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EDUCAÇÃO , INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS: A CONTRADIÇÃO ENTRE

INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS E O FATOR HUMANO1

Jonathan Alves Martins2


“O nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a
representação à realidade, a aparência ao ser. Ele (o nosso tempo) considera que a
ilusão é sagrada, e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à
medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo
da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado (FEUERBACH 1987 p. 33-34).

“Vivemos sob condições de uma desumanizante alienação e de uma


subversão fetichista do real estado de coisas (reificação) por que o capital não pode
exercer suas funções sociais metabólicas de ampla reprodução de nenhum outro
modo”(MÉSZÁROS, 2008 p.59)

A preocupação de Feuerbach quanto a preferência que as pessoas de seu tempo faziam


à ilusão em detrimento da realidade e o alerta de Mészáros quanto a reificação e
mercantilização de todas as instâncias da vida social nos instigou a investigar a contradição
no atual dissenso entre educação e informação que tem permeado a sociedade
contemporânea. Em tempos de sucessivos avanços tecnológicos, de extrema apropriação do
capital pela classe dominante, incontáveis investidas contra direitos fundamentais da classe
trabalhadora e o acelerado aumento das desigualdades sociais, torna-se latente a preocupação
dos estudiosos quanto às consequências das crises e reestruturações do capital e suas
consequentes influências nas políticas e legislações na educação, estruturais e curriculares,
nos países Latino-americanos, principalmente no Brasil.

Empenhamo-nos a revisão da literatura especializada, buscamos estabelecer um


diálogo com autores das ciências humanas, sociais e econômicas e políticas. Interessados em
apresentar a discussão da subordinação da educação aos anseios e estratégias do capital,
procederemos nossa análise através da concepção histórico-crítica. Inicialmente trataremos
das reformas impostas aos Estados no contexto de reestruturação do capital e discutiremos a
concentração de investimentos em ​informação​, marcado pelas inovações tecnológicas; em
seguida, pretendemos analisar as recentes orientações ideológicas das políticas educativas e
os novos papéis mercantis atribuídos à educação como capital humano no final do século XX.

1
Trabalho apresentado como atividade final da disciplina Fundamentos Socioeconômicos e políticos da
educação, ministrada pela Profª Drª Alda Maria Duarte Araújo Castro Semestre 2018.1.
2
Mestrando em Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação – Universidade Federal do Rio Grande do
Norte
Apontamentos sobre os processos de reestruturação do capital e seus reflexos as
políticas públicas dos Estados capitalistas contemporâneos.

Ao tratarmos de Estado e políticas públicas e das relações que este tem com a
sociedade que o corresponde, nos aparece como tarefa primeira - dadas nossas convicções de
epistemologia marxiana e marxista - a análise dos processos de reestruturação do capital, da
divisão internacional do trabalho e suas consequentes influências nas tomadas de decisão dos
Estados capitalistas contemporâneos.

Nos convém recordar que a crise de 1929 levou milhares de bancos e indústrias à
falência num contexto em que postulava-se, segundo os preceitos liberais, que o Estado não
deveria interferir na economia. Em contrassenso de suas próprias teorias, em 1933, foi
colocado em prática o New Deal, pelo então presidente norte-americano Franklin Roosevelt,
num plano de obras públicas, com o objetivo de acabar com o desemprego, inaugurando o
que conhecemos por Welfare State. ​Já a partir da Segunda Guerra Mundial foi intensificada a
interação entre indivíduos, empresas e outras organizações nacionais e internacionais.3 Sendo
justificativa de mais um reexame quanto o papel dos Estados neste novo cenário do mundo da
globalização, da necessidade de competir na economia internacional e na internacionalização
de muitos assuntos, além do surgimento de novas demandas da sociedade moderna, como
novas tecnologias, grupos de pressão sobre os governos e exigência de maior transparência
nos assuntos governamentais (CASTELLS, 1999; JAMESON, 2001; CARNOY, 2002).

Contudo, a segunda metade do século XX foi permeada pelos conflitos da Guerra Fria
e pela crise no mercado financeiro. Este cenário de crise nas economias dos países centrais do
capitalismo - Estados Unidos e Reino Unido - foi então justificado pela acumulação intensiva
e por uma regulação monopolista dos Estados. Diante de problemas como inflação e
instabilidade econômica, o presidente norte-americano Ronald Reagan e a Primeira Ministra
Britânica Margareth Thatcher, em contestação ao keynesianismo, retomaram os ideais liberais
clássicos, embora com diferentes perspectivas, agora subsidiados pela teoria de Hayek,

3
Nas décadas de 1950 e 1960 foram elaboradas sob novas técnicas de administração estatal. Os Estados
passaram a fomentar grandes sistemas de planejamentos governamentais. Surgiram comissões, ministérios,
corporações para elaborar planos de desenvolvimentos ambiciosos. Nos países latino americanos “houve grande
crescimento econômico orientado, financiado e realizado pelo Estado” (SARAVIA 2006 p. 25).
inaugurando, o neoliberalismo. de modo a beneficiar as classes superiores e não as classes
mais baixas (WALLERSTEIN, 2004, p.61)

Para Abranches (1979), em consequência da crise da década de 19704 ocorreu uma


reestruturação nas empresas e nos mercados financeiros5, dando início a economia global e, a
partir desse novo modelo, foi produzida uma dinâmica na concorrência entre os agentes
econômicos e os locais na qual estão situados. Essa concorrência deu-se com base nos fatores
de competitividade que impulsionam a produtividade. O crescimento das novas tecnologias e
comunicação trouxeram sistemas avançados que permitiam transações em alta velocidade e
telecomunicações em tempo real, facilitando a interação entre os países.

No final do século XX o capitalismo mundial atinge sua fase ​informacional, o que


marca profundamente a ​sociedade em redes (CASTELLS, 1999a) devido aos grandes
impactos causados na economia, cultura e relacionamento entre os indivíduos. Essa
globalização econômica permite que o dinheiro circule em frações de segundo pelo mundo. O
capitalismo diante de tamanhos recursos tecnológicos se expandiu de forma ainda mais
dominante, de modo a acentuar históricas desigualdades sociais, bem como criando novas
desigualdades. O processo produtivo tornou-se mais ágil e eficiente podendo ter redes
transnacionais que garantiam círculos de retorno, produção e distribuição descentralizada.

Assim, os mercados foram beneficiados com a circulação de capitais e contato entre as


empresas, regiões e países que desenvolveram os fluxos financeiros internacionais,
investimentos globais de instituições financeiras e uma internacionalização completa das
atividades bancárias. Existiam estratégias de financiamento estatal para conduzir ao
crescimento do mercado internacional e incluía somente aqueles que estavam no rol dos
interesses da população de seu território. Como nos lembra Castells (1999a), a economia
global não é planetária, pois não abarca todos os processos econômicos do planeta, não

4
Neste período, marcado por guerras e crises petrolíferas e financeiras, as empresas foram levadas a trabalharem
com cenários e estratégias ao invés de metas, e objetivos claros, delimitados e rígidos. Esta perspectiva
possibilitou o surgimento de uma nova concepção de administração baseada muito mais nas estratégias, que não
prescinde de planejamento, mais que permite maior liberdade de ação aos desafios que surgirem (SARAVIA,
2006).
5
Após a primeira guerra mundial ocorreu à consolidação do capitalismo financeiro. As empresas ganharam mais
poder e influência, enquanto o mercado internacional começou a expandir de forma acelerada, surgindo
empresas globais, concorrência internacional e um avanço na tecnologia. O capital financeiro é caracterizado
como um tipo de investimento entre os bancários e as indústrias. É como investir uma quantia em um ativo e
conseguir lucrar de forma produtiva. Assim, a predominância deste sistema está nas mãos daqueles que tomam
de conta do mecanismo monetário da sociedade (BRAVO, 1997).
abrange todos os territórios e não inclui todas as atividades das pessoas. Sua operação e
estrutura reais dizem respeito só a segmentos de estruturas econômicas, países e regiões,
conforme a posição que estes ocupam na divisão internacional do trabalho6.

Recorrendo a um breve histórico acerca das recentes transformações do capital,


podemos aferir que estas não se deram apenas no campo da economia, mas atingiram
principalmente a política e a sociedade dos países capitalistas (MÉSZÁROS, 2008). A nova
ordem econômica estabelece também uma nova ordem social, onde a burguesia ainda hoje “é
dominante não apenas por possuir a propriedade dos meios de produção, mas também por ter
o controle do Estado” (ENGELS, 1978, p. 13). Por conseguinte, a classe dominante vem
conseguindo exercer a sua função hegemônica de dominação sobre as classes dominadas
tanto na esfera econômica como na esfera política e ideológica.

Entretanto, se centrarmos nossa investigação sob a premissa marxista clássica do


Estado apenas como agente - opressor - a serviço do capital e dos interesses da classe
dominante, desconsideraríamos a possibilidade de haver lutas das classes e suas frações
dentro do próprio Estado capitalista. Deste modo, torna-se necessário, de acordo com a
literatura a qual nos filiamos, (POULANTZAS, 1971, 1977, 1978,1982, 2000), (SOUZA,
2011, 2018), (PAULINO, 2018), dentre outros, considerar uma certa ​autonomia relativa do
Estado capitalista em relação a classe dominante para que, assim, possamos compreender a
existência de políticas sociais que tenham sido, ou venham a ser, originárias de lutas
populares e que porventura possam favorecer as classes dominadas.

Concordamos com o professor Lincoln Souza (2018) ao compreender as políticas


públicas como parte do processo de tomada de decisões dos governos - embora não
exclusivamente estatais - sendo espaço de disputas das classes sociais por atenção e recursos
públicos - entre as decisões tomadas, a estrutura institucional que as origina e molda - numa
relação que envolve, além de outros elementos, interesses e poder. No que trata da
distribuição do poder no Estado e na sociedade capitalistas, temos a consciência de que não se
dá de forma igualitária ou democrática, tendo em vista a desigualdade na correlação de forças

6
Castells (1999) chama a atenção para o surgimento de um padrão de globalização seletiva no comércio
internacional, no mercado financeiro na economia informacional. Ele exemplifica que em 1988 os países da
OCDE e mais os tigres asiáticos detinham 72,8% das fábricas do mundo, e que em 1990 os países do G-7
representavam 90% fábricas de alta tecnologia, e detinham 80,4% do poder de computação global.
políticas entre a classe trabalhadora e mais pobres da sociedade e as classes burguesas,
empresariais e latifundiárias, como é o caso aqui no do Estado brasileiro.

Celina Souza (2006) sinaliza que somente entre 1980 e 1990 é que foram valorizadas
as investigações e os investimentos e​ m políticas públicas.​ Esta nova acepção das ações e
programas governamentais, começam a serem entendidas como um campo ​holístico e
transdisciplinar - por concentrar teorias e metodologias das ciências humanas, sociais,
econômicas e políticas - focadas nas reformas dos Estados capitalistas. A ordem neoliberal
colocou em xeque o “Estado de Bem-Estar Social”, impondo uma nova atitude da
administração pública dos países desenvolvidos ​e também pela restrição à intervenção do
Estado na economia e nas políticas sociais, em especial na América Latina​ ​(SOUZA, 2006).

No Brasil, país de capital dependente, a Constituição Federal (CF) de 1988


representou um significativo avanço no campo democrático nacional, principalmente pelo
fato de se materializar como documento de maior abertura do Estado brasileiro com a
ampliação e inserção de direitos, bem como da própria distribuição da cidadania no país com
a assistência do governo a classes historicamente negligenciadas. Com o mérito de
transformar a atividade de planejamento governamental em processo contínuo da ação estatal,
a CF/88 acaba por condicionar o planejamento ao orçamento prévio disponível. Esta medida
provocou uma expressiva mudança na função do planejamento, que neste caso é entendida
como processo por meio do qual são compatibilizadas as ações a serem realizadas com os
limites orçamentários previstos (CARDOSO JR, 2011, p. 9).

Entretanto, em 1995, com a Reforma de Bresser Pereira7 o foco foi para a gestão de
resultados e não por processos. Ademais, as políticas públicas induzidas pelo capital
internacional pressupunham seu direcionamento a ​clientes em vez de nos cidadãos
(ABRUCIO, 2003). O Estado brasileiro, orientado principalmente pelo Banco Mundial,
trilhando o caminho da descentralização e responsabilização individual, ​com práticas de
flexibilização e desregulamentação da economia, bem como de ​privatização d​ as empresas e
serviços públicos, garantindo a ​primazia da gestão sobre o planejamento (CARDOSO JR,
2011 p. 26) .

7
Como fora chamada a ​Nova Administração Pública implementada no governo de Fernando Henrique Cardoso
(CARDOSO JR, 2011)
A sociedade informacional e o ​funcionalismo a​ tribuído a educação para o capital

O processo de ​mundialização d​ a economia e as transformações conceituais e


metodológicas do ​planejamento e das políticas públicas i​ nfluenciaram as reformas na gestão
e nas políticas educacionais dos países capitalistas, principalmente por estarem ancoradas
numa reestruturação da produção baseada na ​informação e​ ​inovação (​ CARNOY, 2002).

A principal característica desta nova fase é o avanço tecnológico proporcionado pelo


uso da ​informação​, que vem se aprimorando ao longo dos anos mediante investimentos em
estudos e pesquisas, voltados para aprimoramento das tecnologias existentes. Os
investimentos em ​informação ​tem gerado novas tecnologias e estas por sua capacidade de
processar, armazenar e disseminar estas informações constitui-se como nova fonte de riqueza
do mundo capitalista. O objetivo motriz desta última fase da revolução industrial não se limita
à simples matéria física, em que o valor não está no computador e sim no seu sistema
operacional e no recurso da internet. Estes sistemas de informatização tornam-se os
responsáveis por manter o mundo conectado operando em tempo real numa escala global, em
que o produto valorizado agora está para além do físico, da mercadoria ou do objeto, mas sim
a informação (CASTELLS, 1999b).

​Esta nova “concepção de espaço e tempo econômicos e sociais” encarregam a


educação da missão de não apenas transmitir técnicas e teorias necessárias à produção e da
vida social mas da inserção dos “indivíduos em novas sociedades construídas em torno da
informação e do saber” (CARNOY, 2002 p.23). ​Há, assim, ao menos duas dimensões
funcionais atribuídas a educação no contexto neoliberal: a função gerencialista e a função de
fator econômico.

No primeiro caso, a que chamamos de função gerencialista foi ​herdada da


administração de empresas,​ com o objetivo na gestão eficiente e na qualidade total, através
​ ara
de medidas de austeridade fiscal com redução orçamentária dos serviços públicos. P
Carnoy (2002), as interferências das organizações multilaterais e internacionais como a
UNESCO e o Banco Mundial nos países periféricos, como o Brasil, serviram as estratégias do
capital para as reformas no financiamento, na gestão escolar e dos sistemas de ensino.
Identifica-se uma vasta e consolidada produção de trabalhos científicos cujo objeto
foram as análises das reformas na educação ocorridas no bojo das políticas públicas
correspondentes aos processos de reestruturação do capital. Tornando consensual a afirmação
de que a educação tem sido instrumento de poder e manutenção das desigualdades, sendo
correntemente reformada aos interesses da produtividade e lucro do sistema capitalista, não
apenas por induzirem nos currículos escolares a lógica do mercado, mas principalmente por
pelo intenso processo de mercantilização de todos os níveis de ensino. ​(FRIGOTTO, 1999;
GAMBOA, 2001 ; CARNOY, 2001.PARO, 2007; MÉSZÁROS, 2008; SAVIANI, 2012 )​.

Como nos lembra Mészáros (2008) os processos de reestruturação do capital exercem


influências em todos os âmbitos da vida social e consequentemente na educação, no entanto,
“de forma nenhuma apenas nas instituições formais” (p.43). Para o autor, embora as
instituições formais sejam intrinsecamente parte da ​totalidade social, no particular a educação
nas sociedades capitalistas também tem o papel de transmitir uma série de valores,”seja de
forma institucionalizada (isto é, pelos indivíduos devidamente ‘educados’ e aceitos) ou
através de uma dominação estrutural e uma subordinação hierárquica e implacavelmente
impostas” (Idem, ​Ibidem grifo do autor).

No contexto neoliberal, também a produção científica está ​determinada pela


fetichização do método e da verdade científica, herdadas do cientificismo positivista clássico,
de apogeu no século XIX, em que os pressupostos constituem o pilar da Teoria do Capital
Humano (TCH), advinda na década de 1970 (FRIGOTTO, 1999). O que nos leva ao
segundo caso, d​a educação pressuposta como ​fator econômico.

Nesta perspectiva, a meritocracia é eleita condicionante ​natural (sic) p​ ara ascensão


social dos indivíduos, numa sociedade de ​concorrência perfeita, concebida em ​estratos
econômicos ​e não ​classe sociais. (SCHULTZ, 1971). ​Frigotto (1999) e Mészáros (2008)
apontam que a metodologia da economia neoclássica é constituída na defesa dos interesses do
capital, gestado e desenvolvido na sociedade de classes, com o objetivo central de
manutenção do ​status quo​. Disso decorrem as equivocadas teses que relacionam a educação
à mobilidade social, bem como na culpabilização do indivíduo pelos fracassos consequentes
das injustiças do próprio sistema capitalista.
De acordo com Frigotto ( 1999) há que se investigar o falseamento da realidade que a
TCH opera ao estabelecer vínculos entre educação e desenvolvimento, como também entre
educação e trabalho,. em vez de analisar as relações de produção das sociedades capitalistas.
Para o estudioso, no campo micro de investigação, o suposto básico é que o indivíduo como
produtor é uma soma de trabalho físico e educação. Nesse sentido, “há um acréscimo
marginal de escolaridade, corresponderia um acréscimo marginal de produtividade”
(FRIGOTTO, 1999, p. 44).

Portanto, para o estudioso, a TCH está alinhada à ideologia das relações capitalistas de
produção e não oferece subsídios para uma reflexão que rompa com os supostos neoclássicos
sob os quais foi fundada, não resolvendo os problemas estruturais geradores das
desigualdades sociais. Para Mészáros (2008) “a tarefa histórica que temos de enfrentar é
incomensuravelmente maior que a negação do capitalismo” (p.61). Deste modo, ao almejar a
superação da desigualdade na sociedade capitalista torna-se crucial para o investigador crítico
a mudança da análise. Argumenta Frigotto (1999) que seria necessário a utilização de um
método que colocasse em questão as relações sociais de produção vigentes, discutindo a
questão da dominação.

Considerações

Assim, romper com o ciclo vicioso do capital só seria possível mediante a alteração
epistemológica do positivismo neoclássico para o materialismo dialético. Nesta dinâmica os
sujeitos - determinados historicamente mas agentes transformadores da realidade -
contribuem tanto para a manutenção da concepção de mundo dominante quanto para sua
transformação.

Consideramos, neste sentido, que este viés epistemológico modifica a análise e a ação
dos cientistas sociais na elaboração de teorias e políticas públicas por romperem com o
caráter circular das teorias que justificam a exploração capitalista..

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