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Princípio do poluidor-pagador

O Princípio do Poluidor Pagador (PPP), de acordo com Antunes (1997), foi introduzido pela
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), através da Recomendação
"C" (72), 128, de 28 de maio de 1972, e encontrou ressonância no Ato Único Europeu, artigo 130
R, 2. Posteriormente, a Declaração de Estocolmo 8, resultado da reunião da Assembléia Geral das
Nações Unidas, em junho de 1972, em Estocolmo (Conferência de Estocolmo), incorporou este
princípio, que veio se tornar um dos pilares para o desenvolvimento de legislação interna e
internacional sobre responsabilidade e compensação por danos ambientais (Vargas, 1998).
A Declaração do Rio, em seu Princípio nº 16, também adotou o Princípio do Poluidor Pagador: "As
autoridades nacionais devem procurar assegurar a internalização dos custos ambientais e o uso de
instrumentos econômicos, levando em conta o critério de que quem contamina deve, em princípio,
arcar com os custos da contaminação, levando-se em conta o interesse público e sem distorcer o
comércio e os investimentos internacionais". Pelo princípio em tela, busca-se impedir que a
sociedade arque com os custos da recuperação de um ato lesivo ao meio ambiente causado por
um poluidor perfeitamente identificado (Machado, 2003).
O ordenamento jurídico do Brasil também adota o Princípio do Poluidor Pagador como está
prescrito no artigo 225, § 3º, da Constituição Federal de 1988: As condutas e atividades
consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a
sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados
(Machado, 2003).
Conforme entende Paulo de Bessa Antunes: "o PPP parte da constatação de que os recursos
ambientais são escassos e que seu uso na produção e no consumo acarretam a sua redução e
degradação. Ora, se o custo da redução dos recursos naturais não for considerado no sistema de
preços, o mercado não será capaz de refletir a escassez. Em assim sendo, são necessárias políticas
públicas capazes de eliminar a falha no mercado, de forma a assegurar que os preços dos produtos
reflitam os custos ambientais" (Antunes, 2002).
O direito ambiental, segundo Martín Mateo tem uma vocação redistributiva, uma ênfase preventiva
e está baseado na primazia do interesses coletivos (Mateo, 1991). Nesse sentido, o princípio do
poluidor pagador é um importante instrumento jurídico do Direito Ambiental que visa atuar no
mercado redistribuindo os custos da deterioração ambiental. O princípio do poluidor pagador faz
com que o sujeito econômico poluidor arque com os custos da prevenção e da precaução do dano,
o que em linguagem econômica significa a "internalização das externalidades ambientais
negativas" (Derani, 1998).
Este principio visa, principalmente, desestimular a atividade poluidora desmedida através de
correções no mercado que façam com que o produtor tenha que escolher entre suportar o custo
econômico da poluição ou deixar de poluir: "Por força do PPP, aos poluidores não podem ser dadas
outras alternativas que não deixar de poluir ou então ter que suportar um custo econômico em
favor do Estado que, por sua vez, deverá afetar as verbas assim obtidas prioritariamente a ações
de proteção do ambiente. Assim, os poluidores terão que fazer os seus cálculos de modo a
escolher a opção economicamente mais vantajosa: tomar todas as medidas necessárias a evitar a
poluição, ou manter a produção no mesmo nível e condições e, conseqüentemente, suportar os
custos que isso acarreta." (Canotilho, 1998).
É importante então que os valores a serem suportados pelo poluidor sejam calculados de forma a
tornar mais oneroso a escolha de poluir e pagar do que a opção por pagar para não poluir, o que
pode ser alcançado através, por exemplo, de investimentos em tecnologias limpas e controle de
emissão. Estes valores, além da redução da poluição a um nível considerado aceitável possibilitam
também a criação de um fundo público destinado a "combater a poluição residual ou acidental,
auxiliar as vítimas da poluição e custear despesas públicas da administração, planejamento e
execução da política de proteção ao meio ambiente" (Gomes, 1999).
Sem a adoção de estratégias econômicas como o princípio do poluidor pagador o lucro obtido as
custas da não consideração das externalidades recai sobre a sociedade constituindo-se numa
apropriação indevida do patrimônio ambiental, ou como se costuma dizer correspondendo a
"privatização dos lucros e socialização das perdas". Um "subsídio" injusto a quem polui o
ambiente: "Os recursos ambientais como água, ar, em função de sua natureza pública, sempre
que forem prejudicados ou poluídos, implicam em um custo público para a sua recuperação e
limpeza. Este custo público, como se representa um subsídio ao poluidor. O Principio do poluidor
pagador busca, exatamente, eliminar ou reduzir tal subsídio a valores insignificantes" (Antunes,
2002)
Este princípio diminui o ônus social causado pela poluição por dois motivos (Gomes, 1999):
1º) força a diminuição da poluição, em conseqüência, melhora as condições de vida da
população,reduzindo os gastos com a reparação e contenção destes danos, diminuindo também os
custos dessa poluição para a saúde pública;
2º) os valores cobrados do poluidor passam a ser utilizados pelo Estado para a preservação
ambiental, diminuindo o peso das políticas de reparação e contenção de danos ambiental,
desonerando em parte os contribuintes que tem arcado com os custos destas políticas públicas.
Além do importante aspecto redistributivo, do princípio poluidor-pagador, que força o produtor a
arcar com os custos externos da sua poluição e não a sociedade, deve-se destacar seu forte
componente preventivo. Dessa forma tal princípio não deve ser visto apenas como um princípio de
compensação ou reparação por danos causados pela poluição, muito menos deve significar uma
compra do direito de poluir. Segundo Canotilho (1998) "é uma idéia fundamentalmente errada
pensar que o PPP tem natureza curativa e não preventiva, uma vocação para agir a posteriori e
não a priori". O Poluidor pagador permite a prevenção e a precaução dos danos ao ambiente e visa
a justiça na redistribuição dos custos das medidas públicas de luta contra a degradação ao meio
ambiente.
Nesse ponto acentua-se a diferença entre o princípio do poluidor pagador e a idéia de mera
responsabilização civil, uma vez que esta é eminentemente retrospectiva, buscando a reparação
por danos ambientais causados, ao passo que o princípio em tela privilegia o sentido da prevenção
‘ameaçando’ com a internalização dos custos da poluição e motivando uma mudança de atitude do
produtor em relação às suas externalidades ambientais (Costa Neto, 2003).
Este principio atua antes e independente da existência do dano ou de vítimas. Por, isso, o
montante dos pagamentos a impor aos poluidores não deve ser proporcional aos danos
provocados, mas antes, aos custos de precaução e prevenção dos danos ao ambiente ( Canotilho,
1998).
Dessa forma os poluidores são forçados a "ter em consideração, nos seus cálculos econômicos, os
prejuízos provocados à sociedade em geral pela ativadade que desenvolvem e, mais do que isso,
forçam os poluidores a modificar a sua conduta tornando-a socialmente correta" (Gomes, 1999).
O Princípio Poluidor-Pagador, conforme exposto, teria por finalidades: a conscientização acerca do
valor do bem ambiental no qual os efluentes são lançados; a racionalização do uso, através da
melhoria da qualidade e redução da quantidade de efluentes; e a internalização dos custos
ambientais relacionados à conservação e melhoria do bem ambiental utilizado e à reparação dos
danos ambientais eventualmente causados, de forma lícita, pelo lançamento de efluentes
(Michelin, 2003).
Considerações finais
Com ficou demonstrado neste texto o direito ambiental é um direito baseado na solidariedade e
não um direito meramente imposto, por isso, deve ser construído com a participação democrática
da sociedade na tomada de decisões. Essa possibilidade de participação social dos mais diversos
setores da sociedade, legitima as decisões do poder público em suas políticas ambientais e
auxiliam na flexibilização do sistema jurídico de proteção ambiental e possibilitam maior
compreensão da complexidade ecológica e social em que o direito encontra-se inserido. Afinal, o
Direito Ambiental visa resultados externos ao sistema jurídico, que serão observados no sistema
social e principalmente no sistema ecológico que a estes engloba, de forma que se for um direito
formalista centrado em si mesmo, com aquela visão já ultrapassada de sistema jurídico fechado,
no lugar de trazer benefícios para a proteção do meio ambiente, pelo contrário termina por tornar-
se mais uma forma de imposição poder pela administração publica e pelo judiciário exercida de
forma burocrática, lenta, dispendiosa e ineficiente e desconectando da realidade.
O princípio do poluidor-pagador ajuda no entendimento e no fortalecimento das normas jurídicas
de modo que o direto ambiental possa ser conhecido, reconhecido e mais respeitado pela
sociedade, dotando o sistema normativo da proteção ambiental, também de um caráter educador
e conscientizador dos direitos, deveres e responsabilidades do cidadão e da comunidade.