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Tradução do original Magia celta: rituales de una religion ancestral.
Copyright © 2005 by Montse Osuna.
Publicado nos Estados Unidos por Llewellyn Publications.
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www.llewellyn.com

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Diretor Editorial Diagramação


Luis Matos Claudio Alves e Stephanie Lin

Assistência Editorial Ilustrações


Regiane Barboza Edgar Rojas

Preparação Capa
Alessandra Miranda de Sá Jorge Godoy de Oliveira

Revisão
Evandro Lisboa e Fabiana Chiotolli

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

O85l Osuna, Montse

O livro secreto da magia celta/Montse Osuna; [tradução de


Marcelle Barros]. – São Paulo: Universo dos Livros, 2009.
160 p.
Tradução de: Magia Celta: rituales de uma religion
ancestral.
ISBN 978-85-7930-048-6
1. Magia Celta. 2. Esoterismo. I. Título.

1. CDD 133
SUMÁRIO

Introdução ............................................................................7

1 – A mensagem astral da natureza .....................................11

2 – Tradição e renovação da magia Wicca ..........................23

3 – Ritual de proteção do santuário ....................................41

4 – Segredos da saga do rei Artur ........................................49

5 – Poderes e energias da magia druida ..............................65

6 – Os encantamentos tradicionais da magia celta ............93

7 – A oficina da bruxa moderna...........................................135

8 – Iniciação à feitiçaria celta ...............................................147

9 – Epílogo .............................................................................157
1

A mensagem astral
da natureza

N este começo de milênio, a cultura celta vive uma notável


recuperação e expansão em todo o Ocidente, que coincide
com a Era de Aquário e com um novo interesse pela sabedoria
ancestral pertencente às antigas tradições e crenças pagãs. Essa
sabedoria e seus mistérios foram recuperados pela magia Wicca,
cuja base é uma manifestação esotérica da religião celta e do cul-
to à força e à harmonia da natureza.
Os celtas entendiam que bosques, lagos, pedras, metais, ervas, animais
selvagens e tudo o que existe sobre a terra está carregado de vibrações astrais.
Essa energia do universo é o que mantém o equilíbrio entre nosso ser e o
mundo natural que nos rodeia, ao mesmo tempo que oferece a possibilidade
de enriquecer nossa vida com os poderes ocultos da mente e do espírito.

Uma verdadeira religião


Pelo estilo de vida e lugares que habitavam, os celtas mantinham uma
relação respeitosa e intensa com a natureza, o que lhes permitiu conhe-
cer e utilizar todos os seus segredos, profundamente relacionados com
as forças que dominam o cosmo.
Desse modo, estabeleceram crenças e valores que conformavam uma
verdadeira religião ancestral, baseada em uma espiritualidade profunda.
Essa religião remonta ao Paleolítico, quando as comunidades primitivas
iniciaram os primeiros cultos não animistas e reconheceram deuses in-
visíveis e abstratos, em geral uma dualidade formada por uma deusa da
fertilidade e um deus da caça e da guerra.
Com o tempo, o culto celta se tornou mais complexo e, assim como
as mitologias grega e romana, estabeleceu diversos deuses, semideuses e
seres fantásticos, cada um deles com poder sobre as distintas atividades
humanas e os fenômenos naturais, como as colheitas, a fertilidade, as
batalhas, os sentimentos, as enfermidades, a caça, as tormentas, a chuva,
a seca ou as marés.
Além disso, foram acumulando um amplo conhecimento sobre as
virtudes das ervas e de outras espécies vegetais, que supunham origi-
nárias dos corpos dos grandes magos e mestres druidas enterrados nos
bosques. A sabedoria se estendia, ainda, aos poderes das pedras e dos
metais, aos cursos de água e aos fenômenos meteorológicos.

QUEM ERAM OS CELTAS


Os celtas eram um antigo povo indo-europeu, a quem os
gregos denominaram keltoi, e os romanos, gauleses ou
também gálatas. No final da Idade do Bronze, expandi-
ram-se pela Europa Central e Ásia Menor, chegando a
ocupar Roma em 390 a.C. e a invadir a Grécia no século
seguinte. Mais tarde, a sucessiva expansão dos romanos
e dos germanos obrigou-os a se retirar para o oeste, ocu-

12 O livro secreto da magia celta


pando principalmente as Ilhas Britânicas, parte do atual
território da França e o norte da península Ibérica (daí o
nome Galícia). Ainda que já produzissem um artesanato
excepcional e possuíssem uma cultura avançada, é possí-
vel que o esoterismo e a espiritualidade da religião mágica
tenham se aprofundado devido ao contato com os primi-
tivos bretões, que construíram o famoso monumento me-
galítico de Stonehenge, e com os legendários hiperbóreos
(habitantes do extremo norte), supostos sobreviventes da
desaparecida civilização da Atlântida e guardiões de sua
sabedoria ancestral.

O culto à natureza não significa que a religião tenha sido apenas uma
forma rudimentar e primária de explicar o mundo. Pelo contrário, a cul-
tura celta foi uma das mais avançadas de seu tempo, tendo um desen-
volvimento técnico e artístico que muitos estudiosos consideram, ainda
hoje, inexplicável (talvez por não acreditarem em magia).
Assim como os primitivos egípcios, os celtas usavam a astronomia e a
astrologia como instrumentos para conhecer e utilizar as energias cósmi-
cas. O território deles era marcado por menires* e outros sinais que lhes
indicavam os movimentos astrais, tal como se comprovou com o monu-
mento pétreo de Stonehenge, erigido na planície inglesa de Salisbury.
Por meio desses e de outros elementos registravam ainda equinócios
e solstícios, datas que davam lugar a importantes rituais e cerimônias
mágicas destinadas a atrair a graça dos deuses nos ciclos anuais. Os
eclipses eram outro fenômeno a que os magos celtas prestavam muita
atenção, atribuindo-lhes o augúrio de grandes mudanças e transforma-
ções. Quando a lua nova se interpunha para bloquear a luz do sol, isso
sinalizava o início de uma era favorável; por outro lado, um eclipse da
lua, quando ela era coberta pela sombra da Terra, anunciava uma época
de desgraças como castigo pelas maldades humanas.

*Monumentos megalíticos, isto é, compostos por blocos de pedra de grandes


proporções, do período Neolítico. Geralmente tinham forma alongada e eram
fixados verticalmente nos solos. [N. E.]

A mensagem astral da natureza 13


Tudo é magia
A diferença entre o mundo celta e outras culturas ancestrais consiste
na presença da religião mágica em todas as manifestações e atividades de
uma forma de vida profundamente ecológica e espiritual.
Os celtas souberam conservar a estreita relação entre religião, magia
e natureza, um dos pilares da antiga sabedoria. Os druidas eram sacer-
dotes e feiticeiros, além de conselheiros e guias da comunidade, tanto no
plano espiritual como na vida cotidiana. Cada gesto ou atitude dos ho-
mens, mulheres e crianças celtas era, de algum modo, um ritual regido
pela fé nas forças naturais que invocava a intermediação dos deuses.
As tarefas de cada dia, a estação de semear, a caça e as batalhas faziam
parte de um destino regido pelos astros. Ferramentas, utensílios domés-
ticos, armas, vestimentas, além de joias e artesanatos refinados tinham
sempre um significado mágico que lhes conferia um poder especial. Para
eles, não existia a separação entre o material e o espiritual, e tudo o que
era terreno estava ligado à energia do universo por meio da magia.

A lua e a terra: um culto ao feminino


O centro do culto astrológico dos celtas era a lua, rainha dos misté-
rios da noite e símbolo do espírito feminino. A terra era venerada, por
sua vez, como geradora de toda fecundidade, e ambas eram representa-
das pela Grande Deusa, mãe e mestra de todas as bruxas.
Embora reverenciassem o sol como deus do fogo e da luz, este era
um culto prático e sem grande segredo quando comparado aos mistérios
noturnos que a lua regia. Para os celtas, o verdadeiro poder esotérico e
espiritual residia no astro lunar, e, em atos rituais ou atividades domés-
ticas, davam grande importância a suas distintas fases.
Nos ciclos cotidianos, os celtas não contavam os dias, e sim as noi-
tes, e cada jornada começava na hora mágica da meia-noite. A lua era o
centro de todos os ritos litúrgicos, além de marcar o calendário de 13
meses lunares de 28 dias, com um dia intercalado para cobrir o ciclo das
estações. Cada mês se relacionava a uma árvore sagrada, que, por sua
vez, como veremos adiante, fazia parte do zodíaco celta.

Os poderes da lua
Na prática dos rituais e feitiços, os magos e as magas celtas prestavam
grande atenção ao ciclo lunar, já que em cada uma das fases o astro da

14 O livro secreto da magia celta


noite emitia vibrações que favoreciam ou criavam obstáculos a determi-
nadas energias cósmicas.

Lua crescente
É a fase de força benéfica e crescente; representa a figura da donzela.
Rege tudo o que se relaciona à recuperação ou ao aumento das energias
físicas e mentais, ao crescimento saudável, às novas uniões (bodas, asso-
ciações, amizades etc.), à prosperidade material e à proteção e boa sorte
em viagens, mudanças e traslados.

Lua cheia
É o momento de maior esplendor mágico e do poder gerador re-
gido pela mãe. Na lua cheia são favorecidos todos os ritos e feitiços
relacionados a invocações à Grande Deusa, com o objetivo de obter
sabedoria astral e invocar milagres difíceis de realizar. É também a
fase preferida pelos áugures e adivinhos para alcançar visões do fu-
turo e do passado.

Lua minguante
Fase regida pela maga, beneficia tudo que se relaciona ao fim dos ci-
clos ou à reversão de influências negativas. Sua energia sutil é invocada
para obter a finalização favorável de uma situação difícil (de saúde, tra-
balho, afetos, estudos etc.) e executar “contrafeitiços” que neutralizem e
removam as vibrações malignas.

Lua nova
Os três caracteres femininos da Grande Deusa unem forças para ini-
ciar um novo ciclo, cuja primeira fase protege todo princípio. A magia
celta escolhia as noites de lua nova para invocar boa fortuna e proteção
aos nascimentos (de pessoas e animais), à germinação do que fora se-
meado e ao início dos anos e meses. Por extensão, a magia Wicca aplica
também a lua nova ao começo de estudos, relações, estadias fora de casa,
convivências e outras situações da vida atual.
Os celtas assimilavam o ciclo lunar ao ciclo menstrual, que para eles
purificava magicamente o corpo da mulher. Por isso, a deidade maior
era feminina, e às mulheres eram atribuídos certos poderes de feitiço e
adivinhação que os homens não podiam alcançar.

A mensagem astral da natureza 15


Primazia feminina
A importância e o respeito concedidos à mulher se expressavam em
todos os aspectos da cultura celta. Os clãs e as linhagens seguiam a linha
materna; os filhos adotavam o sobrenome da mãe, assim como as filhas,
que eram as herdeiras dos bens familiares. Além do culto à Grande Deu-
sa, havia ainda deusas da guerra, e as próprias mulheres participavam
dos combates, acompanhando e às vezes conduzindo os homens.

As druidisas da Grande Deusa


Na magia Wicca, a Grande Deusa recebe o título de “Mãe de todas as
bruxas”, porque nos primórdios da religião só as sacerdotisas ou drui-
disas oficiavam o culto, ainda que, com o passar do tempo, permitiu-se
que os homens também se iniciassem como druidas.
As druidisas dividiam-se em três categorias, segundo os conheci-
mentos e dons esotéricos. As de mais alto nível permaneciam solteiras
e viviam em comunidades dedicadas ao culto, por isso alguns autores
as consideram como modelo das monjas cristãs. As outras duas classes
sociais de druidisas exerciam funções e ritos sacerdotais, mas podiam se
casar, ter filhos e compartilhar a vida da comunidade. Diz-se que essas
mulheres sábias e detentoras de dotes mágicos foram qualificadas como
bruxas por romanos e cristãos.

As noivas férteis
Os celtas consideravam o sexo como um dom da natureza, do qual
cada pessoa podia desfrutar livremente. Longe de reprimi-lo, estimula-
vam e celebravam sua prática, e de certa forma veneravam a concepção
como uma graça divina. As jovens virgens eram respeitadas como execu-
toras de ritos específicos e como possíveis druidisas de maior valor, mas
as mães solteiras eram preferidas como futuras esposas, pois já haviam
demonstrado fertilidade.

O bosque sagrado
Na religião mágica dos celtas não havia altares nem templos, uma vez
que todos os atos do culto deviam ser realizados ao ar livre, em contato
com a natureza.
Acredita-se que as grandes cerimônias anuais aconteciam em pontos
geográficos significativos, que concentravam vibrações da energia cós-

16 O livro secreto da magia celta


mica. Por exemplo, determinadas ilhas de um lago ou próximas da costa
marítima, ou os cumes montanhosos (como o de Peñalba de Villastar,
em Teruel, onde se cultuava ao deus Lug). Porém, o lugar mais habitual
para invocações e feitiços dos druidas era uma clareira em um bosque,
sob a luz da lua.

Carvalhos e viscos
De certa maneira, o bosque era o “templo” dos druidas e das druidi-
sas, e as árvores tinham papel fundamental como agentes da divindade
e dos poderes astrais. A mais reverenciada era o carvalho, assim como
a planta semiparasita chamada visco. Portanto, o recinto mágico mais
buscado era um bosque de carvalhos cujas árvores mostrassem abun-
dante presença de visco entre os galhos (os ramos desse arbusto, por
terem peculiares bagas, continuam sendo utilizados ainda hoje como
elemento mágico, não só entre os oficiantes da magia Wicca, mas tam-
bém em festas e celebrações familiares).

Poetas e adivinhos
Depois da classe sacerdotal situavam-se duas classes sociais de ofi-
ciantes em rituais e cerimônias célticas: os bardos, ou poetas cantores, e
os vates, que compunham canções reveladoras de augúrios e premoni-
ções. A poesia e o canto, aliados à dança das sacerdotisas ou donzelas,
eram parte fundamental da liturgia celta.

A donzela, a mãe e a maga


Dentro deste mundo de dominância feminina, a Grande Deusa en-
carnava os atributos que a cultura celta mais valorizava nas mulheres: a
donzela, símbolo de pureza, amor e juventude; a mãe, figura fecunda que
exercia o mistério da concepção, dominando o desenrolar das gerações;
e a maga, dona dos mistérios do universo e senhora da terra e da lua.
Cada uma dessas emanações da Grande Deusa recebia uma série de
significados e atributos dentro da crença da religião celta.

A donzela
Regia na época de lua crescente; sua cor emblemática era o branco ou
os matizes mais luminosos do amarelo e do rosa. Sua figura representava
o florescimento da vida, a primavera e a transposição das gerações.

A mensagem astral da natureza 17


O DRUIDA E A FOICE DE OURO
O grande naturalista romano Plínio, o Velho, descreve em
uma de suas obras a solene cerimônia da captura do visco
entre os galhos do carvalho. Segundo ele, o ritual aconte-
cia à noite, no sexto dia do quarto crescente, e o objetivo
era utilizar o carvalho em feitiços de fecundidade e como
cura de intoxicações e envenenamentos. Os galhos de bagas
e folhas deviam ser separados do carvalho com uma foice
de ouro, e quanto mais o visco estivesse aderido à casca do
hospedeiro, maior seria seu poder mágico.

A mãe
Era invocada nas noites de lua cheia; suas cores eram o vermelho e o
verde, muito frequentes na simbologia dos povos de origem celta. Reina-
va em particular na plenitude do verão, representando a maturidade, a
abundância e a fertilidade.

A maga
Último ponto do ciclo vital, reinava sobre o quarto minguante da
lua; suas cores eram o preto, o cinza e o vermelho-escuro. Simbolizava a
união da velhice e da sabedoria, o inverno da vida que prepara um novo
renascer na reencarnação.

Dependendo do momento e do propósito do ritual, ou do próprio


ritual, a Grande Deusa podia ser invocada sob qualquer uma das três
figuras. Às vezes aparecia acompanhada por Cernunnos, o deus corní-
fero, o qual algumas tradições consideram seu consorte e outras, uma
emanação do lado masculino da Divindade.

Cernunnos: o deus cornífero


Qualquer que seja sua relação com a Grande Deusa, Cernunnos ocu-
pa, sem dúvida, o segundo lugar de privilégio no Olimpo da religião
celta. Era o deus que regia a vida animal e a fortuna das expedições de
caça ou de guerra. É representado como um homem maduro e barbado,
com chifres e orelhas de cervo, às vezes acompanhado de uma serpente
também com cornos.

18 O livro secreto da magia celta


O ornamento característico de Cernunnos era o colar metálico, com
um pingente mágico em forma de meia-lua truncada e dois broches es-
féricos nos extremos. O colar era um talismã de poder ambivalente, já
que, segundo o humor do deus, tanto podia atrair a boa fortuna como
desatar terríveis desgraças.
Muitos autores assinalaram a semelhança entre a figura de Cernun-
nos e a representação da imagem cristã de Satanás. É provável que a du-
pla participação do deus cornífero no mundo da luz e no das sombras
tenha influenciado as primeiras representações do Anjo Caído.

Figura 1.1: Cernunnos: o deus cornífero.

O pentáculo
O símbolo que representava a Grande Deusa era o pentáculo, ou es-
trela de cinco pontas, cujas linhas interiores formam um pentágono e os
extremos se inscrevem em um círculo.
Essa figura mágica representa a força da divindade no vértice supe-
rior, e as outras quatro pontas simbolizam os elementos primários da
natureza: o ar, a terra, a água e o fogo.
Toda invocação à Grande Deusa deve estar presidida pelo pentáculo,
presente também na maioria dos rituais e feitiços da magia Wicca como

A mensagem astral da natureza 19


instrumento de proteção e controle do conjuro, para afugentar as forças
do mal.

O pentáculo invertido
O símbolo que representa Cernunnos nas cerimônias e conjuros cel-
tas é o pentáculo invertido, ou seja, com o vértice principal apontado
para baixo, que na terminologia Wicca se denomina pentagrama.
Devido à ambiguidade do deus consorte, o pentagrama é visto mui-
tas vezes como uma simbolização do mal e das forças sombrias da natu-
reza. Algumas magas, hoje em dia, costumam executar feitiços sobre o
desenho do pentáculo invertido, para manter as energias malignas.
Em algumas irmandades atuais de magia Wicca, o pentagrama é uti-
lizado também para identificar os membros que alcançaram o segundo
nível de sabedoria esotérica.

Figura 1.2: Pentáculo. Figura 1.3: Pentáculo invertido.

Uma antiga oposição


Desde tempos ancestrais, a magia luminosa, presidida pela Grande
Deusa, enfrentava abertamente a magia sombria, que utilizava as forças
do mal. Essa feitiçaria negativa deu origem aos mitos sobre a magia ne-
gra, os encontros de bruxas e os pactos satânicos, que foram um pretexto
para a perseguição de druidisas e suas discípulas na Idade Média.
A oposição entre o bem e o mal, presente em todas as tradições e
crenças humanas, expressou-se na religião celta pela diferença entre o
mago ou a maga bons e o bruxo ou a bruxa malignos que invocavam os
espíritos negativos. Ambos se apoiavam em seres sobrenaturais como fa-
das, ogros ou monstros, em animais fantásticos como hidras ou dragões,
assim como atribuíam poderes mágicos a espécies reais do reino animal
e vegetal. Também intervinham os chamados “pequenos seres”: elfos,

20 O livro secreto da magia celta


gnomos e duendes, que viviam nos bosques ou às vezes pertenciam, com
exclusividade, a uma família ou clã.
Na atualidade, as regras estabelecidas pela moderna magia Wicca
descartam qualquer utilização maléfica da feitiçaria e promovem o uso
da magia luminosa. O código exige aos praticantes que os conjuros se
destinem sempre a obter o bem, em especial para os demais, e a evitar ou
reparar desgraças e infortúnios.

Uma sabedoria recuperada


Os celtas viviam envolvidos na magia espiritual da natureza e tinham
contato com ela por meio de ritos e cerimônias que hoje foram investiga-
dos e renovados pela magia Wicca. A prática da magia luminosa nos per-
mite recuperar os mistérios ancestrais e utilizá-los para o bem próprio e
do mundo que nos rodeia.
Os executores dos rituais maiores da magia celta eram os druidas e as
druidisas, mas cada um também podia praticar os próprios feitiços, desde
que respeitasse as condições estabelecidas pelo culto. A difusão dos rituais
pagãos e sua forte influência nas pessoas foi o principal obstáculo que os pri-
meiros missionários e monges cristãos encontraram para difundir sua fé.

Conflito de religiões
A estratégia inicial do cristianismo foi adaptar alguns aspectos da reli-
gião celta, como a assimilação da Trindade, com os três aspectos da Gran-
de Deusa, ou o Gênese, com os mitos celtas sobre a criação do mundo.
Tal fenômeno, conhecido como “sincretismo religioso”, não foi sufi-
ciente para impedir que muitos celtas, principalmente as mulheres, con-
tinuassem celebrando em segredo os ritos mágicos. Inicia-se, assim, uma
dura perseguição às executoras e participantes dessas reuniões ocultas,
uma “caça às bruxas” que se estende a outras formas do esoterismo pa-
gão e que abarcou quase toda a Idade Média, chegando até o início do
século XVII. As druidisas e magas que tentaram conservar seu culto fo-
ram levadas à fogueira, e todo o mundo mágico de origem celta viu-se
obrigado a se ocultar no hermetismo.
Ao longo do tempo surgiram sábios e magos que continuaram exer-
cendo a ciência mágica e profética das tradições pagãs, às vezes combi-
nadas com o ocultismo maçônico e de certas seitas cristãs, como a dos
cátaros e a dos templários.

A mensagem astral da natureza 21


Rumo à magia luminosa
Com a chegada do século XIX, surgiram em distintos pontos da Eu-
ropa novos estudiosos e irmandades esotéricas que se dedicaram a inves-
tigar e reconstruir os conhecimentos e rituais mágicos da religião celta.
Esse conjunto de valores, crenças e ritos levou mais tarde o nome de
magia Wicca (talvez uma contração de witchcraft, “bruxaria”), que se
desenvolveu particularmente nas Ilhas Britânicas, principal âmbito da
antiga civilização celta. Os grandes mestres Wicca investigaram todos os
componentes mágicos e esotéricos de sua religião e cultura, e recupera-
ram e compararam um grande número de rituais, invocações, feitiços e
conjuros.
Estudiosos e oficiantes da magia Wicca adotaram de forma estrita
os valores espirituais e éticos da religião druida, ressaltando os aspectos
mais positivos e, então, rechaçando toda prática maléfica ou destrutiva.
Estabeleceu-se assim uma nova magia luminosa, que utiliza o poder as-
tral da natureza para honrá-la e respeitá-la, ao mesmo tempo que busca
expandir o bem e a prosperidade espiritual e telúrica das pessoas.
Wicca, a magia luminosa, é a base da bruxaria ocidental moderna,
que nos oferece a oportunidade de viver mais plenamente, em harmonia
com a natureza, e utilizando com boa intenção as poderosas energias das
vibrações do universo.

NOSTRADAMUS E CAGLIOSTRO
Entre as figuras mais proeminentes que surgem com o final
do obscurantismo da Idade Média estão Michel de Nos-
tradamus, na França, e Alessandro Cagliostro, na Itália. O
primeiro era um médico e astrólogo provençal que viveu na
primeira metade do século XVI. Ficou famoso ao comba-
ter a peste por meios esotéricos e foi médico do rei Carlos
IX. É autor de Centúrias astrológicas, célebre conjunto de
profecias e augúrios. Dois séculos mais tarde se manifes-
tou o poder hermético de Cagliostro, conde siciliano que
percorreu a Europa e o Oriente Médio assombrando com
suas curas e aptidão para realizar milagres. Foi condenado
à prisão perpétua por um tribunal da Inquisição e morreu
na prisão em 1795.

22 O livro secreto da magia celta


Introdução

Q uando, há alguns anos, decidi assinar como Bruxa Moderna


os meus trabalhos de difusão e divulgação das artes mágicas,
não fui movida apenas por capricho ou casualidade; naquele mo-
mento havia percebido que as pessoas desta época necessitam, tal-
vez mais do que as de qualquer outra, do apoio espiritual, mental
e emocional que a magia pode proporcionar.
Mas deveria se tratar de uma magia “moderna”, que levasse em conta
os avanços de ciências como a astronomia ou a ecologia; que respondesse
aos princípios de solidariedade e tolerância que caracterizam as socieda-
des avançadas; e que fosse fácil de praticar nas condições atuais de vida.
O aprendizado que tive com magos e bruxas mestras revelou-me os
segredos da magia luminosa, uma versão mais séria e potente da magia
Wicca, praticada em particular na Europa e nos Estados Unidos. Com
essa bagagem, continuamente renovada e refletida, escrevi vários livros,
por intermédio dos quais tentei transmitir a nova filosofia da magia e
explicar feitiços e rituais de forma que todo leitor pudesse aplicá-los a
fim de cumprir suas necessidades e propósitos. Essa continua sendo a
finalidade fundamental da minha missão como Bruxa Moderna, que,
com esta obra sobre magia celta, de certa maneira dá um passo adiante,
buscando transmitir também a filosofia, as razões e as fontes originais
da magia que se pratica no Ocidente.
Desde o início, eu sabia que o germe dessa magia havia sido a civiliza-
ção celta, com o exemplar respeito pela natureza e a profunda sabedoria
sobre os poderes astrais e planetários. Assim, minha proposta foi o apro-
fundamento nesse tipo de conhecimento para chegar a compreender por
que druidas e druidisas praticavam uma feitiçaria tão benéfica e poderosa
utilizando apenas os elementos naturais que estavam ao seu redor, e, so-
bretudo, como manipulavam as vibrações naturais e cósmicas para reali-
zar isso tudo, na maioria das vezes com uma eficácia surpreendente.
Neste livro, resumo os frutos desses estudos e procuro transmiti-los
com clareza e honestidade aos leitores, para que possam se iniciar nas prá-
ticas mágicas dos druidas, conhecendo, além disso, as crenças e descober-
tas que lhes deram origem e sustentaram sua vigência ao longo do tempo.
Iniciamos a obra repassando a relação entre magia, religião e ciência,
que moldava a sabedoria druida, na qual a relação entre a lua e a terra
era o impulso para o culto ao mistério feminino encarnado na Gran-
de Deusa, símbolo do poder do universo. Em seguida, explicamos a re-
cuperação e a modernização protagonizadas pela atual magia Wicca, e
os elementos, recursos e feitiços empregados pelos bruxos e bruxas que
a praticam. No capítulo seguinte, oferecemos uma iniciação à feitiça-
ria celta com invocações e rituais básicos que nos permitem adentrar o
mundo druida.
Dedicamos um capítulo especial ao momento áureo da magia celta,
durante o reinado do rei Artur, revelando alguns dos segredos mágicos
que Merlim, a Dama do Lago e a fada Morgana usaram com o objetivo

8 O livro secreto da magia celta


de favorecer o soberano de Camelot, bem como suas damas e cavalhei-
ros. Em seguida, explicamos os poderes e as vibrações favoráveis dos dis-
tintos elementos dos astros e da Terra segundo a magia celta, a fim de
apresentar uma proposta concreta de como colocá-la em prática de acor-
do com os 33 assuntos, ou temas tradicionais, sobre os quais os druidas
exerciam seus poderes. Tratam-se de problemas ou objetivos ainda hoje
atuais, motivo pelo qual são explicados também os feitiços básicos para
cada um deles. E como para praticá-los necessitaremos de instrumentos
e símbolos que nos permitam convocar e canalizar as energias mágicas,
finalizamos o livro com algumas explicações práticas que nos permiti-
rão construir símbolos e instrumentos por conta própria.
Sei que toda a sabedoria da magia celta não pode ser englobada em
um único livro, mas espero que as páginas que seguem despertem no
leitor o interesse de aprofundar o conhecimento e o desejo de começar a
praticar a magia, pois todas as coisas são mágicas e todos podemos ser,
em alguma medida, modernos druidas e druidisas da magia luminosa.

Introdução 9
2

Tradição e renovação
da magia Wicca

A partir do legado da religião mágica dos celtas, a Wicca assi-


milou também a tradição de diversas linhas de magias an-
cestrais. Hoje oferece um conjunto de conhecimentos metafísicos
e espirituais ao alcance das pessoas que querem melhorar a vida
com o auxílio de uma magia natural e luminosa.
A magia sempre existiu, desde tempos pré-históricos até os dias de hoje,
como elemento inseparável da liturgia religiosa e da relação com os deuses.
As pinturas rupestres do Paleolítico, há mais de um milhão de anos, já mos-
travam sinais e desenhos simbólicos que sugerem algum tipo de conteúdo
mágico. A magia também foi exercida pelos sacerdotes-astrólogos egípcios;
pelas pitonisas e áugures gregos; pelos taumaturgos* romanos e, é evidente,
pelos druidas celtas, e magos e feiticeiros de outras comunidades pagãs.
Mais tarde, o cristianismo criou sua própria liturgia e taumaturgia, não
isentas de hermetismos e mistérios. O Pai-nosso é claramente uma invoca-
ção com estilo e ritmo de conjuro, assim como o Credo; a Santíssima Trin-
dade é de modo declarado um mistério; os anjos são criaturas sobrenaturais
e as orações aos santos são uma forma de invocação a ancestrais mortos.
O próprio Jesus Cristo fazia milagres multiplicando pães, converten-
do água em vinho e ressuscitando mortos. Seu maior ato mágico – trans-
figurar o corpo em pão e o sangue em vinho para ser consumido pelos
fiéis – continua uma prática atual nas missas católicas como forma de
comunicação entre o crente e o Redentor.
Tudo isso era perfeitamente lógico e natural na época dos evange-
lhos, quando, em todo o mundo conhecido, prevalecia uma cultura de
misticismo mágico. Como não poderia ser de outra maneira, Jesus, os
apóstolos e os primeiros padres cristãos incorporaram tais elementos à
elaboração da doutrina católica.
O monoteísmo, prefigurado por Aton entre os egípcios, e por Jeová
entre os hebreus, atingiu, com o Deus uno e trino dos cristãos, uma pri-
mazia quase absoluta em toda a Europa e bacia do Mediterrâneo. Acon-
teceu, então, o grande enfrentamento entre o cristianismo e o paganis-
mo. Os sortilégios do primeiro eram considerados milagres de Deus, e os
do segundo, execrados e castigados como manifestações do demônio.
O nascimento de Jesus coincidiu com o início da era de Peixes; sua Igre-
ja foi fundada por pescadores, e os cristãos primitivos utilizavam a figura
do peixe como símbolo da fé. A expansão e o domínio espiritual e terreno
dessa crença se estendeu, como bem sabemos, ao longo de dois milênios.

*Na Antiguidade, as pionistas eram as mulheres que possuíam o dom da


profecia e os áugures eram os sacerdotes que adivinhavam o futuro, infe-
rindo do voo e do canto das aves os desígnios dos deuses. Os taumaturgos,
por sua vez, eram aqueles que realizavam milagres. [N.E.]

24 O livro secreto da magia celta


Mas, em torno do ano 2000, teve início a nova Era de Aquário, que
indica o declínio das forças de Peixes e o retorno transfigurado de uma
nova cultura pagã. Segundo todas as profecias, essa era trará um tempo
inicial de grandes catástrofes e desastres que, em seguida, darão lugar a
uma época de paz e espiritualidade em um mundo governado por homens
e mulheres de grande sabedoria metafísica.
De alguma maneira, a magia Wicca surgiu como forma de nos preparar-
mos para as duas fases da Era de Aquário: oferece-nos segurança e proteção
contra as forças negativas que se estão desatando na fase inicial e traz-nos
conhecimentos e poderes para participar de sua luminosa gestação.

O que é a magia Wicca?


Com frequência, em conversas, utilizamos a palavra “magia” para nos
referir a algo surpreendente ou misterioso. Dizemos, por exemplo, que uma
coisa ocorreu “como que por magia”, que certo lugar tem “um quê de má-
gico”, ou que o olhar de uma atriz “tem magia”. Em geral, empregamos o
termo “magia” para aquilo que não podemos compreender nem descrever.
Entretanto, a magia não é algo sobrenatural, tampouco incompreensí-
vel. Ao contrário, sua ciência apela para as energias da natureza e é possível
aprender seus mistérios estudando e praticando com dedicação e fé. De
fato, os mistérios do ocultismo foram transmitidos de mestres a discípu-
los desde a mais remota antiguidade, chegando aos dias atuais para fazer
parte da magia Wicca.

O desejo realizado
Comecemos, então, tentando definir o significado de magia. Segun-
do o dicionário, trata-se de uma “ciência ou arte que ensina a fazer coisas
extraordinárias e admiráveis mediante o uso de truques” (D. E. Espa-
sa, 1995). Definição correta, mas um tanto incompleta. Há com certeza
uma “magia” que se utiliza de truques, que com mais propriedade se
denomina “mágica” ou “ilusionismo”, arte bastante respeitável, embora
nada tenha a ver com a magia Wicca.
Para nós, a magia luminosa é a ciência que utiliza as energias naturais
e astrais para que algo aconteça ou deixe de acontecer, ou para que algo
mude; ou seja, para que um desejo ou propósito se realize. Simples assim.
Tanto que qualquer pessoa sensível e bem-disposta pode aprender a exer-
cê-la. Você, por exemplo, leitor. Não se trata de se converter em uma bruxa
com vassoura nem em um mago com cartola, mas de incorporar a magia

Tradição e renovação da magia Wicca 25


Wicca a sua existência cotidiana, não para fazer milagres, e sim como uma
importante ferramenta de auxílio aos esforços e à vontade de melhorar,
enriquecer, aprofundar e proteger sua vida e a das pessoas que o rodeiam.
Tampouco é necessário renunciar às próprias crenças ou ideias. As di-
vindades do paganismo correspondiam a figurações diversas de um só Deus
Criador, o qual encarnava em si o terreno e o cósmico, o masculino e o femi-
nino, o bem e o mal, o prêmio e o castigo, a vingança e o perdão, porque Ele
era a fonte única do universo e da vida: o Deus que a Bíblia, o texto sagrado
do judaísmo e as distintas formas do cristianismo descrevem.
A magia Wicca não assume ideologias nem posições políticas, exceto
os princípios benéficos, ecológicos e solidários expressos nas regras de
conduta, com os quais, sem dúvida, você estará totalmente de acordo.
Assim, você vai achar muito interessante o conteúdo do tema a seguir.

Introdução à magia Wicca


A primeira condição para se introduzir à magia Wicca é aceitar o
código de valores e comportamentos. Essa ciência provém da religião
celta e de outros antigos cultos pagãos que cultivavam uma profunda
espiritualidade e cumpriam estritas normas éticas.
A magia Wicca anglo-saxônica registrou tais normas em um códi-
go chamado “rede”, que todos os praticantes adotam e devem respeitar,
senão as forças que manipulamos podem se voltar contra nós, seja des-
viando o propósito ou convertendo-o em algo contrário.
As regras exigem uma atitude espiritual aberta e generosa, profunda fé
nas energias do cosmo e nos poderes da natureza, concedidos por seu(sua)
Criador(a), absoluta purificação interior e exterior e uma prática direcio-
nada exclusivamente ao bem e à solidariedade com as demais pessoas.
Proíbem, terminantemente, utilizar recursos da chamada magia ne-
gra, como malefícios e maldições, ou qualquer propósito de fazer dano
a outras pessoas; o uso de sinais ou símbolos relacionados ao satanismo;
a utilização de animais vivos ou mortos; as práticas malignas com bo-
necos ou imagens e, em geral, tudo que contradiga o espírito ecológico e
benéfico da magia Wicca.

Elementos e recursos mágicos


Se você se sente com vontade e confiança para cumprir as normas do
código Wicca e tomou a decisão de aderir à comunidade de magos e bru-

26 O livro secreto da magia celta


xas modernas que as praticam, chegou o momento de conhecer, passo a
passo, os recursos que devem ser utilizados.
Lembremos uma vez mais que exercer a magia luminosa é, antes de tudo,
uma decisão espiritual e mística que supõe profunda fé nas energias do uni-
verso como instrumento divino, e também um sincero compromisso ético e
ecológico de respeitar e venerar todas as manifestações da natureza.
Tais eram as bases da religião mágica dos celtas e, ao aceitá-las e pra-
ticá-las, nos convertemos, de certa maneira, em druidisas e druidas do
século XXI.

O “santuário” dos encantamentos


Não é fácil encontrar ilhas selvagens ou bosques de carvalhos para rea-
lizar feitiços como os antigos druidas faziam. A magia Wicca nos permite
realizar as práticas em edifícios urbanos, mas exige, para tanto, o preparo de
um ambiente reservado e propício. Devemos, portanto, escolher um lugar
para essa finalidade, cuidando para que atenda às seguintes condições:
• Ser um local que se perceba como favorável e onde nos sintamos
bem.
• Ser possível isolar-se no local por pelo menos duas horas em algu-
mas noites.
• Deve haver espaço suficiente para o altar e para se movimentar.
• Não deve ser um local habitual de reuniões nem de atividade fa-
miliar.
• Se possível, ter uma janela para receber a luz da lua.
• Não deve receber excesso de ruídos externos.
• Não deve ser um lugar de passagem nem passível de interrupções.

SANTUÁRIOS FIXOS OU DESMONTÁVEIS


Para orientar na escolha do santuário, utilizaremos alguns
exemplos de opções que conhecemos por experiência. Algu-
mas bruxas que vivem sozinhas ou dispõem de uma moradia
ampla dedicam um cômodo exclusivo para as práticas. Ou-
tras fazem o mesmo por viverem com pessoas que aceitam a
fé da religião celta e que, inclusive, também praticam a magia
Wicca. Essas são situações ideais, mas o mais comum é que
as executantes wicca escolham o próprio quarto ou um canto
da casa pouco frequentado durante a noite. Nesse caso, devem

Tradição e renovação da magia Wicca 27


montar e desmontar o altar e os demais elementos a cada uso,
o que não deixa de ser um incômodo. Mas a maior parte das
principiantes deverá recorrer, no começo, a um santuário des-
montável, de acordo com as indicações que daremos a seguir.

O altar do culto
Os druidas celtas utilizavam uma rocha ou um tronco caído no bos-
que como “altar” do templo ao ar livre, em geral sempre o mesmo, após
executar um ritual que o consagrava como lugar mágico sagrado.
Uma vez mais, a evolução da magia Wicca teve de adaptar a tradição
céltica às condições das atuais moradias nas grandes e pequenas cidades.
Hoje podemos dispor os altares em um local adequado do santuário que
escolhemos, ainda que seja aconselhável manter a simbologia ancestral,
colocando no altar uma pequena pedra natural e algumas folhas de car-
valho ou de azinheira.
A base do altar deve ser uma superfície plana, circular ou quadrangular,
com espaço suficiente para dispor os elementos e realizar as manipulações.
Por exemplo, uma mesa pequena, uma cômoda ou gaveteiro, ou o parapeito
de uma janela etc.
Convém que o manto que cobre o altar seja de tecido preto ou de
cores escuras (azul-marinho, violeta, grená, bordô etc.) para absorver
melhor as vibrações do encanto. A corrente Wicca prefere tecidos lisos,
sem bordados nem desenhos simbólicos, ainda que possam conter ador-
nos suaves de temas naturais, como folhas, flores ou pássaros.
Podemos utilizar uma toalha ou caminho de mesa, desde que não
voltemos a utilizá-los em sua função original.
O espaço do oficiante, imediatamente em frente ao altar, deve ser am-
plo o bastante para que se possam realizar as manipulações necessárias
e também gestos, giros e passos de dança requeridos por alguns feitiços
(bastam 4 ou 5 metros quadrados). O chão pode ser coberto com um
capacho ou esteira, já que convém oficiar com os pés descalços, sendo, às
vezes, necessário ajoelhar-se ou prostrar-se diante do altar.

Elementos mágicos
Uma vez escolhido e disposto o ambiente do santuário, devemos pro-
videnciar os elementos mágicos que nos ajudarão a catalisar e orientar as
energias astrais. Cada bruxo ou bruxa costuma escolher os que lhes são mais
afins e proporcionam maior confiança na conquista dos seus propósitos.

28 O livro secreto da magia celta


Há um amplo leque de elementos dos quais podemos dispor. Alguns
farão parte permanente do santuário para dotá-lo de sensibilidade e
energia em todo tipo de execução mágica. Outros serão utilizados oca-
sionalmente, segundo o tipo de feitiço ou sortilégio que pretendemos
realizar ou o propósito que desejamos cumprir.
Vejamos alguns exemplos.

Elementos permanentes
São eles:
• pentáculo;
• Roda da Fortuna;
• pedra sagrada;
• chama votiva*;
• vela mestra;
• caldeirão pequeno;
• atril para o Livro das Sombras;
• varinha mágica;
• folhas de cedro;
• visco;
• pêndulo de ervas;
• porta-incenso;
• aromatizador;
• guirlanda de flores e folhas.

Instruções
Podemos desenhar o pentáculo sobre um papelão ou cartolina, se-
guindo o modelo reproduzido neste livro. Para a chama votiva, utiliza-
remos uma candeia branda, e, para a vela mestra, um castiçal com uma
vela branca de cerca de 20 centímetros (deveremos optar por uma ou
outra; as duas chamas não devem queimar ao mesmo tempo no altar).
O porta-incenso e os aromatizadores são vendidos em lojas especiali-
zadas, assim como o incenso e outras substâncias aromáticas. A pedra
sagrada, as folhas de cedro e outras ervas naturais devem ser recolhidas
pela própria pessoa. Veja o Capítulo 7 para mais explicações sobre como
confeccionar pêndulos, guirlandas e outros artefatos de magia.

* Oferecida em cumprimento a voto ou promessa. [N.E.]

Tradição e renovação da magia Wicca 29


Elementos acessórios
São eles:
• velas de distintas cores;
• gemas e pedras preciosas;
• objetos ou adornos metálicos;
• espelhos e cristais;
• fitas e cordões;
• correntinhas de ouro e/ou de prata;
• óleos e poções;
• substâncias aromáticas;
• flores naturais;
• saquinhos e caixas pequenas;
• lenços coloridos;
• papel e lápis;
• tesouras;
• uma faca pequena;
• fósforos;
• ... e muitas outras coisas que iremos descobrindo ao longo deste
livro e também por meio da experiência e imaginação.

Instruções
Muitos desses elementos acessórios fazem parte da vida cotidiana e
não é imprescindível que os dediquemos exclusivamente às sessões má-
gicas. Os demais podem ser encontrados em lojas de ervas, de produtos
naturais ou especializadas.
Como o emprego deles varia de acordo com os encantamentos, convém
ter uma reserva dos mais habituais (ervas, velas, essências aromáticas etc.) e
conferir se dispomos do que necessitamos antes do início de cada sessão.

Preparação do oficiante
O executante de magia Wicca deve se preparar de maneira apropria-
da antes de cada sessão, tanto no que se relaciona a seu estado interior
como no aspecto externo.
Já dissemos que é necessária uma profunda concentração de fé nos
poderes da natureza e do universo em um momento de serenidade espi-
ritual e física (o nervosismo, a irritação ou pequenas indisposições or-
gânicas podem repelir ou desviar as vibrações favoráveis). É também

30 O livro secreto da magia celta


bastante importante uma boa higiene corporal, em especial dos cabelos,
da boca, das mãos e unhas, e iniciar o trabalho mágico pelo menos uma
hora depois de haver consumido alimentos.

A vestimenta
Os antigos druidas e druidisas se distinguiam por vestir uma larga
túnica talar (que chega até os calcanhares) de cor branca. Sem contar o
significado simbólico e distintivo, era também uma prenda apropriada
para os rituais e as práticas mágicas.
A magia Wicca decidiu conservar a túnica como vestimenta para os
oficiantes, ainda que não de forma obrigatória. O uso depende das pre-
ferências e circunstâncias de cada um, porém recomendamos utilizá-la
sempre que possível, pois comprovamos que vestir uma túnica talar cos-
tuma ajudar a obter e manter o estado de concentração e espiritualidade
necessário para favorecer os atos mágicos.
A túnica deve ser branca ou muito clara, aberta apenas no colarinho
e com o corte e as mangas bem largas, talvez com alguma fita ou franja
de motivos naturais. A saia deve cair com naturalidade e amplitude, com
a borda um pouco acima dos tornozelos para favorecer os passos rituais.
Não deve haver capuz nem outros complementos, ainda que se admita
um cordão na cintura no qual possa se pendurar um talismã.

Arranjos e adornos
Não convém usar maquiagem facial nem unhas pintadas. O cabelo
deve estar limpo e solto (caso prefira, preso com uma tiara de folhas ou
de flores brancas). As pedras e os metais têm influência específica sobre
as vibrações, por isso só podem ser usados colares ou joias que façam
parte dos elementos de determinado feitiço.
Também é aconselhável tirar aneis ou pulseiras, que, quando for o
caso, serão utilizados soltos sobre o altar, segundo as indicações da re-
ceita mágica que se queira realizar.

Ferramentas da magia celta


Antigamente, as pessoas que se dedicavam à magia destinavam seu
tempo somente a esse trabalho. Como apontamos antes, recolhiam e
produziam com as próprias mãos tudo o que seria empregado nos ritu-
ais: túnicas, sandálias, diademas de flores, varinhas mágicas, faca ceri-

Tradição e renovação da magia Wicca 31


monial, velas, símbolos etc., e buscavam com esmero as próprias pedras,
que poderiam ser de diversos tamanhos. Estes eram e são alguns dos
elementos empregados na magia. Bruxos e bruxas dispunham de um
cômodo ou caverna onde guardavam zelosamente todas as ferramentas,
faziam poções e outros preparados, secavam as ervas e fabricavam velas.
A única exceção eram os rituais ao ar livre e alguns feitiços que precisa-
vam do contato com os elementos.
Nos tempos modernos, nem todos podem dedicar o tempo inteiro à
magia (por sorte) e muito menos dispor de um cômodo exclusivo para
praticá-la. O essencial é que se dedique um tempo considerável à prática,
pois não podemos executá-la com ansiedade ou às pressas. Diante dessas
dificuldades, é melhor esperar o momento mais adequado.
Em seguida, deve-se buscar o espaço apropriado. Se o altar não pu-
der ser do tipo permanente, porque o lugar é pequeno e não reúne as
condições necessárias, teremos de planejar um altar móvel que possa ser
montado e desmontado com facilidade. Seria conveniente que as práti-
cas se desenvolvessem sempre no mesmo cômodo, exceto, obviamente,
os rituais ao ar livre.
Não é necessário complicar demais as coisas; basta buscarmos o lado
prático. Podemos utilizar algum tipo de gaveta, onde guardaríamos to-
das as ferramentas e, no caso de não dispor de um altar (mesa) fixo,
como já mencionado, a própria gaveta poderia desempenhar tal função.
Como se pode ver, a magia e suas derivações têm de ser simples para
que as energias possam fluir com liberdade e sem obstáculos, através
de nós, das ferramentas e, claro, do cômodo, para que depois possa se
expandir aos lugares aos quais desejamos dirigi-las.
Veremos, ao longo do livro, como fazer algumas das ferramentas,
mas, para que você possa se orientar e executar melhor os rituais, prepa-
rei uma lista rápida e mais ampla dos instrumentos mais utilizados e ne-
cessários. Lembre-se de que os instrumentos, uma vez finalizado o tra-
balho, devem sempre ser guardados no mesmo lugar, onde não possam
ser tocados por outras pessoas. Essas ferramentas devem ser destinadas
apenas aos trabalhos de magia e são de contato exclusivo seu.

Instrumentos de trabalho
Caminhos de mesa
Servem para cobrir o altar (mesa) antes de iniciar o trabalho e, se
forem feitos a mão, melhor. Podemos utilizá-los em cores como índigo,

32 O livro secreto da magia celta


lilás, laranja e vermelho. Porém, se tivermos de identificar a magia com
uma cor, a mais adequada e a que eu pessoalmente escolho é o roxo,
cor que se relaciona a cerimônias e ritos, e à força espiritual, além de
pertencer ao planeta Júpiter e, portanto, nos remeter a estados mentais
superiores, o que nos ajudará na conexão com esses planos.

Cálice (taça)
É conveniente que seja de metal. Podemos enchê-lo de vinho nos
rituais de consagração ou em outros, segundo nosso critério. O cálice
representa a energia criadora feminina, o útero da mulher e, de modo
simbólico, o útero cósmico. É onde se geram e maturam a vida, os pro-
jetos, as ideias etc.

Faca cerimonial
Nada pode ser gerado sem a presença do elemento masculino e o
contato com o falo, que é representado pela faca cerimonial. Para que a
magia chegue à culminação total, a faca cerimonial tem de ser introdu-
zida dentro do cálice para entrar em contato com o vinho. Além disso,
ela nos ajudará nos rituais em que tivermos de cortar energias negativas,
situações estagnadas, laços não desejados etc.

Velas
Para os fins que já explicamos, o mago deve ter sempre um sorti-
mento de tamanhos e cores de vela bastante amplo. Elas representam o
elemento fogo.

Flores e ervas
Às quais também já nos referimos; é importante saber que podemos
trabalhar com elas frescas ou secas, de acordo com o ritual.

Incensos
Eles descarregarão os ambientes e limparão a energia negativa do
cômodo, caso haja alguma, além de aromatizar o lugar de trabalho. É
conveniente ter uma grande quantidade e empregar o aroma compatível
com o ritual a ser realizado. Podemos encontrá-los e usá-los em vari-
nhas, em pó, em pedaços de resina e em cones. O incenso representa o
elemento ar.

Tradição e renovação da magia Wicca 33


Pedras
Podemos trabalhar tanto com pedras preciosas quanto com semi-
preciosas. Se as possibilidades forem escassas, podemos recolher pedras
de distintos tamanhos e cores em rios, praias ou montanhas. As pedras
têm alto conteúdo vibratório – não esqueçamos de que ficam expostas
a erosões provocadas pelas intempéries mais adversas. Tal característica
é o que, precisamente, lhes permite obter essa vibração tão valiosa: o
contato direto com os elementos.

Sal marinho
Com o sal marinho podemos traçar círculos e trabalhar dentro dele
ou colocá-lo em um recipiente como símbolo do elemento terra. Para
simbolizar esse elemento também podemos colocar, no lugar do sal ma-
rinho, terra recolhida de um campo ou de um vaso, ou mesmo uma
pedra de bom tamanho pode cumprir a mesma função.

Água
Simboliza, claro, o elemento água. Se possível, deve ser água da chuva
ou de mananciais, rios ou fontes. Se nenhuma das opções estiver dispo-
nível, teremos de nos contentar com a água da torneira ou mineral, mas
já levando em conta que possuem produtos químicos para depurá-las.

Metais
Todos os tipos de metais podem ser úteis, desde os mais caros e em
forma de joias, como o ouro, a prata e a platina, até os mais comuns,
como o ferro, o cobre e o bronze, que é uma liga de cobre com estanho
ou alumínio, um metal leve, maleável e inoxidável que todos temos em
casa na cozinha. Em último caso poderemos utilizar pregos, parafusos,
fios ou qualquer objeto metálico que tivermos à mão.

Fósforos
Sempre e em todos os rituais acenderemos velas com fósforos, e sob
nenhuma circunstância utilizaremos isqueiros ou outros utensílios;
também não convém acender uma vela com outra. Se quisermos um tra-
balho bem feito, acenderemos cada uma com um fósforo distinto. Para
isso é imprescindível que um bom bruxo disponha de várias caixas de

34 O livro secreto da magia celta


fósforos. Nos rituais não só se acendem velas como às vezes é necessário
queimar papéis, ervas, tecidos etc.

Pergaminhos, papéis e cartolinas


De diferentes cores e tamanhos, podemos cortá-los de acordo com
a necessidade. Pergaminhos, papéis e cartolinas podem ser necessários
para escrever pedidos, desenhar símbolos ou mesmo para definir os qua-
tro pontos cardeais, quando não houver uma bússola à mão, ou quando
no cômodo em que estivermos trabalhando não for possível seguir essa
ordem. A magia moderna exige que utilizemos papéis reciclados.

Tesouras
Servem para poder cortar tudo o que não puder ser cortado com a
faca cerimonial, como papéis, uma coroa de flores, cordões e demais ins-
trumentos de uso.

Marcadores de texto, canetas e gizes


De várias cores, nos servirão para desenhar símbolos, círculos, pen-
tagramas, escrever pedidos etc.

Agulhas e linhas de costura


Devem ser de distintas cores, para poder preparar saquinhos, coroas
de flores e tudo o que for necessário costurar.

Outros utensílios
Cordões, que podem ser de couro ou de lã; cola; e um recipiente de
barro ou cristal pequeno para jogar fósforos usados, pedacinhos de pa-
pel, cordões e outros objetos que não sirvam ou que sobrarem; purpuri-
nas de várias cores; caixas etc.
Cada bruxo precisa de determinados instrumentos e deve trabalhar
cercado dos que sabe que utilizará mais.

Tipos de encantamento
É normal que os profanos façam certa confusão com as diferentes ações,
operações e recursos que bruxos e bruxas utilizam. Inclusive em textos de di-

Tradição e renovação da magia Wicca 35


vulgação e iniciação costumam-se usar, indistintamente, termos como “fei-
tiço”, “conjuro” ou “sortilégio” considerando-os equivalentes. Aqui, tentare-
mos esclarecer um pouco a confusão, segundo os preceitos da magia Wicca.
Para que possamos nos entender, utilizaremos a palavra “encantamento”
para todos os meios de que se serve a magia por intermédio de determinadas
atuações. Dentro dos encantamentos, separaremos os diversos tipos confor-
me características, execuções e propósitos de acordo com o seguinte.

Ritual
Os rituais, também chamados de ritos, são cerimônias com um pro-
cedimento estabelecido e formalizado que em geral têm como finalida-
de a invocação de poderes superiores ou sobrenaturais. Todos os magos
e sacerdotisas, e, em certas ocasiões, a comunidade, participavam com
frequência dos rituais. O propósito fundamental era solicitar a ajuda e
a proteção dos deuses ou energias astrais para propiciar situações favo-
ráveis, como boas colheitas ou triunfos na guerra, e evitar ou reparar
acontecimentos funestos, como tormentas, pestes ou invasões. Alguns
ritos tinham datas fixas, como os que se celebravam nos solstícios e equi-
nócios, que marcam o ciclo das estações climáticas, e outros se improvi-
savam diante de acontecimentos imprevistos.

Feitiço
A característica principal do feitiço é utilizar elementos catalisa-
dores para atrair e orientar vibrações que nos permitam cumprir um
desejo ou propósito. Ao longo do tempo, os feiticeiros têm utilizado
os mais diversos recursos e manipulações mágicas, desde filtros e cozi-
mentos até animais totêmicos, como gatos ou corujas. A tradição Wicca
emprega sempre elementos naturais, como ervas, gemas, flores, metais
etc., em distintas manipulações e preparados. Na execução dos feitiços
são quase indispensáveis velas ou outra fonte de fogo, e se dá grande
importância às cores, à hora do dia, à posição astral e demais condições
favoráveis ou negativas.

Conjuro
Quando, no decorrer de uma ação mágica, o executante deve pro-
nunciar ou escrever determinadas palavras ou frases, denominamos essa
ação de conjuro. Como veremos adiante, a magia sempre deu impor-

36 O livro secreto da magia celta


tância fundamental à linguagem esotérica e à força da palavra oral e
escrita como expressão da divindade. Os conjuros podem fazer parte
de um feitiço para reforçar a energia ou podem ser executados de forma
independente e com propósito específico. O habitual é que seu conteúdo
e sua forma estejam prescritos pela tradição, ainda que também possam
ser elaborados pelo próprio executante. O ritmo, a rima e a repetição são
componentes que enriquecem os conjuros.

Sortilégio
Denomina-se sortilégio um ato mágico que tem como finalidade uma
transformação ou transfiguração que afete coisas, processos ou condu-
tas. Esse recurso de transformação utiliza meios semelhantes aos dos
feitiços e conjuros, e sua particularidade consiste em transmutar algo em
outra coisa distinta. Esses encantamentos são, portanto, os mais difíceis
de executar com sucesso, e costumam estar reservados a bruxas e bruxos
muito dotados e com grande experiência.

Amuletos e talismãs
São objetos, naturais ou preparados, que possuem determinados pode-
res favoráveis para a pessoa que os tem ou para o lugar onde estão depo-
sitados. Uma característica dos amuletos e talismãs é a duração e a gran-
de diversidade de seu poder, já que raras vezes se destinam a um único e
específico propósito. É costume chamar de amuleto o objeto mágico que
possui faculdades protetoras, enquanto o termo talismã remete aos que
trazem boa sorte. Há talismãs negativos, como é o caso de algumas joias
famosas, e outros de assombrosas virtudes, como os que aparecem em
narrações orientais. O uso deles é comum na magia Wicca e com frequên-
cia são ofertados a outras pessoas como demonstração de atenção e afeto.

Poções
Chama-se poção mágica toda bebida preparada em um ato de feiti-
çaria, em geral com finalidades curativas. Na tradição da Europa me-
dieval abundam os filtros encantados e as poções venenosas, exemplos
extremos, e hoje afortunadamente em desuso. A magia Wicca resgata a
venerável ciência de curar por meio de ervas e outros produtos naturais,
tanto para males do espírito como do corpo, agregando ao preparo um
toque de feitiçaria que reforça suas virtudes.

Tradição e renovação da magia Wicca 37


As poções curativas preparadas por cozimento à base de vegetais são
chamadas de “poções vegetais” e dão muito trabalho ao caldeirão mági-
co. A bebida resultante da submersão em água quente de folhas ou flores,
que são depois coadas, chama-se “infusão”, e a que se elabora passando
um ou mais elementos por um material poroso se chama “filtro”, nome
que se dava antigamente também às beberagens que os alquimistas rea-
lizavam nos destiladores.

A magia das palavras


O dom das línguas foi considerado maravilhoso e sobrenatural pelas
civilizações primitivas, que o sacralizaram em orações e invocações di-
rigidas às respectivas divindades e, mais tarde, em inscrições, escrituras
e textos sagrados.
Em muitas religiões, Deus é o primeiro falante, o criador de uma
linguagem original única e perfeita que os homens não podem alcançar
(recordemos a Torre de Babel). Nas leituras litúrgicas cristãs, os fiéis re-
citam a frase “Palavra da Salvação”, e o Evangelho expressa que “O Ver-
bo se fez carne”* para se referir à encarnação de Jesus, a quem também
se chama Verbo Divino.
Todos sabemos que as três grandes religiões monoteístas veneram
algum livro sagrado (a Bíblia, a Torá, o Corão), considerando o texto
como escritura de Deus. Os muçulmanos juntam às suas citações o re-
frão “Está escrito”, para reafirmar a autoridade divina da passagem men-
cionada, e os rabinos estudiosos da Cabala judia buscam significados
ocultos ou mensagens cifradas nos textos da Torá.
Essa significação transcendente da palavra falada ou escrita foi re-
colhida pela magia, cujos primeiros praticantes eram também sacerdo-
tes. Essa é a origem dos conjuros, das invocações e do poder atribuído
a certas palavras mágicas, às vezes desde tempos remotos. Um exemplo
conhecido é o conjuro “Abre-te, Sésamo”, do conto de Ali Babá em As
mil e uma noites, e talvez a palavra mágica mais célebre e antiga seja
“abracadabra”, que alguns magos e bruxas escrevem assim ou, por vezes,
em um triângulo que utilizam nos feitiços:

* João 1:1, 14. [N.E.]

38 O livro secreto da magia celta


abracadabra
bracadabra
racadabra
acadabra
cadabra
adabra
dabra
abra
bra
ra
a

RUNAS CÉLTICAS
Os celtas utilizavam uma escritura na qual combinavam 24
signos chamados runas. A denominação provém do anti-
go escandinavo rûn, que significa, por sua vez, letra e ciên-
cia, ou sabedoria. A magia druida atribuía a cada runa um
significado esotérico e determinados poderes mágicos que
utilizavam em rituais e feitiços, inscrevendo-a em pedras
ou na casca das árvores sagradas. Há inscrições rúnicas da-
tadas do século III, e posteriormente os godos estenderam
o alfabeto pela Europa, onde se manteve em caráter hermé-
tico e produziu-se manuscritos secretos como o Codex Ru-
nicus do século XIV, que descreve um código adivinhatório
por meio de combinação das runas.

Guerreiro Comunicação Amizade


Figura 2.1: Runas.

Letras e números mágicos


A partir do descobrimento e da difusão das primeiras escrituras,
a religião e a magia atribuíram a algumas letras valor e poder sim-
bólico e catalisador de vibrações semelhante ao que já atribuíam a

Tradição e renovação da magia Wicca 39


outros signos e desenhos. O exemplo do “abracadabra” é uma clara utili-
zação esotérica da letra A, tanto pela repetição como pela distribuição (o
mesmo ocorre com o nome da Cabala), e é bastante conhecido que o X
é quase universalmente a letra do mistério e dos arcanos. As siglas tam-
bém podem adquirir valor simbólico, como IHS (Iesus Homine Salvator)
e INRI (Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum)*, utilizadas na iconografia e na
liturgia cristã.
Os números também adquiriram um significado esotérico, em es-
pecial os dígitos ímpares, como o três e o sete, ainda que a dualidade
tenha um prestígio particular em certas culturas. Os hebreus utilizavam
nos ritos candelabros de sete ou nove braços, mas também atribuíam
grandes poderes ao selo de Salomão: dois triângulos entrelaçados que
formam uma estrela de seis pontas.
Por sua vez, o pentáculo celta é provavelmente uma representação
do símbolo esotérico ancestral que mostra um homem nu com as ex-
tremidades separadas do corpo, inscrito em um círculo (a figura que se
popularizou por meio de um conhecido desenho de Leonardo da Vinci:
O Homem Vitruviano).

A palavra na magia Wicca


Os atuais oficiantes da magia luminosa empregam a linguagem eso-
térica com seus símbolos e signos recolhendo as virtudes catalisadoras
que lhe são atribuídas pela sabedoria ancestral. Os conjuros recitados ou
escritos, as invocações e o uso de determinadas letras ou números fa-
zem parte de muitos feitiços Wicca como recursos para atrair e canalizar
energias favoráveis.
Em relação ao alfabeto rúnico, a ciência da magia dá grande impor-
tância às suas combinações como código adivinhatório e de proteção
contra vibrações malignas.
Essa primeira descrição das tradições e dos princípios recuperados
pela “rede” Wicca nos permite conhecer as condições e os rituais iniciá-
ticos da magia celta, tema do próximo capítulo.

* Tradução: “Jesus salvador dos homens” e “ “Jesus Nazareno, Rei dos Ju-
deus”, respectivamente. [N.E.]

40 O livro secreto da magia celta


3

Ritual de proteção
do santuário

D ruidas e druidisas escolhiam para os feitiços uma clareira no


bosque ou outro lugar afastado, o qual, a partir daquele mo-
mento, consideravam sagrado. O primeiro rito que celebravam
no santuário, sempre em noite de lua cheia, tinha como finalida-
de protegê-los das vibrações negativas e dos espíritos malignos.
Já sabemos que os santuários celtas, nos quais se celebravam cerimô-
nias ao ar livre sob o céu noturno, foram adaptados pela magia Wicca a
fim de que pudéssemos erigir o altar em um cômodo ou local coberto.
Mas as vibrações ruins não se detêm diante de muros ou telhados, por
isso é necessário preservar o ambiente mágico das más influências, se-
jam humanas ou cósmicas.
Esse ritual protetor, que completa a trilogia iniciática, deve ser rea-
lizado na primeira noite de lua cheia após a invocação à Grande Deusa.
Porém, é necessário que se passem pelo menos sete noites; caso contrá-
rio, deve-se esperar a próxima lua cheia.

Preparação do santuário
Durante os três dias anteriores ao ritual, não faremos nenhum conta-
to com os elementos do santuário nem realizaremos qualquer ato mági-
co. A única exceção que recomendamos, se possível, consiste em acender
nesses dias a vela mestra, às sete da noite, durante três minutos. No en-
tanto, o iniciante, principalmente, deve se dedicar a si mesmo, cuidando
de seu interior, da maneira que explicamos em rituais anteriores.
Uma condição prévia essencial é tomar contato físico (receber as vi-
brações) e visual com a lua cheia, antes de realizar o ritual. Esse encontro
deve ser a partir do anoitecer e antes da meia-noite do mesmo dia, e basta
um momento de recolhimento olhando a lua e recebendo a luz dela sobre
o rosto, os cabelos e as palmas das mãos. Os mestres Wicca são tolerantes
e admitem que isso seja feito em qualquer local: uma praça, um terraço,
uma varanda, uma janela etc., ou até mesmo por meio de um cristal, se
for inverno. Aos afortunados que podem ver a lua de seu santuário, basta
efetuar o contato prévio alguns momentos antes do ritual.
Como se trata de um ritual com fins mágicos, deve-se permanecer
em jejum por pelo menos seis horas antes da execução.

Disposição do santuário
Os celtas se destacaram por seu magnífico artesanato, em particular
no uso dos metais para a fabricação de armas e ferramentas. A fim de
simbolizar a proteção que invocamos neste ritual, usaremos o bronze,
o ferro, o ouro e a prata, que eram os materiais com que eles forjavam e
adornavam elmos, armaduras e escudos, e também lanças e espadas com
as quais se defendiam dos inimigos.

42 O livro secreto da magia celta


Devemos dispor, portanto, de um objeto de cada um desses metais,
de tamanho adequado para permitir o manuseio (como uma chave de
ferro, um puxador de bronze, um anel de ouro e um brinco de prata, ou
peças semelhantes). Se utilizarmos joias, elas não devem possuir pedras
nem outros componentes, apenas o metal escolhido, como uma aliança
de ouro, por exemplo.
Antes de iniciar, temos de retirar do altar e do ambiente do santuá-
rio todos os elementos simbólicos ou esotéricos, de modo que permane-
ça absolutamente despojado. Assim, se poderá estabelecer uma relação
mais poderosa entre os metais e as vibrações protetoras do universo e da
natureza. O único catalisador será a chama votiva, cujo castiçal deixare-
mos sobre a mesa no centro do altar.

Execução do ritual
Acendemos a chama votiva e colocamos diante dela um prato ou uma
vasilha de madeira com os seguintes frutos: um pedaço de maçã com
casca, meia noz sem casca, três uvas e três frutos do bosque (morangos,
framboesas, groselhas etc.).
À esquerda, posicionamos os objetos de ouro e de ferro, e, à direita,
os de bronze e de prata. Concentramo-nos um momento com os olhos
fechados e fazemos três inspirações profundas. Em seguida, iniciamos o
ritual com os seguintes passos:

1. Seguraremos o objeto de ferro com a mão esquerda, fecharemos a


mão e esticaremos o braço em linha reta, pronunciando o seguin-
te pedido:

Deusa lua do poder astral


com este escudo de ferro
protegei meu recinto do mal.

Pegaremos o pedaço de maçã com a mão direita e o levaremos


à boca. Enquanto o ingerimos, imaginaremos o escudo protetor
sobre nós.

2. Seguraremos o objeto de bronze com a mão direita, fecharemos a


mão e esticaremos o braço, recitando:

Ritual de proteção do santuário 43


Deusa lua, rainha do firmamento,
com este elmo de bronze
protegei minha magia a todo momento.

Pegaremos a noz com a mão esquerda para comê-la, enquanto


imaginamos o elmo de bronze que nos protege.

3. Seguraremos o objeto de ouro com a mão esquerda e esticaremos


o braço enquanto recitamos:

Deusa lua, serena e altiva,


com esta foice de ouro
protegei meu altar de qualquer onda negativa.

Seguraremos as uvas com a mão direita e as comeremos, ima-


ginando que o objeto de ouro que empunhamos se converte em
uma foice mágica.

4. Seguraremos o objeto de prata com a mão direita, esticando o bra-


ço e recitando o seguinte:

Deusa lua de poderes régios


com esta armadura de prata
protegei a força de meus sortilégios.

Seguraremos os frutos do bosque com a mão esquerda e os come-


remos imaginando a armadura de prata que protege as vibrações
de nosso espírito.

Como conclusão do ritual, devemos colocar os quatro metais enfilei-


rados em frente à chama votiva, ordenar os elementos permanentes do
santuário e permanecer três minutos de pé, diante do altar, em profunda
meditação. Em seguida, apagamos a chama e nos retiramos sem dar as
costas para o altar. Não regressar até que se passem 33 minutos.

Os iniciados do “bosque mágico”


O “bosque mágico” era o nome simbólico adotado pela ordem ou
comunidade de druidas e druidisas que exerciam a feitiçaria. Cada um

44 O livro secreto da magia celta


deles representava a árvore que lhe correspondia, segundo o zodíaco cel-
ta, e, reunidos, formavam um bosque virtual cujas vibrações interagiam
com o bosque real criado pela natureza.
Se você já oficiou os três rituais de iniciação à magia luminosa, passa
a fazer parte do “bosque” atual de magos e magas Wicca. Talvez você não
chegue a se encontrar com nenhum deles, mas, se isso ocorrer, saberá de
imediato ao perceber as vibrações, sobretudo se ambos pertencerem à
irmandade da mesma árvore.
Para conhecer sua árvore, basta saber qual delas rege sua data de nas-
cimento:
• De 24 de dezembro a 20 de janeiro: Bétula
• De 21 de janeiro a 17 de fevereiro: Sorveira
• De 18 de fevereiro a 17 de março: Freixo
• De 18 de março a 14 de abril: Nogueira
• De 15 de abril a 12 de maio: Salgueiro
• De 13 de maio a 9 de junho: Espinheiro
• De 10 de junho a 7 de julho: Carvalho
• De 8 de julho a 4 de agosto: Azevinho
• De 5 de agosto a 1º de setembro: Castanheiro
• De 2 a 29 de setembro: Videira
• De 30 de setembro a 27 de outubro: Faia
• De 28 de outubro a 24 de novembro: Azinheira
• De 25 de novembro a 23 de dezembro: Sabugueiro

A árvore zodiacal não tinha grande influência sobre os celtas co-


muns, que inclusive costumavam ignorar qual árvore lhes correspondia.
Mas tinha grande importância para os membros da ordem druida, em
especial para os que se dedicavam às práticas mágicas. Dentro de nosso
período zodiacal, devemos invocar a proteção e a ajuda da árvore ao rea-
lizar encantamentos, assim, obteremos mais energias astrais e melhores
resultados.

Três feitiços básicos para iniciar


Como assinalamos antes, a renovação Wicca define a magia como
a arte e a ciência de utilizar os meios esotéricos para que algo aconteça
ou não, ou para que algo mude. Tal influência sobre os acontecimentos,
condutas ou sentimentos chama-se “propósito” do encantamento, e cada
tipo de propósito tem características básicas, que explicaremos a seguir.

Ritual de proteção do santuário 45


Para que algo aconteça
Trata-se de um encantamento ativo que precisa de vibrações de for-
ça e ondas que as canalizem até que o propósito seja alcançado. Assim
como nos outros dois encantamentos básicos, apresentamos a seguir os
elementos essenciais que devem ser utilizados.

Elementos essenciais
São eles:
• o pentáculo (condutor das vibrações);
• uma vela vermelha (poder, criatividade, paixão);
• folhas de carvalho (resistência e valor);
• um objeto de ferro (força, solidez, impulso mineral);
• uma pedra de quartzo ou ametista (energia, inteligência criado-
ra).

Para que algo não aconteça


Em geral, trata-se de um encantamento de proteção ou para evitar
ações negativas e prejudiciais. Suas vibrações devem se direcionar no
sentido de deter ou afugentar as forças malignas, ao mesmo tempo que
fortalecem os aspectos favoráveis da situação atual. Necessitamos, por-
tanto, de elementos que emitam energias astrais de grande poder bené-
fico aliados a outros que assegurem a conservação e solidez do que não
desejamos mudar.

Elementos essenciais
São eles:
• a chama votiva (direção e concentração das vibrações);
• uma vela verde (serenidade, estabilidade saudável);
• uma pedra de azeviche ou topázio (segurança e poder defensivo);
• cebola e/ou dentes de alho (proteção contra forças negativas);
• um ramo ou folhas de louro (triunfo sobre o mal).

Para que algo mude


Dependendo do propósito concreto, pode requerer um simples feiti-
ço de transposição ou um autêntico sortilégio de transfiguração, que é o
encantamento mais poderoso e difícil da magia druida. Em todo caso,

46 O livro secreto da magia celta


são necessários elementos de grande força energética e vibrações ao mes-
mo tempo intensas e controláveis.
Recomendamos aos principiantes que não se lancem a feitiços muito
espetaculares, cuja manipulação possa ser contraproducente. A magia
bem executada pode produzir mudanças às vezes surpreendentes, mas
não faz milagres.

Elementos essenciais
São eles:
• o pentáculo (direção e controle do processo);
• a vela mestra (produção e canalização de vibrações);
• uma vela azul (geração e otimização de forças astrais);
• uma gema de esmeralda (poder, fecundidade, criatividade);
• um objeto de prata (energias de renovação e transmutação).

Criatividade e imaginação
Os elementos essenciais que enumeramos para os três poderes bási-
cos da magia celta não são, em absoluto, imprescindíveis ou inalteráveis.
Constituem um guia dos componentes naturais que possuem mais vi-
brações favoráveis em cada caso geral, cuja utilização deve ser conside-
rada para um encantamento em particular. É possível que nem todos os
componentes possam ser incluídos, que alguns entrem em contradição
ou se sobreponham a outros recomendados para esse fim específico, ou
ainda que não possamos dispor de alguns e tenhamos de substituí-los.
Não devemos hesitar em adaptar, combinar ou até mesmo mudar os
componentes de acordo com o tipo de propósito que desejamos alcançar
com o encantamento. Para isso podemos consultar o Capítulo 5 deste li-
vro, que descreve as propriedades mágicas dos elementos e qualidades da
natureza; e o Capítulo 6, que apresenta 33 encantamentos para distintos
temas e assuntos que afetam a nós e a nossa vida.
A partir dessa base e da própria experiência, é fundamental ampliar a
imaginação e a criatividade para provar e investigar novos caminhos na
prática esotérica. Uma das grandes virtudes da sábia herança druida é a
convicção de que sempre se pode descobrir algo novo na utilização das
energias cósmicas do céu e da terra, e que essas energias atuam em um
intercâmbio pessoal diferente com cada um de nós.

Ritual de proteção do santuário 47


A lenda ancestral assegura que o primeiro grande mestre que escreveu
um Livro das Sombras foi o mago Merlim, talvez o mais sábio e poderoso de
todos os feiticeiros celtas, ou pelo menos o mais célebre e reverenciado.

O LIVRO DAS SOMBRAS


O sentido mágico da escritura obteve grande importância
na segunda etapa da cultura celta, quando a romanização
difundiu o alfabeto latino. Os druidas mais instruídos co-
meçaram a elaborar manuscritos que chamamos Livro das
Sombras, nos quais se registram os conjuros e as fórmulas
mágicas, e que também servem para anotar conhecimentos
esotéricos. Esses textos eram sempre pessoais e herméticos,
ainda que, às vezes, passassem de mestre a discípulo para
transmitir e conservar os mistérios. A magia Wicca reco-
menda a seus praticantes trabalhar com um Livro das Som-
bras próprio, como uma espécie de diário de experiências
mágicas. Em sentido prático, podem-se também anotar
nele os conjuros extensos ou difíceis de lembrar e depois
lê-los diretamente no livro colocado no altar sobre um pe-
queno atril.

48 O livro secreto da magia celta


4

Segredos da saga
do rei Artur

A época do rei Artur, o século V, foi a de maior esplen-


dor da *sabedoria e da magia celtas nas Ilhas Britâ-
nicas. Os druidas, liderados pelo grande mago Merlim,
pela druidisa Viviana e pela maga Morgana, desempe-
nharam um papel fundamental na história do reino de
Camelot e nas proezas dos cavaleiros da irmandade da
Távola Redonda.
Pouco depois, os invasores anglo-saxões tentaram destruir a cultura
espiritual e esotérica da época do rei Artur, cuja memória foi também
combatida pelo cristianismo devido à lenda de que os druidas possuíam
o Santo Graal e o utilizavam para práticas maléficas. A partir do século
XV, a saga de Camelot é recuperada por diversos autores, que ressaltam
os aspectos cavalheirescos e românticos, sem dar grande importância
aos valiosos componentes de magia e feitiçaria.
Entretanto, os conhecimentos esotéricos de Merlim e seus discípulos
continuaram sendo transmitidos de modo hermético por ocultistas e ma-
gos, especialmente em Gales e outras regiões do sul da Inglaterra. Dessa
forma, puderam ser recuperados pelos investigadores e professores da
“rede” Wicca, que os incorporaram como parte fundamental da nova ma-
gia luminosa.
Narra a saga do rei Artur que, uma vez distantes os perigos que ameaça-
vam Camelot, Merlim se reencontrou com Viviana e ambos se retiraram para
o bosque de Brocelândia, onde viveriam eternamente dentro de um círculo
mágico que os tornou invisíveis. Continuaram investigando e praticando os
poderes da magia astral e natural da tradição celta e tiveram dois reconheci-
dos discípulos: o grande mago Talésio, pai e mestre de todos os druidas, e a
poderosa maga Morgana Le Fay, que era meia-irmã do rei Artur.
Esses quatro grandes magos e seus sucessores reuniram uma gran-
de quantidade de encantamentos e feitiços, que convocam as forças do
universo por mediação da Grande Deusa. A magia Wicca conseguiu re-
cuperar vários dos feitiços que há mais de quinze séculos tornaram pos-
sível o nobre e mágico reino do rei Artur. Selecionamos alguns deles, que
podem ser de grande utilidade a bruxos e bruxas atuais.

O FEITICEIRO DO REI
Merlim, também chamado em gaélico Myrddhin, nasceu
ao pé de uma azinheira nas profundezas de um bosque.
Desde pequeno mostrou surpreendentes poderes e dotes
adivinhatórios, que despertaram o ciúme da druidisa Mab,
rainha das feiticeiras. Merlim se refugiou em seu bosque
natal, onde se alimentava de raízes e ervas mágicas. Ali foi
buscá-lo Viviana, a Dama do Lago – poderosa e bela maga,
irmã de Mab –, que lhe entregou a espada encantada Exca-
libur e lhe ensinou todos os segredos da feitiçaria druida.
Merlim decidiu se colocar a serviço do jovem Artur, filho

50 O livro secreto da magia celta


do rei Uther Pendragon, que havia perecido nas mãos dos
invasores saxões. Entregou ao príncipe a espada invencível
e o ajudou, com as artes da feitiçaria, a recuperar o trono de
Camelot e fundar a ordem de cavalaria da Távola Redonda,
baseada nos princípios da religião ancestral dos celtas.

A poção de amor da rainha Guinevere


Já em idade madura, Artur casou-se com uma charmosa donzela cha-
mada Guinevere, que se converteu, portanto, em rainha de Camelot. A
jovem sentia respeito e admiração pelo rei, mas se apaixonou pelo cava-
leiro Lancelote do Lago, afilhado da druidisa Viviana. O paladino tam-
bém amava a rainha, embora a absoluta lealdade a Artur o impedisse de
manifestar seus sentimentos.
Guinevere confessou a Viviana o amor por Lancelote, e a fada lhe en-
tregou uma poção mágica que ambos deviam beber para que a força da
paixão superasse qualquer barreira. O cavaleiro e a rainha beberam a po-
ção e caíram um nos braços do outro. Artur acabou perdoando Lancelote,
não sabemos se por efeito de uma nova magia da bondosa fada celta.
A magia Wicca conserva a receita daquela poção, com ligeiras modi-
ficações, que permitem elaborá-la hoje com relativa facilidade. Os mes-
tres a aconselham para os casos em que a pessoa amada não se atreve a
expressar seu amor por razões alheias aos verdadeiros sentimentos.

Ingredientes
São eles:
• uma noz picada fina;
• um pedaço de canela em pau;
• uma colher de geleia de frutas do bosque;
• 3 folhas de louro;
• 4 pétalas de rosas vermelhas;
• 2 xícaras de água da chuva;
• ¼ de litro de vinho branco doce.

Elementos
São eles:
• um pilão de madeira com socador;
• um caldeirão pequeno;

Segredos da saga do rei Artur 51


• um cálice ou tigela de metal;
• um pedaço de pano branco de tecido natural;
• um frasco de cristal;
• a vela mestra;
• uma vela vermelha e outra verde;
• o pentáculo;
• uma pedra natural que caiba na palma da mão;
• a varinha mágica.

Condições
Os materiais da poção podem ser preparados até sete dias antes, mas
a consagração de seus poderes tem de ser oficializada em noite de lua
nova ou quarto crescente.

Preparação
Esta tarefa antecede o ato mágico e deve ser realizada na cozinha ou
em outro lugar apropriado depois do anoitecer e antes da meia-noite.
Cortar em pedaços as pétalas de rosa e as folhas de louro, e colocá-los
no pilão junto com a noz picada e a canela. Misturar tudo e sovar bem,
juntando a geleia de frutas do bosque. Trabalhar com o socador até que
se forme uma pasta uniforme.
Estender o pano sobre a boca do cálice e colocar no centro a pasta que
foi preparada. À parte, colocar a água da chuva para ferver no caldeirão.
Quando a água estiver em plena ebulição, a derramamos em um jato
fino sobre a pasta, de forma que o pano atue como filtro. Deixar esfriar
a bebida resultante no cálice durante três horas exatas.
Encher o frasco de cristal com quatro porções de vinho e uma porção
da bebida filtrada. Misturar bem, girando lentamente o frasco para cima
e para baixo, sem agitá-lo.
Deixar o frasco sob a luz da lua durante toda a noite.

Consagração
(A druidisa Viviana consagrou o filtro da rainha Guinevere com sua
varinha mágica diante de uma pedra sagrada na qual havia um pentácu-
lo inscrito. Os três elementos são imprescindíveis para dar poder à poção
de amor.)
Colocar o pentáculo sobre o altar, com a vela mestra no vértice supe-
rior, a vela vermelha no vértice esquerdo e a verde, no direito. Posicionar

52 O livro secreto da magia celta


o frasco com a poção no centro do pentágono interior, e a pedra, entre
os dois vértices inferiores.
Acendemos a vela mestra e nos concentramos nela por um momento,
respirando profundamente, e então damos início à consagração seguin-
do estes passos:

1. Acender a vela vermelha, símbolo da paixão, pensando na força


do amor pela pessoa em questão.

2. Acender a vela verde, símbolo da esperança, pensando na alegria


que sentiremos ao estar finalmente com ela.

3. Depois de uma pausa na meditação diante do altar aceso, pegar a


pedra com a mão esquerda e levá-la ao coração. Colocar a varinha
mágica na mão direita e posicioná-la verticalmente diante do rosto.

4. Tocar com a varinha a parte direita do frasco, invocando mental-


mente o poder de Aine, a rainha das fadas celtas.

5. Tocar com a varinha a parte esquerda do frasco, invocando men-


talmente o poder de Brígida, a deusa-cisne da felicidade e do
amor.

6. Tocar com a varinha a parte superior do frasco, invocando mental-


mente o poder de Rhianna, a deusa celta que une os apaixonados.

7. Esticar os braços para frente, sem deixar de segurar a pedra e a va-


rinha, e separá-los devagar, visualizando as vibrações que chegam
ao frasco e consagram a magia da poção de amor.

Apagar a vela mestra e, se possível, deixar o frasco e as outras duas


velas acesas até que se apaguem ou depois de setenta minutos.

Emprego da poção
Diz a lenda que Guinevere bebeu a poção do amor e a ofereceu a Lance-
lote sob a luz da lua cheia, em uma das varandas poligonais de Camelot. O
ideal seria repetir essas condições, ainda que com certeza não disporemos
do castelo do rei Artur.

Segredos da saga do rei Artur 53


Se o clima não nos permitir fazer o brinde ao ar livre, tentaremos que
a lua possa ser vista por uma janela, ou que ao menos sua luz nos alcance.
Se não puder ser em época de lua cheia, buscaremos uma noite de quarto
crescente o mais avançado possível.

Um truque sincero
É importante beber antes do encontro um gole da poção, para provar
seu sabor. Em geral, o gosto e a doçura do vinho ocultam a presença dos
outros componentes. Podemos também adicionar uma pitada de açúcar
mascavo, mas, se mesmo assim não ficar bom, o melhor é apelar para a
sinceridade: em tom de brincadeira você pode dizer que preparou uma
poção de amor e sugerir que ela seja provada. A pessoa amada provavel-
mente aceitará o convite e beberá a poção com divertimento, pelo menos
até que comece a sentir os efeitos…

O feitiço de fertilidade
da rainha Igraine
Quando o rei celta Uther Pendragon derrotou Tintagel, duque de
Cornwall, este morreu na batalha. Sua viúva, chamada Igraine, era uma
mulher muito bela e, mal terminado o calor da batalha, Uther a tomou
por esposa naquela mesma noite. Mas passou-se um tempo e Igraine não
ficava grávida; o rei começou a se preocupar em não poder assegurar sua
descendência.
Numa noite de lua nova, chegou ao acampamento celta um mendigo,
ninguém menos que o mago Merlim. Ao ver que Uther lhe oferecia gene-
rosamente sua hospitalidade, o grande feiticeiro decidiu que seria bom
prolongar o reinado da nobre linhagem dos Pendragon. Prometeu ao rei
que Igraine engravidaria e daria à luz um menino justo e valente, se lhe
permitisse estar a sós na tenda real antes de se deitar com a rainha.
Uther aceitou a proposta de Merlim e nove meses mais tarde nascia
um menino chamado Artur.
O tipo de feitiço realizado por Merlim na tenda real se denomina
“encantamento de ambiente”, e tem muitas aplicações na magia Wicca.
Entre elas, o feitiço de fertilidade original que permitiu o nascimento de
Artur e, segundo a tradição, foi recolhido pelo druida superior Talésio
em seu Livro das Sombras.
Os mestres da atual magia luminosa o adaptaram da maneira deta-
lhada a seguir.

54 O livro secreto da magia celta


Ingredientes
São eles:
• algumas folhas de carvalho;
• algumas folhas de menta;
• 1 pétala de magnólia;
• uma porção de incenso;
• várias lasquinhas de galho de azinheira.

Elementos
São eles:
• o pentáculo;
• 1 vela azul;
• 1 castiçal de mão;
• 1 defumador ou incensário pequeno;
• 1 folha de papel-pergaminho;
• fósforos.

Condições
O propósito deve se aplicar a casais em idade de se reproduzir, que
não sofram impedimentos orgânicos irreversíveis para a fecundação, e
não deve ser em benefício próprio do executante. É importante que o
feitiço se realize dentro das três primeiras horas escuras de uma noite
de lua nova.

Preparação
(A norma Wicca aconselha que as folhas e as pétalas sejam secas previa-
mente entre páginas em branco do nosso Livro das Sombras. Mas pode-
mos também consegui-las já secas e deixá-las 33 horas dentro do livro.)
Despedaçar com os dedos as folhas secas e a magnólia, e colocá-las
dentro do defumador, junto com o incenso e as lasquinhas de azinheira.
Retorcer o papel-pergaminho em forma de pavio.
Posicionar o defumador e o pavio, junto com a vela e o pentáculo, de
modo que se possa transportar tudo ao cômodo conjugal.

Execução
Acender a vela e entrar no cômodo que desejamos encantar, compro-
vando que esteja perfeitamente fechado e iluminado apenas pela chama

Segredos da saga do rei Artur 55


da vela. Devemos nos colocar de pé aos pés da cama e nos concentrar
profundamente, segurando a vela com as mãos juntas à altura do peito.
Depois deixamos o castiçal sobre a cabeceira da cama ou a mesa de ca-
beceira, e iniciamos o feitiço cumprindo os seguintes passos:

1. Colocar o pentáculo no centro da cama (se forem duas, entre am-


bas ou na que a mulher ocupará), com o vértice principal para
baixo, em posição de pentagrama.

2. Esticar os braços para frente, olhando fixamente o pentagrama, e


pronunciar o seguinte encantamento:

Oh, Cernunnos, deus da virilidade,


abençoe este ambiente com fecundidade!

3. Mudar de posição o pentáculo, de maneira que permaneça com o


vértice principal virado para cima.

4. Abrir por completo os braços para os lados, olhando fixamente o


pentáculo, e pronunciar o seguinte encantamento:

Oh, Grande Deusa da concepção,


que tua luz abençoe esta habitação!

5. Abaixar os braços ao longo do corpo, elevar a cabeça com os olhos


fechados e visualizar o cômodo como um ambiente encantado
para favorecer o nascimento de uma nova vida.

6. Colher a chama da vela com o pavio de pergaminho e acender


com ele o defumador, esperando até que esfumace bem.

7. Agitar o defumador sobre a cama e girar devagar para a esquerda


em um círculo completo para defumar todo o recinto enquanto
repetimos sete vezes:

Assim seja e assim será!

O cômodo deve permanecer fechado e vazio durante 77 minutos


antes que o casal em questão entre nele. Como não somos o poderoso

56 O livro secreto da magia celta


Merlim, é possível que a concepção não aconteça nessa mesma noite,
mas ainda dentro do prazo das três luas seguintes. Se não for assim,
pode-se repetir o feitiço na terceira lua nova.

O encantamento de unidade
da Távola Redonda
Os famosos cavaleiros do rei Artur faziam um juramento de lealdade,
defesa dos fracos, luta contra a opressão e a maldade, e busca pelo Santo
Graal, que, segundo a tradição celta, era um pequeno cálice que continha
toda a sabedoria ancestral (a versão do cristianismo o venera como a taça
que Jesus utilizou na Última Ceia). Ao formar-se a irmandade dos cavalei-
ros, o mago Merlim presenteou Artur com uma simples mesa de madeira,
grande o bastante para que todos os paladinos se reunissem em torno dela.
A mesa, ou Távola Redonda, estava carregada de magia, proveniente
das tábuas de carvalho do bosque de Brocelândia e devido a seu formato
circular. O círculo é uma figura de grande poder astral na tradição drui-
da e uma das representações da Divindade que está presente no pentá-
culo e em outros símbolos rituais, assim como nas danças sagradas das
druidisas. Seu poder regia fundamentalmente a unidade e a solidarieda-
de, que transmitiu àquele lendário grupo de cavaleiros.
Hoje em dia, já não lutamos contra dragões nem resgatamos donzelas,
mas a união e a solidariedade dos seres humanos continuam sendo essenciais
para nos sentirmos seguros e confiantes em um mundo difícil. A magia Wic-
ca utiliza uma variante do encantamento de Merlim, que é muito efetiva para
manter ou recuperar os sentimentos de unidade em grupos como a família,
os amigos, equipes de trabalho, companheiros de estudo, vizinhos etc.
No princípio, o feitiço não servia para as relações de casal, mas sim
para grupos de mais de três membros, entretanto, algumas bruxas moder-
nas o recomendam também com êxito em distanciamentos sentimentais
e conjugais.

Ingredientes
São eles:
• algumas folhas secas de oliva;
• um punhado de incenso;
• uma pitada de sal;
• um pinha de pinheiro.

Segredos da saga do rei Artur 57


Elementos
São eles:
• uma vela azul grande;
• 7 velas brancas pequenas;
• 1 cartolina azul-celeste;
• 1 marca-texto verde;
• 1 cordão de tecido natural.

Condições
É aconselhável realizar o feitiço na hora do entardecer de um dia,
cuja data seja um número par, de preferência de um só dígito (2, 4, 6, 8).
Uma hora antes devemos pensar nas pessoas com quem desejamos nos
manter unidos e nos concentrarmos na necessidade de que isso de fato
aconteça.

Preparação
O ideal é dispor de uma pequena mesa redonda de madeira, que então
utilizaríamos no lugar da cartolina. Se não for possível, traçaremos nela
um círculo, da maneira mais perfeita possível. Usar uma mesa circular
ajuda, mas o importante é a concentração e a fé ao realizar o feitiço.

Variante 1
Se dispusermos de uma mesa redonda: colocá-la na frente do altar e
utilizá-la em vez dele, que só deverá ficar com os elementos permanen-
tes. Se quiser preservar a superfície da mesa, coloque pratos ou descanso
de copos sobre os quais apoiar as velas. Em seguida, proceder como in-
dicado na variante 2.

Variante 2
Se utilizarmos um círculo desenhado: coloca-se a cartolina com o cír-
culo sobre o altar, cuidando para que fique bem esticada. Depois, colo-
ca-se a vela azul no centro e as velinhas brancas formando um círculo
ao seu redor. Uniremos as velas com o cordão, formando um laço sobre
a base e passando à velinha seguinte. Em frente, fora do círculo, posi-
cionamos o defumador com o incenso e as folhas de oliva. À esquerda,
colocamos um montinho de sal, e, à direita, a pinha.

58 O livro secreto da magia celta


Execução
Concentrar-se por um momento com os olhos fechados, de pé em
frente ao altar. Em seguida, acender as velinhas do círculo, iniciando pela
mais distante e seguindo no sentido horário. Depois de acender cada uma,
pensar nas pessoas com quem deseja se manter unido (se for uma só, volte
a visualizar a cada vez; se forem duas, alternam-se as imagens; se forem
menos de sete, repetem-se as que considerar mais importantes ou mais
propensas a romper o círculo; se forem mais de sete, unir algumas de duas
em duas, em uma só vela, observando o critério oposto).
Afastar-se e contemplar o círculo, desejando profundamente que sem-
pre permaneça aceso. Em seguida, acender a vela central azul (que é a cor
da conciliação e da unidade) e recitar a seguinte invocação:

Com o fogo do sol e o azul da lua


peço tua ajuda, Grande Deusa do céu,
para que para sempre nos una.

Após, acende-se o defumador, deixando que emanem a fumaça e o


aroma. Colocar sobre ele uma pitada de sal, passando ao momento prin-
cipal da execução. Segurar a pinha com a mão direita, deixando-a sobre
a palma aberta, em atitude de oferenda, e o braço esticado para frente.
Então concentrar-se olhando a chama da vela azul, pronunciando o se-
guinte conjuro:

Paz da oliva, alegria do sal,


azul da união, incenso ritual.
Que nesta pinha nos una o futuro
para nos defender da dor e do mal
como os cavaleiros do rei Artur.

O talismã protetor de Excalibur,


a espada mágica
Depois da morte de Uther Pendragon, Merlim desejava proteger o
jovem Artur e favorecer sua ascensão ao trono. Portanto, entrou em
acordo com a Dama do Lago para proporcionar-lhe uma arma que só
ele poderia manusear e cuja posse o consagraria como rei diante dos
demais chefes celtas. Certo dia, ao amanhecer, surgiu uma pedra nas

Segredos da saga do rei Artur 59


margens do lago que tinha cravada no centro uma esplêndida espada de
linda empunhadura.
Correu o boato de que aquela espada era mágica e invencível, mas
só poderia ser arrancada da pedra pelo cavaleiro que os deuses haviam
escolhido como futuro rei da Inglaterra. Todos os jovens nobres tenta-
ram arrancar a espada da pedra, mas, por mais que se esforçassem, não
conseguiam movê-la. Então, apareceu Artur; segurou a empunhadura
e tirou a espada da pedra com assombrosa facilidade. Nesse momento
surgiu das ondas a Dama do Lago e, diante de todos os que estavam
presentes, anunciou:
– Esta espada se chama Excalibur, e, se usá-la com honra, ela o defen-
derá de todos os perigos que ameaçarem seu reino.
Assim se deu. Empunhando a Excalibur, o jovem Artur realizou nu-
merosas façanhas e se viu protegido por ela de todas as ameaças.
Os mestres da magia Wicca entendem que a extraordinária força pro-
tetora de Excalibur não residia de fato na espada, e sim nas vibrações as-
trais que emitia devido a um feitiço feito pelo Merlim. Eles conseguiram
recuperar o segredo daquele feitiço e modificaram alguns de seus passos
para que fosse possível utilizá-lo nas condições de vida atuais.

Ingredientes
São eles:
• 2 velas brancas;
• 1 rosa branca;
• 1 rosa vermelha;
• 1 correntinha de ouro;
• 1 ramo de visco;
• 1 folha de papel-pergaminho.

Elementos
São eles:
• o pentáculo;
• 1 espelho redondo de parede;
• 1 pedra média;
• e… sua Excalibur.

Sua Excalibur é o elemento principal do feitiço e representa a arma má-


gica que protegia o rei Artur. Como não é fácil conseguir uma espada, pode-

60 O livro secreto da magia celta


mos simbolizá-la com um objeto metálico semelhante (uma faca de ponta
sem cabo de madeira, um abridor de cartas, uma tesoura fechada etc.) que
não necessitemos usar novamente em sua função original.

Condições
A mais importante é madrugar, já que devemos finalizar o feitiço, se
possível, recebendo a primeira luz do sol. Pode ser feito em qualquer dia
do ano, desde que a data não seja 9, 13 ou 27.

Preparação
Ao levantar, vestiremo-nos com a túnica ou a roupa que usamos ha-
bitualmente para oficiar, sem usar nenhum adorno nem objeto de metal.
Não se deve ingerir alimentos sólidos, mas é permitido beber café, chá
ou suco de frutas.
Colocamos o pentáculo no altar contra a parede, ou por outro meio
que o sustente na posição vertical. Depois, posicionamos horizontal-
mente o espelho, que simboliza o lago, de forma que parte do pentáculo
se reflita nele. Sobre o espelho, na borda mais próxima, colocamos a pe-
dra e, em cima dela, a sua Excalibur, ao redor da qual teremos enrolado
a corrente de ouro em várias voltas.

Pentáculo

Espelho
Velas

Pedra e
Rosa branca Rosa vermelha
Excalibur

Papel-pergaminho com visco

Figura 4.1: O altar.

Segredos da saga do rei Artur 61


Na sequência posicionaremos os outros ingredientes e elementos má-
gicos da seguinte forma: à esquerda do espelho, uma das velas e a rosa
branca; à direita, a outra vela e a rosa vermelha; em frente e no centro, o
ramo de visco sobre o papel-pergaminho.

Execução
Devemos nos concentrar durante um minuto olhando para a Excali-
bur e pensando na necessidade de ajuda e proteção. Depois, acendemos
as velas com um palito de fósforo. A casa deve ficar iluminada apenas
por elas e, se possível, pela luz do amanhecer.
Esticar, então, a mão direita com os dedos unidos até a rosa vermelha,
concentrando o olhar na chama da vela, e fazer este pedido:

Pela rosa vermelha de sangue e amor,


proteja meu corpo do mal e da dor.

Mantendo a mão direita na mesma posição, esticar também a esquerda


até a rosa branca, olhando fixamente para a chama de sua vela, e recitar:

Pela rosa branca, flor da pureza,


defende minha alma de toda vileza.

Manter as mãos estendidas e direcionar o olhar para a Excalibur, con-


centrando-se nela envolta na corrente real dourada e em seus reflexos à luz
das velas, e à luz do amanhecer, se os raios chegarem ao local. Então, sentir
que as energias astrais do sol nascente a enchem de vibrações protetoras.
Após, fechar lentamente os braços até que as mãos se cruzem sobre o
peito, com as pontas dos dedos apoiadas nos ombros. Levantar a cabeça
com os olhos fechados e pronunciar com profunda convicção:

Assim seja… e assim será!

Para concluir o feitiço, pegar o ramo de visco e colocá-lo no centro do


pentáculo refletido no espelho. Retirar-se então do recinto durante sete
minutos, deixando as velas acesas. Ao voltar, apagar as velas, remover a
corrente de ouro e enrolar a Excalibur no papel-pergaminho, como se
fosse uma bainha.

62 O livro secreto da magia celta


Uso do talismã
O objeto que você consagrou como sua Excalibur encheu-se de ener-
gia protetora, cujas vibrações o defenderão dos riscos e perigos da vida.
Deve ser guardado em um lugar privado e fechado (uma caixa, uma ga-
veta, um estojo etc.) que não contenha outros objetos metálicos. Depois
de 21 dias e antes de 27, você vai retirá-lo da bainha de pergaminho e
sustentá-lo sobre as palmas de ambas as mãos, sentindo que recebe as
vibrações dele durante sete segundos.
Deve-se repetir essa operação seguindo o mesmo intervalo de tempo,
podendo se “recarregar” em qualquer momento que sinta necessário,
ou até mesmo levá-lo com você diante de situações difíceis. Quando se
passarem cinco anos, é necessário repetir novamente todo o feitiço, uti-
lizando o mesmo objeto que escolheu para protegê-lo.

Segredos da saga do rei Artur 63


5

Poderes e energias
da magia druida

A magia mística e espiritual dos druidas celtas baseava-se em


um profundo conhecimento da natureza e das energias ocul-
tas que ela possui. Tal conhecimento foi adquirido pelos grandes
magos e mestres ao longo de muitas gerações, ainda que haja
também quem diga que se tratava de uma sabedoria inata, ou
seja, revelada por um poder sobrenatural e transmitida geração
após geração.
Seja qual for a origem do seu saber, o fato é que era muito extenso e
abarcava desde o poder de uma folha de erva ou uma simples pedra até a
energia produzida pelos movimentos astrais.
Neste capítulo, faremos um resumo ordenado desses poderes e ener-
gias, e de como aplicá-los aos distintos propósitos dos atos mágicos. Com
esse conhecimento, compreenderemos melhor as receitas da magia cel-
ta e poderemos introduzir variantes ou até mesmo elaborar os próprios
encantamentos. Lembremos, antes de iniciar, que a feitiçaria druida só
funciona com toda a força quando o fim é bom e generoso; se a empre-
garmos com outra intenção, ela pode se voltar contra nós.

Dias, astros e metais


Cada dia da semana recebe uma influência astral distinta que favo-
rece as vibrações positivas de certos metais. Se soubermos canalizá-la,
potencializaremos a força dos atos mágicos relacionados a determinados
aspectos da vida. Se no dia assinalado invocarmos o planeta regente ao
oficiar um conjuro vinculado a um desses assuntos, será muito mais fácil
obter o propósito esperado.

Domingo
O primeiro ou último dia da semana, dependendo da tradição cultu-
ral que consideramos ao utilizar o calendário; para os celtas, o domingo
era um dia regido pelo Sol, que conferia toda sua força ao ouro. Com
ambos, podemos realizar feitiços ou conjuros dedicados à obtenção de
boa fortuna, bem-estar material e boas esperanças.

Segunda-feira
O que para nós é o primeiro dia de jornada de trabalho depois do des-
canso semanal, para os druidas era considerado um dia essencialmente
doméstico e familiar, no qual a prata emitia as melhores vibrações sob
a regência da Lua. Era a ocasião para invocar a Grande Deusa lunar e
oficiar atos mágicos com o objetivo de favorecer a paz familiar, a femini-
lidade, a fertilidade, a gravidez e os nascimentos.

66 O livro secreto da magia celta


Terça-feira
A terça-feira é consagrada ao grande planeta vermelho, Marte*, deus
romano da guerra, que os gregos chamavam Ares. Na simbologia celta,
era o dia em que Marte expressava todo seu poder por meio do me-
tal das armas: o ferro. Vinculava-se, portanto, aos encantamentos que
buscavam impulsionar a valentia, a virilidade e a força masculina, mas
também a consagração e a felicidade dos matrimônios.
Para os amantes dos jogos cabalísticos, notem que o nome grego
“Ares” tem três letras da palavra “Marte”, e que o “m” e o “t” ausentes
são as consoantes iniciais do termo “matrimônio”, seguidos do “r”, pre-
sente nas três palavras.

Quarta-feira
Ponto médio da semana, esse dia era vinculado por druidas e druidi-
sas ao planeta Mercúrio, do qual provém seu nome latino (Mercurii Dies)
e o do metal que rege esse dia. Na quarta-feira realizavam-se os atos má-
gicos que favoreciam a comunicação e o entendimento entre as pessoas
e a proteção aos viajantes. Em sua vertente criativa, Mercúrio estimulava
a imaginação dos artistas e dos poetas.

Quinta-feira
Regido pelo grande deus dos astros, Júpiter, os celtas dedicavam esse
dia à celebração de acordos e contratos consagrados pelos druidas, fa-
zendo com que ambas as partes bebessem vinho da mesma taça de co-
bre. O metal recebia as potentes energias do distante planeta regente, que
também favorecia a boa saúde e o cumprimento dos desejos.
Para os fãs de cinema, no filme 2001, Uma Odisseia no Espaço, o astro-
nauta protagonista atravessa, durante uma viagem a Júpiter, as barreiras
que o levam a outras dimensões do universo.

* O nome dos dias da semana em latim e em várias línguas neolatinas faz men-
ção direta aos nomes de planetas; no caso, a terça-feira era chamada de Martis
Dies.

Poderes e energias da magia druida 67


Sexta-feira
Último dia de trabalho semanal para muitos de nós, a sexta-feira é
regida por Vênus, estrela da manhã e deusa do amor e da voluptuosida-
de. Ela coloca sua efervescente energia no bronze, que os druidas usavam
para encantamentos amorosos e a fim de tornar mais doces as melodias
dos bardos. Era também o dia apropriado para recolher o visco e prote-
ger o equilíbrio ecológico da natureza.

Sábado
Segundo a tradição bíblica, dia dedicado a Deus e ao descanso; os celtas
acreditavam que este dia era regido por Saturno, ou Cronos, deus grego do
tempo. Seu metal favorável é o chumbo, cujas vibrações protegem as dis-
tintas etapas da vida, e os lares e bens que estiverem sob risco de perda.

Terra Água

Fogo Ar

Figura 5.1: Os quatro elementos.

OS SABÁS DO ANO CELTA


A palavra “sabá”, de origem hebraica, nomeia o dia dedi-
cado ao descanso e à devoção, e passou a designar na Idade
Média supostas cerimônias de bruxas para cultuar o diabo.
Tal transposição se deve à mistura das celebrações rituais
de druidas e druidisas com a superstição de que os judeus
adoravam Satanás. Permaneceu, portanto, o vocábulo para
os grandes momentos mágicos que marcam o calendário
anual na tradição mística dos celtas.

68 O livro secreto da magia celta


Os quatro principais sabás são: Imbolc ou Candelária, no
dia 2 de fevereiro; Beltane ou Walpurgis, de 30 de abril a
1º de maio; Lughnasadh ou Lammas, em 1º de agosto; e
Samhain, em 31 de outubro. Os quatro sabás menores cor-
respondem, no hemisfério norte*, ao solstício de verão ou
noite de São João (de 23 a 24 de junho) e ao de inverno (21
de dezembro), e aos equinócios de primavera (21 de março)
e de outono (29 de setembro).**

As vibrações dos quatro elementos


A sabedoria mágica dos druidas dava grande importância aos quatro
elementos da natureza, aos quais atribuía uma relação com os pontos
cardeais, as estações do ano e outros aspectos que depois seriam empre-
gados nos encantamentos. Essa simbologia passou, depois, a magos e
bruxas medievais, e segue atualmente como base primordial de muitos
feitiços e sortilégios da atual magia Wicca.

Terra: a mãe generosa


Elemento fundamental para aqueles que, como os celtas, viviam em
plena natureza e dependiam de seus frutos, a terra se relacionava ao nor-
te e ao inverno. Como uma das emanações da Grande Deusa, seu símbo-
lo mágico era o pentáculo, signo essencial do hermetismo druida. Nos
rituais e atos mágicos, era representada com as cores marrom ou ver-
de, colocando-se sobre o altar alguns de seus produtos característicos:
flores, cristais, ervas, pedras ou moedas de cobre que os celtas haviam
aprendido a cunhar.
Possivelmente as moedas eram utilizadas pelo fato de as vibrações da
terra favorecerem a riqueza, a abundância e o bem-estar material, além
de outros objetivos humanos, como o bom desempenho no trabalho e a
fertilidade no matrimônio.

* No hemisfério sul, as estações do ano são opostas às do hemisfério norte. [N.E.]


** Para informação sobre os sabás e outras datas mágicas, consultar El libro de
magia de la bruja moderna, da mesma autora. [N.A.]

Poderes e energias da magia druida 69


Água: vibrações emocionais
Os celtas sentiam grande veneração pelo mar (talvez por sua relação
com os navegantes vikings) e atribuíam virtudes mágicas aos cursos de
água, como rios, arroios e cascatas, assim como aos lagos, sacralizados
nas sagas do rei Artur. A água se vinculava ao oeste, porque para eles o
sol se punha sobre o mar e seu ciclo estacional era o outono, que é o fim
da luz do verão. Sua cor simbólica era, claro, o azul; seu símbolo, o cáli-
ce; e sua representação no altar, recipientes com água da chuva e conchas
ou caracóis marinhos.
A água intervinha, de uma forma ou de outra, em todos os encanta-
mentos relacionados aos sentimentos, ao amor, ao romance e à fidelidade
conjugal. Para os druidas, era o elemento mais forte e espiritual, e estava
relacionado às emoções, que tanto podiam ser despertadas como enca-
minhadas para o bem e para a felicidade. Por esse motivo costumavam
escolher para as grandes assembleias e celebrações lugares cercados por
água, como ilhas ou penínsulas, onde estabeleciam também os santuá-
rios para as reuniões secretas.

Ar: um mensageiro intelectual


Os druidas supunham, talvez não sem razão, que os pensamentos flu-
tuavam ao redor de cada pessoa e podiam ser levados a outras pelo ar, em
uma espécie de precursor da telepatia. Vinculavam esse inefável elemento
com a primavera, época de eclosão da natureza, e com o leste, ponto car-
deal do amanhecer e do nascimento da luz, cujo símbolo era a espada. Tal-
vez por sua relação com o amanhecer, representavam-no nos atos mágicos
com a cor amarela, e no altar com pequenas plumas de aves, folhas e péta-
las soltas, um recipiente ou cálice vazio e flores silvestres. Um componente
fundamental era também o incenso ou outra substância aromática, que,
ao arder, lançava fumaça no ar para recolher e canalizar as vibrações.
Se unirmos os símbolos da luz do amanhecer e a folha, que lembra a
espada, teremos uma “claridade penetrante” que ilumina o pensamento
que “flutua” sobre nossa cabeça. Essa é a principal qualidade mágica do ar,
que, aliado à força geradora da primavera, reaviva e aprofunda a capacida-
de intelectual. Os druidas invocavam as vibrações do ar para compreender
melhor os mistérios, elaborar feitiços e tomar decisões sobre sua utiliza-
ção. Hoje, os encantos do ar podem nos ajudar em questões de trabalho,
estudos, resolução de problemas ou ainda em todos os momentos da vida
que requeiram um domínio da chamada “inteligência emocional”.

70 O livro secreto da magia celta


Fogo: a chama da inspiração
O domínio do fogo teve importância fundamental não só para os
celtas, mas também para a sobrevivência e o desenvolvimento de nossos
ancestrais mais distantes. Não deve nos surpreender que praticamente
todas as culturas e religiões antigas o adoraram, e também ao sol, como
fonte de calor e de vida. Os druidas costumavam acender grandes fo-
gueiras, que serviam tanto para as atuações mágicas quanto para finali-
dades práticas, fazendo as vezes de farol para os navegantes e guia para
os caçadores ou viajantes no caminho de regresso ao lar.
Dessas fogueiras provêm as que hoje se acendem na noite de São João, já
que sua data simbólica era o solstício de verão. Seu signo era o báculo, ou
bastão comprido, característico dos druidas caminhantes, e sua cor, é claro,
era o vermelho. No altar estava presente em quase todos os atos mágicos,
em forma de velas acesas, chamas votivas ou defumadores aromáticos.
As qualidades mágicas do fogo têm um fundamento imaginativo e
poético. Observando as fogueiras, os primeiros druidas viram que as
chamas cortavam o ar e se confundiam com ele, chegando até mesmo a
contorcê-lo em ondas surpreendentes. Compreenderam, então, que pro-
vocavam a ascensão do pensamento (residente no ar), impulsionando-o
para mudar e se manifestar. Por isso começaram a empregar o fogo nos
encantamentos dirigidos ao favorecimento das mudanças, da intuição,
criatividade, imaginação, e de tudo o que transcendesse a rigidez do me-
ramente prático e previsível.

O arco-íris mágico
Os celtas sentiam uma grande veneração pelo arco-íris, que conside-
ravam uma visualização das vibrações astrais que pairavam sobre a terra
e impregnavam a natureza. Atribuíam a cada uma de suas tonalidades
uma série de virtudes e poderes que eram empregados pelos druidas e
druidisas nos encantamentos e rituais. Sabiam também que a luz e o
fogo, em sua maior intensidade, alcançavam o alvo da perfeição cósmi-
ca, e que as sombras mais densas e os poços mais profundos não tinham
outra cor que não o negro, um augúrio de perigo e destruição. Assim, o
poder das cores impregnava os elementos naturais que as retinham, ou
era transmitido aos objetos, adornos e utensílios pintados com eles.
A seguir, enumeraremos os principais poderes energéticos da magia
cromática dos celtas. Devemos advertir que nem sempre a cor era usada
diretamente nos atos de magia sobre assuntos que influenciava, pois às

Poderes e energias da magia druida 71


vezes convinha atenuar sua força substituindo-a por outra cor comple-
mentar, ou inclusive oposta. Mas, nos feitiços e conjuros simples, em
geral, cumpriam sua função favorável, acompanhadas dos ingredientes
e elementos adequados.

A RECUPERAÇÃO DO FOGO
Não é fácil entender por que os celtas atribuíam ao fogo o
símbolo de um báculo ou cajado de madeira. Uma explica-
ção possível é que houvesse chegado até eles um belo mito
grego que conta como os homens perderam o fogo e depois
o recuperaram. O mito conta que Zeus, cansado da soberba
da espécie humana, tomou-lhes o fogo. Prometeu, pai da
humanidade, compadeceu-se por seus filhos, que passavam
frio e comiam carne crua e, por isso, pediu a sua protetora,
a deusa Atena, que o ajudasse. Ela o fez entrar às escondidas
no Olimpo, onde o herói pegou algumas brasas do carro do
sol e as ocultou em uma vara oca que levava como bastão.
Assim, os homens puderam recuperar o fogo. E talvez esteja
aí a relação do fogo com o cajado.

Vermelho: a potência e a paixão


Muito utilizado em um grande número de encantamentos, o vermelho
era uma cor tão imprescindível quanto infalível em assuntos relaciona-
dos com a força, o valor, a habilidade guerreira e também com a paixão
amorosa e a potência sexual. Suas qualidades eram reforçadas em contato
com o fogo (por exemplo, acendendo uma vela vermelha) e controladas
em contato com a água ou com a cor verde, talvez pelo fato de as fogueiras
ou incêndios serem apagados com água ou com ramos e folhas.
Os chefes e grandes guerreiros costumavam usar túnicas ou capas
vermelhas como símbolo de autoridade, e as sacerdotisas e vestais usa-
vam vermelho nas danças e rituais de caráter erótico e sensual consa-
grados à deusa loba Ceridwen ou a sua congênere, Anu, uma espécie de
Vênus do Olimpo celta.
Na magia Wicca atual, o vermelho é uma cor bastante presente no altar
e nos utensílios do ofício de um ato mágico. Além desse fato, convém levar
uma prenda ou objeto vermelho como amuleto nas seguintes situações:
• recuperar-se rápido e sem sequelas de uma doença;

72 O livro secreto da magia celta


• renovar e melhorar a potência sexual;
• iniciar uma viagem ou excursão que demande esforço físico;
• impor autoridade para resolver positivamente um problema;
• fazer valer nossa autoridade ou posição para beneficiar outras
pessoas;
• participar de uma competição desportiva ou atlética.

Azul: a unidade na sabedoria


A cor do céu e do mar era muito venerada pelos celtas, pois eles consi-
deravam que sua tonalidade tornava possível a união entre o firmamento
e nosso planeta na linha sagrada e inalcançável do horizonte. O azul era,
portanto, um símbolo de união e solidariedade, tanto para os casais quan-
to para as famílias e o povoado ou a tribo. As druidisas recolhiam flores
azuis para fabricar coroas e colares que eram usados nas cerimônias de ca-
samento; velas e pedras preciosas dessa cor eram utilizadas nos atos mági-
cos e rituais destinados a reforçar a coesão do grupo ou da comunidade.
Os mestres druidas ensinaram que a contemplação do céu ou do mar
enriquece e aguça o pensamento, por isso também atribuíram à cor azul
propriedades intelectuais e filosóficas. A sabedoria, a busca da verdade, a
inspiração e a boa saúde mental eram promovidas com feitiços e conju-
ros regidos por elementos de cor azul.
A magia luminosa moderna costuma recorrer às qualidades do azul
em temas como os elencados a seguir:
• situações que afetem a união conjugal;
• risco ou presença de conflitos familiares;
• desencontros e hostilidade em um grupo de trabalho;
• necessidade de compreender ou solucionar algum problema;
• assuntos de estudos, exames, oposições e outras adversidades.

Amarelo: comunicação e criatividade


Em oposição a outras tradições esotéricas, os celtas não considera-
vam o amarelo uma cor suntuosa, relacionada aos bens materiais e à os-
tentação. Pelo contrário, atribuíam a ela virtudes benéficas nos assuntos
relacionados à mudança de ideias, à comunicação e à imaginação criati-
va. É possível que essa atribuição tivesse relação com a parte interna das
chamas do fogo, que é amarela e pode ser tomada como núcleo inspira-
dor das chamas alaranjadas e avermelhadas que a rodeiam.

Poderes e energias da magia druida 73


De qualquer forma, os druidas aconselhavam aos bardos que pintassem
faixas amarelas nos instrumentos musicais, e eles mesmos costumavam
vestir um manto dessa cor sobre os ombros em reuniões deliberativas.
A magia Wicca, recolhendo essa tradição, aconselha usar uma vesti-
menta ou um talismã amarelo nas seguintes situações:
• encontro ou reunião importante;
• discussões nas quais devemos convencer outras pessoas;
• necessidade criativa motivada por profissão ou hobby;
• busca de soluções imaginativas e diferenciadas;
• desejo de empreender algo original e diferente.

Verde: prosperidade e boa vida


A tradição popular que considera o verde como “a cor da esperança” pa-
receria um tanto tímida para os druidas celtas. Mais do que protetora passi-
va da ilusão de alcançar algo, eles a consideravam uma ativa impulsionadora
de energias naturais e astrais no sentido de alcançar o que desejavam. O
verde fazia parte dos encantos destinados à conquista de tudo o que naquele
mundo representava “uma boa situação”: mulher, filhos, cavalos, um barco,
boas armas e instrumentos, objetos de ouro e prata e, em geral, uma abun-
dância material próspera e segura.
Como complementação, o verde era também a cor da harmonia e da
boa sorte, virtudes que sem dúvida ajudavam a conquistar a prosperi-
dade desejada. Diz-se que, como legado dessa antiga crença druida, os
feltros dos jogos de sorte são tradicionalmente de cor verde.
Hoje podemos recorrer a um talismã, joia ou adorno verde para obter
boas vibrações em assuntos como:
• elaboração e concretização de negócios e contratos;
• necessidade de melhorias profissionais ou empresariais;
• início de novos empregos ou atividades;
• discussão de salários, honorários e retribuições;
• assuntos ou situações que dependam de sorte favorável.

Púrpura: espiritual e místico


Esta cor, que combina o azul e o vermelho, também é chamada de
roxo, como no caso das amoras silvestres, e ainda de violeta, quando
se refere às pequenas flores dos campos. Ambas eram abundantes nas
regiões habitadas pelos celtas, que as utilizavam em atos mágicos regidos
por essa cor. Os druidas as consideravam uma manifestação das tona-

74 O livro secreto da magia celta


lidades purpúreas do céu no crepúsculo, atribuindo-lhes propriedades
favoráveis à transcendência espiritual, às virtudes místicas e ao que hoje
chamaríamos de experiências parapsicológicas.
Em outras tradições culturais e religiosas, a cor púrpura conserva essa
qualidade ancestral, por exemplo: como cor de luto pelos mortos ou em de-
corações de sessões espíritas de comunicação com o além. E não nos esque-
çamos que os cardeais da Igreja católica eram chamados de “purpurados”,
pela cor do capuz e da capa, que simbolizam sua condição hierárquica.
Esta insigne e delicada cor pode ser aplicada hoje em dia nas seguin-
tes situações:
• participação em uma experiência espiritual;
• necessidade de ampliar e enriquecer a mente;
• busca de novos limites parapsicológicos;
• lembrança de seres queridos que já morreram.

Laranja: equidade e justiça


Esta cor é o resultado da mistura do vermelho com o amarelo, e, para
os druidas, significava uma combinação de virtudes energéticas tendo
como resultado a compreensão necessária para julgar os demais. Era,
portanto, a cor da serenidade e da força da justiça, que presidia todo ato
dirigido a solucionar um litígio ou comprovar e castigar uma culpa (não
nos esqueçamos que os druidas também eram sacerdotes e juízes). Ao
estar presente nas tonalidades do sol e do fogo, inspirava o bom critério
de quem julgava e a aplicação do castigo, quando necessário.
Ainda que não sejamos juízes nem réus, na vida atual podemos re-
correr à justa e equilibrada colaboração do laranja em circunstâncias
como as seguintes:
• para nos defender de uma falsa acusação;
• quando perdemos a equidade ao julgar uma situação;
• se quisermos saber a verdadeira intenção de outra pessoa;
• quando se tem de estabelecer responsabilidades;
• se de nossa opinião depender uma decisão importante.

Rosa: os melhores sentimentos


Trata-se de outra tonalidade que aparece com frequência no céu cre-
puscular e que atenua, com uma luz clara, a força passional e combativa
do vermelho. Os druidas lhe atribuíram as virtudes da paixão firme e
sincera, embora contida, empregando-a como cor regente em feitiços e

Poderes e energias da magia druida 75


conjuros relacionados a assuntos de amor romântico ou amizades e afe-
tos duráveis. As vibrações do rosa são tão intensas quanto demarcadas,
por isso funcionam melhor nos laços de pessoa a pessoa do que em ques-
tões de união e solidariedade em grupos ou comunidades.
Ao que parece, os celtas foram um dos primeiros povos a relacionar o
rosa com a condição feminina, mas com uma visão completamente dis-
tinta da tradição posterior, que supunha fragilidade e trivialidade. Para
eles, a mulher era a força geradora, dona do mistério dos sentimentos e da
sabedoria de sua continuidade, algo que os homens não podiam alcançar.
Talvez, em assuntos de amor e carinho, a enumeração das situações
nas quais podemos recorrer à sábia proteção do rosa seja óbvia e necessa-
riamente incompleta. Mencionaremos apenas algumas das mais frequen-
tes, nas quais os amuletos rosados são eficazes:
• em um primeiro encontro sentimental;
• quando devemos ser perdoados por um deslize;
• momento em que um afeto parece se diluir ou se distanciar;
• em um reencontro que desejamos consolidar;
• quando o outro não compreende nossas razões.

Propriedades das ervas


Esta obra necessitaria de vários volumes para conter toda a sabedo-
ria celta e medieval sobre as virtudes mágicas e curativas das ervas dos
bosques europeus e mediterrâneos. Os druidas eram herboristas capazes
que empregavam seus conhecimentos não só nos próprios feitiços, mas
também na importante função de curadores e protetores dos débeis e
doentes, bem como de motivadores do valor e da força dos guerreiros
e caçadores (como popularizado pelas histórias de Asterix, Obelix e do
druida Panoramix, com seu caldeirão mágico).
Aqui nos limitaremos a falar de algumas das ervas e substâncias na-
turais mais empregadas na tradição druida, segundo o assunto, desejo
ou propósito que se queira alcançar por meio das vibrações mágicas.

Saúde, bem-estar e longevidade


A lista seria interminável, mas nesta qualidade de cura e proteção
física e psíquica podemos destacar como principais as seguintes ervas,
de “uso geral”, empregadas pelos celtas: a sálvia, a menta, o tomilho, a
valeriana, o coentro, a noz-moscada, as folhas de cedro e a arruda.

76 O livro secreto da magia celta


Os druidas as preparavam em forma de infusão, poções que se bebiam
em cálices de bronze, ou as combinavam em poções e unguentos curativos.

Segurança e proteção
A vida nos povoados celtas era rodeada de riscos e ameaças, tanto de
fenômenos naturais quanto de espíritos malignos, animais ferozes ou
assalto de tribos inimigas (e, mais tarde, dos romanos). Os druidas pre-
paravam amuletos e encantos protetores com estes elementos naturais:
ramos ou folhas de louro ou avelã, ervas como o funcho e o alecrim,
dentes de alho e réstias de cebolas.
Algumas dessas proteções talismânicas foram adotadas mais tarde
na Transilvânia e em outras regiões da Europa central para afastar os
vampiros e os lobisomens.

Abundância e riqueza
O bem-estar material de um celta ou de sua tribo dependia da sorte
na caça ou na pesca e das conquistas em guerras, que lhes possibilitavam
se apoderar de algum butim. Tal abundância material se evidenciava nos
objetos pessoais e domésticos refinados ou em arreios de combate e nos
cavalos. Os druidas favoreciam a obtenção dessas fortunas por meio de
preparados de ervas que incluíam, entre outras: sálvia, valeriana, pimen-
ta-branca, folhas de cedro ou madressilva, gengibre e, como componente
não vegetal, o mel de abelhas.
Os magos herboristas atuais continuam dando importância a tais
componentes em suas tisanas e filtros para promover e proteger a for-
tuna material.

Amor e paixão
A ideia do amor romântico e da força da paixão amorosa era um ele-
mento importante na cultura celta, como podemos ver nas histórias dos
cavaleiros da Távola Redonda e no romance proibido de Sir Lancelote
com a rainha Guinevere. Os jovens apaixonados (e os não tão jovens)
pediam aos druidas e druidisas que lhes preparassem filtros e poções
para favorecer seus desejos. A magia natural empregava elementos à base
de ervas e frutas, como a lavanda, o manjericão, o aneto, o tomilho e a
flor de jasmim, assim como o costume de compartilhar em pequenas
mordidas uma maçã ou pêssego recém-colhidos e com casca.

Poderes e energias da magia druida 77


Observemos que a flor do amor era, a princípio, o jasmim, e não a
rosa, cultivada e popularizada somente a partir da Baixa Idade Média.
Quanto ao costume de compartilhar uma maçã como forma de acender
a paixão mútua, é provável que os celtas o tenham retirado da história
bíblica de Adão e Eva, nos contatos com o judaísmo e o cristianismo.

Fertilidade e gravidez
A concepção e seu bom fim eram fundamentais para os celtas, que,
como vimos antes, não vacilavam em se casar com mães solteiras para
assegurar a descendência. A magia tinha papel essencial no que conside-
ravam o dom mais milagroso da natureza, que permitia a continuidade
de linhagens e gerações. Seguindo uma lógica simbólica, os encantamen-
tos de fertilidade utilizavam principalmente sementes, flores e frutos do
meio vegetal, como pétalas de gerânios, jasmins e papoulas, grãos de
mostarda e preparados com figos, pêssegos ou ameixas.
A magia druida deu excelentes resultados no que se refere a esse as-
sunto, pois os celtas chegaram a ser uma das etnias mais fecundas e po-
pulosas na Europa em seu tempo.

Alegria e felicidade
Como toda comunidade humana, os celtas aspiravam à felicidade e
ao desfrute da vida com alegria e bom humor. A recente recuperação de
músicas e danças celtas mostra um povo festivo e jovial, que vivia em
harmonia consigo mesmo e com o entorno natural. A magia dos druidas
tinha papel essencial no sentido de exortar os deuses a manter ou recu-
perar essa feliz vitalidade por meio de encantos que empregavam diver-
sas ervas. Entre as mais utilizadas estavam a manjerona, o espinheiro, o
jacinto, a nêpeta e a celidônia, ou erva das andorinhas.
Em geral, com os componentes se preparavam tisanas para os que
sofriam do que hoje chamaríamos de depressão ou angústia, ou para
reconfortar quem tivesse sofrido uma perda ou um revés doloroso. Nas
celebrações rituais preparavam-se grandes caldeirões, dos quais todos
bebiam para prevenir a tristeza e o desassossego.

Valor e força
Tanto nos frequentes combates quanto nas tarefas cotidianas, na na-
vegação, na caça, na pesca ou na luta contra as feras, os celtas tinham de

78 O livro secreto da magia celta


constantemente colocar à prova a coragem, o vigor e a resistência. Era
um povo forte que havia invadido toda a Europa e resistido de modo
heroico às poderosas legiões romanas, talvez por conhecerem os po-
deres ocultos da natureza. Os druidas propiciavam a absorção dessas
energias por meio de preparações mágicas que sempre incluíam uma ou
outra das seguintes ervas e substâncias naturais: mil-em-rama, folhas
de carvalho, espadana, borragem, sementes de trigo, nozes e sementes
de uva negra.
Com certeza havia muitos outros componentes e fórmulas relaciona-
dos ao vigor e à valentia física, mas grande parte deles era próprio de de-
terminado mestre ou escola druida. O uso não era geral, e sim reservado
para chefes de sucesso ou jovens guerreiros protegidos por um druida
ou druidisa.

Instrumentos da magia
Uma boa bruxa moderna não pode nunca se esquecer de ter estantes
repletas de materiais dos quais possa dispor para realizar seus feitiços.

O poder das flores e das ervas


A magia moderna provém essencialmente do amor devoto, da paixão
e do delicado respeito que os celtas nutriam pela natureza. Ao contrário
da fama de ignorância e rudeza que se atribui às comunidades primitivas,
eles souberam nos demonstrar e transmitir que possuíam uma sensibili-
dade dificilmente superável e um notável conhecimento de ervas, flores,
árvores e outros elementos do entorno. Uma sensível veneração por seu
meio ambiente, que, na atualidade, com todos os avanços científicos e as
novas tecnologias, infelizmente estamos muito distantes de alcançar. O
que mantivemos é o primitivismo, mas em algum lugar do caminho per-
demos a sensibilidade e o respeito pelos demais seres vivos do planeta.
Para comprová-lo, basta ver como está o mundo neste momento.
Mas retomemos o tema: é provável que você nunca tenha se pergun-
tado por que os celtas amavam tanto a natureza. A resposta é muito sim-
ples: porque faziam parte dela. Sabiam senti-la, vê-la, tocá-la, escutá-
la, cheirá-la; falavam e cantavam para ela. Conheciam as vibrações que
desprendiam das ervas, flores e árvores, e se uniam a essa vibração. Por
isso, elas estavam entre os principais elementos de feitiços e conjuros, e
eram selecionadas de acordo com suas propriedades vibratórias. Vere-

Poderes e energias da magia druida 79


mos também, em seguida, como utilizar a natureza e a quais feitiços e
conjuros a empregaremos.
Os antigos druidas escolhiam as madrugadas, quando as flores e er-
vas ainda estão banhadas pelo orvalho da manhã, para cortá-las com sua
afiada foice de ouro. Escolhiam todas as que, pelo bom estado e devido
à época do ano, estivessem prontas para ser colhidas. Não é nada difícil
fechar os olhos e imaginá-los caminhando pelos bosques, com as longas
túnicas, que no inverno tinham um capuz para o frio, as sandálias e
demais utensílios fabricados por eles mesmos. Já sabemos que naque-
la época os celtas não dispunham de meios e recursos suficientes, nem
existiam, como hoje em dia, fábricas que os abastecessem. Mas tinham
um sistema mais ou menos organizado de intercâmbio de mercadorias
dentro das próprias aldeias e com as aldeias vizinhas, o que tornava a
vida um pouco mais fácil, permitindo que cada um se especializasse na
tarefa que podia dominar ou com a que se sentisse mais cômodo e apto
para trabalhar.
Mas os druidas eram os únicos que não entravam nesse sistema de in-
tercâmbio de roupas, calçados ou outros utensílios, porque, como já sabe-
mos, eles mesmos fabricavam o imprescindível com as próprias mãos.
Não pretendo que você fabrique o próprio vestuário completo ou
tudo aquilo que utilize na vida cotidiana, mas algumas coisas mínimas,
como veremos no Capítulo 7. Esses mínimos componentes são tudo o
que você usará nos rituais e na coleta de flores e ervas, por exemplo, a
faca cerimonial, na falta de uma ancestral foice de ouro. Neste momento
recomendaria que, se não tivesse uma túnica pronta, abrisse o armário e
escolhesse uma vestimenta cômoda, incluindo roupa íntima e sandálias
ou outro calçado confortável. Recolha toda essa roupa e lave-a à mão
com sabão neutro. Durante a atividade, visualize que está vestido com a
roupa, segurando a faca cerimonial na mão e fazendo a própria coleta.
Uma vez lavada toda a roupa, estenda-a ao sol. Não execute essa ta-
refa em um dia chuvoso ou com nuvens; escolha um dia ensolarado em
que você esteja animado. Esses detalhes são de suma importância, pois
temos de impregnar com as melhores vibrações tudo o que preparamos
para nossos trabalhos de magia.
Para melhor orientação sobre quais plantas e flores serão mais úteis
para os trabalhos, apresento a seguir uma lista simples de algumas delas
e os feitiços aos quais devem ser empregadas.

80 O livro secreto da magia celta


Vibrações de ervas e flores
Aneto: com esta erva podemos fazer vários feitiços, além de fortale-
cer as qualidades mágicas ao acrescentar um pouquinho a nossa dieta.
Utilizaremos aneto em feitiços relacionados ao amor e na preparação de
poções amorosas, já que é bastante afrodisíaco. Pode-se utilizá-lo tam-
bém contra a bruxaria ou para limpar vibrações negativas no lar e nos
negócios. Em linhas gerais, equilibra a economia e nos ajuda com o di-
nheiro.
Canela: além de ser um excelente afrodisíaco, nos abrirá todas as portas
da prosperidade e estimulará nossa energia física e consciência psíquica.
Cardamomo: desperta os desejos sexuais, o amor, clareia a mente e
abre o apetite.
Castanha: tudo que tenha a ver com a gestação, seja de ideias ou de
projetos, inclusive de um bebê.
Cravo: o de cor branca será utilizado para temas espirituais, de estu-
dos e intelectuais. O vermelho ajuda a estimular as paixões; e o rosa, os
sentimentos. Em geral, nos carrega de energia física, energia mágica, e o
utilizaremos para o amor e a boa saúde.
Flor de Laranjeira: esta bonita flor, que conduz as noivas nos ca-
samentos, está vinculada à pureza e à inocência. Servirá para todos os
trabalhos que tenham relação com algum tipo de purificação e também
para encontrar um novo par, assim como para tudo que tenha relação
com a beleza.
Gengibre: uma de minhas ervas preferidas para trabalhar. Utiliza-se
somente a raiz (“a raiz das mil e uma utilidades”), que podemos usar rala-
da ou cortada em pedacinhos. Como é muito afrodisíaca, utiliza-se para
feitiços e conjuros que tenham a ver com o amor e o sexo. Emprega-se
também para qualquer trabalho, porque potencializa a energia mágica, a
energia física, o valor e a força de vontade. E, como se não bastasse, dá ex-
celentes resultados em todos os trabalhos relacionados a dinheiro e pros-
peridade. Se, quando estivermos trabalhando com esta raiz, a acrescentar-
mos a nossa dieta, os benefícios serão maiores.
Hortelã: relaciona-se a assuntos de dinheiro e prosperidade. Energia
física.
Jasmim: por um lado utilizaremos em tudo que se relaciona ao amor
e ao sexo, já que é um bom afrodisíaco; e, por outro lado, no que se refe-
rir à espiritualidade, à paz interior e aos sonhos psíquicos.

Poderes e energias da magia druida 81


Laranja: usa-se bastante sua casca fresca e sua essência. É purifi-
cadora e aumenta a energia física e mágica. Quando realizo feitiços
para purificar ou aumentar as vibrações mágicas, gosto de descascar
uma ou duas laranjas e pôr sua casca em espiral em ambos os lados da
mesa. Depois, com seu óleo essencial, esfrego algumas gotas nas mãos
e inicio o trabalho. Com o seu simples aroma já consigo me transpor-
tar a estados de alegria e paz, tão importantes para um bom trabalho.
É muito apropriada para feitiços de saúde relacionados a depressões e a
estados de baixo ânimo.
Lavanda: com a flor de lavanda poderemos trabalhar em todas as
questões relacionadas ao amor, à saúde em geral, ao equilíbrio e contra
as más vibrações que nos causam nervosismo.
Manjericão: para trabalhos de dinheiro e boa sorte. O contato direto
com suas folhas nos abrirá a mente e nos deixará ver com clareza os ca-
minhos corretos que se devem tomar.
Margarida: esta modesta flor é muito útil em feitiços preventivos e
protetores, assim como para as novas relações afetivas que iniciarmos ou
em situações pessoais de mudança. Diante do difícil problema de optar
entre duas coisas ou duas pessoas, a margarida nos ajudará na escolha de
uma delas por meio do método “mal me quer, bem me quer”.
Melissa: ajuda a desbloquear estados nos quais estamos paralisados.
Purifica, proporcionando momentos de paz, além de atrair dinheiro.
Nardo: sua agradável essência acalma os estados alterados. Deve ser
empregado em feitiços de paz e também de amor, incluindo o que busca
encontrar um parceiro (a).
Noz-moscada: também poderíamos chamá-la de “mil e uma utili-
dades”. Reforça feitiços, abre a mente, aumenta a energia física e mági-
ca. Como talismã da boa sorte, nos trará dinheiro, e também podemos
acrescentá-la a nossa comida para fortalecer seu poder.
Papoulas: dessa bonita flor podemos utilizar tanto suas pétalas ver-
melhas quanto suas sementes. É muito poderosa nos feitiços relaciona-
dos ao amor ou aos bons sonhos. Também é muito importante para o
desenvolvimento da imaginação e da criatividade, ajudando escritores,
escultores, coreógrafos etc. Durante suas tarefas criativas deveria se ter
por perto um grande ramo destas flores para receber sua inspiração.
Patchuli: diretamente relacionada à energia do amor, do sexo e ao aumen-
to da energia física. Movimenta a energia do dinheiro e da prosperidade.
Rosa: flor do amor e da paixão. Se forem amores apaixonados, uti-
lizaremos a rosa vermelha; para amores românticos, em que estão im-

82 O livro secreto da magia celta


plicados os sentimentos e as emoções puras, trabalharemos com as de
cor rosa. As brancas serão utilizadas em casos de amores familiares e as
amarelas devem ser deixadas para as amizades verdadeiras.
Sálvia: podemos utilizá-la em trabalhos nos quais tenhamos que en-
contrar objetos perdidos, informações do passado, ou lembrar de coisas
esquecidas. É o melhor estimulador de memória que há, por isso é fan-
tástica para os estudos. Também se aplica aos assuntos que requeiram
respostas e soluções sábias.
Verbena: é considerada a erva do amor. Colha-a na noite de São João
em quantidade suficiente para se abastecer durante todo o ano. Esta erva
não pode faltar na estante de um bruxo(a).
Violeta: símbolo de humanidade e simplicidade. Ajuda, de maneira
mágica e poderosa, a vencer as adversidades da vida e a encontrar o equi-
líbrio na relação consigo mesmo. Usada também para atrair o amor.

As virtudes mágicas das gemas


As joias e pedras preciosas que enfeitavam os capacetes dos guerrei-
ros ou os colares e braceletes das mulheres celtas não cumpriam apenas
a finalidade de adorno ou ostentação. Na realidade, a razão principal
pela qual os portavam consigo eram as virtudes preventivas e curativas
das gemas e pedras naturais, cujo conhecimento era uma especialidade
da sabedoria druida. Cada uma delas possuía poderes específicos contra
determinados males e algumas se vinculavam a uma árvore do bosque
sagrado e ao correspondente signo do zodíaco celta.
As pedras são praticamente eternas, assim como suas vibrações bené-
ficas. Por isso, hoje podemos aproveitar os mesmos efeitos curativos que
lhes atribuíam os druidas e druidisas, e que foram analisados e compro-
vados pelos mestres da magia Wicca. A seguir, enumeraremos as mais
conhecidas e suas respectivas propriedades. Podem ser usadas levando-
as consigo, oferecendo-as a outra pessoa ou colocando-as no quarto de
um ente querido que necessite de ajuda.
Ágata: o terceiro olho. Segundo algumas tradições ancestrais, os pais,
fundadores da cultura celta, levavam na testa um terceiro olho de ágata, que
lhes permitia ver o invisível e o que ainda não havia ocorrido. Essa é a prin-
cipal qualidade dessa pedra translúcida, cujas vibrações favorecem também
a intuição e a adivinhação, assim como a boa sorte, a saúde e a vitalidade.
Na vertente curativa, a ágata é benéfica para prevenir e curar dores de
cabeça, hemorragias e irritações da pele. Associada ao carvalho, atinge
seu máximo poder em junho e julho.

Poderes e energias da magia druida 83


Água-marinha: a serena confiança. Diz-se que, quando os guerrei-
ros celtas marchavam para a guerra, as esposas lhes entregavam uma
água-marinha para que mantivessem a tranquilidade e a fé em si mes-
mos durante o combate. Essa formosa gema de reflexos azuis ou verdes
se relaciona de modo simbólico com o mar, e os druidas lhe atribuíam o
poder da força serena e da confiança em si próprio e nos demais.
Na atual magia luminosa, a utilizamos com os mesmos propósitos de
paz interior e autoestima, em especial para tratar problemas nervosos ou
de depressão e angústia. A associação com a água favorece sua eficácia
nos assuntos emocionais, e é de grande ajuda para alcançar ou recuperar
a paz mental e espiritual.
Âmbar: o magnetismo sentimental. Ainda que sua origem não seja mi-
neral, tanto a tradição celta quanto outros arcanos ancestrais incluem o
âmbar entre as pedras naturais com poderes mágicos. Na realidade, trata-
se de uma resina vegetal fóssil que se solidificou apresentando o aspecto de
uma gema de tons amarelos e alaranjados. A força de suas vibrações é tão
notável que a própria ciência oficial lhe atribui propriedades eletrostáticas
(cargas magnéticas em repouso que interagem com o entorno).
Os druidas a empregavam em problemas sentimentais muito compli-
cados, na eliminação de energias negativas e na recuperação da harmonia
astral entre os componentes de um casal. Em sua vertente medicinal, reco-
menda-se para tensão nervosa, problemas brônquicos e dores musculares.
Ametista: a espiritualidade criativa. Esta bonita variedade de quartzo,
de intensa cor violeta, é a gema espiritual consagrada pelos druidas para o
desenvolvimento da mente e da filosofia. As druidisas sábias costumavam
levá-las nas tiaras e os bardos as empregavam como pingente quando se
dispunham a compor poemas e canções.
Hoje, é usada para favorecer tanto as tarefas intelectuais e os estudos
difíceis quanto a criatividade e a inspiração. Se a colocarmos durante a
noite sob o travesseiro, é provável que encontremos no sonho as soluções
e novas ideias que buscávamos no estado de vigília. Em um campo mais
geral, a ametista ajuda também a sentir alegria e paz interior, e a manter
um equilíbrio saudável da mente e do corpo.
Azeviche: o escuro protetor contra o mal. Todos os arcanos da anti-
guidade, entre eles os celtas, reconheciam o enorme poder do azeviche
contra os malefícios que atentam contra nós. Esse linhito de cor preta
brilhante que fascina pelo simples olhar é, na realidade, uma planta fos-
silizada, o que talvez explique suas excepcionais vibrações. Diz-se que

84 O livro secreto da magia celta


era a gema favorita da rainha Vitória, que com ela afastava os pesadelos e
as alucinações causadas pelo desespero após a morte de seu marido.
No plano medicinal, é aconselhado para transtornos psíquicos, como
a histeria ou a depressão profunda, e tem efeitos favoráveis nas dores
dentais e nas erupções e manchas cutâneas. No zodíaco celta está asso-
ciado à cabra e ao mês de janeiro.

O REI AUSENTE
O diamante, considerado eternamente o rei das joias, foi cobi-
çado desde a mais remota antiguidade por sua raridade e valor.
Ainda em estado bruto e sem polimento, foi consagrado por
diversas culturas orientais como um talismã de assombrosos
poderes mágicos. Contudo, não foi esse o caso dos celtas, que
não o incluem em sua gemologia mágica. Talvez por não co-
nhecê-lo, já que se extraia quase exclusivamente da África do
Sul e não foi talhado como joia antes do final do século XV. A
magia Wicca o incorpora às vezes com virtudes semelhantes
às que os druidas atribuíam à esmeralda.

Esmeralda: a potente vibração verde. Pedra belíssima, poderosa e


cara, a esmeralda era ainda mais exótica e valiosa na época dos celtas.
Apenas alguns poucos druidas mestres ou grandes chefes possuíam essa
pedra, pois eram trazidas das minas do alto Egito. Felizmente, ao se es-
tabelecer a magia Wicca, já se exploravam as jazidas americanas da Co-
lômbia e do Brasil, que difundiram o uso da esmeralda na ourivesaria e
na gemologia europeia.
Nos rituais, era utilizada como talismã de paz, segurança e prosperi-
dade, qualidades que se estendiam à proteção individual e à boa sorte em
todos os assuntos pessoais. Também era muito valorizada para induzir
ao sono, aguçar a memória e combater infecções, convulsões e úlceras.
Essa prestigiosa pedra verde está associada ao touro e ao mês de maio.
Fluorita: juventude de corpo e alma. Apesar de não ser uma gema de
grande prestígio como joia, a fluorita era muito valorizada pelos druidas
pela potente ação relacionada à saúde física e mental. Trata-se de um
fluoreto de cálcio cristalizado na forma de cubos translúcidos que hoje
se empregam sobretudo em bijuteria. Os celtas lhe atribuíam o enigma
da eterna juventude na dimensão mais alta do espírito.

Poderes e energias da magia druida 85


A magia luminosa atualmente emprega a fluorita para evitar os sinais da
velhice física e manter a energia e o aspecto juvenis. Atua também como re-
constituinte nas pessoas mais velhas e, em geral, ajuda a acalmar as emoções
negativas e a manter a harmonia consigo mesmo e com os demais.
Jaspe: o detector das intenções. Quando os druidas atuavam como
juízes, costumavam usar um colar de pedras de jaspe para decidir a cul-
pa ou inocência dos acusados. Esse mineral de grande dureza e resistên-
cia também era utilizado na confecção de armas e utensílios, recebendo
diversas virtudes complementares por sua coloração: o jaspe verde re-
presentava as virtudes da donzela, enquanto o rosa ou cinza simboliza-
vam os atributos da maturidade, tanto feminina quanto masculina.
As bruxas modernas empregam o jaspe com o mesmo objetivo que os
tribunais druidas: sua capacidade de nos fazer adivinhar as verdadeiras
intenções dos demais, especialmente em relação a nós mesmos. Ajuda,
assim, a saber quem e como influenciará a vida presente e futura, ou a
reconhecer as pessoas que emitem vibrações negativas.
Jaspe sanguíneo: em busca das raízes. Os mestres druidas utiliza-
vam esta pedra de cor vermelho-sangue no anel que usavam para selar
os documentos herméticos e os Livros das Sombras, devido à qualidade
de proteger os segredos e preservar os mistérios. Mas, quando faziam
as vezes de juízes, recorriam a outra virtude das vibrações do jaspe san-
guíneo: sua ajuda para descobrir e reconhecer a verdadeira raiz de um
problema ou conflito.
Neste último caso, é empregada principalmente na atualidade quan-
do queremos conhecer a causa profunda de uma situação negativa para
poder superá-la. Utiliza-se também contra o estresse e a impaciência, as-
sim como no combate aos problemas orgânicos do aparelho digestivo.
Lápis-lazúli: potente arma de duplo fio. Os celtas conheceram essa
“pedra azul” por intermédio dos egípcios e adotaram a tradição faraônica
que lhe atribuía poderes para visualizar o tempo, tanto passado quanto fu-
turo, e até mesmo interferir nas previsões do destino. Tal capacidade pro-
vém das vibrações tão intensas quanto instáveis, que devem ser manipula-
das com muita prudência. Utilizadas em excesso ou com finalidades que
afetem o delicado equilíbrio, podem nos induzir à confusão ou ao delírio.
A sensibilidade de suas vibrações se deve ao fato de atuar conjuntamente
sobre a dimensão material e espiritual a fim de criar visualizações através
do tempo. Empregando-o com a devida atenção e cuidado, o lápis-lazúli
pode induzir à adivinhação e potencializar a meditação extrassensível. No

86 O livro secreto da magia celta


campo medicinal atua contra a depressão e os problemas circulatórios,
mas aqui também devemos limitar seu uso ao imprescindível.
Quartzo: recuperação e vitalidade. Chamado por alguns feiticeiros
bem-humorados de “o fígado de bacalhau da magia gemológica”, o quart-
zo combina a virtude de potencializar a energia dos sãos à virtude de recu-
perar a força dos debilitados. Chamado também de cristal de rocha, é um
mineral duro, incolor e transparente que se apresenta na forma de prisma
terminando em ponta piramidal e costuma ser talhado para se empregá-lo
em joalherias. A medicina natural o utiliza para estimular a produção de
histaminas, os hormônios que nos dão força e vitalidade. Pelo efeito de di-
latar vasos, ajuda na concentração e canalização de energias mentais, com-
plementando, assim, os poderosos efeitos sobre a saúde orgânica e física.
Rubi: a “gota de sangue” mágica. Durante a Idade Média e o Renas-
cimento, os não iniciados associavam essa preciosa joia aos crimes san-
grentos, mais por sua intensa cor vermelha do que por realmente favo-
recer essas maldades. Na realidade, os mestres druidas atribuíam a ela
qualidades totalmente opostas, relacionadas ao cuidado dos demais, à
sabedoria intuitiva e às energias generosas. A relação com o sangue era
também saudável, já que favorecia a fluidez, ao mesmo tempo que de-
tinha hemorragias internas e externas. Em nossos dias, a magia Wicca
recorre às vibrações do rubi em qualquer assunto que apoie ou beneficie
outras pessoas, podendo saber o que realmente necessitam ou para es-
timular o ânimo e a agudeza mental da pessoa que o leva consigo. Na
medicina natural se emprega o rubi para combater os sentimentos auto-
agressivos e controlar fluxos menstruais.
Safira: um azul romântico. Os druidas e druidisas costumavam en-
tregar uma safira consagrada às donzelas apaixonadas para que o ro-
mance se tornasse realidade. Também era usada pelos noivos que ti-
nham de se separar ou nos dias prévios ao casamento. Sua intensa cor
azul-marinho parece quase preta e pressagia a união e o entendimento.
Sua profunda espiritualidade influencia também o bom senso e a clareza
das emoções e dos sentimentos. Na atual magia luminosa, a safira é em-
pregada em assuntos de amor romântico ou quando necessitamos saber
se o que sentimos por outra pessoa é profundo e autêntico. Em geral,
esclarece a confusão das emoções e, em sua vertente medicinal, cura os
problemas da pele e dá luminosidade e suavidade ao rosto.
Topázio: panaceia do outono. Ao recrudescer o frio que anuncia o inver-
no, os mestres druidas se recolhiam às cabanas e santuários e se preparavam

Poderes e energias da magia druida 87


para a meditação. Era frequente colocarem um topázio no altar ou segurá-lo
enquanto se entregavam ao estudo e à análise dos arcanos. Esse cristal de
silício em forma de losango e cor de mel ajudava na compreensão da trans-
cendência, ao mesmo tempo que mantinha o corpo a salvo das doenças in-
vernais e das debilidades da idade. Hoje, continuamos utilizando a principal
virtude do topázio como canalizador de energias intelectuais positivas e de
lucidez mental. Também nos protege do catarro e dos problemas brônqui-
cos. Suas vibrações estão associadas à azinheira e ao mês de novembro.
Turquesa: a joia da alegria. Os celtas celebravam festividades, casamentos
e nascimentos portando colares, pingentes e pulseiras com turquesas para
garantirem que tudo transcorreria com bom ânimo e saudável regozijo. A
bonita pedra opaca de tom azul-celeste ou esverdeado sempre foi consagrada
para conquistar e assegurar a alegria, a paz e as harmonias positivas, tanto
que muitos mestres druidas a incluíam entre as gemas mágicas sagradas. Seu
uso pessoal trazia sorte no amor e fidelidade sentimental. As bruxas moder-
nas recomendam a turquesa para aqueles que buscam uma alma gêmea ou
têm dúvidas quanto à lealdade de seu par, assim como para promover boas
iniciativas e evitar vibrações negativas nas festas e reuniões familiares ou de
amigos. No aspecto curativo, ajuda nos males respiratórios e nos problemas
oculares. Está associada ao mês de dezembro e à árvore do sabugueiro.

As vibrações das cores das velas


Na magia sempre se soube que as cores têm um papel muito importante,
tanto no cenário em que se realiza o ritual quanto nas roupas do executante
e dos próprios instrumentos que são utilizados. O cenário é composto pelos
caminhos de mesa onde mais tarde colocaremos todos os elementos: pedras,
incensos, metais e demais objetos. Mas não podemos esquecer o papel fun-
damental que desempenham as velas e as cores correspondentes para cada
feitiço relacionado. Poderíamos trabalhar com a vela sem cor, que sempre
seria branca e contém em si todo o espectro da gama cromática, porém se
acrescentarmos uma cor a essa vela, conseguiremos potencializar, por sua
qualidade vibratória, o feitiço ou conjuro que estamos preparando, garan-
tindo um resultado melhor, já que sua vibração será muito maior e mais
forte do que se não déssemos importância a essa questão.
As cores se dividem em três categorias, em função de sua tempera-
tura: quentes, frias e neutras. Dependendo da influência de cada uma
dessas três categorias poderemos conseguir um resultado ou outro em
nossos trabalhos.

88 O livro secreto da magia celta


Preste atenção nas linhas seguintes porque nelas há uma das chaves para
que os trabalhos de magia tenham uma garantia elevada de bons resultados.

Cores quentes
São cores magnéticas que simbolizam o sol e o fogo. Seu calor intenso
nos transmite vitalidade, paixão, força, fertilidade, boa saúde física, su-
cesso econômico, rapidez, calor, primavera e verão. Os principais grupos
são os seguintes:
• vermelho: força e paixão;
• rosa: amor, romantismo;
• amarelo: intelecto, saúde, dinheiro;
• laranja: ideias, projetos e tudo que tenha a ver com a criatividade.

Cores frias
São cores elétricas que, por serem frias, nos transmitem influências
da noite, das águas e também de calma e dos aspectos mais espirituais de
nós mesmos: o carma, o passado etc. Agrupam-se da seguinte forma:
• azul: assuntos jurídicos e relacionados com a mente e o intelecto;
• anil: aspectos místicos e espirituais, o equilíbrio vital;
• violeta: projetos, estudos, provas etc.

Cor neutra
A grande cor neutra é o verde. Essa cor nos transmite tanto as coisas
materiais como as sentimentais, e podemos trabalhar em ambas as dire-
ções. Para as conquistas econômicas, a prosperidade e o sucesso em ge-
ral, por um lado; por outro, em tudo que esteja relacionado com o amor
de casais, amigos, familiares, animais de estimação etc.

Cores, planetas e vibrações


Aqui, exponho uma lista um pouco mais detalhada para que você
possa trabalhar com os feitiços e conjuros. Mas lembre-se das leis da ma-
gia: tudo o que fizer será devolvido a você, o bem e o mal. Então, procure
que lhe seja devolvido o bem.
Amarelo: (Mercúrio) o mensageiro dos deuses; representa o intelecto,
a rapidez mental e tudo o que se relaciona à comunicação. Trabalharemos
tudo o que estiver relacionado com a palavra, seja escrita ou oral, como
provas, a oratória, as vendas, as compras e os comerciantes. Serve tam-
bém para aumentar as riquezas.

Poderes e energias da magia druida 89


Anil: (Saturno) desenvolvimentos psíquicos e criativos, conexões com
tudo o que é espiritual, relação com a cura. Trabalharemos com ele nos
processos de transformação, de conexão e cura espiritual, e de meditação.
Azul: (Júpiter) relacionado diretamente à justiça e a todos os assun-
tos legais, ao mundo dos sonhos e aos estudos superiores. Trabalhare-
mos provas, assinatura de papéis, todos os assuntos legais, assim como o
mundo dos sonhos.
Branco: (Lua) a cor da pureza, da inocência, símbolo de limpeza.
Representa a luz, a tranquilidade, a serenidade e a energia cósmica su-
perior. Quando não tivermos certeza de qual cor utilizar, escolheremos
a vela de cor branca, que por seus poderes nos servirá de vela curinga.
Com ela trabalharemos as consagrações de pessoas, objetos etc., bem
como a proteção do lar, a clarividência, os estados alterados de consciên-
cia, a adivinhação, a meditação.
Dourado: (Sol) nosso astro-rei; está associada à realeza e a tudo o
que tem relação com a fama, o sucesso social, a riqueza, o dinheiro, o
ouro. Com esta cor, trabalharemos quando quisermos obter fama, seja
com um grupo de amigos ou profissional. Sucesso nos negócios vultosos
e importantes, como os grandes empreendimentos, aumento do dinhei-
ro e da riqueza.
Laranja: (Sol) representa os poderes psíquicos e criativos, a vitalida-
de e a proteção. Trabalharemos com ele nos processos criativos relacio-
nados com o meio artístico e a fama, como os que envolvem poetas, es-
critores em geral, escultores, cantores, bailarinos, atores, apresentadores
ou aspirantes a essas profissões que estejam relacionadas com a fama.
Prata: (Lua) representação do feminino, da proteção. Com o prata,
trabalharemos em tudo que se relaciona ao feminino, à mulher, incluin-
do os órgãos reprodutores, à essência feminina de ambos os sexos, à cla-
rividência, à proteção de pessoas e coisas e aos estados criativos.
Preto: (Saturno) proteção total das energias negativas das forças
alheias. Detém os processos não desejados. Trabalharemos com ele na
proteção de pessoas, animais, lugares e objetos, e nas doenças típicas da
velhice. Quando quisermos interromper alguma coisa, por exemplo, um
casal que não deixa de nos incomodar, ou o chefe, um julgamento etc.
Também para que um processo não cause danos. Ainda limpa os male-
fícios da magia negra e as energias negativas.
Rosa: (Vênus) a deusa do amor; por isso, trabalharemos com o rosa
em tudo que estiver relacionado ao amor, aos sentimentos, às emoções,

90 O livro secreto da magia celta


tanto da família quanto dos amigos, dos casais, e até mesmo de animais
de estimação.
Roxo: (Júpiter) força espiritual, consciência universal e fé. Trabalhare-
mos com ele o prestígio social e a fama, relacionando-o com as cerimônias
e os ritos sociais ou de magia, e também com os estudos superiores.
Verde: (Vênus) relação direta com o sucesso e a abundância, sen-
timentos, emoções e fertilidade. Trabalharemos com o verde para me-
lhorar e aumentar a boa sorte, o dinheiro, a prosperidade, o amor, a
juventude, além de equilibrar ciúmes e invejas.
Vermelho: (Marte) signo de fogo e do deus da guerra. Está relacio-
nado com a sexualidade e com as paixões, com a rapidez e a força. Tra-
balharemos com ele nos casos de estados de saúde depressivos, quando
houver falta de vitalidade, mas nunca o usaremos em estados febris, al-
terações nervosas ou hemorragias, pois poderíamos piorar os sintomas.
Também o empregaremos para casos de fertilidade, sexualidade, força
de vontade e quando quisermos que algo aconteça com rapidez ou para
adiantar acontecimentos.

Poderes e energias da magia druida 91


6

Os encantamentos
tradicionais da magia celta

A iniciação na magia celta tem como finalidade natural o po-


*
der de oficiar encantamentos que nos ajudem a enriquecer
nossa vida e fazer o bem aos outros. Com esse objetivo, os mestres
Wicca selecionaram 33 temas tradicionais que continuam atuais
e, a partir desses assuntos genéricos, elaboraram um guia de en-
cantamentos para diversos fins.
Os druidas não eram muito partidários de “receitas” rígidas em se tratan-
do de feitiçaria. Preferiam transmitir aos discípulos elementos e condições
básicas imprescindíveis em cada encantamento, e deixar-lhes certa liberdade
para adaptá-los e combiná-los segundo cada caso e oportunidade. Muitos
dos conselhos foram registrados mais tarde nos Livros das Sombras, e dali os
recolheram os grandes sábios esotéricos da Idade Média e do Renascimento,
que, por sua vez, transmitiram-nos aos fundadores da magia luminosa. Hoje,
bruxos e bruxas modernos os aplicam com respeito e veneração, levando
sempre em conta a liberdade criativa, herança dos sábios ancestrais.
Neste capítulo expomos os 33 temas tradicionais, explicando os com-
ponentes e as características de cada conjuro, o momento adequado para
executar os encantamentos e outras considerações interessantes a respeito
de cada um. O leitor pode seguir o exemplo que se propõe ou, a exemplo
da sabedoria druida, improvisar variantes com base na intuição mágica e
nas possibilidades práticas. Em todo caso, convém consultar os poderes e
as energias dos distintos elementos expostos no capítulo anterior.
A lista se relaciona aos assuntos que preocupavam a sociedade celta
há muitos séculos e aos objetivos que ela desejava atingir. Como você
verá, todos eles ainda nos preocupam hoje em dia, pois a roda do destino
continua girando da mesma forma ao longo do tempo.
Para facilitar a consulta, ordenamos os temas por ordem alfabética.
Basta encontrar o tema e, em seguida, buscá-lo na série de títulos em que
o texto está organizado.

Os 33 temas tradicionais

Abundância Dúvidas Paixão


Adivinhação Energia Prosperidade
Alegria Entendimento Proteção
Amizade Entusiasmo Raiva
Amor Família Recuperação
Atração Fertilidade Sabedoria
Conhecimento Harmonia Saúde
Criatividade Intuição Sensualidade
Decisões Liberação Serenidade
Dinheiro Liderança Sorte
Discernimento Negociação Viagens

94 O livro secreto da magia celta


Abundância
Não devemos entender a abundância apenas como o acúmulo de ri-
queza, mas sim como a conquista de uma vida plena de bens, materiais
e espirituais, que nos proporcionem segurança e sossego. Se alcançar-
mos essa abundância de dons do destino, é nosso dever administrá-la
com equidade e generosidade, porque somos apenas isto: administra-
dores de algo que faz parte da harmonia cósmica, cujo fim último é o
bem e a justiça.

Momento mais favorável


Entre o quarto crescente e a lua cheia, preferivelmente na primavera
e no domingo.

Elementos básicos
Uma vela verde, pedra de esmeralda ou azeviche, mel, óleo de amên-
doas, ervas frescas.

Encantamento tradicional
Acender no altar a vela mestra branca e de cada lado duas velas verdes
do mesmo tamanho. Colocar na frente a pedra escolhida, rodeada de
ervas frescas (menta, sálvia, valeriana etc.). Untar a frente com mel ou
óleo de amêndoas e pronunciar o seguinte conjuro:

Peço a abundância para mim e meu lar,


porque só aquele que tem pode dar.

ADIVINHAÇÃO
Ainda que eles existam, não é fácil hoje em dia converter-se em um
autêntico adivinho. O objetivo do encantamento é favorecer nossa capa-
cidade de prever e antecipar o que pode ocorrer, o que corresponde tanto
a “pressentimentos” como a uma inteligência desperta e atenta.

Momento mais favorável


Em noite de lua cheia, ou, melhor ainda, em um dos sábados do ca-
lendário celta. Se possível, o dia mais apropriado é a segunda-feira.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 95


Elementos básicos
Uma vela azul e outra amarela, uma gema de ágata ou lápis-lazúli,
uma correntinha de prata, uma pitada de pimenta.

Encantamento tradicional
Colocar a correntinha no pescoço e segurar a gema com a mão es-
querda. Deitar-se no solo com as velas acesas de cada lado do torso, a
azul à esquerda e a amarela à direita. Colocar a pimenta na ponta da lín-
gua e relaxar durante alguns minutos. Depois, concentrar-se no assunto
cuja previsão o preocupa.

ALEGRIA
Sob esse título podem-se abarcar os desejos de bem-estar, a anima-
ção, o desfrute da vida e o experimentar e compartilhar momentos agra-
dáveis. Os druidas empregavam esse encantamento para animar as fes-
tas anuais ou as celebrações familiares, mas também para estimular os
que se sentiam solitários ou deprimidos.

Momento mais favorável


Ao meio-dia ou em horário de bom sol, preferivelmente em um do-
mingo de primavera.

Elementos básicos
Uma vela vermelha, pedra de ágata ou rubi, uma dúzia de jacintos,
um torrão de açúcar, uma fita ou cordão azul.

Encantamento tradicional
Acender a vela e colocar diante dela a gema escolhida, rodeando as
duas com a fita ou o cordão azul. Depois, traçar um círculo ao redor
com as flores de jacinto. Abrir amplamente os braços em cruz e, olhando
fixamente para a chama, recitar o seguinte conjuro:

Que as vibrações emanadas pelo altar


nos (me) deem alegria para desfrutar.

96 O livro secreto da magia celta


Em seguida, colocar na boca o torrão de açúcar, cruzar os braços so-
bre o peito e fechar os olhos. Concentrar-se em receber as vibrações en-
quanto o açúcar se dissolve.

Amizade
Os celtas valorizavam muito especialmente a amizade, que conside-
ravam o afeto mais sublime e puro. Esse sentimento que une as pessoas
sem distinção de sexo ou idade é, ao mesmo tempo, exigente e delicado,
por isso os druidas o protegiam com um encantamento tão eficaz quan-
to simples, relacionado à magia por ingestão.

Momento mais favorável


Na primavera e no verão, com a lua em quarto crescente, se possível
na quarta-feira. O dia ideal para a ingestão é o aniversário da pessoa
amiga.

Elementos básicos
Um lenço amarelo, um limão pequeno, duas folhas de louro, um fio
de cobre.

Encantamento tradicional
Colocar as folhas de louro sobre o limão, prendendo-as com o fio de
cobre. Envolver com o lenço amarelo e dar um nó para formar um amu-
leto. Colocá-lo durante três noites debaixo do travesseiro. Depois, abrir
o limão, espremê-lo e fazer com que o amigo ou a amiga consuma o suco
(em uma bebida, salada etc.).

AMOR
Desde tempos imemoriais o amor tem sido o tema que dá maior ocu-
pação e prestígio a bruxas e feiticeiros. A magia celta contém numerosos
encantamentos relacionados a esse sentimento essencial à vida, depen-
dendo dos distintos problemas e propósitos. O que aqui escolhemos se
vincula ao amor romântico, entendido como um sentimento nobre e
profundo que aspira uma união duradoura com a pessoa amada.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 97


Nota: por se tratar de um tema tão amplo e diverso, devemos consi-
derar esse encantamento como um modelo básico que podemos modi-
ficar e combinar, recorrendo aos outros temas deste capítulo, segundo o
caráter e a circunstância do problema (por exemplo, com o tema Atra-
ção, se o que desejamos é atrair o outro).

Momento mais favorável


Entardecer de um dia de lua cheia que não seja terça-feira, preferivel-
mente na sexta-feira.

Elementos básicos
O pentáculo, uma vela azul, alguns grãos de anis, duas rosas cor-de-
-rosa, uma pedra de âmbar ou safira, uma maçã cortada em metades
(antes de começar, cortar uma metade da maçã em sete pedaços e colo-
cá-los em uma tigela).

Encantamento tradicional
No altar, colocar a vela no centro do pentáculo e a gema no vértice
superior. Posicionar as rosas nos vértices laterais e colocar a meia maçã
na frente, fora do pentáculo, espalhando sobre ela os grãos de anis. Dei-
xar a tigela com os pedaços ao alcance da mão esquerda. Acender a vela,
colocar a mão direita sobre o coração e recitar este conjuro:

Deusa da lua, rainha do amor,


faça com que esta maçã nos sirva de união,
compartilhando juntos alegria e dor,
com toda a força de meu coração.

O passo seguinte é ir pegando com a mão esquerda os sete pedaços


de maçã e, ao comer cada um, concentrar-se em um dom ou virtude da
pessoa amada. Deve-se realizar o encantamento sem pressa, olhando a
chama da vela e tentando visualizar o que pensamos e sentindo as vibra-
ções em nosso ser. Em seguida, pegar uma rosa com cada mão, levantar
os braços à frente do corpo e repetir a última parte do conjuro:

Compartilhando juntos alegria e dor,


com toda a força de meu coração.
Assim seja e assim será!

98 O livro secreto da magia celta


Este encantamento se potencializa se fizermos com que a pessoa
amada coma a outra metade da maçã (em uma sobremesa, uma torta,
uma salada de frutas etc.).

Atração
Possivelmente, o que um celta considerava atraente não é a mesma
coisa que pode atrair as pessoas que o interessam hoje. Mas a atração
que provocamos nos outros consiste em uma intangível combinação de
qualidades externas e internas e, sobretudo, na forma de manifestá-las e
expressá-las. Não se trata, portanto, de um encantamento que nos torna-
rá belos ou lindos, mas sim de um toque mágico para ressaltar nosso en-
canto e nos conferir um ambíguo magnetismo que pode ser fascinante.

Momento mais favorável


Entre os meses de primavera, nas três primeiras horas de escuridão,
numa noite de lua cheia. Os dias mais favoráveis são a sexta e o sábado.

Elementos básicos
Um anel de ouro, um espelho de mão, uma rosa vermelha, um colar
ou diadema natural de flores silvestres, uma tigela com água da chuva.

Encantamento tradicional
Este conjuro deve ser oficiado ao ar livre, ou pelo menos em um lugar
de onde possamos ver a lua e receber sua luz, preferivelmente descalços;
vestir a túnica, se tivermos uma, ou roupas largas e soltas de cor clara.
Colocamos a diadema ou colar de flores e o anel no dedo anular da mão
esquerda. Deixar a tigela com água a nossos pés e segurar o espelho com
a mão direita. Direcioná-lo com o braço estendido para a lua, para que
reflita sua luz, e recitar este conjuro:

Deusa noturna de insigne nobreza,


coloque neste espelho os dons que espero
e brinde a mim ser encanto e beleza,
que apreciem aqueles que quero.

Viramos o espelho e nos contemplamos nele detidamente, sentindo


que recebemos os dons da Deusa por meio de seu reflexo. Depois, levan-

Os encantamentos tradicionais da magia celta 99


tar a cabeça e abrir os braços, deixando que a luz da lua nos inunde o
rosto e o peito. Quando sentirmos que recebemos a plenitude da energia
lunar, abaixamos devagar os braços, largamos o espelho e seguramos a
tigela com ambas as mãos. Levantá-la em oferenda à lua e depois apro-
ximá-la dos lábios, bebendo três goles. Manter a tigela contra o peito e
fechar o conjuro com a frase mágica:

Assim seja e assim será!

É conveniente repetir o encantamento uma vez ao ano, ou depois de


ter sofrido conflitos pessoais ou enfermidades, e sempre que sentirmos
que nosso poder de atração está prejudicado.

CONHECIMENTO
O conhecimento era, para os celtas, o pote de ouro que conduzia à sa-
bedoria. Compreender nós mesmos, os outros e o mundo que nos rodeia é
a base fundamental que nos permitirá alcançar outros planos do espírito
e o domínio das distintas dimensões da realidade. Os druidas reuniam
esses conhecimentos e os transmitiam aos discípulos por meio de um dos
dois caminhos fundamentais: o primeiro é o aprendizado e o estudo. O
segundo é a própria experiência, pessoal e intransferível, da qual mais aju-
da necessitamos para extrair novos e autênticos conhecimentos.

Momento mais favorável


Nas horas próximas ao meio-dia, em dias luminosos com lua nova ou
em quarto crescente. Os meses apropriados são os de outubro a feverei-
ro, em qualquer dia da semana, com exceção do domingo.

Elementos básicos
O Livro das Sombras (ou um papel-pergaminho), caneta azul, uma
vela amarela e outra azul, a varinha mágica, uma gema de ametista ou
topázio, cálice ou taça de prata, um pouco de vinho branco, um punha-
do de grãos de café.

Encantamento tradicional
Colocar o livro ou o papel-pergaminho aberto sobre o altar, prenden-
do a folha com a gema escolhida. Posicionar a vela amarela à esquerda

100 O livro secreto da magia celta


e a azul à direita, o cálice com o vinho à frente, e reservar os grãos de
café. Acender as velas, concentrar-se e escrever com a caneta azul estas
palavras:

Mens lucenti

e abaixo:

Abracadabra / Arbadacarba.

Segurar a varinha mágica e tocar com ela a vela amarela, pedindo lu-
cidez para conhecer e compreender as pessoas; tocar a vela azul, pedindo
sagacidade para interpretar os fatos da realidade; tocar o que acabou
de ser escrito, pedindo clarividência para alcançar os arcanos transcen-
dentes. Ler em voz alta as palavras do conjuro e em seguida espalhar os
grãos de café sobre a página escrita. Tomar o cálice com ambas as mãos,
concentrando-se na obtenção do pedido, e elevá-lo à frente, entre as duas
velas; depois, girar em direção ao nascente do sol e elevar o cálice sobre
a cabeça, repetindo mentalmente as palavras do conjuro.
Voltar a se posicionar diante do altar, oferecer uma vez mais o cálice
e beber sete goles de vinho com os olhos fechados. Sentir que a cada gole
aumentam as vibrações que invadem nosso ser.

Criatividade
Não somente os poetas e os artistas necessitam utilizar sua criativi-
dade; também os outros mortais precisam dela em distintos momentos
da vida para encontrar soluções ou novas ideias que possibilitam a evo-
lução. Pode se tratar de um bloqueio às aspirações, como um trabalho
ou negócio que não vai bem, ou até mesmo uma relação afetiva que
requeira novidades e surpresas. A criatividade é a imaginação posta a
serviço de um propósito concreto, com a ajuda da intuição e da cen-
telha inventiva que pode parecer coisa de magia. E é disso mesmo que
se trata.

Momento mais favorável


Lua crescente ou cheia, nos meses de verão, na primeira hora depois
da meia-noite, se possível na quarta-feira.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 101


Elementos básicos
O pentáculo, a vela mestra branca, uma vela vermelha e outra azul,
uma gema de ametista ou lápis-lazúli, um lenço amarelo para a cabe-
ça, noz-moscada, angélica (a erva), o instrumento simbólico da sua arte
(papel de música, pincel, cinzel, caneta etc.) ou um símbolo escolhido
por você a fim de expressar o propósito criativo (uma foto, um docu-
mento, um objeto pessoal, uma vestimenta etc.).

Encantamento tradicional
Colocar o símbolo escolhido no centro do pentáculo e cobri-lo com
as folhas de angélica. Situar a vela mestra no vértice superior; a vela ver-
melha, no inferior esquerdo; e a azul, no direito. Colocar o lenço ama-
relo sobre a cabeça, sem dar nenhum nó, e deixar ao alcance da mão a
gema e a noz-moscada.
Acender as três velas; primeiro a mestra, depois a vermelha e, em se-
guida, a azul. Segurar a gema com as duas mãos, sustentando-a com os
dedos esticados e juntos, como em atitude de oração. Estender os braços,
levando as mãos em direção à vela mestra, e pronunciar este conjuro:

Luzes poderosas de outra dimensão,


acendei minha mente e imaginação.

Dirigir sucessivamente as mãos com a gema em direção às outras


duas velas, repetindo em cada ocasião o conjuro. Em seguida, segurar
a gema na mão direita e colocá-la na parte superior da cabeça, sobre o
lenço. Fechar os olhos e concentrar-se em receber as vibrações positivas
da criatividade astral. Pegar um punhado de noz-moscada, a especiaria
da intuição e da invenção, e espalhá-la sobre o objeto simbólico. Depois,
pegar o lenço pelas laterais, de forma que a gema fique envolvida nele,
e fechá-lo com um nó para que tenhamos um amuleto atemporal, que
colocaremos sob o travesseiro durante as três noites seguintes.

DECISÕES
Durante temporais, invasões e epidemias que afligiam o povo celta,
os druidas agiam como verdadeiros “dirigentes”, tendo de decidir rapi-
damente o que seria mais adequado. Com sua grande sabedoria, recor-

102 O livro secreto da magia celta


riam com frequência a um encanto que costumava ser breve e simples
em função da urgência, mas também muito poderoso e eficaz.

Momento mais favorável


O instante mais oportuno para tomar decisões de emergência é o
quanto antes, seja qual for a data ou hora do dia, ainda que seja melhor
fazê-lo à noite, quando o sol não interfere nas vibrações de outros astros
e podemos contar com a ajuda da lua.

Elementos básicos
Uma pedra de ágata, um báculo ou bastão de madeira natural, um
laço amarelo.

Encantamento tradicional
É importante sempre realizar a invocação ao ar livre, em um lugar o
mais aberto e solitário possível. Apoiar o bastão verticalmente no chão e
atar nossa mão esquerda a ele com a fita amarela dando um laço (não é
necessário dar um nó). Colocar a ágata na palma da mão direita e apoiá-la
com firmeza no centro da testa para que a gema atue como “terceiro olho”.
Depois, pronunciar em voz baixa ou mentalmente esta invocação:

Grande Deusa do céu,


Deidades dos astros,
dizei-me o caminho
que evite os maus passos.

DINHEIRO
Diz uma bruxa amiga minha que dinheiro não traz felicidade, mas
acalma os nervos. Ironia à parte, é certo que problemas financeiros são
uma das causas mais frequentes das preocupações, angústias e depres-
sões que afetam a vida cotidiana. Os celtas às vezes também tinham dí-
vidas ou andavam escassos de fundos e recorriam aos druidas para que
lhes preparassem o “amuleto das três moedas”. Hoje podemos usar esse
ancestral recurso mágico, desde que atendamos a duas condições: ter
realmente um problema financeiro e não pedir mais do que o necessário
para sair do apuro e poder recomeçar sem angústias.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 103


Momento mais favorável
Na noite de um domingo de data par, nos últimos 13 dias de um mês
ímpar. É preferível que seja com lua nova ou cheia (se a questão for muito
urgente, é aceitável qualquer noite que não seja segunda-feira).

Elementos básicos
Chama votiva, a varinha mágica, uma esmeralda ou outra pedra verde,
uma toalha ou caminho de mesa vermelho, um punhado de pimenta-negra,
três moedas de distinto valor (por exemplo, 1 real, 50 e 25 centavos), um sa-
quinho de pele de camurça ou, melhor ainda, de javali ou porco selvagem.

Encantamento tradicional
Retirar todos os elementos do altar e cobri-lo com o caminho de
mesa vermelho. Colocar no fundo e ao centro a chama votiva para que
presida à sessão e a proteja. No meio do caminho de mesa formar, com as
três moedas, os vértices de um triângulo equilátero e colocar no centro a
esmeralda ou gema escolhida. Pegar a varinha entre o polegar e o indica-
dor da mão direita e fazer passes horizontais sobre o triângulo mágico,
repetindo sete vezes esta frase:

Devo e espero receber dinheiro.

Salpicar a pimenta sobre a gema e pegar as três moedas com a mão


esquerda. Fechar a mão e levá-la sobre o ombro direito, dizendo:

O imprescindível e o necessário.

Levar a mão ao coração e dizer:

Para que não sofram aqueles que amo.

Estender a mão para frente e prometer:

E para usá-lo só com bom fim.

Introduzir as moedas no saquinho e deixá-lo a noite toda sobre a esme-


ralda ou pedra verde. Pegá-lo exatamente às sete horas da manhã seguinte e
não se desprender dele até que se tenha superado o problema financeiro.

104 O livro secreto da magia celta


DISCERNIMENTO
Discernir significa “distinguir e manifestar a diferença entre várias
coisas”. É, portanto, uma qualidade muito especial que se opõe à con-
fusão e ao desconcerto, permitindo-nos julgar com equidade pessoas
ou assuntos que nos afetam. Os druidas valorizavam em particular esse
dom, já que no papel de magistrados deviam saber diferenciar o bem do
mal e o justo do injusto.

Momento mais favorável


No crepúsculo, pela manhã ou tarde, quando o céu discerne entre
a luz e a escuridão. Entre os meses de abril e outubro, de preferência às
segundas, terças ou quintas.

Elementos básicos
Uma gema de ametista ou rubi, uma vela laranja e outra amarela, a figu-
ra de um losango, uma rosa branca, defumador com incenso, um punhado
de menta, um pouco de açafrão (o losango deve ser desenhado previamen-
te sobre uma cartolina, grande o suficiente para realizar o encantamento).

Encantamento tradicional
Primeiro acender o defumador para que o ar seja impregnado com o
aroma do incenso. Colocar o losango sobre o altar e, no centro, a gema
escolhida. No vértice superior, a menta e o açafrão, e, no inferior, a rosa
branca. Colocar a vela laranja no vértice esquerdo e a amarela no direito.
Acender as velas, concentrar-se e recitar o seguinte conjuro:

Peço que as forças destes elementos


me deem equidade e discernimento.

Cruzar as mãos sobre o peito e concentrar-se em distinguir as tona-


lidades e matizes das velas e das chamas, sentindo que nos transmitem
ondas de lucidez para perceber as diferenças. Depois, inverter a posi-
ção das velas e colocar a rosa sobre a gema, repetindo o exercício visual.
Apontar as mãos abertas em direção às velas, fechar os olhos, relaxar
com respiração profunda e encerrar o feitiço com a frase ritual:

Assim seja e assim será!

Os encantamentos tradicionais da magia celta 105


Colocar a rosa em um copo ou jarra de cristal com água e deixá-la
toda a noite em nosso quarto.

DÚVIDAS
De algum modo, o encantamento do tema Discernimento ajuda a
dissipá-las, e o do tema Decisões ajuda a deixá-las para trás. Mas há
certas dúvidas que não dependem apenas do bom discernimento e da
capacidade de decisão, porque se situam em planos superiores ou mais
profundos da existência. Os druidas tinham um feitiço pessoal para en-
contrar a solução para essas dúvidas transcendentes, ou pelo menos para
orientar e enriquecer a meditação sobre elas. A execução é bem simples
e não requer muito tempo.

Momento mais favorável


Primavera e verão, com o céu sem nuvens. Em horas em que o sol
brilha, num dia que não seja quarta-feira nem sábado.

Elementos básicos
Uma gema pequena de ametista ou lápis-lazúli (pode ser um anel
ou um pingente), uma esteira azul ou rosa, um lenço de cor violeta ou
púrpura, um defumador de perfume com uma barrinha de aroma de
sândalo, duas metades de limão, um prato.

Encantamento tradicional
Acender a barrinha de sândalo e verificar se queima bem. Introduzir
a gema no centro de uma metade de limão, de forma que fique dentro
dele, e colocar ambas as metades no prato. Estender-se de costas sobre a
esteira com as pernas bem esticadas, segurando o prato e o lenço com a
mão esquerda. Deixar o prato sobre o peito, à altura do abdôme. Pegar
a metade do limão que tem a gema e colocá-la com o lado cortado para
baixo no centro da testa. Cobrir a cabeça com o lenço, inclusive o limão,
até a altura das cavidades nasais.
Nessa posição, relaxar aspirando o aroma do sândalo e permanecer sete
minutos meditando profundamente sobre as dúvidas que desejamos dissi-
par. Algumas bruxas modernas aconselham espremer a metade do limão
que não tiver sido manipulada e beber o suco exatamente ao meio-dia.

106 O livro secreto da magia celta


ENERGIA
É a força que move o mundo e a expressão da vida em todas as suas
manifestações. Alimenta o caráter e a potência física, dando-nos vigor
e resistência para enfrentar as vicissitudes e alcançar os fins que aspira-
mos. Um dom tão precioso e vital ocupava um lugar especial nos feitiços
dos druidas, assim como em alguns ritos e cerimônias secretas. Os mes-
tres da magia luminosa adaptaram o seguinte feitiço básico, que pode
ser complementar a outros, dependendo do assunto em relação ao qual
necessitamos reforçar nossa energia.

Momento mais favorável


Ao meio-dia, se invocamos energia física; à meia-noite, caso seja
energia psicológica. Em qualquer terça-feira do ano, evitando os solstí-
cios e equinócios, pois alteram os equilíbrios astrais.

Elementos básicos
Vela mestra, pentáculo, duas velas vermelhas, um objeto de ferro, um
punhado de terra, algumas folhas de carvalho, cinco nozes fechadas e
três pedaços de pão de centeio em uma tigela de barro.

Encantamento tradicional
Colocar a vela mestra no vértice superior do pentáculo e as duas velas
vermelhas nos vértices laterais. Deixar no centro o objeto de ferro, co-
brindo-o com a terra e as folhas de carvalho. Fechar o pentáculo dispon-
do as cinco nozes em fileira entre os dois vértices inferiores. Deixar em
frente à tigela com o pão, ao alcance das mãos.
Acender as velas nesta ordem: mestra, esquerda e direita. Concen-
trar-se no triângulo mágico que forma as três chamas e depois no poder
do ferro, da terra e do carvalho, procurando perceber o intercâmbio de
vibrações dentro do triângulo. Relaxar um momento seguindo a fileira
de nozes energéticas, primeiro da direita para a esquerda e depois no
sentido contrário, enquanto comemos o primeiro pedaço de pão. Levan-
tar a cabeça, fechar os olhos e recitar o seguinte conjuro:

Forças que dominam a noite e o dia,


sóis e planetas do poder astral,

Os encantamentos tradicionais da magia celta 107


coloquem em meu ser temperamento e energia
para derrotar as forças do mal.

Pegar o segundo pedaço de pão e mastigá-lo, concentrando-se em


perceber as vibrações do altar que chegam até nós. Repetir mentalmente
ou em voz baixa a terceira linha do conjuro:

Coloquem em meu ser temperamento e energia.

Pegar o terceiro pedaço de pão e mastigá-lo, visualizando as ameaças


e os problemas que poderemos vencer com novas energias. Repetir men-
talmente ou em voz baixa a última linha do conjuro:

Para derrotar as forças do mal.

Recolher as cinco nozes, colocá-las perto do objeto de ferro na tigela va-


zia e deixá-las em um lugar visível de nosso quarto durante uma semana.

ENTENDIMENTO
Entendimento é uma qualidade da inteligência que nos permite refle-
tir e compreender as coisas. Em seu lento avanço através de toda a Euro-
pa, os celtas encontravam novas paisagens e situações que necessitavam
entender para que pudessem atuar sobre elas. Por isso seus líderes, além
de grandes guerreiros, eram muitas vezes homens inteligentes e sábios,
dotados de grande capacidade de raciocínio e compreensão. A magia
druida propiciava essas qualidades por meio de encantamentos como o
que explicaremos a seguir.

Momento mais favorável


As três primeiras horas de escuridão de uma sexta-feira ou domingo,
com data cujos dígitos sejam ou somem 3, 7 ou 9. É mais eficaz entre os
meses de novembro e março.

Elementos básicos
Uma gema de ametista, um defumador com incenso, uma vela azul-
-celeste, três azeitonas pretas, uma fita amarela.

108 O livro secreto da magia celta


Encantamento tradicional
Colocar a vela azul no centro do altar e o defumador na extremida-
de direita. Acender ambos e deixar que queimem durante 33 segundos,
concentrando-nos enquanto respiramos profundamente. Em seguida,
colocar a ametista a um palmo diante da vela, e as três gemas e a fita
amarela à nossa esquerda.
Pegar a primeira azeitona e colocá-la entre a vela e a gema de ametis-
ta, pronunciando a primeira invocação:

Desejo entender
com todo o meu ser.

Pegar a segunda azeitona e colocá-la um palmo à direita e outro abai-


xo da primeira. Recitar a segunda invocação:

Desejo compreender
para responder.

Finalmente, pegar a terceira azeitona e colocá-la como a anterior, mas


do lado esquerdo, de forma que as três formem um triângulo mágico.
Pronunciar a última invocação:

Com raciocínio
saberei que não minto.

Permanecer alguns momentos concentrando-se nas vibrações positi-


vas emanadas do altar.

ENTUSIASMO
É a força que nos impulsiona a realizar nossos objetivos e nos ajuda
a fazer com que os outros nos acompanhem nessa iniciativa. Os celtas
a utilizavam para se animar no combate ou nas expedições de caça ou
pesca; hoje podemos invocá-la para propósitos não tão rudimentares,
embora não menos apaixonantes. Escolhemos um feitiço em forma de
talismã, que nos permite tê-lo conosco em todo momento e, sobretudo,
transmitir suas vibrações entusiastas aos outros.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 109


Momento mais favorável
Trata-se de um conjuro que deve ser realizado em plena luz do sol,
ainda que esta nos chegue pela janela. Ou seja, nas horas mais ilumina-
das de uma terça ou quinta-feira de céu sem nuvens, preferivelmente na
primavera, no verão ou nos primeiros dias do outono.

Elementos básicos
Vela mestra, uma vela laranja menor, uma pedra de quartzo, um
pedaço pequeno de papel-pergaminho (do tamanho de um cartão de
visita), um marca-texto vermelho, um pouco de pimenta-caiena, 13 se-
mentes de erva-doce, um saquinho de tecido natural.

Encantamento tradicional
Colocar a vela mestra no centro do altar e a vela laranja uns três dedos
à frente, de forma que ambas fiquem alinhadas. Depois, organizar as 13
sementes de erva-doce em um círculo diante de nós. Acendemos as velas,
colocamos o cartão de pergaminho dentro do círculo e nos concentramos
por um momento nas duas luzes verticais. Em seguida, escrever no perga-
minho, com letras maiúsculas, as seguintes palavras: sursum corda.
Colocar a pedra de quartzo sobre o que escrevemos, abrir os braços
para trás, levantar a cabeça e exclamar em voz alta o seguinte conjuro:

Sursum corda, eleve os corações


para alcançar nossas ilusões!

Abaixar os braços e a cabeça, concentrando-se nos sonhos ou nos


projetos que desejamos realizar. Pegar a pimenta e salpicá-la sobre a pe-
dra de quartzo. Em seguida, apoiar levemente a mão esquerda sobre ela
e dizer em voz baixa, com profunda convicção:

Assim seja e assim será!

Enrolar o pergaminho, pegar o quartzo e as 13 sementes, e colocar


tudo no saquinho de tecido. Deixá-lo no altar à luz das velas, retirar-se e
voltar para recolhê-lo quando se passarem 77 minutos. Então, já podere-
mos usá-lo como talismã do entusiasmo.

110 O livro secreto da magia celta


FAMÍLIA
Os celtas tinham um senso amplo de família, que formava comu-
mente um clã de numerosas pessoas relacionadas entre si, e às vezes tri-
bos inteiras de uma mesma linhagem. Os laços não eram somente de
sangue, mas também de associação, apadrinhamento ou adoção, e as
principais premissas eram a lealdade e a solidariedade entre os mem-
bros. Os druidas realizavam poderosos feitiços e conjuros destinados a
preservar e manter a paz e a união do grupo familiar como elemento
básico da segurança e do bem-estar de toda a comunidade.

Momento mais favorável


A primeira hora depois do amanhecer, em quarto de lua cheia. Em
um sábado ou domingo de qualquer época do ano, exceto a que vai de 13
de agosto a 9 de setembro.

Elementos básicos
Chama votiva, uma vela azul pequena para cada membro da família em
sentido amplo (incluindo o executante), uma gema de esmeralda ou jade,
um xale de cor azul-clara, um pote pequeno com gerânios brancos, um
cálice ou tigela de prata com água da chuva, uma tigela com três figos.

Encantamento tradicional
Colocar a chama votiva na parte inferior do altar para presidir o fei-
tiço. No centro, colocar o gerânio, enterrando a gema no pote, e, em
frente, as velas azuis em uma fileira horizontal. Ao alcance das mãos, à
esquerda, o cálice com água, e à direita a tigela com os figos. Colocamos
o xale sobre os ombros, com as pontas para trás, acendemos a chama vo-
tiva e esperamos um momento, em concentração, preparando-nos para
o ritual. Depois, acendemos uma a uma as velas azuis, pronunciando, ao
fazê-lo, o nome de cada pessoa que representam.
Pegar um figo e colocá-lo em frente ao altar, segurando-o entre os
dedos da mão direita, e pronunciar mentalmente ou em voz baixa:

Para esta família peço proteção,


com carinho e devoção.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 111


Levar o figo à boca e mastigá-lo lentamente; depois, beber um gole de
água da chuva. Repetir o rito com o segundo figo dizendo:

Em nome e amor destes seres queridos,


rogo que sempre permaneçam unidos.

Repetir com o terceiro figo dizendo:

E que os problemas que possam ter,


com sabedoria e afeto saibam resolver.

Levar a mão esquerda à testa e a direita ao coração, fechar os olhos


e concentrar-se profundamente na realização desses desejos. Deixar as
velas azuis acesas até que sejam consumidas.

FERTILIDADE
Os casais celtas se casavam muito jovens para assegurar a fertilidade
e ter vários filhos que continuariam a linhagem. A esterilidade era causa
de vergonha e vexame social, já que se acreditava que os deuses castiga-
vam com ela alguma ação ruim de um ou ambos os esposos. Por isso, os
matrimônios que não podiam procriar rogavam aos druidas, que inter-
cediam em favor da fertilidade. Na sociedade atual, já não parece tão im-
portante ter filhos, mas muitos casais sofrem o drama de desejá-los e não
consegui-los. Talvez dê resultado recorrer ao “amuleto dos três metais”,
que druidas e druidisas utilizavam para incentivar a gravidez.

Momento mais favorável


Em noite de lua nova, criadora da vida, ou nas três primeiras noites
do quarto crescente. Numa segunda ou sexta-feira, preferivelmente nos
meses germinais da primavera.

Elementos básicos
Vela mestra, um objeto de cobre, um de prata e outro de ferro, três
sementes de jasmim, sete grãos de trigo e nove caroços de uvas pretas,
um pano branco de linho ou de tecido, uma tigela de madeira com 100
ml de leite integral e outra com um punhado de terra, e um saquinho de
couro ou de tecido natural.

112 O livro secreto da magia celta


Encantamento tradicional
Formar com os três metais os vértices de um triângulo mágico e co-
locar no centro a vela mestra. Colocar em frente as sementes, os grãos e
os caroços, separadamente e nessa ordem, da esquerda para a direita. Na
extremidade direita do altar, colocar a tigela com terra, e, na esquerda,
a que contém leite. Acender a vela e levantar os braços em ângulo reto,
com as mãos ao lado da cabeça e as palmas em direção ao altar. Concen-
trar-se e recitar a seguinte invocação:

Semente e terra para germinar,


leite para nutrir, ferro para fortalecer,
bronze para proteger, prata para alegrar
a nova vida que haverá de nascer.

Meditar por uns momentos na força da invocação, tentando visua-


lizar as vibrações que emanam através da vela mestra em direção aos
elementos conjurados. Depois, proceder com serenidade para preparar o
amuleto, seguindo estes passos: colocar o pano sobre a tigela que contém
terra. Pegar as sementes, misturá-las bastante sobre a mesa e colocá-las
no centro do pano. Derramar sobre elas o leite, lentamente, para que se
filtre e umedeça a terra.
Em seguida, colocar também os objetos de metal e pegar as bordas do
pano, dando nós para fechar o amuleto.
Deixar o amuleto em um lugar alto do quarto que não seja visível (por
exemplo, sobre um armário, dentro de uma lâmpada suspensa, atrás das
cortinas etc.) e não tocá-lo até que se confirme a gravidez.

HARMONIA
Essa é uma qualidade imprescindível em vários aspectos fundamentais
da vida, como amor, amizade, trabalho, estudos, convivência, vínculos
conjugais ou familiares e a relação que mantemos conosco e com os ou-
tros. Por isso, a harmonia pode ser considerada algo anterior ou comple-
mentar à conquista de diversos propósitos por meio da magia celta.

Momento mais favorável


À meia-noite de domingo para segunda, ou na quinta ou sexta ao
entardecer, com a lua em quarto crescente. Com fins amplos e gerais,

Os encantamentos tradicionais da magia celta 113


convém oficiá-lo nas três primeiras horas do Ano-Novo ou no crepúscu-
lo de seu aniversário.

Elementos básicos
A chama votiva acesa, uma vela azul-celeste e outra branca, um ob-
jeto pequeno de prata, um defumador com incenso, uma lasquinha ou
vareta de combustão fácil, uma dúzia de jasmins brancos, uma esteira de
fibra natural (cânhamo, lã, linho etc.).

Encantamento tradicional
Sentar-se sobre a esteira com as pernas cruzadas, e colocar na frente a
chama votiva e, de cada lado, uma vela, bem juntas. Rodeá-las com um cír-
culo de jasmins. À frente do círculo, posicionar o defumador com incenso.
Acender as velas com a chama votiva usando a vareta e depois colocá-la no
defumador para queimar o incenso. Pegar o objeto de prata entre os dedos
da mão direita e estendê-lo à frente. Recitar mentalmente:

Paz, acordo, tolerância e compreensão


para manter sempre a harmonia e a união.

Colocar o objeto de prata sobre os lábios e depois sobre o coração,


repetindo a cada vez o propósito mentalmente, com profunda concen-
tração ao realizar o encantamento. Deixar o objeto junto ao defumador,
relaxar e permanecer meditando diante das luzes das velas, até sentir que
o desejo será alcançado.

INTUIÇÃO
Diz-se que a intuição é um dom mais frequente e aguçado nas mu-
lheres, talvez porque no mundo antigo elas cumprissem as funções de
profetisas e adivinhas. Contudo, os celtas distinguiam entre a clarivi-
dência, qualidade excepcional reservada somente a algumas druidisas
e druidas, e a intuição, atitude natural que todos possuímos e podemos
desenvolver e melhorar. Para isso, basta um toque de magia, como o
conjuro anual que passamos a explicar.

114 O livro secreto da magia celta


Momento mais favorável
Como se trata de um encantamento que repetiremos a cada ano, de-
vemos escolher um dia significativo (nosso aniversário, Ano-Novo, um
sabá maior etc.) e mantê-lo como data de renovação do conjuro. A exe-
cução deve se iniciar à meia-noite em ponto.

Elementos básicos
Pentáculo, vela mestra, duas velas azuis, uma vermelha e outra ama-
rela, uma pedra de ágata, ametista ou lápis-lazúli, uma rosa branca e
uma tigela de cobre ou bronze com água da chuva.

Encantamento tradicional
Colocar as velas nos vértices do pentáculo: a mestra no superior, as
duas azuis nos inferiores, a vermelha na lateral esquerda e a amarela na
direita. Colocar no centro a gema, a tigela com água entre as duas velas
azuis, e deixar a rosa ao alcance da mão. Acender primeiro a vela mestra
e depois as outras, em sentido horário.
Concentrar-se por um momento nas cinco chamas e seus reflexos sobre
a gema, até o momento exato da meia-noite. Depois, pegar a rosa e segurá-la
com ambas as mãos sobre o peito, pronunciando o seguinte conjuro:

Rainha da noite, lua poderosa,


brinda-me com o dom de saber intuir
com a clara brancura desta rosa
os segredos que guarda o que está por vir.

Pegar uma pétala da rosa e lançá-la na tigela de água dizendo:

Pela vela azul destra,


tu serás minha mestra.

Lançar uma segunda pétala dizendo:

Pela vela amarela que cintila,


poderei ver a verdade quando brilha

Lançar a terceira pétala dizendo:

Os encantamentos tradicionais da magia celta 115


Por tua vela maior,
saberei prever alegria e dor.

Lançar a quarta pétala dizendo:

Pela azul da esquerda,


encontrarei o que estiver em perda.

Lançar a quinta pétala dizendo:

Pela vela rosada,


não será escondido de mim nada.

Pegar a gema e lançá-la também na tigela com água da chuva. Perma-


necer em meditação profunda, com os olhos fechados, até perceber as
vibrações que iluminam nossa intuição.

LIBERAÇÃO
Devemos entender este tema como a liberação de um peso ou atadura
que nos oprime ou impede de avançar na conquista de nossos propósi-
tos. Os druidas celtas o consideravam assim e realizavam o feitiço libe-
rador apenas sob duas condições: a primeira, que existisse uma situação
pessoal de opressão, fosse física ou psíquica, de origem externa ou inter-
na; a segunda, que, para se liberar da opressão, não haveria dano a outra
pessoa ou ser vivo, nem se prejudicaria o grupo ou a comunidade. Assim
o trata também a magia Wicca, que recuperou e adaptou o seguinte en-
cantamento de liberação.

Momento mais favorável


A hora que antecede o amanhecer, preferivelmente numa segunda ou
sexta-feira do mês de março, com lua crescente.

Elementos básicos
Pentáculo invertido, vela mestra, outras duas velas brancas, três den-
tes de alho, um pequeno boneco de pano, um cordão preto, agulha ou
alfinete de prata.

116 O livro secreto da magia celta


Encantamento tradicional
Primeiro passo: colocar a vela mestra no centro do pentáculo, apa-
gando qualquer outra fonte de luz. De pé em frente do altar, segurar o
boneco com ambas as mãos e colocá-lo sobre o peito, iniciando uma
respiração profunda. Olhando fixamente para a chama, concentrar-se
com todas as forças em transmitir ao boneco as vibrações de nosso ser,
em particular os sentimentos que nos oprimem.

Segundo passo: envolver o boneco com o cordão preto, segurando a


atadura com o alfinete de prata, e colocá-lo em frente à vela mestra. Po-
sicionar as outras velas nos vértices laterais do pentáculo e os três alhos
alinhados em fileira entre os vértices inferiores. Acender as velas e se
concentrar por um tempo. Depois, recitar este conjuro:

Os nós que oprimem quero desatar


para me liberar e poder respirar.

Pegar o boneco, retirar o alfinete e remover o cordão, atirando-os


para trás com a mão direita por cima do ombro esquerdo. Devolver o
boneco ao altar e recitar a segunda parte do conjuro:

Ao me liberar destas ataduras


poderei desfrutar as alegrias futuras.

Colocar os dentes de alho sobre o boneco: um na cabeça, outro no


peito e outro na barriga, e encerrar o encantamento dizendo:

Assim seja e assim será!

Apagar as velas e deixar o boneco nessa posição durante toda a noite,


para que os alhos terminem de afastar as vibrações negativas.

Liderança
Às vezes por vocação própria e outras em razão das circunstâncias, nos
vemos no papel de líderes de um grupo ou atividade. A coisa nem sempre é
tão gratificante como parece, e exercer a liderança requer muitas capacida-
des mentais e espirituais para alcançar a aceitação e o reconhecimento dos
outros. Os druidas prestavam atenção especial à promoção da integridade

Os encantamentos tradicionais da magia celta 117


e da autoridade dos chefes celtas, porque deles dependiam o bem-estar
e o florescimento da comunidade. Um dos feitiços que mais ajudavam a
alcançar esse fim é o que mostraremos a seguir.

Momento mais favorável


A liderança necessita da força do sol, por isso é preferível o horário do
meio-dia, quando o astro-rei brilha no céu. Os dias recomendados são a
terça-feira e o domingo, entre os meses de novembro e março.

Elementos básicos
Chama votiva, uma vela amarela, uma moeda ou medalha de ouro,
uma pedra de âmbar, um lenço púrpura ou roxo escuro, um ramo de
louro e um cálice de prata com vinho espumante de boa qualidade,
como o espanhol Cava.

Encantamento tradicional
Colocar a chama votiva acesa no ângulo posterior direito do altar. No
centro, posicionar a vela amarela e, em frente, a gema de âmbar. Abrir o
lenço e colocar a moeda de ouro sobre ele, o cálice à esquerda e o ramo
de louro à direita, ambos ao alcance da mão.
Acender a vela amarela e concentrar-se para iniciar o feitiço. Envolver
a moeda de ouro no pano e segurá-lo com a mão direita sobre o abdôme,
recitando este conjuro:

Com o ouro do sol, o âmbar e o vinho,


peço os louros que me oferece o destino.

Utilizando o ramo de louro como se fosse a varinha mágica, tocar


a base da vela, a pedra de âmbar e o cálice. Pegar a pedra de âmbar e
colocá-la na testa, nos lábios e no coração, concentrando-se no favore-
cimento de pensamentos, palavras e ações. Depois, colocá-la também
no lenço e dar nós, compondo um amuleto. Segurando-o na mão di-
reita, pegar com a esquerda o cálice e beber um gole de vinho. Depois,
encerrar o conjuro:

Assim seja e assim será!

118 O livro secreto da magia celta


NEGOCIAÇÃO
A negociação é a busca por um acordo entre partes a respeito de qual-
quer assunto que oponha uma à outra ou as distancie. Na época dos
celtas, era utilizada habitualmente para se obter o fim de hostilidades,
arranjar casamentos, superar inimizades ou realizar trocas de bens ou
mercadorias. Hoje, costumamos empregá-la a assuntos profissionais ou
comerciais, acordos de associação, contratos, vendas etc., mas também
para firmar posições pessoais, resolver conflitos no trabalho ou na famí-
lia e em outras situações da vida que envolvam nossos sentimentos como
indivíduos. Em casos assim, as bruxas modernas costumam recorrer a
esse antigo feitiço da magia celta.

Momento mais favorável


No quarto minguante da lua, para suavizar a agressividade e negati-
vidade de ambas as partes; mas em horas de luz solar, para iluminar as
possibilidades de acordo. Numa terça ou quinta-feira, preferivelmente
de mês par.

Elementos básicos
Uma vela rosa, uma branca e outra amarela, uma gema de ágata ou
ametista, uma tigela de cobre, folhas de camomila e alfazema, sete amên-
doas com casca e um lenço vermelho.

Encantamento tradicional
Deve ser celebrado com três noites de antecedência do encontro ou
reunião: colocar a vela branca no centro do altar, a vela amarela à sua
esquerda e a vela rosa à direita. Na frente a gema, rodeada pelas sete
amêndoas. Estender o lenço vermelho diante do oficiante e posicionar a
tigela com as ervas em cima do lenço.
Acender as velas e concentrar-se por um momento nas chamas. Em
seguida, apoiar ambas as mãos sobre a gema, pensando profundamente
no objetivo que queremos alcançar. Depositar as amêndoas na palma da
mão esquerda e a gema, na da direita.
Estender os braços em direção às velas e recitar:

Peço poder de convencimento


para explicar o meu sentimento.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 119


Deixar as amêndoas caírem na tigela e recitar:

Com as amêndoas peço equidade


e, com as ervas, serenidade.

Depositar a gema na tigela e recitar:

Guiai-nos, pedra do conhecimento,


para superar qualquer enfrentamento.

Segurar a tigela com ambas as mãos, elevá-la diante das velas e con-
cluir o conjuro:

Assim seja e assim será!

Verter o conteúdo da tigela no lenço vermelho e fechá-lo com um nó.


Colocá-lo sob o travesseiro durante a noite do feitiço e as duas seguintes.

PAIXÃO
Os celtas valorizavam a paixão no combate, no amor, no trabalho e
em todos os assuntos que pudessem ser enriquecidos com energia, esfor-
ço e dedicação. Mas conheciam também os perigos das paixões excessi-
vas e doentias. Por isso, costumavam recorrer aos druidas, cuja magia
podia insuflar-lhes o ponto exato de equilíbrio para que a paixão intensa
e vital não se convertesse em obsessão. Para acender esse fogo e mantê-lo
vivo, porém controlado, a magia celta recorria a uma poção carregada de
vibrações, cuja receita foi adaptada pelos mestres Wicca.

Momento mais favorável


Ao meio-dia ou dentro dos 77 minutos seguintes para receber as cá-
lidas energias do sol; na terça-feira ou sexta-feira com lua crescente, nos
meses de primavera ou verão.

Elementos básicos
Uma vela vermelha, outra verde-clara, a varinha mágica, um caldei-
rão de ferro ou de bronze, um cálice ou tigela de barro cozido, uma vasi-
lha de madeira com água da chuva e os seguintes ingredientes: espinafre,

120 O livro secreto da magia celta


nozes picadas, folhas de camomila, um aipo cortado em pedaços, um
pepino, uma cenoura em rodelas e uma gema de ovo fresco.

Encantamento tradicional
Primeiro passo (invocação): colocar à esquerda do altar a vela verme-
lha e, à direita, a vela verde. Pôr todos os ingredientes no caldeirão e
posicioná-lo entre as duas velas. Acendê-las e se concentrar na intensi-
dade da luz. Em seguida, segurar a varinha mágica; tocar primeiro a vela
vermelha, depois a verde, e em seguida apoiá-la sobre a tampa ou borda
do caldeirão. Pronunciar a seguinte invocação:

Oh, Cernunnos, grande deus de chifres dotado,


põe no caldeirão teu fogo apaixonado.

Segundo passo (preparação): apagar as velas para suspender o encan-


tamento, cobrir os ingredientes com a água da chuva e levar o caldeirão
ao fogo. Colocá-lo para cozinhar três vezes durante 13 minutos (retiran-
do-o um instante do fogo a cada vez), encher dois terços do cálice com o
caldo resultante e deixar esfriar 33 minutos.
Terceiro passo (consagração): voltar o rosto para o altar e colocar o
cálice entre as duas velas. Acendê-las e concentrar-se por alguns mo-
mentos. Depois, segurar a varinha mágica, tocar primeiro a vela verde,
depois a vermelha, e em seguida, apoiá-la sobre o cálice. Pronunciar o
pedido de consagração:

Oh, Cernunnos, rei da criação,


dai-me por meio deste cálice intensa paixão.

Elevar o cálice diante das velas e beber lentamente sete goles da po-
ção, sentindo que as vibrações preenchem nosso ser de paixão (o resto
da poção e dos ingredientes deve ser descartado; não utilizá-lo para ne-
nhuma outra finalidade).

PROSPERIDADE
O bem-estar material dos celtas era frequentemente ameaçado por
lutas internas e externas ou por catástrofes naturais. Após esses golpes,
muitas famílias e clãs ficavam em situação precária e precisavam se esfor-
çar para prosperar com o próprio trabalho e a ajuda dos deuses. Hoje, a

Os encantamentos tradicionais da magia celta 121


prosperidade está ligada a bons ganhos, aos trabalhos bem remunerados,
ao sucesso nos negócios ou nos investimentos e à conquista de uma po-
sição social; uma aspiração legítima que nos permite desfrutar melhor a
vida, alcançar nossos propósitos e ajudar os outros. Para atingir tal condi-
ção, os druidas aconselhavam um simples, porém eficaz, encantamento.

Momento mais favorável


Nas três primeiras horas da luz da manhã de uma sexta-feira ou do-
mingo de primavera, com a lua em quarto crescente.

Elementos básicos
Um objeto de ouro, uma gema de esmeralda ou jade, uma tigela com
alguns grãos de arroz, trigo e aveia.

Encantamento tradicional
Levar a tigela a um local ao ar livre (pátio, terraço, sacada etc.) e dei-
xá-la no chão, ajoelhando-se perto dela. Colocar o ouro sobre o dorso da
mão direita e a gema sobre o dorso da mão esquerda. Uni-las por cima da
tigela com os dedos estendidos e concentrar-se profundamente no dese-
jo de prosperar, prometendo uma ação benéfica ao conquistar o objetivo.
Depois, fazer três passes mágicos sobre os grãos da tigela, cruzando pri-
meiro a mão esquerda sobre a direita, e vice-versa, em forma de X.
Segurar o ouro e a gema com a mão esquerda, levantar-se e apanhar a
tigela com a direita. Fazer uma inspiração profunda e atirar os grãos ao
ar com um amplo movimento circular do braço. Nos 13 dias seguintes,
levaremos conosco o ouro e a gema nas atividades que empreendermos
para tentar prosperar.

PROTEÇÃO
Talvez o sentimento mais angustiante que podemos sentir seja o de-
samparo. A falta de segurança diante das ameaças malignas empobrece
o sentido da vida e nos deixa à mercê dos acontecimentos. Por isso, des-
de tempos imemoriais, os seres humanos dirigem-se aos deuses rogan-
do por proteção, e elaboraram feitiços e amuletos para se defender das
vibrações negativas e dos espíritos do mal. Os celtas preservavam a si
mesmos e a seus lares recorrendo aos elementos naturais carregados de
poderosas vibrações protetoras contra as forças do mal.

122 O livro secreto da magia celta


Momento mais favorável
Nos primeiros 21 dias do ano, em horas de sol.

Elementos básicos
O pentáculo, uma vela vermelha, um objeto de ferro, cinzas de lenha,
um rabanete, uma réstia de alho, um galho de bétula, um maço de aneto
e um saquinho de couro.

Encantamento tradicional
Colocar o pentáculo verticalmente no fundo do altar e diante da vela
vermelha. Posicionar na horizontal a réstia de alho e colocar em cima o
galho de bétula.
À frente, no centro, pôr o objeto de ferro e o cobrir com as cinzas. À
esquerda, posicionar o rabanete, e, à direita, o aneto. Acender a vela e se
concentrar na chama e nos elementos protetores que reunimos. Logo em
seguida, levantando os braços acima da cabeça, recitar o seguinte conjuro:

Deuses poderosos que podeis vencer


a todos os perigos e males nefastos,
usai vossas forças para proteger meu ser
e minha casa como faço.

Depois, pegar com ambas as mãos o galho de bétula e transcrever com


ele um círculo completo fazendo cortes de espada rituais ao nosso redor
para afastar simbolicamente os espíritos do mal. De frente para o altar,
unir as mãos sobre o peito sustentando o galho para cima, de forma que
se apoie sobre a testa. Nessa atitude nos concentramos na realização do
que invocamos.

Amuletos: deixar secar ao sol o aneto e as três rodelas do rabanete, e


colocá-los no saquinho, onde teremos guardado o ferro e as cinzas, para
utilizá-lo como amuleto pessoal. A réstia de alhos, protetora do lar, será
pendurada atrás de uma porta como, por exemplo, a da cozinha.

R AIVA
A raiva, ou ira incontrolável, nos ameaça de duas formas: quando
não podemos dominá-la ou quando somos vítimas da cólera de alguém

Os encantamentos tradicionais da magia celta 123


muito próximo (cônjuge, familiar, chefe, sócio etc.). Em ambos os casos,
pode afetar seriamente nossa vida, e não sabemos em que momento nem
por que motivo ela pode surgir. Por isso, os druidas, que eram bastante
sábios, elaboraram um encanto talismânico cuja ação preventiva e pro-
tetora se estendia no tempo e no espaço.

Momento mais favorável


No crepúsculo, sob a lua minguante (apaziguadora), um domingo ou
quinta-feira dentro dos sete primeiros meses do ano.

Elementos básicos
O pentáculo invertido, a vela mestra, uma pedra pequena de quartzo
ou de fluorita, um ramo de funcho seco e outro de manjerona, sete se-
mentes de limão, cinco avelãs com casca, incenso, porta-incenso, pano
de seda verde, um fósforo comprido.

Encantamento tradicional
Colocar a vela mestra no centro do pentáculo e o porta-incenso no
vértice que aponta para baixo. Colocar em seu interior o incenso e as
ervas secas. Estender o pano em frente, fora do pentáculo, e posicionar a
pedra no centro. Dispor de frente para ela as sete sementes de limão em
fileira, deixando certo espaço entre uma e outra. Nos espaços, colocar
as cinco avelãs. Com o fósforo, acender a vela mestra o e incenso. En-
quanto a vela queima e a fumaça aromática se eleva, colocaremos a mão
esquerda sobre a pedra e nos concentraremos profundamente no desejo
de afastar a própria cólera ou a de outra pessoa.
Uma vez consumido o incenso, esparramar as cinzas sobre a pedra,
envolver tudo com o pano e dar um nó, formando um saquinho que terá
efeitos talismânicos caso o levemos conosco e o deixemos próximo de nós
durante a noite. Para que atue sobre a outra pessoa, devemos escondê-lo
em algum lugar da casa dela, no local de trabalho ou onde habitualmente
permaneça por mais tempo.

RECUPERAÇÃO
Trata-se de um assunto amplo e bastante diverso, já que tanto pode
afetar um doente convalescente como quem está atrasado no trabalho
ou nos estudos, ou perdeu algum bem ou condição que o favorecia. O

124 O livro secreto da magia celta


importante neste caso é que se trate de recuperar algo que se possuía
honestamente, e não de obter um benefício novo e distinto. Se for esse o
propósito, o encantamento que impulsiona a magia celta pode resultar
em poderosa ajuda.

Momento mais favorável


A partir da meia-noite de uma quarta ou sexta-feira, com a lua em
quarto crescente. É preferível entre os meses de primavera e verão.

Elementos básicos
Pentáculo, vela mestra, duas velas azuis e duas amarelas, um objeto de
ferro, a varinha mágica, três folhas de cedro, cinco de louro, sete avelãs, um
punhado de cevada, um lenço de cor lilás e um defumador com incenso.

Encantamento tradicional
Colocar a vela mestra no vértice superior do pentáculo e as outras nos
quatro vértices restantes, alternando uma amarela e uma azul. Posicio-
nar no centro o objeto de ferro. Abrir na frente o lenço amarelo, de frente
para o pentáculo, e colocar sobre ele as folhas de cedro e louro, as avelãs
e a cevada. Acendemos o defumador com incenso e nos concentramos
enquanto o aroma se expande. Depois, seguramos a varinha e a susten-
tamos com a ponta tocando o objeto de ferro. Então recitamos:

Dai-me energia, tenacidade e esmero,


para recuperar o que quero.

Ao finalizar, seguramos o objeto de ferro e o colocamos sobre o lenço


junto com os outros elementos. Juntar as pontas do lenço e colocá-lo no
centro do pentáculo. Recitar a segunda parte do conjuro:

Pelos poderes que aqui estão reunidos,


voltarei a ter o que tinha perdido.

Tocar com a varinha mágica a vela mestra e em seguida o lenço fechado.


Depois fazer um passe mágico amplo sobre todo o altar pronunciando:

Assim seja e assim será!

Os encantamentos tradicionais da magia celta 125


SABEDORIA
Sem dúvida, essa é a qualidade mais difícil de alcançar e a mais de-
sejada pelos praticantes da magia e das ciências esotéricas. Os druidas
sabiam que não se obtém sabedoria de maneira milagrosa ou infusa; ela
tem de ser conquistada com tempo, experiência e meditação. Por isso,
não tinham um encantamento específico para alcançar tal virtude, em-
bora dedicassem uma semana do ano ao que chamavam de “o hexágono
da sabedoria”, que consistia em oficiar em dias sucessivos seis encanta-
mentos relacionados a ela.

Momento mais favorável


A primeira semana completa do outono ou a última do inverno, dis-
tribuindo os encantamentos da seguinte forma:
• Domingo: Entendimento
• Segunda: Adivinhação
• Terça: Discernimento
• Quarta: Criatividade
• Quinta: Intuição
• Sexta: Conhecimento
• O sábado deve ser dedicado à meditação sobre as qualidades citadas,
que podem nos ajudar a alcançar a sabedoria, procurando perceber
a interação e conjunção entre elas para formar o hexágono.

SAÚDE
Os druidas tratavam os males do corpo e do espírito com uma ampla
farmacopeia mágica, baseada nos poderes da natureza e na canalização das
vibrações astrais. Mas a preservação da saúde e a prevenção de sua dete-
rioração eram aspectos fundamentais da magia celta. Além da necessidade
prática de contar com braços fortes e corações resistentes em suas duras ta-
refas cotidianas, os celtas consideravam que um povo são agradava mais os
deuses e os motivava a lhes conceder dons maiores. Esse é um dos encanta-
mentos preventivos que empregavam com maior frequência e eficácia.

Momento mais favorável


Com a lua cheia ou em crescente avançado, no amanhecer de um sá-
bado ou quinta-feira. Convém repetir o encantamento ao início de cada
estação do ano.

126 O livro secreto da magia celta


Elementos básicos
Chama votiva, três velas de cor laranja, uma gema de azeviche ou de
quartzo, um dente de alho, uma cebola pequena, uma tigela de madeira,
um saquinho de tecido, uma pitada de noz-moscada em pó e as seguin-
tes ervas: sálvia, menta, poejo, valeriana e arruda.

Encantamento tradicional
Previamente, colocar algumas folhas de cada erva na tigela, misturá-las
um pouco e salpicar a noz-moscada. Em cima colocar a gema escolhida.
Posicionar ao fundo e no centro do altar a chama votiva. Na frente,
colocar as três velas laranja formando os vértices de um triângulo mágico.
Colocar dentro dele a tigela com os elementos restantes, deixando à mão a
cebola e o dente de alho. Acender as três velas, da direita para a esquerda, e
concentrar-se em suas luzes. Depois, pronunciar o seguinte conjuro:

Pela força mineral e pela virtude vegetal,


que a mãe Natureza me livre de todo o mal.

Segurar o alho com a mão direita e colocá-la sobre o ventre; segurar


a cebola coma mão esquerda e colocá-la sobre o abdôme. Permanecer
sentindo o fluir das vibrações e depois encerrar com o conjuro:

Assim seja e assim será!

Segurar a tigela, retirar a gema e colocar as ervas no saquinho de teci-


do. Depositá-lo no centro do triângulo mágico, junto à gema, ao alho e à
cebola. Retirar-se durante 66 minutos para deixar que troquem energias
e que se consolidem as vibrações positivas.
O saquinho de ervas é utilizado como amuleto. Pode ficar conosco ou
ser pendurado na cabeceira da cama.

SENSUALIDADE
Sensual é tudo o que se relaciona com os sentidos corporais, em par-
ticular com a manifestação e o desfrute dos prazeres que eles nos pro-
porcionam. A sensualidade é, portanto, a expressão e manifestação de
nosso ser físico, mas nem por isso está alheia a componentes mentais e
espirituais. Os celtas a consideravam um dom dos deuses que facilitava o

Os encantamentos tradicionais da magia celta 127


equilíbrio corpo-mente e outorgava à relação de um casal uma dimensão
mais transcendente. Com o mesmo sentido a tratou posteriormente a
magia Wicca, empregando encantamentos similares aos que druidas e
druidisas praticavam.

Momento mais favorável


Em uma noite de lua cheia, sexta ou domingo cuja data seja ou some
5 ou 7. Os meses mais efetivos são maio, julho e setembro.

Elementos básicos
Vela mestra, uma vela vermelha, uma laranja e outra amarela, um
objeto pessoal, uma folha de cartolina branca, uma caneta vermelha,
uma noz fechada, uma ostra, um ramo de flores de jasmim e algumas
folhas de menta.

Encantamento tradicional
Previamente, traçar um losango na cartolina com a caneta vermelha.
Colocá-lo sobre o altar, pôr no vértice superior a vela mestra, acendê-la e
retirar-se durante três minutos. Voltar ao santuário e colocar as outras três
velas: a vermelha no vértice da direita, a laranja no da esquerda e a amarela
no inferior, deixando à mão o objeto pessoal e as folhas de menta. Colocar
no centro a ostra, com a noz de um lado e os jasmins do outro. Acender as
três velas e concentrar-se nos objetivos do encantamento.
Depois, segurar o objeto pessoal na mão esquerda, fechar os olhos e
passá-lo um instante sobre os seguintes pontos: lábios, nariz, os dois olhos
e ambas as orelhas. Percorrer com ele a linha vertical do corpo, desde o pes-
coço até a virilha. Enquanto fazemos isso, visualizar que vamos transmi-
tindo as vibrações de nossos sentidos e de nosso ser. Em seguida, levantá-lo
acima da cabeça, olhar fixamente as velas e pronunciar o conjuro:

Deusa lunar, rainha do prazer


desperta em meu corpo afãs adormecidos
para expressar com todo o meu ser
a ânsia e o gozo de meus cinco sentidos.

Concentrar-se profundamente na invocação e depois formar um lei-


to de folhas de menta na ostra, colocando sobre ele o objeto pessoal.

128 O livro secreto da magia celta


Levantar totalmente os braços acima da cabeça, enlaçando as mãos, e
dar lentamente um giro completo com o corpo para receber as vibrações
emanadas do altar.
Dormir as cinco noites seguintes com o objeto pessoal debaixo do
travesseiro.

SERENIDADE
O que chamamos serenidade é, na realidade, uma combinação apro-
priada de diversas qualidades pessoais que vão configurando um estado
de ânimo e uma forma de ser que caracteriza as pessoas serenas. Entre
essas virtudes estão a harmonia interior e exterior, o discernimento, a
intuição ou a liberação de vibrações negativas. Essas características e ou-
tras que podem colaborar com essa admirável virtude já foram tratadas
neste capítulo e podem ser acompanhadas por um simples encantamen-
to que canalize os propósitos na conquista de maior serenidade.

Momento mais favorável


Uma hora depois do encantamento principal, ou dentro das 22 horas
seguintes.

Elementos básicos
Pentáculo, chama votiva, uma tigela com água da chuva, várias péta-
las de rosas brancas e cor-de-rosa.

Encantamento tradicional
Posicionamos a chama votiva no centro do pentáculo e nos concen-
tramos em sua luz. Após, colocar na frente a tigela de água e ir jogando
no interior as pétalas, enquanto pronunciamos o seguinte conjuro:

Grande Deusa, mãe da bondade,


dai-me equilíbrio e serenidade.

Colocar a mão esquerda sobre o coração e molhar os dedos indicador


e médio da mão direita na água da chuva. Ungir com a água a testa e
depois os lábios. Terminar com um exercício de respiração profunda,
relaxando para perceber as vibrações positivas.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 129


SORTE
Os celtas pensavam que a sorte era um prêmio adicional com o qual
os deuses premiavam seus esforços, e não um favor inesperado e não
merecido àqueles que não haviam feito nada para consegui-lo. O destino
não é cego, como às vezes se diz, e os golpes de sorte sempre caem em
terreno abonado. Por outro lado, devemos saber que não se trata de um
dom permanente e onipotente, mas sim da oportuna aparição de uma
virada favorável em determinado assunto, que se deve saber aproveitar
quando surge. Dentro desses limites, os druidas contavam com vários
encantamentos para convocar a boa sorte, como este que explicaremos
a seguir.

Momento mais favorável


Nas horas de sol de um domingo de primavera ou verão, com a lua
nova ou crescente.

Elementos básicos
Pentáculo, vela mestra, uma vela verde, uma gema de ágata ou tur-
quesa, uma correntinha ou colar de ouro, a varinha mágica e uma pitada
de pimenta-negra.

Encantamento tradicional
Colocar a vela mestra no vértice direito do pentáculo e a vela verde
no vértice esquerdo. Acendê-las e concentrar-se no assunto para o qual
pedimos sorte. Sustentar a gema escolhida entre os dedos de ambas as
mãos em atitude de oração. Oferecer a gema à vela mestra e em seguida
à vela verde, levando depois as mãos unidas à frente. Nessa posição, pro-
nunciar o conjuro:

Astro da luz,
deusa da lua,
dai-me neste transe
favor e fortuna
para encontrar a sorte
que seja oportuna.

130 O livro secreto da magia celta


Em seguida, depositar a gema entre ambas as velas e rodeá-la, em
forma de círculo, com a correntinha ou o colar de ouro. Com a varinha
mágica, tocar a vela mestra e depois a gema; em seguida, a vela verde e,
mais uma vez, a gema. Espalhar sobre ela um pouco de pimenta e pro-
nunciar a frase ritual:

Assim seja e assim será!

Manter conosco a correntinha e a gema como talismãs de boa sorte


no assunto que desejamos favorecer (primeiro encontro, provas, entre-
vista de emprego, negociação etc.).

VIAGENS
Esse último encantamento é o único que não se refere a um dom ou
qualidade, mas sim a uma atividade que vamos realizar em um momento
concreto. É provável que os druidas o tenham incluído entre os 33 assun-
tos mais importantes devido aos muitos riscos e vicissitudes que implicava
viajar naquela época, e que ainda podem se apresentar hoje em dia sob
outras formas. Mas os deslocamentos dos celtas sempre tinham uma fi-
nalidade (exploração, acordos, trocas etc.) cujo bom resultado era funda-
mental. Nesse sentido, a invocação mágica tinha dois propósitos: proteger
o viajante durante a travessia e favorecer o objetivo que o levava a viajar.

Momento mais favorável


Na véspera da viagem ou nos três dias anteriores, na primeira hora
da noite.

Elementos básicos
Chama votiva, três velas vermelhas, uma gema de água-marinha ou
topázio, uma peça de chumbo, a casca de uma laranja azeda cortada em
quatro pedaços, algumas folhas de cedro, uma pitada de noz-moscada.

Encantamento tradicional
Colocar a chama votiva acesa no centro do altar e, diante dela, as três
velas vermelhas em uma fileira horizontal. Nos espaços entre as velas, po-

Os encantamentos tradicionais da magia celta 131


sicionar a gema e a peça de chumbo. Acender as velas e concentrar-se na
visualização da viagem a ser feita, olhando fixamente as chamas. Depois,
pronunciar o conjuro:

Deusa da noite,
com teu grande poder,
protegei esta viagem
que vou empreender.

Com os pedaços da casca da laranja, marcar os quatro vértices de


um losango imaginário. Pôr em cada um três folhas de cedro e salpicar
com noz-moscada. Colocar a gema e o chumbo no centro do losango e
pronunciar a segunda parte do conjuro:

E também favorece seu bom resultado,


graças aos dons que me tendes outorgado.

Cruzar as mãos sobre o peito, abaixar a cabeça e, com os olhos fecha-


dos, tentar visualizar a viagem de forma agradável e sua afortunada con-
clusão. Sentir que as vibrações protetoras do altar se canalizam até nós.
Durante a viagem e a estadia no ponto de destino, levar consigo a
gema ou a peça de chumbo; se possível, ambas.

Pequenas variações
O êxito dos encantamentos básicos tradicionais depende mais da
própria concentração e confiança do executante do que do detalhe dos
elementos que são sugeridos para cada um. Não devemos deixar de ofi-
ciar um encantamento porque não temos, por exemplo, um topázio.
Basta recorrer à lista de poderes do Capítulo 5 e buscar outra gema com
qualidades semelhantes. O mesmo se dá em relação às cores das velas, os
metais, as ervas e outros componentes. Aqueles que devem ser respeita-
dos sempre são os elementos principais, como a vela mestra, a chama vo-
tiva, o pentáculo e outras figuras mágicas (triângulo, pentágono, círculo
etc.), o número de unidades, quando indicado, e a ordem dos passos do
encantamento.
Quanto aos conjuros, recitá-los de memória talvez proporcione maior
concentração, mas eles podem ser anotados em um papel, que usaremos
como ajuda sem que isso afete o processo nem o resultado do encanta-

132 O livro secreto da magia celta


mento. Também se permite alterá-los ligeiramente segundo o propósito
a ser alcançado. Por exemplo, deixá-los em terceira pessoa se dedicamos
o encantamento a alguém que queremos ajudar, ou colocá-los no plural
se os beneficiários forem mais de um.
Mas não se esqueça: a concentração profunda e a absoluta fé nos po-
deres da magia celta serão a melhor base para a prática dos encantamen-
tos dos druidas.

Os encantamentos tradicionais da magia celta 133


7

A oficina da bruxa moderna

D ruidas e druidisas costumavam fabricar seus próprios ins-


trumentos mágicos e os objetos rituais que utilizavam nos
encantamentos ou como canalizadores das energias astrais. Não
o faziam somente por hobby artesanal, mas sim porque, dessa for-
ma, cada elemento do altar e do santuário ficava com suas vibra-
ções, atuando até certo ponto como uma prolongação de seu ser.
Através da magia Wicca, várias bruxas modernas respeitam e prati-
cam esse costume ancestral, seja fabricando velas, confeccionando túni-
cas rituais ou enfeitando lindos pentáculos com figuras alegóricas.
Neste capítulo explicaremos diferentes procedimentos para a elabo-
ração artesanal de diversos componentes da magia druida. Não é, de
maneira alguma, imprescindível que o leitor se dedique a confeccionar
todos eles, mas, se decidir fazer pelo menos alguns, as sessões de magia
terão um toque pessoal que ajudará a alcançar seus objetivos.

Pentáculo
Em uma cartolina ou papel resistente de 50 centímetros de largura,
desenhar com compasso um círculo de 20 centímetros de raio. Depois,
traçar com lápis o diâmetro vertical (que terá 40 centímetros) e duas
linhas horizontais aos 15 e 35 centímetros desde a extremidade superior,
dividindo o círculo em três partes desiguais (de 15, 20 e 5 centímetros de
altura). Com esse esquema básico, podemos desenhar a estrela de cin-
co pontas da seguinte forma: traçar uma linha da extremidade superior
do diâmetro até a extremidade esquerda da linha horizontal inferior;
dali, outra linha até a extremidade direita da linha superior; avançar
essa mesma linha até a extremidade esquerda e, a partir daí, descer até
a extremidade direita da linha inferior. Por fim, subir desse ponto até a
extremidade superior do diâmetro e apagar a linha horizontal inferior
traçada a lápis. Assim estará concluído o esquema da estrela pentacular
inserida em um círculo.
É comum enfeitar esse desenho básico com diversas figuras alegóricas,
que podem ser etiquetas de símbolos mágicos, palavras rituais ou dese-
nhos copiados ou inventados, segundo a habilidade artística do executan-
te. Tanto para as figuras quanto para o esquema básico podem-se utilizar
tinta ou marca-texto preto e de cores básicas: vermelho, azul e amarelo.
O pentáculo é um instrumento muito utilizado em diversos encan-
tamentos e em distintas posições. Por essa razão, uma vez concluído o
desenho, convém colocá-lo sobre um papelão duro ou uma placa de ma-
deira leve e inclusive emoldurá-lo para não deteriorar as bordas.

Vela mestra
Conseguir um pedaço de cera do tamanho apropriado e cortá-lo em
pequenos pedaços. Colocar os pedaços em um recipiente e aquecê-los em

136 O livro secreto da magia celta


banho-maria com fogo baixo para derreter a cera. Retirar e deixar esfriar
um pouco até que na superfície se forme uma fina película. Rasgá-la e
deixar a cera em um recipiente cilíndrico de papelão flexível. Previamente,
colocaremos no interior um cordão com um pequeno peso na extremida-
de para que a cera não se espalhe ao cair e sustentado na parte superior do
recipiente por um clipe ou um grampo de roupa. Quando a cera já estiver
fria e bem solidificada, cortar e retirar o papelão, eliminando as aparas de
ambas as extremidades da vela e cortando a ponta do pavio.
Pelo mesmo procedimento podem-se fabricar outras velas de dife-
rentes tipos, formas e tamanhos para utilizar nos feitiços. Também é
possível adquirir ceras coloridas ou, com um pouco de habilidade, você
mesmo pode tingi-la quando estiver em estado líquido. Se utilizar um
recipiente de cozinha para derreter a cera, reservá-lo apenas para esse
fim, visto que a cera pode desprender partículas nocivas para a saúde.

Chama votiva
Escolher um recipiente de madeira de tamanho regular (8 a 12 centí-
metros de largura por 6 a 10 centímetros de altura), com a boca redonda,
quadrada ou triangular. Apoiar sobre a boca do recipiente um fio rígido
ou pedaço de madeira, unindo a ele uma extremidade do cordão, que
será utilizado como pavio. Fixar a outra extremidade no fundo do reci-
piente com um peso ou uma fita adesiva, de forma que o cordão fique na
posição vertical e centralizado.
À parte, processar um pedaço de cera da forma indicada para a vela
mestra, mas deixando que a cera líquida resfrie dentro do recipiente esco-
lhido. A superfície deve deixar um espaço de aproximadamente 1 centí-
metro para evitar o transbordamento da cera ao ser aquecida pela chama.
Esse tipo de chama é mais duradouro do que as velas verticais lisas,
porque boa parte da cera derretida, ao se aquecer, volta a se solidificar
quando esfria. É importante manter limpa a superfície e o pavio, cuidan-
do para que ele seja suficientemente longo e não esteja muito queimado.
A parte exterior do recipiente pode ser enfeitada com símbolos mágicos,
que alguns bruxos e bruxas gravam com um instrumento adequado.

Varinha mágica
Os druidas utilizavam galhos de carvalho, cedro ou azinheira para
os toques e passes que guiavam a troca de energia durante os feitiços. Na

A oficina da bruxa moderna 137


atualidade, são utilizadas também varas de metal, mas particularmente
continuamos aconselhando as tradicionais varas de madeira.
Sempre é melhor não recorrer a varas de carpintaria e sim utilizar um
galho natural de uma árvore nobre. Conseguir um galho reto e flexível,
de aproximadamente 40 centímetros de comprimento, e convertê-lo em
folhas e ramificações menores. Depois, remover a casca com uma lima
ou lixa, mas sem retirar o contorno original do galho. Na extremidade
mais fina, fixaremos uma ponta de pedra ou metal, de acordo com nossa
preferência (também podem ser feitas pontas intercambiáveis segundo o
feitiço, ou dispor de várias varas com diferentes espessuras). Para fixar
a ponta, o melhor é dispor de uma pedra ou peça de metal afiada em
um dos lados e fixá-la na ponta da varinha. Em seguida, reforçá-la com
algumas voltas de cordão fino e resistente ou de fio de cobre.

Varinha de madeira Varinha de metal

Figura 7.1: Varinha mágica.

Na extremidade mais grossa, que servirá de sustentação, confeccio-


na-se uma empunhadura enrolando uma fita de couro ou de tecido e
prendendo-a com cola ou com um pedaço de tecido. A varinha pode
ser adornada com inscrições, laços de cores favoráveis, contas, penas de
aves etc.
Convém guardar as varinhas mágicas em um estojo ou caixa com
uma tampa que feche bem, já que a umidade do ambiente e outros fato-
res externos podem afetar a madeira. Alguns magos e bruxas as prote-
gem com uma espécie de bainha de couro, mas esse sistema só é acon-
selhável quando a vara não leva adornos nem pingentes que possam ser
danificados.

138 O livro secreto da magia celta


Túnica talar
A cor tradicional da túnica druida é o branco, ainda que possa haver
alternativas em tons muito claros, como marfim, azul-celeste, rosa-pálido,
lilás ou verde-água, para utilizar em determinados encantamentos. É pos-
sível que muitas leitoras tenham conhecimentos e habilidades de costura
para confeccionar facilmente uma túnica, mas, para as que não possuem
essa habilidade, descrevemos a seguir uma forma simples de fazê-la.
Escolhe-se uma peça de tecido de algodão, linho, seda ou outra fi-
bra natural, de tamanho suficiente para o propósito que queremos. Para
comprovar se realmente é suficiente, dobra-se a peça em duas partes no
sentido vertical e coloca-se contra o corpo, mantendo as extremidades
da dobra à altura dos ombros. Deve ser ampla, ocupando até três quartos
de largura de uma ponta a outra do braço, e o comprimento deve chegar
quase aos tornozelos. Coloca-se então o tecido dobrado sobre uma mesa
grande ou diretamente no chão e mede-se o centro da dobra. Ao redor,
marca-se com giz um círculo de tamanho suficiente para passar a cabeça
com conforto, mais amplo na frente do que atrás. Depois, corta-se o
tecido, confeccionando assim a futura gola. Traçam-se as mangas, que
devem ser bem amplas e um pouco mais largas nas extremidades, e a
partir de cada axila marcam-se as bordas laterais do caimento da túnica,
que também deve ser ampla e com uma ligeira forma de sino (os cortes
devem ser feitos sempre com uma folga de 3 centímetros fora da marca,
para alinhavá-los com comodidade).

Figura 7.2: Túnica.

A oficina da bruxa moderna 139


Retiram-se os retalhos que sobraram, vira-se para baixo o corte da
túnica e pregam-se e alinhavam-se todas as bordas formando bainhas,
incluindo a abertura inferior e o perímetro do pescoço (nesse ponto
convém provar a túnica alinhavada, para garantir que cai bem e permite
que andemos e nos movimentemos com comodidade). Depois voltamos
às bainhas, seja na máquina de costura ou à mão, usando um fio resis-
tente com pontos curtos e fechados. Prender bem os nós, cortar as bor-
das e passar com o ferro antes de usar a roupa. É comum enfeitar a gola,
as mangas e a bainha com fitas de adorno, desenhos que nos pareçam
apropriados à função mágica. Teremos assim nossa túnica pronta para
realizar os encantamentos.
Confeccionar a túnica talar com as próprias mãos faz com que as fi-
bras se encham com nossas vibrações elementares, que entrarão em con-
tato com outras energias no processo de cada feitiço. Isso não acontece se
dermos a roupa a um familiar ou a outra pessoa mais hábil, porque então
serão as vibrações delas que impregnarão o tecido.
Se não quisermos ou não pudermos fazê-la, é preferível comprar a
túnica em uma loja especializada, pois sempre estará mais neutra para
receber nossas vibrações. Pela mesma razão, a roupa deve ser lavada com
água da chuva e sabão de óleos vegetais.

Esteira do altar
A maioria dos praticantes da magia Wicca dispõe de uma esteira colo-
cada diante do altar para utilizá-la nos vários feitiços que devem ser realiza-
dos quando o indivíduo encontra-se sentado, ajoelhado ou deitado no chão.
A esteira vai adquirindo uma integração com o ser astral do executante e,
como com outros elementos já tratados aqui, essa consubstanciação se enri-
quece se tiver sido fabricada por nós.
A forma mais simples de confeccioná-la é utilizando fitas de tecido ou
fios de lã grossa, que trabalharemos sobre um tecido quadrangular de juta
ou de cânhamo de uns 30 a 90 centímetros, colocada sobre a mesa. Uma
vez escolhidas as fitas que vamos usar, devemos colocar um terço em filei-
ras paralelas e verticais. O terço restante é colocado em posição horizontal
e vamos entrelaçando com as fitas verticais, passando uma vez por cima
e outra por baixo. Depois os fixaremos ao tecido-base com nós sobre as
partes invisíveis do entrelaçado. Finalmente, cobrimos todo o perímetro
costurando uma base de tecido resistente, que servirá tanto para fixar as
extremidades das fitas ou fios quanto para evitar que a esteira desfie.

140 O livro secreto da magia celta


Quem tiver habilidade artesanal poderá melhorar essa confecção sim-
ples com outras técnicas mais elaboradas, estando sempre ciente de duas
condições: que sejam usadas fibras ou fios naturais e que a superfície da
esteira não apresente nós que interfiram na canalização das energias. O
material pode ser branco, de uma só cor ou uma combinação delas, den-
tro do que cada um considera boas ondas cromáticas.

Guirlandas e coroas de ervas ou flores


Um dos adornos favoritos dos homens e mulheres celtas eram as guir-
landas que elaboravam entrelaçando ervas e flores silvestres, ou também
fitas e cordões nos quais inseriam ervas, frutos, penas de aves e outros
ornamentos. Druidas e druidisas também costumavam utilizar essas
coroas naturais escolhendo componentes cujas vibrações os ajudavam a
alcançar a finalidade dos encantamentos.
O trançado básico de fibras vegetais ou fitas de tecido ou couro, muito
utilizado em numerosas culturas, é o de três tiras que vão se entrelaçan-
do. Enlaçam-se juntas em uma extremidade, que está pendurada em um
suporte (prego, alça etc.), e se sustenta a outra ponta com a mão esquerda.
Com a mão direita vão se cruzando as tiras, de maneira que a tira que esti-
ver embaixo sempre cruze no sentido contrário à que está por cima.
As coroas e guirlandas de galhos finos ou caules vegetais, como os ramos
da videira, não aceitam técnicas rígidas para dar-lhes uma forma circular
que seja sustentável. O melhor é submergi-las previamente em água para
dar-lhes maior flexibilidade e evitar que se quebrem. Depois, curvá-las e
entrelaçá-las buscando sua tendência natural e afixá-las aproveitando as for-
quilhas e os nós existentes. Se não estiverem muito firmes ou se deforma-
rem, ajustá-las com um cordão ou uma fibra vegetal resistente.
O uso e ocasião dessas coroas energéticas são opcionais, já que nenhum
feitiço as considera obrigatórias. É o próprio executante quem deve decidir
em que caso levá-las e com quais elementos prefere confeccioná-las. Tal
decisão é, de certo modo, pessoal e intuitiva; refina-se e se consolida com
a experiência e a prática na execução de diferentes feitiços.

Saquinhos talismânicos
Boa parte dos feitiços resgatados da magia celta consiste na elabora-
ção e consagração de talismãs ou amuletos, que se levam em saquinhos
de tecido ou de couro. Assim como ocorre com outros instrumentos

A oficina da bruxa moderna 141


energéticos, é aconselhável a confecção própria, que personaliza suas
vibrações e as harmoniza com as do ser astral. Nesse caso, o trabalho
é muito fácil e existem vários modelos para diferentes usos. O procedi-
mento é explicado a seguir.
Sobrepor dois retângulos do material escolhido, do tamanho que
desejamos dar ao saquinho, e unir ambos, costurando toda a borda e
deixando cerca de 2 ou 3 centímetros abertos na parte superior. Dobrar
essa parte sobre si mesma e costurar a borda externa ao corpo da peça,
de forma que fique uma prega em volta de toda a abertura da boca. Pas-
sar por essa prega um cordão que nos permita fechá-lo com um laço ou
voltar a abri-lo.
A princípio, é preferível utilizar um material de cor lisa, evitando os
estampados ou bordados sobre a fibra natural. Caso se trate de couro,
deve ser muito fino e flexível para cumprir a função sem dificuldade. Os
saquinhos de tecido podem ser utilizados novamente para outros amu-
letos, desde que sejam lavados previamente com água da chuva e sabão
vegetal. É preferível usar os de couro para talismãs de longa duração, e
não reutilizá-los se apresentarem manchas ou rasgos.

Figura 7.3: Elaboração do saquinho.

Boneco de pano
O uso de bonecos nos feitiços ganhou má fama devido à magia negra,
que os utilizava para alfinetá-los, destruí-los ou queimá-los, ou com fins
maléficos. A magia Wicca os emprega em poucas ocasiões, em especial des-
de que a tradição druidisa o consagre, e sempre com bons propósitos. As-
sim é o caso do feitiço de Liberação, explicado no capítulo anterior, ou de
outros que possamos aprender ou criar na prática como magos ou bruxas.
Para confeccionar um boneco, devemos dispor de um retalho de te-
cido de cor cru ou outra muito clara, resistente, embora flexível. É reco-
mendado que seja proveniente de uma roupa pessoal em desuso, para

142 O livro secreto da magia celta


facilitar a absorção das nossas vibrações. Cortar dois retângulos iguais,
um pouco maiores que o tamanho que queremos dar ao boneco, e sobre-
pô-los sobre uma mesa. Desenhar ou traçar uma figura humana simples,
com a cabeça bem grande, o pescoço largo e os braços abertos. Recor-
tar o perímetro dessa figura, depois cortar os dois pedaços de tecido e
costurar todas as bordas, assim como indicado para o saco talismânico,
deixando abertos apenas o pescoço e a cabeça.

Figura 7.4: Boneco de pano.

TRUQUE DAS LUVAS DE EMERGÊNCIA


Se em determinado momento necessitarmos fazer um feiti-
ço com um boneco ou um saco talismânico e não tivermos
esses elementos à mão nem tempo para confeccioná-los ou
consegui-los, um par de luvas velhas pode nos livrar do apu-
ro. As mais apropriadas são as luvas de lã ou de tecido, que
podem ser manipuladas com mais facilidade do que as de
couro. Se o que necessitarmos com urgência for um saco,
basta fazer alguns buracos na borda superior da luva e passar
por eles o cordão que permite fechá-lo. Se tivermos tempo,
também podemos cortar os dedos e costurar as aberturas
resultantes, para assemelhar-se à forma tradicional do uten-
sílio. Caso se trate de um boneco, pinta-se um rosto com

A oficina da bruxa moderna 143


cabelo simples na ponta do dedo central da luva e se mantêm
para baixo com clipes ou alfinetes o polegar e o mindinho,
para simular as pernas. Em seguida, ele é preenchido com
um pouco de material natural que tivermos à mão.

Figura 7.5: Luva.

Costurar a parte superior que havia ficado aberta. Em seguida, fazer


uma abertura na parte de trás, suficiente para enchê-la com o material
escolhido. Assegurar-se primeiro de ter enchido bem as pernas, depois a
cabeça e os braços, e finalmente o tronco, antes de costurar a abertura.
Pintar os olhos, nariz e boca com características esquemáticas e colar ou
costurar o cabelo (que, aliás, esconde as costuras externas do pescoço e
da cabeça). Se quisermos, podemos também marcar o coração, o plexo
solar ou o umbigo.
Para o preenchimento do boneco devem-se utilizar materiais natu-
rais com propriedades energéticas, como ervas secas, grãos de cereal,
serragem de madeiras nobres do bosque, ou uma combinação desses ele-
mentos. O mais apropriado para o cabelo são fios de lã, pedaços finos de
madeira ou tiras de panos naturais, costurando-as ou fixando-as com
cola, se necessário. O boneco deve ser mantido limpo e manipulado com
delicadeza. Pode-se guardá-lo em um estojo ou caixa bem fechada. Con-
vém perfumá-lo com uma essência de aromas de frutas ou flores.

Adornos condutores
Se o santuário estiver arrumado de modo mais ou menos permanen-
te, convém adorná-lo com elementos que ajudem a captar e conduzir as

144 O livro secreto da magia celta


vibrações e que possam ser retirados e colocados de volta, se necessário.
Entre esses elementos, que podemos confeccionar com facilidade, en-
contram-se os seguintes.

Pêndulo de folhas Pêndulo de cabeças


de louro de alho

Figura 7.6: Pêndulos.

Pêndulos protetores
Trata-se de punhados de ervas ou outros produtos naturais que se
penduram sobre o altar ou em seu perímetro para proteger e consagrar
o ambiente do santuário. Como primeiro passo é necessário fixar um
ponto de apoio no teto ou na parede para pendurar o cordão que servirá
de sustentação ao pêndulo. As ervas ou flores secas são anexadas à base
e se prendem na cabeça do pêndulo; caso se trate de cebolas, cabeças de
alho ou outros elementos semelhantes, convém perfurá-los para passar
a extremidade livre da cabeça e amarrá-la com um laço que possa ser
desatado, se necessário.

Grinaldas e fitas
Costumam servir para alegrar o santuário em consonância com a
magia luminosa e, assim, criar um ambiente favorável à troca de ener-
gias. A partir de um cordão que serve de guia, podem-se passar por ele
contas, aros ou miçangas feitas de materiais e cores preferidos, ou se in-
serir flores, ervas, pequenos frutos, folhas, cristais e outros objetos que
consideramos terem dons especiais.

A oficina da bruxa moderna 145


As fitas costumam ser penduradas em espelhos ou imagens mágicas,
ou nas bordas do altar, enquanto as grinaldas são colocadas no alto, sus-
tentadas, por exemplo, nos cantos dos quadros ou em outras saliências
das paredes ou do teto.

Bolas aromáticas
Costumam ser utilizadas em feitiços de conteúdo espiritual ou ro-
mântico, para criar um ambiente perfumado que oriente as ondas astrais
mais sensíveis. Como base, pode-se utilizar uma laranja, ou uma toranja
ou limão grande, que espalharão seu aroma cítrico. Com um furador de
madeira fazem-se alguns buracos na superfície, que podem formar um
desenho ou sinal mágico. Preencher os buracos com substâncias perfur-
madas como cravo, flores ou pétalas de jasmim, folhas de manjericão,
bolas aromáticas, grãos de pimenta etc., e colocar a fruta escolhida sobre
um prato em um canto do altar.
Também podem ser duas ou três frutas utilizadas como bolas, que nes-
se caso se distribuirão nas bordas do altar. Outra opção é pendurar a fruta
como pêndulo, e para isso passaremos em volta dela uma fita bastante lar-
ga e resistente, que anexaremos a uma guia fixada no teto ou a uma altura
adequada (lâmpada suspensa, passador de cortina, prateleira etc.).

Figura 7.7: Bola aromática.

146 O livro secreto da magia celta


8

Iniciação à feitiçaria celta

O s jovens celtas que desejavam se dedicar à magia e ao culto


precisavam cumprir uma série de rituais e atos místicos di-
rigidos por uma druidisa ou um druida mais velho. Hoje já não
existe essa ordem sacerdotal druida, mas os mestres da magia
Wicca adaptaram as antigas cerimônias de iniciação a uma série
de passos que você verá a seguir.
A primeira condição para se iniciar na magia luminosa dos celtas é
uma fé sincera em seus valores e poderes mágicos. O segundo pré-requisi-
to é o conhecimento e a aceitação das noções básicas do culto e da prática
da feitiçaria celta, que vêm sendo apresentados ao longo deste livro.
Se você sente que cumpre essas exigências e deseja se iniciar como
maga ou mago, deve seguir detalhadamente os três primeiros grandes
passos místicos.

Primeiro passo místico:


O ofertório aos poderes astrais
Os infinitos astros que povoam o universo são instrumentos da Di-
vindade criadora e regente de tudo o que existe. A luz que emitem ou
refletem representa o poder essencial da magia luminosa, aliado a outras
ondas e vibrações invisíveis. Mas no cosmo existem também astros es-
curos, que emitem energias nocivas e negativas. Um bom feiticeiro tem
de saber receber o melhor das forças positivas do universo e neutralizar
as vibrações prejudiciais para os objetivos dos feitiços.
Por essa razão, o primeiro contato com o mundo esotérico será o
oferecimento de si mesmo e de todos os seus esforços e capacidades, o
que lhe permitirá absorver sempre as melhores energias favoráveis e be-
néficas contando com a proteção astral.
Consequentemente, deverá ser escolhido um momento propício, que
pode ser uma noite de lua cheia, um solstício ou equinócio, ou também
o dia do aniversário ou outro dia que pertença ao signo protetor do zo-
díaco celta. Qualquer que seja a data escolhida, é importante realizar o
ritual depois do entardecer e antes da meia-noite.

Preparação do santuário
No centro do altar colocaremos uma vela branca nova, de 2 centí-
metros de largura e 20 centímetros de altura (esta será a vela mestra dos
atos de magia). Diante da vela colocaremos um queimador de essências
ou aromatizador com incenso. À esquerda, um galhinho de carvalho ou
azinheira e, sobre este, uma pedra natural pequena para significar nossa
veneração à natureza. À direita, um cálice de metal com água (melhor se
for da chuva) e uma tigela de madeira com um pouco de sal, que repre-
sentam a essência da vida sobre a terra.

148 O livro secreto da magia celta


O círculo mágico
No chão, diante do altar, faremos um círculo, alternando no traçado
areia, flores brancas (jasmins, por exemplo, ou outras flores silvestres),
seixos de pedra e sementes de trigo ou outro cereal. Esses elementos repre-
sentam os dons da natureza e cada um deve estar presente, ainda que seja
em pequena quantidade; podemos arrumá-los alternando uns com outros
para potencializar as vibrações. É importante que o círculo mágico seja
amplo o bastante para que se possa realizar todo o ritual dentro dele.

Execução do ritual
Uma vez dispostos todos os elementos como indicado, concentrare-
mo-nos na margem do santuário e depois nos posicionaremos dentro
do círculo mágico com os pés descalços. Depois disso, realizaremos a
invocação em duas fases.

Primeira fase
Deveremos atender aos seguintes passos:

1. Acenderemos a vela mestra com um fósforo e depois o queimador


de incenso.

2. Pegaremos a tigela de sal com a mão esquerda e nos concentrare-


mos no poder do universo olhando a chama da vela.

3. Quando conseguirmos nos concentrar profundamente, recitare-


mos o seguinte conjuro:

Força do universo, energia astral,


ofereço-me a vós com todo o meu ser.
Quero fazer parte de vosso poder
para fazer o bem, mas nunca o mal.

4. Ao terminar, pegaremos uma pitada de sal com a mão direita e a


lançaremos por cima do ombro esquerdo.

5. Giraremos o corpo olhando à direita do altar. Pegaremos a pitada de sal


com a outra mão, jogando-a sobre o ombro direito após recitar o conjuro.

Iniciação à feitiçaria celta 149


6. Daremos as costas ao altar e repetiremos o conjuro, voltando a
trocar o sal de mão, jogando-o sobre o ombro esquerdo.

7. Giraremos outra vez para olhar à esquerda do altar e repetiremos o


passo 5. Depois, voltaremos a girar para ficar de frente para o altar.

Segunda fase
Deveremos atender aos seguintes passos:

1. Deixaremos a tigela sobre o altar e seguraremos com ambas as


mãos o cálice com água.

Altar

Figura 8.1: Giros do feitiço.

2. Fecharemos os olhos, inspiraremos profundamente e elevaremos o


cálice com ambos os braços, esticando-os para cima e para frente.

3. Abriremos os olhos, fixaremos o olhar no cálice e nos concentrare-


mos profundamente no ofertório, repetindo em voz baixa o conjuro.

4. Abaixaremos o cálice e o seguraremos com a mão direita. Molha-


remos as pontas dos dedos indicador e médio da mão esquerda e ungire-
mos a testa pensando no poder germinador da terra.

150 O livro secreto da magia celta


5. Ungiremos o nariz, pensando no calor vivificante do fogo.

6. Ungiremos os lábios, pensando na força purificadora da água.

passo 4
passo 5
passo 6
passo 7

Figura 8.2: Pontos de unção.

7. Ungiremos o queixo, pensando na energia do ar.

8. Colocaremos o cálice em seu lugar, apagaremos a vela e permane-


ceremos um momento dentro do círculo relaxando a mente e o corpo.

Segundo passo místico:


A invocação à Grande Deusa
Toda a magia e liturgia celtas giravam em torno da onipotente figura
da Grande Deusa, mãe de bruxas e bruxos. O segundo ato de iniciação é
uma solene invocação à sua benevolência e seus poderes, para entrar no
mundo esotérico sob sua condução e proteção.
Entre o ofertório astral e a invocação à Grande Deusa deve-se dei-
xar passar 7 ou 13 dias, durante os quais as vibrações do universo nos
iluminarão para nos apresentarmos diante dela. Se na sexta noite desde
o ofertório já tivermos absorvido essas energias, notaremos uma troca
sutil entre a mente e o corpo, que em cada pessoa pode se manifestar de
diferentes formas. Só você poderá saber se já aconteceu.

Iniciação à feitiçaria celta 151


Se não estivermos seguros, é melhor esperar até o 12º dia, quando se-
guramente teremos canalizado as vibrações astrais. Em qualquer um dos
casos, devemos nos predispor a realizar a invocação na noite seguinte.

Preparação do santuário
Na véspera devemos começar a preparar as energias astrais que rece-
bemos, de forma que nos ajudem a invocar a Grande Deusa. Para isso, é
preciso fazer algumas pausas durante o dia que nos permitam meditar
sobre o encontro místico que vamos vivenciar e as virtudes luminosas da
Grande Deusa. A meditação concentrada, o relaxamento e a respiração
profunda nos ajudarão a visualizá-la e a nos comprometermos com ela.
Também é conveniente copiar à mão os textos que vamos pronunciar
durante o ritual, imbuindo-nos de seu sentido (durante a execução po-
deremos dizê-los de memória ou ler o que estiver escrito).
No dia seguinte (7º ou 13º desde o ofertório) evitaremos qualquer
tipo de discussão ou tensão nervosa, bem como ingestão de álcool ou
consumo de cigarro, a fim de limpar o corpo e a mente, dedicando-o à
meditação e ao repouso. Tomaremos um leve café da manhã com chá
e torradas ou bolachas integrais e, ao meio-dia, devemos ingerir uma
leve refeição ritual que inclui nozes, passas, pão integral, azeite de oliva,
queijo de cabra, mel e maçãs ou uvas frescas. A partir de então, e até o
momento da invocação, só poderemos beber água.

Disposição do santuário
Como vimos antes, o símbolo esotérico da Grande Deusa é o pen-
táculo, que simboliza a própria Divindade acompanhada pelos quatro
elementos da natureza. Portanto, é imprescindível que tenhamos um
pentáculo, ou que o desenhemos na cor vermelha ou preta sobre uma
cartolina ou papelão de cor branca (o tamanho mínimo para proceder a
um ofício com comodidade é de aproximadamente 40 centímetros para
o diâmetro do círculo externo).
Colocaremos o pentáculo na mesa do altar, sobre o manto que a cobre, e,
ao redor dele, a pedra natural, o galho de carvalho ou azinheira e os outros
elementos permanentes que escolhemos para o santuário. Em seguida, posi-
cionaremos o candelabro com a chama votiva no centro do pentágono inte-
rior e cinco velas vermelhas menores em cada um dos vértices da estrela.
Fecharemos os olhos e permaneceremos um minuto concentrados
em limpar a mente e serenar o espírito.

152 O livro secreto da magia celta


A execução do ritual
Com um palito de fósforo acendemos a chama votiva. Em seguida,
colocamos diante dela as duas mãos juntas, com as palmas para baixo
e os dedos estendidos e juntos, de forma que ambos os polegares se to-
quem. Abaixamos um pouco a cabeça a fim de contemplar fixamente a
chama entre ambos os punhos.

Figura 8.3: Posição das mãos.

Nessa posição, inspiraremos profundamente e, sem deixar de nos


concentrar na chama, pronunciaremos a seguinte invocação:

Oh, Deusa que rege a terra e a celeste estância,


minha humilde pessoa invoca vosso amor
para que protejais sempre minha vigilância
e me deis vossos dons para ser melhor.

Uma vez pronunciada a invocação, deixamos as mãos caírem lenta-


mente ao longo do corpo. Relaxamos durante um momento e prossegui-
mos o ritual com os seguintes passos:

1. Acenderemos a vela da extremidade direita do pentáculo e pensare-


mos ou murmuraremos em voz baixa, com a mais profunda convicção:

Quero ser como o sol da manhã,


que dá luz e calor.

2. Acenderemos a vela oposta na extremidade esquerda e pensare-


mos ou murmuraremos:

Iniciação à feitiçaria celta 153


Quero ser como o sol da tarde,
que nos dá maturidade e temperança.

3. Acenderemos a vela contígua, abaixo e à esquerda, e pensaremos


ou murmuraremos:

Quero ser como a lua nova,


que nos dá renovação e ilusão.

4. Acenderemos a vela seguinte, abaixo e à direita, e pensaremos ou


murmuraremos:

Quero ser como a lua cheia,


que nos dá a magia da sabedoria.

5. Finalmente, acenderemos a vela do vértice superior do pentáculo e


pensaremos ou murmuraremos:

Peço-vos estes dons astrais com o coração


para usá-los em vosso nome e com vossa proteção.

Figura 8.4: Ordem de acendimento das velas.

Terceiro passo místico: A promessa


A invocação é concluída com a promessa que o executante faz à Gran-
de Deusa sobre o uso dos dons mágicos e esotéricos que lhe rogou. O
ritual é como descrito a seguir.

154 O livro secreto da magia celta


Deixando acesas todas as velas, ajoelhar-se diante do altar com as
pernas juntas, de forma que as nádegas se apoiem nos calcanhares. Com
o tronco erguido, estender os braços para os lados com as palmas para
cima, levantar a cabeça e pronunciar o seguinte juramento:

Mãe da terra e rainha da celeste estância,


diante do sagrado círculo de fogo,
juro servir-te com lealdade e vigilância
se me derdes os dons que vos rogo.
E, se eu não cumprir este juramento,
podeis afundar-me no tormento.

Figura 8.5: Primeira posição da promessa.

Estender os braços para frente e baixar lentamente o tronco e a cabe-


ça até tocar o chão com a testa. Neste momento, concentrar-se no pedido
e na promessa, relaxando o corpo e abrindo o espírito para receber os
dons da Grande Deusa.

Figura 8.6: Segunda posição da promessa.

Iniciação à feitiçaria celta 155


9

Epílogo

N este livro tentei resumir e explicar algumas das tradições


mais relevantes da magia celta, os mistérios envoltos nos
mestres druidas e na saga artúrica do mago Merlim, assim como
os poderes dos elementos naturais e os feitiços essenciais nos quais
apoiavam sua arte da feitiçaria.
Acredito ter proporcionado ao leitor atento alguns conhecimentos
básicos que lhe permitirão, se assim o desejar, seguir aprofundando-se
na ampla e profunda sabedoria druida, bem como iniciar-se na fasci-
nante e maravilhosa prática esotérica recuperada pela magia Wicca, tal
como a executam as bruxas modernas com a magia luminosa.
Utilizei diversas fontes de textos e documentos secretos, e, sobretudo,
os ensinamentos que me transmitiram magos mais experientes e bruxas
mestras, tanto de maneira pessoal como espiritual. Como qualquer es-
forço de entender e divulgar mistérios ocultistas e tradições ancestrais,
este livro não deixa de ser uma versão pessoal de uma ciência e uma
filosofia suscetíveis a outras interpretações, coincidentes ou divergentes.
Por sorte, quem estuda a magia celta respeita o material transcendente
que a compõe e não costuma polemizar a contribuição que cada um, ou
todos como um conjunto, faz para resgatar e desentranhar seus valiosos
segredos.
Não posso encerrar estas páginas sem ressaltar uma vez mais a in-
tensa comunhão dos druidas com a mãe natureza e os astros regentes,
que expressa a veneração por um poder superior e intangível, vinculado
à criação do universo, à harmonia cósmica e ao milagre da vida. Nesse
sentido, ainda que se citem e invoquem nos conjuros as deidades da reli-
gião druida, elas são consideradas como o meio pelo qual os celtas repre-
sentavam as energias criadoras e geradoras, assim como outras religiões,
antigas e atuais, fizeram. Mantive o formato dos conjuros por respeito
à tradição e não porque pretendo que alguém renegue a própria crença,
nem ideias religiosas ou filosóficas.
Por fim, gostaria de incitar os que leram este livro a praticar com
seriedade, em alguma medida, os encantamentos da magia celta. Talvez
pareça um tanto delicado, antiquado, ingênuo ou até mesmo estranho,
mas, quando você sentir pela primeira vez que autênticas vibrações as-
trais comovem seu ser, terá dado o primeiro passo em direção a uma
percepção totalmente distinta de si mesmo e da vida que o cerca.

158 O livro secreto da magia celta