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CENTRO DE ESTUDOS FIRVAL

KAMILA SHANA TAMAZATO


LILIAN OLIVEIRA MACEDO

ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DOS SINTOMAS DA


HÉRNIA DE DISCO INTERVERTEBRAL

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP


2014
Kamila Shana Tamazato
Lilian Oliveira Macedo

ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DOS SINTOMAS DA HÉRNIA DE DISCO


INTERVERTEBRAL

Monografia apresentada à Faculdade de


Educação, Ciência e Tecnologia -
UNISAÚDE/CENTRO DE ESTUDOS FIRVAL -
como requisito a conclusão do Curso de
Formação de Especialista em Acupuntura
Orientada pela Prof.ª Especialista Miriam Leite
Kajiya

São José dos Campos - SP


2014
FOLHA DE APROVAÇÃO

A monografia intitulada “Acupuntura no tratamento dos sintomas da hérnia de disco


intervertebral”, elaborada por Kamila Shana Tamazato e Lilian Oliveira Macedo e
orientada pela Professora especialista Miriam Leite Kajiya, foi

( ) Aprovada ( ) Reprovada

Pelos membros da Banca Examinadora da Faculdade de Educação, Ciência e


Tecnologia – Unisaude/CEFirval, com conceito _________________.

São José dos Campos .......de.......................de 2014.

______________________________

Nome

Titulação

_____________________________

Nome

Titulação
Agradecemos a Deus, criador do Universo e de todas as pessoas e tudo o que nele
existe, Razão pela qual podemos ser agentes e instrumentos para ajudar o
organismo humano na busca do seu equilíbrio energético, para debelar a dor.
Agradecemos também a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, serviram de
motivação para impulsionar e alavancar a realização deste trabalho.
RESUMO

A dor na coluna é a segunda maior fonte de reclamação das pessoas.


Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 85% da população
vão viver ao menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida. As disfunções
da coluna vertebral estão se tornando cada vez mais comum nos seres humanos por
causa da pouca informação que se tem relacionada à sobrecarga imposta à coluna.
Quando um disco intervertebral se salienta posteriormente ao anel fibroso tem-se
uma hérnia de disco intervertebral ocasionando um quadro doloroso. A hérnia de
disco intervertebral é considerada uma afecção comum, ocorrendo frequentemente
em homens e mulheres economicamente ativos que causa séria inabilidade em seus
portadores. Estima-se que 2 a 3 % da população sejam acometidos desse processo
tanto homens quanto mulheres, acima de 35 anos. Mesmo sendo a acupuntura uma
Medicina alternativa milenar, é causa ainda de controvérsias no ocidente, porém a
mesma tem demonstrado resultados relevantes no tratamento da hérnia de disco
intervertebral, e em diversas outros distúrbios do sistema músculo-esquelético. O
presente estudo tem por objetivo elucidar, de modo conciso, os efeitos da
acupuntura no quadro álgico e na funcionalidade física em indivíduos com hérnia de
disco intervertebral. A metodologia empregada para a produção do referido estudo
se refere a pesquisa bibliográfica aprofundada a qual incluiu análise crítica,
interpretação literária e compreensão de textos disponíveis sobre o tema
“Acupuntura no tratamento dos sintomas da hérnia de disco intervertebral”.

Palavras-Chave: Hérnia de disco intervertebral. Dor. Acupuntura.


ABSTRACT

The back pain is the second largest source of complaints from people. According to
estimates by the World Health Organization ( WHO ), 85 % of the population will live
at least one episode of back pain throughout life . The dysfunctions of the spine are
becoming increasingly common in humans because of the little information that has
been related to burden the column. When an intervertebral disc protrudes posteriorly
to the fibrous ring has a herniated intervertebral disc causing a painful picture. A
herniated disc intervertebral is considered a disease in economically active men and
women who disability in their patients. It is estimated that 2-3 % of the population
are affected in this process, both men and woman over 35 years. Even acupuncture
is one ancient alternative medicine , it still causes controversy in the West, however it
has shown significant results in the treatment of herniated intervertebral disc, and
several other disorders of the musculoskeletal system. The present study aims to
elucidate, concisely, the effects of acupuncture on pain symptoms and physical
function in patients with herniated intervertebral disc. The methodology used for the
production of this study refers to thorough literature search which included critical
analysis, literary interpretation and understanding of texts available on the subject
" Acupuncture for treating the symptoms of herniated intervertebral disc".

Keywords : Herniate intervertebral disc . Pain. acupuncture


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

MTC Medicina Tradicional Chinesa


DIV Disco Intervertebral
AVD’s Atividades de Vida Diária
SNC Sistema Nervos Central
SNA Sistema Nervoso Autônomo
L5 Quinta vértebra lombar
S1 Primeira vértebra sacral
B23 Meridiano da Bexiga n°23
B25 Meridiano do Bexiga n°25
B40 Meridiano da Bexiga n°40
B54 Meridiano da Bexiga n°54
B60 Meridiano da Bexiga n°60
B65 Meridiano da Bexiga n°65
B66 Meridiano da Bexiga n°66
ID2 Meridiano do Intestino Delgado n°2
ID3 Meridiano do Intestino Delgado n°3
E36 Meridiano do Estômago n°36
E43 Meridiano do Estômago n°43
E44 Meridiano do Estômago n°44
R2 Meridiano do Rim n°2
R3 Meridiano do Rim n°3
VG2 Meridiano do Vaso Governador n°2
VG4 Meridiano do Vaso Governador n°4
VG10 Meridiano do Vaso Governador n°10
VG11 Meridiano do Vago Governador n°11
SUMÁRIO

1. Introdução ................................................................................................................9
2. Acupuntura.............................................................................................................11
2.1 Canais de Energia Principais (Meridianos) ..............................................12
2.1.1 Pontos de Acupuntura (Acupontos) ..................... ....................13
2.1.2 Efeitos fisiológicos da Acupuntura...............................................................14
2.2. Coluna Vertebral..................................................................................................16
2.2.1 Disco Intervertebral..................................................... ..............18
2.2.2 Núcleo Pulposo................................................................................ .19
2.3. Hérnia de Disco Intervertebral.............................................................................20
2.3.1 Dor Hérnia de Disco Intervertebral.............................................................24
2.3.2 Incidência..................................................................... .................27
2.4.Tratamento da Hérnia de Disco Intervertebral com Acupuntura ........28
3.Discussão................................................................................................35
4. Conclusão.................................................... ..............................28
Referências Bibliográficas..............................................................................38
9

1.INTRODUÇÃO

A hérnia de disco é uma frequente desordem músculo-esquelética,


responsável pela lombociatalgia. A expressão hérnia de disco é usada como termo
coletivo para descrever um processo em que ocorre ruptura do anel fibroso, com
subsequente deslocamento da massa central do disco nos espaços intervertebrais,
comuns ao aspecto dorsal ou dorso-lateral do disco(NEGRELLI, 2001).
Embora seja mais frequente na região lombar, trata-se de uma afecção que
pode ocorrer em qualquer local da coluna vertebral. Os problemas oriundos desse
distúrbio têm sido as razões mais frequentes de dispensa do trabalho por
incapacidade (NEGRELLI, 2001).
Um agravante da dor lombar é a hérnia de disco, que consiste na propulsão
de parte do núcleo pulposo através do anel fibroso, envolvendo tipicamente um
disco que demonstre sinais de degeneração prévia. Suas causas são variadas,
como o trauma, o estresse, e a genética; entretanto, as disfunções posturais são as
mais frequentes, pois a má postura adquirida pela maioria da população nas
atividades de vida diária é responsável pelo aumento da pressão intradiscal e
consequente degeneração do mesmo (KISNER; COLBY, 2005).
As lesões caracterizadas por dor na coluna lombar tem adquirido relevante
importância nas últimas décadas por afetar uma parcela importante da população
economicamente ativa. Essa afecção, pelas disfunções, invalidez e aspectos
socioeconômicos que a acompanham, tem sido tema de inúmeros estudos
epidemiológicos entre os trabalhadores, pois o surgimento da hérnia de disco se dá
mais frequentemente entre os 35 e 40 anos e observa-se que 30 a 40 % da
população assintomática adulta apresentam hérnia de disco lombar (ORTIZ; ABREU,
2000).
Estima se que 70 a 80% da população mundial apresentará algum episódio
de dor nas costas no decorrer da vida (FERREIRA et al., 2011).
O conhecimento das vias neuroanatômicas envolvidas no mecanismo de ação
da acupuntura torna fácil o entendimento de como esta forma de tratamento atua no
corpo humano, determinando seu efeito sobre a fisiopatologia das afecções da
10

coluna vertebral e, por outro lado, constituindo caminho que permite o efeito
terapêutico global que é produzido por ela (YAMAMURA, 2004).
A acupuntura vem se tornando uma terapia alternativa de grande procura nas
causas de doenças osteo-musculares, talvez pela comprovação dos seus efeitos
numa variedade de doenças que ela abrange, como também na aceitação da
sociedade e desprendimento da mesma em busca da cura.
O presente estudo tem o objetivo de elucidar, de modo conciso, os efeitos da
acupuntura no quadro álgico e na funcionalidade física em indivíduos com hérnia de
disco intervertebral, levando em consideração que essa disfunção atinge a
população adulta, sendo assim interessante para os profissionais da área,
estudantes, pesquisadores e interessados ao tema.
Os critérios de inclusão para o levantamento bibliográfico foram artigos,
publicações e livros que constassem a eficácia da acupuntura nos sintomas álgicos
da hérnia de disco intervertebral , publicados no período de 1993 ate 2012. Assuntos
relacionados ao tema, porém fora do período de publicação citado foram excluídos.
11

2. Acupuntura: Conceito

A acupuntura é um conjunto de conhecimentos teórico-empíricos da Medicina


Tradional Chinesa (MTC) que visa a terapia e a cura das doenças por meio da
aplicação de agulhas e moxas, além de outras técnicas (WEN, 2012).
Derivada dos radicais latinos acus e pungere, que significam agulha e
puncionar, respectivamente, a acupuntura consiste numa terapia de cura das
enfermidades pela aplicação de estímulos através da pele, com a inserção de
agulhas em pontos específicos chamados acupontos, mas na verdade a acupuntura
é uma tradução incompleta da palavra chinesa Jin Huo (ou Tsen Tsio) que significa
metal e fogo. Os pontos de acupuntura distribuídos pelo corpo podem ser
puncionados com agulhas ou aquecidos com o calor produzido pela queima da erva
Artemisia vulgaris, (mais conhecida como moxa ou moxabustão). Podem ainda ser
estimulados por ventosas, pressão, estímulos elétricos e, mais recentemente lasers
(CHONGHUO, 1993).
Esta terapia milenar visa restabelecer, em princípio, a circulação da energia
ao nível dos canais de energia e dos órgãos e das vísceras e, com isso, levar o
corpo a uma harmonia de energia e de matéria (YAMAMURA, 2004).
A acupuntura é uma das formas mais antigas de terapia e tem suas raízes na
antiga filosofia chinesa. A acupuntura tradicional é baseada em um número
conceitos filosóficos, um dos quais presume que qualquer manifestação de doença é
considerada um sinal de desequilíbrio entre as forças do Yin e do Yang dentro do
corpo. Na teoria clássica da acupuntura, acredita-se que todas as desordens são
refletidas em pontos específicos, ou na superfície da pele ou exatamente abaixo. A
energia vital circula por todo o corpo ao longo dos tão chamados meridianos, os
quais têm as características ou do Yin ou do Yang (FURLAN et al., 2005).
De acordo com a teoria da acupuntura, o universo se baseia na oposição
entre duas forças antagônicas, que devem estar com igual intensidade de força para
que haja o equilíbrio, partindo desta premissa é que existem as teorias da
acupuntura. O ser vivo (humano, animal ou vegetal) possui uma energia primordial,
chamada qi (pronuncia-se tchi) esta energia tem dois aspectos: yin e yang. O yin é o
aspecto material e interno, já o yang é a manifestação da matéria exteriormente para
12

o leigo, isto parece confuso e sem sentido, porém o conceito yin yang é de suma
importância para o exercício da acupuntura (YAMAMURA, 2004).
A teoria do yin yang explica o aparecimento das doenças por um desequilíbrio
relativo de uma subida grande demais e/ou um declínio grande demais do yin ou do
yang. Quando os 2 elementos estão em seu estado normal, controlam-se
mutuamente e mantem um relativo equlíbrio; e a condição fundamental de uma
atividade vital correta. O yin e o yang coexistem então em um processo de oposição
e de interdependência que os liga de modo indissociável, o yin representa a
substância e o yang, a função vital, o primeiro sendo a base do segundo e o
segundo a força motora da produção do primeiro (AUTEROCHE; NAVAILH, 1998).

2.1 Canais de energia principais (meridianos)

São os Canais de Energia ou Meridianos relacionados diretamente aos Zang


Fu (Orgãos/Vísceras) por onde circulam o QI e o Xue (Sangue), promovendo a
ligação interior/exterior e exterior/interior, isto é, entre os Zang Fu e as estruturas
somática e vice-versa. Distribuem-se ao longo do corpo, fazendo a união Alto/Baixo,
e, nesse aspecto, os meridianos tanto yang quanto yin da mão são funcionalmente
semelhantes aos seus pares do membro inferior, constituindo verdadeiras unidades,
denominados de Canais de Energia Unitários, formados por um meridiano da mão e
outro do pé que apresentam as mesmas características energéticas. Dessa maneira
forma, os Canais de Energia Principais são constituídos por três meridianos de
característica Yang (formados por três meridianos Yang da mão e e três meridianos
Yang do pé) e três meridianos de característica Yin (formados por três meridanos
Yin do membro superior e por três meridianos Yin do membro inferior (YAMAMURA,
2004).
Segundo Yamamura (2004) os doze canais de energia principais são:

 Canal de Energia Principal do Fei (PULMÃO) (Tai Yin da mão);


13

 Canal de Energia Principaldo Da Chang (INTESTINO GROSSO) (Yang


Ming da Mão);

 Canal de Energia Principal do Wei (ESTÔMAGO) (Yang Ming do Pé);

 Canal de Energia Principal do Pi (BAÇO/PÂNCREAS) (Tai Yin do Pé);

 Canal de Energia Principal do Xin (CORAÇÃO) (Shao Yin da Mão);

 Canal de Energia Principal do Xiao Chang (INTESTINO DELGADO)


(Tai Yang da Mão);

 Canal de Energia Principal do Pangguang (BEXIGA) (Tai Yang do pé);

 Canal de Energia Principal Shen (RINS) (Shao Yin do Pé);

 Canal de Energia Principal do Xin Bao Luo (CIRCULAÇÃO-SEXO) (Jue


Yin da Mão);

 Canal de Energia Principal do Sanjiao (TRIPLO AQUECEDOR) (Shao


Yang da Mão);

 Canal de Energia Principal do Dan (VESÍCULA BILIAR) (Shao yang do


Pé);

 Canal de Energia Principal do Gan (FÍGADO) (Jue Yin da Mão).

2.1.1 Pontos de acupuntura (acupontos)

Os pontos de acupuntura situam-se na superfície da pele, podendo afetar


tanto níveis superficiais de pele e músculos como orgãos internos (ROSS,2003). Os
acupontos possuem propriedades elétricas diferentes das áreas teciduais adjcentes
como a condutância elevada, menor resistência, padrões de campo organizados e
diferenças de potencial elétrico e por esse motivo são denominados de ponto de
baixa resistência elétrica da pele (ONETTA, 2005).
Acredita-se que uma escolha apropriada dos 361 pontos clássicos de
acupuntura localizados nestes meridianos restauram o equilíbrio corporal. Quando
14

as agulhas são bem posicionadas, o paciente deve experimentar uma sensação


conhecida como Teh Chi (em algumas escolas de acupuntura tradicional). O Teh Chi
tem sido definido como uma sensação subjetiva de totalidade, entorpecimento,
formigamento e calor, com alguns locais doloridos e um sentimento de distensão ao
redor do ponto de acupuntura (FURLAN et al., 2005).
Não há um consenso entre os acupunturistas sobre a necessidade de
alcançar o Teh Chi para a acupuntura ser efetiva (FURLAN et al., 2005).
A aplicação de agulhas superficialmente sobre a pele ou mais profundamente
atingindo tecidos musculares, nervosos, ligamentos ou ossos, provoca um tipo de
estimulação sensorial vinda da estimulação seletiva dos acupontos. Nessas
delimitadas regiões da pele há uma grande concentração de fibras nervosas
espinhais, pois está em relação íntima com nervos, vasos sanguíneos, tendões,
periósteo e cápsulas articulares (ZHANG, 1991).
São pontos altamente vascularizados e inervados, resultando numa baixa
resistividade elétrica local (impedância), o que facilita a estimulação de feixes
eletromagnéticos, mecânicos e térmicos (ZHANG, 1991).

2.1.2 Efeitos fisiológicos da acupuntura

Em estudos realizados por Szabo & Bechara (2001) com humanos e ratos
verificou-se que em seus acupontos, podem ser observadas junções entre
mastócitos e fibras nervosas aferentes e eferentes imunorreativas para o
neurotransmissor substância P (SP).Nas junções específicas mastócito-célula
nervosa foram observadas nos acupontos, bem como relatos de degranulação de
mastócitos no acuponto após sua estimulação com agulha. Funcionalmente, os
mastócitos estão intimamente relacionados às reações de hipersensibilidade
imediata, inflamação neurogênica e enfermidades parasitárias. Devido à gama de
estímulos e agentes capazes de ativar o mastócito, tem sido também sugerida sua
participação como adjuvante ou amplificador de respostas inflamatórias agudas não
relacionadas com hipersensibilidade imediata. Sabe-se, por exemplo, que
15

mastócitos produzem interleucina 8 (IL-8), um potente mediador químico para


neutrófilos (SZABÓ; BECHARA, 2001).
O tecido lesado pela Acupuntura, produz as mesmas características de um
processo inflamatório. A inserção de agulha estimula a liberação de peptídeos,
substância P, histamina, bradicininas e enzimas proteolíticas que culminam com o
aumento da irrigação sanguínea local por vasodilatação reativa a estas moléculas
(AKIYAMA,2004).
E, juntamente com o aumento da irrigação sanguínea, há um aumento de
serotonina, prostaglandinas e células de defesa do organismo (AKIYAMA,2004).
Szabó e Bechara (2001) descrevem que os acupontos podem ser divididos
em tipo I ou pontos motores; tipo II, localizados nas linhas medianas posterior e
anterior (ou dorsal e ventral) do organismo e tipo III, que apresentam leitura difusa
com neurômetro. Quanto à sua localização, os acupontos dos membros estão
situados sobre linhas que seguem o trajeto dos principais nervos e vasos
sanguíneos, os do tronco, ao nível da inervação segmentar, local onde nervos vasos
sanguíneos penetram na fáscia muscular e os da cabeça e face, próximos aos
nervos cranianos e cervicais superiores.
Segundo Vale (2006) apud Xavier (2007) a acupuntura modula
neuroquimicamente os impulsos dolorosos na medula espinhal e do encéfalo, e
influencia também na atividade encefálica através da estimulação em pontos
maiores como o E36 que ativa o hipotálamo (responsável pelo aumento dos níveis
de endorfina, controle do comportamento, da temperatura, o impulso para comer e
beber), núcleo accumbens (regulação da emoção, motivação, cognição e da
liberação do neurotransmissor dopamina relacionada à busca do prazer) e
desativam hipocampo (responsável pelo controle de nossas atividades emocionaise
comportamentais, assim como nos impulsos motivacionais), inclusive influenciado no
consumo de analgésicos e anestésicos.
Yamamura e colaboradores (2001) realizaram uma pesquisa cujo seu
propósito era de correlacionar a intensidade do potencial das pontas das agulhas
com as diferentes características das agulhas de acupuntura e determinar a
influência do meio ambiente sobre elas. Com a conclusão do estudo, verificou se
que a inserção de agulhas provoca lesões celulares que liberam substâncias
16

algógenas, aos quais estimulam os quimiorreceptores e, através das fibras C e A-


delta, podem influenciar a atividade do sistema nervoso autônomo e do encéfalo.
Na concepção neurofisiológica de ação da Acupuntura, as agulhas agem,
principalmente sobre as fibras nervosas A-delta e C, desencadeando potencial de
ação na membrana destas fibras cujo estímulo seguem até a medula espinhal, por
onde através de séries de sinapses podem estabelecer arcos reflexos, estimular os
neurônios pré-ganglionares e projetar-se através dos tractos espinorreticular e
espinotalâmico para o encéfalo (YAMAMURA et al., 2001).
Sanchez e colaboradores (2004) apud Xavier (2007) relatam que os pontos
de Acupuntura apresentam funções terapêuticas que vão além das propriedades
atualmente creditadas aos pontos-gatilho miofasciais, sua utilização está indicada
não somente para as dores musculoesqueléticas, mas também para promover a
funcionalização normal do organismo.
A acupuntura induz o organismo a produzir esteróides, que diminuem o
processo inflamatório, estimula a produção de endorfinas, analgésicos naturais do
corpo, melhorando a sensação de bem estar, humor, a qualidade do sono e o
relaxamento global, fornecendo para a diminuição do espasmo muscular e da dor
(LEMOS et al., 2004).

2.2 Coluna vertebral

As 24 vértebras da coluna e seus discos intervertebrais formam a coluna


vertebral. Algumas vezes, as cinco vértebras fundidas que compõem o sacro e as
três a cinco vértebras fundidas que compõem o cóccix são incluídas como parte da
coluna. Portanto, pode-se considerar que a coluna vertebral é constituída de 26
segmentos móveis.Estas vértebras podem ser divididas em cinco regiões: sete
vértebras cervicais, doze torácicas, das quais surgem as costelas; cinco vértebras
lombares; cinco vértebras fundidas que formam o sacro, o qual se articula com
ossos ilíacos da pelve, três a cinco vértebras fundidas que formam o cóccix (KONIN,
2006).
17

É considerada o eixo de suporte e movimentação, funcionando ainda como


uma proteção óssea para a medula espinhal, e a sua sustentação é realizada pelos
elementos anteriores (corpos vertebrais, disco, ligamentos longitudinais anteriores e
posteriores), e os elementos responsáveis pela movimentação que são os
posteriores constituído pelos arcos neurais e articulações (GUIMARÃES;
RODRIGUES, 1998).
Funcionalmente, a coluna vertebral é dividida em pilares anterior e posterior; o
pilar anterior, constituído pelos corpos vertebrais e pelos discos intervertebrais, é a
porção hidráulica, absorvedora de choques e sustentadora de peso, tem função
também de transmitir as forças compressoras e rotacionais, conseguidos pelos
corpos vertebrais que são separados pelos discos intervertebrais . Já os pilares
posteriores, formados de processos e facetas articulares, é o mecanismo de
deslizamento para o movimento. Parte da unidade posterior também é constituída de
dois arcos vertebrais, dois processos transversos e umprocesso espinhoso posterior
central (KISNER; COLBY, 2005; KONIN, 2006).
Os músculos inserem-se nos processos, a partir de onde produzem e
controlam o movimento. O arco vertebral é composto por duas lâminas e pedículos,
fornece uma proteção rígida para as estruturas neurais. Esses curtos processos
ósseos envolvem a medula espinhal, a cauda equina e as raízes nervosas com seus
envoltórios durais (CORRIGAN; MAITLAND, 2000).
Dentre suas diversas funções no complexo do corpo humano, a coluna
vertebral serve como pilar central do tronco, o que envolve a sustentação da cabeça
e dos membros e a fixação para muitos dos músculos que estabilizam ou movem os
membros, permitindo assim a transferência de forças ao longo do corpo e
oferecendo absorção contra os impactos dessas forças. Além disso, forma um estojo
ósseo protetor ao longo do qual passam a medula espinhal e as raízes dos nervos
espinhais. Isto confere ao tecido nervoso certo grau de proteção até o ponto em que
os nervos espinhais saem dos forames intervertebrais tendo ainda a capacidade de
fornecer amplitude de movimento, permitindo a mudança de orientação da cabeça e
do campo visual, assim como o posicionamento das mãos e dos pés no espaço para
a execução de tarefas variadas. A mobilidade da coluna vertebral também contribui
para a locomoção (KONIN, 2006).
18

A função da coluna vertebral normal requer que seus movimentos ocorram


sem qualquer intrusão no canal vertebral ou nas numerosas fibras nervosas que
passam com seu suprimento sangüíneo no forâmen intervertebral. O forame
intervertebral é uma abertura curta e afunilada, através da qual passam os vasos
sanguíneos e linfáticos, o nervo espinhal formado pela união das raízes nervosas
ventral e dorsal e o nervo sinuvertebral que volta ao canal vertebral. O forame é
limitado anteriormente pelo disco e pelo corpo vertebral adjacentes, superior e
inferiormente pelos pedículos e posteriormente pelos processos articulares superior
e inferior, que possuem uma articulação apofisária entre eles (CORRIGAN;
MAITLAND, 2000).
Ainda segundo Corrigan e Maitland (2000), a gama de movimentos ativos da
coluna vertebral é composta por flexão, extensão, inclinação lateral e rotação para
qualquer um dos lados. Esses movimentos fisiológicos são uma somatória dos
movimentos sincronizados que ocorrem em cada articulação intervertebral
isoladamente e principalmente pela sua organização anatômica. Os movimentos são
influenciados também pelos músculos e ligamentos circundantes, pela forma das
curvas da coluna vertebral e pelos movimentos acessórios da articulação
intervertebral.

2.2.1 Disco Intervertebral

Separando os dois corpos vertebrais que estão adjacentes encontra-se o


disco intervertebral, uma estrutura que une uma vértebra à outra e, ao mesmo tempo,
permite que ocorra movimento entre elas. O disco é capaz de suportar forças
compressivas assim como forças de tensão e de curvaturas aplicadas sobre a
coluna. O disco intervertebral suporta e distribui as cargas na coluna vertebral assim
como restringe o excesso de movimento que ocorre nos segmentos vertebrais. Cada
disco é formado por um núcleo pulposo e anéis fibrosos ao seu redor (HAMILL;
KNUTZEN, 1999).
Os discos intervertebrais constituem aproximadamente 20 a 25% do
comprimento total da coluna vertebral. A função do disco é atuar como amortecedor
19

distribuindo e absorvendo cargas aplicadas à coluna, manter as vértebras unidas e


permitir movimento entre os ossos, separar a vértebra como parte de uma unidade
segmentar funcional atuando em concerto com as articulações facetárias, e, ao
separar as vértebras, permitir livre passagem das raízes nervosas para fora da
medula espinhal através dos forames intervertebrais. Com a idade a porcentagem
do comprimento espinhal atribuível aos discos diminui como resultado da
degeneração discal e perda da ação hidrófila no disco (MAGEE, 2002).

2.2.2 Núcleo pulposo

O núcleo pulposo, que faz parte da porção central do disco, é uma substância
gelatinosa que deriva embriologicamente da corda dorsal do embrião, composta de
88% de água, portanto muito hidrófila, e quimicamente formada por uma substância
fundamental a base de mucopolissacarídeos. Do ponto de vista histológico, o núcleo
contém fibras colágenas, células conjuntivas e rara saglomerações de células
cartilaginosas. Não se encontram nem vasos nem nervos no interior do núcleo
(NEGRELLI, 2001).
É bem desenvolvido tanto na coluna cervical quanto na coluna lombar,
representa uma massa gelatinosa que normalmente está contida na camada mais
interna do anel fibroso, mas cujas fibras frouxamente alinhadas se misturam a
ela .Está localizado no centro do disco, exceto na coluna lombar onde se situa mais
perto da borda posterior do que a borda anterior do anel. Os proteoglicanes
agregados, normalmente em alta concentração no núcleo saudável, têm uma grande
afinidade com a água. A biomecânica resultante do fluido do núcleo confinado tem
como função distribuir homogeneamente a pressão por meio do disco e de um corpo
vertebral para o seguinte em condições de carga. Devido à afinidade descrita, o
núcleo se embebe de água quando a pressão é reduzida no disco e ela é
comprimida para fora sob cargas compressivas. Essa dinâmica dos fluidos
proporciona transporte para os nutrientes e ajuda a manter o tecido no disco
saudável (KISNER; COLBY, 2005).
20

No decorrer do tempo, o núcleo pulposo torna-se cada vez mais semelhante


ao anel fibroso. A capacidade de retenção de água do disco diminui com a idade e
começam a ocorrer alterações degenerativas após a segunda década de vida.
Inicialmente, o disco contém aproximadamente 85% a 90% de água, mas, com a
idade, a quantidade diminui para 65% (MAGEE,2005).
As placas terminais cartilaginosas cobrem o núcleo pulposo superior e
inferiormente e ficam entre o núcleo e os corpos vertebrais. Cada uma é circulada
pelo anel apofisário do corpo vertebral respectivo. As fibras colágenas do anel
fibroso interno inserem-se na placa terminal e angulam-se centralmente,
encapsulando assim o núcleo pulposo. A nutrição difunde-se da medula óssea dos
corpos vertebrais para o disco através das placas terminais.
As regiões da coluna vertebral que frequentemente comprometem mais as
estruturas do disco intervertebral citadas acima são a região cervical e a região
lombossacra respectivamente (KISNER; COLBY, 2005).

2.3 Hée
érnia de Disco Intervertebral

O disco intervertebral (DIV) é uma estrutura que serve como amortecedor na


coluna vertebral, está localizado entre as vértebras, é formado pelo núcleo pulposo,
anel fibroso e pela cartilagem onde o disco se insere chamada de platô vertebral.
Movimentos do tronco acabam por gerar forças no disco intervertebral, o movimento
que mais gera danos ao DIV é o movimento de rotação axial, principalmente quando
este estiver associado à força de compressão. A hérnia de disco se dá através da
ruptura do anel fibroso, quando não há danos ao ligamento longitudinal posterior,
temos então, o prolapso discal, quando ocorre à ruptura do ligamento e o núcleo
pulposo migrar para dentro do canal vertebral, temos a hérnia extrusa, quando um
fragmento migra dentro do canal, para cima, para baixo ou para dentro do forâmen
a hérnia é denominada hérnia sequestrada (HENNEMANN; SCHUMACHER, 1994).
A sintomatologia clínica da hérnia de disco pode ser, dor e disfunção da raiz
nervosa afetada, tendo como característica a dor irradiada no trajeto do nervo,
21

disfunção nervosa, alterações motoras, sensitivas e de reflexo, de acordo com a raiz


acometida (GRAVA et al., 2008).
Kapandji, (2000) aponta que, uma vez removidas ou reduzidas, as cargas
compressivas que agem sobre o DIV, a reabsorção de fluído ocorre de maneira
gradual e consequentemente, o DIV retorna a sua altura normal. Alterações na
biomecânica e dinâmica fisiológica, podem ser responsáveis por gerar força
excessiva ao DIV, o Complexo de Subluxação Vertebral, que pode ser definido com
uma alteração da biomecânica e dinâmica fisiológica das estruturas articulares, que
geram mudanças patofisiológicas no sistema nervoso, acabam por gerar síndromes
de dor e disfunções orgânicas, pode ser influente no processo de alteração do DIV.
Na coluna lombar, as porções laterais e anteriores do anel são
aproximadamente duas vezes mais espessas do que a porção posterior, sendo
estes fatores combinados para fazer do anel posterior uma área fraca, tendo
predisposição a traumatismos e alterações degenerativas. É assegurada maior
proteção aos discos na coluna lombar superior do que na inferior, porque, àquele
nível, o anel tende a ser mais espesso e mais resistente (CORRIGAN; MAITLAND,
2000).
O anel é firmemente preso às vértebras adjacentes e as camadas são
firmemente aderidas entre si. As fibras das camadas mais internas misturam-se à
matriz do núcleo pulposo (KISNER; COLBY, 2005).
Segundo Maggie (2005), quatro problemas podem resultar numa lesão no
disco intervertebral: (1) podemos ter uma protusão discal, na qual ele salienta-se
posteriormente sem ruptura do anel fibroso; (2) caso de um prolapso do disco,
somente as fibras mais externas do anel fibroso retêm o núcleo; (3) uma extrusão do
disco, o anel fibroso é perfurado, e material discal (parte do núcleo pulposo) move-
se para dentro do espaço epidural e (4) ocorrer um disco sequestrado,isto é,uma
formação de fragmentos discais do anel fibroso e do núcleo pulposo fora do disco
propriamente dito.
A face posterior do anel fibroso está sujeita à forças de compressão, torção,
inclinação e cisalhamento e é vulnerável a lesões. Este dano ao anel dá início à
discopatia, onde o anel perde sua efetividade em limitar o movimento vertebral e
conter o núcleo (KONIN, 2006).
22

Kisner e Colby (2005) descrevem que as afecções do disco intervertebral


seguem por lesão, degeneração do disco e condições relacionadas, ocasionadas
por: fadiga por carga e ruptura traumática, sobrecarga axial, idade, alterações
degenerativas, fatores biomecânicos, fratura por compressão, protrusões de disco
(desarranjos) e estase de fluidos nos tecidos.
Vários fatores ambientais podem desencadear essa afecção tais como
hábitos de carregar peso, dirigir e fumar, além do processo natural de
envelhecimento (URBAN; ROBERTS 1995).
Há outros indícios que apontam para a confirmação da herança genética
como componente importante na hérnia discal, vários esforços têm sido
empreendidos na tentativa de identificar genes que desempenham papel relevante
no desenvolvimento e evolução dessa afecção (BATTIE et.al.,1995).
O gene receptor da vitamina D VDR, parece estar envolvido no processo de
desenvolvimento de hérnia discal (JONES et. al., 1998).
Também o gene que codifica para uma das cadeias polipeptídicas do
colágeno IX, ou seja o gene COL9A2 (ANNUNEN et. al., 1999) e o gene “aggrecan”
humano (AGC) responsável pela codificação do proteoglicano, maior componente
proteico da cartilagem estrutural, que suporta a função biomecânica neste tecido
(DOEGE et. al., 1997)
As regiões mais frequentemente acometidas são as regiões lombossacra e
região cervical, sendo a coluna lombar a de maior incidência, por possuir maior grau
de liberdade (SILVA, 2002).
Na região cervical, problemas degenerativos geralmente ocorrem na metade
da vida, ou ainda mais tardiamente. A degeneração de disco intervertebral cervical
pode levar à radiculopatia ou mielopatia. Embora uma hérnia aguda de disco cause
sintomas que se parece com os da hérnia de disco lombar, o quadro clínico de uma
degeneração crônica pode causar grandes controvérsias (WEINSTEIN;
BUCKWALTER, 2000).
Inicialmente o paciente pode apresentar-se com uma postura anteriorizada da
cabeça e manter a cabeça em uma posição protegida, inclinada para o lado ou
rodada para o lado oposto ao lado sintomático. A flexão cervical faz com que os
sintomas se tornem periféricos; a retração do pescoço pode centralizar os sintomas
e pode haver comprometimentos da mobilidade nervosa (KISNER; COLBY, 2005).
23

A causa mais comum de radiculopatia lombar em pacientes com menos de 40


anos de idade é um núcleo pulposo herniado.O núcleo pulposo pode salientar se
para o interior do canal. Lacerações da fibra do anel fibroso podem permitir que o
disco sofra extrusão através do anel, e fique livre no canal espinal ou nos forames
nervosos. A compressão de uma raiz nervosa pode causar inflamação secundária
da raiz nervosa, fazendo com que o paciente tenha sintomas subjetivos de dor,
dormência, ou formigamento ao longo da distribuição da raiz nervosa acometida. As
raízes nervosas mais comumente afetadas são a quinta vértebra lombar( L5) e a
primeira vértebra sacral(S1). A dor associada a um núcleo pulposo herniado varia
desde uma dor leve ao longo da distribuição do nervo, até uma dor intensa e
incapacitante (WEINSTEIN; BUCKWALTER, 2000).
Em geral, o segmento L5-S1 é o local mais comum de problemas na coluna
vertebral, porque este nível é o responsável por sustentar mais peso que qualquer
outro nível vertebral. O centro de gravidade passa diretamente através desta
vértebra, o que acaba sendo benéfico, pois diminui os estresses de cisalhamento
neste segmento. Há uma transição do segmento móvel L5 para o fixo do sacro, o
que pode aumentar o estresse nesta área. Como o ângulo entre as vértebras L5 e
S1 é maior que aqueles entre outras vértebras ,esta articulação tem maior
propensão de ter estresse aplicado sobre si (MAGEE, 2005).
Os comprometimentos comuns relacionados com protusões de disco na
coluna lombar são observados por: dor; defesa muscular; postura flexionada e
desvio para o lado oposto ao lado sintomático; sintomas neurológicos no dermátomo
e possivelmente no miótomo das raízes nervosas afetadas; aumento dos sintomas
ao sentar, ficar em posturas flexionadas prolongadas, na transição de sentado para
em pé, ao tossir, ao fazer um esforço isométrico intenso; mobilidade limitada do
nervo, como no levantamento da perna estendida; os sintomas tornam-se periféricos
com testes repetidos de inclinação para frente -flexão da coluna- (KISNER; COLBY,
2005).
O núcleo pulposo não tem nervos, sendo desta forma insensível a qualquer
estímulo. Porém, quando começa a se herniar pela parte posterior, ele estira as
fibras do anel fibroso e causa dor. Geralmente é relatado que poucos dias após
excessiva atividade ou trauma moderado, surge subitamente uma acentuada dor
24

lombar durante simples atos como: espirrar, tossir, girar sobre si, esforçar-se para
alcançar algo, ou mesmo agachar-se (SALTER, 2001).
As estruturas sensíveis à dor em torno do disco intervertebral são o ligamento
longitudinal posterior, ligamento anterior, corpo vertebral, raiz nervosa e cartilagem
da articulação facetária (MAGEE, 2005).

2.3.1 Dor e heérnia de disco intervertebral

A sensação dolorosa tem papel fisiológico e funciona como um sinal de alerta


para percepção de algo que está ameaçando a intergridade física do organismo
(CHAPMAN et. al., 1999).
A dor é transmitida a partir de nociceptores localizados na pele e vísceras que
podem ser ativados por estímulos mecânicos, térmicos e químicos, cuja
responsividade pode ser modulada por meio da ação de prostaglandinas, cininas,
catecolaminas, íons H+, K+ e substância P (um neurotransmissor específico das
fibras condutoras do estímulo doloroso). Tais estímulos são conduzidos através de
dois tipos de fibras nervosas (fibras A-& e C) até o corno dorsal da coluna espinal,
onde realizam sinapses com interneurônios medulares, podendo ser modulados por
peptídeos opióides. Da medula espinal, os estímulos dolorosos percorrem os tratos
espinotalâmicos e espinorreticulares, alcançando estruturas nervosas centrais
(formação reticular, tálamo, sistema límbico, córtex cerebral), onde são modulados
novamente via receptores opióides. A interpretação do estímulo doloroso é individual
e sofre influência dos padrões culturais, do grau de medo e ansiedade e das
experiências dolorosas prévias. A partir dessa percepção da dor pelo SNC, são
obtidas as respostas motoras, autonômicas e comportamentais diante do estímulo
doloroso (MIYAKE et al., 1998).
A dor aguda representa uma experiência sensitiva de avaliação subjetiva e
intransferível na defesa da integridade do organismo, temporalmente associada a
um risco potencial de lesão tecidual. Dor aguda é consequente da lesão corporal,
sendo bem localizada e desaparece na cura ou na remoção do estímulo causal
(ONETTA, 2005).
25

Segundo Onetta (2005) a dor crônica pode ter início como uma dor aguda
mal tratada, continuar além do tempo normal esperadopara resolução do problema
de base, e raramente é acompanhada de sinais de atividade do sistema nervoso
autônomo (SNA). A experiência dolorosa prolongada não é puramente física, pois se
acompanha de uma relevante carga de ansiedade e de sintomas de depressão em
função da plasticidade do sistema nervoso central que podem levar desesperança e
descrença ao paciente quanto à melhora clínicocirúrgica.
Quando os processos álgico e inflamatório se prolongam por mais de oito
semanas eles passam a ser um desafio à equipe multidisciplinar responsável pelo
seu controle, pois a dor crônica desenvolve mecanismos psiconeuroendócrinos
adaptativos bastante complexos e de difícil resolução clínica. A dor crônica está
relacionada com uma doença crônica ou com um processo degenerativo em
evolução, além do tempo necessário para a recuperação da lesão original ou de
outros processos degenerativos: neoplasias, doenças crônicas ou sem causa
identificada. Fatores psicoeconômico-sociais, culturais e ambientais têm importante
papel na experiência e na expressão de dor crônica com duração superior a três
meses, sendo excluídas outras causas, como a continuação da malignidade ou de
infecção cronificada. A região lombar da coluna vertebral é a mais lesada
principalmente por causa das magnitudes das cargas a ela imposta. A fonte de dor
na região lombar pode estar localizada em vários locais diferentes na área lombar
(YAMAMURA, 2004).
Acredita-se que nas dores que aparecem de maneira súbita, os músculos
sejam a principal causa, irritados por algum movimento rápido de torção ou
levantamento. Em casos de dor do tipo crônica e de baixa intensidade, a possível
causa pode ser o uso excessivo (HAMILL; KNUTZEN, 1999).
A dor pode ser de qualquer parte do corpo e de qualquer tipo e causa, porém
necessita de uma estrutura do sistema nervoso para que possa se manifestar. Toda
sensação dolorosa aguda geralmente é produzida por um agente externo, ou por um
distúrbio orgânico interno. Por resultado deste estímulo nocivo, nociceptivo, as
terminações nervosas enviam estímulos dolorosos ao sistema nervoso central, o
qual determina diversas reações, emoções, ou mesmo respostas que contribuem
para uma a daptação ou restabelecimento do equilíbrio orgânico alterado
momentaneamente (KNOPLICH, 2003).
26

A dor que acompanha e caracteriza a hérnia de disco é geralmente causada


por herniação, degeneração do disco e por estenose do canal espinal.
Contudo, esses processos, por si só, não são responsáveis pela dor e,
portanto, devem ser também contabilizadas a compressão mecânica e as mudanças
inflamatórias ao redor do disco e da raiz do nervo (NEGRELLI, 2001).
Um disco com protusão central provoca dor nas costas, com a possibilidade
de sintomas do intestino e da bexiga; uma protusão na área intermediária causa dor
na face posterior do membro inferior e na região lombar; e uma protusão lateral
causaria dor principalmente na parte posterior da perna (MAGEE, 2005).
Salter (2001), afirma que a porção herniada do núcleo pulposo se torna dura e
desidratada. Previamente avascular o núcleo pode se tornar vascularizado. Neste
caso, a reação ao núcleo pulposo pode ser de resposta auto-imune.
Eventualmente, muitas semanas após a herniação, a porção herniada do
núcleo sofre fibrose, encolhe-se e deste modo alivia a pressão sobre a raiz
nervosa.Ocasionalmente, entretanto, a porção herniada pode ficar separada
ousequestrada, podendo migrar tanto proximal quanto distal no canal vertebral
(NEGRELLI, 2001).
Para Knoplich (2003), o núcleo pulposo pode agir como um antígeno, quando
sai do interior do disco e entra em contato com o sangue, produzindo uma reação
imunológica, que poderia explicar a recorrência periódica. No curso clínico existem
períodos que provocam remissões totais inexplicáveis e exacerbações, sem causa
desencadeante aparente, como ocorrem em diversas reações imunológicas e
reumáticas. Um mecanismo auto-imune ainda não desvendado talvez permitisse
compreender o sucesso dos medicamentos antiinflamatórios não hormonais e o
resultado, às vezes dramático, que acaba se obtendo com os corticóides no alívio da
dor, com suas aplicações locais.
27

2.3.2 Incideência

Estima-se que 2-3 % da população sejam acometidos desse processo, tanto


homens como mulheres acima de 35 anos. Essa disfunção ocorre mais
frequentemente em pacientes entre 30 e 50 anos, embora possa também ser
encontrado em adolescentes e pessoas idosas e mais raramente em crianças. A
idade média para o aparecimento do primeiro episódio de dor é aproximadamente
37 anos, sendo que em 76% dos casos há antecedente de uma crise lombar, uma
década antes (DELLA-GIUSTINA,1999).
Negrelli (2001) cita que a dor crônica tem incidência variável, atingindo de 5%
a 35% da população, e que a dor nas costas é a segunda causa da procura médica
(80% das consultas), o que constitui um grave problema de saúde pública.
As lesões caracterizadas por dor na coluna lombar tem adquirido relevante
importância nas últimas décadas por afetar em média 2-3% da população
economicamente ativa. Essa afecção, pelas disfunções, invalidez e aspectos
socioeconômicos que a acompanham e observa-se que 30 a 40 % da população
assintomática adulta apresentam hérnia de disco lombar (ORTIZ; ABREU, 2000;
GARCIA, 1996).
Estima-se que 70 a 80% da população apresentará algum episódio de dor nas
costas no decorrer da vida (GUSTAVO et. al.,2011).
Em decorrência de todas as alterações ocorridas é que o indivíduo com
hérnia de disco fica exposto a uma má qualidade de vida, por interferência na
realização de suas atividades de vida diária (AVD’s) e também em seu trabalho
(COX, 2002).
As hérnias de disco corresponderam a 17% das intervenções cirúrgicas no
Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Belo Horizonte, em 1997, quando foram
realizadas 615 cirurgias no total. As hérnias de localização cervical corresponderam
a 7% das herniações discais (NEGRELLI, 2001).
28

2.4 Tratamento da heérnia


discodeintervertebral com acupuntura

De acordo com Ross (2003) as principais síndromes de dor nas costas são:

 Agudas

 Traumatismo com protusão importante do disco

 Traumatismo sem protusão importante do disco

 Invasão de vento, frio e umidade

 Crônicas

 Doenças crônicas

 Deficiência do Yang dos Rins

 Deficiência do Yin dos Rins

 Deficiência dos Rins e do Baço

 Estagnação do Qi do Fígado

A MTC considera a região lombar, assim como toda a coluna vertebral


dependente do Shen Qi, cuja tradução é energia dos rins e quando existe uma
deficiência de Qi do rins surge uma condição básica para que haja alterações
energéticas funcionais e orgânicas na região (INADA 2006).
Maciocia (2009) relata que do ponto de vista da MTC as condições
patológicas são: a retenção do frio e umidade, a estagnação do Qi e do sangue
devido ao esforço excessivo e a deficiência do rim como sendo as três condições
patológicas mais comuns. A retenção do frio pode ocasionar rigidez e contração dos
músculos da coluna vertebral, que agrava com o repouso e melhora com o
movimento. Contudo, se houver retenção de umidade, pode ocorrer inchaço,
formigamento e sensação de peso. Quando houver esses dois fatores, a dor na
29

região lombar se constitui em forma de síndrome da obstrução dolorosa. No caso


em que a afecção seja por conta da estagnação de Qi e sangue, a dor é mais severa
e tem uma característica do tipo em facada, que piora com o repouso e melhora com
o exercício moderado. Também podemos observar uma tensão muscular e uma
rigidez acentuada além de uma inabilidade em flexionar, estender ou girar a cintura.
Quanto à deficiência do rim o individuo apresenta uma dor crônica, do tipo surda e
surge em crises, que melhora com o repouso e piora com o esforço, diferentemente
das outras duas condições, porém há uma interação entre as três condições
patológicas, sendo que uma influencia a outra.
No caso em que ocorram invasões repetidas de frio-umidade no organismo
humano, isto faz com que haja retenção dessa interação nos músculos,
consequentemente enfraquece os rins, já que a umidade-frio interfere na
transformação da água do rim, gerando deficiência do órgão. Por outro lado, pode
também obstruir a circulação de Qi e sangue na região, causando estagnação de Qi
e sangue. O acometimento por energias perversas, geralmente frio, umidade e vento,
é o início do processo de adoecimento da região cervical, iniciando-se por
desequilíbrio muscular paravertebral dessa região, originando-se algias que em
geral se manifestam por contraturas musculares, piorando o quadro álgico
(MACIOCIA, 2009).
A lombalgia na ciência oriental é atribuída ao clima frio e úmido. Os sintomas
também podem ser insidiosos indicando que o frio é interio. As dores na região
cervical são frequentes, podendo ser com ou sem irradiação para diversas regiões,
como nuca, occipital, vértex, região dorsal, ao longo da coluna vertebral ou mesmo
para o ombro ou membro superior. Alterações orgânicas, como artrites
interfacetárias, artroses, degeneração discal, são secundárias a distúrbios
energéticos que ocorram na região. As cervicalgias e cervicobraquialgias podem ter
origem no acometimento dos canais de energia tendinomusculares, luo longitudinais,
principais, curiosos e/ou distintos(SILVA et. al., 2005).
Geralmente as cervicalgias e as cervicobraquialgias estão associadas a
outros sintomas álgicos ou a doenças orgânicas (MACIOCIA, 2009).
Yamamura (2004) explana pontos específicos para o tratamento através da
acupuntura para diversos distúrbios energéticos relacionadas à algias periféricas do
pescoço, pois o autor relata que é de extrema importância fazer o diagnóstico
30

diferencial com patologia dos canais de energia curiosos, sabendo o quadro


energético que cada distúrbio se enquadre e assim aplicando seu tratamento
isoladamente. A região lombar é energizada pelo Shen (rins), pelo canal de energia
principal do pangguang (bexiga), pelo canal de energia curioso dum ai (vaso
governador) e pelos pontos shu do dorso dos órgãos e vísceras, enquanto nervos,
ligamentos e cápsulas articulares são energizados pelo Gan (fígado).
Ainda segundo mesmo autor, Yamamura (2004), o Shen (rins) é o órgão mais
solicitado e importante do nosso organismo, pois é o órgão-fonte, gerador do yang e
do yin do corpo. Desse modo, fatores inatos, emoções, fadiga, exposição ao frio e a
umidade ou alimentação desregrada podem levar à deficiência energética do Shen
(rins) e de seu canal de energia principal e refletindo-se por fraqueza energética da
região lombar com dores lombares. A deficiência de Qi do canal de energia principal
do Pangguang (Bexiga) pode provocar estagnação de Qi e de Xue (sangue) no nível
da região lombar, e manifestar-se por enfraquecimento dos músculos paravertebrais,
com consequente desequilíbrio muscular, que correspondem a fatores biomecânicos
indutores de algias lombares.
Porém, o que determina lesões degenerativas mais intensas e localizadas da
região lombar é o acometimento dos pontos Shu do dorso da região. Esses pontos
estão relacionados à fração yang dos órgãos e vísceras conectados com a região
lombar. De modo que as afecções energéticas, principalmente funcionais e
orgânicas, podem, acometer a área onde se situa o ponto Shu do dorso, ocorrendo,
em geral, estagnação de Yang Qi nesses pontos, promovendo contratura dos
músculos paravertebrais, processos inflamatórios com aparecimento de substâncias
algogênicas, isquemia tissular e, sobretudo, alterando o equilíbrio sol-gel do disco
intervertebral, com isso é alterado a pressão hidrostática do disco intervertebral,
induzindo a processo degenerativo do ligamento longitudinal posterior, microrroturas
e microextravasamento do conteúdo discal, originando-se daí radiculite química que
se traduz por lombociatalgia (SILVA et. al., 2005).
Antes do tratamento pela acupuntura/moxabustão, é importante executar as
manobras de testes de elevação da perna retificada ou de lasègue e compressão da
jugular, a fim de pesquisar o grau de compressão da raiz nervosa, afastando a
necessidade de eventual tratamento cirúrgico (YAMAMURA et. al., 2001).
31

Pérez e Rondon (1999) realizaram um estudo descritivo prospectivo com 60


pacientes que apresentavam síndrome dolorosa cervical crônica, onde essa amostra
foi dividida em dois grupos, uma realizou fisioterapia convencional e outro grupo foi
utilizado a eletroacupuntura, foram realizadas 12 sessões de tratamento, 3 vezes por
semana. Os pontos utilizados no tratamento foram: VG-10, VG-11, VB-20. No ponto
de inserção foi conectado o estimulador TORMETER CEN= 600 G.S, durante 20 min,
foi selecionado a forma de estimulação mista, no qual foi combinado frequências
baixas e altas com proporção de 1:10, com uma duração para cada frequência de 2
segundos, em uma forma de pulso retangular. Foi observado neste estudo que todos
os pacientes tratados com eletroacupuntura tiveram seu quadro álgico minimizado
na quarta semana de tratamento e na quinta a sexta semana de tratamento seu
quadro álgico se manifestou ausente.
Em um estudo realizado por Tellez e Chang (2004) apud Lemos e
colaboradores (2004), foram avaliados 40 pacientes com sacrolombalgia aguda,
apresentando dor, foi realizado o tratamento com sessões de 20 minutos diários,de
5 a 10 dias, onde fora utilizados os seguintes pontos: B-40, B-23, B-25, VG-4,VB-34,
com métodos de estimulação empregados para tonificação e dispersão,com
estímulos mediantes a rotação. O presente estudo constatou que 80% dos pacientes
com sacrolombalgia aguda obtiveram alívio da dor na décima sessão de tratamento.
Yamamura e colaboradores (1995) realizaram um estudo com 24 pacientes
apresentando quadro clínico de lombalgia, com dor irradiada para os membros
inferiores, compatíveis com o diagnóstico de síndrome facetária isolada ou
associada com protusão do disco intervertebral lombar. Foram apreciados nesses
pacientes os resultados de 30 aplicações de acupuntura. Foram avaliadas a
intensidade da dor, a capacitação física (andar, correr, subir/ descer escadas) e as
atividades cotidianas (tempo que podiam permanecer sentados, deitados ou em pé).
O efeito da acupuntura foi avaliado a cada três aplicações, num total de dez
avaliações, as agulhas permaneciam inseridas nos pontos selecionados por 30
minutos e durante este intervalo foram feitas manipulações intermitentes das
mesmas. Ao final do estudo houve alívio da dor e melhora da capacidade física.
Em uma segunda pesquisa, Yamamura e colaboradores (1996), estudou 41
pacientes com quadro clínico de lombalgia com dor irradiada para os membros
inferiores.
32

Estes pacientes foram divididos em dois grupos, um com quadro clínico e


tomográfico compatíveis com o diagnóstico isolado de hérnia de disco intervertebral
lombar e o segundo grupo composto por pacientes que apresentavam quadro clínico
e tomográfico compatíveis com o diagnóstico de hérnia de disco intervertebral
lombar associada com osteoartrose da coluna lombar. Os resultados do tratamento
foram baseados nos seguintes parâmetros: intensidade da dor; dificuldade ao andar,
de correr; teste de Naffziger e manobra de vasalva; e de parâmetros objetivos como:
teste de elevação da perna retificada. Foram realizadas 30 aplicações de acupuntura
com 30 minutos de duração cada sessão, e foi evidenciada uma melhora dos
parâmetros avaliados. O parâmetro mais refratário ao tratamento foi a dificuldade de
correr. Os resultados não diferiram significativamente em relação ao tamanho da
hérnia de disco intervertebral lombar (YAMAMURA, et. al, 1996).
Após este estudo apresentar resultados significativos na conclusão do
trabalho, Yamamura com outros colaboradores realizaram uma nova pesquisa, dos
41 pacientes tratados anteriormente, 22 destes foram seguidos, dando continuidade
ao seguinte estudo. Com tratamento médio de 3- 9 meses e média de 24,8
aplicações de acupuntura. Foi realizado o controle tomográfico em média 3,2 meses
após remissão do quadro clínico da hérnia de disco para observar a evolução do
tratamento. Dos 22 pacientes da amostra, 10 apresentavam hérnia discal isolada e
12 associados à osteoartrose da coluna vertebral da região lombar. O método de
aplicação e tempo de tratamento foram similares ao do estudo anterior (YAMAMURA,
et. al, 1996).
Foi evidenciado por meio do teste de MacNemar, na análise das mudanças
entre as situações pré-tratamento e pós-tratamento que houve uma diferença
relevante, ocorrendo uma redução significante em 100 por cento dos casos, em
relação ao tamanho da hérnia de disco intervertebral lombar.
Em outro artigo Yamamura e colaboradores (2001), analisaram 82 pacientes
com lombalgia com irradiação para os membros inferiores, dos quais 21,9% eram
portadores de hérnia discal intervertebral lombar isolada; 28,0%, de hérnia discal
associada a osteoartrose da coluna lombar; 29,3% de síndrome facetária; 11,0%, de
espondilólise e espondilolistese, e 9,8%, de lombalgia com irradiação para os
membros inferiores pós- laminectomia lombar. Todos com o método de aplicação e
tempo de tratamento similares aos estudos anteriores, isto e, o efeito da acupuntura
33

foi avaliado a cada três aplicações, num total de dez avaliações, as agulhas
permaneciam inseridas nos pontos selecionados por 30 minutos e durante este
intervalo foram feitas manipulações intermitentes das mesmas. Foram avaliados os
seguintes parâmetros: Intensidade de dor relatada; capacitação física ( andar, correr,
subir e descer escadas); atividades cotidianas (tempo que podia permanecer
sentado, deitado ou em pé); o aparecimento ou agravamento da dor com a manobra
de valsalva e parâmetros objetivos como teste de elevação da perna retificada;
movimento de flexão (Shober); de inclinação lateral (Moll) e de extensão da região
lombar.
A análise estatística nao paramétrica dos resultados obtidos no tratamento de
parâmetros subjetivos (intensidade da dor relatada; dificuldade relatada de andar, de
correr, de subir e descer escadas, de permanecer sentado, em pé ou deitado;
manobra de Valsalva, como também dos parâmetros objetivos (postura antálgica,
marcha claudicante, testes de elevação da perna retificada, de Schober, de Moll, de
extensão da região lombar) evidenciou uma melhora significante em todos os
parâmetros estudados.Os parâmetros mais refratários ao tratamento foram a
limitação da inclinação lateral da região lombar e dificuldade relatada de correr.
Nos quatro estudos analisados, os mesmos critérios e pontos de tratamento
foram selecionados, que são os seguintes: M-BW-35 (Jiaji) dois pontos acima e
abaixo do nível da lesão das raízes nervosas, VG-2 (Yaoshu), VG-4 (MingMen), VB-
30 (Huantiao), B-54 (Weizhong), B-60 (Kunlun), R-2 (Rangu), R-3 (Taixi), ID-3
(Houxi) e M-HN-3 (Yintang).
Para o tratamento específico do canal de energia afetado, foram adicionados
os seguintes pontos de acupuntura: para o canal de energia da vesícula biliar: TA-2
(Yemen), TA-3 (Zhongzhu), VB-41 (Linqi), VB-43 (Xiaxi); Para o canal de energia do
estômago: IG-2 (Erjian), IG-3 (Sanjian), E-43 (Xiangu), E-44(Neiting); para o canal de
energia da bexiga: ID-2 (Qiangu), ID-3 (Houxi), B-65 (Shugu), B-66 (Tonggu).
Nestes quatro estudos levantados, foram observados resultados semelhantes,
com melhora significante em todos os parâmetros analisados, tantos os subjetivos
como os objetivos, com alguma diferença entre parâmetros mais refratários.
Segundo Yamamura e colaboradores (2001) a acupuntura, tem melhor efeito
nas doenças com menores lesões orgânicas do que naquelas em que há maior
comprometimento das estrtuturas anatômicas.
34

A acupuntura tem apresentado bons resultados, uma vez que seu efeito
parece estar relacionado à liberação de vários neurotransmissores que, por sua vez
inibem ou excitam as sinapses proporcionando significante melhora dos sintomas
apresentados em curto espaço de tempo (BULLOCK et. al., 1999).
Em vista dos resultados promissores que têm sido obtidos com o uso da
acupuntura no alívio da dor, há a sugestão de se explorar mais seu uso (LONG
WORTH; MC CARTHY, 1997).
Além dessas, muitas outras propostas alternativas de tratamento têm surgido,
no entanto mais estudos devem ser realizados e publicados para que se tenham
então propostas de terapias conhecidas, seguras e devidamente comprovadas
(NEGRELLI, 2001).
35

DISCUSSÃO

Análises qualitativas e quantitativas que utilizam métodos de avaliação


cientificamente aceitos são de suma importância para averiguar evidência científica
ao método.
Foi possível observar que há várias abordagens para as mesmas afecções,
sejam elas posturais, cirúrgicas, acupuntura ou ainda uma integração das técnicas.
Negrelli (2001) cita que a dor crônica tem incidência variável, atingindo de 5 a
35% da população, sendo a dor nas costas a segunda causa da procura médica
(80% das consultas), constituindo grave problema de saúde pública.
Para Maciocia (2009), numa visão oriental, o acometimento por energias
perversas, geralmente frio, umidade e vento é o início do processo de adoecimento
da região cervical, e as alterações orgânicas como artrites interfacetárias, artroses,
degeneração discal são secundárias a distúrbios energéticos que ocorram na região.
A região lombar é energizada pelo Shen (rins), sendo este o orgão mais
solicitado e importante do nosso organismo, pois é o orgão fonte, gerador do yang e
do yin do corpo. Fatores inatos, emoções, fadiga, exposição ao frio e umidade, ou
alimentação desregrada podem levar a deficiência energética do Shen e de seu
canal de energia principal gerando fraqueza energética da região lombar, gerando
dores nesta região (YAMAMURA, 2004).
Em um estudo descritivo prospectivo Perez e Rondon (1999) trataram
pacientes que apresentavam Síndrome Dolorosa Cervical Crônica, com
eletroacupuntura e observou-se que todos os pacientes tiveram o quadro álgico
minimizado durante o tratamento e no final o mesmo foi ausente.
Yamamura realizou 4 estudos, com diferentes colaboradores, utilizando
acupuntura em pacientes com hérnia de disco intervertebral lombar, e verificou que
houve melhora em todos parâmetros analisados, tanto subjetivos como objetivos,
com alguma diferença entre parâmetros mais refratários.
36

Os tratamentos atuais visam integrar diferentes visões e abordagens de forma


que possam completar-se no objetivo comum de restabelecer o equiíbrio entre
mente, energia e estrutura física.
37

CONCLUSÃO

Com base nas referências pesquisadas, concluiu-se que a acupuntura tem


demonstrado eficácia no tratamento da dor, melhora da funcionalidade e da
qualidade de vida em pacientes com hérnia de disco intervertebral.
O conhecimento das vias neuroanatômicas envolvidas no mecanismo de ação
da acupuntura torna fácil o entendimento de como esta forma de tratamento atua
em nosso corpo, determinando seu efeito sobre a fisiopatologia das afecções da
coluna vertebral e, por outro lado constituindo via que permite o efeito terapêutico
global que é produzido por ela.
Apesar das dificuldades de um trabalho com poucos estudos publicados
verificou-se os efeitos positivos da acupuntura na hérnia de disco intervertebral.
São necessárias mais pesquisas sobre o tema, tornando assim, o presente
estudo importante para estimular pesquisas na área de acupuntura, já que essa
técnica vem sendo cada vez mais utilizada para o tratamento dos distúrbios da
coluna vertebral.
38

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