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PLANO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA - RESULTADOS E PERSPECTIVAS-

SOB O OLHAR DA INSPEÇÃO ESCOLAR

Vanessa Alves da Silva*


Silma do Carmo Nunes**

Resumo
Este estudo tem como tema o Plano de Intervenção Pedagógica - Resultados e Perspectivas -
sob o olhar da inspeção escolar. É requisito essencial à conclusão do Curso de Especialização
em Inspeção Escolar oferecido pela Faculdade Católica. A escolha do tema se deu a partir da
minha experiência profissional, enquanto inspetora escolar, atuando na rede pública estadual
de Minas Gerais. O objetivo é apresentar a proposta de intervenção pedagógica elaborada pelo
governo mineiro Aécio Neves, e pela Secretária de Educação Vanessa Guimarães Pinto.
Utilizaremos os resultados apresentados pela Secretaria Estadual de Educação, nas avaliações
sistêmicas, aplicadas aos alunos do 3º ano do ensino fundamental (PROALFA), o que
possibilitará uma reflexão a cerca dos resultados referentes aos anos de 2006 a 2009.
Analisaremos a opinião de diretores, professores e supervisores em relação ao PIP e à
avaliação censitária do PROALFA.
Palavras-chave: Intervenção. Pedagógica. Resultados. Avaliação. PROALFA.

INTRODUÇÃO

Este estudo tem como tema o Plano de Intervenção Pedagógica - Resultados e


Perspectivas - sob o olhar da inspeção escolar. É requisito essencial à conclusão do Curso de
Especialização em Inspeção Escolar oferecido pela Faculdade Católica.

A escolha do tema emergiu da minha experiência profissional atuando como Inspetora


Escolar da rede estadual de ensino de Minas Gerais, desde o ano de 2006. A partir do ano de
2007, nós Inspetores Escolares, juntamente com os Analistas Educacionais das
Superintendências Regionais de Ensino, fomos desafiadas a orientar e acompanhar as escolas
estaduais frente ao Plano de Intervenção Pedagógica (PIP).

Trata-se de um projeto de iniciativa Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais


(SEE/MG) em virtude dos resultados alcançados pelos alunos do nas avaliações sistêmicas,
Programa de Avaliação da Alfabetização, (PROALFA), configura-se como uma política
pública do governo de Minas a fim de aumentar os índices de proficiência e aprendizado dos
alunos da rede pública de ensino, em especial dos anos iniciais do ensino fundamental.
*
Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal de Uberlândia, aluna do curso de Especialização em Inspeção Escolar
da Faculdade Católica e Inspetora Escolar da rede estadual de ensino de Minas Gerais. E-mail: vanessasilva6@hotmail.com.
**
Historiadora. Doutora em Educação pela UNICAMP. Orientadora do artigo.

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O presente trabalho possibilitará uma reflexão sobre a intervenção pedagógica que
vêm ocorrendo junto às escolas estaduais. A partir dos resultados das avaliações aplicadas aos
alunos do 3º ano Ciclo da Alfabetização, bem como da opinião de professores, diretores e
supervisores das escolas estaduais.

O estudo em questão realizar-se a, a partir de legislações, documentos e orientações


emanadas da SEE/MG, na vigência do governo Aécio Neves e da Secretária de Educação
Vanessa Guimarães Pinto, bem como da análise de questionário distribuído a professores,
diretores e supervisores de escolas estaduais, os quais têm a oportunidade de manifestar as
suas opiniões frente ao PIP e ao PROALFA.

O trabalho “in loco” realizado pelo Analista Educacional (ANE) e pelo Analista
Educacional na função de Inspetor Escolar (ANE/IE) junto às escolas subsidiará a discussão
sobre o tema, uma vez que estes são considerados pela SEE/MG como os responsáveis por
repassar, orientar, acompanhar, analisar e avaliar o projeto em cada escola.

ENTENDENDO O PLANO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA E O PROALFA

O Plano de Intervenção Pedagógica (PIP) é um projeto de iniciativa da Secretaria


Estadual de Educação de Minas Gerais, que tem como propósito elevar os índices de
alfabetização nos anos iniciais do ensino fundamental.

Com a ampliação do Ensino fundamental para nove anos, os alunos de Minas Gerais
passaram a ingressar no primeiro ano do ensino fundamental aos cinco anos e oito meses de
idade, ou seja, aquelas crianças que vieram a completar 6 anos de idade até 30 de junho de
cada ano, poderiam se matricular no 1º ano do ensino fundamental. O uso do pretérito na
referência quanto às datas, faz se necessário, uma vez que alterações na legislação que
regulamenta a idade de ingresso dos alunos no ensino fundamental são freqüentes.

Assim, o objetivo principal do PIP é que os alunos estejam lendo escrevendo até os
oitos anos de idade, decorridos três anos de alfabetização. Porém a avaliação do PROALFA
ocorre geralmente entre os meses de maio e agosto do terceiro ano de escolarização dos
alunos, portanto, aproximadamente, após dois anos e meio de escolarização. Geralmente os

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resultados das avaliações são divulgados pela SEE/MG no mês de outubro, e a partir desses
resultados são elaboradas as intervenções.

O mais interessante é que os resultados são apresentados por escola, destacando-se três
níveis de desempenho: baixo, intermediário e recomendável, sendo que os alunos
concentrados no baixo desempenho são aqueles que não conseguiram atingir os níveis
satisfatórios de leitura, escrita e interpretação, estes, são identificados nominalmente e devem
receber uma atenção especial na elaboração do Plano de Intervenção Pedagógica, pois no ano
seguinte esses alunos serão novamente avaliados.

Conforme o percentual de alunos constante em cada nível de desempenho, a


instituição poderá ser classificada como estratégica. Escolas que possuem mais de 30% dos
seus alunos no baixo desempenho são consideradas estratégicas, e por isso, devem receber
uma atenção especial por parte de analistas, inspetores e equipe central.

Os resultados apresentados pelas instituições nas avaliações passam a subsidiar os


valores meritocráticos definidos no prêmio por produtividade (uma espécie de 14º salário)
com correspondência remuneratória proporcional aos resultados alcançados pela instituição,
mas até o ano de 2009, só foram contemplados com o tal prêmio, os servidores detentores de
cargo efetivo³ e efetivados4, ficando excluídos da premiação os servidores designados5.

Em contrapartida:

Os professores designados que atuaram nos três primeiros anos do ensino


fundamental em escolas com mais de 30% de alunos com baixo desempenho na
avaliação censitária (3º ano) perdem a prerrogativa de terem renovada a sua
designação pelo vínculo do ano anterior, na mesma escola. (§2º, VI, ART. 31,
RESOLUÇÃO SEE/MG Nº 1.458, 2009, p. 6).

___________________________

³ servidores efetivos: nomeados através de concurso público.


4
servidores efetivados: alcançados pela Lei Complementar Nº100/2007.
5
servidores designados: portadores de contratos temporários.

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Assim, anualmente os dirigentes de cada escola com o apoio da comunidade escolar,
equipe pedagógica e professores, elaboram seu Plano de Intervenção Pedagógica, baseando-se
nos resultados alcançados nas últimas avaliações externas e nos Boletins Pedagógicos.

Após a elaboração do PIP, o documento, é analisado por uma dupla de profissionais


formada por um Analista Educacional (ANE) e um Analista Educacional na função de
Inspetor Escolar (ANE/IE) das Superintendências Regionais de Ensino (SRE).

Analistas e Inspetores são responsáveis por acompanhar a execução do Plano junto às


escolas. Essas por sua vez, assim como as Superintendências Regionais de Ensino são
supervisionadas por uma equipe central, (Analistas da Secretaria Estadual de Educação).

O PIP está intrinsecamente relacionado ao SIMAVE mais precisamente, ao


PROALFA, o qual mede os níveis de leitura das crianças do Ciclo da Alfabetização. A título
de esclarecimento, conforme dispõe a Resolução Nº 1.086 de 16 de abril de 2008:

Art.2º O ensino fundamental, com duração de nove anos, estrutura em cinco anos
iniciais, organizados em ciclos e quatro anos finais organizados em anos de
escolaridade.
Art. 3º Os anos iniciais do ensino fundamental são organizados em dois ciclos:
I – Ciclo da Alfabetização, com a duração de três anos de escolaridade.
II- Ciclo Complementar, com a duração de dois anos de escolaridade.
(RESOLUÇÃO SEE/MG, Nº 1.086, 2008, p.1, grifo nosso).

O Sistema Mineiro de Avaliação Escolar (SIMAVE) foi instituído no ano de 2000 e


seu objetivo é avaliar anualmente os índices e níveis de aprendizado dos alunos das escolas
públicas. Os resultados servem de referencial para implantação de políticas públicas e ações
pedagógicas, compõem o SIMAVE o PROEB, o PROALFA e o PAAE. (BOLETIM
PEDAGÓGICO SEE/MG, 2009).

O PAAE é o Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar realiza diagnósticos


progressivos na aprendizagem, em relação aos conteúdos do Currículo Básico Comum
(CBC). Abrange os alunos do 1º ano do Ensino Médio.

O PROEB é o Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica, avalia os


alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental, além da 3ª série do ensino médio, nos
conhecimentos de Língua Portuguesa e Matemática. (BOLETIM PEDAGÓGICO SEE/MG,
2009).

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O PROALFA foi instituído em 2005, porém naquele ano avaliou somente os alunos do
2º ano a partir de uma amostragem. Em 2006 preservou a avaliação amostral para alunos do
2º ano, e realizou avaliação censitária para alunos do 3ºano. Em 2007, 2008 e 2009, a
avaliação aconteceu amostralmente para os estudantes do 2º e do 4º ano do ensino
fundamental e censitariamente para os discentes do 3º ano. (BOLETINS PEDAGÓGICOS
SEE/MG, 2006, 2007, 2008, 2009).

Nos três últimos anos (2007, 2008, 2009) os alunos que apresentaram baixo desenho
na avaliação censitária, foram, em sua maioria, promovidos para o 4º ano, já que a legislação
em vigor coíbe a retenção. A proposta de recuperação para os alunos do baixo desempenho é
que os mesmos sejam monitorados através, especialmente de aulas de reforço no contra turno,
ou, através do recurso conhecido como enturmação temporária. Tal recurso caracteriza se por
promover o aluno à série/ano correspondente a sua idade e mantê-lo temporariamente pelo
tempo que for necessário na turma correspondente ao seu nível de desenvolvimento.

A promoção continuada proposta nos anos iniciais do ensino fundamental garante sem
dúvidas um número significativo de alunos em progresso contínuo, ininterrupto, com baixos
índices de reprovação/retenção, porém, infelizmente há que se questionar o nível cognitivo
dos alunos que ingressam no 6º ano do ensino fundamental.

Notoriamente, o estado tem interferido veemente no processo educativo, não só a


partir do controle avaliativo, mas também na promoção dos alunos. Através do censo escolar,
é possível saber quais e quantos alunos foram retidos, e qual foi a instituição responsável pela
“negligência”, que é notificada a alterar a situação do aluno no censo, promovendo o a
série/ano seguinte. (OFÍCIO CIRCULAR Nº 52 DE 12 DE MARÇO DE 2010, SEE/MG).

O PROALFA trabalha com uma escala de proficiência, que vai de 0 a 1000, mas como
nas extremidades há pouca concentração de alunos, considera se o intervalo correspondente
entre 200 e 700. A escala de proficiência mede as habilidades e competências adquiridas pelos
alunos, em leitura e escrita, bem como aquelas que estão em construção, para isso utiliza se de
um caderno avaliativo composto por aproximadamente 23 questões devidamente elaboradas a
partir de uma matriz de referência. (BOLETIM PEDAGÓGICO SEE/MG, 2009).

O aplicador da prova é um professor da própria escola, porém não pode ser professor
da turma que está sendo avaliada. No dia da avaliação a escola é submetida à observação de

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uma comissão formada por membros do colegiado escolar, inspetor escolar ou analista
educacional.

Veja na tabela que se encontra na página seguinte uma réplica da matriz de referência
do PROALFA e da escala de proficiência.

Para regulamentar a matriz de referência, as competências e habilidades a serem


trabalhadas no Ciclo da Alfabetização a SEE publicou em 16 de abril de 2008 a Resolução Nº
1.086 que dispõe sobre a organização e funcionamento do ensino fundamental nas escolas
estaduais. Conforme alínea a, b, c e d, inciso III do art.4º da Resolução Nº 1.086 (2008, p. 1)
em meados do 3º ano de escolaridade o aluno deverá ser capaz de: “ler e compreender textos
mais extensos, localizar informações no texto, ler oralmente com fluência e expressividade,
produzir frases e pequenos textos com correção ortográfica”.

Ao término do Ciclo Complementar de Alfabetização, após cinco anos de


escolarização, todos os alunos deverão ser capazes de:

Art. 8º(...) ler, compreender, retirar informações contidas no texto e redigir com
coerência, coesão, correção ortográfica e gramatical.
Art. 9º Ao final do Ciclo Complementar, na área da Matemática, todos os alunos
devem dominar e compreender o uso do sistema de numeração, os fatos
fundamentais da adição, subtração, multiplicação e divisão, realizar cálculos
mentais, resolver operações matemáticas mais complexas.
(RESOLUÇÃO SEE/MG, Nº 1.086, 2008, p.2).

Como a aplicação dos testes acontece anualmente, a proposta é que o intervalo entre a
divulgação dos resultados e aplicação dos testes possibilite a análise dos dados e proponha
ações de intervenção pedagógica capazes de elevar o índice da aprendizagem, a partir de
metas e pactuação de resultados entre diretor e Secretaria de Educação, além, é claro
recuperar os alunos que apresentaram baixo desempenho.

Considera-se no desempenho baixo os alunos que lêem apenas palavras. No


intermediário os alunos que lêem frases e pequenos textos. E no recomendável os alunos que
lêem frases, pequenos textos e começam a desenvolver habilidades de identificação do
gênero, do assunto e da finalidade de textos. São habilidades ainda não consolidadas, mas já
iniciadas. (BOLETIM PEDAGÓGICO SEE/MG, 2009).

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Na proficiência em leitura, considera se no baixo desempenho os alunos que estão
situados em uma escala de até 450, pois são alunos que lêem apenas palavras. De 450 a 500
situa se os alunos que estão em um nível de desempenho intermediário, pois são capazes de
ler frases e pequenos textos. Os alunos posicionados acima de 500 encontram-se no nível
recomendável, uma vez que são capazes de ler frases e pequenos textos, começam a
desenvolver habilidades de identificação do gênero, do assunto e da finalidade dos textos.
(BOLETIM PEDAGÓGICO SEE/MG, 2009).

RESULTADOS

O gráfico abaixo representa os dados divulgados pela Secretaria Estadual de Educação


de Minas Gerais, através dos Boletins Pedagógicos enviados as escolas. Estes percentuais
revelam de maneira integrada, os resultados do PROALFA nos anos de 2006, 2007, 2008 e
2009 frente às avaliações aplicadas aos alunos do 3º ano de escolarização da rede estadual de
ensino. Portanto, possibilitará ao leitor acompanhar os resultados do PROALFA nos últimos
quatro anos.

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Resultados das avaliações aplicadas aos alunos do 3º ano do ensino fundamental, das escolas estaduais de Minas
Gerais, 2006 - 2009.
Fonte: Boletins Pedagógicos SEE/MG, 2006 - 2009.

Podemos observar que de 2006 para 2009 houve um crescimento aproximado de 24,0
pontos percentuais de alunos no nível recomendado, ou seja, 72,6% dos alunos da rede
estadual conseguiram uma proficiência acima de 500 pontos no ano de 2009.

O nível Intermediário concentrava 20,6% dos alunos em 2006, e em 2009 esse


percentual caiu para 15,5%, isso é positivo, considerando que houve uma migração do
quantitativo de alunos que estavam no baixo desempenho para o desempenho intermediário e
do intermediário para o recomendado.

Tínhamos em 2006 30,8% dos alunos no baixo desempenho, o que significa que um
número expressivo de crianças com oito anos de idade e dois anos e meio de escolarização
encontravam-se abaixo dos 450 pontos de proficiência, ou seja, estavam iniciando as
competências de identificação de letras do alfabeto, sequência alfabética, distinção de
diferentes tipos de letras (maiúscula, minúscula, caixa alta, cursiva), estabelecendo

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diferenciação entre letras e números, adquirido a habilidade de reconhecer os usos sociais
dos diversos gêneros textuais, de comparar e reconhecer sílaba final e inicial das palavras .

Alguns dos alunos concentrados no baixo desempenho conseguem ler apenas palavras
e estão começando a ler pequenos textos.

Em 2009 a concentração de alunos no baixo desempenho caiu para 11,9% ocorreu


uma queda de 18,9 pontos percentuais em quatro anos de acompanhamento e intervenção
pedagógica.

Os dados mostram que houve um aumento do número de alunos no nível


recomendável e conseqüentemente uma queda no número de alunos nos níveis intermediário e
baixo.

Veja na tabela a seguir o crescimento do nível de proficiência média em leitura


alcançada pelos alunos do 3º ano do ensino fundamental da rede estadual.

Proficiência média em leitura alcançada pelos alunos do 3º ano do ensino fundamental das escolas
da rede estadual de ensino de Minas Gerais, nos anos de 2006 - 2009.
Anos

2006 2007 2008 2009

494 536.2 550.3 551.6

Fonte: Boletins Pedagógicos: 2006 – 2009.


De 2006 a 2009 houve um crescimento de 57 posições na escala, no que se refere à
média de concentração de alunos na proficiência em leitura. Uma proficiência média de 494
significa que a média dos alunos concentrava-se no nível de desempenho recomendável, em
2009 essa média passou para os 551 pontos, atingindo, portanto o nível recomendado.

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Questionar a veracidade das informações, bem como a eficácia da intervenção
pedagógica é uma constante na mente de educadores, estudiosos, principalmente dos críticos
sobre políticas públicas; isso se deve ao fato de que o avaliador do projeto é também o
responsável por sua execução. Foi a partir dessa perspectiva que buscamos a opinião de
professores, supervisores e diretores em relação ao PIP.

OPINIÃO DOS PROFESSORES, SUPERVISORES E DIRETORES SOBRE O PIP

Consideramos de suma importância a opinião dos professores, supervisores e diretores


das escolas frente ao Plano de Intervenção Pedagógica e a avaliação censitária aplicada aos
alunos do 3º ano do ensino fundamental. Para tanto, realizamos uma pesquisa de opinião
através de um questionário distribuído a 100 educadores que atuam do 1º ao 5º do ensino
fundamental, de 12 escolas estaduais, destes, 72 foram respondidos e entregues, os quais
compreendem 10 escolas envolvidas, portanto farão parte de nossa análise.

Dos 72 profissionais que responderam ao questionário 59 são professores dos anos


iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), 07 são diretores e 06 são supervisores.

Segue abaixo uma planilha que demonstra os resultados da pesquisa realizada.

Coleta de dados referentes à opinião dos professores, diretores e supervisores de dez escolas da rede estadual de
Minas Gerais, sobre o Plano de Intervenção Pedagógica e o PROALFA, realizada através de questionário no
mês de maio de 2010.
Nº de questionários Nº de questionários Nº de escolas envolvidas
distribuídos respondidos
100 72 10
01- Função: Professor: 59 Diretor: 07 Supervisor: 06
02-Você sabe o que é o Sim Não Mais ou menos
Plano de Intervenção
91.6% 1.3% 6.9%
Pedagógica?
03- Você já leu o Plano de Sim Não Em branco
Intervenção Pedagógica da
sua escola, ou participou da 76.3% 19.4% 4.1%
sua elaboração?
04- Você conhece a Sim Não Em branco
avaliação aplicada para os 81.9% 15.2% 2.7%
alunos do 3º de
alfabetização?
05- Como você avalia a Importante Pouco importante Desnecessária

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iniciativa do Governo e da
Secretaria Estadual de 77.7% 9.7% 11.1%
Educação na intervenção
pedagógica?
06-Você acha que os Totalmente Parcialmente Não são
resultados das avaliações confiáveis Confiáveis confiáveis
externas ( PROALFA)
aplicadas aos alunos do 3º 37.5% 52.7% 6.9%
ano são confiáveis?

07-Você acha que os Sim Não Parcialmente Em branco


resultados das avaliações
externas contribuem para o
re-planejamento de ações 84.7% 12.5% 1.3.7% 1.3%
pedagógicas?

08- Na sua opinião a Sim Não Parcialmente Em branco


intervenção pedagógica
realizada pelo Analista
Educacional / Inspetor 51.3% 12.5% 34.7% 1.3%
Escolar contribui para o seu
trabalho e para o
crescimento da sua escola?

09- como você analisa a Essencial Desnecessária Em branco


intervenção pedagógica
realizada pelo Analista e
pelo Inspetor?

75% 20,8% 4,2%


Fonte: Questionário, 05/2010.

Além dessas nove questões, elaboramos uma questão aberta, buscando saber quais são
as principais ações praticadas pelo professor para intervir no aprendizado daqueles alunos que
apresentam baixo desempenho.

A ação que mais evidenciada foi o reforço escolar realizado com os alunos no contra
turno, 50% dos professores manifestaram utilizar essa estratégia para sanar as dificuldades
dos alunos. Em seguida, 19,4% dos professores disseram realizar um trabalho individualizado
com o aluno a partir de atividades diferenciadas, ainda que em sala de aula. Trabalhos com
projetos de leitura, contação de histórias e atividades lúdicas apareceram nas ações
desempenhadas de 12,5% dos professores. Um pouco mais de 10% dos professores disse

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realizar estudos e pesquisa a partir dos cadernos do Ceale e do Guia do Alfabetizador, (todos
estes, são matérias disponibilizados pela SEE). Outros 3% buscam o apoio da família para
sanar as dificuldades. O restante manifestou interação entre os alunos a partir de grupos de
estudos e monitoria.

É de se esperar que o reforço escolar apareça no ápice das ações manifestadas pelos
professores, ma vez que essa é a estratégia de recuperação mais enfatizada pela SEE e
também a que causa mais desconforto aos docentes. A Lei 7.109/77 regulamenta que:

Art. 13 – São atribuições especificas:


I- de professor,o exercício concomitante dos seguintes módulos trabalho: modulo 1:
regência efetiva de atividades, área de estudo ou disciplina;módulo 2: elaboração de
programas e planos de trabalho, controle e avaliação do rendimento escolar,
recuperação dos alunos, reuniões, auto aperfeiçoamento, pesquisa educacional e
cooperação no âmbito da escola, para aprimoramento tanto do processo ensino
aprendizagem , como da ação educacional e participação ativa na vida comunitária
da escola. (MINAS GERAIS LEI Nº 7.109, 1977, p.3, grifo nosso).

Veja que 77,7% dos questionados avaliaram positivamente a iniciativa do governo


quanto à intervenção pedagógica, pois acreditam que esta é uma maneira de orientar o
trabalho docente, direcionando o planejamento para o que realmente necessita ser ensinado
aos alfabetizandos. Estes consideram que essa iniciativa configura se como um investimento
na educação, pois evidencia a preocupação da secretaria com aqueles alunos que apresentam
maiores dificuldades, propondo um cuidado especial aos mesmos.

Por outro lado temos 20,8% dos questionados que veem a intervenção pedagógica
proposta pela SEE como pouco importante e até mesmo desnecessária, pois, acreditam que as
pessoas que estão fora da sala de aula não conhecem as reais necessidades da educação, que
os livros didáticos utilizados pelas escolas trazem questões parecidas com as das provas,
portanto, os próprios professores e supervisores seriam capazes de fazer a intervenção
necessária.

Um por cento dos professores acredita que a avaliação não respeita a individualidade e
o ritmo cognitivo de cada aluno, além de não avaliar o que foi realmente ensinado. Cerca de
1%, acreditam que essa estratégia avalia os professores e não os alunos, e que não se
caracterizaria como incentivo mas sim como cobrança e punição aos profissionais.

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Quanto à atuação dos analistas e inspetores escolares, 75% dos profissionais
consideraram que o acompanhamento é importante para o crescimento dos professores, dos
alunos e da instituição. Porém, dentre os 20,8% que consideram desnecessária a atuação do
ANE e do ANE/IE, 14% manifestaram não conhecer o trabalho pedagógico do ANE/IE na
instituição.

Aproximadamente 3,8% vêem o trabalho do inspetor e do analista a partir de uma


perspectiva de fiscalização, sendo, portanto, negativa e punitiva. O restante, cerca de 3% acha
que o trabalho dos analistas e inspetores deveria focalizar a família.

CONDIDERAÇOES FINAIS

Se o Plano de Intervenção Pedagógica caracteriza se como uma política pública do


governo, a qual se estabelece a partir de resultados de avaliações propostas pelo sistema, para
medir os níveis de alfabetização de crianças ao final de três anos de escolarização é porque o
fracasso escolar é uma realidade da escola pública brasileira. O Estado reconheceu esse
problema e a sua atuação passa a ser imprescindível na solução do mesmo.

Sem o evidente fracasso escolar, não existiria a necessidade de se intervir no ensino.

Até o momento pudemos perceber que a intervenção pedagógica, juntamente com o


PROALFA, foi capaz de encontrar, inclusive, nomear aquelas crianças que não conseguem
apresentar um desempenho satisfatório em leitura e escrita ao final de três anos de
alfabetização.

Nomear essas crianças é muito importante, para que essas, não sejam esquecidas e
consequentemente, excluídas do processo ensino aprendizagem.

Mas o processo de intervenção deve ir além de uma avaliação que diagnostica aquilo
que o aluno não foi capaz de aprender, isso significa que não basta nomear esse aluno e
simplesmente oferecer lhe novas oportunidades de aprendizado, através do reforço escolar
realizado no contra turno, ou através da enturmação temporária como propõe a Resolução Nº
1.086/2008.

Uma política de intervenção eficaz deveria evidenciar os motivos pelos quais ainda
existem 11,9% das crianças no baixo desempenho e 15,5% no nível intermediário.

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Quem são essas crianças? Quem são seus pais? Seus professores? O que elas
trouxeram de conhecimento prévio à inicialização escolar? Onde moram? Será possuem
condições mínimas de higiene e saneamento básico? Será que suas escolas possuem
biblioteca, laboratórios de informática, ou até mesmo um refeitório decente?

Será que seus professores estão satisfeitos com as condições de trabalho e com seus
salários? Será que tiveram a oportunidade de fazer uma boa faculdade, ou de se capacitar
periodicamente? Será que esses professores tem acesso a atividades culturais, como cinema
teatro? Será que podem comprar livros, revistas? Será que podem viajar e conhecer esse
imenso Brasil e sua diversidade regional?

Parece um percentual ínfimo, mas quando o transformamos em números, verificamos,


que aproximadamente 13.989 alunos extraídos de um total 117.560 alunos da rede estadual,
que realizaram a avaliação no ano de 2009, encontram-se no baixo desempenho e que 18.221
alunos apresentam desempenho intermediário. Aproximadamente 32.210 alunos da rede
estadual ainda não alcançaram o nível recomendado, contudo existam 85.348 alunos
apresentando esse nível de desempenho.

Pensar em combater o fracasso escolar vai além uma avaliação censitária que
estabelece níveis de desenvolvimento, nomeia os fracos e propõe como principal ação à
intervenção o reforço escolar e a enturmação temporária.

Tão importante quanto avaliar os alunos, é oferecer aos professores formação


continuada com suporte pedagógico e técnico que ainda lhes falta.

E é claro, políticas educacionais não podem ser implementadas desvencilhadas de


outras políticas sociais como o combate a violência, drogas, trabalho e exploração infantil,
além da promoção do esporte, do lazer, e da cultura.

Simplesmente responsabilizar os profissionais da educação pelo fracasso da escola


pública, é se eximir de competências que extrapolam os muros das escolas.

Restringir a intervenção pedagógica ao reforço escolar, oferecido no módulo 2 do


professor, ou a enturmação temporária do aluno, é ignorar que muitas crianças necessitam do
acompanhamento de profissionais especializados em distúrbios de aprendizagem , é ignorar
que muitas famílias não contribuem com o mínimo necessário para o desenvolvimento
psicológico e cognitivo de seus filhos e ainda mais, é ignorar que muitos alunos não aprendem

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porque seus professores não ensinam, e não ensinam, porque desconhecem teorias
pedagógicas e métodos de ensino.

Portanto, o monitoramento às instituições a partir do Plano de Intervenção Pedagógica,


atrelado ao controle do processo avaliativo a partir do PROALFA, configura se em ações
isoladas que dificilmente irão garantir a elevação da qualidade e da eficácia do ensino público,
se paralelamente a essa ação, não forem de fato efetuadas políticas públicas que minimizem as
desigualdades sociais.

Investir em marketing e propagandas que mascaram a realidade da escola pública com


personagens ilustres, de nada resolverá o problema da qualidade do ensino que só poderá ser
transformada, a partir do incentivo aos professores, pois estes sim são verdadeiros “atores”
no cenário da educação mineira.

É preciso antes de tudo, tornar a carreira do magistério interessante, não só em termos


salariais, mas principalmente resgatando o respeito e a dignidade que esse profissional há
muito perdeu. Caso contrário de nada irá adiantar chamar por: professor... profesor...
professeur... professore... teacher... .

Referências

AZEVEDO, Janete M. Lins. A educação como política pública. Campinas, SP, autores
associados, 3ª ed, 2004.

MINAS GERAIS. Ofício Circular Nº 52 de 12 de março de 2010. Belo Horizonte, 2010.

MINAS GERAIS. Lei Nº 7.109 de 13 de outubro de 1977. Estatuto do Pessoal do


Magistério público de Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1977.

MINAS GERAIS. Lei Complementar Nº 100 de 05 de novembro de 2007. Institui a


Unidade de Gestão Previdenciária Integrada do Regime próprio de Previdência dos Servidores
Públicos do Estado de Minas Gerais e do Regime Próprio de Previdência dos Militares e o
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organização do Ciclo Inicial de Alfabetização-Ceale. Caderno2, Belo Horizonte, 2004.

SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO. Resolução Nº 1.086, de 16 de abril de 2008.


Dispõe sobre a organização e o funcionamento do ensino fundamental nas escolas estaduais
de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2008.

SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO. Resolução Nº 1.458, de 19 de novembro de


2009. Estabelece normas para organização do Quadro de Pessoal das Escolas Estaduais e
designação para o exercício de função pública na rede pública estadual. Belo Horizonte, 2009.

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