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FACAMP – Faculdades de Campinas

Militarização, Ordem Geopolítica e Recursos Naturais

Catarina Rodrigues Duleba

Trabalho sobre Militarização,

Ordem Geopolítica e Recursos Naturais

Requisito da Disciplina de Laboratório de

Análise e Pesquisa em Relações Internacionais

Campinas, 19 de outubro de 2009.


2
É discutido atualmente o desenvolvimento do sistema capitalista, se há
hoje, uma fase com características inéditas, se o argumento imperialista
continua servindo de explicação, ou se existe uma tendência multipolar ou
unipolar, além da estratégia dos Estados Unidos de consolidação de seu poder
e se há a possibilidade de se instaurar, sob a hegemonia dos Estados Unidos,
uma ordem mundial unipolar.
Mesmo fragilizada, a ordem bipolar estruturada durante a Guerra Fria
entre os Estados Unidos e a União Soviética durou até o início dos anos 1990.
Assim, nos anos posteriores foi especulado sobre o fim da história, com
Fukuyama, ou de que forma iriam ser comandados os conflitos internacionais,
com Huntington. Fukuyama, acreditava que se projetava sobre o mundo, um
consenso entre os países centrais, que existia como um movimento de
expansão de poder do Japão e dos países do Atlântico Norte.1 Já, Huntington,
falava da idéia de “choque de civilizações”, mais adequado sob a ofensiva
militar norte-americana.2
Reconhecidos vários possíveis pólos de poder, pôde-se acreditar que
pudesse ser instalada uma ordem multipolar entre os Estados Unidos, a própria
Rússia, a Europa, o Japão e a China. Nesses termos, também deveriam ser
consideradas, como fóruns de produção de consenso internacional, as
organizações multilaterais. No final dos anos 1990, pouco a pouco, percebe-se
o potencial da globalização juntamente aos movimentos sociais, que só tinha
servido até então a interesses econômicos. Entretanto, de 1999 a adiante,
passam a sofrer contestações de maior peso, os fundamentos do modelo
econômico do mundo. Nos Estados Unidos, instaura-se uma crise econômica,
e ao mesmo tempo, evidenciam-se escândalos financeiros, que acabam por
questionar e pesar sobre a legitimidade do governo.
A partir da posse do governo George W. Bush demonstra caráter
ofensivo a nova política externa dos Estados Unidos, o que rompe com a
orientação multilateral, apontando pela indicação de que seria consolidado o
poder absoluto dos EUA e, demonstrando assim, a intenção em se estabelecer
uma ordem unipolar. Podemos considerar como sinal dessa intenção, a

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FIORI, José Luís. "A corrosão moral."

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ROIO, Marcos Del. “A Mundialização Imperialista”
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decisão unilateral pelos EUA da invasão do Iraque, mesmo sem a aprovação
do Conselho de Segurança da ONU, sendo assim, uma sólida coalizão
internacional.3 Durante o século XX, pudemos ver movimentos da diplomacia
norte-americana, sempre seguidos, por amplos deslocamentos militares.
A questão de uma “ordem mundial” deve ser tratada como um processo
iniciado desde os acordos feitos depois da Segunda Guerra Mundial. A
institucionalidade, construída a partir de arranjos econômicos, políticos e
militares como com a criação de tratados, acordos e organizações
internacionais, é que solidifica e potencializa a existência de uma “ordem”. Foi
através deste processo que se baseou o acordo estratégico entre a União
Soviética e o imperialismo buscando estabilidade econômica e política sob uma
ordem mundial, assim foi possível o crescimento econômico e a estabilidade
política na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Porém este processo
secular se mostrou insustentável e pode-se afirmar que foi através deste, em
que a atual crise econômica e política mundial encontrou suas raízes.
No governo Bush, o mundo assistiu ao desenrolar de um conflito militar
em larga escala, ameaças contra o Iraque e a tentativa de constituir um
governo de coalizão no Afeganistão, que apareceram como uma tentativa de
reconfiguração econômica, política e cultural do mundo contemporâneo, sob a
tutela do imperialismo, sendo assim, muito mais do que apenas o “combate ao
terrorismo” que se é falado.4
Para Luiz Carlos Bresser-Pereira, a guerra contra o Iraque ficará como
um dos grandes erros do governo na história dos Estados Unidos. De acordo
com o autor, houve uma vitória militar norte-americana, mas que resultou em
uma derrota política já que houve um conflito com a lógica básica da
globalização. O mundo da diplomacia do equilíbrio de poderes em que grandes
potências, até vizinhas, sempre viam no horizonte uma guerra potencial em
função de problemas de fronteiras, nada deveria se parecer com o mundo do
século XXI, no qual é baseado na globalização em que os países competem
comercialmente entre si e relacionam-se uns com os outros por meio de um
sistema multilateral complexo. Assim, práticas de guerra admitidas

3
MALLMANN, Maria Izabel. "Elementos para discussão da ordem mundial".

4
BIANCHI, Alvaro. Os Neocruzados: a guerra no Afeganistão e a nova ordem mundial
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anteriormente, deveriam se transformar, nesse século, em atos de barbárie sob
essa visão, o que mudaria a própria lógica das relações internacionais. 5
Nessa análise, para o autor, a política externa americana de Bush
transformou os Estados Unidos em um gigante fora do tempo, que age como
se fosse o século XIX, já que o século XX foi, portanto, o século da constituição
do sistema global de relações internacionais no qual não há interesse em
guerras, só se deseja a manutenção da ordem internacional, já que é dada
importância ao comércio internacional. A globalização impulsiona a competição
entre empresas apoiadas por seus Estados nacionais e estas devem competir
a nível internacional por meio do comércio, da tecnologia, dos investimentos
diretos, etc. Contudo, a globalização interessa principalmente aos países ricos,
que têm condições melhores de competir. Fazendo-se uso disso, por vezes,
governantes dos Estados Unidos que não tinham inimigos entre os seus
vizinhos, perceberam que o maior interesse do país era em aumentar a
abertura dos mercados. Desta forma, reduziram as despesas militares dos
Estados Unidos, uma vez que a guerra havia perdido relativa importância, sem
prejudicar, entretanto, o avanço de novas tecnologias, cuja sinergia com as
despesas militares é conhecida.
Todavia, os acontecimentos dos anos 90 não seguiram essa mesma
linhagem, fato que pode ser comprovado com os gastos militares na época,
pelo país norte-americano, que apresentaram níveis extremamente elevados.
As despesas militares norte-americanas contaram com 39%, e a dos países da
6
Otan com 63% das despesas militares do mundo. Em 1998, a produção de
armas nos EUA correspondia a 56% da produção mundial. 7 A marca da época
então, foi dos EUA como cabeça de um Império, caracterizado pelo seu
crescimento econômico que foi sustentado boa parte pela subtração de
riquezas de grandes zonas do planeta, bem como ser monopólio virtual e a
expansão da força militar. Desta forma, os EUA voltaram a estar na ponta da

5
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. O Gigante Fora do Tempo: a guerra do Iraque e o sistema global in Política
Externa

6
Stockholm International Peace Research Institute, Yearbook 1999, Nova York, Oxford University Press. O
Stockholm International Peace Research Institute (Sipri) estima que as despesas militares da Rússia,
expressas em dólar representariam menos de 2% do total mundial.
7
SERFATI, Claude. “O braço armado da mundialização” Publicado na revista Les Temps Modernes, n. 607,
fev. 2000, reproduzido com a permissão do autor. Traduzido.
5
revolução técnico-científica, e assim passaram a reivindicar por monopólio do
uso de violência legítima após a desintegração da URSS, buscando o controle
de vias para circulação de mercadorias para a Europa e de fontes de recursos
naturais.
Os Estados Unidos, juntamente de seus aliados da OTAN, aproveitando
de uma ação inesperada do Iraque, manifestaram um ataque em larga escala,
tendo como objetivo a ocupação do Kuwait, o que acabou por estabelecer
zonas em que ficou limitada a soberania iraquiana em seu próprio território,
além de bases militares no Golfo Pérsico. Desta maneira, para manter o
controle militar sobre o petróleo na região, foi possível uma aliança anglo-
americana-israelense.
Em outra ocasião, bem conectada a anterior, os EUA agiu juntamente
com a Alemanha na ocupação da Iugoslávia que se deu com alguns fatos como
a Bósnia experimentando novas armas e sendo espaço para bombardeios da
OTAN, a Croácia e a Eslovênia atraídas para a esfera econômica do marco
alemão, além de ser imposta a aliança muçulmano-croata que anulou uma
possível aliança maior que pudesse incluir a Albânia, e isolou os sérvios. Foi
possível a ocupação da Albânia através de um suposto motivo que veio de um
grupo armado, o UCK que estava envolvido com o tráfico de drogas da Ásia
central para a Europa. Por fim, a ocupação do Kosovo (parte da Iugoslávia), a
deposição do governo iugoslavo, que resistia ao poder imperial, a interferência
na Macedônia. Desse modo, o Iraque ficou mais próximo, e os recursos
naturais da Ucrânia sob vigilância mais estreita. Até a Europa se vê ameaçada
com suas decisões e sua soberania limitada, o que termina pela tentativa de
acelerar a formação da União Européia. Cumpre função semelhante às da
força armada pelos Estados Unidos, a imposição de medidas econômico-
políticas sob instâncias do capital financeiro, fato que pode ser identificado com
a provocação contra os palestinos, por exemplo.
Os atentados de 11 de setembro de 2001, com a declaração de guerra
de um inimigo sem identificação, forneceram um forte argumento legitimador
para ações armadas no mundo e serviram para acelerar um plano já em
andamento, o de suposto contra-ataque ao Iraque e ao Afeganistão. O objetivo

6
é fechar o círculo em torno das jazidas de petróleo e gás natural, por isso a
necessidade em se ocupar a Ásia central.8
O governo de Bush, então, ignorou o caráter multilateral do mundo,
aumentou a instabilidade de um sistema que precisa de segurança, e não
promoveu a globalização, pelo contrário, de forma prática, passou a atacá-la.
Os grandes Estados-nação passaram a ser democracias que competem
através do comércio, construindo assim, uma sociedade global. Nessa
sociedade global, a política externa americana agiu de forma imperial, através
da pressão econômica e fazendo uso da força militar 9, como ferramenta para
promover ainda maior influência econômica sobre o chamado Terceiro Mundo,
bem como para assegurar seu predomínio sobre as outras potências
imperialistas.10 Além de, em nome da sua “guerra global ao terrorismo”, buscar
defender o direito de fazer intervenções militares preventivas sempre que achar
necessário. 11

8
ROIO, Marcos Del. “A Mundialização Imperialista”

9
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. “O Gigante Fora do Tempo: a guerra do Iraque e o sistema global”

10
BIANCHI, Alvaro. “Os Neocruzados: a guerra no Afeganistão e a nova ordem mundial”

11
FIORI, José Luís. “A Nova Geopolítica das Nações e o lugar da China, Índia, Brasil e África do Sul”
7
Referência Bibliográfica:

BIANCHI, Alvaro. Os Neocruzados: a guerra no Afeganistão e a nova ordem


mundial

FIORI, José Luís. "A corrosão moral." São Paulo: Folha de São Paulo, 4 de
junho de 2000.

FIORI, José Luís. “A Nova Geopolítica das Nações e o lugar da China,


Índia, Brasil e África do Sul”

MALLMANN, Maria Izabel. "Elementos para discussão da ordem mundial".


In: Paz e Guerra em Tempos de Desordem: EDIPUCRS, Porto Alegre, 2003.

PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. O Gigante Fora do Tempo: a guerra do Iraque


e o sistema global in Política Externa

ROIO, Marcos Del. “A Mundialização Imperialista” Disponível em:


<http://www.pucsp.br/neils/downloads/v11_12_del_roio.pdf> Acesso em:
novembro de 2009.

SERFATI, Claude. “O braço armado da mundialização”. Publicado na revista


Les Temps Modernes, n. 607, fev. 2000. Trad: MAIA, Patrícia Albano.
Disponível em <http://www.revistaoutubro.com.br/edicoes/06/out6_05.pdf>
Acesso em: novembro de 2009.