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VIOLÊNCIA NA BÍBLIA E NA VIDA.

Dr. Daniel Sotelo Ph D.


INTRODUÇÃO

O livro de René Girard sobre Jó trata de aspectos interessantes. Nesta obra, o


autor analisa a questão da violência em quatro partes: o caso de Jó; a mitologia
e a verdade; a mimeses e o mecanismo do ritual; e a vítima da confissão. O
título original em francês é mais significativo que a sua tradução para o inglês.
Em inglês, é Jó, a vítima de seu povo; em francês, Rota antiga dos homens
perversos. A obra ainda não existe em português.

No primeiro capítulo, o autor analisa o caso de Jó e subdivide-o em três


partes: Jô, a Vítima de seu Povo; Jó, Ídolo de seu Povo e A Viagem Antiga:
passagem para a maldade. O segundo capítulo é dividido em quatro partes: As
Armadas Celestiais; O Realismo e a Transfiguração; Édipo e Jó; e Jezebel
Pisoteada até a Morte sob as Patas dos Cavalos. O capítulo terceiro é dividido
em três partes: Todo País Possuído pela Dança de São Vitus; O Salmo 73; e A
Torrente da Montanha.

O capítulo quarto está dividido em cinco partes: O Público; O Órfão Escolhido


de Ló; Origem e Repetição; Jó e o Rei Sagrado; A Evolução Ritual. O capítulo
cinco tem seis partes: O Juízo Totalitário; A retribuição; O Lapso de Jó; Minha
Vida Defendida; O Sangue Resgatado para a Cidade Frenética e o Deus da
Vítima. Faremos uma leitura do livro de Girard.
1. O CASO DE JÓ

Jó, a Vítima de Seu Povo O que sabemos sobre Jó? Não muito. Ele perde
seus filhos e filhas, bens e toda a família, e está cheio de úlceras. A sua
desfortuna está em Jó 1- 2. No prólogo do livro de Jô, encontramos esta
narrativa. A sua desfortuna é causada pela permissio dei e por satanás. Deus
autoriza satanás fazer o que quer de Jó. Paremos um pouco para falar sobre o
livro de Jó. O livro bíblico de Jó tem duas formas.

Uma é cópia do Jó babilônico. A outra é uma criação literária de um autor da


época exílica ou pós-exílica. O livro de Jó é composto de prosa e poesia,
narrativa e sabedoria. Pode ser comparado a um quadro de uma pintura de um
autor famoso com uma moldura e o desenho propriamente dito. A moldura é
formada pelo prólogo e pelo epílogo. O desenho, miolo ou centro, de forma
poética, é a pintura desta moldura. Há uma narrativa que introduz e conclui a
sabedoria do centro do livro. Poderíamos dividir o livro em várias partes. Jó, o
Ídolo de Seu Povo Por que Jó torna-se objeto de lamento de sua comunidade?
Nenhuma resposta pode ser dada.

Talvez seja melhor este caminho de interpretar ou ler desta forma. Se o autor
for identificado com um elemento ou indivíduo mencionado como certo
incidente da origem possível do mal, pode-se pensar imediatamente na
resposta que conhecemos. Jó não é um indivíduo, mas pode ser o coletivo. Jó
e seu sofrimento são identificados como sofrimento de um povo no exílio.
Assim, paramos de questionar a violência. Na realidade, podemos saber
menos que isto. Mas não assumimos que estes diálogos estão completamente
em silêncio. Eles estão cheios de indicações, se conhecermos o que vemos
neles. Em nossa busca de uma explicação da escolha de Jó como bode
expiatório, não se pode responder assim.
Seus ‘amigos’ não têm nada de interessante a dizer sobre esse assunto.
Procuramos tornar Jó responsável pelas crueldades das quais é feito para
suportá-las. Sugerimos que sua avareza foi a sua desfeita. Talvez ele fosse
severo com o seu povo. Ele usou sua posição para explorar o pobre e o
oprimido Jó parece ser virtuoso, mas pode, como Édipo, ter cometido um
grande crime. Ou talvez seu filho ou outro membro de sua família tenha feito
isto. Um homem condenado pela voz do povo duramente, mas inocente.

Jó defende-se assim vigorosamente, alegando que não tem qualquer culpa


para acusação. Toda acusação foi desfeita gradualmente. Alguns exegetas
reprovam Jó por sua autodefesa. Ele carece de humildade, e seus amigos
justos estão escandalizados. Tal reprovação completa a descompreensão da
natureza ou debate entre ele e os sábios. A indignação de Jó pode ser
colocada em seu próprio contexto, como ele mesmo define e como deve ser
compreendido. Ele não diz que nunca pecou. Ele diz que não tem feito nada
que mereça tal extrema desgraça. Assim, hoje pode ser errado dizer que foi
tratado como um santo, mas que agora tudo está contra ele.

Não é que ele tenha mudado, mas o povo ao seu redor é que mudou. Jó
detesta ser diferente dos homens venerados. O Jó dos diálogos não é qualquer
um que fez muito dinheiro e que perdeu tudo. Ele não é uma pessoa que tem
um grande esplendor e que vai parar na miséria. Decide falar sobre seus
amigos, os quais atribuem a Deus e a uma metafísica do mal, o seu mal. Jó
dos diálogos não é o Jó do prólogo. Ele é um grande líder que primeiro exige
respeito ao povo e é então abruptamente desdenhado por ele. Jó 29,2-25
mostra-nos a apelação de Jó a Deus.

Os três debates terminaram com os ‘amigos’ de Jó. Jó reassume a sua própria


causa fazendo uma grande e violenta apelação para Deus. A resposta de Deus
começa em Jó 38,1. Antes, ele torna um bode expiatório. Jó viveu por um
período de extraordinária popularidade margeando a idolatria. Vemos
claramente nesta passagem que o prólogo não tem nenhuma relevância no
livro todo. Se o prólogo for retirado, o texto, em seu miolo, pode ser lido
naturalmente. Se Jó realmente perdeu seu gado e seu filho, sua reminiscência
sobre o passado proveu a oportunidade de mencionar tudo que perdeu. Mas
não há referência disto.

O contraste entre o passado e o presente não é do rico ao pobre, de saúde à


doença, mas do favor ao desfavor com o povo. Os diálogos não são sentidos
puramente como drama pessoal ou mudança simples de circunstância, mas
fala do comportamento de todo o povo na direção do cuidado que tem sido
destruído.

A acusação contra Jó não é o assunto questionável, mas é revelador. A falha


potente é reprovada no abuso do poder: uma acusação que não pode ser feita
contra qualquer proprietário de terra, contra qualquer rico. Jó nos faz lembrar-
se do tirano das cidades gregas Elifaz, que pergunta: É por tua piedade que te
corrige Entra contigo em julgamento? Não é antes por tua grande malícia e por
tuas inumeráveis culpas? Exigias sem razão penhores de teus irmãos e
despojavas de suas roupas os nus; Não davas água ao sedento e recusavas
pão ao faminto; Entregavas a terra a um homem poderoso, Para ali se instalar
o favorecido; Despedia as viúvas com as mãos vazias, Quebravas os braços
dos órfãos (Jó 22,4-9).

Este texto relata a intervenção de Elifaz. O seu ataque é violento. Os leitores


modernos aceitam facilmente a visão do prólogo sobre o mal e satanás porque
isto ocorre em seu próprio mundo ou em nossa idéia de que isto acontece em
todo lugar. Os acontecimentos consistem em ter muitas possessões ou tornar
possível uma doença, um mal, ou alegrar-se num frenesi eterno do consumo
do prazer. Nos diálogos de Jô, só uma coisa conta, e este é o relacionamento
de Jó com o povo. Jó retrata um período triunfal como o outono de sua vida –
em outras palavras, a estação que precede o gelo do inverno da perseguição.
A desgraça foi realmente recente e acabou depressa. A extrema vibração com
que Jó se torna um eterno desgosto.

Jó parece não ter entendido esta mudança rápida que tomou lugar. Jó 29 é
uma narrativa em forma poética que denuncia as queixas e faz uma apologia
de Jó. Neste local, encontramos como eram os tempos antigos e Jó recorda o
seu tempo de antanho. Este texto narra uma vida digna de recompensa. Nos
três debates com os amigos, Jó reassume a sua própria causa, ele faz um
apelo para que Deus o ajude. O mistério de Jó é apresentado num contexto
que não se explica, mas pelo menos serve por situá-lo.

O bode expiatório é um ídolo destruído. A origem e queda de Jó são juntadas


uma na outra narrativa. Os dois extremos parecem estar conectados; não é
entendido separadamente e não é a causa do outro. Sentimos certa doença,
mas o fenômeno social é mais real e a provável revelação desses eventos. De
uma coisa em comum entre esses dois períodos existem a unanimidade da
comunidade: primeiro, a adoração e, depois, a repugnância. Jó é a vítima de
um enorme e rápido reverso de opinião pública que é instável, caprichosa e
vazia de toda moderação.

Parece dura, mas a comunidade é responsável pela mudança desta opinião


pública, como Jesus é para a mudança entre o Domingo de Ramos e a Sexta-
feira Santa. Para esta unanimidade, existe um duplo contágio mimético.
Membros da comunidade influenciam-se reciprocamente. Eles limitam cada um
numa adoração fanática e então cada um se torna mais fanático hostilmente.
2. O QUE NORBERT LOHFINK DIZ SOBRE A VIOLÊNCIA NA BIBLIA:

A história da violência na Bíblia começa com Caim e Abe! Este começo tem
suas conseqüências e tem um fim. Parou no dilúvio, que é algo como a
primeira experiência do fim do mundo... Fim de toda a carne...: (Gen 6, 13).
Chega a ele através de uma genealogia, seguindo uma linha que, de sogro, vai
de Caim a Lamec. Genealogia dos seres humanos, mas também desumana:
"Se a vingança por Caim for sete vezes, a vingança para Lamec será setenta
vezes sete".

Lamec, descendente de Caim, aparece com a geração do dilúvio; Ele também


é o pai de Noé. Educação fundamental: está inscrito na natureza da violência
que tem de se multiplicar; prolifera, acelera e seu produto é uma violência
ainda maior. E assim por diante até o "fim de toda a carne...” Nunca
terminaríamos de desenhar toda a história desses momentos coletivos de
violência que eram as guerras no povo de Israel.

Quase ininterruptos de Josué aos últimos reis de Jerusalém, eles


reapareceram na época dos Macabeus. Nós nos limitaremos, portanto, a
concentrar nossa atenção em alguns textos de especial interesse, que mostram
como a experiência de seu adversário foi introduzida na experiência da
violência guerreira, até que a imagem de uma vitória alcançada sobre a
violência pela mansidão surgiu. .
3. O QUE ROLAND DE VAUX DIZ SOBRE A VIOLÊNCIA NO ANTIGO
ISRAEL:

Embora a exegese (Roland de Vaux, Gerhard von Rad) tenha adotado


repetidamente o termo "guerra santa" para designar aqueles atribuídos a uma
ordem YHWH, este termo está ausente da Bíblia. O mesmo Roland de Vaux,
por outro lado, não hesita em sublinhar (um ponto precioso para o leitor hoje)
que as "guerras sagradas" de Israel não têm nada a ver com as guerras da
religião.

"Em todos os povos antigos a guerra estava associada a atos religiosos: foi
realizada por ordem dos deuses, ou pelo menos com sua aprovação significada
pelos presságios, foi acompanhada de sacrifícios, foi realizada com a ajuda dos
deuses, que concedeu a vitória e aos que agradeceram oferecendo uma parte
do saque. Assim, toda guerra antiga é santa, pelo menos no sentido amplo. Os
gregos chamaram mais devidamente "guerras sagradas" (hieroi polemoi) às
quais o templo de Delfos fez contra os de seus membros que haviam violado
os sagrados direitos de Apollo”.

3.1. CONTINUA ROLAND DE VAUX:

"... Todas as instituições de Israel tinham certo caráter sacral... Isso, no


entanto, não significa que a guerra é uma guerra de religião, um aspecto que
não aparecerá até mais tarde, sob os Macabeus" (Roland de Vaux, Instituições
do Antigo Testamento, Herder, Barcelona 1964, 346). O essencial dos
resultados obtidos até uma data recente é classificado e avaliado em R. de
Pury, La guerre sainte israélite: Etudes théologiques et religieuses 56 (1981) n.
1, 5-38 (Todo o volume é dedicado à "guerra santa").

O trabalho básico é o de G. von Rad, Der Heilige Krieg im alten Israel.


Göttingen 1969: "A pesquisa não deixou de ser estimulada pela (sua) hipótese"
(R. de Pury). A coleção de dados factuais nos é oferecida no trabalho acima
mencionado por R. de Vaux, Instituições do Antigo Testamento. Herder,
Barcelona 1964, 346-357, com uma apresentação das etapas desta instituição.
4. NORBERT LOHFINK DIZ SOBRE A VIOLÊNCIA:

Mais recentemente, no trabalho coletivo Gewalt und Gewaltlosigkeit im Alten


Testament. Freiburg-BasileaVienna 1983, cL a contribuição de N. Lohfink, Die
Schichten des Pentateuch und der Krieg (pp. 51-111). O autor insiste muito
particularmente no ideal não-violento da fonte sacerdotal (do qual veremos
mais tarde que coincide pelo menos com uma passagem do cronista, para
quem a figura de Davi é ofuscada por suas guerras: 1 Cr 22.8) .

Observe (p.87-90) a adesão de Gn 9,2 ("Eles temerão e todos os animais o


respeitarão") as tradições literárias da guerra santa e as conseqüências que
devem ser extraídas de seu contraste explícito com Gn 1 , 26.28 para
interpretação. Finalmente, N. Lohfink estabelece um vínculo entre o novo
regime pós-diluviano e a prática sacrificial da qual é condição de possibilidade.
Ele então ressalta um paralelo com o problema de René Girard.

4.1. Num livro mais recente sobre a violência e a guerra no Antigo


Testamento:

A.van der lingen, Les guerres de yhwh. Cerf, paris 1990, atribui a um período
muito mais recente as fontes das quais G. von rad desenhou os motivos para
descrever esta instituição como arcaica. Vamos concluir com duas
observações:

1) o primeiro é tirado de R. de Pury: "não haveria nada tão infiel ao espírito do


antigo testamento como suporte para o tema da guerra santa, uma primeira
leitura da classe em, uma leitura triunfalista ... a chave é descobrir a
desigualdade entre o modelo ou o ideal destacado pelos autores bíblicos em
um determinado período e a realidade histórica do momento »(o c., 37-38).
2) o segundo refere-se ao conjunto de estudos mencionados. mesmo no caso
de G. von rad, o interesse na realidade histórica de uma instituição (se não da
a guerra como foi feita - o que é algo diferente - prevalece sobre o estudo do
"modelo" ou a "idéia"! Pelo menos, isso é o que pode ser deduzido da
brevidade dos estudos dedicados ordinariamente aos textos posteriores mais
distantes da instituição. O contributo de n. lohfink (que mostra em von rad essa
lacuna em relação ao padre) deve encorajar os autores a corrigir essa
tendência.
5. VIOLENCIA NO NOVO TESTAMENTO EM OSCAR CULLMANN:

Jesus purificou o templo. Tal é o fato de que a maioria parece advogar em


favor da tese unilateral sobre o revolucionário Jesus; na verdade, seus
apoiantes atribuem-lhe a maior importância. Não é o ponto de partida eo
critério em que nos baseamos para julgar os outros elementos da tradição
evangélica um ato tão forte? Em qualquer caso, este ato é irritante para
aqueles que, de maneira similarmente unilateral, sustentam que Jesus teria
sido um fiel defensor da ordem existente. Mas também é irritante para a tese
que pretendo sustentar aqui, que, fingir as instituições do seu país, Jesus está
"acima de nossos antagonismos".

De agora em diante podemos ver o que é a característica da atitude de Jesus


em relação a todas as instituições existentes. É fundamentalmente crítico. Ele
não reconhece nenhum valor eterno. Eles fazem parte desse mundo maligno, o
que acontecerá. Mas, como Jesus sabe o que acontecerá a este mundo, ele se
limita, por um lado, a anunciar seu caráter desatualizado e, por outro, a
purificar o que pode ser feito sem a destruição violenta de sua própria
existência.

Ele não perde tempo participando de uma ação voltada para a demolição de
instituições por armas; ele não quer desviar para o coração do objeto de sua
pregação, que é o reino de Deus. O falso testemunho (Me 14, 57 f.)
provavelmente consiste no fato de que as falsas testemunhas colocam a
primeira parte da expressão a primeira pessoa. A forma joanina do princípio (Jn
2:19): "destruir este Templo" (isto é, quando este Templo é destruído) é, sem
dúvida, mais próximo das palavras primitivas.
Isso não é deste mundo. "O que ele prepara não é o fim perseguido pelos
zelotes: uma nova organização sacerdotal A purificação do Templo, o ato
individual, o sinal profético de Jesus e não o elemento de um plano zelote,
devem chamar a atenção para o culto verdadeiro e espiritual, que será
praticado fora do quadro das instituições terrenas. Dos elementos do culto
existente, Jesus muda aqueles que estão em flagrante contradição com a
essência de cada culto e que são mais susceptíveis de serem alterados sem a
necessidade de suprimir o culto o mesmo para a violência.

A purificação do Templo não afeta imediatamente mais do que um setor muito


limitado do culto judeu. Portanto, Jesus impõe a sua resistência um limite que é
essencial. Não é uma atitude ditada por uma tendência de compromisso, mas
por radicalismo escatológico. Porque, visto desse ângulo, a mudança que
Jesus está preparando é muito mais radical do que os que os zelotes
procuram.

Na verdade, mesmo que sua esperança supõe a milagrosa intervenção de


Deus, ela ocorre na esfera terrestre e nacional. Jesus estigmatizou em sua
pregação a injustiça social de seu tempo, na qual ele também compartilha uma
das preocupações essenciais dos zelotes. Toda essa questão também é
considerada por Ele à luz do reino de Deus. Queja sem compaixão essa
injustiça em sua pregação "Ai de você, rico!" (Le 6, 24).

Proclame pais abençoados, porque o reino dos céus é deles. A parábola do


homem rico e do pobre Lazaro (Le 16, 19 ss.) Também coloca a diferença
social à luz do futuro reino; e a parábola de Le 12, 16 faz o mesmo em relação
à loucura dos ricos. Podemos nos perguntar nas palavras, um pouco
enigmáticas, sobre "os violentos que forçam o reino de Deus e o arrebatam
pela violência" (Mt 11, 12), palavras que não são conhecidas se contiverem
uma censura ou um louvor, Jesus Pense nos zelotes.
O termo grego que traduz para violência (bia) parece sugerir uma censura. Mas
é possível que a palavra seja intencionalmente equívoca, caso em que refletiria
o duplo sentimento de Jesus em relação aos zelotes. O capítulo de Johannine
sobre "o bom pastor" (Jn 10), acredito que inclui uma alusão a certos chefes
zelotes que deram os seus próprios para serem desgastados pelos romanos.
Isso me parece a explicação, se não absolutamente certa, em qualquer caso, o
mais provável até agora, da passagem sobre os falsos pastores (v. 8)
(mercenários) e poderia basear-se numa tradição histórica: "Todos aqueles que
vieram antes Eu sou ladrões e sediciosos ".

Em qualquer caso, se esta maneira de ver é admitida ou não, é certo que ele
sempre considerou como uma tentação, como sua tentação particular, a
concepção política do Messias. É por isso que Mateus e Lucas colocam no
início de seu ministério a história da tentação, projetada para destacar essa
característica. É o diabo que lhe mostra os reinos da terra: "Tudo isso vou te
dar". Ele propõe o Zelote ideal. Jesus responde: "Retirar, Satanás" (Mt 4, 10).
Não somos tentados mais do que pelas coisas que estão perto de nós.

Antes da fervorosa expectativa dos zelotes, compartilhada por vários discípulos


de Jesus; Em vista do grande sucesso alcançado entre as multidões oferecidas
pela realeza, ele não podia deixar de pensar que talvez ele já devesse
perceber o reino de Deus na Terra. Seja qual for o núcleo histórico da história
da tentação, contém o fato inegável de que podemos provar através de todos
os Evangelhos: que Jesus considerou a concepção zelote do Messias, isto é, a
política, como sua tentação por parte do diabo: Retira-te, Satanás!
6. NOVO TEXTO DE NORBERT LOHFINK:

Há uma mansidão no Antigo Testamento. e há violência no Novo Testamento.


Para falar da violência do Novo Testamento de forma muito restrita, o conteúdo
para inventariar os lugares e as expressões com as quais é falado, seria alterar
sua mensagem. O que você precisa fazer é interpretá-lo, mostrar seu
relacionamento com a verdadeira mansidão. Por outro lado, para falar de
mansidão no Novo Testamento, não será deixar nosso assunto? Há uma coisa
certa: não podemos esconder essa violência.

Por outro lado, os únicos a ignorá-lo seriam aqueles que nunca abriram um
evangelho. Apenas uma vez na história de sua vida, e somente no quarto
evangelho, Jesus usa um chicote de cordas para obter o que queria (Jo 2, 15).
Mas suas palavras foram violentas em mais de uma ocasião: "Ai de você,
Corozain! Oi de você, Bethsaida!" (Mt 11, 21) A conclusão da parábola dos
"talentos" (em Luke) choca com nossa sensibilidade.

O rei dirá: "Para os meus inimigos que não me queriam por um rei, traga-os
aqui e mate-os na minha presença" (Lc 19:27, Mt 21:41, punição dos
vinicultores homicidas). Do Cordeiro (Ap 6, 16s) e o sangue dos pecadores
que, no Apocalipse de João (14, 20), corre com uma superabundância que
nenhum outro livro da Bíblia havia mostrado até então? É um bom método para
começar de mais verdade e, neste caso, o mais certo é que no centro de tudo é
visto o espetáculo da violência sofrida, o centro de tudo é a cruz, nele, a
violência se transforma em outra violência: a violência do ódio torna-se a
violência do amor, é o trabalho da violência do Espírito.
7. DEUS E A VIOLENCIA NO ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento tem uma reputação: é um livro cheio de violência,


incluindo a violência de Deus. O Novo Testamento geralmente evita tal carga;
mas também está cheio de palavras e ações violentas, e Jesus e o Deus do
Novo Testamento são cúmplices dessa violência. Sim, a Bíblia geralmente
promove a não-violência; de fato, as reflexões escatológicas básicas do Antigo
Testamento são marcadas por visões de paz e não-violência, estendendo-se
até ao mundo animal (por exemplo, Isa 2: 2-4; 65: 17-25) - esses textos
constituem um testemunho fundamental da violência é um intruso indesejado
no mundo de Deus.

Ao mesmo tempo, a Bíblia também - e muitas vezes - defende o uso da


violência, incluindo a pena de morte, a guerra e a autodefesa. O Novo
Testamento especialmente, com sua conversa sobre o inferno, até mesmo
prevê uma violência eterna, em que Deus está muito envolvido (por exemplo,
Matt 13: 36-50; Rev.14: 9-11). Minha tarefa é refletir sobre algumas orientações
teológicas para considerar a violência nos textos do Antigo Testamento,
especialmente a violência divina. A recente proliferação de literatura sobre a
violência da Bíblia e, de um modo mais geral, a ligação entre religião e
violência é notável, provocada pelo menos até o final do milênio e outras
atividades terroristas em nome da religião.

Ao mesmo tempo, Stephen Stein afirma com razão que "o estudo sistemático
da relação entre religião e violência não está muito avançado". A acusação de
Stein sobre a igreja e outras comunidades religiosas por esta desatenção é
apropriada; ele fala de "a relativa ausência de auto-reflexão pelas tradições
religiosas sobre seu papel em gerar, patrocinar, promover, apoiar e manter
essa violência". Isso incluiria o papel que a Bíblia desempenhava na
perpetração de violência em todo o mundo ao longo dos séculos. Ao pensar na
violência na Bíblia, a necessidade de uma definição mais próxima da violência
rapidamente aparece; deve ser uma definição que possa abranger a violência
divina e humana.

Para muitas pessoas, especialmente nestes pós-dias, apenas a violência física


realmente se qualifica como violência. Mas, certamente, a violência é mais do
que matar pessoas, a menos que se incluam todas essas palavras e ações que
matam pessoas lentamente. O efeito da limitação para uma perspectiva de
"campos de matança" é a negligência generalizada de muitas outras formas de
violência.

Devemos insistir que a violência também se refere àquilo que é


psicologicamente destrutivo, o que degrada, danifica ou despersonaliza os
outros. Em vista dessas considerações, a violência pode ser definida da
seguinte forma: qualquer ação, verbal ou não verbal, oral ou escrita, física ou
psíquica, ativa ou passiva, pública ou privada, individual ou institucional /
societal, humana ou divina, em qualquer grau de intensidade, que abusa, viola,
mata ou mata.

Algumas das formas de violência mais penetrantes e mais perigosas são


aquelas que muitas vezes são escondidas da opinião (contra mulheres e
crianças, especialmente); logo abaixo da superfície em muitos de nossos lares,
igrejas e comunidades é abuso suficiente para congelar o sangue. Além disso,
muitas formas de violência sistêmica muitas vezes ultrapassam nossa atenção
porque são uma parte da infra-estrutura da vida (por exemplo, racismo,
sexismo, idade-isma) .6 Se a Bíblia descreveu o curso do século XX, seria um
livro muito mais violento do que é - não menos porque existem tantas pessoas
em torno de serem violentas!

7.1. VIOLENCIA HUMANA.


O Antigo Testamento certamente conhece a violência humana que se adapta à
nossa definição. Este é o caso, basicamente, porque o mundo do qual fala é
cheio de violência, incluindo violência institucionalizada, e o Antigo Testamento
não encolhe para dizer como é. Os leitores devem estar agradecidos de que a
Bíblia não procure papel sobre o que a vida é realmente para indivíduos,
famílias e comunidades. A violência - do assalto ao estupro e do homicídio à
guerra - aparece perto do início da Bíblia e não deixa o caminho ao longo do
caminho.

Gênesis 6: 11-13, relatando a violência de "toda carne" que levou à violência


do dilúvio, conta a história do nosso - e de todos os tempos: "Agora a terra era
corrupta aos olhos de Deus e a terra estava cheia com violência ". Devemos
agradecer que Deus prometeu nunca mais visitar a Terra de forma inundavel
novamente (Gn 8:21)!

Além da violência física a que a Bíblia testemunha, especialmente para ser


notado, é o exercício da violência através do uso de palavras, por exemplo,
calúnia, acusações falsas, assassinato de personagens e fofocas. Esse idioma
tem capacidade para promover a desconfiança, o desrespeito e a inimizade,
que muitas vezes levam à violência física (por exemplo, Sal 140: 3, 11; Prov.
10: 6, 11; 16: 27-30; Jer 9: 2-8; observe a ligação entre "paz" e discurso
violento em Ps 34: 13-14).

Talvez especialmente desconfortável é a medida em que a violência está


associada a questões econômicas, e não menos a busca de riqueza; como Mic
6:12 coloca sem qualificação: "Seu povo rico está cheio de violência". A palavra
hebraica mais comum para "violência" é usada quase que exclusivamente para
a violência humana e quase sempre é condenada, de forma implícita ou
explícita. Deus rejeita bruscamente as pessoas violentas: "O Senhor ... odeia o
amante da violência" (Salmo 11: 5), ordena que Israel "não faça injustiça ou
violência ao estrangeiro, ao órfão e à viúva" (Jeremias 22: 3 ), exige que os
violadores do comando "eliminem a violência e a opressão" (Eze. 45: 9) e
condena aqueles que fazem "violência à terra" (Hab 2: 8, 17, ver Zeph 1: 9). A
"descrição do trabalho do rei davídico divinamente designado", que reflete a de
Deus, é redimir as pessoas "da opressão e da violência" (Sal 72:14).

Sabendo que Deus tem esses compromissos e esperando que Deus esteja do
seu lado, os salmistas clamam a Deus por libertação daqueles que são
violentos, "dos lugares sombrios da terra que estão cheios de assombrações
de violência" ( Salmos 74:20; veja também Salmos 25:19; 140: 1, 4, 11). Os
justos pensam que eles têm um caso justo para trazer diante de Deus e eles
procuram motivar Deus a agir em seu favor afirmando que eles "evitaram os
caminhos dos violentos" (Sl 17, 4). E então, quando foram libertados de
pessoas violentas, eles cantam canções de ação de graças (2 Sam 22: 3, 49;
Sl 18:48).

Os justos estão confiantes de que Deus procurará um futuro quando "a


violência não mais se ouvirá em sua terra" (Is 60:18). Uma oposição divina tão
decidida à violência humana é importante lembrar em refletir sobre a violência
divina. Em suma: se não houvesse violência humana, não haveria violência
divina. A essa violência interhumana, devemos acrescentar a violência do
humano contra o não-humano.

É reconhecido já em Gênesis 9: 2 que, na sequência do pecado humano, os


animais vivem com medo e medo de seres humanos. Mais indiretamente, a
violência inter-humana tem um efeito devastador sobre o meio ambiente. Por
exemplo, Hos 4: 1-3 estabelece um vínculo claro: o juramento humano, a
mentira, o assassinato, o roubo, o adultério e o derramamento de sangue têm
efeitos altamente adversos sobre a terra, os animais, as aves e os peixes. Por
outro lado, a violência de criaturas não humanas contra seres humanos não é
pequena (por exemplo, Gen 9: 5; Exod 21:28).

7.2. VIOLENCIA DIVINA.


Se a violência humana fosse a única história sobre violência na Bíblia, esta
poderia ser uma discussão mais breve, se sangrenta. Mas esse não é o caso.
O problema teológico mais básico com a violência da Bíblia é que muitas vezes
é associado à atividade de Deus; com frequência notável, Deus é sujeito de
verbos violentos: Do dilúvio, a Sodoma e a Gomorra, com o comando de
sacrificar Isaque, às pragas, a todas as crianças mortas na noite da Páscoa - e
ainda não estamos no livro de Êxodo! O que faremos dessa violência divina?

Se a violência humana fosse a única história sobre violência na Bíblia, esta


poderia ser uma discussão mais breve, se sangrenta. Mas esse não é o caso.
O problema teológico mais básico com a violência da Bíblia é que muitas vezes
é associado à atividade de Deus; com frequência notável, Deus é sujeito de
verbos violentos: 9 Do dilúvio, a Sodoma e a Gomorra, com o comando de
sacrificar Isaque, às pragas, a todas as crianças mortas na noite da Páscoa - e
ainda não estamos no livro de Êxodo! O que faremos dessa violência divina?

As questões levantadas sobre a violência de Deus na Bíblia não são


simplesmente as vindimas recentes. A preocupação remonta pelo menos até a
Marcion gnóstica do segundo século, que deixou de lado o Antigo Testamento
(e grande parte do Novo Testamento). Ele fez este movimento pelo menos em
parte por causa da violência de Deus retratada nela, e ele teve muitos
seguidores ao longo dos séculos. A igreja rejeitou corretamente a abordagem
de Marcion, mas a preocupação com a violência divina da Bíblia tem se
intensificando no recente trabalho bíblico.

Alguns estudos, mesmo querendo deixar de lado as referências à violência


divina, pelo menos em termos de consideração teológica séria, se não
realmente remover do texto bíblico. Ao mesmo tempo, e em possível reação a
tais pontos de vista, a igreja e seus porta-vozes freqüentemente foram para o
outro extremo e procuraram defender o retrato da Bíblia da violência de Deus,
de qualquer tipo, a todo custo. Procuro orientar entre estes dois extremos. Por
um lado, quero afirmar que a conversa da Bíblia sobre a violência divina deve
ser levada em consideração de forma séria em qualquer retrato preciso do
deus bíblico.

Ainda mais, a ira e o julgamento divinos, que podem implicar a violência, são
absolutamente cruciais para a nossa contínua reflexão sobre Deus e os
caminhos de Deus no mundo. Por outro lado, algumas das formas em que a
violência de Deus é retratada na Bíblia não devem ser impugnadas. Examino
mais de perto essas duas perspectivas, embora ainda haja muito trabalho a ser
feito.

7.3. A IMPORTÂNCIA TEOLÓGICA / ÉTICA DA VIOLAÇÃO E DA JUVENTUDE


DIVINA

Os usos de Deus da violência - e esse fraseamento é importante - estão


associados a dois propósitos básicos: julgamento e salvação. Às vezes, o
mesmo evento pode ter ambos os efeitos; por exemplo, a Pérsia sob Ciro
medeia a salvação para os exilados na Babilônia e, ao mesmo tempo, julga
Babilônia. Essa atividade divina geralmente implica o uso de agentes de Deus
que são capazes de violência, tanto humanos (por exemplo, Israelitas,
Nabucodonosor, Ciro) como não-humanos (por exemplo, nuvens, escuridão,
ondas, etc. no Mar Vermelho).

Grande parte da violência divina no Antigo Testamento está associada a esses


contextos, mas há importantes exceções, não menos importante, o livro dos
Salmos, que está cheio de julgamento de violência. A violência divina parece
estar sempre relacionada com o pecado humano. De um modo geral, se não
houvesse violência humana, não haveria nenhuma ira ou julgamento divino,
que pode assumir a forma de violência, dependendo do agente utilizado.
Abraham Heschel declarou bem o que está em jogo nesta questão:
“[Nosso] sentimento de injustiça é uma fraca analogia com o sentimento de
injustiça de Deus”. A exploração dos pobres é para nós uma falta; Para Deus, é
um desastre. Nossa reação é desaprovação; A reação de Deus é algo que
nenhuma língua pode transmitir. É um sinal de crueldade que a ira de Deus é
despertada quando os direitos dos pobres são violados, quando as viúvas e os
órfãos são oprimidos?

"As ações humanas violentas levam a consequências violentas. Que há tais


consequências para a violência humana é chamado julgamento divino.
Contudo, como Deus se relaciona com o movimento do pecado com a
consequência, não é fácil resolver. De um modo geral, a relação entre o
pecado e o julgamento da violência é concebida em termos intrínsecos e não
forenses; As consequências se originam da própria ação. Ou seja, Deus
medeia as consequências do pecado que já estão presentes na situação, e não
através da imposição de uma penalidade de fora. Ez 22:31 ilustra bem o ponto.

Deus declara: "Eu os consumi com o fogo da minha ira", e imediatamente


declara o que isso implica: "Eu devolvi sua conduta em suas cabeças". O
pecado de Israel gera certos efeitos de bola de neve. Ao mesmo tempo, Deus é
ativo na interação das ações humanas pecaminosas e seus efeitos, e Deus usa
"terceiros" como agentes desse julgamento (por exemplo, os assírios). Ambos
os fatores divinos e criativos estão entrelaçados para produzir o resultado
julgador, que pode incluir a violência. Tais consequências não ocorrem de
forma inevitável ou mecânica; o tecido causal é complexo e solto para que, por
exemplo, os ímpios possam prosperar (veja Jr 12: 1-4) e o espaço é deixado
para acaso ("tempo e chance acontecem a todos", Eccl 9:11).

Correspondências notáveis existem entre as ações de Deus e as de


Nabucodonosor. Deus não "compadece, poupe ou tenha compaixão" (Jeremias
13:14), porque é assim que os babilônios, os instrumentos do juízo divino, não
farão (Jeremias 21: 7, ver 27: 8). As palavras / ações violentas parecem ser
usadas para Deus porque elas são usadas para as ações daqueles em que e
através de quem Deus medeia o julgamento.

O último certamente irá atuar como reis e exércitos nesse mundo são
conhecidos por atuar. Os retratos da ira de Deus e da ação violenta estão
conformados com os meios que Deus usa. Deus, portanto, aceita quaisquer
consequências que possam resultar na reputação divina. As implicações éticas
de tal compreensão da ira divina são consideráveis. Afirmei assim: “A raiva
humana na injustiça levará menos peso e seriedade se a ira divina na injustiça
ao serviço da vida não for dada o seu devido lugar”. Se o nosso Deus não está
com raiva, por que devemos ser? “Salvação”.

A violência se torna o meio pelo qual o povo de Deus é libertado da violência.


Assim, por exemplo, a violência contra os egípcios leva à salvação de Israel da
violência do Egito (por exemplo, Exod 15: 1-3). Ou Deus usa a violência dos
persas sob o rei Ciro contra os babilônios escravizados como meio de trazer a
salvação aos exilados (por exemplo, Isa 45: 1-8). No primeiro caso, Deus usa a
violência para salvar Israel dos efeitos dos pecados de outras pessoas. No
segundo, Deus usa a violência para salvar o povo de Deus dos efeitos de seus
próprios pecados, o que os levou ao exílio em primeiro lugar. A salvação é
assim concebida de forma abrangente.

7.4. DEUS E VIOLÊNCIA NO VELHO TESTAMENTO

Essas duas formas de falar sobre o uso da violência de Deus podem ser
reduzidas a uma. Ou seja, o uso de violência de Deus, inevitável em um mundo
violento, pretende subverter a violência humana para levar a criação até um
ponto em que a violência não é mais. Walter Brueggemann diz bem: "É
provável que a violência atribuída a Yahweh seja entendida como
contraviolência, que funciona principalmente como um princípio crítico para
minar e desestabilizar outras formas de violência". E, portanto, a violência de
Deus não é "violência cega ou desenfreada", mas proposital no serviço de um
fim não-violento. Em outras palavras, a violência de Deus, seja em julgamento
ou salvação, nunca é um fim em si mesma, mas sempre é exercida ao serviço
dos propósitos salvíficos mais abrangentes de Deus para a criação: a
libertação dos escravos da opressão (Êxodo 15: 7; Ps 78 : 49-50), os justos de
seus antagonistas (Sl 7: 6-11), os pobres e carentes de seus abusadores
(Êxodo 22: 21-24, Isa 1: 23-24, Jeremias 21:12) e Israel de seus inimigos
(Isaías 30: 27-33; 34: 2; Hab 3: 12-13).

"Este é um dos significados da raiva de Deus: o fim da indiferença" em relação


àqueles que sofreram a crueldade humana. Ao declarar o assunto, o exercício
divino da ira, que pode incluir violência, é finalmente uma palavra de boas
notícias (para aqueles oprimidos) e más notícias (para opressores). Como
observei, a Bíblia entende que algumas formas de violência humanas e divinas
são legítimas.

Aqui considero várias formas de violência cuja legitimidade teológica tem sido
questionada. As considerações acima devem deixar claro que eu não procuro
fazer com que o Deus da Bíblia seja mais palatável ao gosto contemporâneo.
Estamos sempre em perigo de fazer isso, é claro, especialmente em questões
de julgamento; certamente devemos aprender a ler a Bíblia contra nós
mesmos, permitindo que o texto nos interrogue, seja "nosso rosto".

Mas está tudo na Bíblia que nos ofende de forma ofensiva (por exemplo, o
patriarcado da Bíblia)? Não é também perigoso simplesmente repetir de forma
crítica os textos que denigram o lugar das mulheres e retratam Deus como
aquele que ordena o abate grosso das cidades? E, se não criticarmos aqueles
textos em que Deus da Bíblia se envolve em atos violentos e violentos, não é
que, por sutilmente, elabore um modo de vida para aqueles que seguem esse
Deus? É importante notar que existe uma autorização interior-bíblica para o
povo de Deus suscitar questões e desafios em relação às ações de Deus
(antecipadas). Os exemplos incluem os lamentos bíblicos (por exemplo, Ps 44);
O desafio de Abraão em Gênesis 18:25: "O juiz de toda a terra não deve fazer
o que é justo?" E o de Moisés em Êxodo 32: 7-14. Nem esses textos mostram
o caminho para o trabalho importante que temos a fazer com relação a essa
questão interpretativa? Além disso, seremos ajudados se falarmos de um
centro bíblico em que todos os outros textos devem ser interpretados,
evidentemente mais claramente nas formulações creedais do Antigo
Testamento e do Novo (por exemplo, Exod 34: 6-7).

Esse centro fornece uma espécie de cânone dentro do cânon, o que significa
que nem tudo na Bíblia deve ser colocado no mesmo nível de importância e
pode fornecer um lugar em que possamos trazer uma palavra crítica a respeito
de alguns retratos de Deus . No mínimo, devemos ser honestos ao reconhecer
os problemas que a Bíblia levanta em relação à violência divina. Como eu
afirmei em outro lugar: "O viés patriarcal é penetrante, Deus é representado
como um abusador e um assassino de crianças, Deus diz que comanda o
estupro de mulheres e a destruição em massa de cidades, incluindo crianças e
animais. Reduzir-se de fazer tais declarações é desonesto ".

Ainda mais, a igreja deve reconhecer a longa história de efeitos negativos que
muitos textos bíblicos sobre Deus tiveram em nossa vida juntos. "Com toda a
ênfase nos dias de hoje sobre o que um texto faz para um leitor, devemos ser
absolutamente claros: entre as coisas que a Bíblia fez é contribuir para a
opressão das mulheres, o abuso de crianças, a violação do meio ambiente, e a
glorificação da guerra ". Tentativas muitas vezes são feitas para explicar a força
desses textos ou para suavizar seu impacto. Tome a violência da conquista
como um exemplo; Deut 20: 16-17 apresenta a questão diretamente diante de
nós.

Deus ordena: "Mas nas cidades desses povos [cananeus] que o Senhor, seu
Deus, te dê por herança, você salvará nada vivo que respire, mas você os
destruirá completamente" (ver 1 Sam 15: 3). Israel realizou este comando em
várias batalhas registradas em Joshua 6-11.36 Essas atividades divinas e
humanas muitas vezes foram espiritualizadas ("vestir toda a armadura de
Deus"), historicamente ajustada (transformar a conquista em um assentamento
de terra ou uma visão primitiva que Israel superou), idealizado (assumindo uma
posição utópica contra a idolatria), visto como uma metáfora para a vida
religiosa, ou reduzido aos caminhos misteriosos de Deus.

Nenhuma "explicação" satisfatória dessa prática israelita é possível, ou, nesse


caso, dos outros usos da violência divina acima mencionados. No entanto,
certas considerações podem nos ajudar a entender tal violência, se não
desculpar em todos os aspectos o Deus que é retratado aqui (nem aqueles que
realizaram os comandos divinos).

Deus trabalha em e através dos seres humanos, com suas fraquezas e falhas,
na realização dos propósitos de Deus, e Deus não os aperfeiçoa antes de
decidir trabalhar com eles. Deus trabalha com o que está disponível, incluindo
essas instituições nesse contexto antigo envolvido na guerra da guerra e outras
armadilhas governamentais. A violência será associada ao trabalho de Deus no
mundo, porque, em maior ou menor grau, a violência é característica das
pessoas e instituições através das quais esse trabalho é feito.

Assim, esse trabalho sempre terá resultados mistos e será menor que o que
teria acontecido se Deus escolhesse agir sozinho. Além disso, Deus não
confere necessariamente um valor positivo sobre esses meios e através dos
quais, Deus trabalha (por exemplo, Isa 47). Os seres humanos nunca terão
uma percepção perfeita de como eles devem servir como instrumentos de
Deus no mundo. As percepções de Israel eram freqüentemente expressas em
termos da fala direta de Deus.

Na medida em que este é um fenômeno raro no Novo Testamento, devemos


entender que Israel pode ter colocado entendimentos de fala divina direta que
eles ganharam através do estudo e da reflexão, em vez de através de uma
audiência real das palavras de Deus? E eles podem não ter entendido de forma
completa ou adequada.

Que Deus se inclinasse para se envolver em crueldades humanas, como a


violência é, finalmente, não é motivo de desespero, mas de esperança. Deus
simplesmente não dá às pessoas a experiência da violência. Deus escolhe se
envolver na violência para que o mal não tenha a última palavra. Em tudo,
incluindo a violência, Deus procura alcançar fins amorosos. Por isso Deus pode
impedir um mal ainda maior. Ao participar de nossas histórias desarrumadas,
Deus leva o caminho do sofrimento e da morte (por exemplo, Exod 3: 7).
Através de tal envolvimento, Deus absorve os efeitos dos esforços humanos
pecaminosos e, portanto, sofre violência (não menos porque uma promessa
divina de terra para Israel está por trás de todo o caso).

Resta certa ambiguidade da Bíblia em relação à violência. Deus não pretende a


violência que perturba a vida do mundo, enraizada como está na
pecaminosidade da humanidade. De novo e de novo, Deus toma o lado
daqueles aflitos pela violência. Deus envolve o eu divino em favor daqueles
presos na violência e seus efeitos que Deus entra profundamente na vida do
mundo, mais supremamente em Jesus Cristo, e mostra assim a posição mais
básica da não-violência divina diante da violência. Mas, para realizar a obra de
Deus no mundo, Deus pode responder de maneira violenta através e através
de vários agentes, de modo que o pecado e o mal não sejam descartados na
vida do mundo.
CONCLUSÃO

Esta é uma interpretação brilhante do livro de Jó que estende e amplifica a


teoria de René Girard sobre a violência e as origens do mal expressadas em
outras obras como Violência e o sagrado, O bode expiatório, As coisas
escondidas desde a fundação do mundo e Eu via satanás caindo do céu. Esta
obra permeia a exegese, a antropologia e a crítica literária.

O autor discute o sacrifício como uma força diretora e vetora da cultura. Ele
insiste que o livro de Jó não é uma disputa metafísica sobre o problema do mal,
como sugerem o prólogo e o epílogo do próprio livro de Jó. É isto que sugere a
maioria dos teólogos e exegetas em vários séculos. René Girard vê Jó como
um homem que se protege com a sua inocência contra uma comunidade que
está unanimemente querendo a sua destruição. Jó é o bode expiatório da
sociedade, a vítima que sofre a salvaguarda da comunidade.

Ele não trata o livro como mistério teológico ou com uma moral abstrata e como
dilema, mas como um drama sacrificial. O livro de Girard é uma forma de
diálogo crucial, e o conflito é que o diálogo torna explícito ao comparar a
exploração dinâmica do jogo em que o autor revê outros mitos como Sófocles
(Édipo rei e Antígona), Ésquilo (Eumênides) e Racini (A Itália e Britânia).

Para o autor, a situação de Jó revela todo elemento de uma crise sacrificial,


como ele bem definiu em suas obras já citadas, aliás, a performance como
papel consolatório, os quatro interlocutores de Jó que podem persuadi-lo a ser
imolado, para que tudo isso seja unânime na comunidade: “não há fim nessas
palavras de vocês, mas um longo fôlego foi me dado”.
PARTE II. VIOLENCIA NO COTIDIANO E NA VIDA

MARTELADAS FILOSÓFICAS (uma vida refletida sobre o poder, a


incompetência e a violência praticada não física mas ética e moral).
MARTELADAS FILOSÓFICAS.

Dia 24/06/2017

Os incompetentes governam, lideram, são chefes, e coordenadores.

Mas morrem de inveja de quem faz algo de bom para os outros.

Hominídeos sem critérios, mas estão no poder.

Babam ovos e puxam o saco, e não suportam quem sobe na vida.

Comandam quem é superior a eles.

São Plutocratas, empregam os incompetentes como eles.

São camaleões, na frente é uma coisa e atrás apunhalam os outros.

Não escrevem nem publicam nada.

Quanto mais convivo com os hominídeos mais adoro os cães.

A diferença entre um cão e uma Mulher: prenda os dois no parta mala e você
ficara sabendo quem é teu amigo.

Os cães não roubam nem furtam, mas as companheiras sim.

25/06/2017

Não confrontar o poder, o poder é da força, de violência, e os incompetentes


usam a vingança.

Os poderosos são incompetentes e ignorantes, as suas armas é o poder e o


cargo que chegaram.

A ignorância não é não saber algo, pois todos nós somos ignorantes,
ignorância é não saber tudo. Somos ignorantes em alguma coisa. Gnose é não
conhecer, saber algo.
26/06/2017

Há os ignorantes formados e doutores, que comandam os incautos e não


doutos.

Há os sábios ignorantes e os ignorantes sábios.

A inveja é a maior arma dos incompetentes.

Os incompetentes não fazem nada e não querem que os outros façam.

A sinceridade é inimiga dos invejosos, a amizade é inimiga dos camaleões.

A humildade e sinceridade é o combate aos invejosos.

14/07/2017

Nunca lutem contra os poderosos, eles são desonestos e usam o seu poder
para derrota-lo.

Eles são maquiavélicos, usam a incapacidade e a incompetência para destruí-


lo.

São dissimulados e camaleônicos, pela frente sorriem, olham de cima para


baixo, por trás te apunha-lo com todas as forças da incompetência.

Sem misericórdia te destroem, sem piedade acabam com a sua competência.

Pois as invejas os matam e corroem.

24/07/2017

Os poderosos matam, com violência e sem violência, com armas que lhes
peculiares: o poder, armas brancas e de fogo, mas matam principalmente
afogando na miséria seus oponentes. Por quê? Por causa da inveja e da
incompetência, eles são fracos e o pode de destruir é às escondidas, são
camaleões, e fazem sempre por trás, ai tramam contra todos os que estão em
seus caminhos. Estão no muro da vergonha, mentem, se escondem, prometem
e não cumprem, falam que vão fazer e não fazem. A resposta é sempre
amanhã ou depois. Mas passam-se anos e a sua vingança é maligna. Não
conseguem superar suas fraquezas, são inferiores e miseráveis. Sempre estão
olhando por cima, como se estivessem a dizer eu sou melhor, estou no poder.

05/08/2017

Além do poder, eles estão metidos na corrupção, pois a ganancia é


maior que a ética. A inveja, o poder, a ganancia fazem parte dos insidiosos
pelo dinheiro, pelo poder. Não pensam duas vezes para massacrar os outros,
pisar nos que não tem poder. Os que não tem poder nem estão ai, a ideologia
dominante faz parte da necessidade, da miséria e da fome. Muitos pensam
varias vezes antes de enfrentar os poderosos, pois podem parar na miséria e
na fome. Os poderosos são os que estão no poder, para puxar e badalar os
outros. Esta é a sua necessidade de se manter no poder.

20/08/2017

O poder e a Gloria dos poderosos que na realidade são incompetentes.


Os poderosos são mais incompetentes dos que os incompetentes que o
seguem. Michel Foucault fala da microfísica do poder, está é uma necessidade
dos poderosos ter incompetentes mais do que eles para segui-lo. Thomas
Hobbes falava do panótico, o circulo central onde os poderosos colocam os
incompetentes para vigiar os outros. Os incompetentes sempre estão vigiando
para falar ao incompetente mor.

Os poderosos precisam de um circulo, de um grupo para vigiar para ele,


estes são incompetentes e bajuladores. Conforme Rene Girard os poderosos
tem necessidades. Esta necessidade e atenção dos que o cercam, ambos não
são nada. Mas tem o poder. Eles concordam com tudo mesmo
momentaneamente, na aparência e no momento esperando tomar o poder,
mas sabem que nunca acontecerá isto. Os poderosos precisam dos
incompetentes e os incompetentes precisam dos poderosos. Freud chamou de
desejo mimético. Tanto poderosos como bajuladores estão preocupados com o
poder.

Não são estudiosos, não escrevem, não publicam nada, não são
cientistas, pois precisam mais do poder e da gloria do que os outros. A
produção intelectual dos mesmos é ínfima e dos bajuladores pior. Os
poderosos precisam destes bajuladores para se precaver contra os que os
ameaçam
JESUS, E OS POLITIQUEIROS DE SUA EPOCA E OS INCOMPETENTES
DE HOJE.

As Normas estabelecidas.

As normas foram criadas pelos homens para controlar os próprios homens.


Estas normas instituídas por pessoas que subjugam os querem subjugar e
julgas os outros. Jesus nunca fez regras, normas e leis, mas seguiu as
impostas pelos judeus. Pelo contrario se subjugou às mesmas criadas pelos
homens. Disse certa vez: “ouvistes o que foi dito aos antigos, eu, porém vos
digo”. Ele não filosofou, e não teologou, nem estudou a sociedade, somente
cumpriu. Respeitava os homens apesar deles não o respeitarem, mas deveria
ser o contrario deveriam respeita-lo.

As suas atitudes era de calma e subserviência; não fala bonito, não sabia
retorica, nem era doutor, apesar de discutir com eles, os doutores da lei. Não
era especialista, nem metre ou doutor em qualquer área. Mas falava com
simplicidade e era entendido por doutores e simples, pobres e necessitados. O
seu discurso era penetrante que magoava os poderosos, os invejosos e os
instituidores de poder.

Mas uma coisa ele tinha de importante: o que prometia fazia, ele cumpria com
todas as suas promessas. Não era como os poderosos de hoje que prometem
e não cumpre assim ele era e assim era seu modus operandi, ele fez mesmo
coisas que não prometeu e tudo que prometeu, cumpriu. Não perseguiu
ninguém, ao contrario foi perseguido pelos invejosos da época.

CLASSES SOCIAIS E INTELECTUAIS.

As divisões de classes e de intelectuais sempre existiram desde a


antiguidade. Quando surgem os modos de produção de trabalho: os menos
inteligentes trabalham para os “sagazes”. Desde a coleta de alimentos e a troca
de mercadorias, o escambo existiu tais fatos. Na realidade hoje há o escambo
de ideias, troca de ideias, mas pouco se analisou que estas divisões foram
criadas pelo egoísmo, inveja, insegurança, segurança humanas. O desejo fala
mais alto. Ao contrario Jesus acolhia a todos, pobres, ricos, doente, enfermos
necessitados ou não que a sociedade de sua época rejeitava.

Todos viviam ao seu lado e não eram analisados pelo que ofereciam,
pelo poder ao poderoso, como se faz agora. Troca de poder, para que uns
vigiem os outros, os incompetentes trabalhando para os incompetentes. Na
atualidade os incompetentes, bajuladores se cercam de incompetentes maiores
para sobreviverem. E é isto que o torna poderoso. Jesus acolhia pobres,
prostitutas, pecadores, cobradores de impostos, e publicanos. Hoje pessoas se
cercam de incompetentes querendo ser santos e que o santifiquem e o
glorifiquem, e que o tornem puros sem macula, mas que são impuros e
pecadores como todos são.

Hoje pessoas se cercam de incompetentes querendo ser santos e que o


santifiquem que o tornem puros, mas na realidade são impuros, pecadores
como todos o são. “Vim para os pecadores e não para os santos”, dizia Jesus.
Os santos e puros, os sãos não precisam de médicos e sim os doentes. Comia
com todos e não só com os santinhos, o seu grupinho ou grupelho; era amigos
de todos de simples e não só de coordenadores e professores bajuladores (Mc
7,34; 7,37-38; Jo 8,10-11). Quem o procurava o atendia; não atendia somente
os amigos (Mc 2,21. 13; 3,7-8. 20).

Era diferente dos fariseus e bajuladores que se achavam santos e puros


(Mc 1,27). Acolhia os estranhos e estrangeiros; atendia os oficiais do rei (Jo,
4.46-49), atendia a gregos e romanos e baianos e não só judeus; pobres e
ricos, leprosos, doentes, enfermos e endemoniados. Jesus acaba com a
separação de raças; entre os bons e maus; entre os que observam as leis e os
condenados (Jo 7,49). Todos eram iguais e não somente o seu grupo, os
bajuladores e os incompetentes que seguem o incompetente mor.
GUARDAR OU NÃO GUARDAR AS LEIS: EIS A QUESTÃO.

As leis são construções humanas. Umas são para dominar uns aos
outros e outras para se resguardarem contra os outros. Para os amigos tudo e
para os inimigos a lei, lei própria, vantagens pessoais, para os seguidores e
desvantagens para não bajuladores.

Jesus não se importava muito com normas, regras, tradições. Guardar


isto ou aquilo. Os incompetentes formulam regras normas e leis, ficam
fiscalizando os outros e são os tais que não praticam nada. Colher ou não as
espigas no sábado, ir ou não as festinhas do patão, trabalhar ou não no
Shabat. Os fariseus incompetentes criavam leis para os outros, mas eles
mesmos não seguiam e não cumpriam nada por que tem a anuência do
incompetente mor.

Os fariseus antigos e os modernos são iguais até nisso, eles são


idênticos (Mc 2,23-26). Jesus curava os doentes no Shabat, os fariseus
acharam isso uns pecados mortais não faziam medicina, mas vendiam
diplomas e vagas para médicos (Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6), mas regulavam
preocupados com a vida sexual dos outros.

Jesus ajudava a levar as camas dos enfermos e dos aleijados eram


curados (Jo 5,8-10), fazia lama e saliva para curar os cegos e dizia “Teus
pecados são perdoados” (Jo 9,14-16). Era acusado de transgressões por
aqueles que mais transgrediam. A moral de uns não é a moral dos outros e dos
poderosos e incompetentes. Eles acham que fazem moral, são donos da
verdade, donos do sábado, das leis e das normas (Lc 6,5). Dizia Jesus meu pai
trabalha e eu também trabalho ate hoje (Jo 5,17). O sábado as regras e as leis
e normas foram por homens, mas o homem não foi feito para as mesmas, e
sim ao contrario (Mc 2,27).

Jesus acaba com toda a tradição moralista, a moral dos falsos


moralistas. Condenam tanta coisa, mas roubam os pobres e oprimidos,
oprimem as viúvas e os órfãos. Os critérios dos moralistas são superficiais (Jo
9,16). Os poderosos são poderosos por que expropriam e se apropriaram das
coisas dos outros. São incompetentes e necessitam de bajuladores
incompetentes; se os que estão no poder ou os que o seguem; uns precisam
dos outros. Não sabem que os incompetentes menores almejam o poder dos
poderosos, eles querem é inverter a situação, mas não sabem que serão
destruídos e aniquilados e retirados do circulo de bajuladores, do poder e da
sequela.

O JEJUM, A ESMOLA E A ORAÇÃO DO PODER CONTRA OS


INCOMPETENTES.

Os poderosos instituíram o jejum, a esmola para manipular os simples e


os bajuladores. Os simples não precisam disto, pois tem a piedade suficiente.
Estas obras servem para negociar e os negócios dos incompetentes, com Deus
não se negocia. Jesus dificilmente pediu para Jejuar, mas ao contrario traz
alimentos para os pobres e os famintos.

Tudo isto ele diz que é colocar remendo novo em pano velho (Mc 2,21),
a parábola serve para os poderosos, os fariseus antigos e modernos que
acusam a todos para esconder o que estão fazendo, praticando de mal aos
outros. Glutonaria e bebedices não só de comida e bebida, mas de poder (Lc
7,34). Jesus minimiza a oração tal como era feita pelos fariseus, tem muitos
pedindo mais poder do que possuem (Mt 6,5); o jejum é de poder; glutonaria de
poder, insaciáveis, os glutões tem fome e sede de poder, por isso engolem os
fracos, pobres e necessitados. As obras dos poderosos são obras dos que
roubam dos necessitados.

O valor deles depende daquilo que necessitam o poder; o poder dos


poderosos são furtos, roubos e a manipulação. Os poderosos trucidam os
fracos, os menos favorecidos são espoliados para se mantiver no poder, a
miséria, a fome mata mais que as guerras, mas poder mata muito mais ainda.

OS PROXIMOS E OS NÃO PROXIMOS: O PODER DOS MAUS.


Quem é meu próximo? Com Jesus não tinha isto. Com os poderosos é
próximo é aquele que mais bajula. O próximo dos poderosos é aquele que
pensa que vai um dia assumir o poder, mas os poderosos nunca ou jamais
deixarão que isto aconteça. Jesus inverte tudo, o próximo é aquele que precisa
de ajuda e também aquele que não precisa, e o que não bajula (Lc 10,29); o
próximo e o não próximo são duas categorias conflitantes criados pelos
poderosos. Próximo é o que se aproxima e ajuda, não precisa escrever na
testa “eu sou próximo”; este é aquele que ajuda sem pedir nada em troca.

O não próximo terá a ira do poderoso, o próximo é o bom samaritano, o


estrangeiro, o pagão ou fiel, ou infiel, judeus ou samaritanos, o estranho. Para
Jesus todos são próximos e são todos iguais, para o poderoso somente o
bajulador é o próximo, os outros são ameaçadores e inimigos. A lei é para
todos, e não para o não bajulador. O não bajulador é uma ameaça e inimigo. A
lei é para os outros, dois pesos e duas medidas, uma lei para os bajuladores e
outra para os nãos bajuladores; outra é a lei para quem não é o próximo. O
próximo não é e nunca será bajulador. Os incompetentes são bajuladores.

O TEMPLO E O CULTO AO PODER.

O templo não é só o local de adoração, os bajuladores adoram os


incompetentes mores em qualquer lugar, na rua, na esquina, na praça, na
empresa, nos departamentos de trabalho, estes são os locais escolhidos para o
culto aos poderosos e incompetentes. Jesus fez peregrinação, foi a Jerusalem
e ao templo só quando vai para morrer (Lc 2,41; Jo 2,13. 23; 5,1; 7,10; 10,22).
O culto é praticado pelos bajuladores nas salas, nos corredores, nas festas,
nos restaurantes.

Os poderosos sempre estão cercados de bajuladores, eles têm seus


sacerdotes, suas reuniões, suas procissões. Muitos correm atrás deles,
bajulando, inventando, fofocando e criticando os que não concordam com os
poderosos. Jesus expulsa estes demônios das reuniões, aqueles que
arrecadam dinheiro, publicanos e pecadores, os impostos da glória e do poder
(Jo 2,14-15). Destruam este templo e eu reconstruirei em três dias (Jo 2,19); ao
contrario certos poderosos acabarão na pobreza e na miséria, este culto é
relativizado, o único culto e o maior poder pertencem a Deus e não a homens e
bajuladores.

A segurança dos poderosos acabará, haverá um dia que não terá culto
nem templo, nem local; o valor que acham que possuem um dia perecerá, será
passageiro como passageiro é o poderoso, tudo isto é temporário. O poder e a
gloria serão extintos, acabara um dia a fonte de prazer ao poder, tudo isto
perante o poder de Deus extinguirá e eles perderão a sua gloria. O seu
esplendor apagará como a noite acaba com o dia e a luz com a escuridão.

A adoração é aquela verdadeira com Jesus (Jo 4,21-23) que é em


espirito e em verdade; os verdadeiros adoradores não são bajuladores (4,23).
O culto será passageiro, acaba – se o poder e a gloria, todos se esquecem dos
poderosos: é temporário, pois, o poder dura enquanto produzir bens aos mais
poderosos. Se não produzir nada acaba o poder e a gloria.

O LEGAL, O PURO E O IMPURO.

Jesus nem dava nada para os bajuladores, nem para as normas


estabelecidas dos homens. Nunca exigiu que os discípulos lavassem as mãos
para comer, nem que observassem o sábado (Mc 7,5). As leis foram criadas
por homens para julgar os homens; normas foram criadas para manter em
ordem as coisas e não para um dominar os outros.

Tem pessoas que nem falam de amor e sexo, mas roubam os outros,
defraudam, enganam. A moral deles é falsa, deveria ser tudo para todos. Nesta
época nem se tocava um no outro, muito menos em leproso (Mc 1,41) que
deveria ser afastado e excluído da sociedade. Era a lei, desta lei surge a lei do
puro e do impuro. A antropologia de Mary Douglas trata em estudos
importantes sobre o puro e o impuro nas sociedades antigas e modernas. O
próprio Jesus falava que não era o toque, o comer coisas que contaminava o
homem, mas o que contamina o outro é o que sai da boca, da língua como:
injuria, perjúrio, fala mal dos outros. Os poderosos usam deste artificio para
destruir os outros, mas o que ocorre é na realidade o medo que se tem de
perder o poder e a gloria; o que entra na boca do homem e o que sai do
homem vai para a latrina.

O que sai da boca do homem fede muito mais (Mc 7,19). O que sai vem
do coração, da maldade: o furto, o roubo, a fornicação, o homicídio e o
adultério, a avareza, a ganancia, a malicia. Estes males procedem de dentro do
homem e contamina o homem e a todos. E a inveja, esta sim mata, destrói,
aniquila os outros (Mc 7,20-23). Aqui está a separação entre o legal e o ilegal,
o puro e o impuro. Estas coisas e estas ações são mais prejudiciais que a lei, a
pureza, a impureza, o poder e a gloria.

Os poderosos podem falar, trair; podem tudo, inclusive infringir as leis.


Os poderosos conforme Rene Girard seguindo as pistas de S Freud chamou
isto de desejo mimético. O que é o desejo? O que é a mimeses? É querer ser
iguala aos outros, e isto provoca a inveja e o ciúme. Senão conseguir ser igual
aos outros a tendência é de aniquilar os outros o desejo é não ter um
concorrente ou que seja melhor que ele.

O poderoso tem que ser melhor que todos, ou quer ser melhor que os
outros, por isso se cerca de bajuladores, e de incompetentes. Enquanto isto
tendo alguém para bajular e dedurar ele está bem, senão ele vai eliminando um
por um. Os puros jamais serão bajuladores, nem seguidores dos poderosos
incompetentes. Eliminar aqui é rebaixar os que já estão embaixo.

DISTINÇÃO ENTRE PODER E SEM PODER, FARISEU E


PUBLICANO, SANTO E PECADOR.
Tanto um como o outro são iguais (Lc 18,9-14). O publicano era a favor
do status quo, do regime, o fariseu a favor dos religiosos e santos; um vivia do
dinheiro dos outros tirava dinheiro dos outros, e beneficiava os romanos. De
quem é a Honra: dai a Cesar o que de Cesar. O comercio está aí, pode3rosos
usam os cargos para se beneficiarem e para roubarem. Os fariseus
condenavam tudo. O poderoso ao mesmo tempo é fariseu e publicano. Fariseu
por que usa o poder social, politico e econômico da mesma forma, publicano
por que usa o cargo em beneficio próprio (Mt 22,21). Os cargos são
distribuídos entre fariseus, publicanos e pecadores, ladrões, etc. as divisões
politicas estão aí, as divisões religiosas estão também; as raças que se acham
melhor do que as outras.

Jo 4,7 proibia um judeu falar com um samaritano, hoje vemos nazistas


em todas as esferas do poder, estes ainda não acabaram: nos serviços
públicos, na politica, na religião, nas universidades, todos querem seu pode e
gloria, na realidade o poderosos é um fraco, um que é diretor, reitor,
coordenador e se acha um sacerdote puro e santo; e todos tem que fazer um
ritual para falar com eles (Lc 10,29-37). Jesus fala que um publicano, um
fariseu, um pecador, ou um santo são todos iguais perante, como é uma
prostituta que entrarão primeiro que eles no reino dos céus (Mt 21,31).

Os poderosos distinguem os bajuladores dos que não bajulam. Eles são


zelosos das leis dos poderosos. Os perfeitos são os que bajulam, e os
imperfeitos os que não. Os poderosos fazem distinção politica e quem fz
distinção politica, fazem distinção racial. Os poderosos precisam de grupelhos.
Uso esta expressão grupelho por que não são nada sem os poderosos, são
papagaios de piratas, vaquinhas de presépio. Os poderosos também não são
nada sem eles, e poderosos tem que eliminar os que não bajulam.

Não há santo nem pecador, nem fariseu nem publicano se não ter o
poderoso. Quem faz o poderoso e esta distinção é o poder, o poder defeca
sobre os outros, o poder é o mal do século. O poder deturpa tudo, o poder
corrói, a avareza do poder é tudo. Na ideologia do poder o que fazem é o
correto e o que os outros fazem é errado, porque abala sem querer o poder dos
poderosos. A ideologia do poder é destruir todos os que atravessam em seu
caminho, destruir todos os que afetem o seu poder, são como tratores que
passam por cima de todos e de tudo, até matam; eles não têm limites quando
estão no poder. Podem olhar os poderosos sempre estão sendo seguidos por
alguém, por que eles olham de cima e por cima, e sem eles não sobrevivem.

SUBVERSÃO DA ORDEM E DA LEI DOS PODEROSOS.

As normas estabelecidas é uma coisa. Mas a ordem e a lei de Deus


subvertem todas estas logicas. O que é estabelecido pelo homem é como um
edifício que ruirá, ele foi construído no poder arenoso de uma lei da avareza e
do orgulho. A sua autoridade será desfeita (Mc 1,22), quando a lei estabelecida
o poderoso subverte a lei e a própria lei para estabelecer outra lei para se
mantiver no poder. Jesus disse certa vez: ouviste o que foi dito aos antigos, eu,
porém vos digo. Estes poderosos se acham como deuses e acima da lei, eles
têm o poder para tudo, mas um dia acabará (Mt 5,21-22. 27-28. 31-32. 33-34.
38-39. 43-44).

Onde nasce a segurança dos poderosos? De o seu próprio poder? Da


sua própria lei? Eles ditam regras e normas, comportamentos humanos. Mas
alguém diz: eu sou o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vai ao pai senão
por mim. Estes poderosos um dia irão ser derrotados por aquilo que eles
mesmos construíram, o bem se paga com o mal e vice versa, eles serão
destruídos pelo seu próprio veneno.

REFERENCIAS