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Versão Online ISBN 978-85-8015-053-7

Cadernos PDE

VOLUME I I
O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOS
DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE
Produção Didático-Pedagógica
2009
Maria Rosana Guimarães Zwieczykowski

UNIDADE DIDÁTICA

Material Didático apresentado ao Programa de


Desenvolvimento Educacional – PDE da Secretaria de
Estado da Educação do Paraná, vinculado à
UNICENTRO, sob a orientação do Professor Doutor
Rafael Siqueira de Guimarães, em cumprimento às
atividades inerentes ao professor do PDE.

Mallet
2009/2010

TRABALHANDO OS GÊNEROS TEXTUAIS NO BLOG

IDENTIFICAÇÃO:

PROFESSORA PDE: Maria Rosana Guimarães Zwieczykowski

ÁREA: Português

NRE: Irati

IES: UNICENTRO

ORIENTADOR DA IES: Professor Doutor Rafael Siqueira de Guimarães


ÍNDICE

1- Objetivos do material …......................................................................................02

2 – Fundamentação Teórica....................................................................................02

3 – Desenvolvimento das Atividades. ...................................................................11

4 – Sugestões para o Trabalho com os Gêneros Textuais..................................13

4.1 – Crônica.......................................................................................................13

4.2 – Artigo de opinião.......................................................................................16

4.3 – Memórias Literárias...................................................................................25

4.4 – Poesia.........................................................................................................28

5- Construindo Blog.................................................................................................36

5 – Referências Bibliográficas................................................................................39
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1 - OBJETIVOS DESTE MATERIAL DIDÁTICO:

Com a facilidade de comunicação proporcionada pelos meios tecnológicos


podemos nos comunicar com pessoas em qualquer lugar no mundo. Já não existe
distância, basta que se esteja conectado, que se tenha acesso à internet para que a
comunicação se efetive. Sendo assim é importante fazermos uso das novas
tecnologias,como instrumento de potencialização da aprendizagem.
Este material tem por objetivo orientar o professor no desenvolvimento das aulas
utilizando o método FREINET e também a CIBERCULTURA. Apresenta uma
fundamentação teórica sobre a aprendizagem, Cibercultura, metodologia de Freinet.
Também traz algumas sugestões de leitura, análises de textos, recursos usados
para escrever textos em determinados gêneros e os passos para a construção de
um blog.

2 - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Segundo Pierre Lévy (2000) “A Internet não resolverá num passe de mágica
todos os problemas culturais e sociais do planeta. Consiste apenas em conhecer
dois fatos. Em primeiro lugar, que o crescimento do ciberespaço resulta de um
movimento internacional de jovens ávidos por experimentar, coletivamente, formas
de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõe. Em
segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de
comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste
espaço nos planos econômico, político, cultural e humano.”

Ainda nesse sentido, Lévy (2000, p.17) afirma que:

“[...] Nem tudo o que é feito com as redes é bom, assim como nem
todos os filmes são excelentes e também nem todas as músicas
são boas. É necessário apenas estarmos abertos a essa
novidade. O ciberespaço é o novo meio de comunicação que
surge da interconexão mundial dos Computadores.”
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Quanto ao neologismo “cibecultura”, Lév (2000) especifica aqui como o


conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de
pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do
ciberespaço.

Lévy (2000), afirma também que os primeiros computadores (calculadoras


programáveis capazes de armazenar os programas) surgiram na Inglaterra e nos
Estados Unidos em 1945. Por muito tempo reservados aos militares para cálculos
científicos, seu uso civil disseminou-se durante os anos 60. Mas ainda os
computadores eram muito grandes e frágeis.

A virada fundamental aconteceu nos anos 70 com o desenvolvimento e a


comercialização do microprocessador (unidade de cálculo aritmético e lógico
localizada em um pequeno chip eletrônico) disparando assim diversos processos
econômicos e sociais de grande amplitude. Os anos 80 e início dos anos 90 um
novo movimento sócio-cultural originado pelos jovens profissionais das grandes
metrópoles e dos campi americanos tomou rapidamente uma dimensão mundial. As
diferentes redes de computadores que se formaram nos anos 70 se juntaram umas
às outras enquanto o número de pessoas e de computadores conectados à inter-
rede começou a crescer de forma exponencial. As tecnologias digitais surgiram,
então, como a infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de
sociabilidade, de organização e de transação, mas também novo mercado de
informação e de conhecimento.

Marcuschi e Xavier (2004) afirmam que é inegável que a tecnologia do


computador, em especial com o surgimento da Internet, criou um imensa rede social
(virtual) que liga os mais diversos indivíduos pelas mais diversificadas formas numa
velocidade espantosa e, na maioria dos casos, numa relação síncrona. Isso dá uma
nova noção de interação social. Lévy (2000) define a interatividade dessa relação
como “O termo que em geral ressalta a participação ativa do beneficiário de uma
transação de informação. De fato, seria trivial mostrar que um receptor de
informação, a menos que esteja morto, nunca é passivo.”

Segundo Lévy (2000) o e-mail pode ser comparado ao correio tradicional ou


ao fax. As mensagens são recebidas em uma caixa postal eletrônica e são obtidos
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em formato digital. Podem ser apagadas, classificadas na memória do computador


sem precisar de papel. Em qualquer lugar onde eu tenha acesso à Internet eu posso
abrir essas informações. Também posso enviar, de uma só vez, uma mesma
mensagem para uma lista de correspondentes, não sendo necessário fazer
fotocópias do documento. Da época em que o autor escreveu o livro até agora já
houve uma evolução no conteúdo dos e-mails, pois hoje além de textos são
repassadas imagens, slides, tabelas e outros tipos de documentos.

Propondo a leitura, interpretação e produção em ambientes digitais


compreende-se que esse trabalho de apropriação dos gêneros a partir da realidade
digital possibilita a ligação de novos conhecimentos que serão trazidos pelas aulas
virtuais, aos conhecimentos prévios dos alunos.

Segundo Demo (2009, p.25):

Mais que proibir,as crianças precisam ser educadas para bem


usar. Não é porque foram produzidos livros blasfemos que vamos
propor impedir a impressão de livros. Ao mesmo tempo não
podemos ignorar a avalanche de plágios via internet aguçando
sua preocupação em torno do seu uso na escola e na
universidade. O preço da liberdade é seu abuso. Não segue daí
suprimi-la, mas conter o abuso. Mais importante é olhar para
frente e divisar novas oportunidades de autoria, entre elas, um dia,
poder elaborar uma tese de doutorado com a plataforma 1wiki,
coletiva, e, nem por isso, menos criativa…

Talvez seja muito mais difícil avaliar, certificar, reconhecer, mas possivelmente
será um resultado bem mais importante do que elaborações individuais.

Demo (2009, p. 31) expõe que:

Certamente, nos deparamos aqui com novidades e problemas.

1Uma WebWiki permite que os documentos sejam editados colectivamente com uma
linguagem de marcação muito simples e eficaz, através da utilização de um navegador web. Dado
que a grande maioria dos wikis são baseados na web, o termo wiki é normalmente suficiente. Uma
única página num wiki é referida como uma "única página", enquanto o conjunto total de páginas, que
estão normalmente altamente interligadas, chama-se 'o wiki'.
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Entre as novidades está a oportunidade de estudar de modo


diferente e mais colaborativo, em geral muito mais motivador.
Valoriza-se a experiência do aluno, bem como seu encaixe
cultural, já que é o ponto de partida de qualquer curso. De certa
forma, os estudantes armazenam seu conhecimento nos amigos,
ou seja, na rede colaborativa virtual. Podem-se divulgar mais
facilmente textos e produções multimodais, com a vantagem de se
usarem ambientes públicos que favorecem a autoridade do
argumento. Entre os problemas está o risco de banalização,
optando-se por facilidades, não pela qualidade dos textos. Por
exemplo, é necessário partir do aluno, mas não é menos
necessário elevá-lo para que ultrapasse o patamar acadêmico
atual. Caso contrário, torna-se praxe acadêmica reduzir a
expectativa de desempenho àquilo que o aluno pode fazer.

Bastaria lembrar, nesse caso, a proposta de Vygotsky (1989) amplamente


citada na aprendizagem virtual e nos jogos eletrônicos, da “zona de desenvolvimento
proximal”: papel do professor é “empurrar” o aluno para tarefas novas desafiadoras
que ainda não saberia enfrentar sozinho. Quando o aluno é, ao mesmo tempo, ponto
de partida e ponto de chegada, não se sai do lugar. A experiência dos estudantes,
em geral, é restrita, não podendo ser tomada como referência fatal, embora deva ser
a inicial. Nessa esteira aparece logo a autoavaliação dos estudantes como critério
maior de desempenho. Não se poderia deixar de lado esse procedimento, tanto mais
quando feito em ambiente virtual público, como um blog, mas não pode ser a única
forma. O risco é de promover “progressão automática”, como é uso entre nós na
escola básica.(DEMO 2004).

Faz parte dos problemas, ainda, a confusão rápida entre a informação e


conhecimento: facilmente os estudantes bastam-se com coligir informação evitando
empenhar-se em descobrir e reconstruir conhecimento.

Conforme Demo (2009, p.87):

Não buscamos “novidades”, mas oportunidades de aprender bem.


Essa perspectiva é tão velha quanto a humanidade, e, no campo
da educação, pelo menos tão antiga quanto Sócrates. Ele tinha
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em mente o repto de como formar jovens adequadamente, de


dentro para fora, com autonomia e autoria. No campo da
aprendizagem virtual, a motivação é a mesma, embora em outra
circunstância, marcada agora pelas TICs.

Nessa construção está presente a nossa concepção de ensino-


aprendizagem, que tem bases principalmente em Vygotski (2005). Para esse autor, a
aprendizagem acontece na desestabilização dos conhecimentos prévios dos alunos,
quando estes interagem com novos conhecimentos mediados pelo professor. A esse
contexto Vygotski chamou de Zona de Desenvolvimento Proximal a distância entre
aquilo que o indivíduo é capaz de fazer de forma autônoma (nível de
desenvolvimento real) e aquilo que ele realiza em colaboração com os outros
elementos do seu grupo social (nível de desenvolvimento potencial). O professor
atuará como mediador desse conhecimento, incentivando os alunos a ampliarem os
seus conhecimentos estudando em grupos.

A aprendizagem para Vygotski se dá no grupo cultural e aliada a essa


proposta está também a concepção de Freinet que procurava usar os recursos mais
modernos da sua época para incentivar a aprendizagem e também entendia que a
mesma acontece no grupo social.

Freinet (1988, p. 13) nos conta a história do cavalo que não está com sede:

O jovem da cidade queria prestar um serviço à fazenda onde se


hospedavam, e então pensou:

- Antes e levar o cavalo para o campo, vou dar-lhe de beber.


Ganho tempo e ficaremos sossegados o dia todo.

Mas o que é isso? Agora é o cavalo quem manda? Recusa-se a ir


para o bebedouro e só tem olhos e desejos para o campo de
luzerna! Desde quando são os animais que mandam?

- Venha beber, estou dizendo!...

E o camponês novato puxa a rédea e depois vai por trás e bate no


cavalo com força. Finalmente!... O animal avança... Está à beira
do bebedouro...

- Talvez esteja com medo... E se eu o acariciasse?... Olhe, a água


é limpa! Olha! Molhe as ventas... Como! Não?... veja só!...
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E o homem mergulha bruscamente as ventas do cavalo na água


do bebedouro.

- Agora você vai beber!

O animal funga e sopra, mas não bebe.

O camponês aparece irônico:

Ah! Você acha que é assim que se lida com um cavalo? Ele é
menos estúpido do que os homens, sabe? Ele não está com
sede...

- Pode matá-lo, mas ele não beberá. Talvez ele finja que está
bebendo, mas vai cuspir em você a água que está sorvendo.
Trabalho perdido, meu velho!...

- Então, como se faz?

- Bem se vê que você não é camponês! Você compreende que a


esta hora da manhã o cavalo não tem sede; ele precisa é de uma
luzerna fresca. Deixe-o comer até se fartar. Depois ele vai ter sede
e você vai vê-lo galopar para o bebedouro. Nem vai esperar você
dar licença. Aconselho mesmo que você não se intrometa ... e
quando ele beber você poderá puxar a rédea!

É assim que sempre nos enganamos, quando pretendemos mudar a ordem


das coisas e obrigar a beber quem não tem sede...

Ainda segundo Freinet (1988 p. 14) o aluno só aprende se sentir sede de


conhecimento. Ele conta a história do cavalo que não está com sede: então troquem
a água do tanque!

Nós nos esquecemos de um capítulo da história do cavalo que não está com
sede. No momento preciso em que o rapaz mergulhava, na água do tanque, o
focinho do cavalo que não está com sede, e que, puf!, o sopro obstinado do animal
espirrava a água em cascata em volta da fonte, surgiu um homem que declarou
sentenciosamente:

- Mas... então, troquem a água do tanque!

Isso é feito imediatamente, pois – ordem das autoridades – era obrigar


aquele cavalo que não está com sede a beber.
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Trabalho perdido. O cavalo não estava com sede nem de água turva, nem de
água limpa. Ele... não estava... com... sede! E deixou isso bem claro quando
arrancou a rédea das mãos do jovem tratador e partiu trotando para o campo de
luzerna.

E, assim, o problema essencial da nossa educação não é de modo algum –


como pretendem hoje nos fazer crer – o “conteúdo” do ensino, mas a preocupação
essencial que devemos ter de fazer o aluno sentir sede.

Então a qualidade do conteúdo seria indiferente? Só é indiferente para os


alunos que, na escola antiga, foram treinados a beber, sem sede, qualquer bebida.
Habituamos os nossos a considerar primeiro toda a bebida como suspeita, a
experimentá-la e a verificá-la, a elaborar eles mesmos o seu próprio juízo e a exigir,
em todo lugar, uma verdade que não está nas palavras, mas na consciência de
relações justas entre os fatos, os indivíduos e os elementos.

Não preparamos homens que aceitarão passivamente um conteúdo –


ortodoxo ou não -, mas cidadãos que, amanhã, saberão enfrentar a vida com
eficiência e heroísmo e poderão exigir que corra para dentro do tanque a água clara
e pura da verdade. É necessário usar métodos que despertem o interesse e a sede
do aluno pelo conhecimento.

Elias (2004) coloca que, para Freinet, a questão metodológica é de exclusiva


responsabilidade do professor, que com intuição e sensibilidade, com equilíbrio,
domínio e autoridade poderá, mesmo sem preparação especial, com poucos e
simples materiais conseguir resultados satisfatórios. Basta saber coordenar,
organizar o interesse das crianças, incentivar a descoberta e aguçar a curiosidade.
O emprego do método pessoal ou da postura de quem quer aprender – sobre o
mundo, os alunos, sobre si mesmo, rever a própria formação, escolástica e
autoritária – será o primeiro passo para a mudança.

Na classe freinetiana, o professor deve buscar e encontrar as soluções para


um bom trabalho, ou seja, a libertação pedagógica cabe aos próprios educadores.
Dependendo dos procedimentos que utiliza, o professor pode levar à falta de
interesse e atenção das crianças, como as longas exposições orais, o uso intensivo
dos manuais e composições, o exagero das tarefas e exames. Se o ensino não
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interessa ao aluno é porque lhe é de alguma maneira inacessível. “É lamentável-


dizia- qualquer método que pretenda fazer beber o cavalo que na o está com sede.
“Como também afirmava Vygotski, o papel do professor é incentivar o aluno para a
aprendizagem, mostrando situações desafiadoras e ajudando-o a superar as suas
dificuldades.

Ainda segundo Elias, (2004,) para Freinet educar é construir junto e para isso
sua pedagogia se alicerça em quatro eixos fundamentais:

➢ a cooperação - como forma de construção social do conhecimento;

➢ a comunicação - como forma de integrar esse conhecimento;

➢ a documentação- registro da história que se constrói diariamente, e

➢ a afetividade - elo de ligação entre as pessoas e o objeto de


conhecimento.

A escola e o professor precisam trabalhar as relações no grupo e a


responsabilidade de cada um, tendo como meta o crescimento pessoal /social da
classe. Não se deve ter pressa. Se o educador não tiver paciência, não der tempo
para o aluno assimilar os conteúdos, não fará mais que um trabalho de superfície, o
qual não só pode ser inútil, como perigoso. E, finalmente reconhecerá que o saber
não é um acúmulo de conhecimentos, mas uma maneira de enfrentar qualquer
situação para depois analisá-la e comunicá-la. Talvez a filosofia que ainda falta ao
educador e que Freinet recupera de Rosseau seja a paciência da espera. Quando
dão uma lição ou trabalho ao aluno querem imediatamente verificar o resultado.
Gritam, assustam, castigam, porque acreditam que as suas palavras,
demonstrações e raciocínios proporcionam modificação imediata no pensamento e
na ação dos educandos.

A postura do educador deve ser a daquele que possui conhecimentos, mas


sabe que são relativos. Sabendo que há diversas possibilidades a seguir, estará
sempre atento aos seus alunos, acompanhando as suas aquisições naturais,
participando da organização da classe, como membro do grupo, parceiro e
orientador do aluno nas investigações.

Segundo Oliveira (1995) “A classe Freinet é isto, um lugar de produção: tudo


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nela evoca o trabalho produtivo, até o vocabulário usado pelo educador: a classe é
um canteiro de obras, ela se subdivide em oficinas onde é fundamental a presença
de ferramentas e o uso de técnicas de trabalho”. Ainda Segundo Elias (2004),
Freinet dizia que a escola do amanhã e, por consequencia, a preparação do futuro
homem, têm de ser inteiramente reformulados. É necessário, porém, que o educador
nunca se isole ou encerre nos limites da sala de aula. Deve trocar com os colegas
as dúvidas, as incertezas, mas, também, a forma que encontrou para ajudar,
precisar, enriquecer, complementar e respeitar o pensamento da criança, sem
imprimir nela um rumo predeterminado. Teremos, então, um projeto político para
transformar, por dentro, a escola e a prática social e, por que não, a atual realidade
histórico-social.

Elias (2004) também coloca que a pedagogia de Freinet, comprometida com as


classes populares, assim como Vygotski, nos dá pistas para uma educação de
qualidade, em regime capitalista, numa sociedade que anseia eliminar a exploração
do homem pelo homem. Conhecê-la em profundidade e praticá-la pode significar
transformação da prática pedagógica utilizada nas escolas e a tentativa de construir
a pedagogia do futuro.

A metodologia utlilizada será baseada em Célestin Freinet, que utlilizava a


pedagogia de atividade e cooperação. Freinet foi, acima de tudo, um grande
humanista. Para ele, a liberdade, faz parte do aprendizado histórico-social.

Segundo Elias (2004) em fins de 1924, Célestin Freinet introduz a imprensa


na escola a qual viria trazer uma mudança de comportamento de professores e
alunos, sendo considerada um novo instrumento pedagógico, de grande rendimento
humano e escolar, despertando o interesse de eminentes pedagogos da época.
Rompia-se assim, o círculo do individualismo em que vivia o professor, o que lhe
gerava insegurança; lançam-se as bases de um movimento pedagógico fortalecido,
integrado e espontâneo, no qual todos participam de alguma forma, contribuindo
para a produção de um conhecimento gerado a partir da experiência.

3 - DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES


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Usando recursos tecnológicos modernos como a internet, estaremos


adaptando a metodologia de Freinet ao nosso projeto. Vamos utlilizar a metodologia
dos ateliês através de decisões compartilhadas e construção dos blogs em grupos,
procurando assim despertar o interesse e a participação de todos os alunos.

Esse trabalho é de suma importância, pois servirá como suporte pedagógico não
só para os alunos da série envolvida, mas para qualquer um que tenha interesse no
conteúdo trabalhado, bem como o uso de textos digitais trará aos professores novas
formas de trabalhar a produção textual e a leitura de forma mais interessante e
concreta.

O trabalho será desenvolvido, através de ateliês, que eram grupos de


trabalhos, utlizados por Freinet, para desenvolverem a criatividade, escrita, pintura
ou qualquer outra produção. Os alunos tinham oportunidade de exprimir os seus
sentimentos, emoções, impressões e reflexões. Vamos adaptar essa metodologia
construindo grupos de trabalho na classe que se expressem e cooperem entre si
utlizando o blog como recurso tecnológico moderno para incentivar a aprendizagem.
Os alunos terão o direito e a oportunidade de raciocinar sobre tudo aquilo que lhe é
proposto para que a aprendizagem se torne mais significativa.

É necessário respeitar e valorizar o direito de desenvolver a capacidade


criativa e imaginativa que cada pessoa tem dentro de si, como fazia Freinet. Ele
começou a questionar as regras, mudando a relação rígida entre professor e aluno
para uma relação de amizade e descobertas. Em sua prática pedagógica, levou para
a sua sala de aula uma impressora e através desse recurso tecnológico as crianças
se interessaram mais pela escrita e, assim, juntando textos dos alunos, ele iniciou
um jornal que primeiramente foi para as famílias e se expandiu para a comunidade.

No lugar do jornal em sala de aula, o recurso tecnológico mais modernos


será o blog,adaptando a pedagogia de Freinet no projeto, a metodologia dos ateliês.
Em Vygotski vamos nos apoiar observando o seu olhar sobre a aprendizagem. E o
virtual (blog) será a ferramenta para o desenvolvimento do projeto.

Os gêneros textuais estudados no Ensino Fundamental serão revistos


contrapondo o texto literário com o não literário, mostrando suas diferenças e
intencionalidades. O tema e as características dos gêneros estudados serão
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trabalhados através de oficinas, em que vamos selecionar um assunto polêmico e


atual e trazer para a sala. Então, verificaremos o nível de compreensão desses
gêneros textuais por parte dos alunos, o quanto eles conseguem depreender do
sentido desses textos, através de questionamentos orais e escritos. A turma para a
realização dessa pesquisa será a 1ª série do Ensino Médio que geralmente tem em
torno de 42 alunos. A mesma será dividida em quatro ateliês (grupos) e cada ateliê
vai escrever sobre o tema escolhido usando um dos gêneros textuais.

Os gêneros textuais trabalhados serão: crônica, memória, artigo de opinião,


poesia e relato de experiência.

Serão quatro temas diversos e a cada etapa o grupo vai trabalhar com um
gênero textual diferente, oportunizando a todos o trabalho com gêneros
diversificados. É importante a classe e o grupo escolherem o assunto, pois Freinet
trabalhava a ideia do comunicar-se. Esse tema selecionado será discutido e
trabalhado na sala de aula com todos os alunos no grupo geral. O texto base para o
trabalho será diferente em cada oficina: texto jornalístico, uma situação do cotidiano,
uma propaganda ou uma obra de arte.

No final de cada aula, um aluno fica responsável por escrever usando o


gênero textual que quiser; as experiências e o aprendizado que obtiveram. Esse
seria o blog da turma, onde pudessem escrever de forma mais livre através de
relatos de experiência. Assim, estaríamos adaptando a metodologia do Livro da Vida
utilizado por Freinet, bem como utilizando recursos tecnológicos modernos como a
Internet para motivar os alunos. Também terá o Blog da professora, onde serão
postados textos, relatórios e experiências de aprendizagem.

Desta forma, tentaremos despertar um maior interesse pela leitura e escrita,


pois, o aluno terá um motivo para escrever e mais pessoas vão ler os textos. Ele não
vai escrever só para o professor, a leitura e a escrita serão feitos com entusiasmo.
Os nossos registros serão postados no blog da turma. Procuraremos estabelecer
uma relação de afetividade entre professor e aluno para que a aprendizagem se
efetive. Aqui está presente o pensamento de Vygotski em que o indivíduo é
capaz de fazer de forma autônoma e também em colaboração com os outros
elementos do seu grupo social. O professor se tornará um mediador desse
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conhecimento, incentivando os alunos a ampliarem os seus conhecimentos


estudando em grupos.

Segundo Vigotski (2005), “o aprendizado humano pressupõe uma natureza


social específica e um processo através do qual as crianças penetram na vida
intelectual daqueles que as cercam”. Para isso, percebe-se a necessidade, não só
da mediação feita pelo professor, mas também da interação feita com os colegas em
sala de aula.

Concomitante ao desenvolvimento das atividades, deverá ocorrer a avaliação,


a qual será diagnóstica, contínua, diversificada, constante e qualitativa. Serão
considerados os seguintes quesitos: participação, motivação, responsabilidade,
integração e interação com os colegas, envolvimento em todas as etapas do
trabalho proposto. No blog serão avaliadas as características de cada gênero, se os
textos escritos estarão de acordo com o gênero estudado. Antes da execução do
projeto será feita uma discussão sobre a responsabilidade de todos no projeto, pois
o blog será coletivo e por isso é importante todos tomarem os devidos cuidados
com a senha, bem como na prática de uma linguagem adequada. Devem ser
observadas as questões éticas no sentido de não ferir direitos autorais e também
devem lembrar que é necessário o respeito com os colegas e leitores do blog.

4 - SUGESTÕES PARA O TRABALHO COM OS GÊNEROS TEXTUAIS

Algumas sugestões para o trabalho com os gêneros apresentados neste


projeto:

4.1 - CRÔNICA
As características abaixo foram citadas por vários autores que tentaram entender a
crônica enquanto estilo literário:
· Ligada à vida cotidiana;
· Narrativa informal, familiar, intimista;
· Uso da oralidade na escrita: linguagem coloquial;
· Sensibilidade no contato com a realidade;
· Síntese;
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· Uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade;
· Dose de lirismo;
· Natureza ensaística;
·Leveza;
·Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada;
·Uso do humor;
· Brevidade;
· É um fato moderno: está sujeita à rápida transformação e à fugacidade da vida
moderna.

A crônica é um gênero literário que, a princípio, era um “relato cronológico dos


fatos sucedidos em qualquer lugar”, isto é, uma narração de episódios históricos.
Era a chamada “crônica histórica” ( como a medieval). Essa relação de tempo e
memória está relacionada com a própria origem grega da palavra, chronos, que
significa tempo. Portanto, a crônica, desde sua origem, é um relato em permanente
relação com o tempo de onde tira como memória escrita sua matéria principal, o
que fica do que foi vivido.
No Brasil, a crônica se consolidou por volta de 1930 e atualmente vem
adquirindo uma importância maior em nossa literatura graças aos excelentes
escritores que resolveram se dedicar exclusivamente a ela, como Rubem Braga e
Luis Fernando Veríssimo,além dos grandes autores brasileiros, como Machado de
Assis, José de Alencar e Carlos Drummond de Andrade, que também resolveram
dedicar seus talentos a esse gênero.
Na crônica tudo é vida, tudo é motivo de experiência e reflexão, ou
simplesmente de divertimento, de esquecimento momentâneo de nós mesmos, a
imaginação nos transporta para outro mundo do qual voltamos mais maduros.

Notícias de Jornal
Fernando Sabino
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor
branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem
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socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante


setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma
ambulância do Pronto-Socorro e uma radiopatrulha forma ao local, mas
regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem morre de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que
o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista
em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico,
sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.
(...)
Esse texto você pode encontrá-lo na íntegra no seguinte endereço:
http://www.pucrs.br/gpt/intertextualidade.php

Observe algumas características desse texto, enquanto gênero crônica com seus
alunos:

O título do texto reflete a essência da crônica, gênero que relata fatos do


cotidiano.
Ao efetuar a leitura com os alunos, nos níveis compreensivo e interpretativo, é
importante observar a trama da história, que trata de uma reflexão em primeira
pessoa, sobre a notícia de que um homem anônimo morrera de fome, em uma
calçada do centro da cidade no Rio de janeiro, sem socorro.
É importante observar a expressiva quantidade de descrições. O texto inteiro
é construído pelo processo descritivo. Tem-se aí uma excelente oportunidade de
mostrar aos alunos que a descrição não é uma tipologia sem importância, como
geralmente se acredita, principalmente quando comparada a narração e a
dissertação. Embora seja frequentemente usada como parte de textos narrativos e
dissertativos, em Notícias de jornal, aqui neste texto podemos observar que ela é
importante estratégia para convencer o leitor acerca da realidade do “homem que
morreu de fome”, indicadora da característica da personagem, do lugar onde se deu
o fato, na forma como ocorreu a morte e do tempo que durou a agonia:
16

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de


cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem
socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante
setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome ( linhas 1 a 4).
Vejam que o texto tem leveza, humor, brevidade e sensibiliza quanto a
realidade.

Além desse texto, o professor pode levar para a sala outras crônicas para
analisar com os alunos, observando as características desse tipo de texto, pedindo
que atentem para as marcas da oralidade e a linguagem coloquial presentes nas
crônicas.

4.2 - ARTIGO DE OPINIÃO

Teoria do gênero

O artigo de opinião é um texto jornalístico, em prosa, que apresenta o ponto


de vista do autor ou autores a respeito de determinado assunto considerado de
interesse no momento.

Esse gênero apresenta as seguintes características:

a) No mínimo um parágrafo. Não há limites máximo para a extensão do texto.

b) Sua estrutura global caracteriza-se pela sequência:

– introdução (apresentação da tese, da ideia defendida pelo autor);

– desenvolvimento (apresentação de argumentos para a defesa da tese);

– conclusão (síntese das ideias defendidas no percurso do texto).

c) Os parágrafos são marcados pelo adentramento ou pelo espaçamento


entre eles no corpo do texto. É o caso dos artigos que circulam em websites.
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d) Esse gênero caracteriza-se, ainda, por tratar de temas atuais e envolver o


leitor, a fim de que este venha a aderir à posição defendida pelo autor. O locutor, na
busca de convencer o público leitor, expõe suas posições.

e) Há predominância de sequências argumentativas fundamentando


conclusões parciais que se tornam argumentos para a conclusão global. Também
podem ser encontradas sequências explicativas, indicando que o locutor considera
os objetos postos em discussão como de difícil compreensão para os leitores.
Assim, a operação de justificativa das afirmações é muito constante e pode ser vista
como a resposta do locutor a uma questão possível dos leitores, como “por que você
diz isso?”, o que mostra o caráter interativo desse gênero no texto.

O conteúdo para um texto artigo de opinião são as questões polêmicas que


geram discussão, controvérsia e diferentes pontos de vista sobre um tema, por
exemplo:

O desarmamento da população diminuiria ou não a violência?

A pena de morte de morte ajuda a diminuir a criminalidade?

Ou até mesmo polêmicas vivenciadas na escola como:

 Usar boné atrapalha a aula?

 Deveria ser permitida a troca de beijos e carícias no pátio da escola?

 Deve-se proibir o uso de celular na escola?

 O aluno pode entrar na aula a qualquer hora?

Assim como as anteriores, essas perguntas apenas aquecem o debate e


facilitam a escrita, pois sobre elas os alunos têm o que dizer.

Argumentar é explicitar um raciocínio, prova ou indício do qual se tira uma


consequência ou dedução, ou seja, para argumentar é preciso esclarecer as causas,
as razões, os motivos que levam a determinada opinião. Pode-se fazer isso por meio
de dados estatísticos, provas, resultados de pesquisa experiências científicas,
18

informações obtidas com especialistas na área, observações e outras coisas.

O papel do professor será o de mediar o debate, ajudando os alunos a se


posicionarem, isto é, a dizerem se são contra ou a favor, estimulando-os a
fundamentarem suas posições através de perguntas como: Por que você pensa
assim? Você tem algum dado estatístico que comprove o que diz? O que você já leu
sobre o assunto? Conhece situações similares? Se sim o que aconteceu?

A leitura e a pesquisa são importantes porque assim as opiniões escritas vão


além do “porque eu acho”.

Ao escrever um artigo de opinião, devemos utilizar argumentos consistentes e


bem fundamentados, pois são mais fortes e convincentes. É importante mostrar ao
leitor as razões que levaram a tomar determinada posição, evitando motivos
superficiais ou sem justificativa do tipo: porque ninguém que eu conheço discorda,
porque ouvi dizer,porque todo mundo pensa assim, porque na vizinhança todos
dizem, pois são motivos frágeis.

O autor precisa argumentar de acordo com o público para quem escreve. Um


artigo para um jornal de economia, por exemplo, deverá conter dados estatísticos;
um articulista, para defender uma lei que está sendo criada, precisa apresentar
situações em que a sua aplicação trouxe melhorias e, assim por diante.

TIPOS DE ARGUMENTOS:

De autoridade: ajuda a sustentar sua posição, lançando mão da voz de um


especialista, uma pessoa respeitável ( líder, artista, político), uma instituição de
pesquisa considerada autoridade no assunto.

De exemplificação: relata um fato ocorrido com ele ou com alguém para dar
um exemplo de como aquilo que ele defende é válido.

De provas: comprova seus argumentos com informações incontestáveis:


dados estatísticos, fatos históricos, acontecimentos notórios.

De princípio ou crença pessoal: Refere-se a valores éticos ou morais


supostamente irrefutáveis.

De causa e consequência: afirma que um fato ocorre em decorrência de


19

outro.

ELEMENTOS ARTICULADORES

A identificação de uma situação polêmica, a tomada de posição favorável ou


contrária e os argumentos são vinculados entre si, ao longo do artigo, por elementos
articuladores.

Quadro de elementos articuladores:

Devemos ajudar nossos pois, sem dúvida a cooperação é um


amigos elemento fundamental
para a convivência .

As propagandas mostram mas cabe ao consumidor


produtos atraentes analisar aquilo de que
indispensáveis para a realmente necessita e
nossa vida. selecionar o que é bom.
O fumo faz mal à saúde portanto, as pessoas deveriam
parar de fumar.
A água doce, por causa Assim, é preciso definir algumas
dos abusos cometidos, regras para o uso racional
poderá acabar em nosso da água.
planeta.
A limpeza de terrenos e Além disso, É importante que se faça
casas é necessária para uma campanha de
impedir a propagação do conscientização para que
mosquito da dengue. as pessoas não deixem
que a água se acumule
em vasos e outros
recipientes.
Se o desmatamento não é provável Que a Amazônia se
diminuir, transforme em um imenso
deserto.
É indispensável que se pois dessa forma A responsabilidade cidadã
intensifiquem campanhas crescerá entre os
de coleta seletiva de lixo moradores.
nas escolas, famílias e
comunidade,
A pena de morte não é Primeiramente Está comprovado que os
solução para a crimes hediondos não
criminalidade. deixaram de ocorrer nos
países que a adotaram.
20

A pena de morte não é Em segundo lugar, Porque muitos dos que


solução para a foram executados,
criminalidade. tiveram,
posteriormente,sua
inocência comprovada.
A pena de morte não é finalmente, Não matar os
solução para a semelhantes é um
criminalidade. princípio ético
fundamental.

ELEMENTOS ARTICULADORES

Uso Expressões
Tomada de posição Do meu ponto de vista/ na minha
opinião/pensamos que/ pessoalmente
acho
Indicação de certeza Sem dúvida/ está claro que/ com
certeza/ é indiscutível
Indicação de probabilidade Provavelmente/ me parece que/ ao que
tudo indica/é possível que
Relação de causa e consequência Porque/pois/então/logo/portanto/conseq
uentemente
Acréscimo de argumentos Além disso/ também/ ademais
Indicação de restrição Mas/porém/todavia/contudo/entretanto/
apesar de/ não obstante
Organização geral do texto Inicialmente/ primeiramente/ em
segundo lugar/ por um lado/por outro
lado/ por fim
Introdução de conclusão Assim/ finalmente/ para finalizar/
concluindo/ enfim/ em resumo

Em um artigo de opinião é interessante que o título suscinte curiosidade,


anuncie a questão polêmica e convide o leitor a ler o texto.

Um artigo de opinião costuma trazer diversas “vozes”, isto é, a posição


favorável de pessoas que o autor inclui no artigo para sustentar a própria opinião, ou
a posição contrária, de outros, à qual se refere porque deseja rebatê-la. Nesse caso
são os contra-argumentos.
21

A expressão “zona proximal” foi criada por Levy Vygotski e nomeia o espaço
de trocas e interações em que os alunos realizam tarefas com a ajuda de colegas e
do professor. A zona real do conhecimento é quando o aluno consegue fazer a tarefa
sozinho, sem ajuda.

No nosso caso, o texto individual deverá ser produzido na zona real do


conhecimento, mas antes é preciso escrever de forma coletiva para adquirir os
conhecimentos necessários.

É importante saber que para escrever um artigo de opinião os alunos devem:

1- Partir de uma questão polêmica local e situar o leitor em relação a ela.

2- Tomar posição em relação à questão polêmica e afirmar seu ponto de vista


como o melhor. Para isso, trazer argumentos, ora de autoridade, ora por
exemplificação, ora baseados em princípios, dados de pesquisa ou em relação de
causa e consequência .

3- Incluir opiniões de adversários para contestá-las com seus argumentos, ou


desacreditá-las pela fragilidade delas. É preciso tomar cuidado para que não seja
uma depreciação preconceituosa, até porque isso não pode ser considerado um
bom argumento.

4-Concluir o texto reforçando a posição tomada.

5-Usar elementos articuladores como os que:

Anunciam a posição do autor: “do nosso ponto de vista”, “penso que”,


“pessoalmente”.

Indicam certeza: “sem dúvida”, está claro que”, “com certeza” , “é indiscutível”.

Introduzem argumentos: “porque”, “pois”, “mas”.

Chegam à conclusão: “então”, “consequentemente”, “por isso’, “assim’.

Marcam as diferentes vozes presentes no texto:”como dize os economistas”,


“segundo alguns empresários...”, “muitas pessoas dizem que...”, “há pessoas que
negam...”, “alguns afirmam...”, “para muitos é importante... para outros...”.

Para escrevermos um artigo de opinião é necessário uma questão polêmica,


22

um autor, um público leitor, um espaço de publicação, um tempo para escrever o


artigo e um perfil do leitor para o qual o texto é dirigido.

Sou Contra a redução da maioridade Penal

Renato Roseno

A brutalidade cometida contra dois jovens em São Paulo reacendeu uma


fogueira: a redução da idade penal. Algumas pessoas defendem a idéia de que a
partir dos dezesseis anos os jovens que cometem crime devem cumprir pena em
prisão. Acreditam que a violência pode estar aumentando porque as penas que
estão previstas em lei, ou a aplicação delas, são muito suaves para os menores de
idade. Mas é necessário pensar nos porquês da violência, já que não há um único
tipo de crime.

Vivemos em um sistema socioeconômico historicamente desigual e violento,


que só pode gerar mais violência. Então, medidas mais repressivas nos dão a falsa
sensação de que algo está sendo feito, mas o problema só piora. Por isso, temos
que fazer as opções mais eficientes e mais condizentes com os valores que
defendemos.

(...)

Esse texto do Renato Roseno, advogado e coordenador do centro de Defesa


da Criança e do adolescente, você vai encontrá-lo na íntegra no seguinte endereço:

Fonte: www.cedecaceara.org.br/maioridadena.htm.

Socializar ou Enganar?

Há pouco tempo, crianças, jovens, adultos e até pessoas de mais idade se


encontram em um das maiores “febres” da internet. Orkut Buyukkoten, o criador da
23

ferramenta que por muitos é admirada e por outros desprezada. E aí vem a


pergunta: As pessoas usam orkut para quê? Socializar com o mundo ou enganar
pessoas inocentes?

Em todos os sites de relacionamento que existem na internet, é obrigatório ter


no mínimo dezoito anos para para poder participar. Mas será mesmo que só eles,os
maiores de idade possuem um perfil nessa ferramenta? Ao contrário, o que deveria
ser um site para maiores tornou-se usual também para adolescentes e até crianças.
Um detalhe importante é que pesquisas recentes afirmam que esse tipo de usuário
corresponde a mais ou menos 64% no Brasil e também que os usuários do orkut
divulgam 80 milhões de recados, 30 milhões de fotos e 3,5 milhões de vídeos por
dia.

Agora vamos ao x da questão, o orkut realmente ajuda a pessoa ou faz dela


um viciado e capaz de prejudicar alguém pela rede? O problema é que se cada
adolescente tivesse o seu perfil do orkut, com os amigos conhecidos, para trocar
uma ideiam mandar uns recados ou rir um pouco, não teria problema algum. Mas
por causa de adultos, que muitas vezes fingem terem quinze, dezesseis ou
dezessete anos, estragam com um passatempo que para a maioria da população é
o melhor do mundo digitalizado de hoje. Afinal, é muito fácil, achar amigos on-line.
Várias pessoas afirmam na própria internet, que adicionam pessoas que nunca
viram na vida e passando dois dias formam uma comunidade, como: “Nós adoramos
a Maria”, “Nós amamos a Thais”, “Gostamos muito do João”e por aí vai. Alguns até
brincam: “Isso é bom, eles me tratam como um rei,são muito melhores que as
pessoas que vivem comigo”. Aliás, acho que é isso que faz a diferença, eu aqui, ele
lá e ninguém sabe o que acontece. Escrevem com frequência nos tópicos da
comunidade: “Adoro meus amigos da internet”. “Não acredito nos perfis masculinos,
geralmente os homens são solteiros, sarados e ricos”, diverte-se uma garota.

Porém, não é só para isso que o orkut está sendo utilizado ele é um grande
alvo para fofocas, clubinhos e lesões o que para muitos não deixa de ser divertido.
Essa mania já vinha atingindo o fotolog e tem gente xingando feio contra isso. A
capacidade que o orkut tem de resgatar amigos próximos é absurda, mesmo quando
você nem está a fim disso, acaba tendo que socializar por uma questão de
24

educação, afinal é uma rede pública e qualquer pessoa do mundo que tem acesso à
internet consegue ver o seu perfil e as suas comunidades. Um grande avanço para
deixar os pais dos adolescentes mais tranquilos é que agora pode-se trancar as
fotos, fazendo com que nenhum estranho olhe ou pegue-as.

Sendo assim, o orkut é um meio através do qual podemos aprender,


compartilhar, conhecer, brincar, falar, reclamar, fazer novos amigos e inimigos
também. Sendo que o universo de adolescentes, jovens e adultos é no mesmo site.
Será que isso contribuirá para o crescimento dessas pessoas? Orkut qualquer um
tem, responsabilidade é que falta na cabeça das pessoas.

Texto da aluna Ângela G. Zwiecztykowski do 1º ano do Ensino Médio –


Colégio Estadual Professor Dario Veloso

Texto que circulou no Colégio no mural da escola.

Questões sobre os textos:

1-Quem são os autores dos textos?

2-Onde os textos foram publicados?

3- Qual a questão polêmica em cada texto?

4- O autor refere-se a um fato que o levou a escrever esse texto? Que fato foi
esse?

5- Qual a posição do autor a respeito da polêmica?

6-Que argumentos ele usa para justificar sua posição?

7-No texto, o autor apresenta argumentos de pessoas que discordam dele. Que
argumentos são esses?

8-Os autores propõem alguma alternativa? Ou seja refletem a respeito de uma


solução para a polêmica?

9- Qual o objetivo do autor?

10-Quem é o público leitor?

Além desses, o professor pode trazer outros textos para a leitura, interpretação e
25

observação das características desse gênero.

4.3 - MEMÓRIAS
Converse com seus alunos sobre o significado das palavras memória e

memórias e comente as definições:

Segundo o dicionário Hauaiss da língua portuguesa, memória é “aquilo que

ocorre ao espírito como resultado de experiências já vividas, lembranças,

reminiscência”.

No mesmo dicionário, encontramos para memórias “relato que alguém faz,

muitas vezes na forma de obra literária, a partir de acontecimentos históricos dos


quais participou ou foi testemunha, ou que estão fundamentados em sua vida

particular”.

Memórias literárias são textos que recuperam uma época com base em
lembranças pessoais. Quem as produz, em geral, são escritores convidados por
editoras para narrar suas memórias de modo literário. Esse texto tenta despertar as
emoções do leitor por meio da beleza e da profundidade da linguagem. Quem
escreve quer envolver quem lê com as memórias que estão sendo contadas.

Nas memórias literárias, o que é contado não é a realidade exata. A realidade


dá base ao que está sendo escrito, mas o texto também traz boa dose de
inventividade.

Algumas marcas comuns aos textos de memória são as seguintes:

Expressões em primeira pessoa usadas pelo narrador, como “eu me lembro”,


“vivi numa época em que”.

Verbos que remetem ao passado, como “lembrar”, “reviver”, “rever”.

Palavras utilizadas na época evocada, como “vitrola”, “flertar”,

Expressões que ajudam a localizar o leitor na época narrada, como “naquele


tempo”, em 1940”.
26

Participação de outros personagens; de pessoas presentes nas lembranças


dos entrevistados.

Memórias pode ser uma narrativa que alguém faz, na forma de obra literária,
com base no depoimento de uma pessoa mais velha, baseando-se em fotografias
para recuperar lembranças do passado, lembrando histórias de objetos antigos.

É importante que os alunos sejam despertados para a necessidade de prestar


atenção aos sinais de pontuação, componentes que vão ajudar a organizar as ideias
e o texto como vírgulas, travessão e ponto de exclamação.

Ao escreverem memórias, os autores se preocupam em caracterizar os


lugares e as pessoas do passado. Eles também fazem a comparação entre o tempo
antigo e o atual, mostrando as diferenças.

O autor de memórias usa verbos no passado para marcar um tempo do qual


se lembra e já se foi. Os tempos verbais essenciais no gênero memória são o
pretérito perfeito e o pretérito imperfeito. O pretérito perfeito indica uma ação
pontual, completamente determinada no passado,como por exemplo: caiu, perdeu.
Ele é adequado para relatar situações “fechadas”, que ocorreram em uma situação
pontual. Enquanto que o pretérito imperfeito indica uma ação habitual no tempo
passado, fato cotidiano que se repete muitas vezes. Ele é adequado para a
descrição de situações que ocorriam “com frequência”. Por exemplo: usávamos,
tínhamos, começávamos.

Em fins de 1913 um tenente do exército Nacional recém-chegado a Cruz Alta


foi proposto por um colega de armas para sócio do Clube Comercial, baluarte da
burguesia local. Não sei por que o motivo não foi aceito. O fato causou sensação na
cidade. Falou-se em represálias da parte da guarnição federal contra a sociedade.
Nada, porém,aconteceu. Chegou dezembro, os jasmins-do-cabo floresceram no
nosso pequeno jardim.

Érico Veríssimo, Solo de clarineta, Vol. 1

Pergunte aos alunos:

Quando ocorreu o fato que o autor narra? Como podemos saber? Além da
27

data, o autor usa palavras que indica o passado? Quais são elas?

Em que tempo estão os verbos? Por que o autor usou esse tempo verbal?

Mostre que Veríssimo usou os verbos “causar”, “falar”, acontecer”, “chegar”no


pretérito perfeito, porque eles indicam ações pontuais terminadas no passado.

Meu figurino era feito por minha mãe: uma camisa clara, bem limpa e
passadinha com ferro de brasa. Com meus colegas ia ver o que estava em cartaz.
[...] Também me recordo do cine Vogue e de Seu Carvalho, seu dono e operador
que, ao constatar a enorme fila na biblioteca , dizia para nós, garotos,com certo
orgulho solene, só haver lugares em pé. Entrávamos mesmo assim. Depois de
alguns minutos já tínhamos nossos lugares escolhidos e ... sentados. No escurinho
do filme começado,queimávamos um barbante mal cheiroso que fazia todo mundo
desaparecer do nosso lugar preferido. Comédia pura, não é?

Antonio Gil Neto. Como num filme.

(Fragmento retirado do caderno do professor- Olimpíadas de Língua Portuguesa


2008 – Memórias)

Saliente que o autor usa os verbos”ser”,”ir”, “dizer”, “entrar”, “ter” e “queimar”


no pretérito imperfeito porque eles exprimem o tempo cotidiano, que contém ações
repetidas muitas vezes no passado. O autor quer mostrar que não foi uma vez ao
cine Vogue, mas muitas vezes.

Além dos verbos existem palavras ou expressões que ajudam a localizar o


leitor na época em que os fatos ocorreram.

Podem aparecer também palavras ou expressões da época que já não são


usadas atualmente e para entendê-las é necessário pesquisar essas palavras e
situar o seu significado no tempo.

Temas que sugerem memórias: modos de viver do passado, transformações


físicas da comunidade, origens da comunidade, antigos lugares de trabalho,
profissões que desapareceram, eventos marcantes.
28

Naqueles tempos, a vida em São Paulo era tranquila. Poderia ser ainda mais ,
não fosse a invasão cada vez maior dos automóveis importados, circulando pelas
ruas da cidade; grossos tubos situados nas laterais externas dos carros,
desprendiam, em violentas explosões, gases e fumaça escura. Estridentes fonfons
de buzinas, assustando os distraídos, abriam passagem para alguns deslumbrados
motoristas que, em suas desabaladas carreiras infringiam as regras de trânsito,
muitas vezes chegando ao abuso de alcançar mais de 20 km à hora, velocidade
permitida somente nas estradas.

(Este texto mais completo você encontra no Caderno Memórias da Olimpíada


de Língua Portuguesa – 2010, página 71)

Observe no texto, o modo de viver do passado, os verbos, as palavras que


ajudam a localizar o leitor na época.

Procure também estabelecer comparações entre os dias de hoje e o tempo


em que a autora era menina.

4.4 - POESIA

Poema ou Poesia?

Qual a diferença entre poema e poesia? Poesia, segundo o Minidicionário


Aurélio de Língua Portuguesa, é a “arte de criar imagens, de sugerir emoções por
meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados”. Já o
poema é definido como “obra em verso ou não, em que há poesia”.

Então, esta é diferença: quando falamos em poema, estamos tratando da


obra, do próprio texto; e, quando falamos em poesia, tratamos da arte, da habilidade
de tornar algo poético. Uma pintura, uma música,uma cena de filme também podem
ser poéticas.

Características do poema: rimas, versos e estrofes.


29

Tem tudo a ver

A poesia

Tem tudo a ver

Com tuas dores e alegrias,

Com as cores, as formas, os cheiros,

Os sabores e a música

Do mundo.

A poesia

Tem tudo a ver

Com o sorriso da Criança,

O diálogo dos namorados,

As lágrimas diante da morte,

Os olhos pedindo pão. (...)

( Esse texto na íntegra você vai encontrá-lo no do caderno de Olimpíadas de Língua


Portuguesa – 2008,Poetas da Escola, pág. 17)

Nesse poema, o autor mostra que a poesia é viva, dinâmica e fala das
pessoas, de animais, de objetos, de acontecimentos, de tudo. Muita gente acha que
a função da poesia é cantar amores ou falar do que é belo. Mas, seus alunos,
precisam entender que na verdade, a poesia coloca em palavras a maneira como o
poeta enxerga o mundo. E ela pode falar de qualquer coisa, não só das grandes e
belas.

O que rima combina


30

Palavras que rimam são palavras que se combinam, pois terminam com o
mesmo som. A rima é um dos recursos que os poetas usam, mas nem todo o poema
precisa ser rimado.

Antigamente havia normas para escrever versos. O poeta tinha regras


definidas sobre as rimas e o número de sílabas de cada verso. Mas hoje já não é
assim. O autor tem liberdade para seguir ou não essas regras.

Versos e estrofes

Verso é cada uma das linhas do poema. Estrofe é cada grupo de versos
separados do grupo seguinte por um espaço.

Um poema pode ter uma ou várias estrofes. E cada estrofe um número


variado de versos.

Sugestões:

Leia poemas em voz alta para os alunos;

Ajude os alunos a descobrirem as sensações, impressões e sentimentos que


o poema evoca.( O que sentiram ao escuta/ler o poema? Ouvir esse poema nos faz
lembrar de coisas alegres ou tristes? Fechando os olhos, vocês conseguem
imaginar o que o poeta quis nos mostrar?)

Ajude os alunos a relacionarem o poema com outras experiências de vida


deles.(Você já se sentiu da mesma forma que o poeta ? Já ocorreu algum fato
parecido com você? Você se lembra de algum lugar ou pessoa que causou em você
a mesma impressão que o autor descreve?

Ajude-os também a descobrirem os efeitos de sonoridade que o poeta usou


para encontrar o ritmo certo para a declamação;

Rimas:

Compor rimas é um exercício divertido, mas precisa dedicação. Muitas vezes


precisa pensar ou ir até o dicionário para encontrar palavras que normalmente não
usamos. Mas vale a pena, porque os poemas podem ganhar originalidade.
31

Como sugestão a a turma pode compor um poema coletivo a partir do texto


“Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz”, de Otávio Roth. Peça que
contem sobre as coisas do dia a dia que os deixam felizes. Talvez alguns falem de
coisas grandes e importantes como a paz no mundo ou a preservação do meio
ambiente. Mas insista para que pensem em coisas simples . então leia o texto para
eles:

Duas Dúzias de Coisinhas à toa que deixam a gente feliz

Passarinho na janela, pijama de flanela, brigadeiro na panela.

Gato andando no telhado, cheirinho de mato molhado, disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã,dropes de hortelã, grito de Trazan...

Otávio Roth, Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz, São
Paulo, Ática, 1994.

( Esse texto mais completo você encontra também no caderno de Poesia 2008
da Olipíada de língua Portuguesa pág. 30)

Converse com os alunos sobre as sensações que o poema provoca. Comente


que Otávio Roth usa as rimas para produzir um texto original e divertido.

Sons e Quadras

Rima, aliteração e repetição de versos

Para encantar os leitores, transmitir ideias e emoções de forma original, os


poetas utilizam recursos poéticos. Rimas, aliterações e repetições possibilitam o
jogo com a sonoridade das palavras, fazendo que ecoem ao longo do poema.
32

As quadras são estrofes compostas por quatro versos. Elas nasceram com o
povo português na era medieval. Quadra é uma forma antiga e popular de organizar
os versos e é usada até hoje no Brasil.

Os versos podem rimar de diferentes formas. O primeiro pode rimar com o


quarto, o segundo com o terceiro ou o segundo com o quarto.

Poeta maior

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa (Portugal) em 1888. Ele é considerado


um dos maiores poetas da Língua Portuguesa de todos os tempos. Em sua obra,
usou vários “heteronômios”, isto é, ele usava nomes diferentes para assinar seus
poemas.

Mais do que pseudônimos, esses heterônimos eram personagens completos.


Tinham biografia, estilos literários diferentes, maneiras diversas de ver o mundo. Era
como se Fernando Pessoa encarnasse outras personalidades.

Em alguns poemas Pessoa assinava seu próprio nome . Em outros,assinava


Alberto Caeiro, um poeta que buscava a simplicidade da natureza, escrevia com
linguagem e o vocabulário limitado. Em outros,assinava Ricardo Reis, que tinha uma
forma humanística de ver o mundo, procurava o equilíbrio dos clássicos. Outro
heterônimo era Álvaro de Campos, um poeta moderno, um homem identificado com
o seu tempo.

Quadras ao gosto popular

Eu tenho um colar de pérolas

Enfiado para te dar:

As pérolas são os meus beijos,

O fio é o meu penar.


33

A caixa que não tem tampa

Fica sempre destapada

Dá-me um sorriso dos teus

Por que não quero mais nada.

No baile em que dançam todos

Alguém fica sem dançar.

Melhor é não ir ao baile

Do que estar lá sem estar.

Vale a pena ser discreto

Não sei bem se vale a pena.

O melhor é estar quieto

E ter a cara serena.

Não digas mal de ninguém,

Que é de ti que dizes mal.

Quando dizes mal de alguém

Tudo no mundo é igual.

Fernando Pessoa. Obra Poética. Rio de Janeiro, Aguilar,1969,PP.645-665.

Esse poema se encontra no domínio público no seguinte endereço:

www.dominiopublico.gov.br/download/texto/jp000001.pdf
34

Pergunte aos alunos quais as palavras que rimam e qual o esquema de rima
usado pelo poeta. Mostre que o poeta não usa apenas verbos no infinitivo ( por
exemplo: cantar, dançar, chorar) para fazer as rimas porque aí ficaria pouco criativo.
Ele também não usa palavras no aumentativo (terminadas em ão) e no diminutivo
( terminadas em “inho”) , pelo mesmo motivo. Em suas rimas há muita variedade:
verbos, substantivos e adjetivos.

A aliteração é outra forma de brincar com as palavras. Uma bem interessante


é usada por Cruz e Souza no poema “Violões que Choram”.

Violões que Choram

Vozes veladas, veludosas vozes,

Volúpias dos violões, vozes veladas,

Vagam nos velhos vórtices velozes

Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Trecho de:

Cruz e Souza. Obras Completas. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1997.

Pergunte aos alunos por que esse poema pode ser considerado sonoro e
musical? Qual o som que se repete ao longo dele?

Diga que Cruz e Souza, neste poema, além da repetição de palavras, usou
como recurso a aliteração, ou seja, a repetição de fonemas nas palavras que
compõem os versos, como vozes, violões e vivas.

Há muitos outros poemas compostos com base na aliteração. “A Onda”de


35

Manuel Bandeira é um exemplo. Cecília Meireles usa esse recurso em vários de


seus versos, como nos poemas “O Colar de Carolina”e o “Menino dos ff e rr”. “as
três tias”, de Elias José, também apresenta aliteração. Esses poetas são bastante
conhecidos por isso não é difícil encontrar suas obras . Procure na biblioteca da
escola ou do município ou mesmo na Internet e faça uma pesquisa sobre eles e a
sua obra.

Metáforas

Ao ver o mundo de um modo poético, os poetas fazem comparações e criam


metáforas.

Exemplo:

O céu bordado d estrelas,

A terra de aromas cheia,

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!

Pergunte aos alunos se eles podem imaginar o céu bordado de estrelas e as


ondas beijando a areia.

Mostre que a metáfora deixa o verso mais interessante. Se o poeta dissesse


apenas que “havia muitas estrelas no céu” e a lua “refletia sua luz no mar” os versos
não seriam tão poéticos.

Para entendermos um poema é necessário observarmos na leitura todos os


recursos usados pelo autor, pois o ritmo, as rimas, as aliterações, as metáforas e
outros recursos poéticos contribuem para a compreensão do texto.
Pedir aos alunos que escrevam, de acordo com o conhecimentos que eles
têm. Que mostrem o mundo de um jeito novo, com o intuito de emocionar, fazer
pensar ou divertir os leitores.
O tema será de acordo com o assunto trabalhado na classe para a produção
dos textos.

O grupo também pode coletar alguns poemas de poetas famosos ou de


algum poeta da comunidade para postar no blog, bem como convidar algum poeta
36

que conheçam para vir na turma e conversar com os alunos.

É importante incentivar a leitura por parte dos alunos para que assim eles
possam compreender, interpretar e reter o que for mais relevante. Um poema pode
ser lido várias vezes e a cada leitura despertar novas sensações, diferentemente de
outros gêneros de texto.

Por outro lado, ler poemas traz desafios para o leitor. É preciso buscar
significados, sentidos, descobrir como o poeta”brincou com as palavras”. Nossos
alunos, na maioria das vezes, não tem familiaridade com a leitura dos poemas.
Assim, é necessário ajudá-los a vencer esse desafio.

A partir do estudo desses quatro gêneros textuais, serão trabalhados os


ateliês para a leitura e produção dos textos e construção dos blogs.

5 - Construindo O Blog

É interessante que os alunos sejam levados até o laboratório de informática


da escola para que o blog seja criado e organizado.
Inicialmente, o professor, sonde quantos alunos na classe têm acesso à
internet em casa e quantos já tem noção de como funciona um blog. Como o
processo de criação do blog é autoexplicativo, não haverá grandes dificuldades para
que os alunos possam acompanhar.
O primeiro passo é criar uma conta de e-mail em nome da turma e pensar em
uma senha coletiva para o blog. Aproveite para trabalhar com os alunos o conceito
de sigilo em relação à senha. Em seguida crie o blog. Sugere-se o site:
http://www.blogger.com. Acesso em 22/04/2010.
Veja os passos para a abertura do blog:
37
38

Agora é só acessar e configurar o blog.


39

Os alunos devem participar da formatação do site, como a preparação de


textos contendo informações sobre a que o blog se destinará. Devem falar também
um pouco sobre a escola e a turma. Também podem buscar textos literários,
intercalados à produção deles. Aqui deve-se ter um cuidado grande com relação às
referências sobre os textos e os direitos autorais dos mesmos. Os alunos devem ter
claro que podem postar as produções próprias, mas as postagens de obras e outros
produtos só podem ser feitas se estas já são de domínio público.
Não se deve perder de vista que o objetivo da criação do blog é despertar o
interesse dos alunos para a escrita e a produção, incentivando-os a produzirem seus
próprios textos. O blog tem um sistema que permite que os leitores postem
comentários sobre o que foi publicado. Portanto é interessante pedir que os alunos
divulguem entre seus familiares o endereço eletrônico para que eles possam
acessar e comentar as produções dos colegas.
É também imprescindível que em cada trabalho postado seja colocada a fonte
original do texto e seu autor. Os alunos precisam compreender a importância de se
respeitar os direitos autorais.
Algo também relevante, professor, é que seja destinado um momento das
aulas para que os alunos possam compartilhar as postagens feitas. Isso é positivo
para que as postagens não pareçam aleatórias.
Outra sugestão é que o blog sirva também para que os alunos coloquem
indicações de livros que leram, incentivando os colegas a lerem. Cada aluno pode
postar uma resenha mensal ou semanal, mas é preciso tomar cuidado, professor,
com a qualidade das resenhas produzidas, já que a preocupação com o número
pode prejudicar a qualidade dos trabalhos.

6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Itaú Social; Brasília,DF: MEC, 2008.

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