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UNIDADE CURRICULAR: Sociedade e Cultura Inglesas II

CÓDIGO: 31117

DOCENTE RESPONSÁVEL: Professora Doutora Maria de Jesus


Crespo Candeias Velez Relvas

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A preencher pelo/a estudante

NOME: Paulo David Pinto de Sousa Gomes

N.º DE ESTUDANTE: 1702000

CURSO: Línguas Aplicadas

DATA DE ENTREGA: 14/04/2018

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Trabalho realizado segundo o acordo ortográfico de 1990

John Stuart Mill – Utilitarismo e Influências

Os séculos XVIII e XIX ficaram claramente conhecidos como


sendo séculos de contrastes sociais. A sociedade inglesa
caracterizava-se como sendo uma sociedade de classes, na qual a
distinção entre os homens se firmava no seu poder económico, na
sua profissão, no grau de cultura, valores e comportamentos. O
aumento demográfico quase que exponencial, o avanço da medicina,
a revolução industrial e agrícola são alguns dos fatores de mudança
que levaram ao fluxo migratório para as cidades, por parte de
trabalhadores, que irão viver em condições miseráveis e terão como
salário o estritamente necessário à sua sobrevivência. Isto fez com
que uma nova camada populacional aparecesse nos distritos
industrializados que viria a originar posteriormente o chamado
proletariado industrial. Começam a criar-se condições para a
emergência de grupos sociais diferentes, os patrões e os
assalariados.
A nível económico a doutrina da liberdade natural imperava
muito por culpa de Adam Smith e David Ricardo defensores do
liberalismo económico. No entender do primeiro a mão invisível de
Deus estava encarregue de repor a ordem e o equilíbrio. No entender
do segundo a indústria e o comércio eram regidas por leis como a da
oferta e da procura. Nasciam assim de forma natural os conceitos de
ricos e pobres. Contudo, esta nova forma de organização de massas,
levará a que surja aquilo que se pretende configurar como o chamado
liberalismo democrático. Isto porque as exigências democráticas não
eram apenas da nova classe dos burgueses. Também os operários,
cujo número crescia de forma considerável por todas as razões ditas
anteriormente, se tinham organizado em sindicatos, exigindo
melhores condições de trabalho.

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Jeremy Bentham (1748-1832), filósofo da época, sofrendo uma
influência empirista, “substitui" a teoria do direito natural,
característica do século anterior, por uma teoria denominada
utilitarismo cujas origens remontam ao epicurismo como reconhece
John Stuart Mill (cf. 1879, p. 8), discípulo de Bentham.
Bentham crítica as formas liberais que levem ao egoísmo e
advoga que todas as ações humanas são baseadas no prazer, na dor,
no bem-estar, sendo as mesmas mensuráveis com base em critérios
de intensidade e duração entre outros. Bentham iria definir um
princípio cujo objetivo principal seria fomentar a felicidade individual
e coletiva.
O princípio da Utilidade ou da maior felicidade do maior
número possível de pessoas. Segundo ele, uma ação será análoga a
este princípio, quando a sua tendência para aumentar a felicidade da
comunidade, for maior do que a tendência para a diminuir (entenda-
se que o interesse da comunidade é igual à soma do interesse dos
indivíduos).
Juntamente com o pai de Mill, Bentham formaria um grupo de
reformadores que no século XIX criticou de forma veemente as
instituições políticas e jurídicas defendendo uma reorganização social
tendo por base o princípio da utilidade. Os Radicals defendiam uma
reforma política e legal, o sufrágio universal e uma política orientada
pela felicidade humana. Whigs e Radicals acordavam em assuntos
económicos sendo apologistas de políticas pró-urbanas, pró-
industriais e de laissez-faire. Esta aliança levou a que se formasse o
Partido Liberal na década de 1840.
Stuart Mill foi visto como o natural sucessor dos movimentos
radicais filosóficos, após uma educação notável e exigente, marcada
pela rigidez intelectual desde tenra idade. Inicialmente segue a
corrente utilitarista, mas as influências sofridas quer pelo Positivismo
de Augusto Conte (1798-1857) quer pelo Socialismo de Saint Simon
(1760-1825), levou a que a modificasse profundamente. Mill

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considerou os pensamentos de seu pai e de Bentham limitados em
diversos aspetos. Influenciado por Wordsworth (1770-1850) e
Coleridge (1772-1834), insurge-se contra o facto de Bentham excluir
o sentimento e os valores humanos da sua teoria moral, pois apesar
de Mill possuir habilidades analíticas bastante desenvolvidas, fruto da
educação rigorosa, a capacidade de se sensibilizar encontrava-se
profundamente atrasada.
Com a morte dos seus mentores, Mill aproveitou a maior
liberdade de que passou a dispor, para criar um novo “radicalismo
filosófico” baseado em Coleridge, sem no entanto esquecer Bentham,
incorporando tudo o que de valioso a sua teoria tinha. Considerou-os
as mentes mais brilhantes da Inglaterra do século XIX.
Coleridge distinguia a razão e compreensão e valorizava as
emoções e os sentimentos, muito com base no idealismo germânico e
na sua intuição. Mill classificou esta teoria como “filosofia da cultura
humana”, em que o objetivo era a formação de um carácter de
superioridade moral e ética, onde a sociedade valorizava a
intervenção do estado nas áreas da educação e da saúde. As
doutrinas preconizadas por Bentham e Coleridge, no entender de Mill
complementavam-se em inúmeros aspetos.
Numa sociedade marcada por regras fixas e impostas pelas
desigualdades, o pensamento inglês evoluiu numa perspetiva social,
cultural e política. Stuart Mill desenvolve o liberalismo na linha da
democracia, pois preocupa-se com o destino das massas oprimidas e
em dar voz às fações minoritárias, visto que era um acérrimo
defensor da liberdade de expressão.
Em jeito de conclusão as teorias liberais do século XIX vão ao
encontro das ideias de igualdade, em grande parte fruto do trabalho
destes três ilustres pensadores. Se por um lado Bentham e Coleridge
defendiam os seus credos até às últimas consequências, Stuart Mill
absorveu o melhor dos dois contribuindo para a luta pela democracia,
direitos e liberdades.

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Bibliografia:

FARIA, Maria Luísa Leal de. Sociedade e Cultura Inglesas.


Universidade Aberta, Lisboa, 1996.

MILL, John Stuart. Utilitarismo. Filosofia Aberta, 2005

LORES, Francisco Xavier. John Stuart Mill. Vol. II, tradução de Mauro
Giménez Fernández, col. “Unidades Didáticas sobre Liberalismo.
Autores Liberais”, European Liberal Forum asbl, Bruxelas, 2012.
Disponível em: <file:///C:/Users/sandr/Downloads/JohnStuartMill-
PT.pdf>. Acedido em 10 de abril de 2018.

MILL, John Stuart. Utilitarianism. 7th ed., Longmans, Green, and CO.,
1879.

Disponível em:
https://books.google.pt/books?id=hm4IAQAAIAAJ&printsec=frontcov
er&dq=utilitarianism&hl=pt-
PT&sa=X&ved=0ahUKEwjcp7Kc2bXaAhVFcRQKHbVABD8Q6AEIKDAA
#v=onepage&q=utilitarianism&f=false. Acedido em 12 de abril de
2018

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