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ALUNO: KARLOS EDUARDO VALÉRIO DE MORAIS

Seminário I
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL
Questões
1. Recurso administrativo protocolado intempestivamente tem o condão de suspender
a exigibilidade do crédito tributário? Fundamentar sua decisão observando o que
dispõe o art. 35 do Decreto Federal n. 70.235/72: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto,
será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.”
R: Apesar do Art. 35, do Decreto Federal n. 70.235/72, determinar o
encaminhamento do recurso intempestivo para julgamento em segunda instância, este não
tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, pois assim o faz por mera
instrumentalidade do procedimento administrativo.
Podemos afirmar que com o encerramento o prazo para apresentação de recurso
voluntário, já temos uma decisão definitiva, nos termos do Art. 42, I, constante no mesmo
Decreto Federal.
Caso um recurso perempto suspenda a exigibilidade do crédito tributário, estaria
este ofendendo a coisa julgada material e formal, ferindo diretamente o princípio da
segurança jurídica.
Ademais, podemos ressaltar que um recurso perempto não pode ser inserido no
mundo jurídico, pois não cumpre os requisitos formais para tanto, tornando-se uma simples
transcrição de vontades da parte que o interpôs, perdendo sua característica jurídica de
“recurso”.
Assim sendo, esta “transcrição de vontades”, não está prevista nas possibilidades
de suspensão da exigibilidade do crédito tributário do Art. 151, CTN.

2. Considerando a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a quem


compete o ônus da prova nos recursos e impugnações? Até que momento o contribuinte
(recorrente) pode juntar aos autos do processo administrativo provas documentais?
Diante do que dispõem os arts. 9º e 10 do CPC/15, apresentadas novas provas pelo
contribuinte o julgador administrativo deverá dar oportunidade ao Fisco para se
manifestar a respeito antes de afetar o processo para julgamento? (Vide anexo I, II e
III).
R: Podemos dizer que com a presunção de legitimidade dos atos administrativos, o
ônus da prova compete ao Contribuinte. Entretanto, como o nome já diz, é uma “presunção”
de legitimidade dos atos administrativos, portanto, o mesmo é de natureza relativa,
admitindo prova em contrário, o que causaria a inversão do ônus da prova, recaindo, por
conseguinte, ao fisco o dever de provar as alegações.
Nos entendimentos atuais, vê-se quanto a aceitação da apresentação de provas que
forem necessárias para o deslinde do procedimento administrativo, até a decisão de primeira
instância, ou em segunda instância. Apesar de relativizar em parte o devido processo legal,
essa seria a forma de alcançar o princípio da verdade material.
Em meu ponto de vista, acredito que diante da segurança jurídica, as provas

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deveriam ser apresentadas pelo Contribuinte nos termos da legislação aplicável, ou seja,
até a apresentação da impugnação sob pena de preclusão, salvo as exceções contidas nos
incisos do §4º do Art. 16 do Decreto Federal 70.235/72.
Ademais, as provas apresentadas em sede de recurso voluntário, estas estariam indo
contra o princípio do duplo grau de jurisdição.
Logo, seguindo a mesma linha da segurança jurídica, devido processo legal, e duplo
grau de jurisdição, apresentadas as provas pelo Contribuinte, por meio de sua impugnação,
deverá o Fisco ser intimado para apresentar a Tréplica.

3. Os tribunais administrativos exercem "jurisdição"? Justifique sua resposta,


definindo “jurisdição”. Podem, no ato de julgar, afastar a aplicação de lei sob a
alegação de sua incompatibilidade com a Constituição. Pode a decisão administrativa
inovar o feito, agravando o lançamento por ocasião do julgamento da defesa do
contribuinte?
R: Entendo que jurisdição é exclusividade do Poder Judiciário. Ademais, os
tribunais administrativos não estão dotados da imparcialidade das decisões que proferem,
sendo estes os próprios beneficiários da lide, bem como, são decisões que pelos motivos
anteriormente expostos, podem ser levados ao Poder Judiciário para resolução definitiva.
Não exercendo jurisdição, os tribunais administrativos não tem condão para afastar
a aplicação de lei alegando sua incompatibilidade com a CF. Essa também está positivada
no Art. 26-A da Lei 70.235/72.
Sobre o agravamento do lançamento por ocasião do julgamento da defesa do
contribuinte, acredito que não seja permitido, sendo que para que isso ocorra deve-se lavrar
novo auto de infração ou uma notificação de lançamento complementar, o que abrirá novo
prazo para defesa do contribuinte. Logo, aplica-se o disposto no princípio do reformatio in
pejus.

4. Qual a aplicabilidade do CPC/15 ao processo administrativo tributário? Os


enunciados das súmulas vinculantes devem ser observados pela Administração
Pública? E os demais enunciados das súmulas do STF em matéria constitucional e do
STJ em matéria infraconstitucional? E os acórdãos em incidente de resolução de
demandas repetitivas (vide art. 928, II, do CPC/15)?
R: A aplicabilidade do CPC/15 ao processo administrativo tributário é supletiva e
subsidiária, conforme determina o Art. 15 do CPC, o que faz com que se aproveite as regras
processuais não só para as lacunas da norma do processo administrativo, porém também para
complementar as matérias já previstas.
Diante da necessidade de uma ampla segurança jurídica, os órgãos da
Administração Pública devem observar e aplicar os enunciados das súmulas vinculantes, os
demais enunciados das súmulas do STF em matéria constitucional e do STJ em matéria
infraconstitucional, bem como, os acórdãos em incidente de resolução de demandas
repetitivas, conforme determina o Art. 927 e seus incisos do CPC.
O Regimento Interno do CARF, alterado pela portaria 586/10 do Ministério da
Fazenda, determinou que os relatores de recursos que estejam tramitando perante o órgão
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devem observar a jurisprudência dos Tribunais Superiores.
Com essas últimas alterações, os Contribuintes têm visto uma preocupação pelos
órgãos da Administração Pública pela coerência com as instâncias judiciais e
administrativas, para fins de evitar medidas infundadas pelos próprios contribuintes, diante
da previsibilidade das decisões.

5. Recurso administrativo interposto junto ao CARF é julgado, por unanimidade,


favoravelmente ao contribuinte. A decisão exarada é passível de controle pelo
Judiciário em ação proposta pelo Fisco?
R: Acredito que mesmo o recurso administrativo interposto junto ao CARF que
tenha uma decisão unânime favorável ao contribuinte, é passível de controle pelo judiciário
em ação proposta pelo Fisco. Entretanto, é necessário que haja a comprovada lesão à direito,
enquadrando-se na norma constitucional do inciso XXXV do Art. 5º da CF, que determina
que não se pode excluir da apreciação do Judiciário lesão ou ameaça a direito.

6. A existência de processo judicial e administrativo concomitantes implica renúncia


às instâncias administrativas? (Vide anexos IV, V e VI).
R: Conforme apresentado na questão anterior, há uma grande preocupação entre as
coerências das decisões judiciais aplicadas ao procedimento administrativo. Tramitar as duas
concomitantemente poderia causar um dissabor quanto às decisões, caso fossem divergentes.
Diante disso o Art. 38 da Lei 6.830/80 determinou que o questionamento judicial
em esfera administrativa implica na renúncia da discussão na esfera administrativa.
Apenas não se aplicaria a norma acima, caso o objeto da esfera administrativa fosse
mais abrangente que o da esfera judicial, sendo que o procedimento administrativo seguirá
apenas com o objeto ou partes que não estejam em discussão no judiciário.

7. Respondendo consulta formulada por contribuinte, a Receita Federal do Brasil, por


intermédio de seu secretário, manifesta sua concordância a respeito do posicionamento
por ele adotado. Posteriormente, o STF (sem modulação dos efeitos) julga
inconstitucional a lei sob a qual tal entendimento estava embasado. Quais as
consequências dessa decisão em relação ao ato administrativo exarado pelo secretário
da Receita Federal do Brasil?
R: Diante da vinculação aos entendimentos do Poder Judiciário nos termos
demonstrados nas questões anteriores, a consulta formulada pelo contribuinte, exarada pelo
secretário da RFB é válida até a declaração de inconstitucionalidade da norma.
Há um decreto do Presidente da República, n.º 2.346/97, que determina os
procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal, o que envolve,
obviamente, a RFB, e logo em seu §1º, preceitua que “As decisões do Supremo Tribunal
Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional
deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e
indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto.”
Logo, após a declaração de inconstitucionalidade, caso decisão desfavorável ao
contribuinte, este deverá pautar-se nos ditames do STF, o que deverá, obrigatoriamente, ser
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acatado pela RFB, porém, não atingirá os fatos geradores ocorridos anteriormente à decisão
do STF. Caso a decisão seja favorável ao contribuinte, o Fisco terá de se adequar em prol do
contribuinte e, os fatos geradores anteriores à decisão do STF também serão pautados nos
ditames mais benéficos ao contribuinte (Art. 146, CTN).

8. Analise os acórdãos lavrados no RE nº 601.314 e na ADIN 2859 e responda, em


relação à quebra de sigilo bancário:
a) Há diferença entre envio de Declaração de Movimentação Financeira (DIMOF),
atual e-FINANCEIRA, pelos bancos à RFB, e a obtenção de extratos bancários pela
RFB junto aos bancos, sem autorização judicial. (Vide anexos VII e VIII).
R: A meu ver, ambas possuem a mesma função, bem como são totalmente legais
no ordenamento jurídico. Conforme descrito na ADI 2.859, não há quebra de sigilo fiscal
pelas instituições que compartilham a informação do Contribuinte, pois as informações
continuam sigilosas, apenas são compartilhadas entre o sistema financeiro e o sistema
público.
As informações contidas em ambas operações permanecem sigilosas dentro das
instituições que a recebem, portanto, não há inconstitucionalidade em ambas situações.
Ademais, vale ressaltar que antes da DIMOF, as informações sobre os
recolhimentos da CPMF permitiam o monitoramento das operações em conta corrente
bancária dos contribuintes.
Essa análise leva em conta dois pilares do sistema jurídico, o sigilo e a obrigação
de pagar tributo, que é o que sustenta a máquina pública governamental, portanto, ambos
são essenciais para a ordem jurídica, logo, relativiza-se ambos para que coexistem no mesmo
sistema em prol da sociedade.

b) A declaração efetuada para fins de aproveitamento do Programa que recebeu o


nome de “Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária” – RERCT, criado
pela Lei n. 13.254/16 está protegida pelo sigilo fiscal?
R: O §1º do Art. 7º da Lei 13.254/16, determina que “A divulgação ou a publicidade
das informações presentes no RERCT implicarão efeito equivalente à quebra do sigilo fiscal,
sujeitando o responsável às penas previstas na Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro
de 2001, e no art. 325 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal),
e, no caso de funcionário público, à pena de demissão.”
Para evitar qualquer dano ao sigilo fiscal, a RFB criou sistemas de proteção ao sigilo
fiscal, afastando de seus próprios auditores a rastreabilidade das informações. A medida
adotada foi a alteração automática dos CPF’s e CNPJ’s dos contribuintes que adotaram ao
RERCT, para o CNPJ da SRFB, fazendo com que as informações dos contribuintes fossem
irrastreáveis.
Portanto, a declaração efetuada para fins de aproveitamento do RERCT, criado pela
Lei n. 13.254/16 está protegida pelo sigilo fiscal.

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pessoas estranhas e desvinculadas de suas atividades institucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.