidade da conduta.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


54

i
Este material foi produzido pelos coaches com base em anotações pessoais de aulas,
referências e trechos de doutrina, informativos de jurisprudência, enunciados de súmulas,
artigos de lei, anotações oriundas de questões, entre outros, além de estar em constante
processo de atualização legislativa e jurisprudencial pela equipe do Ciclos R3.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO