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INTRODUÇÃO

Vale anotar que a persistência, tão frequente entre nós, de


modismos, como o do construtivismo ou da qualidade total,
apenas confirma a precariedade em termos de competência, já
que o competente se nega, terminantemente, a substituir a
proposta própria por coisas vindas apressadamente de fora ou
de cima para baixo. Se um dia, educar pela pesquisa virar
modismo, será porque não se entendeu nada.

Pedro Demo (1996/2002, p. 15)

A escola possui uma capacidade transformadora e uma vocação libertadora. O


Centro de Ensino em Período Integral Professor Pedro Gomes entende que formação
integral está muito além da ampliação da jornada. Formação integral necessita de um
cuidado, de uma presença, de colocar o aluno no centro da escola.

O Projeto Logos1 propõe-se a criar um contato mais sistemático dos alunos das 3ª
séries do Ensino Médio com os processos, métodos da pesquisa científica, intensificar os
espaços de construção do conhecimento, de exercício da autonomia e da solidariedade,
por meio dos sistemas próprios das ciências humanas, naturais ou linguagens. Cada
educando poderá observar a realidade, seus problemas, tensões, propondo-se a pensá-los,
a fazer conjecturas, apresentar ou mesmo pensar em soluções. Além do mais, cada
pesquisa caminhará para um aprofundamento das reflexões acerca de cada projeto de
vida, pois a autonomia na escolha da área ajudará cada discente a projetar no modus
operandi da área que pretende conhecer, ou mesmo, seguir.

JUSTIFICATIVA

No dia-a-dia, observamos o mundo, os acontecimentos, os fenômenos, as


situações, o tempo, as relações. Fazemos afirmações, lemos notícias na internet, livros,
nos deparamos com imagens, símbolos e, para que cada coisa alcance uma dimensão
cognoscível, necessitamos selecionar informações, organizá-las, compará-las e analisá-
las. Todo esse processo pode ser entendido, em sentido mais amplo, como pesquisa. Para
que um conhecimento seja mais seguro e verossímil é necessária uma metodologia de

1
Palavra grega que significa “pensamento racional, discurso racional, conhecimento”
CHAUI, 2014.
análise, uma crítica, um olhar de estranhamento diante das coisas, a percepção de um
problema.

A palavra “pesquisar” deriva da palavra latina perquiro, que significa “procurar


com cuidado, de modo aprofundado, indagar sobre, descobrir”. Nesse sentido, pesquisar
torna-se um caminho primordial à construção do conhecimento.

A escola é o lugar por excelência do germinar do conhecimento. A formação para


o senso crítico é, além de vocação, um desafio da escola. A habilidade crítica deveria
perpassar todo nosso empenho pedagógico. O censo crítico requer um movimento, um
desejo de descoberta, de questionamento. Para Perini (1996):

Se há algo que nossos alunos em geral não desenvolvem durante sua vida
escolar é exatamente a independência de pensamento. O estudante brasileiro
(e, muitas vezes, também o professor) é tipicamente dependente, submisso à
autoridade acadêmica, convencido de que a verdade se encontra, pronta e
acabada, nos livros e na cabeça das sumidades. Daí, em parte, a perniciosa
ideia de que educação é antes de tudo transmissão de conhecimento – quando
deveria ser em primeiro lugar procura de conhecimento e desenvolvimento de
habilidades.

Nos deparamos com uma realidade de apatia diante do que nos chega, o excesso
de informação atrelada a inabilidade de selecionar e estabelecer critérios acerca dessas
informações faz com que nos acostumemos às verdades prontas, superficiais e muitas
vezes deliberadamente desconexas com a realidade. Esse fato configura-se como aquilo
que os gregos chamavam de doxa, ou seja, conjecturas confusas acerca das coisas,
opinião, crença, enquanto que a pesquisa, em seus métodos, aponta-nos para a episteme,
atrelada ao saber, ao conhecimento, ao aprofundamento das questões e problemas da
realidade.

Uma questão importante no centro da discussão perpassa as seguintes perguntas:


Qual o papel do professor no desenvolvimento e construção do conhecimento? Qual é a
medida da autonomia do aluno no aprofundamento das questões? Muitas vezes a
autonomia do educando percorre um caminho preestabelecido pelo professor, com uma
conclusão já antecipada, já conhecida. Transpor essa verticalidade é extremamente
desafiador. Como definir a pesquisa na escola? Ninin (2008) afirma que,
Nesse sentido, podemos definir "pesquisa escolar" como atividade
sistematizada e mediada entre sujeitos, pautada em instrumentos que
propiciam a construção do conhecimento e o desenvolvimento da autonomia,
por meio de ações com características de reflexão crítica que priorizam
descobrir, questionar, analisar, comparar, criticar, avaliar, sintetizar,
argumentar, criar.

A pesquisa é capaz de retirar o professor de sua postura unilateral na transmissão


do conhecimento e o colocar como mediador, orientador, fomentador da construção do
conhecimento. O aluno pesquisador requer um professor pesquisador. O papel do
professor vai muito além de transmitir conteúdos, uma das estruturas de seu trabalho
consiste na desafiadora tarefa de “ensinar a aprender”. Nesse sentido,
Ensinar a aprender é criar possibilidades para que uma criança chegue sozinha
à fontes de conhecimento que estão à disposição na sociedade. A vida de hoje
é caracterizada por um verdadeiro bombardeio de informações. Para todo lado
que olhamos, nos deparamos com algum dessas “bombas” prontas para
explodir: televisão, rádio, cinema, jornais, revistas, cartazes, livros, folhetos,
internet, CD-ROM... Essas “bombas” podem estar também armazenadas em
“arsenais” específicos: livrarias, bibliotecas, museus, salas de espetáculo,
centros culturais, fábricas, empresas, laboratórios, jardins, zoológicos,
supermercados, shopping Center , jardins botânicos, estações de metrô,
galerias de arte...

Tudo isso junto cria um verdadeiro labirinto onde é muito fácil alguém se
perder [..] a palavra chave é orientação (BAGNO, 1998, p. 14).

O professor coloca-se como orientador nesse labirinto de informações, ajudando,


como fio condutor, o aluno a transformar, selecionar, analisar as informações, lançar um
olhar profundo sobre elas e enfim construir o conhecimento.

OBJETIVOS

 Compreender os diversos métodos das pesquisas científicas;


 Fomentar o espírito protagonista, portando-se como agentes construtores do
conhecimento;
 Observar, selecionar, analisar e sistematizar as diversas questões, ampliando as
possíveis soluções acerca do tema gerador;
 Desenvolver a habilidade de escrita do gênero artigo científico, adequando-o às
normas técnicas;
 Empreender o senso crítico e a autonomia na observação da realidade e suas
problemáticas.

REGULAMENTO

DOS PARTICIPANTES

1- Participarão na confecção dos artigos alunos da 3ª série do Ensino Médio do CEPI


Prof. Pedro Gomes, seguindo duplas estabelecidas pelos próprios alunos na
primeira semana do projeto, não cabendo a nenhum aluno trocar a dupla sem o
consentimento dos professores organizadores e/ou orientador.

DO CRONOGRAMA

2- Os participantes devem seguir criteriosamente o cronograma em anexo a este


regulamento, cabendo aos professores responsáveis estabelecer as penalidades
cabíveis caso ele não seja seguido.

DOS PROFESSORES RESPONSÁVEIS


3- Os professores responsáveis pelo projeto são Jhonny e Maria de Fátima.

DOS PROFESSORES ORIENTADORES

4- Toda equipe docente do CEPI Professor Pedro Gomes pode orientar projetos,
desde que seja respeitada a área de formação.
5- Cada professor pode orientar até no máximo 3 projetos, segundo sua
disponibilidade.
6- As reuniões de orientação devem ser agendadas com o docente de acordo com sua
disponibilidade.
7- Os professores responsáveis pelo projeto também pode orientar pesquisas.

DO PROJETO

8- O projeto de pesquisa deve ser entregue impreterivelmente até o dia 10 de agosto


de 2017.
9- O projeto deve definir o subtema e a área de conhecimento (Ciências Humanas,
Linguagens e Códigos ou Ciências da Natureza).
10- Os projetos devem seguir:
a. As normas da ABNT;
b. Roteiro preestabelecido com os seguintes itens: capa, folha de rosto,
introdução (apresentação do problema a ser pesquisado), justificativa,
objetivo (fazer, compreender, conhecer, aprender, discutir) pesquisa a
respeito do subtema escolhido, metodologia a ser utilizada na pesquisa e
referências;
c. A fonte utilizada deve ser Times New Roman ou Arial, tamanho 12,
espaçamento 1,5 (justificado);
d. Parágrafo e margens (ABNT).
11- Deve ser entregue um projeto por dupla aos professores responsáveis, respeitando
a data limite;
12- O projeto vale nota subjetiva (0 a 10) para todas as disciplinas (3° bimestre);

DA PESQUISA

13- A metodologia utilizada na pesquisa deve ser definida previamente com o


orientador.
14- É de total responsabilidade da dupla os materiais necessários à pesquisa.
15- As pesquisas que necessitam da utilização do laboratório de ciências, devem ser
agendadas previamente pelo orientador e contar com a presença de um professor.
16- As possíveis saídas da escola só ocorrerão com a autorização escrita dos
responsáveis, previamente agendadas, respeitando conveniências do horário
escolar e do professor orientador.

DO ARTIGO

17- O artigo deve seguir:


a. As ideias propostas no projeto.
b. As normas da ABNT;
c. Capa, folha de rosto, índice, introdução, desenvolvimento, considerações
finais, anexos (se houver) e referências;
d. Mínimo 5 páginas (contando a partir da introdução) e máximo 15;
e. A fonte utilizada deve ser Times New Roman ou Arial, tamanho 12,
espaçamento 1,5 (justificado);
f. Parágrafo e margens (ABNT).
18- O artigo deve ser entregue encadernado, em 2 cópias, ao professor orientador no
dia 19/10/2017
19- O artigo terá nota subjetiva (0 a 10) para todas as disciplinas (4° bimestre);

DA APRESENTAÇÃO

20- A apresentação deve obrigatoriamente conter o processo da pesquisa;


21- As apresentações serão agendadas pelos professores responsáveis em conjunto
com demais professores (orientadores).
22- As bancas serão formadas pelo orientador e um professor convidado.
23- Cada dupla terá 20 minutos para apresentação da pesquisa e 10 minutos para
considerações e perguntas da banca.
24- A nota da será dada ao final de cada apresentação e valerá como subjetiva (0 a 10)
em todas as disciplinas (4° bimestre);
25- É de total responsabilidade da dupla a verificação da compatibilidade dos
softwares utilizados para confecção da apresentação com os equipamentos da
escola.
26- A escola disponibilizará projetor, caixa de som e notebook. Caso haja a
necessidade de equipamento extra, este deve ser providenciado pela dupla.

REFERÊNCIAS:

BAGNO, Marcos. Pesquisa na escola: o que é e como se faz. São Paulo: Edições Loyola,
1998.

CHAUI, M. Iniciação à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2014, p. 30.

DEMO, Pedro. 1996. Educar pela Pesquisa. 5 ed. Campinas: Autores Associados, 2002.
(Coleção Educação Contemporânea). Disponível em:
http://rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/view/1843/1814 , acesso em
28/04/2017.

DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. 2ed. São Paulo: Cortez. Brasília, DF:
MEC/UNESCO, 2013.

MARTINS, Jorge Santos. O trabalho com projeto de pesquisa: do ensino fundamental


ao médio. Campinas: Papirus, 2001.
NININ, Maria O. Pesquisa na escola: que espaço é esse? O do conteúdo ou o do
pensamento crítico?. Belo Horizonte: Educação em Revista, 2008. Disponível em
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
46982008000200002#nt01, acesso 28/04/2017.

PERINI, Mário. Gramática descritiva do Português, São Paulo: Àtica, 1996, p. 31