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Curso

Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho -


conceitos básicos

Formador

Paulo Pessoa
Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
2

Ficha técnica

Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - Conceitos


Título
básicos
Autor Paulo Alexandre Santos Pessoa

Área temática Ambiente e SST

Público a que se destina Ativos empregados e ativos desempregados, incluindo os


desempregados de longa duração

Características técnicas A UFCD de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho


reveste-se de todos os princípios básicos para as boas práticas
laborais, essencialmente no que diz respeito à prevenção de
acidentes e doenças decorrentes do trabalho, bem como da
protecção do meio ambiente

Objetivos Identificar os principais problemas ambientais


Promover a aplicação de boas práticas para o meio ambiente
Explicar os conceitos relacionados com a segurança, higiene e
saúde no trabalho
Reconhecer a importância da segurança, higiene e saúde no
trabalho
Identificar as obrigações do empregador e do trabalhador de
acordo com a legislação em vigor
Identificar os principais riscos presentes no local de trabalho e na
atividade profissional e aplicar as medidas de prevenção e
proteção adequadas
Explicar a importância dos equipamentos de proteção coletiva e
de proteção individual.

Roxo, Manuel M., Segurança e Saúde do Trabalho: Avaliação e


Fontes
Controlo de Riscos, Livraria Almedina – Coimbra, 2003.

Enciclopédia de Saúde e Segurança no Trabalho da O.I.T,


Volume 2 – Parte VI (Riscos Gerais), Editora Chantal Dusfrene,
BA, 1998.

www.insht.es

www.inrs.fr

www.aeportugal.pt

www.idict.gov.pt

OHSAS 18001:2007 SÉRIE DA AVALIAÇÃO DA SAÚDE E


DA SEGURANÇA DO TRABALHO Sistemas de gestão da
segurança e da saúde do trabalho – Requisitos.

Pinto, A. (2005). Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no


Trabalho. Edições Sílabo. Lisboa.

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Rodrigues, C. & Guedes, J. F. (2003). LINHAS DE


ORIENTAÇÃO PARA A INTERPRETAÇÃO DA NORMA
OHSAS 18001/NP 4397. APCER - Associação Portuguesa de
Certificação 2003.

Especificações técnicas O manual deverá ser utilizado para aprofundar os conteúdos


apresentados nas aulas e como guia de para situações práticas
do seu dia-a-dia.

Observações

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ÍNDICE

AMBIENTE.............................................................................................................................................. 5
SEGURANÇA ......................................................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO..................................................................................................................................... 9
ACIDENTES DE TRABALHO E DOENÇAS PROFISSIONAIS ........................................................ 12
AVALIAÇÃO DE RISCOS ................................................................................................................. 19
MOVIMENTAÇÃO MECÂNICA DE CARGAS ................................................................................... 28
SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA ..................................................................................................... 40
MOVIMENTAÇÃO MANUAL DE CARGAS ....................................................................................... 44
PREVENÇÃO E PROTECÇÃO CONTRA INCÊNDIOS ................................................................... 48
SEGURANÇA ELÉCTRICA............................................................................................................... 69
E.P.I. – EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL ................................................................ 78
SEGURANÇA EM SOLDADURA .................................................................................................... 100
HIGIENE NO TRABALHO .................................................................................................................. 110
CONTAMINANTES QUÍMICOS ...................................................................................................... 111
ILUMINAÇÃO .................................................................................................................................. 120
RUIDO ............................................................................................................................................. 124
RADIAÇÕES.................................................................................................................................... 131
VIBRAÇÕES .................................................................................................................................... 135
AMBIENTE TÉRMICO ..................................................................................................................... 137
PLANO DE EMERGÊNCIA ................................................................................................................ 139
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................................. 142

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AMBIENTE

Ambiente e Sustentabilidade

Numa definição mais ampla, o ambiente consiste no conjunto das substâncias, circunstâncias ou
condições em que existe determinado objeto ou que ocorre determinada ação. Em biologia,
sobretudo na ecologia e ambientologia, meio ambiente é o conjunto de todos os fatores que afetam
diretamente o metabolismo ou o comportamento dos seres vivos que habitam no mesmo ambiente,
nesses fatores incluem-se a luz, o ar, a água, o solo e ospróprios seres vivos, nas suas relação
ecológicas.

Boas práticas para o meio ambiente

Minimize os consumos de energia;

Não deixe as luzes acesas depois de abandonar o local de trabalho;

Sempre que possível prefira a iluminação natural;

Prefira lâmpadas de baixo consumo;

Programe o monitor do seu computador para o modo Standby;

Não utilize o aparelho de climatização com por tas e janelas abertas;

Minimize os consumos de água (verifique torneiras, autoclismos, etc.);

Minimize os consumos de papel;

Reutilize as embalagens de cartão e envelopes de circulação interna;

Utilize sempre que possível papel reciclado;

Utilize preferencialmente o supor te informático como forma de enviar e analisar documentos


(sempre que possível);

Faça sempre que possível reciclagem dos produtos.

Gestão de resíduos

A Política de Resíduos as senta em objetivos e estratégias que visam garantir a preservação dos
recursos naturais e a minimização dos impatos negativos sobre a saúde pública e o ambiente.
Efluentes Líquidos

As estações de tratamento de águas residuais (ETAR) têm como função tradicional receber e tratar
os efluentes líquidos produzidos pela comunidade, por forma a poderem ser descarregados no meio
receptor com o menor impacte ambiental. Esta ação, em inúmeras situações, pode ser considerada
como um desperdício de uma matéria-prima ou de um recurso natural com valor económico. Assim
sendo, a reutilização de efluentes passa a ser encarada como uma medida conducente à redução de
consumos, à poupança e à gestão da água, tendo em conta o balanço custo/benefício.

Emissões Gasosas:

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Efluente gasoso: Fluxo de poluentes atmosféricos sob a forma de gases, partículas ou aerossóis;

Poluentes atmosféricos: As substâncias introduzidas, directa ou indirectamente, pelo homem no ar


ambiente, que exerce acção nociva sobre a saúde humana e/ou meio ambiente;

Queima a céu aberto: Qualquer processo de combustão que decorra ao ar livre;

Estratégias de Actuação - Os 3 R’s

Reduzir - Antes de mais há que ter contenção na produção de resíduos. A diminuição da quantidade
de lixo é o passo primordial para resolver o problema da sua acumulação e melhorar a sua gestão. ·

Reutilizar - Outro passo indispensável. Há materiais concebidos para serem utilizados várias vezes.

A opção de reutilização diminui a curto prazo a quantidade de resíduos domésticos adiando a sua
rejeição e consequente eliminação. • Reutilizar é voltar a utilizar as coisas.

Dar uma segunda função ou reaproveitar os objectos para construir novos objectos.
• Por exemplo: voltar a utilizar os sacos de plástico das compras em vez de irem para o lixo; usar as
garrafas de água várias vezes; aproveitar as caixas dos brinquedos para guardar outras coisas;
oferecer os brinquedos usados a outras crianças ou a hospitais e lares de crianças.

Reciclar - É o Objetivo Final. Consiste na transformação do material inútil em material útil,


diminuindo assim a quantidade de resíduos e poupando recursos naturais e energéticos. • Reciclar é
uma forma de valorizar ummaterial que já foi utilizado, transformando-o noutro material útil. • A
reciclagem é um método de diminuir a quantidade de resíduos, poupando recursos naturais e
energéticos. • Para que os materiais possam ser reciclados, é necessário que sejam recolhidos e
transportados separadamente. • Os resíduos orgânicos, que no nosso país constituem a maior
parcela dos resíduos urbanos, podem ser transformados em composto, um corretivo orgânico útil
para a agricultura e jardinagem. • Os papéis e cartões podem ser aproveitados para produzir novos
papéis. • Os resíduos metálicos podem ser recuperados para fundição e fabrico de novas peças. • As
embalagens de vidro podem dar origem a novas embalagens. • Os plásticos podem ser recuperados,
fundidos e moldados novamente.

O que são os Ecopontos?

• Os ecopontos são conjuntos de contentores para recolha selectiva de papel e cartão, embalagens
plásticas e metais, vidro e pilhas. • Estão localizados em pontos estratégicos como escolas, parques,
piscinas, complexos desportivos, mercados e feiras e juntos a habitações.

• Os ecopontos são estruturas essenciais para a melhoria do nosso ambiente. Neles podemos
depositar diferenciadamente diversos materiais, principalmente os de menor dimensão, que serão
recuperados, reciclados ou valorizados através de novas tecnologias. Mais de metade do lixo que
produzimos todos os dias pode ser reciclado. Veja o que pode separar em casa e onde depositar os
resíduos que não devem ser deitados no lixo indiferenciado.

Como deve ser depositado? 1- Contentor Azul : papel e cartão 2- Contentor Verde: garrafas e
embalagens de vidro 3- Contentor Amarelo: embalagens de plástico, metal e cartão complexo. 4-
Contentor Indiferenciado (lixo doméstico): todos os resíduos que não se depositam nos contentores

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anteriores.

O que reciclar? Onde?

Ecoponto Azul PAPELÃO - Embalagens de cartão limpas, tais como, caixas de cereais, caixas de
bolachas, caixas de pizzas, caixas de detergentes, caixas de brinquedos, etc.; - Sacos de papel e
papel de embrulho l impos; - Jornais, revistas, papel de escrita e impressão, folhetos publicitários.

Não deve colocar: guardanapos; lenços de papel; papel plastificado ou metalizado; papel
autocolante; pacotes de batata frita; fraldas; etc.

Ecoponto Verde VIDRÃO - Garrafas de água; - Garrafas de refrigerantes, vinho, azeite, etc. - Frascos
de doce e conserva; - Garrafas de cervejas, etc.

Não deve colocar: espelhos; cristais; vidro de janelas; loiça; cerâmica; lâmpadas; boiões de perfumes
e cosméticos; vidro farmacêutico; etc.

Ecoponto Amarelo

EMBALAGENS DE PLÁSTICO - Garrafas e garrafões de água, de sumos e refrigerantes; - Garrafas


de óleo alimentar; - Embalagens de iogurte; - Pacotes de manteiga e margarina; - Pacotes de arroz e
massas; - Frascos de detergente e de produtos de higiene; - Caixas de plástico - Esferovite. etc.

EMBALAGENS DE METAL - Latas de conservas; - Latas de bebida; - Aerossóis vazios (latas de laca,
espumas, etc.) - Folhas de alumínio; - Tampas de metal e caricas, etc.

Não deve colocar: electrodomésticos; pilhas e baterias; tachos, panelas e talheres; embalagens de
óleos, combustíveis e margarinas, etc. PACOTES DE LIQUIDOS ALIMENTARES - Pacotes de lei te,
vinho, sumos e outros alimentos líquidos.

Indiferenciado RESTOS DE COMIDA - Restos de carne e peixe; - Restos de vegetais e cascas de


fruta; - Sobras de refeições; - Borras de café e saquetas de chá; - Papel sujo(toalhas de papel,
guardanapos de papel, papel de cozinha; lenços de papel); - Restos de plantas (pequenas
quantidades) - Cinzas frias; - Serradura, etc.

PILHÃO Pilhas (salinas e alcalinas, de botão, de lítio e recarregáveis) e acumuladores baterias


recarregáveis (baterias de níquel cádmio, níquel metal híbrido e de iões de lítio).

LIXO - Pastilhas elásticas e beatas de cigarros; - Fraldas, pensos higiénicos; - Loiças cerâmicas (ex:
Pratos, copos, chávenas e jarras) - Vidros especiais (ex: Pirex, cristal, espelhos, lâmpadas,
embalagens de perfumaria); - Papel autocolante, químico e lustro; - Tachos, panelas e talheres; -
Brinquedos estragados; - Roupa e calçado danificado, etc.

Principais Problemas Ambientais na Atualidade

• Destruição e consequentemente diminuição da camada de ozono

• Contaminação dos mares

• Aquecimento global Nos países mais pobres a questão fundamental não é um problema de qual
idade de vida mas, essencialmente, de sobrevivência de uma grande percentagem da população.
Para estas pessoas, que vivem muitas vezes com menos de 2 euros por dia e que lutam duma forma
angustiada e sem esperança pela sua sobrevivência, de fato, não tem nem faz sentido falar - se das
questões do meio ambiente.

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Principais Problemas Ambientais na Atualidade Países Subdesenvolvidos

• Poluição constante das águas, provocada essencialmente por esgotos e lixos domésticos;

• Poluição atmosférica resultante da utilização de tecnologias obsoletas;

• Destruição de florestas, essencialmente as florestas tropicais como a Amazónia, e da vida


selvagem, muitas vezes utilizada para satisfação de luxos de uma pequena minoria abastada e sem
qualquer preocupação com estas questões do ambiente;

•Delapidação dos recursos minerais

• Acumulação de resíduos tóxicos oriundos dos países mais ricos.

Principais Problemas Ambientais na Atualidade nos Países Desenvolvidos

Nos países desenvolvidos (industrializados), os problemas do meio ambiente estão, essencialmente


ligados à poluição resultante da forte industrialização.

• Emissões constantes de dióxido de carbono para atmosfera;

• Lixos urbanos; • Sobreexploração dos recursos naturais;

• Elevada poluição provocada pela indústria e pelos transportes;

• Diminuição galopante de espaços verdes, provocada, por exemplo, por construções e por
incêndios;

• Aumento progressivo do número de espécies em vias de extinção muitas vezes utilizadas para
capricho e luxo de uma pequena minoria abastada e aparentemente sem qualquer tipo de
preocupação com as questões ambientais.

A solução destes importantes problemas e de outros, está sem dúvida na mão deste grupo de
países, pois são eles que dispõem de maiores recursos económicos e científicos - técnicos para
poderem enfrentar estes enormes desafios. Todos NÓS pertencemos a este grupo de países.
TODOS temos esta responsabilidade. Um bocadinho de todos e todos os dias faz sem dúvida a
diferença para um PLANETA MAIS SAUDÁVEL

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SEGURANÇA

INTRODUÇÃO

SEGURANÇA - Integra um conjunto de metodologias adequadas à prevenção de acidentes


de trabalho, tendo como principal campo de acção o reconhecimento e o controlo dos riscos
associados ao local de trabalho.

HIGIENE - Integra o conjunto de metodologias não médicas necessárias à prevenção das


doenças profissionais tendo como principal campo de acção o controlo dos agentes físicos, químicos
e biológicos presentes nas componentes materiais do trabalho.

SAÚDE - A Organização Mundial de Saúde define saúde como “o estado de bem-estar físico,
mental e social completo e não somente a ausência de dano ou doença.” É importante fazer ressaltar
a tripla dimensão de saúde física, social e mental, e a importância é conseguir que estes factores
estejam em equilíbrio em cada pessoa.

OBJECTIVOS GERAIS

Estabelecimento e manutenção das condições de trabalho que asseguram a integridade


física e mental dos trabalhadores.
Desenvolvimento de condições técnicas que asseguram a aplicação de medidas de
prevenção para os riscos que decorrem da actividade da empresa.
Desenvolvimento de condições e meios que asseguram a formação e informação dos
trabalhadores.

De seguida apresentam-se alguns conceitos fundamentais para a compreensão da temática


Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho:

Trabalhador - Pessoa singular que, mediante retribuição, se obriga a prestar serviço a um


empregador, incluindo a Administração Pública, os institutos públicos e demais pessoas colectivas de
direito público.

- O tirocinante, o estagiário e o aprendiz e os que estejam na dependência económica do


empregador em razão dos meios de trabalho e do resultado da sua actividade, embora não titulares
de uma relação jurídica de emprego, pública ou privada.

Trabalhador Independente - Pessoa singular que exerce uma actividade por conta própria.

Representante dos Trabalhadores - Pessoa eleita nos termos definidos na lei para exercer
funções de representação dos trabalhadores nos domínios da segurança, higiene e saúde no
trabalho.

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Empregador ou Entidade Empregadora - Pessoa singular ou colectiva com um ou mais


trabalhadores ao seu serviço e responsável pela empresa ou pelo estabelecimento.

Local de Trabalho -Todo o lugar em que o trabalhador se encontra, ou donde ou para onde
deve dirigir-se em virtude do seu trabalho, e em que esteja, directa ou indirectamente, sujeito ao
controlo do empregador.

Componentes Materiais do Trabalho:

Os locais de trabalho;
O ambiente de trabalho;
As ferramentas;
As máquinas e materiais;
As substâncias e agentes químicos, físicos e biológicos;
Os processos de trabalho e a organização do trabalho.

OBRIGAÇÕES GERAIS DO EMPREGADOR

O princípio geral que preside ao tema da formação é o de que todos os trabalhadores têm
direito à prestação de trabalho em condições de segurança, higiene e de protecção da saúde.
Sempre que cabe ao empregador uma obrigação, cabe aos trabalhadores um direito (e vice versa)
em matéria de Higiene, Segurança e Saúde.

O empregador é obrigado a assegurar aos trabalhadores condições de segurança,


higiene e saúde em todos os aspectos relacionados com o trabalho”.
O empregador é obrigado tacitamente a estabelecer uma política de prevenção na
empresa devidamente programada e planificada dotada de meios e permitindo aos
trabalhadores dispor de instruções sobre as situações em que devam cessar a sua
actividade em caso de perigo grave e eminente.
Identificar os riscos aquando da concepção das instalações, dos locais de trabalho e
processos de trabalho, combatê-los, anulá-los ou limitá-los;
Avaliar os riscos integrando-os no conjunto das actividades e adoptar medidas de
prevenção;
Assegurar que as exposições aos agentes químicos, físicos e biológicos não
constituem um risco para a saúde dos trabalhadores;
Planificar a prevenção;
Organizar os meios para aplicação das medidas de prevenção tendo em consideração
a evolução da técnica;
Dar prioridade a prevenção colectiva em detrimento da protecção individual;
Organizar o trabalho, eliminar os efeitos do trabalho monótono e do trabalho
cadenciado;
Estabelecer as medidas que devem ser adoptadas em matéria de primeiros socorros,
de combate a incêndios e de evacuação dos trabalhadores e identificação dos responsáveis
pela sua aplicação;
Assegurar a vigilância da saúde;
Limitar o acesso a zonas de risco grave, apenas permitindo o acesso a trabalhadores
com aptidão e formação adequada;
Cooperarem entre si quando várias entidades desenvolvam simultaneamente
actividades no mesmo local.
A obrigatoriedade do empregador respeitar as prescrições legais a serem aplicadas na
empresa, mesmo quando se tratar de si próprio e, para o mesmo efeito,

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Equipar o trabalhador independente a empregador.


No que respeita à informação ela terá de ser sempre actualizada e respeitante aos
seguintes temas:

Descrição dos riscos inerentes ao tipo de trabalho e à empresa ou serviço;


Medidas de protecção e prevenção, e forma como se aplicam;
Medidas e instruções a adoptar em caso de perigo grave e eminente;
Medidas de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação dos
trabalhadores.

Esta informação deve ser proporcionada nos casos de:

admissão na empresa,
mudança de posto de trabalho ou de funções,
introdução de novos equipamentos, ou
alteração das existentes,
adopção de uma nova tecnologia e em,
actividades que envolvam trabalhadores de várias empresas.

A consulta aos trabalhadores - Os trabalhadores podem apresentar propostas no sentido


de minimizar qualquer risco profissional, sendo-lhes facultado o acesso à informação técnica e aos
dados médicos colectivos, bem como às informações de outros organismos competentes.

Formação dos Trabalhadores em HSST - Devem receber formação adequada e suficiente


consoante as funções e o posto de trabalho; Deve ser assegurada formação permanente aqueles
cuja função é a organização das actividades de Segurança e Saúde no Trabalho;

OBRIGAÇÕES GERAIS DO TRABALHADOR

Cumprir as prescrições de HSST e as instruções do empregador sobre esta matéria;


Zelar pela sua segurança e saúde e de outras pessoas que possam ser afectadas
pelas suas acções ou omissões no trabalho;
Utilizar correctamente e segundo as instruções transmitidas pelo empregador:
máquinas;
aparelhos;
instrumentos ;
substancias perigosas;
equipamentos de protecção colectiva e individual.
Cumprir os procedimentos de trabalho estabelecidos;
Cooperar para a melhoria do sistema de HSST;
Comunicar imediatamente avarias e deficiências por si detectadas que se lhe
afiguram susceptíveis de originarem perigo grave e iminente, assim como qualquer
defeito verificado nos sistemas de protecção;
Em caso de perigo grave e iminente adoptar as medidas e instruções
estabelecidas para tal situação.
Os trabalhadores só serão prejudicados se agirem com dolo ou negligência
grave

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ACIDENTES DE TRABALHO E DOENÇAS PROFISSIONAIS

ACIDENTE - Evento imprevisto e indesejável de que resulta a lesão, a morte, perdas de


produção, danos na propriedade ou no ambiente.

Dada a complexidade que muitas das vezes é gerada, em função da existência de acidentes
de trabalho, apresentam-se seguidamente os casos particulares em poderemos considerar que
existe acidente de trabalho.

É acidente de trabalho é aquele que se verifique no local e no tempo de trabalho e


produza directa ou indirectamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que
resolve redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte.
No trajecto de ida e de regresso para e do local de trabalho, nos termos em que vier a
ser definido em regulamentação posterior,
Na execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa resultar proveito
económico para a entidade empregadora;
No local de trabalho, quando no exercício do direito de reunião ou de actividade de
representante dos trabalhadores, nos termos da lei;
No local de trabalho, quando em frequência de curso de formação profissional ou. fora
do local de trabalho, quando exista autorização expressa da entidade empregadora para tal
frequência;
Em actividade de procura de emprego durante o crédito de horas para tal concedido
por lei aos trabalhadores com processo de cessação de contrato de trabalho em curso
Fora do local ou do tempo de trabalho, quando verificado na execução de serviços
determinados pela entidade empregadora ou por esta consentidos.
Entre a sua residência habitual ou ocasional, desde a porta de acesso para as áreas
comuns do edifício ou para a via pública, até às instalações que constituem o seu local de
trabalho
Entre o local de trabalho e o local da refeição
Entre o local onde por determinação da entidade empregadora presta qualquer serviço
relacionado com o seu trabalho e as instalações que constituem o seu local de trabalho
habitual.
Não deixa de se considerar acidente de trabalho o que ocorrer quando o trajecto
normal tenha sofrido interrupções ou desvios determinados pela satisfação de necessidades
atendíveis do trabalhador, bem como por motivo de força maior ou por caso fortuito.
No local do pagamento da retribuição, enquanto o trabalhador aí permanecer para tal
efeito
No local onde ao trabalhador deva ser prestada qualquer forma de assistência ou
tratamento por virtude de anterior acidente e enquanto aí permanecer para esses fins.

Os acidentes de trabalho, ficam maioritariamente a dever-se à existência de condições


perigosas ou à

realização de actos inseguros. Na figura que se segue apresentam-se alguns desses actos e
condições.

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Fig.1 – Exemplos de actos inseguros e condições perigosas que podem ocorrer.

Os acidentes apresentam normalmente uma sincronização, que tem inicio numa situação de
risco e

termina normalmente em dano ou perda.

Fig.2 – Sincronização da sequência do acidente.

No entanto os acidentes de trabalho podem ser descaracterizadas, caso se verifiquem as


seguintes condições:

Que for dolosamente provocado pelo sinistrado ou prover de seu acto ou omissão, que
importe violação, sem causa justificativa, das condições de segurança estabelecidos pela
entidade empregadora ou previstas na lei;
Que provier exclusivamente de negligência grosseira do sinistrado
Que resultar da privação permanente ou acidental do uso da razão do sinistrado, nos
termos da lei civil, salvo se tal privação derivar da própria prestação do trabalho, for

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independente da vontade do sinistrado ou se a entidade empregadora ou o seu


representante, conhecendo o estado do sinistrado, consentir na prestação;

Os acidentes de trabalho têm origem nas mais diversas causas, apresentando-se de seguida
algumas dessas causas:

Problemas eléctricos, explosões, fogo

causados por falha da instalação, avaria, contacto indirecto


causados por um contacto directo
explosão (de gases, cilindros de ar comprimido)
incêndio
Outro

Desprendimento, desabamentos, derramamentos, jorros, vaporização

estado sólido – desprendimento, quedas de componentes (vagão/garrafa)


estado líquido – derramamentos, salpicos, infiltrações, jorros
estado gasoso – vaporização, formação de aerossóis, gases, fumo 24
pulverização, poeiras, partículas
Outro

Rupturas, deslizes, quedas, colapso das estruturas

ruptura de material nas ligações


rupturas, causando fragmentos (madeira, vidro, metal, pedra, plástico)
quedas, desmoronamentos caindo sobre a vitima
quedas, desmoronamentos arrastando a vitima
Outro

Perda de controlo sobre máquinas, ferramentas, meios de transporte

perca de controlo em máquinas (incluindo o arranque intempestivo)


perca de controlo com equipamentos e transportes motorizados ou não
perca de controlo com ferramentas motorizados ou não
perca de controlo de objectos
Outro
Queda de pessoas

em altura
ao mesmo nível (tropeçar, escorregar)
Outro

Movimentos do corpo que provocam feridas externas

pisar um objecto cortante (prego, pedra)


sentar-se (em chaves de fendas, soda cáustica), encostar-se
ser apanhado (lamina, serra), agarrado, arrastado (peça de máquina)
movimentos descoordenados
Outro

Movimentos do corpo que provocam feridas internas

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levantamentos incorrectos
empurrões
voltas, torções
passo em falso sem queda (desequilíbrio)
presença da vitima – ausência de movimentos
Outro

DIREITO À REPARAÇÃO

Os acidentes de trabalho podem ser reparados da seguinte forma:

EM ESPÉCIE - prestações de natureza médica, cirúrgica, hospitalar e quaisquer outras


assistências, adequadas ao restabelecimento do estado de saúde e da capacidade de trabalho ou de
ganho do sinistrado e á sua recuperação para a vida activa.

EM DINHEIRO - indemnizações por incapacidades temporárias absolutas ou parciais para o


trabalho, pensões aos familiares do sinistrado, subsídio de situações de elevada incapacidade
permanente, etc..

DOENÇAS PROFISSIONAIS

Doença profissional é aquela que resulta diretamente das condições de trabalho, consta da Lista de
Doenças Profissionais (Decreto Regulamentar n.o 76/2007, de 17 de Julho) e causa incapacidade
para o exercício da profissão ou morte.

A Proteção da eventualidade de doenças profissionais integra-se no âmbito material do regime geral


de segurança social dos trabalhadores vinculados por contrato de trabalho e dos trabalhadores
independentes e dos que sendo apenas cobertos por algumas eventualidades efetuem descontos
nas respetivas contribuições com vista a serem protegidos pelo regime das doenças profissionais.

Direito à reparação

O direito à reparação de doenças profissionais pressupõe que, cumulativamente, se verifiquem as


seguintes condições:

1. Estar o trabalhador afetado pela correspondente doença profissional;

2. Ter estado o trabalhador exposto ao respetivo risco pela natureza da indústria, atividade ou
condições, ambiente e técnicas do trabalho habitual.

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Reabilitação e Reintegração Profissional

O empregador é obrigado a ocupar o trabalhador que ao seu serviço, ainda que a título de contracto
a termo, sofreu acidente de trabalho ou contraiu doença profissional de que tenha resultado qualquer
das incapacidades.

Fatores que influenciam as condições de trabalho

São diversos os fatores que podemos analisar e que influenciam as condições de trabalho, fatores
tanto ambientais, como físicos ou materiais, como psíquicos e sociológicos, como ainda relacionais e
organizacionais, que se interligam e afetam a saúde e a segurança dos trabalhadores.

No que se refere ao ambiente de trabalho devem ser considerados e analisados entre outros, os
seguinte fatores e/ou contaminantes: temperatura e cargas térmicas; ventilação e renovação do ar,
iluminação geral e localizada, níveis de ruído, disposição dos materiais e equipamentos, gases,
poeiras e vapores, toxicidade de produtos, reduzindo-os e/ou adaptando-os às atividades a realizar e
aos trabalhadores.

Quanto a fatores de natureza física devem considerar-se:

• Movimentos, posturas e gestos dos trabalhadores, atendendo a distâncias, alcances,


profundidade, altura, limites de força, limites articulares, espaços de trabalho, volumes de
trabalho, fatores que dão origem às novas patologias laborais, designadas por doenças
músculo-esqueléticas;

• Dimensões (volumes, alturas, pesos, etc.) dos equipamentos, materiais e instrumentos de


trabalho.

Os fatores de natureza mental, têm a ver com:

• Quantidade e rapidez da informação a receber e/ou tratar;

• Simultaneidade de receção de informação de diferentes fontes;

• Nível de atenção requerido.

Lista de Doenças Profissionais

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
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Encontram divididas em cinco capítulos:

• Capítulo 1 — Doenças provocadas por agentes químicos

• Capítulo 2 — Doenças do aparelho respiratório

• Capítulo 3 — Doenças cutâneas e outras

• Capítulo 4 — Doenças provocadas por agentes físicos

• Capítulo 5 — Doenças infeciosas e parasitárias

A Lei também considera que a lesão corporal, a perturbação funcional ou a doença não incluídas na

lista serão indemnizáveis, desde que se provem serem consequência, necessária e direta, da
atividade exercida e não representem o normal desgaste do organismo.

A quem compete fazer o diagnóstico de doença profissional?

O diagnóstico de doença profissional compete a qualquer médico, perante uma suspeita


fundamentada de doença profissional – diagnóstico de presunção – tem obrigação de notificar o
Centro Nacional de Proteção contra Riscos Profissionais (CNPRP), mediante o envio da Participação
Obrigatória devidamente preenchida.

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18

Se o seu médico ou o médico do trabalho da sua empresa tiver fortes suspeitas de que a sua doença
pode ter uma causa laboral – diagnóstico de presunção - então, esse médico deverá preencher a
Participação Obrigatória de Doença Profissional e enviá-la para o CNPRP.

O centro irá estudar a situação e avaliar se se trata, ou não, de doença profissional, mediante
solicitação do próprio trabalhador afetado, em impresso próprio. Também as prestações pecuniárias
e em espécie deverão ser requeridas ao CNPRP pelo trabalhador doente. O CNPRP é uma
instituição que pertence ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e que tem por missão
assegurar a prevenção, tratamento, recuperação e reparação de doenças ou incapacidades
resultantes de riscos profissionais.

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19

AVALIAÇÃO DE RISCOS
A análise do risco tem como objectivo primordial, permitir a decomposição detalhada de um
determinado objecto seleccionado como alvo de estudo, como seja uma tarefa, um local ou
equipamento de trabalho, uma situação de trabalho, etc. Esta abordagem permite conhecer de forma
profunda e completa o objecto de estudo, atingindo-se o objectivo final do processo, que passa
invariavelmente por estabelecer prioridades para a eliminação e controlo do risco. Na figura que se
segue apresenta-se um esquema genérico da análise, avaliação e gestão do risco profissional.

IDENTIFICAÇÃO DO
PERIGO

IDENTIFICAÇÃO DOS
TRABALHADORES ANÁLISE DE RISCOS
EXPOSTOS

ESTIMATIVA DO RISCO AVALIAÇÃO DE RISCOS

VALORAÇÃO DO RISCO GESTÃO DO RISCO

CONTROLO DO RISCO

Fig.3- Análise, avaliação e gestão do risco profissional.

Análise de riscos - A identificação de perigos, prende-se com a recolha da informação


pertinente (legislação, manuais, processos e métodos de trabalho, fichas de dados de segurança de
substâncias ou preparações perigosas;

Identificam-se potenciais trabalhadores ou terceiros potencialmente expostos a riscos;

Efectua-se uma estimativa dos riscos identificados, valorando conjuntamente a probabilidade da sua
emergência e as consequências da materialização do perigo

Valoração do risco - A valoração do risco é a etapa final da avaliação dos riscos,


efectuando-se juízos de valor sobre a aceitabilidade do risco.

A aceitabilidade do risco corresponde ao risco de acidente ou falha que os actores de um sistema


aceitam incorrer conscientemente apesar de se dispor de soluções conhecidas ou potenciais, que
podem reduzir esse risco;

Controlo do risco - Se da aplicação da avaliação de riscos se deduz que o risco não é


aceitável, então, procede-se a um conjunto de acções de controlo do risco;

As metodologias de controlo do risco vão desde o plano organizacional, às relações sociais, aos
sistemas de protecção, defesa e emergência, até à gestão de pessoas;

Em suma:

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20

A avaliação de riscos não é um fim, mas um meio para levar a cabo a planificação da
actividade preventiva;
A avaliação inicial de riscos deve permitir minimizar e controlar os que não puderem
ser eliminados;
Avaliar um risco de um acidente é estimara a gravidade do que possa acontecer e a
sua probabilidade de materializar-se

MÉTODOS DE AVALIAÇÃO

QUALITATIVOS - Ajudam a identificar o que pode acontecer quando os factores de risco se


materializam. Não permitem uma determinação precisa da magnitude das consequências e da
probabilidade do seu acontecimento

Tabela 1 – Exemplo de método de avaliação de riscos qualitativo.

POSTO DE TRABALHO: Reactor Químico

OPERAÇÃO RISCO CONSEQ. CAUSAS PREVENÇÃO

Acesso à Queda em altura Lesões Degraus Substituir degraus


plataforma de da escada incapacitan- metálicos
trabalho degradados
-tes

Adição manual de Inalação súbita Intoxicação Mau Instalar conexão


produtos de vapores aguda funcionamento automática do
químicos ao tóxicos do sistema de ventilador ao abrir
reactor extracção de ar reactor

QUANTITATIVOS

Utilizam-se quando as consequências dos acidentes podem ser mais graves


Utilizam-se quando estão interrelacionados vários factores de risco
Ajudam a estimar a probabilidade de acontecimento do acidente

Tabela 2– Exemplo de método de avaliação de riscos quantitativo.

POSTO DE TRABALHO : Cortador de Peixe

RISCO: Cortes nas mãos com facas nas operações de corte

DANOS: Feridas abertas/Lesões com baixa

ACIDENTES DOS ÚLTIMOS 5 ANOS: 182

TRABALHADORES EXPOSTOS: 50

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RISCO QUANTIFICADO: 0,728

De seguida apresentam-se três métodos quantitativos de avaliação de riscos: Método


simplificado do INHST, Método de WILLIAM T. FINE e Método das Matrizes.

MÉTODO SIMPLIFICADO DO INHST

O método apresentado possibilita a quantificação dos riscos existentes, de forma a permitir


uma hierarquização quanto à prioridade de correcção. Primeiramente são detectadas as deficiências
ao nível dos locais de trabalho e a exposição dos trabalhadores a essas mesmas deficiências. Esta
análise vai permitir a obtenção da probabilidade de risco, ou seja, a probabilidade de ocorrência do
acidente. Em seguida analisam-se as possíveis consequências decorrentes de um eventual acidente,
chegando-se ao respectivo nível de intervenção.

Para simplificar o método, não são empregues valores reais absolutos de risco, probabilidade
e consequências, mas sim os seus níveis numa escala de quatro possíveis:

Assim ter-se-á:

NÍVEL DE RISCO (NR)


NÍVEL DE PROBABILIDADE (NP)
NÍVEL DE CONSEQUÊNCIA (NC)
NÍVEL DE INTERVENÇÃO (NI)

Risco a analisar

Determinação do Nível Questionários para


Qua de Deficiência (ND) avaliar Nível de
Deficência

Determinação do Nível
Qua. de Exposição (NE)

Determinação do Nível
Qua NP = ND x NE
de Probabilidade (NP)

Determinação do Nível
Qua de Consequência (NC)

Determinação do Nível
Qua NI = NP x NC
de Intervenção (NI)

Fig.4- Fluxograma para utilização do Método simplificado de Avaliação de Riscos do INHST.

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De seguida serão abordados de forma individual os níveis utilizados.

NÍVEL DE DEFICIÊNCIA (ND)

Começando pelo nível de deficiência, este tem que ver com o esperado entre o conjunto de
factores de risco considerados e a sua relação causal directa como o possível acidente. Para facilitar
a aplicação do quadro que se apresenta de seguida, ou seja da escolha do valor numérico referente
à deficiência observada, procedeu-se à elaboração de questionários de verificação. Estes
questionários de verificação foram elaborados de acordo com a legislação em vigor e com um
conjunto de boas práticas de segurança, encontrando-se aplicados a determinadas situações
específicas.

Tabela 3 - Critérios a utilizar para definição do nível de deficiência.

NÍVEL DE DEFICIÊNCIA ND SIGNIFICADO

Detectaram-se factores de riscos


significativos que determinam como muito
MUITO DEFICIENTE (MD) 10 possível a geração de falhas. O conjunto de
medidas preventivas existentes em relação
ao risco resulta ineficaz

Detectou-se algum factor de risco significativo


que precisa de ser corrigido. A eficácia do
DEFICIENTE (D) 6
conjunto de medidas preventivas existentes
vê-se reduzida de forma apreciável.

Detectaram-se factores de risco de menor


importância. A eficácia do conjunto de
MELHORÁVEL (M) 2
medidas preventivas existentes não se vê
reduzida de forma apreciável.

Não se detectou nenhuma anomalia


ACEITÁVEL (A) 0 destacável. O risco está controlado. Não se
valoriza.

NÍVEL DE EXPOSIÇÃO (NE)

O nível de exposição tem que ver com a frequência com que o trabalhador se encontra
exposto ao risco. O tempo de permanência dos trabalhadores nos postos de trabalho é um bom
indicador para a aplicação neste nível. A razão pela qual valores numéricos do quadro seguinte se
encontram mais baixos tem que ver com o facto de, numa situação de risco com nível de deficiência
muito baixo, uma exposição continuada não deve ocasionar, em princípios, o mesmo nível de risco
que uma deficiência alta com uma exposição esporádica.

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Tabela 4 - Critérios a utilizar para definição do nível de exposição

NÍVEL DE EXPOSIÇÃO NE SIGNIFICADO

Continuamente. Várias vezes durante a


CONTINUADA (EC) 4
jornada de trabalho com tempo prolongado

Várias vezes durante a jornada de trabalho,


FREQUENTE (EF) 3
se bem que com tempos curtos

Alguma vez durante a jornada de trabalho e


OCASIONAL (EO) 2
com um período curto de tempo

ESPORÁDICA (EE) 1 Irregularmente

NÍVEL DE PROBABILIDADE (NP)

O nível de probabilidade é calculado através do produto entre os dois níveis anteriores. No


quadro seguinte poderão ser encontrados os diferentes significados destes níveis obtidos.

Tabela 5 - Critérios a utilizar para definição do nível de probabilidade.

NÍVEL DE
PROBABILIDADE NP SIGNIFICADO
(NP)

Situação deficiente com exposição continuada, ou muito


MUITO ALTA (MA) 24<NP<40 deficiente com exposição frequente. Normalmente a
materialização do risco ocorre com frequência

Situação deficiente com exposição frequente ou


ocasional, ou então situação muito deficiente com
ALTA (A) 10<NP<20 exposição ocasional ou esporádica. A materialização do
risco é natural que aconteça várias vezes durante o ciclo
laboral

Situação deficiente com exposição esporádica, ou então


MÉDIA (M) 6<NP<8 situação melhorável com exposição continuada ou
frequente.

Situação melhorável com exposição ocasional ou


BAIXA (B) 2<NP<4 esporádica. Não se espera que se materialize o risco, se
bem que possa ser admissível.

NÍVEL DE CONSEQUÊNCIA (NC)

O nível de consequência, é estabelecido a partir do quadro seguinte. Neste quadro são


apresentados dois tipos de danos, os pessoais e os materiais. Tal facto permitirá obter um valor mais
objectivo para situações de igual consequência pessoal, mas diferentes consequências materiais.

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24

Pelo facto da quantificação monetária dos acidentes de trabalho nem sempre se torna fácil de
aplicar, os danos matérias permitem de certa forma ter uma visão global desta questão. Também
convém salientar que a penalização para acidentes com baixa, tanto mais que na maioria das vezes
os custos com um acidente não são contabilizados de forma eficaz, sendo que, diferentes estudos
mostram que os custos directos são apenas um quatro do custo do acidente, resultando o resto do
custo nos indirectos.

Tabela 6 - Critérios a utilizar para definição do nível de consequência

NÍVEL DE
NC SIGNIFICADO
CONSEQUÊNCIA (NC)

MORTAL OU 1 morto ou mais Destruição total do sistema


100
CATASTRÓFICO (M)

Lesões graves que podem ser Destruição parcial do sistema


MUITO GRAVE (MG) 60
irreparáveis

Lesões com incapacidade laboral Requer paragem do processo


GRAVE (G) 25
temporária para efectuar a reparação

Pequenas lesões que não Reparável sem necessidade


LEVE (L) 10
requerem hospitalização de paragem do processo

NÍVEL DE RISCO (NR)

Por fim o nível de risco obtém-se a partir do produto entre o nível de consequência e o nível
de probabilidade. Aos diferentes níveis de risco são respectivamente indexados os níveis de
intervenção, chegando-se desta forma a uma lista final que permite de forma clara e rápida identificar
as questões prioritárias em termos de resolução.

Os resultados obtidos poderão de igual forma serem cruzados com outras informações relativas ao
processo em análise, ou seja, poder-se-á ter como inputs estatísticas de acidentes de trabalho.,
incidentes, não conformidades, situações de doença profissional, etc.

Tabela 7 - Critérios a utilizar para definição do nível de risco

NÍVEL DE INTERVENÇÃO (NI) NR SIGNIFICADO

I 600<NR<4000 Situação critica. Correcção urgente

II 150<NR<500 Corrigir e adoptar medidas de controlo

Melhorar se for possível. Seria conveniente


III 40<NR<120 justificar a sua intervenção e a sua
rentabilidade.

Não intervir, salvo se justifique por uma análise


IV NR<20
mais preciosa

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B) MÉTODO WILLIAM T. FINE

Neste método o Grau de perigosidade é dado pela equação apresentada seguidamente:

GP = C x E x P
(Eq.1)

Onde:

GP - Grau de Perigosidade
C - Consequência (depende da gravidade)
E - Exposição (frequência de exposição ao risco)
P - Probabilidade de ocorrência do acidente

Para cada uma das variáveis de entrada, as tabelas a ter em consideração na aplicação do método
são:

Para cada um dos riscos estimados, a sua valorização é efectuada de acordo com a tabela seguinte:

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Após o estabelecimento das medidas de prevenção e controlo, o técnico deve efectuar um estudo
sobre o custo para implementação das mesmas, devendo igualmente prever o grau de redução do
risco. Posteriormente, esta fase da avaliação fica concluída com a determinação do factor
Justificação. Assim, o factor custo deve ter em consideração os valores apresentados na tabela
seguinte:

O factor correcção associada à redução previsível caso uma medida de prevenção / controlo seja
implementada, deve ser baseada nas relações estabelecidas na tabela seguinte:

No final, a valorização é estabelecida de acordo com os critérios a seguir definidos.

MÉTODO DAS MATRIZES

Este método é utilizado quando as situações a analisar não se revestem de grande


complexidade, sendo o nível de risco dado pelo produto entre a consequência e probabilidade de
ocorrência do acidente.

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Tabela 11– Quadro para avaliação de risco.

IDENTIFICAÇÃO DE CONDIÇÕES CONSEQUÊNCIA PROBABILIDADE


RISCO
PERIGOSAS L G EG B M A

1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.

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MOVIMENTAÇÃO MECÂNICA DE CARGAS

4.1 CONDUÇÃO DE EMPILHADORES

O equilíbrio de todo os tipos de empilhadores resultará estável sempre que a resultante das
forças componentes do conjunto que actua no centro de gravidade permaneça dentro da dos eixos
da máquina

Fig. 5 – Equilíbrio de empilhadores.

Num empilhador, o peso da carga na parte da frente é equilibrado na traseira por um


contrapeso. O centro de equilíbrio (gravidade) deve manter-se atrás das rodas da frente (ou fulcro)
para que algum peso fique sempre nas rodas traseiras, responsáveis pela direcção.

No início da jornada de trabalho os condutores dos empilhadores deverão proceder à seguinte


inspecção:

Se a máquina esteve parada durante algum tempo, verificar no chão se existem fugas de
óleo, água ou óleo hidráulico. Comunicar sempre ao supervisor;
Óleo do motor. Adicionar se necessário;
Líquido de refrigeração (água). Adicionar se necessário;
Fluido da bateria em cada célula. Adicionar apenas água destilada;
Óleo dos travões. Verificar o nível e verificar se existem fugas;
Volante. Verificar a folga;
Óleo de transmissão automática. Verificar se existem fugas;
Óleo hidráulico. Adicionar se necessário;
Sistema de alimentação (do combustível). Inspeccionar se existem fugas em toda a tubagem
e ligações;
Pneus. Verificar o desgaste e danos. Certificar-se de que as porcas das rodas estão bem
apertadas. Corrigir a pressão dos pneus se necessário;
Testar a buzina, faróis da frente, luzes indicadoras de mudança de direcção, travões de
serviço e travão de mão, direcção e comandos hidráulicos;
Inspeccionar a suavidade da elevação e descida do mastro. Verificar se as barras dos garfos
estão empenadas ou danificadas;

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Procurar a placa de identificação do fabricante da máquina, que deve informar a capacidade


nominal sob condições normais e com condições especiais.

Quanto pesa uma carga?

Fig.6 – Quanto pesa uma carga?.

Levantar a carga 2.5 a 5 cm. Deverá sentir o empilhador estável e as rodas de trás em
contacto firme com o chão. Se sentir instabilidade, baixar a carga e avisar o supervisor.

Preparar-se perpendicularmente ao centro de carga e aproximar-se dela, recto, com os


garfos na posição de deslocamento. Parar quando as pontas do garfo estiverem a cerca de 30 cm de
distância da carga.

Fig.7 – Condução de empilhador.

Nivelar os garfos e vá para a frente devagar até que a carga esteja apoiada no descanso do
garfo. Levante a carga numa altura suficiente para passar por cima do que estiver por baixo dela;

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Fig.8 - Condução de empilhador.

Olhar por cima dos dois ombros e ter a certeza de que está livre e recuar cerca de 30 cm.
Cuidadosamente inclinar o mastro para estabilizar a carga;

Fig.9 - Condução de empilhador.

Dirigir com segurança para o local. Alinhar-se em esquadro e parar a cerca de 30 cm de


distância;

Fig. 10 - Condução de empilhador.

Nivelar os garfos e então acabe de entrar;

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31

Fig.11- Condução de empilhador.

Agora pode baixar a carga para o chão. Para ter a certeza de que não vai ficar enganchado
na carga quando recuar, inclinar os garfos um pouco para a frente. Olhar por cima de ambos os
ombros e recuar recto até que os garfos fiquem livres da palete.

Fig.12 - Condução de empilhador.

Aproximar a carga lentamente e em esquadro com a pilha, com o garfo na posição de


deslocamento. Parar cerca de 30 cm da carga e levantar o mastro de forma que os garfos fiquem na
altura correcta.

Fig.13 - Condução de empilhador.

Nivelar os garfos e rode para a frente até que a carga esteja apoiada no encosto traseiro;

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32

Fig.14 - Condução de empilhador.

Nunca levantar uma carga enquanto estiver em movimento. Espere até se encontrar na área
da carga, completamente parado, para então levantar o mastro. Certificar-se de que a carga superior
esteja bem apoiada e alinhada na pilha. Se estiver um pouco inclinado, a pilha toda pode tombar;

Fig. 15 -

Dirigir sempre com a carga ligeiramente inclinada par atrás para aumentar a estabilidade.
Movimentar

se com a carga na altura apropriada. Uma altura estável com folga de 10 a 15 cm das pontas e 5 cm
nos tacões em geral é suficiente para passar por cima das irregularidades do piso

Fig.16 - Condução de empilhador.

Nunca abusar da velocidade e de manobras excessivas

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33

Fig.17 - Condução de empilhador.

Se não possuir visibilidade por cima da carga, dirigir de marcha atrás.

Fig.18 - Condução de empilhador.

Manter seja em que circunstância o controle total sobre o empilhador;


Observar os sinais e as regras de circulação na empresa;
Conduzir prudentemente, evitar os arranques, viragens e paragens brusca;
Desacelerar e buzinar moderadamente nos locais perigosos, nomeadamente na
aproximação de peões;
Olhar sempre no sentido da marcha e conservar sempre uma boa visibilidade de
percurso;
Vigiar a carga, sobretudo nas viragens e particularmente se ela é pouco estável;
Abordar as descidas com uma velocidade moderada. Controlar a velocidade com o
travão.

Fig.19 - Condução de empilhador.

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34

Sobre pisos húmidos, escorregadios ou irregulares, conduzir sempre lentamente;

Fig.20- Condução de empilhador.

Nunca atravessar pontos de ligação como pontes, estrados de camiões, vagões, etc., sem
saber com toda

a segurança que estes aguentam o peso total da carga do próprio empilhador.

Fig.21 - Condução de empilhador.

Assegurar-se que o meio onde se está a depositar a carga não se pode deslocar. Nunca
parar um

empilhador em locais que impeçam a circulação de pessoas ou outros tipos de equipamentos.

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35

Fig. 22 - Condução de empilhador.

Nunca parar um empilhador em rampas, salvo casos excepcionais e só depois de ter calçado bem as
rodas.

Em resumo apresentam-se algumas interdições no que respeita à condução de


empilhadores:

Conduzir um empilhador sem estar autorizado para o efeito;


Deixar o empilhador ser conduzido por uma pessoa não autorizada;
Elevar uma carga com o peso superior à capacidade do empilhador;
Aumentar o valor do contrapeso de empilhador;
Elevar uma carga mal equilibrada;
Elevar uma carga usando apenas um dos garfos do empilhador;
Circular, com a carga elevada;
Travar bruscamente;
Fazer curvas a grande velocidade;
Não respeitar os painéis de sinalização;
Usar circuitos de circulação diferentes dos pré estabelecidos;
Transportar pessoas nos empilhadores;
Elevar pessoa nos empilhadores que não estejam concebidos para o efeito;
Abandonar um empilhador num corredor de circulação ou sobre uma rampa.

Riscos decorrentes da condução de empilhadores:

Queda de cargas transportadas;


Queda de grandes elementos;
Queda de pequenos elementos;
Queda de objectos armazenados;
Queda do condutor, ao subir ou descer e em marcha,
Queda ou basculamento do empilhador
Capotamento do empilhador, circulando, empilhando/desempilhando
Colisões e choques com estruturas fixas, obstáculos no solo, e com outros veículos
Contactos com componentes móveis do empilhador;
Condições climáticas;
Exposição a ruídos
Vibrações do empilhador;

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36

Poluição da atmosfera;
Incêndios e explosões
Natureza do produto transportado.

4.2 PONTES GRUA

As pontes gruas são um dos equipamentos mais utilizados na indústria e construção, sendo
utilizados para transporte mecânico de cargas. Estas podem ser de vários tipos: pontes rolantes,
giratórias, guindastes, gruas, etc. Na sua essência todos este equipamentos comportam riscos
semelhantes, apresentando-se de seguida um abordagem relativa às pontes rolantes:

Fig.23 – Foto de ponte rolante biviga.

De seguida apresentam os requisitos psico-fisícos para os trabalhadores que operam com as


pontes grua.

REQUISITOS PSICO-FISÍCOS DOS TRABALHADORES

PROBLEMAS FISÍCOS E PSIQUICOS INCAPACITANTES

Limitação excessiva da capacidade visual

Limitação excessiva da capacidade auditiva

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37

Vertigens

Problemas cardiorespiratórios

Problemas de ordem psicológica: depressão, etc…

REQUISITOS FISÍCOS E PSIQUICOS NECESSÁRIOS

Rapidez de decisão

Coordenação muscular

Reflexos

Boa capacidade de visão, percepção de relevo e cores

Boa condição física


Na figura seguinte podem observar-se os equipamentos obrigatórios para o manuseamento
de pontes

grua.

Fig.24 – EPI’s obrigatórios para manuseamento de pontes grua.

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38

RISCOS EXISTENTES NO MANUSEAMENTO DE PONTES GRUAS

Choque contra objectos no chão e queda de pessoas ao mesmo nível


Ruptura do sistema de elevação por sobrecarga e danos da estrutura da ponte
Queda da carga por ruptura do cabo de aço
Ruptura do acessório de elevação (argolas da canga) e queda da carga
Choque com a carga ou queda por oscilação originadas nos choques com os topos
dos pavilhões
Queda da carga por má colocação da carga no gancho
Perda do controlo da carga por falta de acompanhamento do operário
Golpes com ganchos ou cangas
Choque contra obstáculos no percurso da carga
Choque entre pontes que circulam no mesmo pavilhão
Acidentes ocorridos devido à utilização da ponte por pessoal não especializado
Eléctrico por contacto directo coma corrente – mau isolamento
Accionamento da ponte em situações de risco, ou seja por falha de corrente e excesso
de carga

REGRAS DE SEGURANÇA PARA OS OPERADORES DE PONTES GRUAS

Qualquer tipo de ponte só pode manuseada por trabalhadores autorizados e formados


Nunca ultrapassar a carga máxima admissível da ponte bem como de todos os elementos
constituintes: ganchos, correntes, cintas, etc…
Todas as gruas deverão estar equipadas com limitador de carga
Antes de accionar a corrente eléctrica de alimentação da ponte verificar se o comando
possui todos os botões desligados
Antes de movimentar as cargas verificar a sua estabilidade e amarração. Se tal não
acontecer, a marcha deverá ser interrompida e carga deve ser baixada lentamente.
Todos os deslocamentos de cargas deverão ser efectuados lentamente, evitando sempre
os movimentos bruscos.
As cargas deverão ser movimentadas o mais baixo possível. Os movimentos sem carga
devem ser efectuados com o gancho em cima.
É proibido levar cargas que não estejam completamente livres. Nunca utilizar as pontes
para arrancar ou desencravar objectos.
A elevação e descida de cargas deverá ser efectuada sempre na vertical.
Não deverão ser utilizados vários elementos para elevar um a carga. O trabalho deverá
ser supervisionado por um encarregado.
É expressamente proibido transportar as cargas por cima das pessoas.
È expressamente proibida a permanência de trabalhadores por debaixo de cargas içadas.
É expressamente proibido o transporte de pessoas nas cargas, bem como em cintas,
cordas de aço, ganchos, etc…
É expressamente proibido deixar as cargas içadas sem controlo da carga.
Nunca efectuar contramarchas, a não ser em caso de emergência.
Todos os ganchos devem ter patilha de segurança para evitar o desprendimento da carga

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39

Fig.25 – Patilha de segurança.

Deverá ter-se conhecimento sobre as capacidades mecânicas de corda de aço, cintas


de poliéster, etc

Fig.26- Afixação de carga nominal.

As correntes deverão possuir uma chapa, mostrando a sua capacidade e certificação


CE.

Fig.27- Marcação CE.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
40

SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA

A sinalização de segurança reveste-se de grande importância nos locais de trabalho, na


medida em que estimula e desenvolve a atenção do trabalhador para os riscos a que está exposto,
permitindo-lhe ainda recordar as instruções e os procedimentos adequados em situações concretas:

Compete ao empregador garantir a existência de sinalização de segurança e saúde no


trabalho, de acordo com a legislação em vigor, sempre que os riscos não puderem ser
evitados ou suficientemente diminuídos com os meios técnicos de protecção colectiva.
A sinalização não serve se não dotarmos, por exemplo, as peças perigosas de
protecção
Se deixarmos as saídas de emergência obstruídas
Ou não informarmos os trabalhadores do significado da sinalização.
Antes de se aplicar a sinalização de segurança devem os trabalhadores ser
consultados, ter acesso à informação e formação. É fundamental que a entidade
empregadora se certifique de que todos os trabalhadores compreendem o significado da
sinalização.
Chamar a atenção, de forma rápida e inteligível, para riscos e perigos graves pode ser
atingido através de diferentes tipos de sinais.

Tipos e definições sinais de Segurança

SINAL DE PROIBIÇÃO: O sinal que proíbe um comportamento.


SINAL DE AVISO: O sinal que adverte de um perigo ou de um risco.
SINAL DE OBRIGAÇÃO: O sinal que impõe certo comportamento
SINAL DE SALVAMENTO OU DE SOCORRO: O sinal que dá indicações sobre saídas
de emergência ou meios de socorro ou salvamento.
SINAL DE INDICAÇÃO: O sinal que fornece indicações não abrangidas por sinais de
proibição, aviso, obrigação e de socorro ou salvamento
SINAL ACÚSTICO: O Sinal sonoro codificado, emitido e difundido por um dispositivo
especifico, sem recurso à voz, humana ou sintética.
SINAL GESTUAL: O movimento, ou uma posição, dos braços, ou qualquer
combinação entre eles, que através de uma forma codificada oriente a realização de
manobras que representem risco ou perigo para os trabalhadores.

Tabela 12 – Cores para a sinalização.

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41

Fig.28 – Sinalização de salvamento ou de socorro.

Fig.29- Sinalização de obrigação.

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42

Fig.30 – Sinalização de perigo.

Fig. 31 – Sinalização de proibição.

Sinais de Rotulagem:

Fig. 32– Sinais de rotulagem.

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43

Os pictogramas utilizados na sinalização podem variar ligeiramente em relação às figuras previstas


nos quadros anteriores, desde que o seu significado seja equivalente e nenhuma diferença ou
adaptação os torne incompreensíveis.

As placas de sinalização devem ser de materiais que ofereçam a maior resistência possível a
choques, intempéries e agressões do meio ambiente.

As dimensões e as características colorimétricas e fotométricas da sinalização devem garantir boa


visibilidade e a compreensão do seu significado.

Fig. 33 – Nova rotulagem.

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44

Fig. 34 – Rotulagem de acordo com novo regulamento CLP.

MOVIMENTAÇÃO MANUAL DE CARGAS

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45

Por movimentação manual de cargas entende-se: qualquer operação de movimentação


ou deslocamento voluntário de cargas, compreendendo as operações fundamentais de elevação,
transporte e descarga.

A ocorrência de acidentes neste tipo de operação é consequência de: movimentos


incorrectos ou esforços físicos exagerados, de grandes distâncias de elevação, do abaixamento e
transporte, bem como de períodos insuficientes de repouso, pois estamos em presença, por vezes,
de cargas volumosas.

1- Cervical

2- Dorsal

3- Lombar

4- Sacro - Cóccix

Fig.35- Coluna Vertebral.

Fig.36 – Vértebras.

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46

Fig.37 – Analogia com ponte grua.

Próximo da torre a grua eleva 2.400 kg


Na posição intermédia a grua eleva 1.200 kg
Na extremidade do braço eleva 600 kg

Fig.35 - Analogia com ponte grua.

Afastando o centro de gravidade da carga, do nosso centro de gravidade, aumentamos o


esforço exigido para efectuar o levantamento.

Se a carga for levantada com as costas

curvadas os discos cartilagíneos ficam

deformados e sobrecarregados nos seus

ombros, o que poderá provocar dores

nas costa

Em contrapartida, se a carga for

levantada com as costas direitas, o

tronco inflecte na articulação na

articulação da anca; os discos não se

deformam, a carga fica repartida

regularmente e a solicitação é mínima.

Fig.38 – Posições incorrecta e correcta para levantamento manual de cargas.

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47

Fig.39– Regras para levantamento correcto de cargas.

Riscos existentes no Levantamento Manual de Cargas

Queda de objectos
Queda de pessoas ao mesmo nível
Esforços excessivos e posturas incorrectas
Golpes
Entalamento

Meios auxiliares para movimentação manual de cargas

Fig.40 - Meios auxiliares para movimentação manual de cargas.

A posição da coluna vertebral no acto de levantamento de cargas é fundamental;


A forma e volume das cargas interferem expressivamente no levantamento das
mesmas;
Deve utilizar-se a força das pernas para proceder ao levantamento das cargas;
O planeamento do trabalho desempenha um papel importante na prevenção de riscos;

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48

PREVENÇÃO E PROTECÇÃO CONTRA INCÊNDIOS

O fogo é provavelmente o fenómeno mais marcante no caminho da humanidade para a


civilização. É desnecessário salientar a importância da combustão no mundo actual, no entanto, a
exemplo do que acontece com muitas outras realizações científicas e tecnológicas, existe também o
reverso da medalha. O incêndio, sem dúvida, é um terrível e temível adversário para o ser humano,
devendo ser evitado ao máximo o seu aparecimento. Dentro desta premissa básica, reconhecida e
aceite universalmente, têm-se desenvolvido esforços para o combater, quer criando instrumentos e
equipamentos de reconhecida eficácia, quer aperfeiçoando técnicas para minimizar tão nefasto
evento. Deste desiderato nasceu a segurança contra incêndio, cujo progresso nos seus diferentes
campos tem proporcionado maior segurança à humanidade.

Deste modo, esta unidade do Manual divide-se em duas partes fundamentais e distintas que
são a prevenção e o combate a incêndios.

A prevenção pode definir-se como sendo um conjunto de medidas que têm como objectivo
evitar a ocorrência simultânea das condições que dão origem a um incêndio. O combate é um
conjunto de medidas técnicas adoptadas para extinguir um incêndio que já ocorreu. Em ambos os
casos, é necessário dominar os conhecimentos teóricos dos fenómenos associados ao fogo para que
as medidas a tomar sejam adequadas e eficazes.

Física e Química do Fogo


O conhecimento dos fenómenos físico-químicos da combustão é a base teórica da
prevenção e do combate aos incêndios. Só conhecendo bem a ameaça, se pode evitá-la e fazer-lhe
frente convenientemente e de um modo eficaz. Importa então conhecer e aprofundar os
conhecimentos neste domínio.

Uma combustão é uma reacção de oxidação entre um combustível e um comburente. A


reacção é provocada por uma determinada energia de activação e é sempre exotérmica (liberta
calor).

Combustível pode ser qualquer substância que, na presença de oxigénio e fornecendo-lhe


uma certa energia de activação, é capaz de arder.

Comburente é a substância em cuja presença o combustível pode arder. De uma maneira


geral, considera-se o oxigénio como o comburente que existe na atmosfera numa proporção de 21%
(em volume).

Tipos de Combustão

As reacções de combustão não se produzem todas com a mesma velocidade, classificando-


se em três tipos:

Combustões lentas – São as que se produzem sem emissão de luz e com pouca emissão
de calor.

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49

Combustões rápidas – São as que se produzem com forte emissão de luz e de calor com
chamas.

Combustões muito rápidas ou instantâneas – Um caso típico de uma combustão


instantânea é a explosão, que é um fenómeno descontrolado e não desejado.

Quando a velocidade de propagação da frente de chamas é menor do que a velocidade do


som (340 m/s), a explosão chama-se deflagração (por exemplo, a combustão de vapores de líquidos
inflamáveis dispersos no ar). Quando a velocidade de propagação da frente de chamas é maior que
a velocidade do som, a explosão chama-se detonação. Existem ainda as combustões
espontâneas, produzidas pela reacção química de diferentes matérias orgânicas.

Triângulo e Tetraedro do Fogo


Um fogo não pode ocorrer sem a conjugação simultânea de três elementos:

Combustível (material que arde);


Comburente (oxigénio do ar);
Energia de activação (fontes de energia que, ao manifestarem-se em forma de calor,
provocam a
inflamação dos combustíveis, tais como: chispas mecânicas, soldaduras, etc.).

Se falta algum destes elementos, a combustão não será possível. Cada um destes
elementos representa-se como um dos lados de um triângulo. A esta representação simplificada,
chama-se triângulo do fogo.

Fig.41 – Triângulo do fogo.

Existe ainda outro factor que intervém de forma decisiva no incêndio que é a reacção em
cadeia, tratando-se da transmissão de calor de umas partículas do combustível para outras. Logo, se
de alguma maneira se interrompe a dita cadeia, não é possível a continuação do incêndio.

Neste caso, amplia-se o conceito de triângulo do fogo, passando agora a existir quatro
factores que se representam pelo tetraedro do fogo.

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Fig. 42 – Tetraedro do fogo.

Produtos da Combustão

Os produtos próprios e manifestos da combustão são: fumo, chama, calor e gases.


Seguidamente falar-se-á da sua importância e dos efeitos de cada um deles.

Fumo
O fumo é constituído por pequeníssimas partículas sólidas ou líquidas ou vapores
condensados que são arrastadas pelos gases quentes da combustão. As partículas sólidas são
constituídas por carbono e outras substâncias não queimadas que surgem quando a combustão tem
falta de oxigénio. As partículas líquidas são constituídas essencialmente por vapor de água que se
forma por evaporação da humidade do combustível, mas sobretudo pela combustão do hidrogénio. É
de salientar o efeito irritante do fumo sobre as mucosas dos olhos e das vias respiratórias. A sua cor
depende dos materiais que se estão queimando:

cor branca ou cinza-claro indica que arde livremente;


cor negra ou cinza-escuro indica normalmente um fogo quente e falta de oxigénio;
cor amarela, vermelha ou violeta, geralmente indica a presença de gases tóxicos.

Chama
Sabe-se que a chama é um gás incandescente, uma vez que ardem sempre com chama os
combustíveis gasosos ou líquidos. Estes últimos volatilizam-se devido ao calor e à elevada
temperatura de combustão, inflamando-se e ardendo como gases. Nos combustíveis sólidos ardem
com chama os que produzem por decomposição (destilação seca) compostos voláteis em
quantidades suficientes, como sucede com as hulhas gordas, a madeira, etc. Em contrapartida, o
coque arde praticamente sem chama, devido à total ausência de compostos voláteis. Como norma
geral pode dizer-se que o fogo, numa atmosfera rica em oxigénio, é acompanhado por uma
luminosidade chamada chama, que se manifesta como o factor destrutivo da combustão e que
raramente se separam.

Calor e Transmissão do Calor


Fala-se de calor (troca de calor, transferência de calor) quando existe energia transferida
entre dois corpos em virtude de uma diferença de temperatura. Assim, o calor é apenas energia em
trânsito, uma vez que esta energia entra num corpo e vai simplesmente aumentar a energia interna
deste. Importa não confundir calor com temperatura que é uma medida de energia cinética média
das moléculas de um corpo.

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No estudo do fogo é muito importante saber como actua o calor e como se transmite, dado
que é a causa de muitos incêndios e expansão dos mesmos. O fenómeno da transmissão do calor
traduz a apetência que determinado material tem para absorver calor de outra. O fogo pode
propagar-se ou transmitir-se por:

condução;
radiação;
convecção;
ou contacto directo da chama (este factor nem sempre é considerado por alguns
autores).

Fig.42 – Transmissão do calor por condução.

Chama-se condução ao mecanismo de transferência de calor que se produz de um ponto


para outro por contacto directo através de um meio condutor de calor (vibração das moléculas). Por
exemplo: se aquecermos o extremo de uma barra metálica, ao fim de algum tempo o outro extremo
desta também terá aquecido.

Fig.45 – Transmissão do calor por convecção.

Chama-se convecção ao processo de transmissão de calor pelo ar em movimento. Estas


correntes ou circulação de ar produzem-se devido à diferença de temperatura que existe nos
distintos níveis do incêndio, isto é, a diferença entre as densidades dos gases quentes resultantes da
combustão de um material e a densidade das camadas de ar circundante origina a formação de
correntes de convecção. O deslocamento processa-se normalmente de baixo para cima, procurando
os gases quentes os pontos mais altos.

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Fig.46– Transmissão do calor por radiação.

Chama-se radiação ao processo de transmissão de calor de um corpo para outro através do


espaço, em que a transmissão se realiza por raios caloríficos. O calor radiado não é absorvido pelo
ar, pelo que atravessará o espaço até encontrar um corpo opaco e por sua vez, este corpo pode
emitir radiação. O calor do sol é o exemplo mais cabal da radiação térmica. O calor também pode
ser transmitido por contacto directo com a chama. Quando um material é aquecido até ao ponto
em que pode emitir vapores inflamáveis, estes vapores podem entrar em combustão. Esta
substância ardendo fará com que ardam as que estão à sua volta e assim sucessivamente.

Gases
Os gases resultantes de uma combustão são geralmente tóxicos, invisíveis e a sua expansão
contribui para a propagação do fogo. Os gases que se formam numa combustão dependem de
muitas variáveis, mas principalmente da composição química do combustível, da quantidade de
oxigénio disponível e da temperatura que é atingida durante o incêndio. Entre os gases de
combustão encontram-se o monóxido de carbono, anidrido sulfuroso, dióxido de carbono, ácido
sulfídrico, ácido cianídrico, ácido clorídrico, vapores nitrosos (óxido e peróxido de azoto), fosgénio,
etc.

Combustíveis e Combustão

Os combustíveis podem apresentar-se nos três estados da matéria:

sólido: madeira, carvão, outros materiais orgânicos, metais, etc.


líquido: gasolina, petróleos, álcoois, óleos, etc.
gasoso: metano, gás natural, acetileno, propano, butano, hidrogénio, etc.

Os fogos são classificados em quatro classes que são definidas pela natureza do
combustível. Esta classificação é muito útil, no domínio do combate ao incêndio, para a escolha do
agente extintor mais adequado.

As designações têm como finalidade classificar os fogos de diversa natureza e simplificar a


sua referência:

Classe A

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Fogos de materiais sólidos, geralmente de natureza orgânica, em que a


combustão se faz normalmente com a formação de brasas (por exemplo:
madeira, carvão, papel, etc.).
Classe B

Fogos de líquidos ou sólidos liquidificáveis (por exemplo: gasolina, éteres,


álcoois, ceras, parafina, etc.).
Classe C

Fogos de gases (por exemplo: propano, butano, acetileno, metano, etc.).


Classe D

Fogos de metais (por exemplo: sódio, potássio, magnésio, alumínio, etc.).

Gases
Os gases entram em combustão mais facilmente, pois não passam pelos processos de
transformação a que estão sujeitos os sólidos e os líquidos. A combustão é directa, dependendo
fundamentalmente da concentração com que se misturam com o ar. Existem duas concentrações
limite entre as quais a mistura ar-combustível é inflamável. São elas Limite Inferior de
Inflamabilidade (LII) e Limite Superior de Inflamabilidade (LSI).

Uma mistura cuja proporção de combustível é menor do que o Limite Inferior de


Inflamabilidade designa-se por mistura pobre. Uma mistura cuja proporção de combustível é maior
do que o Limite Superior de Inflamabilidade chama-se mistura rica. A ignição de uma mistura só se
consegue se a proporção combustível-ar estiver dentro de certos limites, a que chamamos limites de
inflamabilidade. Estes limites são diferentes para cada combustível.

Quanto mais alargado for o domínio de inflamabilidade, mais perigoso é o combustível em


causa. Deste ponto de vista, o hidrogénio e o acetileno constituem riscos particularmente elevados.

Os aumentos da temperatura e da pressão fazem alargar o domínio de inflamabilidade,


sendo o efeito da temperatura o mais notório. Verifica-se também que o aumento da percentagem do
oxigénio no comburente tem um efeito semelhante. Inversamente, a diminuição de qualquer destes
parâmetros faz diminuir a extensão do domínio.

Líquidos
Não se pode falar rigorosamente da combustão de um líquido, pois o que arde é o vapor
libertado pelo líquido. Assim, para que a combustão possa ter lugar, é necessário que a quantidade
de vapor libertada pelo líquido seja tal que a mistura resultante de vapor e ar esteja dentro do
domínio de inflamabilidade.

Interessa agora apresentar algumas definições que são importantes para caracterizar as
combustões dos líquidos:

Temperatura de inflamação (flash point) – É a temperatura mínima à qual os vapores


emitidos pelo líquido se inflamam por acção de uma chama piloto, mas cessando a combustão se a
chama for retirada.

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Temperatura de combustão ou ignição (fire point) – É a temperatura mínima à qual os


vapores emitidos pelo líquido se inflamam por acção de uma chama piloto, mantendo-se a
combustão mesmo retirando a chama piloto.

Temperatura de auto-inflamação – É a temperatura mínima à qual os vapores emitidos


pelo líquido se inflamam espontaneamente, sem necessidade de qualquer chama piloto.

Sólidos
Em geral, na combustão dos sólidos existem três fases:

destilação;
inflamação (evaporação);
incandescência (incêndio sem chama viva).

A destilação é o período durante o qual o combustível é exposto ao calor até emitir vapores
inflamáveis (e vapor de água em certos casos). A este processo chama-se pirólise, tratando-se de
uma transformação química que consiste na decomposição térmica do material ao abrigo do ar. As
reacções de pirólise são as principais responsáveis pelos processos de gaseificação que ocorrem em
muitos combustíveis sólidos, com a produção de voláteis, que depois vão sofrer um processo de
combustão em fase gasosa.

Quando os vapores se misturam nas proporções convenientes com o ar, dá-se a inflamação
havendo produção de calor e de fumo em quantidades variáveis consoante os casos. A chama
resulta da combustão no ar do gás ou do vapor libertado. Neste processo existem partículas
incandescentes de carbono, originando chamas mais ou menos iluminantes em função da
incandescência daquelas partículas.

Na incandescência, o material não emite praticamente gases combustíveis. As chamas


diminuem, bem como a tiragem (não é necessário mais ar) e, por consequência, o que resta do
material combustível começa a ficar cada vez mais brilhante ou incandescente.

Prevenção de Incêndios
Como anteriormente já foi referido, a prevenção é um conjunto de medidas tendentes a
limitar a probabilidade da ocorrência de incêndio. A prevenção afigura-se como a mais importante
das actividades da segurança contra incêndio, uma vez que é desenvolvida antes de a ignição ter
lugar, ou seja, é desencadeada antes de haver danos.

Causas de Inflamação

O conhecimento das causas de inflamação permite preveni-las e, por consequência, suprimir


um bom número delas pelo cumprimento de regras básicas, tais como a colocação das instalações
eléctricas, de gás e de aquecimento em conformidade com as normas, a interdição de fumar ou
foguear em locais perigosos, a ventilação de locais que apresentam concentrações de vapores
perigosas, etc.

De referir ainda que na base de um incêndio se encontra sempre, como causa geral, uma
energia sob a forma de calor. É por esta razão que as fontes de calor, quer sejam químicas,
mecânicas, eléctricas ou luminosas, devem ser estudadas com atenção para determinar os seus
perigos. As causas de incêndio podem classificar-se em três categorias:

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causas naturais;
causas resultantes da utilização de energia;
causas acidentais.

Causas Naturais
Os fogos são provocados pelo sol, por descargas atmosféricas ou por combustão
espontânea (matérias orgânicas e produtos químicos).

Causas Devidas à Utilização de Energia


A forma sob a qual se encontra a energia não é importante para que possa dar origem a um
incêndio:

se é produzida na proximidade de materiais combustíveis;


se as instalações eléctrica e de gás estão defeituosas;
por consequência de uma má disposição dos locais (isolamento insuficiente, ventilação
defeituosa).

Apontam-se alguns casos concretos de possíveis causas de inflamação:

fogos abertos (fogueiras, caldeiras, forjas, aparelhos de soldadura e chama de um


fósforo utilizado imprudente ou inconscientemente);
faíscas de origem eléctrica (aparelhos eléctricos sem protecção, arco eléctrico
provocado por um curto-circuito entre dois condutores);
faíscas de origem electrostática;
faíscas originadas pelo choque;
superfícies ou pontos quentes;
elevação de temperatura por efeito de compressão dos gases;
reacções químicas.

Causas Acidentais
Resultam da imperfeição humana e são imputáveis à ignorância, à negligência ou à malvadez.
Verifica-se ainda que, por vezes, o vandalismo ou a malvadez são apontados como causa de
incêndio para justificar erros de concepção, construção ou exploração das instalações ou dos
edifícios.

Medidas de Prevenção
As medidas de prevenção visam os seguintes objectivos:

a protecção das pessoas,


a salvaguarda dos bens.

Protecção das Pessoas


No que respeita a este assunto, as medidas essenciais residem no facto de existirem saídas
suficientes, quanto ao número e largura, devendo estar judiciosamente repartidas e desobstruídas.

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De uma maneira geral, todos os estabelecimentos e edifícios devem ser concebidos,


organizados e construídos de maneira que a evacuação das pessoas possa fazer-se por dois
pontos distintos.

Uma única saída pode não ser suficiente. Pode ser bloqueada, não somente pelas
chamas, mas mais frequentemente quando se trata de uma escada, pelos fumos e gases quentes
tóxicos, pelo que devem ser protegidas (enclausuradas ou exteriores).

Importa referir que os elevadores e monta-cargas não são considerados caminhos de


evacuação pelas seguintes razões:

capacidade limitada;
frequentes falhas de funcionamento no decurso dos incêndios;
invasão pelos fumos.

É importante também que os edifícios disponham de iluminação de emergência de


segurança, especialmente os que recebem público em grande quantidade ou pouco familiarizado
com os locais (por exemplo: hotéis, salas de espectáculos, etc.). Deve ser instalada iluminação de
emergência nas escadas, circulações horizontais comuns e saídas para o exterior.

Salvaguarda dos Bens


A salvaguarda dos bens pressupõe a aplicação de certas medidas:

– nas construções:

a) a implantação deve permitir um acesso e uma actuação rápida dos serviço de socorro,

b) emprego de materiais e de elementos de construção que tenham um comportamento ao


fogo compatível com a segurança,

c) compartimentação e enclausuramento adequados;

d) disposição judiciosa dos locais, tendo em atenção o seu destino e os riscos que
apresentam,

e) ventilação e desenfumagem eficazes;

– nas instalações:
a) As instalações técnicas (eléctrica, gás, aquecimento, ventilação, climatização, etc.)
devem ser correctamente realizadas de modo a não constituírem causa de incêndio, nem
contribuírem para a sua propagação; importa referir também que devem ser regularmente
verificadas por entidades certificadas ou técnicos competentes;

– na escolha dos meios dos meios de intervenção.

Ventilação e Desenfumagem
A ventilação e a desenfumagem desempenham um papel essencial na prevenção e
desenvolvimento de um incêndio. Podem ser asseguradas mecânica ou naturalmente. A
ventilação permite evitar a eclosão de incêndios, assegurando a evacuação, à medida que se
produzem, dos gases ou vapores inflamáveis emitidos por certos produtos armazenados ou
utilizados.

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A desenfumagem quando bem realizada permite:

– evitar a propagação de incêndios:

a) assegurando, no decurso do sinistro, a evacuação dos produtos de destilação susceptíveis


de transportar o fogo para longe do ponto de eclosão,

b) orientando as chamas e os gases quentes, impedindo-os de atingir os compartimentos


vizinhos;

– evitar o pânico:

a) assegurando a evacuação dos fumos e dos gases tóxicos susceptíveis de invadirem os


locais ocupados pelas pessoas,

b) impedindo que as comunicações, corredores e escadas não se tornem impraticáveis ou


dificilmente acessíveis em consequência da presença de fumos e gases quentes;

– facilitar a intervenção dos socorros exteriores:

a) pelas mesmas razões apontadas no ponto anterior.

Extinção
Já foram apresentados anteriormente o triângulo e o tetraedro do fogo, pelo que sabemos
que o fogo só surge quando se congregam os seguintes factores:

uma energia de activação;


um combustível;
um comburente;
uma reacção em cadeia.

A falta ou a eliminação de um dos elementos que intervém na combustão dará lugar à


extinção do fogo. Em função do elemento que se elimina, temos distintas formas ou mecanismos
de extinção que se enumeram:

dispersão do combustível;
abafamento;
arrefecimento;
inibição (rotura da reacção em cadeia).

Dispersão do Combustível
Neste processo retira-se ou elimina-se o combustível. Teoricamente, seria o método mais
eficaz e directo de extinção, mas na prática raramente se aplica atendendo à sua complexidade.
Imaginemos que se incendeia um grande armazém cheio de mercadorias e que teria de se retirar
todo o produto para evitar a propagação do incêndio. Ignorando o risco para as pessoas que teriam
que realizar tal tarefa, a velocidade de propagação seria superior à de retirar o combustível.

Este método é aplicável nos líquidos quando é possível o transvaze destes para outros recipientes.
Nos fogos da classe C, basta suprimir o fluxo de gás para que se dê a extinção por falta de
combustível.

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Fig.47 – Dispersão do combustível.

Abafamento

Assim chamado pelo facto de eliminar o oxigénio da combustão, isto é, impede que os
vapores combustíveis, que se desprendem a determinada temperatura para cada material, se
ponham em contacto com o oxigénio do ar.

Pode conseguir-se reduzindo a quantidade de oxigénio pela introdução de uma determinada


concentração de gás inerte num ambiente confinado ou cobrindo a superfície em chamas com
alguma substância ou elemento incombustível. A este último método chama-se asfixia.

Apresentam-se agora alguns exemplos:

colocar uma tampa na frigideira que pegou fogo;


projecção de gases inertes como CO2 ou azoto;
lançar areia sobre um material em combustão.

Fig.48 –Abafamento.

Arrefecimento
Este mecanismo consiste em eliminar o calor para reduzir a temperatura do combustível. O
fogo extinguir-se-á quando a superfície do material incendiado arrefeça a tal ponto que não deixe
escapar vapores suficientes para manter a mistura no domínio da inflamabilidade na zona do fogo. A
extinção de um fogo por arrefecimento necessita de um agente extintor que tenha uma grande
capacidade para absorver o calor. Nos casos correntes, a água é o melhor, mais barato e abundante.

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Fig.49 – Arrefecimento.

Inibição
Consiste numa interferência química na reacção em cadeia. As substâncias extintoras
combinam-se com os radicais responsáveis pelas reacções elementares da propagação, retirando-os
da reacção de combustão e desta forma diminuindo ou anulando a reacção. O exemplo mais
corrente é a utilização de pós químicos.

Fig.50 – Interrupção da reacção em cadeia.

Agentes Extintores
Conhecidos o fenómeno do fogo e as classes de fogo que dependem do tipo de combustível
em causa e os processos de extinção, resultará mais fácil seleccionar o tipo de agente extintor a
aplicar, conhecendo previamente os efeitos destes sobre o fogo e as suas características. Indicam-se
seguidamente os principais agentes extintores utilizados correntemente:

água;
dióxido de carbono (CO2);
pós químicos;
espumas.

Água
A água é o agente extintor por excelência. É o mais barato, mais abundante e é de fácil
utilização, sendo o mais antigo de todos até agora conhecidos. No entanto, a sua acção depende do
modo como é utilizada.

Os seus efeitos de extinção sobre o fogo são:

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por impacto da massa líquida sobre as chamas, podendo chegar a eliminá-las ou a


separá-las do combustível;
por arrefecimento, sendo o seu efeito mais importante, dado o seu elevado calor
latente de vaporização que absorve o calor da combustão até vaporizar-se, anulando-o;
por abafamento, produzindo uma atmosfera inerte criada pelo vapor de água,
dificultando em parte o contacto dos vapores do combustível com o oxigénio do ar.

A sua aplicação pode ser feita dos seguintes modos:

em jacto – utilizando uma agulheta, a pressão da água é transformada em velocidade;


o seu alcance é tanto maior quanto maior for a velocidade; há que tomar algumas
precauções quando o jacto é dirigido a objectos ou combustíveis de pequenas dimensões,
uma vez que pode espalhá-los, contrariando o efeito de extinção pretendido;
pulverizada – com melhores resultados de arrefecimento quanto mais fina é
pulverização, uma vez que a área de transferência de calor é maior; a velocidade de saída é
menor do que a do jacto, pelo que o alcance é menor, devendo ser utilizada a curtas
distâncias.

A aplicação da água sobre as distintas classes de fogos pode resumir-se do seguinte


modo:

fogos classe A – ideal em qualquer das suas formas;


fogos classe B – aceitável, mas sempre finamente pulverizada, excepto nos líquidos
miscíveis em água ou que contenham dissolventes que também o sejam;
fogos classe C – não, apenas para arrefecer as zonas expostas ao calor na
proximidade do incêndio;
fogos classe D – NÃO.

Para melhorar as propriedades extintoras da água podem ainda ser utilizados vários aditivos,
nomeadamente: molhantes, emulsores, viscosificantes e opacificantes. Em condições normais é um
gás incolor e inodoro, com uma densidade aproximadamente 50% superior à do ar. Se se comprime
e arrefece, liquidifica facilmente, chegando a solidificar (gelo).

Como agente extintor possui as seguintes características:

não é corrosivo, nem danifica, nem deixa resíduos, pelo que é um agente extintor
limpo;
aproveita-se a sua própria tensão de vapor para ser transportado com pressão
suficiente em tubagens;
uma vez que é um gás, penetra com facilidade em locais esconsos;
não é condutor de electricidade, pelo que pode utilizar-se sobre equipamentos de baixa
tensão;
pode utilizar-se sobre quase todas as classes de materiais combustíveis, excepto
sobre metais activos ou híbridos que contenham oxigénio.

Em geral, o CO2 encontra-se liquefeito quando está nos reservatórios a uma temperatura de
20ºC e a uma pressão 60 kg/cm². Quando sai bruscamente do reservatório onde está contido e se
expande, devido à queda de pressão daí resultante o líquido arrefece rapidamente havendo uma
parte que solidifica apresentando-se sob a forma de «neve carbónica». Esta queda brusca de
temperatura pode atingir 80ºC negativos, pelo que o operador de um extintor de CO2 deve rodear-se
de determinados cuidados para evitar possíveis queimaduras. Actua por asfixia e é um agente
extintor usado em incêndios que envolvam equipamentos eléctricos.

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61

Apresenta como inconvenientes:

não deve ser respirado;


tem um fraco alcance (aproximadamente 1,5 metros), devido à forte expansão e
consequente dispersão a que está sujeito quando sai do reservatório onde está contido;
embora não tóxico, pode tornar-se perigoso quando está presente em percentagens
superiores a 4%.

Espuma
A espuma, como agente extintor, é uma massa de bolhas de ar unidas entre si por um
estabilizador misturado com a água que se aplica sobre a superfície de um combustível em chamas,
isolando-o assim do oxigénio do ar e apagando o fogo por abafamento. Seguidamente falaremos
apenas das principais características da espuma física, uma vez que a espuma química caiu em
desuso. A espuma física forma-se misturando na água, na proporção de 3 a 6%, um concentrado de
líquido espumífero, sendo depois injectado ar na solução espumífera (água + espumífero) para dar
origem às bolhas de espuma.

Os elementos de base para a formação das espumas são os espumíferos que podem ser dos
seguintes tipos:

Proteicos – contêm polímeros proteicos pesados, derivados de proteínas naturais


sólidas, tais como as penas de pássaros e as espinhas de peixes;
fluorproteicos – têm uma composição semelhante à dos espumíferos proteicos; para
além dos polímeros proteicos contêm tenso-activos fluorados que protegem as bolhas de
espuma;
sintéticos – são à base de agentes espumíferos fabricados na química de síntese;
destes destacam-se os AFFF (Agentes que Formam um Filme Flutuante ou a designação
anglo-saxónica Aqueous Film-Forming Foam), que contêm agentes químicos activos que
permitem a formação de um filme de solução aquosa que flutua sobre a superfície dos
líquidos inflamáveis;
anti-álcool – para combater fogos em líquidos inflamáveis, tais como álcoois e
solventes polares, miscíveis com os outros tipos de espumas e que as destroem
quimicamente; são formados por bases sintéticas ou proteicas e contêm um agente que
produz uma barreira insolúvel na estrutura das bolhas de espuma, o que faz com que estas
não sejam destruídas, portanto não são miscíveis quando em contacto com um solvente
solúvel em água.

O volume da mistura de água com espumífero (solução espumífera) quando injectado de ar


incrementa um determinado número de vezes, sendo esta relação designada por Taxa de
Expansão. Atendendo à taxa de expansão, as espumas podem classificar-se em:

baixa expansão (de 0 a 30): é uma espuma rica em água, consistente e pesada; é
utilizada em intervenções no exterior, conseguindo-se bons alcances quando projectada (10
metros);
média expansão (de 30 a 250): é mais leve do que a espuma de baixa expansão,
pelo que tem alcances mais curtos (5 ou 6 metros); utiliza-se muito para inundar áreas
abertas como por exemplo bacias de retenção de depósitos de combustíveis;
baixa expansão (de 250 a 1000 ou mais): a incorporação de grande quantidade de ar
é feita através de geradores que normalmente utilizam a energia da água do sistema para
fazer girar um ventilador que vai empurrar a solução espumífera contra uma rede metálica,
facilitando a introdução do ar nas bolhas de espuma; destina-se sobretudo à intervenção em
locais fechados, podendo ser utilizada mesmo que os locais sinistrados não tenham sido
evacuados, uma vez que se pode respirar normalmente no seu interior.

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Uma espuma para ser de boa qualidade deve reunir as seguintes características:

peso específico inferior ao da água e ao do líquido inflamável;


boa aderência a elementos verticais;
grande poder de retenção de água;
estável, mantendo as suas qualidades por um largo período de tempo;
deslizar livremente numa superfície em chamas, avançando por si mesma;
não devem reagir com os combustíveis sobre os quais são projectadas;
formar uma capa selante que impeça a libertação de vapores voláteis que se
misturarão com o ar;
resistir ao vento e às correntes de ar, ao calor e às chamas, não rompendo; se rompe
por efeitos mecânicos, deve possuir capacidade de autocicatrização.

A aplicação da espuma limita-se, com grande poder de extinção, aos fogos da classe B,
sendo muito eficaz para protecção de depósitos de armazenamento de líquidos inflamáveis.

Pó Químico Seco
Tendo em atenção estas três palavras, depreende-se que se trata de um agente extintor que
é constituído por substâncias «químicas» sólidas finamente divididas («pó») e que tem de possuir
uma grande fluidez para ser projectado sobre um fogo («seco» – sem humidade que forme grânulos).

Possui composições químicas diversas, mas basicamente é constituído por sais de sódio
(bicarbonato de sódio) ou de potássio (bicarbonato de potássio), aos quais se juntam alguns aditivos
que melhoram a fluidez, a resistência à humidade e à compactação.

Um pó ideal deve possuir as seguintes características:

máxima fluidez;
máxima divisão das partículas que devem possuir igual dimensão;
resistência à humidade;
não deve compactar;
não deve formar grânulos;
não deve existir atracção electrostática entre as partículas;
não devem ocorrer reacções químicas entre os aditivos;
não deve ser tóxico;
não deve ser condutor de electricidade;
não deve ser abrasivo, nem corrosivo.

O pó químico, uma vez que é inerte, é impulsionado por gases incomburentes liquefeitos que
não devem ser tóxicos ou corrosivos. Normalmente são utilizados o dióxido de carbono e o azoto.

Os seus efeitos de extinção são o rompimento da reacção em cadeia do fogo (inibição),


reduzindo o calor e o oxigénio ou interpondo catalisadores negativos. Ao estar finamente dividido
existe também um efeito de isolamento de calor. Existe um outro efeito secundário que é a formação
de uma ligeira película sobre o combustível que o isola do oxigénio do ar.

Existem no mercado três tipos de pós

Clássico – eficaz sobre fogos das classes B e C: a matéria de base é geralmente o


bicarbonato de sódio, sendo o seu efeito nulo ou efémero sobre incêndios da classe A;

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Polivalente – eficaz sobre fogos das classes A, B e C: constituído por sais, tais como
fosfatos, sulfatos, boratos, sais de amónio, etc.; é incompatível com os pós à base de
bicarbonato; o pó actua de forma idêntica à descrita para os incêndios da classe BC, mas,
nos incêndios da classe A, como a desagregação das chamas não significa a extinção do
fogo, dado que ficam brasas que o activarão de novo, este pó actua por efeito de asfixia; em
contacto com as brasas, os elementos que o compõem fundem-se, formando uma vitrificação
que envolve o combustível numa camada semelhante a um verniz que as isola do ar;
Especial – eficaz sobre fogos da classe D: utiliza-se em incêndios de metais no estado
puro, como por exemplo o sódio, potássio, magnésio, etc. e é concebido expressamente para
cada um deles; é incompatível com os pós BC e ABC.

A aplicação do pó químico sobre as distintas classes de fogos pode resumir-se do seguinte


modo:

fogos classe A – pó ABC;


fogos classe B – em todos os líquidos inflamáveis, incluindo os álcoois e outros
líquidos miscíveis em água;
fogos classe C – pós ABC e BC;
fogos classe D – NÃO (a não ser que seja apropriado).

Combate a Incêndios
Por mais perfeitas que sejam as medidas de prevenção programadas e por mais
conscienciosas que sejam as pessoas responsáveis pela sua aplicação, as causas imprevisíveis e a
parte aleatória associada a todos as circunstâncias da vida quotidiana farão com que haja incêndios
todos os dias.

Uma vigilância constante dos riscos e a programação de medidas a tomar em caso de


eclosão de um sinistro, para o combater na sua fase inicial e evitar a sua propagação, são os
princípios essenciais do combate.

O combate visa:

a descoberta do incêndio logo à nascença;


o ataque imediato ao fogo para obter uma extinção rápida.

Sistema Automático de Detecção de Incêndios

Uma instalação de detecção de incêndio tem por objectivo descobrir e sinalizar, o mais cedo
possível, o aparecimento de um fogo, para que possam ser tomadas medidas necessárias à
salvaguarda das vidas dos utentes do edifício e à protecção dos bens materiais, num curto espaço
de tempo.

A detecção de incêndios é uma das mais importantes medidas de segurança, uma vez que
permite detectar precocemente um fogo para de seguida ser pronta e facilmente extinto.

A detecção pode ser humana ou automática, mas a experiência mostra como é arriscado
contar unicamente com a intervenção humana. Na maior parte dos casos, os sistemas de detecção
parcial ou totalmente automáticos são preferíveis.

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Uma instalação de detecção automática de incêndios deve possuir três qualidades


fundamentais:

rapidez;
fiabilidade;
credibilidade.

Sendo fiável, tem-se a certeza de não se ser traído num momento crucial. Sendo rápido, o incêndio
será sinalizado num intervalo de tempo muito curto. Para ser credível deve basear-se num
funcionamento seguro, eliminando deste modo os alarmes intempestivos.

Detecção de um Foco de Incêndio


Em primeiro lugar, importa conhecer os fenómenos físicos produzidos durante a combustão
de um material. O material é transformado em radiação, sob a forma de luz e de calor, e decomposto
em elementos sólidos, líquidos e gasosos. Os elementos sólidos e líquidos não voláteis ficam junto
ao solo, enquanto os produtos da combustão voláteis, a radiação e os efeitos térmicos de condução
e convecção se propagam para longe do fogo.

São estes últimos elementos que são utilizados para detectar a presença de um incêndio.
Como percebemos então estas manifestações físicas?

Percepção Humana
As manifestações físicas de um fogo são apercebidas de diferentes formas por um indivíduo:

os gases são detectados pelo odor;


os fumos são visíveis, logo a detecção é óptica;
as chamas ainda são mais visíveis, uma vez que emitem luz; a sua detecção é
igualmente óptica em qualquer circunstância, seja directa ou indirectamente;
o calor é apercebido por radiação ou por contacto.

Técnicas Automáticas

O homem pode ser substituído por equipamentos. Os gases são sinalizados por detectores
iónicos que analisam a presença de certos produtos estranhos no ar e assinalam a sua presença.

Os fumos serão «vistos» pelos detectores ópticos de fumos dotados de células eléctricas. As
chamas serão igualmente «vistas» por detectores ópticos de chamas, dotados de células
fotossensíveis.

Por fim, o calor pode ser apercebido por detectores térmicos que assinalam uma
determinada temperatura ou por detectores termovelocimétricos que analisam uma rápida elevação
de temperatura.

Sistema de Detecção

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Façamos agora a analogia entre os elementos constituintes de um sistema de detecção e os


órgãos que asseguram as funções essenciais do corpo humano. Numa instalação de detecção
encontramos os seguintes componentes:

os órgãos sensoriais: os detectores;


os nervos sensitivos e motores: os fios eléctricos e as cablagens de ligação;
um cérebro: o painel de alarme e sinalização (também designado por Central de
Detecção e Alarme de Incêndio);
um sistema de alimentação: as fontes de energia eléctrica;
os músculos: os dispositivos e as forças de intervenção.

Detectores
São aparelhos electrónicos que se apercebem, como os nossos sentidos, dos fenómenos do
fogo, tendo em conta as suas diferentes propriedades físicas. Asseguram a vigilância de um local ou
de uma determinada zona e comunicam, através dos fios eléctricos, as informações à central que os
traduz em alarme.

Cabos de Ligação
Para transmitir as informações recebidas pelos detectores e para comunicar as ordens do
«cérebro» (painel de sinalização), existe um conjunto de «nervos» ao mesmo tempo sensitivos e
motores, que são as cablagens de ligação eléctrica.

Central de Detecção e Alarme de Incêndio


É o «cérebro» do sistema que recebe a informação dos detectores e permite localizar o
incêndio. Deve assegurar as seguintes funções:

a alimentação eléctrica dos detectores e dos periféricos. Assegura em permanência a


energia necessária ao funcionamento dos detectores que trabalham em tensão reduzida (12
a 18 V);
a sinalização dos alarmes e das avarias, através de sinais luminosos. Os sinais
transmitidos pelos detectores são recebidos na central por órgãos electrónicos que
desencadeiam:
a acção dos sinalizadores,

o alarme, através de sinais luminosos e sonoros simultâneos;

o comando de dispositivos complementares de protecção de incêndio e de transmissão


de alerta. Actua, seguindo um programa que varia segundo as características próprias de
cada estabelecimento, sobre os sistemas de alarme local ou à distância e sobre os
automatismos de protecção contra o fogo.

As alterações do sistema (por exemplo, a retirada de detectores) e as avarias são sinalizadas


através de sinais ópticos e sonoros.

A central, destinando-se principalmente a controlar o estado de funcionamento da instalação


e a dar o alarme, deve ser posicionada num local ocupado em permanência e situado junto de um
dos acessos ao edifício.

Alimentação eléctrica

A condição de funcionamento sem intermitências de uma instalação de detecção de


incêndios exige a continuidade absoluta de alimentação de energia eléctrica da Central de Detecção
e Alarme. Deste modo, a alimentação eléctrica pode ser assegurada por:

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Fonte principal: A energia eléctrica é normalmente fornecida pela rede pública de


distribuição.
Fonte de socorro: É prevista para fazer face a todas as falhas da rede de distribuição
e entra automaticamente em serviço. Deve ser capaz de manter a instalação de detecção em
funcionamento durante o tempo de falha da rede com uma autonomia mínima de 72 horas.

Dispositivos complementares

São de duas ordens, tendo em conta se são comandados pelos detectores ou pela Central
de Detecção de Incêndios.

Elementos associados aos detectores:

– São principalmente os repetidores de acção que acendem em caso de funcionamento do


detector.

Elementos associados à Central:

os painéis repetidores e os sinópticos;


os dispositivos de comando à distância de:
fecho automático de portas corta-fogo,

abertura de exutores de fumo,

accionamento dos extractores de fumo,

paragem automática de equipamentos;

os dispositivos de extinção;
os alarmes sonoros ou luminosos à distância.

Extintores

Um extintor é um equipamento que contém um agente extintor que pode ser projectado e
dirigido sobre um fogo, por acção de uma pressão interna.

Os extintores são classificados como meios de primeira intervenção de combate ao


incêndio e devem ser instalados independentemente de qualquer outra medida de protecção julgada
necessária.

Chama-se carga de um extintor à massa ou volume do agente extintor contido no extintor.

Classificação
Quanto à sua mobilidade, os extintores podem classificar-se em:

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extintores manuais: extintores cujo peso é igual ou inferior a 20 kg;


extintores dorsais: extintores cujo peso é igual ou inferior a 30 kg e que estão
equipados com um dispositivo que permite o seu transporte às costas;
extintores móveis: extintores cujo peso é superior a 30 kg, que dispõem de rodas
para a sua movimentação, podendo consoante as suas dimensões ser puxados
manualmente ou rebocados por viaturas.

Quanto ao tipo de agente extintor, os extintores podem classificar-se em:

à base de água (água com aditivos ou espuma);


pó químico seco;
dióxido de carbono (CO2).

Quanto ao modo de funcionamento, os extintores podem classificar-se em:

Permanentemente pressurizados:

agente gasoso de alta tensão de vapor (exemplo: CO2),


agente gasoso de baixa tensão de vapor (exemplo: halon 1211) pressurizado gás
auxiliar (exemplo: N2 ou CO2),
agente sólido (exemplo: pó químico seco) ou líquido (exemplo: água) pressurizado por
gás auxiliar;

Pressurizados no momento da utilização:

gás propulsor armazenado em garrafa independente (exterior ou interior),


gás propulsor gerado no momento da utilização.

Quanto à eficácia de extinção, os extintores classificam-se segundo o fogo-tipo que são


capazes de extinguir. O fogo-tipo identifica-se por um número e por uma letra, em que o número
representa a dimensão e a letra a classe do fogo do fogo em que o extintor foi ensaiado. Os ensaios
encontram-se definidos na Norma Portuguesa NP EN 3 – Parte 1.

Ensaios

Os extintores são submetidos a uma série de ensaios e provas para verificação da sua
qualidade e segurança:
ensaio de estanquidade;
ensaio dieléctrico: para verificar se podem ser utilizados em instalações eléctricas sob
tensão;
ensaio de compactação: destinado aos extintores de pó químico seco;
prova hidrostática: tem por finalidade verificar a resistência mecânica às pressões
internas a que estão submetidos;
ensaio de eficácia: para determinar a classe de eficácia.

Inspecção, Manutenção e Recarga de Extintores


O proprietário ou o ocupante de um local no qual existam extintores instalados é o
responsável pela sua inspecção, manutenção e recarga.

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Uma inspecção é uma verificação rápida de que o extintor está pronto a actuar no local
próprio, devidamente carregado, que não foi violado e que não existem avarias ou alterações físicas
visíveis que impeçam a sua operação. A inspecção é feita normalmente por pessoal designado pelo
proprietário, ocupante ou entidade responsável.

A manutenção é a verificação cuidada do extintor, destinada a dar a máxima certeza de que


actuará efectivamente e em segurança. Inclui um exame cuidado em oficina que poderá ocasionar
reparações ou substituições e mesmo revelar a necessidade de um ensaio hidrostático.

A recarga é o enchimento do extintor incluindo também o agente propulsor para alguns tipos
de extintores. A manutenção e a recarga devem ser feitas por pessoal habilitado, dispondo de
ferramentas dos tipos adequados, materiais para recarga, lubrificantes e peças sobressalentes
recomendados pelo fabricante.

Rede de Incêndio Armada

As redes de incêndio armadas são canalizações fixas e rígidas em carga, instaladas nos
edifícios, associadas a bocas de incêndio armadas que permitem uma primeira intervenção em caso
de incêndio. Uma instalação deste tipo é constituída por fonte de alimentação, uma coluna em carga
e bocas de incêndio armadas (tipo carretel ou teatro).

Bocas de Incêndio
As bocas de incêndio armadas devem ser posicionadas junto das saídas dos edifícios e
nas circulações horizontais comuns, junto aos acessos às escadas.

O número e a localização das bocas de incêndio a instalar deve ter em linha de conta que
todas as zonas do local a proteger devem ser cobertas pelo menos por uma boca de incêndio. A
distância, medida ao eixo das circulações comuns, entre bocas de incêndio deve ser inferior a 40
metros, de modo que os jactos das mesmas possam entrecruzar-se.

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SEGURANÇA ELÉCTRICA

Segurança eléctrica é poder utilizar uma instalação eléctrica sem riscos, nem para os condutores
nem aparelhos de comando nem para as pessoas.

Corrente eléctrica

A electricidade é um fenómeno físico ligado à estrutura da matéria, nomeadamente à composição


dos átomos que a constituem. Toda a matéria é formada por átomos e os átomos, por sua vez são
formados por neutrões (partículas sem carga), protões (partículas com carga positiva) e electrões
(partículas com carga negativa). A zona central do átomo, onde se encontram os neutrões e os
protões, designa-se por núcleo. Os electrões movimentam-se à volta do núcleo e podem “libertar-se”
do átomo deslocando-se individualmente por acção de campos eléctricos. Os materiais bons
condutores são materiais que possuem electrões que facilmente “saltam” dos átomos. Pelo contrário,
os materiais maus condutores ou isoladores eléctricos são materiais cujos electrões estão fortemente
ligados ao núcleo, e portanto, dificilmente são “arrancados” aos átomos.

Um circuito eléctrico simples é constituído por um gerador de corrente e um receptor ligados por
intermédio de condutores. Pode existir também um aparelho de corte de corrente (interruptor).

Fig.51- Corrente eléctrica fluindo através de um circuito eléctrico simples.

A corrente eléctrica consiste num movimento ordenado dos electrões através do circuito. Este
movimento dá-se do polo negativo, onde estão em excesso, para o polo positivo, onde há deficiência
de electrões.

No circuito simples da figura 48, a lâmpada produz luz e aquece porque a passagem dos electrões
através do material do filamento da lâmpada (normalmente de Tungsténio) provoca o seu
aquecimento (efeito de Joule).

Grandezas eléctricas

Na figura 48. é a pilha o gerador de corrente, ou seja, é ela que força o movimento dos electrões
através do circuito e isto porque ela provoca uma diferença de potencial (normalmente designa-se
apenas por d.d.p.), ou tensão. A tensão ou d.d.p. representa-se, normalmente, por U e a unidade do
Sistema Internacional (S.I.) de é o Volt (V). Através duma determinada secção dum circuito, pode fluir
um maior ou menor número de electrões por unidade de tempo. Define-se Intensidade da corrente

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eléctrica como a quantidade de carga eléctrica que atravessa uma secção de um circuito por unidade
de tempo. Normalmente, representa-se por I e a respectiva unidade S.I. é o Ampere (A).

A intensidade da corrente que atravessa um circuito depende da resistência que os electrões


encontram no seu percurso. Os fios condutores permitem que os electrões fluam com facilidade - são
bons condutores de electricidade - mas, normalmente, nos receptores, devido às características dos
materiais que os formam, os electrões fluem com mais dificuldade. Esta maior ou menor facilidade
que os materiais têm de se deixar atravessar por uma corrente eléctrica designa-se por resistência
eléctrica de um material e representa-se por R. A unidade S.I. de resistência eléctrica é o Ohm ().

Curiosidade:

O ar funciona, normalmente, como isolador eléctrico, isto é, é um mau condutor de electricidade.


Mas, em determinadas condições, pode tornar-se condutor. Durante uma tempestade a diferença de
potencial entre as nuvens e o solo pode atingir os 5 000 000 Volt e nestas condições os electrões
fluem através do ar originando um relâmpago.

As três grandezas eléctricas - tensão, intensidade e resistência eléctrica - estão relacionadas pela lei
de Ohm:

U=RI (Eq.2)

Esta relação é importante quando se pretende analisar as consequências para o corpo humano do
contacto acidental com a corrente eléctrica.

O tempo de contacto com a corrente, é um outro factor importante a considerar. A lei de Joule
permite analisar o efeito do tempo de contacto:
2
W = RxI xt ou W = UxIxt
(Eq.3)

Onde W é a energia dissipada sob a forma de calor, que, em unidades S.I. se expressa em Joule (J);
as outras letras têm o significado descrito anteriormente.

Na tabela seguinte resumem-se as grandezas e respectivas unidades referidas até agora:

Tabela 13 - Resumo das grandezas físicas características da corrente eléctrica.

Relação entre
Símbolo Unidade do S.I.
grandezas

Tensão U Volt (V)

Intensidade I Ampere (A)

Resistência
R Ohm () U=RI
eléctrica

Tempo t segundo (s)


2
W = RxI xt ou W =
Energia W Joule (J)
UxIxt

A corrente que percorre o circuito da figura 12.1. designa-se por corrente contínua (cuja abreviatura é
c.c., em Inglês D.C. - Direct Current), uma vez que os electrões se deslocam constantemente do polo
negativo para o polo positivo da pilha. Mas a corrente acessível nas tomadas de nossas casas tem
características diferentes: o sentido da corrente inverte-se 50 vezes por segundo, ou seja, os

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electrões são impelidos ora para a frente ora para trás, 50 vezes por segundo. Este tipo de corrente
designa-se por corrente alternada (cuja abreviatura é c.a., em Inglês A.C. - alternating Current) de 50
Hertz (ou 50 Hz). Hertz(Hz) é a unidade de frequência do S.I.

Riscos de contacto com a corrente eléctrica

Para que se dê um acidente de origem eléctrica é necessário que ocorra:

o circuito estar sob tensão.

a pessoa estar em contacto com dois pontos do seu corpo a corpos sob tensão, ou, pelo menos,
muito próxima deles, sobretudo para altas tensões.

fechar o circuito eléctrico, ou seja, passar corrente.

Podem estabelecer-se diversos tipos de contacto com a corrente eléctrica - contactos directos e
contactos directos:

Contacto entre uma parte activa, sob tensão (por exemplo, um fio condutor) e um elemento condutor
ligado à terra. Muito frequente.

Fig.52 – Contacto directo.

Contacto entre uma parte activa, sob tensão e uma outra parte activa (por exemplo, outro fio
condutor), sob tensão diferente.
Frequente.

Fig.53 - Contacto directo.

Contacto entre uma massa acidentalmente sob tensão, por exemplo, a carapaça metálica de um
electrodoméstico, e um elemento condutor ligado à terra. Relativamente frequente.

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72

Fig. 54 – Contacto indirecto.

Contacto entre duas massas que acidentalmente estão sob tensão e essa tensão é diferente. Muito
raro.

Fig.55 – Contacto indirecto.

Factores que influenciam os efeitos da corrente eléctrica sobre o corpo humano

Experiências realizadas para estudar o efeito da corrente eléctrica no corpo humano permitiram
verificar que existem diversos factores físicos e biofísicos que determinam esses efeitos, existindo
entre eles inúmeras interacções:

intensidade da corrente.

da resistência.

percurso da corrente através do corpo humano.

tensão.

do tempo de exposição à corrente.

frequência e variação da corrente ao longo do tempo, no caso da corrente alternada.

Existem ainda factores pessoais que potenciam o risco de electrização, como por exemplo, o choque
psicológico, o estado do coração e o envelhecimento geral do organismo.

Intensidade da corrente

A intensidade da corrente desempenha um papel fundamental na origem das lesões originadas pela
corrente eléctrica. Tem-se tentado determinar experimentalmente "limiares" de intensidade
susceptíveis de produzirem certas manifestações, ainda que, estes variem de pessoa para pessoa.
Para o ser humano o limiar de sensação (limiar de percepção) da corrente alternada de frequência
industrial (50/60 Hz) é da ordem de 1 mA (1miliampere = 0,001 Ampere) e para a corrente contínua é
da ordem dos 5 mA.

No quadro seguinte apresentam-se vários limiares, para corrente alternada de 50/60 Hz:

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Tabela 14 - Valores de intensidade de corrente com efeitos notórios sobre o corpo humano (valores
em miliampere, sendo 1 mA = 0,001 A).

Intensidade da Corrente (mA) Efeitos sobre o corpo humano

0,045 Percepção sensorial na língua

0,8 Percepção cutânea para a mulher

1,0 Percepção cutânea para o homem

10 Limiar de não largar

Possibilidade de fibrilação ventricular sob certas


30
condições

2 000 (2 A) Inibição dos centros nervosos

20 000 (20 A) Queimaduras muito importantes, mutilações

Resistência do corpo humano

Tal como qualquer material, o corpo humano também oferece alguma resistência à passagem da
corrente eléctrica, ou seja, possui uma determinada resistência eléctrica. Normalmente o valor dessa
resistência situa-se entre os 1 000 ~ 2 000 .

Mas, para um mesmo indivíduo, a resistência do corpo não é constante e varia em função de vários
factores. Vamos considerar a resistência própria do corpo por um lado, e a resistência cutânea por
outro.

Resistência própria do corpo - varia em função da distância dos dois pontos de contacto.
Normalmente, quanto mais distantes se encontrarem maior é a resistência.

Resistência cutânea - varia mediante:

a superfície de contacto. Quanto maior for a superfície de contacto menor será a resistência.

o estado de revestimento. Por exemplo, a palma da mão de um operário, normalmente calosa, será
mais isolante do que o dorso da mão.

a pressão de contacto. A resistência cutânea é tanto menor quanto maior for a pressão exercida pelo
ponto de contacto do corpo humano sobre o condutor eléctrico.

o estado de hidratação. A pele húmida por contacto com a água, ou devido ao suor, tem uma
resistência muito mais fraca que a pele seca.

duração do contacto. A própria resistência da pele diminui progressivamente à medida que se vai
prolongando o tempo de contacto com uma corrente eléctrica.

tensão de contacto. A resistência da pele varia em função da tensão aplicada.

Percurso da corrente através do corpo:

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O trajecto da corrente através do corpo humano desempenha um papel crucial nas consequências
do choque eléctrico. Quando a corrente eléctrica flui através do corpo humano, normalmente, toma o
trajecto mais curto entre os dois pontos de contacto. Se nesse percurso atravessar órgãos vitais
como por exemplo o coração, as consequências podem ser dramáticas.

Tensão:

Analisando a lei de Ohm, para um corpo com uma determinada resistência e supondo que essa
resistência é constante:

Quanto maior for a tensão ou diferença de potencial aplicada num condutor, maior será a intensidade
da corrente que circula nesse condutor. Por isso as instalações com tensões elevadas são mais
perigosas porque são susceptíveis de fazer passar pelo corpo humano correntes de maior
intensidade.

Assim, uma tensão baixa aplicada a uma pessoa mal isolada pode ser mais perigosa do que uma
mais elevada aplicada a uma pessoa bem isolada.

Regulamentarmente, as instalações designam-se de tensão reduzida se a tensão nominal entre


quaisquer condutores activos não exceder:

os 75 V para corrente contínua.

os 50 V para corrente alternada.

Tempo de exposição à corrente:

Na figura seguinte estão representadas zonas tempo/intensidade da corrente que resumem os


principais efeitos produzidos por correntes alternadas de frequência compreendida entre os 15 e os
100 Hz.

Fig. 56 - Zonas tempo/intensidade de corrente dos efeitos fisiológicos da corrente alternada sobre o
corpo humano.

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75

Como é perceptível da figura, os efeitos da corrente eléctrica sobre o organismo estão fortemente
dependentes da corrente efectiva que atravessa o organismo e do tempo de exposição à corrente. A
curva (a) separa a zona verde, onde normalmente não há efeitos fisiológicos perigosos da zona
amarela/vermelha, onde os efeitos fisiológicos podem ser muito graves. Analisando a figura pode
verificar-se que uma corrente de 10 mA torna-se perigosa para tempos de exposição superiores a 10
s, enquanto que uma corrente de 1000 mA se torna perigosa para tempos de exposição superiores a
0,010 s.

É, também, importante notar o aumento do tempo de contacto pode levar ao aumento progressivo da
intensidade da corrente efectiva que atravessa o organismo.

Frequência da corrente:

A frequência é outro factor que influi nas consequências dos contactos com a corrente. A corrente
alterna mais utilizada a nível industrial e doméstico, com frequências de 50/60 Hz é a mais perigosa.

Medidas de Segurança:

Medidas informativas:

Visam de algum modo dar a conhecer a existência dos riscos da electricidade e consistem em:

Sinais de proibição, precaução e informação;

Formação de pessoal;

Normas de segurança.

Medidas de protecção:

Para protecção de pessoas podem utilizar-se:

Plataformas isolantes;

Tapetes isolantes;

Ferramentas isolantes;

Luvas isolantes;

Capacetes;

Botas para electricista.

Para protecção nas instalações contra contacto directos utilizam-se as seguintes medidas:

Isolamento dos condutores;

Colocação de obstáculos;

Afastamento - distâncias de segurança;

Uso de tensão reduzida de segurança.

Para protecção contra contactos indirectos pode-se:

Utilizar a tensão reduzida de segurança inferior aos limites considerados perigosos;

Utilizar de aparelhos com duplo isolamento;

Utilizar circuitos separados de segurança;

Utilizar ligações equipotenciais;

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Ligação adequada das massas acessíveis dos aparelhos e/ou equipamentos eléctricos em
associação com dispositivos de corte automático dos circuitos de alimentação respectivos
(disjuntores).

Primeiros Socorros em Acidentes Pessoais Produzidos Por Correntes Eléctricas:

Subtrair a vítima à acção da corrente:

Afastar as pessoas desnecessárias, observando o seguinte:

No caso de baixa tensão:

Cortar imediatamente a corrente. Se for demorado o corte da corrente, afastar imediatamente a


vítima dos condutores, tomando as precauções seguintes:

Isolar-se da Terra, antes de tocar na vítima, colocando-se sobre uma superfície isolante, constituída
por panos ou peças de vestuário secas, tapete de borracha, ou por qualquer outro meio equivalente
(tábuas, barrotes ou caixas de madeira secas).

Afastar a vitima dos condutores, isolando as mãos por meio de luvas de borracha, panos ou peças
de vestuário secos ou utilizando varas compridas de madeira bem seca, cordas bem secas, etc.

Ter em atenção que os riscos de electrocussão, ao proceder ao salvamento da vítima, são maiores
se o pavimento estiver molhado ou húmido, pelo que deverá, nesse caso, proceder-se com maior
cuidado.

No caso de alta tensão:

Cortar imediatamente a corrente. Se tal não for possível, é necessita a intervenção de pessoa
conhecedora do perigo, para afastar a vítima dos condutores. Se a vítima ficou suspensa dos
condutores, pode ser necessário prever medidas no sentido de atenuar os efeitos de possível queda.

Fig. 57 – Isolamento da vitima da corrente.

Socorros a prestar até à chegada do médico:

Logo que a vítima tenha sido afastada dos condutores e enquanto não chega o médico, é da maior
importância prestar-lhe os socorros a seguir indicados, sem a mínima perda de tempo:

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Arejar bem o local em que se encontra a vítima.

Desapertar todas as peças de vestuário que comprimam o seu corpo: colarinho, cinto, casaco,
colete, etc.

Retirar da boca qualquer corpo estranho (por exemplo, placa de dentes artificiais) e limpar a boca e
as narinas de sujidades.

Aplicar, sem demora, a respiração artificial, que deverá ser mantida até que a natural se restabeleça
regularmente, devendo, porém, ainda depois disso, a vitima continuar vigiada até à chegada do
médico.

Caso não se restabeleça a respiração natural, deve manter-se a artificial, mesmo que ao fim de
várias horas a vítima não dê sinais de vida.

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E.P.I. – EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

Introdução

A Lei 102/2009 indica qual a prioridade da protecção colectiva sobre a individual:

- Medidas de carácter construtivo (engenharia);

- Medidas de carácter organizativo;

- Medidas de protecção colectiva (EPC);

- Medidas de protecção individual (EPI).

O que é um E.P.I.?

Qualquer equipamento destinado a ser usado ou detido pelo trabalhador para a sua protecção contra
um ou mais riscos susceptíveis de ameaçar a sua segurança ou saúde no trabalho.

Os EPI´s são a última escolha na protecção dos trabalhadores e deve ser fornecida pela entidade
patronal gratuitamente. Face à protecção colectiva, a protecção individual só deverá ter lugar quando
e se a aquela não for tecnicamente ou se for considerada insuficiente, pelo que se assume os EPI´s
como suplementares.

Quando utilizados os EPI´s devem ter em conta:

- Adequação ao trabalhador;

- Adequação ao risco;

- Adequação ao trabalho.

Como Avaliar e Apreciar as Necessidades do Uso do EPI?

Convém proceder ao estudo das partes do corpo susceptíveis de serem expostas a riscos:

- Riscos Físicos;

- Riscos Químicos;

- Biológicos.

Por exemplo, um trabalhador cuja tarefa seja efectuada num ambiente em que nível sonoro é muito
elevado e não redutível, designadamente por medidas colectivas (isolamento de máquinas),
encontra-se exposto ao ruído.

O órgão alvo é o ouvido.

Em termos de EPI a solução será um protector auricular.

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Mas em primeiro lugar devem ser tomadas outras medidas, como a redução do tempo de exposição
ou a aquisição de equipamento menos ruidoso.

Ensaios de Dispositivos de Protecção Individual na Empresa

A selecção dos dispositivos ou equipamento de protecção individual deverá ter em conta:

Os riscos a que está exposto o trabalhador;

As condições em que trabalha;

A parte do corpo a proteger;

As características do próprio trabalhador.

Para testar um novo EPI, devem ter tanto quanto possível, escolher-se trabalhadores com um critério
objectivo de apreciação.

É indispensável a sua elucidação quanto aos riscos a controlar, bem como o ensaio de mais de um
tipo de protecção.

O registo de elementos como:

Durabilidade;

Efeito de protecção;

Comodidade;

Possibilidade de limpeza;

Etc.

A decisão final sobre a utilização do EPI deve ser tomada com base numa análise cuidada do posto
de trabalho, análise essa em que devem participar chefias e trabalhadores.

Principais EPI´s

Existem EPI´s fundamentalmente para protecção da:

- cabeça;

- olhos e rosto;

- das vias respiratórias;

- dos pés e membros inferiores;

- das mãos e membros superiores;

- contra quedas;

- do tronco.

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Fig. 58 – EPI’s a utilizar pelos trabalhadores.

A escolha de um EPI requer, em qualquer dos casos, um conhecimento profundo do posto de


trabalho e do seu ambiente. Por isso a escolha deve ser realizada por pessoal capacitado, e neste
processo de escolha a participação e colaboração do trabalhador é de extrema importância.

Ao escolher o EPI, é conveniente ter em conta o folheto informativo do fabricante e que estes
estejam em conformidade com as normas. Este folheto deve estar escrito em português e contém
todos os dados úteis referentes a: armazenamento, uso, limpeza, manutenção, desinfecção,
acessórios, peças de reposição, classes de protecção, prazo de caducidade, etc.

Protecção da cabeça

A cabeça deve ser protegida perante risco de:

- queda de objectos pesados;

- pancadas violentas;

- projecção de partículas.

Para conseguir esta capacidade de protecção e reduzir as consequências destrutivas dos


golpes da cabeça, deve ser utilizado um capacete cujo funcionamento conjunto dos diferentes
componentes seja capaz de cumprir as seguintes condições:

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- Limitar a pressão aplicada ao crânio, distribuindo a força de impacto sobre a maior


superfície possível;

- Desviar os objectos que caiam, por meio de uma força adequadamente lisa e arredondada;

- Dissipar e dispersar a energia do impacto, de modo que não se transmita na sua totalidade
à cabeça e ao pescoço.

Os capacetes utilizados em trabalhos especiais devem cumprir outros requisitos adicionais,


como a protecção relativamente a salpicos de metal fundido (industrias do ferro e do aço), protecção
relativamente a contactos eléctricos etc.

Segundo a NP EN 397:1997, o capacete é constituído pelo casco e pelo arnês, em que:

- o casco é a parte exterior e resistente do capacete, com bordos livres e arredondados,


sendo constituído pelo calote, aba e viseira;

- o arnês é o conjunto de elementos destinados a absorver energia cinética transmitida pelo


choque e a manter uma posição correcta do capacete sobre a cabeça do utilizador, sendo constituída
por cinta de amortecimento, banda de cabeça e precinta de nuca.

Fig. 59– Capacete de segurança.

Além da marcação “CE”, o capacete pode estar marcado com os seguintes elementos:

1. Número da norma europeia (EN 397);

2. Nome ou marca de identificação do fabricante;

3. Modelo (fabricante);

4. Ano e trimestre de fabrico;

5. Tamanho em cm.

Os capacetes de protecção podem ser construídos nos seguintes materiais:

- Plásticos termoendurecíveis: resistem ao calor, ao frio, aos produtos químicos e ao


envelhecimento. São aplicáveis em actividades como a soldadura e trabalhos de calor;

- Liga de alumínio: permite uma boa irradiação de calor, não é suportável durante longo
período de tempo devido à transmissão de calor, apresenta resistência limitada à fractura e às baixas
temperaturas e fraca resistência aos produtos químicos. São aplicáveis em pedreiras e em combate
a incêndios devido ao seu baixo peso;

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- Termoplástico: apresentam fraca resistência a elevadas temperaturas e às radiações


ultravioleta, sendo muito resistentes às baixas temperaturas e os que apresentam melhor resistência
à perfuração. São aplicáveis a oficinas, construção civil, câmaras frigoríficas, etc.

Para manter o capacete em bom estado, este deverá ter manutenção cuidada, sendo apresentadas
de seguida algumas recomendações de interesse:

- Os capacetes de polietileno, polipropileno ou ABS tendem a perder resistência mecânica


por efeito do calor, do frio e da exposição ao sol ou fontes intensas de UV. Este tipo de capacetes
devem ser substituídos no mínimo a cada 3 anos;

- Em qualquer caso, o capacete deve ser substituído se se verificar que o mesmo está a
descolar, a gretar, a desprender fibras ou a perder resistência. Também deve ser substituído se
sofrer um golpe forte, ainda que não apresente sinais de danos;

- A limpeza e desinfecção são particularmente importantes se o utilizador sua muito ou se o


capacete for compartilhado por vários trabalhadores. A desinfecção pode ser realizada submergindo
o capacete numa solução de formol a 5% ou hipoclorito de sódio;

- Os materiais que adiram ao capacete, tais como gesso, cimento, cola ou resinas, podem ser
eliminados por meios mecânicos ou com um solvente adequado que não ataque o material de que é
feita a armação exterior;

- Os capacetes de segurança que não se utilizem deverão ser guardadas horizontalmente em


estantes ou colocados em ganchos em locais não expostos à luz solar directa nem a uma
temperatura ou humidade elevadas.

Protecção dos olhos e do rosto

Os olhos constituem uma das partes mais sensíveis do corpo e onde os acidentes podem
atingir uma maior gravidade.

As lesões nos olhos, ocasionadas por acidentes de trabalho, podem ser devidas a diferentes
causas:

- Acções mecânicas: através de poeiras, partículas ou aparas;

- Acções ópticas: através de luz visível (natural ou artificial), radiação UV ou infravermelha ou


raios laser;

- Acções químicas: através de produtos corrosivos (ácidos e bases) no estado sólido, líquido
ou gasoso;

- Acções térmicas: devido a temperaturas extremas.

Na altura de considerar a protecção ocular e facial, costumam-se subdividir os protectores existentes


em dois grandes grupos em função da zona protegida.

Se o protector só protege os olhos, fala-se de Óculos de Protecção.

Se além dos olhos, o protector protege parte ou totalidade da cara ou outras zonas da
cabeça, fala-se de

Viseiras.

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Fig. 60 – Óculos de segurança.

Os vidros dos óculos e das viseiras de protecção deverão resistir ao choque, à corrosão e às
radiações.

Estes vidros podem ser de dois tipos:

- Vidros de Segurança: são transparentes e actuam contra acções mecânicas e químicas.


Utiliza-se vidro temperado ou plástico (termoplásticos ou plástico termoendurecível). São utilizados
em trabalhos de rebarbagem.

- Vidros Coloridos: possuem efeito filtrante e actuam contra acções ópticas. Podem utilizar-se
os materiais acima referidos ou ainda vidro normal (sempre que não é previsível qualquer acção
mecânica). São usados, por exemplo, na soldadura.

A falta ou a deterioração de visibilidade através dos óculos ou viseiras é uma origem de risco na
maioria dos casos. Por este motivo, conseguir que este tipo de protectores se mantenha em bom
estado é fundamental.

Para isso, deverão ser seguidas uma série de recomendações referentes à manutenção do
mesmo, que se apresentam de seguida:

- Os óculos ou viseiras devem ser limpos diariamente procedendo sempre de acordo com as
instruções do fabricante;

- Com o fim de impedir doenças de pele, os protectores devem ser desinfectados


periodicamente e sempre que mudem de utilizador;

- Antes de usar os protectores deve-se proceder a um exame visual dos mesmos, comprovando que
estejam em bom estado. No caso de ter algum elemento modificado ou deteriorado, este deve ser
substituído e, no caso de não ser possível, colocar fora de uso o equipamento;

- Para conseguir uma boa conservação, os equipamentos deverão ser guardados, quando
não estejam em uso, limpos e secos nos seus estojos;

- No caso de utilizadores que usem óculos correctivos, deve ser tido em consideração se os
óculos de protecção possuem graduação que aumente a probabilidade de ocorrência de acidentes.

No local de trabalho, os olhos e a cara do trabalhador podem estar expostos a riscos de diferente
natureza, os quais podem agrupar-se em três grupos, segundo a sua forma de actuação:

1) Lesões nos olhos e na cara por acções externas;

2) Riscos para as pessoas por acção sobre os olhos e a cara;

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3) Riscos para a saúde ou limitações devidos ao uso de equipamentos de protecção


ocular ou facial.

Protecção das Vias Respiratórias

A atmosfera dos locais de trabalho encontra-se, muitas vezes, contaminada em virtude da


existência de agentes químicos agressivos, tais como gases, vapores, neblinas, fibras e poeiras.
Para proteger os trabalhadores destes agentes poderão ser utilizados aparelhos de protecção
respiratória.

Os aparelhos de protecção respiratória são EPI´s das vias respiratórias, em que a protecção
contra os contaminantes é obtida reduzindo a concentração destes na zona de inalação para valores
abaixo dos níveis de exposição recomendados.

Existem, essencialmente, os seguintes tipos de protectores:

A) Dependentes do meio ambiente (Equipamentos Filtrantes)

Fig. 61 – Máscaras de protecção.

Nestes casos, o ar inalado passa através de um filtro onde são retidos os contaminantes.

Estes por sua vez subdividem-se em:

A1 – Equipamentos filtrantes contra partículas:

- Filtro contra partículas + Adaptador facial;

- Mascarilha filtrante contra partículas;

- Equipamentos filtrantes ventilados (capacetes).

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Fig. 62 – Máscara para partículas.

A2 – Equipamentos filtrantes contra gases e vapores:

- Filtro para gases + Adaptador facial;

- Mascarilha filtrante contra gases e vapores.

Fig. 63 – Filtros para gases.

A3 – Equipamentos filtrantes contra partículas, gases e vapores:

- Filtro combinado + Adaptador facial

- Mascarilha filtrante contra partículas, gases e vapores.

B) Independentes do meio ambiente (equipamentos isolantes)

Proporcionam protecção tanto para atmosferas contaminadas como para a deficiência de oxigénio.
Fundamentam-se no fornecimento de um gás não contaminado respirável (ar ou oxigénio).

Os principais tipos existentes são indicados de seguida:

B1 – Não autónomos

- Aparelhos de tomada de ar à distância:

- não assistidos;

- de assistência manual;

- de assistência motorizada.

- Aparelhos de ar comprimido:

- de débito contínuo;

- de débito comandado;

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- de débito comandado, de pressão positiva.

B2 – Autónomos

- De circuito aberto:

- de ar comprimido com débito comandado;

- de ar comprimido comandado, de pressão positiva.

- De circuito fechado:

- de gerador de oxigénio;

- de oxigénio liquefeito;

- de oxigénio comprimido.

Em qualquer dos casos, o parâmetro que define a eficiência do equipamento é o denominado “Factor
de Protecção”.

FP = Ce / Ci

Em que:

Ce – concentração do contaminante no exterior do respirador;

Ci – concentração existente entre o respirador e a cara.

Segundo a EN 143 (1990), os filtros de partículas podem ser divididos em 3 classes:

Classe P1 – filtros de eficácia fraca

Classe P2 – filtros de eficácia média

Classe P3 – filtros de eficácia alta

Dentro das classes P2 e P3, os filtros são subdivididos em função das suas possibilidades de
eliminar aerossóis sólidos (eventualmente aquosos) (notação “S”), ou sólidos e líquidos (notação SL).

P1 – Máscaras Completas; FFP1 – Semi-máscaras

Resumindo, os riscos podem-se dividir em três grupos:

1) Riscos para as vias respiratórias, devidos a acções externas;

2) Riscos para o trabalhador, devidos a acções ocorridas através das vias


respiratórias;

3) Riscos para a saúde, devidos à utilização de equipamentos de protecção


respiratória.

Os aparelhos de protecção respiratória, como os restantes EPI´s, devem ser conservados de forma a
evitar a sua deterioração pela acção de produtos químicos, humidade, gorduras, ácidos, etc.

Ao escolher um equipamento de protecção respiratória é necessário considerar dois factores:

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a) Aspecto técnico: deve-se escolher o equipamento adequado aos riscos existentes,


observados nas análises de riscos;

b) Aspecto ergonómico: entre os equipamentos que satisfazem o aspecto técnico


deve escolher-se o que melhor se adapte às características pessoais do utilizador. O utilizador deve
participar nesta decisão.

As características mais importantes que devem reunir os aparelhos, a este respeito, são:

- perda reduzida da capacidade visual e auditiva;

- menor peso possível;

- arnês de cabeça com sistema de ajuste cómodo para condições de trabalho normais;

- as partes do adaptador facial que estejam em contacto com a cara do utilizador devem ser
de material macio;

- inodoro;

- o equipamento deverá dificultar o menos possível a respiração do utilizador.

Antes de utilizar um filtro, é necessário verificar a data de caducidade e o seu perfeito estado de
conservação, respeitando a informação do fabricante e, sendo possível comparar o tipo de filtro e o
âmbito de aplicação.

Deve-se controlar especialmente o estado das válvulas de inalação e exalação do adaptador


facial, o estado das garrafas dos equipamentos de respiração autónomos e de todos os elementos
de estanquicidade e de união entre as diferentes partes do aparelho.

Protecção dos ouvidos

Os protectores auriculares são equipamentos de protecção individual que, devido às suas


propriedades para atenuação de som, reduzem os efeitos de ruído na audição, evitando assim danos
no ouvido.

Quando o nível sonoro a que o trabalhador está exposto ultrapassa os valores admissíveis (85dB(A))
não é viável, técnica ou economicamente, a aplicação de medidas organizacionais ou construtivas,
ou o controlo efectuado não se revele eficaz, ter-se-á então que recorrer à protecção individual. (Dec.
Lei 182/2006)

Os protectores auriculares devem ser seleccionados de acordo com critérios técnicos


adequados, bem como no respeito pela legislação em vigor.

Estes protectores auriculares podem ser de dois tipos: de inserção no canal auditivo
(auriculares e tampões) e de cobertura do pavilhão auditivo (auscultadores).

No quadro seguinte, são indicadas as vantagens e desvantagens de cada um deles.

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Fig. 64 – Protecção auditiva.

A exposição ao ruído pode provocar alterações na saúde, em particular perdas auditivas e riscos de
acidente. Além disso, existe uma série de riscos derivados do equipamento e da utilização do
mesmo.

Devemos ter em consideração algumas indicações práticas de interesse nos aspectos de


utilização e manutenção do protector, como sejam:

- os protectores auditivos deverão ser utilizados enquanto dure a exposição ao ruído. Retirar
o protector, nem que seja durante um curto espaço de tempo, reduz seriamente a protecção;

- alguns tampões auditivos são de uso único. Outros podem utilizar-se durante um
determinado número de dias ou de anos se a sua manutenção se efectuar de modo correcto.

- os tampões auditivos (simples ou unidos por uma banda) são estritamente pessoais. Os
demais protectores (capacetes anti-ruído, auscultadores) podem ser utilizados por outras pessoas
após desinfecção.

Protecção dos pés e membros inferiores

Por calçado de uso profissional entende-se qualquer tipo de calçado destinado a oferecer
uma certa protecção contra os riscos derivados da realização de uma actividade profissional.

Segundo o nível de protecção oferecido, o calçado de uso profissional pode classificar-se nas
seguintes categorias:

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- Calçado de Trabalho: é um calçado de uso profissional que não proporciona protecção na


parte dos dedos (não é utilizada biqueira de aço);

- Calçado de Protecção: é um calçado de uso profissional que proporciona protecção na


parte dos dedos (biqueira de aço);

- Calçado de Segurança: calçado de uso profissional que confere protecção nos dedos e na
sola pé;

- Calçado Condutor: calçado de uso profissional, para quando for necessário minimizar a
acumulação de electricidade electrostática (manuseamento de explosivos), resistência até 100kΩ;

- Calçado Anti-estático: calçado de uso profissional para quando for necessário minimizar a
acumulação de electricidade electrostática (manuseamento de substâncias inflamáveis), resistência
de 100kΩ até 1000kΩ.

O calçado pode ser classificado como de tipo I e tipo II, em função do tipo de material e do processo
de fabrico:

- Tipo I: constituídos por materiais que não sejam de borracha natural ou de polímeros;

- Tipo II: todo o tipo de calçado constituído pelos restantes materiais.

Destacam-se como componentes do calçado de segurança, os seguintes elementos:

Biqueira de protecção: Peça incorporada no calçado para garantir protecção


mecânica da zona dos dedos;

Contraforte: Reforço interior na zona do calcanhar;

Gáspea: Peça dianteira do corte (parte do calçado acima da sola) que cobre a parte
dorsal do pé;

Sola ou solado: Conjunto de peças que constituem a parte inferior do calçado e que
se interpõe entre o pé e o solo;

Palmilha de protecção: evita os elementos perfurantes;

Rasto anti-derrapante: Possui aderência especial ao solo;

Talão ou cano: parte adjacente à gáspea;

Tacão: Peça saliente da zona do calcanhar.

A simbologia normalmente utilizada para a descrição do calçado de segurança é a seguinte:

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90

Fig. 65 – Simbologia para calçado de segurança.

Nos equipamentos para protecção individual dos pés e membros inferiores deverão estar presentes
as seguintes marcações:

- Marca CE;

- Número da Norma Europeia;

- Marca ou identificação do fabricante;

- Nome ou referência do modelo;

- Data de fabrico;

- Símbolos adicionais.

A protecção dos pés deve ser considerada quando há possibilidade de lesões a partir de riscos
mecânicos, térmicos, químicos, biológicos ou eléctricos.

No local de trabalho, os pés do trabalhador, e através dos pés o corpo inteiro, podem
encontrar-se expostos a riscos de natureza diversa, os quais podem agrupar-se em três grupos
segundo a sua forma de actuação:

1) Lesões nos pés produzidas por acções externas (poeiras, calor, esmagamento,
salpicos);

2) Riscos para as pessoas por uma acção sobre o pé (queda em piso escorregadio);

3) Riscos para a saúde ou doenças devido ao uso do calçado (humidade, alergias,


formação de germes).

Cuidados a ter com o calçado de uso profissional:

- ter em conta o estado de conservação do calçado, se apresenta sinais de desgaste;

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91

- devido à transpiração recomenda-se a troca de palmilhas dos calçado e a lavagem


dos pés diariamente;

- limpar e arejar o calçado de forma a prolongar o seu tempo de vida útil.

Protecção das mãos e dos membros superiores

Os ferimentos das mãos constituem o tipo de lesão mais frequente que ocorre na indústria,
daí a necessidade de se providenciar uma correcta protecção das mãos.

As agressões às mãos podem ser lentas (provocando dermatoses) ou rápidas (cortes, picadas,
queimaduras).

O braço e o antebraço estão, geralmente, menos expostos do que as mãos, não se devendo
no entanto subestimar a sua protecção.

Entre os diferentes dispositivos de protecção individual para as mãos e membros superiores,


os mais utilizados são:

- luvas;

- dedeiras;

- mangas;

- braçadeiras.

Essencialmente, os diferentes tipos de riscos para as mãos que se podem manifestar são os que se
indicam de seguida:

- Riscos mecânicos;

- Riscos térmicos;

- Riscos químicos e biológicos;

- Riscos eléctricos;

- Vibrações;

- Radiações ionizantes.

Em função dos riscos enumerados têm-se os diferentes tipos de luvas de protecção, quer seja para
proteger contra um risco concreto ou para uma combinação deles.

Quanto às classes existentes para cada tipo de luvas, estas determinam-se em função do
“nível de protecção”. Este níveis de protecção consistem em números que indicam categorias ou
gamas de prestações, mediante os quais se podem classificar os resultados dos ensaios contidos
nas normas técnicas destinadas à avaliação da conformidade das luvas.

Os diferentes níveis de prestação para os diferentes tipos de luvas são indicados de seguida:

Luvas contra Riscos Mecânicos – existem 4 níveis de protecção (1 a 4) para cada um dos
parâmetros que se indicam de seguida:

- resistência à abrasão;

- resistência ao corte por lâmina (neste caso existem 5 níveis);

- resistência ao rasgão;

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92

- resistência à perfuração.

Luvas contra Riscos Térmicos (calor ou frio) – estão definidos 4 níveis de protecção (1 a 4) para
cada um dos parâmetros indicados de seguida:

- comportamento à chama (inflamabilidade);

- resistência ao calor de contacto;

- resistência ao calor por convecção;

- resistência ao calor radiante;

- resistência a pequenas projecções de metal fundido;

- resistência a grandes massas de metal fundido.

Luvas contra Produtos Químicos – para cada conjunto material constituinte da luva / produto
químico define-se uma escala com 6 índices de protecção (1 a 6).

Estes índices de protecção determinam-se em função de um parâmetro de ensaio


denominado “tempo de ruptura” (BT – Breakthrought Time) o qual indica o tempo que o produto
químico demora a permear a luva.

Além da obrigatória marcação “CE”, a luva pode estar marcada com os seguintes elementos:

1. Nome, marca registada ou outro meio de identificação do fabricante;

2. Denominação da luva (nome, código);

3. Tamanho;

4. Data de caducidade;

5. Número da Norma Europeia;

6. Símbolos com o nível de desempenho definido na Norma Europeia.

De seguida, indicam-se os diferentes pictogramas existentes para os diferentes tipos de riscos.

Fig. 66 – Simbologia utilizada em luvas de protecção.

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93

O tipo de material utilizado na construção dos equipamentos de protecção individual, para as mãos e
membros superiores, depende do agente agressor, sendo os mais utilizados apresentados de
seguida:

- Couro: tem boa resistência mecânica e razoável resistência térmica. É utilizado em


trabalhos com exposição a calor radiante, desde que impregnado com película reflectora que permite
a respiração cutânea em virtude da sua porosidade.

- Borracha natural (latex): utilizada em trabalhos húmidos e em presença de ácidos ou


bases. É contra-indicada para óleos, gorduras ou solventes. As luvas de protecção contra a corrente
eléctrica são deste material, tendo gravados o nome da entidade que as testou e a voltagem de
ensaio.

- Plástico: são de vários tipos e são utilizadas, em geral, para substâncias como óleos, solventes,
gorduras, etc. Não podem ser utilizadas em trabalhos de calor, mas são bastantes resistentes ao
corte, aos líquidos e em certos casos a substâncias radioactivas.

- Tecidos: são utilizados em trabalhos secos que não exijam grande resistência térmica ou
mecânica.

- Malha metálica: é utilizada contra o risco de corte ou ferimentos graves nas mãos, em
trabalhos com lâminas afiadas (em talhos e matadouros). A luva de malha metálica pode ser
combinada com uma luva de couro ou de tecido para maior comodidade de utilização.

As mãos do trabalhador podem estar expostas a riscos de natureza diversa, os quais se podem
classificar em três grupos, segundo a sua forma de actuação:

1) Lesões nas mãos devidas a acções externas (cortes, calor, metal fundido);

2) Riscos para as pessoas por acções sobre as mãos (vibrações, contactos


eléctricos);

3) Riscos para a saúde devidas à utilização de luvas de protecção (transpiração,


aprisionamento).

No que diz respeito à manutenção das luvas, são apresentadas de seguida algumas
recomendações:

- Há que verificar periodicamente se as luvas apresentam rupturas, buracos ou


dilatações;

- No que diz respeito às luvas de protecção contra produtos químicos, estas


requerem uma especial atenção, sendo conveniente ressaltar os seguintes pontos:

- deverá estabelecer-se um calendário para a substituição periódica das


luvas a fim de garantir que sejam trocadas antes de serem permeadas pelos produtos químicos;

- a utilização de luvas contaminadas pode ser mais perigosa que a falta de


utilização, devido ao contaminante ir-se acumulando no material componente da luva;

- As luvas de couro, algodão ou similares, deverão conservar-se limpas e secas no


lado em que estão em contacto com a pele.

Protecção contra quedas em altura

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94

Um sistema de protecção individual contra quedas em altura (sistema anti quedas)


garante a paragem segura de uma queda, de forma que:

- a distância de queda do corpo seja mínima;

- a força de travagem não provoque lesões corporais;

- a posição do utilizador, uma vez produzida a travagem da queda, seja tal que lhe
permita esperar por auxilio.

A protecção contra quedas em altura deve ser feita com um arnês ligado a um sistema pára-quedas
(pode ser retráctil ou amortecedor de quedas).

Na posição do trabalho o operador pode, eventualmente, ficar preso a uma corda de


amarração que lhe permite ficar com as mãos livres para a execução da tarefa.

Para escadas fixas, existe um equipamento contra quedas baseado num cabo (linha
de vida) e num mecanismo capaz de parar o movimento do utilizador no sentido da queda, através
do accionamento automático do sistema de bloqueio. Este pára-quedas é designado como
deslizante.

Fig. 67 – EPI´s para trabalhos em altura.

Para utilizar correctamente este tipo de equipamento e prevenir acidentes, resultantes de queda livre
do trabalhador, é necessário ter em atenção algumas regras:

- utilizar sempre e permanentemente o equipamento de protecção durante a duração


do trabalho;

- nunca modificar o equipamento e a sua instalação, este procedimento deve ser


efectuado por um funcionário qualificado;

- respeitar as regras de utilização próprias do equipamento a empregar;

- evitar, durante a utilização, que o equipamento se enrede ou se misture com os


outros obstáculos, para que o desempenho do equipamento não seja afectado;

- evitar contacto do equipamento com:

- arestas vivas;

- superfícies rugosas;

- pontos quentes;

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95

- matérias corrosivas.

- assinalar todas as anomalias ou defeitos do equipamento à pessoa responsável


pelo material;

- nunca reutilizar um equipamento que tenha sofrido uma queda;

- o sistema de pára-quedas como EPI só pode ser utilizado por um único trabalhador.

Os sistemas de protecção individual contra quedas em altura devem ser instalados e mantidos de
acordo com regra precisas, pois só assim permitem a realização dos trabalhos em segurança:

- Pontos de ancoragem: local onde é fixo o equipamento, devem ser seguros e


acessíveis;

- Componentes: deve ser feito um exame a estas peças antes da sua utilização
(exemplos: arneses pára-quedas, sistemas pára-quedas móveis sistemas de pára-quedas de
encravamento automático).

- Instalação: antes da instalação de um sistema deve ser verificado se existe algum


obstáculo susceptível de ser adverso para o trabalhador.

O componente principal é o cinto de trabalho que envolve o corpo e liga o corpo do trabalhador à
estrutura. Compreende outros elementos que combinados e ligados, suportam o utilizador durante o
trabalho em altura.

As principais exigências para estes equipamentos de protecção são as seguintes:

- o tecido e os fios empregues devem ser feitos em fibras sintéticas (poliéster);

- os fios que são cozidos ao tecido deverão ser compatíveis e de qualidade


semelhante a este e ainda ser de cor contrastante de modo a facilitar a inspecção visual;

- o cinto de trabalho pode ser equipado com correias ajustáveis quer para os ombros
quer para formar um assento;

- o cinto de trabalho deve ser construído de modo a que não possa ser desmanchado
à mão;

- a fivela do cinto deve ser construída de maneira a que quando estiver


correctamente afivelado, não se possa abrir involuntariamente.

Relativamente à utilização e manutenção, devem ser fornecidas indicações claras na língua nacional
sobre o ajuste de cada um dos cintos e amarrações, bem como da seguinte informação:

- nome do fabricante;

- aviso de que o equipamento não é indicado para sistemas pára-quedas;

- instruções de posicionamento da amarração à estrutura ou ancoragem, para que


uma eventual queda seja limitada a 0,5m no máximo;

- aviso de não utilização de diferentes combinações de componentes;

- instruções de armazenamento e manutenção.

No local de trabalho, o corpo do trabalhador pode estar exposto a riscos de diferente natureza, os
quais se podem dividir em dois grupos, segundo a sua forma de actuação:

1) Lesões do corpo por queda em altura (risco de impacto);

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2) Riscos para a saúde devido ao uso de EPI´s contra quedas em altura (posição
ergonómica inadequada, oscilação com choque, limitação da liberdade de movimentos).

Entre as influências que podem atenuar a eficácia do equipamento de protecção, as mais


importantes são:

- frio;

- calor;

- humidade;

- radiações solares;

- desgaste;

- sujidade;

- óleos;

- ácidos.

Protecção do tronco. Vestuário de trabalho.

A roupa de protecção é definida como sendo aquela roupa que substitui ou cobre a roupa
pessoal, e que está desenhada para proporcionar protecção contra um ou mais perigos.

Normalmente, a roupa de protecção é classificada em função do risco para cuja protecção está
destinada. Assim, e de um modo genérico, podem-se considerar os seguintes tipos de roupa de
protecção:

- Roupa de protecção contra riscos do tipo mecânico;

- Roupa de protecção contra o calor e o fogo;

- Roupa de protecção contra riscos químicos;

- Roupa de protecção contra intempéries;

- Roupa de protecção contra riscos biológicos;

- Roupa de protecção contra radiações (ionizantes e não ionizantes);

- Roupa de protecção de alta visibilidade;

- Roupa de protecção contra riscos eléctricos;

- Roupa de protecção anti estática.

Roupa contra riscos mecânicos: as agressões mecânicas contra as quais está concebida
este tipo de roupa consiste essencialmente em roçadelas, furos, cortes e impactos. Como exemplo
de operações nas quais se apresentam estes tipos de riscos temos abate de árvores, corte de carne
com machado, manipulação de vidro.

Roupa de protecção contra calor e/ou fogo: este tipo de vestuário está desenhado para proteger
contra agressões térmicas nas suas diversas variantes, como podem ser:

- chamas,

- transmissão e calor (convectivo, radiante e por condução);

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97

- projecções de materiais quentes e/ou em fusão.

No que se refere às características de protecção das peças de vestuário, para a sua


especificação estão estabelecidos os seguintes parâmetros e seus correspondentes níveis de
prestação:

- propagação limitada da chama (0 ou 1);

- resistência ao calor por convecção (1 a 5);

- resistência ao calor radiante (1 a 4);

- resistência a salpicos de alumínio fundido (1 a 3);

- resistência a salpicos de ferro fundido (1 a 3).

Roupa de protecção contra riscos químicos: os materiais constituintes das peças são específicos
para o composto químico contra o qual se procura protecção.

Assim, para cada conjunto, constituído por material constituinte da peça / produto
químico é preciso fixar os níveis de protecção. Os ditos níveis definem-se através de uma escala
com 6 índices de protecção (1 menos protecção; 6 máxima protecção).

Roupa de protecção contra o frio e a intempérie: além dos trabalhos desenvolvidos no exterior em
condições invernosas, os riscos por baixas temperaturas, podem apresentar-se também em
indústrias alimentares, instalações criogénicas, etc.

Os materiais constituintes deste tipo de roupa habitualmente consistem em têxteis naturais


ou sintéticos, recobertos por uma capa de material impermeável (PVC, poliuretanos) ou então
submetidos a algum tratamento para conseguir uma protecção específica.

Roupa de protecção contra riscos biológicos: os campos de actividade onde se costumam


apresentar os riscos de tipo biológico são, fundamentalmente, a medicina, a indústria alimentar e o
tratamento de resíduos.

Esta é uma área em fase de estudo e na confecção destas peças avançou-se em 2


direcções. Por um lado desenvolveram-se produtos que tomam como base materiais não-tecidos,
que actuam como barreiras efectivas, e por outro lado os tecidos anti bacterianos, obtidos por
aplicação de um agente bactericida sobre a superfície da tela.

Roupa de protecção contra radiações: as soluções adoptadas no terreno das radiações não-
ionizantes passam pelas blindagens electromagnéticas e tecidos com elevada condutividade
eléctrica e dissipação estática, existindo diversos produtos comerciais que contem essas
características.

Por outro lado, para as radiações ionizantes costumam utilizar-se peças impermeáveis
conjuntamente com materiais que actuam como blindagem (Pb).

Roupa de protecção de alta visibilidade (EN 471): a protecção pode ser conseguida pelo próprio
material constituinte da peça ou pela adição à peça confeccionada de materiais fluorescentes ou com
características de rectroreflexão adequadas.

Existem 3 classes para este tipo de roupa (1,2 e 3), sendo a classe 3 a que oferece maiores
características de visibilidade e a 1 as menores.

Roupa de protecção contra riscos eléctricos e anti estática: Em baixa tensão utilizam-se
fundamentalmente o algodão ou misturas poliéster/algodão, enquanto que em alta tensão se utiliza
roupa não condutora.

Por outro lado, a roupa anti estática utiliza-se em situações nas quais as descargas eléctricas
devidas à acumulação de electricidade estática na roupa pode resultar em descargas altamente

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98

perigosas (atmosferas explosivas e deflagrantes). Para a sua confecção utilizam-se roupas em


tecidos de poliéster / microfibras de aço inoxidável, fibras sintéticas de núcleo de carbono.

Resumindo o vestuário de trabalho pode ser confeccionado em diferentes tecidos, cuja utilização é
condicionada pelo tipo de agente agressor, e deve ser cingido ao corpo, para evitar a sua prisão
pelos órgãos em movimento. A gravata, ou o cachecol, constituem um risco, pelo que devem ser
evitados.

Em certos casos, podem ser utilizados aventais que protegem contra a projecção de líquidos
(corrosivos ou não) e contra radiações.

Também neste caso o corpo do trabalhador podem encontrar-se exposto a riscos de diferente ordem,
os quais se podem classificar em dois grupos, segundo a sua forma de actuação:

1) Lesões do corpo por agressões externas (agente patogénicos, objectos cortantes,


raios X, ácidos, chamas);

2) Riscos para a saúde devidos ao uso de vestuário de protecção (má adaptação,


elevação da temperatura corporal, transpiração, alergias).

As condições que podem afectar a eficácia das roupas de protecção são:

- Calor e Frio;

- Armazenamento e Limpeza inadequados;

- Utilização errada;

- Humidade;

- Produtos químicos (óleos, ácidos).

Além da obrigatória marcação CE, o vestuário de trabalho pode estar marcado com os seguintes
elementos:

- Nome, marca registada ou outro meio de identificação do fabricante;

- Tamanho, denominação do tipo de produto, nome comercial ou código;

- Número da norma EN específica;

- Pictogramas;

- Etiquetas com cuidados a ter;

- Período de vida útil.

De seguida indicam-se os diferentes pictogramas existentes para os diferentes tipos de risco.

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Fig. 68 – Simbologia para vestuário de protecção.

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SEGURANÇA EM SOLDADURA

Introdução

Os trabalhos com utilização de fontes de calor são causa frequente de incêndio. Exemplos de
tais trabalhos são o corte, a soldadura, esmerilado, descongelação, termocolagem, colocação de
telas e revestimentos com dispositivos de calor, e soldadura de peças e chapas em plástico. O risco
de incêndio está associado não só ao manuseamento inadequada das chamas nuas dos maçaricos,
mas também à transmissão de calor por radiação e condução através, por exemplo, de peças
metálicas, bem como por projecção de partículas incandescentes capazes de inflamar materiais de
natureza combustível que se encontrem nas imediações do local dos trabalhos.

As fontes de ignição de um incêndio mais comuns são:

• Os arcos voltaicos na soldadura eléctrica com temperaturas até 4.000ºC, as chamas da


soldadura a gás, com temperaturas até 3.200 ºC, e a manipulação dos maçaricos de
soldadura com temperaturas até 1.500 ºC. Inclusivamente, as correntes de ar e gases
quentes a uma distância de cerca de 80 cm dos arcos voltaicos e das chamas dos maçaricos
mantêm a temperaturas da ordem dos 100ºC.
• As partículas incandescentes da soldadura e as partículas das operações de esmerilado têm
temperaturas até 1.500 ºC e mesmo após o desaparecimento da sua cor incandescente,
podem manter-se a temperaturas de 500 ºC durante alguns segundos.
• O calor transmitido por condução térmica, proveniente de peças metálicas submetidas a
aquecimento (até temperaturas da ordem dos 400 ºC no caso dos elementos metálicos) (ver
tabela).

Tabela 15 – Materiais cuja temperatura mínima de ignição é inferior a 450 ºC.

Temperatura Mínima de Ignição (ºC)

Madeira ≥280

Placas de aglomerado ≥250

Papel de jornal ≥185

Poeira de cereais ≥265

Têxteis:

Juta ≥240

Algodão em rama ≥320

Tecido de algodão ≥400

Plásticos:

Polietileno ≥340

Poliestireno ≥360

Poliamida ≥425

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101

Figura 69– Temperatura dentro e fora da chama dos bicos da soldadura.

Onde Reside o Perigo de Incêndio?

As operações de soldadura, oxicorte e outros trabalhos semelhantes com risco de incêndio


podem dar origem à ignição de materiais de natureza combustível, através da projecção de
partículas metálicas quentes num raio de pelo menos 10 metros do local de trabalho.

As partículas de metal incandescente de grandes dimensões caem de forma quase vertical,


podendo provocar a ignição de materiais até 20 metros por debaixo do local de trabalho.

Existe perigo especial nas situações envolvendo:

• Materiais termo isolantes, isolamentos, materiais de decoração, embalagens de cartão, fibras


sintéticas e plásticos expandidos.
• Recipientes abertos ou não estanques, com líquidos ou gases combustíveis. Estes
recipientes muitas vezes aparentam encontrar-se vazios mas podem conter vapores ou
gases combustíveis que podem originar uma explosão em presença de uma fonte de ignição.
• Resíduos de óleos em tabuleiros de recolha, ou no solo.
• Trapos de limpeza com resíduos oleosos, desperdícios e aparar de madeira e serradura.
• Poeiras de natureza combustível sedimentadas e outras matérias finamente divididas.

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102

Precauções a Tomarem Antes do Inicio dos Trabalhos

Obter uma autorização de trabalhos

Antes de iniciar operações de risco fora dos postos de trabalho previstos para o efeito, há que
obter uma “autorização de fogo” (Autorização do Corte e Soldadura) à direcção da empresa ou ao
responsável pela Segurança. Uma cópia desse documento de autorização deve ser colocada junto
do local de trabalho.

Localização de Alarmes e Meios de Combate a Incêndios Mais Próximos

Todas as pessoas que executam trabalhos com fogo devem estar informadas previamente sobre
a localização dos meios de extinção de incêndio mais próximos (extintores portáteis e bocas de
incêndio) e do sistema de alarme que permita a chamada dos bombeiros em caso de incêndio
(telefone mais próximo, botoneira de alarme de incêndio, etc.).

Fig. 70 – Situações de possível risco de incêndio.

Verificação dos utensílios de trabalho

Os cilindros de gases de soldadura devem proteger-se contra quedas (com correntes, aros,
cintas, etc.) e não devem ser colocados junto de fontes de calor tais como estufas, radiadores,
aparelhos de aquecimento, fogo aberto, radiação solar directa, etc.

Em trabalhos com acetileno e outras misturas de gases o equipamento deve dispor de


dispositivos anti-retorno de chama. Estes dispositivos podem ser instalados na conduta de tomada

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103

de gases imediatamente antes do redutor de pressão ou na própria mangueira do bico de chama.


Também deve haver dispositivos anti-retorno para a chama em tubagens de oxigénio.

Quando alimentados directamente de instalações de abastecimento, os aparelhos que


utilizam gases como o acetileno, gás natural ou gases liquefeitos, devem ter dispositivo anti-retorno
de chama instalados nas saídas das mangueiras dos tubos dos sistemas de segurança (por exemplo
interceptores hidráulicos) destinados a evitar o retorno da chama ou a penetração do oxigénio (ar)
nos tubos de gás.

Os cilindros de gases e de redutores de pressão devem ser assinalados segundo um código


de cores de acordo com o tipo de gás utilizado: amarelo para acetileno, vermelho para outros gases
combustíveis, azul para o oxigénio e cinzento para o ar comprimido. A marca da cor deve cobrir todo
o corpo dos cilindros de gás. Em alternativa admitem-se anéis de cor bem visível com a largura
mínima de 50 milímetros. Os redutores de pressão devem ser marcados com anéis de cor ou com
quadrantes coloridos no manómetro.

Os tubos de gases deve ser de cor vermelha para acetileno e outros gases combustíveis,
laranja ara gases liquefeitos, azul para oxigénio e negra para os gases não combustíveis (ar
comprimido).

Os tubos dos queimadores não devem ter qualquer defeito e qualquer dano deve ser
imediatamente reparado de forma adequada. Isto pode ser conseguido, por exemplo, cortando o
troço de tubo danificado e unindo os tubos com juntas duplas de acordo com a norma DIN 8542,
sempre que o tubo resultante tenha um comprimento mínimo de 3 metros, e se liguem ao gerador de
gases pelo menos 5 metros de tubo. Nunca recorrer a remendos com fita isoladora. Os tubos dos
queimadores devem ser ainda protegidos contra a passagem de veículos, contra as dobras, calor
etc. Os pontos de ligação devem ser unidos com uniões adequadas ao diâmetro do tubo.

Na soldadura com arco voltaico (soldadura eléctrica) os geradores, conversores,


rectificadores e transformadores devem cumprir as disposições das normas locais correspondentes
ou, na ausência das mesmas recomenda-se a norma DIN VDE (DIN VDE 0544, 1ª parte).

Fig. 71 – Distância de projecção de partículas.

Desactivação dos detectores automáticos de incêndio

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104

Para evitar falsos alarmes nos sistemas de detecção automática de incêndio, há que
desactivar os detectores nas áreas onde serão efectuados os trabalhos com fogo. A direcção da
empresa deve ser informada desta situação para que sejam tomadas medidas de precaução
adicionais, nomeadamente rondas de controlo nas áreas afectadas, que garantam uma detecção
atempada de um possível foco de incêndio. A colocação fora de serviço dos detectores de incêndio
das áreas em causa deve ser limitada ao período de tempo previsto para a realização do trabalho.
Uma vez terminado o mesmo, e também durante as respectivas interrupções (noite), deve proceder-
se à reactivação do sistema de detecção.

Quando existem sistemas de sprinklers automáticos, devem proteger-se as cabeças dos


sprinklers que possam ser afectadas pelo calor produzida na zona afecta aos trabalhos de fogo. Se
as cabeças dos sprinklers se encontram a uma distância de menos de 2 metros do local de trabalho
então as mesmas devem ser sempre protegidas.

A colocação fora de serviço dos sistemas automáticos de extinção e detecção de incêndio


durante um período alargado (geralmente a partir de um dia de trabalho) deve ser comunicada à
companhia de seguros (seguro de incêndio) no âmbito das considerações sobre agravamento de
risco que constam das apólices.

Preparação e protecção do local de trabalho

Antes de iniciar os trabalhos deve observar-se o seguinte, num raio de 10 metros do local de
trabalho:

• Todos os materiais e objectos amovíveis de carácter combustível devem ser retirados.


Também se deve eliminar o pó acumulado e os revestimentos e isolamentos combustíveis.
• Os elementos construtivos fixos de carácter combustível devem ser protegidos (cobertos com
material resistente ao fogo). O mesmo se aplica a equipamento e instalações, fichas de
ligação de máquinas, revestimentos de paredes e tectos, incluindo os revestimentos
sintéticos que eventualmente tenham um aspecto pedro-vidro.
• As aberturas e perfurações em tectos, paredes e pisos (por exemplo para a passagem de
cabos e condutas) devem ser obturadas (seladas), bem como as juntas e ranhuras
adjacentes a espaços laterais, superiores e inferiores. Para tapar as aberturas devem utilizar-
se materiais não combustíveis : sacos de areia ou terra humedecida, gesso, cimento, massa
cerâmica, tecidos resistentes ao fogo ou tecidos ignífugos ou vaporizados com metais, fibras
de vidro, placas cerâmicas isentas de amianto, placas de fibra de silicato e chapas metálicas.
• Nas salas onde decorrem trabalhos há que prever espaço livre suficiente para evitar que as
partículas incandescentes produzidas pelas operações com fogo atinjam pessoas.

Medidas de segurança para trabalhos em reservatórios

Quando há necessidade de efectuar trabalhos com fogo dentro de recipiente ou reservatórios


que tenham contido substâncias combustíveis ou comburentes, ou que estimulem a combustão (por
exemplo peróxidos), antes de iniciar os trabalhos há que esvaziar completamente os recipientes.
Independentemente dos tipos de recipientes e respectivo conteúdo, há que verificar sempre que no
seu interior não existam atmosferas explosivas.

Para tal será necessário efectuar medições com um analisador de atmosferas explosivas.
Requerem especial atenção os depósitos de produtos sólidos, com capas de óxidos e outros
resíduos sólidos, uma vez que os resíduos podem conter líquidos que libertem vapores perigosos.
Quando não se dispõe de uma aparelho de medida adequado, deve encher-se os recipientes com
água ou proceder-se a uma inertização dos mesmos com dióxido de carbono ou azoto antes do início

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105

dos trabalhos (figura abaixo). Caso se trate de soldadura em recipiente em alumínio deve utilizar-se
apenas o azoto para inertização, de modo a evitar possíveis reacções químicas entre o alumínio e o
dióxido de carbono.

Fig. 72 – Soldadura em reservatórios.

Precauções durante o trabalho

Não devem ser utilizados como suporte de trabalho bidões e recipiente semelhantes, nem
vazios nem cheios: os recipientes cheios podem rebentar se sujeitos a uma sobrepressão produzida
pelo calor proveniente do trabalho e os recipientes aparentemente vazios podem conter vapores ou
gases com perigo de explosão.

O local de trabalho deve ser inspeccionado constantemente, incluindo zonas adjacentes, em


busca de possíveis pontos de ignição e focos de incêndio sem chama. No caso de existir perigo
alargado, por exemplo, se não foi possível eliminar ou cobrir todos os materiais de natureza
combustível em causa, só devem ser efectuados os trabalhos com fogo em presença de vigilantes de
incêndio. Os vigilantes devem ser pessoas com formação na área do incêndio, de preferência
membros da equipa de intervenção da empresa. Estes devem assegurar a disponibilidade nos meios
de combate de incêndio em número suficiente, nomeadamente extintores portáteis e mangueiras de
água com agulhetas ligadas à rede de incêndio.

Os elementos de construção de carácter combustível que possam atingir temperaturas


elevadas através de condução térmica por outros matérias ou por influência directa dos trabalhos
devem ser arrefecidos continuamente com água.

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Precauções após a conclusão dos trabalhos

Verifica-se frequentemente que os danos provocados por um incêndio em redor do local da


realização de trabalhos com fogo têm origem após a conclusão dos mesmos. Por esse motivo é
absolutamente necessário proceder a uma inspecção cuidadosa do local de trabalho depois da
finalização do mesmo, várias vezes depois de um primeira inspecção, em busca de possíveis pontos
quentes, fumo ou odores a queimado. Deste modo podem detectar-se focos de incêndio na sua fase
incipiente e combatê-los antes que estes se desenvolvam. Há incêndios incandescentes que se
caracterizam por uma combustão lenta sem chama durante várias horas. As rondas de controlo
devem ser efectuadas até ao momento em que o aparecimento de um incêndio já não seja provável,
sobretudo em áreas sem pessoal ou com visibilidade fraca. Durante este período de controlo os
meios de combate a incêndio inicialmente devem manter-se disponíveis e prontos a ser utilizados.

Para trabalhos efectuados durante períodos alargados, por exemplo quatro semanas ou
mais, é possível recorrer a um controlo por meio de detectores de fumo portáteis com transmissão de
alarme via rádio a um painel central com vigilância permanente. Esta medida não pode, no entanto,
substituir os procedimentos de vigilância necessários (o olfacto humano normalmente é muito mais
sensível que os detectores de fumo), mas durante períodos de desocupação da empresa (noite e fins
de semana) constitui uma protecção adicional.

Quando é que trabalhos com fogo são absolutamente proibidos?

Se após um exame cuidadoso pelo responsável pela Segurança e/ou equipa de intervenção
da empresa ainda subsistem duvidas consideráveis quanto à possibilidade de executar trabalhos
com chama aberta ou outros que produzem faíscas ou partículas quentes, então tais procedimentos
devem ser substituídos por outros menos perigosos. Como exemplos citamos as uniões fixas
mediante parafusos, juntas duplas em vez de cordões de soldadura, assim como serrar ou furar em
substituição de trabalhos com peças amoladoras ou oxicorte.

Os trabalhos de soldadura são interditos nos seguintes casos:

Em áreas com tectos combustíveis e/ou isolamentos combustíveis, sobretudo quando


executados directamente por debaixo dos mesmos.
Em espaços onde se manipulam ou utilizam materiais facilmente inflamáveis.
Em todas as áreas com perigo de explosão.

Advertências especiais

Nos processos de fabrico com operações com fogo, as medidas de segurança adoptadas para
os postos de trabalho devem ser verificadas regularmente (separação com cortinas protectoras,
instalação de dispositivos de extinção de incêndio prontas a funcionar, manutenção da proibição de
armazenar líquidos combustíveis e similares, etc.).

Geralmente subestima-se a combustibilidade de tectos de madeira envernizados, estruturas de


suporte e materiais de isolamento combustíveis em aberturas e juntas de dilatação. A combustão
incandescente em espaços vazios ocultos – por exemplo por baixo de pisos falsos, em tectos falsos,
em condutas para instalação de cabos ou por detrás de revestimentos de paredes – pode propagar-
se durante um período de tempo longo e provocar um incêndio aberto em locais afastados.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
107

As lonas e cortinas para soldadura e tecidos ignífugos. Como exemplos de sinistros ocorridos na
sequência da realização de operações com fogo refiram-se o incêndio de chapas metálicas dado que
se adaptam facilmente à forma dos elementos a proteger e reduzem a condução do calor para os
mesmos.

Durante a utilização do gás acetileno, os respectivos cilindros devem manter-se verticais, ou pelo
menos, com as válvulas numa posição pelo menos 40 cm mais elevada que a base do cilindro, para
evitar derrame do solvente contido nas mesmas. A utilização de cilindros de gás na posição
horizontal só é admissível quando se trata de cilindros à prova de derrame, com anel de cor
vermelha no respectivo gargalo.

O melhor método de transporte de cilindros de gás para queima é os carros para cilindros à
prova de queda, que transportam também um extintor de incêndio.

Os espaços onde se efectuam trabalhos de soldadura e oxicorte têm que ser bem ventilados. Em
espaços pequenos sem renovação de ar suficiente, em caso de trabalho prolongado, há que
proceder à extracção dos vapores e gases resultantes da operação, sempre que não se utilizam
máscaras de respiração. Não se pode recorrer ao oxigénio para ventilação.

Nos casos em que existe o risco de propagação de um incêndio para propriedade de terceiros,
as medidas de segurança necessárias com vista á protecção dos riscos operacionais existentes
devem ser coordenadas e supervisionadas pela direcção da empresa.

Riscos das actividades de soldadura

Ao considerar os perigos associados em todo o posto de trabalho, é fundamental recordar a


relação entre o perigo, a exposição e o risco:

• O perigo é o potencial para que um agente ou um processo faça determinado dano.


• O risco é a probabilidade que um agente produzirá lesão ou doença sob circunstâncias
específicas.

• Os efeitos na saúde podem somente ocorrer se houver exposição real ao perigo (o risco de
lesão ou de doença aumenta geralmente com a duração e a frequência da exposição ao
agente, a intensidade/concentração e a toxicidade do agente).
• A toxicidade refere-se à capacidade de um agente produzir lesão ou doença. A avaliação da
toxicidade consegue-se pelo estudo das vias de exposição ou de concentração biológica
desse agente no corpo.
Assim, estamos em condições de identificar os principais riscos durante as actividades de
soldadura a saber:

• Choque eléctrico (relacionado com o próprio manuseamento do equipamento eléctrico


envolvido no processo de soldadura);
• Incêndio e explosão (relacionado com as temperaturas elevadas que podem atingir os 3
000K geradas nos processos de soldadura e com o uso de material, nomeadamente gases,
potencialmente explosivos);
• Queimaduras e exposição a várias gamas de radiação (relacionadas com as temperaturas
elevadas geradas pelo equipamento e pelos salpicos de material incandescente, bem como
pela emissão de radiações não ionizantes durante os processos de soldadura, em especial
as UV e as IV);
• Inalação de gases e fumos (devido às emanações perigosas, ricas em substâncias tóxicas,
que quando inaladas causam danos múltiplos aos indivíduos expostos);
• Ruído (em determinados processos as emissões de ruído ultrapassam os valores
recomendados, nomeadamente, na soldadura por arco e por plasmas, e soldadura a gás,
exigindo medidas de protecção individual adequadas).

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
108

Implicações para a saúde ocupacional da actividade de soldadura de uma forma simples, mais
elucidativa que técnica, abordaremos os principais impactos ao nível da saúde dos trabalhadores no
desenvolvimento da actividade de soldadura.

Radiação e Visão

A exposição às várias fontes da radiação pode causar danos oftalmológicos sérios,


particularmente ao nível da córnea, cristalina e retina. Ambos os olhos são geralmente afectados.
Estas estruturas identificam-se facilmente na figura que se segue.

Fig. 73 - Corte sagital do olho, revelando as suas camadas.

Os tipos de radiação que podem causar os danos durante a soldadura incluem:

- A radiação ultravioleta (UVA e UVB) - sobretudo na soldadura a arco eléctrico;

- A radiação infravermelha (IV);

- O laser – nos processos de soldadura que requeiram o uso de feixes de laser;

- A luz visível. A radiação ultravioleta pode danificar a córnea;

- A radiação infravermelha pode causar cataratas, ou opacidade do cristalino, na exposição


prolongada e intensa;

- A exposição à luz dos lasers pode resultar em danos irreversíveis na retina.

- A luz ou o brilho visível intenso podem originar encadeamento e desorientação


momentânea, que pode conduzir a erros de produção e a acidentes no posto de trabalho.

As emanações de soldadura são uma consequência extremamente perigosa e complexa de


determinados processos de soldadura.

Sinistros

Como exemplos de sinistros ocorridos na sequência da realização de operações com o fogo


refiram-se o incêndio no pavilhão da Exposição Mundial de Sevilha, em Espanha, que provocou
danos na ordem dos 32 milhões de dólares, o incêndio do Teatro del Liceo de Barcelona, também
em Espanha, com danos estimados em 25 milhões de dólares, o incêndio do teatro La Feice de
Veneza (Itália), e o catastrófico incêndio do Aeroporto de Dusseldorf na Alemanha em 1996. Estes
casos são uma demonstração clara da potencialidade de destruições dos trabalhos com utilização de
fogo.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
109

A morte de 16 pessoas e prejuízos no valor de centenas de milhares de marcos alemães foi


o trágico balanço deste último caso. Nesse sinistro a causa directa da ignição do incêndio foi a
execução não supervisionada de uma soldadura numa chapa metálica, numa junta de dilatação do
acesso principal da área de saídas do aeroporto. O calor produziu uma inflamação do betume, que
gotejou no interior de uma conduta de ar situada por debaixo desse acesso, a qual por sua vez se
encontrava por cima de uma loja de flores. A compartimentação insuficiente da conduta de ar, o
numero reduzido de registos corta-fogo existentes no seu interior, a utilização de um isolante térmico
à base de uma material em plástico expandido, e o inadequado funcionamento do sistema de
detecção automática de fumo contribuíram para uma propagação extremamente rápida do incêndio,
acompanhada de uma libertação intensa de fumos são mais adequados ara cobrir equipamento e
elementos construtivos quando comparados com as contaminadas com monóxido de carbono e
outros gases tóxicos.

Este sinistro de grandes proporções poderia ter sido evitado com a utilização de um
“Autorização de Corte e Soldadura”, que teria reduzidos significativamente o efeito daquelas
circunstâncias. Uma supervisão e uma vigilância adequadas poderiam ter minimizado os tempos de
alarme e a resposta ao incêndio.

Neste incêndio decorreram mais de 35 minutos até que as primeiras corporações públicas de
bombeiros actuassem. Esta demora deveu-se sobretudo a um lapso de tempo entre o alarme e a
localização do incêndio.

Estudos Americanos indicam que entre 1988 e 1992 cerca de 5% dos incêndios ocorridos em
estruturas não residenciais se deveu a operações com utilização de chama aberta. Este número
aumenta para 8% se considerarmos os incêndios ocorridos em ambiente industrial.

Algumas estatísticas de incêndio dos estados unidos indicam ainda que entre 1990 e 1995
ocorreram pelos menos 13 grandes sinistros provocados por descuido em operações de soldadura e
trabalhos com utilização de chama aberta, num total de danos materiais que excedeu os 250 milhões
de dólares.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
110

HIGIENE NO TRABALHO

A Higiene do Trabalho é definida pela American Industrial Hygiene Association como


sendo «a ciência e a arte dedicadas ao reconhecimento, avaliação e controlo dos factores
ambientais gerados no, ou pelo, trabalho e que podem causar doença, alteração na saúde e bem-
estar ou desconforto significativo e ineficiência entre os trabalhadores ou entre os cidadãos da
comunidade envolvente».

A Higiene do Trabalho é, portanto, a área da Saúde Ocupacional que integra um conjunto


de

metodologias não médicas necessárias à prevenção das doenças profissionais. As suas


actividades têm como principal objectivo o controlo da contaminação do ar dos locais de trabalho
por agentes químicos, biológicos e físicos gerados na actividade laboral. Incide, portanto,
principalmente na problemática ar ambiente com o objectivo de não surgirem alterações no estado
de saúde dos trabalhadores. Também analisa e controla o impacte provocado, no ambiente
exterior, pelas emissões (líquidas e gasosas) e resíduos sólidos da produção.

Em síntese a Higiene do Trabalho dedica-se ao estudo da exposição dos trabalhadores


aos diferentes factores ambientais gerados no seu local de trabalho e que podem ser agentes
físicos (por exemplo: ruído, factores térmicos e radiações), substâncias químicas ou
microorganismos (por exemplo: bactérias, vírus).

Actividades da Higiene do Trabalho

Como principais actividades desenvolvidas pela Higiene do Trabalho podem ser


destacadas as seguintes:

dar parecer na planificação dos locais de trabalho;


identificar os potenciais factores de risco ambientais (químicos, biológicos e físicos)
inerentes a determinada actividade laboral;
eliminar e/ou manter dentro de níveis aceitáveis a exposição dos trabalhadores aos
factores ambientais gerados nos locais de trabalho;
propor medidas de prevenção e proceder, periodicamente, ao controlo da eficácia
dos sistemas de prevenção implantados;
participar nas acções de informação e formação em segurança, higiene e saúde;
colaborar na identificação das causas das doenças profissionais;
verificar as condições de emissão dos efluentes líquidos e gasosos e de remoção
dos resíduos sólidos.

Considerando o conjunto de acções que a Higiene do Trabalho deverá desenvolver,


podem ser diferenciadas as seguintes intervenções:

um conjunto de actividades que têm de ser desenvolvidas nos próprios locais de


trabalho e que é designado por «actividade de campo»,
uma componente analítica, que permite o doseamento da contaminação química e
biológica do ar dos locais de trabalho – «actividade laboratorial»;

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
111

actividades que visam estabelecer os níveis aceitáveis para a exposição aos


diferentes factores ambientais, com base na relação causa-efeito, ou seja, uma
«actividade normativa»;
uma componente técnica que estuda as medidas correctoras mais adequadas às
situações de risco detectadas – «actividade técnico-operativa».

Metodologia da Higiene do Trabalho

O objectivo final da Higiene do Trabalho é a eliminação total, nos locais de trabalho, de


todos os factores de risco ambientais. Contudo, nem sempre é possível a eliminação total
daqueles factores, colocando-se, à Higiene do Trabalho, o desafio de gerir a contaminação do
ambiente dos locais de trabalho de modo a estarem garantidas condições que não comprometam
a saúde dos trabalhadores.

A gestão dos riscos ambientais na óptica da protecção da saúde obriga ao conhecimento


dos potenciais factores de risco, à análise do grau de exposição dos trabalhadores e ao estudo de
eventuais estratégias de controlo dos riscos presentes. Para o efeito são desenvolvidos dois tipos
de estudo. Um dos estudos, a monitorização ambiental, tem por objectivo o ambiente do local de
trabalho e procede à caracterização da sua contaminação pelos diferentes agentes (físicos,
químicos e biológicos).

No caso de alguns contaminantes químicos há também a possibilidade de estimar o risco


através de outro tipo de estudo: a monitorização biológica. Neste estudo são doseados parâmetros
nos meios biológicos dos indivíduos (sangue e urina) ou no ar exalado, que estão associados com
o contaminante em causa e são designados por indicadores biológicos de exposição. A
monitorização biológica constitui um importante instrumento de trabalho na vigilância do estado de
saúde dos trabalhadores.

CONTAMINANTES QUÍMICOS

Os produtos químicos são designados por «perigosos» quando apresentam riscos para o
homem ou o ambiente devido às suas características físico-químicas, toxicológicas e
ecotoxicológicas. Nos produtos químicos distinguem-se duas formas de apresentação:
substâncias e preparações.

Substâncias - São os elementos químicos e os seus compostos no seu estado natural ou


tal como são obtidos por qualquer processo de produção, contendo qualquer aditivo necessário
para preservar a estabilidade do produto ou qualquer impureza derivada do processo de produção,
com excepção de qualquer solvente que possa ser separado, sem afectar a estabilidade da
substância, nem alterar a sua composição.

Exemplos: Acetona, álcool etílico, tricloroetileno, óxido de chumbo, etc.

Preparações - Misturas ou soluções compostas por duas ou mais substâncias. Exemplos:


Tintas, vernizes, colas, diluentes, desengordurantes, etc.

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112

A contaminação química dos locais de trabalho tem como fonte o manuseamento de


produtos químicos (matérias-primas, produtos acessórios e produtos finais) e os compostos
gerados durante as reacções do processo produtivo (por exemplo, gases emitidos por fornos).

Os contaminantes químicos podem apresentar-se no ar dos locais de trabalho sob as


seguintes formas:

Gases
Fumos
Vapores
Névoas
Poeiras

Contaminantes Sólidos e Líquidos

Os contaminantes em forma de partículas formam o que geralmente é designado por


empoeiramento.

Um empoeiramento pode ser constituído por:

Poeiras. Săo partículas de forma irregular, de substâncias cristalinas ou năo, que


resultam de manuseamento de materiais sólidos ou de processos mecânicos de
desintegraçăo. Podem também ser constituídas por aglomerados de várias partículas.
Regra geral, o seu diâmetro projectado varia entre 1 e 25.
Fibras. Partículas aciculares de natureza mineral ou química provenientes de
desagregaçăo mecânica e cuja relaçăo comprimento/largura é superior a 5:1.
Fumos. Mistura de partículas de pequena dimensăo procedentes de uma
combustăo incompleta (smoke) ou resultante da sublimaçăo de vapores de metais
fundidos (fume).
Aerossóis (mist). Partículas esféricas líquidas, cuja dimensăo năo é visível,
provenientes da dispersăo mecânica de líquidos.
Nevoeiros ou neblinas (fog). Suspensăo no ar de gotículas líquidas visíveis,
provenientes da condensação de vapor.

No caso das poeiras, a maioria das partículas tem uma forma irregular, sendo as suas
dimensões caracterizadas pelo diâmetro projectado.

Classificação do Empoleiramento

Tendo em consideração o papel relevante que o diâmetro das partículas tem no risco de
inalação, distinguem-se, no empoeiramento, três fracções:

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113

Fracção total – Todas as partículas presentes no ar ambiente, num dado momento,


independentemente da sua dimensão.
Fracção inalável – Fracção do empoeiramento constituída pelas partículas que
ficam retidas nas vias respiratórias superiores (dimensão = 10 - 15). Estas partículas
exercem essencialmente uma acção local.
Fracção respirável – Fracção do empoeiramento constituída pelas partículas que
conseguem atingir os alvéolos pulmonares (dimensão <10). As partículas respiráveis
conseguem penetrar mais fundo no aparelho respiratório, exercendo a sua acção
nociva não só a nível dos alvéolos, mas também, passando para a corrente
sanguínea, noutros órgãos e sistemas, nomeadamente o fígado, o rim e a medula
óssea.

Nocividade dos Empoeiramentos


A nocividade de um empoeiramento depende, por um lado, das características das
partículas e do trabalho executado e, por outro lado, das características do indivíduo exposto,
sendo de realçar os seguintes factores:

Características físicas das partículas – O tamanho, definido pelo diâmetro


aerodinâmico, é fundamental para a nocividade. Também se revestem de grande
importância o contorno exterior da partícula (existência de arestas vivas) e a dureza
do material que as constitui;
Propriedades químicas do contaminante – A composição química determina o
perfil toxicológico e/ou os efeitos;
Acção biológica da partícula – Esta acção manifesta-se pelo poder infectante no
caso de microorganismos, ou pelas propriedades alergizantes;
Quantidade de partículas no ar inalado e tempo de exposição do indivíduo;
Tipo de trabalho desempenhado pelo trabalhador (leve, moderado ou pesado) –
O esforço desenvolvido pelo trabalhador ao executar as suas tarefas é proporcional ao
ar inspirado e portanto à quantidade de partículas inaladas;
Sensibilidade individual – Esta característica do organismo faz variar, para igual
exposição, a extensão dos efeitos.

As partículas de um empoeiramento são classificadas consoante os efeitos que podem


desencadear no organismo nos seguintes grupos:
Partículas inertes – Partículas sem qualquer efeito específico no organismo.
Quando são inaladas em grande quantidade, por efeito de sobrecarga das vias
respiratórias, ocupam espaço no pulmão, prejudicando as trocas gasosas (por
exemplo: poeiras de PVC, de talco).
Partículas irritantes – Partículas cuja acção é local, traduzindo-se por uma irritação
e, num estado mais avançado, por uma destruição das mucosas (por exemplo:
poeiras de hidróxido de cáustica).
Partículas fibrogéneas ou pneumoconióticas – Partículas que reagem
quimicamente com o tecido pulmonar, destruindo-o e prejudicando seriamente a
função respiratória. Provocam portanto graves doenças – pneumoconioses (silicose –
sílica cristalina e asbestose – amianto).
Partículas tóxicas (sistémicas) – Partículas cuja acção nociva se manifesta noutro
órgão que não o pulmão, que se limita a ser o local de entrada (por exemplo: poeiras
metálicas). Os efeitos podem manifestar-se de imediato para grandes quantidades
inaladas (intoxicações agudas) ou a longo prazo para exposição a baixos níveis
(intoxicação crónica).
Partículas alergéneas – Partículas que provocam reacções alérgicas sobre a pele
ou sobre o aparelho respiratório (por exemplo: algumas madeiras tropicais, resinas).

Contaminantes Gasosos

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114

O ar é constituído por azoto (cerca de 78%), oxigénio (cerca de 21%) dióxido de carbono
(0,03%) hidrogénio (0,01%), vestígios de gases raros com a excepção de árgon e vapor de água
em quantidade variável.

Considera-se que um ar está poluído quando contém substâncias estranhas à sua


composição normal ou quando, sendo normal no aspecto qualitativo, estão alteradas as
proporções dos diferentes componentes.

No grupo dos contaminantes químicos gasosos distinguem-se dois tipos de compostos: os


gases e os vapores.

Gases- São substâncias que só podem mudar de estado com uma acção conjunta de
aumento de pressão e descida de temperatura.

Vapores - São formas gasosas de substâncias que nas condições normais de pressão e
temperatura (pressão = 760 mm Hg ou 1013 mbar; temperatura = 25ºC) se encontram noutro estado
– líquido ou sólido – e que podem transitar para esse estado normal por acção isolada de um
aumento de pressão ou de uma descida de temperatura.

Nocividade dos Contaminantes Gasosos


A nocividade dos contaminantes gasosos, tal como no caso dos empoeiramentos, vai
depender das características da substância, do trabalho efectuado e das características individuais
do trabalhador, destacando-se os seguintes factores:

a solubilidade no sangue da substância;


características toxicológicas da substância;
quantidade de substância no ar inalado;
frequência e tempo de exposição;
esforço físico do trabalhador, que determina a quantidade de ar inalado;
sensibilidade individual – Esta característica do organismo faz variar, para igual
exposição, a extensão dos efeitos.

Alguns gases e vapores, entre os quais a maioria dos solventes industriais orgânicos,
apresentam propriedades explosivas e inflamáveis, e por isso colocam também riscos no âmbito
da segurança.

Classificação dos Contaminantes Gasosos


Existem vários critérios para classificar os gases e vapores. Contudo, para efeito dos
riscos para a saúde, a classificação mais frequente é a seguinte:

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115

Irritantes – Exercem uma acção química ou corrosiva nos tecidos com que
contactam. Actuam principalmente nos tecidos de revestimento como a pele, as
mucosas respiratórias e a conjuntiva ocular. Quando estes poluentes são muito
solúveis (por exemplo: amoníaco, ácido acético, formaldeído) são absorvidos pelos
primeiros tecidos das vias respiratórias – nariz e garganta – onde, de imediato,
exercem a sua acção. No caso de se tratar de substâncias de solubilidade moderada,
a sua acção irritante estende-se a todas as partes do sistema respiratório (por
exemplo: ozono, cloro, fosgénio, óxidos nitrosos). Existem ainda compostos com
características particulares, nomeadamente a acroleína que, embora pouco solúvel,
tem uma acção irritante sobre as vias aéreas superiores e os vapores de ácido
sulfúrico que, além de irritante, afecta as terminações nervosas olfactivas.
Asfixiantes – São consideradas asfixiantes as substâncias que impedem o
processo da respiração. Este impedimento pode ter origem na redução da
concentração de oxigénio, sem existir interferência no organismo, e estamos perante
os chamados asfixiantes simples (por exemplo: hidrogénio, azoto, dióxido de
carbono), ou, então, os poluentes actuam quimicamente no processo de absorção do
oxigénio no sangue e tecidos e são designadas por asfixiantes químicos (por
exemplo: monóxido de carbono).
Narcóticos – Substâncias que exercem uma acção depressiva do sistema nervoso
central, produzindo um efeito anestésico após absorção (por exemplo: álcool etílico,
acetona).
Tóxicos – Compostos que sendo absorvidos exercem efeitos sistémicos, podendo
causar lesão a nível de diferentes órgãos e sistemas, nomeadamente o fígado, o rim e
os sistemas nervoso central e reprodutor (por exemplo: hidrocarbonetos alifáticos,
aromáticos e clorados).

Valores limites de exposição

Os valores limites de exposição, são definidos como as concentrações de substâncias


nocivas que representam condições às quais se julga que a quase toatalidade dos trabalhadores
possa estar exposta, dia após dia, sem efeitos prejudiciais para a saúde.

VLE-MP – Valor limite de exposição média ponderada – valor limte Expresso em


concentração me´dia diária, para um dia de trabalho de 8 horas e uma semana de 40 horas,
ponderada em função do tempo de exposição:

C1T1 + C 2T2 + .... + C nTn


VLE − MP = (Eq.4)
tempototal (8horas )

onde Cn é a concentração e Tn tempo de intervalo.

VLE-CM – Valor limite de exposição concentração máxima – Valor limite expresso por
uma concentração que nunca deve ser excedida durante qualquer período de exposição.

P – Toxicidade Percutânea – contribuição potencial, na exposição global, da absorção


por via cutânea – incluindo as membranas mucosas e os olhos – de uma substânica, quer esta se
encontre no ar quer através do contacto directo.

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116

Valores limites de exposição para misturas

Quando dois ou mais agentes que actuem sobre o mesmo órgão, estão presentes, na
ausência de informação em contrário, deve ser dada mais importância ao seu efeito combinado
que ao efeito individual. Assim se:

C1 C2 Cn
+ + .... + >1 (Eq.5)
VLE1 VLE 2 VLE n

o efeito deve ser considerado aditivo. Se o resultado ultrapassar o valor 1, estamos perante uma
situação de risco para o trabalhador.

No caso em que esteja provado que os efeitos dos agentes não são de facto aditivos mas
sim independentes, pois actuam em órgãos diferentes, então o VLE é excedido quando uma das
razões C/VLE for mais que 1, ou seja:

C1 C C
> 1; 2 > 1;....;+ n > 1 (Eq.6)
VLE1 VLE 2 VLE n

Quando a fonte de contaminação é uma mistura líquida de agentes com efeito toxicológicos
idênticos e a composição atmosférica é assumidamente semelhante à composição da mistura,
isto, é se durante o período de trabalho a totalidade da mistura se evapora para a atmosfera, o
valor de VLE da mistura é obtido pela seguinte fórmula, quando temos a composição da mistura
em peso:

1
VLE m = (Eq.7)
f1 f f
+ 2 + .... + n
VLE1 VLE 2 VLE n

onde f1, f2, …, fn são as proporções em peso dos agentes na mistura.

Controlo das Situações de Risco - Prevenção


Após a caracterização das situações de risco de um local de trabalho terão de ser
desenvolvidos programas de prevenção para controlo e correcção. Estes programas comportam
actuações de vária ordem, nomeadamente, legal, médica, psicotécnica, organizativa e técnica. À
Higiene do Trabalho, nomeadamente nas suas actividades operativas, compete a intervenção a
nível da prevenção técnica.

Nas situações de risco, a sequência das intervenções deve ser a seguinte: na fonte
emissora, sobre ambiente geral (arejamento) e por fim sobre o próprio indivíduo.

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117

Os processos de controlo do risco devem portanto ser aplicados nesta sequência:

Eliminar/reduzir o risco
Circunscrever o risco
Afastar o homem da fonte emissora
Proteger o homem
Os dois primeiros passos implicam medidas construtivas ou de engenharia, que actuam
nos processos produtivos, nos equipamentos e nas instalações (arejamento). Esta actuação é a
mais eficaz e a que deve ser encarada na fase de concepção ou de projecto.

Nos casos em que, mesmo com o processo controlado, o risco de exposição está
presente, deve intervir-se no sentido de proteger o trabalhador, afastando-o da fonte de risco ou
reduzindo o tempo de exposição. Para o efeito são aplicadas medidas de carácter organizacional,
como, por exemplo, a rotação dos trabalhadores nos postos de trabalho de maior risco.

Por fim, quando as outras intervenções não resultarem, ou quando a exposição se limitar a
tarefas de curta permanência (por exemplo: casos de manutenção e de limpeza), há o recurso a
medidas de prevenção de carácter individual, ou seja, a utilização de equipamento de protecção
individual (EPI).

De um modo geral, as medidas correctoras de uma situação de risco de exposição a


factores ambientais podem ser classificadas em:

Medidas técnicas de prevenção para reduzir ou eliminar situações de risco nos locais
de trabalho, por alteração do ambiente de trabalho ou dos processos.
Medidas que poderão ser tomadas para diminuir o risco potencial de um local de
trabalho sem efectivamente este ser alterado.

Medidas técnicas de prevenção para reduzir ou eliminar situações de risco nos locais
de trabalho, por alteração do ambiente de trabalho ou dos processos

Substituição de substâncias perigosas por outras de menor toxicidade.

Nota: Sempre que possível todos os potenciais cancerígenos devem ser substituídos por
outros. Deve também, sempre que possível, proceder-se à substituição dos produtos mais tóxicos
por outros de menor toxicidade.

Instalação de sistemas de controlo

arejamento dos locais de trabalho (ventilação geral);


exaustão localizada (sistema de ventilação adequado);
isolamento parcial ou total de processos perigosos (fonte emissora).

Alteração de práticas de trabalho

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118

embalagens vedadas e bem rotuladas;


localização do trabalhador.

Medidas que poderão ser tomadas para diminuir o risco potencial de um local de
trabalho sem efectivamente este ser alterado

Formação, aconselhamento, treino do trabalhador (deve ser devidamente informado


sobre os riscos inerentes ao seu posto de trabalho e modo de os controlar);
Utilização de equipamento de protecção individual (EPI). De salientar o uso de luvas
e fatos próprios no caso de substâncias com grande poder de penetração cutânea;
Medidas administrativas – rotação de trabalhadores;
Rastreio para detecção atempada de situações de alteração da saúde dos
trabalhadores (vigilância do estado de saúde).

Ventilação

Considerações Gerais

A ventilação é uma técnica que permite a substituição do ar de um ambiente interior por ar


do exterior, com o objectivo de reduzir as concentrações dos contaminantes e/ou por razões de
conforto.

A concepção de um sistema de ventilação deverá, portanto, corresponder às exigências de


higiene do local (criação de ar mais limpo), mas por outro lado tem de ser compatível com o ciclo
produtivo e aceite pelas pessoas que permanecem no local.

A ventilação dos locais de trabalho pode ser obtida por dois processos: ventilação geral ou
ventilação local.

Ventilação Geral

Este sistema de ventilação, também designado por ventilação por diluição, consiste na
introdução de ar limpo em quantidade suficiente para que as concentrações dos contaminantes no
ar ambiente se reduzam a níveis aceitáveis.

A ventilação geral, considerando as quantidades de ar que terão de ser movimentadas,


tem limitações, nomeadamente:

quando as quantidades de poluente libertadas são importantes e, portanto, para o


controlo das concentrações é necessário movimentar grandes massas de ar;
quando os postos de trabalho estão localizados muito perto da fonte emissora e,
portanto, ser difícil apenas por diluição atingir os níveis aceitáveis.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
119

Este tipo de ventilação só pode ser aplicado eficazmente quando os contaminantes em


causa são de baixa toxicidade, são libertados uniformemente e em pequenas quantidades,
estando contra-indicado no caso do controlo do empoeiramento. Como este método não é
circunscrito à fonte de poluição, mas abrange todo o local de trabalho, para garantir que os níveis
de contaminante se reduzam a valores aceitáveis o volume de ar a renovar deve ser multiplicado
por um factor de segurança. Este factor vai depender da toxicidade da substância, caudal de
libertação e pode tomar valores compreendidos entre 3 e 10.

A ventilação geral envolve, portanto, a movimentação de grandes massas de ar e como tal


é preferível utilizá-la como complemento da ventilação local.

Ventilação Local
O objectivo da ventilação local é captar os contaminantes o mais perto possível da sua
fonte emissora e antes do trabalhador. Este processo necessita de movimentar quantidades de ar
muito menores que a ventilação geral e, por isso, os custos de investimento e de manutenção são
menores. Tem, contudo, um aspecto condicionador; uma vez instalado o sistema, o processo
produtivo não deve ser mudado de lugar para garantir a sua eficiência.

Na ventilação local, ou ventilação por aspiração localizada, é feita a captação do


contaminante na fonte, a sua condução em tubagem até a um colector que o retém lançando o ar na
atmosfera. Em certas situações pode não existir colector do contaminante, mas sim um percurso
suficiente do ar poluído de modo a que por «diluição» sejam atingidos níveis aceitáveis, mesmo para
as emissões (existe legislação específica para as emissões).

Na montagem de um sistema de ventilação por exaustão devem ser tomados em


consideração alguns aspectos:

o dispositivo de captação deve ser colocado o mais perto possível da emissão do


contaminante e de forma envolvente da fonte;
o trabalhador não deve estar colocado entre a captação e a fonte, ou seja, a
deslocação do ar aspirado deve estar no sentido contrário às vias respiratórias do
trabalhador;
o sistema de aspiração deve corresponder ao movimento natural dos
contaminantes. Por exemplo, no caso de poluentes mais densos que o ar, a sua
movimentação é no sentido descendente por isso a aspiração deve ser a nível inferior;
a velocidade de captação deve corresponder ao caudal de emissão do contaminante
e às suas características físicas;
para uma captação eficiente, o ar aspirado deve ser compensado com entrada de ar
exterior. Recomenda-se que o ar entrado tenha um caudal 10% superior ao caudal de
aspiração;
as saídas de ar poluído não devem ser colocadas perto das entradas do ar novo.

No estudo da ventilação também devem ser cobertos os aspectos de conforto térmico, que
podem obrigar a tratamento do ar insuflado, e de correntes de ar, que podem ser remediadas com
a colocação de anteparos.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
120

ILUMINAÇÃO
A iluminação constitui um factor de risco que deve ser adequadamente seguido, desde a fase
de projecto até ao utilizador final. Vivemos de uma forma muito «permanente» confinados em
espaços (trabalho, transportes, escolas, divertimentos, etc.), pelo que, muitas vezes, não nos
apercebemos da importância real da iluminação na nossa saúde. Curiosamente, de Verão, quando
há uma maior claridade dos dias procuramos os espaços abertos que, muitas vezes, são desfrutados
sem quaisquer protecções, em particular as visuais.

Uma iluminação correcta num local de trabalho contribui para que as condições do mesmo
sejam de modo a não provocar tensões psíquicas e fisiológicas aos trabalhadores, proporcionando
dessa forma um aumento da produtividade, motivação, desempenho geral, etc. Caso contrário, além
de provocar atrasos na execução das tarefas, poderá induzir stress, dores de cabeça, fadiga física e
nervosa, etc., tendo como uma das consequências finais o absentismo.

De uma maneira geral, todos os locais de trabalho devem ser concebidos de modo a
privilegiar uma boa visibilidade. Para tal, uma boa visibilidade depende da percepção da geometria,
quer das peças a trabalhar, quer do campo da visão, dos contornos, da intensidade luminosa, da
conjunção de cores e dos contrastes, quer estabelecidos por estas, quer devido aos níveis de
iluminação reflectidos ou directos entre a peça e o plano de fundo.

Em termos ergonómicos, as condições do ambiente de trabalho no que dizem respeito ao


campo visual dividem-se em dois grupos: Iluminação funcional e Cor funcional. Isto porque a luz
possui duas características essenciais, a intensidade e a cromaticidade (tom da cor e intensidade da
cor).

A Visão Humana
A visão é um fenómeno complexo resultante da captação das ondas electromagnéticas cuja
radiação

varia entre os 380 nm e os 740 nm, isto é, desde o violeta até ao vermelho. A zona cujos valores são
menores que

380 nm é designada por ultravioleta, ao passo que a zona cujos valores são superiores a 740 nm
denomina-se

infravermelha.

A visão humana tende a acomodar-se a qualquer estímulo luminoso. No caso desse estímulo
não ser adequado (iluminação inadequada para a tarefa a ser desempenhada, deficiente postura de
trabalho, inexistência de contraste entre partes de objecto e o plano de fundo, movimentação de
objectos ou partes de máquinas, etc.), a visão cria defesas para exercer essa adaptação. Este
processo denomina-se acomodação. O fenómeno da acomodação é feito através da focagem do
cristalino, fenómeno este que diminui com a idade por endurecimento progressivo do mesmo.

O resultado do consumo energético para compensar o esforço necessário para proporcionar


a focagem das imagens, através de esforço psíquico, físico e fisiológico (reacção psicofisiológica), é
a diminuição de segurança no trabalho. Este fenómeno constitui a chamada fadiga visual.

O rendimento visual aumenta com o nível de iluminação. Em relação à fadiga visual, esta decresce
até cerca de 800 lx, invertendo a sua tendência a partir deste valor. A partir daqui, o rendimento
aumenta, mas à custa de maior esforço visual. Como medida de prevenção, aquando da realização
de qualquer tarefa, devem ser efectuadas pausas de tempos a tempos.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
121

Iluminação Natural
A iluminação ideal é aquela que é fornecida pela luz natural. A velha regra de que a luz deve
vir da esquerda continua válida. Contudo, uma vez que está em franco desenvolvimento a instalação
de sistemas informáticos (sistemas utilizadores de ecrãs) nas empresas, admite-se que a luz possa
vir de qualquer direcção, desde que o plano luminoso (plano das janelas ou das luminárias) esteja
perpendicular ao plano do visor. Como a maior parte dos problemas de iluminação são relativos a
situações em interiores, a iluminação natural deverá ser complementada com iluminação artificial.

Implantaçăo de Postos de Trabalho


É importante a direcçăo de origem da luz, quer seja natural ou artificial. Relativamente ŕ
iluminaçăo geral, um determinado posto de trabalho deverá ser implantado de modo a que o
trabalhador năo sofra influęncias negativas dos reflexos e dos encandeamentos. Assim, a luminária
mais próxima năo deverá estar colocada na vertical da sua cabeça ou na zona para trás (para se
evitarem sombras). Na zona para a frente, as luminárias influentes deverăo estar colocadas fazendo
um ângulo entre 30ş e 85ş (para năo criar reflexos nem sombra sobre o plano de trabalho), tirada a
partir da horizontal dos olhos. Caso haja reflexăo das luminárias colocadas na zona da frente, o
posto de trabalho deverá ser desviado lateralmente para desviar os reflexos da vista do trabalhador
(colocaçăo do posto de trabalho entre duas filas de luminárias).

Efeito da Cor
Uma boa combinação de cores no local de trabalho vai permitir aos trabalhadores um melhor
desempenho e, consequentemente, um aumento da produtividade. Pelo contrário, se o local de
trabalho estiver decorado com cores que não são do «agrado» dos trabalhadores, poderá induzir
neles efeitos psicofisiológicos de modo negativo. É que cada pessoa tem reacções diferentes ao
estímulo «cor». Não é de se estranhar o facto de que cada pessoa tenha preferências diferentes na
escolha de «cores». O uso de determinadas cores inadequadas pode dar origem ao desenvolvimento
de riscos para os trabalhadores.

Exemplo

Como exemplos, podemos salientar:

Depressão e stress;
Angústia;
Desequilíbrio psicofisiológico;
Efeitos contrários aos anteriores;
Lesões;
Acidentes;
Doenças.

Conforme os preceitos normais e legais, a distribuição de cores num determinado espaço


deverá ser tal que não produzam reflexos que provoquem encandeamentos. Para tal, a cor dos
tectos deverá ser branca, as paredes de cor branca ou de cores claras e os pavimentos de cores
mais escuras.

Efeito Estroboscópico

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
122

Trata-se de um efeito com um grau de perigosidade elevado, uma vez que se verifica em
muitos processos fabris, cujas máquinas não possuem adequada protecção mecânica. Esse efeito é
aquele que vulgarmente visualizamos em certas jantes de automóveis, cuja sensação nos parece
que rodam a uma velocidade inferior ao movimento, ou a determinados tempos estão paradas, ou o
movimento é contrário à deslocação do carro. Nas instalações fabris, devido à implantação de certas
máquinas e determinado sistema de iluminação (sobretudo aquele cujas lâmpadas são
fluorescentes, alimentado por corrente eléctrica monofásica) pode verificar-se este fenómeno. Ele
surge devido à cintilação das lâmpadas fluorescentes, cuja frequência de operação iguala a
frequência de rotação das máquinas, iludindo o trabalhador.

Como medida eficaz de prevenção, requer um conjunto de informações e de sinalização


adequada junto das máquinas e, como medida complementar, a introdução de meios de protecção,
resguardos amovíveis pintados com cores de perigo (por exemplo, amarelo A305).

O sistema de iluminação fluorescente deverá ser alimentado por corrente eléctrica trifásica,
divididas as lâmpadas pelas três fases. Se tal medida não for possível, colocar as lâmpadas
fluorescentes aos pares (nunca em número ímpar), impondo cada par com um condensador, ou
utilizar balastros de alto factor de potência.

Tabela 17 – Valores de iluminação recomendados.

Iluminâncias Recomendadas (Lux)

Salas de arquivos 150 Fabricação em geral 250

Salas de trabalho normais 500 Inspecção comum 250


(1000)

Salas de arquivos com tarefas 250 Inspecção delicada 500


pontuais

Sala de conferência 300 Empacotamento ou 100


encaixotamento

Sala de reuniões 150 (250) Montagem simples 250

Salas de desenho 500 Montagem delicada 1000


(1000)

Sala da administração 250 (500) Inspecção de cores 1000


(2000)

Biblioteca 250 (500) Impressão 250 (500)

Arquivos 150 Encadernação 250 (500)

Salas de desenho e trabalhos 350 Soldadura em geral 250 (500)


manuais

Sala de aulas 250 (500) Soldadura de precisão 2000

Refeitórios 250 Maquinagem 250 (500)

Oficinas 250 Maquinagem e ajuste 500 (1000)

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123

semipreciso

Auditórios 150 Maquinagem e ajuste preciso 1000


(2000)

Quadro negro 250 Salas de operações 500

Circulação 100 Enfermarias 200

Área de exposição 250 Mesa de operações 5000

Balcões/ mostruários 500 Laboratórios 250

Exposições de realce 1500 Desenho 500 (1000)

Depósitos 100 Arquitectura 1000


(2000)

Depósito 100 Estantes 200

Tabela 18 - Níveis-Padrão de Iluminação Recomendados Norma DIN 5035, Parte 2


Nível médio de
Finalidade do espaço ou tipo de actividade iluminação [lx]

• Armazéns Passagem de pessoas e veículos em edifícios


Vestíbulos, sanitários e balneários
Escadarias e escadas rolantes
Terminais de carga e descarga 100
Áreas de produção com intervenções humanas ocasionais
Casa de caldeiras
• Espaços de armazenamento onde são necessárias funções de
leitura, expedição
Áreas de produção constantemente ocupadas na indústria 200
Montagem de pouca precisão, fundições
Construções em aço
Áreas de escritório com acesso ao público
• Escritórios com secretárias próximas de janelas, salas de reuniões
e de conferências
Sopragem de vidro, tornear, furar, frezar, montagem de menor 300
precisão
Stands de feiras, secretárias de comando, salas de comando
Locais de venda
• Escritórios, tratamento de dados, secretárias
Lixar, polir vidro, montagens de precisão
Montagem de sistemas de comunicação, motores de pequenas 500
dimensões
Escolha de madeiras
Trabalho com máquinas de carpintaria/marcenaria
• Escritórios de grandes dimensões, elevada reflexão
Desenho técnico (estirador)
Gravação e inspecção em metais 750
Áreas de inspecção (fundição)
Controlo de falhas (madeira, cabedal, etc.)
• Escritórios de grandes dimensões, reflexão média
Análise e controlo de cores, inspecção de materiais
Montagem de aparelhos de precisão (eléctrica) 1000
Produção de peças de joalharia, retoques, etc.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
124

RUIDO
O ruído é um som desagradável e indesejável que perturba o ambiente, contribuindo para o
mal-estar, provocando situações de risco para a saúde do ser humano. Esta incomodidade depende
não só da característica do som, mas também da nossa atitude em cada situação concreta. Mas o
som é fundamental para a nossa vivência. É através do som que comunicamos, que ouvimos
música, obtemos informações, etc. O som é transmitido de uma fonte sonora, por vibrações, até ao
ouvido humano. As características do som são:

Intensidade, que define a amplitude das vibrações;


Frequência, que corresponde à velocidade da vibração.

A unidade de medida da intensidade do ruído é o decibel (dB) e a unidade de medida da


frequência é o Hertz (Hz). Existe ruído com maior intensidade nas baixas frequências até ruído com
maior intensidade nas altas frequências.

Fig.74 – Analogia entre calor e som.

As sociedades industriais, no seu desenvolvimento tecnológico, têm contribuído para o


aumento dos níveis de ruído, sendo um dos principais factores de risco para a saúde dos
trabalhadores, devido à frequência nas actividades profissionais e ao elevado número de
trabalhadores expostos diariamente. Geralmente, o ruído produzido em meio industrial é constituído
por sons complexos, com intensidades diversas nas várias frequências, isto é, o ruído industrial é
uma combinação de vários tipos de ruído:
Uniforme e contínuo – Com pequenas flutuações como um motor eléctrico;
Uniforme intermitente – Ruído constante que inicia e pára alternadamente, como
uma máquina automática;
Flutuante – Varia mas mantém um valor médio constante num longo período, como na
rebarbagem;
Impulsivo – Com a duração menor que um segundo, como a rebitagem.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
125

Assim, para analisar os efeitos dos vários tipos de ruído perante a exposição de um
trabalhador, criou-se o conceito de Nível sonoro contínuo equivalente (LEX,8h), expresso em dB(A),
que representa um nível sonoro constante equivalente aos vários tipos de ruído durante o mesmo
tempo.

Efeitos do Ruído no Organismo Humano


Os efeitos do ruído podem afectar o ser humano a nível físico, psíquico e,
consequentemente, social. A exposição diária dos trabalhadores a níveis sonoros superiores a 30
dB, dependendo das características individuais e de outros factores que integram o ambiente de
trabalho, pode causar os seguintes efeitos:

Perturbações fisiológicas – Contracção dos vasos sanguíneos, tensão muscular, etc.


Sistema nervoso central – Alterações da memória e do sono.
Psíquicos – Irritabilidade, agravamento da ansiedade e da depressão.
Perturbações da actividade – Gerando a fadiga, que é um dos factores de acidentes
de trabalho, contribuem para uma diminuição de rendimento no trabalho, influenciando
negativamente a produtividade e a qualidade do produto. Se as exposições pessoais diárias
têm níveis superiores a 85 dB(A), podem provocar um trauma auditivo, provocando a surdez
sonotraumática em que existe uma destruição progressiva, permanente e irreversível do
nervo coclear, dando origem a uma das doenças profissionais mais frequentes na nossa
indústria: a surdez profissional.

Fig.75 – Pressão sonora e nível de pressão sonora.

Medidas de Intervenção
Até a um passado recente, no nosso país, o ruído nos locais de trabalho era considerado um
dado adquirido, um facto quase normal e que constituía parte integrante da actividade produtiva; por
isso, raramente eram tomadas medidas para o evitar. Hoje, a atitude perante este problema começa
a ser diferente, não só pelo aspecto legislativo e regulamentar, mas também pelo conhecimento e
consciência dos empresários para as consequências na saúde dos trabalhadores e as implicações
no rendimento e consequente produtividade da empresa.

O Decreto-lei 182/2006, define os valores máximos admissíveis de exposição ao ruído e


métodos de medição, assim como, a intervenção da Medicina do Trabalho na prevenção à surdez
profissional, através da análise audiométrica dos trabalhadores. Interessa aqui referenciar três
conceitos, definidos no decreto lei acima referido e que são:

Valores Limites de Exposição: LEX,8h =87 dB(A)


Valores de Acção Superiores: LEX,8h =85 dB(A)
Valores de Acção Inferiores: LEX,8h =80 dB(A)

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
126

Para aplicação dos valores limites de exposição, na determinação da exposição efectiva do


trabalhador ao ruído é tida em conta a atenuação proporcionada pelos protectores auditivos. Para
aplicação dos valores de acção na determinação da exposição do trabalhador ao ruído não são tidos
em conta os efeitos decorrentes da utilização de protectores auditivos.

As indústrias, cujos valores dos níveis de ruído ultrapassam o nível de acção, deverão definir
medidas de intervenção e controlo do ruído e seus efeitos. Essas medidas são:

Acompanhamento médico: Testes audiométricos na admissão do trabalhador e em


intervalos regulares. Estes exames não só detectam os trabalhadores com problemas
auditivos, como identifica aqueles com susceptibilidade elevada ao ruído, de forma a tomar
medidas preventivas para evitar a surdez profissional. A periodicidade dos exames
audiométricos está definida no referido decreto lei, e será anual para os trabalhadores que
estão expostos a níveis de ruído superior a 85dB(A) e de dois em dois anos para
trabalhadores expostos a níveis superiores a 80dB(A).
Controlo de ruído: Esta medida abrange as seguintes fases:

Levantamento dos níveis de ruído;


Análise dos resultados;
Medidas de redução;
Avaliação dos resultados.

Levantamento dos Níveis de Ruído

O levantamento dos níveis de ruído vai determinar os valores que podem criar lesões
auditivas permanentes. Esses valores são: LEX,8h e LCpico. Para executar estas medições são
necessários os seguintes instrumentos:

Sonómetro Integrador. Instrumento que permite captar o som de modo idêntico ao


ouvido humano.
Dosímetro. Tipo de sonómetro integrador especial, para ser usado pelo trabalhador
nas suas tarefas diárias, que mede a exposição ao ruído quaisquer que sejam as flutuações.

Fig.76 – Dosímetro (à esquerda) e sonómetro (à direita).

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
127

Com o sonómetro integrador obtêm-se os níveis de exposição de ruído numa tarefa fixa; o
dosímetro permite determinar os níveis de exposição de um trabalhador ao ruído durante um dia de
trabalho, incluindo pausas. No dosímetro, todos os níveis superiores a 80dB(A) são convertidos em
dose de ruído equivalente que é acumulado durante as 8 horas de trabalho. Este instrumento está
equipado com um detector do valor Pico, que assinala sempre que este valor ultrapassa os
140dB(A). O valor indicado é em %. Antes do início de qualquer medição, deve verificar-se a carga
das baterias e calibrar os instrumentos com um calibrador.

Análise de resultados

Dependente dos valores obtidos nas medições e se estes ultrapassam o nível de acção
[80dB(A)], deve ser feita a análise em frequência para conhecer a composição do ruído, isto é,
determinar os níveis sonoros de cada frequência desse ruído. Na análise em frequência utilizam-se
filtros de oitava ou 1/3 de oitava ligados à base do sonómetro. O conhecimento da análise desse
ruído permite-nos seleccionar os protectores adequados e dimensionar atenuadores.

Segundo o Decreto Regulamentar acima referido, se os valores ultrapassarem o nível de


acção, os empregadores têm determinadas obrigações que estão resumidas no quadro seguinte.

Tabela 19 – Obrigações dos empregadores.

Exposição diária dB(A)


Obrigações dos empregadores

>80 >85

1. Informar os trabalhadores sobre:

a) Riscos potenciais para a segurança e saúde X

b) Valor do nível de acção e valores-limite X

c) Necessidade de serem feitas avaliações X

d) Obrigatoriedade de vigilância médica e audiométrica

1 – De 2 em 2 anos X

2 – Anual X

e) Resultados das avaliações da exposição pessoal diária e dos


valores máximos dos picos. X

2. Fornecer protectores de ouvido X X

3. Obrigatoriedade de usar protectores de ouvido X

4. Identificar as causas de ultrapassagem x X

5. Elaborar e executar plano de diminuição da produção, da


propagação ou da exposição ao ruído X

6. Delimitar e sinalizar os postos de trabalho X

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128

Medidas de Redução
Para actuar nas medidas de redução deve ter-se em conta que o ruído, ao encontrar uma
superfície, reflecte parte da sua energia e que a frequência tem influência nas medidas a adoptar. Na
redução de um ruído podemos actuar a vários níveis:

Na fonte, eliminando ou reduzindo na origem.


Na transmissão, eliminando ou reduzindo na propagação.
Na recepção, utilizando protectores de ouvido e/ou rotação de operadores.

Algumas medidas de redução na fonte:

Substituir máquinas antigas por outras menos ruidosas;


Actuar a nível de manutenção, no aperto das peças soltas, evitando o choque entre os
componentes das máquinas;
Blindagem de partes ruidosas de máquinas, utilizando nas paredes internas material
absorvente;
Montar silenciadores nas aberturas de entradas e saídas de ar de refrigeração.

Algumas medidas de redução na transmissão:

Tratamento de superfícies, como tectos, paredes e pavimentos com materiais


absorventes acústicos;
Afastamento das fontes sonoras das superfícies reflectoras;
Paredes espessas e porosas;
Painéis absorventes no tecto.

Algumas medidas de redução na recepção:

Utilização de protecções individuais;


Organização do trabalho com a rotação dos trabalhadores entre tarefas ruidosas e
tarefas não ruidosas.

Fig.77 – Alteração de Projecto.

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129

Fig.78 – Tratamento do tecto.

Fig.79 – Barreira no percurso de transmissão.

Fig.80 – Filtros acústicos no percurso de transmissão.

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130

Fig. 81 – Blocos de inércia.

Avaliação dos Resultados


Após se terem executado medidas de redução de ruído, dever-se-á realizar medições para
verificar se os objectivos foram atingidos. Também deve ser analisado se as alterações efectuadas
não interferem com a segurança das máquinas, com a produtividade ou outros factores prejudiciais.

Protecção Individual
Numa indústria ruidosa dever-se-á fazer protecção colectiva, isto é, procurar, sempre que
possível, atenuar os níveis do ruído para valores que não prejudiquem a saúde dos trabalhadores.
No entanto, nem sempre é possível a adopção de medidas imediatas, ou porque requer
investimentos elevados ou porque tecnicamente é inviável uma solução de redução de ruído. Nestes
casos, a empresa deverá recorrer à protecção individual, distribuindo pelos trabalhadores protectores
auriculares. Existem dois tipos de protectores auditivos:

Abafadores ou «tapa-orelhas», que fazem a cobertura de todo o pavilhão auditivo;


Tampões auriculares de inserção no canal auditivo externo. Estes podem ser de
borracha ou de algodão.

Fig.82 – Protectores auditivos.

Para a escolha dos protectores é necessário conhecer a análise de frequência do ruído, pois
existem tipos de protectores eficientes e específicos para cada gama de frequência. Os fabricantes
devem fornecer a informação sobre a atenuação do protector em cada frequência. Para que os
protectores auriculares sejam eficazes devem ser usados durante todo o tempo de exposição ao
ruído, pelo que não devem impedir a percepção de sinais exteriores necessários à execução do
trabalho e à segurança dos utilizadores. É importante a adaptação do trabalhador a estes
equipamentos de modo a sentir-se o mais confortável possível. Os trabalhadores devem ser
informados e sensibilizados para os efeitos negativos do ruído e das vantagens do uso de
protectores em meios ruidosos.

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131

RADIAÇÕES

Radiaçăo é o processo de transmissão de energia através do espaço. A transmissão de


energia pode fazer-se através de partículas, em que não é necessária a presença de matéria para a
sua propagação, e que se designa por radiação corpuscular. As emissões de partículas pelos
elementos radioactivos (raios  e os raios ) săo exemplos de radiações corpusculares. Outro
exemplo de radiações corpusculares são os raios cósmicos, constituídos por partículas sub-atómicas
de alta energia que provêm do espaço cósmico. Os raios cósmicos são formados maioritariamente
por protões (núcleos de hidrogénio), contendo também partículas  (núcleos de hélio), pelo que tem
carga positiva.

A energia também pode ser transmitida por ondas, como no caso da radiação mecânica e na
radiação electromagnética.

A radiação mecânica consiste em ondas, como as ondas sonoras. Tratando-se da


propagação de energia através de um movimento dos átomos, exige a presença de matéria.

Outro tipo de radiação que se transmite por ondas é a radiação electromagnética, que é
produzida pela oscilação ou aceleração de uma carga eléctrica num campo magnético. A radiação
electromagnética tem, portanto, simultaneamente, uma componente eléctrica e uma componente
magnética. No caso das radiações electromagnéticas, a propagação da energia é independente da
existência ou não de matéria; contudo, a presença desta influencia os parâmetros velocidade,
quantidade e direcção da energia transmitida.

A radiação por ondas caracteriza-se pela frequência e comprimento de onda. A frequência


define-se como o número de ondas que passa num dado ponto num segundo. O comprimento de
onda é definido como a distância percorrida entre um pico da onda e o seguinte. A unidade de
medida utilizada é, no caso de radiações de baixo comprimento de onda, o manómetro (nm), que
-9
também se pode designar por Ĺngstrom (Ĺ) (1nm = 10 m); para as radiações de comprimentos de
onda elevados, são usadas como unidades de medida o metro (m) ou mesmo o quilómetro (km).

Espectro das Radiações

Nos níveis mais baixos de comprimento de onda encontram-se os raios gama, com
comprimentos de onda compreendidos entre 0,05 e 5 nm, aparecendo em seguida os raios X.

Os raios X correspondem a uma forma de radiação electromagnética, com um comprimento


de onda inferior ao da luz, produzida bombardeando um alvo (em geral de tungsténio) com electrões
de alta velocidade. Os raios X foram descobertos pelo físico alemão Roentgen em 1895. Os raios X
têm comprimentos de onda compreendidos entre 0,01 e cerca de 500 nm. Quanto menor for o
comprimento de onda, maior é o poder energético. Os raios X de menor comprimento de onda
sobrepõem-se, em parte, aos raios gama, enquanto que os de maior comprimento de onda se
fundem na radiação ultravioleta.

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132

A radiação ultravioleta compreende radiações de comprimento de onda compreendidos entre


100 e 400 nm. Na sequência do espectro encontram-se as ondas da luz visível (comprimentos de
onda de 400 a 700 nm). No espectro das radiações electromagnéticas segue-se a radiação dos
6
infravermelhos, que apresentam como limite superior de comprimento de onda o valor de 1 mm. (10
nm). Com comprimentos de onda compreendidos entre 1 mm a 1 m aparecem as radiações de
micro-ondas. Por fim, na gama superior, encontram-se as ondas de rádio (1 m a 15 Km).

Em qualquer radiação, quando as partículas de energia emitida – fotões – colidem com um


átomo, a energia é transferida para esse átomo e o efeito resultante é dependente da energia do
fotão. Quando o fotão incidente tem uma energia superior a 12 electrões volt, um ou mais electrões
orbitais do átomo atingido são expulsos do mesmo, dando origem, por um lado, a um ião (átomo
sem um ou mais electrões orbitais) com carga eléctrica positiva e, por outro lado, a uma carga
eléctrica negativa livre (um ou mais electrões). As radiações que tom esta característica de ionizar
os átomos ou moléculas são designadas por radiações ionizantes.

No caso de radiações em que a energia por fotão de uma radiação é inferior a 12 electrőes-
volt, não existem condições para a ionizarão dos átomos da matéria com que colidem, pelo que não
existe alteração química dos mesmos. Estas radiações são designadas por radiações não-ionizantes.
Encontram-se neste grupo todas as outras radiações electromagnéticas: ultravioleta, visível,
infravermelho, frequências de rádio e outras radiações de frequência muito baixa. Com excepção de
uma gama estreita de frequências, correspondentes ao espectro do visível, as radiações não
ionizantes de baixo nível energético não são detectáveis pelo ser humano. Contudo, quando a
exposição atinge níveis elevados, podem ser perceptíveis como sensação de calor.

Radiações Ionizantes
Estas radiações classificam-se, como já foi referido, em radiações electromagnéticas (raios
gama e raios X), que se caracterizam por valores de comprimento de onda muito baixos e
15
frequências inferiores a 3*10 Hz, e em radiações corpusculares (emissão de partículas  e , de
electrões, de neutrões).

Como vimos, as radiações ionizantes interagem com a matéria, produzindo partículas


carregadas electricamente (iões) – ionização. A ionização altera quimicamente os átomos ou
moléculas que, no caso dos tecidos vivos, provoca alterações a nível celular.

Estas características de interacção com o material com que contacta faz com que as
radiações ionizantes constituam um importante factor físico do ambiente no que diz respeito à
relação Ambiente/Saúde.

As radiações ionizantes artificiais são provenientes de tecnologias desenvolvidas pelo


Homem. Como fontes de radiações ionizantes artificiais destacam-se os equipamentos e as técnicas
com aplicação de radioisótopos. Estas substâncias podem ser utilizadas completamente em circuito
fechado (fontes isoladas, blindadas) ou na forma de marcadores adicionados a um material de
estudo (fonte não isolada). Outras fontes de radiações ionizantes artificiais a considerar são a
produção de energia eléctrica por cisão nuclear e, em menor escala, a produção de imagens de
televisão e equipamentos eléctricos de alta energia (aparelhos radiológicos e aceleradores de
partículas).

A deposição no ambiente dos produtos de cisão resultantes das explosões nucleares, na


atmosfera ou subterrâneas, são também fonte de radiação artificial que contribui para a exposição
humana. Aqueles produtos de cisão são transportados por agentes meteorológicos e, portanto, a sua
deposição (que se denomina «fallout») constitui um problema de contaminação transfronteiriça.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
133

Nos nossos dias é frequente a utilização de radiações ionizantes artificiais em áreas tão
diversas como a indústria, a agricultura, a medicina e a investigação.

Entre a diversidade de aplicações destacam-se os raios X, que são muito utilizados nas
actividades médicas e paramédicas de diagnóstico (radiologia) e na indústria para a detecção de
eventuais defeitos de fabrico, e os radioisótopos, utilizados frequentemente em actividades de
investigação (marcadores – fontes não isoladas), em actividades médicas (diagnóstico e terapia) e
na esterilização de material cirúrgico, produtos farmacêuticos e alimentares.

De um modo geral, pode-se considerar que a principal componente da exposição humana a


radiações é de origem natural (radon e outros elementos emissores de radiações), seguindo-se a
utilização de raios X nas actividades médicas.

Exposição Profissional

Os profissionais com maior risco de exposição a radiações ionizantes são os seguintes:


Trabalhadores das minas e estações de tratamento de urânio;
Trabalhadores dos reactores nucleares e das centrais atómicas;
Técnicos de processos radiográficos industriais, nomeadamente quando se verificam
soldaduras
em oleodutos e outras estruturas metálicas;

Técnicos de radiologia (técnicos de saúde);


Técnicos ligados à produção e manipulação de substâncias radioactivas
(radioisótopos);
Investigadores que utilizam substâncias radioactivas (por exemplo, radioiótopos) como
marcadores;
Pintores de painéis luminosos, por exemplo, dos relógios e equipamento diverso.

Radiações Ionizantes e Saúde

A absorção pelos tecidos de radiações ionizantes tem efeitos biológicos nocivos. A


quantidade de energia que é absorvida varia com o comprimento de onda da radiação e respectiva
energia e, no caso da radiação corpuscular, do tamanho e da carga das suas partículas. Os raios
gama, os neutrões e a faixa de menor comprimento de onda dos raios X têm capacidade de
percorrer longas distância no ar e de penetrar profundamente nos tecidos antes de serem
absorvidos, ou seja, de transferirem a sua energia para os meios que atravessam. Os raios X, na
gama superior de comprimentos de onda, e as partículas  apenas atravessam alguns milímetros de
ar e são absorvidos por uma estreita camada de matéria (poucos milímetros de espessura de
tecidos). Os mecanismos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos radioisótopos
são análogos aos seus homólogos não radioactivos. A diferença reside na duração da excreção que,
no caso das substâncias radioactivas, depende do metabolismo e, também, do período de
desintegração da substância radioactiva.

Os efeitos adversos da exposição a radiações ionizantes podem ser somáticos ou genéticos.


Os efeitos somáticos verificam-se directamente nas pessoas irradiadas (expostas a radiações),
enquanto que os efeitos genéticos se verificam na descendência do irradiado. Considerando que a
exposição profissional a radiações se caracteriza por ser uma exposição de longa duração a doses
não muito elevadas, os efeitos genéticos desta exposição não se consideram, ainda, completamente
esclarecidos.

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134

Medidas de Prevenção Considerando o princípio da optimização baseado na relação


benefício/custo da utilização de radiações ionizantes, a protecção humana contra estas
radiações tem como princípio orientador que as doses recebidas pelas pessoas expostas e o
número de indivíduos expostos devem ser tão baixos quanto possível. O objectivo principal
da protecção contra a radiação é impedir os efeitos não estocásticos e reduzir ao máximo os
efeitos estocásticos. As normas de prevenção/protecção devem ter em consideração a
radiação absorvida e, também, o material biológico exposto, considerando que o impacto
nocivo é superior para alguns órgãos e sistemas, como, por exemplo, a medula óssea, a
tiróide, as gónadas e os seios. No sentido de reduzir a exposição a radiações ionizantes,
com origem em fontes isoladas ou fontes não isoladas, destacam-se as seguintes medidas:

Reduzir o tempo de exposição;


Manter uma distância de segurança entre o trabalhador e a fonte de emissão da
radiação
ionizante, uma vez que a intensidade da radiação varia na razão inversa do quadrado
da distância

à fonte;

Isolamento da fonte com materiais absorventes das radiações ionizantes (exemplo:


chumbo);
Utilização de equipamento de protecção individual (luvas, avental);
No caso das fontes não isoladas, existe um risco suplementar de contaminação
interna, pelo que se torna fundamental a aplicação de medidas de higiene e cumprimento das
regras de boas práticas de trabalho, que devem ser regulamentadas em manual próprio e ser do
conhecimento de todo o pessoal envolvido. Estas regras incluem não só as medidas de índole
geral, mas também procedimentos específicos e adequados às características do posto de
trabalho e tarefas desenvolvidas.

Radiações Não Ionizantes

Constituem radiações não ionizantes todas as radiações do espectro electromagnético com


comprimentos de onda superiores a 100 nm. Estão incluídas neste grupo as radiações ultravioleta, a
luz visível, a radiação infravermelha, os micro-ondas e as ondas de rádio. Neste grupo de radiações
destaca-se também um tipo de radiação de desenvolvimento recente – os raios lasers.

Os raios lasers são radiações não ionizantes, com gamas de comprimento de onda muito
alargada (em especial na zona do visível e infravermelho), que se caracterizam, fundamentalmente,
pela alta direccionalidade do feixe e, consequentemente, pela elevada energia incidente por unidade
de área atingida, ou seja, pela densidade de energia. Estas características diversificaram as
aplicações desta radiação, que compreendem técnicas não só na área da ciência, em especial na
medicina e na investigação, mas também na área industrial.

Como principais fontes emissoras das diferentes radiações não ionizantes destacam-se,
respectivamente:

Radiação ultravioleta, visível e infravermelha – a principal fonte é a radiação solar,


podendo ser, também, considerados os equipamentos de soldadura por arco, as lâmpadas
incandescentes, fluorescentes e de descarga, e os raios lasers.

Micro-ondas e ondas rádio – equipamento de fisioterapia e esterilização, fornos de


aquecimento e de indução.

Em relação ao impacto das radiações não ionizantes na Saúde, destacam-se os efeitos das
radiações ultravioleta e dos lasers. Os principais efeitos biológicos da radiação ultravioleta incluem a
acção carcinogénea na pele, as queimaduras cutâneas, a fotossensibilização dos tecidos e a
inflamação dos tecidos do globo ocular, principalmente da córnea e da conjuntiva. As radiações
ultravioletas criam condições para a produção de ozono a partir do oxigénio do ar e, portanto,
originam uma potencial exposição ao gás tóxico ozono.

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
135

Relativamente aos efeitos da exposição aos raios lasers, como estes concentram numa área
pequena uma elevada energia, existem riscos consideráveis na observação directa do feixe ou do
feixe reflectido, principalmente de lesão grave da retina. Como regra fundamental de segurança na
utilização dos raios lasers, destaca-se a restrição da sua utilização apenas a pessoal qualificado,
utilização de óculos de protecção e ausência de material reflector na vizinhança do local de
manuseamento da radiação.

No que concerne aos efeitos biológicos das radiações de elevados comprimentos de onda, a
informação disponível é mais escassa comparando com as outras radiações. Mesmo assim, são
perfeitamente conhecidos os efeitos térmicos das micro-ondas, que aliás são a principal base das
suas aplicações. Os efeitos nocivos destas radiações provêm da sua eficiente absorção pelos
tecidos, com consequente elevação da temperatura, com manifestações na função cardiovascular e
sistema nervoso central.

VIBRAÇÕES

A vibração é qualquer movimento que o corpo executa em torno de um ponto de equilíbrio.

Sob o ponto de vista físico, as vibrações podem classificar‐se em:

‐ Vibrações Sinusoidais

‐ Vibrações Periódicas

‐ Vibrações Aleatórias
RUÍDO desenvolve a sua acção fundamentalmente em relação a um órgão, O OUVIDO.

As VIBRAÇÕES afectam zonas mais extensas do corpo, inclusivamente A SUA


TOTALIDADE.

As vibrações transmitem‐se ao organismo segundo três eixos espaciais (x, y, z).


Caracterização:
Intensidade;
Modo de transmissão;
Direcção;
Frequência;
Duração;
Ponto de
aplicação.
Intensidade onde:
Modo de transmissão ‐ Vibrações de corpo inteiro e vibrações do sistema mão‐braço.
Direcção ‐ Longitudinais, Transversais, horizontais, verticais e diagonais.

Efeitos das vibrações sobre o organismo:

Perturbações osteo‐articulares (<30 Hz)


Perturbações vasculares (40 125 Hz)
Formigueiro;
Entorpecimento;
Gangrena;

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136

Picadas;
Doença de Raynaud (doença dos dedos
brancos). Controlo das Vibrações
É conseguido através de 3 processos:

Redução das vibrações na origem;


Diminuição da transmissão de energia mecânica a superfícies potencialmente
irradiantes;
Redução da amplitude de vibração das superfícies irradiantes atrás referidas.

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137

AMBIENTE TÉRMICO

Conjunto das variáveis térmicas do posto de trabalho que influenciam o organismo do trabalhador.

Conforto Térmico

Segundo a ISO 7730, “Um estado de espírito que expressa satisfação com o ambiente
que envolve uma pessoa (nem quente nem frio) ”.

Depende de aspectos biológicos, físicos e emocionais dos ocupantes.

Um ambiente confortável é um ambiente que permite que a produção de calor metabólico,


se equilibre com as trocas de calor provenientes do ar à volta do trabalhador.

Fora desta situação de equilíbrio, podem existir situações adversas


Stress Térmico

Índices:

PMV: índice que estima o valor médio dos votos de um grupo de pessoas na escala se
sensação térmica.

PPD: percentagem de pessoas insatisfeitas com o conforto térmico do ambiente.


Formas de Transferência de Calor entre Homem e Meio Ambiente
Condução (K) ‐ contacto entre um corpo quente e um frio.
Convecção (C) ‐ o movimento do

Radiação (R) ‐ todas as substâncias radiam energia térmica sob a forma de ondas
electromagnéticas.

Evaporação (E) ‐ através da sudação.

Factores que Influenciam a Sensação de Conforto Térmico

Variáveis Individuais:

Tipo de actividade;
Vestuário;
Aclim
atação

Variáveis
Ambientais
Temperatura do ar;
Humidade relativa do ar ou pressão parcial de vapor;
Temperatura média radiante das superfícies vizinhas;

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Velocidade do ar.
Avaliação do Ambiente Térmico

Temperatura do ar;
Humidade do ar;
Calor radiante;
Velocidade do ar;
Metabolismo;
Vestuário.
Trabalho a temperaturas elevadas

Problemas para a saúde:


Insolação;
Prostração térmica;
Cãibras;
Cataratas e conjuntivites;
Dermatites.
Algumas
recomendações:
Isolamento das fontes de calor;
Roupas e óculos adequados;
Pausas para repouso;
Reposição hídrica adequada ‐ beber pequenas quantidades de líquido (0,25
l/vez);
Ventilação natural.

Trabalho a baixas temperaturas

Os efeitos sobre a saúde:

Enregelamento dos membros devido a má circulação do sangue;

Ulcerações decorrentes da necrose dos tecidos expostos;

Redução das habilidades motoras como a destreza e a força, da capacidade de pensar e julgar;

Tremores, alucinações e a inconsciência. Algumas recomendações:

Para os trabalhos externos e prolongados, recomenda‐se uma boa alimentação em calorias e roupas
quentes;

Devem existir câmaras de transição para que se possam aquecer gradualmente até à temperatura
ambiente.

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PLANO DE EMERGÊNCIA

Conceitos e considerações iniciais

Planeamento como processo contínuo e não como produção de um objecto acabado; Plano como
instrumento de apoio e suporte e não como um fim em si mesmo:

Gestão intra e inter‐organizacional

Funções genéricas da emergência

Estrutura, missões e responsabilidades;

Definição de cenários de danos.

Os bombeiros como estruturas operacionais de 1ª intervenção. Que papel no planeamento?

Vistorias e estudos de segurança;

Definição e localização dos meios de intervenção

Elaboração Plano(s) Prévio(s) Intervenção

Plano de Emergência ‐ Instrumento de gestão operacional para resposta a eventuais acidentes


graves ou catástrofes.

Referência

O Plano de Emergência descreve a actuação do sistema de protecção civil relativamente às


responsabilidades, organização e conceito de operações, em caso de resposta a uma emergência
resultante da ocorrência de um acidente grave, catástrofe ou calamidade.

Identifica e analisa os factores de risco e de vulnerabilidade;

Recenseia e levanta os meios e recursos disponíveis;

Organiza a estrutura interna de apoio à gestão de emergência, definindo responsabilidades e


missões;

Define os mecanismos de cooperação e coordenação entre os serviços, entidades e organismos que


concorrem para a gestão de emergência.

Plano de Emergência Interno ‐ Preparação e organização dos meios existentes para garantir a
salvaguarda dos ocupantes de uma instalação, em caso de ocorrência de uma situação perigosa.

Objectivos gerais

Dotar a instituição de um nível de segurança eficaz;

Limitar as consequências de um acidente;

Sensibilizar para a necessidade de conhecer e rotinar procedimentos de auto‐ protecção a adoptar,


por parte de todos.

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Corresponsabilizar toda a população no cumprimento das normas de segurança;

Preparar e organizar os meios humanos e materiais existentes, para garantir a salvaguarda de


pessoas e bens, em caso de ocorrência de uma situação perigosa.

Objectivos específicos

Conhecimento real e pormenorizado das condições de segurança do estabelecimento escolar;

Correcção pelos responsáveis das escolas, das carências e


situações disfuncionais detectadas;

Organização dos meios humanos internos, tendo em vista a actuação em situação de emergência;

Maximização das possibilidades de resposta dos meios de 1ª intervenção;

Elaboração de um plano de evacuação total (ou parcial) das instalações escolares;

Elaboração do plano interno de intervenção.

Organização da Segurança

Estrutura Interna de Segurança preparados para, em situação de emergência (iminência ou


ocorrência) coordenarem as acções necessárias à implementação do Plano de Emergência.

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Instruções de Segurança

São normas e procedimentos a adoptar pelos ocupantes de uma instalação, face a uma situação de

emergência, tendo em vista a minimização dos seus efeitos.

Suporte Básico de Vida

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Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho - conceitos básicos
142

BIBLIOGRAFIA

[1] – Roxo, Manuel M., Segurança e Saúde do Trabalho: Avaliação e Controlo de Riscos,
Livraria Almedina – Coimbra, 2003

[2] – Enciclopédia de Saúde e Segurança no Trabalho da O.I.T, Volume 2 – Parte VI (Riscos


Gerais), Editora Chantal Dusfrene, BA, 1998

[3] – www.insht.es

[5] – www.inrs.fr

[6] –www.aeportugal.pt

[7] –www.idict.gov.pt

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