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Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3

EM DEFESA DA NATUREZA: DISCURSO E MÍDIA PRODUZINDO O AMBIENTE

Lêda Valéria Alves da Silva (IEMCI – UFPA/CAPES)


Sílvia Nogueira Chaves (IEMCI – UFPA)

RESUMO
Nesta pesquisa, tomamos como objeto de análise enunciados sobre o meio ambiente em
imagens que circulam pela internet e que são usualmente utilizadas em disciplinas do campo
da Educação Ambiental. Utilizamos as ferramentas foucaultianas da análise do discurso para
problematizar, indagar, fazer ver as relações de saber/poder produzidos nas imagens que
compõem o corpus discursivo deste trabalho. Nos enunciados analisados, é possível notar que
formas particulares de aprender a ver e dizer o ambiente são fabricadas e que eles são parte de
uma rede discursiva que situam o homem continuamente nas posições de
“destruidor/salvador” do meio ambiente. Esses ditos circulam continuamente em sala de aula,
direcionando e conduzindo a formação.
Palavras- chave: Educação ambiental, mídia, discurso

O teu futuro é duvidoso, eu vejo drama, eu vejo dor!


(Cazuza)

Meio ambiente: uma coisa de planta, animal, água...homem?

“O que estamos fazendo ao nosso planeta?”, “A terra é nossa única casa. Devemos
preservá-la”, “O homem é o maior culpado pela destruição do meio ambiente”, “Estamos
destruindo a nós mesmos!” Essas são algumas frases que ouvia em sala de aula do curso de
formação de professores de biologia, mais precisamente na disciplina Educação Ambiental.
Quanto mais eu utilizava vídeos e figuras para discutir a problemática ambiental mais os
alunos se convenciam de que havia algumas missões para o biólogo e que estas eram:
conscientizar as pessoas, ensinar os alunos a preservarem o meio ambiente, e por fim: salvar o
planeta da destruição!
Muitos imperativos e uma missão anti-apocalíptica nos pesa numa tal consciência.
Contudo, pensar o mundo como nosso e destruição como dolo humano é o mesmo que
acreditar que o que vivemos hoje em termos ambientais é “tudo culpa do aquecimento
global”, resultado da ação do homem no planeta, como diziam os estudantes do curso de
biologia. Haveria uma biologia que ensinasse as pessoas a ter consciência, a “salvar” o
mundo? Seria essa nossa função como professores de biologia? E quando nos investimos
dessa função, que subjetividades ajudamos a forjar quando culpamos o homem pela

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destruição ambiental? Aliado a isso, de que forma a mídia produz e faz circular discursos e
saberes em relação ao meio ambiente e a responsabilidade humana diante da crise ambiental?
Constantemente assistimos na mídia matérias relacionadas à problemática ambiental.
Dessa forma, o meio ambiente tem se constituído um campo de visibilidades, principalmente
na mídia. Segundo Hennigen e Guareschi (2002) a mídia é considerada um espaço
privilegiado de circulação de discursos na sociedade. Deste modo “somos constantemente
atravessados por redes discursivas que nos seduzem, capturam e determinam infinidade de
prescrições que ensejam desejos e modos de ser/ver” (BASTOS & CHAVES, 2015, p. 89-90),
produzindo o sujeito “ecologicamente correto”, pois assim supostamente se estará
colaborando para a continuidade do planeta.
Assim, os enunciados sobre a “destruição” do meio ambiente são parte de uma rede
discursiva que situa o homem continuamente nas posições de “destruidor/salvador do meio
ambiente”. Tal rede discursiva tem a mídia como importante componente na produção
subjetiva, interpelando e constituindo formas de olhar a natureza. Esses ditos circulam
continuamente em sala de aula, direcionando e conduzindo a formação.
O objetivo deste trabalho é problematizar a produção discursiva do ambiente em
imagens que circulam pela internet e que são usualmente utilizadas em disciplinas do campo
da Educação Ambiental com o pretenso propósito de pensar possíveis soluções para uma tal
crise ambiental, que se vê como perigosa e destrutiva. Este trabalho parte do pressuposto de
que formas particulares de aprender a ver e dizer o ambiente são fabricadas quando se toma
tais produções como alertas sociais fundamentados em fatos, verdades científicas.
Para efeito de análise, subjetividade é aqui tratada como produto de modos de
subjetivação que resulta na “[...] maneira pela qual o sujeito faz a experiência de si mesmo em
um jogo de verdade, no qual ele se relaciona consigo mesmo [...]” (FOUCAULT, 2004, p.
236). A partir dos enunciados, presentes nas imagens, veiculados por artefatos midiáticos e
com base nas ferramentas teóricas trabalhadas por Foucault, indaga-se: Que efeitos sociais o
discurso ambiental midiático produz? Que sujeitos são fabricados a partir dele?

Ferramenta Metodológica

Neste trabalho opero com as ferramentas foucaultianas da análise do discurso para


problematizar, indagar, fazer ver as relações de saber/poder produzidos nas imagens que
compõem o corpus discursivo deste trabalho. Foucault (2010) argumenta que o discurso é

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prática e produz os objetos dos quais fala. Assim, “mais do que subjetivo, o discurso subjetiva
[...]” (VEIGA-NETO, 2007, p.120), produz sujeitos.
O discurso é um lugar de luta permanente e não pode ser visto apenas como o “ato da
fala” ou conteúdo de representação, mas como “práticas que formam sistematicamente os
objetos de que falam” (FOUCAULT, 2008, p. 55). Para Foucault, a linguagem tem uma
relação histórica com as coisas que dizem, e são perpassada por relações de poder. É preciso,
então, fazer aparecer e descrever a dispersão dos acontecimentos discursivos sobre os quais se
estabelecem os regimes de verdade (FISCHER, 2001).

Um regime de verdade é constituído por séries discursivas, famílias cujos


enunciados (verdadeiros e não-verdadeiros) estabelecem o pensável como
um campo de possibilidades fora do qual nada faz sentido -pelo menos até
que aí se estabeleça um outro regime de verdade. Cada um de nós ocupa
sempre uma posição numa rede discursiva de modo a ser constantemente
"bombardeado", interpelado, por séries discursivas cujos enunciados
encadeiam-se a muitos e muitos outros enunciados (VEIGA-NETO, 2000, p.
56).

Assim, analisar o enunciado é pensá-lo a partir do “campo de possibilidades”, é


problematizar os efeitos de verdade que produzem e ao mesmo tempo questionar porque este
enunciado e não outro assume a posição de “verdade” na série discursiva, que é “esse feixe
complexo de relações que „faz‟ com que certas coisas possam ser ditas (e serem recebidas
como verdadeiras), num certo momento e lugar [...]” (FISCHER, 2003, p. 373).
Para Foucault (2008) adaptado por Fischer (2001), interessa o enunciado em seus
quatro elementos básicos1:
1) A referência a algo que identificamos (o referente, no caso, a figura do homem
associado à destruição da natureza);
2) O fato de ter um sujeito, alguém que pode efetivamente afirmar aquilo (muitos
professores e professoras ocupam o lugar de sujeito desse enunciado, não só eles, mas os
ambientalistas, também se reconhecem nesse discurso, como tantas vezes vemos em
reportagens de jornais e na televisão);
3) O fato de o enunciado não existir isolado, mas sempre em associação e correlação com
outros enunciados, do mesmo discurso (no caso, o discurso pedagógico) ou de outros
discursos (por exemplo, o discurso ambiental, midiático, científico, etc);

1
A escrita foi adaptada por mim para que pudesse entender os elementos a partir do trabalho proposto.
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4) Finalmente, a materialidade do enunciado, as formas muito concretas com que ele


aparece, nas enunciações que aparecem em imagens sobre meio ambiente nas mais diferentes
situações, em diferentes épocas, que mobiliza pessoas que voluntariamente passam a dedicar-
se ao trabalho de “ambientalistas”, por exemplo).
Na análise enunciativa, as condições de possibilidade, as relações de poder e as lutas
políticas caracterizam a existência dos enunciados através da exterioridade. Assim Foucault,
trata o enunciado na exterioridade, em suas descontinuidades, abandonando a ideia de
interioridade. Neste sentido, “se encontra libertado o núcleo central da subjetividade
fundadora, que permanece sempre por trás da história manifesta” (FOUCAULT, 2008, p.
148), logo, o sujeito não tem pré-existência, mas é constituído por meio de uma rede
discursiva de saber/poder. O sujeito é, assim, uma construção que ocorre no/pelo discurso,
cujas relações de poder subjetivam e normalizam condutas.
As imagens a seguir, são trazidas com o fim de problematizar enunciados que se
referem à destruição do planeta e suas associações com a conduta em relação ao meio
ambiente protegido. São, principalmente, imagens que circulam na internet em sites de atuam
em defesa do ambiente e na rede social facebook, uma das principais ferramentas de
circulação midiática juntamente com o youtube. Então, considerando que a subjetivação é
pensada através de inúmeros enunciados, buscou-se captar outras técnicas de subjetivação
para além das relacionadas diretamente às imagens, no intuito de verificar que tipos de
sujeitos são demandados. Os enunciados normalizam e definem os modos de ser/ver supostos
sujeitos ecológicos, mas também antiecológicos. São esses sujeitos que emergem dos
enunciados imagéticos que serão problematizados a seguir.

Homo destructus: o “demônio familiar”

Na figura 1 vemos um homem com um machado nas mãos rodeado por troncos de
árvores que, presumidamente, ele próprio derrubou. Sua sombra projetada no chão evoca
aquilo que é considerado a personificação do mal, o “demônio destruidor”. Ao associar o
lenhador ao demônio, a imagem situa o homem na posição do mal e o diz algoz da natureza. É
ele o elemento que se deve temer e neutralizar.

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Figura 1. Natureza morta2

Os enunciados circulantes aqui são que o “homem é mal, perigoso não se importa em
destruir a natureza”; “destrói sem esboçar nenhum sentimento de culpa” ou “é o demônio
mesmo!”. Esses enunciados compõem e dão visibilidade a um tipo de discurso que localiza o
humano fora do meio ambiente, sendo exterior a ele é espoliador e diabólico. Mas nem
sempre foi esta a posição desfrutada pelo humano na relação com o ambiente. Oliveira (2016)
indica que a natureza no século XVII “era tomada como entidade dadivosa fonte inesgotável a
ser explorada para o conforto e prosperidades de seus „filhos‟” (p. 194). Ali o homem era
usufrutuário de um bem, um ser de direito e não de dever. Contudo, os sismos da história se
incumbiram de realocar o humano na nova ordem do discurso ambiental.
O deslocamento da posição de usufrutuário para algoz é parte da trama que tece a rede
discursiva do chamado mundo natural. Se antes a natureza era dita como manancial, hoje, é
vista como santuário. Algo sagrado que precisa ser preservado, protegido, pois é boa e frágil.
Olhar para a história a partir desses deslocamentos faz ver não a emergência de uma verdade
sobre o ambiente, mas o que tornou possível a existência de determinados discursos ou
campos de saberes tidos como verdadeiros.

Os modos como enxergamos e nos relacionamos com a natureza são frutos


do momento histórico em que vivemos. Muitas vezes, não percebemos que
os nossos atos, as maneiras de narrar acontecimentos, os modos de vermos a
nós mesmos e aos outros, tudo isso são negociações que vamos
2
Disponível em: http://humanaenatura.blogspot.com.br/2014/07/homem-e-natureza-relacao-de-conflitos-e.html.
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estabelecendo diariamente com os significados que nos interpelam através da


cultura (GUIMARÃES, 2008, p. 87).

Neste sentido, enxergar a natureza dessa forma é pensá-la não como um território, mas
como construção histórica, fruto de atravessamentos produzidos ao longo do tempo. A figura
1, ao produzir o Homo destructus, faz aparecer um homem perigoso, nocivo à natureza, capaz
de ferí-la com seu machado/tridente. Neste rede, outras duas imagens contribuem para
compor a trama discursiva reativando enunciados que ganham força em artefatos midiáticos.

Figura 2. O animal mais perigoso do mundo3 e você não sabe com quem está se metendo4.

Os enunciados da figura 2 nos atravessam fortemente. Colocam-nos em posição


central na problemática ambiental: o homem é perigoso! Essas imagens fabricam um modo de
ver a natureza, que posiciona homem e natureza sempre em oposição. Neste sentido, tem-se
como efeito a ideia de que estamos diante de uma encruzilhada frente a qual nos resta optar
por um inferno humano ou um paraíso ambiental, já que é preciso afastar o perigo, e isso só
pode ser consumado com a exclusão homem e assim nos tornamos reféns como sujeitos
derivados desses discursos (VEIGA-NETO & LOPES, 2007, p. 91). Contudo, Fischer (2001)
nos convida ao exercício da dúvida, a questionar o que está dado. Será que só nos resta olhar
o homem como inimigo da natureza? Que espaços permanecem abertos para desnaturalizar
essas certezas? Como pensá-las como construção cambiante e desse mundo?

3
Disponível em: www.facebook.com.
4
Disponível em: http://www.ciencias.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=1905&evento=1#menu-
galeria.
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E ai? Não vamos fazer nada pra salvar o planeta?

O que vamos fazer para salvar o planeta da destruição? Diga-se de passagem do


homem! Existem várias prescrições do tipo: Vamos fazer a nossa parte! Não jogue lixo na
rua, não desperdice água, faça a diferença, etc. Há uma máxima, ou mais um enunciado entre
tantos outros que diz: As próximas gerações serão o resultado do que fizermos com o meio
ambiente hoje!! Outras duas imagens (figura 3) dão a ver o futuro previsto na máxima. Elas
são usadas para impactar, ou melhor, conscientizar acerca da importância de preservar o
ambiente para as gerações futuras.

Figura 3. Herança5 e O futuro do planeta está em nossas mãos6.

Esses enunciados, fazem parte de uma rede discursiva poderosa em defesa do meio
ambiente. O apelo à culpa e à responsabilidade geram efeitos que normatizam e legitimam
práticas, condutas, cuidados que devem ser tomados em relação ao ambiente, sob o risco de
não se ter futuro.
O que visualizamos como possibilidade de atualização em tais enunciações
reside justamente em indicar maneiras corretas de nos comportarmos, de
consumirmos enquanto sujeitos preocupados com o meio ambiente e com a
vida do Planeta. Não basta que sejamos interpelados pelo medo da
catástrofe, o objetivo é que tenhamos medo do que pode acontecer e que,
frente a isso, tomemos uma atitude responsável (GARRÉ & HENNING,
2014, p.433).

Ao aceitar o que é demandado pelas imagens e as informações sobre as consequências


dos problemas ambientais, somos enredados e passamos a falar em nome do que é melhor
para a natureza. Somos convidados a pensar, ver e dizer sobre os problemas, pois “o futuro do
5
Disponível em: https://jogadacerta.wordpress.com/category/charges/.
6
Disponível em: sites.google.com.
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planeta está em nossas mãos”. A estratégia biopolítica tal como pensada por Foucault (2005)
atua aqui ensinando modos de intervir e prevenir sobre o futuro do planeta, a fim de “salvá-
lo” da herança que lhe espera.

A nova tecnologia que se instala se dirige à multiplicidade dos homens, não


na medida em que eles se resumem em corpos, mas na medida em que ela
forma, ao contrário, uma massa global, afetada por processos de conjunto,
que são próprios da vida, que são processos como o nascimento, a morte, a
produção, a doença, etc. (FOUCAULT, 2005, p.289).

Agir para impedir que algo ponha a vida em perigo! Apelar para uma visão pessimista
do futuro e ao mesmo tempo nos responsabilizar pelo futuro ensinando como impedir a
destruição é uma forma potente de governar a vida e tirar dela a possibilidade de existir a seu
modo.

Conclusões precipitadas?

Mude seus hábitos! Consuma menos! Faça isso, não faça aquilo! Somos capazes de
salvar o planeta de alguma coisa que se chama destruição? O que é crucial nunca passa pelas
boas intenções. A intencionalidade sempre se diz porta voz da vida, mas o convite em defesa
da natureza talvez seja um imperativo arriscado. Movidos pelo interesse de
preservar/conservar, esquecemos que “a única coisa que se perpetua efetivamente na natureza
é a mudança (Veränderung). Mas a mudança não conserva nada, ela altera algo” (BORSCHE,
2011, 124). Deste modo, preservar o meio ambiente pode ser um bem digno de ser
ambicionado, mas não tem nenhum valor em si, pois, afinal, qual futuro não é duvidoso?
Quando se levanta questões acerca do que é destruído e acerca do que é ameaçado de
crescente destruição confrontamo-nos primeiramente com espanto e ausência de palavras e
em seguida com uma torrente de exemplos: A destruição da camada de ozônio, o aquecimento
global, a extinção em massa e várias outras coisas. Mas estes são apenas exemplos. Eles não
esclarecem e também não nos respondem nada. Qual o número de indivíduos de uma espécie?
Quantas espécies são necessárias para que possamos falar de uma natureza
preservada/conservada? O que nos move nessa vontade de preservar? Culpa! O homem se
sente endividado com a natureza. É mais ou menos assim: A culpa é sua que destrói a
natureza e a culpa minha que deixo isso acontecer. Nietszche já tinha dito que o homem tem
um modo de vida que o torna cúmplice daquilo que ele combate. Somos cúmplices do poder
que nos captura.
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Ao capturar estudantes através das imagens, ao conclamá-los à reflexão estamos


organizando o rebanho para acertar a “dívida” com a natureza e aliviar a “consciência”, tal
como o poder pastoral analisado por Foucault. Conduzir pessoas! Dizer como elas devem
viver! Um dia isso soará como comédia. E, tal como diria Fuganti, em vez de nos sentirmos
culpados, morreremos de tanto rir!

Referências

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FISCHER, R. M. B. Foucault revoluciona a pesquisa em educação? Perspectiva, v. 21, n. 2,
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FISCHER, R. M. B. Foucault e a análise do discurso em Educação. Caderno de Pesquisa, n.
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