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Em defesa de Miragaia e da sua gente

A extinta Freguesia de Miragaia tem um longo historial de luta pelos direitos da sua população.

Recordamos que a Freguesia, em particular a sua zona mais ribeirinha, apresentava à altura do 25
de Abril uma situação de habitações degradadas e falta de apoios sociais, e os seus habitantes
sobreviviam amontoados em casas sem condições e dependendo de ocupações muitas vezes
precárias, apoiando-se mutuamente nas muitas colectividades então existentes e nos serviços da
Paróquia.

A revolução de Abril trouxe melhorias, mas continuou a ser necessário lutar por elas. Recorda-se
que só graças à solidariedade internacional e à exigência de apoios do Estado foi possível começar
a dotar a Freguesia de alguns equipamentos sociais para além de fontanários e tanques de lavar
roupa.

Foi o caso do Infantário gerido pela Junta de Freguesia, sempre continuamente sob ataque até ser
forçado ao encerramento sob ameaça de corte de apoios da Segurança Social com o falso pretexto
de que o Estado não podia “subsidiar” as Juntas de Freguesia.

Foi o caso do Parque Infantil que nos anos oitenta se tentou instalar no Jardim do Carregal, e que a
Câmara desmontou de imediato, alegando que só ela tinha jurisdição sobre o espaço e deixando as
crianças da zona alta da Freguesia sem espaços de recreio.

Foi o caso do Parque Infantil junto da Igreja de Miragaia, onde se instalou uma Ludoteca e um
Posto de Enfermagem que viriam a ser destruídos para em seu lugar se construir um edifício de
habitação que, sendo necessário, é arquitectonicamente agressivo, inestético e deslocado.

Foi o caso no novo Posto de Enfermagem que foi possível obter em espaço “modernizado” no
Largo da Alfândega, edifício com deficiências construtivas que dificultaram o seu uso, e a que se
associou o abandono a que sucessivos Executivos da Freguesia votaram esta valência.

Foi o caso dos Sanitários sob a rampa de acesso à Rua de Miragaia, encerrados sem quaisquer
alternativas.

Foi o caso das instalações da Lavandaria da Rua Tomás Gonzaga, que se foram deixando degradar.

Foi o caso do tanque de lavar roupa junto da Fonte das Virtudes, desactivado quando ainda muita
falta fazia às populações.

Foi o caso do Rinque desportivo repetidamente reivindicado para os socalcos das Virtudes e nunca
concretizado pelo Município.

Foi o desleixo e abandono a que foi votado o Parque das Virtudes após a sua recuperação.

Foi ainda o feroz ataque e falta de apoio às Colectividades da Freguesia, que ditaram o
encerramento de muitas delas e crescentes dificuldades para as sobreviventes.

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Foi também ainda a recusa da Câmara em exercer o direito de preferência em duvidosas
transacções de edifícios, ou de expropriar os que foram vítimas de incêndio ou ruína e tiveram os
seus moradores realojados pelo Município.

Foi a recusa em estender de forma adequada e estratégica a reabilitação do “Centro Histórico” do


Porto a toda a zona de Miragaia, permitindo a sua descaracterização e o aumento da especulação
imobiliária.

Foi a inércia camarária que abandonou à degradação prédios que recuperara, nalguns dos casos
com espaços cedidos de forma aleatória e sem interesse evidente para a Freguesia, ou o
alheamento pela recuperação de outros que diariamente se vão esboroando.

Apesar de todos estes ataques, e de muitos dos seus habitantes terem sido forçados a abandonar
o local onde nasceram e cresceram para poderem subsistir, Miragaia continuou e continua a
resistir.

Vemos o carácter e a força dos seus habitantes e dos que, forçados a sair, sempre voltam, seja para
apenas conviver, seja para trabalhar, seja para acompanhar os familiares, seja para manter a
ligação às suas origens.

É esse, também, o caso do Centro Social da Paróquia de Miragaia, última instituição que, por força
da falta de uma resposta pública que há muito poderia e deveria ter sido dada mas foi negada por
sucessivos Governos, continua ainda a apoiar os cidadãos mais frágeis da zona ribeirinha da
Freguesia, com a dedicação e carinho de quem ali há muito trabalha.

São esses trabalhadores e utentes, agora ameaçados pelo anunciado encerramento do Centro, que
devemos defender. Não queremos que sejam recolocados longe do actual local e forçados a
grandes deslocações e dificuldades para que o actual espaço possa ser libertado para fins por
agora desconhecidos mas que se suspeita poderem ser especulativos.

Por estes motivos se apresenta a seguinte

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MOÇÃO

O CSPM (Centro Social da Paróquia de Miragaia), fundado em 1961, é uma IPSS que emprega
actualmente 25 pessoas e serve cerca de 200 utentes nas suas várias valências (Creche, Pré-
escolar, Centro de Apoio à Terceira Idade, Centro de Dia, Serviço de Apoio Domiciliário e Centro de
Apoio Familiar de Aconselhamento Parental.

A Comissão Administrativa nomeada pelo Bispo do Porto para gerir o CSPM anunciou que vai
encerrar a instituição no próximo dia 31 de Agosto.

Nessa conformidade, os cidadãos mais vulneráveis desta zona da Cidade – as crianças e os idosos –
ficarão sem uma resposta social adequada, sendo forçados a deslocar-se para longe das suas
residências ou ficar completamente desamparados.

É nesse sentido que a Assembleia da União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé,
Miragaia, S.Nicolau e Vitória, reunida a 27 de Junho de 2017,delibera:

1. Manifestar a sua solidariedade aos trabalhadores do Centro Social Paroquial de Miragaia,


aos seus utentes, e respectivas famílias;
2. Apelar à Diocese do Porto, à Segurança Social, à CNIS e à União Distrital das Instituições de
Solidariedade Social, para que reapreciem este processo com vista a manter aberto o
Centro Social Paroquial de Miragaia dados os serviços muito relevantes que presta à
população;
3. Recomendar à Junta da União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia,
São Nicolau e Vitória, para que junto daquelas entidades e também da Câmara Municipal
faça tudo que esteja ao seu alcance para evitar o encerramento.

27 de Junho de 2017
Pel’A CDU,

Sendo aprovada, esta moção deve ser enviada a:

- Trabalhadores do CSPM
- Governo
- Câmara e Assembleia Municipal
- Segurança Social
- Diocese do Porto
- CNIS
- UDISS
- Comunicação Social

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