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A Ideologia Pre / clara.


A PRODUÇÃO ISEBIANA ( * )

Caio Navarro de Toledo

A criação do a perspectiva oficial. Postular o desenvolvimento nacional,


e propugnar pela elaboração de uma
Personagens secundários da vida polí­ ideologia capaz de promovê-lo e incenti­
tica brasileira figuraram como atores vá-lo não foi "mérito" exclusivo do pre­
centrais na criação e na extinção do sidente Juscelino Kubitschek. Reconhe­
T nstituto Superior de Estudos Brasileiros ça-se que o ISEB alcançou sua plena
( ISEB ) . Café Filho e Ranieri Mazilli vigência e habitat no período juscelinista,
foram presidentes por "força das cir­ mas ressalte-se também que a temática
cunstâncias" ; estas, decisivas - bem se da "teorização" do desenvolvimento,
sabe - nas direções que tomou o pro­ como preocupação governamental, j á
cesso político nacional nestes últimos estava e m gestação há algum tempo no
vinte anos. Talvez uma observação pode­ interior da formação social brasileira (2).
ria ser feita : esses obscuros políticos, Se a expressão Ideologia do desenvol­
através dos decretos que assinavam, vimento nunca aparece nos estatutos e
assumiam fundamentalmente os papéis regulamentos gerais do ISEB , em com­
de agentes de decisões que eram impos­ pensação, ela se constituirá praticamente
tas por ( novos) grupos sociais domi­ no emblema e na "palavra de ordem"
n antes. Na criação do ISEB , em decor­ da Instituição, estando presente explici­
rência da necessidade do Estado de pro­ tamente na quase totalidade de suas pu­
videnciar agências que racionalizassem blicações e em todas as suas definições
surto do desenvolvimento nacional ; na de ordem programáticas. Segundo seus
extinção do Instituto, em virtude da con­
solidação de forças político-militares que (2) Ș'̮  $̮ ̮ ( %Ũ̮ ̮ $€J
julgavam a existência do ISEB como um ̮ Ë̮ ̮ Ó +aŎG̮ ̮  +ú
desserviço à Nação (1)". '  I̮ ̮ q(+̮ .+̮ F%̮ ø)̮
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estatutos, as atividades do ISEB não de­ desenvolvimento - e este é o "bom


veriam ser confundidas com certos tipos combate" uma vez que os mais autênti­
de pragmatismos onde apenas se estipu­ cos interesses nacionais ali estavam
lam os objetivos práticos e imediatos a representados - "a vossa inteligência
serem alcançados. Como em toda decla­ se ampara n a realidade que é, finalmen­
ração de princípios que se preze, o Regu­ te, invencível ( 5 ) " .
lamento Geral do ISEB igualmente pri­ Na mesma ocasião falou o Ministro
vilegiava a pesquisa e trabalho teórico. de Estado (MEC ) , Clóvis Salgado, assi­
Assim estabelecia o artigo 19 daquele nalando que o ISEB se propunha "pre­
Regulamento : "O Instituto Superior de cisamente ( . . . ) a secundar os esforços
Estudos Brasileiros ( lSEB ) ( . . . ) é um de V. Exa. [presidente Juscelino Kubits­
centro permanente de altos estudos polí­ chek] para levar adiante este nosso
ticos e sociais de nível pós-universitário grande e amado país (6)". As declarações
que tem por finalidade o estudo, o ensi­ do Ministro não deixam margem a dúvi­
no e a divulgação das ciências sociais da sobre as intenções governamentais :
notadamente da Sociologia, d a História, fazer do ISEB um núcleo que assesso­
da Economia e da Política, especialmen­ rasse e apoiasse a política econômica
te para o fim de aplicar as categorias e ( Plano de Metas) definida pelo governo
os dados dessas ciências à análise e à Juscelino Kubitschek.
compreensão crítica da realidade brasi­ Ainda enfatizando a vocação teori­
leira visando a elaboração de instru­ zante que se pretendia imprimir às ativi­
mentos teóricos que permitam o incenti­ dades isebianas, J. Kubitschek lembrava
vo e a promoção do desenvolvimento que os estudos ali se faziam "com méto­
nacional ( 3 ) " . dos científicos e racionais, sem precon­
No discurso que proferiu por ocasião ceitos ou sectarismos. Mais do que uma
da solenidade do encerramento do Curso tribuna brilhante, o ISEB quer ser um
Regular de 1 9 5 6 , quando da diplomação laboratório de pesquisas da realidade
dos primeiros estagiários do ISEB , o brasileira, visando conhecê-la e dar dire­
presidente Juscelino Kubitschek (4) defi­ ção feliz ao processo do seu desenvol­
nia a tarefa da Instituição como sendo vimento. Sua única bandeira é o amor
a de "formar uma mentalidade, um espí­ ao Brasil
rito, uma atmosfera de inteligência para Produção científica e pesquisa teóri­
o desenvolvimento". Enfatizando sempre ca, sim - desde que estivessem subordi­
a esfera do teórico como a contribuição nadas ao proj eto do desenvolvimento
fundamental a ser desenvolvidas pelos nacional ; contudo, não se permitirá em
isebianos, diria ainda : "Vós sois os momento algum que se nomeie, nas for­
combatentes do desenvolvimento no mulações oficiais, o vocábulo ideologia
plano da inteligência ( . . . ) vossa tarefa certamente em virtude de algumas de
de catecúmenos do grande Brasil será suas significações, tinterpretadas como
mais árdua e mais perigosa porque luta­ "inconvenientes". Não se poderia admi­
reis com argumentadores, com finos tir que o Estado - "representante da
representantes da decadência, com gente Nação", "conciliador das disputas e das
de recursos". Mas, dirá Juscelino Kubits­ tensões sociais", "mantenedor da ordem
chek, na medida em que se combate pelo e da harmonia social", "promotor do
bem estar coletivo" - promovesse ideo-
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CAIO NAVARRO DE TOLEDO 127

logias. Para o pensamento oficial, as um processo de "desideologização"


ideologias, quaisquer que sejam seus quanto a de um crescente amortecimento
matizes, carregam consigo estigmas e da consciência política na "sociedade in­
marcas detestáveis - parcialidade, de­ dustrial" e "tecnocrática", os isebia­
sarmonia, luta social. nos (8) afirmam que, no âmbito dos paí­
Na prática, porém, aceita-se que uma ses que ingressam no processo do desen­
Instituição criada pelo Estado promova volvimento, vige em toda a sua plenitude
uma ideologia determinada. Pelo menos o momento político e ideológico . Nas
duas razões justificariam esta aparente palavras de R. Corbisier : "não acredito
contradição : conforme rezava seu esta­ que estej amos vivendo uma fase literária
tuto, o ISEB - apesar de estar direta­ da nossa história ; parece-me, ao con­
mente subordinado ao Ministério da trário, que estamos vivendo uma fase
Educação e Cultura (MEC ) - tinha eminentemente política e ideológica" ( 9 ) .
" autonomia e plena liberdade de pes­ G. Ramos, por sua vez, n a linha de
quisa, de opinião e de cátedra". Esta negação ( implícita) da tese do "fim das
relativa autonomia da Instituição per­ ideologias", denuncia como improceden­
mitiria, pois, ao Estado não se compro­ tes as conclusões daqueles autores es­
meter com determinadas posições e dire­ trangeiros na medida em que " as ideo­
ções que o ISEB porventura viesse a logias existem e sempre existirão neces­
assumir; com a criação e difusão de sariamente em qualquer sociedade, por­
ideologias, por exemplo. que é inconcebível que o pensamento e
Contudo, a razão fundamental que a conduta do homem possam superar
explicaria a "permissividade ideológica" suas limitações históricas e sociais" ( 10 ) .
por parte do aparelho estatal prender­ Dirá Vieira Pinto que as análises
se-ia ao fato de que a ideologia patro­ daqueles cientistas políticos se explica­
cinada pelo ISEB representaria os "inte­ riam em função das categorias e "formas
resses gerais" da Nação. Superados, pois,
estariam todos aqueles estigmas que tra­
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dicionalmente vêm colados às ideologias.
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Para o pensamento oficial, com a ideo­ =̤I̮ ‡ Ǩ̮ șʻ̮ ÊH!E̮ 1ù
logia do desenvolvimento nacional ter­ ̮ T!#ɜè̮Ÿ†/̮‹
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-se-ia constituído um caso modelar : a }Ģ̮ V̮  ̮ }̮ ̮ }#ʓ̮
ideologia não-ideológica ou, em outra ž
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"declínio" das ideolo gias no mundo H%Q̮ ̮ E̮ .
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( e, às vezes, "profecias" ) de cientistas Ô E̮ ʭ†̮ ,
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políticos e sociólogos, tais como D. BelI, /̮ Ḫ #̮ Ƣ̮ ‚ɿ̫ ƣ̮
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1 28

de pensamento" metropolitanas de que de desenvolvimento (13) . Muito longe da


se utilizam, incapazes, todas elas, de arbitrariedade e do idealismo estaria o
captar a realidade histórica das nações projeto isebiano, afirmam estes pensa­
subdesenvolvidas ( l l ) . No interior das dores. Segundo eles, a ideologia do de­
formações sociais, ditas subdesenvolvi­ senvolvimento é necessária porque num
d as - argumentam os isebianos -, as dado momento se tornou possível cons­
ideologias nem teriam sido superadas, tituí-la ( 14 ) .
nem estariam em "declínio". Muito pelo Numa perspectiva muito próxima
contrário, caberia, isto sim, forj ar novas das teses da Sociologia do Conhecimen­
ideologias. to, afirmam os autores do ISEB que a
Vieira Pinto, sintetizando as formula­ consciência crítica só tem sua gênese nos
ções de vários isebianos, assim definia países subdesenvolvidos quando ali se
as tarefas e o programa da Instituição : efetivam transformações em suas estru­
"a ideologia deve surgir da meditação de turas básicas. A ruptura com a consciên­
um grupo de sociólogos, economistas e cia ingênua se torna possível, diz Vieira
políticos que, superando o plano restrito Pinto, porque "cedo ou tarde o país atra­
de suas especialidades, se alcem ao pen­ sado sofre alteraçeõs da estrutura mate­
rial em conseqüência quase sempre da
sar filosófico, por via da compreensão
instalação de dispositivos de dominação
das categorias reais que configuram o
externa destinados a melhor explorá-lo,
processo histórico e acompanham o pro­
que acabam por sugerir a um ou outro
jeto de modificação das estruturas fun­
indivíduo a transformação da consciên­
damentais da n ação. (  7 ̮ "
cia que conduz à meditação crítica sobre
A necessidade de forjar uma ideologia a realidade" (15) .
que promovesse e incentivasse o desen­
Para Guerreiro Ramos estas " altera­
volvimento - presente em todos os
ções da estrutura material" que permiti­
"isebianos históricos" - explicar-se-ia
rão a emergência da consciência crítica
em função das possibilidades contidas no
são basicamente três : "a industrialização
atual processo histórico das nações sub­
e duas de suas conseqüências, a urbani­
desenvolvidas onde já teriam instalado
zação e as alterações do consumo popu-
efetivas condições para aquele processo
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lar" (16 ) . Roland Corbisier assinala que ação as condições que determinam as es­
"vários fatores, e não apenas os de truturas coloniais ou subdesenvolvidas.
ordem ideal, contribuem para provocar Se, como diz R. Corbisier, "na colônia
o advento da consciência crítica" : 1 ) as tudo é colonial", as ideologi as presentes
guerras ; 2) as crises resultantes de per­ na estrutura colonial não podem ser se­
turbações internas ou de repercussões não colonialistas ou colonizadoras ; ou
das crises internacionais na vida do país ; ainda, a colônia nunca poderá ter pro­
a desagregação das instituições lo­ jeto próprio devendo se conformar com
cais; 4) as novas relações econômicas e seu estado de subserviência ( 2 0) e de de­
culturais (17) . pendência ( 2 1 ) .
Na base destas formulações está a Porém, instaladas alterações nas estru­
aceitação de que no subdesenvolvimento turas materiais do p aís e rompido o com­
- ocorrendo aquilo que Nurske deno­ plexo colonial, pode-se então forjar uma
minou de "círculo vicioso da pobreza" ideologia que sustente e incentive o de­
( ou ainda, no truísmo cunhado por senvolvimento incipiente. Ainda nas pa­
lavras de R. Corbisier : "resultando de
Myrdall : "um país é pobre porque é
um projeto ou da integração de inúme­
pobre" ) - a consciência não pode ser
ros projetos conscientes e racionais, o
senão "inerte, passiva e conforma­
desenvolvimento nacional requer, para
da" Não há, como assinalou C. Men­ que se possa realizar ordenada e não
des, um real comportamento ideológico caoticamente, com o máximo aproveita­
( superador, transformador) por parte da mento dos recursos disponíveis, um pla­
colônia (19), mas, sim, a presença de nejamento global cuj a elaboração impli­
ideologias imobilistas. ca a formulação prévia de uma ideolo­
As ideologias imobilistas, presentes gia". Mais adiante, associando V. Lenin
na estrutura colonial ou na situação de e V. Pinto, sintetizaria um dos slogans
subdesenvolvimento em estagnação, re­ isebianos do desenvolvimento ; ha­
produzem no nível do pensamento e da verá desenvolvimento sem a formulação
prévia de uma ideologia do desenvolvi­
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duzirão necessariamente para o estágio Assim, para os isebianos, a arbitrarie­


superior do desenvolvimento. Só a ideo­ dade e o idealismo jamais se constitui­
logia do desenvolvimento permitirá que riam em marcas do projeto de criação
aquelas mudanças assumam a feição de ideológica na medida em que as con­
processo ( onde haj a clareza e precisão dições então presentes e os reclamos
acerca das metas e fins visados) condu­ obj etivos da Nação subdesenvolvida tor­
zindo, promovendo e incentivandQ um nariam não só possível um real compor­
desenvolvimento nacional integrado, har­ tamento ideológico, como imporiam a
monioso e sem grandes disparidades necessidade da elaboração duma ideolo­
internas (23 ) . Sem ideologia do desenvol­ gia determinada : a do desenvolvimento
vimento poderá haver, quando muito, nacional.
mero crescimento quantitativo, mas que Depreende-se dessas considerações
não beneficiará a Nação como uma que nem a toda ideologia estaria garan­
totalidade. tido o privilégio de produzir, incentivar
Como as modificações da realidade o processo de desenvolvimento : a ideo­
material teriam tornado possível o aflo­ logia do desenvolvimento nacional deve­
ramento da consciência crítica e na me­ ria ter marcas essenciais. No trabalho
dida em que se teria colocado a crucial de construção dessa ideologia, a noção
questão da urgência e imperiosa neces­ de autenticidade desempenharia um
sidade de se impulsionar e dirigir o pro­ papel fundamental.
cesso de desenvolvimento - caso con­
trário, como afirmava R. Corbisier (24),
o país poderia, numa conseqüência catas­ Critérios e exigências para a construção
trófica, "retrogradar a uma estrutura da ideologia do desenvolvimento
colonial" - destituídas de sentido se­
riam todas aquei as críticas que denomi­ As concepções acerca da natureza da
n avam o proj eto de criação da ideologia autenticidade ideológica apresentam al­
do desenvolvimento ( essa construção gumas distinções entre os vários isebia­
ante factum, como acima observamos ) nos. A rigor, poderíamos dizer que, de
de arbitrário e idealista. um lado, agrupam-se H. J aguaribe, R.
Corbisier, C. Mendes e G. Ramos e, de
outro, Vieira Pinto.
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H pp¬İ †̮ 6
/ Ǣ̮ ¾  ̮ (̖̮ ̮ H. J aguaribe distingue as ideologias
̮ ̮ ̮ ̮ do ponto de vista da sua representativi­
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̮ ̮ ̮ (¼J dade e da sua autenticidade. Segundo
̮ ̮ ̮ (̮ ̮
este autor "é representativa a ideologia
̮ 6̮ ̮ ̮ P̮ 
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²̮ ̮ ,
̮ ̮ ̮ u̮ que constitui a formulação correspon­
6/̮ ̮ (Ĕ I̮ æ ̮ /J dente aos interesses situacionais da clas­
t 9  ̮ ̮ VE̮ T̮ ê ̮ mC̮ ̮ ***m̮ se ou grupo que a sustenta" . Mais adian­
r̮
̮ (6̮ %<̮ ̮ te, explicitará o critério que permite
6̮ ê ̮ ((̮ ̮
̮ ̮
/̮ ̮ (̮ ̮ (6̮ ̮
reconhecer esta representatividade das
/̮ ^ =(P̮ ̮ ̮ ideologias : "o que torna uma ideologia
̮ ̮ ̮ ̮ ̮ 
v̮ ̮ representativa é a conexão lógica e 'fac­
Ĕt̮ tual' entre a classe que a sustenta e as
«ćS9̮ T(#C̮ 1  ̮ ê w86İ ̮ S5̮ _̮ formulações que ela indica". Como
/̮ / Ç̮ /t̮
J aguaribe aceita que existem classes com
ý̮ x (<̮ ̮̒ 

̮
/:̮ 6̮ ̮ ̮ Ÿ̮ ľ
#̮ distintos interesses situacionais, é de se
æ  t̮ ̮ 1  ̮ T m 9 ̮ esperar, pois, que as respectivas formu-
CAIO NAVARRO DE TOLEDO 131

lações ideológicas das classes ou, como civilização) , fase se constitui na etapa
diz H. J aguaribe, suas "crenças adje­ do processo histórico de uma
tivas" também o sej am. Ocorre que nem de. Diz H. Jaguaribe : "a etapa em que
sempre as aspirações sociais de uma clas­ se encontra a comunidade brasileira
se correspondem aos seus interesses reais ( . . . ) embora concomitantemente em
objetivos. Nestes casos, as classes passam relação à época, à etapa em que se en­
a ser "vítimas da própria ideologia, per­ contra a comunidade norte-americana,
dendo a oportunidade de organizar em apresenta uma diferenciação faseológi­
função dela a sociedade a que perten­ ca". Mais adian te aduz : "a fase a eta­
cem" (25 ) . Portanto, a representatividade evolução do desenvolvimento
não está de imediato garantida, embora duma comunidade em função seus
o autor nunca se preocupe em indicar próprios eixos e se caracteriza uma
quais seriam os fatores que determinam determinada estrutura-tipo" (28) .
a falsa representatividade das ideologias ; Ora, na estrutura-tipo
nem discute, por exemplo, se as aspi­ ribe nunca chega a determinar rigorosa­
rações sociais equivocadas de uma classe mente qual sej a ) da nação
seriam explicadas a partir da dominação vive-se em toda sua extensão a da
de certas ideologias sobre outras - me­ transformação, caracterizada pela enér­
diante o processo da luta ideológica - gic e acentuada propensão ao
no interior da formação social. outro vimentoto"(29). E o que confere ao Bra-
lado, diz H. J aguaribe, são autênticas
ideologias que, "sej am quais forem os Ɖ ǒ ¶ 9 ̮ 

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interesses situacionais que representem, ̮ 
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formulem para a comunidade como um ̮ ,
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nham no sentido de seu processo faseo­ ̮

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si} uma poslçao privilegiada após 1 9 30 Devemos assinalar que as formulações


é o fato de que a linha de maior repre­ acima, onde se estabelecem os critérios
sentatividade ideológica para todas as para a construção e o reconhecimento
classes sociais ( com exceção, em cada da ideologia ( autêntica ) do desenvolvi­
uma delas, dos "setores arcáicos" vin­ mento, não encontram a mesma explici­
culados às estruturas semi-colonais) cor­ tação em outros autores isebianos. Mas,
ponde também à linha de maior autenti­ há, tanto em C. Mendes como em R.
cidade histórica. Ou seja, os setores do­ Corbisier e G. Ramos, a aceitação tácita
minantes de todas classes sociais (30) da categoria do processo faseológico -
têm os mesmos interesses situacionais ( a tal como foi sugerida por F. Müller­
transformação social ou o desenvolvi­ Lyer - como referência teórica funda­
mento ) e estes interesses situacionais, mental para se pensar a criação da ideo­
por sua vez, coincidem com as necessi� logia. Não se utilizam das distinções fei­
dades objetivas de todo o país ( a expan­ tas por H. Jaguaribe - "representivida­
são e modernização das suas forças ma.., de e autenticidade" - mas as têm como
teriais de produção ) . pressupostos básicos em suas respectivas
Coincidência "feliz" esta em que as elaborações (31 ) .
ideologias representativas cle diversas Apesar d e n ã o s e poder dizer que haj a
classes sociais não entram em conflitos ; fundamental desacordo entre a s posições
e mais ainda, que esta unidade ideoló­ daqueles autores e as de Vieira Pinto,
gica corresponda às necessidades "faseo­ este vai formular a sua concepção de
lógicas" da comunidade nacional. ideologia autêntica numa outra direção.
Segundo H. Jaguaribe, a ideologia Vieira Pinto não se utiliza das especio­
do desenvolvimento realiza concreta­ sas categorias utilizadas por G. Ramos/
mente esta coincidência, pois não só é H. J aguaribe, mas reconhece também
representativa de todas as classes, como que haveria "interesses situacionais"
possibilita efetivamente a promoção do coincidentes dos diversos grupos que
desenvolvimento - necessidade objeti­ compõem a "comunidade nacional" e
vamente inscrita no interior da comuni­ que estes são os do próprio desenvolvi­
dade no sentido progressivo realiza­ mento Nação.
ção do seu "processo faseológico" . O que distingue, porém, a posição de
Em poucas palavras, ao s e formular Vieira Pinto acerca dos critérios para a
a ideolo gia do desenvolvimento nacional, constituição da ideologia autêntica é a
deve-se atentar para o fato de que ela afirmação segundo a qual esta deve ser
seja simultaneamente 'representativa e extraída da consciência das massas tra­
autêntica ; ou seja, deve representar con­ balhadoras, pois são estas "que impõem
cretamente os interesses situacionais
( então convergentes ) das diversas clas­
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CAIO NAVARRO DE TOLEDO 133

a exigência de desenvolver-se o país" ( 32 ) . esposando-lhe a dinâmica" (36). No tra­


A ideologia d o desenvolvimento somen­ balhador se realiza, mais do que em
te será legítima ou autêntica, entende ninguém, a transmutação da consciência
Vieira Pinto, quando exprimir a cons­ ( de ingênua a crítica ) como conseqüên­
ciência das massas, revelando suas aspi­ cia do movimento de transformação da
rações, num projeto que não é impos­ realidade material operada por sua ati­
to a elas, mas que procede delas ( 33 ) . vidade propulsora do processo do de­
Em Ideologia e Desenvolvimento Na­ senvolvimento. À medida que evolui este
cional três teses de caráter normativo são processo · - como efeito do aprimora­
enunciadas : 1 ) "a ideologia do desen­ mento das técnicas de produção (37) !

volvimento tem necessariamente de ser mais esClarecidas se tornam as suas re­


fenômeno de massas" ; presentações da realidade. "O fato
sjvo é a nova consciência que se instala
2 ) "o processo de desenvolvimento é
na massa e toma os delineamentos do
função da consciência das massas" ;
pensar crítico, em conseqüência do de­
3 ) " a ideologia do desenvolvimento senrolar , do processo de crescimento na­
tem de proceder da consciência das mas­ cional, tendo por fator causal a modali­
sas" (34) . dade superior de trabalho" (38 ) .
A ideologia do desenvolvimento só O trabalho é, pois, fator essencial, rião
pode proceder da consciência das mas­ da transformação da realidade mate­
sas pois são estas as que, em última ins­ rial, como também da consciência. Fica
tância, mais interesses têm no processo advertido, assim, que não se trata de
de desenvolvimento e, igualmente, por­ u m a consciência qualquer, mas, sim ,
que são elas que podem revelar as dire­ da consciência daqueles que realizam
ções objetivas desse mesmo processo. efetivamente as atividades de transfor­
Quem garante que a consciência das rÍl ação, bem como daqueles que se iden­
massas sej a verídica, posto que - fre­ tificam com o ponto de vista da classe
qüentemente assinala Vieira Pinto - trabalhadora ( certas camadas de inte­
não há neste seu privilegiamento nenhu­ lectuais ) .
ma exaltação "mística", nem tampouco Sintetizando o caminho através do
" afeição ou simpatia moral exterior" qual se elabora a ideologia do desenvol­
pelas classes trabalhadoras? ( 35 ) . vimento; dirá Vieira Pinto : "a ideologia
Aqui se faz necessário introduzir uma de que n ecessita a sociedade subdesen­
noção central em seu pensamento : o volvida será transformadora se for autên­
conceito de trabalho ou de prática - tica, e só ' será tal se surgir de uma cons­
como ele mesmo às vezes identifica no ciênci a que represente veridicamente
decorrer de seus escritos : "o caráter ne­ o real ; esta, por sua vez, só terá essa
cessariamente transfigurador do trabalho qualidade se tiver sido configurada n a
é a via de acesso à realidade. Por ele prática, a qual ( . . . ) se define funda­
o mundo se abre à consciência ( . . . ) mentalmente como trabalho" ( 39 ) .
não há outro modo de captar o real
senão introduzir-se na sua mobilidade, Ż Ǔ 7 Ɯ ̮ ɥ̮ 4 T1~̮ g Á ̮ oC İ
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1 34

Reconhecerá Vieira Pinto que as re­ que pretenda conceder ou impor às mas­
presentações da consciência trabalha­ sas uma "consciência" ou um "ideá­
dora não surgem coerentes, unificadas rio" (42 ) , os pensadores dos países peri­
e sistematizadas através dum aparato ló­ féricos deverão apropriar-se das repre­
gico-conceitual. As massas forneceriam sentações da consciência popular. Nas
como que a "matéria prima" aos pen­ p alavras de Vieira Pinto : "o que com­
sadores ( filósofos ou sociólogos incor­ pete aos sociólogos [em outros momen­
porados ao ponto de vista coletivo) (40) tos acrescenta : filósofos e pensadores
aos quais, caberia ordená-la e explicitá­ em geral] na ordem teórica e aos polí­
la, dando-lhe um corpo lógico. Assinala ticos n a ordem prática, é fazerem-se
Vieira Pinto que esta tarefa da intelec­ arautos dessa verdade [a verdade sobre
tualidade participante se justificaria a situação n acional presente na consciên­
ainda mais pela circunstância de que cia das massas] , recolhê-la nas suas legí­
- nos primeiros momentos do desen­ timas origens e interpretá-la com o auxí­
volvimento - as representações verídi­ lio do instrumento lógico-categorial que
cas das massas correm o risco de "con­ devem possuir, sem distorcê-la, sem vio­
taminação" pois afloram num "espaço lentá-la, sem mistificá-la" (43 ) .
ideológico constituído" (onde persistem Aqui estí configurada a tarefa isebi­
ideologias comprometidas com a antiga ana, segundo a visão de Vieira Pinto :
ordem ) . Daí, muitas vezes, as massas explicitar, a partir das categorias "indu­
nesse contexto se comportarem de forma zidas do processo histórico nacional",
equívoca e incoerente. Torna-se, então, o jã está implícito no interior da
tarefa do pensador, não comprometido consciência das massas. E não se deve
com as "ideologias arcáicas", "aguçar a
confundir a difusão ou divulgação dessa
sensibilidade p ara discernir e captar
quanto haj a de autêntico nesses prenún­
cios ideológicos difusos no pensamento ƃ Sî 9̮  ̮ ^ #s Â̮ I, *¤‰N̮ _s ̮ $§ ̮
como em qualquer outra forma de com­ K̮ ,k ̮  $̮ H
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CA I O NAVARRO D E T O LEDO 135

ideologia com a simples "propaganda" Se a ideologia do desenvolvimento é,


( através das conotações que tradicional­ em Vieira Pinto, o "pensamento natural"
mente a esta noção se associam) . Assim, das camadas populares, em H. J aguari­
na medida em que a ideologia do desen­ be, por exemplo, são estas que devem
volvimento nada mais seria do que a "ser conquistadas" para o desenvolvi­
organização, a ordenação, a sistematiza­ mento através da "política ideológica"
ção das representações vividas pela cons­ comandada pela burguesia industrial.
ciência das massas trabalhadoras no ato Daí H. J aguaribe insistir no tema da
da produção material, estas não fariam "educação e organização ideológica" das
outra coisa senão reconhecer nas elabo­ massas como condição para a consolida­
rações dos ideólogos do desenvolvimento ção do desenvolvimento econômico, en­
os seus próprios pensamentos, formula­ quanto em Vieira Pinto a exigência do
ções e formas de sentir. "A transmissão desenvolvimento nunca vem "de fora"
da ideologia" passa então a ser "obra nem é estranha às massas.
de sua verdade interior que não é senão Vieira Pinto não ignora a "necessida­
a sua concordância com a realidade e a de da divulgação persuasiva, do proseli­
viabilidade do projeto a que conduz. A tismo consciente e esclarecido" por par­
persuasão que possui decorre dessa ver­ te dos "ideólogos". Contudo, isto não
dade e não é obtida por artifícios psico­ seria condenável desde que se " apóie na
lógicos, muito menos pela coação. Ao ser certeza de se estar dizendo às massas
reconhecida pela consciência das massas aquilo que exprime o próprio ponto de
com o autêntico pensamento de que ca­ vista delas e que, porisso, só precisa ser
reciam para exprimir se'l projeto de exis­ conhecido para ser reconhecido" (46 ) . É
tência, a ideologia assume automatica­ preciso, pois, afirma, compreender que,
mente caráter operatório
se por um lado, a ideologia não deve ser
Será justamente em virtude do lugar matéria da pura propaganda como ocor­
que a noção de massas trabalhadoras re em certos "regimes políticos totalitá­
ocupa em seu pensamento que Vieira rios", por outra parte, ela correrá o risco
Pinto se distinguirá dos demais isebianos de ser "pura elaboração teórica" se esti­
quanto à questão da difusão e do coman­ ver reduzida ao pequeno círculo de inte­
do ideológico do processo do desenvol­ lectuais.
vimento nacional. Neste sentido, toma­
Para H. Jaguaribe, G. Ramos, C .
mos as formulações de H. Jaguaribe
Mendes e R. Corbisier a perspectiva é
como representativas daquelas também
outra. Nas palavras do primeiro : " ( . . . )
postuladas por C. Mendes, R. Corbisier
e G. Ramos (45 ) .
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136

na medida em que a ação empreende­ Para nós, a conseqüência d e ambas as


dora dos homens representativos do pro­ perspectivas - a de Jaguaribe e a de
cesso de desenvolvimento econômico Vieira Pinto - não pode ser outra :
(burguesia industrial ) alargue ideológi­ tomar as classes trabalhadoras como
camente a propaganda do desenvolvi­ "massas de manobras" posto que deviam
mento, estabeleçam contactos com as ser elas comandadas ou "esclarecidas",
grandes massas e lhes mostre a depen­ ora pelas burguesias empreendedoras
dência que existe entre o processo de ( de fatura "nacionalis�a" ) ora pelas eli­
desenvolvimento e a elevação de seu tes intelectuais acometidas da enfermi­
nível de vida . . " (47) criar-se-ão condi­
=U dade da consciência culposa. Em ambas
ções para organizar-se nova forma de as perspectivas, pois, j amais era con­
Estado "funcionalizando-o" para as tare­ templada a possibilidade das classes su­
fas do desenvolvimento . Não são as mas­ balternas imporem à totalidade social a
sas que comandam, mas são comanda­ sua hegemonia e - através de aparelhos
das ; não detêm o conhecimento objetivo organizações políticas autônomos -
�e seus próprios interesses, devem, isto propugnarem por um (e defenderem a
sim, ser "conscientizadas" através da realização de ) modelo de desenvolvi­
"política ideológica" dirigida por grupos mento ( econômico, social e político )
"mais esclarecidos" e melhor preparados diverso e/ou antagônico àquele que con­
material e intelectualmente. cebia a Revolução mediante a consolida­
Ressaltemos, porém, que entre o "po­ ção e avanço do capitalismo nas área:;
pulismo" de Vieira Pinto e o "neobisma­ ditas "periféricas".
rismo" de H. J aguaribe, as diferenças, a Constituir tais questões como proble­
nosso ver, se atenuam principalmente mas implicaria na tematização das rela­
quando se tem em conta que ambos pos­ ções existentes entre ideologias diversa:;
tulam o desenvolvimento econômico e, no limite, na discussão da questão do
como tendo de convergir necessariamen­ domin ação de uma ideologia sobre a
te para a definitiva consolidação do ca­ outra no interior da formação social ; em
pitalismo avançado na periferia. outras palavras, ter-se-ia que enfrenta r
Se em Vieira Pinto a ideologia do o problema da luta de classes na ideo­
desenvolvimento é a bandeira das "mas­ logia.
sas populares", não se pode inferir daí Pensar tais questões ou comprometer­
que a org anização da sociedade deverá se com uma linha de análise nessa dire­
se fazer a partir dos interesses específi­ ção não se constituía num risco qual­
cos da classe proletária, pois, esclarece quer : seria a própria hegemonia da ideo­
o autor, "não há que confuidir o con­ logia n acional-desenvolvimentista que
ceito de ideologia do desenvolvimento estaria definitivamente arruinada e, por
tal como apresentamos, com quaisquer conseguinte, as práticas políticas que
formas de partidarismo po tico . São procuravam concretizá-la no nível da
coisas radicalmente diferentes. Não se formação social.
trata aqui de defender nenhum interesse Deve-se assinar, contudo, que tais
em particular ou de grupo, mas de expri­ impasses e limites não podem ser impu­
mir o interesse geral da sociedade brasi­ tados apenas à Instituição aqui analisa­
leira, em suma o interesse nacional" (48 ) . da. Influenciados ou não pelas ideolo­
gias difundidas pelo ISEB, organizações,
(47) ‹ 
# ¢̮ Š  ̮  -DYİ p. ¤*Ƶ¤@N̮ Y ɢ6ȩ̮
movimentos e partidos ( alguns destes
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Ɠš‰ Z̮  ̮ Ȑ0̮  -DOžİ p. A *̮ Y h6Ň̮ autointitulados de populares ou proletá­
 ƞ N ̮ rios ) , assim como uma ponderável par-
CAIO NAVARRO D E TOLEDO 137

cela da intelectualidade "progressista", ram, mediante práticas e ações adequa­


não conseguiram romper com a espessa das, alcançar os obj etivos a que se pro­
camada de significações impostas pelas punham. Entre outros, a extinção de mo­
classes dominantes na década de 50 e vimentos e instituições que ameaçavam
no início dos anos 60. romper com o tutelamento político-ideo­
Mais grave do que isso : num ventri­ ideológico do Estado. Nos primeiros
loquismo infernal, tais organizações e dias de abril de 1 9 64 organizações e ins­
seus respectivos ideólogos sempre pro­ tituições conhecidas nesta fase da vida
curaram falar pelas classes trabalha­ brasileira como "progressistas" (50) eram
dora bem como interpretar e defender postas "fora da lei".
seus interesses e aspirações. Porta-vozes A partir deste ano o processo político
das falácias desenvolvimentistas (49 ) , fre­ nacional vai assistir ao " colapso" de
qüentemente postulavam para essas ca­ algumas práticas políticas e ideológicas.
madas soluções conciliadoras e reformis­ Contudo, t al como os fantasmas da lite­
tas, postergando, assim, para um futuro ratura mágica que assustam e fascinam
incerto - em nome de prudentes e cau­ os pobres mortais, o nacionalismo-desen­
telosas " estratégias" - a resolução das volvimentista continuará, nos anos re­
contradições fundamentais. centes, a povoar as mentes e o pensa­
Contudo, nesse mesmo período de mento de políticos e intelectuais . Afinal,
nossa vida política, outras forças e insti­ livre a imaginação apesar de ( todos )
tuições começavam a articular-se e mo ­ os azares e pesares . . .
ver-se no interior da formação social
brasileira com propósitos bem definidos. ’ › — 9 ̮ ¨#̮ <̮  =̮ ̮ # 0̮ de
Estas mesmas forças - ao contrário de ̮ P [̮  ̮ Ē¨̮ ,
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