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1.

INTRODUÇÃO

Com o cotidiano agitado e turbulento que as pessoas levam hoje, a


praticidade e a conveniência são indispensáveis em suas vidas. E em meio a esta
vida tão turbulenta, os consumidores são os que mais prezam por esta
praticidade, em meio a tantas ofertas e formas de pagamento, ainda hoje o
cheque ainda é muito utilizado pelos consumidores, embora às vezes esta forma
de pagamento não seja tão segura assim para aquele que vendem determinando
produto ou serviço.
Vale ressaltar que o cheque teve suas raízes originárias na Idade
Média, quando aí surgiram com certa prosperidade, os bancos de depósitos, que
se encarregavam com maior segurança da guarda dos valores comerciais. E
justamente neste momento é que o cheque passou a configurar-se como instituto
moderno, neste exato momento também começou a delinear-se a sua estrutura
jurídica. Portanto, o cheque na sua fase, em tese, embrionária tinha a missão de
substituir o dinheiro coibindo aquelas investidas criminosas e garantindo o
sucesso das práticas mercantis. Desde então o cheque vem sendo utilizado pelos
mais variados tipos de consumidores.
Destaca-se que o cheque é classificado tecnicamente tanto no direito
comercial quanto no direito empresarial com a denominação de título de crédito,
sendo este um instrumento de mobilização bancária, assim como também uma
ordem de pagamento à vista.
Os motivos que levaram o Brasil a usar o cheque como forma de
pagamento foi praticamente os mesmos encontrados em outros países, uma
maior segurança para com o dinheiro recebido pelos fornecedores; a princípio não
existia uma legislação que regulamentava o seu uso. Assim, como nos demais
países, o cheque figurava como costume. A Legislação brasileira utilizou pela
primeira vez a denominação “cheque” no decreto n° 149. Após este decreto, a Lei
que regulamenta o cheque no Brasil é a 7.357 de 2 de setembro de 1975,
conhecida como Lei do cheque uma verdadeira consolidação de toda legislação
referente à matéria no Brasil.
Com base, no que já foi exposto até aqui, com o objetivo de repassar
adiante um maior entendimento a cerca deste assunto, buscar-se-á explorar o
assunto, afim de podermos explanar de forma clara e objetiva todo o assunto
abordado relacionado a temática principal.

2 CHEQUE

2.1 Conceito, natureza jurídica e requisitos essenciais

No Brasil, os doutrinadores definem o cheque como sendo uma ordem


de pagamento dirigida a um Banco por seu cliente, em razão de contrato bancário
entre estes e em favor de um terceiro ou o próprio sacador, beneficiário da ordem.
COELHO (2003, p.268), diz em sua obra que:

O cheque é uma ordem de pagamento à vista, sacada


contra um banco e com base em suficiente provisão de
fundos depositados pelo sacador em mãos do sacado ou
decorrente de contrato de abertura de crédito entre ambos.
O elemento essencial do conceito de cheque é a sua
natureza de ordem à vista, que não pode ser
descaracterizada por acordo entre as partes. Qualquer
cláusula inserida no cheque com o objetivo de alterar esta
sua essencial característica é considerada não escrita e,
portanto, ineficaz (Lei. 7.357, de 1985 – Lei do Cheque, art.
32.

Por ser uma ordem de pagamento, o cheque é sempre dirigido a


alguém para pagar a um terceiro ou ao próprio emitente. Portanto, as posições
das pessoas no cheque são três: quem dá, emite saca ou passa a ordem, é o
emitente, conhecido também como passador ou sacador; a pessoa, banqueiro,
que recebe a ordem para fazer o pagamento é o denominado sacado; e a pessoa
a favor de quem é sacado o cheque se chama tomador, beneficiário ou portador.
Já para COSTA (2003. p.38) refere-se ao cheque como: “uma
promessa indireta de pagamento feita pelo emitente, cujo conteúdo corresponde a
uma ordem de pagamento a um banco ou instituição assemelhada para pagar
uma quantia determinada ao emitente ou a terceiros, havendo fundos disponíveis
em poder do sacado”.
Em relação a natureza juridica, observa-se que o cheque é uma ordem
de pagamento à vista com valor determinado, emitida contra uma instituição
financeira, em razão de reserva de valores que o emitente possui junto ao
sacado, que procede de contrato de depósito bancário ou de abertura de crédito.
Este se caracteriza em um instrumento de natureza jurídica e função, sendo uma
ordem de pagamento e um título de crédito.
Quando o cheque é emitido tem-se uma característica de crédito, pois
quem o aceita não possui o dinheiro, mas sim um título, no qual contém o valor
especificado. Ao efetuar a emissão do cheque, o emitente determina ao banco
destinado o pagamento imediato do valor indicado em moeda corrente, com isso
declara a existência de um crédito, assumindo a obrigação de saldar a divida. O
cheque é um direito que o emitente tem de receber a quantia certa, não
substituindo a moeda corrente, ou seja, é um instrumento de pagamento que
pode circular livremente.
O cheque representa um título de crédito que pode ser transmitido
pelas vias do Direito Cambiário, podendo ser por endosso ou pelo portador.
Apesar de ser uma ordem de pagamento como a letra de cambio o cheque não
depende de aceite Sendo que o cheque é considerado um título de credito, pode
ser garantido seu pagamento por aval, que poderá ser prestado por terceiro.
Como todo título de crédito o cheque também apresenta princípios essências
sendo a autonomia, literalidade e cartularidade.
Existem diversas vertentes sobre a natureza jurídica do cheque, se
este é um título de crédito ou um instrumento de pagamento, pois possuem uma
grande amplitude em seu uso. Sendo entendido por muitos que não se trata de
um título de crédito, mas de uma forma de pagamento, pois não possuem
requisitos essências, por outro lado a doutrina entende que o cheque é um título
de crédito, pois contém elementos indispensáveis, como: instrumento autônomo,
independente, circulável, literal e formal, onde pode ser afiançado por aval.
O cheque vem ganhando força que se tornou também uma promessa
de pagamento que chamamos de cheque pós-datado/pré-datado, ou seja, muito
utilizado em estabelecimentos comerciais. Afirma-se que o cheque é um
instrumento de pagamento que se transforma em um título de crédito pelo fato de
sua emissão, que se torna um contrato onde o devedor liquida seu débito ou
adquire um bem. Portanto o cheque é um titulo de crédito “sui generis”, que
poderá ser anormal ou impróprio.
Requisitos essenciais do cheque são os elementos necessários para
que o documento se forme como cheque, sem os quais não há como se
considerar o documento como cheque. Os requisitos essenciais estão previstos
no artigo 1º da Lei n. 7357/85 e são eles:
a) a denominação “cheque” inscrita no contexto do título e expressa na
língua em que este é redigido;
b) a ordem incondicional de pagar quantia determinada;
c) o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar
(sacado);
d) a indicação do lugar de pagamento;
e) a indicação da data e do lugar de emissão;
f) a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com
poderes especiais.
Sendo o cheque um título formal, está revestido de requisitos que a lei
lhe impõe, e faltando qualquer um desses requisitos, descaracteriza-se o
documento como cheque, salvo as ressalvas legais, deixando de ser um título
cambiário, e, portanto insuscetível de ser transmitido por endosso, passando a ser
um simples papel destituído da feição de cheque, uma simples prova de confissão
de dívida, sujeitando-se à disciplina do direito comum.

2.2 A Lei do Cheque e a Lei Uniforme de Genebra

Em 1930, com a presença de trinta um Estados, entre eles o Brasil, a


conferência de Genebra, na Suíça, aprova a Convenção de Genebra ou Lei
Uniforme de Genebra (LUG), que se desdobra em três Convenções: a) para
adoção de uma lei uniforme sobre letras de câmbio e notas promissórias; b)
destinada a regular certos conflitos de leis em matéria de letras de câmbio e notas
promissórias e protocolo; e c) relativa ao Imposto do Selo em matéria de letras de
câmbio e notas promissórias.
O Brasil já possuía nesse período um direito cambiário bastante
evoluído [...], para muitos melhor tecnicamente que a LUG [...], o que faz a
doutrina pátria entender como fator relevante para a demora no cumprimento da
Convenção de Genebra (TEIXEIRA, 2009). Assim, o país só aderiu à LUG, junto
ao Secretário Geral da Liga das Nações, em 1942. Entretanto, o Congresso
Nacional a aprovou apenas em 1964, por meio do Decreto Legislativo nº 54, ao
passo que sua ratificação veio ocorrer somente em 1966 por intermédio do
Decreto nº 57.663 do Executivo, com várias reservas.
Whitaker apud Pereiraet al (2005) defende que a vigência da LUG teve
início pelo Decreto Legislativo nº 54, pois a competência para reconhecer a
validade das convenções e tratados internacionais é do Congresso Nacional.
Complementando este entendimento, COELHO (2002, p. 388, v.1) tem a
concepção deque

a via escolhida, em 1966, para fazer valer a Convenção de


Genebra no direito brasileiro, não era a tecnicamente
correta. O Decreto nº 2.044/08 possui estatuto de lei
ordinária, e sua revogação não pode ocorrer por meio de
simples Decreto do Poder Executivo, mas apenas por outra
lei (2002, p. 388, v.1).

Embora a Convenção de Genebra que previu uma lei uniforme sobre


letras de câmbio e notas promissórias tenha aplicabilidade no direito interno
brasileiro, não se sobrepõe ela às leis do País, disso decorrendo a
constitucionalidade e consequente validade do Decreto-lei nº 427/1969, que
instituiu o registro obrigatório da Nota Promissória em Repartição Fazendária, sob
pena de nulidade do título. Sendo o aval um instituto do direito cambiário,
inexistente será ele se reconhecida à nulidade do título cambial a que foi aposto.
Recurso Extraordinário conhecido e provido
Nesse sentido, a aprovação de um novo diploma legal, como
aconteceu com a Lei Federal nº 7.357 de 1985, Lei do Cheque, apaziguaria, por
definitivo, todas as controvérsias e contratempos relacionados à legislação
aplicável às letras de câmbio e notas promissórias.
É nesse sentido que salienta Requião (1995, p. 387):
A reforma da legislação surgiu, enfim, de certa forma, do
decreto n° 57.595 de 7 de janeiro de 1966, que promulgou
as convenções para a adoção de uma lei uniforme em
matéria de cheques, adotadas em Genebra em março de
1931. O decreto baixado pelo Presidente da República
determinou que as Convenções de Genebra, sobre cheques,
“sejam executadas e cumpridas tão inteiramente como nelas
se contém, observadas as regras feitas”.

A Lei 7.357/1985 uniformizou, após várias tentativas frustradas, a


legislação de cheques, respeitando em suas normas a LUG, no que tange a esse
título de crédito, a qual figura como uma Teoria Geral, já disposto na Exposição
de Motivos de um Projeto de Lei anterior, sob o nº 118/77, o qual expunha:

“O grupo de trabalho procurou seguir o mais possível os


lineamentos da L.U., representada no Anexo I à Convenção
de Genebra, só se afastando para assegurar uma redação
mais condizente com as peculiaridades da legislação interna
e para melhor harmonizar certos dispositivos a outros
impostos pela praxe doméstica e ou autorizados pela própria
convenção em seu Anexo II” (Diário do CN, Seção II, 2-6-
1977 apud REQUIÃO, 2003).

A LUG aponta requisitos essenciais, sem o qual o título não será


cambiário (nota promissória e letra de câmbio), bem como versa sobre os
cheques, quanto à duplicata, Fazzio Junior (2004) destaca que havia uma rejeição
quanto ao formalismo e abstracionismo evocado pelas normas regulamentadoras
da letra de câmbio e da nota promissória, entretanto a LUG também serviu de
norma geral para a Lei de Duplicatas.
Assim, pode-se inferir que a Lei Uniforme de Genebra teve e tem forte
influência na legislação dos títulos de crédito no Brasil, entretanto se encontra
muito mais como Teoria Geral desses, que uma lei específica regulamentadora.
2.3 Espécies de cheque endosso e ausência do aval

Espécies de Cheque Endosso

Qualquer título de crédito pode ser objeto de endosso, nisto não foge à
regra o cheque. Desta maneira, entre umas das modalidades de endosso
referentes ao cheque, existe o endosso em branco, cuja principal característica é
a assinatura pelo credor no verso do título sem identificação do novo credor.
Quando o endosso éem branco, o título que era nominal passa a ser um título ao
portador já que não houve identificação do novo credor. O credor nominalmente
citado no título assina no verso para um terceiro que não foi identificado no
endosso em branco, por isso essa espécie de endosso sempre torna o título
como título ao portador. A partir do art. 19, § 1º da Lei do Cheque, quando do
endosso em branco, que o ato de endossar só é válido quando lançado no verso
do cheque ou na folha de alongamento. Além disso, o §2º do mesmo artigo 19
estabelece a necessidade de poderes especiais para assinar a guisa de
mandatário ou de representante. Na hipótese de ausência de poderes, o endosso
não será reputado válido, ficando a pessoa obrigada de maneira pessoal ao
pagamento, conforme artigo 14 da Lei do Cheque.
Além do endosso em branco e suas singularidades, existe igualmente o
endosso em preto. Afirma Mamede (2014, p. 270) que:

É faculdade do portador legítimo transformar o endosso em


branco em preto, completando-o com seu nome ou nome de
terceiro, transferindo-lhe a posse da cártula, conforme o
artigo 20 da Lei de Cheque, que ainda permite ao portador
endossar novamente o cheque a outra pessoa, mesmo que
se trate de endosso em branco.

Endosso em preto, portanto, caracteriza-se como o endosso no qualhá


indicação específica de quem está endossando, de modo que o título fica nominal
a quem o recebe, dito de outra maneira, é o endosso que quando emitido fica
estabelecida a definição do credor para qual o título está sendo repassado por
meio da assinatura no verso do título com identificação do beneficiário do
crédito representado no título. O primeiro credor do título que era identificado no
título transfere o seu crédito ao terceiro que também será identificado sendo o
título que era nominal permanecendo ainda nominal.
Comparando os endossos, o em branco sempre torna o título nominal
em título ao portador. Por sua vez, o endosso em preto, sempre há menção ao
nome do novo credor sendo o título que era nominal permanecendo nessa
condição, de modo que o título fica nominal a quem o recebe. Essa
caracterização ocorre diante da espécie do último endosso efetuado no
título. Ademais, salienta-se que título ao portador poderá tornar-se um título
nominal mediante um endosso em preto.
Destaca-se que se uma pessoa estiver indicada como credor do título
de crédito, ela só conseguirá transferir o crédito se ela realizar um endosso em
preto ou em branco. Já o título ao portador poderá ser transmitido por mera
tradição simplesmente. Nisto é esclarecedor o entendimento de Mamede (2014,
p.271)

Pode-se, por fim, simplesmente transferir o cheque sem


completar o endosso ou o endossar, utilizando-se da
vantagem de o endosso em branco permitir que a circulação
do título se faça na forma de título ao portador. De qualquer
sorte, deverá o beneficiário, na apresentação ao caixa ou a
câmara de compensação, ou ainda, na execução, completar
a cadeia sucessória com um endosso em preto, atendendo
as Leis nº 8.088/90 e 8.201/90.

Salienta-se, que em regra os títulos os títulos são endossáveis,


existindo exceção quando da existência de cláusula não a ordem, a qual impede à
transferência do título a outra pessoa.
Além do endosso translativo em branco ou em preto, existe o endosso
mandato. Este tipo de endosso autoriza alguém a receber um crédito em nome do
credor. Nisto, para manter a segurança do título será um endosso sempre em
“preto”, uma vez que indicará o nome da instituição financeira a quem deve se
pagar o valor em cobrança. Conforme expõem Mamede (2014, p.276):
A transferência do cheque pode dar-se sem que tenha
havido, efetivamente, uma transferência do crédito, isto é,
sem que haja uma sucessão ativa na titularidade do crédito
representado pela cártula. Em fato, permite-se que o
endosso se faça por mero mandato, o que estará
caracterizado quando contiver cláusula como valor em
cobrança, para cobrança, por procuração ou qualquer outra
similar; deixando claro que não houve cessão do crédito,
mas mera outorga de poderes para que o endossatário
exerça, em nome do endossante (alieno nomine), todos os
direitos resultantes do cheque.

É de suma relevância perceber que endossatário-mandatário do


cheque pode transferir o mandato recebido do credor a outrem, através do
substabelecimento, sendo feito novo endosso, embora sem a permissão de
transferir o título em si. Destaca-se de igual modo que o endosso mandato se
conclui com a cobrança da cártula.
Por fim, em relação ao endosso de cheque, destaca-se o endosso-
recolhimento que consiste na entrega do título ao banco, feito diretamente por seu
beneficiário, apresentando a cártula para compensação. Isso é feito junto a
câmara de compensação ou ao caixa. Seguindo s linhas do art. 28 da Lei nº
7.357/85, esse endosso apresenta-se como último, o qual deixa o domínio do
beneficiário para passar ao domínio da instituição financeira, operadora final da
cártula e que a reterá, fazendo prova de seu recebimento, geralmente por meio de
cópia microfilmada.

Aval e suas implicações

O pagamento do cheque pode ser garantido por meio de aval, o qual


poderá ser proporcionado por um terceiro ou, por pessoa que já esteja signatária
do título. É vedado, contudo, a prestação de aval pela própria instituição sacada,
previsão contida no art. 29 da Lei nº 7.357/85. Além disso, a garantia do
pagamento dado pelo avalista pode ser no todo ou parcial. De mesma
esclarecedora, afirma Negrão (2014, p.173)
Pode-se lançar aval no cheque, a favor do emitente, de
qualquer um dos endossantes ou mesmo de outro avalista,
apenas não se permitindo ao sacado que, por natureza, não
se vincula na relação cambial. Trata-se, pois, de garantia,
total ou parcial, prestada por terceiro ou por qualquer
signatário do título.

Importa saber que, conforme disposição do art. 31 da Lei do Cheque, o


avalista se obriga da mesma maneira que o avalizado, subsistindo sua obrigação,
ainda que nula a por ele garantida, salvo se a nulidade resultar de vício de forma.
Isso decorre do princípio da autonomia da obrigação. Salienta-se que o avalista
que paga o cheque adquire todos os direitos dele resultantes contra o avalizado e
contra os obrigados para com este em virtude do cheque, podendo fazer uso de
ação própria para valer o direito de regresso contra o avalizado.
Ademais, conforme Mamede (2014), em relação ao aval existe uma
presunção iuris tantum (relativa), isto é, pressupõem que se o aval foi dado sem a
indicação do avalizado, infere-se que foi a favor do emitente. Não obstante, esta
presunção permite prova em contrário, embora, apenas contra aquele que
participou do ato de dação do aval, excluindo-se terceiros, protegidos que são
pelo princípio da aparência, enquanto princípio cambial.
Ressalta-se que se o avalista for casado em regime distinto que não o
da separação absoluta de bens, a prestação do aval exige autorização do outro
cônjuge, conforme letra do art. 1647, III, do Código Civil. Importa salientar que na
ausência de tal autorização, o cônjuge pode demandar a invalidação do aval,
segundo o art. 1.642, IV, do mesmo código.
2.4 Cheque pós-datado

Cheque pré-datado ou pós-datado é aquele que tem a data posterior à


data em que foi emitido. No mercado consumidor brasileiro, este tipo de cheque é
o instrumento mais ágil e apropriado à documentação do crédito usado pelos
empresários, fornecedores de mercadorias e serviços. Afirma assim Almeida, “A
sua crescente adoção pelo sistema de crediário em lojas e congêneres ampliou
sensivelmente a sua circulação, antes restrita à agiotagem.” (ALMEIDA, 2005,
P.137). Para Negrão,

A prática regular de emissão de cheques pós-datados é


realidade que não pode ser desprezada pelo Direito.
Reconhece-se tratar de instrumento de crédito eficaz e,
também, sua sujeição à tutela de proteção por danos que
possam advir ao emitente em razão do descumprimento por
parte do beneficiário que, desrespeitando o acordado,
apresenta o título antes do prazo estipulado. (NEGRÃO,
2011, p. 145)

Conforme ANDREATTA (2004) O cheque pós-datado não nasceu no


Brasil, mas sim nos Estados Unidos no século XX; no entanto não demorou muito
a aparecer no Brasil. Tal forma de pagamento nasceu da necessidade de
estimular as vendas. Comprar com cheque pós-datado é muito simples, prático e
fácil é só tirar do bolso assinar e comprar.
Conforme VILAÇA (, o cheque pós-datado é um importante instrumento
de concessão de crédito e de circulação de riquezas. A pós-datação representa
um acordo entre tomador e emitente para que o cheque seja apresentado
somente em data futura em relação à real data de emissão.
VILAÇA cita ainda, BOTREL (2004) que confirma a utilidade do cheque
pós-datado como via para a concessão do crédito:

O cheque pós-datado é o instrumento criado pelos


empresários varejista para a concessão direta de crédito aos
seus clientes, sendo o objetivo incentivar o consumo de em
uma sociedade na qual o aumento da demanda por crédito é
conseqüência da renda da população.

Para COVELLO (1994): “O cheque pré-datado, ou pós-datado, como


prefere parte da doutrina, é o cheque emitido com cláusula de cobrança em
determinada data, em geral (sic) a indicada como data de emissão, ou a
consignada no canto direito do talão”
Neste sentido também afirma Ulhoa Coelho,

Se o cheque pós-datado, portanto, apresentado ao sacado


antes da data combinada entre consumidor (emitente) e
fornecedor (tomador), for liquidado, cabe a indenização pela
inadimplência da obrigação de não fazer, contratualmente
assumida – por via oral ou escrita, através de publicidade
(CDC, art. 30) ou de outro meio – pelo credor. (Coelho,
1999, p. 435)

O consumidor em virtude da antecipação do desembolso terá direito a


uma indenização que corresponderá à perda sofrida e será medida pelos juros e
encargos derivados da utilização do crédito aberto pelo banco (uso do limite do
cheque especial), ou pela não-remuneração de recursos do correntista que estava
em aplicações financeiras (fundos de investimento geridos pelo banco), tendo ou
não cláusula de resgate automático.
A Lei do Cheque e seus artigos que se refere ao pressuposto e aos
requisitos de emissão são, também, aplicados ao cheque pós-datado, esse e o
entendimento de Aldrovani (2003): ”Todos os requisitos legais deverão ser
observados quando da emissão do cheque pós-datado, quais sejam, a
denominação cheque, a ordem de pagar quantia determinada, o nome do sacado,
a indicação do lugar do pagamento e da emissão, a assinatura do emitente e a
data conforme determinação legal, sob pena de não valer como cheque (art. 2º,
Lei 7357/85)”.
Em suma, quem concorda em documentar o crédito concedido por
cheque pós-datado deve zelar pela estrita observância do acordo oral feito com o
emitente, quanto à oportunidade da apresentação à liquidação do título. Afinal, foi
no interesse de ambas as partes que se adotou essa alternativa de
documentação do crédito, preferindo-a ao saque de nota promissória ou duplicata,
uso de cartão de crédito e outras existentes.
Por fim, devemos considerar outros desdobramentos do cheque pós-
datado, como servir de título negociável, para fins de desconto bancário
autorizado pelas autoridades monetárias que se sentiram forçadas a autorizarem
os bancos o desconto de cheques pós-datados, como qualquer outro título de
crédito ou cessão para empresa de fomento mercantil (factoring) que concedem
créditos ao consumidor através da documentação dos cheques pós-datados.
Sendo assim, o banco descontador do cheque pós-datado também
sacado, terá a responsabilidade pelos danos que experimentar o consumidor
emitente, se o processamento da liquidação do cheque se iniciar antes da data
que consta na emissão. O mesmo ocorrerá com o banco descontador não sacado
que apresentar precipitadamente o cheque pós-datado para liquidação ao banco
sacado. Responderão pelo mau funcionamento dos serviços bancários.

2.5 Ação de indenização por danos morais

A Súmula 370 do Superior Tribunal de Justiça é clara ao afirmar que há


dano moral quando da má fé do beneficiário em apresentar o cheque pós-datado
antes da data pactuada entre ambas as partes, uma vez que ao pós-datar um
cheque presume-se que há um contrato verbal e que deve ser cumprido por
ambos. Tal conduta viola o principio da boa-fé objetiva, conforme consta no artigo
422 do Código Civil: "os contratantes são obrigados a guardar, assim na
conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-
fé". Portanto, se há um acordo entre as partes, ambos devem zelar para o bom
cumprimento do mesmo.
Também podemos referir o artigo 113 do Código Civil que estabelece:
“Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do
lugar de sua celebração.” Como analisado acima, o cheque é uma ordem de
pagamento à vista, não tendo a presente Súmula alterada a respectiva lei, o que
mudou foi que ao receber cheques pós-datados o beneficiário deve cumprir com o
acordo de apresentar o cheque apenas na data acordada, ou seja, caso ele
apresente o cheque antes da data entabulada entre as partes, poderá responder
pelos danos sofridos ao emitente do cheque.
Quanto à apresentação antecipada de cheque pós-datado, há duas
posições doutrinárias. Têm aqueles que aplicam a Lei nº 7.357/85, pois a referida
lei é clara quando dispõe que o cheque é um título pagável à vista, portanto,
entendem que não há direito a indenização ao emitente do cheque pós-datado, e
têm àqueles que aplicam o Código de 33 Defesa do Consumidor em seu artigo
30, que estabelece proteção às relações de consumo, concluindo que ambas as
partes tem o dever de observar essa obrigação, já que foi celebrado um contrato
verbal entre eles, e, nesse caso defendem o emitente do cheque, entendendo que
ele deve sim ser indenizado.
No sentido do não reconhecimento do dano moral na apresentação
antecipada do cheque pós-datado já se manifestou o Tribunal de Justiça de Santa
Catarina, que negou o pedido de indenização ao emitente do cheque afirmando
que a apresentação antecipada do mesmo não gera dano moral quando não
houver prejuízo efetivo para o emitente:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO


DE CUNHO MORAL. APRESENTAÇÃO ANTECIPADA DE
CHEQUE PÓSDATADO. SENTENÇA DE
IMPROCEDÊNCIA. RELATIVIZAÇÃO DO ENTENDIMENTO
DO ENUNCIADO Nº 370 DA SÚMULA DO STJ.
IMPRESCINDÍVEL DEMONSTRAÇÃO DE EFETIVO
PREJUÍZO A BEM JURIDICAMENTE TUTELADO.
SUBSTRATO PROBATÓRIO INEFICIENTE À RESPECTIVA
COMPROVAÇÃO. CONTA CORRENTE QUE POSSUÍA
SALDO SUFICIENTE PARA COMPENSAR O CHEQUE.
ART. 333, INC. I, DO CPC. AUSÊNCIA DE
CONSTRANGIMENTO. MERO ABORRECIMENTO.
INEXISTÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR. RECLAMO
CONHECIDO E DESPROVIDO. (SANTA CATARINA, 2013
– grifo nosso).

Assim, quando ocorrer à quebra de promessa por parte do tomador do


cheque, o emitente poderá reivindicar indenização em desfavor do mesmo,
acionando o Judiciário para cobrar seus direitos, em razão do acordo entabulado
entre as partes.
Em suma, se as partes entraram em um acordo quanto ao pós-datar o
cheque, ambos devem zelar pela observância do acordo, já que foi no interesse
de ambas as partes que tal alternativa foi adotada. Portanto, se houve o
descumprimento do acordo, o emitente poderá buscar junto ao Judiciário,
indenização pela inadimplência da obrigação por parte do tomador do cheque.
Sendo assim, quando houver um acordo entre as partes e o cheque for
pós-datado devemos utilizar o Código de Defesa do Consumidor para tratar sobre
tal assunto, e quando houver o descumprimento deste acordo e o cheque for
apresentado antes da data acordada entre as partes, poderá ser buscada junto ao
Judiciário a indenização pelo dano moral causado, conforme redigido na Súmula
370 do Superior Tribunal de Justiça.

2.6 Pluralidade de exemplares

Excetuado o cheque ao portador, qualquer cheque emitido em um país


e pagável em outro pode ser feito em vários exemplares idênticos, que devem ser
numerados no próprio texto do título, sob pena de cada exemplar ser considerado
cheque distinto. O pagamento feito contra a apresentação de um exemplar é
liberatório, ainda que não estipulado que o pagamento torna sem efeito os outros
exemplares.
O endossante que transferir os exemplares a diferentes pessoas e os
endossantes posteriores respondem por todos os exemplares que assinarem e
que não forem restituídos. Em principio o cheque só pode ser emitido numa única
via, seja ele ao portador ou nominal.
A Lei Uniforme, entretanto, abre uma exceção, admitindo a emissão do
cheque com pluralidade de exemplares. Isso ocorre tão somente com o cheque
nominal, emitido num país para ser pago em outro, facultada é a emissão com
vários exemplares.
Assim dispõe a lei nominada:
Art. 49 - Excetuado o cheque ao portador, qualquer outro
cheque emitido num país é pagável no outro país ou numa
possessão ultramarina desse país, e vice-versa ou ainda
emitido é pagável na mesma possessão ou em diversas
possessões ultramarinas do mesmo país, pode ser passado
em vários exemplares idênticos.

Quando um cheque é passado em vários exemplares, esses


exemplares devem ser numerados no texto do próprio título, pois do contrário
cada um será considerado como sendo um cheque distinto.
Art. 50 - O pagamento efetuado contra um dos exemplares é
liberatório, mesmo quando não esteja estipulado que este pagamento anula o
efeito dos outros.
O endossante que transmitiu os exemplares do cheque a várias
pessoas, bem como os endossantes subsequentes, são responsáveis por todos
os exemplares por ele assinados que não forem restituídos. Deve os exemplares
ser numerados no próprio texto do título, representando todos os exemplares uma
só obrigação ou valor, e o pagamento de um dos exemplares libera o emitente ou
sacador do resgate dos demais, ainda que não esteja estipulado nos mesmos que
este pagamento anula o efeito dos outros. Não numerados os exemplares, cada
um deles será considerado um cheque distinto.
Não há reserva aos dispositivos acima referidos, razão porque o
principio vige entre nós, conquanto circunscrito ao âmbito internacional, como
aliás proclama o art. 56 da Lei do Cheque.

Art. 56. Excetuado o cheque ao portador, qualquer cheque


emitido em um país e pagável em outro pode ser feito em
vários exemplares idênticos, que devem ser numerados no
próprio texto do título, sob pena de cada exemplar ser
considerado cheque distinto.
Art. 57. O pagamento feito contra a apresentação de um
exemplar é liberatório, ainda que não estipulado que o
pagamento torna sem efeito os outros exemplares.
Parágrafo único. O endossante que transferir os exemplares
a diferentes pessoas e os endossantes posteriores
respondem por todos os exemplares que assinarem e que
não forem restituídos.

Em se tratando de cheque, que também é uma espécie de título de


crédito, embora seja ordem de pagamento à vista, fica o banco sacado obrigado a
efetuar parte do pagamento da quantia prevista no título, apesar dessa prática
não ser utilizada pelas instituições financeiras, a Lei do cheque (7357/85) é clara
em seu artigo 38 parágrafo único: "parágrafo único: o portador não pode recusar
pagamento parcial, e, nesse caso, o sacado pode exigir que conste do cheque e
que o portador lhe dê a respectiva quitação".
Sabe-se que o Código Civil Brasileiro em seu art.277 prevê que o
pagamento efetuado por um dos coobrigados aproveita aos demais. Mais adiante,
o art. 902, §1º determina que o credor não pode recusar o pagamento, ainda que
parcial.
Registre-se ainda que o art. 903 determina a aplicação das disposições
do código, relativas a titulo de crédito aplicam-se a todos os títulos, cujas leis
específicas não disponham de forma diversa.

2.7 Pagamento parcial

Em se tratando de cheque, que também é uma espécie de título de


crédito, embora seja ordem de pagamento à vista, fica o banco sacado obrigado a
efetuar parte do pagamento da quantia prevista no título, caso o correntista
emitente não tenha o valor integral da dívida, mas parte deste? Apesar dessa
prática não ser utilizada pelas instituições financeiras, a Lei do cheque (7357/85)
é clara em seu artigo 38 parágrafo único: "parágrafo único: o portador não pode
recusar pagamento parcial, e, nesse caso, o sacado pode exigir que conste do
cheque e que o portador lhe dê a respectiva quitação".
Assim, ao apresentar um cheque para pagamento e dispondo o
correntista de apenas parte da quantia devida, fica o banco sacado obrigado a
pagar ao beneficiário a quantia disponível e dar quitação parcial no título, cabendo
ao portador o direito de executar o sacador em relação ao valor remanescente.
Também aqui a lei visa o resguardo dos interesses dos demais co-
obrigados (solidários), mitigada sua responsabilidade pela redução da dívida. Tais
normas estão em plena consonância com o Código Civil Brasileiro, aplicável a
todos os títulos de crédito cujas leis específicas não disponham de forma
contrária. Nesse caso a lei civil só vem reforçar o disposto na lei especial, pois
seu art. 277, prevê que o pagamento efetuado por um dos co-obrigados aproveita
aos demais, e o art. 902, § 1º determina que o credor não pode recusar o
pagamento parcial.
Em síntese, as duas leis coexistem no sentido de determinar às
instituições financeiras que operem o pagamento parcial do título, no limite da
disponibilidade do emitente, mediante apresentação do título (cheque),
configurando ato ilícito sua recusa, independente de requisição específica por
parte do interessado direto, o credor (impedido de rejeitar a parcela custodiada).

2.8 Oposição ou contra-ordem (revogação)

O art. 32 da Lei Uniforme dispôs que "a revogação do cheque só


produz efeito depois de findo o prazo de apresentação. Se o cheque não tiver sido
revogado, o sacado pode pagá-lo mesmo depois de findo o prazo".
O art. 35 da Lei nº 7.357/85, sobre aquela medida, dispôs que

"o emitente do cheque pode revogá-lo, mercê de contra-


ordem dada por aviso epistolar (carta), ou por via judicial ou
extrajudicial, com razões motivadoras do ato. Parágrafo
único: a revogação ou contra-ordem só produz efeito depois
de expirado o prazo de apresentação (30 dias) e, não sendo
promovida, pode o sacado pagar o cheque até que decorra o
prazo de prescrição, nos termos do art. 59 desta lei."

O "aviso epistolar" e "via judicial ou extrajudicial" são expressões que


se equivalem, nos efeitos práticos. O cheque, uma vez emitido, portanto, não
constitui documento inquestionável; pode sofrer contra-ordem efetuada com
seriedade pois se deve fundamentar em razões "motivadoras do ato".
A revogação importa na extinção do cheque, de forma conclusiva
provocada pelo emitente. Revogação e contra-ordem são expressões
equivalentes, e é medida exclusiva do emitente. Já na oposição, entretanto, o
emitente e, também o portador legitimado podem fazer sustar o pagamento,
mesmo durante o prazo de apresentação, manifestando ao sacado, por
escrito, oposição fundada em relevante razão de direito. A lei esclarece que a
oposição do emitente e a revogação ou contra-ordens e excluem reciprocamente.
A revogação se distingue nitidamente da oposição. Aquela é exclusiva
do emitente e só produz efeito depois do vencimento do prazo de apresentação
do cheque, ao passo que a oposição pode manifestar-se a qualquer tempo, tanto
pelo emitente como pelo portador legitimado. Assente-se, pois, que
a revogação ou contra-ordem visa desconstituir a ordem contida no cheque, razão
pela qual só pode competir ao emitente; produz efeito definitivo e independe de
especial justificação. A oposição à pagamento não se dirige à ordem mencionada
no cheque, mas ao pagamento, que objetiva sustar, a fim de evitar que a ordem
seja cumprida em favor de quem não seria seu legítimo beneficiário.
Por isso a oposição pode ser de iniciativa do emitente ou do portador
legitimado do cheque e só se justifica quando fundada em ocorrência capaz de
propiciar pagamento a pessoa com legitimação, como se dá nas hipóteses de
perda, extravio, roubo ou apropriação indébita. Não cabe ao banco julgar a
relevância da razão invocada pelo oponente, cabendo-lhe somente cumpri-la, pois
a decisão caberá finalmente ao magistrado quando a ele ela for ter.

2.9 Prazo para apresentação

O cheque deve ser apresentado para pagamento na agência bancária


indicada no seu anverso, que é a dependência onde o emitente tem conta para
fins de emissão chéquica. A apresentação pode ser pessoal ou por intermédio da
rede bancária, sendo que no primeiro caso, o portador legitimado dirige-se à
agência bancária indicada no título, que é aquela onde o emitente tem sua conta
corrente para fins de emissão de cheque e onde estão depositadas as suas
assinaturas. No segundo caso, basta depositar o cheque em conta corrente de
banco a sua escolha, e o pagamento far-se-á pela Câmara de compensação.
Uma correta abordagem do tema passa, primeiramente, pelo prazo de
apresentação do cheque, nos termos da Lei nº 7.357/85 (Lei do Cheque): Art. 33.
O cheque deve ser apresentado para pagamento, a contar do dia da emissão, no
prazo de 30 (trinta) dias, quando emitido no lugar onde houver de ser pago; e de
60 (sessenta) dias, quando emitido em outro lugar do País ou no exterior.
A perfeita análise do dispositivo legal importa em reconhecer se um
cheque foi emitido na praça onde houver de ser pago ou fora dela. Para tanto,
basta comparar o local de emissão do título à praça de pagamento nele
designada (domicílio da agência bancária onde o emitente tem sua conta
corrente): sendo idênticos os municípios, o cheque será considerado como
emitido na praça de pagamento e deve ser apresentado no prazo de 30 dias, a
contar da data de emissão; sendo diversos os locais, o prazo de apresentação
será de 60 dias.
Algumas pessoas, ao emitir um cheque, deixam em branco o local de
emissão; nesses casos, de acordo com o artigo 5º do Anexo ao Decreto nº
1.240/94, que promulgou a Convenção Interamericana sobre Conflitos de Leis em
Matérias de Cheques, o cheque deverá ser considerado como emitido na praça
de pagamento.
A contagem do prazo segue a regra do direito comum, pelo disposto no
parágrafo único do artigo 64 da Lei do Cheque. Assim, de acordo com o artigo
184 do CPC, para a contagem do prazo de apresentação deve-se excluir o dia em
que o cheque foi emitido (dia do começo), devendo o cheque ser apresentado até
o último dia do prazo (dia do vencimento). Se o último dia de apresentação cair
em feriado, o prazo fica prorrogado até o primeiro dia útil seguinte (parágrafo
primeiro do mesmo artigo do CPC).
O cheque apresentado dentro do prazo legal mantém força executiva
contra todos os coobrigados do título, pelo disposto na Lei do Cheque:
Art. 47. Pode o portador promover a execução do cheque:
I - contra o emitente e seu avalista;
II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado
em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por
declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de
apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de
compensação.
Caso tenha sido apresentado fora do prazo prescrito pelo artigo 33 da
Lei ora comentada, o cheque perderá força executiva contra os endossantes e
respectivos avalistas, conforme se depreende do inciso II do artigo 47. Saliente-se
que a perda da força executiva somente se dará em relação aos coobrigados
indiretos já citados, permanecendo o direito de ação contra os obrigados diretos
pelo título (emitente e seus avalistas), conforme Súmula 600 do STF: "Cabe ação
executiva contra o emitente e seus avalistas ainda que não apresentado o cheque
ao sacado no prazo legal, desde que não prescrita a ação cambiária".

2.10 Ação cambial


Ação cambial. No direito brasileiro, a ação cambiária nada mais é que
uma ação executiva típica. Seu objetivo é a cobrança do título cambiário, como,
por exemplo, o cheque, a nota promissória, a letra de câmbio, a duplicata, dentre
outros.
O portador tem o direito de acionar todos os obrigados e coobrigados,
sem estar adstrito a observar a ordem em que eles se obrigaram. Todos os que
se obrigarem na letra a ela se vinculam diretamente, pois suas obrigações são
autônomas, umas em relação às outras. O portador pode eleger apenas um
obrigado, ou então um coobrigado para contra ele dirigir a ação, ou pode
promovê-la contra todos, citando-os solidariamente. O art. 47 da Lei Uniforme
(“LUG”) dispõe sobre o conhecido princípio cambiário de que “os sacadores,
aceitantes, endossantes ou avalistas de uma letra são todos solidariamente
responsáveis para com o portador. O portador tem o direito de acionar todas
essas pessoas individualmente, sem estar adstrito a observar a ordem por que
elas se obrigaram”.
Esse direito se transfere do portador a qualquer dos signatários quando
tenha pago a letra, assumindo este a posição de portador. Por outro lado, a lei
deixa claro que “a ação intentada contra um dos coobrigados não impede acionar
os outros, mesmo os posteriores àquele que foi acionado em primeiro lugar”.
A ação cambial pode ser de duas formas, dependendo de contra quem
será movida e da causa de sua propositura:
a) ação direta: é estabelecida contra o devedor principal (sacado, na
letra de câmbio e duplicata; emitente, na nota promissória e no cheque) e seus
avalistas, sendo nesta hipótese o protesto do título facultativo, pois independe
deste para iniciar o exercício de seu direito de ação. É necessário que seja visível
a verificação do não pagamento, bem como a sua não efetuação na data prevista.
O avalista e o credor poderão ser cobrados em conjunto ou
individualmente. Ao avalista a situação equiparada ao devedor principal,
possibilita que a ação seja movida inicialmente contra ele, antes do devedor. Mas
a ele cabe, depois de pagar a importância devida, agir em regresso contra o
aceitante, e caso este não satisfaça, poderá se voltar aos obrigados anteriores.
b) ação indireta ou ação regressiva: aquela que é movida pelo
portador atual contra os obrigado anteriores, como no caso do endossante que
paga ao endossatário. Ela hoje se consubstancia na ação de regresso, havendo
obrigatoriedade da existência de protesto, sob pena de perda do seu direito de
regresso.
Não satisfeito o credor na totalidade da dívida pelo devedor principal e
pelo avalista, será permitido iniciar ação de regresso contra os obrigados
regressivos.

 Da ação de protesto no cheque

Quando ocorrer o não pagamento do cheque, terá o beneficiário o


direito ao protesto cambiário, típico dos títulos de crédito como a letra de câmbio,
a nota promissória e a duplicata. Protesto deriva do latim “protestare” que
significa, declarar alto e em bom som, afirmar, é a apresentação pública do título
do devedor para pagamento. Segundo a Lei nº 9.492, de 10 de setembro de
1997, em seu Art. 1º “Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a
inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros
documentos de dívida”.
Quando um título não é pago na data prevista, o credor pode exigi-lo
publicamente, através do Cartório de Protesto de Título, no primeiro dia útil
posterior ao do vencimento. Dá-se a falta de pagamento, quando o sacado a
quem o título deve ser apresentado, não é encontrado ou se a ele apresentado,
não o pagar, sem recusa formal. Dá-se a recusa de pagamento se o título, uma
vez apresentado por portador legitimado, não é solvido, com negativa formal do
sacado legítimo. Para o cheque prevalecem ambas as situações relacionadas.
O protesto é um ato público e solene e serve para demonstrar de
maneira inequívoca que o título foi apresentado em tempo oportuno e o sacado
deixou de convertê-lo em dinheiro, tendo, ainda, que salvaguardar os direitos
cambiários emergentes do documento. Devemos ressaltar que o protesto é
facultativo para fins de execução judicial do cheque, conforme dispõe o § 1º do
Art. 47: “Qualquer das declarações previstas neste artigo dispensa o protesto e
produz os efeitos deste”.
Porém, como é grande a publicidade de um protesto, será um
excelente meio de compelir o devedor a saldar o débito, pois o cheque protestado
pode implicar restrição ao crédito do emitente na praça, pois os serviços de
proteção ao crédito e as agências de informações costumam anotar em seus
arquivos; hoje em dia todos os protestos que se realizam foram substituídos por
sofisticados computadores.

 Da ação de execução de título extrajudicial

Os títulos executivos extrajudiciais estão elencados nos incisos do


artigo 784 do Código de Processo Civil, os mais conhecidos são: a letra de
câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture, o cheque entre outros. Os
bancos, tentando escapar da fase de conhecimento, ainda tentam executar
determinados créditos bancários, e alguns casos foram devidamente
sumulados pelo Superior Tribunal de Justiça, vejamos:
Súmula 233 STJ: O contrato de abertura de crédito, ainda que
acompanhado de extrato da conta corrente, não é título executivo.
Súmula 258 STJ: A nota promissória vinculada a contrato de
abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a
originou.
Portanto, através das súmulas citadas acima o Superior Tribunal de
Justiça, pacificou os entendimentos sobre determinados títulos bancários e sua
falta executoriedade.
Pacificado o entendimento sobre os títulos executivos extrajudiciais,
vamos identificar alguns pontos da lei 11.382/06:
a) dos embargos do devedor: é a defesa do executado, sendo uma
ação de conhecimento incidental, devendo ser distribuída por dependência em
autos apartados. Antes da Lei 11.382 entrar em vigor, o prazo para opor os
embargos eram de 10 dias, iniciando a contagem a partir da intimação do
executado sobre a realização da penhora, e com a redação trazida pela lei
11.382 de 2006, os embargos deve ser opostos em 15 dias a contar da juntada
do mandado de citação nos autos, ainda outra alteração, é que o executado
não tem mais a obrigatoriedade de apresentar caução, penhora ou depósito
para se opor à execução através dos embargos.
Temos que a modificação mais discutida até o momento é que a
oposição dos embargos somente suspende a execução caso o executado
requeira e ainda comprove a relevância dos embargos e que caso não haja a
suspensão ocorrerá dano grave, de difícil ou incerta reparação e ainda deve
garantir a execução através de penhora, caução ou depósito.
Por fim, neste tópico sobre embargos do devedor, a lei castiga o
executado que apresentar embargos manifestamente protelatórios, impondo
multa de até 20% do valor em execução, esta multa será revertida em favor ao
exequente.
b) da certidão comprobatória: o exequente tem a possibilidade de
requerer certidão comprobatória do ajuizamento da ação de execução,
demonstrando o valor da dívida e as partes, para poder averbar junto aos
Cartórios de Registros de imóveis, registro de veículos ou outros bens sujeitos
a penhora ou arresto, dificultando ao executado fraudar a execução,
desfazendo de seus bens. Estas averbações serão canceladas logo após a
formalização da penhora, por ordem do juiz.
c) do parcelamento da dívida: de acordo com a Lei 11.382/2006,
onde, pela busca da rápida solução da lide e pagamento da divida, foi dado ao
devedor a faculdade de requerer o parcelamento de seu débito, onde
reconhecendo a dívida, no prazo para oposição dos embargos, isto é, 15
(quinze) dias contados da juntada aos autos do mandado de citação, mediante
o depósito de 30% (trinta por cento) do valor executado, incluindo os valores
gastos com custas e honorários advocatícios da outra parte, sendo que o
restante possa ser dividido em 06 (seis) parcelas mensais corrigidas
monetariamente e com acréscimo de juros de 1% (um por cento ao mês).
Ficou evidenciado, a busca do legislador pela celeridade na
execução de título extrajudicial, protegendo o credor dando a ele a
oportunidade de indicar bens a penhora do executado bem como registrar a
penhora através de certidão comprobatória no cartório de registro de imóveis e
DETRAN, não deixando o devedor dilapidar seus bens.

 Da ação de locupletamento injusto

Interessante ação de locupletamento indevido, uma alternativa muito


interessante de ação cambiária a ser ajuizada quando já houver decorrido a
prescrição da ação executiva, com vantagens em relação à ação de cobrança ou
monitória.
A ação de enriquecimento ilícito é uma ação cambial e o seu
procedimento está previsto na Lei do Cheque 7.357/1985 - artigo 61 que dispõe:
Art. 61 - A ação de enriquecimento contra o emitente ou outros obrigados, que se
locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque, prescreve em 2
(dois) anos, contados do dia em que se consumar a prescrição prevista no art. 59
e seu parágrafo desta Lei.
Esta ação tem o destaque primordial em relação a prescrição da ação
executória, ou seja, após ocorrer a consumação do prazo da via executória de 6
(seis) meses, o que o título cambial já estará prescrito para efeitos executivos, o
credor terá a partir deste lapso temporal, o prazo de 2 anos para propor a ação de
enriquecimento contra o emitente ou outros obrigados que se locupletaram
injustamente.
O instituto da ação de locupletamento, vale lembrar, é de antiga
previsão em nosso ordenamento, sendo certo que nele foi introduzido pela antiga
Lei Cambial (Decreto nº 2044/1908), por seu turno mantido pela Lei Uniforme (art.
25, Anexo II) e permanecendo até os dias de hoje, agora com a escora do artigo
61 da Lei do Cheque, sendo que há tempos a jurisprudência pátria se pronuncia
sobre esse instituto, como neste julgado do Tribunal de Justiça do Paraná, de
1962:
"CAMBIAL – Título prescrito – Ação de locupletamento –
Procedência – Apelação não provida – Inteligência do art. 43 da lei cambial.
A ação de locupletamento, mesmo para o caso de cambial prescrita,
tem evidente apoio em nosso direito, resultado de dispositivo claro e expresso da
lei cambial, o seu art. 48. A prova do prejuízo é feita pelo portador com a simples
exibição do título, cabendo ao devedor a prova em contrário. “(TJPR, Apelação
Cível nº 359/62, RT 362/419)
Na ação de enriquecimento ilícito para a sua propositura, dispensa a
prova da existência da relação causal, bastando à simples exibição do título
cambial prescrito, o cheque. A ação de enriquecimento ilícito pode seguir dois
ritos, o que por ser uma ação de conhecimento, se for proposta perante a Vara
Cível (Justiça Comum) pode ser pelo rito ordinário ou sumário caso o valor da
ação for até 60 salários mínimos (art. 275, inciso I do Código de Processo Civil).
Se a ação for proposta perante os Juizados Especiais Cíveis (Justiça
Especial) o valor da causa não pode ultrapassar 40 salários mínimos, observando
que os legitimados a propor a ação são aqueles definidos no art. 8º § 1º da Lei
9.099/95 - veja maiores detalhes no tópico Juizados Especiais.
Outrossim, deve ser levado em conta, ainda, o poder econômico da
ofensora fato que a função sancionadora da indenização por dano busca o efeito
de atingir o patrimônio daquele que ofende, de forma a coibir que outras pessoas
venham a ser novamente lesadas/prejudicadas/enganadas pelo mesmo ofensor.
 Da ação Monitória

A Ação Monitória surgiu através da Lei 9.079/1995, destina-se a


constituir um título executivo (exemplo: duplicata) para execução contra o devedor
inadimplente. Um documento por escrito é suficiente para comprovar pagamento
de soma em dinheiro ou entrega de bem móvel determinado. Estando
documentado o pleito, o juiz deferirá de plano a expedição do mandado de
pagamento ou de entrega da coisa no prazo de quinze dias.
Se o devedor não opor embargos à ação será constituído, de
pleno direito, o título executivo judicial, convertendo-se o mandado inicial em
mandado executivo. Antes da Lei 9.079/1995, quem quisesse provar ser titular de
um bem teria primeiro que ajuizar uma ação para reconhecimento do título e só
então torná-lo disponível para execução.
A ação monitória compete a quem pretender, com base em prova
escrita sem eficácia de título executivo, pagamento de soma em dinheiro, entrega
de coisa fungível ou de determinado bem móvel. Estando a petição inicial
devidamente instruída, o juiz deferirá de plano a expedição do mandado de
pagamento ou de entrega da coisa no prazo de quinze dias. No prazo previsto no
artigo anterior, poderá o réu oferecer embargos, que suspenderão a eficácia do
mandado inicial. Se os embargos não forem opostos, constituir-se-á, de pleno
direito, o título executivo judicial, convertendo-se o mandado inicial em mandado
executivo.
Cumprindo o réu o mandado, ficará isento de custas e honorários
advocatícios. Os embargos independem de prévia segurança do juízo e serão
processados nos próprios autos, pelo procedimento ordinário. Rejeitados os
embargos, constituir-se-á, de pleno direito, o título executivo judicial, intimando-se
o devedor e prosseguindo-se na forma prevista no Livro I, Título VIII, Capítulo X
do CPC. Veja Arts. 1.102a a 1.102c do Código de Processo Civil e Lei n°
9.079/95.

 Da ação de prescrição.

Caso nas relações empresariais o credor que se sentir lesado pela


alguma inadimplência causada pelo devedor, e que esteja a relação negocial
ligada ao pagamento com cheques, deverá atentar com cuidado ao prazo
estabelecido em lei para a cobrança.
Pelo ordenamento jurídico, a ação competente para cobrança do
cheque em relação ao prazo prescricional, é a Ação de Execução de Título
Extrajudicial com observância no disposto nos artigos 585 inciso I do código de
Processo Civil e art. 47 da Lei 7.357/1985.
Prescreve em 6 meses contados da expiração do prazo de
apresentação, a ação por falta de pagamento. A ação de regresso de um
obrigado ao pagamento do cheque contra outro prescreve em 6 meses, contados
do dia em que o obrigado pagou o cheque ou do dia em que foi demandado.
A interrupção da prescrição produz efeito somente contra o obrigado
em relação ao qual foi promovido o ato interruptivo. A ação de enriquecimento
contra o emitente ou outros obrigados, que se locupletaram injustamente com o
não pagamento do cheque, prescreve em 2 anos, contados do dia e quem se
consumar a prescrição prevista no art. 59. (6 meses). Salvo prova de novação, a
emissão ou a transferência do cheque não exclui a ação fundada na relação
causal, feita a prova do não pagamento.
Caso o portador não exerça o seu direito de ação dentro do prazo
previsto no artigo 59 da Lei do Cheque, estará o título em questão carecedor da
força executiva, perdendo a sua eficácia de título de crédito, o que para efeitos
executivos estará prescrito em razão de que não fora cumprida a obrigação de
fazer dentro do prazo previsto, e não poderá o portador exercer mais o seu direito
pela via executiva.
O Excelso Pretório (STF) editou em sede de sua jurisprudência a
Súmula nº 600, advertindo que a ação executória do título cambial é cabível
somente no caso de a mesma for proposta dentro do prazo de prescrição que a
Lei Cambial prevê, do contrário não terá cabimento a via executiva de um título
que já se encontra prescrito.
Súmula 600 STF – “Cabe ação executiva contra o emitente e seus
avalistas, ainda que não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde
que não prescrita a ação cambiária”.
Caso o título cambial já esteja definitivamente prescrito, caberá ao
portador outras alternativas judiciais para fazer valer o seu direito em exigir o
cumprimento da obrigação pelo devedor, o que poderá ajuizar a competente Ação
Monitória a qual é uma via judicial cabível em relação a títulos cambiais
prescritos, como o cheque, e ainda as ações de enriquecimento ilícito e
enriquecimento sem causa, além da ação de cobrança que no caso exige-se
prova da relação comercial, relação de consumo como notas de venda,
comprovantes que comprovam a relação jurídica.
Em relação a Ação Monitória, o procedimento está previsto nos artigos
1.102-A a 1.102-C do Código de Processo Civil, considerando ainda o disposto na
Súmula 299 do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que “ É admissível a ação
monitória fundada em cheque prescrito.”
Em relação às ações de enriquecimento ilícito (ação de locupletamento
injusto) e de enriquecimento sem causa, os procedimentos estão definidos
respectivamente nos artigos 61 e 62 da Lei Cambial (7.357/85).
A ação judicial de enriquecimento ilícito (ação de locupletamento
injusto) dispensa a prova da existência da relação causal, bastando a simples
exibição do cheque prescrito, com prazo prescricional de 2 (dois) anos, a contar
da prescrição da execução.
A ação de enriquecimento sem causa (locupletamento causal) para a
sua propositura, é necessária a demonstração da relação fundamental, ou seja,
do negócio que deu origem ao cheque. Como exemplo nas relações comerciais,
alguma nota fiscal, notas de venda em relação ao produto e ao serviço prestado
etc. O que o título servirá apenas como prova da inadimplência da relação
fundamental.
E neste tipo de ação baseada na relação causal, o credor poderá se
valer de duas opções: manejar ação de cobrança baseada na inadimplência do
devedor ou realizar a propositura da ação causal propriamente dita para
discussão do negócio fundamental, o que pode ser proposta a qualquer tempo
inclusive enquanto o cheque tiver força executiva, sendo o que é mais comum
propor-se a ação de cobrança.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista as características apresentadas neste trabalho,


delineada a problemática e analisadas as várias jurisprudências e correntes
doutrinárias, feitas as comparações necessárias, conclui-se que o cheque,
malgrado opiniões em contrário, é um título de crédito, porquanto presentes os
requisitos próprios de título de crédito, quais sejam, a cartularidade, a literalidade
e a autonomia, Por conseguinte preenchidos os requisitos formais reclamados
pela Lei. O cheque pós-datado, por não se desnaturar, mantém-se como
verdadeiro cheque, e, como tal, um título de crédito, porque a Lei 7357/85 não lhe
retira a sua eficácia cambiária, conservar-se como uma ordem de pagamento à
vista.
Observa-se, ainda, que todos os requisitos e pressupostos para
emissão previstos na Lei do cheque são aplicados ao instituto em estudo,
merecendo destaque apenas para a data de emissão que, no cheque pós-datado,
tem como única consequência à dilação do prazo prescricional.
Por fim, conclui-se que se entendermos segurança jurídica como um
direito de todos e que só existe segurança jurídica onde houver justiça os
tribunais tem proporcionado ao instituto cheque pós-datado uma relativa
segurança jurídica com fundamento na integração das normas e no princípio da
equidade.
Entende-se que a Lei não se destina a um corpo social moribundo, mas
a uma sociedade viva, em mobilidade, tendo épocas de crises, estabilidades e
desenvolvimento. Por isso pela integração da norma, deve-se, adaptar a velha Lei
aos novos tempos, sem, entretanto, abandoná-la. Acrescenta-se, ainda, que o
direito deve acima de tudo estabelecer o equilíbrio entre segurança e justiça,
realizando a segurança com o mínimo de sacrifício da justiça.
Portanto, cumpre ao Poder Legislativo editar normas que regulem este
costume comercial, analisando os benefícios e as temeridades, mantendo as
normas atuais, ou apenas aceitando o cheque como instrumento de circulação de
riquezas.

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