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Valéria Regina Salla de Oliveira – RA 1701268

1oB - Direito Noturno


Interpretação e Aplicação das Normas Jurídicas

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO

No Direito, podemos entender princípios como um conjunto de ideias nas quais se


pautam a criação e interpretação das normas. Historicamente, sacerdotes e anciãos da Roma
antiga, baseavam suas decisões nos PRINCÍPIOS ditados pelos costumes (mores) da época.
Segundo definido por BRAGA, “os PRINCÍPIOS GERAIS são enunciados
normativos – de valor muitas vezes universal – que orientam a compreensão do
ordenamento jurídico no tocante à elaboração, aplicação, integração, alteração
(derrogação) ou supressão (ab-rogação) das normas. Representam o núcleo do sistema
legal. São, pois, as ideias de justiça, liberdade, igualdade, democracia, dignidade, etc., que
serviram, servem e poderão continuar servindo de alicerce para o edifício do Direito, em
permanente construção”.
De outra maneira, PAIVA descreve os princípios gerais como sendo “as regras que,
embora não estejam escritas, servem como mandamentos que informam e dão apoio ao
direito, utilizados como base para a criação e integração das normas jurídicas,
respaldados pelo ideal de justiça”.
Em síntese, eles têm o papel de orientar os legisladores e operadores jurídicos na
regulamentação das relações sociais e na aplicação das regras que integram o ordenamento
jurídico. Na criação das normas, os princípios devem ser observados para garantir que as
mesmas expressem os interesses públicos e do Estado; já no que tange à aplicabilidade das
normas, eles passam a atuar no sentido de garantir a legalidade da sua aplicação.

Os Princípios Gerais de Direito têm três funções:


a) Informadora, ou seja, servem de inspiração ao legislador e de fundamento para o
ordenamento jurídico;
b) Normativa, atuando como fonte supletiva, na ausência da lei, nesse caso
constituindo meio de integração do direito. Os princípios gerais de direito têm grande
importância no preenchimento das lacunas da lei, em face de seu caráter normativo à falta
de lei ou costume aplicável ao caso concreto.;
c) Interpretadora, para orientar o intérprete ou o julgador.

Embora tidos como normas não escritas, atualmente muitas das leis brasileiras os
trazem como normas positivadas (Ex: Constituição Federal, Código Civil, entre outras).
Esses possuem maior importância no Direito, pois adquirem status de qualquer norma legal,
ressaltando-se que os princípios constitucionais possuem maior relevância.
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), em seu art. 4º. rege
que, na lacuna da lei ou por sua obscuridade, os princípios gerais do direito devem ser
observados nas tomadas de decisões. Tal previsão também é dada por outras leis; art. 8º, da
CLT e art. 126, do CPC.
Contudo, segundo bem destaca BRAGA, os princípios a serem observados no
preenchimento de lacunas da lei devem ser os não-escritos, ou seja, não inscritos
textualmente no ordenamento jurídico: aqueles recém-surgidos, em forma de ideias e
reflexões dos juristas, sobre temas novos, que ainda não foram tutelados formalmente pelo
legislador.

São exemplos de princípios gerais que já foram positivados:


 Direito Constitucional:
o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza;
o Todos são inocentes até prova em contrário;
o Ninguém deverá ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude de lei;
o Aos acusados em geral devem ser assegurados o contraditório e a ampla
defesa;

 Direito Civil:

o Ninguém deve descumprir a lei alegando que não a conhece;


o Ninguém deve transferir ou transmitir mais direitos do que tem;
o Deve ser preservada a autonomia da instituição familiar;
o O dano causado por dolo ou culpa deve ser reparado;
o As obrigações contraídas devem ser cumpridas (pacta sunt servanda);
o A pessoa deve responder pelos próprios atos e não pelos atos alheios;
o Ninguém deve ser responsabilizado mais de uma vez pelo mesmo fato; entre
outros.
PAIVA ressalta que os princípios gerais de direito a serem considerados como a
última alternativa às lacunas legais não se confundem com os princípios constitucionais.
Os princípios constitucionais espelham categoria diversa e não podem ser confundidos com
os princípios que se prestam ao suprimento de omissões do legislador. Isto se justifica por
possuírem, os princípios constitucionais, força vinculante e serem na verdade o início, o
ponto de partida de qualquer atividade judicante, seja de interpretação, integração ou de
aplicação da lei.

Neste contexto conceituaremos, resumidamente, alguns dos princípios gerais do


direito, que segundo a visão de PAIVA, já se tornaram normas jurídicas, uma vez que estão
expressos na lei, ou seja, são normas positivadas.

1) Princípio do Devido Processo Legal

Garante a todos o direito a ter um processo com todas as etapas legais e todas as
garantias constitucionais. Se no processo não forem observadas as regras básicas, ele se
tornará nulo. É considerado o mais importante dos princípios constitucionais, pois dele
derivam todos os demais.

2) Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa

A ampla defesa é o princípio que garante a defesa no âmbito mais abrangente


possível. É a garantia de que a defesa é o mais legítimo dos direitos do homem. Contém
duas regras básicas: a possibilidade de se defender e a de recorrer. Pressupõe irrestrito
acesso aos autos do processo - judicial ou administrativo - e, sem exceção alguma, a todos
os documentos e informações nele contidos.
Contraditório é o direito que todos têm de poder argumentar e apresentar provas ao
órgão encarregado de decidir, antes que a decisão seja tomada. É o direito à manifestação.
Dessa forma, diante dos argumentos de uma parte, a outra precisa ser comunicada e ter a
oportunidade de se manifestar com argumentos contrários – daí o nome “contraditório”. É
o direito ao recurso, ou seja, todo acusado terá o direito de resposta contra a acusação que
lhe foi feita, utilizando, para tanto, todos os meios de defesa admitidos em direito.
É através do contraditório, que a parte pode exercer a defesa, devendo essa ser
ampla, plena, de modo a ser efetiva. Os dois princípios correm lado a lado de encontro à
verdade, tanto é que na própria lei, apenas se permite o seguimento da ação, se após citado,
o acusado não comparecer e não constituir patrono nos autos.
3) Princípio da Igualdade

Significa dar as mesmas oportunidades e os mesmos instrumentos processuais para


que possam fazer valer os seus direito e pretensões, ajuizando ação, deduzindo resposta etc.
As partes e os seus procuradores devem merecer tratamento igual, com ampla possibilidade
e oportunidade de fazer valer em juízo as suas alegações.

Dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e


desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades. É por essa razão que na
conceituação realista de isonomia, busca-se a igualdade proporcional.

4) Princípio da Presunção da Inocência

A presunção de inocência é uma das mais importantes garantias do acusado, pois


através dela este passa a ser sujeito de direitos dentro da própria relação processual, tendo
em vista que, até que se prove o contrário, o réu é presumidamente inocente.

Referências

______________ Direito.Net. Dicionário. Site. http://www.direitonet.com.br/dicionario

______________ JusBrasil. Site. https://www.jusbrasil.com.br


https://renatamtorres.jusbrasil.com.br/artigos/169576326/o-contraditorio-
e-a-ampla-defesa

BRAGA, W.F.L. Princípios Gerais do Direito. Disponível em:


<http://fdc.br/Arquivos/Artigos/14/PrincipiosGeraisDireito.pdf>; acesso em 13.03.17.

JESUS, P.R.R. Princípios Gerais do Direito. Disponível em:


<http://www.artigojus.com.br/2011/07/palavra-principio-e-utilizada-quando-se.html>;
acesso em 13.03.17.

PAIVA, E.A. Princípios Gerais de Direito e Princípios Constitucionais. Disponível em:


<http://www.emerj.tjrj.jus.br/serieaperfeicoamentodemagistrados/paginas/series/11/normati
vidadejuridica_51.pdf >; acesso em 13.03.17.
SOUZA, C.F.M. de. Princípios Gerais de Direito. Disponível em:
<http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/496884/RIL152.pdf?
sequence=8#page=97>; acesso em 13.03.17.