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A COMUNICAÇÃO INTER-RELACIONAL DO SER ENQUANTO HUMANO

1.

Introdução

Fernanda Sevarolli Creston Faria

Fscfaria@granbery.com.br

UFJF (Acadêmica) CPC - PJF (Estagiária)

O intuito da oficina de Formação de Aluno se prende ao fato observado desde o início de meu curso na UFJF e, agora como estagiária do CPC - Prefeitura de Juiz de Fora, encontrei uma oportunidade de expor o que tem me chamado a atenção, principalmente em alunos universitários. A grande inibição em se apresentar trabalhos e falar em público, torna os profissionais do futuro, em diversos ramos, menos qualificados, já que isso impede sua comunicação em várias escalas. No mundo atual, percebemos o quanto está difícil e até mesmo muitas vezes inviável a inter-relação entre pessoas do mesmo convívio social e muito mais complicada entre aquelas de convívios distintos. Simplesmente o que podemos observar hoje é uma acepção de pessoas marcada pela separação de classes e interesses, o que dificulta o desenvolvimento social e adequação de políticas e capitais. Desde os primórdios, relembrando a época da Grécia Antiga, o homem busca na interação social um dos maiores motivos de sua coexistência: o desenvolvimento da espécie humana. Desenvolvimento este, arraigado em necessidades tais como alimentação, procriação, recreação e locação de espaço físico. Os elementos da derivação da sociedade e perpetuação da espécie humana estão profundamente ligados ao fator humano como social e emotivo, ou seja, o homem não evolui sem uma mola que o faz reagir, a interação social. Como já mencionado, desde a Grécia Antiga, o homem busca no social a grande resposta da evolução dos tempos. Na época dos Césares e em sua posteridade, o homem

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sempre buscou na arte, na cultura e na conscientização pública um desenvolver social mais sadio e responsável.

A Grécia legou-nos um substrato real de sociedade. Podemos perceber nas obras

do período helênico que o que temos e vivemos hoje, nada mais é do que resquício e/ou

herança de uma sociedade firmada em bases fortes.

A República de Platão vem nos relatar uma sociedade a que era buscada na época.

As idéias de Platão sobre o mundo real e o mundo das idéias, nos remete ao censo do filósofo da época que buscava o comum, uma interação social, na qual valores e deveres fossem seguidos. Sabemos que as idéias de Platão foram refutadas em muito, mas, em tese, alguns as tentaram seguir. Anterior a Platão, temos Aristóteles que com sua poética, vem abrir os olhos da sociedade, primando pela cultura e difusão do saber, de forma que a arte fosse instrumento de conhecimento e educação. Este filósofo buscava no bem falar e na imitação, uma arma que se movia entre as pessoas, as tornando mais eloqüentes e convictas do que e de como falarem. A Poética de Aristóteles está repleta de arte, mas nas entrelinhas percebemos claramente que através do ser social e perfeitamente imitador daquilo que o enlevasse, o autor buscava interá-lo ao social e real, pois ainda hoje, imitamos tudo em todos e isso é que faz perpetuar uma sociedade e a criação de seu ideário próprio, pois só criamos algo a partir de um ponto inicial, então culminamos em uma mímeses criativa funcional, que apesar de criticada por Platão, se fusionada às idéias sociais e organizacionais do mesmo, culminarão num produto útil aos dias atuais: a imitação como arma de formação do ser enquanto humano. Nos dois e em muitos outros autores deste e de outros períodos da história, percebemos facilmente a mescla da arte, política e sociedade, culminando em resultados que fossem agradáveis ao todo e não a uma minoria. Trazendo para os dias atuais, a arte ligada a cultura cria entre as pessoas pontes de relações socioculturais, que fazem a diferença entre realidades muitas vezes hostis. Hoje aqui viemos demonstrar o interesse em tratando do ser social e cultural. O objeto do estudo e pesquisa, divagam entre o homem incluir-se na sociedade como participante dela e não apenas como espectador dos acontecimentos.

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Através do immitattio e da sociabilização de costumes e ideais integralizados, é esperado que os participantes possam desinibir-se e expor idéias, falarem desembaraçadamente, apresentarem suas dúvidas e anseios como ser social que é, mas de uma forma desembaraçada que o teatro carrega e que a sociedade como um todo exige. O teatro entra como fator desinibidor, fundamentado em bases literárias; o ser humano entra como instrumento de uso, e a sociedade entra como orientador na busca de fatores que fazem do ser enquanto humano, separado desnecessariamente.

2. Metodologia das oficinas

Como já deixamos bem exposto, o objeto deste trabalho fundamenta-se no que tange ao problema comumente observado nas salas de aulas, nos meios sociais e em muitas escolas hoje, a comunicabilidade e o desembaraço de pessoas entre outras pessoas, sendo do mesmo convívio ou não.

O teatro, literariamente dizendo, será usado para desinibir, através de oficinas, os

bloqueios de fala e atuação em público ou entre colegas de classe.

A contação de histórias entra como um desinibidor de fala aliado à necessidade de

expressão entre pessoas numa sociedade, quando usada como auxiliadora de comunicação, cria os laços necessários a comunicação de massas ou de minorias. Almeja-se a adequação da pessoa ao quadro social, ou seja, quando nos dispomos a sermos mais palpáveis, mais humanos, nossas relações tendem a ser mais compreensíveis e nosso trabalho flui de forma mais aceitável e correta Serão aplicados exercícios de voz e corpo visando a desinibição e trabalho da eloqüência em público e em ambiente de estudo, onde o expressar-se verbalmente é fundamental, lembrando que uma boa voz e dicção aprazível, são molas mestras nos dias atuais, sendo de suma importância o "bem falar e agir".

O meio onde tudo se desenvolve (escola, ambiente de trabalho, apresentação de teses,

etc.) entra como orientação básica no âmbito de bloqueios impostos pela família ou mesmo pela

sociedade.

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Visamos usar destes momentos, com trabalhos grupais ou individuais, situando os participantes na necessidade e responsabilidade social na atualidade. Talvez o indivíduo não esteja em condições difíceis ou complicadas frente à sociedade, onde lhe seja exigido o bem falar, o bem comunicar-se, mas sua visão e posição em relação aos outros, deve ser encarada até como uma fator de responsabilidade social, uma vez que cada pessoa dentro de uma sociedade ou meio social, representa um papel importante no desenvolvimento deste ambiente como um todo. Ao se tornar um profissional, hoje, a pessoa não pode apenas visionar seu umbigo ou sua realidade, há um leque muito maior a ser visto, entre situações muito melhores que a que este vive e outras tantas muito piores ou complicadas que a dele mesmo, necessitando o indivíduo de uma boa qualidade de fala que o apresentará como um “comunicador”. A visão do profissional moderno deve arraigar-se como um ser geral, que sabe de sua necessidade e real responsabilidade na sociedade. Visando o indivíduo como instrumento de transformação e adequação social, posicionaremos o indivíduo enquanto necessário, responsável e habilitado a tomar posições frente a muitas questões no âmbito social, ou seja, ele tem de estar apto a ter uma voz ativa e eloqüente, deve ser desinibido e desembaraçado para expor suas idéias e estratégias e acima de tudo, deve ser cônscio de que o social dentro e fora de uma escola (ou mesmo ambiente de trabalho), devem caminhar juntos e não dissociados.

As oficinas constam de :

1)

2) Apresentação da história de vida de cada um (Exercício de Contação de Histórias) (2

Apresentação geral (1 hora)

3)

horas) Exercício de apresentação em dupla (1 hora)

4)

Oficina de voz (1hora)

5)

Oficina de expressão corporal (1 hora)

6)

Relaxamento (1 hora)

7)

Trabalho Final: reapresentação (2 horas)

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2.1.Descrição das oficinas

2.1.1 Apresentação geral

Buscar analisar a situação de cada participante enquanto usando de sua capacidade comunicativa. Identificar a necessidade de cada um através de sua apresentação individual.

2.1.2. Apresentação da história de vida de cada um (Exercício de Contação de Histórias)

Buscar analisar a criticidade do indivíduo no que tange sua expressão ao narrar fatos bem conhecidos por ele, enfatizando que o “dom” de contar deve ser aliado à necessidade de expressão de um modo geral.

2.1.3. Exercício de apresentação em dupla

Duas pessoas conhecerão um pouco da história uma da outra e tentarão, em um curto espaço de tempo, reproduzir a história de vida do outro, buscando com isso, enfatizar a capacidade de compreensão e síntese de cada qual.

2.1.4. Oficina de voz

Desenvolver a oralidade e o conhecimento da voz, buscando compreender o uso da voz, adequado a fala, entendendo que o conjunto quando bem utilizado pelo ser humano, torna-se ferramenta primordial de comunicação.

2.1.5. Oficina de expressão corporal

Desenvolver um comportamento apropriado do corpo em função da fala. Muitas pessoas quando estão apresentando uma tese ou trabalho acadêmico em geral, tende a preocupar-se com as mãos ou ficam “dançando” enquanto falam; pretendemos

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desenvolver uma educação corporal para uma boa comunicação não só oral, mas também corporal.

2.1.6. Relaxamento

Condicionar o corpo a estar em sintonia com a realidade a ser vivida e não encarar um momento de apresentação em público, com sendo algo monstruoso e de difícil vivência. O relacionamento humano deve ser encarado como saudável para cada indivíduo e por isso deve ser tratado de forma normal e agradável, como um fator enriquecedor e não depreciador.

2.1.7. Trabalho Final: reapresentação

Colocar as duplas da segunda apresentação juntas e fazer um trabalho de reapresentação bem mais conciso, corrigindo os possíveis erros da primeira fase e caracterizando-se mais como fluente e comunicativo, para atingir o objetivo da oficina, que é o reconhecimento comunicativo da fala e oralidade como necessários e essenciais ao convívio social.

3. Conclusão

O ser humano hoje encara um dos maiores problemas sociais da história que o acompanha há séculos: a INCOMUNICABILIDADE. A tecnologia avançada distancia pessoas e cria verdadeiros vales de incomunibilade entre os indivíduos, vales esses que desenvolvem nas pessoas estágios de falta de expressão fluída oral. Desde a Grécia Antiga, buscamos meios de nos sociabilizar e comunicar de uma forma mais agradável e condizente com a nossa realidade. Platão com seus escritos, nos remete a problemas sociais e trata-os com a oralidade e a comunicação; mesmo que trabalhando em bases imaginárias, Platão idealizou o que

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seria bom e ideal a uma sociedade, sabemos que, contudo, tendo transgredido em muito as linhas do real. Aristóteles trabalhando a Poética, nos remete ao real e poético. No seu legado, deparamo-nos com estudos sobre a tragédia, a comédia, e outros, sempre fundamentando seus estudos em bases sociais, pois retratou indivíduos em seus estudos, nos trazendo sempre à realidade. O ponto de vista dos autores gregos nos faz pensar na atualidade, nas sociedades incomunicáveis, criadas em muros e torres de concreto, que agrava a dissolução do ser. O título quando nos fala do SER ENQUANTO HUMANO, quer nos relativizar a uma comunicação escassa ou quase inexistente, onde o ser precisa deixar de ser funcional, operacional, apenas peça do sistema, para ser humano.

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4. Referências Bibliográficas

ARISTÓTELES. Poética. In:

Os pensadores.)

Aristóteles(II). São Paulo: Abril Cultural, 1979. (col.

PLATÃO. A república. 23 ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

STANISLAVSKI, Constantini. A construção da personagem. 8 ª ed. Rio de Janeiro: BCD União Editora, 1996.

Stanislavski, Constatini. Manual do ator. São Paulo: Martins Fontes

OLIVEIRA, Valéria Maria de. O teatro grego e o atual: uma reflexão crítica. Revista Espaço acadêmico - N º 27 - Agosto de 2003 - Mensal - ISSN 1519.6186