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Paulo Roberto

Metáfora e Metonímia:
Gonçalves Segundo
(USP) perspectivas atuais

Metáfora e Metonímia:
perspectivas atuais

Sintaxe do Português II
Prof. Dr. Paulo Roberto Gonçalves Segundo (FFLCH-USP)
1º Semestre de 2016
Paulo Roberto
Metáfora e Metonímia:
Gonçalves Segundo
(USP) perspectivas atuais

Teoria da Metáfora Conceptual (TMC)


1. O pontapé inicial da TMC foi o livro Metaphors we live by, de Lakoff & Johnson, em 1980. Outra obra
essencial para a abordagem é a Women, Fire and Dangerous Things: What Categories reveal about the
mind, escrita por Lakoff (1987).
2. Os autores propuseram-se a enfrentar a corrente majoritária daquele momento, que via a metáfora
como um recurso figurativo de caráter estilístico, típico de textos literários.
3. Lakoff & Johnson, a partir de uma análise volumosa de dados linguísticos de diversas campos, buscam
mostrar que a metáfora não é apenas um fenômeno de linguagem, mas um fenômeno de cognição
que envolve a projeção de correspondências entre diferentes domínios cognitivos – um domínio-
fonte, mais concreto e usualmente mais corporificado; e um domínio-alvo, mais abstrato.
4. A partir dos estudos sobre metáfora, também abarcou-se o fenômeno da metonímia.
5. Hoje, a TMC, apesar de influente, tem perdido espaço para outras abordagens, como a Teoria dos
Espaços Mentais e da Integração Conceptual (MSCI). Entretanto, muitos autores têm trabalhado no
sentido de refiná-la, dentre eles Ruíz de Mendoza Ibañez, Grady, Kövecses, Diéz, Vereza, dentre outros.
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Teoria da Metáfora Conceptual (TMC)


I. Diferenças básicas entre Metáfora e Metonímia

a. Croft & Cruse (2004: 193)


“Metáfora envolve a interação entre dois domínios construídos a partir de duas regiões de
significado, e o conteúdo do domínio-fonte consiste em um ingrediente do alvo, construído por meio de
processos de correspondência e mesclagem [...] Na metonímia, a função do veículo é meramente
identificar a construção do alvo”.
b. Ferrari (2011: 92; 102)
“[...] a metáfora é, essencialmente, um mecanismo que envolve a conceptualização de um
domínio da experiência em termos de outros [...] a projeção metonímica envolve só um domínio, ao
contrário da metáfora, que se dá entre dois domínios”.
c. Ruiz de Mendoza (2006)
A metáfora prototípica é predicativa e envolve a projeção entre domínios, permitindo-nos
compreender e raciocinar sobre o alvo a partir dos conhecimentos e das experiências acerca da fonte, ao
passo que a metonímia prototípica é referencial, viabilizando que façamos referência a uma entidade em
um domínio ao sinalizarmos outra no mesmo domínio.
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Teoria da Metáfora Conceptual (TMC)


II. Sobre a noção de domínio ou modelo cognitivo idealizado

Kövecses (2010) compreende domínio conceptual como qualquer organização coerente de experiência.
Lakoff (1987) propõe a noção de modelo cognitivo idealizado (MCI) para explicar a organização
conceptual.

1. MCI são representações mentais relativamente estáveis que abarcam teorias sobre o mundo (Evans &
Green, 2006). São idealizados, na medida em que:
a. consistem em abstrações relativas a uma gama de experiências que reiteradamente vivenciamos,
permitindo-nos não só categorizar e raciocinar, como também interpretar situações e reagir de
forma mais ou menos adequada.
b. não abarcam a representação de cada instância de uma dada experiência. Por conseguinte, não se
encaixam perfeitamente a todas as situações e não abrangem toda a complexidade da realidade.
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III. Sobre a noção de Esquema Imagético e Corporeamento

1. A hipótese do Corporeamento estabelece que a estrutura conceptual é determinada e delimitada, por refração,
pela gama e pela natureza das experiências que vivenciamos, a partir das potencialidades dos nossos corpos (não
dicotomização entre corpo e mente). A representação conceptual, por sua vez, é codificada e externalizada pela
linguagem por meio da estrutura semântica, organizada em termos específicos e esquemáticos.
2. Esquemas Imagéticos (EI) são, para Grady (2005), um conjuntos de representações mentais, de caráter multimodal,
que atuam como âncoras da cognição, na medida em que emergem de padrões recorrentes de interação e
experiência corpórea, o que inclui percepção visual, auditiva, gustativa, olfativa, tátil; sensações internas, como
fome ou dor; e movimentação.
3. Dado seu caráter emergente,
a. o conteúdo dos esquemas imagéticos não é inato; o que é inata é a capacidade de gerá-los.
b. eles possuem origem pré-conceptual.
4. Entretanto, EI são conceptuais, consistindo nos elementos fundamentais da estrutura conceptual, uma vez que são
os primeiros a emergirem na mente humana. Por estarem tão profundos no sistema cognitivo, EI não podem ser
acessados via introspecção consciente.
5. Como EI são derivados de nossas interações com o mundo, eles são inerentemente significativos e ativam
consequências previsíveis.
6. EI podem possuir estrutura interna e ocorrer em clusters. Exemplo: EI de FORÇA, que inclui EQUILÍBRIO, FORÇA
CONTRÁRIA, COMPULSÃO, RESTRIÇÃO, HABILIDADE, BLOQUEIO e ATRAÇÃO (Ferrari, 2011; Croft & Cruse, 2004).
7. Grady associa os EI aos domínios-fonte de projeções metafóricas e denomina esquemas de respostas os domínios-
alvo dessas projeções. Exemplo: DIFICULDADE É PESO; DIFICULDADE É DUREZA; EXCITAÇÃO É CALOR.
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i. O Haiti tem nos custado muito dinheiro.
Haiti

Metonímia Alvo-na-Fonte (target-in-source):


Intervenção
militar
LUGAR POR EVENTO um domínio inteiro é usado para simbolizar
um subdomínio.

ii. O 121 está subindo agora. Ruiz de Mendoza (2000)


Condômino

Metonímia Fonte-no-Alvo (source-in-target):


Apartamento
121 MORADIA PELO MORADOR um subdomínio é utilizado para simbolizar
um domínio todo.
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iii. A máquina de arrecadação de impostos no Brasil faz do governo sócio parasita de todo mundo que
trabalha.

Fórmula: DOMÍNIO-ALVO É DOMÍNIO-FONTE


SOCIEDADE É UM ORGANISMO; INSTITUIÇÕES SÃO PARTES/COMPONENTES DO CORPO; GOVERNO É
PARASITA.
Domínio-Fonte Domínio-Alvo
Parasita Governo
Alvo: Organismo Alvo: Conjunto de Trabalhadores
Método de atuação: Infecção Método de atuação: Cobrança de impostos
Consequência: Adoecimento Consequência: Empobrecimento
Análise não exaustiva e focada apenas na metáfora em negrito.
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IV. Explorando a Metáfora Conceptual
a. A TMC assume como foco a abordagem das metáforas convencionalizadas, atribuindo o caráter
convencional à importância cognitiva das projeções, uma vez que são ancoradas na experiência
humana corporificada.
b. Hipótese da Invariância: as projeções metafóricas preservam a estrutura imagética do domínio-fonte;
em outros termos, nós raciocinamos sobre o domínio-alvo a partir da imagética da fonte.
 Consequência 1: assimetria entre Domínio-fonte e Domínio-Alvo.
Consequência 2: O Domínio-Fonte não é reconceptualizado por suas correspondências em
relação ao domínio-alvo.
c. Lakoff & Johnson (1980) propõem dois tipos de correspondências: i. as ontológicas, que dizem respeito
às projeções de um domínio a outro; ii. as epistêmicas, que abarcam as relações possíveis e inferíveis
entre os elementos dos domínios, tendo como base o conhecimento enciclopédico.
d. Os autores propõem, originalmente, três grandes tipos de metáfora:
i. as estruturais;
ii. as ontológicas;
iii. as orientacionais.
e. Deve-se tomar cuidado em diferenciar o domínio conceptual da metáfora de sua expressão
linguística.
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IVa. Explorando as Metáforas Estruturais
Neste tipo de metáfora, o domínio-fonte possui uma rica estrutura conceptual que permite
compreender e estruturar o domínio-alvo.

TEMPO É ESPAÇO
PASSAGEM DO TEMPO É MOVIMENTAÇÃO NO ESPAÇO
Vai chegar a hora de a gente resolver essa situação.
Já passou a hora de resolvermos essa situação.
O tempo voa, né?

EXTENSÃO TEMPORAL É DISTÂNCIA ESPACIAL.


O Natal ainda está longe.
O aniversário dele está próximo.

Exemplos: PESSOAS SÃO ANIMAIS; RAIVA É CALOR.


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IVb. Explorando as Metáforas Ontológicas
Metáforas Ontológicas não possuem domínios-fonte com rica estrutura conceptual para a
formação e a compreensão de um conceito-alvo. Seu trabalho cognitivo é oferecer estatuto ontológico para
alvos abstratos.

Exemplos:
Eu tenho medo de baratas. EMOÇÃO É OBJETO POSSUÍDO.
Ele me levou à loucura. EMOÇÃO É DESTINO ESPACIAL.
Ele fez muito exercício ontem. ATIVIDADE É SUBSTÂNCIA/MASSA.
A mente dele estava repleta de bobagens. ENTIDADE E CONTEÚDO NÃO FÍSICOS SÃO CONTÊINER E
CONTEÚDO FÍSICO.

Personificações são também casos típicos de Metáfora Ontológica.


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IVc. Explorando as Metáforas Orientacionais
As metáforas orientacionais provêm ainda menos estrutura conceptual da fonte para o alvo. Sua
função é dar coerência para um conjunto de conceitos-alvo no nosso sistema conceptual. O nome
orientacional deriva de sua ligação comum com orientações espaciais humanas, como cima-baixo, centro-
periferia, esquerda-direita, etc.

Exemplos:
Eu estou em cima dele / A situação está sob controle. CONTROLAR É RELAÇÃO CIMA-BAIXO; SER
CONTROLADO É BAIXO-CIMA.
Ele tinha caído em depressão, mas já conseguiu se reerguer. DOENTE É BAIXO; SAUDÁVEL É CIMA.
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IVd. Explorando a Metáfora Conceptual –Metáfora Primária

a. Grady denomina primárias as metáforas que estruturam domínios-alvo com base em imagens
sensoriais com objetivo de destacar operações cognitivas de fundo. Os domínios-fonte estão sempre
relacionados a experiências sensório-motoras, derivadas da experiência, ao passo que os domínios-
alvo referem-se a respostas e avaliações que emergem da experiência corpórea.

Exemplos: SIMILARIDADE É PROXIMIDADE; IMPORTÂNCIA É TAMANHO; QUANTIDADE É ELEVAÇÃO VERTICAL; CAUSAS SÃO
FORÇAS; MUDANÇA É MOVIMENTO; DESEJO É FOME; ESTADO É CONTÊINER.

b. Grady denomina compostas as metáforas que emergem da unificação de metáforas primárias.

Exemplos: TEORIAS/ARGUMENTOS SÃO CONSTRUÇÕES emerge das metáforas primárias PERSISTIR É PERMANECER ERETO
e ORGANIZAÇÃO LÓGICA É ESTRUTURA FÍSICA.
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IVd. Explorando a Metáfora Conceptual –Metáfora Primária

Exemplos:
1) SIMILARIDADE É PROXIMIDADE  Essas abordagens sobre a linguagem são bem próximas.
2) IMPORTÂNCIA É TAMANHO  Amanhã será um grande dia.
3) QUANTIDADE É ELEVAÇÃO VERTICAL  Ele tem uma alta capacidade de atenção.
4) CAUSAS SÃO FORÇAS; ESTADOS SÃO LUGARES  Aquela pessoa me levou à loucura.
5) MUDANÇA É MOVIMENTO  Ele saiu da adolescência agora.
6) DESEJO É FOME  Ele está com fome de bola.
7) ESTADOS SÃO CONTÊINERES  Eles entraram em coma ontem; não conseguimos sair dessa enrascada.

Exemplos:
8) TEORIAS E ARGUMENTOS SÃO CONSTRUÇÕES  Aquela teoria não tem fundamento; seu argumento não se
sustenta; ele construiu um argumento sólido; toda aquele aparato teórico ruiu.
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V. A Ancoragem da Metáfora
A visão cognitivista propõe que as metáforas conceptuais se baseiem em uma variedade de
experiências humanas, a destacar:
i. correlações experienciais;
ii. similaridades estruturais percebidas.

i. Correlações experienciais dizem respeito à seguinte noção: se um evento X é acompanhado de um


evento Y com frequência, eles estão correlacionados (mas não são similares).
 QUANTIDADE É VERTICALIDADE: um monte de; alta capacidade de atenção;
 OBJETIVO É DESTINO: usos da preposição para.
 RAIVA É CALOR: ele está de cabeça quente; vá esfriar a cabeça; ele está soltando fumacinha
pela cabeça.
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ii. Similaridades estruturais percebidas são outra fonte comum de metáforas. Os falantes, em dada cultura,
depreendem aproximações entre o conteúdo de um domínio-fonte e um domínio-alvo e estruturam esse último a
partir daquele.
Um exemplo – complexo, mas interessante – envolve a metáfora IDEIAS SÃO ALIMENTOS.
Exemplos: Eu não consigo engolir esse conceito; Ainda estou digerindo essa nova abordagem; Ele ainda está
ruminando aquela ideia.
O que, entretanto, ligaria IDEIAS e ALIMENTOS? Inicialmente, o fato de concebermos, metaforicamente, a mente como
um contêiner, ideias como conteúdos a serem inseridos nesse contêiner.
Exemplos [com metonímias internas]: Essa matéria não entra na minha cabeça; Essa dúvida não sai da minha mente;
Não consigo tirar ele/a do meu pensamento.
O estômago, visto como órgão prototípico do sistema digestório, também é concebido como um contêiner. Do mesmo
modo como a digestão é um processo lento que leva à absorção de nutrientes pelo organismo, a compreensão ou a
reflexão podem também ser processos lentos anteriores à absorção de ideias.
Domínio-Fonte (ALIMENTO) Domínio-Alvo (IDEIA)
Engolir Aceitar
Mastigar/Ruminar Considerar
Digerir Compreender
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VI. A natureza parcial das projeções metafóricas
Segundo Kövecses (2010: 96), como conceitos (tanto alvos quanto fontes) possuem diversos
aspectos, falantes precisam de diversos domínios-fonte para entender os diferentes aspectos dos conceitos-
alvo.
Assim, denomina-se destaque metafórico (metaphorical highlighting) os traços do domínio-alvo
que são perfilados pela metáfora, ao passo que se denomina utilização metafórica (metaphorical
utilization) os aspectos do domínio-fonte que são recrutados para a interpretação metafórica. Deve-se
destacar que esse processo sempre implica um ocultamento. Se algum aspecto de um dos domínios é
destacado ou utilizado, outros são ocultados. Isso pode ser explorado em termos de análise discursiva.
A metáfora PESSOAS SÃO ALIMENTOS é largamente utilizada no país no que tange a um domínio
sexual. Exemplo: Aquele cara é delicioso; Que menina gostosa!; Fulano dá uma bela refeição. Contudo, no
que tange à relação sexual em si, em geral, é a mulher que ocupa a função de alimento: Fulano comeu
ciclana.
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VII. O escopo da metáfora
Do mesmo modo que um mesmo domínio-alvo pode ser construído por inúmeros domínios-fonte,
PESSOAS SÃO ANIMAIS: Nunca mais jogo com aquele cavalo
PESSOAS SÃO ALIMENTOS: Aquele ator é um pão-de-ló
PESSOAS SÃO MÁQUINAS: Aquele aluno sempre está desligado
um mesmo domínio-fonte pode estruturas vários domínios-alvo
TEORIAS SÃO CONSTRUÇÕES: O paradigma gerativista foi construído por Chomsky
RELAÇÕES SÃO CONSTRUÇÕES: Quando passamos a enxergar o outro como é - e principalmente nos enxergamos tal
qual somos - passamos a construir a base sólida de um amor real [...]
SISTEMAS ECONÔMICOS SÃO CONSTRUÇÕES: O Neoliberalismo está em ruínas, se desfazendo

Contudo, é possível depreender, em análise horizontais e verticais de dados extensos, um foco principal de
significado (main meaning focus).
Kövecses (2010: 138) assim define essa noção:
Cada fonte está associada a um foco (ou focos) de significado particulares que é (ou são) projetados para o
alvo. O foco de significado é convencionalmente fixo e compartilhado por uma comunidade de fala; é típico de vários
casos daquela fonte; e é característico daquela fonte apenas. O alvo herda o foco (ou focos) de significado principal da
fonte.
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Teoria da Metáfora Conceptual (TMC)


VII. O escopo da metáfora
SISTEMAS COMPLEXOS SÃO CONSTRUÇÕES

Domínio-fonte (CONSTRUÇÃO) Domínio-alvo (SISTEMA COMPLEXO)


Fundação Base que fundamenta o sistema inteiro
Armação/estrutura Estrutura geral dos elementos que compõem o sistema
Elementos estruturais adicionais Elementos adicionais que auxiliam na estrutura do sistema
Design Estrutura lógica do sistema
Arquiteto/Engenheiro Construtor/Desenvolvedor do sistema
Processo de construção Processo de elaborar o sistema
Força Duração/Estabilidade do sistema
Colapso/Desmoronamento Falha do sistema

Projeções centrais são aquelas que levam à emergência de outras projeções, refletindo preocupações
humanas mais prementes e/ou salientes da fonte em questão. Em geral, possuem maior motivação experiencial e são
mais expressas linguisticamente.
CONSTRUTO É CONSTRUÇÃO; ESTRUTURA ABSTRATA É ESTRUTURA FÍSICA; ESTABILIDADE É FORÇA.
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Metonímias Conceptuais
Kövecses (2010: 173)
De forma análoga às metáforas, metonímias também possuem natureza conceptual e são reveladas por
expressões linguísticas. Diferente delas, no entanto, sua principal função parece ser a de prover acesso a uma entidade
conceptual, o alvo, por meio de outra, o veículo, em um mesmo domínio ou MCI.
Há várias polêmicas acerca da natureza da metonímia e, embora haja ressalvas aqui ou ali, em geral, ela se
encontra associada às seguintes características:
a. A metonímia tem uma função precipuamente referencial, embora não unicamente. Em geral, ela não é usada,
como a metáfora, para compreender um domínio com base em outro.
b. A metonímia atua como ponto de referência que permite dirigir a atenção para outra entidade relacionada. Ela
está na base da noção langackeriana de zona ativa.
c. Metonímias constituem a base de várias metáforas conceptuais, especialmente, das primárias – MAIS É PRA
CIMA; RAIVA É CALOR; CAUSAS SÃO FORÇAS.
Ruiz de Mendoza (2014: 147) a define como uma projeção conceptual interna a um domínio por meio da qual
o domínio-alvo é resultado ou de uma expansão ou de uma redução do material conceptual do domínio-fonte.
Tal definição aponta para duas grandes categorias de metonímia:
1. Metonímias fonte-no-alvo (parte de um domínio pelo domínio todo)  Expansão. Acessa-se a parte como ponto
de referência para se conceber o todo.
2. Metonímias alvo-na-fonte (o domínio todo por parte dele)  Redução conceptual. Acessa-se o todo como ponto
de referência para se conceber a parte.
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Metonímias Conceptuais
i. O Haiti tem nos custado muito dinheiro.
Haiti

Metonímia Alvo-na-Fonte (target-in-source):


Intervenção
militar
LUGAR POR EVENTO um domínio inteiro é usado para simbolizar
um subdomínio.

ii. O 121 está subindo agora. Ruiz de Mendoza (2000)


Condômino

Metonímia Fonte-no-Alvo (source-in-target):


Apartamento
121 MORADIA PELO MORADOR um subdomínio é utilizado para simbolizar
um domínio todo.
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Metonímias Conceptuais
Metonímias Alvo-na-Fonte
Domínio
O conceito a que se quer chegar (alvo) é parte de um domínio maior, a/o
fonte/veículo, que é explicitado linguisticamente.
Parte Eu estou estacionado aqui na frente [POSSUIDOR PELO POSSÚIDO; CONTROLADOR PELO CONTROLADO]
Ela está tomando pílula [GRUPO PELO MEMBRO]
Você não quer me ver bravo [CAUSA PELA CONSEQUÊNCIA]

Metonímias Fonte-no-Alvo

Domínio
O conceito a que se quer chegar (alvo) é o domínio maior, cuja parte (fonte/veículo) é
explicitada linguisticamente.
Parte Eu preciso de uma mão aqui [PARTE PELO TODO; CONSTITUINTE PELO CONJUNTO]
Eu consigo ver o mar pela minha janela [CAPACIDADE PELA REALIZAÇÃO FACTUAL]
O Bradesquinho está precisando de mais uma aula [PROPRIEDADE PELO INDIVÍDUO]
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Metonímias Conceptuais
Lakoff (1987) destaca que as relações metonímicas estabelecem pontos de referência cognitiva para uma
categoria, viabilizando a emergência de normas e expectativas a partir das quais outros membros da categoria
são avaliados. Há subtipos de fronteiras não discretas:
i. Estereótipo social: MCI consciente que emerge de nossas interações no contato com determinados
discursos. Fator ideológico. Exemplos: JUDEU-AVARENTO; CABELEIREIRO-GAY; MUÇULMANO-TERRORISTA.
ii. Exemplo típico: Trata-se das instâncias que mais frequentemente são encontradas em um dado
ambiente. Exemplos: CANÁRIO ou PERIQUITO para a categoria PASSARINHO; MAÇÃ ou BANANA para FRUTA
(contexto local).
iii. Ideal: Trata-se de grupos que combinam propriedades ideais de uma categoria. Exemplo:
CORINTHIANO para TORCEDOR FANÁTICO.
iv. Modelo: trata-se de instâncias de um ideal. Exemplos: BIN LADEN para TERRORISTA; MADRE
TERESA para PESSOA CARIDOSA. GISELE BÜNDCHEN para MODELO.
v. Gerador: subconjunto de membros de uma categoria que gera outros membros dessa mesma
categoria. Os primeiros são, portanto, mais prototípicos. Exemplos: NÚMEROS 0-9 para NÚMEROS NATURAIS.
vi. Exemplos salientes: trata-se de instâncias memoráveis ou famosas de uma categoria. Exemplos:
OMO para SABÃO EM PÓ; NESCAU para ACHOCOLATADOS.
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Interações entre metáfora e metonímia (metaftonímias)


a. Elx conquistou meu coração.

Domínio-Fonte (GUERRA/INVASÃO) Domínio-Alvo (AMOR)


Agente: Conquistador Agente: Amante
Ação: conquistar Ação: fazer apaixonar
Alvo: Território Alvo: Coração de alguém
Metonímia
Alvo: Amor
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Interações entre metáfora e metonímia (metaftonímias)


b. Caetano Veloso é o Pelé da música.

Domínio-Fonte (FUTEBOL/JOGADOR) Domínio-Alvo (MÚSICA/CANTOR-COMPOSITOR)


Modelo: Pelé Modelo: Caetano Veloso

Metonímia

Ação: jogar futebol Ação: compor/cantar/interpretar canções

Propriedades: Talento, Propriedades: Talento, excepcionalidade, “?O Rei


excepcionalidade, o “Rei do Futebol” da Música”
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Interações entre metáfora e metonímia (metaftonímias)


c. Ele saiu com o rabo entre as pernas.

Domínio-Fonte Domínio-Alvo
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(USP) perspectivas atuais

O caso coxinha