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CARLOS ARMANDO AMADE. Universidade Politécnica. Maputo. 2018.

Ciência Politica?

A ciência política é o estudo dos acontecimentos, das instituições e das idéias políticas,
tanto em sentido teórico (doutrina) como em sentido prático (arte), tomando em conta
o passado, o presente e as possibilidades futuras.

Ela é uma disciplina social baseada no estudo da política, assim como dos sistemas
políticos tais como monarquia, oligarquia, democracia, entre outros. Em outras
palavras, pode afirmar-se que a ciência política é o estudo do facto político.

Vale destacar que se trata de uma ciência em constante ligação com outras ciências,
tais como: Economia, História, Sociologia, Psicologia, Filosofia, etc. Basicamente o que
faz a ciência política é observar diversos factos da realidade política para emitir
princípios gerais desta atividade

Facto politico

Facto politico é todo e qualquer acontecimento ligado à instituição, à existência e ao


exercício do poder politico. O facto político encontra suas bases em diversas realidades.
Entretanto, duas delas não podem ser esquecidas: a realidade social e a jurídica.

O facto político envolve tanto acontecimentos e processos políticos, como o


comportamento político que se expressa concretamente na interação social. Ele
pode ser estudado de acordo com métodos próprios e diferentes ópticas por
disciplinas: a Sociologia política, a História política, a Filosofia politica e a Ciência
politica. A sistematização dos resultados do estudo das várias disciplinas que visam o
conhecimento do facto político pode chamar-se Ciência Política, em sentido amplo.
Relação entre a Ciência Politica e Direito Constitucional.

A Ciência Política acima definida e o Direito Constitucional que é um ramo do Direito


Público que regula a organização fundamental do Estado, têm por objecto o facto
político. Entendemos que há ligação entre a ciência política e o direito público, em
geral, e o direito constitucional, em particular .

A relação acima referida justifica-se também pelo facto do direito público ser composto
pelo conjunto de regras jurídicas que regulam os factos políticos que são estudados
pela ciência política e o Direito Constitucional estar dentro do direito público e traduzir-
se no estatuto jurídico do poder político.

A ciência política estuda os fenómenos políticos em si próprios, as estruturas


governativas, as estruturas de participação política, os sistemas de poder, portanto, a
ciência política sobrepõe o seu âmbito ao Direito Constitucional, já que estuda as
estruturas políticas do Estado.

Estado

O Estado é um povo fixo num território e que dentro das fronteiras desse território
institui, por autoridade própria, órgãos que elaborem leis necessárias à vida colectiva
e imponham a respectiva execução.

Em outas palavras, o Estado é a comunidade de cidadãos que nos termos do poder


constituinte que em si própria (comunidade) se atribui e arroga, assume uma
determinada forma política para prosseguir os seus fins nacionais (Ciência política,
direito constitucional)

Características básicas de qualquer Estado

As seguintes são as características básicas de cada Estado:


 Complexidade – de organização e actuação com cada vez maior diferenciação
de funções, órgãos e serviços;
 Institucionalização do poder – que se encontra despersonalizado, pertencendo
à colectividade como ideia para além dos seus detentores concretos e actuais.
Internamento o estado permanece mesmo com a mudança do governo e
externamento mantém relações com outros estados.
 Autonomia – no sentido de uma dinâmica própria do poder e do seu aparelho
frente à vida social. Fala-se em “soberania do Estado”;
 Coercibilidade – o Estado tem o monopólio do uso legítimo da força. O Estado
promove a integração, a direcção, a defesa da sociedade, a própria
sobrevivência como um fim em si, a segurança quer interna, quer externa;
 Sedentariedade ou territorialidade – fixação em determinado território;

Elementos do Estado

São 3 (três), os elementos do Estado, que se seguem:

 Primeiro elemento: Povo:


É o elemento humano. É uma comunidade de cidadãos num determinado local,
submetidos a um poder central. O Estado controla essas pessoas, visando,
através do Direito, o bem comum. Marcelo Rebelo de Sousa define o povo como
o conjunto de cidadãos ou nacionais de certo Estado.
O elemento povo diferencia-se de:
─ Nação/pátria = Quando os indivíduos que habitam o mesmo território
possuem como elementos comuns a cultura, língua, a religião e sentem
que há, entre eles, uma identidade;
─ República = Descreve uma forma de governo em que o Chefe de Estado
é eleito pelos representantes dos cidadãos ou pelos próprios cidadãos, e
exerce a sua função durante um tempo limitado.
─ População = É um conceito demográfico e económico e representa o
conjunto de residentes em certo território, cidadãos ou estrangeiros.

 Segundo elemento: Território:


Espaço geográfico onde reside determinado povo. É limite de actuação dos
poderes do Estado. Vale dizer que não poderá haver dois Estados exercendo
seu poder num único território, e os indivíduos que se encontram num
determinado território estão obrigados a se submeterem.

O território é formado por um certo solo e toda a altura do espaço aéreo


correspondente. Em situações que for banhado pelo mar, engloba a faixa as
"águas territoriais", que abrange normalmente 3 milhas marítimas a contar da
costa, bem como a "terra" que prolonga a costa, subjacente ao mar, até que se
abra o arquipélago profundo – a plataforma submarina ou continental.

 Terceiro elemento: Poder político (Soberania).

É o exercício do poder do Estado, internamente e externamente. O Estado, dessa


forma, deve ter ampla liberdade para controlar seus recursos, decidir os rumos
políticos, econômicos e sociais internamente e não depender de nenhum outro
Estado ou órgão internacional.

Marcello Caetano usa a seguinte definição: “Poder Político é a faculdade exercida


por um povo de, por autoridade própria (não recebida de outro poder), instituir
órgãos que exerçam o senhorio de um território e nele criem e imponham normas
jurídicas, dispondo dos necessários meios de coacção”.

O Poder Político do Estado tem características próprias:

─ É um poder constituinte, originário, que tem um fundamento próprio e não


está dependente de qualquer outro poder;
─ É um poder de auto-organização, que tem por objectivo permanente e
continuado a criação de condições para a manutenção da segurança, a
administração da justiça e a promoção do bem-estar da comunidade
política;
─ É um poder de decisão que faz as opções consideradas e adequadas à
organização da vida da comunidade política, através da criação de normas
jurídicas.

A soberania – é uma forma de poder político que corresponde à sua plenitude, é


um poder político supremo e independente. Mas nem sempre os Estados são
soberanos.

O que caracteriza um estado soberano e:

─ Ao nível externo: direito de celebrar convenções / tratados; direito de ter


representações diplomáticas noutros Estado; direito de utilizar a força em
legítima defesa; direito de fazer parte de organizações internacionais e o
direito de reclamação internacional.

Funções do Estado.

São 4 (quatro) funções do Estado tradicionalmente enumeradas. Usamos a classificação


de Montesquieu.

Por definição as Funções do Estado são as actividades levadas a cabo pelos órgãos do
poder político, com vista a realização dos fins ou objectivos consagrados na
Constituição.

Entretanto, há autores que consideram como funções do Estado as tarefas dele. As


tarefas do estado são as necessidades colectivas que o Estado tem que assegurar; fins
do estado. Exemplo: Garantir a educação, saúde, segurança, justiça.

As actividades são os meios que o Estado usa para atingir os fins. Assim, as funções do
Estado vistas neste prisma são as quatro seguintes:
─ Política (Governativa);
─ Legislativa;
─ Administrativa
─ Judicial

Função Política: É a definição primária e global do interesse público, interpretação dos


fins do Estado e escolha dos meios adequados para atingir em cada conjuntura esse
fins; direcção do Estado.

Pode também considerar-se a competência atribuída a órgãos em conexão directa


com a forma e o sistema de governo, com pluralidade de órgãos, ausência de
hierarquia e apenas relações de responsabilidade jurídica.

Função Legislativa: Elaboração das leis que regulam o Estado, a conduta dos cidadãos
e das organizações públicas e privadas. A função legislativa é uma função de primeiro
grau (não se subordina à outra função), que corresponde ao desenvolvimento e
aplicação directa da Constituição, falando-se a este propósito na “liberdade constitutiva
do legislador” (desde que respeite o quadro constitucional).

Função Administrativa: É a satisfação constante e quotidiana das necessidades


colectivas, prestação de bens e serviços, usando as leis. É também considerada como
iniciativa no sentido das necessidades, e parcialidade na prossecução do interesse
público.

A função Judicial: É a declaração do Direito, decisão de questões jurídicas, seja em


concreto ou em abstracto. Esta função actua apenas perante a iniciativa de outrem e é
imparcial. Ela diminui os conflitos de interesse públicos e privados.