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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL


Procuradoria Especial de Assuntos Constitucionais, de
Processos dos Tribunais Superiores e Tribunais de
Contas

EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL


FEDERAL

O DISTRITO FEDERAL, pessoa jurídica de direito público interno, e o


INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO DISTRITO FEDERAL –
IPREV/DF, autarquia distrital criada pela Lei Complementar nº 769/2008, neste ato
representados pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, vem, nos termos do art. 102, I, “f”
da Constituição Federal e do art. 247 do Regimento Interno do STF, através do procurador
signatário, vêm propor a presente

AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA


c/c PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

em face da UNIÃO, pessoa jurídica de direito público, representada pela Procuradoria-Geral


da Fazenda Nacional, com endereço na Esplanada dos Ministérios - Bloco "P" -8º andar - CEP:
70048-900, Brasília/DF, nos termos dos argumentos de fato e de direito a seguir expostos:

I. DA COMPETÊNCIA DESSA CORTE CONSTITUCIONAL

O ajuizamento de ações originárias na Suprema Corte é medida excepcional que


busca salvaguardar relevantes interesses protegidos pelo ordenamento jurídico, quando figuram
como partes processuais, na qualidade de autor e réu, a União, os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios.

A razão constitucional de levar ao conhecimento originário do Supremo Tribunal


Federal o processamento e julgamento dessas ações relaciona-se à dimensão das questões
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discutidas e à relevância do interesse público envolvido, como bem expressa o art. 102, I, “f”
da Constituição Federal, a seguir transcrito:

CF/88:

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição,


cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:


(...)
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns
e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta;

A presente Ação Cível Originária tem por objetivo declarar incidentalmente a


inconstitucionalidade de dispositivos de lei e de ato normativo federal que inviabilizam o
funcionamento do Regime Próprio de Previdência Social dos servidores do Distrito Federal,
bem como impedem o efetivo financiamento dos serviços públicos a cargo do Distrito Federal,
considerando as sanções impostas pelo art. 7º da Lei Federal 9.717/98 que veda o ente
federativo do recebimento de transferências voluntárias, da celebração de acordos, contratos,
convênios, ajustes, ou subvenções gerais, empréstimos, financiamentos com a União e suas
entidades da administração indireta, bem como do recebimento de valores devidos pela União
ao Distrito Federal em razão da compensação financeira entre regimes previdenciários prevista
no art. 201, §9º da Constituição Federal1 (vide Lei nº 9.796/99).
A jurisprudência do STF reconhece a competência originária da Corte e a
existência de vulneração do pacto federativo em situação idêntica à ora analisada, vejamos:

REFERENDO NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO CAUTELAR.


INSCRIÇÃO DE ESTADO-MEMBRO NO SERVIÇO AUXILIAR DE
INFORMAÇÕES PARA TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – CAUC.
SUSPENSÃO DOS REGISTROS DE INADIMPLÊNCIA. MEDIDA LIMINAR E
PEDIDO DE EXTENSÃO DEFERIDOS. REFERENDO. 1. O Supremo Tribunal
Federal tem reconhecido conflito federativo em situações nas quais a União, valendo-
se de registros de pretensas inadimplências dos Estados no Serviço Auxiliar de
Informações para Transferências Voluntárias CAUC, impossibilita a emissão do
Certificado de Regularidade Previdenciária, o repasse de verbas federais e a
celebração de convênios. 2. O registro da entidade federada, por alegada inadimplência,

1
CF/88: Art. 201. (...) § 9º Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do tempo de
contribuição na administração pública e na atividade privada, rural e urbana, hipótese em que os diversos regimes
de previdência social se compensarão financeiramente, segundo critérios estabelecidos em lei. (Incluído dada
pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
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nesse cadastro federal pode sujeitá-la a efeitos gravosos, com desdobramentos para a
transferência de recursos. 3. Em cognição primária e precária, estão presentes o sinal do
bom direito e o perigo da demora. 4. Medida liminar referendada.
(STF. AC 3775 MC-Ref / DF. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA. Julgamento:
07/10/2015. Órgão Julgador: Tribunal Pleno)

AGRAVO REGIMENTAL NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA. CONFLITO


FEDERATIVO. NEGATIVA DE EXPEDIÇÃO DE CERTIFICADO DE
REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA PARA ESTADO-MEMBRO. O EXAME
DA COMPATIBILIZAÇÃO DAS NORMAS ESTADUAIS COM A
CONSTITUIÇÃO FEDERAL É MATÉRIA COMPLEXA. UTILIZAÇÃO
IRREGULAR DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO COMO
SUCEDÂNEO DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE PARA
NEGAR-SE A CONCESSÃO DO REFERIDO CERTIFICADO.
PRECEDENTES. SITUAÇÃO SEMELHANTE À DE INSCRIÇÃO DO ESTADO
EM CADASTROS DE INADIMPLÊNCIA FEDERAIS. JURISPRUDÊNCIA
ABUNDANTE DA SUPREMA CORTE CONCEDENDO-SE AS MEDIDAS DE
URGÊNCIA REQUERIDAS PARA SE PRESERVAR O FUNCIONAMENTO
DE SERVIÇOS ESSENCIAIS PRESTADOS À POPULAÇÃO DOS ESTADOS.
LIMINAR CONFIRMADA. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
(STF. ACO 1062 AgR / DF. Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI.
Julgamento: 13/08/2014. Órgão Julgador: Tribunal Pleno).

SEPARAÇÃO DE PODERES - PREVIDÊNCIA SOCIAL - AÇÃO CÍVEL


ORIGINÁRIA - TUTELA. Surge relevante pedido voltado ao implemento de tutela
antecipada quando estão em jogo competência concorrente e extravasamento do campo
alusivo a normas gerais considerada previdência estadual.
(STF. ACO 830 TAR / PR. TUTELA ANTECIPADA - REFERENDO AÇÃO CÍVEL
ORIGINÁRIA. Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 29/10/2007.
Órgão Julgador: Tribunal Pleno)

Assim, pugna-se pelo reconhecimento da competência originária dessa Excelsa


Corte, para que sejam suspensos os efeitos da decisão administrativa da Secretaria de
Previdência do Ministério da Fazenda que novamente impôs severas restrições financeiras ao
Distrito Federal, consoante previsão do art. 7º da Lei nº 9.717/98.

II. DOS FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS

A Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, pelo Ofício nº


77/2018/SPVER-MF, de 7 de maio de 2018, encaminhou ao senhor Governador do Distrito
Federal o PARECER Nº7/2018/CGACI/SRPPS/SPREV/MF, de 20 de outubro de 2017 que
motivou a determinação de alteração para “irregular” a situação do Distrito Federal relativa ao
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critério “Equilíbrio Financeiro e Atuarial”, nos aspectos apontados na Nota Técnica nº


4/2017/CGACI/SRPPS/SPREV/MF, de 20 de outubro de 2017. Tal Nota Técnica inseriu no
seu sistema informatizado CADPREV pendências cadastrais do DISTRITO FEDERAL
quanto ao gerenciamento do Regime Próprio de Previdência Social de seus servidores públicos,
o que importará na negativa da emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária -
CRP aos autores, sujeitando-os às consequências nocivas como a de impedir a realização de
diversos negócios jurídicos e de receber recursos financeiros de origem constitucional, o que
prejudicaria o funcionamento de serviços essenciais e toda a população do ente federativo.

Conforme comunicado eletrônico (e-mail) anexo, a Secretaria de Previdência


fundamenta a não expedição do Certificado de Regularidade Previdenciária com base no
seguinte:

Exercício:2018
UF:DF
Ente: Governo do Distrito Federal
Nº Análise:A133768/2017
Item de Análise: Rev. Seg. Massa em Desacordo com a Legislação
Tipo de Documento: SPPS. Revisão Plano de Custeio e de Segreg. de Massa
Descrição do Item de Análise: O critério em questão dá cumprimento ao art. 22. da
Portaria MPS nº 403 de 10 de dezembro de 2008, que complementa o art. 25 da mesma
Portaria, em que determina (in verbis): "Observado o disposto no artigo 25, o RPPS que
implementar a segregação da massa, somente poderá alterar os seus parâmetros ou
desfazê-la, mediante prévia aprovação da SPS."
Fundamentação Legal: Arts. 1º, I e 9º da Lei nº 9.717/1998; art. 5º, § 14, da Portaria
MPS nº 204/2008 e art. 20 a 21 da Portaria MPS nº 403/2008
Orientações:
Conclusão do Item de Análise
Introdução: Trata-se notificação relativa a irregularidade no processo de Revisão de
Segregação da Massa relativo ao RPPS do Governo do Distrito Federal a partir da
aprovação da Lei Complementar nº932/2017.
Elementos Analisados: Lei Complementar Distrital nº 932/2017 e Portaria MPS nº
403/2008.
Análise da situação: Conforme apontado Nota Técnica SEI nº 4/2017/SPPPS/SPREV-
MF.
Conclusão da Análise: Conforme apontado Nota Técnica SEI nº
4/2017/SPPPS/SPREV-MF, o ente federativo deverá promover o saneamento das
irregularidades apontadas nesta Nota Técnica, no prazo determinado nesta notificação,
ficando sujeito a irregularização no critério do Equilíbrio Financeiro e Atuarial.
Situação do Item da Análise: Notificação sem resposta. Prazo expirado. Situação
irregular
Data da situação do item de análise:26/12/2017
Anexos:
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Arquivos/Pareceres
Nota técnica SEI nº4_2017_CGACI_SRPPS_SPREV-MF.pdf
Ofício SEI nº46_2017_SPREV-MF.pdf

Dados da Notificação
Nº Notificação: 050981.01/2017
Data Notificação: 08/11/2017
Prazo para Resposta (Dias): 45 dias
Data de Preclusão: 26/12/2017
Introdução: Trata-se notificação relativa a irregularidade no processo de Revisão de
Segregação da Massa relativo ao RPPS do Governo do Distrito Federal a partir da
aprovação da Lei Complementar nº932/2017.
Elementos Analisados: Lei Complementar Distrital nº 932/2017 e Portaria MPS nº
403/2008.
Análise da situação: Conforme apontado Nota Técnica SEI nº 4/2017/SPPPS/SPREV-
MF.
Texto da Notificação: Fica o ente federativo NOTIFICADO de que, conforme análise
realizada a partir das informações constantes no Demonstrativo de Resultado da
Avaliação Atuarial - DRAA, foi constatado o descumprimento das normas aplicáveis às
avaliações e reavaliações atuariais dos Regimes Próprios de Previdência Social - RPPS,
estabelecidas pela Portaria MPS nº 403, de 10.12.2008, e dos parâmetros e as diretrizes
gerais para organização e funcionamento dos RPPS.
Consequências em caso de não atendimento: O não atendimento implicará em
irregularização junto ao Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência
Social - CADPREV, no critério “Equilíbrio Financeiro e Atuarial”, com fundamento na
Lei nº 9.717, de 27.11.1998, na Portaria MPS nº 402, de 10.12.2008, e Portaria MPS nº
204, de 10.07.2008, resultando na suspensão da emissão do Certificado de Regularidade
Previdenciária - CRP
Informações adicionais para regularização: Constantes da Nota Técnica SEI nº
4/2017/SPPPS/SPREV-MF.
Histórico de Notificações do Item de Análise

Alega a Secretaria de Previdência no referido expediente:

a) a implementação e extinção da segregação da massa ou a alteração de seus


parâmetros são expedientes excepcionais e dependem da aprovação prévia da Secretaria
de Previdência, com o encaminhamento de estudos que apontem a viabilidade dessas
medidas e que justifiquem sua adoção, sob pena de caracterizar irregularidade no
critério relativo ao equilíbrio financeiro e atuarial;

b) que ao realizar a fusão das massas dos atuais servidores e segurados em um


único Fundo Financeiro e a criação de um Fundo Capitalizado para os futuros servidores
que ingressarem após o funcionamento da previdência complementar, houve violação
ao §6º, art. 20 da Portaria MPS 403/2008 que veda a adoção de datas futuras para
composição das submassas, medida que tem por propósito evitar que, utilizando a
segregação como alternativa para equacionamento do déficit, os entes federativos não
promovam, na realidade, a efetiva separação das massas e a constituição de fundo que
inicie a formação de reservas técnicas, mas mantenham a repartição simples como
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regime de financiamento para todo o RPPS, nos moldes do que era comum
anteriormente à edição da Lei nº 9.717/98;

c) que o Fundo Solidário Garantidor não é exatamente um fundo para oscilação


de riscos, mas um fundo constituído e destinado à cobertura de riscos já incorridos,
representados pelas insuficiências financeiras que o Fundo Financeiro apresenta e que
lhes são inerentes, não se tratando, pois, de instrumento para prevenir eventualidades
futuras e incertas, mas de fonte ordinariamente destacada para se acudirem
acontecimentos atuais e determinados, atuação que exclui ou esmaece o seu aspecto
securitário, cuja presença é condição essencial para caracterizá-lo como colchão
financeiro destinado a atender as oscilações no risco previdenciário;

d) que o Fundo Solidário Garantidor teria sido criado para financiar o déficit
financeiro e atuarial do Fundo Financeiro deficitário, constituindo-se um fundo dentro
de um fundo, construção aparentemente destinada a justificar operações que não
apresentam fundamentação nas normas gerais de organização e funcionamento dos
RPPS, impressão que é corroborada quando se tem em conta a proposta originalmente
encaminhada pelo GDF à Câmara Legislativa que determinava, em seu art. 46, que as
disponibilidades financeiras do DFPREV existentes na data de publicação daquela lei
seriam incorporadas ao Fundo Financeiro (sem trânsito, portanto, por qualquer outro
fundo);

e) que a Secretaria de Previdência já tinha emitido manifestações anteriores


quando analisou as leis complementares 899/2015 e 920/2016 que a utilização dos
recursos vinculados ao fundo previdenciário para o pagamento de obrigações do fundo
financeiro é vedada pela legislação previdenciária, especialmente pelo princípio do
equilíbrio financeiro e atuarial (art. 40 CF), constituindo, ainda, transgressão a princípio
geral estabelecido pela Lei 4.320/64 que proíbe a aplicação de recursos integrantes de
fundo de qualquer natureza para destinações alheias às que fundamentaram sua
instituição;

f) a vedação que os recursos acumulados no plano previdenciário sejam utilizados


para pagamento de despesas do plano financeiro aplica-se, inclusive, entre planos não
contemporâneos ou sucessivos, no contexto de redefinição dos parâmetros da
segregação da massa, e mesmo que haja trânsito dos recursos originários do fundo
previdenciário por um terceiro fundo, como no caso dos procedimentos estabelecidos
pela Lei Complementar 932/2017;

g) mesmo que a LC 932/2017 tenha alterado os parâmetros da segregação da


massa instituída pela LC 769/2008 extinguindo o fundo financeiro e o fundo
previdenciário anteriores e criando o Fundo Capitalizado dos Servidores do Distrito
Federal e o Fundo Financeiro de Previdência Social, os recursos do antigo DFPREV
somente poderiam ser alocados na composição deste último fundo, vez que somente ele
preserva a mesma natureza e características do fundo previdenciário que o antecedeu,
medida que possibilita a manutenção das reservas previdenciárias em plano
capitalizado, de acordo com os ditames necessários a assegurar o equilíbrio financeiro
e atuarial do sistema, considerando-se eventual superávit decorrente dos recursos
alocados ao novo plano previdenciário, quando da fixação do correspondente plano de
custeio na avaliação atuarial respectiva;
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Mais à frente serão enfrentadas as questões suscitadas na Nota Técnica


formulada pelo respeitável órgão supervisor do RPPS.

DO CERTIFICADO DE REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA - CRP

A emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP está


disciplinada em atos normativos infralegais da UNIÃO, quais sejam, o Decreto nº
3.788/2001 e a Portaria MPS 204/2008, a saber:

Decreto nº 3.788/2001:

Art. 1º O Ministério da Previdência e Assistência Social fornecerá aos órgãos ou entidades da


Administração Pública direta e indireta da União Certificado de Regularidade Previdenciária -
CRP, que atestará o cumprimento dos critérios e exigências estabelecidos na Lei nº 9.717, de 27
de novembro de 1998, pelos regimes próprios de previdência social dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, nos seguintes casos:
I - realização de transferências voluntárias de recursos pela União;
II - celebração de acordos, contratos, convênios ou ajustes, bem como de empréstimos,
financiamentos, avais e subvenções em geral de órgãos ou entidades da Administração direta e
indireta da União;
III - celebração de empréstimos e financiamentos por instituições financeiras federais;
IV - pagamento dos valores devidos pelo Regime Geral de Previdência Social em razão da Lei
nº 9.796, de 5 de maio de 1999.
Parágrafo único. O Ministério da Previdência e Assistência Social disponibilizará, por meio
eletrônico, o Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP, para fins de atendimento do
caput.
Art. 2º O responsável do órgão ou entidade pela realização de cada ato ou contrato mencionado
no artigo anterior deverá juntar ao processo pertinente o Certificado de Regularidade
Previdenciária - CRP do regime próprio de previdência social vinculado ao ente da federação
beneficiário ou contratante.
Parágrafo único. O servidor público que praticar ato com inobservância do disposto neste artigo
responderá civil, penal e administrativamente, nos termos da lei.
Art. 3º O Ministério da Previdência e Assistência Social expedirá, em até noventa dias, os atos
necessários à execução deste Decreto.

Portaria MPS 204/2008:

Art. 1º A emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP dos Estados, do Distrito


Federal e dos Municípios, instituído pelo Decreto nº 3.788, de 11 de abril de 2001, obedecerá ao
disposto nesta Portaria.
Seção I
Disposições Preliminares
Art. 2º O CRP será fornecido pela Secretaria de Políticas de Previdência Social - SPS, aos órgãos
ou entidades da Administração Pública direta e indireta da União, por sistema informatizado,
dispensada a assinatura manual ou aposição de carimbos.
§ 1º O CRP conterá numeração única e terá validade de cento e oitenta dias a contar da data de
sua emissão. (Redação dada pela Portaria MPS nº 83, de 18/03/2009)
Original: § 1º O CRP conterá numeração única e terá validade de noventa dias a contar da data
de sua emissão.
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§ 2º O CRP será cancelado por reforma da decisão judicial que fundamentou sua emissão ou por
emissão indevida.
§ 3º Excepcionalmente, a SPS poderá fornecer certificado específico para cumprimento de
decisão judicial nos casos em que se determine a suspensão de irregularidades relacionadas à Lei
nº 9.717, de 1998, ou a regularização da situação do ente federativo quanto ao regime próprio de
previdência social nos cadastros da União. (Incluído pela Portaria MPS nº 1, de 06/01/2011)
Art. 3º Para acompanhamento e supervisão dos regimes de previdência social da União, dos
Estados do Distrito Federal e dos Municípios, a SPS desenvolverá e manterá o Sistema de
Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social - CADPREV.
(...)
Art. 4º O CRP será exigido nos seguintes casos:
I - realização de transferências voluntárias de recursos pela União;
II - celebração de acordos, contratos, convênios ou ajustes, bem como recebimento de
empréstimos, financiamentos, avais e subvenções em geral de órgãos ou entidades da
Administração direta e indireta da União;
III - liberação de recursos de empréstimos e financiamentos por instituições financeiras federais;
e
IV - pagamento dos valores devidos pelo Regime Geral de o Previdência Social - RGPS, em
razão do disposto na Lei nº 9.796, de 5 de maio de 1999.
§ 1 º Aplica-se o disposto neste artigo aos requerimentos para realização de operações de crédito
interno e externo dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos do art. 21, inciso
VIII, da Resolução nº 43, de 2001, do Senado Federal.
§ 2º Para fins de aplicação do inciso I, excetuam-se as transferências relativas às ações de
educação, saúde e assistência social.
§ 3º O responsável pela realização de cada ato ou contrato previsto nos incisos do caput deverá
juntar ao processo pertinente, ou atestar nos autos, a verificação da validade do CRP do ente da
federação beneficiário ou contratante, no endereço eletrônico do Ministério da Previdência
Social - MPS na rede mundial de computadores - Internet, mencionando seu número e data de
emissão.
§ 4º O servidor público que praticar ato com a inobservância responderá civil, penal e
administrativamente, nos do disposto no § 3º termos da lei.
§ 5º O CRP cancelado nos termos do art. 2º, § 2 , continuará disponível para consulta com a
indicação do motivo de seu cancelamento.

A fixação de restrições a direitos subjetivos e a imposição de obrigações sem


qualquer previsão legal ao RPPS/DF, além de malferir o princípio da legalidade (art. 5º,
II da CF2), viola a autonomia administrativa (art. 18 da CF), a competência do Distrito
Federal na edição de leis previdenciárias (art. 24, XII, §§ 1º a 4º da CF) e o pacto federativo
dos entes políticos do Estado brasileiro (art. 1º da CF3).

Os Regimes Próprios de Previdência Social dos servidores da União, Estados,


Municípios e do Distrito Federal estão disciplinados no art. 40 da Constituição Federal, o qual,

2
CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes: (...) II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude de lei;
3
CF/88: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (...)
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além de firmar como princípios básicos do regime previdenciário a contributividade, a


solidariedade e o equilíbrio financeiro e atuarial, também estabelece algumas regras gerais de
elegibilidade e concessão dos benefícios de aposentadoria e pensão.

Constituição Federal:

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de
caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores
ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão
aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e
17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto
se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou
incurável, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta)
anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei
complementar; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 88, de 2015)
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no
serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as
seguintes condições: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de
idade e trinta de contribuição, se mulher; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de
15/12/98)
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de
15/12/98)
§ 2º - Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão
exceder a remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria
ou que serviu de referência para a concessão da pensão. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão
consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos
regimes de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria
aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis
complementares, os casos de servidores: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de
2005)
I - portadores de deficiência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
II - que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
§ 5º - Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em
relação ao disposto no § 1º, III, "a", para o professor que comprove exclusivamente tempo de
efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e
médio. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 6º - Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta
Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de
previdência previsto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será igual: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
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I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo estabelecido
para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de
setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu o
falecimento, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência
social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite,
caso em atividade na data do óbito. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o
valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 41, 19.12.2003)
§ 9º - O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de
aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de disponibilidade. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição
fictício. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive
quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras
atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante
resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma
desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de
cargo eletivo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 12 - Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares
de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral
de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se
o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 14 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de
previdência complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão
fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este
artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de
que trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 14 será instituído por lei de
iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no
que couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência complementar, de natureza
pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos de benefícios somente na
modalidade de contribuição definida. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser
aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de
instituição do correspondente regime de previdência complementar. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício previsto no §
3° serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo
regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do
regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido
para os servidores titulares de cargos efetivos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
§ 19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para aposentadoria
voluntária estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em atividade fará jus a um
abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as
exigências para aposentadoria compulsória contidas no § 1º, II. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
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§ 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para os
servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime
em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, § 3º, X.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá apenas sobre as parcelas de proventos
de aposentadoria e de pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os
benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 desta Constituição,
quando o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

Veja que em nenhum momento o texto constitucional estabeleceu em seus


dispositivos que tratam do Regime Próprio de Previdência dos servidores públicos poderes de
regulação e fiscalização à UNIÃO em matéria previdenciária, em relação aos demais entes
federativos.

Em nenhum momento a Constituição estabelece competências à UNIÃO


para o exercício do poder de polícia e a fixação de sanções administrativas em face da
atuação dos RPPS.

Assim, devem ser afastados os poderes fixados à UNIÃO pelos artigos 7º, 8º e
9º da Lei nº 9.717/98, a saber:

Lei nº 9.717/98:

Art. 7º O descumprimento do disposto nesta Lei pelos Estados, Distrito Federal e Municípios e
pelos respectivos fundos, implicará, a partir de 1º de julho de 1999:

I - suspensão das transferências voluntárias de recursos pela União;


II - impedimento para celebrar acordos, contratos, convênios ou ajustes, bem como receber
empréstimos, financiamentos, avais e subvenções em geral de órgãos ou entidades da
Administração direta e indireta da União;
III - suspensão de empréstimos e financiamentos por instituições financeiras federais.
IV - suspensão do pagamento dos valores devidos pelo Regime Geral de Previdência Social em
razão da Lei no 9.796, de 5 de maio de 1999. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.187-
13, de 2001)

Art. 8º Os dirigentes do órgão ou da entidade gestora do regime próprio de previdência social


dos entes estatais, bem como os membros dos conselhos administrativo e fiscal dos fundos de
que trata o art. 6º, respondem diretamente por infração ao disposto nesta Lei, sujeitando-se, no
que couber, ao regime repressivo da Lei no 6.435, de 15 de julho de 1977, e alterações
subseqüentes, conforme diretrizes gerais.
Parágrafo único. As infrações serão apuradas mediante processo administrativo que tenha por
base o auto, a representação ou a denúncia positiva dos fatos irregulares, em que se assegure ao
acusado o contraditório e a ampla defesa, em conformidade com diretrizes gerais.
Art. 9º Compete à União, por intermédio do Ministério da Previdência e Assistência Social:
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I - a orientação, supervisão e o acompanhamento dos regimes próprios de previdência social dos


servidores públicos e dos militares da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
e dos fundos a que se refere o art. 6º, para o fiel cumprimento dos dispositivos desta Lei;
II - o estabelecimento e a publicação dos parâmetros e das diretrizes gerais previstos nesta Lei.
III - a apuração de infrações, por servidor credenciado, e a aplicação de penalidades, por órgão
próprio, nos casos previstos no art. 8o desta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.187-
13, de 2001)
Parágrafo único. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios prestarão ao Ministério
da Previdência e Assistência Social, quando solicitados, informações sobre regime próprio de
previdência social e fundo previdenciário previsto no art. 6o desta Lei. (Incluído pela Medida
Provisória nº 2.187-13, de 2001)

O desenho constitucional sobre o RPPS dos servidores públicos reafirma a


autonomia e independência das pessoas políticas do Estado brasileiro (União, Estados,
Municípios e Distrito Federal) quando do exercício de suas competências constitucionais.

O Capítulo I do Título III do Texto Constitucional, ao estabelecer a organização


político-administrativa do Estado brasileiro, é peremptório ao entabular a autonomia dos entes
federativos, não sendo legítimo ao ente central (a UNIÃO) impor ao entes regionais (Estados,
Municípios e Distrito Federal) obrigações que não estão previstas na Constituição.

Constituição Federal:

TÍTULO III
Da Organização do Estado
CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA

Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a


União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta
Constituição.
(...)

É importante firmar que a relação jurídica previdenciária estabelecida entre os


entes federativos e seus servidores é uma relação de direito público, de conteúdo administrativo,
no qual o ente realiza o gerenciamento da concessão de benefícios previdenciários para a
cobertura de riscos sociais relacionados à atividade laboral exercida por seus servidores (idade
avançada, morte, incapacidade laboral, etc.).

Qualquer ingerência que a UNIÃO realize sobre os RPPS dos entes regionais
que interfira no modo de gerenciamento do RPPS, impondo formas de organização dos órgãos
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gestores dos fundos previdenciários, bem como formas de financiamento e custeio do regime
previdenciário deve ser considerada inconstitucional por exorbitar a competência da UNIÃO
em matéria de Regime Próprio de Previdência Social.

A forma de gestão dos RPPS difere do Regime Geral de Previdência Social


destinado à cobertura previdenciária dos trabalhadores da iniciativa privada, onde a própria
UNIÃO é quem realiza a gestão através do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
(autarquia federal), sendo ela mesma co-obrigada quanto à gestão dos recursos, custeio e
concessão dos benefícios previdenciários (vide art. 201 da CF).

O art. 24, XII da Constituição Federal é categórico ao afirmar que em matéria de


previdência social compete à UNIÃO legislar sobre normas gerais, cabendo aos entes
federativos dispor sobre as particularidades relativas ao RPPS de seus servidores.

Constituição Federal:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
(...)
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais.
§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados.
§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades.
§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no
que lhe for contrário.

Ocorre que a UNIÃO, ao editar a Lei nº 9.717/98, a pretexto de estabelecer


normas gerais para organização e funcionamento dos regimes próprios de previdência social
dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
extravasou sua competência normativa, ao impor medidas gerenciais e sanções
administrativas que interferem diretamente na autonomia dos entes federativos.

E a explicação é bastante simples: ao invés da UNIÃO atuar como órgão


supervisor dos RPPS recomendando boas práticas de gestão com o objetivo de viabilizar
a sustentabilidade do RPPS no longo prazo, impõe uma série de amarras normativas que
têm inviabilizado a boa gestão previdenciária, em especial em relação às regras de custeio
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e gerenciamento do histórico déficit previdenciário dos fundos previdenciários de


natureza financeira, sem que a Constituição Federal tenha estabelecido qualquer
restrição à autonomia do ente nessa seara previdenciária.

DA ANTERIOR NEGATIVA À EMISSÃO DO CERTIFICADO DE REGULARIDADE


PREVIDENCIÁRIA PERPETRADA PELA RÉ E DA LIMINAR CONCEDIDA AO
DISTRITO FEDERAL E AO IPREV/DF NO ÂMBITO DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL

É importante destacar que os autores vivenciaram a mesma situação no ano de


2017, tendo em vista a ação perpetrada pela Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda,
com base no Ofício nº 917/2016/SPPS/MF, de 19 de dezembro de 2016 (Nota Técnica nº
15/2016/DRPSP/SPPS/MF, de 16 de dezembro de 2016) e no Parecer nº
37/2017/CGACI/DRPSP/SPPS/MF, de 20 de março de 2017. Foram iseridos no sistema
informatizado CADPREV pendências cadastrais do DISTRITO FEDERAL quanto ao
gerenciamento do Regime Próprio de Previdência Social de seus servidores públicos, o que
importou na negativa da emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária – CRP
aos autores, sujeitando-os às consequências deletérias aos negócios jurídicos estatais e o
recebimento de recursos financeiros de origem constitucional.

No caso concreto em que foi negada a expedição da situação de regularidade


previdenciária do DISTRITO FEDERAL, a UNIÃO impediu, após a edição da Lei
Complementar nº 920/2016 aprovada legitimamente por seu Poder Legislativo (Câmara
Legislativa), que o DF viesse a utilizar parcela do superávit financeiro e atuarial do Fundo
Previdenciário de natureza capitalizada para o pagamento de benefícios previdenciários de
aposentados e pensionistas vinculados ao outro Fundo Financeiro, que apresentava resultado
financeiro e atuarial deficitário e se utilizava do regime de repartição simples. Utilizou-se o
argumento falho de que está proibida a utilização de recursos financeiros de um fundo para
pagamento de segurados vinculados a outro fundo de natureza previdenciária.

É importante destacar que a operação de utilização de parcela do superávit


entres os fundos financeiro e capitalizado administrados pelo Iprev/DF foi aprovada
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anteriormente pela mesma Secretaria de Previdência quando o DISTRITO FEDERAL


editou a Lei Complementar nº 899/2015.

Em 18/05/2017, os autores ajuizaram Ação Cível Originária c/c pedido de Tutela


Provisória de Urgência perante essa Excelsa Corte (ACO nº 3007 – DF. Relatora Min. Rosa
Weber) em face da União, tendo em vista a negativa por parte do ente federal em expedir o
chamado Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP figura criada, repita-se, por ato
infralegal, ao arrepio total da Constituição Federal e da Lei nº 9.717/99. Destacou-se, à época,
como já exposto, que a emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP estava
disciplinada em atos normativos infralegais da UNIÃO, quais sejam, o Decreto nº 3.788/2001
e a Portaria MPS 204/2008, que restringem direitos subjetivos e impõem obrigações sem
qualquer previsão legal ao RPPS/DF, além de malferirem o princípio da legalidade e de
violarem a autonomia administrativa, a competência do Distrito Federal na edição de leis
previdenciárias e o pacto federativo dos entes políticos do Estado brasileiro.

Diante da evidência da plausibilidade do direito e do perigo da demora


demonstrados nas razões dos autores, a Ministra Relatora da ACO nº 3007 – DF deferiu
parcialmente a antecipação dos efeitos da tutela, para determinar que a União
suspendesse a inscrição dos autores nos seus cadastros de inadimplentes (CADPREV), em
decorrência dos fatos alegados nos autos (reversão, para o Fundo Financeiro de Previdência,
de valores relativos ao superávit apresentado pelo Fundo Previdenciário do Distrito Federal -
DFPREV apurado na avaliação atuarial de 2016, realizada com fundamento na Lei
Complementar Distrital nº 920/2016), bem como emitisse o regular Certificado de
Regularidade Previdenciária – CRP).

Em sua decisão, a Ministra Relatora aduziu que:

“A jurisprudência da Casa é caudalosa quanto à afirmação da competência originária


desta Suprema Corte para o exame de lides como a presente, nas quais a União e/ou as
autarquias federais inviabilizam acordos de cooperação, convênios e operações de
crédito com os Estados membros e respectivas entidades da administração indireta,
mediante inscrição em cadastros de inadimplentes. Reconhece-se, em hipóteses tais, a
existência de conflito federativo apto a atrair a aplicação do art. 102, I, “f”, da
Constituição Federal, como atestam exemplificativamente as decisões na AC 3389 MC-
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Ref, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 01.8.2013, Dje 9.8.2013
e na AC 2973 MC, Rel. Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, Dje 07.3.2012).

Quanto à pretendida antecipação dos efeitos da tutela, anoto que este Supremo Tribunal,
em casos análogos, ainda que referentes a outros cadastros de inadimplentes, tem
igualmente deferido tutela de urgência para o específico fim de evitar ou remover a
inscrição de membro da Federação, considerados os prejuízos decorrentes para o
exercício das funções primárias do ente político, sobretudo no tocante à continuidade
da execução das políticas públicas. Tem-se por configurada, nessa linha, a presença de
perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. Confira-se o seguinte precedente,
da lavra do eminente decano desta Corte:

“SIAFI/CAUC. RISCO DE INCLUSÃO, NESSE CADASTRO FEDERAL, DO


ESTADO DE MATO GROSSO POSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO, AO ESTADO-
MEMBRO, DE LIMITAÇÕES DE ORDEM JURÍDICA, ANTES DO JULGAMENTO
DE TOMADA DE CONTAS ESPECIAL REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA
(RE 607.420-RG/PI, REL. MIN. ROSA WEBER) EXISTÊNCIA DE
PLAUSIBILIDADE JURÍDICA OCORRÊNCIA, NA ESPÉCIE,
DE SITUAÇÃO CONFIGURADORA DE PERICULUM IN MORA RISCO À
CONTINUIDADE DA EXECUÇÃO, NO PLANO LOCAL, DE POLÍTICAS
PÚBLICAS LITÍGIO QUE SE SUBMETE À ESFERA DE COMPETÊNCIA
ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL HARMONIA E
EQUILÍBRIO
NAS RELAÇÕES INSTITUCIONAIS ENTRE OS ESTADOSMEMBROS E A
UNIÃO FEDERAL O PAPEL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COMO
TRIBUNAL DA FEDERAÇÃO POSSIBILIDADE, NA ESPÉCIE, DE CONFLITO
FEDERATIVO TUTELA ANTECIPATÓRIA DEFERIDA DECISÃO DO RELATOR
REFERENDADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
CONFLITOS FEDERATIVOS E O PAPEL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
COMO TRIBUNAL DA FEDERAÇÃO. - A Constituição da República confere, ao
Supremo Tribunal Federal, a posição eminente de Tribunal da Federação (CF, art. 102,
I, f), atribuindo, a esta Corte, em tal condição institucional, o poder de dirimir
controvérsias, que, ao irromperem no seio do Estado Federal, culminam, perigosamente,
por antagonizar as unidades que compõem a Federação. Essa magna função jurídico-
institucional da Suprema Corte impõe-lhe o gravíssimo dever de velar pela
intangibilidade do vínculo federativo e de zelar pelo equilíbrio harmonioso das relações
políticas entre as pessoas estatais que integram a Federação brasileira. A aplicabilidade
da norma inscrita no art. 102, I, f, da Constituição estende-se aos litígios cuja
potencialidade ofensiva revela-se apta a vulnerar os valores que informam o princípio
fundamental que rege, em nosso ordenamento jurídico, o pacto da Federação. Doutrina.
Precedentes. BLOQUEIO DE RECURSOS FEDERAIS CUJA EFETIVAÇÃO PODE
COMPROMETER A EXECUÇÃO, NO ÂMBITO LOCAL, DE PROGRAMA
ESTRUTURADO PARA VIABILIZAR IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS
PÚBLICAS. - O Supremo Tribunal Federal, nos casos de inscrição de entidades
estatais, de pessoas administrativas ou de empresas governamentais em cadastros
de inadimplentes, organizados e mantidos pela União, tem ordenado a liberação e
o repasse de verbas federais (ou, então, determinado o afastamento de restrições
impostas à celebração de operações de crédito em geral ou à obtenção de
garantias), sempre com o propósito de neutralizar a ocorrência de risco que possa
comprometer, de modo grave
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e/ou irreversível, a continuidade da execução de políticas públicas ou a prestação


de serviços essenciais à coletividade.Precedentes.” (ACO 2131 TA-Ref, Rel. Ministro
Celso de Mello, Tribunal Pleno, Dje 17.5.2013, destaquei).

No mesmo sentido: AC 2971 MC-REF/PI, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal


Pleno, DJe 29.3.2012, AC 2636 MC-REF/PE, Rel. Ministra Cármen Lúcia, Tribunal
Pleno, DJe 11.11.2010, AC 1271 MC/AP, Rel. Ministro Eros Grau, Tribunal Pleno, DJ
13.4.2007).

O periculum in mora resta evidenciado ante a data de expiração da certidão negativa


informada. Especialmente quanto ao fumus boni iuris, as razões invocadas pelos autores
quanto à alegada inconstitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.717/98, decorrente
em tese do extravasamento dos limites constitucionais para editar normas gerais sobre
previdência social, não são novas nesta Corte. Rememoro referendo de liminar sob a
relatoria do Ministro Marco Aurélio na ACO 830 sob a seguinte ementa:

“SEPARAÇÃO DE PODERES - PREVIDÊNCIA SOCIAL - AÇÃO CÍVEL


ORIGINÁRIA - TUTELA. Surge relevante pedido voltado ao implemento de tutela
antecipada quando estão em jogo competência concorrente e extravasamento do
campo alusivo a normas gerais considerada previdência estadual.” (ACO 830 TAR,
Rel. Ministro Marco Aurélio Tribunal Pleno, Dje 11.4.2008, destaquei).
Mais recentemente, o Plenário desta Suprema Corte referendou outra liminar, no mesmo
sentido, então sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski na ACO 1062:

“AGRAVO REGIMENTAL NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA. CONFLITO


FEDERATIVO. NEGATIVA DE EXPEDIÇÃO DE CERTIFICADO DE
REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA PARA ESTADO-MEMBRO. O EXAME
DA COMPATIBILIZAÇÃO DAS NORMAS ESTADUAIS COM A
CONSTITUIÇÃO FEDERAL É MATÉRIA COMPLEXA. UTILIZAÇÃO
IRREGULAR DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO COMO
SUCEDÂNEO DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE PARA
NEGAR-SE A CONCESSÃO DO REFERIDO CERTIFICADO.
PRECEDENTES. SITUAÇÃO SEMELHANTE À DE INSCRIÇÃO DO ESTADO
EM CADASTROS DE INADIMPLÊNCIA FEDERAIS. JURISPRUDÊNCIA
ABUNDANTE DA SUPREMA CORTE CONCEDENDO-SE AS MEDIDAS DE
URGÊNCIA REQUERIDAS PARA SE PRESERVAR O FUNCIONAMENTO
DE SERVIÇOS ESSENCIAIS PRESTADOS À POPULAÇÃO DOS ESTADOS.
LIMINAR CONFIRMADA. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” (ACO
1062 AgR, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, DJe 25.8.2014, destaquei).

No mesmo caso, ainda mais recentemente, o Plenário julgou embargos declaratórios


confirmando novamente aquela decisão, agora sob relatoria do Ministro Edson Fachin:

“Embargos de declaração no agravo regimental na ação cível originária. Omissão.


Existência. 2. Direito Previdenciário. Lei n. 9.717/1998. Extravasamento da
competência legislativa da União. Atividades administrativas e sanções. Ingerência
na administração dos Estados. Inconstitucionalidade. Precedentes. 3. Embargos de
declaração acolhidos, sem efeitos modificativos.” (ACO 1062 AgR-ED, Rel. Ministro
Edson Fachin, Tribunal Pleno, DJe 22.2.2016, destaquei).

Do voto ali proferido pelo Ministro Edson Fachin, extraio o seguinte trecho:
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“O Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades, reconheceu que a


União extrapolou os limites da competência legislativa em matéria previdenciária
quando estabeleceu sanções à hipótese de descumprimento da Lei 9.717/98, e
atribuiu ao Ministério da Previdência Social atividades administrativas em órgãos
estaduais, distritais ou municipais de previdência. Confiram-se, a propósito, os
seguintes julgados:

‘AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FINANCEIRO E


ADMINISTRATIVO. NEGATIVA DE EXPEDIÇÃO DO CERTIFICADO DE
REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA – CRP. LEI Nº 9.717/1998.
EXTRAVASAMENTO DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO
RELATIVA ÀS NORMAS GERAIS SOBRE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.’ (RE 874.058-AgR,
Rel. Min. Luiz Fuz, Primeira Turma, Dje 13.11.2015).
‘Agravo regimental em recurso extraordinário. 2.Direito Constitucional. Previdência
social. Lei n. 9.717/1998. 3. Extravasamento da competência legislativa da União.
Atividades administrativas e sanções. Inconstitucionalidade. Precedentes. 4. Ausência
de argumentos suficientes a infirmar a decisão recorrida. 5. Agravo regimental a que se
nega provimento.’ (RE 876.558-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, Dje
09.06.2015). [...] E, ainda, o RE 857.438-AgR, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma,
Dje 12.08.2015; o RE 808.352-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Segunda Turma, Dje
07.11.2014; e o RE 815.499- AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma,
Dje 18.09.2014.”

Tal entendimento vem sendo reiterado pela jurisprudência desta Corte Suprema. Cito as
ementas de alguns outros julgados:

“COMPETÊNCIA CONCORRENTE PREVIDÊNCIA SOCIAL NORMAS GERAIS


EXTRAVASAMENTO. Artigo 7º, inciso I, da Lei nº 9.717/98. Extravasamento do
campo relativo às normas gerais sobre previdência social.” (RE 797926 AgR, Rel.
Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, DJe 29.5.2014, destaquei).

“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREVIDÊNCIA


SOCIAL. NORMAS GERAIS. COMPETÊNCIA. UNIÃO. LEI 9.717/1998.
ATRIBUIÇÃO DE ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. HIPÓTESES DE
SANÇÕES. EXTRAVASAMENTO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO. I Essa Corte já fixou entendimento no sentido de que a União, ao
editar a Lei 9.717/1998, extrapolou os limites de sua competência para estabelecer
normas gerais sobre matéria previdenciária, ao atribuir ao Ministério da
Previdência e Assistência Social atividades administrativas em órgãos da
Previdência Social dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e estabelecer
sanções para a hipótese de descumprimento das normas constantes dessa lei. II
Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 815499 AgR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, Segunda Turma, DJe 18.9.2014, destaquei).

“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.


CONSTITUCIONAL. RESTRIÇÕES DA LEI N. 9.717/1998. NORMAS GERAIS.
PREVIDÊNCIA SOCIAL. EXTRAVASAMENTO DA COMPETÊNCIA DA
UNIÃO. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (RE
808352 AgR, Rel. Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe 7.11.2014, destaquei).
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“RECURSO EXTRAORDINÁRIO – CERTIFICADO DE REGULARIDADE


PREVIDENCIÁRIA (CRP) – CAUC/CADPREV – INCLUSÃO, NESSE
CADASTRO, DE ENTE MUNICIPAL POR EFEITO DA SANÇÃO PREVISTA
NO ART. 7º DA LEI Nº 9.717/1998 – DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL (ACO 830-TAR/PR, Rel. Min. MARCO AURÉLIO) QUE
RECONHECEU A INVALIDADE CONSTITUCIONAL DE REFERIDO
DISPOSITIVO LEGAL, POR EXTRAVASAR A COMPETÊNCIA DA UNIÃO
NA EDIÇÃO DE NORMAS GERAIS – SUBSISTÊNCIA DOS FUNDAMENTOS
QUE DÃO SUPORTE À DECISÃO RECORRIDA – SUCUMBÊNCIA RECURSAL
JUSTIFICADA, NO CASO, PELA EXISTÊNCIA DE “TRABALHO ADICIONAL”
PRODUZIDO PELA PARTE VENCEDORA (CPC, ART. 85, § 11) – MAJORAÇÃO
DA VERBA HONORÁRIA (10%) – PERCENTUAL (10%) QUE INCIDE SOBRE A
VERBA HONORÁRIA POR ÚLTIMO ARBITRADA – NECESSÁRIA
OBSERVÂNCIA DOS LIMITES ESTABELECIDOS NO ART. 85, §§ 2º E 3º DO
CPC – AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.” (RE 984480 AgR, Rel. Ministro Celso
de Mello, Segunda Turma, DJe 17.4.2017, destaquei). “AGRAVO INTERNO NO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FINANCEIRO E ADMINISTRATIVO. AÇÃO
ORDINÁRIA. NEGATIVA DE EXPEDIÇÃO DO CERTIFICADO DE
REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA – CRP. LEI 9.717/1998. DECRETO
3.788/2001. EXTRAVASAMENTO DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA
UNIÃO RELATIVA ÀS NORMAS GERAIS SOBRE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
AGRAVO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL. APLICAÇÃO DA NOVA SUCUMBÊNCIA RECURSAL. ARTIGO 85, §§ 8º
E 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.” (RE 966462 AgR, Rel.
Ministro Luiz Fux, DJe 09.5.2017, destaquei).

Acrescento que, embora eventual inscrição do autor nos cadastros de inadimplentes


tenha o condão de impedir somente as chamadas transferências voluntárias, mantidas as
demais transferências de recursos do ente central da Federação , é inegável a
possibilidade de prejuízo. De um lado, não é desprezível o valor das transferências
voluntárias decorrentes dos convênios firmados entre os entes federados, e, de outro
lado, a anotação de inadimplência impede a prestação de garantias em operações de
crédito pretendidas pelo ente federativo.

Nesse contexto, impregnado de razoabilidade o argumento que defende o afastamento


das sanções previstas nos arts. 7º, 8º e 9º da Lei nº 9.717/98 em decorrência de sua
alegada inconstitucionalidade. Tal conjugação permite, à evidência, no juízo de
cognição sumária que se mostra cabível nesta fase processual, considerar presente o
requisito da plausibilidade do direito para a concessão de tutela de urgência, mesmo
que, no julgamento do mérito, com o advento de novas informações, se possa chegar a
conclusão distinta.

Ante o exposto, defiro parcialmente, ad referendum do Plenário desta Corte (art. 5º,
IV, c/c art. 21, V, do RISTF), a antecipação dos efeitos da tutela, para determinar que
a União suspenda a inscrição dos autores nos seus cadastros de inadimplentes
(CADPREV), em decorrência dos fatos alegados nestes autos (reversão, para o
Fundo Financeiro de Previdência, de valores relativos ao superávit apresentado pelo
Fundo Previdenciário do Distrito Federal - DFPREV apurado na avaliação atuarial de
2016, realizada com fundamento na Lei Complementar distrital nº 920/2016), bem
como emita o regular Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP, se este
for o exclusivo motivo de sua negativa.
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PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL
Procuradoria Especial de Assuntos Constitucionais, de
Processos dos Tribunais Superiores e Tribunais de
Contas

Cite-se e intime-se a ré com urgência para cumprimento imediato da presente decisão


bem como para contestar o feito, no prazo de 30 (trinta) dias (artigos 183 e 335 do
Código de Processo Civil/2015, c/c art. 247, § 1º, do Regimento Interno do Supremo
Tribunal Federal). Publique-se. Intimem-se. Brasília, 22 de maio de 2017. Ministra
Rosa Weber. Relatora”

Ocorre que após o deferimento dessa liminar, o Distrito Federal, buscando


solucionar a sua grave crise fiscal e previdenciária, e diante do fato de não ter evoluído a
reforma da Previdência no âmbito federal, aprovou uma profunda reforma em seu sistema
previdenciário, o que culminou na aprovação da Lei Complementar nº 932, de 03 de outubro
de 2017, que alterou de forma significativa a segregação de massas então vigente, instituiu a
previdência complementar e criou o chamado Fundo Solidário Garantidor, fundo de solvência
com patrimônio estimado em 53 bilhões de reais, segundo avaliação atuarial feita pela Caixa
Econômica Federal.

Essa discussão sobre os impactos da Lei Complementar nº 932/2017 sobre a Lei


Complementar nº 920/2016 foi tratada, inclusive, em diversas reuniões requeridas pela própria
União, no bojo da ACO nº 3007 e nas diversas tratativas visando a conciliação entre as partes.

Após reunião entre representantes dos autores e da ré, em 6 de abril de 2018, a


UNIÃO informou a essa E. Corte que as partes decidiram dar andamento a tratativas
conciliatórias perante a Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal
(CCAF), de modo que novo encontro seria oportunamente agendado, após o resultado do grupo
de trabalho instituído no bojo do Conselho Nacional de Dirigentes de Regimes Próprios de
Previdência Social (CONAPREV). Esse grupo reavaliaria as normas de atuária aplicáveis aos
Regimes Próprios de Previdência Social, atualmente disciplinadas pela Portaria MPS 403/2008.

Desse modo, a União solicitou nova suspensão do curso processual da ACO


3007-DF por mais 120 dias, a fim de viabilizar a continuidade e o êxito das tratativas de
autocomposição na CCAF, o que foi deferido pela Ministra Relatora em 11 de abril de 2018.

Apesar do deferimento da suspensão do feito, em 09 de maio de 2018 a


Secretaria de Previdência Social, por meio do Ofício nº 77/2018/SPREV-MF, encaminhou
ao Distrito Federal o Parecer nº 7/2018/CGACI/SRPPS/SPREV/MF, que se pronunciando
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acerca das alterações promovidas no Regime Próprio de Previdência Social do Distrito


Federal pela Lei Complementar nº 932, de 3 de outubro de 2017, impõe nova restrição de
emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária, determinando alteração para
“irregular” a situação do Distrito Federal relativa ao critério “Equilíbrio Financeiro e
Atuarial”, nos aspectos apontados na Nota Técnica nº
4/2017/CGACI/SRPPS/SPREV/MF, de 20 de outubro de 2017.

No referido Parecer, sustenta a União que o Governo do Distrito Federal não


cumpriu o procedimento previsto no art. 22 da Portaria MPS n° 403/2008, já que encaminhou
para apreciação da CLDF proposta que resultou na edição da Lei Complementar n° 932/2017,
sem antes submeter as alterações ali pretendidas à aprovação prévia da Secretaria de
Previdência do Ministério da Fazenda.

Concluiu aquela Secretaria do Ministério da Fazenda que:

“por se tratar de procedimento complexo e importar, em relação ao plano


financeiro, verdadeira exceção ao princípio do equilíbrio financeiro e atuarial, a
implementação e extinção da segregação da massa ou a alteração de seus parâmetros
dependem da aprovação prévia por esta Secretaria de estudos encaminhados pelo ente
federativo que apontem a viabilidade dessas medidas e que justifiquem a sua adoção,
nos termos previstos no art. 22 da Portaria MPS n° 403, de 2008, e observadas as
disposições do art. 25 dessa norma ministerial (...). Diante do exposto e considerando
as disposições do § 1° do art. 10 da Portaria MPS n° 204, de 2008, sugerimos que o
ente federativo seja NOTIFICADO, em relação às irregularidades apontadas nesta
Nota Técnica, para que, no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, adote as providências
necessárias ao seu saneamento”.

Com essas conclusões, a União manteve em seus registros a situação de


irregularidade do Distrito Federal, reiterando que foi descumprida Portaria da Secretaria da
Previdência Social, no que tange ao aspecto Equilíbrio Financeiro e Atuarial, conforme consulta
ao sítio eletrônico da SPPS.

Ou seja, no caso concreto, além da atuação fiscalizatória da UNIÃO estar


sendo exercida sem qualquer amparo em lei, a ré impôs restrições financeiras de enorme
gravidade aos autores, o que prejudicará toda a população do Distrito Federal.
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É por esse motivo que os autores pugnam, nesta oportunidade, pela concessão
de antecipação dos efeitos da tutela pretendida, haja vista que se trata de utilização de normas
infralegais por parte da União para impor indevidas restrições aos Estados, conduta essa
inconstitucional de arvorar-se no exercício de um poder de polícia e de fixar sanções
administrativas em face dos entes federativos na gestão do seu RPPS.

DA ANÁLISE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 932/2017 EM FACE DAS NORMAS DE


ATUÁRIA EXPEDIDAS PELO MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO E ATUARIAL

Pela Nota Técnica SEI nº 4/2017/CGACI/SRPPS/SPREV-MF a União alega o


seguinte:

Critério de análise para notificação: Revisão do plano de custeio – encaminhamento de


estudo prévio demonstrando a manutenção do equilíbrio financeiro e atuarial do
sistema.

28. De acordo com o que já foi mencionado anteriormente, com as modificações


promovidas pela Lei Complementar n° 769, de 2008, implementou-se a segregação da
massa como modelo estruturador de financiamento do RPPS dos servidores do Distrito
Federal, mecanismo somente adotado no caso de evidenciar-se a inviabilidade de
equacionamento do déficit atuarial por meio de plano de amortização regular,
considerando-se que os valores envolvidos alcançam dimensão tal que se torna por
demais oneroso para o ente federativo amortizá-los no prazo de até 35 anos, tempo
limite previsto na técnica atuarial e regulado na regra estabelecida nos artigos 18 e
19 da Portaria MPS n° 403, 10 de dezembro de 2008. (...)
39. É por tal razão que a segregação da massa ou a sua modificação devem ser objeto
de avaliação mais atenta e detalhada acerca da real situação financeira e atuarial do
RPPS, merecendo estudo mais detido e aprofundado por parte do ente federativo que as
propõe.
40. Dessa forma, por ser a segregação da massa procedimento complexo e importar, em
relação ao plano financeiro, verdadeira exceção ao princípio do equilíbrio financeiro e
atuarial, a Portaria MPS n° 403, de 2008, estabelece que a sua implementação e
extinção ou a alteração de seus parâmetros dependem da elaboração de estudos prévios
que apontem a viabilidade dessas medidas e que justifiquem a sua adoção.
41. Especificamente no que se refere a alteração ou desfazimento da segregação da
massa, a Portaria MPS n° 403, de 2008, estabelece, em seu art. 22, que essas iniciativas
dependem de prévia autorização da Secretaria de Previdência, observando-se as
disposições do art. 25: (...) 42. Incluem-se, portanto, dentre as mudanças que ensejam
prévia aprovação da SPREV, quaisquer propostas de alteração de parâmetros da
segregação da massa implementada, sobretudo quando essas alterações implicam
mudanças significativas na composição de cada uma das submassas que integram o
plano financeiro e o plano previdenciário (a exemplo do que ocorre na hipótese de
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redefinição da data de corte que deve ser aplicada para separação dos grupos de
participantes), pois, nestes casos, produzindo forte impacto na estrutura de custeio dos
fundos e no modelo de financiamento do sistema, a reordenação pretendida necessita
ser validada tecnicamente com vistas a que seja aferido se a iniciativa observa as normas
aplicáveis e se assegura a manutenção do equilíbrio financeiro e atuarial do sistema.
43. Para tanto, deverá o ente federativo encaminhar justificativa técnica
demonstrando a viabilidade orçamentária e financeira da segregação da massa
modelada segundo os novos parâmetros que se pretende adotar e a avaliação
atuarial em que a iniciativa tenha sido objeto de estudo e figure como alternativa
ao equacionamento do deficit atuarial, nos termos do que dispõem os §§ 4° e 5° do
art. 20 da Portaria MPS n° 403, de 2008.
44. Ao analisar a justificativa técnica, com os fluxos das receitas e despesas do plano
financeiro e do plano previdenciário, a SPREV verifica se a proposta implica redução
dos aportes destinados ao RPPS ou é contrária à capitalização necessária para assegurar
a eficiência e economicidade do sistema, exigindo, se for o caso, a comprovação dos
requisitos elencados no dispositivo acima.
45. O GDF não cumpriu o procedimento previsto no art. 22 da Portaria MPS n° 403, de
2008, acima transcrito, já que encaminhou para apreciação da CLDF proposta que
resultou na edição da Lei Complementar n° 932, de 2017, sem antes submeter as
alterações ali pretendidas à aprovação prévia desta Secretaria, transgressão que o
Executivo distrital perpetra, uma vez mais, repetindo-se expediente por ele adotado
quando do encaminhamento das proposições que vieram a se transformar na Lei
Complementar n° 899, de 2015, e na Lei Complementar n° 920, de 2016.
46. Face ao exposto, conclui-se que o Governo do Distrito Federal, mais uma vez, não
observou a regra prevista no art. 22 da Portaria MPS n° 403, de 2008, regra prudencial,
fundamentada no art. 9º da Lei 9.717, de 1998, que objetiva que os entes federativos
comprovem que alterações no regramento do regime próprio de previdência social dos
seus servidores atendem ao princípio constitucional do equilíbrio financeiro e atuarial,
evitando-se que sejam promovidas alterações na modelagem atuarial dos regimes
previdenciários que possam levá-los à situação ou a modelo anteriores à edição, em
1998, da norma geral que regula esses regimes, como parece ser, agora, o caso das
mudanças que estão sendo promovidas pela Lei Complementar N° 932, de 2017.

Critério de análise para notificação: Transferência indevida de recursos do fundo


previdenciário para utilização na cobertura de insuficiências do fundo financeiro.
(...)
94. Finalmente, com relação à destinação, para o Fundo Solidário Garantidor, como
receita extraordinária desse fundo, dos recursos que excedam a 125% da reserva
matemática necessária ao pagamento dos benefícios concedidos e a conceder do Fundo
Financeiro e do Fundo Previdenciário, não houve demonstração de que tal regra atende
aos princípios da prudência e segurança que devem orientar as decisões sobre a
utilização dos excedentes previdenciários, consubstanciados, hoje, nas condições
previstas para revisão do plano de custeio estabelecidas no art. 25 da Portaria MPS
n° 403, de 2008.
IV - CONCLUSÕES.
95. De todo o exposto nesta Nota Técnica, conclui-se que: Por se tratar de procedimento
complexo e importar, em relação ao plano financeiro, verdadeira exceção ao princípio
do equilíbrio financeiro e atuarial, a implementação e extinção da segregação da massa
ou a alteração de seus parâmetros dependem da aprovação prévia por esta Secretaria de
estudos encaminhados pelo ente federativo que pontem a viabilidade dessas medidas e
que justifiquem a sua adoção, nos termos previstos no art. 22 da Portaria MPS n° 403,
de 2008, e observadas as disposições do art. 25 dessa norma ministerial.
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(...)

Com efeito, tais razões não prosperam, haja vista que o Distrito Federal,
buscando solucionar a sua grave crise fiscal e previdenciária, e diante do fato de não ter evoluído
a reforma da Previdência no âmbito federal, aprovou uma profunda reforma em seu sistema
previdenciário.

A nova legislação reviu de forma tão contundente a legislação do Distrito


Federal, que em defesa administrativa foi requerido à União a perda de objeto relativo às
restrições impostas pela aprovação da Lei Complementar nº 932/17, já que houve melhoria no
equilíbrio-financeiro e atuarial do sistema previdenciário distrital.

A nova segregação de massa trazida pela LC nº 932/2017 parte da premissa de


que os seguidos déficits do Fundo Financeiro deveriam ser imediatamente reduzidos para
permitir que fossem adotadas paulatinamente medidas gerenciais e legislativas que
importassem no ingresso de novas receitas para os fundos previdenciários.

A proposta teve como objetivo manter a segregação da massa de segurados entre


dois grupos de servidores: os atuais servidores submetidos ao regime de repartição simples
(Novo Fundo Financeiro) e os novos servidores que ingressarem a partir do funcionamento da
previdência complementar estariam vinculado a um Novo Fundo Capitalizado, a exemplo do
que ocorre hoje com a LC 769/2008, recebendo suas aposentadorias e pensões do RPPS até o
teto do valor pago pelo RGPS/INSS (R$ 5.531,31) e um benefício da previdência complementar
administrado pela DF-PREVICOM (fundação de direito privado de natureza pública a ser
criada pelo Distrito Federal).

No plano complementar, seriam abertas contas individuais para cada servidor,


que receberia aporte de suas contribuições no percentual de 8,5% da remuneração que exceder
o teto do RGPS, realizando o DF contribuição paritária no mesmo valor aportado pelo
participante ao plano. Tais reservas financeiras seriam capitalizadas e concedida uma
aposentadoria de acordo com a reserva de poupança individual.
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Essa reorganização da segregação de massas resolveria no curto e médio prazos


o problema de financiamento dos atuais aposentados e pensionistas do DF e melhor organizaria
o financiamento do RPPS dos futuros servidores, considerando que a limitação do pagamento
de benefícios ao valor do teto pago pelo RGPS também implica na redução do aporte das
contribuições patronais do DF tanto para o RPPS, pois teria como base de contribuição o limite
de R$ 5.531,31, quanto para o regime de previdência complementar, pois o DF aportaria apenas
8,5% do valor da remuneração que exceder o teto do RGPS, enquanto hoje contribui com 22%
sobre toda a remuneração do servidor.

A nova segregação de massa também aumentaria significativamente o volume


de contribuições previdenciárias que são direcionadas ao Fundo Financeiro, pois os servidores,
aposentados e pensionistas que contribuíam para o Fundo Previdenciário passarão a aportar tais
contribuições ao Novo Fundo Financeiro, resultando em um acréscimo de receitas anual de
860 milhões de reais, se considerado o fluxo de receita do Fundo Previdenciário constante na
avaliação atuarial apresentada em 2017 (exercício 2016).

A LC nº 932/2007 enfrenta, de uma só vez, problemas existentes no RPPS/DF


de curto e médio prazos, quando permite que a base de contribuições dos segurados desse
mesmo fundo seja solidariamente utilizada entre todos os atuais servidores, aposentados e
pensionistas; e realiza ajustes de longo prazo quando reduz o comprometimento financeiro do
Distrito Federal em relação aos futuros servidores com a implantação da previdência
complementar gerida por um ente privado e sem qualquer coobrigação financeira adicional do
tesouro do Distrito Federal, além das contribuições normais mensais.

O Fundo Solidário Garantidor, por sua vez, não possui natureza jurídica de fundo
previdenciário, em sua essência etimológica e técnica, mas sim, corresponde a um fundo de
solvência ou reserva patrimonial garantidora para assegurar o equilíbrio financeiro e atuarial do
Fundo Financeiro de Previdência Social (repartição simples) ou do Fundo Capitalizado dos
Servidores do Distrito Federal. É importante observar esse traço diferencial quanto à natureza
jurídica do Fundo Solidário Garantidor, cotejando-o com a natureza jurídica diferenciada dos
demais fundos previdenciários do Distrito Federal, pois não estaria o mesmo submetido às
regras de investimentos fixadas pela Resolução CMN 3922/2010, mas apenas a regras de
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rentabilização dos seus ativos, na forma aprovada pelo Conselho de Administração do


IPREV/DF.
A criação de fundos de solvência, embora não regulada para os regimes próprios
dos servidores efetivos, é uma técnica de financiamento previdenciário existente na previdência
complementar, como podemos observar na redação da Lei Complementar 109/2001 da União,
nos seguintes termos:

LC 109/2001 (União)

Art. 11. Para assegurar compromissos assumidos junto aos participantes e


assistidos de planos de benefícios, as entidades de previdência complementar
poderão contratar operações de resseguro, por iniciativa própria ou por determinação do órgão
regulador e fiscalizador, observados o regulamento do
respectivo plano e demais disposições legais e regulamentares.
Parágrafo único. Fica facultada às entidades fechadas a garantia referida no caput por
meio de fundo de solvência, a ser instituído na forma da lei.

O fundo de solvência é um patrimônio composto de ativos financeiros e não


financeiros que busca assegurar os compromissos assumidos pelos fundos previdenciários, sem
que em relação ao mesmo esteja vinculada massa de segurados. É uma reserva que pode ser
utilizada para o adimplemento de obrigações previdenciárias do ente gestor, de acordo com os
resultados atuariais que indiquem a necessidade de transferência de recursos para acobertar as
despesas previdenciárias de um dos fundos previdenciários.

O Fundo Solidário Garantidor do RPPS/DF atuará como um fundo ou uma


reserva de solvência do Fundo Financeiro e do Fundo Capitalizado administrado pelo
IPREV/DF. Será composto por todo o patrimônio financeiro e não financeiro (imóveis
transferidos em razão da aplicação da LC 899/2015 e ações do BRB transferidos em razão da
LC 920/2016) que antes estavam vinculados ao Fundo Previdenciário do Distrito Federal
DFPREV (capitalizado), além de diversos ativos arrolados no inciso III, art. 73-A da LC
769/2008, a saber:

III - composto pelos seguintes bens, ativos, direitos e receitas extraordinárias:


a) recursos financeiros, imóveis e direitos destinados por lei;
b) o montante de recursos que excedam a 125% da reserva matemática necessária
ao pagamento dos benefícios concedidos e a conceder dos respectivos fundos;
c) os recursos decorrentes da cessão do direito de superfície sobre os espaços públicos destinados
a estacionamento de veículos automotores e o direito de superfície sobre áreas destinadas à
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regularização fundiária urbana e rural de propriedade do Distrito Federal e de suas empresas


públicas, observada a
regulamentação específica definida em lei;
d) os dividendos, as participações nos lucros e a remuneração decorrente de juros
sobre capital próprio destinados ao Distrito Federal na condição de acionista de
empresas públicas ou de sociedades de economia mista;
e) os recebíveis e o fluxo anual relativos ao recebimento da parte principal
corrigida da dívida ativa do Distrito Federal, com vencimento a partir de 1º de
janeiro de 2019;
f) o produto da concessão de bens e serviços baseado em parcerias público-privadas, na
modalidade patrocinada ou administrativa.

A LC 932/2017 também estabeleceu regras para utilização do montante


patrimonial que compõe o Fundo Solidário Garantidor, a fim de evitar que sua utilização para
o pagamento dos benefícios previdenciários devidos atualmente pelo Fundo Financeiro seja
realizada de forma instantânea, exaurindo a reserva patrimonial em alguns poucos exercícios
financeiros.

Estabeleceu a LC 932/2017 os seguintes critérios para utilização dos recursos do


Fundo Garantidor:

Art. 46. As disponibilidades financeiras vinculadas ao extinto Fundo Previdenciário do Distrito


Federal - DFPREV existentes na data da publicação desta Lei Complementar são incorporadas
pelo Fundo Solidário Garantidor, devendo a utilização desses recursos obedecer às seguintes
diretrizes:
I - os recursos do Fundo Solidário Garantidor somente podem ser utilizados para o pagamento
de benefícios previdenciários;
II - as reservas são mantidas em conta gráfica apartada, constituindo sua principal reserva
garantidora das obrigações dos demais fundos, caso haja necessidade;
III - a partir do exercício de 2017, fica autorizada a utilização para pagamento de benefícios
do montante relativo ao resultado total do investimento verificado no ano anterior,
decorrente da rentabilização da carteira de ativos do Fundo;
IV - a partir do exercício de 2019, fica autorizada a utilização para pagamento de benefícios
do montante relativo ao resultado líquido do investimento verificado no ano anterior,
decorrente da rentabilização da carteira de ativos do Fundo que superar a inflação medida
no exercício.

Os incisos III e IV do art. 46 da LC 932/2017 limitaram a utilização dos recursos


financeiros do Fundo Solidário Garantidor, criando limites de desembolso para cada exercício
financeiro.

No exercício financeiro de 2017, o Fundo Financeiro (atualmente deficitário,


conforme Avaliação Atuarial da Caixa Econômica Federal de 2016) poderá se utilizar do valor
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correspondente ao resultado total do investimento verificado pelo extinto Fundo Previdenciário


do Distrito Federal DFPREV, aplicando-se a mesma regra para o exercício de 2018, sendo que
o parâmetro para aferir a rentabilidade do Fundo Solidário Garantidor no exercício de 2017
deverá considerar também o período em que os recursos garantidores estavam sob a
capitalização do extinto Fundo Previdenciário DFPREV.

A partir de 2019, o volume de recursos financeiros a serem utilizados pelo Fundo


Financeiro ficará limitado ao montante correspondente ao volume dos rendimentos que
superaram a inflação do ano anterior.

Assim, com o novo desenho do regime de financiamento do RPPS/DF buscou-


se a um só tempo solucionar um problema imediato no curto prazo relacionado ao fluxo de
caixa do Fundo Financeiro, haja vista que somente pelo fato de se proceder à junção da massa
de todos os atuais servidores, aposentados e pensionistas dar-se-á um acréscimo de receita de
contribuições previdenciárias e patronais estimado em mais de 860 milhões de reais (oitocentos
e sessenta milhões de reais), bem como, com a criação do Fundo Solidário Garantidor,
estariam garantidos alguns anos para que sejam direcionadas novas receitas ao RPPS/DF,
além das contribuições dos segurados e patronal, de modo que gradativamente seja
reduzido o déficit financeiro e atuarial do regime previdenciário.

É importante rememorar a recente vitória do Distrito Federal e do


IPREV/DF no âmbito da Ação Civil Originária 2988 em curso no Supremo Tribunal
Federal que assegurará, nos próximos dois anos, o ingresso de mais de R$ 791.616.742,92
(setecentos e noventa e um milhões, seiscentos e dezesseis mil, setecentos e quarenta e dois
reais, noventa e dois centavos), valor para a competência julho/2017, ao Fundo Financeiro
a titulo de compensação previdenciária, recursos esses que, se seguissem as regras
ordinárias de pagamento pelo INSS, somente seria quitada em mais de 120 anos.

A LC 932/2017 também soluciona os problemas de longo prazo em relação aos


futuros servidores efetivos do Distrito Federal que ingressarem a partir do funcionamento da
previdência complementar, considerando que, por estar a proteção previdenciária oficial do
RPPS/DF limitada ao teto do salário de contribuição do INSS (atualmente em R$ 5.531,31),
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restaria reduzido o comprometimento financeiro do GDF com o custeio do regime próprio,


atuando como patrocinador do plano de bene cios do servidor na previdência complementar
no importe paritário de 8,5% do valor remuneratório pago ao servidor que exceder o teto do
INSS, ao invés de ter que realizar o custeio do percentual de 22% sobre toda a base contributiva
remuneratória.

E sobre a necessidade da junção das massas atuais de servidores, não é demais


lembrar que o regime próprio dos servidores efetivos tem por obrigação constitucional observar
o princípio da solidariedade, o que pressupõe que todos os servidores que estejam na mesma
situação jurídica auxiliem-se mutuamente no financiamento das despesas previdenciárias.

Constituição Federal:
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e
fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo
e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos
servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

Deflui daí que não possuem fundamento jurídico eventuais alegações que
conduzam ao entendimento de que não poderia o Distrito Federal rever a forma de organização
e custeio do seu RPPS.

A Constituição Federal estabelece apenas a faculdade da criação de regimes


próprios pelos servidores públicos efetivos, determinando a aplicação do RGPS para aqueles
entes políticos que não venham a criá-lo, atribuindo à União, Estados, Distrito Federal e
Municípios a competência legislativa para disciplinar o plano de benefícios e o plano de
custeio do RPPS, bem como a criação de previdência complementar para seus servidores.

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime
de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo
ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 14 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam
regime de previdência complementar para os seus respectivos servidores titulares de
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cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem
concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para os
benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 14 será instituído por lei
de iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus
parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência
complementar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos
de benefícios somente na modalidade de contribuição definida. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá
ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação
do ato de instituição do correspondente regime de previdência complementar. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
(...)
§ 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para
os servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do
respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142,
§ 3º, X. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

E ainda, a Constituição Federal (art. 249 CF) faculta aos entes federativos que
instituíram seu RPPS a criar um fundo capitalizado para o custeio do plano de benefícios.

Art. 249. Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento de proventos de


aposentadoria e pensões concedidas aos respectivos servidores e seus dependentes, em
adição aos recursos dos respectivos tesouros, a União, os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios poderão constituir fundos integrados pelos recursos provenientes de
contribuições e por bens, direitos e ativos de qualquer natureza, mediante lei que disporá
sobre a natureza e administração desses fundos. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 20, de 1998)

É importante reafirmar que não estão os entes federativos que instituíram seus
RPPS obrigados a realizar o custeio do regime previdenciário dos seus servidores efetivos
através do regime de capitalização, sendo possível manter o pagamento das prestações
previdenciárias através do regime financeiro de caixa, como ocorre com a folha de pagamento
dos servidores ativos.

Assim, a edição pelo Distrito Federal da Lei Complementar nº 932/2017 foi o


resultado da legítima autonomia política do ente distrital, ao escolher o modelo de previdência
que melhor atenderia ao custeio dos benefícios atuais e futuros assegurados aos seus servidores
e dependentes, considerando as informações e dados atuariais disponíveis para o seu RPPS.
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DOS PRECEDENTES DA SUPREMA CORTE EM CASOS PARADIGMAS

É importante ressaltar que a atuação fiscalizatória da Secretaria de Previdência


no caso dos autos ofende a competência do DISTRITO FEDERAL em disciplinar o seu RPPS,
cujos eventuais excessos empreendidos pela UNIÃO têm sido rechaçados pelo SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL, como bem assinalam as seguintes decisões:

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO


PREVIDENCIÁRIO. CERTIFICADO DE REGULARIDADE
PREVIDENCIÁRIA – CRP. DESCUMPRIMENTO. SANÇÕES. LEI 9.717/1998.
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. NORMAS GERAIS SOBRE
PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO. 1. A jurisprudência
desta Corte é pacífica no sentido de que a União extrapolou os limites de sua
competência legislativa na edição da Lei 9.717/1998, ao impor sanções decorrentes da
negativa de expedição de Certificado de Regularidade Previdenciária. Precedentes. 2.
Agravo regimental a que se nega provimento, com majoração de honorários
advocatícios, com base no art. 85, § 11, do CPC, e aplicação de multa, nos termos do
art. 1.021, §4º, do CPC.
(STF. RE 979224 AgR / PE. Relator(a): Min. EDSON FACHIN. Julgamento:
31/03/2017. Órgão Julgador: Segunda Turma)

RECURSO EXTRAORDINÁRIO – CERTIFICADO DE REGULARIDADE


PREVIDENCIÁRIA (CRP) – CAUC/CADPREV – INCLUSÃO, NESSE
CADASTRO, DE ENTE MUNICIPAL POR EFEITO DA SANÇÃO PREVISTA NO
ART. 7º DA LEI Nº 9.717/1998 – DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
(ACO 830-TAR/PR, Rel. Min. MARCO AURÉLIO) QUE RECONHECEU A
INVALIDADE CONSTITUCIONAL DE REFERIDO DISPOSITIVO LEGAL, POR
EXTRAVASAR A COMPETÊNCIA DA UNIÃO NA EDIÇÃO DE NORMAS
GERAIS – SUBSISTÊNCIA DOS FUNDAMENTOS QUE DÃO SUPORTE À
DECISÃO RECORRIDA – SUCUMBÊNCIA RECURSAL JUSTIFICADA, NO
CASO, PELA EXISTÊNCIA DE “TRABALHO ADICIONAL” PRODUZIDO PELA
PARTE VENCEDORA (CPC, ART. 85, § 11) – MAJORAÇÃO DA VERBA
HONORÁRIA (10%) – PERCENTUAL (10%) QUE INCIDE SOBRE A VERBA
HONORÁRIA POR ÚLTIMO ARBITRADA – NECESSÁRIA OBSERVÂNCIA DOS
LIMITES ESTABELECIDOS NO ART. 85, §§ 2º E 3º DO CPC – AGRAVO
INTERNO IMPROVIDO.
(STF. RE 984480 AgR/PE - PERNAMBUCO. AG.REG. NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CELSO DE MELLO. Julgamento:
24/03/2017. Órgão Julgador: Segunda Turma).

CONSTITUCIONAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. EXPEDIÇÃO
DO CERTIFICADO DE REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA – CRP. LEI
9.717/1998. EXTRAVASAMENTO DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA
UNIÃO RELATIVA ÀS NORMAS GERAIS SOBRE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
PRECEDENTES. 1. Nos termos da jurisprudência da Corte, a União, ao editar a Lei
9.717/1998 e o Decreto 3.788/2001, extrapolou os limites de sua competência
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constitucional. 2. Agravo regimental a que se nega provimento.


(STF. RE 827541 AgR/PE - PERNAMBUCO. Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI.
Julgamento: 07/10/2016. Órgão Julgador: Segunda Turma)

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO


PREVIDENCIÁRIO. CERTIFICADO DE REGULARIDADE
PREVIDENCIÁRIA – CRP. DESCUMPRIMENTO. SANÇÕES. LEI 9.717/1998.
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. NORMAS GERAIS SOBRE
PREVIDÊNCIA SOCIAL. RECURSO POSTERIOR À VIGÊNCIA DO CPC/15.
1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que a União extrapolou os
limites de sua competência legislativa na edição da Lei 9.717/1998, ao impor sanções
decorrentes da negativa de expedição de Certificado de Regularidade
Previdenciária. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento.
(STF. RE 933138 AgR /PE-PERNAMBUCO . Relator(a): Min. EDSON FACHIN.
Julgamento: 26/08/2016. Órgão Julgador: Primeira Turma)

Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. EXPEDIÇÃO
DO CERTIFICADO DE REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA – CRP. LEI Nº
9.717/1998. EXTRAVASAMENTO DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA
UNIÃO RELATIVA ÀS NORMAS GERAIS SOBRE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
PRECEDENTES. PRECEDENTES. 1. Nos termos da jurisprudência da Corte, a
União, ao editar a Lei nº 9.717/1998 e o Decreto nº 3.788/2001, efetivamente extrapolou
os limites de sua competência constitucional. Precedentes. 2. Agravo regimental a que
se nega provimento.
(STF. RE 886594 AgR /PB-PARAÍBA. Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO.
Julgamento: 15/03/2016. Órgão Julgador: Primeira Turma)

DA CONCESSÃO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

O Código de Processo Civil ao disciplinar as tutelas provisórias dispõe que elas


podem ser concedidas com base na urgência ou na evidência do direito a ser protegido.

Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência.


Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em
caráter antecedente ou incidental.
Art. 295. A tutela provisória requerida em caráter incidental independe do pagamento de custas.
Art. 296. A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode, a
qualquer tempo, ser revogada ou modificada.
Parágrafo único. Salvo decisão judicial em contrário, a tutela provisória conservará a eficácia
durante o período de suspensão do processo.
Art. 297. O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para efetivação da
tutela provisória.
Parágrafo único. A efetivação da tutela provisória observará as normas referentes ao
cumprimento provisório da sentença, no que couber.
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No caso dos autos, tanto a urgência da necessidade da concessão da medida


liminar, quanto a evidência do direito subjetivo a ser protegido, estão demasiadamente
demonstradas.

É que a permanência dos autores no cadastro negativo do CADPREV,


administrado pelo Ministério da Fazenda (Secretaria de Previdência), importará em severas
restrições financeiras para o DISTRITO FEDERAL, considerando que estará privado de
receber transferências voluntárias constitucionais e de celebrar negócios jurídicos importantes
para a prestação dos serviços públicos a toda a população do ente federativo.

A plausibilidade jurídica da concessão da medida liminar também está por


demais presente, considerando que a fixação de restrições a direitos subjetivos e a imposição
de obrigações pelos artigos 7º, 8º e 9ª da Lei nº 9.717/98 violam expressamente às escâncaras
o princípio da legalidade (art. 5º, II da CF ), a autonomia administrativa (art. 18 da CF) e o
pacto federativo dos entes políticos do Estado brasileiro (art. 1º da CF ), existindo farta
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal nesse sentido.

CONCLUSÕES

Diante do exposto, vêm os autores requerer:

a) A concessão de tutela provisória de urgência para impedir que a União


aplique as sanções previstas no art. 7º da Lei nº 9.717/98, bem como nos artigos
8º e 9ª da Lei nº 9.717/98, em razão da presença do nome dos réus em cadastro
negativo de informações previdenciárias, bem como que seja compelida a ré a
emitir o Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP, retirando, com isso,
o Distrito Federal do cadastro negativo da Secretaria de Previdência do
Ministério da Fazenda;

b) A citação da ré para, querendo, apresentar contestação no prazo legal;

c) A intimação do representante do Ministério Público Federal para opinar


no presente feito;

d) Que, ao final, a ação seja julgada totalmente procedente para,


confirmando a liminar, seja a União obrigada a se abster de impor qualquer
restrição ao Distrito Federal e/ou ao IPREV/DF com base no art. 7º da Lei nº
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9.717/98, em razão da existência de pendências no seu sistema informatizado


CADPREV do Ministério da Fazenda, de modo a permitir o regular
financiamento das aposentadorias e pensões dos servidores e dependentes do
RPPS, bem como a realização de investimentos e prestação de serviços públicos
indispensáveis à população do ente federativo; e

e) Que seja a ré condenada ao pagamento de honorários e demais despesas


judiciais.

Protesta-se pela produção de todas as provas admitidas em direito.

Dá à causa o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) para fins fiscais.

Nestes termos,
Pede Deferimento.
Brasília, 7 de junho de 2018.

Paola Aires Corrêa Lima Marcelo Cama Proença Fernandes


Procuradora-Geral do Distrito Federal Procurador do Distrito Federal