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_¢adernos de teatro ARLEQUIM, SERVIDOR DE DOIS PATROES: GoLpoRI Ae ‘CONFISSOES: DE UM ATOR: LAWRENCE OLIVIER: eS e CENOGRAFIA OU TEATRO — GIANNI RATTO. © BOL EO BURRO NO CAMINHO DE BELEM: M. C. M. | : aaa po ee : : | “MOVIMENTO TEATRAL. © . Gutubro-Novembro-Dezembrd de 1968 ; " a t > 2 @ comédia derarte 4 5) Comédia del'Arie — ou de méseata, ou do improvis. \ oi de foes ou mais aietamente coed Haake eed : Reet tc . Or térmo ae india 9 teatro dos ebcos italiana Srgan : ‘ zatlos em, uma atividade que hoje chamariemos.profisto- ; hnal, no perfodo de tempo que val da metade da Séeulo XVI ' todo 0 Séeulo XVI, conslderandowe este ultimo 0 sé ae +. fulo da sua crise @ da’ sus morte, sem gp levar ema consi deragfo alguns acontecimentas episodicos 0s primeitos ‘anos do séoulo seguinte, = . (© teatro literario, aquéle que hoje chamados eomédia S457 ecudite, fol uma das, rezdes imediatas do aparecimento da Comedia det'azte, + “Observemos as imagens, as gravuras, desenhos, pin- furas que pretendem docamentar qu interpretar fend . meno da Gomédid del'Arte, Isto é a tepresentacio viva fem si por si mesina, pronta a morrer a cada instante, le fas frenética na rapidez de uma existésoia presente Chservemos essas imagens: em algunas ‘vemos pequenos Posto inert do aNstureTO masini pe BBs ithe colds oe pe dene j © RDLCACAO, CIENCIA © CULTURA GBECC) nim pipes a preaibe tom uehas eaehe ge esas © ailtudes, engragadas. Sao fabambulos, mase Redagio — 0 TABLADO — Ay, Linen de Paula Machado fas, misicos e uase sempre ha um baste tevanteds sobre 795, Rio de Janeiro, Guanabara, Brasil a abega de alguem, Os expectadores se renova, dimi- a 3 fem, Simenam. Rule’ Wass descobre-se, que sha ee ij oe ments a servigo de charlataes ou de Vendedores-de mer eee a RE REONSAVEL: Jotu; Sergio \Maplaho Nunes’ \cadoriag. vitig® ajfm presence delos ard" pragay ondeso CO) DIRETOR-EXECUTIVO:+Marin Clara Machado leo tem su atvidade team inal de vender ol : + © quer coisa (a venda de qualquer objeto na rua eas ¢ ‘TESOUREIRO: Eddy Rezende Nunes Drecas tem sempre dese carater espetaaiiar © sitesslvo, : Mes dices sats minera, ¢ ; : REDATOR CHEE: Déx Soares Leite Desens lembrar a piazza (praca) omo 0 Ioear onde feeenn ee eee Comedia del'arte media suns’ ponibiidades ¢ freke a . a : /* Gurt'Se transformow a sain de teatro da corte, a sala e+ COLABORA NESTE: NOMERO: Pedro Proenea fxito seasemiee Mais tarde os comic, com a necesidade de, fungies continuas, preferiram abyhdonar a praca e dsixi ta a mo. “Ihifestagoes menares. ou bs. manifestagdes por ocasiao ds grandes Testas de, Carnaval, 8 Outras Imagens mostram uma cenografla que se re pete quase sempre, os mesmos elementos fimelonais: uma erspecliva, a praca, a casa do Doutor Graziano, a hospe- daria, ete.""No-século XVM vemos as grandes invencnes eenoléenicas, a apatigdo da maquina de vour, da maqulna fde nuvens, te. Vemos miscaras em poslgbes serabaticas, plasticas, groteccas, om seus miisicos comics, thas ambi? {ios e ferinos e a agitacso de todos qutse sempre em volta de Pantaledo (nome adotade pela mascara que era de int elo o Magnitica), do Capitio, —pretencioso Doutor, dos fenamorados (Esse Ultimos sempre sem mésearas)- Algune atores eram verdadeitos viriuoros e tocavam varlados ins. frumentos em um nico espetéculo, em mumeros de gran- de sucesso. Multos eram identifiendos pelo uso de deter minados objetos, como o Arlequim pelo bestao, 0. Magni fico pela bolsa de dipheiro, o Douter peles livros, @ Capitao pela espada, mas todas pelo jogo minimo acrobritico, dan. Sante, desenfreado. O dialogo devia. atingir varias inten- Sidades: do cémico ap groteseo, do lamentoso, chorado, ao hhereieo, do vulgar ao groseo, pesedo, mas tudo devia' re sultar sum nutzido disloge, nattido de sentido, de ocasioes, fantisticas e imaginativas, que una a regra da improvise. go ao dom do imprevisto..O espetaeulo revultava doin. Gispensavel conhoclmento de tlma técnica, da gis! fala. Temes adianie, eda contribuicio da etlacgo individual 9 stor © cémicos em cena ‘Que fazlam ses cdmicos em cena? Lelamos um livro publicado em Veneza em 1585, intitulado "La piazvn unk versale di tutti le professioni del mondo" para ver com luma Companhia del'Arte — possivemente indo. de exee- Tente categoria — ehega na praga anunciando sous espe- ticulos de um modo gue jé 6 uma representagao, uma prévia, Bis 0 que diz-o autor: "Da maneira como éssee cémicos entram numa cidade imediatamente se sahe que ‘os Senhores Comieos tal e qual ehegaram. Vem uma se ‘hora vestida de homem, com uma expida na mao, falen dp sobre o espeticulo © convidando 0 povo a assistir & comedila, trazedi ot pastoral ho Palco etna hospedaria Ce imedligtamente-o povo, ansioco por coisas huvas e curioso de natureza, scorre & sala de representagio, Na sala pre- Parada encortrase um paleo e improvised, um cenario fstocado 2 earvao, sem ‘muitos detathes © nig muito na. furalisia, Ouve-se’ musica e assisti-se a um prologo em tom comico e por vezes um pouco pesado,” # uma companhla ambulante ¢ nfo uma. companhia protegida pelo daque ou pelo principe. Podem partieipat fa mesma atéres de rename, mae a indicaeso serve para fstsbelecer um uso @ um comportamento quie deveria. set Forma da vide cotidiana e constiiir um. acontecimenta espetado na organizacao de uma comunidade, Eva @ che ada dot edmices, fOssem Glee de qualquer estegaria, tipo 6u valor, pois sabemos que mesmo as companhias dene. ddentes dos signori finham também uma atividade ambu lunte, ndo s6-na Italia como em outas nagoes europe: Uma companhia, portento, como aguela jé indieada adverte os eldadies de stit presenca na cidade e sobre 0 fspeticulo daguela noite. A expectativa ¢ geral e milflas ‘vézus 2 papulaeso aoolhe com calor 03 eomicos © as cele bridades "provocam. manifestacies extraondinatias Os atéres da Companhia que ches, so as mascaras ‘que vimos nas varias imagens da Comedia, acrobstas, mi Sicos’eballarines, mes eam uma lingusgém preferencial- ‘mente mimica, Ab palavras que pronuncism $0 abafadas pela miseara de expresso arguta, lasciva, bestia ow gro- fesea, gus estondem Arlequim, Pantalefo, Capltao, “dos uals tedos ja conhecsm, de maneita clara © perempidria, 2 fimeto, o carater, 2 nha que adotardo durante espe téculo, seja do ponto de vista das eoisas que deverao acon ‘ever como dae falas e dislogos, todos previslot mesmos, Se nfo conhecidos, (Poderiamos aqui lembea 03 Da Thagos da nossos elreos, culas gragas © situagees #80 34 de todos. conhecidas) ‘Ate 0 cenirio j& & conhecldo. Desenhado a carvio, como da compankia ja cltads, mas Srequentemente obra die artistas famoscs. Eram, no entanto, sempre parecidos Devernos frisar apenas a descoberta a perspectiva. Os ores com suas roupas vistosas, fantasiosae e eoloridas re- ltem a comédia esquematizada por roteifos ou entedos, Depois de térmos tido uma imagem da cena e dos até res coloesdos para. espetaculo, tomemes conheelmento agora do fundamento sdbre o qual improvisavam os comi- os mascarados. Para éste fim transerevemes parte de im, anuserito do “cicento” existente na Elbliotees Casane funse di Roms. roteiro do qual damos o primelta quadro se chama: “A ninfa esleste ultrajede e a forea do are endimento.” Depols dos nomes. dos personagens. ver. Bila de clementos de cena en deseriedo do cenitio, isto 6, do Nceessurio para a reprecentagso, Cenatio: Palgelo no) iieio do bosque de um lado, com trés fontes, Cadeira, pa théta de plntor com pineeis bem acondicionados, Lela para retrato, uma escada, Foups intima para Casimiza, areabue f pistola, duas eartas eseritas, uma de Don Catlos e ola Ga Infania, sela de cavalgar, commeta de arauto, espeto para sear cage, corda, armas para ot vildos, costume de morte ede disbo, bonito espelb, peles para Casimize, roupa de Meret. 1A ninia coieaie uitesiada PRIMEIRO QUADRO (ivems, tambores ¢ vores que gritam viva, viva) DUQUESA CASIMIRA (narrando @ Guglielmo e con selhelros da cirte que terminou 0 lute pela morte do pai {& Nof® com pomna solene reeebeu o titulo de Dugueta, ‘Todos gozam com o sucedide © a exortam, diante da st cessi0, a casarse, jf que no existe outio membro na familia senao ela.’ Casimsira que nao sente ainda chai do amor, ordens ‘a reallzagie de fertas e cagadas solence para alegrar seu povo depois de a0 longo recothimento € entya com todos, menos Gugli:imo que flea Iamentando Se amor por Casimisa ¢ 0 fato de ter vindo incognito sevilla e Yai embora) BERTOLINO (islando com Oliveta sébre o amor que 0s prende faz ums cena de amor e aletuosa, com pramessa de matriménio e com o fim de aproveitar a festa, entrar) DON CARLO E BUFETO (chogando de viagem, fize- ram é3se longo caminho por tetra para que Don ‘Carlo visse Casimira, Bufeto a repreende, pois poderia ter ido, de galera, esposor a Intanta da Sicilia e no estat essa cite fazondo o Ganimede 0 que entende errado. Don Carlo dizthe que quer fazer a coisa a sua moda) Nisto GUGLIELMO (vendo Carlo, depois de cumprimentié-lo iz ser um pinfor e vir de Mestina onde retratou In. fenta e diz estar a caminho do Napolis para fazer 0 re twato te Don Carlo. ‘Tendo chegado a Consenza a fama de Casimira dle diz ter o desejo de retratacla) Nisto CASIMIRA (entra e feeebe os agradecimentos de) OLIVETA (que de jardineira foi promovida a sua gama), Don Carle diz também a Casimiva ser excelente pin tor e mostra 0 retrato da Infanta. Casimira olla com afeto o retrato © também o pinter, pedindolhe que permanecs lum pouco por ali, pols deseja ser retratada por éle; entra Huseto que fa laz2i'para Oliveta que entza, Don Carlo diz ‘4 Bufeto que Casimira the agrada e gostaris de casar-se fom ela. Bufeto tenta ditsuadilo, Don Carlo Ihe ordens que arrime a palheta © os pincéis, pols com ésse trugue teve ingresso em muitas eortes © sucesso com mutas Da. mas.) Nisto, CASIMIRA (vem dizendo a) OLIVETA (ndo ver 9 hora de ser retratada pot Don Carlos, que cre um Virtuoso pelo scu belo aspecto, Oli veta diz que tambem se fara retratar pelo seu aluno’ (Bu feto) que Ihe parecera ser um brave homem) Nisto BUFETO (que tem ordem de pintar Oliveta fala-Ihe sObre o grande pintor Bufeto que breve ela devera co- hecer) DON CARLO (depois de muita encenagio pega @ palheta ¢ os pineéis para comegar o retrate, como se fosse 0 me Thor pintor do mundo que deve reivatar beleza 180. sin- gular; cla o repreende mas se envaldeee, fazem uma cena de altercapio, gle se revela um prineipe, déthe a carta, promete ser dela, se dao as macs. Coméca a escurecer” Ela o espera no jardim e entra. le esta muito sallsfelto) Nisto GUGLIFLMO (perguntaihe se f87 0 retrato © Carlo Ihe mostra o ecbéco e Ihe entrega para que termine e saem) BUFETO F OLIVETA (fazem cena de amor e ela 0 espera no jardim. Principia @ snoitecer) Assim & 0 primeito quadra do 1 sto. Ha um segun- do quadro, mais ou menes com 6 mesmo desenvalvimento, Seguem-se outros dois atos earregedos de romantismo. © exemplo néo da pera entenderse o enrédo da Deca, 1na3. serve para dar uma idéla de como, eram feltos esses T0- ‘eitos. Os milhares de rotelres del'Arte conhecidos nio’se istinguem muito déste exempla Digamos agora que a necessidade de uma nova orga- hizagio téenico-cultural, a necessidade ea ulidade de se lnirem para lever avahte ume atividade a mals rendoss possivel implicava em tm modo de espetaculo, de recitagao ¢ de preparacio que nao podiam prescindir de eertas eon: ‘igdes. Via-se a gradual tomada’ de posieSo.profisional por parte dos efmicos, que deelaravam preseindir das co- Iédias eserltas. © tempo ideal de teatro, pensavam os eb Imicos, no corresponde 20 tempo erlado ‘pelo autor e 0 relomado pelos atores para comunica lo a platéis, mas @ tum tempo. que corresponde ‘ao. aconteelmento. cehiea, 80 Gesenvolvimento concreto de um fato que nid. tem’ um assado e fem um futuro ligado apenas 9 sua suposta Fepetigdo, — nunea a mesma ~ atribulda aqueles que, tine camente, tém tal possIbilidade de renovamento; os atores. ‘Adrmavam ainda uma colsa mais importante, que o autor de teatro é0 ator, dispensando o auter e pedindo Ihe Somente um esquema para suas Invengies. Dai por diante ‘os proprios adres mesmas eseteveriam para aumentar seus repertotios. A guerra a comédia literatia. ott erudita es fava declarada A Comédia dePArte, na sua realidade cénica cotidia- nha, nfo fol uma forma de teatzo popular como alguns dic zem, ce bem que gozando do favor dd"piblico, no sentido ‘mais vasto da palavsa. Na definiego de tal teatro. vem 8 confluéncia de diversos tipos da cultura e do gésio da €poca que provocam o deseneadear de um tipo de teatro, ‘natural, cdmico, que mede sua fantasia em uma erestiv ade onde prevaizee otdem téeniea no sentido de pre. Scar a unday iments do paten ea platdia em cartes pondencia om 0 que estio”encenando, O que vale € Invengio.cbmiea fantisfie que se impie e se eagota hat suns manifesiagoes lnresstivels_e-explcndidas, yrotescn © provocanta, absoistamente.ereaivelom eparencia: O-qu contest ro paico potia ser Tecusado pela plaeia, cortesd Gon no, somente saa imprevisbildade necessris 90 ato {eatralnio ‘eorvespondee. so que cna eapectador espe fava que cadn masesra impusesse ao publieo ea mesa Eram ‘sempre igusis na sud atuneso conereia © na aun alt Siva bitrate, maa sempre ligadon «ma experiencia neta” heevel do toomento testa; Aviegti, Punialeta, Lelio, ‘Angélies, Lavinia, Bameralding, nepetem com mil varia des ¢ inumeravels surprésas, « mesma comedia cada nate fsses teagmentas cémicos, mesmo ae de orlgem jogrs ‘esear tomaram corpo, orden cénlea, sengo orem fogiea mesmo cnsciénelay nas estas des Carnavel © outton fer {ojos Uadicionais. © Talo de trmor feito zeferencia ae fettay a0 Camnaial nos Teva dae. qualquer cosa sobre 2 miscarbs e diseton usadas’ por cada. personagem. Fol & Carnaval-especiaimente ole Mais estmulon a Coméaia Geran propendo pore mesmo.disloga, man 9530 sliva 6 ‘eciprocs, pols os comicos proplem’ ao. Carnaval iba uma mimeg @ sobrctodo tira bapeedade’ de lingua: tem ee comunieacio comclente, TRecordemos que na tradiedo carnavalesea mais antiga o falo de se usar uma maceara tina um significado pa fetta. Era um ato com o qual @ pessoa renunclave & 5 Bropria © por coneeguinte at suns Fesponsshilidades’ nor Inne dutarte aguéies sies de festa enone © protenco por uma spsrecénela inguletante As mdscaras represetam diverses regides tttianas o rethor dit, oe distor 0 (Miao a Beltran e Seapiny {rmdoa de ‘ariguela, Napots, depois" de. Polichineio, de Scaramouche ev Taragiay Roina, Seo-Pataca, Marco-Pepe f-Casandrino; Farim, Glinavias Venez, Pemtalet Berga: fo Arieguiny Holona 0 Deuter oe) ‘As miseiras podem ser a prociamscto d_vitalidade erfonagens que st repetem go Infinio sabenda sepe erteza "como “uma téeniea os firemsee classificam tal ‘especial. Os dialetos nfo so ums sugestio popular ou uma con- ccessdo. a9 sucesso, Cada personayem usa o dialete que me- Thor se adapia A sua méseara e tipo (O sério, 0 paiético dos inamorados era contiado a0 teseane) Qs personagens sio sempre os mesmos, derivados das comésias elassiens, de sas situagoet © Intilgas. Oposicao de velhos sieas e avaros e de jovens dssolutos ou inamo- Fados, de velhos e jovens rivais em ambres, de velhos e de servidores” astutar, Tantaslosos “@ aproveltadores; depois ‘surgem os paras, 0§ capities, os advinhadores, os pai 0s filhos; os naufragos, 0 recotieeimento, todo’ o roma Resto da comédia erudia transpoiae ira outro, lima tomo pretesto. A dupla fibula, dus situngdes igual, dus intsigas amorosas que vém alargada som limites até crlar lima confusi que provavelmente aumentavam as. possi Idades ide improvisacdo. No que diz respello a improvi- fugio & claro que se ction um mito hem como a figura romantica da ator-ge improvisa diretamente no paleo sua comedies, ‘Resa idea se estobelecen na mente de muitos, ‘A verdade & muito mais eansistente @ séria,. OS Comieas Ge/Arte aprendiam a téeniea e os modos de’ improvisaeao fs tal ponto que em determinatos momentos do espetseio Improvisado cram obrigados a. cotresponder 20. anterior mente estabelecido © desenvolvimento des comédias eram onfiada a atdres com preparo tecnico, entre as quais.es- favam aquéles “apontadores” que se impunliam pela per- sonalidade como os verdadeiros criadores « guiavam 0 de- senvolvimenta ¢&nico. Os comlcos que no. passulam Te- foursos de Improviseaie tinham depose eapacidade técnica que thes permitissem responder’ e continuar falm- nantemente 0 dlélogo eénleo proposto pelo protagonista 20, antagonists, ‘Mas todos da maior so menor, sem nenhuma exceeao se apoiavam no conhecimento dos instruments (hogoes basieas) que formavam a eatacteristicn da impro- visucdo tiplea da Comédia del’Arte, ‘Por issp ce disse que, 6s comicos aprendiam a improvisar. Tss0 néo constitul um ontrasenso, pols a improvisapdo era a qualidade da qual ‘mais se orgulhavam. ‘A base de tudo ersim 8 roteitas sébre © qual o dire tor construia com seus atores 0 espetactlo, Buistiom co” legses de rotelros, chamados Zibaldeni, que continham su gestoes varias, ditos tipieas ligados a cada personagem © as situagdes em que {reqlentemente se metlam. Tals S- iestoes. tiham noraes precsos. Bram ag tivadas, mond: Ioges explieatives da silusefo; conceitos, quace sempre de amor e de cilimes desenvaivides ume linguagem barvoea; 435 saidas que sublinhavam wma situaeio, 03 fechos as mee téforas, os eonselhos ou as malaipoes ao filho (Otho Siquaie te chamel de commude — € assim que me pages terete posto no mundo? Assim comega uma invectiva de Pantaleso). Contiousm ainda sugestoes a respelto da bra vura do capitéo, 03 didlogos de amor correspondido, de amor desdenbad, de desdenho e desdenho, de desdeno e paz. E-acima de tudo os lace! conflades’& memérla, &, ednica e a capacidade erigtiva des grandes improvisado- res. © Tazzo. (aa, expressdo fare una azione, fare Vuzione Gecomposta o artigo se une 4 palavra que s¢-quer expres: xt abolindose 0 verbo) € 0 fagmento mimico © verbal fqus interrompe a agae principale sublinha 0. Jado gO: {esco, Era 0 alimento predileto dos Zannl e tinha suas fegrss. (Anda gui, com Zanni, a pesquisa etmologiea {entou varios caminhos para firmarse no slgalficado, mals, Sbyio: Zanni é igual 4 Glovanni ou Gianni, e era o bome: dado aos empregados, équeles que faziam tlabalho pesado, fem Venere durante ® Renaseimenio). E logiea pensat-s6 que se tratava de uma indleaeao genérica, 2 menos quan- Go 0 sotsiro exigisse uma definigao para’ um lasto espe- lal” Em alguns roteites se. por exemplo, que Mezze. tino, ja tuzei ou entao que fa lasei de sonolento, ou tazsi Ge slegria ow {ezei de desdenho. Na segunda metade do Século comeca a delinear-te = involugda ile Tevara a crise e ao fim a Comédla Improve sada € que veio a culmiar no séeulo.seguinte. ‘costume = Vattarat pedia dell Sterria e {Na primeira metade do sé. XVIT = Commedia Dell’Arte entra om decadéncla. A essa alfura, 44 se enriqueced, tornow se granfina, teve contatos com a nobreva e as rels © perden, © set! fiti6 popular. Nao ousa. mals enfeenlar assuntos de Atgalldades 08 grandes atires deilicam se aos papéls chess, Mleixando as partes serias aos alores novatos ou mediocres ste desequilibrio se nota na construcao dos entedes, onde as eonas le amor sio repetidas com formulas. fxas,” Patt Gularmente grave 6-a decadenela do elemento feminino. Co- mo (ereviro Tator de decadeneia: a pornogratia invade @ €= Deticulo. ‘Tambem o luxo da montaem, os truques. de car Pinfaria, a abundanela de trechos dancados e cantados tira 4 Commedia o seu feilio ingenuo de espetacilo pabre-e inte ligente, confiado exclusivamente 20 talento doe atores, ta Tento ue agora so delza sufocar pela parte visual do espe. tieulo. E 0 excesso de tradieoes (hibilas, eacaetes Weeniens repertoriog escritos, efeitos repetides) mata a improvisae ‘A'Commedia Dell Arte aeaboilsendo nia comedia eserita, Se no, no papel mas na meméria dos atores, uma. come ‘dia tuim, de enrédo convencional, perdendo’ qualquer ot: {afo com’ a espontaneidade popular. © aparecimento de Carlo Goldoni ‘A essa altura aparece Carlo Goldoni, Goldoni nio pre- fendeu fazer Tteratura, Quis apenas melhorar 0 teatro © an- fer de tuo 0 teatro como representacao e espetsculo, Verh fieando que os espetdculos nso correspondigm mais & men: falldade da" época, quis fornar 0, teatro novamente: vivo co- mo o fora antes ¢, com isso, chegou a verdade de que 0 es petieulo € apenas a interpretagao diim texto, Goldoni, comecou eserevendo scenitios para a improvi sagdo"dos cOmieos; em seguida passou a escrever, para cada Scenario, uina ow duss cenas por ato, especialmente cenas Sérias; depois passou. a escrever quase fOda a peca, reduzindo ‘2 parie de eanovaccio apenas aos papéis das masearas. Mais tale eserevet! pegss com misearas.(persouagens da com metlia que usivam masearas), porém,, 38 com o lexto cot pletamente fixado” Afinal aboiit. as piépriss mascaras © e5 Erevetl sas comédias psleologicas na mais absoluta liberda fle, como qualauer autor modern, esse trabalho de revolu 9 do teatro italiano Levou quase vinte attos. ‘Teatro Cémie2, (1749) na_obra de Goldoni, representa ‘um verdadero manifesto de reforma, que abriii a série de ecas polemieas que se passam na caixa de teatro © que de viam culminar com Pirandelo (seis personagens) Arlequim, servidor de dois patrdes (1745) foi 2 ditima © maior expressao —~ Uniea —~ da Commedia Delf Arte. Lea eserita em plsa, @ convite do Arlequim (Truftaldinoy nto. nio Sacehi, fambso ator do Teatro San Samuele, de Venera, ©'qual The sugeriu o titulo e o argument, Esta poea é definida por Goldont como comédia jocasa pols nela'9 jogo de Avfomiim & a maior parte, B ube o tiaintriza ott comédia-fasa o, neste senteo, 6 uma obta-pre tna, Tudo qu ha de vetho e omanesco na va pereegtieao dos dois mamorados (Florindo.e. Beats) nao. consi lomen {ornegativo naquele mundo ‘ios masearas, Toda a vida pot. a da peca ‘esta concentrada na personagem de "Arlequith, fue se apresenta ql como o nie, maraiihosp Arle Femanestente a Commedia O mehr ite sem aida, 9 Segundo, da famosa cena do slmoga, mas por toda a peed & ‘oldontana continua ising ‘com! a feruiigade de> Carlo Goldoni, posta comico, nasceu em Venera em 107, Faleceu em 1795, Ficou conhecido como o Moliore Hatiano, Esereven, além te Arlequim servidor de dois ‘amos, La Locandiera (Mirandolina), e a Viva astucio: 2, 4a visias no Brasil além de mites outras, fieando ihecidy como o Moliere © mundo eivilizado celebra em Carlo Goldont a memd- la, ea incorruptivel presenga do fundador do reslismo teaieal, do allar que abriu as porlas do teatro moderno_pa ra a vida conereta dos homens, das cidades, das nrofisoes, fas. classes, dos pequenos. ou ‘grandes afetos familiares © ‘lgrios. E fodo um cosmo de fatos e figuras — e, conseatien- temente, de valores - que s0 se movimenta no amavel e pre- iso caleldoedsplo de teatro goldoniano: mundo evocado. por tima arte que nao primitiva ou inicisl, com relaeao & noedo Goldoni fundador do realismo teatral de zealismo, mas sim, final © paradigmétiea, Com efeito, 0 realismo gofloniano j4 é, antes de qualquer suspeita da nos vel chegads de um fekémeno como o naturalismo, antina- furalista or etinigo, graeas fo sty respeito pela forms Ihumana e-eivil dos sentimentos, 05 quais nao so eneandalos, mas sim, acontecimentos, no determinaram o pitoreseo, © agressive, o colorido, mas sim, 0 cotidlano, 0 simples, 0 Timpido. Da mesma fotma, o redlismo goldoniane 6 apesar dda espantosa ‘eapacidae ie caracterizacao_ psicologiea dos Personazens, um’ realistao. antipsteologien, isto 6, antianall- tico, pls visa sempro e vigorosamente a Sintese, 9 trago es seneial, 0 trago © © momento que no “descrevem” a figura ‘Gu a situaeao céniea, mas — muito ao eontririo — a trans Tormam constantemeite numa “funeao” nada ve, nada acel ta, afora o funcional, Ninguém, pore, pense.em Goldani (na hase do que aeabamos de dizer) como num monstro de pre: rmeitagao.téeniea, como num désses mists da esteutura evdo mecanismo teatrals; Goldont-¢ tm prodiio de fluider fe do naturalidade, tudo sai fel] de sta mao, tuo 6 feito por obra o graca © sil espontaneidade poétiea, de. seu ins {intivo hom senso de observador das coisas e de artesdo i eansavel. Goldont 6 antes de Balsac, de Gogol, de Tolsto, © primeiro au‘or europeu que traz em si mesmo a mais sin ples das verdades estéticas, © que pareee fello de propisi {o para nos convencer de tal verdade: ser reallsta, para Um motlerno, © 9 unico modo. posivel de ser clissied, Nao ha oulra chaye para o equilibro, essencial & idéia de classieis mo; que é sinonimo (nos antigos) de obediéneia a um en- felto transcendental de Beleza — ¢, nos modernos, de fide dade a conscioncia imanente da vida, A sua variedade tu: multuaria, a que o artista devolve 0 senso e paz. O antigo 6 classico na medida em que olha para o mundo como se {osse Deus "0 moderno, na medida ex qiie.0 ve com 03 olhos a Historia.” Apenas, em Balzac atl Tolstoi, essa. verdade fetética tem outra perspectiva: 0 classicism (0 realismo) ‘vem paralelo, ou posterior, 20 Seu contrério, isto é a0 omantsmo nas suas varias forinas: a0 asso lie Golden! vem antes do romantismo, © contém jaualmente, por {area teeipaco, aquela. parte insuprimivel de éontribuleao Fomantiea, que’ nos outros realists esta. presente por force de experiéneia, convivencia e Influencia. Nisto, iambern, Goldoni reflete com espantosa fidelidade 0 momenta mals afirmativo da burguesia européia; momento que calming na Fevoluego francesa ena eonstrucio de um mimdo de elén- bias @ indistras, euja eultura, de tipo eneiclopédico.¢ ilu: minado, esta uma radteal homenagem a Razao, parém fuarda ‘em si mesma, coma incentivo dialétice um’ aspecto fet, literirio e humanitario, que @ a sua marca de dlg- nidade moral e que constituira 0 Termento mais positive do primeira rontantisme, No teatro, ésse maravilhoso séeulo XVIK de Diderot © de Mozart — esse lieida e corajoso despertador de. uma conseidnela coletiva, inclusive estsiiea, que munca mais de ‘la encontrar um moda de expressar tao singular e conse quente — no teatro, 9 séeulo traz os nomes de Gollonl, de Beaumarchais, de Lessing. Trés gigantes, cuja grandezs' re Side justamente na auséneia de qualaner tHtanismo: na sta defesa de dbvio, de razodvel, de necessério. Neda hi, do ‘que nés mais profundamente’ desejamos © davacamos para © teatro do nosso tempo, que jinao exista nesses inés mes ‘res; Gles nos mostram, éom téda a clareza'o que € 0 que hi Ge ser, uma literatura’ de hegemonia — do momento. hege- menied de uma nova classe e de uma nova cultura, quando las se apresentam ribalte da Historia. Dos, tres, Goldoni & © menos polémico, e absolutamente no 6 ideolojico: multo pelo contrario, nao tem quase cons. tlenela da sta situaedo cultural e histdriea. Nao sabe de fi Tosofias, ndo pertence a partidos, comporta-se aparentemen- fe como o mais conformado cidadao; faz, apenas teatro; nao, conhece senso o teatro, que €2 sua vidale a sua razio de Ser, Mas, de teatro tem wna ideia (go instintivamente limps © alta —~ ima ideia eseneialmente moral — que 0 projets dle uma vez no mundo implaedvel de verdade e da responsa. Ditidade. Nao. pode mentir, nao pode inventar diversoes; © sahe que tom de prestar eontas, do due o treatro propala, & prdpria conseiénela e ao Deus em que calmamente acredite, lum Deus bonachao como éle mesmo. Bonachao, porém terrivelmente série. 0 diving sorriso goldoniano é'como a divina melancolia de Mozart: empe- fnham 0 homem sem forcéla, através da paciéncla e da in ‘dalgeneia, através do espeticulo da propria perfelcao feta ide honestidade. Bu, veneziano, set de que cores, de que horas, de que aguas é felta esta luz; mas todo o mundo 0 sabe inelhor do que eu — porque ha tres séeulos que, ra (eas a Goldoni, nas noltes mals serenas e sincoras oferécidas vs povos peld teatro, o mundo 6 veneziano, Arlequim, servidor de 2 patrses produce do Tablado dire¢ao de Esta Peco pertence mais & Commedia dell'Arte do que 2 obra de Goldoni, Nap fOsce dso Avlequim, nao terimos da Commedia senao.informacors e lends, além do esqemats mg indeeifravel dos seenarios ¢ da comicidade bolorenta dos aibaldont, Quer o considere como o Tolatorio taquizritico ldeulo do teatro improvisado, quer 0 interprete eo. mo na fiel estlizacko, fruto da inteligéncia goldontana, nao Ina divida de quo a péea perience, por espitit ¢ teeniea, 4 Commedia dellArte, da qual nos da um testemunho mex mentado e brilhante, em que a miseara de Trufaldino vive para nos contar tnd. que € 0 arlequim ‘Tudo 0 que se queira que éle sela, responderia 9 Ante- quim Gherardl, Eneantrase aifildade em ‘descobris’ a. sua primeira imagem, devido as suas transformagoes, sucessivas B preciso nfo esquecer antes de mais nada a slhueta fina de losangos mullleores e Tulllantes, 0 biedrnio negro, a mas: fara veneriana. O-Arlequim de Bérgamo era anies de tudo tim, pabre dlaho que fazia sua roupa de pedacos remendados fle outras roupas; @ mesmo mals tarde, quando ésses pedacos tomaram formas regulares sobre a tunlea e sebre as’ caleas, resto quando sua eintira, must baixa, passon com 9 tem: po para o lugar normal, ainda conservava éle aquela maseara Sonibria, de barbas hisiutas, A verdade é que o het: bersa- raxeo escondia sob sua Ingemuidade tOda, wn bom senso po- pular¢ reservas de malicia que lhe garantiam o favor @ Simpatia do public arlequim B uma das mais antigas miscaras da comédiadoarte sempre fol a mals popular, devido 20 seu cardter essencial- hmente comico, Foi interpretado, nos sécalos XVI, XVI ¢ XVIM, por grandes aiores, Jos uals o mais famoso fot Do: ienico "Bisneolell, ehamado Dominique. e. durante, muitos ‘Anos 0 principal ator dos Comédiens du Roi, companhia fu ‘dada por Mazarino, no einada de Luiz XIV. Seu traje tiplco ‘consist, a principio, numa roupa éomum de eriado, com Te Inendos We varias cotes, Mais tarde esses Temenos se esti zaram em losangos de diversas cores. 0 ultimo dos grandes Avieduins fol Saechi, para quem GOLDONI esereve Atle ‘Guim, servidor de dois Amos. Arleguiin ¢ um criado ign ante, maz inteligente, hibily endiabrado, eapar do. embru. Thar gett_dono eo mundo inieiro, A fertlidade maginativa de Arleguim esti desenvolvida numa forma mais universal tha propria personagem de Lelio, 1'0 Mentiroso, e 0 aspecto Clara Machado Cenérios e figurines de Anna Letycia sonagem, que representa a evolucio. papular paralelu a decadeneia da nobreea as vésperae da revolacao Trancesa, fol sem divida 9 ponto de parlida para o imorlal Vigaro, de eauimarchass sia peea fol eserlta a pedido do Azlequim Antonio Sac hi famoso ator do ‘Featro B, Samicle, de Veneza, que dew 4 Goldoni o arsumento e o titulo, £ plovavel que Sacch\ t esse envlado 4 Goldoni am resimo do Avlequim valet de eux maltres para que éle p lsase como base de sit pecs. De {ato Goldont permanecefiel 49 esaueleto do. see: nario francés, eonservando a mesma. iniriga romancsea, 0: lagi principals até mulos nomes de personazens, Todavia no Servitore di due padroni representado pela primeita ver, Brovavelmente em 1746, 86 estavam estritas tres ou qUatrO enas sérias de cada até, Nao sabemos quando Goldonl recs. ereveu a peca. por completo 4 representacao de Arlequim em varios paises, em épo- cas diversas, Sempre teve enorme. sucesso, destacando-se ® dirigida por Goethe, em Weimar e a de Max Reinhart, const Mlerada uma audaciosa. deformacio, 'No Brasil, Arlequim foi Tepresentada pelo Teatro dos Dove, na intefpretagao de Serglo Cardoso, ‘no’ Alequlan Beyla Genauer, no papel de Beatriz e este ano pelo Tablado = numa prodieio dirigida por Maria Clara Muchado com fendrios e'figurinos de Ana Letyeia eujos desenhos teprod mos ilustrando este ariizo Pantaleao © velho mereador veneziano Pantaleao dos Bisonhos re presenta a burguesia e todas as manohras dessa classe. pata Fe sabrepor 4 arisiocraeia decadente to sée. XVIIL. Perten ce a familia do Pappus, ume das antigas misearas do. tea fo romano que represéntava 0 velo ridiculo. apaixonado por mocinhas, aparentando.se com Harpagon, Shylock « ou {os mereadores avarentos do. teatro. elassica, A habiidade om quo esse comerciante consegie enfigueces e dominar 08 hhobres por meio de empréstimos, evela « vitelidade da classe Dburguesa nessa época e sua vinganea contr aa. arlatocracia pelos sofrimentas dos séeulos precedentes, Pantaleso, sem biedade para com seus ricos fregueses, 6 eheio de dedieagio para com 4 familia O traje de Panualeio —~ préto e.verine Iho —"provem dizetamente- da roupa do ‘entador das farsa religiosas medievais. /o doutor No teatro do séeulo XVINL, assistimos & formagio de tum mianopilia econamieo « de um monopolio intelectual pot parte da classe media, O lado intelectual ¢ vepresentado ‘pe Ta'maseara do Doutor que, numas pega ¢ advozado e, noutras, medica, mudando tambem de nome, dos quals os inais sre tented sio 0 Doutor Balancdo ¢ ¢ Doulor Lombardi, A ma hieira sada pelo Doutor para dominar seus frezueses @ a do tien eabotina, falando Iatim, pronuneiando frases. em. poladas e incompfeensivels, afin’ de impressionar os ign0- antes. & 0 natural aliado| de Pantaleao, com que une as foress pelo etsamento dos filhos, 0 traje’ do Doutor 6 sem- pre préto, a fim de sublinhar a austeridade © disnidade de ‘que Se reverte @ personagem, Fala o dialeto de Bolonha, ct tdide teadiefonal da eullura wniversitaria, Esmeraidina colombina Assim como Arlequim se chamou sucessivamente ‘Tra faldino, Bscapino, Trivelino, Mezellno, ete, 0 mesmo. acon: ecett com Colombina au, soja na Commedia, seja no bra de Goldoni, recebeu os només de Coralins, Diamantina, Esme. Yaldina, ete. A personalidade de Colombina 6 mals out menos ‘ade ui Atleguim de sala, & tipo representativo do periodo ‘que antecede a revolusio e mesmo, em algumas pecas, Co: Tombina tenia ot consegue se casou com 0 patrao, cheyando se formar duguesa ou marquesa. Em outras pecas, especial: mente em Goldoni, recusa pretendentes nobres e ticos para permineeer fiel a6 homem do povo, que € auase sempre 0 proprio Aviequim, For desse ultimo’ tipo de Colombina que Goldonk extrali maior personagem de toda a sua earreita de autor, Misandolina, pfolagonisia de La Lorandiera, As citaches feltas neste artigo, sobre a Commedia Dell Arte e obra de Goldont sao transerilas ou adapladas por Virginia. Valli dos seguintes autores: ‘Sheldon Cheney (The Theatre) Ruger Jacobbl. (Expressao. Dramétiea) Xavier de Courville (A Mascara e a Commedia Della Arte). os figurinos Arlequim Os mais antigos costumes que eonhecemos de Arlequim so muito diferentes dos costumes decoratvos que vemos atuolmente.Remendos de cdtes aiferentes sao presos de tim lado e de outro sdbre @ calga ea tunica. le tem cabega raspada como os antiges mimlcos. Seu toque se fue a moda de Frangols T ol! de Hentl 11, fol e sera sem. re crnamentado com um Fubo de coelho ou de raposa © Taramenie um pena. No Século XVII os remendos tor~ nam-se (riinguloe de vatlas cOres, azul, vermelho, verde, Gispostos com simettia e ligados entre si por um fino gal Smarelo, ‘Mas tarde no fim do Seeulo XVI esses tian ulos tormam-se losingulos. caso ou tiniea encurta e © bicgmnig substitu o toque. ‘O habito de saspar a cabeca fol substiiuldo pelo uso de uma carapuca prela sob o chapéu, Sua mascara ¢ preta, ‘Seu vespelto diz Duchartre: "sta mascara tem muito fe fato'e de negro, tal como as viam os pintores renas centistas, Pode-se sonhar indefinidamente diante da mi cara de Arlequim, sendo que a menor modifieacao fis omic muda sla expressao.” Uma grande verruga, aver~ melhada, esta sempre sObre o élho dizoito. Arlequim usa lim cintd no qual esta présa uma bolsa e muitas vézes un bastio, uma faea © Zaramente uma espada. Pantaleao A roupa mais antiga de Pantalesa caracterizase por uma blusa’ curts, colante, yermelho-laranja, longas.ealgas fda mesma cor que se ajustam na perna’¢ no tornozel ‘Quando le sa um casaco € ése getalmente de mangas Taruas, comprias e todo préto, ¢ 8 simmara(Rsse easaeo fol vermelho e passou a prélo em virtude de Into decre lado na eidade de Venera). Pantaleio tem na eateca in Tvoné rego (sem bordos) ou um toque préto. Clea sa aillas, turess ou pantuflas motes. "0. Pantaiedo do. Sé- culo XVI raz e empunha, Seguidemente um-punhel de Timing larga © mais raramente lima espada. ‘Tem sempre una halsa na elntara, regen, Bequenas,valanies nas roupee de, Pane calgas lates, franzidas © présas abalxo do joclho, com ‘melas vermeilas.” Em. algumasreproducoes em ver" de blusa vemos uma jaqueta tim poueo mais compa, Quase sempre a bhisa tm gola, fina, que ora € branes ora vermelna, ‘Tem um cinto auc é lsado as vézes palma da Cintura, Pantaleo tom um estimago proeminente que pode fer forcado om a volocagio de enclimentos ou depender do expressio corporal. Algumas vézes sues roupa inte lea, podendo ser aié mesmo uma mala, aberta na. Dar Tiga, Jogo abaixo da eintura de onde sal um Tengo ou. ano Branco ‘A miscara de Pantaleo é esverdeada e tem um nariz ‘ino, compris. ‘Tem uma barbicha em ponta, avangando para a frente, Cabelos brancos, eomprides e barbs. cinza, Panteleso € de’ Veneza, o doutor A roupa do Doutor no Séeulo XVI até o eoméeo do Séeulo XVIL & aquela. que os homens de eléncia e lettados de Bolonha ussvam tanto na cidade como na Universidade, © Doutor esti semore vestido de préto: ealgas pretas © sébre essa ‘uma tlinica preta que chega sté os joclhos Sobre isso traz uma longa capa preta que vem até os tor hhozelos. Usa um tooue préto. Por volta de 1689, Augustin Lolli, que fazia o papel do Doutor, transforma ¢ figurino ‘Traz um chapéu preto extravagante (de abas Tatgas e mo: les) se veste 4 Lulz XIV, com uma ealga curta, fronzide, pprésa um pouco absixo do Joelho, meiag pretas e em vol” fa do pescoco um, colorate (fraise) braneo, ‘Trax mutes vores présa a faica da eintura suas luvas brancas ol tam lenco. A mascara do Doutor é diferente da das outras feu ras da Comédia, cobre apens a ironte¢ 0 natia, qt bem grande, Sta adr é svermelhada. As suas faces 330 pintadas de vermelho. A antiga miseara da. Doutor se Completava com uma peguena barba talhada em pont, O. sspecto geral do rosto do Doutor vem dessa mistura da ‘mascara que the dium ar de tolo ¢ de téda sus pretense Suficienela © correcso, ‘Teanserevemos uma descri¢do do Doutor da Enclelo- pédie Vallatci: “A muceara do doutor tem uma trades Antiga, teatral © novelista, e que faz désse pedante objeto 4e tis0 © de comicidade. “O Dowor torna-se, como nome ite Graziano ¢ posterlormente de Balanzone, 0 ceguldo ve Tho da Comédia dairArte em contraposies a Pantaleao Fala boloniiez corrige o dialeto vom {raves italianas © com senteneas em latim maeazrénten, um personagem Aestinado a ser objeto de pillstias © toga.” ‘Sua roupa & feeqilentemente composta de uma tiniea fe de uma calea larga, com galdes sobre as costuras, ol firs pequenas de fazenda verde, Ble traz © tobaro, easaco turto que é préso no ambro esquerdo e cal sebre a brago firelto Pode trazer em vez do tabaro uma capa, com gola Jarga, Na eabgen um chapéu de copa Targa e franzida com uma pequena abs, Briguela tem quase sempre uma gran te bolsa de couro e 1m pzqueno punhsl, presos a seu ent. ndicacoes clarae de suas tendéncias. ‘Sua mascara € es- verdeada; tem olhos obliquos, querendo acentaar sua. vt Yacidede e matreitice. ‘Tem multas vezes um bigode fino, Tevantad nas pontas ¢ tm pouco Talo, Seus eabelos exert Sie os ombros, valos sim pouco encaracolados. Multas Teprodupdes aitigas mostram Briguela com um pequeno eavanhague. Consseva sempre o chapéu tradicional Sua Toupa evolul com a aproximacio do Séeuio XVIE ¢ tomna.se mente urna redingete branca, sempre en feitada com galoes verdes. No Séeilo XVI os desoandentes de Briguela no ferdo mais do que Iacaios — pols sua. personalidade tam bam velo sendo alterada — com aibré, ao gosto do dla edo pals ‘Flautino ¢ uma varlagio da méseara de Briguela. Briguela € de Bergamo. Antonio Duarte De todos os personagens da_co- amétio tallang, Briguela & 0 mals te. Nao se pode esquecer sto ciniea e aocieada desea sgverdenda, de obo ob uo, narlz groseo, labios sensuais, Ba mesma maneira que Arlequim, Briguela'¢ de Bergamo Os cenarios Casa de Pantaleso Rua em frente 20 hotel de Briguela Hotel de Brigueta © problema do estilo das pegas © sua Interpretacso MICHEL SAINT-DENIS Hoje en dia, a idéia de “estilo” tornou-se impopular: frata-se de uma idéia confusa, principalmente nos afses que nfo possuem obras elissicas om seu verniculo ¢ nao povlet ‘do comparar ngo Thes € possivel opor suas produces content: ordneas com 2 massa de obras que possuem 0s velhos paises fom virtude le suas tradigoes, Agora @ palavra “tradicao” esta fora do cositacies, Tornowse suspelta © com boas raydes, Ih capazes de transmitir-se a si mesmas, as iraligbes esteriizam, fe emmbalsamam as pecas. Fidelidade as “travkiedes estabelee das" em um meio de nivel cultural allo, $0 pode Zerar co: venedes, ¢ assim ela corrompe as obras die quer servir. Nup 6 Suxpreendente que. precisamente nos paises "de trailicaa!” a hnogdo de “estilo” seja to pouco popular — os trndicionalis: {as manipularam o estilo durante muito tempo, como unpa de fesa contra qualquer tipo de mudanea ou evolucao natural les estdo atualmente em plena derrocada —— as tradicoes ws {uo condenadas, e a concepeao de estilo, acusada de favorecer a artificios e falsidades, ¢ afastada comio sendo convencionsl fora de moda. De fato, tanto os velhos, como os novos paises esto hoje comblnando! suas foreas mais alivas © avaneadas para lular contra os valores profundos que sao a base de nossa civil: zacio desde a Renaseenea, Disto resulta, por th lado, uma Feagdo visorosa que eria trabalhos novos, chelos de maitiplos contraditorias cardeteristiess, uma tesetemunha das lulas f das riquezas de nossos tempos: e, por outro lado, suseta, ra uma rapida rejeiedo de obras relativamente novas, 0 4 adocdo de (rabalhos antigos. interpretados “4. moderna”, Negando desta manelra todos s valores tradleionals, ‘Agora, chegando a9 findo do problema, ¢ necessitlo ‘que fagamos slgumas distineges, Quando uma ‘época_passou que val consiituir sus tradigio sao as obas que fleam eo hhosca, e algumas elas sto. suficientemente fortes para. s0- Ireviver, 1 claro que estas obras serao.interpreladas nos Perfodos seguintes de uma maneira viva, somente dentro. do fespirito que the é proprio. Tem que. Kaver conexio entre Este espirito ¢- nafureza da obra, revelada pelo sett texlo, livre de todas as. tadieoes dramaticas do. passado,. Trad es em representacao sao quase sempre frivolas elémeras, Mas parseeme. Imporlante sallentar, para sqieles dus esiejam inleressados em formacso Ceatral, que, no. drama de ada pais, uma tradicao autentica & lenfamente construid, que Ibe @ transmitida pelos textos, na. sua Tingca, original Gomente. pelos textos e atraves de Sus lingua original) © aque 0 sinal'e 9 instrnmento desta tradieap & 0 estilo. & assim Yoltaamos a idela de estilo Estilo lo € monolitieo, N&o estou tratando equi do es filo. de. unt. pariodo determinate, Nao estou contundinuds aqui estilo com periods histérlen, 0 ave. eu enusidero. 1 prblante, em visla de nossos estudos das diferentes ipas ds Improvigacay 6 9 estilo de uma pega, Ja uv! PETER BOOK Gizer varias vézes que, em qualquer obta de Shakespeave, olese encontrar todas os estilos — desde o Naturallsmo 4(6 a poesia Lirica ou pica. Para mim ovestilo das grandes obras de. Shakespeare se compoc justamente desta varieda fe. A tnidade do estilo no € des{tulda, ao eontrario, & en Higueeida. O quo ew chamo de estilo do uma obra ¢ sta apae reneia, Um homem se rovela por sia sparéncla — A face de um homem nao & sempre fell de ser analiseda, mas & importante, ela presta testomunho de uma vida até a vel: er. A face deanna obra testemunha sin nstareta, sun ida tie’ om relacio aos outros trabathos de um mesma’ avior. © stil exprassa 9 conietido de uma obra, como a lace exprl me o homem — é ineoncehvel sepsrar on mesma distingur estilo de contetido, Quem dirs qua} déley esti na origem do outro? 14, om pode haver, qualquer contetide. sem tonna? SAMUEL BECKETT disse-me, ano passado, que stias i Tengoes, Sous pensamenios 50 xistiam # partir da forma. Anos testa forma se compor, éle nao. sabe exalamente.€o. mo a sua idéla original val sé desenvolver. Besta forma O estilo, lado & obra, como & pele é ligada ao homem. Uma face € quase sempre secrela, assim como 0 eslll, Devemos ser eapazes de decifrsio para hogar A esséncia da obra Dovemos suber reconhecer win estilo, ¢ isto ndo 6 teaba- Iho féell. B malta difiell ler Shakespeare no orl xar que 0 estifo spareca por si mesmo( 0 estilo, ‘guagem, € também composicao) Em minha opinigo, precisamos primeiro dé uma alitude objetiva —a subjetiva tera bastante chanees depois <— mas acho ainda essenelal, no eoméep, ter x obra a distancia, 30 feogéia sm deseamo, antes de. enamoray-se del por sill ‘A mesma