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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

POLÍTICAS DE INTEGRAÇÃO NACIONAL E A DITADURA MILITAR: CULTURA


POLÍTICA E IMPLANTAÇÃO DA DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL
(DSN) NAS REGIÕES NORTE E NORDESTE DO BRASIL

JOSÉ ELIERSON DE SOUSA MOURA

Linha de Pesquisa 2 – Cidade, floresta e sertão: cultura, trabalho e poder

Belém/PA
2016
2

INTRODUÇÃO

Durante a ditadura militar, pelo menos duas propostas de integração nacional


disseminadas pelo Estado brasileiro, sendo o Programa de Integração Nacional (PIN) e o
Projeto Rondon (PRo), conceberam a região1 Nordeste como um espaço de “concentração
demográfica” e a Amazônia como um espaço de “vazio demográfico”.2 Nordeste, que
enquanto identidade espacial foi processado a partir do final da primeira década e início da
segunda década do século XX, tendo como forças motrizes discursos e práticas regionalistas.3
Em período anterior foi parte do que era denominado de “Norte”. A diferenciação regional
entre “Norte” e “Sul” existiu, pelo menos, desde a década de 70 do século XIX, quando,
frente ao discurso de unidade nacional formado pelas elites do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro (IHGB), as classes dirigentes nortistas reivindicaram mais participação
política a partir de uma diferenciação do espaço nacional.4 E por Amazônia da maneira que
foi citada, compreendemos ser a parte brasileira que ficou conhecida como Amazônia Legal
em 1953, a partir da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia
(SPVEA), que entrou em vigor por meio da Lei 1.806. Amazônia que é formada pelos estados
do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do
Maranhão (oeste do meridiano de 44º).5
Em Políticas públicas, élites económicas y discursos regionalistas en el Estado de
Pará en tiempos de la dictadura y la Nueva República, Pere Petit informou que a SPVEA, no
ano de 1966, foi substituída pela Superintendência de Desenvolvimento Econômico da
Amazônia (SUDAM), justamente quando os olhares da ditadura se concentraram na região,
quando houve também a criação do Banco da Amazônia S/A (BASA) para substituir o Banco
de Crédito da Amazônia.6

1
Entendemos por “região” uma “noção fiscal” e “administrativa” que foi constituída por meio de processos
histórico-sociais e que é usada para designar parte de um território. Ver: FOUCAULT, Michel. Microfísica do
poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979, p. 157.
2
PRESIDENTE anuncia rêde de rodovias na Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, ano LXXIX, nº 290,
p. 7, 17 mar. de 1970.
3
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. – 3. Ed – Recife:
FJN, Ed. Massangana; São Paulo: Cortez, 2006, p. 22-23.
4
PEIXOTO, Renato Amado. Cartografias Imaginárias: estudos sobre a construção da história do espaço
nacional brasileiro e a relação História & Espaço. Natal: EDUFRN; Campina Grande: EDUEPB, 2011, p. 129-
130.
5
GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. Violência e trabalho na Amazônia. Narrativa historiográfica.
Territórios e fronteiras (online), v. 7, p. 27-46, 2014, p. 28.
6
PETIT, Pere. Políticas públicas, élites económicas y discursos regionalistas en el Estado de Pará en tiempos de
la dictadura y la Nueva República. In: PÉREZ, José Manuel Santos; PETIT, Pere (Orgs.). La Amazonia
brasileña em perspectiva histórica. Salamanca (España): Ediciones Universidad de Salamanca, 2006, p. 130.
3

O PIN foi criado a partir do Decreto-Lei nº 1.106 de 1970, com o objetivo, segundo o
governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, de integrar economicamente as regiões
Norte e Nordeste7 ao restante do Brasil a partir da construção de duas Rodovias: a Cuiabá-
Santarém (BR-163) e a Transamazônica (BR-230).
Enquanto Regina Beatriz Guimarães Neto, em um de seus textos no ano de 2003,
nominou o PIN de “Plano de Integração Nacional”8, Eliseu Resende, engenheiro e diretor
geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e autor das publicações
que lançaram o PIN, já em seu primeiro escrito sobre o tema, em 1969, o texto O papel da
rodovia no desenvolvimento da Amazônia, que circulou nos jornais Correio da Manhã (CM) e
Jornal do Brasil (JB), falou de um “programa de desenvolvimento” sem citar ainda o PIN.9 A
citação da expressão “Programa de Integração Nacional” ele só fez em Investimentos
Rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira no ano de 1972, até porque o
PIN só foi criado legalmente em 1970.10
Já o PRo foi criado com o slogan “Integrar para não entregar”, tendo como objetivos
impedir que a “subversão” chegasse às universidades, e, além disso, elevar os índices
econômicos do país por meio da “integração nacional”, com o envio de milhares de
estudantes universitários para as regiões brasileiras, enquanto os generais permaneciam no
cargo de presidente da República ano após ano.11
Em 1966, após a realização de um seminário que contou com a participação de
militares e professores, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), deu-se
início a discussões e tomadas de decisões que foram decisivas para a criação do PRo. A antiga
Universidade do Estado da Guanabara (UEG), hoje Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(UERJ), foi parceira do evento. E em julho de 1967, o professor Wilson Choeri (secretário

7
Em 1970, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) oficializou a divisão do espaço nacional em
“Norte”, “Nordeste”, “Centro-Oeste”, “Sudeste” e “Sul”. Ver: GOMES, Angela de Castro. Através do Brasil:
o território e seu povo. In: (Orgs.) GOMES, Angela de Castro; PANDOLFI, Dulce Chaves; ALBERTI,
Verena. A República no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: CPDOC, 2002, p. 181. Anteriormente, a
divisão era feita em “Norte”, “Centro”, “Nordeste” e “Sul”. Ver: Agricultura reúne municípios-modêlo.
Correio da Manhã. Rio de Janeiro, ano LXV, n. 23. 394, p. 7, 12 abr. 1966.
8
GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. Vira mundo, vira mundo: trajetórias nômades. As cidades na
Amazônia. Projeto História (PUC-SP), São Paulo. Editora da PUC, v. 27, p. 49-69, 2003, p. 51.
9
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Correio da Manhã. Rio de
Janeiro, LXIX, n. 23.398, p. 6, 27 de julho de 1969 e RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no
desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969.
10
RESENDE, Eliseu. Investimentos Rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira. Brasília
[s.n.], 1972, p. 7.
11
LIMA, Gabriel Amato Bruno de. “Aula prática de Brasil”: ditadura, estudantes universitários e imaginário
nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). 2015. 209f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em
História) – Universidade Federal de Minas Gerais, 2015, p. 22; e MONTEIRO, Regina Clare. CACS
(Campus Avançado de Cruzeiro do Sul): uma análise crítica. 1990. 211f. Dissertação (Faculdade de
Educação) – Universidade Estadual de Campinas, 1990, p. IV.
4

geral da UEG) e 29 estudantes, partiram a bordo de um avião do Departamento Nacional de


Obras contra as Secas (DNOS), constituindo a chamada “Operação Rondônia”, que levou o
nome do estado que era o destino. Na volta da atividade-piloto, os estudantes fizeram relatos
de experiência na Eceme e como os resultados foram tidos como satisfatórios, resolveu-se dar
continuidade. Ficou marcada para janeiro de 1968 a Operação Rondon II.12 O Projeto recebeu
o nome de “Rondon” como uma homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva
Rondon.13
Em CACS (Campus Avançado de Cruzeiro do Sul): uma análise crítica, Regina Clare
Monteiro falou que o PRo teve a sua desativação durante o governo do presidente José
Sarney, no ano de 1988.14 Mas Gabriel Amato Bruno de Lima atestou que a “Fundação
Projeto Rondon” e as atividades oficiais só tiveram seu fim no ano de 1989.15
Ambas as propostas políticas envolveram a cidade de Picos, no Piauí; as cidades de
Marabá e Altamira, no Pará; e a cidade de Humaitá, no Amazonas, significando as quatro
cidades que, além de serem pontos da Rodovia Transamazônica, também receberam cada uma
um Campus Avançado do PRo16. A relação das quatro cidades com as duas políticas de
integração nacional durante a ditadura é o nosso objetivo com esse projeto. Mas como
chegamos a tal intento?
Após o golpe de 1964, o Serviço Nacional de Informações (SNI) foi criado. O seu
primeiro chefe, o General Golbery do Couto e Silva afirmou, em anos posteriores, que o seu
objetivo com a chefia era dar subsídio para as decisões que fossem tomadas pelo presidente
da República. No entanto, tornou-se com Médici, que ainda não era presidente do país, a
partir de 1967, uma grande rede de espionagem.17 Rede que colocou em prática as ideias da
DSN. É que as ditaduras instaladas no Brasil, na Bolívia, no Uruguai, no Chile e na
Argentina, entre as décadas de 1960 e 1970, sofreram a influência da DSN que foi criada pelo
National War College, fundado em 1946 com o objetivo de desenvolver uma doutrina que

12
MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e
modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar, 2014, p. 90-91.
13
SOUZA, Edna M. de; SANTOS, Maria das Graças dos; LUPO, Maria Idalina; ANDRADE, Maria Isabel; e
SIMÕES, Suzete A. A. Campus Avançado de Humaitá – uma experiência de Enfermagem. Revista Brasileira
de Enfermagem. DF, vol. 33, nº 7: 92-97, 1980, p. 93.
14
MONTEIRO, Regina Clare. CACS (Campus Avançado de Cruzeiro do Sul): uma análise crítica. 1990.
211f. Dissertação (Faculdade de Educação) – Universidade Estadual de Campinas, 1990, p. IV.
15
LIMA, Gabriel Amato Bruno de. “Aula prática de Brasil”: ditadura, estudantes universitários e imaginário
nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). 2015. 209f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em
História) – Universidade Federal de Minas Gerais, 2015, p. 22.
16
LIMA, Gabriel Amato Bruno de. “Aula prática de Brasil”: ditadura, estudantes universitários e imaginário
nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). 2015. 209f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em
História) – Universidade Federal de Minas Gerais, 2015, p. 77.
17
FICO, Carlos. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, São
Paulo, v. 24, n. 47, p. 29-60, 2004, p. 36.
5

melhorasse a política externa dos EUA, no contexto da Guerra Fria, por meio da segurança
coletiva. O National War College tinha sua sede em Washington e estava vinculado ao
Pentágono. Diversas escolas na América Latina a tiveram como inspiração quando foram
criadas, dentre as quais: a Escola Superior de Guerra (ESG), no Brasil; a Academia de Guerra,
no Chile; a Escola Nacional de Guerra, no Paraguai; a Escola Superior de Guerra, na
Colômbia; e a Escola de Altos Estudos Militares, na Bolívia.18
Em Fuerzas Armadas y política en América Latina: perspectivas futuras, Dirk Kruijt e
Kees Koonings tocaram em um ponto sensível para entendermos o desejo das Forças
Armadas da América Latina em assumirem o maior posto político de uma Nação, o que nos
ajuda na compreensão do estreitamento de laços que aconteceu com alguns países da América
Latina, e em especial o Brasil, com as políticas de Segurança Nacional presentes na DSN.
Eles destacaram que a característica política das Forças Armadas, nos últimos 200 anos na
área, fez com que a carreira militar fosse uma possibilidade de encurtamento de caminho para
se chegar ao maior posto de chefe de um país, algo que aconteceu por meio dos sujeitos que
os dois autores os chamaram de “soldados políticos” e “políticos militares”. Kruijt e Koonings
apontaram ainda, que em países como Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, El Salvador,
Honduras, Guatemala, Paraguai e Peru, expressões como “força estabilizadora”, “árbitro
supra-social”, “instituição protetora da Constituição” e “vigilante do desenvolvimento
nacional” embalaram as atuações do “militarismo político” da região.19
No Brasil, com relação ao golpe de 1964, Carlos Fico em Versões e Controvérsias
sobre 1964 e a ditadura militar falou de uma “utopia autoritária” que foi o sentimento
existente entre as Forças Armadas de que possuíam as características necessárias para que a
eliminação das “formas de dissenso” (o comunismo, a “subversão” e a “corrupção”)
acontecesse20, o que se relaciona com as expressões usadas por Kruijt e Koonings, para
falarem sobre as inspirações do “militarismo político” na América Latina, na realização de
seus golpes.
De 1945 até 1961, nos EUA, uma preocupação existiu com a finalidade de esperar um
possível ataque russo pelo Atlântico para tomar o continente. Após o período entrou em cena
a Doutrina Mac Namara, que tinha como principal característica ser contra-revolucionária. O

18
FERNANDES, Ananda Simões. A reformulação da Doutrina de Segurança Nacional pela Escola Superior de
Guerra no Brasil: a geopolítica de Golbery do Couto e Silva. Antíteses. vol. 2, n. 4, p. 831-856, jul.-dez. de
2009, p. 836-837.
19
KRUIJT, Dirk; KOONINGS, Kees. Fuerzas Armadas y política en América Latina: perspectivas futuras.
Iberoamericana. vol. II, n. 8, p. 7-22, 2002, p. 7-8.
20
FICO, Carlos. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, São
Paulo, v. 24, n. 47, p. 29-60, 2004, p. 34.
6

perigo não era mais um possível ataque russo pelo Atlântico, mas a “subversão interna”,
seguida de infiltração e revoluções em países de “Terceiro Mundo”, tendo como financiadora
a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A guerra contra o comunismo teria
que ser expandida para os países de “Terceiro Mundo”, tendo como adversário um inimigo
interno, nominado de “subversivo”. Guerra que através das Forças Armadas e de uma política
de Segurança Nacional, teria a ajuda dos EUA com material anti-guerrilhas e financeira.
Assim, a DSN tinha como finalidade renovar as receitas do Brasil segundo as receitas
ortodoxas do capitalismo, com a integração no sistema econômico norte-americano.21
Antonio de Arruda, por meio do texto A Escola Superior de Guerra apresentou
detalhes do que chamou de “Origens (1)” da instituição. Texto que foi publicado na Revista
da Escola Superior de Guerra. Afirmou que o início mais remoto daquela é um curso de
“Alto Comando”, que foi criado em 1942 pela “Lei do Ensino Militar”, mas que tinha como
público alvo apenas Generais e Coronéis do Exército brasileiro. No entanto, o curso de Alto
Comando só foi ministrado após a criação do que chamou de primeira ESG, no ano de 1948,
tendo como inspiração a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a possível eclosão de outro
conflito. Era um desejo de alinhamento com o bloco ocidental. Em 1948, o General César
Obino, chefe do Estado-Maior Geral, viajou para os EUA, momento em que manteve contato
com o National War College. César Obino teria afirmado que no Brasil também se
implantava uma Escola semelhante. O que levou os norte-americanos a enviarem uma equipe
de auxílio para a criação da ESG, que se efetivou no ano de 1949.22 Em Estado e Oposição no
Brasil (1964-1985), Maria Helena Moreira Alves destacou que o treinamento para a criação
da ESG também foi feito por militares franceses.23
Em La Alianza para el Progreso en Chile y Venezuela, 1961-1963, Froilán Ramos
Rodríguez e Javier Castro Arcos falaram sobre o contexto que antecedeu a criação da ESG.
Apresentaram que, desde o final da Segunda Guerra Mundial, os EUA buscaram uma maneira
de articular um novo sistema internacional de alianças estratégicas para conseguir apoio frente
à URSS. Entrou em cena, assim, a Guerra Fria com a sua disputa ideológica, tendo de um
lado os EUA, com as democracias ocidentais capitalistas; e, de outro, a URSS, com os
regimes comunistas. Esta última e sua área de influência dominavam o lado leste da Europa e
já estava presente no centro do continente, ameaçando a Grécia. O presidente norte-americano

21
MONTAGNA, Wilson. A Doutrina da Segurança Nacional. Projeto História (PUC-SP). São Paulo, v.6, p.
29-40, 1986, p. 36.
22
ARRUDA, Antonio de. A Escola Superior de Guerra (Origens 1). Revista da Escola Superior de Guerra. v.
I, n. 1, ano I. Rio de Janeiro: Escola Superior de Guerra, 1983, p. 113.
23
ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e Oposição no Brasil (1964-1984). Bauru-SP: Edusc, 2005, p. 24.
7

Harry Truman formulou a Doutrina Truman em 1947, para a defesa da democracia nos países
ameaçados pelo comunismo. Na América Latina, para garantir um acompanhamento mais
próximo ante o perigo que já fazia parte da Europa, firmou-se o Tratado de Assistência
Recíproca (TIAR), em 1947, e criou-se a Organização dos Estados Americanos (OEA), em
1948. Mas a prioridade era a Ásia, já que comunistas tomaram a China em 1949.24
Durante o governo do presidente seguinte, Dwight Eisenhower, que durou de 1953 até
1961, os EUA destinaram pouca atenção para a América Latina. Só que em 1959, os
“barbudos”, tendo como uma de suas lideranças Fidel Castro, tomaram o poder em Cuba e
proclamaram a “Revolução Cubana”, colocando o feito entre a zona de influência da URSS,
que era dirigida por Nikita Kruschev, espalhando o medo de que mais países comunistas
aparecessem na região. Em janeiro de 1961, assumiu a presidência dos EUA, John Kennedy,
que, ainda no mês de março do mesmo ano, anunciou a Aliança para o Progresso.25 Em O
grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. O governo dos Estados
Unidos e a ditadura militar brasileira, Carlos Fico delineou que a Aliança Para o Progresso
tinha como objetivo injetar recursos financeiros e técnicos na América Latina, para provocar
desenvolvimento e espantar qualquer apelo revolucionário, com base nas teorias de
modernização. Teorias que não estavam perpassadas apenas por ideias de mudanças sociais,
mas também por “políticas de segurança”.26
Em Os olhos do regime militar brasileiro nos Campi. As assessorias de segurança e
informação das universidades, Rodrigo Patto Sá Motta apresentou um dado caro aos nossos
anseios: o impulso modernizante despejado no Brasil, pelas elites do regime militar, foi
influenciado por uma teoria da modernização circulante entre cientistas sociais e políticos
norte-americanos. Tal teoria delineava que era necessário modernizar uma região com
desenvolvimento econômico, melhoria dos indicadores sociais e estabilidade política, para
que propostas revolucionárias não fossem a única alternativa para a população.27
Com a escrita de nossa dissertação de Mestrado, ainda em andamento, e que possuiu
como título para a qualificação A pobreza em disputa: ditadura, ideias de integração nacional
e o combate ao perigo da “subversão” em Picos-PI (1968-1979), analisamos como o
envolvimento da cidade no PIN, já que foi tida como o “marco zero” da Rodovia
24
RODRÍGUEZ, Froilán Ramos. La Alianza para el Progreso en Chile y Venezuela, 1961-1963. Tiempo y
Espacio. n. 62, p. 93-138, 2014, p. 95.
25
RODRÍGUEZ, Froilán Ramos. La Alianza para el Progreso en Chile y Venezuela, 1961-1963. Tiempo y
Espacio. n. 62, p. 93-138, 2014, p. 95-98.
26
FICO, Carlos. O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. O governo dos Estados
Unidos e a ditadura militar brasileira. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 112.
27
MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Os olhos do regime militar brasileiro nos campi. As assessorias de segurança e
informações das universidades. Topoi. (Rio de Janeiro), v. 9, p. 30-67, 2008, p. 59.
8

Transamazônica28, desde o ano de 1969; e no PRo, que instalou uma unidade de um Campus
Avançado29 em seu espaço no ano de 1972, significaram duas políticas de integração nacional
que procuraram ser um contraponto ao perigo da “subversão”, tendo em vista que os índices
de pobreza da cidade, assim como os do Nordeste e do Brasil30, ao longo da ditadura eram
altos e a Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighela, buscava Picos no final da
década de 1960 como um destino possível para que uma base fosse instalada pela ALN do
estado do Pará, compreendendo a cidade também como um ponto de integração nacional.31
ALN que surgiu a partir de uma cisão do Partido Comunista Brasileiro (PCB),
motivada por divergências que giraram em torno do caráter da revolução brasileira, se devia
ser “nacional-democrática ou socialista”; sobre as formas da luta revolucionária, entre
“pacífica” ou “armada”, e se “armada”, através de “guerrilhas” ou “insurrecional”, ou mesmo
se no “campo” ou na “cidade”; e, ainda, havia a indefinição quanto ao tipo de organização
política de condução, se por meio de um “partido leninista” ou através de uma “organização
guerrilheira”.32 Lembrando que a ALN tinha contato com Cuba, já que Marighela fez viagem

28
Em Pontos extremos: ruinas invisíveis nas fronteiras de um país, Francisco Foot Hardman, atestou que em
Cabedelo, no Estado da Paraíba, ficou o quilômetro zero da Rodovia Transamazônica. Ver: HARDMAN,
Francisco Foot. Pontos extremos: ruínas invisíveis nas fronteiras de um país. The Llilas Visiting Resource
Professors Papers, Austin, Texas, v. 1, n. 1, p. 1-20, 2003, p. 12. Mas em Chão de Promessas: elites políticas
e transformações econômicas no estado do Pará pós-1964, Pere Petit grafou em nota de rodapé que a
Transamazônica começa no Estado do Piauí, mais precisamente na cidade de Picos (como versou o presidente
Médici no ano de 1970), quando se liga com a rede rodoviária nordestina até atingir as fronteiras do Peru e da
Bolívia, tocando as rodovias Cuiabá-Santarém e Porto Velho-Manaus. Ver: PETIT, Pere. Chão de
promessas: elites políticas e transformações econômicas no estado do Pará pós-1964. Belém: Paka-Tatu,
2003, p. 112.
29
Gabriel Amato atestou que o Campus Avançado foi instalado em 22 de setembro de 1972, sendo alimentado
pelas atividades que eram feitas por estudantes e professores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da
Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Ver: LIMA, Gabriel Amato Bruno de. “Aula prática
de Brasil”: ditadura, estudantes universitários e imaginário nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985).
2015. 209f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal de Minas Gerais,
2015, p. 207.
30
No ano de 1970, a população da cidade de Picos era de aproximadamente 70.929 habitantes, já que a
contagem foi feita no ano de 1968 e seu índice de pobreza era de 93,10%, o que tornava a pobreza em número
de habitantes algo em torno de 66.034; o Nordeste, em 1970, tinha 28.675.110 habitantes e um índice de
pobreza de 87,85%, o que tornava a pobreza em número de habitantes em 25.191.084; e o Brasil, em 1970,
possuía 94.508.583 habitantes e um índice de pobreza de 67,90%, o que em número de habitantes era
64.171.327. Para o ano de 1980, Picos tinha como população 64.860 habitantes e um índice de pobreza de
75.26%, o que significava em termos de população pobre em número de habitantes 48.813; o Nordeste tinha
35.419.156 habitantes e um índice de pobreza de 66,53%, que representava em número de habitantes pobres
de 23.564.364; e o Brasil, tinha 121.150.573 habitantes e um índice de pobreza de 39,47%, o que em número
de habitantes pobres era 47.818.131. Ver: MOURA, José Elierson de Sousa. “Transamazônica, a estrada-
desafio” das páginas do Jornal do Brasil: uma experiência que gerou um horizonte de expectativa nas regiões
Norte e Nordeste do Brasil, na década de 1970. In: GOMES, Eduardo; SIMÕES, Reginaldo. Diálogos com
historiadores da Amazônia. Rio de Janeiro: Pachamama, 2016, p. 140.
31
Brasil Nunca Mais Digital. Inquérito Policial Militar movido pela Delegacia Regional do Departamento
de Política Federal contra Carlos Augusto da Silva Sampaio. 5 de outubro de 1970, p. 96.
32
RIDENTI, Marcelo Siqueira. As oposições à ditadura: resistência e integração. In: RIDENTI, Marcelo
Siqueira; REIS, Daniel Aarão; MOTTA, Rodrigo Patto Sá (Orgs.). A ditadura que mudou o Brasil: 50 anos
do golpe de 1964. Rio de Janeiro: Zahar, 2014, p. 33.
9

àquele país para participar da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS).33


Mas em A ALN e CUBA: apoio e conflito, Denise Rollemberg lembrou que as relações entre a
ALN e Cuba não aconteceram com características de mão única e sim com alguns conflitos,
mesmo após a morte de Marighela, em 1969.34
Ao passo em que havia a preocupação com a aproximação da ALN e a pobreza da
cidade de Picos, o que significava também uma aproximação com a pobreza da região
Nordeste, existiu por meio de Eliseu Resende, com as suas publicações – O papel da rodovia
no desenvolvimento da Amazônia, do ano de 196935, que foi publicado como O papel de
rodovia no desenvolvimento da Amazônia, no ano de 1970, no livro do jornalista de O Estado
de S. Paulo (OESP) Alberto Tamer, intitulado Transamazônica, solução para 2001; o livro
Investimentos rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira, de 197236; e o
livro As rodovias e o desenvolvimento do Brasil, de 197337 –, a inserção da cidade na política
de integração nacional do espaço brasileiro; e na política de integração nacional da população
brasileira, com a atuação de um Campus Avançado entre seus habitantes por meio do PRo.
Há, enquanto possibilidade, perscrutarmos também, além de Picos, as relações entre as
duas políticas de integração nacional que apresentamos anteriormente e as cidades de Marabá,
Altamira e Humaitá.

PROBLEMÁTICA

Com pesquisas anteriores percebemos que as regiões Norte e Nordeste, ao longo da


ditadura, foram compreendidas pelo governo brasileiro como merecedoras de atenção, para
que a Segurança Nacional fosse mantida. A primeira, por ser parte da região amazônica, era
compreendida como uma área de “vazio demográfico”, enquanto a segunda era tida como
uma grande área de “concentração demográfica”. Para o presidente Médici em 1970, a região
amazônica possuía “50% do território nacional” e “3,83%” da população do país, o que não
permitia que a sua densidade demográfica chegasse a um habitante por quilômetro
33
GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. 2ª ed.
São Paulo: Ática, 1987, p. 94-95.
34
ROLLEMBERG, Denise. A ALN e Cuba: apoio e conflito. Cadernos Arquivo Edgard Leuenroth
(UNICAMP), Campinas, v. 8, n.14/15, 2001, p. 213.
35
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Correio da Manhã. Rio de
Janeiro, LXIX, n. 23.398, p. 6, 27 de julho de 1969; RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no
desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969 e
RESENDE, Eliseu. O papel de rodovia no desenvolvimento da Amazônia. In.: TAMER, Alberto.
Transamazônica, solução para 2001. – Rio de Janeiro: APEC Editora, 1970, p. 254-261.
36
RESENDE, Eliseu. Investimentos Rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira. Brasília
[s.n.], 1972.
37
RESENDE, Eliseu. As rodovias e o desenvolvimento do Brasil. Munique: Federação Rodoviária
Internacional, 1973.
10

quadrado.38 Motivo pelo qual na DSN uma das principais preocupações com a Amazônia era
“tamponar” possíveis vias de penetração, já que foram por muito tempo negligenciadas e que
por isso eram “vulneráveis”39 a uma possível ação de “subversão interna”.40
Thiago Broni de Mesquita e Edilza Joana Oliveira Fontes, no texto intitulado Na
fronteira amazônica: Abel Figueiredo e as memórias de uma “ditadura na floresta”,
simplificaram que os governos militares enxergavam a Amazônia como um perigo para a
Segurança Nacional, devido à “imensidão das florestas despovoadas”, o que se ligava ao
desejo de derrubar a floresta e proporcionar a ocupação e integração, para impedir que
“movimentos guerrilheiros” penetrassem, principalmente nas regiões de fronteira
internacional.41 Do outro lado, o Nordeste com a sua população pobre era visto como um
prato cheio para a incitação “subversiva” das Ligas Camponesas42 e da ALN, por exemplo.
Assim, nossa hipótese é que o envolvimento das cidades de Picos, Marabá, Altamira e
Humaitá no PIN e no PRo significou mais uma forma de implantação da DSN nas regiões
Norte e Nordeste durante a ditadura, o que parece ter sido uma forma de o governo brasileiro
tentar o impedimento de agitações “subversivas”.
Em Através do Brasil: o território e seu povo, Angela de Castro Gomes falou que a
compreensão da construção do espaço do Brasil republicano também é compreender como o
povo brasileiro se movimentou para o interior do país e como o próprio país foi planejado e
redesenhado pelos governos ao longo do século passado. Dois processos que se relacionaram
e se alimentaram ao longo do tempo, momento em que o termo “fronteira” ganhou um
significado mais complexo. Passou de uma “linha” que divide o espaço geográfico para o de

38
PRESIDENTE anuncia rêde de rodovias na Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, ano LXXIX, nº 290,
p. 7, 17 mar. de 1970.
39
ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e Oposição no Brasil (1964-1984). Bauru-SP: Edusc, 2005, p. 49.
40
A “subversão interna” estava dividida de duas formas: a Guerra Insurrecional: conflito interno em que parte
da população armada busca a deposição de um governo; e a Guerra Revolucionária: conflito, normalmente
interno, estimulado ou auxiliado do exterior, inspirado geralmente em uma ideologia, e que visa à conquista
do poder pelo controle progressivo da nação. Ver: ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e Oposição no
Brasil (1964-1984). Bauru-SP: Edusc, 2005, p. 37.
41
MESQUITA, Thiago Broni de; FONTES, Edilza Joana Oliveira. Na fronteira amazônica: Abel Figueiredo e as
memórias de uma “ditadura na floresta”. Revista Eletrônica da ANPHLAC, n. 16, p. 155-185, jan.-jul. 2014,
p. 156.
42
Notabilizaram o advogado e deputado federal Francisco Julião, formaram-se por meio da resistência de
pequenos agricultores e não-proprietários contra a tentativa de expulsão das terras onde
moravam/trabalhavam. Entre 1959 e 1962, expandiram-se pelo Nordeste. Contestavam a exploração política e
econômica em que o homem do campo estava submetido, o que provocou alguns conflitos armados entre
camponeses e proprietários de terras. Algumas lideranças rurais foram mortas a mando dos latifundiários, que
tinham medo de serem encurralados pela politização das massas rurais. As Ligas também entraram nos
debates que abordavam a Reforma Agrária. Debates que aconteciam em formato de comícios, passeatas e
manifestações no Congresso em defesa das reformas de base, que incluía a Reforma Agrária. Ver: TOLEDO,
Caio Navarro de. 1964: o golpe contra as reformas e a democracia. Revista Brasileira de História. São
Paulo, v. 24, n. 47, p. 15-28, 2004, p. 21.
11

uma “situação” que foi vivida pela população que se movimentou internamente ocupando
espaços “vazios” ou habitados.43
As duas propostas de integração nacional parecem se relacionar com as ideias
defendidas por Angela de Castro Gomes, pois a construção da Rodovia Transamazônica
talvez tenha influenciado a transferência de nordestinos e de nordestinas para as cidades de
Marabá, Altamira e Humaitá, pois, para Thiago Broni de Mesquita e Edilza Joana Oliveira
Fontes, a conjuntura de ocupação do estado do Pará foi alterada dos rios para as estradas, com
o nascimento de núcleos habitacionais e vilarejos de “não paraenses”. Os fluxos migratórios
aumentaram entre as décadas de 1960 e 1970; mais estradas foram abertas e se buscavam
mais terras.44
Na década de 1930, Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil afirmou se sentir
um “desterrado” em sua própria terra. Afirmou para justificar que a colonização portuguesa
implantada no país - misturada com os genes e as formas de vida indígenas e negras -,
prevaleceu sobre as demais com relação ao trato da coisa pública. Prevalência que somada às
“condições naturais”, “adversas” e “estranhas”, impediu que um conhecimento do Brasil se
impusesse ao longo dos séculos de colonização.45 Se para Angela de Castro Gomes a
compreensão da formação do espaço nacional também é um modo de compreender a
formação do espaço da República brasileira, o PIN parece ter sido uma forma de responder
aos anseios brasileiros de que a Amazônia era uma área desconhecida e que merecia políticas
públicas de integração nacional, para que se tornasse pertencente ao restante. Talvez fosse
parte das ideias do governo o sentimento de desconhecimento do país presente nas ideias de
Sérgio Buarque, até porque, em 1967, o autor de Raízes do Brasil foi convidado para
ministrar uma conferência na ESG.46
Regina Beatriz falou de outro ponto que talvez possibilite mais um fio de análise com
relação às cidades que buscamos da região Norte: o processo de transferência de pessoas para
a Amazônia, por causa da Transamazônica. Ela lembrou que, desde o ano de 1964, após o
golpe, os governos da ditadura procuraram manter o controle de acesso às terras da
Amazônia. Controle que foi exercido com a implantação de “pólos de desenvolvimento

43
GOMES, Angela de Castro. Através do Brasil: o território e seu povo. In: (Orgs.) GOMES, Angela de Castro;
PANDOLFI, Dulce Chaves; ALBERTI, Verena. A República no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira:
CPDOC, 2002, p. 169.
44
MESQUITA, Thiago Broni de; FONTES, Edilza Joana Oliveira. Na fronteira amazônica: Abel Figueiredo e as
memórias de uma “ditadura na floresta”. Revista Eletrônica da ANPHLAC, n. 16, p. 155-185, jan.-jul. 2014,
p. 157.
45
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 31.
46
EUGÊNIO, João Kennedy. Ritmo espontâneo: organicismo em Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de
Holanda – Teresina: EDUFPI, 2011, p. 440.
12

econômico”, “políticas de incentivos fiscais” e a “implementação de grandes eixos


rodoviários”. E seguiu na afirmação de que as consequências foram:

[...] a concessão de grandes áreas de terras e incentivos fiscais a empresários


para investimentos em projetos agropecuários, agroindustriais, projetos
denominados colonização e diversos favorecimentos a empresas de
mineração; a implantação das novas rodovias previstas pelo Plano de
Integração Nacional (PIN), como a Transamazônica, no sentido leste a oeste,
do Pará ao Amazonas, e a rodovia Cuiabá (MT)-Santarém (PA), de Mato
Grosso ao Pará, direção sul-norte; e, ainda, a utilização maciça de
propagandas para estimular os deslocamentos de agricultores empobrecidos
para as novas áreas de colonização da Amazônia [...].47

Imaginamos que Marabá, Altamira e Humaitá, por aparecerem como cidades que
foram incluídas no PIN, trataram-se de preocupações para o governo brasileiro com relação à
Segurança Nacional. A necessidade de aproveitá-las na qualidade de destinos para os
colonos48, como forma de constituí-las enquanto polos de desenvolvimento, impedindo que
ideias “subversivas” se firmassem em seus espaços e áreas de influência, talvez seja uma
explicação, mas não a única. Ansiamos por mais fatores que influenciaram a inserção delas
dentro das políticas de integração nacional.
Em 1958, Sérgio Buarque apresentou uma forma de leitura para Visão do Paraíso:
examinar até que ponto uma imagem de Éden aliciou europeus na “era dos descobrimentos
marítimos”, o que influenciou na nossa formação nacional. Atestou que era algo que ainda
pairava sobre o presente em que seu olhar se formou. O ar que pairou sobre Sérgio Buarque,
aparentemente esticou a sua existência, o que tornou a visão de uma imagem de Éden
significativa. Lembramo-nos de outra temática discutida por Sérgio Buarque: a influência do
espírito de aventura dos portugueses, durante a “era dos descobrimentos marítimos” e
nacional com relação aos “Eldorados”, que volta e meia tiveram seus surgimentos pelos ares
da nossa formação social.49 Imaginamos, desse modo, que as cidades da região Norte que
buscamos com esse projeto foram “vendidas” pelo governo brasileiro enquanto “Eldorados”
ao sentido de Sérgio Buarque, para que os colonos as desejassem como destinos.

47
GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. Vira mundo, vira mundo: trajetórias nômades. As cidades na
Amazônia. Projeto História (PUC-SP), São Paulo. Editora da PUC, v. 27, p. 49-69, 2003, p. 51.
48
O “colono” é uma das categorias utilizadas para se nomear os/as moradores/moradoras da região, que tem
relação com a participação de um projeto estatal de “colonização”, de uma área próxima da rodovia
Transamazônica, bem como uma maneira de diferenciá-los de outras figuras locais, como o “garimpeiro”, o
“madeireiro” ou o “pioneiro”. Ver: LOMBARDI, Thais Tartalha do Nascimento. Trajetórias na
Transamazônica: estratégias de vida e trabalho em uma área rural amazônica. 2009. 166f. Dissertação
(Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social) – Universidade Estadual de Campinas. 2009, p. 3.
49
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do
Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 12-13.
13

Carlos Fico atestou também que foi alinhando-se com a política brasileira em 1961,
que “George McGovern”, futuro diretor do programa “Comida para a Paz”; “Richard
Goodwin”, que posteriormente foi secretário assistente do Estado para Assuntos
Interamericanos; e “Arthur Schlesinger”, que escrevia os discursos para John Kennedy,
virando seu assistente especial para a América Latina, visitaram a Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE)50, que era então dirigida por Celso Furtado. A
visita aconteceu porque havia o desejo de conhecer a situação do Nordeste, com as Ligas
Camponesas. Posteriormente, no governo de Lyndon Johnson, os EUA entenderam que o
grande problema da América Latina era a ausência de “bons serviços públicos” e “estradas
adequadas”.51
Ideias que também estiveram presentes na DSN implantada no Brasil, já que houve
uma associação entre Segurança Nacional e um alto grau de desenvolvimento econômico, o
que parece ter acontecido com as políticas do nominado “milagre econômico”.52 Associação
que servia para a defesa de que a segurança do país passava pelo “desenvolvimento de
recursos produtivos”, “a industrialização e uma efetiva utilização dos recursos naturais”, “uma
extensa rede de transportes e comunicações para integrar o território” e um “treinamento de
força de trabalho especializada”.53 Se havia a preocupação de que a Segurança Nacional
dependia de um desenvolvimento econômico, que passava também por uma rede de
transportes para integrar o território para se aproveitar as riquezas minerais, acreditamos que a
compreensão da DSN implantada nas cidades de Marabá, Altamira e Humaitá, também
necessita da compreensão de como a cidade de Picos foi envolvida pelas ideias de Segurança
Nacional, porque se as três cidades da região amazônica significam a partir da nossa proposta,
mais uma possibilidade de o governo brasileiro vencer o “vazio demográfico” da região, Picos
significou a outra face, a possibilidade de o governo brasileiro combater a “concentração
demográfica” e os altos índices de pobreza, já que foi tida como a cidade que possibilitou a

50
Foi criada em 1959, em um contexto em que o pensamento nacional-desenvolvimentista ganhou espaço, com
o Estado à frente do desenvolvimento nacional, que seria conquistado por meio de uma “ideologia da
industrialização planejada” como solução para o atraso da economia e da sociedade brasileira, por meio da Lei
nº 3.962, através de proposta enviada por JK ao Congresso. Ver: COLOMBO, Luciléia Aparecida. A Sudene
no sistema federativo brasileiro: a ascensão e queda de uma instituição. – Recife: Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste, 2015, p. 75-83
51
FICO, Carlos. O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. O governo dos Estados
Unidos e a ditadura militar brasileira. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 28-39.
52
Período em que a economia brasileira cresceu na casa de dois dígitos entre 1968 e 1973, enquanto a pobreza
aumentou. Ver: EARP, Fábio Sá; PRADO, Luiz Carlos. O Milagre Brasileiro. Crescimento acelerado,
integração internacional e distribuição de renda. In.: FERREIRA, Jorge. DELGADO, Lucília (Orgs.). O
Brasil Republicano. O tempo da Ditadura: Regime Militar e Movimentos Sociais em Fins do Século XX. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 222.
53
ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e Oposição no Brasil (1964-1984). Bauru-SP: Edusc, 2005, p. 49.
14

ligação entre as BR’s 230 (que partia de João Pessoa, na Paraíba) e 232 (que partia de Recife,
no Pernambuco), para que a Transamazônica seguisse seu curso até o Norte do país.
A ideia de busca de uma “força de trabalho especializada”, para colocar em prática a
DSN, ao que parece, relacionou-se bem com as atividades que foram desenvolvidas por
membros (professores e estudantes) da UFG, em Picos, a partir de 22 de setembro do ano de
1972; por membros da Universidade de São Paulo (USP), em Marabá, desde 15 de outubro do
ano de 1971; por membros das Faculdades Integradas de Uberaba e da Universidade Federal
de Viçosa, em Altamira, a partir de 15 de outubro de 1971; e por membros das Escolas
Superiores de Bauru, Jaú, Botucatu e Avaré, em Humaitá, desde 18 de novembro do ano de
197254, tendo em vista que se a integração nacional era um dos pontos da DSN, o PRo
significou com os Campi Avançados maneiras de integrar as populações das áreas que eram
destinos.
Rodrigo Patto Sá Motta em As universidades e o regime militar: cultura política
brasileira e modernização autoritária tocou em um ponto nodal para a nossa proposta: a
ditadura que foi implantada no Brasil, desde o golpe de 1964, apresentou uma face
conservadora e autoritária. E delineou mais ao afirmar que o Estado autoritário, mesmo com a
incorporação de demandas para romper com o passado, respirou a influência de “tradições
arraigadas” e de variantes que fazem parte da “cultura política brasileira”, entendida enquanto
um “[...] conjunto de valores, práticas e representações políticas partilhadas por determinado
grupo humano, expressando uma identidade coletiva à base de leituras comuns do passado e
inspirando projeto políticos direcionados para o futuro.”.55 Rodrigo Patto Sá Motta
acrescentou ainda que tais pontos da “cultura política brasileira” ajudam a explicar o “caráter
modernizador-autoritário” do governo brasileiro durante a ditadura, tendo como
especificidade as universidades, já que foram seu foco de escrita.56
Ao que parece, uma análise sobre os Campi Avançados que foram implantados em
Picos, Marabá, Altamira e Humaitá, também se ligam na especificidade levantada pelo autor,
para as universidades. Mas, além disso, nossa proposta insere-se na especificidade das
políticas do PIN, em especial da Rodovia Transamazônica, pois com a sua implantação,
prometeu-se melhorar os indicadores sociais das populações atingidas, mas ao seu final, a

54
LIMA, Gabriel Amato Bruno de. “Aula prática de Brasil”: ditadura, estudantes universitários e imaginário
nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). 2015. 209f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em
História) – Universidade Federal de Minas Gerais, 2015, p. 207-208.
55
MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e
modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar, 2014, p. 12.
56
MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e
modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar, 2014, p. 13.
15

pobreza do país havia crescido57, o que nos leva ao desejo de perscrutarmos como ficaram as
condições de vidas nas cidades que buscamos.
Pere Petit chamou atenção para o fato de que os dois modelos econômicos postos em
prática na Amazônia, ao longo da ditadura, assumiram as características de uma
“modernização autoritária” e de uma “modernização conservadora”, já que beneficiaram
apenas setores externos a região, tendo em vista que as atividades econômicas foram
orientadas para a exportação de matérias primas e para o aumento do número total de hectares
para os grandes latifúndios, o que ampara o nosso intento de pesquisa.58
Assim, questionamo-nos: como o Estado brasileiro, a partir de uma cultura política de
aspecto modernizador-autoritário e que estava apoiado nas ideias da DSN, ao longo da
ditadura, usou as políticas do PIN e do PRo, implantadas nas cidades de Picos, Marabá,
Altamira e Humaitá, para evitar que a “subversão” fosse a única opção de vida para o
Nordeste pobre e a Amazônia “vazia”?
A partir dessa problemática de caráter geral, surgiram outras mais específicas que
podem nortear a nossa pesquisa. Construímos uma lista com as principais questões a serem
respondidas.
 Quais as justificativas utilizadas pelo Estado brasileiro para a implantação da DSN no
país, a partir do PIN e do PRo?
 Se o PIN, por meio da Rodovia Transamazônica envolveu o país do litoral leste até a
fronteira oeste, de qual maneira países como Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e
Venezuela, que também se ligaram com a rede rodoviária daquela, dialogaram com o
Estado brasileiro sobre a implantação das políticas da DSN na região?
 Como o Nordeste e a Amazônia surgiram enquanto regiões merecedoras de atenção de
políticas públicas para que a Segurança Nacional fosse garantida?
 Se, para o Estado brasileiro, uma das principais ameaças para a colocação em prática
da Segurança Nacional era a implantação de uma “subversão interna”, quais grupos
“subversivos” ameaçavam as cidades de Picos, Marabá, Altamira e Humaitá, ao ponto
de merecerem um acompanhamento mais próximo?
 Como o PIN e o PRo apareceram enquanto políticas de integração nacional que
garantiriam o desenvolvimento desejado, para que uma paz social fosse alcançada?

57
SOARES, Gláucio Ary Dillon; D’ARAÚJO, Maria Celina (Orgs.). 21 anos de regime militar: balanços e
perspectivas. – Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1994, p. 2.
58
PETIT, Pere. Políticas públicas, élites económicas y discursos regionalistas en el Estado de Pará en tiempos de
la dictadura y la Nueva República. In: PÉREZ, José Manuel Santos; PETIT, Pere (Orgs.). La Amazonia
brasileña em perspectiva histórica. Salamanca (España): Ediciones Universidad de Salamanca, 2006, p. 128.
16

 De quais modos Picos, Marabá, Altamira e Humaitá foram incluídas pelo Estado
brasileiro nas políticas de construção da Rodovia Transamazônica?
 E como lidaram com tal inclusão ao longo da ditadura?
 Como Picos, Marabá, Altamira e Humaitá fizeram parte das políticas desenvolvidas
pelo PRo, por meio dos Campi Avançados?
 E como se envolveram em tais políticas, até a exclusão das atividades PRo no ano de
1989?

JUSTIFICATIVA

Em 26 de outubro de 2014, no Manhattan Connection, na emissora de televisão Globo


News, o jornalista Diogo Mainardi comentou sobre o resultado da eleição presidencial que
aconteceu no mesmo dia. Visivelmente incomodado com o desfecho, ele bradou para Lucas
Mendes e Caio Blinder, jornalistas que o acompanhavam nos comentários sobre o principal
acontecimento do dia, que o grande responsável para que a ex-presidenta Dilma Vana
Rousseff tivesse sido (re)eleita foi o Nordeste. Região, que em sua opinião continuava:
“retrógrada”, “governista”, “bovina”, “subalterna”, “atrasada”, “pouco educada” e “pouco
instruída”. Contou com a bancada para firmar a sua opinião. Em seguida destacou que era
“paulista”, para dizer que São Paulo, que era a força econômica do país, havia rejeitado a
presidenta eleita.
Afirmou ainda que no Nordeste, lado “atrasado” do Brasil, a “imprensa livre” não
existia. A assertiva só podia ser aplicada da “metade do Brasil para baixo”. A “modernidade”
estaria também nessa metade de baixo, por que ela detinha o poder econômico do país.
Mainardi apresentou ao Brasil a sua face nova, atualizada, ou “moderna”, que correspondeu
ao que ele classificou de “metade do Brasil para baixo”; e a sua face atrasada, pobre e
antiquada, como sendo o Nordeste.59 Se o “moderno” possui os seus partidários e
adversários60, Mainardi dividiu o Brasil em dois: “a metade do Brasil para baixo”, que estaria
no caminho certo do mundo “moderno”; e o Nordeste, que freava a marcha e seria um
adversário para aquele, já que não custeava os seus próprios gastos. É importante destacarmos
que, se Mainardi falou de uma “metade do Brasil para baixo”, tida como “moderna”, porque
foi dita enquanto a força econômica do país, de maneira implícita ele firmou a existência de

59
GÓIS, Fábio. OAB-PE e deputados acionam Diogo Mainardi no MPF por declarações sobre nordestinos.
Congresso em Foco. Brasília: 7 nov. 2014. Disponível em: <http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/oab-
pe-e-deputados-acionam-diogo-mainardi-por-declaracoes-sobre-nordestinos/>. Acesso em: 27 ago. de 2016.
60
LEFEBVRE, Henri. Introdução à modernidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1969, p. 4.
17

uma “metade do Brasil para cima”, vista como “antimoderna” e que era pobre, dependente de
políticas públicas, e que por isso foi um peso decisivo para eleger Dilma Rousseff.
Faz-se importante destacarmos ainda que, ao mesmo tempo em que deixou implícito
em sua fala a existência de uma “metade do Brasil para cima”, direcionou a sua análise
somente para o Nordeste, sem se referir à região Norte, como se “vazia” fosse ao ponto de não
se ter o que falar ou não merecer nenhuma menção. Assim, em sua fala, o Nordeste apareceu
como pobre e o Norte como “vazio” ou “distante”. Com essa proposta também podemos
ajudar no entendimento de onde partiram algumas ideias de um Nordeste pobre e dependente
de políticas públicas, essencialmente, e o Norte como uma região “vazia” e “distante”, por
que ao que parece, guardadas as distinções históricas, foi com o uso de tais expressões que o
Estado brasileiro, durante a ditadura, justificou as duas regiões como merecedoras de atenção,
quanto ao perigo da “subversão”.
Recentemente, Eliseo Moreno Galindo em Las Dictaduras Militares en América del
Sur y La Doctrina de Seguridad Nacional en años 1960 a 1980, lembrou que nas décadas de
60 e 70, do século passado, alguns golpes de Estado foram postos em prática na América do
Sul pelas Forças Armadas, tendo como apoio setores empresariais, parte da sociedade civil,
setores da Igreja Católica, além da cooperação do governo dos EUA através das ideias da
DSN, que possibilitou o surgimento dos regimes militares do Brasil (1964-1985), da
Argentina (1966-1973 e 1976-1983), do Chile (1973-1989) e do Uruguai (1973-1985).
Acrescentou, ainda, que a busca dos países citados anteriormente pela DSN foi uma forma de
alimentar o desejo de derrotar o “comunismo internacional”, o que ajudou no aguçamento das
políticas repressivas que eram implantadas internamente.61 No caso do Brasil, Rodrigo Patto
Sá Motta atestou no livro Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no
Brasil (1917-1964), que o “anticomunismo” não era uma novidade no contexto pós-Segunda
Guerra Mundial, pois após a Revolução de 1917, na Rússia, ele deus os seus primeiros passos
no país.62
Se Eliseo Moreno Galindo deteve o seu olhar para a DSN, no que concerne às políticas
que foram implantadas pelos governos do Brasil, da Argentina, do Chile e do Uruguai, a
nossa proposta mostra-se necessária, pois desejamos aprofundar a participação do Brasil no
processo, levando em conta que as políticas do PIN e do PRo significaram a entrada em cena

61
GALINDO, Eliseo Moreno. Las Dictaduras Militares en América del Sur y la Doctrina de Seguridad
Nacional en los años 1960 a 1980.2016. 125f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História Social
da Amazônia) – Universidade Federal do Pará, 2016, p. 11.
62
MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no Brasil (1917-
1964). – São Paulo: Perspectiva: FAPESP, 2002, p. 1-3.
18

da preocupação que existiu por parte do Estado brasileiro com relação ao Norte e o Nordeste,
duas regiões que entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970 foram tidas
como prioritárias, para que a Segurança Nacional fosse garantida.
A necessidade dessa pesquisa ainda se justifica pelo fato de que desejamos também
uma problematização do projeto que implantou o PIN nas regiões Norte e Nordeste, que
foram as publicações do então engenheiro do DNER, Eliseu Resende. Em 2015, Filipe
Menezes Soares, em O governo Médici e o Programa de Integração Nacional (Norte e
Nordeste): discursos e políticas governamentais (1969-1974), teve como foco de pesquisa as
políticas do PIN. Para falar sobre a sua criação, iniciou a sua discussão a partir de um trecho
do Diário Oficial da União (DOU), de 16 de junho de 1970, quando o presidente Médici
realizou a promulgação do Decreto-Lei nº 1.106, que lançou o PIN.63 Mas em anos anteriores,
por meio do CM e do JB, com texto intitulado O papel da rodovia no desenvolvimento da
Amazônia, Eliseu Resende já falava de uma necessidade de colocar em prática um “programa
de desenvolvimento”, que em 1970 foi chamado de “Programa de Integração Nacional”.64
Assim, podemos investigar de quais maneiras as cidades de Picos, Marabá, Altamira e
Humaitá, foram inseridas no PIN, desde o primeiro escrito de Eliseu Resende sobre o tema,
no ano de 1969.
Se, em 2014, Rodrigo Patto Sá Motta teve como foco as condições vividas nas
Universidades por professores, estudantes e técnicos ao longo da ditadura, momento em que
investigou rapidamente a criação do PRo; e se no ano de 2015, Gabriel Amato Bruno de Lima
focou no PRo enquanto uma política de integração nacional que foi implantada nas
Universidades brasileiras, há a necessidade de que mais trabalhos sobre as atividades
rondonistas apareçam, principalmente sobre o funcionamento dos Campi Avançados ao longo
do Brasil.
Em Memória e história da interiorização da UFPA: quando a memória constrói uma
história coletiva, Edilza Joana Oliveira Fontes buscou o processo de instalação de novos
Campi no interior do estado do Pará, durante a década de 1980. Processo que esteve ligado
com os pedidos de redemocratização do país, momento em que o Conselho Superior
Universitário da UFPA, no ano de 1984, fez uma consulta à comunidade acadêmica para
formar uma lista de seis nomes, que foi entregue ao então Ministro da Educação, Marco

63
SOARES, Filipe Menezes. O governo Médici e o Programa de Integração Nacional (Norte e Nordeste) –
Discursos e políticas governamentais (1969-1974).2015. 171f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em
História) – Universidade Federal do Pernambuco, 2015, p. 65.
64
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Correio da Manhã. Rio de
Janeiro, LXIX, n. 23.398, p. 6, 27 de julho de 1969 e RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no
desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969.
19

Maciel, que escolheu o professor Seixas Lourenço, que posteriormente foi um dos
responsáveis pela interiorização da UFPA. Edilza Joana Oliveira Fontes destacou ainda que o
Programa de interiorização tinha como pretensão assumir os Campi que estavam em posse do
PRo no estado. Um deles foi o Campus Avançado de Marabá65 e o outro possivelmente o de
Altamira. Através de nossa problematização sobre aqueles podemos contribuir com dados que
nos ajudem no entendimento de como se deu a passagem dos Campi do PRo para os domínios
da UFPA. E a análise do Campus Avançado de Humaitá pode nos indicar resultados
semelhantes com relação à Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Assim, buscamos as políticas do governo brasileiro para o Norte e o Nordeste do país,
durante a ditadura, por meio do envolvimento das cidades de Marabá, Altamira, Humaitá e
Picos nas políticas do PIN e do PRo, como forma de o Estado brasileiro contrapor os sujeitos
“subversivos” que habitavam as duas regiões, o que possibilita que a nossa proposta seja
aprovada na linha de pesquisa Cidade, floresta e sertão: cultura, trabalho e poder.

METODOLOGIA

Em Apologia da história ou o ofício de historiador, Marc Bloch delineou que a cada


vez em que as sociedades duvidam de si mesmas, alguns olhares se voltam para o passado,
motivados em saber se o questionaram com razão e de um modo correto.66 Ele se referiu ao
período da Segunda Guerra Mundial, quando foi preso e, posteriormente, no ano de 1944 foi
fuzilado o que tornou o seu livro incompleto. Estamos em 2016 e o seu pensamento continua
atual, o que também nos ensina sobre a necessidade de voltarmos aos clássicos da
historiografia, para problematizarmos as nossas crises de consciência histórica.
No livro Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre a história e os historiadores,
Jean Chesneaux falou algo que foi ao encontro das ideias tecidas por Marc Bloch: “Se o
passado conta algo, é pelo que significa para nós [...]”.67 Assim, se anteriormente falamos de
Diogo Mainardi, que em 2014 tratou o Nordeste como pobre e dependente de políticas
públicas, que foram colocadas em prática, de acordo com o seu raciocínio, graças à produção
econômica do seu lugar de fala, o estado de São Paulo, o que contribuiu para que o Nordeste
(re)elegesse a ex-presidenta Dilma Rousseff; e o Norte como uma região que não merecia
falar nada, como se fosse “vazia” ou “distante” do restante do Brasil, foi porque sentimos
65
FONTES, Edilza Joana Oliveira. Memória e história da interiorização da UFPA: quando a memória constrói
uma história coletiva. Fronteiras: Revista Catarinense de História (Online), Florianópolis, n. 20, p. 93-114,
2012, p. 1-6.
66
BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. – Rio de Janeiro: Zahar, 2001, p. 31-32.
67
CHESNEAUS, Jean. Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre a história e os historiadores. – São
Paulo: Ática, 1995, p. 22.
20

necessidade de questionarmos um passado vivido pelas populações das duas regiões, ao longo
da ditadura, quando ideias semelhantes foram usadas para que as instalações do PIN e do PRo
fossem justificadas.
Se no texto A operação histórica, Michel de Certeau apresentou que a escrita da
história é feita a partir da combinação de dois fatores, que são o “lugar social” e um conjunto
de “práticas científicas”, ao falarmos dos estereótipos levantados por Diogo Mainardi sobre a
região Nordeste, o nosso “lugar social” de nordestino foi posto em cena, assim como a nossa
capacidade de se colocar no lugar dos nortistas, justamente por sabermos quais são os
preconceitos que lhes atingem, desde o período da ditadura pelo menos. Mas não basta que
saibamos que as nossas motivações partem de uma inquietação do presente. É preciso que
delineemos os usos que pensamos para as diversas fontes que possuímos, transformando-se
então, nas “práticas científicas” que nos servirão.68
A primeira prática que dispomos vem dos escritos de Michel Foucault, do livro A
ordem discurso. Nele há o seguinte questionamento: “Mas, o que há, enfim, de tão perigoso
no fato de as pessoas falarem e de seus discursos proliferarem indefinidamente? Onde, afinal,
está o perigo?”.69 Por discurso consideramos a definição de Mary Jane Spink e Benedito
Medrado, para quem aquele significa o “uso institucionalizado da linguagem e sistemas de
sinais de tipo linguístico”.70 Nos escritos de Eliseu Resende sobre o PIN; nos documentos
produzidos sobre os Campi Avançados de Picos, Marabá, Altamira e Humaitá; e nos jornais
CM, OESP e JB, além da revista Veja, que disseminaram as ideias do governo brasileiro, o
perigo existiu, talvez, quando o Estado brasileiro colocou em funcionamento as suas maneiras
de fazer crer, justamente quando alguns nordestinos e algumas nordestinas imaginaram que ao
se transferirem para o Norte do país, as suas vidas melhorariam; e quando as populações das
quatro cidades que receberam o PRo absorveram as ideias de integração nacional, o que
também foi uma forma de serem controladas, para que a “subversão” não as atingisse.
Absorção que não pensamos ao sentido passível, já que toda leitura pressupõe outra
produção.71 O perigo também existiu, quando por meio dos IPM’s que foram instaurados
contra os sujeitos tidos como “subversivos”, o Estado brasileiro aliviou a sua pesada condição
de guardião da Segurança Nacional, que foi colocada em prática a todo custo, como no caso
68
CERTEAU, Michel de. A operação histórica. In: LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. História: novos
problemas. 4ª ed. – Rio de Janeiro: F. Alves, 1995, p. 18.
69
FOUCAUL, Michel. A ordem do discurso. 3. ed. São Paulo: EDIÇÕES LOYOLA, 1996, p. 8.
70
SPINK, Mary Jane; MEDRADO, Benedito. Produção de sentidos no cotidiano: uma abordagem teórico-
metodológica para análise das práticas discursivas. In: SPINK, Mary Jane. (Org.) Práticas discursivas e
produção de sentidos no cotidiano. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2004, p. 43.
71
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Artes de fazer. 3ª ed. – Petrópolis: Editora Vozes, 1998, p.
269.
21

das prisões que foram feitas contra sujeitos que não concordavam com a política ditatorial
posta em prática.
Nas produções de Eliseu Resende sobre o PIN; nos documentos produzidos sobre os
Campi Avançados; e nos jornais CM, OESP e JB, além da revista Veja, houve a utilização de
alguns mapas, o que torna muito pertinente para os nossos propósitos as ideias de John Brian
Harley de La nueva naturaleza de los mapas: ensayos sobre la historia de la cartografia. Para
ele:

[...] Los mapas son um lenguaje gráfico que se debe decodificar. Son una
construcción de la realidade, imágenes cargadas de intenciones y
consecuencias que se pueden estudiar en las sociedades de su tiempo. Al
igual que los libros, son también producto tanto de las mentes individuales
como de los valores culturales más amplios en sociedades específicas.72

Portanto, imaginamos que os mapas que foram produzidos sobre as regiões Norte e
Nordeste, tendo como foco a implantação do PIN, quando colocados na condição de que
foram produzidos com as intenções de que as duas regiões necessitavam da construção da
Rodovia Transamazônica, podem nos informar sobre a localização das cidades de Picos,
Marabá, Altamira e Humaitá dentro do PIN, por meio da linguagem cartográfica usada
incialmente por Eliseu Resende e que foi disseminada no CM, no JB, no OESP e na revista
Veja. Com relação aos dados demográficos do IBGE; e das condições sociais dos moradores e
das moradoras do Norte e do Nordeste, do IPEA, não vamos trabalhar com a causalidade de
que a pobreza aumentou por causa dos aumentos de populações, o que seria raso, ao sentido
de Milton Santos, no livro Pobreza urbana73, pois uma maior quantidade de indicadores
sociais pode nos informar onde falhou o Estado brasileiro com relação àquelas cidades.
Em Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos, Reinhart
Koselleck nos ensinou que algumas experiências históricas geraram algumas expectativas,
como se a última fossem uma linha do horizonte, ou seja, as pessoas se moveram em sua
direção, mas nunca as tocaram. Se o Estado brasileiro propagandeou a região amazônica
como um novo “Eldorado” e incentivou a transferências de nordestinos e de nordestinas para
a região Norte, e, no final da ditadura, as condições de vida dos mais pobres não melhoraram,

72
HARLEY, John Brian. La nueva naturaleza de los mapas. Ensayos sobre la historia de la cartografia.
México: FCE, 2005, p. 62.
73
SANTOS, Milton. Pobreza urbana. 3ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009, p. 14-21.
22

pode ser que estejamos diante de um horizonte de expectativa74, pois os migrantes e as


migrantes perseguiram o “Eldorado”, mas ele faltou ao encontro.

FONTES

Até o momento, para problematizarmos o PIN contamos com as publicações de Eliseu


Resende, intituladas Investimentos rodoviários: considerações sobre a atual experiência
brasileira, de 1972 e As rodovias e o desenvolvimento do Brasil, de 1973, além do seu texto
O papel de rodovia no desenvolvimento da Amazônia, publicado no ano de 1970 no livro de
Alberto Tamer, intitulado de Transamazônica, solução para 2001, mas que foi lançado nos
jornais CM e JB, no ano de 1969. Nelas, Eliseu Resende detalhou como surgiu a ideia de
colocar em prática a construção das Rodovias Transamazônica e Cuiabá-Santarém, além dos
projetos de colonização com as populações migrantes sendo instaladas às margens das duas
Rodovias, processo que envolveu as cidades de Marabá, Altamira e Humaitá. Picos foi
incluída enquanto o ponto inicial da Transamazônica.
Eliseu Resende, a cada publicação, melhorou graficamente os seus escritos usando de
tabelas, mapas e fotografias sobre a construção das duas BR’s (230 e 163), para explicar a
proposta. Também especificou outras obras que foram inspirações para as suas ideias, como:
Les intérêts économiques des travaux routiers, de Lionel Odier, que foi editada pela
Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 1963; e Economic Analysis for Highways,
de Robley Winfrey, publicada no ano de 1969. Além delas, justificou que a ideia de
construção da Rodovia Transamazônica, que nos interessa de maneira mais específica,
aconteceu tendo como inspiração os escritos de Euclides da Cunha que compuseram
postumamente o livro À margem da história, colhendo, principalmente, a ideia da
Transacreana e o seu traçado. Com os livros escritos, o engenheiro representou o Brasil,
sendo palestrante nas reuniões da International Road Federation e das Organizações
Rodoviárias do Brasil, do ano de 1972 em Brasília e de 1973 na Alemanha.
Assim, dispomos ainda dos livros À margem da história e Um paraíso perdido, de
Euclides da Cunha, o primeiro do ano de 1909 e o segundo do ano 2000, que contém além dos
escritos, cartas que trocou com outros intelectuais quando esteve em viagem pela Amazônia;
os livros Transamazônica, solução para 2001, de 1970 e Nordeste, os mesmos caminhos:
reforma agrária, afinal?, de 1972, que foram reportagens escritas por Alberto Tamer para o
OESP, quando esteve em viagem pelo Norte e pelo Nordeste do país. Foi por meio de seus

74
KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro:
Contraponto: Ed. PUC, 2006, p. 311.
23

escritos que encontramos Eliseu Resende e as suas publicações sobre o PIN; os livros de
Registro Histórico do 3º Batalhão de Engenharia de Construção (3º BEC), de 1962 até 1981,
que foi a instituição responsável pela construção da Transamazônica em Picos, quando foi
deslocada de Natal, no Rio Grande do Norte, e que ao longo do tempo implantou as ideias da
DSN na cidade. Temos ainda entrevistas que realizamos por meio do método/técnica da
história oral75 com Inês Zilma da Cruz Pires, José Bertino de Vasconcelos Filho e Francisco
das Chagas Pires, que se transferiram de Natal, para a cidade de Picos, e que por meio de seus
depoimentos significaram suas experiências de vida que estiveram ligadas ao 3º BEC; o
Boletim Interno de nº 55, de 1972, do Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte, chamado
de Solos da Rodovia Transamazônica, que contém informações sobre as cidades de Marabá e
Altamira; e algumas publicações da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia
(SUDAM), que foram feitas entre as décadas de 1960 e 1970, quais sejam: Operação
Amazônia, de 1966, 1967 e 1968, constituindo preocupações com a Segurança Nacional da
região; O Nôvo Sistema de Ação do Gôverno Federal da Amazônia, de 1967; os Subsídios ao
Plano Regional de Desenvolvimento, de 1972 até 1974; o Polamazônia – síntese –, de 1975; e
o II Plano Nacional de Desenvolvimento – Programa de Ação de Governo para a Amazônia,
de 1976.
Para problematizarmos a atuação do PRo em Picos, que se instalou na cidade em 1972,
dispomos do acervo do Campus Avançado que está disponível para consulta no Centro de
Informação, Documentação e Arquivo (CIDARQ), da UFG, na cidade de Goiânia. Acervo
que foi produzido entre as décadas de 1970 e 1980 e que possui: 10 documentos intitulados de
Portaria; 6 de Planejamento das atividades dos estagiários que deverão atuar no Campus
Avançado de Picos-PI; 3 de Roteiro de planejamento de atividades; 1 mapa, com o título de
“Campi” Avançados, demonstrando os Campi instalados até um determinado período e os
que estavam em fase de estudos; 1 de Roteiro de treinamento para os universitários que
atuam no “Campus” Avançado de Picos-Piauí; 10 de Relatório mensal da direção; 8 de
Ofício; 1 de “Campi” Avançados: extensão da universidade para integração nacional; 10 de
Questionário de atuação; 8 de Livro de registro de estagiários e professores de projetos em
Picos; 11 de Relatório das principais atividades desenvolvidas pelo Campus Avançado de
Picos; 1 de Termo de convênio UFG, Prefeitura municipal de Picos e a Fundação Projeto
Rondon; 1 de Manual de treinamento; 1 de Atas de reuniões do Grupo de tarefas do Campus
75
Para Alessandro Portelli, a história oral é uma narração dialógica que tem o passado como assunto e
que brota do encontro de um sujeito que chamarei de “narrador” e de outro sujeito que chamarei de
“pesquisador”- encontro geralmente mediado por um gravador ou um bloco de anotações. Ver:
PORTELLI, Alessandro. Ensaios de história oral. São Paulo: Letras e Voz, 2010, p. 210.
24

Avançado de Picos, que vai de 1972, com a instalação e início das atividades, até o ano de
1977.
Dispomos também de 318 fotografias, que foram tiradas ao longo das décadas de 1970
e 1980, sobre as atividades desenvolvidas pelas equipes na sede do Campus Avançado, bem
como pelos espaços urbano e rural de Picos, com foco para a pobreza e as suas condições de
vida. Além disso, temos edições de dois jornais que foram produzidos pelos membros do
Campus Avançado na cidade, sendo o Voz do Campus, de 1972 até 1973 e o Macambira, de
1975 até 1984. Possuímos ainda, alguns documentos sobre a Reforma Universitária que
atingiu a UFG, no final da década de 1960 e que influenciou, posteriormente, a instalação do
Campus Avançado de Picos no ano de 1972
E sobre o funcionamento do Campus Avançado em Picos, obtivemos com a professora
Zilda Gonçalves de Carvalho Mendonça, que defendeu a sua tese sobre o assunto, tendo como
título Extensão: uma política de interiorização da Universidade Federal de Goiás (1972-
1994), alguns documentos, como: A microrregião 51 do Piauí, presente no livro Rumos da
Universidade Brasileira, do ano de 1986 e que foi escrito por Maria do Rosário Cassimiro;
Grupo Tarefa Universitária – Campus Avançado de Picos, perpassando as atividades que
foram feitas entre o ano de 1972 e 1977; Projeto Rondon: Picos – Piauí, que não contém ano,
mas se trata de uma apresentação do Campus; I Seminário sobre a extensão universitária,
também sem ano; A UFG hoje: informações, programas e projetos, do ano de 1995; e UFG –
Relatório 1978/1981, de 1978.
Sobre os documentos acerca dos trabalhos do Campus Avançado de Marabá, que
começou a funcionar em 1971, eles estão disponíveis no Centro de Memória da Educação, na
Faculdade de Educação da USP, somando ao todo 1659 documentos, entre telegramas,
ofícios, circulares, cartas, declarações, solicitações, listagens de disciplinas, carga horária,
dentre outros tipos.76
No que concerne às atividades da ALN do Pará, que procurou criar bases indo de
Conceição do Araguaia até a confluência do Tocantins com o Araguaia, passando pela
fronteira do Maranhão em direção a Picos, possuímos 3 Inquéritos Policial-Militares (IPM’s),
que foram abertos contra João Alberto Rodrigues Capiberibe e Carlos Augusto da Silva
Sampaio, ambos no ano de 1970, eles que eram membros da ALN. Mais documentos sobre a
ALN estão disponíveis no Centro de Documentação e Informação Científica (CEDIC), na
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).77 Outros 3 IPM’s foram instaurados

76
http://www.cme.fe.usp.br/.
77
http://www.pucsp.br/cedic/colecoes/acao_libertadora.html.
25

contra Antonio Almino de Alencar Filho, Benoni Alencar Pereira e João Cesar Roxo
Nicolussi, sendo o primeiro aberto em 1964 e o segundo em 1969. O último não apareceu seu
ano. Os dois foram tidos como “subversivos” e passaram pela cidade de Picos, o que
demonstra que a cidade manteve contato com ameaçadores da Segurança Nacional, aos olhos
do Estado brasileiro. Os IPM’s estão disponíveis no site do projeto Brasil Nunca Mais
Digital.
Para problematizarmos as ideias de Segurança Nacional temos os números I e II da
Revista da Escola Superior de Guerra, dos anos de 1983 e 1984, que tendo como tema
principal os começos da instituição, entre o final da década de 1940 e o início da década de
1950, abordou sobre aquelas ideias; o livro Conjuntura política nacional: o Poder Executivo
& Geopolítica do Brasil, de Golbery do Couto e Silva. Contamos ainda com Atas e Projeto de
Leis da Câmara Municipal de Picos, de 1970 até 1979, que ajudam no entendimento de como
era o clima na cidade quanto às políticas de integração nacional que foram implantadas; e o
texto Alianza para el Progreso, do ano de 1961, e que tem como tema a Reunião
Extraordinária do Consejo Interamericano Económico Social, em nível ministerial, que
aconteceu em Punta del Este, Uruguai, que nos servirá no entendimento de como a América
Latina foi alvo da Aliança para o Progresso.
Sobre os dados acerca da demografia da cidade de Picos, da região Nordeste e do
Brasil, durante as décadas de 1960, 1970 e 1980 temos publicações do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), como Maranhão – Piauí: IV Recenseamento Geral do Brasil,
de 1960; Censo Demográfico 1991: resultados preliminares, de 1992; e Sinopse Censo
Demográfico: 2010, de 2011; e a Revista Foco: Edição Comemorativa: 111 anos Picos,
nossa história, do ano de 2001. Para medirmos os indicadores sociais com relação às décadas
de 1960, 1970 e 1980, de Picos, do Nordeste e do Brasil temos alguns dados que foram
colhidos no site do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Em termos de fontes hemerográficas temos reportagens do OESP, de 1964 até 1980; o
CM, de 1964 até 1976; o JB, de 1964 até 197678 e a revista Veja, de 1970 até 1985. Assim, o
desenvolvimento da proposta de pesquisa é possível, levando-se em consideração as fontes
que dispomos e as que ainda podemos adquirir.

78
Se o OESP, o CM, e o JB, ao longo da década de 1960, tinham uma média de 100 a 250 mil tiragens diárias
cada um, e se ambos apoiaram o golpe de 1964, faz importante problematizarmos como se posicionaram com
relação às políticas do PIN e do PRo, implantadas pelo Estado brasileiro. Ver: MOTTA, Rodrigo Patto Sá. A
ditadura nas representações verbais e visuais da grande imprensa: 1964-1969. Topoi. v. 4, n. 26, p. 62-85,
jan.-jul. 2013, p. 64.
26

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