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13/05/2018 Mulheres na STEM - BAOBA

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Mulheres na STEM
A inserção de meninas e mulheres na área das exatas, em qualquer estágio do ensino –
seja no médio técnico ou superior – (ainda) é muito pequena, principalmente porque é
associado às ciências a racionalidade, enquanto às mulheres por meio de alegorias de
gênero são estereotipadas como sentimentais demais, emotivas demais. Some um fato

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ao outro e o resultado é: As ciências não são para as mulheres.

Repensar as práticas escolares com foco em equidade, de acordo com a professora e


física Katemari Rosa, do Instituto de física da UFBA (Universidade Federal da Bahia),
também passa pela construção de ações a rmativas que garantam maior
representatividade na ciência. “As mulheres mais excluídas do processo cientí co no
país são as mulheres negras”, diz a docente, ao mencionar que o CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Cientí co e Tecnológico) só adicionou o box raça no
currículo Lattes em 2013. O que temos? A falta de dados sobre quantas mulheres
negras estão fazendo ciências.  

Existe uma naturalização das desigualdades de oportunidades, incentivos e


perspectivas entre homens e mulheres que por muitas vezes, a consequência é a falta e
a negação das mulheres em quererem partilhar esses espaços. Depois de formadas,
essas mulheres tem que lidar com atitudes de menosprezo, descon ança das suas
capacidades e ainda o diferença salarial para o mesmo serviço prestado, quando
homens cientistas costumam ganhar até R$2.000 a mais do que as mulheres que
ocupam o mesmo cargo.

São esses alguns dos motivos que levam as mulheres a desistirem da carreira, mesmo
depois de passarem pelos percalços nada fáceis para se formarem em uma área que o
tempo todo, parece salientar que elas estão ocupando um espaço que não às pertence.

Uma das questões mais recorrentes quando apontamos uma perspectiva de gênero e
racial a falta de mulheres, em especial de mulheres negras dentro das ciências, é: Qual a
importância disso?

A resposta não requer grandes elaborações, já que foi comprovado que a inserção de
mulheres nas áreas em que geralmente elas não são bem vindas é uma questão de
direitos humanos e justiça social e resulta em espaços e empresas mais diversas e
portanto mais lucrativas. Diversidade nos espaços de poder, resulta na geração de uma
melhor ciência, que pode ser entendida como: outras formas de produção de
conhecimento e multiplicidade dos pontos de vista.  

” Valorizamos o que medimos, mas nem sempre medimos o que valorizamos”,


pesquisas setorizadas do Capes e do CNPq não possuem dados sobre gênero e menos
ainda sobre raça na STEM (acrônimo em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e
Matemática).

“Nós precisamos de dados. Não apenas dados do governo, mas das escolas. Temos que

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saber a quantidade de diretoras, professoras de física e alunos que ganharam prêmios”,


exempli ca a pesquisadora brasileira Márcia Barbosa, professora titular da UFRGS
(Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e integrante da Academia Brasileira de
Ciências, a pesquisadora defendeu que as escolas precisam repensar a forma como
trabalham seus conteúdos. “A construção social que determina que o cientista é um
homem barbudo, de jaleco branco e com uma caneta no bolso não tem nada a ver com
a construção do conhecimento. Temos que mudar tudo.”

Há dois fatores em comum entre todas as grandes empresas: a falta de liderança


feminina, apenas 9% das CEOs do mundo são mulheres e uma grande disparidade
entre mulheres em cargos iniciais e aquelas que chegam no topo.

O funil vai cando cada vez menor, por uma série de fatores que já são bastante
conhecidos: divisão desigual de afazeres domésticos e cuidados com a família, o que
di culta e muito a conciliação de carreira e responsabilidades familiares; a questão da
maternidade, que ainda torna a contratação de mulheres menos vantajosas aos olhos
de muitos empregadores; e não menos importantes que esses dois primeiros pontos,
temos os viéses inconscientes, as chamadas “crenças” que in uenciam os processos
de seleção, avaliação e promoção dentro das organizações, tais quais: o pensamento
cultural que faz com que mulheres e homens acreditem que existem atividades e
funções ‘para eles’ e ‘para elas’.

Alice de Paiva Abreu, professora emérita da UFRJ (Universidade Federal do rio de


Janeiro) e diretora do GenderInSITE, um programa internacional que estuda STEM
(acrônimo em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e equidade
de gênero, a rma que: “Se os países não puderem aproveitar todos os seus talentos,
certamente eles sofrerão em termos de desenvolvimento econômico.” e alerta para o
fato de estamos pautando em 2018 a mesma agenda de mudanças que foi construída
em 1995 e até o presente momento segue com as mesmas demandas:
1. Equidade de gênero na educação cientí ca e tecnológica.
2. Remover obstáculos nas carreiras cientí cas e tecnológicas de mulheres.
3. Tornar a ciência receptiva às necessidades da sociedade.
4. Fazer com que o processo decisório de ciência e tecnologia seja mais atento à
questão de gênero.
5. Ter um melhor relacionamento com sistemas de conhecimento locais.
6. Enfrentar questões éticas em ciências e tecnologia.
7. Melhorar a coleta de dados desagregados por sexo para os tomadores de decisão.
8. Promover igualdade de oportunidades nos grandes sistemas de ciência, tecnologia,
engenharia, matemática e inovação.

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Katemari Rosa enfatiza a importância de políticas públicas que incentivem as meninas


negras (políticas públicas focalizadas que se desdobrem em ações a rmativas), “Nós
precisamos de políticas públicas de inserção de mulheres e de pessoas negras nas
ciências. Precisamos de políticas públicas para se garantir que as pessoas desses
grupos sub-representados consigam permanecer quando entrarem nas universidades
e tenham sucesso nos cursos. Políticas também para que esses grupos tenham
sucesso nas suas carreiras pro ssionais, tenham possibilidade de ascensão
pro ssional. Não basta nós ampliarmos o acesso de mulheres negras, de pessoas
indígenas, dos grupos que estão sub-representados na ciência de maneira geral, a
gente precisa trabalhar também pela permanência e pela ascensão”

Suelaine Carneiro, socióloga e coordenadora do programa de educação do Geledés


Instituto da Mulher Negra, reiterou o apagamento dos saberes negros nas ciências ( no
ensino fundamental e médio) e de como isso se solidi ca na “Falta de possibilidades de
sonhar”, se não se sabe que é possível chegar, como almejar estar lá?

O Fórum Econômico Mundial estipulou no seu relatório de 2016, The Future of Jobs,
que empregos na área de informática e matemática terão um aumento de 3,21% até
2020, in uenciada principalmente pela urbanização, pelo crescimento de países em
desenvolvimento e por avanços tecnológicos. Para esse fenômeno, ele deu o nome de
Quarta Revolução Industrial.

Como estamos preparando, estimulando e incentivando as meninas e mulheres negras


a seguirem no caminho das STEM (acrônimo em inglês para Ciências, Tecnologia,
Engenharia e Matemática) para estarem aptas as vagas que surgirão em 2020? Como
diminuir esse gap de gênero?

Hoje já existem algumas iniciativas, comunidades e programas para mulheres em


tecnologia, dentre eles:

PrograMaria: Atua em São Paulo e oferece curso de introdução à programação com


foco em desenvolvimento web
PretaLab: iniciativa do Rio de Janeiro que atua no protagonismo das meninas e
mulheres negras e indígenas nos campos da inovação e tecnologia
Reprograma: atua em São Paulo inspirando, empoderando e educando mulheres, por
meio de conhecimentos de computação e ferramentas de capacitação pro ssional
MariaLab: coletivo em São Paulo que tem como objetivo encorajar, empoderar e unir
mulheres através do interesse pela cultura hacker
PyLadies: comunidade mundial que foi trazida ao Brasil com o propósito de instigar
mais mulheres a entrarem na área tecnológica

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Django Girls: comunidade que oferece workshops de desenvolvimento web para


mulheres iniciantes
Meninas Digitais: programa que apresenta as áreas de TI para alunas do ensino
médio/tecnológico
Mulheres na Tecnologia: organização sem ns lucrativos que contribui para o
protagonismo feminino na era digital

Fontes:
Parte das falas das mulheres nessa matéria foram colhidas durante o Seminário Elas
nas Exatas, realizado pelo Fundo Elas, no Rio de janeiro no mês de março.

http://porvir.org/referencias-na-escola-sao-importantes-para-trazer-mais-mulheres-
paras-as-exatas/

https://www.napratica.org.br/carreira-em-tecnologia-para-mulheres/

https://www.napratica.org.br/como-e-carreira-para-mulheres-em-ciencias-tecnologia-
engenharia-e-matematica/

http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/katemari-rosa/

C U LT U R A , E D U C A Ç Ã O

AC E S S O , C I E N C I A S , E D U CAÇ ÃO , M U L H E R E S , M U L H E R E S N EG R A S , O P O R T U N I DA D E

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