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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
IT 390 - LABORATÓRIO DE ENGENHARIA QUÍMICA I

Determinação do Número de Reynolds Crítico

GOMES, G. D.1, SILVA, A.C1, SILVA, L. M. M.1, TAVARES, C. A.1,


MACHADO JR, H. F.2

1
Alunos do DEQ/UFRRJ
2
Docente do DEQ/UFRRJ

RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo a determinação do


número de Reynolds crítico, através da obtenção de valores da perda de
carga com a vazão num tubo de vidro circular reto. Além disso, foi possível
observar visualmente as características do escoamento laminar e turbulento,
através do experimento de Reynolds (1883). Foram realizadas comparações
entre os modelos de fator de atrito de Fanning e Churchill com as
correlações experimentais encontradas na literatura. Os resultados
experimentais (visual) obtidos para caracterizar o tipo de escoamento foram
comparados com os teóricos. O fator de atrito experimental foi calculado
através da equação de Fanning e comparado com outras correlações
existentes na literatura. A correlação escolhida para esse trabalho foi a
equação de Churchill (1977).

Palavras-chave: Reynolds crítico, escoamento laminar e turbulento,


fator de atrito.

1. INTRODUÇÃO

Em 1883, quando injetava corantes em correntes alimentadas por tanques com


cargas constantes, Osborne Reynolds observou dois tipos distintos de escoamentos.
Em velocidades rellativamente baixas, as partículas se moviam muito regularmente,
permanecendo paralelas em todas as partes. A esse tipo de escoamento denominou-
se como escoamento laminar devido ao fato de o fluido se mover em lâminas
paralelas. Dessa forma, é possível observar que o corante se move ao longo de uma
linha reta fina. Por outro lado, em velocidades mais elevadas, Reynolds observou
que o corante se interrompia abruptamente, difundindo-se através do tubo. Para
velocidades mais elevadas, o ponto de interrupção se move no sentido contrário ao
da corrente até que, finalmente, ele se torna turbulento em toda parte (SISSOM e
PITTS, 1988).
Reynolds concluiu que o critério mais apropriado para se determinar o tipo de
escoamento em uma canalização não se atém exclusivamente ao valor da
velocidade, mas a uma expressão adimensional na qual a viscosidade do liquido
também é levada em consideração. Ele observou também que o fenômeno ensaiado,
dependia das seguintes variáveis:

ρ - massa específica do fluido;


v - velocidade média do escoamento;
D - diâmetro interno da tubulação;
μ - viscosidade do fluido.

Através da análise adimensional, ele obteve o chamado número de Reynolds


(Re) representado pela Equação (1):

Dvρ
Re = (1)
μ

O número de Reynolds é uma variável de grande importância no estudo do


escoamento de fluidos, pois ele caracteriza o tipo de escoamento. Assim, o escoamento
de um fluido pode ser classificado como turbulento, laminar ou crítico (transição). O
número de Reynolds é amplamente utilizado no estudo dos fenômenos de transporte e
no projeto de equipamentos que envolvam o escoamento de fluidos.
Quando o número de Reynolds assume valores abaixo de 2000 caracteriza um
regime laminar e valores acima de 4000 caracteriza um regime turbulento. O
escoamento é dito instável, podendo mudar de um regime para outro se este número se
estabelecer entre 2000 e 4000, faixa esta também denominada de número de Reynolds
crítico.
O escoamento laminar é aquele no qual o fluido escoa em lâminas ou camadas, não
há mistura macroscópica de camadas adjacentes de fluido. Já a turbulência ocorre
quando as forças viscosas no fluido não são capazes de conter flutuações aleatórias no
movimento do fluido (geradas, por exemplo, pela rugosidade da parede de um tubo) e o
escoamento torna-se caótico.
Assim como número de Reynolds, outra grandeza importante para o escoamento em
tubos circulares é o fator de atrito, que relaciona a perda de carga com cada um dos
parâmetros condicionantes do tipo de movimento. (ALMEIDA et al.,2011). Ele é obtido
através de fórmulas teórico-experimentais ou via gráficos e é uma função de Reynolds e
da rugosidade relativa (ɛ/D) da tubulação.
Como o fator de atrito está relacionado com o número de Reynolds, diferentes
correlações são utilizadas para calculá-lo, dependendo do tipo de escoamento.
Para o regime laminar tem-se a Equação de Fanning (2):
64
f 
Re (2)

E para o regime turbulento diversas correlações são fornecidas pela literatura, porém
neste trabalho é utilizada a Equação de Churchill (1977):
1
 8 12  12
  1
f  8     
 Re   A  B 2 
3
 (3)

Sendo:
16
  
  
  1  (4)
A  2,457  ln  

  7   0,27   
0,9

  Re
   D 

 27530 
16 (5)
B 
 Re 
Existem várias fórmulas teórico-experimentais para cálculo da perda de carga
normal, que podem ser usadas dentro dos seus respectivos limites em substituição ao
ábaco de Moody. Contudo, no presente trabalho utilizou-se a equação de Fanning para a
determinação do fator de atrito e, para fins de comparação, utilizou-se a correlação de
Churchill, que é válida tanto para faixa laminar quanto para turbulenta.

2 - MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 – MATERIAIS
Foi montada uma unidade em que seria observado o escoamento de água através
de um duto circular de vidro transparente. A unidade é formada por um tanque de água,
um reservatório de corante, válvulas de controle de vazão e um medidor de pressão do
tipo manômetro de tubo inclinado. O tanque de água tem volume suficiente para que o a
quantidade de água retirada não cause uma variação significativa do nível do mesmo.
Um esquema mais detalhado pode ser visto na Figura 1 abaixo.
Provetas graduadas e um cronômetro foram utilizados para tomar as vazões
volumétricas. O corante utilizado foi o azul de metileno e o fluido manométrico é uma
mistura 50% tolueno, 50% tetracloreto de carbono. Além disso foi utilizado régua; fita
métrica; fluido manométrico; proveta graduada; azul de metileno; água; cronômetro.

Figura 1 – Unidade do experimento de Reynolds


2.2. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Para execução do experimento, primeiramente, foi anotada a altura de fluido


manométrico com a válvula fechada, em seguida variou-se a vazão, medindo-se a
altura de fluido manométrico e liberando-se o corante (azul de metileno) para observar
o regime de escoamento. Além disso, mediu-se o volume de líquido (água) em relação
ao tempo de escoamento todas as vezes que a vazão foi variada.

Variando-se a velocidade de escoamento, Reynolds observou comportamentos


distintos da linha de corante que escoava no centro o duto de vidro. A Figura 2 nos
mostra os resultados observados visualmente.

Figura 2 – Resultados observados por Reynolds

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A tabela abaixo contém os dados experimentais de volume de água medidos na


proveta durante determinada quantidade de tempo, bem como as alturas medidas em
cada ponto.
Tabela 1 – Dados experimentais

H H
Média Volume Média
Pontos Tempo (s)
t (s) (mL) v (mL) vertical inclinado
10,09 650
1 9,9 10,06 640 636,6666667 4,5 6,7
10,19 620
10,16 605
2 10,19 10,18 600 601,6666667 4,6 6,6
10,21 600
10,25 590
3 10 10,02 580 583,3333333 4,9 6,4
9,81 580
10,12 530
4 10,19 10,18 550 541,6666667 5,3 6,1
10,25 545
10,1 520
5 10,22 10,30 530 528,3333333 5,6 6
10,59 535
10,25 470
6 10,25 10,21 480 473,3333333 5,8 5,8
10,15 470
10,03 430
7 10,1 10,06 440 433,3333333 6 5,4
10,06 430
5,25 220
8 5,28 5,28 220 218,3333333 6,3 5,2
5,31 215
5,25 205
9 5,25 5,22 200 200 6,6 5
5,18 195
5,25 185
10 5,09 5,20 170 175 6,8 4,8
5,28 170
5,19 140
11 5,09 5,16 140 140 7 4,6
5,22 140
10,07 260
12 10,06 10,10 250 256,6666667 7,1 4,4
10,19 260
10,28 220
13 10,22 10,16 220 218,3333333 7,2 4,2
10 215
10,32 150
14 10,31 10,33 155 153,3333333 7,2 4
10,38 155
A partir destes dados foi possível calcular a vazão média, a velocidade do
escoamento e o número de Reynolds para cada ponto usando as seguintes equações:

Vmédio
Qmédio 
tempo (6)
Sendo,
Qmédio = vazão média;
Vmédio= volume médio.

Qmédio Qmédio
v medio  
Área D2
 (7)
4
Sendo,
Vmédio= velocidade média;
D = diâmetro interno do tubo = 1,53 cm.

Dv 
Re 
 (8)
Sendo,
Re = número de Reynolds;
 = massa específica da água = 1 g/cm3;

 = Viscosidade da água = 0,01 g/cm.s.


Tabela 2 – Dados de vazão, velocidade e número de Reynolds.

Qmédio Velocidade
Pontos
(mL/s) (cm/s) Reynolds

1 63,286945 34,42241917 5266,63

2 59,06413613 32,12559007 4915,215

3 58,21689953 31,66476939 4844,71

4 53,17408377 28,92193012 4425,055

5 51,27790359 27,89057825 4267,258

6 46,32952692 25,19910537 3855,463

7 43,0606161 23,42111121 3583,43

8 41,3510101 22,49123896 3441,16

9 38,26530612 20,81289288 3184,373

10 33,61075544 18,28123498 2797,029

11 27,09677419 14,73821369 2254,947

12 25,39577836 13,8130246 2113,393

13 21,47540984 11,6806959 1787,146

14 14,83392454 8,068323862 1234,454

Para calcular o ∆Hcorrigido e o ∆P foram usados

hcorrigido  h  cos( )
(9)
A altura de referência utilizada para calcular o ∆H foi 3,6 cm.
P  h   fm  g
(10)
Sendo,
ρfm = a densidade do fluido manométrico

Tabela 3 – Dados de altura e pressão.

H H ∆H
∆H ∆P
vertical inclinado corrigido

4,5 6,7 3,1 1,7515 2115,549

4,65 6,6 3 1,695 2047,306

4,9 6,4 2,8 1,582 1910,819

5,3 6,1 2,5 1,4125 1706,088

5,6 6 2,4 1,356 1637,845

5,8 5,8 2,2 1,243 1501,358

6 5,4 1,8 1,017 1228,383

6,3 5,2 1,6 0,904 1091,896

6,6 5 1,4 0,791 955,4094

6,8 4,8 1,2 0,678 818,9223

7 4,6 1 0,565 682,4353

7,1 4,4 0,8 0,452 545,9482


7,2 4,2 0,6 0,339 409,4612

7,25 4 0,4 0,226 272,9741

A partir dos dados acima foi calculado o fator de atrito experimental segundo a
equação de definição do fator de atrito.Também foi calculado o fator de atrito utilizando
o modelo de Fanning e a correlação de Churchill, a fim de serem feitas comparações
entre valores experimentais com os valores obtidos nos modelos.

1 P  D
f exp 
2   L  v2 (11)

L é o comprimento do tubo. Nesse caso, L=100cm.

16
f Fanning 
Re (12)

1
 8 12  12
  1
f churchill  8     
 Re   A  B  2 
3
(13)

16
  
  
 
A  2,457  ln 
1
 
 
0 , 9
  7  (14)
   Re   0,27  D 
   

16
 27530 
B 
 Re  (15)
Tabela 4 – Cálculos de coeficiente de atrito

f
f(exp) A B Churchill
(Fanning)

0,013658462 0,003038 4,48215E+18 3,10724E+11 0,037295

0,015175462 0,003255 3,79016E+18 9,38034E+11 0,038085

0,014579018 0,003303 3,65866E+18 1,18199E+12 0,038254

0,015603009 0,003616 2,9267E+18 5,03733E+12 0,039336

0,016107164 0,003749 2,67389E+18 9,00567E+12 0,039783

0,018087366 0,00415 2,07159E+18 4,56746E+13 0,041073

0,017130909 0,004465 1,71899E+18 1,47271E+14 0,042041

0,016512625 0,00465 1,54881E+18 2,81593E+14 0,042592

0,016872756 0,005025 1,26619E+18 9,73907E+14 0,043676

0,018745329 0,00572 8,98792E+17 7,75797E+15 0,045543

0,024034395 0,007096 5,00219E+17 2,43623E+17 0,046692

0,021889473 0,007571 4,17552E+17 6,8741E+17 0,044467

0,02295814 0,008953 2,59185E+17 1,0054E+19 0,036972

0,032078661 0,012961 8,58094E+16 3,74372E+21 0,051845


Para uma melhor comparação entre os fatores de atrito, foi montado o seguinte
gráfico:

0.06

0.05
FATOR DE ATRITO

0.04

0.03 Experimental
Fanning
0.02
Churchill

0.01

0
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000
REYNOLDS

Figura 3 – Coeficiente de atrito experimental, de Fanning e de Churchill em função do


número de Reynolds.

4. CONCLUSÃO

Foi possível distinguir o escoamento laminar e o turbulento tanto pela


observação das linhas de correntes quanto pelo comportamento dos fatores de atrito
quando plotados em função do número de Reynolds. O Reynolds crítico obtido
ficou abaixo da literatura que nos informa um Reynolds crítico de 2000-2300, mas o
experimento foi válido permitindo verificar o comportamento do fator de atrito e da
queda de pressão conforme se variava a velocidade de escoamento. Fatores como a
variação no nível do tanque que deveria ser mantido constante além de erros
causados pela dificuldade na medição da vazão e leitura da queda de pressão
contribuíram podem ter contribuído para a não obtenção de valores mais próximos
aos da literatura.
A correlação de Churchill (1997) se mostrou válida para o regime turbulento
fornecendo valores mais próximos aos experimentais que os calculados por Fanning
que só se comportou de maneira razoável no regime laminar, como já era esperado,
ficando cada vez mais distante conforme o aumento da velocidade de escoamento,
enquanto que os valores obtidos por Churchill (1997) ficavam mais próximos.

Sugestões de melhoria no experimento:

- Aumentar o diâmetro do tanque de armazenamento de água reduzindo assim a


velocidade da queda de nível da água mantendo a velocidade de escoamento mais
constante e por consequência reduzindo os erros durante o procedimento
experimental;
- Relacionar o fator de atrito experimental com outras equações teóricas
direcionadas pelo tipo de regime de escoamento e rugosidade do tubo;
- Melhorar a condição do fluido manométrico, pois este se encontra com muitas
impurezas incorporadas, dificultando a leitura da altura atingida;
- Introduzir um reciclo constante da saída do sistema até o tanque de alimentação,
para que não haja variação de nível.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA et al., Laboratórios didáticos do Departamento de Engenharia Química:
Da teoria à prática, EDUR, 2011.
ANGELO, E. (2008) – Nota de aula da disciplina Fenômenos de Transporte I,
Universidade Presbiteriana Mackenzie.
SCHEID, C.M. (2007/2008), Notas de aula de Mecânica dos Fluidos,
DEQ/IT/UFRRJ
SISSOM, L. E., PITTS, D. R., Fenômenos de transporte, 1ª Edição, Editora
Guanabara S.A., 1988;

PERRY, R. H.; GREEN, D. W. & MALONEY, J. O. Perry-s Chemical Engineer’s


Handbook, 5th Edition, Mc Craw-Hill.