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Procurador-Geral do . ~
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EX.m'. Sr. Governador do
PARECERN' H ~ /2010-PROCADIPGDF
PROCESSO N.o 400.001.77112009 DF' em, '__ I
INTERESSADO: SECRETARIA DE ESTADO DE JUSTIÇA, DIREITOS HUMAN
E CIDADANIA DO DISTRITO FEDERAL
ASSUNTO: CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL DE SERVIÇOS - CIAGO

EMENTA: ADMINISTRATIVO. PRESTAÇÃO DE


SERVIÇOS PARA OPERACIONALIZAÇÃO DO CENTRO DE
INTERNAÇÃO DE ADOLESCENTES GRANJA DAS OLIVEIRAS -
CIAGO. CONTRATAÇÃO DIRETA EMERGENCIAL. ART. 24, IV DA LEI
N° 8.666/93.
1. Deficiência de instrução dos autos que impede a emissão de
o juízo de certeza quanto ao atendimento de todos os requisitos elencados na
Decisão n° 3.500/99 do Tribunal de Contas do Distrito Federal (precedentes:
Pareceres n° 242/2008 e 699/2009- PROCADIPGDF).
2. Considerações a respeito da fase interna do procedimento,
bem como da observância do art. 26 da Lei n° 8.666/93.
3. Parecer pela inviabilidade da imediata contratação direta com
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fundamento no art. 24, IV da Lei n° 8.666/93.
PEÇA ~13.
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limo Sr. Procurador-Chefe da Procuradoria Administrativa, T'-\
1. RELATÓRIO
o Trata-se de procedimento administrativo em que a Secretaria de Estado
de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania solicita a esta Procuradoria a emissão de
parecer juridico acerca de pretendida contratação direta de entidade, mediante dispensa
de licitação fundamentada no art. 24, IV da Lei 8.666/93, para a "prestação de
serviços de apoio operacional do Centro de Internação de Adolescentes Granja das
Oliveiras - CIAGO, por período de 6 (seis meses)" (cf. minuta de contrato, cláusula
terceira, fi. 469).

. A situação emergencial que motivou a pretendida contratação direta foi


assim exposta pela Unidade de Administração Geral (fi. 464):

"A emergência está no fato de que o entendimento dominante


no âmbito do Distrito Federal é pela impossibilidade de se promover processo
licitatório para gestão e operacionalização de medidas socioeducativas de
restrição de liberdade. eis que monopólio do Estado. além da falta de
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condições materiais e humanas do Distrito Federal de assumir as atividades


do CIAGD. Também está caracterizada a emergência pelo fato de que a falta
de operação do CIAGO, colocará em risco os internos, os servidores e o
patrimônio público que lá figura, deixando-os à própria sorte, conforme
enquadramento promovido pelo art. 24, inciso IV da LLC"

Da instrução destacam-se os seguintes documentos:

• Projeto Básico (fls. 02/43 e 135/176) e sua aprovação (fi. 176);


• Anexos:
~ Parecer n" 465/2009 - PROPRESlPGDF (fi. 45);
~ Parecer n° 718/2009-PROCAD/PGDF (fi. 47);
~ Portaria n° 236/2009 - SEPLAG/GDF (fi. 48);
o ~ Regulamento do concurso, datado de 22.10.2009 (fls. 49/54);
~ Ordem de Serviço n° 117, datada de 1.10.2009 (fi. 54);
• Memorando nO989/2009 - SUBJUS (fls. 55/56);
• Solicitação de propostas comerciais relativa à aquisição de material de
consumo e de itens de alimentação (fls. 57/62), respostas (fls. 76/130) e
mapa da pesquisa de preços (fls. 134);
• Documento "Operacionalização do Centro de Internação de
Adolescentes Granjas das Oliveiras - CIAGO" (fls. 63/75);
• Solicitação de propostas para contratação de instituição especializada
para prestação de serviço de apoio operacional às ações do Centro de
Integração de Adolescentes Granja das Oliveiras - CIAGO (fls.
177/186) e respostas (Comissão XXI de Desenvolvimento Sócio-
Cultural, fls. 187/247; Casa da Criança Ana Maria Ribeiro -
CRlAMAR, fls. 248/318; Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia; fls.
319/380; Casa da Harmonia do Menor Carente, fls. 381/463);
• Manifestação do Chefe da UAG (fi. 464);
• Informação sobre disponibilidade orçamentária (fi. 465);
• Autorização de dispensa de licitação - Chefe da UAG (fi. 466);
• Despacho de ratificação - Secretário de Estada (fi. 467);
• Minuta de contrato (fi. 469/475).

A despesa está orçada em R$ 7.852.392,55 (sete milhões, oitocentos e


cinquenta e dois mil, trezentos e noventa e dois reais e cinquenta e cinco centavos).

Em vista de tais fatos, o órgão consulente pretende a contratação direta


da entidade CASA DA HARMONIA DO MENOR CARENTE com fulcro no art. 24,
IV da Lei n.? 8.666/93, acostando aos autos a minuta de contrato de fls. 469/471 nos
termos do Padrão n,? 04/2009., .. o.'

É o relatório. PEç~ 1j~\J


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2. FUNDAMENTAÇÃO

Antes mesmo de analisar a possibilidade da contratação direta nos


moldes pretendidos, cwnpre ressaltar que os serviços de atendimento aos menores
infratores do CIAGO constituem atividade-fim do Estado e, portanto, não podem ser
terceirizados ao particular, ainda que por meio de contrato administrativo precedido de
licitação. Tais serviços devem ser prestados por servidores públicos regularmente
investidos por meio de concurso público (art. 37, II da CF).

A assertiva coaduna-se com o entendimento _esposado pelo Tribunal de


Contas já em 30 de outubro de 2007 na Decisão 0.° 5735/2007, pela qual restou
decidido que "as atividades relacionadas à segurança e à limitação forçada de
O liberdade devem ser executadas diretamente pelo Estado".

Na mesma linha, o Parecer n." 952/2008-PROPESIPGDF, do qual


colhemos o seguinte excerto:

"A função pública desempenhada dentro dos centros de internação não


pode ser simplesmente transferida a uma entidade privada, que se
encarregaria de recrutar trabalhadores aptos a desempenharem o
serviço contratado, qual seja, toda a atividade que envolva a
reabilitação de adolescentes infratores, abrangendo desde a sua
educação até a assistência à saúde que lhes é prestada dentro das
estabelecimentos mencionados. Como visto acima, apenas as atividades
acessórias - atividades-meio - aos serviços públicos podem ser objeto
de terceirização; jamais, por outro lado, aquelas funções que se
integram ao serviço em si, e que servem para identificá-lo. No caso, a
função pública na qual se investe o Estado abrange toda uma gama de

o atividades voltadas à reeducação do adolescente infrator, que deve ser


devolvido ao convívio social em condições de desenvolver plenamente
as suas potencialidades. Esses serviços, prestados no interior dos
centros de internação, apresentam-se como múnus do Estado, que lhe é
atribuído expressamente pela ordem jurídica, e não podem ser
repassados a terceiros. "

Semelhante orientação é a contida no Parecer na 991/2009, da nobre


Procuradora do Distrito Federal Dra. Roberta Fragoso Menezes Kaufrnann, do qual
destacamos a ementa:
"Terceirização. Função pública típica de Estado. Atividade-fim.
Impossibilidadede -pactuação com ente privado. Caje 11. Decisão n°
5.73512007rrCDF.
O Estado desenvolve atividade de polícia para prevenir os danos
sociais e assegurar a paz e a ordem públicas. Referida atividade, por
envolver a limitação e a ponderação de direitos individuais, deve ser

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exercida com exclusividade pelo Poder Público. Impossibilidade de


delegação para atividade privada. Orientação reiterada da
Procuradoria-Geral do Distrito Federal por meio dos Pareceres nOs
442/2003, 715/2005, 178/2008, 824/2008, 669/2009, 718/2009 - todos
da PROCAD, Pareceres nOs952/2008, 465/2009 - PROPES.
É importante frisar que a complexidade do Estado Moderno
impõe, em determinados setores, a prática da terceirização. Esta idéia
atende tanto ao interesse do Poder Público em não ampliar o quadro
de servidores, desnecessariamente, como também à tentativa de
implementação dos principios da eficiência e de gestão de resultados,
próprios da atividade empresarial.
Entretanto, a terceirização se mostra adequada quando envolver
execução de atividades-meio e não atividades-fim. Envolvendo o objeto
o do ajuste a aplicação, a manutenção e a garantia de medida de
internação de adolescentes infratores em estabelecimento público,
imposslvel a delegação a particular. Terceirização indevidamente
realizada, desde a origem. Impossibilidade de repactuação ou de
prorrogação. Parecer pela necessidade urgente de
realizaçãolfinalização de concurso público. Necessidade de lotação
imediata de servidores públicos no CAJE lI.
Respostas aos questionamentos formulados. "

Assim, tanto o Tribunal de Contas do Distrito Federal quanto a


Procuradoria-Geral do Distrito Federal já se posicionaram quanto à impossibilidade de
terceirizar os serviços pretendidos.

Apesar do entendimento esposado, pretende-se a contratação


emergencial sob a alegação de risco de descontinuidade de serviços socialmente
o relevantes durante o periodo necessário à conclusão de processo seletivo para
nomeação de servidores que irão desempenhar as funções de execução de medidas
socioeducativas.

Assim, a par do óbice já mencionado, cabe analisar se a situação


excepcional aduzida perfaz a hipótese de contratação direta contida no art. 24, IV da
Lei n. o 8.666/93.

Indica a Secretaria interessada que a pretendida contratação direta


decorre da ausência de servidores para operacionalizarem das medidas
socioeducativas, isto porque (fi. 51):

"A despeito dos esforços dispensados durante o ano para


realização de concurso, somente no dia 10 de dezembro de 2009 o Conselho de
Política de Recursos Humanos em sua 1.049° Reunião Ordinária, autorizou a
realização do referido certame. Segundo o cronograma atual, somente a partir
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de julho de 2010 os aprovados no fiauro concurso estarão em condições de


serem convocados.
Considerando o posicionamento da Procuradoria-Geral do
Distrito Federal, bem como a carência de recursos humanos aptos a assumir a
unidode de internação, não resta outra alternativa senão a contratação, de
forma emergencial, de instituição para dar continuidode às ações do CIAGO,
nos moldes atuais. Pelo mesmo motivo, não se vislumbra a possibilidode de
realização de licitação,já que tal proposta não seria aprovada pela PGDF. "

o projeto básico assim justifica a contratação (fi. 04):


"O modelo de atendimento implantado no Distrito Federal
conduz o programa pedagôgico e a gestão do sistema de segurança, ações que
são prôprias do Estado. Nesse sentido, todas as atividades desenvolvidas nas
unidades de internação ocorrerão sob responsabilidade, administração e
supervisão direta da Secretaria de Estado de justiça, Direitos Humanos e
Cidadania do Distrito Federal, apesar do apoio operacional de que necessita
nessafase.
Atualmente a direção da unidade é composta por servidores de
carreira e o apoio operacional prestado por empresa especializada em
hotelaria e congênere. "

Na hipótese em exame, o projeto básico prevê a contratação de


instituição especializada na prestação de serviços de apoio operacional, estabelecendo
ações que abrangem desde a contratação de pessoal até o fornecimento de materiais
para oficinas e refeições para os adolescentes internos.

De acordo com os dados apresentados pelo Projeto Básico o custo


mensal de internação do menor é aproximadamente de R$ 9.000,00 (nove mil reais).
o
A Secretaria de Justiça informa ainda que (fi. 464):

"Nos termos do projeto, promoveu-se a convocação de quatro


entidades, dentre as quais, a CASA DA HARMONIA DO MENOR CAREmE
apresentou a proposta que, em termos globais, prestou-se como a mais
vantajosa para a Administração. "

Incidência do art. 24, IV da Lei n" 8.666/93

Há que se ressaltar, inicialmente, que a exigência de prévia licitação é


requisito essencial, de indole constitucional (CF, art. 37, XXI\ para a realização de

I Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municlpios obedecerá aos princlpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:
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contratos com a Administração. Com efeito, tal exigência se faz necessária para a
efetiva realização dos princípios basilares que regem a Administração Pública,
elencados no art. 37, caput, da CF/88. A esse respeito, colho esclarecedor excerto da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:

"O artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal, de conteúdo


conceptual extensível primacialmente aos procedimentos licitatórios,
insculpiu o princípio da isonomia assecuratória da igualdade de
tratamento entre todos os concorrentes, em sintonia com o seu caput -
obediência aos critérios da legalidade, impessoalidade e moralidade -
e ao de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza. "
(MS 22.509,ReI. Min. Mauricio Corrêa, DJ 04.12.1996)
o
Todavia, o próprio dispositivo constitucional admite a ocorrência de
casos específicos, expressamente previstos pela legislação, em que há exceção à regra
geral da prévia licitação como requísito à celebração de contratos com a
Administração.

Tais exceções encontram-se nos arts. 24 e 25 da Lei n" 8.666/93,


respectivamente, dispensa e inexigibilidade de licitação.

No caso em exame, fundamenta-se a contratação direta no art. 24, IV da


Lei n" 8.666/93, hipótese conhecida como "contratação emergencial", verbis:

"Art. 24. É dispensóvel a licitação:


(...)

o IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública,


quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa
ocasionar prejufzo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços,
equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens
necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as
parcelas de obras e serviços que possam ser concluí dás no prazo máximo de
180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos. contados da
ocorrência da emergência ou calamidade. vedada a prorrogacão dos
respectivos contratos: "

(...)
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão
contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes,
com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamCI,lto,mantidas as condições efetivas da proposta, nos
termos da lei. o qual somente pennitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações. 11E ç A lt g l.f

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Em 15.06.1999 o Tribunal de Contas do Distrito Federal emitiu a


Decisão n° 3.500/99, com caráter normativo, e que estabelece os requisitos a serem
cumpridos para a regular realização de contratação emergencial.

Há que se investigar, portanto, se presentes os elementos recomendados


pela Egrégia Corte de Contas.

"a) a licitação tenha se iniciado em tempo hábil,


considerando, com folga, os prazos previstos no Estatuto Fundamental das
Contratações para abertura do procedimento licitat6rio e interposição de
recursos administrativos, bem assim aqueles necessários à elaboração do
instrumento convocatôrio, análise dos documentos de habilitação (se for o
caso) e das propostas, adjudicação do objeto e homologação do certame; "
o
o entendimento majoritário da doutrina e da jurisprudência é no sentido
de que a demora na deflagração e conclusão de procedimento Iicitatório por desídia ou
falta de planejamento do administrador não é circunstância apta a caracterizar a
situação de emergência exigida no dispositivo legal autorizador da dispensa de
·· o2 .
Iicitaç ã

Na vertente situação aduz o Gestor que a "a emergência, nesse caso, não
deriva da falta de zelo ou de inércia administrativa, mas da conjunção de ausência de
recursos humanos para operar a unidade e do posicionamento jurídico do Órgão de
consultoria jurídica do Distrito Federal, que inviabiliza a proposição de licitação nos
moldes regulares" (fl, 52).

Ocorre que, não obstante a justificativa apresentada pelo Administrador,


a partir dos insumos listados no projeto básico (manutenção da base fisica; material
o para atividades recreativas, desportivas e de lazer; material odontológico,
equipamentos de informática etc.) infere-se que o objeto do presente contrato
ultrapassa, em muito, a questão de ausência de pessoal, pois visa também ao
fornecimento e a aquisição de outros elementos necessários ao funcionamento do
CIAGO, que não seriam supridos com a realização de concurso público.

Nesse sentido, entendemos que não é possível se firmar contrato


emergencial, posto que não há informação a respeito da deflagração do devido
procedimento licitatório em tempo teoricamente suficiente para a sua conclusão, não
restando devidamente cumprida a exigência referente à a1inea "a" da mencionada
decisão normativa do TCDF.

"b) o atraso porventura ocorrido na conclusão do


procedimento licitat6rio não tenha sido resultanre de falta de planejamento,
"
2 Nesse sentido: TeU, Processo 007.21512003-0, Acórdão 1.45412003 - Plenário

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desúlia administrativa ou má gestiJo dos recursos disponiveis, ou seja, que tal


fato não possa, em hipótese alguma, ser atribuido à culpa ou dolo do(s)
agente(s) público(s) envolvido(s);"

As manifestações da Secretaria consulente são silentes quanto a esse


aspecto. Tendo em vista que a desídia administrativa não é circunstância apta a
autorizar a contratação emergencial, mostra-se imprescindível que se demonstre que
o atraso no desfecho do certame se deu por causa alheia à eventual conduta
culposa ou dolosa dos agentes públicos envolvidos com a presente licitação.

Isto porque, mesmo no que tange à deficiência de pessoal, tem-se que a


Administração já tinha ciência da questão desde 2008.
o Nesse sentido, extrai-se do Parecer n" 242/2008-PROCADIPGDF, de
lavra do e. Procurador do Distrito Federal Dr. Alexandre Moraes Pereira, trecho que
aborda o problema:

"Os antecedentes históricos que motivaram a contratação


pretendida nos autos são assim narrados no Memorando n. 200/2008 -
SUBSIS,de 28.04.2008:

"O Distrito Federal conta atualmente com três


unidades de internação de adolescentes, sendo duas
administradas em sistema de co-gestão, e uma administrada
completamente pelo Estado. Além disso, encontra-se em vias de
ser inaugurado o Centro da Internação de Adolescentes de
Planaltina - CIAP, cujo modelo de gestão ainda está sendo
definido.
o Dentre as unidades administradas nos sistema de
co-gestão, encontra-se o Centro de Internação da Granja das
Oliveiras - CIAGo. Inaugurado em 2006, vinha sendo
administrado, desde então, segundo parceria firmada com a
Congregação das Religiosos Capuchinhos de Nossa Senhora
das Dores - Amigonianos.

Em face de problemas constatadas ao longo da


ano de 2007 e no corrente ano, que redundaram em tumultos
generalizadas na unidade entre os dias 03 e 06 de março de
2008, foram procedidos estudas visando a adoção de modelo
diferenciado de administração ou a assunção completa do
CIAGO.

Antecipando-se aos fatos, entretanto, em 06 de


março de 2008 a Congregação enviou à SEJUS o Oficto n" 002,
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de 06 de março de 2008, no qual manifesta suá decisão em não


continuar a parceria a partir do dia 28 de abril de 2008.

Em face do comunicado, foram envidados


esforcos no sentido de viabilizar a realização de processo
seletivo simplificado para substituir os funcionários da
Congregacão até a data aprazada, entretanto. dificuldades de
ordem orçamentária impediram a finalizacao das negociacões
com o Conselho de Política de Recursos Humanos do Distrito
Federal. já que não havia coma informar a existência da
previsão orçamentária necessária à contratacão. visto não
terem constado da lei orçamentária do ano de 2008.

o Além daquela providência, foram também


envidodos esforços no sentido da aceleração e conclusão de
processo licitatório em curso, cujos autos encontram-se na
Central de Compras da Secretaria de Planejamento e Gestão,
para a realização de concorrência para a escolha de entidade
parceira.

o processo licitatório em questão tramita nos


autos do processo n" 0400.000.424/2007, tendo tido sua última
movimentação na Central de Compras no dia 18 de abril de
2008, quando foi encaminhado à Diretoria de Programação e
Padronização daquela Central. O processo em questão visa a
contratação de serviço de prestação de serviços no atendimento
sócio-educativo para o ClAGO e encontra-se em tramitação
desde 05 de outubro de 2007.

O modelo 'amigoniano' implantado para gestão


o compartilhada do ClAGO e, anteriormente, do CAJE 11.foi
estruturado na forma de convênio. Observa-se, entretanto, que
tanto o Tribunal de Contas do Distrito Federal, quanto a
Procuradoria-Geral do Distrito Federal firmaram entendimento
de que o instrumento usado - convênio - não se mostra
apropriado à espécie.

Em face do malogro das negociações com o


Conselho de Política de Recursos Humanos para autorizar a
contratação de servidores temporários, bem como a
inconc/usão do processo licitatório, foi autuado o processo n"
0400.000.500/2008, tendo como objetivo a abertura de
convênio em bases similares às estabelecidas para os
Amigonianos trazendo, entretanto, para o Estado, o controle
efetivo da unidade. A Procuradoria-Geral do Distrito Federal,
•.••. O1

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entretanto, por meio do Parecer n" 213/2008-PROCAD/PGDF,


não aprovou a celebração do ajuste.

Findando, na presente data, o convênio firmado


com os Amigonianos, e emface da situação relatada, urgente se
afigura a contratação de empresa ou instituição que possa
assumir os serviços específicos, até então prestados no modelo
de convênio.

Após vanos convites para apresentação de


proposta, a untca instituição que interessada, conforme
documentos acostados aos autos, foi o Instituto Nacional de
Desenvolvimento Profissional - [DP. A contratação da
o instituição indicada deverá ocorrer em CARÁTER
EMERGENCIAL, pelo prazo improrrogável de 180 dias,
conforme autoriza o art. 24, inc. IV da Lei n" 8.666, de 21 de
junho de 1993, até que se ultime o procedimento /icitatório em
curso (processo n° 0400.000.424/2007). " (fls. 2-4).

(. ..)

Verifico haver, no feito, declaração de existência de


dotação orçamentária suficiente a arcar com os custos da contratação
direta da entidade prestadora de serviços (fi. 129). Apesar da natureza
distinta da despesa, entendo que cabe ao gestor público justificar
detalhadamente as raZÕes pela qual somente há suficiência de
recursos orcamentários para a contratacão dos servicos junto à
entidade. na fórma de prestacão de servicos. e não para a
contratacão. mediante processo seletivo. de funcionários. ,.

O Nessa linha, salienta-se ementa de recente Parecer', de autoria do


douto Procurador do Distrito Federal Dr. Bruno Paiva da Fonseca, que versa
sobre contrato emergencial e o CIAGO:

EMENTA: ADMINISTRATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS


PARA OPERACIONALIZAÇÃO DO CENTRO DE
INTERNAÇÃO DE ADOLESCENTES GRANJA DAS
OLIVEIRAS CIAGO. CONTRATAÇÃO DIRETA
EMERGENCIAL. ART. 24, IV DA LEI 8.666/93. DECISÃO N.O
5735/2007-TCDF E PARECER N.o 952/2008-PROPESIPGDF.
ATIVIDADES 'RELACIONADAS Á SEGURANÇA E
LIMITAÇÃO FORÇADA DA LmERDADE. ATIVIDADE-FIM.

3 PARECER N" 69912009 - PROCADIPGDF, PROCESSO N." 400.000.83212009.

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TERCEIRIZAÇÃO. IMPOSSmILIDADE. DEMORA NA


DEFLAGRAÇÃO DO CONCURSO· PÚBLICO. DESÍDIA DA
ADMINISTRAÇÃO. DECISÃO NORMATIVA N.o 3.500/99-
TCDF. IMPOSSmILIDADE. DESCONTINUIDADE DE
SERVIÇOS ESSENCIAIS E CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL
SEM REQUISITOS EXIGIDOS PELO TCDF. ÃMBITO DE
PONDERAÇÃODO ADMINISTRADOR.
1.As atividades de atendimento a menores infratores no âmbito do
CIAGO devem ser prestados pelo Distrito Federal através de servidores
regulamente investidos por meio de concurso público (Decisão n. o
573512007- TCDF e Parecer n. o 952/2008-PROPES-PGDF).
2.Não tendo sido o processo de seleção para servidores concluído em
tempo hábil, em face de desídia da Administração, a contratação
o emergencial encontra óbice na Decisão Normativa n. o 3.500rrCDF.
(...)

"c) a situação exija da Administração a adoção de medidas


urgentes e imediatas, sob pena de ocasionar prejufzo ou comprometer a
segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos
ou particulares;"

Argumenta a Secretaria consulente que "(...) está caracterizada ,


a
emergência pelo fato de que a falta de operação do CIAGO, colocará em risco os
internos, os servidores e o patrimônio público que lá figura, deixando-os à própria
sorte, conforme enquadramento promovido pelo art. 24, inciso IV da LLC" (fi. 464).

Tendo sido afirmado que o contrato para operacíonalização do CIAGO


findou em 17/0112010, e considerando a natureza dos serviços a serem prestados, ou
seja, a operação de centro de internação para menores em conflito com a lei, há que se
o reconhecer que a descontinuidade dos mesmos pode acarretar potencial risco à
segurança de pessoas e bens públicos.

Entendemos que esse específico requisito encontra-se atendido no caso


em apreço.

"d) a contratação direta pretendido seja o meio mais


adequado, efetivo e efidente de afastar o risco iminente detectado;"

Esse requisito é assim tratado por Marçal Justen Filho4:

• JUSTEN FILHO, Marçal, Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos, Dialética, 10" edição,
2004,p.240
PEÇA lfts
PArO 1111/2009
RUB MAT.1590715

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PROCURADORIA GERAL DO DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA ADMINISTRATIVA
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BRASILIA
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"(...) a contratação imediata apenas será admissivel se


evidenciado que será instrumento adequado e eficiente de eliminar o
risco. Se o risco de dano não for suprimido através da contratação,
inexiste cabimento da dispensa de licitação. Trata-se, portanto, de
expor a relacão de causalidade entre a ausência de contratacão e a
• ocorrência de dano - ou. mais precisamente. a relacão de causalidade
entre a contratacão e a supressão do risco de dano.

Em última análise, aplica-se o principio da


proporcionolidade. A contratação deverá ser o instrumento satisfatório
de eliminação do risco de sacrifício dos interesses envolvidos. Mas não
haverá cabimento em promover contratações que ultrapassem a
dimensão e os limites da preservação e realização dos valores em
o risco.

A contratação deverá inserir-se em uma linha de


atuação mais ampla da Administração Pública. Em umpais de enormes
carências como o Brasil, há emergências e urgências permanentes.
Não basta alegar a existência da emergência, mas é necessário
demonstrar que a contratação se afigura como instrumento efetivo de
atendimento a tais carências. Suponha-se a existência de determinada
doença, com caracteres endêmicos, vivenciada desde longa data por
parcelas da população. Não se justifica que a Administração Pública
invoque a urgência se nunca adotara sistemática ampla e racional
destinada a combater a doença. Não se admite que a fome seja
invocada para aquisição de alimentos sem licitação quando a
Administração não aponta o destino que dará aos produtos adquiridos.
A contratação deve prestar-se a evitar a concretização do dano. Isso
exige que a Administracão demonstre não apenas a necessidade da
contratacão. mas também sua utilidade. Ou seja, deverá indicar as
o medidas concretas através das quais a contratação evitará a
concretização do dano. A contratação deve ser precedida de todas as
justificativas não apenas sobre a emergência mas sobre a viabilidade
concreta de atender à necessidade pública. Sob esse ângulo, vale a
ressalva de Antônio Carlos Cintra do Amaral, no sentido de que não se
pode ignorar que a urgência da contratação retrata a urgência na
execução do contrato. Portanto, a Administração deve adotar a solução
compotivel com a necessidade que conduz à contratação. "

Verifica-se não haver, nos autos, a demonstração, tal como exige o


TCDF, de que a contratação direta seja o meio mais adequado, efetivo e eficiente de
afastar o risco iminente apontado.

PEÇA 1'30
p A 4~~,.ol111112009
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PROCURADORIA ADMINISTRATIVA
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Dessa forma, a demonstração de que a contratação pretendida é a mais


eficaz, ou a única possível, apta a afastar o risco iminente passa pela demonstração de
que outras formas de operação do CIAGO são técnica ou economicamente inviáveis.

Recomenda-se, assim, como elemento essencial para o reconhecimento


da possibilidade da pretendida contratação direta, que seja produzida nos autos tal
demonstração.
Em igual linha, ressalta-se alerta exposto na "Edição Comemorativa dos
18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente", publicado pelo Ministério Público
do Distrito Federal e Territórios:

"Quanto às medidas de internação o DF em 2008 destinou às suas

o duas unidades de internação (Caje e Ciap) R$ 2.962.826,00 como


despesa autorizada, tenda empenhada 86% desse valor (R$
2.548.893,00).
EnqUllnto o GDF executa algo em torno de dois mühões e meio de
reais a duas unidades de intem~ão que ele administra. a unidade
terceirizada Ciago (administrada pela IDP) teve como despesa
autorizada o valor de R$ 3.341.955,00, sendo devidamente
empenhado o vaiar de R$ 3.341.437,60, praticamente 100%. "

A deficiência da instrução, no ponto, impede-nos, assim, de emitir


juízo de valor quanto ao preenchimento desse requisito.

"e) o objeto da contratação se limite, em termos qUlllitativos e


quantitativos, ao que for estritamente indispensável para o equacionamento
da situação emergencial;"

o ° projeto básico elenca uma extensa gama de bens e serviços a serem


fornecidos/prestados para a operação do CIAGO, sem indicar em que consiste a
indispensabilidade de cada um dos aludidos bens/servicos.

Como se observa da orientação emanada pelo TCDF, a eventual


contratação emergencial há que se restringir àquela parcela do objeto que seja
efetivamente critica para a não ocorrência do risco detectado. Sem pretender
adentrar no mérito do ato administrativo em tela, não nos parece plausível inferir que
todos os serviços que compõem o objeto do presente feito assim se caracterizem. Há,
por exemplo, nas tabelas de fls. 64/73, previsão de fornecimentos de bolas de futebol,
mesas de tênis de mesa, jogos de computador etc.

, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Edição Comemorativa dos 18 anos do Estatuto da Criança
e do Adolescente. Disponlvel na Internet via:
http://www.mpdft.gov.br/portal/pdf7unidades/oromotorias/pdijIFORUM%200CAILivro%2Ofina13.pdf . Acesso
em 20.01.2010.

PEÇA i:3(
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DISTRITO FEDERAL
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PROCURADORIA ADMINISTRATIVA
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Recomenda-se, assim, sejam identificados os serviços essencialmente


necessários para evitar a ocorrência de riscos à população, eis que somente os serviços
considerados criticos, ou seja, que não poderiam aguardar a realizacão de uma
licitação, poderiam ser, em tese, contratados emergencialmente.

"f) a duração do contrato, em se tratando de obras e serviços,


não Iiltrapasse o prazo de 180 dias, conllldos a partir da data de ocorrência
dofato tido como emergencial;"

Não obstante a Cláusula Oitava da minuta contratual (fi. 470) atender


formalmente a essa exigência, diante da ausência dados sobre a "data de ocorrência do
fato como tido emergencial", bem como das informações contidas no bojo do Parecer
n" 699/2009-PROCADIPGDF6 faz-se necessário complementar o procedimento com
o informações a respeito da questão.

Diante do exposto, forçoso se concluir que a deficiente instrução dos


autos, quanto ao que se refere às alfneas "a", "b", "d" e "e" da Decisão TCDF n"
3.500/99, não autoriza a imediata contratação direta com fundamento no art. 24,
IV da Lei n° 8.666/93.

Fase Intema do Procedimento

De todo modo, há também que se alertar para o fato de que a


Administração, mesmo nos casos de contratação direta por dispensa ou inexigibilidade
de licitação, deve seguir procedimento interno, que, segundo Marçal Justen Filho7, tem
como escopo:

"a) verificar a necessidade e a conveniência da contratação de


o terceiros;
b) determinar a presença dos pressupostos legais para
contratação (inclusive a disponibilidade de recursos orçamentários);

• Publicação no DODF de W07 fl009


"SECRETARIA DE ESTADO DE JUSTIÇA, DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
DESPACHO DO SECRETÁRIO-ADJUNTO
Em 16 dejulho de 2008.
Processo: 400.000.83212009. Interessado: SECRETARIA DE ESTADO DE JUSTIÇA, DIREITOS HUMANOS E
CIDADANIA. Assunto: Contratação de entidode especializada para apoio ao Centro de Integração de
Adolescentes Granja das Oliveiras - CIAGO, por perlodo de 6 (seis) meses. O Secretário de Estado de Justiça,
Direitos Humanos e Cidadania - SEJUS - Aifiunto - à vista das instruções contidas nos autos, no uso de suas
atribuições e com fulcro no artigo 24, IV do Lei n° 8.666/93 e suas alterações, RECONHECEU a Dispensa de
Licitação emfavor da CASA DA HARMONIA DO MENOR CARENTE. Nos termos do artigo 26, caput, da Lei
nO8.666/93, ratifico o ato e determino a publicação no Diário OfIciai do Distrito Federal para sua eficácia. "
7 IUSTEN FILHO, Marçal, Op. cu; p. 365 P E ç 1\ -1 g;..
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DISTRITO FEDERAL
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c) determinar a prática dos atos prévios indispensáveis à


licitação (quantificação das necessidades administrativas, avaliação de
bens, elaboração de projetos básicos, etc.);
d) definir o objeto do contrato e as condições básicas da
contratação;
e) verificar a presença das pressupostos da licitação, definir a
modalidade e elaborar o ato convocatório da licitação."

Questão preliminar a ser enfrentada diz respeito à necessária observância


do art. 23, §1° da Lei 8.666/93, verbis:

"Art. 23 (...)

o § r As obras, serviços e compras efetuadas pela administração


serão divididas em tantas parcelas quantas se comprovarem técnica e
economicamente viáveis, procedendo-se à licitação com vistas ao
melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no mercado e à
ampliação da competitividade, sem perda da economia de escala.
(Redação dada pela Lei n° 8.883, de 1994)"

Acerca do comando legal transcrevemos lição de Marçal Justen Filhos:

"O ast; 23, § 1", impõe o fracionamento como obrigatório. A


regra retrata a vontade legislativa de ampliar a competitividade e o
universo de possíveis interessados. O fracionamento conduz à
licitação e contratação de objetos de menor dimensão quantitativa,
qualitativa e econômica. Isso aumenta o número de pessoas em
condições de disputar a contratação. inclusive pela redução das
requisitos de habilitação (que serão proporcionados à dimensOo dos
('"""l,
..•,
~\l lotes). Trata-se não apenas de realizar o princípio da isonomia, mas
da própria eficiência. A competição produz redução de preços e se
supõe que a Administração desembolsará menos, em montantes
globais, através da realização de uma multiplicidade de coraratos de
valor inferior do que pela pactuação de contratação única.

A obrigatoriedade do fracionamento respeita limites de ordem


técnica e econômica. Não se admite o fracionamento quando
tecnicamente isso não for viável ou, mesmo, recomendável. O
fracionamento em lotes deve respeitar a integridade qualitativa do
objeto a ser executado. Não é possível desnaturar um certo objeto,
fragmentando-o em contratações diversas e que importam o rtsco de
impossibilidade de execução satisfatória. Se a Administração
necessitar adquirir um veículo, não teria sentido licitar a compra por
partes (pneus, chassis, motor etc.). Mas seria possível realizar a

8 mSTEN FTI..HO, MarçaI. Op. Cito p. 209


PEÇA 4~
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PROCURADORIA GERAL DO DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA ADMINISTRATIVA

compra fracionada de uma pluralidade de veiculos. Em suma, o


impedimento de ordem técnica significa que a unidade do objeto a ser
executado não pode ser destruida através dofracionamento.

Já o impedimento de ordem econômica se relaciona com o risco


de o fracionamento aumentar o preço unitário a ser pago pela
Administração. Em uma economia de escala, o aumento de
quantitativos produz a redução dos preços. Por isso, não teria
cabimento a Administração fracionar as contratações se isso
acarretar aumento de seus custos.

Como se extrai, o fundamento juridico do fracionamento


consiste na ampliação das vantagens econômicas para a
o Administração. Adota-se o fracionamento como instrumento de
redução de despesas administrativas. A possibilidade de participação
de maior número de interessados não é o objetivo imediato e
primordial, mas via instrumental para obter melhores ofertas (em
virtude do aumento da competitividade). Logo, a Administração não
pode justificar um fracionamento que acarretar elevação de custos
através do argumento de beneficio a um número maior de
particulares.

Mas uma questão que não pode ser olvidada é que, não
obstante promovido o fracionamento, deverá observar-se a
modalidade cabível para o valor total da contratação (TCu, Acórdão
1.089/2003 - Plenário). "

Dessa forma, indispensável à inequfvoca demonstração de que a


solução global proposta, que cobre uma extensa gama de bens e serviços, é
o preferível em relação à solução em que o objeto se subdividiria em tàntes quantos
fossem necessários para, mediante o incremento da competitividade, obter
condições mais vantajosas à Administração.

Poder-se-ia cogitar, por exemplo, em se contratar apenas os serviços de


operação do CIAGO, realizando-se a compra dos bens necessários à operação
(alimentos e demais materiais de consumo) mediante pregão.

Observe-se que, sendo o fracionamento uma imposição legal (art. 23, §1°
da Lei n° 8.666/93), cumpre ao gestor público, no caso de não realizá-la, motivar a
decisão com a comprovação de fatos e/ou circunstâncias técnicas ou econômicas que a
impeçam ou a tornem desvantajosa.

De qualquer forma, verificamos se os autos encontram-se devidamente


instruídos.
PEÇA Íf~'f
PA 400001111/2009
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DISTRITO FEDERAL
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a) Projeto básico aprovado pela autoridade competente (art. 7°, §2°, I,


Lei n" 8.666/93), contendo orçamento detalhado (art. 7°, § 2°, II, Lei n° 8.666/93):

Apesar de ter sido apresentada estimativa de custo, recomenda-se, além


de criteriosa análise de custo dos itens elencados, consulta à CentraI de Compras, visto
que diversos deles são comuns e alguns dos cotados pela Entidade em pauta estão
acima da tabela apresentada no Projeto Básico, V.g., café da manhã: na tabela de fi.
161 o valor médio é de R$ 3,49 na cotação de preço juntada pela Entidade é de R$
5,10 (fi. 445).

Com relação aos valores propostos para a remuneração dos profissionais


também se recomenda a aferição por parte da SEJUS, bem com se questiona as
o despesas relativas a atestados medidos e ao reajuste data-base e exame periódico (fls.
444).

b) Comprovação da existência de recursos orçamentários para fazer


frente à futura contratação (art. 7°, §2°, fi, Lei n" 8.666/93): (Declaração de fi. 465);

c) Habilitação juridica (art. 28 da Lei 8.666/93): (fls. 382/414);

d) Documentação relativa à regularidade fiscal (art. 29, Lei 8.666/93):


(fls. 381',416/420).

e) Documentação relativa à capacidade técnica (art. 30, Lei 8.666/93):


ausente.

Não consta dos autos documento que ateste a capacidade técnica da


o entidade na realização de servicos anteriores semelhantes ao objeto do presente
contrato.

A respeito da qualificação, no referido Parecer n° 699/2009-


PROCADIPGDF, que trata de procedimento envolvendo a mesma entidade e objeto, o
i1.Parecerista apontou a mesma deficiência.

Nota-se que a ausência de comprovação de experiência já foi


questionada pelo Ministério Público no caso do contrato firmado entre o CIAGO e o
Instituto Nacional de Desenvolvimento Profissional",

9 Ministério Público do Distrito Federal. Noticias.


http://www.mpdft.gov.br/portallindex.php?option=com content&task=view&id~I444&Itemid~I77. Acesso em
20.012010. ..
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PROCURADORIA GERAL DO DISTRITO FEDERAL
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f) Documentação relativa à qualificação econômico-financeira (art. 31,


Lei n" 8.666/93): (fls. 123-127);

g) Proposta comercial da empresa que se busca contratar: (fls. 430/441)

h) Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do


Adolescente

o art. 91 da Lei n" 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente)


estabelece que as entidades não-governamentais somente poderão desenvolver as
atividades previstas no art. 90 do ECA após terem sido registradas no Conselho
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente".
o o Certificado
de Registro Provisório juntado à fi. 415 é limitado ao
atendimento em meio aberto. nlio abrangendo o atendimento em regime de
internação.

Por oportuno, destaca-se o pronunciamento do il. Procurador do


Distrito Federal Dr. Bruno Paiva da Fonseca, no retro-citado Parecer n"
699/2009-PROCAD/PGDF:

"Por outro lado, o contrato emergencial firmado


anteriormente com o IDP deu ensejo ao ajuizamento da Ação Civü
Pública no ° 2009.01.3.002583-3 (jIs.674-683), pela qual o Ministério
Público pretende obrigar o DF a rescindir o contrato firmado com

10 Art. 90. As entidades de atendimento são responsáveis pela manutenção das próprias unidades. assim como

o pelo planejamento e execução de programas de proteção e sócio-educativos destinados a crianças e adolescentes,


em regime de:
I - orientação e apoio sócio-familiar;
11- apoio sócio-educativo em meio aberto;
m- colocação familiar;
N -abrigo;
V - liberdade assistida;
VI - semi-liberdade;
VII - internação,
Parágrafo único. As entidades governamentais e não-governamentais deverão proceder à inscrição de seus
programas, especificando os regimes de atendimento, na forma definida neste artigo, junto ao Conselho
Municipal dos Direitos da Criaoça e do Adolescente, o qual manterá registro das inscrições e de suas alterações,
do que fará comunicação ao Conselho Tutelar e à autoridade judiciária
Art. 91. As entidades não-goveruamentais somente poderão funcionar depois de registradas no Conselho
Municipal dos Direitos da Criaoça e do Adolescente, o qual comunicará o registro ao Conselho Tutelar e à
autoridade judiciária da respectiva localidade.
Parágrafo único. Será negado o registro à entidade que:
a) não ofereça instalações ftsicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança;
b) não apresente pIano de trabalho compatlvel com os princípios desta Lei;
c) esteja irregularmente constituída;
d) tenba em seus quadros pessoas inidôneas.
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DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA GERAL DO DISTRITO FEDERAL
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PROCURADORIA ADMINISTRATIVA
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aquela entidade alegando, entre outros fundamentos. o de que o IDP


não possui registro junto ao Conselho dos Direitos da Criança e da
Adolescente - CDCA, conforme exigido pela legislação'',
Ocorre que, no caso presente, há irregularidade
semelhante, pois a entidade que se pretende contratar só possui
registro no CDCA para atendimento em meio aberto (certifICada de
jl.306). Tal fato foi, inclusive, apontado na Ata de Abertura de
Propostas referentes ao Edital de Chamamento Público n. o 03/2009
(fls. 654-655):

"(...) Foi feito o check list do edital da entidade Casa da


Harmonia do Menor Carente, sendo que a apresentação
de registro no Conselho da Criança e do Adolescente -
CDCA; compatlvel com o objeto, foi parciolmente
atendido, pois é definido para atendimento em meio
aberto e não para intemacão: "

Parece-me, assim, que a coniratação direta da entidade


CASA DA HARMONIA DO MENOR CARENTE, a par de dar azo a
nova ação do Ministério Público, não se mostra o meio mais adequado
e eficaz de solucionar a situação de risco constatada, eis que não há
comprovação da qualificação legal necessária ao adequado
cumprimento das serviços. "

li '~11.90. As entidades de atendimento são responsáveis pela mamaenção das próprias unidades, assim como
pelo planejamento e execução de programas de proteção e sócio-educativos destinados a crianças e

o adolescentes, em regime de:


I - orientação e apoio sôcio-famtliar;
/l - apoio sôcio-educauvo em meio aberto;
/lI - colocação familiar;
IV- abrigo;
V - liberdade assistida;
VI - semi-liberdade;
VII - internação.
Parágrafo único. As entidades governamentais e não-governamentais deverão proceder à inscrição de seus
programas, espectficando os regimes de atendimento, na forma definida neste artigo, junto ao Conselho
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual manterá registro das inscrições e de suas
alterações, do que fará comunicação ao Conselho Tutelar e à autoridade judiciária. "

"AI1.91. As entidades não-govemamentais somente poderão funcionar depois de registradas no Conselho


Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual comunicará o registro ao Conselho Tutelar e à
autoridode judiciária da respectiva localidade.
Parágrafo único. Será negado o registro à entidade que:
a) não ofereça instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança;
b) não apresente plano de trabalho compatlvel com OS princlpios desta Lei;
c) esteja irregularmente constttuida;
d) tenha em seus quadros pessoas inidôneas. ,.
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DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA GERAL DO DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA ADMINISTRATIVA

Art. 26 da Lei n· 8.666/93

Necessário, ainda, no que couber, o cumprimento das disposições


previstas no art. 26 da Lei 8.666/93:

"Art. 26. As dispensas previstas nos §§ 2° e 4° do art. 17 e no


inciso III e seguintes do art. 24, as situações de inexigibilidade referidas no
art. 25, necessariamente justificadas, e o retardamento previsto no final do
parágrafo único do art. 8° desta Lei deverão ser comunicados, dentro de 3
(três) dias, à autoridade superior, para ratificação e publicação na imprensa
oficial, no prazo de 5 (cinco) dias, como condição para a eficácia dos atos.
(Redação dada pela Lei n" 11.107, de 2005)
Parágrafo único. O processo de dispensa, de inexigibilidade ou
o de retardamento, previsto neste artigo, será instruído, no que couber, com os
seguintes elementos:
I - caracterização da situação emergencial ou calamitosa que
justifique a dispensa, quandofor o caso;
II - razão da escolha dofornecedor ou executante;
III -justificativa do preço.
IV - documento de aprovação dos projetos de pesquisa aos
quais os bens serão alocados. (Incluído pela Lei n" 9. 648, de 1998)"

No que concerne ao exame do art. 26, parágrafo único, I da Lei n°


8.666/93, verificamos, conforme acima exposto, que a deficiência da instrução não
nos permite concluir estar caracterizada a situação emergencial, nos moldes como
recomendado pelo TCDF.

Quanto ao art. 26, parágrafo único, II da Lei n° 8.666/93, não se pode


olvidar a advertência constante no Parecer 510/2004 - PROCADIPRG e que tem
o perfeita aplicação ao caso em exame:

"27. Advirta-se, no entanto, que a contratação direta por


dispensa de licitação é um comando endereçado ao administrador que,
avaliando os princípios vetoriais do instituto da licitação (moralidade e
igualdade), em contraposição a certas circunstâncias em que a lei permite o
seu afastamento, pode - e não deve - decidir, justifICado e motivadamente
pela contrataçllo direta. " (grifosno original)

Assim, cumpre ao Administrador motivar a decisão pela contratação


direta, bem como a sua opção pela contratação de determinada empresa, não somente
avaliação do preço global (fl. 464).

Cabe ao Gestor apurar detidamente a capacidade técnica da potencial


contratada na execucão de serviços semelhantes ao presente.

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Quanto à justificativa de preços, não há, da mesma forma, qualquer


análise técnica quanto aos valores apresentados pelas empresas proponentes e nem
avaliação de sua compatibilidade com os valores de mercado. Trata-se de exigência
legal expressa (art. 26, parágrafo único, III da Lei n? 8.666/93).

Igualmente, lembramos, de qualquer forma, caso eventualmente


superadas as pendências apontadas no bojo deste parecer, a necessidade, no caso de
contratação, que se proceda à ratificação da dispensa de licitação pela autoridade
superior e posterior publicação no Diário Oficial, nos termos do art. 26 da Lei n"
8.666/93.

Nesse contexto, cabe ainda ressaltar o art. lOdo Decreto n° 29.674/08:


o "Art. 1"Fica vedado aos titulares de Órgãos e Entidades do Complexo
Administrativo do Governo do Distrito Federal e aos respectivos
Ordenadores de Despesa a efetivação de qualquer contratação, em
especial de prestação de serviços, inclusive de natureza continuada, e
fornecimento de bens sem o regular procedimento licitatário e o prévio
empenho da despesa, bem assim a efetivação de contratações em
caráter emergencial ou com inexigibilidade de licitação sem o
cumprimento das disposições legais vigentes e a aprovação em parecer
prévio da Procuradoria-Geral do Distrito Federal ou da Unidade
Jurídica respectiva quando se tratar de Órgão da Administração
Pública Indireta. devendo-se observar, nas contratações emergenciais,
a concomitante instauraçOo do procedimento licitatório regular ."

Por fim, reforçando os pontos elencados, destaca-se da decisão do


o Tribunal de Contas do Distrito Federal no Processo 2.100/08, que tratou do Convênio
n" 0112007, firmado entre a entidade Congregação dos Religiosos Terciários
Capuchinhos de Nossa Senhora das Dores e o Distrito Federal:

"O Tribunal, por unanimidade, de acordo com o voto do


Relator, decidiu: I .: tomar conhecimento dos documentos de fls. 03 a
144, encaminhados pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos
Humanos e Cidadania do Distrito Federal - SEJUSlDF, em atenção à
solicitação constante do Oficio n° 373/2007 - 1" ICE/A, alusiva à
celebração do Convênio nO 01/2007-SEJUS, firmado com a entidade
Congregação dos Religiosos Terciários Capuchinhos de Nossa Senhora
das Dores - Amigonianos, folcrada no art. 24, inc. IV; da Lei n°
8666/93; II - determinar à SEJUSlDF que se abstenha de utilizar a
prerrogativa inserta na Cláusula Décima Segunda do Convênio n"
01/2007 por ofender a previsão constante no art. 24, inc. IV; da Lei n"
8666/93, uma Vez que as contratacões emergenciais nOo sOopasmeis

PEÇA 45~ ~
PA 4J..~~I11I/2DD9 21

RUB~ MAT.1590715
DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA GERAL DO DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA ADMINISTRATIVA

de prorrogacão. alertando que sua aplicaçãa poderá ensejar aos


responsáveis a aplicação da sancãa prevista no arL 57. inc. D. da LC
nO 01/94 e de outras cablveis; (...); IV - autorizar a realização de
inspeção especial, com a urgência que o caso requer, no âmbito da
SEJUS/DF para, entre outros fins; 1) exame da prestação de contas
parcial do Convênio nO 01/2007-SEJUS; (...); 3) obtenção de
esclarecimentos/justificativas quanto à ausência, no processo
administrativo de dispensa de licitação, de justificativa do preço do
ajuste, conforme estabelecido no art. 26,parágrafo único, inc. 111,da
Lei n" 8666/93; 4) aprofundamento da aferição da
legalidade/economicidade do ajuste. abordando. por exemplo. a
existência ou não de cargos na estrutura da SEJUS/DF com
atribuicões correlatas às tarefas desempenhadas pela entidade
o convenente e a ocorrêncill ou nãa de terceirização de atividade-fim do
Estado; V - determinar a constituição de autos apartados para
realização de auditoria operacional com a finalidade de avaliar o
desempenho do Programa de Recuperação de Menores Infratores,
especialmente com relação à execução de medidas sócio-educativas
implementadas e a articulação das políticas públicas direcionadas
para o adolescente em conflito com a lei, nos moldes previstos no §22
do Parecer n" 276/08-IMF; (...).

3. CONCLUSÃO

Ante o exposto, opinamos, s.m.j., que a deficiênciada instrução


não nos permite concluir estarem atendidos todos os requisitos para a
contratação emergencial em tela, nos termos da recomendação presente na
o Decisão n° 3.500/99 do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Ademais, tem-se por não atendidos os requisitos próprios da fase


interna da licitação, bem como do art. 26 da Lei n" 8.666/93.

É o parecer, sub censura.

À elevada consideração superior.

Brasília-DF, 21 de janeiro de 2010.

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TATIANA MUNIZ S. ALVES
Procuradora do Distrito Federal

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DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA GERAL DO DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA ADMINISTRATIVA

PROCESSO N° 400.0001.771/2009
INTERESSADO: Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania
ASSUNTO: Contrato emergencial serviços de apoio operacional ao ClAGO

o Excelentíssimo Senhor Procurador-Geral,

A Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do


Distrito Federal consulta-nos a respeito da. possibilidade de contratação direta de
serviços operacionais de apoio ao Centro DE INTEGRAçÃODE ADOLESCENTES
GRANJADASOLIVEIRAS- ClAGO.

Em julho do ano de 2009, o Procurador do Distrito Federal Bruno


Paiva da Fonseca manifestou-se sobre questão semelhante e, com fundamento na
legislação e na Decisão Normativa n" 3.500/99 do Tribunal de Contas do Distrito
Federal, concluiu ser inviável a contração direta. O Parecer n° 69912009 -
o PROCADIPGDF teve a seguinte a ementa:

"ADMINISTRATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA


OPERACIONALIZAÇÃO DO CENTRO DE INTERNAÇÃO DE
ADOLESCENTES GRANJA DAS ouVÊIRAS CIAGO.
CONTRATAÇÃO DIRETA EMERGENCIAL ART. 24, IV DA LEI N D

8.666193.DECISÃO N 573512007- TCDF E PARECER N 95212008_


D D

PROPESlPGDF. ATIVIDADES RELACIONADAS À SEGURANÇA E


LIMITAÇÃO FORÇADA DA UBERDADE. ATIVIDADE-FIM.
TERCEIRIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEMORA NA
DEFLAGRAÇÃO DO CONCURSO PÚBliCO. DESÍDIA DA
i !zaa PEÇA SO.J.
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P A j:f.~J0l>l 171/2009
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ADMINISTRAÇÃO. DECISÃO NORMATIVA N" 3.500/99 - TCDF.
IMPOSSIBIliDADE. DESCONTINUIDADE DE SERVIÇOS ESSENCWS
E CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL SEM REQUISITOS EXIGIDOS PELO
TCDF. ÂMBITO DE PONDERAÇÃO DO ADMINISTRADOR.
As atividades de atendimento a menores infratores no âmbito do CIAGO
devem ser prestados pelo Distrito Federal através de servidores
regularmente investidos por meio de concurso público (Decisão n"
5735/2007 - TCDF e Parecer n° 952/2008 - PROPES -PGDF). Não tendo
sido o processo de seleção para servidores concluído em tempo hábil, em

o face de desídia da Administração, a contratação emergencial encontra óbice


na Decisão Normativa n" 3.500II'CDF. Cumpre ao administrador ponderar
os riscos decorrentes da descontinuídade dos serviços de atendimento do
CIAGO e os riscos da realização de contrato emergencial sem a presença
dos requisitos exigidos pelo TCDF. Não estão presentes todos os requisitos
próprios da fase interna da licitação, bem como do art. 26 da Lei n"
8.666/93. "

Neste momento, a Administração solicita nova manifestação sobre os>"


mesmos problemas, que subsistem há anos.

o Instada a se manifestar, a i. Procuradora do Distrito Federal


Tatiana Muniz S. Alves, na mesma linha já repisada pela Procuradoria-Geral do
Distrito Federal, concluiu que não foram atendidos os requisitos previstos na
Decisão Normativa n° 3.500/99 do Tribunal de Contas do Distrito Federal, bem
como apontou incongruências do projeto em face da legislação brasileira.

Por concordar com o opinativo, aprovo o Parecer n° 11412010 ~


PROCAD/PGDF por seus próprios e jurídicos fundamentos,

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1 111/2009
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Solicito, ainda, a remessa de cópia do Parecer (com as respectivas
manifestações superiores) à Secretaria de Estado da Ordem Pública, Social e
Corregedoria-Geral do Distrito Federal, visando à apuração de eventual falta
funcional praticada pelo gestor público por meio de omissão.

À superior consideração.
Brasília, segunda-feira, 25 de janeiro de 2010.

CÍCERO IVAN FERREIRA GONTIJO


Procurador-Chefe
Procuradoria Administrativa

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DISTRITO FEDERAL
PROCURADORIA-GERAL
~II
GABINETE DO PROCURADOR-GERAL IJ~
BRASILIA
J9601010

PROCESSO: 400.001.771/2009
INTERESSADO: Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e
Cidadania do Distrito Federal
ASSUNTO: Contratação emergencial de serviços - CIAGO

APROVO O PARECER N° 0114/2010


PROCAD/PGDF, de lavra da ilustre Procuradora do Distrito Federal
TATIANA MUNIZ S. ALVES, bem como a cota de fls.501/503, subscrita
pelo eminente Procurador-Chefe da Procuradoria Administrativa,
CíCERO IVAN FERREIRA GONTIJO.

Restituam-se os autos à Secretaria de Estado de


Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, para
conhecimento e providências pertinentes.

Em óL i /,0 J /2010.

LEONARDO AN O I DE SANCHES
Procurador-Geral A· to do Distrito Federal
Substituto

Folha nO 5'0 '-I ,_


Processo nO~oOOOl+t"Jl!02
Rubrica S~· _
Mau. 26.661-2

CMLG

"Brasllia - PatrimOnio Cultural da Humanidade"