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VIRGILIO ANTONIO RIBEIRO DE OLIVEIRA FILHO: Procurador Federal.

Coordenador-Geral
de Direito Administrativo e Consultor-Geral Jurídico Substituto do Ministério da Previdência
Social. Presidente de Comissão de Processo Administrativo Disciplinar. Estudante do Curso de
Doutorado em Direito Constitucional da Universidade de Buenos Aires. Especialista em Direito
Público pela ESMAPE.Ex-Assessor da Casa Civil da Presidência da República. Ex-
Coordenador de Consultoria e Assessoramento Jurídico da Superintendência Nacional de
Previdência Complementar-PREVIC.

Comentários à Revisão Administrativa Disciplinar Prevista no Artigo 174 da Lei n.º 8.112, de 11
de Dezembro de 1990

A Administração pública tem o dever de rever seus atos sempre que os mesmos estejam
eivados de ilegalidade. Esse poder é visto como preceito basilar no direito administrativo. O
direito sancionador, estando inserido no direito administrativo, segue os mesmo ditames.

O artigo 114 da Lei n.º 8.112, de 11 de Dezembro de 1990, traduz o acima dito:

Art. 114. A administração deverá rever seus atos, a qualquer tempo, quando eivados de
ilegalidade.

A Lei 9.784/99 reproduz o artigo acima citado e vai um pouco mais além:

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de
legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos.

O Supremo Tribunal Federal já, inclusive, sumulou a questão:

Súmula STF nº 473 - A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os
casos a apreciação judicial.

Assim, no direito disciplinar a revisão administrativa prevista no artigo 174 da Lei 8.112/90 é o
cumprimento do preceito administrativo em análise. In verbis:

Art. 174. O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício,
quando se aduzirem fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do
punido ou a inadequação da penalidade aplicada.

§ 1º Em caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do servidor, qualquer pessoa da


família poderá requerer a revisão do processo.

§ 2º No caso de incapacidade mental do servidor, a revisão será requerida pelo respectivo


curador.

Art. 175. No processo revisional, o ônus da prova cabe ao requerente.


Vale lembrar, ainda, que a Lei 9.784/99 também previu a revisão administrativa para o
processo administrativo, nos mesmos moldes do processo disciplinar:

Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a
qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias
relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.

Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção.

É bem de ver que a Lei 8.112/90 trouxe, também, os requisitos de admissibilidade da Revisão,
como por exemplo, a necessária presença do fato novo para conhecimento da petição. Assim,
a presença de elementos novos é imprescindível para o conhecimento da Revisão:

Art. 176. A simples alegação de injustiça da penalidade não constitui fundamento para a
revisão, que requer elementos novos, ainda não apreciados no processo originário.

Vejamos o que o antigo Departamento de Administração do Serviço Público – DASP pregou em


sua Formulação nº 252:

“não cabe revisão de inquérito se o Requerente não aduz fatos ou circunstâncias novas
capazes de comprovar sua inocência”.

É bem de ver que o fato novo dito pela lei não deve ser interpretado necessariamente como
fato ocorrido após o julgamento do processo. O fato novo pode ser novo apenas para o
processo. Explico. O fato já existia à época da infração, mas não era conhecido ou não havia
elemento de prova suficiente para comprová-lo.

Apoiando esta linha de raciocínio temos o Ilustre doutrinador José Armando da Costa:

Ressalte-se, todavia, que, para o efeito do instituto da revisão disciplinar, o atributo


“novidade” tem conotação subjetivo-relativa e não cronológica. De modo que fato novo não é,
em absoluto, aquele dotado de recenticidade, mas, sim, o que constitui novidade para o
servidor apenado.
Cronologicamente, o fato deve ser, pelo menos, contemporâneo à falta atribuída ao servidor e
nunca posterior. Caso contrário, não terá a alegativa invocada idoneidade para justificar a
inocência do Requerente. O instrumental probatório é que poderá surgir depois, como, por
exemplo, o caso em que o verdadeiro autor do ilícito disciplinar resolve confessar a autoria
unipessoal, que exclui, ipso facto, a responsabilidade do servidor inocente. O fato é antigo no
tempo, mas novo como instrumental de prova disciplinar.

Nessa acepção subjetivo-relativa, todos os fatos que tenham sido alegados no processo
originário são, em princípio, velhos, embora a recíproca nem sempre seja verdadeira, vale
dizer, nem todos os fatos que não tenham sido enfocados configuram argumentos novos, uma
vez que é possível que eles já fossem do conhecimento do então acusado, que, por
comodismo, descuido, descrença, ou outra razão qualquer, deixou de argüi-los em sua defesa,
na constância do processo disciplinar.

(...)

De resto, saliente-se que os fatos novos aduzidos pelo peticionário devem ser dotados de
potencialidade material e jurídica para sufocarem a legitimidade das razões que deram
consistência à punição infligida. Se os fatos forem novos e comprováveis, mas não
apresentarem essa eficiência elisiva da motivação da reprimenda imposta, não poderão, por
conseguinte, servir de base à abertura do processo revisional.[1]

Acerca do entendimento de nossos Tribunais Superiores, podemos citar o Supremo Tribunal


Federal, no julgamento do RHC nº 57.191, que assim se manifestou sobre a questão:

Serão somente aquelas que produzem alteração no panorama probatório dentro do qual fora
concebido e acolhido o pedido de arquivamento. A nova prova há de ser substancialmente
inovadora e não apenas formalmente nova.

A Douta Advocacia-Geral da União, por intermédio do Parecer vinculante AGU nº GQ-10, já


teve a oportunidade de enfrentar a questão de novos elementos probatórios. Assim se
posicionou:

20. Por em regra, tinha a extinta Consultoria Geral da República e, atualmente, a Advocacia-
Geral da União, como meta não proceder à revisão de decisão presidencial, a não ser que
elementos novos, merecedores de ponderação, fossem oferecidos pelo interessado. Também,
tenho-me mostrado infenso às revisões quando não hajam sido trazidos à colação novos fatos
que a possam ensejar. Na espécie, entretanto, penso, salvo melhor entendimento, que a
solicitação deve merecer acolhida, isto porque, os elementos jurídicos apresentados no
Parecer CJ nº 074/93/MJ são bastantes para se chegar à conclusão de que, na verdade, toda
pretensão exposta perante a Administração Pública com a finalidade de rever ato contaminado
com vício de nulidade acha-se sujeita à prescrição qüinqüenal consignada no Decreto
20.910/32, não podendo ser relevada sob pena de acarretar - como ficou patenteado na E.M.
nº 355/MJ - danosas conseqüências ao serviço público.

Cumpre esclarecer, também, que apenas o Ministro de Estado está apto a deferir o pedido de
revisão administrativa disciplinar. Assim sendo, em se admitindo novas provas autorizadoras
da revisão, o Ministro de Estado constituirá nova comissão processante para instrução e
análise dos fatos novos conforme rito estabelecido pela Lei 8.112/90. In verbis:

Art. 177. O requerimento de revisão do processo será dirigido ao Ministro de Estado ou


autoridade equivalente, que, se autorizar a revisão, encaminhará o pedido ao dirigente do
órgão ou entidade onde se originou o processo disciplinar.

Parágrafo único. Deferida a petição, a autoridade competente providenciará a constituição de


comissão, na forma do art. 149.
Art. 178. A revisão correrá em apenso ao processo originário.

Parágrafo único. Na petição inicial, o requerente pedirá dia e hora para a produção de provas e
inquirição das testemunhas que arrolar.

Art. 179. A comissão revisora terá 60 (sessenta) dias para a conclusão dos trabalhos.

Art. 180. Aplicam-se aos trabalhos da comissão revisora, no que couber, as normas e
procedimentos próprios da comissão do processo disciplinar.

Art. 181. O julgamento caberá à autoridade que aplicou a penalidade, nos termos do art. 141.

Parágrafo único. O prazo para julgamento será de 20 (vinte) dias, contados do recebimento do
processo, no curso do qual a autoridade julgadora poderá determinar diligências.

Art. 182. Julgada procedente a revisão, será declarada sem efeito a penalidade aplicada,
restabelecendo-se todos os direitos do servidor, exceto em relação à destituição do cargo em
comissão, que será convertida em exoneração.

Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento de penalidade.

Se a nova comissão processante concluir, em seu relatório final, pela procedência das
alegações do servidor e, em sendo o mesmo aprovado, é declarada procedente a revisão
administrativa.

Logo, como consequência, a penalidade anteriormente aplicada será declarada sem efeito,
como se nunca tivesse existido no mundo jurídico.

Com efeito, da revisão só pode resultar dois resultados: ou a penalidade é revista em favor do
servidor ou a penalidade é mantida. A revisão do processo nunca poderá agravar a penalidade
do servidor.

Sempre tendo em mente que a finalidade do Processo Administrativo Disciplinar não é aplicar
penalidade ao servidor. Muito pelo contrário. A finalidade precípua do Processo Administrativo
Disciplinar é de apurar os fatos para que se chegue à verdade real dos mesmos. A declaração
de condenação ou inocência do servidor é apenas consequência da busca da verdade real.

Diante do exposto, concluímos que o instituto da Revisão disciplinar é muito salutar tanto para
o servidor como para a Administração Pública.

Bibliografia:

COSTA, José Armando da. Teoria e Prática do Processo Administrativo Disciplinar, 5ª edição,
Brasília Jurídica, 2005.
MADEIRA, Vinicius de Carvalho. Lições de Processo Disciplinar, Brasília, Editora Fortium, 2008.
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 22ª edição, São Paulo, Malheiros,
1997.

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 12ª edição, 2ª tiragem,
São Paulo, Malheiros, 1999.

OSÓRIO, Fábio Medina. Direito Administrativo Sancionador, São Paulo, Editora Revista dos
Tribunais, 2000.

PEREIRA, Caio Mário da Silva; Instituições de direito civil, v.1, 18. ed., Rio de Janeiro: Forense,
1997.

REALE JÚNIOR, Miguel Instituições de Direito Penal, vol.1, ed. Forense, 2004.

Nota:
[1] COSTA, José Armando da, “Teoria e Prática do Processo Administrativo Disciplinar”, 2005,
editora Brasília Jurídica, 5ª edição, pág.482.