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Aula 04

Direito Internacional p/ OAB 1ª Fase - com videoaulas


Professor: Ricardo Vale
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AULA 04: DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

SUMÁRIO:
1- DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO – OBJETO E CONCEITOS
INTRODUTÓRIOS: .......................................................................................... 2
2- ELEMENTOS DE CONEXÃO NO DIREITO BRASILEIRO: ................................ 3
3- APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO: ................................................... 5
4- HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA: .......................................... 8
5- CARTAS ROGATÓRIAS: .............................................................................. 9
6- ARBITRAGEM INTERNACIONAL: .............................................................. 10
7- COMPETÊNCIA INTERNACIONAL: ............................................................ 12
8- PROTOCOLO DE LAS LENÃS: .................................................................... 15
9 – O SEQUESTRO INTERNACIONAL DE MENORES: ...................................... 19
QUESTÕES COMENTADAS ............................................................................. 24
LISTA DE QUESTÕES .................................................................................... 45
GABARITO ................................................................................................... 57
!

Olá, amigos do Estratégia Concursos! Tudo bem?

É sempre uma grande satisfação estar aqui com vocês!

A aula de hoje é destinada especialmente para tratarmos de temas


relacionados ao Direito Internacional Privado, que é, disparado, o assunto
mais cobrado pela FGV nos exames da OAB.

Vamos em frente!

Boa aula a todos!

Ricardo Vale

ricardovale@estrategiaconcursos.com.br
http://www.facebook.com/rvale01

“O segredo do sucesso é a constância no objetivo!”

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1- DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO – OBJETO E CONCEITOS
INTRODUTÓRIOS:

A globalização e o aprofundamento das relações internacionais gerou


a intensificação dos fluxos comerciais, de investimentos e de pessoas
entre os países.

Com isso, há cada vez um maior número de relações privadas


que transcendem as fronteiras de um Estado, envolvendo tanto pessoas
jurídicas quanto pessoas físicas. Empresas situadas em Estados diferentes
celebram entre si contratos de compra e venda, pessoas físicas adquirem
imóveis no exterior, indivíduos de nacionalidades diferentes se casam. Enfim,
há um grande incremento da quantidade de relações privadas com conexão
internacional.

Nesse contexto, surgem questões complexas a serem resolvidas.


Qual o direito aplicável a um contrato internacional celebrado entre uma
empresa alemã e uma empresa brasileira? Qual legislação irá regular a
sucessão de bens do “de cujus”?

Para responder a essas e outras perguntas é que se faz necessário o


estudo do Direito Internacional Privado, cujo objetivo é solucionar os
conflitos de leis no espaço, determinando qual o direito aplicável a uma
relação privada com conexão internacional. O Direito Internacional
Privado não busca dar uma solução de mérito para uma controvérsia jurídica;
ele apenas indica qual direito (nacional ou estrangeiro) irá se aplicar a uma
relação privada com conexão internacional.

No Brasil, as principais regras de Direito Internacional Privado estão


previstas na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB).
Também há que se destacar a Lei nº 9.307/96, que versa sobre a arbitragem,
e os arts. 21 a 25, do Novo Código de Processo Civil, que tratam da
competência internacional.

Para que se possa determinar qual a norma (estrangeira ou nacional)


aplicável a um caso concreto, é fundamental entender a estrutura das normas
de Direito Internacional Privado, que se apoiam em duas partes: o objeto de
conexão e o elemento de conexão. O objeto de conexão diz respeito à
matéria sobre a qual versa a norma (personalidade, direito de família,
obrigações). O elemento de conexão, por sua vez, é o fator que determina a
sede jurídica de uma determinada relação privada que transcende as fronteiras
de um Estado (domicílio, nacionalidade, local de celebração, local de
execução).

Dito isso, vamos, no próximo tópico, perscrutar a Lei de Introdução


às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) a fim de identificar quais os elementos
de conexão utilizados pela legislação brasileira.

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2- ELEMENTOS DE CONEXÃO NO DIREITO BRASILEIRO:

2.1- Lex Domicilli:

Um dos principais elementos de conexão previstos no ordenamento


jurídico brasileiro é o domicílio. A lei do domicílio (lex domicilli) é utilizada,
fundamentalmente, como critério de solução de conflitos de leis no espaço
envolvendo o estatuto pessoal.

O art. 7º da LINDB é explícito nesse sentido, ao dispor que “a lei do


país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o
fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família”.
Suponha, por exemplo, que João, brasileiro, tenha domicílio na Itália. Nesse
caso, a lei italiana é que irá determinar as regras sobre o começo e fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família de João.

A aplicação da lex domicilli na solução de conflitos de leis no espaço


também fica evidenciada nas regras a respeito do casamento. Segundo o art.
7º, § 1º, “realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei
brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da
celebração.”

No ordenamento jurídico brasileiro, não se admite, por exemplo, o


casamento de uma pessoa que já é casada (art. 1521, inciso VI, CC); se o
casamento se realizar no Brasil, essa regra deverá ser observada, mesmo que
o casamento seja de estrangeiro cujo país de origem admite a bigamia ou
poligamia. Destaque-se que é plenamente possível que, no Brasil, ocorra
casamento entre estrangeiros, que poderá celebrar-se perante
autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes.

Também poderá ocorrer casamento de brasileiros no exterior,


na forma do art. 18, da LINDB. A competência para celebração do casamento
será das autoridades consulares brasileiras; é o que se tem chamado de
“casamento diplomático” ou “casamento consular”. Essa regra está prevista no
art. 18, da LINDB, segundo o qual “tratando-se de brasileiros, são
competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o
casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o
registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascido
no país da sede do Consulado”.

O regime de bens (legal ou convencional) e os casos de


invalidade do matrimônio obedecerão à lei do país em que os nubentes
tiverem domicílio. Caso o domicílio dos nubentes seja diverso, será aplicável
a lei do primeiro domicílio conjugal.

Também se aplica a lex domicilli à sucessão por morte e à


capacidade para suceder. Segundo o art. 10, da LINDB, “a sucessão por
morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto

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ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens”. A
capacidade para suceder é regulada pela lei do domicílio do herdeiro ou do
legatário.

2.2 – Lex rei sitae:

O critério “lei rei sitae” leva em consideração a lei do local em que


uma determinada coisa está situada. Segundo o art. 8º, da LINDB, “para
qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se à
lei do país em que estiverem situados”. O estatuto dos bens é, dessa
maneira, objeto da solução de conflitos por meio da aplicação da lex rei sitae.

A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será


regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros,
ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei
pessoal do de cujus. O conflito de leis, nesse caso, resolver-se-á pela
aplicação da lei mais benéfica ao cônjuge ou filhos brasileiros.

2.3 – Lex loci contractus / Locus Regit Actum:

No Brasil, o critério lex loci contractus é empregado para solucionar


conflitos de leis no espaço que envolvam contratos e obrigações em geral
(contratuais e extracontratuais). Com base nesse critério, aplica-se a norma do
local em que a obrigação tiver sido constituída.

A LINDB prevê, em seu art. 9º, que “para qualificar e reger as


obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. A obrigação
reputa-se constituída, destaque-se, no lugar em que residir o proponente.

Suponha, por exemplo, que seja celebrado, na Alemanha, um


contrato de compra e venda entre uma empresa alemã e uma empresa
brasileira. Esse contrato, por ter sido constituído na Alemanha, será regido
pela legislação alemã.

2.4- Contratos de Trabalho:

A atual jurisprudência do TST considera que aos contratos de


trabalho executados no exterior será aplicada a norma mais favorável ao
trabalhador. Esse é um entendimento recente, que resultou no
cancelamento da Súmula TST nº 207, que estabelecia o seguinte: “A
relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de
serviço e não por aquelas do local da contratação”.

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3- APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO:

3.1- Interpretação e Prova do Conteúdo do Direito Estrangeiro:

Em geral, o direito aplicável às relações jurídicas é o direito interno


de cada Estado. No entanto, em determinadas relações jurídicas com conexão
internacional, é possível que as regras de Direito Internacional Privado
conduzam à aplicação do direito estrangeiro.

Quando um juiz aplica o direito interno, ele o faz de ofício, havendo


presunção de que tem pleno conhecimento do ordenamento jurídico pátrio.
Todavia, quando se trata de aplicar o direito estrangeiro, essa presunção não
existe: o juiz pode não conhecer o direito estrangeiro.

Caso o juiz conheça a lei estrangeira, ele poderá aplicá-la de


ofício. Se, por outro lado, não a conhecer, o juiz poderá exigir a prova da
existência e do conteúdo da norma estrangeira.

É exatamente isso o que prevê o art. 14, da LINDB, que dispõe que
“não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca
prova do texto e da vigência”. Se o juiz assim o determinar, caberá à parte
que alega direito estrangeiro provar-lhe o teor e a vigência (art. 376, Novo
CPC). Cabe destacar que, mesmo que o juiz não o exija, a parte poderá
trazer esses elementos aos autos.

3.2- Ordem Pública:

As normas de Direito Internacional Privado permitem que, em


algumas situações, seja aplicado o direito estrangeiro em outro Estado.
Entretanto, a aplicação do direito estrangeiro poderá sofrer limitações.

No Brasil, o art. 17, da LINDB, estabelece que “as leis, atos e


sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não
terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a
ordem pública e os bons costumes”. Também não deverá ser aplicado o
direito estrangeiro quando houver fraude à lei.

Segundo Jacob Dolinger, a ordem pública representa a moral básica


de uma nação.1 É claro que esse é um conceito um tanto quanto vago,
cabendo ao aplicador da lei definir, no caso concreto, se algo fere ou não a
ordem pública. Observe que o conceito de “ordem pública” não é
estanque; ao contrário, ele é dinâmico, variando no tempo e no lugar.

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1
DOLINGER, Jacob. Direito Internacional Privado, 10a edição. Editora Forense. Rio
de Janeiro: 2012, pp. 385-387.

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A ordem pública tem 3 (três) níveis de aplicação.

O primeiro nível se refere ao funcionamento da ordem pública no


plano interno, impedindo que a vontade das partes derrogue certas regras
jurídicas. Como exemplo, no ordenamento jurídico brasileiro, há regra que
estabelece que será nula a cláusula do contrato de locação que impede a sua
renovação. Veja que a ordem pública limita a autonomia da vontade das
partes nesse tipo de contrato.

O segundo nível diz respeito à vedação de que sejam aplicadas


leis estrangeiras no território do outro Estado. Por exemplo, no Brasil não se
admite a poligamia. Em consequência, alguém que já seja casado não poderá
contrair novo matrimônio aqui no Brasil. Isso seria incompatível com a ordem
pública. Anote-se que, segundo a doutrina, para que a norma estrangeira seja
afastada, ela deverá ser manifestamente incompatível com a ordem
pública.

Por último, o terceiro nível de aplicação da ordem pública versa sobre


o reconhecimento de direitos adquiridos no exterior. Vejamos um
exemplo! Mohamad Salim é nacional do Marrocos, país que admite a
poligamia. Ele imigra para o Brasil trazendo uma de suas esposas, deixando
outra esposa no Marrocos. Passando dificuldades financeira, ela recorre à
Justiça brasileira requerendo o direito a receber obrigação alimentícia. Tal
direito adquirido há de ser reconhecido pelos tribunais brasileiros. Nesse
exemplo, a ordem pública incidiria no sentido de impedir que o estrangeiro
imigrasse para o Brasil trazendo a segunda esposa.

O direito adquirido em um Estado poderá ser reconhecido no


Brasil, desde que não conflite com a ordem pública.

3.3- Fraude à Lei:

A fraude à lei é outra hipótese em que se restringe a aplicação do


direito estrangeiro no Brasil. Segundo Jacob Dolinger, ela fica caracterizada
“quando o agente, artificiosamente, altera o elemento de conexão que indicaria
a lei aplicável. 2 O objetivo é fugir à aplicação da norma de um Estado, por
entender que a norma do outro Estado lhe é mais favorável, o que configura
verdadeiro abuso de direito.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
2
! DOLINGER, Jacob. Direito Internacional Privado, 10a edição. Editora Forense. Rio
de Janeiro: 2012, pp. 431-444.

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Suponha, como exemplo, que um indivíduo queira se divorciar e o
direito interno de seu Estado não autoriza. Aí, com o objetivo de furtar-se ao
rigor desse ordenamento jurídico, o indivíduo altera a sua nacionalidade ou o
seu domicílio. Ficará, nessa situação, caracterizada a fraude à lei. 3

3.4- Reenvio:

As regras de Direito Internacional Privado determinam qual o


direito (nacional ou estrangeiro) que será aplicado a uma determinada relação
jurídica. Nesse processo de determinação do direito aplicável, podem ocorrer
algumas situações inusitadas.

Suponha que uma empresa do Estado A celebre um contrato com


uma empresa do Estado B. As regras de direito internacional privado do Estado
A determinam que àquele contrato será aplicada a lei do Estado B. Porém, a lei
do Estado B determina que ao contrato será aplicada a lei do Estado A. Foi um
verdadeiro “looping”! ☺ Esse é o fenômeno do reenvio, que consiste em
verdadeiro conflito negativo entre sistemas de solução de conflitos.

Há vários graus de reenvio. No exemplo apresentado acima, falamos


de um reenvio de 1º grau, que envolve 2 (dois) Estados. As regras de Direito
Internacional Privado do Estado A determinaram a aplicação do direito do
Estado B e este, por sua vez, impôs a aplicação do direito do Estado A.

O reenvio de 2º grau envolve a participação de 3 (três) Estados.


Nele, as regras de Direito Internacional Privado do Estado A determinam a
aplicação do direito do Estado B que, por sua vez, impõem a aplicação do
ordenamento jurídico do Estado C.

No Brasil, não se admite o reenvio. É o que se conclui a partir da


leitura do art. 16, da LINDB, segundo a qual, “quando, nos termos dos artigos
precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a
disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra
lei”. Em outras palavras, quando a lei brasileira manda aplicar o direito
estrangeiro, é este mesmo que deverá ser aplicado; não será
considerada qualquer remissão que o direito estrangeiro faça a outra lei.

3.5- Prova de Fatos Ocorridos no Exterior:

Nas relações jurídicas com conexão internacional submetidas à


apreciação do Poder Judiciário, há uma série de fatos ocorridos no exterior
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
3
!Por
mais estranho que esse exemplo possa ser, ele ocorreu bastante no Brasil
antes da edição da Lei do Divórcio.!!

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que devem ser provados em um processo. Segundo o art. 13, da LINDB, “a
prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele
vigorar, quanto ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os
tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça”.

Com base nesse dispositivo, é possível verificar que:

a) O ônus da prova e os meios de produzir as provas de fatos


ocorridos no exterior são regidos pela lei do país estrangeiro.

b) Não são admitidas pelos tribunais brasileiros provas que a lei


brasileira desconheça. Por exemplo, uma gravação telefônica submetida a
cláusula de sigilo é considerada ilícita e não será aceita pelo Poder Judiciário
brasileiro.

4- HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA:

A pergunta que se faz, nesse momento, é a seguinte: é possível que


uma sentença emanada de um tribunal estrangeiro seja executada no
Brasil?

Sim, é plenamente possível. Para que possa ser executada, a


sentença estrangeira precisará, no entanto, ser homologada pelo STJ, na
forma do art. 105, inciso I, da CF/88 que dispõe o seguinte:

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:


I - processar e julgar, originariamente:
...
i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de
exequatur às cartas rogatórias.

Na LINDB, há menção expressa ao STF como sendo o


tribunal competente para homologar sentença estrangeira.
No entanto, essa disposição foi revogada pela CF/88,
que atribui tal competência ao STJ.

Assim, em qualquer legislação na qual for feita menção ao


STF como responsável por homologação de sentença
estrangeira, deve ser entendido que essa regra já foi
revogada; hoje, a competência é do STJ.

Na homologação de sentença estrangeira, o STJ não aprecia o


mérito da decisão, mas apenas aspectos formais. É o que se chama de

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juízo de delibação do STJ. O art. 15, da LINDB, relaciona os requisitos a
serem observados na homologação de sentença estrangeira:

Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no


estrangeiro, que reúna os seguintes requisitos:
a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente
verificado à revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades
necessárias para a execução no lugar em que foi proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal.

A competência do STJ para homologar sentença estrangeira não se


limita às sentenças do Poder Judiciário. O STJ também homologa sentenças
arbitrais estrangeiras, assim consideradas aquelas proferidas fora do
território nacional. A atribuição de competência a um único órgão para
realizar o juízo de delibação caracteriza o modelo de delibação
concentrada, adotado pelo Brasil.

Não se adota, em nosso país, o modelo de delibação difusa, que


seria aquele em que os diversos órgãos do Poder Judiciário teriam competência
para realizar o juízo de delibação. Isso fica claro a partir do exame do art. 961,
do Novo CPC, que prevê que a decisão estrangeira somente terá eficácia no
Brasil após a homologação da sentença ou a concessão de exequatur às cartas
rogatórias.

É importante ressaltar que as leis, atos e sentenças de outro país,


bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil,
quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons
costumes. Nesses casos, não será realizada homologação pelo STJ.

5- CARTAS ROGATÓRIAS:

As cartas rogatórias são instrumentos de cooperação judiciária


internacional, na medida em que, por meio delas, o Poder Judiciário de um
Estado solicita apoio ao Poder Judiciário de outro ente estatal. Por meio de
uma carta rogatória, busca-se auxílio para a produção de provas,
intimações e outros atos processuais.

A concessão de exequatur às cartas rogatórias é competência do


Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 105, inciso I, alínea “i”, da
CF/88.

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Há dois tipos de cartas rogatórias: i) rogatórias ativas (enviadas
pela autoridade judiciária brasileira) e; ii) rogatórias passivas (recebidas
pela autoridade judiciária brasileira).

No Brasil, o exame da rogatória é feito mediante juízo de delibação,


o que significa que o STJ não analisa o mérito da diligência pretendida pela
Justiça estrangeira, salvo para se verificar o respeito à ordem pública, aos
bons costumes e à soberania nacional. Segundo Boni de Moraes, “há no juízo
delibatório uma apreciação material do ato estrangeiro, ainda que mínima,
restrita à aferição de eventual ofensa à ordem pública do Estado requerido”.4
No juízo de delibação, a análise do STJ se limita, essencialmente, às questões
formais: autenticidade dos documentos e observância dos requisitos legais.

Não será concedido o exequatur às cartas rogatórias que


ofenderem a ordem pública, os bons costumes e a soberania nacional.
Um exemplo de carta rogatória que viola a soberania e a ordem pública é
aquela referente a processo de competência exclusiva dos tribunais brasileiros.
Somente podem ser concedidas cartas rogatórias quando a competência do
Poder Judiciário for relativa ou concorrente.

Fala-se em juízo de delibação sumário diante da possibilidade de


que a medida de carta rogatória seja realizada sem ouvir a parte
interessada, o que acontecerá quando a sua intimação puder resultar na
ineficácia da cooperação internacional. Também fica caracterizado o juízo de
delibação sumário quando é concedida tutela de urgência em
procedimento de homologação de sentença estrangeira.

6- ARBITRAGEM INTERNACIONAL:

A arbitragem é um meio extrajudicial de solução de controvérsias,


bastante utilizado no âmbito do comércio internacional. No Brasil, é regida pela
Lei nº 9.307/96, que dispõe que as pessoas capazes de contratar poderão
valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais
disponíveis. Assim, a arbitragem pode ser utilizada tanto por pessoas físicas
quanto por pessoas jurídicas; basta que a pessoa tenha capacidade para
contratar e os conflitos que a envolvam poderão ser objeto de solução por
meio da arbitragem.

A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das


partes. Quando se fala em arbitragem de direito, a referência que se faz é à
aplicação de normas jurídicas pelo árbitro a um caso concreto com o objetivo
de decidir o litígio instaurado. Por outro lado, quando se trata de emprego da

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4
SOARES, Boni de Moraes. Juízo de Prelibação no Direito Processual
Internacional. Dissertação. UNICEUB. 2010.

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equidade, o objetivo é a aplicação de considerações de justiça a um caso
concreto; nesse caso, não se levará em conta regras jurídicas pré-
estabelecidas.

As partes poderão escolher livremente as regras de direito que


serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons
costumes e à ordem pública. Trata-se de manifestação do princípio da
autonomia da vontade, segundo o qual as partes têm ampla liberdade para
convencionar qual o direito material e processual aplicável aos litígios que
porventura surjam entre elas. Destaque-se que as partes também poderão
decidir que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito,
nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio.

A instauração de um procedimento arbitral para solucionar um litígio


poderá decorrer de uma “cláusula compromissória” ou de um
“compromisso arbitral”. A Lei nº 9.307/96, ao tratar do tema, denominou
esses dois institutos, genericamente, como convenção de arbitragem.

A cláusula compromissória nada mais é do que uma cláusula


prevista no contrato. Essa cláusula prevê que as partes se comprometem a
submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir relativamente ao
contrato. Veja: antes de surgir uma controvérsia sobre um determinado
contrato, as partes já estabeleceram que ela seria solucionada por arbitragem.

O compromisso arbitral, por sua vez, é posterior ao surgimento de


um litígio. É uma espécie de contrato, por meio do qual as partes decidem
submeter um determinado litígio à esfera do juízo arbitral, afastando-o do
campo de atuação do Poder Judiciário.

As decisões dos árbitros são emanadas por meio de sentenças


arbitrais (laudos arbitrais). A sentença arbitral produz, entre as partes e seus
sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder
Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo judicial.

Quando uma determinada controvérsia é submetida à arbitragem,


fica afastada a competência do Poder Judiciário para apreciar a questão.
Segundo o art. 485, do Novo CPC, o juiz não resolverá o mérito quando
acolher a alegação da existência de convenção de arbitragem ou
quando o juízo arbitral reconhecer sua competência. Assim, se um juiz
se deparar com cláusula compromissória ou com compromisso arbitral, ele
deverá simplesmente proferir sentença terminativa, sem resolução de mérito.

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7- COMPETÊNCIA INTERNACIONAL:

A competência internacional da autoridade judiciária brasileira é


regulada pelos arts. 21 a 25, do Novo Código de Processo Civil.

Nos arts. 21 e 22, do Novo CPC, são relacionados os casos de


competência concorrente, os quais destacam situações que poderão ser
apreciadas pela autoridade judiciária brasileira sem que seja afastada também
a competência da autoridade judiciária estrangeira. Apenas nos casos de
competência concorrente é que se poderá, após a devida homologação pelo
STJ, atribuir-se eficácia à sentença estrangeira.

Vejamos quais são os casos de competência concorrente previstos


pelo Novo CPC. Comecemos, primeiro, com o art. 21, do Novo CPC:

Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as


ações em que:
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no
Brasil;
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se
domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência,
filial ou sucursal.

O art. 21, inciso I dispõe que a autoridade judiciária brasileira será


competente para apreciar uma lide quando o réu, qualquer que seja sua
nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil. A nacionalidade do réu
(brasileira ou estrangeira) é irrelevante; se o réu estiver domiciliado no Brasil,
a autoridade judiciária brasileira poderá apreciar a controvérsia sem, é claro,
afastar a competência da autoridade judiciária brasileira. Destaque-se que
reputa-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver
agência, filial ou sucursal.

O art. 21, inciso II, por sua vez, dispõe que a autoridade judiciária
brasileira será competente para apreciar uma lide quando a obrigação tiver
de ser cumprida no Brasil. Assim, as obrigações exequíveis no Brasil,
contratuais ou extracontratuais, poderão ser julgadas pela autoridade judiciária
nacional, sem prejuízo da submissão da lide à autoridade judiciária
estrangeira.

Suponha, por exemplo, que seja celebrado um contrato entre uma


empresa alemã e uma empresa brasileira para que seja realizada uma obra de
construção civil em território nacional. Considerando-se que a obrigação (obra
de construção civil) será concretizada no Brasil, a autoridade judiciária
brasileira terá competência para apreciar a questão, sem excluir a
possibilidade de apreciação pela autoridade judiciária brasileira.

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O art. 21, inciso III trata da possibilidade de apreciação, pela
autoridade judiciária brasileira, de ações que tenham como fundamento
fatos ocorridos ou de atos praticados no Brasil.

Um exemplo seria um acidente de automóvel ocorrido no Brasil


envolvendo um alemão e um francês. Qualquer um deles poderá acionar o
outro perante a justiça brasileira para promover a reparação de danos, uma
vez que a ação terá derivado de fatos ocorridos no território brasileiro.

Agora, vejamos o art. 22, que também trata de matérias da


competência concorrente.

Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e


julgar as ações:
I - de alimentos, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de
bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos;
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver
domicílio ou residência no Brasil;
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à
jurisdição nacional.

O art. 22, inciso I, nos mostra que a autoridade judiciária brasileira


tem ampla competência nas ações de alimentos. A Justiça brasileira será
competente para julgar as ações de alimentos quando:

- o credor tiver domicílio ou residência no Brasil. Ex: A criança


(credor dos alimentos) mora no Brasil e o pai (devedor dos alimentos) no
exterior.

- o réu mantiver vínculos no Brasil. Ex: O pai (devedor dos alimentos)


tem um imóvel no Brasil.

O art. 22, inciso II, trata da competência da autoridade judiciária


brasileira para julgar as ações decorrentes de relações de consumo, desde
que o consumidor tenha domicílio ou residência no Brasil. Suponha, por
exemplo, que um brasileiro faça compras pela Internet em uma loja de e-
commerce norte-americana. É possível que o Poder Judiciário brasileiro seja
acionado em ação decorrente dessa relação de consumo.

O art. 22, inciso III, ilustra a aplicação do princípio da autonomia


da vontade. É possível que as partes decidam se submeter à jurisdição
brasileira. É o que se chama de foro de eleição.

Aqui, cabe uma observação importante.

Suponha que uma empresa brasileira e uma empresa alemã celebrem


um contrato internacional. Nesse contrato, ambas concordam que qualquer

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controvérsia envolvendo aquele contrato será submetida à Justiça alemã. Tem-
se aí uma cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro. Essa cláusula
afastará qualquer competência da autoridade judiciária brasileira para
apreciar lides em torno daquele contrato. É o que se depreende da leitura do
art. 25, do Novo CPC.

Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento


e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro
exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na
contestação.

Vamos falar, agora, sobre os casos de competência exclusiva da


autoridade judiciária brasileira.

No art. 23, do Novo CPC, estão relacionados os casos de


competência exclusiva. São situações em que fica afastada por completo a
competência da autoridade judiciária estrangeira; apenas a autoridade
judiciária brasileira poderá apreciar lides que envolvam as hipóteses
relacionadas nesse dispositivo. Não há que se falar em eficácia de sentença
estrangeira que disponha sobre as questões afetas à competência exclusiva da
autoridade judiciária brasileira.

Vejamos quais são os casos de competência exclusiva, previstos no


art. 23, do CPC:

Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de


qualquer outra:
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de
testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no
Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou
tenha domicílio fora do território nacional;
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável,
proceder à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.

O inciso I dispõe que a autoridade judiciária brasileira tem


competência exclusiva para conhecer de ações relativas a imóveis situados
no Brasil. Suponha, por exemplo, que um alemão seja proprietário de um
imóvel situado aqui no Brasil e que isso seja questionado por um francês. O
francês deverá entrar com ação junto à autoridade judiciária brasileira, que
tem competência exclusiva para apreciá-la. Caso o francês ingresse com uma
ação perante tribunal estrangeiro e este emita sua sentença, esta não será
homologada pelo STJ, por tratar-se a questão de competência exclusiva da
autoridade judiciária brasileira.

O inciso II, por sua vez, prevê que a autoridade judiciária brasileira
tem competência exclusiva para, em matéria de sucessão hereditária, proceder
à confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de

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bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade
estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.

O inciso III estabelece que a autoridade judiciária brasileira tem


competência exclusiva para, em divórcio, separação judicial ou dissolução de
união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o
titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território
nacional. É relevante destacar, para que não se faça confusão, que o art. 23,
inciso III, está definindo o foro ao qual a questão será submetido; ele não
está definindo qual direito material (nacional ou estrangeiro) será aplicável.

8- PROTOCOLO DE LAS LENÃS:

8.1- Introdução:

O Protocolo de Las Leñas foi assinado em 1992, tendo sido


internalizado no ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 6.891/2009. É
também chamado de Acordo de Cooperação e Assistência Jurisdicional
em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa do MERCOSUL. Além
de vincular todos os Estados-membros do MERCOSUL, o Protocolo de Las
Lenãs também obriga a Bolívia e o Chile, que são apenas membros associados
do bloco.

Mas de que trata o Protocolo de Las Leñas? Com qual objetivo ele foi
celebrado?

O objetivo do Protocolo de Las Leñas é promover e intensificar a


cooperação jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e
administrativa entre os Estados-parte. Observe que o Protocolo de Las Leñas
não versa sobre cooperação em matéria penal.

O Protocolo de Las Leñas trata de maneira bem ampla sobre a


cooperação jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e
administrativa. Ele é dividido nas seguintes partes:

a) Capítulo I: Cooperação e assistência jurisdicional.

b) Capítulo II: Autoridades Centrais.

c) Capítulo III: Igualdade de tratamento processual.

d) Capítulo IV: Cooperação em atividade de simples trânsito e cartas


rogatórias.

e) Capítulo V: Reconhecimento e Execução de Sentenças e de Laudos

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Arbitrais

f) Capítulo VI: Instrumentos Públicos e Outros documentos

g) Capítulo VII: Informação do Direito Estrangeiro

h) Capítulo VIII: Consultas e Soluções de Controvérsias

i) Capítulo IX: Disposições Finais

Em nosso estudo, não iremos detalhar um a um todos os dispositivos


do Protocolo de Las Leñas. Ao contrário, estudaremos apenas aquilo que nos
interessa para a prova da OAB.

8.2- Cooperação e Assistência Jurisdicional:

Segundo o art. 1º, do Protocolo de Las Leñas, “os Estados Partes


comprometem-se a prestar assistência mútua e ampla cooperação
jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa”. Para
isso, cada Estado parte deverá indicar uma Autoridade Central encarregada
de receber e dar andamento a pedidos de assistência jurisdicional. No caso do
Brasil, a Autoridade Central é o Ministério da Justiça.

Então, imagine que seja proposta aqui no Brasil uma ação judicial
contra um cidadão argentino. A competência internacional é do juiz brasileiro,
ou seja, é o juiz brasileiro o responsável por julgar o caso. Nessa situação,
haverá necessidade de o juiz brasileiro expedir carta rogatória, seja para citar
o argentino no processo, intimá-lo ou até mesmo para a produção de provas.

Temos, nesse caso, a necessidade de cooperação jurisdicional.


As Autoridades Centrais indicadas pelos Estados-parte irão se comunicar
diretamente, dando andamento ao pedido de assistência jurisdicional. Assim,
no exemplo apresentado, tornar-se-á mais simples o trâmite da carga
rogatória expedida pela autoridade judiciária brasileira.

Segundo o art. 12, do Protocolo de Las Leñas, a autoridade


jurisdicional encarregada do cumprimento de uma carta rogatória aplicará
sua lei interna no que se refere aos procedimentos. Assim, o STJ aplicará a
lei brasileira no que diz respeito aos procedimentos para o cumprimento das
cartas rogatórias. O Protocolo de Las Leñas, portanto, não uniformizou os
procedimentos para o trâmite das cartas rogatórias.

Cabe destacar que o Protocolo de Las Leñas estabelece que a carta


rogatória poderá ter, mediante pedido da autoridade requerente,
tramitação especial, admitindo-se o cumprimento de formalidades adicionais

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na diligência da carta rogatória, sempre que isso não seja incompatível com a
ordem pública do Estado requerido.

8.3- Igualdade de Tratamento Processual:

O art. 3º, do Protocolo de Las Leñas, estabelece o princípio da


igualdade de tratamento processual. Por esse princípio, um argentino
(residente na Argentina) terá igualdade de condições com um brasileiro
no acesso ao Poder Judiciário brasileiro, a fim de defender seus direitos e
interesses. Essa regra se aplica também às pessoas jurídicas constituídas,
autorizadas ou registradas de acordo com as leis de qualquer dos Estados-
Partes.

Art. 3 - Os nacionais, os cidadãos e os residentes permanentes ou


habituais de um dos Estados Partes gozarão, nas mesmas
condições dos nacionais, cidadãos e residentes permanentes ou
habituais de outro Estado Parte, do livre acesso à jurisdição desse
Estado para a defesa de seus direitos e interesses.

Para materializar essa igualdade de tratamento processual, o


Protocolo de Las Leñas estabelece que nenhuma caução ou depósito
poderá ser imposto em razão da qualidade de nacional, cidadão ou
residente permanente ou habitual de outro Estado parte. Nesse sentido, não é
porque um indivíduo é argentino que dele será exigida caução para
ingressar com ação judicial perante a Justiça brasileira. Não, não. Esse
argentino terá as mesmas condições de um brasileiro no acesso à Justiça
brasileira. Somente será dele exigida caução se essa também fosse uma
exigência do brasileiro.

8.4- Reconhecimento e Execução de Sentenças e de Laudos Arbitrais:

Em direito internacional, é regra plenamente aceita que os atos do


Poder Público de um Estado somente terão eficácia no território de outro
Estado se por ele forem aceitos. Assim, uma sentença judicial estrangeira,
para ter validade no Brasil, precisa ser homologada, procedimento este que,
segundo a CF/88, compete ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O Protocolo de Las Leñas, contrariando essa regra geral, estabelece a


eficácia extraterritorial das sentenças e laudos arbitrais emanadas dos
seus Estados-parte. Em outras palavras, uma sentença emanada de um
Tribunal argentino poderia, em tese, ter eficácia no Brasil independentemente
de homologação pelo STJ. Para isso, é claro, ela precisaria cumprir certos
requisitos, elencados no art. 20, do Protocolo de Las Leñas:

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Art. 20 As sentenças e os laudos arbitrais a que se referem o artigo
anterior terão eficácia extraterritorial nos Estados Partes quando
reunirem as seguintes condições:
a) que venham revestidos das formalidades externas necessárias para
que sejam considerados autênticos nos Estados de origem.
b) que estejam, assim como os documentos anexos necessários,
devidamente traduzidos para o idioma oficial do Estado em que se solicita
seu reconhecimento e execução;
c) que emanem de um órgão jurisdicional ou arbitral competente,
segundo as normas do Estado requerido sobre jurisdição internacional;
d) que a parte contra a qual se pretende executar a decisão tenha sido
devidamente citada e tenha garantido o exercício de seu direito de
defesa;
e) que a decisão tenha força de coisa julgada e/ou executória no Estado
em que foi ditada;
f) que claramente não contrariem os princípios de ordem pública do
Estado em que se solicita seu reconhecimento e/ou execução
Os requisitos das alíneas (a), (c), (d), (e) e (f) devem estar contidos na
cópia autêntica da sentença ou do laudo arbitral.

A eficácia extraterritorial não se aplica ao reconhecimento e


execução de qualquer sentença ou laudo arbitral. Ela se aplica apenas às
sentenças e laudos arbitrais pronunciados nas jurisdições dos Estados partes
em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa e, ainda, em
relação às sentenças em matéria de danos e restituição de bens pronunciados
em jurisdição penal.

O Protocolo de Las Leñas também reconhece que é possível a


eficácia parcial de sentença estrangeira ou laudo arbitral. É o que prevê o
art. 23, segundo o qual “se uma sentença ou um laudo arbitral não puder ter
eficácia em sua totalidade, a autoridade jurisdicional competente do Estado
requerido poderá admitir sua eficácia parcial mediante pedido da parte
interessada”

Segundo o art. 19, do Protocolo de Las Leñas, “o reconhecimento e


execução de sentenças e de laudos arbitrais solicitado pelas autoridades
jurisdicionais poderá tramitar-se por via de cartas rogatórias e transmitir-
se por intermédio da Autoridade Central, ou por via diplomática ou
consular, em conformidade com o direito interno”. Também é possível que a
parte interessada tramite diretamente o pedido de reconhecimento ou
execução de sentença, ou seja, invoque em juízo uma sentença ou laudo
arbitral de um Estado parte.

Dito tudo isso, cabe destacar o entendimento do STF acerca do


Protocolo de Las Leñas. Para a Corte Suprema, o Protocolo de Las Leñas não
afetou a exigência de que qualquer sentença estrangeira seja
submetida ao procedimento de homologação. Assim, para o STF, mesmo
as sentenças estrangeiras provenientes dos Estados-parte do Protocolo de Las
Leñas deverão ser submetidas à homologação pelo STJ.

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É esse o entendimento que prevalece hoje. O Protocolo de Las Leñas,
na interpretação do STF, teria apenas facilitado os trâmites dos
procedimentos de reconhecimento de sentenças e laudos arbitrais provenientes
dos Estados-parte. Contudo, permanece sendo exigível a homologação de
sentenças e laudos arbitrais, mesmo quando oriundos de Estados-parte do
Protocolo de Las Leñas.

8.5- Informação do Direito Estrangeiro:

Em muitos casos, uma autoridade judiciária terá que, em razão


das regras de direito internacional privado, aplicar o direito estrangeiro em
um caso sob sua apreciação. Será importante, nessa situação, que a
autoridade judiciária tenha maiores informações sobre o direito estrangeiro.

Com o objetivo de facilitar o intercâmbio de informações sobre o


direito estrangeiro, o art. 28, do Protocolo de Las Leñas estabelece que “as
Autoridades Centrais dos Estados Partes fornecer-se-ão mutuamente, a
título de cooperação judicial, e desde que não se oponham às disposições de
sua ordem pública, informações em matéria civil, comercial, trabalhista,
administrativa e de direito internacional privado, sem despesa alguma”.

O Estado parte que fornecer as informações sobre o sentido e alcance


legal de seu direito não será responsável pela opinião emitida, nem
estará obrigado a aplicar seu direito, segundo a resposta fornecida. O
Estado Parte que receber as citadas informações não estará obrigado a
aplicar, ou fazer aplicar, o direito estrangeiro segundo o conteúdo da
resposta recebida.

9 – O SEQUESTRO INTERNACIONAL DE MENORES:

9.1- Introdução:

O fenômeno do sequestro internacional de menores é um resultado


do aprofundamento da globalização. Como as relações sociais entre
pessoas de Estados diferentes são mais intensas hoje, é natural que delas
também se originem filhos. E aí, devido a conflitos familiares, crianças podem
ser levadas ou retidas pelo pai ou pela mãe em um Estado estrangeiro.

Quando se fala em sequestro internacional de menores, estamos nos


referindo justamente a isso. O “sequestrador” será um dos genitores (o pai ou
a mãe), que irá remover ou reter ilicitamente uma criança, deixando-a em
um país que não seja o de sua residência habitual.

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Com o objetivo de resguardar os interesses da criança em relação às
questões relativas à sua guarda, foi celebrada a Convenção de Haia sobre o
Sequestro Internacional de Crianças. Busca-se, por meio desse tratado
internacional, proteger a criança dos efeitos prejudiciais resultantes da
mudança de domicílio ou de retenção ilícitas e estabelecer procedimentos
que garantam o retorno da criança ao Estado de sua residência
habitual, bem como assegurar a proteção do direito de visita.

Antes de o Brasil aderir à Convenção de Haia, o sequestro


internacional de menores não era tutelado por nenhuma norma do nosso
ordenamento jurídico. Se um pai levasse irregularmente o filho para os EUA, a
mãe precisaria acionar a Justiça estrangeira, sem qualquer apoio do Estado
brasileiro.

No Brasil, um caso que ficou bastante conhecido, pela ampla


repercussão que teve na imprensa, foi o do menino Sean Goldman. Sean era
filho de um americano (David Goldman) com uma brasileira (Bruna Bianchi) e
morou com os pais entre 2000 e 2004 nos EUA. No ano de 2004, Bruna
Bianchi veio ao Brasil trazendo Sean, mas, tendo decidido terminar o
relacionamento com o americano David Goldman, permaneceu com Sean no
Brasil.

David Goldman ingressou com ação judicial, mas a Justiça decidiu de


maneira desfavorável a ele. Bruna Bianchi, tendo se casado novamente,
faleceu em razão de complicações no parto de sua filha. Novamente, David
Goldman acionou a Justiça, pleiteando a guarda do menino Sean, alegando
que, após a morte da mãe, ele estaria retido ilicitamente no Brasil pelo seu
padrasto. O caso chegou ao STF, tendo o Ministro Gilmar Mendes determinado
o retorno de Sean ao seu pai biológico americano.

9.2- Âmbito de Aplicação:

O art. 1º, da Convenção de Haia, estabelece que são os seguintes os


seus objetivos:

a) assegurar o retorno imediato de crianças ilicitamente


transferidas para qualquer Estado Contratante ou nele retidas
indevidamente;

b) fazer respeitar de maneira efetiva nos outros Estados Contratantes os


direitos de guarda e de visita existentes num Estado Contratante.

Mas quando é que a transferência ou retenção de uma criança é


considerada ilícita?

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Será ilícita a transferência ou retenção de uma criança quando: i)
tiver havido violação ao direito de guarda, nos termos da lei do Estado
onde a criança tivesse sua residência habitual e; ii) o direito de guarda
estivesse sendo exercido de maneira efetiva, individual ou conjuntamente.

A Convenção de Haia se aplica a qualquer criança que tenha


residência habitual num Estado contratante, imediatamente antes da
violação do direito de guarda ou de visita. Destaque-se que não se aplica a
Convenção de Haia a partir do momento em que a criança completar 16
anos de idade.

É interessante sabermos a definição que a Convenção de Haia dá


para “direito de guarda” e “direito de visita”, conceitos apresentados pelo art.
5º:

Art. 5º Nos termos da presente Convenção:


a) o "direito de guarda" compreenderá os direitos relativos aos
cuidados com a pessoa da criança, e, em particular, o direito de
decidir sobre o lugar da sua residência;
b) o "direito de visita" compreenderá o direito de levar uma
criança, por um período limitado de tempo, para um lugar diferente
daquele onde ela habitualmente reside.

9.3- Autoridades Centrais:

Cada Estado Contratante deverá designar uma Autoridade Central


encarregada de dar cumprimento às obrigações impostas pela Convenção de
Haia. Essas Autoridades Centrais deverão cooperar entre si e promover a
colaboração entre as autoridades competentes dos seus respectivos Estados,
de forma a assegurar o retorno imediato das crianças e a realizar os
demais objetivos da Convenção.

A Autoridade Central brasileira é a Secretaria Nacional de Direitos


Humanos, da Presidência da República. Recebendo o pedido relativo ao
sequestro internacional de uma criança, a Autoridade Central brasileira
deverá encaminhá-lo diretamente à Autoridade Central do Estado onde
a criança se encontre. Havendo dificuldades para o retorno amigável da
criança, caberá à Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizar ação judicial na
Justiça Federal.

9.4- Retorno da Criança:

O princípio fundamental a ser considerado no que diz respeito ao


“sequestro internacional de crianças” é o princípio do interesse superior do

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menor. É esse, afinal, o fundamento central da Convenção de Haia, que busca
resguardar a segurança e o bem-estar das crianças.

A regra geral é que, quando ocorre uma transferência ou retenção


ilícita de uma criança, deverá ser determinado o seu retorno imediato.
Vamos a um exemplo. Mark Thompson (americano) é casado com Tatiana
Ramos (brasileiro) e eles têm um filho chamado Carlinhos. Eles moram todos
juntos no Brasil. Certo dia, Mark Thompson e Tatiana se desentendem e Mark
leva ilicitamente Carlinhos para os EUA. Pronto! Fica caracterizada uma
remoção ilícita. Tatiana, aciona a Justiça, que deverá, então, ordenar o retorno
imediato da criança.

A Convenção de Haia, porém, apresenta algumas exceções a essa


regra geral.

A primeira delas diz respeito ao decurso do tempo. Segundo o art.


12, da Convenção de Haia, “quando uma criança tiver sido ilicitamente
transferida ou retida nos termos do Artigo 3 e tenha decorrido um período
de menos de 1 ano entre a data da transferência ou da retenção
indevidas e a data do início do processo perante a autoridade judicial ou
administrativa do Estado Contratante onde a criança se encontrar, a
autoridade respectiva deverá ordenar o retomo imediato da criança”.

A lógica por trás dessa regra é a de que em 1 (um) ano a criança já


poderá ter se adaptado e integrado ao novo meio. É de se notar que, em
homenagem ao “princípio do interesse superior do menor”, mesmo após
expirado o período de um ano, a autoridade judicial ou administrativa
respectiva deverá ordenar o retorno da criança, salvo quando for provado
que a criança já se encontra integrada no seu novo meio.

A segunda exceção ao retorno imediato da criança está prevista no


art. 13, da Convenção de Haia. Perceba que, mais uma vez, é clara a aplicação
do princípio do superior interesse do menor:

Art. 13 - Sem prejuízo das disposições contidas no Artigo anterior, a


autoridade judicial ou administrativa do Estado requerido não é obrigada
a ordenar o retomo da criança se a pessoa, instituição ou organismo que
se oponha a seu retomo provar:
a) que a pessoa, instituição ou organismo que tinha a seu cuidado a
pessoa da criança não exercia efetivamente o direito de guarda na época
da transferência ou da retenção, ou que havia consentido ou concordado
posteriormente com esta transferência ou retenção; ou
b) que existe um risco grave de a criança, no seu retorno, ficar sujeita a
perigos de ordem física ou psíquica, ou, de qualquer outro modo, ficar
numa situação intolerável.
A autoridade judicial ou administrativa pode também recusar-se a
ordenar o retorno da criança se verificar que esta se opõe a ele e que a
criança atingiu já idade e grau de maturidade tais que seja apropriado

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levar em consideração as suas opiniões sobre o assunto.
Ao apreciar as circunstâncias referidas neste Artigo, as autoridades
judiciais ou administrativas deverão tomar em consideração as
informações relativas à situação social da criança fornecidas pela
Autoridade Central ou por qualquer outra autoridade competente do
Estado de residência habitual da criança.

A terceira exceção aparece no art. 20, da Convenção de Haia.


Segundo esse dispositivo, o retorno da criança poderá ser recusado
quando não for compatível com os princípios fundamentais do Estado
requerido com relação à proteção dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais. Trata-se de uma exceção de ordem pública, fundada na
proteção dos direitos fundamentais do menor.

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QUESTÕES COMENTADAS

1. (FGV / XXI Exame de Ordem – 2016) O Acordo de Cooperação e


Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e
Administrativa entre os Estados Partes do Mercosul, a República da
Bolívia e a República do Chile, foi promulgado no Brasil por meio do
Decreto nº 6.891/09, tendo por finalidade estabelecer as bases em
que a cooperação e a assistência jurisdicional entre os Estados
membros será realizada.

A respeito desse instrumento, assinale a afirmativa correta.

a) A indicação das autoridades centrais responsáveis pelo recebimento e


andamento de pedidos de assistência jurisdicional é realizada pelo Grupo
Mercado Comum.

b) Os nacionais ou residentes permanentes de outro Estado membro, para que


possam se beneficiar do mecanismo de cooperação jurisdicional em
determinado Estado membro, deverão prestar caução.

c) Os procedimentos para cumprimento de uma carta rogatória recebida sob a


guarida do Acordo são determinados pela lei interna do Estado em que a carta
deverá ser cumprida, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a observação
de procedimentos diversos solicitados pelo Estado de onde provenha a carta.

d) Uma sentença ou um laudo arbitral proveniente de um determinado Estado,


cujo reconhecimento e execução seja solicitado a outro Estado membro, pode
ter sua eficácia admitida pela autoridade jurisdicional do Estado requerido
apenas parcialmente.

Comentários:

Letra A: errada. Não é o Grupo Mercado Comum que indica as autoridades


centrais responsáveis pelo recebimento e andamento de pedidos de assistência
jurisdicional. Cabe a cada um dos Estados-parte indicar uma Autoridade
Central (art. 2º).

Letra B: errada. Nenhuma caução pode ser exigida para que um nacional
ou residente permanente de um dos Estados-parte se beneficie dos
mecanismos de cooperação jurisdicional decorrente do Acordo (art. 4º).

Letra C: errada. A autoridade judiciária que for responsável pelo cumprimento


de uma carta rogatória aplicará os procedimentos previstos em sua lei
interna. Entretanto, nos termos do Acordo de Cooperação, a carta rogatória
poderá ter, mediante pedido da autoridade requerente, tramitação especial,
admitindo-se o cumprimento de formalidades adicionais na diligência da carta

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rogatória, desde que isso não seja incompatível com a ordem pública do
Estado requerido (art. 12).

Letra D: correta. Caso uma sentença ou laudo arbitral não puder ter eficácia
em sua totalidade, a autoridade jurisdicional competente do Estado
requerido poderá admitir sua eficácia parcial mediante pedido da parte
interessada (art. 23).

O gabarito é a letra D.

2. (FGV / XX Exame de Ordem – 2016) Em 2013, uma empresa de


consultoria brasileira assina, na cidade de Londres, Reino Unido,
contrato de prestação de serviços com uma empresa local. As
contratantes elegem o foro da comarca do Rio de Janeiro para dirimir
eventuais dúvidas, com a exclusão de qualquer outro.

Dois anos depois, as partes se desentendem quanto aos critérios


técnicos previstos no contrato e não conseguem chegar a uma solução
amigável. A empresa de consultoria brasileira decide, então, ajuizar
uma ação no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para
rescindir o contrato.

Com relação ao caso narrado acima, assinale a afirmativa correta.

a) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação brasileira, pois um juiz brasileiro não pode ser obrigado a
aplicar leis estrangeiras.

b) O Poder Judiciário brasileiro não é competente para conhecer e julgar a lide,


pois o foro para dirimir questões em matéria contratual é necessariamente o
do local em que o contrato foi assinado.

c) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação do Reino Unido, pois os contratos se regem pela lei do
local de sua assinatura.

d) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá se basear na


legislação brasileira, pois, a litígios envolvendo brasileiros e estrangeiros,
aplica-se a lex fori.

Comentários:

Diante da situação apresentada, duas perguntas devem ser respondidas:

a) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide?

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Sim, poderá. Segundo o art. 22, III, do Novo CPC, compete à autoridade
judiciária brasileira processar e julgar as ações em que as partes, expressa ou
tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.

Na situação apresentada, as contratantes elegeram o foro da comarca do Rio


de Janeiro para dirimir eventuais dúvidas, com exclusão de qualquer outro.

b) Qual o direito material aplicável nessa lide?

Segundo o art. 9º, LINDB, “para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a


lei do país em que se constituírem”.

Na situação apresentada, o contrato foi celebrado em Londres, Reino Unido.


Logo, será aplicada a legislação do Reino Unido.

O gabarito é a letra C.

3. (FGV / XX Exame de Ordem – 2016) Lúcia, brasileira, casou-se


com Mauro, argentino, há 10 anos, em elegante cerimônia realizada no
Nordeste brasileiro. O casal vive atualmente em Buenos Aires com
seus três filhos menores. Por diferenças inconciliáveis, Lúcia pretende
se divorciar de Mauro, ajuizando, para tanto, a competente ação de
divórcio, a fim de partilhar os bens do casal: um apartamento em
Buenos Aires/Argentina e uma casa de praia em Trancoso/Bahia.
Mauro não se opõe à ação.

Com relação à ação de divórcio, assinale a afirmativa correta.

a) Ação de divórcio só poderá ser ajuizada no Brasil, eis que o casamento foi
realizado em território brasileiro.

b) Caso Lúcia ingresse com a ação perante a Justiça argentina, não poderá
partilhar a casa de praia.

c) Eventual sentença argentina de divórcio, para produzir efeitos no Brasil,


deverá ser primeiramente homologada pelo Superior Tribunal de Justiça.

d) Ação de divórcio, se consensual, poderá ser ajuizada tanto no Brasil quanto


na Argentina, sendo ambos os países competentes para decidir acerca da
guarda das criança e da partilha dos bens.

Comentários:

Segundo o art. 23, III, CF/88, compete à autoridade judiciária brasileira,


com exclusão de qualquer outra, “em divórcio, separação judicial ou
dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil,
ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do
território nacional”.

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Assim, caso Lúcia ingresse com ação de divórcio na Argentina, não poderá
partilhar a casa de praia que está situada em Trancoso (Bahia). Isso
porque é competência exclusiva da autoridade judiciária brasileira, em ação de
divórcio, proceder à partilha de bens situados no Brasil.

O gabarito é a letra B.

4. (FGV / XIX Exame de Ordem – 2016) Para a aplicação da


Convenção sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de
Crianças, Lígia recorre à autoridade central brasileira, quando Arnaldo,
seu marido, que tem dupla-nacionalidade, viaja para os Estados Unidos
com a filha de 17 anos do casal e não retorna na data prometida.
Arnaldo alega que entrará com pedido de divórcio e passará a viver
com a filha menor no exterior.

Com base no caso apresentado, a autoridade central brasileira

a) deverá acionar diretamente a autoridade central estadunidense para que


tome as medidas necessárias para o retorno da filha ao Brasil.

b) deverá ingressar na Justiça Federal brasileira, em nome de Lígia, para que a


Justiça Federal mande acionar a autoridade central estadunidense para que
tome as medidas necessárias para o retorno da filha ao Brasil.

c) não deverá apreciar o pleito de Lígia, eis que a filha é maior de 16 anos.

d) não deverá apreciar o pleito de Lígia, eis que o pai também possui direito de
guarda sobre a filha, já que o divórcio ainda não foi realizado.

Comentários:

A Convenção de Haia não se aplica, todavia, a partir do momento em que a


criança completar 16 anos de idade. Na situação apresentada pelo
enunciado da questão, a filha do casal Lígia e Arnaldo tem 17 anos e, portanto,
a Autoridade Central brasileira não irá apreciar o pedido. O gabarito é a letra
C.

5. (FGV / XIX Exame de Ordem – 2016) Ex-dirigente de federação


sul-americana de futebol, após deixar o cargo que exercia em seu país
de origem, sabedor de que existe uma investigação em curso na
Colômbia, opta por fixar residência no Brasil, pelo fato de ser
estrangeiro casado com brasileira, com a qual tem dois filhos
pequenos. Anos depois, já tendo se naturalizado brasileiro, o governo
da Colômbia pede a sua extradição em razão de sentença que o
condenou por crime praticado quando ocupava cargo na federação sul-
americana de futebol.

Essa extradição:

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a) não poderá ser concedida, porque o Brasil não extradita seus nacionais.

b) não poderá ser concedida, porque o extraditando tem filhos menores sob
sua dependência econômica.

c) poderá ser concedida, porque o extraditando não é brasileiro nato.

d) poderá ser concedida se o país de origem do extraditando tiver tratado de


extradição com a França.

Comentários:

Há possibilidade de extradição de brasileiro naturalizado em 2 (duas)


situações:

a) comprovado envolvimento com tráfico ilícito de entorpecentes e drogas


afins e;

b) crime comum praticado antes da naturalização.

Na situação apresentada, o ex-dirigente da federação sul-americana de futebol


havia praticado um crime comum antes de se naturalizar. Logo, ele poderá
ser extraditado. Vale destacar que a CF/88 proíbe a extradição apenas de
brasileiros natos.

O gabarito, portanto, é a letra C.

6. (XVIII Exame de Ordem Unificado – 2015) Ricardo, brasileiro


naturalizado, mora na cidade do Rio de Janeiro há 9 (nove) anos. Em
visita a parentes italianos, conhece Giulia, residente em Roma, com
quem passa a ter um relacionamento amoroso. Após 3 (três) anos de
namoro a distância, ficam noivos e celebram matrimônio em território
italiano. De comum acordo, o casal estabelece seu primeiro domicílio
em São Paulo, onde ambos possuem oportunidades de trabalho.

À luz das regras de Direito Internacional Privado, veiculadas na Lei de


Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), não havendo
pacto antenupcial, assinale a opção que indica a legislação que irá
reger o regime de bens entre os cônjuges.

a) Aplicável a Lei italiana, haja vista que nenhum dos cônjuges é brasileiro
nato.

b) Aplicável a Lei italiana, em razão do local em que foi realizado o casamento.

c) Aplicável a Lei brasileira, em razão do domicílio do cônjuge varão.

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d) Aplicável a Lei brasileira, porque aqui constituído o primeiro domicílio do
casal.

Comentários:

O regime de bens obedecerá a lei do país em que os nubentes tiverem


domicílio. Caso o domicílio dos nubentes seja diverso, será aplicável a lei do
primeiro domicílio conjugal. Assim, na situação apresentada, será aplicável
a lei brasileira, pois o primeiro domicílio de Ricardo e de Giulia foi no Brasil. O
gabarito é a letra D.

7. (XVIII Exame de Ordem Unificado – 2015) Uma carta rogatória


foi encaminhada, nos termos da Convenção Interamericana sobre
Cartas Rogatórias, para citação de pessoa física domiciliada em São
Paulo, para responder a processo de divórcio nos Estados Unidos. A
esse respeito, assinale a opção correta.

a) Não será necessário obter exequatur em função do tratado multilateral


ratificado por ambos os países.

b) O STJ deverá conceder o exequatur, cabendo à justiça estadual cumprir a


ordem de citação.

c) A concessão de exequatur caberá ao STJ e seu posterior cumprimento à


justiça federal.

d) A concessão de exequatur e seu posterior cumprimento caberão à


autoridade central indicada na Convenção Interamericana sobre Cartas
Rogatórias.

Comentários:

A concessão de exequatur às cartas rogatórias é de competência do STJ (art.


105, I, alínea “i”, CF/88).

Por sua vez, o cumprimento da carta rogatória é de competência da Justiça


Federal, conforme dispõe o art. 109, X, CF/88:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

(...)

X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a


execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença
estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade,
inclusive a respectiva opção, e à naturalização;

Por tudo o que comentamos, o gabarito é a letra C.

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8. (FGV / XII Exame de Ordem Unificado – 2013) A sociedade
empresária Airplane Ltda., fabricante de aeronaves, sediada na China,
celebrou contrato internacional de compra e venda com a sociedade
empresária Voe Rápido Ltda, com sede na Argentina. O contrato foi
celebrado no Japão, em razão de uma feira promocional que ali se
realizava. Conforme estipulado no contrato, as aeronaves deveriam ser
entregues pela Airplane Ltda., na cidade do Rio de Janeiro, no dia 1º
de abril de 2011, onde a sociedade Voe Rápido Ltda. possui uma filial e
realiza a atividade empresarial de transporte de passageiros.

Diante da situação exposta, à luz das regras de Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) e no estatuto processual civil brasileiro (Código de
Processo Civil – CPC), assinale a afirmativa INCORRETA.

a) Não sendo as aeronaves entregues no prazo avençado, o Poder Judiciário


brasileiro é competente para julgar eventual demanda em que a credora
postule o cumprimento do contrato.

b) No tocante à regência das obrigações, aplica-se, no caso vertente, a


legislação japonesa.

c) O Poder Judiciário Brasileiro não é competente para julgar eventual ação por
inadimplemento contratual, pois o contrato não foi constituído no Brasil.

d) O juiz, não conhecendo a lei estrangeira, poderá exigir de quem a invoca


prova do texto e da vigência.

Comentários:

Letra A: correta. Segundo o art. 21, II, CPC, é competente a


autoridade judiciária brasileira quando no Brasil tiver que ser cumprida a
obrigação. Considerando-se que é no Brasil que as aeronaves devem ser
entregues, é competente a autoridade judiciária brasileira para julgar uma
eventual demanda envolvendo o contrato.

Letra B: correta. O contrato de compra e venda será regido pela


legislação japonesa, uma vez que ele foi celebrado no Japão. Isso se explica
pelo art. 9º, da LINDB, segundo o qual “para qualificar e reger as obrigações,
aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”.

Letra C: errada. O local de celebração do contrato determina a


legislação aplicável, que será a lei japonesa. Como as aeronaves devem ser
entregues no Brasil, o Poder Judiciário brasileiro tem competência para
julgar eventual ação envolvendo o contrato. É o que se depreende do art. 21,
II, CPC.

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Letra D: correta. Segundo o art. 14, LINDB, “não conhecendo a lei
estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da
vigência”.

O gabarito é a letra C.

9. (FGV / XVII Exame de Ordem Unificado – 2015) A sociedade


empresária brasileira do ramo de comunicação, Personalidades,
celebrou contrato internacional de prestação de serviços de
informática, no Brasil, com a sociedade empresária uruguaia
Sacramento. O contrato foi celebrado em Caracas, capital venezuelana,
tendo sido estabelecido pelas partes, como foro de eleição,
Montevidéu.

Diante da situação exposta, à luz das regras do Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) e no Código de Processo Civil, assinale a afirmativa
correta.

a) No tocante à regência das obrigações previstas no contrato, aplica-se a


legislação uruguaia, já que Montevidéu foi eleito o foro competente para se
dirimir eventual controvérsia.

b) Para qualificar e reger as obrigações do presente contrato, aplicar-se-á a lei


venezuelana.

c) Como a execução da obrigação avençada entre as partes se dará no Brasil,


aplica-se, obrigatoriamente, no tocante ao cumprimento do contrato, a
legislação brasileira.

d) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro veda expressamente o


foro de eleição, razão pela qual é nula ipse jure a cláusula estabelecida pelas
partes nesse sentido.

Comentários:

Letra A: errada. O contrato foi celebrado em Caracas, na Venezuela.


Logo, a legislação aplicável ao contrato será a legislação venezuelana. Isso
decorre do art. 9º, LINDB, segundo o qual “para qualificar e reger as
obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”.

Letra B: correta. É exatamente o que comentamos acima! Como o


contrato foi celebrado na Venezuela, aplica-se a legislação venezuelana.

Letra C: errada. Não é o local de execução da obrigação que


determina a lei aplicável. O que determina a legislação aplicável é o local
onde a obrigação foi constituída.

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Letra D: errada. É plenamente possível que as partes estabeleçam
no contrato o foro de eleição.

O gabarito é a letra B.

10. (FGV / XV Exame de Ordem Unificado – 2015) Túlio, brasileiro, é


casado com Alexia, de nacionalidade sueca, estando o casal
domiciliado no Brasil. Durante um cruzeiro marítimo, na Grécia, ela,
após a ceia, veio a falecer em razão de uma intoxicação alimentar.
Alexia, quando ainda era noiva de Túlio, havia realizado um
testamento em Lisboa, dispondo sobre os seus bens, entre eles, três
apartamentos situados no Rio de Janeiro.

À luz das regras de Direito Internacional Privado, assinale afirmativa


correta.

a) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito


à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação brasileira,
pois Alexia encontrava-se domiciliada no Brasil.

b) Se houver discussão acerca da que diz respeito à observância das


formalidades, deverá ser aplicada a legislação portuguesa, local em que foi
realizado o ato de disposição da última vontade de Alexia.

c) A autoridade judiciária brasileira não é competente para proceder ao


inventário e à partilha de bens, porquanto Alexia faleceu na Grécia, e não no
Brasil.

d) Se houver discussão acerca do regime sucessório, deverá ser aplicada a


legislação sueca, em razão da nacionalidade do de cujus.

Comentários:

Letra A: errada. O testamento, em seus aspectos formais, é


regulado pela legislação do local em que ele foi celebrado (locus regit
actum). Logo, se houver discussão sobre a validade do testamento, deverá ser
aplicada a legislação portuguesa, uma vez que o testamento foi celebrado em
Lisboa (Portugal).

Letra B: correta. Havendo discussão sobre a validade do testamento,


deverá ser aplicada a legislação portuguesa, uma vez que o testamento foi
celebrado em Lisboa (Portugal).

Letra C: errada. Segundo o art. 23, CPC, é competente a


autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, para
conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil.

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Letra D: errada. Segundo o art. 10, da LINDB, “a sucessão por morte
ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o
desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens”.
Considerando-se que Alexia tinha domicílio no Brasil, será aplicada a legislação
brasileira.

O gabarito é a letra B.

11. (FGV / II Exame de Ordem Unificado - 2010.2) Jogador de


futebol de um importante time espanhol e titular da seleção brasileira
é filmado por um celular em uma casa noturna na Espanha, em
avançado estado de embriaguez. O vídeo é veiculado na internet e tem
grande repercussão no Brasil. Temeroso de ser cortado da seleção
brasileira, o jogador ajuíza uma ação no Brasil contra o portal de
vídeos, cuja sede é na Califórnia, Estados Unidos. O juiz brasileiro:

a) não é competente, porque o réu é pessoa jurídica estrangeira.

b) terá competência porque os danos à imagem ocorreram no Brasil.

c) deverá remeter o caso, por carta rogatória, à justiça norte-americana.

d) terá competência porque o autor tem nacionalidade brasileira.

Comentários:

Na situação apresentada pela questão, temos um jogador de


nacionalidade brasileira com domicílio na Espanha. Ele é filmado embriagado e
o vídeo é divulgado na Internet, por um portal de vídeos com sede nos EUA. O
fato tem grande repercussão, extremamente negativa para sua imagem, aqui
no Brasil.

A pergunta é: perante qual autoridade judiciária, o jogador


brasileiro poderá ajuizar ação para reparar os danos à sua imagem?

Segundo o art. 21, inciso III, a autoridade judiciária brasileira tem


competência para apreciar ação que tenha como fundamento fato ocorrido
ou ato praticado no Brasil. Trata-se de competência concorrente, motivo
pelo qual o jogador brasileiro poderá ingressar com a ação perante
autoridade judiciária brasileira (os danos à imagem ocorreram no Brasil),
sem que isso exclua a possibilidade de apreciação por autoridade judiciária
estrangeira.

Diante do exposto, o gabarito é a letra B.

12. (FGV / II Exame de Ordem Unificado - 2010.2) Um contrato


internacional entre um exportador brasileiro de laranjas e o comprador
americano, previu que em caso de litígio fosse utilizada a arbitragem,

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realizada pela Câmara de Comércio Internacional. O exportador
brasileiro fez a remessa das laranjas, mas estas não atingiram a
qualidade estabelecida no contrato. O comprador entrou com uma
ação no Brasil para discutir o cumprimento do contrato. O juiz decidiu:

a) extinguir o feito sem julgamento de mérito, em face da cláusula arbitral.

b) deferir o pedido, na forma requerida.

c) indeferir o pedido porque o local do cumprimento do contrato é nos Estados


Unidos.

d) deferir o pedido, em razão da competência concorrente da justiça brasileira.

Comentários:

Na situação apresentada pela questão, foi celebrado um contrato


entre um exportador brasileiro e um comprador americano. No contrato, as
partes estabeleceram uma cláusula compromissória (cláusula arbitral). A
qualidade do produto brasileiro não atendeu às expectativas do comprador
americano, motivo pelo qual ele acionou a Justiça brasileira. Considerando que
existe uma cláusula compromissória, o juiz deverá extinguir o processo
sem resolução de mérito. Portanto, a resposta correta é a letra A.

13. (FGV / III Exame de Ordem Unificado – 2010.3) Em junho de


2009, uma construtora brasileira assina, na Cidade do Cabo, África do
Sul, contrato de empreitada com uma empresa local, tendo por objeto
a duplicação de um trecho da rodovia que liga a Cidade do Cabo à
capital do país, Pretória. As contratantes elegem o foro da comarca de
São Paulo para dirimir eventuais dúvidas. Um ano depois, as partes se
desentendem quanto aos critérios técnicos de medição das obras e não
conseguem chegar a uma solução amigável. A construtora brasileira
decide, então, ajuizar, na justiça paulista, uma ação rescisória com o
objetivo de colocar termo ao contrato.

Com relação ao caso hipotético acima, é correto afirmar que:

a) o Poder Judiciário brasileiro não é competente para conhecer e julgar a lide,


pois o foro para dirimir questões em matéria contratual é necessariamente o
do local onde o contrato é assinado.

b) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação sul-africana, pois os contratos se regem pela lei do local
de sua assinatura.

c) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação brasileira, pois um juiz brasileiro não pode ser obrigado a
aplicar leis estrangeiras.

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d) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá se basear na
legislação brasileira, pois em litígios envolvendo brasileiros e estrangeiros
aplica-se a lex fori.

Comentários:

Na situação apresentada pela questão, é celebrado um contrato entre


uma empresa brasileira e uma empresa sul-africana. O contrato é assinado na
África do Sul e as partes elegem o foro da cidade de São Paulo para dirimir as
controvérsias que possam surgir.

Ora, quanto ao foro competente para apreciar a questão, não resta


dúvida. Se as partes optaram por solucionar controvérsias no foro da cidade de
São Paulo, tal escolha deverá prevalecer, em homenagem ao princípio da
autonomia da vontade. Mas qual será a legislação aplicável?

Segundo o art. 9º, caput, da LINDB, para qualificar e reger as


obrigações, será aplicada a lei do país em que estas se constituírem.
Como o contrato foi assinado na África do Sul, será aplicada a legislação sul-
africana. Assim, “o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá
basear sua decisão na legislação sul-africana, pois os contratos se regem pela
lei do local de sua assinatura” (Letra B).

14. (FGV / V Exame de Ordem Unificado – 2011) Em janeiro de 2003,


Martin e Clarisse Green, cidadãos britânicos domiciliados no Rio de
Janeiro, casam-se no Consulado-Geral britânico, localizado na Praia do
Flamengo. Em meados de 2010, decidem se divorciar. Na ausência de
um pacto antenupcial, Clarisse requer, em petição à Vara de Família do
Rio de Janeiro, metade dos bens adquiridos pelo casal desde a
celebração do matrimônio, alegando que o regime legal vigente no
Brasil é o da comunhão parcial de bens. Martin, no entanto, contesta a
pretensão de Clarisse, argumentando que o casamento foi realizado no
consulado britânico e que, portanto, deve ser aplicado o regime legal
de bens vigente no Reino Unido, que lhe é mais favorável.

Com base no caso hipotético acima e nos termos da Lei de Introdução


às Normas do Direito Brasileiro, assinale a alternativa correta.

a) O juiz brasileiro não poderá conhecer e julgar a lide, pois o casamento não
foi realizado perante a autoridade competente.

b) Clarisse tem razão em sua demanda, pois o regime de bens é regido pela
lex domicilli dos nubentes e, ao tempo do casamento, ambos eram
domiciliados no Brasil.

c) Martin tem razão em sua contestação, pois o regime de bens se rege pela lei
do local da celebração (lex loci celebrationis), e o casamento foi celebrado no
consulado britânico.

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d) O regime de bens obedecerá à lex domicilli dos cônjuges quanto aos bens
móveis e à lex rei sitae (ou seja, a lei do lugar onde estão) quanto aos bens
imóveis, se houver.

Comentários:

Diante da situação apresentada, a primeira pergunta que se faz é a


seguinte: é possível que dois estrangeiros se casem no Brasil?

Sim, é plenamente possível que dois estrangeiros se casem no Brasil.


E, segundo o art. 7º, § 2º, da LINDB, o casamento de estrangeiros poderá
celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de
ambos os nubentes. Foi o que aconteceu no caso relatado pela questão: Martin
e Clarisse se casaram no Consulado-Geral Britânico.

Agora uma segunda pergunta: tendo Martin e Clarisse se divorciado,


qual regime legal de bens será aplicado?

A resposta também nos é dada pela LINDB. Segundo o art. 7º § 4º,


da LINDB, o regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em
que tiverem os nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro
domicílio conjugal. Ora, considerando que Clarisse e Martin tinham domicílio no
Brasil, o regime de bens a ser aplicado é o previsto na legislação brasileira.

Dessa forma, a resposta correta é a letra B: “Clarisse tem razão em


sua demanda, pois o regime de bens é regido pela lex domicilli dos nubentes e,
ao tempo do casamento, ambos eram domiciliados no Brasil”.

15. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) Uma sociedade


brasileira, sediada no Rio de Janeiro, resolveu contratar uma
sociedade americana, sediada em Nova York, para realizar um estudo
que lhe permitisse expandir suas atividades no exterior, para poder
vender seus produtos no mercado americano. Depois de várias
negociações, o representante da sociedade americana veio ao Brasil, e
o contrato de prestação de serviços foi assinado no Rio de Janeiro. Não
há no contrato uma cláusula de lei aplicável, mas alguns princípios do
UNIDROIT foram incorporados ao texto final. Por esse contrato, o
estudo deveria ser entregue em seis meses. No entanto, apesar da
intensa troca de informações, passados 10 meses, o contrato não foi
cumprido. A sociedade brasileira ajuizou uma ação no Brasil,
invocando a cláusula penal do contrato, que previa um desconto de
10% no preço total do serviço por cada mês de atraso. A sociedade
americana, na sua contestação, alegou que a cláusula era inválida
segundo o direito americano.

Conforme a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, qual é a


lei material que o juiz deverá aplicar para solucionar a causa?

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a) A lei brasileira, pois o contrato foi firmado no Brasil.

b) A lei americana, pois o réu é domiciliado nos Estados Unidos.

c) Os princípios do UNIDROIT, porque muitas cláusulas foram inspiradas nessa


legislação.

d) A Lex Mercatoria, porque o que rege o contrato internacional é a prática


internacional.

Comentários:

O contrato foi assinado no Brasil, logo será aplicável a lei brasileira.


Isso é o que prevê o art. 9º, da LINDB, segundo o qual para qualificar e reger
as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem. A
resposta, portanto, é a letra A.

16. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) Tício, espanhol, era


casado com Tácita, brasileira. Os cônjuges eram domiciliados no Brasil.
Tício possuía uma filha adotiva espanhola, cujo nome é Mévia, e que
residia com o pai. Em razão de um grave acidente na Argentina, Tício
faleceu. O de cujus era proprietário de dois bens imóveis em Barcelona
e um bem imóvel no Rio de Janeiro.

Diante da situação exposta, à luz das regras de Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) e do Código de Processo Civil Brasileiro (CPC),
assinale a assertiva correta.

a) Ainda que a lei espanhola não conceda direitos sucessórios à filha adotiva,
poderá ela habilitar-se na ação de inventário ajuizada pelo cônjuge supérstite,
no Brasil, regendo-se a sucessão pela lei brasileira, que não faz qualquer
distinção entre filhos naturais e adotivos.

b) A capacidade de suceder da filha é regulada pela legislação espanhola.

c) A ação de inventário e partilha de todos os bens é de competência exclusiva


do Poder Judiciário Brasileiro, já que o de cujus era domiciliado no Brasil.

d) Se o de cujus houvesse deixado bens imóveis somente na Espanha, a


sucessão seria regida pela lei espanhola.

Comentários:

Na situação apresentada, Tício, de nacionalidade espanhola, vem a


falecer, deixando como herança 2 imóveis na Espanha e 1 imóvel no Brasil.

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Quanto ao foro competente, é importante destacar que a autoridade
judiciária brasileira tem competência exclusiva para proceder ao inventário
e à partilha do imóvel situado no Brasil. Quanto aos imóveis situados na
Espanha, a competência para proceder ao inventário e à partilha não é da
autoridade judiciária brasileira. (Letra C errada)

Definidos os foros competentes, cabe agora analisar qual a legislação


aplicável à sucessão.

Primeira pergunta: qual legislação irá regular a capacidade para


suceder da filha (Mévia)? Segundo a LINDB, a capacidade para suceder é
regulada pela lei do domicílio do herdeiro ou do legatório. Considerando que
Mévia tem domicílio no Brasil, a capacidade para suceder será regulada pela lei
brasileira. (Letra B errada)

Segunda pergunta: qual é a legislação aplicável à sucessão?

Segundo a LINDB, a sucessão por morte ou por ausência obedece


à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que
seja a natureza e a situação dos bens. Assim, um brasileiro com domicílio na
Espanha terá sua sucessão regulada pela lei espanhola. Trata-se da aplicação
da lex domicilii.

A LINDB estabelece, ainda, que a sucessão de bens de


estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente,
sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. Trata-se da
aplicação da lex rei sitae.

No caso concreto, Tício é estrangeiro e deixou 1 (um) imóvel no


Brasil. Portanto, a sucessão será regulada pela lei brasileira em benefício
do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, desde que
não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. Quanto aos
imóveis situados na Espanha, será aplicada a lei do domicílio de Tício; logo,
será aplicável a legislação brasileira.

Perceba que, mesmo que o “de cujus” tivesse deixado imóveis apenas
na Espanha, seria aplicável à sucessão a lei brasileira, uma vez que o elemento
de conexão, nesse caso, é a lei do domicílio (e não a da situação do imóvel).
Portanto, a Letra D está errada.

Resta-nos o exame da Letra A, que está correta. Será aplicável à


sucessão a lei brasileira e, portanto, Mévia poderá habilitar-se na ação de
inventário ajuizada pelo cônjuge supérstite (cônjuge que não faleceu!), no
Brasil, regendo-se a sucessão pela lei brasileira, que não faz qualquer distinção
entre filhos naturais e adotivos.

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17. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) A sociedade
empresária do ramo de comunicações A Notícia Brasileira, com sede no
Brasil, celebrou contrato internacional de prestação de serviços de
informática com a sociedade empresária Santiago Info, com sede em
Santiago. O contrato foi celebrado em Buenos Aires, capital argentina,
tendo sido estabelecido como foro de eleição pelas partes Santiago, se
porventura houver a necessidade de resolução de litígio entre as
partes.

Diante da situação exposta, à luz das regras de Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) e no estatuto processual civil pátrio (Código de
Processo Civil – CPC), assinale a alternativa correta.

a) No tocante à regência das obrigações previstas no contrato, aplica-se a


legislação chilena, já que Santiago foi eleito o foro competente para se dirimir
eventual controvérsia.

b) Nos contratos internacionais, a lei que rege a capacidade das partes pode
ser diversa da que rege o contrato. É o que se verifica no caso exposto acima.

c) Como a execução da obrigação avençada entre as partes se dará no Brasil,


aplica-se, obrigatoriamente, no tocante ao cumprimento do contrato, a
legislação brasileira.

d) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro veda expressamente o


foro de eleição, razão pela qual é nula ipso jure a cláusula estabelecida pelas
partes nesse sentido.

Comentários:

Letra A: errada. Será aplicada a legislação argentina, uma vez que o


contrato foi celebrado em Buenos Aires.

Letra B: correta. A lei que rege a capacidade das partes é a lei do


país em que ele estiver domiciliado. Os contratos, por sua vez, são
julgados levando-se em consideração o local onde a obrigação for constituída.

Letra C: errada. Para definir qual o direito aplicável, deve ser


verificado onde a obrigação foi assumida. Tendo sido assumida na Argentina, o
direito aplicável será o urgente.

Letra D: errada. A LINDB não veda expressamente o foro de


eleição.

18. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) Arnaldo Butti,


cidadão brasileiro, falece em Roma, Itália, local onde residia e tinha
domicílio. Em seu testamento, firmado em sua residência poucos dias

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antes de sua morte, Butti, que não tinha herdeiros naturais, deixou um
imóvel localizado na Avenida Atlântica, na cidade do Rio de Janeiro,
para Júlia, neta de sua enfermeira, que vive no Brasil. Inconformada
com a partilha, Fernanda, brasileira, sobrinha-neta do falecido, que há
dois anos vivia de favor no referido imóvel, questiona no Judiciário
brasileiro a validade do testamento. Alega, em síntese, que, embora
obedecesse a todas as formalidades previstas na lei italiana, o ato não
seguiu todas as formalidades preconizadas pela lei brasileira.

Com base na hipótese acima aventada, assinale a alternativa correta.

a) Fernanda tem razão em seu questionamento, pois a sucessão testamentária


de imóvel localizado no Brasil rege-se, inclusive quanto à forma, pela lei do
local onde a coisa se situa (lex rei sitae).

b) Fernanda tem razão em questionar a validade do testamento, pois a Lei de


Introdução às Normas do Direito Brasileiro veda a partilha de bens imóveis
situados no Brasil por ato testamentário firmado no exterior.

c) Fernanda não tem razão em questionar a validade do testamento, pois o ato


testamentário se rege, quanto à forma, pela lei do local onde foi celebrado
(locus regit actum).

d) O questionamento de Fernanda não será apreciado, pois a Justiça brasileira


não possui competência para conhecer e julgar o mérito de ações que versem
sobre atos testamentários realizados no exterior.

Comentários:

Segundo art. 9º, da LINDB, para qualificar e reger as obrigações


aplica-se a lei do país em que estas se constituírem. Com base nesse
dispositivo, entende a doutrina que o testamento, em seus aspectos formais,
é regido pela lei do local em que ele foi celebrado (locus regit actum). Por
outro lado, em seus aspectos substanciais (materiais), a sucessão
testamentária será regida pela lei do domicílio do “de cujus”.

Diante disso, Fernanda não tem razão em argumentar que o


testamento não seguiu as formalidades preconizadas pela legislação brasileira.
A validade formal do testamento deve cumprir, na verdade, a legislação
italiana, uma vez que ele foi celebrado naquele país. A resposta, portanto, é a
letra C.

19. (FGV / VII Exame de Ordem Unificado – 2012) Um jato privado,


pertencente a uma empresa norte-americana, se envolve em um
incidente que resulta na queda de uma aeronave comercial brasileira
em território brasileiro, provocando dezenas de mortes. A família de
uma das vítimas brasileiras inicia uma ação no Brasil contra a empresa
norte-americana, pedindo danos materiais e morais. A empresa norte-

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americana alega que a competência para julgar o caso é da justiça
americana.

Segundo o direito brasileiro, o juiz brasileiro:

a) tem competência concorrente porque o acidente ocorreu em território


brasileiro.

b) não tem competência concorrente porque o réu é empresa estrangeira que


não opera no Brasil.

c) não tem competência, absoluta ou relativa, e deverá remeter o caso, por


carta rogatória, à justiça americana.

d) tem competência concorrente porque a vítima tinha nacionalidade brasileira.

Comentários:

Segundo o art. 21, inciso III, do Código de Processo Civil, a


autoridade judiciária brasileira é competente quando a ação tiver como
fundamento fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. Trata-se de
competência concorrente, o que significa que não fica excluída a competência
para apreciar a questão de uma autoridade judiciária estrangeira.

Na situação apresentada pela questão, a ação de reparação de danos


deriva de um fato ocorrido no Brasil (queda da aeronave). Daí podermos dizer
que o juiz brasileiro terá competência concorrente para apreciar a lide. A
resposta, portanto, é a letra A.

20. (FGV / IX Exame de Ordem Unificado – 2012) José, de


nacionalidade brasileira, era casado com Maria, de nacionalidade
sueca, encontrando-se o casal domiciliado no Brasil. Durante a viagem
de “lua de mel”, na França, Maria, após o jantar, veio a falecer, em
razão de uma intoxicação alimentar. Maria, quando ainda era noiva de
José, havia realizado testamento em Londres, dispondo sobre os seus
bens, entre eles dois imóveis situados no Rio de Janeiro.

À luz das regras de Direito Internacional Privado, assinale a afirmativa


correta.

a) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito


à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação brasileira,
pois Maria encontrava-se domiciliada no Brasil.

b) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito


à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação inglesa, local
em que foi realizado o ato de disposição de última vontade de Maria.

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c) A autoridade judiciária brasileira não é competente para proceder ao
inventário e à partilha de bens, porquanto Maria faleceu na França, e não no
Brasil.

d) Se houver discussão acerca do regime sucessório, deverá ser aplicada a


legislação sueca, em razão da nacionalidade do de cujus.

Comentários:

Letra A: errada. O testamento, em seus aspectos formais, é


regulado pela legislação do local em que ele foi celebrado (locus regit
actum). Logo, deverá ser aplicada a legislação inglesa, pois o testamento foi
celebrado em Londres, na Inglaterra.

Letra B: correta. De fato, deverá ser aplicada a legislação inglesa se


houver discussão quanto às formalidades do testamento, uma vez que este foi
celebrado na Inglaterra.

Letra C: errada. Segundo o art. 23, inciso II, do Código de Processo


Civil, a autoridade judiciária brasileira tem competência exclusiva para
proceder ao inventário e a partilha de bens situados no Brasil, ainda que o
autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional.

Letra D: errada. A sucessão de bens de estrangeiros situados no


País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos
brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de
cujus". Na situação apresentada, Maria (estrangeira) deixou de herança dois
imóveis no Brasil. Logo, a eles será aplicada a lei brasileira, salvo se for mais
benéfica a lei brasileira.

21. (FGV / X Exame de Ordem Unificado – 2013) A respeito dos


elementos de conexão no Brasil, assinale a afirmativa correta.

a) A lei da nacionalidade da pessoa determina as regras sobre o começo e o


fim da personalidade.

b) A Lex loci executionis é aplicável aos contratos de trabalho, os quais, ainda


que tenham sido celebrados no exterior, são regidos pela norma do local da
execução das atividades laborais.

c) A norma do país em que é domiciliada a vítima aplica-se aos casos de


responsabilidade por ato ilícito extracontratual.

d) O elemento de conexão Lex loci executionis ou Lex loci solutionis é o critério


aplicável, como regra geral, para qualificar e reger as obrigações.

Comentários:

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Letra A: errada. Segundo o art. 7º, da LINDB, a lei do país em que
domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.

Letra B: foi considerada correta pela FGV. Ela se baseia na Súmula


207 do TST, que dispõe o seguinte: “A relação jurídica trabalhista é regida
pelas leis vigentes no país da prestação de serviço e não por aquelas do local
da contratação.” Com base nessa Súmula, era possível afirmar que aos
contratos de trabalho aplicava-se a Lex loci executionis.

O grande problema é que a Súmula 207 do TST foi cancelada em


2012 por ter se tornado obsoleta. Atualmente, a jurisprudência do TST
considera que aplica-se aos contratos de trabalho a norma que seja mais
favorável ao trabalhador. Assim, a questão está errada.

Letra C: errada. No Brasil, as obrigações (contratuais e


extracontratuais) são regidas pela lei do local em que forem constituídas, nos
termos do art. 9º, da LINDB.

Letra D: errada. Para qualificar e reger as obrigações, aplica-se a lei


do país em que elas forem constituídas.

22. (Juiz Federal – TRF 1ª Região / 2009-adaptada) A respeito das


normas de direito internacional privado estabelecidas na Lei de
Introdução ao Código Civil, assinale a opção correta.

a) O regime de bens obedece à lei do país em que os nubentes tiverem


domicílio e, se este for diverso, à do último domicílio conjugal.

b) Para qualificar os bens, aplicar-se-á a lei do país de que o proprietário for


nacional.

c) Compete à autoridade judiciária brasileira e, subsidiariamente, à do país em


que for domiciliado o autor, conhecer das ações relativas a imóveis situados no
Brasil.

d) As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de


vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional,
a ordem pública e os bons costumes.

e) A lei do domicílio do de cujus regula a capacidade para suceder.

Comentários:

Letra A: errada. De fato, o regime de bens dos nubentes obedece à


lei do país em que estes tiverem domicílio. No entanto, caso o domicílio seja
diverso, aplica-se a lei do primeiro domicílio conjugal.

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Letra B: errada. Para qualificar os bens e regular as relações a eles
concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados.

Letra C: errada. Segundo o art. 23, I, do CPC, compete


exclusivamente à autoridade judiciária brasileira conhecer de ações
relativas a imóveis situados no Brasil.

Letra D: correta. Isso é o que dispõe o art. 17, da LINDB.

Letra E: errada. Segundo o art. 10, § 2º, da LINDB, a lei do


domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.

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LISTA DE QUESTÕES

1. (FGV / XXI Exame de Ordem – 2016) O Acordo de Cooperação e


Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e
Administrativa entre os Estados Partes do Mercosul, a República da
Bolívia e a República do Chile, foi promulgado no Brasil por meio do
Decreto nº 6.891/09, tendo por finalidade estabelecer as bases em
que a cooperação e a assistência jurisdicional entre os Estados
membros será realizada.

A respeito desse instrumento, assinale a afirmativa correta.

a) A indicação das autoridades centrais responsáveis pelo recebimento e


andamento de pedidos de assistência jurisdicional é realizada pelo Grupo
Mercado Comum.

b) Os nacionais ou residentes permanentes de outro Estado membro, para que


possam se beneficiar do mecanismo de cooperação jurisdicional em
determinado Estado membro, deverão prestar caução.

c) Os procedimentos para cumprimento de uma carta rogatória recebida sob a


guarida do Acordo são determinados pela lei interna do Estado em que a carta
deverá ser cumprida, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a observação
de procedimentos diversos solicitados pelo Estado de onde provenha a carta.

d) Uma sentença ou um laudo arbitral proveniente de um determinado Estado,


cujo reconhecimento e execução seja solicitado a outro Estado membro, pode
ter sua eficácia admitida pela autoridade jurisdicional do Estado requerido
apenas parcialmente.

2. (FGV / XX Exame de Ordem – 2016) Em 2013, uma empresa de


consultoria brasileira assina, na cidade de Londres, Reino Unido,
contrato de prestação de serviços com uma empresa local. As
contratantes elegem o foro da comarca do Rio de Janeiro para dirimir
eventuais dúvidas, com a exclusão de qualquer outro.

Dois anos depois, as partes se desentendem quanto aos critérios


técnicos previstos no contrato e não conseguem chegar a uma solução
amigável. A empresa de consultoria brasileira decide, então, ajuizar
uma ação no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para
rescindir o contrato.

Com relação ao caso narrado acima, assinale a afirmativa correta.

a) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação brasileira, pois um juiz brasileiro não pode ser obrigado a
aplicar leis estrangeiras.

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b) O Poder Judiciário brasileiro não é competente para conhecer e julgar a lide,
pois o foro para dirimir questões em matéria contratual é necessariamente o
do local em que o contrato foi assinado.

c) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação do Reino Unido, pois os contratos se regem pela lei do
local de sua assinatura.

d) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá se basear na


legislação brasileira, pois, a litígios envolvendo brasileiros e estrangeiros,
aplica-se a lex fori.

3. (FGV / XX Exame de Ordem – 2016) Lúcia, brasileira, casou-se


com Mauro, argentino, há 10 anos, em elegante cerimônia realizada no
Nordeste brasileiro. O casal vive atualmente em Buenos Aires com
seus três filhos menores. Por diferenças inconciliáveis, Lúcia pretende
se divorciar de Mauro, ajuizando, para tanto, a competente ação de
divórcio, a fim de partilhar os bens do casal: um apartamento em
Buenos Aires/Argentina e uma casa de praia em Trancoso/Bahia.
Mauro não se opõe à ação.

Com relação à ação de divórcio, assinale a afirmativa correta.

a) Ação de divórcio só poderá ser ajuizada no Brasil, eis que o casamento foi
realizado em território brasileiro.

b) Caso Lúcia ingresse com a ação perante a Justiça argentina, não poderá
partilhar a casa de praia.

c) Eventual sentença argentina de divórcio, para produzir efeitos no Brasil,


deverá ser primeiramente homologada pelo Superior Tribunal de Justiça.

d) Ação de divórcio, se consensual, poderá ser ajuizada tanto no Brasil quanto


na Argentina, sendo ambos os países competentes para decidir acerca da
guarda das criança e da partilha dos bens.

4. (FGV / XIX Exame de Ordem – 2016) Para a aplicação da


Convenção sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de
Crianças, Lígia recorre à autoridade central brasileira, quando Arnaldo,
seu marido, que tem dupla-nacionalidade, viaja para os Estados Unidos
com a filha de 17 anos do casal e não retorna na data prometida.
Arnaldo alega que entrará com pedido de divórcio e passará a viver
com a filha menor no exterior.

Com base no caso apresentado, a autoridade central brasileira

a) deverá acionar diretamente a autoridade central estadunidense para que


tome as medidas necessárias para o retorno da filha ao Brasil.

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b) deverá ingressar na Justiça Federal brasileira, em nome de Lígia, para que a
Justiça Federal mande acionar a autoridade central estadunidense para que
tome as medidas necessárias para o retorno da filha ao Brasil.

c) não deverá apreciar o pleito de Lígia, eis que a filha é maior de 16 anos.

d) não deverá apreciar o pleito de Lígia, eis que o pai também possui direito de
guarda sobre a filha, já que o divórcio ainda não foi realizado.

5. (FGV / XIX Exame de Ordem – 2016) Ex-dirigente de federação


sul-americana de futebol, após deixar o cargo que exercia em seu país
de origem, sabedor de que existe uma investigação em curso na
Colômbia, opta por fixar residência no Brasil, pelo fato de ser
estrangeiro casado com brasileira, com a qual tem dois filhos
pequenos. Anos depois, já tendo se naturalizado brasileiro, o governo
da Colômbia pede a sua extradição em razão de sentença que o
condenou por crime praticado quando ocupava cargo na federação sul-
americana de futebol.

Essa extradição:

a) não poderá ser concedida, porque o Brasil não extradita seus nacionais.

b) não poderá ser concedida, porque o extraditando tem filhos menores sob
sua dependência econômica.

c) poderá ser concedida, porque o extraditando não é brasileiro nato.

d) poderá ser concedida se o país de origem do extraditando tiver tratado de


extradição com a França.

6. (XVIII Exame de Ordem Unificado – 2015) Ricardo, brasileiro


naturalizado, mora na cidade do Rio de Janeiro há 9 (nove) anos. Em
visita a parentes italianos, conhece Giulia, residente em Roma, com
quem passa a ter um relacionamento amoroso. Após 3 (três) anos de
namoro a distância, ficam noivos e celebram matrimônio em território
italiano. De comum acordo, o casal estabelece seu primeiro domicílio
em São Paulo, onde ambos possuem oportunidades de trabalho.

À luz das regras de Direito Internacional Privado, veiculadas na Lei de


Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), não havendo
pacto antenupcial, assinale a opção que indica a legislação que irá
reger o regime de bens entre os cônjuges.

a) Aplicável a Lei italiana, haja vista que nenhum dos cônjuges é brasileiro
nato.

b) Aplicável a Lei italiana, em razão do local em que foi realizado o casamento.

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c) Aplicável a Lei brasileira, em razão do domicílio do cônjuge varão.

d) Aplicável a Lei brasileira, porque aqui constituído o primeiro domicílio do


casal.

7. (XVIII Exame de Ordem Unificado – 2015) Uma carta rogatória


foi encaminhada, nos termos da Convenção Interamericana sobre
Cartas Rogatórias, para citação de pessoa física domiciliada em São
Paulo, para responder a processo de divórcio nos Estados Unidos. A
esse respeito, assinale a opção correta.

a) Não será necessário obter exequatur em função do tratado multilateral


ratificado por ambos os países.

b) O STJ deverá conceder o exequatur, cabendo à justiça estadual cumprir a


ordem de citação.

c) A concessão de exequatur caberá ao STJ e seu posterior cumprimento à


justiça federal.

d) A concessão de exequatur e seu posterior cumprimento caberão à


autoridade central indicada na Convenção Interamericana sobre Cartas
Rogatórias.

8. (FGV / XII Exame de Ordem Unificado – 2013) A sociedade


empresária Airplane Ltda., fabricante de aeronaves, sediada na China,
celebrou contrato internacional de compra e venda com a sociedade
empresária Voe Rápido Ltda, com sede na Argentina. O contrato foi
celebrado no Japão, em razão de uma feira promocional que ali se
realizava. Conforme estipulado no contrato, as aeronaves deveriam ser
entregues pela Airplane Ltda., na cidade do Rio de Janeiro, no dia 1º
de abril de 2011, onde a sociedade Voe Rápido Ltda. possui uma filial e
realiza a atividade empresarial de transporte de passageiros.

Diante da situação exposta, à luz das regras de Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) e no estatuto processual civil brasileiro (Código de
Processo Civil – CPC), assinale a afirmativa INCORRETA.

a) Não sendo as aeronaves entregues no prazo avençado, o Poder Judiciário


brasileiro é competente para julgar eventual demanda em que a credora
postule o cumprimento do contrato.

b) No tocante à regência das obrigações, aplica-se, no caso vertente, a


legislação japonesa.

c) O Poder Judiciário Brasileiro não é competente para julgar eventual ação por
inadimplemento contratual, pois o contrato não foi constituído no Brasil.

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d) O juiz, não conhecendo a lei estrangeira, poderá exigir de quem a invoca
prova do texto e da vigência.

9. (FGV / XVII Exame de Ordem Unificado – 2015) A sociedade


empresária brasileira do ramo de comunicação, Personalidades,
celebrou contrato internacional de prestação de serviços de
informática, no Brasil, com a sociedade empresária uruguaia
Sacramento. O contrato foi celebrado em Caracas, capital venezuelana,
tendo sido estabelecido pelas partes, como foro de eleição,
Montevidéu.

Diante da situação exposta, à luz das regras do Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) e no Código de Processo Civil, assinale a afirmativa
correta.

a) No tocante à regência das obrigações previstas no contrato, aplica-se a


legislação uruguaia, já que Montevidéu foi eleito o foro competente para se
dirimir eventual controvérsia.

b) Para qualificar e reger as obrigações do presente contrato, aplicar-se-á a lei


venezuelana.

c) Como a execução da obrigação avençada entre as partes se dará no Brasil,


aplica-se, obrigatoriamente, no tocante ao cumprimento do contrato, a
legislação brasileira.

d) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro veda expressamente o


foro de eleição, razão pela qual é nula ipse jure a cláusula estabelecida pelas
partes nesse sentido.

10. (FGV / XV Exame de Ordem Unificado – 2015) Túlio, brasileiro, é


casado com Alexia, de nacionalidade sueca, estando o casal
domiciliado no Brasil. Durante um cruzeiro marítimo, na Grécia, ela,
após a ceia, veio a falecer em razão de uma intoxicação alimentar.
Alexia, quando ainda era noiva de Túlio, havia realizado um
testamento em Lisboa, dispondo sobre os seus bens, entre eles, três
apartamentos situados no Rio de Janeiro.

À luz das regras de Direito Internacional Privado, assinale afirmativa


correta.

a) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito


à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação brasileira,
pois Alexia encontrava-se domiciliada no Brasil.

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b) Se houver discussão acerca da que diz respeito à observância das
formalidades, deverá ser aplicada a legislação portuguesa, local em que foi
realizado o ato de disposição da última vontade de Alexia.

c) A autoridade judiciária brasileira não é competente para proceder ao


inventário e à partilha de bens, porquanto Alexia faleceu na Grécia, e não no
Brasil.

d) Se houver discussão acerca do regime sucessório, deverá ser aplicada a


legislação sueca, em razão da nacionalidade do de cujus.

11. (FGV / II Exame de Ordem Unificado - 2010.2) Jogador de


futebol de um importante time espanhol e titular da seleção brasileira
é filmado por um celular em uma casa noturna na Espanha, em
avançado estado de embriaguez. O vídeo é veiculado na internet e tem
grande repercussão no Brasil. Temeroso de ser cortado da seleção
brasileira, o jogador ajuíza uma ação no Brasil contra o portal de
vídeos, cuja sede é na Califórnia, Estados Unidos. O juiz brasileiro:

a) não é competente, porque o réu é pessoa jurídica estrangeira.

b) terá competência porque os danos à imagem ocorreram no Brasil.

c) deverá remeter o caso, por carta rogatória, à justiça norte-americana.

d) terá competência porque o autor tem nacionalidade brasileira.

12. (FGV / II Exame de Ordem Unificado - 2010.2) Um contrato


internacional entre um exportador brasileiro de laranjas e o comprador
americano, previu que em caso de litígio fosse utilizada a arbitragem,
realizada pela Câmara de Comércio Internacional. O exportador
brasileiro fez a remessa das laranjas, mas estas não atingiram a
qualidade estabelecida no contrato. O comprador entrou com uma
ação no Brasil para discutir o cumprimento do contrato. O juiz decidiu:

a) extinguir o feito sem julgamento de mérito, em face da cláusula arbitral.

b) deferir o pedido, na forma requerida.

c) indeferir o pedido porque o local do cumprimento do contrato é nos Estados


Unidos.

d) deferir o pedido, em razão da competência concorrente da justiça brasileira.

13. (FGV / III Exame de Ordem Unificado – 2010.3) Em junho de


2009, uma construtora brasileira assina, na Cidade do Cabo, África do
Sul, contrato de empreitada com uma empresa local, tendo por objeto
a duplicação de um trecho da rodovia que liga a Cidade do Cabo à

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capital do país, Pretória. As contratantes elegem o foro da comarca de
São Paulo para dirimir eventuais dúvidas. Um ano depois, as partes se
desentendem quanto aos critérios técnicos de medição das obras e não
conseguem chegar a uma solução amigável. A construtora brasileira
decide, então, ajuizar, na justiça paulista, uma ação rescisória com o
objetivo de colocar termo ao contrato.

Com relação ao caso hipotético acima, é correto afirmar que:

a) o Poder Judiciário brasileiro não é competente para conhecer e julgar a lide,


pois o foro para dirimir questões em matéria contratual é necessariamente o
do local onde o contrato é assinado.

b) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação sul-africana, pois os contratos se regem pela lei do local
de sua assinatura.

c) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação brasileira, pois um juiz brasileiro não pode ser obrigado a
aplicar leis estrangeiras.

d) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá se basear na


legislação brasileira, pois em litígios envolvendo brasileiros e estrangeiros
aplica-se a lex fori.

14. (FGV / V Exame de Ordem Unificado – 2011) Em janeiro de 2003,


Martin e Clarisse Green, cidadãos britânicos domiciliados no Rio de
Janeiro, casam-se no Consulado-Geral britânico, localizado na Praia do
Flamengo. Em meados de 2010, decidem se divorciar. Na ausência de
um pacto antenupcial, Clarisse requer, em petição à Vara de Família do
Rio de Janeiro, metade dos bens adquiridos pelo casal desde a
celebração do matrimônio, alegando que o regime legal vigente no
Brasil é o da comunhão parcial de bens. Martin, no entanto, contesta a
pretensão de Clarisse, argumentando que o casamento foi realizado no
consulado britânico e que, portanto, deve ser aplicado o regime legal
de bens vigente no Reino Unido, que lhe é mais favorável.

Com base no caso hipotético acima e nos termos da Lei de Introdução


às Normas do Direito Brasileiro, assinale a alternativa correta.

a) O juiz brasileiro não poderá conhecer e julgar a lide, pois o casamento não
foi realizado perante a autoridade competente.

b) Clarisse tem razão em sua demanda, pois o regime de bens é regido pela
lex domicilli dos nubentes e, ao tempo do casamento, ambos eram
domiciliados no Brasil.

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c) Martin tem razão em sua contestação, pois o regime de bens se rege pela lei
do local da celebração (lex loci celebrationis), e o casamento foi celebrado no
consulado britânico.

d) O regime de bens obedecerá à lex domicilli dos cônjuges quanto aos bens
móveis e à lex rei sitae (ou seja, a lei do lugar onde estão) quanto aos bens
imóveis, se houver.

15. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) Uma sociedade


brasileira, sediada no Rio de Janeiro, resolveu contratar uma
sociedade americana, sediada em Nova York, para realizar um estudo
que lhe permitisse expandir suas atividades no exterior, para poder
vender seus produtos no mercado americano. Depois de várias
negociações, o representante da sociedade americana veio ao Brasil, e
o contrato de prestação de serviços foi assinado no Rio de Janeiro. Não
há no contrato uma cláusula de lei aplicável, mas alguns princípios do
UNIDROIT foram incorporados ao texto final. Por esse contrato, o
estudo deveria ser entregue em seis meses. No entanto, apesar da
intensa troca de informações, passados 10 meses, o contrato não foi
cumprido. A sociedade brasileira ajuizou uma ação no Brasil,
invocando a cláusula penal do contrato, que previa um desconto de
10% no preço total do serviço por cada mês de atraso. A sociedade
americana, na sua contestação, alegou que a cláusula era inválida
segundo o direito americano.

Conforme a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, qual é a


lei material que o juiz deverá aplicar para solucionar a causa?

a) A lei brasileira, pois o contrato foi firmado no Brasil.

b) A lei americana, pois o réu é domiciliado nos Estados Unidos.

c) Os princípios do UNIDROIT, porque muitas cláusulas foram inspiradas nessa


legislação.

d) A Lex Mercatoria, porque o que rege o contrato internacional é a prática


internacional.

16. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) Tício, espanhol,


era casado com Tácita, brasileira. Os cônjuges eram domiciliados no
Brasil. Tício possuía uma filha adotiva espanhola, cujo nome é Mévia, e
que residia com o pai. Em razão de um grave acidente na Argentina,
Tício faleceu. O de cujus era proprietário de dois bens imóveis em
Barcelona e um bem imóvel no Rio de Janeiro.

Diante da situação exposta, à luz das regras de Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito

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Brasileiro (LINDB) e do Código de Processo Civil Brasileiro (CPC),
assinale a assertiva correta.

a) Ainda que a lei espanhola não conceda direitos sucessórios à filha adotiva,
poderá ela habilitar-se na ação de inventário ajuizada pelo cônjuge supérstite,
no Brasil, regendo-se a sucessão pela lei brasileira, que não faz qualquer
distinção entre filhos naturais e adotivos.

b) A capacidade de suceder da filha é regulada pela legislação espanhola.

c) A ação de inventário e partilha de todos os bens é de competência exclusiva


do Poder Judiciário Brasileiro, já que o de cujus era domiciliado no Brasil.

d) Se o de cujus houvesse deixado bens imóveis somente na Espanha, a


sucessão seria regida pela lei espanhola.

17. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) A sociedade


empresária do ramo de comunicações A Notícia Brasileira, com sede no
Brasil, celebrou contrato internacional de prestação de serviços de
informática com a sociedade empresária Santiago Info, com sede em
Santiago. O contrato foi celebrado em Buenos Aires, capital argentina,
tendo sido estabelecido como foro de eleição pelas partes Santiago, se
porventura houver a necessidade de resolução de litígio entre as
partes.

Diante da situação exposta, à luz das regras de Direito Internacional


Privado veiculadas na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) e no estatuto processual civil pátrio (Código de
Processo Civil – CPC), assinale a alternativa correta.

a) No tocante à regência das obrigações previstas no contrato, aplica-se a


legislação chilena, já que Santiago foi eleito o foro competente para se dirimir
eventual controvérsia.

b) Nos contratos internacionais, a lei que rege a capacidade das partes pode
ser diversa da que rege o contrato. É o que se verifica no caso exposto acima.

c) Como a execução da obrigação avençada entre as partes se dará no Brasil,


aplica-se, obrigatoriamente, no tocante ao cumprimento do contrato, a
legislação brasileira.

d) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro veda expressamente o


foro de eleição, razão pela qual é nula ipso jure a cláusula estabelecida pelas
partes nesse sentido.

18. (FGV / VI Exame de Ordem Unificado – 2011) Arnaldo Butti,


cidadão brasileiro, falece em Roma, Itália, local onde residia e tinha
domicílio. Em seu testamento, firmado em sua residência poucos dias

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antes de sua morte, Butti, que não tinha herdeiros naturais, deixou um
imóvel localizado na Avenida Atlântica, na cidade do Rio de Janeiro,
para Júlia, neta de sua enfermeira, que vive no Brasil. Inconformada
com a partilha, Fernanda, brasileira, sobrinha-neta do falecido, que há
dois anos vivia de favor no referido imóvel, questiona no Judiciário
brasileiro a validade do testamento. Alega, em síntese, que, embora
obedecesse a todas as formalidades previstas na lei italiana, o ato não
seguiu todas as formalidades preconizadas pela lei brasileira.

Com base na hipótese acima aventada, assinale a alternativa correta.

a) Fernanda tem razão em seu questionamento, pois a sucessão testamentária


de imóvel localizado no Brasil rege-se, inclusive quanto à forma, pela lei do
local onde a coisa se situa (lex rei sitae).

b) Fernanda tem razão em questionar a validade do testamento, pois a Lei de


Introdução às Normas do Direito Brasileiro veda a partilha de bens imóveis
situados no Brasil por ato testamentário firmado no exterior.

c) Fernanda não tem razão em questionar a validade do testamento, pois o ato


testamentário se rege, quanto à forma, pela lei do local onde foi celebrado
(locus regit actum).

d) O questionamento de Fernanda não será apreciado, pois a Justiça brasileira


não possui competência para conhecer e julgar o mérito de ações que versem
sobre atos testamentários realizados no exterior.

19. (FGV / VII Exame de Ordem Unificado – 2012) Um jato privado,


pertencente a uma empresa norte-americana, se envolve em um
incidente que resulta na queda de uma aeronave comercial brasileira
em território brasileiro, provocando dezenas de mortes. A família de
uma das vítimas brasileiras inicia uma ação no Brasil contra a empresa
norte-americana, pedindo danos materiais e morais. A empresa norte-
americana alega que a competência para julgar o caso é da justiça
americana.

Segundo o direito brasileiro, o juiz brasileiro:

a) tem competência concorrente porque o acidente ocorreu em território


brasileiro.

b) não tem competência concorrente porque o réu é empresa estrangeira que


não opera no Brasil.

c) não tem competência, absoluta ou relativa, e deverá remeter o caso, por


carta rogatória, à justiça americana.

d) tem competência concorrente porque a vítima tinha nacionalidade brasileira.

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20. (FGV / IX Exame de Ordem Unificado – 2012) José, de
nacionalidade brasileira, era casado com Maria, de nacionalidade
sueca, encontrando-se o casal domiciliado no Brasil. Durante a viagem
de “lua de mel”, na França, Maria, após o jantar, veio a falecer, em
razão de uma intoxicação alimentar. Maria, quando ainda era noiva de
José, havia realizado testamento em Londres, dispondo sobre os seus
bens, entre eles dois imóveis situados no Rio de Janeiro.

À luz das regras de Direito Internacional Privado, assinale a afirmativa


correta.

a) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito


à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação brasileira,
pois Maria encontrava-se domiciliada no Brasil.

b) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito


à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação inglesa, local
em que foi realizado o ato de disposição de última vontade de Maria.

c) A autoridade judiciária brasileira não é competente para proceder ao


inventário e à partilha de bens, porquanto Maria faleceu na França, e não no
Brasil.

d) Se houver discussão acerca do regime sucessório, deverá ser aplicada a


legislação sueca, em razão da nacionalidade do de cujus.

21. (FGV / X Exame de Ordem Unificado – 2013) A respeito dos


elementos de conexão no Brasil, assinale a afirmativa correta.

a) A lei da nacionalidade da pessoa determina as regras sobre o começo e o


fim da personalidade.

b) A Lex loci executionis é aplicável aos contratos de trabalho, os quais, ainda


que tenham sido celebrados no exterior, são regidos pela norma do local da
execução das atividades laborais.

c) A norma do país em que é domiciliada a vítima aplica-se aos casos de


responsabilidade por ato ilícito extracontratual.

d) O elemento de conexão Lex loci executionis ou Lex loci solutionis é o critério


aplicável, como regra geral, para qualificar e reger as obrigações.

22. (Juiz Federal – TRF 1ª Região / 2009-adaptada) A respeito das


normas de direito internacional privado estabelecidas na Lei de
Introdução ao Código Civil, assinale a opção correta.

a) O regime de bens obedece à lei do país em que os nubentes tiverem


domicílio e, se este for diverso, à do último domicílio conjugal.

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b) Para qualificar os bens, aplicar-se-á a lei do país de que o proprietário for
nacional.

c) Compete à autoridade judiciária brasileira e, subsidiariamente, à do país em


que for domiciliado o autor, conhecer das ações relativas a imóveis situados no
Brasil.

d) As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de


vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional,
a ordem pública e os bons costumes.

e) A lei do domicílio do de cujus regula a capacidade para suceder.

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GABARITO
!
1. Letra D
2. Letra C
3. Letra B
4. Letra C
5. Letra C
6. Letra D
7. Letra C
8. Letra C
9. Letra B
10. Letra B
11. Letra B
12. Letra A
13. Letra B
14. Letra B
15. Letra A
16. Letra A
17. Letra B
18. Letra C
19. Letra A
20. Letra B
21. Letra B
22. Letra D

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