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O livro do

ÊXODO
,
CADERNOS DE ESTUDO BIBLICO

O livro do
A

EXODO

Com introdução, comentários e notas de


Scott Hahn e Curtis Mitch

e questões para estudo de


Dennis Walters

Tradução de Alessandra Lass

ECCLESIAE
O livro do Êxodo: Cadernos de estudo bíblico
ia edição - abril de 2016 - CEDET

Título original: Catholic Study Bible: Exodus - © Ignatius Press.

Os direitos desta edição pertencem ao


CEDET - Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico
Rua Ângelo Vicentin, 70 • CEP: 13084-060 - Campinas - SP
Telefone: 19-3249-0580
e-mail: livros@cedet.com.br

Editor:
Diogo Chiuso

Editor-assistente:
Thomaz Perroni

Tradução:
Alessandra Lass

Revisão:
Roger Campanhari

Editoração:
Virgínia Morais

Capa
J. Ontivero

Conselho Editorial:
Adelice Godoy
César Kyn d'.Ávila
Diogo Chiuso
Silvio Grimaldo de Camargo

� ECCLESIAE - www.ecclesiae.com.br

Reservados todos os direitos desta obra. Proibida toda e qualquer reprodução desta edição por qualquer
meio ou forma, seja ela eletrônica ou mecânica, fotocópia, gravação ou qualquer meio.
SUMÁRIO

I N T RODUÇÃO A E S T E E S TUDO • 7
Insp iração e i n errân cia bíblica • 8
A u to ridade bíblica • 9
Os sen tidos da Sagrada Escritu ra • r o
Critério s pa ra a i n terp retação da Bíblia • I 3

Usa ndo este estudo • r 5


Co lo ca ndo tudo em p ersp ectiva • r 7
Uma n o ta final • r 7

INT RODUÇÃO AO LIVRO DO ÊXODO • 19


A u to ria e da ta • r 9
Estrutu ra • 2 r
T ítu lo • 2 r
Temática • 2 r
A u ten ticidade h istórica • 22
Persp ectiva cristã • 2 3

E S QUE MA DO LIVRO DO ÊXODO • 25


O S EGUNDO LIVRO DE M O I SÉS C O NHE C IDO C O M O ÊXODO • 27
Estudo da pa la v ra: F a r a ó • 29
Mapa: F u g a e re t o r n o d e M o i s é s ao E g i t o • 3 2
Estudo da pa la v ra: S e rv i r • 3 9
Quadro: As p r agas d o E g i t o • 46
En saio so b re u m tóp ico: A d a t a d o Êxo d o • 5 2
Mapa: O Êxo d o d o E g i t o • 62
Ilustração: O p r oj e t o d a m o r a d a • 9 r
En saio so b re u m tóp ico: D e p o i s d o b e z e r r o d e o u r o • r r r
Estudo da pala v ra: M i s e r i c ó rd i a • r r 4
L eis ceri m o n iais m o saicas: O c a s i ã o e fi n a l i d a d e • r 24
QUE S TÕE S PARA E S TUDO • I 3 I
INTRODUÇÃO A ESTE ESTUDO

VocÊ ESTÁ SE APROXIMANDO da "palavra de Deus". Esse é o título mais freqüente­


mente atribuído à Bíblia pelos cristãos e é uma expressão rica em significado. Esse é
também o título atribuído à segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Deus Filho
- Jesus Cristo, que se encarnou para a nossa salvação "e é chamado pelo nome de
Palavra de Deus" (Ap 19, 13; cf. Jo 1, 14).'
A palavra de Deus é a Sagrada Escritura. A Palavra de Deus é Jesus. Essa associa­
ção sutil entre a palavra escrita de Deus e sua Palavra eterna é intencional e presente
na tradição da Igreja desde a primeira geração de cristãos. "Toda a Escritura divina
é um único livro, e este livro é Cristo, 'já que toda Escritura divina fala de Cristo,
e toda Escritura divina se cumpre em Cristo"" (CIC 134). Isto não significa que a
Escritura é divina da mesma maneira que Jesus é divino. Ela é, antes, divinamente
inspirada e, como tal, é única na história da literatura universal, assim como a En­
carnação da Palavra eterna é única na história da humanidade.
Podemos dizer ainda que a palavra inspirada assemelha-se à Palavra encarnada
em muitos e importantes aspectos. Jesus Cristo é a Palavra de Deus encarnada; em
sua humanidade, Ele é como nós em todas as coisas, exceto no pecado. A Bíblia,
enquanto obra escrita pelo homem, é como qualquer outro livro, exceto pelo fato
de não conter erros. Tanto Cristo quanto a Sagrada Escritura nos são dados "para
nossa salvação",3 diz o Concílio Vaticano II, e ambos nos fornecem a revelação defi­
nitiva de Deus. Portanto, nós não podemos conceber um sem o outro - a Bíblia sem
Jesus, ou Jesus sem a Bíblia. Um é a chave interpretativa do outro. É por que Cristo
é o sujeito e o assunto de toda a Escritura que São Jerônimo afirma que "ignorar as
Escrituras é ignorar a Cristo"4 (CIC 133).
Ao aproximarmo-nos da Bíblia, então, nós nos aproximamos de Jesus, a Palavra
de Deus; e para que o encontremos de fato, devemos abordá-lo através de um estudo
devoto e piedoso da palavra inspirada de Deus, a Sagrada Escritura.

]o 1 , 1 4 : "E a Palavra se fez homem e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória: glória do Filho único do Pai,
cheio de amor e fidelidade". A tradução brasileira dos textos bíblicos utilizada ao longo de todo este estudo é a da Bíblia
da CNBB -NE.
2 Cf. Hugo de São Vítor, De arca Noe, 2, 8: PL 1 76, 642; cf ibid., 2, 9: PL 1 76, 642-643.
3 Cf. Dei Verbum, 1 1 .
4 Dei Verbum, 25; cf S. Jerônimo, Commentarii in !saiam, Prologus: CCL 73, 1 (PL 24, 1 7).

7
Cadernos de estudo bíblico

INSPIRAÇÃO E INERRÂNCIA BÍBLICA5


A Igreja Católica faz afirmações admiráveis em relação à Bíblia. É essencial para
nós, se quisermos ler a Escritura e aplicá-la à nossa vida do modo como a Igreja pre­
tende que o façamos, que reconheçamos essas afirmações e as admitamos. Não basta
que simplesmente concordemos, acenando positivamente com a cabeça, quando
lemos as palavras "inspirada'', "única'' ou "inerrante". É preciso que saibamos o que
a Igreja quer dizer com esses termos e, depois, nos é necessário tornar pessoal essa
compreensão. Afinal de contas, a forma como cremos na Bíblia influenciará inevita­
velmente o modo como vamos lê-la. E o modo como lemos a Bíblia, por sua vez, é
o que determina o que nós "tiramos" de suas páginas sagradas.
Esses princípios são válidos independentemente do que estamos lendo - uma
reportagem de jornal, um aviso de "procura-se", uma propaganda, um cheque, uma
prescrição médica, uma nota de despejo. . . O modo como lemos essas coisas (ou até,
se as lemos ou não) depende muito de nossas noções pré-conceituadas a respeito
da autoridade e confiabilidade de suas fontes - e também do potencial que têm de
afetar diretamente nossa vida. Em alguns casos, a má interpretação da autoridade
de um documento pode levar a conseqüências terríveis; noutros casos, pode nos im­
pedir de desfrutar certas recompensas das quais temos o direito. No caso da Bíblia,
tanto as conseqüências quanto as recompensas envolvidas têm valor definitivo.
O que quer dizer a Igreja, então, ao endossar as palavras de São Paulo - "Toda
Escritura é inspirada por Deus" (2Tm 3, 16)? Uma vez que, nessa passagem, o termo
"inspirada'' pode ser entendido como "soprada por Deus", segue-se então que Deus
soprou sua palavra na Escritura assim como você e eu sopramos ar quando falamos.

5 Na linguagem cotidiana, o termo "errante" costuma significar "andar a esmo", "andar sem rumo" ou "vaguear"; "iner­
rante", nesse sentido, se diria de algo que "anda com propósito", "com destino certo". No entanto, o termo é empregado
aqui no sentido estrito de "sem erros", mesmo - e assim também "inerrante" quer dizer "que não erra". Poder-se ia dizer
"infalível'', porém o autor faz uma clara distinção entre esses dois termos - "inerrante" e "infalível" - quando diz, mais à
frente, que "o mistério da inerrância bíblica é de âmbito ainda mais abrangente que o de sua infalibilidade". A distinção
esclarece que o autor está se referindo à escrita da Bíblia como inerrante, enquanto que se refere à interpretação do que
foi escrito como infalível - dois adjetivos distintos para duas etapas distintas da relação com o texto sagrado: a escrita e
a interpretação da escrita. Ambas são feitas pelo próprio Espírito Santo e, portanto, não podem falsear.
Na Carta Encíclica Divino Ajflante Spiritu, de setembro de 1 943, o Papa Pio XII diz da doutrina da inerrância bíblica:
"O primeiro e maior cuidado de Leão XIIIfoi expor a doutrina relativa à verdade dos Livros Sagrados e defendê-la dos ataques
contrários. Por isso em graves termos declarou que não há erro absolutamente nenhum quando o hagiógrafo, falando de coisas
fisicas, 'se atém ao que aparece aos sentidos; como escreveu o Angélico [Sto. Tomás de Aquino), exprimindo-se 'ou de modo
metafórico, ou segundo o modo comum de falar usado naqueles tempos e usado ainda hoje em muitos casos na conversação
ordinária mesmo pelos maiores sábios'. De Jato, 'não era intenção dos escritores sagrados, ou melhor, do Espírito Santo que por
eles falava - são palavras de Sto. Agostinho -, ensinar aos homens essas coisas - isto é, a íntima constituição do mundo visível
-que nada importam para a salvação'. [ ] Nem pode ser acusado de erro o escritor sagrado, 'se aos copistas escaparam algumas
...

inexatidóes na transcrição dos códices' ou 'se é incerto o verdadeiro sentido de algum passo'. Enfim, é absolutamente vedado
'coarctar a inspiração unicamente a algumas partes da Sagrada Escritura ou conceder que o próprio escritor sagrado errou; pois
que a divina inspiração 'de sua natureza não só exclui todo erro, mas exclui-o e repele-o com a mesma necessidade com que
Deus, suma verdade, não pode ser autor de nenhum erro. Esta é a fé antiga e constante da Igreja" - NE.

8
O livro do Êxodo

Isso significa que Deus é o autor primordial da Bíblia. Certamente Ele se serviu tam­
bém de autores humanos para essa tarefa, mas não é que Ele simplesmente os assistiu
enquanto escreviam, ou então aprovou posteriormente aquilo que tinham escrito.
Deus Espírito Santo é essencialmente o autor da Escritura, enquanto que os escritores
humanos o são instrumentalmente. Esses autores humanos escreveram francamente
tudo aquilo - e somente aquilo - que Deus queria: é a palavra de Deus nas exatas
palavras de Deus. Esse milagre da dupla-autoria se estende a toda a Escritura e a
cada uma de suas partes, de modo que tudo o que os seus autores humanos afirmam,
Deus também afirma através de suas palavras.
O princípio da inerrância bíblica decorre logicamente do princípio de sua divina
autoria. Afinal de contas, Deus não mente, e nem erra. Sendo a Bíblia divinamente
inspirada, nela não pode haver erro algum quanto àquilo que seus autores, tanto o
divino quanto os humanos, afirmam ser verdadeiro. Isso quer dizer que o mistério
da inerrância bíblica é de âmbito ainda mais abrangente que o de sua infalibilidade
- a saber, o de que é garantido que a Igreja sempre nos ensinará a verdade em tudo
aquilo que disser respeito à fé e à moral. É claro que o manto da inerrância sempre
cobrirá também o campo das questões de fé e moral, mas ele se estende para mais
longe ainda, no sentido de nos assegurar de que todos os fatos e eventos da histó­
ria de nossa salvação estão apresentados de modo exato na Escritura. A inerrância
bíblica é a nossa garantia de que as palavras e os feitos de Deus narrados na Bíblia
são verdadeiros e lá estão unificados, declarando numa só voz as maravilhas de seu
amor salvífico.
A garantia da inerrância bíblica não quer dizer, no entanto, que a Bíblia é uma
enciclopédia universal, que serve a todos os propósitos e cobre todos os campos
de estudo. A Bíblia não é, por exemplo, um compêndio das ciências empíricas - e
não deve ser tratada como tal. Quando os autores bíblicos relatam fatos de ordem
natural, podemos ter a certeza de que estão falando de modo puramente descritivo
e "fenomenológico" , de acordo com a maneira como as coisas se apresentaram aos
seus sentidos.

AUTORIDADE BÍBLICA
Implícito nessas doutrinas6 está o desejo de Deus de se fazer conhecido por todo
o mundo e de estabelecer uma relação de amor com cada homem, mulher e criança
que Ele criou. Deus nos deu a Escritura não apenas para nos informar ou nos moti­
var; mais do que tudo, Ele quer nos salvar. É este o principal propósito que perpassa
cada página da Bíblia - e cada palavra sua, na verdade.

6 As doutrinas da inspiração, da inerrância e da dupla-autoria da Bíblia - NE.

9
Cadernos de estudo bíblico

No intuito de se revelar, Deus usa aquilo que os teólogos chamam de "acomoda­


ção". Às vezes Ele se inclina para se comunicar conosco por "condescendência" - ou
seja, Ele fala à maneira dos homens, como se Ele tivesse as mesmas paixões e fraque­
zas que nós temos (por exemplo, quando Deus diz que "se arrependeu" de ter feito
o homem sobre a Terra, em Gn 6, 6). Noutras vezes, Ele se comunica conosco por
"elevação" - ou seja, dotando as palavras humanas de um poder divino (por exem­
plo, através dos profetas). Os inúmeros exemplos de acomodação divina na Bíblia
são a expressão do modo sábio e paternal de proceder de Deus. Com efeito, um pai
sensitivo fala com seus filhos tanto por condescendência, usando um palavreado in­
fantil, ou por elevação, trazendo o entendimento do filho a um nível mais maduro.
A palavra de Deus é, portanto, salvífica, paternal e pessoal. Justamente porque
fala diretamente conosco, nós nunca devemos ser indiferentes ao seu conteúdo; afi­
nal de contas, a palavra de Deus é, ao mesmo tempo, objeto, causa e sustento da
nossa fé. Ela é, na verdade, um teste para a nossa fé, uma vez que nós só vemos na
Escritura aquilo que nossa fé nos faz ver. Se nosso modo de crer é o mesmo da Igreja,
vemos na Escritura a revelação salvífica e inerrante de Deus, feita por Ele mesmo. Se
cremos de modo distinto, vemos um livro totalmente distinto.
Esse teste é válido e aplicável não só aos fiéis leigos, como também aos teólogos da
Igreja e até aos seus membros da mais alta hierarquia - inclusive para o seu Magisté­
rio. Recentemente, o Concílio Vaticano II enfatizou que a Escritura deve ser "como
que a alma da sagrada teologià'.7 O Papa Emérito Bento XVI, ainda enquanto Car­
deal Ratzinger, ecoou esse ensinamento com as próprias palavras, insistindo que "os
teólogos normativos são os autores da Sagrada Escriturà' (grifo nosso). Ele nos lembra
que a Escritura e o ensinamento dogmático da Igreja estão entrelaçados de forma tão
firme ao ponto de serem inseparáveis: "O dogma é, por definição, nada mais que a
interpretação da Escriturà'. Os dogmas já definidos de nossa fé, portanto, guardam
em si a interpretação infalível da Igreja daquilo que está na Escritura, e a teologia é
uma reflexão posterior sobre eles.

OS SENTIDOS DA SAGRADA ESCRITURA


Como a Bíblia é, ao mesmo tempo, de autoria divina e humana, é necessário,
para lê-la coerentemente, que dominemos um tipo de leitura distinto daquele ao
qual estamos acostumados. Primeiramente, temos que lê-la de acordo com seu sen­
tido literal, ou seja, do mesmo modo como lemos qualquer outro escrito humano.
Neste estágio inicial, devemos nos empenhar na descoberta do significado originário
que tinham as palavras e expressões usadas pelos escritores bíblicos à época em que
primeiramente foram escritas e recebidas por seus contemporâneos. Isso quer dizer,
7 Cf. Dei Verbum, 24.

IO
O livro do Êxodo

entre outras coisas, que não devemos interpretar tudo que lemos "literalmente",
como se a Escritura nunca falasse de forma figurada ou simbólica (porque freqüen­
temente fala!). Pelo contrário: a lemos de acordo com as regras de escrita que go­
vernam seus diferentes gêneros literários, que variam dependendo do que estamos
lendo - se é uma narrativa, um poema, uma carta, uma parábola ou uma visão
apocalíptica. A Igreja nos exorta a ler os livros sagrados dessa maneira a fim de nos
fazer compreender, com segurança, o que os autores bíblicos estavam se esforçando
para explicar ao povo de Deus a cada texto.
O sentido literal, no entanto, não é o único da Escritura; nós interpretamos suas
sagradas páginas também de acordo com seus sentidos espirituais. Dessa forma, bus­
camos compreender o que o Espírito Santo está tentando nos dizer para além daqui­
lo que afirmaram conscientemente os escritores humanos. Enquanto que o sentido
literal da Escritura descreve realidades históricas - fatos, ensinamentos, eventos -, os
sentidos espirituais desvelam os profundos mistérios abrigados através das realidades
históricas. Os sentidos espirituais são para o literal o que a alma é a para o corpo.
Você é capaz de distingui-los; porém, se tentar separá-los, a conseqüência imediata
é fatal. São Paulo foi o primeiro a insistir nisso e já alertava para as conseqüências:
"Deus [ . . . ]nos tornou capazes de sermos ministros de uma aliança nova, não aliança
da letra, mas do espírito; pois a letra mata, e o Espírito é que dá a vidà' (2Co 3, 5-6).
A tradição católica reconhece três sentidos espirituais que se erguem sobre o ali­
cerce do sentido literal da Escritura (cf. CIC 115):

Alegórico. O primeiro é o alegórico, que revela o significado espiritual e profético da


história da Bíblia. As interpretações alegóricas expõem como as personagens, os eventos
e as leis da Escritura podem apontar para além deles mesmos, em direção ou a grandes
mistérios ainda por vir (como no caso do Antigo Testamento) , ou aos frutos de mistérios
já revelados (como no Novo Testamento) . Os cristãos freqüentemente lêem o Antigo
Testamento dessa forma para descobrir de que modo o mistério da Nova Aliança do
Cristo já escava contido no da Antiga - e também de que modo a Antiga Aliança foi
manifestada plena e finalmente na Nova. A compreensão alegórica é também latente no
Novo Testamento, especialmente no relato da vida e da obra de Jesus nos evangelhos.
Sendo Cristo a cabeça da Igreja e a fonte de sua vida espiritual, tudo aquilo que foi reali­
zado por Ele enquanto viveu no mundo antecipa aquilo que Ele continua realizando em
seus membros através da Graça. O sentido alegórico fortalece a virtude da fé.
Moral. O segundo sentido espiritual da Escritura é o moral, ou tropológico, que revela
como as ações do povo de Deus, no Antigo Testamento, e a vida de Jesus, no Novo, nos
incitam a criar hábitos virtuosos em nossa própria vida. Nesse sentido, da Escritura se
tiram alertas contra víci _?s e pecados, assim como nela se encontra a inspiração para se
perseguir a pureza e a santidade. O sentido moral fortalece a virtude da caridade.

II
Cadernos de estudo bíblico

Anagógico. O terceiro sentido espiritual é o anagógico, que nos ascende à glória celeste:
mostra-nos como um incontável número de eventos contidos na Bíblia prefigura nos­
sa união final com Deus na eternidade; revela-nos como as coisas visíveis na Terra são
imagens das coisas invisíveis do Céu. O sentido anagógico leva-nos a contemplar nosso
destino e, portanto, é próprio para o fortalecimento da virtude da esperança.

Junto do sentido literal, esses sentidos espirituais extraem a totalidade daquilo


que Deus quer nos dizer através de sua Palavra e, portanto, abarcam o que a antiga
tradição chamava de "sentido total" da Sagrada Escritura.
Tudo isso significa que os feitos e eventos narrados na Bíblia são dotados de um
sentido que vai além do que é imediatamente aparente ao leitor. Em essência, esse
sentido é Jesus Cristo e a salvação que, morrendo, Ele nos concedeu. Isso é correto
sobretudo nos livros do Novo Testamento, que explicitamente proclamam Jesus;
porém é também verdadeiro para o Antigo Testamento, que fala de Jesus de um
modo mais camuflado e simbólico. Os autores humanos do Antigo Testamento nos
revelaram tudo que lhes era possível revelar, mas eles não podiam, à distância em
que estavam, ver claramente que forma tomariam os eventos futuros. Só o Espírito
Santo, autor divino da Bíblia, podia predizer a obra salvífica do Cristo (e assim o
fez), da primeira página do livro do Gênesis adiante.
O Novo Testamento, portanto, não aboliu o Antigo. Ao contrário, o Novo cum­
priu o Antigo e, assim o fazendo, levantou o véu que mantinha escondida a face da
noiva do Senhor. Uma vez removido o véu, vemos de súbito o mundo da Antiga
Aliança cheio de esplendor. Água, fogo, nuvens, jardins, árvores, montanhas, pom­
bas, cordeiros - todas essas coisas são detalhes memoráveis na história e na poesia
do povo de Israel. Mas agora, vistas à luz de Jesus Cristo, são muito mais que isso.
Para o cristão que sabe ver, a água simboliza o poder salvífico do batismo; o fogo é
o Espírito Santo; o cordeiro imaculado, o próprio Cristo crucificado; Jerusalém, a
cidade da glória celestial.
Essa leitura espiritual da Escritura não é novidade alguma. De fato, logo os pri­
meiros cristãos já liam a Bíblia dessa maneira. São Paulo descreve Adão como sendo
um "tipo" que prefigurava Jesus Cristo (Rm 5, 14).8 Um "tipo" é algo, ou alguém, ou
um lugar ou um evento - reais - do Antigo Testamento que prenuncia algo maior
do Novo Testamento. É desse termo que vem a palavra "tipologià', referente ao es­
tudo de como o Antigo Testamento prefigura Cristo (CIC 128-130). Em outro tre-

8 Rm 5 , 1 4 : "Ora, a morre reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não haviam pecado, cometendo uma
transgressão igual à de Adão, o qual é figura daquele que devia vir" (grifo adicionado). As traduções deste trecho (não só
as brasileiras) preferem o termo figura à palavra tipo, que aparece em algumas traduções inglesas. O termo latino encon­
trado na Vulgata éforma. Aqui, mantém-se o termo tipo pela associação imediata que se faz com o conceito de tipologia
- NE..

12
O livro do Êxodo

cho, São Paulo retira significados mais profundos da história dos filhos de Abraão,
declarando: "Isto foi dito em alegorià' (Gl 4, 24). 9 Ele não está sugerindo que esses
eventos distantes nunca aconteceram de fato; ele está dizendo que os eventos não só
aconteceram mesmo como também significam algo maior ainda por vir.
O Novo Testamento, depois, descreve o Tabernáculo da antiga Israel como sendo
a "imitação e sombra das realidades celestes" (Hb 8, 5) e a Lei Mosaica como "uma
sombra dos bens futuros" (Hb 10, 1). São Pedro, por sua vez, nota que Noé e sua
família foram "salvos por meio da águà' que, de certo modo, "representavà' o sacra­
mento do Batismo, "que agora salva vocês" (IPd 3, 20-10). É interessante saber que
a palavra grega que aí foi traduzida para "representavà' é originalmente um termo
que denota o cumprimento ou contrapartida de um antigo "tipo".
Não é preciso, no entanto, que busquemos justificar a leitura espiritual da Bíblia
considerando apenas os discípulos. Afinal de contas, o próprio Jesus lia o Antigo
Testamento assim. Ele se referia a Jonas (Mt 12, 39), a Salomão (Mt 12, 42), ao
Templo (Jo 2, 19) e à serpente de bronze (Jo 3, 14) como "sinais" que apontavam
para ele mesmo. Vemos no evangelho de Lucas, quando Cristo conversa com os
discípulos no caminho para Emaús, que "começando por Moisés e continuando por
todos os Profetas, Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura
que falavam a respeito dele" (Lc 24, 27). Foi precisamente essa interpretação espiri­
tual do Antigo Testamento que causou um profundo impacto nesses viajantes, antes
tão desencorajados, e deixou seus corações "ardendo" dentro deles (Lc 24, 32).

CRITÉRIOS PARA A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA


Nós também devemos aprender a discernir o "sentido total" da Escritura e o
modo como nele estão incluídos o sentido literal e os espirituais. Contudo, isso não
significa que devemos "exagerar na interpretação'', buscando significados na Bíblia
que não estão de fato nela. A exegese espiritual não é um vôo irrestrito da imagina­
ção. Pelo contrário, é uma ciência sagrada que procede de acordo com certos prin­
cípios e permanece sob a responsabilidade da sagrada tradição, o Magistério, e da
ampla comunidade de intérpretes bíblicos (tanto os vivos quanto os mortos).
Na busca do sentido total de um texto, sempre devemos evitar a forte tendência
de "espiritualizá-lo demais" , de modo que a verdade literal da Bíblia seja minimizada
ou até negada. Santo Tomás de Aquino, muito ciente desse problema, asseverou:
"Todos os sentidos da Sagrada Escritura devem estar fundados no literal" (cf. CIC
9 Gl 4, 24: "Simbolicamente isso quer dizer o seguinte: as duas mulheres representam as duas alianças [ . .. ]" (grifo adiciona­
do) . Novamente há divergências terminológicas: as traduçóes ora utilizam o termo simbolicamente, ora o termo alegoria.
O termo latino encontrado na Vulgata é allegoriam. A tradução brasileira aqui escolhida, especificamente para este caso,
é a da Bíblia de Jerusalém, São Paulo: Paulus, 2002; assim, mantém-se o termo alegoria no sentido de concordar com a
uniformidade terminológica do restante da introdução - NE.
Cadernos de estudo bíblico

116). 'º Por outro lado, jamais devemos confinar o significado de um texto em seu
sentido literal, indicado pelo seu autor humano, como se o divino Autor não inten­
cionasse que aquela passagem fosse lida à luz da vinda do Cristo.
Felizmente, a Igreja nos deu diretrizes de estudo da Sagrada Escritura. O caráter
único e a autoria divina da Bíblia nos clamam a lê-la "com o espírito". " O Concílio
Vaticano II delineou de forma prática esse conselho direcionando-nos a ler a Escri­
tura de acordo com três critérios específicos:

1 . Devemos "prestar muita atenção 'ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira"' (CIC
1 1 2) ;
2. Devemos "ler a Escritura dentro 'da Tradição viva da Igreja inteirà " (CIC 1 1 3) ;
3. Devemos "estar atento [s] 'à analogia da fé' " (CIC 1 1 4; cf Rm 1 2 , 6) .
.

Esses critérios nos protegem de muitos perigos que iludem alguns leitores da
Bíblia, do mais novo estudante ao mais prestigiado erudito. Ler a Escritura fora de
contexto é uma tremenda armadilha, provavelmente a mais difícil de escapar. Num
desenho animado memorável dos anos 50, um jovem garoto, debruçado sobre as
páginas da Bíblia, dizia à sua irmã: "Não me perturbe agora; estou tentando achar
um versículo da Escritura que fundamente meus preconceitos". Não há dúvida de
que um texto bíblico, privado de seu contexto original, pode ser manipulado a dizer
algo completamente diferente daquilo que seu autor realmente intencionava.
Os critérios da Igreja nos guiam justamente porque definem em que consistem
os "contextos" autênticos de cada passagem bíblica. O primeiro critério dirige-nos
ao contexto literário de cada verso, no que se inclui não apenas as palavras e pará­
grafos que o compõem e o circundam, mas também todo o corpo de escritos do
autor bíblico em questão e, ainda, toda a extensão dos escritos da Bíblia. O contexto
literário completo de qualquer parte da Escritura inclui todo e qualquer texto desde o
Gênesis até o Apocalipse - já que a Bíblia é um livro unificado, não uma coleção de
livros separados. Quando a Igreja canonizou o livro do Apocalipse, por exemplo, ela
reconheceu que ele seria incompreensível se lido separadamente do contexto mais
amplo de toda a Bíblia.
O segundo critério posiciona firmemente a Bíblia no contexto de uma comuni­
dade que valoriza sua "tradição viva''. Tal comunidade é o Povo de Deus através dos
séculos. Os cristãos viveram sua fé por bem mais que um milênio antes da invenção
da imprensa. Por séculos, só alguns fiéis possuíam cópias dos evangelhos e, aliás, só
poucas pessoas sabiam ler. Ainda assim, eles absorveram o evangelho - através dos
1O Cf. Sto. Tomás de Aquino, Summa Theologiae I, l, 1 O, ad !.
11 C( Dei Verbum, 1 2 .
O livro do Êxodo

sermões dos bispos e clérigos, através de oração e meditação, através da arte cristã,
através das celebrações litúrgicas e através da tradição oral. Essas eram as expressões
de uma "tradição vivà', de uma cultura de viva fé que se estende da antiga Israel à
Igreja contemporânea. Para os primeiros cristãos, o evangelho não podia ser enten­
dido à parte dessa tradição. Assim também é conosco. A reverência pela tradição
da Igreja é o que nos protege de qualquer tipo de provincianismo cultural ou cro­
nológico, como alguns modismos acadêmicos que surgem, arrebatam uma geração
inteira de intérpretes e logo são rejeitados pela próxima geração.
O terceiro critério coloca a Escritura dentro do quadro da fé. Se cremos que a
Escritura é divinamente inspirada, temos de crer também que ela é internamente
consistente e coerente com todas as doutrinas nas quais os cristãos crêem. É impor­
tante relembrar que os dogmas da Igreja (como o da Presença Real, o do papado,
o da Imaculada Conceição) não foram adicionados à Escritura; eles são, de fato, a
interpretação infalível da Escritura feita pela Igreja.

USANDO ESTE ESTUDO

Este estudo foi projetado para conduzir o leitor pela Escritura dentro das di­
retrizes da Igreja - fidelidade ao cânon, à tradição e ao credo. Os princípios in­
terpretativos usados pela Igreja, portanto, é que deram forma unificada às partes
componentes deste livro, de modo a fazer com que o estudo do leitor seja eficaz e
recompensador tanto quanto possível.
Introduções. Nós fizemos uma introdução ao texto bíblico que, na forma de ensaio,
abarca as questões sobre sua autoria, a data de sua composição, seus objetivos e propó­
sitos originais e seus temas mais recorrentes. Esse conj unto de informações históricas
ajuda o leitor a compreender e a se aproximar do texto nos seus próprios termos.
Comentários. Os comentários feitos em toda página aj udam o estudante a ler a Escritu­
ra com conhecimento. De forma alguma eles esgotam os significados do texto sagrado,
mas sempre providenciam um material informativo básico que auxilia o leitor a encon­
trar o sentido do que lê. Freqüentemente, esses comentários servem para deixar explícito
aquilo que os escritores sagrados tomavam por implícito. Eles também trazem um gran­
de número de informações históricas, culturais, geográficas e teológicas pertinentes à
narrativa inspirada - informações que podem aj udar o leitor a suprimir a distância entre
o mundo bíblico e o seu próprio.
Notas e referências. Junto do texto bíblico e de seus comentários, em cada página são
listadas numerosas notas que fazem referência a outras passagens da Escritura relaciona­
das àquela que o leitor está estudando. Essas notas de acompanhamento são essenciais
para todo e qualquer estudo sério. São também um ótimo meio de se ver como o con-

15
Cadernos de estudo bíblico

teúdo da Escritura "se encaixa'' numa unidade providencial. Junco às notas e referências
bíblicas, os comentários também apontam a determinados parágrafos do Catecismo da
Igreja Católica (CIC) . Eles não são "provas doutrinais" , e sim um auxílio para que a
interpretação da Bíblia por parte do estudante esteja de acordo com o pensamento da
Igreja. Os parágrafos do Catecismo mencionados ou tratam diretamente de algum texto
bíblico ou tratam, então, de um tema mais amplo da doutrina que lança uma luz essen­
cial ao texto bíblico relacionado.
Ensaios sobre tópicos, Estudos de palavras e Quadros. Esses recursos trazem ao leitor
um entendimento mais profundo a respeito de determinados detalhes. Os ensaios sobre
tópicos abordam grandes temas no sentido de explicá-los de modo mais minucioso e
teológico do que o que se usa nos comentários gerais, relacionando-os com freqüência
às doutrinas da Igreja. Os comentários, inclusive, são ocasionalmente complementados
de um estudo de palavras que coloca o leitor em contato com as antigas linguagens da
Escritura. Isso deveria aj udar o escudante a apreciar e a entender melhor a terminologia
que foi inspirada e que percorre todos os textos sagrados. Também neste livro estão in­
cluídos vários quadros que resumem muitas informações bíblicas "num piscar de olhos" .
Ícones. Os seguintes ícones, intercalados ao longo dos comentários, correspondem cada
qual a um dos três critérios de interpretação bíblica promulgados pela Igreja. Pequenas
bolas pretas (•) indicam a que passagem (ou a que passagens) cada ícone se aplica.
fT1 Os comentários marcados pelo ícone do livro relacionam-se ao primeiro critério
LlU interpretativo, o do "conteúdo e unidade" da Escritura, a fim de que se torne ex­
plícito o modo como determinada passagem do Antigo Testamento ilumina os mistérios
do Novo. Muitas das informações contidas nesses comentários explicam o contexto ori­
ginal das citações e indicam a maneira e o motivo pelos quais aquele trecho tem ligação
direta com Cristo e com a Igreja. Por esses comentários, o leitor é capaz de desenvolver
sua sensibilidade à beleza e à unidade do plano salvífico de Deus, que perpassa ambos os
Testamentos.
� Os comentários marcados pelo ícone da pomba relacionam-se ao segundo crité­
.. rio interpretativo e examinam as passagens em questão à luz da "tradição viva" da
Igreja. Como o mesmo Espírito Santo foi quem inspirou os sentidos espirituais da Escri­
tura e é quem guia agora o Magistério que a interpreta, as informações contidas nesses
comentários seguem essas duas vias da interpretação. Por um lado, referem-se aos ensi­
namentos doutrinais da Igrej a da maneira como são apresentados por vários papas e
concílios ecumênicos; por outro lado, eles expõem (e parafraseiam) as interpretações
espirituais de vários Padres Antigos, Doutores da Igreja e santos.
riJ..n Os comentários marcados pelo ícone das chaves relacionam-se ao terceiro critério
fAI interpretativo, o da "analogia da fé" . Neles é possível decifrar como um mistério

16
O livro do Êxodo

da fé "desvendà' e explica outro. Esse tipo de comparação entre alguns pontos da fé


cristã evidencia a coerência e unidade dos dogmas definidos, ou seja, da interpretação
infalível da Escritura feita pela Igrej a.

COLOCANDO TUDO EM PERSPECTIVA

Talvez tenhamos deixado por último o mais importante aspecto de todo este
estudo: a vida interior individual do leitor. O que tiramos ou deixamos de tirar da
Bíblia depende muito do modo como a abordamos. Se não mantivermos uma vida
de oração consistente e disciplinada, jamais teremos a reverência, a profunda humil­
dade ou a graça necessária para ver a Escritura como ela de fato é.
Você está se aproximando da "palavra de Deus". Mas, por milhares de anos - des­
de muito antes de tecer-lhe no ventre de sua mãe -, a Palavra de Deus se aproxima
de você.

UMA NOTA FINAL

O livro que tem nas mãos é apenas uma pequena parte de um trabalho muito
maior que ainda está em andamento. Guias de estudo como este estão sendo prepa­
rados para todos os livros da Bíblia e serão publicados gradualmente, à medida que
forem sendo finalizados. Nosso maior objetivo é publicar um grande estudo bíblico
que, num único volume, inclua o texto completo da Escritura junto de todos os
comentários, quadros, notas, mapas e os outros recursos encontrados nas páginas
seguintes. Enquanto isso não acontece, cada livro será publicado individualmente,
na esperança de que o povo de Deus possa já se beneficiar deste trabalho antes mes­
mo que esteja completo.
Aqui incluímos ainda uma longa lista de questões de estudo, ao final, para deixar este
formato o mais útil possível, não apenas para o estudo individual, mas também para
discussões em grupo. As questões foram projetadas para fazer o estudante tanto compre­
ender quanto meditar a Bíblia, aplicando-a à própria vida. Rogamos a Deus para que faça
bom uso dos seus e dos nossos esforços para renovar a face da Terra!

17
INTRODUÇÃO AO LIVRO DO ÊXODO

AUTORIA E DATA

O Livro do Êxodo não identifica o seu autor, embora afirme que seu persona­
gem principal, Moisés, era alfabetizado (17, 14) e que ele escreveu as leis da aliança
reveladas por Deus no Sinai (24, 4; 34, 27). Na ausência de qualquer outro escritor
popular relacionado ao conteúdo do livro, a tradição judaica e cristã sustentou que
Moisés escreveu o Êxodo juntamente com os outros quatro livros do Pentateuco:
Gênesis, Levítico, Números e Deuteronômio. A afirmação tradicional de que Moi­
sés foi o autor do Livro do Êxodo também constitui uma afirmação histórica de que
a substância da obra foi registrada por escrito durante a sua vida, que pesquisadores
contemporâneos identificam nos 1400s ou 1200s a. C. .
Grande parte dos estudos modernos chegou a conclusões muito diferentes a
respeito da origem do Pentateuco. No julgamento da maioria dos especialistas do
Antigo Testamento, o Pentateuco não é obra de um único autor escrita dentro do
breve espaço de uma única vida; em vez disso, incorpora o trabalho de vários escri­
tores diferentes, cujas contribuições foram agrupadas em etapas ao longo de vários
séculos. Desde o final de 1800, a principal alternativa para a autoria Mosaica é a
teoria da autoria múltipla conhecida como Hipótese Documental, que sustenta que
o Pentateuco é um composto de quatro documentos independentes (identificados
como J, E, S, D). Simpatizantes desta teoria em sua forma clássica afirmam (1) que
o documento J (fonte javista) estabelece o enredo principal do Pentateuco no século
IX ou X a.C. , (2) que J foi completado por tradições alternativas contidas em um
documento E (fonte eloísta) perto do final do século V III a.C., (3) que o documen­
to D (fonte deuteronomista) foi compilado no século VII a.C. e serviu como um
catalisador para a reforma religiosa do rei Josias (2Rs 22-23), e (4) que o Pentateuco
como conhecemos era mais ou menos completo, com inserções retiradas de um do­
cumento S (fonte sacerdotal) no século V ou VI a. C.. Estudiosos dos documentos
consideram o Livro do Êxodo como uma compilação de materiais principalmente
de J, E e S que foi editado em sua forma final nos 400s a. C. .
Esta perspectiva sobre a composição do Pentateuco continua a prevalecer entre
os inúmeros estudiosos bíblicos, pelo menos como uma hipótese funcional. No en­
tanto, vários aspectos da Hipótese Documental, tais como as datas dos documentos
individuais de origem, a própria existência de um ou mais dos supostos documen-

19
Cadernos de estudo bíblico

tos originais, bem como a possibilidade de que alguns dos documentos possam ser
subdivididos em mais de uma fonte ou podem ter sofrido uma ou mais revisões
(chamadas de "redações" ), são objeto de debate em curso. No entanto, permanece a
opinião comum de que o Pentateuco foi compilado em um período de tempo con­
siderável e não atingiu a sua forma final até muito tempo depois dos dias de Moisés.
Na mente dos estudiosos mais céticos, isso significa que os chamados "livros de
Moisés" provavelmente não tinham qualquer ligação real com a figura histórica de
Moisés. Acadêmicos mais moderados, no entanto, insistem que muitas das tradições
legais do Pentateuco têm indícios sólidos de origem Mosaica, mesmo que a pesquisa
pareça indicar que materiais e tradições posteriores foram incorporados à obra após
sua morte. Mesmo aqueles que aderem a uma noção mais rigorosa da autoria Mosai­
ca geralmente estão dispostos a aceitar que ajustes e atualizações moderados foram
feitos ao Pentateuco talvez no primeiro milênio a. C. .
A Igreja Católica não toma nenhuma posição definitiva sobre a autoria e a data do
Pentateuco. Uma gama de pontos de vista sobre o nascimento e o desenvolvimento
desses livros é permitida desde que o ensinamento dà Igreja sobre a inspiração bíblica
seja mantido e nada contrário à fé seja promovido. Dito isto, é notável que a Ponti­
fícia Comissão Bíblica examinou a origem do Pentateuco no início do século XX e
concluiu que as teorias modernas de compilação (como a Hipótese Documental) não
foram suficientemente fortes para tornar improvável a tradição da autoria Mosaica.
Em vez disso, a Comissão sugeriu que Moisés pode ter sido o autor da substância
desses livros com a ajuda dos escribas; que ele pode ter tido fontes orais e escritas à
sua disposição; e que copistas nos séculos subseqüentes podem ter modernizado certas
características do Pentateuco para o benefício dos leitores posteriores (Sobre a auten­
ticidade do Pentateuco Mosaico, 27 de junho, 1906). Mais uma vez, perto da metade
do século XX, a Comissão Pontifícia Bíblica manteve-se convencida de que o estudo
contínuo do Pentateuco confirmaria a influência e o papel de Moisés como um "autor
e legislador" (Carta ao Cardeal Suhard, 16 de janeiro, 1948).
Nenhum desses pronunciamentos é um ensino obrigatório da Igreja de hoje, mas
juntos eles advertem estudiosos contra uma aceitação muito rápida de teorias que
contradizem as tradições de longa data associadas à Escritura. Além disso, muitos
estudiosos insistiriam que as posições expressas nos pronunciamentos da Pontifícia
Comissão Bíblica permanecem, de alguma forma, defensável. Eles insistem que uma
conexão histórica real entre Moisés e os cinco livros do Pentateuco ainda pode ser
confirmada, independentemente de a origem Mosaica ser definida em termos gerais,
Moisés considerado a fonte primária e/ou autor das leis Pentatêuticas, ou em termos
estritos, Moisés considerado responsável por compor a maior parte do Pentateuco,
tanto leis como narrativas.

20
O livro do Êxodo

ESTRUTURA
A estrutura interna do Êxodo pode ser dividida de diferentes maneiras. Focan­
do seus temas teológicos, é possível ler o livro como duas grandes ações de Deus:
a primeira parte narra a redenção divina de Israel (1, 1-18, 27), e a segunda parte
cataloga a divina revelação a Israel (19, 1-40, 38). Outros esquematizam o livro de
acordo com seu movimento e cenários geográficos. A partir dessa perspectiva, o Êxo­
do se desdobra num drama em três partes: Israel começa sua jornada no Egito (1,
1-13, 16), marcha pelo deserto (13, 17-18, 27), e, finalmente, se reúne no Monte
Sinai (19, 1-40, 38).

TÍTULO
O título hebraico para Êxodo consiste em suas palavras iniciais, we'elleh shemot,
que significa "estes são os nomes" (1, 1). Ele repete as palavras de Gn 46, 8 e indica
que Êxodo é uma continuação da história do Gênesis, em que a família de Jacó é
mencionada pela última vez vivendo no Egito. A Septuaginta grega (LXX) intitula o
Livro do Êxodo, que significa "partidà'. Esta posição expressa mais a substância do
livro, que narra a migração em massa de Israel do norte do Egito. A Vulgata Latina
segue a versão grega ao dar o título de Êxodo, do qual o título em inglês é derivado.

TEMÁTICA
O Êxodo narra como o povo escravizado de Israel tornou-se a nação da aliança
do Senhor. A teologia do livro está entrelaçada com a sua história épica, que se move
da libertação à legislação. (1) Libertação. A aventura do Êxodo começa com um
poderoso ato de libertação. O Senhor ouve os gemidos de seus filhos em cativeiro
egípcio, destrói seus opressores com um julgamento dez vezes maior, e os liberta dos
grilhões da superpotência pagã (caps. 1-12).
Do Egito, ele os leva para o deserto, com o objetivo de orientá-los para uma nova
pátria em Canaã. Ao longo do caminho, Javé abre as águas do mar e dá ao seu povo
um caminho para um futuro melhor. Quando os carros do Faraó os perseguem, o
Senhor abre as águas do mar, acabando com o inimigo totalmente (14, 1-29). A
vitória sobre os egípcios é seguida por uma vitória sobre os amalecitas (17, 8-16), e,
em seguida, o Senhor leva seu povo cansado para a segurança do Monte Sinai (19,
1). Como nenhum outro evento na história bíblica primitiva, o Êxodo do Egito
aparece na Bíblia como o paradigma principal da salvação.
Na verdade, os livros bíblicos posteriores, incluindo o Novo Testamento, vão
olhar para a libertação do Êxodo como promessa divina de algo maior que ainda
está por vir - a redenção mais definitiva e uma aliança mais perfeita aguardando seu
povo no futuro.(2) Legislação. No Sinai, os filhos de Israel encontram o seu divino

2I
Cadernos de estudo bíblico

Pai e Salvador e aceitam a sua aliança (caps. 19-24). Os termos desta aliança, que
une o Senhor e Israel, em um vínculo de parentesco espiritual, são expressos nas leis
do Sinai. Inicialmente consistem nos Dez Mandamentos e em um pequeno código
de ética social e exigências religiosas (caps. 20-23). Mas depois de o povo se curvar
em adoração diante de um ídolo, a aliança rompida do Sinai é renovada, e o código
da lei original é expandido. A última parte do Êxodo é dominada por leis estabeleci­
das para a fabricação de um santuário móvel, ou morada, onde Javé escolhe habitar
de uma forma real, mas escondida, no meio do Seu povo (caps. 25-31 e 35-40).
Essas leis sublinham tanto a santidade como a justiça de Deus e vão determinar a
estrutura essencial da vida e liturgia de Israel pelos séculos subseqüentes.
Acima de todos estes acontecimentos está o Senhor, o Redentor de Israel. Na
etapa da história, Ele exibe o seu poder sobre a natureza, sobre as nações e sobre os
deuses do Egito. Ali também Ele se revela como um Pai divino para seu povo esco­
lhido (4, 22). Depois de vir em auxílio de seus filhos que sofrem, Ele orienta o seu
caminho à segurança (13, 21), nutre-os com alimentos e bebidas (16, 1-17, 7), e
proporciona-lhes instruções morais e religiosas (caps. 20-23). Em várias ocasiões o
Senhor se dá a conhecer de forma direta e pessoal: Ele revela o seu santo nome (3,
14), sua glória divina (19, 18; 33, 18-23), seu amor misericordioso (34, 5-9), e sua
intenção de cumprir as alianças feitas com os Patriarcas (3, 16-17; 6, 3-8). Central
para a teologia do Êxodo, então, é a revelação do único e verdadeiro Deus - por suas
ações, por seu nome, e por suas leis.

AUTENTICIDADE HISTÓRICA
Sabe-se que os registros históricos egípcios nunca mencionam o cativeiro e liber­
tação de Israel descrita na Bíblia. Isso não é surpreendente considerando a tendência
dos faraós e seus escribas em silenciar algo considerado embaraçoso para o Egito e
seu rei. No entanto, alguns (muitas vezes chamados de "minimalistas" históricos ou
"revisionistas") interpretam que este silêncio significa que o Êxodo nunca realmente
aconteceu. Na falta de comprovação independente de fontes fora da Bíblia, suspeita­
-se que a história apresentada em Êxodo e recontada em outros lugares na Escritura
é propaganda religiosa escrita após o exílio babilônico sem base histórica real.
A análise cuidadosa do Êxodo mostra que o ceticismo histórico deste tipo é sim­
plista e problemático. Numerosos detalhes no livro testemunham as condições da
vida real no Egito e no Sinai que seriam difíceis de explicar se a história do Êxodo
tivesse sido concebida por escritores judeus na Palestina centenas de anos depois do
alegado período do tempo da narrativa. Entre estes detalhes estão os seguintes. (1) O
Êxodo é marcado com estrangeirismos egípcios autênticos, incluindo "juncos" (2, 3;
comentário em 13, 18), "magos" (7, 11), "linho fino" (25, 4; 26, l; etc.), "turquesà'

22
O livro do Êxodo

(28, 18; 39, 11), e ouro "folha'' (39, 3; cf. Nm 16, 38). Da mesma forma, os nomes
das personagens-chave no livro, como Moisés (2, 10), Maria (15, 20), e Hur (17,
10), são baseados em nomes egípcios nativos. (2) Tal como em Êxodo, fontes do
segundo milênio a.C. descrevem (ou representam) semitas e outros escravos estran­
geiros recrutados para trabalhar com agricultura para o Egito (como em 1, 14) e em
grandes projetos de construção (como em 1, 11, comentário em 1, 8-22). A prova
de que os escravos eram supervisionados por capatazes armados também é atestada
neste ponto (como em 5, 6), assim como o fato de que quotas de produção eram
estabelecidas para oleiros (como em 5, 8). (3) A morada no deserto exposta nos ca­
pítulos finais de Êxodo reflete o uso de santuários de tenda portátil em outras partes
do Oriente Próximo na época de Moisés e até antes (comentário em 25, 1-31, 18).
Seu sistema de entrelaces, molduras de madeira e revestimento de ouro se devem
especificamente à tecnologia egípcia datada do segundo e terceiro milênios a.C..
(4) O livro está familiarizado com as condições locais descritas na história, como
o calendário agrícola egípcio (9, 31-32) e o uso de madeira de acácia para a estrutu­
ra e mobiliário da morada (25, 10. 13. 23. etc.). Este último detalhe é significativo
porque essa madeira específica é nativa de partes do Egito e da Península do Sinai,
mas não é encontrada na Palestina.
No seu conjunto, essas observações fazem com que seja provável que o Livro do
Êxodo repouse sobre a base firme da história. É altamente improvável que o seu re­
lato seja ficção imaginativa simplesmente composta de muitos séculos depois que a
configuração da história. Por um lado, é difícil acreditar que os autores na Palestina
pós-exílica (400s a.C. ou mais tarde) poderiam ter conhecido e retratado com preci­
são as condições do Egito do segundo milênio (1400-1200s a.C.).
Poderia se esperar que a história refletisse algo dos tempos, experiências e cir­
cunstâncias destes autores pós-exílio. Além disso, negar a historicidade do Êxodo
não leva em conta a antigüidade e difusão da tradição do Êxodo dentro da Bíblia
como um todo. Longe de ser confinada ao Livro do Êxodo, a libertação do Egito
que Deus concedeu a seu povo deixou a sua marca em uma série de salmos bíblicos,
oráculos proféticos, confissões de fé, e recitais históricos do passado de Israel, mui­
tos dos quais são anteriores ao período pós-exílico. Na análise final, então, negar a
historicidade do Êxodo cria mais problemas do que os soluciona, visto que afirmar
a historicidade do acontecimento explica melhor os detalhes precisos do Livro do
Êxodo e oferece uma explicação convincente de toda evidência bíblica.

PERSPECTIVA CRISTÃ
A tradição cristã encontra inspiração nos eventos históricos do Êxodo, bem como
no seu significado espiritual e tipológico. Os Dez Mandamentos revelados no Sinai,
Cadernos de estudo bíblico

tão centrais para a ética de Israel, continuam a ser parte integrante da catequese
de Jesus e dos apóstolos sobre a vida moral e espiritual (cf. Mt 19, 16-19; Rm 13,
8-10). Uma leitura espiritual do Êxodo discerne o mistério da redenção cristã pre­
figurada de várias maneiras. (1) A libertação da escravidão no Egito prefigura nossa
própria libertação da escravidão do pecado (Rm 6, 6-7).
Isso pode ser notado especialmente na travessia do mar, que serve como uma
antecipação profética do Batismo (lCor 10, 1-2). (2) A festa da Páscoa, que co­
memora o acontecimento do Êxodo, aponta o caminho para Cristo, o Cordeiro de
Deus, cujo sangue nos livra da morte e cuja carne é feita de alimento na refeição
pascal da Eucaristia (lCor 5, 7-8; lPe 1, 18-19). (3) A jornada de Israel pelo deserto
nos mostra que a jornada da vida é um tempo para evitar o pecado (lCor 10, 1-13)
e para crescer na Fé (Hb 3, 1-4. 13). (4) O maná que caiu no deserto junto com a
água que jorrou da rocha são vistos como antecipações da Eucaristia (Jo 6, 31-35;
lCor 10, 1-4).
(5) A morada representa o mistério da Encarnação, pelo qual Deus e sua glória
habitaram entre nós na humanidade de Jesus Cristo (Jo 1, 14). (6) O Livro do Apo­
calipse olha para o cumprimento final do nosso êxodo da libertação no Céu, onde
os santos, resgatados pelo sangue de Jesus, o Cordeiro (Ap 5, 9), recebem o maná
escondido (Ap 2, 17) e bebem livremente da água da vida para toda a eternidade (Ap
21, 6; 22, 17). (7) Para além do Novo Testamento, os Padres da Igreja descobririam
ainda mais prenúncios de fé e de vida cristã, acreditando que "todo o Êxodo do povo
do Egito, tendo ocorrido sob orientação divina, é um tipo e uma imagem de êxodo
da Igreja dentre as nações" (Santo lrineu, Contra as heresias 4, 30, 4).
ESQUEMA DO LIVRO DO ÊXODO

1. A redenção do Egito (1-18)


1. Israel padece no Egito (1, 1-22)
2. O nascimento, o exílio, e o chamado de Moisés (2, 1-4, 31)
3. Moisés e Arão enfrentam o faraó (5, 1-7, 13)
4. As Dez Pragas (7, 14-11, 10)
5. A instituição da Páscoa (12, 1-50)
6. A libertação do Egito (12, 51-15, 27)
7. A jornada ao Sinai (16, 1-18, 27)

II. Revelação no Sinai (19-40)


1. Aliança no Sinai (19, 1-24, 18)
2. Modelos para a morada (25, 1-31, 18)
3. O rompimento da aliança do Sinai (32, 1-33, 23)
4. A aliança do Sinai renovada (34, 1-35)
5. A construção da morada (35, 1-40, 33)
6. O Senhor habita na morada (40, 34-38)
O SEGUNDO LIVRO DE MOISÉS CONHECIDO COMO

EXO D 0 1 2
4"

1 Os filhos de Israel - 'Esres são os nomes dos filhos de Israel que vieram com Jacó para o Egito, cada
um com sua família: 2Rúben, Simeão, Levi e Judá; 3Issacar, Zabulon e Benjamim; 4Dã e Nefrali,
Gad e Aser. 50s descendentes diretos de Jacó eram serema ao rodo. Isso era quando José já estava no
Egito. 6Depois morreu José, assim como seus irmãos e roda aquela geração. 70s israelitas foram fecundos,
proliferaram, multiplicaram-se e tornaram-se cada Vf2 mais poderosos, de modo que o país ficou repleto
deles.

1, 1 -4: Gn 46, 8-27; N m 26, 4-50. 1, 5-8: Ac 7, 1 4 - 1 8 .

COMENTÁRIOS
1 , 1 -6: As linhas iniciais do Êxodo re­ descendentes na versão grega LXX do Êxo­
sumem os capítulos finais do Gênesis, que do, na versão hebraica do Êxodo encontrada
narram como Jacó e sua família foram habi­ entre os Manuscritos do Mar Morto, e na
tar no Egito. releicura da história por Esteváo em At 7, 1 4 .
1 , S: "setenta" - Esse número aparece vá­ Ver comentário sobre Gn 46, 8-27.
rias vezes no Pentateuco hebraico (também 1 , 7 "fecundos [ . . . ] multiplicaram-se"
em Gn 46, 27; Dt 1 0, 22) . Ele sugere que a - Em cumprimento da aliança feita com os
família de Israel representa a família univer­ Patriarcas (Gn 1 7, 2. 6; 26, 4; 3 5 , 1 1 ) .
sal dividida em 70 nações após o dilúvio (Gn " O país": Gessen, n o delta do Nilo
1 O, 1 -32) . A figura é apresentada como os 75 oriental (Gn 47, 1 ) .

Os Israelistas foram oprimidos pelos egípcios - 8Surgiu no Egito um novo rei, que não conhecera
José. 9Ele disse a seu povo: "Olhai como a população israelita ficou mais numerosa e mais forre do que
nós. 10Vamos tomar providências em relação a eles, para impedir que continuem crescendo e, em caso de
guerra, se unam aos nossos inimigos, lutem contra nós e acabem saindo do país". 1 1Esrabeleceram, assim,
feitores de trabalho forçado para que os oprimissem com tarefas compulsórias. Foi assim que construíram
para o faraó as cidades-enrreposro de Pirom e Ramsés. 12Mas, quanto mais os oprimiam, ramo mais
cresciam e se multiplicavam. 130bcecados pelo medo dos israelitas, os egípcios impuseram-lhes uma
dura escravidão. 14Tornaram-lhes a vida amarga com o pesado trabalho de preparar barro e tijolos e com

12 Este livro, composto d e várias tradições d e diferentes datas, lida com dois acontecimentos, a libertaçáo d o Egito e a
aliança do Sinai, que, intimamente ligadas entre si, formam a base da fé do Antigo Testamento. É dominado pela perso­
nalidade de Moisés.
Cadernos de estudo bíblico

toda sorte de trabalhos no campo e outros serviços, que lhes impunham à força. 1 5Depois, o rei do Egito
disse às parteiras dos hebreus, chamadas Sefra e Pua: 16''Quando assistirdes as mulheres hebréias no parto
e chegar o tempo do parto, se for menino, matai-o; se for menina, deixai-a viver". 1 7Mas as parteiras
tinham temor de Deus: não faziam o que o rei do Egito lhes tinha mandado e deixavam viver os meninos.
1 8Então o rei do Egito mandou chamar as parteiras e lhes disse: "Por que agistes desse modo e deixastes
os meninos viver?" 19As parteiras responderam ao faraó: "As mulheres hebréias não são como as egípcias.
Elas são robustas e, antes de a parteira chegar, já dão à luz" . 20Deus recompensou as parteiras. O povo
continuou crescendo e tornando-se muito forte. 21Como as parteiras temeram a Deus, deu-lhes também
família. 22Então o faraó deu esta ordem a todo o seu povo: "Lançai ao rio todos os meninos hebreus
recém-nascidos, mas poupai a vida das meninas" .

!, 1 0 . 1 1 . 22: Ar 7, 1 9.

� 1 , 8-22: o temor de que Israel estivesse 1 , 10: "saindo" - Ecoa as palavras de


ia. se tornando uma ameaça à segurança José em Gn 50, 24.
nacional do Egito leva a medidas repressivas. "Do país" - A emancipação de Israel será
Primeiramente, os israelitas são feitos escravos o resultado irônico da escravidão egípcia (3, 8).
que preparam tijolos ( 1 , 1 4) , constroem cida­
1 , 1 1 : "cidades-entreposto" A expres­
-

des-entreposto ( 1 , 1 1 ) e trabalham no campo


são pode denotar um local de armazena­
(Dt 1 1 , 1 0) . Então os egípcios assassinam os
mento de alimentos (2Cr 32, 28) , mas mais
meninos nascidos de Israel, a fim de enfraque­
freqüentemente refere-se a arsenais militares
cer a capacidade do povo para uma rebelião
( l Rs 9, 1 9 ; 2Cr 8, 6; 1 7, 1 2) .
futura. Uma pintura numa tumba egípcia do
século XV a.C. mostra escravos semitas e nú­
"Pitom e Ramsés" Cidades do delta
-

do Nilo oriental conhecidas pelos egípcios


bios fazendo tijolos de barro sob a supervisão
como Pi-Atum e Pi-Ramsés. A arqueologia
de capatazes armados (Tumba de Ramose, vi­
localiza a primeira em Tell el-Ratabeh e a
zir do Faraó Tutmés III) . Ilustração semelhan­
última em Qantir/Tell el-Dab'a. O nome
te mostra escravos estrangeiros tomando con­
Ramsés foi finalmente dado à segunda ci­
ta de gado e vinhas.
dade-entreposto em honra do faraó Ramsés
• Alegoricamente, o homem pecador serve o II (ca. 1 304- 1 236 a.C.) . Isso não significa
diabo, representado pelo Faraó, e é forçado necessariamente que Ramsés foi construído
a trabalhar na lama dos desej os terrenos.
por mãos israelitas durante o reinado do seu
Mas quando Cristo oferece alívio para nossa
homônimo, uma vez que a cronologia do
carga, somos levados pelo mar do Batismo,
onde ele destrói os pecados que nos escravi­
Êxodo implica que a construção aconteceu
zaram . ' l antes de seu nascimento ( 1 , 8-2, 2; 7, 7) . É
certo apenas que a cidade era conhecida por
1 , 8: "um novo rei" - A identidade do esse nome quando o Livro do Êxodo chegou
Faraó (e a dinastia) é incerta. à sua forma final (como atestado em Gn 47,
1 1 ) . Os nomes anteriores da cidade de Ram­
1 3 Santo Agostinho, Tratado sobre o evangelho de São joão
28, 9. sés incluem Rowaty e Avaris.
O livro do Êxodo

1 , 12: "oprimiam" - A mesma expressão 1 , 17: "temor de Deus" - Significa que


aparece em Gn 1 5 , 1 3 , quando Deus adver­ Sefra e Fua se desviavam do mal e procura­
te Abraão que seus descendentes vão sofrer vam viver de acordo com a vontade de Deus
como escravos em uma terra estrangeira. Qó 1 , 1 ) . A obediência à sua consciência mo­
1, 15: "parteiras" - Assistiam o parto, ral exigiu desobediência civil à ordem assas­
lavavam e vestiam os recém-nascidos no con­ sina do faraó (cf. At 5, 29) .
texto privado do parto. Parteiras estavam, as­ 1 , 2 1 : "deu-lhes também famílià' Isto
-

sim, em posição de tirar a vida de um bebê é, recompensou-as com seus próprios filhos
sem suspeita indevida de irregularidades, em (cf. SI 1 27, 3) .
especial por causa da elevada taxa de morta­ 1 , 22: "lançai ao rio" - O faraó decreta
lidade infantil na Antigüidade. morte para os meninos de Israel. O povo do
"Sefra [ ] Fuà' Os nomes dessas he­ Egito deve impor o édito real. É uma ironia
... -

roínas e defensoras da vida são preservados da Providência divina que Moisés será resga­
na Bíblia, enquanto o nome do poderoso tado porque sua mãe o colocou no Nilo (2,
faraó não é. 1 - 1 O) .

ESTUDO DA PALAVRA: FARAÓ (EX 1, 1 1)

Par'oh (hebraico) : Um título para os reis do antigo Egito. O termo é de origem


egípcia, que significa "casa grande", e originalmente se referia ao palácio real do
monarca. Ele é representado no escrito Jeroglífico çomo a imagem de uma casa
ladeada por uma coluna. O termo foi transferido para o próprio rei em meados
do segundo milênio a.C. . De acordo com a convenção dos escribas egípcios, o
nome do faraó não foi normalmente escrito ao lado do seu título antes do século
X a. C.. Isso pode explicar por que, no Pentateuco, os reis do Egito são constante­
mente chamado de "faraó" sem mais identificação (Gn 1 2, 1 5; 37, 36; Ex l , 1 1 ;
2, 1 5 , etc.) .
Mais tarde, n o entanto, nos dias d a monarquia israelita, o nome do rei, por vezes,
está ao lado de seu título real (faraó Neco, 2Rs 23, 29; faraó Hofra, Jr 44, 30; cf.
Sisaque, rei do Egito, l Rs 1 4, 25; então, rei do Egito, 2Rs 1 7, 4) . Em todo caso, a
Bíblia nunca identifica os faraós que desempenham um papel no Livro do Êxodo.
O melhor candidato para um êxodo no século XV é Tutmés III (ca. 1 504-1 450)
ou talvez Amenhotep II (ca. 1 450-1 425) . Os defensores do Êxodo no século XIII
geralmente favorecem Ramsés II (ca. 1 304-1 236) .

29
Cadernos de estudo bíblico

2 Nascimento e juventude de Moisés - 'Um homem da casa de Levi casou-se com uma mulher
de seu dá. 2A mulher concebeu e deu à luz um filho. Ao ver que era um belo menino, manteve-o
escondido durante três meses. 3Náo podendo escondê-lo por mais tempo, pegou uma cesta de papiro,
calafetou-a com betume e piche, pôs dentro dela o menino e deixou-o entre os juncos na margem do rio.
4A irmã do menino ficou parada à distância para ver o que ia acontecer. 5A filha do faraó desceu para se
banhar no rio, enquanto suas companheiras passeavam na margem. Ela viu a cesta no meio dos juncos e
mandou que uma criada a apanhasse. 6Quando abriu a cesta, viu a criança: era um menino, que chorava.
Ficou com pena dele e disse: "É uma das crianças dos hebreus". 7A irmã do menino disse, então, à filha
do faraó: "Queres que te vá chamar uma mulher hebréia, que possa amamentar o menino?" - 8"Vai",
respondeu-lhe a filha do faraó. E a menina foi chamar a mãe do menino. 9A filha do faraó disse à mulher:
"Leva este menino, amamenta-o para mim, e eu te pagarei o teu salário". A mulher levou o menino e o
criou. 'ºQuando o menino estava crescido, levou-o à filha do faraó, que o adotou como filho. Ela deu-lhe
o nome de Moisés, porque, disse ela, "eu o tirei das águas" .

2, 2: At 7, 20; Hb 1 1 , 2 1 . 2, 5. 10: At 7, 2 1 .

COMENTÁRIOS
2, 1: "Um homem'' - Amram, o marido • O resgate do infame Moisés também ante­

de Jocabed (6,20) . cipa o resgate do infame Messias, cuja mor­


te foi ordenada por um édito real contra os
2, 2: "deu à luz um filho" - Moisés nas­
meninos menores de dois anos de idade, e os
ceu em torno de 1 526 a.C. de acordo com pais tomaram medidas para garantir a sua se­
uma leitura literal da cronologia bíblica gurança no Egito (Me 2, 1 3- 1 8) .
(contando para trás 80 anos em 7, 7 a partir
da data do Êxodo calculada em l Rs 6, 1 ) . 2 , 4: "irmã do menino" Maria, a única -

Estudiosos que datam do Êxodo dois séculos irmã de Moisés mencionada na Bíblia (N m
depois estabelecem o nascimento de Moisés 26, 59) .
do meio para o final de 1 300 a.C. . 2 , 7: "mulher hebréia'' - A menina pla­

lJJ neja chamar Jocabed, a mãe da criança natu­


2, 3: "cesta'' Tecida a partir de has­ ral (2, 8; 6, 20) .
-

tes de papiro e impermeabilizada com


2, 10: "o adotou como filho" Quer di­ -

alcatrão.
zer adoção legal (ver At 7, 2 1 ) . A partir desse
• O termo hebraico para "cescá' é o mesmo ponto, Moisés recebe uma educação real na
termo usado no Gênesis para a "arca" de Noé casa do faraó, dando origem à tradição de
(Gn 6, 1 4 ) . que ele foi educado "em toda a sabedoria dos
U m paralelo entre Moisés e Noé é, então, im­ egípcios" (At 7, 22; Philo, Vida de Moisés, 1 ,
plícito : ambos escapam das águas da morte, 20-24) . Príncipes nomeados na corte eram
flutuam em segurança num recipiente fecha­ tipicamente preparados para cargos no go­
do com piche, e sobrevivem para tornarem-se
verno egípcio.
salvadores dos outros. A família do homem
foi resgatada da extinção por meio de Noé; a "Moisés"O nome original em egíp­
-

família de Israel será resgatada da escravidão cio é "ele que é nascido" (mose) , recor­
por meio de Moisés. dando a adoção de Moisés pela família do
O livro do Êxodo

1
faraó. A tradição hebraica associa o nome (Mashah) , recordando a sua retirada do
de "Moisés" (Moshe) com o verbo "extrair" Nilo.

Moisés foge para Madiá - 1 1Certo dia, quando já adulto, Moisés dirigiu-se para junto de seus irmãos
hebreus e viu sua aflição e como um egípcio maltratava um deles. 120lhou para os lados e, não vendo
ninguém, matou o egípcio e escondeu-o na areia. 13No dia seguinte, saiu de novo e viu dois hebreus
brigando. Disse ao agressor: "Por que bates no teu companheiro?" 14Ele respondeu: "Quem foi que
te nomeou chefe e juiz sobre nós? Queres, talvez, matar-me como mataste o egípcio?" Então Moisés
assustou-se e disse consigo: "Com certeza o fato tornou-se conhecido". 15Quando o faraó soube do
acontecido, procurou matar Moisés. Este, porém, fugiu do faraó e foi parar na terra de Madiã. Ali ficou
sentado j unto a um poço. 160ra, o sacerdote de Madiã tinha sete filhas. Estas vieram tirar água e encher
os bebedouros para dar de beber ao rebanho do pai. 17Chegaram uns pastores e queriam expulsá-las. Mas
Moisés levantou-se em defesa delas e deu de beber ao rebanho. 18Ao voltarem para j unto de Ragüel, seu
pai, este lhes perguntou: "Por que voltastes mais cedo hoje?" 19Elas responderam: "É que um egípcio nos
livrou dos pastores; ele mesmo tirou água para nós e deu de beber ao rebanho". 2ºRagüel perguntou às
filhas: "E onde está ele? Por que deixastes lá esse homem? Ide chamá-lo, para que coma alguma coisá'.
21Moisés concordou em morar com ele, e Ragüel deu-lhe sua filha Séfora em casamento. 22Ela teve um
filho, a quem ele chamou Gérson, pois disse: "Tornei-me hóspede em terra estrangeirá'. 23Passado muito
tempo, morreu o rei do Egito. Os israelitas continuavam gemendo e clamando sob dura escravidão, e, do
meio da escravidão, seu grito de socorro subiu até Deus. 24Deus ouviu os seus lamentos e lembrou-se da
aliança com Abraão, Isaac e Jacó. 25Deus olhou para os israelitas e tomou conhecimento.

2, l i : Ac 7. 23; Hb 1 1 , 24. 2, 12: Ac 7, 24. 2, 14: Ac 7, 27. 28. 2, 15. 22: Ac 7, 29. 2, 24: Ac 7, 34.

2, 1 1 -22: Três episódios que revelam o ra esposa, Séfora (2, 2 1 ) . Isso dá continui­
caráter nobre de Moisés e prenunciam sua dade a um padrão iniciado no Gênesis, que
missão como libertador de Israel. Longe de descreve como as noivas foram encontradas
ser indiferente ao sofrimento dos oprimidos, j unto a poços de água, tanto para Isaac (Gn
ele é aquele que se levanta para defender o 24, 1 1 -67) como para Jacó (Gn 29, 1 -30) .
fraco contra as injustiças do forte. 2, 6: "sacerdote de Madiá'' Aqui cha­ -

2, 1 1 : "já adulto" Ele tem agora 40


-
mado de "Ragüel" (2, 1 8) , mas mais tarde
anos, de acordo com At 7, 23. chamado de "Jetro" (3, 1 ; 4, 1 8; 1 8, 1 ) . O
primeiro significa "amigo de Deus" e pode
2, 14: "chefe e juiz [ ] ?" A pergunta
••• -

ser seu nome pessoal; este último significa


ressoa com ironia profética, já que Moisés se
algo como "Sua Excelência" e pode servir
tornará chefe e j uiz sobre Israel na história
como título sacerdotal.
que se segue ( 1 8, 1 3-23) .
2, 22: "Gérson" O primeiro elemento -

2, 15: "Madiá'' A leste do Golfo de


-

significa "estrangeiro" (hebraico, ger) , e o se­


Aqaba no noroeste da Arábia. A Bíblia traça a
gundo é relacionado à palavra "lá" (hebraico,
linhagem dos midianitas até Abraão por meio
sham) . Mais tarde, Moisés será pai de um se­
de sua segunda esposa, Cetura (Gn 25, 2) .
gundo filho, Eliezer ( 1 8 , 4) .
,,
"Junto a um poço : o cenano on de 2, 24: "lembrou-se"
. .
Significa que -

Moisés encontra pela primeira vez sua futu-


Deus está pronto a intervir, pois a h ora da

31
Cadernos de estudo bíblico

libertação de Israel chegou. A expressão não los antes Ele havia feito uma aliança com
implica que Deus se esqueceu de seu povo, Abraão para dar a seus descendentes uma
mas apenas que Ele escolheu este como nova terra (Gn 1 5 , 1 7-2 1 ) depois de libertá­
º momento oportuno para cumprir sua -los da opressão estrangeira (Gn 1 5, 1 2- 1 6) .
promessa a eles (como e m G n 8, 1 ) . Sécu-

MAPA: FUGA E RETORNO DE MOISÉS AO EGITO

• Hebrom

Mar Morto

MOAB

HDOM
Cades Baméia •

Deserto de Pari

Miles 100

32
O livro do Êxodo

3 Moisés e a sarça ardente 1 Moisés era pastor das ovelhas de ]erro, seu sogro, sacerdote de Madiã.
-

Cerro dia, levou as ovelhas deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb. 2Apareceu-lhe o
anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em
chamas, mas não se consumia. 3Pensou: "Vou aproximar-me para admirar esta visão maravilhosa: como
é que a sarça não pára de queimar?" 4Vendo o Senhor que Moisés se aproximava para observar, Deus
o chamou do meio da sarça: "Moisés! Moisés!" Ele respondeu: "Aqui estou!" 5Deus lhe disse: "Não te
aproximes daqui! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é chão sagrado". 6E acrescentou:
"Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó". Moisés cobriu o rosto,
pois temia olhar para Deus. 70 Senhor lhe disse: "Eu vi a opressão de meu povo no Egito, ouvi o grito de
aflição diante dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos. "Desci para libertá-los das mãos
dos egípcios e fazê-los sair desse país para uma terra boa e espaçosa, terra onde corre leite e mel: para a
região dos cananeus e dos heteus, dos amorreus e dos fereseus, dos heveus e dos jebuseus. 90 grito de aflição
dos israelitas chegou até mim. Eu vi a opressão que os egípcios fazem pesar sobre eles. 10E agora, vai! Eu te
envio ao faraó para que faças sair o meu povo, os israelitas, do Egito". 11 Moisés disse a Deus: "Quem sou eu
para ir ao faraó e fazer sair os israelitas do Egito?" 12Deus lhe disse: "Eu estarei contigo; e este será para ti o
sinal de que eu te envio: quando tiveres tirado do Egito o povo, vós servireis a Deus sobre esta montanha".

3, 1-4, 17: Ex 6, 2- 1 3. 3, 2: At 7, 30. 3, 5: At 7, 33. 3, 6: Mr 22, 32; Me 1 2 , 26; Lc 20, 37; At 3- 1 3 ; 7, 32.

COMENTÁRIOS
3, 1 : "Moisés" Ele tem agora 80 anos público de Israel com o Senhor "em meio ao
-

(7, 7) , depois de ter vivido como estrangeiro fogo" , no mesmo monte ( 1 9, 1 8) .


em Madiã por 40 anos (At 7, 30) . Ver co­ "Em chamas": O fogo pode ser um si­
mentário em 2, 1 1 . nal de presença de Deus ( 1 9, 1 8) , glória (24,
"Horeb": Possivelmente outro nome 1 7) , j ulgamento (N m 1 1 , 1 ) , e amor cm­
para Monte Sinai, mas é mais provável que mento pelo seu povo (Dt 4, 24) .
sej a o nome de uma região ou cordilheira
• Alegoricamente a sarça que não se consu­
que se une ao pico do Sinai (cf. Moisés "no
mia ensina o mistério do nascimento virgi­
rochedo em Horeb" em 1 7 , 6, mas ele não nal, pois a luz da divindade dentro da Virgem
chega ao Sinai até 1 9, 1 -2) . A tradição cristã nasceu de uma vida humana sem murchar a
identifica a elevação como jebel Musa (árabe flor de sua virgindade. ' 4
para a "montanha de Moisés") , que se eleva a
cerca de 2.200 metros perto da extremidade 3, 5: "chão sagrado" Tornou-se sagra­ -

sul da Península do Sinai. do pelo aparecimento de Deus ou seu anjo


(cf. Js 5, 1 5) .
3, 2: "anjo do Senhor" Medeia a pre­ -

sença e voz de Deus para o mundo. Ver o 3 , 6 : "o Deus de teu pai" Deus tam­ -

Estudo da Palavra: Anjo do Senhor em Gn bém se revelou nessas condições a Isaac ( Gn


1 6, 7. 26, 24) e Jacó (Gn 28, 1 3) . O costume de
associar uma divindade com um antepassado
''Apareceu-lhe": Moisés recebe uma teo­
venerável é amplamente atestado no antigo
fania, ou seja, uma manifestação visível e au­
Oriente Próximo.
dível da glória divina. Seu encontro privado
com o Senhor na sarça antecipa o encontro 1 4 Sáo Gregório d e Nissa, Vida de Moisés 2, 2 1 .

33
Cadernos de estudo bíblico

"Temia olhar": Porque se pensava que 3, 104, 17: O chamado de Moisés. Ape­
contemplar Deus com olhos humanos le­ sar das promessas de auxílio divino e milagres
varia à morte instantânea (Gn 1 6, 1 3; 32, para autenticar sua missão, Moisés resiste ao
30; Jz 1 3 , 22) . Ao longo do tempo, o medo chamado do Senhor com uma série de des­
de Moisés diminui à medida que o seu rela­ culpas (3, 1 1 ; 4, 1 . 1 0), culminando em uma
cionamento com o Senhor se aprofunda em última tentativa de rejeitá-lo (4, 1 3) . Esse pa­
um desejo de ver a plenitude da sua glória drão se repete em outras partes narrativas de
(33, 1 8; CIC 208) . chamados no Antigo Testamento, em que a
3, 7: "tomei conhecimento de seus so­ ordem divina experimenta objeções humanas
frimentos" A libertação de Israel será um
-
seguidas de protestos por assistência divina.
Paralelos com textos posteriores ressaltam
ato de amor compassivo de Deus.
que Moisés é tanto um libertador (como Gi­
3, 8: "corre leite e mel" Canaã é uma
deão, Jz 6, 1 1 -24) , como um profeta (como
-

terra de rica abundância, bem adequada para


]eremias, J r 1 , 4- 1 9) . Na verdade, a Escritura
a criação de gado e de colheita das uvas,
lembra Moisés como o maior dos profetas he­
azeitonas, figos e grãos (ver Dt 8, 7- 1 0) . A
breus (Dt 34, 1 0) e o modelo de um profeta
descrição é proverbial no Antigo Testamento messiânico por vir (Dt 1 8, 1 5- 1 9; CIC 2575) .
(Nm 1 3, 27; Dt 6, 3; Js 5, 6) .
3, 12: "Eu estarei contigo" Deus sus­ -

"Os cananeus": Dez nações ocuparam a cita o consentimento de Moisés com pala­
Terra Prometida antes da chegada de Israel, vras tranqüilizadoras (4, 2), sinais (4, 2-9) , e
de acordo com Gn 1 5 , 1 8-2 1 . Listas abrevia­ com o conforto de companheirismo huma­
das de seus habitantes são apresentadas no no (4, 1 4- 1 6) .
Êxodo (seis nações, 23, 23) , Números (cinco
"o sinal": Refere-se ao evento do Êxodo
nações, Nm 1 3, 29) , e Deuteronômios (sete
em si, que trará os israelitas para o Sinai ( 1 9,
nações, Dt 7, 1 ) .
1 -2) para adorar ao Senhor (24, 1 -8) .

Deus revela Seu nome '3Moisés disse a Deus: "Mas, se eu for aos israelitas e lhes disser: 'O Deus de
-

vossos pais enviou-me a vós', e eles me perguntarem: 'Qual é o seu nome?', que devo responder?" 14Deus
disse a Moisés: "Eu sou aquele que sou". E acrescentou: "Assim responderás aos israelitas: 'Eu sou' envia­
me a vós" . ' 5 ' 5Deus disse ainda a Moisés: "Assim dirás aos israelitas: O Senhor, o Deus de vossos pais,
o Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, e
assim serei lembrado de geração em geração. 16Vai e reúne os anciãos de Israel para dizer-lhes: 'O Senhor,
o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, apareceu-me, dizendo: Eu vos visitei e vi
tudo o que vos sucede no Egito. 17Decidi, portanto, tirar-vos da opressão egípcia e conduzir-vos à terra
dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos fereseus, dos heveus e dos jebuseus, terra onde corre leite e
mel!' 18Eles te escutarão, e tu, com os anciãos de Israel, irás ao rei do Egito. Então lhe direis: 'O Senhor,
o Deus dos hebreus, marcou um encontro conosco. Deixa-nos, pois, caminhar três dias deserto adentro,
a fim de oferecer sacrifícios ao Senhor nosso Deus'. 19Bem sei que o rei do Egito não vos deixará partir, se
não for obrigado por mão poderosa. 20Mas eu estenderei minha mão e castigarei o Egito com toda sorte

15 3 , 1 4 : A tradução é incerta; é, portanto, difícil decidir se esta é uma recusa de divulgar o nome ou uma explicação do
título divino Javé revelado imediatamente depois.

34
O livro do Êxodo

de prodígios que farei no meio deles. Depois disso, vos mandará sair. 21 Farei este povo conquistar as boas
graças dos egípcios, de modo que, ao sairdes, não ireis de mãos vazias. 22Cada mulher pedirá à vizinha e
à mulher que mora em sua casa objetos de prata e de ouro e vestidos, que poreis em vossos filhos e em
vossas filhas, levando assim os despojos do Egito".

fT1 � 3, 14: "Eu sou aquele que • Deus chama a si mesmo de "sou" quando

LlU a.li sou" O nome pessoal de


-
fala a Moisés no monte, pois ele é um oceano
ilimitado de ser que, sem início ou fim, trans­
Deus, que é também uma revelação de Sua
cende qualquer noção de tempo e da nature­
natureza. Tradicionalmente, o nome expres­
za' 7 (CIC 203- 1 3) .
sa uma verdade filosófica: Deus é o Ser infi­
nito, Aquele cuj a essência é existir, sem prin­ 3, 1 5 : "Senhor" - Traduz o hebraico
cípio nem fim, independentemente de todas YHWH, o chamado tetragrama, de que a
as outras coisas que existem. 1 6 Este aspecto pronúncia original não é clara (provavelmen­
do mistério pode ser visto na sarça ardente, te "Yahweh") . É equivalente ao nome divino
onde o fogo da presença divina queima sem revelado em 3, 14, apenas anunciado na ter­
consumir, sem necessidade de realidades ceira pessoa ("Ele é" ou "Ele serâ' ou "Ele faz
criadas para gerar ou sustentar-se. O nome ser"), em vez da primeira ("Eu Sou"). O Êxo­
também pode expressar uma verdade históri­ do ressalta a profunda santidade do nome de
ca: Deus é soberano sobre todas as eras do Deus e proíbe que ele seja usado de maneira
tempo, pois ele é o Primeiro e o Último, que profana (20, 7) ; afinal, o nome era conside­
está presente e ativo na história desde seu rado sagrado demais para ser pronunciado
início até a sua consumação (ver Is 44, 6; Ap exceto quando sacerdotes recitavam orações
1 , 6) . Ainda uma outra visão interpreta o no templo de Jerusalém (Mishnah, Yoma 6,
nome como a recusa de Deus a ser definido: 2; Sotah 7, 6) . Quando os j udeus devotos
ele é quem ele é, não é o homem que o defi­ citam o nome divino na Bíblia, eles evitam
ne. Tal interpretação ressalta a transcendên­ dizê-lo usando um substituto, como Adonay
cia e soberania de Deus. Traduções alternati­ ("Senhor") ou ha-Shem ("o Nome") . O uso
vas do nome divino propostas por estudiosos do nome "Jeová" em certos círculos cristãos é
incluem "Serei o que serei" , para salientar baseado em um mal-entendido do texto he­
que Deus estará presente com Moisés em sua braico tradicional (Texto Massorético) . Ao
futura missão (como em 3, 1 2 e 4, 1 2) , e invés de um verdadeiro nome de Deus, é um
"Faço o que vem a ser" , que aponta para o híbrido que combina artificialmente as con­
papel de Deus como o Criador de todas as soantes de YHWH com as vogais de Adonay.
coisas. Para a questão de quando Deus revelou pela
primeira vez o seu nome na história, ver co­
• Jesus afirma sua divindade quando pronun­
mentário em 6, 3.
cia o nome "Eu sou" , como seu próprio nome
no quarto Evangelho Qo 8, 5 8 ; 1 3 , 1 9; 1 8, 3, 18: "oferecer sacrifícios" O culto -

6) . ao Senhor é o principal objetivo do Êxodo.

16 Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae 1 , 1 3 , 1 1 . 17 Sáo Gregório Nazianzeno, Orações 3 8 .

35
Cadernos de estudo bíblico

Acontecerá no Sinai quando uma aliança for da "mão" de Deus que castiga o Egito com
ratificada entre Javé e Israel por meio de uma pragas (3, 20; 7, 1 7; 9, 3) e resgata seu povo
liturgia do sacrifício (24, 1 -8) . Nota-se que, (7, 4-5; 1 3, 3. 1 4; 1 5 , 1 2) da "mão" opres­
neste ponto da história, Moisés vai solicitar sora dos egípcios (3, 8; 1 4, 30; 1 8, 1 0- 1 1 ) .
uma licença temporária para que Israel possa O Êxodo é então lembrado como obra da
observar um festival religioso. A recusa do "mão forte" do Senhor (32, 1 1 ; Dt 4, 34; 5,
faraó em aceitar esta opção acabará por levar 1 5 ; 26, 8) .
Israel à liberação permanente da escravidão 3, 22: "despojos do Egito" Talvez con­ -

(já visualizada em 3, 8) . siderado uma compensação por muitos anos


3, 1 9: "mão poderosà' Uma metá­ de trabalho escravo de Israel. O evento acon­
-

fora que se refere ao poder salvador do Se­ tecerá em 1 2, 35-36, mas foi predito já em
nhor. Muitas vezes no Êxodo ouvimos falar Gn 1 5 , 14.

4 Deus ajuda Moisés e m sua missão - 1Moisés respondeu: "Mas s e eles não acreditarem e m mim,
nem me atenderem, mas disserem: 'O Senhor não te apareceu' ?" 20 Senhor perguntou-lhe: "O
que tens na mão?" - "Uma varà', respondeu. 3"Joga-a no chão", disse o Senhor. Ele jogou-a no
chão, e a vara se tornou uma serpente. Moisés recuou diante dela. 40 Senhor disse a Moisés: "Estende a
mão e pega-a pela caudà'. Moisés estendeu a mão, segurou-a, e a serpente voltou a ser uma vara em sua
mão. 5" É para eles acreditarem que o Senhor, o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó
te apareceu''. 6 Disse-lhe ainda o Senhor: "Mete a mão no peito". Ele meteu a mão e, quando a tirou,
estava coberta de lepra, branca como a neve. 70 Senhor lhe disse: "Mete de novo a mão no peito". Ele a
meteu novamente e, ao tirá-la, a mão estava normal como o resto do corpo. 8"Se não acreditarem em ti
nem te escutarem ao primeiro sinal, acreditarão à vista do segundo. 9Mas se não acreditarem nem mesmo
com estes dois sinais e não te escutarem, apanharás água do rio e a derramarás em terra seca; a água
que apanhares virará sangue na terra secà' . 1 0Moisés disse ao Senhor: "Pobre de mim, Senhor! Nunca
tive facilidade para falar, nem antes, nem agora que falas a teu servo. Tenho boca e língua pesadas''. 1 1 0
Senhor respondeu-lhe: " E quem é que d á a boca ao ser humano? Quem faz o surdo e o mudo, o cego e
aquele que vê? Por acaso não sou eu, o Senhor? 12Vai, portanto, que eu estarei com tua boca e te ensinarei
o que deverás dizer''. 1 3Moisés replicou: "Pobre de mim, Senhor! Por favor, manda um outro''. 140 Senhor
ficou irritado com Moisés e disse: "Não tens teu irmão Aarão, o levita? Eu sei que ele fala muito bem.
Ele está vindo pessoalmente a teu encontro e ficará alegre em te ver. 1 5Tu lhe falarás e lhe transmitirás as
mensagens, e eu estarei com os dois para falardes, e vos mostrarei o que deveis fazer. 1 6Ele falará por ti
ao povo e será teu porta-voz, e tu serás um deus para ele. 17Leva contigo esta vara. É com ela que deverás
realizar os sinais''.

COMENTÁRIOS
4, 1-9: Moisés vai realizar três sma1s lJJ 4, 1 O : "nunca tive facilidade para
diante do povo de Israel. Estes 1rao servir falar" O hebraico diz "Eu não sou
-

como prova de que Deus tem a intenção de um homem de palavras" , enquanto que a
resgatá-lo de suas aflições (4, 30-3 1 ) . LXX grega diz "Eu não sou suficiente". Am­
4 , 6 : "leprà' Sugere algum tipo de in­ bos indicam que Moisés treme com a pers­
-

fecção virulenta que clareia a pele (cf. Lv 1 3 , pectiva de ser o profeta do Senhor, porque
1 -8; Nm 1 2, 1 0) . ele se sente inadequado à tarefa.
O livro do Êxodo

•Paulo, que alude à versão grega do texto em fatores pese na mente de Moisés.
2 Coríntios 3, 5 , igualmente considera-se de­
4, 12 : "com tua boca'' A graça divina -

sarticulado e desqualificado para ser apóstolo.


vai compensar tudo o que Moisés não tem.
No entanto, ele aceita sua missão e aprende a
permitir que a graça de Deus compense suas 4, 14: "irritado" A paciência do Se­
-

fraquezas (2Cor 1 2 , 9- 1 0) . nhor se esgota quando a lista de desculpas de


"Boca [ ] pesadas": Isso significa ( 1 ) Moisés esgota e ele tenta rejeitar sua vocação
. . .

que Moisés tem um problema de fala, (2) inteiramente (4, 1 3) .


que ele tem medo de falar em público, (3) 4, 16: "falará por ti" O Senhor permite
-

que ele não tem talento para ser eloqüente que Aarão fale por Moisés como um profeta
ou persuasivo com palavras, e (4) que ele fala por Deus (7, 1 ) . O episódio é um exem­
deixou de ser fluente na língua egípcia desde plo clássico de uma adequação divina em que
que fugiu do país várias décadas antes. Tam­ Deus leva em consideração as fraquezas do
bém é possível que mais do que um destes seu povo no cumprimento de sua vontade.

Moisés retoma ao Egito - 18Moisés retornou para j unto de seu sogro Jetro e disse-lhe: " Quero voltar aos
meus irmãos no Egito, para ver se ainda vivem''. Jetro disse a Moisés: "Vai em paz" . 19Ainda na terra de
Madiã, o Senhor disse a Moisés: "Volta ao Egito, pois já morreram todos os que queriam tirar-te a vidá'.
20Moisés levou consigo a mulher e os filhos, ajudou-os a montar num j umento, e voltou ao Egito. Moisés
levava na mão a vara de poder divino. 2 1 0 Senhor lhe disse: "Voltando ao Egito, cuida de fazer diante do
faraó todos os prodígios que pus à tua disposição. Mas eu endurecerei o seu coração, e ele não deixará
o povo partir. 22Tu lhe dirás: 'Assim fala o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. 23Por isso eu te
ordeno que deixes partir o meu filho para servir-me. Se te recusares a deixá-lo partir, eu mararei teu filho
primogênito"'. 24Durante a viagem, num lugar de ousada, o Senhor encontrou-se com Moisés e queria
matá-lo. 25Séfora, então, pegou uma faca de pedra, cortou o prepúcio do filho, tocou-o nas virilhas de
Moisés e disse: "Tu és para mim um marido de sangue''. 26E o Senhor deixou-o em paz, quando ela disse
"marido de sangue'', em relação à circuncisão. 270 Senhor disse para Aarão: "Vai ao encontro de Moisés
no deserto". Aarão foi, encontrou-se com o irmão na montanha de Deus e beijou-o. 28Moisés contou a
Aarão tudo o que o Senhor lhe tinha dito ao incumbi-lo da missão. Falou-lhes também dos sinais que lhe
havia mandado fazer. 29Moisés e Aarão foram e reuniram todos os anciãos dos israelitas. 30Aarão contou
tudo o que o Senhor havia dito a Moisés, e este realizou os sinais à vista do povo, 31e o povo acreditou.
E ao ouvir que o Senhor dava atenção aos israelitas e olhava para sua aflição, prostraram-se em adoração.

4, 19: Ac 7. 34.

rT1 4, 19: "morreram todos os que que­ o Menino Jesus para fora do país por um
IJU riam Incluindo o
tirar-te a vida'' -
tempo, pois Herodes tentou matá-lo. O pa­
faraó que quis matar Moisés 40 anos antes ralelo implica que Jesus é um novo Moisés.
(2, 1 5 . 23) .
4, 20: "a mulher" Séfora (2, 2 1 ) .
-

•Esse versículo é parafraseado em Mt 2, 20,


quando a Sagrada Família volta a Israel de­ "Seus filhos": Gérson e Eliezer (2, 22;
pois da morte Herodes. Maria e José levaram 1 8 , 2-4) .

37
Cadernos de estudo bíblico

"Vara do poder divino": Para ser usada l ; Is 63, 8; Sb 9, 7) . Designado primogêni­


como um instrumento do poder divino (7, to do Senhor Qr 3 1 , 9; Eclo 36, 1 1 ) , Israel
20; 9, 23; 1 0, 1 3; 1 4 , 1 6) . está marcado como o primeiro beneficiário
4, 2 1 : "endurecerei o seu coração" - da redenção divina entre a família das nações
Um tema recorrente na narrativa das pragas (ver comentário em 1 9, 6) . Implícito nessa
(caps. 7- 1 2) . No decorrer e além das pri­ relação é o fato de que Deus tem um amor
meiras cinco pragas, o faraó endurece o seu terno para Israel Qr 3 1 , 3), que a eleição de
próprio coração ao recusar as demandas do Israel é o resultado da iniciativa gratuita de
Senhor (7, 14. 22; 8, 1 5 . 32; 9, 34) . A partir Deus (Dt 7, 6-8) , e que Israel tem o privilé­
da sexta praga, no entanto, diz-se que Deus gio de um filho em servir o Senhor, o Pai di­
endurece o coração do faraó e faz com que vino (4, 23; Is 63, 1 6; Sb 1 4, 3; Eclo 23, 1 ) .
ele não responda às advertências de Moisés No Êxodo, Deus s e mostra um Pai amoroso
(9, 1 2 ; 1 0, 1 . 20. 27; 1 1 , 1 0; 1 4, 8). Como para Israel, não só por resgatar seus filhos do
o faraó endurece o seu coração antes da in­ cativeiro ( 1 2, 29-3 1 ; 1 4, 1 0-29) , mas por
tervenção de Deus ser mencionada, somos conduzir ( 1 3, 2 1 -22) , alimentar ( 1 6, 1 - 1 7,
levados a ver que ( 1 ) o faraó não é vítima 7) , proteger ( 1 7, 8- 1 6) , instruir (20, 1 -23,
inocente ou peão manipulado por um poder 33), e viver entre eles (25, 8 ; 40, 34-38; CIC
superior (ou seja, não-responsável por suas 238-39; 44 1 ) .
ações) , mas é alguém que desafiadoramente 4, 23: "deixes partir o meu filho" - O
se opôs ao plano do Senhor desde o início, e ultimato ao Egito. A ameaça direcionada
que (2) o endurecimento divino é uma res­ ao primogênito do faraó antecipa a décima
posta a teimosia humana, não a sua causa praga, que vai requerer a vida de seu filho
inicial. É mais provável que o "endurecimen­ mais velho e herdeiro ( 1 2, 29) .
to" divino seja uma metáfora para descrever 4, 24-26: Significado original obscuro.
o afastamento da misericórdia e da graça Moisés pode ter seguido o costume madiani­
de Deus do pecador, que poderia de outra ta de esperar para circuncidar os meninos até
forma refrear sua rebelião insolente. Isso é pouco antes do casamento. Se assim for, ele
às vezes descrito nas Escrituras como Deus renegou a aliança abraâmica, que exigia que
"desistindo" ou "entregando" o pecador aos os recém-nascidos fossem circuncidados no
desejos do seu coração sem Deus (At 7, 42; oitavo dia após o nascimento (Gn 1 7, 9- 1 3) .
Rm 1 , 24. 26. 28) . A não-observância deste rito significava ser
4, 22: "meu primogênito" - A identida­ "eliminado" do povo da aliança (Gn 1 7, 1 4) .
de nacional de Israel em relação ao Senhor. Em todo caso, o incidente é muitas vezes in­
A filiação adotiva do povo eleito está enrai­ terpretado como prefiguração dos aconteci­
zada na aliança de Deus com os Patriarcas e mentos da noite de Páscoa, quando o sangue
seus descendentes (ver Gn 1 7, 7-8) . É uma sacrificial irá proteger os filhos primogênitos
prerrogativa coletiva que pertence à nação de Israel do Exterminador divino ( 1 2, 2 1 -
(Os 1 1 , l ; Sb 1 8, 1 3) , bem como algo que se 27) . Considere o fato de que ( 1 ) o presente
estende a seus membros individuais (Dt 1 4, episódio segue diretamente uma referência
O livro do Êxodo

em 4, 23 à décima praga, (2) a parada num "queria matá-lo" em 4, 24 pode referir-se,


local de hospedagem sugere um cenário no- não à busca do Senhor por Moisés, mas a
turno, (3) a morte é evitada por um ritual de uma ameaça divina contra Gérson, o primo­
derramamento de sangue, e (4) a expressão gênito de Moisés.

ESTUDO DA PALAVRA: SERVIR (4, 23)

'Abad (hebraico) : Significa "trabalhar" ou "servir" . A ação do verbo pode ser di­
recionada para um objeto, como quando um fazendeiro ou um jardineiro ara a
terra (Gn 2, 1 5) , ou para uma pessoa, como quando um escravo trabalha para
seu mestre (Ex 2 1 , 2) ou um vassalo serve seu senhor (Gn 1 4, 4; l Sm 1 1 , 1 ) . O
serviço também é prestado às divindades, sej a para o Senhor (Dt 6, 1 3; l Sm 7,
3) ou para os ídolos dos gentios (Dt 4, 28; Js 24, 1 4- 1 5) . Neste contexto, o verbo
muitas vezes tem o sentido de "adorar" e é usado para o serviço sacerdotal e litúr­
gico oferecido a Deus no santuário (Nm 3, 7-8 ; 4, 23; 7, 5; 1 6, 9) .
Os primeiros capítulos do Êxodo criam tensão com este termo quando descrevem
Israel em um cabo-de-guerra entre Javé e o faraó. As pessoas são forçadas a traba­
lhar como escravos para o Egito (Ex 1 , 1 4; 5, 1 8; 1 4, 5 . 1 2) , mas são chamadas
para adorar ao Senhor pelo serviço de sacrifício (Ex 7, 1 6; 9, 1 . 1 3; 1 0, 3. 24-26) .
A escolha entre o trabalho e a liturgia é finalmente decidida por Deus, que liberta
os israelitas e os leva até o Sinai para que eles possam "servi-Lo" (Ex 3, 1 2) .

NOTAS

39
Cadernos de estudo bíblico

5 Tijolos sem palha - 1 Em seguida, Moisés e Aarão apresentaram-se ao faraó e lhe disseram: ''Assim
diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa partir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto".
2Mas o faraó respondeu: "E quem é 'o Senhor' para que eu lhe deva obedecer, deixando Israel partir?
Não conheço 'o Senhor', nem deixarei Israel partir" . 3Eles disseram: "O Deus dos hebreus veio ao nosso
encontro. Deixa-nos ir a três dias de caminho no deserto, para oferecermos sacrifícios ao Senhor nosso
Deus. Do contrário, a peste e a espada nos atingirão". 4Mas o rei do Egito lhes disse: "Por que vós, Moisés e
Aarão, levais o povo a descuidar dos seus trabalhos? Ide para vossas tarefas!" 5E o faraó acrescentou: "Vede,
vossa gente já é numerosa demais, e vós quereis fazê-los interromper suas tarefas?" 6Naquele mesmo dia o
faraó deu aos inspetores do povo e aos capatazes a seguinte ordem: 7"Não forneçais mais palha a essa gente
para fazer tijolos, como antes fazíeis. Eles mesmos devem ir juntar a palha. 8Mas exigi a mesma quantia
de tijolos de costume, sem tirar nada. São uns preguiçosos e por isso reclamam: 'Queremos ir oferecer
sacrifícios ao nosso Deus'. 9Carregai esses homens com mais trabalho, para que estejam ocupados e não
dêem ouvidos a palavras mentirosas". 100s inspetores e os capatazes foram, pois, dizer ao povo: ''Assim
diz o faraó: Não vos darei mais a palha. 1 1 Devereis ir recolher a palha onde a puderdes encontrar. Nada,
porém, será diminuído do vosso serviço". 120 povo espalhou-se por todo o Egito em busca de palha. 1 3Mas
os inspetores pressionavam-nos dizendo: "Terminai a tarefa marcada para cada dia, como quando havia
palha''. 140s inspetores do faraó açoitaram os capatazes israelitas que eles haviam nomeado, alegando:
"Por que nem ontem, nem hoje, completastes a quota costumeira de tijolos que produzíeis antes?" 150s
capatazes israelitas foram queixar-se ao faraó, dizendo: "Como podes proceder assim com teus servos?
16Não se fornece palha a teus servos, e nos mandam fazer tijolos. Nós somos açoitados, mas o culpado é
a tua gente". 170 faraó respondeu: "Sois mesmo uns preguiçosos e por isso dizeis: 'Queremos ir oferecer
sacrifícios ao Senhor' . 18E, agora, ide trabalhar! Não vos será dada a palha, mas devereis produzir a mesma
quantia de tijolos". 190s capatazes israelitas se viram em má situação com a ordem de não diminuir em
nada a quota diária de tijolos. 20Encontraram-se com Moisés e Aarão, que os estavam esperando na saída do
palácio do faraó, 21e lhes disseram: "Que o Senhor vos examine e j ulgue: vós nos tornastes odiosos diante
do faraó e dos seus servidores e lhes pusestes na mão a espada para nos matar" . 22Entáo Moisés voltou-se
para o Senhor, dizendo: "Meu Senhor, por que maltratas este povo? Para que foi que me enviaste? 23Desde
que me apresentei ao faraó para lhe falar em teu nome, ele ficou maltratando o povo, e tu nada fizeste para
libertá-lo".

COMENTÁRIOS
5, 1 -9: O confronto inicial entre Moisés dê lugar ao culto a cada sete dias, mas o faraó
e o faraó. A permissão para Israel embarcar exige dos seus escravos nada além do traba­
em uma peregrinação de três dias não só é lho e tenta expulsar o culto das suas vidas
rej eitada, mas é recebida com grande cruel­ completamente.
dade. Em causa estão as perguntas: "Quem" 5, 6: "inspetores" Oficiais egípcios en­
-

é o Senhor? E a quem não pertencem Israel, carregados de supervisionar o trabalho escra­


Javé ou o faraó? vo em locais de construção.
5, 3: "sacrifícios ao Senhor" Ofensivo-
"Capatazes": Homens de Israel selecio­
para as sensibilidades religiosas dos egípcios. nados para supervisionar as equipes de tra­
Ver comentário em 8, 26. balho individuais. Eram subordinados aos
5, 5: "interromper suas tarefas" O inspetores.
-

verbo hebraico está relacionado com a pala­ 5, 7: "palha" Picada e misturada na


-

vra "sábado" . Ele aponta para um contraste lama para fazer os tijolos. Ao longo do tem­
não declarado: Deus requer que o trabalho po a palha liberava um ácido que fazia os ti-
O livro do Êxodo

j olos durarem mais. Para evidência fora da em fontes egípcias a partir do segundo milê­
Bíblia que os escravos semitas eram forçados nio a. C..
a trabalhar nas olarias d o antigo Egito, ver 5, 23: "nada fizeste para libertá-lo" -
comentário em 1 , 8-22. Um Moisés frustrado luta com o aparente
5, 8: "quantia de tijolos" - As quotas fracasso de Deus em cumprir sua promessa
de produção exigidas dos oleiros j untamente de agir poderosamente contra o Egito (3, 1 6-
com registros de produção são bem atestados 22) .

6 1 0 Senhor disse a Moisés: ''.Agora verás o que vou fazer ao faraó. Por mão poderosa será forçado a
deixá-los ir; será coagido a expulsá-los do país".

6, l -6: At 1 3 , 1 7 .

Deus promete libertação - 2Deus falou a Moisés e lhe disse: "Eu sou o Senhor. 3Apareci a Abraão, a Isaac
e a Jacó como o Deus Poderoso, mas não lhes dei a conhecer meu nome 'o Senhor' . 4Com eles estabeleci
a minha aliança, para dar-lhes a terra de Canaã, a terra em que viveram como migrantes e estrangeiros.
5Eu também ouvi os gemidos dos israelitas, que os egípcios escravizaram, e lembrei-me da minha aliança.
6Dize, portanto, aos israelitas: Eu sou o Senhor. Eu vos tirarei dos trabalhos impostos pelos egípcios, vos
libertarei da escravidão e vos resgatarei com braço estendido e grandiosos atos de juízo. 7Eu vos tomarei
como meu povo e serei o vosso Deus. Assim sabereis que eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos liberta
dos trabalhos impostos pelos egípcios. 8Eu vos introduzirei na terra que, com mão levantada, j urei dar a
Abraão, a Isaac e a Jacó, e vo-la darei em possessão - eu, o Senhor". 9Moisés falou deste modo aos israelitas,
mas eles não o escutaram, porque estavam com o ânimo abatido pela dura escravidão. 100 Senhor falou,
então, a Moisés e lhe disse: 1 1 "Vai falar com o faraó, rei do Egito, para que deixe sair os israelitas do país.
12Mas Moisés protestou diante do Senhor: "Se nem os israelitas me escutam, como me atenderá o faraó,
a mim que tenho dificuldade de falar?" 130 Senhor falou a Moisés e a Aarão e deu-lhes ordens para os
israelitas e para o faraó, rei do Egito, com o fim de os fazer sair do Egito.

COMENTÁRIOS
6, 3: "Deus Poderoso" - O hebraico é 3, 5) . O Êxodo parece dizer que Deus reve­
'El Shadday, o nome de Deus conhecido nos lou este nome pela primeira vez a Moisés,
tempos patriarcais (Gn 1 7, 1 ; 28, 3; 35, 1 1 ; mas referência freqüente a Javé ("o Senhor")
48, 3) . Outros títulos divinos usados neste no Gênesis parece indicar que o nome era
período primitivo incluem " Deus Altíssimo"
conhecido muito antes disso. Pode-se chegar
(Gn 1 4, 1 8) , "Deus que vê" (Gn 1 6, 1 3),
a diferentes explicações. ( 1 ) Alguns atribuem
" Deus Eterno" (Gn 2 1 , 33) , " Deus d e Betel"
a divergência entre Gênesis e Exôdo à uti­
(Gn 3 1 , 1 3) , e "Deus, o Deus de Israel" (Gn
lização de diferentes fontes na composição
33, 20) . do Pentateuco. Assim, diz-se que Gn 4, 26 e
"O Senhor": O hebraico é YHWH, o passagens similares, que supõem que o nome
nome pessoal de Deus (ver comentário em "Javé" era conhecido desde os primeiros tem-
Cadernos de estudo bíblico

pos, decorrem da fonte J (javista) , enquanto explicado como uma técnica retrospectiva
a noção de que Deus divulgou pela primeira em que o nome divino é projetado para trás
vez o seu nome a Moisés representa a visão na história, a fim de sublinhar que o Deus
da fonte E ( eloísta, 3, 1 3- 1 5) e da fonte S dos Patriarcas foi o mesmo Deus conhecido
(sacerdotal, 6, 2-3) . Nesta leitura, os editores a Israel como Javé. Pode-se considerar que
do Pentateuco, ao invés de harmonizar essas esse recurso literário ressalta a continuidade
perspectivas conflitantes, simplesmente lhes da identidade e da ação de Deus através das
permitiu ficar sem resolução. Para saber mais idades primitivas da história bíblica.
sobre esta hipótese das fontes, consultar In­ 6, 4: "terra de Canaã" Conforme pro­ -

trodução: Autor e Data. (2) Outro ponto de metido na aliança abraâmica (Gn 1 7, 8).
vista sugere que o nome de Javé era conheci­
6, 6: "resgatarei" - O termo hebraico
do muito antes do tempo Mosaico, mas que
significa "comprar de voltà' um parente ou
o seu significado foi revelado pela primeira
sua propriedade de confiscadores. O Senhor
vez a Moisés. Nessa visão está implícita a
faz o papel do parente Redentor ( 1 5 , 1 3)
idéia de que as pessoas passam a "conhecer"
como um Pai divino que vem para resgatar
a Deus e seu nome de uma forma mais com­
seu filho cativo, Israel (4, 22) . Ver Estudo da
pleta através de suas ações (ver 6, 7; 7, 5).
Palavra: Resgatar em Lv 25, 25.
Assim, a o contrário d a geração d o Êxodo, os
Patriarcas não vieram a conhecer o Senhor
6, 7: "meu povo" - Antecipa a bênção da
aliança do Sinai prometida em 1 9, 5 .
como alguém que cumpre suas promessas
para o futuro. (3) Ainda outra visão sustenta "Serei o vosso Deus": Reitera a promes­
que Deus revelou seu nome a Moisés primei­ sa do Senhor em Gn 1 7, 7 de ser o Deus dos
ro, como o Êxodo parece indicar. O uso do descendentes de Abraão por meio de uma
nome Javé ("Senhor") no Gênesis é então aliança eterna.

Genealogia de Moisés e Aarão 14Estes são os chefes das casas patriarcais: Filhos de Rúben, primogênito
-

de Israel: Henoc, Falu, Hesron e Carmi; são esses os dás de Rúben. ' 5Filhos de Simeão: ]amuei, Jamin,
Aod, Jaquin, Soar e Saul, filho de uma cananéia; são esses os dás de Simeão. 16Estes são os nomes dos filhos
de Levi, segundo as descendências: Gérson, Caat e Merari. Levi viveu cento e trinta e sete anos. 17Filhos
de Gérson: Lobni e Semei, segundo seus dás. 1 8Filhos de Caat: Amram, lsaar, Hebron e Oziel. Caat viveu
cento e trinta e três anos. 19Filhos de Merari: Mooli e Musi. São esses os dás dos levitas, segundo suas
descendências. 2ºAmram casou-se com Jocabed, sua tia, da qual lhe nasceram Aarão e Moisés. Amram
viveu cento e trinta e sete anos. 21 Filhos de lsaar: Coré, Nefeg e Zecri. 22Filhos de Oziel: Misael, Elisafá
e Setri. 23Aaráo casou-se com Isabel, filha de Aminadab e irmã de Naasson; dela lhe nasceram Nadab e
Abiú, Eleazar e Itamar. 24Filhos de Coré: Asir, Elcana e Abiasaf São esses os clãs coreítas. 25Eleazar filho de
Aarão casou-se com uma das filhas de Futiel, da qual lhe nasceu Finéias. São esses os chefes das casas dos
levitas, segundo seus clãs. 26Tais são, portanto, Aarão e Moisés a quem o Senhor disse: "Fazei sair do Egito
os israelitas, por exércitos". 27Foram os mesmos Moisés e Aarão que falaram ao faraó, rei do Egito, para
fazer sair os israelitas do Egito.

6, 14-16: G n 46, 8-1 1 ; N m 26, 5 - 1 4 . 6, 1 6-9: Nm 3 , 1 5-20; 26, 57-58; l Cr 6, 1 . 1 6- 1 9 . 6, 20-23: Nm 26, 58-60.

42
O Livro do Êxodo

6, 1 4-27: A genealogia de Aarão e de dotai em Israel (Nm 3, 1 -4) . Outras figuras


Moisés, irmãos da tribo de Levi. O homem notáveis incluem Coré (6, 2 1 ) , o primo de
Levi é o terceiro filho do patriarca Jacó (Gn Arão e de Moisés, que disputará audacio-
29, 34) . Quatro filhos de Arão são men- sarnente o sacerdócio (Nm 1 6, 1 - 1 6) , e Fi­
cionados em 6, 23: Nadab e Abiú, que são néias (6, 25), o neto de Arão, que receberá
mortos mais tarde (Lv 1 0 , 1 -3), e Eleazar uma aliança de sacerdócio perpétuo (Nm
e Itamar, que perpetuam a linhagem sacer- 2 5 , 6- 1 3) .

Moisés e Aarão obedecem aos mandamentos de Deus 28No dia e m que o Senhor falou a Moisés, no
-

Egito, 29disse-lhe: "Eu sou o Senhor. Transmite ao faraó, rei do Egito, tudo o que te digo". 30E Moisés
respondeu ao Senhor: "Tenho dificuldade de falar. Como me ouvirá o faraó?"

7 1 0 Senhor disse a Moisés: "Olha, eu te faço como um deus para o faraó, e Aarão, teu irmão, será teu
profeta. 2Dirás tudo o que eu mandar, e teu irmão Aarão falará ao faraó, para que deixe sair os israelitas
do país. 3Quanto a mim, vou endurecer o coração do faraó e multiplicar sinais e prodígios no Egito.
40 faraó não vos atenderá, mas eu porei minha mão sobre o Egito e farei sair do Egito os meus exércitos,
o meu povo, os israelitas, com grandiosos atos de j uízo. 50s egípcios ficarão sabendo que eu sou o Senhor,
quando eu estender minha mão contra o Egito e tirar os israelitas do meio deles". 6Moisés e Aarão fizeram
exatamente o que o Senhor lhes havia ordenado. 7Moisés tinha oitenta anos, e Aarão oitenta e três, quando
foram falar ao faraó.

7, 3: At 7, 36.

COMENTÁRIOS
7, 1: "teu profeta'' Aarão vai servir Egito (2, 1 5) . Para a divisão tradicional da
-

como um mensageiro e porta-voz de Moisés, vida de Moisés em três períodos iguais de 40


assim como um profeta representa os ince- anos cada, ver At 7, 23. 30. 36.
resses de Deus e fala em Seu nome. "oitenta e três": Aarão é o primogênito
7, 7: "oitenta anos" - Moisés está agora de Amram e, assim, o irmão mais velho de
40 anos mais velho do que quando fugiu do Moisés (6, 20; Nm 26, 59) .

A vara miraculosa de Aarão - 80 Senhor disse a Moisés e Aarão: 9"Quando o faraó vos pedir que façais
algum prodígio, mandarás Aarão pegar a vara e jogá-la diante do faraó, e ela se transformará em serpente".
'°Moisés e Aarão se apresentaram ao faraó e fizeram como o Senhor tinha mandado. Aarão jogou a vara
diante do faraó e de seus ministros, e a vara virou uma serpente. "Mas o faraó convocou os sábios e os
feiticeiros, e também eles - os magos do Egito - fizeram o mesmo com seus encantamentos: 12cada qual
jogou sua vara, que se transformava em serpente. Mas a vara de Aarão engoliu as varas dos outros. 13Todavia
o coração do faraó ficou endurecido, e ele não lhes atendeu o pedido, conforme o Senhor tinha predito.

43
Cadernos de estudo bíblico

� 7, 10: "
[ ] serpente" Não só
vara ... - permitem manipular a natureza por meio
.. um sinal do poder de Javé sobre a na­ de feitiços e encantamentos. Em alternativa,
tureza, mas também um desafio à autori­ podem ser mestres da ilusão e da fraude (por
dade do faraó. A serpente era um símbo­ exemplo, são conhecidos entre os egípcios os
lo do poder egípcio encarnado no faraó, encantadores de cobras, que ao pressionar
cuja coroa real apresentava uma cobra um ponto no pescoço de uma cobra podem
representando a deusa serpente Uadjit. induzir uma paralisia temporária, que torna
o corpo da cobra duro e reto como uma vara
Alegoricamente, a vara de Moisés é um sinal

até ser tirada deste estado) . A tradição j udai­
da Cruz, pois absorve o mal dos ídolos e divi­
ca identifica dois dos feiticeiros do faraó pelo
de o mar que afoga o inimigo. 1 8
nome, Janes e Jambres (também menciona­
7, 1 1 : "feiticeiros" Sábios sacerdo­
- do por Paulo em 2 Timóteo 3, 8) .
tais e praticantes de várias artes ocultas. A 7, 12: "engoliu" Antecipa a vitória de -

sua capacidade de replicar as pragas iniciais Javé no Mar Vermelho, quando o faraó e seu
pode ser o resultado de um aproveitamento exército serão "engolidos" nas profundidades
de poderes sombrios e demoníacos, que lhes ( 1 5, 1 2 ) .

Primeira praga: a água do Nilo se transforma em sangue 140 Senhor disse a Moisés: " O coração
-

do faraó endureceu e ele não quer deixar o povo partir. 19 1 5Vai ao faraó amanhã cedo. Quando ele sair
para a água, estarás à sua espera à beira do rio, levando contigo a vara que foi transformada em serpente.
16Tu lhe dirás: 'O Senhor, o Deus dos hebreus, enviou-me a ti com esta ordem: Deixa partir o meu povo
para me prestar culto no deserto. Mas até agora não me escutaste. 1 7Portanto, assim diz o Senhor: Deste
modo saberás que eu sou o Senhor: com a vara que tenho na mão vou bater nas águas do rio Nilo, e elas
se mudarão em sangue. 180s peixes que estão no rio morrerão, e o rio ficará tão poluído que os egípcios
sentirão nojo de beber a água do Nilo"'. 190 Senhor disse a Moisés: "Dize a Aarão: 'Toma a vara na mão e
estende a mão sobre as águas do Egito: sobre os rios, os canais, os pântanos e sobre todos os reservatórios
de água. Toda a água se transformará em sangue, e haverá sangue por todo o Egito, até mesmo nas vasilhas
de madeira e nos recipientes de pedrà'. 20Moisés e Aarão fizeram como o Senhor lhes tinha ordenado.
Erguendo a vara, Aarão feriu as águas do Nilo à vista do faraó e de todos os seus ministros, e toda a água
do rio virou sangue. 21Morreram os peixes que havia no rio, e o rio ficou poluído, de modo que os egípcios
não podiam beber de sua água, e houve sangue em toda a terra do Egito. 22Mas os magos do Egito fizeram
o mesmo com seus encantamentos, de modo que o coração do faraó continuou endurecido e ele não
atendeu ao pedido de Moisés e Aarão, conforme o Senhor tinha dito. 230 faraó retornou ao palácio sem
preocupar-se com o caso. 240s egípcios cavaram nas margens do rio à procura de água potável, pois não
podiam beber da água do rio.

1
7, 14-12, 36: As dez pragas. ( 1 ) Litera- três ciclos de três pragas, com a décima praga
riamente, essas histórias são agrupadas em formando o clímax da série. Antes da pri-

18 Santo Efrém, o Sírio, Comentário sobre o Êxodo 7 , 4.


19 7 , 1 4: Aqui começa a história das dez pragas. Mais uma vez, a narrativa é múltipla, e diferentes tradições originalmente
conheciam diferentes números de pragas. Todas, no entanto, levam ao clímax da morte do primogênito. Algumas das
pragas correspondem a fenômenos naturais que são conhecidos por ter ocorrido no passado, no Egito.

44
O livro do Êxodo

meira praga em cada ciclo, Moisés emite um o Quadro: As pragas do Egito.


aviso ao faraó na parte da manhã (7, 1 5 ; 8, 7, 14-25: A primeira praga: o Senhor
20; 9, 1 3) ; antes d a segunda praga em cada transforma o Nilo e as fontes de água do
ciclo, Deus instrui Moisés: "Apresenta-te ao Egito em sangue.
faraó" (8, 1 ; 9, 1 ; 1 0 , 1 ) ; e a terceira praga em 7, 20: "virou sangue" - Expressões simi­
cada ciclo vem sem qualquer aviso prévio de lares são usadas na Bíblia para indicar uma
Deus ou Moisés. (2) Historicamente, as pra­ aparência de sangue; no entanto, estes ocor­
gas têm certas afinidades com calamidades rem em analogias (2Rs 3, 22) e metáforas
naturais conhecidas por ter afligido o Vale apocalípticas (Jl 2, 3 1 ) . O uso dessa lingua­
do Nilo. Alguns comentaristas assim postu­ gem na narrativa histórica, como neste caso,
lam uma cadeia de causas e efeitos naturais parece indicar que se visualiza uma transfor­
para as primeiras de várias pragas, talvez am­ mação literal em sangue. Alternativamente,
plificados em sua severidade por intervenção alguns consideram a praga como uma des­
divina. Tentativas como essa podem oferecer coloração do Nilo, devido à contaminação
uma explicação parcial dos fenômenos, mas por microrganismos e/ou sedimentos aver­
há ainda muito mais para ser explicado. O melhado vindos das montanhas etíopes. No
Êxodo retrata as pragas como julgamentos entanto, mesmo se a contaminação biológica
sobrenaturais de Deus, aterrorizantes em sua ou sedimentar possa explicar a aparência aver­
intensidade e visam acabar com a opressão melhada do Nilo, não consegue explicar os
do faraó em Israel. (3) Teologicamente, as efeitos da praga sobre o abastecimento de água
pragas devastam a beleza e a harmonia da coletada anteriormente em "reservatórios" de
criação no Egito, reduzindo a terra a um abastecimento e "vasilhas" (7, 1 9) . Quanto ao
estado de caos e desordem. Invertendo vá­ significado da praga, a quantidade apavorante
rias das ações criadoras mencionadas em Gn de sangue recorda como o Nilo custou a vida
1 , 1 -3 1 , o Senhor faz as trevas prevalecerem de inúmeros israelitas recém-nascidos ( 1 , 22;
sobre a luz (praga 9), torna as águas poluídas Sb 1 1 , 6-7) . Talvez isso também signifique
e impróprias à vida (praga 1 ) , destrói plan­ que o Senhor feriu o deus do Nilo, Hapi, em
tas, árvores e frutas (pragas 7-8) , provoca a um ato de julgamento ( 1 2, 1 2) . Ver o Qua­
morte de peixes, rãs e bovinos (pragas 1 , 2 dro: As pragas do Egito.
e 5), e extermina vidas humanas (pragas 7 e 7, 24: "os egípcios cavaram'' Eles esta­-

1 0) . (4) Canonicamente, reflexões sobre as vam à procura de água potável na terra jun­
pragas do Egito também aparecem em SI 78, to ao Nilo, onde a água é filtrada através do
42-5 1 ; 1 05, 28-36; Sb 1 6- 1 8 . Ver também solo da margem do rio.

A segunda praga: rás - 25Passados sete dias depois de ter ferido o rio Nilo, 260 Senhor disse a Moisés:
"Apresenta-te ao faraó e dize-lhe: Deixa partir o meu povo para me prestar culto. 27Se te recusares a deixá­
lo ir, vou infestar de rás todo o teu território. 280 rio fervilhará de rás. Elas sairão do rio e penetrarão em
teu palácio, no quarto de dormir e até sobre o leito; nas casas dos ministros e do povo, até nos fornos e nas
amassadeiras. 29As rás virão sobre ti, sobre os ministros e sobre todo o povo".

45
Cadernos de estudo bíblico

k
QUADRO: AS PRAGAS DO EGITO

pragas em Êxodo 7- 1 2 formam o prelúdio dramático para a libertação


e Israel da escravidão. Dez vezes lemos como o Senhor castiga a terra
o Egito, com grandes sentenças, trazendo morte e destruição para o
povo egípcio e seus bens. O que não é tão óbvio é que Deus esteja igualmente
condenando "os deuses do Egito" e afirmando a sua supremacia sobre eles (Ex 1 2,
1 2 ; 1 8 , 1 1 ; Nm 33, 4) . Alguns estudiosos propuseram ligações entre as pragas e
o panteão das deidades egípcias a quem a condenação foi dirigida. As limitações
do nosso conhecimento nos impedem de estabelecer ligações em todo caso, mas
o quadro a seguir mostra como várias pragas podem ter sido destinadas a deuses
e deusas específicos do Egito pagão.

Primeira praga (Ex 7, 1 4-25 ) : Nilo em sangue


Divindade egípcia: Hapi, deus da inundação do Nilo

Segunda praga (Ex 8, 1 - 1 5) : Rãs


Divindade egípcia: Heket, deusa representada como rã

Terceira praga (Ex 8, 1 6- 1 9) : Mosquitos


Divindade egípcia: ?

Quarta praga (Ex 8, 20-32) : Moscas-varejeiras


Divindade egípcia: Uatchit, deus manifesto na forma de mosca

Quinta praga (Ex 9, 1 -7) : Peste dos animais


Divindade egípcia: Ápis, deus-touro; Hator, deusa-vaca

Sexta praga (Ex 9, 8- 1 2) : Tumores


Divindade egípcia: Sekhmet, deusa do controle de doenças

Sétima praga (Ex 9, 1 3-3 5 ) : Granizo


Divindade egípcia: Nut, deusa do céu

Oitava praga (Ex 1 0, 1 -20) : Gafanhotos


Divindade egípcia: Serapia, deus que extermina pragas

Nona praga (Ex 1 0 , 2 1 -20) : As trevas


Divindade egípcia: Rá, Aten, Atum, deuses da luz e do sol

Décima praga (Ex 1 2, 29-36) : Morte dos primogênitos


Divindade egípcia: Osíris, deus da vida e padroeiro do faraó
O livro do Êxodo

8 ' Então o Senhor disse a Moisés: "Dize a Aarão: Estende com a mão a vara sobre os rios, os canais e os
pântanos, e faze as rãs invadir o Egito". 2Aarão estendeu a mão sobre as águas do Egito, e as rás saíram
e cobriram o Egito. 30s magos, porém, conseguiram o mesmo com seus encantamentos, fazendo as
rás subir por sobre o Egito. 40 faraó chamou Moisés e Aarão e lhes disse: "Suplicai ao Senhor que afaste
as rás de mim e de meu povo, e eu deixarei vosso povo ir oferecer sacrifícios ao Senhor". 5Moisés disse ao
faraó: "Digna-te indicar-me o dia em que devo suplicar por ti, teus ministros e teu povo, para que sejam
afastadas as rás de ti e de teu palácio e fiquem apenas no rio" . - 6"Amanhâ', respondeu ele. Moisés lhe disse:
"Será como pedes, para que saibas que não há ninguém como o Senhor nosso Deus. 7As rãs se afastarão de
ti, de tuas casas, de teus ministros e de teu povo e ficarão apenas no rio". 8Tendo Moisés e Aarão saído da
presença do faraó, Moisés suplicou ao Senhor por causa das rás, como tinha prometido ao faraó. 90 Senhor
fez como lhe pedia Moisés: morreram as rãs que estavam nas casas, nos pátios e nos campos. 'ºAjuntavam-se
rás aos montes, e o ar todo ficou poluído. " Mas o faraó, vendo que houve trégua, endureceu o coração e não
escutou Moisés e Aarão, conforme o Senhor havia predito.

COMENTÁRIOS
8, 1 - 1 5: Segunda praga: Javé infesta o de conceder a Israel uma liberação temporá­
Egito de rãs. ria, mas logo volta atrás em sua palavra e em­
8, 3: "os magos [ ] conseguiram o
...
pedernece sua oposição. Esse padrão se repete
mesmo" Ironicamente, os feiticeiros pio­ várias vezes nas narrativas das pragas (8, 28-
-

ram a praga das rãs e agravam as dificuldades 32; 9, 27-35; 1 0, 1 6-20; 1 2, 3 1 -32; 14, 5-9) .
que oprimem o Egito. A deusa rã, Heket, de­ 8, 8: "suplicou ao Senhor" A repre­ -

veria controlar a população de rãs do Egito sentação de Moisés como mediador e inter­
protegendo o crocodilo predador. cessor é proeminente no Êxodo (8, 29; 1 5 ,
8, 8-15: O faraó reconsidera a sua recusa 5 ; 20, 1 9; 32, 30, etc.) .
2

Terceira praga: os mosquitos - 120 Senhor disse a Moisés: "Dize a Aarão: Estende a vara e golpeia a poeira
da terra, para que se transforme em mosquitos no Egito inteiro". 13Assim o fizeram. Aarão estendeu a vara
com a mão e golpeou o pó do chão, e vieram mosquitos sobre homens e animais. Toda a poeira do chão,
no Egito inteiro, transformou-se em mosquitos. 140s magos tentaram fazer o mesmo com encantamentos
a fim de produzir mosquitos, mas não foram capazes. Os mosquitos atacavam homens e animais. 15Então
os magos disseram ao faraó: "Aqui está o dedo de Deus" . Mas o faraó continuou obstinado, conforme o
Senhor havia dito, e não os atendeu.

8, 12- 1 5: Terceira praga: Javé infesta o � 8, 15: "dedo de Deus" Simboliza -

Egito de incômodos mosquitos (possivel­ a.li autoridade (3 1 , 1 8) e poder (Lc 1 1 ,


mente picadores) . 20) divinos. O reconhecimento marca um
ponto decisivo na história: os feiticeiros final­
8, 12: "poeira da terrà' Aponta para
-

mente confessam que o poder de Javé ultra­


uma multidão inumerável de mosquitos que
passa os seus próprios poderes ocultos para
infestam a terra.
duplicar as pragas e acompanhar o ritmo dos
seus j uízos intensificadores (CIC 700) .

47
Cadernos de estudo bíblico

• Alegoricamente, o dedo de Deus se reve- 1 é o Espírito, a terceira Pessoa da Santíssima


la no terceiro sinal, porque o dedo de Deus Trindade. 2º

Quarta praga: as moscas varejeiras - 160 Senhor disse a Moisés: "Levanta-te cedo, apresenta-te ao faraó
quando ele sair para o rio e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa partir meu povo para me prestar culto.
17Se não deixares meu povo partir, vou mandar contra ti, contra os ministros, contra o povo e contra tuas
casas, moscas varejeiras. As casas dos egípcios e até mesmo o solo em que pisam ficarão cheias de moscas­
varejeiras. 18Mas farei nesse dia urna exceção para a terra de Gessen onde habita o meu povo. Ali não haverá
moscas-varejeiras, para que saibas que eu, o Senhor, estou nessa terra. 19Farei distinção entre o meu povo
e o teu. Amanhã se realizará este sinal". 20E assim o Senhor fez: nuvens de moscas-varejeiras invadiram o
palácio do faraó, as casas dos ministros e todo o território do Egito. O país ficou infectado por causa das
moscas-varejeiras. 210 faraó mandou chamar Moisés e Aarão e lhes disse: "Ide oferecer sacrifícios ao vosso
Deus sem sair do país". 22Moisés respondeu: "Não convém fazer assim, pois o sacrifício que nós oferecemos
ao Senhor nosso Deus é abominação para os egípcios. Se oferecermos à vista dos egípcios sacrifícios que eles
abominam, eles vão nos apedrejar. 23Temos de caminhar três dias pelo deserto para oferecermos sacrifícios
ao Senhor nosso Deus, como ele nos mandou". 240 faraó respondeu: "Eu vos deixarei ir oferecer sacrifícios
ao Senhor vosso Deus no deserto, com a condição de não vos afastardes longe demais. Suplicai por mim" .
25Moisés respondeu: "Está bem. Ao sair daqui, eu pedirei por ti ao Senhor, e amanhã as moscas-varejeiras se
afastarão do faraó, dos ministros e do povo. Mas que o faraó não nos engane de novo não deixando o povo
ir oferecer sacrifícios ao Senhor". 26Moisés saiu da presença do faraó e suplicou ao Senhor. 270 Senhor fez
o que Moisés pedia, de modo que as moscas-varejeiras afastaram-se do faraó, dos ministros e do povo, sem
ficar uma só. 28Mas o faraó endureceu o coração, ainda desta vez, e não deixou o povo sair.

8, 1 6-28: Quarta praga: o Senhor in­ seus j ulgamentos sobre o Egito. Esse escudo
festa o ar no Egito com incômodas moscas da graça está implícito na sexta (tumores, 9,
(possivelmente picadores) . A partir desse 1 1 ) e oitava (gafanhotos, 1 0, 1 9) pragase é
ponto, a resistência do faraó começa a en­ afirmado explicitamente com a quinta (mor­
fraquecer. Autorização provisória é conce­ te de animais, 9, 4) , sétima (granizo, 9, 26) ,
dida a Israel para prestar culto a Deus, mas nona (escuridão, 1 O, 23) e décima pragas
as restrições ainda são impostas, por exem­ (morte dosprimogênitos, 1 1 , 7; 1 2, 23) .
plo , as pessoas podem celebrar seu festival "Gessen'': A terra de pasto fértil no Del­
do sacrifício, desde que permaneçam no ta do Nilo, onde os israelitas viveram por
país, não ultrapassem uma distância curta, mais de 400 anos ( 1 2, 40) , desde o tempo
e deixem para trás suas famílias ( 1 O, 1 0- 1 1 ) que Jacó e sua família migraram para o Egito
o u o seu gado ( 1 0 , 24) . O faraó não cumpre (Gn 47, 1 - 7) .
totalmente com as exigências do Senhor até
8, 22: "sacrifícios que eles abominam"
que ele sej a esmagado pela dor da décima
- O abate dos animais para o sacrifício era
praga ( 1 2, 3 1 -32) .2º
impensável para os egípcios, que reveren­
8, 18: "farei [ ] uma exceção" Co­ ciavam estes animais como imagens vivas
.•• -

meçando aqui com a quarta praga, o Senhor ou representações de deuses (por exemplo,
escolhe Israel para a proteção especial dos Ápis e Mnévis, deuses-touro ; Hator, deusa-
-vaca; Amun e Khnum, deuses-rã) . Assim
20 Sanro Isidoro de Sevilha, Perguntas sobre o Antigo Testa- Moisés insiste que Israel realizasse sua litur­
mento, Êxodo 14, 7
O livro do Êxodo

gia na segurança do deserto; pois do con­ que Israel, tendo vivido no Egito por mais
trário o seu povo se arriscaria a represálias de 400 anos, se apegou aos ídolos do Egito
violentas de um Egito indignado. Parece (como indicado em Js 24, 14 e Ez 20, 8)
provável que o Senhor ordena este festival e precisa se libertar deles . Ver Ensaio sobre
do sacrifício como uma renúncia de culto um Tópico: Sacrifício no Antigo Testamen­
da idolatria egípcia. A suposição seria a de to em Levítico 9.

9 Quinta praga: morte dos gados dos egípcios 1 0 Senhor disse a Moisés: "Apresenta-te a o faraó
-

e fala-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Deixa partir o meu povo para me prestar culto.
2Se te recusares a deixá-los partir, persistindo em detê-los, 3a mão do Senhor se fará sentir sobre teus
rebanhos que estão nos campos, sobre os cavalos, jumentos, camelos, bois e ovelhas, como uma peste
mortífera. 4Mas o Senhor fará distinção entre os rebanhos de Israel e os rebanhos dos egípcios. Nada do
que pertence aos israelitas morrerá. 50 Senhor fixou um prazo: Amanhã ele fará isto no país" . 6De fato, o
Senhor assim fez no dia seguinte. Pereceram todos os rebanhos dos egípcios, mas não morreu um só animal
dos rebanhos israelitas. 70 faraó mandou informar-se: de fato, nenhum animal dos israelitas tinha morrido.
Mas o coração do faraó manteve-se endurecido e não deixou o povo partir.
Sexta praga: os tumores 80 Senhor disse a Moisés e Aarão: "Recolhei um punhado de fuligem de forno,
-

e que Moisés a jogue para o céu, à vista do faraó. 9Ela se tomará, sobre toda a terra do Egito, um pó fino que
cairá sobre as pessoas e os animais, formando tumores que provocarão pústulas''. 10Eles recolheram fuligem
de forno e pararam na frente do faraó. Moisés atirou a fuligem para o céu, provocando tumores e pústulas
nas pessoas e nos animais. 1 1 Nem os magos puderam comparecer à presença de Moisés devido aos tumores,
porque estes se formaram nos magos como nos demais egípcios. 120 Senhor endureceu o coração do faraó,
que não atendeu ao pedido de Moisés e Aarão, como o Senhor tinha dito a Moisés.

COMENTÁRIOS
9, 1-7: Quinta praga: o Senhor leva os Egito com um surto de dolorosos tumores
rebanhos do Egito à morte. e púsculas.
9, 8-12: Sexta praga: o Senhor feriu o

Sétima praga: Trovoadas de granizo - 130 Senhor disse a Moisés: "Levanta-te cedo, apresenta-te ao
faraó e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Deixa partir o meu povo para me prestar culto.
14Pois desta vez vou desencadear todas as minhas pragas contra ti mesmo, teus ministros e teu povo,
para que saibas que não há ninguém como eu em toda a terra. 1 5Se agora eu já tivesse estendido a minha
mão para te ferir, a ti e a teu povo, com a peste, terias desaparecido da terra. 16Entretanto eu te poupei
precisamente para mostrar-te o meu poder e para que o meu nome seja celebrado em toda a terra. 17Mas
tu ainda continuas usando de prepotência contra o meu povo, não o deixando partir! 18Pois fica sabendo
que amanhã a esta hora farei cair uma chuva de pedra, tão pesada como nunca houve no Egito em toda
a sua história. 19Manda, pois, pôr a salvo o teu gado e tudo o que tens no campo. Toda pessoa ou animal
que se encontrar no campo e não for recolhido sob um teto morrerá quando cair o granizo". 20Alguns dos
ministros do faraó que temiam a palavra do Senhor mandaram os escravos e o gado refugiar-se sob um
teto. 21Mas os que não deram importância à palavra do Senhor deixaram os escravos e o gado no campo.
220 Senhor disse a Moisés: "Estende a mão para o céu, para que caia granizo em todo o Egito sobre as
pessoas, animais e sobre toda a vegetação do Egito''. 23Moisés apontou a vara para o céu, e o Senhor
mandou uma trovoada de granizo: caíram raios sobre o país, e o Senhor fez chover granizo sobre o Egito.

49
Cadernos de estudo bíblico

24Caiu uma chuva de pedra, acompanhada de raios e relâmpagos, tão forte como nunca houve no Egito
em toda a sua história. 250 granizo castigou, em todo o território do Egito, tudo o que estava nos campos,
tanto pessoas como animais. Atingiu também toda a vegetação e destroçou todas as árvores do campo.
26Só na terra de Gessen, onde moravam os israelitas, não caiu granizo. 27Enrão o faraó mandou chamar
Moisés e Aarão e lhes disse: "Desta vez eu pequei. O Senhor é que está com a razão; eu e o meu povo
somos os culpados. 28Suplicai ao Senhor! Basta dessas terríveis trovoadas de granizo! Eu vos deixarei partir;
não ficareis aqui por mais tempo". 29Moisés disse: "Quando eu tiver saído da cidade estenderei as mãos
ao Senhor; cessarão os trovões, e deixará de chover pedras, para que saibas que ao Senhor pertence a terra.
3ºMas sei que tu e teus ministros ainda não temeis ao Senhor Deus" . 3 1 (Perderam-se a cevada e o linho,
pois a cevada ainda estava em espiga e o linho em flor; 32mas o trigo e o centeio não se perderam, por
serem tardios.) 33Moisés retirou-se da presença do faraó e da cidade com as mãos estendidas ao Senhor.
Cessaram as trovoadas e o granizo, e parou de chover sobre a terra. 34Vendo o faraó que haviam cessado a
chuva, o granizo e os trovões, tornou a pecar. Ele e seus ministros endureceram o coração. 350 coração do
faraó permaneceu endurecido e não deixou partir os israelitas, como o Senhor havia ordenado por meio
de Moisés.

9, 16: Rm 9. 1 7.

9, 13-35: Sétima praga: Javé assola o reiro, antes do trigo e espelta da primavera
campo aberto do Egito com trovoadas de germinarem (9, 32) .
granizo. 9, 33: "com as mãos estendidas" A -

9, 1 6: "meu poder" - As pragas são mag­ postura tradicional de oração no antigo


níficas demonstrações do poder divino. Elas Oriente Médio ( l Rs 8, 22; Esd 9, 5; Sl 44,
rebaixam o orgulho do Egito enquanto ele­ 20) .
vam o nome do Senhor aos olhos das nações.
A vida do faraó é poupada por causa desse
maior propósito divino, mesmo que Deus,
o Senhor absoluto sobre a vida e a morte, NOTAS
poderia cê-lo destruído há muito tempo (9,
1 5) .
9 , 1 9 : "Manda [ ] pôr a salvo o teu
...

gado" Um aviso antecipado para encon­


-

trar abrigo antes das trovoadas de granizo no


dia seguinte.
9, 27: "eu pequei" Uma vazia admis­
-

são de culpa. O faraó está interessado não


no perdão, mas que as pragas parem de cair
sobre seu país (9, 34) .
9, 3 1 : "cevada [ ] linho" Sugere um
... -

tempo no meio do inverno, j aneiro ou feve-

50
O livro do Êxodo

1
O
Oitava praga: gafanhotos 10 Senhor disse a Moisés: ''Apresenta-te ao faraó, porque eu
-

endureci o coração do faraó e de seus ministros para realizar no meio deles os meus prodígios.
2Assim poderás contar a teus filhos e netos a maneira implacável como tratei os egípcios e os
prodígios que realizei no meio deles. Assim sabereis que eu sou o Senhor". 3Moisés e Aarão apresentaram­
se ao faraó e lhe disseram: ''Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Até quando recusarás submeter-te
a mim? Deixa partir o meu povo para me prestar culto. 4Se recusares deixar o meu povo partir, amanhã
trarei gafanhotos para o teu território. 5Eles encobrirão de tal modo a superfície do solo que não se poderá
ver o chão. Comerão o resto que sobrou, poupado pelo granizo, devorando todas as árvores que crescem
no campo. 6Encherão ruas casas, as casas dos ministros e de todos os egípcios, como nunca o viram teus
pais, nem teus avós, desde que começaram a existir sobre a terra até hoje". Moisés voltou as costas e saiu
da presença do faraó. 70s ministros do faraó disseram-lhe: ''Até quando este indivíduo será para nós uma
armadilha? Deixa essa gente sair para que prestem culto ao Senhor seu Deus. Ainda não vês que o Egito
está sendo arruinado?" ªMandaram pois Moisés e Aarão voltar à presença do faraó, que lhes disse: "Ide
prestar culto ao Senhor vosso Deus. Quem são os que vão?" 9Moisés respondeu: "Iremos com as crianças e
os velhos, com nossos filhos e filhas, com as ovelhas e os bois, pois é uma festa do Senhor para nós" . 10E o
faraó respondeu: "Pudesse o Senhor estar convosco, bem como eu vos deixar sair com os filhos! Vê-se que
tendes más intenções. 1 1 Não será assim! Ide somente vós, os homens, e prestai culto ao Senhor, pois foi isso
que pedistes". E assim foram expulsos da presença do faraó. 12Então o Senhor disse a Moisés: "Estende a
mão sobre o Egito, para que os gafanhotos invadam a terra e devorem toda a vegetação do p,iís, tudo o que
o granizo poupou". 13Moisés estendeu a vara sobre o Egito, e o Senhor fez soprar o vento oriental sobre
o país durante o dia todo e a noite inteira. De manhã, o vento oriental tinha trazido os gafanhotos. 140s
gafanhotos invadiram todo o Egito, pousando sobre todo o território do Egito em tão grande quantidade
como nunca havia acontecido antes, nem jamais acontecerá. 1 5Encobriram de tal modo a superfície do
solo que escureceu. Devoraram toda a vegetação do país, os frutos das árvores e tudo o que o granizo havia
deixado. Em todo o Egito não ficou nada de verde nas árvores e nas pastagens. 160 faraó mandou chamar
com urgência Moisés e Aarão e disse: "Pequei contra o Senhor vosso Deus e contra vós. 17Perdoai só mais
esta vez o meu pecado e suplicai ao Senhor vosso Deus que afaste de mim ao menos esta praga mortal".
18Moisés saiu da presença do faraó e suplicou ao Senhor. 190 Senhor mudou a direção do vento, que
começou a soprar muito forte do ocidente, arrastando os gafanhotos e lançando-os no mar Vermelho. Não
ficou um só gafanhoto em todo o território do Egito. 200 Senhor, porém, endureceu o coração do faraó,
que não deixou os israelitas partir.

COMENTÁRIOS
10, 1 -20: Oitava praga: o Senhor envia 10, 1 1 : "Ide [ ] os homens"
Os ho­
... -

exércitos de gafanhotos vorazes por todo o mens adultos foram os principais participan­
Egito. tes do culto nos tempos bíblicos (23 , 1 7; 34,
10, 10: "más intenções" -o faraó sus­ 23) .
peita que os homens de Israel tentarão fugir, 10, 13: "vento oriental" Antecipa o -

a menos que tanto suas famílias ou seus re­ vento forte que, mais tarde, divide o Mar
banhos sejam deixados para trás como um Vermelho ( 1 4, 2 1 ) .
incentivo para retornar ( 1 0, 24) .
Cadernos de estudo bíblico

Nona praga: as trevas 210 Senhor disse a Moisés: "Estende a mão para o céu, e faça-se tal escuridão
-

sobre a terra do Egito, que se possa apalpá-la". 22Moisés estendeu a mão para o céu, e fez-se densa escuridão
em todo o Egito durante três dias. 23Um não podia ver o outro e, durante três dias, ninguém se moveu do
lugar onde estava. Mas onde moravam os israelitas havia luz. 240 faraó mandou chamar Moisés e disse:
"Ide prestar culto ao Senhor. Também as crianças podem ir convosco, contanto que fiquem aqui as ovelhas
e os bois". 25Moisés respondeu: "Mesmo que nos desses as vítimas dos sacrifício s e os holocaustos para
oferecer ao Senhor nosso Deus, 26ainda assim o nosso gado deveria ir conosco. Não ficará nenhum animal,
porque precisamos deles para prestar culto ao Senhor nosso Deus. Pois enquanto não chegarmos lá, nós
nem sequer sabemos o que deveremos oferecer ao Senhor". 27Mas o S enhor endureceu o coração do faraó,
e este negou-se a deixá-los partir. 280 faraó disse a Moisés: "Afasta-te de mim e cuida-te de não tornar a ver
a minha face, pois no dia em que vires minha face morrerás". 29Moisés respondeu: "Falaste bem! Nunca

mais verei a tua face!"

10, 2 1 -29: Nona praga: Javé cobre o Egi­ 10, 26: "o que deveremos oferecer ao
to com três dias de escuridão. Senhor" Moisés entende que o Senhor
-

10, 22: "densa escuridão" - Parece im­ deve ditar os ritos e as exigências da litur­
plicar uma escuridão completa causada por gia. O culto divino é algo determinado por
um bloqueio sobrenatural da luz solar sobre revelação divina, não pelas sugestões da ima­
o Egito. Alguns pensam que se refere a uma ginação humana. Para os perigos que vêm
tempestade de areia grave (chamada kham­ com a criatividade não autorizada no culto,
sin) que sopra do Saara e torna a visibilidade consulta a liturgia blasfema em 32, 1 -6.
quase impossível.

ENSAIO SOBRE UM TÓPICO: A DATA DO ÊXODO

Êxodo de Israel do Egito causou um impacto profundo e duradouro

O nas tradições da Bíblia. Foi um milagre de proporções espetaculares -


uma demonstração do poder salvador de Deus como nenhuma outra
no Antigo Testamento. Apesar disso, estabelecer a data do evento provou ser um
desafio por várias razões. Em primeiro lugar, a arqueologia ainda não produziu
evidência direta e datável da presença de Israel no norte do Egito. Em segundo
lugar, os faraós mencionados no livro do Êxodo não são identificados pelo nome.
E em terceiro lugar, a incerteza continua a cercar os pontos mais delicados da
cronologia egípcia, de forma que praticamente todos os esforços para apontar
uma data exata do evento devem se contentar com algum grau de aproximação.
Várias tentativas foram feitas para determinar uma data para o Êxodo que satisfa­
ça o testemunho da Bíblia e as descobertas da arqueologia moderna. Hoj e pode-se
falar de duas alternativas principais: uma que situa o Êxodo no século XV a.C. e
outra no século XIII a.C. . A primeira é chamada de "datação primitivà' do Êxo­
do, e esta última é conhecida como "datação tardià' do Êxodo.

52
O livro do Êxodo

Êxodo do século XV (ca. 1446 a. C.)


A "datação primitivà' baseia-se principalmente na cronologia interna da Bíblia. Consi­
derações arqueológicas são também levadas em conta, mas desempenham um papel de
suporte, em vez de um papel determinante, na criação do quadro histórico do evento.
Argumentos apresentados em apoio a um Êxodo do século XV incluem o seguinte. ( 1 )
l Rs 6 , 1 relata que o Rei Salomão começou a construção n o Templo de Jerusalém 480
anos depois do Êxodo. Uma vez que as bases do santuário foram estabelecidas em torno
de 966 a.C., o Êxodo pode ser retroativo a aproximadamente 1 446 a.C., permitindo
algum espaço para a possibilidade de que 480 sej a um número preciso.
(2) O cronograma proposto em l Rs 6, 1 é corroborado pela observação em Jz 1 1 ,
26 de que Israel ocupou terras a leste do rio Jordão por 300 anos antes do tempo de
Jefté. Esta figura se encaixa dentro do período dos Juízes apenas se o Êxodo ocorrera
em 1 400 ou antes. (3) De acordo com esta cronologia, o faraó do Êxodo deve ter sido
um governante da dinastia XVIII do Egito, seja Tutmés III (ca. 1 504-1 450) ou talvez
Amenhotep II (ca. 1 45 0- 1 425) . Curiosamente, trabalhos arqueológicos recentes suge­
rem que essas duas figuras eram ativas no Delta do Nilo. A evidência vem dos locais das
cidades-entreposto construídas pelos israelitas, "Pitom e Ramsés" (Ex 1 , 1 1 ) . A cidade
de Pitom (moderna Tell el-Ratabeh) produziu vestígios arquitetônicos que datam da
dinastia XVIII, j unto com escaravelhos com os nomes de Tutmés III e Amenhotep II.
Perto da cidade de Ramsés (Qantir moderno / Tell el-Dab'a) escavadores descobriram
uma cidadela de palácio real, com o tamanho de vários acres, que foi usada durante a
dinastia XVIII. As grandes instalações de armazenamento de tijolos de barro também
foram descobertas nas proximidades, levando alguns arqueólogos a supor que elas ser­
viram como depósitos de suprimentos militares para as inúmeras lutas que Tutmés III
e Amenhotep II iniciaram na Palestina e na Síria. (4) As cartas de Amarna, um arquivo
de correspondência que se passou entre o Egito e os governantes das cidades cananéias
independentes, indicam que a Palestina se tornou caótica em meados dos anos 1300.
De acordo com os reis vassalos de Canaã, que escreveram apelos desesperados pedindo
apoio militar do Egito, a instabilidade se deveu em parte ao acúmulo de Habiru (ou
Apiru) agitando os conflitos e instabilidade na terra. Estes Habiru (um termo não-ét­
nico para forasteiros políticos sem terra) não são identificados com os hebreus bíblicos
no sentido estrito; no entanto, é provável que os israelitas invasores teriam sido consi­

derados parte de um desses grupos pelos reis cananeus . De qualquer forma, essa é pre­
cisamente a situação tumultuosa que se esperaria encontrar na Palestina se Israel tivesse
iniciado a sua l uta para assumir o controle da Terra Prometida por volta de 1 400 a.C.
Êxodo no século XIII (ca. 1260 a. C.)
Numerosos estudiosos modernos favorecem uma "datação posterior" do Êxodo no ano
de 1 200 a.C.. Os defensores tendem a dar prioridade às evidências arqueológicas como

53
Cadernos de estudo bíblico

um meio de interpretar a Bíblia. O resultado é a colocação do Êxodo durante a dinastia


XIX do Egito, provavelmente dentro do reinado de Ramsés II (ca. 1 304- 1 236) . Argu­
mentos em apoio a um Êxodo do século XIII incluem o seguinte. ( 1 ) Os comentadores
geralmente concordam que a cidade-entreposto chamada de " Ramsés" em Ex 1 , 1 1
tem seu nome inspirado em Ramsés II, lembrado como um dos maiores construtores
de monumentos na história egípcia. Como esta cidade foi construída (ou reconstruída)
com o suor de escravos israelitas, diz-se que o seu reinado forma o pano de fundo his­
tórico provável para o Êxodo.
(2) Ramsés II fez da cidade Pi-Ramsés seu capital real e administrativo. Isso se encaixa
no cenário descrito no Êxodo, em que o faraó e sua família estavam em contato pró­
ximo e freqüente com os israelitas no Delta (por exemplo, Ex 2, 5 - 1 0; 5, 1 . 6. 1 5 . 20;
7, 1 5) . (3) A estela do faraó Merneptá, sucessor Ramsés II, enumera Israel entre vários
adversários que o Egito teria vencido na Palestina em torno de 1 225 a.C. . Ao contrário
dos nomes de outros inimigos no monumento, que são identificados como cidades ou
campos, Israel está listado simplesmente como um povo. Alguns interpretam que os
israelitas tinham apenas recentemente chegado em Canaã e mal tinham começado o
processo de estabelecimento na terra - uma situação mais de acordo com um Êxodo do
século XIII que anterior a isso.
(4) A arqueologia moderna tem evidências desenterradas de que numerosas cidades e
vilas na Palestina foram devastadas no ano de 1 200 (por exemplo, Betel, Laquis, Debir,
Eglon e Hazor) . Embora faltem evidências conclusivas de que os israelitas foram res­
ponsáveis por esse extermínio, argumenta-se que essa destruição generalizada em Canaã
é mais bem visualizada como evidência da conquista da terra cerca de 40 anos após o
Êxodo de Israel.
Avaliar essas alternativas não é uma questão simples. Um ponto forte do esquema de
"datação primitivà' é sua dependência da cronologia interna da Bíblia. Embora esfor­
ços tenham sido feitos para ler os números em Jz 1 1 , 26 e l Rs 6, 1 como instâncias de
hipérbole ou computação esquemática, está longe de ser óbvio que qualquer número
deva ser lido de uma maneira não-literal (mesmo tendo em conta a aproximação) .
Além disso, a arqueologia moderna tem montado um retrato da atividade faraônica no
Delta que é muito consistente com um Êxodo no século XV. Por outro lado, o esquema
de "datação tardià' reivindicou a lealdade da maioria dos estudiosos da Bíblia desde a
primeira metade do século XX. Alguns dos dados arqueológicos, uma vez utilizados
para apoiá-la, foram desde então prejudicados; no entanto, a evidência da estela de
Merneptá pode ser mais naturalmente compatível com um Êxodo do século XIII, e,
em menor medida, o mesmo é verdade para o registro arqueológico da antiga Palestina
(dependendo do grau em que o Livro de Josué, na verdade, prevê a destruição violenta
de vários assentamentos cananeus) . No final, o caso de um Êxodo do século XV, que se

54
O livro do Êxodo

pensava ser problemático, foi reforçado nos últimos tempos, graças ao trabalho arqueo­
lógico em curso no Egito. Ao mesmo tempo, o caso de um Êxodo do século XIII, que se
pensava ser inatacável, já não deve ser considerado a opção obviamente preferível, pelo
menos na medida em que objeções-chave a um Êxodo do século XV (por exemplo, a
afirmação de que os faraós da dinastia XIX negligenciaram o Delta e não moravam lá)
já foram tratadas de forma satisfatória.

11
Aviso da última praga - 10 Senhor disse a Moisés: "Farei vir mais uma praga sobre o faraó
e sobre o Egito. Depois, ele vos deixará partir daqui, e não só vos deixará partir, como vos
expulsará definitivamente daqui. 2Comunica, pois, ao povo para que cada homem peça ao
vizinho e cada mulher à vizinha objetos de prata e de ouro" . 30 Senhor fez com que o povo conquistasse as
boas graças dos egípcios. O próprio Moisés também era um homem muito considerado na terra do Egito
pelos ministros do faraó e pelo povo. 4Moisés disse: ''Assim diz o Senhor: À meia-noite farei uma incursão
entre os egípcios, 5e morrerão todos os primogênitos do Egito, desde o primogênito do faraó, o herdeiro do
seu trono, até o primogênito da escrava que gira a mó do moinho, e até os primogênitos do gado. 6Então
haverá, em toda a terra do Egito, tamanho grito de aflição como nunca se ouviu, nem jamais se ouvirá.
7Mas contra os israelitas nem mesmo um cão latirá, nem contra as pessoas, nem contra os animais, para
que saibais que o Senhor faz distinção entre egípcios e israelitas. ªEntão descerão a mim rodos estes teus
ministros e se prostrarão diante de mim, dizendo: 'Sai com rodo o povo que te segue!' Só então eu sairei".
E, fervendo de indignação, Moisés retirou-se da presença do faraó. 90 Senhor havia dito a Moisés: "O faraó
não vos atenderá, para que se multipliquem os meus prodígios na terra do Egito". 10De faro, Moisés e Aarão
tinham realizado rodos esses prodígios diante do faraó, mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele
não deixou que os israelitas saíssem de sua terra.

COMENTÁRIOS
NOTAS
1 1 , 1 -10: O anúncio da décima praga.
Este julgamento final vem em 1 2, 29-36,
quando o Senhor mata todos os primogêni­
tos do Egito no golpe noturno.
1 1, 1: "vos expulsará definitivamente"
- A expulsão de Israel do Egito será superior
ao pedido de Moisés para uma peregrinação
temporária ao deserto ( 5 , 1 -3 ; 8, 25-28) .
1 1 , 10: "todos esses prodígios" - Apre­
sentados nas nove pragas anteriores.

55
Cadernos de estudo bíblico

1 2A instituição da Páscoa 10 Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito:21 2"Este mês será para vós
-

o começo dos meses, será o primeiro mês do ano. 3Falai assim a toda a comunidade de Israel: No
dia dez deste mês, cada um tome um animal por fàmília um animal para cada casa. 4Se a gente da
-

casa for pouca para comer um animal, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número
de pessoas. Para cada animal deveis calcular o número de pessoas que vão comer. 50 animal será sem defeito,
macho de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro como um cabrito. 6Devereis guardá-lo aré o dia catorze
deste mês, quando, ao cair da tarde, roda a comunidade de Israel reunida o imolará. 7Tomaráo um pouco
do sangue e untarão as ombreiras da porta das casas onde comerem. 8Comeráo a carne nesta mesma noite.
Deverão comê-la assada ao fogo, com pães sem fermento e ervas amargas. 9Não deveis comer dessa carne nada
de cru, ou cozido em água, mas assado ao fogo, inteiro, com cabeça, pernas e vísceras. 'ºNão deixareis nada
para o dia seguinte. O que sobrar, devereis queimá-lo no fogo. 1 1Assim devereis comê-lo: com os cintos na
cintura, os pés calçados, o cajado na mão; e comereis às pressas, pois é a Páscoa (isto é, Passagem) do Senhor.
12Nessa noite eu passarei pela terra do Egito e matarei rodos os primogênitos no país, tanto das pessoas como
dos animais. Farei justiça contra rodos os deuses do Egito - eu, o Senhor. 130 sangue servirá de sinal nas casas
onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora quando eu ferir a
terra do Egiro. 14Esre dia será para vós um memorial em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as
gerações, como instituição perpétua. 15"Duranre sere dias comereis pães sem fermento. Já no primeiro dia fareis
desaparecer o fermento de vossas casas, pois quem, entre o primeiro e o sétimo dia, comer pão fermentado,
será eliminado de Israel. 16No primeiro e no sétimo dia tereis uma assembléia sagrada. Nesses dias não fareis
nenhum trabalho, exceto preparar-vos a comida que cada um vai comer. 17Assim observareis a fesra dos Pães
sem Fermento, pois foi nesse dia que eu fiz sair os vossos exércitos do Egiro. Guardareis esse dia, por rodas as
gerações, como instituição perpétua. 18Comereis pães sem fermento desde a tarde do dia catorze do primeiro
mês aré a tarde do dia vinte e um. 19Duranre sete dias não haja fermento em vossas casas; quem comer pão
fermentado será eliminado da comunidade de Israel, seja estrangeiro ou natural do país. 20Não comereis coisa
alguma fermentada. Em rodas as vossas moradias comereis pães sem fermento". 21 Moisés convocou rodos os
anciãos de Israel e lhes disse: "Ide, tomai um animal para cada família e imolai a vítima da Páscoa. 22Tomai
um ramo de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia e marcai com o sangue a moldura das portas.
Mas ninguém de vós saia fora de casa até ao amanhecer. 23Quando o Senhor passar pelo Egiro para casrig'á-lo, e
reparar o sangue sobre a moldura das portas, passará por vossas portas e não permitirá que o Exterminador entre
em vossas casas para causar dano. 240bservareis este preceito como decreto perpétuo para vós e vossos filhos.
25Quando tiverdes entrado na terra que o Senhor vos dará, conforme prometeu, observareis este rito. 26Quando
vossos filhos vos perguntarem: 'Que significa este rito?' 27 respondereis: 'É o sacrincio da Páscoa do Senhor, que
passou ao lado das casas dos israelitas no Egito, quando feriu os egípcios e salvou as nossas casas"'. Então o povo
prostrou-se em adoração, 28e saindo dali, os israelitas fizeram o que o Senhor tinha ordenado a Moisés e Aarão.

12, 13: Hb I I . 28.

COMENTÁRIOS

lJJ � 12, 1 -28: A instituição _da Pás­ comentário em 1 2 , 8) . A Festa dos Pães Ázi­
la.ai coa e a Festa dos
Pães Azimos. mos começa com a Páscoa e se estende por
A Páscoa é um memorial anual da libertação outros seis dias. Passa-se a semana comendo
do Êxodo, a memória do que é ritualizado pão sem fermento em comemoração da fuga
em uma refeição simbólica do cordeiro assa­ apressada de Israel do Egito, que deu tempo
do, pães ázimos e ervas amargas (ver para a massa crescer ( 1 2, 33-34) .

21 1 2 , 1 : A festa da Páscoa, cujos regulamentos são apresentados aqui, comemora a libertação do Egito. É provável que a
festa dos pães ázimos tenha sido acrescentada somente após a entrada em Canaã. A Páscoa prenuncia o sacrifício de Jesus
( ! Cor 5, 7).
O livro do Êxodo

• A festa da Páscoa é carregada de significado protege contra a praga da morte ( 1 2, 1 3; cf.


tipológico: o cordeiro oferecido em sacrifício Lv 1 7, 1 0- 1 2) .
prefigura Cristo como o Cordeiro sacrificado
"Pães sem fermento": Um lembrete do
sem mácula para a nossa redenção Qo 1 , 29;
l Cor 5 , 7; l Pe 1 , 1 9) , e o cordeiro consu­ afastamento apressado de Israel da escravi­
mido na refeição antecipa nossa comunhão dão ( 1 2, 34) .
com Cristo na Eucaristia Qo 6, 52-5 8 ; l Cor "Ervas amargas": Um lembrete da
1 0, 1 6) . Ambas as idéias estão presentes na amargura da escravidão deixada para trás ( l ,
Última Ceia, quando Jesus transforma a Pás­
1 4) .
coa judaica na refeição memorial de um novo
Êxodo do pecado (Mt 26, 1 7-29; CIC 608, 1 2 , 9 : "cozido em água'' A restrição
-

1 340) . da ebulição é posteriormente anulada em Dt


1 6, 7.
• Alegoricamente, Cristo é carregado como 12, 1 1 : "cintos na cintura, os pés calça­
um cordeiro e sacrificado como uma ovelha.
dos, o cajado" Como um viajante vestido
-

Ele nos resgatou da escravidão do mundo


e pronto para partir em viagem.
como da terra do Egito, e ele nos libertou da
escravidão do diabo como da mão do faraó. 12, 12: "deuses do Egito" Os ídolos
22
-

O sacrifício do cordeiro significa o sacrifício adorados no culto egípcio. As pragas foram


de Cristo; o seu sangue, aplicado às molduras destinadas para zombar e humilhar estas
das portas como proteção contra o destrui­ falsas divindades de acordo com a Escritura
dor, significa fé na Paixão de Cristo; e sua
(Nm 33, 4; Sb 1 2, 24-25) e tradição j udaica
carne era comida para significar o consumo
(jubilees 48, 5 ) . Ver o Quadro: As pragas do
do corpo de Cristo no sacramento. 23
Egito em Ex 7.
12, 2: "primeiro mês" O mês da pri­-
12, 13: "passarei adiante" O verbo he­
-

mavera de Abib, mais tarde chamado de Ni­ braico (pasah. ) significa "pular" e comparti­
san (Dt 1 6, l ; Est 3, 7) . Ele marca o início lha a mesma raiz da palavra " Páscoa" (pesah.) .
do calendário litúrgico das festas de Israel O Êxodo explica essa última em termos do
(Lv 23, 1 -44) . Outro calendário que come­ primeiro, recordando como o destruidor
çou no outono também foi utilizado para pula as casas onde a Páscoa é comemorada
esses assuntos. O primeiro mês do ano civil, obedientemente ( 1 2 , 27) .
chamado Tishri, corresponde ao sétimo mês
12, 15: "desaparecer o fermento" O -

do ano litúrgico.
fermento simboliza os pecados e más influ­
12, 6: "ao cair da tarde" O hebraico ências que devem ser removidos de Israel (cf.
-

diz "entre as duas noites" . Parece referir-se ao Lc 1 2 , 1 ; ! Cor 5, 8) .


crepúsculo entre o pôr-do-sol e o anoitecer
12, 22: "hissopo" Uma planta aromá­
-

(Dt 1 6, 6) .
tica utilizada para marcar com o sangue dos
12, 8: "a carne" A carne do cordeiro cordeiros as molduras das portas de casas is­
-

assado. Seu sangue era um sinal de vida que raelitas ( 1 2, 23) . O hissopo também é usado
como um aspersor em rituais de purificação
22 São Melico de Sardes, Homilia sobre a Páscoa 67.
(Lev 1 4, 6-7; Nm 1 9 , 1 8) .
23 São Tomás de Aquino, Summa 7heologiae 1-11, 1 02, 5

57
Cadernos de estudo bíblico

12, 23: "o Exterminador" Um grupo mentos angelicais semelhantes, ver 2Sm 24,
-

de "anjos destruidores" enviados para admi­ 1 5- 1 7 e 2Rs 1 9, 3 5 .


nistrar a praga final (SI 78, 49) . Para j ulga-

Décima praga: a morte dos primogênitos do Egito 29Era meia-noite quando o Senhor feriu todos
-

os primogênitos no Egito, desde o primogênito do faraó, herdeiro de seu trono, até o primogênito do
prisioneiro no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. 30Naquela noite, o faraó levantou-se e, com
ele, todos os ministros e todos os egípcios. E ouviu-se no Egito um grande clamor, pois não havia casa onde
não houvesse um morto. 310 faraó chamou Moisés e Aarão de noite e disse: "Ide. Saí do meio de meu povo,
tanto vós como os israelitas! Ide sacrificar ao Senhor, como dissestes. 32Levai convosco também as ovelhas
e o gado, como pedistes; e ao partir abençoai-me" .

O Êxodo: de Ramsés a Sucot 330s egípcios pressionavam o povo, urgindo sua saída de sua terra,
-

pois diziam: "Vamos morrer todos!" 34Por isso, o povo teve de levar a massa do pão antes de fermentar,
carregando aos ombros as amassadeiras envolvidas nos manros. 350s israelitas tinham feito o que Moisés
lhes havia dito e pediram aos egípcios objetos de ouro e de prata e roupas. 360 Senhor os fez conquistar as
boas graças dos egípcios, que lhes deram o que eles pediram. Assim espoliaram os egípcios. 370s israelitas
partiram de Ramsés para Sucot. Eram cerca de seiscentos mil homens a pé, sem contar as crianças. 38Além
disso, muita outra gente subiu com eles, assim como um numerosíssimo rebanho de ovelhas e bois. 39Com
a massa trazida do Egito assaram pães sem fermento, pois a massa não pudera fermentar, já que foram
expulsos do Egito e não puderam esperar, nem preparar provisões. 40A permanência dos israelitas no Egito
foi de quatrocentos e trinta anos. 41 Foi no mesmo dia em que se completaram quatrocentos e trinta anos
que todos os exércitos do Senhor saíram da terra do Egito. 42Aquela foi uma noite de vigília para o Senhor,
quando os fez sair da terra do Egito. Essa mesma noite do Senhor deve ser observada por todos os israelitas,
por todas as gerações.

12, 40: At 7, 6.

� 1 2, 36: "espoliaram os egípcios" - 12, 37: "Ramsés" Uma cidade no delta


-

.. O Egito entregou seus objetos de va­ do Nilo oriental. Ver comentário em 1 , 1 1 .


lor, de modo a não ofender o Senhor ainda "Cerca de seiscentos mil": O número
mais. Em um giro poético de justiça, a nação aproximado de 600.000 homens adultos im­
que escravizou Israel agora a enriquece como plica uma população total de Israel de mais
Deus havia prometido (3, 2 1 -22; 1 1 , 1 -2; de dois milhões. Esse número, muitas vezes
Gn 1 5 , 1 4) . considerado historicamente improvável, no
• Moralmente, como o s israelitas saquearam entanto, é consistente com o crescimento
os despojos do Egito para melhor utilizá-los, populacional extraordinário descrito em l , 7
assim os que creêm não devem ter medo de e 1 , 1 2, com o imposto do santuário cobrado
tomar o que é útil e verdadeiro da aprendi­ de todos os adultos do sexo masculino em
zagem pagã para o benefício do ensino cris­ 3 8, 25-26, com os retornos do recenseamen­
tão. 24 to militar em N m 1 , 46, e com a observação
24 Sanco Agostinho, em Sobre a doutrina cristã 2, 40, 60.
de Moisés em Nm 1 1 , 2 1 . Para interpreta-
O livro do Êxodo

ções alternativas que defendem uma popu­ egípcios que haviam se casado com israelitas
lação menor para Israel na época do Êxodo, também estavam entre o grupo (ver Lv 24,
ver comentário em N m 1 , 46. 1 0) .
12, 38: "numerosíssimo rebanho" Es­ - 1 2 , 40: "quatrocentos e trinta anos" -

trangeiros saíam do Egito atracados a Israel Israel viveu primeiro como um convidado de
(o mesmo termo hebraico aparece em Ne­ honra no Egito (Gn 47, 1 -6) e, em seguida,
emias 1 3, 3) . O Êxodo não especifica sua como um povo oprimido ( 1 , 8- 1 4) . A passa­
etnia, mas o grupo provavelmente incluía gem se encontra de forma diferente na LXX
hebreus (descendentes de Eber, Gn 1 0 , 2 1 ) grega, que parece divulgar os 430 anos da
que não eram da família d e Israel (descen­ duração da estada de Israel no Egito e Canaã.
dentes de Jacó, Gn 46, 8-27) . Talvez alguns Ver comentário sobre Gn 1 5 , 1 3.

Instruções para a Páscoa - 430 Senhor disse a Moisés e Aarão: "Eis a lei da Páscoa. Nenhum estrangeiro
dela poderá comer. 44Todo escravo comprado a dinheiro, depois de circuncidado, poderá comê-la. 450
hóspede e o assalariado não poderão dela participar. 460 cordeiro será consumido numa só casa. Não
levareis para fora da casa nada das carnes, nem lhe quebrareis osso algum. 47Toda a comunidade de Israel
celebrará a Páscoa. 48Se um estrangeiro que vive contigo quiser celebrar a Páscoa do Senhor, fará circuncidar
todos os homens da família, e só então poderá participar como se fosse um nativo do país. Mas nenhum
incircunciso poderá tomar parte. 49A mesma lei servirá para o nativo do país e para o estrangeiro que
mora em vosso meio". 50'fodos os israelitas fizeram como o Senhor tinha ordenado a Moisés e Aarão. 51 Foi
naquele mesmo dia que o Senhor fez sair do Egito os israelitas, por exércitos.

12, 46: Nm 9, 1 2; Jo 1 9, 36. 12, 49: Lv 24, 22; Nm 9, 1 4 ; 1 5 , 1 5 . 1 6. 29.

12, 43-46: A circuncisão é um pré-requi­ • O requisito é cumprido em Jesus, quando,


sito para participar da refeição pascal. Escra­ ao contrário da prática romana, seus ossos são
deixados intactos na Cruz. Ver comentário
vos e estrangeiros que vivem com Israel não
sobre Jo 1 9, 36.
são elegíveis para participar da celebração, a
menos que primeiro aceitem a circuncisão
• Alegoricamente, o rito da Páscoa prevê a
como um rito de iniciação na comunidade morre de Cristo, o Cordeiro, e comer o cor­
da aliança. deiro em uma casa nos ensina que a carne de

lJJ n 14, 46: "nem lhe quebrareis


Cristo não pode ser tirada da única Igreja,
que é a casa dos fiéis.25
� osso algum'' - Talvez o perigo
é que um pedaço do cordeiro, se quebrado,
pudesse ser levado para fora da casa e comi­
do ilegalmente pelo circuncidado. 25 São Cipriano, Unidade da Igreja Católica 8 .

59
Cadernos de estudo bíblico

13 O Senhor falou a Moisés' 2"Consagra-me rodo primogênito: todo o primeiro parto entre os
israelitas, tanto de homens como de animais, será meu".

13, 2. 12. 1 5 : Lc 2, 23.

COMENTÁRIOS
13, 2: "Consagra-me" Significa sepa- mogemtos tinham originalmente servido
-

rar para o serviço do culto divino. como mediadores do culto divino. De acor-
"Primogênito": Os filhos e animais mais do com este ponto de vista, a razão que o
velhos em Israel pertencem ao Senhor, por­ Livro dos Números fala de uma mudança na
que Ele poupou suas vidas da décima praga liderança espiritual pode ser rastreada até a
( 1 3 , 1 4- 1 5) . As primeiras crias dos gados, rebelião do bezerro de ouro no Sinai, em que
ovelhas e cabras são entregues ao Senhor a tribo de Levi "ordenou" a si mesma "para o
como vítimas para o sacrifício ( 1 3 , 1 5 ; 22, serviço do Senhor" (32, 29) . De acordo com
30; 34, 1 9; Nm 1 8 , 1 7) . Os filhos primogê­ uma leitura narrativa da Torá, então, pode­
nitos do povo também pertencem ao Senhor, -se argumentar que os filhos primogênitos
mas a natureza da sua consagração não é es­ do povo são consagrados a Deus na noite de
pecificada neste contexto. No encanto, com Páscoa ( 1 3, 1 ) e mantêm este status de acor­
base em outras passagens da Lei Mosaica, do com os termos originais da aliança do
pode-se encontrar um exemplo da sua de­ Sinai (22, 29) ; no entanto, no meio da apos­
dicação ao ministério sagrado. Por exemplo, tasia do bezerro de ouro, os levitas ganham
Nm 3, 12 e 8, 1 4- 1 8 indicam que os levitas os privilégios da consagração originalmente
são escolhidos como substitutos para cada possuídos pelos filhos primogênitos, que em
filho primogênito dedicado ao Senhor. Na seguida têm de ser resgatados ou "recompra­
medida em que os levitas desempenhavam dos" (34, 20) com um pagamento de cinco
ministérios litúrgicos no santuário, e alguns sidos (Nm 1 8 , 1 5- 1 6) . Ver também Ensaio
deles serviram como sacerdotes na linhagem sobre um Tópico: Sacerdócio no Antigo Tes­
de Aarão, pode inferir-se que os filhos pri- tamento em Nm 1 8 .

A festa dos pães sem fermento - 3Moisés disse ao povo: "Lembrai-vos do dia em que saístes do Egito, da
casa da escravidão, quando, com mão poderosa, o Senhor vos tirou de lá. Não se comerá nada fermentado.
40 dia da saída é no mês de Abib, mês do Trigo novo. 5Quando o Senhor te introduzir na terra dos
cananeus, heteus, amorreus, heveus e jebuseus, terra que jurou a teus pais te dar, terra onde corre leite e
mel, observarás neste mesmo mês este rito: 6Durante sete dias comereis pão sem fermento, e no sétimo
dia haverá uma festa em honra do Senhor. 7Durante os sete dias comer-se-á pão sem fermento, e não se
verá pão fermentado, nem fermento em rodo o território. 8Naquele dia explicarás a teu filho: 'Isto é pelo
que o Senhor fez por mim ao sair do Egito'. 9Servirá para ti de sinal em tua mão e de lembrança em rua
fronte, para que tenhas na boca a lei do Senhor, porque com mão poderosa o Senhor te fez sair do Egito.
1º0bservarás este decreto cada ano no tempo fixado.

60
O livro do Êxodo

13, 5: "terra dos cananeus" Sobre a - Inspirou a prática j udaica de vestir filacté­
-

lista das nações que ocupam Canaã antes de rios, ou seja, pequenas caixas de couro con­
Israel conquistar a terra, ver comentário em
tendo versículos bíblicos que são amarradas
3, 8 . ao braço esquerdo e na fronte durante a ora­
13, 9: "em tua mão [ ] em tua fronte" ção (Dt 6, 4-9; Mt 23, 5).
...

Consagração dos primogênitos 1 1 Quando o Senhor t e houver introduzido n a terra dos cananeus e a
-

tiver dado a ti, conforme j urou a ti e aos teus pais, 12separarás para o Senhor rodo o primeiro parto do
ventre materno, e roda a primeira cria masculina dos teus animais pertence ao Senhor. 1 3A primeira cria
dos jumentos resgatarás por um cordeiro; se não a resgatares, deverás matá-la. Resgatarás também rodo
primogênito entre os teus filhos. 14E quando teu filho, amanhã, te perguntar: 'Que significa isto?' tu lhe
dirás: 'Com mão poderosa o Senhor nos tirou do Egito, da casada escravidão. 1 5Como o faraó teimasse em
não nos deixar partir, o Senhor matou todos os primogênitos na terra do Egito, tanto os primogênitos dos
homens como os primogênitos dos animais. Por isso eu sacrifico ao Senhor rodo primogênito macho dos
animais, enquanto resgato rodo primogênito de meus filhos'. 16lsto servirá como sinal em tua mão e como
faixa escrita em tua fronte; pois foi com mão poderosa que o Senhor nos tirou do Egito".

13, 13: "jumentos" Os animais ungu­ nitos em 1 3 , 2. No entanto, o texto está se


-

lados deste tipo são impuros (Lv 1 1 , 26) e, referindo a dias futuros quando Israel se es­
portanto, devem ser resgatados (Nm 1 8 , 1 5) . tabelecerá na terra de Canaã (ver 1 3, 1 1 - 1 2) .
"Resgatarás também todo primo gêni­ Para a mudança d e consagração a redenção
.

to entre os teus filhos" : À primeira vista, que acontece vez ou outra, ver comentário
parece contradizer a condição dos primogê- em 1 3 , 2.

A coluna de nuvem e a coluna de fogo -17Quando o faraó deixou sair o povo, Deus não guiou o povo
pelo caminho que passa pela terra dos filisteus, embora mais curto, pois achava que, diante de um combate,
o povo poderia arrepender-se e voltar para o Egito. 18Deus fez o povo dar uma volta pela rota do deserto do
mar Vermelho. E os israelitas saíram do Egito bem armados. 19Moisés levou consigo os ossos de José, pois este
tinha feito jurar os filhos de Israel: "Quando Deus vos visitar, levai embora convosco os meus ossos!" 2ºPartiram
de Sucor e acamparam em Eram, na periferia do deserto. 210 Senhor os precedia, de dia, numa coluna de
nuvem, para lhes mostrar o caminho; de noite, numa coluna de fogo para iluminar, a fim de que pudesse
mandar de dia e de noite. 22De dia não se afastava do povo a coluna de nuvem, nem de noite a coluna de fogo.

13, 1 9: Gn 50, 2 5 .

13, 17: "caminho que passa pela terra tradicional remonta à LXX grega. O nome
dos filisteus" A rota mais direta do norte do
- hebraico é yam suph, que significa "Mar de
Egito para o sul de Canaã fica na parte supe­ Juncos" (ver 2, 3, em que suph também ocor­
rior da Península do Sinai. Os egípcios patru­ re) . A identidade dessa extensão de água é
lhavam esta rota a partir de uma série de fortes incerta. Os locais propostos para a travessia
militares construídos ao longo do caminho. marítima incluem ( 1 ) uma entrada do Lago
13, 18: "mar Vermelho" - Esta tradução Manzala no nordeste do Egito, (2) o Golfo

61
Cadernos de estudo bíblico

de Suez, uma ramificação do Mar Vermelho 13, 19: "os ossos de José"Para serem
-

que chega até o Egito (Nm 33, 1 0) , (3) o levados de volta para Canaã e enterrados
Golfo de Aqaba, outra ramificação do Mar (Gn 50, 2 5 ; Js 24, 32) .
Vermelho, que chega entre a Península do 13, 20: "Etam" - A localização exata é
Sinai e noroeste Saudita ( I Rs 9, 26) , e (4) desconhecida.
um dos lagos que nos tempos antigos se ali­
nhavam na fronteira entre Egito e a Penínsu­ n 13, 2 1 : "
colunà' Javé mar­
numa -

la do Sinai, tais como o Lago El-Ballah, Lago .. cha na frente para liderar e iluminar o
Timsah, ou os Lagos Amargos, os últimos caminho para Israel. A coluna de nuvem e
dos quais podem ter formado uma extensão fogo vai levar o povo ao Sinai e além (Nm 9 ,
norte do Golfo de Suez. Essas águas ao longo 1 5-23) . Isaías interpreta esta presença orien­
da fronteira oriental do Egito favoreceram tadora como uma manifestação do Espírito
uma variedade de j uncos de água salgada, e (Is 63, 1 1 - 1 4; CIC 697) .
até hoje canas e j uncos crescem ao longo das • Alegoricamente, a nuvem prefigura o dom do
margens do Canal de Suez. Espírito, que resfria nossas flamejantes paixões
ao mortificar nossos membros corporais.26

MAPA: O ÊXODO DO EGITO

AMMON

Mar Morto

MOAB

E.dom

Rio Nilo

MilN 100

26 São Basílio, Sobre o Espírito Santo 1 4 , 3 1 .


O livro do Êxodo

14 Travessia do Mar Vermelho - 1 0 Senhor falou a Moisés: 2"0rdena aos israelitas para que
mudem de rumo e acampem diante de Piairot, entre Magdol e o mar, diante de Baal Sefon.
Ali acampareis perto do mar. 30 faraó pensará a respeiro dos israelitas: 'Eles andam perdidos
pelo país: o deserto fecha-lhes a passagem'. 4Vou endurecer o coração do faraó para que os persiga. Mas
eu me cobrirei de glória às custas do faraó e de rodo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o
Senhor" . E os israelitas assim fizeram. 50 rei do Egito foi informado que o povo tinha fugido. O faraó e
os ministros mudaram, então, de atitude em relação ao povo e disseram: "Que fizemos? Deixamos Israel
partir, privando-nos dos seus serviços!" 60 faraó mandou preparar o seu carro e levou consigo as suas
tropas. 7Tomou seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito, com os respectivos escudeiros.
80 Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este perseguiu os israelitas, enquanto eles saíam
livremente. 90s egípcios perseguiram-nos com os cavalos e carros do faraó, com os cavaleiros e o exército, e
alcançaram-nos acampados perto do mar, na altura de Piairot, defronte de Baal Sefon. 'ºEnquanto o faraó
se aproximava, os israelitas, levantando os olhos, viram os egípcios que vinham chegando pela retaguarda.
Aterrorizados, os israelitas clamaram ao Senhor 1 1 e disseram a Moisés: "Foi por não haver sepulturas no
Egito que nos trouxeste para morrermos no deserto? Que vantagem nos deste tirando-nos do Egito? 12Não
te falávamos assim no Egito: 'Deixa-nos em paz servir aos egípcios'? Era melhor servir como escravos aos
egípcios do que morrer no deserto". 13Moisés respondeu ao povo: "Não temais! Permanecei firmes e vereis
a vitória que o Senhor hoje vos dará. Pois os egípcios que hoje estais vendo, nunca mais os tornareis a ver.
140 Senhor combaterá por vós; e vós, ficai tranqüilos". 150 Senhor disse a Moisés: "Por que clamas a mim
por socorro? Dize aos israelitas que se ponham em marcha. 16Quanro a ti, ergue a rua vara, estende a mão
sobre o mar e divide-o, para que os israelitas passem em seco pelo meio do mar. 17De minha parte, vou
endurecer o coração dos egípcios para que os persigam, e eu seja glorificado às custas do faraó e de todo
seu exército, seus carros e cavaleiros. 180s egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu for glorificado
às custas do faraó, dos seus carros e cavaleiros". 19Então o anjo de Deus, que caminhava à frente das tropas
de Israel, tomou posição atrás deles: a coluna de nuvem que estava na frente postou-se atrás, 20inserindo­
se entre o acampamento dos egípcios e o de Israel - a nuvem era tenebrosa, mas iluminava a noite - de
modo que durante a noite inteira uns não podiam ver os outros. 21Moisés estendeu a mão sobre o mar,
e durante a noite inteira o Senhor fez soprar sobre o mar um vento leste muito forte, fazendo recuar o
mar e transformando-o em terra seca. As águas se dividiram 22e os israelitas entraram pelo meio do mar
a pé enxuto, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e outra à esquerda deles. 23Üs egípcios
puseram-se a persegui-los, e rodos os cavalos do faraó, carros e cavaleiros os seguiram mar adentro. 24Na
vigília da manhã, de cima da coluna de fogo e de nuvem, o Senhor lançou um olhar sobre as tropas egípcias
e as pôs em pânico. 25Emperrou as rodas dos carros, de modo que só a muito custo podiam avançar. Então
os egípcios disseram: "Vamos fugir de Israel, pois o Senhor combate a favor deles, contra nós".

14, S: Ac 1 3 , 1 7 . 14, 12: Ex 1 6, 23; 1 7 , 3.

COMENTÁRIOS
14, 2: "Piairot" - Localização incerta. 14, 14: "O Senhor combaterá" Isra­ -

"Magdol": O nome significa "fortaleza" , el está armado para o conflito ( 1 3 , 1 8) , mas


mas a localização é incerta. o Senhor é o Guerreiro divino que luta esta
primeira batalha para eles ( 1 5 , 3).
"Baal Sefon'': Localização incerta.
14, 1 9 : "anjo d e Deus" O anjo que
14, 7: "carros do Egito" Cada um foi
-

medita e manifesta a presença de Deus para


projetado para transportar três escudeiros.
o mundo. Ver o Estudo da Palavra: Anjo do
14, 9: "alcançaram-nos" Israel é
Senhor em Gn 1 6, 7.
-

aprisionado de costas para o mar.


Cadernos de estudo bíblico

"Tomou posição atrás deles": O pilartravessia marítima, ver comentário em 1 3 ,


de orientação divina retrocede e se torna re­ 1 8 .
taguarda de Israel.
• Paulo interpreta a travessia marítima como
• O anúncio em João 1 , 29 que Jesus é o um tipo de batismo, que traz de nova manei­
"Cordeiro de Deus" está ligado, em parte, a ra a salvação através da água e do poder de
esta profecia. Deus ( l Cor 1 0: 1 -2; CIC 1 22 1 ) .

fT1 � 14, 21-29: Javé abre um cami­ • Alegoricamente, o mar é um tipo de ba­
Ll.U a.il nho através do mar e leva Israel tismo, pois assim como causou a morte do
para a segurança da margem oposta. Quan­ faraó, assim nosso batismo é o fim da tirania
do demônio. No mar o inimigo está morto,
do ele libera as águas, os perseguidores egíp­
e no batismo nossa inimizade com Deus está
cios estão afogados nas profundezas ( 1 4 , 28).
morta. Do mar as pessoas saíram ilesas, e da
Esse evento épico é lembrado como o mais
água damos um passo adiante salvos pela gra­
poderoso ato de Javé para libertar Israel e é ça d'Aquele que nos chamou.
freqüentemente lembrado na Antigo Testa­
mento (por exemplo, SI 66, 6; 1 06, 9; Is 5 1 , 14, 24: "vigília da manhã'' - As horas
1 0; 63, 1 1 - 1 3) . Para possíveis localizações da que antecedem as 06:00.

Os egípcios se afogam no m ar - 26Mas o Senhor disse a Moisés: "Estende a mão sobre o mar, e as águas
se voltarão contra os egípcios, seus carros e cavaleiros". 27Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper
da manhã, o mar voltou ao estado normal, enquanto os egípcios em fuga corriam ao encontro das águas.
Assim o Senhor lançou os egípcios ao meio do mar. 28As águas voltaram e cobriram carros, cavaleiros e todo
o exército do faraó, que tinha entrado no mar em perseguição a Israel. Não escapou um só. 290s israelitas,
ao contrário, tinham passado a pé enxuto pelo meio do mar, enquanto as águas formavam uma muralha
à direita e outra à esquerda deles. 30Naquele dia o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios, e Israel viu
os egípcios mortos nas praias do mar. 31 lsrael viu a mão poderosa do Senhor agir contra o Egito. O povo
temeu o Senhor e teve fé no Senhor e em Moisés, seu servo.

14, 3 1 : "teve fé" - Israel emerge do mar,


NOTAS
com uma nova fé no Senhor e uma renovada
confiança em Moisés. Na teologia do Êxodo,
a fé é suscitada pelos "sinais" milagrosos ope­
rados por Deus através de seus mediadores
(4, 4-5 . 30-3 1 ) . 27

27 Sáo Basílio, Sobre o Espírito Santo, 1 5 , 3 1 .


O livro do Êxodo

15 Cântico de Moisés e Maria - ' Então Moisés e os israelitas cantaram ao Senhor este cântico:
"Cantarei ao Senhor porque estupenda foi a vitória; cavalo e cavaleiro ele jogou no mar. 2Minha
força e meu canto é o Senhor, ele foi para mim a salvação. Ele é meu Deus, eu o glorificarei;
o Deus de meu pai, eu o exaltarei. 30 Senhor é um guerreiro, seu nome é Senhor. 4Precipitou no mar os
carros do faraó e seu exército; a elite das tropas afogou-se no mar Vermelho. 5Vagalhóes os encobriram;
mergulharam nas profundezas como pedra. 6Tua direita, Senhor, majestosa em poder, tua direita, Senhor,
destroça o inimigo. 7Com tua grande majestade arrasas o adversário, desencadeias teu furor, que os consome
como palha. 8Ao sopro de rua ira amontoaram-se as águas, as ondas ergueram-se como um dique, as vagas
congelaram no coração do mar. 90 inimigo tinha dito: 'Vou perseguir, alcançar, repartir os despojos,
saciar-me deles. Vou tirar minha espada e despojá-los com minha mão'. 10Sopraste com teu vento, e o mar
os cobriu; afundaram como chumbo em águas profundas. l l Quem entre os deuses é como tu, Senhor?
Quem como tu, magnífico na santidade, terrível nas proezas, autor de prodígios? 12Estendeste rua direita, e
a terra os tragou. '3Guiaste com amor o povo que resgataste, conduziste-o com poder à rua morada santa.
140s povos ouviram e se alarmaram, o terror apoderou-se dos habitantes da Filistéia. 15Então os chefes de
Edom estremeceram de medo e os fortes de Moab foram tomados de tremor; perderam a coragem todos os
habitantes de Canaã. 16Caíram sobre eles o espanto e o pavor. Pela força de teu braço ficaram imóveis como
pedra, enquanto teu povo passava, ó Senhor, enquanto passava o povo que adquiriste. 17Tu os introduzirás
e os plantarás no monte da rua herança, no lugar que preparaste para rua morada, Senhor, no santuário,
ó Senhor, que ruas mãos fundaram. 180 Senhor reina por todo o sempre!" 19De fato, apenas os cavalos do
faraó, carros e cavaleiros tinham entrado no mar, o Senhor fez voltar sobre eles as águas do mar. Ao passo
que os israelitas passaram pelo meio do mar a pé enxuto. 20Maria, a profetisa, irmã de Aarão, apanhou um
tamborim, e atrás dela saíram todas as mulheres tocando pandeiro e dançando, 21enquanto Maria lhes
repetia: "Cantai ao Senhor porque estupenda foi a vitória; cavalo e cavaleiro ele jogou no mar!"

COMENTÁRIOS

15, 1 -8: A Canção no Mar, um cânti­ presenta que o Egito é um inimigo arrogante
co de vitória que comemora a libertação e presunçoso.
de Israel e a destruição do Egito. Mais ain­ 15, 1 1 : "Quem entre os deuses" O -

da, é um hino de louvor ao Senhor, que é Senhor é vitorioso sobre as várias deidades
saudado como Salvador ( 1 5 , 2) , Guerreiro egípcias derrotadas no julgamento ( 1 2, 1 2;
( 1 5 , 3) , Redentor ( 1 5 , 1 3) e Rei ( 1 5 , 1 8) . A 1 8, 1 1 ) . Ver o Quadro: As pragas do Egito
canção adota uma dupla perspectiva: a pri­ em Ex, 7.
meira parte olha para o evento do Êxodo
1 5, 13: Isto é, comprou
"resgataste" -

( 1 5 , 1 - 1 2) , e a segunda parte aguarda com


de volta como um escravo cuja liberdade foi
expectativa a futura ocupação de Canaã por
comprada por um parente ( 1 5 , 1 6) . O Se­
Israel ( 1 5 , 1 3- 1 8) . Uma dupla perspectiva
nhor faz o papel do parente Redentor como
semelhante molda o cântico de Moisés em
um Pai divino que resgata seu filho em cati­
Dt 32, 1 -43.
veiro, Israel (4, 22) . Ver o estudo de palavra:
15, 5: "como pedrà' Visões semelhan­ Resgatar em Lv 25.
-

tes dos ímpios naufragando no mar ocorrem


15, 14-15: Nações e m confronto com
em Jr 5 1 , 63-64; Lc 1 7, 2; Ap 1 8 , 2 1 .
Javé estremecem, pois Ele está prestes a fazer
15, 9: "Vou [ ] vou" A repetição re- Israel marchar através dos seus territórios,
... -
Cadernos de estudo bíblico

culminando na invasão completa de Canaã 15, 1 8: "reina'' - O verbo hebraico in­


sob Josué. dica que o Senhor é um rei. O Pentateuco
1 5, 17: "monte [ ] lugar" Ambos os
...
retrata
-
essa descrição real de Deus em outras
termos podem se referir à terra de Canaã, o partes em Nm 23, 2 1 e Dt 33, 5 .
primeiro descrevendo-o como um país mon­ Q 15, 20: "Maria'' - A irmã de Moisés
tanhoso (Dt 3, 25; SI 78, 54) e o segundo aJllllll e Aarão (Nm 26, 59) .
descrevendo-o como um território marcado
Tamborim n a mão, ela conduz as mulhe­
para Israel (23 , 20; l Sm 1 2, 8; Jr 7, 7) . Mais
res de Israel a uma dança da vitória.
freqüentemente os termos são lidos como
referências diretas a Monte Sião e Jerusalém • Alegoricamente, Maria é um protótipo da
- a montanha sagrada e cidade onde O rei Igreja pois ela conduz os redimidos em cânti­
cos de louvor divino. 28
Salomão vai erguer um santuário perma­
nente de Javé (Dt 1 2, 1 0- 1 1 ; 2Cr 6, 6) . De "Profetisa'': Uma porra-voz da vonta­
qualquer maneira, o destino final do Êxodo de divina para Israel (Nm 1 2, 1 -2) . Outras
corresponde ao seu principal propósito de profetisas que aparecem na Bíblia incluem
libertar Israel do Egito, para que as pessoas Debora Qz 4, 4) , Hulda (2Rs 22, 1 4) , Ana
possam adorar ao Senhor em um lugar de (Lc 2, 36) e as filhas de Filipe, o evangelista
sua escolha (3, 1 8; 5 , 3; 8, 25-28) . (At 2 1 , 9) .

Águas amargas se tornam doces 22Moisés fez Israel partir do mar Vermelho. Tomaram a direção do
-

deserto de Sur. Caminharam três dias pelo deserto sem achar água. 23Chegando a Mara, não puderam beber
a água de Mara, por ser amarga; por isso deram ao lugar o nome de Mara, Amargura. 240 povo murmurou
contra Moisés, dizendo: "Que vamos beber?" 25Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor lhe indicou um tipo
de planta que ele jogou na água, e esta tornou-se doce. Foi ali que ele deu ao povo lei e decreto e os pôs
à prova, 26dizendo: "Se de fato escutares a voz do Senhor teu Deus, se fizeres o que é reto a seus olhos,
se prestares atenção a seus mandamentos e observares todas as suas leis, não te causarei nenhuma das
enfermidades que causei aos egípcios, pois eu sou o Senhor que te curà'. 27Depois chegaram a Elim, onde
havia doze fontes de água e setenta palmeiras; eles acamparam ali perto da água.

15, 22: "deserto de Sur" - A terra árida • Alegoricamente, as águas de Mara, reno­
que se estende ao longo do topo da Penínsu­ vadas pela madeira da árvore, prefiguram as
águas do batismo, que são santificadas e dão
la do Sinai.
vida pela Cruz de Cristo. 29
� 24, 3: "não puderam beber" Um -

la.il jogo de palavras em hebraico: as águas fT1 1 5, 24: "o povo murmurou" - A ge­
de "Mara" (marah) são intragáveis porque W ração do Êxodo é conhecida por sua
são "amargas" (mar) . murmuração e reclamação, especialmente
quando está com fome ( 1 6, 2-3; Nm 1 1 ,

28 Sanro Ambrósio, Quanto àr virgens, 1 , 3, 1 2. 29 Tertuliano, Sobre o Batismo 9.

66
O livro do Êxodo

4-6) e sede ( 1 7, 2-3; Nm 20, 2-5) . Anos protegerem contra a ingratidão que iludiu os
mais tarde, Moisés vai olhar para trás e repre­ peregrinos do Êxodo ( l Cor 1 0, 6- 1 1 ) .
endê-los como "uma geração perversa e
1 5 , 27: "Elim" - Um oásis com muita
depravadà' (Dt 32, 5 ) .
sombra e água para um povo cansado. Al­
• Com base e m tipológicos paralelos encre guns localizam o local no vale fértil da Gha­
Israel e a Igreja, Paulo exorta os crentes a se randel moderna.

1 6Maná do céu - 1Toda a comunidade dos israelitas partiu de Elim e chegou ao deserto de Sin,
entre Elim e o Sinai, no dia quinze do segundo mês depois da saída do Egito. 2Toda a comunidade
dos israelitas pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, 3dizendo-lhes: "Quem dera
que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e
comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto? Para matar de fome toda esta gente?" 40
Senhor disse a Moisés: "Eu farei chover do céu pão para vós. Cada dia o povo deverá s air para recolher a
porção diária. Assim vou pô-lo à prova, para ver se anda, ou não, segundo a minha lei. 50ra, no sexto dia,
quando prepararem o que tiverem trazido, terão o dobro da colheita diárià'. 6Moisés e Aarão disseram aos
israelitas: "Esta tarde sabereis que foi o Senhor quem vos fez sair do Egito, 7e amanhã cedo vereis a glória
do Senhor. Ele ouviu as murmurações cont ra o Senhor; pois quem somos nós para que reclameis contra
nós? " 8Moisés continuou: "De fato, esta tarde o Senhor vos dará carne para comerdes, e amanhã cedo pão
com fartura, quando tiver atendido as murmurações que fizestes contra ele. Nós, porém , quem somos
nós? Vossas reclamações não são contra nós, mas contra o Senhor". 9Moisés dis se a Aarão: "Dize a toda
a comunidade dos israelitas: Aproximai-vos do Senhor, pois ele atendeu vossas reclamações". 10Enquanto

Aarão falava a toda a comunidade dos israelitas, voltaram-se estes para o deserto e viram aparecer na
nuvem a glória do Senhor. l l Q Senhor disse, então, a Moisés: 12"Eu ouvi as murmurações dos israelitas.

Dize-lhes: Ao anoitecer, comereis carne e amanhã cedo vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o
Senhor vosso Deus". 13Com efeito, à tarde veio um bando de codornizes que cobriu o acampamento; e,
pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14Quando o orvalho evaporou,
apareceram na superfície do deserto pequenos flocos, como cristais de gelo sobre a terra.'º 15Ao verem isso,
os israelitas perguntavam uns aos outros: "Man hu?" (que significa: o que é isto?), pois não sabiam o que
era. Moisés lhes disse: "Isto é o pão que o Senhor vos dá para comer. 16Eis o que o Senhor vos mandou:
Recolhei a quantia que cada um de vós necessita para comer, um jarro de quatro litros por pessoa; cada um
recolherá de acordo com o número de pessoas que moram em sua tendà'. 17Assim fizeram os israelitas. Uns
recolheram mais, outros menos. 18Mas depois, ao medirem as quantias, não sobrava a quem tinha recolhido
mais, nem faltava a quem tinha recolhido menos. Cada um recolhia o que necessitava para comer. 19Moisés
lhes disse: "Ninguém guarde nada para amanhâ'. 20Alguns, porém, desobedeceram a Moisés e guardaram o
maná para o dia seguinte; mas ele bichou e apodreceu. Moisés irritou-se contra eles. 21Manhã por manhã,
cada qual ajuntava o maná que ia comer. Mas quando o sol esquentava, o maná se derretia. 22No sexto dia
recolhiam dupla quantidade de alimento, dois jarros de quatro litros por pessoa. Os chefes da comunidade
informaram a Moisés, 23que lhes disse: "É precisamente isso que o Senhor mandou: Amanhã é sábado, dia
de repouso consagrado ao Senhor. Assai o que quiserdes assar e cozinhai o que quiserdes cozinhar, e o que
sobrar fique como reserva parà amanhâ'. 24Eles separaram o maná para o dia seguinte, e ele não apodreceu
nem bichou. 25Moisés disse: "Comei este maná hoje, pois hoje é sábado consagrado ao Senhor. Hoje não

30 1 6, 1 4 : O maná misterioso talvez tenha sido uma substância secretada por tamargueiras ou talvez por um inseto que se
alimenta de suas folhas e é comestível. No Novo Testamento, é um tipo da Eucaristia; cf. Jo 6, 3 1 -3 5 . 48-5 1 .
Cadernos de estudo bíblico

encontrareis maná no descampado. 26Ajuntareis maná durante seis dias e no sétimo, que é sábado, náo
encontrareis nadà'. 27No sétimo dia alguns saíram para recolhê-lo, mas nada encontraram. 28E o Senhor
disse a Moisés: "Até quando recusareis guardar meus mandamentos e minhas leis? 29Considerai que foi o
Senhor que vos instituiu o sábado. Por isso, no sexto dia ele vos dá páo para dois dias. Cada um fique no seu
lugar e dali náo saia no sétimo dià' . 30Assim, no sétimo dia, o povo descansou. 310s israelitas deram a esse
alimento o nome de maná. Era branco como as sementes do coentro e tinha gosto de bolo de mel. 32Moisés
disse: "O Senhor ordenou que se encha um jarro de maná para guardá-lo, a fim de que as gerações futuras
possam ver com que alimento vos sustentei no deserto, quando vos fiz sair da terra do Egito". 33Moisés
disse a Aaráo: "Toma um vaso, enche-o com um jarro de maná e deposita-o diante do Senhor, para que seja
guardado para as gerações futuras". 34Como o Senhor tinha mandado a Moisés, Aaráo depositou o maná
para que fosse guardado diante do documento da aliança. 350s israelitas comeram maná durante quarenta
anos, até entrarem em terra habitada. Comeram maná até chegarem às fronteiras de Canaá. 36(0 jarro é a
décima parte do efá.)

1 6, 3: Ex 1 4, 1 2; 1 7 , 3 . 16, 4. 13: Jo 6, 3 1 . 16, 18: 2Cor 8 , 1 5.

COMENTÁRIOS

1 6, 1: "deserto de Sin" Ao longo do de acumular ( 1 6, 1 8) . O maná é conhecido


-

flanco sudoeste da Península do Sinai. AI- na Bíblia como o "pão do céu" e o «pão dos
guns cogitam que Sin seja uma abreviação anjos» (SI 78, 24-25 ; cf. Sb 1 6, 20) .
para Sinai, mas a referência a este último em
Recordando essa providência no deserto,

1 9, 2 sugere que os dois são distintos. Em


Jesus declara-se o verdadeiro maná que des­
todo caso, Sin não significa "pecado" . ce do Céu na Eucaristia Qo 6, 30-59) . Paulo
"No dia quinze": Exatamente um mês também faz esta interpretação sacramental
depois que Israel partiu do Egito na noite de ( l Cor 1 0 1 -6; CIC 2837) . ,

Páscoa (Nm 33, 3) .


"A minha lei": Expressa nos três manda­
16, 2: "pôs-se a murmurar" Queixa mentos do maná que se seguem: Israel deve
-

ingrata é o pecado constante da geração do ( 1 ) recolher o maná cada manhã ( 1 6, 1 6) ,


Êxodo. Aqui os resmungos das pessoas de­ (2) recolher um dia d e provisão extra a cada
senvolvem uma acusação audaz contra Moi­ seis dias para ser comido no sábado ( 1 6, 23)
sés ( 1 6, 3) . Ver comentário em 1 5 , 24. e (3) encher um jarro de maná como teste­
LJJ � 16, 4: " [ ] ...
munha para as gerações futuras ( 1 6, 32) .
do céu pão" -

aall Maná, uma substância branca • Moralmente, a deterioração do maná ensi­


desconhecida para os israelitas ( 1 6, 1 5) que na-nos a não acumular os prazeres e posses
se espalha como flocos sobre o chão todas as deste mundo, pois ela nos mostra como a co­
manhãs ( 1 6, 1 4) . O Senhor providenciou biça se torna condenável e logo se transforma
em corrupção . 3 '
uma provisão diária de maná para alimentar
os filhos de Israel, até chegarem a Canaã (Js
5 , 1 2) . Com a oferta sempre abundante, nin­
guém passou fome e não havia necessidade 31
São João Crisóstomo, Homilias sobre 1 Coríntios 40, 5 .

68
O livro do Êxodo

16, 13: "codornizes" - Conhecidas por para que Israel possa descansar da rotina di­
passar sobre a península do Sinai durante ária de recolha.
migrações sazonais entre a Europa e a Ará­ 16, 3 1 : "coentro" - Uma pequena se­
bia. Elas desciam sobre o acampamento para mente aromática conhecida na região.
satisfazer o desejo do povo por carne ( 1 6, 3) .
16, 34: "aliança'' - As tábuas de pedra da
Para um episódio semelhante, ver N m 1 1 ,
lei (34, 28) , que são posteriormente arma­
3 1 -33.
zenadas dentro da arca da aliança (2 5 , 1 6) .
16, 15: "O que é isto?" - A pergunta em Uma urna d e ouro d o maná fo i mantida na
hebraico ( man hu) faz um j ogo de palavras arca também (Hb 9, 4) .
com o termo manna ( man) em 1 6, 3 1 . 16, 35: "quarenta anos" - A duração das
16, 23: "sábado" - Um decreto da cria­ peregrinações de Israel no deserto. O Senhor
ção (Gn 2, 3) que em breve será codificado interrompe o fornecimento de maná quando
no Decálogo (20, 8- 1 1 ) . Como no Gênesis, as pessoas atravessam Canaã e começam a co­
o Senhor dá o exemplo para sua observância: mer o fruto da terra Qs 5, 1 2) . Para o signi­
Ele deixa de distribuir o maná no sétimo dia, ficado do número "40", ver Nm 14, 34-3 5 .

1 7Água do rochedo 'Toda a comunidade dos israelitas partiu do deserto d e Sin, seguindo as etapas
-

indicadas pelo Senhor, e acamparam em Rafidim. Mas ali não havia água para o povo beber. 2Então
o povo pôs-se a discutir com Moisés, dizendo: "Dá-nos água para beber!" Moisés respondeu-lhes:
"Por que vos meteis a disputar comigo? Por que pondes à prova o Senhor?" 3Mas o povo, sedento de água,
murmurava contra Moisés e dizia: "Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para matar-nos de sede j unto com
nossos filhos e nossos rebanhos?" 4Moisés clamou ao Senhor, dizendo: "Que vou fazer com este povo? Por
pouco não me apedrejam". 50 Senhor disse a Moisés: "Passa à frente do povo e leva contigo alguns anciãos
de Israel. Pega a vara com que feriste o rio Nilo e vai. 6Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte
Horeb. Baterás no rochedo, e sairá água para o povo beber". Moisés assim o fez na presença dos anciãos de
Israel. 7Chamou o lugar com o nome de Massa e Meriba, Prova e Discussão, porque ali os israelitas discutiram
e puseram à prova o Senhor, dizendo: "O Senhor está no meio de nós, ou não?"

COMENTÁRIOS

17, 1: "Rafidim" - Um vale no sul do "Baterás no rochedo": A ação faz com


Sinai comumente identificado com Wadi que água fresca jorre da rocha para os pere­
Feiran ou Wadi Refld. grinos ressequidos e irritados (SI 78 , 1 5- 1 6) .
17, 3: "murmurava'' - Esta é a terceira Segundo a tradição judaica, o rochedo de
vez que os israelitas se lamentam sobre os Horeb foi levado pelos israelitas através do
seus desconfortos desde que deixaram o Egi­ deserto como uma fonte constante de refres­
to como uma nação livre ( 1 5 , 24; 1 6, 2) . co (cf Is 48, 2 1 ) .

rT'l 17, 6: "Horeb" - Para este local e sua • Para Paulo , a rocha significa Cristo, que
satisfaz a nossa sede espiritual na Eucaristia
LlU relação com o Sinai, ver comentário (1 Cor 1 O , 4) e pelas águas vivificantes do Es-
em 3, 1 .
Cadernos de estudo bíblico

pírito no batismo ( l Cor 1 2 , 1 3) . Esta tipo­ "Meribà': Significa "contenção" e lem­


logia do deserto, em última análise, remontabra que Israel atacou Moisés e questionou a
a Jesus (Jo 4, 1 4 ; 6, 3 5 - 5 9 ; 7, 37-39; CIC
bondade de Deus. Todo o evento se destaca
694) .
como uma advertência contra tentar o Se­
17, 7: "Massa" - Significa "teste" e recor­ nhor e endurecer o coração à sua palavra (SI
da como Israel colocou Deus à prova. 9 5 , 8-9; CIC 2 1 1 9) .

Amalec ataca Israel e é derrotado -"Então os amalecitas vieram combater contra os israelitas em Rafidim.
9Moisés disse a Josué: "Escolhe alguns homens e sai para combater contra os amalecitas. Amanhã estarei
de pé no alto da colina com a vara de poder divino na mão" . 1ºJosué fez o que Moisés lhe tinha mandado
e atacou os amalecitas, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao topo da colina. 1 1 Enquanto mantinha
a mão levantada, Israel vencia, mas quando abaixava a mão, vencia Amalec. 12Como as mãos de Moisés se
tornassem pesadas, alguns pegaram uma pedra e a colocaram debaixo dele para que se sentasse. Aarão e
Hur, um de cada lado, sustentavam-lhe as mãos. Assim as mãos ficaram firmes até o pôr do sol, 13e Josué
derrotou Amalec e sua gente a fio de espada. 140 Senhor disse a Moisés: "Escreve isto para recordação num
livro e comunica a Josué que eu apagarei a lembrança de Amalec debaixo do céu". 15Moisés ergueu um altar
e deu-lhe o nome "o Senhor é meu estandarte", 1 6dizendo: "Levantou a mão contra o trono do Senhor, por
isso o Senhor estará em guerra contra Amalec, de geração em geração" .

17, 4: Dt 2 5 , 1 7- 1 9; I Sm 1 5 , 2-9.

17, 8: "amalecitas" Os amalecitas eram mundo bíblico (9, 33; l Rs 8 , 22; SI 44, 20) .
-

um povo nômade da Península do Sinai (Gn Lembrar também que Javé libertou Israel
1 4, 7; Nm 1 3 , 29) . dos exércitos do Egito quando Moisés er­
17, 9: "Josué" O sucessor de Moisés.
-
gueu o cajado ( 1 4, 1 6. 2 1 . 26) , assim como
Seu nome foi mudado de Oséias, que signi­ ele faz aqui ( 1 7, 8- 1 3; CIC 2577) .
fica "salvação" , para Josué, que significa "Se­ •Alegoricamente, Moisés faz o sinal da cruz.
nhor é salvação" (Nm 1 3, 1 6; Eclo 46, 1 ) . É uma semelhança ao Senhor estendendo os
Josué está aqui sendo preparado para servir braços até pouco antes do pôr do sol. 31
como o comandante militar que lidera Israel
em sua guerra santa contra Canaã. 17, 15: "meu estandarte" - O Senhor
é comparado a um estandarte militar levado
17, 10: "Hur" - Aparentemente o ho­
para a guerra.
mem da tribo de Judá, cujo neto, Beseleel,
torna-se o principal artesão da morada no 17, 16: "em guerra contra Amalec" -

deserto (3 1 , 1 - 1 1 ) . Para instruções semelhantes, ver Nm 24, 20


e Dt 25 , 1 7- 1 9 .
lJJ 17, 12: " sustentavam-lhe as mãos"
-Aarão e Hur elevam os braços de
Moisés até o final da batalha. Levantar as
mãos era uma postura comum de oração no
32 São Justino Mártir, Diálogo com Trifáo 97.
O livro do Êxodo

18 Conselho de Jetro a Moisés - 1Jetro, sacerdote de Madiã e sogro de Moisés, ouviu falar de
tudo quanto Deus tinha feito em favor de Moisés e de Israel, seu povo, quando o Senhor fizera
Israel sair do Egito. 2Quando Moisés tinha mandado de volta Séfora, sua mulher, Jetro, sogro
de Moisés, a acolhera, 3junto com os dois filhos. Um se chamava Gérson, porque Moisés havia dito:
"Tornei-me hóspede em terra estrangeira"; 40 outro se chamava Eliezer, pois Moisés havia dito: "O Deus
de meu pai veio em meu socorro e salvou-me da espada do faraó". 5Acompanhado da mulher e dos filhos,
Jetro, seu sogro, foi visitá-lo no deserto, onde Moisés estava acampado no monte de Deus. 6Mandou dizer
a Moisés: "Eu sou Jetro, teu sogro; estou indo visitar-te com tua mulher e os dois filhos". 7Moisés saiu ao
encontro do sogro e, prostrando-se, o beijou. Em seguida, depois de mútua saudação, os dois entraram
na tenda. ªMoisés contou ao sogro tudo quanto o Senhor tinha feito ao faraó e aos egípcios por causa de
Israel, as dificuldades que encontraram no caminho, e como o Senhor os salvara. 9Jetro alegrou-se por todo
o bem que o Senhor tinha feito a Israel salvando-o das mãos dos egípcios 1 0e disse: "Bendito seja o Senhor
que vos salvou das mãos dos egípcios e do poder do faraó. 1 1Agora sei que o Senhor se mostrou maior do
que todos os deuses, libertando o povo dos egípcios, quando agiram com arrogância contra eles" . 12Jetro,
sogro de Moisés, ofereceu um holocausto e sacrifícios a Deus. Aarão e todos os anciãos de Israel vieram
comer com ele na presença de Deus. 13No dia seguinte Moisés sentou-se para julgar as questões do povo, e
o povo ficou diante dele desde a manhã até a tarde. 14Vendo tudo o que fazia pelo povo, o sogro de Moisés
disse: "Que estás fazendo com o povo? Por que apenas tu ficas aí sentado, com tanta gente parada diante
de ti desde a manhã até à tarde?" 1 5Moisés respondeu ao sogro: "É que o povo vem a mim para consultar a
Deus. 16Quando têm alguma questão, vêm a mim para que decida e lhes comunique os decretos e as leis de
Deus". 17Mas o sogro de Moisés disse-lhe: "Não está bem o que fazes. 18Acabarás esgotado, tu e este povo
que está contigo. É uma tarefa acima de tuas forças. Não poderás executá-la sozinho. 19Agora escuta-me:
vou dar-te um conselho, e que Deus esteja contigo. Tu deves representar o povo diante de Deus e levar a
Deus os problemas. 20Esdarece o povo a respeito dos decretos e das leis, e dá-lhe a conhecer o caminho a
seguir e o que devem fazer. 21Mas procura entre todo o povo homens de valor, que temem a Deus, dignos
de confiança e inimigos do suborno, e estabelece-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.
22Eles j ulgarão o povo em casos cotidianos. A ti levarão as questões de importância maior, decidindo eles
mesmos as menores. Assim eles repartirão contigo o peso e tu ficarás aliviado. 23Se assim procederes, serás
capaz de manter-te de pé quando Deus te der ordens, e o povo poderá chegar em segurança a seu destino".
24Moisés atendeu ao conselho do sogro e fez tudo o que ele disse. 25Escolheu entre todo o povo homens de
valor e colocou-os à freme do povo como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. 26Eles j ulgavam o
povo em casos cotidianos. Levavam a Moisés as questões mais graves, resolvendo eles mesmos as menores.
27Moisés despediu-se do sogro, e este voltou para sua terra.

18, 3-4: Ar 7, 29.

COMENTÁRIOS

1 8, 1: "Jetro" Um chefe madianita e


- 18, 5: "o monte" Os israelitas ainda -

sacerdote, também chamado Reuel (2, 1 8) . não chegaram na base do Monte Horeb /
Moisés casou com uma de suas sete filhas, Sinai (compare 1 8 , 5 com 1 9, 2) . Assim, pa­
Séfora (2, 2 1 ) . rece que a ida de Jetro a Moisés prossegue
1 8, 3 : "Gérson" O primogemto de a história, embora cronologicamente ocorra
-

Moisés. Ver comentário em 2, 22. em um momento posterior.

1 8, 4: O nome é um com­
"Eliezer" -
1 8, 1 1 : "maior do que todos os deu­
posto de "meu Deus" ( eli) e a palavra "so­
'
ses" O Êxodo demonstra que o Deus de
-

corro" ( ezer) . Israel é mais poderoso do que os deuses e

71
Cadernos de estudo bíblico

deusas dos egípcios. Jetro presumivelmen­ "Comeu com ele": pode sugerir que Is­
te compartilha a crença antiga do Oriente rael forja uma aliança de parentesco e de paz
Médio em várias divindades; no entanto, mútua com os madianitas. Compartilhar
reconhecer o Deus de Moisés como o maior uma refeição era uma maneira típica de ra­
de todos é o primeiro passo do politeísmo tificar essa aliança nos tempos bíblicos (24,
ao monoteísmo israelita - a crença de que 1 1 ; Gn 26, 30; 3 1 , 54) .
o Senhor é o único Deus verdadeiro (Is 4 5 , 1 8, 13-27: Moisés delega autoridade j u­
2 1 -22) . Para a supremacia d o Senhor sobredicial para membros competentes das tribos.
os ídolos do Egito, ver o Quadro : As pragas Ao fazê-lo, um novo sistema de tribunais é
do Egito em Ex 7. estabelecido para lidar com disputas civis na
1 8, 12: "ofereceu u m holocausto e proporção da gravidade das petições. O có­
sacrifícios" - Provavelmente ofertas de ação digo da aliança nos capítulos 2 1 -23 descre­
de graças para o resgate bem sucedido dos ve os estatutos legais e penalidades em vigor
povos. neste tempo.

19 Os israelitas chegam no Sinai 1 No terceiro mês depois da saída do Egito, nesse mesmo dia,
-

os israelitas chegaram ao deserto do Sinai. 2Partindo de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai,


onde acamparam. Israel acampou ali, diante da montanha, 3enquanto Moisés subiu ao encontro
de Deus. O Senhor o chamou do alto da montanha e disse: "Assim deverás falar à casa de Jacó e anunciar
aos israelitas:33 4Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim. 5Agora,
se realmente ouvirdes minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida entre
todos os povos. Na realidade é minha roda a terra, 6mas vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma
nação santa. São essas as palavras que deverás dizer aos israelitas". 7Veio Moisés e, convocando os anciãos
do povo, comunicou-lhes as palavras que o Senhor lhe ordenara repetir. 8E rodo o povo respondeu a uma
voz: "Faremos tudo o que o Senhor disse" . Moisés referiu ao Senhor as palavras do povo. 9E o Senhor disse
a Moisés: "Virei a ti em nuvem escura, para que o povo ouça quando eu falar contigo e creia sempre em ti".
Depois que Moisés transmitiu ao Senhor a resposta do povo, 100 Senhor lhe disse: "Vai ao povo, santifica­
os hoje e amanhã. Que lavem as suas vestes 1 1 e estejam prontos para o terceiro dia, pois nesse dia o Senhor
descerá à vista de todo o povo sobre a montanha do Sinai. 12Fixarás em torno da montanha um limite para
o povo, dizendo: Guardai-vos de subir a montanha e até de tocar sua base. Quem tocar na montanha será
morto, 13sem que o roque mão alguma; deverá ser morto a pedradas ou a flecha. Seja pessoa ou animal,
não deverá ficar com vida. Só quando soar a trombeta poderão subir a montanhá' . 14Moisés desceu da
montanha até onde estava o povo. Santificou-os e mandou que lavassem as vestes. 15Depois disse ao povo:
"Estai preparados para o terceiro dia, e ninguém se aproxime de mulher" .

19, S-6: Dr 7, 6; 1 4 , 2. 2 1 ; 26, 1 9; Tm 2, 1 4 ; ! Pd 2, 9; Ap 1 , 6; 5, 1 0 . 19, 12-19: Hb 1 2, 1 8-20.

COMENTÁRIOS

19, 1-24, 18: Israel se reúne no Sinai 1 7) . As pessoas testemunham seu poder
para encontrar o seu divino Redentor ( 1 9 , (cap. 1 9) , recebem os seus mandamentos
(caps. 20-23) , e aceitam os termos da sua
33 A aliança torna Israel o povo de Deus e o obriga a cum­
prir os mandamentos; isso se conclui no capículo 24. aliança em uma cerimônia sacrificial (cap.

72
O livro do Êxodo

24) . Moisés sobe e desce a montanha várias 1 2, 3; 22, 1 8) . A vocação para a mediação
vezes para mediar o intercâmbio entre Javé sacerdotal está ligada com a identidade rela­
acima e Israel abaixo ( 1 9, 3. 7-8 . 1 4 . 20. 2 5 , cional d e Israel como "primogênito" d o Se­
etc.) . nhor (4, 22) , na medida em que primogêni-
19, 1: "terceiro mês" O terceiro mês,
-
tos nos tempos antigos normalmente
que inicia a sétima semana após a Páscoa e o sucediam seus pais como governantes e líde­
começo do Êxodo. res espirituais de suas famílias (ver Ensaio
sobre um Tópico: Bênçãos e Primogenitura
"Deserto do Sinai": Engloba o monte
em Gn 48) . O padrão de serviço real-sacer­
sagrado, tradicionalmente localizado no sul
dotal primogênito ocorre várias vezes nas
da Península do Sinai. Israel acampa ali pelos
Escrituras: Adão, o primogênito da raça hu­
próximos 1 1 meses e não retoma a viagem
mana, a quem foi concedido domínio real e
em direção a Canaã até Nm 1 0, 1 1 - 1 2. Ver
sacerdotal sobre a criação (cf. Gn 1 , 26 e co­
comentário em 3, 1 e Quadro: Cronologia
mentário em Gn 2, 1 5) ; Israel, a nação pri­
do Êxodo em Nm 7.
mogênita de Deus é designada como um
19, 5: "se [ ] guardares" A proposta
... -
reino de sacerdotes para servir a irmandade
da aliança é condicional. Para experimentar
das nações (Ex 1 9, 6) ; Davi, o primogênito
suas bênçãos e benefícios, Israel deve aderir à
sobre os reis da Terra (Sl 89, 27) , serviu
aliança conforme apresentada no Decálogo e
como um sacerdote real sobre o reino de Is­
no código da aliança (caps. 20-23) .
rael (2Sm 6, 1 7) ; e Jesus Cristo, o primogê­
''A porção escolhida": por eleição divi­ nito sobre a criação (Cl 1 , 1 5) , reina para
na, Israel é estimado e amado de uma ma­ sempre como o Rei e Sumo Sacerdote do
neira especial (Dt 7, 6-7; Jr 3 1 , 3; Rm 1 1 , Céu e da Terra (Hb 8, 1 -6; Ap 1 9, 1 6; CIC
28) . Essa circunstância de nação mais favo­ 63) . Ver Ensaio sobre um Tópico: Sacerdócio
recida é um grande privilégio, mas vem com no Antigo Testamento em Nm 1 8 .
as responsabilidades descritas no versículo
Paulo acusa Israel bíblico de fracassar n a sua
seguinte (CIC 28 1 0) . Ver o Estudo da Pala­ •

vocação missionária devido às suas violações


vra: Posse em Dt 7, 6.
da aliança (Rm 2, 1 7-24) . A vocação de Is­
lJj 19, 6: "reino de sacerdotes" - Israel
rael é finalmente e plenamente realizada no
Messias (Lc 2, 32) , cuja graça permite à Igreja
é escolhida das nações para uma mis­
participar de sua missão sacerdotal e real para
são especial às nações. A declaração no Sinai o mundo (Mt 5, 1 4 ; At 1 3, 47; l Pe 2, 9; Ap
equivale a uma vocação nacional ( 1 ) para ser 1 , 6; 5 , 9- 1 0 ; CIC 762) .
formada em santidade (Lv 1 9, 1 -2) e (2) para
servir como um mediador sacerdotal e mis­ 19, 1 5 : "ninguém se aproxime de mu­
sionário a fim de levar o mundo para mais lher" - Abstinência temporária de atividade
perto de Deus (ver Dt 4, 6-8; Is 42, 6; 49, 6) . sexual é uma preparação para a atividade sa­
Israel recebe esta chamada quando a descen­ gradaO (cf. l Sm 2 1 , 5 ) . Isso antecipa o prin­
dência de Abraão é nomeada para carregar as cípio levítico que as relações sexuais resultam
bênçãos do Senhor para todas as nações (Gn em impureza ritual (Lv 1 5 , 1 8) .

73
Cadernos de estudo bíblico

Deus fala a Moisés da montanha '6Quando chegou o terceiro dia, ao raiar da manhã, houve trovões e
-

relâmpagos. Uma nuvem espessa cobriu a montanha, e um forríssimo som de trombetas se fez ouvir. No
acampamento rodo o povo se pôs a tremer. 17Moisés fez sair o povo do acampamento ao encontro de Deus,
e eles ficaram parados ao pé da montanha. 18Todo o monte Sinai fumegava, pois o Senhor havia descido
sobre ele em meio ao fogo. A fumaça subia como de uma fornalha, e rodo o monte tremia violentamente.
190 som da trombeta ia aumentando cada vez mais. Moisés falava, e o Senhor lhe respondia através do
trovão. 200 Senhor desceu sobre o Sinai, sobre o cume do monte. O Senhor chamou Moisés ao cume do
monte, e Moisés subiu. 21Então o Senhor disse a Moisés: "Desce e adverte o povo para não se precipitar
na direção do Senhor para vê-lo, pois muitos morreriam. 22Mesmo os sacerdotes que se aproximam do
Senhor devem santificar-se, para que o Senhor não se volte contra eles" . 23Moisés disse ao Senhor: "O
povo não pode subir ao monte Sinai, pois tu mesmo assim nos advertiste: delimita a montanha e declara-a
santa!" 240 Senhor insistiu: "Vai, desce, e depois subirás com Aarão. Mas os sacerdotes e o povo não devem
precipitar-se para subir na direção do Senhor, do contrário o Senhor se voltará contra eles". 25Então Moisés
desceu para j unto do povo e lhes falou.

19, 16-25: A teofania do Sinai revela a ma forma de sacerdócio reconhecido existiu


glória e a grandeza do Senhor (De 5 , 23-24) . em Israel antes da investidura do sacerdócio
A cena combina elementos de tempestade, de Aarão, que não aconteceria até dez me­
vulcão e terremoto. O propósito dessa po­ ses depois (40, 1 . 1 2- 1 7; Lv 8, 1 -36) . Parece
derosa exibição é encher o coração de Israel provável que os sacerdotes em questão são os
com um santo temor de Deus (20, 1 8-20; primeiros filhos que foram consagrados ao Se­
CIC 707, 208 5 ) . nhor sete semanas mais cedo ( 1 3, 1) na noite
19, 22: "os sacerdotes" - Indica que algu- de Páscoa (ver comentário em 1 3, 2) .

NOTAS NOTAS

74
O livro do Êxodo

2O
Os dez mandament.os 1 Deus pronunciou todas esras palavras: 2"Eu sou o Senhor reu
-

Deus, que re tirou do Egito, da casa da escravidão. 3Não rerás outros deuses além de mim.
4Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que exisre em cima nos céus, ou
embaixo na rerra, ou nas águas debaixo da rerra. 5Não re prosrrarás diante dos ídolos, nem lhes presrarás
culto, pois eu sou o Senhor reu Deus, um Deus ciumento. Casrigo a culpa dos pais nos filhos aré a
terceira e quarra geração dos que me odeiam, 6mas uso de misericórdia por mil gerações para com os que
me amam e guardam os meus mandamentos. 7Não pronunciarás o nome do Senhor reu Deus em vão,
porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. 8Lembra-re de santificar
o dia do sábado. 9Trabalharás durante seis dias e farás todos os trabalhos, ' ºmas o sérimo dia é sábado,
descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem reu filho, nem tua filha,
nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. 1 1 Porque
em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou.
Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. 12Honra teu pai e tua mãe, para que vivas
longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. 13Não cometerás homicídio. 14Não cometerás
adultério. 1 5Não furtarás. 16Não darás falso resremunho contra o teu próximo. 17Não cobiçarás a casa do
teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi,
nem seu j umento, nem coisa alguma do que lhe perrença" . 34 180 povo todo presenciou os trovões, os
relâmpagos, o som da trombeta e a montanha fumegando. À vista disso, o povo permaneceu ao longe,
rremendo de pavor. 19Disseram a Moisés: "Fala-nos tu, e te escutaremos. Mas que não nos fale Deus,
do contrário morreremos" . 20Moisés respondeu: "Não temais, pois Deus veio para vos provar, para que
renhais sempre presente o temor de Deus e não pequeis" .

20, 2-17: Dr 5, 6-2 1 . 20, 3: Ex 20, 23; Dr 5, 7. 20, 4: Ex 20, 23; 34, 1 7; Lv 1 9, 4; 26, l ; Dr 4, 1 5- 1 9; 5, 8; 27, 1 5 . 20, 5-6: Ex 23, 24; 34,
6. 7. 14; Dr 4, 24; 5 , 9 - 1 0 ; 7, 9. 20, 7: Lv 1 9 , 1 2; Dr 5, 1 1 . 20, 8: Ex 23, 1 2; 3 1 , 1 2- 1 7 ; 34, 2 1 ; 35, 2-3; Lv 1 9, 3; D r 5 , 1 2- 1 5 . 20, 1 2 - 1 6:
Mr 1 9 , 1 8- 1 9; Me 1 0, 1 9; Lc 1 8 , 20. 20, 12: Lv 1 9, 3; Dr 5, 1 6; Mr 1 5 , 4; Me 7, 1 0; Ef 6, 2. 20, 13: Gn 9, 6; Ex 2 1 , 1 2 ; Lv 24, 1 7 ; Dr 5 ,
1 7 ; M r 5 , 2 1 ; T g 2, 1 1 . 20, 13-17: Rm 1 3, 9. 20, 1 4 : L v 2 0 , 1 0; Dr 5 , 1 8 ; M r 5 , 2 7 ; Rm 7. 7. 20, 1 5 : L v 1 9, l i ; Dr 5 , 1 9 . 20, 1 6 : E x 23, l ;
D t 5, 2 0 . 20, 1 7 : Dr 5 , 2 1 ; Rm 7, 7 .

COMENTÁRIOS
20, 1-23, 33: Dois códigos de leis que na terra de Canaã (Dt 4, 1 4) .
estipulam os termos da aliança do Sinai. ( 1 ) 20, 1-17: O Decálogo, o u o s Dez Man­
O Decálogo é uma expressão d a lei universal damentos (CIC 2056-63) . Inscritas nas duas
que é obrigatória para todas as pessoas em tábuas de pedra (3 1 , 1 8) , estas leis esboçam
todos os momentos, independentemente os dois preceitos da caridade: o amor a Deus
da idade, sexo, classe social, ou circunstân­ (mandamentos 1 -3) e o amor ao próximo
cia (20, 1 - 1 7) . Ele reitera os preceitos da lei (mandamentos 4- 1 0) . Além disso, há duas
natural gravada no coração (Rm 2, 1 4- 1 5 ; questões que exigem esclarecimento para os
CIC 2070-72) . (2) O Código d a Aliança é leitores cristãos. ( 1 ) Há alguma questão so­
um corpo de jurisprudência que regula os bre a correta divisão dos mandamentos, já
assuntos internos da sociedade israelita. Ele que o Êxodo define o número em dez (34,
trata de circunstâncias específicas, prescreve 28) , mas quatorze mandamentos são apre-
sanções específicas para a infração, e foi con­
34 20, 1 - 1 7: Os Dez Mandamentos, em sua forma original
cebido para governar a vida futura de Israel
ainda mais breve do que aqui, são encontrados em uma
versão diferente em Dt 5, 6-2 1 .

75
Cadernos de estudo bíblico

sentados. Católicos e luteranos lêem 20, 3-6 descrições literárias de Deus que fazem uso
como o primeiro mandamento e separam de linguagem antropomórfica ou figurativa.
20, 1 7 nos mandamentos nono e décimo
A vinda de Jesus como a verdadeira "ima-
(seguindo as preferências de Santo Agosti­

gem" de Deus introduz uma nova organiza­


nho para a seqüência invertida de "esposa" , ção de culto que transcende esta restrição da
e m seguida, "casa'' , como em Dt 5 , 2 1 ; CIC aliança do Sinai (CI 1 , 1 5) . Uma vez que o Pai
2066) . A ortodoxia oriental, j untamente fez-se visível no Filho Qo 1 4 , 9), a Igreja crê
com a maior parte da tradição protestante, que pode descrever corretamente sua imagem
considera 20, 4-6 como o segundo manda­ de formas visíveis e artísticas. Anjos e santos
mento, em vez de parte do primeiro e inter­ também podem ser reproduzidos iconogra­
preta os dois mandamentos em 20, 1 7 como ficamente na medida em que a imagem de
Cristo brilha através deles. A adequação da
um único preceito contra a cobiça. Todas as
arte sacra e sua ligação com a Encarnação foi
tradições interpretam 20, 8- 1 1 como um
afirmada pelo Concílio de Nicéia, em 787
único liminar sobre a observância do sába­ (CIC 1 1 59-62, 2 1 29-32) .
do. (2) O cristianismo, começando com o
ensinamento de Jesus em Mt 5 , 2 1 -48, ge­ "Nas águas debaixo da terra'': A cos­
ralmente amplia o escopo dos mandamentos mologia semita imaginou um oceano sub­
para além do que foi originalmente conce­ terrâneo abaixo da superfície sólida da Terra
bido no Sinai. Isso se deve a vários aspectos (chamado de "profundezà' ; Gn 07, 1 1 ; Dt
morais e teológicos da revelação cristã que 33, 1 3 ; Jn 2, 5 ) . É por isso que os autores
excedem os padrões de fé e de vida defini- das Escrituras às vezes descrevem o mundo
dos para Israel: "Porque a lei foi dada por como uma estrutura de três camadas com o
Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus céu acima, terra abaixo, e uma região infe­
Cristo" (Jo 1 , 1 7) . rior debaixo da terra (Fl 2, 1 0; Ap 5, 3) . O
20, 2-6: O primeiro mandamento orde- mandamento proíbe, assim, retratar Deus
na o monoteísmo. O Senhor exige adoração na forma física de qualquer coisa no céu, na
exclusiva do seu povo e se recusa a tolerar terra, ou debaixo da terra ("águas debaixo da
qualquer culto a outros deuses (Dt 6, 1 3- 1 4) terrà') , isto é, sob a forma de qualquer coisa
ou a confecção de ídolos (Lv 26, 1 ) . Juntos, da ordem criada visível.
monoteísmo e culto sem imagens tornam a 20, 5: "não te prostrarás" Prostrar-se
_

religião de Israel radicalmente diferente dos é aqui entendido como um ato de adoração
cultos pagãos do mundo bíblico (CIC 2084- diante de um ídolo. O mandamento não
2 1 32) . proíbe - ou mesmo imagina - honrar outra
� 20, 4: "nem figura alguma do que pessoa com tal gesto.
laall existe" Proíbe representações do
- 20, 7: O segundo mandamento proíbe
Senhor na forma de material , à imagem de o uso irreverente do nome divino, especial­
qualquer criatura viva (Dt 4, 1 5 - 1 8) . Tem mente em contextos jurídicos em que perj ú­
em vista o perigo de formar um ídolo; o rio profana o nome de Deus, invocado por
mandamento não proíbe tais coisas como juramento. Além disso, introduzir o nome
O livro do Êxodo

divino em discurso abominável, odioso, ou são abrangidos pelo preceito na medida em


blasfemo é abusar dele e ofender o Senhor que outros fatores que ameaçam o bem co­
que o carrega (CIC 2 1 42-59) . mum das pessoas e das sociedades entram
em jogo. A Escritura insiste que a vida hu­
� 20, 8-1 1 : O terceiro mandamento mana é sagrada, porque os seres humanos
.. exige o sábado de descanso para as fa­ carregam a imagem de seu Criador (Gn 9,
mílias e rebanhos. O dia é separado como
5-6; CIC 225 8-83) .
um memorial da criação do mundo (Gn 2,
1 -3) e da redenção de Israel (Dt 5, 1 5) . Tão fT1 20, 14: O sexto mandamento proíbe
importante é esse mandamento que o Êxodo IJU a infidelidade conj ugal, que constitui
o repete seis vezes ao longo do livro ( 1 6, 26- uma ofensa contra Deus, uma violação da
30; 20, 8- 1 1 ; 23, 1 2; 3 1 , 1 2- 1 7; 34, 2 1 ; 3 5 , confiança do cônj uge, e um rompimento da
2-3; CIC 2 1 68-72) . Ver comentário sobre exclusividade do casamento. Na catequese
Gn 2, 2. tradicional, a proibição abrange um espectro
de pecados sexuais, tais como fornicação,
•Os cristãos cumprem o descanso do sábado
prostituição, estupro, incesto, etc. (CIC
ao observar o descanso dominical. Dois fa­
tores contribuem para a mudança do sábado 233 1 -9 1 ) .
para o dia do Senhor no ritmo litúrgico da
• Jesus ampliou a definição Mosaica de adul­
semana: ( 1 ) o domingo recorda o dia em que
tério para incluir não apenas o ato de união
Jesus ressuscitou dos mortos (Lc 24, 1 -5 ) , e
sexual com a esposa de outro, mas também
(2) a morte e ressurreição de Jesus geram uma
pensamentos de luxúria que surgem no cora­
nova criação (2Cor 5, 1 7; Ap 2 1 , 5) e uma
ção (Mt 5, 27-28) . Assim também, Jesus de­
nova redenção (Ef 1 , 7; Ap 5, 9- 1 O) que supe­
clarou que o novo casamento após o divórcio
ram a velha ordem imortalizada pelo sábado.
é uma forma de adultério quando o primeiro
O culto de domingo pode ser rastreado até
cônjuge ainda está vivo (Mt 5, 32; Me 1 0,
os primeiros dias do cristianismo, de acor­
1 1 - 1 2) .
do com as Escrituras (At 20, 7; Ap 1 , 1 0) ,
bem como o s escritos cristãos antigos3 5 (CIC 20, 1 5: O sétimo mandamento proíbe
2 1 75-76) .
apanhar pertences de outra pessoa a con­
20, 1 2: O quarto mandamento exige tragosto. Outras formas de roubo, inclusive
que os filhos tratem respeitosamente os pais, extorsão, fraude e salários inj ustos, também
obedeça-os fielmente, e cuide deles material­ são proibidos por este mandamento (CIC
mente (Eclo 3, 3-7; 7, 27-28; Ef 6, 1 -3 ; CIC 240 1 -49) .
2 1 97-2220) . 20, 1 6: O oitavo mandamento proíbe
20, 13: O quinto mandamento proíbe a discurso enganador e desonesto. Pecados
matança de pessoas inocentes (23, 7) . Casos da língua proibidos por este mandamento
em que vidas são tomadas na guerra, legíti­ incluem a mentira, a calúnia, e o perjúrio
ma defesa, e pena de morte geralmente não (CIC 2464-2503) .

fT1 20, 17: Os mandamentos nono e dé­


35 Didaquê 14, 1 ; Santo Inácio d e Antioquia, Magnesians
9, ! ; S. Justino Mártir, Primeira apologia 6 7 .
IJU cimo proíbem desejar a casa e/ou o

77
Cadernos de estudo bíblico

cônj uge do próximo. A formulação desses como a impureza (Ef 5 , 3; CIC 1 456, 25 1 4-
preceitos reflete o fato de que, na antiga Isra­ 50) .
el, a esposa de um homem era considerada
20, 19: "Fala-nos tu" - As pessoas ame­
um dos seus bens.
drontadas nomeiam Moisés para ser o me­
• De acordo com o Novo Testamento, a co­ diador do discurso de Deus para Israel (24,
biça é uma forma de idolatria (Cl 3, 5 ) , bem 3; Dt 5, 23-27) .

Deus apresenta a Moisés a lei do sacrifício 21E o povo manteve-se a distância, enquanto Moisés
-

aproximou-se da nuvem, na qual estava Deus. 220 Senhor disse a Moisés: " Fala assim aos israelitas: Vós
mesmos vistes que eu vos falei lá do céu. 23Não me coloqueis entre os deuses de prata ou de ouro, deuses
que não devereis fabricar para vós. 24Deverás fazer para mim um altar de terra, sobre o qual me oferecerás os
holocaustos, os sacrifícios de comunhão, as ovelhas e os bois. Em qualquer lugar em que eu fizer recordar o
meu nome, virei a ti e te abençoarei. 25Se me construíres um altar de pedra, não o faças de pedras lavradas,
porque ao manejar o cinzel sobre a pedra, tu a profanarias. 26Não subirás ao meu altar por meio de degraus,
para que não se descubra tua nudez.

20, 23: Ex 20, 3-4; 34, 1 7 ; Dr 27, 1 5 . 20, 24: Ex 27, 1 -8; Dr 1 2, 5; 26, 2. 20, 25: Dt 27, 5-6.

20, 24: "altar [ ... ] qualquer lugar" A - mçao mais tarde não terá pleno efeito até
aliança do Sinai permite vários altares e locais Salomão construir o Templo de Jerusalém;
de culto. Mais tarde, a aliança deuteronômi­ então, vários altares pontilham a paisagem
ca irá restringir o culto público a um único de Israel nos dias de Josué, dos Juízes e da
lugar após Israel assegurar uma existência monarquia primitiva (Js 8, 30-3 1 ; Jz 6, 24;
pacífica em Canaã (Dt 1 2, 1 0- 1 4) . Esta res- 2 1 , 4; l Sm 7, 1 7; 1 4, 3 5 ; 2Sm 24, 25) .

21
Leis sobre escravos '"Estes são os decretos que promulgarás: 2Ao comprares um escravo
-

hebreu, ele te servirá durante seis anos, mas no sétimo sairá livre, sem pagar nada. 3Se veio
sozinho, sozinho sairá; se veio com uma mulher, a mulher sairá com ele. 4Se foi seu dono que
lhe deu a mulher, e ela teve filhos ou filhas, a mulher e os filhos ficarão com o dono, e ele sairá sozinho.
5Se o escravo disser: 'Eu quero bem ao meu senhor, à minha mulher e aos meus filhos, e não quero sair
livre', 6então o dono o levará diante de Deus e, encostando-o na porta ou no umbral, perfurará a orelha
do escravo com uma sovela, e ele o servirá para sempre. 7Se alguém vender sua filha como escrava, esta não
sairá como saem outros escravos. 8Se ela não agradar ao dono que a tinha destinado como mulher para si,
ele deve permitir que seja resgatada. Não tem direito de vendê-la a estrangeiros, pois seria desleal para com
ela. 9Se o dono a destinar ao filho, deve tratá-la segundo o direito das filhas. 10Se tomar outra mulher para
si, não deve privar a primeira do alimento, das vestes e da convivência conjugal. 1 1 E se lhe negar estas três
coisas, ela pode sair, sem nenhum pagamento.

2 1 , 2- 1 1 : Lv 25, 39-46; Dt 1 5 , 1 2- 1 8.
O livro do Êxodo

COMENTÁRIOS
21, 1: Isto é, o código contraste gritante com o vasto Oriente Mé­
"os decretos" -

da aliança estabelecido nos capítulos 2 1-23. dio, onde os escravos eram pouco mais do
21, 2: "escravo hebreu" - A escravidão que propriedade desprezada e descartável.
foi tolerada, mas estreitamente regulamen­ A presença de leis de escravos na Bíblia não
tada no antigo Israel. As leis são dadas pelo significa que a escravidão foi aceita como um
Senhor para guardar os direitos dos escravos, padrão moral ideal; em vez disso, sua regu­
para protegê-los de tratamento abusivo, e lação por Deus foi o primeiro passo em um
para limitar o tempo do seu serviço. O res­ esforço prolongado para resgatar Israel da
peito humano de Israel aos escravos está em barbárie ignorante do mundo primitivo.

Leis sobre violência e dano 12"Quem ferir mortalmente um homem será punido de morte. 13Se não lhe
-

fez emboscada, mas Deus permitiu que caísse em suas mãos, eu marcarei um lugar onde possa refugiar-se.
14Mas se alguém tiver a ousadia de levantar-se contra o próximo para matá-lo à traição, deverás arrancá­
lo até mesmo do altar, para executá-lo. 15Quem ferir o pai ou a mãe será punido de morte. 16Quem
seqüestrar uma pessoa, quer a tenha vendido ou ainda a tenha em seu poder, será punido de morte.
17Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte. 18"Se dois homens estiverem brigando, e um
ferir o outro a pedradas ou a socos, e este não morrer, mas tiver de ficar de cama: 19se o ferido se levantar
e puder caminhar fora, apoiado no seu bastão, o agressor será inocentado. Deverá apenas indenizá-lo
pelo tempo que ficou inativo e pelos gastos da convalescença. 20Se alguém ferir o escravo ou a escrava a
cacetadas, de modo que lhe morra nas mãos, o escravo deverá ser vingado. 21Mas se o escravo sobreviver
por um ou mais dias, não será vingado, uma vez que era propriedade sua. 22Se alguns homens ao brigarem
atingirem uma mulher grávida, fazendo-a abortar mas sem maiores danos, o culpado será multado de
acordo com aquilo que o marido da mulher exigir e os juízes decidirem. 23Se, porém, houver dano maior,
então pagarás vida por vida, 24olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, 25queimadura por
queimadura, ferimento por ferimento, contusão por contusão. 26Se alguém ferir o olho do escravo ou da
escrava e o cegar, deverá dar-lhe a liberdade pelo olho perdido. 27E se quebrar um dente do escravo ou da
escrava, deverá dar-lhe a liberdade pelo dente quebrado. 28Se um boi matar a chifradas um homem ou uma
mulher, será apedrejado e não se lhe comerá a carne; o dono do boi, porém, será inocentado. 29Mas se o boi
costumava chifrar já antes, e o dono, mesmo advertido, não o mantinha fechado, e se este boi matar algum
homem ou alguma mulher, o boi será apedrejado e o dono também será morto. 30Se lhe impuserem uma
multa em resgate da vida, deverá pagar a quantia em que for multado. 31Se o boi chifrar um menino ou
uma menina, será aplicada a mesma lei. 32Se o boi chifrar um escravo ou uma escrava, o proprietário do boi
pagará trinta moedas de prata ao dono do escravo ou da escrava, e o boi será apedrejado. 33Se alguém deixar
uma cistçrna aberta ou cavar uma cisterna e não a cobrir, e se nela cair um boi ou um jumento, 340 dono
da cisterna indenizará em dinheiro o seu proprietário, mas o animal morto será dele. 35Se o boi de alguém
matar a chifradas o boi de um outro, venderão o boi vivo, e repartirão ao meio tanto o dinheiro como o boi
morto. 36Mas se era sabido que o boi costumava dar chifradas há muito tempo, e o dono não o mantinha
fechado, então este deverá dar um boi como indenização pelo boi morto, que ficará com ele. 37"Se alguém
roubar um boi ou uma ovelha e o tiver carneado ou vendido, dará cinco bois como indenização pelo boi
e quatro ovelhas pela ovelha.

2 1 , 12: Ex 20, 1 3 ; Lv 24, 1 7 ; D t 5, 1 7; M t 5, 2 1 . 2 1 , 13: Nm 35, 1 0-34; Ot 1 9 , 1 - 1 3; Js 20, 1 -9. 2 1 , 16: Ot 24, 7. 2 1 , 17: Lv 20, 9; Mt 1 5 ,
4; Me 7, 1 0 . 2 1 , 23-25: Lv 24, 1 9-20; Ot 1 9, 2 1 ; Mt 5, 38.

79
Cadernos de estudo bíblico

2 1 , 1 2- 17: Ofensas que merecem a pena da ao crime em proporção rigorosa. Não é


de morte incluem assassinato premeditado, um convite à vingança pessoal; em vez disso,
agredir ou amaldiçoar os pais, e seqüestro. impõe uma limitação sobre a vingança para
2 1 , 1 3: "um lugar" Um refúgio para garantir que a retribuição não exceda a lesão
-

pessoas responsáveis por homicídio involun­ inicial em severidade.


tário. A proteção é necessária contra aqueles • Jesus equilibra o princípio da equivalência
que poderiam vingar uma morte tão inj usta rigoroso com um pedido de misericórdia. Em
(veja Nm 3 5 , 9- 1 2) . vez de retaliação, ele defende uma prontidão
2 1 , 2 1 : "se o escravo sobreviver" Con­ -
para perdoar os outros por suas ofensas (Mt
5, 38-42) . Deve-se notar, contudo, que o en­
siderado como prova de que seu mestre não
sinamento de Jesus sobre este ponto estabelece
tem a intenção de matá-lo.
uma norma para a conduta pessoal; ele não
2 1 , 22: "os juízes" Nomeados por dispensa a necessidade de as sociedades man­
Moisés em 1 8 , 24-26. terem padrões de j ustiça proporcional para o
bem comum.
lIJ 2 1 , 24: "olho por olho" A lei da
-

retaliação exige uma punição adequa-

da restituição 1Se um ladrão for surpreendido arrombando uma casa e for mortalmente

22Lei
-

ferido, não haverá por ele vingança de sangue. 2Mas se for em plena luz do dia, haverá vingança de
sangue. O ladrão deverá restiruir o que roubou. Se não tiver meios, será vendido para compensar
o que roubou. 3Se o boi, o jumento ou a ovelha roubados se encontrarem ainda vivos em suas mãos, restituirá
rudo em dobro. 4Se alguém, ao levar o seu gado para pastar num campo ou numa vinha, soltar o gado para
pastar num campo alheio, indenizará o prejuíw com o melhor do próprio campo ou da própria vinha. 5Se
um fogo por descuido se alastrar por moitas de espinheiros e queimar o trigo empilhado, a plantação ou o
campo, o incendiário pagará os danos do incêndio. 6Se alguém confiar a um outro, em depósito, dinheiro
ou utensílios, e estes forem roubados da casa dele, se o ladrão for descoberto, restituirá tudo em dobro. 7Se
o ladrão não for encontrado, o dono da casa se apresentará diante de Deus e jurará que não tocou nas coisas
do próximo. 8Em qualquer delito de propriedade envolvendo um boi, um jumento, uma ovelha, roupa ou
qualquer coisa perdida, objeto de uma queixa formal, a questão seja levada diante de Deus. Quem Deus
declarar culpado restituirá ao próximo o dobro. 9Se alguém confiar ao próximo a guarda de um jumento, um
boi, uma ovelha ou qualquer outro animal, e este morrer, ficar aleijado ou for levado sem que ninguém veja,
10a questão se resolverá por meio de um juramento ao Senhor, provando que um não pôs a mão nas coisas
do outro. O dono do animal aceitará o juramento, e o depositário não será obrigado a restituir. 1 1 Mas se o
animal de fato tiver sido roubado dele, deverá indenizar o dono. 12Se o animal tiver sido dilacerado, apresente-o
como prova, e não precisará indenizar o animal dilacerado. 13Se alguém pedir emprestado do próximo um
animal, e este ficar aleijado ou morrer na ausência do dono, será obrigado a indenizar o prejuíw. 14Mas se
o dono esteve presente, não terá que indenizar nada. Se o animal foi alugado, pagará o preço do aluguel.

22, 7- 1 5 : Lv 5, 1 4-6, 7; Nm 5, 5-8.

1
COMENTÁRIOS
22, 1 - 1 7: A compensação deve ser feita pela propriedade que é roubada (animais) ,

80
O livro do Êxodo

destruída (colheitas) , ou perdida (bens em­ mente porque o intruso poderia ser identi­
prestados) , e para as pessoas que são violadas ficado e levado à j ustiça de outras maneiras.
(virgens solteiras) . 22, 10: "o juramento" Um j uramento -

22, 2: de inocência envolvendo uma automaldição


"em plena luz do dia" - Matar
um assaltante diurno é ilegal, presumivel- condicional.

Leis sociais e religiosas ' 5"Se um homem seduzir uma virgem que ainda não tenha noivo e dormir com
-

ela, pagará o seu dote e se casará com ela. '6Se o pai se recusar a lhe dar a moça, o sedutor pagará o dote que
se dá pelas virgens. 17"Não deixarás com vida uma feiticeira. 18Quem tiver relações sexuais com um animal
será punido de morte. 19Quem oferecer sacrifícios aos deuses, e não unicamente ao Senhor, será votado
ao interdito. 20Não maltrates o estrangeiro nem o oprimas, pois vós fostes estrangeiros no Egito. 21Não
façais mal à viúva nem ao órfão. 22Se os maltratardes, clamarão a mim, e eu ouvirei seu clamor. 23Minha
ira se inflamará, e eu vos matarei à espada. Vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos. 24Se
emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não agirás como um agiota.
Não lhe deves cobrar j uros. 25Se tomares como penhor o manto do próximo, deverás devolvê-lo antes do
pôr-do-sol. 26Pois é a única veste que tem para o corpo, é sua coberta para dormir. Se ele clamar por mim,
eu o ouvirei, porque sou misericordioso. 27Não blasfemarás contra Deus, nem injuriarás o chefe do teu
povo. 28Não atrasarás a oferta de tua colheita de cereais, azeite ou vinho. Deverás dar-me o primogênito de
teus filhos. 290 mesmo farás com o primogênito das vacas e das ovelhas: ficará sete dias com a mãe, e no
oitavo tu o entregarás a mim. 30Sede homens santos para mim: não comais a carne de animal dilacerado no
campo, mas lançai-a aos cães.

22, 16-17: De 22, 28-29. 22, 18: Lv 20, 27; D e 1 8 , 1 0. 22, 19: Lv 1 8, 23; 20, 1 5- 1 6; D e 27, 2 1 . 22, 2 1 : Ex 23. 9; Lv 1 9, 33-34; De 27, 1 9.
22, 22: De 24, 1 7 . 22, 25-27: Lv 2 5 , 36-37; Dt 23, 1 9-20. 22, 28: At 23, 5. 22, 29: Ex 23, 1 6 . 1 9 ; Dt 26, 2-1 1 ; Ex 1 3 , 2. 1 1 - 1 6. 22, 3 1 : Ex
1 9, 6; Lv 1 1 , 44; 1 9, l ; 7, 24; 1 7 , 1 5 .

22, 1 6: "pagará o dote" - O preço nup- meio de ganhar dinheiro. Mais tarde, o Deu-
cial é fixado em 50 sidos em Dt 22, 29. teronômio permitirá que empréstimos com
22, 17- 19: Feitiçaria, zoofilia, e idolatria uros sejam feitos a estrangeiros, mas não a
j
são crimes tão escandalosos que merecem a companheiros israelitas (Dt 23, 1 9-20) .
pena de morte.
22, 2 1 : "viúva [ ] orfão" - Aqueles mais
... 22, 27: "não blasfemarás contra Deus"
vulneráveis e desamparados na sociedade an­ Como apresentado na RSV,36 o manda­
tiga. O Senhor ser seu defensor compassivo mento proíbe blasfemar contra Deus (um
é um tema que percorre toda a Escritura (Dt crime que merece a morte: l Rs 2 1 , 1 0 ; Jó
2, 9). No entanto, uma vez que o termo tra­
1 0, 1 8 ; SI 68, 5; 1 46, 9; Jr 22, 3; Zc 7, 1 0;
Tg 1 , 27) . duzido como "Deus" é plural em hebraico,
22, 24: "Não lhe deves cobrar juros" é possível interpretar a passagem como uma
- Usura sobre empréstimos para os pobres é proibição contra amaldiçoar os chamados
estritamente proibido (Lv 25, 36-37) . Essa "deuses" de Israel, ou seja, os "juízes" huma-
proibição foi inédita no antigo Oriente Próxi­
mo, onde os empréstimos sempre foram um 36 A Revised Standard Version é uma tradução da Bíblia
para o inglês publicada na metade do século XX - NT.

8r
Cadernos de estudo bíblico

nos que exercem autoridade divina sobre o ao Senhor os seus filhos primogênitos. Ver
povo pela administração da lei divina (como comentário em 1 3, 2.
no Sl 82, 1 -6) . A LXX grega parece entender 22, 30: "dilacerado no campo" Carne -

o verso neste último sentido. considerada impura pelos padrões levíticos


22, 28: "dar-me" Israel deve consagrar (Lv 1 7, 1 5) .
-

23 Leis sobre justiça - '"Não espalharás boatos mentirosos, nem colaborarás com o ímpio como
testemunha falsa. 2Não tomarás o partido da maioria para fazer o mal. Em processo, não
deponhas inclinando-te pela maioria e distorcendo o direito. 3Não favorecerás nem mesmo a
um pobre no processo. 4Se encontrares extraviados o boi ou o j umento de teu inimigo, faze-os retornar a
ele. 5Se vires o jumento de teu inimigo caído sob o peso da carga, não o deixes no abandono, mas presta
ajuda. 6Não distorcerás o direito do pobre em seu processo. 7Afasta-te de causas mentirosas. Não mates o
inocente e o j usto, pois não vou declarar justo o culpado. 8Não aceites suborno, pois o suborno cega os que
têm os olhos abertos e perverte as palavras dos j ustos. 9Não oprimas o estrangeiro; vós sabeis o que é ser
estrangeiro, pois fostes estrangeiros no Egito.

23, 1 : Ex 20, 16; 23, 7; Dr 5, 20; 1 9, 1 5-2 1 . 23, 3. 6: Lv 1 9, 1 5 . 23, 7: Ex 20, 16; 23, 1 . 23, 8: D e 1 6, 1 9 . 23, 9: Ex 22, 2 1 ; Lv 1 9, 33-34;
D r 27, 1 9 .

COMENTÁRIOS
23, 1 -9: Parcialidade no processo é proi­ sidade, (3) se os pobres são favorecidos no
bida, enquanto que eqüidade e j ustiça são j ulgamento unicamente em função da sua
promovidas. A j ustiça é negada se ( 1 ) subor­ necessidade econômica, e (4) se os estran­
nos são aceitos dos ricos, (2) se recusa aj uda geiros são oprimidos como intrusos indese­
aos inimigos que estão em tempos de neces- jáveis.

O ano sabático e o sábado 'º"Durante seis anos semearás a terra e recolherás os seus frutos. ' ' No sétimo
-

ano, porém, deixarás de preparar e de cultivar a terra, para que se alimentem os pobres do teu povo, e os
animais selvagens comam o resto. O mesmo farás com a vinha e o olival. 12Seis dias trabalharás e no sétimo
descansarás, para que descansem também o boi e o j umento, e possam tomar fôlego o filho de tua escrava
e o estrangeiro. 13Guardai tudo o que vos disse: não invocareis o nome de deuses alheios; que seu nome
não se ouça em tua boca.

23, 10- 1 1 : Lv 25, 1 -7. 23, 1 2: Ex 20, 8- 1 1 ; 3 1 , 1 5- 1 7; 34, 2 1 ; 35, 2; Dt 5 , 1 2- 1 5 .

23, 1 1 : "sétimo ano" Concede-se a frutam de um descanso sabático a cada sete


-

terra um descanso sabático a cada sete anos dias (34,


(Lv 26, 34) , assim como os agricultores des-
O Livro do Êxodo

Festas anuais - 14Farás três festas de peregrinação por anoem minha honra. 1 5Guardarás a festa dos Pães
sem Fermento: durante sete dias comerás pães sem fermento, como te ordenei, no tempo marcado do
mês de Abib, pois nesse mês saíste do Egito. Ninguém compareça diante de mim com as mãos vazias.
16Guardarás também a festa da Colheita dos primeiros frutos do teu trabalho, do que tiveres semeado
em teu campo; e a festa da Colheita no fim do ano, quando tiveres recolhido do campo os frutos do teu
trabalho. 17Três vezes ao ano todos os homens comparecerão diante do Senhor Deus. 18Não oferecerás o
sangue do meu sacrifício junramente com pão fermentado, nem deixarás a gordura de minha festa para o
dia seguinte. 19Levarás à casa do Senhor teu Deus os primeiros frutos do teu solo. Não cozinharás o cabrito
no leite de sua mãe.

23, 14-17: Ex 34, 22-24; Lv 23, 1 -44; D e 1 6, 1 - 1 7. 23, 18: Ex 1 2, 1 0; 34, 25; Lv 2, 1 1 ; 7, 1 5. 23, 19: Ex 22, 29; 34, 26; De 26, 2-1 1 ; 1 4 ,
21.

23, 14- 17: Três festivais litúrgicos são ne­ 23, 19: "não cozinharás o cabrito" -

cessários nos termos originais da aliança do Os estudiosos supõem que ferver um cabrito
Sinai. As festas dos pães ázimos e dos primei­ dessa maneira era um rito de fertilidade na
ros frutos (mais tarde conhecidas como Pen­ religião cananéia, isto é, um apelo aos deuses
tecostes) são celebradas na primavera com a que um rebanho pode prosperar em saúde e
colheita de cevada e trigo; a festa da colheita aumentar em número (34, 26; Ot 1 4 , 2 1 ) . A
(mais tarde conhecida como Tendas ou Ta­ tradição j udaica estendeu o preceito em uma
bernáculos) é celebrada no outono após a proibição geral contra a mistura de carne
colheita de uvas e azeitonas. Ver o Quadro: com produtos lácteos.
Festas anuais em Israel em Lv 23.

Conquista da prometida Canaã - 20"Mandarei um anjo à tua frente, para que te guarde pelo caminho e te
introduza no lugar que eu preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde; ele não suportará
vossas rebeliões, pois nele está o meu nome. 22Mas se de fato ouvires sua voz e fizeres tudo quanto te disser,
eu serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários. 23Quando o anjo marchar à tua frente
e te introduzir na terra dos amorreus, heteus, fereseus, cananeus, heveus e jebuseus, e eu os exterminar,
24não adorarás os seus deuses, nem lhes prestarás culto, imitando seus costumes. Ao contrário, derrubarás
e quebrarás as suas colunas sagradas. 25Servireis ao Senhor, vosso Deus, e ele abençoará teu pão e tua água,
e afastará do teu meio as enfermidades. 26Em tua terra não haverá mulher que aborte nem que seja estéril.
E eu tornarei pleno o número de teus dias. 27Enviarei à tua frente o meu terror, confundirei todos os povos
aonde chegares e farei que todos os inimigos fujam diante de ti. 28Enviarei à tua frente vespas ferozes que
porão em fuga os heveus, os cananeus, os heteus. 29Não os expulsarei em um só ano, para que a terra não
fique deserta e não se multipliquem contra ti os animais ferozes. 30Eu os expulsarei aos poucos, até que
cresças e tomes posse da terra. 31 Fixarei teus limites desde o mar Vermelho até o mar dos filisteus, e desde
o deserto até o rio Eufrates; pois eu entregarei em tuas mãos os habitantes desse país para que os expulses
de tua presença. 32Não farás aliança com eles nem com seus deuses. 33Não devem morar em tua terra, do
contrário te fariam pecar contra mim. Servirias aos seus deuses, e isso seria urna armadilha para ti".

23, 20: "um anjo" 1


Pode ser visto como frente das pessoas na coluna de nuvem e
-

o anj o da guarda de Israel. Marchando à fogo, sua missão é iluminar e guardar, go-
Cadernos de estudo bíblico

vernar e guiar ( 1 4, 1 9; 23, 20; CIC 332) . Deuteronômio vai adotar uma política mais
Ver o Escudo da Palavra: Anj o do Senhor em extrema que requer não a expulsão dos ca­
Gn 1 6, 7. naneus, mas seu extermínio pela conquista
23, 23: "amorreus [ } jebuseus" Vá­
...
militar (Dt 7, 1 -2; 20, 1 6- 1 8) .
-

rias nações ocuparam Canaã antes da chega­ 23, 3 1 : "teus limites" O s parâmetros -

da de Israel. Ver comentário em 3, 8 . da Terra Prometida. O seu ponto mais meri­


23, 24: "quebrarás as suas colunas sa­ dional é o Golfo de Aqaba (uma ramificação
gradas" Destruir os monumentos religio­
-
do Mar Vermelho) ; seu lado ocidental per­
sos de Canaã dramatiza a renúncia de Israel corre toda a extensão da costa do Mediterrâ­
à idolatria. Livrar a terra de ídolos e outros neo (mar dos filisteus) ; seu lado oriental faz
objetos de culto é uma das exigências práti­ fronteira com o deserto da Arábia; e seu ex­
cas do monoteísmo (34, 1 3 ; Dt 7, 5 ) . tremo norte chega na Mesopotâmia superior
(Eufrates) . Isso corresponde em tamanho e
2 3 , 30: "os expulsarei" Promete que
-

escopo ao reino de Israel sob Salomão (ver


Israel irá deslocar os cananeus como ha­
l Rs 4, 2 1 ; 9, 26) .
bitantes da Terra Prometida. Mais tarde, o

240 sangue da aliança ' Ele disse a Moisés: "Sobe até o Senhor j unto com Aarão, Nadab,
-

Abiú e setenta anciãos de Israel, e vos prostrareis a distância. 2Apenas Moisés se aproximará do
Senhor. Os outros não se aproximarão, nem o povo subirá com ele". 3Moisés foi transmitir ao
povo todas as palavras e todos os decretos do Senhor. O povo respondeu em coro: "Faremos tudo o que o
Senhor nos disse!" 4Então Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. Levantando-se na manhã seguinte,
ergueu ao pé da montanha um altar e doze colunas sagradas, segundo as doze tribos de Israel. 5Em seguida,
mandou alguns jovens israelitas oferecer holocaustos e imolar novilhos como sacrifícios de comunhão ao
Senhor. 6Moisés pegou a metade do sangue, colocou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o
altar. 7Tomou depois o livro da aliança e o leu em voz alta ao povo, que respondeu: "Faremos tudo o que o
Senhor falou e obedeceremos". 8Moisés pegou, então, o sangue, aspergiu com ele o povo e disse: "Este é o
sangue da aliança que o Senhor fez convosco, referente a todas estas cláusulas".

24, 8: M t 26. 28; Me 1 4 , 24; Lc 22, 20; ! Cor 1 1 , 25; Hb 9, 20; 1 0, 29.

COMENTÁRIOS
24, 1 - 1 1 : A aliança do Sinai, ratificada "Setenta'': Escolhidos entre a família
pela aceitação de Israel às leis da aliança (24, dos anciãos em Israel ( 1 2, 2 1 ) , possivelmen­
3), um ritual de sangue (24, 8) , e uma refei­ te para representar os 70 descendentes de
ção cultuai na presença do Senhor (24, 1 1 ) . Jacó que se instalaram no Egito ( 1 , 5). Estes
No modelo d e parentesco o u d e alianças de homens depois recebem o espírito de profe­
paridade primitivos, a cerimônia fortifica e cia (Nm 1 1 , 24-2 5 ) .
intensifica o vínculo familiar entre o Pai Javé 24, 3: "as palavras [ ] os decretos" -
...

e seu filho primogênito, Israel (4, 22) . Refere-se às estipulações da aliança expressas
24, 1 : "Nadab [ ] Abiú'' - Os filhos nos caps. 20-23. Observa-se como a des­
...

mais velhos de Aarão (6, 23) . crição corresponde às rubricas do Decálogo


O livro do Êxodo

("palavras" , 20, 1 ) e do código da aliança sobre o povo (24, 8) é uma cerimônia de


("decretos" , 2 1 , 1 ) . j uramento que ritualiza as bênçãos e maldi-
24, 5: "jovens" Estes não são nem os ções da aliança do Sinai. O sangue significa
_

anciãos de Israel, que assumiram funções a bênção de parentesco e solidariedade fa­


sacrificiais na festa da Páscoa ( 1 2, 2 1 ) , nem miliar que une o Senhor e Israel; ao mesmo
são membros do sacerdócio Aarônico, cuja tempo, significa a maldição da morte que é
ordenação ao ministério não acontecerá até invocada sobre os parceiros da aliança se
vários meses depois (40, I . 1 2- 1 5) . É razo- eles violarem seus termos e se mostrarem
ável supor, com a tradição j udaica, que os infiéis no relacionamento. Pode-se também
jovens que oferecem sacrifícios no Sinai são interpretar o sangue como um sinal de con­
os primeiros filhos do povo, que eram con- sagração de Israel ao Senhor, bem como a
sagrados ao Senhor na noite de Páscoa (por sua renúncia aos ídolos egípcios (ver co­
exemplo, Targum Onqelos em Ex 24, 6) . Ver mentário em 8, 26) . Em ainda outro nível,
comentários sobre 1 3, 2 e 1 9, 22. a cerimônia marca a ordenação nacional de
Israel como um "reino de sacerdotes" ( 1 9 ,
"Oferecer holocaustos": Animais intei-
6) . Nota-se como o ritual da ordenação de
ros são queimados no altar e ascendem aos
sacerdotes levitas espelha essa liturgia de
céus como fumaça (Lv 1 , 3- 1 7) .
sangue (Lv 8 , 24. 30) .
"Sacrifícios de comunhão": Porções de
gordura são queimadas no altar enquanto as Jesus evoca memórias da aliança do Sinai

porções de carne são consumidas pelos par­ quando ele estabelece a Nova Aliança no seu
sangue na Ú ltima Ceia (Mt 26, 28) . Ambas
ticipantes do culto (Lv 7, 1 5) e os sacerdotes
são seladas com uma refeição de comunhão
(Lv 7, 32-34) .
na presença do Senhor (24, 1 1 ; 1 Cor 1 1 , 23-
IT'I 24, 8: "sangue da aliançà' Derra­ -
25; CIC 6 1 3) .

IJU mar sangue sobre o altar (24, 6) e

O monte de Deus - 9Moisés subiu com Aarão, Nadab, Abiu e setenta anciãos de Israel, 1 0e eles viram o
Deus de Israel. Debaixo dos pés dele havia uma espécie de pavimento de safira, límpido como o próprio
céu. 1 1 E ele não estendeu a mão contra os israelitas escolhidos: eles puderam contemplar a Deus e depois
comeram e beberam. 120 Senhor disse a Moisés: "Sobe para j unto de mim no monte e fica ali. Eu quero
dar-te as tábuas de pedra, a Lei e os mandamentos que escrevi para que instruas o povo". 13Moisés levantou­
se com Josué, seu ajudante, e subiu ao monte de Deus. '4Ele tinha dito aos anciãos: "Esperai por nós aqui
até voltarmos. Aarão e Hur ficam convosco. Quem tiver alguma questão dirija-se a eles". 15Quando Moisés
subiu ao monte, a nuvem cobriu o monte. 16A glória do Senhor pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem
o cobriu durante seis dias. No sétimo dia, ele chamou Moisés do meio da nuvem. 17A glória do Senhor
aparecia aos israelitas como um fogo devorador sobre o cume do monte. 18Moisés, porém, penetrando na
nuvem, subiu a montanha e permaneceu ali quarenta dias e quarenta noites.

24, 12: 2Cor 3, 3.


Cadernos de estudo bíblico

24, 1 O: "viram o Deus de Israel" - Moi­ pavimento de pedra preciosa, ao mesmo


sés e os representantes de Israel contemplam tempo claro e azul, está espalhada abaixo da
uma manifestação visível de Javé no topo do presença divina (como em Ez 1 , 22. 26) .
monte. Esta não é uma visão não-mediada 24, 1 1 : "ele não estendeu a mão" - Im­
da essência divina, já que o Êxodo insiste que plica que cada homem se mantinha a uma
o homem não pode ver Deus diretamente distância adequada de Deus prescrita em 24,
nesta vida (33, 20-23) . Só no Céu os fiéis 1- 2. A não observância disso poderia ter ter­
verão a Deus "face a face" ( 1 Cor 1 3 , 1 2) e minado em desastre (cf. 1 9, 24) .
"como ele é" ( lJo 3, 2; CIC 1 023) . 24, 14: "Aarão e Hur" Moisés deixa
-

"Pés": Sugere que aos homens é conce- seu irmão e um aj udante encarregados do
dida uma visão parcial e indireta de Deus, acampamento ( 1 7, 1 0- 1 2) . Com Moisés
tanto que Moisés vai ver mais tarde as "cos- fora por mais de um mês (24, 1 8) , o cená­
tas" do Senhor, em vez da sua face (33, 23) . rio está pronto para a rebelião do bezerro de
Para efeitos de descrições antropomórficas ouro liderada por Aarão (32, 1 -6) .
de Deus, ver comentário em Gn 6, 6. 24, 18: "quarenta dias [ . . . ] noites" -
"Pavimento de safira'': A imagem do Moisés jejuou por todo esse tempo (Dt 9, 9) .

25 Ofertas ao tabernáculo - 10 S enhor falou a Moisés: 2"Dize aos israelitas que ajuntem ofertas
para mim. Recebereis a oferta de todos os que derem espontaneamente. 3Estas são as ofertas que
recebereis: ouro, prata, bronze, 4tecidos de púrpura vio l eta, vermelha e carmesi m; linho fino e
pêlos de cabra; 5 peles de carneiro tintas de vermelho e peles finas; madeira de acácia, 6azeite de lâmpada,
bálsamo para o óleo de unção e para o incenso aromático; 7pedras de ônix e outras pedras de engaste para
o efod e o peiroral. 8Eles me farão um santuário, e eu h abitarei no meio deles. 9Fareis tudo conforme o

modelo da morada e de seus utensílios que vou te mostrar.

25-3 1 : Ex 35, 40. 25, 2-8: Ex 35, 4-9.

COMENTÁRIOS

� 25 1-3 1 , 18: Instruções divinas para pressionante de Deus. A tenda Mosaica se


la.il a construção de um santuário com al- assemelha a outros santuários portáteis usa­
faias sagradas. Especificações relativas às suas dos no Egito, Mari e Ugarit no segundo e
medições, materiais e ministros são cataloga- terceiro milênios a. C.. Além disso, seu siste­
das em detalhe. O santuário servirá como a ma de revestimento de ouro tem ligações
morada de Javé na Terra e o ponto focal do com tecnologia estrutural e decorativa co­
culto israelita na era Mosaica. Na economia nhecida no Egito muito antes da era Mosai-
divina, a arquitetura e os ministérios do san­ ca.
tuário ensinam lições rudimentares sobre o
•Alegoricamente, o santuário é um símbolo
sacrifício, a ordem litúrgica e a santidade im-
da Igreja e da presente era, assim como a Igre-

86
O livro do Êxodo

tir dos despoj os do Egito ( 1 2, 3 5 ) . Couros e


ja, prenunciando a era celestial, é um símbolo
do próprio Céu (São Metódio, Simpósio 5, 8).
peles provenientes de rebanhos israelitas que
fizeram a viagem ao Sinai ( 1 2, 38) . Tão gene­
25, 2: "a oferta'' Metais preciosos, teci­ rosas foram as doações que uma hora Moisés
-

dos e pedras preciosas - são tomados a par- teve de interrompê-las (36, 6-7) .

A Arca da aliança - 1º"Farás uma arca de madeira de acácia, com cento e vinte e cinco centímetros de
comprimento, por setenta e cinco de largura e setenta e cinco de altura. 1 1 Revestirás a arca de ouro puro,
por dentro e por fora. Em volta porás uma moldura de ouro. 12Fundirás quatro argolas de ouro e as porás
nos quatro pés: duas de um lado e duas de outro. 13Farás varais de madeira de acácia e os revestirás de
ouro. 14Introduzirás os varais nas argolas dos lados da arca, para carregar a arca. 1 50s varais ficarão sempre
nas argolas e não serão tirados. 16Na arca porás o documento da aliança que te darei. 17"Farás também
um propiciatório de ouro puro, de cento e vinte e cinco centímetros de comprimento e setenta e cinco
de largura. 18Farás dois querubins de ouro polido nas duas extremidades do propiciatório: 19um de cada
lado, de modo que os querubins estejam nos dois extremos do propiciatório. 200s querubins, com as
asas estendidas por cima, estarão encobrindo o propiciatório, um em frente do outro, voltados para o
propiciatório. 21Porás o propiciatório sobre a arca, e dentro da arca o documento da aliança que te darei.
22Ali me encontrarei contigo, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins colocados sobre a
arca da aliança, eu te comunicarei tudo o que deves ordenar aos israelitas.

25, 10-22: Ex 37, 1 -9.

� 25, 10: "uma arca" Uma caixa de


- não por varais revestidos de ouro com qua­
a. madeira coberta de ouro portátil tro argolas, mas pelos pregadores dos quatro
evangelhos que brilham como ouro pela pu­
(com 1 2 5 cmde comprimento, por 75 cm de
reza de suas vidas.37
largura e 75 cm de altura) . Com o propicia­
tório no topo, ela serviu como um local sa­ "Madeira de acácia'': A madeira escura
grado de armazenagem para as tábuas de pe­ da Península do Sinai.
dra do Decálogo (2 5 , 1 6) , o jarro de maná
25, 16: "da aliança''As tábuas de pe­
-

( 1 6, 33-34) , e a vara de Aarão (Nm 1 7, 1 0) .


dra com as inscrições do Decálogo (34, 28) .
Israel considerou a sua tampa d e ouro o esca­
25, 17: "propiciatório" Uma laje re­
belo do Senhor ( l Cr 28, 2) e os querubins
-

tangular de ouro puro que cobria a arca


com as asas estendidas nas extremidades do
como uma tampa. O termo hebraico kap­
propiciatório como o carro ( 1 Cr 28, 1 8) e o
trono do Senhor ( l Sm 4, 4; Is 37, 1 6) . No
poret provavelmente significa "expiatório" ,
definindo-o como um lugar onde os pecados
antigo Oriente Próximo, os documentos da
e impurezas são "apagados" com o sangue do
aliança foram muitas vezes armazenados no
sacrifício (Lv 1 6, 1 1 - 1 4; CIC 433) .
santuário de uma divindade nacional, algu­
mas vezes sob os pés da estátua da divindade. 25, 1 8: "querubim'' Figuras angelicais
-

situadas na parte superior do propiciatório.


• Alegoricamente, a arca é a Igreja levada
adiante para o mundo. Ela é erguida ao alto, 37 São Gregório, o Grande, Cuidddo pastora/ 2 , 1 1 .
Cadernos de estudo bíblico

De frente um para o outro com asas desfralda­ das no véu (26, 3 1 ) . Talvez se assemelhassem
das, formam o trono de Javé e são como guar­ a criaturas híbridas aladas populares na icono­
diões da presença divina (Gn 3, 24; Ez 28, grafia do antigo Oriente Próximo, onde, entre
1 6) . Imagens de querubins também cobriam outras coisas, eram usadas como enfeites para
as cortinas da morada (26, 1) e foram borda- o trono real do monarca (CIC 2 1 30) .

A mesa para os pães sagrados 23"Farás de madeira de acácia uma mesa com cem centÍmetros de
-

comprimento, cinqüenta de largura e setenta e cinco de altura. 24Revestirás a mesa de ouro puro, e lhe
farás uma moldura de ouro em volta. 25Em torno da mesa farás também um friso de um palmo e uma
moldura de ouro em volta do friso. 26Farás também quatro argolas de ouro e as fixarás nos quatro ângulos
correspondentes aos quatro pés. 27As argolas estarão junto ao friso, para receber os varais de carregar a
mesa. 28Farás, de madeira de acácia, os varais para o transporte da mesa e os revestirás de ouro. 29Farás de
ouro puro também as bandejas, as panelas, os copos e as taças para as libações. 30Sobre a mesa colocarás
permanentemente diante de mim os pães sagrados.

25, 23-30: Ex 37, 1 0- 1 5 .

25, 23: "uma mesa'' Suporte d e ma­


- 25, 30: "pães sagrados" Doze pães -

deira portátil revestido com ouro ( 1 00 cm alinhados em duas filas no topo da mesa de
de comprimento, 50 cm de largura e 75 cm ouro. Todos os sábados, os sacerdotes subs­
de altura) . Exibia os pães sagrados (25 , 30) , tituíam os pães à mostra com pães recém­
juntamente com vasos de ouro usados para -assados e comiam os pães vencidos em um
libações e ofertas de incenso (37, 1 6) . lugar santo (Lv 24, 5-9) .

O candelabro - 31"Farás um candelabro de ouro puro. O candelabro será polido, tanto a base como a
haste. Seus cálices, botões e flores formarão uma só peça. 32Seis braços sairão de seus lados, três de um e
três do outro. 330 primeiro braço terá três cálices em forma de flor de amendoeira, com botões e flores;
o segundo braço terá três cálices em forma de flor de amendoeira, com botões e flores; e assim todos os
seis braços que saem do candelabro. 340 próprio candelabro levará quatro cálices em forma de flor de
amendoeira, com botões e flores. 35Debaixo dos dois primeiros braços que saem do candelabro haverá um
capitel, outro debaixo dos dois braços seguintes e outro debaixo dos últimos dois; portanto, para os seis
braços do candelabro. 360s capitéis e os braços serão de uma só peça, roda de ouro puro, polido. 37Farás
também sete lâmpadas e as porás no candelabro, iluminando a parte dianteira. 38Também as tesouras
de cortar o pavio e os cinzeiros serão de ouro puro. 39Para fazer o candelabro com rodos os utensílios
empregarás um talento, trima quilos de ouro puro. 4°Cuida de fazê-los conforme o modelo que te foi
mostrado na montanha.

25, 30: Ex 39, 36; 40, 23; Lv 24, 5-9. 25, 3 1 -40: Ex 37, 1 7-24. 25, 40: Ar 7, 44; Hb 8, 5 .

88
O livro do Êxodo

25, 3 1 : "candelabro" Um candelabro


- visão proporciona um plano celestial para
de ouro na forma de uma amendoeira estili­
a construção da morada, que servirá como
zada. Foi coberto com sete lâmpadas de óleo,
uma réplica e sinal dessa realidade divina.
uma na vertical e seis nos ramos que se esten­
Várias passagens bíblicas indicam que os
dem. O candelabro queimou durante coda santuários terrestres de Israel foram feitos à
a noite na presença do Senhor (27, 20-2 1 ) .
imagem e semelhança de templo celestial do
25, 40: "conforme o modelo" Móises Senhor (Sb 9, 8 ; Hb 8 , 1 -5 ; 9, 24; Ap 1 5 , 5) .
-

contempla o santuário de Deus no Céu. A Ver Estudo da Palavra: Plano em 1 Cr 28, 1 1 .

2 6A
morada ' "Farás a morada com dez cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta,
-

vermelha e carmesim, e nelas bordarás querubins. 2Cada cortina terá catorze metros de
comprimento e dois de largura. Todas as cortinas terão as mesmas medidas. 3Unirás as cortinas
umas às outras em duas séries de cinco cada uma. 4Porás presilhas de púrpura violeta na borda da cortina
que termina o primeiro cortinado, e o mesmo farás na última do segundo cortinado. 5Farás cinqüenta
presilhas na primeira cortina e cinqüenta na exuemidade da segunda cortina onde termina o segundo
cortinado, de modo que as presilhas se correspondam umas às outras. 6Farás cinqüenta colchetes de ouro,
e com eles ligarás uma cortina à outra para que a morada forme um todo. 7Farás também onze cortinas de
pêlo de cabra para que sirvam de cobertura para a morada. 80 comprimemo de cada cortina será de quinze
metros por dois de largura. As onze cortinas terão as mesmas medidas. 9Unirás as cortinas em dois grupos
separados, um de cinco e o outro de seis cortinas, dobrando a sexta cortina sobre a parte dianteira da tenda.
10Farás cinqüenta presilhas na barra da última cortina do primeiro cortinado e cinqüenta presilhas na barra
do segundo cortinado. " Farás também cinqüenta colchetes de bronze, introduzindo-os nas presilhas e
ligando assim a tenda para que forme um todo. 12A parte que sobrar das cortinas da tenda, isto é, a metade,
penderá sobre a parte posterior da morada. 130s cinqüenta centímetros excedentes de um e outro lado
ao longo das cortinas da tenda, penderão sobre os dois lados da morada, cobrindo-a. 14Para a tenda farás
também uma cobertura de peles de carneiro, tintas de vermelho, e por cima, outra cobertura de peles finas.

26, 1 - 14: Ex 36, 8- 1 9 .

COMENTÁRIOS
26, 1: "a morada" Uma grande tenda
- eram encarregados de desmontar e transpor­
coberta que se situava dentro do santuário ( 1 4 tar a tenda cada vez que o acampamento de
m d e comprimento x 5 m d e largura x 5 m Israel se mudava para um novo local (Nm 3,
de altura) . Foi projetada para se desmembrar 1 4-37) . Carros puxados por bois eram neces­
em seções portáteis para mudar de lugar. Os sários para os itens mais pesados (Nm 7, 1 -8).
suportes consistiam em 48 quadros revestidos 26, 7: "cortinas [ ] que sirvam de co­
•••

com ouro, montados em bases de prata, e es­ bertura'' Um dossel à prova de intempéries
-

tabilizados com barras de madeira longas (26, esticado sobre o recinto da morada. Três ca­
1 5-30) . A cobertura foi feita de dez cortinas madas de espessura, feitas de tecido de pêlo
de linho cruzadas e drapeadas sobre as pare­ de cabra (fundo) , couro de carneiro (meio) e
des de enquadramento (26, 1 -6) . Os levitas pele de cabra (topo) .
Cadernos de estudo bíblico

Armações - 15Farás para a morada armações de madeira de acácia, que porás de pé. 16Cada armação terá
cinco metros de comprimento e setenta e cinco centímetros de largura. 1 7Em cada armação haverá dois
encaixes para travar um no oucro. Assim farás com todas as armações da morada. 18Farás, portanto, para
a morada vinte armações que ficarão do lado sul. 19Farás quarenta bases de prata para as vinte armações,
duas bases para cada armação, em função dos dois encaixes. 20No outro lado da morada, voltado para
o norte, haverá também vinte armações 21e quarenta bases de prata, duas por armação. 22No flanco da
morada voltado para o ocidente porás seis armações 23e outras duas nos dois ângulos dos fundos da morada.
24Estarão geminadas e bem unidas de baixo até em cima, até à primeira argola. Assim se fará com as duas
armações destinadas para os ângulos. 25Serão, portanto, oito armações com suas dezesseis bases de prata,
duas para cada tábua. 26Farás ainda travessas de madeira de acácia, cinco para as armações de um lado da
morada, 27cinco para as armações do outro lado da morada e cinco para as armações da parte traseira da
morada, voltada para o ocidente. 28A travessa central atravessará à meia altura as armações de um extremo
a outro. 29Revestirás as armações de ouro. De ouro farás também as argolas em que passarão as travessas,
recobrindo inclusive estas de ouro. 3°Construirás a morada conforme o modelo que te foi mostrado no
monte.

26, 1 5-29: Ex 36, 20-34.

O véu e a tenda - 31"Farás também um véu de púrpura violeta, vermelha e carmesim e de linho fino
retorcido, bordado de querubins. 32Suspenderás o véu em quatro colunas de madeira de acácia recobertas
de ouro, providas de ganchos de ouro e apoiadas em quatro bases de prata. 33Pendurarás o véu debaixo dos
colchetes e ali, por trás do véu, introduzirás a arca da aliança. O véu servirá para separar o lugar Santo,
do Santíssimo. 34Sobre a arca da aliança porás o propiciatório, no lugar Santíssimo. 35Do lado de fora do
véu colocarás a mesa e, diante dela, o candelabro. Este ficará do lado sul da morada, e a mesa porás ao
norte. 36Para a entrada da Tenda farás uma cortina de púrpura violeta, vermelha e carmesim e de linho fino
retorcido, artisticamente bordada. 37Para a cortina farás cinco colunas de madeira de acácia, revestidas de
ouro e com ganchos de ouro, e fundirás para elas cinco bases de bronze.

26, 3 1 -37: Ex 36, 35-38.

26, 3 1 : "um véu" Uma cortina divi­


- 26, 33: "Santíssimo" Também chama­
-

dindo a tenda coberta em duas salas sepa­ do de "Santo dos Santos" (Hb 9, 3) . Esta câ­
radas . Suspensa a partir de quatro pilares mara interna era um cubo em forma de ten­
revestidos com ouro, que pendia entre a da, 5 m2• O lugar mais sagrado do Templo
câmara interior (o Santíssimo) e o quarto de Salomão tinha o dobro desse tamanho,
exterior ou antecâmara (lugar santo) . Esta medindo 10 m2 ( I R.s 6, 20) .
partição de tecido era um bloqueio para 26, 36: "cortinà' Um segundo véu
-

todos exceto o sumo sacerdote, o único para cobrir a entrada do lugar santo. Era me­
que tinha permissão para acessar o San­ nos ornamentado do que o véu interior bor­
tíssimo no Dia anual da Expiação (Lv 1 6, dado (26, 3 1 ) e pendia sobre cinco colunas
1 - 1 9) . revestidas de ouro.
O livro do Êxodo

ILUSTRAÇÃO: O PROJETO DA MORADA

Entrada
w
o l cm tomo
da cortina

2 70 altar dos holocaustos - ' "Farás um alrar de madeira de acácia. Será quadrado e rerá dois
metros e meio de comprimento e de largura, e um metro e meio de alrura. 2Dos quarro canros
do altar farás sobressair pontas e o revestirás de bronze. 3Farás vasos para as cinzas do altar, pás,
aspersórios, garfos e braseiros, utensílios todos de bronze. 4Farás uma grelha de bronze em forma de rede, e
nos seus quatro ângulos porás quatro argolas de bronze. 5Colocarás a grelha sob a beirada do altar, de modo
que fique a meia altura. 6Farás varais para o altar, varais de madeira de acácia, e os revestirás de bronze. 70s
varais serão enfiados nas argolas, e ficarão de ambos os lados do altar, quando este for carregado. 8Farás o
altar de tábuas, oco por dentro, exatamente como te foi mostrado no monte.

27, 1 -8: Ex 38, 1 -7.

COMENTÁRIOS
27, 1 : "um altar" - A moldura de ma- a meia altura. O centro oco pode ter sido
deira portátil revestida com bronze (2, 5 m preenchido com terra ou pedras brutas (20,
de comprimento e de largura, e 1 , 5 m de 24-25 ) . O altar de bronze foi usado para sa­
altura) . Quatro pontas salientes dos quatro crifícios diários (29 , 38-42) , e os seus fogos
cantos superiores e uma grade de bronze fo- queimavam continuamente (Lv 6, 1 3) .
ram feitas para ficar sob a beirada d o altar
Cadernos de estudo bíblico

O átrio e suas cortinas - 9"Farás a seguir o átrio da morada. Do lado sul o átrio terá cortinas de linho fino
retorcido, numa extensão de cinqüenta metros. '<Yferá vinte colunas com vinte bases de bronze. Os ganchos
das colunas e as vergas serão de prata. 1 1 Do mesmo modo, do lado norte haverá cortinas numa extensão de
cinqüenta metros, vinte colunas com vinte bases de bronze, ganchos e vergas de prata. 12Do lado ocidental,
na largura do átrio, haverá um cortinado de vinte e cinco metros, dez colunas e dez bases. 13Do lado
oriental a largura do átrio terá também vinte e cinco metros. 14De um lado haverá um cortinado de sete
metros e meio, com três colunas e três bases. 15Do outro lado haverá um cortinado de sete metros e meio,
com três colunas e três bases. 16Para a entrada do átrio haverá um cortinado de dez metros, de púrpura
violeta, vermelha e carmesim e de linho fino retorcido, artisticamente bordada, com quatro colunas e
quatro bases. 17Todas as colunas ao redor do átrio terão vergas e ganchos de prata e bases de bronze. 180
átrio terá cinqüenta metros de comprimento, vinte e cinco de largura e dois e meio de altura. Será todo
de linho fino retorcido e terá bases de bronze. 19Todos os utensílios da morada, destinados para qualquer
serviço, todas as suas estacas, bem como todas as estacas do átrio serão de bronze.

27, 9-19: Ex 38, 9-20.

27, 9: "o átrio" Um pátio aberto cerca­


- dores de Israel, sacerdotes ou leigos.
va a tenda coberta (45 m de comprimento x 27, 13: "Do lado oriental" A morada
-

22 m de largura x 2 m de altura) . Esta exten­ está na direção do oriente, assim como no


são do espaço sagrado foi cercada por lençóis templo posterior (Ez 47, 1 ) .
de linho, que se encontravam ao longo de 60
27, 16: "cortinado" A cortina d e linho
-

colunas de madeira estabilizadas por bases de


com bordado para cobrir a entrada oriental
bronze e estacas (27, 1 8- 1 9) . O acesso a esta
para o pátio.
área externa era permitido a todos os adora-

Azeite para a lâmpada - 20"0rdena aos israelitas que tragam azeite puro de oliva moída no pilão, para a
iluminação, a fim de manter acesa sempre a lâmpada 21na Tenda do Encontro, do lado externo do véu na
frente da arca da aliança. Aarão e seus filhos a manterão acesa desde a tarde até a manhã na presença do
Senhor. É uma lei perpétua para os israelitas por todas as gerações.

27, 20-2 1 : Lv 24, 1 -4.

27, 20: "azeite puro de oliva moídà' - 27, 2 1 : "desde a tarde até a manhâ'
Um combustível limpo, sem fumaça para as O candelabro iluminou a tenda (o santu­
-

sete lâmpadas do candelabro de ouro (25 , ário) durante toda a noite, mas se apagava
3 1 -39) . Óleo puro não deixaria fuligem ou ou era apagado todas as manhãs ( I Sm 3 ,
resíduo alguns sobre as cortinas do santuário. 3) .

92
O livro do Êxodo

28
sagradas vestes dos sacerdotes 1 "Depois manda que do meio dos israelitas se aproximem
-

de ti o teu irmão Aarão e seus filhos Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar, para que me sirvam como
As
sacerdotes. 2Mandarás fazer vestes sagradas para teu irmão Aarão, em sinal de honra e distinção.
3Confiarás a artistas bem preparados, que dotei do espírito de sabedoria, a tarefa de confeccionar as vestes
de Aarão, para que seja consagrado como sacerdote a meu serviço. 4Estas são as vestes que deverão fazer:
um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada, uma mitra e um cinto. Farão essas vestes litúrgicas
para teu irmão Aarão e seus filhos, para que sejam meus sacerdotes.

COMENTÁRIOS
28, 2: "vestes sagradas" Vestes sacer­
- um peitoral cravej ado com pedras preciosas
dotais para Aarão e seus sucessores, os su­ (28 , 1 5-28) . Calções de linho cobriam da
mos sacerdotes de Israel. Feitas a partir dos cintura até as coxas (28, 42) . Os filhos de
mesmos materiais da morada, cobriam a ca­ Aarão usavam vestes menos elaboradas (28 ,
beça, corpo e pernas. Uma mitra com uma 40- 43) . Uma vez que nenhuma menção é
lâmina de ouro anexada coroava sua cabe­ feita ao calçado sagrado, os sacerdotes tal­
ça (28 , 36-39) . A túnica de linho (28, 39) vez ministrassem com os pés descalços na
era colocada debaixo de um manto púrpura premissa de que a morada é terra santa (ver
(28, 3 1 -34) , um efod bordado (28, 5 - 1 4) , e 3, 5 ; Js 5 , 1 5) .

O efod 5Utilizarão ouro, púrpura violeta, vermelha e carmesim e linho fino. 6"0 efod será feito de
-

ouro, de púrpura violeta, vermelha e carmesim e de linho fino retorcido, artisticamente entretecidos. 7Terá
duas ombreiras pregadas nas duas extremidades e assim será prendido. 80 cinto por cima do efod será do
mesmo tecido: de ouro, de púrpura violeta, vermelha e carmesim e de linho fino retorcido. 9Tomarás duas
pedras de ônix e gravarás nelas os nomes das tribos israelitas: 10seis nomes numa pedra e os restantes seis
na outra pedra, por ordem de nascimento. 1 1 Nas duas pedras gravarás os nomes das tribos de Israel, assim
como trabalha o lapidador gravando sinetes, e as embutirás em engastes de ouro. 12Depois inserirás as duas
pedras nas ombreiras do efod, como recordação para os israelitas. Deste modo levará Aarão os seus nomes
sobre os dois ombros na presença do Senhor, como recordação. 13Farás também engastes de ouro 14e duas
correntinhas de ouro puro, à maneira de cordão, e as prenderás nos engastes.

28, 6-12: Ex 39, 2-7.

28, 6: "O efod" Um avental de linho


- sumo sacerdote representa a família de Israel
sem mangas, com ombreiras e um cinto. perante o Senhor, duas pedras de ônix gra­
Cobria as costas e o peitoral e foi bordado vadas com os nomes das doze tribos foram
com fios coloridos de ouro, púrpura viole­ colocadas nas ombreiras.
ta, vermelha e carmesim. Para mostrar que o

93
Cadernos de estudo bíblico

O peitoral do julgamento '5"Farás o peitoral para usar no julgamento. Será artisticamente trabalhado,
-

do mesmo tecido do efod: de ouro, de púrpura violeta, vermelha e carmesim e de linho fino retorcido.
16Dobrado, ele será quadrado, com um palmo de comprimento e um de largura. 17Enfeitarás o peitoral
com engastes de pedraria, quatro carreiras de pedras preciosas. Na primeira carreira haverá um rubi, um
crisólito e urna esmeralda; 18na segunda, uma turquesa, urna safira e um ônix; 19na terceira, urna opala, urna
ágata e urna ametista; 20e na quarta, um crisólito, um berilo e um jaspe. Elas estarão engastadas em ouro.
21As pedras levarão os doze nomes dos filhos de Israel. Serão gravadas corno sinetes, cada urna com o nome
de urna das doze tribos. 22Farás para o peitoral correntinhas de ouro puro, trançadas corno cordão, 23e duas
argolas de ouro, e as prenderás nas extremidades do peitoral. 24Enfiarás os dois cordões de ouro pelas duas
argolas presas nas pontas do peitoral 25e fixarás as duas pontas dos cordões nos engastes do peitoral, unindo­
as à parte dianteira das ombreiras do efod. 26Farás duas argolas de ouro e as porás nas duas pontas do
peitoral, na borda do lado de dentro do efod. 27Farás outras duas argolas de ouro e as porás na parte inferior
das ombreiras do efod, pela frente, perto da juntura e acima do cinto do efod. 280 peitoral se unirá por suas
argolas às argolas do efod com um cordão de púrpura violeta, para que o peitoral fique por cima do cinto
do efod e não se desprenda. 29Assim, quando Aarão entrar no santuário, levará sobre o coração os nomes
das tribos de Israel no peitoral do julgamento, como recordação perpétua na presença do Senhor. 30No
peitoral do j ulgamento porás os Urim e Tumim. Estarão sobre o coração de Aarão quando se apresentar ao
Senhor, e assim levará constantemente sobre o coração, na presença do Senhor, o j ulgamento dos israelitas.

28, 1 5-28: Ex 39, 8-2 1 .

28, 1 5 : "peitoral" Um quadrado d e li­


- (também em 39, 1 1 ) . A turquesa era minada
nho dobrado usado sobre o efod. Bordados no sul do Sinai.
coloridos cobriam a frente, j untamente com 28, 30: "Urim e Tumim" Lotes sagra­ -

1 2 pedras preciosas, cada uma inscrita com dos com diferences marcas e cores. O sumo
o nome de uma tribo israelita, e uma bolsa sacerdote usou-os para discernir a vontade
segurando os Urim e Tumim (Lv 8, 8 ) . de Deus para Israel (Nm 27, 2 1 ; l Sm 1 4,
2 8 , 1 8: "turquesa" O hebraico é uma 4 1 ) .
-

transcrição do termo egípcio para "turquesà'

O manto de Efod - 3 1 " Farás o manto do efod todo de púrpura violeta. 32Terá no meio uma abertura para
a cabeça, e esta abertura terá em toda a volta uma barra reforçada, como a borda do colete, que não se
rasga. 33Na parte inferior, ao redor de toda a borda, porás romãs de púrpura violeta, vermelha e carmesim,
alternando-as com campainhas de ouro 34- uma campainha de ouro e uma romã, sucessivamente, em volta
de toda a barra do manto. 35Aarão o vestirá para exercer o ministério e será ouvido quando entrar e sair do
santuário, na presença do Senhor, para que não morra.

28, 3 1 -34: Ex 39, 22-26.

28, 33: "campainhas de ouro" Pen­ podiam ouvi-las tilintar conforme o sumo
-

duradas em torno da bainha do manto púr­ sacerdote entrava e saía do santuário (Eclo
pura sem costura. Freqüentadores do culto 45, 9) .

94
O livro do Êxodo

Outras vestes sacerdotais - 36"Farás uma lâmina de ouro puro e nela gravarás, como se gravam sinetes:
'Consagrado ao Senhor'. 37Prenderás a lâmina à mitra com um cordão de púrpura violeta pelo lado da
frente. 38Ela estará sobre a fronte de Aarão. Assim Aarão será responsável pelas faltas que os israelitas
cometerem ao oferecerem qualquer oferta sagrada. Ficará constantemente sobre a fronte de Aarão, para que
eles encontrem o agrado do Senhor. 39Mandarás tecer de linho fino a túnica e a mitra, e bordar artisticamente
o cinto. 40Para os filhos de Aarão farás túnicas, cintos e turbantes em sinal de honra e distinção. 4 1 Destas
vestimentas revestirás teu irmão Aarão e seus filhos e os ungirás, dando-lhes a investidura e consagrando-os
para que me sirvam como sacerdotes. 42Faze-lhes calções de linho para cobrirem a nudez, da cintura até as
coxas. 43Aarão e seus filhos os usarão quando entrarem na Tenda do Encontro ou quando se aproximarem
do altar para servir no santuário, a fim de não incorrerem em falta e não morrerem. Esta é uma lei perpétua
para Aarão e seus descendentes.

28, 36-37: Ex 39. 30-3 1 . 28, 39. 40. 42: Ex 39, 27-29.

28, 36: "lâminà' Uma coroa de ouro, guma ligação com a liturgia da ordenação sa­
-

também chamada de "diadema sagrado" (29, cerdotal, em que as porções de oferendas de


6; 39, 30; Lv 8 , 9) . animais e de cereais são colocadas nas mãos
28, 4 1 : "dando-lhes a investidurà' do novo sacerdote (Lv 8, 25-27) . (2) Outros
-

O hebraico diz literalmente "encher suas o vinculam com uma expressão equivalente
mãos" , uma expressão para a ordenação ao em acadiano que significa "confiar uma tare­
ministério sagrado (29, 9; 32, 29; l Rs 1 3 , fa especial" e é também usada para a investi­
33) . Seu significado exato é debatido. ( 1 ) AI- dura de ministros de culto.

NOTAS

95
Cadernos de estudo bíblico

2 9A consagração dos sacerdotes ' "Eis o rito que seguirás para consagrá-los como sacerdotes
-

ao meu serviço: Toma um bezerro e dois carneiros sem defeiro, 2pão sem fermento, rortas
sem fermento, amassadas com azeite, e bolinhos sem fermento, untadas de azeite, tudo isso
preparado com farinha fina de trigo. 3Porás tudo numa cesta e assim o apresentarás junto com o bezerro
e os dois carneiros. 4Mandarás aproximar-se Aarão e seus dois filhos até à entrada da Tenda do Encontro
e os lavarás com água. 5Depois, tomando as vestes, revestirás Aarão com a túnica, o manto do efod,
o efod e o peitoral, que lhe cingirás com o cinto do efod. 6Colocarás a mirra sobre a cabeça dele e na
mitra, o diadema sagrado. 7Tomarás o óleo da unção e, derramando-o sobre sua cabeça, o ungirás. ªDepois
mandarás que se aproximem os filhos e os revestirás com as túnicas, 9tu os cingirás com os cintos e lhes
porás os turbantes. A eles pertencerá o sacerdócio por lei perpétua. É assim que conferirás a investidura
a Aarão e seus filhos. 10Depois mandarás trazer o bezerro diante da Tenda do Encontro; Aarão e os filhos
imporão as mãos sobre a cabeça do bezerro. " Então sacrificarás o bezerro diante do Senhor, à entrada da
Tenda do Encontro. 12Pegarás uma parte do sangue do bezerro, e com o dedo untarás as pontas do altar,
e derramarás todo o resto do sangue ao pé do altar. 13Tomarás toda a gordura que cobre as vísceras, a
membrana gordurosa do fígado, os dois rins e a gordura que os envolve, e levarás tudo para queimar no
altar. 14Mas a carne do bezerro, a pele e os excrementos queimarás fora do acampamento: é sacrifício pelo
pecado. ' 5Depois tomarás um carneiro, e Aarão e os filhos lhe imporão as mãos sobre a cabeça. 16Imolarás
o carneiro, pegarás o sangue e o aspergirás em volta do altar. 17Esquartejarás o carneiro e, depois de lavar as
vísceras e as patas, colocarás isto sobre os outros pedaços e a cabeça, 18e queimarás todo o animal sobre o
altar. É um holocausto ao Senhor, de agradável odor, uma oferta queimada ao Senhor. '9Depois mandarás
pegar o ourro carneiro, e Aarão e os filhos lhe imporão as mãos sobre a cabeça. 20Imolarás o carneiro e,
com um pouco de sangue, untarás o lóbulo da orelha direita de Aarão e de seus filhos, o polegar direito das
mãos e o polegar direito dos pés, e aspergirás o sangue em volta do altar. 21 Pegarás um pouco do sangue de
cima do altar e o óleo da unção, e aspergirás com ele Aarão e suas vestes, bem como os filhos e suas vestes,
consagrando-os assim com as vestes. 22Tirarás a gordura do carneiro, isto é, a cauda, a gordura que cobre
as vísceras e a membrana do fígado, os dois rins com a gordura que os envolve e a coxa direita, pois este
é o carneiro da investidura. 23Além disso, tirarás, da cesta dos pães sem fermento posta diante do Senhor,
um pão, uma torta do pão de azeite e um bolinho, 24e depositarás tudo isso nas mãos de Aarão e dos filhos,
para que o ofereçam com um gesto diante do Senhor. 25Depois retirarás tudo das mãos deles e o queimarás
no altar, em cima do holocausto, como agradável aroma diante do Senhor, oferta queimada ao Senhor.
26Tomarás também as costelas do carneiro da investidura de Aarão e as oferecerás com um gesto diante
do Senhor; esta será a tua parte. 27Assim consagrarás as costelas apresentadas e a coxa oferecida, isto é, as
partes do carneiro da investidura que foram oferecidas e separadas como tributo, pertencentes a Aarão e
a seus fi l hos. 28É a parte que cabe a Aarão e a seus filhos por direito perpétuo como contribuição da parte
dos israelitas. A contribuição dos israelitas provirá dos sacrifícios de comunhão que oferecem ao Senhor.
29As vestes sagradas que Aarão usará pertencerão depois a seus filhos, quando forem ungidos e sagrados.
30Durante sete dias deverá usá-las aquele de seus filhos que se tornar sacerdote em seu lugar e entrar na
Tenda do Encontro para exercer as funções no santuário. 31Quanto ao carneiro da investidura, mandarás
pegar a carne e cozinhá-la em lugar santo. 32Aarão e seus filhos comerão a carne do carneiro e o pão que está
na cesta à entrada da Tenda do Encontro. 33Eles comerão o que lhes serviu de expiação, quando receberam
a investidura e a consagração. Nenhum estranho poderá comer disso, porque são coisas santas. 34Se sobrar
algo da carne da investidura ou do pão para o dia seguinte, deverás queimá-lo. Não se comerá, pois é coisa
santa. 35Procederás exatamente como te ordenei a respeito de Aarão e de seus filhos. O rito da investidura
durará sete dias. 36Cada dia oferecerás um bezerro de expiação pelo pecado. Farás o rito expiatório sobre
o altar, oferecendo sobre ele um sacrifício pelo pecado, e depois o ungirás para torná-lo santo. 37Durante
sete dias farás o rito de expiação sobre o altar e o santificarás. Assim o altar será santíssimo, e tudo o que
nele tocar será santo.

9, 1-37: Lv 8, 1 -34. 29, 18: Ef 5, 2; Fl 4, 1 8.


O livro do Êxodo

COMENTÁRIOS
29, 1 -35: O rito de ordenação de sacer­ 29, 18: "agradável odor" Uma metá­-

dotes Aarônicos. Moisés será o celebrante fora para a aprovação divina e aceitação de
principal da cerimônia de posse ao longo de um holocausto. Ver comentário em Lv 1 , 9.
sete dias (29, 35). Durante a semana, Aarão e 29, 20: "orelha [ ] polegar direito das
...

seus quatro filhos serão lavados com água (29, mãos [ ] dos pés" O rito de sangue de­
... -

4) , vestidos com vestes sacerdotais (29, 5-9) , dica o sacerdote ao Senhor. De acordo com
ungidos com óleo (29, 7) e santificados por
uma interpretação, os ouvidos são consagra­
uma série de ofertas de animais e cereais (29,
dos para ouvir sua palavra, as mãos para fazer
1 0-34) . Estas ações destinam-se a transferi­
seu trabalho, e os pés para andar nos seus
los do mundo profano para o reino do santo
caminhos.
serviço. Separados desta forma, os sacerdotes
serão elevados a um padrão maior de pureza 29, 24: "ofereçam com um gesto" -

moral e cerimonial que os leigos de Israel (Lv Ofertas dedicadas ao sacrifício devem ser ba­
1 0, 8-1 1 ; 2 1 , 1 -7; CIC 1 539- 1 54 1 ) . lançadas para frente e para trás, na presença
do Senhor.
29, 10: "imporão as mãos" O gesto -

oferece o novilho e os dois carneiros ao Se­ 29, 26: "tua parte" Moisés recebe o -

nhor em nome de Aarão e seus filhos (29, peito do carneiro da ordenação para comer
1 5 . 1 9) . (Lv 8, 29) .
29, 1 2 : "pontas" Sobressaídas dos qua­
-
29, 27: "a coxa" É consumida pelos -

tro cantos superiores do altar de bronze (27, sacerdotes cada vez que um sacrifício de co­
2) . Sujar essas saliências com sangue era um munhão é oferecido pelos israelitas (Lv 7,
meio de purificação ritual (Lv 8, 1 5) . 32-36) .

Os sacrifícios diários 38"Eis o que oferecerás permanentemente sobre o altar: dois cordeiros de um ano,
-

cada dia, 39um pela manhã e outro ao pôr do sol. 4°Com o primeiro cordeiro oferecerás um jarro de quatro
litros de farinha fina amassada com um litro de azeite puro de olivas, e uma libação de um litro de vinho.
41Ao pôr do sol oferecerás o segundo cordeiro com uma oferenda e uma libação iguais às da manhã, como
agradável perfume, oferta queimada ao Senhor. 42Será um holocausto perpétuo para vossas gerações, a
ser oferecido à entrada da Tenda do Encontro, diante do Senhor, lá onde me encontrarei contigo para te
falar. 43 É l� que me encontrarei com os israelitas, lugar que será santificado por minha glória. 44Santificarei
a Tenda do Encontro e o altar, bem como Aarão e seus filhos, para que me sirvam como sacerdotes.
45Habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus. 46Eles reconhecerão que eu, o Senhor, sou o seu Deus
que os fez sair do Egito para morar no meio deles - eu, o Senhor, seu Deus.

29, 38-42: N m 28, 3- 1 O.

29, 38-42: A liturgia diária da morada, uma libação de vinho no altar de bronze e
conhecida como tamid (hebraico para "con- então caminhavam do átrio exterior ao lugar
tínua"). Todas as manhãs e noites os sacerdo- santo, a fim de queimar incenso (30, 7-8;
tes sacrificavam u m cordeiro e derramavam Eclo 50, 1 5) .

97
Cadernos de estudo bíblico

29, 40: "um jarro" - Cerca de um quar- que Pai Javé (Is 64, 8) e seu primogênito, Is-
to. rael (4, 22) , vivam em comunhão de aliança
29, 45: "habitarei" - A morada permite (Lv 26, 1 1 - 1 2) .

3
O
O altar do incenso 1 " Farás também de madeira de acácia u m altar para queimar incenso.
-

2Será quadrado, com cinqüenta centímetros de comprimento por cinqüenta de largura e um


metro de altura, tendo pontas que formarão uma só peça com o altar. 3Revestirás o altar de ouro
puro na parte superior, em redor dos lados e nas pontas. Em volta do altar farás uma moldura de ouro.
4Farás duas argolas de ouro por baixo da moldura dos dois lados opostos; servirão aos varais para carregar
o altar. 5Farás os varais de madeira de acácia e os revestirás de ouro. 6Colocarás o altar diante do véu que
oculta a arca da aliança, na frente do propiciatório que está sobre a arca da aliança, lugar onde me encontro
contigo. 7Sobre ele Aarão queimará incenso aromático, todas as manhãs, ao preparar as lâmpadas, 8e ao
pôr do sol, quando as acender. Assim será queimado o incenso diante do Senhor perpetuamente, por todas
as gerações. 9Sobre este altar não oferecereis nenhum incenso profano, nem holocaustos, nem oferendas,
nem derramareis nenhuma libação. 10Uma vez por ano Aarão fará a expiação sobre as pontas do altar. Fará
a expiação anual com o sangue da vítima de expiação pelo pecado, por todas as gerações. Será um lugar
especialmente consagrado ao Senhor".

30, 1 -5: Ex 37, 25-29.

COMENTÁRIOS

� 30, 1: "um altar para queimar in­ primeiro, usado para sacrifício de animais
.. censo" Um pedestal de madeira re­
-
e estabelecido fora do santuário, significa a
vestido de ouro (50 cm de comprimento por adoração carnal da Antiga Aliança. O segun­
do, usado para incenso e estabelecido dentro
50 de largura e 1 m de altura) . Ficava na
do santuário diante do lugar santíssimo, re­
frente do véu interior que pendia na frente
presenta o culto interior e mais perfeito da
do lugar santíssimo. A superfície superior era Nova Aliança.38
usada para queimar incenso duas vezes por
dia (30, 7-8 ) . A fragrância e a fumaça que se 30, 2: "pontas" Sobressaídas dos qua­ -

elevavam ao Senhor simbolizavam as orações tro cantos superiores. A arqueologia tem


do fiel ascendendo à sua presença (Sl 1 4 1 , 2; mostrado que altares com pontas eram co­
Ap 8 , 3-4) . muns no ambiente de culto da antiga Canaã.

• Alegoricamente, os dois altares da morada


representam as duas alianças de salvação. O 38 Sáo Beda, Homilias sobre os evangelhos 2, 1 9 .
O livro do Êxodo

O meio sido para o santuário - 110 Senhor falou a Moisés nestes termos: 12"Quando fizeres a contagem
dos israelitas para o censo, cada um oferecerá ao S enhor um resgate por sua vida, para que, ao serem
recenseados, não os atinja alguma peste. 13Cada um que passar pelo censo dará um meio sido, cinco gramas
de prata, segundo o peso padrão do santuário. Este meio sido será, pois, a contribuição dada ao Senhor.
'4Quem passar pelo recenseamento, tendo mais de vinte anos, pagará a contribuição ao Senhor. 150 rico
não dará mais nem o pobre menos do que meio sido ao pagar o tributo ao Senhor, como res gate de vossas
vidas. 16Aplicarás no serviço da Tenda do Encontro o dinheiro deste resgate que receb eres dos israelitas .
Servirá para os israelitas para serem lembrados diante do Senhor e como resgate de vossas vidas".

1
30, 1 1 -16: Ex 38, 25-26.

30, 13: "meio sido" - Um imposto anu- a manutenção e os ministérios do santuário.


al exigido de todos os adultos israelitas para

A bacia de bronze - 170 Senhor falou a Moisés: 18"Farás uma bacia de bronze, com suporte de bronze,
para as abluções. Colocarás a bacia entre a Tenda do Encontro e o altar, e a encherás de água. 19Com ela
Aarão e os filhos se lavarão as mãos e os pés. 20Ao entrarem na Tenda do Encontro eles deverão lavar-se com
esta água, para que não morram. Igualmente, ao se aproximarem do altar para as funções e ao oferecerem
uma oferta queimada ao Senhor, 21deverão lavar mãos e pés, para que não morram. Este será um decreto
perpétuo para Aarão e sua descendência, por todas as gerações".

30, 18: Ex 38, 8.

30, 18: "bacia de bronze" - Uma grande base eram feitas de espelhos de bronze (38,
bacia metálica (de dimensões desconhecidas) 8) . Os sacerdotes se lavavam em suas águas
posicionada no átrio exterior. Sua cavidade e para a purificação ritual.

NOTAS

99
Cadernos de estudo bíblico

O óleo de unção e o incenso 220 Senhor falou a Moisés: 23"Pega aromas de primeira qualidade: cinco
-

quilos de mirra virgem, dois quilos e meio de cinamomo aromático, dois quilos e meio de cana aromática,
24cinco quilos de cássia, segundo o peso do santuário, e nove litros de azeite de olivas. 25Farás disto um óleo
para a unção sagrada, uma mistura de especiarias preparada segundo a arte da perfumaria. Será este o óleo
para a unção sagrada. 26Com ele ungirás a Tenda do Encontro, a arca da aliança, 27a mesa com todos os
apetrechos, o candelabro com os utensílios, o altar do incenso, 280 altar dos holocaustos com os utensílios,
bem como a bacia com o suporte. 29Assim os santificarás e serão santíssimos; tudo o que os tocar será santo.
30Ungirás também Aarão e seus filhos, consagrando-os para me servirem como sacerdotes. 31Assirn falarás aos
israelitas: esse será para mim o óleo da unção sagrada por todas as gerações. 32Ele não será derramado sobre
o corpo de nenhuma outra pessoa, nem fareis outro parecido, da mesma composição. É coisa sagrada, e
devereis considerá-lo como tal. 33Quem imitar este óleo ou com ele ungir uma pessoa profana será eliminado
do meio de seu povo'' . 340 Senhor disse a Moisés: "Arranj a essências aromáticas: resina, âmbar, gálbano
aromático e incenso puro em partes iguais. 35Prepararás um incenso perfumado, composto segundo a arte
da perfumaria, bem dosado, puro e santo. 36Parte dele reduzirás a pó e o colocarás diante da arca da aliança
na Tenda do Encontro, onde me encontrarei contigo. Haveis de considerá-lo como algo santo e consagrado.
37Não deveis fazer para vós outro incenso da mesma composição. Deverás considerá-lo como consagrado ao
Senhor. 38Quem imitar este incenso, para sentir-lhe o aroma, será eliminado do meio de seu povo".

30, 22-33: Ex 37, 29.

30, 25: "óleo para a unção sagradà' 30, 35: "incenso" - Uma mistura sa­
- Uma mistura sagrada de azeite de oliva e grada de especiarias, sal e incenso para ser
especiarias usada para consagrar os objetos queimada duas vezes por dia no lugar santo
do santuário e ordenar os seus servidores, o (30, 7-8) . É proibido para uso doméstico ou
sumo sacerdote (Aarão, 29, 7) e o grupo de pessoal (30, 37-38) .
sacerdotes sob ele (filhos de Arão, 40, 1 5) .

31 Beseleel e Ooliab 10 Senhor falou a Moisés: 2"0lha, eu chamei especialmente Beseleel filho
-

de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. 3Enchi-o do espírito de Deus: sabedoria, habilidade e
conhecimento para qualquer trabalho 4como fazer projetos, trabalhar com ouro, prata e bronze,
5lapidar pedras e engastá-las, entalhar madeira e executar qualquer tipo de trabalho. 6Como ajudante dou­
lhe Ooliab filho de Aquisamec, da tribo de Dá. Pus também no coração de todos os artesãos habilidosos a
sabedoria para que executem tudo o que te mandei: 7A Tenda do Encontro, a arca da aliança, o propiciatório
que a encobre e todos os acessórios da renda; 8a mesa com os utensílios, o candelabro de ouro puro com os
utensílios e o altar do incenso; 9o altar do holocausto com os utensílios e a bacia com o suporte; 10as alfaias
com as vestes litúrgicas do sacerdote Aarão e de seus filhos, para exercerem o ministério sacerdotal; 1 1 0 óleo
da unção e o incenso aromático para o santuário. Eles farão tudo conforme te mandei".

3 1 , 1 -6: Ex 3 5 . 30-36, ! .

COMENTÁRIOS
3 1 , 1 - 1 1 : O Senhor chama Beseleel de Ooliab de Dã para aj udá-lo. Eles são dotados
Judá para ser o artesão-chefe do santuário e pelo Espírito com conhecimentos técnicos

I OO
O livro do Êxodo

em metalurgia, lapidação de pedra, carpinta­ 3 1 , 3: "Espírito de Deus" Menciona­ -

ria e bordado. Essas habilidades de engenha­ do da mesma forma no relato da criação (Gn
ria e artísticas são dons espirituais ordenados 1 , 2) . Para paralelos entre a construção do
ao serviço do culco. santuário e a criação do mundo, ver comen­
tário em 40, 33.

A lei sabática 1 2 0 Senhor falou a Moisés: 13"Fala aos israelitas, dizendo: Cuidai d e guardar o s meus
-

sábados, porque o sábado é um sinal entre mim e vós por rodas as gerações, para que saibais que sou eu, o
Senhor, quem vos santifica. 14Guardareis o sábado, porque é sagrado para vós. Quem o violar será punido
de morre. Se alguém nesse dia trabalhar, será eliminado do meio do povo. 1 5Durante seis dias se trabalhará,
mas o sétimo dia será sábado, dia de descanso consagrado ao Senhor. Quem trabalhar no sábado será
punido de morre. 160s israelitas guardarão pois o sábado, observando-o por rodas as gerações como aliança
perpétua. 17Será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas. Pois em seis dias o Senhor fez o céu e a terra,
e no sétimo dia parou para respirar".

3 1 , 12-17: Ex 20, 8; 23, 1 2; 35, 2; De 5, 1 2- 1 5.

1
3 1 , 12: "meus sábados" - A observância à criação (Gn 2, 2-3) . Ver comentário em 20,
do sábado é um sinal da aliança que remonta 8- 1 1 .

As tábuas da aliança- 18Quando Deus acabou de falar com Moisés na momanha do Sinai, deu-lhe as duas
tábuas da aliança. Eram tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus.

3 1 , 18: "duas tábuas" Inscritas com o


-

Decálogo (De 5 , 22) . Este primeiro conj un­ NOTAS


to de tábuas será destruído quando Moisés
avista o bezerro de ouro (32, 1 9) . Um se­
gundo conjunto será providenciado quando
Deus renova a aliança do Sinai com Moisés
(34, 1 . 28) . Com base em paralelos com os
tratados do Oriente Próximo, em que ambas
as partes mantiveram um registro das estipu­
lações, é possível que as duas tábuas da lei se­
jam cópias duplicadas do acordo da aliança.
Se assim for, cada tábua tem uma listagem
completa dos Dez Mandamentos, uma para
o Senhor e outra para Israel (CIC 2056-5 8) .

IOI
Cadernos de estudo bíblico

32 O bezerro de ouro 'Vendo que Moisés demorava a descer do monte, o povo reuniu-se em
-

torno de Aarão e lhe disse: "Vem, faze-nos deuses que caminhem à nossa frente. Pois quanto a
esse Moisés, o homem que nos fez sair da terra do Egito, não sabemos o que aconteceu" . 2Aarão
lhes disse: "Tirai os brincos de vossas mulheres, de vossos filhos e de vossas filhas e trazei-os a mim". 3Todo
o povo arrancou os brincos de ouro que usava e os trouxe para Aarão. 4Recebendo o ouro, preparou um
molde com o cinzel e fez um bezerro fundido. Então disseram: ''.Aí tens, Israel, os teus deuses que te fizeram
sair do Egito!" 5Ao ver isto, Aarão construiu um altar diante do bezerro e proclamou: ''Amanhã haverá
festa em honra do Senhor" . 6Levantando-se na manhã seguinte, ofereceram holocausros e apresentaram
sacrifícios de comunhão. O povo sentou-se para comer e beber, e depois levantou-se para se divertir. 70
Senhor falou a Moisés: "Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo que tiraste do Egito. 8Bem depressa
desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, prostraram-se
em adoração e ofereceram sacrifícios diante dele, dizendo: 'Israel, aí tens os teus deuses, que te fizeram sair
do Egito"'. 90 Senhor disse a Moisés: "Vejo que este é um povo de cabeça dura. 10Deixa que a minha ira
se inflame contra eles e eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação". " Moisés, porém, suplicava ao
Senhor seu Deus, dizendo: "Por que, ó Senhor, se inflama a tua ira contra o teu povo que fizeste sair do
Egito com grande poder e mão poderosa? 1 2Por que os egípcios diriam: Foi com má intenção que ele os
tirou do Egiro, para matá-los nas montanhas e exterminá-los da face da terrà. Aplaque-se a tua ira, perdoa
a iniqüidade do teu povo. 13Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac e Israel, com os quais te comprometeste
por j uramento, dizendo: 'Tornarei os vossos descendentes tão numerosos quanto as estrelas do céu, e roda
esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como posse para sempre" . 14E o Senhor desistiu
do mal com que havia ameaçado o seu povo. 1 5Moisés voltou da montanha, trazendo as duas tábuas da
aliança, escritas nos dois lados, na frente e no verso. 16As tábuas eram obra de Deus, e a escrita era a escrita
de Deus, gravada sobre as tábuas. 17Josué ouviu o tumulto do povo que gritava e disse a Moisés: "Há gritos
de guerra no acampamento". 18Moisés respondeu: "Não são gritos de vitória, nem gritos de derrota. O que
ouço são vozes de gente que canta". '9Quando chegou perto do acampamento, viu o bezerro e as danças.
Moisés ficou indignado, arremessou por terra as tábuas e quebrou-as no sopé da montanha. 20Em seguida,
apoderou-se do bezerro que haviam feito, queimou-o e triturou-o, até reduzi-lo a pó. Depois, misturou o
pó com água e o deu de beber aos israelitas. 2 1Moisés disse a Aarão: "Que te fez este povo para atraíres sobre
ele tão grande pecado?" 22Aarão respondeu: "Não se indigne o meu senhor. Tu bem sabes que este povo é
inclinado ao mal. 23Eles me disseram: 'Faze-nos deuses que caminhem à nossa frente, pois quanto àquele
Moisés, que nos fez sair do Egito, não sabemos o que aconteceu'. 24Eu, então, lhes disse: 'Quem tem ouro'?
Eles tiraram o ouro e me entregaram, e eu lancei-o no fogo e saiu este bezerro". 25Moisés viu que o povo
estava desenfreado, porque Aarão lhe tinha soltado as rédeas, para zombaria dos inimigos. 26Posrou-se então
à entrada do acampamento e gritou: "Quem for do Senhor venha até mim!" Todos os levitas juntaram-se a
ele. 27Ele lhes disse: ''.Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um coloque a espada na cintura. Circulai
pelo acampamento e matai, de porta em porta, até os parentes, amigos ou vizinhos". 280s levitas fizeram
o que Moisés mandou. E assim, naquele dia, tombaram cerca de três mil homens do povo. 29Moisés lhes
disse: "Hoje vos consagrastes ao Senhor, ainda que às custas do próprio filho ou parente, para que vos desse
hoje a bênção". 30No dia seguinte Moisés disse ao povo: "Cometestes um grandíssimo pecado. Agora vou
subir até o Senhor, para ver se de algum modo poderei obter perdão para o vosso deliro" . 31Moisés retornou
para j unto do Senhor e disse: ''Ah! Este povo cometeu um grandíssimo pecado. Fizeram para si deuses de
ouro. Mas agora perdoa-lhes o pecado, 32senão, risca-me do livro que escreveste". 330 Senhor respondeu
a Moisés: "Riscarei do meu livro quem pecou contra mim. 34E agora vai, conduze o povo para onde eu te
falei. O meu anjo irá à tua frente; mas quando chegar o dia do castigo, eu os castigarei por este seu pecado".
35Assim o Senhor castigou o povo pelo que fez com o bezerro fabricado por Aarão.

32, 1 -6: At 7, 40-4 1 . 32, 6: ! Cor 1 0 , 7. 32, 9-14: Ex 32, 3 1 -3 5 ; N m 1 4 , 1 1 -25. 32, 23: At 7, 40. 32, 32-33: Ap 3, 5 .

102
O livro do Êxodo

COMENTÁRIOS
32, 1: "Moisés demoravà' Ele perma­
- "Aí tens [ ] os teus deuses": A razão
...

neceu no cume de fogo do Sinai por 40 dias para o plural é incerta. Talvez a declaração
(24, 1 8) . Como resultado, o povo ficou an­ fora redigida desta forma para sublinhar que
sioso de que Moisés tivesse morrido ou de­ Israel estava transgredindo o primeiro man­
sertado deles. damento do Decálogo ("Eu sou o Senhor,
"Nos fez sair": A libertação do Êxodo é teu Deus [ . . . ] . Não terás outros deuses além
atribuída a Moisés, em vez de Javé (20, 2) . de mim" . [20, 2-3] ; cf. O singular em Ne­
Logo o ídolo bezerro vai obter o crédito des­ emias 9, 1 8) . Outros alegam que o texto é
te feito extraordinário (32, 4) . influenciado por l Rs 1 2, 28, em que Jero­
boão 1 levou os israelitas do norte a adorar
32, 3: "brincos de ouro" - Recolhidos
dois bezerros de ouro.
dos despojos do Egito ( 1 2, 3 5 ) .
32, 5-6: O culto ao bezerro é uma paró­
32, 4 : "bezerro fundido" Intérpre­
-

dia sacrílega da liturgia do Sinai que selou


tes fazem diferentes interpretações sobre se
o compromisso de lealdade de Israel ao Se­
este é um "ídolo" que representa um deus
nhor ("altar" , 24, 4; "manhã seguinte" , 24,
estranho ou simplesmente um "trono" que
4; "oferecer holocaustos e sacrifícios de co­
simboliza a presença do Senhor entre o seu
munhão" , 24, 5; "comer e beber na presença
povo. Considera-se que o anúncio de Aarão
da divindade", 24, 1 1 ) .
sobre "festa em honra do Senhor" em 32, 5
favoreça a última interpretação, assim como 32, 5: "festa em honra do Senhor" O -

o fato de que a arte do Oriente Próximo re­ anúncio pode ser interpretado como uma
trata divindades em pé sobre pedestais feitos tentativa de Aarão para conter as pessoas, re­
à imagem de um leão ou touro. No entanto, direcionando sua atenção para Javé. Nota-se
outros fatores tornam mais provável que este também que ele molda um único bezerro de
seja um ato insolente de idolatria. ( 1 ) Israel ouro (32, 4) , apesar do clamor popular por
é culpado, não só de forjar uma imagem es­ vários "deuses" (32, 1 ) . Se de fato Aarão ten­
culpida à semelhança de uma criatura (em tou diminuir a gravidade da apostasia, isso
violação a 20, 4) , mas de fazer "deuses de poderia aj udar a explicar por que ele é pou­
ouro" (32, 3 1 , em violação a 20, 23) . (2) As pado das sentenças da espada e flagelo que se
pessoas adoraram isso em vez do Senhor no seguem (32, 27-28. 3 5 ) .
dia seguinte (32, 8) . (3) Em outros lugares 32, 6: "levantou-se para se divertir"
na Escritura os participantes são descritos - Muitas vezes interpretado como um eu­
como idólatras ( l Cor 1 0, 7) que retornaram femismo para engaj ar-se em orgias sexuais.
aos hábitos do Egito (At 7, 39-4 1 ; cf. Ez 20, Este tipo de impureza vergonhosa anda de
7-8). O mais provável é que o bezerro sej a mãos dadas com a idolatria nos cultos da
uma representação do deus da fertilidade fertilidade do Oriente Próximo. Ver Ensaio
egípcia, Ápis, que era adorado sob a forma sobre um Tópico: Fugi da Imoralidade, fugi
de um touro. da Idolatria em 1 Cor 6.

1 03
Cadernos de estudo bíblico

32, 7: "teu povo" O Senhor repudia


- 32, 13: "te comprometeste por jura­
verbalmente seu povo. Sua vontade de entre­ mento" - Uma referência à aliança de Deus
gá-los a Moisés está em contraste aos capí­ para multiplicar os descendentes de Abraão
tulos anteriores, em que ele chama repetida­ como as estrelas (Gn 22, 1 6- 1 8) e conceder­
mente Israel de "meu povo" (3, 7. 1 0; 5 , 1 ; -lhes uma pátria em Canaã (Gn 1 5 , 1 8-2 1 ;
6, 7; 7, 4; etc.) . 1 7, 8) . A obrigação de Javé para cumprir estes
"Corrompeu-se": O mesmo verbo é juramentos é uma apólice de seguro para pro­
usado em MI 2, 8 para a corrupção do sa­ teger a família de Abraão da aniquilação. Os
cerdócio levítico. Uma idéia similar pode es­ mesmos compromissos foram reiterados para
tar implícita: Israel, por um ato de apostasia Isaac e Jacó (Gn 26, 3-5; 28, 1 3- 1 4; 35, 9- 1 2) .
nacional, fez-se impróprio para ministrar ao 32, 14: "o Senhor desistiu" Uma des­ -

mundo como um "reino de sacerdotes" ( 1 9, crição da ação misericordiosa de Deus, apre­


6) , um título que nunca mais é dado a Israel sentada como se ele mudasse de idéia como
no Antigo Testamento. um ser humano. Para obter descrições figu­
32, 9: "cabeça dura'' Como o boi que rativas de Deus com paixões humanas, ver
-

resiste ao jugo do lavrador e segue seu pró­ comentário em Gn 6, 6.


prio caminho num teimoso desafio (33, 3; 32, 15: "escritas nos dois lados" Tal­ -

Dt 9, 6; Jr 7, 26) . vez simbolize que os Dez Mandamentos


32, 10: "uma grande nação" - A oferta constituem uma expressão completa da lei
do Senhor a Moisés recorda sua promessa de moral de Deus para Israel, isto é, não há es­
fazer "uma grande nação" a partir de Abraão paço para acrescentar algo. Em termos práti­
(Gn 1 2, 2) . Moisés recusa a honra, porque, cos, inscrever textos na parte dianteira e tra­
em seu caso, implica a destruição de Israel seira também sugere que as tábuas de pedra
e provavelmente levaria a uma distorção da eram de tamanho médio. Moisés teve de ser
reputação do Senhor aos olhos dos egípcios capaz de carregá-las (32, 1 9) e armazená-las
(32, 1 2) . nos limites da arca ( 1 2 5 cm de comprimen­
to, por 75 cm de largura e 75 cm de altura) .
32, 1 1 : "Moisés [ ] suplicava ao Se­
. . .

nhor" - Várias vezes Moisés intercede por 32, 17: "Josué" Acompanhou Moisés
-

Israel após o incidente do bezerro de ouro meio curso até a montanha.


(32, 1 1 . 30-32; 33, 1 2- 1 6) . Os apelos do 32, 19: "quebrou-as" - Dramatiza como
mediador desviam a ira de Deus e alcança a Israel acaba de romper a aliança do Sinai (24,
misericórdia para o povo da aliança. 3) .
32, 12: "com má intenção" Um mal­- 32, 20: "queimou-o e triturou-o" O -

-entendido previsível se os egípcios soubes­ j usto rei Josias (2Rs 23, 1 5) tomou medidas
sem que Deus destruiu os israelitas no Sinai. semelhantes para destruir imagens e altares
Isso enfraqueceria a função do Êxodo de idólatras. A destruição completa do ídolo
exaltar o Senhor aos olhos das nações (ver implica a absoluta impotência do deus que
9, 1 3- 1 6) . se destinava a representar.

1 04
O livro do Êxodo

"Com água'': Um córrego da montanha fT1 32, 32: "risca-me" Moisés se ofere­
-

na encosta do Sinai (Dt 9, 2 1 ) . Ll.U ce para carregar a iniqüidade de Israel


"Beber": Possivelmente um ordálio de uma forma sofrida. Ele preferia sofrer a
como aquele determinado à suspeita de maldição da morte em si mesmo do que ver
adultério em Nm 5, 1 1 -3 1 . O fato de as Es­ o povo da aliança destruído por apostasia.
crituras descreverem a idolatria como uma • Paulo, no mesmo espírito de sacrifício, con­
forma de infidelidade conj ugal ao Senhor templa trocar de lugares com Israel apóstata
(34, 1 6; Jr 3, 1 -5 ; Os 1 , 2) , o esposo divino como um meio de assegurar a salvação do seu
de Israel (Is 54, 5) apóia essa interpretação. povo (Rm 9, 3 ) .
Observa-se, também, que o culto ao bezerro
"Do livro": Alude à noção de que Deus
é repetidamente chamado de "um grande pe­
mantém um registro dos fiéis e suas obras no
cado" (32, 2 1 . 30-3 1 ) , uma expressão usada
Céu (Sl 56, 8; Is 4, 3; Ml 3, 1 6) .
em contratos de casamento do Egito e Uga­
rit para o pecado de adultério (cf. Gn 20, 9) . 32, 34: "o dia'' O tempo de visitação
-

divina e julgamento em Israel, descrito pelos


32, 24: "saiu este bezerro" Aarão tece
-

profetas como "o dia do Senhor" 01 2, 1 -2;


um conto ridículo que omite qualquer men­
Am 5 , 1 8-20; Sf 1 , 7- 1 8) . Projetar o dia de
ção do seu envolvimento na rebelião. Recu­
hoj e no futuro significa que a mão de Deus
sando-se a enfrentar a sua culpa, ele aponta
está contida e assim a punição de Israel é
o dedo para o povo desobediente (32, 22) .
adiada.
32, 29: "vos consagrastes" Literalmen­
-

te, "eles encheram sua mão" , uma expressão


idiomática hebraica para consagração ao mi­ NOTAS
nistério. Os levitas alcançaram esse privilégio
por seu zelo com o Senhor e sua vontade de
apoiar Moisés. Contra o pano de fundo mais
amplo do Pentateuco, o evento parece sinali­
zar uma mudança na liderança espiritual de
Israel. Antes deste ponto, os primogênitos de
todas as tribos eram consagrados ao Senhor
( 1 3 , 2) ; depois, os levitas foram escolhidos
para o serviço em vez dos primogênitos (Nm
3, 1 2; 8, 1 4- 1 6) , que então devem ser res­
gatados (Nm 1 8 , 1 5- 1 6) . Uma adição legal
ao código da aliança parece espelhar esta
mudança: no código original, primogênitos
simplesmente pertencem ao Senhor (22, 29) ;
mas quando a aliança é renovada, primogêni­
tos devem ser resgatados (34, 20; CIC 1 539) .
Ver comentários sobre 1 3 , 2 e 28,4 1 .

105
Cadernos de estudo bíblico

33 Ordem para deixar o Sinai 1 0 Senhor falou a Moisés: "Vai! Sai daqui com o povo que
-

fizeste sair do Egito, para a terra que eu j urei a Abraão, a Isaac e a Jacó dá-la à sua descendência.
2Enviarei à tua frente um anjo, para expulsar os cananeus, os amorreus, os heteus, os fereseus,
os heveus e os jebuseus. 3Sobe para a terra onde corre leite e mel. Mas eu não subirei contigo, porque és um
povo de cabeça dura; do contrário, acabaria contigo no caminho". 4Ao ouvir esta ameaça, o povo pôs-se de
luto e ninguém mais usou enfeites. 5É que o Senhor tinha dito a Moisés: "Dize aos israelitas: Sois um povo
de cabeça dura; se por um instante subisse convosco, eu vos aniquilaria. Desfazei-vos, pois, dos enfeites,
e eu saberei o que fazer convosco". 6Ao partirem do monte Horeb, os israelitas desfizeram-se dos enfeites.

33, 3: Ac 7, 5 1 .

COMENTÁRIOS
33, 1: "à sua descendência" - Uma refe- aça retirar de Israel o consolo de sua presen­
rência a aliança do Senhor em Gn 1 5 , 1 8-2 1 . ça. As pessoas aprendem com tais "ameaças"
33, 2: "um anjo" - Reafirma a promessa (33, 4) que o pecado tem o efeito espiritual
em 23, 20 e 32, 34. de colocar distância entre elas e o Senhor.
33, 3: "não subirei contigo" Javé ame- Ver comentário em 33, 1 2- 1 7.
-

A tenda do encontro - 7Moisés levantou a Tenda. Montou-a, fora, a certa distância d o acampamento.
Chamou-a "Tenda do Encontro". Assim, todo aquele que quisesse consultar o Senhor saía até a Tenda do
Encontro, fora do acampamento. 8Quando Moisés se dirigia à Tenda, o povo todo se levantava e ficava
de pé à entrada da própria Tenda, seguindo Moisés com os olhos até ele entrar. 9Logo que Moisés entrava
na Tenda, a coluna de nuvem baixava e ficava parada à entrada, enquanto o Senhor falava com Moisés.
'ºAo ver a coluna de nuvem parada à entrada da Tenda, todo o povo se levantava e cada um se prostrava
à entrada da própria barraca. 1 1 0 Senhor falava com Moisés face a face, como alguém que fala com seu
amigo. Depois, Moisés voltava para o acampamento. Mas seu ajudante, o jovem Josué filho de Nun, não
se afastava do interior da Tenda.

33, 1 1 : N m 1 2, 8; De 34, 1 0 .

33, 7- 1 1 : A narrativa à parte sobre a in- rael rebelde implica um maior afastamento
timidade de Moisés com o Senhor. Estabele- em relação ao santíssimo Senhor.
ce um contraste com o que se segue: Aqui o 33, 7: "Tenda do Encontro" - Aparen­
Senhor fala "face a face" com Moisés como
temente um protótipo da morada. Moisés
com um amigo (33, 1 1 ) , mas depois o Se­
usou esta tenda para conversar com Deus
nhor lhe diz "não poderás ver minha face"
antes que o santuário em si fosse erguido no
(33, 20) . A razão para esta mudança na rela­
segundo ano do Êxodo ( 40, 1 - 1 7) .
ção parece estar em 33, 1 2- 1 6, quando Moi­
sés insiste em manter sua solidariedade para ' 'A certa distância do acampamento":
com o povo rebelde de Israel após o inciden­ Ao contrário da morada, que vai ficar no
te do bezerro de ouro. Proximidade com Is- centro do acampamento israelita (Nm 2, 2) .

106
O livro do Êxodo

33, 1 1 : "face a face" Denota um en- légio concedido a Moisés não foi comparti­
-

contro especialmente íntimo com Deus, lhado por nenhum outro profeta em Israel
comparável à visão em 24, 9- 1 1 . Este privi- (Dt 34, 1 O) . Ver comentário em 33, 23.

A súplica de Moisés 12Moisés disse a o Senhor: "Ora, t u m e dizes: 'Faze subir este povo'; mas não me
-

indicaste ninguém para me ajudar na missão. No entanto me disseste: 'Eu te conheço pelo nome e tu mesmo
gozas do meu favor'. 13Se é, pois, verdade que gozo de teu favor, faze-me conhecer teus caminhos, para que
te conheça e assim goze de teu favor. Considera que esta nação é o teu povo". 140 Senhor respondeu-lhe:
"Eu irei pessoalmente e te darei descanso". 1 5Moisés respondeu-lhe: "Se não vens pessoalmente, não nos
faças subir deste lugar. 16Aliás, como se saberia que eu e teu povo gozamos de teu favor, senão pelo fato de
caminhares conosco? Assim, eu e teu povo seremos diferentes de todos os povos que vivem sobre a terra''.
170 Senhor disse a Moisés: "Farei também isto que pediste, pois gozas de meu favor, e eu te conheço pelo
nome". 18Moisés disse: "Mostra-me a tua glória!" '9E o Senhor respondeu: "Farei passar diante de ti toda
a minha bondade e proclamarei meu nome, 'Senhor' , na tua presença. A quem mostro meu favor, eu o
mostro; a quem demonstro misericórdia, eu a demonstro". 20E acrescentou: "Não poderás ver minha face,
porque ninguém me pode ver e permanecer vivo". 210 Senhor disse: "Aí está o lugar perto de mim! Tu
ficarás sobre a rocha. 22Quando a minha glória passar, eu te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a mão
enquanto passo. 23Quando eu retirar a mão, tu me verás pelas costas. Minha face, porém, não se pode ver".

33, 19: Rm 9. 1 5 .

33, 12-17: Moisés protesta contra a ame­ Isto vem depois de experimentar a bondade
aça divina de abandono ("não subirei", 33, 3) e a misericórdia de Deus para com Israel,
até que o Senhor cede e concorda em acom­ que não as merece. (32, 1 4; 33, 1 7) .
panhar à Terra Prometida ("farei", 33, 1 7) .
Como suas palavras deixam claro, Moisés
lJJ Q 33, 20: "Não poderás ver mi­
tem o coração de um mediador e não quer
.. nha face [ ] e permanecer
...

vivo" A visão direta da essência de Deus é


nenhuma bênção para si que Israel não pos­
-

uma bênção reservada para a vida após a


sa compartilhar. Textos como esses que des­
morte. Deste lado do céu, mortais pecadores
crevem Deus se arrependendo ou mudando
têm justo medo de contemplar a pura divin­
de idéia não devem ser tomados literalmen­
dade com olhos humanos (Gn 1 6, 1 3 ; 32,
te (ver Nm 23, 1 9 e comentário em Gn 6,
30; Jz 1 3 , 22) .
6) . Aqui o Senhor fala palavras destinadas a
suscitar orações de intercessão de Moisés em • Ao contrário de Moisés, Cristo viu a face do
nome do povo (CIC 2 1 0, 2576-77) . Pai em seu esplendor beatífico completo Qo
1 , 1 8 ; 6, 46) . Através dele, os bem-aventura­
33, 13: "faze-me conhecer teus cami­
dos anjos e santos gozam de uma participação
nhos" - A súplica é concedida em 34, 6-7.
nesta visão celestial (Mt 5, 8; 1 8, 1 O; 1 Cor
33, 14: "te darei descanso" - O "te" é 1 3, 1 2 ; l]o 3, 2; CIC 1 023) .
singular no hebraico, referindo-se a Moisés.
33, 18: "Mostra-me a tua glória!" -
• Uma vez que ninguém nesta vida pode con­
templar o rosto da divindade e viver, Deus
Moisés anseia ver a magnificência do Senhor.

1 07
Cadernos de estudo bíblico

assumiu a face da humanidade em Jesus, que de Deus (ver comentário em Gn 6, 6) . Lite­


nos permite vê-lo de acordo com a nossa ca­ ralmente, Deus é puro "espírito" e, portanto,
pacidade e viver (São Cirilo de Jerusalém,
invisível aos olhos físicos Oo 4, 24) . Visões de
Catequese 1 0, 7) .
Deus na Bíblia são encontros com a presença
33, 23: "mão [ ] costas [ ] face" Não
... ... -
divina manifesta em várias formas de repre­
são descrições literais do Senhor, como se ele sentação (fogo, fumaça, nuvens, pessoas, etc.) .
possuísse um corpo com uma cabeça, tronco Ver o Senhor de "costas", e m contraste à sua
e membros, mas representações antropomór­ "face", sugere uma visão menos direta do que
ficas que ajudam a ressaltar a natureza pessoal Moisés dispunha anteriormente (ver 33, 1 1 ) .

34 Novas tábuas de pedra - 10 Senhor disse a Moisés: "Talha duas tábuas, idênticas às primeiras,
para que sobre elas eu escreva as palavras que estavam nas primeiras tábuas, que quebraste.
2Prepara-te para subires amanhã cedo ao monte Sinai. Lá no alto do monte esperarás por mim.
3Ninguém suba contigo, nem apareça em parte alguma da montanha. Nem mesmo ovelhas ou bois devem
pastar nas proximidades da montanha". 4Moisés talhou duas tábuas de pedra iguais às primeiras, levantou­
se bem cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha mandado, levando consigo as duas tábuas
de pedra. 50 Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e ele invocou o nome do Senhor. 6E
o Senhor passava diante dele. E ele exclamou: "O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e clemente,
paciente, rico em bondade e fiel, 7que conserva a misericórdia por mil gerações e perdoa culpas, rebeldias e
pecados, mas não deixa nada impune, castigando a culpa dos pais nos filhos e netos, até a terceira e quarta
geração". 8lmediatamente, Moisés curvou-se até o chão e prostrou-se em adoração. 9Depois disse: "Senhor,
se é verdade que gozo do teu favor, então caminhe meu Senhor no meio de nós, pois esse é um povo de
cabeça dura. Perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tuà'.

34, 6: Nm 1 4 , 1 8 ; Ne 9, 1 7 ; SI 86, 1 5 ; 1 03, 8; 1 4 5 , 8; )o 4, 2.

COMENTÁRIOS
34, 1: "duas tábuas" Talhar novas tábu- dos atributos de Javé ressoa várias vezes na
-

as indica que a aliança rompida do Sinai (32, Escritura (Nm 1 4 , 1 8 ; Nm 9, 1 7; SI 86, 1 5 ;


1 9) está prestes a ser renovada (34, 1 0-26) . Jl 2, 1 3; CIC 2 1 4) . Para a divulgação inicial
"Para que eu escreva'': Assim como o do nome divino, consultar 3, 1 4 .
primeiro conj unto de tábuas foi escrito "com 34, 9: "perdoa nossas culpas" Moisés -

o dedo de Deus" (3 1 , 1 8) . Ver comentário intercede pelo seu povo, que é culpado de
em 34, 27-2 8 . adorar o bezerro (32, 1 -30) . Ele fará de novo
34, 6-7: A proclamação d o nome de quando a mesma geração se recusar a apode­
Deus ("o Senhor" ou "Javé") é uma revela­ rar-se da terra de Canaã ao comando de Javé
ção de seu caráter misericordioso, afável, (Nm 1 4, 1 9) . Para Moisés como intercessor,
paciente, fiel e j usto. Esta declaração clássica ver SI 99, 6 e J r 1 5 , 1 (CIC 2577) .

108
O livro do Êxodo

A renovação da aliança 1 0Ele respondeu: "Eis que eu vou fazer uma aliança! Diante de todo o teu povo
-

farei prodigios como nunca se fizeram em nenhum país ou nação, para que todo o povo no meio do qual
te encontras veja como são tremendas as obras do Senhor, as que estou para fazer contigo. 1 1 0bserva bem o
que hoje te ordeno. Eu expulsarei da tua frente os amorreus, os cananeus, os heteus, os fereseus, os heveus
e os jebuseus. 12Guarda-te de fazer aliança com os habitantes da terra na qual vais entrar, para que não se
tornem uma armadilha. 13Ao contrário, derrubareis os altares, quebrareis as colunas sagradas e cortareis os
troncos idolátricos. 14"Não deverás adorar nenhum outro Deus, pois o Senhor se chama ciumento: ele é
um Deus ciumento. 1 5Nem faças aliança com os habitantes daquela terra! Senão, ao se prostituírem com os
deuses aos quais oferecem sacrifícios, eles te convidariam e tu comerias dos seus sacrifícios. 16Nem aceites
suas filhas para casarem com teus filhos, pois, ao se prostituir com seus deuses, essa gente levaria teus filhos
a fazerem o mesmo. 17Não farás para ti deuses de metal fundido. 18Guardarás a festa dos Pães sem Fermento.
Durante sete dias comerás pão sem fermento, como te ordenei, no tempo marcado do mês de Abib, pois
foi nesse mês das Espigas que saíste do Egito. 19Todo primogênito é meu, todos os primogênitos machos de
teu rebanho, tanto das vacas como das ovelhas. 20Resgatarás o primogênito do j umento com uma ovelha; se
não o resgatares, deverás quebrar-lhe a nuca. Resgatarás o primogênito de teus filhos. Não te apresentarás
diante de mim de mãos vazias. 2 1 Durante seis dias trabalharás e no sétimo descansarás, tanto na época do
plantio como na da colheita. 22Celebrarás a festa das Semanas no início da colheita do trigo, e a festa da
Colheita no fim do ano. 23Três vezes por ano todos os homens deverão comparecer diante do Senhor, o
Senhor Deus de Israel. 24Eu expulsarei diante de ti as nações e alargarei as tuas fronteiras; assim ninguém
cobiçará a tua terra enquanto estiveres subindo, três vezes por ano, para te apresentares diante do Senhor
teu Deus. 25Das vítimas que me sacrificares com pão fermentado, não oferecerás o sangue. Do sacrifício
da festa da Páscoa nada deve sobrar para o dia seguinte. 26Levarás à casa do Senhor teu Deus o melhor dos
primeiros frutos do teu solo. Não cozinharás um cabrito no leite de sua mãe" . 270 Senhor disse a Moisés:
"Escreve estas palavras, pois baseado nelas faço aliança contigo e com Israel" . 28Moisés ficou ali com o
Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água, e escreveu nas tábuas as palavras
da aliança os dez mandamentos.

34, 1 4: Ex 20, 5; 34, 7; De 4, 24; 5. 9. 34, 17: Ex 20, 4. 34, 18: Ex 1 2 , 1 5-20. 34, 1 9-20: Ex 1 3, 2. 1 1 - 1 6. 34, 22-24: Ex 23, 1 4 - 1 7; Lv 23,
1 -44; De 1 6 , 1 - 1 7 . 34, 26: Ex 23, 1 9; De 1 4 , 2 1 ; 26, 2-1 1 . 34, 21: Ex 20, 8- 1 0; 23. 1 2; 3 1 , 1 2- 1 7; 3 5 . 2; De 5, 1 2- 1 5 . 34, 25: Ex 23, 1 8; Lv
2, 1 1 ; Ex 1 2, 1 0 .

34, 10-26: A lista representativa dos ter­ da aliança. Ver comentários sobre 1 3 , 2 e 32,
mos que regem a aliança renovada do Sinai. 29.
O texto é principalmente uma abreviação 34, 1 1 : "amorreus " - Seis nações que ...

dos códigos de leis anteriores que aparecem ocupavam Canaã antes de Israel apoderar-se
no cap. 20 (Decálogo) e caps. 2 1 -23 (Có­ das terras sob Josué. Ver comentário em 3, 8 .
digo da Aliança) . No entanto, um comple­
34, 1 2 : "Guarda-te de fazer aliança''
mento para o antigo código é observável: os
Um aviso semelhante proibindo alianças
filhos primogênitos, anteriormente descritos
com os cananeus antecedeu a aliança do Si­
como separados para o Senhor, agora devem
nal original (23, 32) .
ser resgatados ou comprados de volca do Se­
nhor (compare 34, 20 com 22, 29) . Ao lon­ 34, 13: "derrubareis" - Para a demoli­
go desta seção, Deus só fala a Moisés, nunca ção dos templos de ídolos e objetos associa­
diretamente com o povo; conseqüentemente dos em Canaã, ver comentário em 23, 24.
" 'T'
aumenta o papel de Moisés como mediador .ironcos 1'dolatricos
' ' vores ou pos-
" : Ar
.

1 09
Cadernos de estudo bíblico

tes sagrados dedicados a deusa cananéia da 33-43) . É também chamada de "tendas" (Dt
fertilidade, Asherah. 1 6, 1 3) ou "tabernáculos" Qo 7, 2) .
34, 1 5- 1 6: A advertência contra a ido­ 34, 26: "Não cozinharás um cabrito"
latria é assustadoramente profética. A pró­ - Provavelmente uma prática cananéia. Ver
xima geração de israelitas vai cometer esses comentário em 23, 1 9 .
mesmos pecados em Nm 2 5 , 1 -2, quando 34, 27-28: A instrução para que Moisés
se prostituem com um deus falso, oferecem escreva os Dez Mandamentos parece contra­
sacrifícios a ele a convite de outros, comem dizer a declaração em 34, 1 de que o Senhor
os sacrifícios, e tomam as filhas dos inimigos pretendia fazer isso. Muito provavelmente
moabitas. Moisés registrou as palavras divinas em um
livro, assim como ele fez pela primeira vez
34, 2 1 : "descansarás" A quinta vez
-

em 24, 4, ao passo que o Senhor inscreveu


que o sábado é ordenado no Êxodo. Ver co­
suas leis sobre as tábuas, assim como ele fez
mentário em 20, 8- 1 1 .
pela primeira vez em 3 1 , 1 8 . Se assim for, a
34, 22: "festa das Semanas" Celebra­
-
expressão "e escreveu" em 34, 28 remete ao
da sete semanas após o início da colheita da Senhor, e não a Moisés (ver Dt 1 0, 1 -4) .
primavera (Lv 23, 1 5-2 1 ) . Mais tarde é cha­ 34, 28: "quarenta dias e quarenta
mada de "Pentecostes" (At 2, 1 ) . noites" Esta é a segunda vez que Moisés
-

"Festa da colheita": Celebrada após a passou mais de um mês em j ejum no Sinai


colheita final do verão ser concluída (Lv 23, (também em 24, 1 8) .

O rosto resplandecente de Moisés - 29Quando Moisés desceu da montanha do Sinai, trazendo na mão as
duas tábuas da aliança, não sabia que a pele de seu rosto resplandecia por ter falado com o Senhor. 30Aarão
e os israelitas todos, vendo o rosto de Moisés resplandecente, tiveram medo de aproximar-se dele. 31Então
Moisés os chamou, e tanto Aarão como os chefes da comunidade aproximaram-se, e ele lhes falou. 32Depois
achegaram-se dele também os outros israelitas, e Moisés transmitiu- lhes todas as ordens que o Senhor lhe
tinha dado no monte Sinai. 33Quando Moisés acabou de falar, pôs um véu sobre o rosto. 34Quando Moisés
se apresentava ao Senhor para falar, retirava o véu, até sair; depois saía e comunicava aos israelitas o que
lhe tinha sido ordenado. 350s israelitas viam o rosto radiante de Moisés, e Moisés tornava depois a cobrir o
rosto com o véu, até o momento em que entrava de novo para falar com o Senhor.

34, 29-35: 2Cor 3, 7- 1 6.

fT1 34, 29: "seu rosto resplandecià' do artistas europeus como Michelangelo a
-

LlU A expressão hebraica sugere raios de representar Moisés com chifres salientes na
luz que emanam do rosto de Moisés (cf. cabeça.
Hab 3 , 4) . No entanto, uma vez que o ver­
• O evangelista Mateus tem este episódio em
bo "brilhar" (qaran) está relacionado com o
mente quando descreve o rosto de Jesus irra­
substantivo "chifre" (qeran) , a Vulgata Lati­ diando luz no monte da Transfiguração (Mt
na usa "seu rosto portava chifres" , inspiran- 1 7, 2) .

I IO
O Livro do Êxodo

lJJ 34, 33: "véu" - Usado apenas quan­ que a glória da aliança do Sinai está destinada
a desaparecer (2Cor 3, 7- 1 3) . Ele também o
do Moisés não está transmitindo ou
recebendo revelação de Deus. associa com o fracasso de Israel em entender
o significado completo do Antigo Testamen­
• Paulo interpreta o véu como um sinal de to (2Cor 3, 1 4- 1 6) .

AJ
ENSAIO SOBRE U M TÓPICO: DEPOIS DO BEZERRO D E OURO

postasia do bezerro de ouro foi relatada como o pecado original da antiga


srael. É a primeira e a pior tragédia da vida nacional de Israel como povo
e Deus. Mal os israelitas prometeram obediência ao Senhor no Sinai,
o traiu com um ídolo de sua própria criação. As coisas nunca poderiam ser as
mesmas após essa rebelião insolente e ingrata. A lição aprendida por Adão - que
o pecado traz conseqüências dolorosas e duradouras - agora será aprendida por
Israel.
De acordo com várias obras de teologia cristã antiga, a aliança de Deus com Israel
é significativamente alterada como resultado do incidente do bezerro de ouro. Na
forma original da aliança do Sinai, Israel é obrigado a observar os Dez Manda­
mentos (Ex 20) e uma modesta coleção de leis civis e religiosas chamada Código
da Aliança (Ex 2 1 -23) . Após o pecado do bezerro de ouro, no entanto, as obriga­
ções legais de Israel são drasticamente multiplicadas, principalmente pela adição
de leis cerimoniais pormenorizadas que regem todos os aspectos da vida religiosa
e do culto. A construção do Tabernáculo, a ordenação de sacerdotes aarônicos, a
oferta de cinco diferentes tipos de sacrifício, a distinção entre alimentos puros e
impuros, a necessidade de ritos de purificação, a observância das festas religiosas
semanais, mensais e anuais, etc., todas fazem parte da aliança do Sinai, na sua
forma renovada e ampliada. Teólogos primitivos consideravam essas novas de­
mandas como um "jugo" pesado imposto a Israel por sua adoração ao bezerro. Os
preceitos cerimoniais foram, assim, vistos como medidas penitenciais destinadas
a disciplinar Israel por sua idolatria e evitar recaídas na idolatria. Por outro lado,
pensava-se que essas mesmas leis tinham o propósito pedagógico de exercitar Is­
rael nos rudimentos do culto autêntico e de preparar o caminho para o Messias.
Entre as muitas obras antigas que interpretam a Bíblia ao longo destas linhas, ver
S. Justino Mártir, Diálogo com Trifão 1 9; Santo lrineu, Contra as heresias 4, 1 5 , 1 ;
Santo Atanásio, Cartas festivas 1 9, 4; Constituições ap ostólicas 6, 4, 20; São João
Crisóstomo, Contra cristãos judaizantes 4, 6, 5; São Afrates, Manifestações 1 5 , 8 ;
Didascalia Apostolorum 2 6 ; Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae 1-11, 1 02,
3 ; cf. Santo Agostinho, Contra Fausto 1 9, 1 3 .

III
Cadernos de estudo bíblico

Várias observações apóiam esta perspectiva sobre a origem e a finalidade das leis cerimo­
niais de Israel. Estas têm a ver com cronologia, composição e o cânone das Escrituras. ( 1 )
Cronologia. A seqüência de eventos que ocorrem n o Sinai, que s e estende de Ex 1 9 a Nm
1 O, indica que a maioria das leis de sacrifício e litúrgicas de Israel são apresentadas após
a rebelião do bezerro de ouro. Só depois dessa tragédia o Tabernáculo é construído (Ex
35-40) e consagrado (Lv 9) , que os rituais de sacrifício, alimentares e de purificação são
instituídos (Lv 1 -7; 1 0- 1 6) , que sacerdotes aarônicos são ordenados para o ministério
(Lv 8), que as exigências da santidade para leigos e clérigos são estabelecidas (Lv 1 7-22;
24-26) , que o calendário cheio de festas religiosas é revelado (Lv 23) , e que os levitas são
consagrados como assistentes sacerdotais e cuidadores do santuário (Nm 8) .
A única exceção a esta cronologia diz respeito às leis em Ex 25-3 1 , que desvendam os
planos para o Tabernáculo e a eleição de Aarão e seus filhos como sacerdotes. É evidente
que estas leis são anteriores ao episódio do bezerro de ouro em Ex 32; no entanto, é
igualmente claro que essas leis são reveladas a Moisés depois que a aliança do Sinai já
tinha sido ratificada em Ex 24. Uma vez que estas leis não são parte da aliança do Sinai
original, é razoável vinculá-las à forma renovada da aliança do Sinai que é colocada em
prática depois do desastre do bezerro. As leis em Ex 25-3 1 podem, assim, ser lidas como
disposições que Deus, em sua previdência, sabe que se tornarão necessárias para Israel
quando a aliança do Sinai for rompida.
(2) Composição. Os comentadores notaram que a disposição das leis do Santuário,
reveladas a Moisés em Ex 25-3 1 e refletidas em Ex 3 5-39 , forma um quadro literário
em torno do bezerro de ouro (Ex 32) e suas conseqüências imediatas (Ex 33-34) . O
efeito, segundo alguns, é sugerir uma relação estreita entre o quadro externo e o centro
de composição.
Ao situar o episódio bezerro de ouro no meio das leis do Santuário, que são enunciadas
no detalhe meticuloso antes e depois desse evento crítico, pode-se inferir que o Senhor
está respondendo a adoração vergonhosa e descontrolada de Israel ao bezerro (''Aarão
lhe tinha soltado as rédeas", Ex 32, 2 5 ) , exigindo uma forma de adoração divinamente
determinada e controlada que vai levar o povo da aliança para longe dos ídolos e marcá­
-los com um senso da santidade impressionante de Javé.
(3) Cânone. Discussões cristãs primitivas das leis cerimoniais normalmente variam do
Pentateuco a outros textos canônicos. Uma passagem popular é Jr 7, 22, em que Deus
afirma: "porquanto não falei a vossos pais e nada lhes prescrevi a respeito de holocaustos
e sacrifícios, no dia em que os fiz sair do Egito" . Isso se interpreta no sentido de que
Deus não exige inicialmente os vários tipos de sacrifício apresentados em Lv 1 -7, mas
pede apenas que as pessoas obedeçam à sua "voz" (Jr 7, 23) - uma provável alusão aos
Dez Mandamentos, que são as únicas leis do Sinai audivelmente proferidas pelo Senhor
(Ex 20, 22; Dt 4, 1 0- 1 3 . 33. 36) .

II2
O livro do Êxodo

O oráculo contrasta, assim, a forma original da aliança do Sinai, com a adição posterior
de mandamentos sacrificiais. Outra passagem é Ez 20, 2 5 , em que o Senhor diz de Israel
no deserto: "cheguei a dar-lhes estatutos que lhes foram funestos, ordens em virtude das
quais não podiam viver" . Na medida em que estes são apresentados depois que Deus já
revelou estatutos e ordenanças "em virtude dos quais vive aquele que os observà' (Ez 20,
1 1 ) , é comum entre os teólogos antigos identificar as leis menos-que-perfeitas de Ez 20,
2 5 com as prescrições cerimoniais dadas a Israel depois do pecado do bezerro de ouro
(incluindo as leis do Deuteronômio) .
Ainda outras passagens desempenham um papel nessas discussões, como aquelas que
exaltam a obediência aos mandamentos de Deus sobre os sacrifícios da lei Mosaica
( l Sm 1 5 , 22; Jd 1 6, 1 6; Sl 40, 6-8; 5 1 , 1 6- 1 7; Is 1 , 1 1 - 1 7; Os 6, 6; Mq 6, 6-8; cf. Me
1 2, 33) . Estas atestam que as prescrições cerimoniais da Lei representam algo menos do
que o plano perfeito de Deus para Israel. Elas são secundárias ao caminho da obediência
marcado pelos mandamentos primários de Deus a respeito da fé e da vida.
Observações como essas, embora menos do que conclusivas, tornam a perspectiva cristã
primitiva sobre o bezerro de ouro uma leitura plausível e até mesmo convincente da
Escritura. Considerada em termos de cronologia, composição e cânone, é difícil escapar
à impressão de que a idolatria de Israel ocasionou mudanças significativas na estrutura
e no âmbito da aliança do Sinai. A adição de inúmeras leis cerimoniais após o bezerro
de ouro pode, assim, ser vista como um ato de acomodação divina. Ela nos mostra que
Deus não apenas disciplina seus filhos quando eles erram, mas misericordiosamente
aj usta as exigências da sua aliança para considerar os seus pontos fracos em tempos
vindouros.
(Ver também a seção "Leis cerimoniais mosaicas" para citações relevantes de fontes pa­
trísticas) .

NOTAS

113
Cadernos de estudo bíblico

ESTUDO DA PALAVRA: MISERICÓRDIA (34, 7)

esed (hebraico) : A palavra tem uma rica variedade de significados que

H variam de "lealdade" e "fidelidade" a "misericórdià' e "benevolêncià' .


A raiz carrega um sentido de "devoção" ou "compromisso com o
outro" . É uma das palavras mais importantes no vocabulário teológico do Antigo
Testamento. Na esfera das relações humanas, é a obrigação de fazer o bem e
manter a lealdade à família, seja em relação ao parentesco natural (Gn 24, 49;
47, 29) ou parentesco de aliança (Gn 2 1 , 23; l Sm 20, 8) . Hesed é também uma
exigência interior da aliança entre o Senhor e Israel. Por um lado, Deus espera
amor filial e lealdade de seu povo (Os 6, 6; Mq 6, 8) ; por outro lado, Deus se
mostra comprometido com Israel, mantendo suas alianças sem falha (Dt 7, 9;
2Sm 22, 5 1 ; Is 55, 3 ; Mq 7, 20) . Várias vezes a Escritura enfatiza como o Senhor é
carinhosamente vinculado a seus filhos e manifesta o seu cuidado paternal através
de orientação (Ex 1 5 , 1 3) , fidelidade Qr 3 1 , 3) e misericórdia (Nm 1 4, 1 9; Is 63,
7) . Esta é a bondade divina que dura para sempre, como cantado no refrão do
Salmo 1 36 . A revelação da misericórdia de Deus é fundamental para a doutrina
da graça do Novo Testamento. Ver comentário sobre Jo 1 , 1 4 .

35 Regulamentos do sábado ' Moisés convocou toda a assembléia dos israelitas e lhes disse:
-

"O Senhor manda fazer o seguinte: 2Durante seis dias trabalhareis, mas o sétimo será para
vós santo, um sábado, dia de descanso consagrado ao Senhor. Quem nesse dia fizer qualquer
trabalho será punido de morte. 3No sábado não acendereis fogo em nenhuma de vossas moradas".

35, 2-3: Ex 23, 1 2; 3 1 , l 2- l 7; 34, 2 l ; Dr 5 , 1 2- 1 5 .

COMENTÁRIOS
35, 1-40, 33: Os caps. 35-40 descrevem e as suas conseqüências (caps. 32-34) . Em
a construção do Santuário de acordo com particular, sugere uma conexão entre a rebe­
o modelo revelado nos caps. 25-3 1 . Quase lião do bezerro e a massa de leis litúrgicas
tudo dos primeiros capítulos é reapresenta­ que a rodeiam. Ver Ensaio sobre um Tópico:
do nos últimos, às vezes literalmente. Em Sobre o Bezerro de Ouro em Ex 32.
termos de composição, a repetição das leis 35, 2: "um sábado" - A sexta vez que o
santuário tem o efeito de lançar atenção es­ sábado é ordenado no Êxodo. Ver comentário
pecial sobre o episódio do bezerro de ouro em 20, 8- 1 1 .

1 14
O livro do Êxodo

Preparações para a construção do tabernáculo -4Moisés falou a toda a assembléia dos israelitas e lhes disse:
"Foi isto o que o Senhor mandou: 5Fazei entre vós uma coleta para o Senhor. Quem for generoso levará uma
oferenda ao Senhor: ouro, prata, bronze, 6púrpura violeta, vermelha e carmesim, linho fino, pêlos de cabra;
7peles de carneiro tintas de vermelho, peles finas, madeira de acácia; 8azeite de lâmpada, bálsamo para o óleo
de unção e para o incenso aromático; 9pedras de ônix e pedras de engaste para o efod e o peitoral. '°Todos
os artesãos habilidosos venham para executar tudo o que o Senhor mandou: 1 1 a morada com a tenda e a
cobertura, as argolas, as tábuas, as travessas, as colunas e as bases; 12a arca com os varais, o propiciatório e o véu
de separação; 13a mesa com os varais e utensílios e os pães oferecidos; 140 candelabro da iluminação com seus
utensílios, as lâmpadas e o azeite de lâmpada; 150 altar do incenso e seus varais; o óleo de unção e o incenso
aromático; a cortina da porta de entrada da morada; 160 altar dos holocaustos, com a grelha de bronze, os
varais e todos os utensílios; a bacia e o suporte; 17as cortinas do átrio, as colunas e respectivas bases e a cortina
para a entrada do átrio; 18as estacas da morada e do átrio, e as cordas; 19as alfaias para o serviço do santuário,
as vestes sagradas para o sacerdote Aarão, e as vestes de seus filhos para as funções sacerdotais".

1
35, 4-9: Ex 2, 1 -9.

35, 5: "uma oferenda" - Ver comentário 35, 1 1 : "a moradà' Ver comentário so-
-

sobre 25, 2. bre 2 5 , 1 -3 1 , 1 8 .

Ofertas levadas ao tabernáculo - 20Então toda a assembléia dos israelitas se retirou da presença de Moisés.
21Em seguida vieram todos cujo coração os movia e cujo ânimo os impelia, trazendo ofertas ao Senhor
para as obras da Tenda do Encontro, para o culto em geral e para as vestes sagradas. 22Vieram homens
e mulheres, e todos generosamente traziam broches, brincos, anéis, colares e toda sorte de objetos de
ouro, que cada um oferecia com um gesto diante do Senhor. 23Todos quantos tinham consigo púrpura
violeta, vermelha e carmesim, linho fino, pêlos de cabra e peles de carneiro tintas de vermelho e peles
finas, trouxeram-nas. 240s que desejavam fazer ofertas de prata ou de bronze trouxeram-nas ao Senhor. O
mesmo fizeram os que tinham madeira de acácia para as várias obras da construção. 25Todas as mulheres
que tinham habilidade para a tecelagem teceram e trouxeram os tecidos: a púrpura violeta, vermelha e
carmesim, e o linho fino. 26Todas as mulheres dispostas e dotadas para tanto teceram pêlos de cabra. 270s
chefes do povo trouxeram pedras de ônix e pedras de engaste para o efod e o peitoral, 28os perfumes e o
azeite para o candelabro, para o óleo de unção e para o incenso aromático. 29Todos os israelitas, homens e
mulheres, dispostos a contribuir para as obras que o Senhor tinha mandado executar por meio de Moisés,
trouxeram ao Senhor contribuições espontâneas.

Beseleel e Ooliab recebem as ofertas - 30Moisés disse aos israelitas: "Vede! O Senhor nomeou especialmente
Beseleel filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. 31 Encheu-o do espírito de Deus, de sabedoria, habilidade
e conhecimento para qualquer trabalho, 32como fazer projetos, trabalhar com ouro, prata e bronze, 33lapidar
pedras e engastá-las, entalhar madeira, trabalhar em toda espécie de obra. 34Concedeu-lhe também o dom de
ensinar, assim como a Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dá. 35Dotou-os de talento para executar toda
sorte de obras de escultura e de arte, de bordados em estofo de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e de
linho fino, e para a execução assim como o projeto de toda espécie de trabalhos".

35, 30-36, l: Ex 3 1 , 1 -6.

35, 30: "Beseleel" - Ver comentário so- 1 35, 3 1 : "Espírito de Deus"


mentário sobre 3 1 , 3 .
- Ver co-
bre 3 1 , 1 - 1 1 .

115
Cadernos de estudo bíblico

36 1 Beseleel, Ooliab e todos os artesãos, dotados pelo Senhor de habilidade e destreza para saberem
executar qualquer trabalho da construção do santuário, fizeram tudo como o Senhor havia
ordenado. 2Moisés chamou Beseleel, Ooliab e todos os artesãos a quem o Senhor dotou de
habilidade, todos os que se dispuseram a enfrentar e realizar o trabalho. 3Eles receberam de Moisés todas
as ofertas que os israelitas haviam trazido para as obras de construção do santuário. Mas cada manhã o
povo continuava trazendo a Moisés ofertas espontâneas, 4de modo que os artesãos que faziam as obras
do santuário deixaram o trabalho 5e vieram dizer a Moisés: "O povo traz muito mais que o necessário
para executar a construção que o Senhor mandou fazer". 6Entáo Moisés mandou que se publicasse no
acampamento a seguinte ordem: "Ninguém mais, homem nem mulher, promova campanhas de coleta para
o santuário". E o povo deixou de trazer ofertas. 70 material já era suficiente para todos os trabalhos que se
deviam executar, e até sobrava.

Construção a morada "Todos os hábeis artesãos que executavam a obra fizeram a morada com dez
-

cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta, vermelha e carmesim, bordadas de querubins. 90
comprimento de cada cortina era de catorze metros por dois de largura. Todas as cortinas tinham as
mesmas medidas. 10Uniram as cortinas umas às outras para formar dois cortinados de cinco cortinas cada
um. " Colocaram presilhas de púrpura violeta na borda da cortina que terminava o primeiro cortinado, e
fizeram o mesmo na última cortina do segundo. 12Fizeram cinqüenta presilhas na primeira cortina e outras
cinqüenta para a borda da última do segundo cortinado, de modo que as presilhas se correspondiam umas
com as outras. 13Fizeram cinqüenta colchetes de ouro, a fim de unir as cortinas umas às outras, para que a
morada formasse um todo. 14Fizeram também cortinas de pêlos de cabra, a fim de servirem de cobertura
para a morada; fizeram onze destas cortinas. 15Cada cortina media quinze metros de comprimento por dois
de largura, sendo todas as onze da mesma medida. 16As cortinas foram unidas em dois grupos separados,
um de cinco e outro de seis cortinas. 17Puseram cinqüenta presilhas na borda da última cortina do primeiro
cortinado e outras cinqüenta na borda do segundo cortinado. 18Fizeram cinqüenta colchetes de bronze
para ligar a tenda num rodo. 19Fizeram ainda para a tenda uma cobertura de peles de carneiro tintas de
vermelho e, por cima, outra cobertura de peles finas. 2°Fizeram as armações da morada de madeira de
acácia, colocadas de pé. 21Cada armação tinha cinco metros de comprimento e setenta e cinco centímetros
de largura. 22Cada armação tinha dois encaixes para travar um no outro. Assim fizeram com todas as
armações da morada. 23As armações foram dispostas na morada do seguinte modo: vinte armações do lado
sul. 24Debaixo das vinte armações puseram quarenta bases de prata, duas por armação, em função dos dois
encaixes. 25Para o outro lado da morada, voltado para o norte, fizeram outras vinte armações 26e quarenta
bases de prata, duas por armação. 27Fizeram mais seis armações para o lado dos fundos da morada, voltado
para o ocidente, 28e outras duas para os dois ângulos dos fundos da morada; 29eram geminadas e bem
unidas desde a base até em cima, até à primeira argola. Assim fizeram com ambas as armações destinadas
para os ângulos. 30Havia, portanto, oiro armações com dezesseis bases, duas para cada armação. 31Mandou
fazer cinco travessas de madeira de acácia para as tábuas de um lado da morada, 32cinco para as armações
do outro lado e cinco para as tábuas dos fundos da morada, voltados para o ocidente. 33Fizeram a travessa
central atravessar à meia altura as armações, de um extremo ao outro. 34Revestiram as armações de ouro e
fizeram de ouro as argolas por onde passavam as travessas, revestidas também de ouro. 35Fizeram o véu de
púrpura violeta, vermelha e carmesim, e de linho fino retorcido, bordado de querubins. 36Fizeram quatro
colunas de madeira de acácia revestidas de ouro, providas de ganchos de ouro e fundiram quatro bases de
prata. 37Para a entrada da tenda fizeram uma cortina de púrpura violeta, vermelha e carmesim e de linho
fino retorcido, artisticamente bordada, 38com cinco colunas e os respectivos ganchos. Revestiram os capitéis
e as vergas de ouro, e de bronze as cinco bases.

36, 8-19: Ex 26, 1 - 1 4. 36, 20-34: Ex 26, 1 5-29. 36, 35-38: Ex 26, 3 1 -37.

1 16
O livro do Êxodo

COMENTÁRIOS
36, 8: "morada [ ] com cortinas"
••• - Ver 36, 3 1 : "travessas" - Ver comentário so­
comentário sobre 26, 1 . bre 26, 1 .
36, 14: "coberturà' - Ver comentário 36, 35: "o véu" - Ver comentário sobre
sobre 26, 7. 26, 3 1 .
36, 20: "armações [ ] colocadas de pé"
••• 36, 37: "cortinà' - Ver comentário so­
- Ver comentário sobre 26, 1 . bre 26, 36.

3? Construção da arca da aliança - 1Beseleel fez a arca de madeira de acácia, com cento e vinte
e cinco centímetros de comprimento, setenta e cinco de largura e setenta e cinco de altura.
2Revestiu-a de ouro puro por dentro e por fora, e pôs-lhe em volta uma moldura de ouro.
3Fundiu quatro argolas de ouro para os quatro pés, duas de um lado e duas de outro. 4Fez varais de madeira
de acácia e revestiu-os de ouro. 5Meteu os varais nas argolas laterais da arca para poder transportá-la. 6Fez
o propiciatório de ouro puro, com cento e vinte e cinco centímetros de comprimento e setenta e cinco
de largura. 7Para as duas extremidades do propiciatório fez dois querubins de ouro, de ouro polido, 8um
querubim na extremidade de um lado e outro querubim na extremidade do outro lado. 90s querubins
tinham as asas estendidas por cima e encobriam com elas o propiciatório; estavam um diante do outro,
voltados para o propiciatório.
Construção da mesa 1°Fez a mesa de madeira de acácia, com um metro de comprimento e meio metro
-

de largura e setenta e cinco centímetros de altura. 1 1Revestiu-a de ouro puro e fez-lhe uma moldura em
volta. 12Em torno da mesa fez um friso de um palmo de largura e uma moldura de ouro em volta do friso.
13Fundiu para a mesa quatro argolas de ouro e fixou-as nos quatro ângulos, correspondentes aos quatro pés.
14As argolas estavam j unto ao friso e serviam para receber os varais de transportar a mesa. 1 5 Fez os varais
de acácia e revestiu-os de ouro, para servirem ao transporte da mesa. 16Fez os utensílios da mesa, bandejas,
panelas, copos e taças para as libações, tudo de ouro puro.

37, 1 -9: Ex 25, 1 0-22. 37, 1 0 - 1 6: Ex 25, 23-29.

COMENTÁRIOS
37, 1: "a arca" - Ver comentário sobre NOTAS
25, 10.
37, 6 : "propiciatório" - Ver comentário
sobre 25, 1 7.
37, 7: "querubins" - Ver comentário so­
bre 2 5 , 1 8 .
37, 10: "a mesa" - Ver comentário sobre
2 5 , 23.

1 17
Cadernos de estudo bíblico

Construção do candelabro 17Fez o candelabro de ouro puro, inteiramente polido, com a base, a haste,
-

os cálices, os botões e as flores formando uma só peça. 1 8Dos lados saíam seis braços, três de um lado do
candelabro e três do outro lado. 190 primeiro braço tinha três cálices em forma de flor de amendoeira,
com os botões e as flores; o segundo braço tinha também três cálices em forma de flor de amendoeira,
com os botões e as flores; e assim todos os seis braços que saíam do candelabro. 20No próprio candelabro
havia outros quatro cálices em forma de flor de amendoeira, com botões e flores, 21um botão debaixo
dos primeiros dois braços que saíam do candelabro, outro debaixo dos dois seguintes, e outro debaixo
dos últimos dois; portanto, para todos os seis braços que saíam do candelabro. 22Üs botões e os braços
formavam uma só peça com o candelabro, inteiramente de ouro puro e polido. 23Fez sete lâmpadas com
suas tesouras de pavio e cinzeiros, tudo de ouro puro. 24Usou um talento, trinta quilos de ouro puro, para
fazer o candelabro e todos os utensílios.

37, 17-24: Ex 25 , 3 1 -39.

37, 17: "candelabro" - Ver comentário


sobre 2 5 , 3 1 . NOTAS

Construção do altar do incenso - 25Fez o altar


do incenso de madeira de acácia. Era quadrado,
com cinqüenta centímetros de comprimento e de
largura, e um metro de altura. Dele sobressaíam
as pontas. 26Revestiu-o de ouro puro por cima,
em redor dos lados e nas pontas. Em redor do
altar fez uma moldura de ouro. 27Por baixo da
moldura, nos dois lados opostos, colocou argolas
de ouro para receber os varais que serviam para
transportá-lo. 28Fez os varais de madeira de acácia
e revestiu-os de ouro.

37, 25-29: Ex 30, 1 -5 .


37, 2 5 : "altar do incenso" - Ver comen­
tário sobre 30, 1 .
"Pontas": Ver comentário sobre 30, 2.

Construção do óleo sagrado e incenso -

29Preparou também o óleo da unção sagrada e o


incenso aromático, segundo a arte da perfumaria.

37, 29: "óleo da unção sagrada'' - Ver


comentário sobre 30, 2 5 .
"Incenso": Ver comentário sobre 30, 3 5 .

rr8
O livro do Êxodo

38 Construção do altar dos holocaustos - 1Fez o altar dos holocaustos de madeira de acácia;
era quadrado e tinha dois metros e meio de comprimento e de largura, e um metro e meio de
altura. 2Nos quatro ângulos fez pontas que dele sobressaíam, e revestiu o altar de bronze. 3Fez
também de bronze todos os utensílios do altar, os vasos, as pás, os aspersórios, os garfos e os braseiros. 4Para
o altar fez uma grelha de bronze em forma de rede e colocou-a sob a beirada do altar, à meia altura. 5Fundiu
quatro argolas para os quatro ângulos da grelha de bronze, para receber os varais. 6Fez os varais de madeira
de acácia e revestiu-os de bronze, 7introduzindo-os nas argolas dos dois lados do altar, para assim carregá-lo.
Fez o altar de tábuas, oco por dentro. 8E com os espelhos das mulheres que estavam de serviço à entrada da
Tenda do Encontro fez a bacia e o suporte de bronze. 9Depois fez o átrio. O cortinado do lado sul do átrio
era de linho retorcido e media cinqüenta metros de comprimento. 10Havia vinte colunas com vinte bases
de bronze. Os ganchos das colunas e as vergas eram de prata. 1 1Do lado norte havia cinqüenta metros de
cortina, vinte colunas e vinte bases de bronze. Os ganchos e as vergas das colunas eram de prata. 12Do lado
ocidental havia um cortinado de vinte e cinco metros, dez colunas e dez bases. Os ganchos das colunas e
as vergas eram de prata. 130 lado oriental, onde nasce o sol, media vinte e cinco metros; 14de um lado da
entrada havia sete metros e meio de cortinado, três colunas e três bases, 1 5e do outro lado mais sete metros
e meio de cortinado, três colunas e três bases. 16Todas as cortinas que rodeavam o átrio eram de linho fino
retorcido. 17AI; bases das colunas eram de bronze; os ganchos e as vergas das colunas, de prata; e os capitéis
foram revestidos de prata. Todas as colunas do átrio receberam vergas de prata. 18A cortina da entrada do
átrio era artisticamente bordada em púrpura violeta, vermelha e carmesim, e em linho fino retorcido; tinha
dez metros de comprimento e dois e meio de altura, isto é, de largura, segundo a medida das outras cortinas
do átrio. 19Tinha quatro colunas e quatro bases de bronze, ganchos de prata, capitéis com revestimento de
prata e vergas de prata. 20Todas as estacas da morada e do recinto do átrio eram de bronze.

38, 1 -7: Ex 27, 1-8. 38, 8: Ex 30, 1 8 . 38, 9-20: Ex 27, 9- 1 9.

COMENTÁRIOS
38, 1: "o altar" - Ver comentário sobre claras. Elas também são mencionadas breve­
27, 1 . mente em l Sm 2, 22.
38, 8: "bacia'' - Ver comentário sobre 38, 9: "átrio" - Ver comentário sobre 27,
30, 1 8. 9.
"Mulheres que estavam de serviço": A 38, 18: "cortina'' - Ver comentário so­
natureza e a finalidade do seu serviço não são bre 27, 1 6.

Materiais do tabernáculo - 21Este é o relatório dos gastos com a morada - a morada do documento da
aliança, feita pelos levitas por ordem de Moisés e sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Aarão. 22Foi
Beseleel filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, que executou tudo o que o Senhor tinha mandado
a Moisés. 23Foi ajudado por Ooliab filho de Aquisamec, da tribo de Dá, habilidoso escultor, artista e
bordador em púrpura violeta, vermelha e carmesim e em linho fino. 240 total do ouro empregado nas
várias obras de construção do santuário, ouro proveniente das ofertas, foi de oitocentos e setenta e oito
quilos, segundo o peso usado no santuário. 25A prata recolhida dos recenseados da comunidade elevou-se
a três mil e dezoito quilos, segundo o peso usado no santuário. 26Era um beca ou meio sido, cinco gramas
segundo o peso do santuário, para cada um dos recenseados acima de vinte anos, seiscentos e três mil,
quinhentos e cinqüenta homens. 27Foram usados três mil quilos de prata para fundir as bases do santuário
e as bases do véu; sendo cem as bases, foram usados trinta quilos por base. 28Com os restantes dezoito quilos

38, 25-26: Ex 30, 1 1 - 1 6.

1 19
Cadernos de estudo bíblico

38, 2 1 : "os levitas" Os membros não­


- de Aarão (6, 23) .
-sacerdotais da tribo de Levi, que se encar­ A contagem de
38, 26: "recenseados" -

regavam da montagem, transporte e manu­ soldados elegíveis feita quase um ano após o
tenção do Santuário (Nm 1 , 47-54) . Eles acampamento de Israel atingir o Sinai. Os
conquistaram esse direito por seu zelo a Javé
que retornaram, num total de 603 . 5 5 0 ho­
ao pôr fim à rebelião do bezerro de ouro. Ver
mens, são registrados em Números 1 , 1 -46.
comentário em 32, 29. A tribo de Levi foi isenta deste censo de acor­
"ltanlar": O mais novo dos quatro filhos do com Nm 1 , 47-54.

39 Confecção das vestes sacerdotais 'Com a púrpura violeta, vermelha e carmesim, e com
-

o linho fino retorcido, confeccionaram as alfaias para o ministério do santuário e as vestes


litúrgicas de Aarão, como o Senhor havia ordenado a Moisés. 20 efod foi feito de ouro, de
púrpura violeta, vermelha e carmesim e de linho fino retorcido. 30 ouro foi laminado e cerrado em fios para
entretecê-los com a púrpura violeta, vermelha e carmesim e o linho fino, num artístico bordado. 4Fizeram
ombreiras pregadas nas duas extremidades. 50 cinto para cingir o efod era do mesmo tecido: ouro, púrpura
violeta, vermelha e carmesim, e linho fino retorcido, como o Senhor havia ordenado a Moisés. 6Fizeram
embutir as pedras de ônix em engastes de ouro, gravando nelas, como se gravam sinetes, os nomes dos
filhos de Israel. 7Depois as prenderam nas ombreiras do efod como pedras de recordação para os israelitas,
como o Senhor havia ordenado a Moisés. 80 peitoral foi bordado arristicamente da mesma maneira que o
efod: de ouro, púrpura violeta, vermelha e carmesim, e de linho fino retorcido. 9Era quadrado e duplo, com
um palmo de comprimento por um de largura. 10Foi enfeitado com quatro carreiras de pedras preciosas.
Na primeira carreira, um rubi, um crisólito e uma esmeralda; "na segunda, uma turquesa, uma safira e
um ônix; 12na terceira, uma opala, uma ágata e uma ametista; 13na quarra, um crisólito, um berilo e um
jaspe. 14As pedras eram doze, correspondentes aos nomes dos filhos de Israel, cada uma gravada, como se
gravam os sinetes, com um dos nomes das doze tribos. 1 5No peitoral foram prendidas correntinhas de ouro
puro, trançadas como um cordão. 16Fizeram dois engastes e duas argolas de ouro, que foram postas nos
dois extremos superiores do peitoral. 17Passaram os dois cordões de ouro pelas argolas nas extremidades
do peitoral. 18Fixaram as duas pontas dos cordões nos dois engastes e as prenderam na parte dianteira das
ombreiras do efod. 19Fizeram duas argolas de ouro e as puseram nas pontas inferiores do peitoral, na borda
do lado de dentro do efod. 2ºFizeram ainda outras duas argolas de ouro e as puseram na parre inferior
das ombreiras do efod, pela frente, perro da sua j untura e acima do cinto do efod. 21 Com um cordão e
púrpura fixaram o peitoral, unindo-o por suas argolas às argolas do efod, para que o peitoral ficasse por
cima do cinto do efod, sem dele se desprender, como o Senhor havia ordenado a Moisés. 22Fez-se o manto
do efod bem tecido, todo de púrpura violeta. 230 manto tinha no meio uma abertura com barra em volta,
semelhante à borda do colete que não se rasga. 24Puseram-na borda inferior romãs de púrpura violeta,
vermelha e carmesim, 25e campainhas de ouro puro, pondo-as entre as romãs, ao longo da borda inferior
da veste. 26Havia uma campainha e uma romã, alternativamente, em volta de toda a barra do manto, para
usar nas funções, conforme o Senhor havia ordenado a Moisés. 27Fizeram para Aarão e seus filhos túnicas
de linho fino, 28a mitra e os adornos dos turbantes de linho fino, os calções de linho fino retorcido, 29e o
cinto de linho fino retorcido, púrpura violeta, vermelha e carmesim, artisticamente bordado, conforme o
Senhor havia ordenado a Moisés. 3°Fizeram uma lâmina, o diadema sagrado, de ouro puro, gravaram como
em sinete "Consagrado ao Senhor" 31e ataram-na com um cordão de púrpura por cima da mitra, conforme
o Senhor havia ordenado a Moisés. 32Assim foram concluídos todos os trabalhos da morada, da Tenda do
Encontro. Os israelitas fizeram tudo exatamente como o Senhor havia ordenado a Moisés.

39, 2-7: Ex 28, 6- 1 2. 39, 8-2 1 : Ex 28, 1 5-28. 39, 22-26: Ex 28, 3 1 -34. 39, 27-29: Ex 28, 39-40. 42. 39, 30-3 1 : Ex 28, 36-37.

1 20
O livro do Êxodo

COMENTÁRIOS
39, 1: "vestes litúrgicas" - Ver comentá- 39, 22: "manto" - Ver comentário sobre
rio sobre 28, 2. 28, 2.
39, 2: "efod" - Ver comentário sobre 28, 39, 25: "campainhas de ouro puro" -
6. Ver comentário sobre 28, 33.
39, 8: "peitoral" - Ver comentário sobre 39, 27: "túnicas" - Ver comentário so-
28, 1 5. bre 28, 2.

A obra concluída 3 3Apresentaram a Moisés a morada, a tenda e todos o s utensílios, a s argolas, a s tábuas,
-

as travessas, as colunas e as bases; 34a cobertura de peles de carneiro tintas de vermelho, a cobertura de
peles finas e o véu de proteção; 35a arca da aliança com os varais e o propiciatório; 36a mesa com todos os
utensílios e os pães sagrados; 370 candelabro de ouro puro com suas lâmpadas, isto é, as lâmpadas a serem
colocadas, todos os utensílios e o azeite para as lâmpadas; 380 altar de ouro, o óleo de unção e o incenso
aromático; a cortina para a entrada da tenda; 390 altar de bronze, a grelha de bronze, os varais e todos os
acessórios; a bacia com o suporte; 40as cortinas do átrio, com as colunas e bases; a cortina da entrada do
átrio, suas cordas e estacas e todos os utensílios para o serviço da morada, para a Tenda do Encontro;
41as alfaias para o serviço do santuário, as vestes sagradas do sacerdote Aarão e as vestes para as funções
sacerdotais de seus filhos. 420s israelitas executaram todos os trabalhos exatamente como o Senhor havia
ordenado a Moisés. 43Moisés examinou toda a construção e viu que a fizeram exatamente como o Senhor
havia ordenado a Moisés, e os abençoou.

39, 36: Ex 25. 30; 40. 23; Lv 24, 5-9.

39, 43: "Moisés examinou toda a ele no Sinai (25 , 9. 40) .


construção" Uma inspeção das tábuas e
-
"Os abençoou": Porque as pessoas gene­
utensílios do Tabernáculo (39, 33) . Apenas rosamente doaram seus talentos e tesouros a
Moisés saberia com certeza se correspondem serviço do culto (36, 2-7) .
ao padrão do santuário celestial mostrado a

NOTAS

121
Cadernos de estudo bíblico

4º Ereção do tabemáculo - 1 0 Senhor falou a Moisés: 2"No primeiro dia do primeiro mês levantarás
a morada, a Tenda do Encontro. 3Porás ali a arca da aliança e a cobrirás com o véu. 41ntroduzirás a
mesa e a deixarás posta; levarás o candelabro e colocarás as lâmpadas; 5porás o altar de ouro para o
incenso diante da arca da aliança e pendurarás a cortina na entrada da morada. 6Porás o altar dos holocaustos
diante da entrada da morada, da Tenda do Encontro. 7Colocarás a bacia entre a Tenda do Encontro e o altar e
a encherás de água; 8erguerás o recinto do átrio e porás a cortina na entrada do átrio. 9Pegarás o óleo de unção,
ungirás a morada e tudo o que nela estiver, consagrando-a assim com rodos os seus pertences, e ela será santa.
10Ungirás o altar dos holocaustos com todos os utensílios, consagrando-o assim para que seja santíssimo.
"Ungirás a bacia com a base para consagrá-la. 12Farás Aarão e seus filhos aproximar-se da entrada da Tenda do
Encontro e os lavarás com água. 13Depois revestirás Aaráo com as vestes sagradas e o ungirás, consagrando-o
para que me sirva como sacerdote. 14Farás seus filhos aproximar-se e, depois de revesti-los com as túnicas, 1 5os
ungirás como ungiste o pai, para que me sirvam como sacerdotes. Esta unção lhes há de conferir o sacerdócio
perpétuo por rodas as gerações". 16Moisés fez tudo exatamente como o Senhor lhe havia ordenado. 17No dia
primeiro do primeiro mês do segundo ano, a morada foi levantada. 'ªMoisés levantou a morada, colocou as
bases e as tábuas, assentou as travessas e ergueu as colunas. 19Estendeu a tenda sobre a morada e pôs por cima
a cobertura da tenda, como o Senhor havia ordenado a Moisés. 20Depois tomou o documento da aliança e
depositou-o dentro da arca, meteu os varais na arca e colocou sobre ela o propiciatório. 21lntroduziu a arca
na morada e pendurou diante dela o véu de proteção, como o Senhor havia ordenado a Moisés. 22Depois
instalou na Tenda do Encontro a mesa, no flanco norte da morada, do lado de fora do véu; 23e arrumou sobre
ela os pães consagrados ao Senhor, assim como o Senhor havia ordenado a Moisés. 24Pôs o candelabro na
Tenda do Encontro, no lado sul da morada, em frente da mesa, 25e acendeu as lâmpadas diante do Senhor,
assim como o Senhor havia ordenado a Moisés. 26Colocou o altar de ouro na Tenda do Encontro, diante do
véu, 27e queimou sobre ele o incenso aromático, assim como o Senhor havia ordenado a Moisés. 28Pendurou
a cortina na entrada da �orada. 29Diante da entrada da morada, da Tenda do Encontro, colocou o altar dos
holocaustos e ofereceu o holocausto e a oblação, assim como o Senhor havia ordenado a Moisés. 30Instalou a
bacia entre a Tenda do Encontro e o altar, e pôs nela a água para as abluções, 31onde Moisés, Aarão e os filhos
deste lavavam as mãos e os pés. 32Lavavam-se toda vez que entravam na Tenda do Encontro e se aproximavam
do altar, assim como o Senhor havia ordenado a Moisés. 33Levantou o átrio em torno da morada e do altar e
pendurou a cortina na entrada do átrio. Assim Moisés deu por concluída a obra.

40, 23: Ex 25, 30; 39, 36; Lv 24, 5-9. 40, 30-32: Ex 30, 1 8-2 1 .

COMENTÁRIOS
40, 1: "primeiro dia [ ] primeiro mês"
... pai para filho dentro da linhagem da família
- Moisés vai criar a morada quase um ano de Aarão, o levita (Lv 6, 22; Dt 1 O, 6) . A Es­
após a jornada do Êxodo ter começado na critura chama isso de aliança perpétua para
primeira noite da Páscoa (Nm 33, 3) . Aarão e seus descendentes (Eclo 45, 7. 1 5) .
40, 9: "ungirás a moradà' Realizado Para outras referências à aliança sacerdotal
-

por Moisés em Lv 8, 1 O. do Senhor com Levi, ver Ne l , 29; Jr 33, 2 1 ;


40, 12: ''Aarão e seus filhos" A ceri­ MI 2 , 4-5 .
-

mônia de ordenação, que dura uma semana, 40, 33: "Moisés deu por concluída
é descrita em 29, 1 -37 e conduzida por Moi­ a obrà' Recorda como Deus "terminou
-

sés em Lv 8, 1 -36. sua obra" no sétimo dia da criação (Gn 2,


40, 15: "sacerdócio perpétuo" Refere­ 2) . Esta e outras sugestões implicam que a
-

-se a um sacerdócio hereditário que passa de morada é uma réplica em miniatura do uni-

1 22
O livro do Êxodo

verso. ( 1 ) O mesmo "Espírito de Deus'' , que havia ordenado" (40, 1 9 . 2 1 . 23. 2 5 . 27. 29.
supervisiona a construção do santuário no 32) . (5) A descrição de como a morada foi
Êxodo (3 1 , 3) , supervisionou a formação do "concluída" (39, 32) e como Moisés "exami­
cosmos no Gênesis (Gn 1, 2) . (2) O Senhor nou" o trabalho (39, 43) lembra como Deus
instrui Moisés a construir a tenda com sete "concluiu" o seu trabalho na criação (Gn 2,
palavras (25 , l ; 30, 1 1 . 1 7. 22. 34; 3 1 , 1 . l -2) e "viu" que era bom (Gn 1 , 3 1 ) . (6) As-
1 2) , assim como ele criou o mundo em sete sim como toda a Terra está "cheia" da glória
dias (Gn 1 , 1 -2, 3) . (3) Tanto a sétima pala- divina (Is 6, 3) , do mesmo modo a mora­
vra de Moisés quanto o sétimo dia da criação da, em menor escala, é "cheià' da glória do
dizem respeito ao sábado (3 1 , 1 2- 1 7; Gn 2, Senhor (40, 34) . Para informações relacio-
1 -3) . (4) Moisés cumpre as sete palavras divi- nadas, consultar Ensaio sobre um Tópico:
nas em sete etapas, cada vez "como o Senhor Teologia do Templo em 2Cr 5 .

A nuvem e a glória de Deus 34Entáo a nuvem envolveu a Tenda do Encontro, e a glória do Senhor
-

encheu a morada.39 35Moisés não podia entrar na Tenda do Encontro, porque sobre ela repousava a nuvem,
e a glória do Senhor ocupava a morada. 36Em todas as etapas da viagem, sempre que a nuvem se elevava
de cima da morada, os israelitas punham-se a caminho; 37nunca partiam antes que a nuvem se levantasse.
38De fato, a nuvem do Senhor ficava durante o dia sobre a morada, e durante a noite havia um fogo visível
a rodos os israelitas, ao longo de todas as etapas da viagem.

40, 34: Ap 1 5, 8.

40, 34: "a nuvem envolveu" O Senhor- e um lugar santíssimo onde somente o sumo
desce das alturas do Sinai para a ocultação do sacerdote pode entrar na presença divina. O
santuário (25 , 8) . A partir de agora, a morada Sinai é igualmente demarcado em três zonas:
funciona como uma representação portátil do as pessoas se reúnem em sua base ( 1 9, 23-24) ;
Sinai, isto é, como um lugar de encontro com Aarão e os anciãos recebem permissão parcial
o Senhor que acompanhará Israel através do até as encostas (24, l ) ; e somente Moisés tem
deserto. Vários paralelos sugerem essa cone­ permissão de entrar na nuvem de fogo no
xão entre o monte sagrado e a tenda sagra­ cume (24, 2. 1 5- 1 8; CIC 697) .
da. ( 1 ) Ambos são locais de habitação divina.
A glória do Senhor se instala na tenda (40,
llJ 40, 35: "não podia entrar" Talvez -

Moisés fora proibido de entrar na es­


34-35) tal como tinha acontecido no topo do
curidão da nuvem até ser convocado pelo
monte (24; 1 5- 1 6) . (2) Ambos são lugares de
Senhor (como em 24, 1 5- 1 8) . Para outro pa­
revelação divina. O Senhor continua a ins­
ralelo, ver 1 Rs 8, 1 0- 1 1 .
truir Moisés na tenda (Lv l , 1 -2) , assim como
fez no monte (24, 1 2; 3 1 , 1 8) . (3) Ambos
são locais de segregação espacial. O santuário
tem três zonas: uma quadra externa aberta a 39 40, 34: a nuvem e o fogo, isto é, a glória, sáo formas de
todos, um lugar santo restrito aos sacerdotes, represencar ao mesmo tempo a presença e a transcen­
dência de Deus.

1 23
Cadernos de estudo bíblico

"Sobre ela repousava a nuvem:" A LXX ção (Mt 1 7, 5; Me 9, 7; Lc 9, 34) .


grega diz: "a nuvem a ofuscava" .
40, 38: "viagem" - Israel não vai deixar
• O Novo Testamento faz uso da expressão
Sinai até Nm 1 0, 1 1 - 1 3 . Portanto, o Senhor
grega para descrever a concepção de Jesus no
venere de Maria (Lc 1 , 35) e a ofuscação de vai levar as pessoas por etapas para Canaã
Pedro, Tiago e João no monte da Transfigura- (Nm 9, 1 5-23; 33, 1 -49) .

LEIS CERIMONIAIS MOSAICAS: OCASIÃO E FINALIDADE

São Justino Mdrtir (ca. 55)


O mesmo pode se dizer de Abraão e seus descendentes até a época de Moisés,
quando seu povo mostrou-se mau e ingrato a Deus por modelar um bezerro de
ouro como um ídolo no deserto. Por isso, Deus, adaptando suas leis ao povo
fraco, ordenou-te oferecer sacrifícios em seu nome, a fim de salvar-te da idolatria
[ . . . ] Além disso, a observância dos sábados foi imposta a ti por Deus para que sej as
forçado a te lembrar dele (Didlogo com Trifo 1 9) .
Não porque ele precisava de tais sacrifícios que Deus ordenou que te sacrifiques
por ele, mas por causa dos pecados do seu povo, especialmente os seus pecados de
idolatria [ . . . ] Assim, teus sacrifícios não são aceitáveis a Deus, nem fostes ordena­
do a ofertar-lhes porque Deus necessita deles, mas por causa dos seus pecados. O
mesmo pode ser dito do templo, que referes como o Templo de Jerusalém. Deus
chamou-lhe a sua casa ou corte, e não como se necessitasse de uma casa ou uma
corte, mas porque, ao unir-se a ele naquele lugar, pode-se abster da adoração de
ídolos (Didlogo com Trifo 22) .
Santo lrineu de Lyon (ca. 1 80)
Os judeus tinham, portanto, uma lei, um curso de disciplina, e uma profecia de coi­
sas futuras. Pois Deus, primeiramente, advertindo-os de fato por meio de preceitos
naturais, que desde o princípio ele implantou na espécie humana, ou seja, por meio
do Decálogo (que, se alguém não observa, não tem salvação) , naquele tempo não
exigiu nada mais deles. Como Moisés diz em Deuteronômio: "Tais são as palavras
que no monte, do meio do fogo, da nuvem e das trevas, o Senhor dirigiu com voz
forte a toda a vossa assembléia, sem j untar mais nada" (Dt 5, 22) . Por esta razão ele
fez com que os que estiverem dispostos a segui-lo devam seguir estes mandamen­
tos. Mas, quando eles moldaram um bezerro e voltaram em espírito para o Egito,
querendo ser escravos em vez de homens livres, no futuro foram colocados em um
estado de servidão adequado a sua vontade - que não pretendeu separá-los de Deus,
mas os submeter ao j ugo da escravidão (Contra as heresias 4. 1 5 . 1 ) .

1 24
O livro do Êxodo

As leis da escravidão, no entanto, foram uma a uma promulgadas ao povo por


Moisés, adequadas para a sua instrução ou para a sua punição, como o próprio
Moisés declarou: "Ordenou-me o Senhor naquele mesmo tempo que vos ensinas­
se as leis e os preceitos" (Dt 4, 1 4) . Estas coisas, portanto, que foram apresentadas
por causa da escravidão e para ser um sinal dela, ele invalidou pela nova aliança
da liberdade ( Contra as heresias 4 . 1 6. 5 ) .

Didascalia Apostolorum (ca. 220-240)


A Lei é constituída pelas dez palavras e os julgamentos, aqueles que Deus falou antes
do povo moldar o bezerro e adorar ídolos [ . . . ] Esta é a Lei simples e leve. Nela não
há carga alguma, nem distinção de carnes, nem incensos, nem ofertas de sacrifícios
e holocaustos [ . . ] Então a lei é fácil e leve, sem deixar de ser potente. Mas quando
.

as pessoas negaram a Deus [ . . ] a Ele negaram e disseram: "Não temos nenhum


.

deus que caminha à nossa frente", e fizeram um bezerro de ouro, o adoraram, e


ofereceram sacrifícios para uma imagem esculpida (Ex 32, 1 , 8) . Portanto, o Senhor
irritou-se, e no calor da sua ira - embora com a mercê de sua bondade - ele os con­
finou à segunda legislação e impôs fardos pesados e um j ugo árduo sobre o povo.
E ele agora já não diz: "Se me construíres" (Ex 20, 25), como antigamente, mas ele
disse: "Farás um altar", como se necessitasse dessas coisas (Ex 27, l ; 29, 38-42) .
Portanto, ele estabeleceu a necessidade de holocaustos contínuos e os levou a
abster-se de carnes através de distinção de carnes. De fato, a partir do momento
que os animais foram distinguidos, a carne pura da impura, a partir desse mo­
mento houve separações e purificações, e batismos e aspersões. A partir daquela
época houve sacrifícios, oferendas e tábuas. A partir desse momento houve holo­
caustos, e pães sagrados, e oferecimento de sacrifícios, e primogênitos, e resgates,
e cabritos para o pecado, e os votos, e muitas outras coisas incríveis. Por causa
da multidão de pecados foram impostos sobre eles costumes indizíveis [ . . . ] Na
verdade, a segunda legislação foi imposta por causa da fabricação do bezerro e da
idolatria. Tu, no entanto, foste por meio do batismo libertado da idolatria e da
segunda legislação. No Evangelho ele renovou, cumpriu e confirmou a Lei, mas a
segunda legislação ele revogou e aboliu (Didascalia Apostolorum 26) .

Lactantius (ca. 308)


No entanto, por esses auxílios divinos eles não prestaram honras a Deus, mas
agora que sua escravidão foi removida e agora que sua sede e fome foram saciadas,
eles caíram em luxúria e voltaram-se para os ritos profanos dos egípcios. Pois

125
Cadernos de estudo bíblico

quando o seu líder, Moisés, subiu a montanha e esteve lá durante quarenta dias,
eles moldaram a cabeça de um bezerro de ouro, que eles chamaram de Apis, para
que pudesse ir adiante deles como um símbolo. Deus ficou ofendido com as pes­
soas ímpias e ingratas por este pecado e ação vergonhosa e os oprimiu j ustamente
com punição grave e submeteu-os à Lei que ele tinha dado a Moisés (Divinos
institutos 4, 1 0) .

São Afraates (ca. 340)


Pois a boca do Santo testificou que os mandamentos e os preceitos que são dados
a ti não são proveitosos e não são excelentes. Como então levantas o teu rosto e
apressa-te a disputa? Eis que foi por causa de teus pecados que ele estabeleceu ofer­
tas e alimentos distintos para ti. A respeito de qual mandamentos e j ulgamentos que
Ezequiel disse que quem os cometesse iria viver por eles? E em relação a quem ele
disse que "cheguei a dar-lhes estatutos que lhes foram funestos, ordens em virtude
das quais não podiam viver"? (Ez 20, 25). Os mandamentos e sentenças que dão
vida são os que foram descritos acima. Os j ulgamentos j ustos e retos que ele colo­
cou diante deles são os dez mandamentos sagrados, que escreveu com a mão e fez
Moisés ensiná-los. Quando o povo fez para si o bezerro e afastou-se dele, então ele
deu-lhe mandamentos e sentenças que não são excelentes: o sacrifício, a purificação
dos leprosos, do fluxo, da menstruação, e do parto; e que um homem não deve che­
gar perto do morto, da sepultura, dos ossos, e daqueles que foram mortos; que para
todos os pecados e para toda a impureza no homem é preciso oferecer um sacrifício
[ . . . ] Quando o Senhor viu que esses mandamentos e sentenças eram tão duros, ele
nos chamou e disse: "Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o
peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e apren­
dei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso.
Pois o meu j ugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 1 1 , 28-30) . Reconhecemos a
misericórdia que tirou de nós um j ugo difícil e pesado e colocou sobre nós o seu,
que é leve e agradável (Demomtrações 1 5 , 8) .

Santo Atanásio (ca. 347)


A lei completa não tratou de sacrifícios, embora houvesse na Lei um mandamen­
to acerca dos sacrifícios -, por meio do qual a instrução foi dada de antemão,
afastando os homens dos ídolos, levando-os para perto de Deus, e ensinando-lhes
por aquele tempo presente. Por conseguinte, nem no início, quando Deus levou
o povo para fora do Egito, ele os ordenou a respeito de sacrifícios ou holocaustos,
nem mesmo até chegarem ao Monte Sinai [ . . . ] Mas quando eles serviram Baal [ =

1 26
O livro do Êxodo

bezerro de ouro] , e se atreveram a oferecer sacrifícios aos que não têm existência,
e esqueceram-se dos milagres que foram feitos por eles no Egito, e pensaram
em voltar lá novamente; então, de fato, após a Lei, um mandamento foi dado
também para servir como uma lei sobre sacrifícios; para que, na sua mente, que
ao mesmo tempo tinha meditado sobre os que não existiam, pudessem recorrer
a ele que é verdadeiramente Deus e aprender, em primeiro lugar, não a sacrificar,
mas a afastar-se dos ídolos e prestar atenção ao que Deus ordenou. Pois, quando
ele disse: "não falei a vossos pais e nada lhes prescrevi a respeito de holocaustos
e sacrifícios" Qr 7, 22) , ele imediatamente acrescenta: "foi esta a única ordem
que lhes dei: escutai minha voz: serei vosso Deus e vós sereis o meu povo; segui
sempre a senda que vos indicar, a fim de que sejais felizes" Qr 7, 23) [ . . . ] Assim
sendo instruídos e ensinados previamente, eles aprenderam a não prestar culto a
ninguém além do Senhor ( Cartas festivas 1 9 ,4) .

São joão Crisóstomo (ca. 390)


Isto é o que Deus fez. Ele viu os j udeus se sufocarem com seus anseios insanos
por sacrifícios. Ele viu que estavam prontos para ir aos ídolos, se fossem privados
dos sacrifícios. Devo dizer, ele viu que eles não estavam apenas prontos para ir em
frente, mas que já tinham feito isso. Assim, ele os deixou ter seus sacrifícios. O
momento em que a autorização foi concedida deve deixar claro que a razão é essa.
Depois que mantiveram o festival em honra de demônios [no bezerro de ouro] ,
Deus cedeu e permitiu sacrifícios. Tudo o que ele disse foi isso: "Vocês estão todos
ansiosos e ávidos por sacrifícios. Se querem sacrificar, então sacrifiquem a mim" .
Mas mesmo que ela tenha permitido sacrifícios, essa permissão não era para durar
para sempre; na sabedoria de seus caminhos, ele levou os sacrifícios para longe
deles novamente. ( Contra os cristãos judaizantes 4.6.5)

Constituições Apostólicas (ca. 370-400}


Agora a lei é o Decálogo, que o Senhor pro�ulgou a eles com uma voz audível,
antes das pessoas moldarem o bezerro, que representou a Apis egípcio. A Lei é
justa, e por isso é chamada Lei, porque os j ulgamentos são dali feitos de acordo
com a lei da natureza [ . . . ] Esta lei é boa, santa e não estabelece escrúpulo algum em
coisas positivas. Pois ele diz: "Se me construíres um altar de pedra, não o faças de
pedras lavradas" (cf. Ex 20, 24-25). Ele não diz: "Constrói um altar", mas "Se me
construíres". Não impõe uma necessidade, mas permite o exercício da liberdade.
Porque Deus não tem necessidade de sacrifícios, sendo, por natureza, acima de
toda necessidade [ . . . ] Mas quando este povo esqueceu-se disso e chamou um be­
zerro de deus, em vez do verdadeiro Deus, e atribuiu a isso a causa de sua saída do

1 27
Cadernos de estudo bíblico

Egito, dizendo: "Af tens, Israel, os teus deuses que te fizeram sair do Egito!" (Ex
32, 4) , [ . . . ] então Deus se irou, ao ser tratado de maneira ingrata pelos homens,
e prendeu-os com laços que não poderiam ser soltos, com um fardo humilhante
e um colarinho duro, e já não disse: "Se me construíres", mas "Constrói um al­
tar" e sacrifica perpetuamente; pois és esquecido e ingrato. Oferece holocaustos
continuamente, portanto, para que estejas atento a mim. Pois desde que abusaste
perversamente do teu poder, eu coloquei uma necessidade sobre ti para o futuro,
e ordenei que tu te abstenhas de certas carnes; e ordeno para ti a distinção de
criaturas puras e impuras, embora toda criatura seja boa, pois foi feita por mim;
e eu nomeio para ti várias separações, purgações, lavagens e aspersões freqüentes,
várias purificações, e vários momentos de descanso. E se negligenciares qualquer
um desses, eu determino o castigo que é adequado aos desobedientes, que sendo
pressionado e afligido, possas te afastar do erro do politeísmo [ . . . ] e correr de volta
para a Lei inserida por mim na natureza de todos os homens, "que existe somente
um Deus no céu e na terra, e ama-o com todo o teu coração, e de toda a tua força,
e toda a tua mente" , e não teme ninguém além dele, nem admitas nomes de ou­
tros deuses em sua mente, nem deixes a tua língua pronunciá-los. Ele os prendeu
pela dureza dos corações, para que, sacrificando, e descansando, e purificando-se,
e por observâncias semelhantes, eles possam chegar ao conhecimento de Deus,
que ordenou estas coisas para eles ( Constituições apostólicas 6.4.20) .

Santo Agostinho (ca. 400)


Assim, os sacramentos do Velho Testamento, que foram celebrados em obediên­
cia à Lei, eram protótipos de Cristo, que estava por vir; e quando Cristo cumpriu­
-os por seu advento eles foram eliminados, e foram eliminados porque foram
cumpridos. Pois Cristo não veio para destruir, mas para completar. E agora que
a j ustiça da fé é revelada, e os filhos de Deus são postos em liberdade, e o j ugo da
escravidão que era necessário para um povo carnal e obstinado é removido, outros
sacramentos são instituídos, em maior eficácia, mais vantajosos na sua utilização,
mais leves no desempenho, e em menor número (Contra Fausto 1 9. 1 3) .

Santo Tomás de Aquino (ca. 1266-1273)


Já que a ordenação correta da mente para Deus implica que ela deva reconhe­
cer nenhum outro primeiro autor de coisas além de Deus, nem fazer de qual­
quer outra coisa o seu fim, a Lei proibia oferecer sacrifício a qualquer outro, de
acordo com as palavras de Êxodo : "Quem oferecer sacrifícios aos deuses, e não

1 28
O livro do Êxodo

unicamente ao Senhor, será votado ao interdito" (Ex 22, 1 9) . Assim, pode-se dar
uma razão adicional para as cerimônias de sacrifício, a saber, que afastaram os
homens da oferta de sacrifícios aos ídolos. É por isso que os preceitos de sacrifício
não foram dados aos j udeus até depois de terem caído em idolatria ao adorar o
bezerro de ouro; os sacrifícios foram instituídos de modo que as pessoas, em sua
propensão para oferecer sacrifícios, possam fazê-lo a Deus e não aos ídolos. Daí a
passagem: "não falei a vossos pais e nada lhes prescrevi a respeito de holocaustos e
sacrifícios" Or 7, 22) (Summa 7heologiae I-II . 1 02 . 3) .

(Todas as citações foram ligeiramente alteradas).

1 29
QUESTÕES PARA ESTUDO

CAPÍTULO l

Para compreender
1. (cf. 1 , 5) O que o número 70 (descendentes de Jacó) , que aparece várias vezes
no Pentateuco hebraico, sugere? Onde é que a figura de 75 descendentes apa­
rece na Bíblia?

2. (cf. 1 , 8-22) Por que medidas repressivas foram tomadas contra Israel, e que
medidas foram tomadas? Quais descobertas arqueológicas oferecem provas dis­
so? Como seria uma compreensão alegórica desta passagem?

3. (cf. Estudo da Palavra: Faraó 1 , 1 1 ) O que significa o título Faraó, e ao que ele
se refere? O que pode explicar o nome do faraó nem sempre aparecer ao lado
de seu título? Quem são os melhores candidatos para o real Faraó durante o
Êxodo, dependendo do século em que aconteceu?

4. (cf. 1 , 1 1 ) A que a expressão "cidades-entreposto" se refere? Onde estavam lo­


calizadas as cidades-entreposto de Pitom e Ramsés? Assumindo que esta última
cidade foi nomeada em honra de Ramsés II, que conclusão podemos tirar (ou
não) do seu aparecimento no Êxodo?

Para meditar
1. (cf. 1 , 7- 1 0) O faraó está preocupado que a tendência demográfica, a multi­
plicação de imigrantes hebreus, esteja colocando o Egito em risco. Quais são
algumas das tendências demográficas que causam preocupações semelhantes
nos Estados Unidos? O que o governo está fazendo sobre esses crescimentos?
Qual seria uma resposta cristã apropriada para eles?

2. (cf. 1, 1 7) O que obriga um cidadão a obedecer as leis do governo? Quando a


desobediência civil é necessária?

3. (cf. 1 , 1 9) Nesta passagem, as parteiras parecem estar mentindo para o faraó


para proteger mães hebréias e seus filhos. Se a mentira é um pecado, o que jus­
tifica a declaração das parteiras ao faraó? (Consulte CIC 2482-89 ao elaborar
sua resposta) .

131
Cadernos de estudo bíblico

4. (cf. 1, 22) Quais formas toma hoje a seleção do sexo de bebês? Mesmo quando
a seleção sexual não envolve a morte do feto ou recém-nascido, em que medida
são morais os métodos atuais usados para estabelecer o sexo e outras caracterís­
ticas de uma criança? (cf. CIC 2274-75).

CAPÍTULO 2

Para comp reender


1. (cf. 2, 3) Como a cesta foi feita? Para qual outro recipiente é utilizado o mesmo
termo hebraico que designa a cesta? Que paralelos o uso desse termo implica?

2. (cf. 2, 1 0) A adoção d e Moisés lhe d á direito a que tipo d e educação? O que a


forma original do nome Moisés provavelmente significa, e o que ela lembra?
Com o que a tradição hebraica associa o nome de Moisés?

3. (cf. 2, 1 5) Onde fica Madiã? Para qual pessoa a Bíblia traça a linhagem dos ma­
dianitas? Onde Moisés conhece sua futura esposa, e qual padrão esse encontro
segue?

4. (cf. 2, 24) O que significa o termo "lembrou-se" aqui? O que a expressão impli­
ca? O que promete a aliança que Deus fez com Abraão séculos antes?

Para meditar
1. (cf. 2, 1 0- 1 1 ) O que você acha que uma criança adotada pensa sobre sua fa­
mília biológica, consciente ou inconscientemente? Conforme a criança cresce,
como as atitudes podem mudar em relação tanto à família adotiva como à
família natural? Como o fato de que você é um filho adotivo de Deus afeta sua
visão da sua família humana?

2. (cf. 2, 1 2- 1 5) Em que medida o comportamento de Moisés é típico de alguém


que cometeu um crime? Como o comportamento de Moisés, errado como
foi, pode ter se encaixado ao plano de Deus? Quando você reflete sobre o seu
próprio passado, como Deus pode ter usado os erros que você cometeu para
realizar os desígnios dele em sua vida?

3. (cf. 2, 20) Quando Ragüel pergunta: "Por quê?", qual resposta ele procura? O
que uma questão desta natureza destina-se a concluir? Onde mais na Escritura
você notou a pergunta: "Por quê?"?

4. (cf. 2, 23-25) Veja novamente o comentário do versículo 24. Por que nos pare­
ce que Deus leva um longo tempo para responder orações? Como a educação
de Moisés, a fuga do Egito, e as longas estadias em Madiã são consonantes com
o tempo de Deus? O que isso sugere em relação a suas próprias orações?

132
O livro do Êxodo

CAPÍTULO 3

Para comp reender


1. (cf. 3 , 2) O que é uma "teofania" ? O que o encontro de Moisés com o Senhor
antecipa? Do que o fogo pode ser um sinal? De acordo com São Gregório de
Nissa, que significado alegórico tem a sarça ardente em relação em relação à
Santíssima Virgem?

2. (cf. 3, 8) O que a expressão "onde corre leite e mel" indica sobre a terra de
Canaã? Quem eram os cananeus?

3. (cf. 3, 1 4 ) O que o nome "eu sou aquele que sou" revela sobre Deus? Que ver­
dade filosófica expressa? Como se torna visível? Que verdade histórica o nome
expressa? Como Jesus revelou sua divindade no quarto evangelho?

4. (cf. 3, 1 5) Do que o nome YHWH é chamado ? O que isso significa? Quando


devotos j udeus encontram o nome divino na Escritura, o que eles fazem? Jeová
é um dos nomes sagrados de Deus?

5. (cf. 3, 1 8) Qual é o principal objetivo d o Êxodo? O que Moisés solicita a o faraó


neste ponto da história?

Para meditar
1. (cf. 3 , 5) A expressão "chão sagrado" é muitas vezes usada livremente para se
referir aos locais de importância especial, embora não necessariamente religio­
sos. No caso de Moisés, o que torna o chão sagrado? O que significa um lugar
ou uma coisa ser santo em um sentido religioso? Qual deve ser a atitude em
relação a tais lugares e coisas?

2. (cf. 3, 1 0- 1 1 ) Uma vez que Moisés foi criado entre a nobreza egípcia, e faz
muitos anos que ele fugiu do Egito, por que você acha que Moisés reluta em
aceitar a missão de Deus? Quando você hesitou em assumir uma grande res­
ponsabilidade, e por quê?

3. (cf. 3, 1 5) Em j unho de 2008, a Santa Sé emitiu uma diretiva que o nome de


Deus revelado no tetragrama YHWH não deve ser pronunciado na liturgia
católica. O que motivou a diretiva? (CIC 209 fornece uma pista) . Uma vez que
a própria liturgia nunca usa o nome divino dessa maneira, o que seria afetado?

4. (cf. 3, 1 9) É bastante comum para os seres humanos não responder a Deus


"a não ser obrigados por uma forte mão" . Circunstâncias críticas da vida, por
vezes, nos "obrigam" a voltar para Deus. Como você foi forçado pelas circuns­
tâncias a voltar-se para Deus, depois de resistir a ele?

133
Cadernos de estudo bíblico

CAPÍTULO 4

Para compreender
1. (cf. 4, 1 0) O que as rendições em grego e hebraico de "nunca tive facilidade
para falar" indicam sobre Moisés? Como Paulo aplica esta passagem a si mes­
mo? O que se considera que a expressão "boca e língua pesadas" quer dizer?

2. (cf. 4, 21) N o decurso da futura narrativa das pragas, quem endurece o coração
do faraó? Na medida em que o faraó endurece o seu coração antes de Deus
intervir, quais duas coisas somos levados a ver? Como uma metáfora, o que o
"endurecimento" divino provavelmente descreve?

3. (cf. 4, 22) Como Israel é o "filho primogênito" d e Deus? O que está implícito
nessa relação? Como Deus mostra sua paternidade amorosa a Israel no Livro
do Êxodo?

4. (cf. Estudo da Palavra: Servo 4, 23) Para que ou quem a ação do verbo hebraico
para "trabalhar" ou "servir" pode ser dirigida? Em conexão com Deus, que sen­
tido a palavra tem? Como os primeiros capítulos do Êxodo constroem tensão
com este termo?

Para meditar
1. (cf. 4, 1 -9) Você acha que é um bom evangelista? Em que medida você teste­
munha a sua fé com êxito? Com que critérios você j ulga a si mesmo? Como o
Espírito Santo poderia convencê-lo do contrário?

2. (cf. 4, 1 1 - 1 5) Deus tem o obj etivo de convencer Moisés a confiar nele antes das
situações de enfrentamento ao faraó, mas Moisés continua tentando fugir da
missão. Como você se prepara para encontrar as situações que você teme? Você
tenta crescer em confiança, ou você tenta esquivar-se?,

3. (cf. 4, 24-26) Reveja o comentário para estes versos. J á que uma aliança es­
tabelece um vínculo familiar, quais são algumas das conseqüências prováveis
quando a aliança é negligenciada? Como a negligência à aliança difere do rom­
pimento definitivo da aliança? Como são semelhantes?

CAPÍTULOS 5-6

Para compreender
1. (cf. 5 , 1 -9) Que perguntas estão em pauta neste confronto inicial entre o faraó
e Moisés?

134
O livro do Êxodo

2. (cf. 5, 5) A qual palavra o verbo hebraico para "fazê-los interromper suas tare­
fas" está relacionado? Que contraste ela sugere?

3. (cf. 6, 3 ) Juntamente com o nome hebraico 'El Shadday, que nomes d e Deus
foram usados em tempos patriarcais? Já que o nome YHWH foi revelado a
Moisés, quais são algumas das maneiras que os estudiosos tentaram explicar a
sua menção no Gênesis?

4. (cf. 6, 6) O que o termo hebraico para "resgatar" significa? Que papel desem­
penha o Senhor?

Para meditar
1. (cf. 5 , 2 . 4) O faraó afirma que ele não conhece o Senhor e não vai abrandar
suas ordens de trabalho. Como essa atitude se mostra na prática dos negócios
modernos? Qual é o papel do trabalho para aqueles que "conhecem o Senhor" ?

2. (cf. 5, 22-23) Moisés reclama a Deus que a situação piorou e Deus não fez
nada. Por que você acha que algumas más situações devem piorar antes que
possam melhorar? Que exemplos vêm à mente? Em que medida você acha
apropriado se queixar a Deus em tais circunstâncias?

3. (cf. 6, 2-8) O Senhor responde lembrando Moisés sobre quem é Deus e sobre
suas promessas da aliança; Ele então diz a Moisés para retomar a sua missão.
Será que esta resposta a Moisés é semelhante a sua própria experiência de ora­
ção? O que isso sugere sobre a perseverança na oração?

4. (cf. 6, 9- 1 2, 30) Moisés tenta obedecer ao Senhor, mas sofre um revés quando
o seu próprio povo se recusa a ouvi-lo. Quando está atrás de uma meta, como
você responde aos contratempos? Que vantagens contratempos e obstáculos
podem de fato lhe proporcionar?

CAPÍTULO 7

Para compreender
1. (cf. 7, 1 0) O que transformar uma vara em serpente significa? Do que a cobra
era um emblema para os egípcios? Como Santo Efrém compreende o significa­
do alegórico da vara de Moisés?

2. (cf. 7, 1 4- 1 2, 36) E m u m nível literal, como estão as dez pragas agrupadas,


tanto em termos de sua ocorrência como das advertências apresentadas? Em
um nível histórico, quão satisfatória é a alegação de que as pragas têm algumas
afinidades com calamidades naturais conhecidas por afligir o Vale do Nilo?

135
Cadernos de estudo bíblico

Como o Êxodo as retrata? Em um nível teológico, como o Êxodo reverte as


ações criadoras mencionadas em Gênesis l , 1 -3 1 ?

3. (cf. Quadro: Pragas d o Egito) Além dos poderosos atos d e j ulgamento sobre a
terra do Egito, o que Deus no fundo está fazendo? Que deuses do Egito pare­
cem ser alvo de cada praga?

4. (cf. 7, 20) O que a praga no Nilo parece prever? Quais considerações podem
ser feitas em apoio a isso? O que a quantidade assombrosa de sangue recorda?

Para meditar
1. (cf. 7, 3-4) Quais milagres se tem a intenção de mostrar? Como é que, mes­
mo quando se deparam com eventos claramente milagrosos, algumas pessoas
insistem em tentar encontrar uma explicação não-religiosa? Se você teve uma
experiência de conversão, o que provocou a sua mudança de mente ou coração?

2. (cf. 7, 7) A narrativa se desvia aqui para mencionar as idades de Moisés e Aarão


quando eles falaram ao faraó. Qual é a atitude bíblica para com as relações en­
tre as pessoas mais jovens e as mais velhas? Como ela se compara ou contrasta
com as atitudes modernas para com as pessoas mais velhas?

3. (cf. 7, 1 1 ) "Encantamentos" também podem ser chamados d e artes ocultas. Por


que a Escritura proíbe a sua utilização? Que perigos espirituais estão ligados à
atividade oculta? (Consulte CI C 2 1 1 7) .

CAPÍTULO 8

Para comp reender


1. (cf. 8 , 1 5) O que a expressão "dedo de Deus" simboliza? Que momento crítico
o reconhecimento dos magos assinala? Alegoricamente, o que o dedo de Deus
representa?

2. (cf. 8 , 20-32) Como a resistência do faraó começa a enfraquecer nesta quarta


praga? Que restrições ele impõe? O que finalmente vai obrigá-lo a cumprir as
exigências de Javé?

3. (cf. 8, 22) Como o Senhor poupa Israel nesta quarta praga? Como sua graça
protetora está implícita ou declarada explicitamente nas pragas restantes?

4. (cf. 8, 26) Que atitude dos egípcios para com rebanhos e manadas explica a
insistência de Moisés na condução da liturgia israelita no deserto? Que conclu­
são parece seguir em relação ao festival do sacrifício? Que provável pressuposto
sobre Israel está subj acente a esta conclusão?
O livro do Êxodo

Para meditar
1. (cf. 8 , 9) O que você acha que Moisés está tentando dizer ao pedir ao faraó para
dizer-lhe quando ele (o faraó) quer que as rãs desapareçam? Em que medida é
apropriado "testar Deus" desta forma quando você tem uma preocupação sobre
a qual está orando? (Compare a sua resposta com CIC 2 1 1 9) .

2. (cf. 8, 1 5) O faraó muda de idéia quando vê que não há alívio da praga das rãs.
Você já "fez um acordo" com Deus? Qual foi o resultado? Você cumpriu sua
parte do acordo, ou tentou mudar seus termos?

3. (cf. 8, 26) As práticas religiosas cristãs por vezes podem parecer abomináveis ou
pelo menos desagradáveis para os não-cristãos; por exemplo, os pagãos pensa­
vam que a Eucaristia envolvia canibalismo, e essa objeção é às vezes ainda ou­
vida. Como você explicaria a diferença entre o consumo do Corpo e Sangue de
Jesus e o canibalismo? (Dica: Jesus, a quem você recebe, está vivo ou morto?) .

CAPÍTULOS 9- I O

Para comp reender


1. (cf. 9 , 1 6) O que as pragas mostram aos egípcios? Qual é o efeito desejado? Por
que Deus poupa a vida do faraó?

2. (cf. 9, 27) Embora o faraó admita que pecou, qual é o seu interesse real?

3. (cf. 1 0, 22) O que a "escuridão" parece implicar? A qual ocorrência natural


alguns pensam que se refere?

4. (cf. 1 0, 26) Qual é o entendimento de Moisés dos ritos e exigências da liturgia?


O que determina o culto divino?
Para meditar
1. (cf. 9, l 7a) O Senhor acusa o faraó de exaltar a si mesmo. Você já experimen­
tou a correção do Senhor ao seu orgulho? Como a correção ocorreu? O que
você fez em resposta? Será que a correção teve qualquer efeito em longo prazo?

2. (cf. 1 0, 2 1 -23) A nona praga consiste em três dias de escuridão física. Em que
a escuridão moral consiste? Qual é a diferença entre a escuridão moral e a es­
piritual?

3. (cf. 1 0, 26) Reveja o comentário para este versículo. Como ele pode s e aplicar
à compreensão que a Igreja tem da liturgia hoje?

137
Cadernos de estudo bíblico

CAPÍTULOS I I - I 2

Para comp reender


1. (cf. Ensaio sobre um tópico: A data do Êxodo) Por que é difícil estabelecer a
data do Êxodo? Quais as duas principais datas que foram propostas? Quais são
os argumentos mais importantes para posicionar o Êxodo no século XV a.C. ?
Quais são os argumentos para posicionar o Êxodo no século XIII a.C. ? Quais
são os principais pontos fortes das duas alternativas?

2. (cf. 1 2, 1 -28) De que a instituição das festas da Páscoa e dos pães ázimos faz me­
mória, e como? Qual é o significado tipológico da festa da Páscoa? Qual interpre­
tação alegórica São Melito de Sardes e Santo Tomás de Aquino dão a esta festa?

3. (cf. 1 2, 37) Qual poderia ter sido a população total d e Israel s e a figura de
600.000 homens é apresentada? Embora muitos achem difícil de aceitar uma
leitura literal do número, que outras passagens nas Escrituras a corroboram?

4. (cf. 1 2, 46) Qual é a possível explicação para preparar o cordeiro pascal sem lhe
quebrar um osso? Como Jesus cumpre essa exigência? Alegoricamente, o que
a Páscoa prevê?

Para meditar
1. (cf. 1 1 , 8) Moisés retirou-se da presença do faraó "fervendo de indignação" .
Quando, nos evangelhos, Jesus fica irritado? Como pode a irritação servir aos
propósitos de Deus? Quais são alguns dos perigos desta emoção?

2. (cf. 1 2, 2) Revej a o comentário para este versículo. De que forma o calendário


moderno imita a estrutura do calendário israelita? Por que o calendário litúrgi­
co católico começa com o Advento?

3. (cf. 1 2, 1 4) Assim como a festa d a Páscoa é u m memorial, assim a missa é um


memorial da Páscoa cristã. Qual é o significado da palavra "memorial" em cada
caso?

4. (cf. 1 2, 42) O calendário cristão também tem uma "noite de vigílià' . Qual é?
O que a "noite de vigílià' cristã destina-se a celebrar?

CAPÍTULO 1 3

Para compreender
1. (cf. 1 3, 2) O que "consagrar" significa na bíblia? O que a consagração dos
primogênitos de Israel ocasiona? Como o comentário apóia essa interpretação?
O livro do Êxodo

Qual "mudança" significativa acontecerá entre a noite da Páscoa e a entrada de


Israel em Canaã?

2. (cf. 1 3, 9) Qual prática j udaica este versículo inspira?

3. (cf. 1 3, 1 8) Se o termo "Mar Vermelho" vem da tradução grega, que nome a


tradução hebraica dá a essa extensão de água? Quais são alguns dos possíveis
locais para a travessia?

4. (cf. 1 3 , 2 1 ) Aonde a coluna de nuvem e fogo leva os israelitas? Como Isaías in­
terpreta essa presença orientadora? Alegoricamente, o que a nuvem prenuncia?

Para meditar
1. (cf. 1 3, 2) Consagrar alguma coisa significa distingui-la como sagrada. Em que
sentido o seu batismo consagra você? Como suas ações podem ser usadas para
consagrar seu ambiente? (Consulte CIC 90 1 ) .

2. (cf. 1 3, 9. 1 6) Embora o s cristãos não costumem usar filactérios, que formas


você usa para lembrar-se diariamente da Palavra de Deus? Como você traz essa
palavra à lembrança para você e sua família? Qual é o papel dos objetos religio­
sos, como imagens e rosários?

3. (cf. 1 3, 1 0) Qual é o papel das comemorações religiosas n a vida cristã? Qual é


a função do calendário litúrgico? (Consulte CIC 1 1 68- 1 1 7 1 ) .

4. (cf. 1 3, 1 8) Deus não levou o povo escolhido pelo caminho mais direto ao
seu destino; em vez disso, ele escolheu um desvio. Por que Deus muitas vezes
parece levar as pessoas por vias indiretas ao lugar onde quer que elas estejam?
Como uma rota aparentemente indireta pode vir a ser a mais direta em longo
prazo? Alguma vez você já experimentou isso?

CAPÍTULOS I 4- I 5

Para compreender
1. (cf. 1 4 , 2 1 -29) D e acordo com a interpretação de Paulo da travessia marítima,
o que o batismo faz? O que o mar representa alegoricamente? Quais as duas
argumentações que apóiam essa interpretação?

2. (cf. 1 5 , 1 - 1 8) O que é o Cântico do Mar? Como ele saúda o Senhor? Que


dupla perspectiva ele adota?

3. (cf. 1 5 , 1 7) Como o s termos "monte" e "lugar" referem-se à terra d e Canaã?


Montes são termos mais freqüentemente entendidos como referências diretas a
quê? De qualquer maneira, a que correspondem esses destinos?

139
Cadernos de estudo bíblico

4. (cf. 1 5 , 20) Quem é Maria? De que ela é um protótipo? De que maneira ela é
uma profetisa? Quem são algumas das outras profetisas na bíblia?

5. (cf. 1 5 , 23) Qual é o jogo d e palavras e m hebraico relativo às águas de Mara?


Alegoricamente, o que essas águas prefiguram, de acordo com Tertuliano?

Para meditar
1. ( cf. 14, 1 3- 1 4) Quais são os perigos espirituais na emoção do medo? O que
você está mais inclinado a temer em sua vida espiritual? Como o comando de
Moisés para se manter firme pode se aplicar a você?

2. (cf. 1 4, 22-23, 30) S e Israel entrou n o mar aberto pela fé, que motivo animou
os egípcios? Como resulcado, o que (além da água) , na verdade, matou os egíp­
cios? Que motivos para a ação podem ser letais para sua vida espiritual?

3. (cf. 1 5 , 2-3) Como você descreveria a atitude ao Senhor nesses versículos?


Como ela se compara a sua? Como a música, o louvor e a exaltação adentram
sua vida de oração?

4. (cf. 1 5 , 23-24) Como a atitude das pessoas muda apenas crês dias depois? Al­
ternâncias entre exaltação e desolação já afetaram sua própria vida de oração?
Como você pode se preparar para lidar com mudanças como essas antes que
elas aconteçam?

CAPÍTULOS I 6- I 7

Para compreender
1. (cf. 1 6, 4) O que é o maná? Como o maná é conhecido nas Escrituras? Recor­
dando essa providência no deserto, como Jesus a aplica a si mesmo? De acordo
com os crês mandamentos do maná, o que Israel deve fazer com ele? Em um
sentido moral, o que a deterioração do maná nos ensina?

2. (cf. 1 7, 6) O que a ação de bater no rochedo realiza? Qual é a tradição j udaica


sobre o rochedo? O que o rochedo significa para Paulo?

3. (cf. 1 7, 7) O que os nomes Massa e Meriba significam? Que advertência todo


o evento nos dá?

4. (cf. 1 7, 1 2) O que Aarão e Hur fazem durante a batalha com o s amalecitas?


Como Justino compreende essa ação alegoricamente?
O livro do Êxodo

Para meditar
1. (cf. 1 6, 2-3) Que forma assume a murmuração do povo? O que murmurar ou
resmungar contra os líderes de uma comunidade provoca entre os seus mem­
bros? Que tipo de espírito isso engendra?

2. (cf. 1 6, 1 7- 1 8 . 32-34) Uma definição de milagre é uma disposição de Deus


que chega no tempo e na quantidade necessários. Você já experimentou tal
"milagre" ? Que efeito teve sobre a sua fé? Por que tomar medidas para se lem­
brar dele?

3. (cf. 1 7, 7) De acordo com esse versículo, qual resposta as pessoas procuram ao


pôr o Senhor à prova? Tal "teste" é um problema comum na oração. O que ele
diz sobre a atitude para com Deus? Qual é o antídoto para tal atitude?

4. (cf. 1 7, 1 0- 1 2) Que lição esse episódio pode ensinar sobre oração de interces­
são? O que ela diz sobre a aj uda de companheiros espirituais?

CAPÍTULOS I 8- I 9

Para comp reender


1. (cf. 1 8, 1 3-27) Qual é o efeito da delegação feita por Moisés de autorida­
de judicial para membros competentes da tribo? Qual sistema legal eles estão
usando?

2. (cf. 1 9 , 6 ) Que vocação nacional as declarações n o Sinai designam para Israel?


Teologicamente, que significado relacional a identidade de Israel tem como o
"primogênito" de Javé? Onde o padrão de serviço real-sacerdotal se repete nas
Escrituras? Como a vocação de Israel é final e plenamente realizada?

3. (cf. 1 9, 1 5) O que o comando d e Moisés para não chegar perto d e uma mulher
antecipa? Por que comandar a abstinência sexual temporária?

4. (cf. 1 9, 1 6-25) O que a teofania do Sinai revela? Em que ela consiste? Qual é
o seu objetivo?

5. (cf. 1 9, 22) Quem, muito provavelmente, são o s sacerdotes aqui? Quando a


família levítica de Aarão é ordenada?

Para meditar
1. (cf. 1 8, 1 3-23) Quais são algumas das vantagens para líderes e gestores de­
legarem autoridade a outros? Quais são as vantagens para os que estão sob a
autoridade?
Cadernos de estudo bíblico

2. (cf. 1 9, 1 0- 1 1 ) O Senhor disse a Moisés para que as pessoas se prepararem para


o encontro com o Senhor. Que preparativos espirituais e físicos você faz antes
de participar da liturgia dominical? Por que o Senhor deseja que as pessoas
lavem suas vestes de antemão? O que a sua maneira de vestir indica sobre sua
atitude para com o Senhor e a liturgia?

3. (cf. 1 9, 1 6) Como a liturgia divina tenta sugerir a maj estade e a santidade de


Deus? Que imagens, sons e cheiros apontam nessa direção? Como a arquite­
tura do edifício da sua igreja transmite ou distrai de um sentido da santidade
de Deus?

4. (cf. 1 9, 2 1 ) Os cristãos muitas vezes pensam em Deus como alguém muito pró­
ximo, até mesmo dentro do coração; mas este versículo sugere que uma certa
distância é adequada. Por que seria assim? Como pode não ser espiritualmente
saudável assumir familiaridade muito grande com Deus?

CAPÍTULO 20

Para compreender
1. (cf. 20, 1-23, 33) Dos dois códigos de leis que estipulam os termos da alian­
ça do Sinai, o que o Decálogo expressa? O que reitera? O que é o código da
aliança?

2. (cf. 20, 4) O que o primeiro mandamento proíbe? O que a vinda de Jesus


como a verdadeira "imagem" de Deus apresenta? O que j ustifica esculpir ima­
gens de Jesus e dos anj os e santos?

3. (cf. 20, 8- 1 1 ) O que o terceiro mandamento requer? Por que o dia é separado?
Que dois fatores são a base da mudança do sábado para o dia do Senhor para
os cristãos? A que distância no tempo pode ser rastreado o culto de domingo?

4. (cf. 20, 1 3) O que o quinto mandamento proíbe? De que modo é distinto da


morte que resulta da guerra, da legítima defesa, ou da pena de morte? Por que
a Escritura insiste que a vida humana é sagrada?

Para meditar
1. (cf. 20, 5) O que significa dizer que Deus é "ciumento" ? De que modo o seu
ciúme divino é semelhante ao ciúme nas relações humanas? De que modo é
diferente do ciúme humano?

2. (cf. 20, 8- 1 1 ) Por que o domingo deve ser considerado o dia do Senhor e não
simplesmente um dia de folga? O que você faz para honrar o dia do Senhor?
O livro do Êxodo

Por que a participação na missa é obrigatória para os cristãos, sob pena de pe­
cado grave? (Consulte CIC 2 1 76, 2 1 80-2 1 83).

3. (cf. 20, 1 2) Por que o quarto mandamento vem com uma promessa "para que
vivas longos anos na terra" ? Que benefícios pessoais resultam de honrar os pais?
Como esses benefícios afetam o resto da sociedade?

4. (cf. 20, 1 8-20) Como a atitude dos israelitas para com Deus contrasta com a
atitude cultural moderna em relação a ele? O que o "temor do Senhor" significa
para você? Como isso deve afetar a maneira que você vive sua vida?

CAPÍTULOS 2 1 -2 2

Para comp reender


1. (cf. 2 1 , 2) Qual foi a atitude na antiga Israel em relação à escravidão? O que as
leis dadas pelo Senhor têm o objetivo de realizar? O que a presença de leis dos
escravos na Bíblia quer dizer?

2. (cf. 2 1 , 24) O que a lei do talião requer, e o que ela impõe? Como Jesus a
modera?

3. (cf. 22, 3) Por que matar u m assaltante diurno é ilegal?

4. (cf. 22, 25) A lei proíbe j uros dos empréstimos a quem? Esta proibição era
comum em outros países? Como o deuteronômio regula os juros?

Para meditar
1. (cf. 2 1 , 1 7) Uma maldição pode ser definida como invocar a Deus para trazer
dano a outra pessoa. Qual dos Dez Mandamentos isso viola? Quão grave é esse
pecado? Por que Moisés impõe a pena de morte a quem amaldiçoa o pai ou a
mãe?

2. (cf. 22, 9) Que mal uma quebra d e confiança traz a uma comunidade? Você já
foi afetado por uma quebra de confiança? Como tal violação pode ser reparada?

3. (cf. 2 2 , 1 6- 1 7) Por que você acha que a virgindade era considerada importante
em um potencial cônj uge nos tempos bíblicos? Qual parece ser a atitude em
relação à virgindade hoje, e o que você acha que deveria ser? Que virtude pro­
tege a própria integridade sexual?

4. (cf. 22, 28) O que é blasfêmia? De acordo com CIC 2 1 48, a que a proibição
contra a blasfêmia se estende? Por que é errado ultrajar a Igreja?

143
Cadernos de estudo bíblico

CAPÍTULOS 2 3-24

Para compreender
5. (cf. 2 3 , 1 -9) O que esses versículos tanto proíbem como promovem n o proces­
so? De que forma a justiça pode ser negada a um peticionário?

6. (cf. 23, 1 4- 1 7) Quais são os três festivais litúrgicos necessários, e quando?

7. ( cf. 23, 3 1 ) Quais são os parâmetros da Terra Prometida? A que esses parâme­
tros correspondem?

8. (cf. 24, 5) Quem, muito provavelmente, são o s "jovens" referidos neste versícu­
lo? O que são os holocaustos? O que são os sacrifícios de comunhão?

9. (cf. 24, 8) O que derramar sangue sobre o altar e sobre o povo significa? Além
disso, de que outra forma pode-se interpretar o sangue do sacrifício? Qual es­
tado a cerimônia caracteriza? Como Jesus evoca memórias da aliança do Sinai?

Para meditar
1. (cf. 23, 20-2 1 ) O que a Igreja ensina sobre a crença em anjos da guarda? (Con­
sulte CIC 335-336) . De que modo você leva pessoalmente a sério essa crença?
Que diferença pode fazer a presença de um anjo em sua vida na sua busca da
santidade?

2. (cf. 23 , 29-30) Deus promete expulsar o s inimigos d e Israel, não todos d e uma
vez, mas pouco a pouco. Você já observou esse padrão em suas tentativas de
dominar os seus defeitos, falhas e pecados habituais? Por que poderia ser bom
para você que seus piores defeitos fossem erradicados pouco a pouco, em vez
de tudo de uma vez?

3. (cf. 24, 7 ) O s israelitas prometem ouvir e obedecer a palavra d o Senhor,


mediada por Moisés. Qual dos ensinamentos morais da Igreja que você acha
mais difícil de assentir? Como uma atitude de discordância prej udica a con­
fiança na palavra de Deus, mediada pelo magistério?

4. (cf. 24, 8) Em que ponto durante a missa se ouve a expressão "sangue da alian­
çà' ? A qual aliança Jesus leva você? Enquanto Moisés derrama o sangue do
sacrifício sobre as pessoas, você bebe o sangue da Nova Aliança. Qual é o sig­
nificado dessa ação?

144
O livro do Êxodo

CAPÍTULO 2 5

Para compreender
1. (cf. 25, 1 -3 1 , 1 8) O Senhor instrui Moisés a construir um Santuário com exi­
gentes especificações. Qual é a função do Santuário? Na estrutura divina, quais
lições a arquitetura e os ministérios do Santuário ensinam? Estruturalmente, a
que a tenda Mosaica se assemelha? Alegoricamente, de que o Santuário é um
símbolo?

2. (cf. 25, 1 0) O que fo i a arca, e quais foram as suas dimensões? O que fo i


armazenado dentro dela? O que Israel considerava ser a tampa dourada e os
querubins? Alegoricamente, o que a arca representa?

3. (cf. 25, 1 7) O que é o "propiciatório" ? O que o termo hebraico define


como seu propósito?

4. (cf. 25, 1 8) Quais são as funções dos querubins em cima da arca? O que
mais as imagens dos querubins cobrem? Como elas podem ter sido?

5. (cf. 25, 40) O que a visão d e Moisés lhe proporciona? O que o s santuários
terrestres de Israel foram feitos para representar?

Para meditar
1. (cf. 25, 8) Deus apela à generosidade dos israelitas para lhe construir um san­
tuário apropriado no meio deles. Onde Deus mais desej a ter um santuário em
nosso meio? Que tipo de generosidade esse santuário exige?

2. (cf. 2 5 , 1 0- 1 5) O que você considera o motivo de revestir a arca e o s varais


com ouro puro? Considerando essas decorações e o conteúdo da arca (vej a o
comentário do versículo 1 0) , a arca deve ter sido pesada. Qual significado pode
estar ligado ao seu peso?

3. (cf. 25, 1 6, 21 ) O conteúdo d a arca é chamado d e "aliança" nestes versícu­


los. O que foi isso? Como as relíquias e imagens sagradas testemunham a ação
de Deus na vida da Igreja? Qual destas fala mais claramente para você?

4. (cf. 25, 3 1 -37) Por que os candelabros são usados nas celebrações litúrgicas? O
que a luz do círio pascal significa? Por que a liturgia batismal requer que uma
vela acesa seja apresentada ao recém-batizado? (Consulte CIC 1 1 89, 1 243) .

145
Cadernos de estudo bíblico

CAPÍTULOS 2 6-2 7

Para compreender
1. (cf. 26, 1 ) O que era a "moradà' ? Como ela foi projetada e construída? Os
levitas eram responsáveis de quê?

2. (cf. 26, 3 1 ) Qual a função do véu na morada, e de que modo ele era pendura­
do? Sendo uma divisória de tecido, para quem ele servia de barricada, e quem
era autorizado a passar por ele?

3. (cf. 27, 1 ) Qual era a forma d o altar? Como fo i construído? Para o que foi
usado?

4. (cf. 27, 9) Qual era o tamanho do átrio que circundava a morada? O que foi
usado para cercá-lo? Quem teve acesso a esse átrio?

Para meditar
1. (cf. 26, 1 -6) A morada é uma expressão da presença de Deus entre os homens
(ver também Ap 2 1 , 3) . Como Deus está presente com você? O que a sua pre­
sença deveria realizar em você?

2. (cf. 26, 33) Assim como o véu separava o lugar santo do Santíssimo, a iconósta­
se separa o santuário (ou "lugar sagrado") da nave em igrejas orientais católicas.
Como os olhos da fé podem visualizar a iconóstase como um símbolo da liga­
ção entre a Terra (simbolizada pela nave) e o mistério dos Céus (simbolizado
pelo altar por trás da tela) , e não como uma separação entre os dois?

3. (cf. 27, 1) Qual é a função do altar em uma igreja? Como poderia repre­
sentar o próprio Cristo? (Consulte CIC 1 383). Durante a liturgia do batismo,
qual é o significado de levar o recém-batizado para o altar da igrej a?

4. (cf. 27, 1 3) Reveja o comentário para este versículo. Qual é a significância do


Templo estar voltado ao oriente? Por que liturgistas preferem que o altar esteja
voltado ao oriente (ad orientem) ?

CAPÍTULOS 2 8-29

Para compreender
1. (cf. 28, 2) Do que eram feitas as vestes sacerdotais para os sacerdotes e o que
elas cobriam? No que essas vestes consistem? O que pode ser sugerido pelo fato
de o calçado não ser mencionado?
O livro do Êxodo

2. (cf. 28, 6) O que era o efod? Como era? O que as duas pedras de ônix nas om­
breiras representam, e o que foi gravado nelas?

3. (cf. 28, 41) Qual é a tradução literal d a expressão hebraica para a ordena­
ção? Quais dois significados são debatidos para ela?

4. (cf. 29, 1 -35) O que acontece durante o rito da ordenação de sacerdotes aarô­
nicos? O que essas ações são destinadas a fazer?

Para meditar
1. (cf. 28, 2) Quais são as vestes usadas por um padre católico na missa? Por que o
sacerdote veste tal roupa durante a liturgia? O que as principais cores litúrgicas
(branco, verde, vermelho, roxo ou rosa) representam?

2. (cf. 28, 30) Revej a o comentário para este versículo. Que métodos você usa
para discernir a vontade de Deus em sua vida? Como a Escritura aj uda você a
discernir a vontade divina? Como você busca orientação de cristãos maduros?

3. (cf. 29, 1) Em que medida a ordenação de um sacerdote ou bispo católico


é diferente da eleição simples ou empossamento? De que modo o sacerdócio
dos fiéis difere do sacerdócio ministerial do clero ordenado? (Consulte CIC
1 538, 1 546- 1 547) .
4. (cf. 29, 20) Reveja o comentário para este versículo. Durante a ordenação sa­
cerdotal, as mãos do ordenado são ungidas com o óleo do crisma. O que essa
ação significa? O que a ação de fazer o sinal da cruz em sua testa, lábios e peito
antes da leitura do Evangelho significa?

CAPÍTULOS 3 0-3 I

Para compreender
1. (cf. 30, 1 ) O que era o altar do incenso, e onde foi colocado? O que a fumaça
simboliza? Alegoricamente, o que os dois altares da morada significam?

2. (cf. 30, 25) Do que o óleo sagrado da unção era feito? Para que propósito foi
usado?

3. (cf. 3 1 , 1 - 1 1 ) Quem foram os principais artesãos do santuário? No que


eram especialistas? O que caracteriza suas habilidades com construção e artes?

4. (cf. 3 1 , 1 8) Por que existem dois conj untos de tábuas de pedra inscritas com o
Decálogo? Por que os tratados do Oriente Próximo às vezes eram escritos em
duplicata?

147
Cadernos de estudo bíblico

Para meditar
1. (cf. 30, 7-8. 34-38) Por que o incenso é ainda usado no culto litúrgico? Qual é
a sua própria resposta ao uso litúrgico do incenso? Segundo o comentário para
o versículo 3 5 , o código legal proíbe o uso pessoal ou doméstico do incenso.
Por que seu uso pode ter sido proibido?

2. (cf. 30, 1 1 - 1 5) O Direito Canônico (CIC 222, § 1 ) requer que católicos aj u­


dem com as necessidades materiais da Igreja. Quanta assistência é necessária?
(Consulte CIC 2043) . Qual é a sua prática? Em que medida o dízimo (dar 1 0
por cento de sua renda) pode ser um modelo espiritualmente válido?

3. (cf. 3 0 , 2 5 ) Assim como o óleo d a unção usado n a morada fo i aromatizado


para a unção da própria morada, o altar e os sacerdotes, desse modo o crisma é
um óleo aromático usado para dedicar igrejas, altares e administrar sacramen­
tos. O que o crisma significa? (Consulte CIC 1 1 83, 1 24 1 ) . Qual é a ligação
simbólica entre o perfume do óleo e o Espírito Santo?

4. (cf. 3 1 , 1 2- 1 6) Reveja o comentário para o versículo 1 2. Se o sábado pode re­


montar à criação, a que a observância cristã do dia do Senhor (domingo) pode
remontar? De que modo a observância do preceito dominical é um sinal da
Nova Aliança, e como ela o santifica?

CAPÍTULO 3 2

Para compreender
1. (cf. 32, 4) Quais são duas possíveis maneiras de ver o bezerro de ouro? Qual
interpretação é mais provável, e por quê? O que, de acordo com o comentário,
a imagem representa?

2. (cf. 32, 7) Que mudança de atitude do Senhor é sugerida ao chamar os israe­


litas de "teu povo" ? Que idéia o verbo "corrompeu-se" neste versículo parece
implicar?

3. (cf. 32, 32) O que Moisés se oferece para fazer? Como Paulo mostra o
mesmo espírito de sacrifício? Que idéia é expressa pela palavra "livro" ?

4. (cf. Ensaio sobre um Tópico: Sobre o Bezerro de Ouro) Quais leis, de acordo
com a teologia cristã antiga, foram promulgadas como resultado do fiasco do
bezerro? O que significa dizer que essas leis constituíram um "j ugo" para Israel?
Quais três considerações dão suporte a essa interpretação primitiva?
O livro do Êxodo

Para meditar
1. (cf. 32, 6) Reveja o comentário para esse versículo. Que semelhanças você vê
entre a conduta dos filhos de Israel e a conduta da cultura de hoje? Como
cristãos têm sido influenciados por tendências morais culturais? Como essas
tendências têm afetado sua própria vida?

2. (cf. 32, 1 1 - 1 3) Moisés intercede pelo povo escolhido, e a sua oração é ouvida.
Como você descreveria a sua prática de oração de intercessão? Por exemplo, sua
oração se assemelha a de Moisés, que recorda Deus do seu juramento aliança?
Parece-lhe que suas preces foram ouvidas?

3. (cf. 3 2 , 1 9) Moisés fica " indignado" quando vê o que está acontecendo. Qual
é a diferença moral entre indignação "ávida" e indignação "impassível" ? Qual
é a diferença entre a indignação mostrada por Moisés e a indignação que Jesus
condena em Mt 5, 22? Como a indignação pode ser usada de uma forma po­
sitiva e virtuosa?

4. (cf. 32, 22-24) Aarão, que tinha sido deixado como responsável pelo povo, ten­
ta minimizar a sua responsabilidade pelos pecados do povo. Como você reage
quando alguém te chama para explicar suas ações?

CAPÍTULO 3 3

Para compreender
1. (cf. 33, 7- 1 1 ) Que contraste nessa narrativa à parte chama a atenção do leitor?
O que melhor explica a mudança no relacionamento de Moisés com o Senhor?

2. (cf. 33, 7) O que era a "Tenda do Encontro" ? Para qual propósito Moisés a
usou? Onde estava localizada?

3. (cf. 3 3 , 1 2- 1 7) O que Moisés protestou e m sua conversa com o Senhor? O que


significa dizer que Moisés tem o "coração de um mediador" ? O que as palavras
de Javé são destinadas a fazer?

4. (cf. 33, 20 e 33, 23) Como a experiência de Cristo é diferente da experiência


de Moisés? O que se concede aos anjos e santos através de Cristo? Por que, de
acordo com São Cirilo de Jerusalém, Deus assume o rosto da humanidade em
Jesus? Uma vez que Deus não possui um corpo físico, por que a imagem antro­
pomórfica é usada na Bíblia?

1 49
Cadernos de estudo bíblico

Para meditar
1. (cf. 33, 3 , 5 ) Reveja o comentário de 32, 9 . Como a denominação "cabeça
dura'' aplica-se ao comportamento das pessoas hoje? Que virtude ou virtudes
contrastam com esse tipo de comportamento? Quando você foi cabeça dura
em suas próprias atitudes para com Deus?

2. (cf. 33, 4) O povo pôs-se de luto quando Deus ameaçou não ir até a Terra
Prometida com eles. Quando Deus nos corrige, qual seria uma resposta
adequada? De que modo estar de luto pelo pecado é apropriado? Isso deve nos
levar a quê?

3. (cf. 33, 1 6) D e que modo a ida d e Deus com seu povo à Terra Prometida o
torna distinto de todos os outros povos? O que significa Deus estar conosco em
nossas vidas diárias? De outro modo, o que significa para nós estar com Deus?

4. (cf. 33, 1 9) Existe alguém a quem o Senhor não é benevolente ou se recusar


a mostrar misericórdia? Quando Deus parece recusar graça ou misericórdia a
alguém, de quem é a culpa? Por que alguém poderia deixar de receber a graça
ou misericórdia de um Deus todo-bondoso?

CAPÍTULO 3 4

Para compreender
1. (cf. 34, 6-7) O que a proclamação do nome de Deus significa? Que atributos
de caráter estão listados aqui?

2. (cf. Estudo da Palavra: Misericórdia 34,6) . Quais significados diversos a palavra


hebraica hesed tem? Na esfera das relações humanas, que obrigação hesed im­
põe? Como exigência interior da aliança entre o Senhor e Israel, o que Deus es­
pera de Israel, e como Deus mostra o seu comprometimento? De qual doutrina
do Novo Testamento a revelação de hesed é alicerçada no Antigo Testamento?

3. (cf. 34, 1 0-26) N a renovação d a aliança d o Sinai, o que seus termos abreviam?
Que lei foi visivelmente acrescentada? Qual é o efeito de Deus falar só a Moisés
e não ao povo?

4. (cf. 34, 29) A que a expressão hebraica para "seu rosto resplandecia'' se refere?
Por que a Vulgata Latina diz que o rosto de Moisés tinha chifres? Que descrição
do evangelista Mateus recorda esse episódio?

1 50
O livro do Êxodo

Para meditar
1. (cf. 34, 7) O que significa, na prática, a iniqüidade dos pais para ser "castigadà'
nos seus filhos até a terceira e quarta geração? Você pode pensar em alguns
exemplos disso? Como esse castigo é compensado por pais que se arrependem
das suas faltas?

2. (cf. 34, 1 2- 1 6) Por que Deus adverte o povo escolhido a ter cuidado para não
fazer uma aliança com os habitantes da Terra Prometida? Por exemplo, por que
é perigoso desposar alguém que adora outros deuses? Como esse aviso pode ser
aplicado aos cristãos que se casam com pessoas de religiões não-cristãs ou de
nenhuma religião?

3. (cf. 3 4 , 29) Quando uma pessoa tem uma experiência intensa d o amor huma­
no ou divino, de que modo seu rosto pode mudar? Essa experiência aconteceu
com você ou com alguém que você conhece? Quanto tempo a mudança de
expressão durou?

4. (cf. 34, 33) Reveja o comentário deste versículo. De acordo com 2Cor 3, 1 8, o
que acontece com aqueles que vêem o Senhor "com o rosto descoberto" ? Você
já experimentou a interpretação de Paulo sobre o véu em seu relacionamento
com o Senhor?

CAPÍTULOS 3 5-3 9

Para compreender
1. (cf. 3 5 , 1 -40, 33) O que esses capítulos descrevem? Em termos de composição,
que efeito tem a repetição das leis do santuário?

2. (cf. 38, 2 1 ) Do que os levitas são responsáveis aqui? Como eles ganham esse
direito?

3. (cf. 39, 43) Por que Moisés inspeciona a construção e utensílios d a morada?
Por que Moisés abençoa o povo?

Para meditar
1. (cf. 35, 5) Moisés apela à generosidade das pessoas na arrecadação dos materiais
necessários para a construção da morada. Se você já se envolveu no planej a­
mento e construção ou renovação de uma igreja, de que forma os membros da
paróquia se envolvem? Como esse processo aproxima a comunidade paroquial?
Cadernos de estudo bíblico

2. (cf. 36, 8) Como a arte e a arquitetura d e uma igreja aprimoram ou distraem


do culto sagrado? Quais formas de arte têm maior influência sobre você? (Con­
sulte CIC 2502) .

3. (cf. 38, 24-3 1 ) Estes versos fornecem algum fundamento bíblico para a utili­
zação de quantidades extravagantes de ouro, prata, metais e pedras preciosos e
outros objetos de valor no culto a Deus. Apesar das críticas de alguns, qual é o
benefício espiritual de tal extravagância? O que Mt 26, 6- 1 3 contribui para o
seu entendimento?

CAPÍTULO 40

Para compreender
1. (cf. 40, 33) O que no Êxodo pode sugerir que a morada seja uma réplica em
miniatura do universo? Como o número sete figura em tudo isso?

2. (cf. 4 0 , 34) Depois d e o Senhor descer das alturas d o Sinai para o ocultamento
do Santuário, qual a função da morada? Que paralelos apontam essa conexão
entre o monte e a tenda sagrada?

3. (cf. 4 0 , 35) Como a LXX grega descreve a nuvem? De que modo o Novo
Testamento faz uso desta expressão em relação a Maria e Pedro, Tiago e João?

Para meditar
1. (cf. 40, 1 - 1 1 ) Alguma vez você j á testemunhou a dedicação de uma igreja?
Quais são algumas das semelhanças entre esta descrição e a dedicação de uma
igreja - particularmente a unção das paredes e do altar? Qual é o propósito da
dedicação de uma igreja?

2. (cf. 40, 34) Qual é o significado da expressão "a glória do Senhor" , freqüente­
mente utilizada nas Escrituras? Como você pode reconhecê-la em seu próprio
relacionamento com Deus? Qual efeito a glória do Senhor pretendia ter sobre
os que têm o privilégio de vê-la?

3. (cf. 40, 35-38) O que a imagem d e uma nuvem sugere a respeito d a presença
de Deus? Embora Deus seja luz (cf. lJo 1 , 5), como a nuvem pode sugerir um
tipo de escuridão na mente humana? Por exemplo, o que sabemos sobre Deus,
e o que não sabemos sobre Ele?
F I C H A CATA L O G RÁ F J C A

Hahn, Scott; Mitch, Curtis; Walters, Dennis


O livro do Êxodo - Cadernos de estudo bíblico /
Scott Hahn, Curtis Mitch e Dennis Walters; tradução de
Alessandra Lass - Campinas, SP: Ecclesiae, 20 1 6.

Título original: Exodus (Catholic Study Bible)


ISBN: 978-85-8491-029-8

1 . &tudos Bíblicos 2. Igreja Católica


I. Autores II. Tírulo.

CDD - 220.7
282

fndices para Catálogo Sistemático

1. &tudos Bíblicos - 220.7


2. Igreja Católica - 282

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