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FUNDAÇÃO INSTITUTO CAPIXABA DE PESQUISAS EM

CONTABILIDADE, ECONOMIA E FINANÇAS (FUCAPE)

GABRIEL BUSATO DA ROCHA

A CRIATIVIDADE NA PRODUÇÃO DE DESFILES

DE ESCOLAS DE SAMBA

VITÓRIA
2013
GABRIEL BUSATO DA ROCHA

A CRIATIVIDADE NA PRODUÇÃO DE DESFILES

DE ESCOLAS DE SAMBA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Programa de Gradução de Administração,
Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em
Contabilidade, Economia e Finanças
(FUCAPE), como requisito parcial para
obtenção de título de graduado em
Administração.

Orientador: Prof. Dr. Cristiano Machado Costa

VITÓRIA
2013
AGRADECIMENTOS

Aos meus pais Joelma Busato e Jhon Carlos da Rocha por investirem em

minha educação e sempre darem liberdade para minha evolução e ao meu Irmão

Bruno Busato Rocha que me ensinou a dividir.

A minha parceira de vida Ana Paula Ferrari Januário, por me ajudar a

sustentar o peso da vida.

Ao meu amigo José Germano da Silva, por possibilitar o financiamento da

minha graduação sem nenhuma contestação.

Ao meu amigo e acupunturista Marcio Emilio Chaves Vieira por ser um guia

evolutivo e colaborador no equilíbrio das minhas energias.

Aos Dr. Professores Cristiano Machado Costa, Dr. Cesar Augusto Tureta de

Morais e Dra. Ana Claudia Berwanger por contribuírem de forma presente na minha

evolução acadêmica.

A todos os componentes do Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de

Jucutuquara”, principalmente a Marinilce da Silva Pereira, por estarem sempre de

portas abertas para a realização da minha pesquisa e apresentarem a magia do

carnaval de escola de samba.


RESUMO

Este trabalho visa analisar as indústrias criativas, identificando e descrevendo as

cadeias de suprimentos presentes em uma escola de samba. A delimitação da

pesquisa é o Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”. Desde

o ano de 1972, a Agremiação possui participação no Carnaval Capixaba. No

decorrer do estudo foi realizado o levantamento histórico da instituição, a análise de

sua estrutura administrativa e a identificação e descrição de suas cadeias de

suprimentos. Conectar o conceito de indústria criativa com o desfile de escolas de

samba torna-se um fator relevante, para melhor contextualizar e identificar

elementos que direcionem o desenvolvimento do objeto estudado. Assim, esta

pesquisa objetiva identificar e descrever as atividades vinculadas às indústrias

criativas na produção do desfile da Agremiação “Unidos de Jucutuquara”. A

pesquisa possui natureza qualitativa descritiva, com emprego do método do estudo

de caso único. Com finalidade de realizar uma análise exploratória, foram utilizadas

na coleta de dados às pesquisas bibliográfica e documental, entrevistas e registros

fotográficos. Os resultados mostram que as seis atividades das indústrias criativas

identificadas são elementares nas etapas de produção e na qualidade do produto

final (o desfile). Assim, percebe-se a importância das atividades criativas para a

Escola de Samba e o envolvimento de diversos agentes nas cadeias de suprimentos

para a produção do desfile, tendo o Carnavalesco como principal agente criativo.

Palavras-chave: Escola de Samba; Indústria Criativa; Carnaval; Cadeia de

Suprimentos.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Casa de Memória D. Maria Coroa............................................................. 32

Figura 2 - Sala de Troféus ......................................................................................... 34

Figura 3 - Ensaio ....................................................................................................... 46

Figura 4 - Bateria....................................................................................................... 47

Figura 5 - Sinopse p.1 ............................................................................................... 63

Figura 6 - Sinopse p.2 ............................................................................................... 64

Figura 7 - Desenho Protótipo 1 ................................................................................. 65

Figura 8 - Desenho Protótipo 2 ................................................................................. 65

Figura 9 - Listagem de materiais para fantasia - Ala 3 .............................................. 66

Figura 10 - Estoque da Agremiação .......................................................................... 67

Figura 11 - Organização de materiais 1 .................................................................... 67

Figura 12 - Organização materiais de 2 .................................................................... 67

Figura 13 - Mesa de corte de tecidos ........................................................................ 68

Figura 14 - Costureiras .............................................................................................. 68

Figura 15 - Aderecistas ............................................................................................. 69

Figura 16 - Detalhamento para coleta de orçamentos Alegorias............................... 70

Figura 17 - Setorização p. 1 ...................................................................................... 71

Figura 18 - Setorização p. 2 ...................................................................................... 72

Figura 19 - Setorização p. 3 ...................................................................................... 73

Figura 20 - Setorização p. 4 ...................................................................................... 74

Figura 21 - Memorial do Desfile ................................................................................ 75


LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Função e contato..................................................................................... 27

Quadro 2 - Locais de Visita ....................................................................................... 28

Quadro 3 - Homenageados Casa de Memória “Dona Maria Coroa” ......................... 34

Quadro 4 - Atividades Criativas ................................................................................. 54


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 8

2. REFERENCIAL TEÓRICO.................................................................................... 11

2.1 ESCOLA DE SAMBA .......................................................................................... 11

2.2 HISTÓRIA DO CARNAVAL DE ESCOLA DE SAMBA CAPIXABA ..................... 13

2.3 CADEIA DE SUPRIMENTOS E INDÚSTRIAS CRIATIVAS ................................ 20

3. METODOLOGIA ................................................................................................... 24

3.1 NATUREZA DA PESQUISA ................................................................................ 24

3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ......................................................... 25

3.3 INSTRUMENTO DE ANÁLISE DOS DADOS...................................................... 28

4. RESULTADOS ...................................................................................................... 30

4.1 HISTÓRIA DA “UNIDOS DE JUCUTUQUARA” .................................................. 30

4.2 ESTRUTURA ADMINISTRATIVA ....................................................................... 35

4.3 CADEIAS DE SUPRIMENTOS E INDÚSTRIAS CRIATIVAS.............................. 35

4.3.1 Pré-Produção .................................................................................................. 36

4.3.2 Produção ......................................................................................................... 38

4.3.3 Pós-Produção ................................................................................................. 48

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ....................................................................... 54

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 57

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 60

ANEXOS ................................................................................................................... 62

Anexo A – Sinopse de Enredo .................................................................................. 63

Anexo B – Desenho dos Protótipos de Fantasias ..................................................... 65

Anexo C – Listagem de material das fantasias ......................................................... 66

Anexo D – Organização dos Materiais ...................................................................... 67

Anexo E – Produção das Fantasias .......................................................................... 68


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Anexo F – Produção das Alegorias ........................................................................... 70

Anexo G – Setorização ............................................................................................. 71

Anexo H – Memorial do Desfile ................................................................................. 75


Capítulo 1

1. INTRODUÇÃO

O desfile de escolas de samba capixaba acontece desde 1955 e já passou

por diversas fases, sendo considerado o segundo maior do Brasil (perdendo apenas

para o Rio de Janeiro). No entanto, foi interrompido em 1992 e só retornou em 1997.

Desde então, as 13 agremiações que desfilam atualmente no carnaval de Vitória,

crescem de forma rápida, atraindo a atenção de um público cada vez maior

(MONTEIRO, 2010).

O Carnaval deixou de ser somente uma festa de desordem, do

desregramento como regra (PRESTES, 2012), composta por blocos e brincadeiras,

heranças culturais do entrudo português, bailes franceses, mascaradas italianas e

de elementos africanos (MONTEIRO, 2010). Hoje os desfiles de escolas de samba,

perpetuam a cultura carnavalesca que existe há décadas em nossa sociedade

(BLASS, 2008). No entanto, passou de apenas uma festa à condição de negócio,

sendo exibidos para turistas e espectadores no mundo inteiro, adaptados às

imposições tecnológicas da mídia televisiva, subordinados a interesses publicitários,

possuindo como principais atributos a eficiência e eficácia, rentabilidade e

adequação, receitas e custos, controle e qualidade (PRESTES, 2012).

Assim, cria-se uma estrutura administrativa, formada por cadeias de

suprimentos que representam todas as atividades e processos necessários para

fornecer produtos ou serviços a um consumidor final. São elementos básicos desse

sistema o suprimento, produção e distribuição (ARNOLD, 2008). No Carnaval,

segundo Prestes (2012), os principais elos da cadeia de suprimentos são de modo

geral a pré-produção, produção, distribuição, comercialização e consumo.


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A etapa de produção concentra as atividades e processos que transformam

os insumos em artigos de consumo final (PRESTES, 2012). Portanto, esta etapa

concentra as atividades das indústrias criativas, que de acordo com Howkins (2013)

são as indústrias na qual o trabalho intelectual é preponderante e onde o resultado

alcançado é a propriedade intelectual. Sendo assim, a criatividade é o negócio

principal destas indústrias abrangendo atividades como expressões culturais, artes,

teatro, música, cinema, publicidade, design, dentre outras (JEFFCUT, 2010).

De acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de

Janeiro, em 2011, as atividades das indústrias criativas empregavam 1,7% dos

trabalhadores formais em todo país, tendo participação no PIB brasileiro em

aproximadamente 2,7%. Há um longo caminho para que o desenvolvimento das

indústrias criativas brasileiras alcance as grandes potencias econômicas mundiais,

mas o Brasil já se estabeleceu, sendo considerado um país criativo (FIRJAN, 2011).

A escola de samba está conectada com as indústrias criativas, por possuir em

sua cadeia de suprimentos, principalmente na etapa de produção, significante

participação de atividades criativas, estas pertencentes a setores criativos.

A Indústria Criativa é um conceito recente, que esta em voga no Brasil e no

mundo. Por ser um conceito atual no contexto brasileiro conectá-lo com o desfile de

escolas de samba, evento de grande significância econômica e cultural no Brasil se

torna um fator relevante, para melhor contextualizar e identificar elementos que

direcionem o desenvolvimento do objeto estudado.

Neste sentido, o presente trabalho objetiva identificar e descrever as

atividades vinculadas às indústrias criativas na produção do desfile de Escola de

Samba. Para tanto, é proposto uma pesquisa no Grêmio Recreativo Escola de


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Samba “Unidos de Jucutuquara” (GRES “Unidos de Jucutuquara”), uma das escolas

de samba do Carnaval Capixaba do Grupo Especial.

O GRES “Unidos de Jucutuquara” teve o início de sua participação no

Carnaval Capixaba no ano de 1972, como bloco de carnaval em Jucutuquara, um

dos bairros mais tradicionais de Vitória. Sua estreia como Escola de Samba ocorreu

no carnaval de 1987, junto com a inauguração do “Sambão do Povo” (sambódromo

capixaba). Desde então a Agremiação teve um histórico campeão, conquistando

sete campeonatos da elite do carnaval de escola de samba do Espírito Santo.

Tendo em vista pluralidade dos setores pertencentes à cadeia de suprimentos

de uma escola de samba, o problema de pesquisa deste trabalho é: como ocorre o

desenvolvimento das atividades criativas na produção de desfile de uma escola de

samba?

A partir deste problema, pretende-se focar na participação das indústrias

criativas, identificando e descrevendo seus processos e atividades. Evidenciando

assim a importância destas para a concepção do produto final da escola de samba

(o desfile) e os elementos de sua gestão que possuem como principal negócio a

criatividade.
Capítulo 2

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 ESCOLA DE SAMBA

No Brasil o carnaval possui em suas origens blocos e brincadeiras, heranças

culturais do entrudo português, bailes franceses, mascaradas italianas e elementos

africanos (MONTEIRO, 2010), sempre tendo a participação de diversas classes

sociais, cada um festejando ao seu modo, embora ocorram intercâmbios entre elas

(TURETA, 2011).

A escola de samba é uma associação popular, desde sua origem, recreativa e

musical, tendo como objetivo principal a participação no carnaval (VALENÇA, 1996).

Surgiram nos anos 20, reunindo-se apenas nas proximidades do carnaval, junto aos

Blocos que desfilavam nas ruas do Rio de Janeiro, porém sua origem oficial foi em

1935 (VERGARA, 1997), com o surgimento da União das Escolas de Samba. Na

década de 30, já realizavam desfiles que as agregavam em uma competição de

contexto artístico próprio (CAVALCANTI, 2002). O primeiro desfile de escola de

samba foi em 1932, patrocinado e organizado pelo jornal Mundo Sportivo, realizado

na Praça Onze no Rio de Janeiro, tendo como campeã a Estação Primeira de

Mangueira, que ainda oscilava, pelas classificações bloco e escola de samba

(VALENÇA, 1996).

As escolas de samba formaram-se no seio da população marginalizada,

composta de pessoas sem profissão definida, quase todos remanescentes da

migração rural que sucedeu a abolição da escravidão (VALENÇA, 1996). No

entanto, a partir da década de 60, com a valorização da cultura popular, as escolas

de samba passaram a atrair a atenção da sociedade brasileira e nos dias de hoje,


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são empreendimentos que funcionam durante todo ano, com a participação de

milhares de pessoas (VERGARA, 1997), possuindo uma vida própria que não se

limita a atividades sociais e inclui a política interna de cada agremiação e de suas

associações (VALENÇA, 1996).

Esses desfiles propiciaram à cidade processos sociológicos importantes, tais

como a “expansão da cidade rumo aos subúrbios e às periferias, a expansão das

camadas médias e populares e sua interação, a importância crescente do jogo do

bicho nas camadas populares” (CAVALCANTI, 2002, p. 48).

Na década de 80, além da criação popular do “sambódromo”, ocorreu uma

significante mudança na forma de administrar as escolas, impulsionada pela

necessidade crescente de adotar uma forma de gerenciamento empresarial, já que o

volume de dinheiro movimentado era enorme (VALENÇA, 1996). Para não misturar

os interesses das grandes escolas de samba, com os das pequenas, foi criado em

1984 a Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA), composta pelas grandes

escolas, que participavam do desfile principal (VALENÇA, 1996). De acordo com

Vergara (1997, p. 240), atualmente a estrutura da escola de samba:

está dividida em instâncias distintas: barracão, quadra e alas.


O barracão é onde se produzem os carros alegóricos e os
protótipos das fantasias e alegorias. Na quadra se realizam os
ensaios para o Carnaval, Permeiam essas duas instancias os
membros que formam a estrutura básica de uma escola de
samba: as alas. Os Presidentes de Alas são os que recrutam e
gerenciam os integrantes que vão dar forma à escola na
avenida.

Os preparativos e o desenrolar de um desfile de carnaval acontecem em

diferentes lugares e em momento variados, tendo o imprevisto e inesperado como

parte de todos os processos de trabalho. As atividades são iniciadas com a

contratação de um carnavalesco e com a definição do tema a torna-se enredo,


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seguido pelo planejamento das atividades que abrange a busca de patrocínio e a

previsão orçamentária (BLASS, 2007).

Os esforços se iniciam no barracão, sendo esse a oficina do samba, a fabrica

dos sonhos, composta por setores de: ferragem, carpintaria, adereços, costura,

chapelaria, escultura, almoxarifado e cozinha (VERGARA, 1997).

Atualmente, os desfiles são megaespetáculos que movimentam milhões de

reais e afetam indiretamente a economia da cidade, gerando vários empregos

temporários e permanentes (VALENÇA, 1996).

2.2 HISTÓRIA DO CARNAVAL DE ESCOLA DE SAMBA CAPIXABA

As escolas de samba capixabas tiveram origem das tradicionais batucadas,

que se apresentavam na Praça Oito ou Avenida Jerônimo Monteiro, formada por

grupos fantasiados que se deslocavam para o Centro de Vitória. Futuramente estes

grupos deram origem aos blocos e estes deram origem as Escolas de Samba

(VAREJÃO, 2000).

O primeiro desfile de escola de samba do Espírito Santo ocorreu em 1955,

realizado por Rominho e seus parceiros Coelho e Mario Reboco. Com a ideia inicial

de criar uma escola de samba com todo mundo, sem distinções e desfilar descendo

morro a baixo. (GONÇALVES, 1985)

Rominho ao retornar para Vitória, após servir o exército no Rio de Janeiro e

ver a Estação Primeira da Mangueira ser campeã, por não ter condições de ir ao Rio

para frequentar as rodas de samba e participar dos desfiles de carnaval, resolveu

criar, com ajuda de parceiros, sua própria escola de samba no morro da Fonte

Grande e Piedade (MONTEIRO, 2010).


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Em 1956 após muito esforço, a escola de samba de Rominho desfilou com as

principais características de uma agremiação, gerando um grande sucesso de

público e criando interesse dos bairros próximos se organizarem para também

desfilarem como escola de samba (MONTEIRO, 2010).

Após o carnaval, foi fundada a Escola Os Acadêmicos do Moscoso, do morro

do Moscoso, que no ano anterior não conseguiu se organizar para o desfile a tempo.

Na Vila Rubim, Jurandir e Flávio Rangel fundaram a terceira escola de samba do

Espírito Santo, denominada Império da Vila (atual Novo Império), esta remanescente

da Estrela da Vila Rubim. (GONÇALVES, 1985) Com a criação de concorrentes,

Rominho se deu conta que sua escola ainda não tinha nome e a nomeou como

Unidos da Piedade (MONTEIRO, 2010).

O primeiro desfile competitivo capixaba foi realizado em 1958, organizado

pela União de Batucadas e Escolas de Samba (Ubes), com a colaboração de verba

da prefeitura. O percurso escolhido foi a Avenida Jerônimo Monteiro, e a Unidos da

Piedade se consagrou campeã (MONTEIRO, 2010).

No ano seguinte a verba pública foi cortada e os foliões não conseguiram

manter os custos, por isso, nem as batucadas nem as escolas de samba desfilaram.

Em 1959 a verba pública foi liberada e os desfiles voltaram a ocorrer, havendo a

formação de novas escolas (MONTEIRO, 2010).

Até o golpe militar de 1964 a escola Unidos da Piedade teve um grande

período de vitórias que foi marcado pela composição dos primeiros sambas-enredo

do carnaval capixaba, antes o desfile era realizado ao som de vários sambas com o

mesmo tema, raramente um samba era composto para um desfile específico. “Após

o golpe militar de 1964 e implantação da ditadura no Brasil os sambistas passaram a

ser considerados arruaceiros, vagabundos e irresponsáveis”, tudo era muito


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fiscalizado gerando muitas barreiras para a produção dos desfiles (MONTEIRO,

2010, p. 83).

A escola de samba Amigos da Gurigica teve destaque neste período,

estrategicamente todos seus temas eram de exaltação ao Brasil ou aos heróis

brasileiros, que agradava aos militares e aos jurados. Vendo que essa estratégia

deu certo, todas as demais escolas adotaram temas patriotas (MONTEIRO, 2010).

Com a chegada de novas agremiações e o crescimento do desfile a Avenida

Jeronimo Monteiro ficou pequena e o desfile mudou para a Avenida Princesa Isabel,

que possuía maior estrutura de espaço (MONTEIRO, 2010).

O sucesso do carnaval das escolas de samba capixabas se espalhou para o

Brasil e a partir da década de 70, os cariocas passaram a frequentar as quadras e

barracões do Estado para fazer um intercâmbio de conhecimento, materiais e mão

de obra. Além de participar dos ensaios, algumas agremiações cariocas também

“batizavam” as agremiações capixabas ainda emprestavam-lhe suas cores e

símbolos. “A Beija-Flor batizou a Novo Império, o Salgueiro batizou a Independente

de São Torquato e a Mangueira batizou o Andaraí” (MONTEIRO, 2010, p. 86).

Em 1980, o município de Vila Velha ganhou uma nova escola de samba, a

Mocidade Unida da Glória (MUG) originada do bloco Calção Vermelho que desfilava

pelas ruas da Glória, esta foi batizada pela Independente de São Torquato,

considerada pelos jurados como uma das melhores escolas de samba do carnaval

capixaba (MONTEIRO, 2010).

Uma grande novidade marcou o carnaval de 1984, foi a primeira vez que os

sambas-enredos capixabas eram gravados em um disco oficial, havendo uma


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parceria entre a Prefeitura de Vitória, empresários e as escolas de samba.

(MONTEIRO, 2010).

Em 1985 o carnaval das escolas de samba em Vitória chegou ao seu ápice. O

número de escolas era muito grande e a Ubes não conseguia mais organizar o

desfile dos blocos, batucadas e escolas de samba. Então as escolas fundaram a

Associação Capixaba das Escolas de Samba (Aces) que objetivava as representar

(MONTEIRO, 2010).

Com o aumento da qualidade dos desfiles e o comparecimento do público em

peso a imprensa se estabeleceu, divulgando e promovendo o carnaval capixaba. No

interior do Estado começou a surgir escolas de sambas que eram “batizadas” pelas

agremiações da Grande Vitória, que inclusive fundaram a Liga Guarapariense das

Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos (LIGESBC) na cidade de Guarapari, que

realizava o maior desfile fora da capital (MONTEIRO, 2010).

No carnaval de 1986 o local escolhido para os desfiles foi a Avenida Nossa

Senhora da Penha, conhecida como Reta da Penha, que além de ter pistas largas,

ao longo de sua extensão era possível avistar o Convento Nossa Senhora da Penha,

um dos principais pontos turísticos do Estado (MONTEIRO, 2010).

Com o acelerado crescimento das escolas de samba e do público espectador,

era cada vez mais evidente a necessidade da construção de um local próprio para a

apresentação das escolas de samba. Os sambistas capixabas tiveram a ideia de

construir um sambódromo, algo absurdo para a época, mas que havia sido

planejado pelo arquiteto Oscar Niemayer para a cidade do Rio de Janeiro

(MONTEIRO, 2010).
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Após muita persistência a Prefeitura de Vitória aprovou a obra, que seria uma

adaptação da Avenida Dário Lourenço de Souza, no bairro Mário Cypreste, próximo

à sede da maioria das escolas de samba. Sambistas de várias escolas vistoriavam

as obras e muitos se juntavam aos operários na construção que foi inaugurada em

1987 e que devido ao trabalho conjunto da população, sobretudo dos próprios

sambistas, foi apelidada de Sambão do Povo (MONTEIRO, 2010).

Para a estreia no Sambão do Povo as escolas foram divididas nos grupos A e

B. O Grupo A era composto pelas escolas tradicionais, as dez mais bem colocadas

do carnaval anterior, sendo sete de Vitória, duas de Vila Velha e uma de Cariacica.

E no Grupo B estavam as demais escolas de samba, também presente as que

tinham vencido o concurso de blocos do ano anterior e eram obrigadas a desfilar

como escola de samba (MONTEIRO, 2010).

A Unidos de Jucutuquara, vencedora do concurso de blocos, não ficou muito

satisfeita na obrigação de desfilar como escola de samba, porque os componentes

da escola queriam continuar desfilando como bloco. No entanto, desfilou e venceu

em sua estreia e ascendeu ao Grupo A (MONTEIRO, 2010).

Para facilitar a organização do carnaval e o uso do sambódromo, a Prefeitura

de Vitória e a Ubes transformaram todos os blocos em escolas de samba e assim o

Grupo A transformou-se em Grupo 1, o Grupo B em Grupo 2 e as recém-criadas

escolas de samba integraram o Grupo 3 (MONTEIRO, 2010).

A exaltação das belezas e riquezas dos municípios no enredo das

agremiações fez com que diversas empresas se interessassem em associar sua

marca às escolas de samba, iniciando uma competição paralela entre os dirigentes,

de quem conseguiria reunir o maior número de patrocínio. O desfile das escolas de

samba passou por uma inversão de valores, ao invés de ser considerada uma forma
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de diversão, passou a ser uma forma de captação de recursos. Fazendo com que as

comunidades perdessem cada vez mais espaço para a alta sociedade, que

representavam status para a escola de samba. Estes apareciam somente nos

últimos dias de ensaio e ganhavam destaque no desfile (MONTEIRO, 2010).

A aproximação dos empresários fez com que as escolas de samba capixabas

repensassem seus estatutos e regulamentos, sendo a mudança mais drástica o

registro no cartório como Grêmio Recreativo, o que assim como no Rio de Janeiro

gerou a sigla G.R.E.S (Grêmio Recreativo Escola de Samba), havendo poucas que

não aderiram a essa forma de registro (MONTEIRO, 2010).

A década de 90 foi marcada por diversas confusões entre os sambistas e

seus dirigentes, em 1992 a Prefeitura de Vitória sob administração de Vitor Buaiz,

ficou receosa de que a criação de novas escolas de samba fosse apenas mais uma

forma de captação de recurso junta à prefeitura e empresas e decidiu cortar toda a

verba pública destinada às escolas e ficar apenas com a manutenção do

sambódromo e a organização do desfile (MONTEIRO, 2010).

Com a não liberação de verba nem o auxílio da Prefeitura para o carnaval, a

discussão entre os sambistas aumentou e muitos empresários não queriam ter mais

suas marcas associada ao samba. Como protesto as escolas de samba decidiram

não desfilar em 1993, com objetivo de juntar mais dinheiro para o carnaval de 1994

(MONTEIRO, 2010).

Ao contrário do que esperavam a prefeitura administrada por Paulo Hartung

retirou os desfiles carnavalescos do calendário de festa da cidade, o que extinguiu

todas as agremiações ainda em atividade (MONTEIRO, 2010).


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A cada novo prefeito os sambistas se reuniam e reivindicavam seu direito de

voltar a sambar e em 1997 não foi diferente, com o já conhecido de desfiles de

blocos e bailes carnavalescos o Prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. O Prefeito e a

Secretária de Cultura, Claudia Cabral aceitaram o desafio e implementaram o

projeto “Barracão do Samba”, que incentivava a volta dos desfiles, caso este fosse

bem sucedido voltaria para o calendário de festas (MONTEIRO, 2010).

Após esforço das escolas, já que tudo deveria ser reconstruído, apenas seis

escolas de samba conseguiram se organizar a tempo e desfilaram aonde tudo

começou, na Avenida Jerônimo Monteiro, já que o Sambão do Povo estava com a

estrutura abalada devido ao desuso. (MONTEIRO, 2010).

Faltava escolher o dia para o desfile ocorrer e a Secretária de Cultura Claudia

Cabral colocou uma sugestão de antecipar em uma semana o desfile capixaba,

assim seria ganho uma semana de prazo para quem quisesse viajar para os outros

carnavais do Brasil. A ideia foi aceita e ainda hoje é praticada (MONTEIRO, 2010).

Em 1997 o desfile não foi competitivo, já que o objetivo era estimular a volta

dos componentes e das demais escolas. O estimulo deu certo, a aceitação popular

foi positiva e ao fim do carnaval novas escolas se dispuseram a participar dos

desfiles. Assim em 1998 a Prefeitura inclui oficialmente o desfile das escolas de

samba no calendário de eventos carnavalescos do município (MONTEIRO, 2010).

No carnaval de 2000 os desfiles passaram a ser televisionados para todo

estado através da TV Capixaba. O carnaval de 2001 foi decisivo para as

agremiações, já que seu sucesso foi determinante na volta dos desfiles para o

Sambão do Povo, que contou com 11 escolas de samba (MONTEIRO, 2010).


20

A Prefeitura concedeu o direito das escolas de samba a voltarem a desfilar no

Sambão do Povo, exigindo que elas se organizassem em uma liga, que pudesse

representar as escolas perante os órgãos públicos e privados além de dar suporte

na captação de recurso. Assim foi fundada em 2001 a Liga Capixaba das Escolas de

Samba (Lices), que contava como 12 escolas (MONTEIRO, 2010).

As escolas de samba haviam voltado para ficar e entraram não só para o

calendário do carnaval, mas também se tornaram um dos principais eventos

culturais do Estado (MONTEIRO, 2010).

2.3 CADEIA DE SUPRIMENTOS E INDÚSTRIAS CRIATIVAS

De acordo com Arnold (2008) a cadeia de suprimentos consiste em diversas

empresas ligadas por uma relação de oferta e demanda, tendo como elementos

básicos: suprimento, produção e distribuição. Essa cadeia inclui todas as atividades

e processos necessários para fornecer um produto ou serviço ao consumidor final,

podendo haver a ligação de diversas instituições (ARNOLD, 2008). Portanto a

cadeia de suprimentos representa a rede de serviços, materiais e fluxos de

informação que liga os processos de relacionamento com clientes, fornecedores e

de atendimento aos pedidos finais. Pode haver múltiplas cadeias dentro de uma

mesma instituição, porque esta pode desenvolver mais que um produto ou serviço,

gerando cadeias com composições diferenciadas. A administração de cadeia de

suprimentos surge da necessidade de coordenação dos insumos (inputs) com os

produtos (outputs) de modo a alcançar as prioridades competitivas apropriadas aos

processos da instituição (KRAJEWSKI, 2010).

O conceito de Indústrias Criativas inspirou-se em um projeto australiano de

1994, chamado Creative Nation, no entanto tomou destaque em 1997 no Reino


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Unido (REIS et al., 2009). Nesta data, em uma situação econômica global

problemática para os setores tradicionais, Tony Blair formou uma força-tarefa e

identificou treze setores de maior potencial para os britânicos e os definiu como

indústrias criativas (REIS, 2008). Estas foram definidas como “indústrias que têm

sua origem na criatividade, habilidade e talento individuais e que apresentam um

potencial para a criação de riqueza e empregos por meio da geração e exploração

de propriedade intelectual” (REIS, 2008, p. 17).

A partir disso, o conceito britânico foi replicado em diversos países (REIS,

2008), podendo ser identificado no Brasil de acordo com um estudo da Federação

das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, que em 2011, identificou que 243 mil

empresas formavam o núcleo de indústrias criativas, gerando um PIB equivalente a

R$ 110 bilhões, ou 2,7% de tudo que é produzido no país. Esses resultados colocam

o Brasil entre os maiores produtores de criatividade do mundo, superando Espanha,

Itália e Holanda (FIRJAN, 2011).

As características das indústrias criativas são agrupadas por Bendassoli, et al.

(2008, p. 13) em três grandes blocos:

o primeiro bloco refere-se a uma forma de produção que tem a


criatividade como recurso-chave, que valoriza a arte pela arte,
que fomenta o uso intensivo de novas tecnologias de
informação e de comunicação, fazendo uso extensivo de
equipes polivalentes; o segundo bloco abrange os contornos
específicos dos produtos gerados, tais como a variedade
infinita, a diferenciação vertical e a perenidade; e o terceiro
bloco representa uma forma particular de consumo, que possui
caráter cultural e apresenta grande instabilidade na demanda.

Howkins (2013) identificou 15 setores de atividade no qual a criatividade é a

matéria prima mais importante e o produto econômico mais valioso, tendo como

critério de inclusão, o setor realizar transações financeiras em produtos criativos. Os

15 setores identificados são: propaganda, arquitetura, artes, artesanato, design,


22

moda, cinema, música, artes cênicas (teatro, ópera, dança, balé), setor editorial,

pesquisa e desenvolvimento, software, TV e rádio, vídeo games. Para ser

considerado um produto criativo, este deve: “ser um bem ou serviço resultante da

criatividade e que tenha valor econômico” (HOWKINS, 2013, p. 106).

Hoje, as pessoas que detêm ideias possuem maior poder econômico do que

aquelas que operam as máquinas, e em muitos casos, até mais do que aquelas que

possuem as máquinas, no entanto a relação entre economia e criatividade

permanece praticamente invisível (HOWKINS, 2013). Para evidenciar esta relação,

de acordo com Howkins (2013), é necessário reunir alguns elementos, sendo eles:

criatividade, propriedade intelectual, administração, capital e riqueza.

A criatividade é a capacidade de gerar algo novo, consistindo na produção por

uma ou mais pessoas de ideias e invenções caracterizadas como pessoais, originais

e significativas, podendo ser concebidas do zero ou dando um novo caráter a algo já

existente. Este processo ocorre independente do resultado final, estando presente

tanto no pensamento quanto na ação (HOWNKINS, 2013). A criatividade é a

primeira característica da forma de produção das indústrias criativas (BENDASSOLI,

et al., 2008). De acordo com Hesmondhalgh (apud BENDASSOLI, et al., 2008) ela

pode ser entendida como a capacidade, detida por indivíduos ou grupos, de

manipular símbolos ou significados com intuito de gerar algo inovador. Sendo o

“conhecimento” e informação as ferramentas e materiais para a criatividade, que

resultam no produto “inovação”, tanto na forma de um novo artefato tecnológico

quanto de um novo modelo de negócios (FLORIDA, 2011).

De acordo com Howkins (2013, p. 13) “a economia é convencionalmente

definida como um sistema para a produção, troca e consumo de bens e serviços”.

As ciências econômicas geralmente lidam com o problema de como satisfazer


23

necessidades (infinitas) com os recursos (finitos), tratando basicamente de alocação

de recursos escassos. O destaque da relação economia e criatividade é que as

ideias não são limitadas da mesma forma que os bens tangíveis, e a natureza de

sua economia é diversa. A criatividade não é necessariamente uma atividade

econômica, mas pode se tornar caso produza uma ideia com implicações

econômicas ou um produto comerciável. Essa transição, de abstrato para prático, de

ideia para o produto é de difícil definição. Geralmente esta transição ocorre toda vez

que uma ideia é identificada, denominada e tornada exequível. Tendo como

consequência a criação de propriedade intelectual e a comercialização, gerando um

produto criativo, definido como um bem ou serviço econômico resultante da

criatividade que possui valor econômico (HOWKINS, 2013).

Portanto “nas indústrias criativas, são os indivíduos criativos que dão origem à

concepção e desenvolvimento de produtos criativos”, possuindo como característica

principal a variedade infinita (BENDASSOLI, et al., 2008).

Para Florida (2011, p. 44) nada disso é totalmente novo:

é claro que as pessoas se dedicam a atividades criativas desde


a Antiguidade, o que não raro levou a resultados
extraordinários. A diferença é que hoje essas atividades estão
se tornando predominante. Prova disso é a construção de toda
uma infraestrutura econômica em torno delas.
Empreendimentos científicos e artísticos, por exemplo, agora
representam setores econômicos autônomos, cuja relação
encetou o surgimento de outros setores ainda mais recentes. A
expansão conjunta de inovação tecnológica e trabalho de
conteúdo criativo é cada vez mais forca motriz do crescimento
econômico.

A criatividade é possível em todas as organizações onde novidades e

invenções são possíveis e se potencializa quando e onde são recompensadas

(HOWKINS, 2013).
Capítulo 3

3. METODOLOGIA

3.1 NATUREZA DA PESQUISA

A pesquisa é de natureza qualitativa descritiva, com o emprego do método do

estudo de caso único.

De acordo com Godoy (1995) a pesquisa qualitativa, de maneira geral, não

procura enumerar ou mensurar os eventos, nem empregar instrumental estatístico

na análise dos dados, e sim parte de questões ou focos de interesses, que se

definem de acordo com o desenvolvimento do estudo.

Dessa forma, em função da natureza do problema a ser estudado e do

objetivo que norteia esta proposta, acredita-se que a pesquisa qualitativa seja a mais

adequada, já que o interesse do investigador está em verificar como determinado

fenômeno se manifesta nas atividades, procedimentos e interações com o objeto

(GODOY,1995).

A análise do caso da escola de samba capixaba terá como objetivo

proporcionar vivência da realidade por meio da discussão e análise de um fenômeno

extraído da vida real, adotando um enfoque exploratório e descritivo guiado

principalmente por observações e entrevistas, procurando estabelecer uma relação

entre teoria e prática (GODOY, 1995).

Essas técnicas de pesquisa resultarão em uma análise exploratória que, de

acordo com Araújo (2009), objetiva aproximar o pesquisador do problema a ser

pesquisado, sendo utilizado quando o tema de pesquisa é pouco explorado e exige


25

do pesquisador um conhecimento prévio para a formulação do problema e das suas

possíveis hipóteses de conclusão.

3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

Para a coleta de dados foi utilizado: pesquisa bibliográfica, pesquisa

documental, entrevistas e fotografias. Com finalidade de realizar uma análise

exploratória sobre as temáticas abordadas.

A coleta de dados envolve a obtenção de dados descritivos diversos pelo

contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os

fenômenos segundo a perspectiva dos participantes da situação em estudo, estando

preocupado com o processo e não simplesmente com os resultados ou produto

(GODOY, 1995).

Marconi (2010) caracteriza a pesquisa documental com a restrição da coleta

de dados ser realizada utilizando documentos escritos ou não, constituindo o que

denomina de fontes primárias, podendo ser recolhidas no momento em que o fato ou

fenômeno ocorre, ou depois. Poderão ser utilizados entrevistas, anotações de

campo, fotografias, desenhos e outros tipos de documentos (GODOY, 1995).

No dia 27 de outubro, após indicação da Diretora do Museu de Arte do

Espirito Santo, fiz primeiro contato com um integrante da Escola de Samba. Este foi

com a Rainha de Bateria da Escola “Unidos de Jucutuquara”. A Rainha indicou o

nome de um componente da Comissão de Carnaval. Com a componente da

Comissão de Carnaval obtive o telefone do Diretor de Comunicação e o convite para

ir ao ensaio conhecer a Diretoria e apresentar o que precisava na Quadra da

Agremiação. Antes de comparecer ao Ensaio, liguei para o Diretor de Comunicação


26

e comuniquei meus objetivos de pesquisa, tendo um retorno positivo e o convite de

comparecer ao ensaio para melhor diálogo. Paralelo a estas comunicações,

conversei com um integrante da Bateria da Escola, que também convidou para

comparecer ao ensaio e assim conhecer a Diretoria e expor minhas necessidades

da pesquisa.

Na primeira visita ao ensaio, realizada no dia 2 de novembro, compareci junto

ao Integrante da Bateria e fui primeiro apresentado ao Presidente da Agremiação,

como interessado em realizar uma pesquisa junto a “Unidos de Jucutuquara”. Em

uma rápida conversa, o Presidente se dispôs a ajudar, disponibilizando seu telefone

e o da Diretora de Harmonia que também é Coordenadora da Sede da Escola (Casa

de Memória Dona Maria Coroa). Por conta do barulho da bateria, tivemos dificuldade

na comunicação. No decorrer do Ensaio conheci alguns integrantes da Escola e

realizei algumas fotografias para registro visual dos momentos do ensaio.

Durante a semana seguinte, contatei as pessoas que havia conhecido e

informaram que no próximo ensaio o Chefe do Barracão Leve estaria presente. No

dia 9 de novembro compareci novamente ao ensaio e com a intermediação do

Diretor Financeiro, conheci o Chefe do Barracão Leve, no qual se dispôs a colaborar

na pesquisa e informou que o Barracão estaria disponível para minha visita nas

semanas seguintes. Também encontrei a Diretora de Harmonia que se dispôs a

ajudar e fez um convite para visitar a Sede da Escola, na qual era Coordenadora.

Todas as conversas durante os ensaios foram rápidas, porque o som da Bateria é

alto, impossibilitando o diálogo, e porque os integrantes da Agremiação estão

ocupados, dando suporte para a organização do ensaio.

Após a segunda visita ao ensaio, liguei para o Chefe do Barracão e a Diretora

de Harmonia para marcar entrevistas. Obtive sucesso com a Diretora de Harmonia e


27

no dia 11 de novembro visitei a Sede da Escola de Samba denominada Casa de

Memória Dona Maria Coroa. Os dados foram coletados por meio de entrevista semi-

estruturada, com duração de 3 horas e por fotografias registradas do local. A

Coordenadora me apresentou toda a Sede e depois discorreu sobre todas as etapas

da produção do Carnaval de Escola de Samba.

No dia 21 de novembro, agendei outra conversa com a Diretora de Harmonia,

novamente na Sede da Escola. Na entrevista aproveitei para tirar dúvidas a respeito

das informações já coletadas. Esta durou aproximadamente 1 hora. A Diretora

disponibilizou diversos documentos da “Unidos de Jucutuquara”, que foram

utilizados na pesquisa, principalmente para descrição das atividades e processos.

Por fim, consegui marcar uma visita ao Barracão Leve, após algumas

tentativas, no dia 2 de dezembro. A demora ocorreu, porque o Barracão estava se

preparando para o início da produção. Na visita realizei entrevista semi-estruturada,

com duração média de 40 minutos, coletei diversas informações sobre o processo

de produção das fantasias e registrei algumas fotografias.

No decorrer da coleta de dados obtive informações diversas dos seguintes

componentes da Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”:

Entrevistados Tipo de Entrevista


Presidente Informal
Diretor de Harmonia Formal
Diretor Financeiro Informal
Diretor de Comunicação Informal
Integrante da Bateria Informal
Comissão de Carnaval Informal
Rainha de Bateria Informal
Chefe do Barracão Leve Formal
Quadro 1 - Função e contato
Fonte: Elaborado pelo autor.
28

As coletas de informações ocorreram nos seguintes locais:


N° de
Local de Visita Ações
Visitas
Conversas Informais, Fotografias e assistir
Quadra da Escola Duas
o ensaio.
Sede da “Unidos de Entrevistas, fotografias e coleta de
Duas
Jucutuquara” documentos.
Residência do
Uma Entrevista.
Componente da Escola
Barracão Leve Uma Entrevista, fotografias.
Quadro 2 - Locais de Visita
Fonte: Elaborado pelo autor.

3.3 INSTRUMENTO DE ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados começou com a pré-análise, objetivando operacionalizar

e sistematizar as ideias. Geralmente, esta primeira fase possui três atividades:

“escolha dos documentos a serem submetidos à análise, formulação de hipóteses e

dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final”

(BARDIN, 1977, p. 95).

Em seguida, iniciou-se a exploração do material, que conforme Bardin (1977)

consiste em operacionalizar as definições da pré-análise. Portanto, conforme

apresentado por Prestes (2012), o desfile é separado em três grandes etapas: pré-

produção, produção e pós-produção. Posteriormente foram identificadas as

atividades criativas em cada uma dessas fases, tendo em vista o conceito de

indústria criativa de Howkins (2013).

Na sequência procurou-se identificar, a partir do conteúdo das entrevistas e

documentos coletados, como as atividades eram realizadas e suas características.

Foram identificadas seis atividades criativas.

Por fim, ocorreu o tratamento dos dados obtidos e sua interpretação, no qual

Bardin (1977, p. 101) apresenta como a etapa que “os resultados são tratados de
29

maneira a serem significativos e válidos”. A partir de então foi feita a análise a luz da

teoria, como será apresentado a seguir. No entanto, antes da análise das atividades

criativas, será descrita a história da escola e sua estrutura de funcionamento.


Capítulo 4

4. RESULTADOS

4.1 HISTÓRIA DA “UNIDOS DE JUCUTUQUARA”

Jucutuquara é um dos bairros mais tradicionais de Vitória, situado na região

central da ilha, sendo ligado ao Centro de Vitória por uma larga avenida,

denominada Avenida Vitória. “Era por esta avenida que os jovens do bairro

caminhavam para participar da folia de blocos e batucadas no centro da capital”

(MONTEIRO, 2010, p. 247). O bloco que mais fazia sucesso entre os moradores de

Jucutuquara era o Vai Deixa Cair, cuja sede era no Morro da Fonte Grande.

(MONTEIRO, 2010)

Com o aumento de moradores no bairro, os participantes dos desfiles no

centro da cidade resolveram criar o seu próprio bloco. Na casa da Dona Maria da

Gloria, conhecida como Maria Coroa, em 29 de janeiro 1972 Adilson Ribeiro da Silva

(Mestre Ditão), Orestes Monteiro Alves e Guilherme Monteiro Alves deram início ao

bloco Unidos de Jucutuquara (MONTEIRO, 2010).

No primeiro desfile, somente homens desfilavam e em sua maioria os

instrumentos eram improvisados. Apesar de apresentar temas diferentes em cada

carnaval, a fantasia era única, de pescador, caracterizada com um chapéu e

bermuda desfiada. Foram adotadas as cores: verde, vermelho e branco. As mesmas

do bloco Vai Deixar Cair e coincidentemente das cores do Fluminense Footbal Club,

time carioca no qual os fundadores do bloco eram torcedores (MONTEIRO, 2010).


31

O primeiro símbolo escolhido foi o caranguejo, como forma de referência a

cidade de Vitória, no entanto logo o símbolo foi mudado para a coruja que é mantida

até hoje (MONTEIRO, 2010).

No carnaval de 1974 a Unidos de Jucutuquara iniciou sua participação no

concurso oficial de blocos promovido pela União de Blocos e Escola de Samba

(Ubes) e apresentou uma novidade para o carnaval capixaba, o concurso para

samba-enredo. Com muito esforço o bloco conseguiu o vice-campeonato. No

entanto, entre os anos de 1975 e 1981, os Diretores não quiseram mais competir no

concurso da Ubes. A justificativa era que não criaram o bloco somente para diversão

da comunidade. Portanto, durante estes anos a Jucutuquara somente abria o

carnaval de Vitória, desfilando sem competir (MONTEIRO, 2010).

Voltou a desfilar competindo em 1982, no entanto ficou apenas com o quarto

lugar. Porém, entre os anos de 1983 a 1986, desenvolveu desfiles grandiosos que

lhe renderam o tetracampeonato no desfile de blocos. Por ter sido campeã em 1986,

tornou-se por determinação do regulamento escola de samba, portanto o bloco se

tornou Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Jucutuquara e participou do

desfile do Grupo 2, que inaugurou o sambódromo em 1987.Neste campeonato foi

campeã e garantiu o direito de desfilar entre as grandes escolas de samba

(MONTEIRO, 2010).

Após dois vice-campeonatos nos anos de 1988 e 1989, em 1990 a

Agremiação conquistou seu primeiro título como grande campeã do carnaval

capixaba. Os desfiles foram interrompidos entre os anos de 1992 e meados de 1997

e voltaram a ser competitivo em 2002, ano que novamente a escola foi campeã,

conquistando seu bicampeonato. Nos anos seguintes, a Escola de Samba foi

campeã nos anos de 2004, 2006, 2007, 2008 e 2009 (MONTEIRO, 2010).
32

A Sede da Escola de Samba é instalada no que era a casa de Maria Coroa

(ver figura 1), mãe de alguns dos fundadores, parteira e benzedeira da comunidade

e eterna madrinha do bloco que virou escola de samba.

Figura 1 - Casa de Memória D. Maria Coroa


Fonte: Tirada pelo autor.

Após o falecimento de Dona Maria Coroa, sua residência ficou em desuso e

passou por um período de deterioração. Sendo incorporada no patrimônio do

GRCES “Unidos de Jucutuquara” na gestão de Rogério Sarmento, o Polenta. Há de

ressaltar que a Agremiação não possui quadra própria, ela loca as dependências do

Anchieta Social Clube para desenvolver suas atividades.

Findo o mandato de Rogério Sarmento a casa permaneceu fechada por mais

dois anos. Porém, em 25 de setembro de 2010, após reforma, foi fundada a Casa de

Memória “Dona Maria Coroa”. A sede foi transformada em Ponto de Cultura, tendo
33

apoio de financiamento público. O projeto apresenta como objetivo: estruturar o

espaço para organização e disponibilização do acervo histórico da Escola de

Samba; adequar uma sala de oficinas com equipamentos para ministrar cursos

direcionados a comunidade; dispor uma biblioteca comunitária com acervo

especializado em cultura e artes; disponibilizar acesso gratuito a internet.

Após a reforma, a diretoria de cultura delimitou espaços na casa e batizou-os

com nomes de integrantes que deixaram sua passagem marcada na “Unidos de

Jucutuquara”, sendo eles:

Homenageados (nome do espaço) Histórico

“A eterna madrinha da Unidos de


Jucutuquara. Parteira e benzedeira, muito
Maria Ribeiro (Dona Maria Coroa)
querida e carismática, tratava todos com
imenso carinho.”

“Exímio percussionista, tocava com a alma.


Recebeu inúmeras propostas de grupos
Delson Santos Filho (Batuque do Nego Deco)
nacionais, mas preferiu a “Unidos de
Jucutuquara””.

“Espaço utilizado por Dona Maria Coroa em


Oratório (Santa Clara de Assis) vida e hoje passa a ser um lugar de paz e fé
de todo sambista.”

“É o canto da poesia, da música, dos


compositores e poetas da Escola. Zé
José Antônio Queiroz (Canto do Zé Kuruba) Kuruba ficou eternizado pelos versos: “o
povo inteiro vai saber, é Jucutuquara quem
vem lá””.

“Carinhosamente chamado de Sapão, era


conselheiro na agremiação, passou por
José Miguel Barbosa Santos (Lagoa do Sapão) diversos setores da escola e deixou na
harmonia princípios básicos da
profissionalização”.

“Conselheiro, enredista, destaque de muitos


Marcelo Xavier Bonino (Maison Bonino) carnavais, foi secretario de várias
diretorias.”
34

“Sabia ser hospitaleiro, recebia todos


juntamente com a esposa Dona Glória, em
Orestes Alves do Nascimento (Tempero do
sua casa. Nos momentos festivos nos
Orestes)
brindava com assados e sua saborosa
feijoada.”

“Filha de Orestes e Dona Glória, era


professora e durante a sua vida se dedicou
Maria Sonia Alves de Oliveira (Memorial)
a organizar a ala das crianças da “Unidos
de Jucutuquara”“.

“Chaleira, excelente ritmista, tocava caixa


(tarol), não perdia um ensaio sequer, por
José Maria Pinto (Boteco do Chaleira”
isso sua figura era muito popular na
Escola.”
Quadro 3 - Homenageados Casa de Memória “Dona Maria Coroa”
Fonte: Folheto Casa de Memória “Dona Maria Coroa”.

Na entrada da sede, são apresentados os troféus no qual a Escola de Samba

conquistou em sua história vitoriosa (ver figura 1):

Figura 2 - Sala de Troféus


Fonte: Tirada pelo autor.
35

4.2 ESTRUTURA ADMINISTRATIVA

Atualmente, as tomadas de decisões administrativas, que direcionam as

cadeias de suprimentos e todo o desenvolvimento do desfile, são realizadas pelo

Conselho Diretor. Essas decisões são discutidas por temas específicos, nas

reuniões de cada Diretoria, e depois de desenvolvidas são apresentados na reunião

geral.

A reunião geral atualmente ocorre todas as terças na sede da escola e há a

presença de todas as diretorias. Nas reuniões gerais é discutido o desenvolvimento

do desfile e apresentado as atualizações da Liga Espírito-santense de Escolas de

Samba (LIESES).

O Conselho Diretor é definido por eleição democrático, organizado em

chapas, com o voto secreto dos conselheiros. A vigência do mandato da chapa

selecionada é bienal. Esta é formada pelos seguintes cargos: Presidente, Vice-

Presidente, Diretor Administrativo, Diretor Financeiro, Diretor Jurídico, Diretor de

Harmonia, Diretor de Bateria, Comissão de Carnaval, Diretora de Cultura, Diretora

Social, Diretor de Desenvolvimento Social, Diretor de Promoção e Eventos, Diretor

de Marketing e Divulgação, Diretor de Patrimônio.

Os únicos remunerados financeiramente para a construção do Carnaval é o

Carnavalesco e os contratados na produção (alguns voluntários), todos os outros

realizam o trabalho de forma voluntariada.

4.3 CADEIAS DE SUPRIMENTOS E INDÚSTRIAS CRIATIVAS

Para a realização do desfile de escola de samba são formadas cadeias de

suprimentos, que envolvem diversos agentes e instituições com objetivo de fornecer


36

o produto final (desfile) para os espectadores. Cada escola de samba possui suas

particularidades, por serem instituições independentes. Nesta pesquisa, foi utilizado

como objeto de análise o Grêmio Recreativo “Unidos de Jucutuquara”, no qual estas

cadeias foram divididas em três etapas, sendo elas: pré-produção, produção e pós-

produção.

4.3.1 Pré-Produção

A pré-produção consiste na composição da Escola de Samba para a

produção. Tudo começa com a contratação do Carnavalesco. Esta escolha é

influenciada pelo rendimento da Agremiação no projeto do carnaval passado. Tendo

o projeto, na opinião do Conselho Diretor um bom rendimento, provavelmente o

Carnavalesco é mantido. Caso o contrário, este agente é o primeiro a ser

substituído, objetivando a realização de um melhor projeto de Carnaval. Após esta

definição, a pré-produção continua com os seguintes processos:

4.3.1.1 Enredo

A escolha do Enredo é a primeira definição no processo da construção do

desfile, no qual o Presidente e sua Diretoria anuncia a abertura para propostas de

temas para o desfile da escola de samba. A partir deste lançamento, interessados

que podem ser o Carnavalesco, pessoas da comunidade ou qualquer pessoa

interessada (geralmente próximas a “Unidos de Jucutuquara”) apresentam as

propostas. Na proposta é desenvolvida a sinopse (ver anexo A), que propõem um

tema e sua defesa. A sinopse apresenta um resumo das possibilidades de

desenvolvimento do tema no desfile, já prevendo características que serão mais

bem desenvolvidas após a seleção. A proposta precisa convencer a diretoria e


37

principalmente demonstrar viabilidade financeira, já que os recursos financeiros são

o principal limitador na concepção do carnaval de escola de samba capixaba. A

seleção do enredo é realizada pela Diretoria e a decisão final é a do Presidente. Não

existe incentivo financeiro para o proponente do enredo selecionado, os incentivos

são principalmente a participação na constituição do carnaval e a promoção pública.

Após a definição do Enredo o Conselho Diretor elabora o cronograma de toda

execução do Carnaval.

4.3.1.2- Samba Enredo

A próxima etapa da pré-produção é a definição do Samba Enredo. Este é

selecionado por meio de concurso publicado em “Regulamento para o concurso de

Samba Enredo” (DA SILVA, 2013), tendo abrangência nacional e podendo participar

qualquer compositor interessado, tendo como objetivo selecionar o Samba Enredo

do desfile vigente. A composição do samba deverá conter obrigatoriamente na sua

letra a palavra Jucutuquara e/ou Unidos de Jucutuquara e relação com a sinopse do

enredo que é disponibilizada para todos compositores participantes, conforme

apresentado em regulamento. Após a etapa de inscrição, ocorre uma pré-seleção,

conduzida por uma Comissão Especial, composta por: Presidente e Vice-Presidente

do Conselho Diretor, Carnavalesco e Comissão de Carnaval. A pré-seleção objetiva

eliminar do concurso sambas que não possuem nenhuma relação com a sinopse

disponibilizada ou de baixa qualidade. Neste ano, foram inscritos dezenove sambas

enredos e nenhum foi eliminado na pré-seleção. A Escola de Samba “Unidos de

Jucutuquara” possui a Ala dos Compositores, que destaca a participação destes que

são fundamentais para a existência e sucesso do samba.


38

A Comissão Julgadora, formada por cinco membros, sendo eles: Mestre de

Bateria, Diretora de Harmonia, Carnavalesco, Intérprete Oficial e um membro da

Comissão de Carnaval. O Presidente possui o voto de desempate, caso o mesmo

seja necessário. Os quesitos para julgamento são: letra, música e harmonia,

mensuradas por notas que variam de cinco a dez.

Os sambas participantes são separados em chaves, havendo a realização de

eliminatórias no qual é apresentada a defesa do samba. Esta defesa é organizada

pelo compositor que muitas vezes faz parcerias com cantores, para melhorar a

qualidade da defesa. Os compositores organizam toda uma estrutura apelativa, para

melhor ambientar a defesa do seu samba e conquistar melhores notas dos jurados.

Para a estrutura, organizam um grupo de pessoas para cantar o seu samba enredo

no momento da apresentação, vestidas com camisa de apoio e outros elementos

visuais e auditivos para favorecer a sua defesa.

Após a etapa final da seleção, é escolhido o samba enredo consagrado

campeão. O concurso de samba enredo possui um prêmio, gerando incentivo

financeiro aos participantes. No entanto, este prêmio não é divulgado no

regulamento, sendo definido posteriormente pelo Conselho Diretor. Este incentivo

financeiro é obtido por meio de patrocínio com instituições privadas e muitas vezes o

valor é simbólico, já que o investimento para a concepção e defesa do samba é alto.

4.3.2 Produção

A produção consiste na materialização do projeto do Desfile da Escola de

Samba. Esta materialização ocorre com a concepção, produção e organização de

todos os elementos que compõem o Desfile, como por exemplo: as fantasias,


39

alegorias e outros artefatos que constituem o espetáculo da Agremiação. Os

processos desta etapa são apresentados a baixo:

4.3.2.1- Barracão Leve

As etapas da produção ocorrem principalmente dentro do Barracão Leve,

onde são produzidas as fantasias e no Barracão Pesado, que são produzidos as

alegorias. O Barracão Leve é alugado e fica no Bairro de Lourdes, próximo a

comunidade.

O início da produção ocorre com a imersão do Carnavalesco no Enredo

selecionado. Normalmente o Carnavalesco é o próprio autor do Enredo, para facilitar

este processo de imersão. Assim eliminando a existência de um intermediador para

sintonização das ideias criativas do tema e as possibilidades de atritos criativos que

este intermediador pode gerar. Na “Unidos de Jucutuquara” para amenizar estes

atritos, existe a Comissão de Carnaval, composta por pessoas responsáveis por

funções ligadas a supervisão da produção do carnaval, incluso o Carnavalesco.

Assim melhor dividindo as responsabilidades e tornando a supervisão de todas as

etapas da produção mais efetiva. Antes a figura da Comissão de Carnaval era

desempenhada por uma única pessoa denominada Diretor de Carnaval, no entanto,

para ampliar a eficiência da supervisão, foi criada a Comissão, que reparte a

responsabilidade de acompanhamento entre algumas pessoas.

Este ano o Enredo foi uma sugestão do próprio Carnavalesco, portanto facilita

esta imersão e a confecção inicial das fantasias.

A primeira etapa da confecção é feita pelo Carnavalesco, elaborando os

desenhos, com alto nível de qualidade e detalhamento (ver anexo B), de todas as
40

fantasias. Estes são apresentadas e aprovadas pelo Presidente e a Comissão de

Carnaval.

Após aprovação dos desenhos, se inicia a produção dos protótipos de todas

as fantasias. Para a produção dos protótipos, a aquisição de materiais varia de

acordo com o Carnavalesco, alguns utilizam os materiais do estoque da Escola, que

sobraram de anos anteriores, somado a uma pequena aquisição para completar as

necessidades. E outros preferem fechar com a Escola o valor de sua contratação, já

incluso os gastos para a produção dos protótipos, ficando tudo em sua

responsabilidade, não utilizando o estoque da Agremiação.

Depois de produzido, os protótipos são enviados para o Barracão Leve e

analisados pelo Chefe do Barracão, que precisa conhecer todos os materiais

utilizados como matéria prima na confecção das fantasias. São exemplos de

materiais utilizados nas fantasias os seguintes itens: pedrarias, plumas, ferragens,

tecidos, placas de acetato.

Após esta análise, o Chefe do Barracão Leve faz uma listagem dos materiais

utilizados em cada fantasia (ver anexo C). São aproveitados todos os materiais do

estoque (ver figura 9, anexo D) e o restante elabora-se o pedido de compra para a

produção em grande escala. Quando a matéria prima chega, o Chefe do Barracão

organiza todos os materiais em divisórias (ver figuras 10 e 11, anexo D), que são

classificadas de acordo com a Ala da fantasia, para facilitar o acesso do material, já

que são diversos.

No processo de produção em grande escala, a supervisão é do Chefe de

Barracão, que acompanha todas as etapas. A sequência da produção é a seguinte:

os profissionais de corte desenvolvem o corte dos tecidos seguindo o molde do

protótipo da fantasia (ver figura 12, anexo E); os profissionais de costura realizam os
41

tipos de costuras necessários (ver figura 13, anexo E); os profissionais aderecistas

aplicam adereços na fantasia, utilizando cola e outros acabamentos (ver figura 14,

anexo E). Além do Chefe, no Barracão Leve são contratados uma média de 30

profissionais para realizar o processo de produção das fantasias.

Nesta etapa é reaproveitado o máximo dos materiais utilizados no carnaval do

ano anterior, fazendo o possível para a reciclagem. Explorando a criatividade e a

técnica, transformando um material desgastado em uma solução renovada. As

Escolas de Samba se apoiam com possíveis trocas de materiais, já que a limitação

financeira é uma realidade para todas. A maioria restante das matérias primas é

comprada no Rio de Janeiro ou em São Paulo, já que no Espírito Santo existem

poucas lojas especializadas e a diversidade de material disponível é muito limitada.

Para a compra, a Agremiação utiliza uma carta de crédito cedida pela LIESES em

parceria com a loja Babado da Folia. Esta carta de crédito específica para a loja

Babado da Folia limita a fonte de matéria prima, prejudicando a produção das

fantasias, já que a escola não possui recursos financeiros para a compra do

material. Neste ano a matéria prima sofreu um grande reajuste, que provavelmente

ocorreu pelos próximos eventos internacionais (Copa do Mundo e Olimpíadas). As

Escolas de Samba do Rio de Janeiro, por possuírem maior fonte de financiamento,

são menos abaladas por este reajuste, por adquirir a maioria da matéria prima de

fora do Brasil.

Atualmente todas as fantasias das Alas Comerciais da “Unidos de

Jucutuquara” são produzidas dentro do Barracão Leve, esta decisão foi tomada para

melhor controle de qualidade da produção. Além das Alas Comerciais, são

produzidas no Barracão a Ala das Passistas, da Comunidade, ambas tradicionais da

Escola e não comercializadas. Antes estas produções ocorriam fora da Escola e era
42

responsabilidade dos Chefes de Alas, que terceirizavam a produção e

comercializavam as fantasias. Estes tinham o incentivo de produzir as fantasias com

material de baixo custo, muitas vezes não seguindo os materiais selecionados nos

protótipos pelo Carnavalesco, para aumentar a margem de lucro na venda das

fantasias gerando conflito de interesses com a Escola de Samba, já que a fantasia

ficava com uma apresentação inferior no desfile.

São produzidas fora do barracão (terceirizadas), com supervisão do Chefe do

Barracão Leve, do Carnavalesco, da Comissão de Carnaval e Presidente as Alas

não comerciais, sendo elas: Ala das Baianas, Bateria, Comissão de Frente,

Compositores, Velha Guarda, Destaques e Composições. Também são terceirizadas

a produção dos calçados, a ferragem de sustentação das fantasias (armação do

ombro e da cabeça), as placas (peças feitas em acetato das fantasias) e a

customização de tecidos. Os fornecedores destas produções normalmente atendem

diversas Escolas, por existirem poucos no Estado ou então é contratado de fora,

como a produção de peças de acetato, que não existe fornecedor no Espírito Santo

e a produção é no Rio de Janeiro.

As fantasias ficam prontas na semana que antecede o carnaval, assim é

iniciada a disposição para a entrega. Não é viável entregar muito tempo antes,

porque as fantasias são sensíveis e ocupam muito espaço.

4.3.2.2- Barracão Pesado

Paralelo a produção das fantasias, se inicia a produção no Barracão Pesado,

responsável pela construção das alegorias. Este fica ao lado do Sambão do Povo

para facilitar o transporte das alegorias e é cedido temporariamente por um parceiro

privado.
43

A primeira etapa é a limpeza dos Carros que consiste na retirada de resíduos

de material velho. Os resíduos geram um acumulo de material que podem ser

reaproveitados pela própria Escola ou então vendidos para outras Agremiações. As

outras, já sabendo do Enredo do ano anterior da concorrente, a procuram para

possíveis adaptações do material no seu atual Enredo. Nesta busca de material com

as concorrentes, muitas vezes é aproveitado a situação para espionagem da

situação que se encontra a produção da concorrente.

É feito um desmanche das alegorias do carnaval passado, aproveitando na

maioria das vezes, somente a estrutura base. O Carnavalesco precisa desenvolver

diversas adaptações, aproveitando o máximo da base existente, para reduzir custos,

reinventando e criando uma nova alegoria original, já que o regulamento não permite

a repetição de alegorias ou de seus adereços dos carnavais passados. Esta

fiscalização ocorre pela comissão de pista, da banca julgadora do Carnaval, no

momento do desfile.

Assim como na produção das fantasias, nas alegorias são elaborados pelo

Carnavalesco os desenhos, que é denominado croqui e apresentado para o

Presidente e Comissão de Carnaval. Estando aprovado é feito um levantamento dos

valores para produção (ver anexo F). Esta produção é dividida por uma equipe,

coordenado pelo Carnavalesco, com a supervisão da Comissão de Carnaval.

Existem alguns carros que recebem patrocínio privado para o financiamento de sua

produção. A equipe é formada por: escultores, soldadores, carpinteiros e aderecistas

(trabalham com o acabamento final). Estes são contratados pela Agremiação da

comunidade ou da própria equipe do Carnavalesco.


44

Os Destaques do Carnaval, no decorrer da produção das alegorias são

convidados para visitar o Barracão Pesado e testar os espaços reservados a eles,

para serem realizados ajustes, o que evita acidente.

Por fim, é terceirizado no Barracão Pesado o serviço de instalação de

extintores e geradores, presente em todos os carros. E a instalação da iluminação,

realizada por um profissional especializado com o direcionamento do Carnavalesco.

A produção pesada é finalizada no momento que ocorre o desfile, havendo o

ajuste de alguns detalhes. Algumas peças precisam ser encaixadas somente

quando a alegoria esta na pista para o desfile, devido a limitação para o seu

transporte.

4.3.2.3- Setorização

A setorização é uma produção estratégica desenvolvida em conjunto com a

Diretoria de Harmonia, o Carnavalesco e a Comissão de Carnaval. Nesta produção

o Desfile é dividido em setores. Cada setor possui uma temática, que apresenta

partes do Enredo. Os setores são formados por alas e alegorias. A Escola “Unidos

de Jucutuquara” se organiza normalmente com o mínimo de três setores e o máximo

de cinco. O resultado da setorização é um documento (ver anexo G), utilizado como

instrumento para organização e execução do Desfile, principalmente utilizado pela

Harmonia.

No momento do Desfile, a palavra é da Harmonia, que se empenha em

implementar o projeto elaborado pelo Carnavalesco, com foco nos quesitos canto

(harmonia), evolução (andamento) e o conjunto.


45

4.3.2.4- Ensaios

Os Ensaios abertos ao público, chamados de “Ensaio Show” são realizados

todos os domingos, das 17h até às 22h (por uma exigência do Disque Silêncio), no

Clube Social Anchieta, sede da quadra da “Unidos de Jucutuquara” havendo

cobrança para entrada. Também existem os Ensaios Técnicos, realizados nas

quintas-feiras com a Bateria e o maior número de pessoas das Alas, sem custo para

entrada.

O “ensaio show” e o ensaio técnico são em dias separados, para não haver

desinteresse dos convidados pagantes em assistir o “ensaio show”. Já que o técnico

tem como principal objetivo o ajuste técnico, havendo constantes interrupções para

correção de elementos.

Normalmente, ambos os ensaios são realizado na quadra da Agremiação. No

entanto, alguns são realizados na Rua da Comunidade, havendo aviso prévio das

Autoridades, para viabilizar a estrutura. Também é convocado pela LIESES, uma

vez no ano, o Ensaio no Sambão do Povo. Estes ensaios objetivam simular com

maior realidade o desfile final.

Os Ensaios objetivam a evolução do canto do Samba Enredo, da Bateria, das

coreografias, a promoção da Agremiação, venda das fantasias e a arrecadação de

capital, adquirido com a entrada e nas vendas de comes e bebes dentro do ensaio.

Durante os Ensaios, em média 20 pessoas da Harmonia acompanham a sua

organização. A Figura 2 ilustra o ensaio realizado na quadra da Agremiação.


46

Figura 3 - Ensaio
Fonte: Tirada pelo autor.

Na abertura da quadra para os “Ensaios Show”, a “Unidos de Jucutuquara”

tem gasto com: aluguel do espação e som; contratação dos profissionais da

segurança, limpeza, bar e caixas.

4.3.2.5- Instrumentos

Os instrumentos da Bateria são adquiridos em lojas especializadas e

precisam constantemente de reparos. Para aquisição ou reparo são feitas

encomendas, já que normalmente não há pronta entrega. A Bateria da “Unidos de

Jucutuquara” é composta por 180 integrantes, sendo coordenada pelo Mestre de

Bateria. A Figura 3 ilustra a Bateria no ensaio da Escola.


47

Figura 4 - Bateria
Fonte: Tirada pelo autor.

Todos os domingos, das 16h às 17h (antes dos ensaios) na quadra da

Escola, são realizados oficinas de treinamento dos instrumentos que compõem a

Bateria. O objetivo da oficina é renovar os integrantes da Bateria, mantendo a

qualidade e oferecer uma atividade a sociedade.

Este ano a “Unidos de Jucutuquara” perdeu grande parte dos seus

instrumentos, por um acidente ocorrido na quadra da Agremiação. Ainda não se

conseguiu recuperar os instrumentos, no entanto será necessário até a

apresentação do desfile, já que os instrumentos recuperados estão em precárias

condições. As caixas, repiniques e os surdos são os que mais sofreram com o

acidente. A Escola esta organizando constantes eventos para arrecadar capital e

conseguir comprar instrumentos novos.


48

4.3.2.6- Coreografia

A coreografia é de extrema importância para o desfile por influenciar na

apresentação visual dos elementos expostos e por ser um dos quesitos avaliados

pelos jurados na apresentação. Esta atividade é de responsabilidade dos

coreógrafos e da harmonia. O principal coreógrafo da Escola é o da Comissão de

Frente, que monta os movimentos que a Ala irá realizar no desfile. Esta coreografia

é um dos quesitos para julgamento da Agremiação.

Nas Alas que a coreografia não é quesito direto de julgamento, pode haver ou

não coreografia. Quando elaborada, é desenvolvida de forma simples pela

harmonia, tendo orientação do Coreógrafo da Comissão de Frente e praticada nos

ensaios técnicos.

O Mestre-Sala e Porta-Bandeira e a Ala dos Passistas, normalmente

possuem maior atenção na elaboração da coreografia, por terem maior destaque,

havendo o suporte do Coreógrafo junto aos componentes, para elaboração dos

movimentos.

4.3.3 Pós-Produção

A pós-produção consiste nas etapas que ocorrem após a materialização na

produção e que dão suporte para implementar e encerrar o projeto.

4.3.3.1 Comercialização

Toda a comercialização das fantasias é realizada dentro da Agremiação.

Conforme já apresentado, a figura do Chefe de Ala deixou de existir, graças ao


49

aumento do custo da matéria prima, não havendo mais sua participação na

produção das fantasias nem no agenciamento das vendas.

As fantasias são apresentadas na quadra da escola para venda, no qual fica

uma equipe voluntária a disposição, principalmente nos ensaios. Na venda da

fantasia é entregue um recibo (o comprador apresenta quando for retirar a fantasia)

e o manual do folião que descreve as regras para o momento do desfile.

Não há uma Diretoria específica para a venda, o responsável é um Diretor

voluntário de confiança para organizar a venda das fantasias e a entrada do capital

para a Agremiação. No último carnaval foi a Diretora Social que exerceu esta

função.

A Escola desenvolve algumas parcerias para a venda, como por exemplo,

com Hudson Ruela do Camarote Farra do Boi, que existe desde o Vital. Este

escolhe uma Ala junto a Escola e comercializa com o grupo de pessoas que desfila

todos os anos. Sendo definido o valor da fantasia para a escola e da margem de

comissão da parceria. Outro exemplo de parceria é a Ala da Matilde, que

antigamente era Chefe de Ala. Estas parcerias facilitam a comercialização das

fantasias, no entanto é fechada com pessoas que possuam histórico de vendas.

Uma prática não realizada atualmente na “Unidos de Jucutuqura” é a venda

corporativa. Esta consiste na venda de uma Ala completa para uma Empresa, que

depois distribui para quem quiser as fantasias. Isso prejudica a Escola porque nem

sempre as pessoas premiadas estão interessadas em desfilar. Em razão do

desinteresse, repassam para terceiros que não comparecem ao desfile ou então

desfilam sem dedicação na apresentação.


50

4.3.3.2- Desfile

Atualmente o desfile de Escola de Samba Capixaba é composto por cinco

Escolas do Grupo Especial “A” (desfiles são realizados no sábado); cinco Escolas do

Grupo Especial “B” (desfiles são realizados na sexta-feira); três Escolas do Grupo de

Acesso (desfiles realizados na quinta-feira).

Antes do Desfile, todas as Escolas de Samba enviam uma Ficha Técnica

composta com diversas informações, sendo elas: sinopse do enredo, letra do samba

enredo, histórico da agremiação e “script” do Desfile. No “script” do desfile são

apresentadas as seguintes informações: descrição completa de todas as Alas e

carros alegóricos; roteiro do desfile desde a Comissão de Frente até a última Ala e

carros alegóricos; ficha de registro cadastral (fornecido pela LIESES) do primeiro

casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeiras Intérprete Principal e Intérprete de Apoio,

Mestre de Bateria e Auxiliares, por fim outros que julga necessário e imprescindível

ao perfeito entendimento e atuação do corpo de julgadores. O “script” do desfile é o

principal recurso de fonte de informações utilizado pelos jurados.

O Desfile em média é composto por 2.000 componentes. Este é dividido em

três momentos: concentração, desfile e dispersão. A concentração é a etapa na qual

a Agremiação organiza todas as alegorias de acordo com a setorização planejada, e

executada com o suporte de 60 pessoas responsáveis pela Harmonia da “Unidos de

Jucutuquara”. A Concentração das Escolas de Samba é feita nas Avenidas Dário

Lourenço de Souza e Nair de Azevedo Silva, até o Sambão do Povo. Todas as

Escolas possuem hora marcada para posicionar suas alegorias, seguindo a ordem

sorteada previamente para início do Desfile. A Escola de Samba que deixar de

cumprir o horário estabelecido para organização das alegorias é penalizada com


51

perda de pontos. Para a saída da área de dispersão e início do desfile é utilizado

sinais de autorização, com toques de sirene e um sinal luminoso verde, realizado

pela Direção Artística do desfile.

O tempo para o desfile é de no mínimo 50 minutos e no máximo 70 minutos.

O cronômetro do desfile é acionado assim que o sinal luminoso verde é aceso e

termina no momento que o último componente ou alegoria da Agremiação,

ultrapassar a faixa demarcatória do final do desfile. O descumprimento do tempo

mínimo ou máximo, também gera penalidades com perda de pontos. Não é

permitido que os componentes desfilem portando bebidas, bolsa, celular, cigarro ou

máquina fotográfica, estando sujeito a penalização com perda de ponto. No

“Regulamento do Carnaval 2013” (SARMENTO, 2013), estão dispostas todas as

penalidades.

A área de Dispersão compreende o trecho entre a faixa demarcatória de

desfile, continuando a Av. Dário Lourenço até a frente do Cais do Avião. A Escola de

Samba é obrigada a fazer a dispersão de suas alegorias, no tempo máximo de 1

hora e 50 minutos, contanto a partir do início do desfile. Não retirando as alegorias

dentro do prazo, estas são penalizadas com perda de pontuação e uma multa

pecuniária.

4.3.3.3- Pós Desfile

Depois do Desfile existe um grupo de pessoas que retiram a iluminação e os

extintores (que são terceirizados) das alegorias, para evitar o furto dos

equipamentos.
52

Não existe uma equipe para recolher os adereços e fantasias que são

deixadas no Sambão do Povo. Estes são recolhidos por uma equipe de catadores

chamada Recicla Folia e são reaproveitados por blocos do interior do Estado ou

utilizado na reciclagem para criações diversas. A própria Escola também doa as

fantasias que os foliões deixam na quadra para estes blocos que veem do interior do

Estado pedir.

As alegorias precisam sair da Dispersão e voltar para dentro do Barracão

Pesado até determinando tempo estipulado no Regulamento do Carnaval. Caso não

seja atendido esta determinação a Escola é penalizada com perda de pontos.

Ao final do desfile é disponibilizado pela LIESES um documento denominado

Memorial do Desfile (ver anexo H), no qual cada Escola de Samba recebe uma séria

de informações, estas são utilizadas, principalmente pela Harmonia, para a melhoria

de alguns quesitos no ano seguinte.

4.3.3.4- Julgamento

O corpo de jurados é composto por 40 membros, todos de fora do Estado do

Espírito Santo. A responsabilidade do Corpo de Jurados é do Presidente da LIESES

e a indicação para seleciona-los é do Coordenador de Julgadores. São 10 quesitos

em julgamento tendo notas de 8 a 10 pontos, sendo eles: bateria, samba-enredo,

harmonia, evolução, enredo, conjunto, alegorias e adereços, fantasias, comissão de

frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

Todas as regras para o julgador e a descrição de análise dos quesitos podem

ser encontradas no “Manual do Julgador” (LIESES, 2013).


53

No dia seguinte do desfile é entregue as penalidades ao Presidente. Antes da

apuração das notas, a escola tem vinte e quatro horas para apresentar recursos

contestando a penalização para a LIESES.

A apuração das notas ocorre em local público, a ser definido e divulgado pela

LIESES, sendo esta realizada por uma Comissão composta pelos seguintes

membros: Presidente da LIESES, Vice-Presidente da LIESES, Vice-Presidente da

LIESES, Diretor de Carnaval da LIESES, Secretário Geral da LIESES,

Departamento Jurídico da LIESES, Presidente de uma Escola de Samba (sorteado),

Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória (representante).

Não é admitido empate final entre as Escolas de Samba em nenhuma

situação, havendo como critério de desempate a nota obtida em determinados

quesitos, sendo o primeiro a bateria, seguido de samba enredo e harmonia (o

restante da ordem é descrito no regulamento do carnaval).

Conforme apresentado no regulamento de 2013, as Escolas de Samba que

ficarem colocadas entre o 1º e 5º lugares permanecerão no Grupo Especial “A”; as

Escolas de Samba que ficarem classificadas do 6º ao 9º lugar farão parte no ano

seguinte do Grupo Especial “B”; a Escola de Samba filiada a LIESES que for a

primeira colocada no Desfile do Grupo de Acesso, desfilará no Grupo Especial “B”; a

Escola de Samba que ficar colocada em 10º lugar no desfile do Grupo Especial, fará

parte do Grupo de Acesso no carnaval seguinte.


Capítulo 5

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

No tópico anterior foi descrito as etapas da produção do carnaval, sendo elas

divididas em três momentos: pré-produção, produção e pós-produção. Nestas

etapas, foram identificadas como atividades criativas, dentro das cadeias de

suprimentos da Agremiação, as seguintes atividades:

Atividades Agentes Criativos Produtos

Enredo Carnavalesco Sinopse do Enredo

Letra e melodia do
Samba Enredo Compositor e músicos parceiros
samba enredo

Produção das Carnavalesco e outros envolvidos na


Fantasias
Fantasias execução

Produção das Carnavalesco e outros envolvidos na


Alegorias
Alegorias execução

Musicalidade da Escola
Bateria Mestre de Bateria
de Samba

Coreógrafo da comissão de frente e


Coreografia Coreografia das Alas
outros.
Quadro 4 - Atividades Criativas
Fonte: Elaborado pelo autor.

De acordo com Bendassoli (2008), atividades que apresentam como recurso-

chave a criatividade, como a de escolha do Enredo e do Samba-Enredo, são

classificadas como pertencentes as indústrias criativas. Nessas duas atividades, é

evidenciado principalmente a habilidade dos agentes criativos, determinada por

Howkins (2013) como a capacidade de gerar algo novo, que consiste na produção

por uma ou mais pessoas de ideias e invenções caracterizadas como pessoais,

originais e significativas, podendo ser concebidas do zero ou dando um novo caráter

a algo já existente. O Enredo tem como produto a Sinopse, que é uma descrição de
55

proposta de tema original, concebida do zero. No entanto, o samba-enredo possui

como produto a letra e melodia, também originais, mas que podem ter influência de

uma melodia já existente, como exemplo.

Na produção das alegorias e das fantasias, mesmo sendo consideradas

atividades criativas e originais, são reaproveitadas as estruturas e alguns elementos

para a concepção do produto final (carros e fantasias). Estas atividades de acordo

com Hesmondhalgh (apud BENDASSOLI, et al., 2008) evidenciam a capacidade,

detida por indivíduos ou grupos, de manipular símbolos ou significados com intuito

de gerar algo inovador, assim dando um novo caráter a algo já existente. Um

exemplo é o reaproveitamento das estruturas de base dos carros alegóricos, para

construir uma alegoria diferente da apresentada no carnaval anterior.

Outro fator observado na produção das alegorias e fantasias é a rede de

serviços, materiais e fluxos de informação, que de acordo com Krajewski (2010),

formam cadeias de suprimento que concebem toda a produção. Esta rede é formada

por: fornecimento de matérias primas, utilizadas na produção dos produtos; serviços

contratados para a produção; fluxos de informações para a produção, principalmente

entre o Carnavalesco, Chefe do Barracão, Conselho Diretor e outros agentes da

produção. São exemplos de agentes da produção: soldador, costureira, aderecistas,

marceneiros e escultor.

As atividades da Bateria e da Coreografia da Escola de Samba estão dentro

dos 15 setores identificados por Howkins (2013), no qual a criatividade é a matéria

prima mais importante e o produto econômico mais valioso. Sendo o conhecimento e

informação as ferramentas e materiais para a criatividade, que resultam no produto

“inovação” (FLORIDA, 2011), apresentados na musicalidade da bateria e nos

movimento coreográficos do desfile.


56

De acordo com os resultados apresentados, a produção do desfile demonstra

o que segundo Howkins (2013), são elementos que evidenciam a relação entre

economia e criatividade, sendo eles: criatividade, percebida no decorrer das etapas

do processo produtivo do desfile; propriedade intelectual, consequência da

concepção de produtos originais; administração, essencial para o controle e

organização das cadeias de suprimentos, viabilizando a produção; capital e riqueza,

gerados com benefícios financeiros e culturais para os agentes envolvidos,

consequência da produção e realização do desfile da Agremiação.


Capítulo 6

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve como enfoque o estudo das atividades criativas que

permeiam a produção do desfie de escola de samba, a partir da análise das cadeias

de suprimentos envolvidas. Estas cadeias formam uma rede de: serviços, materiais

e fluxos de informação; divididas nas etapas: pré-produção, produção e pós-

produção.

Como problema, a pesquisa trouxe a seguinte pergunta: como ocorre o

desenvolvimento das atividades criativas na produção de desfile de uma escola de

samba? A pergunta foi respondida a partir do objetivo geral de identificar e descrever

as atividades vinculadas às indústrias criativas na produção do desfile de Escola de

Samba.

A realização do objetivo foi a partir da utilização de pesquisa qualitativa

descritiva, com emprego do método do estudo de caso único, realizado no Grêmio

Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”. Nesta pesquisa, os

resultados apontaram nas etapas da produção as seguintes atividades criativas:

criação do enredo e samba enredo, produção das fantasias e das alegorias,

atividades da Bateria e a concepção da coreografia do desfile.

Observou-se que o Carnavalesco é o principal agente criativo na produção do

desfile; projetando, coordenando e influenciando diversas etapas da produção. O

sucesso das atividades criativas possui influência direta na classificação do desfile

da Escola de Samba, já que os quesitos de julgamento analisam principalmente

fatores no qual estas atividades possuem participação elementar. Isto justifica o fato
58

que normalmente o Carnavalesco é o primeiro agente a ser substituído caso o

desfile não tenha um bom resultado.

Analisando a descrição das etapas pré-produção, produção e pós-produção

constatou-se que para a realização do desfile é necessário uma estrutura

administrativa atuante. Esta envolve a ação de diversos agentes executando: a

direção, realizada pelo Conselho Diretor; a supervisão, feita por: Comissão de

Carnaval, Chefe de Barracão, Mestre de Bateria, etc.; a execução, desenvolvida por:

costureira, soldador, marceneiro, musicista, aderecista, etc.

Outro fator identificado é a importância da experiência nos cargos da Escola

de Samba que possuem maior responsabilidade, sendo necessário para ocupá-los

relação prévia e relevante com a Escola de Samba e a Comunidade.

Compreende-se que a maior dificuldade na produção do desfile é de origem

financeira, principalmente influenciada pela dificuldade de mantimento do fluxo de

caixa da instituição. Ainda dependente de financiamento de incentivos públicos, no

qual são liberados somente ao final do evento, a Agremiação possui dificuldade para

o pagamento dos agentes participantes das etapas de produção. Para agravar a

situação, quando o capital é liberado, possui alta burocrática para o recebimento e

prestação de contas.

Percebe-se constante evolução do Carnaval de Escola de Samba Capixaba,

desde o retorno dos desfiles em 1998. A cada ano, o desejo de retornar ao posto,

vivenciado na década de 80, de segundo maior carnaval de escola de samba do

Brasil, vai se construindo. Mesmo com diversas limitações financeiras a Escola de

Samba “Unidos de Jucutuquara” desenvolve um processo de produção bem

estruturado com o resultado final (o desfile) encantador.


59

Em suma, considera-se que a pesquisa atingiu o objetivo proposto. Foram

identificados e descritos todas as etapas da produção de um desfile de escola de

samba, tendo como objeto a “Unidos de Jucutuquara”. Sendo possível identificar e

descrever seis atividades criativas, estas fundamentais para o sucesso do produto

final da produção (o desfile).

É importante se reconhecer, porém, as limitações identificadas quanto ao

método utilizado para o trabalho. O objetivo da pesquisa foi identificar e descrever as

atividades vinculadas às indústrias criativas na produção do desfile de Escola de

Samba. Para isso, foram analisadas as práticas de uma única instituição, o Grêmio

Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”. Assim, os resultados obtidos

não podem ser automaticamente replicados a todas as Escolas de Samba.

Outra limitação identificada, é que a pesquisa focou no mapeamento geral

das etapas de produção do desfile, não aprofundando o estudo em nenhuma das

atividades. Porém, essas atividades criativas mapeadas possuem múltiplas

características, que permitem estudos futuros.

Cita-se o fato do período de pesquisa não abranger toda a etapa de produção

do carnaval, portanto não possibilita o acompanhamento presencial de todas as

etapas realizadas. Estando a identificação e descrição limitada as etapas

vivenciadas na produção do período da pesquisa, análise dos documentos de

carnavais passados e entrevistas. Assim, recomenda-se um período maior de

pesquisa, para estudos futuros.

Por fim, recomenda-se um estudo aprofundado sobre as atividades do

Carnavalesco na produção do desfile, identificado na pesquisa como principal

agente criativo.
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enredo ao samba-no-pé” – Vitória: Lei Rubem Braga, 2000. 61 p.

VALENÇA, R. (1996). Carnaval: Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira. Rio de


Janeiro: Relume-Dumará.

VERGARA, S. C.; MORAES, C. de M. & PALMEIRA, P. L. (1997). A Cultura


Brasileira Revelada no Barracão de uma Escola de Samba: o Caso da Família
Imperatriz. In: MOTTA, F. C. P. & CALDAS, M. P. (Orgs.) Cultura Organizacional e
Cultura Brasileira. São Paulo: Atlas.
62

ANEXOS
63

Anexo A – Sinopse de Enredo

Figura 5 - Sinopse p.1


Fonte: Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”.
64

Figura 6 - Sinopse p.2


Fonte: Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”.
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Anexo B – Desenho dos Protótipos de Fantasias

Figura 7 - Desenho Protótipo 1


Fonte: Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”.

Figura 8 - Desenho Protótipo 2


Fonte: Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”.
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Anexo C – Listagem de material das fantasias

Figura 9 - Listagem de materiais para fantasia - Ala 3


Fonte: Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”.
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Anexo D – Organização dos Materiais

Figura 10 - Estoque da Agremiação


Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 11 - Organização de materiais 1 Figura 12 - Organização materiais de 2


Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor.
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Anexo E – Produção das Fantasias

Figura 13 - Mesa de corte de tecidos


Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 14 - Costureiras
Fonte: Elaborado pelo autor.
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Figura 15 - Aderecistas
Fonte: Elaborado pelo autor.
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Anexo F – Produção das Alegorias

Figura 16 - Detalhamento para coleta de orçamentos Alegorias


Fonte: Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”.
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Anexo G – Setorização

Figura 17 - Setorização p. 1
Fonte: Elaborado pelo autor
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Figura 18 - Setorização p. 2
Fonte: Elaborado pelo autor
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Figura 19 - Setorização p. 3
Fonte: Elaborado pelo autor
74

Figura 20 - Setorização p. 4
Fonte: Elaborado pelo autor
75

Anexo H – Memorial do Desfile

Figura 21 - Memorial do Desfile


Fonte: Grêmio Recreativo Escola de Samba “Unidos de Jucutuquara”.