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ENSAIO – Reforma Política e Eleitoral: análise do contexto das proposições e das estratégias do

legislador

Thiago César Carvalho dos Santos

1. INTRODUÇÃO

Trata-se o presente ensaio de uma análise inicial e primária das Reformas política e eleitoral no
Brasil, em especial das discussões decorrentes das PEC 182/2007 e PEC 352/2013 de iniciativa
da Câmara dos Deputados.

O Brasil tem vivido nos últimos anos um estado político conturbado, intitulado “crise política”,
decorrente da progressiva descrença nos poderes Legislativo e Executivo. Nesse sentido,
propostas que promovem, em certa medida, mudança de paradigmas e diretrizes eleitorais e
políticas, que outrora eram engavetadas pelas casas parlamentares, passaram a serem
analisados e votados pelo Congresso. Tais propostas apresentam diversas medidas, dentre
Emendas Constitucionais, Projetos de Lei e de Lei Complementar, para garantir um processo
eleitoral mais eficaz no sentido democrático e mitigar os abusos atuais decorrentes da perda
da identidade dos partidos políticos e de seus candidatos.

Neste sentido, o presente estudo passa, inicialmente, a fazer uma análise teórica do papel da
constituição na construção de um espaço público capaz de absorver os anseios sociais e
garantir a representação devida dos interesses dos cidadãos. Assim, o referido estudo teórico
tem como propósito avaliar os fundamentos para a realização de uma reforma política no país,
para que no final seja avaliado se os pressupostos de aprimoramento dos mecanismos de
representação popular foram cumpridos.

2. A CRISE POLÍTICA BRASILEIRA: ANÁLISE DA CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO E DO


ESTUDO DO RECONHECIMENTO

O teórico Jurgen Habermas, a partir da teoria crítica, desenvolveu o conceito por trás da
construção do espaço público e como a sociedade toma esse espaço para a construção
normativa.

Para o teórico, as pessoas privadas se reuniam em um público, a partir do uso público de sua
razão, e construíam a chamada opinião pública, que decorre do processo de deliberação
direcionada pela dialética e da elaboração de argumentação, na busca pelo consenso. Essa
opinião pública corresponderia aos imperativos morais universais, a partir de uma lógica
kantiana.

Nesse contexto, o ser social é entendido por dotado de razão, liberdade e autonomia, capaz de
desenvolver, a partir da linguagem e do discurso, argumentos para a construção coletiva de
um consenso/acordo universal.
Há de se atestar, por sua vez, que a teoria de Habermas foi criticada pelos teóricos posteriores
uma vez que, de plano desconsidera a possibilidade de não igualdade de participação coletiva,
tanto em função da própria diversidade do uso das capacidades racionais e linguísticas, como
também da existência de relações de poder e outras formas de abafamento do indivíduo no
contexto social. Nesse sentido, o processo de argumentação proposto pelo teórico apenas
poderia ser concebido dentro de um contexto de emancipação de todo tipo de dominação, o
que não se verifica. Por sua vez, aponta-se que o modelo habersiano promove ou desconsidera
o diferente ao promover uma pragmática universal. Novamente, aqueles que estariam à
margem da maioria, estaria impossibilitado de ter seus anseios reconhecidos pela opinião
pública e o espaço público seria um meio de perpetuação das desigualdades sociais. Outro
ponto a citar-se seria que o referido processo de construção de um consenso universal
ensejaria em um modelo abstrato e estático, de forma que sua verificação no âmbito concreto,
naturalmente instável e mutante não seria possível.

Por sua vez, propõe-se a análise de superação do modelo habersiano desenvolvido por Axel
Honneth, denominada Teoria do Reconhecimento. Neste sentido, o teórico passa a considerar
não só as relações de poder existentes na sociedade, mas como também a existência das lutas
sociais dentro da esfera pública. O conceito de espaço público apresentado por Honneth
abandona a lógica organizada e asseada proposta por Habermas e assume uma análise dos
males que assolam a esfera pública.

Dessa forma, formula que, dentro do espaço público, os agentes não apenas formulam
pretensões de validade a partir do discurso, mas formulam expectativas de reconhecimento.
Sendo assim, a interação social não se funda apenas na linguagem, mas nos conceitos de
corporeidade e das pretensões morais de reconhecimento adquiridas no decorrer do processo
de socialização. Em linhas gerais, o indivíduo constitui-se como autônomo a partir da
construção da consciência e do reconhecimento as suas singularidades no processo reflexivo
da relação com o outro. Ou seja, a autonomia do sujeito não é apenas construída pelas
competências comunicativas, mas a partir do senso de integridade em si próprio desenvolvido
no reconhecimento a partir do outro.

Dessa forma, passa-se de uma teoria do consenso, constituída pela teoria da linguagem de
Habermas, para uma teoria do conflito social, formulada por Honneth dentro da teoria do
reconhecimento.

Nesse contexto, em análise detida da situação atual do país a partir dos conceitos trazidos
acima, o que se verifica é que houve um distanciamento muito grande entre o âmbito dos
poderes representativos e os anseios sociais que a noção de reconhecimento das instituições
se perdeu ou foi profundamente reduzido. Dessa forma, o cidadão não consegue mais verificar
em seus representantes e nas propostas por eles apresentados, os seus anseios e a seus
objetivos, de modo que passa a favorecer críticas e debater a ordem política instaurada.

3. DA ANÁLISE DAS PROPOSTAS DE REFORMA


Como mencionado, foram apresentadas uma série de reformas de ordem constitucional ou
infraconstitucional com o propósito de alterar o processo eleitoral, bem como a lógica de
representatividade dos poderes eleitos, no objetivo de talvez reduzir a falta de
reconhecimento das instituições de poder que se instaura no país.

Passa-se então a avaliar de forma críticas algumas das propostas apresentadas, tendo sido elas
aprovadas ou não pelas casas legislativas.

3.1 Voto facultativo

A primeira e talvez uma das propostas mais controversas apresentadas para julgamento
perante o Congresso Nacional é a possibilidade da retirada da obrigação de voto do cidadão
brasileiro.

Conforme é bem sabido, prevê a Constituição em seu art. 14, §1º prevê que o voto, bem como
o alistamento eleitoral é obrigatório.

Por sua vez, o que se verifica

VOIROL, Olivier. A esfera pública e as lutas por reconhecimento: de Habermas a Honneth. São
Paulo: Cadernos de Filosofia Alemã, n. 11, p. 33-56, jan./jun. 2008.