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FÍSICA

O que os cientistas sabem (e


não sabem) sobre a
constituição do Universo
Cerca de 95% do cosmo é formado por misteriosa matéria e
energia escura

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3.mar.2018 às 6h00 Felipe Tovar Falciano relacionadas

EDIÇÃO IMPRESSA RESUMO A composição do Universo ainda é um grande mistério. Cerca As tecnologias para
vencer a morte e suas
de 95% do cosmo é formado por algo cuja natureza desconhecemos:
consequências éticas
matéria escura e energia escura. Essa aparente ignorância, contudo,
resulta de um feito notável da ciência e, para alguns, indica uma nova e
profunda revolução em nossa visão do mundo. Minerais magnéticos armazenam quase
toda informação da humanidade

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Imagem mostra o aglomerado Abell 520, formado pelo choque entre dois aglomerados de
galáxias; a distribuição de matéria escura (em azul) está deslocada em relação às estrelas das
galáxias (em laranja) e ao gás quente (em verde) - NASA, ESA, CFHT, CXO

Em conversas informais com amigos, a pergunta mais frequente que


me fazem quando descobrem que sou físico e trabalho em cosmologia
é a seguinte: O homem realmente pisou na Lua? Acho divertido ver a
incredulidade das pessoas. Imagino que ninguém duvide que o avião
voe. Então, por que seria tão absurdo uma espaçonave viajar até nosso
satélite natural?

Talvez o ceticismo se explique pela ideia de que o homem tocou o


divino. Mas o céu, embora divino, também é acessível à ciência. Hoje,
com telescópios e satélites, pesquisadores conseguem não só entender
o Universo mas também desvendar sua forma e constituição.

Quem sempre morou em cidades grandes pode desconhecer o


deslumbre de uma noite estrelada. É fascinante a intensidade do breu
entre a infinidade de singelos pontos luminosos. Imaginar que alguns
desses pontinhos de luz sejam aglomerados com milhares de galáxias –
as quais podem abrigar massa trilhões de vezes maior que a do Sol–
chega a causar angústia.

Cosmólogos têm esse hábito: exagerar na grandiosidade dos assuntos.


Mas pense em todas as coisas que você conhece, como árvores, baleias,
chips de computador, livros, montanhas, cometas, estrelas, planetas,
bactérias, vírus... Tudo isso é feito do que chamamos matéria comum
(ou bariônica) e –pasme!– representa só 5% da massa do Universo.

O restante é formado por dois elementos misteriosos que nunca foram


detectados em experimentos na Terra e são fundamentais para a
evolução do Universo. Eles são denominados matéria escura e energia
escura. "Escura" porque não emitem luz como o faz a matéria comum.
E isso torna sua detecção muito difícil.

A afirmação de que existem a matéria escura e a energia escura é


consequência direta das observações cosmológicas. Mas, em
cosmologia –área que estuda a estrutura e a evolução do Universo–, até
questões corriqueiras são complicadas. Por isso, antes de falarmos
sobre o cosmo, visitemos nossa vizinhança.

Você já pensou como os astrônomos sabem do que o Sol é feito?

O Sol está a míseros 150 milhões de quilômetros da Terra, o que, em


astronomia, é tão perto quanto ao alcance das mãos. Aliás, a Nasa
(agência espacial dos EUA) planeja lançar neste ano a sonda Parker,
com a qual espera tocar a atmosfera solar. Esse, porém, não é o
procedimento de investigação mais usado em astronomia e
cosmologia.

Conhecer a constituição solar só foi possível porque os elementos


químicos têm uma espécie de impressão digital. Cada um deles possui
uma forma muito específica de absorver luz e devolvê-la ao meio.
Sabendo disso, astrônomos podem dizer que o Sol é composto
basicamente por hidrogênio (cerca de 75%), hélio (24%) e uma
pequena quantidade de elementos mais pesados, incluindo metais.

Parece fácil, não? Na verdade, é um pouco mais difícil. A luz que chega
à Terra vem apenas da superfície do Sol. Para conhecer o núcleo do
astro, precisamos de boas teorias científicas para modelar tanto os
fenômenos que ocorrem no interior de uma estrela quanto o que se
passa com a luz no longo caminho até nós.

Ou seja, o que nossos telescópios detectam é a mistura (convolução) de


três fatores: do que se passa no Sol, do que ocorre com sua luz viajando
até nós e dos efeitos da atmosfera sobre essa mesma luz.

O estudo do Universo segue mais ou menos essa técnica: a partir da


detecção da radiação eletromagnética (luz), extraímos informações
sobre os objetos astrofísicos.

MODELO PADRÃO

Na década de 1920, o astrônomo norte-americano Edwin Hubble (1889-


1953) observou que certas galáxias se afastavam da Terra. Isso era uma
indicação da expansão do Universo –uma das maiores descobertas da
ciência. Com a expansão, o Universo foi se resfriando. A partir de certa
temperatura, isso permitiu à atração gravitacional moldar as
estruturas que observamos.

Hoje, sabemos que os objetos astrofísicos organizam-se de forma


hierárquica. Os planetas giram em torno de estrelas, que se movem ao
redor das galáxias, as quais se agrupam em arranjos ainda maiores
(aglomerados), e assim sucessivamente, até as grandes estruturas,
como os chamados filamentos, que se estendem por quintilhões de
quilômetros e separam regiões de uma vastidão quase vazia.

Em astronomia, há uma relação íntima entre o micro e o macro. Assim,


para entender a proporção de elementos químicos do Sol, precisamos
conhecer a história térmica do Universo. Cientistas em todo o mundo –
como os do grupo Cosmo, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no
Rio– desenvolvem conjuntamente pesquisas para ampliar nosso
conhecimento nessa área.

Os resultados do esforço internacional têm sido muito positivos. Nas


últimas cinco décadas, essa comunidade estabeleceu o chamado
modelo padrão da cosmologia. Isso significa que a maioria dos
cientistas da área concorda em adotar uma única descrição do
Universo.

De acordo com esse modelo, os elementos químicos mais leves, como o


hidrogênio e o hélio, foram formados no Universo primordial, ou seja,
o período mais longínquo que conhecemos: cerca de 13,7 bilhões de
anos no passado.

O que aconteceu antes? Não sabemos; é uma incógnita. Até o


momento, a ciência não tem dados suficientes para afirmar se o
Universo foi criado em um dado instante ou se é eterno.

A parte da história que conhecemos começa com um universo


extremamente quente e com altíssima densidade, como um caldeirão
de partículas elementares (elétrons, quarks, fótons, neutrinos etc.). Em
seguida, temos a formação dos elementos químicos leves (do
hidrogênio até o berílio), fase denominada nucleossíntese primordial.

Todos os outros elementos químicos da natureza –mais de cem–


formaram-se em reações nucleares das estrelas. Por isso, o astrônomo
norte-americano Carl Sagan (1934-1996) costumava dizer que nós,
humanos, somos restos mortais de uma estrela, por sermos
constituídos de vários elementos pesados, como o carbono e o ferro.

O fato de encontrarmos na Terra essa diversidade de elementos


químicos nos diz que o Sol é uma estrela de segunda geração. Ou seja,
antes dele, houve um astro que se desenvolveu por milhares de anos e
explodiu, ejetando material para o espaço sideral. A partir da nuvem de
dejetos, por um processo parecido com a sedimentação, formaram-se
tanto o Sol quanto nosso Sistema Solar (planetas, asteroides, luas etc.).

Mas vale lembrar: galáxias, aglomerados, buracos negros, Sol, Terra,


animais, plantas etc., tudo isso representa só 5% da massa do Universo.
O restante é matéria escura e energia escura.

Se não podemos vê-las, como os cosmólogos sabem que existem?

ESCURO

Quando um astrônomo aponta seu telescópio ou outro equipamento


para o céu, a única coisa que consegue observar é a luz que emana dos
objetos astrofísicos. Ou seja, só consegue ver o que está "aceso" ou o
que reflete a luz de outro objeto.

Como a matéria escura não emite luz própria, ela escapa à observação
direta. Entretanto, um astrônomo atento é capaz de identificá-la por
sua única forma de interagir com a matéria comum: atração
gravitacional.

Ao estudar o movimento das estrelas, o astrônomo nota que a


quantidade de matéria produzindo atração gravitacional é maior que a
esperada. Por um tempo, considerou-se que a massa faltante poderia
ser formada de pequenos planetas ou mesmo buracos negros. Porém,
ao combinar observações com dados cosmológicos, conclui-se que a
matéria invisível não poderia ser constituída de algo que conhecemos.
Ou seja, matéria escura existe, mas não sabemos do que é feita.

Se a matéria escura já produz certa surpresa, a energia escura é ainda


mais instigante. Como a matéria escura, ela interage apenas
gravitacionalmente, mas, em vez de gerar atração, produz um tipo de
repulsão gravitacional.

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que tudo que existia produzia
atração gravitacional. Mas a energia escura produz o efeito contrário:
sua "antigravidade" é responsável por fazer com que a expansão do
Universo ocorra de forma acelerada –fenômeno descoberto em 1998.

Hoje, a observação do céu –uma das práticas mais antigas da


humanidade– é uma área de intensa renovação. Há quem diga que a
matéria e a energia escuras são sinais de uma revolução em nossa visão
de mundo. Algo tão profundo quanto foram a mecânica quântica
(teoria que lida como os fenômenos atômicos e subatômicos) e a
relatividade geral, formulada por Albert Einstein (1879-1955).

Recentemente, abriu-se uma nova janela para o Universo, com a


detecção das ondas gravitacionais ("oscilações" do espaço). Embora
seu uso em cosmologia seja embrionário, essa ferramenta promete a
possibilidade de estudarmos o cosmo por uma perspectiva nova e
independente dos dados observacionais que temos atualmente.

A ciência evita ideias preconcebidas. Entre suas tarefas está perguntar


o que é a natureza e buscar respostas por meio de experimentos. Até o
momento, todas as evidências apontam para o fortalecimento da
concepção de um Universo com matéria escura e energia escura.

A história tem nos ensinado a não subestimar ideias científicas, por


mais inovadoras que sejam. O que nos cabe é desvelar os segredos por
trás das respostas que a natureza nos oferece.

Felipe Tovar Falciano, 40, é doutor em física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas
Físicas, onde desde 2009 é pesquisador na área de cosmologia e gravitação.

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comentários
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TERSIO GORRASI 03.mar.2018 às 8h58

Um dia se descobrirá que esses elementos desconhecidos do universo tem íntima relação
com o tempo. Em outras palavras, as forças gravitacionais seriam responsáveis pelo
tempo fluindo positivamente (passado-presente-futuro) e as antigravitacionais,
negativamente (futuro-presente-passado)

RESPONDA 3 DENUNCIE

SIDNEI ESBIZERA 03.mar.2018 às 9h03

Sensacional, também leio muito sobre o assunto.

RESPONDA 3 DENUNCIE

GEONALDO SICVA 03.mar.2018 às 11h23

Muito interessante essa aula de cosmologia. Fico agradecido pelas explicações. E


pergunto: a força antigravitacional da energia escura, que faz o universo expandir-se e
continuar se expandindo, não seria ainda uma resultante da força da explosão inicial - o
Big Bang - ?

RESPONDA 2 DENUNCIE

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