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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

José Luiz Miranda, é natural do Rio de Janeiro-RJ, Graduado-se em Ciências Econômicas pela Universidade Católica
de Goiás (1986). É Mestre em Desenvolvimento Regional com ênfase em Políticas Públicas (2009), sendo ainda
especialista em Análise de Investimento (PUC Goiás -1992), Gestão em Serviços (FGV - 1996), Gestão Empresarial (
PUC Goiás/FGV - 2002), Docência do Ensino Superior(Faculdade Alves Faria – 2006). Possui qualificações
complementares em Project Finance (FGV/ BNDES – 1998) e Gerenciamento Estratégico (AMANA-KEY São Paulo-
1997 e 1998). É Gerente Aposentado da Caixa Econômica Federal onde atuou em diversas atividades estratégicas
junto ao Governo Federal, notadamente em projetos relacionados à Reestruturação da Dívida Pública da União
(1994 a 2001) e à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional - PROER (1995/1996) ambos decorrentes da
implantação do Plano de Estabilização Monetária (Plano Real). É membro da Comissão de Desenvolvimento do
Conselho Regional de Economia e filiado à Associação de Profissionais do Mercado de Capitais – APIMEC. É
Professor Titular da Faculdade ALFA desde o ano de 2003 lecionando disciplinas de Economia para Jornalismo,
Economia para Direito, Matemática Financeira, Mercado de Capitais, Análise de Projetos de Investimento e
Estatística Econômica para cursos de graduação e pós-graduação.

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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO

2. SISTEMA FINANCEIRO 9

3. CONCEITO DE INTERMEDIAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS 13

4. REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS 16

4.1 Conceitos básicos associados às operações financeiras 18

5. REGIMES DE CAPITALIZAÇÃO 19

5.1 Regime de Capitalização Simples 19

5.2 Regime de Capitalização Composta 20

EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO 21

6. REGIMES DE DESCONTO OU DE DESCAPITALIZAÇÃO 22

6.1 Regime de Desconto Simples 22

6.2 Regime de Desconto Composto 23

EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO 24

7. MODALIDADES DE TAXAS DE JUROS 25

7.1Taxa de Juro Nominal 26

7.2 Taxa de Juro Proporcional 26

7.3 Taxa de Juro Efetiva 26

7.4 Taxa de Juro Equivalente 27

7.5 Taxa de Juro Real 27

EXERCÍCIO PARA FIXAÇÃO 28

8. DESÁGIO – UMA VARIAÇÃO DO REGIME DE DESCONTO 29

EXERCÍCIO PARA FIXAÇÃO 30

EXERCÍCIOS PARA RESOLUÇÃO 31

9. PLANOS DE FINANCIAMENTO 34

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9.1 Tabela-Price – Operação de financiamento sem prazo de carência 38

9.2 Sistema SAC – Operação de financiamento sem prazo de carência 41

9.3 Tabela-Price – Operação de financiamento com prazo de carência e pagamento de juros 44

9.4 Tabela-Price – Operação de financiamento com prazo de carência sem pagamento de juros 45

9.5 Sistema SAC – Operação de financiamento com prazo de carência e pagamento de juros 46

9.6 Sistema SAC – Operação de financiamento com prazo de carência sem pagamento de juros 47

9,7 Plano de Financiamento – Apuração do saldo da dívida em qualquer momento 48

9.7.1 Apuração do saldo da dívida na Tabela Price 49

9.7.2 Apuração do saldo da dívida no Sistema SAC 50

EXERCÍCIOS PARA RESOLUÇÃO 51

10. CONSIDERAÇÕES SOBRE O MÉTODO “PRO-RATA” 54

11. CONCEITO DE INVESTIMENTO 56

12. MÉTODOS PARA ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DE PROJETOS DE INVESTIMENTO 63

12.1 Período de Recuperação de Capital (PAY-BACK) 64

12.2 Valor Presente Líquido (NPV) 66

12.3 Taxa Interna de Retorno (TIR) 69

EXERCÍCIOS PARA RESOLUÇÃO 70

13. CONCEITO DE PROBABILIDADE E DA CURVA DE DISTRIBUIÇÃO NORMAL 78

13.1 Aplicação da Curva de Distribuição Normal na determinação da probabilidade 80

14. AVALIAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA DE PROJETOS SOB CONDIÇÕES DE RISCO 88

14.1 Conceito e aplicação da Análise de Sensibilidade 93

EXERCÍCIOS PARA RESOLUÇÃO 100

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 103

ANEXO I – TABELA DA CURVA DE DISTRIBUIÇÃO NORMAL 104

ANEXO II- UTILIZAÇÃO DE FUNÇÕES BÁSICAS DA CALCULADORA HP 12-C 105

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INTRODUÇÃO

No contexto das relações contemporâneas não se pode ignorar a importância de se conhecer os


princípios básicos da Ciência das Finanças como um dos principais instrumentos de apoio ao processo de
tomada de decisão. Mesmo um indivíduo que eventualmente faça a opção por viver uma vida sem
regalias, que tenha limitados objetivos financeiros ou que não pretenda angariar grandes riquezas
materiais, a presença do dinheiro em suas diversas manifestações far-se-á presente em seu cotidiano.

No campo empresarial ou corporativo essa premissa se torna mais relevante no momento em que
profissionais deparam-se com um cenário altamente dinâmico em que as mudanças de mercado e
regulamentos legais induzem-lhes a rever as suas estratégias no sentido de obter recursos financeiros a
custos mais atrativos com o objetivo de obter maior rentabilidade para as suas decisões de
financiamento e de investimentos. Isto lhes exige o acesso a informações corretas e relevantes, tanto de
origem interna como de origem externa e, preferencialmente, embasadas em dados históricos
consistentes para proporcionar uma visão temporal do comportamento das variáveis e as suas diversas
combinações. Com segurança é possível se afirmar que, mesmo havendo conceitos divergentes, as
finanças se constituem em um dos principais elementos indutores das relações contemporâneas.
Para tanto, qualquer profissional deve compreender o ambiente em que atua incluindo neste o
Estado e as suas múltiplas entidades reguladoras, as instituições financeiras, os mercados do sistema
financeiro, bem como as regulamentações governamentais e as políticas adotadas de modo a poder
monitorar os acontecimentos, antecipar mudanças e avaliar os riscos inerentes às suas decisões.

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A estes preceitos acrescenta-se o fato de que, todos os países, em maior ou menor escala, têm
necessidade de crescer economicamente e, simultaneamente, criar as condições para que, mediante
uma gestão eficaz sob o ponto de vista social, político, jurídico e institucional, possa alcançar um
desenvolvimento econômico sustentado. Este se caracteriza como à extensão a toda a sociedade dos
benefícios gerados pelo crescimento econômico.
Para que se alcance o desenvolvimento econômico sustentado é necessário que, em conjunto com
o seu crescimento econômico, esse país tenha um equilíbrio das suas contas públicas (equilíbrio fiscal)
associado à aplicação de mecanismos que possibilitem um incremento da renda, do consumo, da
formação de poupança interna com estímulos à realização de investimentos públicos e privados em infra-
estrutura econômica e social possibilitando, assim, uma efetiva inclusão social.
Associada ao à formação de poupança surge o processo da intermediação de recursos financeiros
como um dos processos essenciais ao desenvolvimento econômico sustentado. A intermediação de
recursos financeiros se caracteriza como uma forma de aproximação dos detentores de poupança,
denominados de poupadores superavitários, daqueles que dispõem de poupança limitada, denominados
de poupadores deficitários.
Os poupadores deficitários são identificados como os empreendedores desejosos de realizar
investimentos ou custear as suas atividades rotineiras e os indivíduos desejosos de obter empréstimos
para a aquisição de bens e serviços. A estes se junta o governo para financiar o custeio das suas

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atividades, o que é denominado de financiamento da dívida pública e que provoca reflexos significativos
junto à sociedade.
O processo de intermediação de recursos financeiros, de forma geral, ocorre através do sistema
Financeiro, representado pelas diversas instituições financeiras que, no exercício de aproximar os
poupadores superavitários e deficitários, deve ser dotado de uma boa estabilidade das suas instituições
associada a uma efetiva regulação das suas atividades operacionais. Deve, portanto, transmitir
segurança, confiabilidade e credibilidade, notadamente em um cenário mundial de grandes
transformações sociais, políticas e econômicas que são capitaneadas por uma acentuada sofisticação
decorrente dos avanços da tecnologia da informação e do desenvolvimento das telecomunicações.
Para tanto, o Acordo da Basiléia, em suas diversas atualizações desde a sua criação, procura
estabelecer um marco regulatório em nível mundial ao definir um conjunto abrangente de princípios
essenciais para uma gestão salutar das instituições financeiras. Isto, sob a presença de uma supervisão
bancária eficaz, caracterizada como um monitoramento e adoção de ações preventivas, quando se
fizerem necessárias, visando à manutenção de um sistema econômico sólido e dinâmico.
Em direção à mesma preocupação com a estabilidade foram desenvolvidas as Normas
Internacionais de Contabilidade (International Accounting Standard - IAS em inglês), atualmente
conhecidas como normas IFRS (International Financial Reporting Standard), das quais o Brasil é
signatário, que se constituem em um conjunto de princípios a serem respeitados com o objetivo de
harmonizar as demonstrações financeiras e que são obrigatórias para todas empresas de capital aberto e
as de capital fechado de médio e grande portes que passam a ser exigidas pelas instituições financeiras
para concessão de crédito.
Este material foi concebido para ser utilizado como apoio para as aulas de disciplinas relacionadas
à temática financeira. Para a sua organização, o autor procurou incorporar algo da sua experiência
profissional, inicialmente como estudante da Academia da Força Aérea Brasileira, posteriormente como
Controlador de Tráfego Aéreo Radar no CINDACTA em Brasília, atividades nas quais a precisão de
cálculos era fundamental para o exercício da profissão, e, nos últimos 30 anos dedicando-se aos estudos
de assuntos de natureza econômica como Economista, Ex-Gerente da Caixa Econômica Federal, como
participante de projetos junto ao Governo Federal e também como membro da Associação Profissional
de Mercado de Capitais – APIMEC.

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Além destes, o exercício da atividade acadêmica em instituições de ensino tem sido um fator
importante ao permitir o debate e a troca de idéias com os participantes que são de extrema relevância
para o aprimoramento das suas idéias e conceitos.
No entanto, devido à característica resumida deste material, recomenda-se ao participante que
não se limite apenas ao conteúdo aqui expresso. Para tanto, é imprescindível consultas à bibliografia
referenciada, bem como a artigos publicados em jornais e revistas especializadas.
Sejam bem vindos ao mundo das finanças lembrando que, que o conhecimento ou Inteligência
Financeira não é um modismo, é sim uma grande necessidade para o ser humano.
Bom curso a todos!

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2. SISTEMA FINANCEIRO

Toda a economia necessita, para o seu funcionamento, de uma dinâmica denominada de


intermediação de recursos financeiros  Moedas e Títulos  que vai permitir uma interação entre as
funções desempenhadas pelos diversos agentes econômicos, tanto sob a ótica da produção como sob a
ótica do consumo. A intermediação de recursos financeiros ocorre através do sistema financeiro que
cumpre quatro funções básicas:
 Receber recursos financeiros dos agentes econômicos através de depósitos em contas correntes,
poupanças, aplicações financeiras e outras fontes legais objetivando criar reservas destinadas à
concessão de financiamentos e empréstimos.
 Prover recursos financeiros para o governo através da concessão de financiamentos
(financiamento da dívida pública)
 Prover de recursos financeiros aos agentes econômicos envolvidos na produção, através da
concessão de financiamentos, para que estes possam cumprir a sua missão de atuar de forma
eficaz no processo de geração de bens e serviços
 Prover de recursos financeiros, através de financiamentos e empréstimos aos agentes
econômicos envolvidos com o consumo para que estes possam adquirir bens e serviços visando
suprir as suas necessidades.
Para cumprir as suas quatro funções básicas e para executar o seu papel de intermediação de
recursos financeiros ou monetários, o Segmento Financeiro de um Sistema Econômico é subdividido
"quatro mercados" denominados de: Mercado Monetário, Mercado de Crédito, Mercado Cambial e
Mercado de Capitais. Cada um desses segmentos tem uma característica particular de atuação conforme
a seguinte descrição:

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 O Mercado Monetário  Caracteriza-se por ser um mercado onde são realizadas as operações
interbancárias de curto e curtíssimo prazo, onde o Governo executa a Política Monetária através
de instrumentos de controle e financia a Dívida Pública.

 O Mercado Cambial  Caracteriza-se por ser um mercado onde são realizadas a troca de
moedas de curso internacional abrangendo operações de turismo, recursos financeiro para a
exportação e para a importação. As operações são realizadas com base no câmbio flutuante,
onde a cotação acompanha o comportamento de mercado.

 O Mercado de Crédito  Caracteriza-se por ser um mercado onde são realizadas as operações
de caráter bancário onde as pessoas físicas e jurídicas movimentam seus recursos, saldam os seus
compromissos, depositam nas cadernetas de poupança, fazem aplicações financeiras, obtêm
financiamentos, empréstimos e créditos. Provavelmente é o mercado do Segmento Financeiro
mais visível pela sociedade em função da presença das agências em qualquer município do Brasil
 Caixa Econômica, banco do Brasil, Bradesco, Itaú, HSBC, entre outras instituições.

 O Mercado de Capitais  Caracteriza-se por ser um mercado onde são realizadas as operações
de distribuição e negociação de títulos e valores mobiliários, que têm perfil de longo prazo ou
perpétuo, que são emitidos pelas empresas de capital aberto e pelo próprio Governo. Nesse
mercado são realizadas a compra e a venda das ações das empresas com o estabelecimento de
cotações de preços pelas Bolsas de Valores

De forma acessória ao Segmento Financeiro ainda existem algumas instituições que atuam em
caráter complementar auxiliando Estado no sentido do acompanhamento de projetos, administração de
recursos de interesse social e na concessão de financiamentos especiais destinados aos Agentes
Econômicos Sociais. Essas instituições são denominadas de Agências Especiais de Fomento ou Entidades
Auxiliares podendo, algumas delas atuar normalmente em outras funções do sistema financeiro.
No Brasil são enquadradas como Agências Especiais de Fomento: O Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os
Fundos Setoriais de Financiamento.

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 Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES: atua na concessão de


financiamentos destinados ao fomento de investimentos destinados à infra-estrutura e projetos
de interesse social e estratégico para o País.
 O Banco do Brasil: Atua na concessão de financiamentos voltados ao fomento de investimentos
voltados ao setor agropecuário.
 A Caixa Econômica Federal: Atua na concessão de financiamentos voltados ao fomento de
investimentos voltados ao Setor de Construção Civil e ao acompanhamento de projetos
vinculados ao setor de desenvolvimento Urbano.
 Os Fundos Setoriais: Atuam na concessão de financiamentos para investimento de caráter
regional tais como o Fundo Constitucional do Centro Oeste, Fundo de Investimento da Amazônia,
entre outros.

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A atividade de regulação do Sistema Financeiro pelo Estado é realizada através de órgão do poder
executivo que assume a definição de Autoridades Monetárias, segundo disposições contidas na
Constituição Federal e na Lei 4595/64 que, apesar de ser anterior á promulgação da atual Constituição
continua em vigor. São Autoridades Monetárias no Brasil, os seguintes órgãos: O Conselho Monetário
Nacional – CNM, O Banco Central do Brasil – BACEN, a Comissão de Valores Mobiliários - CVM, a
Superintendência de Seguros Privados – SUSEP e a Secretaria de Previdência Complementar – PREVIC.

 O Conselho Monetário Nacional:  É o órgão máximo do Estado para o Sistema Financeiro


Nacional sendo responsável pela deliberação e fixação das diretrizes da política monetária,
política de crédito e política cambial.
 O Banco Central do Brasil  É o órgão responsável pela execução das normas regulamentares do
Sistema Financeiro Nacional no que tange à execução da Política Monetária. A política monetária
é caracterizada como controle do volume de recursos financeiros em circulação, pela autorização
para emissão de papel moeda. Ainda, através do Comitê de Política Monetária - COPOM, é
realizada a definição da taxa de juros básica para a Economia, que é denominada de Taxa SELIC.
Além dessas atribuições, o Banco central é órgão responsável pela fiscalização das instituições do
Sistema Financeiro Nacional no sentido de verificar o cumprimento das regras inerentes à
segurança, gestão e transparência das operações financeiras que são diariamente realizadas.
 A Comissão de Valores Mobiliários (CVM)  É o órgão responsável, juntamente com o Banco
Central, pela fiscalização das entidades que atuam no Mercado de Capitais verificando o
cumprimento das regras inerentes à segurança, gestão e transparência das operações financeiras
realizadas com os Agentes Econômicos e Sociais que atuam nesse mercado.
 A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP)  É o órgão responsável pela fiscalização das
seguradoras e entidades que atuam com seguro a exemplo do Seguro de Vida, Seguro de
Acidentes Pessoais, Seguro automotivo, Seguro contra incêndio, etc.
 A Secretária da Previdência Complementar (PREVIC)  É o órgão responsável pela fiscalização
das empresas que atuam com a Previdência Privada Complementar que se caracteriza por ser um
tipo de operação que tem como objetivo complementar o valor da aposentadoria concedido pela
Previdência Pública- INSS.

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3. CONCEITO DE INTERMEDIAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS

A intermediação de recursos financeiros ou monetários tem adquirido nos últimos anos,


notadamente após o processo de internacionalização da Economia, um grau de sofisticação bem
acentuado na medida em que as relações entre os diversos Agentes Econômicos e Sociais têm se
tornado cada vez mais complexas e mais abrangentes na medida em ocorre a ampliação das transações
econômicas com inserção no processo da tecnologia da informação. Esse fato exige uma atuação mais
efetiva do Estado, sob a ótica do Direito Constitucional, Econômico e Financeiro, no sentido de uma ação
reguladora com o intuito de manter um equilíbrio imprescindível em todo o Segmento Financeiro, isto
por uma questão de credibilidade institucional e para evitar crises financeiras acentuadas.
A intermediação de recursos financeiros que ocorre, de forma geral, no Segmento Financeiro de
um Sistema Econômico, é um processo essencial ao desenvolvimento econômico sustentado. A
intermediação de recursos financeiros se caracteriza como uma forma de aproximação dos detentores
de poupança (poupadores superavitários) daqueles que dispõem de poupança limitada (poupadores
deficitários), sendo estes últimos identificados como os empreendedores desejosos de realizar
investimentos, aqueles desejosos de obter empréstimos para a aquisição de bens e serviços ou para
custeio da suas atividades.
Nesse processo de intermediação de recursos financeiros, considerando que o bem transacionado
é o dinheiro, tem como indutor um elemento, que é denominado juros, representando o preço que é
cobrado ou que é pago pelo dinheiro constituindo-se, pois, remuneração do capital.
Os poupadores superavitários, que podem ser Agentes do Setor Público ou do Setor Privado, são
aqueles que depositam os seus recursos no Segmento Financeiro sendo caracterizados como aplicadores
de recursos financeiros, podendo receber ou não uma remuneração (juros) da instituição financeira
receptora.
Os poupadores deficitários, que da mesma forma podem ser Agentes do Setor Público ou Privado,
são aqueles que buscam o Segmento Financeiro no sentido de obter recursos para investimentos, para a
aquisição de bens e serviços ou para custeio da suas atividades sendo caracterizados como tomadores
de recursos, sujeitando-se ao pagamento de uma remuneração (juros) junto à instituição financeira.

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Nesse aspecto é importante ressaltar que, a remuneração monetária (juros) quando paga aos
poupadores superavitários – aplicadores de recursos - é inferior à remuneração (juros) cobrada dos
poupadores deficitários – tomadores de recursos.
A diferença entre a remuneração que uma instituição do Segmento Financeiro cobra dos seus
tomadores de recursos e a remuneração que essa mesma instituição do Segmento Financeiro paga aos
seus aplicadores de recursos recebe a denominação de Spread Bancário, que se constitui na receita
líquida da instituição. É importante ressaltar que a receita líquida da instituição não se constitui o seu
lucro de forma efetiva, pois, este, para a sua obtenção, está sujeito a uma série de outras variáveis,
dentre as quais a atuação do Governo no exercício da atividade de regulação.
Outro detalhe significativo é que o Governo, enquanto tomador de recursos junto às instituições
do Segmento Financeiro estabelece um parâmetro máximo para o pagamento da remuneração a essas
instituições. Esse parâmetro máximo é denominado de Taxa SELIC-Taxa do Sistema de Liquidação e
Custódia de Títulos Públicos.
A Taxa SELIC, que é definida e divulgada mensalmente pelo Comitê de Política Monetária –
COPOM, órgão vinculado ao Banco Central do Brasil, remuneração máxima que é paga pelo Governo na
negociação dos seus títulos, constituindo-se, assim, a Taxa Básica da Economia, ou seja, aquela que vai
servir de referência para realização das demais operações envolvendo a intermediação de recursos
financeiros. Os diagramas que se seguem apresentam a representação básica de um processo de
intermediação de recursos financeiros e um exemplo básico de spread bancário.

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4. REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS


É um instrumento fundamental para o entendimento de toda e qualquer operação financeira,
desde aquelas mais simples até aquelas que são dotadas de um grau de complexidade e sofisticação
comuns ao sistema financeiro. Esse instrumento permite que se tenha a visualização das operações
financeiras permitindo, assim, melhor compreensão acerca do comportamento de um determinado
fenômeno. A seguir são apresentadas representações gráficas referentes a alguns tipos de operações
financeiras com o objetivo de introduzir o aluno no estimulante e desafiador mundo das finanças.

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4.1 Conceitos básicos associados às operações financeiras

Capital ou Principal (P)

 Representa o valor base de qualquer operação financeira, tanto no ponto de vista do credor como
no ponto de vista do devedor.

Juros (J)

 Representa a remuneração do principal ou do capital

Taxa de Juros (i)

 Representa a referência para a remuneração do Principal ou do Capital. Em outras palavras é o


preço do dinheiro que, juntamente com outros elementos, é referenciado pela lei da oferta e da
procura.

Capitalização

 É o processo pelo qual se realiza a remuneração do capital

Montante (F)

 Representa o somatório do Principal ou do Capital mais os Juros.

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5. REGIMES DE CAPITALIZAÇÃO

É um tipo de operação pela qual se determina o montante relacionado a uma operação financeira
obedecendo ao Regime de Capitalização Simples e ao Regime de Capitalização Composta.

5.1 Regime de Capitalização Simples

Caracteriza-se pelo processo em que, a cada período, os juros são calculados a partir da incidência
da Taxa de Juros sobre o principal ou capital inicial. Obedece ao princípio da Progressão Aritmética.
No Regime de Capitalização Simples os Juros e o Montante a cada período é calculado aplicando-se
as seguintes expressões:

Exemplo: Desenvolver planilha para a seguinte operação


Principal: R$ 1.000,00; Taxa de juros de 1,0% a.p; Prazo: 10 períodos; Regime de Capitalização Simples

Período (n) Principal (P) Juros (J) Juros Acumulados Montante (F)
0 1.000,00 0,00 0,00 1.000,00
1 1.000,00 10,00 10,00 1.010,00
2 1.000,00 10,00 20,00 1.020,00
3 1.000,00 10,00 30,00 1.030,00
4 1.000,00 10,00 40,00 1.040,00
5 1.000,00 10,00 50,00 1.050,00
6 1.000,00 10,00 60,00 1.060,00
7 1.000,00 10,00 70,00 1.070,00
8 1.000,00 10,00 80,00 1.080,00
9 1.000,00 10,00 90,00 1.090,00
10 1.000,00 10,00 100,00 1.100,00

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5.2 Regime de Capitalização Composta

Caracteriza-se pelo processo em que, a cada período, os juros são calculados a partir da incidência
da Taxa de Juros sobre o montante. Obedece ao princípio da Progressão Geométrica.
No Regime de Capitalização Composta os Juros e o Montante a cada período é calculado
aplicando-se as seguintes expressões:

Exemplo: Desenvolver planilha para a seguinte operação


Principal: R$ 1.000,00; Taxa de juros de 1,0% a.p; Prazo: 10 períodos; Regime de Capitalização Composta

Período (n) Principal (P) Juros (J) Juros Acumulados Montante (F)
0 1.000,00 0,00 0,00 1.000,00
1 1.000,00 10,00 10,00 1.010,00
2 1.000,00 10,10 20,10 1.020,10
3 1.000,00 10,20 30,30 1.030,30
4 1.000,00 10,30 40,60 1.040,60
5 1.000,00 10,41 51,01 1.051,01
6 1.000,00 10,51 61,52 1.061,52
7 1.000,00 10,62 72,14 1.072,14
8 1.000,00 10,72 82,86 1.082,86
9 1.000,00 10,83 93,69 1.093,69
10 1.000,00 10,94 104,62 1.104,62

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EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO


Desenvolva uma planilha financeira de acordo com a estrutura a seguir apresentada pelo Regime de
Juros Simples e pelo Regime de Juros Compostos para seguinte operação: Valor da Aplicação: R$
15.000,00; Taxa de Juros: 15% ao ano Prazo 9 meses, capitalização mensal

Em ambos os regimes determine o montante da dívida e os juros acumulados ao final do 3º mês e do


6º mês.

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6. REGIME DE DESCONTO OU DE DESCAPITALIZAÇÃO

É um tipo de operação pela qual se determina um valor reduzido a cada período caracterizando-se
como o inverso da capitalização. É um tipo de operação que tem acentuada aplicação em operações
financeiras, comerciais e na análise da viabilidade econômico-financeira de projetos de investimento.
Recebe também a denominação de deságio obedecendo ao Regime de Desconto Simples e ao Regime de
Desconto Composto.

6.1 Regime de Desconto Simples

Caracteriza-se pelo processo em que, a cada período, o desconto é calculado a partir da incidência
da Taxa de Desconto sobre o principal obedecendo ao princípio aritmético. Para Tanto são aplicadas as
seguintes expressões.

VALOR DESCONTADO

Exemplo: Desenvolver planilha para seguinte operação


Principal: R$ 1.000,00; Montante Final: R$ 1.100,00 Taxa de Desconto: 1,0% a.p; Prazo: 10 períodos;
Regime de Desconto Simples

Período de desconto Principal (P) Montante Final (F) Desconto Valor Descontado
0 1.000,00 1.100,00 0,00 1.100,00
1 1.000,00 1.100,00 10,00 1.090,00
2 1.000,00 1.100,00 20,00 1.080,00
3 1.000,00 1.100,00 30,00 1.070,00
4 1.000,00 1.100,00 40,00 1.060,00
5 1.000,00 1.100,00 50,00 1.050,00
6 1.000,00 1.100,00 60,00 1.040,00
7 1.000,00 1.100,00 70,00 1.030,00
8 1.000,00 1.100,00 80,00 1.020,00
9 1.000,00 1.100,00 90,00 1.010,00
10 1.000,00 1.100,00 100,00 1.000,00

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6.2 Regime de Desconto Composto

Caracteriza-se pelo processo em que, a cada período, o desconto é calculado a partir da incidência
da Taxa de Desconto sobre o montante obedecendo ao princípio geométrico. Para Tanto são aplicadas
as seguintes expressões.

Exemplo: Desenvolver planilha para seguinte operação


Principal: R$ 1.000,00; Montante Final: R$ 1.104,62 Taxa de Desconto: 1,0% a.p; Prazo: 10 períodos;
Regime de Desconto Composto

Período de desconto Principal (P) Montante Final (F) Desconto Valor Descontado
0 1.000,00 1.104,62 0,00 1.104,62
1 1.000,00 1.104,62 10,94 1.093,68
2 1.000,00 1.104,62 21,77 1.082,85
3 1.000,00 1.104,62 32,49 1.072,13
4 1.000,00 1.104,62 43,10 1.061,52
5 1.000,00 1.104,62 53,61 1.051,01
6 1.000,00 1.104,62 64,02 1.040,60
7 1.000,00 1.104,62 74,32 1.030,30
8 1.000,00 1.104,62 84,52 1.020,10
9 1.000,00 1.104,62 94,62 1.010,00
10 1.000,00 1.104,62 104,62 1.000,00

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EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO


Desenvolva uma planilha financeira de acordo com a estrutura a seguir apresentada pelo Regime de
Desconto Simples e pelo regime de Regime de Desconto Composto para seguinte operação: Valor do
Principal : R$ 20.000,00; Taxa de Desconto: 8% ao ano Prazo 9 meses.

Em ambos os regimes determine o Valor Descontado para o 4º e 8º período de desconto.

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7. MODALIDADES DE TAXAS DE JUROS


As Taxas de Juros são freqüentemente expressas em períodos de referência (ano, mês, dia)
diferentes dos períodos de capitalização. Para essas situações devem ser realizados ajustes preliminares
no sentido de se buscar a compatibilização de períodos.
Se, por exemplo, a taxa de 12% a.a servir de referência para a realização de uma operação em que
a capitalização foi definida for mensal, a taxa de 12% a.a deve ser ajustada para a taxa mensal de 1%
a.m, pois, durante o ano, ocorrerão 12 capitalizações.
Outro exemplo, se taxa de 6% a.t servir de referência para uma operação em que a capitalização
foi definida como mensal, a taxa de 6% a.t deve ser ajustada para a taxa mensal de 2% a.m, pois, no
trimestre ocorrerão 3 capitalizações.
A partir desse processo de ajuste é desenvolvido um novo conceito denominado de modalidades
de taxas de juros que se caracteriza por fornecer parâmetros financeiros e legais que possibilitam a
realização de conversões que permite se verificar claramente o fluxo de capitalização existente em cada
operação financeira. Considerando esse princípio as principais modalidades são: Taxa de Juro Nominal;
Taxa de Juro Proporcional; Taxa de Juro Efetiva; Taxa de Juro Equivalente e Taxa de Juro Real.

7.1 Taxa de Juro Nominal

A Taxa de Juro Nominal se caracteriza nas situações em que o seu período de referência é
diferente daquele estabelecido para capitalização da operação financeira.
Exemplos:
Taxa de 12 % ao ano com capitalização mensal. A taxa de 12 % ao ano é uma taxa nominal.
Taxa de 15% ao ano com capitalização semestral. A taxa de 15% ao ano é uma taxa nominal.
Taxa de 8% ao semestre com capitalização bimestral. A taxa de 8% ao semestre é uma taxa
nominal.
Taxa de 5 % ao mês com capitalização diária. A taxa de 5 % ao mês é uma taxa nominal.

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7.2 Taxa de Juro Proporcional

A Taxa de Juro Proporcional se caracteriza por ser transitória e servir de ajuste para um
determinado período de capitalização.
Exemplos
A Taxa Nominal de 12% ao ano quando ajustada para uma capitalização mensal gera uma taxa
proporcional mensal de 1% ao mês, ou seja:

12%a.a.
 1%a.m
12meses

A Taxa Nominal de 15% ao mês quando ajustada para uma capitalização diária gera uma taxa
proporcional diária de 0,50% ao dia, ou seja:

15%a.m.
 0,50%a.d
30dias

7.3 Taxa de Juro Efetiva


A Taxa de Juro Efetiva, como o seu próprio nome indica, é aquela que é efetivamente aplicada a
uma operação financeira em razão da periodicidade de capitalização definida estando correlacionada ao
regime de juros compostos.
Para se definir uma Taxa de Juro Efetiva, normalmente se parte de uma Taxa de Juro nominal
ajustada para o período de capitalização que está vinculado à operação financeira ou obrigação
contratual pactuada entre as partes. Nesse caso, é comum a presença de cláusulas contratuais que
mencionam a Taxa de Juro Nominal seguida da Taxa de Juro Efetiva relacionada à operação financeira.
Exemplo:
A Taxa Nominal de 12% ao ano com capitalização mensal corresponde a uma taxa efetiva de 12, 68250%
ao ano, ou seja:

12
 0,12 
1    1,01  1,126825  1,126825  1.100  12,6825%a.a
12

 12meses 

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Exemplo:
Taxa Nominal de 15% ao mês com capitalização diária corresponde a uma taxa efetiva de 16, 1400% ao
mês, ou seja:

30
 0,15 
1    1,005  1,161400  1,161400  1.100  16,14%a.m
30

 30dias 

7.4 Taxa de Juro Equivalente


Conceitualmente uma Taxa Equivalente é uma taxa efetiva correspondente a um período
intermediário de capitalização.

Exemplo

Considerando que 1 ano tem 4 trimestres, a Taxa Efetiva de 12,68250% ao ano corresponde a uma
Taxa Equivalente de 3,0301% ao trimestre, ou seja:

1
  12,68250   4

1      1,030301  1,030301  1.100  3,0301%a.t


  100  

Outra forma de se obter a Taxa Equivalente é capitalizando-se a Taxa Proporcional até o período
de equivalência.
Exemplo
Para determinar a Taxa Equivalente Trimestral para uma Taxa Nominal de 12% com capitalização
mensal, pode-se adotar o seguinte procedimento:
3
  0,12   1,030301  1,030301  1.100   3,0301 %a.t
1   
 12 

7.5 Taxa de Juro Real


A Taxa de Juro Real é aquela taxa resultante da incidência de um indexador inflacionário ou não
sobre uma operação financeira servindo de parâmetro para indicar se essa operação obteve uma
rentabilidade positiva, uma rentabilidade negativa ou uma rentabilidade indiferente frente a um cenário
econômico-financeiro.
Para tanto, o indexador utilizado deve ser dotado de confiabilidade e de consistência e ter uma
abrangência preferencialmente nacional. Atualmente, no Mercado Financeiro Brasileiro, os indexadores

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mais utilizados são o Índice Geral de Preços do Mercado Financeiro – IGP-M, divulgado pela Fundação
Getúlio Vargas, e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, divulgado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE, além da Taxa SELIC e Taxa CETIP.

Exemplo
Para determinar a Taxa Real relativa a uma Taxa Efetiva de 15% a.a considerando que a variação do
IGPM para o mesmo período foi de 7,3%.

EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO

1. Calcule a taxa proporcional trimestral e a taxa efetiva anual que corresponde à taxa equivalente de
17% ao trimestre.

1º Passo: Determinação da Taxa Efetiva Anual, considerando que o ano possui 4 trimestres:

 
4

TaxaEfetiva Anual   1 


17 
 - 1 . 100
 100  
TaxaEfetiva Anual  87,3887%

2º Passo: Determinação da Taxa Proporcional Mensal, considerando que o ano possui 12 meses:

 
1

Taxa Prop. Mensal   1 


87,3887  12

 - 1 . 100
 100  
Taxa Prop. Mensal  5,3728%

3º Passo: Determinação da Taxa Proporcional trimestral, considerando que o trimestre possui 3 meses:

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8. DESÁGIO – UMA VARIAÇÃO DO REGIME DE DESCONTO


O deságio é um instrumento utilizado com freqüência em operações do mercado financeiro
notadamente em operações que envolvem transações com títulos públicos e privados.
Caracteriza-se como uma operação realizada em data anterior ao vencimento de um título
mediante uma antecipação de crédito, que corresponde ao Valor Descontado, que é inferior ao Valor de
Face de um título.
O valor da antecipação de crédito é determinado com base em uma taxa de juros, que é
denominada Taxa de Desconto ou Taxa de Deságio, calculada no Regime de Desconto Simples.

Assim, nesse tipo de operação, o desconto será representado pela diferença entre o Valor de Face
do título e o Valor da antecipação (Valor Descontado) que é obtido de acordo com a seguinte expressão:

Acrescenta-se que os impostos e taxas de serviços bancários, quando se fizerem presentes,, devem
ser deduzidos do Valor descontado, resultando, assim, em um Valor Descontado Líquido, que será o
Valor Descontado menos os impostos mais taxas de serviços bancários.
Muito embora a operação seja realizada inicialmente pelo Regime de Juros Simples, a sua
rentabilidade efetiva, no ponto de vista do credor, ou custo efetivo, no ponto de vista do devedor, é
parametrizada com base no Regime de Juros Compostos.
O quociente da divisão do Valor de Face do título pelo Valor Descontado resulta em um coeficiente
ou fator representa a rentabilidade efetiva ou custo efetivo correspondente ao período da operação,
elemento que pode ser transformado para a forma percentual.

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Em algumas situações, a rentabilidade efetiva ou custo efetivo pode ser apurado em um período
inferior àquele correspondente ao período da operação. Nesse caso, a rentabilidade efetiva ou custo
efetivo, que segue a mesma filosofia da determinação da Taxa Equivalente, sendo obtida de acordo com
a seguinte expressão:

EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO

Qual o valor do desconto e o valor da antecipação de crédito referente a um título de R$ 2.000,00 com
vencimento para daqui a 93 dias à taxa nominal de 5% ao mês que é negociado por uma empresa junto
a uma instituição financeira com finalidade de obter receita imediata para capital de giro. Determine o
custo efetivo mensal, em termos percentuais, para a empresa considerando que não houve, na
operação, a incidência de impostos e taxa de serviços bancários.
1º Passo: Determinação do Desconto Comercial:

2º Passo: Determinação do Valor da Antecipação:

3º Passo: Determinação do Custo Efetivo Mensal para a empresa em termos percentuais:

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EXERCÍCIOS PARA RESOLUÇÃO

1. O Sr. Paulo Guilherme aplicou R$ 8.000,00 por 180 dias obtendo no período um rendimento de R$
1.440,00, com capitalização pelo Regime de Juros Simples. Com base nesses dados pede-se
determinar a taxa mensal de juros correspondente à aplicação. (R: 3% ao mês)

2. Calcular os rendimentos referentes a um capital de $ 1.500,00, aplicado em 5 anos, à taxa de 27%


a.a. com capitalização anual pelo Regime de Juros Simples. (R: $ 2.025,00).

3. Calcular o capital necessário para que em 18 meses, à taxa de juros de 18% ao ano, obtenha-se um
rendimento de $ 1.620,00, com capitalização anual pelo Regime de Juros Simples.(R: $ 6.000,00).

4. Qual a taxa de juros mensal que, aplicada sobre um capital de $ 20.000,00 durante 75 dias com
capitalização mensal no Regime de Juros Simples, produz um rendimento de $ 2.160,00? (R: 4,32%
ao mês)

5. Em que prazo um empréstimo de $ 3.500,00, à taxa de juros de 13,5% ao ano, rende $ 1.417,50,
com capitalização anual pelo Regime de Juros Simples? (R: 3 anos)

6. Que montante receberá um aplicador que tenha investido $ 2.200,00, após 58 dias, à taxa de juros
de 9,7% ao mês, com capitalização diária pelo Regime de Juros Simples? (R: $ 2.612,57)

7. Sabendo-se que uma dívida de $ 17.800,00 será quitada daqui a 45 dias por $ 19.135,00, calcular a
taxa mensal, com capitalização mensal pelo Regime de Juros Simples. (R: 5 % ao mês)

8. Se uma aplicação de $ 2.500,00 é realizada com capitalização semestral no Regime de Juros


Simples à taxa de 12 % ao semestre, em que prazo se transformará em $ 4.000,00? (R: 6
semestres)

9. Qual é a quantia que, após 56 dias, rendeu $ 2.520,00 à taxa de juros de 9 % ao mês, com
capitalização diária pelo Regime de Juros Simples? (R: $ 15.000,00).

10. Em que prazo um capital de $ 3.780,00 transforma-se em $ 4.347,00, a uma taxa de juros de 5%
ao mês, com capitalização mensal pelo Regime de Juros Simples? (R: 3 meses).
11. Na reunião do Comitê de Política Monetária - COPOM, realizada em 17 Nov 2010, foi estabelecida
a Taxa Básica da Economia ou Taxa SELIC de 16,5% ao ano. Nessas condições qual a Taxa

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Proporcional Mensal e Taxa Proporcional Diária. (R: Respectivamente 1,3750% ao mês e 0,0458%
ao dia).

12. Calcule a taxa proporcional semestral e a taxa efetiva anual que corresponde à taxa nominal de
15% ao ano com capitalização semestral. (R: Respectivamente 7,5% ao semestre e 15,56% ao ano).

13. Qual a taxa juros bimestral que é equivalente a uma taxa efetiva de 42% ao semestre? (R: 12 39% ao
bimestre).
14. Uma loja de departamentos oferece um vestuário para venda no valor de $180,00. Como
condições para pagamento a loja oferece como alternativas de pagamento ao cliente um desconto
de 15% para pagamento à vista ou, alternativamente, pagamento a prazo em 3 parcelas iguais sem
juros e sem entrada com vencimento em 30, 60 e 90 dias ou, como mais uma alternativa, 3
parcelas iguais sem juros com uma entrada mais duas parcelas com vencimento em 30 e 60
dias.Nessas condições pede-se determinar a Taxa Efetiva mensal cobrada em cada uma das
condições para pagamento a prazo. (R: Respectivamente 5,5667% ao mês e 8,4665% ao mês)

15. Um empresário realizou uma operação de desconto de um conjunto de duplicatas no valor total de
$ 9.780,00, 68 dias antes do vencimento. Sabendo-se que a uma instituição financeira adota uma
taxa de desconto de 11,8% ao mês, determine a taxa efetiva correspondente ao período de
desconto e a taxa efetiva (equivalente) mensal da operação. (R: Respectivamente 36,51% no
período e 14,72% ao mês).

16. Uma instituição financeira adquiriu um lote de Letras Financeiras do Tesouro - LFT no valor
nominal de $ 11.600,00 com um prazo de 39 dias e a uma taxa de desconto de 16% ao ano.
Calcular o preço de aquisição do lote, a taxa efetiva do período e a taxa efetiva (equivalente)
mensal da operação. (R: Respectivamente $ 11.398,93 e 1,7639% no período 1,3541% ao mês)

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17. Uma duplicata no valor de $ 2.380,00 é descontada junto a uma instituição financeira 3 meses
antes de seu vencimento. Sabendo-se que a taxa de desconto é de 11,4% ao mês pede-se
determinar o valor do desconto; b) o valor descontado; c) a taxa efetiva mensal (equivalente) da
operação. (R: Respectivamente $ 813,96; $ 1.566,04; 14,97% ao mês).

18. Uma instituição financeira realiza um crédito para uma empresa no valor $ 500.000,00 referente
ao desconto de uma duplicata. Sabendo-se que o prazo da operação foi de 87 dias e a taxa efetiva
de 8 % ao mês, pede-se determinar o valor do título, o valor do desconto e taxa mensal de
desconto.(R: Respectivamente $ 399.982,62; $ 100.017,38; 6,8978% ao mês).

19. Determinar o Valor Nominal ou Valor de Face de um título com prazo de vencimento para daqui a
120 dias, o qual foi descontado a uma taxa de 24% ao ano, proporcionando um crédito de
correspondente a 400.000,00. (R: Valor Nominal de $ 434.782,60)

20. Um C-BOND para vencimento em 15 Dez 2004 com valor de face de U$ 100,00 foi negociada em 26
Jan 2004, a U$ 93,00. Nessas condições pergunta-se qual a Taxa Efetiva da operação e a taxa
efetiva anual da operação. (R: 7,52% no período e 8,52 % ao ano)

21. O Sr. João Cândido realizou uma aplicação financeira de $ 100.000,00 junto a uma instituição
financeira com prazo de resgate de 6 meses sendo que, no momento da contratação, foi pactuada
uma taxa de juros nominal pré-fixada de 18% ao ano com capitalização mensal pelo regime de
juros compostos. Durante o mesmo período, ou seja, 6 meses, o índice Geral de Preços do
Mercado Financeiro – IGP-M, medido pela Fundação Getúlio Vargas, apresentou uma variação
acumulada de 5,04%. Nessas condições, pede-se determinar o Valor de Resgate da aplicação, a
Taxa Efetiva do período, a Taxa Real do período e a Taxa Efetiva Anual da operação. (R:
Respectivamente $ 107.475,46; 7,4754% no período; 2,3186% no período e 15,50975 ao ano.)

22. O IGP-M da Fundação Getúlio Vargas tem uma estimativa de variação acumulada para JAN a JUL
2004 correspondente a 6,15%. A partir dessa informação determine taxa real correspondente às
seguintes taxas efetivas de operações com apuração para o mesmo período. a) 15,87% b) 12,33%
c) 6,87%. (R: Respectivamente 9, 1569%, 5, 8220% e 0,6782%).

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9. PLANOS DE FINANCIAMENTO

Imagine uma operação financeira representada por um financiamento de $ 1.200,00 no prazo de 5


meses à taxa de juros de 5% ao mês. Se, no ponto de vista do devedor, essa operação for realizada para
pagamento em uma única parcela ao final do prazo, esta operação terá a seguinte evolução financeira
com a respectiva representação gráfica:

Mês Principal Prestação Juros Juros Acum Saldo


0 1.200,00 0,00 0,00 0,00 1.200,00
1 1.200,00 0,00 60,00 60,00 1.260,00
2 1.200,00 0,00 63,00 123,00 1.323,00
3 1.200,00 0,00 66,15 189,15 1.389,15
4 1.200,00 0,00 69,46 258,61 1.458,61
5 1.200,00 0,00 72,93 331,54 1.531,54

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Todavia, essa mesma operação pode ser realizada de uma outra forma, na qual o pagamento não é
realizado apenas de uma única vez ao final do período e sim, de forma gradativa e parcelada em que, a
cada período, vai ocorrendo uma redução gradativa da dívida.

Essa outra forma de pagamento pressupõe que ao processo sejam incorporados, além do
elemento juros, outros elementos que são denominados respectivamente de prestação, parcela de
amortização e saldo devedor.

A prestação, que recebe a notação de “PMT”, representa o valor do pagamento periódico da dívida
sendo composta por uma parcela denominada de amortização e outra parcela denominada de juros.
Na prestação, a parcela de juros tem a função de remunerar o principal da dívida enquanto, a
parcela de amortização, tem a função de reduzir gradativamente a dívida até o final do período definidos
contratualmente entre as partes.
O saldo devedor reflete o efeito da amortização sobre a dívida, sendo também conhecido como a
dívida amortizada o Valor Atual das Prestações Vincendas (VA).
Quando uma operação é realizada de forma parcelada através pagamentos e recebimentos
sucessivos se têm aquilo que é caracterizado como Planos de Financiamentos que, em alguns livros de
Finanças e de Matemática Financeira, recebe também a definição de anuidade.
Os Planos de Financiamento têm grande utilização nas operações financeiras tais como os
financiamentos habitacionais, os financiamentos concedidos pelo BNDES, os financiamentos concedidos
pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, os financiamentos para aquisição de bens e
serviços, entre outros.
Os diagramas apresentados a seguir representam graficamente o comportamento de um plano de
financiamento sob ponto de vista do devedor e sob ponto de vista credor:

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Dependendo da sua característica, do seu perfil e das condições contratuais, as operações


vinculadas a planos de financiamento podem ser realizadas sem prazo de carência e com prazo de
carência.
As operações sem prazo de carência são aquelas nas quais o vencimento da primeira prestação
ocorre, normalmente, 30 dias após a contratação quando, então, se inicia a fase de amortização da
dívida com redução gradativa do saldo devedor até o final do prazo contratado. Os diagramas acima
representam operações sem prazo de carência.
As operações com prazo de carência, por sua vez, são aquela nas quais o vencimento da primeira
prestação ocorre em uma data futura prevista contratualmente quando, então, se inicia a fase de
amortização da dívida com a redução gradativa do saldo devedor até o final do prazo contratado.
Ainda com relação às operações com prazo de carência, existem aquelas nas quais ocorre o
pagamento periódico da parcela de juros durante o referido prazo de carência, bem como aquelas nas
quais não existe essa obrigação, conforme as condições que são estabelecidas em contrato.
As operações com prazo de carência nas quais ocorre o pagamento periódico da parcela de juros
implica no fato de que, ao iniciar-se a fase de amortização, o principal da dívida fica inalterado.
O diagrama a seguir representa graficamente uma operação em que ocorre o pagamento de juros
durante o prazo de carência.

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Já as operações com carência nas quais não existe a obrigação do pagamento periódico da parcela
de juros, ao iniciar-se a fase de amortização, esta terá como base o principal capitalizado, ou seja, sobre
o principal haverá o acréscimo da parcela de juros não paga durante a carência.

A operacionalização de um Plano de Amortização para Financiamentos é realizada através daquilo


que se convencionou chamar de Sistemas de Amortização de ampla utilização no mercado. Dentre esses
se destacam a Tabela-Price (TP), também denominado de Sistema Francês de Amortização, Sistema de
Amortização Constante (SAC), Sistema Amortização Misto(SAM) Sistema Hamburguês, Sistema
Americano de Amortização.

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Neste curso o estudo ficará limitado à Tabela-Price (TP) e ao do Sistema de Amortização Constante
em razão da sua larga utilização nas operações financeiras. Esses dois sistemas serão abordados a seguir
abrangendo inicialmente as operações sem prazo de carência e, posteriormente, as operações com
prazo de carência.
9.1 Tabela-Price - Operação de financiamento sem prazo de carência
A Tabela-Price tem como característica marcante o fato de que, em um Plano de Financiamento
não sujeito à atualização monetária, até o final do prazo de definido contratualmente, as prestações
mantêm um valor constante enquanto que o valor da parcela de juros vai se tornando decrescente e o
valor da parcela de amortização vai se tornando crescente a cada período em função da evolução normal
de pagamentos.
Para determinação do valor da prestação (PMT) é utilizado o Fator de Recuperação de Capital –
FRC que é aplicado sobre o valor de financiamento ou valor do principal.

O FRC é expresso através da seguinte fórmula:

A parcela de juros, a cada período, é definida pela incidência da taxa de juros sobre o saldo
devedor do período anterior ao da apuração sendo obtida através da seguinte expressão:

A Parcela de amortização, a cada período, é definida pela dedução da parcela de juros do valor da
prestação do período de apuração sendo obtida através da seguinte expressão:

O saldo devedor, a cada período, é definido pela dedução da parcela de amortização do saldo
devedor do período anterior ao da apuração sendo obtido através da seguinte expressão:

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O diagrama representa uma operação de financiamento na Tabela-Price.

Exemplo:
Aplicar o conceito de plano de financiamento pela Tabela-Price para a mesma operação financeira
apresentada no início que se constitui em um financiamento de R$ 1.200,00 no prazo de 5 meses à taxa
de juros de 5% ao mês.
Primeiro passo: Determinar o valor da prestação através da aplicação da expressão matemática
referente ao FRC.

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Segundo passo: Desenvolver a planilha de evolução da dívida utilizando os parâmetros para definição, a
cada período, da parcela de juros, da parcela de amortização e do valor do saldo devedor.

Plano de Financiamento- Tabela-Price


Período (k) Prestação (PMT) Juros Amortização Saldo devedor
0 0,00 1.200,00
1 277,17 60,00 217,17 982,83
2 277,17 49,14 228,03 754,80
3 277,17 37,74 239,43 515,37
4 277,17 25,77 251,40 263,97
5 277,17 13,20 263,97 0,00

A partir da planilha de evolução da dívida é possível se verificar que a parcela de juros vai
decrescendo sucessivamente a cada período. Fenômeno semelhante ocorre com o saldo devedor.
A parcela de amortização, ao contrário, vai aumentando gradativamente a cada período em função
da redução da parcela de juros, em virtude do valor fixo da prestação.
Também é possível se observar que, por ocasião do pagamento da última prestação, o saldo
devedor torna-se nulo e o financiamento é considerado saldado ou liquidado.

José Luiz Miranda Página 40


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

9.2 Sistema de Amortização Constante (SAC) - Operação de financiamento sem prazo de carência

O SAC tem como característica marcante o fato de que, em um Plano de Financiamento não sujeito
à atualização monetária, até o final do prazo de financiamento, as prestações e a parcela de juros têm
valores decrescentes enquanto que o valor da parcela de amortização se mantém constante. Desse
princípio se deriva o nome de Sistema de Amortização Constante.
Para que esse fenômeno se torne possível, é introduzido no processo o elemento que é
denominado de reduzente que tem a missão de realizar a equalização da evolução da dívida.
Se inicialmente comparada com a Tabela- Price, a prestação inicial do SAC é superior. No entanto,
em razão de se tornarem decrescentes durante o prazo de financiamento em virtude do efeito da
reduzente, ao final, o valor da prestação no SAC é significativamente inferior ao Tabela-Price.
O diagrama a seguir representa uma operação financeira pelo SAC

Para determinar o valor da prestação (PMT) é utilizado Fator SAC (F SAC) que é aplicado sobre o
valor do financiamento ou valor do principal (P).

Da mesma forma, para determinar o valor da Reduzente é utilizado o Fator Reduzente (F Reduz.) que
é aplicado, também, sobre o valor do financiamento ou valor do principal(P)

José Luiz Miranda Página 41


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

O Fator SAC é expresso através da seguinte fórmula:

O Fator Reduzente é expresso através da seguinte fórmula:

Ressalta-se que, em virtude da característica do sistema SAC, cada prestação sofre o efeito da
reduzente que ocorre da seguinte forma:

A parcela de juros, a cada período, é definida pela incidência da taxa de juros sobre o saldo
devedor do período anterior ao da apuração sendo obtida através da seguinte expressão:

A Parcela de amortização, a cada período, é definida pela dedução da parcela de juros do valor da
prestação do período de apuração sendo obtida através da seguinte expressão:

O saldo devedor, a cada período, é definido pela dedução da parcela de amortização do saldo
devedor do período anterior ao da apuração sendo obtido através da seguinte expressão:

José Luiz Miranda Página 42


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Exemplo:
Aplicar o conceito de plano de financiamento pela Sistema SAC para a mesma operação financeira
apresentada no início que se constitui em um financiamento de R$ 1.200,00 no prazo de 5 meses à taxa
de juros de 5% ao mês.
Primeiro passo: Determinar o valor da prestação através da aplicação da expressão matemática
referente ao Fator SAC

Segundo passo: Determinar o valor da reduzente através da aplicação da expressão matemática


referente ao Fator Reduzente

Terceiro passo: Desenvolver a planilha de evolução da dívida utilizando os parâmetros para definição, a
cada período, da parcela de juros, da parcela de amortização e do valor do saldo devedor.

Plano de Financiamento- SAC


Período (k) Prestação (PMT) Reduzente Juros Amortização Saldo devedor
0 0,00 0,00 1.200,00
1 300,00 12,00 60,00 240,00 960,00
2 288,00 12,00 48,00 240,00 720,00
3 276,00 12,00 36,00 240,00 480,00
4 264,00 12,00 24,00 240,00 240,00
5 252,00 12,00 12,00 240,00 0,00

A partir da planilha de evolução da dívida é possível se verificar que a parcela de juros vai
decrescendo sucessivamente a cada período. Fenômeno semelhante ocorre com o saldo devedor.
A parcela de amortização, por sua vez, se mantém constante a cada período em função da redução
da parcela de juros e em virtude do efeito de equalização da reduzente que tem um valor fixo durante
todo o prazo de financiamento.
Também é possível se observar que, por ocasião do pagamento da última prestação, o saldo
devedor torna-se nulo e o financiamento é considerado saldado ou liquidado.

José Luiz Miranda Página 43


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

9.3 Tabela-Price – Operação de Financiamento com prazo de carência e pagamento de juros durante a
fase de carência

Como destacado anteriormente as operações com carência nas quais ocorre o pagamento
periódico da parcela de juros implica no fato de que, ao iniciar-se a fase de amortização, esta terá como
base o principal da dívida. Com base nesse pressuposto será exemplificada uma operação de
financiamento.
Exemplo
Considerar uma operação de financiamento no valor de R$ 150.000,00, contratada à taxa de juros de 5%
ao mês com prazo de 10 meses e carência de 3 meses.
Primeiro passo: Determinar o valor da prestação através da aplicação da expressão matemática
referente ao FRC.

Segundo passo: Determinar o valor da parcela de juros durante o prazo de carência

Terceiro passo: Desenvolver a planilha de evolução da dívida utilizando os parâmetros para definição, a
cada período, da parcela de juros, da parcela de amortização e do valor do saldo devedor.

José Luiz Miranda Página 44


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

9.4 Tabela-Price – Operação de Financiamento com prazo de carência e SEM pagamento de juros
durante a fase de carência

Como destacado anteriormente as operações com carência nas quais não existe a obrigação do
pagamento periódico da parcela de juros, ao iniciar-se a fase de amortização, esta terá como base o
principal capitalizado, ou seja, sobre o principal haverá o acréscimo da parcela de juros não paga durante
a carência.
Exemplo
Considerar uma operação de financiamento no valor de R$ 150.000,00, contratada à taxa de juros de 5%
ao mês com prazo de 10 meses e prazo de carência de 3 meses no qual não foi paga a parcela de juros.
Primeiro Passo: Determinar o valor da parcela de juros durante o prazo de carência

Segundo Passo: Determinar o Valor principal capitalizado para o início da fase de amortização

Terceiro Passo: Determinar o valor da prestação através da aplicação do FRC.

Quarto passo: Desenvolver a planilha de evolução da dívida utilizando os parâmetros para definição, a
cada período, da parcela de juros, da parcela de amortização e do valor do saldo devedor.

José Luiz Miranda Página 45


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

9.5 Sistema SAC – Operação de Financiamento com prazo de carência e pagamento de juros durante a
fase de carência

O método é semelhante àquele aplicado para a Tabela-Price em que o principal não sofre
capitalização. Porém, devem ser observadas, as características do sistema.
Exemplo
Considerar uma operação de financiamento no valor de R$ 150.000,00, contratada à taxa de juros de 5%
ao mês com prazo de 10 meses e prazo de carência de 3 meses no qual foi paga a parcela de juros.
Primeiro passo: Determinar o valor da prestação através da aplicação da expressão matemática
referente ao Fator SAC

Segundo passo: Determinar o valor da Reduzente através da aplicação da expressão matemática


referente ao Fator Reduzente

Terceiro passo: Determinar o valor da parcela de juros durante o prazo de carência

Quarto passo: Desenvolver a planilha de evolução da dívida utilizando os parâmetros para definição, a
cada período, da parcela de juros, da parcela de amortização e do valor do saldo devedor.

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

9.6 Sistema SAC – Operação de Financiamento com prazo de carência e SEM pagamento de juros
durante a fase de carência

O método é semelhante àquele aplicado para a Tabela-Price em que o principal não sofre
capitalização. Porém, devem ser observadas, as características do sistema.
Considerar uma operação de financiamento no valor de R$ 150.000,00, contratada à taxa de juros de 5%
ao mês com prazo de 10 meses e prazo de carência de 3 meses no qual não foi paga a parcela de juros.
Primeiro Passo: Determinar o valor da parcela de juros durante o prazo de carência

Segundo Passo: Determinar o Valor principal capitalizado para o início da fase de amortização

Terceiro Passo: Determinar o valor da prestação através da aplicação do Fator SAC

Quarto passo: Determinar o valor da Reduzente através da aplicação do Fator Reduzente

Quarto passo: Desenvolver a planilha de evolução da dívida utilizando os parâmetros para definição, a
cada período, da parcela de juros, da parcela de amortização e do valor do saldo devedor.

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

9.7 Plano de Financiamento - Apuração do saldo da dívida em qualquer momento

Para diversas situações que ocorrem no dia a dia do mercado e em virtude dos sucessivos avanços
tecnológicos, torna-se contraproducente se ficar calculando amortização e saldo devedor período a
período, mormente nos casos de financiamento de longo prazo, como os casos dos financiamentos
habitacionais.
No decorrer de um financiamento tem se tornado regra que, em virtude de determinados cenários
econômicos, políticos e legais, se realizarem renegociações da dívida com o objetivo de revisão de
condições contratuais iniciais e repactuação de novas condições contratuais entre o credor e o devedor.
De forma geral essas renegociações são realizadas tendo com base no saldo da dívida ou saldo devedor
que recebe, também, a denominação de Valor Atual da Dívida (VA).

José Luiz Miranda Página 48


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Para determinação do Saldo Devedor em qualquer momento da evolução da dívida é utilizado o


Fator de Valor Atual – FVA que é aplicado sobre o valor da primeira prestação vincenda ou a vencer no
momento da apuração, recebendo esta a notação de PMT k+1.

No entanto, o Fator de Valor Atual está vinculado ao seu respectivo sistema de amortização, ou
seja, a expressão matemática para determinação do FVA na Tabela-Price é diferente da expressão
matemática para determinação do FVA do Sistema SAC.

9.7.1 Apuração do saldo da dívida na Tabela - Price

Na Tabela-Price o Fator do Valor Atual (FVA) aplicado sobre a primeira prestação vincenda no momento
da apuração é calculado a partir da seguinte expressão matemática:

Exemplo:
Determinar o saldo devedor ou valor atual da dívida referente ao 3º período para a mesma operação
financeira apresentada no início que se constitui em um financiamento de R$ 1.200,00 no prazo de 5
meses à taxa de juros de 5% ao mês.

1º passo – Valor da primeira prestação vincenda que, no exemplo, corresponde a prestação de ordem 4.
Considerando que na Tabela-Price todas as prestações têm igual valor até o final do prazo de
financiamento, a prestação de ordem 4 será: PMT = 277,17

2º passo - Determinar o FVA referente ao 3º período

3º passo – Determinar o Saldo ou Valor Atual da Dívida no momento 3

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4º passo: Comparar resultado com a planilha de evolução da dívida

Plano de Financiamento- Tabela-Price


Período (k) Prestação (PMT) Juros Amortização Saldo devedor
0 0,00 1.200,00
1 277,17 60,00 217,17 982,83
2 277,17 49,14 228,03 754,80
3 277,17 37,74 239,43 515,37
4 277,17 25,77 251,40 263,97
5 277,17 13,20 263,97 0,00

9.7.2 Apuração do saldo da dívida no Sistema SAC

No Sistema SAC o Fator do Valor Atual (FVA) aplicado sobre a primeira prestação vincenda no momento
da apuração é calculado a partir da seguinte expressão matemática:

Exemplo:
Determinar o saldo devedor ou valor atual da dívida referente ao 3º período para a mesma operação
financeira apresentada no início que se constitui em um financiamento de R$ 1.200,00 no prazo de 5
meses à taxa de juros de 5% ao mês.

1º passo – Valor da primeira prestação vincenda que, no exemplo, corresponde a prestação de ordem 4
que devido ao decréscimo decorrente do efeito da Reduzente será:

2º passo - Determinar o FVA referente ao 3º período

3º passo – Determinar o Saldo ou Valor Atual da Dívida no momento 3

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4º passo: Comparar resultado com a planilha de evolução da dívida


Plano de Financiamento- SAC
Período (k) Prestação (PMT) Reduzente Juros Amortização Saldo devedor
0 0,00 0,00 1.200,00
1 300,00 12,00 60,00 240,00 960,00
2 288,00 12,00 48,00 240,00 720,00
3 276,00 12,00 36,00 240,00 480,00
4 264,00 12,00 24,00 240,00 240,00
5 252,00 12,00 12,00 240,00 0,00

EXERCÍCIOS PARA RESOLUÇÃO

1. Qual o valor de financiamento que correspondente a 6 prestações mensais fixas de valor igual R$
300,00 calculadas à taxa de 24% ao ano. (R: $ 1.680,43).
2. Qual o prazo correspondente a um financiamento de $ 2.000,00 que deverá ser pago em prestações
de $ 274,00 calculadas á taxa de 25% ao ano, na Tabela-Price. (R: 8 meses)
3. Um aparelho de som no valor de $ 1.200,00 é financiado em 6 prestações mensais à taxa de juros de
5% ao mês. Nessas condições determine na Tabela-Price e no SAC:
 O valor da primeira prestação, sem entrada (R: Respectivamente $ 236 42 e $ 260,00).
 O valor da primeira prestação, com uma entrada correspondente a 30% do valor do
financiamento (R: Respectivamente $ 165,49 e $ 182,00).
 Para os itens a e b, determine o valor da Reduzente para o SAC. (R: Respectivamente $ 10,00 e $
7,00)
 Represente graficamente a operação
 Faça a evolução da planilha financeira para a operação de acordo com as condições estabelecidas
no ao item “a”.
4. Um automóvel é adquirido em 18 prestações mensais $ 1.500,00, na Tabela Price. Sabendo-se que a
taxa de juros cobrada pela banco financiador é de 2% ao mês e que foi dada uma entrada de 50% no ato
da aquisição, determine o valor do veículo. (R: $ 44.976,09).
5. No exercício anterior, caso o adquirente do veículo resolvesse liquidar antecipadamente o
financiamento, após o pagamento da 10ª prestação, qual seria o valor do saldo devedor? (R: $
10.988,22).

José Luiz Miranda Página 51


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6. A empresa ENAGRO adquire junto à VALMET Implementos Agrícolas uma máquina de beneficiamento
no valor de $ 50.000,00 que foi financiada em 36 meses, sem entrada, à taxa de 18% ao ano, na Tabela-
Price. No decorrer do contrato, mediante acordo entre as partes, foram realizadas as seguintes
negociações:
Ao final do primeiro ano foi realizado o recálculo da prestação com base no saldo devedor em razão da
redução da taxa de juros para 12% ao ano, mantido o prazo remanescente.
Ao final do segundo ano foi realizado um novo recálculo da prestação com base no saldo devedor com
redução da taxa de juros para 6% ao ano e ampliando-se o prazo remanescente em 8 meses.
Observadas essas condições, pede-se determinar:
 O valor da prestação correspondente ao primeiro, segundo e terceiro ano. (R: Respectivamente $
1807, 62, $ 1704,41; $ 1.010,47).

 O saldo devedor ao final do 12º mês e 24º mês. (R: Respectivamente $ 36.207,36 e $ 19.186,22).
7. Para financiar a aquisição de uma colheitadeira cujo valor a vista é de $20.000,00, uma empresa
obtém junto ao Banco do Brasil um financiamento correspondente a 70% do valor do equipamento.
Considerando que a operação foi realizada no Sistema SAC pelo prazo de 10 meses à taxa de juros de
12% ao ano. Nessas condições pede-se determinar o valor da prestação e da reduzente. (R:
Respectivamente $ 1540,00 e $ 14,00)
8. Um equipamento no valor de $ de 200.000,00 foi adquirido mediante um financiamento contratado
na Tabela- Price em um prazo de 18 meses à taxa de 24% ao ano.Nessas condições pede-se determinar:
 O valor de cada prestação mensal. (R: 13.340,42)
 O valor das parcelas de juros e de amortização referentes à primeira prestação. (R:
Respectivamente R$ 4.000,00 e R$9.340,42)
 O valor das parcelas de juros e de amortização referentes à última prestação. (R:
Respectivamente R$ 261,58 e $13.078,84)
 O valor do saldo devedor após o vencimento da 17ª prestação. (R: R$13.078,84)
 O valor do saldo devedor após o vencimento da 10ª prestação. (R: R$ 97.725,00)
9. O Sr.João Batista das Dores adquiriu junto à NAVESA Concessionária de Veículos Ltda uma Saveiro
2009 no valor de $ 28.000,00, com uma entrada de 20% do valor do utilitário e o restante financiado em
18 meses á taxa de 3% ao mês. No decorrer do contrato foram verificadas as seguintes ocorrências:

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Primeira ocorrência - Após o pagamento da 12ª prestação o Sr. João Batista renegociou a dívida
reduzindo, com recursos próprios, o saldo devedor em 10% e aumentando o prazo remanescente em 6
meses e ajustando a taxa de juros para 2,5% ao mês.
Segunda ocorrência - Após receber a 18ª prestação do Sr. João Batista a NAVESA, por razões de
necessidade de capital de giro, resolveu efetuar uma operação de antecipação de receita junto ao HSBC
oferecendo o crédito a receber do Sr. João Batista. Para realização dessa operação, o HSBC estabeleceu
uma taxa de desconto de 2% ao mês sobre a dívida vincenda. Nessas condições pede-se determinar:
 O Valor a prestação inicial para a aquisição do veículo. (R: $ 1.628,67)
 Em relação à primeira ocorrência, o valor do saldo devedor antes e após o ato, e o valor da nova
prestação resultante. (R: Respectivamente $ 8.822,84 $7.940,56 e $774,10).
 Em relação à segunda ocorrência, o valor oferecido pela NAVESA ao HSBC, o valor do desconto e
o valor descontado. (R: Respectivamente $ 4.263,84 $ 511,66 e $ 3.752,18).
 A Taxa Efetiva do período e a Taxa Efetiva mensal paga pela NAVESA ao HSBC.(R:
Respectivamente 13,54% no período e 2,15% ao mês).

10. A UNILEVER contraiu junto ao BNDES um financiamento de $ 300.000,00 para ampliação das suas
instalações industriais visando criar uma infra-estrutura destinada ao desenvolvimento de um novo
produto. Para a concessão do financiamento foram estabelecidas as seguintes condições contratuais:
Sistema de Amortização Tabela Price; Taxa de Juros 9,6% ao ano; prazo de 18 meses com uma carência
de 6 meses e pagamento da parcela de juros durante o período de carência. Com base, nesses dados
pede-se determinar:

 O valor da prestação do financiamento. (R: $ 26.318,99)

 O valor da parcela de juros durante a carência. (R: $ 2400,00)

 O valor do saldo devedor após o período de carência. (R: $ 300.000,00).

 Represente graficamente a operação.

11. Se no exercício anterior as condições contratuais estabelecessem que não haveria o pagamento de
juros durante a carência, quais deveriam ser os valores respectivamente para os itens a, b, c?

Da mesma forma que o item anterior, represente graficamente a operação. (R: Respectivamente $
27.607,84, $ 2.400,00, $ 314.691,09).
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10. CONSIDERAÇÕES ACERCA DO MÉTODO “PRO-RATA”

É possível se verificar que, para os dois sistemas de amortização, saldo apurado no terceiro
período, tanto pela utilização das expressões matemáticas como pela planilha de evolução da dívida,
têm valores idênticos.
Ressalta-se que a apuração do saldo da dívida ocorre após o vencimento da prestação referente ao
período de apuração, ou seja, o saldo da dívida já leva em consideração o efeito da amortização do
período.
Todavia existem situações que, por razões circunstanciais, essa apuração ocorre em um momento
intermediário após o vencimento de uma prestação e antes do vencimento de outra prestação.
Para essas situações é utilizado o método “pro - rata ”1 que é utilizado em situações que exigem
cálculos intermediários.
No caso de determinação do saldo devedor de um plano de financiamento, o “pro - rata”
correspondente ao período fracionado é calculado considerando a base 30 dias e aplicado sobre o Fator
de Valor Atual (FVA).
A utilização da base 30 dias se justifica pelo fato de que em toda e qualquer operação de
financiamento o cálculo das prestações é sempre realizado para o período de 1 mês comercial.
Assim, os meses de janeiro, fevereiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro, serão
considerados como de 30 dias independente do número de dias civil.
Na seqüência será exemplificada a aplicação do método “pro-rata”.
Exemplo
Considerar que, no caso da Tabela-Price, a apuração ocorre 10 dias após o vencimento da 3ª prestação.
Nesse caso, qual deve ser o saldo da dívida nesse momento.

1º passo – Determinar o Fator de Fator de Valor Atual (FVA) para o 3º período.

1
A terminologia científica para o termo “pro - rata ” é “pro-rata temporis” uma vez que a sua aplicação não se restringe a
apenas frações relacionadas a dias podendo também estar relacionada a meses, quinzenas, anos, etc.
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2º passo – Determinar o “pro-rata” correspondente a 10 dias que é calculado com referência na taxa de
juros da operação utilizando-se a seguinte expressão matemática:

3º passo – Determinar novo FVA considerando o efeito “pro-rata”. Para tanto é utilizada a seguinte
expressão matemática:

3º passo – Determinar o saldo da dívida considerando o efeito “pro-rata”

Cabe observar que, se o saldo da dívida fosse calculado no momento 4, o seu valor corresponderia
a 263,97. Porém, o interessado deveria teria que ter pago a prestação referente ao momento 4 o que
resultaria em um desembolso de:

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11.CONCEITO DE INVESTIMENTO

O Investimento é caracterizado como a força motriz que impulsiona qualquer Economia


envolvendo todos os seus Agentes que, em suas atividades econômicas, vão possibilitar a geração de
bens e serviços voltados ao atendimento das demandas sociais internas e externas a um país.
Para tanto, o conceito de investimento está diretamente associado à decisão de investimento que
é o procedimento em que se busca melhoria ou aprimoramento de uma situação atual para uma nova
situação a partir da identificação de um determinado problema implicando, contudo, na escolha dos
recursos que são necessários para a execução do projeto de melhoria.
Partindo desta premissa a decisão de investimento configura-se como um processo que se
caracteriza como um ato do presente que visar gerar benefícios para o futuro, este representado pelo
retorno do investimento que pode ocorrer de forma financeira ou através de outras formas indiretas.
Conforme a natureza e os objetivos pretendidos a decisão de investimento deve estar pautada em
informações qualitativas e quantitativas que permitam a realização de estudos de viabilidade
econômico-financeira e avaliação de cenários com intuito de se minimizar os riscos e as incertezas
inerentes ao futuro e que possam inviabilizar o sucesso do projeto.

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Porém, cabe se realizar a diferenciação entre o investimento propriamente dito e o denominado


investimento financeiro.
Sob o ponto de vista econômico o investimento financeiro é tratado como aplicação financeira ou
investimento indireto, pois tem como único objetivo gerar ganhos individuais para quem aplica seus
recursos no mercado financeiro. Muito embora esse tipo de ação possa criar reservas para custear
financiamentos a poupadores deficitários, este não traz preocupações em trazer benefícios diretos para
o conjunto da sociedade.
Com isso, esse tipo de ação está associado ao fenômeno da volatilidade, ou seja, se o mercado
financeiro se mostra atraente a tendência é que haja maior atração por investimentos indiretos em
busca de maior rentabilidade para os recursos aplicados. Contudo, se o mercado financeiro não se
mostra tão atraente, a tendência é que os investimentos indiretos busquem outros locais que possam
propiciar maiores ganhos. Isso, como antes mencionado, é facilitado pelo advento da tecnologia da
informação que permite que as operações possam ser realizadas em tempo real atingindo diversos
quadrantes do mundo.
Já o investimento propriamente dito ou investimento direto, também sob o ponto de vista
econômico, vincula-se a projetos relacionados aos variados setores de atividade econômica que tendem
a gerar benefícios para o conjunto da sociedade, mesmo no campo empresarial, pois as empresas ao
exercer o seu papel de gerar bens e serviços, estes são direcionados para o atendimento das demandas
sociais.
Partindo desse pressuposto, o investimento procura aglutinar e combinar os elementos físicos,
humanos e financeiros presentes no sistema econômico criando a dinâmica daquilo que comumente é
denominado de crescimento econômico. Em outras palavras, para que um país possa crescer
economicamente é necessário que sejam realizados investimentos pelos seus diversos agentes.
Os investimentos, quando são realizados por agentes do setor público e agentes do setor privado
residentes no país, são denominados de investimentos de natureza interna. Por outro lado, quando são
realizados por agentes não residentes no país são denominados de investimento de natureza externa.
Ressalta-se que, dependendo da característica, circunstância ou magnitude do projeto, os
investimentos podem ser realizados individualmente ou em parceria obedecendo, contudo, os limites
estabelecidos por marcos regulatórios inerentes a cada setor de atividade econômica para propiciar os

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fundamentos jurídicos necessário para elaboração de contratos que estabelecem direitos, obrigações e
garantias para as partes envolvidas na realização de investimentos.
Importante ressaltar que, quanto maior for o volume de investimentos realizados em um país mais
dinâmica será a sua economia e, com isso, são criadas as condições para atendimento das demandas
sociais com maior eficácia estimulando assim, aquilo que é denominado de desenvolvimento econômico
sustentado.
Também em relação a investimentos é que este pode ser direcionado, também, à criação
melhorias e qualificação de elementos necessários à produção que, por sua vez darão sustentação para
novos investimentos destinados á geração de bens e serviços voltados ao atendimento das demandas
sociais. Na Literatura Econômica isto é denominado de aumento do estoque de capital na Economia.
Exemplos enquadrados nessa modalidade é o investimento em rodovias, ferrovias, portos,
aeroportos, energia, telecomunicações, denominados de infraestrutura econômica, que possibilitam a
realização de outros investimentos. Outros exemplos na mesma modalidade são aqueles realizados em
saneamento básico, água tratada, saúde pública, segurança pública, entre outros que visam melhorar as
condições de vida da população e recebem a denominação de infraestrutura social. O diagrama a seguir
apresenta esse processo.

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Outro aspecto relevante a se considerar são as fontes de recursos que são necessárias para que os
projetos de investimentos sejam realizados. Essas fontes de recursos sujeitam-se à sua própria
disponibilidade e, por conseguinte, aos custos inerentes a essa disponibilidade. Ou seja, quanto maior
for a disponibilidade da fonte de recursos, menor será o seu custo; e quanto menor for a disponibilidade
da fonte de recursos maior será o seu custo. Em outras palavras é a lei da oferta e da demanda que
determina o custo da fonte de recursos e este pode ser considerado como um dos principais fatores
determinantes para a realização de um projeto de investimento em função da sua viabilidade
econômico-financeira e benefícios gerados. De forma geral as fontes de recursos podem ser agrupadas
em três categorias: recursos materiais ou físicos; recursos humanos e intelectuais; por fim os recursos
financeiros que tem a missão de custear as duas fontes de recursos anteriores. O diagrama a seguir
apresenta sinteticamente essas fontes.

No que concerne ainda ás fontes de recursos preliminarmente devem ser realizadas algumas
indagações inerente à sua disponibilidade no ambiente do projeto que estão associadas ao estudo da
sua viabilidade econômico-financeira. São exemplos:

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Em função do objetivo a ser alcançado e dos agentes responsáveis pela sua execução, os
investimentos podem ser agrupados em quatro categorias básicas assim definidas: Investimento de
Natureza Pública; Investimento de Natureza Privada; Investimento em Parceria público-privada e
Investimento de Natureza externa.

José Luiz Miranda Página 60


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Os Investimentos de Natureza Pública são aqueles realizados diretamente por órgãos e Instituições
vinculadas ao Setor Público com características básicas apresentadas pelo diagrama:

Os Investimentos de Natureza Privada são aqueles realizados por pessoas, empresas e instituições
vinculadas ao Setor Privado, com as seguintes características básicas apresentadas pelo diagrama:

Os Investimentos em Parcerias Público-Privadas são aqueles realizados conjuntamente por


Agentes Econômicos Sociais do Setor Público e do Setor Privado constituindo-se uma tendência em
diversos países e cujas características são apresentadas no diagrama a seguir:

José Luiz Miranda Página 61


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Os Investimentos de Natureza Externa são aqueles oriundos do exterior e que podem se


enquadrados em qualquer uma das categorias anteriores.

Todavia, para qualquer uma das categorias mencionadas, a implantação de um projeto de


investimento está condicionada à indicação técnica de que o retorno ou benefício que é proporcionado
pelo projeto apresentam-se superiores aos custos incorridos em função das fontes de recursos
disponíveis. Para tanto, são utilizados os métodos de análise econômico-financeira de projetos que são
estudados a seguir.

José Luiz Miranda Página 62


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

12. MÉTODOS PARA ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DE PROJETOS DE INVESTIMENTO

Ao se tomar a decisão de se implantar um projeto de investimento, quer seja ele de Natureza


Pública, de Natureza Privada, em Parceria Público-Privada ou de Natureza Internacional, em geral várias
alternativas se apresentam para que a sua execução
Essas alternativas são decorrentes do fato de que se constituir necessidade a busca da
compatibilização entre custos e benefícios, notadamente em razão da limitação de recursos  físicos,
financeiros, tecnológicos e humanos  o que pode tornar as alternativas apresentadas como
excludentes. Nesse contexto, a alternativa escolhida deve demonstrar que o projeto de investimento
tem sustentação econômico-financeira.
Todavia, a avaliação de um projeto de investimento não se resume apenas no resultado
apresentado sob a ótica econômico-financeira. Muitos projetos, notadamente aqueles de natureza
pública ou de natureza público-privada envolvendo políticas públicas, incorporam à ótica econômico -
financeira também aspectos de natureza social, política e estratégica que justificam a sua implantação.
Independente dos objetivos pretendidos a decisão pela realização do investimento não é empírica,
como anteriormente mencionado, mas deve estar pautada em estudos pormenorizados nos quais
devem ser considerados os seguintes princípios: alternativa de escolha, o custo de se investir em termos
de fonte de recursos e perspectiva de futuro e retornos sociais, políticos e estratégicos quando
aplicáveis.
Apesar de haver uma multiplicidade de métodos de análise para escolha de alternativas vinculadas
à viabilidade econômico-financeira de projetos resume-se a três métodos básicos: Período de
Recuperação de Capital, também denominado de Pay-Back; Valor Presente Líquido (NPV) e Taxa Interna
de Retorno (TIR)
Todos esses métodos de análise têm como referência o valor definido como investimento para o
projeto, a taxa de juros de custeio e as receitas líquidas projetadas.
A taxa de juros de custeio, na maioria dos casos, recebe a denominação de custo de oportunidade
do projeto. Por Exemplo, se para implantar um projeto foi necessário se obter um financiamento com
uma taxa de juros de 10% a. a, então o custo de oportunidade desse projeto será de 10% a.a.
Porém, em alguns casos, a taxa de juros serve apenas de parâmetro inicial para determinação do
custo de oportunidade, ou seja, nos casos em que é o retorno exigido para um projeto é superior à taxa

José Luiz Miranda Página 63


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

de juros de custeio. Por exemplo, para implantar um projeto foi necessário se obter um financiamento
com uma taxa de juros de 10% a. a. No entanto, o custo de oportunidade desse projeto, em função de
outros fatores intrínsecos ao projeto, for estabelecido em 17%.a.a o parâmetro de mensuração da
viabilidade econômico-financeira será de 17% a.a e não de 10% a.a.
A combinação entre o valor do investimento, o custo de oportunidade e as receitas projetadas
determina o retorno do investimento.
Se, em um momento temporal definido, o retorno do investimento se mostrar superior ao valor
do investimento o projeto demonstra viabilidade econômico-financeira.
Por outro lado, se, também em um momento temporal, o retorno do investimento se mostrar
inferior ao valor do investimento o projeto demonstra inviabilidade econômico-financeira.
Na seqüência será abordado cada um dos métodos para análise econômico-financeira de projetos
de investimento que visam determinar a viabilidade de projetos de investimento.

12.1 Período de Recuperação de Capital ou Pay-Back

O Método Pay-Back, que é bastante simples, consiste em se mensurar o tempo necessário para se
ter de volta o valor investido em um projeto, considerando-se um determinado custo de oportunidade.
O seu resultado fornece um indicativo primário do risco a que pode estar sujeito um projeto de
investimento:
Quanto menor for o Pay-Back menor será o tempo necessário para recuperação do capital
investido, portanto, menor o risco será o risco do projeto..
Por outro lado, quanto maior for o Pay-Back maior será o tempo será necessário para recuperação
do capital investido, portanto, maior será risco do projeto.
A premissa básica desse método é que se um investimento tem um prazo de recuperação maior,
então ele terá uma maior exposição a cenários e estes podem estar sujeitos a instabilidades de ordem
econômica, política e, até, institucional.
Para determinação do Pay-Back são utilizados os seguintes parâmetros: Vida útil do projeto, Valor
do Investimento, Custo de Oportunidade, Receita Líquida Projetada, Receita Líquida Ajustada, Retorno
Líquido Acumulado.
O Valor do Investimento indica o desembolso realizado com o projeto;
O Custo de Oportunidade é aquele definido para o projeto;

José Luiz Miranda Página 64


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

A Receita Líquida Projetada indica a receita líquida esperada para cada ano do projeto;
A Receita Líquida Ajustada indica a receita líquida esperada com o efeito do custo de
oportunidade. A apuração é realizada de acordo com a seguinte expressão matemática:

O Retorno Líquido Acumulado indica o resultado obtido a partir da dedução da Receita Líquida
Ajustada do valor do investimento ocorrido a cada ano. A apuração é realizada de acordo com a seguinte
expressão matemática:

Exemplo: determinar o Pay-Back para um projeto de investimento no qual houve um desembolso


inicial de R$ 2.000.000,00, custo de oportunidade de 10% ao ano e receita projetada de R$ 380.000,00 a
cada ano.

Planilha de evolução

MÉTODO DE AVALIAÇÃO PAY-BACK


Custo de Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido
Ano Valor do Investimento
Oportunidade (%) Projetada Ajustada Acumulado
0 -2.000.000,00 10,00 0,00 0,00 -2.000.000,00
1 0,00 10,00 380.000,00 345.454,55 -1.654.545,45
2 0,00 10,00 380.000,00 314.049,59 -1.340.495,87
3 0,00 10,00 380.000,00 285.499,62 -1.054.996,24
4 0,00 10,00 380.000,00 259.545,11 -795.451,13
5 0,00 10,00 380.000,00 235.950,10 -559.501,03
6 0,00 10,00 380.000,00 214.500,09 -345.000,93
7 0,00 10,00 380.000,00 195.000,08 -150.000,85
8 0,00 10,00 380.000,00 177.272,80 27.271,96
9 0,00 10,00 380.000,00 161.157,09
10 0,00 10,00 380.000,00 146.506,45

José Luiz Miranda Página 65


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

A partir da evolução da planilha é possível se verificar que o Pay-Back para esse projeto de
investimento ocorrerá entre 7º e o 8º ano, ou seja, quando o Retorno Líquido Acumulado sai de um
resultado negativo para um resultado positivo.
Graficamente essa operação tem a seguinte representação:

12.2 Valor Presente Líquido - NPV

O Método do Valor Presente Líquido – (NPV – Net Present Value na HP 12-C) fornece uma
indicação do potencial de criação de valor de um projeto de investimento a partir da avaliação do seu
retorno líquido anual, que representa o conjunto de entradas e de saídas de recursos ao longo da vida
útil do projeto.
Nesse contexto, o Valor Presente Líquido (NPV) corresponde ao Retorno Líquido Acumulado a cada
ano apurado ao final da vida útil do projeto indicando, por conseguinte, se o projeto, pela ótica
econômico-finaceira, demonstra ou não viabilidade.
De forma semelhante ao Método Pay-Back para determinação do Valor Presente Líquido (NPV) são
utilizados os seguintes parâmetros: Vida útil do projeto, Valor do Investimento, Custo de Oportunidade,
Receita Líquida Projetada, Receita Líquida Ajustada, Retorno Líquido Acumulado.
O Valor do Investimento indica o desembolso realizado com o projeto;
O Custo de Oportunidade é aquele definido para o projeto;
A Receita Líquida Projetada indica a receita líquida esperada para cada ano do projeto;

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

A Receita Líquida Ajustada indica a receita líquida esperada com o efeito do custo de
oportunidade. A apuração é realizada de acordo com a seguinte expressão matemática:

O Retorno Líquido Acumulado indica o resultado obtido a partir da dedução da Receita Líquida
Ajustada do valor do investimento ocorrido a cada ano. A apuração é realizada de acordo com a seguinte
expressão matemática:

Assim, Valor Presente Líquido - NPV correspondente ao Retorno Líquido Acumulado apurado ao
final da vida útil do projeto apresentar um resultado positivo, há a demonstração de que o projeto é
viável sob a ótica econômico-financeira.
Todavia, se o NPV apresentar um resultado negativo há a demonstração de que o projeto é inviável
pela ótica econômico-financeira.
Em resumo, considerando o Custo de Oportunidade estabelecido para o projeto, é possível se
obter as seguintes relações:
Se o Valor Presente Líquido – NPV apresentar um resultado positivo (NPV > 0) significa que o
retorno fornecido pelo projeto é superior ao valor investido. Nesse caso, o projeto é viável e pode ser
aceito.
Se o Valor Presente Líquido – NPV apresentar um resultado negativo (NPV < 0) significa que o
retorno fornecido pelo projeto é inferior ao valor investido. Nesse caso, o projeto é inviável e deve ser
rejeitado.

Exemplo: determinar o Valor Presente Líquido – NPV para um projeto de investimento no qual
houve um desembolso inicial de R$ 2.000.000,00, custo de oportunidade de 10% ao ano e receita
projetada de R$ 380.000,00 a cada ano.

José Luiz Miranda Página 67


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Planilha de Evolução
MÉTODO DE AVALIAÇÃO VALOR PRESENTE LÍQUIDO - NPV
Custo de
Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido
Ano Valor do Investimento Oportunidade
Projetada Ajustada Acumulado
(%)
0 -2.000.000,00 10,00 0,00 0,00 -2.000.000,00
1 0,00 10,00 380.000,00 345.454,55 -1.654.545,45
2 0,00 10,00 380.000,00 314.049,59 -1.340.495,87
3 0,00 10,00 380.000,00 285.499,62 -1.054.996,24
4 0,00 10,00 380.000,00 259.545,11 -795.451,13
5 0,00 10,00 380.000,00 235.950,10 -559.501,03
6 0,00 10,00 380.000,00 214.500,09 -345.000,93
7 0,00 10,00 380.000,00 195.000,08 -150.000,85
8 0,00 10,00 380.000,00 177.272,80 27.271,96
9 0,00 10,00 380.000,00 161.157,09 188.429,05
10 0,00 10,00 380.000,00 146.506,45 334.935,50

A partir da evolução da planilha é possível se verificar que o Valor Presente Líquido – NPV para
esse projeto de investimento é de R$ 334.935,50 que corresponde ao Retorno Líquido Acumulado
apurado ao final da vida útil do projeto. Nesse caso, como o NPV tem um resultado positivo, o projeto
demonstra viabilidade pela ótica econômico-financeira.
Graficamente essa operação tem a seguinte representação:

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Para se determinar o retorno do investimento em termos percentuais com base no NPV utiliza-se a
seguinte expressão matemática:

Aplicando-se a expressão matemática para determinar o retorno do investimento para o projeto


no exemplo apresentado obtém-se:

Esse percentual de retorno está associado ao custo de oportunidade de 10%. a.a. Caso fosse
considerado um custo de oportunidade de maior magnitude a tendência é que o retorno apurado fosse
gradativamente menor.

12.3 Taxa Interna de Retorno – TIR

O Método da Taxa Interna de retorno – TIR tem estreita correlação com o Método do Valor
Presente Líquido – NPV.
Enquanto o NPV fornece uma indicação do potencial de criação de valor de um projeto de
investimento a um determinado custo de oportunidade, o Método da TIR fornece a indicação de qual
custo de oportunidade permite igualar o NPV ao valor do investimento realizado.
Isso significa dizer que a definição de custos de oportunidade inferiores a TIR indicam a
possibilidade de que o projeto apresente viabilidade pela ótica econômico-financeira.
A partir dessa premissa é possível se obter a seguinte relação:

Se, para um projeto, o NPV = ZERO então o custo de oportunidade = Taxa Interna de Retorno.

Nessas condições, a TIR serve de parâmetro para negociação do custo de oportunidade oferecida
em uma eventual concessão de financiamento para a implantação de um projeto de investimento e, até,
quanto à conveniência ou não de se implantar um projeto em um determinado momento em face de
situações conjunturais.
Devido a complexidade de cálculos envolvidos para determinação da Taxa Interna de Retorno –
TIR, utilizar-se-á os recursos da Calculadora HP 12 – C que serão mostrados no anexo.

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

EXERCÍCIOS PARA RESOLUÇÃO

1. Uma empresa elabora um projeto visando efetuar o lançamento de um novo produto no mercado.
Com esse objetivo, pretende investir R$ 1.400.000,00 com a expectativa de obter receitas líquidas
projetadas anuais de R$ 250.000,00 durante 8 anos, que é a vida útil do projeto. Se o custo de
oportunidade definido foi de 8% ao ano, utilizando-se da planilha de evolução, determine o Pay-
Back, se houver, e Valor Presente Líquido – NPV e o percentual de retorno desse projeto.
MÉTODO DE AVALIAÇÃO PAY-BACK E NPV
Custo de
Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido
Ano Valor do Investimento Oportunidade
Projetada Ajustada Acumulado
(%)
0
1
2
3
4
5
6
7
8

2. Para cada um determinado projeto de investimento orçado em R$ 180.000,00 e com um custo de


oportunidade de 12% a.a foram apresentadas duas alternativas de receitas líquidas projetadas
apresentadas a seguir:

Ano Receita Líquida Alternativa A (R$) Receita Líquida Alternativa B (R$)

0 - 20.000,00 - 30.000,00
1 - 10.000,00 - 3.000.00

2 - 5.000,00 5.000,00
3 2.000,00 2.000,00
4 13.000,00 12.000,00
5 18.000,00 20.000,00
6 9.000,00 - 2000,00
7 16.000,00 17.000,00
8 4.000,00 6.000,00

José Luiz Miranda Página 70


FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Utilizando-se da planilha de evolução, determine o Pay-Back, se houver, e Valor Presente Líquido – NPV
e o percentual de retorno de cada uma das alternativas apresentadas. Determine a alternativa que
apresenta melhor viabilidade econômico-financeira para o projeto.
ALTERNATIVA A
Custo de
Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido
Ano Valor do Investimento Oportunidade
Projetada Ajustada Acumulado
(%)
0
1
2
3
4
5
6
7
8
ALTERNATIVA B
Custo de
Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido
Ano Valor do Investimento Oportunidade
Projetada Ajustada Acumulado
(%)
0
1
2
3
4
5
6
7
8

3. A um custo de oportunidade de 18% ao ano, qual das duas propostas a seguir apresentadas é mais
viável, pelo método do Valor Presente Líquido – NPV para uma empresa que deseja adquirir apenas um
dos equipamentos com as mesmas características, mas de durabilidades diferenciadas: Elabore o fluxo
de caixa correspondente.
Proposta A  Valor da Aquisição: R$ 50.000,00; Vida Útil: 14 anos; Custo de manutenção Anual: R$
800,00.

Proposta B  Valor da Aquisição: R$ 20.000,00; Vida Útil: 12 anos; Custo de manutenção Anual: R$
1.000,00

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4. Ante a expectativa do aumento da demanda por bens e serviços em seu ramo de atuação, uma
empresa pretende adquirir um equipamento cujo custo de aquisição e de instalação é da ordem de R$
50.000,00. A expectativa dos recebimentos provenientes da venda dos produtos e os respectivos
desembolsos operacionais previstos durante a vida útil do equipamento são apresentados no quadro a
seguir. O valor residual ao fim dos oito anos de vida útil do equipamento é da ordem de R$ 10.000,00.
Considerando o custo de oportunidade de 15% a.a demonstre se é viável ou não a aquisição e instalação
do equipamento, pelo Método do Valor Presente Líquido – NPV. Determine o Pay-Back, se houver.

Projeto Investimento para aquisição de equipamento

Ano Receitas Despesas Saldos Valor Residual

0 50.000,00
1 15.000,00 9.000,00
2 18.000,00 10.000,00
3 18.000,00 11.000,00
4 18.000,00 12.000,00
5 30.000,00 20.000,00
6 30.000,00 21.000,00
7 30.000,00 22.000,00
8 30.000,00 23.000,00 10.000,00

AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTO- MÉTODO NPV E PAY-BACK


Custo de
Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido
Ano Valor do Investimento Oportunidade
Projetada Ajustada Acumulado
(%)
0
1
2
3
4
5
6
7
8

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

5. Uma empresa está projetando aumentar o seu nível de participação no Segmento de Bens e Serviços.
Estudos prévios realizados definiram as seguintes alternativas:

a) Terceirizar a prestação de serviços mantendo o controle estratégico a um investimento inicial de


R$ 6.000,00;

b) Executar a prestação de serviços pela própria empresa utilizando a sua capacidade a partir da
melhoria dos seus processos a um investimento inicial de R$ 30.000,00;

c) Ampliar a sua capacidade instalada incorporando novas tecnologias vinculadas à prestação de


serviços buscando um diferencial competitivo a um investimento inicial de R$ 7.000,00.

Considerando o quadro abaixo e a taxa de oportunidade de 15% a.a, determine: a) O Pay-Back que é
correspondente a cada projeto. b) O projeto mais viável pelo Método NPV. Utilize as planilhas de
evolução.

Determinação do Projeto Investimento mais viável

Ano Projeto A Projeto B Projeto C

0 (6.000,00) (30.000,00) (7.000,00)


1 (1.000,00) (12.000,00) (2.000,00)
2 200,00 2.000,00 1.000,00
3 500,00 3.000,00 3.000,00
4 1.000,00 15.000,00 5.000,00
5 4.000,00 18.000,00 2.000,00
6 3.000,00 16.000,00 (1.000,00)
7 2.000,00 12.000,00 3.000,00
8 1.000,00 8.000,00 2.000,00

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

PROJETO A

Custo de Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido


Ano Valor do Investimento
Oportunidade (%) Projetada Ajustada Acumulado

0
1
2
3
4
5
6
7
8
PROJETO B
Custo de Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido
Ano Valor do Investimento
Oportunidade (%) Projetada Ajustada Acumulado

0
1
2
3
4
5
6
7
8
PROJETO C

Custo de Receita Líquida Receita Líquida Retorno Líquido


Ano Valor do Investimento
Oportunidade (%) Projetada Ajustada Acumulado
0
1
2
3
4
5
6
7
8

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

6. Uma cidade com uma população de 1.000.000 de habitantes situada em uma região árida e de clima
seco vem apresentando dificuldades em seu sistema de abastecimento de água potável. Seu sistema
vem funcionando há 20 anos e foi projetado para atender apenas à demanda de pequenas populações.
No entanto, essa cidade sofreu um rápido processo de crescimento econômico e o conseqüente
aumento populacional, o que provocou aumento substancial da demanda por água tratada.
Emergencialmente, em face das circunstâncias, foi estabelecido um plano de racionamento que limita o
número horas/dia no abastecimento domiciliar enquanto se discute a implantação de um novo sistema
de abastecimento de água suscetível de atender a demanda efetiva da cidade.
Para isso, pretende-se reutilizar 40% da antiga rede de distribuição visando minimizar as perdas que se
verificam em determinados pontos das canalizações, fazendo-se necessárias modificações e ampliações
na estrutura visando integrar o antigo sistema de abastecimento ao novo sistema. Por outro lado, nas
áreas onde não existem assentamentos definidos ou sem concentração demográfica que justifique um
investimento, canalizações serão colocadas para instalações futuras. O projeto contempla também a
ampliação do sistema de captação que será construído para aproveitar as águas de dois rios que
atravessam a região.
O volume de água necessário foi calculado com base nas características da região e da cidade levando-se
em consideração a precipitação pluviométrica, a densidade demográfica, a demanda potencial de água,
entre outras. O uso da água foi dividido em uso doméstico (instalações sanitárias, limpeza, alimentação,
etc.); uso comercial (consumo de posto de gasolina, hotéis, lojas, restaurantes, etc.); uso industrial
(utilização como matéria prima e insumo no parque industrial) e de uso público (irrigação de parques,
jardins,e combate a incêndios, fontes, bebedouros, etc.). Foram consideradas, ainda, as perdas que se
verificam em quase todas as partes do sistema de abastecimento em decorrência das atividades de
operação e manutenção, defeitos, fugas, entre outras. Todas as características técnicas do projeto foram
apreciadas em termos monetários.
Os benefícios de um projeto de abastecimento de água potável podem ser agregados em dois grupos: os
primários ou diretos e os secundários ou indiretos. Os primários são aqueles decorrentes dos resultados
imediatos do projeto como, por exemplo, o fornecimento de água potável para o consumo direto da
população que poderá criar melhores condições de higiene e saúde. Os secundários são decorrentes da
execução do projeto e da prestação de serviços como, por exemplo, o desenvolvimento industrial, a
valorização dos imóveis, a qualidade de vida, etc.
José Luiz Miranda Página 75
FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Os benefícios econômicos do projeto são apreciados pelo valor da água através do serviço prestado à
população considerando-se as taxas e as tarifas vinculadas com a contraprestação do serviço e que
justificam financeiramente o custo do investimento.
Os quadros a seguir apresentam os investimentos, os custos e as receitas cujos valores estão vinculados
ao projeto de abastecimento, que se constitui em um investimento de natureza pública.

INVESTIMENTOS (R$)
Projetos e Engenharia Construção Trabalhos não especificados
Ano
Externos Internos Externos Internos Externos Internos
2011 177.025 200.245 946.800 522.035 1.197.000 306.800
2012 157.377 651.024 1.011.010 112.5000 1.237.720 536.554
2013 154.150 405.850 930.620 715.500 1.251.140 641.329

CUSTOS DA OPERAÇÃO (R$)


RECEITAS
Produtos Outras ESTIMADAS (R$)
Manutenção Energia
Ano Químicos Despesas
2011 61.200 27.000 25.410 80.000 0,00
2012 61.200 22.000 25.410 70.600 0,00
2013 61.200 22.500 25..410 50.200 2.000.000
2014 75.460 25.000 25.410 45.300 2.000.000
2015 76.700 35.000 25.410 40.260 2.000.000
2016 73.000 47.000 25.410 35.100 2.500.000
2017 65.000 62.000 25.410 30.000 2.500.000
2018 68.000 62.000 35.200 45.000 2.000.000
2019 70.000 62.000 35.200 38.800 1.900.000
2020 80.000 62.000 35.200 15.400 1.850.000

Para viabilização do projeto de investimento o município obteve, com a garantia do Governo Federal,
recursos financeiros junto ao Banco Mundial com um custo de oportunidade de 8% ao ano.
Considerando os números apresentados, determine o Pay-Back e o Valor Presente Líquido – NPV
informando se o projeto possui viabilidade econômica Financeira. (Desconsidere o eventual efeito
cambial). Utilize as planilhas a seguir como apoio e evolução.

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13. CONCEITO DE PROBABILIDADE E A CURVA DE DISTRIBUIÇÃO NORMAL

Independente da natureza de um projeto, o objetivo pretendido ou agente responsável pela


decisão de investimento este sujeita-se a cenários de risco e de incerteza decorrentes da
imprevisibilidade do futuro.
Cabe aqui diferenciar o conceito de risco do conceito de incerteza. Enquanto o risco é possível de
ser mensurado a partir de dados históricos de ocorrência, a incerteza é algo imensurável em função da
inexistência de dados históricos que possam subsidiar a feitura de cálculos determinísticos.
Muito embora a imprevisibilidade do futuro não possa ser dimensionada na sua plenitude, a
tendência natural no processo de tomada de decisão é o desenvolvimento de modelos e métodos que
buscam minimizar a ocorrência de riscos. Para tanto, dados históricos conhecidos e confiáveis são
associados a técnicas de projeção e medidas estatísticas, dentre as quais o espaço amostral, a
probabilidade, ao Desvio Padrão e ao Coeficiente de Variação de Pearson. As medidas estatísticas
combinadas a outras variáveis disponíveis têm como missão traduzir quantitativamente as
probabilidades e os riscos inerentes ao processo de tomada de decisão.
Ressalta-se que a probabilidade situa-se em posição oposta ao risco. Enquanto a probabilidade
indica a possibilidade de sucesso ou alcance do benefício pretendido com o processo de tomada de
decisão o risco, por sua vez, indica a possibilidade de insucesso. Como exemplo, se um determinado
evento tem uma probabilidade de ocorrência de 70% (setenta por cento), então a ocorrência desse
evento, embute um risco de 30% (trinta por cento) para um espaço amostral de 100% (cem por cento).
No que tange ao conceito de probabilidade (Gilberto Martins, 2009, p.72) afirma que: “consciente
ou inconscientemente essa medida é usada por qualquer indivíduo que toma decisões em situações de
risco e de incerteza mesmo que, em diversas ocasiões, sejam desconhecidas as regras para o seu
cálculo”.
São várias as situações em que se torna desejável se dispor de uma medida (avaliação numérica)
de quão provável é a ocorrência de determinado evento futuro, tais como o lançamento de um novo
produto, a obtenção de lucros em uma operação comercial, a compra de ações de empresa listada na
bolsa de valores visando obter rentabilidade, quantificação da ocorrência de fraudes corporativas
visando à antecipação de medidas de segurança, entre outras.

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Muito embora a probabilidade tenha um amplo significado e grande aplicabilidade, ela pode ter a
sua origem em bases objetivas e também em bases subjetivas.
A probabilidade de base objetiva baseia-se na freqüência com que cada evento tende a ocorrer em
razão de dados históricos disponíveis e devidamente catalogados.
A probabilidade de base subjetiva fundamenta-se na crença pessoal, na intuição, na
experimentação (tentativa de acerto e erro) e na experiência daquele responsável pela tomada de
decisão. Por exemplo:
Em uma região já explorada economicamente a prospecção de petróleo indica que, independente
da exaustão do poço, para cada 100 tentativas 75 em média tiveram sucesso. Nesse caso, a
probabilidade objetiva é de 75% e o risco embutido é de 25%.
Todavia, em outra região ainda não prospectada, estudos geológicos indicaram a presença de
petróleo economicamente explorável. Nesse caso, os estudos geológicos podem subsidiar uma
probabilidade subjetiva passível de ser estabelecida aleatoriamente.
Para determinação da probabilidade objetiva para eventos associados ao processo de tomada de
decisão emprega-se a Curva de Distribuição Normal. Muito embora existam outros métodos para
determinação da probabilidade, a Curva de Distribuição Normal é aquela mais difundida para essa
finalidade.
Afirma Martins (2010, p.122) que, a Curva de Distribuição Normal foi deduzida originalmente pelo
matemático francês Abraham de Moivre, em 1753, que também foi pioneiro em usar princípios atuariais
e de base científica para o cálculo de seguros de vida. Posteriormente a Curva de Distribuição Normal foi
aperfeiçoada pelo matemático, físico e astrônomo francês Pierre Simon de Laplace, em 1774, que
desenvolveu um sistema matemático de raciocínio indutivo baseado em probabilidades. Por fim, em
1809, a Curva de Distribuição Normal recebeu a contribuição de Johann Carl Friedrich Gauss
proeminente matemático e cientista alemão, que contribuiu significativamente para muitos campos do
conhecimento, notadamente a teoria dos conjuntos, modelos estatísticos de análise, geometria
diferencial, geofísica, geodésica, eletrostática, astronomia e ótica. Assim, a Curva de Distribuição Normal
é conhecida também por Distribuição de Gauss e, ainda, por Distribuição de Gauss-Laplace. A Curva de
Distribuição Normal será tratada a seguir.

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13.1 Aplicação da Curva de Distribuição Normal na determinação da Probabilidade

A Curva de Distribuição Normal constitui-se na base teórica de toda a inferência estatística e


paramétrica partindo do pressuposto de que as variáveis que descrevem fenômenos naturais, sociais e
econômicos apresentam o número de ocorrências dos seus elementos próxima da distribuição normal.
Assim, o número de ocorrências ou freqüência f(x) de cada elemento da variável quantitativa (x)
costuma apresentar-se em forma de sino e simétrica em relação à média do conjunto considerado na
análise.
Para Bruni (2010, p.144), os conceitos associados à distribuição normal são simples. Em torno da
média ou valor central da amostra ou do universo registra-se maior número de ocorrências dos
elementos ou maior probabilidade. Na medida em que ocorre o afastamento da média registra-se menor
número de ocorrências dos elementos ou menor probabilidade.
Para ilustrar essa afirmação, ao se considerar a altura média da população de um município como
1,75m, haverá maior probabilidade de se encontrar um maior número de indivíduos (elementos do
conjunto) com alturas próximas a essa média, por exemplo, 1,73m ou 1,76m. Contudo, o número de
indivíduos (elementos do conjunto) com alturas bem acima ou bem abaixo dessa média, por exemplo,
2,05m e 1,45m, terá menor probabilidade de ocorrência.

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A determinação da probabilidade do número de ocorrências de cada elemento elemento (x) em


um conjunto de dados em associação com a Curva de Distribuição Normal depende do Desvio padrão do
conjunto, simbolizado por “s”, medida estatística indica o nível de dispersão ou de afastamento de todos

os elementos do conjunto em relação à sua média, esta simbolizada por “ X ”.


Assim, quanto menor for o Desvio Padrão do conjunto de dados menor será a dispersão dos
elementos do conjunto em relação à sua média resultando em uma Curva de Distribuição mais achatada
ou concentrada. Por outro lado, quanto maior for o Desvio Padrão do conjunto de dados maior será
dispersão dos elementos do conjunto em relação à sua média resultando em uma Curva de Distribuição
mais larga ou desconcentrada.
Contudo, se a natureza da análise exigir a avaliação do grau de dispersão dos elementos de dois ou
mais conjunto de dados, podem surgir três situações distintas:
 Dois ou mais conjuntos de dados que possuem a mesma Média e Desvios Padrão diferenciados;
 Dois ou mais conjuntos de dados que possuem Médias diferenciadas e Desvios Padrão iguais;
 Dois ou mais conjuntos de dados que possuem Médias e Desvios Padrão diferenciados.
Essa natureza de análise exige a incorporação de outra medida estatística denominada de
Coeficiente de Variação de Pearson (CV) que relaciona a Média e o Desvio Padrão apresentando o
resultado na forma percentual. Nesse caso, o conjunto de dados que apresentar maior Coeficiente de
Variação (CV) será aquele cujos elementos estão mais dispersos.
O Coeficiente de Variação de Pearson é obtido a partir da seguinte expressão matemática:

Para a primeira situação considerar o exemplo do conjunto de dados “1” apresenta média igual a
10,00 e Desvio Padrão igual a 1,60. O conjunto de dados “2” apresenta média também igual a 10,00,
porém com Desvio Padrão igual a 6,97. Nesse caso, como os dois conjuntos de dados possuem a mesma
média é possível se afirmar com segurança que os elementos do conjunto de dados “2”, em função de
um Desvio Padrão maior, são mais dispersos do que os elementos do conjunto de dados “1”, de Desvio
Padrão menor. Essa afirmação é confirmada pela aplicação do Coeficiente de Variação para os dois
conjuntos de dados.

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Conjunto “1”

Conjunto “2”

Graficamente a Curva de Distribuição Normal do Conjunto de dados “2” apresenta-se mais larga e
desconcentrada conforme demonstra a figura abaixo.

Para a segunda situação considerar o exemplo do conjunto de dados “1” apresenta média igual a
14,00 e Desvio Padrão igual a 1,60. O conjunto de dados “2” apresenta média igual a 18,00, e Desvio
Padrão também igual a 1,60. Nesse caso, como os dois conjuntos de dados possuem Médias diferentes e
Desvios Padrão iguais, somente através da aplicação do Coeficiente de Variação de Pearson será possível
determinar aquele que possui os seus elementos mais dispersos.

Conjunto “1”

Conjunto “2”

Pelos resultados obtidos é possível se verificar que o Conjunto de dados “1” apresenta maior
dispersão de dados do que o Conjunto de dados “2”. Graficamente a Curva de Distribuição Normal do
Conjunto de dados “1” apresenta-se mais larga e desconcentrada conforme demonstra a figura a seguir.

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Para a terceira situação considerar o exemplo do conjunto de dados “1” apresenta média igual a
14,00 e Desvio Padrão igual a 1,60. O conjunto de dados “2” apresenta média igual a 18,00, e Desvio
Padrão também igual a 6,97. Nesse caso, como os dois conjuntos de dados possuem Médias diferentes e
Desvios Padrão diferentes, também somente através da aplicação do Coeficiente de Variação de Pearson
será possível determinar aquele que possui os seus elementos mais dispersos.

Conjunto “1”

Conjunto “2”

Pelos resultados obtidos é possível se verificar que o Conjunto de dados “2” apresenta maior
dispersão de dados do que o Conjunto de dados “1”. Graficamente a Curva de Distribuição Normal do
Conjunto de dados “2” apresenta-se mais larga e desconcentrada conforme demonstra a figura abaixo.

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Cada elemento de um conjunto de dados situa-se sob a Curva de Distribuição Normal e a sua
probabilidade é definida pelo número de desvios-padrão que corresponde ao seu afastamento em
relação à média. Assim, quanto maior for o número de desvios padrão individual de cada elemento do
conjunto de dados maior será o seu será o afastamento em relação à média e menor será a
probabilidade de ocorrência.
Para se definir o afastamento de cada elemento em relação à media é necessário primeiramente
se determinar o desvio-padrão de todo o conjunto de dados. Para tanto, é utilizada a seguinte expressão
matemática:

Para ilustrar, considerando o conjunto de dados relativos à altura da população do município, em


que a média é 1,75m e as alturas consideradas são 1,45, 1,73m e 1,76m e 2,05m o desvio padrão
corresponde a 0,25 que é determinado seguindo o seguinte procedimento:

n x X x  X (x  X ) 2
1 1,45 1,75 -0,3000 0,0900
2 1,73 1,75 -0,0200 0,0004
3 1,76 1,75 0,0100 0,0001
4 2,05 1,75 0,3000 0,0900
 0,1805
n-1 3
s 0,25

Determinado o desvio padrão do conjunto de dados a etapa seguinte é se definir o número de


desvios padrão de cada elemento de um conjunto de dados. Utiliza-se, para tanto, a seguinte expressão
matemática:

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Há que se ressaltar, contudo, que cada conjunto de dados resulta em uma curva de distribuição
normal específica caracterizada por sua média e seu próprio desvio padrão e, para determinação do
afastamento de elemento do conjunto em relação à média e a sua probabilidade exigiria um volume
significativo de cálculos. Para facilitar simplificar essa operação tarefa foi desenvolvida uma tabela
padronizada que apresentam valores para áreas situadas sob a curva de distribuição normal (BRUNI,
2010, p.146).
A tabela padronizada, apresentada como anexo, permite que, através da variável Z, que também é
denominada de Score Z, se possa verificar a posição de cada elemento de um conjunto de dados sob a
curva de distribuição normal. A variável Z da tabela padronizada é obtida através da seguinte expressão
matemática:

Onde:

Definida a variável Z e correlacionando-a com dados da tabela padronizada é possível se


determinar o número de desvios padrão ou afastamento do elemento sob análise em relação à media
do conjunto de dados indicando, por conseguinte, a sua probabilidade.
Ressalta-se que, se a área total da curva de distribuição normal é de 100%, que corresponde à
probabilidade máxima de ocorrência de um evento, essa curva pode ser subdividida em duas partes
iguais de 50% de probabilidades para a esquerda da média, indicando a variável Z com tendência
negativa, e 50% para a direita da média indicando a variável com tendência positiva.
Para essa situação a tabela padronizada adotada o princípio de simetria, ou seja, independente do
sinal positivo ou negativo para a variável Z, o fator correspondente ao número de desvios padrão será
único. Esse mesmo princípio é utilizado para determinação da probabilidade correspondente que é
obtida subtraindo-se o fator correspondente à variável Z do fator “0,50” que corresponde a 50% da
curva. O resultado obtido com a subtração deve ser multiplicado por “100” obtendo-se a probabilidade
na forma percentual. A consulta aos livros especializados de Estatística permite que se verifique a
demonstração matemática relativa a esse fenômeno.

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

Utilizando-se a tabela padronizada para determinar a probabilidade das alturas 1,45m 1,73m,
1,76m e 2,05m no conjunto de dados relativos à altura da população do município em que a média é de
1,75m e considerando-se o desvio padrão do conjunto de 0,25 são obtidas as seguintes informações:

Altura de 1,45m:

Altura de 1,73m:

Altura de 1,76m:

Altura de 2,05m:

Para determinar a probabilidade de cada uma das alturas considerando o número de desvios
padrão de afastamento de cada elemento em relação à média do conjunto a de dados são obtidas as
seguintes informações:

Altura de 1,45m:
Altura de 1,73m:
Altura de 1,76m:
Altura de 2,05m:
O resultado obtido comprova a hipótese de que quanto mais afastada a altura for da média da
população do município menor será a sua probabilidade, o que é demonstrado pela figura a seguir.

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Ao se relacionar a curva de distribuição normal com o processo de tomada de decisão de


investimento, no aspecto quantitativo, os projetos que apresentassem maior dispersão de dados,
portanto, maiores afastamentos em relação a uma média definida implicariam maiores riscos e menos
probabilidade de sucesso. Por outro lado, projetos que apresentassem maior concentração de dados,
portanto, menores afastamentos em relação à media definida implicariam em menores riscos e maior
probabilidade de sucesso. Na análise da viabilidade econômico-financeira de projetos de investimento
sob condição de risco, a média definida recebe a denominação de Valor Esperado.
Esses conceitos serão utilizados no capítulo seguinte que trata da análise de sensibilidade.

EXERCÍCIO PARA FIXAÇÃO

Segundo levantamento realizado pelo IBGE, o salário médio do Município de Catalão no ano de 2008 foi
de R$ 1.145,00 apresentando um desvio padrão de R$ 183,20; o salário médio do Município de
Niquelândia foi R$ 1.224,42 com um desvio padrão de R$ 198,45.
Observadas essas informações e utilizando os conceitos do Coeficiente de Variação (CV) e da curva de
distribuição normal, determine:
a) Qual dos municípios, em razão da dispersão de dados, apresenta um salário médio mais próximo
da sua realidade;
b) Qual a probabilidade de que um operário da empresa Ultrafértil, com sede no Município de
Catalão, receber um salário de R$ 1300,00;
c) Qual a probabilidade de que um operário da Companhia de Níquel Tocantins, com sede no
Município de Niquelândia receber um salário de R$1.120,00.
d) Qual a probabilidade, em cada um dos municípios, de um operário receber um salário de R$
900,00.

Para complementação dos conceitos abordados neste capítulo são recomendam-se as seguintes
obras como referência:
BRUNI Adriano Leal. Estatística Aplicada à Gestão Empresarial. São Paulo: Atlas, 2010. Capítulos
4, 6,7.
MARTINS, Andrade Martins. Estatística Geral e Aplicada. São Paulo: Atlas: 2010. Capítulos 2, 3 e
4.

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14. AVALIAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA DE PROJETOS SOB CONDIÇÕES DE RISCOE


Conforme destacado no capítulo anterior, Independente da natureza de um projeto, o objetivo
pretendido ou agente responsável pela sua implantação este sujeita-se à imprevisibilidade do futuro,
pois, em sua grande maioria, as decisões são tomadas em ambiente de incerteza em relação aos
resultados pretendidos.
Para Assaf Neto (2003, p. 333): “Por estarem essas decisões fundamentalmente voltadas para o
futuro, é imprescindível que se introduza a variável incerteza como um dos mais significativos aspectos
de estudo.”
Ainda de acordo com Assaf Neto: “Toda vez que a incerteza associada a determinado evento é
possível de ser quantificada por meio da atribuição de probabilidades associadas aos resultados
previstos, diz-se que a decisão está sendo tomada em situação de risco”.
Ressalta-se novamente a diferenciação entre o conceito de risco e o conceito de incerteza.
Enquanto o risco é possível de ser mensurado a partir de dados históricos de ocorrência que, associados
a outras variáveis, permite o estabelecimento de probabilidades, a incerteza é algo imensurável em
função da inexistência de dados históricos que possam subsidiar a feitura de cálculos determinísticos.
Muito embora não seja tema central deste trabalho algumas palavras se fazem necessárias acerca
da gestão de riscos de importância crucial para as organizações em face da amplitude complexidade das
relações contemporâneas.
A moderna literatura organizacional tem divulgado vários escritos tratando sobre a importância de
uma gestão de riscos eficaz como parte essencial em qualquer processo de tomada de decisão, pois,
quando mal conduzida, pode ocasionar prejuízos imensuráveis e até colapsos financeiros.
A gestão de riscos se caracteriza como a capacidade de identificar, acompanhar e agir
preventivamente com eficácia sobre os fatores de risco no sentido de minimizar a ocorrência do
insucesso.
Conforme enfatizado no capítulo 11, o delineamento das fontes de recursos necessárias para a
realização dos projetos de investimento sejam essas fontes materiais ou físicas, humanas, intelectuais e
financeiras, a sua disponibilidade e seus custos é uma ação essencial ao estudo da viabilidade
econômico-financeira e ao próprio gerenciamento de riscos.
Um gerenciamento de riscos eficaz risco eficaz exige a manutenção de dados históricos
devidamente qualificados e catalogados, a presença de pesquisa permanente voltada para a
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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

identificação de necessidades, o cuidado com a segurança da informação, o desenvolvimento de


sistemas de controles internos confiáveis para evitar a ocorrência de fraudes e a antecipação de medidas
de segurança que possam ocasionar fragilidades.
Na esfera ainda do gerenciamento de riscos, acrescenta-se a esses elementos em destaque, a
imprescindível análise de cenários internos e externos que visa observar o comportamento de clientes e
de fornecedores, a movimentação dos concorrentes, o desempenho de autoridades de governo e a ação
desenvolvidas por outros “stakeholdes” no sentido de antecipar ações preventivas que possam ter
influência nos resultados esperados.
Um gerenciamento de riscos conduzido de forma eficaz faz com que a probabilidade de sucesso se
acentue de forma significativa. Porém, a busca por essa eficácia deve ter o cuidado de não paralisar as
atividades da organização a partir da criação de entraves que possam ocasionar dificuldades ao
desenvolvimento das ações cotidianas em função de paranóias burocráticas.
A utilização adequada e equilibrada de instrumentos de gestão de riscos possibilitará a combinação
das bases objetivas com as bases subjetivas para definição das probabilidades inerentes ao processo de
tomada de decisão a partir das quais, conceitualmente, são estabelecidos os alicerces essenciais para
dimensionamento dos riscos. Esses alicerces são: Categorias de riscos; Fatores de riscos e Tipos de riscos.
As categorias de risco indicam a possibilidade de ação daquele responsável pela tomada de decisão
e que tem como objetivo atenuar a possibilidade da não ocorrência benefício desejado. Essas são
subdivididas em Categoria de Riscos Diversificáveis e em Categoria de Riscos Não Diversificáveis.
Os riscos não diversificáveis ou sistêmicos são inerentes a todo o sistema econômico e de ação
limitada pelos agentes envolvidos.
Os riscos diversificáveis ou sistêmicos, por sua vez, são inerentes à própria organização ou setor de
atuação da organização podendo ser totalmente ou parcialmente reduzidos a partir da antecipação de
ações pelos agentes envolvidos. O diagrama a seguir apresenta essa distinção.

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Os Fatores de Risco, por sua vez, sinalizam a origem do risco podendo ser acessível ou inacessível
aos responsáveis pela tomada de decisão conforme a natureza do projeto de investimento e nível de
informação disponível. Os Fatores de Risco são subdivididos em macroeconômicos, setoriais e
específicos conforme diagrama a seguir.

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Os tipos de risco indicam a particularidade do risco envolvido para o qual a sua ocorrência pode ter
como causa, entre outras, descuido, ausência de estudos técnicos, o excesso de empirismo ou
deficiência de controle do responsável pelo processo de tomada de decisão. Em diversas ocasiões, a
rapidez para a tomada de decisão associada à expectativa de se conseguir uma posição de mercado
atraente pode ocasionar um incremento no risco envolvido. Os tipos de risco são enquadrados em duas
grandes classes: Risco Econômico (mercado, operacional, crédito e legal) e Risco Financeiro (grau de
endividamento). O diagrama a seguir apresenta resumidamente cada diferenciação.

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A avaliação econômica e financeira de projetos de investimento é uma das atividades básicas das
organizações e os cálculos utilizados para este tipo de avaliação são bem difundidos não chegando se
constituir em dificuldades quanto à sua interpretação.
Os instrumentos convencionais de análise de projetos de investimentos buscam estabelecer a
viabilidade econômica e financeira dos projetos através da comparação entre o retorno, representado
pelo seu Valor Presente Líquido (NPV), com o valor originalmente investido utilizando, para tanto, um
determinado custo de oportunidade (DAMODARAN, 1997, apud DE SOUZA, 2004).

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Entretanto, conforme se enfatizou anteriormente, independentemente da qualidade da


modelagem utilizada para a elaboração do projeto, da qualidade da fonte de dados utilizada, do
conhecimento imperfeito de fatores endógenos e exógenos e da sua inserção em cenários, podem
ocasionar situações em que o resultado obtido na realidade se distancie do resultado originalmente
esperado. Assim, a quantificação dos riscos e, se possível, das incertezas se torna um grande desafio na
análise da viabilidade eonômico-financeira dos projetos de investimento.
Frente a esse desafio, diversos trabalhos foram desenvolvidos no decorrer do Século XX visando
minimizar o distanciamento entre o retorno obtido e o resultado originalmente esperado. Dentre
outros, destacam-se o Método Monte Carlo, a Teoria das Opções Reais, o Método da Árvore de Decisão
e a Análise de Sensibilidade.
Na atualidade encontram-se disponíveis diversos aplicativos desenvolvidos com recursos
avançados da tecnologia da informação que buscam auxiliar o gerenciamento de riscos no
dimensionamento das categorias, fatores e tipos de riscos, desde que sejam alimentados com dados
coletados de fontes de alta confiabilidade e recebam tratamento prévio dotado de técnicas eficazes.
Observada a importância do gerenciamento de riscos nas organizações como instrumento de apoio
ao processo de tomada de decisão, outro elemento de relevância na avaliação de projetos de
investimento sob condições de risco é a análise de sensibilidade, que serviu de referência para o
desenvolvimento de diversos outros métodos correlacionados.

14.1 Conceito e Aplicação da Análise de Sensibilidade

Conceituada como uma metodologia para a avaliação de risco que revela, a partir da utilização de
técnicas probabilísticas, as possíveis modificações no resultado econômico-financeiro de um projeto de
investimento quando este é submetido a cenários diferenciados.
A análise de sensibilidade é um método para avaliação de riscos de grande aplicabilidade em
diversos campos do conhecimento em que, de forma direta ou indireta tenha alguma implicação
econômico-financeira em termos de custeio, estimativa orçamentária, impactos sócio-econômicos e
ambientais, etc.
Nessa linha de raciocínio são projetados diversos cenários pessimistas e cenários otimistas com o
objetivo de que resultado obtido na realidade não se distancie do resultado originalmente esperado
buscando, assim, atender as expectativas com o processo de tomada de decisão.

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O diagrama apresenta o princípio da Análise de Sensibilidade

De forma mais específica a idéia de risco está diretamente associada às probabilidades de


ocorrência ou da não ocorrência de determinados resultados em relação a um cenário idealizado a partir
da análise de diferentes resultados probabilísticos.
A combinação dos diferentes resultados probabilísticos é denominado de Valor Esperado (NPV X)
que é obtido pelo somatório dos produtos de cada probabilidade (PROB K) aplicada ao seu respectivo
resultado (NPV K). O Valor Esperado é obtido através da seguinte expressão matemática:

Onde:

O passo seguinte é determinar o Desvio Padrão (s) do Projeto em face dos cenários probabilísticos
definidos. O Desvio Padrão é obtido através da seguinte expressão matemática

OBSERVAÇÃO
Para aplicação das expressões matemáticas para obtenção do Valor Esperado (NPVX) e
do Desvio Padrão(S) a probabilidade apresentada na forma percentual deve ser
convertida para forma nominal, ou seja, o número será dividido por “100”.

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O Risco do projeto, na forma percentual, é determinado pelo Coeficiente de Variação de Pearson


que é a relação entre o Desvio Padrão do conjunto (s) e o Valor Esperado (NPV X) que é obtido através da
seguinte expressão matemática:

Onde:

A seguir será apresentado exemplo em que é aplicado o conceito da Análise de sensibilidade para
determinação do risco de um projeto de investimento.

Exemplo:
A Empresa “Y” tem a intenção de implantar em um projeto de investimento no valor de R$ 800.000,00
para expandir as suas instalações industriais com o objetivo de atender a demanda de mercado para os
próximos 5 anos. Para tanto, realizou as estimativas de dados apresentadas no quadro abaixo.

Para avaliar as condições de risco do investimento a Empresa ”Y” definiu quatro cenários probabilísticos
que estimam o comportamento futuro da receita bruta estimada em face das condições futuras de
mercado que são apresentados nos quadros a seguir:

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Com referência nos cenários probabilísticos definidos e aplicando a metodologia da Análise de


Sensibilidade, determinar o risco inerente ao projeto de investimento da Empresa “Y”.
1º Passo: Quadro Sintético de Dados

2º Passo: Determinação do Valor Esperado (NPV X)


Para determinação do NPV X aplica-se o conceito de Média Ponderada. Nesse caso, o NPV relativo a cada
cenário é ponderado é pela sua respectiva probabilidade cujo somatório resulta no valor do NPV X.

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3º Passo: Determinação do Desvio Padrão do Projeto

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4º Passo: Determinação do Risco do projeto a partir do Coeficiente de Variação de Pearson


NPVX =394.798,88
Desvio Padrão (S)= 270.341,79

Conclusão

Pelos dados apresentados (receitas brutas estimadas, custos estimados, receitas líquidas
estimadas, custo de oportunidade definido, etc.) que o projeto demonstra viabilidade econômico-
financeira representada pelo Valor Presente Líquido (NPV) apurado no cenário original, que corresponde
a R$ 352.692,54 significando um bom retorno para o investimento de R$ 800.000,00.

No entanto, quando esse projeto é submetido a cenários probabilísticos em que, para cada
cenário ocorre mudança de estimativas verifica-se que, matematicamente, o projeto demonstra está
sujeito a um risco de 68,48%, um número relativamente alto que poderia indicar, em um primeiro
momento, a decisão pela sua recusa.

No entanto, ante esse resultado, seria caberia facultado ao responsável pela tomada de decisão
solicitar estudos mais detalhados acerca dos dados levantados e previsão de comportamento frente aos
cenários definidos, onde a gerência de riscos teria um papel altamente significativo para propiciar maior
segurança quanto à decisão pelo aceite ou recusa do projeto.

Para complementação dos conceitos abordados neste capítulo são recomendam-se as seguintes
obras como referência:
BRASIL, Haroldo Guimarães. Avaliação Moderna de Investimentos. Rio de Janeiro:
Qualitymark,2002. Capitulo 12

CASAROTTO FILHO, Nelson. Elaboração de projetos empresariais: análise estratégica, estudo de


viabilidade e plano de negócio. São Paulo: Atlas, 2009

LAPPONI, Juan Carlos. Projetos de Investimento – Construção e Avaliação de Fluxos de Caixa. São
Paulo: Lapponi Editora, 2000. Capítulo 12.

NETO, Alexandre Assaf. Finanças Corporativas e Valor. São Paulo: Atlas, 2003. Cap. 17
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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

EXERCÍCIO PARA RESOLUÇÃO

1. Uma empresa está avaliando um projeto de investimento. O investimento total é de $


600.000. Pede-se calcular o Valor Presente Líquido Esperado do projeto considerando um
custo de oportunidade de 7,0% a.a. Os dados e respectivas probabilidades são apresentados a
seguir:

2. Calcule o desvio-padrão e o risco de um projeto de investimento no valor de $ 3.000.000,00


adotando um custo de oportunidade de 6%a.a e as seguintes estimativas de Fluxos de Caixa:

3. Um projeto de investimento apresenta os seguintes fluxos de caixa e probabilidades de


ocorrência, de acordo com os cenários previstos:

Considerando um custo de oportunidade de 16% a.a. Pede-se determinar:


a) NPVK do projeto para cada um dos cenários.
b) ) O Valor Presente Líquido Esperado (NPVX) e o respectivo risco do projeto.

Obs. Para os exercícios “1” e “2” as probabilidades já estão apresentadas na forma percentual e os valores referentes
aos Fluxos de Caixa correspondem à receita líquida par cada cenário.

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4. Avaliar o seguinte dados referentes ao Projeto da Fábrica SURIMI:


Primeira Parte: Elaborar o fluxo de caixa correspondente para o projeto abaixo. Na
seqüência, determinar VALOR PRESENTE LÍQUIDO (NPV) indicando se o projeto, no ponto de
vista econômico-financeiro, possui viabilidade considerando o Custo de Oportunidade de 8%
a.a.
O resultado apurado será considerado como o cenário original para continuidade do exercício.

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Segunda Parte: Determinar o Valor Presente Líquido (NPVK) para cada um dos cenários
apresentados a seguir:
CENÁRIOS ELEMENTO BÁSICO CONSIDERADO ESTIMATIVA

Cenário 2 Faturamento projetado MAIS 30%

Cenário 3 Faturamento projetado MAIS 30%

Cenário 4 Faturamento projetado MENOS 5%

Cenário 5 Faturamento projetado MENOS 5%

Terceira Parte: Utilizando a Curva de Distribuição Normal determinar a probabilidade para


cada um dos cenários apresentados, incluindo o cenário original.

Quarta Parte: A partir da determinação da probabilidade para cada um dos cenários


apresentados e utilizando o conceito da Análise de Sensibilidade determinar o Valor Esperado
(NPVX), o Desvio Padrão e o Risco do Projeto a partir do Coeficiente de Variação de Pearson.

Quinta parte: A partir do resultado que foi apurado manifestar as suas conclusões sobre a
viabilidade econômico-Financeira do projeto indicando se o mesmo é passível de ser aceito ou
passível de ser recusado.

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FUNDAMENTOS DE FINANÇAS E INVESTIMENTO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Haroldo Guimarães. Avaliação Moderna de Investimentos. Rio de Janeiro: Qualitymark,2002.

BRUNI, Adriano Leal. Estatística Aplicada à Gestão Empresarial. São Paulo: Atlas, 2010.

CASAROTTO FILHO, Nelson. Análise de investimentos: Matemática financeira, engenharia econômica,


tomada de decisão, estratégia empresarial. São Paulo: Atlas – 2000.

CASAROTTO FILHO, Nelson. Elaboração de projetos empresariais: análise estratégica, estudo de


viabilidade e plano de negócio. São Paulo: Atlas, 2009

CHIANG, Alpha. Matemática para Economistas. São Paulo: McGraw-Hill, 1982

DAMORAN, Aswath. Avaliação de Investimentos: ferramentas e técnicas para a determinação do valor


de qualquer ativo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997.

DE SOUZA, Marcelo Cardoso. Quantificação das incertezas na avaliação de Projetos: o modelo utilizado
na agência de Fomento do Estado da Bahia. Florianópolis: Dissertação de Mestrado de Mestrado, 2004.

FARIAS, Emílio E. Volz. Matemática Financeira Para Executivos. Porto Alegre: Ortiz, 1993.

GALLAGHER, Lilian [et al]. Exame de cCertificação ANBID. Rio de Janeiro: Campus, 2007.

LAPPONI, Juan Carlos. Projetos de Investimento – Construção e Avaliação do Fluxo d Caixa. São Paulo:
Lapponi, 2000.

LIMA, Iran Siqueira, [et al]. Fundamentos dos Investimentos Financeiros. São Paulo: Atlas, 2006.

MARTINS, Gilberto de Andrade. Estatística Geral e Aplicada. São Paulo: Atlas, 2010.

NETO, Alexandre Assaf. Finanças Corporativas e Valor. São Paulo: Atlas, 2003.

NETO, Jocildo Figueiredo Correia. Excel para Profissionais de Finanças. Rio de Janeiro: Campus, 2007.

PUCCINI, Abelardo de Lima. Matemática Financeira Objetiva e Aplicada. Rio de Janeiro: LTC, 1993.

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ANEXO I - TABELA DA CURVA DE DISTRIBUIÇÃO NORMAL

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ANEXO II – UTILIZAÇÃO DE FUNÇÕES BÁSICAS DA HP 12-C

A calculadora HP 12-C é uma máquina de uso relativamente simples e muito utilizada nos cálculos
de operações financeiras permitindo que se trabalhe desde funções aritméticas básicas até funções
mais complexas envolvendo fatorial, calendários, expoentes, radicais, logaritmos entre outras.

Este anexo tem por simples objetivo oferecer uma referência para que o participante possa se
familiarizar com a utilização da Calculadora HP 12-C na execução de operações financeiras, que será
reforçado durante os exercícios realizados em sala de aula consulta permanente ao manual elaborado
pelo fabricante do equipamento.

A Calculadora HP 12-C, mesmo com o surgimento de alternativas para a realização de cálculos


financeiros tais a planilha Excel e outros aplicativos semelhantes, tem tido grande margem de utilização
em razão da sua portabilidade, tempestividade na apresentação de resultados e facilidade de manuseio
a partir de alguns conhecimentos básicos.

A seguir são apresentados alguns princípios básicos necessários à utilização da calculadora.

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FUNÇÕES ARITIMÉTICAS BÁSICAS

+ - X  CHS ENTER

OPERAÇÃO AÇÃO VISOR

4+8 4 ENTER 8 + 12

5 + 10 5 ENTER 10 + 15

15 - 5 15 ENTER 5 - 10

20 - 8 20 ENTER 8 - 12

- 400 + 600 400 CHS ENTER 600 + 200

7X4 7 ENTER 4 X 28

50 X 10 50 ENTER 10 X 500

- 800 X 10 800 CHS ENTER 10 X - 8000

800  100 800 ENTER 100  8

1500  15 1500 ENTER 15  100

REGISTRADORES DE ARMAZENAMENTO E RECUPERAÇÃO DE DADOS ARMAZENADOS


A CALCULADORA HP 12 C POSSUI 20 MEMÓRIAS PARA ARMAZENAMENTOS ASSIM COMPREENDIDAS:

TECLAS: STO 0 A STO 9 E STO.0 A STO.9

DESSAS MEMÓRIAS CINCO PODEM SER UTILIZADAS TANTO PARA ARMAZENAMENTO COMO PARA
CÁLCULOS ARITMÉTICOS, ASSIM COMPREENDIDAS:

TECLAS; STO 0 A STO 4

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A RECUPERAÇÃO DE QUALQUER VALOR QUE FOI ARMAZENADO É REALIZADA ATRAVÉS DA TECLA RCL
VINCULADA Á MEMÓRIA CORRESPONDENTE

TECLAS: RCL 0 a RCL .9

OPERAÇÃO AÇÃO RECUPERAÇÃO

Armazenar 8 na memória 0 8 STO 0 RCL 0


NO VISOR 8
Armazenar 20 na memória 4 20 STO 4 RCL 4
NO VISOR 20
Armazenar 100 na memória .9 100 STO.9 RCL .9
NO VISOR 100
Adicionar o valor da memória 4 RCL 4 STO 0 RCL 0
à memória 0 NO VISOR 28
Dividir por 7 o valor 7 STO  0 RCL 0
armazenado na memória 0 NO VISOR 4
Multiplicar 10 o valor 1O STO X 4 RCL 4
armazenado na memória 4 NO VISOR 200
Multiplicar por 50 o valor 50 STO X .9 _
armazenado na memória.9 ERROR

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FUNÇÕES PARA CÁLCULOS DE PERCENTAGEM

TECLAS: % % %T

OPERAÇÃO AÇÃO VISOR

Calcular 25% de 120 120 ENTER 25 TECLA % 30

Calcular 50% de 80 80 ENTER 50 TECLA % 40

Calcular a variação 40 ENTER 80  % 100


percentual entre 40 e 80

Calcular a variação 80 ENTER 40  % - 50


percentual entre 80 e 40

Calcular o percentual 240 ENTER % T 25


que 60 representa de 240

Calcular o percentual 1000 ENTER 100 % T 10


que 100 representa de
1000

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FUNÇÕES PARA CÁLCULO DE POTENCIAÇÃO, RADICIAÇÃO, FATORIAL E LOGARÍTMOS.

TECLAS: ENTER YX 1/X  g (azul) LN  n!

OPERAÇÃO AÇÃO VISOR


Calcular 8 elevado a 4ª 8 ENTER 4 Y X 4096
potência
Calcular 2 elevado a 10ª 2 ENTER 10 Y X 1024
potência
Calcular 4 elevado 3 /5 4 ENTER 3 ENTER 2,29739
5YX
Calcular a raiz 4ª de 16 16 ENTER 4 1/X Y 2
X
(expoente
Calcular a raizfracionário)
7 de 1,38789 1,38789 ENTER 7 1,047940
1/X Y X
Calcular a raiz quadrada de 16 ENTER 2 1/X Y 2
X
16

(expoente frecionário) 16 g 
OPERAÇÃO AÇÃO VISOR

Calcular a fatorial de 6 6 ENTER g n! 720

ou 6!
Calcular a fatorial de 10 10 ENTER g n! 3628800

ou 10!
Calcular o Log de 100 na base 100 g LN 10 g LN 2
10 
Calcular o Log de 64 na base 8 64 g LN 8 g LN  2

Calcular o Log de 1,16833 na 1,16833 g LN 10 g 0,067566


base 10 LN 
Calcular o Log de 1024 na base 1024 g LN 2 g LN 10
2 
Calcular o Log natural de 100 100 g LN 4,605170
base Neperiana (2,718....)

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FUNÇÕES RELACIONADAS A CÁLCULOS ESTATÍSTICOS

Média aritmética, Desvio Padrão, Média Ponderada.


Teclas: f g, ENTER  X ѕ

Calcular a Média Aritmética e o desvio padrão para a seguinte série:


10, 20, 30, 40, 50,60.
f 

10  + visor aparece 1

20  + visor aparece 2

30  + visor aparece 3

40  + visor aparece 4

50  + visor aparece 5

60  + visor aparece 6 g x Visor aparece 35 g s Visor aparece 18,70

Calcular a Média Ponderada para seguinte série:


10 peso 5; 8 peso 4; 7 peso 3; 4 peso 2
f 

10 ENTER 5  Visor aparece 1

8 ENTER 4  Visor aparece 2

7 ENTER 3  Visor aparece 3

4 ENTER 2  Visor aparece 4 g xw visor aparece 7,93

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Calcular a Média Ponderada para as seguintes séries:


A  10, 20, 30, 40, 50, 60.
B  6, 5, 4, 3, 2, 1.
f 

10 ENTER 6  Visor aparece 1

20 ENTER 5  Visor aparece 2

30 ENTER 4  Visor aparece 3

40 ENTER 3  Visor aparece 4

50 ENTER 2  Visor aparece 5

60 ENTER 1  Visor aparece 6

g x Visor aparece 35  Série A xy Visor aparece 3  Série B

FUNÇÕES CALENDÁRIO – acesso prefixo azul (g)

Formato (Dia, Mês, Ano)  g D.MY Formato (Mês, Dia, Ano)  g M.DY

NÚMERO DE DIAS ENTRE DUAS DATAS - acesso prefixo branco e azul

Base Ano Civil


Teclas ENTER g ∆ DYS Base ano Comercial Teclas ENTER g ∆ DYS x y

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CÁLCULO DE DATAS FUTURAS E PASSADAS - acesso prefixo branco e azul

Teclas: ENTER g DATE

OPERAÇÃO AÇÃO VISOR

Calcular o nº de dias entre


10.082002 ENTER
10 Ago 2002 e 20 Out 2003 na 436
20.10.2003 g ∆ DYS
base civil
Calcular o nº de dias entre
10.082002 ENTER
10 Ago 2002 e 20 Out 2003 na 430
20.10.2003 g ∆ DYS
base comercial
xy

Calcular que dia da semana 20, 10,2003 1


20.102003 ENTER
corresponde a data de 20 Out
0 g DATE
2003 1 corresponde a segunda-

Calcular a data que feira 6,12,2003 6


17.102003 ENTER
corresponde de hoje, 17 Out 2003, 6 corresponde a um sábado
50 g DATE
a 50 dias

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REGISTRADORES FINANCEIROS
Limpeza de Registradores Financeiros  f fin
Teclas: n i PV PMT FV CHS - acesso prefixo branco
Teclas: 12x 12  Cfo CFj Nj END - acesso prefixo azul (g)

OPERAÇÃO AÇÃO VISOR

Calcular o valor da
prestação para um
f fin g END
financiamento de $3.500,00 - 293,18
3500 PV 15 N 3 i PMT
no prazo 15 meses à taxa de
3% aoCalcular
mês o valor da
f fin g END
prestação para um - 252,43
financiamento de $3.500,00 3500 PV 15 N 12 g i

no prazo 15 meses à taxa de PMT

12% ao ano
Calcular o valor do
saldo devedor após o 293,18 CHS PMT 3 i 7 N - 1826,59
pagamento da 8ª prestação
PV
de $ 293,18 de um
financiamento contratado no
prazo Calcular o montante
de 15 meses à taxada
de f fin
dívida de3%
juros de umaofinanciamento
mês - 5452,88
de um financiamento de 3500 PV 15 N 3 i FV

$3.500,00 no prazo 15 meses


à taxa de 12% ao ano
Calcular o montante de
f fin g END
uma aplicação financeira ao
293,14 PMT 15 N 3 i
final de 15 meses em que se - 5452,88
FV
deposite mensalmente a
quantia de $ 293,14 sabendo-
se que essa aplicação tem
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