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PROGRAMAÇÃO GERAL

CONFERÊNCIAS

MESA REDONDA

COMUNICAÇÕES DE PESQUISA

RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES


PROGRAMAÇÃO GERAL

24 DE OUTUBRO / TERÇA-FEIRA

25 DE OUTUBRO / QUARTA-FEIRA

26 DE OUTUBRO / QUINTA-FEIRA

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24 DE OUTUBRO

09:00 h às 10:30 h
Credenciamento
Hall dos Anfiteatros do ICH

10:30 h às 12:00 h
Sessão de Abertura e Conferência
Profa. Dra. Tânia Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira (UERJ)
O CEO, a SEO e os estudos dos Oitocentos

14:00 h às 15:30 h
Sessão de Comunicações 1 – Anfiteatro 2
Entre o patriarca e o bacharel: a complexa trajetória de D. Pedro II - Alessandra Bettencourt
Figueiredo Fraguas (UERJ)
“Antes de receber a vossa honrada carta já tinha resolvido seguir a carreira jurídica”: José
Antônio Gomes Neto e a conquista de uma colocação profissional no Alto Sertão baiano (1850-
1860) - Lielva Azevedo Aguiar (UFBA)
O Manifesto Político de 1867: Antônio Borges da Fonseca e a escrita de si - Carolina Paes
Barreto da Silva (UFF)
“O que é política?”: a escrita de Machado de Assis e a atuação política da família Faria Fraga no
contexto da Lei o Sexagenário (1883-1885) - Laiane Fraga da Silva (UEFS)

Sessão de Comunicações 2 – Sala A-I-12


Conduzir e transportar: proprietários comerciantes de escravos em Minas Gerais na primeira
metade do Século XIX - Ana Paula Dutra Bôscaro (UFJF)
Marcas e expressões: o que o africano livre deixou-se revelar - Juliana Santos de Lima (UFF)
Os homens de cor e a Revolta de 1842 em Minas Gerais - Alex Lombello Amaral (UFJF)
A diáspora negra e a presença de africanos escravizados em Itapemirim-ES (1860-1870) -
Laryssa da Silva Machado (UFES)
16:00 h às 18:00 h
Sessão de Comunicações 3 – Anfiteatro 2
Diários e viúvas: viuvez de mulheres nos anúncios de jornais oitocentistas na província de
Pernambuco (1842-1853) - Carolina de Toledo Braga (UFF)
“Ella sendo feiosa, tornou-se bella”: o padrão de beleza feminina a partir da imprensa periódica
oitocentista - Cristiane Ribeiro (UFJF)
O ar francês pela corte: percepções culturais na imprensa feminina ao longo da segunda
metade do século XIX - Everton Vieira Barbosa (UFF)

Sessão de Comunicações 4 – Sala A-I-12


Escravos e libertos aos olhos das autoridades administrativas, dos religiosos e dos viajantes
dos séculos XVIII e XIX no Rio De Janeiro (Jacutinga) - Moisés Peixoto (UFRJ)
Família e comunidade escrava na fazenda São Bento de Iguaçu (1817-1857) - Vitor Hugo
Monteiro Franco (UFF)
Laços familiares, escravidão e liberdade no Espírito Santo oitocentista - Geisa Lourenço
Ribeiro (UFES/IFES)
Um estudo sobre os padrões de alforrias em Vitória, província do Espírito Santo (1871-1888) -
Rafaela Domingos Lago (UFES)
Os homens pretos de Juiz de Fora: um estudo sobre a Irmandade do Rosário (1888-1905) -
Renato Balbino da Silva (UFJF)

19:00 h às 21:00 h
Conferência
Prof. Dr. Rodrigo Camargo de Godoi – UNICAMP
Política e edição no Império: o caso de Francisco de Paula Brito

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25 DE OUTUBRO

09:00 h às 10:30 h
Sessão de Comunicações 5 – Anfiteatro 2
A costura do território: os agentes e as ferrovias no Centro-Sul brasileiro de uma perspectiva
da Global History - Welber Luiz dos Santos (UFOP)
Desenvolvimento populacional de um centro urbano do sudeste escravista: Juiz De Fora, 1831
a 1888 - Caio da Silva Batista (UFJF)
Conflitos de interesse no litoral do Rio De Janeiro: trabalhadores, comerciantes e políticos no
processo de criação da Capitania do Porto da Corte (1845-1869) - Edilson Nunes dos Santos Jr.
(UFF)
A fortaleza de São João: remodelações oitocentistas - Maria Lectícia Oliveira Constanrin
Raptopoulos (UNIRIO); Anita Correia de Lima Almeida (UNIRIO)

Sessão de Comunicações 6 – Sala A-I-12


Uma história da Independência desenganada: João Soares Lisboa na Confederação do
Equador (1824) - Paula Botafogo Caricchio Ferreira (UNICAMP)
A trajetória política de Antônio Paulino Limpo de Abreu pela província de Minas Gerais -
Bárbara Ferreira Fernandes (UFJF)
As Litografias da Coleção “Quadros Históricos Da Guerra Do Paraguai”: primeiras análises -
Álvaro Saluan da Cunha (UFJF)
Uma reavaliação da história do movimento republicano no Império do Brasil através de suas
inspirações francesas (1869-1889) - Dievani Lopes Vital (UFJF)

10:30 h às 12:00 h
Conferência
Profa. Dra. Beatriz Bragoni (Universidad de Cuyo – Argentina)
Unificación nacional, sistema federal y gobierno representativo: apuntes sobre la historia del
poder y la política del siglo XIX latinoamericano
14:00 h às 15:30 h
Sessão de Comunicações 7 – Anfiteatro 2
Imprensa e a identidade política: a elite rivadaviana e seu projeto de nação - Juliana Gomes
de Oliveira (UFJF)
Um peruano entre os “construtores da nação”: uma análise dos principais artigos de Santiago
Nunes Ribeiro na revista Minerva Brasiliense - Thaís Ferreira Pilotto (UERJ)
Construção de Estados nacionais na periferia: linguagens, agendas e arcabouços
institucionais em um estudo comparado de Argentina, Brasil e Chile (1830-1870) - Lidiane
Rezende Vieira (UERJ)
Da queda de Rosas à guerra do Paraguai: pax armada no Rio da Prata (1852-1865) - Pedro
Gustavo Aubert (USP)

Sessão de Comunicações 8 – Sala A-I-12


Economia, política e instituições no período joanino (1808-1821) - Eder da Silva Ribeiro (UFF)
A Fazenda imperial: o ministério Nogueira da Gama e as políticas fiscais no Brasil no Primeiro
Reinado - Daiane de Souza Alves (UFOP)
O inquérito do arsenal - Claudius Gomes de Aragão Viana (FGV)

16:00 h às 18:00 h
Sessão de Comunicações 9 – Anfiteatro 2
O lugar da vida na operação historiográfica em Jules Michelet e a escrita da história na França
no início do século XIX - Renato Fagundes Pereira (UFG)
Auguste de Saint-Hilaire, a história ilustrada e a civilização dos povos: a Humanidade entre
práticas e representações - Rafael Augusto Gomes (UFSJ)
Em nome da pátria e do cidadão: a ação da linguagem liberal patriótica no processo de
independência do Brasil (1822) - Jorge Vinicius Monteiro Vianna (UFES)
Linguagens políticas disponíveis no Brasil e seus usos nas décadas de 1850 e 1860 - Beatriz
Piva Momesso (UERJ)
Existe uma confusão entre público e privado no Brasil? Um olhar a partir da História
Conceitual - Renato de Ulhôa Canto Reis (UFJF)
Sessão de Comunicações 10 – Sala A-I-12
A metáfora do “Reino de Deus” no jornal Imprensa Evangélica (1864-1889) - Jorge William
Falcão Jr. (UFJF)
A liberdade é uma bênção: o presbiterianismo e o abolicionismo no segundo reinado brasileiro
- Pedro Henrique Cavalcante de Medeiros (UFRRJ)
Por um estudo das congregações religiosas no século XIX: a congregação da missão de São
Vicente de Paulo e o Colégio do Caraça - Thales Contin Fernandes (UFJF)
Laurentino Inocêncio dos Santos, um curandeiro do Oitocentos: referências e possibilidades
na cidade do Rio De Janeiro - Eduardo Possidonio (UFRRJ)
Os desafios público-religiosos enfrentados pelo Conselho de Estado (1842-1870) - Eliene da
Silva Nogueira (UFJF)

Sessão de Comunicações 11 – Sala B-I-06


Campanha da princesa: estratégias de afirmação política sob o território colonial no sul das
Minas Gerais - Edna Mara Ferreira da Silva (UFRJ)
Na arca, as roupas velhas ou novas: rupturas e continuidades na consolidação do Estado no
Brasil imperial (1822-1837) - Glauber Miranda Florindo (UFF)
A ação, o exame e o juízo: o governo provincial no alvorecer do Império (1823-1834) - Renata
Silva Fernandes (UFJF)
“O cavalo de batalha do regresso”: a segunda legislatura da Assembleia Provincial mineira
(1838-1839) e a defesa do Ato Adicional - Kelly Eleutério Machado Oliveira (UFOP)
Delegados do chefe da nação: um perfil dos Presidentes de Província do Rio Grande Do Sul
(1845-1889) - Amanda Chiamenti Both (PUC-RS)

19:00 h às 21:00 h
Conferência
Prof. Dr. Carlos Garriga – Universidad del País Vasco (Espanha)
Tradición, Constitución, Estado. Sobre América Latina en el siglo XIX

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26 DE OUTUBRO

09:00 h às 10:30 h
Sessão de Comunicações 12 – Anfiteatro 2
A chegada das Filhas da Caridade ao Brasil no oitocentos e suas repercussões na história da
vida religiosa feminina local - Melina Teixeira Souza (UFF)
Condição feminina e relações de poder nos Oitocentos: a documentação do Recolhimento de
Santa Clara de Sorocaba - Bruna de Oliveira Garcia (UNIFESP)
Mulheres Chefes de domícilio no Distrito da Vila de Santo Antônio de Sá (1797) - Dermeval
Marins de Freitas (UFF)

Sessão de Comunicações 13 – Sala A-I-12


Reflexões iniciais sobre a elite no exílio: os nobilitados nas missas de réquiem de Dom Pedro
II - Thalita Moreira Barbosa (UFJF)
Relações de poder: estratégias familiares e individuais para ascensão (Guarapiranga – século
XIX) - Débora Cristina Alves (UFJF)
Práticas de família, estratégias de poder: os Belfort e sua atuação política no Brasil Império
(c.1740-1850) - Raissa Gabrielle Vieira Cirino (UFJF)
Trânsitos sociais no Antigo Regime português tardio (1808-1820) - Zezito Rodrigues da Silva
(UFF)

10:30 h às 12:00 h
Mesa Redonda
Profa. Dra. Silvana Mota Barbosa – UFJF
Coordenação
Profa. Dra. Iara Lis Schiavinatto – UNICAMP
Entre a liturgia política e a noção de si: a virtude em questão
Prof. Dr. Alexandre Mansur Barata – UFJF
Trajetórias e narrativas de uma perseguição: Hipólito José da Costa e a Inquisição
Prof. Dr. Luiz César de Sá Júnior – PNPD/UFJF
Os cavalos de Gulliver: humanidade, animalidade e razão no Século das Luzes
14:00 h às 15:30 h
Sessão de Comunicações 14 – Anfiteatro 2
Pela “decência dos santuários” e “conservação dos homens”: a necessidade da construção de
cemitérios extramuros na província de Minas Gerais (1828-1857) - Pâmela Campos Ferreira
(UFJF)
A proteção social no Brasil imperial: a trajetória do montepio geral dos servidores do Estado -
Marconni Marotta (UFF)
A cidade mendicante: uma cartografia da mendicidade na cidade do Recife oitocentista (1840-
1870) - Grasiela Florêncio de Morais (UFPE)
Convidando os vivos: as formas de sentir o morrer em Juiz de Fora - Leandro Gracioso de
Almeida e Silva (UFRJ)

Sessão de Comunicações 15 – Sala B-I-06


Leitura nos anos iniciais do século XIX e a censura dentro do Império luso-brasileiro - Maíra
Moraes dos Santos Villares Vianna (UERJ)
O senador Zacarias de Goes e Vasconcellos: atuação política entre 1869 e 1871 - Olga Mattos de
Lima e Silva (UFJF)
Machado de Assis cronista: entre o humor e a crítica - Renata Willian Santos do Vale (UFF)
Como se faz uma revolução? Breve análise de prédicas de Antônio Conselheiro sob a ótica dos
Estudos Culturais - Daniela Barbosa de Oliveira (UFJF)

16:00 h às 18:00 h
Sessão de Comunicações 16 – Anfiteatro 2
A trajetória de Dom Domingos Antônio de Souza Coutinho: vida, diplomacia e sociabilidade
(1762-1833) - Débora Cristina Alexandre Bastos e Monteiro de Carvalho (UFJF)
“De Sabará para o Rio de Janeiro”: um ensaio sobre a trajetória de Francisco de Sousa Guerra
Araújo Godinho (1800-1808) - Nara Maria de Paula Tinoco (UFRRJ)
Uma disputa na corte palaciana de D. Pedro I: uma breve análise sobre as correspondências
trocadas entre Francisco Gomes da Silva e o Marquês de Barbacena - Rafael Cupello Peixoto
(UERJ)
A nacionalização da luta antiescravista: O abolicionista Ferreira de Menezes em Juiz de Fora
- Minas Gerias (1880) - Fábio Augusto Machado Soares de Oliveira (UFJF)
O deputado “sem juramento”: a efêmera celebridade de Monteiro Manso e sua participação na
propaganda republicana – 1888- 1889 - Marta Lúcia Lopes Fittipaldi (UFJF)
Sessão de Comunicações 17 – Sala B-I-07
“O bem que desempenhou no cargo para que foi eleito”: a eleição de juízes de paz no contexto
da cabanagem - Danielle Figuerêdo Moura (UFPA)
De olhos atentos ao andamento da justiça na província: a atuação dos juízes na pauta de
discussões do Conselho de Governo (1827-1834) - Eduardo da Silva Jr. (UFJF)
As luzes da educação: o Atheneo Provincial e sua missão civilizadora - Meryhelen Alves da
Cruz Quiuqui (UFES)
Representação da navalha e da bayoneta: a crítica ao sistema eleitoral do império - Kátia
Sausen da Motta (UFES)
Ser estrangeiro na província de Santa Catarina no século XIX - Cássila Cavaler Pessoa de Mello
(UFSC)

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CONFERÊNCIAS

24.10.2017 – 10:30 h – Anfiteatro do ICH


Profa. Dra. Tânia Bessone – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
O CEO, a SEO e os estudos dos Oitocentos

24.10.2017 – 19:00 h – Anfiteatro do ICH


Prof. Dr. Rodrigo Camargo de Godoi – UNICAMP
Política e edição no Império: o caso de Francisco de Paula Brito

25.10.2017 – 10:30 h – Anfiteatro do ICH


Profa. Dra. Beatriz Bragoni – Universidad Nacional de Cuyo (Mendoza – Argentina)
Unificación nacional, sistema federal y gobierno representativo: apuntes sobre la historia del
poder y la política del siglo XIX latinoamericano

25.10.2017 – 19:00 h – Anfiteatro do ICH


Prof. Dr. Carlos Garriga – Universidad del País Vasco (Espanha)
Tradición, Constitución, Estado. Sobre América Latina en el siglo XIX

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MESA REDONDA

26.10.2017 – 10:30 h – Anfiteatro do ICH


Profa. Dra. Silvana Mota Barbosa – UFJF (Coordenação)

Profa. Dra. Iara Lis Schiavinatto – UNICAMP


Entre a liturgia política e a noção de si: a virtude em questão

Prof. Dr. Alexandre Mansur Barata – UFJF


Trajetórias e narrativas de uma perseguição: Hipólito José da Costa e a Inquisição

Prof. Dr. Luiz César de Sá Júnior – PNPD/UFJF


Os cavalos de Gulliver: humanidade, animalidade e razão no Século das Luzes

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COMUNICAÇÕES DE PESQUISA
NOME TÍTULO DA COMUNICAÇÃO APRESENTAÇÃO RESUMO
ALESSANDRA ENTRE O PATRIARCA E O BACHAREL: A 24.10 – 14:00 h CLIQUE
BETTENCOURT COMPLEXA TRAJETÓRIA DE D. PEDRO II AQUI
FIGUEIREDO FRAGUAS
ALEX LOMBELLO OS HOMENS DE COR E A REVOLTA DE 1842 24.10 – 14:00 h CLIQUE
AMARAL EM MINAS GERAIS AQUI
ÁLVARO SALUAN DA AS LITOGRAFIAS DA COLEÇÃO “QUADROS 25.10 – 09:00 h CLIQUE
CUNHA HISTÓRICOS DA GUERRA DO PARAGUAI”: AQUI
PRIMEIRAS ANÁLISES
AMANDA CHIAMENTI DELEGADOS DO CHEFE DA NAÇÃO: UM 25.10 – 16:00 h CLIQUE
BOTH PERFIL DOS PRESIDENTES DE PROVÍNCIA DO AQUI
RIO GRANDE DO SUL (1845-1889)
ANA PAULA DUTRA CONDUZIR E TRANSPORTAR: 24.10 – 14:00 h CLIQUE
BÔSCARO PROPRIETÁRIOS COMERCIANTES DE AQUI
ESCRAVOS EM MINAS GREAIS NA PRIMEIRA
METADE DO SÉCULO XIX
BÁRBARA FERREIRA A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE ANTÔNIO 25.10 – 09:00 h CLIQUE
FERNANDES PAULINO LIMPO DE ABREU PELA PROVÍNCIA AQUI
DE MINAS GERAIS
BEATRIZ PIVA LINGUAGENS POLÍTICAS DISPONÍVEIS NO 25.10 – 16:00 h CLIQUE
MOMESSO BRASIL E SEUS USOS NAS DÉCADAS DE 1850 AQUI
E 1860
BRUNA DE OLIVEIRA CONDIÇÃO FEMININA E RELAÇÕES DE 26.10 – 09:00 h CLIQUE
GARCIA PODER NOS OITOCENTOS: A AQUI
DOCUMENTAÇÃO DO RECOLHIMENTO DE
SANTA CLARA DE SOROCABA
CAIO DA SILVA DESENVOLVIMENTO POPULACIONAL DE UM 25.10 – 09:00 h CLIQUE
BATISTA CENTRO URBANO DO SUDESTE ESCRAVISTA: AQUI
JUIZ DE FORA, 1831 A 1888
CAROLINA DE TOLEDO DIÁRIOS E VIÚVAS: VIUVEZ DE MULHERES 24.10 – 16:00 h CLIQUE
BRAGA NOS ANÚNCIOS DE JORNAIS AQUI
OITOCENTISTAS NA PROVÍNCIA DE
PERNAMBUCO (1842-1853)
CAROLINA PAES O MANIFESTO POLÍTICO DE 1867: ANTÔNIO 24.10 – 14:00 h CLIQUE
BARRETO DA SILVA BORGES DA FONSECA E A ESCRITA DE SI AQUI
CÁSSILA CAVALER SER ESTRANGEIRO NA PROVÍNCIA DE 26.10 – 16:00 h CLIQUE
PESSOA DE MELLO SANTA CATARINA NO SÉCULO XIX AQUI
CLAUDIUS GOMES DE O INQUÉRITO DO ARSENAL 25.10 – 14:00 h CLIQUE
ARAGÃO VIANA AQUI
CRISTIANE DE PAULA "ELLA SENDO FEIOSA, TORNOU-SE BELLA": O 24.10 – 16:00 h CLIQUE
RIBEIRO PADRÃO DE BELEZA FEMININA A PARTIR DA AQUI
IMPRENSA PERIÓDICA OITOCENTISTA
DAIANE DE SOUZA A FAZENDA IMPERIAL: O MINISTÉRIO 25.10 – 14:00 h CLIQUE
ALVES NOGUEIRA DA GAMA E AS POLÍTICAS AQUI
FISCAIS NO BRASIL NO PRIMEIRO REINADO
DANIELA BARBOSA DE COMO SE FAZ UMA REVOLUÇÃO? BREVE 26.10 – 14:00 h CLIQUE
OLIVEIRA ANÁLISE DE PRÉDICAS DE ANTÔNIO AQUI
CONSELHEIRO SOB A ÓTICA DOS ESTUDOS
CULTURAIS
DANIELLE FIGUEREDO “O BEM QUE DESEMPENHOU NO CARGO 26.10 – 16:00 h CLIQUE
MOURA PARA QUE FOI ELEITO”: A ELEIÇÃO DE AQUI
JUÍZES DE PAZ NO CONTEXTO DA
CABANAGEM.
DÉBORA CRISTINA A TRAJETÓRIA DE D. DOMINGOS ANTÔNIO 26.10 – 16:00 h CLIQUE
ALEXANDRE BASTOS E DE SOUSA COUTINHO: VIDA, DIPLOMACIA E AQUI
M. CARVALHO SOCIABILIDADE. (1762-1833)
DÉBORA CRISTINA RELAÇÕES DE PODER: ESTRATÉGIAS 26.10 – 09:00 h CLIQUE
ALVES FAMILIARES E INDIVIDUAIS PARA AQUI
ASCENSÃO (GUARAPIRANGA - SÉCULO XIX)
DERMEVAL MARINS DE MULHERES CHEFES DE DOMÍCILIO NO 26.10 – 09:00 h CLIQUE
FREITAS DISTRITO DA VILA DE SANTO ANTÔNIO DE AQUI
SÁ (1797)
DIEVANI LOPES VITAL UMA REAVALIAÇÃO DA HISTÓRIA DO 25.10 – 09:00 h CLIQUE
MOVIMENTO REPUBLICANO NO IMPÉRIO DO AQUI
BRASIL ATRAVÉS DE SUAS INSPIRAÇÕES
FRANCESAS (1869-1889)
EDER DA SILVA RIBEIRO ECONOMIA, POLÍTICA E INSTITUIÇÕES NO 25.10 – 14:00 h CLIQUE
PERÍODO JOANINO (1808-1821) AQUI
EDILSON NUNES DOS CONFLITOS DE INTERESSE NO LITORAL DO 25.10 – 09:00 h CLIQUE
SANTOS JUNIOR RIO DE JANEIRO: TRABALHADORES, AQUI
COMERCIANTES E POLÍTICOS NO PROCESSO
DE CRIAÇÃO DA CAPITANIA DO PORTO DA
CORTE (1845-1869)
EDNA MARA FERREIRA CAMPANHA DA PRINCESA: ESTRATÉGIAS DE 25.10 – 16:00 h CLIQUE
DA SILVA AFIRMAÇÃO POLÍTICA SOB O TERRITÓRIO AQUI
COLONIAL NO SUL DAS MINAS GERAIS
EDUARDO DA SILVA DEOLHOSATENTOSAO ANDAMENTO DA 26.10 – 16:00 h CLIQUE
JÚNIOR JUSTIÇA NA PROVÍNCIA: A ATUAÇÃO DOS AQUI
JUÍZES NA PAUTA DE DISCUSSÕES DO
CONSELHO DE GOVERNO (1827-1834).
EDUARDO POSSIDONIO LAURENTINO INOCÊNCIO DOS SANTOS, UM 25.10 – 16:00 h CLIQUE
CURANDEIRO DO OITOCENTOS: AQUI
REFERÊNCIAS E POSSIBILIDADES NA
CIDADE DO RIO DE JANEIRO
ELIENE DA SILVA OS DESAFIOS PÚBLICO-RELIGIOSOS 25.10 – 16:00 h CLIQUE
NOGUEIRA ENFRENTADOS PELO CONSELHO DE ESTADO AQUI
(1842-1870).
EVERTON VIEIRA O AR FRANCÊS PELA CORTE: PERCEPÇÕES 24.10 – 16:00 h CLIQUE
BARBOSA CULTURAIS NA IMPRENSA FEMININA AO AQUI
LONGO DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO
XIX.
FÁBIO AUGUSTO A NACIONALIZAÇÃO DA LUTA 26.10 – 16:00 h CLIQUE
MACHADO SOARES DE ANTIESCRAVISTA: O ABOLICIONISTA AQUI
OLIVEIRA FERREIRA DE MENEZES EM JUIZ DE FORA –
MINAS GERAIS (1880)
GEISA LOURENÇO LAÇOS FAMILIARES, ESCRAVIDÃO E 24.10 – 16:00 h CLIQUE
RIBEIRO LIBERDADE NO ESPÍRITO SANTO AQUI
OITOCENTISTA
GLAUBER MIRANDA NA ARCA, AS ROUPAS VELHAS OU NOVAS: 25.10 – 16:00 h CLIQUE
FLORINDO RUPTURAS E CONTINUIDADES NA AQUI
CONSOLIDAÇÃO DO ESTADO NO BRASIL
IMPERIAL (1822-1837)
GRASIELA FLORÊNCIO A CIDADE MENDICANTE: UMA 26.10 – 14:00 h CLIQUE
DE MORAIS CARTOGRAFIA DA MENDICIDADE NA AQUI
CIDADE DO RECIFE OITOCENTISTA (1840-
1870)
JORGE VINÍCIUS EM NOME DA PÁTRIA E DO CIDADÃO: A 25.10 – 16:00 h CLIQUE
MONTEIRO VIANNA AÇÃO DA LINGUAGEM LIBERAL PATRIÓTICA AQUI
NO PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO
BRASIL (1822)
JORGE WILLIAM A METÁFORA DO “REINO DE DEUS” NO 25.10 – 16:00 h CLIQUE
FALCÃO JÚNIOR JORNAL IMPRENSA EVANGÉLICA (1864-1889) AQUI
JULIANA GOMES DE IMPRENSA E A IDENTIDADE POLÍTICA: A 25.10 – 14:00 h CLIQUE
OLIVEIRA ELITE RIVADAVIANA E SEU PROJETO DE AQUI
NAÇÃO
JULIANA SANTOS DE MARCAS E EXPRESSÕES: O QUE O AFRICANO 24.10 – 14:00 h CLIQUE
LIMA LIVRE DEIXOU-SE REVELAR AQUI
KÁTIA SAUSEN DA REPRESENTAÇÃO DA NAVALHA E DA 26.10 – 16:00 h CLIQUE
MOTTA BAYONETA: A CRÍTICA AO SISTEMA AQUI
ELEITORAL DO IMPÉRIO
KELLY ELEUTÉRIO “O CAVALO DE BATALHA DO REGRESSO”: A 25.10 – 16:00 h CLIQUE
MACHADO OLIVEIRA SEGUNDA LEGISLATURA DA ASSEMBLEIA AQUI
PROVINCIAL MINEIRA (1838-1839) E A
DEFESA DO ATO ADICIONAL
LAIANE FRAGA DA O QUE É POLÍTICA?”: A ESCRITA DE 24.10 – 14:00 h CLIQUE
SILVA MACHADO DE ASSIS E A ATUAÇÃO POLÍTICA AQUI
DA FAMÍLIA FARIA FRAGA NO CONTEXTO
DA LEI DO SEXAGENÁRIO (1883-1885)
LARYSSA DA SILVA A DIÁSPORA NEGRA E A PRESENÇA DE 24.10 – 14:00 h CLIQUE
MACHADO AFRICANOS ESCRAVIZADOS EM AQUI
ITAPEMIRIM-ES (1860-1870)
LEANDRO GRACIOSO DE CONVIDANDO OS VIVOS: AS FORMAS DE 26.10 – 14:00 h CLIQUE
ALMEIDA E SILVA SENTIR O MORRER EM JUIZ DE FORA AQUI
LIDIANE REZENDE CONSTRUÇÃO DE ESTADOS NACIONAIS NA 25.10 – 14:00 h CLIQUE
VIEIRA PERIFERIA: LINGUAGENS, AGENDAS E AQUI
ARCABOUÇOS INSTITUCIONAIS EM UM
ESTUDO COMPARADO DE ARGENTINA,
BRASIL E CHILE (1830-1870)
LIELVA AZEVEDO “ANTES DE RECEBER A VOSSA HONRADA 24.10 – 14:00 h CLIQUE
AGUIAR CARTA JÁ TINHA RESOLVIDO SEGUIR A AQUI
CARREIRA JURÍDICA”: JOSÉ ANTÔNIO
GOMES NETO E A CONQUISTA DE UMA
COLOCAÇÃO PROFISSIONAL NO ALTO
SERTÃO BAIANO (1850-1860)
MAÍRA M. S. VILLARES LEITURA NOS ANOS INCIAIS DO SÉCULO XIX 26.10 – 14:00 h CLIQUE
VIANNA E A CENSURA DENTRO DO IMPÉRIO LUSO- AQUI
BRASILEIRO
MARCONNI MAROTTA A PROTEÇÃO SOCIAL NO BRASIL IMPERIAL: 26.10 – 14:00 h CLIQUE
A TRAJETÓRIA DO MONTEPIO GERAL DOS AQUI
SERVIDORES DO ESTADO
MARIA LECTICIA A FORTALEZA DE SÃO JOÃO: 25.10 – 09:00 h CLIQUE
OLIVEIRA CONSTANTIN REMODELAÇÕES OITOCENTISTAS AQUI
RAPTOPOULOS
MARTA LUCIA LOPES O DEPUTADO “SEM JURAMENTO”: A 26.10 – 16:00 h CLIQUE
FITTIPALDI EFÊMERA CELEBRIDADE DE MONTEIRO AQUI
MANSO E SUA PARTICIPAÇÃO NA
PROPAGANDA REPUBLICANA – 1888- 1889.
MELINA TEIXEIRA A CHEGADA DAS FILHAS DE CARIDADE AO 26.10 – 09:00 h CLIQUE
SOUZA BRASIL NO OITOCENTOS E SUAS AQUI
REPERCUSSÕES NA HISTÓRIA DA VIDA
RELIGIOSA FEMININA LOCAL
MERYHELEN ALVES DA AS LUZES DA EDUCAÇÃO: O ATHENEO 26.10 – 16:00 h CLIQUE
CRUZ QUIUQUI PROVINCIAL E SUA MISSÃO CIVILIZADORA AQUI
MOISÉS PEIXOTO ESCRAVOS E LIBERTOS AOS OLHOS DAS 24.10 – 16:00 h CLIQUE
SOARES AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS, DOS AQUI
RELIGIOSOS E DOS VIAJANTES DOS
SÉCULOS XVIII E XIX NO RIO DE JANEIRO
(JACUTINGA)
NARA MARIA DE PAULA “DE SABARÁ PARA O RIO DE JANEIRO”: UM 26.10 – 16:00 h CLIQUE
TINOCO ENSAIO SOBRE A TRAJETÓRIA DE AQUI
FRANCISCO DE SOUSA GUERRA ARAÚJO
GODINHO (1800-1808).
OLGA MATTOS DE LIMA O SENADOR ZACARIAS DE GOES E 26.10 – 14:00 h CLIQUE
E SILVA VASCONCELLOS: ATUAÇÃO POLÍTICA ENTRE AQUI
1869 E 1871
PÂMELA CAMPOS PELA “DECÊNCIA DOS SANTUÁRIOS” E 26.10 – 14:00 h CLIQUE
FERREIRA “CONSERVAÇÃO DOS HOMENS”: A AQUI
NECESSIDADE DA CONSTRUÇÃO DE
CEMITÉRIOS EXTRAMUROS NA PROVÍNCIA
DE MINAS GERAIS (1828-1857).
PAULA BOTAFOGO UMA HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA 25.10 – 09:00 h CLIQUE
CARICCHIO FERREIRA DESENGANADA: JOÃO SOARES LISBOA NA AQUI
CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824)
PEDRO GUSTAVO DA QUEDA DE ROSAS À GUERRA DO 25.10 – 14:00 h CLIQUE
AUBERT PARAGUAI: PAX ARMADA NO RIO DA PRATA AQUI
(1852-1865)
PEDRO HENRIQUE A LIBERDADE É UMA BÊNÇÃO: O 25.10 – 16:00 h CLIQUE
CAVALCANTE DE PRESBITERIANISMO E O ABOLICIONISMO NO AQUI
MEDEIROS SEGUNDO REINADO BRASILEIRO
RAFAEL AUGUSTO AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE, A HISTÓRIA 25.10 – 16:00 h CLIQUE
GOMES ILUSTRADA E A CIVILIZAÇÃO DOS POVOS: A AQUI
HUMANIDADE ENTRE PRÁTICAS E
REPRESENTAÇÕES
RAFAEL CUPELLO UMA DISPUTA NA CORTE PALACIANA DE D. 26.10 – 16:00 h CLIQUE
PEIXOTO PEDRO I: UMA BREVE ANÁLISE SOBRE AS AQUI
CORRESPONDÊNCIAS TROCADAS ENTRE
FRANCISCO GOMES DA SILVA E O MARQUÊS
DE BARBACENA
RAFAELA DOMINGOS UM ESTUDO SOBRE OS PADRÕES DE 24.10 – 16:00 h CLIQUE
LAGO ALFORRIAS EM VITÓRIA, PROVÍNCIA DO AQUI
ESPÍRITO SANTO (1871-1888)
RAISSA GABRIELLE PRÁTICAS DE FAMÍLIA, ESTRATÉGIAS DE 26.10 – 09:00 h CLIQUE
VIEIRA CIRINO PODER: OS BELFORT E SUA ATUAÇÃO AQUI
POLÍTICA NO BRASIL IMPÉRIO (C.1740-1850)
RENATA SILVA A AÇÃO, O EXAME E O JUÍZO: O GOVERNO 25.10 – 16:00 h CLIQUE
FERNANDES PROVINCIAL NO ALVORER DO IMPÉRIO AQUI
(1823-1834)
RENATA WILLIAM MACHADO DE ASSIS CRONISTA: ENTRE O 26.10 – 14:00 h CLIQUE
SANTOS DO VALE HUMOR E A CRÍTICA AQUI
RENATO BALBINO DA OS HOMENS PRETOS DE JUIZ DE FORA: UM 24.10 – 16:00 h CLIQUE
SILVA ESTUDO SOBRE A IRMANDADE DO ROSÁRIO AQUI
(1888-1905)
RENATO DE ULHOA EXISTE UMA CONFUSÃO ENTRE PÚBLICO E 25.10 – 16:00 h CLIQUE
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DA HISTÓRIA CONCEITUAL
RENATO FAGUNDES O LUGAR DA VIDA NA OPERAÇÃO 25.10 – 16:00 h CLIQUE
PEREIRA HISTORIOGRÁFICA EM JULES MICHELET E A AQUI
ESCRITA DA HISTÓRIA NA FRANÇA NO
INÍCIO DO SÉCULO XIX
THAIS FERREIRA UM PERUANO ENTRE OS “CONSTRUTORES 25.10 – 14:00 h CLIQUE
PILOTTO DA NAÇÃO”: UMA ANÁLISE DOS PRINCIPAIS AQUI
ARTIGOS DE SANTIAGO NUNES RIBEIRO NA
REVISTA MINERVA BRASILIENSE
THALES CONTIN POR UM ESTUDO DAS COGREGAÇÕES 25.10 – 16:00 h CLIQUE
FERNANDES RELIGIOSAS NO SÉCULO XIX: A AQUI
CONGREGAÇÃO DA MISSÃO DE SÃO
VICENTE DE PAULO E O COLÉGIO DO
CARAÇA
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RÉQUIEM DE DOM PEDRO II
VITOR HUGO FAMÍLIA E COMUNIDADE ESCRAVA NA 24.10 – 16:00 h CLIQUE
MONTEIRO FRANCO FAZENDA SÃO BENTO DE IGUAÇU (1817-1857) AQUI
WELBER LUIZ DOS A COSTURA DO TERRITÓRIO: OS AGENTES E 25.10 – 09:00 h CLIQUE
SANTOS AS FERROVIAS NO CENTRO-SUL BRASILEIRO AQUI
DE UMA PERSPECTIVA DA GLOBAL HISTORY
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SILVA PORTUGUÊS TARDIO (1808-1820) AQUI

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RESUMOS
(Ordem alfabética - autores)

ENTRE O PATRIARCA E O BACHAREL: A COMPLEXA TRAJETÓRIA DE D. PEDRO II


Alessandra Bettencourt Figueiredo Fraguas (PPG HISTÓRIA - UERJ)

Este trabalho visa refletir sobre a complexidade da trajetória de d. Pedro II (1825-1891), a partir
do questionamento das biografias canônicas, que reforçam as teses do imperador erudito,
diletante e mecenas, por um lado, e do conservadorismo e da teatralização do poder, por outro
lado. Pontuando aspectos inéditos ou apenas tangenciados da trajetória do ex-imperador, a
proposta é verificar os indícios deixados por Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda que,
embora não tenham aprofundado seus argumentos, apontaram para um imperador que cada
vez mais se desconectava do projeto político pensado pela elite imperial no período pós-
independência. Assim, ao contrário das assertivas que reiteram o imobilismo na trajetória de
d. Pedro II, o trabalho busca apresentá-lo como um indivíduo paradoxal e complexo, do qual,
nem as biografias laudatórias e hagiográficas, nem as biografias que pretendem atribuir um
sentido linear à sua vida, conseguem dar conta. Com base em intensa e extensa pesquisa na
documentação de caráter privado de d. Pedro II, custodiada pelo Museu Imperial, composta
por 44 diários, correspondências, minutas de documentos oficiais, resumos das reuniões do
Conselho de Estado, cadernos de estudos e traduções, entre outros, objetiva-se defender a
hipótese de que, desde o final da década de 1850 e, sobretudo, a partir de 1871, ano da sua
primeira viagem ao exterior, d. Pedro II conformou uma nova rede de sociabilidade, mormente
com intelectuais e cientistas, que favoreceu o rompimento com o projeto político
patrimonialista e a sua aproximação com o ethos burguês. Assim, o trabalho visa desconstruir
a tese do imobilismo e apresentar as tensões entre o agente social, d. Pedro de Alcântara, e a
estrutura social brasileira - agrário-aristocrática e patrimonialista. O conflito do agente em
sua passagem do ethos aristocrático ao ethos burguês pôde ser percebido a partir da
valorização de novos capitais (o cultural sobre o social), das lutas que perpassavam os campos
e, particularmente, da relação de forças entre a ortodoxia – a dominação tradicional, baseada
na pessoalidade e nas distinções sociais – e a heterodoxia – a dominação burocrática,
fundamentada na laicização do pensamento, no cientificismo, na burocratização racional do
Estado e na separação entre as esferas pública e privada. Neste sentido, seguir as pistas
deixadas por Freyre e Holanda, que identificaram um imperador paradoxalmente “entre o
patriarca e o bacharel” e, a partir das novas abordagens historiográficas que permitem uma
leitura diferenciada do arquivo pessoal de Pedro II e de outras fontes a ele relacionadas, revelar
uma perspectiva inédita sobre a trajetória do segundo imperador do Brasil é o desafio a que
nos propomos.
Palavras-chave: D. Pedro II; Biografias; Trajetória.

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OS HOMENS DE COR E A REVOLTA DE 1842 EM MINAS GERAIS


Alex Lombello Amaral (PPG HISTÓRIA - UFJF)

O objetivo dessa comunicação é debater o boato de reescravização dos homens de cor livres e
libertos como uma das motivações que levaram milhares de homens pobres a pegarem em
armas contra o governo imperial em Minas Gerais no ano de 1842. As principais fontes
utilizadas, além da bibliografia existente e de alguns textos memorialísticos, foram os
periódicos mineiros: Pregoeiro Constitucional (Pouso Alegre), Estrella Mariannense (Mariana),
O Universal (Ouro Preto), o Guarda Nacional Mineiro (Ouro Preto), O Correio de Minas (Ouro
Preto), o Publicador Mineiro (Ouro Preto), o Compilador (Ouro Preto) e o Arauto de Minas (São
João Del Rei). Foram estudadas folhas posicionadas aos dois lados do conflito, e também no
Compilador existem discursos de deputados provinciais de ambos os lados. Dentre os motivos
que explicariam a revolta de 1842, repetidos em manifestos e representações estavam a
recriação do Conselho de Estado e, principalmente, a aprovação da lei que reformava o Código
do Processo. Para os revoltosos a recriação do Conselho de Estado resultaria no “poder de uma
oligarquia”, e a reforma do Código do Processo Criminal geraria um quadro de “despotismo”.
Ao mesmo tempo defendia-se a queda do Ministério de 23 de março de 1841, criador das “duas
leis de sangue”. Todavia vários historiadores têm procurado relativizar o peso das referidas
motivações e buscado entender o que teria levado milhares de homens pobres a arriscarem
suas vidas ao se envolverem no conflito. A pesquisa nos referidos periódicos tem possibilitado
a ampliação dessas motivações, tornando o contexto que antecedeu à eclosão da revolta muito
mais complexo. Assim outros motivos aparecem nas fontes consultadas, tais como: a
perseguição aos opositores, incluindo o recrutamento militar; a repressão à imprensa de
oposição, que em Minas Gerais já estava toda calada em maio de 1842; a possibilidade de um
maior controle das eleições pelo governo; por fim, o assunto dessa comunicação, o medo de
escravização de libertos ou livres. Depois de constatar a difusão desse boato em Minas Gerais
em 1842, a comunicação analisará sua presença em eventos políticos anteriores como, por
exemplo, quando da insurreição de Santa Rita do Turvo (atual Viçosa, no final de 1831). Em
seguida tratará do perigo real de escravização de libertos ou livres na sociedade brasileira
oitocentista. Por fim analisará que o medo da reescravização dos homens de cor era mais
relacionado à reforma do Código do Processo do que a princípio se imagina.

Palavras-chave: Escravidão; Revolta de 1842; Brasil Império; Imprensa.

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AS LITOGRAFIAS DA COLEÇÃO “QUADROS HISTÓRICOS DA GUERRA DO PARAGUAI”:


PRIMEIRAS ANÁLISES
Álvaro Saluan da Cunha (PPG HISTÓRIA - UFJF)

A coleção intitulada “Quadros Históricos da Guerra do Paraguai” junta em suas nove


litogravuras passagens que narram episódios cruciais da referida guerra. Todas elas são
baseadas em pinturas históricas, esboços ou em outros suportes que ainda estão sendo
apurados a partir de pesquisas efetuadas em acervos da cidade do Rio de Janeiro e no Museu
Mariano Procópio, em Juiz de Fora, cujo conteúdo encontra-se acessível via internet,
facilitando assim as primeiras análises e interpretações juntamente com alguns dos objetos
registrados in loco na capital fluminense. O objetivo principal deste trabalho é justamente o
de compreender por qual motivo tais litografias encontram-se reunidas e, mais ainda,
entender as narrativas que perpassam por elas baseando-se em uma encadernação
encontrada no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro contendo textos específicos sobre
algumas destas imagens. Além disso, tem também como base obras expostas na “Exposição
de História do Brazil”, em 1881, com o mesmo nome, e que seguem basicamente a mesma
ordem, mas com algumas modificações pontuais que serão levantadas ao longo do trabalho.
A análise iconográfica dessas obras contribui para o estudo das representações brasileiras
sobre a Guerra do Paraguai, período em que a imprensa ilustrada se consolidava, tendo uma
vasta produção, expandindo suas formas de circulação e consumo na Corte. Os periódicos da
época utilizavam-se da reprodução litográfica tanto para ilustrar notícias sobre fatos ocorridos
nas frentes de batalha, para reproduzir obras de arte de pintores como Victor Meirelles e Pedro
Américo, algo que movimentou bastante a crítica do século XIX, ou até mesmo para charges
críticas sobre fatos e personagens. Porém, vale ressaltar que as gravuras da coleção aqui citada
são posteriores ao período da guerra, sendo lançada em fascículos. A partir dessas
informações iniciais, percebe-se então a importância da reprodução litográfica no Brasil do
século XIX, onde nos furtaremos a dizer especificamente sobre esse conjunto, suas narrativas
e sua magnitude para ilustrar uma discussão acerca de qual memória buscava-se construir
sobre a guerra e o Império a partir de 1870, ano onde as artes se voltavam cada vez mais para
este importante período da história nacional e seus personagens.

Palavras-chave: Quadros Históricos da Guerra do Paraguai, litografias, reprodução.

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DELEGADOS DO CHEFE DA NAÇÃO: UM PERFIL DOS PRESIDENTES DE PROVÍNCIA DO RIO


GRANDE DO SUL (1845-1889)
Amanda Both (PPG HISTÓRIA - PUCRS)

Por muito tempo a historiografia reservou à esfera provincial de poder um papel diminuto na
conformação dos interesses do Império. No que se refere à atuação dos presidentes de
província a situação não foi diferente: usualmente atribui-se pouca ou nenhuma margem de
ação aos presidentes, de maneira que esses não teriam poder efetivo para colocar qualquer
política em prática, muito embora se reconheça a importância estratégica da existência do
cargo. Para além disso, costuma-se repetir as mesmas ponderações sobre a política de
nomeação e a função principal do cargo. Visando avançar na compreensão do funcionamento
da presidência da província buscamos investigar empiricamente os elementos
frequentemente usados para caracterizar os presidentes, a fim de compreender as suas
implicações tanto para a administração da província quanto para as interações entre o
governo central e a elite regional. Para esse fim, circunscrevemos a análise, inicialmente, à
província do Rio Grande do Sul, no período que vai de 1845, após o final da revolução
Farroupilha (revolta que afetou toda a província do Rio Grande do Sul e estabeleceu uma
estrutura de governo paralela à estrutura imperial), e se estende até o final do Império, em
1889. O primeiro passo foi construir um perfil daqueles que exerceram esse cargo. Com esse
objetivo realizamos um estudo prosopográfico baseado em elementos da trajetória dos
indivíduos que desempenharam tal função, tais como naturalidade, idade, formação
educacional, cargos ocupados e o tempo que permaneceram à frente da presidência. Assim,
observamos que, como a historiografia já apontava, a maioria dos presidentes era proveniente
de outras regiões do Império, reflexo do desejo do governo central de nomear sujeitos que
estivessem descomprometidos com os interesses das elites regionais. Todavia, as nomeações
ocorriam, majoritariamente, dentro de um universo restrito composto por políticos que
tinham formação em direito. A resultante disso era que muitos dos indivíduos que ocuparam
a presidência, já nutriam laços com membros das elites provinciais, o que possivelmente
influenciava a forma como administravam a província e enfraquecia as pretensões do
governo de imputar às províncias um funcionário que fosse exclusivamente fiel ao governo
imperial. Outro traço constatado foi que a principal área de atuação profissional dos
presidentes era a política. Apesar disso, a passagem pela presidência não constituiu,
necessariamente, uma etapa de treinamento para ascensão na carreira, uma vez que alguns
dos presidentes já faziam parte da elite política imperial à época em que foram nomeados para
o esse posto. Ademais, cientes da diversidade econômica, política e social existente entre as
diversas províncias que integravam o Império, coletamos dados referentes à formação
educacional e naturalidade dos presidentes de outras províncias (Bahia, Pernambuco, Minas
Gerais e Santa Catarina) no período em foco, a fim de construir um panorama que nos
permitisse atentar para as peculiaridades e traços comuns dos presidentes de província do
Rio Grande do Sul. Desse modo, constatamos que apesar de haver uma explícita política de
provimento do cargo de presidente de província, os limites dessa orientação podiam variar de
acordo com a província em questão.

Palavras-chave: Presidentes da Província; Prosopografia; Rio Grande do Sul.

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CONDUZIR E TRANSPORTAR: PROPRIETÁRIOS COMERCIANTES DE ESCRAVOS EM MINAS


GREAIS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX
Ana Paula Dutra Bôscaro (PPG HISTÓRIA - UFJF)

O Brasil é notoriamente conhecido como a nação que recebeu o maior número de escravos
provenientes da África. Minas Gerais, embora estivesse situada no interior do país, a partir do
século XVIII, devido à descoberta do ouro e a consequente exploração desta riqueza mineral,
acabou por se tornar uma das “margens do Oceano Atlântico”, estando a partir de então
indissoluvelmente ligada ao continente africano. Considerada como uma das maiores
importadoras de escravos dentre todas as províncias brasileiras, a região mineira absorveu a
maior parcela dos cativos novos que chegaram ao Rio de Janeiro na primeira metade do
século XIX. Ao longo dos anos, as pesquisas que se dedicam a analisar o tráfico atlântico de
escravos cresceram em volume e importância, e muitos são os estudos que abordam as rotas,
os números, as redes comerciais e os homens que estavam envolvidos nesse comércio
marítimo. Não obstante, ainda que se trate de uma temática amplamente discutida e
pesquisada, pouco se conhece acerca do transporte e distribuição terrestre dos mancípios
africanos que chegaram ao Rio de Janeiro. O tráfico de escravos não terminava com a chegada
dos navios e da “carga humana” ao mercado do Valongo. Após a travessia atlântica, um longo
percurso era percorrido pelos cativos que, por terra, eram levados e redistribuídos pelo interior
da região Centro-Sul do país. Não era uma jornada fácil, o caminho era longo e demandava um
esforço contínuo. Que a maior parte dos escravos que entraram em Minas Gerais foi
encaminhada para a Comarca do Paraibuna, situada na parte sul da Zona da Mata mineira,
não é novidade. No entanto, ainda que os números e o volume desse comércio sejam
largamente conhecidos, pouco ainda se sabe sobre os homens que estiveram envolvidos com
essa atividade mercante. Dessa forma, por meio de um intenso cruzamento entre os Registros
de despachos de escravos e de passaportes lançados pela Intendência de Polícia da Corte
entre os anos 1809 e 1833, e das Listas Nominativas de Habitantes para o ano de 1831, referentes
aos distritos de Santo Antônio do Juiz de Fora e Chapéu D’uvas, o presente trabalho buscará
apresentar os resultados iniciais de uma pesquisa ainda em fase de desenvolvimento. Quem
eram os homens que estavam envolvidos com esse comércio? Qual o perfil dos indivíduos que
se dedicaram a transportar esses escravos pelos sinuosos caminhos que ligavam a
capitania/província do Rio de Janeiro às Gerais? Como eram realizadas essas viagens?
Quantos cativos eram levados? O comércio caracterizar-se-ia por um pequeno número de
viagens e grandes remessas de escravos, ou por pequenos despachos e um maior número de
deslocamentos? Essas são algumas das questões que a presente comunicação buscará
responder. A nosso ver, a análise dos proprietários comerciantes que estavam envolvidos com
o comércio e a redistribuição terrestre dos escravos, muito poderá contribuir com a
historiografia alusiva ao tema. Primeiro, por se tratar de um assunto ainda pouco explorado, e,
segundo, por utilizar e apresentar as artimanhas de uma fonte histórica extremamente rica,
porém ainda pouco conhecida e utilizada: os registros de despachos de escravos e de
passaportes lançados pela Intendência de Polícia da Corte.

Palavras-chave: Tráfico de escravos; Minas Gerais; Comércio terrestre; Século XIX.

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CONDIÇÃO FEMININA E RELAÇÕES DE PODER NOS OITOCENTOS: A DOCUMENTAÇÃO DO


RECOLHIMENTO DE SANTA CLARA DE SOROCABA
Bruna de Oliveira Garcia (PPG HISTÓRIA - UNIFESP)

Recolhimentos eram instituições para mulheres, comuns em Portugal, sendo entendidas


como necessárias para a educação e reclusão das moças que pretendiam casar
e também para a preservação da honra, como no caso das órfãs que, desamparadas, eram
levadas aos recolhimentos mantidos pelas Misericórdias. No Brasil essas instituições tiveram
diversas particularidades. Com a falta de conventos professos, as populações
e também as câmaras municipais faziam pedidos para a abertura de recolhimentos,
esperando conseguir a aprovação da Coroa de forma mais rápida. Esse foi o caso do
Recolhimento de Santa Clara da Vila de Sorocaba, que teve seus pedidos de abertura iniciados
por volta de 1800, feitos por duas moças da vila pertencentes a uma das famílias mais
influentes do período. Os pedidos tiveram o apoio da população local, da câmara da vila e do
bispo de São Paulo. A autorização para a abertura do recolhimento se deu no ano de 1811, depois
da viagem de Manoela de Santa Clara e Rita de Santa Ignes para a Corte, então sediada no Rio
de Janeiro. Mesmo assim a autorização só foi conseguida com a ajuda da Marquesa
Camareira-Mor, orientando no sentido de que os pedidos deveriam ser feitos para uma casa
de educação. Diferentemente das instituições com o mesmo nome em Portugal, o
Recolhimento de Sorocaba não manteve atividades ligadas à educação nem para o
encaminhamento ao matrimonio. Porém, apresentou práticas semelhantes às de um
convento professo. Mesmo com o a prática dos votos simples, as recolhidas usavam hábitos,
seguiam um calendário religioso e tinham o dia dividido entre as tarefas, o ofício e rezas. Essa
comunicação analisa a documentação referente aos pedidos para a autorização de
funcionamento do Recolhimento de Santa Clara de Sorocaba, identificando as relações de
poder mobilizadas para a abertura de uma instituição religiosa para mulheres. Exemplos
desse emaranhado de relações presente na documentação são os pedidos enviados pela
Câmara de Sorocaba, o pedido de verificação feito pela Coroa às autoridades da capitania
(capitão general e bispo de São Paulo), que escrevem seus pareceres justificando posições
favoráveis ou não ao projeto. A análise dessa documentação é importante para a
compreensão de como a vida religiosa feminina na colônia foi diretamente influenciada pela
política da Coroa e seu projeto de colonização, mesmo sendo em um período tardio.
Identificamos a justificativa de que o projeto era inviável devido à falta de mulheres brancas,
tão necessárias para a formação das famílias. Por fim, a análise é importante para entender a
dinâmica da Igreja católica quanto aspectos da vida religiosa feminina e as estratégias
femininas para conseguir a autorização para o seu projeto.

Palavras-chave: Mulheres; Recolhimentos; Sorocaba.

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A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE ANTÔNIO PAULINO LIMPO DE ABREU PELA PROVÍNCIA DE


MINAS GERAIS
Bárbara Ferreira Fernandes (PPG HISTÓRIA – UFJF)

Antônio Paulino Limpo de Abreu, agraciado com o título de Visconde de Abaeté em 1854, foi
um político renomado, nascido em Portugal, e que possuiu importantes cargos no interior do
governo imperial brasileiro. Limpo de Abreu se muda para o Brasil aos doze anos de idade, em
1810, juntamente com sua mãe, após o falecimento de seu pai. No continente Americano, é
criado por um tio, devido a precoce morte de sua mãe. O político retorna à Portugal para obter
sua formação superior em direito na Universidade de Coimbra. Ao se formar e voltar ao Brasil,
inicia sua trajetória política como juiz de fora e chega à presidente do Senado, cargo que
manteve durante 12 anos consecutivos, e membro do Conselho de Estado. Limpo de Abreu é
considerado liberal moderado, partidário do constitucionalismo e sua atuação foi importante
durante processos de certos episódios da história do país, como por exemplo, a Independência,
a promulgação da Constituição etc. Como juiz de fora na vila de São João Del Rei, cargo no qual
permaneceu por dois anos, recebe Dom Pedro quando este viaja à província de Minas Gerais
em busca de apoio político. Além do apoio ao regente na ocasião da viagem, Limpo de Abreu,
em nome da Câmara, envia representações a ele apoiando a decisão pela independência. No
ano de 1823, é nomeado ouvidor da comarca de Paracatu e, em 1826, ainda nesse cargo, é eleito
deputado pela província de Minas Gerais, sendo reeleito até 1841 e, posteriormente, de 1845 a
1847. Após a abdicação de Dom Pedro I, o país passa por um período conturbado, momento em
que acontecem revoltas em diferentes partes do território, em Minas Gerais, por exemplo, no
ano de 1833, os revoltosos conseguem ocupar as repartições públicas. Diante desse cenário
Limpo de Abreu, que já era conhecido no país devido à sua atuação na Câmara dos deputados,
é nomeado pela regência como presidente da província com o objetivo de acalmar os ânimos.
Devido ao fato de discordar de algumas atitudes tomadas pelo ministério em relação a punição
dos revoltosos, Abreu pede demissão do cargo em dezembro de 1835. O presente trabalho, é
ainda uma investigação inicial, que se insere, portanto, nas pesquisas de trajetórias
individuais e tem o objetivo de assinalar e discutir alguns pontos da trajetória política de
Antônio Paulino Limpo de Abreu na província de Minas Gerais, onde sua carreira teve início.
Com isso, pretendemos contribuir para os estudos acerca da trajetória de um reconhecido
político, Visconde de Abaeté, bem como, propiciar uma maior reflexão sobre o papel das
províncias, câmaras e outras instituições localizadas fora da Corte, no processo de
consolidação do Estado brasileiro.

Palavras-chave: Limpo de Abreu; Brasil Império; trajetória.

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LINGUAGENS POLÍTICAS DISPONÍVEIS NO BRASIL E SEUS USOS NAS DÉCADAS DE 1850 E


1860
Beatriz Piva Momesso (Doutora em História Política / PPG HISTÓRIA - UERJ)

A complexidade das décadas de 1850 e 1860 do Segundo Reinado reside em contextos


específicos caracterizados pela Política da Conciliação entre 1853 e 1856 e pela formação da
Liga Progressista no período 1864-1868. A conciliação levada a cabo pelo marquês de Paraná
e, em certo sentido, também idealizada por Nabuco de Araújo explica-se em grande parte por
uma tentativa de apaziguamento entre liberais e conservadores, após a conturbada década de
1840 marcada pelas revoltas de 1842 e 1848. No entanto, entende-se que a aliança entre
indivíduos de tendências partidárias opostas na década de 1860 não significou uma
continuação da Política da Conciliação conforme explicaram afirmaram alguns autores
clássicos, a modo de exemplo Sérgio Buarque de Holanda. A especificidade do progressismo
remete-se a fatores endógenos e exógenos. Em âmbito nacional, observa-se a defesa de
interesses pessoais devido às disputas internas nos movimentos políticos tradicionais e
também no cenário nacional, após a reforma eleitoral. Não se deve subestimar, por outro lado,
as ideias e práticas oriundas da Europa no tocante à concepção de leis, abolição e
administração. Tais mudanças plasmaram-se juntamente com certas permanências e deram
origem a linguagens políticas próprias desenvolvias por novos grupos no cenário brasileiro. A
escola de Cambridge em seus pressupostos a partir de Peter Laslett sustentou que os textos
políticos somente podem ser desvendados através da análise minuciosa do seu contexto, logo
as linguagens políticas são elementos indispensáveis para tal entendimento. Por isso, essa
comunicação propõe-se a analisar artigos publicados na imprensa, escritos panfletários,
caricaturas com ou sem legendas e anotações retiradas de cadernos pessoais. Como fontes
imprensas serão utilizados, sobretudo, os periódicos A Reforma, Semana Ilustrada e Bazar
Volante. No caso da A Reforma a escolha se justifica por tratar-se de um órgão da imprensa
que passou a ser editado por indivíduos que saíram do progressismo em 1868 e, por isso, faz
menção específica aos debates daquela década. Já a opção pelos outros dois periódicos
citados se explica pela quantidade de charges e artigos de cunho satírico publicados em época
contemporânea àquela proposta pelo presente estudo, o que parece descortinar novos modos
de expressão que refletem em sentido mais gráfico e emblemático certa mentalidade de base
presente na elaboração de tais linguagens. No tocante aos manuscritos, a preferência pelos
cadernos de nota de Nabuco de Araújo reside no protagonismo do personagem como ministro
da justiça em gabinetes progressistas e da conciliação e na existência de rico arquivo pessoal
preservado e aberto à pesquisa. Entre as linguagens disponíveis, passíveis de apropriação no
período estudado, destacam-se o liberalismo, o jus naturalismo de matriz escolástica, a
linguagem bíblica e linguagens compostas por elementos oriundos do mundo antigo. A
percepção de que não é óbvia certa homogeneidade no plano das ideias e das práticas durante
as três primeiras décadas do II Reinado é uma das contribuições desse tipo de estudo. As
clivagens de pensamentos e posturas liberais e conservadoras no curto prazo de décadas
podem ser entendidas, em parte, pelo estudo das linguagens e elucida também a gênese de
conjunturas históricas posteriores.

Palavras-chave: linguagens políticas; conciliação; progressismo; imprensa; manuscritos.

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DESENVOLVIMENTO POPULACIONAL DE UM CENTRO URBANO DO SUDESTE


ESCRAVISTA: JUIZ DE FORA, 1831 A 1888
Caio da Silva Batista (PPG HISTÓRIA – UFJF)

O presente trabalho busca analisar a evolução da população, principalmente a escrava, na


cidade mineira de Juiz de Fora durante o período de 1831 a 1888. Para o desenvolvimento desta
pesquisa utilizarei listas nominativas da localidade dos anos 1831 e 1853, o censo brasileiro de
1872 e relatórios do presidente da província de Minas Gerais da década de 1880. A partir das
informações desta documentação será possível promover um estudo da evolução
populacional juiz-forana entre 1831 a 1888. Além deste aspecto, será possível compreender o
perfil socioeconômico de Juiz de Fora durante o oitocentos. A documentação censitária
mesmo com suas limitações e deficiência de informações é uma importante fonte para a
compreensão dos aspectos econômicos, sociais e culturais das sociedades brasileiras
oitocentista. A ausência de informações está relacionada a uma série de fatores, como por
exemplo, a falta de fiscais de quarteirão nas cidades, vilas e distritos brasileiros o que
dificultava o recolhimento de listas de famílias. Este documento era essencial para a
confecção de mapas de população e de censos das localidades brasileiras do século XIX. Em
relação a cronologia da pesquisa, a mesma está relaciona ao período escravista em Juiz de
Fora. Nesse sentido, o estudo se inicia em 1831 por ser o ano em que localizei o primeiro
registro demográfico da localidade para o século XIX. A década de 1880 encerra o estudo por
representar o período em que a escravidão foi abolida no Brasil. A importância de estudar a
população de Juiz de Fora se justifica, pois esta localidade se tornou o principal entreposto
comercial e de escoamento do café na Zona da Mata mineira. A construção da rodovia União
e Indústria, inaugurada em 1861, e das ferrovias Dom Pedro II e Leopoldina, que iniciaram suas
atividades nas décadas de setenta e oitenta respectivamente, auxiliaram nesse processo e na
diversificação da economia urbana. Este fator foi possível graças a infraestrutura viária
formada em Juiz de Fora que tornou a comercialização de produtos, principalmente com o Rio
de Janeiro, mais eficaz, e o escoamento do café mais eficiente e menos custoso. Esta dinâmica
fez com que a cidade de Juiz de Fora contasse com manufaturas, serviços especializados,
profissionais liberais, negociantes, dentre outros serviços. A dinamização da economia trouxe
a melhoria da infraestrutura urbana e atraiu para este centro urbano livres, de origem nacional
e estrangeira, além de escravos. Nesse sentido, é meu objetivo analisar o crescimento desta
população e as atividades econômicas nas quais eram empregados esses indivíduos, em
especial os cativos.

Palavras-chave: Escravidão; demografia; século XIX; população.

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DIÁRIOS E VIÚVAS: VIUVEZ DE MULHERES NOS ANÚNCIOS DE JORNAIS OITOCENTISTAS


NA PROVÍNCIA DE PERNAMBUCO (1842-1853)
Carolina de Toledo Braga (PPG HISTÓRIA – UFF)

A proposta deste artigo é fazer uma exposição do andamento atual da pesquisa que estou
desenvolvendo para dissertação de mestrado. A intenção do estudo é entender as estratégias
de sobrevivência, com foco no mundo do trabalho, das mulheres sozinhas em um contexto
provincial de rebuliço político, à época da última revolta liberal do Império, a insurreição
praieira. Para isso, serão analisados os anúncios das mulheres viúvas nos dois jornais diários
pernambucanos em circulação durante os anos de 1842 e 1853, o Diário Novo e o Diário de
Pernambuco. A imprensa é entendida enquanto prática social, como um espaço de debate
público, que ao mesmo tempo condensa e constrói múltiplas redes de poder. As viúvas são
como um filtro de representação para pensar as experiências das mulheres sozinhas na
sociedade recifense oitocentista - estavam inseridas no mundo público, seja nos negócios, na
política ou no mundo do trabalho. Elas conviviam com outras mulheres sozinhas que também
eram chefes de famílias, mas que não carregavam a respeitabilidade do “título” de viúva.
Pretendo analisar como se constitui o protagonismo feminino diante da viuvez e como se
procede a quebra da normatização dos papéis sociais nessas situações. As viúvas anunciavam
nos jornais os próprios ofícios, os próprios negócios (desde escolas de meninas, a livrarias e
lojas de “fasendas”), participavam de leilões, compravam e vendiam mercadorias e
escravizados/as. A condição social de viúva é adquirida de forma não natural. Nesse trabalho
as “viúvas” não serão entendidas como um grupo natural, nem homogêneo dentro da
sociedade pernambucana. Com a morte dos maridos, elas se tornariam tutoras dos bens e dos
filhos, muitas vezes, mantendo não só a unidade doméstica, mas o resguardo dos bens
herdados. Herança essa que podia ser apenas um acúmulo das dívidas adquiridas pelo “seu
casal”, nos termos da época. Em contraponto às mulheres casadas, as viúvas estavam
associadas a um estado de solidão e desamparo. As regras e comportamentos sociais
impostos à elas deviam, na verdade, variar de acordo com a condição social. Os próprios
valores de casamento e organização da família nos meios senhoriais não se estendiam aos
lugares mais pobres, repletos de homens e mulheres com pouca ou nenhuma propriedade.
Antes de se tornarem viúvas, algumas dessas mulheres já trabalhavam. Na tarefa de suprir a
vida material da família, após a morte do marido, elas não estavam sozinhas. Eram amparadas
por comadres, compadres e até parentes próximos, formando relações de solidariedade. Na
tentativa de reivindicar o lugar das mulheres nas narrativas históricas, para colocar as
mulheres como participantes ativas, a pesquisa está inserida no campo da história social,
usando o gênero como categoria de análise histórica. Assim, a intenção é mostrar que as
viúvas estavam presentes no dia a dia da província e, porque não dizer, aquecendo a economia.

Palavras-chave: Viúvas; Jornais; Século XIX; Praieira; Pernambuco.

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O MANIFESTO POLÍTICO DE 1867: ANTÔNIO BORGES DA FONSECA E A ESCRITA DE SI


Carolina Paes Barreto da Silva (PPG HISTÓRIA – UFF)

O paraibano Antônio Borges da Fonseca (1808-1872) foi um redator que desempenhou uma
marcante atividade jornalística no Império brasileiro. Pode-se dizer que o seu itinerário se
entrelaçou com a história da imprensa do Brasil Oitocentista: fundou cerca de 23 jornais em
diferentes províncias – Paraíba, Rio de Janeiro e Pernambuco –, ao longo de 1828 a 1869.Além
de ter atuado intensamente na imprensa, teve participação destacada nas Noites das
Garrafadas, no Sete de Abril de 1831 e na Rebelião Praieira de 1848 e 1849.Durante este último
conflito, escreveu o famoso Manifesto ao Mundo, um documento que pregava a instalação de
uma Assembleia Constituinte, a qual deveria realizar, principalmente, o voto universal, a
República e a nacionalização do comércio a retalho. Borges da Fonseca foi condenado, junto
com oito integrantes da Praieira, à prisão perpétua, como cabeça da rebelião, de acordo com o
art. 110 do Código Criminal. Recebeu anistia em 1852. No final de sua carreira política, em 1867,
escreveu uma autobiografia, intitulada O Manifesto Político: apontamentos de minha vida
política e da vida política do dr. Urbano Sabino Pessoa de Mello. No decorrer deste escrito,
percebe-se que a sua intenção era difundir e cristalizar uma identidade de si. Num empenho
de ter reconhecimento público, buscou mostrar que se projetou como tribuno, revolucionário,
republicano e líder popular. Eram por esses atributos que ele merecia ser lembrado, ao
contrário do seu principal antagonista, o deputado praieiro Urbano Sabino Pessoa de Mello,
que, segundo o redator, de origem conservadora, não defendia a “causa popular”, a dos homens
livres pobres do Recife. De uma maneira geral, os biógrafos do jornalista apoiaram-se em seu
relato autobiográfico, reproduzindo a figura que ele procurou consolidar. Não atentaram-se
para o contexto histórico e o local em que compôs o registro, para quem escreveu e os seus
principais objetivos. Nesse sentido, o presente trabalho propõe analisar a trajetória de Borges
da Fonseca através do Manifesto Político de 1867, estabelecendo os pontos importantes de sua
vida, assim como as suas contradições, incertezas e hesitações. Entende-se que assuas ideias
políticas foram construídas cotidianamente no calor dos acontecimentos e não seguiram uma
coerência e estabilidade como pretendeu demonstrar em seu depoimento. Neste, fez uma
cuidadosa seleção dos eventos políticos: alguns adquiriram maior peso, outros foram
omitidos. Para compreender melhor suas ações e pensamento político, é necessário conhecer
a história da sua vida vinculando-a ao processo de construção do Estado nacional brasileiro.
Borges da Fonseca era um homem ligado ao seu tempo; os seus projetos de Brasil foram
elaborados com base nas suas experiências históricas e nas limitações e possibilidades
inscritas pelas transformações da sociedade no qual estava inserido.

Palavras-chave: Autobiografia; Trajetória política; Imprensa.


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SER ESTRANGEIRO NA PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA NO SÉCULO XIX


Cássila Cavaler Pessoa de Mello (PPG HISTÓRIA CULTURAL – UFSC)

A pesquisa busca compreender porque alguns estrangeiros optavam por tornar-se cidadãos
brasileiros, mediante a naturalização (inciso V do artigo 1˚ da Constituição de 1824) ou
mediante a comprovação de haverem aderido expressamente ou tacitamente à
independência brasileira (inciso IV do artigo 1˚ da Constituição de 1824), enquanto outros
permaneciam na condição de estrangeiros e desejavam continuar sendo tratados como tais.
Além disso, buscamos compreender o processo burocrático de naturalização vigente entre
1832 e 1854, as dificuldades enfrentadas pelos que optavam por este caminho e o problema da
comprovação da nacionalidade. O recorte temporal inicial da pesquisa compreendia todo o
período imperial. Ele foi traçado dentro de um esforço para compreensão da política de
naturalização do Império do Brasil em um momento no qual acreditávamos que a
naturalização era um caminho vantajoso para todos os estrangeiros e o único caminho
possível para a aquisição da cidadania. Entretanto, logo percebemos a importância do inciso
IV do artigo 1˚ da Constituição de 1824 para os portugueses e, aos poucos, as desvantagens
associadas à posse da cidadania brasileira. Deparamo-nos com o problema do recrutamento e
com o esforço dos estrangeiros para comprovarem que não estavam na posse da cidadania
brasileira. O problema da comprovação da nacionalidade, então, ganhou espaço na pesquisa
em detrimento da política de naturalização do Império. Diante dos novos problemas
identificados, decidimos enfatizar o período situado entre 1824 e 1854, tendo como marco
inicial a Constituição e como marco final as mudanças ocorridas na década de 1850 em termos
de legislação sobre a naturalização. Além da redução temporal e da modificação dos temas a
serem abordados, entendemos que houve uma mudança em termos de perspectiva de análise.
A política estatal ficou em segundo plano e o cotidiano dos indivíduos assumiu o maior
espaço, embora sempre tenhamos desejado compreender suas atitudes. Inclusive, foi essa
preocupação que promoveu todas as mudanças analíticas expostas. Entre as principais fontes
analisadas, estão: os ofícios trocados entre os agentes consulares e os presidentes da
província de Santa Catarina, entres estes e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ministério
dos Negócios do Império e os Juízes de Paz; as declarações de naturalização e as cartas de
naturalização. Apesar de termos selecionado majoritariamente a documentação produzida na
Província de Santa Cataria e em especial na sua capital Desterro, entendemos que este
trabalho proporciona uma reflexão sobre o que era ser estrangeiro no Império entre os anos
de 1824 e 1854.

Palavras-chave: Estrangeiros; Cidadania; Naturalização; Império.

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O INQUÉRITO DO ARSENAL
Claudius Gomes de Aragão Viana (PPG HISTÓRIA, POLÍTICA E BENS CULTURAIS –
CPDOC/FGV)
Esta comunicação é a versão preliminar de um estudo mais amplo que se debruça sobre o
inquérito instaurado no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro nos primeiros meses de 1863.
Esse processo foi anexado ao relatório do Ministro da Guerra, José Mariano de Matos, e
encaminhado à Assembleia Geral Legislativa no início de 1864. Compõe-se da reunião de
quatro documentos: 1) O Aviso de 25 de fevereiro de 1863, nomeando uma comissão de
inquérito para apurar as denúncias publicadas no periódico Diário do Rio de Janeiro, de 23 de
fevereiro de 1863; 2) o ofício do presidente da comissão de inquérito, de 9 de junho de 1863,
contendo o relatório final da comissão; 3) a carta anônima do denunciante L., listando outras
suspeitas; e 4) a resposta do diretor José de Vitória Soares Andréa, datada de 10 de setembro
de 1863, ao relatório da comissão de inquérito. O fato do processo ter sido julgado de interesse
da Assembleia Legislativa já é em si extraordinário no contexto da longa série de relatórios
produzidos pelo Ministério da Guerra entre os séculos XIX e XX, visto que um procedimento
administrativo interno usualmente não deveria ter atingido tal nível da burocracia estatal;
mas, além disso, as circunstâncias possuem outros elementos consideráveis. A começar pelas
peças, um conjunto que dá voz a diversos personagens, que atacando adversários ou
defendendo suas próprias posições, se manifestam não apenas como testemunhas de fatos,
mas sobre a vida, o caráter e a maneira de ser uns dos outros. A partir daí se constitui –
parafraseio Foucault – mais do que uma obra ou um texto, mas uma luta singular, um
confronto, uma relação de poder, uma batalha de discursos e através de discursos, e se
desenrolam diversos combates simultâneos, entrecruzando-se: dos encarregados do inquérito
com o acusado, que lhes sabotava cada passo; entre eles próprios, ao final do processo; das
testemunhas de acusação e de defesa; dos anônimos que acrescentam denúncias.
Confrontando discursos, emitidos cada qual em nome da preservação de interesses
individuais, os documentos do inquérito retratam um momento onde a necessidade de
preservação do status quo supera e afronta as regras e efeitos de outros acordos pragmáticos,
tácitos ou explícitos. E, analisado por esse prisma, revela com certa clareza como uma força
externa pode desestabilizar um mecanismo institucionalizado de pequenos segredos, tramas,
acordos e disputas.

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"ELLA SENDO FEIOSA, TORNOU-SE BELLA": O PADRÃO DE BELEZA FEMININA A PARTIR


DA IMPRENSA PERIÓDICA OITOCENTISTA.
Cristiane Ribeiro (PPG HISTÓRIA - UFJF)

A expansão da imprensa periódica no cotidiano do Rio de Janeiro oitocentista, contribuiu


significativamente para a formação de uma sociedade leitora no qual as mulheres começam
a estar presentes, principalmente a partir da década de 1850, um período marcado por grandes
mudanças no meio urbano, social, cultural e intelectual, além de ser o marco percussor de uma
imprensa estritamente feminina, feita por e para mulheres. Além dessa imprensa, muitas
mulheres também vinham publicando em jornais redigidos por homens e com maior
circulação em forma de romances, artigos, crônicas, poesias, correspondências, etc.,
utilizando-se muitas vezes do anonimato. Nesse sentido, a imprensa aparece para nós como
um local de dualidades, principalmente pós 1850: por um lado contribuiu significativamente
para propagar os interesses e ideias ligados a emancipação da mulher, em contrapartida a
isso, também manteve e reforçou os estereótipos femininos, ditando os papéis de gêneros
restritos ao privado e historicamente e hierarquicamente construídos numa sociedade em que
a desigualdade de gênero permeava as relações. O presente trabalho, objetiva trabalhar a
imprensa periódica oitocentista voltada para a desconstrução da normatividade do "ser
mulher" no contexto em análise, ou seja, mulheres mães, esposas, reclusas ao lar e sem
participação em assuntos públicos, principalmente nos apontamentos formulados sobre
beleza feminina. Para isso, partimos de algumas publicações datadas no ano de 1851, feitas na
sessão de correspondências do periódico A Marmota na Corte, por uma mulher sob o
pseudônimo A Feiosa, que se incomodou com a escrita do jornal voltada para ditar
comportamentos e padrões que as mulheres deveriam se encaixar para serem consideradas
belas, buscando uma afeição permanentemente. Buscaremos a partir de sua escrita, inseri-la
enquanto mulher letrada que "ousou" questionar, enviando seus escritos para um jornal de
grande circulação em um contexto em que eram excluídas de qualquer participação em
âmbito público, buscando suas particularidades de inserção na imprensa oitocentista. A partir
dos escritos de tal mulher, buscaremos trabalhar na perspectiva do gênero e da história social
das mulheres, inserindo nossa pesquisa nesse novo campo temático que tem sido
fundamental para questionar a produção do conhecimento científico, colocando as mulheres
enquanto sujeitos e objetos de estudo.

Palavras-chave: Imprensa; beleza feminina; História das Mulheres.

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A FAZENDA IMPERIAL: O MINISTÉRIO NOGUEIRA DA GAMA E AS POLÍTICAS FISCAIS NO


BRASIL NO PRIMEIRO REINADO
Daiane de Souza Alves (PPG HISTÓRIA – UFOP)

A criação do cargo e do próprio Ministério da Fazenda e da constituição de uma política fiscal


no Brasil em 1822 é o objeto de nossa apresentação. Para isso, acompanhamos a trajetória
política de Manuel Jacinto Nogueira da Gama enquanto Ministro da Fazenda. Nogueira da
Gama, formado por Coimbra, incluindo portando, parte da elite letrada do Império Português
exerceu cargos importantes como escrivão do Erário Régio em 1808, membro Conselheiro de
Capa e Espada do Conselho de Fazenda e também como um dos membros da Comissão
nomeada pelo Regente Pedro de Alcântara em maio de 1822, que seria responsável pelo
parecer acerca da situação do Tesouro Público. Nos atentamos à implementação de políticas
fiscais de integração nacional com o intuito de analisar como os responsáveis pelas finanças
se articulam no âmbito político e pensam uma organização fazendária para o Brasil.
Entendemos que a importância do estudo das administrações fazendárias não se trata da
aplicação delas em si, mas em que medida sua implementação foram ou não exitosas no
contexto de independência e que condições foram proporcionadas por esse desenlace.
Destarte, convém analisar o processo de formação do estado a partir das inúmeras relações
sociais e políticas que se estabelecem no processo de negociação que decorre para a formação
de um governo e consequentemente sua política. O processo de formação estatal não é linear
e por isso é passível de retrocessos e variações, nessas condições estudar o Ministério da
Fazenda enquanto instituição, nos mostra a profunda interação social que subjaz ao processo
de formação dos Estados na América. O objetivo de nossa apresentação é, sobretudo, rastrear
as mudanças no seio dessas instituições, demonstrando a partir do ministério Nogueira da
Gama (1823) o que de fato se produziu na tentativa centralizadora proposta pelo Imperador e
se esse projeto desencadeou reformas no âmbito da organização das finanças. Pretendemos,
portanto, a partir das discussões teóricas acerca da fiscalidade e formação do Estado Nacional,
rastrear as rupturas e continuidades na tentativa de uma organização fazendária no Brasil
entre 1822-1823. Entretanto, não pretendemos realizar um estudo biográfico acerca desse
personagem, mas pensar os agentes políticos dentro de seu contexto, como trajetórias
inseridas em processos e conjunturas políticas de imensa instabilidade, nas quais foi
necessário se formular projetos de país para o Brasil, e principalmente de linguagens político-
econômicas para essa geração.

Palavras-chave: Fazenda; Fiscalidade; Primeiro Reinado; Manuel Jacinto Nogueira da Gama.

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COMO SE FAZ UMA REVOLUÇÃO? BREVE ANÁLISE DE PRÉDICAS DE ANTÔNIO


CONSELHEIRO SOB A ÓTICA DOS ESTUDOS CULTURAIS
Daniela Barbosa de Oliveira (PPG ESTUDOS LITERÁRIOS – UFJF)

Antônio Conselheiro, líder da revolta de Canudos ocorrida no último quartel do século XIX na
Bahia, deixou um conjunto de manuscritos, nos quais registrava para além de sua
interpretação dos escritos bíblicos a transcrição de suas pregações. O presente trabalho
procurou à luz dos Estudos Culturais, sobretudo as contribuições de Raymond Williams no que
concerne ao Materialismo Cultural, promover uma leitura crítica dos manuscritos
conselheiristas, identificando características de um discurso coerente e politizado, ao
contrário do que seus contemporâneos afirmaram, e que conferiu caráter transgressor e
revolucionário à comunidade religiosa sertaneja. Recuperar as vozes de atores historicamente
subjugados pelo peso de uma narrativa tradicional, geralmente vinculada a legitimação do
discurso hegemônico, como aconteceu em Canudos, é uma das tarefas assumidas pelo que
convencionamos chamar de Estudos Culturais. Mais do que uma teoria interpretativa, trata-
se de um lugar de reflexão, no qual a diferença, a heterogeneidade e a atenção aos variados
sujeitos históricos ganham acentuado destaque. Assim, analisar a fala de Antônio
Conselheiro, outrora silenciado pelas narrativas que se erigiram a seu respeito, insere-se na
perspectiva desta renovação proposta, bem como contribui para uma compreensão mais
abrangente daquele que, ainda hoje, é considerado o maior conflito interno da história
brasileira e que, por muito tempo, foi reduzido ao massacre do exército sobre um grupo de
fanáticos religiosos. Ao contrário do que se poderia supor, as prédicas de Antônio Vicente
Mendes Maciel, o Conselheiro, revelam um homem letrado, lúcido de seu papel social,
conhecedor profundo da rotina católica e crítico articulado das questões políticas que o
circundavam. Além disso, o próprio papel da comunidade de Canudos passa a ser objeto de
reflexão, uma vez que logrou desestabilizar o sistema religioso e político, sem deixar de
dialogar com ele, demonstrando uma notável capacidade de negociação cultural, muito
próxima do que foi proposto pelas correntes interpretativas características da segunda
metade do século XX. Acredita-se, deste modo, que a recuperação e leitura destes escritos sob
uma ótica diversa, mais focada em seu papel cultural, pode devolver ao beato Conselheiro a
força que, muito antes, seus milhares de seguidores em Canudos já havia consagrado.
Palavras-chave: Antônio Conselheiro; manuscritos; Estudos Culturais.

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“O BEM QUE DESEMPENHOU NO CARGO PARA QUE FOI ELEITO”: A ELEIÇÃO DE JUÍZES DE
PAZ NO CONTEXTO DA CABANAGEM.
Danielle Figuerêdo Moura (PPG HISTÓRIA SOCIAL DA AMAZÔNIA – UFPA; Professora da
Escola de Aplicação da UFPA)

As décadas iniciais dos oitocentos foram repletas de debates e agitações políticas e sociais no
Império brasileiro. É neste contexto da formação do Estado que se insere a explosão da
Cabanagem (1835-1840) e o combate à mesma. O estudo da historiografia, mas sobretudo a
pesquisa nas correspondências trocadas entre as autoridades municipais e provinciais indica
que nesses conflitos no Grão-Pará a participação dos juízes de paz foi direta. Sacerdotes,
militares, bacharéis, deputados e proprietários em Belém ou espalhados por mais de cinquenta
freguesias, assumiram a magistratura de paz na década de 1830, atuando como mediadores
entre várias parcelas da sociedade paraense. Não seria demais considerar que a sua atuação
(bem como a própria existência do cargo) foi um dos elementos fundamentais para a explosão
da Cabanagem e que muitos estiveram ligados aos cabanos. Por outro lado, os juízes eleitos
participaram do combate aos “rebeldes”, elaborando sumários, remetendo presos para Belém
ou informando ao presidente de província sobre os revezes da guerra e o estado em que se
encontrava sua localidade. Em meio a tudo isso, conflitos de jurisdição e de sobreposição de
poderes envolviam juízes de paz, juízes de direito, militares e o próprio presidente. Um tema
que ganha destaque nas correspondências trocadas entre autoridades durante o movimento
cabano é a imagem construída pelos representantes da ordem imperial referente aos
magistrados eleitos e a vinculação dos mesmos aos problemas do Grão-Pará: eram sujeitos
ignorantes, movidos pelo interesse próprio em prejuízo do coletivo e que estariam associados
aos cabanos. Assim, o combate aos cabanos e a retomada da província, perpetrado pelo
Presidente Francisco José de Souza Soares de Andréa, significava, na sua perspectiva, não
apenas o controle da população, do mundo natural e a derrota dos “rebeldes”, mas também
garantir que as autoridades locais, como os magistrados eleitos, lhe coadjuvassem nesta
empreitada. Foi neste sentido que, dentre as medidas adotadas por Soares d’Andréa logo após
sua chegada em Belém no ano de 1836, estava a ordem de proceder nova eleição para juízes
de paz e, na sequência, a interferência direta do presidente no resultado, escolhendo a quem
caberia assumir a vara. Considerando que a eleição de juízes de paz era um elemento
fundamental de mobilização e politização, a realização deste pleito nos dias conturbados da
Cabanagem e as interferências que o mesmo sofreu, informam muito sobre a política local e
sobre os revezes do movimento cabano. Portanto, este trabalho, que se encontra em
desenvolvimento, propõe a análise das eleições de juízes de paz no ano de 1836 como
elemento importante para a compreensão da magistratura de paz no Pará no contexto da
Cabanagem.

Palavras-chave: Juiz de Paz; Cabanagem; Amazônia.

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A TRAJETÓRIA DE D. DOMINGOS ANTÔNIO DE SOUSA COUTINHO: VIDA, DIPLOMACIA E
SOCIABILIDADE (1762-1833)
Débora Cristina Alexandre Bastos e Monteiro de Carvalho (PPG HISTÓRIA - UFJF)

D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho foi um diplomata português, nascido em um distrito


de Vila Real, Portugal, na segunda metade do século XVIII. A trajetória de sua vida foi marcada
pelo serviço à diplomacia portuguesa e por relações e estratégias políticas tanto nas Cortes
em que foi embaixador quanto na Corte portuguesa. Ao pesquisar sobre sua vida é possível
descortinar algumas tramas por detrás de suas relações sociais e de seus posicionamentos
políticos, e, para isso, são utilizadas no presente texto algumas de suas correspondências,
quadros políticos, alguns de seus opúsculos e artigos em impressos como fontes primárias.
Vindo de uma família pertencente a nobreza portuguesa, teve sua trajetória de vida dedicada
à política e a diplomacia. Sua atuação teve destaque, principalmente, no período de expansão
napoleônica quando a Corte portuguesa foi forçada a rever seu posicionamento neutro em
negociação com a Corte britânica. Durante sua vida, D. Domingos perpassou por alguns
espaços de sociabilidades, inscrevendo-o em um jogo de “forças reticulares”. Pode-se destacar,
dessa forma, pelo menos, três destes espaços: o familiar, o de sua formação na Universidade
de Coimbra e o da diplomacia. No âmbito familiar, D. Domingos esteve inserido em um grupo
de sociabilidades que tinha como objetivo se unir no intuito de se ter colocações e bons
posicionamentos políticos na Corte. Já na Universidade de Coimbra teve contato com José
Anastácio, professor de matemática, quem marcou e influenciou uma geração de estudantes,
entre eles o próprio D. Domingos. Em geral, os alunos se reuniam com o docente para
discutirem os diversos temas políticos da época. Outro espaço que pode ser destacado é o do
período em que D. Domingos esteve na diplomacia. Tal período pode ser dividido entre um
momento de maior atividade política, que se estende até a sua saída da Corte londrina em 1814;
e o de maior isolamento político, após os desfechos que culminaram na assinatura dos
Tratados de Aliança e Comércio de 1810 com a Inglaterra. Quando de sua saída da Corte Inglesa,
D. Domingos havia sido cotado para assumir o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros e
da Guerra, cargo ocupado anteriormente por seu irmão, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o Conde
de Linhares, até a sua morte. D. Domingos, no entanto, justamente devido ao medo de um
isolamento político, não havia aceitado a transferência, tentando contornar a remoção até ser
encaminhado para a embaixada da Santa Sé, em 1816. Visto tais apontamentos, este trabalho
tem como objetivo apresentar de forma concisa a trajetória de D. Domingos Antônio de Sousa
Coutinho levando-se em consideração tais espaços os quais perpassou.

Palavras-chave: D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho; diplomacia; sociabilidade.

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RELAÇÕES DE PODER: ESTRATÉGIAS FAMILIARES E INDIVIDUAIS PARA ASCENSÃO


(GUARAPIRANGA - SÉCULO XIX)
Débora Cristina Alves (PPG HISTÓRIA – UFJF)

O presente trabalho tem como intuito analisar as relações de poder que circundavam as
principais famílias da região de Guarapiranga (MG) entre o fim do século XVIII e início do XIX.
Com base em inventários post-mortem, processos matrimoniais e registros paroquiais, a
pesquisa se atém a identificar as diferentes possibilidades empregadas pelos indivíduos e
suas famílias no objetivo central de se destacarem e se inserirem no rol dos eminentes grupos
da região. Diferentes famílias que ao longo de anos constituíram um cabedal de estratégias
com propósito eminente de estruturar os indivíduos em teias de ligações que lhes pudessem
assegurar benefícios econômicos, sociais e políticos por intermédio de matrimônios
promissores, alianças familiares e redes de poder. Projetos estes que se iniciam em um
contexto marcadamente hierarquizado e excludente de uma sociedade pautada nos preceitos
de Antigo Regime e que se estendem para além do período, com indivíduos, ainda no século
XIX, empregando mecanismos sociais e de poder para manterem-se entre os principais.
Alianças familiares, mediante casamentos, se desvelava como estratégia fundamental entre
os grupos, como ser revela o enlace entre Joaquim Coelho Oliveira Duarte – capitão-mor e
licenciado - e Maria Hermelinda Duarte Purificação. Filhos de duas famílias relevantes e
estáveis da região – os Freitas Guimarães com os Pinta de Oliveira –, o casamento significou
aos nubentes e aos familiares possibilidades distintas de obter recursos desde financeiros a
sociais para todos. Embora Joaquim não se destaque entre a parentela como um dos mais
afortunados – seu montante de bens em 1833 soma o valor reduzido de 5:468$732 réis e 09 de
escravos –, Joaquim continua a privilegiar relações de poder que contribuíssem para a
manutenção de seu cargo de capitão-mor e licenciado. Entre estas possíveis redes de poder,
Joaquim apresenta-se como inventariante e testamenteiro de indivíduos eminentes da
região, como Antônio Gomes Sande e Antônio Carvalho da Mota. O capitão, já no século XIX,
continua a se esforçar, como a parentela anterior, a manter a distinção, poder e prestígio que
sua família tivera nas Minas e no reino no século precedente. Seus vínculos foram
estruturados de forma a preservar a hegemonia social e política que seus familiares sempre
desfrutaram, ainda que seus bens não fossem proeminentes. Neste sentido, é possível
identificar ao longo das gerações familiares conjunturas sociais similares à de Joaquim e sua
parentela na região, de indivíduos e famílias que procuraram manter o poder, prestígio,
influência e riqueza ao longo do século XVIII e XIX. Sendo assim, o trabalho procura identificar
por intermédio das relações estabelecidas por essas famílias e indivíduos as estratégias que
os mesmos empregaram no intuito de manter e ampliar o poder social, político e econômico
adquirido anteriormente e que se perpetua ao longo do XIX.

Palavras-chave: Relações de poder; estratégias familiares; alianças sociais.

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MULHERES CHEFES DE DOMÍCILIO NO DISTRITO DA VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SÁ


(1797)
Dermeval Marins de Freitas (PPG HISTÓRIA – UFF)

Pretendemos nesta comunicação analisar o perfil das mulheres chefes de domicílio, no


recôncavo da Guanabara, especificamente, as freguesias que compunham o distrito da Vila de
Santo Antônio de Sá, a partir do mapa populacional da região do ano de 1797. Poucos são os
estudos sobre as mulheres sob chefia de fogos para o Rio de Janeiro do século XVIII, ainda
mais para as suas freguesias rurais, deste modo pretendemos contribuir com estes estudos,
considerando a importância do papel destas mulheres. Partiremos do exame dos aspectos
demográficos deste distrito caracterizando deste modo sua estrutura populacional, tanto da
população livre quanto escrava. Em seguida analisaremos as ocupações destas chefes de
domicílio, sua produção e a estrutura da posse de escravos.

Palavras-chave: Gênero; família; domicílio; demografia histórica.

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UMA REAVALIAÇÃO DA HISTÓRIA DO MOVIMENTO REPUBLICANO NO IMPÉRIO DO


BRASIL ATRAVÉS DE SUAS INSPIRAÇÕES FRANCESAS (1869-1889)
Dievani Lopes Vital (PPG HISTÓRIA - UFJF)

Constitui objetivo geral da pesquisa de Doutorado apresentada investigar as inspirações


francesas que orientaram a propaganda da parcela republicana do movimento político-
intelectual de contestação às estruturas do Império, em seu contexto de emergência, no Brasil
das décadas de 1870-1880. Em outras palavras, busca-se investigar o significado da França
republicana de 1792, 1848 e, principalmente, a de 1870 para o incremento da propaganda do
movimento republicano no país, através das práticas discursivas dos seus agentes mais
destacados, empregando para isso jornais, discursos em conferências, obras bibliográficas.
Entre os nomes dos agentes selecionados estão: Saldanha Marinho, Quintino Bocaiúva,
Aristides Lobo, Lauro Sodré, Assis Brasil, Júlio de Castilhos, Lopes Trovão e Silva Jardim. O
testemunho e as obras de outros nomes que não participaram do movimento também
constituem o objeto de análise, quais sejam: Tavares Bastos, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco,
Tobias Barreto. Nossa hipótese primária parte da consideração de que à medida em que
aproximaram as comemorações do Centenário da Tomada da Bastilha, no Império do Brasil,
houve o crescimento da opção por uma saída alternativa, que não foi a reformista, por parte
de membros da parcela republicana dos letrados de 1870, a fim de dirimir a “questão do regime”
debatida em amplitude no país. Nessa conjectura, acreditamos que da tradição republicana
francesa veio boa parte do ideal que inspirou os agentes brasileiros na concepção dessa
segunda via. A pesquisa descrita no artigo a ser apresentado vai à contracorrente de trabalhos
historiográficos, sobre o movimento republicano no Brasil, que enfatizam unicamente o
caráter conservador do processo que levou à transição do Império para a República em nossa
história nacional. Percebemos que em muitos trabalhos da historiografia tradicional que trata
do assunto, a proposta evolucionista aparece como aquela já vitoriosa desde o alvor do
movimento. Por meio da análise preliminar de indícios empíricos, procuramos desenvolver
uma argumentação que sustenta que houve sim, no meio republicano daquele momento, o
crescimento da opção por uma saída não convencional, não conciliatória com os poderes
instituídos e, portanto, radical, para pôr fim ao regime da monarquia constitucional dos
Braganças e instaurar a república, no âmbito de uma situação configurada à medida em que
nessas terras avançou a penúltima década do dezenove. De tal modo, admitimos que a escolha
por uma saída não convencional para o impasse político e institucional passou a ser manifesta
na linguagem, no debate e na intenção dos agentes, se necessário fosse recorrer a ela. Para a
viabilização dessa escolha, por parte dos agentes que assim se posicionaram, considera-se
que a herança secular do ideário republicano francês assumira uma conotação referencial,
seja em sua aceitação ou em sua negação.
Palavras-chave: Republicanismo brasileiro; Repúblicas Francesas; Revolução.

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ECONOMIA, POLÍTICA E INSTITUIÇÕES NO PERÍODO JOANINO (1808-1821)


Eder da Silva Ribeiro (Doutor em História - UFF)

O objetivo do presente trabalho consiste em analisar o singular processo de configuração de


um novo arcabouço político-administrativo implantado pelo governo de D. João no Rio de
Janeiro após 1808. Partindo da organização e funcionamento do Conselho da Fazenda, órgão
criado por meio do Alvará de 28 de junho de 1808, pretende-se apreender os mecanismos que
impulsionaram a eficiência de uma administração de cunho centralizada, que tinha na
arrematação dos contratos da região centro-sul da América portuguesa uma das principais
bases para a sistematização e expansão dos interesses políticos e econômicos do Estado. Ao
ampliar a participação do aparelho estatal para a área mais dinâmica do espaço colonial
brasileiro, o governo joanino se mostrou capaz de atenuar a influência dos contratadores no
sistema de arrecadação tributária, o que, por mais contraditório que pareça, não significou um
completo afastamento desses atores dessa lucrativa atividade econômica. Na prática, a
excepcional realidade inaugurada pela chegada da Corte impôs uma readequação dos
interesses dos negociantes ligados ao sistema de contratos, que passaram a ter que lidar com
uma administração muito mais ativa e com uma nova racionalidade de caráter moderada que
acompanhou a constituição da nova sede da monarquia portuguesa nos trópicos.

Palavras-chave: Conselho da Fazenda; contratos; Império luso-brasileiro.

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CONFLITOS DE INTERESSE NO LITORAL DO RIO DE JANEIRO: TRABALHADORES,


COMERCIANTES E POLÍTICOS NO PROCESSO DE CRIAÇÃO DA CAPITANIA DO PORTO DA
CORTE (1845-1869)
Edilson Nunes dos Santos Junior (PPG HISTÓRIA – UFF)

O processo de urbanização das cidades, consubstanciado na expansão e consolidação do


capitalismo ao longo do século XIX, permite-nos propor uma reflexão sobre a necessidade de
racionalização do uso do território litorâneo e os desdobramentos desse processo sobre a
população mais pobre. Este artigo pretende analisar a criação e o estabelecimento da
Capitania do Porto da Corte a partir da comparação entre dois pontos de percepções distintos:
dos Capitães do Porto e da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha através dos seus
relatórios e dos trabalhadores e proprietários de embarcações do Rio de Janeiro pelas petições
dirigidas à repartição da Marinha. O período recortado é de 1845 a 1869, ano de criação das
primeiras Capitanias dos Portos e da última petição utilizada. Diferentemente de outras
repartições militares, como o Arsenal e suas oficinas ou como a própria Armada Imperial, a
Capitania do Porto da Corte era composta por funcionários militares e civis, organizada por
políticos de carreira (mesmo que tivessem passagem pela carreira militar) e tinha sob sua
responsabilidade o setor civil da navegação da região portuária: o tráfego do porto, o de
cabotagem e o de longo curso; além de ser responsável pela segurança e polícia do porto. A
repartição encerrava em si e lidava com dinâmicas de comportamento distintas e conflitivas
que precisam ser consideradas na análise da sua atuação de modo a desnaturalizar os
discursos dominantes. A hipótese aventada tem como ponto de partida o seu papel como
mediadora dos conflitos de interesses no setor de navegação e a agência de diferentes atores
sociais ligados direta ou indiretamente à repartição. Os interessados diretos como os
remadores, barqueiros e marinheiros, bem como grande e pequenos proprietários de
embarcações nas praias da cidade tiveram na repartição outro local de resolução de
demandas, o que a colocou em atrito direto e constante com as atribuições da Câmara
Municipal como agente reguladora e fiscalizadora do litoral da Corte. Nesse sentido, pretende-
se dialogar a História Social do Trabalho com a História Política de modo a investigar a
concorrência de poderes dentro da própria repartição, entre os diferentes escalões políticos e
administrativos do Império - incluindo sua relação com a Câmara Municipal – e, assim,
analisar os seus desdobramentos para a atuação dos trabalhadores da cidade que tinham na
região portuária o seu espaço de trabalho e/ou de negócios. Esse processo se deu de forma
inter-relacionada, interdependente e multidimensional, uma vez que as influências são
verticais e horizontais; as tomadas de decisão e as agências diversas interferem em diferentes
atores sociais; e ocorrem em dimensões várias. A Capitania do Porto é o estudo de caso que
conduz essa investigação e permite demonstrar a complexidade de influências presentes no
litoral da cidade e os atores sociais e políticos que agiram no processo de estabelecimento da
repartição e como isso afetou as relações sociais e políticas da região.

Palavras-chave: Capitania do Porto da Corte; Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha;


Remadores e barqueiros.

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CAMPANHA DA PRINCESA: ESTRATÉGIAS DE AFIRMAÇÃO POLÍTICA SOB O TERRITÓRIO


COLONIAL NO SUL DAS MINAS GERAIS
Edna Mara Ferreira da Silva (PPG HISTÓRIA - UFRJ)

A presente proposta de trabalho tem como finalidade estabelecer, uma reflexão sobre os
conflitos e estratégias envolvendo a demarcação dos limites entre as capitanias de São Paulo
e Minas Gerais (Brasil), no período entre os anos de 1790 a 1820. O estabelecimento de limites
tanto internos quanto externos e a expansão territorial em fins do século XVIII e início do
século XIX na América portuguesa seguiu ritmos diferentes, e Minas Gerais como região
estratégica do império se inseria nesses movimentos territoriais. A ocupação do sul de Minas,
assim como em outras regiões da capitania onde o ouro não foi encontrado, ou rapidamente
se escasseou, se deu de forma mais lenta do que a percebida nas áreas de mineração. A
fronteira sul da capitania era aberta ao trânsito dos paulistas e era habitualmente chamada de
“sertões” da comarca do Rio das Mortes. A região de Campanha do Rio Verde foi descoberta
pelos paulistas por volta de 1720, tendo pouca divulgação até 1737, quando em 02 de outubro,
uma expedição militar sob o comando do ouvidor da comarca do Rio das Mortes, Cipriano José
da Rocha, toma posse do território em nome do rei. No entanto, a ocupação das áreas de
fronteira na capitania de Minas Gerais nunca foi consensual entre as autoridades tanto
metropolitanas quanto coloniais. O arraial de Campanha do Rio Verde era área de fronteira e
de disputa entre as autoridades de São Paulo e Minas Gerais. As ações e conflitos entre as
autoridades coloniais e os moradores do arraial demonstram as estratégias para consolidação
da posse desse território. Dessa forma o estabelecimento da vila de Campanha configurou-se
como recurso de organização administrativa, mas também serviu como elemento poderoso
de reafirmação da soberania portuguesa, endossado pelo Senado da Câmara da vila que passa
a destinar um terço de seus rendimentos a um donativo a herdeira do trono português. A essa
doação segue um curioso ato, o da posse do senhorio da vila à princesa do Brasil. A posse do
senhorio da vila de Campanha em 1806, fez com os oficiais da Câmara de São João del Rei se
manifestassem preocupados com o significado do senhorio e do alcance de novas atribuições
abertas para a vila de Campanha. Essa comunicação se propõe a investigar essas ações da
Câmara de Campanha, o auto de posse do senhorio da vila e doação da terça parte do
rendimento de seus bens para a Princesa do Brasil. Política, administração e justiça aparecem
amalgamadas nas diversas disputas entre a vila da Campanha e a cabeça de comarca, São
João del Rei, mas ao mesmo tempo frente a capitania de São Paulo, representando dessa
forma, os interesses próprios da vila mas que se configuram como interesses também
mineiros numa perspectiva mais ampla. Em face as transformações geopolíticas e rearranjos
econômicos que atingem o Brasil no início do século XIX, buscamos o sentido dessa
reminiscência senhorial e seu contexto para a vila da Campanha da Princesa.

Palavras-chave: História; Política; Território; Minas Gerais.

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DE OLHOS ATENTOS AO ANDAMENTO DA JUSTIÇA NA PROVÍNCIA: A ATUAÇÃO DOS


JUÍZES NA PAUTA DE DISCUSSÕES DO CONSELHO DE GOVERNO (1827-1834).
Eduardo da Silva Júnior (PPG HISTÓRIA - UFJF)

Diante da separação do Brasil do restante do Império Português, lançou-se como desafio a


tarefa de forjar uma nação, dotada de nexo, da colcha de retalhos que, até então, constituía a
América portuguesa. Incorporando novos vocabulários advindos do processo revolucionário
francês, mas também mantendo vivos dispositivos e leis herdados do período colonial, e por
isso, dotados de uma arquitetura que remetia ao Antigo Regime, a transição de um império a
outro foi permeada de continuidades, rupturas e ressignificações. Criado pela lei de 20 de
outubro de 1823, o Conselho de Governo, instituição de caráter político-administrativo,
elaborado para auxiliar na administração das províncias, deveria estar presente em cada
província do Império. Logo, esse se transformou em um dos principais mecanismos pelo qual
as elites provinciais influíram na direção que tomaria sua província e o Estado em construção.
Dentre as atribuições concentradas nessa instituição estava a capacidade de solucionar
conflitos de jurisdição e suspender magistrados sem a necessidade de consultar o poder
central. Sendo a última, adquirida pela lei de 6 de junho de 1831, que permitia ao Presidente da
província em Conselho suspender juízes de paz; e ampliada pelo artigo 17 da lei de 14 de junho
de 1831, onde a atribuição de suspensão desempenhada pelo Presidente da província em
Conselho passa a ser válida sobre os juízes letrados. Tais poderes possibilitaram ao governo
provincial executar uma sistemática interferência na esfera judicial, em um momento, onde
a busca por equilíbrio entre os poderes era assunto central nas discussões políticas. O presente
artigo, pretende concentrar sua atenção sobre a província de Minas Gerais, analisando as
recorrentes queixas, advindas das localidades, contra as condutas dos juízes, para serem
discutidas e solucionadas pelo Presidente da província em Conselho. Daremos maior ênfase
naquelas que apontam para uma intervenção do governo provincial na atuação dos juízes de
paz, cargo tido para historiografia como completamente distante da capacidade reguladora do
governo central e provincial. Tal investimento, busca apontar caminhos que nos possibilitem
compreender os fundamentos que alicerçaram as intervenções do Presidente da província em
Conselho no judiciário. Bem como, obter um melhor entendimento dos poderes do Presidente
da província e de seu Conselho de Governo. Pretende-se também, apontar novos caminhos
interpretativos para se compreender a figura do juiz de paz, distanciando-se da forma como a
historiografia tratou durante muito tempo o cargo de juiz de paz.

Palavras-chave: Conselho de Governo; Judiciário; Juízes de Paz.

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LAURENTINO INOCÊNCIO DOS SANTOS, UM CURANDEIRO DO OITOCENTOS: REFERÊNCIAS


E POSSIBILIDADES NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
Eduardo Possidonio (PPG HISTÓRIA – UFRRJ)

O trabalho analisa a biografia de Laurentino Inocêncio dos Santos, afamado curandeiro da


freguesia da Glória ao longo da segunda metade do século XIX, e os desdobramentos que sua
atividade proporcionaram aos seus familiares e frequentadores. Partindo, portanto, de um
estudo de caso, para a compreensão do universo sagrado do Oitocentos, que em sua grande
maioria passavam por práticas fetichistas, e principalmente crioulizadas culturalmente ainda
em regiões africanas. A vasta clientela que por anos frequentou o mesmo endereço na Ladeira
dos Guararapes não hesitava em pagar vultuosas quantias pelas consultas, receituários e para
presenciar cerimônias religiosas presididas pelo curandeiro. Muito do que se praticava dentro
dessa e de outras referidas casas do período, estavam marcadas pela mescla biológica e
cultural ocorrida em solo centro-africano ao longo do Setecentos e Oitocentos, em várias
esferas, mas principalmente no campo do sagrado. Com o referido ofício, Laurentino
encontrou mobilidade social para si e seus familiares egressos do cativeiro, constituindo ao
longo de sua vida um interessante patrimônio para o período. O trabalho analisa sua rede de
relacionamentos que o habilitava a aquisição de empréstimos, acesso as instituições da
municipalidade, bem como a resolução de conflitos que por vezes chegavam a esfera da
justiça. A trajetória do curandeiro da Ladeira dos Guararapes ocorre em turbulento contexto
político do Império, onde eram intensos os debates emancipacionistas no pós 1870, somando-
se aos acentuados embates da chamada medicina oficial, que em diversos momentos se via
preteria em detrimento dos curandeiros na escolha de seus pacientes. A mesma casa sofreu
os desdobramentos desse contexto, com a chegada da República e a aplicação de medidas
menos tolerantes com as atividades que envolviam a crença e a cura. O Código Penal de 1890
tipificava a partir de então o crime de curandeirismo e o baixo espiritismo. A reconstrução dos
espaços e das possibilidades na esfera do sagrado possíveis a Laurentino, seus seguidores, e
aos espaços semelhantes do contexto, conhecidos como casas de zungús, ou pejorativamente
chamadas de casas de dar fortuna, servem de fundo para a compreensão da influência sagrada
introduzida na corte pelo grande aporte de escravizados oriundos das regiões da África
Centro-Ocidental, também conhecidos por seu tronco linguístico banto. Mesmo a casa de
Laurentino Inocêncio dos Santos ser analisada a partir de 1870, contexto em que já havia
cessado o tráfico ilegal de africanos, destacamos a bagagem cultural centro-africana que
impactou a cidade do Rio de Janeiro no final do século XVIII e ao longo de toda primeira
metade do século XIX ainda eram fortemente sentidas dentro dos espaços litúrgicos
semelhantes aos da Ladeira dos Guararapes, na freguesia da Glória. Para tal reconstrução
biográfica do curandeiro Laurentino e seus pares, foram utilizados jornais e periódicos que
circulavam na corte ao longo do século XIX, tais como Jornal do Commercio, Diário de
Notícias, Gazeta de Notícias, O Paiz, Jornal da Tarde, A Nação, que se dispunham a denunciar
as casas religiosas de matriz africana e, por vezes cobriam as ações policiais contra essas
casas, descrevendo o que encontravam nesses momentos, e em várias situações, apresentam
práticas ritualísticas. As informações contidas nos mesmos jornais foram cruzadas com os
dados fornecidos pelos Livros de Matrícula da Casa de Detenção da Corte, que traziam
informações como endereço, ofício, características físicas, roupas que usavam no momento
da prisão, a procedência do preso, em caso de ser africano, entre outras. As informações
colhidas dessas primeiras bases, foram cruzadas com os vestígios deixados por outras
lideranças religiosas do mesmo contexto, que acabaram processadas pela justiça imperial por
estelionato e posteriormente pela republicana acusados de curandeirismo e baixo espiritismo.
Na reconstrução dos primeiros passos de Laurentino na Corte e as várias possibilidades de
contato no campo do sagrado oferecidos pela cidade, foram cruzadas as diversas impressões
de viajantes que desembarcaram no pós chegada da família real ao Brasil e não se furtavam
em relatar o cotidiano religioso que envolvia o universo dos moradores de então.

Palavras-chave: centro-africanos; casas de dar fortuna; religiosidade; mesclas culturais e


biológicas.

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OS DESAFIOS PÚBLICO-RELIGIOSOS ENFRENTADOS PELO CONSELHO DE ESTADO (1842-


1870)
Eliene da silva Nogueira (PPG HISTÓRIA - UFJF)

A presente comunicação tem o objetivo de compreender a relações entre Igreja e Estado no


Brasil do II Reinado, tomando por base os debates do Conselho de Estado. O Conselho atuou ao
lado de D. Pedro II como uma das mais sólidas instituições do Império. Seu papel de árbitro e
de órgão de interpretação da lei fez com que a ele fossem direcionadas consultas de caráter
diverso que não encontravam solução na legislação vigente, dentre as quais se encontravam
aquelas que envolviam os assuntos eclesiásticos. Dessa forma, se desenvolveu ao logo da
pesquisa três categorias a fim de facilitar a compreensão do trabalho desempenhado pelo
Conselho de Estado. Tais categorias expressam a natureza das consultas, assim, são
denominadas de: questões gerais (civis), administrativas e institucionais. As consultas
classificadas como questões civis englobam as temáticas: dos casamentos mistos, as
comunidades evangélicas, os registros de pastores, os divórcios dos acatólicos e os
enterramentos. Essas temáticas dizem respeito aos membros da sociedade que não
professavam o catolicismo, ou seja, os protestantes. O aumento dessa parcela da população,
principalmente na segunda metade do século XIX, gerou a necessidade de serem debatidos
pelos governantes leis que garantissem certos direitos sociais a esses indivíduos. Levando-se
em consideração que muitas atividades da sociedade eram geridas até então pela Igreja, como,
os casamentos, registros de nascimentos e óbitos, a educação, etc. Pode-se dizer que esses
casos contribuíram para as discussões sobre a elaboração do código civil brasileiro, que veio
a ser consolidado apenas no período republicano. Por outro lado, as questões administrativas
correspondem aos casos que envolvem diretamente os membros eclesiásticos como: a
criação de paróquias, o pagamento de côngrua, a colação e provimento dos benefícios
eclesiásticos, contratações dos professores episcopais, as relações metropolitanas,
beneplácito e eleições dos vigários. A maior parte dessas temáticas envolve uma questão
financeira, ou seja, um custeio realizado pelo Estado para os eclesiásticos. Entretanto,
envolvem certos contenciosos entre administração pública e religiosa, assim como, a relação
entre o direito canônico e o direito público eclesiástico. Por fim, as questões denominadas
institucionais representam as ordens religiosas, confrarias, irmandades, associações e seus
respectivos compromissos, bens, dívidas e empréstimos. Separou-se essa das questões
administrativas, pelo fato de não envolverem apenas eclesiásticos, mas as normas e os
membros dessas instituições como um todo. Assim, buscar-se-á demonstrar alguns destes
casos a fim de corroborar com a necessidade de intervenção do Conselho de Estado, suprindo
as brechas que eram encontradas nas leis. Além disso, como os conselheiros resolveram essas
questões sociais e religiosas que eram impostas pelos novos desafios da sociedade moderna.
Desse modo, o que se propõe é uma análise dessas questões religiosas do ponto de vista do
Estado imperial, por meio dos debates que elas geraram no Conselho, ao longo do segundo
reinado e suas implicações no processo de construção do Estado Imperial.

Palavras-chave: Conselho de Estado; Brasil império; questões políticas-religiosas.

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O AR FRANCÊS PELA CORTE: PERCEPÇÕES CULTURAIS NA IMPRENSA FEMININA AO


LONGO DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX.
Everton Vieira Barbosa (PPG HISTÓRIA - UFF)

Antes de iniciar o período conhecido como a Belle Époque no Brasil, o Rio de Janeiro já possuía
elementos da cultura francesa em seu cotidiano. Seja nas vestimentas e nos tecidos, nos
comportamentos e nos gestos, nos objetos e nos adereços, seja pelos imigrantes e pelos
viventes da cidade, nas conversas e no ensino primário, nos gostos e nas escolhas, até metade
do século XIX a cidade do Rio de Janeiro e seus habitantes já “respiravam o ar europeu”, em
especial o francês. É sabido que a cultura francesa torna-se uma referência internacional do
“bom tom” e “bom gosto” desde antes do século XVIII, em especial nas vestimentas e nos
adereços exportados para muitos dos países, inclusive para o Brasil, sendo que “as ideias
‘afrancesadas’ chegam com os alunos que estudavam fora da colônia” (HILSDORF, 2005, p. 325-
326), com os livros clandestinos, com as sociedades letradas, com os professores, e também
pelas ações da corte joanina. Assim, temos ao longo do século XIX o fortalecimento desta
cultura por parte de homens e mulheres, que tomavam a cultura francesa como um modelo, a
fim de se caracterizar como uma pessoa culta e com o gosto refinado. Utilizando a imprensa
feminina como fonte desta pesquisa, buscaremos, em um primeiro momento, identificar os
elementos da França no cotidiano carioca, bem como o uso que se fez desta cultura na cidade
do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX. Partindo desta identificação, será possível
realizarmos uma reflexão acerca das maneiras como esta cultura se descolou da França para
o Brasil, bem como as formas como tais elementos foram assimilados e utilizados e pelos
habitantes da cidade do Rio de Janeiro. Tendo como hipótese que esta cultura fez parte de
uma apropriação seletiva e, portanto, consciente, esperamos que esta reflexão contribua com
uma pesquisa de doutorado, em fase de desenvolvimento, cujo objetivo é compreender as
transferências e mediação da cultura francesa no Rio de Janeiro, por meio da imprensa
feminina. Desenvolvida por Michel Espanhel e Michel Werner (1988; 1999), a ideia de
transferência cultural é compreendida como os “[…]mouvementsd’idées, la circulation des
savoirs et des pratiques entre deux espaces culturels distincts” (COOPER-RICHET, 2013, p. 130),
mediada pelos “representantes da disseminação dos aspectos culturais” (OLIVEIRA, 2015, p.
152). Ao utilizarmos tais conceitos, acreditamos ser possível compreender “les intention de ses
acteurs, les motivations qui les animent” (JOYEUX, 2013, p. 160) neste processo. Assim, não se
propõe perceber tal noção como um mecanismo imitativo, reprodutivo ou teórico, mas sim por
meio de um uso seletivo e consciente, a fim de alcançar objetivos coletivos e particulares no
contexto político e social em que se está inserido, bem como servir como modelo para a
construção da cultura nacional brasileira.

Palavras-chave: Imprensa feminina; Cultura francesa; Transferência cultural; Mediação


cultural.

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A NACIONALIZAÇÃO DA LUTA ANTIESCRAVISTA: O ABOLICIONISTA FERREIRA DE


MENEZES EM JUIZ DE FORA – MINAS GERAIS (1880).
Fábio Augusto Machado Soares de Oliveira (PPG HISTÓRIA – UFJF)

A presente comunicação de pesquisa busca realizar uma reflexão sobre a construção das
redes de ativistas que permearam a nacionalização da luta antiescravista no Brasil
Oitocentista. Com essa intenção, realizaremos uma investigação sobre a viagem de Ferreira
de Menezes à cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, no ano de 1880, visando entender os
possíveis motivos, intenções e as relações estabelecidas pelo redator do principal jornal
abolicionista do Rio de Janeiro, Gazeta da Tarde, com as redações dos jornais existentes e com
as personalidades da localidade mineira. Em um segundo momento, buscaremos entender as
relações estabelecidas ao longo da última década de vigência do trabalho escravo no Brasil
entre os redatores e correspondentes dos periódicos Pharol, Echo do Povo e Gazeta de Juiz de
Fora com a redação do jornal fluminense. Por último, faremos uma caracterização do cenário
escravagista juiz-forano através das páginas do jornal Gazeta da Tarde. A principal fonte dessa
pesquisa será o jornal Gazeta da Tarde, tendo como proprietário e principal redator o jornalista
e ativista antiescravista Ferreira de Menezes referido acima. Após sua morte, em 1881, a
tipografia do periódico foi comprada pelo também jornalista e ativista antiescravista José do
Patrocínio. A viagem de Ferreira de Menezes foi noticiada nas páginas do jornal Gazeta da
Tarde em novembro de 1880, julgamos ser esse momento singular para a compreensão das
conexões construídas entre os ativistas de diferentes localidades e para a elucidação da
variabilidade dos repertórios adotados na luta contra a escravidão no Império Brasileiro. Essa
passagem do jornalista pela localidade é uma lacuna na historiografia sobre a cidade de Juiz
de Fora e também nos trabalhos que se debruçam sob a luta antiescravista no Brasil
Oitocentista. As outras fontes utilizadas nessa pesquisa serão os periódicos locais referidos
anteriormente. Nas redações desses periódicos juiz-foranos atuaram como redatores e/ou
correspondentes Sizenando Nabuco, Joaquim Campos Porto e João Severiano da Fonseca
Hermes. Todos estes declaradamente pela imprensa periódica do período como pessoas de
opiniões contrárias à existência da mão de obra escrava nas lavouras e cidades do Brasil
Oitocentista. Desta forma, através dos rastros deixados por esses indivíduos atuantes no
cenário sócio-política de Juiz de Fora no Gazeta da Tarde, buscaremos refletir sobre a
nacionalização da luta antiescravista no Brasil oitocentista.

Palavras-chave: Ferreira de Menezes; Juiz de Fora; Antiescravismo; abolicionismo.

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LAÇOS FAMILIARES, ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO ESPÍRITO SANTO OITOCENTISTA


Geisa Lourenço Ribeiro (PPG HISTÓRIA - UFES / IFES)

A proposta desta pesquisa é analisar as estratégias adotadas pelos escravos e libertos em sua
inserção social no mundo livre, nas últimas décadas da escravidão e no período pós-abolição.
Os marcos temporais adotados foram a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que determina o fim
do tráfico de africanos para o Brasil, e a criação do Gerca, em 1961, responsável pela política de
erradicação dos cafezais que causará profundas mudanças socioeconômicas no cenário
capixaba. A base documental utilizada é bastante ampla: cobre desde fontes de natureza
demográfica, quantificável, como inventários post-mortem, registros de nascimento,
casamento e óbito, censo; até entrevistas com membros da Comunidade Quilombola de Monte
Alegre, construída por libertos e descendentes em Cachoeiro de Itapemirim, região sul do
Espírito Santo que se destacou no século XIX pela grande produção cafeeira e pela farta mão
de obra escrava. Relatórios de presidente de província, legislação e periódicos também serão
analisados com o objetivo de ressaltar a complexidade do período e das ações dos libertos na
(re) construção dos laços forjados ainda no cativeiro. Adota-se como hipótese, portanto, que
as relações tecidas durante a escravidão, especialmente as famílias, influenciaram as
escolhas realizadas após a liberdade, antes ou depois de 1888. Os vínculos familiares e as redes
de solidariedades, contudo, não devem ter sido os únicos elementos importantes a serem
considerados. Outros como a terra, também devem ter participado da decisão entre
permanecer no mesmo lugar onde foram escravizados ou migrar em busca de oportunidades
e/ou de estabelecer distância de lugares e lembranças indesejáveis. Investigar esses
elementos – laços familiares e terra – potencializadores da criação de raízes na região pode
ajudar a entender os caminhos percorridos pelos ex-escravos após a abolição. A literatura
sobre os ex-senhores e sobre os imigrantes de origem europeia que chegaram ao Brasil no
final do Oitocentos e primeiras décadas do século seguinte, particularmente, no Espírito Santo,
é farta. Entretanto, os rumos tomados pelos egressos do cativeiro permanecem pouco
conhecidos. Apenas recentemente se iniciaram os estudos sobre o assunto. Nomes como Ana
Lugão, Hebe Mattos e Carlos Eduardo C. Costa, Flávio Gomes estão entre os historiadores
interessados na questão. Entretanto, ainda falta muito a ser pesquisado em termos de Brasil,
como indicado pelos autores citados. É nesse sentido que propomos o estudo do sul do Espírito
Santo, área já investigada na dissertação de mestrado e que revelou um grande número de
arranjos familiares entre os escravos, envolvendo, inclusive, a população liberta/livre. Como a
pesquisa está em estágio inicial, a proposta desta comunicação é apresentar alguns casos
encontrados em inventários post-mortem e testamentos do sul Capixaba, na segunda metade
do século XIX, que apontam elementos como família e/ou terras que devem ter contribuído
para a decisão dos libertos de (re)construir suas vidas na região.

Palavras-chave: Escravidão; Família; Liberdade; Espírito Santo.

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NA ARCA, AS ROUPAS VELHAS OU NOVAS: RUPTURAS E CONTINUIDADES NA


CONSOLIDAÇÃO DO ESTADO NO BRASIL IMPERIAL (1822-1837)
Glauber Miranda Florindo (PPG HISTÓRIA - UFF)

O processo de Independência política do Brasil foi bastante complexo, pois uma série de outros
processos o atravessaram: de uma perspectiva de longa duração, não se pode desconsiderar a
Crise do Antigo Sistema Colonial, entendendo o sentido da colonização e como suas
contradições levaram a colônia a romper os grilhões que a mantinham presa a metrópole
portuguesa; em uma perspectiva menos economicista e mais política, as demandas dos
grupos de influência que participaram do processo ganham valor, assim como, as
reverberações dos eventos que perpassam o processo, na sociedade. Daí a vinda da Família
Real e a intensificação das mudanças, ou, o enraizamento dos interesses da metrópole
interiorizada, fazem, sob o pano de fundo dos liberalismos, o processo se tornar menos
revolucionário e mais inevitável. Em meio as opções de Reino Unido ou de recolonização,
optou-se pela desagregação. O Historiador que se debruça sobre essa temática enfrenta o
desafio de equacionar sob sua perspectiva um conjunto de interações quase sempre ambíguas
e contraditórias: o Processo de Independência reúne velhos expedientes a novos desafios,
corpos velhos, trajando vestes modernas. O monarca ressignificado, se torna constitucional,
mas precisa do beija-mão das Câmaras Municipais – um símbolo precioso do antigo Império
Colonial Português – para se tornar Imperador. No pós-independência, a Constituinte é
fechada, o embate entre as frações de classes que alicerçaram o I Reinado, faz com que o Pedro
I tome as rédeas da monarquia constitucional, mas com uma Constituição outorgada, e
melhor, jurada pelas Câmaras Municipais. O processo de consolidação do Brasil Imperial
reúne rupturas e continuidades. No presente trabalho, discutiremos a modernização do
aparato legislativo do Império, a partir da abertura da Assembleia Nacional em 1826. Nossa
hipótese é a de que em meio a um processo de modernização e burocratização do arranjo
institucional do Estado, leis foram produzidas para minar a força do imperador,
principalmente a força fundamentada na tradição, por exemplo, a lei de 1 de outubro de 1828,
que define o funcionamento das Câmaras Municipais. Ademais, na medida em que se avança
e outras leis são promulgadas e, ou, também reformadas, muitas vezes se percebe o uso da
legislação de forma a permitir continuidades, tais quais, o tráfico de escravos. Portando, é
nosso objetivo compreender os usos dos liberalismos, então tendência no período, na
(re)estruração do Estado brasileiro. Dito de outra forma, buscaremos responder a questão:
como as leis que contribuíram para a estruturação de Estado sob uma rubrica liberal e
moderna e, portanto, nova, também funcionou para manter antigos expedientes, protegidos,
inclusive, desde antes da independência?
Palavras-chave: Brasil Império; Consolidação do Estado; Câmaras Municipais; Antigo Regime;
Monarquia Constitucional.

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A CIDADE MENDICANTE: UMA CARTOGRAFIA DA MENDICIDADE NA CIDADE DO RECIFE


OITOCENTISTA (1840-1870)
Grasiela Florêncio de Morais (PPG HISTÓRIA – UFPE)

Este trabalho tem como cenário a cidade do Recife nos idos do século XIX (1840-1870) que,
configurava como a terceira capital mais notável do Brasil, portanto perdendo em prestígio e
importância apenas para as cidades do Rio de Janeiro e de Salvador. Em poucas décadas, o
Recife passou por inúmeras transformações do ponto de vista material e até mesmo imaterial,
em seus limites a população volumosa se espremia e os problemas oriundos de uma sociedade
escravagista não deixaria de afetar a capital da província pernambucana. Entre os muitos
problemas num cenário que se queria representar enquanto próspero, era a pobreza que se
fazia ostensiva pelas ruas, praças e pelas igrejas matrizes da cidade. No universo da pobreza
permeado pelas relações sociais que se travavam no século XIX, o mendigo, ou seja, aquele
que vivia miseravelmente e sem condições de suprir as suas necessidades básicas de
sobrevivência se tornou alvo de políticas de controle social empreendido pelas autoridades
citadinas que, por sua vez, passou a ver na mendicância um problema a ser combatido. A
cidade mendicante era a imagem que o Estado não queria imprimir e nem permitir que se
perpetuasse, pois macularia o seu projeto de modernização aos moldes civilizatórios à moda
europeia. Assim percebemos que em seus “afazeres políticos” as autoridades paulatinamente
modificaram o tratamento dado aos sujeitos que eram enquadrados como mendigos. Na
medida em que se alteravam as concepções sobre a cidade e sobre o universo do trabalho, as
percepções sobre a mendicidade foram se modificando e reforçadas pelo discurso médico e
jurídico. A tentativa de classificação desse contingente populacional nos permite refletir
sobre as condições determinantes que serviram para definir o dito mendigo, ora como aquele
que necessitava da caridade pública, ou seja, o coitado. Ora como aquele que, por representar
a figura de um corpo ocioso na cidade, era tido como um vilão. O ócio representava medo para
as elites dirigentes, nesse âmbito, a figura do vadio entrava em cena e se confundia com a do
mendigo. Portanto, o combate ao dito “resíduo social” trazia em seu bojo os ideais que se
pretendiam incutir em defesa de uma dada ordem ao mundo do trabalho.

Palavras-chave: Mendicidade; Recife; Oitocentos.

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EM NOME DA PÁTRIA E DO CIDADÃO: A AÇÃO DA LINGUAGEM LIBERAL PATRIÓTICA NO


PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL (1822)
Jorge Vinícius Monteiro Vianna (PPG HISTÓRIA – UFES)

Os processos de emancipação política do Brasil e de formação e estruturação do Estado


brasileiro não representam um fenômeno histórico único, porém não podem ser entendidos
de forma extremamente autônomas, uma vez que a Independência do Brasil e o Primeiro
Reinado constituíram momento histórico fulcral no que tange às primeiras experiências
políticas e civis do recém-criado e pensada nação brasileira, ao mesmo tempo em que os
conflitos e interesses sociopolíticos existentes no processo de desenvolvimento da
autonomia política do Brasil marcaram profundamente a pauta e a demanda política
estruturada por toda a década de 1820. Nesse contexto, o debate político existente
materializou-se em uma busca dos próprios sujeitos históricos de entendimento do seu
tempo, o que fez com que determinados conceitos ganhassem significativa atenção e
destaque nos crescentes espaços públicos de discussão política. O processo de Independência
do Brasil deixou como legado um conjunto de documentos impressos que revelam as
diferentes formas com que indivíduos e grupos imaginavam uma nação brasileira ideal.
Assim, mesmo que autonomia do reino brasileiro, majoritariamente, fosse entendida,
principalmente no início de 1822, de forma a estar incorporada ao âmbito da nação portuguesa,
assinalava-se um determinante nível de especificidade histórica do reino brasílico em relação
ao português, ação que contribuía, gradualmente, para o fortalecimento dos antagonismos
políticos entre luso-americanos e europeus. Para além da possibilidade de ruptura ou de
estreitamento dos laços entre Brasil e Portugal, os escritos políticos deste complexo processo
histórico são capazes de nos revelar uma gama de debates políticos apresentados por meio de
um amplo e rico vocabulário político no qual a historiografia brasileira cada vez mais destina
atenção. A proposta de comunicação é analisar, por intermédio da perspectiva contextualista
da Escola de Cambridge, o que denominamos como linguagem política liberal patriótica
estruturada por determinados periódicos que circularam na Corte do Rio de Janeiro no ano de
1822, como, por exemplo, o Reverbero Constitucional Fluminense, o Correio do Rio de Janeiro
e o Macaco Brasileiro. Pretende-se, portanto, compreender como neste contexto histórico
foram formuladas as principais características norteadoras de uma linguagem política
específica pautada, principalmente, na incisiva politização da identidade brasileira, na defesa
dos direitos naturais e individuais dos cidadãos e em uma concepção de pátria reveladora de
uma interpretação temporal que visava marcar uma decisiva diferenciação entre antigas e
novas formas de participação dos indivíduos nos “modernos assuntos públicos”.

Palavras-Chave: Linguagens Políticas; Independência do Brasil; Imprensa; Liberalismo; Pátria.

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A METÁFORA DO “REINO DE DEUS” NO JORNAL IMPRENSA EVANGÉLICA


(1864-1889)
Jorge William Falcão Junior (PPG HISTÓRIA – UFJF)

Partindo da teoria da metáfora de Paul Ricoeur, investigaremos as relações entre o conceito


de “Reino de Deus” dos presbiterianos e as expectativas modernas correntes no Império do
Brasil na segunda metade do XIX, a partir do periódico Imprensa Evangélica (1864-1889). De
acordo com Ricoeur, além do sentido retórico, é importante considerar os aspectos
semânticos da metáfora. Para isso, ele recorre às críticas da semântica moderna e às
classificações da metáfora feitas pela retórica antiga. Assim, seis críticas são apresentadas:
na primeira, a metáfora não se trata de uma figura concernente à nominação, mas ao sentido
não sendo, portanto, apenas “um acidente da nominação”; na segunda, antes de propor uma
mudança de sentido das palavras, é proposta uma mudança dos enunciados não sendo
possível, pois, compreender uma palavra metafórica, mas sim um “enunciado metafórico”;
conforme a terceira, a razão desta mudança não é uma mera ilustração, porém a conciliação
de duas ideias normalmente entendidas como incompatíveis, sendo a metáfora responsável
tanto pela identificação, como pela fundação de uma semelhança entre elas; a quarta crítica
sugere que mais que uma substituição e uma associação por semelhança entre palavras, a
metáfora propõe uma tensão e uma inovação semântica. Por seu caráter inovador de um
enunciado metafórico fundado num discurso inédito e compreendido pelos receptores como
um paradoxo a ser decifrado, a metáfora é viva. Caso entrasse nos dicionários ou no uso
corriqueiro das palavras, a metáfora se tornaria morta, logo deixaria de ser metáfora; a quinta
observação sugere que a outra marca desta inovação semântica é a impossibilidade de
traduzir a metáfora na tentativa de restabelecer um sentido literal. Neste caso, o significado
metafórico seria diluído e não compreendido pelos receptores de outro contexto sócio-
histórico-linguístico. Finalmente, a última crítica demonstra que a metáfora diz algo novo
sobre a realidade de um dado contexto. A hipótese é de que o periódico Imprensa Evangélica
desempenhava uma função para além da propagação da mensagem de uma salvação
individual das almas, expressando uma concepção de “Reino de Deus” que implicava na
crença no progresso e na melhoria da condição humana se inserindo, consequentemente, no
debate intelectual sobre o futuro do Brasil na segunda metade do XIX. Para melhor
compreendermos o uso deste conceito metafórico de cunho escatológico, buscaremos:
investigar como o conceito de “Reino de Deus” foi concebido pelo presbiterianismo,
verificando as aproximações e os distanciamentos de outras concepções de “Reino” com
outras teorias relacionadas ao progresso e à modernidade no Brasil; identificar quais
acontecimentos e condições históricas do período estudado foram apresentados no periódico
como entraves ao avanço do Reino de Deus; pesquisar os papéis atribuídos ao Estado, à Igreja,
aos indivíduos e às famílias na expansão do “Reino de Deus”. Mais que uma reflexão teológica,
o conceito de “Reino de Deus” proposto pelos presbiterianos apresentou inovações semânticas
aplicadas ao contexto das missões denominacionais estadunidenses em território brasileiro.
Inovações, pois, elaboradas a partir de novas tensões históricas. Portanto, se tratava de uma
metáfora viva que fundamentava a fé protestante, seja em suas “experiências” nos espaços
religiosos ou seculares ou em suas “expectativas” quanto ao futuro da humanidade diante das
mudanças estruturais da política e das guerras entre nações.

Palavras-chave: “Reino de Deus”; Presbiterianismo; Imprensa Evangélica; Império do Brasil.

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IMPRENSA E A IDENTIDADE POLÍTICA: A ELITE RIVADAVIANA E SEU PROJETO DE NAÇÃO


Juliana Gomes de Oliveira (PPG HISTÓRIA - UFJF)

Na historiografia clássica, nos deparamos com os apontamentos sobre as representações que


as independências americanas ainda muitas vezes são visualizadas. A partir desses olhares,
a história política latino-americana salienta três momentos fundamentais para se entender
esses processos: a Independência, guerras civis e consolidação dos novos Estados nacionais.
Tal perspectiva, caracteriza estes momentos, muitas vezes, por movimentos separados.
Devido a isso, a princípio, não delimitaremos um período pré-determinado para o
entendimento da complexidade desses momentos, nos debruçaremos, assim, para o estudo
acerca dessas etapas que não poderão ser isoladas em si. Verificamos, em suma, que tanto a
atual historiografia como a tradicional apontaram que os sentidos dessas emancipações
foram essencialmente políticos. Cabe salientar que as duas primeiras décadas pós-
independência na região rio-platense foram marcadas por profundas complexidades de ideias
e projetos políticos, que, em sua grande maioria, advinham de elites locais que não
constituíam um projeto homogêneo para esse Estado Moderno independente denominado
Províncias Unidas do Rio da Prata. Depois da derrota de Buenos Aires perante essas lutas
provinciais, uma elite de essência ilustrada e heterogênea, cuja formação visava um objetivo
partilhado perante a crise, almejava promover a ordem perante o “caos” dessas experiências
fatídicas e que eram de suma importância para a capital. No tanger dessa multiplicidade de
projetos, iremos, sobretudo, destacar a proposta do intelectual Bernardino Rivadavia, um
liberal, ilustrado e centralista nomeado como ministro de governo, ficando esse momento
ilustrado e caracterizado como o período da “feliz experiência”. Liderando o Partido da Ordem,
Rivadavia, com a elite dirigente de Buenos Aires a seu favor, pretendia, como o objetivo em
comum, a modernização em todos os aspectos dessa sociedade que, nessa perspectiva,
precisava de uma profunda modificação na sua própria estrutura administrativa que adivinha
de um legado colonial. As reformas rivadavianas foram caracterizadas com a expansão da
imprensa periódica, possibilitando então a ampliação do debate público e a ressignificação do
espaço público portenho. Nesse sentido, analisaremos o jornal El Argos de Buenos Aires (1821-
1825), periódico esse que estará fortemente ligado ao projeto rivadaviano e terá um papel
fundamental como o principal meio difusor de ideias dessa elite ilustrada que buscava
legitimar-se enquanto construtora de uma nação.

Palavra Chave: Imprensa; Buenos Aires; Rivadavia; XIX.

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MARCAS E EXPRESSÕES: O QUE O AFRICANO LIVRE DEIXOU-SE REVELAR


Juliana Santos de Lima (PPG HISTÓRIA – UFF)

Esta comunicação pretende analisar a condição jurídica dos africanos que desembarcaram
em portos brasileiros após a proibição do tráfico de escravos, tornando-os africanos livres. As
legislações que abrangem sua existência, previam que tais pessoas deveriam cumprir um
período de 14 anos de trabalho compulsório, afim de que aprendessem a dinâmica social e
fossem capazes de “viver sobre si”. Compreendemos que a historiografia sobre os africanos
livres tem avançado no sentido de problematizar sua existência, as contradições desta
liberdade, o número de pessoas que compuseram este grupo e a tutela na qual foram
submetidos. As páginas de jornais se mostraram campos férteis e dispostos a dar subsídio ao
historiador para elucidar como era o modo de vida dos africanos livres, como seus
concessionários os viam, e o que os próprios africanos demonstram saber do seu status
diferenciado, nos mostrando as estratégias, e formas de resistência criada por eles durante a
tutela. Através dos anúncios dos periódicos Diário do Rio de Janeiro e Jornal do Comércio é
possível perscrutar biografias de africanos livres. Utilizamos informações acerca das fugas,
repartição de polícia e obituário, com foco em suas idades, gênero, nações, características
físicas, ofícios, nomes de seus tutores, local de moradia. Nessa abordagem, a ênfase recai sobre
a experiência do indivíduo na diáspora, e não apenas em bases culturais que pudessem ter
sido trazidas da África e mantidas intocadas nas Américas. As identidades são, dessa forma,
produzidas na diáspora. Assim, preconizaremos analisar as especificidades do grupo,
evitando uma única concepção que diga respeito a uma cultura global dos africanos livres,
respeitando sua pluralidade, seus conflitos e embates. No qual, este grupo complexo e misto
estava ligado pela liberdade limitada que lhes foi atribuída pela Lei. Compreender a distinção
jurídica entre escravos, africanos livres e libertos, não significa separá-los do convívio social,
muito pelo contrário, nos interessa compreender para além dos atributos de sua condição
jurídica. Trazendo para o centro da nossa discussão suas vivências e as zonas de confluência
que possibilitaram as trocas de experiências e construção de redes de sociabilidade. Entre as
fronteiras da escravidão e da liberdade, tais personagens eram agentes de sua própria história,
sendo nossa intenção, recompor os retratos deste protagonismo. Corroborando para o
preenchimento de uma lacuna ainda existente no que diz respeito às especificidades deste
grupo. Suas experiências coletivas, assim como a criação de redes de sociabilidade, o
mapeamento de identidades, culturas e estratégias para livrar-se da tutela.

Palavras chave: Africanos livres; Anúncios de jornais; Proibição do tráfico de escravos.

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REPRESENTAÇÃO DA NAVALHA E DA BAYONETA: A CRÍTICA AO SISTEMA ELEITORAL DO


IMPÉRIO
Kátia Sausen da Motta (PPG HISTÓRIA - UFES)

O objetivo da comunicação é apresentar o debate sobre as reformas eleitorais ocorridas nas


décadas finais do Império. A discussão iniciada a partir de 1860 questionou o sistema eleitoral
do Império, apontando o caminho de reformulação do direito de voto, no qual a exigência de
alfabetização e o estabelecimento de regras censitárias tornaram-se pautas polêmicas no
Legislativo. Juntamente com o Brasil, outros países da América aderiram ao sufrágio restrito
baseado na alfabetização como solução para a moralização das urnas. A leitura das obras
específicas sobre o tema revelou a extensão da discussão sobre a reforma eleitoral para além
das fronteiras do Império, apontando que o sufrágio universal adotado na França, em 1848, não
constituía consenso no debate político da época.

Palavras-chave: Eleição; Lei Saraiva; Brasil Império.

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“O CAVALO DE BATALHA DO REGRESSO”: A SEGUNDA LEGISLATURA DA ASSEMBLEIA


PROVINCIAL MINEIRA (1838-1839) E A DEFESA DO ATO ADICIONAL
Kelly Eleutério Machado Oliveira (PPG HISTÓRIA – UFOP)

A criação das Assembleias provinciais em 1834 consolidou a província como unidade político-
administrativa do Estado imperial brasileiro. Diferentemente dos Conselhos Gerais que elas
vieram a substituir e cujas propostas deveriam ser aprovadas pela Assembleia Geral, as novas
instituições, com poderes legislativos, assumiram a direção dos “negócios mais interessantes”
de suas províncias. O Ato Adicional que as criou, determinou que a elas caberia legislar sobre
a divisão civil, judiciária e eclesiástica; sobre a instrução pública e os meios para promovê-la;
sobre a polícia e a economia municipal; sobre despesas; sobre a fiscalização das rendas
públicas; sobre impostos; sobre a supressão, a criação e a nomeação de cargos públicos, em
nível municipal e provincial, entre outros. Apesar de manter nas mãos do Presidente de
província, autoridade nomeada pelo poder central, a sanção aos projetos, sem dúvida, as
Assembleias concentraram amplas e importantes atribuições. O exercício do poder em
algumas matérias gerou, entretanto, disputas ferrenhas, apontando a dificuldade em
estabelecer o que eram negócios de interesse da província e de interesse geral. Foi o que
aconteceu com o projeto de subsídio dos promotores públicos, proposto pelo deputado Teófilo
Benedito Otoni, em 1838. Quando a Assembleia mineira se instalou nesse ano, dando início
aos trabalhos da segunda sessão legislativa, já se discutia na Câmara temporária, na corte do
Império, um projeto que visava interpretar o Ato Adicional. A esse projeto, Bernardo Pereira de
Vasconcelos propôs uma emenda que determinava que todos os empregados que cumpriam
leis gerais não poderiam ser considerados empregados provinciais. Essa proposta foi citada
na sessão da Assembleia mineira, pelo deputado e promotor público, Joaquim Antão
Fernandes Leão como “o cavalo de batalha do regresso”, uma vez que retirava das Assembleias
o direito de legislar sobre a matéria. Partindo da discussão suscitada pelo projeto dos
promotores, que utilizou a linguagem do regresso e do progresso como arma política e baseado
na pesquisa de uma ampla documentação reunida no fundo “Assembleia provincial”,
depositada no Arquivo Público Mineiro, o objetivo desta comunicação é apresentar o papel da
Assembleia mineira na defesa da reforma da Constituição e a quais “projetos” esse empenho
atendia. A maioria dos deputados da segunda legislatura havia sido reeleita, eram liberais
defensores do Ato Adicional. No entanto, se na primeira legislatura eles assistiram a uma
“relativa harmonia” entre as instâncias de poder oficial do Estado, uma vez que também na
Câmara dos deputados havia uma maioria liberal afinada às reformas, na segunda legislatura
a situação foi bastante distinta: a maioria dos deputados mineiros fez forte oposição ao
Governo. Alguns deles assumiram a alcunha de regressista como retórica para defender que
“estar no regresso” era “o verdadeiro progresso”, porque pressupunha prudência, não era, para
eles, um retorno ao passado, àquele período em que as províncias tinham poderes limitados,
era, sobretudo corrigir os excessos de um liberalismo entendido como radical. Atentar para os
insultos, para as identidades atribuídas e assumidas, pode, enfim, revelar as disputadas pelo
poder e as distintas concepções de Estado, o que nos interessa particularmente nesta
comunicação, mas também pode nos dizer sobre as diferentes percepções do tempo e da
história.

Palavras-chave: Ato Adicional; Assembleia provincial mineira; Regresso e organização dos


poderes no Estado brasileiro.

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“O QUE É POLÍTICA?”: A ESCRITA DE MACHADO DE ASSIS E A ATUAÇÃO POLÍTICA DA


FAMÍLIA FARIA FRAGA NO CONTEXTO DA LEI DO SEXAGENÁRIO (1883-1885)
Laiane Fraga da Silva (PPG HISTÓRIA – UEFS)
O presente trabalho busca analisar a atuação política da família Faria Fraga no alto sertão da
Bahia, mais especificamente em Caetité, entre os anos de 1883-1885, contexto que tramitava
na Câmara dos Deputados a aprovação da Lei do Sexagenário. Nesse ínterim, o pseudônimo
Lélio, vivido pelo escritor Machado de Assis, lançava suas primeiras crônicas na série “balas
de estalos” publicadas pela Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro. Nela, Lélio, em tom de sátira
e ironia mostrou a sociedade carioca suas esperanças e indignações sobre a política imperial
no contexto de aprovação da Lei do Sexagenário, não passando despercebido aos olhos dos
leitores do jornal suas decepções e frustrações com o deputado caetiteense Aristides Cesar
Spínola Zama. Para o autor de “Balas de estalos”, o Sr. Cesar Zama, - então contrário aos
interesses políticos dos conservadores Faria Fraga – que tanto defendeu a “abolição imediata”,
se viam apoiando um projeto de lei dos conservadores, destoando das reais expectativas dos
abolicionistas e das lideranças do Partido Liberal do período. Todavia, Lélio não imaginava o
quanto esta lei, que tanto favoreceu os senhores escravocratas, agitou os interesses das elites
conservadoras de Caetité, especialmente os Faria Fraga, colocando o Deputado Cesar Zama
perante intensos impasses políticos no seu lugar de origem, local onde contou com uma
parcela significativa de seus votos. Isso, em parte, se deu pelo fato que durante todo o século
XIX os Faria Fraga terem se caracterizado pela atividade escravista, mais especialmente, pelo
tráfico interprovincial de escravos para o sudeste cafeeiro. Para tanto, essa família, utilizou
dos espaços públicos como caminhos facilitadores nos trânsitos comerciais com o Oeste
Paulista, e se a Lei do Sexagenário traria do fim desse tipo de comércio e consequentemente,
estava perdendo espaços públicos, agora, restava aos Faria Fraga a necessidade de reelaborar
novos campos de poder político, mesmo que fosse preciso recorrer às fraudes e “intensas
perseguições”. E se na Capital do Império o cenário foi de incertezas, no alto sertão da Bahia
também não foi diferente. Desta forma, as crônicas publicadas nos jornais do Rio de Janeiro
associadas aos anais da Câmara dos Deputados, juntamente com fontes do sertão baiano entre
elas: correspondências pessoais de políticos locais, correspondências destinadas ao
Presidente da Província e atas da Câmara Municipal de Caetité que articulada e confrontada
com a bibliografia especifica, traduzem novas concepções de espaços e de sujeitos com papeis
determinantes na história do Brasil Oitocentista.

Palavras-chave: Família Faria Fraga; Machado de Assis; Lei do Sexagenário.

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A DIÁSPORA NEGRA E A PRESENÇA DE AFRICANOS ESCRAVIZADOS EM ITAPEMIRIM-ES


(1860-1870)
Laryssa da Silva Machado (PPG HISTÓRIA – UFES)

Este trabalho pretende relacionar a Diáspora Negra a presença de africanos escravizados em


Itapemirim-ES, entendendo que estes estudos contribuem para os novos trabalhos da
historiografia brasileira e para o movimento que estuda a Diáspora Africana, uma vez que
procura revelar a existência de africanos escravizados em Itapemirim. De fato, muitas
questões continuaram obscuras, mas é certo que havia africanos nas escravarias capixabas e
itapemerinenses que, como será demonstrado, era uma das principais regiões econômicas
capixabas no século XIX, cobiçada, inclusive por muitos navios carregando africanos
escravizados clandestinos após a promulgação da Lei Euzébio de Queirós, conforme descrito
pelos presidentes provinciais nos Relatórios da Província do Espírito Santo. Os dados sobre
estes africanos podem ser observados através da análise de registros de óbitos e batismos de
escravos de Itapemirim, que apresentam um número significativo de africanos, revelando que
esta região era ponto de chegada de muitos dos que vieram da África. Assim, através de
análise quantitativa e qualitativa dos registros eclesiásticos de Itapemirim, uma parte da
história dos africanos espalhados pelo mundo com a escravidão poderá ser remontada,
contribuindo para os novos trabalhos historiográficos brasileiros.

Palavras-chave: Diáspora Africana; Escravidão em Itapemirim; africanos escravizados.

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CONVIDANDO OS VIVOS – AS FORMAS DE SENTIR O MORRER EM JUIZ DE FORA (1867-


1909)
Leandro Gracioso de Almeida e Silva (PPG HISTÓRIA - UFRJ)

Juiz de Fora, em 2 de novembro de 1864, inaugurou seu primeiro cemitério público. Esta
novidade na cidade havia adotado, para tanto, boa parte dos preceitos sanitários da época. O
cemitério higiênico fazia parte do cumprimento de uma séria de legislações que haviam sido
promulgadas desde o início do século XIX para este fim, mas que não foram implementadas
facilmente pelo país, pois encontravam ora dificuldades financeiras nas câmaras, ora
entraves nos paradigmas culturais. Após a inauguração do campo santo juiz-forano, uma série
de profissionais se dedicariam à chamada “pompa fúnebre”, que englobava os cortejos que, por
sua vez, precisavam eventualmente dos convites de enterros e santinhos para acontecerem.
Os dois últimos se tornaram, durante a pesquisa de doutorado em andamento sobre os
costumes mortuários na cidade, uma importante e diferenciada fonte escrita para se analisar
como a morte era percebida no período, devido em grande medida à sua raridade. A chegada
da tipografia à cidade possibilitaria a impressão de todo tipo de anúncio comercial e também
de convites e santinhos. Algumas vezes, esses materiais também vinham diretamente da
corte e possuíam campos em branco a serem preenchidos, o que demonstra alguma
popularização da prática. Diferentemente da atualidade, em que a morte é renegada e o uso
dos santinhos se torna cada vez mais raro, no século XIX havia maior conexão com o sagrado
e uma série de preocupações para com o salvamento da alma foi adotada, o que propiciaria o
uso destes. Partindo da interpretação dessa documentação, conseguiu-se perceber que existia
um discurso padrão, sendo em primeiro lugar, a invocação do sagrado, pedindo que os vivos
se lembrassem dos mortos em suas orações; e em segundo, mais atenuado no século XIX, mas
já mais evidente no início do século XX, a preocupação com o sentimento distinção, que
poderia ser mais complexa, dependendo da situação social em que a família se encontrava.
Apesar do limite interpretativo desta mudança, e este é apontado devido ao conhecimento, ao
menos até o momento, da existência de um só exemplar de santinho do século XX, percebeu-
se especialmente ao cruzá-los com os anúncios da imprensa local, uma consolidação do que
BORGES (2002) entendeu por “morte burguesa”. A possibilidade de se analisar os raros
santinhos e convites, incomuns na maioria dos arquivos das cidades brasileiras, também
permite uma expansão interpretativa de como se estabeleciam as práticas funerárias em
diferentes partes do país. Para uma análise mais abrangente do fenômeno do morrer, foi
fundamental o aporte teórico concebido pelas obras de Ariès e Vovelle, além da historiografia
nacional representada por Almeida, Borges, Bastianello, Carvalho, Reis e Rodrigues.

Palavras-chave: Cemitério; Convites mortuários; Juiz de Fora; Catolicismo; Tipografia.

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CONSTRUÇÃO DE ESTADOS NACIONAIS NA PERIFERIA: LINGUAGENS, AGENDAS


EARCABOUÇOS INSTITUCIONAIS EM UM ESTUDO COMPARADO DE ARGENTINA, BRASIL E
CHILE (1830-1870)
Lidiane Rezende Vieira (IESP-UERJ)

Como agenda de pesquisa, os estudos sobre “formação do Estado” passaram por um período
de baixa visibilidade, contudo, nas últimas décadas, o interesse pelo campo ampliou-se,
fomentado novas pesquisas que tratam da formação do estado, tipos de regime e os episódios
de mudança. Este projeto une-se a este movimento com o objetivo de, partindo de uma
metodologia histórico conceitual, analisar a formação dos Estados nacionais na América
latina, especialmente os casos de Argentina, Brasil e Chile, a fim de estudar as estratégias
políticas de construção estatal na periferia, suas dinâmicas, os resultados políticos e, por
conseguinte, traçar os percursos do processo de estabilização do Estado. Deste recorte
resultam questões importantes, como a tentativa de compreender o grau de influência que a
condição periférica acarreta nas trajetórias da consolidação do aparato estatal, assim como
das decisões a respeito dos sistemas políticos – monarquia e republica – e os reflexos deste
cenário nas linguagens e ações políticas. O projeto parte da pergunta de pesquisa acerca das
implicações da formação de Estados nacionais em uma região considerada periférica, a
América Ibérica, a fim de verificar as aproximações e distinções destes percursos em
comparação com a experiência de países centrais, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos. O
ponto central é, à medida que analisamos a recepção e aclimatação por parte das elites
ibéricas das teorias políticas estrangeiras, delinear a trajetória institucional e política até a
estabilização do Estado. Tal proposta de análise nos possibilitará perceber não apenas as
distinções de processo de formação entre o centro e a periferia, como também os dilemas que
fazem os países periféricos divergirem em suas trajetórias, como, por exemplo, compreender
o motivo que faz Brasil e Chile possuírem uma trajetória à estabilização mais acelerada do que
a Argentina. Tendo em vista compreender estes processos de desenvolvimento estatal na
periferia e analisar as recepções e aclimatações das correntes políticas, utilizaremos autores
centrais para o debate em cada país como norte para reconstrução do contexto político
estudado. Os personagens clássicos escolhidos representam, de maneira generalista, grupos
políticos díspares em suas concepções a respeito da formação do Estado Nacional. Nossos seis
autores poderiam ser divididos em dois grandes grupos, os Liberais federalistas: Domingo
Faustino Sarmiento (1811-1888), na Argentina, Aureliano Cândido de Tavares Bastos (1839-
1875), no Brasil e José Victorino Lastarria (1817-1888) no Chile. Do outro lado do espectro
político estão os Conservadores unitaristas: Juan Bautista Alberdi (1810-1884), na Argentina,
José Paulino Soares de Sousa, o Visconde do Uruguai (1807-1866), no Brasil e Mariano Egaña
Fabres (1793-1846) no Chile. Além do seu valor no âmbito da reconstituição da construção
nacional, trazer a lume discursos, conceitos e representações por meio dos quais estes países
foram projetados e concebidos é de grande importância para o resgate dos significados
históricos e de formação da Teoria Política e do Pensamento Político Brasileiro.

Palavras chave: Construção do Estado Nação; Periferia; Liberalismo; Linguagens políticas;


Sistemas de governo; Projetos de Nação;

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“ANTES DE RECEBER A VOSSA HONRADA CARTA JÁ TINHA RESOLVIDO SEGUIR A


CARREIRA JURÍDICA”: JOSÉ ANTÔNIO GOMES NETO E A CONQUISTA DE UMA
COLOCAÇÃO PROFISSIONAL NO ALTO SERTÃO BAIANO (1850-1860)
Lielva Azevedo Aguiar (PPG HISTÓRIA - UFBA)

Os planos de uma carreira profissional para os filhos das elites oitocentistas começavam bem
cedo e, no caso de José Antônio Gomes Neto, não foi diferente. Sendo proveniente do alto
sertão da Bahia, região de entreposto entre o norte de Minas Gerais, o rio São Francisco e a
Chapada Diamantina, o estudo da sua trajetória demonstra o quanto a educação superior foi
uma prioridade para aquelas famílias que viam na instrução um caminho de ascensão social
e obtenção de prestígio. No caso específico de José, a escolha profissional também fez parte
de um projeto familiar que requereu grande empenho financeiro e investimentos de outra
natureza, tudo em prol do status conferido pelo título de bacharel. O intento de seu pai de
enviá-lo à Corte assim que concluísse o bacharelado em ciências jurídicas, na cidade de
Olinda, era a continuidade desse projeto que, conforme se esperava, culminaria com uma
colocação imediata para o cargo de juiz municipal da vila de Caetité, ou, pelo menos, de outra
comarca do alto sertão baiano, onde sua família residia. Mas, com a morte do seu pai, em 1846,
esses planos tiveram que ser refeitos. Recém-formado, o bacharel retornou ao sertão da Bahia
para cumprir as obrigações recaídas sobre ele, único filho do sexo masculino, principal
herdeiro material e simbólico dos bens familiares. Porém, mesmo estando longe da corte,
conseguiu se cercar de uma rede de contatos e influências que lhe proporcionou a conquista
do seu objetivo inicial: uma colocação ao cargo de juiz municipal. Através de pesquisas
realizadas junto ao arquivo familiar de José Antônio Gomes Neto foi possível observar o
quanto os anos de estudo propiciaram o estabelecimento dessas redes e a construção de
alianças entre jovens estudantes de diferentes lugares do Império. Apresentar de que maneira
o sujeito em destaque se beneficiou das alianças constituídas no âmbito da formação jurídica,
demonstrando como esses contatos eram estabelecidos, as trocas envolvidas e o quanto eles
influenciaram na política imperial a partir de meados do século XIX é o objetivo dessa
comunicação.

Palavras-chave: José Antônio Gomes Neto; redes sociais; alto sertão da Bahia; influência
política.

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LEITURA NOS ANOS INCIAIS DO SÉCULO XIX E A CENSURA DENTRO DO IMPÉRIO LUSO-
BRASILEIRO
Maíra Moraes dos Santos Villares Vianna (PPG HISTÓRIA – UERJ)

Este trabalho tem como objetivo fazer uma reflexão através do viés da história cultural e da
história política sobre o funcionamento do aparelho censório no período de permanência da
Corte joanina no Rio de Janeiro. Partindo dos estudos realizados sobre a história do livro e da
censura se têm como proposta analisar a cultura política da época, relacionando com a
concepção de uma sociedade hierarquizada e pautada em privilégios e que objetivava a
manutenção de tal ordem. Assim, os livros podem ser vistos como instrumentos de poder e de
representação simbólica dentro de tal sociedade. Dessa forma, a censura atribuída aos livros
combatia as ideias que pudessem romper com a ordem dentro dessa sociedade, ou seja, que
atacasse a religião, os valores morais e a coroa. Utilizada como um mecanismo de poder
dentro do Império luso-brasileiro, o aparelho censório sofreu alterações conforme as
necessidades de cada época. A abordagem pretendida em tal estudo busca apresentar as
principais transformações, mas destacando as alterações ocasionadas pela transferência da
corte de Portugal para o Brasil. A chegada da corte na cidade do Rio de Janeiro gerou variadas
mudanças em relação ao aparelho administrativo e político. A cidade passou por alterações
de cunho políticos e culturais para que pudesse comportar a corte joanina. Uma
transformação também é ocasionada no âmbito da leitura, a partir da Instalação da Impressão
Régia, tipografia oficial e a primeira do Brasil. Apesar de ter sido criada com a finalidade de
propagar os atos do Governo, também foi responsável pela publicação de obras diversas como:
jornais, obras literárias e científicas. Apesar de tais mudanças, a circulação de ideias estava
subordinada a um sistema político que privilegiava uns em detrimento de outros, porém
sempre ligado ao privilégio concedido pelo Rei. Dentro de tal concepção será destacado o papel
dos censores enquanto homens letrados e leitores, portanto representantes de um grupo que
buscava a partir das suas funções obter reconhecimento dentro da ordem estabelecida. Os
pareceres dos censores régios aos pedidos de licenças para entrada e circulação de livros
dentro do Império luso-brasileiro, durante o período de 1808-1821, estão presentes no fundo da
Mesa do Desembargo do Paço, no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e serão utilizados para
compreender a dinâmica da censura, assim como o papel desempenhado pelos censores
dentro de tal processo, destacando a importância na avaliação da obra. Além disso, a partir de
tal documentação se busca problematizar as questões que envolviam as regras e critérios que
configuravam e determinavam a circulação e o acesso a elas.

Palavras Chave: Censura; livros; censores; corte joanina; Impressão Régia.

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A PROTEÇÃO SOCIAL NO BRASIL IMPERIAL: A TRAJETÓRIA DO MONTEPIO GERAL DOS


SERVIDORES DO ESTADO
Marconni Marotta (PPG HISTÓRIA - UFF)

Aos 10 dias de janeiro de 1835 o governo imperial autorizou a publicação do decreto de autoria
do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, que
criou e organizou o Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado. Oliveira Coutinho
resumiu bem sua finalidade que era de “beneficiar, quanto se possa, e sem gravame do Tesouro
Público Nacional, as famílias dos Empregados Públicos, que falecem sem lhes deixar meios de
honesta subsistência” (decreto de 10 de janeiro de 1835). Ressalta-se que desde meados de 1826,
na Primeira Legislatura (1826-1839), o governo passou a receber uma série de demandas, civis
e militares, por aposentadorias, pensões, entre outros benefícios, em que os requerentes
argumentavam um direito estabelecido pela Constituição Imperial de 1824, sobretudo em seu
artigo 102 inciso XI, e 179 inciso XXXI que, respectivamente, outorgou ao imperador e ao poder
legislativo a concessão de recompensa de serviços feito ao Estado ainda que não estiverem
designadas e taxadas por Lei e garantiu os socorros públicos. Nas duas primeiras décadas da
conjuntura do Brasil independente a demanda (e pressão)social e política sobre as autoridades
imperiais resultou em uma série de concessões de benefícios, ditos sociais, seja através de
garantias legais, como por exemplo, na expressa publicação da Lei de 6 de novembro de 1827,
que autorizava o pagamento de benefícios para familiares de militares, seja através concessão
individual de benefícios àqueles funcionários públicos que prestaram relevantes serviços ao
país. Em uma análise, ainda que superficial, dos orçamentos e despesas estatais nas décadas
de 1820 e 1830, observa-se que o valor despendido para o pagamento das aposentadorias,
pensões, e outros tipos de benefícios, civis e militares, passou, respectivamente, de 9:500$000
réis para 129:982$333 réis, aumento de cerca de 1.267%. De modo geral compreendemos que,
ainda que com capacidade limitada, o governo imperial se articulou para atender estas
demandas. No entanto, parte dos pesquisadores (em diversas áreas como da História,
Economia e Direito) inclinam-se a afirmar 1923, com a execução do decreto 4.682 de 24 de
janeiro (alcunhado de Lei Eloy Chaves), o marco inaugural da intervenção do poder público
nas políticas previdenciárias brasileiras, quando estabeleceu a obrigatoriedade das empresas
de estradas de ferro de erigir caixas de aposentadorias e pensões (CAPs) para os seus
empregados. Por conseguinte, a hipótese por nós aventada, tenta validas parte das teses
destes pesquisadores do século XX para o século XIX, por entender que a criação do montepio,
por iniciativa dos estadistas imperiais, foi uma tentativa de retirar do Estado parte a
responsabilidade pelo pagamento dos serviços prestados pelos funcionários públicos
imperiais. Em parte, bem-sucedida, uma vez que a existência da instituição serviu de
justificativa para que não houvesse necessidade de regulamentação legal dos benefícios para
outras categorias profissionais do funcionalismo público (além daquelas já existentes). Em
parte, malogrado, uma vez que a cláusula da compulsória participação do funcionário na
instituição foi retirada do seu estatuto, deixando intacto o para que o fluxo de demandas direto
do Estado continuasse aberta.

Palavras-chave: Montepio Geral dos Servidores do Estado; aposentadorias e pensões;


demandas sociais.

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A FORTALEZA DE SÃO JOÃO: REMODELAÇÕES OITOCENTISTAS


Maria Lecticia Oliveira Constantin Raptopoulos (PPG HISTÓRIA – UNIRIO)
Anita Correia de Lima Almeida (PPG HISTÓRIA – UNIRIO)

A Fortaleza de São João, localizada no bairro da Urca, na cidade do Rio de Janeiro, é formada
por um complexo de diversos fortes, construídos ao longo de séculos. Com origem no período
de fundação da cidade, foi marco de resistência e de defesa do espaço urbano. O conjunto
edificado é considerado patrimônio cultural e o portão da antiga fortaleza, de 1572, foi tombado
pelo IPHAN em 1938. Com caráter de defesa militar e de reconquista territorial, a construção
da Fortaleza de São João explica-se por conta de sua localização estratégica, uma vez que seu
acesso se dá por três pontos: a Praia de Fora, a Praia do Porto e a entrada da Baía de Guanabara.
Quando Estácio de Sá desembarcou na Baía de Guanabara, entre os morros Cara de Cão e Pão
de Açúcar, em 1565, ali estabeleceu imediatamente um arraial e posteriormente cercou-o,
dando início à construção do que hoje é um complexo de fortes independentes, composto da
seguinte forma: São Martinho (1565), São Teodósio (1572), São José (1578) e São Tiago (1618),
sendo posteriormente reforçados pelas baterias Mallet e Marques Porto (1902). Mesmo após a
transferência da cidade para o morro do Castelo em 1567, por Mem de Sá, a construção
continuou com sua função de guarda da entrada da Baía, ainda que de forma secundária. No
ano de 1831, durante o período da Regência, após a abdicação de D. Pedro I, o Decreto de 24 de
dezembro de 1831 determinou a redução do armamento da Fortaleza por contenção de
despesas, permanecendo apenas 7 peças na bateria mais baixa, e sem o pessoal operacional
das mesmas. Em 1855, as instalações da Fortaleza passaram a ser utilizadas pela Escola de
Aplicação do Exército que, mesmo depois de sua transferência para a Praia Vermelha,
manteve dependências naquele local. Entre 1861 e 1862 ocorreram sucessivos incidentes
diplomáticos entre Brasil e Inglaterra. O ápice desses incidentes ficou conhecido como
“Questão Christie”, um episódio de grandes proporções político-militares, no qual o vice-
almirante Warren, sob as ordens do embaixador britânico William Christie, aprisionou cinco
navios brasileiros que se dirigiam ao porto do Rio de Janeiro. Esses episódios serviram como
um alerta para a situação crítica das chamadas “fortalezas da entrada da barra”; as Fortalezas
de Santa Cruz e de São João, que estavam completamente desguarnecidas. Dessa forma, o
então Imperador D. Pedro II, preocupado com possíveis invasões estrangeiras pelo fácil acesso
pelo mar, decidiu rearmá-las, tendo a Fortaleza de São João suas defesas reforçadas no Forte
de São José, que passou a ter um conjunto de 17 casamatas, construídas e equipadas com os
melhores e mais resistentes materiais e aparatos bélicos da época. O objetivo geral desse
trabalho é estudar a Fortaleza de São João e a retomada de sua importância estratégica de
proteção da entrada da cidade do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX, dando
ênfase ao processo de sua remodelação por questões de defesa militar contra possíveis
invasões; e ao fato de, apesar das remodelações, a instalação manter ruínas da antiga muralha
da Fortaleza e seu portão, construído em 1572. A questão que se deseja investigar é a maneira
como o passado da fundação da cidade manteve-se presente e, afinal, integrou a nova
paisagem urbana do complexo reformulado no século XIX.

Palavras-chave: Fortaleza de São João; Cidade do Rio de Janeiro; Patrimônio Cultural.

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O DEPUTADO “SEM JURAMENTO”: A EFÊMERA CELEBRIDADE DE MONTEIRO MANSO E


SUA PARTICIPAÇÃO NA PROPAGANDA REPUBLICANA – 1888- 1889.
Marta Lúcia Lopes Fittipaldi (PPG HISTÓRIA – UFJF)

Ao assumir seu mandato de deputado provincial pelo Partido Republicano em setembro de


1888, Antônio Romualdo Monteiro Manso negou-se a prestar o juramento protocolar da
cerimônia de posse, recusando-se a prometer lealdade à Igreja Católica e à Monarquia
conforme exigia o regulamento da Câmara dos Deputados. O novo parlamentar fora eleito pelo
9º distrito de Minas Gerais, cuja sede era Leopoldina, na Zona da Mata. Sua recusa causou
muita polêmica não somente em plenário. O episódio transformou Monteiro Manso em
celebridade festejada por grande parte da imprensa e por seus correligionários políticos que
viam no novo parlamentar um grande potencial de contestação à ordem monárquica. Acirrou
ainda o debate entre Antônio da Silva Jardim, que na época dedicava-se à campanha
republicana, e o liberal monarquista Joaquim Nabuco. Manso manteve-se em evidência até o
final de seu mandato, interrompido pela mudança de regime, em novembro de 1889; não por
novas palavras ou posições polêmicas, mas pela completa ausência delas, frustrando a grande
expectativa formada em torno do seu hipotético potencial de oposição à ordem
monárquica. Tornou-se alvo das mais mordazes críticas pelo silêncio em que se manteve
durante as sessões da Câmara. Teria proferido apenas 70 palavras em quase um ano de
legislatura. Esta comunicação tem por objetivo recuperar o personagem Monteiro Manso,
identificando-o não somente como “o deputado sem juramento”, mas como um importante
aliado da propaganda republicana de Antônio da Silva Jardim na Zona da Mata mineira, além
de analisar os elementos discursivos em torno do episódio por ele protagonizado. Serão
levados em consideração os textos de Joaquim Nabuco, publicados no jornal O Paíz, na coluna
Campo Neutro e as réplicas de Silva Jardim, inclusive constantes de seu livro Memórias e
Viagens, publicação póstuma de 1891. O tema proposto pode ser justificado pela grande
repercussão da “questão do juramento”, episódio tomado pelos republicanos como símbolo da
derrocada monárquica. Monteiro Manso com sua postura irredutível e inesperada acabou
tornando facultativo o juramento da cerimônia de posse para os futuros parlamentares. Era
natural da freguesia de Angustura, em São José d’Além Paraíba, município da Mata mineira.
Médico formado no Rio de Janeiro na década de 1870, era também cafeicultor, proprietário da
Fazenda Albion. Foi sem dúvida um personagem contraditório, largamente ironizado na Corte
pela sua aparência e modos caipiras, principalmente pelo seu laconismo nas sessões da
Câmara. Sustentou, no entanto, uma postura bastante firme acerca do ideal republicano em
seus textos e atos, voltando a ser saudado pela imprensa, pela ocasião da sua morte, em 1907,
como “republicano histórico”, expressão que em contraposição ao termo “adesista” foi
largamente utilizada principalmente durante o primeiro decênio do novo sistema
governamental, perpassando as disputas em busca de legitimidade dos vários projetos
republicanos então coexistentes.

Palavras-chave: Monteiro Manso; questão do juramento; propaganda republicana.

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A CHEGADA DAS FILHAS DA CARIDADE AO BRASIL NO OITOCENTOS E SUAS


REPERCUSSÕES NA HISTÓRIA DA VIDA RELIGIOSA FEMININA LOCAL
Melina Teixeira Souza (PPG HISTÓRIA - UFF)

As Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo estabeleceram-se no Brasil após requisitadas


por solicitação do prelado de Mariana, Minas Gerais, o lazarista Dom Viçoso, diretamente ao
Superior-Geral da Congregação da Missão em Paris. O comprometimento do bispo na
instalação da Companhia representa uma iniciativa pioneira no tocante à instrução de
mulheres no Império, já que tal presença resultou na fundação do primeiro colégio religioso
feminino de Minas Gerais no ano de 1849, o Providência, tratando-se, igualmente, de um marco
salutar na história da vida religiosa feminina local, haja vista que, até então, só se conhecia no
país a forma enclausurada de vida religiosa. O artigo busca empreender um balanço
historiográfico a respeito da vida religiosa feminina no Brasil, desde seus primórdios, no início
da colonização, até a chegada das vicentinas em meados do século XIX, uma vez que o
acontecimento é sintomático de uma mudança em curso. O interesse pelo estudo da vida
religiosa feminina nas ciências humanas articula-se à elevação da mulher à condição de
sujeito e objeto da História, alavancada por uma série de fatores em confluência: o
florescimento de novos domínios de conhecimento, a renovação temática e metodológica dos
Annales, indissociável de seu menosprezo pela alocação de rígidas fronteiras entre campos
de estudos, sem esquecer da decisiva contribuição do movimento feminista a partir da década
de 1960. A historiografia brasileira não esteve alheia a tal conjuntura, interessa-nos aqui,
especialmente, trabalhos que adensaram o conhecimento acerca da história da vida religiosa
feminina no Brasil, os quais contribuíram para relativizar o caráter excessivamente repressivo
atribuído às instituições que abrigam as mulheres piedosas. O início da colonização foi
marcado pela aversão da Coroa portuguesa à instalação de conventos de mulheres no espaço
colonial, as poucas casas religiosas existentes caracterizavam-se pela ambivalência de
funções e múltiplos usos por parte dos agentes, circunstância que começa se alterar no fim do
século XVIII, quando passam a surgir instituições como colégios, orfanatos, penitenciárias, e
conventos femininos com papéis mais definidos. O advento do século XIX inaugurou a
disseminação dos princípios liberais e uma crescente preocupação com a instrução pública
entre os círculos elitistas brasileiros, particularmente após a emancipação política em 1822,
quando as autoridades locais buscaram afastar o passado colonial patrocinando a construção
de uma unidade para o Império, a qual fundamentava-se em novo ideal de civilização que
pressupunha a promoção de uma educação pública homogeneizadora pelo Estado.
Concomitantemente a tais acontecimentos, o fortalecimento e disseminação do
ultramontanismo entre os intelectuais católicos ao longo do XIX intensifica a preocupação da
Igreja católica em assegurar o monopólio no patrocínio da instrução pública. A chegada das
Filhas da Caridade e a fundação do colégio Providência em 1849 devem ser compreendidas
nesse contexto: por um lado, coincidiram com a decadência dos antigos recolhimentos
femininos de múltiplas funções, onde a vida religiosa feminina local desenrolara-se até então;
por outro lado, testemunharam um momento em que Estado e Igreja ainda não haviam
definido quem tomaria a dianteira na organização de um sistema público de ensino, embate
que, posteriormente, foi resolvido nos termos de uma conciliação que abrangeu elite, políticos
e religiosos.

Palavras-chave: vida religiosa feminina; mulheres; instrução pública.

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AS LUZES DA EDUCAÇÃO: O ATHENEO PROVINCIAL E SUA MISSÃO CIVILIZADORA


Meryhelen Alves da Cruz Quiuqui (PPG HISTÓRIA – UFES)

A quem servia a educação secundarista no Brasil oitocentista? Qual era sua função? É de
consenso que a educação secundária era voltada para a instrução da elite financeira e
intelectual brasileira, já que o ingresso nos cursos superiores estava vinculado a esse nível de
ensino. Ao criar o Atheneo Provincial em 23 de maio de 1873 – única instituição pública, em
solo capixaba, voltada para o ensino secundário no final do período imperial – o Presidente da
Província deixa claro a influência da escola americana, onde a falta de instrução se igualava
aos conceitos de “trevas”, “ignorância” e, sobretudo, “estagnação”. Em contrapartida, a escola
seria o “futuro” e o “progresso” da sociedade. Tendo essas concepções e questionamentos em
foco, analisaremos os relatórios e discursos dos chefes do executivo com o intuito de
identificar os ideais defendidos para a instrução secundária pública capixaba entre 1873 a
1890, além disso, será analisado o papel que o professorado assumiu nesse projeto
educacional.

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ESCRAVOS E LIBERTOS AOS OLHOS DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS, DOS


RELIGIOSOS E DOS VIAJANTES DOS SÉCULOS XVIII E XIX NO RIO DE JANEIRO
(JACUTINGA)
Moisés Peixoto (PPG HISTÓRIA - UFRJ)

O presente trabalho visa cotejaras “visões” de viajantes, autoridades administrativas, senhores


e religiosos no momento de nomear a população escrava e egressa do cativeiro do Brasil
colonial/imperial. Ressalta-se, com isso, o contraste entre as visões “bifocal” (negros e
mulatos) de viajantes e de alguns governantes, para os padres. Já que estes últimos operaram
com outras “qualidades” além das duas aludidas, como: cabra, preto, crioulo, pardo, e mesmo
mulato. No caso das duas últimas, principalmente, constatou-se que os religiosos de Jacutinga
optaram pela segunda em detrimento da primeira no momento de “assentar” os cativos da
localidade nos livros paroquiais, nomeadamente, de batismo. Presumimos que tal escolha
deu-se, maiormente, pela questão religiosa e o “peso”, pejorativo, que o “mulatismo” tinha na
“visão” destes religiosos; a ponto de, como se verá, não terem cativos com esta “qualidade”. O
laboratório para tal análise foi a freguesia de Jacutinga, no Recôncavo do Rio de Janeiro, da
virada do século XVIII até o fim da primeira metade do século XIX.

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“DE SABARÁ PARA O RIO DE JANEIRO”: UM ENSAIO SOBRE A TRAJETÓRIA DE FRANCISCO


DE SOUSA GUERRA ARAÚJO GODINHO (1800-1808).
Nara Maria de Paula Tinoco (PPG HISTÓRIA – UFRRJ)

Magistrado é o oficial que interpreta o direito e suas leis a serviço dos monarcas, ou seja,
segundo a historiografia atual e os tratados de época são considerados magistrados/ ministros
do Rei aqueles que se formaram na Universidade de Coimbra e cumpriram alguns requisitos
mínimos. Estes requisitos se apresentam da seguinte forma: progressão na carreira,
experiência nos ofícios, local e tipo de função exercida. Locais e funções que também seguiam
a lógica de Antigo Regime, portanto, as atividades empregadas nas colônias e conquistas do
Império, em especial, o Brasil eram levadas em consideração. O termo elite togada está
intimamente ligado aos desembargadores, último grau na progressão da carreira e de caráter
honorário devido a experiência nas práticas de julgar ou ocupantes dos principais ofícios de
justiça e administração no Império português. Portanto, devido as modificações ocorridas no
ensino e nos moldes do direito durante a segunda metade do século XVIII, ou seja, por exemplo,
a Reformulação dos Estatutos de Coimbra, Lei da Boa Razão, as modificações dos poderes
entre política e direito assim como a preponderância das Secretárias de Estados como centro
de decisão. Eventos que diminuíram a ação dos Tribunais e Conselhos e de seus membros, os
magistrados, de participarem do poder de mando e decisão prestando-se a seus serviços aos
monarcas do aspecto técnico do direito. O presente trabalho tem por objetivo analisar a
atuação de Francisco de Sousa Guerra Araújo, durante os anos de 1800 a 1808, após sua
passagem como ouvidor na Comarca do Sabará na Capitania de Minas Gerais é nomeado
como desembargador do Tribunal da Relação do Rio de Janeiro. Natural de Mariana, Vila
pertencente a Comarca de Vila Rica, filho de um dos advogados reinóis radicados no território
e sobrinho de um dos ouvidores da Comarca do Serro Frio, portanto, participaram das elites
mineiras conforme o desenrolar da segunda metade do século XVIII, mas, nosso intuito é
demonstrar a trajetória de Francisco Godinho no ápice da carreira jurídica, ou seja, como
desembargador. Pretendemos analisar conforme a historiografia do período o momento de
transição e movimentação social que ocorre, desde os anos de 1790 até 1808, quando ocorre os
juizados de inconfidência a transmigração da Família Real, abrangendo a trajetória de
Francisco Godinho como desembargador do Tribunal da Relação do Rio de Janeiro e
Conselheiro do primeiro Conselho da Fazenda radicado em terras luso-americanas.

Palavras-Chave: Magistrados; Minas Gerais; Rio de Janeiro; Trajetórias.

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O SENADOR ZACARIAS DE GÓES E VASCONCELLOS: ATUAÇÃO POLÍTICA ENTRE 1869-1871


Olga Mattos de Lima e Silva (PPG HISTÓRIA - UFJF)

A presente comunicação tem por objetivo discutir uma parte já desenvolvida de nossa
pesquisa de mestrado, trazendo também toda a problemática metodológica que acompanha a
mesma. Zacarias de Góes e Vasconcellos foi um político que desempenhou papel central na
segunda metade do século XIX em diversos momentos da política Imperial, como por exemplo,
a queda de seu Gabinete em 1868, que é considerada por diversos autores tais como Sérgio
Buarque de Holanda e José Murilo de Carvalho, como um marco que transformou o rumo dos
acontecimentos nos anos seguintes. Entretanto, existem poucos trabalhos consistentes que
realizam uma biografia de Zacarias de Góes, sobretudo no período em que o mesmo esteve
atuando no senado (1869-1877). A historiografia se concentra na verdade ora na publicação de
sua obra Da Natureza e Limites do Poder Moderador, no ano de 1860 ora na já referida queda
de seu Gabinete. Um personagem que desempenhou papel central em 1868 e redigiu uma das
principais obras críticas que se referem à questões relacionadas ao Poder Moderador, não
continuaria participando ativamente e influenciando discussões importantes para os rumos
da política Imperial? Nossa busca segue justamente este caminho; mapear onde Zacarias de
Góes estaria nos anos seguintes a 1868 através do material disponível, isto é, da análise dos
Anais do Senado e da imprensa periódica. Nestas fontes encontramos um material riquíssimo,
que demonstram que o Conselheiro, como também era conhecido, continuou de fato
exercendo sua influência de maneira ativa em momentos decisivos para o Império, tais como
os rumos do fim da Guerra do Paraguai e a Lei do Ventre Livre em 1871, enquanto senador até
o seu falecimento, em dezembro de 1877. Além disso, Zacarias de Góes se tornou um dos
principais opositores do Partido Conservador, rejeitando na década de 1870 o convite para
compor o Conselho de Estado, alegando que “nenhum conservador o colocaria no poder, como
ele mesmo já fizera anteriormente”. Nesta comunicação, iremos expor nossa reconstrução
dessa memória política esquecida pela historiografia de Zacarias de Góes entre os anos de
1869 – 1871 e de que forma esta memória se aproxima ou se afasta daquela já construída. Além
disso, destacaremos os motivos que nos levaram até uma definição de “memória” e todo o
percurso percorrido em relação aos problemas enfrentados quanto a uma delimitação e
enquadramento dentro de referenciais teóricos e metodológicos para o estudo de uma
trajetória, biografia e memória individual.

Palavras-chave: memória; reconstrução; oposição; atuação.

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PELA “DECÊNCIA DOS SANTUÁRIOS” E “CONSERVAÇÃO DOS HOMENS”: A NECESSIDADE


DA CONSTRUÇÃO DE CEMITÉRIOS EXTRAMUROS NA PROVÍNCIA DE MINAS GERAIS (1828-
1857)
Pâmela Campos Ferreira (PPG HISTÓRIA – UFJF)

Entre os inúmeros encargos das municipalidades que a lei de 1828 previa (especificamente no
título terceiro), estava à que dizia respeito ao cuidado e manutenção da salubridade na
província. Questões de cunho higienista passaram a figurar como medidas necessárias à uma
salutar vivência entre os indivíduos, e tal pauta estaria na incumbência das câmaras
municipais. Dentro de uma preocupação inédita com a saúde pública nos mais distantes
rincões do Império, às municipalidades caberia a responsabilidade de solicitar ao poder
provincial lâminas de pus vacínico, fiscalizar a limpeza dos matadouros públicos, estabelecer
datas mais apropriadas para se abater rezes que chegavam de viagem, e entre outros pontos
relativos à salubridade, estabelecer cemitérios fora do perímetro urbano.

Palavras-Chave: Salubridade na Província; lei de 1828; câmaras municipais; cemitérios


extramuros.

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UMA HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA DESENGANADA: JOÃO SOARES LISBOA NA


CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824)
Paula Botafogo Caricchio Ferreira (Doutora em História – UNICAMP)

Esta apresentação analisa as publicações do periódico Desenganos aos Brasileiros, redigido


por João Soares Lisboa e publicado em Recife, em 1824. Empenhado em justificar sua adesão
à Confederação do Equador, o redator publicava seu engano com a monarquia constitucional.
Antes disso, em 1823, no Rio de Janeiro, João Soares Lisboa, encarcerado e único condenado
por “conluio republicano” na bonifácia, estava cada vez mais distante dos seus antigos aliados.
Dentre eles, Joaquim Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira e Januário da Cunha Barbosa
passavam sucessivamente a orbitar na esfera dos poderes de D. Pedro I e a defenderem um
arranjo institucional que subordinava os governos provinciais ao do Rio de Janeiro, com
amplas atribuições ao poder executivo e moderador que se punha no horizonte. Depois da
dissolução da Assembleia Legislativa do Brasil em novembro de 1823 e do perdão do imperador
da sua pena de exílio do Brasil pela condenação na bonifácia, Soares Lisboa isolado
politicamente aportava em Recife e aderia à Confederação do Equador (1824). Diante desse
quadro, nas publicações do Desengano aos Brasileiros, o redator publicava uma versão
desenganada da história da Independência do Brasil com a preocupação de esclarecer e
demonstrar publicamente a sua opção pela federação e a república depois de tanto tempo de
engajamento pela construção da monarquia constitucional, levando-o à responder por
processo por “abuso da liberdade de imprensa”, “conluio republicano” e ao exílio e prisão nos
anos de 1822 e 1823. Em 1824, denunciava um plano arquitetado por D. Pedro I e D. João VI para
enfraquecer a unidade do Brasil, reconquistar suas províncias e submetê-lo ao Absolutismo
da dinastia de Bragança, sob domínio de Portugal. Contava que com essa finalidade, os
monarcas utilizavam da dissimulação, impostura, adulação e mentiras para manipular de
forma maquiavélica o governo e os cidadãos. Nesse sentido, para o redator, o “maquiavelismo”
do imperador D. Pedro I não era uma incoerência, pelo contrário, era próprio da forma de
governar dos monarcas, constitutivo de sua essência e imoralidade que tornava-a
incompatível com um governo virtuoso. Em contrapartida, a república se particularizava por
ser um governo de virtudes que prezava pelo “caráter” dos cidadãos e dos governantes. Essa
narração desenganadas e esvaneceu na literatura histórica, por exemplo, em autores como
Varnhagen e Mello Moraes. Todavia, junto da sua participação e morte pela Confederação do
Equador, motivou memórias valorativas e que denegriam a trajetória pública de João Soares
Lisboa, dependendo do valor que se queria atribuir para esse movimento e seus personagens,
funcionando como uma referência para apresentar a radicalidade desses atores e de
processos históricos.

Palavras-chave: Imprensa, Confederação do Equador; Independência do Brasil; República;


Monarquia Constitucional.

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DA QUEDA DE ROSAS À GUERRA DO PARAGUAI: PAX ARMADA NO RIO DA PRATA (1852-


1865)
Pedro Gustavo Aubert

O período compreendido entre a derrubada de Juan Manoel de Rosas e o início da guerra do


Paraguai a despeito de ser citado, aparece pouco explorado em grande parte dos trabalhos
historiográficos. A derrubada do então governador de Buenos Aires com o concurso militar
imperial alterou sobremaneira a posição política do Império brasileiro na bacia platina. Se
poucos anos antes o Brasil se encontrava acuado pela ação militar da Armada Britânica
empregada na repressão ao tráfico negreiro intercontinental, com a vitória em Monte Caseros
(e o desfile de tropas imperiais em Buenos Aires), passou então a monarquia sul-americana a
disputar protagonismo e espaço político com Estados Unidos, França e Grã-Bretanha na
América do Sul. O Império se tornou presença militar e econômica no Rio da Prata. Passou a
contar com uma estação naval no Rio da Prata e com tropas regulares em Montevidéu e se
tornou credor da Confederação Argentina e da República Oriental do Uruguai. Os Tratados de
outubro de 1851 com o Estado Oriental foram colocados em execução mediante ameaça de
intervenção militar imperial contra o governo do blanco Juan de Giró. Ao longo do período
entre 1852 e 1864 foram múltiplas as intervenções do Império. Os tratados o obrigavam a
defender os governos constitucionais. Porém, dadas as disputas internas da república, o
governo imperial reconhecia como governo constitucional quem estivesse de acordo com
seus interesses. Não é demais lembrar que quando em 1864 houve a ruptura de Atanásio
Aguirre com o Império, o então presidente uruguaio incendiou em praça pública os Tratados
de 1851. No que diz respeito ao Paraguai, o Império foi o primeiro país a reconhecer sua
independência (Rosas o reivindicava como província argentina) ainda em 1844. Derrubado
Rosas, o Diretor Provisório da Confederação Argentina, Justo José Urquiza reconheceu tal
independência, estratégica para o Império manter o caráter internacional da bacia platina. A
partir de então, o Paraguai passou a condicionar a navegação brasileira até Mato Grosso a um
ajuste de limites que tomaria grandes porções da província de Mato Grosso. Esse impasse
levou os dois países praticamente à guerra em 1855 quando houve a expulsão do representante
diplomático brasileiro e consequente envio de missão armada e, novamente em 1858 quando
os regulamentos de navegação paraguaios interditavam o acesso a Mato Grosso. Nesse
período, o governo imperial investiu na modernização de sua marinha de guerra e estabeleceu
colônias militares próximas aos territórios disputados com o Paraguai.

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A LIBERDADE É UMA BÊNÇÃO: O PRESBITERIANISMO E O ABOLICIONISMO NO SEGUNDO


REINADO BRASILEIRO
Pedro Henrique Cavalcante de Medeiros (PPG HISTÓRIA - UFRRJ)

Pretende-se analisar as ações e reações dos missionários protestantes que chegaram ao


Brasil, no século XIX, principalmente os presbiterianos, com relação à questão escravista. A
principal interpretação sobre essa relação defende a letargia dos missionários com relação ao
tema, devido a influência de uma teologia dicotômica norte-americana que priorizava o
espiritual em detrimento do temporal. Para essa interpretação, quando os protestantes se
pronunciavam sobre a questão, era apenas no intuito de moralização do escravo, e não uma
postura clara contra o sistema. Na Imprensa Evangélica, primeiro jornal protestante
presbiteriano do Brasil, fundado por Simonton em 1864, o tema será abordado somente na
década de 1870, mas se tornará um tema relevante apenas na década de 1880. Ainda na década
de 1880, dois opúsculos evangélicos contra a escravidão, foram publicados, o primeiro em 1884
do missionário norte-americano James Houston e o segundo em 1886 do pastor brasileiro
Eduardo Carlos Pereira. Essas duas obras procuraram demonstrar biblicamente a contradição
entre ser cristão e ao mesmo tempo não lutar contra a escravidão. Entre uma interpretação
negativa sobre a atuação dos protestantes com relação à questão escravista e outras que
defendem uma postura claramente abolicionista ainda na década de 1860, baseados na
postura de Robert Kalley diante de senhores de escravos membros de sua igreja, percebemos
a necessidade de analisar a produção do discurso antiescravista dos protestantes em relação
ao desenvolvimento do abolicionismo brasileiro. A partir dessa constatação, nesta
comunicação iremos analisar as publicações na Imprensa Evangélica sobre a questão
escravista e os opúsculos citados comparando essa produção com o movimento abolicionista
como um todo. Dessa forma, pretendemos demonstrar que foi exatamente no momento da
nacionalização do movimento abolicionista, durante a década de 1880, que os presbiterianos
passaram a publicar maior volume de artigos ou notas abolicionistas no jornal. Além disso, a
publicação das obras de Houston e Pereira são respostas e à ascensão e queda do gabinete
Dantas, 1884, respectivamente, em apoio ao abolicionismo. Nessas produções estiveram
presentes as ideias que consideravam a escravidão como pecado, roubo, monstruosidade e
algo sem nenhuma justificativa bíblica. Nossa análise parte da teorização sobre as relações
entre o campo religioso e o campo político expostas por Bourdieu e a análise dos discursos
está baseada na metodologia do contexto linguístico apresentada por Pocock.

Palavras-chave: Presbiterianismo; Abolição; Imprensa.

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AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE, A HISTÓRIA ILUSTRADA E A CIVILIZAÇÃO DOS POVOS: A


HUMANIDADE ENTRE PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES
Rafael Augusto Gomes (PPG HISTÓRIA - UFSJ)

Procuraremos neste trabalho compreender qual a relação existente entre a História Filosófica
setecentista e os paradigmas ilustrados de Civilização e Humanidade. Buscaremos
demonstrar como as representações do “selvagem” americano estavam conectadas a certo
arquétipo de Homem construído pelos núcleos letrados e científicos europeus – formados por
filósofos, historiadores e naturalistas, entre outros – durante a transição dos séculos XVIII e
XIX. Pretendemos também demonstrar também como essas representações influenciaram
projetos civilizatórios e modelos de cidadania diversos. Para ilustrar tal movimento, daremos
ênfase às representações indígenas e estratégias civilizatórias formuladas pelo naturalista
Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) em seus relatos de viagem, documentos produzidos num
incipiente Brasil entre os anos de 1816 e 1822 e publicados na França da década de 1830.

Palavras-chave: Saint-Hilaire; História; Civilização; Humanidade; Representação.

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UMA DISPUTA NA CORTE PALACIANA DE D. PEDRO I: UMA BREVE ANÁLISE SOBRE AS


CORRESPONDÊNCIAS TROCADAS ENTRE FRANCISCO GOMES DA SILVA E O MARQUÊS DE
BARBACENA
Rafael Cupello Peixoto (PPG HISTÓRIA - UERJ)

Nosso objeto de pesquisa é o estudo biográfico de Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira
e Horta, marquês de Barbacena, diplomata e senador do Império do Brasil. O marquês de
Barbacena foi figura política importante do Primeiro Reinado estando presente em eventos-
chave do governo de D. Pedro I, como: a negociação pelo reconhecimento da independência
brasileira; a guerra da Cisplatina; a crise de sucessão do trono português (1826); as negociações
pelo segundo casamento do primeiro monarca, além de ter sido pivô de importante crise ao
final do reinado de D. Pedro I, quando foi demitido do ministério da Fazenda, em fins de 1829.
A partir do estudo da correspondência pessoal do marquês de Barbacena, conseguimos
identificar as estratégias sociais desenvolvidas pelo referido personagem para a sua ascensão
política na corte palaciana de D. Pedro I. Neste sentido, percebemos uma relação proximal
entre Barbacena e Francisco Gomes da Silva, o “Chalaça”, sujeito componente do famoso
“Gabinete Secreto” do primeiro monarca. Segundo Octávio Tarquínio de Sousa, o Gabinete era
composto por indivíduos que conheciam o imperador, alguns desde a infância, e que se
transformaram em amigos dedicados, merecendo do monarca um acesso diário e tratamento
cordial. Assim, o referido gabinete, guardava alguns estigmas do absolutismo, apresentando
“por vezes o que haveria de mais peculiar ao servilismo de meros lacaios” (SOUSA, 1972, t.III, p.
40), ao mesmo tempo em que cumpria incumbências da política imperial das mais relevantes.
Deste modo, defendemos que a presença do marquês de Barbacena junto a “Chalaça” foi
importante instrumento político para que ele conquistasse a confiança do Imperador e
adentrasse ao topo da hierarquia política do Primeiro Reinado. Assim, o referido trabalho visa
esmiuçar as referidas correspondências trocadas entre Francisco Gomes da Silva e
Barbacena, a fim de apontar as estratégias adotadas por ambos no jogo político palaciano de
D. Pedro I, bem como as consequências políticas desta relação. Acreditamos que o acirramento
da disputa entre Barbacena e “Chalaça”, e a busca pelo primeiro em se tornar o “principal
conselheiro” de D. Pedro I dentro de sua corte palaciana, provocou rupturas no campo político
imperial que desembocou naqueda do marquês de Barbacena do ministério da Fazenda, em
setembro de 1829, e no agravamento da crise política do Primeiro Reinado com o aumento das
rivalidades entre “portugueses” e “brasileiros” que marcaram todo o governo do primeiro
monarca.

Palavras-chave: Francisco Gomes da Silva; Marquês de Barbacena; Gabinete Secreto;


Primeiro Reinado; disputas palacianas; D. Pedro I.

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UM ESTUDO SOBRE OS PADRÕES DE ALFORRIAS EM VITÓRIA, PROVÍNCIA DO ESPÍRITO


SANTO (1871-1888)
Rafaela Domingos Lago (PPG HISTÓRIA - UFES)

Este trabalho versa sobre os padrões de alforrias na região central da Província do Espírito
Santo entre 1871 e 1888. Pretendeu-se dar destaque a ação dos escravos – que tinham
assegurada a liberdade caso obtivessem pecúlio suficiente para pagar por ela a partir de 28 de
setembro de 1871 –, às redes de solidariedade que se formaram em torno das manumissões e
as estratégias dos senhores nas “concessões” de cartas num momento de desagregação do
sistema escravista. Para tanto, foram analisadas as práticas de alforrias registradas em vinte
e um livros do cartório do segundo ofício de notas do Juízo de Vitória. As informações
baseiam-se em amostra de 155 cartas de liberdade contendo 171 escravos alforriados. Os
estudos de alforrias na Província do Espírito Santo engrossam as fileiras de trabalhos que
refutam a ideia de um padrão único de alforrias para todo o Brasil e chamam atenção para a
diversidade de características das manumissões, que variam de acordo com o lugar e período
em foco.

Palavras-chave: Cartas de liberdade; Vitória; Século XIX.


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PRÁTICAS DE FAMÍLIA, ESTRATÉGIAS DE PODER: OS BELFORT E SUA ATUAÇÃO POLÍTICA


NO BRASIL IMPÉRIO (C.1740-1850)
Raissa Gabrielle Vieira Cirino (PPG HISTÓRIA - UFJF)

Após a finalização do processo de Independência do Brasil, seu novo aparato governativo


passou a ser estruturado em acordo com as normas constitucionais em voga. Enquanto novos
editos e códigos de lei regulamentavam, progressivamente, o âmbito político nos mais
diversos níveis (local, provincial e nacional), os indivíduos também buscaram adaptar seus
projetos à nova realidade sociopolítica que lhes foi apresentada. A família, principal núcleo
em uma sociedade pautada na cultura de Antigo Regime que teve suas ressonâncias no Brasil,
continuou com seu papel preponderante como unidade socioeconômica e foi a partir dela que
vários atores buscaram articular estratégias (conscientes ou não) para garantir,
minimamente, seus interesses. Por sua vez, enfocar as famílias de elites, consideradas como
o principal grupo à frente de instâncias de poder (político, econômico e social), é uma
interessante via de análise, uma vez que essas constituíram dinâmicas sociais que permitem
conectar os diversos mundos (da burocracia, do comércio, das negociações matrimoniais, dos
exercícios de poder, da construção social, da produção de ideias e identidades...) em que seus
componentes se inseriram. Desta forma, enfatizando o papel das famílias e de suas redes
relacionais, analisaremos o caso dos Belfort, formada na capitania do Maranhão nos idos de
1700, e que, graças aos investimentos econômicos, às alianças sociais, às amizades, à
educação formal, à escolha de determinadas profissões para os descendentes, aos laços
matrimoniais e de compadrio, conseguiram se instituir como “tradicional família” na ribeira
do Itapecuru, região de ricas propriedades agrícolas, e se inserir nas redes de poder colonial e
imperial. Ao enveredar por esse intricado labirinto de relações e práticas, buscamos
demonstrar que a complexidade das ações familiares e individuais desses protagonistas,
mesmo partindo de uma distante província imperial, contribuem sobremaneira para
desconstruir determinismos remanescentes na historiografia brasileira ao mesmo tempo em
que conectam as diferentes esferas sociais que auxiliaram a construção e manutenção das
estruturas do que ficou conhecido como Império do Brasil.

Palavras-chave: Brasil Império; província do Maranhão; família; construção do Estado; família


Belfort.

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A AÇÃO, O EXAME E O JUÍZO: O GOVERNO PROVINCIAL NO ALVORER DO IMPÉRIO (1823-


1834)
Renata Silva Fernandes (PPG HISTÓRIA - UFJF)

A partir de meados do século XVIII, na esteira da difusão dos pressupostos iluministas e da


progressiva consolidação de princípios como o da razão de Estado, a prática política
aproximou-se, gradativamente, de uma atuação mais “ativa”, que buscava ordenar e
racionalizar a sociedade e o poder. Uma série de políticas (ou, ao menos, de projetos
reformistas), ainda que inscritas na lógica jurisdicional e em seu “paradigma de
administração” – como tem sido destacado recentemente pela historiografia –, começaram a
ser ensejadas no sentido de promover-se uma maior integração entre o “centro” e as
“periferias”, provocando, com isso, deslocamentos em algumas das funções do governo e o
avanço de uma gestão mais interventiva dirigida por razões específicas, mesmo que em um
sentido mais disciplinador e regulador. Contudo, com a difusão do constitucionalismo
moderno e das ideias liberais, que colocavam em questão algumas das tradicionais formas de
legitimidade do poder, esses imperativos se conjugaram a novas demandas relativas às
“formas políticas” dos Estados, conformes, por exemplo, à afirmação da soberania nacional e
à divisão dos poderes políticos. Tais formulações estiveram no cerne dos debates travados nos
processos de instituição dos “novos” ordenamentos na revolucionária conjuntura
experimentada entre finais do século XVIII e início do século XIX, nos dois lados do Atlântico.
Não sem motivos, nessas formulações ocuparia um plano basilar a questão da (re)organização
dos espaços políticos regionais, considerados como uma das alternativas para a interação
entre o “centro” e as “periferias”. Tendo isso em vista, propomos, nesta comunicação, uma
análise da organização do governo interior das províncias do Império do Brasil no Primeiro
Reinado e nos anos inicias da Regência. O objetivo é analisar esse arranjo considerando as
experiências que propiciaram aportes linguísticos, teóricos e práticos, entendidos como
referenciais de emulação essenciais para compreensão da atuação dos agentes e instituições
criados nas províncias brasileiras nesse contexto, em especial, aqueles concernentes à
“administração” e à definição de suas tarefas de ação, exame e juízo. Para tanto, centraremos
nossas considerações na atuação dos Presidentes e Conselhos de Governo na província de
Minas Gerais, buscando denotar a dinâmica institucional que envolvia seu modus operandi:
as atribuições, a origem das matérias debatidas, os assuntos que ocupavam as sessões, as
formas de apreciação e encaminhamento, etc.

Palavras-chave: Império do Brasil; Governo Provincial; Minas Gerais.

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MACHADO DE ASSIS CRONISTA: ENTRE O HUMOR E A CRÍTICA


Renata William Santos do Vale (PPG HISTÓRIA – UFF; bolsista CNPq;
Pesquisadora Arquivo Nacional)

A maior parte da produção crítica ou historiográfica sobre Machado de Assis ainda assenta
sobre seu trabalho como romancista e contista, gêneros clássicos de ficção, enquanto sua
atividade como jornalista/cronista, em diversos dos mais importantes jornais e revistas das
últimas décadas do Oitocentos no Rio de Janeiro, somente há pouco começa a ganhar
importância e destaque. Considerando que Machado atuou regularmente como jornalista
desde finais dos anos 1850 até pelo menos a virada do século e que a maior parte de sua
produção de contos e romances também apareceu pela primeira vez nos periódicos da cidade,
acredita-se que as crônicas publicadas em diversas colunas e folhetins merecem ao menos
igual importância na sua formação como escritor, no seu papel como homem de letras e no
reconhecimento como o mais importante autor brasileiro em sua época. Entre as diversas
séries de crônicas produzidas, merecem destaque as Histórias de quinze dias (depois de trinta
dias), publicadas na Ilustração Brasileira entre julho de 1876 e abril de 1878, e as Notas
Semanais, publicadas n’O Cruzeiro, entre junho e setembro de 1878. Esses dois conjuntos, que
parecem ser complementares, apesar de estarem em periódicos diferentes e serem assinados
por “autores” diferentes, respectivamente Manassés e Eleazar, são especialmente
significativos porque publicados entre o lançamento de Iaiá Garcia e Memórias Póstumas de
Brás Cubas, fazem uma espécie de ponte entre o escritor ainda retraído dos primeiros
romances e o grande analista que se consolida a partir dos anos 1880. As crônicas produzidas
no intervalo entre 1876 e 1878 evidenciam como a atividade jornalística serviu, a cada semana,
a cada quinzena, para que Machado exercitasse os elementos literários que contribuíram para
a solidificação de sua imagem ao longo do século XX, como escritor irônico, sofisticado, de
humor afiado, que entretêm mas ao mesmo tempo questiona a perspicácia do leitor, de crítico
mordaz dos costumes e regras da sociedade, que desafia a identidade que se queria construir
para o país, expondo as contradições e ridículos de um Estado monárquico, escravista,
pretensamente progressista e civilizado(r), mas profundamente conservador e desigual.
Nessas crônicas Machado tratou de assuntos como as crises ministeriais, a lei de 28 de
setembro, as eleições, o censo, mas também sobre as touradas e outros hábitos pouco
“civilizados”, como os circos de horrores, o hábito de soltar foguetes nas festas (juninas) de
santos, contrariando os críticos que o atacavam por não tratar de política e outros assuntos
graves do Estado/nação e nem mesmo de aspectos da cultura popular. Uma razão provável
para esta negligência com as crônicas pode ser pela forma como Machado trata de temas tão
sérios sob um véu de sátiras, metáforas humorísticas, histórias cômicas e ridículas, mas que
permitiam aos mais atentos perceber o absurdo e o descompasso real da vida nacional,
cambaleando entre o atraso e o progresso. Juntamente com o uso dos narradores sob os quais
se escondia, esses recursos, típicos de narrativas de ficção, inventadas, imaginadas, remetiam
a textos que não deveriam ser levados a sério, mas que permitiam maior liberdade para
Machado comentar e criticar a política nacional, a cultura da boa sociedade escravocrata,
algumas propostas liberais – mas nem tanto –, o sistema eleitoral, entre tantos outros
assuntos.

Palavras-chave: Machado de Assis; crônica; humor; crítica.

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OS HOMENS PRETOS DE JUIZ DE FORA: UM ESTUDO SOBRE A IRMANDADE DO ROSÁRIO


(1888-1905)
Renato Balbino da Silva (PPG HISTÓRIA – UFJF)

O presente trabalho propõe analisar as relações entre a Irmandade do Rosário e a elite juiz-
forana diante do processo de afirmação da mesma e o processo de construção de sua Capela,
situada no bairro Granbery. A criação desta confraria, ocorreu 21 dias antes da abolição da
escravidão, o que denota uma certa singularidade dada o histórico da cidade que, com a
expansão cafeeira, chegou a concentrar 26% da população escrava da Província. Nesse sentido
a pesquisa visa compreender as relações que existiram entre os membros dessa irmandade
de homens pretos e algumas figuras que compunham elite juiz-forana do final do século XIX
e início do século XX, uma vez que o fundador dessa confraria ao se despedir do cargo,
alegando estar avançado em idade e precisa cuidar da saúde, faz a seguinte afirmação; “a
irmandade do rosário sempre foi dos pretos”. Nesse sentido, as fontes utilizadas até o
momento para empreender esta pesquisa são o compromisso da Irmandade do Rosário da
Freguesia do Santo Antônio de Juiz de Fora e vários artigos do Jornal “O Pharol”, onde se pode
notar uma intensa atividade, não só no que se refere ais festejos idealizado pela irmandade,
mas também os diversos atos de doações de várias pessoas ilustres da elite local para a
construção da Capela. Logo o projeto visa analisar os interesses da elite local na promoção da
Capela do Rosário, que no momento de sua inauguração pode se notar a presença dessa elite,
porém não há referências dos membros dessa Irmandade.

Palavras-chave: Elites; Irmandade do Rosário; Capela do Rosário.

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EXISTE UMA CONFUSÃO ENTRE PÚBLICO E PRIVADO NO BRASIL? UM OLHAR A PARTIR


DA HISTÓRIA CONCEITUAL
Renato de Ulhoa Canto Reis (PPG HISTÓRIA – UFJF)

A apresentação proposta está dividida em três partes. No primeiro momento pretendo


demonstrar como existe uma máxima explicativa na vida política contemporânea brasileira
a respeito da sua “formação” política e histórica: a confusão entre público e privado. Trata-se
de uma máxima usada para dar sentido a uma diversidade de fenômenos: o futebol, a internet,
a escravidão, o ensino religioso nas escolas, o trânsito de São Paulo, a corrupção, a política e a
justiça brasileira, de modo geral. Ao mesmo tempo, essa máxima é compartilhada por uma
diversidade de atores que, a despeito de suas diferentes posições políticas e ideológicas,
parecem estabelecer um consenso na hora de encontrar as origens da mácula da vida política
nacional. A segunda parte da apresentação procura demonstrar como a teoria e o método da
história conceitual pode redirecionar o olhar para esse problema e como, do ponto de vista da
análise conceitual, a resposta para a pergunta sobre a existência da confusão pode ser sim e
não. Nesse sentido, procuro tratar de questões como: público e privado são conceitos políticos?
Quais as características de um conceito político? Quais as características dos conceitos de
público e privado? No último momento da apresentação trata-se de guiar a discussão para o
momento em que, possivelmente, estão se originando as características que tornaram
possível a existência dessa máxima, ou seja, para a segunda metade do século XVIII e para a
discussão sobre o surgimento e a atuação do Estado.

Palavras-Chave: Público e privado; história dos conceitos; confusão; patrimonialismo.

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O LUGAR DA VIDA NA OPERAÇÃO HISTORIOGRÁFICA EM JULES MICHELET E A ESCRITA


DA HISTÓRIA NA FRANÇA NO INÍCIO DO SÉCULO XIX
Renato Fagundes Pereira

Esse artigo tem o objetivo de discutir a relação entre a vida e a produção historiográfica na
escrita da história de Jules Michelet. Partimos do pressuposto de que o historiador francês
Jules Michelet se enquadra numa perspectiva histórica extremamente singular. Ele
definitivamente rompe com a ideia de apreciar o passado por ele mesmo. A história deve
estimular os homens a agir, tornarem-se Prometeus. Concepção de história que emerge no
século XIX num contexto político pós-revolucionário. Nesse sentido, vamos discutir no
interior da história da historiografia, história das ideias e dos conceitos, elementos que
contribuíram para a emergência dessa concepção de história que deve ser compreendida
fundamentalmente como história poética em oposição às tentativas de adequação do
conhecimento histórico a metafísica cartesiana. Isso significa repensar o lugar da vida na
produção da narrativa histórica e a fundação de uma nova verdade.

Palavras-chave: Michelet; Vida; História.

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UM PERUANO ENTRE OS “CONSTRUTORES DA NAÇÃO”: UMA ANÁLISE DOS PRINCIPAIS


ARTIGOS DE SANTIAGO NUNES RIBEIRO NA REVISTA MINERVA BRASILIENSE
Thaís Ferreira Pilotto (PPG HISTÓRIA – UERJ)

Este trabalho se insere no campo da História da Imprensa, que tem avançado nos últimos anos
com o alargamento dos campos na história e da noção de documento histórico. Desenvolvo
este estudo a partir da ideia de Robert Darnton e Daniel Roche na obra Revolução impressa. A
Imprensa na França, 1775-1800 compreendendo os impressos como agentes históricos que
tiveram poder transformador na história, o que implica em ver os impressos como força ativa
na história, tendo em vista que por meio da relação entre escrita e leitura, pode-se mover o
pensar, o saber e o agir. O publicista sobre qual me debruço, Santiago Nunes Ribeiro, foi um
peruano que desde criança habitava o Brasil e que teve importância fundamental na
construção de um sentimento nacional brasileiro. Partirei de um caminho deixado por
Antônio Candido, em sua obra Formação da Literatura Brasileira, na qual o autor evidencia a
importância de Santiago na formação de uma interpretação acerca da história da literatura
brasileira, que teria sido a mais notável até Silvio Romero. Me proponho neste trabalho,
analisar os que considero como principais artigos escritos por Santiago Nunes Ribeiro,
publicados em Minerva Brasiliense (1843-1845), ao longo da duração da revista. Por meio da
análise de seu discurso viso demonstrar a riqueza de seu pensamento, não me centrando
apenas em seu ensaio “Da nacionalidade da Literatura Brasileira”, o que não exclui a extrema
relevância deste que é tido como um dos principais ensaios publicados pela Minerva. Destaca-
se a importância da atuação de Santiago Nunes Ribeiro na revista romântica Minerva
Brasiliense (1843-1845), da qual o publicista foi colaborador desde o início e redator na
considerada segunda fase da revista, que se iniciou em 15 de novembro de 1844. Nessa
segunda fase, em que atuou como redator, sublinham-se seus esforços em ampliar o público
leitor da revista, assim como na formação de uma Biblioteca Brasílica, que teve como principal
objetivo a publicação de obras raras a um valor menor que o encontrado nas livrarias. Algumas
obras seriam publicadas pela primeira vez nesta publicação, como foi o caso das Cartas
Chilenas. Em suma, meu objetivo é traçar uma análise dos principais artigos de Santiago
Nunes Ribeiro publicados em Minerva Brasiliense. Dentre estes artigos, analiso Da
nacionalidade da literatura brasileira, o artigo que é considerado o principal em sua carreira
devido à polêmica que suscitou, estabelecendo uma comparação ao artigo de Domingos
Gonçalves de Magalhães Ensaio sobre a história da literatura do Brasil com o objetivo de
mostrar a relevância do ensaio deste peruano, muitas das vezes esquecido pela história.
Também me proponho a analisar os ensaios nos quais Santiago expressa sua opinião sobre o
público leitor que se formava, assim como naqueles em que expõe suas aspirações relativas à
construção das bases da nação.

Palavras-chave: Imprensa; romantismo; Minerva Brasiliense; literatura.

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POR UM ESTUDO DAS COGREGAÇÕES RELIGIOSAS NO SÉCULO XIX: A CONGREGAÇÃO DA


MISSÃO DE SÃO VICENTE DE PAULO E O COLÉGIO DO CARAÇA
Thales Contin Fernandes (PPG HISTÓRIA - UFJF)

Fundada por São Vicente de Paulo em 1625 na França, a Congregação da Missão destacou-se
por seu papel decisivo na reforma do clero francês no âmbito dos movimentos reformistas
pós-concílio de Trento. Portadores de uma espiritualidade fortemente marcada pelo rigorismo
moral, esses padres destacaram-se por pregar missões junto às pobres comunidades rurais
francesas. Já em suas primeiras décadas, a Congregação enfrentou problemas relacionados a
conciliação entre o dever missionário e as atividades internas em prol da santificação pessoal.
Esse conflito foi imortalizado no livro de normas, entregues aos missionários somente em
1658. Em 1820, dois missionários lazaristas (outro nome dado aos padres da missão) chegaram
ao Brasil, oriundos de Portugal. Ao aqui chegarem, logo receberam a herança do ermitão
Lourenço de Nossa Senhora, um santuário encravado na Serra do Caraça, atual município de
Catas Altas, com a condição de formar ali um colégio para a educação da mocidade e um asilo
de missionários. Enquanto lá permaneceram, os congregados edificaram um dos mais
importantes colégios brasileiros do século XIX. Além de ensinar a mocidade, tais padres foram
responsáveis por realizar missões em toda a região. Os livros utilizados nas missões, bem
como documentos que regiam a vida diária da casa lazarista, incluindo uma cópia das Regras
e Constituições Comuns da Congregação ainda podem ser encontradas nos arquivos daquela
instituição. O objetivo da atual comunicação é, através dessa dos documentos encontrados,
compreender aquilo que temos chamado até então de espiritualidade lazarista. Quais valores,
ritos e práticas eram valorizados por aqueles padres dentro de um universo de outras tantas
crenças, ritos e práticas possíveis? Em que tais elementos influenciaram as ações daqueles
padres em prol da reforma dos valores religiosos nas Minas oitocentistas? Essas são questões
que pretendemos abordar na comunicação. Através de cartas e demais documentos
produzidos por D. Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana (1844 – 1875) e um dos mais
importantes membros da Congregação no Brasil, já foi possível identificar de forma
sistemática o papel exercido pela figura de São Vicente na elaboração de uma espiritualidade
lazarista brasileira, com conflitos e valores muito parecido com aqueles gestados no início da
Congregação. Tal relação é óbvia, contudo, entendê-la tem se mostrado esclarecedor na
compreensão de falas, atos e posicionamentos tomados pelos padres congregados no cenário
das Minas Gerais do século XIX.

Palavras-chave: Igreja Católica; Congregação da Missão; século XIX.


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REFLEXÕES INICIAIS SOBRE A ELITE NO EXÍLIO: OS NOBILITADOS NAS MISSAS DE


RÉQUIEM DE DOM PEDRO II
Thalita Moreira Barbosa (PPG HISTÓRIA – UFJF)

No século XIX, a centralidade da Europa e, sobretudo da França, no contexto geopolítico do


ocidente, era clara. As viagens constantes das elites periféricas tinham como destino certo
Paris. O Brasil do século XIX estava impregnado de cultura francesa e a elite abraçava Paris
como uma segunda pátria. A partida da Família Imperial no ano de 1889 acarretou o
deslocamento de um conjunto de famílias da elite oitocentista para a Europa. Com Paris como
destino, a comunidade brasileira que se estabeleceu no ultramar, levou consigo seus
costumes, hábitos e relações. Com a morte do Imperador e a centralidade que a religião
ocupava no seio social dos exilados, as missas de réquiem celebradas até meados do século
XX servem como fonte para a identificação desses ilustres que cercaram a Família Imperial
durante os anos de exílio e recriaram suas vidas na Europa. Segundo Michel Forsé (1981),
demonstrar que as relações que um indivíduo mantém com outros varia, em grande parte
segundo fatores sociais, econômicos ou demográficos, e que tais determinantes nutrem as
redes de relacionamento estabelecidas e o nível de engajamento de seus membros, constitui
o estudo das sociabilidades. A constituição desses grupos e de seus mecanismos internos de
funcionamento, bem como suas relações de adesão e/ou de rejeição, tem papel central para o
entendimento da dimensão cultural e social das famílias da elite oitocentista que viviam em
Paris na virada do século XIX. Paris, enquanto lugar de encontro, ao qual chamamos de “espaço
de sociabilidade”, de acordo com Jean-François Sirinelli (1986), abrange as atitudes e os
comportamentos coletivos, o espaço geográfico e o comportamento afetivo envolvido nas
relações, pois trata-se de domínio intermediário entre a família e a comunidade de
pertencimento civil, atuando como um microcosmo social, resultante de fatores permanentes
ou temporários, de contornos variáveis, que atraem e unem os membros, uns aos outros, como
num sistema de redes. Os réquiens são realizados anualmente e têm um quórum significativo.
O foco deste trabalho é analisar e refletir sobre os presentes nessas missas, suas redes de
relacionamento e seus espaços de sociabilidade. Dentro dessa ideia geral suscitada, o
falecimento do Imperador é central para o estudo proposto, pois é o fio condutor de todo o
levantamento dos dados que serão analisados. O falecimento de Dom Pedro II é um marco
importante para a comunidade brasileira exilada, uma vez que muitos são monarquistas que
abrem mão de continuar em seu país por consideração ao monarca e/ou desgosto pelo novo
regime. A questão que se coloca é, portanto, a necessidade de uma análise sistemática e mais
detalhada das redes de sociabilidade construídas no exílio, inclusive em relação à interação
dessas famílias oitocentistas entre si e com a sociedade francesa. A proposta do projeto gira
em torno dos espações de sociabilidade não somente dos brasileiros, mas também os
compartilhados entre ambas as elites.

Palavras-chave: Elite Imperial; Monarquia; Exílio; Paris.

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FAMÍLIA E COMUNIDADE ESCRAVA NA FAZENDA SÃO BENTO DE IGUAÇU (1817-1857)
Vitor Hugo Monteiro Franco (PPG HISTÓRIA - UFF)

Os estudos sobre a família escrava têm sido de suma importância para compreendermos a
Escravidão no Brasil. Assim, o presente trabalho busca não só dialogar com o debate sobre
esta dimensão do passado escravista, como contribuir para ele, concentrando-se no âmbito
de propriedades de ordens religiosas. Sendo assim, viso estudar a formação e os laços
comunitários entre os escravos da Ordem de São Bento, no Recôncavo da Guanabara, no
século XIX. Para isso, analiso arquivos paroquiais: assentos de batismo, casamento e óbito
entre os anos de 1817 e 1857 da Capela de Nossa Senhora do Rosário. Tais fontes me permitiram
realizar uma análise mais acurada das relações familiares desses indivíduos que vivenciaram
o cativeiro, os então chamados: Escravos da Religião.

Palavras-chave: Escravidão; Família escrava; Ordem de São Bento.

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A COSTURA DO TERRITÓRIO: OS AGENTES E AS FERROVIAS NO CENTRO-SUL BRASILEIRO


DE UMA PERSPECTIVA DA GLOBAL HISTORY
Welber Luiz dos Santos (PPG HISTÓRIA – UFOP)

Este artigo tem como objetivo a leitura contextual da construção de ferrovias no Centro-Sul
do Império do Brasil a partir de uma perspectiva que extrapole os limites do Estado Nacional.
A partir de tal perspectiva, o caráter internacional e as relações internacionais, as influências
atlânticas no que concerne à expansão dos avanços da chamada "revolução industrial" e
temas afins a serem observados num jogo de escalas que conecta o industrialismo e a
expansão do capitalismo industrial oitocentista e como se dão suas influências regionais e as
conexões entre agentes que se movimentam num espaço que vai além das fronteiras
nacionais. A expansão técnica ferroviária no século XIX de uma perspectiva global e as
variações nas relações internacionais num âmbito regional a partir da observação de como se
dão as mudanças nos contratos de mão-de-obra em setor altamente especializado e com
demandas de novo tipo, que demandam novas perspectivas de mercado financeiro, de
associação, de administração pública e de contratos internacionais.

Palavras-chave: ferrovias; território; Global History.

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TRÂNSITOS SOCIAIS NO ANTIGO REGIME PORTUGUÊS TARDIO (1808-1820)


Zezito Rodrigues da Silva (PPG HISTÓRIA – UFF)

Em junho de 1812, Innocencio Soares de Aguiar Montalvão, tenente coronel de milícias da Villa
de Nossa Senhora de Bonsucesso das Minas Novas da Comarca de Serro do Frio da Capitania
das Minas Gerais, fez requerimento à Sua Alteza Real o príncipe D. João, suplicando a graça
“da propriedade dos Officios de Tabelião e Escrivão de Órfãos da Villa Nova do Príncipe de Sta.
Anna de Caetaté, Comarca de Jacobina, Capitania da Bahia”. Este episódio revela os trâmites
da requisição de mercês no regime polissinodal da monarquia pluricontinental portuguesa no
período que reputamos como Antigo Regime tardio (1808-1820) e a trajetória de um pequeno
fidalgo na complexa teia de relações sociais na América portuguesa, na conjuntura em que
esta ocupava alguma centralidade em um império transatlântico decadente, mas ainda cioso
de suas instituições que, embora esmaecido pelo longínquo período de seu vigor entre os
séculos XVII e XVIII e solapado pelas diversas reformas ocorridas desde o período josefino (ou
pombalino, como aponta a historiografia corrente), guardava algum vigor no período em
estudos.Ao debruçar sobre o processo de petição de mercê que fez o Coronel Innocêncio
Montalvão e as disputas em torno da emancipação da Villa Nova do Príncipe de Sta. Anna de
Caetaté, almejamos aqui também trazer elementos para uma reflexão acerca do Antigo
Regime português em seu tardio movimento que - ao transferir sua sede de decisões para o
Rio Janeiro em função da devastadora expansão liberal napoleônica sobre a Europa - visava
a recomposição da outrora vigorosa monarquia pluricontinental que ao longo de três séculos
constituíra de territórios europeu e ultramarino distribuídos nos diversos continentes, cuja
relação centrífuga entre centro-periferia era pautada pela natureza polissinodal de suas
instituições, lastreadas por uma concepção jurídico-política pautada no tomismo da segunda
escolástica que concebia ao catolicismo os elementos que procuravam justificar sua
operacionalidade e manter coesos os diversificados territórios do império. Esse período que
compreende a transferência da Corte em 1808 até o pós-revolução liberal do Porto que
suprimira o Antigo Regime, exigindo o retorno do rei a Portugal e sua reativação como sede
do império em 1821, compreende um período conhecido como Joanino no qual tivemos um
recrudescimento das relações do Antigo Regime, particularmente com a aproximação com a
pequena nobreza e fidalguia fluminense e repactuação das relações políticas diretamente com
os centros de poder.

Palavras-chave: Antigo Regime Tardio; Monarquia pluricontinental; Trânsitos sociais;


América portuguesa.

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