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Resumo: "Dos delitos e das

penas"

De Cesare Beccaria
APRESENTAÇÃO.

I. Introdução.

II. Origem das penas e direito de punir.

III. Consequências desses princípios.

IV. Da interpretação das leis.

V. Da obscuridade das leis.

VI. Da prisão.

VII. Dos indícios do delito e da forma dos julgamentos.

VIII. Das testemunhas.

IX. Das acusações secretas.

X. Dos interrogatórios sugestivos.

XI. Dos juramentos.


XII. Da questão ou tortura.

XIII. Da duração do processo e da prescrição.

XIV. Dos crimes começados; dos cúmplices; da impunidade.

XV. Da moderação das penas.

XVI. Da pena de morte.

XVII. Do banimento e das confiscações.

XVIII. Da infâmia.

XIX. Da publicidade e da presteza das penas.

XX. Que o castigo deve ser inevitável - das graças.

XXI. Dos asilos.

XXII. Do uso de pôr a cabeça a prêmio.

XXIII. Que as penas devem ser proporcionadas aos delitos.

XXIV. Da medida dos delitos.

XXV. Divisão dos delitos.


XXVI. Dos crimes de lesa-majestade.

XXVII. Dos atentados contra a segurança dos particulares e


principalmente, das violências.

XXVIII. Das injúrias.

XXIX. Dos duelos.

XXX. Do roubo.

XXXI. Do contrabando.

XXXII. Das falências.

XXXIII. Dos delitos que perturbam a tranquilidade pública.

XXXIV. Da ociosidade.

XXXV. Do suicídio.

XXXVI. De certos delitos difíceis de constatar.

XXXVII. De uma espécie particular de delito.

XXVIII. De algumas fontes gerais de erros e de injustiças na legislação.

XXXIX. Do espírito de família.


XL. Do espírito do fisco.

XLI. Dos meios de prevenir crimes.

XLII. Conclusão.
APRESENTAÇÃO

O livro Dos Delitos e das Penas é, nada mais nada menos, que o
manifesto do autor contra o sistema criminal de sua época (século XVIII
- viveu o movimento filosófico e humanitário ao qual pertencem os tão
conhecidos autores: Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros) a fim de
que a sociedade, através de mudanças, contasse com instituições
melhores e que fossem criadas novas leis. Estas deveriam visar somente
uma finalidade: “promover todo o bem-estar possível para a maioria.”

Tendo em vista que as penas, antigamente, constituíam uma espécie de


vingança coletiva, era muito comum ocorrer a aplicação de punições com
consequências muito mais severas que o delito praticado, portanto, o
autor critica a severidade das penas, remontando desde sua origem ate a
sua eficácia na aplicação.

Esclarece, ainda, as injustiças na legislação, e sobre a importância da


entidade FAMÍLIA para a prevenção de grandes delitos, inclusive, cita
no capítulo XLI (DOS MEIOS DE PREVENIR CRIMES) que:

"é melhor prevenir os crimes do que ter de puni-los; e todo legislador


sábio deve procurar antes impedir o mal do que repará-lo."

I. INTRODUÇÃO

Beccaria inicia seu livro propondo uma divisão igualitária das vantagens
entre todos os membros da sociedade, tendo em vista que o que
realmente ocorre é o oposto. Esclarece a importância da elaboração de
boas leis e afirma que a a função destas e da ordem é a de evitar
injustiças e abusos dentro da sociedade, visando “proporcionar todo o
bem-estar possível para a maioria.”

II. ORIGEM DAS PENAS E DIREITO DE PUNIR

Segundo o autor, para encontrar os princípios fundamentais do direito


de punir (que por sua vez devem ser baseados na moral política fundada
sobre os “sentimentos indeléveis do homem”) deve-se apenas consultar
o coração humano.

Baseia-se na Teoria do Contrato Social para explicar que os primeiros


homens, mais conhecidos como selvagens, se viram forçados a se
unificarem para garantir sua sobrevivência, abrindo mão de parte da sua
liberdade para que o resto dela fosse protegido. Portanto, pode-se dizer
que o que uniu os homens, primeiramente, foram as leis[1].
O fundamento do direito de punir baseia-se no conjunto de todas essas
pequenas porções de liberdade, vez que todo poder que se afasta desse
princípio pode ser considerado como injustiça, inclusive por não ser um
poder legítimo.

III. CONSEQUÊNCIAS DESSES PRINCÍPIOS

A primeira consequência desses princípios é que a fixação das penas de


cada delito deve estar expressa em lei anterior[2]. Ainda, deixa claro que
somente o legislador possui o poder de fazê-las. Isso não significa que
tais leis são tendenciosas para o lado do legislador, vez que este
representa a sociedade da qual faz parte.
A segunda consequência é que ao soberano cabe somente fazer leis
gerais aos quais todos devem submeter-se e, não está em seu poder,
julgar quem as violou. Devido à necessidade de um mediador entre o
soberano e o acusado, surge o papel do magistrado.

IV. DA INTERPRETAÇÃO DAS LEIS

Ressalta que o legítimo intérprete das leis é o soberano e não o juiz, cujo
dever consiste em somente examinar o caso e decidir se o julgado
praticou o delito ou não. Portanto, os magistrados não devem interpretar
as leis penais, tendo em vista que este cargo cabe aos legisladores e ao
soberano, garantindo assim, a correta aplicação da justiça e a pequena
probabilidade de arbitrariedade por parte do juiz.

V. DA OBSCURIDADE DAS LEIS

Neste capítulo ressalta-se o grande papel da imprensa na propagação do


código sagrado das leis e que a ela devemos a diminuição dos crimes que
assombravam aquela época.[3]

VI. DA PRISÃO

Somente as leis podem determinar as situações nas quais os culpados


devem ir para as prisões como forma de castigo[4]. A lei deve, ainda,
prever expressamente quais são os indícios de delitos que permitem a
um acusado ser submetido a interrogatório.

VII. DOS INDÍCIOS DO DELITO E DA FORMA DOS JULGAMENTOS

Os indícios que merecem pouca importância são os que se apoiam em


somente uma única prova concreta, pois, se derrubada tal prova, leva-se
consigo todos os outros supostos indícios.

Quando se trata de provas independentes entre si, deve-se dar mais


atenção a elas visto que:

“quanto mais numerosos forem esses indícios, tanto mais provável será o
delito.”

Existe uma divisão entre as provas, sendo elas: perfeitas, quando são
necessárias somente estas para autorizar a condenação e imperfeitas,
quando existe a possibilidade da inocência do acusado (portanto, em
caso de prova imperfeita, é necessário obter outras provas para que
ocorra a condenação).

VIII. DAS TESTEMUNHAS

O autor ressalta a importância das testemunhas para a resolução do


caso, porém, acima de tudo, alega que é importante que toda legislação
saiba o grau de importância que deve ser dado a respectiva testemunha
tendo em vista o interesse que esta pessoa possui em dizer ou não a
verdade.
A título de curiosidade, na época retratada, as leis não admitiam como
testemunho nem os condenados, nem as mulheres e nem as pessoas com
nota de infâmia.

IX. DAS ACUSAÇÕES SECRETAS

O autor faz uma crítica as acusações secretas, alegando que esta faz os
homens “falsos e pérfidos” e é fruto de uma fraca constituição. Alega,
ainda, que não há possibilidade de defesa da calúnia quando se trata de
uma acusação sigilosa. Qual sua finalidade? Em que se apoiam as penas
secretas? Qual seu papel perante a segurança? Como um governo
autoriza calúnias secretas e pune calúnias públicas?

X. DOS INTERROGATÓRIOS SUGESTIVOS

O que são interrogatórios sugestivos? São as perguntas que se fazem


acerca da espécie e não do gênero das circunstâncias do delito, pois o
juiz que interroga “só deve ir ao fato indiretamente, e nunca em linha
reta”.[5]

XI. DOS JURAMENTOS

Para o autor é contraditório exigir do acusado que faça um juramento


alegando dizer a verdade sendo que é natural que este homem não tenha
interesse algum em fazê-lo.

XII. DA QUESTÃO OU TORTURA


Diz-se que a tortura é inútil somente quando é certo que o delito foi
cometido, tendo em vista que não há necessidade de o acusado confessar
o crime.

Porém, se o delito é incerto, é legal ``apelar`` para a tortura, mesmo


que moralmente desprezada. O autor se posiciona contra tais castigos
alegando que é inaceitável exigir que um homem acuse si mesmo, ainda
mais sob tormentos físicos, como se fosse a única maneira de se
conseguir a verdade.

Muitas vezes, pode o inocente alegar que é culpado somente para que
cessem tais tormentos, e em outras vezes, poderá o culpado aguentar tais
dores pra ser inocentado. Mas será isto justo? O que esta em questão é a
bravura do ser humano ou seu mérito?

XIII. DA DURAÇÃO DO PROCESSO E DA PRESCRIÇÃO[6]

Quando uma sentença define que o delito foi cometido e as provas são
concretas, o acusado deve obter um tempo para justificar-se e/ou
defender-se. Cabe somente as leis fixar o espaço de tempo conferido
para o julgado apresentar sua defesa e para que o delito seja investigado.

Neste capítulo, o autor faz uma diferenciação entre duas espécies de


delitos: crimes atrozes (que compreendem desde o homicídio até os
assassinatos mais bruscos); e os crimes menos hediondos do que o
homicídio.
XIV. DOS CRIMES COMEÇADOS; DOS CÚMPLICES; DA
IMPUNIDADE

O autor ressalta a importância de se punir a intencionalidade do agente


de cometer um crime, mesmo que tendo este não sido aplicado (claro,
tendo uma proporcionalidade em relação às penas aplicadas). Tal
medida torna-se necessária vez que é importante prevenir os delitos e
não somente puni-los depois de consumados. Deve-se usar a mesma
lógica em relação a punição dos cúmplices. Mesmo que não sendo
agentes ativo-diretos, ao participarem do crime, devem receber penas
proporcionais ao delito cometido por estes.

XV. DA MODERAÇÃO DAS PENAS

Para que as penas inspirem medo e sejam eficazes para o fim ao qual se
destinam, é necessário que sejam proporcionais aos delitos e também
que o rigor das penas deve ser relativo ao estado atual da sociedade na
qual o culpado reside.

A crueldade é conhecida como um desvio da finalidade principal das


penas: castigar o culpado e prevenir futuros crimes; vez que ultrapassa
os limites e, muitas vezes, leva a tirania.

XVI. DA PENA DE MORTE

O autor é a favor da pena de morte somente em uma sociedade que


possui um governo bem organizado, afirmando que esta é útil e justa.
Porém, exalta que esta sociedade é uma exceção e que na prática, a pena
de morte - em uma sociedade na qual ele vivera - era prejudicial ao
exercício da aplicação das leis. Defende, ainda, a ideia de que a privação
da liberdade de um ser humano é muito mais eficaz (a fim de prevenção)
do que simplesmente aplicar uma pena de grande impacto.

A sociedade pugna pela justiça contra os homicídios, portanto, é uma


controvérsia a aplicação da pena de morte em uma sociedade na qual é
odiosa a ideia de morte. Quem possui o direito de tirar a vida de outrem?
Como punir um crime cometendo outro crime? O legislador representa a
vontade da maioria, e Beccaria afirma que a sociedade não aprova tal
pena violenta e passageira. Afirma, ainda, que para uma lei ser justa ela
deve ter um grau elevado de rigor para desviar os outros homens dos
crimes e não promover uma solução paliativa para o delito. Será que esta
pena pode ser considerada como uma máscara da tirania do governo?

XVII. DO BANIMENTO E DAS CONFISCAÇÕES

Deve ser banido aquele que perturba a tranquilidade pública,


desobedecendo às leis as quais todos os cidadãos estão comprometidos,
ou seja, aqueles que comprometem a ordem do Estado. O banimento
pode ser acompanhado de confiscação de bens ou não.

A confiscação de bens, por ser uma pena pior que somente o banimento,
deve ocorrer em casos previstos em leis, nos quais o culpado deve ser
desligado da sociedade da qual fazia parte anteriormente e assim,
ocorrerá sua “morte natural e política.".
XVIII. DA INFÂMIA

A desonra, além de abalar a confiança que a sociedade tinha naquele


específico indivíduo, é sinal de improbração pública. Seus efeitos não
dependem das leis aplicadas e sim da moral e da opinião pública.

XIX. DA PUBLICIDADE E DA PRESTEZA DAS PENAS

Uma pena será útil e justa quanto mais pronta for esta e mais de perto
seguir o delito, isto é, poupará o acusado da tortura e da incerteza. A
presteza do julgamento é essencial, pois, Beccaria afirma que o cidadão
detido deve ficar detido somente o tempo necessário para que ocorra o
processo, vez que, a partir do momento que o homem decidiu se sujeitar
a um Estado (Pacto Social) era para que sofresse os menores males
possíveis.

XX. QUE O CASTIGO DEVE SER INEVITÁVEL - DAS GRAÇAS

O que evita os crimes não é a severidade da pena e sim a sua aplicação


obrigatória (caráter coercitivo do Estado e do ordenamento jurídico).
Para afastar a ideia de impunidade, é necessária a perspectiva de um
castigo moderado, mas inevitável.

Vale lembrar que o direito de punir pertence somente às leis - que


representam a vontade do povo - e as leis penais existiram em função do
bem público, ou seja, para a proteção do bem-estar dos cidadãos.
XXI. DOS ASILOS

Para Beccaria, os soberanos devem fazer permutação de criminosos para


que estes sejam julgados nos países em que cometeram o crime, pois,
será justo que um homem que habite determinado país seja submetido
às leis de outro país? Não se deve, também, conceder asilo aos
criminosos, pois isso geraria um sentimento de impunidade nos
cidadãos e será esta permutação útil?

XXII. DO USO DE PÔR A CABEÇA A PRÊMIO

Até que ponto é vantajoso para a sociedade pôr a cabeça de um cidadão a


prêmio, vez que tal ação fere os princípios morais e virtudes do espírito
humano? Além de ser um mal que incentiva a prática de outros delitos,
revela também a fraqueza da nação perante sua ordem.

XXIII. QUE AS PENAS DEVEM SER PROPORCIONADAS AOS


DELITOS

Neste capítulo, Beccaria propõe uma proporção entre delitos e penas


onde a sanção deve ser correspondente a infração, isto é, quanto mais o
crime for contrário ao bem público e funesto a sociedade, mais
severamente deverá ser punido, a fim de que a ocorrência de tais crimes
seja mais rara.

Faz, ainda, uma distinção entre os delitos grandes e menores, sendo este
as pequenas ofensas a particulares e aquele os crimes contra o bem
público que acarretem a destruição da sociedade.

O legislador é o responsável por estabelecer tal proporção na


distribuição das penas para que não ocorram injustiças do tipo: aplicar a
mesma sanção para um crime grande e um menor (por exemplo, aplicar
a pena de morte para o cidadão que descumpriu um contrato e para o
cidadão que matou a família inteira).

XXIV. DA MEDIDA DOS DELITOS

O autor, ao afirmar que a grandeza do crime não depende da intenção de


quem o comete, exemplifica que se essa teoria fosse aceita, seria
necessária a criação de um código de leis para cada cidadão.

Outros magistrados defendem a ideia de que a dignidade da pessoa


ofendida deve ser o ponto de partida para medir a gravidade do delito.
[7]
Conclui-se que a verdadeira medida dos crimes é o grau de dano causado
á sociedade.

XXV. DIVISÃO DOS DELITOS

Qualquer crime que atentar contra a sociedade ou aos que ela representa
será considerado ato criminoso. Os delitos podem, ainda, atentarem
contra os cidadãos e outros atentarem contra o que a lei prescreve.
Todos os atos que não se encaixarem nessas classes não devem ser
considerados como delitos.
É de extrema importância que para que haja uma convivência
harmônica entre o direito e a moral, os cidadãos estejam cientes de que
podem fazer tudo aquilo que não está proibido em lei.

XXVI. DOS CRIMES DE LESA-MAJESTADE

Tais crimes podem ser classificados como grandes crimes pois atentam
contra a sociedade; mas o que são tais crimes? São os crimes de traição
contra a sua majestade, Estado ou representante. Em muitos dos casos,
os culpados eram punidos com execução pública por meio de tortura,
seus bens se tornariam propriedade da Coroa e sua família condenada à
infâmia.

Dentro desses crimes de lesa-majestade, aplicaram-se às faltas leves as


penas mais severas, o que feriu, claramente, o princípio da
proporcionalidade das penas.

XXVII. DOS ATENTADOS CONTRA A SEGURANÇA DOS


PARTICULARES E, PRINCIPALMENTE, DAS VIOLÊNCIAS

Estes crimes não são considerados como crimes menores, mas também
não são considerados como os crimes grandes, pois atentam contra a
segurança dos particulares e envolvem crimes como: atentados contra a
vida, contra os bens, contra a honra, entre outros.

O autor afirma que mesmo que a desigualdade seja inevitável na vida em


sociedade, a igualdade civil antecede qualquer privilégio, portanto todas
as penas devem ser igualmente aplicadas tanto aos pobres quanto aos
nobres para que estas sejam legítimas.

Os crimes contra a vida, além de serem considerados como grandes


delitos, devem ser punidos com penas corporais, ou seja, com a tortura.

XXVIII. DAS INJÚRIAS

A infâmia deve ser a maneira de se punir as injúrias pessoais que


atingem a honra. Beccaria faz uma retomada dos tempos antigos para
explicar a questão da honra, que por sua vez, ainda é mal abordada.

Pode-se constatar que seja no estado de liberdade extrema ou no de


liberdade limitada (viver em sociedade), as ideias de honra se
confundem ou mesmo desaparecem com outras ideias.

A honra deve ser uma garantia protegida pelo Direito, de forma a


preservar a imagem de cada cidadão perante outro, com determinação
de reparação de dano quando é ferida.

XXIX. DOS DUELOS

A origem dos duelos está estritamente ligada à defesa pessoal da honra


e, ainda, está estritamente ligada a uma sociedade na qual prevalece a
desordem de um ordenamento ruim.

Segundo o autor, a única maneira para evitar o surgimento de duelos -


baseados na defesa da honra - é a punição severa do agressor e inocentar
aquele que defendeu a própria honra (pena expressa em lei, pois esta é a
única maneira legítima de punição).

XXX. DO ROUBO

Beccaria defende a ideia de que só deve ser punido com uma pena
pecuniária o roubo realizado sem uso de qualquer violência. Por que as
penas pecuniárias não podem ser utilizadas para os outros roubos? Pois
elas somente serviriam para multiplicar o número de roubos.

A pena mais “justa” para o roubo será a escravidão temporária para que
fique bem claro para o culpado o dano que causou a sociedade e o
transtorno que a violação do pacto social pode causar.

Já se tratando do roubo acompanhado de violência, é “justo” acrescentar


à servidão as penas físicas, ou seja, além do dano patrimonial, deve-se
acrescentar o dano à pessoa física.

XXI. DO CONTRABANDO

Apesar de o contrabando[8] ofender não somente o soberano, mas


também a nação, sua pena não deve ser grave porque a opinião pública
não presta nenhuma infâmia a essa espécie de delito.
Podemos classificar o contrabando como um delito emanado pelas
próprias leis, porque quanto mais se aumentam os direitos, tanto maior
é a vantagem do contrabando.
XXXII. DAS FALÊNCIAS

Neste capítulo, Beccaria faz uma distinção entre o falido de boa fé e o


falido de má fé, deixando clara a sua posição perante a penalidade,
sendo esta: o falido de má fé deve ser severamente punido assim como
um moedeiro falso, já o falido de boa fé deve ser tratado com menor
rigor, pois pode ser que a fortuna[9] não estivesse do seu lado
(penalidade a ser apurada de acordo com as provas apresentadas pelo
acusado).
É claro que o falido de boa fé não será imune a obrigação de cumprir
com sua dívida, ressalta o autor. Ele simplesmente não sofrerá com o
cárcere, porém, ainda assim, terá que arcar com outras consequências
penais.

XXXIII. DOS DELITOS QUE PERTURBAM A TRANQUILIDADE


PÚBLICA

O autor apresenta os delitos que perturbam o repouso e a tranquilidade


pública como a terceira espécie de delitos analisados. O vandalismo e a
desordem prejudicam a tranquilidade e harmonia social, portanto,
devem sofrer punições os que praticarem tal delito.

Para que se previna tal desordem, é necessária uma vigilância ostensiva,


isto é, uma vigilância rígida, contínua e feita" de perto ". É necessária
também a criação de leis de silêncio, de ordem, entre outras.

XXXIV. DA OCIOSIDADE
Ressalta-se que cabe exclusivamente e somente às leis definirem quais
tipos de delitos baseados na ociosidade devem ser punidos (de acordo
com a finalidade pública do Estado e sem ferir a liberdade individual de
cada indivíduo).

É imprescindível que se encontre um equilíbrio entre a finalidade


pública e a liberdade individual. Beccaria, ainda, afirma que a ociosidade
é contrária ao fim político de estado social.

XXXV. DO SUICÍDIO

É mister considerar que não existe penalidade para o suicídio vez que ele
recairá sobre um corpo não mais vivo e não seria nada justo a penalidade
recair sob os ombros da família do suicida (tal ato seria odioso e
tirânico). [10]
Deve-se encontrar alguma maneira de" deter a mão "do suicida, porém
não é através das penalidades que se alcançará tal objetivo. A este delito,
cabe somente a Deus julgá-lo e puni-lo.

O autor afirma que, mesmo que o cidadão se mate, ele faz menos mal a
sociedade que o cidadão que renuncia a sua pátria para viver em outra.
Discute, ainda, se é útil ou perigoso deixar a livre arbítrio do cidadão se
quer ou não abandonar a sua nação.

A maneira mais eficaz de prender os cidadãos em seu país é simples:


investir no bem estar de cada indivíduo, o que abrange segurança e boas
condições de vida.
XXXVI. DE CERTOS DELITOS DIFÍCEIS DE CONSTATAR[11]

Os delitos que se encaixam ao título do capítulo são: adultério,


pederastia e o infanticídio.

Começaremos pelo adultério: é um delito de instante que só ocorre com


tanta frequência, pois as leis não são fixas e porque os dois sexos
são"naturalmente"atraídos um pelo outro. É muito mais difícil ao
legislador puni-lo que preveni-lo.

A pederastia é severamente punida pelas leis e inclusive, para este delito,


são permitidas as torturas atrozes.

A única maneira encontrada de prevenção do infanticídio foram a


criação de leis eficazes, posto que este é um delito difícil de se prevenir
de outra maneira.

XXXVII. DE UMA ESPÉCIE PARTICULAR DE DELITO

O autor deixa bem explícito que não pode analisar a natureza do delito
de liberdade religiosa, pois a época e o lugar onde vivera não o
permitiram. Assim, afirma que só trata dos delitos relacionados ao
homem natural e os que violam o contrato social.

XXVIII. DE ALGUMAS FONTES GERAIS DE ERROS E DE


INJUSTIÇAS NA LEGISLAÇÃO
O autor afirma que existem muitas fontes de injustiça na legislação,
sendo o conceito de" utilidade "parte delas. São falsas ideias de utilidade
as que separam o bem geral dos interesses particulares, sacrificando às
coisas as palavras.

Exemplifica uma injustiça: O Estado, ao invés de armar a sociedade, os


deixa a mercê dos criminosos, os entregando sem defesa aos golpes
destes.

XXXIX. DO ESPÍRITO DE FAMÍLIA

Diz que, além das falsas ideias de utilidade, o espírito de família também
é considerado outra fonte de injustiça na legislação.

Faz uma diferenciação entre o espírito de família e o espírito público,


sendo que este" vê os fatos com visão segura, coordena-os nos lugares
respectivos e sabe tirar deles consequências úteis ao bem da maioria ", já
aquele, consiste num espírito de minúcia limitado pelos mais
insignificantes pormenores.

Ressalta, ainda, que dentro da entidade familiar a autoridade é


inteiramente dos pais enquanto nas repúblicas (em que todos os homens
possuem direitos e deveres: isonomia de direitos), a subordinação da
família ao Estado é efeito de um contrato social.

OBS: A moral familiar só inspira a submissão e o medo, ao passo que a


moral pública inspira coragem a liberdade.
XL. DO ESPÍRITO DO FISCO

Segundo o autor, o julgamento tornou-se um negócio civil tendo em


vista que o magistrado[12] analisava e julgava, o fisco recebia o dinheiro
que o culpado deveria pagar pelo crime e o reendereçava para a Coroa.
XLI. DOS MEIOS DE PREVENIR CRIMES

Uma boa legislação possui o dever de proporcionar aos cidadãos o maior


bem-estar possível e preservá-los de todos os sofrimentos que estes
possam vir a sofrer. Portanto, conclui o autor, que é necessário que os
magistrados procurem, antes de reparar o delito, impedi-lo.

A solução para a prevenção dos crimes é simples: além de elaborar leis


coercitivas, simples, igualitárias e claras e, preparar a nação para
respeitar e fazerem valer tais leis, isto é, fazer uso do aparato jurídico
quando estas forem violadas.

XLII. CONCLUSÃO

Conclui-se que a pena deve ser exclusivamente pública, necessária e


pronta para que não seja considerado um ato de violência contra os
cidadãos. A pena deve, ainda, ser proporcional ao delito cometido e estar
expressamente determinada em lei anterior.

[1] As leis criminais tinham o objetivo de punir aqueles que


desrespeitassem o Pacto Social.
[2] para que não ocorra nenhuma injustiça ou arbitrariedade por parte
do juiz.
[3] para maior conhecimento da população.
[4] assim como todas as outras penas.
[5] para evitar que o culpado produza provas contra si mesmo.
[6] consiste em uma das formas de extinção do processo. Perda de
direito de ação pelo transcurso do tempo. Mesmo prazo da pena máxima
para o Ministério Público entrar com ação. É uma tendência
internacional não haver prescrição em crimes contra a humanidade.
Depois de transitado em julgado, o Estado tem um prazo para prender o
acusado; se o prazo acabar, está prescrito e o Estado perde o direito de
execução.
[7] Beccaria se posiciona negativamente á esta afirmação
[8] O contrabando consiste em um roubo feito ao príncipe e, por
conseguinte, á nação.
[9] lê-se fortuna como conceito apresentado por Maquiavel: sorte ou
azar; acontecimentos da vida que independente de nós.
[10] As penas devem ser puramente pessoais.
[11] constatar: provar
[12] magistrado: deveria ter um ânimo imparcial e possui o poder de
determinar por que indícios um cidadão pode ser preso.