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FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO

Trabalho para composição da N2 – Estética e Cultura de Massa II

Kayalú Martins Mendonça - 40821392

Maurício de Carvalho Filho - 40823387

2) Duas nomenclaturas utilizadas pela critica para o fantástico do século XX são realismo

maravilhoso e real maravilhoso americano. Defina os dois termos, aponte quais são os

críticos que os adotam e diga o que caracteriza esse tipo de narrativa.

O conceito de real maravilhoso foi cunhado por Alejo Carpentier em 1948. O

autor vê a América como um continente de miscigenações, onde a mistura é inerente ao

povo formado por índios, brancos e posteriormente por negros, e também pela

complexidade da natureza e da vegetação. Nosso imaginário conta com influências dos

acontecimentos insólitos que presenciamos muitas vezes ao longo da vida, por isso o real

maravilhoso é onipresente em toda América Latina. O autor concluiu que o insólito faz

parte das nossas vidas e da nossa forma de retratá-la, devendo esta ser conhecida por

“real maravilhoso americano”.

Já o termo realismo maravilhoso foi conceituado por Irlemar Chiampi, após

contato com a teoria de Carpentier e abandonar o termo “realismo mágico”. Ela retomou
alguns teóricos e a partir do termo fantástico aponta que o realismo maravilhoso

abandona o medo existente no fantástico; a dúvida, a vacilação diante do sobrenatural não

existe mais. Os acontecimentos insólitos são narrados com naturalidade, sem que o

personagem entre em conflito, pois todo o universo é estranho, o real e o maravilhoso não

são antológicos na trama. Desta forma, não existe mais o estranho e a realidade, sendo

apenas a realidade estranha.

4) A critica Sandra Nunes utiliza o termo fantástico para definir as obras de Murilo

Rubião e Jorge Miguel Marinho. Por que esta opção terminologia? Como isto se

relaciona ao próprio conceito de Literatura? Discuta brevemente. Exemplifique com o

conto As Mil e Uma Noites de Edith Piaf.

A opção pelo termo fantástico ocorre pela lógica borgiana que ela carrega, Borges

diferencia a ficção realista da fantástica, nesta última o inverossímil para a ser aceito

como verossímil nas narrativas. O autor defende a idéia de que as primeiras narrativas

eram fantásticas, como os mitos e as histórias contadas de pai para filho que sobrevivem

a muitos séculos, e que a literatura que pretende ser realista é muito nova e pode vir a

desaparecer. Desta maneira, a literatura fantástica traz consigo uma visão mais profunda e

mais complexa da realidade e pode criar “realidades” tão reais quanto a nossa própria

realidade.

O conto “As mil e uma noites de Edith Piaf” trata-se da história de um bordel na

zona leste de São Paulo no final do século passado, com a chegada de uma nova meretriz

começa a trama. Raquel era uma moça especial, emitia músicas de todas as partes do

corpo, logo se tornou a principal atração do bordel e aumentou o movimento, pois quem
não conseguia deitar-se com “O rouxinol da Zona Leste” saciava sua sede sexual com as

outras 10 meretrizes do local. Podemos notar a presença do “fantástico” no conto pois as

outras mulheres do bordel não encaravam de forma natural esse “poder” presente em

Raquel, apesar dos comentários a personagem não é vista como “anormal”, o fato apenas

como alguém que tem dotes especiais.

A vida continua correndo normalmente no bordel até um cliente especial começar

a pedir visitas a domicílio, um homem discreto e delicado tratava as meretrizes como

princesas, oferecendo do bom e do melhor além de carinho e atenção. Uma por uma foi

até a casa desse cliente, mas quando voltavam encontravam-se em estado de graça e

desiludidas com a antiga vida e com seus clientes imundos que se entregavam todas as

noites. O cliente que não aceitava repetir a meretriz causou uma reviravolta no bordel,

pois todas se apaixonaram e quase enlouqueceram por aquele homem misterioso.

Quando uma meretriz morreu de tanto amor pelo cliente misterioso, Raquel

decidir vista-lo, mesmo a dona do bordel sendo contra. Bateu na porta do cara e não viu

nada demais, aliás, ele não a tratou como as outras, foi um como qualquer homem

normal. Vendo que chegou a hora de embora e não conseguiu descobrir o que aconteceu

com as outras mulheres, ainda não sabia o que o homem fez as suas colegas, Raquel

resolveu puxar um papo continuar na casa. Ela era aficionada por Edith Piaf e

acompanhava sua vida de todas as formas que podia, sendo seu ponto forte, resolveu

começar a contar a história da cantora. Com todos os detalhes e cheia de altos e baixos, o

homem ficou interessadíssimo e pediu que ficasse. E nos dias que se seguiram foi à

mesma coisa, eles se deitavam e depois ela contava aos poucos a sua história e o homem

se encantava cada vez mais e mais até que um dia pediu que ficasse. Assim acabou a

história de Edith Piaf e começou a da meretriz Raquel.