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EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA MINISTRA ROSA WEBER,

DIGNÍSSIMA RELATORA DO HABEAS CORPUS Nº 128.274.

MARIA CLÁUDIA DE SEIXAS, impetrante nos


autos do habeas corpus em que figuram como pacientes EDMUNDO ROCHA GORINI ,
MAURO SPONCHIADO E PAULO SATURNINO LORENZATO, qualificados nos autos em
epígrafe, não se conformando com a r. decisão monocrática que negou seguimento
ao writ, vem, respeitosamente, à ilustre presença de Vossa Excelência, com
fundamento no art. 1021 do Novo Código de Processo Civil, interpor AGRAVO
INTERNO, pelos com fundamento nos motivos explicitados a seguir.

Assim, para o caso de Vossa Excelência não


reconsiderar a r. decisão, desde já, apresenta-se as razões anexas.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Ribeirão Preto, 29 de abril de 2016.

MARIA CLÁUDIA DE SEIXAS


OAB/SP 88.552

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EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
COLENDA TURMA,
EMINENTE MINISTRO RELATOR,
DOUTO SUBPROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA.

DAS RAZÕES DE REFORMA DA R. DECISÃO AGRAVADA:

O presente agravo interno pretende a


reforma da decisão monocrática proferida pelada il. Ministra Relatora, que negou
seguimento ao habeas corpus.

Assim decidiu a eminente relatora


monocraticamente:

“(...) verifico que, em 22.09.2015, sobreveio julgamento de mérito do


RHC 50.334/SP, pelo desprovimento do recurso ordinário. A
superveniência de decisão definitiva pelo Superior Tribunal de Justiça
desafia nova impetração, acarretando, por conseguinte, a perda de objeto
do presente writ manejado contra indeferimento de liminar do RHC
50.334/SP(...) Ante o exposto, julgo prejudicado o presente habeas corpus
(art. 21, IX, do RISTF)(...)”

Ocorre que a r. decisão não merece


prosperar, sendo de rigor o provimento deste agravo e o regular processamento
do habeas corpus para que a col. Turma o julgue, como será demonstrado adiante.

Em que pesem os argumentos trazidos na r.


decisão agravada, não se torna razoável admitir a perda do objeto do writ por

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superveniência de decisão prolatada no RHC, diz-se não razoável, pois a mácula
que se tenta combater com o referido remédio constitucional ainda não foi extinta,
devendo a matéria ser apreciada por esta Corte.

Não se pode olvidar, ainda, que tão logo o


mérito do RHC foi julgado perante o col. STJ, foi devidamente juntado a este writ
o acórdão lá prolatado, tendo, portanto, a il. Ministra Relatora, bem como o d.
membro do parquet, ciência dos fundamentos utilizados pelo e. Superior Tribunal
de Justiça para negar o recurso constitucional.

Portanto, à luz da economia processual e da


celeridade no julgamento de questões de extrema relevância – que coloca em
cheque à liberdade dos pacientes ora agravantes - se demonstra perfeitamente
cabível que esta suprema Corte admita o presente habeas corpus e, por
consequência, leve para julgamento perante a que a col. Turma o julgue.
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Assim, da mesma maneira não se mostra


razoável e proporcional que haja um excesso de formalismo, contrário aos
princípios do Direito Penal.

Diz-se isso, pois se tal decisão se perpetuar,


será o mesmo que exigir que outro instrumento seja impetrado, com o mesmo
objeto, para seja julgado por esta mesma Corte, fazendo com que os pacientes ora
agravantes sofram com a já conhecida morosidade da prestação jurisdicional,
apenas por este writ estar, de certa maneira, vinculado ao RHC onde foi denegado
o pedido de liminar.

Igualmente, por tratar-se de tutela de


importante garantia fundamental do indivíduo – a liberdade de locomoção – o
judiciário deve atuar de forma que facilite ao jurisdicionado o acesso à justiça, o

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que claramente não se vislumbra na r. decisão atacada que, ao arrepio do citado
alhures, impõe barreiras à efetivação da tutela jurisdicional.
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E não é só.

Il. Ministros, não bastassem os demais


argumentos trazidos à baila, a perpetuar-se a decisão aqui agravada, o que se
admite apenas por amor ao debate, ter-se-á ferido de morte o princípio da
colegialidade e a cláusula geral do devido processo legal, princípios estes
constitucionalmente protegidos.

Ora, o fato de o writ não ter sido submetido a


julgamento pelo órgão fracionário solapou o direito de defesa dos agravantes, no
sentido de não poderem entregar memoriais e nem apresentarem sustentação oral
perante a e. Turma julgadora, o que permitiria que todos os Ministros pudessem,
efetivamente, conhecer a matéria julgada.

Assim, diante do exposto, em atenção à


violação ao princípio da colegialidade, bem como da economia processual e da
facilitação ao acesso à justiça, requer seja o presente Agravo Interno conhecido e
provido para que o colegiado analise e manifeste-se sobre o mérito contido no
habeas corpus impetrado, como medida de JUSTIÇA.

Termos em que,
Pede deferimento. Formatted: Indent: First line: 0"

Ribeirão Preto, 29 de abril de 2016.

MARIA CLÁUDIA DE SEIXAS

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OAB/SP 88.552