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Aula 00

Direito Processual Civil p/ Polícia Civil-DF (Delegado)


Professor: Gabriel Borges

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Direito Processual Civil PC DF
Teoria e Exercícios comentados
Prof. Gabriel Borges Aula 00

DIREITO PROCESSUAL CIVIL P/ DELEGADO DA PC-DF

AULA 00: JURISDIÇÃO

Apresentação do curso

Primeiramente, quero dizer que é um grande prazer encarar este desafio com
vocês. Faremos um curso de teoria e exercícios voltado para o concurso do DELEGADO
DA PC-DF.

Faremos um curso bastante didático, deixando de lado a linguagem


excessivamente técnica e a formalidade. Utilizaremos recursos visuais: marcadores de
texto, negrito e muitas questões de concurso, no corpo da aula, bem como ao final.

As questões são de provas passadas e eventualmente inéditas (elaboradas pelo


próprio professor). O objetivo é preparar o candidato para resolução de questões no grau
de complexidade que a banca tem atribuído aos certames mais concorridos.

O curso visa a preparar os candidatos para o cargo de DELEGADO. Será um


curso de 04 encontros, além deste, em que iremos trabalhar todo o conteúdo exigido pela
FUNDAÇÃO UNIVERSA, por meio de teoria e exercícios de concursos anteriores. Além
das questões elaboradas pela FUNDAÇÃO UNIVERSA, resolveremos questões de outras
bancas, para darmos ao conteúdo um tratamento completo e com foco na sua preparação
para o certame.
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 Sobre o Prof. Gabriel Borges

O Professor Gabriel Borges graduou-se em Jornalismo e Direito, cursou pós-


graduação em Direito Público e Mestrado em Relações Internacionais. Em 2008 foi
aprovado no concurso de Analista de Comércio Exterior, sendo lotado de imediato no
Gabinete do Ministro, onde trabalhou com a redação de pronunciamentos para
autoridades do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Realizou
estudos na Escola Superior de Guerra – ESG, e em julho de 2011 tornou-se o primeiro
servidor do ciclo de gestão a integrar a Consultoria Jurídica junto ao MDIC. No ano de

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2012, foi aprovado para o cargo de Consultor Legislativo do Senado. Em maio de 2014,
tomou posse no Senado.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Este curso é protegido por direitos autorais


(copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a
legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.

Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os


professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe
adquirindo os cursos honestamente através do site Estratégia Concursos ;-)

 Vamos ao nosso cronograma.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL P/ DELEGADO DA PC-D

AULA CONTEÚDO DATA

Jurisdição: natureza; conceito; características;


espécies; problemática da jurisdição voluntária;
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princípios; equivalentes jurisdicionais (autotutela,
autocomposição, mediação e arbitragem).

Competência. Conceito, critérios de distribuição,


espécies. Identificação do foro competente.
Modificações (conexão, continência, prevenção),
perpetuatio jurisdictionis, conflitos positivos e
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negativos. Competência interna e internacional


(concorrente e exclusiva), homologação de
sentença estrangeira. Competência da justiça
federal.

Estrutura constitucional (poder judiciário,


organização judiciária, atividade jurisdicional,
Aula 2 atividades essenciais à justiça); Jurisdição 22/1
constitucional das liberdades e seus principais
mecanismos: habeas corpus no processo civil;
mandado de segurança individual e coletivo;

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habeas data; ação popular; ação civil pública;


natureza, conceitos, hipóteses de cabimento e
detalhes procedimentais de cada modalidade.

Continuação da Aula 02. Tutela. Tutelas jurídica e


jurisdicional; tutelas processual e satisfativa;
tutelas inicial e final. Tutelas de urgência: conceito,
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espécies, extensão, profundidade. Antecipação
dos efeitos da tutela: natureza, conceito,
características e limites.

Tutela cautelar: natureza e conceito; distinção em


relação à antecipação de tutela. Poder geral de
cautela. Cautelares inominadas: pressupostos,
espécies, procedimento cautelar. Cautelares
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nominadas (detalhes e procedimentos): arresto,
sequestro, caução, busca e apreensão, exibição,
produção antecipada de provas, protestos,
notificações e interpelações, atentado.

SUMÁRIO PÁGINA

1. Apresentação 02

2. Cronograma 03

3. Capítulo I: Jurisdição
Introdução
1. Equivalentes Jurisdicionais 00000000000

1.1. Classificação
1.1.1 Jurisdição voluntária versus jurisdição contenciosa
1.1.2. Classificação dos procedimentos de jurisdição
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voluntária
1.2. Escopos da jurisdição
1.3. Princípios inerentes à jurisdição
1.3.1. Investidura
1.3.2. Territorialidade
1.3.3. Indelegabilidade

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1.3.4. Inevitabilidade
1.3.5. Inafastabilidade
1.3.6. Juiz Natural
1.4. Características

4. Resumo 33

5. Questões comentadas 36

6. Lista das questões apresentadas 42

7. Gabarito 43

8. Bibliografia 44

CAPÍTULO I: DA JURISDIÇÂO

São quatro os institutos que estruturam o processo civil, a saber: a jurisdição, a


ação, a defesa e o processo. Eles são elementos nucleares para a ciência processual,
pois possuem uma relação direta ou indiretamente com as demais normas.

JURISDIÇÃO AÇÃO DEFESA PROCESSO

É uma atividade típica do Direito de iniciar, Direito de Encadeamento


Estado, em que o juiz participar e obter, do resposta – de atos que visa
busca pacificar os litígios, Poder Judiciário, ampla defesa e um fim – resposta
aplicando, ao caso uma resposta ao contraditório. judicial ao pedido
concreto, normas legais. processo. formulado.
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INTRODUÇÃO
O conflito é uma característica inerente do ser humano. Quando não havia um
Estado organizado, a solução dos conflitos dava-se pela atuação dos próprios
interessados - aquele que dispusesse de maior força ou sagacidade vencia a disputa. A
solução dos conflitos consolidava-se, desse modo, por instrumentos parciais.

A partir da consolidação do Estado, passou a existir um poder central para a


solução dos conflitos, o poder estatal. Ao poder judiciário, não participante do litígio,

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portanto imparcial, atribuiu-se a função de aplicar a lei, em regra abstrata, em busca da


pacificação social. Atribuiu-se a ele o chamado poder jurisdicional.

Percebam, então, que a consolidação de um poder central veio acompanhada de


um sistema que desse segurança jurídica à sua população, sob risco de o poder central
ser mera peça de manobra de forças preponderantes.

São duas figuras indissociáveis: 1) O Poder Central (Estatal) e 2) a instituição de


um controle imparcial da conduta dos jurisdicionados. Imaginem a existência de uma
sociedade onde não há segurança jurídica, onde não se sabe ao certo como garantir a
propriedade sobre seus bens e a justeza no conflito com seus pares... Esse cenário
impediria os indivíduos de buscarem prosperidade porque estariam voltados, a todo
momento, para questões de segurança. A jurisdição veio dar ao Estado a legitimidade
para agir em nome do interesse público e ao jurisdicionado a segurança jurídica para
prosperar.

Em seu conceito tradicional, jurisdição é o poder de resolver um conflito entre as


partes, substituindo a vontade delas pela da lei. Ela tem como característica a
substitutividade, que consiste em dizer que o Estado, na figura do juiz, ao solucionar a
lide, estaria substituindo a vontade das partes, proibindo a elas de estarem, em regra,
fazendo valer a justiça do mais forte. No entanto, não é somente quando há conflito entre
as partes que o poder estatal atua, nem é sempre que há substituição da vontade das
partes.

Na concepção moderna, jurisdição é a atuação estatal ao caso concreto; uma


atuação com caráter de definitividade – diz respeito à imutabilidade da sentença, que faz
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coisa julgada material –, objetivando a pacificação social.

Assim, a jurisdição consiste no poder conferido ao estado, por meio dos seus
representantes, de atuar no caso concreto quando há situação que não pôde ser dirimida
no plano extrajudicial, revelando a necessidade da intervenção do estado para que a
pendenga estabelecida seja solucionada.

De modo sucinto, Marcus Vinícius R. Gonçalves define Jurisdição como a:


“Função do Estado, pela qual ele, no intuito de solucionar os conflitos de interesse em

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caráter coativo, aplica a lei geral e abstrata aos casos concretos que lhe são submetidos”.
(Direito Processual Civil Esquematizado).

Há entendimento da doutrina de que o poder jurisdicional não se restringe a dizer


o direito (juris-dicção), alcança também a imposição do direito (juris-satisfação).
Obviamente, não é suficiente esperar que o Estado apenas diga o caminho a ser trilhado,
espera-se que o poder estatal faça o direito ser efetivamente aplicado. Por isso, o Estado-
juiz, por meio do seu poder jurisdicional, tem a capacidade de impor suas decisões. É um
poder coativo.

Dúvida: Qual dos três poderes, da clássica divisão montesquiana, é responsável


pela jurisdição? Ela é atribuída ao poder judiciário como função típica, mas também a
outros poderes, como função atípica. Exemplo: processo de impeachment, que pode ser
conduzido pelo legislativo, ou das sindicâncias, pelo poder executivo.

“A jurisdição é função atribuída a terceiro imparcial (a) de realizar o


Direito de modo imperativo (b) e criativo (c),
reconhecendo/efetivando/protegendo situações jurídicas (d)
concretamente deduzidas (e), em decisão insuscetível de controle
externo (f) e com aptidão para tornar-se indiscutível (g).” (Curso de
Direito Processual Civil, vol. I. Didier Jr., Fredie, pág. 83)

Esse conceito moderno apresentado por Didier deve ser analisado, pois está de
acordo com a realidade das transformações por que passou o Estado. Vejamos cada
elemento elencado no conceito.

a) Terceiro imparcial: na solução


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da lide utiliza-se a técnica de


heterocomposição – o conflito é solucionado por um agente exterior à
relação conflituosa original. Os sujeitos do processo submetem a terceiro seu
conflito, em busca de solução. Chiovenda chama essa heterocomposição de
substutividade, sendo esta a característica que diferencia jurisdição das outras
funções estatais.

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Ok! E o que é substutividade? Bem pessoal, como falamos há pouco a


substitutividade consiste em dizer que o Estado, na figura do juiz, ao solucionar a lide,
está substituindo a vontade das partes, já que elas estariam proibidas de, em regra, fazer
valer a justiça do mais forte (característica do conceito de jurisdição tradicional).

(TJ ES 2011) Acerca da função jurisdicional, da ação e suas características, julgue o


item seguinte.

A função jurisdicional é, em regra, de índole substitutiva, ou seja, substitui-se a vontade


privada por uma atividade pública.

a) Certo

b) Errado

Gabarito: Certo
É importante não se confundir neutralidade com imparcialidade. Neutralidade é o
mito que se sustenta na possibilidade de o juiz não ter vontade inconsciente; segundo a
qual predominaria a vontade dos sujeitos processuais e não o interesse geral da justiça.

A imparcialidade, por seu turno, determina que o magistrado não pode ter
interesse na lide, bem como possui o dever de tratar as partes com igualdade, garantindo
o contraditório em paridade de armas.

b) Manifestação de Poder: a jurisdição coloca-se de modo imperativo, aplicando


o direito a situações que são levadas ao Estado, ao órgão jurisdicional.
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c) Atividade criativa: “cria-se a norma jurídica do caso concreto, bem como se


cria, muitas vezes, a própria regra abstrata que deve regular o caso concreto.”
(Curso de Direito Processual Civil, vol. I. Didier Jr., Fredie, pág. 86). As
normas não são capazes de determinar todas as decisões dos Tribunais. Há
necessidade de interpretação ou confirmação da consistência dos textos
normativos quando aplicados ao caso concreto. Dessa forma, cabe aos
Tribunais interpretar, construir e distinguir os casos para formulação da
decisão. Eles exercem um papel singular na produção normativa.

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d) Técnica de tutela: a jurisdição é considerada uma importante técnica de


tutela de direitos. A proteção jurídica deve contemplar todas as situações
jurídicas.

e) Situação jurídica concreta: a jurisdição atua em situações concretas.


Exemplo: ameaça de lesão a direitos (em que se requer uma tutela inibitória).

f) Impossibilidade de controle externo da função jurisdicional: uma das


características da função jurisdicional é a capacidade de produzir a última
decisão sobre o caso concreto deduzido em juízo: ao caso aplica-se o Direito
sem que aja possibilidade de apreciação, controle de outro poder. A jurisdição
é controlada, somente, pela própria jurisdição.

g) Aptidão para tornar-se indiscutível: sabemos que a coisa julgada é uma


situação jurídica referente às decisões jurisdicionais, exclusivamente. Só uma
decisão judicial pode vir a ser indiscutível e imutável pela coisa julgada
material. No entanto, não podemos deduzir que somente haverá jurisdição se
houver coisa julgada, pois esta é uma opção política do Estado. Há casos em
que o legislador não retira das decisões a aptidão de submeter-se à coisa
julgada, mas isso não aniquila a jurisdicionalidade das decisões. Ora, a coisa
julgada é um elemento a posteriori da decisão e, portanto, não pode ser
elemento ou característica de existir da decisão. É fato que somente a
jurisdição possui a característica da definitividade – diz respeito ao caráter de
imutabilidade da sentença, que faz coisa julgada material (característica do
conceito moderno de jurisdição).
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No intuito de preencher todas as possíveis formas de ser cobrado o conceito de


jurisdição, vamos compreendê-lo de uma outra perspectiva. A doutrina diz que a
jurisdição é o poder que o estado avocou para si de dizer o direito, de fazer justiça, em
substituição aos particulares. Podemos, na realidade, dizer que a jurisdição é poder,
função e atividade. É poder devido à capacidade de imposição das decisões às partes
pelo Estado – o poder decorre da potestade (força para impor sua decisão) do Estado
exercida de maneira definitiva sobre as partes litigantes. Função por cumprir a finalidade
de fazer valer a ordem jurídica em face de um conflito. Por último, é atividade por

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consistir em uma série de manifestações (atos) externas e ordenadas que resultam na


declaração do direito e na concretização do que foi pleiteado.

Atente-se para o fato de que o poder da jurisdição se subdivide em três espécies:


o poder de decisão, o de coerção e o de documentação. No poder de decisão, o Estado-
juiz deve conhecer a pendenga judicial, colher provas e decidi-la. É o poder do Estado-
juiz de analisar, verificar e decidir o litígio – poder de decisão. O segundo [de coerção], diz
respeito ao poder do Estado-juiz em impor à parte vencida o cumprimento da decisão por
ele proferida. O poder de documentação, por sua vez, ocorre quando o Estado-juiz
documenta os atos processuais.

Vejamos como o tema já foi abordado em prova.

(DPE BA) No Direito Processual Civil Brasileiro, a jurisdição compreende três


poderes, que são o de

A) decisão, o de coerção e o de documentação.

B) coerção, o de documentação e o de exposição.

C) documentação, o de exposição e o de disposição.

D) exposição, o de disposição e o de decisão.

E) disposição, o de decisão e o de coerção.

Gabarito: A

1. EQUIVALENTES JURISDICIONAIS
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O Estado não detém exclusividade na solução de conflitos. Existem formas


alternativas: autotutela, autocomposição, arbitragem.

A autotutela (autodefesa) é a forma mais antiga de se resolver conflitos. Ocorre


o sacrifício integral do interesse de uma das partes, pelo uso da força da outra parte.
Assim, a autotutela ocorre quando a própria parte busca afirmar seu interesse impondo-o
à parte contrária. Podemos considerar que a autotutela, de certo modo, permite o
exercício de coerção por um particular em defesa de seus interesses. Modernamente,
tem-se buscado restringir as formas de exercício da autotutela, transferindo para o Estado

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as diversas formas de coerção. O Direito prevê casos excepcionais em que pode ser
empregada: legítima defesa (art. 188, I, do CC), desforço imediato no esbulho (art. 1.210,
parágrafo 1o do CC). A autotutela pode ser totalmente revista pelo poder judiciário.

A autocomposição consiste no acordo entre as partes envolvidas no conflito


para chegar a uma solução, ou seja, o conflito é solucionado pelas partes sem a
intervenção de agentes externos no processo de pacificação da lide. A autocomposição
ocorre quando há o despojamento unilateral em favor de outrem (da vontade por este
almejada); quando há aceitação ou resignação de um dos sujeitos aos interesses do outro
ou quando há concessão recíproca efetuada pelas partes. Em tese, não há de se falar em
coerção dos indivíduos.

As modalidades de autocomposição são três: renúncia, aceitação


(resignação/submissão) e a transação. A renúncia ocorre quando o titular do direito,
unilateralmente, dele de despoja em favor de outrem. A aceitação, por sua vez, ocorre
quando um dos sujeitos reconhece o direito do outro, passando a guiar-se pela plena
consonância com este reconhecimento. Já a transação ocorre quando os sujeitos que se
consideram titulares do direito pleiteado solucionam a lide por meio de concessões
recíprocas.

A arbitragem é uma técnica de solução de conflitos em que as partes buscam em


uma terceira pessoa a solução do litígio. Dessa forma, a arbitragem ocorre quando a
fixação da solução da lide entre as partes é entregue a um terceiro, denominado árbitro,
em geral escolhido pelas partes.

No direito brasileiro, a arbitragem somente pode se dirigir a acertamento de


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direitos patrimoniais disponíveis. É o que aduz o art. 1º da Lei 9.307/96 que regula a
arbitragem: “as pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir
litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.”

A arbitragem possui caráter voluntário podendo ser de direito ou de equidade, a


critério das partes, que poderão escolher, livremente, as regras de direito que serão
aplicadas, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública.
Igualmente, poderão as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos
princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio.

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As partes interessadas podem, por exemplo, submeter a solução de seus litígios ao


juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula
compromissória e o compromisso arbitral.

A cláusula compromissória (prévia e abstrata) é a convenção por meio da qual as


partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam
vir a surgir, relativamente a tal contrato. Deve ser estipulada por escrito, podendo estar
inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira.

Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente


tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua
instituição, desde que por escrito em documento anexo ou em negrito, com a assinatura
ou visto especialmente para essa cláusula.

A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que estiver


inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente, a nulidade da
cláusula compromissória. Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das
partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem
e do contrato que contenha a cláusula compromissória.

Já o compromisso arbitral (posterior e concreta) é o estabelecimento posterior ao


conflito que esse será solucionado por meio da arbitragem.

Art. 6º da Lei 9.307/96: Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a
arbitragem, a parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à
arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante
comprovação de recebimento, convocando-a para, em dia, hora e local certos, firmar o
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compromisso arbitral.

O compromisso arbitral pode ser judicial ou extrajudicial. O compromisso arbitral


judicial celebra-se por termo nos autos, perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a
demanda. O compromisso arbitral extrajudicial é celebrado por escrito particular, assinado
por duas testemunhas, ou por instrumento público.

Obs.: brevemente falemos da mediação: A mediação é uma conduta pela qual um


terceiro coloca-se entre as partes e tenta conduzi-los à solução autocomposta. Didier

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aduz “tratar-se de uma técnica para catalisar a autocomposição” (Curso de Direito


Processual Civil, vol. I. Didier Jr., Fredie, pág. 94).

1.1. CLASSIFICAÇÃO

A jurisdição é una e indivisível, mas é comum dividi-la para efeitos didáticos,


quanto ao objeto, à hierarquia, ao órgão. Também é dividida em contenciosa e voluntária.

Quanto ao objeto, a jurisdição pode ser civil ou penal. São de natureza civil todas
as que não tenham caráter penal. Há doutrinadores que discordam da limitação a essas
duas espécies e incluem as outras esferas jurisdicionais na classificação: trabalhista,
penal militar, eleitoral.

Quanto à hierarquia, classifica-se em inferior ou superior. Inferior é a que tem a


chamada competência originária, ou seja, que recebe o processo primeiro; a superior tem
atuação recursal.

Relativamente ao órgão que a exerce, poderá ser especial e comum. Especial é


definida pela Constituição Federal com base na matéria a ser tratada: Justiça Eleitoral,
Justiça do Trabalho e Justiça Militar; sendo a comum todo o restante (daí, falar-se em
competência residual). A Justiça Comum é composta pela Justiça Federal e pela Justiça
Estadual.

 JURISDIÇÃO: pode ser nacional ou internacional. Vejamos:


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Jurisdição Comum

Jurisdição Federal e Estadual. Dividem-se em


Jurisdição Nacional: UNA jurisdição civil e penal.

Jurisdição Especial

Jurisdição Internacional Jurisdição trabalhista, eleitoral e militar.

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 Jurisdição UNA: Adotada no Brasil: Poder Judiciário exerce a jurisdição com


exclusividade (causas comuns e administrativas). As causas que envolvem o Estado
são julgadas pelo Poder Judiciário.

 Jurisdição DUAL: Adotada, por exemplo, na França. Tribunais Judiciários (causas


comuns) e Tribunais Administrativos (causas administrativas). As causas que
envolvem o Estado são julgadas pelo Poder Administrativo.

A jurisdição também poderá ter natureza contenciosa ou voluntária. Essa é a


única divisão abordada no CPC. Contenciosa é a rotineira; enquanto na voluntária não há,
em tese, conflito de interesses (exemplo: homologação de acordo previamente firmado
entre as partes). Nessa espécie, o interessado ou interessados buscam a prestação
jurisdicional do Estado quando não podem alcançar seus objetivos sozinhos.

Em prova, vejam como foi cobrado o assunto:

(TJ – CE 2011/ Adaptada) Sobre jurisdição e ação é correto dizer que:

a) Pelo princípio da aderência os juízes e tribunais exercem a atividade


jurisdicional apenas no território nacional. Essa atividade é repartida de
acordo com as regras de competência.
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COMENTÁRIOS:

A questão está correta. Percebam que o princípio da aderência ligado ao princípio


internacional da não ingerência em assuntos de outros povos impõe os limites territoriais
do País para exercício da jurisdição pelo Estado-juiz nacional.

Gabarito: A

1.1.1. JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA VERSUS JURISDIÇÃO CONTENCIOSA

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Art. 1° do CPC: A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos


juízes, em todo o território nacional, conforme as disposições que este Código estabelece.

Como falamos, a jurisdição pode ser: contenciosa ou voluntária. Vejamos cada


uma delas.

Em regra, a jurisdição contenciosa decorre de processo judicial. Ela é marcada


pelo litígio entre as partes, que, por sua vez, termina com a sentença de mérito. Sua
decisão pode ser, e comumente o é, traumática porque beneficia uma das partes
somente, causando prejuízo à outra.

A jurisdição voluntária, também conhecida como administrativa ou integrativa, é


uma atividade estatal de integração e fiscalização. Em verdade, não é voluntária: há
obrigatoriedade, em regra, de participação do Poder Judiciário para integrar as vontades
e, dessa maneira, tornar apta a produção de seus efeitos.

As garantias fundamentais do processo são aplicadas à jurisdição voluntária e


também aos magistrados, que estão atrelados a dois elementos:

a) Inquisitoriedade: o magistrado poderá decidir de modo contrário à vontade


das partes.
b) Possibilidade de decisão fundada em equidade (art. 1.109 do CPC): não
se observa na decisão a legalidade estrita. A sentença é baseada nos critérios de
conveniência e oportunidade. O órgão jurisdicional tem ampla discricionariedade na
condução e na decisão do processo em jurisdição voluntária.

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1.1.2. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

1 – Receptícios: a atividade judicial limita-se a registrar, documentar ou


comunicar manifestações de vontade. Exemplo: notificações, protestos.

2 – Probatórios: a atividade jurisdicional limita-se à produção da prova. Exemplo:


justificação.

3 – Declaratórios: o magistrado limita-se a declarar a existência ou inexistência


de uma situação jurídica. Exemplo: da posse em nome do nascituro.

4 – Constitutivos: a criação, modificação ou extinção de uma situação jurídica

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dependem da concorrência da vontade do magistrado, por meio de autorizações,


homologações, aprovações. Exemplo: interdição.

5 – Executórios: o magistrado deve exercer uma atividade prática que modifica o


mundo exterior. Exemplo: alienações de coisas.

6 – Tutelares: a proteção de interesses de determinadas pessoas que se


encontram em situação de desamparo é confiada ao Poder Judiciário – poderá instaurar
os procedimentos ex officio. Exemplo: Nomeação de curadores.

Quanto à natureza da jurisdição voluntária, há divergência se


ela é de administração pública de interesses privados ou se de
atividade jurisdicional.

a) Como administração pública – linha que tem crescido na


doutrina brasileira – parte-se do pressuposto de que a jurisdição
voluntária não é jurisdição, mas sim administração pública de interesse
privado.

Isso porque não existe lide a ser resolvida nem a possibilidade


de substitutividade – o magistrado insere-se entre as partes do negócio
jurídico e não as substitui. Além disso, por não ocorrer a jurisdição, não
se falaria em coisa julgada, mas em preclusão.

b) Como atividade jurisdicional: a jurisdição voluntária tem


natureza de atividade jurisdicional. Pode ocorrer relação conflituosa
nessa modalidade de jurisdição.
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Os casos de jurisdição voluntária são conflituosos em potencial


e, por isso, submetem-se ao poder judiciário.

Vamos, logo abaixo, analisar um pouco mais sobre esse


assunto: jurisdição voluntária como administração pública de
interesses privados e jurisdição voluntária como atividade jurisdicional.

 Jurisdição voluntária como administração pública de interesses privados

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Na doutrina brasileira, discute-se se a questão de que a jurisdição voluntária não


seria jurisdição, mas administração pública de interesses privados realizada pelo Poder
Judiciário. Essa construção doutrinaria parte da premissa, como exposto no quadro
acima, de que a jurisdição voluntária, por não possuir lide a ser solucionada, não pode ser
considerada jurisdição.

Também não poderíamos falar em substitutividade uma das características da


jurisdição, porque o juiz não substitui os sujeitos processuais, e, sim, insere-se entre os
participantes do negócio jurídico. Desse modo, porque não há conflito, não existem
sujeitos processuais, só meros interessados.

Não havendo jurisdição, não haveria que se falar em ação nem em processo, mas
em requerimento e procedimento. Igualmente, não existindo jurisdição, não há coisa
julgada, mas preclusão.

Essa corrente ainda fundamenta o seu pensamento no art. 1.111 do CPC: a


sentença poderá ser modificada, sem prejuízo dos efeitos já produzidos, se ocorrerem
circunstâncias supervenientes.

Diferenças doutrinárias acerca da jurisdição voluntária

Doutrina majoritária (clássica) Doutrina minoritária (moderna)

Não há jurisdição Há jurisdição


Jurisdição voluntária

Não existem partes no processo, Há partes


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meros interessados

Não há ação nem processo, mas Há processo


requerimento e procedimento

Não faz coisa julgada, mas preclusão Há coisa julgada

É uma atividade administrativa É uma atividade jurisdicional

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Não há substutividade; juiz é Há substutividade: juiz é juiz


administrador

Vejam como foi cobrado em prova:

(TJ - ES 2011) A jurisdição civil pode ser contenciosa ou voluntária, esta também
denominada graciosa ou administrativa. Ambas as jurisdições são exercidas por juízes,
cuja atividade é regulada pelo Código de Processo Civil, muito embora a jurisdição
voluntária se caracterize pela administração de interesses privados pelos órgãos
jurisdicionais, ou seja, não existe lide ou litígio a ser dirimido judicialmente.

a) Certo

b) Errado

COMENTÁRIOS:

Correto. Percebam que a banca considerou correta a questão da ausência de


litígio na jurisdição, um elemento que destacamos em nossa aula, mas que tem sido
combatido pela doutrina moderna. No enunciado da questão, a jurisdição voluntária é
também nomeada de administrativa, mais uma característica da doutrina clássica.

A banca cobrou a questão em prova para Juiz do Trabalho em 2012:

(TRT 11ª Região 2012/ Adaptada) Sobre jurisdição, é correto afirmar:

c) Nos procedimentos não contenciosos, há função jurisdicional apenas sob um ponto de


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vista estritamente formal.

COMENTÁRIOS:

Correto. Entre as opções oferecidas pela banca (“a” a “e”), considerou-se correta
a letra “c”, que citamos. Desse modo, o entendimento da banca, clássico e majoritário, é
de que a jurisdição voluntária é jurisdição apenas em seu aspecto formal, já que
relativamente ao conteúdo pode ser entendida como administração de interesses
particulares pelo Poder Judiciário.

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A Teoria Revisionista, por seu turno, considera a Jurisdição Voluntária uma


jurisdição propriamente dita, já que é possível a ocorrência da lide.

Relativamente à existência da lide, o STJ já se pronunciou de acordo com esta


teoria, afirmando que o litígio pode ou não estar presente na jurisdição administrativa,
mas não é essencial para a propositura da ação. Sentido em que se manifestaram
consagrados autores como Alexandre de Freitas Câmara e Fredie Didier.

É exemplo de jurisdição voluntária a separação consensual, já que o ato judicial


irá conferir validade ao negócio jurídico que se realizar. Mas acidentalmente pode haver
conflito na separação consensual; diz-se acidentalmente porque não é parte essencial do
negócio jurídico. Percebam a diferença, na qualidade de voluntária, a jurisdição não tem
como aspecto essencial a lide, mas é um possível elemento acidental, ou seja, que pode
vir a ocorrer num dado momento; enquanto na qualidade de contenciosa, a lide está
virtual/real e essencialmente ligada à jurisdição.

Didier cita os casos de interdição e de retificação de registro como procedimentos


de jurisdição voluntária que normalmente dão ensejo a controvérsias. De fato não são
raros os casos em que surgem questões que devem ser solucionadas pelo magistrado,
por exemplo, as divergências entre o pai e o menor que queira se emancipar (jurisdição
voluntária com lide acidental).

“É por isso que se impõe a citação dos possíveis interessados, que podem,
de fato, não opor qualquer resistência, mas não estão impedidos de fazê-lo. São
frequentes os casos em que, em pleno domínio da jurisdição voluntária,
surgem verdadeiras questões a demandar juízo do magistrado.” (Didier)
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Outra distinção que pode ser considerada entre Jurisdição Voluntária e


Contenciosa refere-se, ainda, à pretensão. Nesse aspecto, vale destacar: pode haver
processo sem lide, mas não há processo sem pretensão. O Juiz exerce a função
jurisdicional quando provocado – esta provocação é que chamamos de pretensão e, por
meio dela, dá-se a integração da jurisdição voluntária ou da jurisdição contenciosa.

Não se debrucem em demasia sobre estas contradições, pelo menos, não


para o concurso. Como bem disse Leonardo Greco, “todos esses critérios são imperfeitos,

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porque a jurisdição voluntária abrange uma variedade tão heterogênea de procedimentos,


nos quais sempre vamos encontrar o desmentido de um ou de outro desses critérios”.

Leiam este elucidativo acórdão do STJ, em que grifamos os trechos mais


importantes sobre a matéria:

não parece adequado afirmar categoricamente que na jurisdição voluntária


[...]
não há bem litigioso e tampouco lide.
A mais recente doutrina processualista tem ressaltado o equívoco em
se qualificar a chamada jurisdição administrativa de atividade não jurisdicional em razão da
suposta ausência de lide.
Afirma-se, modernamente, que a jurisdição voluntária não equivale
a demanda sem lide. O litígio pode ou não verificar-se no seio da jurisdição administrativa:
ele apenas não é essencial para a propositura da ação.
[...]

Para ilustrar a atenuação que se verifica na diferenciação entre a jurisdição voluntária e a


jurisdição contenciosa, transcrevo trecho da obra de Leonardo Greco (GRECO,
Leonardo. Jurisdição Voluntária Moderna. São Paulo: Editora Dialética, 2003, p. 23):

Apesar das divergências de opinião, há algumas características que geralmente são


apontadas pela doutrina para diferenciar a jurisdição contenciosa e a jurisdição voluntária.

Na primeira haveria lide, na segunda não; na primeira haveria partes em posições


subjetivas antagônicas, na segunda apenas um ou mais interessados concordantes em
suas postulações; a primeira incidiria sobre situações fáticas preexistentes, enquanto a
segunda teria caráter constitutivo; a primeira seria repressiva e a segunda preventiva; na
primeira, a atividade judicial seria substitutiva da vontade das partes, na segunda os
interessados dependeriam da concorrência da vontade estatal manifestada pelo juiz, sem a
00000000000

qual não poderiam isoladamente alcançar o efeito jurídico almejado; na primeira o juiz
tutelaria direitos subjetivos, enquanto na segunda, meros interesses; na primeira, os
procedimentos previstos em lei não seriam exaustivos, na segunda o juiz somente poderia
atuar com expressa previsão legal; na primeira haveria formação da coisa julgada, na
segunda não; na primeira o juiz estaria adstrito ao pedido do autor, enquanto na segunda o
juiz poderia agir de ofício ou adotar providência diversa da que lhe fosse requerida.
Todos esses critérios são imperfeitos, porque a jurisdição voluntária abrange uma
variedade tão heterogênea de procedimentos, nos quais sempre vamos encontrar o
desmentido de um ou de outro desses critérios.

REsp 942.658-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 2.6.2011.

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 Sugiro que façamos, agora, a leitura dos artigos do CPC que tratam das
disposições gerais da Jurisdição Voluntária e que são aplicados
subsidiariamente às leis específicas.

TÍTULO II

DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1.103. Quando este Código não estabelecer procedimento especial, regem a
jurisdição voluntária as disposições constantes deste Capítulo.

Art. 1.104. O procedimento terá início por provocação do interessado ou do


Ministério Público, cabendo-lhes formular o pedido em requerimento dirigido ao juiz,
devidamente instruído com os documentos necessários e com a indicação da
providência judicial.

Art. 1.105. Serão citados, sob pena de nulidade, todos os interessados, bem como
o Ministério Público.

Art. 1.106. O prazo para responder é de 10 (dez) dias.

Art. 1.107. Os interessados podem produzir as provas destinadas a demonstrar as


suas alegações; mas ao juiz é lícito investigar livremente os fatos e ordenar de ofício
a realização de quaisquer provas. 00000000000

Art. 1.108. A Fazenda Pública será sempre ouvida nos casos em que tiver
interesse.

Art. 1.109. O juiz decidirá o pedido no prazo de 10 (dez) dias; não é, porém,
obrigado a observar critério de legalidade estrita, podendo adotar em cada caso
a solução que reputar mais conveniente ou oportuna.

Art. 1.110. Da sentença caberá apelação.

Art. 1.111. A sentença poderá ser modificada, sem prejuízo dos efeitos já

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produzidos, se ocorrerem circunstâncias supervenientes.

Art. 1.112. Processar-se-á na forma estabelecida neste Capítulo o pedido de:

I - emancipação;

II - sub-rogação;

III - alienação, arrendamento ou oneração de bens dotais, de menores, de


órfãos e de interditos;

IV - alienação, locação e administração da coisa comum;

V - alienação de quinhão em coisa comum;

VI - extinção de usufruto e de fideicomisso.

1.2. ESCOPOS DA JURISDIÇÃO

O estudo da jurisdição pode ter em consideração os objetivos que persegue.


Distinguindo-se em: escopo jurídico, social, educacional e político.

O escopo jurídico decorre da efetiva aplicação da vontade da lei, dando fim à lide.
Já está vencido o entendimento de que esse seria o único objetivo da jurisdição
(aplicação da lei; fim do conflito).

No escopo social, pretende-se a pacificação social, de modo que se resolva a lide


de caráter social. Nesse escopo, a jurisdição não tem como intenção fundamental a
solução do conflito jurídico, mas a solução no plano fático, que traga a maior satisfação
possível às partes.
00000000000

A transação consiste, assim, em excelente modo de alcançar esses objetivos,


porque ocorre a partir da cessão mútua de interesses e tende a extinguir o conflito sem
imposição severa a alguma das partes (solução do conflito (fático); satisfação das partes).

O escopo educacional deriva da função de divulgar (ensinar) a todos os


jurisdicionados, incluindo-se – obviamente – as partes envolvidas no processo, quais os
seus direitos e deveres. É escopo bem amplo, que ganhou importância nos julgados
contemporâneos, que se revestem de verdadeiro caráter didático. Os mais importantes
julgamentos são acompanhados por meios de comunicação, que os tornam acessíveis a

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grande número de indivíduos (divulgação dos direitos e deveres de todos os


jurisdicionados).

O escopo político, por sua vez, prisma pelo bom funcionamento jurisdicional que
eleva a credibilidade do Estado perante os indivíduos e, desse modo, estimula a
participação democrática por meio do processo (estimula a participação democrática).

1.3. PRINCÍPIOS INERENTES À JURISDIÇÃO

1.3.1. INVESTIDURA

O Poder Judiciário possui um caráter inanimado e, por isso, necessita escolher


pessoas para representar o Estado no exercício concreto da atividade jurisdicional.
Investido do poder jurisdicional, o juiz (sujeito escolhido para ser o agente público
representante do Estado), também chamado de Estado-Juiz, é o responsável pela
solução da lide.

No Brasil, existem duas maneiras de obter a investidura: o concurso público (art.


93, I, CF) e indicação do Poder Executivo (quinto constitucional – art. 94 da CF).

 Somente a autoridade investida de poder jurisdicional pode exercer a


jurisdição.
 Tanto a jurisdição civil, voluntária como a contenciosa é exercida pelos
Juízes, em todo o território nacional – a jurisdição é UNA.

Veja como foi cobrado o assunto.


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(Furnas) Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o


interessado a requerer, nos casos e forma legais. Assim sobre jurisdição é correto
afirmar que a jurisdição

A) civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional.

B) civil é contenciosa e involuntária e é exercida pelos juízes, em todo o território


nacional.

C) civil é voluntária, exercida pelos juízes de paz, em todo o território nacional e

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internacional.

D) militar, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes estaduais, em todo o


território nacional.

E) civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional e


internacional.

COMENTÁRIOS:

Letra a é a correta. A jurisdição, seja contenciosa ou voluntária, é exercida


pelos juízes. Os juízes são investidos de jurisdição para atuar em todo o território
nacional conforme sua competência.

O erro da letra B está em mencionar jurisdição involuntária, modalidade que


não existe.

Na letra C, o erro está em mencionar os juízes de paz como aqueles investidos


de jurisdição.

Erro da letra D: A jurisdição militar é da competência dos Juízes-Auditores,


integrante da Justiça Militar da União (vide Lei nº 8.457, de 4 de setembro de 1992),
não pelos juízes estaduais.

Erro da letra E: Os juízes nacionais não têm jurisdição internacional.

Gabarito: A

(Procurador Maricá-RJ) A jurisdição é entendida como o:


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A) poder do juiz em prolatar sentenças

B) poder do juiz em efetivar pretensões

C) poder do juiz em possibilitar a todos uma prestação jurisdicional

D) poder-dever-atribuição do Estado em possibilitar a todos uma prestação jurisdicional

E) poder do STF, na solução superior das demandas.

COMENTÁRIOS:

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Único item com resposta adequada é a letra “D”. Já que a jurisdição confere ao
Estado-juiz mais do que um poder, mas um dever, uma atribuição de prestar a tutela
jurisdicional pleiteada.

Gabarito: D

1.3.2. TERRITORIALIDADE
A autoridade dos juízes será exercida nos limites territoriais do seu Estado.
Assim, a jurisdição é exercida em um dado território (art. 107 e 230).

Existem, no entanto, exceções ao princípio da territorialidade. Situações em que o


juízo poderá praticar atos fora de sua comarca ou seção judiciária. Um exemplo é a
citação pelo correio (art. 222, caput, CPC).

 Esse princípio é uma forma de limitação do exercício da jurisdição.

1.3.3. INDELEGABILIDADE

Deve ser analisado por meio de dois prismas, o externo, tendo a Constituição
Federal atribuído a função jurisdicional ao Poder Judiciário, não pode delegar tal função a
outros poderes ou órgãos. Exceção: “função estatal atípica”; e o interno, em que a
competência atribuída a um órgão jurisdicional para analisar uma demanda não poderá
ser delegada a outro.

 O exercício da função jurisdicional não pode ser delegado. Não é possível


00000000000

delegar o poder decisório a outro órgão, pois violaria a regra da competência e o princípio
do juiz natural. No entanto, existem hipóteses de delegação a outros poderes judiciais,
como o poder de execução das decisões.

1.3.4. INEVITABILIDADE

O princípio da inevitabilidade ocorre em dois momentos distintos. Primeiro,


quando os sujeitos do processo sofrem a vinculação obrigatória ao processo judicial, ou

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seja, uma vez integrantes da relação jurídica processual, os sujeitos não podem,
independendo de concordância ou vontade, deixar de cumprir o chamado jurisdicional.

Segundo, em consequência da integração obrigatória, os sujeitos ficam em um


estado de sujeição – suportam todos os efeitos da decisão judicial, mais uma vez,
independentemente de gostar ou concordar com ela.

 Devem as partes submeter-se à decisão do órgão jurisdicional.

1.3.5. INAFASTABILIDADE

De acordo com o inciso XXXV do art. 5o da CF, a lei não pode excluir da
apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça de direito. O acesso à ordem
jurídica adequada não pode ser negado a quem tem justo direito ameaçado ou
prejudicado.

Esse princípio também pode ser analisado sob o aspecto da relação entre a
jurisdição e a solução administrativa de conflitos. Nessa visão, o sujeito não é obrigado a
utilizar os mecanismos administrativos antes de provocar o poder judiciário em razão de
ameaça de lesão ou lesão ao direito. No entanto, há exceções, como:

 Nas questões desportivas: art. 217, § 1° da CF: O Poder Judiciário só


admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as
instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
 O juiz não pode invocar a lacuna da lei e deixar de julgar o processo.
 Não é necessário esgotar as vias administrativas para provocar o Poder
00000000000

Judiciário. O interessado pode procurar tanto a via administrativa como a judiciária.

1.3.6. JUIZ NATURAL

O princípio do juiz natural apresenta duas facetas: a primeira relacionada ao


órgão jurisdicional e a segunda com a pessoa do juiz – a imparcialidade do
magistrado.

O primeiro aspecto do princípio quer assegurar que os processos sejam julgados


pelo juízo competente, ou seja, que a competência constitucional preestabelecida seja

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cumprida. Já o segundo aspecto surge para garantir que o juiz responsável pelo
julgamento da demanda seja imparcial. Trata-se da essencial exigência de imparcialidade
que permite que o julgamento do processo seja justo. Em razão dessa segunda faceta, as
leis processuais estabelecem as causas de impedimento e suspeição do magistrado.

- Hipóteses de impedimento do Juiz: de que for parte; em que


interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como órgão
do Ministério Público, ou prestou depoimento como testemunha; que conheceu
em primeiro grau de jurisdição, tendo-lhe proferido sentença ou decisão; quando
nele estiver postulando, como advogado da parte, o seu cônjuge ou qualquer
parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta; ou na linha colateral até o
segundo grau; quando cônjuge, parente, consanguíneo ou afim, de alguma das
partes, em linha reta ou, na colateral, até o terceiro grau; quando for órgão de
direção ou de administração de pessoa jurídica, parte na causa.

- Hipóteses de suspeição do Juiz: amigo íntimo ou inimigo capital de


qualquer das partes; alguma das partes for credora ou devedora do juiz, de seu
cônjuge ou de parentes destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro grau;
herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das partes; receber
dádivas antes ou depois de iniciado o processo; aconselhar alguma das partes
acerca do objeto da causa.

É uma cláusula do devido processo legal. Uma garantia fundamental implícita que
se origina da conjugação dos seguintes dispositivos constitucionais: o dispositivo que
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proíbe o tribunal ou juízo de exceção é o que determina que ninguém poderá ser
processado senão pela autoridade competente. Ele se caracteriza pelo aspecto formal,
objetivo, substantivo e material.

A determinação de um juízo não pode ocorrer post facto ou ad personam. Assim,


os critérios para a sua determinação devem ser impessoais, objetivos e pré-
estabelecidos.

A garantia do juiz natural advém dos princípios da imparcialidade e da


independência atribuída aos magistrados. As garantias do juiz natural são respeitadas por

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meio das regras de distribuição – critérios prévios, objetivos, gerais e aleatórios para a
identificação do juízo responsável pela causa. O desrespeito ao princípio da distribuição
implicará incompetência absoluta do juízo.

Não viola o princípio do juiz natural a criação de varas especializadas, as regras


por prerrogativa de função, a instituição de Câmaras de Férias em tribunais.

Dúvida: Por que não há violação ao princípio do juiz natural nos casos citados?
Porque nos três casos acima são situações em que as regras são gerais, abstratas e
impessoais.

- Art. 5º, CF: Todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes:

(...) XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção.

 Comentários:

Aos Tribunais de exceção (juízo extraordinário) contrapõe-se


o juiz natural, pré-constituído pela Constituição Federal e por
Lei.

Em uma primeira acepção, o princípio do juiz natural


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apresenta duplo significado:

1) Somente o juiz é o órgão investido de jurisdição;

2) Impede a criação de Tribunais de Exceção e ad hoc,


para o julgamento de causas penais e civis.

Modernamente, porém, este princípio passa a englobar a


proibição de subtrair o juiz competente. Assim, a garantia

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desdobra-se em três conceitos:

1) Só são órgãos jurisdicionais os instituídos pela CF;

2) Ninguém pode ser julgado por tribunal constituído


após a ocorrência do fato;

3) Entre os juízes pré-constituídos vigora a ordem


taxativa de competências que exclui qualquer
alternativa deferida à discricionariedade de quem
quer que seja.

Vejamos:

O tribunal (ou juízo) de exceção é aquele formado


temporariamente para julgar:

a) Um caso específico – Tribunal ad hoc;

b) Após o delito ter sido cometido designa o juízo – ex


post facto;

c) Para um indivíduo específico – ad personam.

Exemplo de Tribunal de exceção: Tribunal de Nuremberg


criado pelos aliados para julgar os nazistas pelos crimes
cometidos na 2° Guerra Mundial.

É constituído ao oposto dos princípios constitucionais do


direito processual civil – do contraditório e da ampla defesa,
do juiz natural.
00000000000

E qual o problema dos tribunais de exceção? O primeiro é


que eles invariavelmente não são imparciais. O segundo é
que a pessoa, ao ser julgada por um tribunal de exceção,
perde algumas das garantias do processo, como a do duplo
grau de jurisdição e do juiz natural.

Terceiro, o Tribunal de exceção não necessariamente é


formado por juristas, podendo ser composto por qualquer

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pessoa, ferindo, dessa forma a garantia constitucional do


juiz competente:

(...) LIII - ninguém será processado nem sentenciado


senão pela autoridade competente (art. 5°).

Veja como o tema já foi cobrado.

(Procurador Itaboraí-RJ) A jurisdição, em todos os países, é informada por alguns


princípios fundamentais universalmente reconhecidos, como:

A) aderência ao território, indelegabilidade, inafastabilidade, juiz natural

B) investidura, indelegabilidade, juiz natural

C) competência, investidura, aderência ao território, indelegabilidade,


inafastabilidade, juiz natural, inércia

D) aderência ao território, indelegabilidade, inafastabilidade, juiz natural, inércia

E) investidura, aderência ao território, indelegabilidade, inafastabilidade, juiz natural,


inércia.

COMENTÁRIOS:

Percebam que a banca considerou correto o item que expôs os princípios


corretamente e de modo mais completo: letra E. O erro da letra “c” está em
considerar a competência um princípio, quando na verdade é um limite à jurisdição.

Gabarito: E 00000000000

1.4. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO

1.4.1. UNIDADE

Para a consagrada doutrina clássica, a jurisdição é uma função exclusiva do


Poder Judiciário, exercida pelo magistrado, que decide monocraticamente ou por órgãos

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colegiados. A jurisdição é o poder-dever de o Estado dizer e realizar o direito, consistente


num poder uno. Há uma jurisdição por Estado.

Só há uma função jurisdicional, de outro modo, se houvesse várias jurisdições,


estaríamos diante de várias soberanias, portanto, de vários Estados. Contudo, nada
impede que esse poder, que é uno, seja exercido por diversos órgãos, que recebem cada
qual suas competências. O poder é uno, mas pode ser limitado pelas competências.

Assim, a jurisdição, como já foi dito, é UNA. É importante ressaltar que a


distribuição funcional da jurisdição em órgão não faz com que ela perca sua característica
de unidade. Essa distribuição tem efeito organizacional.

1.4.2. SECUNDARIEDADE

A Jurisdição tem a característica da secundariedade por ser acionada quando


surge um litígio. Num primeiro momento, espera-se que o Direito seja realizado
independente do poder judiciário.

Exemplo: regra geral, o locatário paga o aluguel sem que o locador recorra à
justiça, assim como o pai paga a prestação alimentícia ao seu filho. Percebam que nesses
dois casos, o direito é realizado sem a atuação do judiciário. Contudo, se o pai ou o
locatário deixam de cumprir com os seus deveres, a outra parte poderá provocar o
judiciário para ter o seu direito garantido. E é nesse contexto que se diz ter a jurisdição a
característica de secundariedade.

Uma observação a ser considerada é o fato de que, atualmente, se observa no


00000000000

judiciário a perda dessa característica, já que há um aumento considerado de demandas


judiciais sem que nenhuma medida extrajudicial tenha sido tomada anteriormente. Esse
fenômeno ocorre com frequência, por exemplo, no INSS, em que a parte busca o
benefício previdenciário direto no judiciário sem que qualquer pedido administrativo tenha
sido feito anteriormente.

1.4.3. SUBSTITUTIVIDADE

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Trabalhamos a substituvidade no início da aula. No entanto, vamos falar mais


sobre essa característica. Regra geral, as relações jurídicas se formam, desenvolvem e
extinguem sem dar origem a litígios. É o que acontece, por exemplo, nos instrumentos
extrajudiciais da transação (concessões mútuas) e da conciliação (transação obtida em
audiência).

O Estado é chamado a atuar somente quando frustradas as tentativas de


conciliação extrajudiciais. Assim, quando o Estado participa do litígio, ele é um terceiro
que substitui a vontade daqueles diretamente interessados na relação de direito material,
teremos, assim, a característica da substitutividade.

1.4.4. IMPARCIALIDADE

Aqueles que integram a jurisdição e o próprio Estado-Juiz devem ser imparciais


para que o exercício da jurisdição seja legítimo. Deve predominar, no exercício da
jurisdição, o interesse geral, a igualdade entre as partes tanto de tratamento como de
oportunidade em participar no convencimento do juiz. Por isso se diz que a jurisdição é
uma atividade imparcial do Estado.

Atente-se para o fato de que ao advogado, ainda que indispensável, não se exige
imparcialidade, como também não é exigida dos demais agentes. Eles, por atuarem no
interesse da parte, devem ser parciais.

1.4.5. CRIATIVIDADE
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O Estado-Juiz, ao final do julgamento de uma lide, inova a ordem jurídica ao criar


uma norma individual que passará a atuar no caso concreto. Essa norma será uma
sentença ou um acórdão. Regra geral, nela o juiz declara o direito, que aplica a norma
aos fatos. No entanto, a prestação jurisdicional vai além, e inova o mundo jurídico.

O Estado-Juiz não somente aplica a lei ao caso concreto, há um processo de


criação, pelo qual se exige do juiz uma postura ativa, fazendo com que ele analise cada
caso e suas especificidades de modo a encontrar uma solução consensual com os
preceitos constitucionais e legais. Por isso que a jurisdição tem um caráter criativo.

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1.4.6. INÉRCIA

O Estado só pronunciará o direito se provocado, pois a jurisdição tem como uma


de suas características a inércia – daí vem o ditado “a justiça não socorre aos que
dormem”. No entanto, uma vez que o Estado-juiz seja provocado, ele agirá por impulso
oficial, de ofício.

Existem exceções à inércia – exemplo: o juiz pode determinar que se inicie o


inventário, se nenhum dos legitimados o requerer no prazo legal.

Art. 989. O juiz determinará, de ofício, que se inicie o inventário, se nenhuma das
pessoas mencionadas nos artigos antecedentes o requerer no prazo legal.

1.4.7. DEFINITIVIDADE

Essa característica permite a jurisdição ser tornar imutável. A essa característica


dá-se o nome de coisa julgada. A estabilidade concedida à jurisdição varia de acordo
com sua natureza. As decisões de mérito são as que gozam do maior grau de
estabilidade: a coisa julgada material – garantia fundamental do cidadão. Apesar de
elevado grau de estabilidade, o próprio ordenamento jurídico prevê exceções. Exemplo
disso, temos nos casos em que a ação rescisória é cabível.

Já as decisões que não analisam o mérito (coisa julgada formal) têm um grau de
estabilidade reduzido, pois nas decisões em que não se decide o mérito, não há o
impedimento de que haja nova propositura da demanda, podendo o juiz decidir de modo
contrário ao proferido na primeira sentença.
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RESUMO

- Conceito de jurisdição: a jurisdição consiste no poder conferido ao estado, por meio


dos seus representantes, de atuar no caso concreto quando há situação que não pôde ser
dirimida no plano extrajudicial, revelando a necessidade da intervenção do estado para
que a pendenga estabelecida seja solucionada.

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Conceitos clássicos
A substitutividade consiste em dizer que o Estado, na figura do juiz, ao solucionar a lide,
estaria substituindo a vontade das partes, proibidas que elas estariam de, em regra, fazer
valer a justiça do mais forte (característica do conceito de jurisdição tradicional).
A definitividade diz respeito ao caráter de imutabilidade da sentença, que faz coisa
julgada material (característica do conceito moderno de jurisdição).

- Equivalentes jurisdicionais: o Estado não detém exclusividade na solução de conflitos.


Existem as conhecidas formas alternativas: autotutela, autocomposição e arbitragem.

Forma mais antiga de resolver conflitos. Ocorre o sacrifício integral do


interesse de uma das partes, pelo uso da força da outra parte. O
Autotutela
Código Civil prevê casos excepcionais em que pode ser empregada.
(Autodefesa)
Exemplos: legítima defesa (art. 188, I, do CC) e desforço imediato no
esbulho (art. 1.210, parágrafo 1º do CC).
Essa forma de solução de controvérsia pode ser totalmente revista
pelo poder judiciário. Essa característica é um elemento marcante da
autotutela.

Consiste no comum acordo entre as partes envolvidas no conflito


para chegar a uma solução. Classifica-se em unilateral, quando há
renúncia ou submissão de uma das partes.
Autocomposição
E bilateral, o que é mais comum, ambas as partes abrem mão de
uma parcela de sua pretensão em favor da outra – é a transação.

Viabiliza-se quando há concordância entre as partes de submeter o


conflito, ou a questão, ao árbitro (terceiro imparcial, que, por acordo
das partes litigantes, resolve uma questão). Os motivos que levam os
Arbitragem contratantes a optarem pela arbitragem em detrimento da jurisdição
são, principalmente, rapidez e economia.
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Os árbitros não são condicionados a muitos formalismos, podem ser


autorizados pelas partes a, até mesmo, decidirem por equidade ou
utilizarem leis específicas.

- Classificação da jurisdição: civil ou penal; inferior ou superior; especial ou comum;


contenciosa ou voluntária.
- Contenciosa é a rotineira, a tradicional; enquanto na voluntária não há conflito de
interesses.

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- Princípios inerentes à jurisdição: investidura, territorialidade, indelegabilidade,


inevitabilidade e do juiz natural.

JURISDIÇÃO CONTENCIOSA E VOLUNTÁRIA RESUMIDAMENTE


De acordo com o art. 1° do CPC: A jurisdição civil, contenciosa e
voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional, conforme as
disposições que este Código estabelece.

Jurisdição Contenciosa: Pressupõe conflito Jurisdição Voluntária: Não existe


entre as partes a ser solucionado pelo litígio entre as partes. Nesse caso, há
magistrado. É por meio da jurisdição homologação de pedidos que não
contenciosa que se alcança uma solução para a impliquem litígio, ou seja, não se
lide. resolve conflitos, mas apenas tutela
interesses.
 Formação de litígio, sujeitos com interesses
 Participação do Estado, requerentes
opostos e jurisdição compondo e solucionando
o conflito. com interesses comuns e jurisdição
integrando e validando o negócio

jurídico.
 - Características:
 Unidade, imparcialidade, secundariedade,
substitutividade, instrumentalidade.
 - Princípios:
 Improrrogabilidade, indeclinabilidade, juiz
natural.

Relação Processual Triangular da Jurisdição Relação Processual Não-Triangular


Contenciosa: da Jurisdição Voluntária:
JUIZ
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INTERESSADOS
JUIZ

AUTOR RÉU

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- O princípio do juiz natural apresenta duas facetas: a primeira relacionada


ao órgão jurisdicional e a segunda com a pessoa do juiz – a imparcialidade
do magistrado.
Princípio do Juiz Natural

- Juiz Natural possui competência constitucional e foi investido de maneira


regular na jurisdição.

Juiz Natural em sentido Formal Juiz Natural em sentido


Material

1) Garantia da proibição da existência


de Tribunais de exceção. 1) Imparcialidade do juiz –
2) Respeito às regras de competência: ver comentários nos
(...) LIII - ninguém será processado itens 1.3.6 e 1.4.4 dessa
nem sentenciado senão pela aula.
autoridade competente (art. 5°, CF).

QUESTÔES COMENTADAS

01. (PC DF) Quanto a ação, jurisdição e processo, assinale a alternativa correta.

a) Quanto à sua existência, a relação jurídica processual depende de relação


jurídica material.

b) Ação é a reação do próprio direito material violado ou ameaçado de lesão.

c) Na jurisdição voluntária, não são aplicados os efeitos da revelia.


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d) Na jurisdição contenciosa, sempre serão aplicados os efeitos da revelia.

e) Todo processo é iniciado e desenvolvido por impulso da parte, em obediência ao


princípio da inércia.

COMENTÁRIOS:

Letra A. Errada. Há muito a doutrina distingue a relação processual da material,


podendo uma parte ser demandada em face de outra ao atender os pressupostos e
requisitos processuais, independentemente da existência de relação material.

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Letra B. Errada. As teorias da ação predominantes na doutrina ou em vigor no


CPC distinguem direito processual de direito material, de modo que a propositura da ação
independe da comprovação do direito material.

Letra C. Correta. A jurisdição voluntária caracteriza-se pela administração de


interesses privados, é também chamada de administrativa ou integrativa. Saber se lhe
são aplicados os efeitos da revelia é questão polêmica, sobre o que discordam muitos
doutrinadores. A banca do seu concurso demonstrou, nessa questão, concordância com
os juristas que entendem não ser aplicáveis os efeitos da revelia à jurisdição voluntária,
de modo que o fato alegado por um dos interessados, quando não contestado pelo outro,
não obriga o juiz a aceitá-lo como verdadeiro.

Letra D. Errada. A situações que impedem o reconhecimento automático dos


efeitos da revelia. Do CPC:

Art. 319. Se o réu não contestar a ação, reputar-se-ão verdadeiros os fatos


afirmados pelo autor.

Art. 320. A revelia não induz, contudo, o efeito mencionado no artigo antecedente:

I - se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;

II - se o litígio versar sobre direitos indisponíveis;

III - se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público, que a lei
considere indispensável à prova do ato.

Letra E. Errada. O processo civil começa por iniciativa da parte, mas se


desenvolve por impulso oficial (artigo 262 do CPC).
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Gabarito: C

02. (TRT 19ª Região) A respeito da jurisdição e da ação, considere:


I. Nenhum juiz prestará tutela jurisdicional, senão quando a parte ou o interessado a
requerer, nos casos e formas legais.

II. O direito de ação é objetivo, decorre de uma pretensão e depende da existência


do direito que se pretende fazer reconhecido e executado.

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III. Na jurisdição voluntária, não há lide, tratando-se de forma de administração


pública de interesses privados.

É correto o que se afirma APENAS em

a) II.

b) II e III.

c) I.

d) I e II.

e) I e III.

COMENTÁRIOS:

I: Está correto, pois o juiz deverá ser provocado para que possa prestar a tutela
jurisdicional. Podemos concluir que o magistrado não pode prestar a tutela de ofício.
Observem o que diz o art. 2° do CPC: Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão
quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais.

II: Item errado, uma vez que o direito de ação é SUBJETIVO e não objetivo. O
direito de ação também é abstrato - tem existência independente da existência do direito
material, objeto da controvérsia – e autônomo - tem natureza diferente do direito material
afirmado pela parte.

III: Correto. A jurisdição voluntária refere-se à homologação de pedidos que não


impliquem litígio, ou seja, não se resolve conflitos, mas apenas tutela interesses. São
sinônimos de jurisdição voluntária: jurisdição graciosa ou inter-volentes.
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Gabarito: E

03. (TJ PA) Jurisdição é

a) a faculdade atribuída ao Poder Executivo de propor e sancionar leis que


regulamentem situações jurídicas ocorridas na vida em sociedade.

b) a faculdade outorgada ao Poder Legislativo de regulamentar a vida social,


estabelecendo, através das leis, as regras jurídicas de observância obrigatória.

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c) o poder das autoridades judiciárias regularmente investidas no cargo de dizer o


direito no caso concreto.

d) o direito individual público, subjetivo e autônomo, de pleitear, perante o Estado


a solução de um conflito de interesses.

e) o instrumento pelo qual o Estado procede à composição da lide, aplicando o


Direito ao caso concreto, dirimindo os conflitos de interesses.

COMENTÁRIOS:

Conceito de jurisdição: A jurisdição consiste no poder conferido ao Estado, por


meio dos seus representantes, de atuar no caso concreto quando há situação que não
pôde ser dirimida no plano extrajudicial, revelando a necessidade da intervenção do
Estado para que a pendenga estabelecida seja solucionada.

Lembrem-se: Há entendimento da doutrina de que o poder jurisdicional não se


restringe a dizer o direito (juris-dicção), alcança também a imposição do direito (júris-
satisfação).

Gabarito: C

04. (TRT 20ª Região) No que concerne à Jurisdição e à Ação, de acordo com o
Código de Processo Civil, é correto afirmar que:

a) a jurisdição civil contenciosa e voluntária é exercida pelos juízes e membros do


Ministério Público em todo o território nacional.

b) o juiz prestará a tutela jurisdicional ainda que não haja requerimento da parte ou
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do interessado, nos casos e formas legais.

c) para propor ou contestar ação basta ter legitimidade.

d) ninguém poderá pleitear, em regra, em nome próprio, direito alheio.

e) o interesse do autor não pode limitar-se à declaração de inexistência de relação


jurídica.

COMENTÁRIOS:

Os primeiros artigos do CPC nos dão a resposta para a questão.

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a) Errada. A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes (não


MP), em todo o território nacional (art. 1º, CPC).

b) Errada. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o


interessado a requerer, nos casos e forma legais (art. 2º, CPC).

c) Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art.


3º).

d) Certo. Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando
autorizado por lei (art. 6º). Os casos previstos em lei são exceções à regra.

e) Errado. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: da existência ou da


inexistência de relação jurídica (I, art. 4º)

Gabarito: D

05. (MP-SP) O Estado democrático de direito e o juiz natural:

a) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos


procedimentos de jurisdição voluntária.

b) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos


processos contenciosos.

c) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões somente nos processos


contenciosos (objetivos e subjetivos).

d) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões tanto nos processos


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contenciosos como nos procedimentos de jurisdição voluntária.

e) Permitem a parcialidade do juiz destinada a realizar os objetivos fundamentais da


República Federativa do Brasil.

COMENTÁRIOS:

O princípio do juiz natural apresenta duplo significado: 1) consagra regra de que


só é juiz quem investido de jurisdição; 2) impede criação de tribunais de exceção.
Modernamente, tem-se admitido terceiro conceito, referente à competência constitucional
do juiz, a qual não pode ser subtraída.

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O domínio do conceito de juiz natural já seria suficiente para resolver a questão,


mas vejamos, de modo breve, distinção entre a jurisdição contenciosa e a voluntária.

A contenciosa é a comum, em que as partes de uma lide buscam tutela judicial


para resolver a pendenga. A jurisdição voluntária é mera administração pública de
interesses privados, não há, em regra, conflito (ex: alienação judicial de bens de
incapazes).

Gabarito: D

06. (TRT 22ª Região) A indeclinabilidade é uma característica

a) da ação.

b) da jurisdição.

c) do processo.

d) da lide.

e) do procedimento.

COMENTÁRIOS:

A banca cobrou os princípios da jurisdição. Sabemos que a indeclinabilidade é um


dos princípios que norteia a jurisdição e aduz que o juiz não poderá “abrir mão” do poder
jurisdicional. Podemos ainda resguardar esse princípio invocando outro: à inafastabilidade
da apreciação pelo poder judiciário: art. 5º, XXXV, da CF: "a lei não excluirá da
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito."
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Vejamos também o art. 126 do CPC: O juiz não se exime de sentenciar ou


despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. No julgamento da lide caber-lhe-á
aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá à analogia, aos costumes e aos
princípios gerais de direito.

Gabarito: B

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QUESTÔES DA AULA

01. (PC DF) Quanto a ação, jurisdição e processo, assinale a alternativa correta.
a) Quanto à sua existência, a relação jurídica processual depende de relação
jurídica material.
b) Ação é a reação do próprio direito material violado ou ameaçado de lesão.
c) Na jurisdição voluntária, não são aplicados os efeitos da revelia.
d) Na jurisdição contenciosa, sempre serão aplicados os efeitos da revelia.
e) Todo processo é iniciado e desenvolvido por impulso da parte, em obediência ao
princípio da inércia.

02. (TRT 19ª Região) A respeito da jurisdição e da ação, considere:


I. Nenhum juiz prestará tutela jurisdicional, senão quando a parte ou o interessado a
requerer, nos casos e formas legais.
II. O direito de ação é objetivo, decorre de uma pretensão e depende da existência
do direito que se pretende fazer reconhecido e executado.
III. Na jurisdição voluntária, não há lide, tratando-se de forma de administração
pública de interesses privados.
É correto o que se afirma APENAS em
a) II.
b) II e III.
c) I.
d) I e II.
e) I e III.

03. (TJ PA) Jurisdição é 00000000000

a) a faculdade atribuída ao Poder Executivo de propor e sancionar leis que


regulamentem situações jurídicas ocorridas na vida em sociedade.
b) a faculdade outorgada ao Poder Legislativo de regulamentar a vida social,
estabelecendo, através das leis, as regras jurídicas de observância obrigatória.
c) o poder das autoridades judiciárias regularmente investidas no cargo de dizer o
direito no caso concreto.
d) o direito individual público, subjetivo e autônomo, de pleitear, perante o Estado
a solução de um conflito de interesses.
e) o instrumento pelo qual o Estado procede à composição da lide, aplicando o
Direito ao caso concreto, dirimindo os conflitos de interesses.

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04. (TRT 20ª Região) No que concerne à Jurisdição e à Ação, de acordo com o
Código de Processo Civil, é correto afirmar que:
a) a jurisdição civil contenciosa e voluntária é exercida pelos juízes e membros do
Ministério Público em todo o território nacional.
b) o juiz prestará a tutela jurisdicional ainda que não haja requerimento da parte ou
do interessado, nos casos e formas legais.
c) para propor ou contestar ação basta ter legitimidade.
d) ninguém poderá pleitear, em regra, em nome próprio, direito alheio.
e) o interesse do autor não pode limitar-se à declaração de inexistência de relação
jurídica.

05. (MP-SP) O Estado democrático de direito e o juiz natural:


a) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos
procedimentos de jurisdição voluntária.
b) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos
processos contenciosos.
c) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões somente nos processos
contenciosos (objetivos e subjetivos).
d) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões tanto nos processos
contenciosos como nos procedimentos de jurisdição voluntária.
e) Permitem a parcialidade do juiz destinada a realizar os objetivos fundamentais da
República Federativa do Brasil.

06. (TRT 22ª Região) A indeclinabilidade é uma característica


a) da ação.
b) da jurisdição.
c) do processo. 00000000000

d) da lide.
e) do procedimento.

GABARITO

01 C
02 E
03 C
04 D
05 D
06 B

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 Essa foi uma degustação da nossa aula. No próximo encontro, outras questões
sobre “Jurisdição” serão trabalhadas.

BIBLIOGRAFIA DO CURSO

BRASIL. CPC (1973). Código de Processo Civil, Brasília, DF, Senado, 1973.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, Brasília,
DF, Senado, 1988.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil – Teoria Geral do Processo e
Processo de Conhecimento. 12 ed. Salvador: Edições JUS PODIVM, 2010. v.1.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil – Teoria da Prova, Direito
Probatório, Teoria do Precedente, Decisão Judicial, Coisa Julgada e Antecipação dos
Efeitos da Tutela. 2 ed. Salvador: Edições JUS PODIVM, 2010. v.2.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil – Meios de Impugnação às
Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. 8 ed. Salvador: Edições JUS PODIVM,
2010. v.3.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil – Processo Coletivo. 5 ed.
Salvador: Edições JUS PODIVM, 2010. v.4.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil – Execução. 2 ed. Salvador:
Edições JUS PODIVM, 2010. v.5.
MONTENEGRO FILHO, Misael. Curso de direito Processual Civil, volume 1: teoria geral
do processo e processo de conhecimento. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
MONTENEGRO FILHO, Misael. Curso de direito Processual Civil, volume 2: teoria geral
do processo e processo de conhecimento. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
MONTENEGRO FILHO, Misael. Processo Civil. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense; São
00000000000

Paulo: Método, 2010.


THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. 18. ed., Rio de
Janeiro: Forense, 1999, v1.
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 18. ed., Rio de
Janeiro: Forense, 1999, v2.
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual Civil. 7. ed. São
Paulo: Saraiva, 2010, v1.
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual Civil. 7. ed. São
Paulo: Saraiva, 2010, v2.
ALVES, Leonardo Barreto Moreira; BERCLAZ, Márcio Soares. Ministério Público em Ação
– Atuação prática jurisdicional e extrajurisdicional. Salvador: Juspodivm, 2010.

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DONIZETTI, Elpídio; Curso Didático de Direito Processual Civil. 15. ed., São Paulo:
Editora Atlas S.A. – 2010.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 3. ed. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2011.
CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual Civil. 20.ed., Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2010, v1.
CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual Civil. 18.ed., Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2010, v2.
CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual Civil. 16.ed., Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2010, v3.

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