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Curso: Administração Pública

Docente: Biancca Scarpeline de Castro

Aula 01: Introdução ao Estudo do Estado.

Meta: Apresentar as principais instituições e formas de funcionamento do


Estado

Objetivos:
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz
de:

1. Aplicar o conceito de Estado


2. Diferenciar as Formas de Governo
3. Identificar as Formas de Estado, com destaque para a noção de
democratização da sociedade.
4. Distinguir os tipos de Estado: Unitário e Federativo
5. Reconhecer a estrutura institucional do Estado brasileiro: República
Federativa Democrática Presidencialista e os três poderes.
6. Conceituar políticas públicas

Introdução
Na sociedade contemporânea, há uma tendência em responsabilizar o
poder público pelas mazelas sofridas pela população, seja pelo fato do poder
público ter feito algo, ou por ter deixado de fazer algo. Assim, por exemplo,
quando há um aumento nos preços de alimentos o poder público é chamado
para conter ou explicar as razões da inflação.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/652078 Foto: nurettin kaya
Figura 1.1: Quando ocorre uma enchente, foi o Estado que não realizou
obras necessárias para evitar a catástrofe.

Quando uma ponte cai o Governo é responsabilizado por não ter cuidado
de sua manutenção. Ou seja, em uma série de situações diferentes o Estado é
tido como responsável por proteger e controlar a população. Ele ainda é o ator
que deve se articular e fiscalizar as empresas para que suas atividades não
sejam predatórias, bem como produzam resultados benéficos para a
sociedade. Deve, por fim, coordenar os agentes sociais, mantendo uma
convivência ordeira e estável entre todos os cidadãos.
Mas o que é o Estado? Quando surgiu? Quais são as suas instituições?
Quais são os tipos de estados existentes? Como funciona o estado no Brasil?
Essas são perguntas que esta aula pretende responder, problematizando
o Estado como uma instituição social que engloba uma série de atores, órgãos
e ações. Essa instituição será apresentada mais detalhadamente para que ela
possa ser desnaturalizada e para que seja possível compreender os diferentes
tipos existentes na sociedade.
Assim, o primeiro item da aula irá expor a origem do conceito e sua
delimitação. No segundo item serão apresentadas as formas de governo,
destacando a diferença entre monarquia e república e entre presidencialismo e
parlamentarismo. O terceiro item aborda as distintas formas de Estado,
enfocando a perspectiva histórica relacionada a elas. No quarto item serão
exibidos os contrastes entre Estados Unitários e Federativos, para em seguida
apresentar a estrutura específica do Estado Brasileiro, com foco nos três
poderes que o compõem. Por último, explicaremos o significado das políticas
públicas e sua relação com o processo político e com o quadro institucional do
Estado.

1. O significado de Estado
Foi Maquiavel, em sua obra “O príncipe” de 1513 que consolidou a
palavra “Estado”. Certamente, este autor não foi o primeiro a utilizar o termo,
mas o prestigio de sua obra impulsionou gradualmente a substituição de polis,
res publica, civitas por “Estado”.

Início Verbete
Maquiavel

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Santi_di_Tito_-
_Niccolo_Machiavelli%27s_portrait_headcrop.jpg Autor: Santi di Tito
Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) foi um historiador, poeta, diplomata e
músico italiano do Renascimento. Maquiavel desde cedo se interessou pelos
estudos. Estudou latim, ábaco e língua grega antiga.
Aos 29 anos de idade, ingressou na vida política, exercendo o cargo de
secretário da Segunda Chancelaria da República de Florença. Porém, com a
restauração da família Médici ao poder, Maquiavel foi afastado da vida pública.
Nesta época, passou a dedicar seu tempo e conhecimentos para a produção
de obras de análise política e social.
É reconhecido como fundador da ciência política moderna, pelo fato de ter
escrito sobre o Estado como realmente ele era e não como deveria ser.
Em 1513, escreveu sua obra mais importante “O Príncipe”. Nesta obra,
Maquiavel organizou uma espécie de manual político para governantes que
almejassem não apenas se manter no poder, mas ampliar suas conquistas
Aconselhou os governantes a manter o poder absoluto, mesmo que tivessem
que usar a força militar e fazer inimigos. Esta obra situava-se dentro do
contexto da unificação italiana.
Fim do verbete.

Desta forma, a organização de indivíduos em um território sobre a batuta


de um poder de comando passou a ser chamada de Estado.
Figura 1.2: A palavra Estado assumiu um significado mais genérico,
contendo em seu escopo uma série de espécies (como reinos, repúblicas,
Aristocracias e tiranias).

Contudo, existem discussões sobre a utilização do termo “Estado”. Alguns


teóricos argumentam que essa palavra só poderia ser utilizada para designar
formações sociais posteriores à idade média. Justificam essa acepção com o
argumento de que apenas neste período passaram a existir processos
característicos do Estado moderno, como a formação dos grandes territórios, a
concentração do poder e a monopolização de determinados serviços. Neste
sentido não se justificaria utilizar o termo para designar estruturas políticas
anteriores. Esses autores enfatizam as descontinuidades entre as instituições e
os períodos históricos, acreditando ser necessária uma nomenclatura distinta.
Já outro grupo de teóricos considera que há continuidades entre os
períodos pré-medievais e pós-medievais, o que viabilizaria a utilização
indistinta da palavra “Estado”, designando qualquer forma de ordenamento
político. O argumento principal relacionado à continuidade é à eficácia
descritiva e analítica dos escritos clássicos da política, que podem explicar
tanto formações sociais pré-medievais, quanto determinados aspectos da
sociedade contemporânea.
A despeito desta divergência teórica, é possível afirmar que não há certo
ou errado na tomada de decisão quanto a utilização específica do termo
“Estado”. Essa utilização depende do ponto de vista do analista e dos critérios
de oportunidade que ele empregará em sua pesquisa.
Desta maneira, apresentaremos aqui algumas definições simplificadas da
palavra “Estado” para que seja possível avançar em sua análise, sem nos
esquecer das controvérsias que se referem à sua utilização.
Alguns teóricos jurídicos definem “Estado” a partir do território, de uma
população e de sua soberania. Nesse caso, o Estado existiria no espaço limite
de aplicação das leis, que emanariam do poder soberano e deveriam ser
seguidas pelos cidadãos, vinculados àquele território.
Seria também pertinente definir o Estado como o conjunto de regras,
pessoas e organizações que se separam da sociedade para organizá-la.
A partir destas definições é possível destacar as principais diferenças
entre os Estados e as sociedades tradicionais.

VERBETE:
Sociedades Tradicionais
O termo sociedade tradicional é utilizado para designar aquelas
populações que estão ligadas pela tradição e cultura do local, de seus parentes
ou dos seus ancestrais. Geralmente, é utilizado para substituir as palavras
“indígena”, "nativo", "tribal”, "primitivo", que podem assumir significados
pejorativos.
Sendo muito abrangente, esse termo reúne populações que têm o seu
modo de vida associado à agricultura, à caça, à pesca e à produção de
manufaturas. Atualmente, há uma série de legislações no Brasil e no mundo
que utilizam essa classificação para conceder direitos a esses povos.
Fim do Verbete
Fonte:http://www.sxc.hu/photo/1203614 Foto: Krzysztof (Kriss)
Szkurlatowski
Figura 1.3: Apesar das sociedades tradicionais apresentarem diferentes
sistemas políticos, dificilmente estabelecem uma relação hierárquica entre seus
membros – separando claramente governantes e governados –, com estruturas
institucionais especializadas em sua administração.

Já o Estado moderno possui três características principais: o monopólio


da coerção física; uma dimensão legal, de elaboração e organização das
normas que regem a vida social; e uma dimensão administrativa, associada ao
cotidiano da gestão e organização das instituições públicas, com a função de
prestar serviços para a população.
A dimensão administrativa do Estado é denominada administração
pública. Trata-se de uma atividade concreta que busca oferecer bens e
serviços interessantes aos cidadãos. A administração pública é realizada em
todos os níveis de governo e em todos os seus órgãos, por pessoas
contratadas pelo Estado para operacionalizarem suas decisões.

Início Verbete
O termo “Governo” é mais restrito que “Estado”: se refere à função
administrativa deste último, ao comando direto e a fiscalização das leis.
“Governo” está mais relacionado ao poder executivo, não sendo impróprio,
porém, utilizá-lo com outros significados, como, por exemplo, quando quer se
enfatizar a gestão e a tomadas de decisão em certos órgãos.
Fim Verbete
Com o exposto, identificamos que a definição de Estado se estrutura a
partir das relações hierárquicas e de poder, como fatores distintivos. Isso
porque o elo político se refere a um vínculo específico entre governantes e
governados ou entre aqueles que têm o poder e aqueles que obedecem.
Nos primeiros estudos do Estado, o foco eram os governantes: os temas
se referiam à arte de bem governar, às características necessárias a um bom
governante, às diferentes formas de governo. Nesse caso, os governados eram
vistos como passivos, devendo obediência e submissão às decisões e ações
do Estado. Apenas no início da idade moderna o foco foi deslocado para os
governados. Esses últimos passaram a ter suas demandas, pressões e
interesses evidenciados nas análises empíricas e textos teóricos. A liberdade
do indivíduo frente aos poderes do Estado começou a ser defendida, bem
como os seus direitos. Assim, da perspectiva de que o cidadão deveria servir
ao Governo, foi introduzida a ideia de que o Governo é estabelecido para o
indivíduo.
Dado a importância das relações de poder quando se trata de analisar o
Estado é possível ainda perguntar quais são os limites de suas ações.
Como resposta, apontaremos o próprio povo e território do Estado.
Dificilmente um Estado irá interferir na soberania de outro sem que haja
conflitos, justamente porque o povo e o seu território são seus principais focos
de atuação e influencia.
Contudo, existem outros limites ao poder do Estado que são considerados
intransponíveis: o tempo e os limites materiais. Sobre o tempo, é possível
afirmar que ele é limitante, pois as normas e regras se referem a um período
específico do desenvolvimento social, não podendo ser utilizadas eternamente.
Já no que se trata dos limites materiais, destacam-se dois tipos principais:
• Aqueles que não são passíveis de serem submetidos a uma
regulamentação, como a impossibilidade do governante obrigar uma
maçã a cair para cima; e
• Matérias cujos limites são estabelecidos no próprio ordenamento
do Estado, como os direitos civis, que constituem certos espaços de
liberdade do indivíduo.
Caso esses limites sejam desrespeitados, as ações do Estado podem ser
consideradas ilegítimas.
Atividade 1
Leia o trecho da reportagem a seguir e responda:
Funai filma pela primeira vez tribo de índios que vive isolada na
Amazônia
Do UOL, em São Paulo 13/08/2013 13h33

Nove índios da tribo kawahiva andavam nus pela mata em Colniza, cidade
do Mato Grosso que fica próxima ao Amazonas, quando foram filmados pelo
sertanista Jair Candor. Os homens levavam arcos e flechas, indicando que são
os guerreiros do grupo, enquanto as mulheres carregavam alguns objetos e as
crianças.(...)
(...)
De acordo com a Funai, os kawahiva são nômades e vivem de caças e
comida da floresta, já que não cultivam agricultura. Quando as presas acabam,
eles mudam de acampamento. Eles dormem em uma esteira feita de folhas e
palhas e produzem poucos artefatos.

Para ler a reportagem completa, acesse:


http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/08/13/funai-
filma-uma-das-tribos-de-indios-que-viviam-isoladas-na-amazonia.htm

É possível afirmar que dentro desta comunidade há um Estado? É


possível afirmar que esta comunidade está subordinada a um Estado?

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2. As formas de Governo
Quando nos referimos às formas de governos abordamos a organização e
o funcionamento do poder estatal. Trata-se da forma como a comunidade
política estrutura o seu poder e estabelece a diferença entre governantes e
governados. Nesses casos, estamos abordando a separação dos poderes, as
relações dos vários órgãos políticos, o exercício limitado da ação estatal, ou os
diferentes sistemas de governo, como monarquia, aristocracia e democracia.

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/219617 Foto: Davide Guglielmo


Fonte: http://www.sxc.hu/photo/171561 Foto: Rodrigo Vieira
Figura 1.4: De acordo com Bobbio (1986) há muitas distinções entre
formas de governos, mas aquela que mais resistiu ao tempo foi a estabelecida
por Maquiavel: entre monarquia e república.

Quando os termos foram desenvolvidos, monarquia significava o governo


de apenas um individuo e república o governo por uma assembleia (muitos
indivíduos). Contudo, essas diferenças vêm perdendo atualidade, porque na
maioria dos países monarquistas, o rei passou a dividir o seu poder com um
parlamento, não podendo ser classificado como o governo de apenas um.
Desta forma, a distinção entre monarquia e república perde cada vez mais a
sua relevância.

Outro critério que se mostrou adequado para caracterizar as diferentes


formas de Governo é a separação dos poderes. Neste âmbito, ocorre uma
mudança no significado de república. Ela deixa de ser apenas a contraposição
à monarquia e passa a ser o governo de muitos com uma estrutura interna,
estabelecida a partir da distinção entre poderes.
As principais formas de organização interna do poder na república são
representadas pelos regimes presidencialista e parlamentarista.

O quadro 1.1 apresenta as principais distinções entre as formas de


governo presidencialista e parlamentarista:
Quadro 1.1: Diferenças entre Presidencialismo e Parlamentarismo.
Presidencialismo Parlamentarismo
Três poderes (o Executivo, o Todo o poder concentra-se no
Legislativo e o Judiciário) separados, Parlamento, que é, de fato, o único
independentes e harmônicos. Fica ao poder.
cargo do presidente apenas a função
governamental (o Executivo).
O chefe de Estado (que Distingue-se o chefe de Estado
simboliza a Nação, representa a do chefe do governo. O chefe de
personificação do Estado e sua Estado apenas simboliza a Nação,
legitimidade) e o chefe de governo mas não tem poderes administrativos.
(que dirige a administração do país, O chefe do governo é quem governa e
gerencia o território) são a mesma administra. Ele é escolhido pelo
pessoa: o presidente. Parlamento, que pode destituí-lo.
O presidente e os parlamentares O Parlamento, bem como o
são escolhidos por meio de eleições executivo podem ser desfeitos a
para um período de tempo fixo e qualquer momento. E novas eleições
determinado – mandato garantido serão chamadas. Geralmente, não
durante esse prazo. Ao chefe do são realizadas eleições diretas e há
executivo é devida a obediência por uma responsabilidade do Governo
parte dos integrantes do seu governo. perante o parlamento, estabelecida
através do voto de confiança ou de
desconfiança.
O Legislativo pode ser exercido A Constituição não é rígida: se
apenas pela Câmara dos Deputados uma lei for considerada
(sistema unicameral) ou por duas inconstitucional, o Parlamento
casas, a Câmara e o Senado (sistema simplesmente altera a Constituição.
bicameral).
Exemplo: Brasil, Estados Exemplos: Reino Unido, Canadá,
Unidos, Argentina. Japão.
No entanto, existem diferentes formas de governo, para além do
presidencialismo e do parlamentarismo, que contêm aspectos e características
de ambos.

Início boxe multimídia


No Brasil, em 1993, foi realizado um plebiscito que escolheu o
presidencialismo como forma de governo. A República foi escolhida por 44,26
milhões de eleitores (66,06%), em contraposição à Monarquia que teve apenas
6,84 milhões de votos (10,21%). Já o presidencialismo recebeu 55,45%, contra
24,65% dos votos no parlamentarismo. Para saber mais, acesse:
http://www.educacional.com.br/reportagens/eleicoes2002/presidencialismo.asp
fim boxe multimídia

3. Formas de Estado
Por formas de Estado é possível compreender a maneira pela qual o
Estado organiza seu território, sua população e a sua estrutura administrativa.
Há diferentes formas de Estado que podem ser classificados a partir de
diversos critérios. Contudo, uma das classificações mais bem aceitas é aquela
proposta por Bobbio (1986) estabelecida a partir de critérios históricos. Trata-se
da divisão entre:
- Estado feudal,
- Estado estamental,
- Estado absoluto e
- Estado representativo.
Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cleric-Knight-Workman.jpg
Foto: Leinad-Z
Figura 1.5: O Estado feudal é caracterizado por uma fragmentação do
poder central e pela concentração das funções diretivas nas mãos de cada
senhor feudal.

No Estado Feudal o poder central era fragmentado em vários feudos, que


se tratavam de terras concedidas de um suserano (rei) a um vassalo (senhor
feudal). Os vassalos cuidavam das terras como se fossem suas e, em contra
partida, ofereciam lealdade e ajuda militar ao suserano. As terras concedidas
aos vassalos, por sua vez, poderiam ser utilizadas pelos servos, que deviam
respeito, fidelidade e parte do que produziam aos vassalos. Essas relações
eram marcadamente personalistas, ou seja, os indivíduos não apenas se
conheciam, como deviam deferência e honradez ao outro. No Estado feudal
havia também uma organização administrativa bastante burocratizada, com
uma considerável especialização das funções e poderes dos envolvidos.
O Estado feudal distingue-se do estamental, pois este último transforma
as relações personalizadas, características do feudalismo, em relações
institucionais dos aristocratas contra o rei, ou seja, em relações de apoio e
conflitos deflagradas e ensejados dentro da estrutura do Estado.
Os estamentos são formas de Estados compostas por grupos de
interesses que se contrapõem ao poder central para atingir os seus objetivos.
Esses grupos se organizavam na forma de parlamento e funcionavam por meio
de assembleias deliberantes. Não se tratavam de conflitos entre indivíduos que
deviam consideração ou que tinham obrigações com outros, e sim de uma
organização Estatal em que grupos com interesses específicos são postos a
negociar e decidir sobre as regras e normas sociais.
O Estado absoluto se forma a partir da concentração e centralização de
poder nas mãos do monarca. Esse último passa a comandar a sociedade de
forma independente, sem estar subordinado ou ter que negociar com qualquer
outro grupo de interesse. Nesse tipo de Estado, o rei geralmente acumula em si
os três poderes do constitucionalismo moderno – o poder legislativo, o
executivo e o judiciário.
É sempre difícil estabelecer um limite rígido entre Estado estamental e a
monarquia absolutista, porque nenhum reinado absolutista chegou realmente a
suprimir toda forma de poder intermediário. Em outras palavras, por mais poder
que o rei possa ter, ele necessita de uma base de apoio para sua manutenção
no Estado, caso contrário, ele corre o risco de ser deposto. Porém, mesmo com
a dificuldade de estabelecer uma fronteira específica entre Estado estamental e
monarquia absolutista, é possível identificar um constante conflito de interesses
na primeira forma de estado, que tende a ser refreado com a monarquia.

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1397503 Foto: Aureliy Movila


Figura 1.6: Na monarquia absolutista ocorre uma concentração dos
processos decisórios e legais nas mãos do monarca, bem como uma
submissão de ordenamentos jurídicos ou administrativos, que só sobrevivem
pela batuta centralizadora do poder real.

O Estado representativo se define, em um primeiro momento, como um


compromisso de compartilhamento do poder entre o monarca e os
representantes da burguesia. Em um segundo momento, se refere à
consideração dos interesses do povo, principalmente a partir do
estabelecimento de consensos.
Esse último Estado se diferencia do estamental, pois a representação de
grupos de interesses cede espaço para a representação singular de cada
indivíduo, que têm os seus direitos políticos ampliados, juntamente com os
direitos humanos.
Desta maneira, a igualdade natural do humano se torna o postulado ético
da democracia representativa.
Com a ampliação do sistema representativo emergiram novos atores no
jogo político: os partidos. Esses foram formados por coligações políticas
regidas por interesses comuns, para minimizar a dificuldade de o Estado
atender aos indivíduos singulares. No regime democrático representativo, os
eleitores escolhem um partido que irá representar e defender seus interesses.
A definição e explicação a respeito do Estado representativo não
encerram as inúmeras possibilidades de organização estatal. Pelo contrário, é
possível ainda observar na comunidade internacional formas de Estado que
fogem à tipologia apresentada, como é o caso das ditaduras militares, governos
despóticos, Estados de desenvolvimento recente governados por oligarquias e
Estados socialistas. Contudo, em geral, mesmo estes Estados têm em suas
constituições o modelo democrático representativo como ideal. Nesse caso,
seus governantes afirmam que esse é o modelo que deve ser instituído, mas
apontam a necessidade de restringi-lo “temporariamente” para alcançá-lo –
assim manteriam a ordem e superariam qualquer disposição contrária a seu
estabelecimento. Esses Estados apresentam a restrição da democracia
representativa como algo temporário.
Ao tratar da democracia é interessante que se explique ao que o termo se
refere: “Democracia” é um regime de governo no qual o poder político é
exercido pelo povo.
Durante muito tempo a democracia foi considerada ultrapassada, ligada
aos antigos gregos e romanos. Para Maquiavel, por exemplo, o povo não era
nada sem o seu soberano, sendo a Monarquia constitucional o melhor modelo
de governo.
Durante a formação dos grandes Estados territoriais, no início do período
moderno (século XIV), a democracia era vista como um sistema de governo
que só funcionaria nos pequenos estados. Nesta visão o monarca deveria
continuar centralizando as funções nos Estados.

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1055636 Foto: S Braswell


Figura 1.7: Entretanto, neste período, formava-se um grande Estado
democrático, os Estados Unidos, que contrariava os prenúncios dos escritores
políticos da época.

A democracia rejeitada e combatida na época era a direta, ou seja, a


democracia em que cada indivíduo singular poderia ter voz nas decisões e
ações do governo – o que parecia ser turbulento, moroso e conflituoso. Por
outro lado, a forma aceitável, inclusive instaurada nos Estados Unidos, era a
democracia representativa, em que cada indivíduo escolheria representantes
que defenderiam seus interesses na república. Essa última forma de
democracia criaria órgão e atores intermediários entre o povo e o governo - os
partidos e associações –, que facilitariam a aplicação do regime em territórios
vastos com uma população numerosa.
A partir do século XIX até a Primeira Guerra Mundial o sistema
democrático representativo foi aos poucos sendo implementado nos principais
países Europeus. Junto com a democracia sobrevinha o fim da monarquia e o
inicio das repúblicas, tornando eletivos os cargos de chefe do executivo e dos
parlamentares. Além disso, houve a ampliação do sufrágio universal e a
importância política dos partidos de massa.

início verbete
Sufrágio universal
O sufrágio universal é a possibilidade de todos os cidadãos de um país,
estado ou município, escolherem seus representantes políticos. Nesse caso,
independentemente do fato de se tratar de uma mulher, de um pobre ou de um
analfabeto. Todos, acima de certa idade, que varia de país para país, teriam a
possibilidade de votar, exercendo seu direito de participação e escolha política.
fim verbete

De qualquer maneira, a ideia da democracia direta não esvaeceu por


completo, pelo contrario, com a ampliação da democracia representativa sua
importância foi reafirmada por diferentes teóricos. Além disso, alguns de seus
processos foram preservados em diferentes constituições, como o plebiscito, o
governo por assembleias, entre outros.
Na sociedade contemporânea há uma ampliação da democracia através
da integração entre sistema representativo e direto, e também através da
expansão do ambiente democrático. Isso significa que a democracia não se
restringe mais ao ambiente político tradicional, como assembleias legislativas,
governo executivo, associações e partidos. A democracia foi ampliada para os
espaços cotidianos e sociais, como escolas, empresas, clubes, entre outros.
Nesses casos o cidadão considera a própria sociedade como espaço político e
busca expandir sua possibilidade de participar e tomar decisões sobre seu
funcionamento.
Assim, o que vem ocorrendo em diferentes Estados atualmente é a
democratização da sociedade, em que além da ampliação do direito ao voto e
da instituição de mecanismos de democracia direta, vêm se consolidando uma
série de espaços de participação que não necessariamente se referem ao
Governo, mas sim as operações cotidianas da sociedade.

Atividade 2
Explique o que você entende da expressão “democratização da
sociedade” e aponte dois exemplos.
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4. Tipos de Estado
É possível apontar dois tipos distintos de Estado: o Unitário e o
Federativo.
O Estado Unitário é aquele organizado por um governo central. Esse
Estado pode contar com diferentes unidades subnacionais (como municípios,
províncias ou Estados), mas estes têm apenas funções administrativas, sem
autonomia política. Nesses casos, o governo central tem a prerrogativa de
retirar-lhes o poder quando considerar necessário e as unidades subordinadas
não poderão questionar tal decisão.
Como exemplo de Estado Unitário é possível citar a China: país formado
por um governo central com autoridade direta sobre as províncias. O Uruguai
também é um Estado Unitário, mesmo tratando-se de uma república
democrática representativa, com um sistema presidencial. Neste país, justiça,
educação, saúde, segurança e política são organizadas e administradas pelo
Governo central.
O Estado federativo é aquele composto por distintas unidades
subnacionais com autonomia política e possibilidade de estabelecer seus
próprios interesses. Essas unidades subnacionais são unidas por um acordo
federativo e regidas por uma constituição que lhes atribui responsabilidades e
direitos que não podem ser revogados pelo governo central. Como exemplos
de Estados federativos destacam-se os Estados Unidos e a Malásia – ambos
compostos por 13 Estados independentes.
Atividade 3
Aponte o tipo de Estado do Brasil, explique as razões para sua resposta.
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5. Brasil
O Brasil é uma federação, formada por três níveis autônomos de governo,
em que se destacam a União (ou governo central), 26 Estados, Distrito Federal
e aproximadamente 5.565 municípios. O país é regido por uma Constituição
Federal escrita, complementada por legislações Estaduais e leis orgânicas
municipais.

início boxe multimídia


Para saber mais sobre a evolução do marco legal da criação de
municípios no Brasil, acesse:
ftp://geoftp.ibge.gov.br/organizacao_territorial/divisao_territorial/evolucao_da_di
visao_territorial_do_brasil_1872_2010/evolucao_do_marco_legal_da_criacao_
de_municipios_no_brasil.pdf
fim boxe multimídia

Trata-se de uma república democrática representativa em que seus


dirigentes são escolhidos através de eleições populares: periodicamente
ocorrem eleições para Presidente, governadores, prefeitos, vereadores,
senadores e deputados federais e estaduais. O voto no Brasil é obrigatório para
todos os cidadãos acima de 18 anos, e facultativo aos analfabetos, maiores de
70 anos, ou entre aqueles que tenham entre 16 e 17 anos.
Fonte: http://www.tse.jus.br/imagens/imagens/campanha-voto-eleitor-
jovem-em-17-10-2013/image_destaque_interno Foto: TSE
Figura 1.8: Campanha do Tribunal Superior Eleitoral incentivando os
cidadãos de 16 e 17 anos a tirar seu título de eleitor.

O Estado republicano representativo conta com três poderes, que


estabelecem a organização e o comando da comunidade nos três níveis
federativos: o executivo, o legislativo e o judiciário.
Esses três poderes atuam em conjunto, mas ao mesmo tempo fiscalizam
e orientam as atividades de um e outro. O legislativo define e elabora as leis
que devem ser seguidas pela sociedade. O Executivo implementa e fiscaliza a
execução das leis, promove as políticas públicas, arrecada e define a utilização
do dinheiro público para que serviços e produtos estejam disponíveis para a
sociedade. O Judiciário tem a função de julgar as infrações e a correta
aplicação das leis.
A partir de agora será apresentado cada um dos três poderes vigentes no
Brasil, com suas principais características e instituições.

5.1 Poder executivo:


O Brasil é um governo presidencialista e, portanto, conta com um
presidente que é, ao mesmo tempo, chefe do governo e chefe do Estado.
Neste último papel o presidente representa o país frente outras nações e
mantem acordos internacionais. Como chefe do governo tem o controle das
forças armadas, a prerrogativa de propor e implementar políticas públicas,
fiscalizar e executar as leis e gerenciar a administração pública. O presidente
da república pode nomear livremente ministros que vão auxiliá-lo nas suas
atribuições. A quantidade de ministérios pode variar de um mandato para o
outro, de acordo com os interesses e necessidades do Presidente eleito.
Atualmente (setembro de 2013), o Governo Federal Brasileiro conta com
uma estrutura composta por Ministérios, secretarias e gabinetes.

Tabela 1.1: Estrutura institucional de apoio ao presidente da república no


Brasil em 2013:

Ministérios, secretarias e Web site


gabinetes
Advocacia-Geral da União http://www.agu.gov.br
Banco Central do Brasil http://www.bcb.gov.br
Casa Civil da Presidência da http://www.casacivil.gov.br
República
Controladoria Geral da União http://www.cgu.gov.br
Gabinete de Segurança http://www.gsi.gov.br
Institucional da Presidência da
República
Ministério da Agricultura, http://www.agricultura.gov.br
Pecuária e Abastecimento
Ministério da Ciência, Tecnologia http://mct.gov.br
e Inovação
Ministério da Cultura http://www.cultura.gov.br
Ministério da Defesa http://www.defesa.gov.br
Ministério da Educação http://www.mec.gov.br
Ministério da Fazenda http://www.fazenda.gov.br
Ministério da Integração http://www.integracao.gov.br
Nacional
Ministério da Justiça http://portal.mj.gov.br
Ministério da Pesca e http://www.mpa.gov.br
Aquicultura
Ministério da Previdência Social http://www.previdencia.gov.br
Ministério da Saúde http://www.saude.gov.br
Ministério das Cidades http://www.cidades.gov.br
Ministério das Comunicações http://www.mc.gov.br
Ministério das Relações http://www.itamaraty.gov.br
Exteriores
Ministério de Minas e Energia http://www.mme.gov.br
Ministério do Desenvolvimento http://www.mda.gov.br
Agrário
Ministério do Desenvolvimento http://www.mds.gov.br
Social e Combate à Fome
Ministério do Desenvolvimento, http://www.mdic.gov.br
Indústria e Comércio Exterior
Ministério do Esporte http://www.esporte.gov.br
Ministério do Meio Ambiente http://www.mma.gov.br
Ministério do Planejamento http://www.planejamento.gov.br
Orçamento e Gestão
Ministério do Trabalho e http://www.mte.gov.br
Emprego
Ministério do Turismo http://www.turismo.gov.br
Ministério dos Transportes http://www.transportes.gov.br
Secretaria da Micro e Pequena
Empresa
Secretaria de Assuntos http://www.sae.gov.br
Estratégicos da Presidência da
República
Secretaria de Aviação Civil da http://www.aviacaocivil.gov.br/
Presidência da República
Secretaria de Comunicação http://www.secom.gov.br
Social da Presidência da República
Secretaria de Direitos Humanos http://www.direitoshumanos.gov.br
da Presidência da República
Secretaria de Políticas de http://www.portaldaigualdade.gov.
Promoção da Igualdade Racial da br
Presidência da República
Secretaria de Políticas para as http://www.spm.gov.br/
Mulheres da Presidência da
República
Secretaria de Portos da http://www.portosdobrasil.gov.br
Presidência da República
Secretaria de Relações http://www.relacoesinstitucionais.
Institucionais da Presidência da gov.br
República
Secretaria-Geral da Presidência http://www.secretariageral.gov.br
da República

Apesar do presidente da república ter a competência de decidir livremente


o nome do responsável pela chefia de cada um desses órgãos, ele geralmente
respeita os seus acordos de coligação política e interesses partidários para que
seja possível estabelecer um governo mais estável e gerenciável.
No âmbito Estadual e Municipal também é possível destacar o papel do
Governador e Prefeito como chefes do executivo, eleitos pelo povo. Esses têm
funções similares a do presidente da república, como a proposição e
implementação das políticas e gerenciamento da administração pública. No
entanto, uma série de competências e parte de sua dotação orçamentária já
estão descritas na constituição federal. Também contam com secretários
estaduais e municipais que os auxiliam nas atividades de gestão. Esses
secretários são nomeados livremente pelo chefe do executivo e o número de
secretarias varia de acordo com as necessidades do Estado ou município.

5.2 Poder legislativo


O poder legislativo tem a função de elaborar as leis e normas do país,
Estados e municípios. Presente em cada um desses entes federativos, cada
câmara legislativa tem características específicas.
No caso do Governo federal o poder legislativo é exercido no Congresso
Nacional, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. A Câmara dos
deputados conta com 513 representantes do povo, com mandatos de quatro
anos, estabelecidos por eleições proporcionais realizadas nos Estados ou
Distrito Federal. O número de Deputados Federais de cada Estado é
proporcional ao seu número de habitantes, variando entre 08 e 70
representantes.

Início Boxe explicativo


Eleições proporcionais x majoritárias.
No sistema eleitoral majoritário o vitorioso é eleito por maioria absoluta.
Isso significa que aquele que receber o maior número de votos validos terá
direito ao cargo.
No sistema proporcional a votação total do partido tem influencia na
possibilidade do candidato se eleger. O objetivo desse sistema é ser
proporcional a todas as linhas ideológicas presentes na sociedade.
Para conseguir entender como funcionam as eleições no sistema de
votação proporcional, primeiramente deve-se conhecer quantas vagas para
deputado Federal cada Estado tem direito na Câmara dos deputados: esse
número é determinado pelo número de habitantes do Estado em questão.
A Câmara deve contar com 513 deputados Federais e cada Estado pode
ter no mínimo 08 e no máximo 70 representantes. Com base na atualização
estatística demográfica das unidades da Federação fornecida pela Fundação
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano anterior às
eleições, divide-se proporcionalmente o número de vagas disponíveis com o
número de habitantes de cada Estado.
Tendo sido determinado o número de deputados que cada Estado tem
direito, deve-se calcular o quociente eleitoral.
O quociente eleitoral é determinado pela divisão do número de votos
válidos pelo número de vagas que o Estado tem direito na Câmara.
Exemplo: O Estado do Rio de Janeiro, nas eleições de 2010, tinha 46
vagas na Câmara dos Deputados e contou com 8.009.950 votos válidos.
8.009.950/ 46 = 174.129 é o quociente eleitoral, ou seja, o número mínimo de
votos que um partido deve ter se quiser eleger um deputado.
Após conhecer o quociente eleitoral, deve-se apontar o quociente
partidário (o número de candidatos que cada partido poderá eleger).
Para determinar o quociente partidário, deve-se dividir o número de votos
obtidos pelo partido ou coligação pelo quociente eleitoral.
Exemplo: Suponha que um partido carioca tenha recebido 569.939 votos
válidos. Para conhecer o quociente partidário devemos realizar a seguinte
operação: 569.939/ 174.129 (quociente eleitoral) = 3,27. Isso significa que o
partido carioca terá chance de eleger 03 deputados Federais.
No sistema proporcional nem sempre os candidatos que são bem votados
são eleitos, pois seus partidos podem não ter atingido o quociente eleitoral
necessário para colocar alguém no cargo. Em contraposição, os votos de um
candidato que foi muito votado e que excedem o quociente eleitoral, podem
colocar outros políticos de seu partido nas vagas de deputados federais,
mesmo que esses últimos não tenham recebido votos suficientes.
Fim do Box

O Senado é composto por 81 políticos, sendo 03 representantes de cada


Estado e Distrito Federal, eleitos por votos majoritários, para mandatos de 08
anos. As eleições de renovação do quadro do Senado são realizadas a cada
quatro anos, porém o número de senadores que são eleitos em cada período
eleitoral varia entre 1/3 e 2/3 dos representantes.
Além do Senado e da Câmara dos deputados, o congresso nacional é
composto pelo Tribunal de Contas da União, responsável pelas atividades de
controle e fiscalização das atividades dos órgãos do governo.
A tabela abaixo apresenta as diferenças entre os agentes e
funcionamento da Câmara dos deputados e do Senado federal

Tabela 1.2: Diferenças entre Câmara dos deputados e do Senado federal


Câmara Senado Federal
deputados
Número de 513 81
representantes
Representantes Do povo Dos estados e
Distrito Federal
Representação Proporcional Paritário (3 por
(limites de 8 e 70) Estado)
Sistema eleitoral Proporcional Majoritário
Duração do Mandato 4 anos 8 anos
Fonte: Costin, 2010.

As esferas Estaduais e Municipais também contam com o poder


legislativo. Nos Estados, o legislativo é exercido pelos deputados Estaduais nas
Assembleias legislativas. Os municípios contam com as Câmaras, compostas
por vereadores eleitos pelo povo a partir do sistema majoritário. O número de
deputados Estaduais e de vereadores de cada Estado e Município estão
relacionados com o número de habitantes residentes nos mesmos e os seus
salários são definidos na constituição federal.

5.3 Judiciário
O poder judiciário é responsável pela resolução de conflitos e pode agir,
mediante a provocação, buscando efetuar a correta aplicação das leis. Isso
significa que o poder judiciário só pode agir quando uma das partes
interessadas no processo invoca a justiça por meio de um processo oficial. O
judiciário delibera sobre a ação a partir da constituição federal e outras
legislações estaduais e municipais, sendo que todos os cidadãos tem o direito
de acessar a justiça.
O poder judiciário conta com uma série de órgãos, tribunais temáticos
especializados e Estaduais, além de juízes (que também são considerados
órgãos).
O organograma a seguir apresenta a estrutura do poder judiciário no
Brasil.
ilustração: favor redesenhar: Link da imagem:
http://advogadosnainternet.blogspot.com.br/
Figura 1.9: Estrutura do poder judiciário no Brasil

O órgão máximo da justiça no Brasil é o Supremo Tribunal Federal. Esse


tribunal é composto por 11 Ministros escolhidos pelo presidente da república
com a aprovação do Senado. O Supremo Tribunal tem a função de proteger a
constituição, julgar ações contra políticos eleitos, definir sobre litígios entre os
entes da União e Estados estrangeiros, e deliberar em última instância sobre
decisões que se referem ao estabelecido na constituição.
O Conselho Nacional de Justiça foi criado em 2004, com o intuito de
aperfeiçoar o trabalho do sistema judiciário brasileiro, principalmente no que diz
respeito ao controle e à transparência administrativa e processual. Ele é
composto por 15 membros, presididos por um ministro do Supremo Tribunal
Federal. Dentre os seus integrantes, com mandatos de dois anos, participam
também dois advogados e dois cidadãos, indicados pela Câmara dos
Deputados e pelo Senado.
Os crimes comuns são julgados nos tribunais de justiça, sendo o Superior
Tribunal de Justiça composto por 33 Ministros nomeados pelo presidente da
república e aprovados pelo Senado Federal. Já os Tribunais Regionais
Federais são compostos por no mínimo 07 juízes.
Os tribunais especializados tratam de assuntos relativos às eleições, ao
direito do trabalho e militares.
Dentro do sistema judicial brasileiro, mas como órgão distinto, encontra-se
o Ministério público. Essa instituição não precisa ser provocada para atuar em
prol da concretização e defesa dos direitos. Esse órgão, criado pela
constituição de 1988, tem entre seus artigos 127 e 130 suas normas de
funcionamento e atuação.
O Ministério público não é subordinado a qualquer um dos poderes, mas,
como foi dito, mantem uma similitude com o poder Judiciário. Possui como
funções a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis. Ele pode ser considerado como o fiscal da
lei e o defensor do povo.
É possível mencionar a existência do Ministério Público da União e dos
Estados, sendo que o primeiro compreende:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
O Ministério Público da União tem como chefe o Procurador-Geral da
República, nomeado pelo Presidente da República, após a aprovação do
Senado Federal, para mandato de dois anos. Já os Ministérios Públicos dos
Estados e o do Distrito Federal e Territórios serão formados através de lista
tríplice dentre os integrantes da carreira jurídica, nomeado pelo Governador de
Estado, para mandato de dois anos, permitida uma recondução.
O Ministério público pode agir através dos seguintes instrumentos:
a) promover ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de
constitucionalidade;
b) promover representação para intervenção federal nos Estados e
Distrito Federal;
c) promover mandado de injunção;
d) promover inquérito civil e ação civil pública para proteger: direitos
constitucionais, patrimônio público e social, meio ambiente, patrimônio cultural
e outros;
e) expedir recomendações, visando à melhoria dos serviços públicos e de
relevância pública; entre outros.
Dentre as instituições que compõem o Estado Brasileiro é ainda possível
destacar a administração pública. Trata-se do conjunto de órgãos, funcionários
e procedimentos utilizados pelos três poderes para realizar as funções
administrativas e econômicas do Estado, além dos papéis que a sociedade lhe
atribui.
A administração pública está presente em todos os entes federativos, mas
os princípios que a regem e sua estruturação são os mesmos nos três níveis
de Governo. Seus membros devem obedecer aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Atividade 4
Brasil: República Federativa Democrática Presidencialista. Explique essa
sentença.
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6. Ação do Estado
De acordo com Bobbio, historicamente os primeiros estudos sobre o
Estado estavam relacionados à história das instituições políticas e à histórica
das doutrinas políticas, que apesar de estarem associados, são pontos de
partidas diferentes para o estudo do objeto.
No que se refere à história das instituições políticas a preocupação se
voltava, por exemplo, para a história do congresso ou do parlamento de algum
Estado. No caso das doutrinas políticas, o foco é pensamento do autor que
propôs uma teoria política.
Paralelamente ao desenvolvimento das abordagens históricas das
instituições e doutrinas, foram iniciadas as análises do Estado como
organização jurídica. A análise jurídica foi importante para apontar as normas e
os limites das relações entre governantes e governados.
Para além da história e do direito, o Estado gradualmente passou a ser
estudado em si mesmo, em suas estruturas, funções e mecanismos. Mais
recentemente esses estudos ganharam adeptos e o status de disciplina, com o
objetivo de se compreender e melhorar as ações do Estado. Trata-se do campo
disciplinar das políticas públicas.
O nascimento das políticas públicas enquanto área de conhecimento e
disciplina acadêmica tem direta relação com a consolidação da administração
pública. Esta última buscava a especialização e profissionalização dos
servidores públicos, intentando afastar práticas patrimonialistas e racionalizar
as ações governamentais, ou seja, procurava separar a política da
administração a partir da aplicação de métodos científicos na gestão do
Estado.
Juntamente com a proposta de racionalização do serviço público passou-
se a buscar a racionalização das ações do Estado, com o pressuposto de que
as decisões e atividades governamentais são passíveis de ser formuladas
cientificamente e analisadas por pesquisadores independentes.
Na área do governo propriamente dito, a introdução da política pública
como ferramenta das decisões do Estado foi produto da Guerra Fria e da
necessidade de utilizar de maneira eficiente os recursos escassos. A partir
deste período a tecnocracia e a aplicação de métodos científicos às
formulações e às decisões do governo foram valorizadas.
Contudo, não é possível imaginar que as políticas públicas sejam
independentes da estrutura institucional e dos processos existentes dentro do
Estado.
No que se refere à estrutura, é possível citar os órgãos e as instituições
que compõem o Estado. Na língua inglesa essa dimensão é chamada de
“polity”, estabelecendo uma definição precisa do aspecto que se quer abordar.
Há ainda a dimensão dos processos políticos, em que atores com
interesses distintos buscam impor seus objetivos e decisões no Estado. Esse é
um aspecto profundamente estudado e amplamente abordado nas ciências
políticas e em língua inglesa é denominado de “politics”.
Quando se trata das políticas públicas (em inglês “policy”) são analisados
os conteúdos concretos, a configuração dos programas políticos, os problemas
técnicos e materiais das ações do Estado. Entretanto, essas ações concretas
do Estado dependem do quadro institucional e dos conflitos engendrados pelos
atores políticos.
As três dimensões em questão estão intrinsecamente relacionadas, de
forma que não é possível pensar em uma ação do Estado sem relacioná-la aos
processos políticos e às dimensões institucionais que as estabeleceram. Por
exemplo, um Estado Unitário pode ter uma maior facilidade do que um Estado
Federativo em impor uma decisão política em suas diferentes unidades
administrativas. Da mesma maneira, um Estado multipartidário pode ter que
estabelecer maiores concessões em prol de um acordo político do que um
Estado ditatorial.
No entanto, a despeito de se tratarem de dimensões entrelaçadas, sua
separação pode ser realizada com o intuito de facilitar o trabalho do cientista.
Ou seja, a fragmentação das diferentes dimensões pode ser realizada
analiticamente para iluminar um dos seus aspectos, mantendo as outras como
variáveis dependentes ou independentes.

Figura 1.10: Dimensões relacionadas: quadro institucional, processo


político e Políticas públicas.
Mas o que são as políticas públicas?
Não é possível apontar uma única resposta para esta pergunta, pois os
estudos de políticas públicas são realizados por diferentes disciplinas, com
distintas implicações para o conceito. As políticas públicas impactam nas
atividades econômicas, políticas, legais e culturais das sociedades, daí por que
qualquer teoria da política pública precisa também explicar as inter-relações
entre Estado, empresas e sociedade e ter uma dimensão multidisciplinar.
Assim, podemos apontar uma série de definições sobre o termo, que
estão diretamente relacionadas ao ponto de vista de seus autores:
• Lawrence M Mead (1995) a define como um campo dentro do
estudo da política que analisa o governo à luz de grandes questões
públicas.
• Laurence E. Lynn (1980), um conjunto de ações do governo que
irão produzir efeitos específicos.
• B. Guy Peters (1986) é a soma das atividades dos governos, que
agem diretamente ou através de delegação, e que influenciam a vida
dos cidadãos.
• Thomas Dye (1984) é o que o governo escolhe fazer ou não fazer.
• Harold Laswell, análisar política pública implicam responder:
quem ganha o quê, por que e que diferença faz.
• Outras definições enfatizam o papel da política pública na solução
de problemas.
Críticos dessas definições argumentam que elas ignoram o embate em
torno de ideias e interesses. Elas deixariam de lado o aspecto conflituoso e os
limites que cercam as decisões dos governos. Deixam também de fora
possibilidades de cooperação que podem ocorrer entre os governos e outras
instituições e grupos sociais.
Com efeito, a compreensão do significado das políticas públicas deve
corresponder a um duplo esforço: de um lado entender a dimensão técnico-
administrativa que a compõe buscando verificar a eficiência e o resultado
prático para a sociedade das políticas públicas. De outro lado reconhecer que
toda política pública é uma forma de intervenção nas relações sociais em que o
processo decisório condiciona e é condicionado por interesses e expectativas
sociais.
Pode-se, então, resumir política pública como o campo do conhecimento
que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa
ação e quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações
(SOUZA, 2006).

Políticas públicas, após desenhadas e formuladas, desdobram-se em


planos, programas, projetos, bases de dados ou sistema de informação e
pesquisas. Quando postas em ação, são implementadas, ficando submetidas a
sistemas de acompanhamento e avaliação.

Atividade Final
Escreva com suas palavras o que você entende como políticas públicas e
busque dois exemplos na esfera federal.
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Considerações finais
Esta Aula procurou apresentar as diferentes instituições que compõem o
Estado, com destaque para a atual configuração do Estado Brasileiro e a
definição de políticas públicas.
O objetivo era apresentar a dimensão histórica e organizacional que
compõem esse que assume um papel cada vez mais central nas relações entre
os diferentes atores sociais. A partir desta aula você estará mais preparado
para compreender as mudanças que vem ocorrendo no papel do Estado ao
longo dos últimos anos e sua função de coordenador das ações das empresas
e sociedade.

Resumo
Esta Aula teve o objetivo de apresentar o significado de Estado, suas
principais instituições e formas de funcionamento, bem como caracterizar o
Estado Brasileiro. Assim, o primeiro item da aula expos a origem do conceito e
sua delimitação. Verificou-se que a palavra “Estado” foi consolidada em 1513,
em um texto de Maquiavel, mas que o seu significado, utilização e abrangência
variam de acordo com o interesse do pesquisador. Foi estabelecido, contudo,
uma definição simplificada do termo: o conjunto de regras, pessoas e
organizações que se separam da sociedade para organizá-la.

No segundo item serão apresentadas as formas de governo, destacando


a diferença entre monarquia e república e entre presidencialismo e
parlamentarismo. Monarquia é o governo de apenas um individuo e república o
governo uma assembleia (muitos) com uma estrutura interna, estabelecida a
partir da distinção entre poderes. Já no presidencialismo não há uma clara
separação entre chefe de Governo e chefe de Estado. Ocorre a separação
entre as funções legislativas, judiciárias e governamentais, ficando ao cargo do
presidente apenas a última função. O chefe do executivo geralmente é
designado através de eleições e a ele é devida a obediência por parte dos
integrantes do seu governo. No parlamentarismo há uma distinção entre chefe
de Estado e chefe de governo. Geralmente, não são realizadas eleições diretas
e há uma responsabilidade do Governo perante o parlamento, estabelecida
através do voto de confiança ou de desconfiança.

O terceiro item aborda as distintas formas de Estado, enfocando a


perspectiva histórica relacionada a elas. Neste item recebeu ênfase a definição
de democracia e democratização da sociedade. Nesse sentido, “Democracia” é
um regime de governo no qual o poder político é exercido pelo povo. Já a
democratização da sociedade, se refere à ampliação do direito ao voto e à
instituição de mecanismos de democracia direta, aliados à consolidação de
uma série de espaços de participação que não necessariamente se referem ao
Governo, mas sim as operações cotidianas da sociedade.

No quarto item foram exibidos os contrastes entre Estados Unitários e


Federativos, e em seguida destacamos a estrutura específica do Estado
Brasileiro, com foco nos três poderes que o compõem.
Por último, explicamos o significado das políticas públicas, como o campo
do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação”
e/ou analisar essa ação e sua relação intrínseca com o processo político e com
o quadro institucional do Estado.

Referências Bibliográficas

BOBBIO, Norberto. Estado, Governo, sociedade: Para uma teoria geral


da política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

COSTIN, Cláudia. Administração Pública. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

FERNANDES, Antônio Sérgio Araújo. Políticas Públicas: Definição,


Evolução e o Caso Brasileiro. mimeo. s/d

SOUZA, Celina. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologias,


Porto Alegre, n. 16, Dec. 2006. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
45222006000200003&lng=en&nrm=iso>. Acessado em: 10 Feb. 2012.

FREY, Klaus. Políticas Públicas: um Debate Conceitual e Reflexões


Referentes à Prática da Análise de Políticas Públicas no Brasil. Planejamento e
Políticas Públicas, No 21, Jun. De 2000

Leituras Recomendadas
MELO NETO, F. P. Rengenharia do Setor Público: as bases da construção
do Estado moderno. Rio de Janeiro: Quartet Editora. FESP, 1995.

MEIRELES, HELY LOPES. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo:


Editora Revista dos Tribunais Ltda. 1987

SECCHI, Leonardo. Políticas Públicas, conceitos, esquemas de análises


e casos práticos. São Paulo: Cengage Learning. 2010.
SARAVIA, Enrique e FERRAREZI, Elisabete. Políticas públicas;
coletânea. Brasília: ENAP, 2006

Reorganização da Administração Pública Federal: uma nova configuração


da Administração Pública Federal. (v. 4). Brasília – DF, ENAP, 1989.

FISHER, TÂNIA. Poder local: governo e cidadania. Rio de Janeiro:


Fundação Getúlio Vargas, 1993.

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. 2. ed. tradução: Roberto Grassi. Rio de


Janeiro: Civilização Brrasileira, 1972.

Informações sobre a próxima Aula


Na próxima Aula você irá estudar as mudanças históricas recentes por
que passou o Estado – destacando o seu papel atual. Assim, entenderá as
origens, o significado e a crise do Estado de bem estar social. Vai compreender
a formação do Estado neoliberal e seu papel contemporâneo de agente
coordenador. Até lá!